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Hoje Macau 11 SET 2018 #4132

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MOP$10

TERÇA-FEIRA 11 DE SETEMBRO DE 2018 • ANO XVIII • Nº 4133

DIREITOS HUMANOS

OS CAMPOS DE XINJIANG

hojemacau

GRANDE PLANO

Rumo à sucessão

JURISTAS | AL

VOTOS DE FELICIDADE PÁGINA 4

SULU SOU

AGENTES INFILTRADOS

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PÁGINA 7

Um dos nomes mais falados para suceder a Chui Sai On recebeu ontem o aval do irmão do Chefe do Executivo. Chui Sai Cheong entende que Ho Iat Seng reúne condições para ser o próximo líder do Governo de Macau. Há cerca de um ano da escolha do novo Chefe do Executivo, o futuro começa a tomar forma. PÁGINA 5

AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006

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HOJE MACAU

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ


2 grande plano

A

organização não-governamental (ONG) Human Rights Watch denunciou ontem "a violação sistemática" dos direitos humanos da minoria étnica chinesa de origem muçulmana uigure, através de detenções arbitrárias, tortura ou vigilância permanente, na região de Xinjiang. Num relatório intitulado "Erradicar vírus ideológicos: a campanha repressiva da China contra muçulmanos em Xinjiang", a organização de defesa dos direitos humanos descreve como Pequim converteu o extremo noroeste do país num estado policial, com milhares de uigures a serem arbitrariamente detidos em campos de doutrinação política. "O Governo chinês está a violar os direitos humanos em Xinjiang numa escala inédita no país nas últimas décadas", acusa Sophie Richardson, directora para a China da HRW, no documento. Richardson considera ainda que a "campanha repressiva" da China é um "teste fundamental" à ONU e aos governos estrangeiros. A China tem negado sempre a existência de "centros de reeducação" ou de "detenção arbitrária", e argumenta tratarem-se de "centros de educação vocacional". Os internamentos são justificados pelas autoridades chinesas pela necessidade de ajudar "os que foram enganados pelo extremismo religioso (...) através do reassentamento e educação". As autoridades chinesas insistem que são necessárias medidas duras para punir separatistas e extremistas religiosos na região, que concentra mais de 13 milhões de muçulmanos. Em 2009, a capital do Xinjiang, Urumqi, foi palco dos mais violentos conflitos étnicos registados nas últimas décadas na China, entre os uigures e a maioria han, predominante em cargos de poder político e empresarial regional. Desde então, as autoridades lançaram uma campanha repressiva, que foi reforçada a partir de 2016, quando o secretário do Partido Comunista Chinês (PCC), Chen Quanguo, foi transferido para a região, após vários anos no Tibete.

11.9.2018 terça-feira

ESTADO DESUMANO XINJIANG

HUMAN RIGHTS WATCH DENUNCIA CAMPANHA REPRESSIVA DE PEQUIM

O mais recente relatório da Human Rights Watch diz que a repressão contra os uigures, uma minoria étnica chinesa oriunda de Xinjiang, atingiu níveis nunca antes vistos. Detenções arbitrárias de pessoas que não têm sequer registo criminal, videovigilância em campos de reeducação política e estadia forçada na casa de pessoas, a fim de se espalhar a propaganda do PCC são referidos no relatório

De acordo com a HRW, centenas de milhares de uigures foram arbitrariamente detidos em campos de doutrinação política, onde são forçados a criticar o islão e a própria cultura, a aprender mandarim e a jurar lealdade ao PCC. O relatório baseia-se em entrevistas com 58 ex-residentes na região, incluindo antigos detidos e 38 familiares de detidos, e estima que um milhão de uigures continua detido nos campos, onde os que resistem ou falham "na aprendizagem" são punidos. Estes não têm direito a julgamento, nem acesso a advogados e familiares. As detenções podem ocorrer sob acusações como aceder a portais estrangeiros ou contactar familiares além-fronteiras, indica a ONG. Fora dos campos, os uigures em Xinjiang são igualmente submetidos a fortes restrições, que de "muitas formas" tornam as suas "vidas parecidas" com as dos detidos, acrescenta. A HRW descreve como uma combinação de medidas administrativas e postos de controlo restringem os movimentos dos membros da minoria étnica chinesa, que são também forçados a doutrinação política. "Através de níveis sem precedentes de controlo da prática religiosa, as autoridades efetivamente proibiram o islão na região", refere a HRW. A organização descreve como as autoridades encorajam vizinhos a vigiarem-se uns aos outros e, através de sistemas de análise de dados, inteligência artificial ou controlo dos telemóveis, asseguram a monitorização constante da população. Um outra medida inclui impor às famílias uigures que recebam funcionários públicos em casa. "É evidente que a China não prevê custos políticos significativos com a sua campanha abusiva em Xinjiang, em parte devido à influência que tem no sistema da ONU", nota a HRW. A organização defende que perante a evidência de violações graves em Xinjiang, os governos estrangeiros devem adoptar acções unilaterais e multilaterais.

CONTROLO DENTRO E FORA

A HRW revela casos específicos contados por pessoas sujeitas a vários tipos de repressão e que não quiseram


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terça-feira 11.9.2018

MAYA WANG, INVESTIGADORA SÉNIOR DA HRW

“Governo não nos dá acesso à região”

dar a cara em nome da sua segurança pessoal. Todos os nomes surgem como pseudónimos. Rustam, que passou vários meses em campos de reeducação política, falou à organização em Maio deste ano. “Ninguém se pode mover porque somos observados através de câmaras de videovigilância, e depois, ao fim de um tempo, ouvimos uma voz num altifalante que nos diz que podemos relaxar durante alguns minutos. Essa voz também nos diz quando nos podemos mexer. Somos observados até mesmo quando vamos à casa de banho. No campo de reeducação política, estamos sempre sob stress”, contou. Nur, que foi entrevistado pela HRW em Março deste ano, recordou as dificuldades por que passou ao ser colocado numa pequena cela. “Resisti às medidas que me impuseram. Colocaram-me numa cela solitária bastante pequena, num espaço de 2x2 metros sem me darem água ou comida. Tinha as mãos

“Estou assustado. Não aderi a nenhuma organização ou movimento terrorista contra a China. Não aderi a nenhum tipo de demonstrações públicas. Não exibi a bandeira do Turquestão. Não tenho qualquer registo criminal na China. Porque estão a fazer este tipo de coisas?” MURAT ESTUDANTE DE 37 ANOS

atadas atrás das costas e fiquei assim durante 24 horas sem poder dormir.” Mesmo aqueles que não são detidos pelas autorida-

des enfrentam diariamente um forte controlo policial nas principais cidades da província. “Um total de cinco polícias revezaram-se para me vigiar em casa. Tinham de documentar tudo o que viam e as fotos mostram-nos a ler documentos de propaganda política comigo ou mostram-me a mim a preparar a cama ou o sofá para que eles pudessem passar a noite em minha casa”, referiu Aynur, uma mulher que deixou Xinjiang em Maio deste ano. Outro relato de oficiais presentes nas casas particulares das pessoas é feito por Ainagul, de 52 anos, que saiu da província o ano passado, tendo o seu filho ficado num campo de reeducação política. “Desde meados de 2017, cerca de duas vezes por semanas, os polícias vinham, e no caso de algumas pessoas até passavam a noite nas suas casas. Os polícias falaram com o meu filho, os meus netos, tiraram-nos fotografias, sentaram-se na mesa e perguntaram onde é

“É evidente que a China não prevê custos políticos significativos com a sua campanha abusiva em Xinjiang, em parte devido à influência que tem no sistema da ONU.”

O que está a acontecer em Xinjiang? O Governo chinês está a levar a cabo uma campanha de repressão a larga escala contra os turcos muçulmanos, que são, na sua maioria, uigures e cazaques. As autoridades estabeleceram vários campos de reeducação política na província. Além de terem de aprender canções de propaganda e aprender mandarim, que não é a sua língua mãe, os turcos muçulmanos estão proibidos de dizer ‘As-Salaam-Alaikum’ [uma saudação muçulmana que significa ‘que a paz esteja convosco’] e devem antes dizer olá em mandarim. Se resistirem, ou se os oficiais acharem que estão a falhar

Porque é que os turcos muçulmanos são enviados para os campos? As autoridades chinesas têm dado atenção às pessoas com ligações a uma lista de “26 países sensíveis”, incluindo o Cazaquistão, Turquia e Indonésia.Atítulo de exemplo, alguém que tenha visitado a Turquia durante duas semanas pode ficar marcado. Também têm debaixo de olho pessoas que comunicaram com o estrangeiro através de aplicações como o Whatsapp. Outros foram enviados para os campos de reeducação política por usarem barba, uma vez que o cabelo facial foi proibido. Mas não há uma justificação legal para estes campos e não houve

nas suas lições, são punidos. Podem ser sujeitos a detenções em celas solitárias, serem proibidos de comer por um certo período de tempo ou ficar de pé durante períodos de 24 horas, entre outras punições. Os campos de reeducação política são apenas uma parte da repressão. Os turcos muçulmanos também são mantidos em centros de detenção e prisões. Os dados oficiais sugerem que as detenções formais triplicaram em Xinjiang nos últimos cinco anos. A repressão também tem um impacto fora da China, pois muitos uigures e cazaques vivem no estrangeiro, e a repressão tem vindo a separar muitas famílias. Alguns membros de uma família são mantidos em Xinjiang e não podem sair porque as autoridades confiscam os seus passaportes, ou são detidos enquanto os restantes membros da família continuam fora da China.Acomunicação entre eles não é permitida.

qualquer tipo de acusação ou sentença. Os detidos podem passar vários meses nestes campos.

HUMAN RIGHTS WATCH

que estava o meu marido, onde é que ele tinha ido. Estava mesmo assustada e fingi estar ocupada a tomar conta dos meus netos. Estava preocupada porque, se falasse, poderia dizer que o meu marido já tinha ido embora [para o estrangeiro]. Então decidi ficar calada.” Além do controlo que é feito dentro de fronteiras, quem é natural de Xinjiang afirma sentir-se perseguido fora da China. “Eles dão sinais de que mesmo que vivas num país estrangeiro podem ‘coordenar-te’. Estou assustado. Não aderi a nenhuma organização ou movimento terrorista contra a China. Não aderi a nenhum tipo de demonstrações públicas. Não exibi a bandeira do Turquestão. Não tenho qualquer registo criminal na China. Porque estão a fazer este tipo de coisas?”, questionou Murat, estudante de 37 anos, que vive fora do país e cuja irmã está actualmente num campo de reeducação política. Andreia Sofia Silva com agências info@hojemacau.com.mo

Como é que esta investigação foi elaborada? Entrevistamos 58 pessoas, e cinco delas tinham estado detidas em campos de reeducação política ou centros. Mais de uma dezena deixou Xinjiang depois de Janeiro de 2017, o que significa que passaram pela repressão sob liderança do secretário do PCC em Xinjiang, Chen Quanguo. Outros têm membros da família presos e não podem sair do país porque têm os seus passaportes confiscados. Só falamos com pessoas que deixaram Xinjiang porque não queremos pôr em perigo as pessoas que continuam na região autónoma. O Governo chinês não permite o nosso acesso à região e tentar fazer entrevistas colocaria as pessoas em risco. Também analisamos muitos documentos oficiais e relatórios.


4 política

11.9.2018 terça-feira

HOJE MACAU

nalistas, Chui Sai Cheong sustentou que a atmosfera do encontro a quatro, que se seguiu ao envio da carta aos juristas a informar que os seus contratos não seriam renovados, “era boa” e escusou facultar mais detalhes, sustentando “não ser adequado” responder a perguntas sobre “um assunto privado”. O presidente da AL confirmou que Paulo Cardinal e Paulo Taipa figuram como os únicos assessores da AL que vão ser dispensados – pelo menos por enquanto. “Neste momento, a Mesa da AL ainda não cancelou contratos de outros assessores porque são relativamente novos”, afirmou Ho Iat Seng.

F

OI a primeira reacção do presidente da Assembleia Legislativa (AL) desde que veio a público que Paulo Cardinal e Paulo Taipa vão deixar o hemiciclo a 31 de Dezembro. Ho Iat Seng garantiu que não houve motivações políticas nem relacionadas com a nacionalidade dos profissionais na decisão da Mesa da AL em não renovar os contratos de trabalho de ambos. “Não há nenhuma razão política”, afirmou o presidente da AL, na conferência de imprensa de balanço da sessão legislativa, que ficou marcada pelo afastamento dos dois juristas portugueses. “Não houve nenhuma ponderação política – podem perguntar aos interessados. Nada disto está em causa. Espero que possam compreender. Se tudo estiver associado à política não há nenhuma explicação em concreto”, observou Ho Iat Seng. “Não é um grande caso”, apontou o presidente da AL que, por diversas vezes, insistiu que a não renovação dos contratos é uma opção que assiste a ambas as partes. “Já estou na AL há quase nove anos e há sempre saída e entrada de pessoal. Acho que é normal haver alteração do pessoal”, sustentou Ho Iat Seng, elencando uma série de casos. Todos, porém, diziam respeito a assessores que deixaram a AL por iniciativa própria ou uma vez atingida a idade de reforma. O exemplo mais paradigmático é o de Liu Dexue que, após deixar o hemiciclo, assumiu o cargo

AL PRESIDENTE NEGA MOTIVAÇÕES POLÍTICAS NO AFASTAMENTO DE JURISTAS

São coisas da vida

O presidente da Assembleia Legislativa (AL) nega motivações políticas para a saída dos juristas Paulo Cardinal e Paulo Taipa, mas persistem dúvidas sobre os fundamentos que levaram à não renovação dos contratos de dois dos mais experientes quadros da assessoria da AL. Ho Iat Seng relativizou o caso, afirmou que a rotatividade de pessoal é “normal” e desejou o melhor aos dois juristas portugueses

de director dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ). “Nem sempre [saem] porque trabalham mal. Aqueles que trabalham bem queremos que tenham melhorias e [para] aqueles que fazem bem então queremos o melhor futuro”, observou Ho Iat Seng. “Queremos trabalhadores de boa qualidade e também com isto podemos deixar trabalhadores com boa qualidade desenvolver a sua vida lá fora. Também

entregámos uma carta a elogiar os dois juristas. Será que temos de manter estes dois trabalhadores cá na AL a trabalhar até à reforma?”, questionou.

Para Ho Iat Seng, a saída da AL pode até mesmo ser uma oportunidade, dado que, a seu ver, ambos os juristas “estão na idade para criar o seu negócio ou a sua

“No encontro com os assessores, eu e o vice-presidente da AL [Chui Sai Cheong] também lhes dissemos para nos convidarem para a inauguração se, no futuro, abrirem um escritório de advogados.” HO IAT SENG

AL ESTUDA SE “ASSEMBLEIA DO LIXO” É INJÚRIA

O

presidente da AL, Ho Iat Seng, afirmou ontem que na sequência de protestos por parte dos deputados contra a expressão “Assembleia do Lixo” não teve alternativa senão enviar o assunto para a Comissão de Regimento e Mandatos analisar se houve injúria ao órgão que preside. A expressão popular, que nasceu da semelhança fonética em chinês com “Assembleia Legislativa”, foi utilizada pelo deputado Sulu Sou no hemiciclo, num acto que motivou um protesto por parte de Vong Hin Fai. Confrontado com o facto de a expressão ter sido ouvida antes na

AL e de ter havido outros casos de intervenções menos próprias por parte de deputados, Ho Iat Seng refutou a existência de dualidade de critérios. “Eu só posso entregar esta matéria à Comissão de Regimento e Mandatos para dar o devido acompanhamento”, porque “a questão foi levantada”, insistiu. Ho Iat Seng rejeitou também incompatibilidades devido ao facto de Vong Hin Fai ser secretário da Comissão de Regimento e Mandatos. “Se invocarmos o impedimento para tudo então não conseguimos realizar nenhum trabalho”, apontou.

carreira”. “Não queremos causar um impedimento para o seu melhor futuro. (...) “No encontro com os assessores, eu e o vice-presidente da AL [Chui Sai Cheong] também lhes dissemos para nos convidarem para a inauguração se, no futuro, abrirem um escritório de advogados”, enfatizou.

OS ÚNICOS

Rejeitadas razões de cariz político ou relacionadas com a nacionalidade e dado que a competência profissional de Paulo Cardinal e Paulo Taipa nunca foi colocada em causa, mantêm-se as dúvidas quanto aos fundamentos que estiveram efectivamente na base da decisão de dispensa dos dois juristas. “Penso que o presidente [da AL] já respondeu claramente”, afirmou, por seu turno, o vice-presidente da AL, também presente na conferência de imprensa de balanço. Face à insistência dos jor-

JURISTAS EM QUANTIDADE E QUALIDADE

O presidente da AL também desvalorizou o impacto da saída de Paulo Cardinal e Paulo Taipa – com mais de duas décadas ao serviço da AL – , defendendo que há juristas suficientes e com capacidades. Tanto que, a breve trecho, a AL não tem planos para contratar novos profissionais para substituir dois dos seus mais experientes assessores, embora essa possibilidade não esteja posta de parte no futuro se a Mesa da AL assim o entender, sublinhou Ho Iat Seng. Isto apesar de a inesperada decisão ter sido justificada com uma ideia de reorganização dos quadros de assessoria jurídica do hemiciclo. “Acho que há pessoal suficiente na área jurídica”, defendeu, puxando de números: Até 31 de Dezembro, o hemiciclo conta com 24 profissionais (dos quais nove assessores, seis técnicos agregados e nove técnicos superiores) e há ainda quatro deputados também com formação na área. “Os assessores da AL são de boa qualidade”, afirmou, realçando, em particular, que “conhecem bem a Lei Básica”, até “porque foi elaborada em primeiro lugar na língua chinesa”, antes de ser vertida para português. “Os nossos assessores têm bons conhecimentos sobre a Lei Básica – não se preocupem”, rematou Ho Iat Seng. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo


política 5

terça-feira 11.9.2018

O vice-presidente da Assembleia Legislativa e irmão do Chefe do Executivo, Chui Sai Cheong, afirmou que Ho Iat Seng reúne condições para desempenhar o cargo do topo da hierarquia executiva

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presidente da Assembleia Legislativa (AL), Ho Iat Seng, apontado como um dos potenciais candidatos ao cargo de Chefe do Executivo, escusou-se ontem a comentar se pretende entrar na corrida de 2019.

CHEFE DO EXECUTIVO CHUI SAI CHEONG DIZ QUE HO IAT SENG REÚNE CONDIÇÕES PARA O CARGO

Voto de confiança

No entanto, o ‘número dois’ da AL, Chui Sai Cheong, não tem dúvidas de que Ho Iat Seng se encaixa no perfil para suceder ao seu irmão à frente do Governo de Macau.

quando falta sensivelmente um ano para a escolha do próximo líder da RAEM.

JOGO DA CADEIRA

“Acho que o senhor presidente já reúne todas as condições para ser Chefe do Executivo, mas cabe a ele decidir. Já completou 40 anos de idade [e] tem capacidade política”, afirmou Chui Sai Cheong, cujo ir-

“Por enquanto, ainda sou o presidente da AL. Não quero que haja nenhuma confusão.”

mão, Fernando Chui Sai On, deixa o cargo em Dezembro de 2019 após cumprir dois mandatos. Relativamente à possibilidade de vir a ocupar o eventual lugar de Ho Iat Seng – caso este decida avançar com uma candidatura a Chefe do Executivo –, Chui Sai Cheong fechou-se em copas. “Acho que também não é o momento adequado para discutir essa questão”, disse aos jornalistas, antes de garantir que “nunca” ponderou a hipótese de ascender à presidência do hemiciclo. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

HO IAT SENG

GCS

SESSÃO LEGISLATIVA EM NÚMEROS

“Por enquanto, ainda sou presidente da AL. Alguém vai despedir-me? Não sei. Alguém vai excluir-me? Não sei. Se vou ver o meu mandato suspenso? Não sei. Agora, por enquanto, ainda sou o presidente da AL. Não quero que haja nenhuma confusão”, afirmou Ho Iat Seng, sem ceder à insistência dos jornalistas. Ho Iat Seng falava na tradicional conferência de imprensa de balanço da sessão legislativa, na qual marcou presença, pela primeira vez, o vice-presidente da AL. Instado a comentar a eventual candidatura de Ho, Chui Sai Cheong transmitiu uma mensagem de apoio, a primeira a um potencial candidato a Chefe do Executivo

• Reuniões plenárias:

51

• Reuniões de comissão:

166

• Comissão de Regimento e Mandatos:

3

• 1.ª Comissão Permanente:

45

• 2.ª Comissão Permanente:

38

• 3.ª Comissão Permanente:

56

• Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas:

9

• Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas:

9

• Comissão de Acompanhamento para os Assuntos da Administração Pública:

9

• Leis aprovadas:

13

• Interpelações orais:

63

• Interpelações escritas:

636

• Intervenções no período antes da ordem do dia:

341

O DEPUTADO QUE MAIS FALTOU Vítor Cheung Lup Kwan, eleito por sufrágio indirecto, foi o deputado que mais faltou aos plenários: participou em 39 de um total de 51. Isto sem contar com Sulu Sou, que apenas compareceu a 25, dado que o seu mandato como deputado esteve suspenso. O mesmo sucedeu no caso das comissões que integra: dado que o decano foi a 2 reuniões realizadas pela 3.ª Comissão Permanente (de um universo de 56) e a outras tantas da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos da Administração Pública (de um total de 7). Já intervenções no período antes da ordem do dia ou interpelações escritas e orais foram 0 – tal como Chan Chak Mo, também eleito por sufrágio indirecto.

O

presidente da AL, Ho Iat Seng, expressou ontem apoio à recém-anunciada Comissão de Defesa de Segurança do Estado, que entra em funcionamento no próximo mês. “A segurança nacional é muito importante”, afirmou, durante a conferência de imprensa de balanço da sessão legislativa, defendendo também que cada cidadão também tem o dever de “contribuir para [a] salvaguardar”. “Está tudo conforme a Constituição [da República Popular da China] e

Seguro de vida

Ho Iat Seng apoia nova Comissão de Defesa de Segurança do Estado a Lei Básica”, apontou o presidente da AL, que é também membro do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional (APN), afastando eventuais incompatibilidades relativamente às disposições da Lei Básica levantadas por juristas. A Comissão de Defesa de Segurança do Estado, criada através de regulamento

administrativo, tem como principal missão prestar apoio ao Chefe do Executivo na tomada de decisões. O cargo de presidente vai ser ocupado pelo próprio Chefe do Executivo, enquanto o de vice será exercido pelo secretário para a Segurança, estando previsto que reúna pelo menos de seis e, seis meses.

“Em toda a China, depois da lei de segurança nacional, cada província, distrito ou cidade tem de criar a sua comissão da segurança do Estado – [isso] decorre do regime”, argumentou Ho Iat Seng. “Não estamos isolados”, frisou. Para o presidente da AL também não há razão para eventuais receios relativos aos poderes do novo órgão. “Esta Comissão vai actuar ao nível de políticas e quando executa e lei tem de seguir as nossas disposições legais.”


6 política

11.9.2018 terça-feira

O Governo deve implementar nos casinos e hotéis o sistema de reconhecimento facial que já existe nas caixas multibanco. A sugestão é do deputado Leong Sun Iok e tem como objectivo o controlo da criminalidade nestes espaços

SEGURANÇA PEDIDO RECONHECIMENTO FACIAL NOS CASINOS E HOTÉIS

Cara a cara

primeiros seis meses do ano, verificaram-se seis casos de assaltos em casinos e 13 casos em hotéis, “números que representam um aumento na ordem dos 50 por cento em relação ao período homólogo do ano anterior”, aponta. No que respeita a casos de burla dentro de salas de jogo, registaram-se 93 casos, número que representa um aumento de 24 por cento em relação ao mesmo período em 2017.

TURISTAS ATACADOS

De acordo com a secretaria para a Segurança, na primeira metade de 2018 houve um total de 2159 turistas do continente que durante a sua visita a Macau acabaram vítimas de actos criminosos tais como, ofensas corporais, furto, assalto e usura, que na sua maioria ocorreram em casinos, postos fronteiriços e zonas turísticas, refere Leong.

Leong Sun Iok argumenta com os dados que apontam os casinos como os locais onde se praticam mais crimes

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EDITAL Edital n.º :102/E-BC/2018 Processo n.º :567/BC/2017/F Assunto :Início da audiência pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local :Travessa da Praia Grande n.º 10, Edf. Nga Yuen,parte do terraço sobrejacente à fracção 4.º andar B, Macau.

MELCO PIONEIRA

O sistema de vigilância através de reconhecimento facial já está a ser implementado pela Melco Crown Entertainment. O sistema utilizado é o FaceVACS-VideoScan, desenvolvido pela empresa de tecnologia Cognitec, sob a indicação da Melco Crown, apontava o jornal Ponto Final em 2016. Segundo a mesma fonte, tratava-se do primeiro sistema do género criado especialmente para a indústria do jogo. O software utiliza tecnologia avançada de reconhecimento facial para detectar os rostos de clientes em imagens de vídeo captadas no local, comparando-os automaticamente com os dados contidos em bases de dados de pessoas banidas das salas de jogo.

Gravuras japonesas Coutinho questiona custos de avaliação das obras

O deputado José Pereira Coutinho entregou uma interpelação escrita ao Governo onde questiona os custos de avaliação das obras de gravura japonesa sob alçada do Fundo de Segurança Social (FSS), que estão guardadas nos cofres do Banco Nacional Ultramarino (BNU). “Quais os custos de avaliação e que procedimentos foram adoptados pela empresa avaliadora contratada pelo Governo, a Castle Fine Arts, para chegar à conclusão que a colecção está avaliada em 16 milhões de patacas?”, questionou. Além disso, o deputado quer saber “qual o actual estado da colecção guardada pelo BNU, tendo em consideração os altos índices de humidade em Macau”. Pereira Coutinho quer também saber se as mesmas obras, por terem “uma extrema taxa de rentabilização”, podem ser utilizadas no pagamento de pensões de aposentação e de sobrevivência.

Sofia Margarida Mota (com V.N.)

info@hojemacau.com.mo

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deputado Sulu Sou emitiu ontem um comunicado em que afirma ter enviado uma carta ao presidente da Assembleia Legislativa (AL), Ho Iat Seng, onde exige o acesso ao relatório relativo ao estudo encomendado pelo Governo sobre o aproveitamento do terreno do Canídromo. Na missiva, o deputado recorda que o estudo foi adjudicado à CCA – Planeamento, Engenharia e Consultores, empresa do também deputado José Chui Sai Peng, o ano passado. A 29 de Agosto deste ano, o estudo foi apresentado numa reunião do Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU). Contudo, Sulu Sou considera que a parte que foi apresentada aos membros do CPU é muito vaga sem conteúdos específicos que possam dar informações suficientes à população. Uma vez que a utilização do espaço que foi destinado ao Canídromo tem gerado grande debate junto da sociedade, Sulu Sou considera que está em causa o interesse público e que, por isso, essas informações contidas no estudo não devem ser confidenciais, pelo que exige ter acesso ao documento. Em conferência de imprensa realizada ontem, Ho Iat Seng disse que ainda não teve acesso à missiva. “Quando um deputado me envia uma carta, esta não é directamente dirigida a mim. Em primeiro lugar, a assessoria jurídica tem de estudar e analisar este pedido e depois eu vou encaminhar a carta ao Chefe do Executivo [para pedir dados]. Até ao momento, ainda não tenho nas mãos este pedido. Depois de receber vou então encaminhar aos serviços responsáveis”, concluiu. V.N. / D.M.

GONÇALO LOBO PINHEIRO

Li Canfeng, Director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, faz saber que ficam notificados o dono da obra e o proprietário, bem como os utentes do local acima indicado, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizou-se a seguinte obra não autorizada: Infracção ao RSCI e Obra motivo da demolição Construção de um comparti- Infracção ao n.º 4 do com cobertura metáli- artigo 10.º, obstrução 1.1 mento ca, chapas metálicas e janelas do caminho de evade vidro na parte do terraço. cuação. 2. Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelos infractores no referido espaço, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desse espaço enquanto caminho de evacuação e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, a obra executada não é susceptível de legalização, pelo que a DSSOPT terá necessariamente de determinar a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada. 3. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração e/ou de segurança do edifício. 4. Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data da publicação do presente edital, assim como requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI. 5. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227). RAEM, 31 de Agosto de 2018 O Director de Serviços Li Canfeng

O

deputado Leung Sun Iok pede ao Governo a aplicação do sistema de reconhecimento facial nos casinos.A medida tem como objectivo garantir a segurança destes espaços. Leong Sun Iok argumenta com os dados da criminalidade que apontam os casinos como os locais onde se praticam mais crimes no território. Para evitar essa situação, o deputado entende que o reconhecimento facial utilizado nas caixas multibanco deve ser alargado aos espaços de jogo. “Irão as autoridades referir-se a práticas relevantes para instalar um sistema de reconhecimento facial nos casinos e nas instalações dos hotéis em Macau para melhorar a sua segurança?”, lê-se em interpelação escrita. Para justificar o pedido, o deputado recorda os dados da criminalidade divulgados recentemente pela secretaria para a Segurança. Nos

Por outro lado, Macau recebe mais de 30 milhões de turistas por ano, o que, considera, “traz muitas pressão à manutenção da segurança”, diz o deputado. Acresce ainda que a larga maioria deste turismo é destinado à indústria do jogo, onde “há muitos crimes envolvendo casinos e clientes estrangeiros”. Neste sentido, o Leong Sun Iok quer também saber se existe alguma lista negra para impedir os estrangeiros que cometeram ilegalidades de entrarem nas salas de jogo.

CANÍDROMO SULU SOU QUER ACESSO A ESTUDO SOBRE USO DO TERRENO


sociedade 7

terça-feira 11.9.2018

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ELO menos dois homens, alegadamente agentes da Polícia Judiciária (PJ) à paisana, acompanharam, ontem, a conferência da Associação Novo Macau. O caso aconteceu à entrada do Canídromo, após uma visita de uma comitiva da Novo Macau ao espaço, que serviu para inspeccionar as condições de habitabilidade dos galgos que costumavam correr no recinto. Actuando como se fossem jornalistas, mas sem nunca interromper ou causar qualquer distúrbio ao trabalho dos profissionais da comunicação social, os homens acompanharam de perto a conferência de imprensa. Enquanto um se resguardou mais para trás, o outro, vestido com uma camisola da selecção de futebol do Japão, tirou notas sobre o conteúdo da conferência, ao mesmo tempo que Sulu Sou discursava e respondia às perguntas dos jornalistas. No final, abandonaram juntos o local. Segundo o que o HM conseguiu apurar, os dois indivíduos terão, alegadamente, informado os membros da associação que eram agentes da PJ. “Acho que não é necessário termos agentes a seguirem as nossas actividades, mas já é algo que consideramos normal. Não concordamos com a postura, mas acontece há muitos anos”, disse Sulu Sou, deputado e membro da associação, quando questionado sobre este aspecto. “Quando fazemos actividades mandamos os convites para os órgãos de comunicação social e eles normalmente têm sempre forma de saber quando acontecem as nossas actividades. Pessoalmente, considero que deveriam estar num outro local, onde pudessem ser mais úteis às pessoas”, acrescentou o legislador.

GALGOS ALEGADOS AGENTES DA PJ “INFILTRAM-SE” EM CONFERÊNCIA DA NOVO MACAU

Marcação cerrada

A Novo Macau organizou uma conferência de imprensa após uma visita ao Canídromo que contou com a participação de dois homens, alegadamente agentes da PJ à paisana, que se fizeram passar por jornalistas. As autoridades não confirmam a presença dos agentes acompanharem a conferência de imprensa da Novo Macau. Porém, até ao fecho da edição, não foi recebida qualquer resposta das autoridades. A presença de polícias à paisana em manifestações é a norma, embora o número de agentes nas operações nunca seja revelado. No que diz respeito à presença em conferências de imprensa e actividades

públicas, a presença de agentes à paisana é praticamente nula. No entanto, as autoridades tendem a acompanhar a acções da Novo Macau mais de perto. Já em Dezembro do ano passado, estalou a polémica, quando dois polícias à paisana se infiltraram entre os residentes que assistiam aos trabalhos da Assembleia Legislativa, sem qualquer tipo de identificação,

a gravar as palavras de Sulu Sou, que respondia às questões dos jornalistas, após ter sido suspenso. O caso foi fechado com o presidente da AL, Ho Iat Seng, a vir a público assumir a responsabilidade da presença dos agentes.

ADOPÇÕES MAIS RÁPIDAS

Em relação à visita ao Canídromo, Sulu Sou explicou que a ideia surgiu

“Pessoalmente, considero que [os alegados agentes] deveriam estar num outro local, onde pudessem ser mais úteis às pessoas.” SULU SOU DEPUTADO

Contudo, Sulu Sou mostrou-se preocupado com o facto dos procedimentos de adopção estarem parados e com o futuro dos cães, que vão ser mudados para Coloane. A Novo Macau recebeu queixas de moradores da zona, que se mostram preocupados com o inevitável barulho que a transferência dos animais irá acarretar.

PJ NÃO CONFIRMA PRESENÇA

Após o evento, o HM entrou em contacto com uma porta-voz da PJ para confirmar a presença dos agentes e as razões para

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Manifestações CPSP cria nove postos para receber aviso prévio

O Corpo de Polícia de Segurança Publica (CPSP) criou nove postos para receber avisos prévios por escrito sobre o direito de reunião e de manifestação, divulgaram ontem as autoridades. Estes postos vão estar operacionais

a partir do dia 13 de Setembro, segundo o previsto na alteração legislativa que determinou a mudança deste procedimento que antes era endereçado ao Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais. Os postos disponíveis na península são os

depois de ter tido recebido queixas quanto ao tratamento dos galgos. “Recebemos fotos e informações de grupos de protecção de galgos que achavam que as condições não era muito boas. Havia uma grande preocupação. Por isso, a Associação Novo Macau enviou uma carta ao IACM para saber mais informações”, disse o deputado. “Cerca de um mês após as cartas, o IACM enviou-nos um convite para vermos as condições do Canídromo. De uma forma geral, o ambiente está melhor que no passado”, acrescentou.

comissariados 1, 2 e 3 do Departamento Policial de Macau, o Departamento de Trânsito do Comissariado de Trânsito de Macau, o Departamento de Operações - Divisão de Relações Públicos, e a Unidade Táctica de Intervenção da Polícia.

Nas ilhas estão criados postos no Departamento Policial das Ilhas - Comissariado Policial da Taipa e de Coloane e na Divisão Policial do Aeroporto. Os formulários de aviso prévio encontram-se desde ontem disponíveis no website do CPSP.

Acidente Homem caiu de varanda no Legend Palace

Um homem do continente, de 26 anos de idade, caiu da varanda de um quarto do Hotel Legend Palace situado na Avenida da Amizade. A queda foi de um sétimo andar para uma plataforma no terceiro andar, apontou o canal chinês da Rádio Macau. O Corpo de Bombeiros

(CB) encontrou a vítima com uma fractura exposta no antebraço direito. O homem foi levado ao hospital para receber tratamento. Segundo fonte ouvida no local, citada pela Rádio Macau, o homem alegou que queria ir do sétimo andar para a plataforma no terceiro andar e acabou por cair.


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11.9.2018 terça-feira

DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE TURISMO ANÚNCIO A Direcção dos Serviços de Turismo do Governo da Região Administrativa Especial de Macau, faz público que, de acordo com o Despacho de 22 de Agosto de 2018 do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para adjudicação dos serviços de construção nos locais do evento e serviços de coordenação e produção das cerimónias para o “3.º Festival Internacional de Cinema e Cerimónia de Entrega de Prémios‧Macau”. Desde a data da publicação do presente anúncio, nos dias úteis e durante o horário normal de expediente, os interessados podem examinar o Processo do Concurso na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.o andar, e ser levantadas cópias, incluindo o Programa do Concurso, o Caderno de Encargos e demais documentos suplementares, mediante o pagamento de duzentas patacas (MOP200,00); ou ainda consultar o website da Direcção dos Serviços de Turismo: http://industry.macaotourism. gov.mo , e fazer “download” do mesmo. A Sessão de esclarecimento será realizada no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 14.o andar pelas 10:00 horas do dia 10 de Setembro de 2018. O limite máximo do valor global da prestação deste serviço é de MOP11.000.000,00 (onze milhões patacas). Critérios de adjudicação e factores de ponderação: Critérios de adjudicação Factores de ponderação Preço 20% Contéudo do serviço: - Produção e design do tema dos locais do evento; 40% - Design do tema das ceremónias e design da programação com os respectivos efeitos finais em desenhos; - Plano dos recursos humanos e respectiva distribuição dos trabalhos para a execução dos serviços a prestar. Maior garantia de segurança e eficiência na prestação do serviço: - Informações sobre os equipamentos a serem utilizados; - Desenhos e design de localização dos respectivos equipamentos e decorações (desenhos e plantas de localização); 30% - Plano de produção dos materiais de decoração; - Plano de montagem e desmontagem. Experiência do concorrente 10% Os concorrentes deverão apresentar as propostas na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.o andar, durante o horário normal de expediente e até às 17:45 horas do dia 4 de Outubro de 2018, devendo as mesmas ser redigidas numa das línguas oficiais da RAEM ou, alternativamente, em inglês, prestar a caução provisória de MOP220.000,00 (duzentas e vinte mil patacas), mediante: 1) depósito em numerário à ordem da Direcção dos Serviços de Turismo no Banco Nacional Ultramarino de Macau 2) garantia bancária 3) depósito nesta Direcção dos Serviços em numerário, em ordem de caixa ou em cheque visado, emitidos à ordem da Direcção dos Serviços de Turismo 4) por transferência bancária na conta do Fundo do Turismo do Banco Nacional Ultramarino de Macau. O acto público do concurso será realizado no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 14.o andar pelas 10:00 horas do dia 5 de Outubro de 2018. Os representantes legais dos concorrentes deverão estar presentes no acto público de abertura das propostas para efeitos de apresentação de eventuais reclamações e/ou para esclarecimento de eventuais dúvidas dos documentos apresentados a concurso, nos termos do artigo 27.o do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho. Os representantes legais dos concorrentes poderão fazer-se representar por procurador devendo, neste caso, o procurador apresentar procuração notarial conferindo-lhe poderes para o acto público do concurso. Em caso de encerramento destes Serviços por causa de tempestade ou por motivo de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas, a data e hora de sessão de esclarecimento e de abertura das propostas serão adiados para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, à mesma hora. Direcção dos Serviços de Turismo, aos 31 de Agosto de 2018. Directora Maria Helena de Senna Fernandes


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JOGO RECEITAS ULTRAPASSARAM OS 268MIL MILHÕES EM 2017

RÓMULO SANTOS

terça-feira 11.9.2018

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O ano de 2017 as receitas globais do jogo fixaram-se nos 268,01 mil milhões de patacas, o que representa um crescimento anual de 18,7 por cento, pondo fim à queda de três anos consecutivos, desde 2014. As receitas do jogo e dos serviços relacionados atingiram 267,86 mil milhões de patacas, ou seja, mais 18,7 por cento, destacando-se os aumentos anuais de 18,9 por cento nas receitas do jogo (266,54 mil milhões de patacas) e de 11,9 por cento nas da restauração (567 milhões de patacas), de acordo com os dados ontem divulgados pelos Serviços de Estatística e Censos (SEC). Os juros recebidos corresponderam a 147 milhões de patacas, uma decréscimo de 10,9 por cento em termos anuais, justificado pela cominuição dos depósitos das empresas. Também as despesas do sector aumentaram fixando-se nos 114,89 mil milhões de patacas, o que corresponde a um aumento homólogo de 18,5 por cento. De acordo com os SEC, as despesas em compras de mercadorias, comissões pagas e ofertas a clientes atingiram os 60,86 mil milhões de patacas (+23,0 por cento), representando 53 por cento do total. Entretanto, as despesas de exploração cifraram-se em 27,94 mil milhões de patacas (+16,7 por cento), gastos principalmente em bens e serviços proporcionados gratuitamente a clientes que atingiram 12,60 mil milhões de patacas – um aumento de 16,5 por cento em termos anuais. O valor acrescentado bruto, que reflecte o contributo económico do sector, atingiu 179,07 mil milhões de patacas, correspondendo a um acréscimo homólogo de 17,6 por cento. O excedente bruto do sector alcançou 157,74 mil milhões de patacas, mais 19,1 por cento. Por seu turno, a formação bruta de capital fixo deste sector situou-se em 949 milhões de patacas em 2017, descendo significativamente 87,2 por cento em relação a 2016 (7,43 mil milhões de patacas), justificado pela conclusão, durante o ano passado, de várias instalações do turismo e do jogo de grande envergadura.

ECONOMIA COMÉRCIO ENTRE MACAU E PALOP FOI QUASE NULO EM 2017

Praticamente a zeros Cabo-Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe não venderam nem compraram absolutamente nada a Macau em 2017. Dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) apenas Angola e Moçambique entraram nas contas e só do lado das exportações. Timor-Leste também não existe no mapa das trocas comerciais de Macau, circunscritas praticamente ao Brasil e a Portugal

O Meteorologia Sinal 1 esta manhã

O sinal 1 de tempestade tropical foi içado esta manhã na sequência da intensificação de uma depressão localizada na zona sul de Taiwan e que entrou no Mar do Sul da China. De acordo com os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG), esta depressão tropical vai afectar o estado do tempo na região. Além disso, o tufão Mangkhut encontrase perto de Guan e continua a intensificar-se à medida que se dirige para Oeste. Segundo os SMG, o Mangkhut pode também vir a aproximar-se da costa meridional da China.

comércio entre Macau e os países de língua portuguesa atingiu 648,8 milhões de patacas em 2017, ficando limitado praticamente ao Brasil e a Portugal. Dados disponibilizados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelam zero trocas comerciais com quatro dos oito países do universo da lusofonia (Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste). Já Moçambique e Angola entraram na rota comercial, mas somente do lado das exportações. Macau vendeu a Maputo bens avaliados em 273.042 patacas – ainda assim o equivalente a um terço das exportações para o universo lusófono – e a Luanda mercadorias de 31.873 patacas, ou seja, sensivelmente 3,9 por cento das ex-

portações. Em ambos os casos, as vendas circunscreveram-se a produtos farmacêuticos. Já as importações de Macau, tanto a Angola como a Moçambique, foram uma miragem em 2017.

MEDALHA DE PRATA

Do universo da lusofonia, Portugal emerge como o segundo parceiro comercial de Macau, a seguir ao Brasil. O comércio bilateral com Portugal atingiu 267,5 milhões de patacas (41,2 por cento do total das trocas comerciais com a lusofonia), numa balança comercial favorável a Lisboa. Macau comprou a Portugal bens na ordem dos

267,1 milhões em 2017 e vendeu produtos avaliados em apenas 413.329 patacas. Já as trocas bilaterais com o Brasil totalizaram 380,9 milhões de patacas, ocupando um peso de 58,7 por cento, com as vendas de Macau a não chegarem sequer a 100 mil patacas. Os dados relativos aos primeiros oito meses de 2018 atestam que a ausência de trocas comerciais com metade dos países da língua portuguesa no ano passado não foi conjuntural. Entre Janeiro e Julho, Macau não comprou nem vendeu nada a Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e

Dados dos primeiros oito meses de 2018 atestam que a ausência de trocas comerciais com metade dos países da língua portuguesa no ano passado não foi conjuntural

São Tomé e Príncipe. Já para Timor-Leste apenas exportou, enquanto do Brasil apenas importou. Só com Portugal é que houve comércio nos dois sentidos. Em Outubro, numa intervenção num fórum económico integrado na Feira Internacional de Macau (MIF, na sigla em inglês), o economista Félix Pontes assinalou precisamente a “dimensão frustrante” do comércio entre Macau e os países de língua portuguesa. “É um facto indesmentível que o relacionamento comercial entre Macau e os países de língua portuguesa tem tido uma dimensão frustrante, não traduzindo em nada as expectativas emergentes das frequentes manifestações políticas nesse sentido”, observou. Diana do Mar

dianadomar@hojemacua.com.mo


10 eventos

11.9.2018 terça-feira

Rumo ao México Carrilho da Graça vai ser homenageado na Feira do Livro de Guadalajara

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arquitecto João Luís Carrilho da Graça vai ser homenageado no encontro de arquitetura da Feira do Livro de Guadalajara, no México, que se realiza de 24 de Novembro a 2 de Dezembro, com Portugal como país convidado. O anúncio foi feito na noite de sexta-feira, num encontro com a imprensa do reitor do Centro Universitario de Arte, Arquitectura e Design (CUAAD) da Universidade de Guadalajara, Ernesto Flores Gallo. A trajectória de 30 anos do arquicteto português, “desenvolvida em estreita relação entre a prática profissional e académica”, assim como “a pureza, a elegância, as formas e as linhas da sua obra são alguns dos motivos pelos quais João Luís Carrilho da Graça será reconhecido com a Homenagem ArpaFIL 2018”, disse Ernesto Gallo, citado pelo comunicado da organização. Nascido em Portalegre, Carrilho da Graça, de 65 anos, Prémio Pessoa em 2008, é autor, entre outros projetos, do Terminal de Cruzeiros de Lisboa, do Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva, da Escola Superior de Comunicação Social, do Museu do Oriente, da musealização arqueológica da Praça Nova do Castelo de São Jorge e da Escola de Música da Escola Politécnica, na capital portuguesa. Licenciado na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, em 1977, ano em iniciou a actividade profissional, Carrilho da Graça foi professor da Faculdade de Arquitectura da então Universidade Técnica de Lisboa, de 1977 a 1992, catedrático da Universidade Autónoma, de 2001 a 2010, e da Universidade de Évora, desde 2005, onde dirigiu o Departamento de Arquitectura. Foi por várias vezes nomeado para o prémio europeu de arquitetura Mies van der Rohe (1990, 1992, 1994, 1996, 2009, 2011, 2013), distinguido com o Prémio Valmor pelo Pavilhão do Conhecimento dos Mares (1998) e pela Escola Superior de Música de Lisboa (2008). Ao conjunto da sua obra foram atribuídos os prémios

como o da Associação Internacional dos Críticos de Arte (AICA), em 1992, a Ordem de Mérito da República Portuguesa (1999), o título de Cavaleiro das Artes e das Letras da República Francesa (2010) e a Medalha da Academia de Arquitetura de França (2012). O encontro ArpaFIL de arquitectura, património e arte é realizado pelo CUAAD desde 1995, no âmbito da Feira Internacional do Livro de Guadalajara (FIL Guadalajara), com o objetivo de partilhar e difundir a experiência de profissionais a jovens arquictetos e público em geral, segundo a apresentação da iniciativa.

PARTICIPAÇÃO PORTUGUESA

A par da homenagem, que se realizará no dia 30 de Novembro, a ArpaFIL organiza o Concurso para Jovens Arquitectos, aberto a estudantes de arquitectura, urbanismo, fotografia, artes visuais, “restauro ou afins”. A participação portuguesa na FIL Guadalajara vai envolver mais de 40 escritores de língua portuguesa, como António Lobo Antunes, Mia Couto, Hélia Correia, Germano Almeida e Manuel Alegre, já distinguidos com o Prémio Camões. Teolinda Gersão, Dulce Maria Cardoso, José Eduardo Agualusa, Ana Luísa Amaral, João de Melo, Lídia Jorge, Ondjaki, Gonçalo M. Tavares, Afonso Cruz e Ricardo Araújo Pereira são outros autores já anunciados. O programa estende-se à música, à dança, ao teatro, ao cinema e às artes, com participações de criadores como Tiago Rodrigues e Paulo Ribeiro, com a montagem de exposições dedicadas a Almada Negreiros e Ana Hatherly, espetáculos de músicos como Camané, Capicua e Dead Combo, e a exibição de filmes de cineastas como Manoel de Oliveira, Fernando Lopes, Salomé Lamas, Regina Pessoa e João Salaviza. Durante a FIL Guadalajara será também entregue o Prémio Ibero-Americano de Literatura Infantil e Juvenil, ao qual é candidata a escritora Alice Vieira.

A

“

RCO-ÍRIS sobre a Rota da Seda” é o espectáculo acrobático que vai assinalar em Macau o 69º aniversário da República Popular da China, nos próximos dias 30 de Setembro e 1 de Outubro. A iniciativa do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na R.A.E.M e do Instituto Cultural traz ao território a Companhia de Artes Acrobáticas de Shaanxi. O objectivo é “dar a conhecer as artes cénicas chinesas tradicionais”, refere o comunicado oficial. De acordo com a organização, “o espectáculo acrobático ‘Arco-íris sobre a Rota da Seda’ irá levar o público numa viagem através do tempo em busca de

DIA NACIONAL ACROBACIA CHINESA MARCA ANIVERSÁRIO DA RPC

Comemorações

O 69º aniversário da República Popular da China celebra-se e que tem a acrobacia como ponto central. “Arco-íris sobre a de Setembro e 1 de Outubro no Fórum de Macau pela Com culturas europeias e asiáticas”.A apresentação conta a história de uma caravana comercial chinesa que lutou por estabelecer a Rota da Seda, na sua era dourada, durante o reinado da dinastia Tang. Com a viagem dos acrobatas, é dada a conhecer a cultura

“inclusiva desta dinastia no seu auge e a Rota da Seda como uma rota de comércio e amizade”, aponta a mesma fonte.

ACROBACIAS ALTERNATIVAS

Ao contrário dos espectáculos acrobáticos tradicionais, “Arco-

-íris sobre a Rota da Seda”, não se limita à exibição de excelência de movimentos e vai mais longe: conta toda uma história em que os movimentos são acompanhados de música e dança, e em que os intervenientes envergam um guarda roupa


eventos 11

terça-feira 11.9.2018

LISBOA ENCONTRO BIANUAL DE ARTES PERFORMATIVAS

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AIS de 40 artistas vão participar na 2.ª edição do Encontro Bianual de Artes Performativas – (Re) union, que decorrerá a partir de quinta-feira em vários espaços de Lisboa, de acordo com a organização. Até 23 de Setembro, na Casa da América Latina, no Espaço Alkantara, no Espaço da Penha e na Rua das Gaivotas 6, os artistas vão apresentar trabalhos, partilhar as suas práticas de pesquisa através de ‘workshops’ e intervir no espaço público da cidade. O objectivo é “propor um diálogo com a criação e incentivar a experimentação e reflexão”, indica a organização. A 2.ª edição do Encontro Bianual de Artes Performativas – (Re)union é uma iniciativa autónoma de jovens artistas nacionais e internacionais, provenientes de 13 países, “interessados em contribuir para uma comunidade de artistas através de actividades auto-organizadas, e com uma

“O espectáculo acrobático ‘Arcoíris sobre a Rota da Seda’ irá levar o público numa viagem através do tempo em busca de culturas europeias e asiáticas.”

C EM MACAU

s pelos ares

em Macau com um espectáculo tradicional a Rota da Seda” vai ser apresentado a 30 mpanhia de Artes Acrobáticas de Shaanxi que muda consoante o contexto. O evento que marca o Dia Nacional é apresentado em três a actos: “Chang’an Dinâmica”, “Fantasia no Campo de Neve”, “Dunhuang Hipnotizante”, “Destino Conjugal na Pérsia” e “Apaixonante Roma”.

“Arco-íris sobre a Rota da Seda” foi reconhecido com os prémios Projecto Clássico da Arte Contemporânea de Shaanxi, o Prémio para Melhor Performance no 1º Festival Internacional de Artes da Rota da Seda e no 7º

INSTITUTO CULTURAL

Festival de Artes da Província de Shaanxi com a designação do maior Projecto Cultural Nacional de Exportação 2015-2016. O programa terá lugar no Fórum de Macau pelas 20h dos dias 30 de Setembro e

1 de Outubro. Os bilhetes já se encontram à venda na Bilheteira Online de Macau. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

forte vontade de gerar cruzamentos entre pares”. Nos seis espaços da capital, vão ser apresentados espectáculos, performances, processos de ‘work in progress’ e ateliers, destinados a crianças e adultos, com a maioria da programação de acesso livre. O (Re) union convidará também os artistas e o público à participação num conjunto de debates em torno da criação contemporânea nas artes performativas. A 21 de Setembro, às 18h, será apresentado o livro “My background is now: memórias e processos de uma formação em dança contemporânea”, cuja equipa editorial é formada por Claudia Canarim, Julia Salaroli, Sezen Tonguz e Vitória Teles Grilo. A coordenação do (Re) union é da responsabilidade de Sezen Tonguz, coreógrafa e performer que tem apresentado os seus trabalhos na Europa, Brasil e no Estados Unidos.

AFA “0 - Obras de Wong Weng Io” “0 - Obras de Wong Weng Io” é a exposição da artista local que vai ser inaugurada no próximo dia 17 de Setembro nas instalações da associação Art for All (AFA). Wong Weng Io, também conhecida como Yoyo, questiona através dos seus trabalhos “o relacionamento e o impacto mútuo entre a existência humana, informação, tecnologia, dados pessoais, inteligência artificial e robótica”, refere a apresentação do evento. De acordo com a organização, “0 - Obras de Wong Weng Io” traz à AFA uma reflexão da vida quotidiana que pode ser comparável “à infinita futilidade de Sísifo na mitologia grega”. Para o efeito, a artista recorre às sequências

numéricas que se apresentam em repetições infinitas. A exposição é composta por 365 obras em acrílico feitas a partir de fotografias que imitam o movimento dos dedos humanos no ecrã dos telemóveis. É nestes movimentos e na sua transposição que mostra o que mais prende as pessoas no dia-a-dia. Numa actividade constante, sem início nem fim, naquilo a que chama de “zero”. “É o começo e é o fim. É zero e é infinito ao mesmo tempo. É como se [estes movimentos] fizessem parte de um jogo de dominó, sendo que aqui é um jogo que nunca tem um verdadeiro começo”, aponta a AFA. A exposição estará patente até 8 de Outubro.


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11.9.2018 terça-feira

TECNOLOGIA JACK MA ANUNCIA QUE VAI DEIXAR PRESIDÊNCIA DO GRUPO ALIBABA

Na hora da despedida No dia em que faz 54 anos, Jack Ma, o fundador do grupo Alibaba, que impulsionou o ‘boom’ do comércio electrónico na China, anunciou que vai deixar a presidência do grupo daqui a um ano

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M comunicado, Ma indicou que a empresa vai ficar a cargo do actual director executivo, Daniel Zhang. Licenciado em língua inglesa, Jack Ma fundou o Alibaba em 1999, num apartamento em Hangzhou, na costa leste da China, para ligar exportadores chineses a retalhistas além-fronteiras. Hoje, o grupo é a maior empresa de comércio electrónico do mundo. Além de operar as plataformas Taobao e Tmall, que dominam grande parte das vendas 'online' na China, passou a investir, nos últimos anos, em plataformas 'online' para financiamento (P2P, na sigla em inglês), computação em nuvem e outros serviços. Em 2014, o grupo protagonizou a maior entrada em bolsa a nível mundial, com uma oferta pública inicial, que angariou cerca de 19,7 mil milhões de euros. O Alibaba passou a estar cotado em Nova Iorque, mas a sede mantém-se em Hangzhou. Entretanto, Ma tornou-se num dos empresários mais ricos do mundo, com uma fortuna estimada em 32 mil milhões de euros. De acordo com o comunicado, Ma vai continuar a fazer parte da parceria Alibaba, um grupo de 36

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líder norte-coreano afirmou que quer reunir-se em breve com o Presidente chinês, Xi Jinping, para continuar a consolidar os laços com o país vizinho, informou ontem a agência noticiosa da Coreia do Norte. A mensagem foi transmitida por Kim Jong-un a Li Zhanshu, o "número três" de Pequim, que no domingo participou, em Pyongyang, nas celebrações do 70.º aniversário da fundação da Coreia do Norte. Kim explicou que uma reunião com Xi ajudará a "solidificar ainda mais e aprofundar a firme e especial relação" entre os dois países, indicou a agência KCNA. Desde Março pas-

O Alibaba é uma das empresas chinesas, a par da Tencent, Baidu ou Jingdong, que impulsionaram a difusão ímpar do comércio electrónico e carteiras digitais no país. Em 2016, o comércio 'online' na China cresceu 26,2 por cento, em termos homólogos, para 752 mil milhões de dólares, um valor equivalente a quase quatro vezes o Produto Interno Bruto (PIB) português. O país asiático é responsável por cerca de metade do conjunto mundial de vendas pela Internet. Nas ruas de Pequim ou Xangai, o frenesim das motorizadas que fazem entregas rápidas ao domicílio é constante, enquanto milhares

Jack Ma“Nenhuma empresa pode confiar apenas nos seus fundadores (...) devido a limites na capacidade física e energia de cada um. Ninguém pode assumir as responsabilidades de presidente e CEO para sempre.”

de fabricantes chineses abdicaram do retalho tradicional, passando a distribuir produtos exclusivamente através de plataformas 'online'. Jack Ma, cujo nome em chinês é Ma Yun, aparece regularmente na televisão. No festival anual da companhia, ele costuma cantar música pop, vestido em trajes excêntricos. O empresário não se inibe de troçar da própria aparência e afirma que é parecido com a figura do extraterrestre no filme "E.T. - O Extraterrestre", de Ste-

Pontos na agenda

Kim Jong-un diz que se quer reunir com Xi Jinping

sado, o líder norte-coreano já visitou a China três vezes. Até então, Kim, que assumiu a liderança do país em

ECONOMIA INFLAÇÃO SOBE EM AGOSTO

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pessoas que tem o direito a nomear a maioria dos membros do conselho de administração. "Esta transição demonstra que o Alibaba avançou para o próximo nível na governança corporativa, de uma empresa que depende de indivíduos, para uma construída num sistema organizacional de excelência, com uma cultura de desenvolvimento de talentos", afirmou Ma, no mesmo comunicado. O empresário acrescentou que pretende "regressar ao ensino", sem avançar pormenores.

E-CHINA

2,3%

finais de 2011, nunca tinha saído da Coreia do Norte. A China é o mais importante aliado diplomático e parceiro comercial de Pyongyang, mas Xi Jinping nunca visitou o país vizinho, desde que ascendeu ao poder, em 2013. As visitas surgiram após anos de distanciamento, perante a insistência de Pyongyang em desenvolver um controverso programa nuclear e de mísseis balísticos. Li Zhanshu, que entregou a Kim uma carta enviada por Xi, sublinhou o desejo

ven Spielberg, devido à dimensão desproporcional da cabeça. Ma vai completar o mandato actual, como membro do conselho de administração do grupo, até à reunião anual dos accionistas, em 2020. "Nenhuma empresa pode confiar apenas nos seus fundadores (...) devido a limites na capacidade física e energia de cada um", afirmou, na carta, Jack Ma. "Ninguém pode assumir as responsabilidades de presidente e CEO para sempre".

de Pequim em cimentar laços sustentáveis e estáveis, "independentemente da situação internacional". As comemorações do 70.º aniversário do regime foram ontem destaque na imprensa norte-coreana. Ao contrário do que aconteceu em anos anteriores, o regime optou por não transmitir o desfile militar em directo, numa altura de diálogo com Seul e Washington, visando a desnuclearização do país. Este ano, o exército norte-coreano também não exibiu nenhum míssil balístico de longo alcance. Kim e a mulher, Ri Sol-ju, assistiram ainda a uma representação de ginástica colectiva no Estádio 1 de Maio, em

Pyongyang, que celebrou o regime e os seus feitos.

APELO CHINÊS

Li Zhanshu, presidente da Assembleia Nacional Popular, o parlamento chinês, teceu ainda algumas considerações quanto à

Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da China, principal indicador da inflação no país, subiu 2,3 por cento, em Agosto, comparativamente face ao mesmo mês de 2017, informou ontem o Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE) chinês. O aumento do IPC, duas décimas acima do registado em Julho passado, foi impulsionado, sobretudo, pela subida do preço dos alimentos, que alcançou o máximo dos últimos cinco meses. Fruta e vegetais aumentaram 5,5 por cento e 4,3 por cento, respectivamente, enquanto os ovos aumentaram 10,2 por cento, por exemplo. O preço dos produtos não alimentares aumentou 2,5 por cento, uma décima menos do que em Julho, incluindo roupa (1,3 por cento), rendas, combustível e serviços públicos (2,5 por cento), bem como educação, cultura e entretenimento (2,6 por cento). Pequim confirmou, em Abril, que mantém a meta para a inflação "em cerca" de 3 por cento para 2018, depois de no ano passado ter aumentado 1,6 por cento. O GNE indicou ainda que o Índice de Preços na Produção, que indica a inflação no sector grossista, cresceu 4,1 por cento, em Agosto, em relação a igual mês do ano anterior.

relação entre Pyongyang e Washington. "Apreciamos muito os esforços feitos pela Coreia do Norte para assegurar a paz e estabilidade na península", disse Li, citado pela agência noticiosa oficial Xinhua. Li afirmou ainda que Pequim espera que EUA e Coreia do Norte concretizem o consenso alcançado em Junho passado, durante a histórica cimeira entre Kim Jong-un e o Presidente norte-americano, Donald Trump. Os dois lados prometeram "estabelecer novas relações" e assegurar uma "paz duradoura e estável", enquanto Pyongyang reiterou o compromisso com a "total desnuclearização da península coreana".


região 13

terça-feira 11.9.2018

JAPÃO ABE PROMETE REFORMAR CONSTITUIÇÃO EM CASO DE REELEIÇÃO

6,9 Nova Zelândia Sismo atinge ilhas de Kermadec

Um sismo de magnitude 6,9 na escala de Richter atingiu ontem as ilhas Kermadec, no norte da Nova Zelândia, mas não existem feridos a registar ou alerta de tsunami, informaram as autoridades. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), que regista a actividade sísmica em todo mundo, situou o hipocentro do sismo a 111 quilómetros de profundidade e o epicentro a 780 quilómetros ao nordeste de Ngunguru, localidade situada no extremo norte da ilha Norte neozelandesa. As Kermadec situam-se entre a ilha Norte da Nova Zelândia e o arquipélago de Tonga. A Nova Zelândia assenta na falha entre as placas tectónicas do Pacífico e Oceânia e anualmente regista cerca de 14 mil terramotos, dos quais entre 100 e 150 com potência suficiente para serem sentidos.

A

secretária-geral da Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH) disse ontem ter sido impedida de entrar no domingo no Vietname, onde ia participar esta semana numa reunião do Fórum Económico Mundial. Debbie Stothard explicou à Lusa que foi impedida de entrar no país no domingo, tendo ficado retida no aeroporto de Hanói durante mais de 16 horas. "Quando cheguei à imigração para entrar no país impediram-me de entrar e mantiveram-me retida. Estou agora à espera de embarcar num voo para Kuala Lumpur", disse Stothard, num contacto telefónico

As leis da guerra

O primeiro-ministro japonês prometeu ontem reformar a Constituição pacifista do arquipélago, durante o lançamento da campanha para um novo mandato na liderança do Partido Liberal-Democrata (PLD), que chefia sozinho há seis anos

POR OUTRO LADO

No discurso, o primeiro-ministro destacou a estratégia de relançamento económico, "abenomics", que permitiu manter uma taxa de desemprego muito reduzida, aumentar o número de turistas e voltar a dar ao Japão "uma economia decente". Na frente diplomática, Abe reafirmou a "determinação de se encontrar pessoalmente" com o dirigente norte-coreano, Kim Jong-un, para resolver a questão dos cidadãos japoneses raptados por agentes norte-coreanos nos anos 1970 e 1980 do século passado para formar espiões. O rival de Abe, Ishiba, que tinha denunciado a ausência de debate no seio do partido, sublinhou os problemas demográficos do país, confrontado com um envelhecimento da população e uma fraca taxa de natalidade, bem como a ameaça nuclear norte-coreana.

S

HINZO Abe, de 63 anos, é dado como o favorito para a eleição de 20 de Setembro, à qual concorre um único adversário, o antigo ministro da Defesa Shigeru Ishiba, de 61 anos. Uma vitória representará mais três anos à frente da terceira maior economia do mundo e a mais longa chefia do Governo na história do Japão. "Chegou a altura de proceder à reforma da Constituição", declarou Abe, ao anunciar a intenção de submeter uma proposta de lei ao parlamento até final do ano. Na Constituição, ditada em 1947 pelo ocupante norte-americano, na sequência da rendição do Japão no final da Segunda Guerra

O texto, visto pelos meios nacionalistas como uma humilhante relíquia da derrota imperial de 1945, acrescenta que para aquele fim “nunca serão mantidas forças terrestres, navais e aéreas, ou outro potencial de guerra”

A escala infinita Vietname impede entrada de responsável de organização de direitos humanos

com a Lusa a partir de Díli. As autoridades vietnamitas invocaram a lei que rege a entrada de estrangeiros no país e o artigo 21 que impede

Mundial, Abe pretende alterar o artigo 9 que consagra a renúncia "para sempre" à guerra. O texto, visto pelos meios nacionalistas como uma humilhante relíquia da derrota imperial de 1945, acrescenta que para aquele fim "nunca serão mantidas forças terrestres, navais e aéreas, ou outro potencial de guerra". Fiel aliado dos Estados Unidos durante a Guerra-Fria, o Japão reconstituiu forças militares, denominadas "forças de autodefesa", que só podem intervir se o país for directamente atacado. Shinzo Abe explicou que pretende modificar a Constituição para dar um estatuto claro a estas tropas, ao mesmo tempo que mantém o princípio fundamental do pacifismo ao qual os japoneses dão grande importância.

a entrada no país de estrangeiros "por questões de defesa nacional, segurança ou ordem social", indicou a responsável da FIDH, que

reúne organizações não-governamentais de defesa dos direitos humanos. "Não entendo porque me impediram. Já participei em fóruns de direitos humanos no Vietname duas vezes no passado e, na altura, a única coisa que fizeram foi seguir-me, mas sem me impedirem de entrar ou de falar", disse.

Stothard devia participar, entre hoje e quinta-feira, no Fórum Económico Mundial sobre a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), num debate sobre "inovação sob stress", na quinta-feira. "A informação que tenho é que o representante da Amnistia Internacional que devia participar no mesmo painel que eu, não teve autorização de visto. No meu caso, como sou cidadã da ASEAN, o visto é dado à entrada", explicou, Em comunicado, o porta-voz do Fórum Económico Mundial Fon Mathuros lamentou a decisão de impedir a entrada de Stothard, e adiantou que a organização do Fórum mantêm o convite para a par-

ticipação de Stothard. "Vamos continuar a facilitar a sua participação no encontro", referiu o porta-voz do encontro, onde devem participar vários chefes de Estado e de Governo da região e líderes empresariais de todo o mundo. Stothard considerou que acções como esta são "um sinal muito negativo" para o Vietname, especialmente no quadro de uma reunião tão importante como a do Fórum Económico Mundial. "Infelizmente, ocorre num cenário em que estamos a verificar um aumento significativo de acções do Governo que deteve dezenas de activistas de direitos humanos, bloguistas e outras pessoas acusadas de dissidência", afirmou.


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11.9.2018 terça-feira

Musa, pois cuidas que é sal, o fel de autores perversos cidade ecrã Rui Filipe Torres*

Labirinto da saudade

É

o nome do filme documentário/ensaio de Miguel Gonçalves Mendes que teve estreia a 24 de Maio com distribuição da NOS Lusomundo Audiovisuais e fez 1.722 espectadores nas 170 sessões que tiveram lugar nas salas das Amoreiras e El Corte Inglês em Lisboa, Alameda Shop e Arrábida Shopping no Porto, Alma Shopping em Coimbra. O número referido de espectadores corresponde a uma receita bruta de € 9.225 ,16. Mas dizer isto é quase nada dizer sobre o filme e sobre as condições de produção e visibilidade/ exibição do cinema português. O labirinto da Saudade, é uma adaptação da obra homónima, é um en-

saio documental narrado pelo próprio Eduardo Lourenço que percorre os espaços da sua memória e da própria história e identidade portuguesa, em busca da resposta do que é, afinal, isto de se ser português. É assim que a produtora LONGSHOT apresenta o filme e com esta introdução começa-se a perceber melhor ao que o filme vem e o que trabalha. Eduardo Lourenço e o filme que é filmado na sua cabeça. Diz Eduardo Lourenço após uma sessão de visionamento em casa de Pilar Del Rio: “Nunca imaginei na minha vida ser actor de mim próprio. Obrigado Miguel. Isto foi uma das grandes surpre-

sas da minha vida, tudo isto. Que não sei bem o que é: uma espécie de ficção uma ficção encantatória -, diria, para me dar algum relevo antes de me ir embora. É uma espécie de requiem. É uma imagem interessante porque uma das coisas que mais me impressionou na vida foi o primeiro filme que eu vi sobre Dom João, rodeado de musas. Há demasiadas musas neste filme. Tenho a sorte de ter tido bons amigos na vida, como este cineasta. No princípio, por ser baseado no livro, pensei que não haveria qualquer referência à Annie, a minha mulher. Mas está lá tudo, o que devia estar, o amor e uma ausência sem solução. E com ela

estão os meus amigos que partilharam estes pensamentos e foram de uma generosidade talvez excessiva, pra mim, e que me é muito difícil de suportar. Eu sou eu. Comigo eu entendo-me. Ou vou-me entendendo mais ou menos. Mas não posso, não consigo pensar-me com o olhar dos outros. Sinto-o como uma coisa excessiva para uma pessoa que não tem uma notoriedade que corresponda a esta espécie de “conto de fadas”. Com alguns pontos infelizmente negativos, pelo meio. Tudo isto é moderado e modelado pelas intervenções dos diálogos que eu vou tendo com as diversas pessoas que se cruzam no meu percurso. Gente que quis dialogar comigo, que quis perceber o que é que eu andei a dizer por ai de maneiras talvez um pouco crípticas e misteriosas. O filme é demasiado, demasiado grande para mim, demasiado... quer dizer, toca-me em pontos que são muito sensíveis. Não quero dizer com isto que achei o filme chato. Pelo contrário, a questão é que chato sou eu na realidade. E eu não posso sair deste filme como se não estivesse lá dentro. E isso é obra e consagração de quem fez o filme. Eu não queria nada imitar o Agostinho da Silva mas tenho algum receio que me transformem numa espécie de segunda versão do Agostinho. E é muito interessante que no filme apareçam essas referências ao Brasil. Que às vezes parecem um tema tabu. Esse diálogo com o Gregório é um dos melhores. Nunca tinha oportunidade de dizer o que me vai realmente na alma sobre o Brasil essa presença/ ausência. De nós com ele e deles de nós. Tudo isto foi uma aventura, uma das aventuras, digamos, pouco romanescas como no nosso passado. Sobretudo, dos tempos em que fomos descobridores de mundos. Mas eu não descubro nem descobri coisa nenhuma. O que eu conheço já está descoberto há muito tempo. Eu limito-me a navegar na navegação dos outros por minha própria conta. Cada um julgará da minha performance neste filme ou falta dela. No Sentido que poderá ter esta navegação, por conta de um sonho, que é maior do que eu. Claro que nunca imaginei ser ator de mim próprio. E eu tenho a consciência de que não sou ator de modo nenhum. Como disse nunca imaginei na minha vida ser ator de mim mesmo. Esta é uma aventura que não corresponde às minhas capacidades. Esta aventura de me vestir nela de uma maneira criadora como aquilo que tentei fazer, por minha própria conta, quando escrevi o Labirinto da Saudade. De maneira que esta foi uma nova oportunidade de refletir toda uma mitologia que muitos contestam, e talvez até com razão, e assim foi me oferecida a oportunidade de emendar de novo um certo número de temas ou propósitos.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

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Enfim, quem me ouve, quem me lê. Sobretudo quem me leu estará em circunstâncias de me corrigir que bem preciso. É um belo filme. Mas eu preferia que fosse outra pessoa a vestir esta coisa que me fica larga. Não houve nada que me tivesse chocado. Uma pessoa mitifica-se como pode. Mas pronto está feito, está feito.” Miguel Gonçalves Mendes (o realizador do documentário José e Pilar) filma “O Labirinto da Saudade” de Eduardo Lourenço. O filme é uma viagem pelo interior de uma mente brilhante, inquieta, e amante. Um amor continuado pela mulher com quem casou e viveu longos anos em França, um amor continuado pelo capacidade e exercício do pensamento, um amor continuado por um território real e simbólico com uma

história já próxima do milenar, — faltam 169 anos, foi em 1179 que o Papa Alexandre III assinou a bula Manifestis Probatum que concede o título de Rei a Afonso Henriques — que se chama Portugal. Aos 94 anos, o escritor e filósofo Eduardo Lourenço faz eco em nós das perguntas que até hoje nele perduram. Que traumas nos definiram enquanto povo? Quem somos? O que fizemos? Que atrocidades cometemos? Quais os caminhos que podemos seguir? São estas questões o ponto de partida e o caminho percorrido em “O Labirinto da Saudade”, filme sobre uma “nação condenada desde a sua origem a esgotar-se em sonhos maiores do que ela própria”. Mas atenção, talvez que até hoje, esse seja um património comum à

Aos 94 anos, o escritor e filósofo Eduardo Lourenço faz eco em nós das perguntas que até hoje nele perduram. Que traumas nos definiram enquanto povo? Quem somos? O que fizemos? Que atrocidades cometemos? Quais os caminhos que podemos seguir?

génese de todas as nações, qual a nação que pode existir e não soçobrar se nela não houver lugar para um sonho de si maior mesmo que ela própria, um sonho talvez até mesmo impossível? Pode um País existir sem sonho? E no caso particular Português, que sonho é esse que nos faz, que nos alimenta e nos distingue? Narrado e protagonizado pelo próprio Eduardo Lourenço, o documentário percorre os corredores da memória própria e da história de Portugal. Cruza-se com fantasmas e amigos do seu presente – Álvaro Siza Vieira, José Carlos Vasconcelos, Diogo Dória, Gonçalo M. Tavares, Lídia Jorge, Ricardo Araújo Pereira e Gregório Duvivier, que assumem o papel de interlocutores e coadjuvantes condutores das reflexões escritas no livro. O cinema é o dispositivo por excelência do sonho partilhado e, neste filme encantatório, como o referiu Eduardo Lourenço, há um personagem que é um homem hoje com quase um século de existência para quem por razões de carácter - aquilo que lhe é próprio - e de destino - a possibilidade escolhida no conjunto sempre múltiplo das possibilidades que nos contextos foi encontrando - teve como objecto de trabalho e de afecto

pensar o território que o viu nascer. Esse território tem nome de nação, chama-se Portugal. Materialidade e Sonho, inteligência e agudeza de espírito, simplicidade e encanto, um sonho que foi e é vida, é o que cada espectador partilha sente e vive quando da visibilidade em grande ecrã na sala escura deste filme que é uma das pequenas/grandes obras cinematográficas de Portugal em 2018. Não perca.

FICHA TÉCNICA REALIZAÇÃO - Miguel Gonçalves Mendes PRODUÇÃO - Vasco Sequeira DIRECÇÃO DE PRODUÇÃO - Manuela Ribas ARGUMENTO - Miguel Gonçalves Mendes, Diogo Figueira e Sabrina D. Marques DIRECÇÃO DE FOTOGRAFIA - Leandro Fuzeta MONTAGEM - António Tainha DIRECÇÃO DE ARTE - Luís Monteiro FIGURINOS - Margarida Ruas SOM - Ricardo Sequeira Desenho de som Alessandro Laroca | 1927studio MÚSICA - Noiserv * - Cineasta. Licenciado em Ciências da Comunicação pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Mestrando em Desenvolvimento de Projecto Cinematográfico na Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa. O texto não segue o novo acordo ortográfico.


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Poemas de Li Bai por Paulo José Miranda

A primeira vez que tive contacto com Li Bai remonta ao ano de 1992, com a tradução de António de Graça Abreu dos poemas deste poeta da Dinastia Tang. Seguiram-se outras traduções ou versões que fui encontrando, aqui e ali. Mais tarde, em 2001, nos três meses que passei por Macau, o contacto com o poeta Yao Jing Ming – que tinha conhecido no ano anterior em Lisboa – motivou-me para aprofundar o conhecimento do poeta. Estive sempre ciente do enorme muro da língua chinesa e limitei-me às traduções de outros e alguns textos teóricos acerca do poeta. Assim,

os poemas que aqui vou apresentar, são poemas que cruzam inúmeras traduções e, sempre que possível, esclarecimentos com pessoas chinesas. Não pretendo que os poemas sejam lidos como traduções, que não são, evidentemente, nem tão pouco assumo qualquer tipo de autoridade que não seja o do amor à poesia em geral e aos poemas de Li Bai – ou o que julgo serem os seus poemas – em particular. De resto, respeito o número de versos de cada poema e tento sempre que posso apresentá-los com a concisão que me é possível, exigência dos próprios originais.

A flauta de bambu na noite de primavera em Luoyang De quem é este coração, que sopra implacável a flauta de jade? Alaga por toda a aldeia de Luoyang o doce vento da Primavera E prende-me aos ramos de uma canção antiga, “O salgueiro que se parte”. Fico sem quaisquer forças para não pensar na terra onde nasci.

DESCENDO A MONTANHA ZHONGNAN E FICAR A BEBER COM UM AMIGO A MEIO DA NOITE Com o sol em declínio e a lua a seguir os meus passos, Desço a montanha azul. Olho para trás, para tudo o que já fiz, E só vejo sombras de muitas sombras. Junto ao conhecido portão coberto de flores Os filhos de um velho amigo chamam-me. No estreito e longo caminho verde de bambus A minha roupa agarra-se às silvas, não quer que eu siga. Mas é uma alegria poder descansa E beber o precioso vinho do m amigo. Cantamos, afinados pelo vento que faz vibrar os pinheiros, Até que as estrelas brilhantes não passem de recordações Mais bêbados e mais alegres que qualquer coração apainado, Esquecemo-nos de nós, do mundo e de tudo a que se possa dar importância.

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18 (f)utilidades TEMPO

MUITO

Amanhã

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LANÇAMENTO DO LIVRO “ÚI DI GALÁNTI”, SOBRE CARLOS “NÉU NÉU” COELHO Jardim de infância D. José da Costa Nunes Das 18h00 às 20h00

Sexta-feira “UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA” Fundação Rui Cunha | Das 18h00 às 20h00

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O CARTOON STEPH 53

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MACAO INTERNATIONAL PARADE Ruínas de São Paulo | Das 15h00 às 20h00

Diariamente EXPOSIÇÃO “ESCULTURA, UM CAMINHO”, DE ANTÓNIO LEÇA Albergue SCM | Até 21/10 EXPOSIÇÃO “POST-OX WAREHOUSE EXPERIMENTAL SITE” Galeria do Armazém do Boi, rua do Volong | Até 7/10

Cineteatro

KIN SALA 1

KIN [B] Um filme de: Jonathan & Josh Baker Com: James Franco, Jack Reynor, Zoe Kravitz 16.30, 21.30

LEGENDADOEM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Masato Harada Com: Takuya Kimura, Kazunari Ninomiya 19.15

ALONG WITH THE GODS: THE LAST 49 DAYS [C]

SALA 3

FALADO EM COREANO LEGENDADOEM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kim Yong-hwa Com: Ha Jung-woo, Ju Ji-hoon, Kim Hyang-gi, 19.00

FALADO EM CANTONENSE LEGENDADOEM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kennneth Lau Com: Louis Cheung, Jason Chan, Michelle Wai, Helena Law 14.30, 19.30

SALA 2

L STORM [C]

Um filme de: Baltasar Kormákur Com: Shailene Woodley, Sam Claffin 14.30, 21.30

FALADO EM CANTONENSE LEGENDADOEM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: David Lam Com: Louis Koo, , Kelvin Cheng, Stephy Tang 16.30, 21.30

FALADO EM JAPONÊS

UM DISCO HOJE

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“IN A TIME LAPSE” | LUDOVICO EINAUDI

“In a Time Lapse” é um álbum produzido pelo famoso pianista italiano Ludovico Einaudi. O álbum conta com 14 temas e foi lançado em 2013. “Time Lapse” é uma das faixas e também está nas mais apreciadas pelo público, principalmente quando é ouvida em concerto. Ludovico Einaudi, nasceu em 1955. O pianista e produtor de música começou a carreira nos anos 80 e é autor de muitas obras que têm como característica inspirarem tranquilidade. É também conhecido pelo sucesso dos espectáculos ao vivo, tanto em Itália como um pouco por todo o mundo. Vitor Ng

ADIEU [B]

ADRIFT [B]

KILLING FOR THE PROSECUTION [B]

81 8 5 6 9 3 42 74 26 2 17 1 45 4 83 98 9 39 3 4 2 87 8 1 5 8 8 65 6 4 1 7 29 2 3 1 59 5 8 2 7 6 7 4 92 39 3 56 5 1 4 9 8 3 2 65 6 7 5 6 73 47 4 1 8 9 2 17 1 8 6 49 4 53 PROBLEMA 54

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 53

C I N E M A

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S U D O K U

Domingo

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DE

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O residente quer um táxi e não é capaz? Não faz mal, paga uma, duas ou três prendas e os taxistas ocupados aparecem, como que por magia, disponíveis para prestarem o serviço.Aprática é antiga e a DSAT também não mostra grande vontade de dar a volta à situação. Surge uma aplicação que permite oferecer essas prendas só com um toque no ecrã? A DSAT promete acompanhar de perto o caso. O que é que isso quer dizer? Suspeito que nem eles sabem. É uma forma de dizerem que vão fazer qualquer coisa até que o caso morra. É um clássico. Mas será a única forma de especulação? Longe disso. Desafio qualquer pessoa a tentar arranjar um bilhete para os concertos no Cotai com cantores asiáticos. É impossível. Grande parte dos bilhetes para as chamadas “arenas” nunca entra no mercado. É vendida através do amigo e da amiga que trabalham nos balcões de venda ou que conhecem o amigo junket... No local, as filas demoram horas e todos os presentes compram seis bilhetes de uma vez, o máximo permitido. Quanto à venda online, ainda faltam cinco horas para começar e já o servidor está em baixo a pedir-lhe para fazer o “refresh”. Assim, ainda não terminou a venda “oficial” e já aparecem na internet os ingressos à venda por preços 5 a 10 vezes mais altos. Uma boa prática, que não raras vezes resulta em burlas, que as autoridades divulgam. Recorda-se de ver alguém detido por especular com bilhetes? Pois... Houve alguma “operação trovoada” para acabar com o fenómeno? Pois... Macau é um lugar rico, por isso há que pagar muitas “prendas” sempre de acordo com a lei do compadrio e da inércia local. João Santos Filipe

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 19

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macau visto de hong kong

DAVID CHAN

O PINTOR NO SEU ESTÚDIO, JOHANNES VERMEER (PORMENOR)

Crimes, escapadelas e computadores (II)

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semana passada analisámos um caso ocorrido numa escola básica. Quatro professoras divulgaram as perguntas de um teste para admissão de alunos e foram acusadas de “aceder a computadores com intenção criminosa ou desonesta” ao abrigo da alínea 161(1)(c) do Código Penal de Hong Kong. Esta alínea cobre este género de delitos e ainda as infracções por recolha e divulgação de imagens intímas. Relacionado com a esta última infracção, destacamos um caso que deu muito que falar. Atlex Chow Lik-sing, um motorista de taxi de 50 anos, alegou inocência após ter sido acusado de fotografar uma passageira que amamentava o seu bebé, e de ter colocado as imagens no Facebook, em Dezembro de 2016. A juiza Ada Yim Shun-yee recusou-se a adiar o julgamento e quis saber porque é que os advogados de acusação, que estavam sempre a pedir adiamentos, tinha optado pela acusação de uso de computador com intenção criminosa ou desonesta, e não tinham escolhido outra mais apropriada.

Basicamente, a alínea 161(1)(c) é um saco onde cabe quase tudo. Se for usado um computador em qualquer fase da preparação de um crime, pode recorrer-se à alínea 161(1)(c) para adicionar mais uma acusação de fraude ou até de corrupção. Após o smart phone ter sido equiparado a um “computador”, a alínea 161(1)(c) pode ser amplamente aplicada. É válida para casos de fuga de informação de testes escolares, como para o registo de imagens de mulheres a amamentar ou ainda para divulgação de imagens intímas. Sem este enquadramento legal, seria difícil acusar os responsáveis. No entanto, o caso das professoras revelou uma interpretação diferente da alínea 161(1) (c), e por isso é provável que agora, nestas situações, a acusação tenha algum cuidado até se ficar a saber a decisão do Tribunal de Recurso. Para que a legalidade prevaleça, em certos casos devem aplicar-se outras leis para “substituir” a alínea 161 (1) (c). A divulgação de imagens intímas pode constituir um problema. Considera-se captação de imagens intímas, quando são feitas

fotografias ou videos, num certo ângulo e de forma sub-reptícia, de forma a revelar a anatomia feminina por baixo dos vestidos. Aos olhos da lei de Hong Kong ainda não é considerado crime sexual. Desta forma, o réu só pode ser acusado de ociosidade ou de crime contra a honra. É por este motivo que a decisão do juiz de absolver as professoras que divulgaram as perguntas dos testes resultou num desastre legal. Vejamos agora, porque é que o Tribunal de Primeira Instância recusou condená-las. Durante a audiência, o juiz Pang colocou uma questão fundamental: seriam apropriadas as acusações que lhes eram imputadas? Por outras palavras, os actos que praticaram ao “aceder a computadores” poderiam ser considerados infracções ao abrigo da alínea 161(1)(c) do Código Penal? Esta pergunta causou surpresa a ambas as partes, porque nunca tinha sido feita numa sala de audiências. Pang adiantou ainda que “obter acesso a um computador” com intenções criminosas ou desonestas, não é o mesmo que “usar um computador” com esses intuitos. Se a infracção era baseada no uso do computador, tinha

Talvez esteja na altura de o Governo de Hong Kong fazer algumas emendas às leis. O registo de imagens íntimas é disso exemplo. Se o Supremo Tribunal aceitar a argumentação do juiz Pang, as mulheres de Hong Kong vão precisar de uma lei de protecção

um largo espectro e seria incompatível com o precedente “caso Li Man Wai”. Este caso demonstrou que a lei não castiga por igual todas as formas de acesso a computadores, só proibe a extracção e o uso, não autorizado e desonesto, de informação. Mas este caso ainda não está encerrado pois aguarda a decisão final do Supremo Tribunal de Hong Kong. No entanto, a julgar pelas palavras do juiz, podemos verificar a importância da interpretação legal. As palavras “acesso” e “uso” são semelhantes, mas acabam por ter significados diferentes. O juiz tem o dever de assegurar que o seu uso é correcto. Em casos do foro do direito penal é crucial, sobretudo para o réu, que a lei seja interpretada à letra. E a interpretação de um juiz pode vir a ser usada por outros no futuro. É por este motivo que devemos encarar a lei com toda a seriedade. Se todos compreenderem a importância do cumprimento da lei, o estado de direito será alcançado. Talvez esteja na altura de o Governo de Hong Kong fazer algumas emendas às leis. O registo de imagens íntimas é disso exemplo. Se o Supremo Tribunal aceitar a argumentação do juiz Pang, as mulheres de Hong Kong vão precisar de uma lei de protecção. Para concluir, divulgar as perguntas dos testes com antecedência é obviamente uma conduta imprópria e condenável. Nenhum professor o deverá fazer, sem qualquer sombra de dúvida.

Professor Associado do IPM • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog


Nunca tive dinheiro para poder ter tédio à vontade. Fernando Pessoa

Trabalho TNR morre em acidente na Rua dos Pescadores

RÚSSIA MAIS DE MIL PESSOAS DETIDAS EM MANIFESTAÇÕES

Um trabalhador não residente (TNR) com mais de vinte anos de idade faleceu ontem no hospital público na sequência de um acidente de trabalho ocorrido num estaleiro na Rua dos Pescadores este domingo. De acordo com informações da Polícia Judiciária (PJ), o TNR, de apelido Ho, trabalhava na instalação de cabos eléctricos e foi atingido por um dos cabos, o que originou várias fracturas. Um comunicado ontem divulgado pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) afirma que esta entidade “está muito atenta à situação”, estando prevista a prestação de apoio “à família da vítima no acompanhamento da matéria relativa à indemnização por acidente de trabalho”. “Após o acidente, o pessoal da DSAL deslocou-se ao estaleiro para se inteirar da situação, tendo as investigações preliminares revelado que, quando dois TNR estavam no terraço a usar um guincho para levantar um cabo eléctrico para a sala de máquinas, o tambor do guincho soltou-se, causando a queda do cabo do eléctrico que arrastou o cabo do guincho, tendo este atingido a mão de um trabalhador e a cintura do outro trabalhador [que faleceu ontem]”, lê-se ainda no mesmo comunicado.

Ciclismo Sportinguista Alejandro Marque sobe a quinto na Volta à China

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O ciclista espanhol Alejandro Marque (Sporting/Tavira) subiu ontem ao quinto lugar na Volta à China, com a 32.ª posição na terceira etapa vencida ao ‘sprint’ pelo italiano Marco Benfatto (Androni). Apesar da chegada em grupo a Enyang, após 158 quilómetros desde Bazhong, Marque galgou seis posições, estando agora a 15 segundos do líder, o colombiano Juan Sebástian Molino (Manzana Postobon), que tem 12 segundos de avanço para os chineses Mingrun Chen (Hengxiang) e Yikui Niu (Mitchelton). O primeiro pelotão de 73 ciclistas incluiu ainda Frederico Figueiredo (35.º), Valter Pereira (47.º) e o italiano Rinaldo Nocentini (54.º). Francisco Figueiredo também avançou duas posições, para 20.º, aos mesmos 18 segundos do nono classificado, o mesmo tempo partilhado com Rinaldo Nocentini (33.º) e Valter Pereira (38.º). No sentido inverso, Nicola Toffali caiu 46 lugares e agora é 62.º, a 17.6 minutos, enquanto David Livramento perdeu 31 posições para 85.º, a 23.24. Na terça-feira disputa-se a quarta de sete etapas com 84,6 quilómetros entre Chongqing e Liangping.

terça-feira 11.9.2018

PALAVRA DO DIA

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Missão abortada Estados Unidos vão encerrar missão palestiniana em Washington

O

S Estados Unidos notificaram a direcção palestiniana de que vão encerrar a missão da Palestina em Washington, anunciou ontem o alto responsável palestiniano Saeb Erekat, denunciando uma “escalada perigosa” nas medidas de retaliação norte-americanas. Esta decisão é a última de uma série de medidas tomadas pela administração do Presidente Donald Trump contra a direcção palestiniana que, por sua vez, suspendeu as relações com responsáveis norte-americanos após o reconhecimento unilateral, pelos Estados Unidos, de Jerusalém como a capital de Israel, em Dezembro de 2017. “Um responsável norte-americano notificou-nos da decisão de encerrar a missão palestiniana nos

Estados Unidos”, indicou o “número dois” da Organização de Libertação da Palestina (OLP) num comunicado. “Trata-se de mais um exemplo da política de punição colectiva praticada pela administração Trump contra o povo palestiniano, ao qual já cortou o apoio financeiro para serviços humanitários, incluindo nos sectores da saúde e da educação”, disse. Historicamente o principal país doador da agência da ONU para os refugiados palestinianos (UNRWA), os Estados Unidos cortaram no início do ano a sua ajuda de 301,6 milhões de euros em 2017 para 60 milhões 51,7 milhões. No final de Agosto, Washington anunciou que não fará “contribuições adicionais” para a agência.

A UNRWA presta ajuda ao nível da educação e saúde a três milhões de palestinianos dos cinco milhões registados como refugiados. Saeb Erekat considerou que “esta escalada perigosa mostra bem que os Estados Unidos procuram desmantelar o sistema internacional para cobrir os crimes israelitas”. O responsável disse ainda que serão tomadas as medidas necessárias para proteger os direitos dos cidadãos palestinianos que vivem nos Estados Unidos de acederem a serviços consulares. “Reiteramos que os direitos do povo palestiniano não estão à venda, não vamos sucumbir às ameaças dos EUA”, adiantou. A OLP é vista pela comunidade internacional como a organização que representa o povo palestiniano.

AIS de mil pessoas foram detidas no domingo durante as manifestações de protesto na Rússia contra a legislação sobre pensões de reforma convocadas pelo dirigente da oposição Alexei Navalni que se encontra preso por ter organizado concentrações ilegais. De acordo com o portal informativo OVD-info, de Moscovo, o número de detenções em dezenas de cidades da Rússia ascende a 1018. Cerca de metade dos manifestantes em causa foram detidos em São Petersburgo, a segunda cidade do país. Em Yekaterimburgo, capital dos Urais, foram detidas 183 pessoas, apesar de as autoridades afirmarem que o número total de detenções é três vezes inferior aquele que está a ser divulgado pelos órgãos de comunicação social da oposição. O Sindicato dos Jornalistas da Rússia disse, entretanto, que durante a cobertura das manifestações três repórteres foram agredidos pela polícia e 15 foram detidos. Na capital dos Urais, os meios de comunicação social exigem que as forças de segurança libertem os jornalistas que ficaram detidos frisando que os repórteres estavam a trabalhar e a exercer o direito de informar. O porta-voz do Departamento do Ministério do Interior na região dos Urais, Valeri Gorelij, disse ao jornal Novaya Gazeta, da oposição, que a polícia não vê diferenças entre jornalistas e manifestantes. Os protestos contra a mudança da lei sobre as pensões que prevê o aumento da idade de reforma foram autorizados apenas em 12 localidades, a nível nacional, enquanto nas restantes 59 cidades – incluindo Moscovo e São Petersburgo – a realização das manifestações foi proibida. De acordo com os apoiantes de Alexei Navalni participaram nos protestos de domingo entre 60 a 80 mil pessoas em todo o país.


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Hoje Macau 11 SET 2018 #4132 by Jornal Hoje Macau - Issuu