www.hojemacau.com.mo
carlos monjardino presidente da fundação oriente
‘‘
Não faz sentido ter uma escola paredes meias com um casino Numa análise à situação do ensino da língua portuguesa em Macau, Carlos Monjardino defende uma maior actividade das empresas portuguesas e mais ligação do IPOR à DSEJ. O presidente da FO reafirma a sua discordância quanto à localização da Escola Portuguesa e assume que o papel da fundação que dirige se tem limitado à vertente cultural.
q u a r ta - f e i r a 1 1 d e f e v e r e i r o d e 2 0 1 5 • A N O X i v • N º 3 2 7 1
Agência Comercial Pico • 28721006
hojemacau
Mop$10
pub
Director carlos morais josé
UM
Resposta “detalhada” a caminho sociedade Página
exposição
Arte filipina na Creative centrais
LUZes
Novas regras mas lei na penumbra política Página pub
pub
entrevista páginas 2-3
8
4
2
entrevista
hoje macau quarta-feira 11.2.2015
Carlos Monjardino, presidente da Fundação Oriente O presidente da Fundação Oriente, considera que deveria haver um papel mais entanto, desejável que se prossiga, activo de empresas sem quebras, a estratégia de criação portuguesas em de sinergias com outras entidades do território, nomeadamente as Macau no ensino ligadas à Administração – Direcção dos Serviços de Educação e outras da língua e mais –, no sentido de manter o IPOR como instituição de referência ligação do IPOR à no ensino do Português como DSEJ. Nos planos língua estrangeira (PLE), num contexto mais concorrencial em da Fundação estão que se multiplicam as iniciativas e instituições a trabalhar nesta área. o financiamento Seria também útil que empresas ligadas a Portugal com presença de actividades no território, fossem chamadas a que apresentam a participar no projecto de um modo mais activo. cultura lusa, sendo O Governo local sofreu alteraque Monjardino ções e Alexis Tam, o novo Secretário para os Assuntos Sociais e admite que o papel frisou a necessidade de da Fundação Oriente Cultura, se apostar na Língua Portuguesa, logo após tomar posse. O que se tem limitado à considera que pode ser concluído desta vontade? E quanto ao vertente cultural. desenvolvimento desta área em Sobre a relocalização Macau: augura um bom futuro ao ensino do Português no terda Escola ritório? Alexis Tam tem todas as condições Portuguesa - que para promover mais o ensino do Português, quer através do IPOR nunca aconteceu -, quer através da Escola Portuguesa. Monjardino mantém Julgo que seria importante que o IPOR reforçasse os seus laços a posição inicial: com a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude. uma instituição de Qual foi o capital investido no ensino não deveria IPOR no ano passado? estar ao lado A contribuição associativa orçamentada foi de 1,27 milhões de de um casino patacas.
“O papel da FO tem-se limitado
Leonor Sá Machado
leonor.machado@hojemacau.com.mo
Comecemos com a questão da difusão da língua e cultura portuguesas. Um dos principais investimentos tem em vista o ensino da Língua Portuguesa através do IPOR. Que balanço faz do trabalho deste instituto em 2014? O trabalho do IPOR em 2014, ano em que se comemorou o 25º aniversário da sua criação, seguiu a linha de anos anteriores, no sentido de melhorar os instrumentos que permitam leccionar de forma cada vez mais eficiente o Português como língua estrangeira e mantendo um relacionamento estreito com entidades da RPC que têm um percurso semelhante. A Fundação Oriente está bastante satisfeita com as actividades do IPOR e com o seu desempenho. Será, no
E que orçamento está previsto, por parte da Fundação Oriente, para 2015? O mesmo que em 2014. Que projectos estão já pensados para acontecer em Macau? Na área cultural, a Fundação Oriente vai realizar um conjunto de exposições com o objectivo de mostrar a obra de artistas conceituados representativos da arte contemporânea portuguesa como forma de preservar os laços entre as duas culturas e ainda evidenciar o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido por jovens artistas promissores de Macau e da China. Do programa constam, por exemplo, uma retrospectiva de Manuel Cargaleiro, a apresentação do mestre japonês de pintura Masaaki Miyasako, um artista chinês que falta indicar, uma exposição de escultura de Custódia
Sousa e de fotografias de Erwin Olaf, entre outras. Mantém-se no programa deste ano o Salão de Outono, acontecimento anual em Macau e apreciado pelos artistas e pelo público em geral. Na música, vai ser apresentado o grupo Amor Electro, em parceria com a Casa de Portugal, e continuará a apresentação de grupos de jazz na Casa Garden, só com o patrocínio da FO ou em parceria com o Jazz Clube. Na área dos audiovisuais, a FO irá manter a parceria com a Art for All para a realização do Festival Internacional de Vídeo. A FO continuará a organizar e atribuir bolsas e prémios – Vencedor do festival Internacional de Vídeo, prémios FO/Artes Plásticas e Macau Reportagem -, bem
como a colaborar com prémios de outras instituições (Concurso de Poesia do Instituto Politécnico de Macau, Concurso de Eloquência da Universidade de Macau). Vamos continuar a apoiar o Curso de Verão da Universidade de Macau com a atribuição de uma bolsa a um aluno e na área da filantropia, será mantida a colaboração com várias associações de índole social e instituições culturais diversas. Continuaremos igual-
mente a prestar apoio à realização de encontros e conferências culturais na Casa Garden. Está ainda prevista a possibilidade de colaboração com outras instituições como a Casa de Portugal, as associações de matriz lusófona, associações culturais e artísticas locais, tanto no acolhimento como na organização de iniciativas conjuntas. No âmbito do ensino, a FO continuará a partilhar com o Camões IP o financiamento
“A Fundação teve um papel importante em Macau em várias áreas mas, como qualquer Fundação, a sua função é complementar o papel do Estado ou actuar onde o Estado não actua”
entrevista 3
hoje macau quarta-feira 11.2.2015
à vertente cultural” “A Administração da RAEM, (...) tem assumido cabalmente as suas funções no apoio à população, nomeadamente de cariz social, pelo que a acção da Fundação Oriente se tem limitado à vertente cultural”
das actividades do IPOR, assim como vir eventualmente a apoiar algumas iniciativas da Escola Portuguesa, nomeadamente através da atribuição de algumas bolsas de estudo. No que diz respeito às restantes delegações, que projectos estão previstos para Goa? A nossa delegação na Índia celebra este ano o seu 20º aniversário. A data será assinalada com o lançamento de um livro de Percival Noronha, um concerto de fado e uma festa de convívio. A exposição permanente do pintor goês António Xavier Trindade na Galeria da Delegação será objecto de várias actividades com ela relacionadas, estando
prevista a apresentação de exposições de vários artistas locais e a participação no Goa Photo 2015. Foi recentemente publicada uma monografia sobre a vida e obra de Xavier Trindade, da autoria de Fátima Gracias, trabalho que resultou de uma bolsa atribuída pela FO. Os grandes eventos a nível musical continuarão a ser o Concurso da Canção Portuguesa Vem Cantar e o Festival de Música do Monte, de música clássica ocidental e indiana, para o qual foi este ano especialmente convidada Luísa Amaro (guitarra portuguesa). Este ano a FO apoia a celebração do Dia de Damão com um concerto de guitarra portuguesa de Luísa Amaro. Será igualmente promovido em 2015 o 3º Concurso de Contos Goeses, em português, inglês, concanim e marata [línguas indianas], que dará origem à publicação dos contos premiados. No domínio do património cultural, a FO organizará mais um workshop, desta vez dirigido à conservação de papel. Serão abertos concursos para a atribuição de bolsas de estudo e promovida a colaboração com várias instituições locais no domínio cultural e filantrópico. Ainda no domínio do ensino do Português, o qual atrai número crescente de alunos, pese embora ser opcional, a FO continuará a financiar os honorários dos professores locais que o ministram nas escolas secundárias de Goa, sendo ainda atribuídos prémios aos melhores alunos. E para Timor? Em 2015 a delegação de Timor dedicará uma especial atenção ao programa comemorativo dos 500 anos da chegada dos portugueses, em colaboração com o Governo de Timor e o Camões IP, a divulgar oportunamente. A actividade da delegação tem como principais objectivos ser um veículo de difusão da Língua Portuguesa, apresentar programas motivadores e atractivos para a população jovem timorense, constituir-se num pólo de dinamização cultural, assim reforçando a imagem de Portugal e da FO naquele país.
Em 2015 prevê-se uma exposição de artistas timorenses, uma exposição de fotografia de peças das colecções do Museu do Oriente e uma exposição de fotografia de Carmo Correia (em colaboração com a embaixada de Portugal). No âmbito do Mês da Música estão previstos cinco concertos com bandas locais, assim como a organização de workshops de música para músicos timorenses. A Fundação irá organizar um programa de sessões de leitura/ contadores de histórias, em português, para crianças e adultos e organizar uma oficina musical, com as escolas, com canto em português, bem como oficinas de marionetas e de desenho e pintura para crianças e jovens. O já designado Cine Timor [Auditório da Fundação Oriente em Díli] continuará a promover ciclos de cinema em português e de cinema infantil/juvenil. A Fundação continuará a prestar apoio a filmes realizados localmente bem como a um programa de TV – contar histórias em português para crianças timorenses. O festival de cinema FESTIN deverá ser apresentado localmente em parceria com o Camões IP. A actividade da Fundação passará igualmente pelo apoio a obras literárias locais ou que versem Timor bem como a publicação da colectânea dos melhores trabalhos apresentados ao Prémio de Língua Portuguesa, em parceria com o BNU-Timor. Serão abertos concursos para bolsas de estudo incluindo estágios no Museu do Oriente. Em Portugal serão também apoiados os estudantes timorenses que frequentam escolas profissionais ou licenciaturas. Será dada continuidade aos cursos de iniciação ao Português e de iniciação musical que decorrem na delegação.
Fez no ano passado 15 anos da transferência de soberania. Que retrospectiva faz do estado da RAEM? Acho que a região passou de um estado de inquietação de algumas camadas da população para um estado de confiança que hoje é generalizado. Sendo uma pessoa com uma presença muito activa em Macau desde a década de 80 e tendo acompanhado todo o processo de transição, que principais mudanças aponta? Julgo que há uma preocupação social, que não era evidente antes e que levou, por exemplo, a que a Fundação Oriente não seja tão activa quanto foi no passado no que respeita a este sector. A Administração assumiu completamente esse papel, que de resto deveria sempre ser o seu. Quanto às principais receitas da RAEM, que como se sabe provêm do Jogo, têm vindo a ter lugar algumas iniciativas para explorar outras fontes e desenvolver Macau como uma plataforma de negócios, nomeadamente em relação a Países de Expressão Portuguesa, o que considero que faz todo o sentido. E que balanço faz do trabalho da FO nestes 15 anos? A Fundação teve um papel importante em Macau em várias áreas mas, como qualquer Fundação, a sua função é complementar o papel do Estado ou actuar onde o Estado não actua. A Administração da RAEM, como referi anteriormente, tem assumido cabalmente as suas funções no apoio à população, nomeadamente de cariz social, pelo que a acção da Fundação Oriente se tem limitado à vertente cultural, muitas vezes inclusive em parceria com instituições locais. Além de que é preciso não esquecer que a Fundação Oriente deixou de receber receitas relativas ao Jogo em 1996 e portanto desde aí deixou de poder intervir como fazia anteriormente. Poderá a FO contribuir com colecções de arte e exposições em Macau? A Fundação Oriente já o tem feito no passado e continuará obviamente a fazê-lo no futuro. Este ano, por exemplo, temos diversas exposições previstas para a Casa Garden, não só de pintura, como por exemplo, de Manuel Cargaleiro e Masaaki Miyasako, mas também de escultura e fotografia. Para 2016
“Sempre fui adepto da mudança da Escola Portuguesa para outro local até porque foi isso que ficou acordado com a SJM. Além disso não faz muito sentido ter uma escola desta natureza paredes meias com um casino”
está prevista a apresentação de uma exposição proveniente das nossas colecções do Museu do Oriente, a anunciar oportunamente. A FO deixou de subsidiar a Escola Portuguesa há mais de dois anos. Qual a sua opinião sobre a EPM não ter mudado de sítio, como durante tantos anos foi discutido. Como se sabe, sempre fui adepto da mudança da Escola Portuguesa para outro local até porque foi isso que ficou acordado com a SJM. Além disso não faz muito sentido ter uma escola desta natureza paredes meias com um casino. Outras das questões prende-se com o facto da SJM ter doado mais de 196 milhões de dólares de Hong Kong à Fundação EPM para ajudar na mudança de local, mas que nunca aconteceu. Sabe-se para que fins é que esse dinheiro foi usado? Não sei exactamente mas presumo que uma parte tenha sido utilizada em projectos e mesmo se calhar para fazer face a algumas despesas de investimento ao nível da Escola. A Fundação Oriente faz parte do Conselho de Administração da Fundação Stanley Ho. Que actividades têm sido feitas? As actividades da Fundação Stanley Ho são essencialmente de cariz social e cultural, sobretudo em áreas geográficas onde a Fundação tem interesses. Quanto foi gasto pela Fundação em 2014? A actividade da Fundação Stanley Ho sofreu um constrangimento em 2014 devido à redução das suas receitas. A Fundação tem poucos rendimentos, especialmente nestes últimos anos em que perdeu as rendas dos imóveis onde funcionava um Hospital que faliu e que era a sua principal fonte de receitas. Em 2014 gastou globalmente cerca de 150 mil euros, esperando-se que em 2015 esse montante seja mais elevado e em 2016, já novamente com receitas do arrendamento dos imóveis, mais do que duplicar a verba de 2014. No que diz respeito ao Instituto Camões, que pertence ao Estado português, na sua opinião, quais as ferramentas de sobrevivência de uma entidade difusora de Língua Portuguesa neste momento em que Portugal se encontra numa crise financeira? Na minha opinião, para continuar a prosseguir cabalmente as suas funções o Instituto deveria aproximar-se mais dos governos das regiões onde exerce a sua actividade. Sobretudo quando desempenha localmente um papel importante e de grande interesse para as referidas regiões, como é o caso de Macau, através do IPOR.
política
hoje macau quarta-feira 11.2.2015
tiago alcântara
4
Poluição luminosa Novas instruções, mas lei é uma incógnita Sem responder se existirá uma lei sobre a poluição luminosa, o Governo apenas garante que Filipa Araújo combater a poluição luminosa e como é que o problema da poluiregular os respectivos equipamen- ção luminosa pode ser resolvido. está muito atento a “Embora não exista actualtos”, Leong Veng Chai argumentaesta problemática, ão é a primeira vez que va que o Governo ainda não tinha mente qualquer normativo legal o Governo é indagado iniciado o processo legislativo respeitante à poluição luminosa, adiantando que já relativamente à questão sobre a poluição luminosa, ten- no entanto, em relação a painéis da poluição luminosa. do apenas emitindo instruções publicitários luminosos, para eviforam levadas a Numa interpelação escrita, o depu- para referência dos profissionais, tar, quanto mais possível, impactos cabo actualizações tado Leong Veng Chai quis saber referindo-se às Instruções para sobre outras pessoas, o instalador se o Executivo já definiu uma lei Controlo da Poluição Luminosa tem de cumprir as Instruções”, ao cadernos de para regulamentar a poluição cria- proveniente dos painéis publicitá- começa por esclarecer o Governo da pelas luzes dos casinos, mas o rios, das iluminações decorativas em resposta ao deputado. instruções que Executivo não adianta se será cria- e dos monitores LED no exterior da uma legislação própria, dizendo dos edifícios, mas essas mesmas Novas actualizações actualmente gere apenas que novas instruções foram instruções não tinham qualquer O Executivo informa ainda que foi esta problemática. aditadas ao Caderno de Instruções força vinculativa. Assim sendo, realizado um aperfeiçoamento dos pela qual se rege quem emite esta perguntou Leng Veng Chai, como respectivos critérios de controlo A DSPA vai é que os serviços competentes e assim elevada a viabilidade das poluição. tratam as queixas do residentes instruções. Na interpelação, onde o decomeçar a elaborar “A Direcção dos Serviços de putado questionava “quando é e, tendo em conta a inexistência pareceres técnicos que Macau vai ter legislação para de sanções ou efeitos dissuasores, Protecção Ambiental (DSPA) irá
As luzes na ribalta Filipa.araujo@hojemacau.com.mo
N
Animais Lei vai ser alterada. Artigos só para cães alvo de estudo
Baralha e volta a dar T rês artigos da proposta de Lei de Protecção dos Animais levantaram algumas dúvidas aos membros da 1.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), presidida por Kwan Tsui Hang, e por isso poderão vir a ser retirados ou alterados. Em causa está o pagamento, estipulado no artigo 20º, de sete dias de alimentação e alojamento, um total de 700 patacas, quando os donos entregam os animais - neste caso específico os cães - ao Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). “Os membros não perceberam este artigo. Como foram determinados os sete dias? E quais os animais? É que o Governo só se refere aos cães. A lei é para qualquer animal, mas só os cães é que têm que pagar?”, questionou a presidente, que clarificou que não houve
justificação por parte do Executivo quanto ao número de dias decidido. Relativamente ao tipo de animal, o IACM afirmou que aceita qualquer um, mas só no caso dos cães é que deve ser pago.
Mais algum estudo
Os dois artigos seguintes, o 21º e o 22º, exclusivamente dedicados a cães, dizem respeito à presença dos cães em espaço públicos e à entrega de cadáveres ao IACM - em que o dono terá que pagar se quiser as cinzas do seu animal. Kwan Tsui Hung explicou que o artigo 21º é uma norma que já está definida no Regulamento Geral dos Espaços Públicos e que, por isso mesmo, o Governo decidiu retirá-la desta proposta. Quanto aos restantes artigos em
discussão, a presidente garante que o Governo “vai estudar melhor”. Recorde-se que esta lei refere ainda que quem entregar um animal perde qualquer direito de voltar a ir buscá-lo, rescindindo assim do direito de ter o animal de volta. Esta alínea deverá servir para colmatar a tendência de pessoas que entregam e voltam para buscar animais mais do que uma vez. - F.A.
facultar as instruções actualizadas de controlo da poluição luminosa aos serviços de licenciamento relacionada com as instalações publicitárias e vai sugerir também a integração destas instruções nas condições de licenciamento, sendo que, ao mesmo tempo, e a pedido dos serviços de licenciamento, a DSPA apresentará parecer técnico sobre o controlo da poluição luminosa proveniente dos painéis publicitários e dos monitores LED, a fim de reforçar o controlo da poluição luminosa desses equipamentos”, refere o Governo.
Projecto verde aumenta controlo
No documento, a DSPA argumenta ainda que o programa “Prémios Hotel Verde”, tendo em conta a ligação hoteleira à questão da poluição luminosa, veio contribuir para o maior controlo desta problemática. “A DSPA incluiu o controlo de poluição luminosa no critério de avaliação dos Prémios Hotel Verde, a fim de impulsionar os hotéis participantes a tomarem medidas adequadas para reduzir o uso de luzes e iluminações desnecessárias, controlar de forma adequada a luminosidade, evitando luzes de lâmpadas decorativas nas paredes exteriores dos edifícios de hotéis, de projectores de laser e monitores LED no exterior ou de outros equipamentos que possam projectar luz (...)”, argumenta. Posto isto, a DSPA adianta ainda que “continuará a fazer revisões sobre as respectivas instruções e a acompanhar a forma de utilização dos critérios de solução”, sublinhando ainda que “continuar a colaborar com os serviços de licenciamento, no estudo de políticas e medidas, incluindo também a respectiva legislação”. Questionado pelo HM, o Governo não esclareceu se haverá uma possível proposta de lei futura ou se a legislação a que se refere apenas diz respeito ao cadernos das instruções já criado em 2008.
política 5
hoje macau quarta-feira 11.2.2015
Sugerida criação de serviços de consultoria e formação
Jovens querem bairros antigos Os jovens pediram ao Secretário para a Economia e Finanças que crie parcerias com construtores dos bairros antigos para a obtenção de benefícios em termos de rendas e pedem ainda que o Governo os esclareça melhor sobre o actual estado do mercado Leonor Sá Machado
leonor.machado@hojemacau.com.mo
O
s representantes do sector de jovens empresários apontaram, durante um encontro com o Secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, as rendas elevadas e a falta de apoios na formação como principais obstáculos à criação de novos negócios. Para resolver isso, sugerem que o Executivo crie parcerias com construtores nas zonas dos bairros antigos para revitalizar o trabalhos dos jovens e os locais em questão, assim atraindo potenciais consumidores e visitantes.
“Foi proposta, por parte dos representantes presentes, a cooperação entre o Governo e os construtores imobiliários dos bairros antigos na oferta de benefícios em termos de rendas, incentivando os construtores imobiliários a disponibilizarem espaços comerciais para servirem de centros de incubação e desenvolvimento empresarial”, refere um comunicado do Governo.
Experiência vale mais
Durante o encontro, Lionel Leong referiu que os jovens do território são os “pilares da sociedade” do futuro, frisando ainda a necessidade dos organismos juvenis locais ajudarem os empresários mais novos
Comunicado do Governo
nas áreas da formação profissional e do conhecimento sobre em que sector devem investir. As declarações foram proferidas durante um encontro entre Lionel Leong e 14 representantes de organismos juvenis, dias atrás. Em cima da mesa esteve a implementação do Plano de Apoio a Jovens Empreendedores, uma vez que este já está para ser feito
Pequim garante estabilidade na exportação de alimentos
Para Macau com amor A foi inteirar-se sobre a situação do fornecimento a Macau de produtos agrícolas e derivados do interior da China. O Ministro afirmou que o Governo Central “tem estado sempre muito atento aos trabalhos desenvolvidos no âmbito do fornecimento dos produtos agrícolas e derivados a Macau”, tendo salientado que foi criado, “desde há muito tiago alcântara
distribuição de alimentos a Macau do interior da China está assegurada. Isso mesmo garante o Ministério do Comércio chinês, através de Tong Daochi, Ministro-adjunto do organismo, que esteve na RAEM em visita oficial. De acordo com um comunicado, entre os dias 9 e 11 de Fevereiro, uma delegação chefiada por Tong Daochi reuniu-se com o Secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, acompanhado dos representantes do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) e da Direcção dos Serviços de Economia (DSE), bem como com as empresas do sector local, tendo ainda efectuado uma visita de inspecção “in loco” para tomar conhecimento de perto sobre o abastecimento do mercado. A ideia, frisa o Ministério do Comércio da China,
“Foi proposta, por parte dos representantes presentes, [associações juvenis] a cooperação entre o Governo e os construtores imobiliários dos bairros antigos na oferta de benefícios em termos de rendas”
tempo”, um mecanismo de comunicação e de ligação muito estreito e eficaz entre os departamentos nacionais do continente e da RAEM, sendo que já se encontra criada, no interior da China, uma equipa abastecedora de produtos “alimentares estável e sólida”. Além disso, foi ainda estabelecido um número de bases para produção e
“há um certo período de tempo”, de acordo com comunicado do Gabinete do Secretário. Algumas das medidas sugeridas pelos organismos passam pela disponibilização, por parte do Governo, de “serviços de consultoria complementares” e formação nos campos de empreendedorismo e legislação empresarial, de forma a que os jovens aprofundem os
seus “conhecimentos jurídicos e financeiros” relativos a este sector. Outra das sugestões tem em vista a criação de uma base de “experiências” de sucesso e insucesso, de onde os novos empresários possam retirar ideias sobre o que fazer e não fazer aquando do estabelecimento de um novo negócio. Houve ainda quem pedisse ao Governo que melhor esclarecesse os jovens sobre o actual estado do mercado, incluindo condições financeiras necessárias para uma boa capacidade de resposta. Os representes referiram ainda ser preciso promover, de forma mais eficaz, os tipos de apoio oferecidos pelo Governo já que, dizem, poucos são os jovens que têm conhecimento dos mesmos.
transformação de produtos “com elevados padrões de qualidade”.
Lei anti-tabaco já gerou mais de 20 mil multas
Um pouco de tudo
D
Em 2014, foram exportadas do interior da China para Macau 340 mil toneladas de produtos agrícolas e derivados, no montante total de 390 milhões de dólares americanos, representando uma subida de 4,8% e 9,7%, respectivamente. Essas exportações incluíram animais vivos, como porco, vaca e galinhas. Por outro lado, as exportações de géneros alimentícios incluíram igualmente cereais, legumes, ovos, leite, água potável, etc., “mantendo-se a estabilidade da exportação para Macau”. Durante a estadia em Macau, a delegação liderada pelo Ministro visitou o Mercado Abastecedor de Macau NamYue o Mercado Iao Hong, com intenção de saber, em pormenor, a situação do fornecimento e venda de carnes, legumes, frutas e produtos piscícolas naqueles locais, particularmente detalhes sobre a procedência desses produtos, sua qualidade e preços.
esde a entrada em vigor da Lei de Prevenção e Controlo do Tabagismo que 24.799 pessoas foram acusadas de fumar em locais proibidos. Até ao passado dia 31 de Janeiro foram realizadas, em média, 630 inspecções a estabelecimentos por dia. Os dados são do Governo, que indica ainda que, no que concerne ao cumprimento da lei nos casinos, desde o dia 1 até ao dia 31 de Janeiro de 2015, foram efectuadas em conjunto pelos Serviços de Saúde e pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos 37 inspecções aos casinos de Macau. Neste contexto, foram alvo de acusação 34 indivíduos que fumavam ilegalmente, sendo 33 infractores do sexo masculino (97,1%) e um do sexo feminino (2,9%). No total, 24 das pessoas autuadas eram turistas (70,6%) e apenas dez são residentes de Macau (29.4%).
Só este ano (entre 1 e 31 de Janeiro de 2015) foram realizadas 23.759 inspecções a estabelecimentos, o que perfaz uma média de 766 inspecções por dia. Foram registadas 646 acusações. De entre os casos de pessoas a fumar em locais proibidos, detectados em 2015 a esmagadora maioria dos infractores (595) são do sexo masculino. Relativamente à proveniência, 414 das multas recaíram sobre cidadãos residentes de Macau (63,6%), 211 multas foram aplicadas a turistas (32,7%) e 24 das infracções foram cometidas por trabalhadores não residentes (3,7%). No que concerne ao tipo de estabelecimentos com maior número de casos de infracção, os cibercafés continuam a surgir no topo dos estabelecimentos infractores com um total de 116 casos (18,0%).
6 política
hoje macau quarta-feira 11.2.2015
GCS
Chui Sai On Campanha anti-corrupção “tem sido eficaz”
O elogio do Chefe
No evento de Primavera promovido pelo Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau, o Chefe do Executivo disse que a campanha anti-corrupção na China “tem demonstrado a sua eficácia”. Chui Sai On promete implementar os recados deixados por Xi Jinping Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
F
oi um discurso cheio de optimismo aquele que Chui Sai On apresentou na festa da Primavera promovida pelo Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau. O Chefe do Executivo comentou a política anti-corrupção levada a cabo pelas autoridades chinesas, não tendo estabelecido qualquer ponto de ligação com o sector do Jogo em Macau e a quebra do negócio no segmento VIP, como muitas analistas apontam. “A campanha anti-corrupção tem demonstrado a sua eficácia,
tornando a integridade numa força de coesão do povo”, disse ontem Chui Sai On, que aproveitou para destacar mais sucessos da liderança de Xi Jinping. “Encarou com serenidade as mutações constantes e complexas da conjuntura interna e externa, dando particular atenção à nova normalidade da economia da China. Com um espírito inovador, tem vindo a promover a reforma dos sistemas económico, político, cultural e social”, afirmou. Chui Sai On falou ainda da criação da zona de comércio livre em Xangai e das oportunidades que isso poderá trazer para o continente. “Após o sucesso da
entrada em funcionamento da zona experimental de livre comércio de Xangai, será lançada, dentro em breve, uma nova ronda de implementação de zonas experimentais de livre comércio, que passarão a ser pontos estratégicos da expansão da abertura ao exterior”, referiu.
Sempre alerta
Focando o seu discurso nos projectos que o Governo quer desenvolver este ano para o território, Chui Sai On garantiu que vai “prosseguir plenamente as instruções do Governo Central”, sendo que o Executivo vai manter-se “em sentido de alerta, com vista a agregar consensos, projectar pla-
pub
AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL 1. Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, chegou ao seu término, e, que de acordo com o artigo 53.º da Lei nº 10/2013 << Lei de Terras >> , de 2 de Setembro, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Portaria nº 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que devem os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos: - -
- -
-
-
-
-
- - - - - -
-
Avenida do Almirante Lacerda, n.ºs 45 e 47, em Macau, (Edifício Nang Cheong); Rua de Cantão, n.ºs 72K a 72S, Rua de Pequim, n.ºs 54H a 54T, Avenida da Amizade, n.ºs 391 a 391L e Rua de Xangai, n.ºs 21M a 21S, em Macau, (Edifício I San Kok/I Hoi Kok); Rua de Pequim, n.ºs 68 a 102 D e Rua de Xangai, n.ºs 93F e 93G, em Macau, (Edifício Hotel Holiday Inn); Avenida da Amizade, n.ºs 519 a 597, Rua de Xangai, n.ºs 38 a 78B e Alameda Dr. Carlos D´Assumpção, n.ºs 565 a 605C, em Macau, (Edifício Macau Landmark); Travessa de Má Káu Séak, n.ºs 58 a 106, Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.ºs 67 a 183 e Travessa do Dr. Francisco Vieira Machado, n.ºs 9 a 61, em Macau, (Edifício Bai Yun Garden); Estrada Marginal da Ilha Verde, n.ºs 1106 a 1130, Travessa do Crisântemo, n.ºs 3 a 23 e Estrada Nova da Ilha Verde, n.ºs 176 a 212, em Macau, (Edifício Complexo Residencial Soi Cheong); Avenida do Comendador Ho Yin, n.ºs 35 e 39 e Rua dos Currais, n.ºs 193 a 213, em Macau, (Edifício Bestway Garden); Avenida de Venceslau de Morais, n.ºs 185 a 191, Travessa de Venceslau de Morais, n.ºs 9 a 49 e Praceta de Venceslau de Morais, n.ºs 67 a 113, em Macau, (Edifício Centro Industrial Macau); Rua Seis do Bairro da Areia Preta, n.ºs 15 e 17, em Macau; Estrada da Penha, n.ºs 382 a 386, em Macau; Estrada Lou Lim Ieok, n.ºs 799 a 883, na Ilha da Taipa; Rua Wo Mok, n.ºs 47 a 57 e Avenida Son On, n.ºs 386, na Ilha da Taipa; Rua da Felicidade, n.ºs 1 a 13 e Avenida Son On, n.ºs 597 a 675F, na Ilha da Taipa, (Edifício Centro Industrial Miki); Estrada Governador Albano de Oliveira, n.ºs 72 a 142, Rua de Fat San, n.ºs 36 a 56, Rua de Aveiro, n.ºs 3 a 61 e Rua de Chiu Chau, n.ºs 15 a 73, na Ilha da Taipa, (Edifício Wui Keng Garden e Grandview Hotel Macau). Rua de Tai Lin, nºs 352 a 392 e Rua de Nam Keng, n.ºs 200 a 236, na Ilha da Taipa, (Edifício Vai Chui Garden).
2.
Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam ao Núcleo da Contribuição Predial e Renda, situado no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para levantamento da guia de pagamento M/B, destinada ao respectivo pagamento nas Recebedorias dos referidos locais.
3.
Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada.
Aos, 13 de Janeiro de 2015.
A Directora dos Serviços de Finanças, Vitória da Conceição
nos de longo alcance e promover reformas e inovações”. Em relação à economia, o Chefe do Executivo prometeu “reforçar a gestão macroeconómica e desenvolver uma planificação de excelência, para impulsionar for-
“A campanha anti‑corrupção tem demonstrado a sua eficácia, tornando a integridade numa força de coesão do povo”
temente o aumento de elementos não associados ao Jogo”. Na sociedade, Chui Sai On pretende empenhar “esforços na salvaguarda da suficiência de emprego e do acesso à formação de residentes”, com aposta no apoio às Pequenas e Médias Empresas (PME) e “acelerar o ritmo do processo de diversificação adequada da economia”. A última promessa foi clara. “Pretendemos reforçar uma estreita cooperação com o Interior da China, associando o desenvolvimento da RAEM ao desenvolvimento do País. Devemos potenciar o proveito que nos advém dos vários incentivos proporcionados pelo Governo Central”, frisou Chui Sai On.
Sociedade
hoje macau quarta-feira 11.2.2015
7
Electricidade Garantidos planos de fornecimento a curto prazo
Faça-se luz a conta gotas Cartões de crédito em yuan aumentam
O número de cartões de crédito emitidos, directa ou indirectamente, pelas instituições autorizadas em Macau atingiu 830.791 no final de 2014, dos quais 18,5% eram denominados na moeda oficial chinesa, indicam dados oficiais ontem divulgados. De acordo com dados disponibilizados pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM), o número total de cartões de crédito aumentou 10,1% em termos anuais homólogos e 1,3% face ao trimestre terminado em Setembro. Do total, 153.960 eram denominados em yuan, ou seja, mais 9,9% face ao final de 2013 e mais 2,3% em termos trimestrais. A moeda chinesa tornouse na quinta divisa mais utilizada para pagamentos internacionais, ultrapassando os dólares canadiano e australiano, segundo revelou, no final de Janeiro, a SWIFT (Sociedade para as Telecomunicações Financeiras Interbancárias Globais). Já os cartões de crédito denominado em patacas eram 599.052 – mais 12% e mais 2,9% em termos anuais e trimestrais, respectivamente –, de acordo com os dados da AMCM.
Internet Serviço de alerta móvel já disponível
O serviço de alerta de dados gastos da operadora CTM está disponível a partir de hoje. A operadora informa, num comunicado de imprensa, que a partir de hoje os clientes de planos mensais vão receber um primeiro SMS quando ultrapassarem 70% do dados e um segundo quando forem atingidos os 90% dos dados disponíveis. Assim, defende a operadora, os usuários poderão controlar e gerir melhor os seus dados, sem que excedam o limite. O serviço é gratuito e não necessita de qualquer aplicação e chega na consequência das obrigações impostas pela Direcção dos Serviços de Regulação das Telecomunicações.
Clientes de Macau na lista da ‘Swissleaks’
Macau surge em 155.º lugar na lista de países e territórios que constam da informação divulgada no domingo pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICJI) no âmbito da investigação ‘Swissleaks’. Segundo os documentos confidenciais sobre o ramo suíço do banco britânico HSBC Private Bank, que revelam alegados esquemas de evasão fiscal, Macau surge no 155.º posto, com depósitos de 8,8 milhões de dólares distribuídos por 32 contas bancárias, abertas entre 1973 e 2002. Por número de clientes, a RAEM figura na 153.ª posição, com um total de dez.
O Gabinete para o Desenvolvimento do Sector Energético afirma que em Junho serão inauguradas três instalações provisórias para fornecimento de electricidade nos bairros antigos. Soluções para a Ilha Verde, Cotai e novos aterros já foram pensadas Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
N
os bairros antigos a luz a casas e lojas continua a chegar, muitas vezes, a conta gotas, mas o Governo garante já ter soluções a curto e longo prazo para resolver o problema. O Gabinete para o Desenvolvimento do Sector Energético (GDSE), em resposta ao deputado Chan Meng Kam, garantiu que já em Junho deste ano serão inauguradas três instalações provisórias para a transformação de tensão da electricidade junto à Rua do Cunha, na Taipa, templo de Tam Kong, em Coloane, e Praça de Ponte e Horta, em Macau. Vão ainda ser construídas mais cinco
instalações do género, as quais ainda “aguardam aprovação e confirmação”. A longo prazo, o organismo liderado por Arnaldo Santos garante que será exigido “um local para a construção de uma subestação de média tensão, que permita aumentar a capacidade de distribuição da electricidade”.
Olhar para a frente
A pensar no futuro, o GDSE, juntamente com a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), afirma que “já tem projectados os terrenos destinados à construção futura das subestações nas zonas dos novos aterros urbanos,
nas ilhas e no Cotai, de modo a satisfazer as necessidades da sociedade”. Chan Meng Kam tinha questionado as falhas de fornecimento na zona norte, área para a qual o Governo também já tem planos. Actualmente a zona norte possui três subestações de electricidade, mas a zona da Ilha Verde também terá uma nova construção. “O Governo já tem planeada a construção da subestação da Ilha Verde, a qual irá ser construída e entrará em funcionamento em Junho de 2015. Numa perspectiva de longo prazo, para fazer face ao desenvolvimento da zona norte e de acordo com a procura de energia eléctrica, está ainda
Saúde São Januário rejeita acusação de negligência
Discussão em alta voz O Centro Hospitalar Conde São Januário foi acusado por um familiar de um paciente internado no hospital, nas redes sociais, de negligência no tratamento ao idoso. O familiar defende que o utente recebeu alta hospitalar antes de estar completamente recuperado, mas num comunicado à imprensa o hospital esclarece o sucedido. Depois de uma fractura óssea, no início de Dezembro passado, o utente foi submetido a uma
operação cirúrgica. Após a intervenção o doente “recuperou de modo muito favorável”, tendo sido prevista alta hospitalar para o dia 13 de Janeiro, tendo em conta que o doente em causa já conseguia “apoiar o pé no chão e andar” desde o dia 5 de Janeiro. “Perante esta situação [de alta hospitalar] os familiares manifestaram ter dificuldades em tomar conta do doente”, esclarecem os Serviços de Saúde (SS), adiantando que por isso
mesmo, o hospital requereu um técnico de assistência social para que fosse possível organizar os cuidados de pós-alta. Depois disto foi realizada uma reunião com a enfermaria do Serviço de Ortopedia entre o técnico dos cuidados domiciliário da Caritas, a filha do doente e o doente, onde foi acordado prestação de apoio ao doente por parte desta organização. Os SS garantem assim que o paciente ainda se encontra internado no hospital Conde São
planeada a construção de duas subestações na zona da Areia Preta e da Colina da Ilha Verde”, escreve o GDSE na resposta ao deputado. Apesar dos projectos, o Governo afirma ser “complexo” garantir novas instalações de energia na zona norte. “Nos bairros antigos grande parte da área destinada a ser edificada está já desenvolvida, além de que, nos últimos anos, as actividades comerciais e industriais têm vindo a florescer (...) e a procura de electricidade tem aumentado. Revela-se muito complexo aumentar o número de instalações para a transformação de tensão”, conclui o organismo.
Januário tornando as acusações infundamentadas. “O actual estado clínico do doente é satisfatório. Pode andar a pé com auxílio, pode comer sozinho na sala de refeições da enfermaria e não necessita de estar acamado durante longos períodos”, pode ler-se no comunicado. O hospital adianta ainda que aconselha os familiares do doente a estarem preparados para “receber o doente caso haja uma eventual alta”, tendo em conta que, segundo indicam os SS, dado à evolução favorável do doente “considera-se que o internamento por longo prazo não vai favorecer a saúde do doente já que há risco de ocorrer infecção cruzada”. - F.A.
8 sociedade
Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
Joana Freitas
joana.freitas@hojemacau.com.mo
A
Universidade de Macau (UM) vai fazer um relatório “detalhado” sobre a análise feita pelo Comissariado de Auditoria (CA) à gestão da instituição. Num comunicado enviado ao HM, a UM assegura que respeita as observações do CA e assegura que vai implementar melhorias. Ainda assim, a instituição assegura que todo o dinheiro público fornecido à universidade é gasto com controlo. “A UM assegura que o dinheiro público é gasto de forma apropriada”, começa por apontar o email enviado ao HM pela instituição. “A UM respeita o relatório. Seguimos sempre o princípio
UM Instituição vai fazer relatório detalhado sobre auditoria
Autonomia não é tudo Gonçalo Lobo Pinheiro
A UM admite que vai implementar melhorias e pretende agora elaborar um relatório detalhado sobre as falhas apontadas pelo CA. Entretanto, o Governo já se manifestou e diz que, mesmo com autonomia, a UM tem de seguir as leis. Algo aceite pelo vice-director da Faculdade de Direito e deputado, Gabriel Tong
hoje macau quarta-feira 11.2.2015
“Embora a UM goze de autonomia administrativa, financeira e patrimonial, enquanto universidade pública da RAEM deve respeitar a legislação relativamente ao uso do erário público, sendo assim prudente na utilização do erário público”, acrescenta o Secretário. Alexis Tam afirma que, após ter tomado posse como Secretário desta tutela, “já falou com responsáveis de diversos serviços, organismos autónomos e instituições do ensino superior”, tendo reiterado “o princípio de melhor utilização do erário público”.
Problemas sim, mas...
Chui Sai On em silêncio sobre possível saída de Wei Zhao Questionado sobre a possibilidade do reitor da UM, Wei Zhao, poder ser afastado do cargo, o Chefe do Executivo não quis dar uma resposta. “Acho que nesta fase não posso responder se vai mudar o reitor. Já falei com o Secretário sobre os estatutos e regulamentos e vamos ter isso em conta. Vamos fazer um relatório para o gabinete do secretário fazer um estudo. É uma instituição pública para formar quadros, por isso podem ficar descansados [em relação à acção do Governo]”, disse ontem aos jornalistas, citado pela Rádio Macau. Também à rádio, Gabriel Tong, vice-director da Faculdade de Direito da UM, disse ser importante
de gastar o dinheiro público apropriadamente, de forma a assegurar que a alocação dos recursos serve os objectivos de desenvolvimento da universidade.” No comunicado, que
que a UM tenha autonomia, mas admite que há limites. “Depois de muitos anos de análises e estudos o Governo apresentou a nova proposta de Lei do Ensino Superior e no sentido geral dá mais autonomia e liberdade às universidades, tanto públicas como privadas. Acho que para um maior desenvolvimento do ensino superior e da UM uma maior autonomia é necessária. Mas até que limite e até que ponto tem autonomia, isso tem que ser avaliado. A opinião da auditoria deve ser bem estudada e analisada. A universidade tem o dever, como qualquer cidadão, de dar mais atenção aos problemas apontados pelo relatório”, apontou.
chega depois de um relatório do CA que indica falta de poder de gestão da UM face a duas instituições privadas que recebem fundos monetários – o Instituto de Investigação em Zhuhai e a
Fundação para o Desenvolvimento da Universidade de Macau – e acusa a instituição de não fazer bom uso do dinheiro público, a UM agradece a preocupação da sociedade e diz ainda que
“Embora a UM goze de autonomia administrativa, financeira e patrimonial, enquanto universidade pública da RAEM deve respeitar a legislação relativamente ao uso do erário público, sendo assim prudente na utilização do erário público” Alexis Tam Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura
vai “submeter um relatório detalhado ao organismo supervisor”. Só em 2013, o Governo doou mais de 1,2 mil milhões de patacas à universidade, algo que cobriu 85% das despesas da instituição.
Alexis Tam exige esclarecimentos
Entretanto, o Secretário para osAssuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, emitiu um comunicado onde exige à UM “um esclarecimento rigoroso e cuidado” após a publicação do relatório do CA. “[Alexis Tam] pediu que seja apresentado pelos órgãos próprios da UM um relatório urgente e detalhado com vista a um completo esclarecimento dos assuntos, conclusões e recomendações constantes do relatório em causa do CA”, pode ler-se no comunicado. “O relatório do CA será alvo de estudo pormenorizado e caso existam irregularidades na actuação da UM, vão ser dadas instruções para a sua correcção”, acrescenta ainda o documento.
Apesar de admitir que vai implementar melhorias, a UM não concorda com a ideia do CA no que à atribuição de residências diz respeito. O comissariado indicava que a distribuição era prejudicial já que atribuía casas a professores que já as tinham no território e, por vezes, mais do que uma à mesma pessoa. Na resposta, a UM diz que a forma como atribui as casas é “semelhante à de outras instituições em redor do mundo” e que a ideia era motivar os docentes a ficar no campus, na Ilha da Montanha, de forma a que “interajam mais com os alunos”. Mais ainda, a instituição cita um relatório do Comissariado contra a Corrupção sobre o assunto, de 2013, e diz que “não foi encontrado nenhum desvio”. A UM justifica ainda que a criação do Instituto em Zhuhai como pessoa privada pelo facto de “não existirem leis na China continental” que indiquem como estabelecer uma instituição destas. “Apercebemo-nos que alguns aspectos podem não ter sido feitos de forma muito apropriada, por isso acordamos, em 2014, que a UM teria supervisão do Instituto”, explica a UM. Também no que toca à Fundação para o Desenvolvimento, a UM diz que vai “estudar outras opções” para que esta possa ser supervisionada por si.
hoje macau quarta-feira 11.2.2015
Autocarros Três operadoras a transportar trabalhadores A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego confirma que o projecto Leonor Sá Machado a quantidade actual de autocarros existentes nas do transporte três empresas de serviço privado de Direcção dos Ser- público não chega para viços para os As- colmatar as necessidaTNR por parte suntos de Tráfego des de uma população (DSAT) confir- em crescimento. “Mesmo das operadoras mou, numa resposta ao de- com o constante aumento putado Chan Meng Kam, e expansão do serviço de de Jogo está que há já três empresas de autocarros, este ainda não em “fase Jogo envolvidas no projecto consegue satisfazer a prode transporte de cura resultante do desenexperimental” e experimental trabalhadores não-residentes volvimento da sociedade”, em veículos privados das ope- refere o organismo. conta já com a radoras. Os dados da DSAT apontam para uma média de Mais soluções participação de 1500 a 2000 trabalhadores no horizonte três empresas. transportados durante as ho- O metro ligeiro e o aperras de ponta matinais e cerca feiçoamento de zonas peNas horas de de 1200 a 1600 da parte da donais pela cidade surgem um dos objectivos da como duas das soluções ponta, assegura, tarde, “Mesmo com o constante aumento implementação deste mo- para os problemas de transsão transportadas delo de transporte de e para porte dos residentes. No e expansão do serviço de autocarros, os estaleiros de construção, mesma resposta, a DSAT este ainda não consegue satisfazer entre 1200 e assim “aliviando de certo assegura ainda estar atenta modo o serviço de autocar- a eventuais problemas nos a procura resultante do 2000 pessoas, ros públicos” da região. Esta autocarros. desenvolvimento da sociedade” “A DSAT tem mantido medida, refere o organismo algo positivo já Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego no documento, encontra-se uma fiscalização apertaque o organismo actualmente em “fase experi- da do funcionamento do mental” e deverá ajudar a que serviço dos autocarros, admite que os os restantes veículos da cidade fazendo atempadamente pub tenham menor afluência de avaliação e revisão do autocarros do serviço, consoante as mupassageiros. A DSAT confirma ainda danças do ambiente social território não aquilo que vários especia- e os ajustamentos realisão suficientes listas têm vindo a salientar: zados durante a operação
sociedade 9
Essenciais em hora de ponta leonor.machado@hojemacau.com.mo
A
DSI actualiza serviço de marcação online
A Direcção dos Serviços de Identificação (DSI) lançou mais uma possibilidade de marcação online. Agora, além da marcação de senhas para dias futuros, há também a possibilidade de se fazerem marcações para senhas diárias “para o próprio dia”. Num comunicado de imprensa, a DSI informa que “para facilitar a obtenção de senhas” a direcção lançou este novo serviço e que basta os utilizadores acederem à página electrónica da DSI, depois das 7h00 da manhã, e marcar a hora que pretendem ser atendidos no próprio dia. Depois deste processo os utilizadores vão receber uma mensagem de confirmação para o seu telemóvel.
pub
Procura-se designer Part-Time
O Hoje Macau procura um designer para exercer as funções de paginador em regime de part-time de domingo a quinta-feira, a partir das 19H30 Resposta para este jornal através do telefone
2875 2401
real”, lê-se na resposta de Wong Wan, director do organismo. Na sua interpelação, Chan Meng Kam questionava o Governo sobre a intervenção da DSAT no serviço fornecido pelas empresas de transporte público, de forma a atenuar os problemas de tráfego nas estradas da cidade. Outras das perguntas estava relacionada com o estabelecimento, ou não, de itinerários permanentes para os veículos de transportes privado de TNR por parte das operadoras. Também o deputado vê esta medida como uma das hipóteses para resolver a forte afluência de pessoas. Sobre a revisão dos contratos com as empresas de autocarros, que estão, segundo o Comissariado contra a Corrupção, ilegais, o Governo ainda não tem novidades.
10
eventos
hoje macau quarta
Arte Óscar Balajadia inaugura “Voz na Escu
A arte para Teatro Venetian traz a palco ‘A Bela e o Monstro’ em Junho
A Broadway a nossos pés Leonor Sá Machado
leonor.machado@hojemacau.com.mo
O
Venetian vai acolher, entre os dias 19 de Junho e 26 de Julho, o teatro musical ‘A Bela e o Monstro’, originalmente da Disney. O espectáculo, organizado pela NETworks, grupo Broadyway Entertaiment e Produções Teatrais Disney, serve para celebrar o 20º aniversário da peça em palco. É, no entanto, a primeira vez que esta produção vem a Macau, tratando-se de uma estreia integrada na tour mundial do colectivo, que inclui passagens pela Turquia, Singapura, Tailândia, Filipinas e Indonésia. A peça será integralmente feita em língua inglesa. A equipa de actores em palco vem directamente da Broadway, zona de Nova Iorque que se tornou emblemática pelas companhias de teatro que aí se estabeleceram ao longo dos anos. ‘A Bela e o Monstro’ será coreografada por Matt West e dirigida por Rob Roth. A indumentária dos actores fica à responsabilidade de Ann Hould-Ward, vencedora de um prémio Tony pelo seu desempenho na história criada pela Disney. “Estamos muito contentes por trazer este musical
da Broadway a Macau como parte integrante da tour internacional para celebrar os 20 anos de ‘A Bela e o Monstro’ da Disney”, referiu Liz Koops, directora-executiva do grupo Broadway Entertainment.
Como tudo começou
‘A Bela e o Monstro’ ganhou vida em 1991 pelas mãos da gigante da animação Disney, contando a história de uma humilde rapariga que, a pouco e pouco, se vai apaixonando por um príncipe preso num corpo de monstro por ocasião de um feitiço. A longa-metragem é originalmente um musical, com chávenas e bules cantantes, vendo a sua estreia na Broadway em 1994. Foi essa mesma reinterpretação que foi nomeada para nove prémios Tony e esteve em palco por 13 anos. De acordo com a organização, esta continua ainda a ser a peça musical que mais tempo esteve em palco. Em 2004, a licença de ‘A Bela e o Monstro’ é ampliada, tendo sido criadas produções em 22 países que foram vistas por mais de 35 milhões de pessoas. É ainda de frisar que a peça foi traduzida para oito diferentes línguas de forma a adaptar-se aos vários públicos.
Hotel Royal cria jantar de S. Valentim com sabor português
O restaurante FADO, no hotel Royal vai servir um menu de quatro pratos tipicamente portugueses destinado aos mais apaixonados e em ocasião do Dia dos Namorados, no próximo sábado. O chef Luís Américo irá confeccionar lagosta francesa, creme de marisco português e espargos verdes e bife de vaca com cenoura e cogumelos. A refeição acaba com um bolo de pêssego, molho de baunilha com queijo fresco e trufas de chocolate com vinho do Porto. Este pacote gastronómico, que inclui champanhe, custa 1800 patacas para duas pessoas e está disponível sexta-feira, sábado e domingo, com a particularidade de que no Dia dos Namorados estará uma banda de música ao vivo a animar o ambiente de romance.
Óscar Balajadia é filipino e professor de inglês na escola Kou Hong. Nos tempos livres, dedica-se à arte. No próximo sábado inaugura no espaço Creative Macau a exposição “Voz na Escuridão”. São 80 trabalhos de um artista que quer mudar o papel da comunidade filipina em Macau Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
Q
uando dá aulas de inglês na escola Kou Hong, é Óscar Balajadia, o homem que pisou território chinês pela primeira vez há 14 anos e onde foi missionário católico, até deixar tudo pelo amor à mulher com quem hoje está casado e com quem tem dois filhos. Mas quando faz arte, Óscar Balajadia é Papa Osmubal. O resultado do seu trabalho poderá ser visto já no próximo sábado numa exposição a inaugurar no espaço da Creative Macau e que estará patente até 14 de Março. “Voz na Escuridão” vai revelar 80 trabalhos divididos em três grupos. Cortes de papel, desenhos a papel e caneta, graffitis, traços de arte japonesa e chinesa e pedacinhos de Art Noveau compõem a exposição. Em cada grupo, Óscar Balajadia transmite diferentes mensagens e ideias. “Um fala da minha própria ideia em relação à vida. É um tipo de arte mais abstracta, o que eu penso sobre as coisas. E há muitas incompreensões em relação à forma como nós, artistas, pensamos. A nossa forma de pensar é concreta, mas muitas vezes as pessoas não conseguem compreender”, conta ao HM. Nos trabalhos ligados ao graffiti, há maior ligação à liberdade de expressão. Tendo já participado em diversas
eventos 11
a-feira 11.2.2015
uridão” este sábado
a além da sobrevivência exposições de grupo, esta é a segunda vez que Óscar Balajadia expõe de forma individual. A primeira aconteceu há dez anos no território, iniciativa que contou com o apoio da Fundação Macau.
Além da procura de emprego
Óscar Balajadia é talvez dos poucos artistas filipinos em Macau com obra feita e revelada ao público. Ao HM, o artista afirma poder ser uma “excepção”. “Podemos ser muitos em Macau, mas não representamos muito a nossa cultura. Estamos aqui para trabalhar, então a minha exposição pode representar uma excepção em
“A comunidade filipina em todo o mundo poderia olhar-se de outra maneira e talvez possamos melhorar esse aspecto. Podemos representar a arte e a cultura e não apenas de forma ocasional: temos de incorporar isso na nossa vida” relação a isso. Não sei até que ponto a comunidade filipina em Macau vai apreciar e compreender a minha obra, não sei qual será o impacto. As suas maiores preocupações são encontrar um trabalho e como ficar em Macau. Mas eu pretendo representar mais o meu país”, contou.
Sobre isso, Óscar Balajadia gostava que a comunidade filipina em Macau tivesse um papel mais activo na forma de representar o país além fronteiras. Mais do que uma comunidade de emigrantes que muitas vezes luta pela sobrevivência e por um melhor salário, o homem que
também assina como Papa Osmubal quer ver ideias a serem transmitidas. “Como é que posso colocar-lhes nas suas mentes e nos seus corações a ideia de que podemos representar algo neste território e representar o nosso país a um diferente nível? Talvez através da cultura e da arte. Se não temos dinheiro para estabelecer negócios, tudo bem, mas podemos fazer algo mais”, disse. “A comunidade filipina em todo o mundo poderia olhar-se de outra maneira e talvez possamos melhorar esse aspecto. Podemos representar a arte e a cultura e não apenas de forma ocasional: temos de incorporar isso na nossa vida”, conclui.
IC lança “Almas Transviadas” e “Amores do Céu e da Terra, Contos de Macau”
Dois em um pela cultura O Instituto Cultural (IC) lançou dois novos livros recentemente, com o intuito de promover a ligação das culturas portuguesa e chinesa. “Almas Transviadas” (versão em português) e “Amores do Céu e da Terra, Contos de Macau” (versão bilingue em português e chinês) são duas obras integradas na Colecção de Literatura Chinesa e Portuguesa e encontram-se à venda no Centro de Informações ao Público, na Rua do Campo, no Arquivo Histórico de Macau, Centro Ecuménico Kum Iam, Plaza Cultural Macau, Lda., Livraria Seng Kwong e Livraria Portuguesa (IPOR). “Almas Transviadas”, da autoria do escritor local Tang Hio Kueng, foi a obra vencedora do 1º Concurso de Novela de Macau, que conta uma história passada na época do ataque das forças holandesas a Macau em 1622 e outras, construindo uma viagem pelo tempo e espaço à procura das memórias de Macau. A obra foi traduzida para
português por Ana Cristina Alves, professora de Língua portuguesa da Universidade de Macau, estando disponível ao preço de 150 patacas.
Regresso ao passado local
A obra “Amores do Céu e da Terra, Contos de Macau” é composta por treze contos da escritora famosa de Macau Ling Leng, que descrevem as condições sociais de mestiços luso-chineses locais das camadas sociais inferiores, de meados dos anos 40 até ao início dos anos 50 do séc. XX, prestando homenagem a professores e amigos da autora. As personagens do livro, criadas pela autora, viviam em Macau nessa época, constituindo vestígios da história desta pequena cidade. Esta obra foi traduzida por Stella Lee e pela escritora Fernanda Dias, resultando numa versão bilingue, disponível ao preço de cem patacas. Através da edição de uma série de livros originais sobre literatura
À venda na Livraria Portuguesa
de Macau ou relacionada com o tema, de escritores chineses e portugueses, a Colecção de Literatura Chinesa e Portuguesa pretende que “autores e leitores ultrapassem barreiras linguísticas”, reconhecendo
outro mundo literário nas obras traduzidas para as línguas chinesa e portuguesa ou estrangeiras. No ano passado foi publicada nesta colecção a obra “Cem sonetos de Luís Vaz de Camões”.
Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net
O Último Conjurado • Isabel Ricardo
22/11/63 • Stephen King
1640. O jugo espanhol dura há sessenta anos. Seis décadas de identidade roubada, pátria escondida e falsa lealdade. Mas algo está diferente: fala-se do enigmático Capitão Gualdim, que desafia o poder espanhol pelas ruas de Lisboa enquanto se conspira nas sombras e a guerra contra o domínio espanhol ameaça rebentar. Uma importante parte da nossa História ganha vida em “O Último Conjurado” de Isabel Ricardo, onde a realidade se cruza com a ficção.
Dallas, 22/11/63: três tiros são disparados. O presidente John F. Kennedy está morto.Quando o seu amigo lhe propõe que atravesse uma porta do tempo para regressar ao passado com uma missão especial, Jake fica completamente arrebatado. A ideia é impedir que Oswald mate o presidente Kennedy. Jake regressa a umaAmérica apaixonante e começa uma nova vida no tempo de Elvis, dos grandes automóveis americanos e de gente a fumar. O curso da História está prestes a mudar…
12
china
Hong Kong Tribunal condena mulher por maltratar empregada doméstica
Law Wan-tung, a mulher acusada de ‘torturar’ a sua empregada doméstica indonésia em Hong Kong, foi ontem declarada culpada pelo tribunal. A juíza Amanda Woodcock decidiu que ficou provado que Law maltratou severamente Erwiana Sulistyaningsih, de 23 anos.”Vai permanecer sob custódia”, afirmou a juíza, depois de anunciar, perante uma sala de tribunal cheia, que a mulher de 44 anos tinha sido declarada culpada de 18 das 20 acusações, que incluíam ofensa grave à integridade física e intimidação. “Tenho a certeza que [Erwiana Sulistyaningsih] disse a verdade”, afirmou Woodcock, lembrando que a vítima disse ter sido “torturada”. Em declarações à AFP, a jovem indonésia disse estar “muito feliz” e distribui abraços pelos activistas que a apoiaram.
hoje macau quarta-feira 11.2.2015
Wanda Group compra empresa suíça e marca pontos no futebol
Golo multimilionário
Depois de recentemente ter adquirido 20% do Atlético de Madrid, o multimilionário chinês Wang Jianlin comprou agora a empresa do sobrinho de Sepp Blatter que detém os direitos de transmissão dos jogos do Mundial de futebol
Multa recorde de 859 ME à Qualcomm por monopólio
A
s autoridades chinesas impuseram uma multa recorde de 975 milhões de dólares (859 milhões de euros) ao fabricante norte-americano de chips Qualcomm por infringir a lei antimonopólio, escreveu ontem a agência Xinhua. Segundo a Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento do país asiático, a Qualcomm “abusou da sua posição dominante” no mercado e limitou a concorrência. Além da multa, o organismo estatal obriga agora a empresa norte-americana a modificar as suas práticas de concessão de licenças no país asiático. Por seu lado, a Qualcomm declarou-se “decepcionada” com as conclusões da investigação, de acordo com um comunicado em que manifesta, no entanto, satisfação por ter chegado a um acordo com a comissão.
Segundo a empresa norte-americana, o organismo estatal chinês “aceitou” o seu plano de rectificação para poder continuar a operar na China. Como parte das novas medidas incluídas neste plano, a empresa anuncia que vai oferecer licenças para as suas patentes chinesas de 3G e 4G de forma separada das licenças de outras patentes. Como consequência da sanção, a Qualcomm calcula que os seus lucros saiam prejudicados neste ano fiscal. As investigações contra a Qualcomm começaram no ano passado e marcaram uma campanha anti-monopólio levada a cabo pelas autoridades chinesas que afectou também outras empresas estrangeiras como a BMW, Chrysler, Daimler Benz e Audi.
Museu de Refugiados Judeus de Xangai a património mundial
O
Museu de Refugiados Judeus de Xangai juntou-se ao governo do distrito de Hongkou – localizado na cidade chinesa – para submeter uma aplicação à UNESCO com o intuito de integrar o museu na lista de Património Mundial. De acordo com notícia da CCTV News, Xangai foi uma das cidades que mais refugiados judeus acolheu no período do Holocausto, chegando mesmo a receber mais de 30 mil judeus, valor que ultrapassa o total daqueles que chegaram ao Canadá, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul e Índia conjuntamente. A CCTV cita informações fornecidas pelo Centro Simon
Wiesenthal sobre Estudos do Holocausto. A grande maioria dos refugiados de Xangai vivia no centro e arredores de Tilanqiao, uma das áreas do distrito de Hongkou. A aplicação pretende não só a parte física do museu, mas também todo o material literário, de investigação, áudio e de vídeo que reporta esta época, juntamente com uma lista dos refugiados. Entre 1933 e 1941, o museu era então a Sinagoga Ohel Moshe que servia de local de culto para os judeus refugiados, actualmente contendo documentos, fotográficas e artigos pessoais com carga histórica.
O
multimilionário chinês Wang Jianlin, presidente do consórcio Wanda Group, marcou ontem mais um golo no negócio do futebol, ao comprar a empresa de marketing suíça que detém os direitos de transmissão dos jogos do Mundial da modalidade. Três semanas depois de ter pago 45 milhões de euros por 20% do Clube Atlético de Madrid, o Wanda Group comprou a Infront Sports & Media, empresa de marketing suíça dirigida por um sobrinho de Sepp Blatter, presidente da FIFA, que detém os direitos de transmissão dos jogos do Mundial de futebol. A aquisição custou 1.200 milhões de dólares, o que não é muito para o Wanda Group nem para o seu presidente, Wang Jianlin, conhecido como grande adepto de futebol. Wang Jianlin, 60 anos, é um dos homens mais ricos da China, com uma fortuna estimada em 112.620 milhões de yuan, e como outros compatriotas multimilionários, é filiado no Partido Comunista Chinês. “Esta aquisição aumentará significativamente o futuro impacto do Wanda Group na indústria da cultura e entretenimento e impulsionará também o desenvolvimento da indústria chinesa
de desporto”, disse Wang Jianlin, citado pelo jornal China Daily. Fundado no final da década de 1980 em Dalian, costa norte da China, o Wanda Group começou por se impor no sector imobiliário, mas nos últimos anos passou a investir também no cinema e no turismo. Em 2012, comprou por 2.600 milhões de dólares a empresa norte-americana AMC Entertainment, proprietária da segunda maior cadeia de cinemas dos Estados Unidos, e no ano seguinte doou 20 milhões de dólares para um museu do cinema em Los Angeles. Ainda em 2013, Wang Jianlin anunciou um investimento de 8,200 milhões de dólares para construir o “maior centro de produção cinematográfico do mundo” em Qingdao, na costa leste da China.
Por todo o lado
Entretanto, o grupo globalizou também os seus negócios imobiliários, investindo nomeadamente na Austrália, Reino Unido e Espanha. A ligação do Wanda Group ao futebol data da década de 1990, quando o governo chinês autorização a profissionalização da modalidade.
Nessa altura, o clube patrocinado por aquele consórcio, o Dalian Wanda, ganhou quatro vezes o campeonato chinês. A avaliar pelo site oficial do grupo, o património do Wanda Group inclui hoje mais de mil salas de cinema e cerca de centena e meia de centros comerciais e de hotéis de 5 estrelas.
112.620
milhões de yuan, fortuna estimada de Wang Jianlin, patrão do Wanda Group
Formado em engenharia, Wang Jianlin filiou-se no Partido Comunista Chinês em 1996. Segundo uma biografia oficial, o patrão do Wanda Group foi “muitas vezes” distinguido com o título de “trabalhador modelo” e “excelente membro” do PCC. “O mais elevado objetivo da vida é espiritual. O mais alto nível de gestão é cultura empresarial”, é a máxima do “Presidente Wang Jianlin” afixada na página do Wanda Group na internet.
região
hoje macau quarta-feira 11.2.2015
13
Amnistia Internacional denuncia abusos no sector mineiro birmanês
Timor Rui Araújo indigitado primeiro-ministro
O Presidente da República timorense aceitou ontem a proposta do partido mais votado, o CNRT, que indigitou para o cargo de primeiro-ministro Rui Maria Araújo, informou a presidência em comunicado. “O Presidente da República aceitou a proposta do partido mais votado nas últimas eleições legislativas, o CNRT, que indigitou para o cargo de primeiro-ministro o Dr. Rui Maria Araújo”, refere o comunicado distribuído ao final da tarde, hora local. “O Presidente da República receberá nos próximos dias o primeiro-ministro indigitado para discutir a constituição do VI Governo Constitucional. O Governo será, de seguida, empossado pelo Presidente da República, previsivelmente, ainda durante esta semana”, explica.
Malásia Líder da oposição condenado por sodomia
O líder da oposição da Malásia, Anwar Ibrahim, foi ontem declarado culpado por sodomia pelo Tribunal Federal do país, que ratificou uma sentença anterior do Tribunal de Recurso, impondo uma pena de cinco anos de prisão. Anwar Ibrahim, de 67 anos, que classificou a decisão como uma manobra das autoridades para o afastar da política, foi acusado em Junho de 2008 de ter mantido relações sexuais com o seu assistente Saiful Bukhari Azlan, que o denunciou à polícia. pub
Décadas de sofrimento A Amnistia Internacional acusou ontem as empresas de capital canadiano e chinês de se aproveitarem dos abusos do sector mineiro da Birmânia e do recurso à violência por parte das autoridades para reprimir os protestos contra projectos de extracção. No relatório “Aberto a negócio? Crime corporativo e abusos nas minas de cobre birmanesas”, a organização liga o sector mineiro às expropriações forçadas de terras em grande escala e à destruição de habitats devido à contaminação dos solos, entre outros. “As pessoas que vivem nos arredores de Monwya e Latpadaung sofreram mais de duas décadas de abusos causados por um operador canadiano, pelo Governo birmanês e agora pelas empresas chinesas. O investimento pode ajudar a Birmânia, mas estes projectos só beneficiam as empresas e prejudicam as pessoas”, declarou Meghna Abraham, investigadora de crimes corporativos da Amnistia Internacional (AI). “O Governo forçou a expulsão de pessoas, esmagou todas as tentativas
de protestos pacíficos e mostrou uma total falta de vontade para que as empresas prestem contas”, afirmou a activista durante a apresentação do relatório em Banguecoque.
Saúde em risco
“As pessoas que vivem nos arredores de Monwya e Latpadaung sofreram mais de duas décadas de abusos causados por um operador canadiano, pelo Governo birmanês e agora pelas empresas chinesas”
A grave contaminação provocada pelos trabalhos nas minas destruiu os meios de subsistência e expôs milhares de birmaneses a riscos de saúde. Segundo a AI, as autoridades birmanesas expulsaram milhares de pessoas das suas casas para facilitar as prospecções da empresa canadiana Ivanhoe Mines (agora chamada Turquoise Hill Resources) na década de 1990, e da empresa chinesa Wanbao, em 2011. Mais de 100 pessoas, incluindo mulheres e monges budistas, ficaram feridas em Novembro de 2012 depois de a polícia birmanesa ter carregado sobre manifestantes pacíficos que protestavam contra a exploração de Latpadaung, administrada pela empresa chinesa, com recurso a fósforo branco, uma substância explosiva altamente tóxica.
h
hoje macau quarta-feira 11.2.2015
artes, letras e ideias
14
WANG CHONG
王充
OS Discursos Ponderados DE WANG CHONG
Invenções sobre a morte – 5 Quando o Rei Wu dos Zhou contraiu uma grave doença, o Duque Zhou quis interceder em seu favor [junto dos próprios antepassados do rei]. Assim, fez erigir três altares de sacrifício no terraço. Depositando um disco de jade e segurando na mão uma placa de jade, dirigiu-se ao Grande Rei, ao Rei Ji e ao Rei Wen [ por intermédio] do arquivista, que leu as placas de oração: “ Eu, que sou ao mesmo tempo virtuoso e filial, hábil e engenhoso, eu sei como servir os fantasmas e os espíritos: o vosso neto mais velho [o Rei Wu], que não dispõem nem da minha capacidade nem do meu engenho, não saberia como fazê-lo”. Estes espíritos e fantasmas seriam os dos Três Reis [o Grande Rei, o Rei Ji e o Rei Wen]. Mas não são os mortos desprovidos de consciência, incapazes, como tal, de se tornarem em fantasmas e espíritos? O Duque, todavia, era um sábio – e de confiança eram as palavras de um sábio, dado que reflectiam a realidade dos mundos obscuros: eis portanto a demonstração de que os Três Reis se teriam, indubitavelmente, transformado em espíritos e fantasmas. Tradução de Rui Cascais Ilustração de Rui Rasquinho
Wang Chong (王充), nasceu em Shangyu (actual Shaoxing, província de Zhejiang) no ano 27 da Era Comum e terá falecido por volta do ano 100, tendo vivido no período correspondente à Dinastia Han do Leste. A sua obra principal, Lùnhéng (論衡), ou Discursos Ponderados, oferece uma visão racional, secular e naturalista do mundo e do homem, constituindo uma reacção crítica àquilo que Wang entendia ser uma época dominada pela superstição e ritualismo. Segundo a sinóloga Anne Cheng, Wang terá sido “um espírito crítico particularmente audacioso”, um pensador independente situado nas margens do poder central. A versão portuguesa aqui apresentada baseia-se na tradução francesa em Wang Chong, Discussions Critiques, Gallimard: Paris, 1997.
hoje macau quarta-feira 11.2.2015
Reflectiam a realidade dos mundos obscuros.
artes, letras e ideias 15
16
( F ) utilidades
tempo
Pouco
?
nublado
min
12
max
hoje macau quarta-feira 11.2.2015
18
hum
50-85%
•
euro
Debate “Universalismo Filosófico e o papel da China no Mundo de Hoje” Fundação Rui Cunha, 18h30 Entrada livre
baht
0.24
Cineteatro
O que fazer esta semana • Hoje
9.00
yuan
1.27
Cinema
Kingsman: The Secret Service Sala 1
Sala 3
Filme de: Andy Wachowski, Lana Wachowski 14.30, 16.45, 21.30
(Falado em Coreano) Filme de: Kim Hon-sun Com: Kim Woo-bin, Lee Hyun-woo, Go Chang-suk 19.15
Jupiter Ascending [c]
• Diariamente
Concerto de Jazz com Frank Stallone (até 14/02) Bar Belinni, Venetian, a partir das 22h00 Entrada livre
Sala 1
Jupiter Ascending [3d] [c]
The Con Artists [B]
Filme de: Andy Wachowski, Lana Wachowski 19.15
Sala 3
Sala 2
(Falado em Coreano) Filme de: Matthew Vaughn Com: Colin Firth, Michael Caine, Samuel L. Jackson 19.15
Gangnam Blues [c] (Falado em Coreano) Filme de: Yoo Ha 14.00, 16.30, 19.00, 21.30
Kingsman: The Secret Service [C]
Exposição de Pintura de Zhen Guo (até 3/03) Fundação Rui Cunha Entrada livre Exposição de esculturas do Ano da Cabra (até 01/03) Venetian, todo o dia Entrada livre Exposição de Sândalo Vermelho (até 22/03) Grande Praça, MGM Entrada livre
Aconteceu Hoje
Exposição de pintura “Korean Art”, com Oh Young Sook e Kim Yeon Ok (até 15/02) Galeria Iao Hin Entrada livre
Dia da fundação do Japão
Exposição de Design de Cartazes “V•X•XV:” (obras de 1999, 2004 e 2009) [até 15/03] Museu da Transferência da Soberania de Macau, 10h00 às 19h00 Entrada livre “Self/Unself” – Exposição de trabalhos de artistas holandeses (até 15 de Março) Centro de Design de Macau Entrada livre Retratos a Óleo dos Séculos XIX e XX: Colecção do Museu de Arte de Macau Museu de Arte de Macau, das 10h às 19h (até 31/12) Entrada livre Ilustrações para Calendário de Guan Huinong (até 10/05) Museu de Arte de Macau, das 10h às 19h Entrada livre “Beyond the Surface” de Mio Pang Fei (até 01/03) Albergue SCM, das 12h às 20h Entrada livre Exposição e passeios de barco guiados sobre a História da Pesca em Macau Esplanada do Museu Marítimo, das 9h40 às 16h25 (até 15/02) Bilhetes à venda por 25 patacas
11 de fevereiro
H o j e h á F i l m e “Hachi, a Dog’s Tale” (Lasse Hallstrom, 2009) Um filme comovente baseado numa história real. Hachiko era um cão japonês que nunca largava o dono, um professor da Universidade de Tóquio que todos os dias apanhava o comboio para o trabalho (no filme, essa personagem é interpretada por Richard Gere). Ao final do dia, religiosamente, Hachiko lá estava junto à porta, acompanhando-o até casa. Até que um dia o dono morre na universidade com um ataque cardíaco e não regressa à hora pontual. Hachiko ficou nos nove anos seguintes no mesmo lugar à espera do dono, até que acabou por morrer. Hoje, a sua estátua encontra-se na estação de Shibuya. - Andreia Sofia Silva
• A 11 de Fevereiro, assinala-se a fundação do Japão, que ocorreu no ano de 660 AC. Em 1941, durante a II Guerra Mundial, precisamente o Japão vence a Batalha de Singapura. A Terra do Sol Nascente é um arquipélago formado por 6852 ilhas e possui, actualmente, cerca de 128 milhões de habitantes, o que o torna no 10.º país mais populoso do mundo. É uma das grandes potências mundiais. Muitos anos mais tarde da fundação do Japão, surge a primeira aparição da Virgem Maria a Bernadette Soubirous, em Lourdes, França, no ano de 1858. Já a 11 de Fevereiro de 1873, Amadeu I renuncia ao reinado da Espanha. E em 1929, dá-se a Independência do Vaticano, ao abrigo dos Tratados de Latrão. Num Fevereiro auspicioso (mês de grandes feitos da banda britânica), os Beatles gravam o primeiro disco, intitulado ‘Please Please Me’. Corria o ano de 1963. Em 1979, o Aiatolá Khomeini assume o poder no Irão, depondo Mohammad Reza Pahlevi. Khomeini é considerado o fundador do moderno Estado xiita. E 11 anos mais tarde, em 1990, depois de cumprir 28 anos de prisão, Nelson Mandela é libertado, após forte pressão internacional que impunha a liberdade de um lutador. O Presidente de África do Sul, Frederik de Klerk, ordena que abram a cela de Mandela. Em Portugal, no ano de 2007, realiza-se a 11 de Fevereiro um referendo sobre o aborto, auscultação que, no entanto, não atinge a participação necessária. Uma ligeira maioria dos participantes escolhe a despenalização do aborto, se realizada a pedido da mulher, nas primeiras dez semanas de gravidez. No Egipto, o presidente Hosni Mubarak demite-se do cargo em 2011, depois de grande agitação social no país. Hoje é o Dia Nacional do Japão. No Irão, assinala-se o Dia da Pátria e nos Camarões e celebra-se o Dia Nacional da Juventude. O Vaticano festeja o Dia da Independência.
João Corvo
fonte da inveja
A direita inventou que defender a desigualdade é a única maneira de equilibrar o mundo.
hoje macau quarta-feira 11.2.2015
ócios / negócios Escola de Costura Studio B Bárbara Barreto Ian, fundadora
Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
H
á muito que o nome Bárbara Barreto Ian faz parte do meio da moda local, graças à sua marca ‘Cocoberryeight’. Mas só agora é que a estilista decidiu pegar na sua arte e talento e transmiti-los a outras pessoas que têm a mesma paixão pelo mundo da costura e das roupas feitas com um cunho pessoal. No final do mês passado Bárbara Barreto Ian começou a fazer a divulgação do seu mais recente projecto, a ‘B Studio Sewing School’, onde já se realizaram workshops de modelagem, quimonos, vestidos ou calças. “Várias amigas minhas já me tinham pedido para ensinar e entretanto houve um grupo de pessoas que se juntou e comecei a dar aulas, não num espaço meu mas no espaço deles, e veio daí a ideia. Foi mais pela procura das pessoas, nunca tinha pensado nisso antes, mas tem vindo a funcionar”, contou a designer ao HM. Para já a ideia é desenvolver uma peça num só dia. Há workshops de meio dia e de um dia inteiro, que podem variar entre as 350 e 600 patacas. No final, seja maior ou menor o conhecimento sobre costura, uma coisa é certa: há sempre uma peça pronta a vestir. “O número de alunos varia consoante os workshops. Tenho juntado duas a três pessoas em cada workshop, comecei a dar aulas de modelagem a um grupo de cinco pessoas, a quem continuo a dar aulas três a quatro vezes por semana, e os alunos vêm e vão. Depende dos workshops e do tipo de coisas que querem fazer”, explicou Bárbara Barreto Ian. A maioria dos alunos é mulher, tanto pessoas portuguesas como estrangeiras, que optam por aprender esta arte aos fins-de-semana ou durante a semana, num horário pós-laboral. Apesar de, segundo Bárbara, a ‘Studio B Sewing School’ não ser um projecto inovador, pode ajudar aqueles que não encontram soluções na oferta já existente na área da formação de moda. “Já temos o Centro de Produtividade e Transferência de Tecnologia de Macau (CPTTM), que forma pessoas num ambiente mais técnico, é um curso superior de moda. Depois fazem vários cursos de moda ao longo do ano, mas na maior parte é em chinês. A Casa de Portugal em Macau (CPM) também faz esses cursos. Mas eu funciono mais na base dos workshops, em que as pessoas chegam e no mesmo dia acabam uma peça. Acho que gostam disso”, aponta.
“Tudo faz parte de um processo” A estilista local Bárbara Barreto Ian abriu no final do mês passado o B Studio Sewing School, onde ensina pessoas apaixonadas pelo mundo da moda a fazerem as suas próprias roupas. Para já a aposta é feita em workshops de curta duração, mas a ideia é criar cursos profissionais e até ensinar os mais novos
17
As aulas não têm um lugar fixo para acontecerem. Tanto pode ser no atelier da designer, no Centro de Design de Macau, como em casa das alunas. “Já fizemos vários workshops em casas de senhoras que se juntam e trazem as suas máquinas. Acaba por ser um ambiente mais giro, abre-se uma garrafa de vinho e é mais uma festa do que uma aula. Mas saem de lá sempre com um produto acabado. Também tenho feito no estúdio de outras pessoas”, frisa.
A expansão da ‘B Studio’
Com a escola a dar os primeiros passos, a mentora da ‘Cocoberryeight’ pretende ir mais longe: chegar ao mercado chinês e trazer professores a Macau. “Queria também expandir para o mercado chinês mais tarde e talvez trazer uma ou duas professoras para a escola”, disse Bárbara Barreto Ian, que também gostaria de ensinar costura aos mais pequenos. “A iniciação à costura vai ser uma coisa muito básica e quero que seja a partir dos oito anos, que é quando eles já se conseguem sentar e produzir. Mas vão ser coisas muito mais básicas, como fazer uma almofada”, explicou. Criar um curso profissional mais abrangente, que englobe todos os passos para criar uma peça, desde o desenho até à parte final de produção, também poderá ser uma realidade. “É uma área a explorar. Mas neste momento quero mesmo estabelecer os workshops.Acho que esses cursos englobam muito mais do que aquilo que neste momento ofereço, porque eventualmente seria necessário atribuir um certificado”, referiu.
Quando me pediram para dar cursos de modelagem, estava super nervosa, porque não é a mesma coisa fazê-lo sozinha e ensinar a outras pessoas. Mas depois da primeira semana percebi que é uma coisa que eu gosto de fazer.” Apesar de gostar de ensinar e de estar há muito ligada ao mundo da moda, Bárbara Barreto Ian teve de adaptar-se a ensinar pessoas que querem fazer disto um hobbie e que pouco ou nada sabem de costura. “É algo diferente. Na minha primeira aula, quando me pediram para dar cursos de modelagem, estava super nervosa, porque não é a mesma coisa fazê-lo sozinha e ensinar a outras pessoas. Mas depois da primeira semana percebi que é uma coisa que eu gosto de fazer.” “É um sistema de aprendizagem”, aponta. “Quando comecei também não me tinha apercebido que para fazer um vestido ou umas calças temos de ter uma abertura, não é só desenhar e fazer uma peça fechada. Isso é giro, faz parte do ensinar e do aprender. Claro que as pessoas que não vêm de um background de design não se apercebem dessas coisas, mas faz tudo parte de um processo”, concluiu.
18
opinião
hoje macau quarta-feira 11.2.2015
Arnaldo Gonçalves
crepúsculo dos ídolos
Macau: Desafios urbanos proficiência dos gestores de algumas áreas e uma cultura gestionária que pune, de forma implacável, o não cumprimento das metas mas que é refractária em premiar a inovação, a dedicação e o esforço. Não são situações exclusivas de Macau mas têm aqui uma premência que tem a ver com a explosão demográfica, o fechamento do tecido urbano, o empastelamento da circulação viária e o distanciamento da elite dirigente da massa da população. Já o escrevi noutro lado, mas um dos “crimes” de lesa-majestade que foi feito em Macau, na transição da administração portuguesa para a administração chinesa da RAEM, foi a eliminação do Tribunal de Contas do conjunto de unidades orgânicas que compõem o sistema judiciário da Região. A explicação invocada para esta supressão terá sido o facto do sistema jurídico da ex-
-colónia britânica de Hong Kong não o prever e o corpo de juristas que preparou as leis básicas das duas regiões não ter sequer pensado em distingui-lo, tendo em conta a diferente especialização da ‘common law’ do direito português. Perdeu-se, por esta imprudência, a oportunidade de dotar a acção da administração pública de Macau de um apoio, de uma fundação, de um mecanismo de monitorização que teria evitado situações ingratas de um passado não muito distante, ajudando os decisores a corrigirem insuficiências de planeamento e de falta de preparação técnica dos quadros para processos que são pela sua dimensão complexos e movediços. Ao colocar-se no julgamento da conta ou na auditoria do exercício a avaliação da ‘performance’ da entidade adjudicante individualizaram-se responsabilidades em processos que são
Um bom empreendimento público assenta numa relação de confiança e cumplicidade entre o chamado dono da obra e o empreiteiro ou conjunto de empreiteiros que a realiza. É essa a natureza específica desse contrato administrativo. Por isso ele é forjado em excepcionais pressupostos de autoridade e intervencionismo da parte pública. Como relação de confiança que é, supõe a troca e a canalização de informação actualizada, informação que deve ser suficientemente transparente para permitir saber-se como se está. Informação que terá de ser controlada por quem tem, em termos contratuais, a responsabilidade de fiscalizar o desempenho do empreiteiro ou empreiteiros. Tem aí também prevalecido uma filosofia de ‘deixa andar’em que pelo facto de ter sido contratualizada uma fiscalização de obra, a responsabilidade da entidade adjudicante se transferiu na íntegra
intersectoriais e interdisciplinares e usam metodologias de construção que não se ensinavam nas faculdades de engenharia há quarenta anos. Para minorar esta situação de desfasamento entre o projecto antecipado e delineado e as condições reais da sua realização teria sido necessária uma outra formação dos quadros técnicos, em tecnologias de ponta, que nunca se julgou essencial ministrar. O excesso dos meios financeiros e a ausência de uma cultura de responsabilização profissional conduziu ao anacronismo, à auto-comiseração, ao ‘deixa andar’. Até porque se instalou na mente de muitos que o caso Ao Man Long foi uma anomalia, uma excepção, que por um qualquer espírito santo de orelha não se virá a repetir. Tudo isto vem a propósito do clamor público e politico que se tem feito acerca da empreitada de concepção-construção, por metodologia ‘chave na mão’, do metro ligeiro e do deslize do seu prazo global e prazos parcelares bem como dos custos globais.
para um terceiro colocado como uma espécie de ‘amortis’ entre as partes pública e privada. Trata-se de uma conclusão errónea porque a fiscalização é apenas um mandatário, um agente dos poderes públicos na direcção de um qualquer empreendimento público. Se ela não serve ou não cumpre os seus objectivos o caminho mais prudente será a rescisão dos seus serviços. Ouve-se dizer que a Região Administrativa é suficientemente abastada para permitir estes passos em falso sem que eles tenham consequências de maior, desde que se assegurem os convenientes equilíbrios na distribuição dos contratos. Provavelmente. Mas isso não varre automaticamente para debaixo do tapete as dúvidas sobre o modo como os dinheiros públicos foram aplicados em empreendimentos de manifesta relevância para o Macau que se quer construir. Em tempos de vacas gordas isso não faz diferença mas a confirmar-se a tendência de quebra das receitas do Jogo pergunto: fará sentido manter-se a mesma atitude complacente?
“Blade Runner”, Ridley Scott
O
desenvolvimento das cidades modernas confronta-se com necessidades de apetrechamento de equipamentos urbanos que exorbitam em alguns casos a prática rotineira de serviços e órgãos da administração pública que têm essa incumbência pondo a nu a falta de formação dos seus quadros, falhas de gestão dos seus responsáveis e mesmo erros de visão e condução dos políticos que o tutelam. As alterações profundas porque passa a administração pública, em resultado da mudança dos tempos e da própria realidade circundante, levaria a que se repensasse o quadro tradicional do chamado direito administrativo que foi definido, no direito francês, italiano e português, para responder a realidades que hoje estão absolutamente ultrapassadas. Este desfasamento entre a realidade económica e urbana e o direito de contratação pública coloca grandes desafios às autoridades políticas, a nível de um país, de uma região ou municipalidade. Os recursos financeiros afectos a estas políticas têm, normalmente, exclusiva natureza pública e de acordo com as normas legais que regulam a execução do orçamento público têm de ser aplicados com peso, conta e medida. Por isso devem os decisores políticos coibir-se de entrar em exibicionismos ditados pela última moda ou tendência, exactamente porque o dinheiro que carreiam para esses projectos não lhes pertence. Algumas das notícias que têm vindo a lume, na imprensa de Macau, a propósito de atrasos na realização de empreendimentos públicos ou do inflacionamento dos seus custos globais baralham planos que são distintos e ao tomarem os efeitos pelas causas subestimam o que poderia ser um correcto esclarecimento da opinião pública e dos que na Assembleia Legislativa deveriam inteirar-se destes processos e criar um ambiente favorável à sua resolução. E não usarem qualquer deslize no cumprimento das políticas para chacota estéril. Os relatórios do Comissariado de Auditoria acrescentam matéria volátil a uma situação que está longe de ser transparente e apreensível, em toda a sua extensão, não porque haja um intuito particular dos agentes públicos de criar danos, ou boicotar o timing de realização dos empreendimentos públicos mas porque eles são, eles próprios, vitimas e autores de situações que são complexas e com múltiplas inter-relações. Muitas vezes se vê tocada a tecla da corrupção como fonte de todos os problemas e desvios em Macau, quando as falhas nada têm de ilícito criminal mas são irregularidades de natureza administrativa que têm múltiplos autores, causas e níveis de responsabilidade. Combinam-se, nestas situações, opções legislativas e da Lei Básica erradas, falta de
A Região Administrativa é suficientemente abastada para permitir estes passos em falso sem que eles tenham consequências de maior, desde que se assegurem os convenientes equilíbrios na distribuição dos contratos. Provavelmente. Mas isso não varre automaticamente para debaixo do tapete as dúvidas sobre o modo como os dinheiros públicos foram aplicados
opinião 19
hoje macau quarta-feira 11.2.2015
António Conceição Júnior
urbanidades
L
egado latino a uma larguíssima faixa da humanidade, a palavra societas, “associação ou convívio amistoso com outros, que partilham gostos, intenções, hábitos e preocupações, interagindo entre si”, mantém-se actual, sobretudo nas sociedades cujo florescimento material é de natureza recente, atributo que anuncia o novo-riquismo como característica de um significativo sector da população ou, melhor dizendo, da sociedade. O caso de Macau é disto paradigmático, na radical transformação epidérmica, física e social. A sua economia disparou para níveis nunca antes atingidos, face ao aumento substancial das receitas da sua maior indústria. Resumidamente, concentraram-se os ovos todos numa só cesta, ficando alguns poucos de fora para a construção civil e o inevitável imobiliário do dinheiro rápido. Natural, pois, que face a uma abundância superlativa, passe a redundância e o arremedo de pleonasmo, operou-se uma como que cristalização das potencialidades que a cidade sempre teve, sobretudo para consigo mesma. Recentemente, surgiram novas dinâmicas, das quais é de destacar a das Indústrias Criativas. Vale a pena referenciar, desde logo, que as mesmas são primeiro que tudo um Conceito e que quase toda a sua “listagem” é pré-existente à formulação do conceito. A liberdade de exercitar o pensamento, a exploração, a indagação e a investigação são de grande importância, para citar John Howkins, nas economias que se desejam criativas, o que pressupõe também abundantes reflexões sobre o modo como estas podem coexistir com outras de extraordinário peso e arcaboiço. Sucede que Macau é proprietária de uma condição paradoxal: possui uma área física diminuta, mas, por ser assim, possui as condições ideais para se tornar uma cidade-piloto, um centro de inteligência que permita torná-la numa ou em várias plataformas. Mas isso implicaria que o conceito das Indústrias Criativas e Culturais fosse entendido, no caso de Macau, como uma economia criativa de exportação, face à exiguidade do mercado do território e à natureza específica do tema: Indústrias. É interessante compreender que a dimensão de Macau a vocaciona incontornavelmente para o exterior. Porém, à partida, faltam-lhe instrumentos para o fazer. Há muitos anos venho dizendo o quão fundamental é facultar à população em geral, e aos vários tipos de projectos comerciais e industriais em particular, a possibilidade de acederem ao comércio electrónico. Persiste
“Life Lessons”, Martin Scorsese
A criatividade e a sociedade civil
porém, teimosamente, o paradoxo de, na cidade onde circulam milhares de milhões, os bancos não disponibilizarem comércio electrónico, na forma de Merchant’s Accounts, nem se saber se existe a intenção de oferecer de uma forma equiparada a outras abundâncias, alojamentos para sítios digitais, porquanto é negócio virtual, não requerendo assim tanto espaço quanto se suporia, trazendo igualmente suporte local para os alojamentos domésticos.
É interessante compreender que a dimensão de Macau a vocaciona incontornavelmente para o exterior. Porém, à partida, faltam-lhe instrumentos para o fazer No que concerne propriamente às Indústrias Criativas e Culturais, creio ser melhor assinalar a importância do estudo do pensamento de John Howkins do que proceder à sua categorização que, como a pescada, já o eram antes de serem. Refiro-me à definição clássica de Howkins: a Arquitectura, Arte, Artes Performativas, Antiguidades, Brinquedos, Cinema, Design Gráfico, Design de Moda, Edições, Fotografia, Jogos de Consolas, Música, Publicidade, Rádio e Televisão. O panorama é vasto, mas o instinto diz-me que, a haver intenção de tocar todos os instrumentos no começo, resultará numa fragmentação de esforços e energias, além de ser conveniente lembrar, uma vez mais, que a
indústria é sempre uma produção massificada que, regra geral, implica uma ou mais linhas de montagem, como o Cinema, as Edições, a Moda, a Rádio e a Televisão. Por outras palavras, é aconselhável que se proceda à prudente criação de alguns núcleos ou incubadoras no sentido de testar a sua viabilidade. É que, faço questão de acentuar, falamos destas indústrias como algo que se pretende seja uma das alternativas económicas à principal indústria do território, e não simples exercícios de respeitáveis diletantes. À priori, parece-me importante privilegiar, potenciando, o que já existe de mais construído e próximo da indústria. Refiro-me à produção de conteúdos de interesse internacional por autores locais quer a nível de documentários quer, ainda, a nível de séries televisivas. A criação de uma Editora de Música agindo directamente no ciberespaço também parece ser um nicho interessante, bem como a criação de Rádios digitais alternativas, sendo estas áreas potenciais rampas de lançamento para voos mais altos. Do mesmo modo, foi há bem pouco tempo apresentada na TDM uma interessante reportagem sobre a indústria de Jogos de Consola que factura 100 mil milhões de USD por ano. Seria excelente que em Macau se captassem investimentos e know how para a produção digital de conteúdos. E que se ensinasse CGI - Computer Graphics Imagery, gama de ilustrações digitais que se encontram em filmes, em jogos de computador e em ilustrações modeladas, conhecidas também por 3D. No que toca às Artes, a Kulturindustrie parece ser uma das áreas que mais aderentes tem, pela esperança no chamado sucesso que existe sempre que o verdadeiro talento se manifesta, sendo instantaneamente reconhecido. Por definição, “talento” refere-se a pessoas inteligentes ou adequadas para determinada
ocupação. Inteligentes, no sentido de que entendem e possuem a capacidade de resolver os problemas, visto terem a experiência e competências necessárias para tal e, ou ainda, aptidão para operar com competência uma actividade face à sua capacidade para o bom desempenho do objectivo (Dicionário Wikipedia.) Estamos então a falar na Cidade Criativa, que é não só um novo contrato social mas também um método de planificação estratégica, examinando e estimulando o modo como as pessoas podem pensar, planear e agir criativamente na cidade. Em suma, é a instalação do diálogo pleno com vista a conduzir a uma compreensão sobre a maneira como se pode humanizar e revitalizar as cidades tornando-as mais produtivas e eficientes, recuperando o talento e a imaginação dos cidadãos. Daí que a premissa elementar para a emergência de uma Cidade Criativa é não apenas a configuração da Urbe vocacionada para esse desiderato, mas também a implementação da cultura, também enquanto instrumento educativo. Assim, o que na essência distingue o conceito da Cidade Criativa é a eleição da cultura como elemento fundamental para algo que é de importância vital: a visão esclarecida que a cultura, no seu entendimento globalizante, necessariamente confere. Há novas formas de criação de empregos, de valorização do ócio no seu significado original, de desburocratização e informalismo que ajudam a conduzir a um maior sentido de pertença, a uma percepção exacta do lugar de cada um na estrutura social, de garantias de continuidade, de segurança e previsibilidade social, conjugadas com a possibilidade de usufruir facilidades urbanas, interacção, ludismo e, acima de tudo, criatividade. Por outro lado, é imperativo que o conceito de governação, que se preocupa com o papel comportamental das hierarquias, se transmute em estruturas mais horizontais, com partilha de responsabilidades entre governo e instituições da sociedade civil, estruturas decorrentes de sociedades de capital misto, mecenato, redes e mesmo organizações virtuais. Isto é, o conceito de poder terá de ser não um exercício do mesmo, na sua matriz tradicional, mas a relação dialogante assente naquela máxima de que nenhuma enciclopédia se faz com o que cada um de nós sabe individualmente, nem tão pouco se fará sem o nosso saber individual. É, mais uma vez, a convocação do contrato social a emergir como inevitável. Só face à consciência de que as Indústrias Criativas, a Cidade Criativa, a Cultura e o diálogo com o Poder fazem parte de um todo holístico, que tem como suporte a Cidade, que rodeia o cidadão e o deve estimular a uma interacção geral construtiva, é que se poderão atingir os desideratos aqui expressos.
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong (estagiária); Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Agnes Lam; António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; David Chan; Fernando Eloy; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau. com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo