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Hoje Macau 11 OUT 2018 #4150

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

QUINTA-FEIRA 11 DE OUTUBRO DE 2018 • ANO XVIII • Nº 4151 PUB

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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hojemacau

BURLA

Viagens da minha terra É preciso intensificar as visitas dos deputados da Assembleia Legislativa às cidades da China continental para que estes entendam o desenvolvimento do país. O desejo

do director do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado da RPC é que estas viagens ocorram pelo menos uma vez por ano.

PÁGINA 4

Filipinos em choque PÁGINA 6

TEATRAU

PÓ DE PALCO EVENTOS

REGATAS

ÁGUAS LIMPAS PÁGINA 16

Educação sentimental h ANTÓNIO CABRITA

NALINI ELVINO DE SOUSA

Por causa lusófona ENTREVISTA


2 ENTREVISTA

NALINI ELVINO DE SOUSA REALIZADORA E PRODUTORA

Nalini Elvino de Sousa vai estar em Macau no próximo sábado para inaugurar a exposição “Viagem Oriental”, que estará patente no Jardim de Lou Lim Iok até 18 de Outubro. A realizadora, que também se dedica ao intercâmbio cultural e linguístico, tem na calha projectos para promover o ensino do português em Goa, para os quais espera o apoio de Macau

Um produto da lusofonia “Viagem Oriental” começou por ser um livro e agora é uma exposição que traz ao público os objectos de Macau que ainda vivem nas casas de Goa. Como nasceu este projecto e qual foi o processo de recolha de conteúdos? Tudo começou com a minha curiosidade ao verificar que muitas casas de amigos que visitava tinham loiça vinda de Macau. A minha própria casa está cheia de loiça e mobília de Macau. Como nunca ninguém da família esteve em Macau, comecei a investigar. Havia, até há bem pouco tempo, lojas que vendiam loiça e mobília de Macau, e recentemente voltou a abrir uma na capital em Panjim. Entretanto, e enquanto responsável pela ONG Communicare Trust resolvi, através desta entidade, criar uma competição de imagens onde pedimos aos participantes para fotografarem todos estes objectos orientais que encontrassem em casa. Com o apoio do Gabinete de Apoio ao Ensino Secundário e do Instituto Internacional de Macau, foi possível levar o projecto em frente com a criação de um livro contendo as melhores 40 fotografias e dois textos de introdução sobre a relação entre Goa e Macau. Penso que o interesse que as pessoas que vivem em Goa ainda têm por este tipo de peças está puramente relacionado com o seu exotismo. Na verdade, não acredito que alguém use por exemplo, os conjuntos de chá vindos de Macau. Os meus em casa, estão guardados dentro de um armário. Muitas outras pessoas fazem o mesmo. São elementos decorativos da casa. Durante a sua vinda a Macau vai também participar numa palestra sobre as relações entre Macau e Goa. Macau e Goa partilham uma história com mais de 500 anos. Começa em 1557 com o estabelecimento de Macau e a paragem obrigatória na rota da Nau do Trato que também passou a ser conhecida como Nau do Trato de Macau. Era na viagem de regresso do Japão que a Nau vinha carregada de oiro, seda e

“Ter um objecto de Macau em casa é ainda hoje moda.”

porcelanas. Muitas das antigas casas em Goa, até hoje, contêm porcelana chinesa dessa altura que é considerada exótica e valiosa: jarrões, jogos de chá variados e pratos decorativos que enchiam as paredes das casas. Também no chão das casas se encontra esta presença através de desenhos extremamente trabalhados feitos de porcelana que se partia durante a viagem de Macau para Goa. Foi a partir destes pequenos pedaços de porcelana coloridos que se criaram pavões, flores, árvores etc. Diz-se até que quando não se conseguiam as cores pretendidas para as decorações se partia uma porcelana de propósito para poder terminar os desenhos. Nos finais do séc. XVI, começaram a crescer as dificuldades para se conseguir fazer esta viagem devido à competição com os holandeses, espanhóis e ingleses. Mais tarde, goeses que vieram trabalhar para Macau também trouxeram porcelanas e outros objectos na mala. Uma ou duas lojas dedicaram-se mais a sério ao comércio destes objectos naquela altura. Actualmente, ainda existe uma que se chama Casa Macaõ. Sim, nem o acento está no lugar correcto. Vou falar sobre isso na palestra. Ter um objecto de Macau em casa é ainda hoje moda. É responsável também por uma produtora e realizou recentemente o documentário “Enviado especial” em que retrata Aquino de Bragança, um goês que lutou pela paz em África. O que a motivou a fazer este filme? Todo o trabalho a que me tenho dedicado, seja através da minha

“A geração dos meus pais ainda fala português fluentemente, mas no futuro não sei.”

produtora, Lotus Film & TV Production, como com a Communicare Trust e até com o meu canal no Youtube Travellearngoa, tem como base a minha relação com Goa, com Portugal e com a lusofonia. Eu sou um produto disso. Os meus pais são de Goa, foram estudar para Portugal onde eu nasci. Muitos dos meus amigos tinham vindo então de Moçambique e eram de origem goesa. Fiz parte, durante 10 anos, do grupo da Casa de Goa – Ekvat. Depois, há 20 anos atrás, resolvi viver em Goa. Talvez por isso, todos os meus documentários denotem estas relações, ou talvez eu seja atraída por este tema sem me aperceber. Aquino de Bragança nasceu em Goa mas decidiu dar a sua vida pela África. Eu admiro pessoas que largam tudo por uma causa. Deve ser o meu lado romântico. Aquino de Bragança é conhecido pela sua oposição ao colonialismo e intervenção nos processos de descolonização tendo convivido de perto com líderes dos movimentos de libertação das antigas colónias portuguesas, como Samora Machel. Paralelamente, pautava a sua acção pelo humanismo e por uma atitude de abertura. Este tipo de diplomacia pode ainda hoje ser um exemplo? Aquino acreditava que só a conversar nos podemos entender. A Graça Machel chamava-lhe “o nosso submarino” porque ele nunca estava presente em conferências do partido, reuniões oficiais, etc. O discurso nesse tipo de reuniões, para ele, era sempre o mesmo. Ele encontrava-se nos corredores dessas mesmas conferências, chegando a um acordo com este ou aquele diplomata. Levava-o para casa, se possível, e a conversar, tomavam decisões importantes. Lembro-me da Sílvia Bragança (viúva do Aquino) confessar-me que ficava, às vezes, apreensiva pois o marido decidia ir a casa de diplomatas que eram completamente contra o seu pensamento. Aquino dizia: “Não

te preocupes. Há que encontrar a razão da sua discórdia e com certeza haveremos de encontrar elementos em comum que nos fará chegar a um acordo”. Por vezes, chegava a reunir pessoas com mais do que uma opinião para discutir e chegar a um consenso. Isso é importantíssimo nas relações entre países, tanto na altura como actualmente. Há que ouvir ambos os lados ou não existe uma equilíbrio entre as relações sejam elas culturais, económicas ou de outra natureza. Pretende trazer o filme a Macau? Gostaria muito de trazer o filme para Macau. Contactei a Cinemateca, mas não obtive ainda resposta. Acho que é um filme que abre portas para muitas questões.


3 quinta-feira 11.10.2018 www.hojemacau.com.mo

Tem produzido inúmeros documentários. Qual foi o que mais gostou de fazer? Quando faço um documentário tenho de estar apaixonada pelo assunto. Então, embrenho-me de corpo e alma ao ponto de perder o sono. Perguntar qual deles gostei mais é como perguntar qual foi o meu namorado preferido. Gostei de todos, por igual.

“Há muito nesta área [ensino da língua portuguesa] que pode ser feito e estou a contar com Macau para que possamos trabalhar juntos.”

Está em Goa, um território que teve durante muito tempo a presença dos portugueses. Em que é que esta presença ainda se sente? A presença mantem-se na arquitetura, no nome de algumas ruas, algumas lojas que mantêm os antigos nomes portugueses, na gastronomia de Goa e na língua, claro. Hoje temos cerca de 900

alunos a aprender português como língua estrangeira. Os professores são poucos, mas vai-se fazendo o melhor que se pode. A Fundação Oriente tem feito um trabalho fantástico neste sentido. Também eu já passei pelo ensino, mas neste momento tenho outros projectos em mente. A geração dos meus pais ainda fala português fluente-

mente, mas no futuro não sei. Há muito nesta área que pode ser feito e estou a contar com Macau para que possamos trabalhar juntos na área do ensino. Os professores são pagos, na maioria, pela Fundação Oriente uma vez que são goeses reformados que falavam português em casa e que agora ensinam por amor à língua. Os jovens que ensinam português contam-se pelos dedos da mão. São apenas dois ou três. Nenhum dos professores fez um curso, propriamente dito, para ensinar português como língua estrangeira. A Fundação Oriente, com o apoio do Camões, tem realizado alguns workshops para poder melhorar o ensino da língua. Em Deli, a situação é completamente diferente: os professores são extremamente jovens e aprenderam

português como língua estrangeira. Muitos estudam por razões financeiras. Há muitos call centers que precisam de indianos que falem português. No entanto, existem alguns que querem ensinar e é a eles que se tem de dar uma oportunidade. Uma das formas que a Communicare Trust encontrou para promover o português, como também as línguas nacionais dos países com quem trabalhamos, foi através da produção de um livro de histórias escrito e ilustrado pelos próprios alunos. O projecto chama-se: “Histórias Daqui e Dali”. O primeiro livro internacional foi publicado em Abril deste ano e foi criado por 200 alunos em Goa e 200 alunos em Portugal. O livro foi editado em Português, Konkani (língua oficial de Goa), Hindi

(língua nacional indiana) e Inglês. Nos próximos anos, estamos a pensar trabalhar com Moçambique, Brasil, Timor mas também com Macau. Estamos, de momento, à procura de parceiros. Este projecto é uma forma de promover não só a leitura do português mas também das línguas nacionais dos países com quem interagimos porque, como disse Nelson Mandela: “Sem a língua, não se pode falar com as pessoas e entendê-las; não se pode compartilhar as suas esperanças e aspirações, compreender a sua história, apreciar a sua poesia, ou a sua música”. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


4 política

11.10.2018 quinta-feira

AL CONSELHO DE ESTADO DESEJA VISITAS REGULARES DE DEPUTADOS À CHINA

Viagens ao interior

Os deputados da Assembleia Legislativa reuniram ontem em Tianjin com o director do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado chinês. Zhang Xiaoming defendeu a realização de visitas regulares dos deputados ao continente

M

A Comissária do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China na RAEM, Shen Beili, visitou ontem o Ministério Público. Esta deslocação ao MP teve lugar um dia depois de a recém-empossada Comissária ter efectuado uma visita de cortesia ao Tribunal de Última Instância, também acompanhada por uma delegação.

ANTÉM-SE a autonomia, mas reforça-se o intercâmbio. O director do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado da República Popular da China (RPC), Zhang Xiaoming, reuniu ontem, em Tianjin, com os deputados da Assembleia Legislativa (AL) e defendeu a criação de um “mecanismo eficaz de longo prazo” que venha a instituir a realização de visitas regulares dos deputados em todas as sessões legislativas, ou seja, uma visita anual, noticiou ontem o canal chinês da Rádio Macau. A ideia é que os membros do hemiciclo possam visitar as cidades do continente e compreender o desenvolvimento do interior da China e aplicar a experiência como referência futura. Neste sentido, Ho Iat Seng, presidente da AL, lembrou que a visita da delegação da AL a Pequim acontece apenas pela segunda

Maternidade Wong Kit Cheng quer Governo mais pró-activo

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EDITAL Notificação relativa à audiência sobre reparação de edifício em mau estado de conservação Edital n.º : 8/E-AR/2018 Processo n.º :28/AR/2018/F Local :Rua de Xangai n.os 147-191, Rua de Pequim n.os 111 123, Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues n.os 298-316, , Edifício da Associação Comercial de Macau, Macau. Li Canfeng, Director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, faz saber que ficam notificados todos os condóminos, inquilinos ou demais ocupantes do edifício acima indicado, do seguinte: Em conformidade com o Auto de Vistoria da Comissão de Vistoria constante do processo em curso nesta Direcção de Serviços, os pilares decorativos na arcada do edifício acima indicado encontram-se em mau estado de conservação e carecem de reparação, pelo que, nos termos do n.º 2 do artigo 54.º do DecretoLei n.º 79/85/M (Regulamento Geral da Construção Urbana) de 21 de Agosto, foi instaurado um procedimento administrativo relativo à notificação da sua reparação. No uso das competências delegadas pela alínea 12) do n.º 2 do Despacho n.º 11/SOTDIR/2016, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 21, II Série, de 25 de Maio de 2016 e por despacho de 20 de Setembro de 2018 do Chefe do Departamento de Urbanização da DSSOPT, Lai Weng Leong, foi homologado o Auto de Vistoria acima indicado. Notificam-se os interessados que no prazo de 10 (dez) dias a contar a partir da data da publicação do presente edital, devem dar cumprimento à ordem emanada no Auto de Vistoria, ou apresentar no mesmo prazo, conforme o disposto no artigo 94.º do Código do Procedimento Administrativo (CPA), aprovado pelo DecretoLei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, as alegações escritas relativas à decisão do procedimento da reparação do edifício acima indicado, podendo requerer diligências complementares acompanhadas de documentos. Se findo o prazo acima referido os interessados não derem cumprimento à respectiva ordem nem apresentarem quaisquer alegações escritas, tal não afecta a decisão tomada por esta Direcção de Serviços. Além disso, caso necessário, esta Direcção de Serviços pode aplicar aos infractores a multa estabelecida nos artigos 66.º e 67.º do citado diploma legal. Os interessados podem consultar o processo durante as horas normais de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau. RAEM, 26 de Setembro de 2018 O Director dos Serviços Li Canfeng

Diplomacia Nova Comissária do MNE da China visita MP e TUI

Tianjin

vez desde a transferência de soberania de Macau para a China, em 1999. Além da periodicidade das visitas, Zhang Xiaoming felicitou o Governo de Macau pelos trabalhos de prevenção antes da passagem do tufão Mangkhut. Além disso, disse esperar que na nova sessão legislativa os deputados possam cooperar com o Governo na realização dos trabalhos legislativos e de fiscalização da Lei Básica. Zhang Xiaoming referiu também que os membros do hemiciclo continuem a apresentar sugestões ao Executivo.

A ideia é que os membros do hemiciclo possam visitar as cidades do continente e compreender o desenvolvimento do interior da China, tendo essa experiência como referência futura Ip Sio Kai, eleito pela via indirecta pelos sectores industrial, comercial e financeiro, disse que o Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado chinês tem prestado atenção e compreendido o território. Além disso, o deputado enten-

de que a reunião em Tianjin vai ajudá-lo a cumprir o seu mandato.

COM O CHEFE MÁXIMO

Os deputados da AL reuniram também com o vice-primeiro-ministro do Conselho de Estado, Han Zheng. De acordo com declarações de Ho Iat Seng ao canal chinês da Rádio Macau, Han Zheng falou de três expectativas que deposita no arranque da nova sessão legislativa, que passam pela protecção e assumpção de responsabilidades dos deputados à luz da Constituição chinesa e Lei Básica. Na visão de Han Zheng, deve também ser defendida a soberania nacional, mantendo-se o respeito pela predominância do poder Executivo e concretizados mecanismos de cooperação mútua. Além disso, o vice-primeiro-ministro do Conselho de Estado espera que se possa encontrar a posição ideal ao nível da cooperação em prol do desenvolvimento do país após a abertura da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, algo que deverá acontecer no final deste ano. Ho Iat Seng interpretou as palavras de Han Zheng como um grande incentivo para os deputados. Ho Ion Sang referiu que o vice-primeiro-ministro do Conselho de Estado pediu que os membros da AL oiçam as diferentes opiniões dos cidadãos e envidem esforços de cooperação com o Governo. V.N./A.S.S.

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Depois de em Hong Kong a Chefe do Executivo, Carrie Lam, ter anunciado ontem que a licença de maternidade vai aumentar de 10 para 14 semanas, a deputada Wong Kit Cheng atacou o Executivo de Macau por manter uma postura passiva face ao assunto. “O Governo tem falhado em assumir um papel de liderança em toda esta discussão”, afirmou Wong Kit Cheng. Recorde-se que o Executivo publicou os resultados de uma consulta pública sobre a revisão da lei laboral no início de Maio. De acordo com o relatório, cerca de 91,9 por cento dos ouvidos defende que além dos 56 dias de licenças de maternidade, actualmente em vigor, houvesse ainda 14 dias de faltas justificadas paras as mães. Em relação à criação da licença de paternidade, mais de 93,2 por cento dos ouvidos defenderam um período de cinco dias para os pais. Contudo, as alterações à lei das relações laborais ainda não entraram na Assembleia Legislativa.

Alfândega Vong Man Chong é adjunto do director-geral

Vong Man Chong foi nomeado, em comissão de serviço, para o cargo de adjunto do director-geral dos Serviços de Alfândega, pelo período de um ano, contado a partir do próximo sábado, dia 20. Segundo um despacho do Chefe do Executivo, publicado ontem em Boletim Oficial, o intendente alfandegário exercia o cargo de adjunto, em regime de substituição, desde o ano passado.

Lusofonia MNE de Portugal em Macau na próxima semana

O ministro dos Negócios Estrangeiros português vai visitar Macau na próxima semana. Segundo noticiou ontem a Rádio Macau, Augusto Santos Silva chega no dia 19, na sequência de uma deslocação a Cantão, onde vai inaugurar oficialmente o Consulado de Portugal. Durante a estadia no território, o chefe da diplomacia portuguesa deverá visitar a Escola Portuguesa de Macau, passar pelo Festival da Lusofonia, bem como reunir-se com os Conselheiros das Comunidades Portuguesas. É de esperar ainda que seja recebido pelo Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On. Depois de deixar a RAEM, Augusto Santos Silva segue para Pequim, onde tem agendados encontros ao mais alto nível, segundo a emissora pública. Esta visita tem como objectivo preparar a deslocação do Presidente chinês, Xi Jinping, a Portugal, que deve acontecer ainda este ano.


política 5

quinta-feira 11.10.2018

Contribuição local Agnes Lam pede medidas que evitem o aquecimento global

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Governo tem que tomar medidas para diminuir os níveis de carbono e de aquecimento do território. A demanda é da deputada Agnes Lam que apela ao Executivo por esclarecimentos acerca dos planos que pretende accionar para o combate ao aquecimento global. Lam recorda o recente relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) que alerta para o descontrolo do aquecimento global. De acordo com o documento da ONU, é necessário limitar o aquecimento global a 1,5 graus até 2030, abaixo da meta estimada pelo Acordo de Paris de dois graus para evitar uma “catástrofe climática”, aponta a deputada em interpelação escrita.

CAMINHO A PERCORRER

Macau está ainda longe de ser um exemplo no que respeita ao combate à emissão de gases que provocam o efeito estufa, aponta Agnes Lam. “De acordo com as estatísticas do Banco Mundial, as emissões de dióxido de carbono per capita em Macau, no ano de 2014 foram de 2,18 toneladas, estando no 112º lugar da classificação mundial”, re-

fere. Embora seja um valor inferior às 7,5 toneladas que se registam na China, às 6,4 toneladas em Hong Kong e às 10,3 toneladas em Singapura, “Macau continuar a não mostrar evolução no que respeita à diminuição destes valores”, refere. Entretanto, “as emissões locais de dióxido de carbono continuaram a subir entre 2014 e 2016”, pelo que “mesmo que Macau não seja considerado um grande emissor de carbono, deve estar atento à tendência actual e evitar que isso aconteça”, escreve Lam. Neste sentido, a deputada pretende saber que medidas é que o Governo vai tomar perante o alarme da ONU e o apelo à colaboração na luta contra o aquecimento global. Para Agnes Lam, não têm existido avanços no que respeita a políticas que combatam as emissões de dióxido de carbono, não estão a ser feitos esforços para aumentar os carros movidos a electricidade nem estão a ser promovidos os espaços verdes locais capazes de atenuar o efeito de ilha de calor característico dos grandes centros urbanos. A deputada salienta ainda a necessidade de promover os transportes ecológicos, acção que em Macau classifica como “lenta”, até porque “faltam instalações para o abastecimento deste tipo de veículos e não há campanhas para aumentar o interesse da população por esta opção. A promoção de veículos eléctricos deve ser ainda estendida às motas, sublinha. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

PEARL HORIZON PROPRIETÁRIOS ACEITAM PERMUTA DE CASA MEDIANTE CONDIÇÕES

Tens para a troca ?

A União Geral dos Proprietários do Pearl Horizon endereçou ontem uma carta ao Chefe do Executivo em que apresenta seis condições para aceitar o plano de habitação para troca

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S lesados do Pearl Horizon querem ter a possibilidade de adquirir o mesmo número de fracções que compraram. Esta é uma das seis condições para aceitarem a proposta de habitação para a troca, vertidas para uma carta entregue ontem na sede do Governo. Os lesados pedem também que o preço das casas ao abrigo do regime de habitação para a troca seja definido em conformidade com o preço da primeira aquisição no Pearl Horizon, reivindicando ainda que as taxas, como o imposto de selo, sejam iguais às dos contratos originais. De acordo com a missiva, exibida aos jornalistas pelo presidente da União Geral dos Proprietários do Pearl Horizon, Kou Meng Pok, os lesados querem ainda que a habitação para troca ganhe forma no lote P da Areia Preta onde era suposto ter sido construído o Pearl Horizon, bem como que a disposição dos apartamentos, como a área das divisões, seja também semelhante às casas que adquiriram há anos em planta. Por fim, a União Geral dos Proprietários do Pearl Horizon exige que a atribuição de casas seja feita dentro de cinco anos. “A habitação para troca é apenas uma proposta que sob o contexto de não haver alternativa é considerada aceitável se houver condi-

Lam Lon Wai Contra o cigarro electrónico, marchar, marchar Na sequência da proibição total dos cigarros electrónicos anunciada ontem para Hong Kong, o deputado Lam Lon Wai, ligado aos Operários, reiterou, dois dias depois de ter feito um pedido semelhante, a necessidade de implementar a proibição total Macau. O legislador defendeu também que se deve educar as crianças nas escolas

para os perigos dos produtos que imitam o tabaco tradicional. “Além de membro da Assembleia Legislativa, também sou um professor. Por isso tenho de proteger a saúde da população, especialmente das crianças e dos mais novos. Por isso, apelo ao Governo que considere banir todos os cigarros electrónicos e produtos que imitam os cigarros.

[...] O Governo também deve incluir no currículo escolar os malefícios dos cigarros electrónicos, e continuar os seus esforços para eliminar o tabaco de Macau”, escreveu o deputado. Actualmente, a venda de cigarros electrónicos é proibida em Macau, mas é permitida a entrada no território deste tipo de produtos.

Kou Meng Pok, presidente da União Geral dos Proprietários do Pearl Horizon “A habitação para troca é apenas uma proposta que sob o contexto de não haver alternativa é considerada aceitável se houver condições.”

ções”, afirmou Kou Meng Pok aos jornalistas. “Para cooperar com o Governo em avançar com a habitação para troca e resolver o caso do Pearl Horizon, a União tem a vontade para aceitar a proposta de resolução sob as condições [apresentadas] e espera que o Chefe do Executivo e a secretária para a Justiça cumpram a

promessa e tomem medidas a fim de a concretizarem dentro do actual mandato”, complementou. Ontem foi publicado o relatório final da consulta pública sobre o Regime Jurídico de Habitação paraAlojamento Temporário e de Habitação para troca no âmbito da renovação urbana, cujas opiniões foram dominadas pelos com-

pradores do Pearl Horizon. Não obstante, houve também posições contrárias à maioria, ou seja, aos proprietários do Pearl Horizon, contestando o uso de recursos públicos para habitações públicas com o objectivo de resolver os problemas de compra de edifícios privados. Vitor Ng

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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 39/P/18 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 24 de Setembro de 2018, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento e Instalação de Um Sistema de Equipamentos de Ecografia Ultrasónica dos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 10 de Outubro de 2018, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP42,00 (quarenta e duas patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo).

As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 6 de Novembro de 2018. O acto público deste concurso terá lugar no dia 7 de Novembro de 2018 pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP16.000,00 (dezasseis mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 4 de Outubro de 2018 O Director dos Serviços, Substituto Cheang Seng Ip


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11.10.2018 quinta-feira

CRIME TRABALHADORES FILIPINOS DE MACAU E HONG KONG BURLADOS POR ADVOGADA

O caso da Madame Lai

Cerca de 600 filipinos que trabalham em Macau e Hong Kong foram, alegadamente, vítimas de uma fraude orquestrada por Ody Lai, uma advogada famosa entre a comunidade. As autoridades locais referem não ter recebido qualquer queixa relativa ao caso

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IQUEI em choque quando tomei conhecimento da detenção, mas mais ainda quando soube que tinha sido suspensa como advogada pelas autoridades de Hong Kong”, refere Nedie Palcon, que conheceu a advogada Ody Lai, proeminente personalidade da comunidade filipina de região vizinha, que caiu em desgraça na sequência do alegado esquema fraudulento. De acordo com o Asia Times, a polícia de Hong Kong confirmou a detenção de Ody Lai, no aeroporto internacional da região vizinha depois da arguida chegar

de uma viagem a Manila. O caso contra a conhecida jurista, envolve cerca de 600 trabalhadores de origem filipina, na sua maioria mulheres, a residir nas duas regiões administrativas especiais, a quem foram prometidos empregos bem renumerados no Canadá e Reino Unidos. Ody Lai foi detida no dia 30 de Agosto e sai em liberdade após o pagamento de caução, ficando ainda obrigada a não se ausentar de Hong Kong. Por cá, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais esclarece que não recebeu qualquer queixa ou dúvida de trabalhadores afectados por este caso de burla. Até ao fecho da

edição, não recebemos confirmação de queixas apresentadas junto da Polícia de Segurança Pública relativamente a este assunto. PUB

ANÚNCIO Concurso Público “Prestação de serviços de monitorização da quantidade de resíduos” Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração do IACM, tomada na sessão de 31 de Agosto de 2018, se acha aberto o concurso público para a “Prestação de serviços de monitorização da quantidade de resíduos”. O Programa de Concurso e o Caderno de Encargos podem ser obtidos durante os dias úteis dentro do horário normal de expediente no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), sito na Avenida de Almeida Ribeiro n.º 163, em Macau. O prazo para a entrega das propostas termina às 17:00 horas do dia 22 de Outubro de 2018. Os concorrentes ou seus representantes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM e prestar uma caução provisória de MOP 44.000,00 (quarenta e quatro mil patacas). A caução provisória pode ser prestada na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros dos Serviços Financeiros e Informáticos do IACM da RAEM, sita na Avenida de Almeida Ribeiro n.º 163, Macau, por depósito em dinheiro, cheque ou garantia bancária, em nome do “Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais” (o prazo de validade deve vigorar até o momento determinado no artigo 19.º do Decreto-Lei n.º 63/85/M ou até a prestação da caução definitiva). O acto público de abertura das propostas realizar-se-á na Divisão de Formação e Documentação do IACM (sita na Avenida da Praia Grande, n.os 762-804, Edf. China Plaza 6.° andar), pelas 09:30 horas do dia 24 de Outubro de 2018. Além disso, o IACM realizará uma sessão de esclarecimento que terá lugar às 10:00 horas do dia 12 de Outubro de 2018 (sexta-feira) na Divisão de Formação e Documentação do IACM. Aos 14 de Setembro de 2018 A Administradora do Conselho de Administração To Sok I WWW. IACM.GOV.MO

Entretanto, as autoridades da região vizinha estão a investigar queixas apresentadas por centenas de alegadas vítimas. “Segundo algumas amigas, esta senhora defraudou vários filipinos, na área de Central, que procuravam emprego”, refere Ana Sevilla, da Associação Bisdak de Macau. Cada empregada doméstica terá, alegadamente, pago comissões entre 10

e 15 mil HKD a uma das mais conhecidas agências de trabalho da região vizinha destinada a trabalhadores filipinos. A dona da agência, que sustentou uma amizade de longa data com Ody Lai, também foi detida. Ambas são suspeitas de lavagem de dinheiro, nomeadamente através de várias transferências bancárias simultâneas, na ordem dos 10 milhões de

HKD, para contas em países como a Malásia, Turquia e Burkina Faso. Os movimentos de capitais puseram em alerta as autoridades de Hong Kong.

AMIGA DOS FILIPINOS

Por cá, Nedie Palcon, presidente da Green Philippines Migrant Workers Union, refere que Ody Lai era um rosto muito conhecido e uma figura incontornável da comunidade. “Ela defendeu muitos casos de filipinos acusados de crimes em Hong Kong. Fazia-o pro-bono, porque não existe apoio judiciário para cidadãos filipinos”, conta Nedie Palcon. Curiosamente, o tribunal no topo da hierarquia judicial de Hong Kong concedeu apoio judiciário às queixosas de fraude em que a advogada é acusada. Uma das ocasiões em que Nedie Palcon esteve com Ody Lai foi durante a visita, em Junho, do presidente Rodrigo Duterte a Hong Kong. Na sequência da queda em desgraça de um dos pilares da comunidade filipina nas regiões administrativas especiais, uma amiga de Nedie Palcon perguntou “à Madame Lai sobre as notícias publicadas nos jornais” que revelavam os contornos do caso de que estava a ser acusada. De acordo com Nedie Palcon, a Madame Lai categorizou essas informações como notícias falsas. João Luz

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Notas falsas Quatro casos de burla em 325 mil RMB devido a troca A Polícia Judiciária (PJ) revelou ontem estar a investigar quatro casos de burla de valor elevado, envolvendo notas falsas. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, as vítimas perderam 325.680 renminbi na troca por dólares de Hong Kong em notas falsas. De acordo com a PJ,

os delitos ocorreram perto dos casinos e todos os envolvidos são da China. Um dos casos diz respeito ao câmbio de 76.000 renminbi. O lesado transferiu o dinheiro para uma conta no Banco da China e recebeu 86.000 dólares de Hong Kong. Contudo, apenas as primeiras

e últimas notas do maço eram verdadeiras. Um jovem de 28 anos da China foi detido e há, pelos menos, cinco suspeitos de envolvimento no esquema. A PJ continua a investigar o caso, em parceria com a Polícia de Segurança Pública e com a ajuda das autoridades chinesas.

Crime Prostituta acusada de extorsão depois de promessa de amor Na passada segunda-feira, uma mulher foi detida pela Polícia Judiciária num caso insólito de extorsão. A suspeita em questão, prostituta, tinha acabado de extorquir o cliente

que lhe havia prometido meses antes que iria viver com ela para sempre. Foi pedido ao homem que transferisse 90 mil HKD para a conta bancária da prostituta em

troca do seu silêncio sobre a venda de serviços sexuais. De acordo com o Jornal Ou Mun, a vítima conheceu a detida, de apelido Tou, numa aplicação móvel.

Abuso sexual DSEJ diz estar atenta a alegado caso em escola A Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) disse ontem, em comunicado, estar atenta ao caso suspeito de abuso sexual que terá sido cometido por um professor. As vítimas são dois alunos que participavam numa aula de actividade extra-curriculares.

Após a recepção da denúncia, a DSEJ entrou em contacto com a escola, propondo prestar assistência e apoios às duas crianças e respectivas famílias. A DSEJ apontou ainda que vão continuar a organizar actividades de prevenção e aconselhamento de diferentes temas nas escolas

para aumentar a consciência dos estudantes sobre a problemática e ensinar formas de pedir ajuda. A autoridade educativa também espera que os pais prestem mais atenção à vida dos filhos e ao seu comportamento, ensinando-lhes a necessidade de protecção e defesa.


sociedade 7

quinta-feira 11.10.2018

TIAGO ALCÂNTARA

Macaenses Encontro Juvenil começa dia 23

Os tribunais aplicaram multas de 3,32 milhões de patacas em casos de conflitos laborais envolvendo trabalhadores não residentes nos últimos dois anos

O IV Encontro da Comunidade Juvenil Macaense vai decorrer entre os dias 23 e 28 deste mês. Aproximadamente 50 representantes das 13 Casas de Macau espalhadas pelo mundo estarão na RAEM para participar da iniciativa, organizada pela Associação dos Jovens Macaenses e pelo Conselho das Comunidades Macaenses. Ao longo de uma semana, os jovens da diáspora vão participar numa série de actividades, como no Fórum de Economia de Turismo Global, estando também previstas visitas, nomeadamente ao Gabinete de Ligação. Estão também agendados seminários e outras iniciativas culturais, segundo o programa provisório enviado pela Associação dos Jovens Macaenses às redacções.

Construção civil Receitas passam os 65 mil milhões

O sector da construção em Macau registou receitas em 2017 de 65,91 mil milhões de patacas, menos 18,8 por cento que no período homologo do ano anterior, informaram hoje as autoridades. O valor das obras caiu devido “à conclusão em 2016 de obras de instalações de hotéis e entretenimento”, mas também devido “ao número reduzido de projetos de dimensão semelhante em 2017”, de acordo com um comunicado da Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos de Macau (DSEC). Em 2017, o valor das obras de instalações de hotéis e entretenimento diminuiu 34,1 por cento, para 31,59 mil milhões de patacas, relativamente a 2016. No ano passado, existiam 3.061 estabelecimentos no sector da construção, um aumento de 141 empresas face a 2016. De acordo com a DSEC, há a registar menos 3.356 trabalhadores na construção em 2017 do que no ano anterior, tendo sido contabilizado um total de 41.960 no ano passado.

tribunais, resultando na aplicação de multas no valor global de 555 mil patacas.

CONFLITOS DE TRABALHO

QUEIXAS DE TNR RESULTARAM EM MULTAS DE 555 MIL PATACAS EM 2017

Caso arquivado

A maioria das queixas apresentadas por trabalhadores não residentes acaba por ser resolvida por intervenção da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). No ano passado, os poucos casos que seguiram para a justiça resultaram na aplicação de meio milhão de patacas em multas aos empregadores

O

salário e a compensação por prestação de trabalho extraordinário e em dias de descanso semanal figuram entre as principais razões que levam os trabalhadores não residentes a apresentar queixa contra os patrões. Dados facultados pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) ao HM indicam que são poucos

casos remetidos para os órgãos judiciais, dado que a grande parte das queixas termina arquivada após resolvida por intervenção da Administração, ou seja, com os empregadores a aceitarem, regra geral, cumprir com o que é devido na sequência da entrada em cena das autoridades, explicou fonte da DSAL. No ano passado, foram abertos 812 processos, envolvendo 1.435

trabalhadores não residentes. Este casos diziam respeito a 3.325 matérias, atendendo a que uma queixa pode implicar múltiplos assuntos, das quais 1.097, ou o equivalente a um terço, foram consideradas “efectivas”, isto é, com fundamento para seguirem em frente. Dessas 1.057 acabaram arquivadas após resolvidas pela Administração, enquanto as restantes 40 foram remetidas para os

Segundo a DSAL, houve uma descida significativa face a 2016 – tanto em termos do número de queixas, dos trabalhadores não residentes envolvidos, bem como do universo de casos que seguiram para os tribunais e consequente montante das multas aplicadas. Assim, em 2016, foram abertos 1.278 processos na DSAL, envolvendo 3.280 trabalhadores não residentes. Em causa estavam 9.069 matérias, das quais 3.264 dadas como efectivas pela DSAL. Dessas, 353 foram remetidas aos órgãos judiciais que aplicaram multas de 2,77 milhões de patacas. Já nos primeiros seis meses do ano foram abertos 337 casos relativos a 593 trabalhadores não residentes. Entre Janeiro e Junho, ainda segundo os dados sobre conflitos laborais fornecidos pela DSAL, todas as 322 matérias efectivas, de um total de 1.305, foram arquivadas após terem sido solucionadas por intervenção da Administração, pelo que nenhuma foi remetida para os órgãos judiciais e não houve lugar, por conseguinte, à aplicação de multas. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

GRANDE BAÍA NOBEL DA ECONOMIA NO FÓRUM DA JUVENTUDE ESTE FIM-DE-SEMANA

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ETER A. Diamond, laureado com o Prémio Nobel da Economia 2010, vai ser um dos oradores do Fórum da Juventude subordinado ao projecto da Grande Baía que se realiza no próximo fim-de-semana no Centro de Convenções e Exibições do Venetian, anunciou o gabinete do porta-voz do Governo.

A iniciativa traz a Macau aproximadamente mil representantes da Grande Baía, ou seja, de Macau, Hong Kong e das nove cidades da província de Guangdong, bem como jovens locais. Segundo um comunicado oficial, durante os dois dias do evento, vão ser debatidas as novas oportunidades para os jovens da Grande Baía.

Durante a manhã de sábado serão proferidos discursos de académicos locais e internacionais, entre os quais Peter A. Diamond. Vão ainda intervir Peter Lam Kin-Ngok, membro da Comissão Permanente do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês e presidente da Administração do Turismo de

Hong Kong, Wang Jian, presidente da Comissão Técnica do Grupo Alibaba e fundador do Alibaba Cloud, bem como Guo Jingjing, campeã olímpica de saltos no trampolim, entre outros. Durante a tarde terão lugar cinco debates, presididos pelos cinco secretários do Governo da RAEM. Os desafios e oportunida-

des no contexto da construção do sistema jurídico da Grande Baía; a inovação, empreendedorismo e emprego; a juventude, segurança e responsabilidade figuram entre os temas. O reforço do intercâmbio cultural e as ligações marítimas e terrestres entre Macau e a Grande Baía também serão, de resto, abordados.


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11.10.2018 quinta-feira

Viagem ao mundo da cons TEATRAU HISTÓRIA SOBRE LAI CHI VUN SOBE AO PALCO ESTE DOMINGO

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grupo teatral Dream Theater Association apresenta no edifício do antigo tribunal este domingo a peça “O nosso estaleiro naval ‘Victory’”, espectáculo integrado na quinta edição da Mostra de Teatro dos Países de Língua Portuguesa – Teatrau. Trata-se de uma peça produzida em Macau e que conta um pedaço da história da construção naval do território. A personagem central é o senhor Tam, que “cresceu como aprendiz de um

Começou esta terça-feira a Mostra de Teatro dos Países de Língua Portuguesa, organizada pelo Instituto Português do Oriente e que, na sua quinta edição, exibe o trabalho de companhias teatrais de Macau, Brasil, Cabo Verde, Angola e Guiné-Bissau. “O nosso estaleiro naval ‘Victory’” volta a subir ao palco este domingo mestre de construção naval para continuar o negócio da família, mas o seu sonho fica quase todo destruído por um incêndio”, revela a sinopse. “Depois de 50 anos de luta e de muito trabalho, o senhor Tam tinha todas as técnicas de construção na-

val gravadas na sua cabeça, assim como a habilidade nas suas mãos. Contudo, a indústria naval tinha acabado”, lê-se também na sinopse, numa clara referência ao fim da produção dos estaleiros de Lai Chi Vun, povoação perto de Coloane.

Esta peça pretende, no entanto, ter expressividade fora dos palcos. “O nosso estaleiro ‘Victory’ será apresentado em diferentes locais de Macau e um mini-estaleiro será exposto no local de apresentação, para que o público possa conhecer o mundo da construção naval.”

A Dream Theater Association dedica-se ao teatro desde os anos 90 em Macau, tendo sido oficialmente registada como associação em 2008. A peça desta companhia teatral será apresentada domingo às 14h00, juntamente com “A mulher é sagrada”, do grupo

Os Cérebros de Quelele, da Guiné-Bissau, e “A última viagem do príncipe perfeito”, do grupo Elinga-Teatro, de Angola. No sábado, também a partir das 15h00, apresenta-se no espaço “black box” do edifício do antigo tribunal a peça “Menos Um”, da companhia Fladu Fla, de Cabo Verde, bem como “Tempo Pr’a Dizer”, do Núcleo Experimental em Movimento – NEM, oriundo do Brasil. Além disso, repete-se o espectáculo da companhia teatral da Guiné-Bissau. Todas as peças têm entrada gratuita.

EM CRESCIMENTO

CLUBE MILITAR MOSTRA CELEBRA “DIVERSIDADE E EQUILÍBRIO” DO MUNDO LUSÓFONO

É

já a partir de sexta-feira que o Clube Militar acolhe uma exposição de pintura que celebra a “diversidade e o equilíbrio” de artistas, técnicas e temas do mundo lusófono, disse à Lusa um dos curadores da mostra. “Aquilo que procuramos fazer todos os anos é trazer [a Macau] um conjunto diversificado, uma colectiva

com um artista de cada país [de língua portuguesa]”, explicou José Isaac Duarte, responsável pela curadoria a par de Lina Ramadas. Ao todo, são nove os artistas representados na exposição, cada um com três trabalhos originais: Dila Moniz (Angola), Graça Tirelli (Brasil), Hélder Cardoso (Cabo

Verde), Hipólito Ismael Djata (Guiné-Bissau), Lio Man Cheong (Macau), Graça Costa (Moçambique), Alfredo Luz (Portugal), Kwame Sousa(São Tomé e Príncipe) e Gelly Neves (Timor-Leste). “Procuramos encontrar obras significativas do trabalho daqueles artistas, artistas diferentes todos os

anos, neste contexto de diversidade de modo a que a exposição seja diversificada e equilibrada”, apontou José Duarte. Integrada na série anual “Pontes de Encontro”, a exposição de pintura lusófona vai estar patente entre 12 de Outubro e 4 de Novembro no Clube Militar de Macau.

O Teatrau é uma iniciativa cultural inserida na Semana Cultura da China e dos Países de Língua Portuguesa, que este ano celebra a décima edição. A organização está a cargo do Instituto Português do Oriente (IPOR), apesar da realização do evento ser coordenada com o Instituto Cultural e os delegados do Fórum Macau.


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quinta-feira 11.10.2018

strução naval

HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Pulmonária Nome botânico: Pulmonaria officinalis L. Família: Boraginaceae. Nomes populares: ERVA-DOS-BOFES; ERVA-LEITEIRA-DE-NOSSA-SENHORA; SALSA-DE-JERUSALÉM.

Patrícia Ribeiro, vogal da direcção do IPOR, explicou ao HM que o cartaz da quinta edição do Teatrau pauta-se, sobretudo, pela diversidade. “As peças variam muito em termos de temáticas. Algumas são companhias estabelecidas há muitos anos, outras são mais recentes. Vamos ter níveis diferentes de experiência em palco e também em termos do espectáculo em si. Uns são mais alternativos, outros mais tradicionais.” Em termos de número de espectadores, Patrícia Ribeiro tem notado um aumento nos últimos cinco anos. “Temos registado um crescimento em termos de público nos últimos anos. Esta é a quinta edição e todos os anos verificamos que

as pessoas já estão à espera do Teatrau e já o procuram.” Há também um lado mais comunitário desta iniciativa, de ligação a associações locais, escolas e universidades. “O Teatrau não são apenas as apresentações ao público, mas há também alguns workshops, visitas a escolas e a universidades com as companhias. Há uma interacção com crianças e jovens adultos para poderem falar um pouco o português fora da sala de aula e conhecerem os países onde se fala português.” Para a responsável do IPOR, esta conexão ajuda a uma maior “dinamização do interesse pelo teatro”. “Vamos ter uma iniciativa em conjunto com o grupo de teatro da Escola Portuguesa de Macau, um workshop. Também faze-

“Temos registado um crescimento em termos de público nos últimos anos. Esta é a quinta edição e todos os anos verificamos que as pessoas já estão à espera do Teatrau e já o procuram.” PATRÍCIA RIBEIRO VOGAL DA DIRECÇÃO DO IPOR

mos regularmente algo com a ArtFusion, que sempre se mostrou receptiva a receber companhias de teatro. Temos ainda outros workshops de expressão e dança. Por vezes juntamo-nos apenas para falar da cultura de cada país.” O Teatrau resulta também numa partilha de experiências entre companhias de teatro que, depois de passarem por Macau, estabelecem outros contactos, explicou Patrícia Ribeiro. “Procuramos sempre fazer um encontro entre companhias para elas se poderem conhecer umas às outras, e tem sido interessante ver que há contactos que dão frutos no futuro. Destes encontros do Teatrau já houve uma companhia de Macau que foi ao Brasil apresentar uma peça, a companhia de Moçambique já foi a Portugal. Já houve uma troca de experiências, que é a essência desta mostra de teatro.” Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Coberta de pêlos ásperos, a Pulmonária é uma herbácea nativa da Europa que pode alcançar 30 cm de altura; tem caule simples e erecto, e folhas ovais, salpicadas de branco, mais claras na página inferior, sendo as basais maiores e pecioladas e as caulinares sésseis (desprovidas de pecíolos); as flores, reunidas em cimeiras terminais, são de forma tubular e cor rosada, tornando-se depois azul-violáceas; o fruto, ovóide e pontiagudo, é seco e múltiplo (tetraquénio); o rizoma é delgado. Floresce nas pastagens de montanha e bosques pouco densos, preferindo os locais frescos e húmidos. Segundo a Teoria das Assinaturas, defendida por Paracelso, o famoso alquimista suíço do século XVI, na qual o aspecto de uma planta indicava as afecções que a mesma tratava, a Pulmonária era eficaz no tratamento das afecções pulmonares. De facto, os seus partidários viram nas manchas brancas das suas folhas uma semelhança com os nódulos que surgem nos pulmões dos tuberculosos. Embora tenha sido usada no passado no tratamento desta doença, não foi ainda comprovada, através de estudos clínicos ou a partir da análise dos seus princípios activos, a sua eficácia. Contudo, continua a ser uma planta útil. Em fitoterapia, são usadas as folhas e as partes aéreas floridas. Composição Mucilagens e outros polissacáridos (fructanas), alantoína, saponósidos, flavonóides (campferol, quercetina), ácidos fenólicos (clorogénico, rosmarínico), taninos, resinas e gorduras (ácidos esteárico, mirístico e palmítico, entre outros); vitamina C, rutina, caroteno, sais minerais (cálcio, cobre, ferro, fósforo, manganês, potássio e, sobretudo, ácido silícico) e vestígios de alcalóides pirrolizidínicos. Sabor mucilaginoso. Acção terapêutica Reputada planta peitoral, a Pulmonária suaviza e desinflama as mucosas do tracto respiratório, tem acção balsâmica, acalma a tosse e favorece a expectoração; induz a sudação, combate as bactérias e aumenta a actividade dos leucócitos face às infecções; é igualmente adstringente e detém as hemorragias, sendo um reconstituinte do parênquima pulmonar lesado. Tem

sido tradicionalmente usada no tratamento de tosses crónicas, incluindo tosse convulsa, catarro, bronquite crónica, hemoptise e afecções pulmonares (tuberculose); pode também beneficiar casos de asma, inflamação da garganta, laringite, rouquidão, afonia e estados febris, sendo muito útil para combater os efeitos nefastos do tabaco sobre as vias respiratórias. Com propriedades diuréticas, esta erva é recomendada na retenção de líquidos, cistite, uretrite, nefrite, incontinência e presença de sangue na urina. Remineralizante, favorece a cicatrização de lesões ósseas e aumenta a resistência do tecido conjuntivo, beneficiando situações de fracturas e reumatismo. Outras propriedades Em uso externo, a Pulmonária tem actividade emoliente, anti-inflamtória, adstringente, hemostática, cicatrizante e antibacteriana, sendo empregue nas feridas, frieiras, gretas da pele, contusões, equimoses, hemorragias, hemorróidas, gengivite, rouquidão e afonia. A água destilada obtida da planta é um colírio eficaz para os olhos cansados. Como tomar Uso interno: •Decocção das folhas ou partes aéreas floridas: 20 a 30 gramas por litro de água, 5 minutos de fervura. Tomar 2 ou 3 chávenas por dia. Pode adoçar-se com mel. •A Pulmonária integra fórmulas de plantas, em xarope, tintura e comprimidos, para aumentar as defesas imunitárias e combater as afecções respiratórias, e como tónico do organismo. •As folhas podem ser usadas adicionadas a saladas ou sopas. A planta é um dos ingredientes da bebida Vermute. Uso externo: • Decocção das folhas ou partes aéreas floridas: 30 a 50 gramas por litro de água, 15 minutos de fervura. Em bochechos, gargarejos, lavagens ou compressas sobre a zona afectada. Precauções A Pulmonária está contra-indicada durante a gravidez, lactação e na presença de doenças hepáticas. Em doses não terapêuticas ou tratamentos prolongados pode ter efeitos hepatotóxicos, devido aos alcalóides pirrolizidínicos. Quando administrada a pessoas com dispepsias hipersecretoras, deve ser associada à Alteia ou outra planta mucilaginosa para atenuar os possíveis efeitos irritantes dos saponósidos sobre a mucosa gástrica. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.de saúde.


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11.10.2018 quinta-feira

A

China avisou ontem que não vai subjugar-se aos Estados Unidos, mesmo que Washington imponha mais taxas alfandegárias sobre bens chineses, num sinal de que a guerra comercial entre os dois países se deverá agravar. “Existe a ideia nos EUA de que, enquanto continuarem a aumentar as taxas alfandegárias, a China vai recuar. Eles não conhecem a história e cultura chinesas”, advertiu o ministro do Comércio chinês, Zhong Shan, num comunicado difundido pela agência noticiosa Bloomberg. “Esta nação inabalável sofreu ameaças de países estrangeiros várias vezes na História, mas nunca sucumbiu, nem nas condições mais difíceis”, afirmou Zhong. O ministro chinês lembrou também que a China “não quer uma guerra comercial, mas vai erguer-se para enfrentar as disputas”. “Os EUA não devem subestimar a determinação e vontade da China”, sublinhou.

Zhong Shan “Esta nação inabalável sofreu ameaças de países estrangeiros várias vezes na História, mas nunca sucumbiu, nem nas condições mais difíceis”

COMÉRCIO PEQUIM AVISA QUE NÃO VAI SUBJUGAR-SE AOS ESTADOS UNIDOS

Lição de história Trata-se, até à data, da mais forte tomada de posição da China à decisão do Presidente norte-americano, Donald Trump, de impor taxas alfandegárias sobre quase metade dos bens

chineses importados pelos EUA. O comunicado de Zhong Shan surgiu poucos dias depois da deslocação do secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, a Pequim, onde

se reuniu com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi.

CONFIANÇA MINADA

Wang disse que os EUA danificaram a “confiança

mútua” e que devem parar com “acções incorretas” contra a China, enquanto Pompeo admitiu existirem “divergências fundamentais” entre os dois países. Os EUA acusaram a China de

forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia, enquanto protege as firmas domésticas da concorrência externa. Mas Zhong Shan reiterou que a China não usurpa tecnologia. “Quero enfatizar que as leis e regulações chinesas não contêm qualquer exigência sobre transferência de tecnologia, e que a compra de tecnologia e patentes é apenas um comportamento do mercado”, disse. O ministro defendeu que “o desenvolvimento económico e o progresso cientifico e tecnológico da China devem-se à reforma e abertura [do país] e aos esforços do povo chinês”. Mas as disputas entre os dois países superaram, nas últimas semanas, as questões comerciais, com Trump a acusar a China de interferir nas eleições intercalares norte-americanas. Na semana passada, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, condenou ainda Pequim por usar “todos os meios ao seu dispor” para minar o sistema político norte-americano.

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MAIS DE METADE DA POPULAÇÃO VIAJOU DURANTE ‘SEMANA DOURADA’

M

AIS de metade da população chinesa viajou dentro do país e gastou, no conjunto, 75.200 milhões de euros, durante as viagens, entre 1 e 7 de Outubro, período que assinala a fundação da China comunista. No período conhecido como ‘semana dourada’, um total de 726 milhões de chineses realizaram viagens domésticas. Com cerca de 1.400 milhões de habitantes, a China é o país mais populoso do mundo. Segundo o ministério chinês do Comércio, durante aquela semana, os sectores da restauração e retalho fac-

turaram 1,4 biliões de yuan, sobretudo em comida orgânica, têxtil, televisões de alta definição ou veículos. Durante o último dia de férias, 15,2 milhões de pessoas viajaram de comboio, de acordo com o operador nacional China Railway Corporation, que reforçou as ligações ferroviárias com 800 comboios durante aquele período. Fotografias difundidas nas redes sociais chinesas mostram uma densa massa humana ao longo de várias secções da Grande Muralha, uma das principais atracções turísticas da China. Mas dados publicados pela agência noticiosa oficial

Xinhua colocam a província de Guizhou, uma das mais pobres do país, entre os destinos mais visitados, com um total de 49 milhões de turistas, uma subida homóloga de 37,6%. Entre 1 e 7 de Outubro, 6,63 milhões de chineses viajaram para fora do país, mais 9,8% do que durante o mesmo período do ano passado, segundo dados difundidos pela televisão estatal CCTV. Tailândia, Japão, Austrália, Nova Zelândia, Rússia, Canadá, Estados Unidos, França e Reino Unido estão entre os destinos mais visitados.

Taiwan Presidente acusa Pequim de promover conflitos A Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, acusou ontem a China de promover conflitos na região e garantiu que não vai renunciar à soberania ou a um estilo de vida “livre e democrático”. Tsai Ing-wen, que falava perante 56 delegações estrangeiras e 416 convidados, nas comemorações do Dia Nacional, descreveu o gigante asiático como sendo um “destabilizador da região” e prometeu responder com o reforço da “segurança e poder económico”.

Taiwan vai “evitar o confronto e manter a paz e a estabilidade”, mas não vai ceder à “pressão chinesa”, acrescentou a líder. A ilha, onde se refugiou o antigo governo chinês depois do Partido Comunista tomar o poder no continente, em 1949, e que continua a ostentar o nome de “República da China” (sem o adjectivo “Popular”) - é vista por Pequim como uma província da China e não como uma entidade política soberana.


desporto 11

quinta-feira 11.10.2018

Aos 18 anos, Ivy Au Hoi In é a principal estrela do ciclismo de Macau. Apesar de apenas integrar os treinos da selecção local desde Novembro de 2016, soma quatro medalhas em dois anos. Além disso participou com outras ciclistas juniores nos mundiais de estrada da modalidade... um desafio que esteve longe de ser fácil PUB

IVY AU HOI IN

CICLISTA

“Sucesso é fazer o que gosto” No fim-de-semana passado, nos Campeonatos Asiáticos de Ciclismo de Pista, alcançaste a tua primeira medalha de prata. Qual foi a sensação? Fiquei feliz, foi a primeira medalha na modalidade de corridas por pontos. Estou a exigir cada vez mais de mim e a traçar metas mais ambiciosas. Actualmente sempre que participo numa prova, tenho de ficar entre as três primeiras... ou não fico satisfeita. E isso também aconteceu neste fim-de-semana...

que aconteçam nesta fase em que posso aprender e corrigi-los.

Estavas à espera de outro resultado na prova de perseguição? Exacto. Fiquei apenas em quarto lugar e senti que poderia fazer mais. Fiquei algo desiludida, acho que não correspondi às expectativas de quem da equipa. Mesmo na prova de pontos acho que poderia ter ganho o outro, mas pronto são erros que acontecem. É melhor

Vais regressar aos mundiais para o ano?

Este ano participaste nos mundiais de estrada, na Áustria, na categoria para corredoras juniores. Foste a primeira a desisitir. Foi duro? Foi... a maior parte das outras atletas são profissionais e estou a uma distância considerável do ritmo delas. Infelizmente ainda não tenho o tempo todo para me dedicar à competição. Primeiro tenho de acabar o secundário.

MEDALHAS Bronze Bronze Bronze Prata

FEV 2017; Ronda do Campeonato Asiático de Ciclismo de Pista, Índia, prova Scratch JUL 2017; Ronda do Campeonato Asiático de Ciclismo de Pista, Japão, prova Scratch FEV 2018; Ronda do Campeonato Asiático de Ciclismo de Pista, Malásia, prova Scratch JUL 2018; Ronda do Campeonato Asiático de Ciclismo de Pista, Tailândia, prova por pontos

Acho que não. A experiência foi importante e permitiu-me comparar o meu nível com as melhores do mundo. Mas é preferível concentrar-me nas competições asiáticas e alcançar o topo. Depois talvez pense nos mundiais... Honestamente, nesta fase ainda não sou competitiva face às corredoras europeias. Macau não tem grande tradição no ciclismo, porque optaste por esta modalidade? Gosto de ciclismo e vejo a modalidade como uma forma de me afirmar como alguém singular. Se não fosse o ciclismo, acho que me sentiria apenas como mais uma aluna. Assim, sou um bocado diferente, não me limito a seguir o que os outros fazem, também faço algo que é mais meu. Mas podias encarar o ciclismo como um passatempo e não é esse o caso...

Para mim ter sucesso na vida não passa por terminar os estudos e encontrar um emprego estável. Sucesso é fazer aquilo que gosto. Agora, quero apostar no ciclismo. Sei que mais cedo ou mais tarde vou retirar-me, mas pelo menos apostei no que gosto e no futuro não vou ficar a pensar: ‘e se...’ Onde treinas em Macau? E com que regularidade? Numa semana normal, treino cinco vezes durante os dias da semana. Em Macau os treinos são principalmente em Coloane. Depois nos fins-de-semana, vou treinar para Hong Kong. Há bocado, falaste nos estudos, ambicionas ir para a universidade? Sim, mas primeiro quero focar-me numa carreira no ciclismo. Vou dar prioridade ao que gosto, depois se não tiver o sucesso que procuro, completo os estudos universitários. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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11.10.2018 quinta-feira

Se falássemos de amor falávamos de outra maneira.

Diários de Próspero António Cabrita

A educação sentimental

O

primeiro objecto que recordo é um avião de lata. O primeiro toque de que me lembro não é o de uma pele mas o da lata. Havia intrusa em casa, reclamada de mão em mão, armada de fraldas, pulmões, vagidos de aço e com regurgitos múltiplos. A minha irmã. Levei dias a lançar o avião de lata sobre o berço, num pretenso bombardeio. E não é que falhei, na mira e na aviação? Aos cinco anos, apanhando a minha avó a urinar de porta aberta, eu, no corredor, fiz o pino para ver se lhe via o... O quê, espicaçou uma vez o Piruças. O ouriço, respondi-lhe pronto. Aos seis anos tive o primeiro sonho erótico e percebi que me marimbava para o Édipo. Caminhava de mãos dadas com uma miúda ao longo de um socalco estreito, a meio de uma falésia ilimitada para cima e inacabável para baixo. O dia nascia, e cheirava a acetona. Andávamos aos espargos e sorríamos com a lâmina do caminho, no leve tremor dos afortunados. Aos nove, à nonagésima oitava vez em que me masturbei, cismei que uma coisa tão boa só podia acontecer cem vezes na vida. Guardei as duas últimas para quando casasse. Aguentei-me três semanas, num desespero, até que me enfiei na casa de banho e meia hora depois ia na cento e quatro, enquanto a minha mãe perguntava, Caíste da pia? Entrava-se na oficina por uma rampa. Aí, dois homens deitaram a primeira chapa de alumínio, com círculos perfeitos desenhados de alto a baixo; tendo-me depois um deles passado a tesoura para a mão. Eram para cima de 50 círculos, sem espinhas. Tinha doze anos e tinha querido experimentar ser operário, numa serralharia. Fiquei surpreendido pela facilidade com que a tesoura cortava o alumínio. E animei-me. Apesar do segundo círculo me ter parecido mais bicudo. Mas continuei a sorrir até ao sétimo círculo. Ao almoço, o encarregado despediu-me com uma palmada nas costas, amarfanhando-me uma nota de vinte na mão. “É uma foda, mas talvez nunca venhas a ser operário, rapaz!”. E ofereceu-me um dos quadrados de alumínio que tão arduamente recortara. Aprendi aí a ambivalência da linguagem. Os manos Ginga moravam ao lado dos meus tios-avós, na Azinhaga dos Besouros, na Pontinha. Três compinchas de Verão com uma pontinha de queques (os primeiros humanos que conheci atascados em polos e pulôveres) mas

que não regateavam palmilhar o extenso vale de zínias e girassóis que nos separava da colina onde se empoleirava, clandestina, a Brandoa. Uma tarde, nesse vale, a meio de um canavial descobrimos uma conduta de esgotos, relativamente seca e com tamanho suficiente para avançarmos agachados em fila indiana até misteriosos meandros. A conduta atravessava à Colina da Luz e desembocava num canal de drenagem, mesmo ao lado de uma boutique para senhora onde trabalhavam dois mimos de raparigas que inquietaram os nossos plácidos sonhos de Verão. Foi a conduta que me levou ao primeiro beijo.

Veio o 25 de Abril e os irmãos Ginga puseram-se ao fresco: o pai era da Pide. Acordei tarde para os primeiros mortos, aos quinze anos. Já tinha visto amigos meus fecharem a cancela sobre o rosto e um deles, gémeo do falecido, cortou os pulsos. Nada me calhava, uma infância feliz, capciosa, sem fios de prumo. Primeiro, uma avó, duma leucemia que apenas lhe carregou nos olhos a sombra chinesa que fora a sua vida. Depois o luto da namorada que me corneou. Eu tinha-a acariciado a tarde inteira de sábado por cima dos collants. No domingo ela foi a uma festa com uma

Deve ser isto a maldita maturidade, já não me deprime conceder que a minha apropriação do mundo não tenha de passar primeiro pelo sexo

amiga onde um marmanjo a massajou por dentro. Decidi vingar-me. Não fui um libertino, mas não me queixo. Um dia engatou-me uma miúda no Estádio, ao Bairro Alto. Já estava aviadita mas, em casa, emborcou uma zurrapa de litro quase de um gole, empurrou-me para a cama e pediu bate-me. E eu lá fui fazendo muito pouco conforme o que podia. Na manhã seguinte foi franca: fora uma noite desenxabida pois, justificava-se, com o antigo namorado jogavam à roleta russa durante o coito. Retirei-me, desejando-lhe “boa sorte e bons danos!”. E bom, mortifiquei de enfado uma dúzia de namoradas, quatro esposas, desiludi meia dúzia de amantes em encontros ocasionais e, no afã de me re-ligar aos libertinos, escrevi uma versão de Don Juan, um Don Juan cego que chegava às mil conquistas, até que em Sevilha o Papa fazia o primeiro milagre do seu pontifício e punha-o a ver. E ele perdia o dom, baratinado pela diferença que pela primeira vez descobria entre as mulheres. Há vinte e dois anos encontrei a minha mulher actual. Farto-me de a trair, com as personagens femininas dos livros que leio, ou com as que escrevo. E mais não posso contar. Dizem porém que as personagens femininas dos meus livros são mais fortes que os meus homens: é porque as conheço biblicamente. Contudo, nunca até hoje me tinha acontecido uma coisa tão grave. Bebia uma cerveja no Mimmos, em Maputo, e vejo uma miúda expressiva, loquaz, com uma sensualidade exultante. Conversa divertidíssima com o namorado e vejo com raiva que não o invejo, renuncio a atrair um meteorito que lhe caia em cima neste momento, não desejo estar no seu lugar; apanho-me mesmo a pensar no quanto gostaria que ela fosse minha filha e no prazer que me daria tê-la ajudado a tornar-se no que é. Deve ser isto a maldita maturidade, já não me deprime conceder que a minha apropriação do mundo não tenha de passar primeiro pelo sexo. E, afinal, pedi para ser maduro, eu? Não me consola o desabafo do cineasta Luís Bunuel, ao chegar aos sessenta: “finalmente, vou libertar-me da tirania do sexo!”. Francamente, meu caro Bunuel, envergonha-te: não passamos de duas bestas desemparelhadas da sã genealogia dos ursos, dois moles que preferem o desejo e a sedução ao estupro.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 13

quinta-feira 11.10.2018

retrovisor Luís Carmelo

É

aquela altura em que a imaginação se transforma numa moreia a surfar nas guerras púnicas. Tudo começa pelas nuvens de pó, pelos cascos dos cavalos da GNR a bater na lama, pela enxurrada sensorial a que a retina é sujeita - vozes sobrepostas nos altifalantes, mastros e bandeiras na movida, gajos a mijar contra o muro, filas impenetráveis de vultos indiferentes à chuva, semblantes encenados por coros, enfim, um colorido raro a invadir o cinzentismo do mundo que agora recordo. Nestes nossos dias liofilizados em que pegou moda começar frases com o infinitivo impessoal (“Dizer que está aqui um ambiente propício a…”) ou com um simples advérbio temporal (“Quando estás à espera do autocarro da equipa e te cai em cima um…”) ou com um deítico (“Aquele dia em que te sentes varado e atiras…”), melhor ainda me sinto a cantarolar os acordes das marchas militares e revejo as matilhas de cães vadios a cruzarem o oceano de guarda-chuvas negros. Uma fumarada danada e os cartagineses a escarrarem para o lado, a par dos pregões e das cascas de banana a traírem a diagonal do peão, agora acossada por brados e caralhadas que vasculham os profundos da relva. A cal traça ângulos rectos e concebe o círculo central e a grande área. Por cima, a borrasca instiga os seus compassos aéreos à Miró e é por entre os respingos do dilúvio que o povo se estica e digladia (como elásticos)

O futebol é uma moreia para os amigos

para rever, ao longe, as joelheiras, os equipamentos, as fintas e as botas dos jogadores ensopadas no rectângulo ideal. A bola de ‘catchum’ é atirada pelo guarda-redes, cruza mais de meio canto e embate em duas ou três cabeças que içam as alturas do mundo. Ressaltará para a lateral e perde-se depois pela linha final. É assim também a vida. Tinha seis anos e o futebol transformou-se na primeira imagem que me fez sair de mim. Sair de mim: desdobrar-me num episódio simbólico e passar a ser parte de qualquer coisa que não apenas o imediato: a família, a casa, os avós, os retratos que evocavam origens, os cheiros da compota, a escola primária, o Cavaleiro Andante, o major Vidal que era explicador de matemática e os torresmos do senhor Simões que me levou de táxi até aos picos de Monsaraz, era Inverno e os meus prazeres púnicos e guerreiros amanheciam. Por que terá acontecido tudo isto? Em primeiro lugar, as massas fazem chorar. Para uma criança é coisa mitológica e tem o dobro da força de gravida-

de. Uma corrente que pode ser imparável com o tempo. Em segundo lugar, os heróis. Sim, mal a cor das camisolas se desvendava no túnel de acesso ao relvado, os jogadores que, na realidade, nunca tinham feito um único feito no mundo, simulavam ser Cipião e Aníbal. E o povo glorificava essa verdade que não é coisa exclusiva da massa cinzenta das moreias. Diga-se, em abono da verdade, que o futebol fora inventado em Inglaterra, entre 1848 e 1863, num tempo em que, como escreveu Stephanie Barczewski (curiosamente um historiador americano), se verificava “...a uniquely British tendency to take a perverse (and sometimes tragicomic) pleasure in glorious defeat and self-sacrifice”. Ou seja: coisas preparadinhas para um bom plot. Em terceiro lugar, a festa, mas com aquilo que a ‘fiesta’ - hoje perseguida pelos avaliadores das mais perfeitas premissas púnicas (as PPPs) - também comporta: tudo, mas tudo mesmo pode vir a acontecer. Sim, pode magoar e pode mesmo matar. É o lado da narrativa literária, do relato shakespeariano,

A bola de ‘catchum’ é atirada pelo guarda-redes, cruza mais de meio canto e embate em duas ou três cabeças que içam as alturas do mundo. Ressaltará para a lateral e perde-se depois pela linha final. É assim também a vida

do encadeamento e do sangue (coisa viril, mas com a sua arte, diria Homero para não escrevinhar Hemingway, não venha o presbiteriano Will Hays ou até o Me Too acusar-me de “Hola, al final tú eras también aficionado”). Por vezes, o espaço no futebol é um trompe-l´oeuil constante. E já se sabe que a qualidade de um trompe-l´oeuil não reside tanto na eficácia da ilusão criada, mas sobretudo na graciosidade da encenação. É um tropo que surfa mal para burro, mas que sabe interligar os momentos do jogo a qualquer outra coisa (aparentemente superior) que não é óbvia. A fé precisa da sua fábrica. A fé é para sorver o corpo todo nos lances de bola parada. A fé gosta de uma equipa que troque bem a bola, mas, por vezes, esquece-se de que o que é preciso ‘é metê-lo lá dentro’. Em quarto lugar, a pertença. Que bela questão! Por que se escolhe uma equipa e o que é uma equipa? Prefiro o que ouvi, uma ou duas vezes, dizer ao António Mega Ferreira: é a beleza das coisas que não têm explicação. Sim, a seta vermelha. Inevitavelmente. Em quinto lugar, para desfibrilar a imaginação dos cartagineses: aconselhava a todos os programas sobre futebol que grassam nas TVs lusitanas, há cerca de uma década, o mesmo destino que a terceira e última guerra púnica conheceu. Era acabar com aquilo de vez. Ou com quase tudo. E então teríamos um mundo melhor para comermos moreia à mão todos juntos, como dantes. Eu, o Germano, o Águas pai, o Carvalho, o Vital e o Matateu.


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PALESTRA SOBRE APLICAÇÃO EM MACAU DA CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA Fundação Rui Cunha | Das 10h30 às 12h00

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WORLD PRESS PHOTO Casa Garden | Até 21/10 EXPOSIÇÃO BOOK-HOP Casa Garden EXPOSIÇÃO “PINTURA DE ZHAO MINGSHAN” Museu de Arte de Macau | Até 26/10 EXPOSIÇÃO “PARA ALÉM DA PAISAGEM” DE WU LI Museu de Arte de Macau | Até 11/11 EXPOSIÇÃO “CHAPAS CÍNICAS” Museu das ofertas sobre a transferência da soberania de Macau | Até 7/12 EXPOSIÇÃO “ESCULTURA, UM CAMINHO”, DE ANTÓNIO LEÇA Albergue SCM | Até 21/10

C I N E M A

SALA 1

VENOM [C] Um filme de: Ruben Fleischer Com: Tom Hardy, Michelle Williams, Riz Ahmed 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

Um filme de: Yuichi Fukuda Com: Shun Oguri, Masaki Suda, Kanna Hashimoto, Shinichi TsuTsumi 19.15 SALA 3

SALA 2

PROJECT GUTENBERG [C] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Felix Chong Com: Chow Yun Fat, Aaron Kwok, Zhang Jingehu, Fen Wenjuan 14.15, 16.45, 21.45

GINTAMA 2: RULES ARE MADE TO BE BROKEN [C] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS

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O CARTOON STEPH 11

FESTIVAL TRAVESSA DO ARMAZÉM VELHO Rua dos Ervanários | Das 14h00 às 20h00

Cineteatro

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UM DOCUMENTÁRIO HOJE

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11.10.2018 quinta-feira

0.24

YUAN

1.16

VIDA DE CÃO

DENTRO DA CAIXA Jorge Neto Valente está na presidência da Associação de Advogados de Macau (AAM) desde os anos 90, à excepção de um curto período. Não me cabe a mim avaliar os seus sucessivos mandatos e o seu desempenho, mas tal revela um problema que existe na comunidade portuguesa de Macau, e talvez até na macaense e chinesa: a dificuldade que há em renovar os diversos cargos. Vejamos: além de Jorge Neto Valente, Amélia António é outro rosto que há vários anos toma conta da Casa de Portugal em Macau, e não se afigura outro com a mesma disponibilidade. Miguel de Senna Fernandes acumula o cargo de presidente da Associação dos Macaenses e Associação Promotora da Instrução dos Macaenses. Haverá mais exemplos. O que se passa, então? Os membros das mesmas comunidades têm receio de ter uma voz activa, de se fazerem ouvir quando é preciso, ou simplesmente não têm tempo nem paciência para se envolverem neste tipo de actividades pós-laborais? A acrescentar a tudo isto, importa realçar que a AAM não é uma mera instituição de cariz associativo, mas cabe-lhe o papel de defender o Direito de Macau e a independência do meio jurídico. O problema principal é, contudo, o mesmo. Ninguém se chega à frente. Aquando da transição, lutou-se muito para que os portugueses mantivessem o seu lugar através da criação destas instituições. Numa altura em que os tempos parecem mudar de novo, onde estão os novos rostos, as novas maneiras de pensar fora da caixa? Andreia Sofia Silva

FRANCA, CAOS AND CRIATION | FRANCESCO CARROZZINI | 2016

Franca Sozzani foi editora da Vogue Itália desde 1988 até ao ano da sua morte, 2016. Neste documentário, realizado pelo seu filho, não assistimos apenas a um exercício de amor e cumplicidade entre Francesco e a sua mãe como também compreendemos melhor o universo da mulher que rompeu regras no mundo da moda. Franca Sozzani ousou retratar temas da actualidade, como a poluição ou a violência doméstica, através de sessões fotográficas que são verdadeiras obras de arte. Com isso, mostrou que a moda pode servir para reflectir e não constitui apenas um objecto de consumo e futilidade. Andreia Sofia Silva

A SIMPLE FAVOR [C] Um filme de: Paul Feig Com: Anna Kendrick, Blake Lively, Henry Golding 14.30, 16.45, 21.30

JOHNNY ENGLISH STRIKES AGAIN [B] Um filme de: David Kerr Com: Rowan Atkinson, Olga Kurylenko, Emma Thompson 19.30

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 15

quinta-feira 11.10.2018

RUI TAVARES in Público

NORMAN ROCKWELL, DEWEY V. TRUMAN (PORMENOR)

E levar a sério o “levar a sério os eleitores”?

J

Á levamos tempo suficiente desta vaga nacional-populista para saber que depois de um racista ou fascista ter tido um bom resultado eleitoral demora mais ou menos dois dias até alguém fazer a pergunta: achas mesmo que x por cento dos eleitores são racistas ou fascistas? A pergunta parte do princípio que, em caso de resposta positiva, estaríamos a insultar um terço ou uma metade de uma nação. Ou então que, sendo impossível que um terço dos franceses seja racista ou metade dos brasileiros fascista, é também impossível que o candidato em que votaram o fosse — e assim durante muito tempo os candidatos acabavam branqueados por via do seu eleitorado. Deixem-me contar-vos uma história. Como o Brasil foi a minha segunda casa durante muitos anos, poucas coisas me dão tanto prazer como ficar conversando com brasileiros sobre o Brasil. Na maior parte das vezes, de coisas banais: de onde vêm as suas famílias, de que estado são, em que cidades temos amigos em comum, a comida local, o futebol, etc. Nestes tempos que correm, porém, a política está sempre a espreitar. No outro dia entabulei conversa com um luso-brasileiro muito afável, de cerca dos seus sessenta anos. Na primeira parte da conversa ele disse-me, muito afavelmente, como tinha sido a sua vida na Beira Alta e no Rio de Janeiro. Na segunda parte da conversa disse-me, exactamente com a mesma afabilidade, que o erro da ditadura

no Brasil tinha sido matar pouca gente. Sem uma alteração no tom de voz, explicou-me que “fuzilar duzentos ou trezentos mil já teria sido um começo”. Não foi preciso prolongar a conversa para saber em quem o senhor iria votar. Quando pomos pessoas reais na resposta, as perguntas ficam mais complicadas. Se a pergunta for se aquele senhor acorda fascista, respira fascista e ronca fascista na cama, a resposta é: certamente que não. Se a pergunta for se aquele senhor é simpático e trata toda a gente à sua volta bem, eu juraria que a resposta será: certamente sim. Julga ele ter um único osso fascista no corpo? Provavelmente não. Mas se a pergunta for se ele, apesar de ser boa pessoa, é capaz de votar conscientemente num fascista, sabendo que é fascista, e talvez precisamente por ser fascista e não apesar disso, a resposta só pode ser: claro que sim. E o mesmo vale para milhões de eleitores. Todos os que votaram em Bolsonaro? É impossível saber. Mas mais impossível seria que de todos os eleitores que votaram em Bolsonaro não houvesse uma percentagem muito significativa de saudosistas da ditadura. Muita gente que nos diz para “levar os eleitores a sério” só leva a sério o seu próprio conselho até ao ponto em que ele não se torna demasiado desconfortável. Os eleitores são para levar a sério até ao momento em que votam num fascista ou

A única forma de não ser co-responsável pelo que um fascista venha a fazer é não votar nele. Melhor ainda, votar no seu adversário. Ainda estão a tempo

racista. Quando o fazem, é preciso haver uma justificação qualquer: é a ansiedade económica, ou a raiva contra o sistema, ou outra coisa qualquer. O problema é que não levar os eleitores a sério significa desresponsabilizá-los. Significa dizer-lhes que terão sempre uma escapatória se tiverem de justificar um voto fascista. E significa desresponsabilizar o candidato também. Tal como o eleitor pode dizer “eu não achei que o Fulano falasse sério”, o candidato pode dizer “eu racista?! isso é insultuoso para os milhões de pessoas que votaram em mim”. Não podemos entrar na alma das pessoas. Nunca saberemos o que elas pensam ou sentem da manhã à noite. Mas duas coisas têm de ser certas: temos de levar a sério o voto dos eleitores e os eleitores têm de levar a sério o seu voto. Por alguma razão só se vota quando se é adulto. Porque quando se é adulto somos responsáveis pelos nossos actos. Levar a sério os eleitores não significa concordar sempre com eles, ou procurar sempre uma desculpa para a maneira como votam — isso é precisamente o contrário de levar a sério. Mas levar a sério significa sempre responsabilizar as pessoas pelos seus actos. Principalmente quando votam em políticos sabendo aquilo em que estão a votar. Houve uma dezena de candidatos nas eleições brasileiras, da esquerda à direita, do PT ao antipetismo — e um fascista. Milhões de eleitores escolheram não votar nos outros dez, mas votaram em primeiro lugar no fascista. Desresponsabilizá-los é o pior serviço que lhes podemos fazer a três semanas da decisão final. Pelo contrário, precisamos de lhes dizer: a única forma de não ser co-responsável pelo que um fascista venha a fazer é não votar nele. Melhor ainda, votar no seu adversário. Ainda estão a tempo.


Quem ama a vida é amado por ela. Artur Rubinstein

quinta-feira 11.10.2018

PALAVRA DO DIA

Montante revelado REGATAS GOVERNO VAI GASTAR 6,8 MILHÕES COM EVENTO INTERNACIONAL

O fotojornalista Robin Moyer, vencedor de vários prémios, vai realizar no sábado, em Macau, uma palestra no âmbito da exposição World Press Photo 2018. Organizado pela Associação de Imprensa Portuguesa e Inglesa de Macau (AIPIM) e pela Casa de Portugal, “Prazos- Uma conversa de Robin Moyer”, está marcada para a Fundação OrienteCasa Garden de Macau. Sedeado em Hong Kong, Robin Moyer foi já distinguido com vários prémios por trabalhos na Ásia e no Médio Oriente, incluindo o World Press Photo Premier Award e Robert Capa Gold Citation do Overseas Press Club de Nova Iorque, ambos pelo trabalho publicado na revista Time sobre a guerra no Líbano (1982). A exposição World Press Photo 2018, com 161 fotografias captadas por 42 fotógrafos de 22 países, está patente ao público na Casa Garden pelo 11.º ano consecutivo e até 21 de Outubro.

Turismo Titulares do passaporte da RAEM isentos de visto para Myanmar

Os titulares do passaporte da RAEM beneficiam desde dia 1 de Outubro de isenção de visto no Myanmar. Segundo anunciou ontem a Direcção dos Serviços de Identificação (DSI), após negociações com o Consulado Geral da República da União de Myanmar em Hong Kong, a DSI foi informada de que a pretensão de conceder o visto à chegada progrediu para a concessão de isenção de visto aos titulares do passaporte da RAEM. Uma medida que funciona a título experimental pelo período de um ano. Os titulares do passaporte da RAEM podem entrar no Myanmar para fins de turismo, sem a obrigação de visto, podendo permanecer por um período não superior a 30 dias. Actualmente, existem 138 países e regiões que concedem isenção de visto ou visto à chegada aos titulares do passaporte da RAEM.

Seul Suspensão de sanções contra Pyongyang ponderada

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O ministro dos Negócios Estrangeiros sulcoreano afirmou ontem que Seul está a ponderar suspender algumas das sanções unilaterais contra Pyongyang, para fortalecer a diplomacia e contribuir para o desarmamento nuclear. Kang Kyung-wha disse ontem a deputados do parlamento que o Governo está “a rever” se vai suspender algumas das sanções impostas em 2010 à Coreia do Norte, na sequência do ataque ao navio Cheonan, que causou a morte de 45 marinheiros sulcoreanos. A concretizar-se a suspensão de sanções, esta seria uma medida sobretudo simbólica, uma vez que é muito difícil para Seul retomar projectos económicos conjuntos com o Norte devido às sanções internacionais lideradas pelos Estados Unidos.

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Governo vai investir 6,8 milhões de patacas para organizar a Regata da Taça Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e a Regata Internacional Taça de Macau. O evento é uma parceria entre o Executivo e a empresa Gestão de Eventos Em Navegação dos Quatro Oceanos (Macau) Limitada, com o Governo a assumir um terço do orçamento, que deve rondar os 20,4 milhões. Por sua vez, a empresa deverá assumir custos de 13,6 milhões de patacas. Inicialmente, na terça-feira, o presidente do Instituto do Desporto (ID), Pun Weng Kun, havia recusado revelar o montante, justificando a opção com

a alegada existência de uma cláusula de confidencialidade no contrato assinado com a empresa. Porém, ontem, o ID enviou um email ao HM a revelar o montante. Segundo a explicação avançada, o montante foi revelado, depois de haver contactos com a empresa. “Estamos a escrever para vos confirmar que, depois de comunicarmos que a empresa Gestão de Eventos Em Navegação dos Quatro Oceanos para anunciar mais detalhes sobre o acordo, que a contribuição para o Governo da RAE de Macau para a edição de 2019 da Regata da Taça Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e a Regata Internacional Taça de Macau é de 6.800.000

patacas”, pode ler-se no email enviado ao HM, pelo Instituto do Desporto. Segundo Pun Weng Kun, a Gestão de Eventos Em Navegação dos Quatro Oceanos (Macau), que é uma sucursal de uma empresa do Interior da China, foi escolhida com base na experiência na organização de eventos do género, no Continente.

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

O evento vai decorrer entre 10 e 13 de Janeiro do próximo ano, com os percursos a terem lugar no sul da Praia de Hac Sá. Ao longo dos quatro dias, espera-se que passem pelo território cerca de 300 atletas em 20 equipas, que serão con-

vidadas de países como China, Austrália, Rússia, Estados Unidos da América, França, Alemanha, Espanha, entre outros países e regiões. A Regata da Taça Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau vai ser disputada com barcos que cumpram o regulamento IRC, enquanto os participantes da Regata Internacional Taça de Macau têm todos de utilizar embarcações do tipo Beneteau First 40.7. O evento vai ainda contar com dois desfiles marítimos, que vão permitir aos residentes e turistas verem as embarcações ao longo da orla marítima da Península de Macau. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

MURRAY MACDONALD

World Press Photo 2018 Macau recebe fotojornalista Robin Moyer

ID “A contribuição para o Governo de Macau para a edição de 2019 da Regata da Taça Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e a Regata Internacional Taça de Macau é de 6.800.000 patacas.”

CHADE MAIS DE 50 MORTOS EM CONFRONTOS COM O BOKO HARAM

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ELO menos 48 islamitas e oito soldados do Chade morreram ontem na região do Lago Chade em confrontos com ´jihadistas´ do Boko Haram, anunciou o porta-voz do exército em N’Djamena, capital do país, Azem. “Os terroristas do Boko Haram atacaram

esta manhã a posição das forças de defesa na localidade de Kaiga Kindji”, referiu Azem. O porta-voz do exército acrescentou que o ataque foi “vigorosamente repelido” e que provocou oito mortos e 11 feridos entre os soldados do Chade e 48 mortos do lado dos atacantes.

Embora o Chade seja menos afectado pelo grupo ´jihadista´ do que a vizinha Nigéria, tem-se registado recentemente um aumento na violência do grupo extremista Boko Haram naquele país. No início de Outubro, o grupo Boko Haram lançou um ataque de morteiro contra um campo mi-

litar em Litri, localizado a quatro quilómetros da fronteira com a Nigéria, na região do Lago Chade, que provocou a morte de um soldado do Chade. Em finais de Setembro, seis pessoas, incluindo dois soldados, foram mortas num ataque nas margens do Lago Chade pelo Boko Haram, que

perdeu 17 ‘jihadistas’ mortos pelo exército. O exército do Chade, uma força multinacional mista (FMM), que reúne forças da sub-região e comités de vigilância, está a tentar repelir os ´jihadistas´ do Boko Haram que começaram o seu avanço no Chade em 2015.


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Hoje Macau 11 OUT 2018 #4150 by Jornal Hoje Macau - Issuu