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N.º 3912 de 11 de OUT de 2017

Page 1

A queda de um tigre

TIAGO ALCÂNTARA

LI GANG

MOP$10

QUARTA-FEIRA 11 DE OUTUBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3913

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

Os dias cobram dívidas h JOÃO PAULO COTRIM

GRANDE PLANO

INSTITUTO POLITÉCNICO

De olhos na língua PUB

hojemacau

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

A casa pode esperar FALTA DE HABITAÇÃO SOCIAL E ECONÓMICA SÓ DEVERÁ ESTAR RESOLVIDA EM 2023

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PÁGINA 8

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

TIAGO ALCÂNTARA

PÁGINA 7


2 grande plano

O

antigo director do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau, Li Gang, foi suspenso das funções do Partido Comunista Chinês (PCC) por um ano, por alegadas “violações graves” da disciplina partidária, o eufemismo usado para a corrupção. O anúncio foi feito depois da reunião, realizada na segunda-feira em Pequim, da Comissão Central para a Inspecção da Disciplina do Partido Comunista (agência anti-corrupção chinesa). A suspensão acontece a uma semana da realização do 19º Congresso Nacional do PCC, um momento crucial que acontece a cada cinco anos e que, em 2017, tem prevista a consolidação do poder do Presidente da República Popular da China, Xi Jinping. Li Gang, de 62 anos, deixou o cargo em Macau em Junho do ano passado e, de acordo com a imprensa internacional, abandonou as suas funções como vice-director do Gabinete para os Assuntos dos Chineses Ultramarinos no final de Agosto deste ano. A 1 de Setembro foi conhecida a expulsão do antigo director do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau da Assembleia Popular Nacional (APN), órgão máximo do poder legislativo no continente.

PASSADO SUSPEITO

Antes de vir para o território, em 2012, Li Gang tinha cumprido funções em Hong Kong na qualidade de vice-director do Gabinete de Ligação da região vizinha durante dez anos. Ainda em Hong Kong, Li Gang foi sujeito a uma acção disciplinar que, de acordo com uma breve declaração prestada na segunda-feira, tem uma acusação legítima. A Comissão Central de Inspecção Disciplinar do Partido declarou ter “aprovado um relatório sobre a grave violação de disciplina de Li Gang”. Em Macau, Li foi já substituído por Wang Zhiming. Na semana anterior ao anúncio da sua substituição, a Comissão Central de Disciplina anunciou que ia, pela primeira vez, enviar inspectores para o Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado. Desde que o Presidente Xi Jinping assumiu o poder, cerca de 1,34 milhões de funcionários de baixo escalão já foram punidos, dentro da campanha contra a corrupção em que o Presidente da China prometeu atingir “tigres e moscas”. O medida de combate à corrupção atingiu também cerca de 250 altos funcionários, incluindo o antigo chefe da segurança nacional, Zhou Yongkang.

11.10.2017 quarta-feira

LI GANG

MAIS UM TIGRE NA JAULA DE XI EX-DIRECTOR DO GABINETE DE LIGAÇÃO SUSPENSO DE FUNÇÕES NO PARTIDO

A uma semana da realização do 19º Congresso do Partido Comunista Chinês, sabe-se que Li Gang, ex-director do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau, será suspenso pelo período de um ano. A medida insere-se na política de combate à corrupção promovida pelo governo de Xi Jinping e que tem atingido altos quadros do partido Na visão de Eric Sautedé, politólogo, a campanha anti-corrupção de Xi Jinping não pode estar dissociada da suspensão do antigo menino de ouro do partido. “Tendo em conta o período em que nos encontramos – a dias da realização do 19º Congresso do PCC – e o contexto, com uma concentração do poder de Xi Jinping junto dos seus afiliados, não é difícil de suspeitar que Li Gang seria um alvo a apontar, e pode muito bem ter sido a ‘vítima’ destas duas campanhas coincidentes”, defendeu ao HM.

A VELHA FACÇÃO

Além desta suspensão surgir numa fase importante para a vida política da China, Eric Sautedé não esquece o que ela também representa: a perda de poder da facção do antigo Presidente chinês, Jiang Zemin. Li Gang “esteve ligado ao Departamento de Propaganda Central e acredita-se que fosse próximo de Zeng Qinghong (próximo de Jiang Zemin e antigo vice-Presidente, de 2002 a 2007)”, apontou o académico. “Parece então que a velha facção de Jiang Zemin está a perder um dos seus membros, e claramente os problemas de Li Gang começaram

em 2016. A suspensão não é uma exclusão, e, para já, não parece dar direito a prisão”, lembrou Sautedé. Este acrescenta ainda que Li Gang pode não estar preso, mas já desceu todos os níveis possíveis no ranking interno do PCC, ocupando actualmente a posição de secretário.

“Parece então que a velha facção de Jiang Zemin está a perder um dos seus membros, e claramente os problemas de Li Gang começaram em 2016” ERIC SAUTEDÉ POLITÓLOGO

Sautedé acrescenta ainda aquilo que a imprensa chinesa de Hong Kong tem vindo a escrever nos últimos dias: de que esta pena mais “leve”, ou seja, uma mera suspensão, só aconteceu porque a esposa de Li Gang será uma grande amiga da mulher de Xi Jinping, Peng Liyuan. Andreia Sofia Silva (com S.M.M. e agências) info@hojemacau.com.mo


grande plano 3

quarta-feira 11.10.2017

Sob suspeita

Os interesses de Macau e os terrenos

A

S suspeitas sobre o homem forte do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau não são de agora. Em Setembro do ano passado, a revista de Hong Kong Next Magazine noticiava, citada pelo Ponto Final, que a venda de pinturas de caligrafia chinesa e quadros com valor inflacionado terão estado na origem das investigações a Li Gang pelo PCC. Mais do que isso, havia suspeitas da prática de abuso de poder na atribuição de terras na Ilha da Montanha. Utilizando fontes anónimas, a Next Magazine escreveu que Li Gang terá usado a sua posição para que terrenos em Hengqin fossem atribuídos a investidores de Macau. Os quadros também seriam vendidos a empresários locais. Estas informações, que, para já, ainda são só suspeitas, são recordadas por Eric Sautedé, que estabelece uma ligação a Macau. “Há outra possibilidade [que explica a investigação e suspensão] quanto ao facto de [Li Gang] poder ter ‘desagradado’ a alguns interesses de Macau”, apontou o politólogo. “Isso foi visível em Março de 2015, quando surgiram rumores de que esteve ligado a interesses de Zhuhai e de Hengqin relacionados com terrenos. Daí a sua insistência para que Macau não revisse a Lei de Terras, pois assim os preços dos terrenos subiriam mais rapidamente em Hengqin.” Eric Sautedé defende que Li Gang mostrou estar do lado “oposto a certos interesses de Macau”, pois “dava lições” e procurava “a recuperação de terrenos pelo Governo que não estavam desenvolvidos”. Notícias de 2015 provam que Li Gang defendeu que a Lei de Terras implementada após 2013 não teria qualquer conflito com a Lei Básica e que de nada servia aos pequenos investidores do edifício Pearl Horizon fazerem queixa junto do edifício do Gabinete de Ligação. Para Eric Sautedé, muitas pessoas na RAEM não estariam de acordo com o seu estilo de liderança. “Foi uma figura que não passou despercebida em Macau e muitas pessoas, incluindo Ho Iat Seng [presidente daAssembleia Legislativa], mostraram reservas de imediato. Acredito que muitas pessoas em Macau não estivessem contentes com o seu estilo de liderança no Gabinete de Ligação.”

PALAVRAS MIL

Sautedé recorda ainda que, quando Li Gang foi destacado para liderar o Gabinete de Ligação, haveria um propósito já definido à partida. “Levou apenas um ano

a trazer para junto de si as pessoas que queria (muitos directores de departamento mudaram nessa altura)”, além de que “levou apenas um ano a ser promovido”. O politólogo, que deu aulas na Universidade de São José e que actualmente reside em Hong Kong, recorda a “voz muito activa” que Li Gang foi nos anos de 2014 e 2015. “Sobretudo em Março de 2015, quando prestou declarações em Pequim (durante os encontros da Assembleia Popular Nacional e Conferência Consultiva Política do Povo Chinês) sobre Macau, defendendo que o território deveria ser mais como Singapura e começar um fundo soberano.”

“Foi uma figura que não passou despercebida em Macau e muitas pessoas, incluindo Ho Iat Seng [presidente da Assembleia Legislativa], mostraram reservas de imediato” ERIC SAUTEDÉ POLITÓLOGO

Em Janeiro, já depois de Li Qiufang, da Comissão Central de Inspecção da Disciplina, se ter juntado ao Conselho de Estado para os assuntos de Hong Kong e Macau, “para investigar oficiais alegadamente corruptos, envolvidos em actividades de lavagem de dinheiro em Hong Kong e Macau”, Li Gang ainda haveria de falar. “Repetiu, por diversas vezes, no ano de 2016, que a quebra do desenvolvimento económico não tinha nada a ver com as suspeitas de lavagem de dinheiro”, frisou Sautedé. O ex-governante chinês chegou a afirmar publicamente que eram “muito raras” as situações de rostos importantes do PCC, ou cidadãos do continente envolvidos em casos de corrupção, virem jogar a Macau. Li Gang disse ainda que a queda das receitas se poderia atribuir a “vários factores”. O ano passado, Li Gang ainda foi “’promovido’ para ser director do Conselho de Estado para os Assuntos Externos da China em Pequim, em Julho, e mesmo a sua substituição veio mostrar que não se tratava de uma perda de estatuto”, rematou o académico. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


4 política

11.10.2017 quarta-feira

AL KWAN TSUI HANG PEDE MUDANÇAS NO SUFRÁGIO INDIRECTO

ANGELA LEONG DEPUTADA SENTE-SE INJUSTIÇADA COM RESULTADO ELEITORAL

Para a frente é que é caminho

A

LAG Chui Sai On reuniu com associações de nomeados

O Chefe do Executivo, Chui Sai On, começou ontem o processo de auscultação de especialistas para a elaboração das Linhas de Acção Governativa (LAG), tendo começado por reunir com duas associações ligadas a deputados. A Associação Económica de Macau é presidida por Joey Lao, que toma posse como deputado nomeado na segunda-feira, enquanto que a Grand Thought Think Tank tem como um dos líderes o deputado nomeado Ma Chi Seng. Segundo um comunicado oficial, foram trocadas “opiniões sobre o desenvolvimento diversificado sócioeconómico, a reforma da administração pública, o desenvolvimento equilibrado do sector do jogo e a reconstrução após catástrofes, entre outros assuntos”.

Apesar de lamentar os resultados eleitorais, e acusar a lei eleitoral de ser injusta Angela Leong, pretende avançar com o programa político a que se propôs. Entretanto, aguarda notícias relativas à relocalização do canídromo. O estudo da nova morada está a ser feito pela empresa de Chui Sai Peng, a CAA City Planning & Engineering Consultants Ltd SOFIA MARGARIDA MOTA

deputada Kwan Tsui Hang, que desempenha este papel até ao próximo domingo, uma vez que está de saída da Assembleia Legislativa, enviou uma interpelação escrita onde alerta para a necessidade de existir uma maior concorrência nos candidatos às eleições pela via do sufrágio indirecto. Kwan Tsui Hang defende, por isso, uma reforma do sistema de eleição pela via indirecta, para que todos os sócios das associações de cada sector tenham direito ao voto. No sufrágio indirecto, são eleitos 12 deputados através das associações de sectores como o trabalho ou serviços sociais, mas nem todos os sócios dessas associações têm direito a votar. A deputada frisou que é necessário ter em conta a reforma das eleições para os deputados da Assembleia Legislativa (AL) e o Chefe do Executivo, sendo também fundamental a discussão da população com o intuito de se chegar a um consenso. Por isso, o Governo deve ter a responsabilidade de impulsionar a sociedade para discutir o desenvolvimento do sistema político, apontou. Kwan Tsui Hang entende a importância do sistema político para garantir o desenvolvimento estável do território, tendo destacado o desenvolvimento da economia nos últimos anos, o que trouxe maiores requisitos ao meio político, com mais exigências. Para tal, Kwan Tsui Hang acha essencial que se fomente o desenvolvimento democrático de forma ordenada, com vista a manter, a longo prazo, a estabilidade e prosperidade de Macau. Para que se faça uma reforma no sistema eleitoral, Kwan Tsui Hang propõe ainda que haja uma discussão no seio da sociedade sobre os vários sistemas políticos que vigoram em países estrangeiros, sem esquecer a história local. Este debate deve ser incentivado pelo Governo, para que haja uma evolução do desenvolvimento político.

A

NGELA Leong está desiludida com os resultados eleitorais mas garante continuar a lutar pelos objectivos apresentados na campanha eleitoral. A deputada reeleita nas passadas eleições com menos 2600 votos face às eleições em 2013 disse em entrevista ao canal chinês da Rádio Macau que foi vítima de injustiças durante a campanha. A razão, apontou, teve que ver com o facto de não poder divulgar as suas ideias junto do seu público-alvo. Estando ligada ao sector do jogo e não podendo fazer campanha nos casinos que dirige, os funcionários que, diz, seriam os seus maiores eleitores, ficaram sem conhecimento das metas a que se propunha. Para a deputada, “o princípio de neutralidade defendido na lei eleitoral deveria regulamentar todos os organismos, e não ser dirigido em particular, à indústria do jogo”. No entanto, foi eleita e as prioridades mantêm-se. Angela Leong reafirma que tem como objectivo colocar Macau no mapa do Mundo. Para o efeito, as ideias que vai defender estão ligadas à melhoria das condições de habitação e ao aumento da formação dos jovens locais. “Vou cumprir com as promessas do meu programa político através da prática de tarefas e da expressão das opiniões”, acrescentou. Angela Leong agradeceu ainda o apoio dos cidadãos por conseguir estar novamente no hemiciclo e poder “representar as vozes da indústria de jogo e dos funcionários dos casinos”.

TEM MUITO TRÂNSITO

Com os condicionamentos de trânsito no território, e em particular na zona das Portas do Cerco, a deputada quer ajudar. Angela Leong referiu que, “caso seja necessário tornar as zonas de estacionamento dos shuttle-bus dos casinos em locais de tomada e largada de passageiros de autocarros, as operadoras de jogo podem ceder os seus espaços de modo a que sejam facilitadas as deslocações dos residentes”.

“O princípio de neutralidade defendido na lei eleitoral deveria regulamentar todos os organismos, e não ser dirigido em particular, à indústria do jogo.” ANGELA LEONG DEPUTADA

À margem do programa da Ou Mun Tin Toi, a deputada referiu ainda que não tem qualquer informação do Governo quanto à relocalização do canídromo. De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, o Governo avançou com 1,45 milhões de patacas à CAA City Planning & Engineering Consultants Ltd. para um estudo do planeamento do novo local. A empresa de Chui Sai Peng tem um prazo de 203 dias, de acordo com a proposta, para finalizar os trabalhos.


política 5

quarta-feira 11.10.2017

TIAGO ALCÂNTARA

O homem sai do leme

Scott Chiang deixa direcção da Novo Macau no domingo

A

LICENÇAS DE JOGO CHAN MENG KAM QUER MAIS RESPOSTAS DO GOVERNO

A quantas andamos?

Na qualidade de deputado, Chan Meng Kam questionou o Executivo quanto à necessidade de mais informações sobre a renovação das licenças de jogo, considerando que as declarações de Lionel Leong pouco ou nada adiantaram sobre o assunto

C

OM a aproximação do fim dos contratos de licenças de jogo, que terminam entre 2020 e 2022, o ainda deputado Chan Meng Kam [ocupa esta posição até ao próximo domingo, já que a nova legislatura arranca dia 16] questionou o Governo sobre este assunto, através de uma interpelação escrita. Chan Meng Kam, que inaugurou há dias um novo casino, o Royal Dragon, argumenta que já não falta muito tempo para a renovação das licenças e que o Governo deve dar respostas mais claras sobre a matéria. O ainda deputado lembrou as palavras do secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, que referiu existir a possibilidade de realizar novos concursos públicos, além do Chefe do Executivo poder estender o prazo dos actuais contratos. Lionel Leong disse ainda que o número de licenças a operar

no futuro depende da estratégia principal para o sector, que é a de tornar Macau num centro mundial de turismo e lazer. Actualmente existem seis licenças de jogo, três para concessionárias e as restantes em formato de subconcessão. Apesar das palavras do secretário, Chan Meng Kam não se mostra satisfeito e entende que estas declarações só vieram revelar que o Executivo não trabalhou muito nesta área. Na sua interpelação escrita, Chan Meng Kam pede que sejam divulgados dados concretos sobre as futuras licenças, para que se possa garantir o desenvolvimento de Macau, o emprego dos residentes, a confiança dos

investidores e os investimentos em infra-estruturas públicas.

CONTRATOS A CURTO PRAZO?

Chan Meng Kam estabelece ainda um paralelismo com os contratos públicos das concessionárias de serviços de utilidade pública, como é o caso dos autocarros ou dos parques de estacionamento. Na sua visão, como as autoridades não trataram dos detalhes da renovação de forma atempada, os contratos acabaram por ser renovados a curto prazo. Para Chan Meng Kam, houve casos de contratos que trouxeram condições injustas em relação aos novos concorrentes, o que prejudicou o desenvolvimento desses

Chan Meng Kam, que inaugurou há dias um novo casino, o Royal Dragon, argumenta que já não falta muito tempo para a renovação das licenças e que o Governo deve dar respostas mais claras

sectores. Neste aspecto, o deputado pede que a renovação dos contratos de jogo comece a ser analisada o mais depressa possível. Ainda sobre as respostas dadas por Lionel Leong, Chan Meng Kam pretende saber quais os requisitos que serão exigidos às concessionárias aquando da renovação dos contratos, para que estas sigam o objectivo de tornar Macau num centro mundial de turismo e lazer. O casino Royal Dragon, que abriu portas no passado dia 27 de Setembro, opera no Hotel Golden Dragon. Propriedade de Chan Meng Kam, o espaço de jogo está sujeito à licença atribuída à Sociedade de Jogos de Macau, que já avisou que não vai dar mais mesas de jogo. Chan Meng Kam pediu 25 mesas, mas a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos só autorizou 20. Vítor Ng (com A.S.S.) info@hojemacau.com.mo

Associação Novo Macau (ANM) vai passar a ter uma direcção interina até final deste mês, uma vez que Scott Chiang, que tem assumido o papel de presidente, vai deixar a presidência no próximo domingo. Segundo a Rádio Macau, a ANM só vai escolher o novo presidente no final deste mês. “Foi decidido que não seria bom para toda a gente que eu continuasse na liderança, que precisamos de uma cara nova e que eu deveria ir à procura de outra posição para continuar a contribuir. Honestamente, ainda não encontrei o melhor lugar. Mas isso não me impede de cumprir a minha palavra e deixar a liderança”, disse à rádio. Sou Ka Hou, que foi recentemente eleito deputado à Assembleia Legislativa (AL), é, segundo a Rádio Macau, o nome apontado para a presidência, apesar de, numa entrevista ao HM, ter dito que não estaria disponível para tal cargo, uma vez que vai desempenhar funções de deputado. Apesar de Sou Ka Hou querer separar as águas, Scott Chiang acredita que será também um bom nome para a liderança da associação do campo pró-democrata. “Num mundo ideal, onde tudo segue a sua ordem, sim, ele pode ter razão. Mas no mundo real, muitas coisas não acontecem exactamente como esperamos”. “Se não houver alguém para assumir o cargo, precisamos consolidar as nossas ideias. Será essa a melhor opção em cima da mesa? Talvez não. Mas se for a única, por que não?”, questionou. Scott Chiang acredita que não será fácil escolher o nome para dirigir o nome da ANM nos próximos tempos. “Por um lado, quero alguém com boa experiência para continuar a estabilizar a organização. Por outro, também quero alguém novo, que traga ideias frescas para a associação. Não consigo decidir-me neste momento. A assembleia-geral terá mais sabedoria do que eu”, remata. Em entrevista à Rádio Macau, Scott Chiang frisou ainda que pode ter saído prejudicado por ter ficado de fora da corrida nestas eleições legislativas, no contexto de uma eventual candidatura à AL daqui a quatro anos.


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11.10.2017 quarta-feira

EDITAL Edital n.º Processo n.º

EDITAL

:118/E-BC/2017 :389/BC/2017/F Assunto :Início de audiência pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local :Rua de Chaves s/n, EDF. Jardim do Hipódromo, Bloco 5, parte do terraço sobrejacente à fracção 24.º andar B, Taipa.

Cheong Ion Man, subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 38, II Série, de 23 de Setembro de 2015, faz saber que fica notificado o dono da obra e proprietário do local acima indicado, cuja identidade se desconhece, do seguinte:

Edital n.º Processo n.º Assunto Local

Cheong Ion Man, subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 38, II Série, de 23 de Setembro de 2015, faz saber que ficam notificados os donos das obras e os proprietários dos locais acima indicados, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que nos locais acima indicados se realizaram as seguintes obras não autorizadas:

1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizou-se a seguinte obra não autorizada: Obra

Obra Construção de um compartimento com cobertura metálica, paredes em alvenaria de tijolo, janelas de vidro, suporte de vaso metálico, portão de correr em vidro e tubos de abastecimento e drenagem de água na parte do terraço sobrejacente à fracção 9.º andar A. Construção de um compartimento com cobertura metálica, gradeamento metálico, suportes metálicos, chapas de madeira, tubos 1.2 metálicos de abastecimento de água e gradeamento em vidro na parte do terraço sobrejacente à fracção 9.º andar B.

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

Construção de um compartimento com cobertura metálica, pala metálica, paredes em alvenaria de Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do tijolo, janelas de vidro e portão metálico numa parte caminho de evacuação. do terraço. 2. Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelos infractores nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, a obra executada não é susceptível de legalização pelo que a DSSOPT terá necessariamente de determinar a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada. 3. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração e/ou de segurança do edifício. 4. Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data da publicação do presente edital, podendo requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI. 5. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227).

: 121/E-BC/2017 :432/BC/2017/F :Início de audiência pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) :Estrada de Cacilhas n.º 27, EDF. Baguio Court (Bloco I), partes do terraço sobrejacente às fracções 9.º andar A e 9.º andar B, Macau.

1.1

1.1

2.

3.

4.

5.

Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação. Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação.

Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI, aprovado pelo DecretoLei n.º 24/95/M, de 9 de Junho. Os terraços acima referidos são considerados como piso de refúgio, em caso de incêndio, não sendo permitida a sua ocupação ilícita com elementos construtivos, de acordo com o disposto no n.º 3 do artigo 29.º do RSCI. As alterações introduzidas pelos infractores nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, as obras executadas não são susceptíveis de legalização pelo que a DSSOPT terá necessariamente de determinar a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas, e nos termos do n.º 7 do referido artigo, a infracção ao disposto no n.º 3 do artigo 29.º, é sancionável com multa de $2 000,00 a $20 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou segurança do edifício. Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data da publicação do presente edital, requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227).

RAEM, 29 de Setembro de 2017

RAEM, 29 de Setembro de 2017 Pelo Director dos Serviços O Subdirector Cheong Ion Man

Anúncio Concurso Público «Serviços de manutenção e reparação do sistema de abastecimento de energia eléctrica das instalações desportivas situadas em Macau afectas ao Instituto do Desporto» Nos termos previstos no artigo 13.o do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho, e em conformidade com o despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 26 de Setembro de 2017, o Instituto do Desporto vem proceder, em representação do adjudicante, à abertura do concurso público para os serviços de manutenção e reparação do sistema de abastecimento de energia eléctrica, durante o período de 15 de Fevereiro de 2018 a 14 de Agosto de 2020, das seguintes instalações desportivas situadas em Macau efectas ao Instituto do Desporto:

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

Designação das Instalações Desportivas Pavilhão Polidesportivo Tap Seac Centro Náutico da Praia Grande Centro Desportivo da Vitória Centro Desportivo Tamagnini Barbosa Centro Desportivo do Colégio D. Bosco Centro Desportivo Lin Fong Fórum de Macau Piscina Dr. Sun Iat Sen Piscina Estoril Campo Livre da Avenida do Comendador Ho Yin Campo Livre da Estrada do Canal dos Patos Campo Livre da Rua Central da Areia Preta Campo Livre de Almirante Magalhães Correia Campo Livre de Veng Neng Campo Livre da Avenida Panorâmica do Lago Sai Van Campo Livre da Ilha Verde “Cheng Choi”

Pelo Director de Serviços O Subdirector Cheong Ion Man

Anúncio Concurso Público «Serviços de manutenção e reparação do sistema de abastecimento de energia eléctrica das instalações desportivas situadas no Cotai afectas ao Instituto do Desporto» Nos termos previstos no artigo 13.o do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho, e em conformidade com o despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 25 de Setembro de 2017, o Instituto do Desporto vem proceder, em representação do adjudicante, à abertura do concurso público para os serviços de manutenção e reparação do sistema de abastecimento de energia eléctrica, durante o período de 15 de Fevereiro de 2018 a 14 de Agosto de 2020, das seguintes instalações desportivas situadas no Cotai efectas ao Instituto do Desporto: Designação das Instalações Desportivas 1 Nave Desportiva dos Jogos da Ásia Oriental de Macau 2 Centro Internacional de Tiro 3 Centro de Bowling 4 Academia de Ténis 5 Centro Náutico de Cheoc-Van 6 Centro Náutico de Hác-Sá 7 Kartódromo de Coloane 8 Piscina e instalações desportivas do Parque de Hác-Sá e Campo Livre da Praia de Hác-Sá 9 Piscina de Cheoc-Van 10 Campo Livre da Povoação de Hác-Sá 11 Campo Livre da Vila de Coloane

A partir da data da publicação do presente anúncio, os interessados podem dirigir-se ao balcão de atendimento da sede do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.o 818, em Macau, no horário de expediente, das 9,00 às 13,00 e das 14,30 às 17,30 horas, para consulta do processo do concurso ou para obtenção da cópia do processo, mediante o pagamento da importância de $1 000,00 (mil) patacas. Os interessados devem comparecer na sede do Instituto do Desporto até à data limite para apresentação das propostas para tomarem conhecimento dos eventuais esclarecimentos adicionais. O prazo para a apresentação das propostas termina às 12,00 horas do dia 27 de Novembro de 2017, segunda-feira, não sendo admitidas propostas fora do prazo. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora limites para a apresentação das propostas acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e a hora limites estabelecidas para a apresentação das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Os concorrentes devem apresentar a sua proposta dentro do prazo estabelecido, na sede do Instituto do Desporto, no endereço acima referido, acompanhada de uma caução provisória no valor de $50 000,00 (cinquenta mil) patacas. Caso o concorrente opte pela garantia bancária, esta deve ser emitida por um estabelecimento bancário legalmente autorizado a exercer actividade na RAEM e à ordem do Fundo do Desporto ou efectuar um depósito em numerário ou em cheque (emitido a favor do “Fundo do Desporto”) na mesma quantia, na Divisão Financeira e Patrimonial sita na sede do Instituto do Desporto. O acto público de abertura das propostas do concurso terá lugar no dia 28 de Novembro de 2017, terça-feira, pelas 9,30 horas, no auditório da sede do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.o 818, em Macau. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora para o acto público de abertura das propostas acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, ou em caso de adiamento na data e hora limites para a apresentação das propostas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público de abertura das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte.

A partir da data da publicação do presente anúncio, os interessados podem dirigir-se ao balcão de atendimento da sede do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.o 818, em Macau, no horário de expediente, das 9,00 às 13,00 e das 14,30 às 17,30 horas, para consulta do processo do concurso ou para obtenção da cópia do processo, mediante o pagamento da importância de $1 000,00 (mil) patacas. Os interessados devem comparecer na sede do Instituto do Desporto até à data limite para apresentação das propostas para tomarem conhecimento dos eventuais esclarecimentos adicionais. O prazo para a apresentação das propostas termina às 12,00 horas do dia 20 de Novembro de 2017, segunda-feira, não sendo admitidas propostas fora do prazo. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora limites para a apresentação das propostas acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e a hora limites estabelecidas para a apresentação das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Os concorrentes devem apresentar a sua proposta dentro do prazo estabelecido, na sede do Instituto do Desporto, no endereço acima referido, acompanhada de uma caução provisória no valor de $87 000,00 (oitenta e sete mil) patacas. Caso o concorrente opte pela garantia bancária, esta deve ser emitida por um estabelecimento bancário legalmente autorizado a exercer actividade na RAEM e à ordem do Fundo do Desporto ou efectuar um depósito em numerário ou em cheque (emitido a favor do “Fundo do Desporto”) na mesma quantia, na Divisão Financeira e Patrimonial sita na sede do Instituto do Desporto. O acto público de abertura das propostas do concurso terá lugar no dia 21 de Novembro de 2017, terça-feira, pelas 9,30 horas, no auditório da sede do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.o 818, em Macau. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora para o acto público de abertura das propostas acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, ou em caso de adiamento na data e hora limites para a apresentação das propostas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público de abertura das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte.

As propostas são válidas durante 90 dias a contar da data da sua abertura.

As propostas são válidas durante 90 dias a contar da data da sua abertura.

Instituto do Desporto, aos 11 de Outubro de 2017.

Instituto do Desporto, aos 11 de Outubro de 2017.

O Presidente, Pun Weng Kun

O Presidente, Pun Weng Kun


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quarta-feira 11.10.2017

U

TRADUÇÃO ESTUDO SOBRE NECESSIDADES NO SECTOR, AGENDADO PARA 2018

Plataforma desequilibrada Começou ontem a conferência promovida pelo IPM dedicada à tradução e interpretação. O espaço que se pretende de reflexão sobre a matéria traz à tona as carências locais e as limitações do sector. Em 2018 vai ser feito um estudo para se perceber melhor o que se passa e o que é necessário fazer para promover a qualidade de um serviço essencial ao território e à sua concretização enquanto plataforma TIAGO ALCÂNTARA

M estudo acerca das necessidades ligadas à tradução e interpretação no território pode vir a ser realizado no próximo ano. O objectivo é ter uma noção real das necessidades do território nesta área para que se possa concretizar como plataforma. A ideia foi deixada ontem pelo chefe do departamento de assuntos linguísticos dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), Casimiro de Jesus Pinto, em declarações à margem da conferência que está a decorrer no Instituto Politécnico de Macau (IPM) subordinado ao tema “Interpretação e tradução: experiências, realidades e perspectivas”. A ideia é “perceber a falta de profissionais na área da tradução e interpretação, e, com os resultados obtidos, traçar um plano mais concreto em termos da carreira de intérprete/tradutor e também da necessidade de letrados”, avançou o responsável. A falta de tradutores/ intérpretes no território é assunto recorrente, no entanto, trata-se de uma matéria que continua a mostrar várias falhas num local que depende destes profissionais.

DIFICULDADES ASSUMIDAS

Para Casimiro de Jesus Pinto, o maior desafio do bilinguismo em Macau tem que ver com o próprio ambiente linguístico. “Nos últimos anos temos reparado que há mais pessoas a quererem aprender o português mas a aprendizagem da língua ainda está muito limitada à sala de aula”, explica. O contacto real com a língua e cultura é limitado, até porque no território a

população é na sua maioria de origem chinesa. De acordo com o responsável, faltam não só intérpretes/tradutores mas

UMA RELAÇÃO DURADOURA

O

Instituto Politécnico de Macau (IPM) e a Comissão Europeia (CE) têm uma colaboração há mais de uma década e que não podia estar a correr melhor. De acordo com a responsável pela direcção geral de tradução da CE, Florika Fink-Hooijer, esta cooperação não só é para manter como para progredir em novos áreas. “Temos já uma relação há mais de uma década e no ano passado reformulámos a nossa cooperação para o futuro. Estamos agora mais concentrados no recrutamento de novos intérpretes de modo a ajudar a aumentar a sua qualidade profissional”, disse Florika Fink-Hooijer, à margem da cerimónia de abertura da conferência de dois dias, dedicada à troca de experiências no campo da tradução e interpretação, promovida pelo IPM. Por outro lado, já foi discutida a ideia de prosseguir com um programa de formação ao longo da vida em que se faça a actualização de conhecimentos e de técnicas. A responsável mostrou-se ainda não só satisfeita como surpreendida com a qualidade dos equipamentos do IPM destinados ao ensino nos cursos de tradução e interpretação. “Estamos muito surpreendidos porque correspondem a requisitos de alta qualidade. Fiquei também muito impressionada com o laboratório de tradução automática”, referiu.

também bilingues em áreas específicas e cada vez mais necessárias. Exemplo disso é a área comercial, na medida em que este sector sustenta parte da concepção de Macau enquanto plataforma entre a China e os países de expressão portuguesa, sublinha o chefe de departamento.

MUDANÇA NECESSÁRIA?

Para colmatar as faltas sentidas por parte dos serviços públicos, poderiam ser contratados profissionais estrangeiros. No entanto, residentes do continente ou tradutores de países de língua portuguesa, não residentes, não têm lugar a partilhar o seu conhecimento no território fora do meio académico. Face à situação, Casimiro de Jesus Pinto admite que se trata de uma questão em

que a solução pode passar por algumas alterações. “É um problema que podemos vir ponderar no futuro se houver mesmo uma insuficiência de bilingues ou de quadros qualificados na área da tradução e interpretação”, afirma. “Também podemos propor ao Governo que pense na hipótese de recrutar alguns desses profissionais, sendo que se existirem no território pessoas suficientes

é a esta mão de obra que se recorre sempre”, ressalva. Casimiro de Jesus Pinto salientou ainda a necessidade de que a aprendizagem do português seja feita desde o ensino primário e que sejam promovidas medidas neste sentido.

ABRE OLHOS

Já para o presidente do IPM, Lei Heong Iok, a conferência que está a decorrer na insti-

A ideia é “perceber a falta de profissionais na área da tradução e interpretação, e, com os resultados obtidos, traçar um plano mais concreto em termos da carreira de intérprete/tradutor e também da necessidade de letrados” CASIMIRO DE JESUS PINTO CHEFE DO DEPARTAMENTO DE ASSUNTOS LINGUÍSTICOS DOS SAFP

tuição pode mesmo servir de alerta para o verdadeiro significado de plataforma e a integração de profissionais de qualidade. “Penso que neste momento é preciso, com este tipo de eventos, em que há troca de experiências, abrir os olhos. Não só abrir os olhos das instituições do ensino superior mas, e em particular, do Governo”, disse o responsável pela instituição de ensino superior referindo-se à integração de profissionais de qualidade nos serviços locais, independentemente da sua origem. A ideia de Lei Heong Iok tem em conta a própria definição de plataforma, conceito que se prevê aplicado ao território, até mesmo pelo Governo Central. Há que, no entender do responsável pelo IPM, “interpretar o verdadeiro significado de plataforma e temos de nos questionar se estamos a falar em termos unilaterais ou bilaterais”. Para o responsável a bilateralidade tem de ser posta cada vez mais em prática o que não será difícil. “Na minha leitura, os chineses aprendem bem tanto a língua, como a cultura portuguesa, e os estudantes dos países lusófonos também aprendem bem o chinês, não só a língua mas também a cultura, sendo que com esta bilateralidade é que se dá um sentido concreto e perfeito à plataforma”, explica. O acolhimento de profissionais portugueses e lusófonos no território seria um passo importante neste sentido e o continente já está a aplicar este tipo de medidas. Para Lei Heong Iok “há até profissionais portugueses que por serem tão bons estão a leccionar em universidades chinesas. Porque é que Macau não aproveita esta valência?” remata o responsável. Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo


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11.10.2017 quarta-feira

HABITAÇÃO PROBLEMA SÓ SE RESOLVE POR VOLTA DE 2023

Espera mais um pouco

IH

Os residentes vão ter de esperar cerca de seis anos para verem o problema da habitação resolvido, segundo o estudo sobre as necessidades de fracções públicas em Macau. Arnaldo Santos, presidente do IH, diz que os resultados trazem optimismo ao Governo

O

problema da falta de habitação social e económica só vai ser resolvido por volta de 2023, altura em o número de fracções disponíveis vai ser superior às necessidades da famílias. A conclusão faz parte do estudo sobre as necessidades de habitação pública em Macau, encomendado pelo Governo, que foi apresentado ontem. Segundo o relatório, apenas por volta de 2023 a procura e a oferta vão ser equivalentes. Depois desse ponto, à medida que continuarem a ser acabadas as construções nos novos aterros, o número de fracções públicas vai mesmo ultrapassar as necessidades da população. Mesmo assim, em 2021, prevê-se que a oferta seja inferior em cerca de 9.273 casas face às necessidades dos residentes de Macau. “Percebemos pelo estudo que há uma diferença entre a procura e a oferta de habitação pública e que isto vai continuar a acontecer durante alguns anos, porque sem terrenos não podemos fazer construção”, disse Arnaldo Santos, presidente do Instituto de Habitação (IH). “Com o terreno à frente do aeroporto e a zona A, que já está praticamente aterrada, vamos ter a oportunidade de acompanhar

a procura. Nós percebemos que existe um problema, mas com a nova disponibilidade dos terrenos e com a projecção da procura, temos uma visão optimista no médio e longo prazo”, justificou.

EXECUTIVO SEM MEDIDAS

O relatório sobre o estudo foi apresentado, ontem, durante uma reunião do Conselho para os Assuntos de Habitação Pública, na sede do IH. Para já, o Governo não tem previstas mais medidas de apoio às famílias que não conseguem aceder a este tipo de habitação, devido à oferta insuficiente. “Neste momento não temos resposta para a pergunta sobre a criação de mais apoios. O que podemos dizer é que a longo e médio prazo temos uma perspectiva optimista sobre a resolução dos problemas da habitação em Macau”, respondeu Arnaldo Santos, após ter sido questionado. O estudo assume ainda que a habitação pública dos “projectos

na zona oeste do Cotai, na Avenida Wai Long e na Zona A dos Novos Aterros Urbanos” deverá ser “suficiente para responder às necessidades dos próximos dez anos”. No entanto, o relatório reconhece que dificilmente estas construções ficaram prontas no curto prazo.

Em 2021, prevê-se que a oferta seja inferior em cerca de 9.273 casas face às necessidades dos residentes de Macau Questionado se o preço das rendas e habitações vai aumentar face a uma procura maior do que a oferta, Arnaldo Santos recusou fazer previsões: “Não sei se o valor das rendas vai aumentar, são dados macroeconómicos. Mas

vamos fazer um acompanhamento mais apertado desses dados, com a regularidade de um ou dois anos”, defendeu. Assim, de acordo com o estudo, em 2021 vão existir 31.247 famílias para 21.947 fracções de habitação pública, ou seja 9.273 agregados familiares não vão ter acesso a este tipo de casas. Já em 2026, quando se espera que a RAEM ultrapasse o problema, serão cerca de 42.401 agregados para um total de 48.873 fracções.

REVISÃO DE LEI ECONÓMICA

Arnaldo Santos afirmou também que espera que a nova lei da habitação social chegue ao hemiciclo brevemente: “Esperamos a curto prazo ter a lei da habitação social pronta para ser entregue na Assembleia Legislativa. Quando à lei da habitação económica, ainda estamos a fazer a revisão interna”, justificou. Entre os envolvidos no estudo, esteve o académico Xiaochun

Qiao, professor no Instituto de Pesquisa da População, na Universidade de Pequim. Segundo o especialista, com os aterros, o Governo passa a ter as condições necessárias para resolver o problema da habitação e planear o futuro a longo prazo. “Esperamos que o Governo cumpra a promessa de ir ao encontro das expectativas da população. Agora há espaço para o Governo construir em prol das necessidades”, afirmou Xiaochun Qiao. “O mais urgente é que o Governo continue a planear, percebendo bem as expectativas da população ao nível das necessidades das casas. A médio prazo a oferta ainda é limitada, por isso é preciso que o Governo acelere o processo do aumento da oferta”, acrescentou. Desde ontem que o estudo está disponível no portal do IH, sendo os cidadãos convidados a enviarem as suas opiniões. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

PEARL HORIZON LESADOS ENTREGAM CARTA AO GABINETE DE LIGAÇÃO

O

S compradores das fracções de Pearl Horizon apresentaram ontem uma carta junto ao Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau para solicitar resolução avançada por parte do novo director do Gabinete, Zheng Xiaosong. Kou Meng Pok, líder da União Geral dos Proprietários

do Pearl Horizon, lamenta que o caso continue sem solução, apesar das promessas dos dois antigos directores do Gabinete de Ligação do Governo Central. O líder lembrou que a situação remonta há dois anos e manifestou esperança de que se registem avanços com a entrada em funções do

novo director do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau. “Com Zheng Xiaosong a assumir o cargo esperamos que haja uma resolução para este caso”, sublinhou Kou Meng Pok. O representante dos compradores de fracções naquele empreendimento salientou a

urgência no tratamento do caso e justificou-se com os danos que está a causar aos lesados. Como exemplo, referiu a morte de um familiar de ums dos lesados que, afirma, foi devida ao desgosto relativo à situação do Pearl Horizon. Dada a gravidade da situação, Kou Meng Pok

espera que a situação chegue ao conhecimento do Governo Central e que seja este a dar ordens a Macau para a sua resolução. Estava ainda presente no momento de entrega da missiva junto do Gabinete de Ligação, um outro lesado que deu a conhecer a sua si-

tuação. “As regras legítimas foram seguidas no processo da aquisição da fracção, mas até agora não há casa entregue e durante os dois anos que entretanto passaram, participei em todas as actividades a pedir a solução da situação sem que tenha existido qualquer avanço”, frisou. V.N.


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CPCS

quarta-feira 11.10.2017

AUTOCARROS ESTUDANTES DE FORA PEDEM TARIFAS IGUAIS PARA TODOS

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STUDANTES são estudantes em todo o lado e como tal devem ter igualdade nas tarifas de autocarro. A ideia foi defendida ontem pela Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau que pede que os jovens locais que estão a estudar fora do território tenham o direito de pagar as mesmas tarifas do que aqueles que se encontram inscritos em instituições de ensino superior locais. Cheang Ka Hou, membro do Conselho Consultivo do Trânsito e também vice-presidente da Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau, não está satisfeito com a proposta do Governo de diferenciar as tarifas de autocarros justificando que os estudantes locais devem ter acesso aos benefícios. Para o responsável, não há razão para que, nos fins-de-semana, os jovens do território que estão fora paguem uma tarifa que não seja a de estudante. De acordo com Cheang Ka Hou, trata-se ainda de um período de tempo que não tem problemas de tráfego pelo que a igualdade de tarifas não teria consequências. Por outro lado, Cheang Ka Hou acha que a proposta de diferenciação do Governo vai contra o seu apelo em prol de um maior uso dos transportes públicos. No que respeita à diferenciação entre tarifas para residentes e não-residentes, Cheang Ka Hou considera que é uma medida que não deve ser aplicada a estudantes de Macau que estão fora do território. Para Kuok Meng Chit, estudante local numa instituição de ensino superior do interior da China, os estudantes sem benefícios nas tarifas de autocarros são muitos e apela para que haja um custo igual para todos. V.N

SALÁRIO MÍNIMO PEDIDO AUMENTO DE 5 POR CENTO

Grão a grão

O Conselho Permanente de Concertação Social reuniu ontem e os representantes dos trabalhadores pedem um aumento do salário mínimo para as profissões de limpeza e segurança de cinco por cento. Desde que a lei foi implementada os valores dos condomínios subiram 20 por cento

O

sector laboral de Macau quer ver o salário mínimo, que actualmente abrange duas profissões, aumentar 5 por cento, de 30 para 31,5 patacas por hora, afirmou ontem um dos membros do Conselho Permanente de Concertação Social (CPCS). “As 30 patacas foram implementadas e achamos que este valor é um pouco abaixo [do que devia ser], porque estes tipos de trabalhos, para limpeza e segurança, precisam que se trabalhe arduamente. Acho que deve aumentar para melhorar a qualidade de vida. Não pode ser inferior a 30 patacas, achamos que deve ser pelo

menos mais 5% por hora. Fazendo o cálculo é só 31,5 patacas”, disse Leong Sun Iok, representante dos trabalhadores e deputado à Assembleia Legislativa. O salário mínimo foi introduzido em Macau a 1 de Janeiro de 2016 para duas categorias de trabalhadores: segurança e limpeza de prédios de habitação. O diploma fixou o salário mínimo em 30 patacas por hora, 240 por dia ou 6.240 por mês. De acordo com a lei, o valor do salário mínimo deve ser revisto após um ano da entrada em vigor. Apesar de o processo de revisão já ter começado, o valor ainda não foi actualizado.

Nesta reunião do CPCS para discutir o assunto, os parceiros queixaram-se que o Governo não forneceu informação suficiente para apresentarem pareceres definitivos. Leong Sun Iok admitiu que o aumento pedido é baixo, mas disse ser necessário “atender ao valor da inflação e todos esses índices”. “Mas vamos tentar lutar pelos trabalhadores porque é através do salário mínimo que pelo menos podemos garantir a qualidade de vida dos trabalhadores”, disse o também vice-presidente da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). Em Janeiro, a FAOM defendeu que o salário mínimo devia subir para 35 patacas por hora. Nem patrões, nem trabalhadores indicaram que dados é que estão em falta, mas disseram que estes devem chegar dentro de dez dias. A ala laboral propôs também a definição de uma fórmula para efectuar a actualização do salário mínimo.

CONDOMÍNIOS AUMENTARAM

O coordenador da comissão executiva do CPCS, Wong Chi Hong, explicou que sem as opiniões dos trabalhadores e dos empregadores não é possível avançar para a revisão do salário mínimo, remetendo informações sobre essa actualização para mais tarde.

“As 30 patacas foram implementadas e achamos que este valor é um pouco abaixo [do que devia ser], porque estes tipos de trabalhos, para limpeza e segurança, precisam que se trabalhe arduamente” LEONG SUN IOK MEMBRO DO CPCS E DEPUTADO

O também director dos Serviços para os Assuntos Laborais garantiu apenas que já não há trabalhadores nestas duas profissões a receberem abaixo do valor estipulado. Já a secretária-geral da comissão executiva do CPCS, Ng Wai Han, indicou que, desde que a lei entrou em vigor, verificou-se um aumento médio de 20 por cento no custo dos condomínios. “Não aumentaram todos, [mas] houve uma média de aumento de 20% nos condomínios. Parte do valor [gasto] com estes trabalhadores foi transportado para o condomínio, ou seja, para os consumidores”, explicou. Uma generalização do salário mínimo está prometida para 2019, mas o tema não foi debatido durante esta reunião. HM


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11.10.2017 quarta-feira

Boas energias China Three Gorges “satisfeita” com administração da EDP

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maior accionista da EDP, a China Three Gorges (CTG), garantiu ontem estar “satisfeita” com a actual administração da EDP, liderada por António Mexia, e disse não estar “envolvida em qualquer tipo de discussão” sobre alterações nos órgãos sociais da empresa. “A CTG não está envolvida em qualquer tipo de discussão, com nenhuma parte, sobre potenciais alterações nos órgãos sociais relevantes da EDP para o próximo mandato”, afirmou a estatal chinesa, num comunicado enviado à agência Lusa em Pequim. O grupo chinês, que na semana passada elevou a sua participação na EDP para 23,3%, num investimento de 208 milhões de euros, reage assim a uma notícia difundida este sábado pelo jornal Expresso. O semanário avançou que a CTG quer substituir António Mexia à frente da EDP e que o sucessor deverá ser escolhido até ao final deste ano, apontando Francisco Lacerda, actual presidente dos CTT, como forte hipótese.

RUMO CERTO

Em comunicado, a estatal chinesa garante estar “satisfeita com a performance” da EDP, “apesar dos

desafios” enfrentados pelo sector. “A CTG apoia totalmente a trajectória de sucesso da equipa de gestão da EDP, que tem sido capaz de manter um desempenho estável, sob um contexto desfavorável no sector e a nível macro”, lê-se na mesma nota. O grupo justifica ainda a sua decisão de aumentar a participação na EDP, pela primeira vez desde a privatização da empresa, por “acreditar” nos “fundamentos sólidos”, “boas perspectivas de negócio” e “benefícios da parceria estratégica a longo prazo entre a CTG e a EDP”. “Isto, junto com a nossa convicção relativa ao pleno respeito pela lei e contratos existentes, foram os impulsionadores essenciais da recente decisão da CTG”, aponta. A decisão do grupo chinês surge numa altura em que é noticiado o interesse por parte dos espanhóis da Gas Natural na EDP, visando uma fusão das duas empresas ibéricas. Em 2011, a empresa chinesa pagou 2,7 mil milhões de euros ao Estado português por 21,35% do capital da EDP, tornando-se o maior accionista da eléctrica portuguesa.

HK CERCA DE 71 MIL FAMÍLIAS COM MENOS DE 1,6 EUROS POR REFEIÇÃO POR PESSOA

E tudo a casa levou

básicas, com menos de 15 dólares de Hong Kong por refeição, por pessoa. De acordo com a análise do conselho, que recorre a um relatório da organização Oxfam, uma pessoa deve gastar por mês pelo menos 1.696 dólares de Hong Kong, ou pelo menos 15 dólares de Hong Kong por refeição, para satisfazer as suas necessidades nutricionais. A conta é feita com base no pressuposto de que uma pessoa deve consumir pelo menos três taças de arroz, 226 gramas de vegetais, 198 gramas de carne, duas porções de lacticínios e dois pedaços de fruta por dia.

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ERCA de 71 mil agregados familiares em Hong Kong sobrevivem com menos 1,6 euros por refeição por pessoa, concluiu um estudo citado pelo jornal South China Morning Post (SCMP). Com as famílias sem acesso a habitação pública a gastarem grande parte do seu orçamento com a renda, mais de 40% dos agregados de baixos rendimentos não consegue satisfazer as necessidades nutricionais básicas e alguns sobrevivem com menos de 15 dólares de Hong Kong por refeição, de acordo com o estudo do Conselho dos Serviços Sociais de Hong Kong, que monitoriza mais de 460 grupos comunitários.

DIFERENÇAS BRUTAIS O conselho analisou as condições das famílias consideradas de rendimentos baixos, ou seja, que ganham menos de metade do salário mediano da cidade, mas que não têm acesso a segurança social. Um agregado familiar é considerado pobre se aufere por mês menos de 3.500 dólares de Hong Kong por pessoa, 8.500 por duas, 14.000 por três pessoas e 17.000 por quatro. O estudo analisou dados de 6.880 agregados familiares através de um inquérito, entre 2014 e 2015. Segundo o SCMP, os dados mostram que 41% das famílias categorizadas como pobres, mas que não têm acesso aos apoios sociais do Go-

verno – 71 mil em Hong Kong –, não gastam o suficiente em comida de modo a satisfazer as necessidades nutricionais

Com as famílias sem acesso a habitação pública a gastarem grande parte do seu orçamento com a renda, mais de 40% dos agregados de baixos rendimentos não consegue satisfazer as necessidades nutricionais básicas

O dinheiro gasto em alimentação é particularmente curto para as famílias que vivem em habitação privada. Segundo o estudo, isso acontece porque essas famílias gastam quase cinco vezes mais com a renda do que aqueles que vivem em habitação pública em Hong Kong. Em 2014-2015, aqueles inelegíveis para habitação pública – ou que esperavam por uma – gastaram, em média, 7.608 dólares de Hong Kong, ou quase metade do seu rendimento, com a renda. Já aqueles em habitação pública apenas tiveram de gastar, em média, 1.568 dólares de Hong Kong, ou 13,2% dos seus rendimentos, com a renda. Por este motivo, os montantes que os dois grupos gastam em alimentação variam muito.

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Anúncio Concurso Público «Serviços de gestão das gaivotas a pedais no espaço Anim’Arte NAM VAN» Faz-se saber que em relação ao concurso público para o «Serviços de gestão das gaivotas a pedais no espaço Anim’Arte NAM VAN», publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 39, II Série, de 27 de Setembro de 2017, foram prestados esclarecimentos, nos termos do ponto 3.3 do programa do concurso, pela entidade que preside ao concurso e juntos ao processo de concurso. Os referidos esclarecimentos encontram-se disponíveis para consulta, durante o horário de expediente, na sede do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.o 818, em Macau. Instituto do Desporto, 11 de Outubro de 2017. O Presidente, Pun Weng Kun

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 36/P/17 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 15 de Setembro de 2017, se encontra aberto o Concurso Público para a «Prestação de Serviços de Aquisição e Instalação de Mobiliário para os Apartamentos do Edifício do Alojamento dos Trabalhadores de Emergência de Saúde Pública», cujo programa do concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 11 de Outubro de 2017, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1.º andar do n.º 5 da Estrada de S. Francisco onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 37,00 (trinta e sete patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). A reunião de esclarecimentos com os concorrentes para efeitos dos “Documentos” que instruem a proposta, especialmente sobre a qualificação, terá lugar no dia 18 de Outubro de 2017, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, seguida duma visita às instalações a que se destina o objecto deste concurso. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 13 de Novembro de 2017. O acto público deste concurso terá lugar no dia 14 de Novembro de 2017, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP 46.000,00 (quarenta e seis mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/SeguroCaução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 29 de Setembro de 2017 O Director dos Serviços Lei Chin Ion


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quarta-feira 11.10.2017

A

TAIWAN PRESIDENTE DEFENDE DEMOCRACIA EM DISCURSO DE DIA NACIONAL

P residente de Taiwan comprometeu-se ontem a “salvaguardar a democracia e a liberdade”, o “estilo de vida” e o espaço internacional da ilha face às renovadas pressões por parte da China, no discurso que proferiu pelo Dia Nacional. Tsai Ing-wen discursou na Praça do Palácio Presidencial diante de centenas de dignitários estrangeiros, incluindo o primeiro-ministro do Tuvalu, Enele Sosene Spoaga, a segunda vice-presidente das Honduras, Ava Rossana Guevara Pinto; ou o presidente do Supremo Tribunal de Justiça do Paraguai, Luis María Benítez Riera. Sobre os laços com Pequim, Tsai destacou que este ano se celebra o 30.º aniversário do início dos contactos civis, interrompidos em 1949 até 2 de Novembro de 1987, data do levantamento da proibição de visitas de taiwaneses à China.

Uma questão de “estilo”

BOAS INTENÇÕES

A Presidente de Taiwan fez votos por uma melhoria das relações, baseada nas conquistas e boa vontade acumulada nos últimos 30 anos, mas sem oferecer, porém, detalhes concretos ou novas directrizes que vão mais além da manutenção do ‘status quo’. “A nossa boa vontade não mudará, os nossos compromissos não mudarão, não voltaremos ao velho caminho da confrontação e não iremos ceder diante da pressão”, assinalou Tsai, numa altura em que a China tem exercido forte pressão sobre a Ilha Formosa, com manobras políticas bloqueando a sua participação na cena inter-

nacional e ‘roubando-lhe’ aliados diplomáticos. Taiwan é um país “amante da paz” que procura desempenhar um papel mais destacado no mundo e intensificar os seus laços com o sudeste asiático e a Índia a fim de conquistar uma posição internacional mais vantajosa, disse Tsai.

SOMBRA À PORTA

O Dia Nacional celebra-se sob a sombra do início, no próximo dia 18, do XIX Congresso do Partido

Comunista Chinês, com vozes a advertirem para conflitos iminentes e até para a possibilidade de o Presidente chinês, Xi Jinping, estabelecer uma data limite para a unificação com Taiwan. O primeiro-ministro taiwanês, Lai Ching-te, afirmou na sexta-feira, após uma interpelação parlamentar, não haver indícios de um conflito iminente entre os dois lados do Estreito. Vários políticos e especialistas norte-americanos, incluindo o

“A nossa boa vontade não mudará, os nossos compromissos não mudarão, não voltaremos ao velho caminho da confrontação e não iremos ceder diante da pressão.” TSAI ING-WEN PRESIDENTE DE TAIWAN

antigo representante dos Estados Unidos na ilha Richard Bush e o analista da instituição Project 2049 Ian Easton falam de datas limites para a unificação e de mesmo de uma invasão da ilha, provavelmente para o ano 2020. As mudanças no panorama internacional, com a chegada ao poder de líderes como Donald Trump ou o conflito na península da Coreia, que dá a China uma carta para jogar com Washington, não são positivas para a ilha, segundo a opinião de muitos especialistas em Taiwan. A imparável ascensão económica, política, estratégica e militar da China também representa uma ameaça à autonomia da Ilha Formosa e um obstáculo para a manutenção do seu espaço internacional e os laços com os seus 20 países aliados. Taiwan - a ilha onde se refugiou o antigo governo chinês depois de o Partido Comunista tomar o poder no continente, em 1949, e que continua a ostentar o nome de “República da China” (sem o adjetivo “Popular”) - é vista por Pequim como uma província da China e não uma entidade política soberana. Pequim defende a reunificação pacífica, mas ameaça usar a força caso a ilha declare independência.

Região Coreias Sul envia milhares de panfletos para o Norte

Activistas sul-coreanos lançaram ontem balões com milhares de panfletos com mensagens críticas do regime da Coreia do Norte para denunciar as provocações nucleares e de mísseis por parte de Pyongyang. Os ‘Lutadores por uma Coreia do Norte Livre’, um grupo cívico formado por desertores norte-coreanos, afirmaram que os seus oito membros enviaram aproximadamente 300 mil panfletos para a Coreia do Norte a partir da cidade de Gimpo, perto da fronteira, no oeste do país, pelas 6:00. Além dos panfletos a condenar as provocações por parte do regime de Pyongyang, os balões também transportaram 2.000 notas de um dólar norte-americano para incentivar os norte-coreanos a apanhá-los, segundo um comunicado, citado pela agência de notícias chinesa Xinhua. Esta foi a primeira vez que activistas sul-coreanos enviaram panfletos anti-Coreia do Norte para o outro lado da fronteira desde a tomada de posse, em Maio, do novo governo da Coreia do Sul liderado pelo Presidente Moon Jae-in.

A

camp an h a para as eleições antecipadas de 22 de Outubro no Japão, nas quais o actual primeiro-ministro conservador, Shinzo Abe, espera renovar o seu mandato, apesar de mudanças no panorama dos partidos políticos. Cerca de 1.100 candidatos disputam os 475 assentos que compõem a Câmara dos Representantes do parlamento (Dieta) japonês e que Abe dissolveu em finais de Setembro, alegando a necessidade de um novo mandato para fazer frente à Coreia do Norte e dar continuidade às políticas económicas. Nestas eleições, o conservador Partido Liberal Democrata (PLD), de Abe, no poder nos últimos cinco anos com uma ampla maioria, enfrenta uma oposição recentemente reorganizada, em que se destaca a nova formação

Corrida em marcha

Arranca campanha eleitoral no Japão para as eleições de próximo dia 22

da governadora de Tóquio, Yuriko Koike. O Partido da Esperança, que surge em todas as sondagens como segunda força política, agrupa grande parte dos membros do recém-extinto Partido Democrata (PD), até agora a principal força da oposição no Japão. A maioria dos observadores considerou que a decisão de Abe de convocar eleições mais de um ano antes do final da actual legislatura procurava precisamente tirar vantagem de um momento de debilidade da oposição e dar-lhe o menor tempo possível para organizar uma alternativa de Governo. Horas depois de anunciada a convocatória das eleições

antecipadas, as sondagens indicavam que será difícil arrebatar o poder a Abe, apesar da enorme popularidade da governadora de Tóquio e do impacto causado pelo surpreendente lançamento do seu novo partido.

DAS PREVISÕES

As mais recentes sondagens dão o conservador PLD como o favorito, com quase um terço das intenções de voto (32%), o que lhe permitirá manter a maioria, não obstante implicar a perda de assentos. O primeiro-ministro conservador, que se apresenta como um candidato veterano

e experiente num momento de instabilidade na oposição, garantiu que se o PLD e o actual parceiro de governo, o budista Novo Komeito, não conquistarem, em conjunto, a maioria simples de 233 assentos, demitir-se-á, assumindo a responsabilidade de resultados piores do que o esperado. O Partido da Esperança conta com 13% dos apoios, segundo as mesmas sondagens, e espera converter-se na segunda força política do Japão, depois de, após muita especulação,Yuriko Koike ter decidido não encabeçar a lista de candidatos e continuar como governadora de Tóquio.


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11.10.2017 quarta-feira

De braço dado com a crueldade LITERATURA ARTURO PÉREZ-REVERTE ACABA DE LANÇAR “FALCÓ”

O mais recente romance de Arturo Pérez-Reverte, “Falcó”, levou o autor a reviver as experiências de “crueldade e estupidez” do ser humano, de dor e morte que presenciou durante os 21 anos em que foi repórter de guerra

O

escritor espanhol Arturo Pérez-Reverte acaba de lançar “Falcó”, que conta a história de um espião e ex-contrabandista de armas sem escrúpulos, que se encontra a mando dos serviços de inteligência franquistas, durante a Guerra Civil Espanhola, em 1936,

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA OS DOZE • William Gladstone

Este romance extraordinário e inesquecível conta a história de Max, um herói invulgar que é lançado pelo destino numa viagem de descoberta do segredo por trás da antiga profecia Maia sobre o final dos tempos - previsto para 21 de Dezembro de 2012. Através de várias aventuras espectaculares em Jerusalém, Atenas, Londres, Índia, Istambul, China, Japão e México, vai sendo revelado aos leitores como Max e Os Doze cumprem a missão que o destino lhes reserva. Estará a antiga profecia Maia correcta? Estará de facto próximo o fim do mundo tal como o conhecemos? Ou haverá um sentido oculto, mais profundo e misterioso, para esta profecia arcana? Combinando elementos do ‘thriller’ do romance iniciático e da literatura esotérica, Os Doze é um dos livros mais invulgares e cativantes dos últimos tempos.

com a missão de libertar um detido da prisão. “Os anos 1930 foram uma época muito interessante na História da Europa, lugar de espionagem, fascismo, comunismo, de lutas revolucionárias, mas por outro lado, de roupas muito elegantes, de maneiras, era um mundo muito interessante,

não tão inglório como agora, era um mundo fascinante”, disse o escritor, em entrevista à Lusa, justificando a escolha do tema para o romance. A personagem que criou para se movimentar nesse meio é Lorenzo Falcó e, apesar de já ter escrito vários livros sobre guerras, nesta história a Guerra Civil Espanhola não é o

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

NEGROS ANOS • Zhang Jie

A obra-prima da escritora que verteu numa epopeia sublime a história da China no século XX Para atingir o seu objectivo de poder e impedir a modernização, o comunismo maoista violou os sentimentos mais sagrados, estruturantes, da cultura da China, lançando os filhos contra os pais, impondo a toda a sociedade uma violentíssima convulsão. Estes são os negros anos descritos por Zhang Jie. Violência dilacerante cuja lembrança ainda hoje ensombra o coração da China, mas que não conseguiu desintegrar a textura intima da irredutível humanidade do povo chinês.


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quarta-feira 11.10.2017

Lusofonia em palco

o território em que ele se move”, afirmou. A ambivalência da personagem entre o mau e o bom - está igualmente presente na corrente da história, que retrata acções de fascistas, comunistas, socialistas e anarquistas, sem deixar transparecer simpatia por nenhuma das facções. Arturo Pérez-Reverte explica que das reportagens de guerra que fez, na maioria guerras civis, aprendeu que entre duas facções há uma “declaradamente dos bons e outra dos maus” - sendo que na Guerra Civil Espanhola, “os bons eram os da República e os maus eram os Franquistas” -, mas que quando se convive com os protagonistas das guerras, “a linha já não está tão clara, é tudo mais confuso”.

ARTURO PÉREZ-REVERTE ESCRITOR

objectivo, “é o fundo decorativo”, explicou. Arturo Pérez-Reverte assume que um dos grandes desafios deste livro foi conseguir que “o leitor adoptasse como companheiro de leitura um torturador, assassino, sem escrúpulos, amoral por completo”, e para isso teve que apresentar como contrapartida virtudes que o compensassem: “elegante, simpático, encantador, sedutor, um homem que gosta muito das mulheres e de quem as mulheres gostam”. O escritor admite que se identifica com a personagem de Falcó, indiferente às causas e ideologias e até à humanidade, devido às duas décadas que viveu em países em guerra. “Partilhamos os mesmos pontos de vista sobre o mundo, sobretudo (Falcó) partilha da minha fé indestrutível na capacidade de crueldade e estupidez do ser humano e esse é

“Falcó beneficia desse conhecimento, vive num mundo em que os bons e os maus não estão nada claros, às vezes são bons outras vezes são maus, e ele não tem uma ideologia, uma simpatia politica concreta, é um mercenário, um amoral, um homem para quem a aventura, a adrenalina, as mulheres, o luxo e a acção são os valores fundamentais”, diz. Para descrever as acções da personagem, na sua faceta mais cruel e violenta, bem como as cenas de morte e tortura, com todas as descrições de expressões faciais e sintomas físicos, Reverte socorreu-se da sua própria memória, usando “artefactos literários narrativos que beneficiam” da sua “experiência pessoal”. “Quando escrevo estas aventuras sobre violência tortura e morte, não me contaram, não é teoria nem imaginação, não aprendi numa conversa de bar nem numa conferência, nem num livro ou num filme, eu vivi-o, durante 21 anos vi muita gente como o Falcó, eu vi torturar, vi matar, por isso eu sei como é um cadáver, como é a pele de um homem sob tortura, os suores frios, eu toquei-lhes”, recorda. Para escrever os seus romances, Arturo Pérez-Reverte viaja até aos lugares onde as histórias se passam, frequenta os restaurantes, lê, tira fotografias e sobretudo respira o ambiente que respiram as suas personagens, conta. Foi o que aconteceu com este livro, cuja história termina no Estoril, onde o escritor esteve três semanas a trabalhar, porque Portugal era, na

A

altura, “um lugar importante, de tráfico, de espionagem, de conspirações”.

LISBOA NO PRÓXIMO LIVRO

E é em Portugal, na cidade de Lisboa, que começa o seu próximo romance, “Eva”, que sai em Espanha nos próximos dias, que recupera o espião Falcó e uma das suas companheiras de missão, uma personagem feminina “muito forte”. Aliás, o escritor sublinha a importância que dá à personagem feminina que não é a clássica “esposa” ou “mãe”, como Anna Karenina ou Madame Bovary. “A mulher é um tema muito interessante, as minhas mulheres são muito poderosas, perigosas, duras, cruéis também, de uma grande força intelectual e de personalidade, mulheres lutadoras, comunistas, franquistas, activistas, esse tipo de mulher combativa interessa-me muito na vida real e nos romances”, declara.

quarta edição do “Teatrau – Mostra de Teatro dos Países de Língua Portuguesa” arranca já este sábado, no contexto da semana cultural da China e dos países de língua portuguesa. Participam este ano cinco companhias teatrais de Portugal, Macau, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Moçambique. A companhia teatral Hiu Kok, de Macau, volta a participar com a peça “O cuco da noite escura”.Apesar desta companhia já ter estado presente noutras edições do Teatrau, trata-se, segundo João Laurentino Neves, director do Instituto Português do Oriente (IPOR), de um novo projecto. “Há, no seio da companhia Hiu Kok, diversos projectos artísticos, um pouco à semelhança do projecto Artistas Unidos, em Portugal. Os jovens que vêm este ano fazer a peça fazem parte de um projecto que não tem a ver com as outras edições”, explicou ao HM. A peça em questão será em chinês, com tradução em português. No caso da companhia que representa Macau, a escolha recai sob o Instituto Cultural. O IPOR decidirá, através de um concurso, a companhia que representa Portugal, e, este ano, é a Nómada Art & Public Space, que vai mostrar o projecto “Solange – uma conversa de cabeleireiro”. No caso das companhias teatrais oriundas dos países de língua portuguesa, a escolha cabe aos delegados do Fórum Macau. João Laurentino Neves declarou que, para participar no Teatrau, existem critérios que determinam a presença dos projectos de teatro. “Não é comportável ter grandes companhias e isso obriga-nos a tomar opções. Apostamos numa mostra de teatro em que a companhia apre-

senta poucos actores, a mostra deve incidir sempre no trabalho do actor e no texto.” Depois, é importante, no caso de Portugal, que se trate de “uma peça que tenha circulado e que tenha tido bons comentários”. Além disso, “o texto deve ser revelador daquilo que é a literatura em português e que conte com um desempenho de actores que possa trazer às outras companhias propostas inovadoras”.

PÚBLICO A CRESCER

João Laurentino Neves acredita que, na hora de falar de público, há que abordar três dimensões, que vão muito além das pessoas que se dirigem ao Teatro D.Pedro V. Há que olhar para os workshops que se realizam nas escolas e universidades, pois abrangem “pessoas que não vão necessariamente ver as peças, mas que recebem os actores e fazem diversas acções”. “Essa é uma dimensão importante da mostra, não se esgota no palco”, acrescentou. O director do IPOR destaca também “a dimensão dos workshops com associações ou projectos locais de artes performativas”. Ao todo, estão em causa cerca de mil pessoas. “Esperamos ter mais pessoas este ano”, acrescentou Laurentino Neves. Ao nível dos espectadores, o director do IPOR sugere um maior apoio do Governo. “Esperamos que nesta edição possamos ter mais ajudas. Temos de analisar como podemos reforçar a informação junto dos diversos públicos, tal como as comunidades de estudantes e todos os que falam português, como língua materna ou não. Era importante que os serviços públicos da RAEM pudessem dar uma ajuda”, concluiu. A.S.S.

PRATA PARA O HOJE MACAU HOJE MACAU

“Falcó beneficia desse conhecimento, vive num mundo em que os bons e os maus não estão nada claros”

Mostra de teatro “Teatrau” começa este sábado

• A equipa do Hoje Macau de Barco-Dragão participou no último fim-de-semana, em Hong Kong, em mais uma competição da modalidade. Os representantes do Hoje Macau obtiveram um brilhante resultado ao alcançarem a segunda posição na prova disputada em Shau Kei Wan.


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11.10.2017 quarta-feira

ANÚNCIO “Prestação de Serviços de Manutenção e Reparação na Granja do Óscar em Coloane” Concurso Público No 026/SZVJ/2017 Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração do IACM, tomada em sessão de 22 de Setembro de 2017, se acha aberto concurso público para a “Prestação de Serviços de Manutenção e Reparação na Granja do Óscar em Coloane”. O programa de concurso e o caderno de encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), sito na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau. O prazo para a entrega das propostas termina às 12:00 horas do dia 31 de Outubro de 2017. Os concorrentes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM e prestar uma caução provisória no valor de MOP20.000,00 (vinte mil patacas). A caução provisória pode ser efectuada na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros do IACM, sita no rés-do-chão do mesmo edifício, por depósito em dinheiro, cheque ou garantia bancária, em nome do “Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais”. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á no Centro de Formação do IACM (sito na Avenida da Praia Grande, n° 804, Edf. China Plaza 6° andar), pelas 15:30 horas do dia 1 de Novembro de 2017. Além disso, o IACM realizará uma sessão de esclarecimento que terá lugar às 15:30 horas do dia 18 de Outubro de 2017 no Centro de Formação do IACM. Macau, aos 28 de Setembro de 2017. O Presidente do Conselho de Administração José Maria da Fonseca Tavares WWW. IACM.GOV.MO


ARTES, LETRAS E IDEIAS

Os outros nunca sentem. Quem sente somos nós Diário de um editor João Paulo Cotrim

Os dias cobram dívidas

HORTA SECA, LISBOA, 3 OUTUBRO Raspo dos dias apenas o mel. Quando devia estar a arrumar a casa, batem-me à porta com projectos. Primeiro o Bruno [Portela], que arrasta consigo a fotografia. Arrasta por alto, rente ao tecto onde habita. Gosto dos seus modos. De fazer. Neste país que prefere estender passadeiras, o Bruno desenvolve tapetes onde nos podemos sentar mediterraneamente, uns num canto, outros a meio, mas no conforto do encontro. Anima, com o Luís Vasconcelos, o ponto de encontro do fotojornalismo nacional, a Estação Imagem, iniciativa que vem rasgando o país para o mostrar melhor, que convoca parceiros internacionais de ofício e olhar, que anseia por preservar a memória, que procura resposta simples para o complicado: sobrevivência. Depois, também se pode discutir gostos. Assentados. A espessura das ideias que trouxe, como as que levei eu para a troca, adiante as partilharei. Com o Alex [Cortez] chega-me, de seguida, o desafio de acolher em livro os «Poetas Portugueses de Agora», a mais recente empresa da Lisbon Poetry Orchestra, banda rica de vozes ditas e instrumentos tocados, quase canções com o texto a dançar sobre a rica tessitura de baixos e guitarras e tecladas e sopros de variegada respiração, além de mais cordas convidadas. Os versos são de próximos de agora ou nem tanto: Daniel Jonas, Cláudia [R. Sampaio], Paulo [José Miranda], Valério [Romão] e Filipa Leal. Ditos por Paula Cortes, Miguel Borges, André [Gago] ou um Nuno [Miguel Guedes] acabado de conhecer há uns 40 anos. Lá está: como dizer não ao presente? E o embrulho, que não terá apenas um CD, vem com aspiração a objecto, desenhado pelo Daniel

Moreira, que ilumina ainda os detalhes. O Alex não tocou apenas argumentos, trouxe EP que oiço em modo vertigem. Diz o Paulo na voz do André: «Os dias batem-nos à porta/ os dias cobram dívidas/ cobram dívidas// ser-se cobrado/ é como andar à chuva e ter coração/ e precisar de respirar/ e precisar de andar/ e precisar de cuidar das plantas que enfeitam a varanda/ ou as marquises dos arredores de Lisboa.» HORTA SECA, LISBOA, 4 OUTUBRO Distinta estava a noite na auto-estrada. O escuro não se assume na via rápida, nem mesmo em pleno coração do

CASA DA CULTURA, SETÚBAL, 5 OUTUBRO Ninguém dá por ela, como convém a um bom fotógrafo. A Graça [Ezequiel] desfaz-se nos cenários, nas paisagens, nos momentos. Ninguém a vê. E por isso o seu território outro não é que os bastidores. Mesmo quando fotografa o palco, o que nos dá a ver é o outro lado, o da preparação, o esboço antes do risco final, o momento em que o artista se apaga para deixar entrever o indivíduo. Em performance ou repouso, de atenção presa ou distraído no acaso, alguém foi apanhado sendo. Apenas sendo, vibrantemente existindo. Daí o negro, a enorme quantida-

Alentejo. Vislumbro ao correr do vidro as constelações, a mancha leitosa da via láctea. Não me podia alhear, que assim o exigia o cansaço de quem conduzia, de sul para norte, de quem me conduz, nas direcções cardiais. A Lua dizia mais luz, de cheia que estava. Nisto, o mal-estar. Mal dou por mim, ao quilómetro cento e trinta e seis vírgula oito, detalhe ampliado, aquele oito infinitamente maior que o resto dos numerais ordinais, tenho a meus pés uma mulher estendida no asfalto, sem dar cor dela. De que branco seriam os nossos rostos na escura noite nívea da auto-estrada, sem darmos por nós, um acordado outro nem tanto. Tomo por justa esta imagem para os dias que passam velozes.

de de negro que estas fotos contêm (conferir nesta página com a de Helder Macedo). No palco, pouco mais há além do negro profundo, a cor da arte, e precisamos do olhar e da câmara da Graça para libertar a luz destes rostos. Eles estão a criar para nós, a dizer que não podemos ser apenas isto, que no negro se encontram todas as cores que precisamos para abrir mundos neste. Ensaiando ou descontraindo, como representando ou dizendo, o escritor, o artista, o actor, o músico são mais, são maiores. Por serem nós, por que nos fazem ser com eles. Atenção, com eles, que não como eles. Por ora, estes esboços estão perto no sul feito de beira-rio.

GRAÇA EZEQUIEL (DETALHE)

HORTA SECA, LISBOA, 2 OUTUBRO Que obituário escreveria o coelho, personagem principal da crónica mais pequena da nação, tantas vezes surrealista em toda a potência e delícia do termo, para dizer da vida e obra do seu criador, Jorge Listopad? Não arrisco vestir-lhe a pele. Sei que devo a Listopad teatro, palavras, cidades, visões, servido o ensemble com irrequieta frescura. Desejava arrastar o dia à procura de flores e frutos na horta de papel onde guardo alguma daquela sua flora. «Jorge é o mesmo que Jíri. Listopad é Novembro . Nasci em Novembro. Agora o Jorge tem a mesma raiz, estão todos ligados à terra; são lavradores. Portanto, sou o lavrador de Novembro.» Assim se nomeou em autobiografia, passados os oitenta. Custa-me saber que o lavrador de Novembro deixou de amanhar a horta que mantinha na teia de um palco.

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HORTA SECA, LISBOA, 6 OUTUBRO Podia a entrada estar datada de 11/9, o dia exacto e icónico em que disponibilizámos este denso e fulgurante ensaio do António [Araújo]: «Consciência de Situação Um Ensaio Sobre The Falling Man». A partir de uma fotografia célebre, a de Richard Drew a que alude o título, o António ajuda-nos como nenhum outro a enfrentar a ferida que se abriu nos nossos mundos, em 2001. A queda é o eixo desta poderosa reflexão, que vai muito além da costumeira compilação de notas de leitura, provavelmente de toda a bibliografia sobre o assunto, para tocar a história da fotografia, o miolo do jornalismo, a análise de comportamentos em situações de risco real, a filosofia e a religião unidas pela umbilical ideia de salvação, mas também de beleza ou presente. Este pensamento vem, como gosto tanto, insuflado de um sopro de ia escrever emoção, mas é humanismo, que me comove e perturba, mesmo nas descrições violentas, nas esmagadoras reflexões, nas poéticas construções. Apesar de ser sobre este incandescente assunto, há-de concluir, são as «divagações vazias que constituem a melhor metáfora do nosso tempo». Não será o caso, garanto. «Na manhã de 11 de Setembro de 2001, as câmaras de televisão filmaram uma mulher na rua, horrorizada pelos corpos em queda do cimo das Torres Gémeas. Aos gritos, dizia: «há ali gente a saltar, gente a saltar! Acho que estão a tentar salvar-se!» Ninguém pode tentar salvar-se saltando de um 102.º andar de um edifício. Tudo depende, no entanto, do que entendermos por salvação . Em função disso, o grito descontrolado daquela mulher pode ser encarado como uma frase insensata e ditada pelo pânico; ou, pelo contrário, como a observação mais certeira e sagaz alguma vez feita sobre os suicidas do 11 de Setembro.» Sei bem onde estava (e com quem estava, certo, Cristina [Sampaio]?). Mas nunca mais soube onde estamos. P.S.: Cultivo a superstição de contrariar a vontade de abrir o livro mal me chega da gráfica. Costumo dar logo com a gralha grasnando. Confirmou-se: na 123, esquecemo-nos de limpar a repetição da capitular. HORTA SECA, LISBOA, 7 OUTUBRO Divertido, não fora perturbador. Percebo melhor a tatuagem do presente: business as usual. Estás bem? Péssimo, respondo: exausto por isto e por aquilo, além de que a minha distribuidora faliu. Que maçada! Olha, o meu livro, quando sai? E a factura, quando me pagas? ‘Bora jantar? ‘Bora, respondo.


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11.10.2017 quarta-feira

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A Poesia Completa de Li He

唐兒歌 頭玉磽磽眉刷翠,杜郎生得真男子。 骨重神寒天廟器,一雙瞳人剪秋水。 竹馬梢梢搖綠尾,銀鸞睒光踏半臂。 東家嬌娘求對值,濃笑書空作唐字。 眼大心雄知所以,莫忘作歌人姓李。

Canção para o Rapaz Tang, Filho de Du, Duque de Bin Crânio como jade, duro como pedra, Pestanas negro-azul. O Mestre Du fez decerto Um belo rapaz. Rosto sério, espírito puro, Uma alfaia de templo,1 Com um par de olhos que vêem através dos homens Como água de outono. O seu cavalo de bambu agita a cauda verde Ao vento,2 Nas suas mangas curtas, quimeras de prata Brincam brilhando. A linda filha do seu vizinho a oriente Procura marido. Com um sorriso resplendente escreve no ar O caracter “Tang”.3 Olhos ambiciosos, um coração de herói Prediz seu destino, Possa nunca esquecer o homem chamado Li Que escreveu esta canção.

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Este rapaz, Tang-er, era o jovem filho de Du Huang-tang, Duque de Bin. A sua mãe era uma princesa da casa real. Uma alfaia usada no Templo Imperial. A cauda do cavalo era feita de folhas de bambu. “Filha do vizinho a oriente” era uma frase feita para designar uma bonita jovem. Os chineses usam frequentemente o indicador para escrever caracteres no ar ou na palma da mão.

Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 17

quarta-feira 11.10.2017

Amélia Vieira

WILLIAM BLAKE

Uma frescura de asas

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OLTAR para o limbo das coisas transfiguradas, não misturar as fontes com as formas nessa incessante busca de afastamento face aquilo que no sensível se mantém, mergulhando assim no dom inalterável. Descarnar, não querer efeitos, retirar o excesso de humano, vencê-lo, secar o pântano acre-doce do instinto que alimenta espectros - movimento extinto - (...) tempo, suspende o teu voo (...) Ficar puro como a ideia, vigiar, estar preparado para o défice de compreensão dos transferidos para as zonas dos impactos, não mais nos alimentarmos de presas vencidas cuja deglutinação ajudou a subjugar os que servem de repasto- herdeiros dos medos- testar em cada um a superação humana por um processo alquímico muito próprio, não alinhar na corrente transacta de um corcel de Fados e de prantos, não ver a arena por onde as festas anunciam o banquete pois se tangerdes uma lira as próprias feras lerão na superfície das provas uma outra mensagem. Instar, inibir qualquer gesto de traição, colar a nós os sacrifícios como forma de deposição das armas. É a sombra que salva a voz do assombro e no negro alvíssimo que transluz, devemos nós, os que temem as côres, resignar-se a tecer o tempo como um círculo de frágeis fios, pois que, sem a tenaz noite que de tão escura é sempre nova a voz poderá sair um ronco carregada de poeiras que são os pensamentos e o grande arco trazer somente a ilusão colorística que um deus maligno compôs para seu disfarce. Sangra, sangra, mas não te queiras na gleba. Lá, bem dentro do seu labirinto, está o

Minotauro e se te apressas na marcha forças com leis te virão buscar carregadas de aflições, criaturas bestializadas ao serviço do centro: enquanto tardas, guarda a fonte. — Relembrando títulos de livros de autores de alma timbrada e tão longínquos — . António Quadros e ao pensar que ao existirem me servem hoje de uma gratificante brisa! Estamos no meio das experiências da côr, no auge da dobra fractal de similitudes alteradas onde se fez de quase tudo um amontoado de sujeições : o mundo grito, o mundo claque, o mundo clube, o mundo cor, que de cor, só o coração. Tempo haverá em que o elemento humano estará quase ausente e se dele não restar a qualidade da sua brisa que é o único dom da sensibilidade criativa, saibamos que nada o desgastou mais do que esta felicidade sem esperança, mais, muito mais do que a dos seus tempos felizes na miséria. Neste labor de reter o melhor que foi Homem chegar-se-á a um ponto em que o conteúdo humano da obra seja tão escassa que quase não se veja, a Humanidade será lembrada pela sua secreta perfeição, de tal ordem que se pensará que fôramos uma tribo tão pequena

quanto aquele povo inventado, nas horas mortas todos morremos sem que seja necessário outro entretenimento. Então, só depois a nossa consciência “sentou-se na sombra profunda quando por sobre a cabeça o ulmeiro murmura... e canta, quando a água santa e sóbria assaz bebeu, escutando ao longe no silêncio o canto da alma”... Horderlin . É esta a Asa, a sombra profunda que salva a palavra da claridade do raio. A frescura e a sombra correspondem ao Sagrado e a palavra funda o seu advento. Já não há rebelião, outrora até os anjos a tinham e das suas centelhas se fizeram fogueiras, mas o enxofre gerado tinha ainda a molécula do bom cheiro a Bode e frases mágicas que produziam efeitos mais fecundos que alucinogénios, havia na sombra, sombrias formas que criavam cismas tão divinos como quaisquer santos, havia uma dor de fundos imprevistos e talvez o cérebro estivesse em outros momentos da sua liturgia, havia isso tudo que criou indómitos espectros, que hoje, quase os visitamos sem supor do cativeiro a que estiveram sujeitos e olhamo-los sem malícia, esse artefacto não tinha, nem sabia, o que poderia ser ainda o coro de

Já não há rebelião, outrora até os anjos a tinham e das suas centelhas se fizeram fogueiras, mas o enxofre gerado tinha ainda a molécula do bom cheiro a Bode e frases mágicas que produziam efeitos mais fecundos que alucinogénios

uma tragédia, hoje, mergulhados nela, achamo-nos paradoxalmente os mais felizes dos Homens. Que as sombras partiram e a frescura é menor, que tudo se transforma sem que nos transformemos à velocidade dos ventos, que aqui retidos entre domínios imponderáveis se nos esgota o oxigénio e o escuro apagão é tido como o fim dos nossos quotidianos. Não brilha mais para nós o azeviche que precede a luz, a nossa natureza gosta da noite do néon mas não quer ver o efeito das sombras que produz, que sombras, são benignas, as dos ulmeiros quando murmuram... e sem eles, não há ao longe canto. Se dizem estas Asas no fim que a finalidade é libertarmo-nos libertando os outros, todos somos uma proposta ampla de Liberdade que será necessário aguardar com o sentimento do dever realizado. Pela noite entram os amantes, sempre caminhando para ela, pare então tempo o movimento triste que alimentou um brilho insuportável. Nós, os cegos, somos uma visão madura de Deus, usamo-lo nas vestes ainda tingidas de preto total , não ousamos, contudo, não somos encarnados, quase, brancas Aves, pois que todos os fantasmas o são. Tingidos neste suporte toda a sensação não sentida como desejo é enfim glorificada num imenso adeus às armas pois que não nos fizeram vorazes e nos manteve na rota certa para a dádiva e não para criar raízes no próprio esquecimento. Para não nos tragarem, escondemos os dons, e para continuar, oferecemos os serviços, nenhum gratidão é suficiente para agradecer tamanhas coisas.


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11.10.2017 quarta-feira

公告 澳門街坊會聯合總會 開展流動緊急呼援服務 公開招標競投

1. ANÚNCIO DO CONCURSO FUNDO DAS INDÚSTRIAS CULTURAIS ANÚNCIO Nos termos previstos no artigo 13. º do Decreto-Lei n.º 63/85/M, de 6 de Julho, e em conformidade com o despacho do despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 27 de Setembro de 2017, realiza-se um concurso público para adjudicação da «Prestação de serviço da segurança para o Fundo das Indústrias Culturais nos anos 2018 e 2019». 1. Entidade adjudicante: Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. 2. Serviço responsável pela realização do processo do concurso: Fundo das Indústrias Culturais. 3. Modalidade do concurso: concurso público. 4. Objecto do concurso: adjudicação da prestação de serviços da segurança para o Fundo das Indústrias Culturais nos anos de 2018 e 2019. 5. Local de realização da prestação dos serviços: Fundo das Indústrias Culturais. 6. Duração da prestação de serviços: dois anos, de 1 de Janeiro de 2018 até 31 de Dezembro de 2019. 7. Prazo de validade das propostas: as propostas são válidas pelo prazo de noventa (90) dias a contar da data da respectiva abertura, prorrogável nos termos previstos no artigo 36.º do Decreto-Lei n.º 63/85/M, de 6 de Julho. 8. Caução provisória: MOP50.000,00 (cinquenta mil patacas), podendo ser prestada por depósito em numerário ou mediante cheque visado, a entregar no Centro de Apoio Administrativo e Financeiro do Fundo das Indústrias Culturais, ou por garantia bancária, aprovados nos termos legais, à ordem do Fundo das Indústrias Culturais, devendo ser especificado o fim a que se destina. 9. Caução definitiva: a caução definitiva corresponde a 5% do valor total de adjudicação. 10. Preço base: não definido. 11. Condições de admissão: Podem concorrer todas as pessoas colectivas com alvará válido para o exercício de actividades de segurança privada emitido pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública da Região Administrativa Especial de Macau, de acordo com as disposições da Lei n.º 4/2007, de 9 de Julho. 12. Local, data e hora limite para entrega das propostas: Local: Fundo das Indústrias Culturais, sita na Avenida Xian Xing Hai n.º 105, Centro Golden Dragon, 14.º Andar A, Macau. Data e hora: Entregue contra recibo até às 17,45 horas do dia 31 de Outubro de 2017. 13. Sessão de esclarecimento e visita aos locais: a sessão de esclarecimentos terá lugar na sala de conferências do FIC, pelas 11,00 horas do dia 13 de Outubro de 2017, realizandose a seguir à visita dos interessados ao local onde será executada a prestação de serviços. 14. Local, data e hora do acto público de abertura de propostas: Local: Fundo das Indústrias Culturais, sita na Avenida Xian Xing Hai n.º 105, Centro Golden Dragon, 14.º Andar A, Macau. Data e hora: 1 de Novembro de 2017, pelas 10,00 horas. As concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes no acto público de abertura de propostas para esclarecimento de eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados a concurso, nos termos do artigo 27.º do Decreto-Lei n.º 63/85/M, de 6 de Julho. As concorrentes ou os seus representantes legais poderão fazer-se representar por procurador, devendo este apresentar procuração reconhecida que lhe confira poderes para o efeito. 15. Adiamento: Em caso de encerramento dos serviços públicos por motivo de força maior, a sessão de esclarecimento, o termo de entrega das propostas e a abertura das propostas serão adiados para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, à mesma hora. 16. Local, data, horário para exame do processo e preço para a obtenção de cópia do processo: Local: Fundo das Indústrias Culturais, sita na Avenida Xian Xing Hai n.º 105, Centro Golden Dragon, 14.º Andar A, Macau. Data: desde a data da publicação do anúncio no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau até ao termo do prazo para a entrega de propostas. Horas: durante as horas de expediente, nos dias úteis. Preço: MOP100.00 (cem patacas) por cada cópia ou gratuitamente através da página electrónica do Fundo das Indústrias Culturais (http://www.fic.gov.mo). 17. Critérios de apreciação das propostas e factores de ponderação: - Preço:60%; - Experiência na prestação de serviços da segurança: 10%; - Certidão da qualidade do serviço da segurança prestado por concorrente 30%. O Fundo das Indústrias Culturais, aos 6 de Outubro de 2017. O Presidente, Leong Heng Teng

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招標實體:澳門街坊會聯合總會 招標方式:公開招標 實施地點:澳門”平安通”呼援服務中心 承攬標的:流動緊急呼援服務 交標地點、日期及時間: 地點:澳門白朗古將軍大馬路464號四樓,澳門街坊會聯合總會社區服務大 樓四樓接待處 截止日期及時間:2017年11月14日,下午18:00 招標簡介會地點、日期及時間: 地點:澳門白朗古將軍大馬路464號二樓,澳門街坊會聯合總會社區服務大 樓二樓205室 日期及時間:2017年10月20日,上午10:00 為了讓有意投標者更清晰投標內容,可於招標簡介會當天登記及預約2017年10月 23日下午解說會面。(每單位約有四十五分鐘至一小時解說會面時間。) 7. 開標地點、日期及時間: 地點:澳門白朗古將軍大馬路464號四樓,澳門街坊會聯合總會社區服務大 樓四樓會議室 日期及時間:2017年11月15日,上午09:00至下午 18:00 8. 發佈中標地點、日期及時間: 地點:澳門白朗古將軍大馬路464號四樓,澳門街坊會聯合總會社區服務大 樓四樓會議室 日期及時間:2017年11月23日,上午10:00 為了讓中標者或代表更清晰雙方未來簽署的合作協議內容,中標者或代表應出席 發佈中標前的會面。(會面日期及時間:2017年11月21日,上午10:00) 9. 取得招標文件的方法: 於澳門街坊會聯合總會網頁下載 http://www.ugamm.org.mo/CN/ 時效:由有關公告刊登日起至2017年11月14日,下午18:00 10. 評選方式: 由本會成立評選小組,該小組將綜合考慮方案的各項因素(詳情請參閱招標書) ,並不承諾最低價者中標。 11. 查詢及簡介會報名方式: 電話:2899 2222 電郵:pot@ugamm.org.mo 12. 聯絡人:潘嘉倫先生、林雪金女士 13. 附加說明文件: 公開招標日起至2017年11月14日,下午18:00截標日前,投標者應密切注意本會有 否附加的說明文件。 澳門街坊會聯合總會,見報即日生效。


desporto 19

quarta-feira 11.10.2017

A associação deu o dito por não dito e o Monte Carlo confirmou inscrição à última da hora. Na 2.ª Divisão, o Consulado de Portugal é a grande baixa, numa decisão justificada com a presença em outros torneios e a falta de informação por parte da associação

CONSULADO DE PORTUGAL FORA DE TORNEIO SUBSTITUTO DA BOLINHA

Onze equipas em campo poderíamos alterar a inscrição e lá nos inscrevemos, acrescentou.

CONSULADO DE FORA

O

NZ E equipas vão participar na 1.ª divisão do torneio de futebol que vai substituir o campeonato ‘Bolinha’, confirmou ontem a Associação de Futebol de Macau (AFM), ao HM. As cinco equipas Lun Lok, Night Walker, Keng Seng, Chong Wa e Kin Wa optaram por ficar do campeonato, que se vai disputar no Canídromo. “Foram 11 as equipas que nos manifestaram vontade de participar e que se inscreveram. Cinco equipas optaram por não participar na competição”, disse Daniel Sousa, vice-presidente da AFM, ao HM. “No que diz respeito à primeira divisão, a Associação de Futebol de Macau prevê que o formato da competição sejam dois grupos, um constituído por cinco equipas e outro por seis. Inicialmente, ainda se pensou fazer quatro grupos, mas

O Monte Carlo esteve em dúvida até muito próximo do fecho das inscrições, que aconteceu ontem às 18h30 não deve ser essa a opção tomada face às inscrições”, acrescentou. Benfica, Sporting, Polícia A, Polícia B, Cheng Fung, Lam Pak, Chiba, Sub-23, Kei Lun, Ka I, e Mon-

te Carlo são os nomes das equipas que amanhã vão ser sorteados para definir os grupos. O sorteio está agendado para as 18h30, na sede da Associação, e a competição deverá arrancar logo na sexta-feira.

CONFIRMAÇÃO DE ÚLTIMA HORA

Apesar de ser uma das formações participantes, o Monte Carlo esteve em dúvida até muito próximo do fecho das inscrições, que aconteceu ontem às 18h30. O caso foi relatado pelo presidente do clube, Firmino Mendonça.

“O nosso pessoal, quando foi fazer a inscrição, pediu para retirar da lista os jogadores estrangeiros, que já foram embora de Macau, e inscrever locais. Mas foi-nos dito que não podíamos”, revelou Firmino Mendonça. “Nesse caso, tínhamos falta de jogadores porque não íamos inscrever apenas nove elementos, sendo que o máximo de inscritos é 14. Assim, estivemos mesmo para não participar. Só que depois recebemos um telefonema da Associação de Futebol de Macau a dizer que já

Em relação à 2.ª Divisão, o número de formações inscritas é de 105, que fica abaixo da participação normal na Bolinha. Contudo, o Consulado de Portugal não vai participar, uma vez que já tinha compromissos assumidos. “Não inscrevemos a equipa. Já tínhamos compromissos assumidos para a participação em outros torneios, temos um este sábado, temos outro muito em breve, fora de Macau”, começou por dizer Carlos Wilson, director desportivo da equipa, ao HM. “Não sabemos os moldes em que a competição vai ser disputada. Parece que até hoje [ontem] à tarde a maioria das pessoas não sabia o formato. Sem sabermos os moldes, não podemos assumir o compromisso, porque já assumimos a presença noutras competições”, acrescentou. No que diz respeito ao escalão secundário, as 105 equipas, onde consta a Casa de Portugal, deverão ser divididas em 35 grupos, cada um com três formações. O torneio de futebol sete, também conhecido como Bolinha, foi cancelado devido aos efeitos do tufão Hato e à impossibilidade de remover todos os pedaços de vidro do sintético. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Rosenqvist esperado de Ferrari Vencedor do GP Macau F3 na prova de GT

D

E POIS de ter vencido o Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 em 2014 e 2015 e ter finalizado em segundo o ano passado, Felix Rosenqvist deverá regressar este ano ao Circuito da Guia, mas para competir pela primeira vez na Taça do Mundo FIA de GT. A notícia foi avançada ontem pela revista inglesa Autosport, mas carece ainda de confirmação oficial, até porque a lista de inscritos da prova só será divulgada a 24 de Outubro. O piloto sueco deverá conduzir no circuito do território um Ferrari 488 GT3 da equipa norte-americana Scuderia Corse, estrutura que tem como director desportivo Stefan Johansson. O ex-piloto da Ferrari na Fórmula 1 venceu a Corrida de

Qualificação do Grande Prémio de Macau em 1984 e, para além de grande entusiasta do Circuito da Guia, é também responsável pela gestão da carreira desportiva de Rosenqvist. Se conseguir vencer a corrida, Rosenqvist, que este ano está a competir no campeonato de monolugares japonês Super Fórmula, tornar-se-á o segundo piloto a vencer a corrida de Fórmula 3 e a prova de GT, um feito apenas conseguido até aqui por Edoardo Mortara. Com a participação inesperada deste Ferrari, o número de construtores diferentes na prova deverá ascender a seis.

CORRIDA QUE PROMETE

A terceira edição da Taça do Mundo FIA de GT promete trazer alguns nomes sonantes ao

Circuito da Guia. É aguardada com alguma expectativa se a Mercedes-Benz convoca o “Sr. Macau” Edoardo Mortara para esta corrida, se a BMW aposta em António Félix da Costa, se a Porsche chama o campeão em título Laurens Vanthoor e se a Audi comparece à partida com um outro piloto lusófono ex-vencedor no Circuito da Guia. Enquanto essas dúvidas não são dissipadas, confirmada já está a participação do brasileiro Augusto Farfus, que guiará um BMW M6 GT3 especial: o 18º exemplar da Colecção BMW Art Car, saído da imaginação da artista chinesa Cao Fei. O construtor da Baviera irá reforçar-se em Macau com mais dois M6 GT3 de uma equipa privada de

Taiwan. A AAI Motorsports vai colocar em pista um BMW para o alemão Marco Wittmann, um ex-campeão do DTM, piloto de fábrica da casa de Munique e que já foi sétimo classificado nesta corrida, e outro para o australiano Chaz Mostert que compete no seu país no campeonato V8 Supercars

e que impressionou nas 24 Horas de Bathurst. Já a Mercedes irá reforçar-se em Macau com mais AMG GT3 da equipa privada GruppeM Racing, entregues aos pilotos Raffaele Marciello e Maximillian Buhk. Sérgio Fonseca

info@hojemacau.com.mo


20 opinião

11.10.2017 quarta-feira

“Eight months ago, Donald Trump proposed a round of burger diplomacy with North Korea’s leader Kim Jongun. He wouldn’t give him a state dinner, he said, possibly in an attempt to sound judicious, but “eating a hamburger at a conference table” would be a good way to open “a dialogue”. At the time, Mr. Trump’s words aroused much derision. Everyone with any opinion informed or not, agreed that it was simply ludicrous to propose a shared burger moment with the reclusive leader of a totalitarian state that is known for much bellicose posturing and some belligerent actions”. Can burger diplomacy win North Korea over? Rashmee Roshan Lall

A

MUDANÇA de acontecimentos incrivelmente perturbadora e muito previsível na Ásia Oriental, começou a 3 de Setembro de 2017, quando a Coreia do Norte testou com sucesso uma nova bomba nuclear. Tratou-se de um teste subterrâneo de uma bomba de hidrogénio, colocada na ponta de um míssil balístico intercontinental. O evento teve e imediatamente resposta por parte do presidente dos Estados Unidos, que condenou, afirmando que a Coreia do Norte é uma nação desonesta que se tornou uma grande ameaça e constrangimento para a China, que está a tentar ajudar, mas com pouco sucesso e qualquer ameaça para a América e seus territórios, incluindo as ilhas Guam ou os seus aliados, terá uma resposta militar maciça, eficaz e esmagadora, O líder norte-coreano Kim Jong Un deve atender à voz unida do Conselho de Segurança da ONU, tendo todos os membros concordado unanimemente sobre a ameaça que a Coreia do Norte representa, e permanecem unânimes no seu compromisso com a desnuclearização da península coreana, não pondo sequer a hipótese da aniquilação total do país. A bomba de hidrogénio é muito mais poderosa que as bombas atómicas, ou bombas de fissão, que o país testou. A Coreia do Norte afirmou ter testado uma bomba de hidrogênio em Janeiro de 2016, mas os outros países, incluindo os Estados Unidos duvidaram. A bomba nuclear que foi testada foi a maior e mais potente alguma vez efectuada pela Coreia do Norte. O Secretário-geral da ONU afirmou que o teste foi profundamente desestabilizador para a segurança regional, e o Conselho de Segurança da ONU reuniu-se de emergência no mesmo dia para discutir a questão, sendo de total condenação. O Conselho de Segurança tinha-se reunido uma semana antes depois da Coreia do Norte ter disparado um míssil que sobrevoou a ilha japonesa do norte de Hokkaido, tendo reprovado

veementemente o acontecido. O Conselho de Segurança no início de Agosto aprovou por unanimidade um novo conjunto de sanções destinadas a travar a capacidade da Coreia do Norte de obter fundos para custear o seu programa nuclear. É de recordar que durante meses, a Coreia do Norte absteve-se de realizar qualquer teste nuclear e de lançar mísseis sobre o Japão, mas parece ter decidido acabar com essa restrição. A nova série de sanções pode não ter efeitos práticos imediatos, pelo que o Japão e a Coreia do Sul defendem uma maior pressão diplomática sobre a Coreia do Norte. A rapidez que a Coreia do Norte tem usado para desenvolver o seu programa nuclear, apanhou muitos analistas desprevenidos, pelo facto de Kim Jong Un perseguir tão obstinadamente a aquisição de um poderio militar nuclear, mas que não constitui grande surpresa. Todavia, a grande parte das notícias actuais e as teses académicas explanam sobre a forma como o ditador norte-coreano, percorreu esse caminho, simplificando o entendimento sobre o mesmo, pela sua lógica. É importante corrigir o que existe de errado nas razões que levam a Coreia do Norte a este estádio, e entender o raciocínio de Kim Jong Un, pois é essencial para encontrar uma solução viável para a actual crise de tensão que amarra a região, como resultado das suas acções. Os mais realistas pensam que compreendem completamente a sua motivação e estão a tocar trombetas aos quatro ventos, dado que que Kim Jong Un sente-se assustado com a possibilidade de potências exteriores invadirem a Coreia do Norte para mudarem o regime. O ditador nortecoreano deve ter assistido com horror às acções do Ocidente, quando derrubou os governos no Afeganistão, Iraque e Líbia porque possuíam regimes tirânicos que perseguiam o povo e ameaçavam a civi-

Os Estados Unidos podem não ser capazes de forçar a Coreia do Norte a abandonar o seu programa de mísseis nucleares e balísticos, mas podem, pelo menos, encorajá-los a comunicaremse com o mundo, usando a diplomacia em vez de atiçar birras nucleares e falsas declarações de guerra. Se a “diplomacia do hambúrguer” pudesse ajudar a alcançar esse fim, seria um esforço que valeria a pena

lização ocidental. O líder norte-coreano, quase certamente, concluiu que o seu regime poderia ser o próximo e decidiu que o aumento da sua dissuasão nuclear seria a única forma de garantir a sua sobrevivência, e consequentemente, está à procura do rápido desenvolvimento do seu programa nuclear, preferindo que o seu povo coma erva, devido às sanções hiper-restritivas, que abandonar o caminho do poderio nuclear. A resposta americana foi a de aumentar o seu sistema de “Defesa Terminal de Alta Altitude (THAAD na lingua inglesa)” em países viznhos, aumentar o estado de alerta das suas forças navais na região, realizar exercícios militares de alto nível de dificuldade e complexidadel com a Coreia do Sul, procurar sempre mais restritivas sanções económicas e diplomáticas e uso de retórica inflamatória, que promete fogo e fúria, o que fez aumentar a determinação de Kim Jong Un de adquirir mais armas nucleares e mísseis balísticos, criando uma espécie de corrida armamentista. Ainda que possa parecer anacrónico, para ser justo com os mais realistas, parece que estão certos. Todavia, as suas exposições apenas capturam metade da história, pois uma parte da razão pela qual Kim Jong Un perseguiu o seu programa de mísseis nucleares e balísticos, é por ser uma das bases centrais da sua plataforma de política interna. Quando Kim Jong Un sucedeu ao seu pai, Kim Jong-il, em 17 de Dezembro de 2011, herdou o seu programa “Songun Chongch’i” ou modelo de política militar, como orientação para a governança interna e política externa, e que enfatizou a expansão do exército norte-coreano e a sua prioridade sobre a população civil. Esta doutrina deu imenso prestígio e poder às forças armadas e, quando Kim Jong Un tornou-se líder, ficou rapidamente preocupado com o facto da sua influência estar fora de controlo e poderia ameaçar o seu governo. Os seus medos, provavelmente, foram agravados por divisões devido a conflitos dentro das forças armadas, que o poderiam derrubar. O líder norte-coreano como resposta, substituiu o programa “Songun Chongch’i” por um novo programa, denominado de “Byungjin (Desenvolvimento Paralelo na tradução para a língua inglesa).” O “Byungjin” é uma criação peculiar, que envolve o duplo avanço da economia da Coreia do Norte e o seu programa nuclear. Os militares não baixam formalmente de estatuto, mas não recebem os privilégios especiais que lhes eram concedidos pelo programa “Songun Chongch’i”. Esta ausência implica que as forças armadas não são mais os meninos bonitos, favoritos e não desafiados do regime, mas que foram substituídos pelo Partido dos Trabalhadores da Coreia. O lado económico do programa tem como objectivo ajudar a reequilibrar o

HAMBURGER BY ELENA RAIMONDI

A diplomacia do

poder dentro do país, para que os militares não sejam a força suprema. O lado nuclear destina-se a contentar o ânimo dos militares sobre essa mudança radical, ao sugerir que não foram destituídos de importância, mas que a visão mudou da força convencional para a nuclear, permitindo que Kim Jong Un continue a ser visto como um líder corajoso e um advogado dos militares, enquanto também extermina os elementos mais perigosos


opinião 21

quarta-feira 11.10.2017

perspectivas

JORGE RODRIGUES SIMÃO

hambúrguer

das forças armadas por questões de segurança interna e pessoal. É uma façanha dificil e Kim Jong Un não se pode arriscar a ser visto como um líder militarmente fraco, enquanto a transição do programa “Songun Chongch’i” para “Byungjin” não estiver concluída. A sua habilidade para abordar o confronto actual sobre o seu programa nuclear com os Estados Unidos de forma conciliadora é bastante limitada. O líder

norte-coreano sente que deve ser visto pelas suas forças armadas, como uma figura forte o suficiente para enfrentar o mundo exterior, e se recuar ou procurar um acordo, poderá ser olhado como um covarde ou mesmo um traidor do legado do pai aos olhos das forças armadas. Tal, pode aumentar a possibilidade de oficiais desencantados considerarem a realização de um golpe de estado, que tarde ou cedo, será dado. A acrescentar aos medos de

Kim Jong Un é o seu conhecimento sobre o destino do ex-primeiro-ministro soviético, Nikita Khrushchev, que foi deposto em um golpe interno, dois anos depois de recuar frente à determinação americana, aquando da crise dos mísseis cubanos. A percepção de que Khrushchev havia sido humilhado durante o conflito, contribuiu em grande parte para a decisão dos conspiradores de se moverem contra ele. A ironia para Khrushchev foi que, de facto, conseguiu disputar concessões significativas dos Estados Unidos, incluindo a remoção dos seus misseis nucleares da Turquia. Todavia, esses ganhos foram mantidos secretos que mesmo os conspiradores que o derrubaram não estavam cientes deles, e Khrushchev pareceu quer a nível nacional, como mundial ter perdido o confronto com o presidente Kennedy. Os esforços dos Estados Unidos para resolver a actual crise com a Coreia do Norte, deve levar em consideração o facto de que a Kim Jong Un é motivado por preocupações de segurança internas e externas, ao invés de considerarem simplesmente a última inquietação. É de ressaltar que durante a chuva de crispações que acompanharam as ameaças de Kim Jong Un contra as ilhas Guam, a administração Trump reagiu na direcção errada para que Kim Jong Un não atacasse o território insular dos Estados Unidos. Ao louvar a sua decisão, o Presidente Trump fez Kim Jong Un sentir-se como se tivesse recuado, o que arriscava a torná-lo fraco internamente. A incapacidade de Kim Jong Un de aceitar esse resultado, pode muito bem ter ajudado a alimentar a sua decisão de reactivar a situação, testando uma nova bomba nuclear em seguida, permitindo-lhe demonstrar à sua audiência militar interna que não se curvará diante das pressões estrangeiras, mas simplesmente se movia indirectamente para um confronto ainda maior e mais importante. A resposta para os Estados Unidos não pode ser tão simples como oferecer concessões a Kim Jong Un, pois traria os seus inerentes problemas. Primeiro, os esforços comerciais anteriores para trocar tecnologia e alimentos com a Coreia do Norte, para interromper o seu programa nuclear não alcançaram o objetivo desejado, porque o regime norte-coreano enganou descaradamente todos, e continuou a desenvolver as suas armas. Tentar de novo a mesma situação, poderia simplesmente levar a uma repetição do ciclo, em que a Coreia do Norte obtém novas distribuições, em troca das mesmas promessas vazias de interrupcão do programa nuclear que ofereceu antes, e continuaria a desenvolver as suas capacidades bélicas. É de considerar, em segundo lugar, que subornar um estado hostil para travar o seu programa nuclear com presentes de ajuda e tecnologia, abriria um desagradável precedente de que qualquer Estado que quisesse extorquir benefícios similares

dos Estados Unidos deveria prosseguir o seu programa nuclear. Em terceiro lugar, existe uma dimensão humanitária extremamente importante que não pode ser ignorada, que é o facto de Kim Jong Un ser um ditador totalitário horroroso, e os Estados Unidos não devem tolerar qualquer solução que o ajude a aumentar o nível de sofrimento que pode infligir ao seu povo. É improvável, por exemplo, que o presidente Trump decida o levantamento das sanções que foram impostas à Coreia do Norte, em 2016, em resposta aos seus abusos contra os direitos humanos, porque estes foram especialmente dirigidos para minar a capacidade do regime de prejudicar o seu povo. Se os Estados Unidos realmente querem resolver a crise actual, tem que oferecer a Kim Jong Un uma saída que não só acalme os seus medos de segurança externa, mas também permita que evite perder a face internamente. Ao mesmo tempo, deve fugir da situação de ter sucumbido à chantagem nuclear aos olhos da liderança norte-coreana e do mundo em geral, evitando também ajudar a facilitar o aumento do abuso infligido à população norte-coreana pelo seu regime. Será complicado criar esta solução, mas é um caminho que é muito mais desejável do que a alternativa realista de uma corrida aos armamentos cada vez maior, e a uma guerra de palavras que poderia facilmente resultar ao uso intencional ou não de armas nucleares. A outra opção pode ser a do presidente Trump convidar Kim Jong Un a comer um hambúrger, como sugeriu durante as eleições presidenciais de 2016. Os dois líderes sentados para uma refeição, talvez em um pitoresco local das ilhas Guam, permitiria que Kim Jong Un voltasse ao seu país como um líder em igualdade de poderio bélico que o presidente dos Estados Unidos, o que seria considerado como não tendo sido uma especial façanha, pois nenhum presidente americano deu a oportunidade e possibilidade de cumprimentar e falar com um líder norte-coreano. Ao mesmo tempo, esta solução impediria os Estados Unidos de oferecerem alguma coisa tangível, que pudesse ser entendida como suborno na Coreia do Norte ou no mundo, ou que poderia ser usado para intensificar o sofrimento da população norte-coreana. Todavia, permitiria que os dois líderes se envolvessem em um diálogo directo, o que por sua vez, poderia criar empatia e encorajá-los a resolver os seus actuais problemas e futuros através de conversações, em vez de ameaças e acções hostis. Os Estados Unidos podem não ser capazes de forçar a Coreia do Norte a abandonar o seu programa de mísseis nucleares e balísticos, mas podem, pelo menos, encorajá-los a comunicarem-se com o mundo, usando a diplomacia em vez de atiçar birras nucleares e falsas declarações de guerra. Se a “diplomacia do hambúrguer” pudesse ajudar a alcançar esse fim, seria um esforço que valeria a pena.


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11.10.2017 quarta-feira

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NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA Amanhã

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Sexta-feira

FIMM | EL FOG – MASAYOSHI FUJITA Edifício do Antigo Tribunal | 20h00

Sábado

FIMM | A FRAGANT DREAM – ÓPERA NUM ACTO Centro Cultural de Macau | 20h00 KINO | FESTIVAL CINEMA ALEMÃO “O MEU ENCONTRO COM A VIDA” Cinemateca Paixão | 16h30 e 21h30

O CARTOON STEPH

KINO | FESTIVAL CINEMA ALEMÃO “BERLINALE CURTAS I: UTOPIA SEM LIMITES” Cinemateca Paixão | 19h30 KINO | FESTIVAL CINEMA ALEMÃO “FITZCARRALDO” Cinemateca Paixão | 21h30 DEBATE | “O NOVO CINEMA ALEMÃO” Cinemateca Paixão | 16h00 às 17h30

DIARIAMENTE

WORLD PRESS PHOTO Casa Garden | até 22/10

BALLADA – ANIMAMIX ARTE CONTEMPORÂNEA Museu de Arte de Macau| | Até 15/10 EXPOSIÇÃO | MACAU NA 57ª EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE ARTE DA BIENAL DE VENEZA 2017 Museu de Arte de Macau| | Até 12/11

Cineteatro

C I N E M A

BLADE RUNNER 2049 SALA 1

THE MOUNTAIN BETWEEN US [C] Fime de: HanyAbu-Assad Com: Kate Winslet, Idris Elba 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 2

BLADE RUNNER 2049 [C] Fime de: Denis Villeneuve Com: Ryan Golsling, Harrison Ford, Jared Leto, Dave Bautista 14.30, 18.15, 21.15 SALA 3

THE LEGO® NINJAGO MOVIE [A]

FALADO EM CANTONENSE Fime de: Charlie Bean 14.15, 16.05, 17.50

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 137

UM FILME HOJE

Meu mundo, Habituaste-te a acreditar em mim de tal modo que isso me pesa. Sabes que nunca desejei responsabilidades. Sempre delas fugi e fugirei. O que não consigo é fugir de ti. Estás por todo o lado. Dizer que todos os barcos se ufanam de levar a tua bandeira seria pouco. E talvez repetitivo. Como na canção em que um homem transforma a sua cama em estação de comboios. Parece-me excessivo, meu mundo. Ou talvez não, se pensarmos que os comboios apitam (pelo menos apitam) quando entram na estação e não ficam apenas calados, emburrados, como tu, meu mundo, quando te pergunto alguma coisa por mais fútil que seja. Nunca gostei dessa tua atitude de cadáver, parado, boi a olhar para mim, sempre à espera do meu deslize, da fresta em mim por onde entra a luz que te ilumina e te significa. Dizes que és tudo, que nada seria sem ti, que nunca teria compreendido nada não fosses tu explicares-me algumas coisas, ainda que superficiais e tintim por tintim. Provavelmente tens razão mas isso não explica tudo. A ser como afirmas, então eu também seria tu e isso não nos distinguiria. Pertencer-te-ia totalmente. E isso não acontece. Não. Nem penses... Por vezes gostaria que acontecesse: ser totalmente teu. Mas acordo e tu não estás ao meu lado. Nem do outro lado da casa. Ainda te procuro, meu mundo, e só te encontro quando estou fora de mim. Carlos Morais José

KIM TAE-YOON | NEW TRIAL

Lee Joon-young (interpretado por Jung Woo) é uma advogado com a carreira em risco, que para se salvar decide reabrir o caso de Jo Hyun-woo (Kang Ha-neul), jovem que passou 10 anos na prisão. Jo foi condenado por um homicídio de um taxista, que não cometeu, e apesar de ter já saído em liberdade acumulou uma dívida enorme às autoridades coreanas. Baseada em factos reais, a história mostra-nos os erros processuais do caso e explica-nos como os mais fracos se sentem desprotegidos pela própria justiça. João Santos Filipe

FIREWORKS, SHOULD WE SEE IT FROM THE SIDE OR THE BOTTOM? [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Akiyuki Shimbo Com: Suzu Hirose, Masaki Suga, Mamoru Miyano, Takako Matsu 19.55, 21.30

PROBLEMA 138

SUDOKU

DE

FIMM | “THE ERHU FAMILY” Centro Cultural de Macau | 20h00

EXPOSIÇÃO | “REPRESENTAÇÕES DA MULHER” Museu de Arte de Macau | Até quinta-feira

1.17

NÃO TARDA NADA

ABERTURA DO OKTOBERFEST MGM | Até ao dia 22 de Outubro

Domingo

YUAN

PÊLO DO CÃO

DEBATE E LANÇAMENTO DE LIVRO “A POÉTICA DA LUZ NA CALÇADA PORTUGUESA” Fundação Rui Cunha | 18h30 às 20h30

TEATRO | ABERTURA DO “TEATRAU – TEATRO DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA” Teatro D.Pedro V

0.23

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ócios/negócios 23

quarta-feira 11.10.2017

RETHINK COFFEE ROASTERS, FRANCHISING ANDREW CHANG, FUNDADOR

Os grãos da mudança Andrew Chang chegou a trabalhar num banco, até que decidiu apostar num negócio cem por cento local. Em regime de franchising, a Rethink Coffee Roasters quer abrir espaços em todo o território, à semelhança das grandes cadeias de cafés que existem no mundo

há muitos locais que adoptam franchises de cafés vindos de fora, o que não tem problema. É normal numa cidade multicultural”, explicou o criador deste negócio, que deseja que as pessoas optem por beber cafés Made in Macau. “As pessoas gostam muito dos franchises de fora, da Coreia do Sul, Taiwan, ou mesmo a Starbucks, dos Estados Unidos. O meu objectivo não é ter um franchise, mas antes promover uma marca de café local, um negócio local. Se possível, gostaria que o franchise pudesse chegar a um nível internacional”, adiantou. Apesar de querer expandir a marca, Andrew Chang não impõe o negócio a potenciais interessados. “Não faço grande promoção, não digo que sou o melhor em Macau para as pessoas que queiram fazer parte do franchise. Acho que os clientes que adoram o nosso café, se gostarem mesmo vão sugerir-nos essa possibilidade. É essa a nossa estratégia.”

DO BANCO PARA O CAFÉ

B

EBER café em copos com o símbolo azul e branco ainda não é algo comum de se ver, mas é esse o objectivo de Andrew Chang. Fundador da Rethink Coffee Roasters, Andrew quer estabelecer por toda a Macau cafés com esta marca em regime de franchising, à semelhança do que já acontece com marcas mundialmente conhecidas, como a Starbucks ou a Tom n Tom, oriunda da Coreia do Sul. Para já, a Rethink Coffee Roasters tem apenas um espaço no NAPE. “Ainda somos um micro negócio, mas esperamos conseguir fazê-lo”, explicou Andrew Chang ao HM. “O nosso primeiro café franchise deverá abrir no final deste ano, ou no início do próximo ano, se as coisas correrem bem.” “O nosso principal objectivo é promover um café local de Macau. Sabemos que

Andrew Chang já gostava de beber café e não chá, uma bebida mais tradicional da cultura chinesa, com 14 anos. Cresceu, fez os estudos superiores na área da economia e dos números, trabalhou num banco. Aí começou o seu interesse por esta arte de servir e fazer café. “Realizei várias acções de formação ligadas ao café, em Macau, Hong Kong e mesmo em Taiwan e nos Estados Unidos. Viajei através do mundo para conhecer melhor o café. Adoro café.” O trabalho na banca depressa o aborreceu. “Quando trabalhava no banco ficava sentado nove horas. E era isso. Mas no café tenho de ficar as nove horas em pé.” “Sou licenciado em economia, por isso um trabalho no sector bancário é algo natural. Mas nunca parei de estudar e envolver-me nos passatempos. Porém nessa altura, considerei que não poderia ter este emprego até ao resto da vida. Por outro lado, sentia que se tivesse um negócio e pudesse ter um café que seria mais feliz”, acrescentou o fundador da Rethink Coffee Roasters. Andrew considera que esta foi uma “mudança radical” na sua vida, e que teve de começar do zero até se tornar num empresário. “Mesmo que uma pessoa perceba de café não é suficiente. É preciso saber como gerir um negócio. Por isso, antes trabalhei em vários estabelecimentos para ganhar essa experiência, para saber mais sobre os cafés.”

DESAFIOS DO DIA-A-DIA

Andrew Chang enfrenta as dificuldades que qualquer empresário de pequena dimensão

tem neste território. “Os custos das rendas face às pessoas que passam na rua dos espaços arrendamos é muito elevado. Não é como em Hong Kong, onde se paga uma renda alta, mas há muita gente a passar nas ruas. Isto torna o negócio muito mais complicado.”

“Servimos cafés muito específicos, ou seja com uma qualidade muito elevada. Por outro lado, importamos o café, mas somos nós que o torramos. Isto é uma grande diferença”

Rua de Berlim, 76 . NAPE . Macau

Além disso, a marca tem ainda de lidar com o facto da cultura do café, em Macau, “não ser muito madura o que faz com que o negócio seja muito mais difícil.” “Servimos cafés muito específicos, ou seja com uma qualidade muito elevada. Por outro lado, importamos o café, mas somos nós que o torramos. Isto é uma grande diferença. Escolhemos os grãos, e depois servimos aos nossos clientes. Fazemos venda a retalho e por grosso. Controlamos toda a qualidade do café”, explicou o mentor deste projecto, que considera que este facto é uma mais valia da marca. “Ao contrário de outros, não nos limitamos a importar o café já torrado. Nós gostamos de controlar o processo. Isto faz com que sejamos diferentes”, concluiu. Andreia Sofia Silva

Andreia.silva@hojemacau.com.mo


Medo da sombra de um ladrão pode bem ser um espelho

Bloqueio cruel ONG acusa exército do Myanmar de travar ajuda à minoria muçulmana rohingya

A

organização não-governamental Burma Human Rights Network (BHRN) acusou ontem o governo birmanês de estar a bloquear a entrega de ajuda humanitária às aldeias da minoria muçulmana rohingya no oeste do país. Em comunicado, a BHRN indicou que muitas aldeias próximas do município de Buthidaung, no estado de Rakhine, não receberam ajuda desde a mais recente vaga de violência que teve início em 25 de Agosto. “Todas as aldeias perto da localidade precisam de comida. Aqui [Buthidaung] podemos sobreviver, mas as aldeias são pobres. Desde 25 de Agosto não foi permitida a chegada de ajuda das ONG”, indicou um morador à BHRN. Os activistas assinalaram que as autoridades também impedem o acesso da ajuda humanitária da ONU ao norte de Rakhine, onde vive a maioria dos rohingya. Segundo a ONG, apenas chegam à área suprimentos limitados de grupos locais ou da Cruz Vermelha, mas, ainda segundo a mesma organização, destinam-se, na sua maioria, às aldeias dos budistas ‘rakhine’. A ONU elevou no domingo para 519.000 o número de rohingya que chegaram ao Bangladesh em fuga da violência na Birmânia desde 25 de Agosto, dias após ter revisto o plano de resposta à crise humanitária no país. A BHRN denunciou ainda que as autoridades do Bangladesh destruíram pelo menos duas dezenas de barcos utilizados para transportar rohingya sob o pretexto de que estavam a ser usados para introduzir drogas no país e detiveram pescadores por ajudarem os membros daquela minoria que fogem da violência.

Face à falta de barcos para a travessia, os activistas afirmam que milhares de rohingya encontram-se encurralados na foz do rio Naf, que separa os dois países. Neste sentido, a ONG pediu ao Myanmar para permitir a entrada de ajuda humanitária em Rakhine e ao Bangladesh para que facilite a entrada daquela minoria apátrida, considerada pela ONU como uma das mais perseguidas do planeta.

RESPOSTA BRUTAL

A crise dos rohingya começou a 25 de Agosto, após um ataque de um grupo rebelde desta minoria muçulmana às instalações policiais e militares no estado de Rakhine, uma acção a que o exército respondeu com uma ofensiva que ainda prossegue. De acordo com testemunhas e organizações de direitos humanos, o exército da antiga Birmânia arrasou povoações incendiando-as e matou um número indeterminado de civis a tiro enquanto esvaziava essas localidades. O Governo assegurou que a violência foi desencadeada por “terroristas rohingya”, mas o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos classificou a operação militar como “limpeza étnica”. Antes da campanha militar, os rohingya que habitavam em Rakhine eram estimados em um milhão. O Myanmar, onde mais de 90% da população é budista, não reconhece cidadania aos rohingya, os quais sofrem crescente discriminação desde o início da violência sectária em 2012, que causou pelo menos 160 mortos e deixou aproximadamente 120 mil pessoas confinadas a 67 campos de deslocados.

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Tesoura das ilhas

quarta-feira 11.10.2017


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