˜ DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
SEGUNDA-FEIRA 10 DE SETEMBRO DE 2018 • ANO XVIII • Nº 4132
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MOP$10
OS DISPONÍVEIS SACOS DE PLÁSTICO
POR MEIA PATACA
Centenas de moradores desfilaram ontem do Tap Seac até à sede do Governo em protesto contra a instalação de um depósito e armazém de substâncias perigosas na área residencial do Cotai. Muitos destes moradores nunca tinham participado numa manifestação... até ontem. GRANDE PLANO
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PÁGINAS 6-7
EVENTOS
ADEUS, MÁRCIA
NA RUA PELO BAIRRO PUB
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ARMAZÉM DO BOI
A CASA NOVA
h VALÉRIO ROMÃO
hojemacau
SOFIA MARGARIDA MOTA
PÁGINA 4
ÓBITO
2 grande plano
10.9.2018 segunda-feira
O PERIGO MORA AO LADO SUBSTÂNCIAS PERIGOSAS MANIFESTAÇÃO JUNTOU CENTENAS DE RESIDENTES
FOTOS SOFIA MARGARIDA MOTA
Entre 300 a 500 pessoas saíram ontem à rua em protesto contra a instalação de um depósito e armazém provisório de substâncias perigosas junto à área residencial do Cotai
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OI a maior acção pública desde que foram revelados os planos do Governo para instalar um depósito e armazém provisório de substâncias perigosas junto à área residencial do Cotai. O protesto de ontem – que juntou 300 pessoas segundo a polícia e aproximadamente 500 de acordo com a organização – foi o primeiro, mas pode não ser o último. A manifestação, que durou sensivelmente duas horas, arrancou da Praça do Tap Seac e terminou junto à sede do Governo, com a entrega de uma petição. Foi a terceira do tipo desde que o grupo de moradores, de diferentes edifícios da zona, incluindo do complexo de habitação pública de Seac Pai Van, se insurgiu publicamente contra a intenção do Governo de instalar um depósito e armazém provisório de substâncias perigosas junto às suas casas. Depois da entrega de aderiu ao protesto em solidariedade duas petições (uma ao Governo, com uma amiga que reside em com mais de 7.000 assinaturas, e Coloane. outra à Assembleia Legislativa) e O Governo seleccionou dois realizado uma concentração em terrenos para a construção de um Seac Pai Van, o grupo de moradores depósito e armazém de substâncias decidiu avançar com um protesto perigosas – um na Avenida Margique contou com os deputados Ng nal Flor de Lótus e outro na Estrada Kuok Cheong, Au Kam San, Pe- do Dique Oeste –, cujas plantas reira Coutinho e Sulu Sou. de condições urbanísticas foram Envergando t-shirts pretas, aprovadas, em meados de Julho, com cartazes com as imagens do pelo Conselho de Planeamento secretário para os Transportes e Urbanístico (CPU). Desde que a Obras Públicas e do secretário polémica estalou, foram realizados para a Segurança, respectivamente, encontros entre representantes do Raimundo do Rosário e Wong Sio Governo e associações, como a Chak, os manifestantes reiteraram Federação das Associações dos o apelo inicial, pedindo ao Governo Operários de Macau e União Geral que os ouça e recue na decisão. das Associações de Moradores de Acompanhado pela família, Macau, com vista a dar garantias Franky, que mora em Coloane, de que não existe qualquer perigo foi um dos que participou no para a população e, mais recenteprotesto, aliás, o seu primeiro. mente, foi anunciado um estudo “Se construírem armazéns com de impacto ambiental. substâncias perigosas ali isso vai Porém, os argumentos dados afectar as nossas vidas”, observou, pelo Governo continuam sem sem esconder o receio de que haja convencer os moradores. “A única um acidente, como uma explosão. forma de acabar com as preocuUma situação que, a seu ver, salvo pações em relação à segurança é consequências mais graves, teria retirar o plano de as construir em impacto não apenas no meio am- zonas residenciais”, apontou a biente, mas também poderia afectar porta-voz do grupo de moradores, a economia, dado que existem Edith Mak. muitos casinos no Cotai. Neupani, de 29 anos, natural VOZES POR OUVIR do Nepal, que reside em Coloa- Dado que, a médio prazo, o Execune há sensivelmente três anos, tivo pretende identificar um espaço partilha da mesma preocupação, na zona E1 dos novos aterros, junto tendo sido igualmente os receios ao Terminal Marítimo do Pac On, relativamente à segurança que o para colocar definitivamente o levaram a juntar-se pela primeira depósito e armazém de substâncias vez a uma manifestação. perigosas, a mesma responsável Para Jenny, de 25 anos, também não percebe por que razão não se foi uma estreia. avança antes “Vim para mosem força para trar que a coa concretização “Por que não acelera munidade em desse plano: “O antes os trabalhos dos geral, não apeGoverno diz aterros para ter essas nas as pessoas que planeia que lá vivem, [as instalações permanentes localizar não apoia este instalações deprontas o quanto antes? finitivas] nos tipo de instalações”, afirmou novos aterros. Isso resolveria tudo.” a jovem norteEntão que vá EDITH MAK -americana que em frente [e]
grande plano 3
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“Se construírem armazéns com substâncias perigosas ali isso vai afectar as nossas vidas.” FRANKY rapidamente até porque a construção de instalações temporárias vai demorar pelo menos dois a três anos e, por essa altura, os novos aterros também estarão prontos”. “Por que não acelera antes os trabalhos dos aterros para ter essas instalações permanentes prontas o quanto antes? Isso resolveria tudo”, defendeu Edith Mak. Além de contestarem o plano propriamente dito, os moradores da área residencial do Cotai também lamentam não terem sido ouvidos: “Ninguém do Governo nos convidou para conversas, seminários ou encontros para nos explicar por que razão escolheram estes locais [na zona do Parque Industrial da Concórdia] nem como foi feita a consulta pública”. “Estamos muito furiosos e insatisfeitos relativamente à forma como o Governo lidou com a resistência popular”, observou Edith Mak, sem descartar a possibilidade de mais protestos, de apelar para o PUB
Governo Central ou de levar o caso a cidades vizinhas, como Hong Kong ou Taiwan, para que fiquem a par do que está a acontecer em Macau.
BOM SENSO E SERIEDADE
Pereira Coutinho também tocou na ausência de diálogo, considerando que “demonstra a falta de seriedade, transparência e de abertura por parte do Governo”. “Não se pode brincar com este tipo de coisas”, salientou o deputado, para quem é “fundamental” que o depósito e armazém de substâncias perigosas fiquem “muito longe das populações”. À luz do plano, a habitação mais próxima ficará a aproximadamente 200 metros das controversas instalações a erigir na zona do Parque Industrial da Concórdia. Um cenário que nem na China tem lugar, onde o raio mínimo ronda um quilómetro, argumentou Pereira Coutinho. “No passado, já ocorreram grandes problemas com depósitos de produtos inflamáveis. É preciso prevenir porque [a perda] de vidas humanas não se consegue remediar”, realçou o deputado, que espera “bom senso” e “flexibilidade” por parte do Governo. Sulu Sou pronunciou-se na mesma linha. “O Governo deve ser
mais honesto na hora de enfrentar as reivindicações dos residentes”, apontou o também deputado, para quem a confiança dos moradores no
Governo saiu beliscada pela falta de diálogo. Não obstante, Sulu Sou ainda tem confiança num eventual recuo do Executivo face à forte
oposição dos residentes: “Penso que podem mudar de opinião”. Diana do Mar
dianadomar@hojemacau.com.mo
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Amizade policial
Wong Sio Chak defende novo modelo de cooperação
O Após seis edições do concurso para reduzir a utilização de sacos de plástico, foram poupados 26 mil sacos
PLÁSTICO GOVERNO PREPARA TAXA ENTRE 50 AVOS A UMA PATACA
De saco cheio
Já se vislumbra o dia em que será cobrada uma taxa por cada saco de plástico adquirido nas superfícies comerciais de Macau de forma a desincentivar o seu uso. O valor da taxa, entre 50 avos e uma pataca, foi revelado por Raymond Tam
A
taxa a pagar por saco de plástico vai-se fixar entre os 50 avos e uma pataca, de forma reduzir a utilização. O valor, que ainda não está definido, foi avançado, na sexta-feira, pelo director dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), Raymond Tam, à margem de um evento do Governo sobre o programa para reduzir a utilização de sacos de plástico com a entrega de prémios. Quando questionado sobre o assunto e a falta de legislação neste sentido, Raymond Tam, segundo o canal chinês da Rádio Macau, explicou que a restrição à utilização dos sacos vai ser feita
através de uma lei própria e não Ainda de acordo com o resde um regulamento. Assim, será ponsável da DSPA, neste momenuma lei a definir o montante que to, o Governo está a finalizar a vai ser cobrado. proposta de lei, com o documento O valor de cada saco de plás- a ser analisado pelos assuntos tico vai ser definido jurídicos, antes de ser posteriormente mas enviado para a Assemficará situado no interbleia Legislativa. valo entre os 50 avos e uma pataca. Um monNA GAVETA DESDE 2016 tante que o governante Recorde-se que a conconsiderou ser aceitásulta pública sobre esta vel para a população. lei foi realizada entre Segundo a consulta Dezembro de 2015 e pública feita anteriorFevereiro de 2016. Na mente, chegou-se à altura, após um estudo conclusão que o valor encomendado pelo milhões de sacos Executivo, concluiuda taxa deveria reverter usados por ano para os próprios super-se que em média cada mercados. residente utilizava por (dados de 2015)
450
Medicina GAES estuda pedido da MUST para criar faculdade O Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES) está “a analisar e estudar, detalhada e cuidadosamente”, o requerimento para o estabelecimento da Faculdade de Medicina, apresentado pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês). A informação foi
avançada, este sábado, pelo secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, que deu conta de que o GAES já ouviu pareceres de académicos e peritos. O processo administrativo encontra-se em curso e o resultado será divulgado pelo GAES após a sua conclusão.
dia 2,2 sacos de plástico, o que totalizava um valor de 450 milhões de sacos por ano. Apesar da demora em implementar a medida, que motivou petições com origem na sociedade civil, Raymond Tam preferiu valorizar o facto do objectivo do Governo e da população ter sido sempre o mesmo. As declarações do director da DSPA surgem depois de no final de Agosto ter sido entregue uma petição a pedir o fim do uso excessivo do plástico em Macau. Na altura, a petição online recolheu 4.700 assinaturas em cerca de duas semanas. Já em relação ao balanço do programa “reduzir o uso de sacos de plástico poderá dar prémios”, iniciativa que pretende promover o uso de sacos ecológicos em compras, a DSPA revelou que na edição deste ano participaram mais 80 lojas do que no ano passado. No total, o número de espaços comerciais foi superior a 300. Ainda de acordo com o Governo, após seis edições do concurso para reduzir a utilização de sacos de plástico, foram poupados 26 mil sacos, o equivale a aproximadamente 4.400 sacos por ano. Os dados de 2015 indicavam que Macau utilizava 450 milhões de sacos por ano. João Santos Filipe
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secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, defendeu um novo modelo de cooperação policial entre Macau, Hong Kong e Guangdong que responda aos novos desafios de segurança levantados pelo projecto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. Wong Sio Chak disse que é necessária uma nova cooperação policial que reforce “a capacidade de resposta a emergências, no combate à migração ilegal e na tomada de medidas mais vocacionadas ao combate à criminalidade transfronteiriça”, pode ler-se na nota, que cita a intervenção de Wong Sio Chak realizada na quinta-feira em Foshan, cidade da província de Guandong. “As novas tendências e oportunidades associadas ao desenvolvimento acelerado e a integração contínua das regiões de Guandong, Hong Kong e Macau, vão trazer inevitavelmente novos problemas e desafios relacionados com a segurança da sociedade”, disse Wong Sio Chak em Foshan, onde marcou presença uma delegação policial de Macau num encontro entre as autoridades daqueles três territórios. O secretário para a Segurança defendeu ainda em Foshan que para garantir “a segurança regional, as três polícias devem proceder a uma previsão eficaz e a uma avaliação prospectiva do estado de segurança, bem como adoptar medidas proactivas”. “As novas formas de cooperação e as medidas a implementar no futuro pelas autoridades de segurança das três regiões devem assentar na inovação e ter como base a experiência tradicional, respeitando a diferença dos dois sistemas que compõem um Estado único, tendo sempre em consideração o respeito por sistemas jurídicos distintos entre as três regiões, procurando ir ao encontro de um regime inovador em matéria jurídica e de aplicação da lei”, acrescentou Wong Sio Chak. O mesmo comunicado refere ainda que durante o encontro em Foshan, o vice-governador da província de Guadgong, Li Chunshen, apresentou uma proposta que prevê “estabelecer um mecanismo de liderança e de cooperação policial (…), bem como a realização de uma reunião anual de cooperação policial entre os altos dirigentes das polícias das três partes, (…) com a finalidade de discutir, promover e implementar os diversos trabalhos policiais no âmbito da construção da Grande Baía”.
política 5
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SAÚDE GOVERNO DIZ TER FEITO QUASE 300 PLANOS DE FORMAÇÃO
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S Serviços de Saúde de Macau (SSM) garantiram, em resposta ao deputado Leong Sun Iok, que já realizaram vários programas de formação, no estrangeiro e em Macau, para médicos, enfermeiros e funcionários da rede de saúde pública do território. Entre 2013 e 2017, “foram realizados um total de 294 planos de formação, nos quais participaram mais de 13 mil pessoas, tendo o número de dias de formação atingido os cerca de 26 mil, e as despesas ultrapassado as 12 milhões de patacas”.Além disso, “de entre os planos, 103 constituíram o envio de pessoal à China, Hong Kong, Taiwan, Singapura, Japão e Austrália, entre outros países e regiões fora de Macau, para receberem formação. No mesmo período foram realizadas cerca de 70 acções de formação para médicos, que contaram com cerca de 2200 participantes”. Perante estes números, Lei Chin Ion, director dos SSM, adiantou ao deputado que “salvo o normal funcionamento do serviço e a insuficiência de recursos humanos, os SSM apoiam totalmente e incentivam o pessoal no seu aperfeiçoamento e formação, tendo, desde sempre, procedido à apreciação e aprovação seguindo os princípios da justiça, imparcialidade e abertamente, elevando assim o nível dos serviços de medicina de Macau”. A.S.S.
GDI Edifício Público vai custar entre 160 e 250 milhões
A construção de um edifício com escritórios para o Governo na ZAPE, junto à Avenida da Amizade, vai custar entre 160 e 250 milhões de patacas, de acordo com as propostas apresentadas a concurso público, na quinta-feira, e reveladas pelo Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, na sexta-feira. De acordo com a informação avançada pelo GDI, foram entregues 19 propostas com valores entre 160 milhões e 250 milhões de patacas e os prazos a variarem entre os 615 e 730 dias de trabalho, ou seja entre um ano e oito meses e dois anos. Das 19 propostas recebidas, apenas uma apresentou problemas, tendo sido aceite à condição, com os responsáveis a precisarem de entregar alguma documentação em falta. O edifício em causa vai albergar escritórios e parques de estacionamento para a Administração Pública, numa estrutura com cerca de 1 636 metros quadrados, com 11 pisos superiores e 2 pisos subterrâneos. O início das obras está previsto para o primeiro trimestre do próximo ano.
ENSINO SULU SOU EXIGE MAIOR PARTICIPAÇÃO DE PAIS NAS ESCOLAS
lização de palestras ou outro tipo de actividades. Há poucas escolas que permitem aos pais observarem as aulas e estarem presentes nas reuniões regulares das escolas, mas não têm direito a uma intervenção nem a tomar decisões”, justificou.
Sulu Sou entregou uma interpelação escrita ao Governo onde exige a revisão da lei de bases do sistema educativo não superior para garantir a maior participação dos pais nas escolas. O deputado pretende potenciar a qualidade de ensino e a gestão escolar
DIREITO À INFORMAÇÃO
Marcar presença
A
mais recente interpelação escrita de Sulu Sou defende que a lei de bases do sistema educativo não superior deve privilegiar uma maior participação dos encarregados de educação na forma como a escola ensina e gere as aulas. O deputado do campo pró-democrata argumenta que o ensino não pode contar apenas com os esforços das direcções das escolas. Na visão de Sulu Sou, devem ser tomadas medidas para os pais marquem mais presença nos trabalhos de gestão escolar.
O deputado pede, portanto, uma revisão para que sejam incluídos os representantes dos encarregados de educação. O legislador recorda que o guia de funcionamento das escolas já prevê a criação de uniões de pais, que têm como objectivo reforçar a comunicação entre a escola e os encarregados de educação.
Contudo, argumenta que tanto esse guia como a lei não estão a ser bem concretizados neste aspecto, pelo que a participação dos pais nos assuntos escolares dos filhos continua a ser insuficiente. “Apesar de algumas escolas criarem uniões de pais, estas apenas prestam auxílio na rea-
Sulu Sou recorda que o guia de funcionamento das escolas já prevê a criação de uniões de pais, que têm como objectivo reforçar a comunicação entre a escola e os encarregados de educação
Sulu Sou estabelece uma comparação entre Macau e os restantes países e regiões ao nível da comunicação que existe entre escolas e encarregados de educação, defendendo que a proximidade continua a ser insuficiente. O deputado questiona, por isso, quais as medidas que serão tomadas para garantir que os pais participam no processo de tomada de decisões por parte dos conselhos directivos. Para Sulu Sou, é importante analisar esta questão tendo em conta os casos recentes de assédio sexual e bullying ocorridos nas escolas de macau. O deputado pede que o Governo garanta o direito à informação dos pais, assim como o direito de participação nos trabalhos preventivos e de acompanhamento de casos. Vítor Ng (com A.S.S.) info@hojemacau.com.mo
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sentimento de perda é unânime entre quem conviveu profissional e pessoalmente com Márcia Schmaltz, a académica que viveu para contar a China em Português. Schmaltz faleceu na passada sexta-feira, com 45 anos, vítima de cancro. Figura carismática do Departamento de Português da Universidade de Macau, Márcia Schmaltz encontrou o caminho para o Oriente ainda criança. Nasceu em Porto Alegre, no Brasil, em 1973, mas mudou-se para Taiwan ainda criança, onde morou durante seis anos. Formada em letras, foi professora e tradutora-intérprete de chinês, mestre em Estudos da Linguagem e doutorada em Linguística na Universidade de Macau, onde também leccionou. “É muito triste”, começou por dizer o director do Departamento de Português da Universidade de Macau, Yao Jingming, ao HM. Em causa está não só a imensa
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O elo que se quebrou ÓBITO MÁRCIA SCHMALTZ, ACADÉMICA
Márcia Schmaltz morreu na passada sexta-feira, vítima de cancro, com 45 anos. A académica é reconhecida por quem a conheceu de perto como alguém que estava ligada à China por “um cordão umbilical” e que, talvez por isso, transmitia a China ao mundo “de forma natural”
perda humana, mas também o desaparecimento de uma força de trabalho quando se fala em interculturalidade. “Era uma pessoa fantástica e muito trabalhadora que deu um grande contributo ao ensino da língua portuguesa em Macau e à divulgação da cultura chinesa quer no território, quer no mundo lusófono, com as obras que traduziu”, acrescentou o académico.
SINOLOGIA EM PORTUGUÊS
Apesar da sua formação em letras e carreira na área da tradução, Márcia Schmaltz era, acima de tudo uma sinóloga, apontou Yao Jingming. “Ela pode ser considerada como uma sinóloga real, verdadeira”, disse. A justificação é simples: “falava muito bem chinês, falava como nós falamos e conhecia também muito bem a cultura chinesa e a forma de ser deste povo. Ela podia ser chinesa”, sublinhou. A ligação à China não era puramente académica, era “um elo afectivo”. Esta
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os Estudos Luso-Asiáticos da Universidade de Macau, admitiu que a académica era um caso particular quando se fala de interesse pela cultura chinesa, devido ao “cordão umbilical que manteve sempre com a China”.
MULHER DE CONVICÇÕES.
afectividade terá nascido das circunstâncias em que viveu os seus primeiros anos. De acordo com Luís Ortet, editor da Revista Macau e responsável por um blog de divulgação de cultura chinesa em português para o qual Márcia Schmaltz também contribuiu, a académica “teve a particularidade de viver parte da infância em Taiwan, na Grande China”. Esta experiência conferiu-lhe atributos únicos. “Foi uma criança na China rodeada por crianças chinesas que falavam chinês. É um contacto que a aprendizagem que se tem da língua ou da cultura em adulto não consegue captar”, explicou. “Uma grande perda”, reitera Luís Ortet, até porque o trabalho que desenvolvia preenchia uma lacuna no mundo da sinologia. “Quer em Portugal, e de certa maneira também no Brasil, não há uma escola e um empenho por parte das autoridades e dos meios académicos no sentido de criar uma espécie de sino-
logia lusófona da mesma maneira que há uma francesa, uma alemã e uma de língua inglesa por exemplo”, disse. Como tal, “é mais uma perda neste contexto em que qualquer pessoa que dedique o seu tempo e o seu talento ao estudo, à divulgação e à compreensão da cultura chinesa é uma mais-valia enorme uma vez que os meios institucionais não têm feito grandes apostas no sentido de criar a tal sinologia lusófona”, acrescentou o responsável pela Revista Macau. Márcia Schmaltz colaborou ainda com a editora Livros do Meio. “A notícia da morte prematura de Márcia Schmaltz deixou-me triste e chocado. Conheci-a enquanto especialista em língua e
cultura chinesas, professora na Universidade de Macau e tradutora para chinês de um livro importante da literatura brasileira - “Macário”, de Álvares de Azevedo - editado pela Livros do Meio, entre outras obras”, referiu o editor Carlos Morais José. A partida aos 45 anos foi demasiado precoce. “Amorte surpreende-nos com as suas escolhas. A Márcia tinha ainda muito para nos dar a todos nós, como amiga, como autora e como académica. E ficará, com certeza, na nossa memória e na história das relações culturais entre o Brasil e a China. Isto é tudo muito injusto”, rematou. Já o amigo pessoal e colega de Márcia Schmaltz , Roberval Teixeira e Silva, director do Centro de Pesquisa para
“Foi uma criança na China rodeada por crianças chinesas que falavam chinês. É um contacto que a aprendizagem que se tem da língua ou da cultura em adulto não consegue captar.” LUÍS ORTET DIRECTOR DA REVISTA MACAU
Para Roberval Teixeira e Silva não é fácil falar dos atributos pessoais da amiga, até porque lhe era “uma pessoa muito próxima”. Mas, as questões do mundo, nomeadamente as que envolviam desigualdades sociais eram uma área que lhe dizia particularmente respeito e que motivava as suas tomadas de posição em qualquer circunstância. No entanto, e também por isso, considera o amigo, “sempre foi uma pessoa muito clara, e dizia o que achava das coisas, o que lhe trouxe uma série de admiradores mas também opositores que estavam de pé atrás, porque não é fácil lidar com pessoas que gostam e precisam de dizer o que pensam e sentem em relação às várias coisas que lhes dizem respeito. Sempre com fundamento”, rematou. Na Universidade de Macau onde leccionou, está a ser preparada uma homenagem a Márcia Schmaltz com a produção de um vídeo em sua memória que reúne os vários momentos da sua vida académica no território. “Estamos a reunir fotografias, escritos, livros que traduziu em homenagem e memória a Márcia Shmaltz”, referiu o director do departamento de português daquela instituição, Yao Jingming. Márcia Schmaltz, ganhou o prémio Xerox/ Livro Aberto pela tradução de “Histórias da Mitologia Chinesa” em 2000 e, em 2001, o Prémio Açorianos de Literatura, categoria tradução. Foi editora da colecção Tradução de Clássicos da Literatura Brasileira. Entre as obras que traduziu para português estão “ 50 Fábulas da China Fabulosa” (2007), “Viver”, de Yu Hua (2008), “Contos Sobrenaturais Chineses” (2010), Fábulas Chinesas” (2012), “Me Deixe em Paz”, de Murong Xuechun (2013), e “Contos Completos” de Lu Xun. Sofia Margarida Mota
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Dengue Detectado sexto caso importado
Os Serviços de Saúde anunciaram, na sexta-feira, a confirmação de um caso importado de febre de dengue, elevando para seis o total de ocorrências desde o início do ano. O caso diz respeito a uma residente de Macau, de 44 anos, que viajou para a Indonésia entre 15 de Agosto e 3 de Setembro. A paciente recorreu a uma consulta
num centro de saúde um dia após o regresso, com o teste a dar positivo à febre de dengue. O historial de viagem, o período do aparecimento dos sintomas e o resultado laboratorial levaram os Serviços de Saúde a concluir tratar-se de um caso importado. Actualmente, a paciente não tem febre e apresenta um estado clínico estável.
Malária Primeira infecção importada
Os Serviços de Saúde anunciaram na sexta-feira a detecção do primeiro caso importado de malária. A paciente, de 35 anos, viajou para Moçambique entre 16 de Agosto e 2 de Setembro, apresentando os primeiros sintomas, como sucessivos episódios de febre
e dores, no regresso a Macau. O teste feito no Hospital Kiang Wu confirmou a presença de malária. O historial de viagem, o período do aparecimento dos sintomas e o resultado laboratorial levaram os Serviços de Saúde a concluir tratar-se de um caso importado de malária.
Nadadores-salvadores Empresa advertida para cumprir responsabilidades
O secretário para os Assuntos Sociais, Alexis Tam, afirmou ter exigido à empresa à qual foram adjudicados os serviços de nadadores-salvadores que cumpra as suas responsabilidades contratuais sob pena de o Instituto do Desporto (ID) iniciar procedimentos legais. Uma disputa entre as partes patronal e laboral obrigou, no mês passado, ao encerramento de duas piscinas públicas, depois de 24 nadadores-salvadores, dos quais 23 não-residentes, se terem recusado a trabalhar devido à falta de condições laborais,
como a ausência de gozo de uma folga semanal desde Março. No sábado, à margem de um evento público, Alexis Tam, afirmou ter dado instruções ao ID para agilizar a resolução da actual situação, nomeadamente através da aquisição temporária de serviços de nadadores-salvadores, para que as piscinas retomem o funcionamento normal com a maior brevidade. A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais recebeu, desde 17 de Agosto, três queixas que estão a ser acompanhadas, envolvendo 27 funcionários.
Kiang Wu Empregada de limpeza não apresentou queixa na DSAL
A empregada que na terça-feira ameaçou saltar do 14.º andar do Hospital Kiang Wu, devido a um disputa laboral, optou por não apresentar qualquer queixa contra o empregador. A revelação foi feita pela Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), numa resposta enviada ao HM. “Depois de ter sido dado o alerta para o incidente, a Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) enviou uma equipa ao local para fornecer a assistência necessária à trabalhadora. Não foi apresentada qualquer queixa”, respondeu o Governo. Recorde-se que a mulher de 52
anos, uma trabalhadora não-residente do Interior da China, exerce as funções de empregada de limpeza no hospital. Contudo, não é empregada pelo Kiang Wu, pertencendo antes aos quadros de uma companhia de limpeza subcontratada. Na origem do incidente esteve o facto da trabalhadora ter sido informada que o seu contrato não seria renovado, pelo que, ao abrigo da lei em vigor, teria de voltar ao Interior da China. Em relação ao futuro, a DSAL promete “continuar a acompanhar este tipo de incidentes e a proteger os direitos legítimos dos trabalhadores”.
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O
IPM Alexis Tam apoia contratação de Lei Heong Iok
EDUCAÇÃO DSEJ SEGURA LEONG VAI KEI APESAR DAS DECLARAÇÕES POLÉMICAS
Abana, mas não cai
O director dos Serviços de Educação e Juventude afastou a hipótese da subdirectora Leong Vai Kei abandonar o posto e elogiou o trabalho e experiência da colega GCS
director dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), Lou Pak Sang, garante que a subdirectora Leong Vai Kei vai continuar no cargo e que foi mal-entendida, quando afirmou que a homossexualidade precisa de ser diagnosticada e tratada. À margem de uma reunião do Conselho de Educação para o Ensino Não Superior, Lou Pak Sang sublinhou ainda o contributo de Leong Vai Kei para o sector local, assim como a experiência da responsável. “A subdirectora Leong tem muita experiência e reconhecemos a sua capacidade no cumprimento das suas funções. Na verdade, tanto como chefe de divisão e de departamento, ela contribuiu imenso para os nossos trabalhos, com muitas opiniões válidas e um trabalho reconhecido na relação com as escolas”, afirmou Lou Pak Sang, afastando a hipótese de Leong Vai Kei abandonar o posto. Ao mesmo tempo, negou que a subdirectora Leong tenha mencionado que o facto de duas pessoas do mesmo género se sentirem atraídas seja uma doença: “Queria esclarecer que ela nunca falou da homossexualidade como uma doença. Ela só disse que se há um aluno que não sabe definir a sua orientação sexual, que pode pedir apoio e ser transferido para ser acompanhado por médico”, sublinhou. Ainda em relação às declarações da mesma subdirectora de que o sexo só deveria ser praticado depois do casamento, Lou escusou-se a fazer qualquer consideração. “Não vou falar sobre
esse tema. Mas há certos princípio legais que devem ser respeitados”, apontou.
APOIO DE ALEXIS TAM
A ‘número dois’ da DSEJ também mereceu a confiança do secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. Em declarações
O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, afirmou, este sábado, ser viável a intenção do Instituto Politécnico de Macau (IPM) de recontratar o seu ex-presidente, Lei Heong Iok, que se reformou há pouco tempo. Alexis Tam assinalou que tal está previsto nos diplomas legais e nos estatutos do IPM, enfatizando que Lei Heong Iok é um perito dotado de muitos conhecimentos na área de língua portuguesa e que o IPM necessita de professores com experiência.
aos jornalistas, no sábado, Alexis Tam afirmou apoiar a continuidade da subdirectora, sublinhando que Leong Vai Kei exerce funções na DSEJ há mais de uma década e que possui vasta experiência na administração pública, destacando-se
Lilau Proprietário incorre em multa devido a derrocada
O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura advertiu, este sábado, que o proprietário do edifício localizado na Calçada do Lilau, que sofreu um colapso parcial no início do mês, incorre em pena de multa caso não tenha efectuado as obras de manutenção e conservação previstas à luz da Lei de Salvaguarda do Património Cultural, dado que o imóvel integra um conjunto classificado. De acordo com Alexis Tam, o IC tinha exigido já ao proprietário, através de um ofício, que procedesse a obras de manutenção e conservação.
MAIS ALUNOS POR TURMA
N
os próximos três anos, a DSEJ acredita que vai ter de aumentar o número de alunos por turma nas escolas de Macau, devido ao aumento da natalidade. A situação foi explicada pelo director Lou Pak Sang. “Hoje em dia, as turmas tem cerca de 28 alunos. Mas estamos a enfrentar um novo desafio porque a natalidade voltou a subir e temos cada vez mais alunos. Prevemos que nos próximos três anos tenhamos de aumentar o número de estudantes por turmas, talvez para 33 ou 35. Talvez sejam necessárias 11 mil vagas nas escolas para o ano”, apontou.
pelo trabalho e pelas boas habilitações académicas.
HINO EM MANDARIM
Outro assunto abordado pelo director da DSEJ foi a lei do hino nacional, que vai implementar o ensino da Marcha dos Voluntários nas escolas. Lou Pak Sang afastou o cenário das escolas internacionais de Macau ficarem isentas da medida e a hipótese da letra do hino ser ensinado em outra língua que não o mandarim, mesmo para não falantes do idioma. “É uma medida que abrange todas as escolas do ensino não-superior, incluindo as internacionais. Se for o hino da República Popular da China, obviamente, que tem de ser cantado em mandarim”, disse Lou. Contudo, a DSEJ garantiu que vai prestar o apoio necessário às instituições de ensino para a aplicação da medida, nomeadamente através da criação de um livro com orientações para o efeito. “Vamos apoiar a escolas para alcançarem esse objectivo. Vamos ter um manual para ajudar as escolas em relação ao hino nacional, à bandeira e ao símbolo. Para que as escolas possam ter mais informações para os alunos”, foi explicado. Lou comentou ainda o andamento dos trabalhos sobre o diploma que vai regular o ensino profissional em Macau. O director da DSEJ revelou que já foi feita a consulta pública e que no primeiro semestre do próximo ano o diploma deve entrar em processo legislativo. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
CULTURA VIVENDAS DE ESTILO PORTUGUÊS NA CORONEL MESQUITA COM EXPOSIÇÕES EM 2019
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O início do próximo ano, quatro das 12 vivendas de estilo português situadas ao longo da Avenida do Coronel Mesquita devem abrir as portas para receber trabalhos de artistas locais. A revelação foi feita, na sexta-feira, pela vice-presidente do Instituto Cultural, Leong Wai Man, num telefonema para o programa Fórum Macau, da Ou Mun Tin Toin. De acordo com a responsável, o instituto
já recebeu 11 das 12 vivendas, após as obras nos edifícios. Contudo, até ao final do ano, apenas quatro das 11 casas vão ser restauradas, para ficarem disponíveis para receber trabalhos dos artistas locais. Anteriormente, o Governo já havia anunciado a intenção de fazer das vivendas um espaço para as indústriais culturais e criativas. Mas, na sexta-feira, Leong Wai Man voltou a mencionar este objectivo de frisou
o facto das vivendas estarem situados numa zona próxima da comunidade, o que fará com que haja mais residentes a terem acesso ao trabalho dos artistas locais e também de artistas vindos de fora. A vice-presidente do IC revelou também que, até Dezembro, vai ser também restaurada uma vivenda na Rua Francisco Xavier Pereira, que vai acolher em 2019 a casa-museu do compositor Xian Xinghai.
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DIREITOS DE AUTOR REFORMA APOIADA EM FRANÇA POR 200 PERSONALIDADES
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MAcarta a favor da aprovação de um projecto de reforma de direitos de autor, assinada por 200 personalidades francesas, como a ministra da Cultura, Françoise Nyssen, e a realizadora Agnès Jaoui, vai ser divulgada ontem, na imprensa, em França. "O direito de autor está hoje em perigo, em França e em todo o mundo. E assim também está ameaçado todo o nosso modelo", sublinha a missiva, que será publicada com a assinatura de diversas personalidades da cultura e da política. Entre essas figuras estão Jean-JacquesAillagon, Renaud Donnedieu de Vabres, Aurélie Filippetti e Jack Lang, e também responsáveis dos media como a Agência France Presse, a TF1, France Télévisions e a Radio France. O texto defende que a reforma em causa permitirá "reforçar a capacidade dos criadores de serem remunerados pelas plataformas que exploram as suas obras, de forma a partilhar melhor o seu valor, criará um direito para editores e agências de notícias para lhes assegurar uma melhor remuneração quando são reproduzidos os seus trabalhos, e instaurará um direito a uma remuneração justa e proporcional para os criadores". A carta apela à Europa para defender o seu próprio modelo, face aos gigantes que combatem esta reforma. O texto junta-se a vários apelos divulgados nos últimos dias nos meios culturais e nos media, a favor do projecto de directiva comunitária de direito de autor, no seio de uma intensa batalha de 'lobbying' nas instâncias europeias, e que deverá ser submetido ao voto, pelos eurodeputados, na quarta-feira da próxima semana, no Parlamento Europeu. Os opositores desta reforma sobretudo as grandes plataformas Google, Apple, Facebook e Amazon - alegam que o projecto vai colocar em perigo a gratuitidade de numerosos sítios na Internet e vão penalizar o pluralismo na sociedade. O apelo conjunto de várias associações de defesa dos direitos de autor e conexos prende-se com a votação da proposta de Directiva Europeia do Direito de Autor no Mercado Único Digital, esta semana, em Estrasburgo.
10.9.2018 segunda-feira
A Associação de Arte Armazém do Boi deixou a avenida Coronel Mesquita, sem adiantar se um dia vai voltar ao espaço que está, actualmente, em obras. Para já, as exposições e futuras residências artísticas acontecem na rua do Volong, num conciso edifício com três andares
“P
OST-Ox Warehouse Experimental Site” é o nome da exposição que revela a nova fase da Associação de Arte Armazém do Boi. Ao longo de três andares pintados de branco espalham-se várias obras de diferentes estilos, da pintura à instalação de arte e vídeo. São, na sua maioria, da autoria de artistas locais, e muitas delas remetem-nos para a contemporaneidade de Macau. Por exemplo, Ng Fong Chao, artista que se estabeleceu no território em 1984, oriundo de Zhejiang, apresenta um trabalho que remete não só para a passagem do tufão Hato como recorda, através de fotografias antigas, outras tempestades tropicais do passado. O trabalho tem um título sugestivo: “The Prosperity Alarm” Com esta exposição, a Associação de Arte Armazém do Boi rompe um pouco com o passado sem trair a sua génese, no que diz respeito à promoção do trabalho artístico que se vai fazendo em Macau.
Adeus, Co
ARMAZÉM DO BOI UM NOVO ESPAÇO ARTÍSTICO NA RUA
Ao HM, Noah Ng, actual presidente da associação, traça o retrato daquilo que o público poderá ver nos próximos tempos na rua do Volong, no bairro de São Lázaro. “Este espaço é muito mais pequeno do que o anterior, mas, ainda assim, será um lugar dedicado à
“Este espaço é muito mais pequeno do que o anterior, mas, ainda assim, será um lugar dedicado à experimentação.” NOAH NG PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE ARTE ARMAZÉM DO BOI
experimentação. Temos aqui uma grande variedade de artistas, que usam diferentes tipos de materiais e conceitos, tal como a ligação aos media, por exemplo, para seguir os seus próprios processos de experimentação.” O ponto de partida para a selecção dos artistas foi a relação que estes apresentam com a arte contemporânea, com temáticas como os media e a sociedade actual. “Os artistas que vemos aqui expostos têm cerca de 30 anos e são artistas emergentes”, adiantou Noah Ng. O que está em exposição “não tem a ver com a cidade mas com a forma como exploram o processo das suas próprias criações e como desenvolvem métodos de experimentação”. “Tem tudo a ver com a forma como vão além dos seus próprios limites e como mostram curiosidade relativamente a cada fase de produção das suas obras”, concluiu o presidente da associação de arte. No último andar do edifício fica um beliche, uma cozinha em ponto
pequeno e uma varanda, lugar que dará casa a artistas de todo o mundo que serão convidados a participar em residências artísticas. Os responsáveis da associação querem ir além das fronteiras com China, Hong Kong e Taiwan e explorar alguma da arte que se faz na Europa, nomeadamente em Portugal.
E A CORONEL MESQUITA?
O enorme espaço para exposições de que dispunha a Associação de Arte Armazém do Boi está agora em obras custeadas pelo Governo, dado o envelhecimento do espaço da Avenida Coronel Mesquita. Noah Ng garante não saber se a sua associação pode voltar ao antigo edifício onde funcionou durante anos. “Uma vez que o nosso antigo espaço está em obras, tivemos de mudar e, até agora, ainda não nos foram dadas mais informações sobre o processo. Não sabemos como é que o Governo vai usar o espaço, não sabemos se será usado por outras associações sem fins lucrativos, ou
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segunda-feira 10.9.2018
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UA DO VOLONG
se haverá um concurso para a apresentação de trabalhos. Não sabemos o que vai acontecer nos próximos anos, não é certo o nosso regresso à Coronel Mesquita.” Apesar de disporem agora de um espaço bem mais reduzido, a ideia é prosseguir o mesmo objectivo e até renovar as actividades culturais que ali acontecem. A organização de residências artísticas é prova disso mesmo. “Trabalhamos muito com voluntários e, independentemente das dificuldades que enfrentamos, tentamos sempre fazer o melhor, mesmo que a situação seja agora ligeiramente diferente. Queremos ter um espaço onde possamos continuar a promover trabalhos artísticos e que possamos continuar a ser uma plataforma para o panorama das artes em Macau. Procuramos encontrar uma forma de trabalhar com projectos que se possam ajustar a este espaço.” Além das exposições colectivas e das residências artísticas, o Armazém do Boi quer apostar em exposições individuais. Sobre a Coronel Mesquita e a possível criação de um
local ligado às indústrias culturais e criativas, Noah Ng tem dúvidas sobre a implementação, na prática, da ideia de Alexis Tam, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. “É sempre uma boa ideia desenvolver um centro criativo naquela zona, mas permanece a grande questão de como é que essas ideias serão postas em prática. Sinto que deveria haver uma comissão com experiência suficiente quanto à utilização de todos os espaços e que nos explique quais as diferenças relativamente entre essa e a actual localização. Mas é difícil porque é preciso que as associações do meio sigam as instruções criadas pelo Governo para que esse plano seja posto em prática”, concluiu. A exposição “Post-Ox Warehouse Experimental Site” está disponível para visita gratuita até ao dia 7 de Outubro. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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10.9.2018 segunda-feira
O presidente norteamericano, Donald Trump, sugeriu ao grupo tecnológico Apple que produza nos Estados Unidos e não na China, a melhor forma de evitar as consequências da guerra comercial em curso com Pequim. Entretanto, a Exxon-Mobil prepara um investimento multimilionário na China
ECONOMIA TRUMP SUGERE À APPLE QUE PRODUZA NOS ESTADOS UNIDOS
A corrida mais louca na China. Comecem a construir já novas fábricas”. A Apple está dependente do gigante asiático para o fabrico de muitos dos seus aparelhos, podendo vir a sofrer o impacto do conflito comercial entre os dois países. O líder do grupo, Tim Cook, consi-
derou recentemente que as tarifas impostas à China pela administração norte-americana parecem “taxas sobre o consumidor”.
CAPITAL MÓVEL
Entretanto, outro colosso empresarial prepara-se para estreitar relações com
Pequim. O presidente da petrolífera norte-americana ExxonMobil, Darren Woods, foi recebido na passada sexta-feira pelo primeiro-ministro chinês, com quem analisou um investimento multimilionário no sul da China, de acordo com informação veiculada pela agência Xinhua.
“Há uma solução fácil. Fabriquem os vossos produtos nos Estados Unidos e não na China. Comecem a construir já novas fábricas.”
“O
S preços [de produtos] da Apple podem aumentar por causa das enormes tarifas que podem ser impostas à China”, sublinhou Trump, na rede social Twitter, depois de ter ameaçado na sexta-feira taxar a totalidade das importações provenientes da China, que acusa de práticas comerciais “desleais”. “Mas há uma solução fácil”, acrescentou, sugerindo: “Fabriquem os vossos produtos nos Estados Unidos e não
DONALD TRUMP
“A China vai facilitar ainda mais o acesso ao seu mercado, tratar as empresas domésticas e estrangeiras com igualdade”, garantiu o primeiro-ministro no encontro com Darren Woods.
CHINA/ÁFRICA PEQUIM DISPONIBILIZA APOIO MILIONÁRIO A CABO VERDE
A
China vai disponibilizar “a título gratuito” cerca de 20 milhões de dólares norte-americanos a Cabo Verde, no âmbito da ajuda pública ao desenvolvimento, anunciou o primeiro-ministro cabo-verdiano. O anúncio foi feito por Ulisses Correia e Silva na sua página da rede social Facebook, na qual dá conta do encontro mantido com o Presidente chinês, Xi Jinping, na passada quinta-feira. “Discorremos sobre as questões de índole global, designadamente as mudanças climáticas e a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas” e “passámos em revista a dinâmica das relações sino-africanas, bem assim a coo-
peração sino-cabo-verdiana, que se quer cada vez mais inovadora e com enfoque em parcerias económicas mutuamente vantajosas”, lê-se na nota do chefe do governo. Segundo Ulisses Correia e Silva, os dois governantes comprometeram-se a “trabalhar na identificação das melhores vias para incrementar o conhecimento recíproco, bem como potenciar a cooperação económica e comercial, com ênfase ao projecto da Zona Económica Especial da Economia Marítima em S. Vicente, a segunda fase do projecto Cidade Segura e a construção de um Centro Internacional de Conferências na Cidade da Praia”. Sobre a ajuda pública ao desenvolvimento, o primeiro-
Na reunião, o governante chinês sublinhou que o investimento mútuo entre as duas principais economias mundiais contribuirá para um desenvolvimento global estável. Li Keqiang também afirmou que serão bem-vindos mais investimentos da ExxonMobil na China, numa altura em que a empresa norte-americana está a negociar a construção de um grande projecto petroquímico com um capital de 8,6 mil milhões de euros na província de Cantão.
ENSINO PEQUIM PREPARA LEGISLAÇÃO PARA REGULAMENTAR PRÉ-ESCOLAR -ministro de Cabo Verde referiu que “o Presidente chinês anunciou que irá disponibilizar a Cabo Verde, a título gratuito, apoio financeiro de cerca de 20 milhões de dólares americanos, em áreas a acordar por via diplomática”. Ulisses Correia e Silva escreveu igualmente que “o Presidente Xi Jinping assegurou ainda que as oito medidas e os 60 mil milhões de dólares, anunciados para triénio 2019 a 2022, no âmbito do Fórum de Cooperação China África (FOCAC), constituem importantes janelas de financiamento ao dispor dos países africanos, que possuem projectos cuja viabilidade económica atestam a sua relevância e sustentabilidade”.
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China prepara-se para criar legislação sobre a educação pré-escolar para regulamentar um sector que integra quase 255 mil estabelecimentos de ensino e 46 milhões de crianças, e que tem registado um crescimento acelerado e preocupação pública. O processo será iniciado nos próximos cinco anos, de acordo com a agenda legislativa da Assembleia Popular Nacional (APN) divulgada esta semana, noticiou ontem a agência de notícias estatal Xinhua. "A necessidade de redigir esta lei tornou-se premente", disse um representante da APN familiarizado com a legislação, Li Lihua, citado pela Xinhua. A lei "abordará todos os tipos de problemas enfrentados pelo sector de educação pré-escolar no momento", acrescentou a mesma fonte. A China tem leis específicas que regem tanto o ensino obrigatório quanto
o superior, que cobrem desde escolas primárias até universidades de ensino superior. Os pedidos por uma lei semelhante para a educação pré-escolar aumentaram nos últimos anos, à medida que o sector cresceu. Em 2017, havia quase 255 mil creches em todo o país, frequentadas por 46 milhões de crianças. Os números devem aumentar, já que as autoridades pretendem elevar a taxa de matrícula no jardim de infância dos actuais 75 por cento para 85 por cento até 2020. O ministro da Educação, Chen Baosheng, admitiu em Março que a educação pré-escolar está a enfrentar uma série de problemas, desde a escassez de pessoal docente de qualidade e lacunas na área da segurança, métodos de ensino desactualizados e altos custos. "É o sector que mais cresce, mas também aquele que tem o elo mais fraco", disse Chen.
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segunda-feira 10.9.2018
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EGUNDO dados divulgados pela Administração-geral das Alfândegas da China, este excedente subiu 18,7 por cento face ao período homólogo, tendo também aumentado comparativamente a Julho deste ano, em resultado das exportações daquele país asiático. As exportações subiram, assim, 5,4 por cento para 1,3 mil milhões de euros entre Janeiro e Agosto deste ano em relação ao mesmo período de 2017, enquanto as importações subiram 13,7 por cento para 1,15 mil milhões de euros. Por seu lado, o comércio externo daquela que é a segunda maior potência económica do mundo, a China, subiu 9,1 por cento neste período, alcançando os 2,45 mil milhões de euros. Os analistas esperam, contudo, que o comércio externo da China seja afectado no segundo semestre deste ano, em resultado da guerra comercial com os Estados Unidos. Há três semanas, entraram em vigor novas taxas alfandegárias de 25 por cento sobre parte das importações oriundas dos Estados Unidos e da China, penalizando principalmente bens industriais, incluindo tractores, tubos de plástico ou instrumentos de medição. Como medida de retaliação, a China impôs taxas semelhantes aos produtos oriundos dos Estados Unidos, incluindo produtos energéticos, como o carvão, e automóveis.
ONDE DÓI MAIS
Esta guerra comercial começou em Julho passado, quando o presidente norte-americano, Donald Trump, impôs já taxas adicionais de 25 por cento sobre um conjunto
ECONOMIA EXCEDENTE COMERCIAL COM EUA ATINGE MÁXIMO EM AGOSTO
Balança ascendente
O excedente da balança comercial da China com os Estados Unidos subiu em Agosto para um novo máximo, de 26,7 mil milhões de euros, numa altura em que estes países enfrentam uma guerra alfandegária de euros impostos desde Julho passado e aos 172 mil milhões de euros que a administração norte-americana está a preparar.
“Estou a ser duro com a China porque tenho de ser. Estão a arrecadar [mais de] 500 mil milhões de dólares daqui. Não posso deixar que isso aconteça.” DONALD TRUMP
de produtos chineses. A primeira ronda de taxas afectou sobretudo os sectores da aeronáutica, tecnologias de informação e comunicação ou robótica e máquinas, demonstrando que Washington quer impedir Pequim de competir, no futuro, naqueles sectores de alto valor agregado. Pequim retaliou
com taxas alfandegárias sobre o mesmo valor de bens importados dos Estados Unidos, afectando sobretudo produtos agrícolas, de forma a atingir a América rural, onde estão concentrados muitos dos eleitores de Donald Trump. Desde o início das disputas comerciais, a moeda chinesa, o
HONG KONG PEQUIM EXIGE QUE LONDRES NÃO INTERFIRA EM ASSUNTOS INTERNOS
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China exigiu que o Reino Unido pare de “interferir nos assuntos de Hong Kong", depois do Governo britânico ter divulgado um relatório que expressa preocupações sobre a liberdade de expressão naquele território administrado pelo regime de Pequim. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Hua Chunying, fez as declarações numa conferência de imprensa na passada sexta-feira, sublinhando que os assuntos de Hong Kong são assuntos internos da China e sobre os quais nenhum país estrangeiro tem o direito de interferir. "Expressamos forte insatisfação e firme oposição ao chamado relatório semestral do Governo do Reino
Unido sobre Hong Kong. Instamos o Reino Unido a enfrentar a realidade e parar de divulgar esses relatórios, assim como de interferir nos assuntos de Hong Kong", disse Hua Chunying. O porta-voz afirmou que desde que aquela região administrativa especial passou a ser administrada pela China que tem sido respeitado o seu alto grau de autonomia e que têm sido cumpridos integralmente os princípios de "um país, dois sistemas" e de que é 'o povo de Hong Kong que governa Hong Kong'. Hua acrescentou que os residentes de Hong Kong possuem todos os direitos e liberdades a que têm direito de acordo com a lei.
‘yuan’, desvalorizou-se mais de 8 por cento, enquanto a bolsa de Xangai, a principal praça financeira do país, caiu mais de 12 por cento. Na passada sexta-feira, Donald Trump voltou a ameaçar a China com taxas adicionais, num valor de 230 mil milhões de euros, que se somariam aos 43 mil milhões
No ano passado, os Estados Unidos importaram um total de 435 mil milhões de euros da China. “Estou a ser duro com a China porque tenho de ser. Estão a arrecadar [mais de] 500 mil milhões de dólares daqui. Não posso deixar que isso aconteça”, vincou Donald Trump numa declaração feita na sexta-feira.
DIPLOMACIA EUA CONVOCA DIPLOMATAS DE PAÍSES QUE SE AFASTARAM DE TAIWAN
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Departamento de Estado dos Estados Unidos convocou na passada sexta-feira os seus representantes na República Dominicana, El Salvador e Panamá após estes países terem decidido cortar ligações diplomáticas com Taiwan, privilegiando as relações com a China.
Em comunicado, o Departamento de Estado informou que convocou o embaixador na República Dominicana, Robin Bernstein, o embaixador em El Salvador, Jean Manes, e o encarregado de negócios no Panamá, Roxanne Cabral, "para discutir maneiras pelas quais os Estados Unidos podem apoiar instituições fortes, independentes e democráticas nas economias da América Central e das Caraíbas". Embora os Estados Unidos apenas reconheçam formalmente a China, mantêm uma embaixada na capital da ilha, Taipé, e assumem-se como um aliado de Taiwan, um território que o regime de Pequim reivindica como seu. Taiwan tem agora apenas 17 aliados diplomáticos, enquanto Pequim pressiona o Governo da ilha a seguir o princípio de "uma só China".
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10.9.2018 segunda-feira
O tempo vive, quando os homens, nele,se esquecem de si mesmos, ficando, embora, a contemplar o estreme reduto de estar sendo Paulo Maia e Carmo texto e ilustração
No coração da pintura
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EAN-BAPTISTE Camille Corot (1796-1875) viajou incessantemente por França e Itália, fazendo esboços de paisagens, anotando as mais ínfimas diferenças, as provocadas pela alternância das estações ou a inclinação da luz solar. Porém, a partir de 1849, esse estudo dará lugar à recomposição dos lugares, interpretando algum sinal particular, como a melancolia da luz, visível por exemplo na pintura «Recordação de Mortefontaine», um lugar que ele visitara nos anos cinquenta, feito em 1864 e que está no Museu do Louvre, em Paris. De modo significativo é a partir daí que a paisagem alcança na sua obra o verdadeiro prota-
deria ser entendido por um pintor da dinastia Tang (618-906), como Zhang Zao. A frase chave que lhe é atribuída: «Por fora, coloco-me na escola do Criador, por dentro capto a fonte do meu coração» pode ser entendida como um método de trabalho, de adequação entre a vontade e a natureza. Observando a sua execução, descrita como um transe criativo, o seu contemporâneo Fu Zai escreveu: «Não se trata mais de pintura, isto já é o puro Dao». O que pode provocar essa iluminação, muitas vezes a partir de um limitado reportório de formas? O modo como o espírito reorganiza essas formas terá uma afinidade com a actividade
A obra de Corot, no seu pioneirismo, terá tocado nalgum ponto sensível da arte da pintura já que as suas paisagens inspiraram as dos Impressionistas e, as suas figuras humanas, as de Degas ou Picasso gonismo, já não apenas como mero fundo de uma cena bíblica ou mitológica, o objectivo final da pintura. A obra de Corot, no seu pioneirismo, por outro lado, terá tocado nalgum ponto sensível da arte da pintura já que as suas paisagens inspiraram as dos Impressionistas e, as suas figuras humanas, as de Degas ou Picasso. Paradoxo que se não esclarece na sua afirmação de que «O estudo do nu é a melhor lição que um pintor de paisagens pode ter.» O método aparentemente contraditório seguido por Corot de, no local, anotar minuciosamente os acidentes de uma paisagem – tendo mesmo inventado um curioso sistema nos seus esboços, ao fazer círculos para indicar a luz e quadrados onde estaria a sombra – e depois refazer a cena no estúdio, como que esquecendo o trabalho preparatório, po-
de recordar, etimologicamente «fazer passar pelo coração», que ganha um significado mais amplo na palavra chinesa que traduzimos por «coração», o xin, que também é a fonte de onde emana o intelecto. No Wen Xin Diao Long, escrito no século V por Liu Xie, que defende que o afecto é o verdadeiro meio da literatura e a linguagem apenas o seu produto, há uma explicação do processo: na origem está o coração e o «pensamento», si, é a sua actividade, que existe antes do seu encontro com a realidade do mundo o seu objecto, daqui nasce a ideia – que se exprime pelo caracter yi, que junta os caracteres para «escutar» e «coração» - a intenção da obra. Da fixação desta intenção resulta enfim a execução material da obra, da escuridão confusa do pensamento, uma luz.
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segunda-feira 10.9.2018
Para o Silva, há dias em que vai trabalhar no Séc. XXI na Europa, dias em que vai trabalhar na China, dias em que vai trabalhar nos finais do Séc. XIX
Ofício dos ossos Valério Romão
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ÃO há emprego onde um tipo não se depare com esta casta particular de trabalhadores. À primeira vista, parecem estar lá para descomplicar situações: oferecem-se para colmatar a ausência de um colega adoentado, para executar uma tarefa para a qual não têm competências, para entrar mais cedo ou sair mais tarde. A devoção que manifestam ancora-se no medo que têm de ser prescindíveis ou
Os disponíveis numa auto-estima comatosa que necessita de palmadinhas nas costas para arrebitar. Às vezes, em ambas. Não sabem dizer que não. Acatam ordens como se estas se tratassem de dogmas. Estão lá para o que der e vier. Literalmente. Por todos os trabalhos que passei, os disponíveis sempre foram aqueles que mais prejudicaram as condições laborais deles e dos seus colegas. Metendo medo ou ego à frente de horários e regras, aca-
bam por criar para o empregador uma zona cinzenta, contígua à definida pelo contrato, onde a exploração legalizada encontra forma de continuar a ordenha dos famélicos sem o prurido decorrente de ter que assumir a sua ilegitimidade e avareza: afinal, se o Silva se ofereceu, nenhum mal advirá ao mundo de pedirmos a outro para fazer o mesmo. “Sim, é verdade que o horário é até às 19H, mas há que fazer a caixa, limpar
e arrumar e fechar a loja, pelo que é natural que saia às 20H. O Silva, ontem, ficou até às 21H para atender uma família de japoneses que entraram em cima da hora e não perder essas vendas.” “De facto, devíamos ter os turnos escalonados com mais antecipação, mas há muitos imprevistos e o Silva na semana passada até se ofereceu para fazer dois turnos de seguida porque um colega faltou.” “É claro que tem hora de almoço, mas era preferível comerem na recepção, onde podem continuar a atender clientes, do que num restaurante ou assim. O Silva come sempre cá e em quinze minutos apenas.” Quando um Silva abdica de respeitar uma regra, sofrem todos os outros apelidos. Uma relação entre patrão e trabalhador é semelhante a uma relação entre adulto e criança: basta falhar uma vez para tornar infrutífera uma insistência coerente de anos. O Silva, por via da sua disponibilidade infinita, mete em causa não somente aqueles que o rodeiam como toda uma história de conquistas laborais que o precedem. Para o Silva, há dias em que vai trabalhar no Séc. XXI na Europa, dias em que vai trabalhar na China, dias em que vai trabalhar nos finais do Séc. XIX. A sua peculiar disposição para disponibilidade indevida acaba por lhe conferir, aos olhos do empregador, uma dupla patine: para além da sua generosidade laboral, é ainda pouco apreciado pelos calões que o rodeiam. Os calões, diga-se, são aqueles que tentam cumprir as regras e os horários. “Por mim, o Silva pode trabalhar até às seis da manhã, se quiser, e aviar todos os japoneses de Tóquio numa noite. Nem eu sou o Silva nem o Silva é modelo para qualquer empresa”. “O Silva, se quiser, pode nem ir a casa. Eu tenho uma vida, uma família, outros afazeres e ocupações. Preciso de definição no que diz respeito a horários e turnos.” “Se a questão se coloca dessa forma, nem há conversa. O Silva podia vir trabalhar de soro na veia para não ter que perder tempo a comer. Eu tenho uma hora de almoço e nessa hora vou fazer o que quiser. O que inclui não querer estar no local onde passo as restantes sete.” Se de cada vez que um Silva se apressa a militar no esclavagismo houvesse um patrão que o proibisse ou um Ferreira que lhe mostrasse o lado obscuro da disponibilidade gratuita, talvez os restantes apelidos deste mundo não tivessem que emular este empreendedorismo de amochado para justificarem os seus postos de trabalho. Arranjem uma namorada ao Silva, um hobby, um gato bebé que tenha de ser alimentado de hora a hora. Arranjem-lhe uma vida.
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10.9.2018 segunda-feira
FILIPINAS SISMO DE 6,1 NA ESCALA DE RICHTER ABALA DAVAO OCIDENTAL
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O líder do parlamento da Coreia do Norte usou uma retórica mais suave, com um discurso de abertura que enfatizou os objectivos económicos, em detrimento do poderio nuclear
COREIA DO NORTE DESFILE MILITAR DEIXOU DE LADO MÍSSEIS DE LONGO ALCANCE
A parada suave
A Coreia do Norte realizou ontem um desfile militar para assinalar o 70º aniversário da fundação do país, mas não apresentou mísseis balísticos intercontinentais, que estiveram na origem de várias sanções internacionais
S
OLDADOS, artilharia e tanques integraram o desfile perante o líder norte-coreano Kim Jong-un no centro de Pyongyang, a capital do país, numa cerimónia em que apenas foram expostos mísseis de curto alcance, segundo a agência de notícias France-Presse. O desfile militar, que durou
cerca de uma hora e meia, foi o primeiro desde que Kim Jong-un e o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinaram em Junho uma declaração conjunta em Singapura, prometendo trabalhar para a desnuclearização do regime de Pyongyang. Kim não se dirigiu à multidão, numa cerimónia em que marcaram presença
o chefe do parlamento chinês e delegações ao mais alto de países que mantêm relações diplomáticas próximas do regime norte-coreano. O líder do parlamento da Coreia do Norte, Kim Yong-nam, deu o tom a uma retórica relativamente mais suave para o que foi sendo habitual em eventos anteriores, com um discurso de abertura que enfatizou os objectivos PUB
COMISSÃO DE REGISTO DOS AUDITORES E DOS CONTABILISTAS Aviso
Torna-se público que já se encontra finalizada a correcção da primeira prestação das provas para a inscrição inicial e revalidação de registo como auditor de contas, contabilista registado e técnico de contas, realizadas no ano de 2018 nos termos do disposto na alínea 3) do artigo 1º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, pela referida Comissão. Os respectivos resultados serão notificados aos interessados até ao dia 21 de Setembro, solicitando-se aos mesmos que contactem com a Sra. Wong, através do nº 85995343 ou 85995342, caso não recebam a mencionada notificação. Direcção dos Serviços de Finanças, aos 31 de Agosto de 2018 O Presidente do Júri, Iong Kong Leong
económicos do regime, em detrimento do seu poderio nuclear.
OS ALIADOS
Os presidentes da China e da Rússia, Xi Jingping e Vladimir Putin, enviaram mensagens de felicitações ao líder norte-coreano Kim Jong-un, informou agência estatal de notícias KCNA. Xi destacou a "política inabalável" do seu país para melhorar as relações com a Coreia do Norte, pode ler-se na mensagem publicada pela KCNA. "O Partido [Comunista] e o Governo chinês dão a máxima prioridade às relações de amizade e cooperação entre a China e a República Popular Democrática da Coreia, e à sua política firme para defender, construir e desenvolver com sucesso relações bilaterais", referiu o Presidente chinês. Já Vladimir Putin sublinhou na mensagem enviada a Kim a importância de aprofundar os laços e promover a paz na região. O presidente russo disse estar convencido de que "o diálogo bilateral e a cooperação construtiva em várias áreas serão melhorados graças aos esforços conjuntos", o que contribuirá para fortalecer a estabilidade e a segurança na península coreana e no nordeste da Ásia.
M sismo de magnitude 6,1 na escala de Richter foi registado no sábado no sul das Filipinas sem que, até ao momento, se tenha conhecimento de vítimas ou danos materiais. O Serviço Geológico dos Estados Unidos, que regista a actividade sísmica em todo o mundo, informou que o movimento ocorrido cerca das 07h16 GMT e o epicentro situou-se a cerca de nove quilómetros da localidade de Manay e a 1.300 a sul da capital filipina. O sismo, localizado na província de Davao Ocidental, registou-se a 10 quilómetros de profundidade. As Filipinas encontram-se localizadas no chamado “Anel de Fogo
do Pacífico”, uma zona de grande actividade sísmica e vulcânica que é sacudida por cerca de 7.000 sismos por ano, a maioria dos quais moderados. Terramotos de magnitude superior a 5 registam-se de forma esporádica no sul de Mindanao, Batanes e na região oriental de Bicol.
JAPÃO SHINZO ABE VISITA REGIÃO AFECTADA POR SISMO QUE FEZ 42 MORTOS
O
primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, deslocou-se ontem à ilha de Hokkaido, atingida na quinta-feira por um sismo que fez 42 mortos, de acordo com um novo balanço. Abe visitou a cidade de Sapporo, onde o sismo, com uma magnitude de 6,6, deixou ruas com grandes buracos e casas destruídas, tendo também visitado Atsuma, uma pequena localidade rural gravemente afectada. Após a deslocação, Abe regressou a Tóquio para um conselho de ministros extraordinário que deve desbloquear 4,2 milhões de euros para ajuda à região afectada. Segundo os 'media' japoneses, incluindo a televisão NHK, foi anunciado um novo balanço que dá conta de 42 mortos. As autoridades locais indicaram, no entanto, que há 39
mortos e um desaparecido. Em Atsuma, as operações para encontrar eventuais sobreviventes continuam. Logo após o sismo, que provocou estragos numa central térmica, cerca de três milhões de casas ficaram sem electricidade, mas a energia foi restabelecida quase na sua totalidade, embora as autoridades locais tenham pedido aos habitantes para limitarem o consumo, uma vez que o fornecimento continuava instável. Este sismo foi a última de uma série de catástrofes naturais a atingir o Japão nos últimos meses. Em finais de Julho, a região ocidental do país foi afectada pela passagem do tufão mais forte dos últimos 25 anos, semanas depois de fortes chuvas provocarem inundações e deslizamentos de terras que fizeram cerca de 200 mortos.
desporto 17
segunda-feira 10.9.2018
B
ENFICA de Macau, Monte Carlo e Ka I ficaram sorteadas no Grupo B da Bolinha, que é constituído por seis formações. O sorteio da competição de futebol de sete jogadores foi realizado, na sexta-feira à tarde, no Estádio de Macau, e colocou ainda no grupo: Nightwalker, Lung Lok e Polícia B. Já no grupo A, que tem sete formações, ficaram as equipas de Sporting de Macau, Cheng Fung, Polícia A, Kin Wa, Cheng Wa, Sub23 e ainda Chiba. A competição arranca a 19 deste mês e decorre, como tradicionalmente acontece, no Campo D. Bosco. Para as águias, à semelhança dos anos anteriores, o objectivo passa essencialmente por fortalecer o espírito de equipa, a pensar no futebol de onze, sem investimento a pensar na vitória. Mesmo assim, Duarte Alves, dirigente do clube, afirmou, ao HM, que a equipa tem condições para ser considerada uma das favoritas. “Calhou-nos o grupo com menos jogos, mas acho que não há benefícios por isso. Vamos enfrentar a Bolinha com a mesma ideologia dos últimos anos, ou seja utilizar a competição para apostar no espírito de grupo, apostando nos jogadores do futebol de 11”, disse o responsável. “Não montámos uma equipa de propósito para sermos campeões.
BOLINHA BENFICA, MONTE CARLO E KA I SORTEADOS NO GRUPO B
A pequena grande bola
Após um ano de interrupção, a competição mais popular de futebol de sete de Macau está de volta com as equipas a retornarem ao D. Bosco já no dia 19 de Setembro. Um regresso amargo que trouxe consigo a desistência do Lam Pak, clube com grande tradição na Bolinha Mas com esta mentalidade de apostar no espírito de grupo já conseguimos dois títulos na Bolinha. Por isso, julgo que poderemos ser vistos como favoritos, pelo menos no que diz respeito ao apuramento para próxima fase”, acrescentou Duarte Alves. À imagem do que sucedeu no torneio de futebol de sete que substituiu a Bolinha na temporada passada, o Benfica vai apostar em jogadores-treinadores. Cuco e Filipe Duarte poderão assim voltar a ser os técnicos da equipa. “Temos jogadores que em termos de idade estão na recta final da carreira e que estão interessados em lançar-se como treinadores. São atletas que têm trabalhado para obter as licenças de treinador da AFC [Confederação Asiática de Futebol], são da família
e vamos continuar a dar-lhes estas oportunidades”, explicou. Para o Sporting de Macau, o sorteio ditou dois grupos equilibrados, apesar das incógnitas, ou seja, as equipas que só actuam no futebol de sete. Também por esta razão, o objectivo passa pela manutenção da 1.ª Divisão, apesar da passagem à próxima fase não estar excluída dos horizontes. “São grupos equilibrados. Mas há sempre uma incógnita nesta competição, porque há equipas que só participam na Bolinha, não tem relevância fora do futebol de sete, como o Kin Wa ou o Ching Wa, por exemplo. São equipas que não conseguimos observar ao longo do ano para saber o seu valor real”, disse José Reis, director do Sporting de Macau, ao HM.
“Para esta competição o nosso objectivo principal é a manutenção na 1.ª Divisão. Mesmo assim, a passagem à próxima fase tem de estar sempre na mente de um clube como o Sporting”, considerou.
LAM PAK DE FORA
A Bolinha está oficialmente de regresso a 19 de Setembro, uma quarta-feira, depois de um época de suspensão, devido aos efeitos da passagem do Tufão Hato. Os dois jogos diários decorrem entre terça e sexta-feira, no Campo Dom Bosco. Contudo, o regresso de uma das competições mais populares de Macau fica marcada pela desistência do Lam Pak, equipa com grande tradição no futebol local, principalmente na década de 90.
“A ausência do Lam Pak é lamentável. Desconhecendo a causa da desistência, obviamente que o futebol local fica mais fraco sem um dos históricos clubes na primeira divisão da bolinha”, afirmou José Reis. “Esperamos que o Lam Pak regresse rapidamente à liga principal do campeonato de sete”, desejou. Também Duarte Alves lamentou a ausência da equipa da Bolinha: “Fiquei surpreendido porque o Lam Pak já está há vários anos envolvidos na competição e é um nome importante, com boas prestações”, admitiu o dirigente das águias. “É uma desistência que implica a ausência também da 1.ª Divisão na próxima época, e isso é uma perda para o futebol de sete de Macau”, acrescentou. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
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EDITAL
SPORTING VARANDAS DIZ QUE CAMPEONATO É MISSÃO QUE VAI CUMPRIR
O
novo presidente do Sporting, Frederico Varandas, prometeu ontem conquistar o campeonato nacional de futebol, referindo que é uma missão que vai cumprir. No final da sua intervenção aos sócios, Frederico Varandas retirou do bolso a medalha de segundo lugar da Taça de Portugal em futebol, conseguida após a derrota na final com o Desportivo das Aves, garantindo que a vai colocar no museu com a taça de campeão nacional. “É esta medalha que, mais cedo ou mais tarde, vai com a taça de campeão nacional para o museu. Eu pro-
meto, é uma missão e vou cumprir”, disse, na sua primeira intervenção após a vitória nas eleições. O novo presidente do Sporting afirmou que esta foi uma vitória da “independência, resistência, resiliência e da superação”, garantindo que é assim que vai ser o clube. “O Sporting não vai ceder, não vai vacilar e nunca vai abdicar dos seus valores e ideais. O lema desta candidatura é unir o Sporting, mas chegou a hora de passar das palavras aos actos. Unir é efectivar a união”, defendeu. Frederico Varandas disse que para unir é
preciso pôr os interesses do clube à frente dos interesses individuais, garantindo que vai ser um presidente “independente”, tendo apenas o compromisso com os sócios do Sporting. Frederico Varandas foi eleito o 43.º presidente do Sporting, nas eleições ocorridas no sábado, sucedendo a Bruno de Carvalho, que foi destituído do cargo em 23 de Junho. O médico, de 38 anos, foi eleito para um mandato de quatro anos, depois de ter sido director clínico do Sporting, entre 2011 e 2018.
Edital n.º: 95/E-BC/2018 Processo n.º: 501/BC/2010/F Assunto: Início de audiência pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local: Travessa dos Anjos n.º 22, Edf. Mei Lok, parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar A e escada comum, Macau. Li Canfeng, Director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), faz saber que ficam notificados os donos das obras e os proprietários dos locais acima indicados, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que nos locais acima indicados realizaram-se as seguintes obras não autorizadas: Infracção ao RSCI e motivo da Obra demolição Instalação de cobertura e Infracção ao n.º 4 do artigo suporte metálicos na par1.1 te do terraço sobrejacente 10.º, obstrução do caminho de evacuação. à fracção 5.º andar A. Instalação de gradea- Infracção ao n.º 4 do artigo metálico e de um 1.2 mento obstrução do caminho de portão metálico na esca- 10.º, da comum do edifício. evacuação. 2. Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservarse permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI, aprovado pelo DecretoLei n.º 24/95/M, de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelos infractores nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, as obras executadas não são susceptíveis de legalização pelo que a DSSOPT terá necessariamente de determinar a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada. 3. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração e/ou de segurança do edifício. 4. Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data da publicação do presente edital, assim como requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI. 5. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227). RAEM, 22 de Agosto de 2018 O Director dos Serviços Li Canfeng
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NUBLADO
O QUE FAZER ESTA SEMANA Quarta-feira 49 DO LIVRO “ÚI DI GALÁNTI”, LANÇAMENTO SOBRE CARLOS “NÉU NÉU” COELHO Jardim de infância D. José da Costa Nunes Das 18h00 às 20h00
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3 8 4 6 5 7 9 2 1 2 1 9 3 8 4 6 7 5 7 5 6 1 2 9 8 4 3 Domingo MACAO 4 INTERNATIONAL 2 5 8PARADE 9 3 1 6 7 Ruínas de São Paulo | Das 15h00 às 20h00 6 7 1 5 4 2 3 9 8 Diariamente 9 3 8 7 1 6 4 5 2 EXPOSIÇÃO “ESCULTURA, UM CAMINHO”, DE ANTÓNIO LEÇA 5 4SCM 7 9 3 8 2 1 6 Albergue | Até 21/10 8 6 2 4 7 1 5 3 9 EXPOSIÇÃO “POST-OX WAREHOUSE EXPERIMENTAL SITE” 1 do9Armazém 3 2 6rua do5Volong 7 | Até 87/104 Galeria do Boi,
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KIN SALA 1
KIN [B] Um filme de: Jonathan & Josh Baker Com: James Franco, Jack Reynor, Zoe Kravitz 16.30, 21.30
LEGENDADOEM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Masato Harada Com: Takuya Kimura, Kazunari Ninomiya 19.15
ALONG WITH THE GODS: THE LAST 49 DAYS [C]
SALA 3
FALADO EM COREANO LEGENDADOEM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kim Yong-hwa Com: Ha Jung-woo, Ju Ji-hoon, Kim Hyang-gi, 19.00
FALADO EM CANTONENSE LEGENDADOEM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kennneth Lau Com: Louis Cheung, Jason Chan, Michelle Wai, Helena Law 14.30, 19.30
SALA 2
ADIEU [B]
ADRIFT [B]
L STORM [C]
Um filme de: Baltasar Kormákur Com: Shailene Woodley, Sam Claffin 14.30, 21.30
FALADO EM CANTONENSE LEGENDADOEM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: David Lam Com: Louis Koo, , Kelvin Cheng, Stephy Tang 16.30, 21.30
KILLING FOR THE PROSECUTION [B] FALADO EM JAPONÊS
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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 52
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1 8DISCO 5 6 9 HOJE 3 2 4 UM 6 2 7 1 5 4 O9 quarto 3disco4de Wild 2 Nothing, 7 8 “Indigo”, acabou de ser lançado no8passado dia 314de Agosto. 5 6 1 7 O projecto indie dream/pop 1Tatum 9 regressa 5 8 aos2 de3Jack escaparates passado um ano e 7 do4último 2registo. 9 3 6 meio O disco arranca com a belíssima “Letting 4 uma 9 música 8 3que convida 2 5 Go”, a5 danças 6vagarosas 3 7e introspec4 1 tivas, que evoca sonoridades nostálgicas 2 7 de1outras 8 décadas. 6 9 “Indigo” é um registo luminoso,
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O52 futuro Instituto para os Assuntos Municipais, o tal órgão municipal sem poder político, vai ter um novo logótipo e, mais uma vez, o bom gosto dos dirigentes do Governo que adjudicam serviços de design deixa a desejar. A ideia é ter uma flor de lótus lá pelo meio, e o desenho tem sido bastante criticado nas redes sociais. Na minha opinião, é simplesmente confuso e não transmite nada. Esta não é a primeira vez que acontece um incidente de design na Função Pública. Recordo o que aconteceu recentemente com o cartaz do Grande Prémio de Macau, algo que, aos meus olhos (e não sou designer) demonstra amadorismo sem a qualidade que merece o maior evento desportivo do território. É assim tão difícil contratar alguém com bom gosto para fazer logótipos e outros trabalhos de design? Será que, com tantas equipas 54 que decidem as adjudicações deste tipo, não há ninguém que perceba que isto é pura e simplesmente mau? Ou será que há equipas dentro do Governo que têm apenas um grande mau gosto, e a culpa não passa, sequer, pelas empresas adjudicatárias? Os trabalhos de design que são encomendados ou realizados pelo Governo só vêm provar, mais uma vez, que o dinheiro não é sinónimo de bom gosto. Tem sido assim em toda a história: o novo riquismo, por exemplo, também não significa bom gosto. O Governo da RAEM pode estar cheio de talha dourada, mas, na verdade, lá dentro só existe um péssimo quadro pintado com tintas de má qualidade. Curadoria e crítica de arte precisa-se, em nome da tão almejada cidade internacional de turismo e lazer. Andreia Sofia Silva
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positivo, que talvez não tenha a longevidade de “Nocturne”. Ainda assim, enquanto não se esgota, o último álbum de Wild Nothing é uma boa companhia sonora, repleto de belos apontamentos pop que fogem à norma comercial da música de supermercado.Apesar de não ser espectacular, “Indigo” merece uns dias de audição. João Luz
www. hojemacau. com.mo
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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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RUI TAVARES in Público
LEONID AFREMOV, BEHIND THE FOG
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M Portugal temos o mau hábito de não prestar atenção à campanha para presidente da Comissão Europeia. Há cinco anos tivemos até a desdita de nenhum canal de televisão em sinal aberto transmitir o debate entre os candidatos ao cargo. Nessa altura, ainda havia a desculpa de não se saber se o processo de eleição indirecta por via das eleições para o Parlamento Europeu iria funcionar. Mas funcionou, e o resultado disso é que poucos são os portugueses que devem ter a noção de que um voto no PSD ou no CDS em Portugal foi, na prática, um voto para eleger Jean-Claude Juncker presidente da Comissão Europeia. O processo vai repetir-se no próximo ano e há um compromisso por parte dos partidos europeus em escolherem os seus candidatos à Presidência da Comissão Europeia até ao fim do ano. Para que não estejamos a votar em quem desconhecemos, convém que os candidatos sejam escrutinados. Ora, acontece que esta semana se apresentou o primeiro pré-candidato à Presidência da Comissão Europeia. É ele Manfred Weber, o líder parlamentar do PPE, oriundo da CSU bávara e contando com apoio, segundo a imprensa, da Chanceler Merkel. É um candidato forte e pode muito bem acontecer que, sem saberem quais são os seus propósitos e a sua maneira de estar na política, todos os eleitores que votarem no PSD e no CDS acabem a votar Manfred Weber para presidente da Comissão Europeia. Os portugueses que conhecem Manfred Weber lembram-se dele como o político que em Junho de 2016 escreveu uma carta ao presidente da Comissão Europeia a pedir que fossem aplicadas sanções a Portugal e a Espanha por incumprimento dos limites do défice. Felizmente, o seu conselho não foi seguido. Talvez menos gente se lembre que no início desse ano de 2016 já Manfred Weber se pronunciara sobre o nosso país, considerando que o actual governo português seria extremista e potencialmente anti-democrático, e temendo que a Espanha fosse pelo mesmo caminho. À partida, esta preocupação poderia ser interpretada como um excesso de cautela em matéria democrática. Só que as preocupações de Manfred Weber com a democracia só aparecem quando se trata de atacar adversários políticos. Como é que sabemos isso? Porque Manfred Weber foi sempre um dos maiores apoios, se não mesmo o maior apoio, ao autoritarismo de Orbán no Parlamento Europeu. O mesmo Manfred Weber que agora cumprirá um voto de pesar no Parlamento Europeu pelo falecimento de John McCain foi cúmplice activo do estabelecimento na Hungria daquilo a que John McCain, insuspeito de esquerdismo, chamou um “regime neo-fascista”. Apenas esse
Sigamos o cúmplice
facto já desqualificaria Weber de poder vir a ser presidente da Comissão, muito menos correndo o risco de ser apoiado pelo maior partido europeu, o PPE, e os dois grandes partidos da direita portuguesa. Durante o período em que fui relator do Parlamento Europeu para o estado de direito e os direitos fundamentais na Hungria fiquei a respeitar muitos adversários políticos que souberam estar do lado certo quando se tratava de defender a democracia. Lembro-me do deputado do PSD Carlos Coelho, por exemplo, que convenceu muitos deputados de direita a votarem a favor do meu relatório. Ou do documento de trabalho sobre estado de direito que consegui que fosse assinado por uma deputada conservadora britânica e uma comunista francesa — que raramente terão estado de acordo sobre alguma coisa, excepto sobre os riscos que o estado de direito na Hungria já corria há cinco anos. O do luxemburguês Frank Engel, do PPE, que pôs o seu nome num outro documento condenando a violação da independência do judiciário na Hungria. O mesmo não posso dizer de Weber, que se comportou sempre de forma amoral, protegendo Orbán em todos os passos até que
os votos do FIDESZ húngaro lhe viessem a cair para se eleger presidente do grupo do PPE. Cheguei a ver Weber, no mesmo dia e em dois debates sucessivos, afirmar que não era possível sancionar o Governo húngaro mas defender que o Governo búlgaro deveria ser forçado a repetir umas eleições cujos resultados não lhe tinham agradado, sem que a contradição lhe turvasse a consciência. Depois de chegar à liderança do PPE, Weber continuou a pagar todos os favores que deve a Orbán. O seu método favorito é agora declarar preocupação com algo que Orbán esteja a fazer, falar vagamente de “linhas vermelhas” que Orbán esteja a violar, e depois deslocar essas “linhas vermelhas” para uma nova fasquia ainda mais preocupante de desrespeito pelos valores inscritos nos tratados da UE. Assim
Manfred Weber foi sempre um dos maiores apoios, se não mesmo o maior apoio, ao autoritarismo de Orbán no Parlamento Europeu
a liberdade académica já foi uma linha vermelha, para depois o deixar de ser, e chegamos ao ponto em que Orbán manda cessar a alimentação de requerentes de asilo sem que isso perturbe a consciência ao social-cristão da Baviera. Não contente com isso, Weber ainda quer ir mais longe e meter o partido polaco do autoritário Kaczinski no PPE também. Noto que já é a segunda vez que uso a palavra “consciência” nesta crónica. Mas, tratando-se de Weber, consciência, qual consciência? Se um dia se vier a escrever a história de como a Europa perdeu a alma e os princípios neste início de século, Manfred Weber terá nessa história um dos papéis secundários de maior destaque. Urge pois saber o que nos dizem PSD e CDS sobre isto tudo. Como vão votar na próxima semana quando o caso húngaro voltar ao Parlamento Europeu. Se vão seguir o exemplo dos seus colegas suecos ou da ex-comissária Reding que defendem a expulsão do FIDESZ do PPE. Ou se vão mesmo pelo seu cada vez mais escandaloso silêncio fazer com que os seus eleitores portugueses se tornem também eleitores de Weber — e da sua cumplicidade com Orbán.