Skip to main content

Hoje Macau 10 SET 2014 #3171

Page 1

WWW.HOJEMACAU.COM.MO

MOP$10

Q U A R TA - F E I R A 1 0 D E S E T E M B R O D E 2 0 1 4 • A N O X I V • N º 3 1 7 1

ÓLEO DE TAIWAN DEPUTADAS INDIGNADAS COM GOVERNO

A olhar para o lado Wong Kit Cheng e Melinda Chan acusam o Executivo de falta de eficiência na fiscalização da qualidade dos produtos que entram em Macau e de demasiada dependência dos testes de terceiros. PÁGINA 6

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

hojemacau

PUB

GONÇALO LOBO PINHEIRO

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

O POVO GOSTA DA FESTA

REPORTAGEM PÁGS.

2-3

REGIME DE GARANTIAS

A FORÇA DAS REDES SOCIAIS

UM ESTUDO da eRS revela que o Facebook e outras redes tiveram uma contribuição significativa para o sucesso dos protestos de Maio

POLÍTICA PÁGINA PUB

BIBLIOTECA CHINESA

´ UMA GEMEA EM LISBOA PUB

PÁGINA 8

4


2

REPORTAGEM

LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

CECÍLIA LIN

cecília.lin@hojemacau.com.mo

O

S testemunhos recolhidos pelo HM apontam para uma opinião generalizada: deve haver uma maior aposta nas festividades locais, principalmente por parte do Governo. Sobre a continuidade da tradição e costumes locais, não há dúvidas: a grande maioria considera que a Festa do Bolo Lunar continua a ter impacto na sociedade. De acordo com três dos entrevistados, o investimento em feiras de rua, decorações exteriores e performances de dança e teatro deviam ser pedra basilar durante o Festival da Lua, este ano celebrado no passado fim de semana. “Aqui em Macau, não há muitas festividades, como a dança do dragão, por exemplo”, explicou Leong, comerciante de uma pequena loja na baixa da cidade. Já por cá vive há mais de 40 anos e sente que a tradição está a perder-se cada vez mais, embora assim não devesse

hoje macau quarta-feira 10.9.2014

FESTIVAL DO BOLO LUNAR RESIDENTES PEDEM MAIS CELEBRAÇÕES

O povo quer festa

O Festival da Lua é, a seguir ao Ano Novo Chinês, a festa mais importante na China. As lanternas coloridas de papel juntam-se aos bolos lunares e ao fogo-de-artifício para fazer as delícias de jovens e graúdos. Mas será que os residentes estão contentes com o que se passa por Macau nesta data? ser. Queixa-se, ainda, de falta de actividades e festas temáticas, que deviam ser organizadas pelas entidades governamentais. “Porque é que os Serviços de Turismo não organizam mais actividades, como feiras de rua ou espectáculos de ilusionismo e magia durante o feriado?”, questionou. Também o arquitecto macaense, Carlos Marreiros, considera que “é necessário dar mais” pelas

tradições e pelos costumes, embora descarte que a festividade está a perder o seu valor. “Se, por um lado, a memória é conservada pelos académicos em livros, a preservação das tradições é, em parte, responsabilidade da própria comunidade”, referiu. Embora o apoio do Governo seja “sempre bem-vindo”, é nas associações locais que o arquitecto vê a esperança para a continuação dos costumes

e tradições. É que se por um lado, há actividades que devem ser organizadas pelo Executivo, outras devem ficar a cargo de entidades privadas, como são as associações culturais de Macau.

MAIS ESPECTÁCULOS, POR FAVOR

Da mesma opinião é Leng, uma jovem empreendedora com uma loja de sobremesas e refrescos no alto da Rua da Felicidade. A pro-

“Porque é que os Serviços de Turismo não organizam mais actividades, como feiras de rua ou espectáculos de ilusionismo e magia durante o feriado?”

GONÇALO LOBO PINHEIRO

LEONG Comerciante

prietária do espaço concorda com Leong, considerando que deviam ser colocadas mais decorações exteriores nos prédios e ruas da cidade, para que esta fique “mais bonita” durante o Festival da Lua. No entanto, também Leng não considera que a tradição se esteja a perder. Até pelo contrário: é que, para a jovem, todos continuam a celebrar, seja dentro ou fora de casa. “Festejei em casa, com a minha família, tal como muitas pessoas que conheço. Esta data implica reunião familiar e contemplação da lua”, assegurou ao HM. O casal Lo também optou por ficar por casa a ver a lua e diz, assertivamente, que a tradição deverá continuar a manter-se por anos vindouros. Gostos não se discutem e Heng Lo prefere os bolos mais tradicionais às novas receitas, consideradas “inovadoras”, que contêm frutos secos e outros produtos que tal. Questionado sobre a diferença entre a celebração do Natal e do Festival Lunar em Macau, Heng respondeu que há mais férias na festividade europeia, embora Setembro seja, sem dúvida, a altura preferida para juntar os familiares. Também para Leong o Governo não organiza em quantidade suficiente actividades festivas, incluindo performances. “Os funcionários dos casinos, por exemplo, nunca se podem reunir com a família, porque trabalham por turnos”, acrescentou o pequeno comerciante, afirmando que deveria haver um horário alargado, para que todos pudessem


reportagem 3

hoje macau quarta-feira 10.9.2014

O QUE SE FAZ NO FESTIVAL Há várias histórias que se dizem ter dado origem ao Festival Lunar, que acontece sempre no 15º dia do oitavo mês do calendário chinês. Assim, difere todos os anos, uma vez que também o início e final do ano novo chinês muda, de acordo com a lua. Histórias e lendas à parte, a tradição manda a que todos os anos, neste mesmo dia, as pessoas se reúnam com os seus familiares para conviver e contemplar a lua. Em Macau, a tradição passa por comer bolos lunares – doce tradicional chinês com diferentes recheios, o mais conhecido sendo uma gema de ovo inteira –, assistir a espectáculos no exterior e ir para a praia com lanternas acesas. Entre contos sobre deusas e coelhos, maldições e louvores e até mesmo agradecimento pelas colheitas agrícolas, a verdade é que a celebração se traduz quase sempre na contemplação da lua e convívio entre amigos e família.

usufruir das celebrações deste feriado. Sobre o eventual abandono das actividades tradicionais por parte da população local, Leong diz que é possível que tal aconteça, uma vez que “há cada vez menos preocupação em preservar os costumes mais antigos”, que são agora substituídos por outras actividades mais populares e inovadoras. Vivianne e David são dois jovens chineses, residentes no território, que, apesar da idade, não se esquecem da tradição. “Jantámos com os nossos familiares e comemos bolos lunares, enquanto olhávamos para a lua”. Os dois acham importante manter a tradição, mas Vivianne confessa: “Não sei a história completa, mas sei que é suposto reunirmo-nos com os nossos entes queridos”. Sobre o facto deste costume vir a desaparecer, consideram ser algo “pouco provável”, uma vez que é a data do ano mais importante a seguir às celebrações do ano novo chinês, que marca o início de um novo ciclo.

BOLOS E BOLINHOS

L APSOS DE NOMENCL ATURA Para Carlos Marreiros, há um lapso de nomenclatura que é frequentemente cometido. É que o Festival Lunar – ou Festival do Bolo Lunar – costuma ser comummente apelidado de Festival de Meio Outono, um nome que, segundo Marreiros, “é desnecessário”, havendo nomes lusos que vão ao encontro do verdadeiro significado. ‘Batê-pâu’ é, para o também artista, uma das palavras – em patuá – que melhor descreve a festividade em causa, pelo facto de contar a história de uma prática local antiga e tradicional. O nome parte do método de confecção de um bolo, que é feito com polpa de semente de lótus inserida numa forma de madeira e posteriormente achatada.

É o bolo lunar que marca grande parte da tradição, havendo-os doces e salgados, com carne, vegetais, amêndoas e amendoins, ou uma gema de ovo inteira no interior. Tal como a entrega de envelopes vermelhos no ano novo chinês, também nesta época são várias as oferendas entre empresas e familiares, de grandes e vistosas caixas com bolos lunares. Hoje em dia, o objectivo passa, principalmente, por contemplar a lua e aproveitar para juntar os familiares, muitas vezes distantes durante meses. As encomendas da pastelaria Koi Kei rebentam a escala quando as celebrações da Festa da Lua se aproximam, uma vez que, à parte de poucas outras lojas tradicionais e os casinos, esta é a pastelaria que mais saída tem em Macau. Chan gere a

“Se, por um lado, a memória é conservada pelos académicos em livros, a preservação das tradições é, em parte, responsabilidade da própria comunidade” CARLOS MARREIROS Arquitecto

sede desta pastelaria, que fica na Avenida Almeida Ribeiro. As filiais são já muitas e só a rua que dá para as Ruínas de São Paulo conta com mais de três espaços de venda.

4

toneladas de lixo foi quanto o Festival do Bolo Lunar deste ano fez chegar às ruas de Macau

60

funcionários da Companhia de Sistemas de Resíduos recolheram os detritos

“Ainda não tivemos tempo para contar quantos bolos lunares foram vendidos ao certo, mas foram quase todos”, relatou Chan ao HM.

Já na loja tradicional, “Cidade de Fénix”, os bolos lunares com maior saída têm fiambre e carne e atraem clientes tanto do interior da China, como de Hong Kong e até mesmo locais. “O número de vendas aproximou-se muito do registado em anos anteriores, por isso acho que posso dizer que a tradição se mantém, tendo em conta que as pessoas continuam a comprar os bolos”, revelou Lau Hou, funcionária nesta pastelaria, que fica a poucos metros da Igreja de São Domingos. Nem todos se deixaram ficar pelos domicílios, decidindo sair para a rua e aproveitar o que Macau de melhor tem para oferecer nesta data. No passado sábado, na vila da Taipa, mesmo à entrada da Rua do Cunha, por exemplo, podiam-se ouvir fortes tambores a soar, junto de dragões dançantes, que ganhavam vida através de artistas locais por debaixo de um fato comprido, com feições de dragão chinês. Para o ano há mais.

Na língua de Camões A festa também não passou despercebida às comunidades macaense e portuguesa, que puderam celebrar o feriado local chinês no Albergue SCM, simultaneamente falando a língua de Camões. É que naquele mesmo espaço, na zona de São Lázaro, juntaram-se várias pessoas para assistir a performances musicais e uma exposição de lanternas em forma de coelho feita por artistas locais, a “Carlos Marreiros e Amigos”. Em declarações ao

HM, o arquitecto considera que a adesão ao festival não diminuiu, ao contrário do consumo de bolos lunares. Na opinião do também pintor, o escândalo do óleo alimentar de Taiwan trouxe consequências para o volume de vendas das lojas tradicionais do território. Além disso, diz, há hoje opções que antigamente não existiam, sendo que as pessoas acabam por substituir o calórico bolo lunar com ovo, por produtos mais saudáveis. Já lá vão cinco anos desde

que o Albergue SCM começou a organizar actividades nesta data especial. Contudo, este é o primeiro ano em que as festividades saíram – literalmente – para a rua e encheram aquela via com bancas de venda de roupa e artigos de artistas locais e estrangeiros, dando uma nova dinâmica a esta data tida como ‘tradicional’. De acordo com um dos organizadores e impulsionadores da iniciativa, Carlos Marreiros, aquela zona costuma acolher 400 a 700 pessoas. Este ano

foi também o primeiro em que as actividades foram organizadas em conjunto com quatro outras associações daquela zona, que se estende até ao bairro dos Três Candeeiros. Também na Praia de Hac Sá, foram muitos os portugueses que aproveitaram para olhar as lanternas feitas propositadamente para esta data.


POLÍTICA

Mobilizou massas e fê-las acreditar numa causa, mesmo que estas não estivessem só em Macau. A partilha de informações sobre as manifestações de Macau via telemóvel foi fundamental

hoje macau quarta-feira 10.9.2014

REGIME DE GARANTIAS ESTUDO DIZ QUE FACEBOOK CREDIBILIZOU PROTESTOS

O poder de uma rede social “As redes sociais ajudaram à difusão da informação e providenciaram razões persuasivas para os cidadãos aderirem ao movimento” ESTUDO DO ERS – ERESEARCH LAB

“O Facebook, enquanto peça chave nas redes sociais, teve uma grande influência no movimento e teve uma importância significativa. Assim que o movimento passou, o fluxo de informação diminuiu”, revela ainda o estudo.

ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

U

M estudo da eRS – e-Research Lab, que se intitula como o primeiro instituto de investigação privado e não governamental de Macau, conclui que a utilização de redes sociais, como o Facebook, teve um impacto significativo para o sucesso dos dois protestos contra o Regime de Garantias dos Titulares dos Principais Cargos Públicos, ocorridos em Maio. O estudo, ao qual o HM teve acesso, é assinado por Wenny Cao, Angus Cheong e Zizi Li e publicado no Jornal Asiático de Investigação e Opinião Pública e revela que “as redes sociais ajudaram à difusão da informação e providenciaram razões persuasivas para os cidadãos aderirem ao movimento”. O eRS – eResearch Lab analisou 12 eventos no Facebook, que tiveram a participação de 181,106 pessoas, bem como 36 grupos ou páginas, que contaram com cerca de 41,266 membros. “A partilha de informação foi um método de persuasão. Os

CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

O

deputado directo à Assembleia Legislativa (AL) e representante da União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM), Ho Ion Sang, disse ao jornal Ou Mun que o acontecimento que mais o impressionou na primeira sessão legislativa foi o protesto contra o Regime de Garantias dos Titulares dos Principais Cargos. O deputado diz mesmo que as manifestações – que juntaram mais de 20 mil pessoas - o levaram a “rever profundamente” o papel da AL em relação à “esperança” da população. Para o deputado, os

OS SÍMBOLOS DO PROTESTO comentários e mensagens no Facebook levaram os cidadãos a acreditar no movimento e fez com que tomassem a iniciativa. À medida que as pessoas estavam mais envolvidas nos protestos, as vozes da oposição foram-se tornando mais fortes. Foi então mais fácil elevar as expectativas dos manifestantes

e atingir o objectivo da iniciativa”, conclui o estudo. O mesmo trabalho cita exemplos ocorridos em protestos políticos ocorridos no Irão, Tunísia ou Egipto - estes últimos inseridos no movimento da Primavera Árabe -, onde as redes sociais se revelaram fundamentais.

MOBILIZAÇÃO MESMO LÁ FORA O mesmo estudo revela que o impacto das redes sociais foi tão grande que mesmo os residentes que estavam fora de Macau aderiram ao movimento. “Nos dois protestos, os residentes partilharam a informação nas redes sociais, começaram acções e participaram nas actividades. Para além disso, os residentes que não estavam em Macau naquela altura também se mostraram preocupados com o movimento. No dia seguinte a 25 de Maio, cerca de 50 estudantes de Macau em Taiwan dirigiram-se ao edifício Taipei 101, onde tiraram fotos e entregaram cartas. Esse facto prova que as redes sociais foram o campo de batalha para todos os que se preocupavam com a questão, independentemente de estarem ou não em Macau”, aponta o documento.

O trabalho da eRS – eResearch Lab apresenta um calendário para o movimento, que teve o seu arranque em Dezembro de 2013, o pico em Maio e que depois acabou por se dissipar. “Em Maio, os residentes começaram a prestar mais atenção à questão e a alguns grupos sociais, como é o caso da Novo Macau, que começou o protesto com iniciativas como a recolha de assinaturas. Depois, os dois protestos contra o Regime de Garantias levaram ao descontentamento dos residentes a larga escala e finalmente levaram o Governo a retirar o diploma. O resultado dos dois processos foi considerado um sucesso”, considera o estudo, que lembra ainda os diversos elementos utilizados pela população para se manifestar, através de vídeos com notícias, camisolas brancas ou cartazes com frases sobre o assunto.

O trabalho destaca ainda a importância da utilização dos smartphones. “Fora da Assembleia Legislativa (AL) muitos perderam a rede de telemóvel e os residentes criticaram o fornecedor de telecomunicações. Este evento paralelo mostrou a importância do papel dos telemóveis nos protestos”, revela o estudo. Recorde-se que os dois protestos contra o Regime de Garantias dos Titulares dos Principais Cargos registou a maior afluência popular desde a transferência de soberania. Foram recolhidas assinaturas pela Novo Macau e cerca de 20 mil pessoas estiveram no primeiro protesto pelas ruas, sem esquecer as sete mil que estiveram fora da AL no dia em que o diploma seria votado. Este acabou por ser retirado do hemiciclo a mando do Chefe do Executivo.

HO ION SANG MANIFESTAÇÕES FIZERAM O DEPUTADO REPENSAR O SEU PAPEL

Na hora da profunda revisão protestos serviram de “lição”. “O caso mostrou que o nosso trabalho ainda não corresponde às expectativas da população. O papel de um deputado deve ser mais próximo das opiniões dos residentes e é necessário aumentar a sensibilidade em

relação às políticas. Embora tenhamos falhado, aprendemos a lição”, apontou ao Ou Mun. Em entrevista ao diário de língua chinesa, Ho Ion Sang lembrou que o nível de conhecimento dos residentes aumentou e que

as exigências em relação aos deputados também se tornaram maiores. Ho Ion Sang lembrou que em muitas sessões plenárias se absteve de votar, afirmando, contudo, “que não está contra ninguém” mas que, como as propostas de lei em

causa não estavam “perfeitas” “não conseguiu votar a favor”. “O Governo também tem culpa, porque se apresentasse as propostas de lei mais cedo, os deputados não necessitavam de entregar as suas propostas imperfeitas antes”, defendeu.

DEBATE SOBRE TERRENOS NÃO ESTÁ EXCLUÍDO Na qualidade de presidente da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas, Ho Ion Sang disse que os trabalhos

para o próximo ano irão focarse nos terrenos abandonados, para que sejam oferecidas mais casas públicas. “O Governo não tem poder para

controlar o mercado privado e a Lei de Terras não tem regras específicas para esse controlo”, admite. O deputado disse ainda que, caso as explicações do

Governo sobre os terrenos abandonados não satisfaçam a Comissão da AL, não exclui a hipótese de promover um debate no hemiciclo.

CHUI SAI ON CITADO MAIS DE 1500 VEZES O trabalho da e-RS – eResearch Lab fez ainda a contagem dos principais nomes de pessoas ou associações citadas nas redes sociais. O Chefe do Executivo surge em primeiro lugar, tendo sido citado 1509 vezes. Em segundo lugar surge o deputado Au Kam San (349 vezes), Chan Meng Kam (271 vezes), a Secretária Florinda Chan (264 vezes) e ainda José Pereira Coutinho (234 vezes). Fong Chi Keong foi citado 220 vezes. A Associação de Jiangmen, que se mostrou a favor do Regime de Garantias, foi citada 893 vezes, seguindo a Macau Consciência (252) e a Associação Novo Macau (90 vezes).

HOJE MACAU

4


política 5

hoje macau quarta-feira 10.9.2014

Boletim Oficial Reconhecimento de Chui Sai On como CE

CONDOMÍNIOS GOVERNO PROPÕE LICENÇA OBRIGATÓRIA PARA GESTORES PREDIAIS

GCS

Chui Sai On é, oficialmente, o novo Chefe do Executivo por mais cinco anos. Apesar de a confirmação ter sido dada pelo Tribunal de Última Instância (TUI) a dia 2 de Setembro, dias depois de Chui Sai On – único candidato na corrida – ter sido eleito, só na segunda-feira se tornou oficial a eleição do líder do Governo, com a publicação em Boletim Oficial (BO). O TUI fez publicar em despacho o resultado das eleições, confirmando Chui Sai On como vencedor do escrutínio. Sam Hou Fai assegura que “nenhum recurso contencioso foi interposto” durante o prazo legal normal para que isso fosse feito, daí “reconhecendo-se o resultado de apuramento geral da eleição e proclamando-se o candidato eleito”, pode ler-se no despacho assinado pelo presidente do TUI. Chui Sai On deverá deslocar-se, agora, a Pequim onde receberá o decreto de nomeação atribuído pelo Governo Central para depois, já em Macau, revelar os nomes dos futuros Secretários e restante equipa governativa para os próximos cinco anos.

As regras do prédio O Governo quer melhorar a gestão predial com novas normas, mas há quem receie que muitas empresas possam vir a fechar portas. O Executivo quer, agora, ouvir opiniões da população FLORA FONG

flora.fong@hojemacau.com.mo

C

OMEÇA esta quinta-feira uma consulta pública sobre a Lei da Actividade Comercial de Administração de Condomínios. A cargo do Instituto de Habitação (IH), a consulta tem como objectivo perceber o que pensam as pessoas da proposta do Governo sobre esta lei. Em cima da mesa está a possibilidade de que os gestores e directores ou empresas gestoras de condomínio sejam obrigadas a ter uma licença. A intenção, diz o IH, é melhorar a gestão dos condomínios, implementando obrigações que devem ser cumpridas pela empresa. A lei vai regulamentar os requisitos para a concessão e a renovação da licença e definir as principais obrigações da empresa de administração de

condomínios, como sendo as convocações da primeira reunião da assembleia geral do condomínio, disponibilização para consulta da documentação relativa ao condomínio, conservação de um arquivo de

PORTEIROS À PARTE Apesar de concordar com a lei, Chan Tak Seng frisa que também os porteiros deveriam a ser alvo de licenciamento. A lei não vai prever o licenciamento dos porteiros, devido ao facto de os requisitos técnicos dos porteiros serem mais baixos e de estes poderem vir a ser fiscalizados pelas próprias empresas de condomínio. Actualmente, segundo dados do Governo, há 195 empresas de gestão predial e 5139 porteiros.

FUNÇÃO PÚBLICA PROBLEMAS NA ADMISSÃO A CURSOS, DIZ PEREIRA COUTINHO

Formação deformada O deputado José Pereira Coutinho quer que o Governo explique porque é que as respostas aos pedidos de inscrição dos funcionários em formações é tão demorada e pouco esclarecedora. As questões são lançadas na última interpelação escrita ao Governo, onde Pereira Coutinho pergunta ainda se, futuramente, o Executivo irá avaliar os funcionários que participaram nas formações. Em causa está a frequência exigida, assim como o aproveitamento, em acções de formação aos funcionários que pretendam aceder a categorias superiores. Segundo Pereira Coutinho, esta inscrição é “frequentemente recusada” fazendo com que os funcionários entrem num “círculo ininterrupto de inscrição

– espera – notificação a recusar”, situação que resulta apenas, diz o deputado, em “esbanjamento de tempo de trabalho e energia” e sem que os funcionários consigam acumular as horas mínimas exigidas” para o efeito.

SEM JUSTIFICAÇÃO

Defende Pereira Coutinho que só quando “se aproxima a data de acesso é que os funcionários são notificados da admissão aos cursos” e que essas respostas, independentemente da decisão, não contêm qualquer fundamentação por parte das autoridades competentes. Isto é, em caso de “não admito” como resposta à inscrição, não é atribuída qualquer justificação ao funcionário, não permitindo que o mesmo perceba qual o

motivo que o fez não poder participar na formação. Posto isto, o deputado reivindica um esclarecimento por parte do Governo apelando à “transparência” nas decisões. Pereira Coutinho defende ainda que essa transparência irá permitir que os funcionários se preparem melhor para a candidatura seguinte. No mesmo documento, o deputado interroga o Executivo para perceber se este tem como plano proceder à avaliação da eficiência dos funcionários, com vista a garantir que a formação surta os seus devidos efeitos. “Há que utilizar eficazmente os recursos gastos e implementar, plenamente, o princípio da eficiência, portanto após a conclusão da formação o Governo deve proceder à avaliação”, conclui. - HM

todos os contratos da administração, entre outros. “Espero que, através da lei, se aumente a qualidade da gestão predial”, disse Ieong Kam Wa, director substituto do IH. Com a proposta do Executivo, quem pretenda exercer a actividade comercial de administração de condomínios ou exercer a profissão de director técnico, deve ser titular da licença de administração de condomínios, sendo que os porteiros não estão incluídos neste regulamento (ver caixa).

40 EMPRESAS PODEM FECHAR PORTAS

Apesar da consulta pública só se iniciar amanhã e da previsão do Executivo ser de que a lei, a merecer concordância, só entre em processo legislativo em 2016, já há opiniões contra as novas regras propostas. Para o director da Aliança do Povo de Instituição de Macau, Chan Tak Seng, há empresas de gestão predial que vão fechar portas por causa da lei. “O regulamento da licença pede um capital mínimo da empresa de 300 mil patacas”, começa por explicar. “Prevejo que 40 empresas vão fechar e

preocupo-me que haja cada vez mais empresas a fechar.” Segundo o director substituto do IH, Ieong Kam Wa, o documento de consulta propõe ainda que, antes da entrada em vigor da lei, as entidades ou indivíduos que exerçam a actividade possam requerer aos serviços competentes a concessão de licença provisória, com o prazo de validade de três anos. A consulta dura até ao dia 9 de Novembro e o texto de consulta pode ser visto no site do IH.

Fronteira Novo pedido de dilatação de horários O Chefe do Executivo voltou a pedir ao viceministro do Conselho de Estado Chinês o alargamento do horário da fronteira com a China continental, sublinhando também o interesse das empresas do território na Ilha da Montanha. O encontro com Wang Yang decorreu em Xiamen, província de Fujian, durante a abertura da 18.ª Feira Internacional do Investimento e Comércio da China. Chui Sai On, citado em comunicado oficial, salientou que “a cooperação regional é muito importante para Macau”, afirmando que

“várias pequenas e médias empresas do território querem participar no desenvolvimento” da Ilha da Montanha. Actualmente, 4,5 quilómetros quadrados estão reservados às empresas de Macau, espaço que o Governo já pediu para ser alargado a 10 quilómetros quadrados. Salientando que a exploração deste território “promoverá o desenvolvimento da diversificação adequada da economia de Macau”, Chui Sai On reafirmou o seu desejo de que “o horário de funcionamento da fronteira possa ser alargado gradualmente”.

PUB

Direcção dos Serviços de Identificação AVISO Assunto: Declaração de óbito Em caso de falecimento de residente de Macau no estrangeiro, os familiares do falecido devem declarar junto da DSI, apresentando os seguintes documentos: Original do BIR do falecido; Certidão de óbito passada pela autoridade competente. Quando o falecimento ocorre no Interior da China, deve apresentar um dos documentos seguintes: 1. Certidão de óbito emitida pela Secretaria Notarial da República Popular da China; 2. Certidão de óbito emitida por Departamento da Segurança Pública / Posto de Polícia 3. Certidão médica devidamente carimbada emitida por estabelecimento hospitalar. Para informações mais detalhadas, queira ligar para a linha de informação da DSI: 28370777.


6 política

hoje macau quarta-feira 10.9.2014

DEPUTADAS IRRITADAS COM DISCURSO DO GOVERNO SOBRE ÓLEO DE TAIWAN

A culpa não morre solteira

A falta de eficiência dos testes alimentares e a demasiada dependência do exterior foram algumas das críticas apontadas ao Executivo CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

O

caso do óleo adulterado de Taiwan – que chegou a Macau - não causou apenas insatisfação aos comerciantes e clientes (ver página 9). Duas deputadas também se mostraram preocupadas e acusam o Governo de não ter testes alimentares eficientes. Wong Kit Cheng, deputada directa, assume que o tratamento dado ao caso do óleo pelo Governo foi melhor do que o do caso da carne estragada do Mc’Donalds – que só se ficou a saber em Macau depois de notícias dos média -, mas critica o facto de a tecnologia dos testes do Centro de Segurança Alimentar ser fraca, instando mesmo as autoridades a fazer “uma revisão” ao problema. PUB

Wong Kit Cheng

Na semana passada, o chefe da Divisão de Inspecção e Higiene Alimentar do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), Pao Chi In, disse que as autoridades da região onde o óleo é produzido também foram defraudadas e que “Macau não foi o único território a importar o óleo, mas outros países e territórios da região também o fizeram”. Para Wong Kit Cheng, que falou ao jornal Ou Mun, a justificação não é suficiente. A deputada diz que “as auto-

Melinda Chan

ridades não podem fugir às responsabilidades, porque a responsabilidade não é apenas de Taiwan” e acrescenta: “Não temos tecnologia suficiente para descobrir se a qualidade dos produtos importados tem problemas. Temos de melhorar a nossa tecnologia, não podemos apenas depender de um certificado de uma região.”

MUITO DEPENDENTES

Também Melinda Chan, através de interpelação escrita, relembra que os alimentos de

Macau são quase totalmente importados, pelo que as autoridades, diz, não podem depender apenas dos testes dos outros. A deputada critica o que chama de “demasiada dependência”, o que é, acrescenta, uma “falha do Governo de Macau”. Melinda Chan pergunta se as autoridades da RAEM vão criar um mecanismo independente de testes de alimentação importada. “O discurso da divisão do IACM já mostrou que a segurança alimentar depende demasiado das regiões que oferecem os produtos. Então os residentes de Macau vão sempre consumir os produtos que têm problemas, mas que não foram detectados pelas regiões vizinhas? Além dos produtos que já se sabe terem problemas, o resto de alimentação em Macau é segura?” questiona a deputada.

APEC “Declaração Macau” vai ser assinada

Começou ontem e dura até 13 de Setembro a 8ª Reunião Ministerial do Turismo da Associação de Cooperação Económica da Ásia-Pacífico, que servirá para debater cinco temas, centrados na integração do mercado do turismo em outros mercados e a interligação na região da ÁsiaPacífico, sem esquecer a “promoção da cooperação e desenvolvimento da indústria do turismo de baixo carbono”, entre outros. Um comunicado oficial revela ainda que a APEC servirá de palco à assinatura da “Declaração Macau”, a “qual servirá como fruto da reunião”. São esperados 152 participantes, incluindo ministros da área do turismo de 21 economias, que são membros da APEC.

Zhuhai-Macau Chan Meng Kam pede alterações e mais táxis

Chan Meng Kam está preocupado com o trânsito e a segurança na zona transfronteiriça industrial entre Macau e Zhuhai. A preocupação do deputado surge mesmo depois da Administração Geral das Alfândegas da República Popular da China ter aprovado, no mês passado, a passagem de peões na fronteira da meia noite para as sete horas da manhã. Numa interpelação escrita, o deputado sugere que os acessos dos postos sejam remodelados, de forma a permitir uma melhor fluência das pessoas e exemplifica com a necessidade de construção de máquinas de passagem automáticas. Além disso, Chan Meng Kam refere que, mesmo com a existência de seis carreiras de autocarro naquela zona, é necessário que haja mais táxis, uma vez que o serviço de transporte público apenas passa entre as seis da manhã e meia noite. No documento, o deputado questionou o Governo sobre quando será implementado um conjunto de acessos e sobre quando será conhecido o horário para a remodelação dos postos transfronteiriços.


SOCIEDADE

hoje macau quarta-feira 10.9.2014

ENSINO ESCOLAS PRIVADAS JÁ PODEM NOMEAR PROFESSORES DISTINTOS

A FACE NA SOCIEDADE

Dois anos para ser ilustre

Foram publicadas esta semana em Boletim Oficial as regras que determinam que docentes de escolas privadas possam ser considerados “professores distintos”, dois anos depois da entrada em vigor da lei ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

D

OIS anos depois de ter entrado em vigor o Quadro Geral do Pessoal Docente das Escolas Particulares do Ensino Não Superior, são finalmente publicadas em Boletim Oficial (BO) as regras que irão determinar quais os professores das escolas privadas que poderão ser apontados como “professor distinto”. Segundo o despacho, assinado pelo Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Cheong U, todos os anos cada escola pode fazer o máximo de 15 nomeações para o título de “professor distinto”. É da responsabilidade do Conselho Profissional do Pessoal Docente decidir “o número de menções de professor distinto (...) tendo em conta o número de docentes propostos, a modalidade educativa e o nível de ensino que leccionam”, pode ler-se no despacho.

Para ser nomeado “professor distinto”, o docente será avaliado no seu desempenho, na sua conduta profissional, em termos de “promoção do trabalho escolar” e do “desenvolvimento dos alunos”. É ainda avaliado se “o desempenho do docente proposto assume um significado relevante no fomento do desenvolvimento educativo da RAEM”.

OPORTUNIDADES PERDIDAS

A demora na publicação das regras para as nomeações pode ter feito com que professores tenham perdido a sua oportunidade. Quem o diz é Au Kam San que, em declarações ao

O UM Estudantes pedem mais autocarros para novo campus

Apesar das três carreiras de autocarros criadas para o novo campus da Universidade de Macau, na Ilha da Montanha, os estudantes ainda se mostram descontentes. De acordo com o presidente da Associação de Estudantes, Leong Chi Hou, é preciso o aumento da frequência de uma das carreiras para satisfazer a necessidade dos estudantes oriundos da zona norte. Segundo as opiniões recolhidas dos estudantes da UM, o autocarro em causa está sempre lotado devido à sua paragem nas zonas de construção em que os trabalhadores aproveitam e também usam o autocarro. Não é raro que os alunos esperem mais de uma hora na paragem na Praça Ferreira Amaral, diz o responsável, situação que pode ser alterada caso as autoridades, segundo o presidente, ajustem os autocarros, incluindo as suas paragens e frequência.

Governo decidiu criar novos trâmites para o licenciamento das salas de estudo, “desburocratizando” os procedimentos. O anúncio foi feito na segunda-feira através de comunicado e surge depois de recentes polémicas em redor da forma de funcionamento de alguns centros de explicações, que operavam sem licença. O Executivo garante que teve em conta “a necessidade dos requerentes” em termos de licenciamento, para decidir criar os Trâmites para Apresentação do Projecto e Instruções do Pedido de Alvará e Obra de Modificação das Instituições Educativas de Educação Contínua e Salas de Explicação. Criado juntamente pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes

“Nos últimos dois anos, os professores que estavam qualificados para receber esta menção perderam essa oportunidade” AU KAM SAN Professor e deputado

HM, relembra que “nos últimos dois anos, os professores que estavam qualificados para receber esta menção perderam essa oportunidade”. O

deputado e professor na Escola São João de Brito frisa que “quando o Quadro Geral das Escolas Particulares foi implementado, em 2012, as regras para professor distinto não eram exactas e os colegas já não tinham esperança em conseguir esta distinção”. Au Kam San, que pertence também à direcção da Associação Novo Macau (ANM), defende ainda que, antes de ser implementada esta distinção, os docentes devem lutar “por melhorar primeiro o ambiente de democracia nas escolas”, isto porque “é difícil os professores trabalharem, quando existe ditadura” em algumas escolas. “A maioria dos directores das escolas parecem ditadores e não ouvem as opiniões dos professores quando tomam decisões”, defendeu Au Kam San. O HM tentou perceber junto da secretaria para os Assuntos Sociais e Cultura quais os motivos para a publicação das regras apenas dois anos após a entrada em vigor da lei, mas não foi possível obter resposta até ao fecho desta edição.

A possibilidade de nomeação está prevista na lei – que entrou em vigor em Março de 2012 -, mas só agora se conhecem as regras que determinam estas nomeações. Nomeações que, para três figuras do sector educativo privado, têm sobretudo o objectivo de chamar a atenção para a figura do professor, ao invés de poder significar melhores salários para os docentes. “Não existe um objectivo financeiro. Simplesmente os professores que tenham um bom desempenho passam a estar num patamar mais elevado, poderão talvez avançar um ano na carreira, ter uma promoção. Mas o grande objectivo é aumentar o padrão de qualidade dos professores. [Só] a nível da sociedade esta distinção será apreciada”, disse ao HM Paul Pun, director da Escola São João de Brito. Também Vong Kuok Ieng, director da Escola Choi Nong Chi Tai, concorda com Paul Pun. Em declarações ao jornal Ou Mun sobre o tema, Vong Kuok Ieng disse que esta menção terá “um duplo significado”, servindo “para dar reconhecimento aos docentes que já exercem a profissão e para que a sociedade dê mais atenção à posição dos professores”. Vong Kuok Ieng acredita que “mais professores possam ser seleccionados e possam trazer novos ideais ao desenvolvimento da educação”, uma vez que muitos já ganharam vários prémios e têm anos de experiência na área. O director da escola Choi Nong Chi Tai disse ainda que, sendo Macau uma sociedade com o predomínio do jogo, “as novas gerações têm de ter os valores correctos”, sendo que “os docentes precisam de ter mais desafios no trabalho”.

SALAS DE ESTUDO GOVERNO SIMPLIFICA PROCESSOS

Novos atalhos (DSSOPT) e pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), o novo regulamento define concretamente os requisitos necessários para o licenciamento, bem como os trâmites e aspectos que

devem ser cumpridos pelos requerentes, mas também cria “um impresso específico para o efeito”.

MENOS TEMPO DE ESPERA O objectivo, diz o Governo, é “elevar a taxa

7

de aprovação dos projectos de obra, de modo a reduzir a necessidade da sua devolução e reapreciação”. Com o novo regulamento, pretende-se ainda diminuir o tempo de espera para a criação de

centros de explicações, reduzindo “os procedimentos relativos à consulta dos pareceres entre serviços” e diminuindo o tempo de apreciação do projecto. Actualmente, para a apreciação de projectos, é necessária a intervenção da DSSOPT, DSEJ, do Corpo de Bombeiros e dos Serviços de Saúde. Com as novas regras, os serviços vão dividir de melhor forma as inspecções, de forma a que os pareceres sejam feitos de forma mais rápida e se faça o licenciamento destes espaços também mais rapidamente. Caso não esteja em causa a realização de obras de modificação, caberá à DSEJ apreciar o caso. Se estiver em causa a realização de obra de modificação, caberá então à DSSOPT essa apreciação. - J.F.


8 sociedade

ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

É

de coração cheio e muitas recordações que Guilherme Valente fala do mais recente projecto da Fundação Jorge Álvares, da qual é curador e administrador. Trata-se de uma réplica da biblioteca pública da Associação Comercial de Macau (ACM), um pequeno edifício de traços chineses localizado junto ao Jardim de São Francisco, perto do Clube Militar. Em declarações ao HM, Gui-

JARDIM DE SÃO FRANCISCO LISBOA VAI TER RÉPLICA DE BIBLIOTECA

Irmãos inseparáveis lherme Valente garantiu que a cópia do edifício ficará situada em Lisboa, num local que ainda está por definir. Carlos Bonina Moreno, arquitecto que ajudou a edificar o Museu Marítimo em Macau, é o responsável pela concepção da iniciativa. “É um projecto que é muito gratificante. Conheço muito bem a biblioteca chinesa em Macau. Era um local onde passava todos os dias e que acho muito bonito. Esta ideia foi acarinhada pela Câmara Municipal [de Lisboa] e já temos o projecto feito. Já temos um local, mas ainda estamos a ver qual será o melhor sítio para albergar esse edifício tão bonito e tão cheio de significado”, apontou Guilherme Valente ao HM.

DEPRESSA E BEM

Quanto ao orçamento, o administrador da Fundação Jorge Álvares não avançou valores concretos, mas disse que os custos serão totalmente suportados pela Fundação. “A Fundação tem gerido com um rigor muito grande os seus fundos e tem recursos de rendimento que lhe permitem assumir a despesa toda”, explicou. Também ainda não existe um

GOOGLE STREET VIEW

A Fundação Jorge Álvares vai custear a construção de uma réplica da biblioteca pública situada no Jardim de São Francisco, em Lisboa. O projecto que visa unir os dois mundos estará a cargo do arquitecto Carlos Bonina Moreno

hoje macau quarta-feira 10.9.2014

Francisco”, defendeu o curador e administrador da fundação. Quanto aos livros e publicações que estarão disponíveis para consulta, também não há nada definido.

calendário para a inauguração do espaço cultural. “Desejamos que [seja inaugurada] tão depressa quanto possível, mas as coisas têm de ser bem feitas. Estamos a trabalhar para que o sítio indicado seja visitado, frequentado e animado”, apontou. Na óptica de Guilherme Valente, a construção da réplica desta biblioteca pretende unir dois mundos tão distantes mas, no fim de contas, tão próximos. “Não há em Lisboa um monumento que seja bonito e significativo e que relacione e lembre Macau, a China e a nossa presença [aí]. Lembrámo-nos que um monumento bonito seria uma réplica da biblioteca chinesa do jardim de são

PARA TODOS

“Queremos que o edifício seja visto por toda a gente. Lisboa é uma cidade cosmopolita, onde chegam pessoas de toda a parte. Mas é evidente que pensamos muito nos portugueses e nos chineses que estão cá. Havemos de encontrar soluções que possam contemplar o interesse destas duas comunidades”, diz Guilherme Valente. A réplica da biblioteca é um

projecto da total autoria da Fundação Jorge Álvares, não tendo, até ao momento, sido contactadas outras entidades. “É uma ideia nossa e não falámos com o Governo de Macau sobre isso. Fazem-se réplicas em todo o mundo. As entidades de Macau que estarão interessadas neste projecto serão colocadas ao corrente, mas ainda não fizemos nada nesse sentido”, disse Guilherme Valente.

O “ORGULHO” NA PAR CERIA COM A EPM Questionado sobre os recentes projectos da Fundação Jorge Álvares, Guilherme Valente destacou a criação da biblioteca digital, uma parceria com a Escola Portuguesa de Macau (EPM), a escritora e ex-ministra da educação Isabel Alçada e a Universidade Nova de Lisboa. “Passou a estar disponível [desde 2013] para todos os professores e escolas portuguesas um website que reproduz,

em modo animado, a história de Macau tal como é contada nos livros da EPM. Não havia nas nossas escolas conteúdos sobre a história de Macau e da China e agora passou a haver. Essa era uma lacuna gritante que a Fundação veio preencher com essa colaboração com a EPM. Foi um trabalho notabilíssimo e algo muito importante que Portugal fica a dever à EPM”, disse Guilherme Valente.

Por entre a publicação do livro “Missão Impossível”, de Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães, e o financiamento a cursos de português a estrangeiros, a Fundação orgulha-se da estabilidade, quer em termos de projectos, quer de orçamentos. “Temos mantido uma actividade regular que considero muito relevante na perspectiva do cumprimento para a qual foi criada”, defendeu Guilherme Valente.

PUB

Anúncio Concurso Público n.º 4/2014 Equipamento de Rede destinado ao Centro de Dados do Governo De acordo com o disposto no artigo 13.º do Decreto-Lei n.º 63/85/M, de 6 de Julho e, ainda, de acordo com o Despacho da Exma. Senhora Secretária para a Administração e Justiça, de 1 de Setembro de 2014, a Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública vem, em representação do adjudicante, proceder a concurso público para o fornecimento de Equipamento de Rede destinado ao Centro de Dados do Governo. 1. Adjudicante: Secretária para a Administração e Justiça. 2. Serviço responsável pela realização do processo de concurso: Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP). 3. Modalidade do concurso: concurso público. 4. Objecto do concurso: fornecimento aos SAFP o “Equipamento de Rede destinado ao Centro de Dados do Governo” . 5. Prazo de validade das propostas: o prazo de validade da proposta não deve ser inferior a cento e cinquenta dias, a contar da data do acto público do concurso. 6. Caução provisória: a caução provisória é de MOP 250 000,00 (duzentas e cinquenta mil patacas), e deve ser prestada por meio de depósito bancário ou por garantia bancária legal a favor do Governo da Região Administrativa Especial de Macau - Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública . 7. Caução definitiva: valor correspondente a 4% (quatro por cento) do preço global da adjudicação. 8. Condições de admissão: podem candidatar-se ao presente concurso as empresas que tenham sede ou escritórios na RAEM, tenham no âmbito das actividades, total ou parcial, o fornecimento de equipamentos de informação, sistemas e serviços e, comprovem ter cumprido as obrigações fiscais. 9. Todas as dúvidas sobre o Programa do Concurso e o Caderno de Encargos deste concurso público podem ser apresentadas de acordo com o determinado no mesmo Programa do Concurso. 10. Local, data e hora limite para entrega das propostas: Local: Balcão de atendimento dos SAFP, sito na Rua do Campo, edifício Administração Pública, n.o 162, r/c, Macau. Data e hora limite: Até às 17:30 horas do dia 9 de Outubro de 2014 (não sendo aceites propostas fora do prazo). 11. Local, data e hora do acto público: Local: Sala Polivalente do 4.o andar do Edifício Vicky Plaza, sito na Rua do Campo, n.ºs 188-198, Macau. Data e hora: 11:00 horas do dia 10 de Outubro de 2014. (De acordo com o disposto no artigo 27.o do Decreto-Lei n.º 63/85/M, de 6 de Julho, os concorrentes ou seus representantes legais devem estar presentes no acto público, munidos do termo de nomeação (vide ponto 8.3 do programa do concurso), para esclarecimento de eventuais duvidas que venham a surgir nos documentos da proposta entregue). 12. Local, data e hora para consulta do processo e obtenção da cópia do processo: Local: Balcão de atendimento dos SAFP, sito na Rua do Campo, Edifício Administração Pública, n.o 162, r/c, Macau. Data: A partir da data da publicação do presente anúncio até à data limite para a entrega das propostas. Hora: Das 09:00 às 17:30 horas dos dias úteis. Preço da cópia do processo: MOP 200,00 (duzentas patacas). 13. Critérios de apreciação das propostas e respectivos factores de ponderação: a) Preço (40%) b) Exigências técnicas (45%) c) Prazo de entrega (10%) d) Background e experiências profissionais da empresa na respectiva área (5%) 14. Esclarecimentos adicionais: A partir da data de publicação do presente anúncio até à data limite para a entrega das propostas, os concorrentes podem dirigirse ao balcão dos SAFP, sito na Rua do Campo, n.o 162, edifício Administração Pública, r/c, Macau, para obterem quaisquer eventuais esclarecimentos adicionais. Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública, 3 de Setembro de 2014. O Director, José Chu

AVISO COBRANÇA DO IMPOSTO COMPLEMENTAR DE RENDIMENTOS Avisa-se os Srs. contribuintes que o referido Imposto é pago em 2 prestações, se for superior a MOP3,000.00, em Setembro e Novembro de cada ano. Se for não superior a MOP3,000.00, é pago numa única prestação, em Setembro de cada ano. O não pagamento da 1.ª prestação no mês de vencimento (Setembro) importa para além da cobrança de juros de mora e 3% de dívidas, o imediato vencimento da prestação vincenda. No mês de pagamento, se os contribuintes não tiverem ainda recebido o conhecimento de cobrança, agradece-se que se dirijam ao NÚCLEO DE INFORMAÇÃO FISCAIS, situado no r/c do Edifício “Finanças”, ao Centro de Atendimento Taipa ou ao Centro de Serviços da RAEM, trazendo consigo o conhecimento de cobrança ou fotocópia do ano anterior, para efeitos de emissão de 2.ª via do conhecimento de cobrança. 4. O pagamento da 1.ª ou única prestação pode ser efectuado, até ao último dia do mês de Setembro, nos seguintes locais: - Nas Recebedorias do Edifício “Finanças”, do Centro de Atendimento Taipa, do Centro de Serviços da RAEM ou do Edifício Long Cheng; Os impostos/contribuições poderão ser pagos por intermédio de cartão de crédito ou de débito emitidos pelo Banco da China ou pelo Banco Nacional Ultramarino (incluindo “Maestro” e “UnionPay”). O Valor total de pagamento não pode ser superior a MOP$100.000,00 (cem mil patacas), sendo apenas permitido utilizar na operação um único cartão. Poderá também optar pelo pagamento através do cartão “Quick Pass” do Banco da China, sendo que o valor total de pagamento não pode ser superior a MOP$1.000,00 (mil patacas). - Nos balcões dos Bancos a seguir discriminados: Banco da China; Banco Comercial de Macau; Banco Delta Ásia; Banco Industrial e Comercial da China; Banco Luso Internacional; Banco Nacional Ultramarino; Banco Tai Fung, e, Banco Weng Hang. - Nas máquinas ATM da rede Jetco de Macau, assinaladas com a indicação <<Jet payment>>; - Por pagamento electrónico ( “banca-on-line” ), no Banco da China, no Banco Nacional Ultramarino ou no Banco Tai Fung, através dos endereços: www.bocmacau.com, www.bnu.com.mo e www.taifungbank.com, respectivamente. - Por pagamento telefónico “banca por telefone”, no Banco da China ou no Banco Tai Fung. 5. Se o pagamento for efectuado por meio de cheque, a data de emissão não poderá ser anterior, em mais de três dias, à da sua entrega nas Recebedorias da DSF, e deve ser emitido a favor da <<Direcção dos Serviços de Finanças>>, nos termos das alíneas 2) e 3) do n.º 1 do Artigo 4.º do Regulamento Administrativo n.º 22/2008. Se o valor do cheque for igual ou superior a MoP$50 000,00, deverá o mesmo ser visado, nos termos da alínea 4) do Artigo 5.º do Regulamento Administrativo acima mencionado. 6. Os contribuintes podem também efectuar o pagamento através do envio de ordem de caixa, cheque bancário ou cheque por correio registado para a Caixa Postal 3030. Note-se que não se pode enviar dinheiro, mas apenas ordem de caixa, cheque bancário ou cheque, devendo incluir-se um envelope devidamente selado e endereçado ao próprio contribuinte, a fim de se enviar posteriormente o respectivo conhecimento, comprovando o pagamento. Lembra-se que devem ser respeitadas as regras descritas no ponto 5, relativamente aos cheques. - O envio para a caixa postal deve ser feito 5 dias úteis antes do termo do prazo de pagamento indicado no conhecimento de cobrança. 7. Nenhum dos métodos acima mencionados acarreta quaisquer encargos adicionais aos contribuintes pela prestação do serviço de cobrança. 8. Para a sua comodidade, evite pagar os impostos nos últimos dias do prazo.

1. 2. 3.

Aos 28 de Agosto de 2014. O Director dos Serviços, Subst.º Iong Kong Leong


sociedade 9

hoje macau quarta-feira 10.9.2014

ÓLEO DE TAIWAN SÃO JANUÁRIO SUSPENDE CONSUMO DE ALIMENTOS

SERVIÇOS DE SAÚDE ESPERAM POR JOVEM QUE FRACTUROU CÓCCIX

“Sem razão para alarme”

Palavras ditas D EPOIS da mãe de Chan Pou U ter tornado público o plano de entrar em contacto com a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) e com os Serviços de Saúde que o filho – que fracturou o cóccix - ser tratado no estrangeiro, o director dos SS já veio a terreiro falar do caso. De acordo com Lei Chin Ion, as autoridades “ainda estão à espera” que a família da vítima entregue ao Centro Hospitalar Conde de São Januário o relatório de diagnóstico efectuado pelo Hospital Queen Mary, onde, segundo Chan Pou U, é aconselhável a remoção do cóccix do jovem.

O óleo adulterado foi usado no fabrico de dois tipos de pães

O

MÁ QUALIDADE

Recorde-se que o recente anúncio de mais um escândalo alimentar a atingir Macau chegou no domingo passado, quando os SS anunciaram que, de acordo com o alerta lançado pelas autoridades de Administração de Alimentos e Medicamentos de Taiwan, a

empresa Chang Guann Co reproduziu e colocou à venda óleo que contém, na sua composição, matérias primas de má qualidade, nomeadamente gorduras, miudezas de matadouros e couro, entre outros, sendo que o produto estava a ser reutilizado depois de usado. Segundo as autoridades, que suspenderam de imediato o fornecimento do óleo, os ingredientes resultantes destas “gorduras de má qualidade” são desconhecidos, e por isso, “o risco para

IFT TAMBÉM FOI AFECTADO O Instituto de Formação Turística (IFT) admitiu que compra pão proveniente da Hang Fong Food Factory Limited – a empresa que importa este óleo - desde 2012, por esta ser “a empresa fornecedora seleccionada” pelos departamentos governamentais. O pão em questão foi fornecido a duas cantinas do IFT de Macau e da Taipa e à Pousada de Mong Há, mas nunca foi servido no restaurante do instituto, garante a instituição em comunicado. O IFT assegura que já suspendeu a compra de produtos à empresa.

a saúde que a utilização destes produtos envolve também é desconhecido”. Apesar de assegurarem que a possibilidade de intoxicação é “muito reduzida”, os SS alertam que os óleos adulterados não atendem às disposições obrigatórias, e por isso, “o seu consumo pode causar problemas de indisposições e alterações de trato gastrointestinal”.

O

bloco operatório do Centro Hospitalar Conde de São Januário já entrou em obras de remodelação, sendo que os trabalhos deverão de-

Segundo a mãe do Chan Pou U, o paciente foi submetido a vários exames médicos nas instalações de saúde de Hong Kong e o relatório final aconselha a que a vítima seja submetida a um tratamento por meio de injecções, primeiramente. Caso isto resulte, deverá avançar-se com a remoção do cóccix.

PALAVRA DE CHEFE

Chui Sai On, Chefe do Executivo, já assegurou que o “trabalho prioritário do Governo é garantir a saúde dos residentes e visitantes” e que, por isso, será necessário “suspender a utilização dos produtos”, algo que o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais já garantiu ter feito. Chegaram a Macau cerca de 2300 latas de 15 litros cada deste óleo, mas o líder do Governo garantiu que o “Centro de Segurança Alimentar vai continuar a acompanhar [o caso], garantindo a recolha de informações e respectiva divulgação ao público sob o princípio de elevada transparência”. Os SS criaram uma linha azul - 2870 0800 -, com um funcionamento diário das 9 horas até às 23 horas para apoio aos residentes. - H.M.

São Januário Obras de remodelação no bloco operatório vão durar um ano morar um ano. O anúncio foi feito em comunicado pelos Serviços de Saúde (SS), que garantem que as cirurgias de carácter urgente “não serão afectadas”. Contudo, e de acordo com o anunciado pelo organismo, vai haver mudanças nas operações normais do hospital, algo que, admite a instituição, pode causar transtornos. “O

VERSÃO MATERNA

Centro Hospitalar Conde de São Januário realizará operações de acordo com um planeamento ajustável a esta situação e, apesar dos constrangimentos que este tipo de situação acarreta, foi efectuada uma reorganização interna, de modo a manter as operações do Serviço de Urgência.” As obras de remodelação

do bloco operatório incluem a substituição integral do sistema de ar condicionado, “utilizado há mais de trinta anos”, e a substituição de algumas das especificações do bloco de modo a que “este possua equipamentos de topo e seja totalmente informatizado e digitalizado, habilitando-o ao desenvolvimento da cirurgia robótica”.

MACAU CONSCIÊNCIA

Centro Hospitalar Conde de São Januário também foi afectado pelo escândalo do óleo de Taiwan adulterado. O hospital público viu-se obrigado a suspender produtos alimentares que continham o óleo proveniente de Taiwan, conforme informaram os Serviços de Saúde (SS) em comunicado, garantindo que não há razões para alarme. Confirmando que a fábrica de alimentos Hang Fong, fornecedora alimentar da instalação hospitalar, usou o óleo em causa na confecção de dois tipos de pães, os SS cancelaram o fornecimento “a fim de garantir que a saúde de doentes e profissionais de saúde” não fosse afectada. As autoridades garantem ainda que, até há data, não foram registados, nem pelos profissionais de saúde, nem pelos doentes, casos de desconforto após o consumo de alimentos que continham o óleo adulterado. “Também não existem dados que indiquem que o óleo em apreço contém substâncias perigosas. Aliás, é muito raro que após o consumo diário de alimentos com esta gordura de má qualidade, possam ser registadas intoxicações [alimentares graves], razão pela qual não há motivos para alarmes injustificados”, explicam os SS.

Para Lei Chin Ion, caberá ao médico assistente em Macau proceder à análise aprofundada do mesmo relatório. O responsável dos SS deixa mesmo uma mensagem. “Esta situação não pode ser julgada por aquilo que é publicado na comunicação social. Caso se confirme que o doente necessita de se deslocar a Hong Kong para efectuar tratamentos, será o médico assistente que irá requerer à Junta para Serviços Médicos no Exterior a apreciação do caso e a aprovação da deslocação nos termos legais”, explicou.

DIZ QUE DISSE

Os SS garantiram em comunicado que “desde a primeira hora e até hoje, a equipa de profissionais de saúde do Centro Hospitalar Conde de São Januário tem prestado toda atenção ao estado de saúde do doente e nunca desistiu de lhe prestar os cuidados e apoios necessários em todos os aspectos”. De lembrar que o caso já atraiu a atenção de activistas como Jason Chao, que até chegou a lançar uma iniciativa para a recolha de fundos para que o doente pudesse ser tratado. As acusações entre a família e os SS são frequentes, com a mãe de Chan Pou U a queixar-se de falta de apoio e o Governo a garantir que isso não é verdade. - H.M.

Trânsito Condutor que atropelou idosa acusado de homicídio

O condutor de um camião de transportes de cimento, que na semana passada, atropelou uma idosa que morreu no local, foi acusado de homicídio por negligência, segundo informou ontem o Ministério Público (MP). Leong, de 40 anos, parou o camião na zona de tracejado amarelo enquanto o semáforo estava com sinal vermelho, arrancando assim que ficou verde sem se aperceber que acabara de atropelar uma idosa de 80 anos. Em declarações à imprensa, o condutor afirmou que a vítima não respeitou o sinal vermelho para os peões – algo confirmado pelo MP que, no entanto, e depois de analisar o caso, declarou que existem fortes indícios do crime de homicídio por negligência por Leong não ter cumprido os deveres de condutor. O caso segue agora para a polícia para mais investigação.


10 publicidade

hoje macau quarta


EVENTOS

a-feira 10.9.2014

11

“CONTOS DO PORTUGAL RURAL” EM NOVA VERSÃO BILINGUE

Um traço de união luso-chinês A obra que era já um sucesso na versão português-inglês, conhece agora uma nova variante decorrente da parceria com a Universidade de Macau

O

livro “Contos do Portugal Rural”, o primeiro da colecção bilingue português-inglês iniciada pela escritora Isabel Mateus, ganhou uma versão português-chinês através de uma parceria com a Universidade de Macau (UM). “Após o sucesso da versão bilingue português-inglês do livro ‘Contos do Portugal Rural’ – que já é uma referência em escolas e universidades dos países lusófonos e anglófonos –, a UM achou muito oportuna a tradução destes contos para chinês”, explicou à agência Lusa a escritora portuguesa Isabel Mateus, actualmente radicada no Reino Unido, realçando que se trata do primeiro livro português-chinês em formato paralelo. A obra, a ser distribuída pelas várias universidades e instituições chinesas em que se ensina Português “com o intuito de ser um novo meio de disseminação da cultura portuguesa na China”, surge da colaboração com o Curso de Mestrado de Tradução de Chinês/Português do Departamento de Português da UM.

HORAS FELIZES

A “interessante ideia” de verter para chinês a obra nasceu de um “acaso feliz” proporcionado por um encontro casual seguido de uma conversa, resumiu Ana Cristina Alves, professora que coordenou a tradução, sublinhando que considerou, até pela temática e humanidade que encerra, que seria “extremamente interessante para os alunos contactarem e pensarem em

“Penso mesmo que vai estreitar os laços entre Portugal, a China e Macau, porque (...) são realçados os pontos que existem histórica e culturalmente em comum entre os dois países” ISABEL MATEUS Autora

termos de diálogo cultural e civilizacional”. “Há muitos pontos de contacto”, realçou Ana Cristina Alves, dando o exemplo da mentalidade rural e sublinhando que a oferta em chinês vem permitir “explorar essas estruturais universais, semelhantes entre Portugal e a China”, fazendo com que, “a partir daí, as pessoas possam encetar um diálogo sem preconceitos”. Neste sentido, “quanto mais obras houver para mos-

trar essas afinidades melhor” porque “o que há é um grande desconhecimento”, defendeu a docente, indicando que no pro-

O QUE AINDA VEM AÍ Em curso estão novas sinergias: “Já durante este ano lectivo, vamos dar continuidade a esta parceria através da tradução de contos do livro ‘O Trigo dos Pardais’ (obra do Plano Nacional de Leitura) e espero que o empenho e o entusiasmo dos alunos, da coordenadora e de outros docentes seja pelo menos o mesmo que se verificou durante a tradução destes contos”, disse Isabel Mateus, para quem a nova versão bilingue da obra veio trazer um “novo impulso à colecção “Portuguese Insights”.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA URBAN SKETCHERS EM LISBOA - DESENHANDO A CIDADE • Eduardo Salavisa Cerca de duzentas pessoas de mais de vinte países encontraramse em Lisboa com o único intuito de desenharem e falarem sobre desenho. Dezoito espaços no Chiado e zonas envolventes foram objecto da observação e do registo por parte dessas pessoas, que usam regularmente o caderno como suporte para este tipo de desenho. Este desenho, essencialmente de observação foi também motivo de reflexão por desenhadores experimentados. O livro é o resultado dessa troca de experiências.

cesso, iniciado em Fevereiro e concluído em Junho, estiveram envolvidos 14 alunos do mestrado, bem como docentes que “por amor à camisola” trabalharam nas revisões antes de a obra ser dada à estampa. Com o novo volume desta colecção, “vamos com certeza aumentar o universo de leitores em Portugal e nos países lusófonos, os quais têm demonstrado nos últimos tempos um crescente interesse pela língua e cultura chinesas e, sobretudo, atingir o público leitor chinês [e macaense], que também tem vindo a revelar grande entusiasmo pelo nosso idioma e saber”, realçou a escritora portuguesa.

PONTOS EM COMUM

Para a autora, “Contos do Portugal Rural/葡萄牙鄉村故事” representa o “Traço de União” que faltava entre Portugal e a China [Macau] porque “facilita a compreensão dos valores socioculturais da ruralidade portuguesa e permite, em simultâneo, comparar ambas as culturas”. “Penso mesmo que vai estreitar os laços entre Portugal, a China e Macau, porque através destes contos são, afinal, realçados os pontos que existem histórica e culturalmente em comum entre os dois países e que estão presentes nestes textos literários representativos da ruralidade portuguesa”, acrescentou. A capa do livro é da autoria do artista plástico Carlos Farinha e está já à venda na Livraria Portuguesa de Macau e poderá ser encontrado em algumas livrarias chinesas e adquirido noutros países através da Amazon.co.uk.

MAM Mostra de Kit Kelen sobre abstracção

O

Museu de Arte de Macau (MAM) vai apresentar uma exposição intitulada “Imagens de coisíssima nenhuma - a arte e a poesia de Kit Kelen” entre 12 de Setembro e 19 de Outubro Segundo o comunicado de imprensa, a mostra é uma meditação sobre a ideia de abstracção, jogando com a trans-culturalidade e englobando vários meios de arte. Ao entrar neste trabalho, o visitante encontrar-se-á numa viagem pela contradição: as pinturas, sendo “coisíssima nenhuma”, não podem representar absolutamente nada, ao passo que as palavras (em qualquer língua) não conseguem evitar a representação, por muito simples, abstracta ou arquetípica que pareça. Nesta exposição, as palavras e as imagens ganham novos significados, inesperados. A exposição, patente

no 3º andar do MAM, está aberta ao público diariamente entre as 10h00 e as 19h00, excepto às segundas-feiras. Kit Kelen é um poeta australiano, académico, artista visual e professor de inglês na Universidade de Macau, instituição onde lecciona Escrita Criativa e Literatura há 14 anos. Alguns dos seus poemas encontram-se traduzidos e publicados em chinês, português, italiano, sueco, francês e tagalog. O mais recente livro de poesia de Kit Kelen é “China Years – New and Selected Poems”. O seu próximo volume de poemas, “Scavengers Season”, sairá ainda este ano na Austrália, com a chancela da Puncher and Wattman. A exposição, patente no 3º andar do MAM, está aberta ao público diariamente entre as 10h00 e as 19h00, excepto às segundas-feiras.

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

A MAÇONARIA UNIVERSAL • Miguel Martin-Albo

Uma análise da Maçonaria ao longo dos tempos de rara imparcialidade e amplitude histórica. Fenómeno associativo singular, a Maçonaria, na sua expressão mais ancestral - as lojas operativas - surge, sobretudo durante o apogeu do estilo gótico, entre as corporações de construtores (arquitectos, canteiros e pedreiros) da Europa Medieval, mas é a partir do início do século XVIII que, com o novo modelo de lojas especulativas - cujo papel nas revoluções liberais foi fundamental -, começa a desfrutar de grande reconhecimento social e político. Este livro, escrito com rara imparcialidade e amplitude histórica, pretende abordar as práticas que essas associações de “homens livres e de bons costumes” têm vindo a desenvolver ao longo dos séculos, penetrando, tanto quanto possível, o seu significado simbólico.


12

CHINA

hoje macau quarta-feira 10.9.2014

EMPRESÁRIOS FAZER CARREIRA FORA E REGRESSAR PARA GRANDES EMPRESAS

O poder das “tartarugas marinhas” Após anos de trabalho em multinacionais estrangeiras os chineses regressam à terra natal para ocupar posições de destaque nas empresas do país

MAIS IMPACTO

KATHY CHU E JOANN S. LUBLIN The Wall Street Journal

D

EPOIS de trabalhar 20 anos em multinacionais ocidentais, como a Coca-Cola e a Nike, Wayne Chen foi convidado a assumir um alto cargo na China Vanke, a maior empresa em receitas de desenvolvimento residencial do mundo, sediada na cidade chinesa de Shenzhen. Chen, um nativo de Xangai que se mudou para os Estados Unidos há cerca de 15 anos, diz que não pretendia deixar o Hay Group, a

consultadoria americana de gestão da qual era director administrativo em Xangai. Mas a Vanke insistiu e acabou por convencer o empresário com o argumento de que

“GAIVOTAS” E “TARTAR UGAS MARINHAS” Chen é um exemplo do que em mandarim se chama “haigui”, ou “tartaruga marinha”: um chinês que voltou para o país natal após passar um período no Ocidente. O termo também se aplica a estudantes. Estes profissionais são valorizados pelas empresas da China porque conhecem a cultura chinesa e podem usar práticas ocidentais para ajudar os seus novos empregadores a expandir as suas companhias, principalmente no exterior. “As empresas chinesas querem ganhar talentos para poderem tornar-se internacionais nos próximos dez anos e desejam incluir esses executivos nos seus negócios”, diz Max Price, da empresa de recrutamento Antal International, em Pequim. Em geral, as tartarugas marinhas “estão a voltar à procura de poder”, depois de terem chegado ao limite das suas carreiras em

Hoje em dia, os problemas crescentes da China com a poluição, por exemplo, também desencorajam executivos a querer trabalhar no país. Freeman H. Shen, um alto executivo da construtora de automóveis chinesa Zhejiang Geely Holding Group Co., que trabalha em Xangai, diz que alguns dos seus amigos têm boas carreiras no país, mas “querem sair da China por causa da qualidade do ar”. Estes estão a mudar-se para os EUA por acreditarem que os seus filhos terão melhores hipóteses de entrar numa boa faculdade americana se concluírem o ensino médio no país, diz Shen, vice-presidente do grupo de desenvolvimento, fusões e aquisições da Geely Holding.

multinacionais do Ocidente, diz Benjamin Zhai, director da Russell Reynolds Associates Inc., uma firma americana de recrutamento. O número de “tartarugas marinhas” tem vindo a aumentar há já vários anos, embora o crescimento tenha desacelerado recentemente. No ano passado, cerca de 350 mil desses chineses voltaram à China, quase mais 30% do que em 2012. Em 2009, o crescimento foi de 56%, segundo o Ministério da Educação da China, que supervisiona o fenómeno. O número de “gaivotas” chineses que se deslocam frequentemente entre a China e o Ocidente - também está a subir, diz Wang Huiyao, presidente do Centro para a China e a Globalização, que tem estudado a população chinesa no exterior, assim como aqueles que retornam ao país.

queria oferecer residências à população da China, que está a envelhecer, e de ganhar uma presença global em cidades como São Francisco, Nova Iorque e Singapura. O empresário começou a trabalhar na Vanke em Fevereiro como director de recursos humanos, juntando-se aos mais de dez executivos nascidos na China e educados no Ocidente que entraram na empresa nos últimos cinco anos.

CONDIÇÕES ALICIANTES

Alguns empresários que retornam são atraídos por salários e benefícios que podem ser até 50% maiores do que os oferecidos pelas multinacionais ocidentais, dizem alguns especialistas. Ao mesmo tempo, estão também a constatar que há um número crescente de empresas chinesas com ambições globais e sofisticação à altura das suas congéneres ocidentais. Em muitos casos, estas empresas oferecem aos naturais da China cargos melhores e maior poder de decisão. Trabalhar numa empresa chinesa na China continental significa que “estar a

tomar decisões globais, em vez de ter essas decisões tomadas por outros” na sede da empresa no Ocidente, diz Guo Xin, que em Julho de 2011 assumiu o posto de director-presidente da Career International, um firma de recrutamento sediada em Pequim, após deixar a consultadoria americana Mercer. “O que me interessa não é o cargo ou o dinheiro, mas sim a satisfação no trabalho.” As empresas chinesas também estão a ser beneficiadas pelas investigações anti-monopólio que multinacionais estrangeiras, como a gigante da tecnologia Microsoft e a construtora de automóveis Audi, estão a enfrentar na China. É verdade que muitas tartarugas marinhas (ver caixa) que trabalharam em empresas ocidentais durante anos sofrem um choque cultural quando entram numa firma chinesa. «A taxa de sucesso é inferior a 50%», diz Kitty Zheng, executiva em Pequim da Spencer Stuart, outra empresa americana de busca de talentos.

“Alguns empresários que retornam são atraídos por salários e benefícios que podem ser até 50% maiores do que os oferecidos pelas multinacionais ocidentais”

Wayne Chen

Após passar 16 anos em multinacionais ocidentais, este profissional pretende ficar na Geely - na qual entrou em 2009, para o seu primeiro emprego na China - porque “a Geely tem oportunidades”, diz Shen, que trouxe outras dez tartarugas marinhas de alto nível para a empresa nos últimos quatro anos. Aqueles que ficam no país muitas vezes citam poderosas motivações pessoais. Joan Ren, sócia da firma de private equity Ample Harvest Finance, de Xangai, disse que a hipótese de causar um impacto maior numa empresa local influenciou a sua decisão, em 2012, de deixar a filial de Xangai da General Motors , onde trabalhava na divisão da Chevrolet. Li Sanqi, de 60 anos, que fez parte da primeira onda de chineses a estudar no Ocidente, diz que quando voltou para a China, em 1985, não conseguiu encontrar muitos empregos que aproveitassem bem a sua formação em engenharia. Li saiu novamente do país e criou uma série de empresas de tecnologia nos EUA durante os 20 anos seguintes, voltando em 2009 para trabalhar para a empresa de telecomunicações Huawei Technologies Co. “Fiquei impressionado”, diz Li, que agora é director de tecnologia na divisão de produtos e soluções da Huawei. “Sei que seria difícil, nos anos 80 e 90, para uma firma chinesa tornar-se tão grande.”


DESPORTO

hoje macau quarta-feira 10.9.2014

SETE “CANARINHO” DERROTOU CAMPEÃO KA I

Monte Carlo isola-se na liderança

O

Clube Desportivo Monte Carlo ascendeu ontem à liderança isolada da Série B do Campeonato de Futebol de Sete da 1ª Divisão, ao derrotar o arqui-rival Ka I no encontro de maior nomeada da quarta ronda da competição. A quarta jornada do principal campeonato de “Bolinha” do território abriu com um encontro de gigantes e no relvado sintético do campo do Colégio D. Bosco nenhuma das equipas deixou créditos por mãos alheias, ainda que o emblema orientado por Tam Iao San tenha sido mais feliz. Windsor Arch Ka I e Monte Carlo partiam para o desafio empatadas no topo da classificação e protagonizaram durante grande parte do encontro um espectáculo pautado pelo equilíbrio. Orientado pelo veterano Chan Man Kin, o Ka I foi a primeira formação a criar uma oportunidade digna de tal nome, com Ricardo Torrão a bater um livre directo à entrada da área adversária, apenas para ver o esférico embater no corpo de um adversário.

MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo

P

O Clube Desportivo Monte Carlo só aos nove minutos conseguiu responder na mesma moeda. O defesa Júlio César Souza quase inaugurou o marcador, ao forçar o guarda-redes Fong Chi Hang a uma boa defesa, na sequência de um pontapé de canto apontado no lado direito do ataque da formação “canarinha”. O lance fez despertar o Ka I. A formação orientada por Chan Man Kin deu réplica ao adversário quase de imediato, mas nem Diego Patriota, aos dez minutos, nem Bruno Figueiredo, dois minutos depois, conseguiram encontrar o caminho para o fundo das redes à guarda de Domingos Chan. Aos quinze minutos, Kong Cheng Hou isolou-se na frente de ataque do sete negro-rubro mas não conseguiu enquadrar o remate com a baliza do Monte Carlo. A formação “canarinha” só no lance imediato conseguiu voltar a levar perigo ao último reduto adversário, numa jogada rápida de contra-ataque.

AULO Bento, treinador português que em Macau orientou as formações do Clube Desportivo Monte Carlo e da Casa do Sport Lisboa e Benfica de Macau, está de regresso ao Oriente. O antigo treinador do Sintrense inicia esta semana uma nova etapa profissional na República Popular da China, num projecto da Winning League Academia Luís Figo que tem por objectivo exponenciar a formação de jovens atletas e ajudar ao desenvolvimento do desporto-rei no Continente. O antigo técnico “canarinho”, que irá ter a companhia de outros treinadores portugueses, vai ajudar a coordenar a partir de Xangai “um projecto muito importante na área da formação que vai abranger várias regiões da República Popular da China”. Satisfeito por poder voltar a trabalhar no Oriente, Paulo Bento reserva para mais tarde infor-

FIM DO CONFORTO

Sem deslumbrar, o actual campeão da “Bolinha” ia mantendo o controlo da

partida, mas a margem de conforto do Ka I acabou por ruir no derradeiro minuto da primeira parte, com Francisco Rafael de Medeiros a inaugurar o marcador e a escrever as primeiras linhas do que viria a ser um feito de contornos raros no futebol de Macau. O avançado brasileiro marcou o primeiro do encontro com um remate rasteiro, depois de um boa troca de bola com um companheiro de equipa. Depois de ter marcado um hat-trick frente à Selecção de Sub-23 e de ter repetido a graça na semana passada, no confronto frente ao Lam Ieng, o artilheiro do Monte Carlo voltou ontem a marcar por três ocasiões. O segundo do Clube Desportivo Monte Carlo, segundo também de Rafael de Medeiros, surgiu aos 37 minutos, depois da defensiva do Ka I não ter conseguido travar novo contra-ataque da formação “canarinha”. Com a bola à sua mercê e apenas com Fong Chi Hang pela frente, o avançado brasileiro não perdoou, fuzilando o guarda-redes do Ka I. A perder por duas bolas a zero, os campeões de futebol de sete de Macau ainda esboçaram uma reacção e

reduziram para 2-1 aos quarenta minutos, mas o golo de Samuel Romosoeu de pouco valeu para impedir o triunfo do Monte Carlo. Aos 45 minutos, Francisco Rafael de Medeiros voltou a fazer estragos no último reduto adversário, ao bater Fong Chi Hang pela terceira vez, fazendo culminar uma noite para mais tarde recordar.

ESPERANÇAS INTACTAS

Com o triunfo ontem obtido, o Monte Carlo somou a quarta vitória na presente edição da “Bolinha” e lidera a Série B da prova com doze pontos. Apesar da derrota, os atletas do Ka I mantém vivas as aspirações de conseguirem garantir um lugar nas meias-finais da prova: “Não está nada perdido. É verdade que não estávamos à espera de perder este encontro, mas ainda temos vários jogos pela frente e estamos bem posicionados para conseguir um lugar nas meias-finais do Campeonato. O objectivo continua a passar pela revalidação do título que conquistámos no ano passado”, assume Bruno Figueiredo. No outro encontro ontem disputado, a contar para a quarta ronda da Série A do Campeonato de Futebol de Sete o Lai Chi bateu o Grupo Desportivo Artilheiros por duas bolas a zero. Cheang U Hin, aos quatro minutos e Sio Ka Un, aos vinte, marcaram os golos que garantiram o triunfo do Lai Chi.

ANTIGO TÉCNICO DO MONTE CARLO VAI COLABORAR COM A ACADEMIA LUÍS FIGO

Na China, com olho para o talento mações mais detalhadas sobre o projecto, mas diz ainda assim que o convite que lhe foi endereçado é um dos mais aliciantes da carreira: “É obviamente muito importante para mim que alguém tenha mostrado disponibilidade para apostar em mim e depositar confiança no meu trabalho, mais ainda quando o que está em causa um projecto tão importante para o futuro da modalidade na China”, remata o treinador português. Para além de ter orientado o Sintrense, Paulo Bento fez durante alguns anos parte do projecto de formação do Sporting Clube de Portugal.

SUB-APROVEITADO

No regresso ao Oriente, o antigo treinador do Monte Carlo e do Benfica apenas lamenta que a sua

experiência na formação e desenvolvimento de novos “craques” não tenham sido devidamente aproveitadas em Macau. “Tenho pena que em Macau ninguém

GONÇALO LOBO PINHEIRO

info@hojemacau.com.mo

GONÇALO LOBO PINHEIRO

MAR CO CARVALHO

13

tenha aproveitado o facto de eu ter estado tanto tempo num clube de topo, como é o Sporting Clube de Portugal. Estou convicto que a minha experiência poderia ter

sido útil ao desenvolvimento do futebol local. Para além do Sporting colaborei também com a Liga Portuguesa de Futebol e a experiência que acumulei, estou certo, poderia ser útil para dinamizar um bom trabalho ao nível das selecções”, reitera. Paulo Bento foi, há quase um ano, protagonista num diferendo que ensombrou o arranque da edição de 2014 da Liga de Elite. Contratado para orientar a Casa do Sport Lisboa e Benfica de Macau, o treinador português regressou a Portugal antes ainda do arranque da temporada, acabando por ser substituído por Dani. O técnico cabo-verdeano acabaria por ceder o lugar a Bruno Álvares, que levou o Benfica à conquista do principal campeonato de Futebol do território. - M.C.


h

hoje macau quarta-feira 10.9.2014

luz de inverno

ARTES, LETRAS E IDEIAS

14

U

M artigo recente da revista Sight and Sound chama-nos a atenção para o cinema filipino. Se nestas páginas apenas se dedicou um artigo a esta cinematografia, a propósito de um filme de Brillante Mendoza, Kinatay, é porque o seu autor a conhece muito mal e sobre ela se não poderia estender sem correr riscos de presunção. No entanto, esta foi das cinematografias extremo-asiáticas que primeiro se tornaram conhecidas em Portugal, através da acção inestimável da Rtp 2. Lembrar-se-ão muitos que durante anos este canal ofereceu aos seus espectadores uma luxuosa programação a nível de cinema. Lembro eu, com um afecto que estendo pelos anos que tenho convivido com o povo em questão, a passagem de dois ou três filmes de Lino Brocka (Insiang, o Lírio de Manila, de 1976, e, certamente Jaguar, de 1979). Este tipo de cinema acompanha uma literatura de denúncia social que marca a cultura literária, plástica e cinematográfica das Filipinas, um lugar onde a diferença social cria um choque que tem sido alvo de inúmeros retratos. Foi assim, mais uma

Boi Luxo

PELIKULANG PILIPINO

vez através do cinema, uma arte fácil de decifrar, que ficámos a conhecer melhor um país distante. Insiang dispensa, ainda hoje, um equilíbrio eficaz entre a demonstração das dificuldades e injustiças que a pobreza provoca em certos habitantes de Manila, as emoções que tal estado de coisas promove, e um erotismo suave que, aos poucos, acaba por se sobrepor a tudo o mais (graças ao rosto impassível de Hilda Koronel) e cria uma violência diferente da que se exibira no início do filme, e que, enganosamente, parecia querer impor-se exclusivamente. É o tipo de dramalhão que caía bem há 35 anos, temperado com um pouco de exotismo de um oriente que era menos conhecido e menos visitado. Hoje continua a cair bem porque nele permanece uma fibra que impede que a sua parte mais sentimental se sobreponha. Em termos sociais pouco se alterou em Manila mas já não é, no entanto, em Insiang (um filme de que gosto bastante) que se procurará uma intoxicação pela indignação. Para além de alguns filmes japoneses de Ozu, Kurosawa e Mizoguchi, estes de Lino Brocka terão sido dos primeiros

filmes extremo-asiáticos exibidos em Portugal. O primeiro filme chinês a estrear aí comercialmente, por exemplo, deve ter sido O Milho Vermelho, de Zhang Yimou, de 1987, precisamente o ano em que a Cinemateca Portuguesa apresentou um longo ciclo dedicado ao cinema chinês, em Outubro, o primeiro grande avanço para o conhecimento desta cinematografia para todos aqueles portugueses que não iam a Paris ver filmes. O que encontro no meu contacto com a sociedade filipina é uma poderosa cultura popular da imagem, como nos E.U.A. e no Japão, exibida através do cinema e da banda desenhada. Só há pouco tempo me apercebi de que as Filipinas são, em termos de número de estreias anuais, um dos maiores produtores de filmes do mundo, uma posição que já foi, há poucos anos, de gritante destaque. Em 1997 foram estreados nas Filipinas 297 produções nacionais. Os anos 50, 70 e 80 foram também anos de abundância. Nos anos 50, na Ásia, apenas no Japão se produziam mais filmes que nas Filipinas, na área dos 350 por ano. Nestas décadas produziram-se desde os famosos Bomba (eróticos), a filmes

policiais, a filmes no género James Bond, filmes açucarados de temática amorosa, filmes de guerra ou de terror, musicais, muitos filmes de acção - produzidos tanto em tagalo como em outras línguas (nomeadamente da zona de Visayas). Como acontecia em Hong Kong (outro mega-produtor de filmes), muitas destas produções eram filmadas e montadas no espaço de uma ou duas semanas e serviam, generosamente, um público popular ávido de tiros, música, drama, carne nua e sangue. Trata-se, assim, na sua esmagadora maioria, de filmes populares sem exibição fora do país, um pouco como aconteceu e acontece na Tailândia, que tem uma colorida indústria produtora de filmes de terror, fantásticos, de acção ou históricos, para consumo quase exclusivamente interno. Nos anos 70 aparece o cinema independente e/ou algum que se projectou internacionalmente (como os de Lino Brocka). Hoje em dia existem, em muitos países do sudeste asiático, para lá do cinema popular por vezes bastante especializado, autores, mais ou menos independentes, de interesse universal. José Rizal é o herói independentista mais importante das Filipinas. Que ele


artes, letras e ideias 15

hoje macau quarta-feira 10.9.2014

PUB

“O QUE ENCONTRO NO MEU CONTACTO COM A SOCIEDADE FILIPINA É UMA PODEROSA CULTURA POPULAR DA IMAGEM, COMO NOS E.U.A. E NO JAPÃO, EXIBIDA ATRAVÉS DO CINEMA E DA BANDA DESENHADA” seja considerado o primeiro autor de banda desenhada filipino cobre esta arte de uma autoridade difícil de delir. A influência do colonizador americano teve igualmente uma importância capital, como se vê pelo número de heróis locais copiados da B.D. norte-americana. Os géneros são muitos e espelham uma vontade que o seu cinema também reproduz, a do usufruto de narrativas populares de géneros muito diversificados: de terror, de amor, cómico, histórico, policial, de denúncia social, de imitação do Tarzan ou muitos puros super-heróis americanos que se tornam filipinos, muitos tipos de histórias misteriosas e fantásticas, heróis desportivos (basquetebol, como no Japão hoje), aventuras espaciais ou com robots, apropriação de histórias de Hollywood, bomba komiks (eróticos). À B.D. junta-se a edição de um género destinado ao público feminino, o das foto-novelas de tema amoroso. O preço destes pequenos fascículos é irrisório. Ainda hoje é fácil de detectar, nas ruas da grande cidade, um gosto voraz pela banda desenhada. * A fama rápida e merecida que alguns filmes de Brillante Mendoza alcançaram deve-se ao poder divulgador dos grandes festivais de cinema. Lembremos que foi através deles que se tornaram igualmente conhecidos vários autores japoneses, chineses e tailandeses. Nos três filmes de Mendoza que conheço admiro a diversidade de tom que conseguem mostrar e a recusa em se mostrar, como tantas vezes acontece, como um cinemazinho étnico e giro. Estes pro-

“EM TODOS OS FILMES DE MENDOZA QUE CONHEÇO A ABUNDÂNCIA DE GENTES E CORES FAZ QUASE PENSAR NUM QUADRO DE UM BRUEGHEL TÃO PRÓXIMO DAS SUAS FIGURAS QUE DELAS SE LIBERTA O CHEIRO DAS CARNES”

vocam reacções diferentes, ao mesmo tempo que promovem o conhecimento de uma grande cidade – Manila. Desse modo podem ser vistos como retratos densos desta cidade vertiginosa, feia e perigosa, suave e carinhosa, barulhenta e tribal, lutadora, generosa e obscenamente desigual. Kinatay (2009) retrata acontecimentos de uma noite violenta através dos olhos inocentes de um estudante de academia de polícia, uma viagem vertiginosa a um subúrbio onde se pratica um crime. Lola (2009) mostra quase cientificamente o tecido social de duas famílias pobres da grande cidade e das relações que se tecem com as autoridades locais. Contudo, o tom monográfico não impede que Mendoza introduza, por vezes, algumas desconfortáveis e belas sequências fantasmagóricas que muito o enriquecem estilisticamente e o aproximam do fantástico. Este é um filme sobre duas velhas que expõe com minúcia o espaço que cada membro da família e da sociedade ocupa na malha da gigantesca cidade. Serbis (2008), filmado perto de Manila, muito mais cómico-malandreco que os outros dois, mostra o dia-a-dia em torno de um lugar (não há deslocação como nos outros dois). Um cinema, chamado Family, onde se dispensam serviços sexuais e que faz lembrar o velho cinema em decadência de Good Bye, Dragon Inn (2003), de Tsai Ming-liang, serve de cenário às andanças de uma família. A nudez dos seus primeiros planos avisa que estamos em presença dum filme bondoso. Em todos os filmes de Mendoza que conheço a abundância de gentes e cores faz quase pensar num quadro de um Brueghel tão próximo das suas figuras que delas se liberta o cheiro das carnes. A técnica digital permite, hoje em dia, que se façam muitos filmes a custo baixo e a relativa crise por que o cinema nas Filipinas passou nos inícios do século XXI mostra sinais de se atenuar. Em 2013 produziram-se 177 filmes. Não vi nenhum. A distância que me separa do cinema filipino tem origem na sua falta de disponibilidade. Até hoje não consegui ver um único filme daquele que será, actualmente, depois de Mendoza, o autor filipino mais interessante, Lav Diaz. O mesmo se passa com qualquer dos autores constantes da apreciação que a revista Sight and Sound de Julho de 2014 faz sobre o cinema filipino que se refere no início destas linhas. Neste artigo referem-se admirativamente On the Job, de Erik Matti, Shift, de Siege Ledesma e How to Disappear Completely, de Raya Martin, todos de 2013. Macau é o sítio ideal para acolher um Festival de Cinema do Sudeste Asiático. * Ver A History of Komiks of the Philippines and Other Countries, Ed. Ramon R. Marcelino

Anúncio Concurso público para «Obra de melhoramento das instalações elétricas da 1.ª fase do Edifício Hou Kong Fa Un» 1. 2. 3. 4. 5. 6.

7. 8. 9.

10. 11.

12.

13.

14.

15.

16.

17.

Entidade promotora do concurso: Instituto de Habitação. Modalidade do concurso: concurso público. Local de execução da obra: Rua Marginal do Canal das Hortas, Edifício Hou Kong Fa Un, Blocos 3,4,5, Macau. Objecto da empreitada: substituição de sistema eléctrico. Prazo máximo de execução: 270 (Duzentos e setenta ) dias. Prazo de validade das propostas: o prazo de validade das propostas é de noventa dias, a contar da data do acto público do concurso, prorrogável, nos termos previstos no programa do concurso. Tipo de empreitada: a empreitada é por série de preços. Caução provisória: $143.000,00 (cento e quarenta e três mil patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro de caução aprovado nos termos legais. Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, para reforço da caução definitiva a prestar). Preço base: não há. Condições de admissão: serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes para execução de obras, bem como as que à data do concurso tenham requerido a sua inscrição, neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição. Vista ao local A visita ao local será feita no dia 16 de Setembro de 2014, terça-feira, às 10,30 horas. Os concorrentes interessados devem chegar ao local indicado, à hora e data acima mencionadas e serão acompanhados pelos trabalhadores do Instituto de Habitação. Os concorrentes interessados devem dirigir-se à recepção do Instituto de Habitação ou através do telefone n.º 2859 4875, durante as horas de expediente, antes do dia 15 de Setembro de 2014, para proceder a marcação prévia da visita ao local. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Local: Instituto de Habitação, sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau. Dia e hora limite: dia 9 de Outubro de 2014 , quinta-feira, até às 17,00 horas. Local, dia e hora do acto público: Local: Instituto de Habitação, sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau. Dia e hora: dia 10 de Outubro de 2014, sexta-feira, pelas 9,30 horas. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes ao acto público de abertura de propostas para os efeitos previstos no artigo 80.º do DecretoLei n.º 74/99/M e para esclarecer eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. Local, hora e preço para obtenção da cópia e exame do processo: Local: Instituto de Habitação, sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau. Hora: horário de expediente. Preço: $300,00 (trezentas patacas). Critérios de apreciação das propostas e respectivos factores de ponderação: - Preço razoável: 60%; - Plano de trabalhos: 10%; - Experiência e qualidade em obras: 18%; - Integridade e honestidade: 12%. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes poderão comparecer no Instituto de Habitação, sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau, a partir de 10 de Setembro de 2014, inclusive, e até à data limite para entrega das propostas, para tomarem conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais.

Instituto de Habitação, aos 28 de Agosto de 2014. O Presidente, Substituto, Ieong Kam Wa


16

( F ) UTILIDADES

TEMPO

MUITO

NUBLADO

MIN

27

MAX

32

hoje macau quarta-feira 10.9.2014

HUM

65-90%

•

EURO

LÍNGUA DE gATO

10.3

BAHT

Cineteatro

0.2

YUAN

1.2

CINEMA

THE EXPENDABLES 3 SALA 1

THE EXPENDABLES 3 [C] Um filme de: Patrick Hughes Com: Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, Jet Li 14.30, 19.15

Pu Yi

CAFE • WAITING • LOVE [B]

FALADO EM MANDARIM E LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Chiang Chin Lin Com: Vivian Chow, Megan Lai, Pauline Lan, Lee Luo 16.45, 21.30

Salve-se quem puder Já não sei o que comer. Muito sinceramente, ando deprimido com isto dos escândalos alimentares na China. Que, por cá, não é seguro comer, eu já sabia. O que me irrita é que não sei o que escolher. Se vocês – humanos – já têm dificuldades em escolher a vossa comida – ou porque é carne estragada ou porque o óleo é do esgoto – imaginem o que é que “eles” não fazem à comida para animais. Eu já raramente gosto do que me dão... detesto aqueles pedacitos de salmão, que metem em todas as comidas de gato... pff... “salmão”. Nunca hei-de entender o que se passa na cabeça de quem gere as fábricas chinesas. A meu ver, a população da China é tão grande que parece não fazer diferença quem morre ou deixa de morrer. Um povo com uma cultura tão bonita, tão especial e tão detalhada, por vezes parece não querer saber da preservação da vida humana. Prova disso são casos como os da menina que correu mundo, ao ser atropelada várias vezes sem que ninguém – com tantos a passar – lhe desse a mão. E prova disso são os constantes escândalos alimentares na China, desde o leite em pó para bebés – bebés! -, aos iogurtes envenenados para crianças, às carnes estragadas, aos óleos alimentares do esgoto e ao “sabe-se lá” do que acontece todos os dias. Não percebo tal desrespeito pela vida humana, mas se isto vos acontece, preocupo-me seriamente com a minha e a dos meus amigos animais. Mas, como estamos nesta parte do mundo, façamos como esta parte do mundo: salvese quem puder!

SALA 2

THE HUNDRED-FOOT JOURNEY [B] Um filme de: Lasse Hallstrom

Com: Helen Mirren, Manish Dayal, Charlotte Le Bon, Om Puri 14.30, 19.15

THE EXPENDABLES 3 [C] Um filme de: Patrick Hughes Com: Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, Jet Li 16.45, 21.30 SALA 3

BUT ALWAYS [B]

Um filme de: Snow Zou Com: Nicholas Tse, Gao Yaun-yuan, Tong Da-wei 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

ACONTECEU HOJE

2 DE SETEMBRO

Morre Felix Bloch, criador da ressonância magnética

U M D I S C O H O J E POCKET SYMPHONY AIR (2012) Sempre foram conhecidos por serem melancólicos com uma grande mistura de música electrónica. Mas neste álbum, a dupla de músicos franceses Air, composta por Nicolas Godin e Jean Benoit Dunckel, decidiu ser mais melancólica do que electrónica. Não que isso seja mau. Com a excepção da “Mer du Japon”, todas as músicas de “Pocket Symphony” são perfeitas para um dia de Inverno em que vemos a chuva bater lá fora. - Andreia Sofia Silva

fonte da inveja

• Dez de Setembro é dia de recordar o físico Felix Bloch, que morreu neste dia, em 1983, na cidade de Zurique, sua terra natal. Felix Bloch foi um físico suíço, laureado, juntamente com Edward Purcell, com o Nobel de Física, em 1952, pelo desenvolvimento de novos métodos de medição precisa do magnetismo nuclear, nomeadamente a ressonância magnética nuclear. Nasceu a 23 de Outubro de 1905 e estudou física na Universidade de Leipzig, na Alemanha, onde se doutorou e defendeu a tese, estabelecendo a teoria quântica do estado sólido. Em 1934, vai trabalhar para os EUA, na Universidade Stanford e, durante a II Guerra Mundial, no Laboratório Nacional de Los Álamos. Sai para se juntar a um projecto sobre o radar, na Universidade Harvard. No pós-guerra, Felix Bloch concentra-se na pesquisa sobre a indução nuclear e a ressonância magnética nuclear. É um dos pais da ressonância magnética, conhecida desde 1940, graças a um trabalho realizado com Eduard Mills Purcell. Ambos são laureados com o Prémio Nobel de Física, por este trabalho. A ressonância magnética tem grande aplicação nas análises químicas de produtos conhecida como espetroscopia RMN, em química orgânica e na medicina moderna. É um método de imagem que aproveita as propriedades naturais dos átomos existentes no corpo humano para criar uma imagem. Hoje recordamos Felix Bloch, um dos autores deste exame que permanece actual, décadas mais tarde. Nasceram a 10 de Setembro Nicolau Tolentino de Almeida, escritor e poeta português (1740), Alfredo Nobre da Costa, político português (1923), Karl Lagerfeld, estilista alemão (1933), Jorge Sampaio, ex-Presidente da República (1939), Joe Perry, guitarrista norte-americano dos Aerosmith (1950), Marinho Pinto, advogado português (1950), Sean O’Bryan, actor norte-americano (1963) e Guy Ritchie, realizador britânico (1968).

João Corvo

Diz-me onde comes, eu te direi os dentes que tens.


ócios / negócios

hoje macau quarta-feira 10.9.2014

17

VEG SUSHI ELEMENT UN KA HOU, DONO DA LOJA DE ENTREGAS AO DOMICÍLIO

Un Ka Hou é o responsável pelo que assegura ser a primeira loja de ‘take-away’ online de comida japonesa vegetariana. A “Veg Sushi Element” entrega comida ao domicílio, promovendo, ao mesmo tempo, o conceito do vegetarianismo como protecção do meio ambiente FLORA FONG

flora.fong@hojemacau.com.mo

S

E os produtos japoneses já não são tão especiais em Macau como costumavam ser – agora há lojas de decoração japonesas, trabalhadores vestidos com roupa japonesa e até publicidade ao marisco fresco nipónico -, há quem tenha conseguido trazer algo de novo à cidade. É o caso de Un Ka Hou, um jovem de 25 anos que decidiu abrir uma loja online em Fevereiro deste ano, onde coloca à disposição dos clientes comida vegetariana japonesa. O entusiasmo nasceu da paixão pelo meio ambiente. “Antes de criar o negócio, trabalhei numa associação de protecção do meio ambiente. Reparei que, em Macau, a disponibilização de comida vegetariana é muito fraca, ou seja não há muitas escolhas para vegetarianos, comparando com Hong Kong, Japão e outros locais”, começa por dizer o criador da Veg Sushi Element. “Noutros sítios, há várias escolhas e até há aqueles conceitos ‘Green Monday’, onde se estimula o cliente a comer comida vegetariana uma vez por semana. Portanto, decidi tentar criar uma nova escolha vegetariana para as pessoas de Macau, inventando o Veg Sushi Element”, explica. A ‘loja’ de Un Ka Hou funciona apenas de forma online: os clientes podem visitar a página do Facebook e escolher do menu, sendo depois a comida entregue ao domicílio. Na lista das comidas aparece o sushi, mas este sushi tem tudo, menos peixe. Un Ka Hou explica que escolheu sushi,

POR UM ESTILO DE VIDA SAUDÁVEL porque considera que, actualmente, os jovens preferem comer comida japonesa, sendo que este estilo de comida pode atrair mais clientes não vegetarianos a escolher a sua loja. “Agora, 80% dos meus clientes não são vegetarianos, mas a comida japonesa atrai muitos jovens a experimentar esta comida, que ajuda a diminuir as emissões de carbono e a manter um estilo de vida mais saudável”, frisa o jovem. Un Ka Hou confessa que, como a loja é online, a despesa é menor, ainda que tenha sofrido dificuldades no início devido a não ter um espaço físico. “Durante vários meses no início, como não eram muitas as pessoas que conheciam a loja, havia poucas encomendas. Mas, depois, através de promoção no Facebook, Wechat e alguns aplicativos de smartphone, ficamos gradualmente mais conhecidos e agora consigo receber mais ou menos dez encomendas por dia.” O jovem dono conta que já tinha deixado o trabalho que tinha anteriormente, de forma a ficar completamente livre para o seu negócio. Apesar de admitir que não conhecia bem o negócio da restauração, tirou um curso de comida japonesa, tendo conseguido um certificado. “Logo depois, encontrei um restaurante para cooperar com o meu negócio, ofereci algumas técnicas e ingredientes ao restaurante e agora é lá que se fazem as encomendas. Portanto, o funcionamento é assim: 30% para pagar uma quantia ao estabelecimento, outros 30% para os estafetas e o resto 40%, já é lucro.”

“Acho que desenvolver a alimentação vegetariana é uma luta a longo prazo”

Para já, Un Ka Hou confessa que ainda não tem planos para arrendar uma loja para expandir o seu negócio. Ainda assim, promete mais para o futuro “Acho que desenvolver a alimentação vegetariana é uma luta a longo prazo. Actualmente, para mim, ainda não é necessário abrir uma loja, porque as despesas são demasiado grandes, incluindo renda, o pagamento aos funcionários e a necessidade de uma grande quantidade de alimentos para satisfazer as necessidades diárias. Também, com a

loja online, as encomendas são feitas com um dia de antecedência e o desperdício de alimentos é pouco, algo que uma loja [física] não consegue evitar”, assumiu, acrescentando que a propaganda nas redes sociais também é mais conveniente, ao nível das despesas. “Por exemplo, fazer uma publicidade no Facebook custa apenas 40 patacas, mas

mil pessoas podem ver essa publicidade, o que é muito mais barato do que quando se publica nos jornais, se faz cartazes ou se distribui folhetos”, diz, referindo, contudo, que com uma loja online é necessário fazer publicidade contínua para aumentar a visibilidade e manter clientes frequentes. A loja de Un Ka Hou pode ser visitada em facebook.com/VegSushiElement.


18

OPINIÃO

hoje macau quarta-feira 10.9.2014

carta ao director

Uma tendenciosa interpretação da lei para negar os subsídios de residência aos que se aposentaram antes do estabelecimento da RAEM Exmo. Senhor Director do Jornal Hoje Macau, Com referência ao assunto em epígrafe, estou em crer que os Meritíssimos Juízes do TUI (Tribunal de Última Instância), fizeram uma leitura, mas muito pela rama, do artigo 98º da Lei Básica da RAEM, cuja interpretação que deram, nada tem a ver com o caso em apreço, mas que, na verdade, relaciona-se com a possibilidade de os agentes e os funcionários públicos poderem manter os seus vínculos nos quadros da RAEM depois do seu estabelecimento. Tinha, sim, em vista, a realização da transferência do poder político sem sobressaltos e a transição estável! Neste contexto, jamais poderiam desatender toda essa questão contenciosa, suscitada pelos aposentados a quem lhes havia recusado o direito ao subsídio de residência com fundamento de se terem aposentado antes do estabelecimento da RAEM! Leia-se, para o efeito, o artigo 98 da LB. Negados, administrativamente, os seus requerimentos, recorreram, hierarquicamente, do despacho da Directora dos Serviços de Finanças para a Entidade Tutelar, que manteve o indeferimento, razão pela qual interporiam os recursos contenciosos para o Tribunal de Segunda Instância (TSI). Mas, os juízes desta Instância nada mais fizeram do que negar provimento às respectivas peças processuais, movidas contra esse despacho do indeferimento, então proferido pelo Secretário de Finanças e Economia, que apenas se limitou a concordar com a proposta da Directora dos Serviços de Finanças, expediente esse que foi preparado no intuito único de indeferir os recursos. Seguidamente, tendo o TSI negado provimento aos recursos, recorreriam à instância superior e os juízes do TUI acabariam, do mesmo modo, por cercear-lhes o direito à concessão dos ditos subsídios, mas, desta vez, com base no mesmo art. 98 da LB quando esta disposição legal favorecia, apenas, a estabilidade do corpo do pessoal da administração pública, previamente existente e estimulava-o a permanecer para servir a RAEM a fim de que a realização da transferência de poder político se fizesse sem sobressaltos e a transição fosse estável, para garantir a estabilidade e prosperidade da RAEM. Mas nada mais dizia. Igualmente, lamentamos que os juízes desta última instância viessem, por sua vez, a não prestar a devida atenção ao que vem previsto no parágrafo V do Anexo I da Declaração Conjunta, que nos dá a seguinte leitura - “A RAEM assegurará, em conformidade com a lei, todos os direitos e liberdades dos trabalhadores e outros indivíduos em Macau, estipulados pelas leis previamente vigentes”. O carregado é da nossa responsabilidade. E mais, no preâmbulo da mesma Declaração Conjunta se prescreve: “Os actuais sistemas sociais e económicos de Macau, permanecerão inalterados, bem como a respectiva

maneira de viver”. “As leis vigentes manter-se-ão basicamente inalteradas”, podendo aqui falar-se da disposição legal, qual seja a do art. 203º do ETAPM, aprovado pelo Decreto-Lei no.87-89-M, de 21 de Dezembro. Tem o dispositivo legal a seguinte redacção - “Os funcionários e agentes em efectividade de funções, desligados do serviço para efeitos de aposentação ou aposentados, que residam em Macau e recebam, total ou parcialmente vencimento, salário ou pensão por conta do Território, têm direito a um subsídio de residência...” Escusado será dizer que “os conjuntivos presentes” mencionados no artigo em causa, têm aqui uma “aplicação futura”. Neste contexto, somos obrigados a admitir que o dito artigo 203 do ETAPM jamais podia ter sido revogado pelo artigo 10º da Lei no. 2-2011, de índole inconstitucional e que acabaria por violar os princípios estabelecidos pelo artigo 25 da dita Lei. Assim sendo, não podiam nunca os ditos requerimentos vir a ser indeferidos por uma disposição de cariz insconstitucional, mas teriam de ser atendidos nos precisos termos do referido artigo do ETAPM tendo, ainda, em atenção que eram requeridos pelos referidos aposentados e que esse dispositivo legal havia sido criado, unicamente, para atender às necessidades dos mesmos, de modo a permitir que voltassem a fixar (sem dificuldades) as suas residências na RAEM. Como tal, os requerentes embora aposentados antes do retorno de Macau à RPC, continuariam a beneficiar de subsídios de residência, desde que regressassem a Macau e requeressem-no, e o respectivo pagamento iniciar-se-ia a partir da data do deferimento do respectivo pedido. E o artigo 98º da LB jamais fala do assunto que levou a que os Juízes concluíssem que os que se aposentaram antes da data do estabelecimento da RAEM, perderiam o direito aos subsídios de residência, sem que tivessem em conta com o que vem determinado no artigo 25º da mesma LB. Mas através dessa distorcida interpretação daquela disposição legal, os

Juízes conseguiram marginalizar esses aposentados, ora recorrentes. Porém, o TUI teria desconhecido aquele brocardo jurídico que diz que “onde a lei não prevê, não é lícito regulamentar”. Por esta razão, não podiam também os interesses dos aposentados vir a ser afastados pelo citado dispositivo legal do art. 10º da Lei no. 2-2011 que teria sido criado no intuito único de lhes tirar o direito aos subsídios, pelo que entraria em conflito com a disposição do art. 25º da LB, razão pela qual deve continuar a vigorar-se o art. 203º do referido ETAPM. Criou-se, isso sim, uma desigualdade de tratamento e de situação económica entre a classe dos aposentados, (os que se aposentaram antes do estabelecimento da RAEM e depois) desigualdade esta que vem sendo proibida, repete-se, pelo já citado artigo 25º da Lei Básica, e pelo número 4) da Declaração Conjunta que prescreve que “...as leis vigentes manter-se-ão basicamente inalteradas”. Exposto, assim, o assunto, expliquem-nos, por favor, a verdadeira razão pela qual não merecem igual tratamento, que deve ser dado quer aos agentes quer aos funcionários que se aposentaram antes do estabelecimento da RAEM e depois!! Na verdade, não faz sentido algum servir-se do artigo 98º da LB para indeferir os pedidos de concessão dos subsídios de residência, apenas, aos que haviam aposentado antes do estabelecimento da RAEM, até porque esta disposição legal nem sequer sobre o assunto fala. Faça-se, aqui, uma detida leitura das razões que serviram de base para indeferir os pedidos dos ditos aposentados, ora recorrentes!! Se a Administração Pública da RAEM se mostrou incompetente e insensível a ponto de lhes tirar aos ditos aposentados os referidos subsídios a que tinham direito nos termos da lei, muito menos seria de esperar (aliás, jamais seria justificável) que os Juízes se mostrassem incapazes de proferir JUSTIÇA a um caso de tamanha simplicidade. Sendo assim e porque as decisões ilícitas ainda que sejam proferidas pelos juízes

podem ser substituídas, neste sentido, para a solução do caso em apreço, poderá o Governo da RAEM, por força do que prescreve o artigo 25º, ambos da Lei Básica, criar uma rubrica no seu orçamento suplementar e submetê-lo à aprovação da AL, devendo juntar uma nota explicativa, fundada em razões dessa necessidade tendente a conceder o direito ao subsídio de residência a todos os aposentados, independentemente de se terem transitado a esta situação antes ou depois do retorno de Macau à RPC. Até porque o Governo da RAEM é detentor de milhões e muitos milhões de patacas que, diariamente, recebe dos Casinos! Cercear, por outro lado, uma diminuta quantia mensal a quem havia prestado longos anos de serviço à causa pública e a bem dos Serviços da Administração Pública de Macau, não será digno que o Governo da RAEM assim proceda! É chegado o momento de o Governo da RAEM fazer algo de modo a superar os erros havidos que decorrem de toda essa questão controvertida! Finalmente é bom que saibamos que a finalidade do artigo 98º da LB foi para garantir a transferência do poder político sem sobressaltos e a transição estável e não para dificultar a vida desses aposentados, com pretexto de se terem tido passado à situação actual antes do estabelecimento da RAEM. Se os juízes proferiram uma “decisão ilícita”, que não deve ser observada, logo competirá ao Sr. Chefe do Executivo da RAEM, no presente caso, dar cumprimento ao que dispõe o artigo 25º da LB, devendo para o efeito submeter à aprovação da AL o correspondente orçamento suplementar com uma exposição escrita, fundada nas razões por que assim o procede, a fim de nele ser inscrita nova rubrica que até poderá denominar-se “para pagamento de subsídio de residência aos aposentados”. É tempo de dizer: se os juízes do presente caso, proferiram uma decisão ilícita, não quererá dizer que não possa ser substituído o mal que dela decorre por um bem, tendo em vista ao que provém do artigo 25º da Lei Básica. Em abono da verdade, deve dizer-se que nunca se viu nos anais da história jurídica um pretexto tão insensível, tendente a distorcer e inverter o sentido das normas jurídicas para cortar um direito absolutamente humano. Entretanto, devem ler-se os dois artigos da minha autoria, denominados “Uma estranha interpretação da lei...”, e “Duas decisões anómalas, que negaram os pedidos de concessão dos subsídios de residência”, publicados, respectivamente, no jornal Hoje Macau, na sua edição de 4.4.2014 e 29.4.2014. De Manuel de Senna Fernandes

Note bem: A interpretação dada ao artigo 98º da LB viola os artigo 11º e 25º, ambos da LB, razão pela qual é inconstitucional, além de ilícita.


opinião 19

hoje macau quarta-feira 10.9.2014

Nuno Ramos de Almeida

in jornal i

Da invenção da saia escocesa à reinvenção democrática

A

eventual vitória dos independentistas na Escócia, o referendo marcado pelo governo autonómico da Catalunha para Novembro, para não falar do conflito na Ucrânia, demonstram que as fronteiras políticas no mundo não estão escritas nas estrelas e dependem da variação das questões políticas que estão em discussão e de múltiplas correlações de forças em presença. O recrudescimento das nações, e até de um certo nacionalismo na Europa, mais que um regresso ao passado é uma reacção ao presente. Há muito que é sabido que as nações e as tradições são construções ideológicas, mas nem por isso são menos reais na vida dos homens que as supostas determinações biológicas para os animais. Os trabalhos de Eric Hobsbawm e Trevor-Roper sobre o papel da invenção das tradições na legitimação do nacionalismo é a esse respeito exemplar: mostra, por exemplo, que a reputada como antiga “parafernália nacionalista”, através da qual os escoceses celebram sua identidade nacional, é na verdade bastante moderna e a própria ideia de que existe uma cultura e uma tradição específicas das Terras Altas não passa de uma invenção retrospectiva. A parte mais divertida das conclusões de Trevor-Roper é a demonstração de que o famoso kilt escocês é uma invenção de um industrial inglês e não a recuperação de uma tradição ancestral: “o kilt é uma vestimenta absolutamente moderna, idealizada e vestida pela primeira vez por um industrial quaker inglês, que não o impôs aos montanheses para preservar o modo de vida tradicional deles, mas para facilitar a transformação deste mesmo modo de vida: para os trazer das urzes para a fábrica”. A sua recuperação pelo nacionalismo foi feita em reacção à repressão britânica após os acontecimentos de 1745, que passa a proibir a utilização dos trajes montanheses, que, após 35 anos, pareciam ter-se extinguido. Tanto o nacionalismo escocês como o basco ou o catalão, mais que uma recuperação de velhas tradições milenares são a afirmação da crescente insatisfação das populações com um modelo político que lhes retirou soberania e capacidade de decisão. Antes de ser nacional, a crise é democrática: o processo de globalização económica e da construção europeia roubou aos povos da Europa a capacidade de discutir o seu próprio futuro. Hoje as decisões fundamentais da vida das pessoas são tomadas pelos mitológicos

“mercados”, que mais não são que a expressão disfarçada dos interesses do grande capital financeiro, e a gestão política do poder é entregue de facto a uma burocracia europeia não eleita. No actual quadro da União Europeia, tanto as eleições para os parlamentos nacionais como as do parlamento da UE não passam de espectáculos em que as luzes da ribalta e a agitação escondem que as principais decisões estão tomadas independentemente da vontade dos cidadãos. Os parlamentos e os governos nacionais ficaram sobretudo com o poder de tocar o hino e hastear as respectivas bandeiras. E o parlamento de Estrasburgo é apenas uma máquina de fumo.

cartoon por Stephff

“A possível vitória da independência na Escócia e a insubmissão dos catalães são mais que um retorno ao nacionalismo: são uma reacção das populações à falta de democracia”

Mais que os nacionalismos, aquilo que hoje está em causa na Europa é uma reacção soberanista. As pessoas querem espaços políticos em que possam decidir a sua vida e não instrumentos de ilusionismo político que servem para disfarçar que são sempre os mesmos a decidir. O poder da casta dos negócios sobre a generalidade da população baseia-se também na continuação desta mentira. Cortar com ela é devolver às pessoas a possibilidade de decidirem no seu bairro, no seu trabalho, na sua localidade e no país em que vivem: não é nacionalismo, é simples democracia contra a ditadura dos mercados.

PAZ FRÁGIL

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Cecília Lin; Flora Fong (estagiária); Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau. com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


hoje macau quarta-feira 10.9.2014

Ucrânia Boeing foi perfurado por projécteis a grande velocidade O voo MH17 do Boeing 777-200, operado pela Malaysia Airlines, explodiu no ar, provavelmente como resultado de um dano estrutural, provocado por “um grande número de projécteis a grande velocidade que entraram de fora do aparelho”, afirma o Gabinete de Investigação para a Segurança (OVV) da Holanda num relatório preliminar sobre o desastre que matou as 298 pessoas a bordo do avião. O documento, publicado quase dois meses após a queda do MH17, a 17 de Julho, afirma ainda que, ao descolar de Amsterdão, o aparelho com destino a Kuala Lumpur tinha uma tripulação «qualificada e experiente». «Não havia problemas técnicos», destaca o relatório de 34 páginas. O facto de o avião ter recebido o impacto dos projécteis «explica o fim abrupto do registo de dados, a perda simultânea de contacto com o controlo aéreo e o desaparecimento do aparelho dos radares», de acordo com a investigação.

China Excedente comercial a subir

O excedente comercial da China aumentou 77,8% em Agosto, atingindo o valor recorde de 49,8 mil milhões de dólares, indicam dados oficiais divulgados na segunda-feira. As exportações da segunda economia mundial aumentaram 9,4% em termos anuais para 208,5 mil milhões de dólares, enquanto as importações caíram 2.4% para 158,6 mil milhões de dólares, segundo dados da Administração-Geral das Alfândegas da China continental. O valor do excedente comercial apurado em Agosto, impulsionado pelo abrandamento do crescimento das exportações e pela queda das importações pelo segundo mês consecutivo, além de bater o anterior recorde – estabelecido em Julho – também supera a previsão média de 42 mil milhões de dólares.

Jovem encontra faca milenar

Um rapaz de 11 anos de idade encontrou uma faca com 3000 anos num rio em Gaoyou, Jiangsu, revelou o “Yangtze Evening News”. Enquanto lavava as mãos num rio, os dedos da criança tocaram em algo duro e pontiagudo nas águas lamacentas. Uma vez retirado o objecto da água descobriuse ser uma faca de bronze com 27 centímetros, feita durante a dinastia Zhou (1046-2568 BC). Um arqueólogo já disse que o dono do punhal era provavelmente um nobre, adiantando ainda que iam ser realizadas mais escavações no local para tentar localizar mais relíquias.

DESIGN NOVO MOBILIÁRIO DE PAREDES EM PEQUIM

Cadeiras revolucionárias A Semana de Design de Pequim acolhe cerca de vinte empresários de Paredes entre 26 de Setembro e 3 de Outubro

Q

UATRO exposições do projecto “Art on Chairs”, que está a revolucionar a tradicional indústria de mobiliário de Paredes, marcam a primeira participação portuguesa na Beijing Design Week (Semana de Design de Pequim), no final de Setembro. “É a maior aposta internacional da indústria de Paredes, que irá abrir novos mercados e dar ao mobiliário português uma visibilidade como nunca teve na Ásia”, disse à agência Lusa o coordenador internacional do projecto, Emanuel Barbosa.

Cerca de vinte empresários de Paredes e o presidente da Câmara local são esperados em Pequim durante o certame, que decorrerá de 26 de Setembro a 3 de Outubro em vários locais da cidade. Lançada em 2009, com o apoio de três ministérios (Educação, Cultura e Ciência e Tecnologia), a Beijing Design Week assume-se como “um laboratório de perspectivas inovadoras da indústria e da academia que inspiram e moldam o discurso e a prática do design contemporâneo”.

“É a maior aposta internacional da indústria de Paredes, que irá abrir novos mercados e dar ao mobiliário português uma visibilidade como nunca teve na Ásia” EMANUEL BARBOSA Coordenador internacional do projecto

Mais de dois mil profissionais do sector, entre os quais 300 estrangeiros, participaram na Beijing Design Week de 2013, que teve Amesterdão como cidade convidada. Este ano será Barcelona. A participação do “Art on Chairs” (Arte em Cadeiras), projecto desenvolvido desde há três anos em Paredes sob o lema “mais design, mais indústria”, é organizada em colaboração com a revista chinesa Casa International. Emanuel Barbosa, professor da Escola de Arte e Design de Matosinhos, a maior do género em Portugal, com cerca de mil alunos, é também director criativo daquela publicação.”O desenvolvimento do design é uma das soluções para a Europa sair da crise. A produção em massa, agora, está na Ásia”, afirma Emanuel Barbosa. Depois de Pequim, a “Art on Chairs” irá apresentar-se em Singapura, Paris e Milão, adiantou o responsável. A arquitectura portuguesa também estará presente na Beijing Design Week, numa exposição organizada pela La Mita, plataforma de intercâmbio que reúne obras de 35 arquitectos espanhóis e outros tantos portugueses, entre os quais Souto Moura.

PUB

Barack Obama visita a China em Novembro

A

próxima visita do Presidente Barack Obama à China representa um “marco importante” nas relações entre os Estados Unidos e a China disse na segunda-feira a conselheira Susan Rice após uma reunião com as autoridades chinesas em Pequim. Susan Rice está na China a pedido de Barack Obama numa altura em que as relações entre Pequim e Washington estão abaladas depois dos Estados Unidos terem acusado Pequim de ter utilizado um dos seus caças da abordagem a um dos seus aviões de vigilância. A visita surge antes da prevista reunião entre Barack Obama e

Xi Jinping que está a ser planeada para coincidir com a visita do líder dos Estados Unidos para a reunião da APEC – Fórum de Cooperação Económica da Ásia Pacífico, a realizar em Pequim em Novembro. Susan Rice sublinhou que a sua deslocação a pedido de Barack Obama serve para “discutir interesses centrais da China e as principais preocupações” dos dois países. Na sua estada em Pequim, Susan Rice, que visita pela primeira vez o país depois de ter sido nomeada conselheira de segurança, deverá ainda reunir-se com o Presidente Xi Jinping e com o ministro dos negócios Estrangeiros Wang Yi.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Hoje Macau 10 SET 2014 #3171 by Jornal Hoje Macau - Issuu