PUB
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
PUB
MOP$10
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • SEGUNDA-FEIRA 10 DE SETEMBRO DE 2012 • ANO XII • Nº 2691
Ter para ler
TEMPO POUCO NUBLADO MIN 26 MAX 32 HUMIDADE 55-90% • CÂMBIOS EURO 9.6 BAHT 3.8 YUAN 0.7
RICH FRANKLIN
CUNG LE VENETIAN TRAZ UFC A MACAU
ESTRELAS INTERNACIONAIS EM COMBATE MUITO AGUARDADO CENTRAIS
COMITIVA DO GOVERNO PORTUGUÊS
Ministro da Economia já chegou mas veio mudo PÁGINA 3
EUROVEGAS COM FÃS E MUITOS DETRACTORES
Manifestações em Espanha contra Sheldon Adelson
Relatório de Ambiente agora apresentado refere-se a 2010. Planeamento de medidas também deveria ter arrancado nesse ano
Atrasos de vida Dados com dois anos revelam que Macau piorou no ruído e na qualidade do ar e da água. Como as medidas que já eram urgentes na altura estão ainda por fazer, qual é o verdadeiro ambiente desta cidade? PÁGINA 12
GONÇALO LOBO PINHEIRO
PÁGINA 4
METRO LIGEIRO
Má gestão será explicada na AL PRESIDENTE DO COMITÉ PARALÍMPICO
António Fernandes diz que deficiência é tabu na RAEM PÁGINAS 14-15
PÁGINA 2
FUNÇÃO PÚBLICA
78 chefias só estudaram até ao 9º ano PÁGINA 3
AGÊNCIAS DE IMÓVEIS
4.953 fogem de avaliação certificada PÁGINA 5
2
política
segunda-feira 10.9.2012
www.hojemacau.com.mo
Metro ligeiro Comissariado contra a Corrupção diz que nenhum traçado está definido
Responsáveis vão à AL explicar má gestão ções, apresentando somente sugestões e não ordens, nem decisões.
Joana Freitas
joana.freitas@hojemacau.com.mo
É
preciso que Chui Sai On aprove os traçados que o Gabinete para as Infra-estruturas dos Transportes (GIT) escolheu para o metro ligeiro para ficarem definidos. Enquanto isso não acontecer, todas as soluções de passagem “são meras propostas”. Esta é a conclusão do CCAC que, dois dias depois de ter lançado um relatório avassalador à gestão do GIT, volta a pôr o dedo na ferida. “De acordo com os elementos recolhidos, mesmo para o traçado do metro ligeiro na Taipa, o Chefe do Executivo só recebeu em 23 de Agosto de 2011 a respectiva proposta submetida à sua decisão, mas quanto ao traçado do metro ligeiro em Macau, os serviços competentes afirmaram publicamente por várias vezes que tal ‘já foi decidido’, mas o CCAC não conseguiu obter quaisquer documentos oficiais que o comprovem”, pode ler-se num comunicado enviado às redacções. O CCAC acusa a Administração de não ter ainda feito a decisão final sobre o trajecto do metro ligeiro e diz que foi por isso que interveio. “Tanto na fase de planeamento como na fase de execução, num projecto desta envergadura e de gran-
SÓ PROPOSTAS
de impacto, caso seja tomada uma decisão errada, tal pode conduzir a uma situação irreversível, razão que levou o CCAC a proceder a uma fiscalização a priori.” O organismo assegura que, aos olhos da lei, todas as soluções apresentadas são meras propostas, mesmo que ao público tenha sido diversas vezes dito que os traçados estavam já definidos.
Sobre o assunto, o Chefe do Executivo, afirmou ontem que os serviços competentes vão estudar e analisar os relatórios do CCAC e do Comissariado de Auditoria (CA) para procederem aos aperfeiçoamentos necessários, de acordo com as sugestões apontadas. Chui Sai On salientou que são entidades fiscalizadoras, pelo que os seus relatórios são normais e fazem parte das suas atribui-
Na quinta-feira, o CCAC e o Comissariado da Auditoria emitiram dois relatórios se realçava o impacto na vida da população caso o metro passe na Rua de Londres e não na Avenida Sun Yat-sen, como inicialmente definido, e a falta de coerência no orçamento do metro. À Rádio Macau, André Ritchie, coordenador-adjunto do GIT, afirmou que o percurso escolhido pela segunda vez resultou de uma consulta pública e que foi essa a preferência da população. “Não houve uma alteração de traçado. Quando houve uma consulta pública em 2007 havia dois traçados, um pela via marginal e outro pela Rua de Londres, optamos por esta última e foi anunciada em 2007, também em consulta pública. Não havia uma preferência, havia duas soluções de traçado, duas alternativas e optamos por uma.” Contudo, o CCAC não se mostra convencido e no relatório da semana passada frisou que as consultas deveriam ser feitas aos interessados no traçado, ou seja, deveria ter sido perguntado aos moradores da Rua de Londres qual a
sua preferência. E o metro ligeiro passar por essa zona não deveria ser a resposta, até porque foram os próprios residentes a fazerem queixa ao CCAC. O organismo aproveitou o relatório para se mostrar favorável ao lado dos moradores, mas reiterou que não é obrigatório seguir essa sugestão. “O CCAC considera que pode ser viável que o metro venha a circular pela Avenida Sun Yat-Sen, mas esta é meramente uma proposta, uma proposta com base na análise global dos elementos que foram na altura disponibilizados, portanto, não é uma ordem nem uma decisão.” O relatório do CCAC ainda está a ser analisado, segundo o que André Ritchie disse à TDM, daí não ser possível decidir se há possibilidade de alterar o traçado. Durante a investigação, o CCAC pediu aos responsáveis do GIT que justificassem a decisão de alterar o traçado. “Exigir que o metro ligeiro passe pela Rua de Londres deve-se a requisitos técnicos? Trata-se de uma decisão política? Já existe algum documento assinado por alguma entidade responsável tomando essa decisão?”
PRESTAR CONTAS
O CCAC garante que a ordem final não lhe cabe,
mas caso se mantenha o traçado que tanta polémica tem levantado, é preciso esclarecer porquê. “A ser mantida a proposta de fazer passar o metro ligeiro pela Rua de Londres, deverão ser apresentados à sociedade os critérios e os fundamentos técnicos de uma tal decisão.” O organismo salienta que a questão fulcral é saber o porquê da decisão, até porque nem o público nem o próprio CCAC foram informados dos pormenores técnicos. Sem haver grandes justificações sobre este caso, é por comunicado que se fazem os comentários. O GIT assegura que dá muita importância às opiniões e sugestões apresentadas no relatório do CCAC e que está a elaborar um outro relatório, a ser entregue dentro de dias. “Não pode ser lançada uma única solução viável, logo tem de realizar-se uma análise sobre esta matéria. Assim, o GIT deu já início aos trabalhos de acompanhamento relativamente ao conteúdo do relatório, procedendo-se à apreciação técnica, pretendendo elaborar um relatório mais pormenorizado. Por outro lado, a Administração já contactou, por sua iniciativa, a Assembleia Legislativa com vista ao respectivo esclarecimento.”
Há medidas de fiscalização para o metro, mas “é difícil” dar estimativas para orçamento
A inflação e os outros
M
UITAS foram as críticas expostas nos relatórios divulgados na sexta-feira, tanto pelo Comissariado Contra a Corrupção como o de Auditoria. André Ritchie, coordenador-adjunto do GIT, justificou os maus cálculos financeiros apontados à Rádio Macau. “Existem muitos tipos de dificuldades para este tipo de estimativa dinâmica porque são muitos os factores externos e variáveis, o enquadramento económico real, o valor de algumas moedas, como o yuan em relação à pataca, a inflação, o preço de
construção dos materiais de construção civil.” Em todo o caso, os factores avançados não chegam para se falar má elaboração do plano financeiro na primeira fase. “É evidente que houve uma estimativa que agora não corresponde ao preço de adjudicação da obra. É um facto. Mas não vou utilizar a palavra má estimativa porque, como disse, isto não é fácil. A estimativa de preços é sempre feita com valores de um determinado trimestre de um ano, com valores do mercado.” Por essa razão, insiste, é pre-
ciso considerar o tempo entre concepção do projecto e o início dos trabalhos, segundo o responsável. “Dada a complexidade deste projecto, existe um hiato de tempo considerável entre a concepção do projecto – e a estimativa de custos feita nessa altura –, e o início concreto dos trabalhos de construção civil.”
FACTORES INCERTOS
O GIT diz estar empenhado na colaboração com os trabalhos de auditoria do Comissariado, mas sublinha que a estimativa do pro-
jecto das obras é influenciada pela economia externa e por “demais factores incertos”. Por isso mesmo, frisa, é difícil fazer uma estimativa precisa. À TDM, André Ritchie deu mesmo como exemplo que o preço do betão subiu em 40%. A Administração já implementou um conjunto de mecanismos
de fiscalização para o aperfeiçoamento dos trabalhos de gestão, diz o GIT, mas o coordenador do gabinete veio a público relembrar que as obras do segmento da Taipa foram todas já concessionadas, podendo haver subidas de 5% no valor de oito milhões de patacas já acordado nos contratos.
segunda-feira 10.9.2012
Frederico Costa, presidente do Turismo de Portugal, considera fundamental apostar em visitantes dos mercados emergentes para combater a crise do seu país Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
N
O dia em que chegou à RAEM, Álvaro Santos Pereira, ministro português da Economia e do Emprego, optou pelo silêncio. Depois de um encontro à porta fechada com o Chefe do Executivo, Chui Sai On (ver texto secundário), esteve na abertura do Fórum Global de Turismo, que decorre até à próxima terça-feira. A acompanhar Álvaro Santos Pereira vieram quatro
política
www.hojemacau.com.mo
3
Comitiva do ministro da Economia traz quatro empresas
Portugal à procura de turistas empresas e mais três entidades ligadas ao sector do turismo, nomeadamente o Turismo de Portugal (TP), assim como Cecília Meireles, secretária de estado da mesma área. Frederico Costa, presidente do TP, explicou que o principal objectivo da presença da delegação portuguesa é consolidar parcerias e captar mais visitantes. “Pelo facto de as coisas estarem difíceis é fundamental procurar nos mercados no estrangeiro mais turistas, que possam avançar com a nossa economia. Arranjando turistas nestes novos mercados e apostando na diversificação é algo que só pode contribuir para a melhoria da nossa economia.” A Torre de Macau é hoje o palco para promover o turismo português. Depois
no mercado chinês. Trouxemos algumas empresas connosco, que amanhã vão ter a possibilidade de fazer contactos com mais de 60 operadores.”
IMPORTÂNCIA HABITUAL
de um painel de debate onde Álvaro Santos Pereira será o principal orador, a delegação lusa promove o “Portugal Experience”. “Aproveitou-se esta deslocação para organizar uma série de acções paralelas que pudessem potenciar a promoção de Portugal. O ‘Portugal Experience’ é isso, um conjunto de acções para a apresentação do nosso destino, principalmente aos grandes operadores
A presença do governo português em Macau tem como foco principal os negócios com a China. “Este mercado tem uma forma de trabalhar muito especial e requer muita confiança. Daí as nossas visitas contínuas nos últimos anos, não só em Macau mas em Pequim, Xangai e Hong Kong, onde estão os maiores operadores de turismo. As relações estão construídas, temos vindo a concretizar acções, os números estão a aumentar.” O presidente do TP aproveitou para lembrar que, “apesar de ainda serem números pequenos”, o mer-
cado chinês do turismo em Portugal tem vindo a crescer ao ritmo de 25% ao ano, nos últimos três anos. Com o Governo da RAEM a aposta é na consolidação. “Existem acordos formais entre Portugal e a China que estão a ser desenvolvidos, ao nível da formação, aos quais Macau dá muita importância e onde Portugal tem experiência na formação turística e de jovens quadros. Mas há também áreas como o jogo e a própria promoção turística. São assuntos que estão sempre a ser renovados. Não vamos assinar nada de novo [com o Governo da RAEM], vamos é continuar as relações e os planos em vigor.”
MELHORES DIAS
Frederico Costa frisou ainda a importância que o jogo continua a ter em Portugal
para financiar o sector, tendo comentado as perdas registadas pela Estoril Sol, empresa de Stanley Ho que detém quatro casinos em Portugal. “É das receitas do jogo em Portugal que existe o financiamento à actividade turística e à promoção de Portugal enquanto destino. O jogo em Portugal é histórico, esta relação umbilical que temos com Macau e com a família Ho mantém-se, só espero que dure mais 50 anos. Dificuldades não são novas, existem altos e baixos na economia e nos resultados, estamos a passar uma fase difícil em Portugal com grandes desafios e a procura interna tem quebrado um pouco, como é natural. Reflecte-se em todos os sectores de actividade, nomeadamente no jogo. Mas melhores dias virão.”
Chui Sai On recebeu figuras internacionais em Santa Sancha
No turismo não se poupam esforços A
residência oficial do Chefe do Executivo, Chui Sai On, foi ontem palco para uma série de encontros oficias com figuras internacionais ligadas ao sector do turismo, onde se destaca a presença do ministro da Economia e do Emprego de Portugal, Álvaro Santos Pereira. Em Santa Sancha, Chui Sai On garantiu que o Executivo “não poupará esforços para executar com êxito todos os trabalhos, incluindo a realização do Fórum Global de Turismo, a fim de desenvolver ainda mais Macau e corresponder às orientações gerais do país de afirmar a RAEM como um grande centro internacional de turismo e lazer”. Já na abertura do Fórum, que se prolonga até terça-feira, dia 11, falou da necessidade de apostar “no progresso equilibrado entre as indústrias do turismo, nos ramos da hotelaria, comércio a retalho, convenções e exposições”, tendo destacado outra área importante. “Macau tenciona promover pacotes de viagens multidestinos, afirmar-
-se como uma marca de turismo regional e elevar a qualidade dos serviços.”
COOPERAÇÃO COM GANSU
Entre as diversas personalidades, Chui Sai On reuniu com Liu Weiping, governador da província de Gansu, tendo ficado garantido o reforço de cooperação “a vários níveis”, contando com “comércio, turismo, cultura e intercâmbio em matéria de recursos humanos”. No encontro com Taleb Rifai, Secretário-Geral da Organização Mundial de Turismo (OMT), Chui Sai On frisou que “a realização das três primeiras edições do Fórum servirá para a fundação, no próximo triénio, de uma base sólida para o reforço da cooperação a vários níveis na área do turismo e será um estimulo à economia de Macau”. Também Cheong U, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, falou da importância da cooperação na abertura do Fórum. “Desejamos assimilar informações actualizadas e experiências novas acerca do desenvolvimento e gestão turísticos.”
Maioria dos funcionários públicos de Macau não tem formação superior
Directores sem educação Cecília Lin
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
O
presidente da Associação de Intercâmbio de Macau e Guangzhou, Ke Jiangang, foi quem pôs o dedo na ferida – mais de 40% dos funcionários públicos do território não tem educação superior. “Isto é mau, porque o nível de educação tem as suas implicações no trabalho.” Um estudo da associação
mostra que a educação escolar da população é baixa, com 51% a ter apenas a primária e o nono ano. Os dados da Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública mostram que, até 2011, Macau tem cerca de 26 mil funcionários públicos, mas 42,51% deles só prosseguiram os estudos até ao 3º ciclo. “Que tipo de contributo podem estes funcionários dar a Macau? Cerca de 78 directores e chefes da fun-
ção pública só têm certificados da primária e do nono ano. Isto mostra um desequilíbrio estrutural em Macau.” Como melhorar a qualidade dos recursos humanos no território é um problema urgentemente necessário para o Governo resolver, diz. Entre meio milhão de pessoas, Macau tem cerca de oito mil residentes com nível superior de educação.
4
sociedade
Na madrugada de sábado, o patrão do grupo Sands, anunciou a construção de um mega-complexo de jogo em Madrid, em detrimento de Barcelona. O governo espanhol está receptivo, mas os protestos já se fizeram ouvir
segunda-feira 10.9.2012
www.hojemacau.com.mo
Investimentos de Sheldon Adelson em Madrid provocam críticas
Espanhóis contra o Eurovegas
Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
V
AI ser uma construção por fases, para estar concluída em dez anos. É esta a data prevista para o mais novo projecto de Sheldon Adelson em Madrid, e que deverá ter um investimento de 175 mil milhões de patacas. O patrão da Las Vegas Sands (LVS), detentora da Sands China, já disse que a própria LVS investe 35% deste valor. Adelson prepara-se, assim, para ocupar um terço de Alcorón, localidade com 170 mil habitantes, a mais povoada de Madrid. Fora o investimento, o projecto promete revolucionar a economia espanhola, com a promessa de criação de 260 mil postos de trabalho. A notícia avança depois de meses de negociações entre a operadora, a capital espanhola e Barcelona. A região da Catalunha acabou por desistir do “Eurovegas” e apostar no “Barcelona World”, um projecto com investimentos espanhóis. “O Governo regional de Madrid tem sido um forte juiz no que diz respeito ao potencial de desenvolvimento e apreciamos a energia que colocaram no processo”, disse Adelson, citado pela agência Associated Press. “Barcelona é um destino turístico marcante e escolher Madrid em vez de Barcelona não foi uma escolha fácil.” Mas se o magnata do jogo se mostra confiante, apesar dos receios da crise europeia, os cidadãos espanhóis têm muitas reservas. Horas depois do anúncio do estabelecimento da “Eurovegas” em Madrid, foram muitos os que se juntaram em protesto na Puerta del Sol, bem no centro da cida-
de. “Estamos contra porque não houve uma consulta pública, nem informação, nem transparência”, disse um manifestante à estação televisiva Euronews. “Há muitas promessas de criação de postos de trabalho, mas não há provas.” Outro frisou ainda que o empreendimento “é especulativo, insustentável e só vai trazer prejuízos para a sociedade espanhola”. Cayo Lara, do partido Esquerda Unida, tem sido também um grande crítico do empreendimento, referindo-se ao mesmo como sendo “uma fábrica de jogadores”. Contudo, Jaime Garcia-Legaz, secretário de Estado do Comércio, não partilha esta opinião. Em declarações proferidas na tarde
Os pedidos legais ao governo espanhol Segundo o diário El Pais, Adelson terá exigido ao governo espanhol alterações às leis que permitissem a existência de junkets, para a garantir a aposta no segmento VIP nos casinos, fundamentais para a obtenção de receitas em qualquer operadora de jogo. O patrão da LVS pediu ainda mais facilidades para a execução das dívidas de jogo e mudanças na lei sobre branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo, para que os clientes apenas sejam identificados à entrada dos casinos e quando queiram investir mais de dois mil euros em fichas de jogo.
de sábado, citadas pelo diário El Pais, referiu-se ao “Eurovegas” como “um dos anúncios mais importantes da história”. “É algo positivo para a economia espanhola e demonstra que recuperando a confiança é sinal de que estamos a fazer as coisas bem”.
MUDANÇAS NA LEI
Se tudo correr como previsto, Sheldon Adelson deverá levar para Madrid 12 resorts com um total de 36 mil quartos, sendo nove de cinco estrelas e os restantes de quatro. Estão previstos seis casinos com mais de mil mesas de jogo e 18 mil máquinas recreativas. Haverá ainda espaço para bares, discotecas, cerca de três campos de
golfe, nove salas de espectáculos e restaurantes. O secretário de Estado do Comércio referiu-se a este projecto como sendo “muito mais do que jogo”. “Será um centro de grandes eventos e congressos, com hotéis e restaurantes de luxo”, afirmou ao El Pais. Mas para que Adelson possa avançar com o “Eurovegas” é necessário que Espanha faça uma série de alterações legislativas, nomeadamente permitir fumar nos casinos e aprovar mexidas na lei laboral. Adelson pediu ainda mudanças legais ao governo espanhol para poder construir edifícios de grande dimensão, entre outros pedidos (ver caixa). Estão ainda por determinar quais as condições fiscais do projecto, sendo que Jaime Garcia-Legaz nada adiantou. “É algo muito prematuro e leva tempo, o importante é confirmar o investimento nesta fase inicial, agora há que negociar.” Em Fevereiro do ano passado, já o patrão da LVS demonstrava intenções de ganhar “dezenas de milhares de milhões de dólares em quatro ou cinco anos” com este pro-
jecto, sendo ainda objectivo atrair 11 milhões de turistas em 15 anos. Adelson quer criar em Madrid uma segunda strip de Las Vegas, exclusiva e de grande dimensão, algo que não consegue fazer na RAEM.
Um terreno, muitos donos O pedaço de terra onde deverá ficar o “Eurovegas” tem mais de uma centena de proprietários, conta o El Pais. O terreno no distrito norte de Alcorcón tem como dono o Ministério da Defesa de Espanha e a construtora “Metrovacesa”. Em 2002, entre 80 a 90 proprietários deste terreno uniram-se numa comissão de gestão, cujo porta-voz foi Jesus Vicente Asenjo. Foi com este grupo que Adelson tem vindo a negociar desde o Outono passado. Nessa altura, a zona de Alcorcón competia com o bairro de Valdecarros. Apesar de os valores nunca terem sido revelados, Adelson acabou por revelar que Alcorcón foi a hipótese mais em conta para a LVS.
segunda-feira 10.9.2012
sociedade
www.hojemacau.com.mo
5
18 de 148 agências imobiliárias chumbam na certificação. Muitas mais estão por avaliar
Sem selo de qualidade A situação no sector imobiliário pode mesmo ser catastrófica, porque só aderiram 3% das agências ao Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo de Macau – 4.953 não são auditadas por esta entidade Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo
O
Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo de Macau (CACCM) foi um mecanismo criado em Março de 1998 pelo Conselho dos Consumidores (CC), tendo estabelecido um novo critério para certificar a qualidade de todos os serviços em Macau, além de ajudar na mediação de conflitos entre os estabelecimentos e clientes. Desde então, algumas lojas têm vindo a obter o selo de “Loja Certificada”. No sector imobiliário existem actualmente 130 agências pertencentes ao centro com esta autenticação de qualidade, entre as 148 inscritas no
CACCM. Porém, existem ao todo em Macau 5.101 lojas registadas na direcção de Finanças. Logo, apenas 3% são certificadas. Entre as que pediram a certificação, 18 ainda não passaram, pelo menos neste último ano, na avaliação do grupo de especialistas do organismo. Ou seja, não satisfazem alguns dos critérios a que têm de obedecer anualmente. A existência do registo de más práticas de negócios, boa avaliação sobre o ambiente do estabelecimento e qualidade de serviços e políticas são algumas delas.
SEM CONFLITOS MEDIADOS
As agências, ao inscreverem-se no CACCM tornando-se “lojas aderentes”, estão sujeitas à entrega
de casos de conflitos ao julgamento do CACCM. Nos últimos anos, este sistema de mediação de conflito tem tido pouco trabalho. Em 2010, não houve qualquer caso entregue, em 2011 apenas um e este ano, até agora, nenhum. No fim de 2006, o CC estabeleceu um código de práticas para o sector (“Código de Práticas para Agências Imobiliárias”), pedindo que as lojas certificadas o cumprissem rigorosamente, de modo a proteger os direitos e interesses do consumidor e da empresa nas transacções imobiliárias, tal como explica o CC. “O referido código foi entregue aos respectivos serviços públicos que tomariam como referência para estabelecer regulamento ou lei em relação a este sector.”
Obra concluída na avenida do Dr. Francisco Vieira Machado
Governo vai inaugurar mais uma passagem superior para peões, que estará aberta ao público a partir de hoje, dia 10 de Setembro. Trata-se de uma nova infra-estrutura localizada na avenida do Dr. Francisco Vieira Machado. Em comunicado oficial, o Executivo fala da abertura como forma de “facilitar a deslocação, na altura da abertura do ano lectivo, dos docentes, estudantes
e moradores vizinhos das escolas existentes nas suas imediações”. Esta passagem terá dois acessos, um deles localizados na Travessa da Doca dos Holandês, enquanto outro está situado na Travessa de Mak Kau Seak, junto às instalações da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). Apesar de a obra estar na fase final de conclusão, o Governo adverte para ainda estarem a ser
finalizados alguns “trabalhos de acabamento”. O departamento de Obras Públicas já tinha anunciado medidas para mudar a travessia dos peões, para além do projecto de acrescentar elevadores e acessos mais fáceis. “Nos últimos anos apostou-se fortemente na construção e renovação dos equipamentos de travessia pedonal, de modo a criar assim um percurso pedonal livre de barreiras arquitectónicas.”
PSP analisa possível atropelamento da Reolian A Polícia de Segurança Pública (PSP) está analisar as imagens sobre um incidente ocorrido na passada sexta-feira, com um autocarro da Reolian, que terá originado o atropelamento de um idoso de 71 anos. O caso aconteceu na praça Ferreira do Amaral, em frente ao hotel Grand Lisboa. Segundo a TDM, o responsável da empresa no local garantiu que não houve atropelamento e que o homem terá caído de repente na estrada. O condutor do autocarro também diz que não atropelou o idoso e que não tinha álcool no sangue. Depois destas contradições, resta esperar pela análise das autoridades.
Comparativamente a 2010, o número de queixas que envolvem agências imobiliárias registou um aumento de 16 casos no último ano. Ou seja, em 2011 houve 48 casos “referentes a serviços prestados insuficientes ou insatisfatórios”, revela o Conselho dos Consumidores. Já este ano, no período que compreende o primeiro semestre, há um aumento notório face ao ano passado. Somaram-se 38 casos até Junho, mais 10 do que em período homólogo de 2011. Quanto ao tratamento dos casos, é feito conforme o disposto na lei, assegura o instituto. “Se as partes não conseguirem chegar a um acordo para resolução do caso e o mesmo satisfazer as condições para a entrega do mesmo a julgamento do Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo.” O CACC trata apenas de conflitos de consumo, de valor não superior a 50 mil patacas.
DSSOPT vai reaver terreno em Coloane usado para obras ilegais
Passagem para peões abre hoje
O
Queixas aumentam
Segunda Instância rejeita recurso
O
Tribunal de Segunda Instância (TSI) rejeitou a interposição de um recurso apresentado por um indivíduo que estava a ocupar de forma ilegal um terreno situado em Coloane, junto aos Jardins de Cheok Van. Em comunicado oficial, a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) afirma que “aplaude a decisão”,
assim como ter sido “exigido ao recorrente a desocupação e reversão do terreno ocupado à RAEM”. O caso foi entregue na barra dos tribunais em Outubro de 2008, quando fiscais da DSSOPT tiveram conhecimento de que estavam a ser realizadas obras de ampliação numa vivenda de três pisos. Aí terá sido ocupado de forma ilegal um terreno adjacente à
referida vivenda, além de que as obras ultrapassaram em dois pisos a altura permitida pelo Governo. A DSSOPT emitiu dois comunicados oficiais ao indivíduo para devolver o terreno ao Executivo, ordem que nunca foi cumprida. Segundo o acórdão do TSI, este argumentou que o terreno e a colina estavam dentro da área do terreno que lhe havia sido concedido. Mas a DSSOPT defende que “o ocupante menosprezou a lei e ocupou ilegalmente o terreno para a realização de obras, assim como danificou a colina para a execução de um jardim particular”. Desta forma, a DSSOPT afirma que “irá rigorosamente acatar o acórdão judicial e acompanhamento de demais casos deste tipo”, apelando-se aos “ocupantes a devolução tanto quanto antes dos terrenos à Administração”.
6
publicidade
segunda-feira 10.9.2012
www.hojemacau.com.mo
ANÚNCIO [N.º266/2012] Para os devidos efeitos, vimos por este meio notificar os representantes dos agregados familiares seleccionados da lista de espera de habitação económica abaixos mencionados: N.º do boletim de candidatura 73444
CHEANG TAI KIT
N.º do boletim de candidatura 78378
*106760
*LEONG OI SAN
*100287
*72029
*LAM IN CHEOK *FERNANDO AUGUSTO BATALHA DA SILVA *MAK WENG SAN ALIAS MARIA MAK *LOK WA CHAM *TONG KA MAN *UN TAK LONG *CHAN FONG KUAN *LAI CHI IAN *LAM KA VAI *CHAN LAI SAM *LO SHOK CHING *LO WAI PO *WONG KAM UN *IEONG TAT MENG *WONG MAN KOI *LEONG KA MENG *LAO WAI CHEONG *CHAO KA HOU *LEI CHI CHONG IEONG WENG IN
*102583
CHANG FONG LONG *XAVIER TING ROGERIO AGOSTINHO *LAI CHOI PENG
*51831
*IEONG SIN MAN
*75862
*LAO HAN
*90807 *93784 *111795 *80191 *86601 *100271 *104249 *52620 *77513 *89213 *108298 *113950 *127350 *71969 *77504 *111877
*CHAN CNAN PENG *NG FU SONG *CHONG CHAN FAI *TONG IOK KENG *DA SILVA BERNARDO *FONG WAI MAN *U MUN HONG *CHAN WAI CHEOK *WONG IAO HOI *LEI WAI KEONG *CRISTINA LEONG *CHAN KEI KEI *LOK FONG CHENG *LEONG I WAN *HONG SAI CHI *PUN SOK HA
*102584 *70476 *82030 *92223 *103612 *70633 *80621 *99740 *100806 *52562 *77159 *83888 *92813 *111135 *115116 *127996 *122413 *107781 *114065
Nome
Nome
Em virtude de não existirem fracções disponíveis da tipologia no local a que se candidataram, mas há outras fracções da mesma tipologia disponível em Coloane, de acordo com os termos do n.º 8 do artigo 60.º da Lei n.º 10/2011 (Lei da habitação económica) e do artigo 12.º do Decreto-Lei n.º 26/95/M, de 26 de Junho, o Instituto de Habitação (IH) informa os representantes dos agregados familiares acima referidos, através de ofícios, para se dirigirem pessoalmente ao IH, sita na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau (perto da Escola Primária Luso-Chinesa do Bairro Norte), no dia 25 de Setembro de 2012, às horas fixadas nos respectivos ofícios, para escolha das fracções de habitação económica disponíveis de T2 na zona de Coloane. Nessa altura, os agregados familiares da lista de espera acima referidos devem apresentar os documentos comprovativos (originais e cópias) abaixo mencionados, para efectuar a nova verificação dos requisitos da candidatura da aquisição de habitação económica. Caso as respectivas informações afectem os actuais requisitos da aquisição de fracção ou existirem mudança da composição dos agregados familiares acima referidos, este Instituto irá suspender, imediatamente, o procedimento da escolha de habitação económica: 1. Documentos de identificação de todos os elementos do agregado familiar e os seus cônjuges (caso houver) registados no boletim de candidatura de habitação económica. 2. Prova de casamento (aplicável aos indivíduos casados. Caso tenha entregue ao IH, nos últimos três meses, não é necessário a entregar de novo). 3. Boletim de candidatura dos dados dos agregados familiares de habitação económica devidamente preenchidos e assinados. De acordo com os termos do n.º 2 do artigo 13.º do decreto-lei acima referido, com as alterações introduzidas pelo Regulamento Administrativo n.º 25/2002, caso os agregados familiares da lista de espera acima referidos não tenham comparecido no IH, no dia e horas fixados, e apresentado os documentos acima referidos, para escolha de habitação ou não pretendam adquirir nenhuma das fracções de habitação económica disponíveis no momento podem optar entre, por motivo não justificado, implica a perda do direito de escolha e passagem automática para o último lugar da lista geral; ou após a apreciação dos dados apresentados, verifique que não reunirem com os requisitos da candidatura, os agregados familiares seleccionados serão excluídos na lista geral. * Em caso da 2.ª convocação, os agregados familiares seleccionados que não tenham comparecido no IH, no dia e horas fixados, e apresentado os documentos acima referidos, para escolha de habitação ou não pretendam adquirir nenhuma das fracções de habitação económica disponíveis no momento podem optar entre, serão excluídos na lista geral, de acordo com os termos das alínea a) do artigo 14.º do decreto-lei acima referido, com as alterações introduzidas pelo Regulamento Administrativo n.º 25/2002 e alínea 2 do n.º 5 do artigo 60.º da Lei n.º 10/2011. No intuito de proporcionar os agregados familiares seleccionados para terem mais conhecimentos sobre as informações das fracções de habitação económica disponíveis, o IH juntamente os ofícios enviará em anexo o catálogo com descrições das fracções para venda, tabela dos preços, rácio bonificado, pontos de observação, informações sobre a fracção de modelo. Caso os agregados familiares seleccionados não tenham recebidos os ofícios remetidos pelo IH, até sete dias antes da data fixada, poderão dirigir-se ao IH sito na Travessa Norte do Patane n.º 102, Ilha Verde, Macau) ou consultar através do telefone n.º 2859 4875, durante o horário de expediente.
O Presidente, Tam Kuong Man 7 de Setembro de 2012
segunda-feira 10.9.2012
www.hojemacau.com.mo
publicidade
7
8
nacional
segunda-feira 10.9.2012
www.hojemacau.com.mo
Produção cresce ao ritmo mais baixo em três anos
A China espera que a UE consiga superar “rapidamente” a crise da dívida, um objectivo que o país asiático continuará a apoiar, assegurou. Os principais órgãos de comunicação social chineses também se referiram à decisão do BCE.
O crescimento da produção industrial na China em Agosto foi o mais fraco dos últimos três anos, com a subida da inflação a dificultar os esforços do governo para contrariar o abrandamento económico do país. No mês passado, a produção subiu 8,9% face a Agosto de 2011, de acordo com os dados ontem divulgados pelo Gabinete Nacional de Estatísticas chinês. A previsão média dos 35 economistas consultados pela agência Bloomberg apontava para uma subida de 9%. “A renovada tendência inflacionista pode provar ser mais uma complicação para os políticos”, comentou à Bloomberg Glenn Maguire, economista da Asia Sentry Advisory, em Sidney, Austrália.
IMPRENSA APLAUDE
O principal periódico do gigante asiático e porta-voz do Governo, Diário do Povo, publicou um artigo em que explica o objectivo da medida. “Evidentemente, a intervenção do BCE destina-se a manter baixo o custo do financiamento de Espanha e Itália e evitar assim a extensão acelerada da crise da dívida.” Também o oficial China Daily publicou na sua edição em inglês e chinês uma notícia sobre a decisão do BCE, que um dos seus articulistas considerou como “grande ajuda” para a situação económica do país asiático. A mesma ideia foi expressa no portal na Internet de notícias em chinês Caixin.com, que, além disso, realçou ainda que a medida demorou “demasiado” a ser tomada.
Dez mortos em acidente numa mina de carvão
Dez mineiros morreram na noite de quinta-feira devido à queda de uma plataforma numa mina de carvão na província de Gansu, no noroeste da China, informou ontem a Xinhua. O acidente ocorreu numa mina na localidade de Zhangye e os últimos corpos dos mineiros foram recuperados ontem de manhã. Na semana passada, 45 pessoas morreram num acidente registado noutra mina de carvão, na província chinesa de Sichuan, o mais grave ocorrido este ano, e no ano passado os acidentes em minas de carvão na China causaram cerca de dois mil mortos, segundo as estatísticas oficiais.
Quatro sismos causaram 80 mortos
Pelo menos 80 pessoas morreram na sequência dos sismos que abalaram na sexta-feira uma zona montanhosa no sudoeste da China, segundo o último balanço divulgado pela Xinhua. A anterior estimativa dava conta de 64 mortos e 731 feridos. Um sismo de magnitude 5,7 ocorreu cerca das 11h00 de sexta-feira na fronteira entre as províncias de Yunnan e Guizhou, que confinam com o Vietname, tendo sido registadas depois várias réplicas.
PROMESSAS DE APOIO
Presidente apela à paz quando disputas territoriais aumentam
O presidente chinês, Hu Jintao, apelou aos Estados da região da Ásia-Pacífico para ajudarem a manter a paz e estabilidade, quando se regista uma série de disputas territoriais que inflamaram as tensões regionais, noticia a AFP. “Manter a paz e a estabilidade, bem como o momento sólido do crescimento económico na ÁsiaPacífico, é do interesse de todos os países da região, é a nossa responsabilidade partilhada”, afirmou Hu, durante uma cimeira regional, que decorre na Federação Russa.
Inflação subiu 2% em Agosto
A inflação na China subiu 2% em Agosto face ao mês homólogo do ano passado, na sequência do aumento de 3,4% nos preços dos bens alimentares, revelam dados oficiais ontem divulgados. O índice de preços no consumidor, o principal indicador da inflação na China, tinha aumentado 1,8% em Julho face ao mês homólogo do ano passado, o que representou o seu maior abrandamento desde Janeiro de 2010. De acordo com os dados do Gabinete Nacional de Estatísticas chinês, o índice de preços no produtor na China caiu 3,5 por cento em Agosto face a uma queda de 2,9% em Julho.
Preço do combustível deve subir
Os analistas acreditam que a China deve elevar os preços dos combustíveis em pelo menos 5%, para acompanhar a subida dos preços internacionais do petróleo. O governo chinês não deverá adiar o aumento, como fez no passado por causa dos receios quanto à inflação. A elevação dos preços da gasolina e especialmente do diesel ajudará as grandes empresas de petróleo do país a melhorarem os seus balanços; a procura por diesel deverá crescer durante a temporada de colheita de grãos, que está para começar. “Achamos muito provável que o governo eleve os preços de derivados de petróleo, esta semana”, disse a analista Hu Huichen, da consultoria de energia Chem99.
Pequim elogia Banco Central Europeu sobre compra de dívida soberana
Muito obrigado pela vossa ajuda
O
governo da China elogiou na sexta-feira a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de comprar dívida soberana de países da UE sujeitos a assistência financeira, como Portugal. Na conferência de im-
prensa diária, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Hong Lei, manifestou a esperança do seu Governo de que, deste modo, a União Europeia (UE) prossiga “construindo o consenso e estabilizando a situação” na Europa.
A nova medida anunciada pelo presidente do BCE, Mario Draghi, é “importante” para a recuperação da economia global e para o desenvolvimento da China, acrescentou Hong. “Esperamos que a recente decisão do BCE impulsione a confiança no mercado.”
O BCE anunciou na quinta-feira em Frankfurt um programa de “Transacções Monetárias Directas” para a aquisição de obrigações de países da zona euro no mercado secundário de dívida soberana, num montante “sem limites”. O presidente do BCE, Mario Draghi, disse que este programa de “Transacções Monetárias Directas” (“Outright Monetary Transactions”, na expressão em inglês) se destinará a obrigações entre um e três anos, ou de maturidades mais longas mas que vençam num prazo até três anos. Estas aquisições, acrescentou Draghi, estarão sujeitas a “condicionamentos rigorosos”. O BCE só irá adquirir dívida de países que estejam sob “um programa de ajustamento macroeconómico total [como é o caso de Portugal] ou de um programa preventivo, desde que este inclua a possibilidade de aquisições da parte” dos mecanismos europeus de estabilidade. Draghi precisou ainda que o novo mecanismo só deverá comprar dívida pública de Portugal quando o país tentar voltar aos mercados, em Setembro de 2013.
segunda-feira 10.9.2012
região
www.hojemacau.com.mo
9
Iniciada votação para o Conselho Legislativo em Hong Kong sob o sistema “uma pessoa, dois votos’
Transição para sufrágio universal em 2020
A
S assembleias de voto em Hong Kong abriram ontem às 7h30, com mais de três milhões de eleitores a terem direito a dois votos pela primeira vez e a elegerem mais dez deputados. Na nova legislatura, o Conselho Legislativo passa a ter 70 deputados, 35 eleitos por sufrágio directo e 35 por sufrágio indirecto, contra os 60 deputados (30 directos e 30 indirectos) que compunham o Conselho Legislativo até à data. O novo sistema de dois votos por eleitor deriva de uma reforma política da Região Administrativa Especial chinesa aprovada em 2010, defendida como uma forma de alargar o direito de voto à população. É também assumido como parte de um processo de transição para um eventual sufrágio universal nas eleições para o Conselho Legislativo em 2020, que o governo central de Pequim prometeu tomar em consideração, à semelhança do defendido já para a próxima eleição do chefe do Executivo, em 2017. Para o director do “Hong Kong Transition Projet”, Michael DeGolyer, este escrutínio é “diferente de todos os outros” e pela primeira vez na história sem coligações políticas. “Esta é a primeira eleição da história de Hong Kong em que não há nem uma coligação pró-Governo, nem uma coligação pró-democracia”, disse à Lusa o director do projecto composto por vários investigadores que desde 1988 estudam a evolução política naquele território.
A MOEDA, A MOEDA
Ao destacar “a falta de cooperação entre os partidos pró-democratas e as divisões no campo pró-Governo”, Michael DeGolyer antecipou “uma corrida muito interessante”, animada por novos actores na corrida. “Habitualmente tínhamos uma divisão entre o campo pró-Governo e o campo pró-democracia, e agora temos um pró-trabalhista, os sindicatos (...) e os que vêm dos sectores relacionados com os negócios. Novos partidos estão a competir com os mais antigos, que perderam aliados tradicionais, e isso pode ditar um resultado eleitoral dramaticamente diferente.” Já o antigo membro do Conselho Legislativo de Hong Kong, o português nascido em Macau Roger Lobo, não tem dúvidas de que os negócios vão continuar a ser a política fundamental da Região Administrativa Especial chinesa, a não ser que a economia mude. “Em Hong Kong o valor é a mo-
Imposição da Educação Nacional foi abandonada O governo de Hong Kong abandonou este sábado o plano de obrigatoriedade do ensino da disciplina de Educação Nacional nas escolas do território, segundo um anúncio do próprio chefe do Executivo. A decisão foi tomada
eda. Discutem-se as propriedades e os negócios, mas não se fala de política.”
VÉNIA AO CHEFE
Os votos contam para a constituição do Conselho Legislativo, mas na opinião do recém-eleito presidente da “Portuguese Community Education and Welfare Foundation” (Fundação para a Educação e Assistência Social da Comunidade Portuguesa), a política vai conti-
após protestos de estudantes, professores e encarregados de educação, iniciados há várias semanas, e que nos últimos dias, após a abertura do novo ano lectivo em Hong Kong, concentraram activistas em greve de fome junto
nuar a discutir-se à boca pequena na alta-roda. “Se a economia ficar negativa [faz uma pausa e bate na madeira] eles [as elites] vão ficar atentos, mas enquanto as bolsas estiverem cheias eles não querem saber. Querem manter a liberdade, querem ser livres.” Roger Lobo não hesita em dizer que os que decidem “querem uma vida internacional e não ter dificuldades em fazer negócios nas moedas estrangeiras. “Continuam a mandar
à sede do Governo. O governo de Hong Kong “autoriza as escolas a decidir quando e como estas pretendem introduzir as aulas de moral e instrução cívica”, declarou à imprensa o chefe do Executivo de Hong Kong, C.Y. Leung.
os filhos estudar no estrangeiro, mas vão todos cumprimentar o chefe”, contrapôs, aludindo à visita a Pequim de C.Y. Leung, pouco depois de declarado novo Chefe do Executivo de Hong Kong.
UMA SIMULAÇÃO
A investigadora independente Suzanne Pepper diz que as eleições em Hong Kong “são mais uma simulação do que uma coisa real” e que o Conselho Legislativo local
Kim Jong-un homenageou pai e avô no aniversário nacional
O líder norte-coreano, Kim Jong-un, prestou ontem homenagem ao avô e ao pai, a quem sucedeu na liderança do regime, no Palácio de Kumsusan, em Pyongyang, por ocasião do 64.º aniversário da fundação da Coreia do Norte. De acordo com a agência noticiosa oficial norte-coreana KCNA, Kim Jong-un deslocou-se ao palácio, onde estão os restos mortais embalsamados do seu pai, Kim Jong-il, e do seu avô, Kim Il-sung, fundador da Coreia do Norte, acompanhado por “vários membros da Comissão Militar Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia e da Comissão Nacional de Defesa”.
está a tornar-se numa plataforma para o protesto frustrado. “O sistema eleitoral que produz a legislatura foi projectado para garantir uma maioria de conservadores e partidários pró-Pequim e uma minoria de pró-democratas.” Suzanne Pepper defende que os dez lugares adicionais introduzidos no órgão legislativo para um total de 70 deputados “têm pouca importância” e “permitem ao Governo reivindicar ter cumprido a sua obrigação de proceder gradualmente à reforma política”, com base na promessa de um “eventual sufrágio universal”. “Cinco novos super-assentos (eleitos pela via indirecta) não foram bem explicados por ninguém – nem por um dos candidatos, nem pelo Governo – e em todos os casos são considerados como transitórios.”
Parlamento da Birmânia forçou demissão dos juízes do Tribunal Constitucional Os nove juízes do Tribunal Constitucional da Birmânia apresentaram a demissão em bloco depois de o parlamento ter votado a favor da abertura de um processo de impugnação contra os mesmos, informou sexta-feira a imprensa local. A presidência da Birmânia anunciou através da televisão estatal, que aceitou a demissão dos nove magistrados, responsáveis por interpretar a controversa Constituição de 2008 e de validar as novas leis aprovadas pelo parlamento. O parlamento votou a favor da impugnação dos juízes em resposta a uma ordem emitida em Fevereiro pelo Tribunal, a pedido do Governo, para limitar a capacidade das comissões e comités parlamentares para chamar os ministros a depor.
10
reportagem
segunda-feir
www.hojemacau.com.mo
UFC estreia-se na China a 10 de Novembro. Venetian foi o palco escolhido
Macau na rota das artes marciais Joana Freitas
joana.freitas@hojemacau.com.mo
S
E é fã de artes marciais, desmarque tudo o que tiver para fazer no dia 10 de Novembro. Se não é, desmarque na mesma. O principal evento de artes marciais mistas (MMA, na sigla inglesa) vai estar na China pela primeira vez e escolheu como palco a arena do Cotai, no Venetian. O Ultimate Fighting Championship (UFC) Macau traz ao território um cartaz encabeçado por Rich Franklin (antigo campeão do UFC) e Cung Le (quatro vezes campeão do mundo e estrela de cinema pela sua mestria em Wushu Kung Fu). Numa sessão de dez combates, nomes como Thiago Silva e Stanislav Nedkov aparecem entre as lutas principais da noite, ao lado de Donh Hyun Kim (ou Stun Gun), coreano que combate contra o brasileiro Paulo Thiago. Mas as surpresas não acabam por aqui, com o UFC a trazer “The Wolf” – o chinês Tiequan Zhang – ao octágono. “É o primeiro lutador chinês a lutar pela primeira vez na
jaula contra Jason Reinhardt, num combate cuja publicidade já recebeu mais de 100 milhões de visualizações na China.” A estreia na China, berço das artes marciais mais conhecidas, é um “marco na história do UFC”, diz Mark Fischer, director-executivo do UFC na Ásia. “Demonstra a imensa popularidade e aceitação que este desporto está a ter à escala global.” Também os responsáveis da Sands China se mostraram orgulhosos por servir de palco a um evento deste tipo, com Edward Tracy, director-executivo da subconcessionária, a frisar a importância do evento para Macau. “Vamos fazer do território o destino número um na Ásia para entretenimento.”
SEMPRE EM PÉ
De Sanshou (ou Sanda, vertente do Wushu), a Jiu Jitsu, passando
pelo Muay Thai, o UFC – criado em 1993 – mostra o que de melhor há nas artes marciais. Franklin e Cung Le prometem não deixar cair essa qualidade no combate que os vai pôr frente-a-frente. “Este combate vai ser diferente de todos os outros que já tive”, frisou Franklin. “É uma honra lutar com alguém como o Rich, eu e ele dentro da jaula vai ser fogo”, acompanhou Cung Le. Ambos estão de acordo em dar um grande espectáculo, mas não só. Os dois prometem fazer o que para a maioria dos amantes do MMA está no top das preferências: passar mais tempo a lutar em pé do que no solo.
Se está curioso, não espere mais. Os bilhetes para a gala começaram a ser postos à venda na sexta-feira e podem ser adquiridos me www.cotaiticketing.com. Os preços vão de 380 a 6.680 patacas.
CARTAZ PARA O UFC MACAU • Rich Franklin vs Cung Le
• Tiequan Zhang vs John Tuck
• Thiago Silva vs Stanislav Nedkov
• Yasuhiro Urushitani vs John Lineker
• Dong Hyun Kim vs Paulo Thiago
• Riki Fukuda vs Tom DeBlass
• Takanori Gomi vs Mac Danzig
• Takeya Mizugaki vs Jeff Hougland
• Alex Caceres vs Kyung Ho Kang
• Marcelo Guimaraes vs Hyun Gyu Lim
Este combate vai ser diferente de todos os outros que já tive
Mark Fisher (à esquerda na foto) e Edward Tracy (à direita) apresentaram quatro dos lutadores que integram o cartaz: Dong Hyun Kim, Rich Franklin, Cung Le e Tiequan Zhang
ra 10.9.2012
reportagem
www.hojemacau.com.mo
11
AS ESTRELAS DO UFC MACAU
• CUNG LE
• RICH FRANKLIN
“Estou pronto” Nasceu em Saigão, no Vietname, há 39 anos. Quatro vezes campeão do mundo, é perito em sanshou (ou sanda, vertente do kung fu), wrestling e taekwondo. Além de ser lutador a tempo inteiro, Le é ainda uma estrela em ascensão na Ásia (em especial na China) por entrar em filmes como “Bodyguards and Assassins” ou “Grandmasters”, de Wong Kar Wai – filme a ser lançado este ano, que conta a história de Ip Man, mestre de Bruce Lee. Também para este ano está anunciado o lançamento de “The Man with the Iron Fist”, onde ele também entra. “Sinto-me honrado por
PUB
“Vai ser diferente de todos os outros” lutar com alguém como o Rich, que tem lutado contra grandes nomes. É um grande lutador. Ambos gostamos de entreter os fãs e vamos deixar tudo para dentro da jaula, onde o nosso combate vai ser fogo. Não sei o que ele tem na manga, mas eu gosto de manter a minha luta em pé, dar os meus pontapés e os meus rotativos… mas vou salvar os meus truques para mais tarde, não posso revelar todos agora. Está muito em causa, há muito a ganhar com este combate. Mal posso esperar. O UFC vir ao Venetian, a este casino, é quase como uma Las Vegas 2.0.Vai ser um grande evento. Estou pronto.”
Deixou o liceu onde era professor de matemática para se dedicar aos combates. Nasceu nos EUA e anda nos ringues do UFC há 13 anos, tendo derrotado profissionais como Chuck Liddell e Wanderlei Silva. Rich “Ace” Franklin, ex-campeão do UFC, arranha o português, que diz ser “difícil”, com um sotaque brasileiro. Queixa-se de não poder praticar mais por estar nos EUA. É perito em boxe, jiu jitsu e muay thai. Quanto a Macau, acredita que pode vir a ser a próxima capital do entretenimento deste tipo. “Este combate vai ser diferente de todos os outros que já tive. Cung não é tradicional, no sentido de ser um lutador habitual, podemos
chamar-lhe pouco ortodoxo. Gosta de girar, pontapear e coisas assim. Logo, vai ser diferente de todos os outros. Mas tanto eu como ele somos experientes, andamos nisto há algum tempo e gostamos de lutar em pé. Não tenho intenções de o levar para o chão e imagino que ele também não o queira. Não sou bom numa arte marcial em particular, faço todas muito bem e misturo-as e essa tem sido a chave do meu sucesso. Vão ver um combate muito entusiasmante. É um desafio lutar tão longe de casa, apesar de não ser a primeira vez. Deus abençoou-me com o talento de lutar, por isso é que me dediquei a isto.”
• TIEQUAN ZHANG
“Ninguém me consegue levar ao chão” Vem da Mongólia Interior, onde nasceu há 34 anos, para mostrar o que sabe fazer. Começou a treinar artes marciais ainda criança e com 16 anos foi recrutado para uma das melhores academias chinesas de sanshou (ou sanda, vertente de kung fu). Foi o primeiro cidadão chinês a conquistar um cinturão castanho no jiu jitsu brasileiro, tal como é o primeiro lutador da China a entrar na jaula do UFC. Acredita que há cada vez mais pessoas a interessarem-se pelo
MMA na China. “Não estou de todo nervoso, esta é a competição máxima para o MMA e, ao ser a primeira vez que está na China, é uma honra e estou entusiasmado. Vai haver muita pressão, claro, mas treino bastante para isto e consigo afastar o stress. Quero focar-me mais no kickboxing, luta em pé, para mostrar mais técnicas de sanda e muay thai. Quanto menos errar, mais consigo evitar ir ao chão. Para ser honesto, ninguém me consegue levar ao chão.”
12
vida
segunda-feira 10.9.2012
www.hojemacau.com.mo
Relatório do Ambiente em 2010 é pessimista e já vem tarde
À frente só no que não interessa
Os últimos indicadores oficiais do ambiente abonam pouco a favor de uma melhor qualidade de vida em Macau. A qualidade das águas está pior, o ar também e o ruído é ensurdecedor Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo
O
natural seria divulgar os dados sobre o ambiente do território em Macau relativos ao ano anterior, mas os serviços de protecção ambiental revelam agora... os de 2010. Ainda por cima, não são animadores. No segundo relatório elaborado pela direcção criada em 2009, os resultados demonstram que a qualidade das águas costeiras degradou-se, a poluição do ar aumentou em algumas áreas e o ruído ambiental elevou-se substancialmente. Apenas os indicadores sobre reciclagem de resíduos e água consumida sofreram ligeira melhoria. Para agravar este cenário, o Planeamento da Protecção Ambiental de Macau para o decénio 2010-2020 também só na sexta-feira foi oficialmente lançado. Ou seja, com dois anos de atraso e um conjunto de medidas que deveriam ter arrancado em 2010. Ir a banhos continua a causar alguma preocupação numa água que não vê melhores dias, segundo o relatório de 2010. “A poluição de substâncias não metálicas tem vindo a agravar-se, fazendo com que os indicadores de poluição
global tenham aumentado 6,5% em relação a 2009.” Por outro lado, as estações automáticas de monitorização da qualidade do ar registaram parâmetros menores do que “bom”, na média geral de 2009. Tanto na Calçada do Poço como na da Taipa Grande ou no Parque Industrial Concórdia as descidas na qualidade iam até 7,5%. No entanto, a estação da subestação de Macau
Norte e a da Cidade da Taipa tiveram um aumento de proporção de dias considerados “bons”, com a qualidade atmosférica a verificar aumentos entre os 0,6% e os 4,4%, respectivamente. E houve uma boa notícia: entre 2009 e 2010 registou-se uma diminuição de emissão de seis em oito poluentes atmosféricos observados. A poluição sonora é um problema acusado por residentes, que naquele ano apresentaram um total de 5.002 reclamações acerca do ruído ambiental. “Em 2010 a Estação da Avenida Horta e Costa registou os mais elevados valores médios mensais de nível sonoro contínuo equivalente.” As restantes estações também tiveram um aumento significativo comparativamente ao ano anterior.
PREOCUPAÇÃO LEGÍTIMA
Apopulação parece mais consciente face a poupanças de água, embora, contrabalançando com o aumento da electricidade consumida, os valores acabem por não entusiasmar. “O volume global de água facturada foi de 67.149,35m3, uma redução de 1,4% em relação ao ano de 2009”, mostra o relatório. “O volume das águas residuais tratadas em Macau tende a aumentar ao longo dos
anos. De um modo geral, o caudal médio diário da ETAR de Macau está a aumentar anualmente, com um acréscimo de 2,8% nos últimos dois anos.” A quantidade de electricidade consumida, contudo, aumentou em 5,6%. Em 2010 foram reciclados em Macau mais 1,7% resíduos recuperáveis, embora os valores do sistema de reciclagem ainda sejam diminutos, menores do que 20%. A DSPA assu-
me que as tendências manifestadas pelos indicadores de visitantes e da quantidade de electricidade consumida são “preocupantes”.
ATRASOS INEXPLICÁVEIS
A explicação para só agora serem divulgados tais dados não bate muito certo. “Para os dados ambientais, o que diz respeito a um ano só se consegue recolher e analisar suficientemente no ano seguinte”, disse Cheong Sio Kei. Até aí tudo bem, mas esta análise demorou um ano e oito meses. A seguir vem nova justificação. “A DSPA só foi fundada em 2009 e partir daí conseguimos a implementação deste serviço, começámos a actuar, planear e executar várias acções ambientais, no sentido de aprovação e controlo de poluição, planeamento de vários trabalhos.” Também o Planeamento da Protecção Ambiental de Macau (2010-2020), já há muito divulgado como “Quadro-Geral”, só na sexta foi oficialmente lançado. Com mais de dois anos de atraso (para incluir novos indicadores com base na opinião recolhida junto da população), que, segundo a DSPA, foi compensado com as últimas medidas implementadas. Note-se que estas eram medidas que deveriam ter entrado em vigor no ano de 2010. Ainda assim, o director da DSPA assegura que a entidade não esteve parada. “Não significa que parámos de fazer os trabalhos de protecção. Enquanto estivemos a elaborar estas políticas, estávamos a trabalhar na protecção ambiental.”
LEGISLANDO POR AÍ
Um trabalho que se traduziu na produção de leis. Sobre a poluição do ar, diz a DSPA, não havia qualquer legislação. “Começámos a fazer vários trabalhos relacionados com o controlo de poluição do ar, por exemplo, elaborámos regulamentos para controlo de emissão de gases de escape, emissão dos novos carros a importar e novas normas sobre a promoção de eco-veículos.” Ainda segundo o responsável máximo do organismo, os seus elementos também regularam critérios e normas sobre qualidade dos combustíveis, além da prevenção e controlo de ruídos. Estão agora a ser feitos estudos e investigação sobre a qualidade das águas costeiras. No plano apresentado, promete-se trabalhar em várias frentes: rever a lei de bases do Ambiente, trabalhar para que haja reciclagem e mais cooperação com as regiões vizinhas, entre outros projectos. A gestão ambiental a partir deste momento será feita a mais mãos, segundo indica o director da DSPA. “Vamos criar um trabalho interdepartamental, para coordenar as acções para o curto, médio e longo prazo.” Uma acção a arrancar “dentro em breve”, agregando, por exemplo, o sector da água e do tráfego.
segunda-feira 10.9.2012
cultura
www.hojemacau.com.mo
Festival de Veneza entrega Leão de Ouro a filme sul-coreano
“Crítica ao capitalismo selvagem”
O
cinema de autor poético e cruel triunfou este sábado no 69º festival de Veneza, com o Leão de Ouro a ser entregue a “Pieta”, retrato sem piedade do capitalismo assinado pelo sul-coreano Kim Ki-duk. O cobiçado prémio do festival foi entregue no sábado à noite numa cerimónia oficial no Palácio de Cinema do Lido. Depois de agradecer aos jurados e chamar os protagonistas do filme ao palco, Kim Ki-duk, de 51 anos, entoou um canto no seu idioma como agradecimento, gesto que foi aplaudido calorosamente pelo público. O realizador sul-coreano voltou ao cinema depois de cinco anos de ausência e depressão, com um filme que
define como “uma crítica ao capitalismo selvagem”. O júri, presidido pelo norte-americano Michael Mann e do qual também faz parte o cineasta argentino Pablo Trapero, votou entre 18 filmes, todos estreias mundiais. “Pieta”, que narra a crueldade de um homem ao serviço de agiotas, convenceu tanto o público como boa parte da crítica. “O meu filme é uma metáfora do capitalismo extremo que faz do dinheiro o único valor importante, que se impõe sobre valores e sentimentos”, explicou o cineasta à AFP. O drama religioso que muitos consideram uma crítica à cientologia “The Master”, do norte-americano Paul Thomas Anderson, foi premiado com o Leão de
Prata de melhor realizador. Anderson recusou assistir à cerimónia, apesar de ter recebido dois prémios, especulando-se que não ganhou também o Leão de Ouro porque não era possível receber mais de dois prémios. Além do prémio para melhor realização, os dois pro-
tagonistas, Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman, receberam a Copa Volpi pela melhor interpretação masculina. “Peço desculpas pela minha aparência, acabei de descer do avião”, afirmou Hoffman ao receber os dois prémios. “Trabalhar com Joaquin foi uma experiência incrível porque ele é uma força indómita e eu apenas a aproveitei. Estou certo de que também está muito agradecido.”
SEXO COM CRUCIFIXO
A Copa Volpi de melhor interpretação feminina foi para a jovem actriz Hadas Yaron, pelo seu papel no filme da israelita Rama Burshtein “Lemale et Ha’Chalal” (“Preencher o Vazio”). Outro filme de autor,
“Paradies: Glaube” (“Paraíso: Fé”), que causou polémica em Veneza por cenas irreverentes, entre elas uma de sexo com um crucifixo, foi contemplado com o Prémio Especial do Júri. “O meu filme não é blasfémia”, disse no palco o realizador austríaco Ulrich Seidl. O cinema italiano, que há cerca de 20 anos não recebe o prémio máximo, ficou com a Melhor Contribuição Técnica, entregue ao cineasta Daniele Cipri, pela fotografia de “Ha Sido el Hijo”. O prémio de Melhor Argumento foi recebido pelo realizador francês Olivier Assayas por “Après Mai”, que lembra os anos do Maio de 68 em França, entre militância política,
13
drogas, revolução e a fuga para a Índia.
FILMES PORTUGUESES
O novo realizador da competição, Alberto Barbera, programou um festival equilibrado, que destacou o cinema de autor e que contou com filmes muito esperados nos círculos especializados, como “The Master”, uma das grandes apostas, que chegou dos Estados Unidos envolto em críticas e mistério. Também estiveram no Lido nomes como Robert Redford, Winona Ryder, Spike Lee ou Brian de Palma. A concurso na 69.ª edição do festival esteve a longa-metragem “As linhas de Wellington”, da realizadora chilena Valeria Sarmiento, com produção de Paulo Branco e a participação de diversos actores portugueses. No certame foi ainda exibido outro filme português, embora fora de competição: “O Gebo e a Sombra”, de Manoel de Oliveira.
ESTE CONCURSO É FOGO Já abriu o 24º Concurso Internacional de Fogo de Artifício de Macau, com uma actuação pirotécnica da equipa da Coreia do Sul e outra da congénere tailandesa. O concurso decorre até 1 de Outubro, em frente à Torre de Macau, com a edição deste ano a contar com 10 equipas. No sábado, a prova de fogo (de artifício) foi das equipas sulcoreana (foto à esquerda) e tailandesa. Se perdeu os dois países em acção, pode ver no próximo sábado Taiwan e Austrália a mostrarem o que valem. PUB
JOÃO JOSÉ GIGA Falecimento Faleceu a 8 de Setembro de 2012 10 de Setembro 2012 pelas 20h00: Velório no Morgue do Hospital Kiang Wu (na parte católica) 11 de Setembto 2012 pelas 11h00: Missa de corpo presente e seguida de funeral na igreja do Cemitério de São Miguel. Deixa esposa Emília Giga, filhos Maria, João, Francisco e Carlos, netos Isabela, Angelina, Manuela, José, Nuno e Paula, e Bisneta Mafalda.
DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE FINANÇAS EDITAL COBRANÇA DO IMPOSTO COMPLEMENTAR DE RENDIMENTOS RESPEITANTE AO EXERCÍCIO DE 2011 Faz-se saber que, nos termos do n.º 4 do artigo 58.º, do Regulamento do Imposto Complementar de Rendimentos, aprovado pela Lei n.º 21/78/M, de 9 de Setembro, com a nova redacção que lhe foi dada pelo Decreto-Lei n.º 37/84/M, de 28 de Abril, que durante o mês de Setembro próximo, estará aberto o cofre da Recebedoria da Repartição de Finanças de Macau destes Serviços para a cobrança do referido imposto. Mais se faz saber que, tratando-se de colecta superior a $3.000,00 (três mil patacas), a mesma pode ser paga em duas prestações vencíveis em Setembro e Novembro, de harmonia com o disposto no artigo 57.º do mencionado Regulamento, com a nova redacção que lhe foi dada pela Lei n.º 4/90/M, de 4 de Junho. E, para constar, se passou este edital e outros de igual teor, que vão ser afixados nos lugares públicos de costume e publicados nos principais jornais chineses e portugueses, sendo, ainda, reproduzido no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau. Aos 3 de Agosto de 2012. A Director dos Serviços Vitória da Conceição
desporto
14
www.hojemacau.com.mo
segunda-feira 10.9.2012
Entrevista António Fernandes, presidente do Comité Paralímpico de Macau/China
Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo Em Londres
F
OI fisioterapeuta e enfermeiro do Governador Nobre de Carvalho, ainda sob Administração Portuguesa. Há 40 anos, a paixão pelo trabalho desenvolvido com os deficientes fê-lo criar a Associação Recreativa dos Deficientes de Macau (ARDM), à qual se dedica a 100% desde que abandonou o funcionalismo público. Revela sentir-se “bastante satisfeito” pela prestação paralímpica em Londres, mas deixa um aviso ao Governo: “o projecto paralímpico para o Rio de Janeiro está à porta e é preciso fazer mais”. Chegam ao fim mais uns Jogos Paralímpicos. Que tem a dizer sobre a participação de Macau? Estou bastante satisfeito, embora não tenhamos conseguido levar qualquer coisa para casa. Contudo, devido à nossa preparação, que durou menos que um ano, o nono lugar na geral de esgrima é um grande passo que estamos a dar. Na parte do atletismo, o nosso atleta acusou a pressão de competir com o estádio cheio e aos gritos. Nunca competiu perante multidões e isso fez com que se sentisse bastante pressionado. Ficou aquém da sua capacidade.
Apenas em deficientes é que Macau consegue chegar às Olimpíadas, por isso o Governo está atento à situação. Não existem condições para aquilo que eu chamo de super-desporto As marcas obtidas por Tong Hio Sam, durante este ano, em treinos e competições, não dariam para ir muito mais além. Pois, o resultado não seria muito melhor, mas pelo menos mais um ou dois metros. Foi bom o Comité Paralímpico Internacional ter readmitido os atletas com deficiência intelectual. O Tong está habituado a competir em Special Olympics que é uma competição recreativa, portanto, especialmente em Macau, nunca teve uma participação que visa a competição pura e dura. Tong Hio Sam afirmou que dificilmente voltará a participar.
GONÇALO LOBO PINHEIRO
“A deficiência ainda é tabu em Macau”
segunda-feira 10.9.2012
Qual é a posição do Comité Paralímpico de Macau/China sobre esta possível desistência? Participar só depende dele. O Comité não pode ter qualquer palavra nem obrigar o atleta. Contamos com ele como contamos com outros atletas que estejam em Macau. Queremos preparar várias modalidades para o futuro, como natação, ténis de mesa, boccia e trabalhar muito a esgrima. A esgrima podia ter ido mais longe. Como encara Lao In I ter falhado os quartos-de-final nas duas vertentes da esgrima em que competia? Temos pena. Apesar da qualidade da atleta, falta alguma experiência. Ela lesionou-se durante os treinos porque não estava habituada a treinos tão intensivos. Foram dias agressivos, pelo que, apesar de tudo, a prestação foi muito positiva. Por isso, durante os próximos quatro anos, vamos trabalhar gradualmente para que Lao In I esteja na máxima força no Rio de Janeiro, em 2016. Queremos que a atleta treine na China e em Hong Kong, que participe em competições como campeonato asiático e campeonato do mundo. É muito importante que ganhe mais experiência internacional e visibilidade. A nível regional foi bom, porque derrotou a número três do ranking mundial, que é de Hong Kong. Foi muito bom. E lembro, igualmente, que ela esteve na Itália há uns meses e conseguiu derrotar a campeã do mundo que competiu agora, a húngara Zsuzsanna Krajnyak. Lao In I tem demonstrado que pode ir mais além, basta treinar e competir mais. O que salienta de positivo neste Jogos Paralímpicos de Londres? A organização de Londres, no geral, foi boa. O único reparo que tenho de fazer relaciona-se com os problemas de acessibilidade que existem na Aldeia Olímpica. A esse nível, a organização não esteve bem e fez ouvidos de mercador perante as reclamações dos diversos países. A nossa atleta de esgrima caiu na banheira porque não tinha como se segurar. Se pudesse dar uma nota, numa escala de zero a dez, qual seria o valor desta organização dos Jogos Paralímpicos de Londres?
desporto
www.hojemacau.com.mo
Os pais dos deficientes não dão a assistência que deviam dar aos seus filhos, pois esquecem-se que a maior intenção do desporto para deficiências passa muito pela reabilitação e a integração social. O nosso objectivo é, através do desporto, criar essas condições, contudo os familiares dos deficientes têm demonstrado pouco interesse nisso Daria entre 7,5 a 8, por causa das condições da Aldeia Olímpica. Nova etapa com o projecto paralímpico para 2016. O que se pode esperar? Vamos deixar descansar os atletas. Queremos que descansem por um período não muito longo, para depois fazer a preparação completa dos quatro anos. O meu objectivo é subir patamares com a intensificação dos treinos com vista a bons resultados no Brasil. Quero levar o maior número de modalidades, mas vamos incidir mais em esgrima, ténis de mesa e boccia. É preciso que os nossos atletas compitam a nível regional e internacional, por forma a garantir resultados. A nossa previsão é começar, mais ou menos, em Janeiro de 2013, até porque por essa altura a Associação à qual presido irá ter eleições e é preciso reenquadrar o pessoal da nova estrutura. O Governo de Macau já lhe transmitiu alguma coisa depois desta prestação? O Governo ficou mais alertado depois desta participação. Temos a promessa da Administração que nada faltará para que Macau possa ter uma grande prestação em 2016. Apenas em deficientes é que Macau consegue chegar às Olimpíadas, por isso o Governo está atento à situação. Não existem condições para aquilo que eu chamo de super-desporto. Como está o panorama do desporto para deficientes?
A situação dos deficientes de Macau está muito abaixo do que é desejado. Os pais dos deficientes não dão a assistência que deviam dar aos seus filhos, pois esquecem-se que a maior intenção do desporto para deficiências passa muito pela reabilitação e a integração social. O nosso objectivo é, através do desporto, criar essas condições, contudo os familiares dos deficientes têm demonstrado pouco interesse nisso. Existem dados oficiais de quantos deficientes praticam desporto? Infelizmente nem nós, nem o Governo, sabemos quantos são. A estimativa é de que sejam cerca de 70 pessoas, mas todas já com idades avançadas para a prática do desporto ao mais alto nível. Falta sangue novo na prática do desporto. Parece um pouco agastado com isso. Não é para menos. A deficiência ainda é um tabu em Macau. Muitas vezes já afirmei publicamente que as famílias de Macau não demonstram qualquer interesse por ajudar os deficientes. É preciso que a população tenha estas noções e deixe os deficientes serem reabilitados e inseridos socialmente. E nós estamos cá para poder ajudar. Abordei diversas escolas e não obtive qualquer resposta. É incrível. O Governo também dá total apoio nestas vossas lutas? O Governo tem um mecanismo de pouca divulgação. Embora
Em Macau muitos dirigentes, abaixo do Chefe do Executivo, não têm qualquer tipo de responsabilidades. E falo disto supradesporto. Em Macau todos podem errar e nunca são chamados à atenção disso. Ninguém assume responsabilidades e isso acontece em todas as áreas. No futebol, em particular, isso sente-se bem. Muitos erros e poucas responsabilidades de quem decide. Repare que a tutela, com o cunho de Cheong U, admite tudo. Já vieram dizer que estão a fazer um estudo para o futuro... De facto, na RAEM, muito se estuda
fale muito de reabilitação e de apoios, tudo isso é insuficiente. O Governo tem de começar pela base com a divulgação do ensino especial, encorajando as pessoas a participarem nas actividades sociais, especialmente as actividades exclusivamente para deficientes. Numa visão mais generalizada, como vê a prática do desporto em Macau? Os interesses que o Governo tem não se coadunam com o desenvolvimento futuro do desporto em Macau, pelo menos ao nível profissional, até porque não existe, até ao momento, qualquer atleta que justifique uma presença olímpica. Muito se tem falado de futebol em Macau. Francisco Manhão referiu que o futebol “está doente e sem cura à vista”. Qual a sua visão para o futebol do território? Estive ligado durante muitos anos ao futebol e digo, francamente, que ao futebol local falta, antes do mais, interesse por parte da sociedade. Na minha altura, o futebol tinha muito mais adeptos e projecção. Lembro-me que antigamente Macau ganhava sempre o Interport de Hong Kong e também tinha excelentes prestações na China e noutros territórios da Ásia. O problema de Macau são os horizontes. Um atleta que tenha uma qualidade acima da média e que queira seguir a carreira de futebolista precisa de se profissionalizar e Macau não dá condições para que isso aconteça. E como pode ter? A intenção do Governo será a de promover junto dos privados a criação de soluções. Um jogador em Macau não tem futuro. Macau forneceu diversos jogadores de nível mundial, muitos até chegaram à Selecção Portuguesa. Agora é zero. A selecção de Macau nunca esteve tão mal no ranking da FIFA e não se vê mudanças a curto/médio prazo. Existe falta de interesse generalizado, tanto por parte do Governo como da sociedade. É preciso coragem e boa vontade para elevar o futebol de Macau. Coisas simples, portanto. Em Macau muitos dirigentes, abaixo do Chefe do Executivo, não têm qualquer tipo de responsabilidades. E falo disto supra-desporto. Em Macau todos
15
podem errar e nunca são chamados à atenção disso. Ninguém assume responsabilidades e isso acontece em todas as áreas. No futebol, em particular, isso sente-se bem. Muitos erros e poucas responsabilidades de quem decide. Repare que a tutela, com o cunho de Cheong U, admite tudo. Já vieram dizer que estão a fazer um estudo para o futuro... De facto, na RAEM, muito se estuda. Desporto para Todos é uma boa iniciativa do Governo? É. Está bastante bem feita pois envolve todas as camadas, todas as idades e todos os sexos. A população aderiu bem e trata-se de um caso de sucesso.
É preciso que a população deixe os deficientes serem reabilitados e inseridos socialmente. E nós estamos cá para poder ajudar. Abordei diversas escolas e não obtive qualquer resposta. É incrível O que disse a China da prestação de Macau. Tem algum feedback? Mostraram-se satisfeitos e deram um louvor à nossa atleta da esgrima. Disseram que pode evoluir muito mais e chegar longe. Treinámos com eles e ajudaram-nos bastante. O que diria à população de Macau? Quero lançar um apelo aos familiares que tenham deficientes na família: tragam-nos até nós. O importante é saber o que precisam, pois estamos cá para ajudar no que for preciso. A escapatória não é desistir e fazer ouvidos moucos da situação. É enfrentá-la. Espero que o Governo tome as devidas iniciativas e não dê subsídios à toa. É preciso que haja um ensino profissionalizado para os deficientes, não podem continuar a ser parasitas da sociedade que vivem à conta de um subsídio. Muitos deficientes têm capacidade para ter uma posição activa na sociedade e o Governo tem de ver essa situação. Há paleio a mais e pouca acção. Já estou habituado a que não gostem de ouvir o que digo, mas sei que tenho razão.
16
desporto
segunda-feira 10.9.2012
www.hojemacau.com.mo
Formações da região vizinha vencem no Open de râguebi de praia
Marco Carvalho
info@hojemacau.com.mo
Hong Kong domina em Hac Sa CRISTIANO NANTES
A
S formações de Hong Kong que disputaram a 12ª edição do Torneio de Râguebi de Praia de Macau sagraram-se as grandes vencedoras da prova. A competição, que teve o areal de Hac Sa como palco, atraiu ao território 12 formações oriundas não apenas da antiga colónia britânica, mas também de cidades como Shenzhen, Shekou ou Cantão. A prova – que pautou o regresso ao activo da equipa sénior do Clube de Râguebi de Macau – foi disputada por oito equipas masculinas e quatro femininas. No torneio feminino, a vitória sorriu à formação das Tai Pou Farmers, que levaram a melhor no encontro decisivo da prova sobre o conjunto feminino da Universidade de Hong Kong, num desafio pautado pelo equilíbrio entre duas equipas da mesma região. Empataram a três pontos durante o período regulamentar, mas no prolongamento o emblema de Tai Pou acabou por ser mais feliz. As “agricultoras” venceram por morte súbita, na sequência de uma jogada de insistência que lhes garantiu o ensaio da vitória.
MACAU... PARTICIPOU
Antes, a formação do Kowloon Football Club já tinha garantido o triunfo na Plate, ao derrotar por 4-3 – e também pelo expediente da morte súbita – a University Hairy Clams, designação com a qual actuou no areal de Hac Sa a equipa B da Universidade de Hong Kong. A Hong Kong University foi, de resto, a grande vencedora da 12ª edição do Open de Râguebi de Praia de Macau, ao garantir o triunfo na Cup por 3-2, num desafio em que teve a formação de Shekou como adversária. No regresso ao activo, o Clube de Râguebi de Macau não conseguiu melhor do que marcar presença nas meias-finais da Plate, o menos conceituado dos troféus que este fim-de-semana estiveram em disputa na praia de Hac Sa.
Q
UATRO jogos, quatro derrotas. A formação de futebol de sete do Organismo Autónomo Desportivo da Casa de Portugal em Macau continua sem vencer no principal campeonato de futebol em miniatura do território, depois de não ter conseguido levar a melhor sobre a formação A da Selecção de Sub-23 da Associação de Futebol de Macau, em partida a contar para a série B da edição de 2012 do Campeonato da “Bolinha”. O desafio marcou o regresso ao banco de Pele, após mais de três meses em que pairou sob a carreira do jovem técnico são-tomense a sombra de uma eventual irra-
Selecção Sub-23 derrota formação de Pelé
Casa de Portugal em maus lençóis diação. A presença do antigo futebolista do Famalicão no banco da Casa de Portugal acabou por surtir efeitos inesperados, com a formação de matriz portuguesa a assinar um arranque promissor de partida e a conseguir marcar por duas ocasiões em menos de dois minutos. Cuco quase devolveu o garbo e a esperança a uma Casa de Portugal combalida pela estreia desastrosa no Campeonato da 1ª Divisão
da “Bolinha”. O capitão inaugurou o marcador à passagem do primeiro minuto, com um remate colocado, desferido à entrada da área da Selecção de Sub-23, e dilatou a vantagem meio minuto depois, ao dar a melhor sequência a um cruzamento rasteiro do francês Nicholas Friedmann.
INÍCIO DO FIM
O início fulgurante de partida protagonizado pela Casa
de Portugal acabou por não intimidar o adversário. Aos 14 minutos, a Selecção de Sub-23 conseguiu reduzir, num remate de Choi Chan In. Incapaz de manter a dinâmica inicial, o grupo de trabalho orientado por Pelé deixou que o adversário tomasse conta da partida e nem o intervalo contribuiu para dissipar a intranquilidade que se instalou no seio da formação de matriz portuguesa.
Com um reinício de partida avassalador, a Selecção de Sub-23 alcançou com naturalidade o golo do empate à passagem da meia hora de jogo, numa iniciativa concluída por Sio Ka Un. Desorientada, a defensiva da Casa de Portugal acabou por conceder outro golo menos de dois minutos depois, com Choi Chan In a bater de novo o guarda-redes Pio. Fustigada pelo adver-
sário, a equipa de Pelé concedeu novo tento aos 38 minutos, ao não conseguir neutralizar o remate desferido por Sio Ka Un à entrada da área. A vencer por dois golos de diferença, a Selecção de Sub-23 moderou as investidas e permitiu um ensejo de recuperação, ainda que parcial, ao sete de matriz portuguesa. A dois minutos do fim do tempo regulamentar, o francês Nicholas Friedmann apontou o terceiro e último da Casa de Portugal, na conversão exímia de um livre directo à entrada da área adversária – 4-3 foi o resultado final. – M.C.
segunda-feira 10.9.2012
[ ] Cinema
futilidades
www.hojemacau.com.mo
17
Cineteatro | PUB SALA 2
THE THIEVES [C]
FALADO EM COREANO, LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Choi Dong-Hun Com: Kim Yoon-seok, Kim Hye-soo, Simon Yam, Jeon Ji-hyeon 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 THE COLD LIGHT OF DAY SALA 1
I MISS U [C] FALADO EM TAILANDÊS, LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Monthon Arayankoon Com: Jesdaporn Pholdee, Natthaweeranuch Thongmee, 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
SALA 3
THE COLD LIGHT OF DAY [C]
Um filme de:Mabrouk El Mechri Com: Henry Cavill, Bruce Willis, Sigourney Weaver 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
VERTICAIS: 1-Abaçando. 2-Conceda. Turva, que não é transparente. Platina (s.q.). 3-Letra grega. Vertente. Cantão da Suíça. 4-Reinei. O que discursa em público. 5-Nome de mulher. Anos de vida. 6-Peça dramática. 7-Produzem. Vibra, abana. 8-Relativo ou pertencente a Abissíma. Ilha de coral. 9-Chefe político na Etiópia. Obter, alcançar. Nome de homem. 10-Artigo antigo. Joeirais. Distava. 11-Que amarra.
SOLUÇÕES DO PROBLEMA
Sudoku [ ] Cruzadas
HORIZONTAIS: 1-Concordei, uni-Me. Entregares. 2-Campo de beterrabas. 3-Pratica na qualidade de agente. Cerce, raso, 4-Mágoa. O dedo indicador. Centímetro. (abrev.). 5-Pá, espádua. Mulher que cuida de uma ermida. 6-Idiota, palerma (Fig.). Dividir ao meio. 7-Espécie de macaco, semelhante ao saguim. Zombar. 8-Oferece. Arma branca curta, um pouco maior que o punhal. Sociedade Anónima (abrev.). 9-Graúda (Ant.). Pedra, rochedo (Bras.). 10-Traiçoeiro. 11-Dê tiros. Alicançar.
Aqui há gato [Tele]visão TDM 13:00 TDM News - Repetição 13:30 Jornal das 24h RTPi 14:45 RTPi Directo 19:00 Música Movimento (Repetição) 19:30 Resistirei 20:30 Telejornal 21:00 TDM Desporto 22:10 Hilda Furacão 23:00 TDM News 23:30 Linha da Frente 00:00 Telejornal - Repetição 00:30 RTPi Directo INFORMAÇÃO TDM RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 Alta Pressão 15:00 Obra e a Arte 15:30 Cenas do Casamento - SIC 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 Decisão Final 18:00 Vingança 18:30 Novas Direcções 19:00 Trio D’Ataque 20:00 Jornal Da Tarde 21:15 Portugueses Pelo Mundo - Macau 22:00 Portugal no Coração 23:20 Futebol: Selecção Nacional (Sub 21) - Polónia x Sporting 30 - ESPN 12:30 13:30 15:30 18:30 19:30 20:00 22:00 22:30 23:00
Boston Marathon 2014 FIFA World Cup Brazil Asian Qualifiers Iran vs. Qatar MLB Regular Season 2012 New York Yankees vs. Baltimore Orioles (Delay) Baseball Tonight International 2012 (LIVE) Sportscenter Asia 2012 LIVE 2014 FIFA World Cup Brazil Asian Qualifiers Australia vs. Japan Sportscenter Asia 2012 Engine Block 2012 FIA F1 World Championship 2012 Highlights Italian Grand Prix
HORIZONTAIS: 1-ADERI. DARES. 2-BETERRABAL. 3-A. AGE. RES. A. 4-DO. INDEX. CM. 5-APA. ERMITOA. 6-NABO. A. MEAR. 7-ACARIMA. RIR. 8-DA. ADAGA. SA. 9-O. UDA. ITA. D. 10-PRODITORIO. 11-ATIRE. ALIAR. VERTICAIS: 1-ABADANADO. A. 2-DE. OPACA. PT. 3-ETA. ABA. URI. 4-REGI. ORADOR. 5-IRENE. IDADE. 6-R. DRAMA. I. 7-DAREM. AGITA. 8-ABEXIM. ATOL. 9-RAS. TER. ARI. 10-EL. COAIS. IA. 11-S. AMARRADOR.
31 - STAR Sports 13:00 SBK Superbike World Championship 2012 Race 2
14:00 14:45 16:45 17:30 18:30 19:30 20:00 21:00 21:30 22:00 23:00
FIA F1 World Championship 2012 - Raceday Italian Grand Prix FIA F1 World Championship 2012 - Main Race Italian Grand Prix FIA F1 World Championship 2012 - Chequered Flag Italian Grand Prix FIM Mx1 & Mx2 Motorcross W C 2012 - Highlights Grand Prix of Benelux High1 Resort Open Day 4 Highlights Game 2012 Autobacs Super GT Series 2012 Engine Block 2012 (LIVER) Score Tonight 2012 FIFA Beach Soccer World Cup 2013 Qualifiers ( Uefa) Portugal vs. Greece FIFA Beach Soccer World Cup 2013 Qualifiers (Uefa) Russia vs. Germany
40 - FOX Movies 10:55 Pirates Of The Caribbean: At World’S End 13:45 Pirates Of The Caribbean: On Stranger Tides 16:05 Street Fighter 17:50 Rio 19:30 Tucker & Dale Vs Evil 21:00 Anaconda 3 22:35 Anacondas 00:05 Harry Brown 41 - HBO 12:00 Little Fockers 13:45 Jumanji 15:30 Longford 17:00 The Chaperone 18:45 Radio Days 20:15 Starsky & Hutch 22:00 Life’S Too Short 02 22:30 How To Make It In America 23:00 Bored To Death 23:30 The Town 42 - Cinemax 12:05 Never Say Never Again 14:25 Ordinary Decent Criminal 16:00 Murderers’ Row 17:50 Batman: Under The Red Hood 19:15 Half Past Dead 21:00 Xiii 22:00 The Hard Corps 23:50 The Devil’S Advocate
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA DO LADO DE CANAÃ • Sebastian Barry
REGRAS |
Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR
Contada na primeira pessoa, numa narrativa da vida da protagonista ao longo de dezassete dias, esta é a comovente história de uma mulher com uma enorme capacidade para amar e com uma espantosa compaixão, mesmo por aqueles que lhe fizeram mal. Sebastian Barry regressa com a extraordinária história de Lilly Bere. Obrigada a fugir da Irlanda com o noivo ainda adolescente, sob ameaça de morte pelo Exército Republicano, Lilly vê-se subitamente na América. A sua vida trágica e rica leva-a de Chicago, onde o noivo é brutalmente assassinado, para Cleveland, onde se casa e descobre a felicidade mesmo durante o período da Grande Depressão e da Segunda Guerra Mundial, e finalmente para Washington, DC, onde encontra trabalho como cozinheira para uma das mais eminentes famílias americanas, os Kennedy. Dramaturgo, romancista e poeta, Sebastian Barry conquistou diversos prémios literários, incluindo o Irish-America Fund Literary Award, o Christopher Ewart-Biggs Prize, o London Critics Circle Award e o Kerry Group Irish Fiction Prize. Foi finalista do Man Booker Prize por duas vezes, com A Long Long Way e Escritos Secretos.
RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
VENHAM MAIS SETE Vi, por este dias, na televisão que o Governo de Portugal se prepara para sacar mais 7% de impostos aos portugueses. Numa declaração ao país, em que anunciou, entre outras medidas, o aumento da contribuição dos trabalhadores para a Segurança Social para 18% e a redução da contribuição das empresas para o mesmo valor, Passos Coelho alegou que isso fará “descer substancialmente os custos que oneram o trabalho, alterando os incentivos ao investimento e à criação de emprego”. O primeiro-ministro de Portugal deve estar maravilhado com a “bonança” que vê nas medidas, porque só um maravilhado é que pode pensar que tirar uns pontos percentuais aos custos das empresas pode criar emprego. E Passos Coelho até se referiu ao desemprego como “a grande ameaça” à recuperação de Portugal e “a principal fonte de angústia das famílias portuguesas”. Nesse aspecto, pouco tem feito o Governo e todos comparsas que dele fazem parte. Passos Coelho afirmou – em tom de desculpa à população – que o Governo rejeitou “aumento generalizado de impostos” no Orçamento do Estado para 2013 por considerar que isso comprometeria as perspectivas de recuperação económica do país. Pior vão os portugueses que muito reclamam e pouco fazem. Continuam impávidos e serenos, assistindo ao passar da caravana. Assim, bem caladinhos. Na verdade todos os dias se vê gente a reclamar, contudo deixam andar a coisa. Das duas uma: ou ficam calados para sempre ou reagem. Reclamar e ficar parado não é reagir. O país há muito que está à venda. Só peço aos portugueses que também não se vendam. Lutem! Caso contrário, perspectivas ainda mais sombrias para Portugal. Miau...
Pu Yi
18
opinião
segunda-feira 10.9.2012
www.hojemacau.com.mo
curva apertada
Chico Moore LÍDER SUPREMO
As minhas alegres casinhas O que faço quando o tédio me apoquenta? Pego na minha amada Ri Sol-ju e visito as famílias que ilumino. Em especial porque se aconchegaram nas casas novas que lhes dei. Será que os meus pequeninos estão a gostar?
Grande Kim Jong-un – ... e não voltes a insistir, acabaram-se as malas da Dior! Pequena Ri Sol-ju – Sim, meu amor. Grande Kim Jong-un – Além disso, até ficas super-sexy com esse saco do Royal. Pequena Ri Sol-ju – Sim, meu amor.
Kim Kong – Se calhar fazíamos umas partidinhas de mahjong, parece-vos bem? Rissolinho – Que boa ideia, meu amor, sim, sim!! Kim Kong – Ou então não. Quero jogar à sueca. Homens contra mulheres! Rissolinho – Sim, meu amor.
Kim Kim Can Can – Fui eu próprio que escolhi a decoração. Alguns dos meus diplomas e um horário dos comboios entre Pyongyang e o Fai Chi Kei. Gostam? Pessoas – Bem nós... Kim Kim Can Can – Ainda bem que gostam. Ri Sol La Si Do – É muito lindo, meu amor.
Kim Comilão – Agora um copinho para a despedida. Para mim é que já não é o primeiro hoje, hi, hi, hi! Ri Sol na Travessa – És tão maluco, meu amor! Kim Comilão – O quê?! Ri Sol na Travessa – Bonito, meu amor, bonito e inteligente.
Kim Carnes – Isto foi tudo encomendado no Ikea, incluindo estes pratos fantásticos. Pessoas – O que são pratos? Kim Carnes – São estas peças de louça, servem para pôr a comida. Pessoas – O que é comida?
Kim Come Por Gosto – Esta é a parte mais gira, quando o porquinho devora o lobo mau. Ri Sol Não Cansa – Meu amor, o livro está ao contrário. Kim Come Por Gosto – Não está nada. Ri Sol Não Cansa – Que parvoíce, eu é que estou ao contrário, meu amor.
Kim Bóio – E o que queres ser quando fores grande? Pessoas – Rockabilly como tu! Kim Bóio – Ah, ah, que engraçado! Pessoas – Mas o que mais gostava era que tirasses esse polegar sapudo do meu olho!
Kim Manda – Olhe que está muito enxuta! Não quer ir dormir ao palácio hoje à noite? Ri Sol Rebola – Amor! Estou a ouvir tudo! Kim Manda – O quê? Ri Sol Rebola – Que bela ideia, meu amor. Pergunta-lhe se alinha numa cena a três.
Ri De Quê – Também posso beber um copo, meu amor? Kim Da Boss – Nem pensar. Dá-me a garrafinha especial. Ri De Quê – É aguardente de arroz, meu amor? Kim Da Boss – Não, é mistura de cianeto. Ainda há mais famílias para exibir e só temos estas casas.
segunda-feira 10.9.2012
opinião
www.hojemacau.com.mo
David Chan*
19
macau visto de hong kong
Uma história terrível do nosso Direito Médico III
N
O dia 21 de Fevereiro de 2004 aconteceu um caso trágico em Hong Kong, relatado pelo jornal local Sun. Um paciente chamado Ah Wah teve uma consulta numa clínica. A enfermeira, ao dar-lhe uma injecção, afectou-lhe um nervo da perna direita. Ah Wah não conseguiu andar durante um longo período de tempo e só o consegue fazer agora com a ajuda de um andarilho. O paciente processou a clínica por má prática e pediu uma indemnização de 1,8 milhões de dólares de Hong Kong. Ah Wah ganhou o caso, mas o médico declarou falência e não foi paga qualquer compensação – o médico declarou que não tinha seguro de má prática médica. Discuti este caso com alguns médicos de Hong Kong, que me disseram que a aquisição do seguro de má prática médica da British Medical Protection Society só é obrigatória para os médicos do estado e não para os médicos particulares. A British Medical Protection Society oferece presentemente o seguro de má prática médica aos profissionais de medicina um pouco por todo o mundo. Macau deveria considerar a hipótese de receber também o seguro deste grupo. Nos últimos cinco anos registaram-se um total de 622 queixas contra as autoridades hospitalares de Hong Kong. Apenas 118 das queixas (cerca de 18.99%) foram resolvidas por mútuo acordo. O valor total reclamado foi de 39,6 milhões de dólras de Hong Kong. As despesas de tribunal e outras atingiram o total de 17,77 milhões, o que dá uma média de 486,186 por caso. Em Macau, os números recentemente revelados indicam que, desde 2002 e até Setembro de 2011, houve 524 queixas. Apenas 86 tiveram seguimento e, destas, 70 (cerca de 81%) acabaram por não dar em nada. Os profissionais de medicina foram considerados responsáveis em 15 casos (cerca de 17%) estando ainda uma queixa (1%) a ser investigada. Os números das duas regiões não pode ser comparados, uma vez que os anos a que se referem não são iguais. No entanto dá para perceber que os números de queixas de Macau e Hong Kong são mais ou menos semelhantes. Na semana passada falámos das razões de não ser promulgada em Macau uma lei sobre a prática de medicina. Um dos principais motivos tem a ver com a insistência para que a lei inclua o risco e a má prática
A Assembleia Legislativa coloca um milhão de dificuldades para a promulgação de uma lei de direito médico. Mas o Governo de Macau tem de zelar pelo interesse público, pelas vítimas de negligência e pelas carreiras dos profissionais da área. É bom para todos que se tomem medidas imediatas que compensem as vitimas de negligência médica e que condenem os culpados
montante para criar um fundo que cobrisse os casos de negligência médica. Os pacientes que recebem tratamento médico em Macau deveriam ser obrigados a contribuir para este fundo. O método é simples. Quando os pacientes compram medicamentos, seria acrescentado 1% ao valor dos remédios destinado ao fundo para cobrir a negligência. O Conselho Médico, permanente ou temporário, deveria ser o órgão que regula a má prática e a negligência médica. Uma vez provada a negligência, as vítimas poderiam recorrer ao fundo. Este método pode levantar algumas questões: que montante é que os cidadãos contribuiriam para o fundo? Qual o montante máximo e mínimo? Qual o valor da contribuição do Governo de Macau? Uma única contribuição ou uma contribuição anual? Qual o alcance da cobertura do fundo. Os profissionais de medicina chinesa ou os profissionais de massagem medicinal também estariam abrangidos pelo fundo. Quem já adquiriu seguro de negligência médica também teria acesso ao fundo. Os valores das compensações do fundo deveriam diminuir proporcionalmente. Tenho a certeza de que o governo de Hong Kong não vai criar um fundo deste
género uma vez que o fardo do governo da RAEHK já é bastante pesado. Tem de cuidar de 8 milhões de habitantes. Mas o Governo de Macau cuida de apenas 600 mil. E para mais tem receitas estáveis. Existem seis empresas de jogo que as garantem. O governo de Hong Kong não dispõe desta vantagem. A Assembleia Legislativa coloca um milhão de dificuldades para a promulgação de uma lei de direito médico. Mas o Governo de Macau tem de zelar pelo interesse público, pelas vítimas de negligência e pelas carreiras dos profissionais da área. É bom para todos que se tomem medidas imediatas que compensem as vitimas de negligência médica e que condenem os culpados. Temos de evitar que aconteçam casos como o que contei no início da crónica. Se as medidas acima referidas podem proteger os cidadãos de Macau, por que não as tomamos? Para a semana abordaremos a área da medicina nos EUA e procuraremos saber qual será a melhor solução para todos no caso de Macau continuar sem companhias de seguros que ofereçam seguros de saúde e de negligência médica. *Professor Associado no Instituto Politécnico de Macau
cartoon por Steff
médica. O risco faz parte dos procedimentos médicos. Os profissionais da área acham que a responsabilidade deve ser assumida pelos pacientes, enquanto o legislador pensa que deve ser a lei a regular a má prática e a negligência. É esta a principal diferença entre os profissionais da área da medicina e o Governo. Também sugeri a implementação de um seguro de saúde e de negligência médica. Todos sabemos que em Macau há poucas companhias que ofereçam seguros de saúde e de negligência médica. E o nosso objectivo é salvar imediatamente as vítimas de má prática médica. O Governo deveria considerar a possibilidade de injectar um
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Nuno G. Pereira; Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Fernando Eloy; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Carlos M. Cordeiro; Correia Marques; David Chan; Gonçalo Alvim; Helder Fernando; Jorge Rodrigues Simão; José Pereira Coutinho, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia; Peng Zhonglian; Vanessa Amaro Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo