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Hoje Macau 1 MAR 2018 #4002

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Preocupados com excesso de turistas

TIAGO ALCÂNTARA

CANSAÇO, SIMPLESMENTE CANSAÇO

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

DSAMA PÁGINA 8

MAK SOI KUN

Identidade e residência

hojemacau

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Mães de segunda Trabalhadoras não residentes podem vir a pagar nove vezes mais para dar à luz

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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ANTÓNIO CABRITA

Jantares para todos

PÁGINA 5

GRANDE PLANO PUB

MOP$10

QUINTA-FEIRA 1 DE MARÇO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4002

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ


2 grande plano

Os Serviços de Saúde anunciaram ontem que pretendem aumentar em nove vezes as taxas moderadoras a pagar pelas grávidas portadoras de blue card e também para as que são portadoras de passaporte estrangeiro. Com a medida, um parto normal passa a custar mais de oito mil patacas para quem é não residente. Associações falam de injustiça e discriminação, mas há quem concorde com o Executivo

1.3.2018 quinta-feira

SAÚDE

PARTOS PASSAM A CUSTAR NOVE VEZES MAIS PARA NÃO RESIDENTES

D

NATALIDADE

EPOIS dos autocarros, os partos no hospital público. O Governo prepara-se para implementar uma medida que, aos olhos de muitos, é discriminatória para quem é portador do visto de trabalho, o chamado blue card. De acordo com a Rádio Macau, os Serviços de Saúde (SS) apresentaram uma proposta ao secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, para aumentar as taxas moderadoras dos partos realizados no Centro Hospitalar Conde de São Januário, não só para as turistas que aqui vêm ter os seus filhos como para as trabalhadoras não-residentes (TNR). Na prática, é um aumento nove vezes superior aos preços que já são praticados. Uma TNR paga, actualmente, 957 patacas para ter o seu filho no São Januário, mas, se Alexis Tam aprovar a medida, passa a pagar 8.755 patacas. Caso necessite de uma cesariana, passa a ter de desembolsar 17.550 patacas em vez das actuais 3.900 patacas. Se uma mulher com passaporte do exterior se deslocar ao hospital público para dar à luz, o valor a pagar será bem superior. Um parto normal deixa de custar 1.950 patacas e sobe para 17.550 patacas. Quanto às cesarianas, passam a custar 35.100, em vez das 3.900 patacas actuais. Mais sorte têm as mulheres que são casadas com residentes que não pagam qualquer taxa, tal como as mulheres residentes, que têm o direito a ter os seus filhos gratuitamente. A medida pretende controlar o número de nascimentos de mães que não são naturais de Macau, como explicou Ho Ioc San, subdirectora dos SS, em declarações reproduzidas pela Rádio Macau. “Com o aumento da necessidade dos serviços é difícil acompanharmos e satisfazermos totalmente esta necessidade. A intenção do hospital é orientar e levar estas pessoas para os locais onde supostamente devem dar à luz”, afirmou. No mesmo grupo de pessoas inserem-se não apenas as TNR que têm residência e trabalho no território como as mulheres do exterior que vêm a Macau de propósito para dar à luz, situação bastante comum também em Hong Kong, território escolhido por muitas chinesas do continente.

Os SS avançaram ontem dados que mostram que apenas oito por cento dos partos foram de mães TNR a morar em Macau, enquanto que os partos realizados a mulheres do exterior representaram 20 por cento do total.

“Estou há 35 anos em Macau e era impensável ouvir as coisas que se têm ouvido ultimamente, deste ponto de vista social, de discriminação e de uma maneira xenófoba de olhar para quem não é chinês.” AMÉLIA ANTÓNIO ADVOGADA E PRESIDENTE DA CASA DE PORTUGAL EM MACAU

A subdirectora dos SS acrescentou que o fim da política do filho único na China trouxe o receio de que poderá haver mais partos em Macau, além de que o decreto-lei de 1986, que regula o acesso aos cuidados de saúde, dá o privilégio aos residentes, explicou. Na conferência de imprensa de ontem, foi também revelado que não só não haverá uma consulta pública sobre a matéria como foram ouvidas apenas duas associações tradicionais de Macau, que não representam as trabalhadoras migrantes: a Associação Geral de Moradores (kaifong) e a Associação das Mulheres, ligadas aos deputados Ho Ion Sang e Wong Kit Cheng. “Se fôssemos ouvir as opiniões deles claro que estariam contra. Ninguém gosta de aumentos”, justificou a sub-directora dos SS.

desenvolvimento das condições de trabalho em Macau,é muito injusto”, defendeu ao HM. Apesar dos partos das trabalhadoras migrantes representarem apenas oito por cento dos partos efectuados no serviço de obstetrícia do São Januário, esta medida afecta quem cá mora e não ganha, muitas vezes, mais do que quatro mil patacas por mês. “Claro que será algo muito difícil [de suportar] para aqueles que são TNR”, disse Ana Fivilia. “A maioria preferem ter os seus filhos no hospital público porque os valores são mais baixos do que nos hospitais privados. Uma vez que o Governo agora quer aumentar as taxas moderadoras, e falo em nome das portadores de blue card, será muito complicado para estas mulheres.” Caso os aumentos sejam aprovados, Ana Fivilia não tem dúvidas de que a única opção para estas mulheres é dar à luz nos seus países de origem, tal como os SS pretendem. “Talvez tenham de regressar a casa, será a melhor opção. Mesmo as mulheres que têm blue card sabem que os seus filhos não terão direito ao BIR, por isso é uma medida que não faz qualquer sentido. Acho que é uma boa maneira para controlar os nascimentos de quem vem do continente, mas não para quem vive em Macau.” No universo TNR não cabem apenas trabalhadoras migrantes de origem filipina, indonésia ou

SAIR DE MACAU É OPÇÃO

Ana Fivilia, representante de uma associação ligada à comunidade filipina, e que se insere na plataforma “Umbrella Migrant Workers”, criticou duramente esta postura dos SS ao não ouvir associações que poderiam ter uma opinião diferente. “É muito injusto que o Governo não tenha ouvido as nossas associações. Estamos registados e temos trabalhado em prol do

8.755

preço proposto para um parto de uma TNR


grande plano 3

quinta-feira 1.3.2018

INFLACCIONADA vietnamita, mas também mulheres das comunidades de expatriados, incluindo portuguesas. A advogada Amélia António criticou duramente esta medida. Para a também presidente da Casa de Portugal em Macau (CPM), esta é uma proposta que vai contra muitas leis em vigor, incluindo a Lei Básica que define, claramente, que não deve existir discriminação social. “Não se pode meter tudo no mesmo saco, turistas e TNR. Sabemos que aqui pode haver um certo abuso da vinda a Macau para usufruírem dos benefícios do tratamento médico e essa distinção entendo, porque são pessoas que não fazem parte do território. Os TNR, sejam eles de que origem for, não acho que seja admissível fazer esse tipo de discriminação. São pessoas que são fundamentais para a economia e que, normalmente, são as mais mal pagas.” Amélia António fala de sinais graves de uma mudança social que tem vindo a acontecer em Macau, de que a proposta de aumento das tarifas de autocarros é apenas um exemplo. “Essa discriminação, mais uma vez, vai agravar a situação [dos trabalhadores] e insere-se num conjunto de coisas que têm vindo a acontecer e que notamos que, por detrás delas existe um espírito discriminatório. Até um bocadinho mais.” Amélia António, radicada há mais de três décadas no território, confessou que nunca viu estas

1.950

preço de um parto actual para uma TNR

situações acontecerem, uma vez que Macau sempre foi conhecida por receber bem. “Estou há 35 anos em Macau e era impensável ouvir as coisas que se têm ouvido ultimamente, deste ponto de vista social, de discriminação e de uma maneira xenófoba de olhar para quem não é chinês. A maioria das pessoas que emite essas opiniões esquece-se que eles também não são de Macau, vieram para cá, com a família ou não. Os chineses de Macau não tomam esse tipo de posições, nunca tomaram e não têm essa educação.” Quem tem vindo a propor estas medidas “são gerações mais novas que vieram para Macau em circunstâncias similares às dos TNR”, teoriza Amélia António.

PROBLEMAS FAMILIARES

Se em Macau os preços para ter filhos passam a ser proibitivos para as famílias de trabalhadores migrantes, impera a obrigatoriedade das grávidas se dirigirem aos seus países de origem, deixarem temporariamente os seus empregos e os seus familiares e só voltarem meses depois. Na visão de Ana Fivilia, isto pode gerar problemas sociais e familiares. “Nas Filipinas, ou na Indonésia, as mulheres pagam muito pouco para terem os seus filhos, comparando com o que se paga aqui. Tudo vai depender do acordo que se estabelece com o empregador, porque as trabalhadoras terão de ficar uns meses fora. Se os patrões concordarem, penso que não haverá problemas. Pelo que sei, os patrões costumam arranjar uma outra empregada doméstica para a substituir durante esse período.” Também Amélia António teme casos de turbulência social. “É evidente que isto gera problemas, porque se as pessoas estão aqui a trabalhar, têm de interromper o seu trabalho para ter o filho fora e depois não os podem trazer de volta. Tudo isso vai gerar problemas sociais, familiares, dramas pessoais, que não favorecem as pessoas em si nem a sua prestação de trabalho no território. Isso também é mau para a economia, além do ponto de vista humano.” Amélia António considera “pior que caricato” o facto dos SS não terem ouvido outras associações. Até porque tanto os Kaifong, como a Associação Geral das Mu-

lheres “estão pouco preocupados com quem vem nessas circunstâncias [grávidas do continente]. Quem vem do continente para ter aqui os seus filhos se calhar até pode pagar. E é por isso que não se pode olhar para esta situação como um todo.”

“Primeiro foram as tarifas dos autocarros, agora as taxas moderadoras para os partos. O que é que nos vão fazer a seguir? É uma pena [esta proposta] e é simplesmente discriminatório. Há dez anos que pedimos aumentos salariais e não temos resposta em relação a uma maior protecção laboral.” ERIC LESTARI PRESIDENTE DA OVERSEAS WORKERS ASSOCIATION

A advogada espera que Alexis Tam não aprove estes aumentos. “Tenho alguma esperança que esta medida não passe nestes termos, porque nem é próprio da maneira de estar e de olhar para o mundo do secretário, pelo que conhecemos dele.”

PRIMEIROS OS AUTOCARROS

Eric Lestari é presidente da Overseas Workers Association, mais ligada à comunidade indonésia. Ao HM, disse que muitas das mães optam por ter os seus filhos fora de Macau, porque, à partida, não são aconselhadas a ter filhos durante o período contratual. “São poucos os patrões ou empresas que permitem às mulheres engravidar durante o contrato e muitos optam por despedi-las se descobrem que estão grávidas, ou então são enviadas de volta para os seus países para terem os seus filhos e depois regressam ao trabalho.” Ainda assim, Eric Lestari critica duramente a postura do Executivo. “Primeiro foram as tarifas dos autocarros, agora as taxas moderadoras para os partos. O que é que

nos vão fazer a seguir? É uma pena [esta proposta] e é simplesmente discriminatório. Há dez anos que pedimos aumentos salariais e não temos resposta em relação a uma maior protecção laboral”, frisou. Eliana Calderon, presidente da Macau Child Development Association, referiu que estamos perante “uma injustiça social e uma discriminação para os pais e filhos também”. “Macau não se desenvolveria, as pessoas não poderiam ter trabalhos se não fosse a comunidade de migrantes. As leis internacionais dizem que não se pode discriminar uma mulher grávida. O Governo não tem capacidade para dar resposta nem sequer para os locais.”

OS QUE CONCORDAM

O HM ouviu também Rebbecca Glade, presidente do International Ladies Club de Macau (ILCM), uma associação com fins de caridade e apoio social que representa, na sua maioria, mulheres expatriadas. Rebbecca Glade não quis comentar a possível injustiça para com as mães migrantes com baixos salários, tendo defendido a medida proposta pelo Governo. “Apoiamos a decisão do Governo, uma vez que coloca o hospital público na mesma linha dos restantes hospitais em termos de taxas moderadoras para partos. Não tenho filhos, mas sei que muitas mulheres que fazem parte do ILCM tiveram os seus bebés no hospital São Januário e que foram boas experiências com o pessoal de enfermagem e os restantes funcionários. Muitos dos nossos membros expatriados têm seguro de saúde que deverá cobrir estes aumentos”, referiu. Num comunicado divulgado, os SS apontam que “realizaram uma consulta a diferentes associações, além de que anteriormente receberam queixas de cidadãos alegando que os recursos de obstetrícia do São Januário estavam a ser ocupados por parturientes não residentes”. Os SS deixaram ainda bem claro que esta proposta “não visa o aumento de receitas, mas sim assegurar às parturientes locais a utilização dos serviços de parto do Centro Hospitalar Conde de São Januário”. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


4 política

TIAGO ALCÂNTARA

1.3.2018 quinta-feira

Vong Hin Fai “A comissão acha este ponto importante porque se trata de um assunto mais grave. As mulheres necessitam de recuperar psicologicamente em relação a um nascimento normal. Parece haver aqui uma discrepância em relação à lei laboral.”

FUNÇÃO PÚBLICA DEPUTADOS QUEREM UNIFORMIZAR LICENÇAS DE MATERNIDADE

Mães e enteadas

A proposta de revisão do Estatuto dos Trabalhadores da Função Pública de Macau prevê apenas sete a 30 dias de licença de maternidade pagos em caso de abortos espontâneos, quando a lei laboral prevê um período de 56 dias. Os deputados questionaram o Governo sobre esta “discrepância”

T

ER um aborto espontâneo, quando se é trabalhadora pública, dá direito a uma licença de maternidade de entre sete a 30 dias, de acordo com a actual proposta de revisão do Estatuto dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ETAPM). Já no caso de se tratar de um parto normal, a trabalhadora tem direito a 90 dias de licença de maternidade, sendo que a

lei das relações do trabalho prevê um máximo de 56 dias para o sector privado. Os deputados que pertencem à 3ª comissão permanente da Assembleia Legislativa (AL), e que estão a analisar este diploma na especialidade, questionaram o Governo sobre esta matéria. Vong Hin Fai, deputado que preside à comissão, falou da existência de “discrepâncias” que não se compreendem.

“A comissão está atenta a este aspecto e quer perguntar ao Governo porque é que não introduziu esta alteração na proposta de lei. A comissão acha importante este ponto porque se trata de um assunto mais grave. As mulheres necessitam de recuperar psicologicamente em relação a um nascimento normal. Parece haver aqui uma discrepância em relação à lei laboral e vamos perguntar ao Governo se pretende

alterar este ponto”, explicou o deputado. Relativamente à amamentação, os deputados também têm dúvidas, uma vez que as versões chinesa e portuguesa levam a diferentes interpretações dos horários disponibilizados às mulheres. “A comissão concorda com este incentivo à amamentação porque é uma política do Governo. Mas na proposta de lei lê-se que esta medida se aplica ‘à mãe que amamenta

CONSULTA ATFPM LANÇA FARPAS A VONG HIN FAI

U

MA das associações que tornou ontem pública a sua posição relativamente à alteração do Estatuto dos Trabalhadores da Função Pública foi a Associação dos Trabalhadores da Função Pública (ATFPM) que, em várias páginas, criticou os artigos da proposta de lei, relativos ao regime de faltas, horários de trabalho ou turnos. A associação aponta actos discriminatórios. Na carta, assinada por Rita Santos, presidente da assembleia-geral da

ATFPM, é feita uma crítica ao processo de auscultação levado a cabo pela 3ª comissão permanente, presidida por Vong Hin Fai. “A ATFPM nunca foi consultada sobre a proposta de lei, presumindo-se que as cerca de 30 associações representativas dos trabalhadores da Função Pública também não tenham sido consultadas.” É estabelecido um ponto de comparação com outras comissões do hemiciclo. “Também lamentamos

o facto da 3ª comissão permanente não ter concedido a oportunidade das associações de trabalhadores de exporem na comissão as suas preocupações em relação à proposta de lei. Ao contrário das outras comissões da AL que tiveram a oportunidade de ouvir, de viva voz, as diferentes associações dos sectores de actividade comercial, profissional e social no caso da proposta de lei do regime de acreditação profissional e inscrição para assistente social.” A.S.S.

o filho’. Parece que, por cada filho, a mãe tem direito a uma hora para amamentar.” Os deputados analisaram também o facto de cada serviço público ter uma interpretação diferente nesta matéria. “A comissão teve conhecimento de que os serviços públicos têm diferentes interpretações desta norma. Na versão chinesa o estatuto diz que as mães têm apenas uma hora por dia para amamentar, mas na versão portuguesa parece que as mães têm direito a uma hora por filho. Há que clarificar os pressupostos desta norma”, explica o deputado. Os deputados não avançaram com nenhuma proposta concreta quanto à clarificação do horário para amamentação. “A comissão não se pronunciou sobre se uma hora é ou não suficiente para amamentar. Queremos ter um diálogo concreto com o Governo para apresentarmos as nossas propostas”, esclarece Vong Hin Fai.

MODOS DE PAGAMENTO

Da reunião de ontem resultou também um diálogo quanto à questão das indemnizações a pagar a trabalhadores sinistrados. Vong Hin Fai referiu que há dúvidas quanto ao pagamento da indemnização. “Nos casos de incapacidade permanente e parcial, a proposta de lei define um regime para o Governo atribuir ao trabalhador sinistrado uma compensação pecuniária, fixada por despacho do Chefe do Executivo. A comissão questiona se esta

compensação será atribuída de uma só vez ou se será paga periodicamente, para que se garanta o uso racional do erário público?”, apontou o deputado. Ontem terminou o prazo de recolha de opiniões junto de associações e cidadãos no âmbito da revisão do ETAPM, tendo sido recebidas um total de 31 opiniões. Estas incidiram, sobretudo, sobre o regime de faltas, de turnos e disponibilidade. “Vamos primeiro analisar as opiniões recebidas e só depois é que vamos reunir com associações, ainda não sabemos se existe ou não essa necessidade”, apontou Vong Hin Fai.

UMA “LEI COMPLEXA”

O presidente da 3ª comissão permanente da AL adiantou também que foi pedido um prolongamento de dois meses ao presidente do hemiciclo, Ho Iat Seng, para a conclusão da análise na especialidade da proposta de lei. Ainda assim, Vong Hin Fai não soube dar certezas quanto à data de conclusão do diploma. “O prazo foi fixado para o dia 19 de Março, mas devido ao andamento dos trabalhos a comissão vai pedir ao presidente a prorrogação do prazo para mais dois meses. Esta lei é muito complexa e, se calhar, em Maio pode não ser possível concluir o trabalho”, rematou. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


política 5

quinta-feira 1.3.2018

As multidões que tomaram as ruas de Macau durante o Ano Novo Chinês serviram ontem de mote a uma série de intervenções dos deputados. Os legisladores expressaram preocupação com o cenário da semana dourada

TURISMO DEPUTADOS PREOCUPADOS COM ELEVADO NÚMERO DE VISITANTES NO ANO NOVO CHINÊS

Mais que as mães

19 de Fevereiro, a PSP sinalizou 254 irregularidades, a maioria das quais por abuso de cobrança de tarifas. Outro tema de “acesa discussão na sociedade” prende-se com a cobrança desregrada de taxas adicionais” por parte dos estabelecimentos de comida que, segundo a imprensa, foi na ordem dos 10 a 20 por cento, afirmou o deputado dos Operários, indicando que o Conselho de Consumidores recebeu 58 consultas e queixas, dois terços das quais de turistas. “Durante as festividades, Macau demonstrou que tem muitas carências ao nível da qualidade dos serviços prestados”, resumiu.

O

S incómodos causados aos residentes ou as recorrentes queixas de abusos na cobrança de tarifas por parte de taxistas e preços inflacionados nos restaurantes e hotéis foram alguns dos problemas identificados pelos deputados durante a semana dourada, que trouxe a Macau mais de 960 mil visitantes. Um número que representa um aumento de 6,5 por cento face ao mesmo período do ano passado. Apesar de reconhecer que as medidas de controlo de multidões no centro produziram “certos efeitos para escoar os turistas e assegurar a ordem e a segurança nas horas de ponta”, Ho Ion Sang recordou que os turistas concentram-se particularmente em três pontos – Almeida Ribeira, Ruínas de S. Paulo e Leal Senado – o que “afecta não só trânsito e a vida diária dos residentes, como também as experiências dos turistas”. Além disso, foram “muitas” as “notícias negativas” que surgiram depois dos feriados do Ano Novo

Diana do Mar

info@hojemacau.com.mo

Chinês, como as de que os restaurantes “aumentaram os preços de forma abusiva” e as de que os quartos dos hotéis estavam ao “preço do marisco”. Em paralelo, enquanto o metro ligeiro não chega, “os transportes públicos existentes”, ou seja, os autocarros e os táxis, mesmo somados aos ‘shuttle’ dos casinos, “não conseguem, sem dúvida, resolver as deslocações de 30 milhões de turistas por ano, sustentou o deputado. “Para Macau ser um verdadeiro Centro Internacional de Turismo e Lazer, além da necessidade de resolver o problema do grande número de visitantes, deve também encontrar novos recursos turísticos e criar condições, de modo a atrair

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os turistas para irem a outros bairros”, defendeu, por seu turno, Kou Hoi In, antes da ordem do dia na Assembleia Legislativa. Uma intervenção subscrita também pelos deputados Chui Sai Peng e Ip Sio Kai. “Já apresentamos muitas su-

G Kuok Cheong e Au Kam San qualificaram as recentes medidas apresentadas pelo Governo para refrear o mercado imobiliário como meramente “decorativas”. A solução passa, defendem, por aumentar a oferta de habitação acessível para a classe média. “Face ao incandescente estado do mercado imobiliário, o Governo tem lançado várias medidas drásticas, que fizeram diminuir muito as transacções, mas não conseguiram baixar o preço das casas”, afirmou ontem Au Kam San na sua intervenção antes da ordem do dia na Assembleia Legislativa. Os elevados preços devem-se não apenas à especulação, mas também ao “desequilíbrio do mercado”, disse, apontado o

“Durante as festividades, Macau demonstrou que tem muitas carências ao nível da qualidade dos serviços prestados.” LEI CHAN U

gestões: por exemplo, transformar a Avenida Almeida Ribeiro numa zona pedonal em certos períodos, durante os feriados e domingos”, continuou. No entanto, “o Governo não implementou nenhum plano substancial”, constatou. Lei Chan U chamou a atenção para o “fenómeno de abuso na cobrança de tarifas e recusa de transporte por parte dos táxis e de cobrança desregrada de taxas adicionais por parte dos restaurantes” algo que, a seu ver, criou “uma experiência pouco feliz, tanto para residentes como para visitantes. Este fenómeno não é novo, mas um mal irreversível”, especialmente no que toca aos táxis, afirmou, destacando que, entre 14 e

Medidas decorativas Pró-democratas insistem que solução passa por oferta de habitação acessível

dedo aos promotores que, nos últimos dez anos, “movidos pela grande margem de lucros, preferiram construir casas caras, inacessíveis para a maioria”, as quais “acabaram por predominar no mercado”. Para efectivamente controlar os preços “deve-se resolver a insuficiência na oferta de casas de preço médio e baixo”, defendeu. “É difícil o Governo recorrer a ordens executivas para controlar o preço das casas ou ordenar aos investidores a construção de habitações de

acordo com o poder de compra dos locais”, comentou Au Kam San. O pró-democrata acrescenta que, contudo, o Executivo “consegue ajustar e controlar as habitações públicas, o que pode ter efeito de alavanca no mercado das privadas”, pedindo que sejam definidos, o mais rapidamente possível, planos de oferta e o rácio entre fracções sociais e económicas. Ng Kuok Cheong subscreveu, instando o Executivo a criar “mecanismos para estabilizar a confiança dos residentes sobre

APROVADO REGIME DE GARANTIA DE DEPÓSITOS

O

s deputados aprovaram ontem, por unanimidade, na especialidade, a proposta de lei de alteração ao Regime de Garantia de Depósitos, sem que tenha havido qualquer intervenção por parte dos deputados. O diploma, que entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação em Boletim Oficial, propõe que na determinação do valor da compensação a pagar sejam levados em conta os saldos dos depósitos acrescidos dos juros contados até à data de accionamento da garantia pelo Fundo de Garantia de Depósitos. O regime prevê um limite máximo de reembolso de 500 mil patacas a cada depositante e por banco.

a oferta de habitação. Focando-se em particular nos novos aterros, insistiu que as “mais de 50 mil fracções” projectadas, que “ocupam um quinto da totalidade da RAEM”, independentemente de serem públicas ou privadas, devem ser “utilizadas para responder às necessidades dos residentes”. Neste âmbito, insta o Governo a “estabelecer antecipadamente regimes para restringir a aquisição de fracções”, sugerindo, por exemplo, para afastar especuladores, que se consagre que os residentes permanentes podem adquirir o direito de propriedade de uma fracção nos novos aterros desde que não tenham mais de uma casa em Macau. D.M.


6 política

1.3.2018 quinta-feira

TIAGO ALCÂNTARA

Mak, o patriota

AL APROVADO AUMENTO DO SUBSÍDIO DE NASCIMENTO

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Mak Soi Kun quer referência explícita à “República Popular da China” no Bilhete de Identidade de Residente

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Bilhete de Identidade de Residente (BIR) devia ter, à semelhança do passaporte da RAEM, a “indicação nítida” de República Popular da China, defende o deputado, para quem tal serviria para elevar a “consciência de identidade nacional”. Apesar de, nos últimos anos, o Governo ter lançado iniciativas para “promover e divulgar a educação do amor pela Pátria e por Macau”, com acções de divulgação da Constituição da República Popular da China e da Lei Básica, bem como das leis da bandeira e do hino, Mak Soi Kun entende que estas medidas não chegam. Para elevar a “consciência de identidade nacional”, o deputado propõe que seja feito um estudo para analisar a viabilidade de se escrever, com todas as letras, “República Popular da China” no BIR e nos salvo-condutos. “Já se passaram mais de 18 anos desde a transferência da soberania mas, neste momento, nos documentos de identificação de residente de Macau, apenas o passaporte da

RAEM tem a indicação nítida de ‘República Popular da China’, mas o Bilhete de Identidade de Residente e o salvo-conduto não a têm”, observou na sua intervenção antes da ordem do dia no plenário de ontem na Assembleia Legislativa (AL). Tal reveste-se de particular importância porque esses figuram como os documentos de identificação com os quais os jovens têm o “primeiro contacto”, pelo que as informações deles constantes poderão “afectar directamente os seus conhecimentos sobre a sua identidade”, disse.

VOZ DO POVO

“Se estes documentos não dispuserem de uma indicação nítida do país, isto poderá levá-los a reconhecer que eles próprios são pessoas da China em Macau e não pessoas de Macau na China”, insistiu. Mak Soi Kun assume-se como mensageiro, dando voz aos “muitos residentes” que “sugerem que o Governo da RAEM deve comunicar, quanto antes, com os serviços competentes do Estado, para efectuar um estudo aprofundado sobre a viabilidade

de inserir, nos BIR e nos salvos-condutos, a indicação nacional de “’República Popular da China’”. O deputado refere ainda que a alteração tem como objectivo “incentivar as novas gerações a terem amor pelo Estado e por Macau”. “Os conhecimentos da nova geração de Macau quanto à identidade nacional e à história do país ainda precisam de ser aprofundados”, afirmou, apoiando-se em dados de inquéritos à luz dos quais “há ainda cerca de 30 por cento dos jovens que não assumem bem a sua identidade chinesa”. Diana do Mar

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S deputados aprovaram ontem, por unanimidade, na especialidade, o aumento do montante do subsídio de nascimento para os funcionários públicos, mas pediram uma política mais abrangente se o objectivo da lei passa por incentivar a taxa de natalidade. “O Governo não deve apenas focar-se na atribuição de subsídios para incentivar os nascimentos. Há que prestar apoio noutras vertentes, como ao nível da habitação ou dos cuidados de saúde”, defendeu Ella Lei, numa declaração de voto, após a aprovação do diploma. Leong Sun Iok também espera que possam ser lançadas mais políticas, pedindo em concreto mais apoio para as mães que trabalham. Igual posição foi manifestada por Pereira Coutinho: “O Governo tem de ter em mente um pacote, precisa de ter uma política geral. Esta medida não chega. Há que ter outras medidas complementares em simultâneo” para incentivar a natalidade. Lei Chan U, que assinou uma declaração de

voto com Lam Lon Wai, também defendeu mais políticas direccionadas para a família, como o aumento da licença de maternidade. Outro ponto abordado pelos deputados foi a diferença entre o sector público e o privado. “Deve chegar a um consenso para estudar a criação de um mecanismo para equiparar automaticamente os subsídios [de nascimento] atribuídos” de modo a evitar que no mesmo ordenamento jurídico “existam dois sistemas diferentes”, afirmou Wong Kit Cheng. O diploma, cujos efeitos retroagem a 1 de Janeiro, define que o subsídio de nascimento passa a equivaler a 60 por cento do índice 100 da tabela indiciária da Administração Pública, ao invés de 45, ou seja, vai passar a corresponder a 5.100 patacas. A proposta de lei surgiu na sequência do anúncio, em Novembro, aquando das Linhas de Acção Governativa, de uma actualização do subsídio de nascimento atribuído pelo Fundo de Segurança Social de 5000 patacas. D.M.

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Anúncio (N.º21/2018) Nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, são por esta via notificados os seguintes representantes dos agregados familiares do concurso à habitação económica:

Representante do agregado familiar candidato à aquisição de habitação económica

Número de boletim de candidatura

WONG LAI FA

81201302842

CHAN PUI KWAN

81201313690

Causa e fundamento legal da exclusão do adquirente seleccionado Falta de entrega dos documentos necessários para a avaliação do requerimento, no prazo fixado (Nos termos da alínea 2) do n.º 1 do artigo 28.º da Lei n.º 10/2011, alterada pela Lei n.º 11/2015)

Nos termos dos artigos 93.º e 94.º do Código do Procedimento Administrativo, os representantes dos agregados familiares candidatos a habitação económica acima mencionados podem apresentar, por escrito, a sua justificação e todas as provas testemunhais, materiais, documentais e outros meios de prova que sejam favoráveis ao seu contraditório, no prazo de 10 dias, a contar da data da publicação do presente anúncio, sendo a apresentação de documentos fora de prazo tida como desistência, não sendo aqueles considerados. Caso necessite de consultar o respectivo processo que está arquivado no Instituto de Habitação, sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau, poderá contactar Sr.a Lei através do número de telefone: 2859 4875 (extensão 747) durante as horas de expediente. Instituto de Habitação, aos 27 de Fevereiro de 2018 O Chefe da Divisão de Assuntos Jurídicos, Nip Wa Ieng


sociedade 7

quinta-feira 1.3.2018

JOGO LUCROS DA GALAXY DISPARAM COM RECUPERAÇÃO GERAL DO SECTOR

Ganho galáctico TIAGO ALCÂNTARA

Os resultados da operadora controlada por Lui Che Woo registaram um crescimento de 67 por cento no ano passado e os lucros dispararam para os 10,5 mil milhões de dólares de Hong Kong

SJM VÊ GANHOS CAÍREM 15,6 POR CENTO

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operadora de jogo Galaxy registou um aumento nos lucros de 67 por cento, no ano passado. Segundo os números apresentados ontem, ao longo de 2017 os lucros atingiram os 10,5 mil milhões de dólares de Hong Kong, quando em 2016 tinham ficado nos 6,3 mil milhões. Os resultados foram conseguidos, apesar da concessionária de Hong Kong considerar que teve azar nas mesas de jogo. No ano passado os lucros da operadora controlada por Lui Che Woo acompanharam a tendência do mercado e explicam-se em grande parte com um aumento das receitas, resultado da recuperação do sector do jogo. “As receitas ligadas ao jogo em 2017 foram de 58 mil milhões de dólares de Hong Kong, o que representa um aumento de 17 por cento face ao período homólogo. As receitas no sector de massas foram de 24,2 mil milhões, aumentando 15 por cento face ao período homólogo. No segmento VIP as receitas atingiram os 31,6 mil milhões, um aumento de 19 por cento face ao período homólogo”, informou a Galaxy, em comunicado. Os resultados foram alcançados apesar dos lucros antes juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) ajustado terem sido afectados em 37 milhões de dólares de Hong Kong, devido à

A

pesar do mercado ter crescido no ano passado, a SJM registou uma quebra nos lucros de 15,6 por cento, que passaram de 2,33 mil milhões de dólares de Hong Kong para 1,96 mil milhões. Os resultados foram anunciados, ontem à tarde. Em comunicado, Ambrose So, director executivo da empresa, sublinhou que “apesar dos desafios” foram alcançados “progressos substanciais” na construção do casino Grand Lisboa Palace, no Cotai. Ambrose So disse ainda estar optimista sobre o futuro de Macau e da SJM.

Lui Che Woo, presidente do Galaxy Entertainment Group “Estou confiante no mercado de Macau a médio e longo prazo. Esta confiança tem por base o desempenho sólido da economia do Interior da China e a dimensão dos mercados a que ainda não chegamos, não só na China, como também na Ásia.”

“falta” de sorte da operadora nas mesas do jogo.

EMPRESA CONFIANTE

Após serem conhecidos os resultados, o presidente do grupo, Lui

Che Woo, mostrou-se esperançado face ao futuro da principal indústria do território. “Estou confiante no mercado de Macau a médio e longo prazo. Esta confiança tem por base o desempenho sólido da economia

do Interior da China e a dimensão dos mercados a que ainda não chegamos, não só na China, como também na Ásia”, afirmou. “Além disso, a abertura de novos casinos em Macau em 2018 e o

IACM MERCADO DO PATANE ABRE NA TERÇA-FEIRA

O

novo mercado do Patane vai abrir oficialmente na terça-feira, anunciou, ontem, o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), em comunicado. As novas instalações têm 13 pisos e uma área com mais de 20 mil metros quadrados. A zona do mercado propriamente dita fica situada entre o rés-do-chão e o segundo andar do edifício. No rés-do-chão estão disponíveis 92 bancas para venda de pescado. Já no primeiro

lançamento da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau devem estimular o crescimento da indústria a curto prazo”, acrescentou. Ao mesmo tempo, a Galaxy mostrou-se comprometida com a política de transformar Macau num Centro Mundial de Turismo e Lazer, assim como participar na política nacional Uma Faixa, Uma Rota.

andar estão 54 bancas para comercialização de carne de porco e vaca, carnes congeladas, carnes assadas, vegetais, frutas e artigos de mercearia. Finalmente, o segundo andar terá nove bancas de carnes refrigeradas, e três, de comida cozinhada, além de 64 lugares para que precise de se sentar. Além do mercado, o edifício proporciona à população um auto-silo público, com 116 lugares para viaturas ligeiras e 195 para motociclos.

No nono andar fica situado o Centro de Actividades, com um auditório, uma zona de leitura com jornais, revistas e computadores, uma sala multiusos, equipada com televisores e máquinas de massagem. A utilização é para pessoas com mais de 60 anos. Contudo, esta infraestrutura só vai abrir ao público no segundo trimestre do ano. “O IACM acredita que este edifício pode vir a servir à população como

uma instalação comunitária multifunções e tornar-se um local ideal para os cidadãos poderem fazer compras e relaxar”, lê-se no comunicado do Governo. Ao mesmo tempo o IACM espera que o novo mercado tenha “capacidade para responder a todas as necessidades dos moradores da zona, promovendo uma maior integração do bairro e elevando a qualidade de vida dos cidadãos”.

“Apoiamos a visão do Governo de Macau de transformar o território num Centro Mundial de Turismo e Lazer, como fica demonstrado pelos planos para a fase 3 e 4 do casino Galaxy, assim como com o nosso projecto para Hengqin”, sublinhou Lui Che Woo. No que diz respeito à política Uma Faixa, Uma Rota, o responsável mencionou o investimento num hotel com casino à beira-mar em Boracay, nas Filipinas. O projecto nas Filipinas deve representar um investimento entre 300 e 500 milhões de dólares norte-americanos. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Jogo Polícia que roubou 800 mil apanha 1 ano e 9 meses

O polícia de Hong Kong que foi apanhado a roubar 800 mil patacas, em fichas de jogo, a um homem do Interior da China foi condenado com uma pena de 1 ano e 9 meses. A sentença foi lida ontem no Tribunal Judicial de Base, com o colectivo de juízes a considerar que o arguido de 27 anos, com o apelido Ip, cometeu um crime de furto qualificado de valor consideravelmente elevado. O caso aconteceu em Setembro do ano passado no casino Venetian. Após ter perdido dinheiro em apostas, o polícia da região vizinha tentou roubar as fichas do jogador do Interior da China. As fichas encontravam-se na mesa em que estava o turista. O indivíduo foi preso logo na altura, pela segurança do casino.


8 sociedade

1.3.2018 quinta-feira

Ambiente Macau com condições para autocarros eléctricos

A Companhia de Electricidade de Macau (CEM) considera que a dimensão de Macau é favorável à implementação de um sistema de autocarros públicos eléctricos. As declarações foram feitas por Jane Leong, do Departamento de Serviço ao Cliente da CEM, à Rádio Macau. “Macau é muito pequeno, por isso, pensamos que é apropriado, em termos de condições, mas, claro, estamos a falar de políticas do Governo. Portanto, depende se querem ou não implementar esta medida”, disse a responsável. “Esta é uma direcção do Governo; temos de cooperar com eles”, acrescentou. Anteriormente a Direcção de Serviços para os Assuntos de Tráfego fez testes com autocarros eléctricos, mas afastou o cenário da implementação.

Licenças Taxistas defendem concurso aberto a híbridos

A Associação dos Taxistas de Macau apela ao Governo para alargar o concurso público para a atribuição de 100 novas licenças a veículos híbridos, movidos a gasolina e electricidade. A declaração foi feita pelo vice-presidente da associação, Tai Kam Leong, ao canal chinês da Rádio Macau. Segundo os moldes do concurso anunciado, as licenças só vão ser atribuídas a carros movidos a electricidade. Contudo, o representante da associação está preocupado com a possibilidade da autonomia das baterias não ser suficiente para as longas horas de utilização dos táxis. Anteriormente, o director da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), Lam Hin Sam, disse que as condições no concurso não vão sofrer alterações, e que a própria DSAT tem veículos eléctricos.

JULGAMENTO DEFESA DIZ QUE MP PROCUROU UMA VÍTIMA NA DSAMA PARA SACRIFICAR

O cordeiro de Deus

I

Advogada de Ip Va Hung alega que era prática comum na DSAMA aceitar-se o pagamento de jantares e bilhetes de barco, mas que o arguido foi o único a ser responsabilizado penalmente. O Ministério Público pede condenação para o ex-chefe de departamento

N

A Direcção de Serviços de Assuntos Marítimos e Água (DSAMA) era prática corrente aceitar-se o pagamento de jantares e pedir bilhetes às transportadoras de ferries. Ip Va Hung foi a vítima escolhida para sacrificar no altar da justiça de Macau. A tese foi apresentada, ontem, pela defesa durante as alegações finais do julgamento do ex-chefe do Departamento de Apoio Técnico Marítimo da Capitania dos Portos. “Houve provas importantes [recibos de jantares e pedidos de bilhetes] que ficaram de fora da acusação. Foram colocados nos apenso. Ficou

claro que o MP desconsiderou documentos e factos importantes”, disse, ontem, Márcia Costa, advogada de defesa de Ip Va Hung, sobre práticas

DIAS SANTOS

“O

próprio Vong Kam Fai pediu bilhetes para feriados e fins-de-semana. Mas as autoridades admitiram que não investigaram estes pedidos”, a revelação foi feita pela defesa de Ip Va Hung, ontem. “A investigadora disse que só investigaram o arguido. Isto mostra que é uma prática generalizada, questionável, mas não é uma troca de contrapartidas”, defendeu.

que também envolveram a directora da DSAMA, Susana Wong, e o ex-director Vong Kam Fai. “Aacusação é uma história que escolheu uma vítima para sacrificar”, acrescentou. A causídica acusou o Ministério Público de fazer uma acusação demasiado focada nas questões pessoais. “É uma história que inclui uma relação extraconjugal e uma filha fora do matrimónio. Mas isso não é matéria para o tribunal julgar”, sublinhou. Ip Va Hung é acusado de se ter corrompido com bilhetes de ferry, com um jantar que não pagou para três pessoas, no valor de 1.500 patacas e ainda por aceitar

SUSANA WONG NÃO ABRE EMAILS

que lhe pagassem a inspecção do carro, uma consulta médica e dois quartos de hotéis. Em causa estão no total cerca de 16 mil patacas. Ip admite o pagamento de ferries e do jantar, mas sobre os restantes factos sustenta que foi ele quem pagou. Por outro lado, a advogada recordou que o arguido recebia 60 mil patacas por mês, um valor superior aos subornos: “Não se pode acreditar que qualquer homem numa posição média colocasse em causa o seu futuro por 16 mil patacas”, frisou.

DINHEIRO POR DEVOLVER

Sobre a relação com Li Mianxiong, ex-funcionário da transportadora

p Va Hung foi acusado de ter estado por trás de um contrato de concessão para o transporte de passageiros, que impedia que houvesse subconcessão de qualquer parte dos serviços prestados. No entanto, acabou mesmo por haver subconcessão. Ip é acusado de não ter feito nada para impedir isso. Ontem a defesa recordou que os dirigentes e os subordinados da DSAMA estavam cientes da situação. A própria directora Susana Wong teria conhecimento do caso: “Foram enviados emails [com conhecimento para ela]. A directora disse que não abre emails e que não tinha conhecimento da situação. Mas isso não é um problema do arguido”, afirmou Márcia Costa. A causídica lembrou também que as condições do contrato foram decididos por uma comissão.

Cotai Chu Kong e o segundo arguido do caso, acusado de corrupção activa, a defesa falou de uma amizade “talvez menos própria e desadequada”. Contudo, insistiu que não houve benefícios nem se demonstraram as contrapartidas. Já o Ministério Público considerou que ficou provado que Ip foi corrompido e que cometeu os crimes de que é acusado. Segundo o MP, Ip beneficiou a Cotai Chu Kong, violando as leis “da justiça e equidade”. Sobre o pagamento das consultas, hotéis e inspecção do carro, o MP apontou que não há provas que mostrem que o montante pago foi devolvido. O ex-chefe de departamento da DSAMA é acusado de um crime de corrupção passiva para acto ilícito, punível com uma pena de prisão de 1 a 8 anos, e de um de abuso de poder, com uma pena que vai até 3 anos de prisão. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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quinta-feira 1.3.2018

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Pesadelo sem fim Mulher diz que engravidou após ter sido violada por Wynn

CHARLES KRUPA / ASSOCIATED PRESS

U

MA mulher acusou Steve Wynn de, alegadamente, a ter violado três vezes entre 1973 e 1974. Segundo a queixosa, das três violações resultou uma filha, que acabaria por nascer na casa-de-banho de uma bomba de gasolina. A notícia foi avançada, ontem, pela Associated Press (AP), e refere igualmente um outro caso, em que uma trabalhadora de um casino de Wynn foi obrigada a demitir-se, após ter recusado manter relações sexuais com o milionário. De acordo com a AP, os casos ocorreram na década de 70, mas as mulheres só apresentaram queixa após 26 de Janeiro, quando vieram a público as primeiras alegações sobre a conduta sexual imprópria do milionário. Apesar de sempre ter negado a existência de uma conduta sexual imprópria, Steve Wynn acabaria mesmo por se demitir da empresa que é uma das operadoras de jogo em Macau. Segundo os documentos da primeira queixa a que a AP teve acesso, as três violações terão ocorrido entre 1973 e 1974. O apartamento onde tudo se passou pertencia à vítima e ficava situado em Chicago. Contudo, o documento não explica como é que Wynn foi parar à casa da mulher por três

vezes, nem clarifica se os dois já se conheciam. O que diz é que a vítima nunca entregou as chaves do aparamento ao milionário.

No final, recebeu uma chama telefónica, deu-lhe um beijo na cara e saiu de casa. Segundo a mulher, como resultado das violações nasceu uma filha que viria a nascer na casa-de-banho de uma estação de serviço.

SEXO CONSENTIDO

Segundo o relato da mulher às autoridades, num dos episódio Steve Wynn empurrou-a contra o frigorífico e começou a violá-la.

Em relação ao segundo caso, a alegada vítima, que trabalhava como croupier no Casino Golden Nugget do magnata, admite que teve várias vezes relações sexuais consentidas com Steve Wynn. Contudo, diz ter-se sentido coagida e que, por isso, decidiu recusar novas investidas. O caso aconteceu no Verão de 1976, nas traseiras do casino. Quando Wynn pediu à mulher que o acompanhasse, ela terá dito: “não”. Momentos depois, foi acusada de ter roubado 40 dólares de uma mesa e foi obrigada a demitir-se. Um porta-voz da empresa recusou comentar o caso à AP. Os casos em causa não vão ser investigados pelas autoridades norte-americanas, uma vez que no Nevada os crimes em causa têm um período de prescrição de 20 anos. J.S.F.

Rastreio Serviços de Saúde detectaram 32 casos de cancro

Entre Novembro de 2016 e o final de Fevereiro foram detectados 32 casos de cancro colorectal, no âmbito do Programa do Rastreio lançado pelos Serviços de Saúde. Os dados foram avançados ontem, num comunicado em que se explica que foram examinadas mais de 4400 pessoas, num total de 5 mil inscritas. Dos pessoas examinadas, 700 acusaram um resultado positivo. Entre os possíveis casos identificados, 533 realizaram mesmo colonoscopias em clínicas privadas e, desses, 32 foram diagnosticados com cancro colorectais. Por outro lado, dos exames feitos, 373 foram diagnosticadas com pólipos benignos. Segundo os Serviços de Saúde, o cancro colorectal “é uma das doenças mais comuns em Macau” e está classificada entre as dez primeiras doenças oncológicas de maior incidência. A mortalidade ocupa o segundo lugar no ranking do território.


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1.3.2018 quinta-feira

EXPOSIÇÃO PAULA REGO EM DESTAQUE NA TATE EM MOSTRA COLETIVA COM FREUD E BACON

EXPOSIÇÃO BIENAL DE MULHERES ARTISTAS INAUGURADA DIA 8 NO MAM

É

já no próximo dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, que o Museu de Arte de Macau (MAM) acolhe, em parceria com o Albergue SCM e o Instituto Cultural (IC), a exposição colectiva “Mulheres Artistas – I Bienal Internacional de Macau”. A mostra estará patente até ao dia 13 de Maio. A mostra incluiu, além do trabalho da reconhecida pintora portuguesa Paula Rêgo, um total de 142 obras de 132 mulheres realizadas desde os anos 70 até aos dias de hoje. Estas artistas representam um total de 23 países, e estão incluídos trabalhos que vão desde a pintura à serigrafia, desenho, escultura, instalação e vídeo. De acordo com um comunicado do Instituto Cultural, “esta exposição tem como objectivo elevar a visibilidade das mulheres artistas contemporâneas e dar a conhecer a sua influência criativa na sociedade e cultura, bem como revelar os diversos papéis da identidade feminina, as diferentes interpretações do feminino e as práticas artísticas que transcendem as diferenças de género”. Vindas de regiões tão diferentes como o Interior da China, Macau, Hong Kong, Taiwan, Coreia do Sul, Japão, Timor-Leste, Rússia, Índia ou Irão, as artistas integrantes desta exposição “pertencem a diferentes épocas, regiões e contextos culturais, tendo cada qual emoções e métodos criativos individuais, e as suas obras revelam ao público o mundo artístico único das mulheres”.

A mostra “Mulheres Artistas – I Bienal Internacional de Macau” será dividida em duas partes. A primeira “é composta por 41 peças da colecção do MAM, produzidas entre a década de 1970 e os dias de hoje, dispostas por períodos de dez anos, dando a conhecer ao público os êxitos do MAM no seu estudo de obras de mulheres artistas de vanguarda e da história da arte de Macau”. “As obras expostas incluem obras seleccionadas de séries de trabalhos produzidos pelas artistas bem como obras de grande escala de artistas convidadas. Na segunda secção são expostas obras de 101 mulheres artistas activas nos círculos artísticos internacionais provenientes da colecção do Albergue SCM”, acrescenta o comunicado. Esta não é a primeira vez que tanto o IC como o Albergue SCM exploram o universo feminino da arte. O ano passado decorreu, no Albergue, a exposição “28 Artistas + 28 Obras em Feminino”, onde foram reveladas obras de 28 mulheres de Macau e de países de língua portuguesa. Foi esta a génese da bienal que agora se inicia. “Ambas as exposições focaram a sua atenção na posição da mulher no mundo da arte contemporânea bem como em outros elementos complementares. Neste contexto, estas duas entidades contribuíram com ideias e perspectivas diferenciadas para lançar a mais abrangente “Mulheres Artistas – I Bienal Internacional de Macau”, remata o comunicado.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA OS RAPAZES DOS TANQUES • Adelino Gomes Fotografia de Alfredo Cunha Histórias na primeira pessoa dos cavaleiros que em 1974 derrubaram a ditadura. Nos 40 anos do 25 de Abril, este álbum recolhe as fotografias históricas que Alfredo Cunha registou nesse dia e junta-lhes uma reportagem de Adelino Gomes com alguns dos homens, então jovens soldados, cujos rostos essas fotos fixaram para sempre.

Na margem do Tamisa Cinco obras de Paula Rego figuram na exposição coletiva “All Too Human - Bacon, Freud and a Century of Painting Life”, que abriu ontem no museu Tate Britain, em Londres

A

exposição reúne cerca de cem obras de 22 pintores, entre os quais alguns dos mais célebres artistas britânicos modernos, com destaque para Lucian Freud e Francis Bacon, mas também Walter Sickert, Stanley Spencer, Michael Andrews, Frank Auerbach, Francis Newton Souza ou Leon Kossoff. A exposição tem por objetivo mostrar como artistas de diferentes gerações ao longo do século XX e XXI conseguiram retratar pessoas, locais, eventos ou relações pessoais e transmitir as respetivas experiências e sensações através da tinta e das diferentes técnicas. Mais de metade das obras em exposição são emprestadas por colecionadores privados ou outras instituições, algumas foram raramente vistas em público, e várias não eram expostas há décadas. A curadora Elena Crippa disse à agência Lusa acreditar existir uma tradição britânica no uso de modelos vivos e de paisagens, para os artistas se exprimirem e retratar a atmosfera social e pessoal em que viviam, atravessando mesmo correntes artísticas. Por exemplo, Francis Bacon e Alberto Giacometti são reconhecidos por criarem, nos anos de 1950, quadros com figuras em estado de isolamento e angústia, transmitindo, de certa forma, o ambiente de

ansiedade após a Segunda Guerra Mundial. Por outro lado, acrescentou, também quis promover uma mensagem simples numa Era de excesso de informação cada vez menos relevante para as pessoas enquanto seres humanos. “Sinto que o que estes pintores nos dão através deste trabalho é esta afinidade com o que nos interessa como indivíduos no quotidiano: é sobre tu e eu, é sobre o espaço onde vivemos, é sobre o grupo de pessoas com quem interagimos e com quem nos relacionamos. Espero que as pessoas se identifiquem com este desejo de

“Paula Rego surgiu como uma pintora feminina que conseguia produzir quadros de grande dimensão, de forma confiante, com composições lindíssimas, e, de certa forma, deu às mulheres pintoras a oportunidade de dizer que a pintura não está reservada a um género.” ELENA CRIPPA, CURADORA

restabelecer uma ligação simples à natureza humana”, resumiu.

PAREDES MEIAS

Lucian Freud é um dos artistas britânicos mais proeminentes e está representado em dois períodos, o primeiro influenciado por William Coldstream, no olhar analítico da cena e das pessoas, e um segundo, após os anos 1960. Trocando pincéis finos por outros mais grossos e a posição sentada pela postura em pé resultou em perspectivas que enfatizam os volumes dos corpos e a carga psicológica dos retratos, vários dos quais de pessoas completamente nuas, como o amigo David Dawson. Amigo e assistente entre 1990 até morte de Freud, em 2011, foi protagonista de “David and Eli”, onde é retratado deitado junto com o cão de estimação. “Estar em frente a este quadro, que eu já não via há tantos anos, é muito emocionante. Traz à memória a altura em que foi pintado, em 2003. Ao todo, posei para nove quadros. Acho que já não via este quadro há pelo menos uns dez anos, mas reconheço-me perfeitamente nele”, contou Dawson à Lusa. Sobre o espaço dado às cinco obras de Paula Rego, uma das quais um tríptico, Elena Crippa defende o papel que a artista portuguesa tem na arte não só britânica, mas a nível internacional, por ter rompido com o domínio até então masculino na pintura.

TELAS FEMININAS

“Ela é uma artista que, numa altura em que a pintura ainda era uma actividade dominada por homens, surgiu como uma pintora feminina que conseguia produzir quadros de grande dimensão, de forma confiante, com composições lindíssimas, e de certa forma deu às mulheres pintoras a oportunidade de dizer que a pintura não está reservada a um género”, salientou. A curadora da Tate elogia a forma como a portuguesa usa, nos seus quadros, personagens femininas, sejam vítimas ou culpadas ou retratadas de uma forma sexualizada em composições encenadas, criando um novo estilo. “De certa forma, sinto que são mulheres que apenas uma artista mulher poderia conceber. E ela tem não só este toque de mulher, mas

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NOS BASTIDORES DOS TELEJORNAIS - RTP, SIC E TVI • Adelino Gomes Como se editam os telejornais das 20h nas três grandes estações de televisão em Portugal? Adelino Gomes acedeu, entre 2007 e 2010, aos bastidores dos telejornais da RTP1, da SIC e da TVI e registou as suas observações com enorme precisão e acutilância. Neste livro reproduzem-se partes significativas do seu diário de campo: frases, depoimentos, decisões que vão marcando o quotidiano das redacções e que nos mostram a maneira como de facto se editam os telejornais. Como se faz de um acontecimento uma notícia, o que fica de lado e porquê, como se decidem os alinhamentos e os intervalos... Critérios editoriais de interesse público, independência dos jornalistas, investigação crítica? O leitor perceberá que, mesmo com estes tópicos presentes, a edição dos telejornais gira, sempre, em torno da guerra pelas audiências e de uma concorrência que, na hora da verdade (a emissão em directo do telejornal), se impõem sobre tudo.


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um toque feminino, que foi muito importante para outras pintoras de gerações mais jovens”, vincou. Uma das telas de Paula Rego em exposição é “A Família”, de 1988, em que um homem é dominado por PUB

duas figuras femininas, enquanto uma terceira observa, num ambiente doméstico, no qual se lêem sentimentos como amor, ressentimento e dor. A cena retrata alegadamente os momentos derradeiros do marido de Rego, Victor Willing, antes da morte por doença degenerativa, a ser ajudado pela pintora e pela filha, mas a cena torna-se complexa e ambígua, devido à presença de referências a Joana d’Arc, São Jorge e à fabula do Corvo e da Raposa. Num texto publicado no jornal The Guardian, na semana passada, a propósito da abertura desta exposição, Paula Rego disse estar sempre a contar uma história nos seus quadros, mesmo que essa história vá mudando ou que só seja descoberta no final do processo de criação. “As histórias têm pessoas nelas”, escreveu, então desenha pessoas a fazer coisas umas às outras, lembrando que recorre a contos do folclore português e a histórias como as de Eça de Queirós. A exposição “All Too Human” mantém-se no museu Tate Britain até 27 de agosto, viajando depois para o Museu de Belas Artes de Budapeste, no final deste ano.

PAULA REGO, A FAMÍLIA

quinta-feira 1.3.2018


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1.3.2018 quinta-feira

praticamente ilimitado aos dados dos usuários armazenados dentro do país, que “carece de uma protecção adequada aos direitos à privacidade, liberdade de expressão e outros direitos humanos fundamentais».

“Quando as autoridades solicitarem informação ao GCBD sobre um utilizador do ‘iCloud’, para efeito de investigação criminal, a empresa terá a obrigação legal de partilhar o conteúdo.” AMNISTIA INTERNACIONAL

TECNOLOGIA ARMAZENAMENTO DOS DADOS DA APPLE GERA PREOCUPAÇÃO SOBRE PRIVACIDADE

Olho posto nas nuvens

O serviço de armazenamento da Apple, o “iCloud”, na China, passa a ser operado por uma empresa chinesa, possibilitando às autoridades do país ter acesso ao conteúdo dos utilizadores, advertem organizações internacionais

O

“iCloud” na China é agora operado por um parceiro local, o Guizhou-Cloud Big Data Industry (GCBD). Esta mudança implica que todos os dados que sejam armazenados naquele serviço na China - incluindo fotos, vídeos, documentos e cópias de segurança - estarão sujeitos a novos termos e condições.

“Quando as autoridades solicitarem informação ao GCBD sobre um utilizador do ‘iCloud’, para efeito de investigação criminal, a empresa terá a obrigação legal de partilhar o conteúdo”, alerta a Amnistia Internacional (AI), em comunicado. Apesar de a Apple gozar de boa reputação na defensa da privacidade e segurança, sobretudo depois de em 2016 ter apelado a uma ordem

judicial de um tribunal norte-americano, que permitia ao FBI evadir a segurança dos telemóveis, na China a situação é diferente. O gigante tecnológico norte-americano foi criticado por bloquear o acesso dos utilizadores chineses a aplicações de mensagens instantâneas, como o Whatsapp, ou de eliminar da Apple Store as VPN, um mecanismo que permite aceder à internet através de um servidor lo-

calizado fora da China, contornando assim a censura do regime. Estas mudanças “são o sinal mais recente de que o aparelho repressivo legal da China está a tornar difícil à Apple manter os seus compromissos com a segurança e privacidade dos utilizadores”, escreve a AI.

À CHINESA

A organização afirma que o Governo chinês tem agora acesso

INDÚSTRIA RITMO MAIS LENTO DOS ÚLTIMOS 19 MESES

A

actividade da indústria manufatureira da China abrandou em Fevereiro para o ritmo mais lento dos últimos 19 meses, devido ao impacto sazonal do Ano Novo Lunar, cujas festividades duram uma semana, segundo dados divulgados ontem. Depois de em Janeiro se ter fixado nos 51,3 pontos, o índice que mede a actividade nas fábricas, oficinas e minas da segunda maior economia mundial recuou este mês para 50,3 pontos. No entanto, a actividade manufatureira da China continua a expandir-se, visto que quando se encontra acima dos 50 pontos, aquele índice sugere uma expansão do sector, enquanto abaixo dessa barreira pressupõe uma contracção da actividade.

O índice é tido como um importante indicador mensal da economia chinesa, o principal motor da recuperação global após a crise financeira internacional de 2008. Economistas alertam, no entanto, para o impacto sazonal do Ano Novo Lunar, que este ano se celebrou entre os dias 15 e 21 de Fevereiro. Durante a principal festa das famílias chinesas, que todos os anos calha em

dias diferentes dos meses de Janeiro ou Fevereiro, centenas de milhões de trabalhadores chineses gozam uma semana de férias, levando as fábricas a suspender ou reduzir a produção naquele período. “O período das festividades é tradicionalmente uma época fraca para os negócios. As empresas por norma interrompem o seu trabalho ou reduzem a produção e a actividade do mercado abranda”, explicou o analista Zhao Qinghe, do Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE) chinês, que publicou os dados online. Os números revelam ainda um abrandamento no sector dos serviços, cujo ritmo caiu para 54.4 pontos, em Fevereiro, depois de se ter fixado nos 55.3 pontos, no mês anterior.

“A polícia chinesa disfruta de amplos poderes discricionários, e aplica leis e regulamentos amplos e ambiguamente articulados para silenciar a dissidência, restringir ou censurar informação e perseguir e processar os defensores dos direitos humanos, e outros, em nome da segurança nacional’ e outros supostos crimes”, escreve. Isto leva a que internautas chineses “possam ser detidos e presos simplesmente por difundir, comunicar ou aceder a informação e ideias que as autoridades não aprovam”, acrescenta a AI. Aprovadas em 2017, as novas regulações do país exigem que as empresas armazenem todos os dados de utilizadores chineses dentro da China. A Apple informou os seus clientes sobre a alteração que ontem entra em vigor, justificando com a necessidade de “cumprir com as normativas chinesas”. A China é o terceiro maior mercado da Apple, a seguir aos Estados Unidos e Europa.

Taiwan Autoridades prendem empreiteiro de edifício

Autoridades de Taiwan detiveram o empreiteiro de um complexo de construção que colapsou na sequência de um sismo no início deste mês, matando 14 pessoas. O procurador do distrito de Hualien explicou, em comunicado, que Liu Ying-lin foi detido tendo em conta as informações que indicavam que o responsável tentava sacudir responsabilidades e poderia manipular provas e testemunhas. Acrescentou que Liu não tinha qualificações para liderar o projecto e que o complexo comercial e residencial Yun Men Tsui Ti, de 12 andares, foi construído muito abaixo dos padrões básicos para suportar um terremoto. O arquicteto do prédio e os operadores de um restaurante e um hotel no edifício foram libertados sob fiança. Um total de 17 pessoas morreram quando alguns edifícios ruíram parcialmente no passado dia 6 de Fevereiro, num terremoto de magnitude 6,4.


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quinta-feira 1.3.2018

XI JINPING EXÉRCITO APOIA FIM DA LIMITAÇÃO DE MANDATOS

Saudação ao chefe

A O exército chinês, um dos principais núcleos de poder na China, apoia assim uma proposta que despertou preocupação entre os intelectuais chineses e observadores internacionais, que consideram tratar-se de uma regressão na política chinesa

reforma constitucional, proposta no Domingo pelo Comité Central do Partido Comunista Chinês, é “muito necessária” e chega “no momento certo”, afirma o jornal oficial do Exército de Libertação Popular. Em editorial, o PLADaily escreve que a reforma “está em linha com as principais políticas e opiniões do Partido Comunista, adoptadas durante o XIX Congresso” e “reflecte os novos feitos, experiências e necessidades de desenvolvimento das forças armadas e do país”. Realizado em Novembro passado, o XIX Congresso do PCC consagrou Xi Jinping como o mais forte líder chinês das últimas décadas, ao incluir o nome e teoria deste na Constituição do partido. O exército chinês, um dos principais núcleos de poder na China, apoia assim uma proposta que despertou preocupação entre os intelectuais chineses

O exército chinês expressou o seu apoio à exclusão na Constituição do país do limite de dois mandatos para o cargo de Presidente, que permitirá ao actual chefe de Estado, Xi Jinping, perpetuar-se no poder

e observadores internacionais, que consideram tratar-se de uma regressão na política chinesa, rumo a um sistema mais autoritário e uma ditadura pessoal. A limitação de mandatos vigora na política chinesa desde os anos 1980, visando prevenir os desastres causados pelo totalitarismo de Mao Zedong (governou entre 1949 e 1976).

A PURGA

Xi, que já acumulou mais poder do que os seus dois antecessores, Jiang Zemin e Hu Jintao, promoveu nos últimos anos uma campanha anticorrupção a mais

TRANSPORTES VOO ENTRE CHINA E PORTUGAL COM TAXA DE OCUPAÇÃO SUPERIOR A 80 POR CENTO

O

voo directo entre a China e Portugal registou uma taxa de ocupação superior a 80 por cento, nos primeiros seis meses desde a inauguração, disse ontem à agência Lusa fonte da companhia aérea chinesa Capital Airlines. No total, a primeira ligação directa entre os dois países transportou cerca de

40.000 pessoas, revelou fonte do departamento de marketing da empresa. O voo, que tem três frequências por semana, entre a cidade de Hangzhou, na costa leste da China, e Lisboa, com paragem em Pequim, arrancou a 26 de Julho. Coincidindo com a ligação a Lisboa, a companhia aérea abriu também um voo entre Macau e a capital chinesa, de forma a servir também os 15.000 portugueses que vivem no território outrora administrado por Portugal. Em 2017, o número de chineses que visitaram Portugal cresceu 40,7 por cento, para 256.735, segundo dados das autoridades portuguesas, que atribuem o aumento à abertura da ligação aérea directa.

De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística, os turistas chineses foram responsáveis por 415.882 dormidas em Portugal, mais 109 240 “noites” do que em 2016. A consultora Global Blue revela ainda que, em média, cada turista oriundo da China gastou 642 euros por dia em Portugal. A China é já o maior emissor mundial de turistas e, segundo dados do Governo chinês, 129 milhões de chineses viajaram para o estrangeiro em 2017, mais 5,7 por cento do que no ano anterior. A Capital Airlines é uma das subsidiárias do grupo chinês HNA, accionista da TAP, através do consórcio Atlantic Gateway e da companhia brasileira Azul.

ampla campanha anticorrupção de que há memória na China, e que atingiu também alta patentes do exército, até há pouco tempo considerado intocável. Nos últimos anos, dois ex-vice-presidentes da Comissão Militar Central - braço político do exército -, os generais Guo Boxiong e Xu Caihou, foram acusados de corrupção. O primeiro foi condenado a prisão perpétua, em 2016, e o segundo morreu no ano anterior, antes de ser julgado.

Diplomacia Pequim opõe-se a contacto oficial entre EUA e Taiwan

A China manifestou-se, “resolutamente”, contra qualquer forma de contacto oficial ou militar entre os Estados Unidos e Taiwan. Pequim objecta firmemente às vendas de armas dos EUA para Taiwan sob qualquer pretexto, disse An Fengshan, porta-voz do Departamento dos Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, numa conferência de imprensa. O princípio de “Uma Só China” é a base política das relações China-Estados Unidos da América e a directriz fundamental de tratar as questões relacionadas com Taiwan para os dois países, afirmou. De acordo com a Xinhua, An apontou referiu haver algumas pessoas “isem escrupulos” da ilha a agirem activamente como ferramentas de outros países, ao custo da paz e estabilidade através do Estreito de Taiwan e da felicidade dos povos de ambos os lados.

ARMAMENTO CHINA QUER “PROVAS SÓLIDAS” DE QUE PYONGYANG FORNECEU ARMAS À SÍRIA

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Governo chinês disse ontem esperar que as informações sobre uma possível ligação entre a Coreia do Norte e as armas químicas do regime sírio

se baseiem em “provas sólidas”. “Esperamos que as partes implicadas possam fornecer provas sólidas, em vez de adoptar acções a partir do nada», afirmou o porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Lu Kang. O jornal norte-americano The New York Times (NYT) avançou que Pyongyang forneceu a Damasco materiais habitualmente utilizados no fabrico de armas químicas, citando um relatório de especialistas das Nações Unidas, que não foi ainda divulgado. Segundo o jornal, o documento detalha que o regime de Kim Jong-un

forneceu válvulas, lajes e termómetros resistentes a ácidos, habitualmente usados na produção de armamento químico. A fonte citada pelo NYT ressalva, no entanto, que não há provas concludentes de que os materiais tiveram aquele uso. O mesmo documento revela que uma empresa de navios chinesa participou no transporte dos materiais. “Se há pessoas ou empresas chinesas que violaram as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, a China tomará medidas de acordo com as suas leis e as resoluções pertinentes” das Nações Unidas, afirmou Lu.


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muda o povoado mas não muda o poco ´ no eterno vaivém o povo vai, a água fica cidade Ecrã Rui Filipe Torres*

Um mundo em queda

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OSSE mais comprido e poderia ser este o nome do mais recente filme de Manuel Mozos, com estreia comercial no dia 1 de Março em nove ecrãs na área metropolitana de Lisboa e Porto. O filme viu iniciada a sua carreira internacional na Bienal de Veneza, no festival de Sevilha, no Festival Mar del Plata, em São Paulo, e foi o filme de abertura do Doc.Lisboa 2017. RAMIRO, é este o nome do filme, inscreve-se na tradição do cinema europeu pós-II guerra mundial que trabalha as pequenas narrativas, histórias de livros de bolso de gare de estação, movimento iniciado com o grupo de cineastas da revista “Cahiers do Cinéma” fundada em 1951. Um cinema que abandona as grandes obras literárias para se focar em histórias de pequenos heróis, do herói relutante, um cinema de pessoas e quotidianos que se advinham possíveis e palpáveis em singulares realidades quotidianas. RAMIRO é a história de um alfarrabista em Lisboa, poeta em bloqueio criativo, que vive um desconforto almofadado entre a loja e a tasca, acompanhado pelo cão, pelos companheiros de copos e modos de sentir, em que a vizinha adolescente e grávida e a avó, esta a recuperar

de um AVC, tem um lugar particular na sua constelação de afectos. Há aqui um universo que se aproxima de uma certa Lisboa do fado, no entanto não há guitarras nem a fatalidade ou o destino e a desgraça são exatamente o campo onde o filme se move. O cartaz que apresenta o filme assinala-o como pertencendo ao género comédia delicada, estamos no terreno onde o irónico é dominante. Aristóteles, na sua Poética, diz-nos que na comédia é o território do homem comum. RAMIRO é um autor que não publica e nem ele sabe se vai ou não escrever. É autor de um livro de que tem uns tantos exemplares numa gaveta na loja que não expõe nem vende. A ideia de escrever é uma pequena tortura. Vive os dias na loja e as noites nos copos. É amigo e o encarregado de educação de Daniela, a jovem adolescente grávida, cujo pai está na prisão a cumprir pena de homicídio por esfaqueamento da mulher. Com este alinhamento narrativo o filme podia ser tudo, uma cavalgada emocional com picos e arcos narrativos bem definidos, misturando géneros, o drama e a comédia, não o faz. É um filme de emoções contidas, de coabitação sensata em bairro de gente remediada.

Ao realizador parece interessar estes mundos quase quietos em desfasamento com a velocidade, a hibridez e a necessidade multi-skills do contemporâneo. A vida acontece e é aceite sem interrogações, não se interroga como cresce um filho sem pai e de mãe ainda adolescente. Os laços de vida bairro são suficientes para o amparo à chegada de um novo ser, sem dramas ou outros entusiasmos que não os previsíveis. As vidas são o que são e quando acontecem, mas também não parece ser uma abordagem fenomenológica o que o filme procura. Há citações, como sempre, a primeira e mais permanente, materializada numa fotografia de considerável dimensão com o retrato do personagem Jaime França, que é na realidade uma fotografia com o notável produtor de cinema Henrique Espírito Santo, da Prole Filme, ou o incontornável Godard, com uma citação ao filme Band à Part (1964). Dizia o Manuel Mozos, três horas antes da ante-estreia na sala 6 dos cinemas no El Corte Inglês, no pátio da esplanada da Cinemateca, esse lugar santuário do cinema, em breve conversa acompanhada por uma leve chuva, em resposta a três perguntas.

— O que é este filme? — É sobretudo um filme sobre um personagem com as suas motivações e desmotivações. O que me interessa e, mais do que o desenvolvimento de uma narrativa, é um olhar centrado nas peripécias do personagem e à sua volta. Os meus outros filmes também são centrados numa personagem. O que sucede ao longo do filme é sobretudo um acompanhar com a camera o conforto e desconforto do personagem na sua vida banal, quotidiana . O foco é a personagem, o RAMIRO, é ele o objecto da atenção da câmara. Ele vive desfasado da realidade contemporânea, não sabe conduzir, não sabe fazer o IRS, é um alfarrabista, um métier em desaparecimento no tecido urbano da cidade contemporânea que é Lisboa. O negócio das primeiras edições e edições de luxo vai continuar, mas isso é outra realidade. Ao longo do filme vemos a materialidade dos espaços, interessa-me um cinema em que o décor é também uma fala. Neste mundo em transformação acelerada o Raimundo é um personagem parado no tempo, que embora não sendo saudosista tem no entanto uma relação nostálgica. Vive numa espécie de bolha na qual está confortável. Interessou-me filmar Lisboa


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

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ou a curiosa figura de Ramiro o alfarrabista

em planos não muito abertos, mesmo os planos de conjunto são fechados, pareceu-me que dessa forma conseguia filmar melhor o misterioso, as camadas de pele que se agarram nas pedras. Estou mais preocupado com uma certa fidelidade a uma ideia, ao simbólico, do que a veracidade do raccord. Em Ramiro há um outro tempo, o tempo passado, estamos próximos da resistência, voltamos a olhar para o que já fomos, voltamos a ser outra vez: a uma existência para além dos aparelhos, é um pequeno elogio a um quotidiano perdido, talvez na subtil na esperança da permanência de um tempo que se esvai, e que o cinema permite resgatar interrogando a cidade que queremos. — Filmaste uma Lisboa que já não existe? — Ainda existe, só que cada vez é mais reduzida e em alguns aspectos corre o risco de desaparecimento. Sempre me interessou a relação do cinema com o arquivo, como se pode confirmar com o meu filme documentário Ruínas, e outros filmes em que trabalho com próprio arquivo. Aliás eu trabalho, sou funcionário do ANIM ( Arquivo Nacional Imagens em Movimento) .

— Como vês os próximos tempos do cinema Português? — Parece-me que essa espécie de guerra entre uma ideia de cinema comercial e de autor está ultrapassada ou em vias disso, até porque os cineastas mais novos, os vão chegando, se os deixarem à profissão, já não alimentam essa discussão. O cinema é, como sempre foi, cinemas. As questões mais complexas tem a ver com as condições de produção dado sermos um país com muitas dificuldades de financiamento e onde o cinema é visto de forma periférica, para Portugal e para os portugueses o cinema não tem nem expressão nem manifesto interesse. É verdade que o circuito de festivais e até alguns festivais classe A estão com com o cinema Português, mas essa visibilidade internacional não é, ou não tem sido capitalizada. Para além da questão do financiamento da produção há a questão central que é a distribuição comercial; por um lado internamente, o mercado interno é ingrato para os filmes portugueses, muitas vezes os filmes são trucidados logo no lançamento, nós não temos verbas para campanhas de marketing e publicidade e coisa anda aos solavancos, quando anda. No mercado internacional a distribuição é ainda mais complicada, aí ou se está de forma intei-

ramente profissionalizada, o que obriga a custos e estruturas que ainda não temos, ou temos as alegrias e tristezas da corrente que os ventos sopram. A questão é que não há ainda uma política consistente da parte do Estado sobre o cinema quanto à produção nem quanto à distribuição e provavelmente - quanto ao interesse do próprio Estado quanto ao cinema. Ou seja, o cinema é uma porta, uma enorme possibilidade e talvez até uma enorme necessidade para Portugal, mas que continua fechada. Em Ramiro há um outro tempo, estamos num plano de resistência, voltamos a olhar para o que já fomos, voltamos a ser outra vez: existimos para além dos aparelhos do universo da sociedade tecnológica. Mozos faz com Ramiro um elogio de um quotidiano em queda, talvez na subtil na esperança da permanência de um tempo que se esvai, mas que o cinema permite viver e interrogar: como e que cidade queremos? Realização MANUEL MOZOS Argumento..................................................................... MARIANA RICARDO, TELMO CHURRO

Fotografia..................................................................... JOÃO RIBEIRO Assistente de realização............................................... BRUNO LOURENÇO Anotação...................................................................... TELMO CHURRO Som.............................................................................. MIGUEL MARTINS Direcção artística.......................................................... ARTUR PINHEIRO Guarda-roupa............................................................... LUCHA D’OREY Caracterização................................................................ RITA CASTRO Montagem....................................................................... PEDRO FILIPE MARQUES Direcção de produção................................................... EMÍDIO MIGUEL Produtores...................................................................... LUÍS URBANO, SANDRO AGUILAR Cor | 104’ | DCP............................................................. © O SOM E A FÚRIA 2017.............................................

*Cineasta. Licenciado em Ciências da Comunicação pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Mestrando em Desenvolvimento de Projecto Cinematográfico na Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa.


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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 8/P/18 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 12 de Fevereiro de 2018, se encontra aberto o Concurso Público para « Prestação de Serviços de Reparação e Manutenção dos Elevadores dos Serviços de Saúde », cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 28 de Fevereiro de 2018, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 37,00 (trinta e sete patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Os concorrentes do presente concurso devem estar presentes no Departamento de Instalações e Equipamentos do Centro Hospitalar Conde de São Januário, no dia 6 de Março de 2018, às 10,00 horas,

para efeitos de visita às instalações a que se destina à prestação de serviços objecto deste concurso. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 3 de Abril de 2018. O acto público deste concurso terá lugar no dia 4 de Abril de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP126.000,00 (cento e vinte e seis mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 22 de Fevereiro de 2018. O Director dos Serviços, Substituto Cheang Seng Ip

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 10/P/18 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 12 de Fevereiro de 2018, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento e Instalação de Um Sistema de Litotrícia por Onda de Choque Extracorporal (Foco Duplo) aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 28 de Fevereiro de 2018, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP44,00 (quarenta e quatro patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo ).

As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 3 de Abril de 2018. O acto público deste concurso terá lugar no dia 4 de Abril de 2018, pelas 15,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP200.000,00 (duzentas mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 22 de Fevereiro de 2018 O Director dos Serviços, Substituto Cheang Seng Ip

EDITAL

Assine-o TELEFONE 28752401 | FAX 28752405 E-MAIL info@hojemacau.com.mo

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Notificação da decisão final relativa à reparação de prédio em mau estado de conservação Edital n.º : 1 /E-AR/2018 Processo n.º : 24/AR/2017/F Local : Rua de Nossa Senhora do Amparo n.º 25 e Pátio da Mina n.º 12, Macau. Shin Chung Low Kam Hong, Director Substituto da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), faz saber que ficam notificados os proprietários e inquilinos ou demais ocupantes do prédio acima indicado, do seguinte: Em conformidade com o Auto de Vistoria da Comissão de Vistoria constante do processo a decorrer nesta Direcção de Serviços, o prédio acima indicado encontra-se em mau estado de conservação e carece de reparação, pelo que, nos termos do n.º 2 do artigo 54.º do Decreto-Lei n.º 79/85/M (Regulamento Geral da Construção Urbana) de 21 de Agosto, ficam os interessados notificados da decisão final relativa à sua reparação. No uso das competências delegadas pela alínea 12) do n.º 2 do Despacho n.º 11/SOTDIR/2016, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 21, II Série, de 25 de Maio de 2016, o Chefe do Departamento de Urbanização da DSSOPT, Lai Weng Leong, homologou o Auto de Vistoria acima indicado através de despacho de 27 de Julho de 2017. De acordo com os artigos 93.º e 94.º do Código do Procedimento Administrativo (CPA), aprovado pelo DecretoLei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, foi realizada, no seguimento de notificação por edital publicado nos jornais em língua chinesa e em língua portuguesa de 8 de Agosto de 2017, a audiência escrita dos interessados, mas não foram carreados para o procedimento elementos ou argumentos de facto e de direito que pudessem conduzir à alteração do sentido da decisão de ordenar a sua reparação. Nos termos do n.º 2 do artigo 54.º do RGCU e por despacho de 23 de Fev. de 2018, ordena aos interessados que procedam, no prazo de 60 dias contados a partir da data da publicação do presente edital, à sua reparação. Para o efeito, de acordo com as disposições do RGCU, os interessados deverão apresentar nestes Serviços o Pedido da Aprovação de Projecto (de Alteração) da Obra de Reparação / Conservação, no prazo de 10 dias contados a partir da data da publicação do presente edital. O impresso do respectivo pedido está disponível na página electrónica da DSSOPT. Findo o prazo acima referido, caso os interessados não tenham dado cumprimento à respectiva ordem, esta Direcção de Serviços aplicar-lhes-á a multa prevista nos artigos 66.º e 67.º do RGCU. Na falta de pagamento voluntário da despesa, nos termos do n.º 1 do artigo 142.º do CPA, proceder-se-á à cobrança coerciva da quantia em dívida pela Repartição das Execuções Fiscais da Direcção dos Serviços de Finanças. Nos termos do n.º 1 do artigo 59.º do RGCU e das competências delegadas pelos n.os 1 e 4 da Ordem Executiva n.º 113/2014, publicada no Boletim Oficial da RAEM, Número Extraordinário, I Série, de 20 de Dezembro de 2014, da decisão do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 15 dias contados a partir da data da publicação do presente edital. RAEM, 23 de Fevereiro de 2018 O Director dos Serviços, Subst.º Shin Chung Low Kam Hong


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diários de próspero António Cabrita

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ANSAÇO de mim mesmo ou de mim próprio? Vai dar no mesmo, um estuário de fadiga, num espelho desidratado. O Pessoa arranjou os heterónimos para se aliviar destes sarilhos. Punha a mesma gabardina mas mudava de borsalino como os polígamos. Era como um búzio com várias cabeças. Sou demasiado macambúzio para o ardil resultar comigo, ou tão prestável que acabaria por inevitavelmente emprestar a chave do meu quarto a um heterónimo para ele ir lá dormir com companhia e acabaria à chuva, no cacimbo da noite, por extrema delicadeza. Cansaço, e do mais impuro. Para já só descortino uma medida que me poderia salvar. Se eu casasse com a Dora Maar. Por vários motivos, ela tinha uma imaginação desatada e gostava de falar. Ora, eu pélo-me por falar menos. Ela mobilava a casa de palavras num instante e não se importaria com o meu silêncio porque como roçava o desequilíbrio, estaria tantas vezes ocupada em recuperar algum tino que nem daria pelo meu alheamento; por outro lado, ela reunia os encantos suficientes para compensarem a aragem inflamada com que às vezes o seu juízo desbordava. Claro que tudo isto parece um bocado egoísta, mas não é, repare-se, as ausências que ela me permitiria estariam fundidas nas frequentas ralações com que eu me ocuparia dela, seja por amor, ou por sobrevivência, para que as coisas corressem nalguma fluidez, sem estorvos. Portanto, o meu aparente egoísmo ser-lhe-ia afinal vital porque me alienaria nela, por ela, com ela, numa presença contínua junto dela que de outro modo me seria insuportável. Cansaço. Como o dela, imagino depois de ter sido durante anos amante do Picasso e deste a ter trocado pela jovem Françoise Gilot, o que a arrastou para uma crise. Ou pior, muito pior. Porque ter uma relação com o Picasso e ficar cansada é normal, não será distinto de ter de lavar todas as janelas de um arranha-céus de duzentos andares na duração de um relâmpago, mas enfim, a perspectiva lá de cima há-de ter ganhos – não se há-de ficar com uma visão solteira. Muito mais complicado é ter uma relação a sós com a minha árida solidão e não ficar cansado de montar a tenda e de aplainar dunas, não convém nem ao mesmo e nem ao próprio e fica-se com o cérebro seco como as axilas do escorpião. Era a mulher que me convinha. Bonita, altiva, de marés sempre vivas nas epístolas do desejo, com uma imaginação ímpar, iria de bom grado ao caixote de Picasso para resgatar esta fotógrafa

DORA MAAR, HAND AND SHELL

Cansaço, simplesmente cansaço

delirante e modelo (nu) em repetidas sessões de Man Ray, a única mulher do pintor que esteve à altura do seu génio. Se os meus amigos conseguirem localizá-la, informem-me. Há-de ter reencarnado. Porque estou tão cansado que acabei de escrever como posfácio para um livro de poesia que vai sair daqui a dois meses: «A amiba que desfez o cérebro daquela criança ilustrava um princípio gelatinoso. De uma simplicidade que abisma. O que é fascinante e horrendo. Foi numa piscina, na Argentina, que o insigne animal, imaginemos que avançando em mariposa, penetrou pela narina da criança para depois se acomodar fazendo das suas. Das notícias que mais me perturbaram neste começo do ano. Observável apenas com a ajuda de microscópio, a amiba é um protozoário cuja vida remonta ao período de origem do nosso planeta. Como ser unicelular, movimenta-se e “captura” os alimentos emitindo prolongamentos citoplasmáticos – os pseudópodes –,

os quais envolvem as partículas alimentares e incorporam-nas na sua massa gelatinosa, informe. Como parasita instala-se no intestino da mosca, quando esta suga o sangue de algum mamífero infectado, ou no cérebro das crianças, que desfaz. Para uma amiba nada nos distingue de uma mosca. Só nos resta acolher uma infinita humildade. Creio que a poesia é uma amiba de efeito ao retardador. Pode ser extremamente benigna para quem a lê, mas é refractária e sujeita a servidão o seu portador. E ameaça, não propriamente enchafurdar-nos no silêncio mas com uma pronta liquidificação das cabeças. A amiba, na sua simplicidade, rechaça quaisquer imprevistos. Foi sempre sob ameaça que escrevi, vivo amiúde nesse gume. Com a exaltação que antecede os fracassos. Se pudesse não tinha escrito estes livros (são dois reunidos num volume). Foram-me impostos. Não lastimo, certifico. Não reivindico qualquer daimon. Possui-me uma amiba, e, cego desde o seu aparecer, corro contra ela. Imponho-lhe um ritmo embora tenha sido ela

Cansaço, e do mais impuro. Para já só descortino uma medida que me poderia salvar. Se eu casasse com a Dora Maar. Por vários motivos, ela tinha uma imaginação desatada e gostava de falar. Ora, eu pélo-me por falar menos.

quem me obrigou a adoptar um passo de corrida. Por enquanto não ultrapassou a cavidade nasal, onde fez estalagem. O tempo é para ela um arco de luz? Também eu gostava de dizer “gosto das formas que se tornam outras”. Mas quando o enigma foi desregulado por uma amiba vacilo sobre em que lado da forma ficar. Volteio entre as imagens sem subtileza, aristotelicamente. Gostava de não vos afligir, mas a minha fatuidade é total e só me ocorre: cuidado com os contágios!» Pior, a minha fadiga é tão grande que acredito piamente nisto. Tal como creio no que escrevi no poema de outro livro: «Eu também não gosto dela./ Ao ser lida, porém, com um total desprezo, descobre-se/ apesar de tudo que o genuíno aí tem o seu lugar:/ escreveu Marianne Moore, num poema intitulado POESIA./ Esta declaração é um divisor de água./ Eu também detesto a poesia, posso lá eu relacionar-me/ com algo que me trata como um cão de cego?/ Gosto é de espreitar à socapa no espelho/ a ver se alguém que não eu, em gestos/ e expressões que me não pertencem, me perscruta./ À socapa, se ela sabe (a poesia) faz-me o escalpe.» O ideal era conseguir calar-me (Como se cala um pobre? Só os ricos se podem dar a esse luxo!), fazer do nevoeiro gabardina e escapulir-me. Ou perder-me entre os olhos redondos e os pés esguios de Dora Maar. Quem (me) achar o seu endereço será o meu padrinho de casamento.


18 (f)utilidades TEMPO

C H U VA

O QUE FAZER ESTA SEMANA Amanhã

1.3.2018 quinta-feira

? MIN

17

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24

HUM

70-90%

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9.87

BAHT

EXPOSIÇÃO | POPARCADE BY LOUISE LEONG Fundação Rui Cunha | 19h00

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VIDA DE CÃO

UMA AVENTURA EM MACAU

CONCERTO | TERTÚLIA À PORTUGUESA Pousada de Coloane Boutique Hotel | Das 19h00 às 22h00

Sábado

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Domingo

MACAU COMMUNITY RUN – MANA VIDA Ocean Gardens | Das 7h00 às 08h30 HOLI FESTIVAL 2018 Pousada de Coloane Boutique Hotel | Das 14h00 às 17h00

Diariamente

EXPOSIÇÃO “IMAGINARY BEINGS” Taipa Village Art Space | Até 21/02 EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” Museu de Macau | Até 25/02

O CARTOON STEPH 25 DE

25NOTES EXPOSIÇÃO “A REBOURS: CASE X 8 – THE ARTISTS IN 2010 FROM MACAO/PEQUIM” Casa Garden | Até 28/02

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MOLINA 1 2 5 “COCO” | LEE UNKRICH 3 7E ADRIAN 2 1 4 27 2 5no tradicional 4 7 festival 3 1 6 6 5 2 4 6 1 3 7 Inspirado Cineteatro C I N E M 1 do Dia dos Mortos, “Coco” 74 5 3 2 A é 1um filme 6 de7animação 7 6 3 1 2 5 6 3 que em torno de um miúdo 2 5 4 gira 5 6 2 de312 1 3 1 4 5 4 7 2 1 mexicano, anos, 7 que 5 4 aspira tornar-se num guitarrista 36 22 famoso. enfrenta 5 3Contudo, 4a7 1 5 34 7 7 3 4 5 6 oposição da sua família que, 17razões por 4 que2à partida 3 se1des- 6 5 2 3 1 2 1 6 7 5 conhecem, baniu a música das 5 24 vidas 71gerações, 77 6 suas há e6 que 2 3 7 5 4 6 5 3 4 2 tenta de tudo para que abandone 2 o seu sonho. Desesperado 5 por 3 mostrar o seu talento, Miguel 4 6 e acaba por ir parar 1 2 7 29desiste 30 35 não ao mundo dos mortos, onde encontra 3 5muitos 2 antepassados, 1 7 4 6 7 3 1 2 5 4 6 5 2 4 7 3 desvenda o mistério familiar e IS THE ORDER A RABBIT?? DEAR MY SISTER sobretudo 2 4descobre 1 a3importân5 6 7 2 4 5 3 7 6 1 1 7 3 5 6 cia de manter viva a memória dos que partiram. Diana do Mar 1 7 6 5 2 3 4 3 4 6 2 5 29 30 5 1 6 7 3 2 4 7 5 1 6 4 2 4 3 7 66 1 5 2 36 2 24 5 1 67 3 Propriedade Notícias, Lda Director Carlos João 6 Luz; José4 C. Mendes 6Mota;Fábrica 7VitordeNg1 3Morais 7José Editor 2António 1Redacção 5 Andreia Sofia Silva; Diana 4 do Mar, 1 João7Santos Filipe; 3 Sofia2 Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; 35 2 3 74Margarida 4 3 Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio 6 5 2José 4Valério1Romão Colunistas 3 António5Conceição1Júnior; David 5 Chan;7Fa Seong; 4 Jorge6Morbey;3Jorge Rodrigues 2 Simão; Leocardo; Paul6Chan3Wai Chi;2Paula Bicho; 4 Tânia1 Fonseca; 1 57 www. dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária Morada Calçada de 6hojemacau. 1 4 7de redacção 3 e Publicidade 2 5Madalena da Silva6(publicidade@hojemacau.com.mo) 4 6 3 1Assistente 2 de5marketing7Vincent Vong Impressão Tipografia 2 6Welfare5 1 7 com.mo 2Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar4 A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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PARADA DE OURO - ARMAMENTO IMPERIAL DO MUSEU DO PALÁCIO MAM | Até 11/3

MONSTER HUNT 2 [B]

FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Raman Hui Com: Tony Leung Chiu-Wai, Bai Baihe, Jing Boran, Yo Yang 14.30, 19.30

AGENT MR. CHAN [C]

FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Cheung Ka Kit Com: Dayo Wong, Tze Wah, Charmaine Sheh, Sze Man 16.30, 21.30 SALA 2

BLACK PANTHER [B]

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 25

Museu de Arte de Macau (MAM) | Até 31/3

SALA 1

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UM FILME 3 1 5 6HOJE 2 4 7

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CONCERTO OF THE BULLY [C] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Fung Chih-Chiang Com: Ronald Cheng, Cherry Ngan 14.15, 16.00, 21.30 SALA 3

IS THE ORDER A RABBIT?? DEAR MY SISTER [A] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Hiroyuki Hashimoto 17.45, 19.00, 21.15

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Filme de: Ryan Coogler Com: Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong’o 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

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SUDOKU

4 EXPOSIÇÃO “TWENTY HOURS – AN EXHIBITION OF ABSTRACT 7 PAINTING BY DENIS MURRELL AND HIS STUDENTS”7 Café IFT – espaço Anim’Arte Nam Van | Até 2/03 13 EXPOSIÇÃO “FICÇÃO E DERIVA” Galeria Tap Seac | Até 4/03 2 EXPOSIÇÃO “A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING” 6 4 6 Museu de Arte de Macau | Até 4/03 1 71 EXPOSIÇÃO “ TEN FOR PERFECTION” Macau Art Garden 2 5 11ª BIENAL DE DESIGN DE MACAU

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Há dias, não me lembro nem como nem porquê, a conversa foi parar à colecção “Uma Aventura”. Sim, esses mesmos, os livros infanto-juvenis de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. Dentro do táxi, tentávamos recordar os nomes das personagens e o puzzle acabou por ficar completo antes de chegarmos ao destino. As peripécias de Pedro, Chico e João e das gémeas Teresa e Luísa, sem esquecer, claro, o Caracol e o Faial, prendiam da primeira à última página, incutindo o gosto pela leitura a miúdos como eu. Também despertavam curiosidade por mundos desconhecidos com enredos 31por referências culturais salpicados e históricas, sobretudo para quem até então conhecia pouco mais do que a pequena terra à beira-mar onde nascera. Li-os quase todos quando ainda andava na escola – menos um. “Uma Aventura em Macau” foi o derradeiro. Recebi-o como prenda antes de aqui chegar, já adulta, há dez anos. A sinopse abre a dizer que “Macau fica na China. E na China é tudo diferente”. E se é! Quando o li, a minha página estava em branco. Hoje, essa aventura tem uns quantos capítulos, mas ainda não chegou ao fim. Diana do Mar

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opinião 19

quinta-feira 1.3.2018

bairro do oriente LEOCARDO

DIRCK VAN BABUREN, YOUNG MAN SINGING

E

STÁ aí o Festival RTP da Canção, que teve as suas duas meias-finais nas últimas duas madrugadas de Domingo para segunda, a horas indecentes em Macau. O festival é daquelas coisas que ou se gosta, ou se detesta, e entre estes últimos há quem mesmo assim veja, para depois dizer horrores, e quem não veja mas diga mal na mesma. Importa mesmo é dizer mal, e chamar àquilo “foleiro”, e “pimbalheiro” – digam lá se é ou não é? Este ano o certame tem um novo aliciante, pois o Festival da Eurovisão realiza-se este ano em Lisboa, pois como estão recordados, no ano passado Salvador Sobral foi a Kiev matar esse borrego do rebanho do nosso miserabilismo, e atreveu-se a ganhar a Eurovisão. Já no ano anterior a selecção de futebol foi a Paris conquistar o seu primeiro grande título internacional, e numa questão de meses os portugueses ficaram sem dois brinquedos para jogar às lamentações. Pode ser que organizar o Festival da Eurovisão seja considerado para alguns uma coisa de somenos, ou até um despesismo desnecessário, uma coisa que sai “dos nossos impostos”, oh oh oh. Só que em termos de promoção internacional para o país, o festival tem que se lhe diga, pois é visto por 200 milhões de telespectadores em todo o mundo. Para que vejam que estou a falar a sério, o Festival da Eurovisão de 2012 foi realizado em Baku, capital do Azerbaijão, e graças a ele fiquei com a ideia de que aquele país era um paraíso na Terra. Adiante. Uma vez que Portugal organiza pela primeira vez este evento sexagenário, o factor casa implica que a canção representante nacional passe directamente para a final de 12 de Maio, e se quisermos outro milagre de Fátima como em 2017, convém encontrar um digno sucessor para “Amar pelos dois”, o êxito que Salvador imortalizou, e deixou o cançonetisto nacional no topo do mundo. Do escrutínio propriamente dito, vi por alto algumas canções e alguns intérpretes, e comentários à parte, penso que é um ano com mais qualidade que o habitual. Uma colheita mais ou menos, digamos. Dá para gostar de algumas entradas, e nota-se que pela primeira vez em muitos anos há uma mão cheia de artistas interessados em ganhar o festival. Polémicas, claro que não podiam faltar. Depois de um equívoco na votação da primeira meia-final, estava servido o aperitivo para o prato principal: a “barraca” da canção de Diogo Piçarra. O cantor que esteve em Macau no último Festival da Lusofonia, e provavelmente o artista de maior “pedigree” em competição, trouxe um tema simples, que obteve o maior parte dos votos tanto do júri, como do público. Só que a “Canção do Fim” de Piçarra era mesmo

O factor Pi(çarra)

tão simples, que já existia. Primeiro apareceu uma versão da IURD, pasme-se, datada de 1979, e depois outras anteriores a essa, em línguas estrangeiras. Surgiram imediatamente acusações de plágio, mas eu não ia tão longe; o Diogo Piçarra é um compositor com provas dadas, e as comparações com Tony Carreira são no mínimo injustas. O que se passou foi

que desta vez o Piçarra não tentou. Não estava para ali virado, pronto. Picasso, que também começa com “pi”, não ficou famoso a pintar quadros que já existiam. Depois de dois dias de vendaval na imprensa e nas redes sociais, Piçarra fez o melhor que tinha a fazer, e retirou-se da corrida à Eurovisão, enumerando as suas razões numa

Surgiram imediatamente acusações de plágio, mas eu não ia tão longe; o Diogo Piçarra é um compositor com provas dadas, e as comparações com Tony Carreira são no mínimo injustas

nota publicada no Facebook. Palmas para ele, por não ser teimoso. Ficasse a canção no festival, e provavelmente ganhava, podendo mais tarde ser desqualificada na final, o que seria uma vergonha. E porque é que ia ganhar? Porque nós iamos votar nela, ora essa. Porque nos disseram para não votar, e isso era o que faltava! Somos mesmo assim, nada a fazer. Agora pelo amor do Buda, vejam lá se fazem alguma coisa de jeito em Maio, para que o mundo fique pelo menos com a impressão de que somos um país de gente simpática, bem disposta e de bem com a vida. Assim como o Azerbaijão, vá lá.


A vida só se dá para quem se deu. Vinicius Moraes

N

A sua primeira participação a tempo inteiro no Campeonato da China de Carros de Turismo (CTCC), em 2017, Rodolfo Ávila garantiu o vice-campeonato ao serviço da equipa oficial da SAIC Volkswagen. O piloto do território ainda não tem a época desportiva de 2018 definida, mas admite estar em negociações para repetir a participação no CTCC com a SV333 Racing. Sem adiantar muito, Ávila revelou ao HM que, neste momento, está a “discutir a possibilidade de regressar ao CTCC com a SAIC Volkswagen”. O piloto da RAEM reconhece que “gostaria muito de continuar no campeonato depois da experiência do ano passado.” Após duas provas com a SW333 Racing em 2016, o piloto de Macau foi convidado a fazer a temporada completa daquele que é o campeonato de automobilismo mais popular da República Popular da China ao volante de um dos quatro Volkswagen Lamando GTS oficiais. Com o objectivo único de ajudar a SAIC Volkswagen

PALAVRA DO DIA

quinta-feira 1.3.2018

RODOLFO ÁVILA GOSTAVA DE VOLTAR COM A SAIC

Repetir o CTCC é prioridade a triunfar no campeonato de Construtores, objectivo esse que foi cumprido, Ávila subiu por três ocasiões ao pódio, tendo terminado na segunda posição do campeonato e como melhor representante da equipa que contou em algumas provas com os serviços do campeão do mundo de carros de Turismo de 2012 e recordista de triunfos no Circuito da Guia, o inglês Rob Huff. Tradicionalmente, só depois do Ano Novo Lunar é que as equipas do CTCC confirmam os seus pilotos, divulgam os seus projectos e iniciam o seu programa de testes de pré-temporada. O calendário do CTCC de 2018

ainda não foi dado a conhecer à imprensa, mas deverá compreender novamente oito eventos, em circuitos permanentes e citadinos, todos na China Continental.

PERNINHA NOS GT

O piloto português do território teve algumas incursões nas corridas de GT o ano passado, conduzindo um Aston Martin Vantage GT4 no Campeonato da China de GT e um KTM X-BOW no campeonato GT Masters. No início do presente ano, Ávila testou no circuito malaio de Sepang o novoAudi R8 LMS GT4 e não descarta, de acordo com a sua disponibilidade, a possibilidade de voltar a correr em provas

soltas dos campeonatos de Grande Turismo na região. “Gostaria de fazer algumas corridas de carros de GT, porque as experiências e os resultados que consegui o ano passado foram interessantes”, esclarece, deixando claro que por agora não tem nada ainda em concreto, pois “terei que procurar oportunidades ao longo da época”. Ávila tem uma vasta experiência em provas de GT, tendo vencido, ao volante de um Ferrari, o Asian SuperCar Championship em 2008, e sido vice-campeão da Taça Porsche Carrera Ásia em 2011. Sérgio Fonseca

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Demência Aumenta número de idosos que passaram pelo novo centro

do Plano Decenal de Acção para os Serviços de Apoio a Idosos 2016-2025 implementadas “mais cedo do que o previsto”, indicou o mesmo responsável, após a primeira sessão plenária do ano da Comissão para os Assuntos do Cidadão Sénior.

O Centro de Avaliação e Tratamento da Demência recebeu, no ano passado, 1400 idosos, contra os cerca de 500 que tinham sido examinados em 2016, ano em que a unidade entrou em funcionamento. O número foi facultado ontem pelo chefe do

Departamento de Solidariedade Social do Instituto de Acção Social (IAS), Choi Sio Un, que revelou ainda que a percentagem de casos diagnosticados também subiu de 37 para 45 por cento. A criação do centro afigura-se como uma das mais de 200 medidas

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ESTATÍSTICAS ECONOMIA CRESCEU 9,1 POR CENTO O ANO PASSADO

ADOS divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelam que a economia de Macau cresceu 9,1 por cento o ano passado em termos reais, “terminando com a contracção económica dos últimos três anos”. Houve um aumento de 11,2 por cento no primeiro semestre e de 7,2 por cento no segundo semestre. “Embora a procura interna tenha mantido um comportamento fraco, com uma contracção anual de 2,7 por cento, a economia recuperou o crescimento positivo, realçando-se as subidas de 1,6 por cento na despesa de consumo privado e de 1,7 por cento na despesa de consumo final do Governo, tendo, no entanto, a formação bruta de capital fixo decrescido 10 por cento, em termos anuais.”

Já o Produto Interno Bruto (PIB) atingiu as 404,2 mil milhões de patacas em 2017. Relativamente ao quarto trimestre do ano passado, o PIB registou um aumento de oito

por cento, uma “percentagem superior ao crescimento de 6,3 por cento registado no terceiro trimestre, beneficiado pela contínua subida das exportações de serviços”.


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Hoje Macau 1 MAR 2018 #4002 by Jornal Hoje Macau - Issuu