MACAU CHEGA AO NONO TÍTULO
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
PUB
ASIÁTICO DE HÓQUEI EM PATINS
PÁGINA 15
PUB
MOP$10
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • QUINTA-FEIRA 1 DE NOVEMBRO DE 2012 • ANO XII • Nº 2726
TEMPO POUCO NUBLADO MIN 16 MAX 23 HUMIDADE 35-75% • CÂMBIOS EURO 9.5 BAHT 3.7 YUAN 0.7
Deputado Ho Ion Sang fala da classe média
Um bando de maltratados
Em entrevista ao Hoje Macau, o deputado eleito directamente pela UGAM escalpeliza os problemas da classe média de Macau. Para Ho Ion Sang, o Governo pouco ou nada tem feito para salvar aquilo que considera ser o pulmão da sociedade. Por outras palavras, considera que “há muitas coisas a melhorar” para que o comportamento económico da classe atinja níveis internacionais. Se isso não suceder, podemos estar perante a morte do artista. PÁGINA 3 TEMPESTADE SANDY
América do Norte chora 51 mortos CENTRAIS
ESTUDO DO CPSC ALERTA
Futuro da saúde em Macau não é risonho PÁGINA 2
ACIDENTE NA AVENIDA DA AMIZADE
Culpa pode não ser apenas do condutor PÁGINA 6
AUMENTO DA POPULAÇÃO ATÉ 2036
Especialistas estão apreensivos PÁGINA 5
2
política
quinta-feira 1.11.2012
Centro da Política da Sabedoria Colectiva deixa um alerta sobre o sistema médico
Sem médicos e sem camas O futuro da saúde em Macau não é risonho. Quem o diz é o Centro da Política da Sabedoria Colectiva que, através de um estudo elaborado em 2011, conclui que haverá falta de médicos e camas em Macau, para uma população em envelhecimento que necessitará de mais cuidados Cecília Lin
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
O
Centro da Política da Sabedoria Colectiva (CPSC) publicou ontem um estudo sobre as políticas de serviços de saúde e seus benefícios. A falta de recursos dos hospitais e serviços de saúde públicos leva a concluir a necessidade de se canalizarem os pacientes menos graves para as clínicas privadas, para aliviar a pressão nos organismos públicos. O estudo alerta, sobretudo, para a importância de se formarem mais médicos no futuro para Macau. Mas o estudo faz mesmo propostas ao Governo. A criação de um pacote financeiro destinado a despesas médicas nas novas contas individuais de previdência, tal como é feito nas regiões vizinhas, é uma destas.
pressão. O organismo contactou com dirigentes dos serviços de saúde e médicos dos hospitais, que dão conta da falta de camas e médicos no território. “Em Macau, à proporção, para cada mil residentes só existem 2,1 camas e 2.4 médicos. É menos do que em Singapura, Hong Kong e Taiwan. Com o envelhecimento da população e falta de faculdades para formação de médicos, o problema da falta de médicos é crescente”, indica Loi Men Keong. O problema, indica ainda, é também as promessas por cumprir. “O Hospital Kiang Wu e o São Januário disseram que iam formar 50 médicos estagiários em cada hospital, o Governo também queria criar um Conselho dos Médicos. Porém, tudo isso ainda não foi começado nada”, explica. “O que nós podemos ver é que as camas são sempre adiadas: as 100 camas nos serviços de emergência planeadas originalmente para este ano foram adiadas para 2013, mas até agora ainda nada foi feito e já estamos no final do ano.” Mas há mais 700 camas também planeadas pelo Governo, para serviços de saúde na Taipa, Coloane e Macau, mas também foram adiadas para 2019.
ACABAR COM VALES DE SAÚDE
O CPSC ainda descobriu que os vales de saúde utilizados pelos utentes são muitas
vezes desperdiçados em situações menos urgentes, porque expiram no prazo de um ano. “Por essa razão, a nossa proposta para o Governo é a de se criar um sistema de financiamento médico na contas individuais de previdência. Como em Cantão, os residentes usam uma cartão médica, relativo ao fundo da segurança social, é mais fácil e barato para fazer uma consulta. O montante canalizado dependeria da situação financeira do Governo”, avalia Loi Men Keong. Sobre o longo tempo de espera, o CPSC propõe que a Administração referencie para Hong Kong, de modo a criar um sistema de referência entre os hospitais e médicos particulares, para melhorar a utilização dos médicos da comunidade. Além disso, pode introduzir mais especialistas para Macau, mas tem que introduzir também o sistema de saída dos médicos estrangeiros, para garantir os direitos dos médicos locais. “Para melhorar a qualidade dos médicos queremos que o Governo dê oportunidade para os médicos fazerem uma aprendizagem contínua, porque normalmente os médicos não podem ganhar dinheiro durante a formação fora. O Governo tem que criar a certificação profissional e o Conselho dos Médicos o mais rapidamente possível”, explica o dirigente do CPSC. O estudo foi realizado em parceria com os Serviços de Saúde (SS), o Hospital Kiang Wu, a MUST, a União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM) e a Associação Geral das Mulheres de Macau.
REDE MÉDICA GRATUITA COM NÍVEL ELEVADO
De acordo com o dirigente, a área de cobertura da rede medica grátis de Macau tem um nível elevado, em termos mundiais, porém, os meios começam a escassear. O hospital público, único a ceder serviços de saúde gratuitos, por exemplo, não vai servir nos próximos anos para colmatar as necessidades da população, que está a envelhecer, pelo que começa a sofrer uma enorme
Lam Heong Sang questiona a não publicação do saldo da reserva fiscal
Deputado indirecto da Assembleia Legislativa (AL) Lam Heong Sang questionou o Governo, através de interpelação oral, do porquê de não se publicar o saldo da reserva fiscal bem como os resultados operacionais exigidos, desde que o Sistema de Reserva Fiscal entrou em vigor em Janeiro deste ano. Aliás, Lam Heong Sang quer que haja uma explicação cabal na AL sobre o assunto, referindo que o Executivo não pode fugir às suas responsabilidades. – C.L.
quinta-feira 1.11.2012
política
www.hojemacau.com.mo
Deputado Ho Ion Sang em entrevista ao Hoje Macau
verno tem vindo a trabalhar nestas questões nos últimos 13 anos, mas só agora é que começaram a aparecer planos a longo prazo, com a saúde, a educação e a habitação. Por isso está tudo atrasado. Por um lado, isso é bom porque vemos os problemas e tentamos resolver, não é como uma estufa, onde está tudo parado.
Classe média “paga impostos mas não é beneficiada” Cecília Lin*
cecília.lin@hojemacau.com.mo
H
Á dois dias atrás interpelou o Governo sobre o tema que foi parte central da conversa com o Hoje Macau: a classe média. Ho Ion Sang, deputado directo eleito pela União Geral das Associações de Moradores (UGAM), diz que “há muitas coisas a melhorar” para que o comportamento económico desta classe atinja níveis internacionais Durante a conferência promovida pela UGAM afirmou que a classe média tem sido ignorada. O que deve ser feito para melhorar? Os estudos do Governo para a classe média ainda não são regulares, e os que foram publicados parece que não apontam para uma situação real. Considero que os estudos, para serem relevantes, têm de ser melhorados e ter o tempo certo. Hoje em dia há ressentimentos junto da classe média. São um grupo que serve para a estabilidade económica e social, mas quando surgem políticas de desenvolvimento ou para aliviar as dificuldades, este não é ajudado.
E porquê? Bom, primeiro temos de pensar na definição do que é a classe média. No geral, esta pode ser definida pelo seu salário ou os níveis de habitação, educação e o emprego. Mas essa definição em Macau não está totalmente certa, porque existem dificuldades na compra de habitação. O mais importante é desenvolver a ascensão social, o que significa que precisamos de promover a educação contínua e a certificação profissional. Se este sistema não for melhorado, uma parte da classe média vai sentir sempre a falta de competitividade. Apenas uma parte? Penso que sim, pois em Macau a classe média é um grupo especial. Aqui o desenvolvimento económico é único, mas se olharmos para os índices mundiais vemos que ainda há espaço para melhorar muitas coisas no que diz respeito a este grupo social. Os problemas principais são a habitação e a educação contínua. Fazem falta mais políticas? Deveria aumentar-se os limites da isenção dos impostos, bem como reduzir o imposto profissional. Penso que assim as questões ligadas à inflação poderiam ficar
resolvidas. A classe média paga impostos mas não é beneficiada. Disse ainda que a classe média é ignorada no sistema de saúde. Como se pode resolver o problema das longas listas de espera, para além da formação de médicos, como já propôs? Já existem muitos centros de saúde. No futuro as pessoas que vão morar para as habitações públicas vão precisar ainda mais de instalações de saúde. O processo de construção do novo hospital tem vindo a ser adiado e a situação dos recursos humanos não consegue atingir o nível de desenvolvimen-
3
to da população. Nas políticas sobre a saúde também nada foi mencionado. O Governo apenas nos mostrou o sucesso da saúde gratuita junto dos idosos. Mas aquilo que precisamos é mais camas, médicos, mais formações profissionais. Acho que a cooperação entre o hospital público e as clínicas privadas é urgente, para aliviar a pressão dos médicos e reduzir as listas de espera. Quais as medidas concretas que devem ser tomadas para o futuro? Temos de enfrentar estas questões com uma atitude positiva. O Go-
Qual a sua opinião sobre a criação da Lei do Erro Médico e a criação do conselho dos médicos? Infelizmente é uma lei que está atrasada há muito tempo, e o conselho acaba por estar ligado com esse diploma. Mas nesta sessão legislativa temos oito propostas de lei para discutir e é difícil aprovar esta lei e criar o conselho. Espero que possamos discutir isto o mais depressa possível, mas se até 2013 não conseguirmos acabar, penso que é sinal que andamos a gastar o nosso tempo. Temos que discutir as propostas que mais estão ligadas à sociedade. A lei do erro médico é importante, mas o tempo é limitado. - * com A.S.S.
Deputado defende mercado nocturno na Rua da Felicidade
A
conversa com o deputado Ho Ion Sang acabou por ir parar ao mais recente anuncio da criação de um mercado nocturno, com diversos espaços de diversão e lazer, junto ao lago Nam Van. “A sociedade tem diferentes opiniões e o que o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) tem que de pensar bem o que
vai fazer, auscultando a população. Ainda há espaço para melhorar. Enquanto centro mundial de turismo e lazer, Macau tem falta de espaços nocturnos. Mas é preciso discutir mais. Podia ser na zona dos bairros antigos, como na Rua da Felicidade, que já é uma zona turística. Poderia atrair ainda mais turistas”. A decisão de criar um
mercado nocturno em Nam Van foi anunciada na passada sexta-feira pelo IACM. A decisão tem sido criticada pelo público, que afirmou que a iniciativa iria afectar a tranquilidade da zona. Vários deputados apontaram mesmo para o risco de afectar a qualidade das águas do lago. Raymond Tam, presidente do IACM, subli-
nhou que essa questão já tinha sido bastante discutida junto do público. Enquanto o deputado Ng Kuok Cheong afirmou tratar-se de “mais um plano estúpido”, o deputado Mak Soi kun levantou questões quanto à tranquilidade. Chan Chak Mo disse que apoia a criação do mercado, pois defende que fazem falta espaços nocturnos de diversão.
4
política
quinta-feira 1.11.2012
www.hojemacau.com.mo
Agências funerárias pedem mercado aberto e fim do “monopólio”
A empresa que gere os serviços fúnebres para a associação de beneficência do hospital Kiang Wu está a ser acusada de “monopólio” por agências que falam em concorrência desleal e que pedem um serviço público para o sector. Pereira Coutinho fala em desculpas para o silêncio do Executivo Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
A
S agências funerárias de Macau exigem que o Governo crie um serviço público para o sector e criticam o facto do mercado estar dependente de uma empresa de Hong Kong, privada, e que presta serviços à associação de beneficência do hospital Kiang Wu. Falam em “monopólio” e afirmam que não conseguem manter o negócio. No total, cinco agências funerárias já faliram e quatro estão prestes a fechar portas. Em Setembro o deputado José
Pereira Coutinho entregou uma interpelação escrita ao Governo onde pedia o inicio “do processo legislativo para regulamentar o sector”, mas até agora não obteve qualquer resposta. Por isso, organizou ontem uma conferência de imprensa com responsáveis do sector, e prometem continuar a luta, com a possibilidade de uma manifestação nos próximos tempos. “Por enquanto vamos esperar, mas não está posta de parte a ideia de levar os caixões para a rua.” “Porque é que uma associação de beneficência vai ter que precisar de uma empresa comercial, com sede em Hong Kong, e com
objectivos lucrativos? Deveria ser orientada para a beneficência e para o apoio directo das pessoas. A empresa, ao gerir, está dentro da casa funerária. É evidente que beneficia de uma enorme vantagem. É uma concorrência nitidamente desleal.” O deputado também defende a criação de um serviço público. “Quando é que o Governo terá uma casa funerária pública, que permita que, à semelhança da casa funerária católica, qualquer pessoa possa arrendar instalações para fazer as suas celebrações fúnebres? Que eu saiba não existe nenhuma empresa no meio dessa casa católica”.
“NADA PODEMOS FAZER”
Cheong Chi Wai, dono da agência funerária Tim Fok, que já fechou temporariamente, espera que o Governo faça algo. “Há muito tempo que em Macau só existe uma empresa privada para serviços fúnebres sem que haja um serviço público. Se o mercado for aberto, aí haverá competição. Mas se se mantiver fechado, continuará o monopólio. A casa mortuária do
GONÇALO LOBO PINHEIRO
Responsabilidade do Governo, dizem eles
Kiang Wu existe há muito tempo mas depende do modo de gestão. Se for aberto, o mercado é aberto”. Cheong diz que desde o dia 26 de Setembro que não tem material para fazer os serviços fúnebres “porque os produtos estão a ser monopolizados por essa empresa”. “Se o Governo não nos ajudar, o que podemos fazer, já que é tudo privado?”, acrescenta.
Coutinho acredita que o silêncio do Governo é uma desculpa. “A responsabilidade está no Governo. Já se atrasou em dois meses a responder à minha interpelação escrita, o que é manifestamente irresponsável. Há uma razão: estão à espera que as empresas, uma a uma, vão à falência.” Mas fala também em “promiscuidade”, por alegadamente “existirem familiares do Chefe do Executivo ligados à associação de beneficência”. Tal entidade é também dirigida pelo deputado Fong Chi Keong. Coutinho lembra ainda que o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) estava a desenvolver um plano de fomento para a casa funerária e gestão da associação do Kiang Wu, mas que nada surgiu até ao momento. “Há tempos queria fazer ampliações no sentido de providenciar melhores qualidades de serviço à população. Ficou em banho-maria, não se sabe o que se passa. Onde pára esse projecto e o que pretendem fazer?”, aponta.
PUB
Governo da Região Administrativa Especial de Macau Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais
Aviso (Recrutamento de pessoal) Faz-se público que, por despacho de S. Ex.a o Chefe do Executivo, de 29 de Agosto de 2012, e nos termos do disposto na Lei n.º 14/2009 (“Regime das carreiras dos trabalhadores dos serviços públicos”) e no Regulamento Administrativo n.º 23/2011( “Recrutamento, selecção, e formação para efeitos de acesso dos trabalhadores dos serviços públicos”), se acha aberto o concurso comum, de ingresso externo, de prestação de provas, para o preenchimento de dois lugares de técnico de 2.ª classe, 1.º escalão, área jurídica, em regime de contrato além do quadro deste Gabinete. Aviso de abertura foi publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.° 44, II Série, de 31 de Outubro de 2012. O prazo para a apresentação de candidaturas é de vinte dias, a contar do primeiro dia útil ao da publicação do presente aviso no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau. Os candidatos devem preencher a “ficha de inscrição em concurso” aprovada pelo Despacho do Chefe Executivo n.º 250/2011 (pode ser requisitada na Imprensa Oficial ou descarregada na página electrónica daquela entidade pública) juntamente com o arquivo associado, e apresentá-la, no período definido, durante o horário de expediente (segunda-feira a quinta-feira, 9:00 – 13:00; 14:30 – 17:45; sexta-feira, 9:00 – 13:00; 14:30 – 17:30), sito na Avenida da Praia Grande, n.º 804, Edifício China Plaza, 13.º andar, A-F, em Macau. Para mais informações é favor consultar o site deste Gabinete http://www.gpdp. gov.mo. A Coordenadora Chan Hoi Fan 31/10/2012
quinta-feira 1.11.2012
sociedade
www.hojemacau.com.mo
População superior a 700 mil em 2036 gera receios nos especialistas
Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
“A actual estrutura não aguenta, nem com novos aterros”
F
A análise dos Serviços de Estatística e Censos mostra que em 2036 Macau vai ter uma população acima das 700 mil pessoas. O economista Albano Martins diz que infra-estruturas não suportam este aumento. Já a socióloga Teresa Vong diz que é preciso ter políticas de combate ao envelhecimento e suporte de pesquisas e análises de entidades académicas”.
MAIS RECURSOS HUMANOS
O economista prevê também que “a mão-de-obra não residente vai ter de continuar a crescer”. E de facto a DSEC faz semelhante análise. “No contexto deste crescimento, os trabalhadores não residentes que habitam em Macau aumentarão de 69.900, em 2011, para 83.300 em 2021”. Até 2036 prevê-se uma ligeira quebra para 83.200.
No que diz respeito à população activa, esta irá variar entre os 424.500 e os 538.300 trabalhadores nos próximos 25 anos. Mas as necessidades de mão-de-obra irão continuar vincadas. “O sector dos hotéis e do jogo absorverá grande parte dos recursos humanos, prevendo-se que as necessidades de mão-de-obra neste sector sejam de 39.600 novos trabalhadores até 2016 e de 52.300 entre 2017 e 2021”. Neste ponto, a socióloga Teresa Vong, docente na Universidade de
GONÇALO LOBO PINHEIRO
ORAM publicadas há dias as projecções da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) sobre a população para os próximos 25 anos, e há duas certezas: até 2036, a população vai aumentar e a necessidade de mão-de-obra vai continuar mais forte do que nunca. Os dados mostram que estarão a residir no território 759.900 pessoas em 2036, contra as actuais 557.400. Enquanto isso, a população local deverá passar dos actuais 482.300 para os 662.400 em 2036. Ao Hoje Macau, o economista Albano Martins diz que estes números “só pecam por ser reduzidos”. “Quando o antigo Chefe do Executivo, Edmund Ho, promoveu a liberalização do jogo, disse que Macau teria que ser uma cidade para um milhão de habitantes. Este não é um número ridículo, é conservador.” Apesar disso, o especialista mostra alguns receios quanto ao futuro. “A actual estrutura não vai aguentar com mais de 700 mil habitantes, nem com os novos aterros que vão ser construídos. E estamos a falar de pessoas que moram em Macau, mas temos de adicionar os turistas, que podem vir a ser de 30 milhões por ano. É preciso ter algum cuidado. Não basta projectar, tem que dizer ‘vamos intervir”. No documento, a DSEC apenas explica que os dados pretendem servir como “referência fundamental na definição de políticas de educação, saúde, habitação, apoio à estratégia do investimento de entidades comerciais e industriais
Macau (UMAC) lança o alerta. “Se a indústria do jogo continuar a ser a mais importante na economia vai-se chegar a um ponto de saturação. Não pode ser o único sector a absorver os recursos humanos.” Para isso, há que apostar na tão aclamada diversificação. “Precisamos de investir em alta tecnologia. Temos o exemplo da Índia que é a Silicon Valley da Ásia. Macau é um território pequeno mas poderíamos desenvolver esta indústria, principalmente na área da micro-tecnologia. Não consome muito espaço e seria algo a pensar quando os projectos na Ilha da Montanha ou o campus da UMAC estiverem concluídos. Há mais indústrias que podem ser desenvolvidas para desenvolver a competitividade. Depois poderíamos exportar os nossos próprios especialistas, e poderia ser uma industria desenvolvida por locais.”
POPULAÇÃO MAIS ENVELHECIDA
Teresa Vong revela preocupação pelo facto de Macau estar a caminhar para uma sociedade cada vez
Ocorrências originaram mais de três mil vitimas, 12 delas mortais
D
Mais de dez mil acidentes em nove meses
ADOS fornecidos pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) mostram que a circulação rodoviária em Macau não tem conhecido dias felizes. Entre Janeiro e Setembro deste ano ocorreram um total de 10.981 acidentes de viação nas estradas, uma subida de
5
6% face a igual período do ano passado. As consequências foram 3.956 vítimas, sendo que 12 acabaram por falecer. Até finais do mês de Setembro, havia em circulação 213.992 veículos, um aumento de 5% face a 2011. Mais de 100 mil são motociclos e 85.420 eram
automóveis ligeiros particulares, 40% do total. Quanto aos movimentos nas fronteiras terrestres entre Macau e China, registaram-se movimentos de mais de três milhões de automóveis, um crescimento de 8%. Só nas Portas do Cerco passaram 84% das viaturas.
Pelo aeroporto passaram mais de 28 mil voos comerciais, um crescimento de 7%, sendo que a maior parte estabeleceu ligações com a China, Taiwan e Tailândia. Foram realizadas 84.929 viagens de barco com transporte de passageiros entre Macau e Hong Kong, uma descida de 7%.
mais envelhecida, e a projecção da DSEC diz isso mesmo. “O ritmo do envelhecimento populacional acelerará. Já em meados da década de 90 do século passado tinha-se registado um acentuado envelhecimento da população, em consequência do prolongamento da vida e da diminuição da natalidade”. Desta forma, a população idosa com mais de 65 anos vai aumentar até 20,7% em 2036, atingindo a fatia das 157.300 pessoas. O ano passado, eram apenas 40.900 pessoas. Trata-se de “um crescimento anual médio de 5,5%, consideravelmente mais elevado do que o da população total”. “O Governo tem que prestar atenção aos serviços médicos para os próximos anos, tendo em conta este envelhecimento. Os ganhos deveriam ser investidos nisso e deveriam ser pensadas mais infra-estruturas. Tem também de ser definido o aumento das contribuições para o Fundo de Segurança Social, porque vão haver menos pessoas para suportar o envelhecimento”, acrescenta Teresa Vong.
Sector do jogo não sabe como proibir entrada a menores de 21
A partir de hoje, as pessoas com menos de 21 anos estão proibidas de entrar nos casinos. Alguns trabalhadores do sector do jogo dizem que não receberam indicações sobre as novas medidas de regulação e supervisão das pessoas que entram nos casinos. A Associação dos Trabalhadores do Sector do Jogo disse à TDM que nada mudou, pelo menos, no que toca a novas instruções ou supervisão. “Até agora não recebemos nenhuma informação em como é que a empresa vai seguir as novas regras ou como é que o Governo vai supervisionar. Estamos preocupados em como, de facto, vamos conseguir proibir as pessoas com menos de 21 anos a jogarem nos casinos”, explica o representante Soi Fok. Este mês 20 pessoas pediram ajuda, um número que representa mais do dobro do actual. Para o Governo, alterar a idade mínima de entrada nos casinos é a solução para o problema mas associações e especialistas insistem, esta não é a cura para os males do jogo.
6
sociedade
quinta-feira 1.11.2012
www.hojemacau.com.mo
Barreiras de água vazias estavam no caminho da Avenida da Amizade
DSAT está a investigar acidente
Na madrugada de terça, um motorista da Transmac perdeu a vida num embate contra um separador de água, antes de se enfaixar numa árvore. Questionado pela imprensa, o chefe de divisão de Gestão de Transportes, Lou Ngai Wa, disse ontem que o separador estaria vazio para facilitar a sua deslocação devido às obras no local Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo
D
OIS dos três acidentes na última terça-feira foram fatais para dois condutores. Na Avenida da Amizade, um motorista de 55 anos da operadora Transmac, sem passageiros no momento, foi contra um separador de água. Ontem, um responsável da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), em resposta à imprensa, deu conta de que os separadores estariam sem água, devido a obras no local. “Não era possível mover por isso tiraram a água”, revelou o chefe de divisão de gestão de transporte da DSAT, Lou Ngai Wa. Uma medida rodoviária que não estaria a cumprir a sua função, não tendo, por isso, oferecido resistência na hora do embate. Mas Lou Ngai Wa excluiu que essa possa ter sido a origem do acidente, que se encontra a ser apurado pela DSAT. O excesso de
Mudanças nas paragens de autocarros No domingo, a DSAT irá colocar em prática a repartição e fusão das paragens de autocarros da Rua da Ribeira do Patane, Avenida do Almirante Lacerda e do Pavilhão Polidesportivo do Tap Seac. “Esta medida visa repartir os autocarros que estão concentrados num só local, para evitar, por exemplo, haver dez ou mais carreiras que devem parar numa mesma paragem e assim os outros que estão atrás não conseguem fazer a paragem a tempo”, explica o chefe de divisão de gestão de transporte da DSAT, Lou Ngai Wa. “É claro que queremos criar boas e melhores condições para a
Erro humano na origem do apagão da Rede 3
Um técnico introduziu ordens erradas no sistema, o que originou o apagão que afectou trinta mil telemóveis da Hutchinson – Rede 3 -, e 70% dos assinantes da 3G. Este erro humano esteve na origem do recente apagão da companhia, durante seis horas, segundo anunciou a empresa nas explicações à Direcção dos Serviços de Regulação das Telecomunicações (DSRT). Por isso, na próxima factura da Hutchinson haverá um desconto de 15% para todos os clientes da companhia.
Mais de 600 vagas para residentes na feira da Sands
A operadora de jogo Sands China faz um balanço positivo de mais uma feira de recrutamento que levou a cano nos passados dia 28 e 29 de Outubro. No total, foram disponibilizadas cerca de 600 vagas de emprego para residentes. Mais de 1200 candidatos apareceram, e cerca de 50% teve direito a um emprego. Segundo um comunicado, a iniciativa “tinha como ‘target’ apenas os residentes locais e servia para ocupar posições em diversas áreas de jogo no empreendimento do Cotai”, ou seja, no Venetian, The Plaza e o novo Sands Cotai Central. No total, a operadora afirma empregar cerca de 17 mil residentes de um total de 23 mil trabalhadores, em todos os empreendimentos que possui. “A Sands China continua a providenciar um abundante número de oportunidades para os locais nas feiras de recrutamento, o que está de acordo com o compromisso da empresa para com o mercado de trabalho local”.
largada e subida de passageiros nos táxis e nos autocarros.” Por outro lado, já em acção estão técnicos com folhetos informativos para dar conta dos novos serviços. “Nestas paragens já existem actualmente dois a quatro orientadores, que trabalham por turnos, para fazer a explicação às pessoas.” Mas se a pessoa se dirigir a uma paragem errada, há ainda uma indicação a dizer que não é esta mas a outra, afiança. Por outro lado, também vai ser criada a paragem na Avenida Dr. Henry Fok na Taipa, junto da Escola Internacional de Macau, para facilitar o acesso dos cidadãos àquela zona.
velocidade associado ao piso escorregadio, causado pelas fortes chuvas, podem ter sido as causas do trágico desastre. “Exigimos à companhia de autocarros para dar um relatório de verificação e a polícia também vai fazer investigação sobre o incidente, só depois de termos os dados concretos é que vamos divulgar ao público”, avança o responsável. No dia do acidente, a TDM disse que a PSP suspeitava de excesso de velocidade. Os dois acidentes aconteceram dois dias depois de ter início a Campanha de Sensibilização Rodoviária 2012, que decorre até 30 de Novembro, uma iniciativa conjunta da DSAT, Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), entre outros organismos públicos e associações, que pretende sensibilizar os condutores para a responsabilidade que devem assumir na utilização das vias públicas, através de uma série de actividades promocionais e publicitárias. Mas será a sensibilização e preparação prévia a melhor maneira de consciencializar os utentes da via pública, dentro e fora de um veículo? “Creio que durante esta divulgação de segurança rodoviária temos um trabalho contínuo de divulgação, por outro lado, com o pessoal do departamento de trânsito, temos diálogo, aplicamos a multa e também fazemos o respectivo ajustamento se for necessário”, responde o chefe de divisão de gestão de transporte da DSAT.
Médicos portugueses devem chegar a Macau nos próximos meses Haverá mais médicos portugueses, especialistas em áreas como a obstetrícia, ginecologia e cirurgia geral, a exercer no hospital público, revela o chefe de departamento de cardiologia do Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ), Mário Évora. “Pelo menos mais quatro ou cinco especialistas estão para chegar, pode ser que ainda venham a ser mais, porque também não se vai esgotar só com o processo que foi desencadeado. Em qualquer altura que seja necessário, e haja pessoas interessadas, o processo pode ser efectuado”, explica o especialista. O recrutamento está inserido no processo, desencadeado no último ano, de garantir mais médicos estrangeiros a exercer a medicina em Macau. De Portugal, os Serviços de Saúde (SS) já recrutaram 10 profissionais que vieram reforçar os quadros clínicos nas
especialidades de neurologia, infecciologia, cuidados primários ou a pneumologia. O objectivo dos responsáveis dos SS passava por garantir a contratação de 22 especialistas, um ano e meio depois, o número ainda não foi atingido mas Mário Évora garante que Portugal é um mercado privilegiado de contratação. “Neste momento, os que estão mais perto da área com que eu lido, obstetrícia e ginecologia, cirurgia geral, sei que há processos de pessoas que estão interessadas em vir cá trabalhar.” Por sua vez, na sua área de especialidade, cardiologia, onde escasseiam recursos humanos, já não é tão fácil o aliciamento de médicos lusos, já que muitos exploram clínicas próprias em Portugal. Actualmente são cerca de 30 os médicos portugueses que exercem funções no hospital público.
quinta-feira 1.11.2012
Balança comercial deficitária em 46,31 mil milhões
Comprar tudo lá fora
N
OS primeiros nove meses do ano, Macau exportou mais mas as importações continuaram a ter valores bem superiores, o que resultou num défice da balança comercial na ordem dos 46,31 mil milhões de patacas. Segundo dados divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), as exportações foram de 6,14 mil milhões de patacas, um aumento de 21,6% em termos homólogos. Enquanto isso, as importações foram de 52,45 mil milhões de patacas, uma ampliação de 18,1% em termos anuais. Já a reexportação expandiu em 33,5%, tendo-se situado nas 4,40 mil milhões de patacas. A exportação doméstica diminuiu 0,7%, valor que corresponde a 1,75 mil milhões de patacas. Em igual período deste ano, registaram-se os maiores aumentos nas exportações para Hong Kong (45,1%) e China (21,1%). Já as maiores importações foram do Continente (mais 23,9%) e da União Europeia (mais 12,3%). De Janeiro a Setembro de 2012 o valor do comércio externo de mercadorias correspondeu a 58,60 mil milhões de patacas, ascendeu a 18,5%, face aos 49,46 mil milhões registados no idêntico período de 2011. PUB
sociedade
www.hojemacau.com.mo
7
Cidade sul-coreana quer transformar-se em centro de jogo rival de Macau
Atrair milhões
A
cidade sul-coreana de Incheon pretende transformar-se num destino de turismo, compras e jogo concorrente de Macau e Las Vegas, através da atracção de dois biliões de patacas de investimento, informaram ontem as autoridades locais. A cidade espera atrair dois biliões de patacas de investimento até 2030 para construir casinos, hotéis, pistas de corridas de carros, uma marina e espaços para concertos de K-pop (música ‘pop’ da Coreia) no distrito de Yongyu-Muui. A área da cidade onde serão realizados estes investimentos foi designada como “EIGHTCITY” (Cidade Oito), por o número oito ser considerado auspicioso na China, de onde se espera atrair visitantes. Essa área será três vezes superior a Macau, com cerca de 30 quilómetros quadrados. A empresa EIGHTCITY Co. disse já ter garantido 21 mil milhões de patacas de investimento de empresas sul-coreanas e 7,7
mil milhões da empresa britânica Sanbar Development Corp. As autoridades locais esperam atrair essencialmente visitantes chineses e japoneses, uma vez que estes somam já 5,7 milhões de passageiros que desembarcam todos os anos no aeroporto internacional de Incheon.
8
nacional
quinta-feira 1.11.2012
Supermercados de Xangai vão vender produtos “made in Portugal”
Saborosos e competitivos
C
HOCOLATES, águas minerais, conservas e outros produtos portugueses vão começar a ser vendidos em Xangai a partir de Novembro, em nove supermercados especializados em comidas e bebidas importadas, anunciou ontem à agência Lusa um gestor da cadeia chinesa. “Os produtos alimentares portugueses têm alta qualidade, são muito saborosos e competitivos”, afirmou o vice-director-geral da City Shop, Richard Zhang, que concluiu esta semana uma visita de oito dias a Portugal. A viagem, organizada pelo Consulado-geral de Portugal em Xangai e pela delegação local da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), envolveu contactos com 12 empresas do sector, em várias cidades portuguesas. “Os primeiros produtos que importámos de Portugal são chocolates e águas minerais, que já estão na alfândega [em Xangai] e que esperamos
ONU espera papel activo da China para resolução do conflito na Síria
Angola torna-se num dos maiores parceiros comerciais da China
A coisa está preta
O momento ideal
A
NGOLA tornou-se em 2012 um dos maiores parceiros comerciais da China, com as trocas comerciais a atingirem os cerca de 170 mil milhões de patacas, nos primeiros sete meses do ano, disse terça-feira em Luanda fonte diplomática. Segundo Gao Kexiang, embaixador chinês em Luanda, que falou à imprensa à saída de um encontro com o vice-presidente da República, Manuel Domingos Vicente, “a cooperação atingiu o seu melhor momento por
existir confiança política mútua, com um desenvolvimento económico e comercial notável, incluindo o intercâmbio pessoal”. O valor das trocas comerciais bilaterais nos primeiros sete meses de 2012 representou um crescimento de 52,7% comparativamente ao período homólogo de 2011. As compras chinesas de Angola sofreram até Julho um incremento anual de 53,3% para cerca de 160,5 mil milhões de patacas, enquanto as vendas a Angola
registaram uma subida de 47,3% até cerca de 10,5 mil milhões de patacas. Citado pela agência Angop, Gao Kexiang acrescentou que continuam a existir “outras grandes oportunidades de negócios” que estão a ser avaliadas pelas duas partes. A China é actualmente o maior comprador de petróleo angolano, com uma quota de mercado de cerca de 33%. Angola é o segundo país de língua oficial portuguesa em termos de trocas comerciais com a China, a seguir ao Brasil. Portugal surge como terceiro principal parceiro comercial da China entre os sete Estados lusófonos com os quais mantém relações comerciais: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e Timor-Leste. São Tomé e Príncipe não mantém relações comerciais com a China, em virtude de manter relações diplomáticas com Taiwan.
começar a vender na próxima semana”, adiantou Richard Zhang. “Encomendámos também sumos de frutas e conservas de peixe, que deverão chegar ainda em Novembro, e contamos vender cada vez mais produtos portugueses”, acrescentou. Fundada em 1995, a City Shop facturou cerca de 480 milhões de patacas no ano passado e já abriu também uma loja em Pequim. Descrita como “capital económica da China”, Xangai é também a maior e mais cosmopolita cidade chinesa, com cerca de 23 milhões de habitantes. Segundo Richard Zhang, a maioria dos clientes da City Shop (60%) é constituída por estrangeiros residentes em Xangai, mas os outros 40% pertencem às novas “classe média e média alta” da cidade. Pelas contas portuguesas, as exportações para a China de produtos alimentares “made in Portugal” quase triplicaram nos últimos três anos, somando cerca de 230 milhões de patacas em 2011, mas, no conjunto, o sector representa menos de três por cento do total. Nos primeiros oito meses deste ano, as exportações portuguesas para a China cresceram 52,8% em relação a igual período de 2011.
O
mediador internacional Lakhdar Brahimi declarou terça-feira em Pequim que espera que a China tenha um papel activo na resolução do conflito na Síria, onde se tem verificado um ressurgimento da violência, nomeadamente na capital.
Depois de ter estado em Moscovo, o enviado especial da ONU e Liga Árabe à Síria encontra-se em Pequim, que há 19 meses se recusa a responder aos apelos internacionais e pressionar o regime do Presidente sírio, Bachar al-Assad.
Brahimi foi recebido na capital chinesa pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Yang Jiechi, que saudou os seus esforços face à espiral de violência neste país, e ao cumprimentá-lo em frente aos jornalistas disse esperar que a “China possa desempenhar um papel activo na resolução da situação na Síria”. “A crise na Síria é muito perigosa, a situação é má e está cada vez pior”, afirmou o mediador na segunda-feira em Moscovo. Moscovo e Pequim bloquearam no Conselho de Segurança três propostas ocidentais condenando a repressão levada a cabo pelo regime sírio. Pequim nega estar do lado do regime de Damasco e contra a oposição síria, alegando que defende uma solução aceitável para todas as partes, mas acusa os países ocidentais de perseguirem uma resolução política do conflito.
quinta-feira 1.11.2012
região
www.hojemacau.com.mo
9
Parte do dinheiro para reconstrução no Japão foi mal gasto
Atitudes inadequadas
C
ERCA de um quarto dos cerca de 1,13 bilião de patacas destinados à reconstrução no Japão, depois do maremoto de 2011 e subsequente desastre nuclear, foram gastos em projectos sem qualquer ligação com aquele objectivo, segundo uma auditoria. Uma auditoria governamental detectou aplicações questionáveis, como subsídios para uma fábrica de lentes de contacto ou investigação na caça à baleia, noticiou ontem a agência AFP. Mais de metade do orçamento ainda não foi aplicada, devido à indecisão e à burocracia, enquanto cerca de 340 mil pessoas retiradas da zona de desastre continuam sem saber se, quando e como serão alguma vez realojadas. Muitos dos projectos sem qualquer relação com a reconstrução incluídos no orçamento de cerca de 1,13 bilião de patacas foram incluídos com o pretexto de que poderiam contribuir para a recuperação económica japonesa, uma estratégia que o Governo reconhece agora que foi errada. “É verdade que o Governo não
fez o suficiente nem o adequado. Temos de ouvir os que disseram que a reconstrução devia ser a primeira prioridade”, afirmou o primeiro-ministro, Yoshihiko Noda, aop discursar no parlamento na segunda-feira.
Entre os projectos questionáveis que beneficiaram de apoio estão a construção de estradas na longínqua Okinawa, formação de guardas prisionais, renovação de gabinetes governamentais em Tóquio ou investigação e produ-
ção de minerais das designadas terras raras. A lista destes projectos inclui ainda o pagamento de uma campanha de publicidade do Ministério da Justiça, no montante de cerca de 270 milhões de patacas, para “tranquilizar o público” quanto aos riscos dos grandes desastres. Um professor de política na Universidade de St. Andrews, em Osaka, Masahiro Matsumura, disse que justificar esta má aplicação do dinheiro com a sugestão de que os seus efeitos positivos acabariam por chegar aos afectados pelo desastre é típico da disfunção política que tem prejudicado os esforços no Japão que pretendem acabar com duas décadas de crise económica nipónica. “Esta é uma manifestação da indiferença do governo pela reabilitação. São muito bons em inventar desculpas”, disse Matsumura à agência noticiosa. Próximo da central nuclear de Fukushima Dai-Ichi, onde o maremoto causou o prior acidente nuclear desde o acidente de 1986, na ucraniana Chernobyl, os trabalhos de reconstrução mal começaram.
Caos em explosão num estaleiro na Coreia do Sul Pelo menos duas pessoas morreram e nove ficaram feridas na sequência de uma explosão de gás ocorrida ontem num estaleiro no sul da Coreia do Sul, informou a polícia. A explosão, cuja causa ainda não foi determinada pelas autoridades locais, ocorreu esta madrugada no estaleiro do Complexo Industrial Daebul em Yeongam, a 400 quilómetros a sul de Seul, segundo a agência noticiosa Yonhap. A polícia confirmou a morte de dois operários e as equipas de resgate indicaram que outro está desaparecido.
Aeroporto japonês reaberto após descoberta de obus
O aeroporto de Sendai, no nordeste do Japão, reabriu ontem depois de as Forças de Auto Defesa nipónicas terem criado um muro de protecção em redor do obus norte-americano descoberto na terça-feira perto das pistas. Os militares japoneses empilharam ontem sacos de areia em torno do obus, que se acredita datar da II Guerra Mundial, para criar um muro de protecção de seis metros de altura e evitar a dispersão de fragmentos em caso de detonação, informou a agência noticiosa japonesa Kyodo. A operação de retirada da bomba do aeroporto internacional de Sendai poderá prolongar-se por vários dias, segundo as autoridades locais. A descoberta do obus obrigou ao cancelamento de 92 voos e a pista do aeroporto mais próxima do local onde aquele se encontra vai permanecer encerrada, pelo menos até quinta-feira, segundo a autoridade aeroportuária.
Birmânia aumentou produção pelo sexto ano consecutivo
A
Quilos e mais quilos de ópio
Birmânia produziu este ano cerca de 690 toneladas de ópio, base para o fabrico de heroína, o que supõe um aumento de 17 por cento face a 2011, o sexto consecutivo desde 2007, alertou ontem a ONU. Segundo os dados da Agência das Nações Unidas contra a Droga e o Delito (ONUDD), a produção de papoilas, cuja resina é utilizada para fazer heroína, ópio e morfina, está concentrada
nas áreas montanhosas do norte e nordeste da Birmânia, ocupando uma área de 51 mil hectares face aos 40 mil registados em 2011, segundo imagens captadas por satélite. A quantidade de ópio produzida na Birmânia é, segundo as contas da ONU, suficiente para fazer mais de 69 mil quilos de heroína. “Um factor que poderá explicar o ressurgimento da produção de ópio no
Sudeste Asiático é a procura, tanto a nível nacional como regional”, apontou a ONU no seu relatório. Desde 2007 que a produção de ópio regista um aumento anual, que os especialistas atribuem em parte à crescente procura na China, onde, segundo dados da ONU, cerca de 2,2 milhões de pessoas consumiram 45 toneladas métricas de heroína em 2008, a maior parte introduzida
no país pela sua fronteira com a Birmânia. Outro factor que a ONU apresenta para este aumento da produção de ópio é o seu preço, que anualmente sobe, enquanto os aldeões ganham cada vez menos dinheiro com a venda das suas colheitas de culturas convencionais, introduzidas através de programas para a erradicação das plantações de papoilas.
10
catástrofe
quinta-feira
www.hojemacau.com.mo
Tempestade Sandy engoliu quilómetros de costa em New Je
51 mortes na América do M
ANHATTAN foi o centro das atenções durante a passagem da tempestade Sandy pela costa leste dos Estados Unidos, na segunda-feira à noite. E na terça-feira continuou a sê-lo, com a imprensa americana concentrada nos esforços da cidade de Nova Iorque para recuperar e regressar à normalidade. Ao início da noite de terça-feira, começaram a emergir imagens mais dramáticas, captadas não por televisões mas pela Guarda Nacional e autoridades policiais, indicando que a pior devastação poderá ter acontecido 100 quilómetros a sul de Nova Iorque. As imagens aéreas, filmadas ao longo da costa de New Jersey, mostravam comunidades inteiras submersas em água ou soterradas sob metros de areia, barcos arrastados para terra e empilhados uns sobre os outros, lotes residenciais reduzidos a escombros e nenhum sinal de algo que define a linha atlântica daquele estado e costuma ser um popular destino de férias durante os meses de Verão: as suas praias. O governador de New Jersey, Chris Christie, descreveu o cenário no local como “impensável” no tele-
jornal da NBC, na terça-feira à noite. Christie, que sobrevoou a zona da costa durante a tarde para verificar os danos causados pela tempestade, disse que as praias foram engolidas entre Asbury Park e a ilha de Long Beach, numa extensão de 80 quilómetros. O governador visitou uma povoação de 5800 habitantes, Belmar, onde alguns residentes perderam tudo o que tinham. “Belmar inteira desapareceu”, disse na NBC, visivelmente exausto depois de ter dormido apenas duas horas na noite anterior. Questionado sobre a perspectiva de uma reconstrução de grande escala da frente marítima conhecida como Jersey Shore, essencial para a economia do estado por causa do turismo que atrai todos os anos, Christie disse que iria discutir o assunto com o Presidente Barack Obama, que visitou New Jersey ontem para avaliar os prejuízos causados pela tempestade. Apesar da extensão dos danos, cuja gravidade só será inteiramente conhecida quando o nível das águas baixar, a tempestade não causou tantas vítimas mortais como no estado de Nova Iorque (16 só na cidade, mais cinco no resto do estado, segundo o The New York Times). Até terça-
-feira à noite, New Jersey registara seis mortes, provocadas pela queda de árvores na maior parte dos casos, informou Christie numa conferência de imprensa. Mil pessoas tinham sido socorridas em áreas atingidas por cheias e 4500 procuraram refúgio em abrigos públicos montados para o efeito. E 2,6 milhões de pessoas em todo o estado continuavam sem energia eléctrica.
UMA DAS MAIS DEVASTADORAS
Ainda vai ser preciso tempo para avaliar os estragos e os custos mas a tempestade, que fez pelo menos 51 mortos nos Estados Unidos, é classificado como “uma das tempestades mais devastadoras” no país. “Pensamos que é uma das 10 ou 15 tempestades mais devastadoras” que já tocaram os EUA, disse o presidente do gabinete de avaliação de riscos Eqecat, Bill Keogh, ouvido pelo site de televisão Bloomberg. Barack Obama anunciou que manterá a campanha eleitoral suspensa na quarta-feira, visitando o estado de New Jersey, um dos mais afectados pela passagem da tempestade. Ao início do dia, Obama declarara o estado de “grande calamidade” em New Jersey e em Nova Iorque. O Presidente assinou
a 1.11.2012
ersey
do Norte ainda declarações de emergência federal noutros dez estados, permitindo aos responsáveis locais fazerem pedidos de assistência federal, incluindo meios humanos e equipamento. Nos sete estados mais afectados (23 estiveram em alerta), mais de 8 milhões de clientes ficaram sem electricidade – o número real de afectados é muito superior, já que cada conta corresponde a uma casa. As ordens de evacuação abrangeram um milhão de pessoas. Muitas pontes e estradas vão reabrir a partir de quarta-feira. Em Nova Iorque, a rede de autocarros começou hoje a funcionar, embora com um serviço ainda muito limitado. A Bolsa de Nova Iorque recomeça a negociar esta quarta-feira, após dois dias de interrupção. Mas em muitas áreas as escolas permanecerão fechadas, o mesmo acontecendo com o metro de Nova Iorque. “O sistema de Metro da Cidade de Nova Iorque tem 108 anos e nunca enfrentou um desastre tão devastador como este”, disse em comunicado o presidente da empresa Joseph J. Lhota. Segundo o New York Times, ainda não há data para a reposição da circulação que deverá acontecer por fases.
www.hojemacau.com.mo
catástrofe
11
12
publicidade
quinta-feira 1.11.2012
quinta-feira 1.11.2012
O
processo de evolução que levou os ancestrais humanos a deixarem de viver nas árvores e tornarem-se numa espécie totalmente adaptada ao chão foi mais lento do que se imaginava. Um novo estudo mostra que o Australopithecus afarensis - ancestral do Homo sapiens sapiens que viveu há mais de 3 milhões de anos - continuou a frequentar troncos e galhos com regularidade, apesar de já ser bípede. Também conhecidos pelo nome Lucy - fóssil de uma fêmea encontrado em 1974 na Etiópia -, os australopitecos sempre foram um desafio para os cientistas, porque o formato do seu braço era difícil de estudar por causa da falta de fósseis bem preservados. O novo estudo, liderado por David Green, académico da Universidade Midwestern, de Illinois (EUA), foi a primeira análise detalhada de uma escápula, osso que liga o ombro ao braço, encontrado em 2000. Uma análise do fóssil e uma comparação com macacos mostra claramente que a cavidade da escápula onde o braço se encaixa estava virada para cima, sinal de que o australopiteco tinha adaptações para se pendurar em árvores. O estudo de Green tem o potencial de encerrar um debate antigo entre paleontólogos, pois muitos ainda defendem que o A.
vida
www.hojemacau.com.mo
Hominídeo demorou para deixar árvores, aponta estudo
Autêntico macaco afarensis já passava o tempo todo no andar térreo. Segundo o americano, porém, há outras razões para se acreditar que o processo de adaptação ao chão foi mais longo e complexo. “Os australopitecos tinham corpo muito pequeno, dentes caninos pequenos, e não produziam ferramentas e armas sofisticadas, se é que produziam alguma coisa”, disse Green à Folha de São Paulo. “Como não
tinham como se proteger dos predadores que estavam no chão, provavelmente teriam de escalar árvores durante a noite. Além disso, a dentição deles sugere que ainda estavam a comer frutas e outros produtos arbóreos, então, subir árvores era importante para que adquirissem suas provisões.” O estudo de Green, publicado na revista “Science” mostra como é difícil convencer a comunidade
de paleoantropólogos a mudar de ideia sobre um assunto. Já se sabe desde as primeiras análises de Lucy que os australopitecos adultos tinham uma escápula apontando para cima, mas isso não convencia os cientistas de que os australopitecos ainda eram adaptados para a vida nas árvores. Isso aconteceu porque os paleontólogos acreditavam que os adultos de A. afarensis tivessem uma forma meio “infantilizada” de esqueleto. Humanos modernos têm a escápula virada para o lado, mas os bebés nascem com uma forma primitiva do osso, um pouco virada, e transformam-se à medida que crescem. Criou-se a hipótese, então, de que a escápula de Lucy apontava para cima apenas porque o seu corpo era pequeno como o de um juvenil. Estudando a transformação do osso da infância à vida adulta de macacos, dos australopitecos e de humanos, porém, Green mostrou que não é este o caso.
VÁCUO EVOLUTIVO
O estudo do cientista, agora, abre um vácuo no estudo da evolução
13
humana, porque não existem escápulas bem preservadas nas espécies que continuaram a linhagem que culminou no Homo sapiens sapiens. É possível que até o surgimento do Homo erectus, há “apenas” 1,8 milhão de anos, os hominídeos ainda fossem parcialmente adaptados às árvores. “À medida que a história evolucionária continuou, com o bipedalismo a ficar cada fez mais importante, e a escalada de árvores menos importante, era de se esperar que essa forma primitiva da escápula fosse essencialmente perdida, mas acreditamos que isso seja apenas parte da história”, defende Green. “Na verdade, muitas das características que vemos em humanos modernos têm a ver com a habilidade de manipular ferramentas e objectos na frente do corpo.” Habilidades como essas, talvez, são aquelas que teriam permitido aos humanos primitivos manipular armas e construírem abrigos para se defender melhor dos predadores terrestres. “Alguns traços da escápula humana moderna podem ter evoluído até mesmo para explorar o espaço atrás do corpo”, refere Green, que conclui: “Para atirar uma pedra ou uma lança, é preciso mover o braço para trás, ao tomar impulso. Talvez seja por isso que a nossa escápula tem a forma que vemos hoje.”
14
desporto
quinta-feira 1.11.2012
Macau recebe a elite mundial de badminton num torneio ainda sem orçamento previsto
Despesas sem respostas
guido de outros na Índia, Holanda e Alemanha. Macau recebe 320 jogadores de 19 países, a maior participação de sempre, revela a organização, que conta com nomes de topo. Entre os quais, o medalhado olímpico em Londres, este ano, o chinês Zhang Nan e o melhor jogador do mundo, de singulares masculinos, Lee Chong Wei, originário da Tailândia. Também o Ouro dos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, o indonésio Taukif Hidayat, vem participar neste torneio de Macau, último da sua carreira. O prémio deste ano está cifrado em um milhão de patacas, menos 600 mil patacas face ao último ano.
Macau organiza pela sétima vez consecutiva o Open de Badmington, que este ano recebe o medalhado olímpico Zhang Nan e o número um mundial Lee Chong Wei. No entanto, ainda não é conhecido o orçamento destinado ao evento, nem tão pouco à promoção no exterior. José Tavares, presidente do Instituto do Desporto (ID), diz que tem de ser reponderada a divulgação no exterior que não está a ser bem sucedida Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo
F
OI ontem de manhã apresentado, em conferência de imprensa, o “Macau Open Badmington Grand Prix Gold”, um torneio organizado há sete anos pelo território, que nesta edição conta com estrelas nacionais e internacionais. O torneio vai ter lugar já este mês, de 27 de Novembro a 2 de Dezembro, no Fórum Macau, mas ainda não tem um orçamento aprovado. Questionada pelo Hoje Macau sobre o montante verbal canalizado pelo Governo de Macau ao torneiro, a Federação de Badminton de Macau (FBM) não teve resposta. “Também queríamos saber”, retorquiu
Marco Carvalho info@hojemacau.com.mo
A
selecção portuguesa de futsal estreia-se esta quinta-feira no Campeonato do Mundo da modalidade, prova que tem as cidades tailandesas de Banguecoque e de Nakhon Ratchasima como palco até 18 de Novembro. A formação orientada por Jorge Braz integra as contas do Grupo C da competição na companhia do Brasil, do Japão e da Líbia e é precisamente frente ao cinco norte-africano que o conjunto luso se estreia na sétima edição da principal prova mundial de futsal. Frente a um adversário notoriamente menos cotado, Jorge Braz deverá poder contar com a equipa na máxima força. Pedro Cary e Leitão aterraram na Tailândia com problemas de ordem muscular, mas acabaram por recuperar a tempo de poder dar o seu contributo à equipa. Os dois atletas do Sporting treinaram-se durante os últimos dias
Maria Carvalho, presidente do organismo. “Há muito tempo que vimos pedindo esta informação e não nos conseguem dizer, vão sempre adiando a informação para mais tarde mas estamos a 27 dias do torneio.” Contactado pelo Hoje Macau, José Tavares revela que, não contam apenas com o apoio do ID mas também com um patrocinador, a Kumpoo, pelo que podem gerir a sua organização. “Ainda estamos na fase de análise da proposta formalizada [em sete milhões de patacas]”, revela, sem adiantar datas. Quanto à parte do orçamento canalizado para a divulgação do evento dentro e fora de portas, José Tavares diz que, no último
ano, foi aprovado em meio milhão de patacas, conforme requerido, mas que, cada vez mais, “é altura de ponderar ou não este tipo de torneio, ou fazer até uma coisa maior”. Ou seja, a publicidade tem de ganhar outros contornos, uma vez que há limitações e a participação do público não tem sido muito elevada. “Têm de pensar em fazer uma cooperação conjunta com Hong Kong, com a federação de lá, por exemplo, para divulgar este evento directamente para
os amantes do desporto noutras regiões”, indica o responsável. “Fazer publicidade por toda a parte é desperdício.” O orçamento total dispensado pelo Governo para o Open de Badminton foi de mais de três milhões, adiantou José Tavares, de um montante atribuído anualmente que “tem sido muito fixo”. O “Macau Open Badmington Grand Prix Gold” é um dos torneios da Federação Mundial de Badminton e o 14.º deste ano, se-
Futsal Campeonato do Mundo arranca hoje na Tailândia
Portugal quer lavar a imagem sem limitações com o grupo de trabalho e até poderão ser titulares no conjunto orientado por Jorge Braz. O seleccionador português garante que a equipa que lidera está física e animicamente preparada para competir ao seu melhor nível na Tailândia. Em Fevereiro do corrente ano, a Selecção das Quinas não conseguiu ir além dos quartos-de-final no Campeonato da Europa de Futsal, ao perder com a Itália por três bolas a uma no encontro de acesso às meias-finais da prova. O cinco luso tenciona aproveitar o Mundial da Tailândia para recuperar a imagem e revivificar o registo em termos de resultados. Apesar das intenções serem as melhores, nem todos estão convencidos de que o grupo de trabalho às ordens de Jorge
Braz tem o que é necessário para operar um brilharete no Campeonato do Mundo. José Alberto Rosa, técnico luso que levou a formação do Zhaoqing Lixun ao sexto lugar na última edição da Liga Profissional de Cantão, mantém-se céptico quanto à possibilidade de Portugal poder lutar por um dos lugares de topo na competição:
“Tenho muitas reservas sobre a nossa prestação. Acho que deixámos passar a época de ouro do futsal português e não ganhámos nada. Ficámos contentes com o terceiro lugar na Guatemala, com um segundo lugar no Campeonato da Europa, mas não ganhámos nada e os melhores jogadores portugueses se ainda não acabaram a carreira, estão na
casa dos trinta e muitos anos. Estão preocupado em relação ao futuro. Portugal atravessa um momento muito grave e o futsal português está como país, em crise”, sustenta o técnico.
DOS 24 AOS 35
Dos catorze jogadores escolhidos pelo seleccionador Jorge Braz, o mais jovem é
Preço dos bilhetes Os bilhetes estão à venda entre 27 e 30 de Novembro, no valor de 150 patacas, enquanto que os bilhetes para os dois últimos dias do torneio (Semi-Finais e Final) custam entre 300 e 400 patacas. Os residentes de Macau têm direito a 50% de desconto, os restantes têm 20% de desconto só no dia 13 de Novembro. Os ingressos podem ser adquiridos em www. macauticket.com e nas lojas Kong Seng e Macau Ticket.
João Matos, com 24 anos, e o mais velho é Gonçalo Alves, com 35. Á procura de bons resultados em Banguecoque e em Nakhon Ratchasima, Portugal terá que enfrentar logo na fase de grupos da prova o actual titular da competição, o Brasil. Para José Alberto Rosa, a formação canarinha é a principal candidata ao triunfo da Tailândia e deverá dominar o torneio sem grandes dificuldades: “Penso que poderá haver alguma surpresa, mas creio que o Campeonato vai ser disputado provavelmente com alguma hegemonia por parte do Brasil”, remate o treinador do Zhaoqing Lixun. O Brasil não está, no entanto, sozinho na corrida pelo título. Campeã há oito anos em Taiwan, a Espanha vai tentar no regresso à Ásia recuperar o título que perdeu em 2008 no Rio de Janeiro, ao não conseguir bater a equipa anfitriã no desempate pelo expediente das grandes penalidades.
quinta-feira 1.11.2012
Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo
A
Selecção de Macau de hóquei em patins conquistou ontem o título de campeã asiática, ao derrotar a Índia por 6-3, no último jogo Campeonato Asiático de Patinagem, em Hefei, na China Continental. A RAEM conquistou assim o seu quinto título consecutivo e o nono num total de 16 participações. A equipa liderada por Alberto Lisboa esteve irrepreensível durante o jogo e ao intervalo o marcador não enganava: 5-0 para Macau. “Fomos muito fortes. Depois do intervalo eles vieram atrás do prejuízo mas nós estivemos muito tranquilos, por isso a conquista nunca esteve em causa”, referiu o seleccionador ao Hoje Macau. Para que a Índia saísse vencedora do torneio teria de ganhar por uma margem de mais de sete golos e isso, de acordo com Alberto Lisboa, era uma tarefa hercúlea. “Temos o sentimento do dever cumprido e agora é para descomprimir. A Índia é que tinha a responsabilidade de vir para cima de nós. Essa pressão jogou sempre a nosso favor.”
desporto
www.hojemacau.com.mo
Asiático de hóquei em patins RAEM conta com nove títulos
Macau campeão E para não haver dúvidas, a arbitragem foi imaculada. “Para o jogo das decisões a organização escolheu os melhores árbitros, um português e um italiano. Foram irrepreensíveis”, notou Lisboa. Com uma festa prometida até às tantas em Hefei, Alberto Lisboa ainda aproveitou para deixar alguns agradecimentos e recados. “Este título é dedicado a todos os atletas e quem sempre acreditou em nós. Uma palavra especial ao presidente da Associação de Patinagem de Macau (APM), António Aguiar, pelo seu incansável trabalho. Quero agradecer ainda aos nossos patrocinadores e dizer que enquanto houver gente que goste desta modalidade, o hóquei em patins em Macau não morre.”
HOQUISTAS PEDEM APREÇO
É sabido da dificuldade da Selecção de hóquei em patins em conseguir treinar
bem. Há anos que Alberto Lisboa e António Aguiar se queixam de falta de condições e de falta de apoio do Governo. Uma vez mais o hóquei em patins trouxe um título para a RAEM e os atletas esperam que o Executivo liderado por Chui Sai On tenha uma palavra de apreço pela conquista. “É para mim uma imensa alegria ter conquistado mais este título para Macau mesmo sabendo que nem sempre somos apoiados como deveríamos”, desabafou o treinador/jogador. Os golos de Macau contra a Índia foram marcados por Hélder Ricardo e Augusto Fernandes (dois cada) e Nuno Antunes e Alberto Lisboa (um cada). Aliás, Hélder Ricardo, mesmo que não oficialmente, foi o melhor marcador do torneio com 29 golos e mereceu a devida atenção por parte de Alberto Lisboa. “O Hélder é um goleador. Para além dele
quero destacar o trabalho do Augusto. De facto, pela entrega e pela forma como jogou, o Augusto deveria ter sido o melhor jogador do torneio, se existisse tal distinção.” Aliás, ouvido pelo Hoje Macau, o goleador de serviço disse estar muito satisfeito com a sua prestação. “Correu bem. Não é oficial pois não existe essa distinção, contudo penso que fui o melhor marcador da competição com 29 golos. Posto isto, estou preparadíssimo e super confiante para o Mundial no Uruguai que está à porta”, afirmou Hélder Ricardo. O seleccionador de Macau também deixou uma palavra de apreço ao conjunto feminino. “Foram dignas da camisola que vestiram. As miúdas tiveram muitas lesões, constipações, febres e conseguiram sempre dar tudo o que tinham. Destaco, e
perdoem-me a suspeição, a Dulce pelo que fez apesar da sua idade. Foi um poço de raça e crer. Destaco ainda a guarda-redes Hoi Sio In que me surpreendeu e a Vanessa Amaro pela sua luta, apesar dos problemas de ordem física que sempre a afectaram.” Alberto Lisboa mostrou ainda alguma insatisfação pelo facto de a imprensa chinesa não falar do hóquei em patins. “Seria muito mais fácil. Se os jornais chineses falassem da modalidade teríamos, com certeza, muitos mais chineses a treinar connosco e o futuro seria mais risonho.”
MUNDIAL À PORTA
O seleccionador do Lótus não quis alongar-se muito sobre a próxima competição – o Mundial B no Uruguai – que vai ter lugar no final deste mês. Contudo, a meta, entretanto também já definida pelo presidente
15
da APM, António Aguiar, é ficar nos “quatro ou cinco primeiros lugares”. “Ainda é cedo para falar disso. Agora estamos a curtir esta vitória. Quando chegarmos a Macau vamos pensar sobre isso”, começou por dizer Lisboa, que em seguida acrescentou: “Podíamos estar para aqui a prometer subidas ao grupo A do Campeonato Mundial, onde já estivemos no passado, mas temos de ser realistas. Existem diversos factores que influenciam a equipa e não está nos nossos objectivos a subida.” Mas porquê? “Vamos lá fazer o quê? Estamos a falar de atletas que não o são a tempo inteiro. Que não têm a preparação de Portugal, Espanha, Itália ou Argentina – as melhores do mundo – e, por isso, não vale a pena investir para irmos jogar contra profissionais. As condições que dão ao hóquei em patins em Macau são aquilo que já sabemos por isso vamos continuar a competir no Mundial B com as melhores prestações possíveis.” A comitiva de Macau chega hoje ao aeroporto de Macau pelas 17h30.
16
cultura
quinta-feira 1.11.2012
Fado leccionado pela primeira vez na universidade
Rui Vieira Nery regressa à docência
P
ELA primeira vez o Fado está a ser leccionado numa universidade portuguesa. A disciplina “Culturas Musicais em Portugal: O Fado”, de carácter pioneiro, insere-se na licenciatura em Ciências Musicais da Universidade Nova de Lisboa e tem como regente o musicólogo Rui Vieira Nery. Em declarações à Lusa, Vieira Nery, que foi um dos responsáveis da candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade,
U
M museu privado na ilha japonesa de Hokkaido vai leiloar cerca de 500 obras de artistas como Salvador Dalí, Joan Miró e Antoni Tàpies, antes de encerrar em Dezembro por falta de visitantes, informou o proprietário. O Museu de Arte N43, que conta apenas com obras de países acima do paralelo 43, vai encerrar devido à queda do número de visitantes, segundo o proprietário, Masaru Miyata, um coleccionador de arte de 69 anos, citado pela agência noticiosa Efe. O leilão contará com dois trabalhos de Miró, uma série de 12 trabalhos de Dalí e entre três a quatro obras de Tàpies, e terá lugar no próprio museu, na localidade de Kushiro, entre 3 e 11 de Novembro. O proprietário do museu pretendia vender o espaço com as respectivas obras,
disse que o objectivo desta unidade curricular é “dar aos alunos um panorama geral da emergência do Fado a partir dos processos de mudança nas práticas musicais urbanas em Portugal na viragem para o século XIX”. Além disso, acrescentou o musicólogo, a cadeira pretende dar a conhecer aos alunos o desenvolvimento deste género musical até aos nossos dias. “Propõe-se um modelo de periodização e caracterizam-se as suces-
sivas etapas do percurso histórico do Fado”, explicou o docente. “Procura-se depois abordar essas etapas a partir do respectivo contexto sócio-económico cultural e detectar em cada uma delas os seus processos de mudança estética e técnica interna em termos dos principais protagonistas, do repertório, das convenções poético-musicais e das práticas performativas”, revelou ainda. A disciplina desenvolve-se em oito etapas diferentes,
que vão desde “a música no salão burguês luso-brasileiro do final do Antigo regime” até à transição para o século XX, o “Novo Fado”, a entrada na World Music e a candidatura a Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO. A inauguração desta cadeira marca também o regresso de Rui Vieira Nery à docência na Universidade Nova, onde já tinha leccionado e onde é investigador do Instituto de Etnomusicologia - Música e Dança. Vieira Nery foi secretário-de-Estado da Cultura entre 1995 e 1997 e é actualmente director do Programa de Língua e Cultura Portuguesas da Fundação Calouste Gulbenkian.
Museu privado japonês vai leiloar obras de Dalí, Miró e Tàpies antes de encerrar
500 obras à venda por falta de visitantes
mas como considera que a crise económica complica essa tarefa, decidiu leiloar as suas 500 obras antes do encerramento, a 20 de Dezembro.
Miyata começou a coleccionar obras de artistas de países acima do paralelo 43 há 25 anos. O museu, aberto desde 1997, conta com três salas,
uma dedicada ao Japão, outra à Ásia e Europa de Leste e outra à América e Europa. Nos três anos após a abertura, o museu recebeu 15 mil visitantes, mas este número
começou a cair por o espaço estar localizado num local recôndito da ilha de Hokkaido. Miyata vendeu na primavera de 2009 um retrato de Michael Jackson da autoria
de Andy Warhol por cerca de 1,9 milhões de patacas e meses depois vendeu em Nova Iorque outro trabalho de Warhol por mais de 9,3 milhões de patacas.
Fundação Rui Cunha expõe fotografias de CK Chiwai Cheang FALECIMENTO
TOU VAI UN DE SOUZA
Faleceu no Domingo, dia 21 de Outubro 2012, aos 87 anos de idade, Tou Vai Un de Souza, viúva de Saint-Clair de Souza, deixando filha Aldevina e netas Alexandra e Isabela. A família participa que no dia 5 de Novembro, 2012, (Segunda-Feira), será realizada uma missa de corpo presente, pelas 11:00hrs na Casa Mortuária Diocesana e seguidamente será procedida a cremagem do corpo em Zhuhai. A família enlutada agradede, antecipadamente, a todos quantos queiram participar nestes piedosos actos.
A Galeria da Fundação Rui Cunha mostra desde ontem trabalhos do fotógrafo local CK Chiwai Cheang. As fotografias tiradas com máquina e ‘smartphone’ retratam, segundo o comunicado da organização, as emoções e as paisagens multifacetadas de Macau. CK Chiwai Cheang fez a sua formação universitária em Taiwan e desde então trabalha como designer gráfico em Macau. Galardoado com a medalha de prata na “8ª Bienal de Design de Macau” e com a medalha de ouro na mais importante competição do território, a “Sheng Huo Qing Huai” os trabalhos fotográficos do artista macaense podem ser vistos até 10 de Novembro, de segunda a sexta-feira, entre as 10h e as 19h e aos sábados das 15h e as 19h. A entrada é gratuita.
quinta-feira 1.11.2012
[ ] Cinema
futilidades
www.hojemacau.com.mo
17
Cineteatro | PUB SALA 1
SKYFALL [C]
Um filme de: Sam Mendes Com: Daniel Craig, Javier Bardem, Ralph Fiennes 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 SALA 2
SILENT HILL: REVELATION 3D [C] Um filme de: Michael J. Bassett Com: Sean Bean, Kit Harington, Carrie-Anne Moss 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 3
UMIZARU 4: BRAVE HEARTS [B] SKYFALL
Aqui há gato
(Falado em japonês e legendado em chinês/inglês) Um filme de: Hasumi Eiichiro Com: Hideaki Ito, Ryuta Sato, Ai Kato 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
VERTICAIS: 1-Dez tostões ou um escudo (Pop). Extraísse. 2-Európio (s.q.). Também não. Mu, macho. 3-Fungo que se forma nas matérias orgânicas, quando entram em decomposição. Santa, virtuosa. 4-Prefixo o m. q. IN. Que ou aquele que sela. 5-No tempo de. Regos. 6-Estremeci. Dom, habilidade (pl.). 7-Pedir repetição. Esvazia. 8-Habitante de Génova. Autor (suf.). 9-O Campeador. Ramalhete. 10-Vamos!. Consome, atormenta (Fig.). Rádio (s.q.). 11-O m. q. Larídeos (aves palmípedes). Víscera secretora da urina.
SOLUÇÕES DO PROBLEMA
Sudoku [ ] Cruzadas
HORIZONTAIS: 1-Rogaste. Caloria (abrev.). 2-Ouro (s.q.). Causa, motivo (Ant.). Abóbora de que se faz doce. 3-Que bebe em excesso, bêbedo. 4-Milha marítima (pl.). Mínimo (abrev.). Nota musical. 5-Aparelho receptor de televisão. 6-Sacrifica. Mesquinha, sôfrega. 7-Importunaremos (Fig.). 8-Ante-meridiano (abrev.). Oferecer. Passa para fora. 9-Fictício. 10-Retirar-se. Reflexão da voz. Assume expressão de alegria. 11-Início de uma nova ordem de coisas. Empregariam.
[Tele]visão TDM 00:30 01:10 13:00 13:30 14:30 19:00 19:30 20:30 21:00 21:30 22:15 23:00 23:35
31 - STAR Sports 13:00 Uem Motocross Of European Nations 2012 13:30 V8 Supercars Championship Series 2012 16:00 Sports Max 2012/13 17:00 IAAF World Challenge League 19:30 HSBC Sevens World Series 2011/12-Highlights 20:00 MotoGP World Championship 2012 - Highlights Malaysian Grand Prix 21:00 2 Wheels 21:30 (LIVE0 Score Tonight 2012 22:00 Engine Block Special 2012 22:30 2 Wheels 23:00 MotoGP World Championship 2012 - Highlights Malaysian Grand Prix
Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO TDM News - Repetição Jornal das 24h RTPi DIRECTO Montra do Lilau (Repetição) Resistirei Telejornal TDM Talk Show Castle A Ferreirinha TDM News Herman 2012 INFORMAÇÃO TDM
40 - FOX Movies 11:35 The Twilight Saga 13:40 Treasure Island 16:50 Real Steel 19:00 The Incredibles 21:00 Don’T Be Afraid Of The Dark 22:40 Scream 4 00:35 Homeland
RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 Poplusa 15:30 A Hora de Baco 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 Missa de Todos os Santos 17:45 Vingança 18:30 Moda Portugal 19:00 Maternidade 20:00 Jornal Da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:15 Portugal no Coração 30 - ESPN 11:00 (Delay) PGA Grand Slam Of Golf 2012 Final Round 14:00 Premier League Darts 2012 15:30 World Series 2012 18:30 (Delay) Baseball Tonight International 2012 19:30 (LIVE) Sportscenter Asia 2012 20:00 Total Rugby 20:30 The Football Review 2012-2013 21:00 FIFA Beach Soccer World Cup 2013 Qualifiers Italy vs. Spain 22:00 Sportscenter Asia 2012 22:30 PGA Grand Slam Of Golf 2012 Final Round
41 - HBO 12:00 Harry Potter And The Deathly Hallows 14:10 Beetlejuice 15:40 Dick Tracy 17:30 Much Ado About Nothing 19:30 Transformers 22:00 True Blood 00:00 Going The Distance 42 - Cinemax 12:55 Age Of Heroes 14:35 Grendel 16:00 Assignment K 18:05 The Rundown 20:05 Clash Of The Titans 22:00 Morlocks 23:25 House Of The Dead 2
HORIZONTAIS: 1-PEDISTE. CAL. 2-AU. MOR. GILA. 3-U. B. BEBEDOR. 4-NOS. MIN. MI. 5-TELEVISOR. D. 6—IMOLA. AVARA. 7-R. RALAREMOS. 8-AM. DAR. SAI. 9-SUPOSTO. L. R. 10-SAIR. ECO. RI. 11-ERA. USARIAM. VERTICAIS: 1-PAU. TIRASSE. 2-EU. NEM. MUAR. 3-D. BOLOR. PIA. 4-IM. SELADOR. 5-SOB. VALAS. U. 6-TREMI. ARTES. 7-E. BISAR. OCA. 8-GENOVES. OR. 9-CID. RAMAL. I. 10-ALOM. ROI. RA. 11-LARIDAS. RIM.
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA MAR • Ricardo Henriques, André Letria
REGRAS |
Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR
Se o nosso planeta tem mais mar que terra, então porque é que não se chama planeta Mar? Provavelmente já não vamos a tempo de mudar os dicionários e os livros de geografia, mas fica aqui a nossa homenagem a essa grande piscina tão importante para os portugueses, povo de marinheiros e comedores de bacalhau. Este atividário (atividades + abecedário) aviou-se no mar e dá-te palavras para mastigar e não deitar fora. Brinca com elas e com os seus significados, uma e outra vez, porque no mar há muito sal para provar, muitas lendas para contra e muitas vidas para descobrir, sejam de peixes ou piratas. É certo que há no Mar há mais palavras que marinheiros, mas o barco não podia trazer tudo. Partimos ao sabor do vento e regressámos com 206 definições e 80 actividades na rede. Diverte-te com elas. André Letria (Ilustrações) nasceu em Lisboa, em 1973. As suas ilustrações percorrem as páginas de livros e jornais desde 1992. Ganhou prémios como o Prémio Gulbenkian, em 2004, o Prémio Nacional de Ilustração, em 2000, ou um Award of Excellence for Illustration, atribuido pela Society for News Design (EUA). Há livros seus publicados em diversos países, como os EUA, Brasil, Espanha ou Itália.
O CLUBE DOS VIAJANTES IMAGINÁRIOS • Pierdomenico Baccalario
«Duas são as sentinelas que vigiam o mar, caprichosas, tremendas, de lanças a postos.Três os amigos que as podem enfrentar,mas a nenhum, cuidado, ofereçam os rostos.» De acordo com o primeiro manuscrito, Ulysses Moore é provavelmente não só um mestre de línguas, linguagens e códigos, mas também um físico mais genial que o próprio Albert Einstein. Ou se calhar é um mentiroso exímio!
RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
A HISTÓRIA SECRETA DAS PROMISCUIDADES Em Macau torna-se cada vez mais comum falar de “promiscuidades” entre deputados e o sector económico, entre o Governo e interesses pessoais. Toda a gente fala disso mas nunca se vê nada de concreto, de palpável. Parece que o mistério impera e nunca se investiga. Só nos últimos meses já aconteceram episódios que dão para encher os dedos das duas mãos. Mas o mais recente foi recordado ontem numa conferência de imprensa na associação dos trabalhadores da função pública: as agências funerárias estão a atingir o estado de falência porque parece que há uma empresa privada que fica com o bolo todo. Acontece que esta empresa está ligada à famosa associação de beneficência do hospital privado Kiang Wu, por sua vez presidida pelo deputado Fong Chi Keong. E toda a gente sabe que esta associação está farta de ganhar dinheiro do Executivo. A minha pergunta é: quais são as pessoas que estão por detrás disto e porque é que ninguém faz assim uma investigaçãozinha à Sherlock Holmes? Como é que ninguém fala ou explica às pessoas o porquê de tanto dinheiro doado (com explicações que tenham nexo, vá) e como é que existe toda esta interligação de pessoas? O mesmo se passa com o deputado Lee Chong Cheng e o mais que famoso edifício do jornal Ou Mun. Ninguém (CCAC, sei lá, qualquer organismo que analise as coisas de forma independente) se dá ao trabalho de analisar as ligações meio obscuras dos deputados que se sentam na nossa Assembleia Legislativa? Todos ficam impunes, não há sanções? As notícias saem nos jornais e não há consequências. Uma manchete não demite um governo. Tudo sorri para a fotografia e o mundo continua belo e maravilhoso, com néones que nunca deixam o céu de Macau ser completamente escuro.
Pu Yi
18
opinião
quinta-feira 1.11.2012
Carlos M. Cordeiro
da estrela
A maratona
P
ORTUGAL já não quer chorar mais com a situação degradante em que se encontra. Então, ri, ri muito, ri às gargalhadas com o que o ministro das Finanças veio tentar impingir. Diz Vítor Gaspar que estamos numa maratona e que após determinados quilómetros não se desiste e que é preciso coragem para chegar ao fim. Mais uma falácia à Gaspar. O ministro não tem a mínima noção em que maratona está metido e na qual nos inscreveu a todos para mal dos nossos pecados. A maratona de Gaspar é penosa, dolorosa, sem ritmo, sem esperança, sem força e sem fim. A maratona de Gaspar está à vista do mundo. Portugal maratonista não tem futuro porque Carlos Lopes e Rosa Mota foram únicos. A maratona de Gaspar, infelizmente, é bem diferente. É uma maratona onde a Silvana que trabalha desde os 16 anos está agora desempregada depois de laborar durante 26. Há semanas que envia mais de 20 candidaturas e as respostas são quase nulas. Já teve de cortar as explicações ao filho que, entretanto, teve de deixar a aprendizagem paga de futebol. A maratona de Gaspar tem para lhe oferecer um corte no subsídio de desemprego de 10%. É uma maratona onde a Ana Cláudia tem de contar os “tostões” para fazer render os 65% do subsídio. Desde final de Junho que está de baixa por doença. Esta auxiliar de acção médica teve um corte de salário de quase 50% e sobrevive com 330 euros de subsídio de doença. A sua situação agravou-
-se com a entrada da filha para a Faculdade de Letras onde as despesas são mais que muitas para livros, alojamento, transporte e alimentação. A partir de Janeiro a maratona de Gaspar oferece-lhe uma taxa de 5% sobre o subsídio. É uma maratona onde a Ana Filipa que acaba de ser mãe, ainda não sabe quanto vai receber de subsídio de maternidade. A desconfiança em relação ao subsídio deve-se à má relação com os apoios sociais. Não teve direito ao subsídio pré-natal. Professora do 1º ciclo pensa regressar o mais cedo possível à escola para não ser prejudicada deixando o bebé com a avó. O marido trabalha a recibos verdes e ganha uma miséria de 480 euros. A maratona de Gaspar foi a oferta, desde Julho, dos subsídios de maternidade passarem a ser calculados sem ter em conta os subsídios de férias e de Natal. É uma maratona onde o reformado Jorge exerceu durante quarenta anos a actividade de médico-cirúrgico, descontando do salário o suficiente para ter uma reforma condigna. Com 72 anos o médico diz-se enganado. Perdeu muitas centenas de euros com os cortes na reforma da retirada dos dois subsídios e irá perder muito mais com as novas medidas constantes no Orçamento do Estado para 2013. A maratona de Gaspar inclui que as reformas acima de 1350 euros vão cair entre 3,5 e 10%. É uma maratona onde a Martina recebe o rendimento social de inserção (RSI) e tem de sobreviver com o filho recebendo apenas 160 euros. Com 33 anos procura trabalho
Maratona a sério - com os habituais 42 quilómetros - devia ser organizada de modo a que o ministro Gaspar estivesse, no momento da partida, na linha da frente e que ao longo do percurso pudesse constatar todos os “impostos” que têm sido infligidos ao povo, vindo ele a acabar em último lugar fazendo figura de bobo. Mais a mais, Gaspar desconhece a origem da maratona: o corredor acaba morto, por engano por todo o lado em vão. Era empregada doméstica mas a patroa disse-lhe que não conseguia suportar mais o dispêndio do seu salário. Divorciada, contava com a pensão que lhe era dado pelo pai do filho. Este, ficou desempregado e deixou de receber esse pecúlio. Valem-lhe os familiares e confessa que assim que recebe o subsídio vai comprar para o filho o leite, iogurtes e fraldas. A maratona de Gaspar quer baixar o valor miserável do RSI de 189,5 euros para 178 e a renovação tem de ser pedida a cada 12 meses. É uma maratona onde a Mafalda tem seis filhos e não conta com qualquer ajuda do Es-
tado. Sente que o seu agregado familiar está a ser injustiçado pelo Estado que não conta com eles na hora de avaliar os rendimentos da família quer para os apoios quer para os cortes. A economista de 42 anos sente-se mais indignada por lhe terem cortado o abono de família de 150 euros para os seis filhos. A maratona de Gaspar é a dádiva ao marido de Mafalda – que trabalhava num banco e ficou desempregado e que passou a ser professor no ensino público – uma perda de 10% do ordenado e os dois subsídios. É uma maratona onde o Paulo com 33 anos, técnico auxiliar de manutenção de extintores, se prepara para aderir a um plano de poupança reforma (PPR) de modo a precaver-se quando chegar o dia da sua aposentação. Não acredita na Segurança Social. Casado, sem filhos, recebe cerca de 600 euros e diz contar os cêntimos todos os dias. A maratona de Gaspar obriga a que os trabalhadores por conta de outrem descontem 11% do salário para a Segurança Social. Neste caso, o Estado ainda recebe mais o correspondente a 23,5% do salário do trabalhador por parte da entidade patronal. Maratona a sério - com os habituais 42 quilómetros - devia ser organizada de modo a que o ministro Gaspar estivesse, no momento da partida, na linha da frente e que ao longo do percurso pudesse constatar todos os “impostos” que têm sido infligidos ao povo, vindo ele a acabar em último lugar fazendo figura de bobo. Mais a mais, Gaspar desconhece a origem da maratona: o corredor acaba morto, por engano.
quinta-feira 1.11.2012
opinião
www.hojemacau.com.mo
Leocardo
19
bairro do oriente
Ich bin ein macaense
D
ECORREU no passado fim-de-semana um colóquio organizado pela Associação dos Macaenses (ADM) subordinado ao tema da identidade macaense: “Um olhar sobre a comunidade”; o que é o macaense? Qual o lugar do macaense hoje, na política, na economia, na sociedade de Macau? É interessante como Macau deve ser o único local do mundo onde se discute o lugar…do macaense. Passo a comparação descabida, mas seria como debater o lugar dos portugueses em Portugal, ou o lugar dos americanos na América. Mas como sempre, Macau é um local cheio deste tipo de vicissitudes, ou como se diz no linguajar local, “Macau sã assi”. O colóquio foi notícia, excedeu expectativas, mas ao mesmo tempo ficou a saber a pouco. Pelo menos para mim. Interessa-me este tipo de coisas, temas sobre Macau, sobre a preservação desta cidade maravilhosa inaugurada há séculos, da sua cultura, das suas tradições. Não me interessa que Macau seja, como é para muitos, um local para “fazer dinheiro”. E depois partir, virar-lhe as costas, como se de uma amante agredida e envelhecida se tratasse. Em primeiro lugar a adesão poderia ter sido maior, não em número, mas em tipo. Os participantes do colóquio foram na sua maioria membros do fórum “Conversas entre a malta” (vulgo, “a malta”), do Facebook, um grupo que alia o amor ao amadorismo, a paixão e a descontracção e que esmiúça temas correntes da RAEM de hoje, e os próprios membros da ADM, organizadora do colóquio. Faltou ali um grosso da comunidade macaense, dos “filhos da terra”, que provavelmente tinham mais que fazer num fim-de-semana do que participar num debate que talvez muitos consideram – erroneamente – ser “apenas falatório”. Tinham que passar tempo com a família, tinham que ajudar os filhos com os trabalhos de casa da escola chinesa, enfim, são os “adaptados à nova realidade” a quem este tipo de discussão não interessa muito. E é pena. Não há nada mais triste que renegar o próprio passado, as origens. Talvez isto seja efeito de algum elitismo que é comum neste tipo de eventos. Quando fala a comunidade macaense, falam “sempre os mesmos”. Não por culpa própria, certamente, uma vez que todos têm o direito de participar. O que existe mesmo é desinteresse, um leve encolher de ombros. E enquanto isso a terra que os viu nascer, onde cresceram e que tanto amam vai desaparecendo e dando lugar a um misto de concreto pouco concreto, edifícios obtusos e o mais profundo desprezo pela História
e pelas tradições. Com o fim anunciado do restaurante Riquexó, por exemplo, fica mais fácil encontrar a riquíssima culinária macaense nas casas de Macau no Canadá, Brasil ou Austrália. Pelo menos a diáspora vai cuidando dessa sensibilidade, dessa coisa do ser macaense. E faltaram os portugueses. Com a excepção de alguma imprensa, alguns académicos e uma mão cheia de carolas, incluindo eu próprio, não se viram “reinóis” – vulgo portugueses originários de Portugal – no colóquio. Apesar de este ter sido realizado inteiramente na língua de Camões. Este era
Passados já vinte anos de Macau, olho para o passado que me fez apaixonar por esta terra com saudade, e tenho esperança que esta nova tomada de consciência seja um primeiro passo para que se mantenha viva a chama macaense. Adaptando as palavras do presidente JFK: “Ich bin ein macaense”
um debate que encheria o Grande Auditório do Centro Cultural, pelo menos. Era também altura dos portugueses de origem, alguns deles aqui há décadas, interessarem-se pelo futuro desta terra que os acolheu, onde muitos deles viram os filhos e os netos nascerem. Chega de continuar a pensar a prazo, e achar que isto é uma coisa “deles”, da “tribo dos macaenses”. É altura de beber mais da Fonte do Lilau e abanar menos a árvore das patacas, arregaçar as mangas e tratar do que interessa realmente. Isto do “ser macaense” tem muito que se lhe diga. Em termos leigos, um macaense seria um indivíduo nascido em Macau, mestiço de portugueses e chineses. Balelas. A teoria da consanguinidade é perfeitamente descartável. Há macaenses de famílias antigas e respeitáveis que não têm sangue português. O macaense é no fundo o produto de uma louca aventura onde participaram navegadores, pescadores, tancareiras, piratas, aventureiros, goeses (os chamados “canarins”, macaenses de origem indiana), missionários, condes e barões, todo o tipo de burgueses e pelintras. É difícil ir buscar a verdadeira origem do macaense. Séculos antes da já por si vetusta América, este pequeno pedaço de terra à beira-China plantado era um “melting pot” por excelência. A questão da origem é também bastante discutível. Claro que ajuda bastante ter nascido em Macau para que se seja considerado macaense, mas será essa uma exigência? Eu próprio nasci em Portugal, passei a maior parte da minha vida em Macau e não tenho praticamente nada que me ligue ao meu país de origem. Em suma: sinto-me macaense. Adoptivo, por certo, mas macaense. É um estado de espírito, algo que primeiro se estranha, e depois se entranha, citando o poeta. Interessa-me o dia-a-dia desta terra, o que me rodeia, e não me interessa o que passa a milhares de quilómetros de distância. Não sou mercenário nem estou aqui a prazo. Tenho um filho macaense por inerência e não desejo integrá-lo num país como Portugal, com um futuro eternamente adiado, que nos leva mesmo a interrogar-nos se esse futuro existe mesmo. Se queremos o melhor para os nossos filhos, esse passa por onde eles se sentem melhor, e não pelo que é convencionado como sendo o “mais natural”. Passados já vinte anos de Macau, olho para o passado que me fez apaixonar por esta terra com saudade, e tenho esperança que esta nova tomada de consciência seja um primeiro passo para que se mantenha viva a chama macaense. Adaptando as palavras do presidente JFK: “Ich bin ein macaense”.
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Fernando Eloy; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Carlos M. Cordeiro; Correia Marques; David Chan; Gonçalo Alvim; Helder Fernando; Jorge Rodrigues Simão; José Pereira Coutinho, Leocardo; Maria Alberta Meireles; Mica Costa-grande; Paul Chan Wai Chi; Vanessa Amaro Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
quinta-feira 1.11.2012
www.hojemacau.com.mo
c a r t o on por Steff
COMPREENSÃO LENTA
Chacina na Nigéria
Pelo menos duas dezenas de pessoas foram abatidas a tiro na aldeia de Kaboro, estado de Zamfara, no norte da Nigéria. De acordo com relatos oficiais, um número ainda indeterminado de homens armados com espingardas AK-47 invadiu a localidade e começou a disparar indiscriminadamente. O ataque foi motivado pelo roubo, tendo os atacantes fugido depois de terem entrado em várias habitações onde buscavam dinheiro e outros valores. A France Presse noticia, citando o porta-voz do Governo de Zamfara, Nuhu Salihu Anka, que o chefe da aldeia enfrentou os assaltantes, pedindo-lhes que parassem a chacina, ato que acabou por lhe custar a vida. Outras 23 pessoas foram mortas no passado mês de Junho em outras aldeias do estado por gangs de motoqueiros. Os ataques são caracterizados por grande violência, o que segundo observadores parece excluir a responsabilidade do grupo islamita Boko Haram, responsável por outros ataques anteriores no norte do da Nigéria, porém com marcas diferentes das deixadas por estes grupos. A Nigéria, recorde-se, tem uma das mais altas taxas de criminalidade no continente africano.
Empresa oferece passeios no espaço
Uma empresa brasileira incluiu no seu pacote a possibilidade de um passeio no espaço. A viagem da Sanchat Tour, que estará disponível a partir de 2014, será formada por grupos de 12 passageiros com o preço a ser de um milhão de patacas. A empresa afirma que o voo sairá de Curaçao e a nave utilizada será do modelo Lynx, que em poucos minutos atinge a altitude de 100 quilómetros. Os passageiros poderão sentir a microgravidade e uma vista que vai desde a Florida ao Brasil durante uma hora.
Daltonismo foi descoberto há 218 anos
No dia 31 de Outubro de 1794, John Dalton descobriu o daltonismo, uma doença nos olhos, também chamada de “cegueira das cores”. Foi em Manchester, cidade para a qual se mudou aquando da sua eleição para membro da Sociedade Literária e Filosófica, que o físico britânico teve a oportunidade de exibir os seus estudos e avanços científicos sobre a doença. O daltonismo, que também afectava John Dalton, é um defeito genético e hereditário que se baseia na impossibilidade de distinguir as cores.
Apesar da crise ou por causa dela, tem aumentado o dinheiro que os portugueses poupam e colocam nos bancos. Em Agosto estavam depositados 1,31 biliões de patacas, mais 44 mil milhões em relação ao ano passado. A propósito do dia Mundial da Poupança, que se comemorou ontem, dados recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) para o primeiro semestre de 2012 revelam que a taxa de poupança das famílias subiu para os 10,9%, ou seja, por cada 1000 patacas, os portugueses colocaram de lado 110. Dados da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios (APFIPP)/Universidade Católica também apontam para uma subida da poupança dos portugueses: o indicador voltou a subir em Setembro e sugere que a poupança em percentagem do Produto Interno Bruto está acima da média desde 2000.
Ensino de português no estrangeiro
Propina avança em 2013
O
secretário de Estado das Comunidades disse nesta terça-feira que a cobrança de propinas aos alunos de português no estrangeiro avança no próximo ano, adiantando que os valores a pagar ainda estão a ser negociados com o Ministério das Finanças. “A propina vai ser introduzida para o ano lectivo de 2013/2014 embora seja paga na altura da inscrição (Fevereiro ou Março de 2013)”, disse José Cesário à Lusa explicando que a portaria que prevê a cobrança da referida propina ainda “está a ser acertada” com o Ministério das Finanças. O Governo tinha anunciado em Março a introdução de uma propina de 1200 patacas a pagar pelos alunos de português no estrangeiro para cobrir despesas com os manuais e com a certificação. A ideia era aplicar a taxa no presente ano lectivo, mas o executivo não aprovou em tempo útil a legislação necessária para poder cobrar a propina, que é contestada por sindicatos, pais e professores. José Cesário, que falava no dia em que foi publicado em Diário da República o novo regime do ensino de português no estrangeiro (EPE), explicou que o que está em causa é a definição dos valores da propina e os casos em que os alunos podem beneficiar de reduções ou isenção do pagamento. O secretário de Estado das Comunidades, que tutela o ensino de português no estrangeiro através do instituto Camões, escusou-se
a avançar os valores das taxas a cobrar. “Antes de acertar [os valores da propina] com o Ministério das Finanças não falo de números. A única coisa clara é que vai haver propina”, disse. A introdução de propinas é uma das principais novidades do regime do ensino de português no estrangeiro, que entra em vigor quarta-feira, que prevê também alterações na contratação de professores, cujas comissões de serviço passam de um para dois anos. Para José Cesário, o novo regime “concretiza um conjunto de novidades que vão dar nova qualidade ao ensino de português no estrangeiro”, apontando como exemplos a avaliação e certificação, a definição de programas, a formação de professores e os incentivos à leitura.
AGILIZAR CONCURSOS
O responsável destacou ainda a simplificação e rapidez dos
Portugueses estão a poupar mais
concursos para a contratação de professores e as comissões de serviços válidas por dois anos também previstas no diploma. José Cesário lembrou que, excepto a cobrança da propina de frequência e das taxas de certificação, todas as alterações constantes no documento foram alvo de negociação e mereceram a acordo dos sindicatos. A rede do EPE inclui cursos de português integrados nos sistemas de ensino locais e cursos associativos e paralelos, assegurados pelo Estado português, em países como a Alemanha, Espanha, Andorra, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, França, Reino Unido, Suíça, África do Sul, Namíbia, Suazilândia e Zimbabué. No corrente ano lectivo, frequentam os cursos de Ensino de Português no Estrangeiro 57.212 alunos (56.191 em 2011/2012), distribuídos por 3.603 cursos (3.621 no ano anterior).
Ruanda Ingabire condenada a prisão
A líder da oposição e pertencente à comunidade hutu, Victoire Ingabire, foi condenada a oito anos de prisão por negar o genocídio no Ruanda. Ingabire, que faz oposição ao presidente tutsi Paul Kagame, esteve 17 anos exilada na Holanda e voltou ao Ruanda em 2010. Segundo o The Telegraph, as forças da segurança avançaram com a captura depois de Ingabire questionar por que razão os memoriais dos 800 mil mortos, que morreram ao longo de 100 dias em 1994, não incluem as vitimas hutus da ‘matança’. O advogado de Ingabire, o britânico Iain Edwards, revelou que tem intenção de apelar da decisão.
Israel acredita que Irão recuou no nuclear O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, afirmou que o Irão recuou na sua política nuclear, nomeadamente na criação de uma arma nuclear. Segundo o The Telegraph, Barak acredita que é só temporário e que Teerão será confrontado no próximo verão. “[Este recuo] pode ter três explicações. Uma é o discurso político sobre uma possível operação conjunta de Israel e EUA, o que os dissuadiu de tentar algo brevemente. Outra é uma abordagem diplomática lançada para evitar que o assunto ganhe relevo antes da eleição norte-americana, para ganharem algum tempo. Pode também ser uma forma de dizer à Agência Internacional de Energia Atómica ‘nós cumprimos com os nossos compromissos”, explicou. “Não me interpretem mal. Adoraríamos acordar uma manhã e ver, contra as minhas expectativas, que os ayatollahs desistiram. Não acredito que vá acontecer”, desabafou.