59.º
Grande Prémio de Macau
15 DE NOVEMBRO DE 2012
COMEÇA HOJE MAIS UMA EDIÇÃO DO GRANDE PRÉMIO DE MACAU
Um motor (quase) perfeito GONÇALO LOBO PINHEIRO
Sérgio Fonseca info@hojemacau.com.mo
A
um ano de se tornar sexagenário, o Grande Prémio de Macau está com uma saúde de ferro. São setes as corridas este ano e todas elas com potencial para oferecer um espectáculo de luxo e incerteza asfixiante até ao mostrar da axadrezada a todos aqueles que quiserem assistir ao vivo ao Carnaval que invade a cidade, ou que, simplesmente, optarem por seguir a cobertura da TDM no mais aprazível sofá. A decisão do título do WTCC não será tão escaldante como em anos anteriores, mas a prova baterá recordes de inscritos e de distribuição televisiva e a primeira travagem para o Lisboa é sempre um “must see” do fim-de-semana. A Fórmula 3, que vive momentos periclitantes na Europa, terá a sua maior corrida do ano na RAEM e só pelo facto de Portugal ter em pista um piloto capaz de vencer, algo que não deverá voltar a acontecer nos próximos dez anos, só por si merece a nossa atenção. O atestado de óbito passado ao Grande Prémio de Motos por algumas vozes inglesas em 2011 terá sido metido no fundo de uma gaveta e a corrida parece ter ganho novo fôlego com a saída de Mike Trimby. A Taça GT Macau será a corrida do ano na Ásia no que há modalidade diz respeito, com o exaltante duelo de titãs “Mortara vs Di Grassi” a não perder. E tanto na Taça CTM, na Corrida do Hotel Fortuna, como na Roadsport, as grelhas de partida estão mais fortes e a animação é garantida. Mais que o mega-orçamento de 160 milhões de patacas, aquela que é de longe a prova mais burocrática do ano, tem no Circuito da Guia, no prestígio amealhado ao longos
AS MOTOS NÃO MORRERAM NA GUIA E DIDIER GRAMS PODE VOLTAR A FESTEJAR
das cinquenta e oito edições anteriores e na dedicação de uma série de pessoas (muitas delas anónimas) que lhe dão vida, os ingredientes para o sucesso reconhecido internacionalmente. Mas como diz o povo, não há bela sem senão. E a “grande festa”, o cartaz desportivo anual da RAEM por excelência, continua assombrada pelo ininteligível braço de ferro entre pilotos e as entidades responsáveis pelos desportos motorizados. Se até 2010 a distribuição dos apoios para as provas além-fronteiras aos pilotos locais não agradava a todos, a medida introduzida o ano passado foi consensual, não agradou a ninguém. Como o bom senso nem sempre impera e nenhuma sumidade quer perder a face numa terra em que aparências ainda contam, tudo continuará como está, ou não. Ao contrário de anos anteriores, até à data ainda não foram anunciados os critérios que estarão em vigor no próximo ano, mas as esperanças da chegada de um sopro de mudança esfumam-se se recordarmos as palavras do único dirigente desportivo a pronunciar-se publicamente sobre o assunto que ditou literalmente o destino dos pilotos à sua sorte. Nestas condições, onde há mais a perder que a ganhar, e sujeitos a participar em provas de campeonatos em que habitualmente não competem - porque participar no Grande Prémio também é critério obrigatório – ninguém pode esperar que a “prata da casa” opere milagres num dos mais traiçoeiros e imprevisíveis circuitos do mundo. A bandeira verde com a flor de lótus talvez até seja hasteada no pódio neste Grande Prémio, e todos trocemos por isso, quiçá até a veremos no mastro mais alto, mas que algo está podre, está. E não é no Reino da Dinamarca...