gonçalo lobo pinheiro
22-11-10
Um Grande Prémio cheio de tudo Sérgio Fonseca
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Uma vez mais o Grande Prémio de Macau não defraudou as expectativas, até as dos mais exigentes. Nesta edição, a décima sob Macau administrado pelas suas gentes, tivemos recordes batidos, dentro e fora da pista, drama, emoção, incerteza, com muitas e muitas histórias para contar, mas nem todas com um final feliz. Os acidentes e incidentes, em número especialmente elevado, foram os principais protagonistas da prova - que o digam a estrelas da terra André Couto, Rodolfo Ávila, ou Michael Ho, todos eles vítimas das circunstâncias obrigando a organização da prova a fazer uma ginástica sensacional para segurar os horários, sempre sob pressão dos tempos de satélite do WTCC e F3. Felizmente, os deuses estiveram com o
Circuito da Guia e as consequências foram sempre menores em proporção ao aparato. Habitualmente fora das luzes da ribalta, os comissários de pista - este grupo de pessoas que torna o espectáculo possível - tiveram um fim-de-semana em cheio e, face a tanta solicitação, não tiveram mãos a medir, conseguindo com muito esforço manter a reputação única que o Circuito da Guia goza na Ásia. No campo desportivo, confirmaram-se as previsões aqui lançadas quase na íntegra nas corridas de suporte: os pilotos de Macau subjugaram a corrida dos “Iniciados”, os carros ex-WTCC dos pilotos de Hong Kong ditaram a lei na ex-Taça CTM, a tumultuosa Corrida Macau Road Sport Challenge precisa de ser seriamente repensada, os Lamborghini e Audi não deram bola a ninguém nos GT e um Sainz ganhou no adeus da Fórmula BMW Pacífico. Nas três corridas cabeça de cartaz, a
vitória de Mortara, que assim se tornou o primeiro piloto a vencer a corrida de Fórmula 3 por duas vezes consecutivas, fará os cabeçalhos das edições desportivas de hoje. Este resultado apenas é possível porque há uma super-equipa por trás, uma mini-equipa de F1, e um investimento da Volkswagen incalculável. Nas duas massacrantes corridas do WTCC, categoria na qual o título ficou resolvido durante a semana nos corredores de Paris, e não nas vielas do Monte da Guia, a Chevrolet selou o campeonato de construtores com uma dobradinha. Nas “duas rodas”, Easton voltou a adiar a concretização do recorde de Rutter por mais um ano, num dos mais renhidos duelos a dois que alguma vez esta corrida assistiu. E que bom que seria para a prova se estes dois continuassem a ombrear desta forma por mais uns aninhos. Em hora de
balanços, e comparando com as últimas duas edições, desta vez ficaram menos “títulos” na casa. Um esperado pódio completo no Troféu Hotel Fortuna e um segundo lugar na Macau Road Sport Challenge foi o saldo, curto alguns dirão, de Macau. Este também foi um ano em que Portugal, uma perfeita ironia face à conjuntura económica actual da metrópole, voltou a estar representado como há muito não havia memória. Não só em números, como em qualidade. Ainda não foi desta que se voltou a ouvir “A Portuguesa” no edifício do Grande Prémio, mas o promissor António Félix da Costa obteve um formidável sexto lugar na F3, Luís Carreira não desapontou nas “duas rodas” e Monteiro hasteou a bandeira de Portugal no pódio da Corrida Guia. E assim foi, em muito poucas palavras, a 57.ª edição do Grande Prémio de Macau. Para o ano há mais...