Hoje Macau | Especial GP Macau III

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gonçalo lobo pinheiro

19-11-10

O passado numa quinta-feira previsível Sérgio Fonseca

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gonçalo lobo pinheiro

Há um velho ditado português que diz que “o primeiro milho é para os pardais”. E a história repete-se em cada primeiro dia de competição em pista do Grande Prémio de Macau. Ontem, não foi excepção. As quintas e sextas-feiras servem para medir a temperatura do que se vai passar no fim-desemana, pois os resultados dos treinos-livres e das classificativas valem o que valem e rapidamente cairão no esquecimento. A “gloriosa incerteza do desporto”, alusão que particularmente encaixa tão bem com

o Grande Prémio de Macau, não teve ontem muito significado. Como anteciparam os “expert”, ai temos a Chevrolet na frente do WTCC, Mortara no topo da Fórmula 3, Rutter e Easton como líderes nas motos, os pilotos da terra a dominar na corrida de “iniciados” e a serem suplantados pelos rivais de Hong Kong na ex-Taça CTM. Não tem sido motivo de celebrações mas esta é a décima edição da prova pós-transferência da administração de Macau de Portugal para a China. Se Macau sofreu uma transformação espectacular nos dez últimos anos, já o mesmo não se pode dizer do seu maior evento desportivo de carácter anual. Para além

do Coordenador, a organização do evento manteve-se mais ou menos inalterada, e talvez esse seja um dos segredos da vitalidade da prova. Há dez anos os portugueses André Couto e Tiago Monteiro, hoje saudáveis rivais na Corrida da Guia, mediam forças entre si na corrida de Fórmula 3, corrida essa em que a Dallara era tal como hoje a única fornecedora de chassis para a prova. Michael Rutter, que hoje é favorito para somar mais uma vitória, quiçá bater o famoso recorde de Ron Haslam no Grande Prémio, era há dez anos igualmente candidato ao triunfo, ou não tivesse ele vencido pela primeira vez dois anos antes. Ainda nas “duas rodas”, em

2000, estreava-se na jovem RAEM um motociclista português chamado João Fernandes. Na Corrida da Guia, que adoptava a nova regulamentação FIASuper-Produção, os BMW ditavam as leis. A 47ª edição reuniu mais de trezentos concorrentes, mereceu a cobertura de mais de cinco centenas de jornalistas e vinte mil espectadores terão assistido ao vivo às várias corridas. O programa de provas já era na altura o único do mundo em circuito urbano a combinar provas de automobilismo e motociclismo, e mais de mil residentes davam corpo ao que é hoje uma história de sucesso. Assim foi há dez anos.


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