Modelo de Atendimento Virtual desenvolvido por Hans Dohmann chega a grandes empresas
Gestor em Saúde, Hans Dohmann explica como as ferramentas digitais de monitoramento, teleatendimento e gestão populacional ganham espaço nas empresas, ampliam prevenção e ajudam a reduzir custos assistenciais.

O uso de ferramentas digitais na saúde corporativa tem aumentado na mesma medida em que as empresas buscam reduzir custos assistenciais. O número de atendimentos médicos remotos chegou a cerca de 30 milhões em 2023, contra 11 milhões acumulados entre 2020 e 2022, segundo levantamento divulgado pela FenaSaúde (Federação Nacional da Saúde Suplementar).
Segundo Hans Dohmann, cardiologista, gestor em saúde e diretor médico da Stone, esse movimento reflete uma mudança estrutural na forma como as empresas gerenciam riscos em saúde. "Soluções digitais permitem acompanhar indicadores de forma contínua, orientar a jornada do paciente e reduzir usos desnecessários da rede presencial", afirma.
Monitoramento remoto e prevenção de doenças crônicas
Estudos internacionais indicam que plataformas digitais podem reduzir o agravamento de doenças crônicas e diminuir afastamentos. Uma análise da McKinsey mostrou que programas de prevenção digital reduzem em até 20% os gastos relacionados à hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares, condições que concentram grande parte da sinistralidade no setor corporativo.
De acordo com Dohmann, esse tipo de monitoramento altera a dinâmica do cuidado. "Com dados coletados em tempo real, é possível intervir antes que um quadro evolua e evitar internações ou atendimentos de urgência".
Como o modelo desenvolvido por Hans Dohmann redefine a gestão de saúde nas empresas
Desenvolvido por Hans Dohmann, o Corporate Health Value Office (CHEVO) ou Escritório gerador de valor para saúde corporativa é uma evolução do conceito de hospital digital ao integrar, de forma coordenada, serviços online e presenciais em todos os níveis de atenção.
O modelo combina promoção de saúde, prevenção, atenção primária e secundária, saúde emocional, gestão de casos complexos e acompanhamento de internações por meio de um centro de comando digital.
Além de ampliar acesso e permitir gestão clínica quase em tempo real, o CHEVO incorpora aspectos regulatórios, reduz dependência de serviços terceirizados e atua diretamente na contenção da VCMH e do absenteísmo. Segundo Dohmann, essa estrutura tem demonstrado capacidade de entregar valor contínuo às corporações ao reorganizar fluxos, melhorar a coordenação do cuidado e sustentar resultados assistenciais e financeiros.
Modelo de saúde corporativa ganha força com adoção por grandes empresas
Desenvolvido na Vitta, uma empresa da Stone, e implantado na gestão de saúde da própria Stone há alguns anos, o modelo vem entregando excelentes resultados. A expansão desse tipo de abordagem pode ser observada no movimento recente da Vivo, empresa líder em telecomunicações no Brasil, que implementou um hospital digital interno para atender aproximadamente 33 mil funcionários e cerca de 50 mil dependentes, bem como no Hospital Albert Einstein, instituição de referência em saúde que também disponibiliza modelo similar aos seus colaboradores. O serviço funciona como uma porta de entrada única: o WhatsApp, e o paciente é conduzido por enfermeiros e, quando necessário, direcionada para médicos de diferentes especialidades em regime virtual, com atendimento contínuo e integração a parceiros presenciais.
O conceito de todos estes serviços é baseado em navegação digital, atenção primária estruturada e gestão orientada por dados, seguindo o mesmo modelo desenhado e implementado por Hans Dohmann em suas iniciativas na área de saúde corporativa da Stone.
Para o especialista, a adoção do conceito CHEVO por grandes empresas demonstra que a combinação entre monitoramento remoto, coordenação do cuidado, teleatendimento estruturado com aspectos da saúde corporativa como bem-estar, saúde mental e absenteísmo, se tornou um caminho concreto para aumentar resolutividade e reduzir custos assistenciais no setor privado.
Integração entre teleatendimento e serviços presenciais
A Organização Mundial da Saúde tem apontado que modelos híbridos, combinando teleatendimento com serviços presenciais de maior complexidade, aumentam a resolutividade das equipes de cuidado. No Brasil, o uso da telemedicina cresceu 3.000% entre 2020 e 2023, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Telemedicina e Saúde Digital.
O Hospital Virtual Verde, iniciativa liderada por Dohmann na Stone, opera com essa lógica. "A navegação digital organiza o fluxo do trabalhador e evita que ele seja direcionado para exames ou consultas presenciais quando não há indicação clínica, e, ao mesmo tempo, permite a identificação precoce de problemas com potencial de agravamento. Facilita, portanto, a pertinência do cuidado".
Ferramenta de gestão e redução de gastos
Relatórios internacionais, como o Global Benefits Attitudes Survey, mostram que 64% dos trabalhadores desejam programas de saúde estruturados, mas só 37% aderem a ações presenciais tradicionais. O uso de plataformas digitais tem ampliado esse engajamento e permitido que empresas acompanhem métricas como risco cardiovascular, saúde mental, adesão a tratamentos e utilização de serviços.
Para Dohmann, o diferencial das soluções digitais está na capacidade de gerar inteligência sobre a população atendida. "É possível mapear fatores que elevam custos, planejar intervenções e medir impacto. Isso transforma o modelo de saúde corporativa".
Hans Dohmann
Hans Dohmann é médico e doutor em Ciências da Saúde pela UFRJ, com experiência em pesquisa, gestão pública e modelos de cuidado em saúde. Hans Dohmann é médico cardiologista, mestre em Cardiologia pela UERJ e doutor em Ciências da Saúde pela UFRJ. Atuou como diretor do Hospital PróCardíaco, do Instituto Estadual de Cardiologia e do Instituto Nacional de Cardiologia. Foi secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro entre 2009 e 2014. Atualmente, é diretor médico da Stone, onde desenvolve projetos de saúde digital e gestão populacional.