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Isha Lerner Mark Lerner
Uma Jornada da Psique Humana Através dos Arquétipos Ocultos nos Contos de Fadas, Mitos e Espíritos da Natureza Tradução Carmen Youssef Ilustrações Christopher Guilfoil
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Título do original: Inner Child Cards – A Journey Into Fairy Tales, Myth and Nature. Copyright © 1992 Isha Lerner e Mark Lerner. Publicado nos USA por Park Street Press, uma divisão da Inner Traditions International, Rochester, Vermont. Essa edição foi publicada mediante acordo com a Inner Traditions International. Copyright da edição brasileira © 1996, 2022 Editora Pensamento-Cultrix Ltda. 2a edição 2022. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou usada de qualquer forma ou por qualquer meio, eletrônico ou mecânico, inclusive fotocópias, gravações ou sistema de armazenamento em banco de dados, sem permissão por escrito, exceto nos casos de trechos curtos citados em resenhas críticas ou artigos de revista. A Editora Pensamento não se responsabiliza por eventuais mudanças ocorridas nos endereços convencionais ou eletrônicos citados neste livro. Obs.: Publicado anteriormente com o subtítulo Uma Viagem da Psique Humana pelos Contos de Fadas, pelos Mitos e pela Natureza. Editor: Adilson Silva Ramachandra Gerente editorial: Roseli de S. Ferraz Preparação de originais: Alessandra Miranda de Sá Gerente de produção editorial: Indiara Faria Kayo Revisão técnica: Leo Chioda Editoração eletrônica: Join Bureau Revisão: Luciane H. Gomide Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Lerner, Isha O tarô da criança interior: uma jornada da psique humana através dos arquétipos Ocultos nos contos de fadas, mitos e espíritos da natureza / Isha Lerner, Mark Lerner; ilustrações Christopher Guilfoil; tradução Carmen Youssef. – 2. ed. – São Paulo: Editora Pensamento, 2022. Título original: Inner child cards: a journey into fairy tales, myth, and nature ISBN 978-85-315-2189-8 1. Contos de fada 2. Tarô I. Lerner, Mark. II. Guilfoil, Christopher. III. Título. 22-104239
CDD-133.32424 Índices para catálogo sistemático: 1. Tarô : Artes divinatórias: Ciências ocultas 133.32424 Cibele Maria Dias – Bibliotecária – CRB-8/9427
Direitos de tradução para a língua portuguesa adquiridos com exclusividade pela EDITORA PENSAMENTO-CULTRIX LTDA., que se reserva a propriedade literária desta tradução. Rua Dr. Mário Vicente, 368 – 04270-000 – São Paulo – SP – Fone: (11) 2066-9000 http://www.editorapensamento.com.br E-mail: atendimento@editorapensamento.com.br Foi feito o depósito legal.
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Abençoadas sejam as crianças, pois elas herdarão a Terra.
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Para Gabrielle, Katya e todas as crianças da Terra
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Sumário
Agradecimentos...........................................................................
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Introdução ..................................................................................
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Prefácio.......................................................................................
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PARTE I: O Oráculo Como usar este baralho...............................................................
31
Como usar o baralho com crianças..............................................
41
Métodos de leitura......................................................................
45
O poço dos desejos.............................................................
46
Virando a esquina...............................................................
48
A criança (Child)...............................................................
49
O arco-íris..........................................................................
52
A amarelinha......................................................................
53
A escada em caracol...........................................................
56
PARTE II: Os Arcanos Maiores Introdução...................................................................................
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0 Chapeuzinho Vermelho......................................
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I Aladim e a Lâmpada Mágica..............................
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II A Fada Madrinha...............................................
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III Mamãe Ganso...................................................
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IV As Roupas Novas do Imperador.........................
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V O Mago.............................................................
87
VI João e Maria......................................................
91
VII Peter Pan...........................................................
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VIII A Bela e a Fera..................................................
99
IX Branca de Neve.................................................
103
X Alice no País das Maravilhas..............................
107
XI O Toque de Midas.............................................
111
XII João e o Pé de Feijão..........................................
115
XIII A Bela Adormecida............................................
119
XIV O Anjo da Guarda..............................................
125
XV O Lobo Mau......................................................
129
XVI Rapunzel...........................................................
133
XVII A Estrela dos Desejos........................................
137
XVIII Cinderela...........................................................
141
XIX A Estrada de Tijolos Amarelos...........................
145
XX Os Três Porquinhos...........................................
149
XXI A Criança Terra.................................................
153
PARTE III: Os Arcanos Menores Introdução................................................................................... 159 As Varinhas de Condão............................................................... 163 Ás de Varinhas de Condão.................................................. 165 Dois de Varinhas de Condão.............................................. 167 Três de Varinhas de Condão............................................... 169 Quatro de Varinhas de Condão........................................... 171 Cinco de Varinhas de Condão............................................ 173
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Sumário
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Seis de Varinhas de Condão............................................... 175 Sete de Varinhas de Condão............................................... 177 Oito de Varinhas de Condão............................................... 179 Nove de Varinhas de Condão............................................. 181 Dez de Varinhas de Condão............................................... 183 Criança de Varinhas de Condão: O Pequeno Príncipe........ 185 A Exploradora de Varinhas de Condão: Dorothy................. 189 Guia de Varinhas de Condão: O Flautista de Hamelin....... 193 O Guardião de Varinhas de Condão: Rafael....................... 197 As Espadas da Verdade................................................................ 199 Ás de Espadas.................................................................... 201 Dois de Espadas................................................................. 205 Três de Espadas................................................................. 207 Quatro de Espadas............................................................. 209 Cinco de Espadas.............................................................. 211 Seis de Espadas.................................................................. 213 Sete de Espadas................................................................. 215 Oito de Espadas................................................................. 217 Nove de Espadas................................................................ 219 Dez de Espadas.................................................................. 221 Criança de Espadas: Pinóquio............................................ 223 O Explorador de Espadas: O Espantalho............................ 227 Guia de Espadas: Robin Hood........................................... 231 Guardião de Espadas: Miguel............................................. 235 Os Corações Alados.................................................................... 237 Ás de Corações.................................................................. 239 Dois de Corações............................................................... 241 Três de Corações................................................................ 243 Quatro de Corações........................................................... 245
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Cinco de Corações............................................................. 247 Seis de Corações................................................................ 249 Sete de Corações............................................................... 251 Oito de Corações............................................................... 253 Nove de Corações.............................................................. 255 Dez de Corações................................................................ 257 Criança de Corações: Cachinhos Dourados....................... 259 Explorador de Corações: O Homem de Lata...................... 263 Guia de Corações: A Fada Boa........................................... 267 Guardiã de Corações: Gabriela.......................................... 271 Os Cristais da Terra..................................................................... 273 Ás de Cristais..................................................................... 275 Dois de Cristais.................................................................. 277 Três de Cristais.................................................................. 279 Quatro de Cristais.............................................................. 281 Cinco de Cristais............................................................... 283 Seis de Cristais.................................................................. 285 Sete de Cristais.................................................................. 287 Oito de Cristais.................................................................. 289 Nove de Cristais................................................................ 291 Dez de Cristais................................................................... 293 Criança de Cristais: Huck Finn.......................................... 295 Explorador de Cristais: O Leão Covarde............................ 299 Guia de Cristais: Papai Noel.............................................. 303 Guardiã de Cristais: Gaia................................................... 307 Notas.......................................................................................... 309 Bibliografia.................................................................................. 311
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Agradecimentos
ostaríamos de agradecer a Barbara Hand Clow, Barbara Doern Drew, à nossa editora, Gail Vivino, à nossa projetista, Marilyn Hager Biethan, e a toda a equipe da Bear & Company, que acreditaram na magia deste projeto e nos ajudaram a apresentá-lo ao mundo. Para Hannah Jacobson Nealley, nosso caloroso e profundo reconhecimento. Hannah é uma poética e maravilhosa contadora de histórias; muitas páginas deste livro tiveram a bênção da sua visão penetrante e de seu profundo amor pelos contos de fadas. Um obrigado às nossas duas filhas, Gabrielle e Katya, pelas opiniões e pelos conselhos sobre as imagens das cartas. Nosso sincero reconhecimento aos amigos especiais e pessoas queridas que nos apoiam há muitos anos: Cherie e John Godon-Bynum, Li Bette Porter, Stephen Eiring, Kaya Weinman, Tom Boerman, Nancy Vierra, Yvonne Vowels, Christeen Reeg, Steffi e Gary Escandon, Leah Tzivea Barron, e David e Gladys Lerner. Homenageamos com afeto a memória de Colleen Keating, mãe de Isha, cujo falecimento fez com que Isha empreendesse uma profunda jornada através da dor, do amor e da compaixão.
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Um abraço amoroso e um muito obrigado para a criança interior que nos guiou e abriu nosso coração durante este empreendimento. Este projeto é uma comprovação de que a dor pode ser transformada em uma dádiva de amor. O amor é, de todos, o maior agente de cura. Por fim, somos especialmente gratos ao nosso querido amigo Christopher Guilfoil, o artista que ilustrou as cartas – há pessoas que vão mais longe do que pode imaginar o coração humano. Agradecemos a você, nosso amigo para sempre.
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Introdução
s arquétipos universais do tarô – o Louco, o Mago, a Sacerdotisa, o Rei – são comuns a todas as mitologias do mundo. Entretanto, como qualquer autêntico produto cultural, a elaboração e a interpretação de cada baralho de tarô refletem a estética e as inclinações dos respectivos artistas e filósofos; até certo ponto, ele “funciona” para alguém porque a arte e a filosofia ali contidas encontram ressonância nessa pessoa. Esse verdadeiro casamento entre arte e filosofia é o que distingue o tarô da maioria dos sistemas esotéricos e de “ocultismo”, como são chamados. Como a arte e também a filosofia, o sistema de tarô é o reflexo de uma época, de uma era da história humana. Somos tanto seres humanos que têm experiências espirituais como seres espirituais que têm experiências humanas, e o tarô é a linguagem que articula a jornada espiritual da alma na esfera propriamente humana. A “verdadeira” função esotérica do tarô não é o seu uso como instrumento de leitura de sorte ou de adivinhação, mas sim sua misteriosa capacidade de mapear a vida que vivemos agora. Dessa forma, o tarô é um salão de espelhos das épocas da nossa vida. Ele mostra a formação de uma cultura humana e as múltiplas fases da sua transformação e
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crescimento. Quer se trate de uma microcultura de alguém que cria o seu “tarô pessoal”, quer da macrocultura do tradicional panteão egípcio, cada carta do tarô espelha uma série de momentos-chave da história pessoal e coletiva. Essas experiências de pico são cristalizadas em imagens dotadas de muita força e visão penetrante, em virtude da observação acurada das particularidades específicas da nossa condição humana cada vez mais intensa. A palavra-chave aqui é “específico”: é através do muito, do muito específico que a base universal do ser, compartilhada por todos, vem à luz. Outro motivo pelo qual o tarô funciona é a atenção aos pormenores nítidos, o que é feito sem exigir do usuário crença alguma em dogma algum. Lembro-me da surpresa que tive ao ouvir, certa vez, de um intérprete profissional do tarô: “Não acredito no tarô, mas ele funciona!”. Um oráculo eficaz, como o tarô pode ser, reflete os processos que permitem acreditar mais em nós mesmos e naquilo que decidimos defender; o tarô não reivindica o conhecimento da verdade, mas da verdade de cada um. O tarô atua sobre a alma – o âmago de uma vida vivida dentro de cada um – de acordo com o grau de sua força de imaginação; quanto mais cheio de imaginação o tarô, tanto maior a sua tendência para falar com exatidão o dialeto psíquico da alma. Em uma época em que as pessoas correm o risco de perder a imaginação (e as almas dela encarregadas) pelo excesso de televisão e propaganda dos veículos de comunicação de massa, temos no Tarô da Criança Interior, de Mark Lerner e Isha Lerner, um comovente retorno à raízes euro-americanas dos contos de fadas. Antes da “Idade da Razão” – antes de Descartes, antes de Newton –, as histórias e os contos de fadas eram a forma habitual de transmitir o saber de nível superior. À luz do novo “pensamento científico esclarecido”, os contos de fadas prontamente perderam o valor para os adultos “sérios”, sendo confiados às “crianças”, entre as quais ainda subsistem. Felizmente para
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Introdução
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nós, adultos mais imaginativos, chegou – em boa hora – o Tarô da Crian-
ça Interior, contando histórias que todos somos capazes de lembrar. Essa novidade pode não ser facilmente aceita por alguns aficionados do tarô mais tradicional, que se identificaram com as interpretações babilônicas/ sumerianas/egípcias de tempos passados. Muitos ficarão surpresos e até mesmo indignados com a audácia de O Tarô da Criança Interior, e com bons motivos. Em primeiro lugar, essas cartas celebram o espírito de imaginação da criança. Em segundo lugar, decompõem e reorganizam as metáforas tradicionais. De acordo com o que nos informa a teoria geral da semântica, no reino da psique quem quer que controle a metáfora tradicional também domina a mente. Mark e Isha Lerner operaram nada menos que um milagre simbólico, ao modernizar um sistema místico arcaico de acordo com as raízes culturais euro-americanas comuns a eles e a muitos de nós na atualidade. O aspecto mais revolucionário das cartas de O Tarô da Criança In-
terior é que elas funcionam bem, tocam e fazem ressoar as cordas da memória emocional e da vida psíquica vinculadas às histórias da infância, há muito esquecidas – cada gravura é uma história diferente. As encantadoras ilustrações de Christopher Guilfoil têm um feitiço peculiar, como se tivessem sido pintadas pelas próprias fadas. As histórias – “Chapeuzinho Vermelho”, “Aladim e a Lâmpada Mágica”, “A Fada Madrinha” (O Louco, o Mago, a Sacerdotisa) – dizem tudo. E, por último, os autores revelam o seu senso de humor quando pintam o Diabo nada mais, nada menos como o Lobo Mau em pessoa. Só isso bastaria para começar a desmistificar os nossos “demônios”... As cartas de O Tarô da Criança Interior foram criadas por dois astrólogos profissionais com amplo conhecimento da simbologia do tarô. Mark e Isha Lerner fizeram coincidir o lançamento dessas cartas com uma ocorrência astrológica de grande significação histórica, conhecida por astrólogos de todas as partes como a conjunção de Urano e Netuno
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em Capricórnio (1991-1995). Seria preciso escrever um livro inteiro para explorar o significado dessas conjunções, mas vou dizer apenas que a única outra ocasião em que aconteceu algo de magnitude semelhante, em termos astrológicos, foi durante a indiscutível revolução cultural do final da década de 1960, quando Urano e Plutão faziam conjunção em Virgem. As extraordinárias mudanças culturais da atualidade indicam um paralelismo. Essas cartas também chegam em uma época, em termos astrológicos, em que, depois de 2 mil anos, a humanidade se prepara para entrar em uma nova Era, a de Aquário. Todo astrólogo sabe que cada signo tem seu oposto, e que cada era astrológica tem sua própria polaridade de forças cósmicas. No caso da Era de Aquário, trata-se nada menos do que Leão, o símbolo astrológico (entre outros temas) do arquétipo da criança interior. Os autores sabem o que estão fazendo. Além de explorar os mitos tradicionais desses contos de fadas, eles se aventuraram no futuro, criando novos mitos, simbolizados na gravura da última carta deste baralho. Tradicionalmente chamada “O Mundo”, a “Criança Terra” deste baralho sintetiza em uma única carta toda a jornada dos Arcanos Maiores, juntando o fim ao começo, em uma celebração do tempo galáctico de nossas verdadeiras origens espirituais... almas que lutam por renascer e incorporar a condição humana. Os Arcanos Menores também foram magistralmente reorganizados com maior criatividade, atribuindo novos nomes aos quatro naipes tradicionais – Paus, Espadas, Copas e Pentáculos (Ouros): Varinhas de Condão, Espadas da Verdade, Corações Alados e Cristais da Terra, respectivamente. A primitiva “densidade” e exagerada sobriedade da “sabedoria adulta” foram abolidas – graças a Deus! –, deixando à mostra a seriedade das brincadeiras infantis. Os pedagogos modernos sabem, agora, que o espírito de brincadeira, além de acelerar o processo de
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Introdução
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aprendizado, ensina a importância de aprender novas formas de conti
nuar aprendendo. As dezesseis figuras da corte dos Arcanos Menores ampliam a intenção original do tarô tradicional, injetando vida nova no modelo educacional mestre-aprendiz. Com a história moderna de “O Mágico de Oz”, a alma errante aprende a vivenciar o “ser humano de três centros”: cabeça, coração e entranhas. As conhecidas histórias de “O Pequeno Príncipe”, de “Pinóquio”, de “Cachinhos Dourados” e de “Huck Finn” articulam com compassividade os estágios formativos e infantis do aprendizado em cada uma das quatro esferas. Aos três dos quatro Arcanjos – Rafael, Miguel e Gabriel – junta-se a própria Guardiã dos Cristais, Gaia, que proporciona proteção invisível à alma inocente ao longo dos mais perigosos abismos. Outras cartas refletem possíveis papéis modelares e aspirações para orientar a alma aprendiz em sua jornada que, não vamos esquecer, é a alma como aprendiz de ser humano. Desde seu misterioso início há séculos, as imagens do tarô têm sido retratadas em forma de quadros, como momentos magnificamente congelados, suspensos no tempo. Ao atribuir uma história arquetípica diferente a cada uma das cartas, O Tarô da Criança Interior dá um salto qualitativo, passando da vida imóvel para a animação tridimensional, à medida que cada carta adquire vida, com seu próprio começo, meio e fim. Só isso vale o preço da entrada para o teatro da alma multidimensional que os autores nos oferecem. Antero Alli Seattle, Washington Janeiro de 1992
Antero Alli é o autor de Astrologik e Angel Tech e diretor da Paratheatrical Research de Seattle.
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Prefácio
ma feiticeira. Dragões e castelos. Uma princesa encantada. A bruxa malvada. O lobo mau. Não podemos imaginar a infância sem as fábulas e seus personagens multidimen sionais, personagens que adquirem vida como nossos heróis, heroínas, pesadelos e sonhos. Essas figuras levam-nos à descoberta dos tesouros de nossa própria alma. A história de “A Bela Adormecida” encerra uma lição sobre a morte e o renascimento, a milagrosa transformação por que passamos ao evoluir da infância para a idade adulta. O tema de “Chapeuzinho Vermelho” dos Irmãos Grimm esconde uma introdução ao estágio de vida chamado individuação. Está implícito na fábula o conflito pessoal que enfrentamos ao nos depararmos com a dualidade aventura versus dever. Essa lição engloba a curiosidade, a inocência e a crise final do enfrentamento da própria sombra (ou da sombra coletiva, representada pelo lobo mau). Mamãe Ganso é a precursora histórica da vida e do mito, pois ela, simbolicamente, põe o ovo de ouro, o Sol, a Lua e, em alguns folclores, todo o Universo. Quando somos pequenos, a fantasia enche nossa vida. Somos apresentados a elfos e gnomos, anões e guerreiros, anjos e feras. Aprendemos
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que a fé faz a alma brilhar, que a pureza é nossa maior alegria, e que o sofrimento e o sacrifício são as joias não lapidadas dos tesouros que estão por vir. Os contos de fadas, contados e recontados, enriquecem a parte mais profunda do coração, que é o nascedouro de nossas esperanças e ideais. Nenhuma outra criação literária tem um efeito tão fundamental sobre nós como os contos de fadas. Diz-se que o folclore era tradicionalmente transmitido oralmente de professor para aluno, como forma de esclarecer o povo simples. Em certo sentido, portanto, o contador de histórias, o pai, o professor, ou qualquer pessoa que conta uma história, se torna um místico. A educação propiciada pelo mito é uma semeadura que prepara o solo para produzir força interior, segurança e autorrealização. A vivência interna do mito estimula os quatro estágios do desenvolvimento: físico, emocional, mental e espiritual. As histórias infantis são um veículo pelo qual descobrimos e reverenciamos a musa. O que significa ficar entretido ou encantado? Por que, nas histórias de fadas, avançamos por caminhos sinuosos e intricados, em horripilantes e fascinantes tramas e, num piscar de olhos, vemo-nos alquimizados em pedras, animais, bruxas ou sapos? Nesses eventos transformadores, perdemos contato com a realidade cotidiana e, em certo sentido, perdemos a memória, para podermos renascer. Uma vez quebrado o encanto, nasce um mito pessoal maior. As histórias de antigamente sugerem soluções. Seu objetivo nunca foi o de dar respostas, julgar, punir ou negar o fato de que, apesar de sermos mortais, não somos diferentes das magníficas fadas, anjos e magos encontrados na literatura infantil. As primeiras noções de rimas, enigmas e versos transformam-se em meios para atingir a maturidade e a capacidade de imaginar.
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Prefácio
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A mente da criança é repleta de imagens criativas. Essas imagens sondam a alma, desvelam o poder da luz e da sombra e desencadeiam o impulso de entender o desejo, o amor e o conflito. Da profunda percepção dos arquétipos de histórias vem o despertar das forças subconscientes que, com o tempo, curam o espírito. Os enigmas e as complicações da vida não são resolvidos com palavras, mas com previsão, clareza e experiência. Esse conhecimento voltado para o interior renova a vida da alma. Todos nos sentimos mais joviais e vibrantes quando crescemos no mundo imaginativo. Como os seres humanos precisam entrar na vida pelo portão da infância, os contos de fadas nunca desaparecerão. Eles constituem um fértil ponto de encontro entre a mente jovem e simples e a sabedoria da idade. Nossa cultura tirou de cena os contadores de histórias de outrora. Muitas crianças continuam ouvindo os contos e captando suas mensagens básicas, mas são raras aquelas que, por causa disso, sofrem uma mudança de consciência verdadeiramente mágica, do tipo que enriquece a vida. O recente trabalho com a criança interior, que está tendo muita projeção, busca curar e libertar a criança interior ferida, levando as pessoas de volta ao estado infantil. Nessa condição, seja ela alegre, seja triste, inevitavelmente ocorre uma nova aceitação da vida, uma iniciação. Na jornada pelo passado sofrido, as pessoas acabam encontrando o caminho para a luz. O mais inspirador de tudo isso é a percepção de que a cura interna também produz efeito sobre a dor coletiva da humanidade. Através do trabalho individual, fazemos avançar as massas, não por meio de palavras, mas por meio de um verdadeiro momentum celular – um salto qualitativo na prestação de serviço universal. Nossa maior esperança é de que O Tarô da Criança Interior seja de utilidade para nosso planeta nessa época de metamorfose global. Essas cartas introduzem a linguagem da consciência pictórica, e dessa fonte
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alimentadora é possível ouvir de novo a voz interior, há muito esquecida. Todos temos algo a aprender com a história do camponês que ganhou do rei uma floresta de sândalos e queimou-a inteiramente para vender carvão. Muitas vezes, não conseguimos ver os tesouros que jazem à nossa frente. Absortos na desesperada luta pela sobrevivência, às vezes destruímos ou ignoramos nossas mais preciosas dádivas. Cada um de nós é tão rico e divino como o Criador cósmico que nos guia. O Tarô da
Criança Interior é um tributo aos nossos eus radiantes, à criança-estrela que vive em nosso coração e fala a língua do amor. Como escritores, sabemos que a língua pode ser uma parte integrante de nosso futuro. Independentemente de sua forma – desenhada, escrita, cantada, dançada ou pintada – a linguagem, que é nossa capacidade de comunicação, é divina. Ao escrever este livro, assumimos o compromisso de criar o melhor trabalho possível. Em nossa busca interior, deparamos com a “questão de gênero” inerente aos contos de fadas; é uma questão importante para todos aqueles que usam as fábulas como ensinamento para as crianças ou para si próprias. Ao trabalhar e vivenciar O
Tarô da Criança Interior, você vai encontrar várias personagens e figuras que podem parecer representações injustas de homens e mulheres. Lembre-se, por favor, de que, para receber os ensinamentos puristas dos contos de fadas, não podemos tomar ao pé da letra as imagens femininas e masculinas; trata-se de aspectos espirituais do desenvolvimento do nosso subconsciente. Isso não diminui a importância de imagens fortes e heroicas de mulheres e meninas, ou de imagens amorosas e receptivas de homens e meninos, como meio de orientação de desenvolvimento visando à autoconfiança e à saúde do ego.1 Dizer que este projeto foi inspirador para nós seria um eufemismo. Ele veio se desenvolvendo continuamente desde que nos encontramos pela primeira vez na Fundação Findhorn em Forres, Escócia, em 1977. Foi
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lá que começamos a trabalhar juntos com os arquétipos do tarô. Como muitos de vocês sabem, a Comunidade Findhorn começou em 1962 com a chegada de Peter e Eileen Caddy e sua companheira Dorothy Maclean. Com o passar dos anos, vieram à tona histórias espantosas sobre Findhorn, relativas a jardins mágicos e “sintonização” ritualística com espíritos, devas, fadas e outros “seres invisíveis” que constituem uma parte vital do mundo da natureza. Na época de nossa chegada, a comunidade era um centro florescente de várias centenas de pessoas que trabalhavam com transformação pessoal, educação e serviço planetário. Nossa experiência em Findhorn foi o ponto de partida, o parque de diversões de onde surgiu O Tarô da Criança Interior. Na véspera do Ano-Novo de 1978, perto das badaladas da meia-noite, fizemos uma tiragem de 13 cartas em círculo, com a décima terceira ocupando o centro. Ao virarmos juntos essa carta, apareceu O Louco (carta 0 dos Arcanos Maiores). Espiritual e simbolicamente, nossa odisseia tinha começado. Em poucos meses, casamo-nos e começamos a viajar pelos Estados Unidos, ministrando seminários sobre Findhorn, astrologia e tarô. Ao mesmo tempo, no ventre de toda essa animação e todas as viagens, Gabrielle, nossa filha, estava em gestação. Embora planejássemos deixar Findhorn e nos fixar na costa oeste dos Estados Unidos, nossos “mestres interiores” nos colocaram numa peregrinação circular que nos levou de volta a Findhorn, onde Gabrielle nasceu no verão de 1979. Sem que nos déssemos conta conscientemente, e de forma realmente inspiradora, vivemos na prática a tiragem do Ano-Novo, os dois juntos, como O Louco em viagem pela estrada da evolução espiritual. Quando imaginamos Chapeuzinho Vermelho como O Louco em O
Tarô da Criança Interior, intuitivamente vimos Gabrielle como a criança seguindo pela estrada da vida. Somente agora percebemos o quanto a escolha e a sincronicidade foram intensas e significativas. Gabrielle
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completou 13 anos no ano da publicação de O Tarô da Criança Interior , o que aconteceu treze anos depois de nossa iniciação conjunta no tarô. Esse período corresponde ao número de cartas de nossa primeira tiragem. Contamos isso a vocês por ser um exemplo de como uma tiragem do tarô pode literalmente se transformar em uma experiência de vida, se tivermos coragem suficiente para viver o enredo na prática. Parece que deixamos Findhorn há muitas vidas. Nossa trajetória foi pontilhada de muitas curvas e desvios – alguns sofridos, outros alegres, mas todos proporcionando oportunidades de cura e crescimento. Hoje, já não estamos casados, mas continuamos unidos pelo fio dourado de nossas filhas, Gabrielle e Katya, por nosso trabalho e por nosso objetivo de levar esse projeto até o fim. Na acepção mais verdadeira, somos almas amigas para sempre. No mais profundo nível, nossas filhas foram a inspiração para a criação deste baralho. Quando eram bem pequenas, elas começaram a brincar com nossos baralhos de tarô. Adoravam as imagens vívidas e muitas vezes queriam saber a história da carta que escolhiam. Sempre foram atraídas pelas cartas mais inspiradas e bonitas. No entanto, desejávamos que nossas filhas pudessem usar um baralho de tarô que tivesse menos sofisticação adulta e mais gravuras que falassem ao coração. Em uma manhã do verão de 1988, na fase da lua cheia, tivemos uma maravilhosa visão em que os contos de fadas e o tarô se uniam, formando um baralho para crianças e pessoas jovens de espírito. Ao explorarmos a ideia, concluímos que a força mística do tarô formava um gracioso par com os ensinamentos de mistério dos contos de fadas e dos mitos. Naquele dia, as revelações choveram a cântaros sobre nós, como brilhantes estrelas cadentes. Estávamos impregnados por uma visão e uma sabedoria que nos ultrapassavam.
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