Destaques Matéria de capa
Ficha Técnica Distribuidor de fertilizantes sólidos Zeus 25001
SIMA 2009
Tratores
Conheça as principais novidades tecnológicas apresentadas no Salão Internacional de Máquinas Agrícolas este ano
Quais os itens devem ser avaliados em cada manutenção periódica do seu trator
Índice
24
14
18
Nossa Capa Newton Peter
Rodando por aí
04
Velocidade de semeadoras
06
Baixo Volume Terrestre
10
Reunião anual da OCDE
13
Ficha Técnica - Zeus
14
Manutenção de tratores
18
Uso de peças originais em tratores
22
SIMA2009
24
Expodireto 2009
30
Gotejamento
35
www.revistacultivar.com.br cultivar@revistacultivar.com.br Assinatura anual (11 edições*): R$ 129,90
Coluna jurídica
38
(*10 edições mensais + 1 edição conjunta em Dez/Jan)
• Editor
Gilvan Queved o Quevedo • Redação
Charles Ech er Echer • Revisão
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Grupo Cultivar de Publicações Ltda. www.revistacultivar.com.br
Cultivar Máquinas Edição Nº 83 Ano IX - Março 09 ISSN - 1676-0158 Direção Newton PPeter eter Sch ubert K. PPeter eter Schubert Secretária eri Lisboa Alves Rosimeri Rosim
Números atrasados: R$ 15,00 Assinatura Internacional: US$ 130,00 EUROS 110,00
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Por falta de espaço, não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@revistacultivar.com.br
Di anferson Alves Dianferson Edson Kr ause Krause • Impressão:
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Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.
Aviação agrícola
Termômetro
A Neiva, subsidiária da Embraer, e a Agrotec, especializada em consultoria técnica e empresarial e no fornecimento de equipamentos para pulverização agrícola, dividiram o estande durante a Expodireto. Entre os destaques no evento esteve o modelo Ipanema, a primeira aeronave do mundo fabricada em série certificada para voar com álcool como combustível.
Lucy Lancia Pereira
Marketing JD Lucy Lancia Pereira, da área de Marketing e Engenharia de Tratores da John Deere, participou da 10ª edição da Expodireto Cotrijal. A montadora trouxe para a feira diferentes modelos de tratores, que vão desde o pequeno 5703, de 57cv, até o gigante 7815, com 202cv de potência.
Pulverizador Boxer Gilberto Junqueira Zancopé e Alessandro Wojciechowski, da Montana, destacaram o pulverizador autopropelido Boxer, com motor MWM de 115cv, turbinado, com barras de 21 metros, tanque de polietileno para 1,5 mil litros e transmissão 4x2 mecânica, com cinco velocidades à frente e uma à ré.
Gilberto Zancopé e Alessandro Wojciechowski
Big FFarm arm A equipe da Planti Center mostrou na Expodireto sua linha de plantadeiras Big Farm. Entre os destaques esteve a Terraçu´s 13.000, Geração 3, com configurações que vão de seis a 13 linhas, com espaçamentos de 40cm a até 90cm.
Axial Flow Cesar Di Luca, diretor Comercial Brasil, da Case IH, destacou na Expodireto a colheitadeira Axial Flow 2388, apresentada no estande da empresa juntamente com os outros dois modelos: Axial-Flow 2399 e Axial-Flow 8010. Com motor de 284cv, tanque graneleiro de 10,2 mil litros e taxa de descarga de grãos de 85l/s, a Axial-Flow 2388 faturou o Prêmio Gerdau Melhores da Terra em 2006.
Para Luiz Feijó, diretor comercial da New Holland, a Expodireto 2009 serviu para perceber como será o comportamento do mercado durante o ano, além proporcionar o contato com clientes que estão com as lavouras em fase de colheita da safra de verão. “O movimento é sempre muito importante, ainda mais considerando que a feira ocorre em período de colheita, quando o mercado fica agitado”, avalia.
Jumil A equipe da Jumil apresentou na Expodireto a colhedora de cereais JM 390G, acoplável em tratores com potência mínima de 75cv, indicada para as culturas de milho, soja, sorgo, trigo e arroz.
Pneus A Pirelli apresentou na Expodireto as duas novas medidas de pneus para o segmento caminhão e uma para agro. O público do evento conheceu as novas medidas do 13R 22.5 FG85 e 13R 22.5 TG85, para caminhões pesados de uso misto. Os visitantes do também puderam adquirir a nova dimensão do 600/50-22.5 HF75, para transporte agrícola. Foram comercializados ainda produtos para automóveis de passeio, utilitários esportivos e motocicletas.
Luiz Feijó
Bom ano Carlito Eckert, diretor de Operações Comerciais da AGCO, aposta que 2009 trará bons frutos para a agricultura brasileira, apesar dos reflexos da conjuntura mundial. No que se refere à companhia, o dirigente salientou que ao longo dos últimos anos houve amadurecimento e otimização dos recursos, o que torna a AGCO mais sólida e preparada para enfrentar períodos de adversidade econômica.
Agrimec
Cesar Di Luca
04 • Março 09
A Agrimec apresentou na Expodireto sua linha de produtos em terraplanagem, preparo de solo e para irrigação, plantio e colheita, com destaque especial para plainas.
Carlito Eckert
John Deere A equipe da John Deere levou diversas opções de tratores para a feira, com diferentes faixas de potência para atender a pequenos, médios e grandes produtores. No evento também foram mostrados a colheitadeira 9650 STS, equipamentos de precisão, além da forrageira 7350 e da enfardadora 568.
K.O Gilmar Bohn
Colheitadeiras Gilmar Bohn, coordenador de Vendas de Colheitadeiras da Massey Ferguson, acredita na recuperação do mercado, afetado nos últimos meses pela conjuntura econômica mundial e pelas condições climáticas em algumas regiões. Bohn salienta os bons indicativos principalmente no Sul, onde o clima ajudou e os produtores estão colhendo bem.
Miac
A equipe da K.O Máquinas destacou durante a Expodireto um novo pulverizador, voltado para cultura da maçã.
A Miac deu destaque especial na Expodireto à colhedora de milho e feijão FZ Múltipla e ao desnivelador e destorroador Corsbord.
Precisão A equipe de Agricultura de Precisão da John Deere também esteve presente na Expodireto 2009. Em espaço exclusivo no estande, dedicado à tecnologia, Eduardo Martini, Tiago Oliveira, Willian Ferronato e Dinorvan Rozin, apresentaram produtos e tecnologias de ponta como piloto automático, barras de luz, mapas de produtividade e outras novidades da empresa.
Visita
Farmal
A governadora Yeda Crusius visitou o estande da Massey Ferguson durante a Expodireto. “Este é um momento de celebração de uma safra em que temos de agradecer pelo período de chuvas e àqueles que se empenharam dia-a-dia pela inovação e tecnologia, para melhorar a produtividade no campo”, discursou Yeda, que conheceu de perto o trator MF 7150 duplado, da nova Série 7100, lançamento da marca na feira.
KF Marcelo Marini
A equipe da KF participou da 10ª edição da Expodireto Cotrijal. A empresa trouxe para a feira uma extensa gama de semeadoras, plantadoras e adubadoras arrasto (múltiplas). Entre as características dos produtos oferecidos pela marca estão caixas em polietileno, mais resistente contra oxidação, e o bom desempenho em terrenos desnivelados (uniformizando a distribuição das sementes).
Com a linha de tratores de médio porte, a Case IH pretende ampliar sua participação no mercado brasileiro. “O crescimento é resultado de uma série de medidas que tornam a marca ainda mais forte. Lançamos o conceito de marcas e serviços, nacionalizamos a maior parte dos nossos produtos, que garantem a alta performance nas lavouras”, afirma o gerente de Marketing da empresa, Ari Kempenich.
Rodados duplos Marcelo Marini, gerente de Marketing da Marini Indústria de Máquinas e Implementos Agrícolas, apresentou na Expodireto a linha de produtos da empresa, especializada em rodados duplos, alongadores de eixos, aros, discos e pneus.
Ari Kempenich
Março 09 • 05
desempenho
Plantio veloz Sob diversas velocidades de plantio, duas semeadoras são avaliadas quanto ao desempenho na deposição das sementes, variação de profundidade e qualidade final de plantio
A
O experimento foi feito com uma semeadora modelo SDM 2023 da Kuhn Metasa, atualmente fora de linha e substituída pela SDM 2223
06 • Março 09
ra e maior velocidade operacional. Maior eficiência operacional e número de linhas de semeadura normalmente exigem investimentos, como máquinas para abastecimento das semeadoras ou mesmo a aquisição de semeadoras com maior número de linhas. Já o aumento na velocidade de semeadura, no máximo, irá acarretar algum aumento no consumo de combustível. As semeadoras-adubadoras realizam a abertura de sulcos no solo, dosagem das sementes que serão distribuídas, colocação das sementes nos sulcos abertos, cobertura das sementes depositadas, fixação da camada de solo em volta das sementes e aplicação, dosagem e incorporação dos fertilizantes. A máquina de semeadura deve garantir uniformidade de distribuiFotos Vilson Klein
cultura do trigo ocupa importante posição nos mercados nacional e mundial. No Brasil, é uma das principais culturas de inverno implantadas, principalmente na região Sul. O potencial de produção dessa cultura é em grande parte determinado no momento da semeadura. Época adequada e semeadura realizada em condições de umidade do solo ideais são alguns dos fatores que podem afetar esse potencial de produção. Durante o período recomendado para a semeadura do trigo no Sul do Brasil, muitas vezes as condições climáticas não são adequadas, com excessiva precipitação pluvial, acarretando semeadura em condições não favoráveis. A destacar que semeadura em solos com umidade elevada acarreta sérios danos à estrutura do solo, além de prejudicar a eficiência das semeadoras. Então, como o espaço de tempo disponível para realizar a semeadura do trigo em condições ideais é reduzido, é importante que se tenha uma elevada capacidade operacional, que pode ser obtida por uma maior eficiência operacional, maior número de linhas de semeadu-
ção em todas as linhas, colocar as sementes em profundidade uniforme e cobri-las com uma camada de terra. Ainda esta profundidade não deve ser afetada sensivelmente pelo microrrelevo do solo. Em qualquer cultivo, a profundidade de semeadura deve ser adequada para garantir a germinação e emergência das sementes e rendimento de grãos, considerando-se, para isto, as peculiaridades das sementes, as propriedades físico-químicas do solo, clima e manejo das culturas. Maiores profundidades de semeadura podem causar dificuldades de emergência das plantas pelo maior consumo energético de reservas das sementes. Profundidades inferiores a 2cm podem determinar dificuldades na germinação e emergência em casos com pouco teor
“Em qualquer cultivo, a profundidade de semeadura deve ser adequada para garantir a germinação e emergência das sementes e rendimento de grãos”
Massey Ferguson
Tabela 1 - Profundidade de semeadura de trigo e número de plantas por metro quadrado em função da velocidade de semeadura e uso de limitador de profundidade na semeadora-adubadora SDM 2023
Tabela 2 - Percentual de cobertura de solo com restos culturais após a semeadura com uma semeadoraadubadora SDM 2023, em função de diferentes velocidades de semeadura e uso de limitador de profundidade
Velocidade Profundidade (cm) SEM km h-1 COM1 4,3 2,49ns 2,88 7,1 2,71 2,76 13,5 2,58 3,12 CV (%) 11,93
Limitador de profundidade
Nº° plantas/m2 COM SEM 258ns 207 249 214 278 252 25,66
1- COM = com limitador de profundidade; SEM = sem limitador de profundidade; ns = não significativo pelo teste F (5%)
de água no solo e também por haver um menor contato entre a semente e o solo. A profundidade de colocação da semente é um fator de difícil controle, especialmente em plantio direto. O controle de profundidade da semeadura pode ser realizado com o uso de rodas limitadoras de profundidade. Estas rodas são acopladas aos mecanismos rompedores, responsáveis pela colocação de semente no sulco, permitindo o ajuste para diferentes profundidades de operação. Para avaliar estas condições, foi realizado um trabalho de pesquisa composto por dois experimentos realizados no Campo Experimental da FAMV/UPF em um latossolo vermelho distrófico típico. A área possuía no momento da semeadura uma cobertura 89,3% da superfície, com restos da cultura da soja,
COM SEM Média (CV (%)
Profundidade (cm) 7,1 (%) 70,5ns 59,7 74,7 61,7 72,6a 60,7b 4,45 4,3
13,5 50,7 55,0 52,8c
COM: com limitador; SEM: sem limitador de profundidade. Médias seguidas pela mesma letra minúscula não diferem entre si, a 5% de probabilidade pelo teste de Tukey. ns = não significativo
invasoras dessecadas e umidade gravimétrica de 0,27kg kg-1.
EXPERIMENTO I No primeiro experimento foi utilizada a semeadora-adubadora da marca Metasa, modelo SDM 2023, de 23 linhas com espaçamento de 0,17m entrelinhas, tracionada por um trator Massey Ferguson modelo 620. Essa semeadora possui sistema de distribuição de sementes por rotor acanalado helicoidal e sistema de distribuição de adubo por rosca sem-fim com 1" e 2" de passo com recâmbio para diferentes dosagens. Os limitadores e compactadores são formados por duas rodas com bandas de borracha posicionadas atrás dos sulcadores
Tabela 3 - Rendimento de grãos (kg ha-1) e componentes de rendimento em função de diferentes velocidades de semeadura e uso de limitador de profundidade de semeadura de uma semeadora-adubadora SDM 2023 Velocidade Rendimento de grãos (kg ha ) Peso Hectolítrico (g) Nº espiguetas/espigas SEM COM SEM (km h-1) COM1 COM SEM 2731ns 2,88 80,50 ns 80,65 13,6 ns 13,7 4,3 7,1 2427 2,76 80,58 80,65 13,8 13,5 2124 3,12 79,70 80,00 13,5 13,5 14,1 18,8 0,64 3,34 CV (%) -1
N° grãos/espigueta COM SEM 13,6 ns 13,7 13,8 13,5 13,5 14,1 3,34
1 – COM = com limitador de profundidade; SEM = sem limitador de profundidade; ns = não significativo pelo teste F (5%)
Tabela 4 - Profundidade e densidade de semeadura e percentual do solo coberto por restos culturais após a semeadura pela semeadora-adubadora SHM 15 Velocidade (km h-1) 3,7 5,1 6,6 7,8 9,2 12,6 Média CV (%)
Profundidade de semeadura (cm) 5,66 ns 5,54 4,57 4,86 5,28 4,73 5,11 8,11
Densidade de semeadura (plantas.m-2) 241,91 ns 299,75 254,91 295,83 304,92 295,83 282,19 9,83
Solo coberto com restos culturais (%) 70,00 ns 69,33 67,00 62,67 65,67 63,00 66,06 11,27
ns: não significativo teste F (5%)
Tabela 5 - Componentes de rendimento em função de diferentes velocidades de semeadura, da semeadora-adubadora SHM 15 Velocidades (km h-1) 3,7 5,1 6,6 7,8 9,2 12,6 Média CV (%)
Rendimento de grãos (kg ha-1) 2398 ns 2749 2274 2419 2698 2699 2539 16,11
Peso hectolítrico (g) 80,00 ns 80,67 79,90 80,34 80,01 80,03 80,15 0,81
Nº espiguetas espiga-1 13,60 ns 14,87 13,93 14,93 13,60 14,20 14,18 5,98
N º grãos espigueta-1 28,65ns 32,77 31,22 29,93 29,20 30,03 30,3 6,93
ns: não significativo teste F (5%)
dos discos defasados, com regulagem independente de altura e do ângulo de fechamento. Utilizaram-se sulcadores do tipo discos duplos defasados com diâmetro de 14'½ e 15', formando um ângulo mínimo entre si. A semeadoraadubadora possui reservatório de sementes com capacidade de 800kg e de adubo com 1.600kg. A semeadora foi regulada para depositar as sementes de trigo a 3cm de profundidade, com 300 sementes/m2 e adubação de base de 300kg/ ha da fórmula 5-25-25 de NPK.
EXPERIMENTO II Para o experimento II utilizou-se semeadora-adubadora da marca Semeato modelo SHM 15, com espaçamento entrelinhas de 17cm, com mecanismo sulcador do tipo duplo disco e dosador de sementes do tipo rotor acanalado. Os depósitos de adubo e de sementes foram abastecidos 100% de sua ca-
08 • Março 09
pacidade. A cultivar utilizada foi Fundacep 30 e a densidade de semeadura e adubação de base e de cobertura da mesma maneira que o experimento I. Foram avaliados a eficiência da distribuição de sementes, a profundidade de semeadura e o percentual da superfície do solo coberto com restos culturais segundo metodologias a seguir: para avaliar a eficiência da distribuição das sementes, contaram-se o número de plantas 30 dias após a emergência (30 DAE) e o número das plantas ao longo do ciclo, numa distância de 2m nas linhas centrais de cada subparcela. A profundidade de semeadura foi avaliada através da medição do comprimento do coleóptilo da planta, tomada rente à superfície do terreno até a sua extremidade inferior. Em cada subparcela foram avaliados, ao acaso, dez plântulas e o percentual da superfície do solo coberto de restos culturais.
SDM 2023 METASA KUHN O uso de limitador de profundidade não alterou significativamente a profundidade de semeadura, não sendo afetada também pelas velocidades de semeadura testadas (Tabela 1). Pode-se notar, entretanto, uma tendência a diminuir a profundidade de semeadura, sendo que a média obtida nos tratamentos foi menor que 3cm. Nas parcelas subdivididas, tanto na presença de limitadores, como sem a presença de limitadores, não ocorreram diferenças significativas. Em relação ao número de plantas por m2 (Tabela 1) não se verificaram diferenças significativas entre as velocidades e pelo uso de limitadores de profundidade. Em nenhuma das situações encontrou-se o número de plantas por m2 desejado após a emergência, entre 300 e 330 plantas, estando inferior ao recomendado. No entanto, é importante ressaltar que, na cultura do trigo, maiores densidades de semeadura tendem a reduzir o afilhamento e com isso menores densidades tendem a beneficiar o afilhamento. Em relação ao percentual de restos culturais presentes sobre a superfície do solo após a semeadura (Tabela 2), os resultados mostram que houve redução significativa no percentual do solo coberto por restos culturais em função do aumento na velocidade de semeadura, tanto para o uso ou não de limitadores de profundidade de semeadura. Não foram verificadas diferenças significativas na porcentagem de cobertura do solo para a variável limitador de profundidade. Estes resultados demonstram que, para a variável velocidade, menores velocidades de operação são favoráveis, este fator é fundamental para prevenir a erosão hídrica, na germinação e emergência de plantas daninhas e na regulação da temperatura do solo. Não se verificou diferença significativa entre os tratamentos para o rendimento de grãos da cultura do trigo (Tabela 3), bem como para os seus componentes de rendimento, peso hectolítrico, número grãos/espigueta-1 e número espiguetas/espiga-1.
Equipe da Universidade de Passo Fundo avaliou diversos componentes de rendimento
“Em qualquer cultivo, a profundidade de semeadura deve ser adequada para garantir a germinação e emergência das sementes e rendimento de grãos”
Dessa forma, para a semeadora-adubadora SDM 2023, velocidades até 13,5km h1 podem ser utilizadas sem afetar o rendimento da cultura do trigo, desde que as semeadoras-adubadoras superem as adversidades encontradas no terreno, com velocidades adequadas à capacidade dos seus mecanismos de corte de palha e de abertura e fechamento do sulco, assim como a utilização de mecanismos controladores de profundidade para garantir adequada profundidade e uniformidade de semeadura.
Fotos Vilson Klein
A outra semeadora utilizada no experimento foi a Semeato modelo SHM 15
A SDM 2023 mostrou que velocidades de até 13,5km/h mantêm o desempenho sem afetar a qualidade do plantio
água deste, podendo ser limitantes à operação de semeadura. Para essa semeadora-adubadora foram testadas várias velocidades de semeadura utilizando a semeadora-adubadora SHM 15 e os resultados mostrados nas Tabelas 4 e 5 apontando que velocidades de semeadura entre 3,7 e 12,6km h-1 não afetaram a profundidade de semeadura e a cobertura do solo (Tabela 4) nem o rendimento de grãos e tampouco os componentes de rendimento como peso hectolítrico, número de espiguetas por espiga e número de grãos por espiga (Tabela 5). Como o aumento na velocidade de 3,7 para 12,6km h-1 não prejudica a cultura nas condições avalia-
das, deve-se optar pela velocidade maior, já que a capacidade operacional teórica aumenta de 1,56ha h-1 para 5,35ha h-1. A maior velocidade de semeadura do trigo tanto para a semeadora-adubadora SDM 2023 como para a SHM 15 aumentou a capacidade operacional e não afetou os componentes de .M rendimento e o rendimento de grãos.
SHM 15 - SEMEATO A capacidade operacional teórica do conjunto trator-semeadora-semeadora SHM 15 aumentou de 1,68ha.h-1 na velocidade de 4,3km h-1 para 5,27ha.h-1 na velocidade de 13,5km h1 . Uma alta capacidade operacional é importante, pois o limitado espaço de tempo disponível e as condições ideais de semeadura, principalmente umidade adequada de solo, são temporários. Do mesmo modo, velocidades mais elevadas poderão proporcionar áreas semeadas em menor tempo e em condições favoráveis, desde que a velocidade elevada não prejudique a eficiência das semeadoras para superar as barreiras impostas como a camada de restos vegetais em cobertura do solo e o elevado teor de
Vilson A. Klein, João P. Massing, Iradi J. Biasuz Jr, Clóvis D. Marcolin e Márcio L. Vieira, UPF
baixo volume oleoso
Alto controle
A aplicação em baixo volume terrestre tem dado bons resultados em situações em que aplicações convencionais não realizaram controle satisfatório
B
aixo volume terrestre é a técnica que visa ao emprego da menor quantidade de veículo (água) para levar o ingrediente ativo ao alvo, proporcionando cobertura e qualidade de gota para maximizar a eficiência da pulverização. Durante os anos de 1998 a 2004 mantive estudos relacionados a invasores e sua forma mais vulnerável ao controle químico, o diâmetro mediano volumétrico (DMV) ideal para cada alvo e uma ponta que atenda às características do propósito da tecnologia de aplicação em questão. A partir da safra 2005/06 as primeiras pesquisas em tecnologia de aplicação se iniciaram baseadas no conceito da baixa vazão acima mencionado e, pesquisas posteriores, ainda na mesma safra, já previam o emprego do óleo vegetal nas pulverizações.
BAIXA VAZÃO
Fotos Olir Seidel
Tomando por base os estudos que realizei, foi procurado adequar as premissas ao conjunto pulverizador e desta união produzir uma tecnologia que atenda ao propósito dos estudos.
10 • Março 09
Além de utilizar a menor quantidade de veículo (água), a tecnologia teria de ser eficiente no ato de levar gotas ao baixeiro das plantas, inclusive quando as lavouras já estivessem bem fechadas. Para isso, foi necessário comparar pontas de pulverização e seus resultados quanto à deposição de gotas nestes locais de mais difícil acesso. A ponta que apresentou os melhores resultados foi a do tipo cone vazio, mas faltava ainda aumentar o tempo de vida útil das gotas, o que foi possível com o emprego do óleo vegetal, revelado por resultados de pesquisas comparando adjuvantes, óleo mineral e óleo vegetal. Como o mix de óleos vegetais oferecidos pelo mercado é amplo, foi preciso checar o comportamento de cada um quanto ao preparo da calda. Porém, nem todos os óleos foram aprovados nas pesquisas, pois não obedeceram alguns quesitos fundamentais, dentre eles o principal que é permitir o emprego da lei da não-reação, objeto de pesquisas em andamento. Como esse assunto ainda se encontra em fase de pesquisa, num futuro próximo poderei apresentar melhores dados a respeito.
RESULTADOS EM SOJA E ALGODÃO Na safra 2005/06 foram feitos os primeiros trabalhos com baixo volume oleoso terrestre. Imagine uma lavoura de 5.000 hectares, cultivada com soja e algodão, sendo atacada pela lagarta falsa-medideira (Pseudoplusia includens). Na ocasião, a vazão de pulverização utilizada na cultura da soja era de 250 litros/ha e os produtos Lannate BR e Pounce nas doses 1.200ml e 120ml, respectivamente. No período já estava sendo realizada a terceira tentativa de controle, a população do inseto estava entre 46 e 52 lagartas por batida de pano, a cultura estava com massa foliar densa e com acamamento e se encontrava na fase de granação. A primeira atitude foi verificar in loco a dimensão do problema tanto para a cultura da soja quanto para o algodão, já que os dois não estavam com o manejo sob controle. Para essa operação, foi disponibilizado um pulverizador do tipo Uniport, modelo 2000 4x2, ajustado especialmente para a tecnologia, e foram utilizados os mesmos produtos e dosagens citados anteriormente. Na ocasião, foi utilizada a vazão 60l/ha somada ao emprego do óleo vegetal de algodão na pulverização. Devido à limitação de máquinas na propriedade e à necessidade de controle ser extrema, foi necessário aumentar o ganho de produtividade dos pulverizadores, o que foi possível por meio de ajustes tecnológicos que permitiram reduzir a vazão para 35l/ha, o que se mostrou mais eficiente do que na vazão 60l/ha. O equipamento pulverizando na vazão 35l/ha foi mantido lado a lado com os demais que operavam na vazão 60l/ha, a fim de compará-los em diversas repetições. Após dois dias e meio de pulveriza-
“Baixo volume terrestre é a técnica que visa ao emprego da menor ” alvo” quantidade de veículo (água) para levar o ingrediente ativo ao alvo
Aplicação em soja com vazão de 35l/ha para o controle da lagarta falsa-medideira
Detalhe do preparo da pré-mistura, onde a calda é altamente concentrada para diminuir a quantidade aplicada por hectare
as pulverizações já ocorriam com o emprego do óleo vegetal e as taxas de vazão estavam entre 35 e 70l/ha. Sendo que a maior taxa era realizada por um pulverizador tracionado por trator e por não haver disponível, no mercado, a ponta que lhe permitiria realizar menor taxa de vazão.
SAFRA 2008/09 ção intensa, durante as 24h do dia, estava concluída a pulverização na área da soja e do algodão, que atingiu uma eficiência de 95%.
MILHO E SOJA Na safra 2007/08 fomos chamados para interferir numa lavoura de milho que já havia recebido cinco aplicações de inseticida para o controle da lagarta do cartucho onde a maior vazão praticada, nessa situação, estava acima de 180l/ha. A lavoura já estava um tanto danificada e corria riscos de grande perda na produtividade. Após configurado, um pulverizador tracionado por trator usou vazão de 43l/ha utilizando os produtos Lannate BR 1,0l e Match 0,3l/ha, foi empregado óleo vegetal em parte da área. Resultados: onde foi utilizado óleo vegetal, mediante visita in loco, aos 33 DAA não havia danos em folhas e a cultura havia emitido o pendão. Na parcela onde não foi utilizado óleo vegetal a cultura estava bastante danificada nas folhas e pendões, embora também tenha recebido pulverização aérea por questão do pendoamento. Ainda na referida safra, na cultura da soja
Entre as propriedades atendidas durante a safra em curso, existem as que conduziram a cultura do milho ao pendoamento com apenas duas aplicações de inseticida e a que mais vezes pulverizou fez quatro aplicações apenas, sendo que a última foi realizada na ocorrência do pendoamento para o controle da lagarta da espiga. O maior custo químico total por hectare na cultura do milho foi de R$ 84,00/ha. O que prova a eficácia da tecnologia a um custo considerado baixo, uma vez que a lavoura estava livre da lagarta do cartucho. A maior vazão praticada na cultura do milho foi de 43l/ha e a menor foi de 28l/ha. Muitas dessas lavouras foram consideradas como modelo de controle e sanidade na região. Com o emprego do óleo vegetal foi possível verificar a melhora considerável na ação inseticida e a consequente longevidade do período de ação após a aplicação, o que contribuiu com o menor número de pulverizações durante o ciclo da cultura. Em todas as lavouras de soja que pulverizaram nesse novo conceito de tecnologia de aplicação o controle foi eficiente e houve um significativo ganho no rendimento da área pul-
verizada dada a redução da perda de tempo com os reabastecimentos. Em função disso, utilizaram melhor a janela de aplicação na propriedade, o que favorece a maior eficiência. As propriedades que na safra 2007/08 utilizavam vazões entre 35 e 70l/ha, conforme o tipo de pulverizador, nesta safra 2008/09 já haviam reduzido as taxas de vazão, quem estava com 70l/ha passou para 34l/ha e quem utilizava 35l/ha passou a pulverizar com vazão oscilando em 26, 28 e
Lavoura em estágio de pendoamento sem lagartas, após aplicações de inseticidas em baixo volume terrestre
Março 09 • 11
Fotos Olir Seidel
32l/ha, respectivamente e, podendo chegar ao mínimo de 20l/ha. Essa tecnologia de aplicação tem ainda um grande poder para depositar gotas no baixeiro da soja, mesmo quando esta já se encontra bastante fechada, destacando-se como a que melhor depositou gotas no baixeiro por ocasião do tratamento para doenças de final de ciclo e ferrugem asiática.
DIFUSÃO DA TECNOLOGIA Como a aviação agrícola é limitada, em função da baixa disponibilidade de aeronaves durante a pequena janela de pulverização numa grande demanda de necessidade de aplicação, havia a necessidade em desenvolver uma tecnologia para o sistema terrestre que, além de ser eficiente, produzisse rendimento de aplicação. No cerrado baiano, local em que centralizo as pesquisas, a tecnologia já está bem difundida e sendo
Detalhe da cobertura realizada com este tipo de tecnologia, gotas mais finas, maior cobertura e uniformidade
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empregada por diversas propriedades. Os resultados que estão sendo obtidos animaram os produtores rurais, o que têm despertado interesse e contribuído na difusão da tecnologia.
CONCLUSÃO As pesquisas desenvolvidas produziram resultados que permitem concluir que uma nova tecnologia de aplicação é muito bem-vinda na agricultura, uma vez que permitiu obter índices de controle entre 80% e 95%, além de outros benefícios que merecem citação: • Para termos eficiência no controle é preciso juntar tecnologia de ponta, produto e momento de aplicação; • Aumento no rendimento do pulverizador que pode chegar a triplicar-se; • A menor utilização de veículo (água) por hectare favorece o meio ambiente e tranquiliza o operacional; • Com o emprego do óleo vegetal ocorre o
Duas diferentes realidades: à esquerda, a lavoura já havia recebido cinco aplicações convencionais de inseticidas; à direita, lavoura com controle em BV
melhor aproveitamento da janela de aplicação, por ser menos volátil, em função da restrição de horários da temperatura e umidade relativa do ar e, em algumas situações, pode ser mais bem aproveitado; • Nessa tecnologia de aplicação não ocorre o escorrimento da pulverização, é possível, para algumas situações, explorar horários ainda com presença de orvalho na lavoura; • Rapidez na conclusão da tarefa de pulverização; • Menor custo operacional; • O baixo custo de implantação é um dos .M pontos fortes da tecnologia; Olir Ricardo Seidel, CTAD – Consultoria em Tecnologia de Aplicação de Defensivos
Reunião anual da OCDE
Fotos Divulgação
Ensaios oficiais
Pela primeira vez, o Brasil participa da reunião anual da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para discutir padronização nos ensaios oficiais de tratores agrícolas
O
Centro de Engenharia e Automação do Instituto Agronômico (CEA/IAC) participou no final de fevereiro, em Paris - França, da reunião anual da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), formada pelos 30 países mais ricos do mundo, no comitê referente à implantação de ensaios oficiais de tratores agrícolas. A reunião acontece todos os anos em Paris e reúne países membros e não-membros da OCDE. O CEA/IAC, que há três anos vinha sendo convidado, participou como representante do Brasil na condição de membro observador, sendo representado pelo seu diretor Hamilton Humberto Ramos e pela pesquisadora Ila Maria Corrêa, do Laboratório de Ensaio de Tratores. Na ocasião o, diretor do CEA/IAC fez uma apresentação sobre a expectativa de ensaios no Brasil, expondo dados da produção agrícola brasileira, da produção de tratores agrícolas e fazendo um histórico da atividade de ensaios no âmbito do Instituto Agronômico. O CEA/IAC tem interesse na participação por ser o ensaio de tratores agrícolas uma de suas áreas de atuação, cujo objetivo é a melhoria da qualidade das máquinas agrícolas. Nos ensaios de tratores são levantadas características de desempenho (potência desenvolvida, consumo de combustível) e de segurança (ruído, estrutura de proteção na capotagem, cinto de segurança). O CEA desde a década de 60 é referência neste tipo de ensaios. Atualmente encontra-se em fase de reestruturação de suas instalações, buscando enquadrar-se em padrões internacionais, o que está sendo feito com recursos da Finep, do governo do estado de São Paulo e de outras fontes. A intenção junto à OCDE é manter a condição de observador até obter o credenciamento, submetendo-se à avaliação do
órgão. Na avaliação serão observadas a infraestrutura disponível, a capacitação dos técnicos envolvidos e se os procedimentos de ensaio seguem os preconizados nos Códigos de Ensaios de Tratores. Dispor de uma estação de ensaio credenciada pela OCDE no Brasil é importante também para a indústria de tratores agrícolas com interesse em exportação para o mercado europeu. Para exportar a um país membro da OCDE o fabricante deve atender a regulamentos específicos, entre eles o de apresentar relatório de ensaio. Não havendo estação de ensaio credenciada no país de origem, o fabricante tem de enviar a máquina para ensaio em outro país, o que envolve altíssimo custo. Assim, mais uma vez o CEA dá um importante passo para continuar sendo referência de qualidade da área agrícola. A OCDE é uma organização internacional e intergovernamental que agrupa os países mais
industrializados da economia do mercado e tem a finalidade de promover políticas para o crescimento econômico e social, para a expansão do emprego, para a melhoria do padrão de vida e a liberação do comércio. A OCDE tem quatro programas de atuação: Código de Tratores, Esquemas de Sementes, Esquemas de Frutas e Legumes e Esquemas de Florestas. Tais códigos e esquemas estabelecem regras e facilitam o comércio entre os países participantes. No programa Código de Tratores são tratadas questões relativas aos métodos de ensaio, decidindo sobre revisões, alterações, inclusão de novos procedimentos. Os ensaios são conduzidos a pedido dos fabricantes, por uma estação de ensaio reconhecida oficialmente em diversos países. Os resultados fornecem ao usuário informações técnicas de comparação e em alguns países servem para .M atender à legislação vigente.
Hamilton Ramos e Ila Maria Correa, do Centro de Engenharia do Instituto Agronômico de Campinas, representaram o Brasil na Reunião da OCDE, em Paris
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Zeus 25001
Zeus 25001 Procurando enquadrar-se no cenário nacional de tecnologia agrícola, a Carmetal lança a nova geração de seu distribuidor de corretivos e insumos através da linha Zeus 25001
D
epois de passar por grande upgrade com alterações signifi cativas, a Carmetal apresenta o Zeus modelo 25001, com características que tornam o equipamento apto a atender aos requisitos de tecnologia de aplicação à taxa variável, conforme você poderá acompanhar nesta Ficha Técnica.
ESTRUTURA Na parte estrutural algumas alterações foram feitas sem mudar a configuração já testada há vários anos pela empresa, a qual mostrou-se robusta e resistente a todos os tipos de terrenos. A caixa de carga foi elevada para atingir até 11,6 metros cúbicos de capacidade, dando assim maior autonomia ao equipamento. O equipamento foi desenvolvido dentro de um limite de carga que possa ser respeitado em todos os terrenos e não somente em terrenos planos, construídos de forma que possa absorver torções forçadas pelos vários relevos apresentados, mantendo sua performance estrutural mesmo que com carga máxima. Um item importante a salientar é a forma de fixação do equipamento ao veículo, que utiliza presilhas fixas ao equipamento e aparafusadas ao veículo, mantendo o mesmo afixado de forma que absorva as tensões geradas pelo deslocamento. Para atender estes requisitos citados desenvolveu-se um siste-
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ma inovador de divisor de fluxo de carga interno, o qual permite uma regulam mais ampla de acordo com o produto a ser aplicado pelo sistema. Esta regulagem evita sobrecargas sobre a esteira transportadora e consequentemente impedindo seu travamento. Possui também como opcional a instalação de telas internas de proteção que evitam objetos estranhos no interior do equipamento.
SISTEMA DE TRANSMISSÃO O sistema de transmissão é composto de uma tomada de força adequada ao tipo de veículo, levando em consideração as rotações oferecidas pela caixa de câmbio. Na caixa está instalada uma bomba hidráulica dupla Hidrodinâmica de dois corpos, sendo um de 40cc/rev e outro de 32cc/rev, onde a seção de 32cc/rev alimenta o circuito da esteira transporta-
Divisor de fluxo de carga, que evita sobrecargas e travamentos na esteira
dora e a seção de 40cc/rev alimenta o circuito dos pratos de distribuição. Utiliza-se para movimentação da esteira transportadora um motor de 65cc/rev: 45LPM (contínuo) com pressão de 140bar contínuo, acoplada a uma caixa de redução de 1/40. No circuito dos pratos de distribuição instalou-se um motor de 80cc/rev, 60LTM, com pressão de 140bar contínuo. As mangueiras SAE 100R2 (com duas tramas de
“A Carmetal apresenta o Zeus modelo 25001, com características que tornam o equipamento apto a atender aos requisitos de tecnologia de aplicação à taxa variável” Fotos Carmetal
Presilhas presas ao equipamento e parafusadas no chassi dão maior resistência estrutural
aço) 5/8”-100R2 são utilizadas nas linhas de pressão do circuito, nas de retorno utiliza-se mangueiras de 1” 100R1. As válvulas utilizadas neste circuito são feitas da seguinte forma: para o sistema de pratos de distribuição a usada é a CFQ-A12-R (taxa fixa), sendo esta regulada a 150bar de pressão @ 40LPM. Já no circuito da esteira utiliza-se a válvula IS-0004 (taxa variável) ou similar. Sendo que a regulagem da válvula de alívio neste caso fica em torno de 140bar @ 30LPM. O óleo recomendado é ISO VG 46; temperatura 50°C/60°C, em operação.
Visão geral da estrutura montada sobre o chassi, com reforços para garantir integridade do equipamento mesmo com grandes cargas em terrenos acidentados
RESERVATÓRIO DO ÓLEO Neste projeto desenvolveu-se um inovador sistema de resfriamento de óleo, o qual utiliza-se do próprio reservatório para proceder a troca de calor, tornando o sistema de refrigeração muito mais eficiente e confiável. Ele é dotado de três níveis distintos, onde o primeiro recebe o óleo provindo do retorno e através da utilização da gravidade transmite
ao nível posterior, o qual é composto de diversos tubos que são ventilados através de um ventilador de 350mm de diâmetro, promovendo a troca de calor do sistema. O ventilador está ligado a sensores de tem-
Detalhe das mangueiras e conexões hidráulicas responsáveis pela transmissão
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O circuito dos pratos de distribuição é movido por um motor de 80cc
Conjunto de correntes e engrenagens responsáveis pela transmissão da esteira interna
peratura que são programados para seu acionamento quando esta ultrapassar os 45°C, mantendo desta forma o fluido com a viscosidade dentro dos padrões determinados pelas normas dos fornecedores dos equipamentos hidráulicos utilizados no circuito. No painel do veículo estão instalados mostradores de temperaturas que proporcionam ao operador monitorar a temperatura do sistema hidráulico em tempo integral.
SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO O sistema de distribuição é dotado de uma esteira transportadora formada por travessas em aço 1045, a qual acopla-se em uma manta de borracha de 8mm de espessura com duas lo-
Tanque reservatório de óleo, com sistema exclusivo de troca de calor
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nas. Esta montagem evita patinagens da esteira e possíveis deformações da manta de borracha devido ao desgaste natural. O conjunto dos pratos é composto de caixa multiplicadora banhada a óleo, que proporciona atingir cerca de 880/900rpm nos pratos de distribuição que possuem 500mm a 550mm de diâmetro. As palhetas de distribuição são intercambiáveis, adequadas ao produto a ser utilizado na operação e as tabelas de distribuição quanto ao alcance e uniformidade. Este equipamento também é dotado de um defletor traseiro instalado no final da estira logo acima do conjunto dos pratos, composto por aletas divisoras que proporcionam uma distribuição uniforme nos pratos, pois ele evita que em áreas de terrenos irregulares a alimentação
Detalhes das esteiras de distribuição de produtos sólidos
seja comprometida, passando a distribuir com dosagens diferenciadas para cada prato. Os abafadores laterais auxiliam bastante a distribuição de produtos a pó, pois eles abrangem uma área de dois metros de cada lado do equipamento, que pode ser aumentada de acordo com as necessidades do cliente e das culturas.
“No painel do veículo estão instalados mostradores de temperaturas que proporcionam ao operador monitorar a temperatura do sistema hidráulico em tempo integral” Fotos Carmetal
O distribuidor vem pronto para aplicação em taxa variável e suas cores podem ser escolhidas, de acordo com a necessidade de cada cliente
TAXA VARIÁVEL O equipamento Zeus 25001 vem pré-configurado para receber qualquer sistema de taxa variável oferecido pelo mercado, dando ao agricultor um grande leque de fornecedores e podendo otimizar os softwares utilizados na sua propriedade em outros equipamentos como colheitadeiras e pulverizadores. O sistema hidráulico desenvolvido favorece este processo pois um dos pontos fundamentais trabalhados pela engenharia foi o de priorizar o sistema de resfriamento de óleo utilizado no circuito de taxa variável, tornando-o regular e sem variações provindas de aquecimentos e mudanças de viscosidade nos fluidos hidráulicos.
DESIGN
ACABAMENTO FINAL O processo de acabamento final é feito através de jateamento com granalha de aço, posterior fosfatização à base zinco. Aplicação de primer epóxi com cerca de 200 micras de camada e acabamento final com sistema poliuretano, totalizando mais de 300 micras de camada superficial. Em termos de resistência poderá suportar mais de duas mil horas de Saltspray, sendo que isto supera em muito os tradicionais processos de aplicação.
O design do Zeus 25001 reforçou as linhas mais agressivas ao equipamento tornando mais imponente. Foram acopladas carenagens laterais para proteção dos sistemas hidráulicos sem tornar a manutenção problemática. As cores padrões do equipamento podem ser modificadas seguindo solicitações dos clientes para uma melhor harmonia entre a cor do veículo e do equi.M pamento.
TABELA DE COBERTURA NA DISTRIBUIÇÃO Faixa de Distribuição (m) Descrição do produto (confirmadas em campo) 15 - 18 Cálcário 25 - 28 Cloreto de potásio 10 a 12 Fosfato natural 25 - 28 Ureia Plus (grao Maior) 21 - 25 Ureia normal: 28 a 33 Adubo Descrição do produto (Valores estimados em teste) Faixa de Distribuição (m) 25 - 28 Uréia 46%N Uréia 40%N+14%SO3 21 - 25 20 - 24 Uréia 20 - 28 Uréia 45%N PRILLS Uréia 45%N PRILLS 20 - 27 24 - 28 Uréia 46%N Manah Sulfato de Amônia 20%N 20 - 28 Sulfato de Amônia 26% 18 - 21 25 - 28 Nitrato de Amônia 20%N Sulfato de Cálcio 50%K2O 21 - 25 Sulfato Hidrogenado 26% Rou 21 - 25 21 - 25 SFT-Super Fosfato Tripo 46% SFT - Super Fosfato Tripo 46% Serrana 20 - 28 Phosphat Serrana 20 - 24 Fosmag 448 Manah 20 - 28 Superfosfato 26% gran 20 - 28 20 - 28 Superfosfato Mg Superfostato de Calcio 24 - 28 Superfosfato de Calcio e Mg 24 - 28 NK Manah 20 - 28
Observação Variações com umidade e vento Conforme vento Conforme vento
Observação >Esperado desempenho Superior em alguns produtos a serem testados >Alguns produtos podem ter resultados diferentes do estimado
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manutenção
Check List A manutenção dos tratores deve seguir um critério. Nenhuma abordagem é feita por acaso. Diferentes peças e componentes requerem atenções específicas. Por isso, é necessário fazer uma checagem planejada, a fim de manter a máquina sempre em dia
TIPOS DE MANUTENÇÃO Existem três tipos de manutenção. A manutenção preventiva (cuidados periódicos) é aquela feita periodicamente para que não ocorram deficiências por falta de óleos, graxas, lubrificantes, ajustes e troca de pequenos componentes. A manutenção corretiva é feita no abrigo das máquinas ou em oficinas com o intuito de corrigir as deficiências apresentadas principalmente na manutenção preventiva. Já a manutenção preditiva é aquela feita com o conhecimento do desempenho da máquina. A finalidade é a realização da manutenção assim que a máquina apresente um início de defeito. De posse de uma série histórica de dados e aparelhos específicos, pode-se predizer o momento da troca de algum componente ou algum outro tipo de procedimento a ser executado, evitando assim a quebra do componente e danos maiores.
MANUTENÇÃO PREVENTIVA Os procedimentos gerais de manutenção preventiva para os tratores agrícolas são: • Cuidados diários = 8 – 10 horas de trabalho • Cuidados semanais = 50 – 60 horas de trabalho • Cuidados mensais = 200 – 250 horas de trabalho • Cuidados semestrais = 500 horas de trabalho • Cuidados anuais = 750 – 1.000 horas de trabalho O proprietário ou o tratorista deve presenciar a entrega da máquina para receber orientações técnicas de controle e
M
anutenção é o conjunto de procedimentos que visam manter o trator agrícola em perfeita condição de funcionamento prolongando sua vida útil. A realização de forma adequada traz inúmeras vantagens, como proteção para desgastes e corrosão,
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partida fácil e funcionamento normal, bom aspecto geral e disponibilidade para o trabalho. O resultado da soma dessas vantagens é a economia. A vida útil das máquinas depende da realização da manutenção adequada e do modo de operação.
Proceder a lubrificação a graxa em todos os pinos, até vazar pelas junções das partes móveis
“A realização de forma adequada traz inúmeras vantagens, como proteção para desgastes e corrosão, partida fácil e funcionamento normal, bom aspecto geral e disponibilidade para o trabalho ” trabalho” Fotos Charles Echer
Os filtros de combustível devem sempre ser trocados, para evitar contaminação do óleo
manutenção e conhecer as características estruturais e funcionais do trator. Além disso, antes de colocar a máquina em movimento, deverá ler com muita atenção o Manual do Operador. É importante ter e manter sempre atualizada uma caderneta com informação sobre o estado de manutenção do trator. Para o controle da manutenção, o mais importante é a caderneta de anotações, que pode ser um bloco simples com algumas informações, conforme ilustração. A seguir, de forma simples, serão apresentados os cuidados mais importantes que devem ser efetuados, sempre seguidos de uma justificativa. Vale ressaltar que cada fabricante tem a sua relação e esta sempre deverá ser rigorosamente seguida.
estiver “vermelho”, utilizar ar comprimido e verificar se o filtro não apresenta furos. A cada cinco limpezas substituir o elemento filtrante. Nos filtros a óleo verifique a quantidade de impurezas retirada no depósito de óleo, se for necessário proceda a limpeza e a substituição do óleo. As partículas de poeira, ou outros abrasivos existentes em suspensão no ar, precisam ser separadas do ar que será admitido pelo motor para evitar o desgaste de seus componentes. 3. Pinos de lubrificação: proceder lubrificação a graxa em todos os pinos até vazar pelas junções das partes móveis. Retirar manualmente o excesso. O objetivo dessa operação é reduzir o atrito entre as partes móveis, prolongando a vida útil dos componentes. Vedar contra a poeira. É importante lembrar que nunca se deve engraxar as peças próximas do motor com ele ligado. 4. Filtro de combustível e/ou copo de sedimentação: drene a água e as impurezas sedimentadas até que comece a escor-
rer óleo limpo pelo dreno ou remover o copo e executar a limpeza, nesse caso, verificar o estado dos retentores, se for necessário faça a substituição. Isso é necessário porque o sistema de alimentação de um motor diesel requer um combustível livre de impurezas para que possa funcionar bem. O copo de sedimentação é responsável pela primeira limpeza do combustível, separando água e as impurezas de maior tamanho. 5. Radiador: verificar o nível de água e completar se necessário, pois a falta de água no radiador prejudica o sistema de arrefecimento do motor, provocando um superaquecimento, que pode levar o motor a fundir. Para completar o nível da água do radiador deve-se desligar o motor ou deixá-lo funcionando em ponto morto. Para a abertura da tampa do radiador, deve-se primeiro girar a tampa até o primeiro estágio, esperar a saída dos vapores, para posterior abertura do segundo estágio. 6. Tanque de combustível: verifique e
A CADA DEZ HORAS 1. Motor: verifique o nível de óleo e corrija se necessário. Utilize o mesmo tipo de óleo existente. A falta de óleo causa desgaste excessivo do motor e promove o superaquecimento dos componentes. O excesso de óleo prejudica o funcionamento do motor podendo danificar o sistema de vedamento do mesmo (retentores). 2. Sistema de purificação de ar: verificar se é necessário realizar a limpeza dos componentes. Nos filtros de ar seco verificar o indicador de restrição (figura abaixo) o filtro deve ser limpo se o indicador Drenar a água e as impurezas sedimentadas, até que comece a escorrer óleo limpo pelo dreno
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Fotos Charles Echer
Filtros de ar sempre devem ser trocados, respeitando o limite de limpezas possíveis Pouca ou muita folga na correia causa danos às correias e aos mancais. Ela deve ser esticada na medida certa
abasteça após a jornada de trabalho. Verifique o estado do filtro de tela do tanque e substitua se for necessário. Esta operação evita a condensação de umidade no interior do tanque à noite devido à queda de temperatura. Não se deve abastecer o tanque com o motor em funcionamento, aquecido ou próximo a chamas.
A CADA 5O HORAS 1. Correia do ventilador: verifique a tensão, o estado e reaperte se for necessário. Pouca folga causa danos às correias e aos mancais, muita folga causa deslizamento excessivo, prejudicando a transmissão de potência. Não trabalhe com roupas largas ou camisas de mangas compridas, pois podem prender-se nas alavancas ou a outras peças que se movimentam.
2. Pedal do freio: sempre verifique a folga e ajuste caso necessário. Muita folga no pedal provoca frenagem deficiente; pouca folga provoca desgaste excessivo das peças. 3. Pedal da embreagem: verifique o curso livre, ajuste a folga e proceda a lubrificação com graxa em todos os pinos. Essa operação é feita com o objetivo de compensar o desgaste sofrido pelos discos. Folga muito grande dificulta o engate das marchas. Folga muito pequena provoca desgaste do disco. 4. Bateria: verifique o nível da solução eletrolítica em todas as células, limpe os terminais e complete com água destilada se for necessário. Nível de solução baixo provoca redução da vida útil da bateria. Terminais sujos aumentam a resistência elétrica dificultando o recarregamento da bateria. 5. Sistema de transmissão: verificar sempre o nível de óleo na caixa de câmbio, diferencial e redução final e completar caso necessário. Nível muito baixo pode provocar o superaquecimento, acelerando o desgaste. 6. Sistema de levantamento hidráulico: verifique o nível de óleo e complete caso necessário. O nível de óleo baixo faz com que o sistema hidráulico funcione com deficiência, assim como o nível de óleo muito elevado provoca vazamentos. 7. Pneus: verifique a pressão e calibre sempre seguindo a pressão recomendada no manual do proprietário. Pressão muito baixa provoca desgaste excessivo nas laterais do pneu. Pressão muito elevada diminui a capacidade de tração e causa desgaste no centro do pneu.
A CADA 200 HORAS Verifique a pressão e calibre os pneus sempre de acordo com as recomendações do manual
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1. Motor: com o motor aquecido, troque o óleo lubrificante e o filtro de óleo lubrificante. A substituição do óleo é feita porque na medida em que o motor vai funcionando o óleo vai
ficando contaminado e suas propriedades lubrificantes vão diminuindo. O filtro é o elemento responsável por manter o óleo em condições de lubrificação. O motor aquecido favorece o escoamento do óleo por ocasião da troca. 2. Bomba injetora: verifique o nível de óleo e complete se necessário. Manter as peças em movimento lubrificadas para reduzir o desgaste.
A CADA 400 OU 500 HORAS 1. Rodas dianteiras: desmonte, limpe e lubrifique com graxa. Verifique se, depois de montada a roda, esta não ficou com folga ou muito justa. O objetivo desta operação é prolongar a vida útil dos rolamentos e reduzir o desgaste da manga de eixo. 2. Radiador: troque a água, adicionando um agente antiferruginoso e verifique o funcionamento da válvula termostática. Isso ajuda a evitar que o acúmulo de impurezas venha prejudicar o funcionamento do sistema de arrefecimento e também evitar que uma válvula danificada possa causar danos ao motor. 3. Respiro do motor: remova a carcaça do respiro e realize a limpeza utilizando óleo diesel. Isso evita a degradação prematura do óleo lubrificante. 4. Filtro de combustível: substitua o elemento filtrante e elimine o ar do sistema. Um filtro combustível deficiente acar-
“A vida útil das máquinas depende da realização da manutenção adequada e do modo de operação ” operação” Divulgação
GRÁFICO 3
Haroldo, Wágner e Amanda mostram passo a passo como manter seu trator em dia
reta perda de potência e aumento do consumo de combustível, podendo danificar o sistema de injeção. 5. Bomba alimentadora: limpe a tela filtrante, pois essa operação auxilia a filtragem do combustível e evita o entupimento do elemento filtrante. 6. Direção hidrostática: substitua o fluido e o filtro do reservatório para manter o sistema de direção hidráulica em
bom funcionamento. 7. Motor: reajuste a folga das válvulas, teste e regule os bicos injetores. Isso ajuda a manter o motor em perfeito funcionamento - esse serviço deve ser executado por oficinas especializadas.
A CADA 750 OU 1.000 HORAS 1. Sistema de transmissão: substituir o óleo. O óleo precisa ser substituído pe-
riodicamente porque sua capacidade de lubrificação vai se reduzindo com o tempo. Juntamente com o óleo são removidas impurezas que prejudicam o funcionamento dos mecanismos. 2. Sistema de levantamento hidráulico: substituir o óleo. Essa operação é necessária, pois o óleo precisa ser substituído periodicamente porque sua capacidade de lubrificação vai se reduzindo com o tempo. Juntamente com o óleo são removidas impurezas que prejudicam o funcionamento dos mecanismos. 3. Caixa de direção mecânica: o óleo precisa ser substituído periodicamente porque sua capacidade de lubrificação vai se reduzindo com o tempo. Juntamente com o óleo são removidas impurezas que prejudicam o .M funcionamento dos mecanismos. Haroldo Carlos Fernandes, Amanda Mirelle Bernardes e Wágner Santos Gonçalves, UFV
manutenção
Fotos John Deere
Sempre novo A manutenção adequada vai além de verificar diariamente determinados pontos dos tratores. Realizar as trocas no momento certo e utilizar peças originais pode significar ganho em produtividade e economia a longo prazo
A
manutenção de tratores agrícolas pode ser dividida em manutenção preventiva e corretiva. A manutenção preventiva consiste em uma série de cuidados para manter o equipamento nas melhores condições de trabalho. Seu uso está relacionado com a programação da manutenção, com foco nas periodicidades de cada item. Já a corretiva, tem como objetivo repor as peças danificadas. Machado et al, (1996) afirmam que manutenção adequada, aliada ao correto armazenamento das máquinas, diminui as perdas de tempo com paradas para correção de eventuais problemas, aumentando a eficiência do trabalho. O custo do acompanhamento de frota no campo é muito pequeno em relação à parada do equipamento quando o mesmo necessita de manutenção corretiva (Alvarez, 1991, apud Reis et al, 2005). É muito importante ter o hábito de ler o manual do operador do trator, o qual traz orientações de operação e manutenção da máquina. É comum encontrar tratores parados no campo por problemas de manutenção ou operação inadequada. A manutenção, feita com os devidos cuidados seguindo as recomendações do fabricante, prolonga a vida útil do equipa-
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mento e diminui as despesas com reparos e os custos da própria manutenção. Para evitar paradas indesejáveis no campo, alguns pontos devem ser observados. Motor - Diariamente deve-se verificar o nível de líquido do radiador ou reservatório de expansão, sempre com o motor frio. O uso de aditivos é indispensável, pois evita a corrosão e impede o aparecimento de ferrugem. Deve-se checar o nível do óleo do motor, que deve estar entre as marcas da vareta. É importante observar o sistema de filtragem de ar, pois obstruções causam perda de potência, aquecimento do motor, baixo rendimento e aumento do consumo de combustível. Para evitar os riscos que uma falha na filtragem do ar pode trazer para os motores, é preciso também seguir os prazos de troca dos filtros e a correta manutenção, conforme as recomendações dos manuais de operação do fabricante. O excesso de zelo que leva muitos operadores a proceder a limpezas em prazos menores que os especificados pelo Manual também pode implicar na redução da vida útil do filtro de ar. O abastecimento deve ser feito com combustível de qualidade e ao final da jornada de trabalho, preenchendo-se totalmente o tanque, a fim de evitar que a umidade contida no ar
forme gotículas d’água (água de condensação) (Mialhe, 1980). Os separadores de água do préfiltro e do filtro final devem ser drenados diariamente, assim como é necessário verificar o nível de desgaste da correia do alternador. Lubrificação - É indispensável a verificação diária dos pontos de lubrificação da máquina, contidos no manual do operador, Transmissão/sistema hidráulico - Checar o nível de óleo da transmissão/sistema hidráulico e os intervalos de troca. Não se deve misturar lubrificantes de fabricantes ou marcas diferentes. Cuidado com a contaminação de óleos de marcas e especificações diferentes usados em diferentes tipos de implementos, através do comando de válvulas (engate rápido). Se o óleo do trator diferir do que está no implemento, os cilindros hidráulicos (implemento) devem ser esgotados. Eixos – Os pontos de lubrificação do eixo dianteiro, reduções finais e eixo cardan devem ser engraxados conforme especificado no Manual do Operador. Observe se não há vazamentos, se os respiros não estão obstruídos e também se não há parafusos frouxos. Freios hidráulicos – Com o motor parado, verifique o funcionamento correto dos freios, estes devem apresentar resistência considerável.
“A manutenção preventiva consiste em uma série de cuidados ” trabalho” para manter o equipamento nas melhores condições de trabalho
Componentes como filtros, buchas retentores, também devem ser sempre originais
Sistema elétrico – Verifique diariamente o funcionamento dos faróis e lâmpadas. Pneus – Verifique o estado de conservação dos pneus e sua pressão de insuflagem, pois esta tem influência direta em sua durabilidade. Pressão muito baixa pode gerar desgastes da banda de rodagem e rompimento das lonas da carcaça; já a pressão muito elevada reduz a área de contato com o solo, diminuindo sua aderência e gerando excesso de patinagem. Deve-se consultar a tabela de calibragem no Manual do Operador. Lastragem – Em cada situação de trabalho há a necessidade de se adequar o trator. Por isso, deve-se fazer a distribuição correta de peso para que se tenha uma melhor aderência do trator ao solo, maximizando seu desempenho operacional, seja por lastro sólido ou líquido. Observar sempre o limite máximo de peso a ser agregado conforme recomendação do Manual do Operador. Nunca exceda a quantidade de pesos dianteiros e traseiros, mantendo a distribuição equivalente de 40% do peso adicionado para o eixo dianteiro e 60% para o eixo traseiro do trator. A adição de água nos pneus nunca deve exceder 75% de cada pneu (pneus diagonais) e 40% no caso de pneus radiais. O índice que aponta que o lastreamento está adequado é de 10% a 15% de patinagem para tratores 4x2 e de 8% a 12% nos modelos 4x4. É importante verificar a limitação de lastro do trator e a compatibilidade do implemento utilizado. Com o uso da potência máxima e do lastro máximo especificado pelo fabricante do trator, o índice de patinagem tem que estar dentro da faixa recomendada. Se o índice obtido estiver abaixo da faixa o lastro deve ser reduzido. A patina-
gem acima do especificado é uma indicação clara de que o lastro é insuficiente, ou, se a velocidade máxima possível estiver abaixo de 6km horários, de que o implemento é pesado demais para o trator.
AMACIAMENTO As primeiras 100 horas de trabalho da máquina são consideradas como período de amaciamento, onde há o assentamento de componentes móveis e lubrificáveis, por isso é necessário checar o nível do óleo com maior frequência e fazer algumas trocas de acordo com recomendação do fabricante. Depois desse período, há a necessidade da manutenção periódica, baseada em um cronograma indicando também pelo fabricante. Os intervalos em que os diversos componentes devem ser comprovados, lubrificados, substituídos ou regulados se baseiam nas horas trabalhadas indicadas no horímetro. O horímetro funciona quando o motor está em marcha e indica as horas de trabalho acumuladas.
Óleos e lubrificantes também têm características particulares, por isso, deve-se usar sempre o recomendado para cada máquina
CONSIDERAÇÕES FINAIS Com uma boa manutenção e utilização racional da máquina, consegue-se aumentar a sua vida útil, diminuição de falhas mecânicas e a redução dos custos operacionais. Uma manutenção periódica bem realizada é a chave para reduzir os custos totais da manutenção. Quando houver a necessidade de reparos na máquina, recomenda-se se a sua execução na concessionária autorizada, a fim de garantir o uso de peças originais e mão-de-obra treinada e especializada. A leitura do Manual do Operador de cada trator deve ser incentivada nas propriedades rurais, a fim de evitar problemas básicos de operação e manutenção da máquina. Sempre .M siga o manual do fabricante! Lucy Lancia Pereira, John Deere Brasil
Peças originais possibilitam que seu trator trabalhe sempre com os ajustes originais, sem prejudicar nenhum sistema
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SIMA 2009
Máquinas do futuro SIMA 2009 apresenta tendências que ditarão o rumo de máquinas, equipamentos e do próprio cenário agrícola mundial nos próximos anos
U
ma revolução tecnológica, focada em energia renovável e em máquinas cada vez mais úteis, rentáveis e que demandam menos esforço, além de aliar o máximo possível de segurança e conforto ao operador. Essa foi a tendência expressa através das novidades apre-
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sentadas durante o Salão Internacional de Máquinas Agrícolas (SIMA), realizado em fevereiro, no Centro de Exposições ParisNorte Villepinte, em Paris, na França. Uma referência, que deve nortear os rumos do cenário agrícola mundial nos próximos anos, tal qual ocorre com a moda no segmento de
vestuário. Em 22 hectares cobertos, o evento reuniu 210 mil visitantes e um total de 1.323 expositores de máquinas e equipamentos para agricultura e pecuária. Aos seis pavilhões que a feira ostentava em 2007, foi acrescido mais um, voltado exclusivamente a novas fontes de
“O público, cada vez mais seleto e exigente, fez com que a qualidade das máquinas expostas também aumentasse”
energia (eólica, solar, hídrica...). E lá foram expostos máquinas e equipamentos para atender aos mais variados perfis de produtores, da pequena à grande propriedade. A busca pela agricultura sustentável, ainda reduzida a discurso teórico em vários cantos do mundo, é uma reali-
dade prática na Europa. Mas não foi só o espaço físico do Sima que evoluiu em 2009. O público, cada vez mais seleto e exigente, fez com que a qualidade das máquinas expostas também aumentasse. Chamou a atenção, por exemplo, a ausência de produtos chineses, presentes em edições anteriores. As grandes máquinas continuam a monopolizar a curiosidade dos visitantes. É diante delas que a maioria posa para fotos, mas na hora da compra as pequenas e médias levam a melhor. Equipadas com tecnologia avançada e facilidades que tornam quase dispensável a presença de operador, o tamanho pouco importa. São as preferidas para incrementar o trabalho nas propriedades. Os preços, semelhantes aos praticados em edições anteriores, são suficientes para assustar quem mora em países com moeda desvalorizada, como é o caso do Real, no Brasil. O número de empresas criadas para explorar nichos de mercado também chamou
Pequenos utilitários são muito utilizados na Europa e a quantidade de modelos oferecidos surpreende os visitantes
a atenção. Montadoras de veículos tracionados 4x4, por exemplo, passam a oferecer diversos modelos de carrocerias, de modo a atender às mais variadas necessidades dos clientes, tornando o mesmo produto multifuncional, com possibilidade de emprego tanto no trabalho nas fazendas quanto como carro de passeio.
O PÚBLICO Do total de visitantes do SIMA 2009, mais de 50 mil estrangeiros. Alemães, italianos, africanos do Norte, argelinos, um número significativo de indianos e muitos produtores do leste europeu. Principalmente russos e ucranianos, oriundos de países em expansão agrícola, que começam a substituir equipamentos de tração animal pela mecanização. Além de produtores em busca de adquirir tecnologia, era possível identificar
Peças originais possibilitam que seu trator trabalhe sempre com os ajustes originais, sem prejudicar nenhum sistema
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interessados em representar as empresas de máquinas em seus países de origem. Jovens produtores foram uma constante na feira, mostrando que a Europa conseguiu inverter a tendência de abandono da terra pelos filhos dos agricultores, que buscavam uma profissão na cidade. Olhares atentos, manuais das máquinas nas mãos, dispostos a comparar e discutir entre si as características de cada equipamento. Através da substituição de subsídios por investimentos pesados no financiamento de um modelo sustentável, com acesso a mais tecnologia e a novas formas de geração de energia (capaz de facilitar e baratear o processo produtivo), os principais países europeus cerraram fileiras para frear a perda de agricultores para a cidade. E conseguiram vencer a batalha.
O CRESCIMENTO DO LESTE A Ucrânia é um dos exemplos fortes do
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quanto a agricultura pode crescer no leste europeu. E o SIMA esteve atento a esse mercado emergente. O país detém 42 milhões de hectares de terras agricultáveis (no Brasil são mais de 350 milhões de hectares) e atualmente explora apenas 25 milhões de hectares. Além disso, a qualidade da terra, com percentual de 3% a 15% de húmus e até 6m de profundidade, favorece a expansão. A expectativa é de que nos próximos anos o país passe a produzir entre 80 milhões de toneladas e 100 milhões de toneladas de cereais, principalmente milho. O que pode resultar em mais porcos e esterco (fonte de energia), exportáveis para os russos, maiores compradores do Brasil. Composta por cinco milhões de pequenas propriedades, a Ucrânia tende a avançar no processo de mecanização através da associação dos produtores, em grupos, para a aquisição e uso de equipamentos e tecnologia. .M
Tratores de grande porte e de diversas marcas tomavam conta dos salões de máquinas agrícolas
SIMA 2009 - Trator de hidrogênio
Hidrogênio puro Trator da New Holland, movido a hidrogênio, ganha a Palma de Ouro, maior premiação do Salão Internacional de Máquinas Agrícolas
P
ode parecer coisa de filme de ficção, mas o sonho do agricultor, de produzir na fazenda o próprio hidrogênio para movimentar seu trator já é uma realidade. O grande feito foi apresentado pela New Holland no Salão Internacional de Máquinas Agrícolas (SIMA) na França e levou a Palma de Ouro 2009 por essa inovação histórica. Além de ser uma alternativa para baratear a produção, eliminando a queima de combustíveis fósseis, o sistema é, ao mesmo tempo, uma resposta à necessidade de se reduzir as emissões de gás com efeito estufa. Veículos a hidrogênio não são propriamente novidades e a indústria de automóveis já os mostrou. A genialidade do sistema do trator da New Holland que rendeu à fábrica uma das três Palmas de Ouro do SIMA - está na possibilidade de produzir o combustível na própria fazenda, coisa impensável em se tratando de automóveis. O trator mostrado no SIMA é o já clássico New Holland T6000. Mas só até ser aberto o capô. Sob a capota, o engenho, com um poderoso reservatório de hidrogênio líquido, que alimenta as baterias que, por sua vez, acionam dois motores elétricos para gerar uma força de 106HP. Um deles é responsável pela tração e o outro pela tomada de força que acionará os equipamentos acoplados. Nas baterias, o hidrogênio reage com o oxigênio do ar ambiente, produzindo água e elétrons. Estes, por sua vez, geram a corrente elétrica que alimenta os motores e sistemas auxiliares do trator. Na descarga, elimina apenas água.
É o fim da poluição por dióxido de carbono e óxido de nitrogênio. Mas, se o automóvel a hidrogênio já existe em laboratórios, por que motivo os carros não estão na rua e onde está a genialidade do trator? Os automóveis ainda são inviáveis comercialmente por não haver meio seguro de se criar uma rede de distribuição de hidrogênio. Já o trator, este sim, pode rodar com o combustível produzido na fazenda. Basta montar um sistema de fragmentação da molécula de água – relativamente barato -, por eletrólise, utilizando a energia elétrica obtida por geradores eólicos, fotovoltaicos ou biomassa. Traduzindo, a energia do vento, do sol ou do esterco dos animais
da fazenda. O hidrogênio é estocado na forma de gás comprimido, em tanque, onde se abastecem os tratores, e a energia elétrica excedente ainda pode ser usada em toda a fazenda. Ainda não há prazo previsto para a comercialização do novo trator, mas engenheiros da New Holland informaram no Salão que é possível produzir, estocar e distribuí-lo em cinco anos. Uma das possibilidades aventadas é a de vender aos fazendeiros o trator como parte de um sistema que inclui a central de geração e estocagem. Assim, para algumas regiões ensolaradas a eletricidade seria gerada por painéis fotovoltaicos, em outras por cataventos e, onde houver exploração pecuária, por biomassa. . M
Trator da New Holland movido a hidrogênio permite ao produtor capturar o próprio combustível na fazenda
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SIMA 2009 - Palma de Ouro
Palma de Ouro
Entre todas as novidades apresentadas no SIMA, apenas três delas levam a Palma de Ouro, uma das maiores premiações no mundo das máquinas agrícolas
A
automatização já tomou o poder em grande parte do setor de máquinas agrícolas, a julgar pelo que se viu no SIMA 2009, em Paris. Concepções futurísticas ontem, projetos reais hoje, comercialização amanhã cedo. Ou, melhor ainda, os produtos já estão à venda. Essas inovações tecnológicas mais fascinantes do último ano receberam a Palma de Ouro, premiação outorgada pelo SIMA e uma das mais importantes do mundo. A maior premiação nesta edição foi para o trator New Holland T6000 movido a hidrogênio (veja matéria completa na página 27). A tecnologia desta máquina é surpreendente. Troca-se o tanque de combustível convencional por um reservatório de hidrogênio e o velho motor a combustão dá lugar a dois motores elétricos, abastecidos por pequenas baterias, que geram mais de 160cv e dividem a tarefa de transmitir força aos rodados e a demais equipamentos. A empresa apresentou também um novo conceito de tecnologia para essas máquinas. Além de utilizar um combustível completamente limpo, o produtor pode produzi-lo na própria fazenda, utilizando eletricidade gerada por fontes renováveis, como eólica, solar ou biomassa. A Massey Ferguson também levou uma das três Palmas de Ouro pela cabine desen-
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volvida para a linha de tratores pesados MF 8600, que tornam um mastodonte tão confortável para o operador quanto um automóvel de luxo. Futuro? Não. A linha MF 8600 está à venda com a cabina equipada com suspensão dinâmica automática. O sistema se adapta aos diferentes usos dados à máquina, seja em estrada, no trabalho de campo, diferentes fases de aceleração e frenagem. O principal parâmetro é a regulagem dos níveis dos elementos de suspensão, permitindo eliminar a incidência de carga sobre determinados pontos. O sistema utiliza um calculador ligado ao computador do trator, que lhe transmite as informações
sobre posição, frenagem e aceleração, a fim de controlar os efeitos de bombeamento, de rolamento e de balanço. O nível de amortecimento é regulado na cabine pelo operador, com base nas informações transmitidas. A maior inovação da suspensão da cabine é o fato de cada um dos quatro amortecedores hidráulicos possuir uma válvula que o regula segundo diferentes fatores. A pilotagem independente dos quatro amortecedores estabiliza completamente a posição da cabine. Outro Massey, o MF8690, trouxe um sistema antipoluente, que converte o óxido de nitrogênio da descarga em água, mediante o uso de catalisa-
Cabine inteligente da Massey Ferguson que se adapta aos diferentes usos do trator
Sistema de controle de irrigação por GPS e comunicação da Comer Industries levou uma das Palmas de Ouro
“Concepções futurísticas ontem, projetos ” cedo” reais hoje, comercialização amanhã cedo
Trator movido a hidrogênio da New Holland. Possibilidade de o produtor capturar o próprio combustível na fazenda
dor. A tecnologia não usa aditivos. Uma parte do gás de escapamento é resfriada e reenviada ao motor para baixar a temperatura de combustão, que gera menos óxido de nitrogênio.
IRRIGAÇÃO A terceira Palma de Ouro do SIMA 2009 coube à francesa Comer Industries, por seu sistema de gestão de controle de irrigação por GPS e comunicação sem fio. Mais tecnologia informatizada premiada. O procedimento desenvolvido automatiza o procedimento completo da irrigação, seja qual for a forma do terreno e na presença de qualquer obstáculo, garantindo ainda e sempre a melhor utilização de recursos em água e a manutenção de condições de segurança sem a presença de um operador nas proximidades. A intervenção humana se limita à seleção inicial dos parâmetros de trabalho, que podem ser escolhidos segundo uma lógica de gestão moderna de exploração agrícola e de agricultura de precisão, graças à cartografia seletiva dos solos, à obtenção e à elaboração de informações de uso. Estes resultados são obtidos graças à gestão automática da bobina e do canhão, segundo a permanência no solo do irrigador e dos parâmetros de trabalho, a velocidade, os ângulos, a pressão, a elevação, a abertura do jato e o vento. O sistema melhora de forma significativa as condições de trabalho do operador durante as fases de distribuição de água, aumentando o nível de segurança. Maiores uniformidade e seletividade, segundo as necessidades em distribuição de água, aumentam a produtividade, otimizando a gestão de recursos. .M
Expodireto 2009
Divulgação
Nota dez
N
o ano em que completa dez anos, a Expodireto Cotrijal, em NãoMe-Toque, no Rio Grande do Sul, voltou a bater recordes e a superar as expectativas dos próprios organizadores. Durante os cinco dias de feira foram comercializados R$ 357.296 milhões contra R$ 268 milhões em negócios gerados em uma semana de evento em 2008. O público também cresceu em relação ao ano passado. Foram 162.470 pessoas ante 153 mil visitantes da edição anterior.
Em sua 10ª edição a Expodireto Cotrijal se consolida como um dos maiores eventos do agronegócio no Brasil, com novo recorde de público, negócios e participação de empresas
Do faturamento total em 2009, R$ 273 milhões foram provenientes dos cinco bancos presentes na feira, R$ 34 milhões dos bancos de fábricas, R$ 46 milhões de negócios próprios, R$ 250 mil da agricultura familiar e US$ 1,6 milhão da rodada de negócios internacionais. O número de empresas também cresceu, de 313 em 2008 para 326 na edição atual, com participação dos segmentos de máquinas, equipamentos, sementes, fertilizantes, agroquímicos, produção animal e agricultura familiar.
Para o presidente da Expodireto Cotrijal, Nei Cesar Mânica, que se nega a falar em crise, a economia enfrenta uma turbulência, que vai passar, e o agronegócio é uma das primeiras atividades a superar as adversidades, com sua força e importância. Ao final da feira Mânica anunciou a aprovação do Plano Diretor do Parque de Exposições, que a partir de junho de 2009 iniciará as construções permanentes no local, com o objetivo de aumentar o uso do espaço para eventos menores ao longo do ano.
Enfardadora 568 e a ampliação dos modelos de tratores que se enquadram no Programa Mais Alimentos foram destaques da John Deere
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“Durante os cinco dias de feira foram comercializados R$ 357.296 milhões contra R$ 268 milhões em negócios gerados em uma semana de evento em 2008” Fotos Cultivar
Enfardadora BB 9080 e Trator TT 430 Standard foram expostos pela New Holland na feira
No segmento de máquinas, os lançamentos e a apresentação de tecnologia encontraram eco na receptividade do público. Os estandes permaneceram lotados, com produtores interessados em conhecer novos equipamentos e em levar as inovações para a sua propriedade.
JOHN DEERE A John Deere expôs um total de dez modelos de tratores com potência de 57cv a 202cv. Uma das novidades ficou por conta da ampliação da oferta de produtos financiáveis via Programa Mais Alimentos. A montadora, que contava apenas com o 5603, de 75cv, já enquadrado no plano, busca agora a inclusão do 5303, de 57cv, e do 5403, de 65cv. Outro destaque ficou por conta dos tratores Classic 6415, de 106cv, e 6615, de 121cv. A versatilidade e a possibilidade de trabalhar com uma vasta gama de implementos foram a aposta da montadora para atrair os produtores do Sul do Brasil. Os visitantes também receberam informações sobre os produtos do Sistema AMS Jonh Deere. O destaque, nesse segmento, ficou por conta da barra de luz GreenStar, indicada para
Gator XUV 850D chega como opção de transporte de material dentro das propriedades
produtores interessados em ingressar no uso de recursos da agricultura de precisão. Trata-se de um sistema de direcionamento manual que envia sinais luminosos que indicam se o operador está na direção correta ou necessita alinhar à direita ou à esquerda. Outro produto que chamou a atenção no estande da John Deere foi o Gator XUV 850D 4x4 Diesel, com motor Yanmar quatro tempos de 854cc de três cilindros (24,6cv). Indicado para transporte de material dentro da propriedade, atinge a velocidade máxima de 48km/h, o que diminui os tempos de trabalho. Possui transmissão variável (CVT) com duas posições de marcha. Freios a disco dianteiros e traseiros de acionamento hidráulico, Standard Occupant Protection System (OPS) com alça de apoio para as mãos para os passageiros e cintos de segurança com três pontos de fixação com certificação SAE e Osha Rops. O chassi é de aço hidroformado.
Plantadeiras da série 1100, o pulverizador autopropelido 4730, a enfardadora de fardos cilíndricos 568, a forrageira 7350, a colheitadeira 9570STS (Ficha Técnica da edição de fevereiro de Cultivar Máquinas) e o trator 5425N Estreito completam a lista de destaques da empresa na Expodireto.
NEW HOLLAND A New Holland apresentou três máquinas novas. Em tratores, a linha TT ganha mais um integrante. O TT 4030 Standard, de 75cv, é indicado para o trabalho em pequenas e médias propriedades. O motor deste modelo é dotado de bomba rotativa de injeção de combustível para assegurar a queima apropriada e aumentar a eficiência. A montadora promete economia de até 15% no consumo de combustível, além de baixos índices de emissão de poluentes. Equipado com sistema Lift-O-Matic, permite o ajuste da posição do implemento com
Farmall 95 esteve entre as novidades mostradas pela Case IH no segmento de tratores
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Fotos Cultivar
Tratores financiáveis pelo Programa Mais Alimentos e série 7100 foram destaques no estande da Massey Ferguson
apenas um toque no painel. A tomada de força é independente, o que possibilita acionamento da TDF sem necessidade de parar o trator. Possui tração nas quatro rodas. Na área de feno e forragem, juntamente com a forrageira autopropelida FR 9000 (já apresentada no Show Rural Coopavel, em fevereiro), a empresa trouxe a enfardadora BB 9080, que produz fardos de 120cm de largura por 90cm de altura e até 250cm de comprimento.
CASE A Case IH apresentou quatro novos modelos de tratores de baixa e média potência: Farmall 80, de 80cv, Farmall 95, de 95cv, Maxxum 110, de 110cv, e Maxxum 125, de 125cv. Além dos lançamentos a empresa trouxe para a feira colheitadeiras de grãos, colhedoras de café, algodão e cana, além de pulverizadores. A linha Farmall pode ser utilizada tanto em operações de pecuária como por produtores de grãos, café, cana e hortifrutigranjeiros. Os tratores Maxxum são indicados para preparo do solo, plantio, transporte de carretas graneleiras e aplicação de insumos.
O motor do Maxxum 110 tem quatro cilindros e 4,5 litros, enquanto o Maxxum 125 oferece seis cilindros e 6,7 litros. Ambos são equipados com bomba mecânica rotativa com duas válvulas por cilindro. O Farmall 80 funciona com aspiração normal enquanto o Farmall 95 vem equipado com turbo e reserva de torque de 33%. Contam com motores de 3,9 litros, quatro cilindros e bomba injetora rotativa.
MASSEY FERGUSON A Massey Ferguson mostrou a série de tratores 7100, com faixa de potência entre 140cv e 180cv. Na feira foram apresentados modelos especialmente configurados para atender às necessidades do plantio direto de grãos e das lavouras arrozeiras. MF 7140, MF7150, MF 7170 e MF 7180 são equipados com motor AGCO Sisu Power, controle remoto de centro fechado de 138l/min e sistema de três pontos com controle eletrônico de alta capacidade de levante. O câmbio é sincronizado com 12 velocidades à frente e cinco à ré. Na área de test drive os visitantes puderam
A Valtra mostrou a linha de colheitadeiras e o trator BH 205i, Geração II, com potência de 210cv
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encontrar modelos plataformados, cabinados e equipados com o sistema de direcionamento Auto-Guide, desenvolvido para guiar o trator automaticamente, sem, contudo, substituir o operador que reassume o volante para realizar manobras e desvios. O equipamento permite selecionar trabalhos em linhas retas, curvas e pivô central. Os modelos de tratores da Série 200, financiáveis pelo Mais Alimentos, receberam área especial para demonstração dos modelos MF 250, MF 265 e MF 275. As plantadeiras série 100, 200, 400, 500, 600 e o distribuidor de fertilizantes MF 2013, que também integram o programa, foram expostos pela marca no mesmo local. A linha completa de colheitadeiras da empresa foi outro destaque da marca na Expodireto, com a exposição de modelos como a MF 9790 ATR e a MF 32 Advanced.
VALTRA Em tratores, o principal destaque da Valtra ficou por conta do modelo BH 205i, de 210cv, Geração II voltado para atividades agrícolas que exigem alta potência. O BM 125i, apontado
“Os estandes permaneceram lotados, com produtores interessados em conhecer novos equipamentos e em levar as inovações para a sua propriedade ” propriedade”
Yanmar Agritech expôs diversos modelos de tratores e implementos
pela montadora como o modelo mais forte da marca na região Sul do Brasil, também mereceu distinção. O trator possui quatro cilindros e é turbo, alimentado com intercooler. A Valtra focou também o pacote de tecnologias desenvolvidas pela área Advanced Technology Solutions e disponíveis nos produtos da marca, como o sistema de direcionamento AutoGuide, utilizado em tratores, e o monitorador de colheita Fieldstar II, incorporado à colheitadeira BC 7500. A montadora levou para a feira, também, sua linha de colheitadeiras. A BC4500, com sistema convencional de trilha, é destinada a médias propriedades, e a BC7500, axial, voltada para grandes áreas de cultivo.
YANMAR A Yanmar Agritech deu destaque especial para a extensa gama de produtos da marca financiáveis pelo Programa Mais Alimentos, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Em tratores, os modelos 1145, de 39cv, e 1155, de 55cv, mais vendidos da marca no Rio Grande do Sul, juntamente com o 1175, de 75 cavalos, estiveram em evidência no es-
Semeadora mecânica rebocada para plantio direto SDM Select foi uma das atrações da Kuhn
tande da empresa. Toda a linha Yanmar Agritech está apta a utilizar bicombustível B5.
KUHN A Kuhn Metasa apresentou a versão múltipla da semeadora mecânica rebocada para plantio direto SDM Select nos modelos 2211/13 e 2215/17. As SDM 2211/13 e 2215/17 têm capacidade de sementes de 440kg e 585kg, respectivamente, possuem cabeçalho móvel que permite a mobilidade do cabeçalho da máquina quando houver necessidade de mudança de espaçamentos. A regulagem das transmissões de adubo e semente ocorre de maneira independente. A troca de posição das engrenagens é realizada manualmente e dispensa o uso de ferramentas. A distribuição de sementes é feita através de rotor acanalado helicoidal para grãos finos e sistema de discos alveolados para grãos graúdos. A distribuição de adubo é realizada por eixo rotativo com rosca sem-fim.
SEMEATO A Semeato surpreendeu ao apresentar no estande um trator, de alta potência, e uma colheitadeira voltada para pequenos produtores.
O trator Powersix 280 é equipado com motor Cuminis, tem 280 HP de potência a 2,2 mil RPM, seis cilindros, 8,3L de cilindrada, turbo, intercooler. A transmissão é mecânica, com 16 marchas à frente e duas à ré, velocidade de 2km a 32km, tração 6x6, freios a disco em banho de óleo, acionamento hidráulico, capacidade de levante no sistema de três pontos de 8,2 mil quilos, tanque de combustível de 570 litros, cabine com ar-condicionado, pneus 18.4/15x34 e peso para transporte de 13,5 mil quilos (sem lastro). A colheitadeira Multi Crop 4100 vem com motor Mercedes 352 turbinado, com potência nominal de 150HP a 2.300rpm. A unidade de trilha conta com cilindro de 600mm de diâmetro por 1.050mm de largura. O variador de velocidade do cilindro é do tipo mecânico. A faixa de variação de velocidade vai de 390rpm a 1.100rpm. O côncavo tem um ângulo de envolvimento de 123º, com 12 barras e área de 0,66m². A unidade de separação tem quatro saca palhas, com cinco degraus. O comprimento do saca palhas é de 3.485mm, com área total de separação de 3,7m². Na unidade de limpeza, a área do bandejão é de 2,1m², a área total
A Semeato surpreendeu ao apresentar no estande o trator Powersix 280 e a colheitadeira Multi Crop 4100
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Fotos Cultivar
A incorporação de tecnologia através de produtos de Agricultura de Precisão foi um dos trunfos mostrados pela Fankhauser
de limpeza de 4,1m², com faixa de variação de velocidade do ventilador de 532rpm a 1.050rpm. A unidade de armazenagem conta com capacidade para 2.670 litros, com vazão de descarga de 50 litros por segundo. A transmissão é do tipo mecânica, com três marchas à frente e uma à ré. A plataforma de corte tem largura (flexível) de 14 pés/4,2 metros e conta com acionamento de molinete hidráulico. A largura, sem plataforma, é de 3,05m e a altura com o tubo de descarga recolhido chega a 4,10m.
STARA A Stara apresentou o pulverizador Gladiador 3000, com motor MWM de seis cilindros turbo de 185cv, suspensão pneumática ativa, barras de 25 metros e 27 metros, com abertura eletro-hidráulica e tanque com capacidade de três mil litros. A altura de vão livre é de 1,55m e a altura de pulverização pode variar de 60cm a 2,20m. Possui autonomia de trabalho de pulverização de até 450 hectares/dia. A abertura/reco-
lhimento da escada se dá por acionamento hidráulico, ao toque no botão de comando, sem demandar esforço físico. O quadro de barras conta com sistema autonivelante para manter a estabilidade das barras mesmo em terrenos com variação de topografia. O sistema de amortecimento no quadro de barras evita danos causados por movimentações bruscas e impactos. O acionamento das barras também ocorre por sistema hidráulico. O sistema de regulagem da bitola do rodado permite variação de 2,70m a 3,30m, o que possibilita adequar sua largura às linhas da cultura a ser pulverizada, aumentando a estabilidade.
FANKHAUSER A Fankhauser trouxe para a Expodireto, além da sua linha de plantadoras adubadoras e semeadoras plantadoras, a incorporação de equipamentos de Agricultura de Precisão aos implementos da empresa. Desde o final de 2008 a marca teve seu portfólio de
Pulverizador Gladiador 3000 foi a grande novidade da Stara
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A Rienke trouxe para a Expodireto 2009 sua máquina de pré-limpeza e limpeza
produtos aumentado com o ingresso da Agrometal, com sede em Cordoba, Argentina, no quadro de acionistas.
RIENKE A Rienke destacou sua máquina de PréLimpeza e Limpeza. Os equipamentos atendem produtores agrícolas, cooperativas, terminais portuários e empresas esmagadoras de soja. Contemplam pequenos, médios e grandes volumes de produção.
VENCE TUDO A Vence Tudo lançou o Tankão L 6.900. Produzido em polietileno, com capacidade de 6.900l, tem comprimento de 4.715mm, largura de 2.090mm e altura de 2.335mm. Pesa 910kg e possui motobomba – AEB4T710L2. Serve para transporte de água sem alterar o pH, otimização do tempo de abastecimento dos pulverizadores, emprego como bebedouro móvel, além de transporte de combustível com maior .M ganho de tempo.
Tankão 6900 esteve em evidência no estande da Vence Tudo
gotejamento
Fotos Cristiane Martins
Abrindo caminho
A escassez de água limpa para irrigação obriga os produtores a utilizarem águas de má qualidade, o que ocasiona entupimentos, principalmente em sistemas com gotejadores, mas técnicas de prevenção, aliadas a alguns produtos já utilizados e outros ainda em teste, ajudam na desobstrução dos emissores
A
agricultura irrigada depende tanto da quantidade como da qualidade da água. No entanto, o aspecto da qualidade tem sido desprezado devido ao fato de que no passado as fontes de água, de forma geral, eram abundantes, de boa qualidade e de fácil utilização. O uso intensivo das águas de qualidade adequada à irrigação implica tanto para os projetos novos como para os antigos, na necessidade de usar águas adicionais, de qualidade inferior (Soccol, 2003). Mas, a qualidade da água para irrigação localizada é um dos primeiros fatores a serem levados em conta, pois refletirá posteriormente na vida útil do sistema e na qualidade da irrigação. O entupimento de emissores é um dos maiores problemas, com maior ocorrência na irrigação por gotejamento, onde o diâmetro do emissor e a velocidade da água são menores quando comparados com os da microaspersão. Como a água de irrigação pode não ser a desejável, uma for-
ma de conviver com as obstruções é o tratamento da água com o intuito de reduzir os níveis de obstrução.
ENTUPIMENTO Os agentes causadores de entupimento nas tubulações e emissores dos sistemas de irrigação são de natureza física, química e biológica. Os agentes físicos que causam entupimento podem ser areia, silte e argila, ou resíduos de plásticos que não foram retirados durante a
instalação do sistema, além de partículas orgânicas como fragmentos de plantas, resíduos de animais, moluscos ou outros organismos. As obstruções químicas mais frequentes ocorrem com a precipitação e a deposição de cálcio (carbonatos e sulfatos de cálcio) e o ferro (López et al, 1992). Outros elementos químicos como o manganês e o enxofre podem ocasionar problemas de obstrução, pois na sua forma oxidada também geram precipitados de baixa solubilidade (Pizarro, 1996). Os agentes de origem
Modelos de gotejadores novos (à esquerda nas fotos) e após 700 h de funcionamento com água ferruginosa (à direita nas fotos)
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Fotos Cristiane Martins
biológica são representados por pequenos organismos aquáticos, como larvas, algas, fungos e bactérias que passam através dos filtros e desenvolvem-se formando grandes colônias no interior das tubulações. O ferro e o manganês em elevados teores são os principais causadores das obstruções de tubulações e emissores dos sistemas de irrigação. Estes elementos, ao entrar em contato com o oxigênio atmosférico ou incorporado à água, oxidam-se, passando para as formas Fe3+ e Mn4+, de baixo coeficiente de solubilidade, precipitam-se facilmente no interior das tubulações e dos emissores, impedindo ou dificultando a passagem normal da água. Autores como Bucks et al, (1979) estabeleceram que, para ser utilizada sem restrição na irrigação, a água deve apresentar concentração de ferro menor que 0,1mg L-1 e que a utilização de água com teor de ferro maior que 1,5mg L-1, em sistemas de irrigação por gotejamento, apresenta severas restrições quanto ao risco de entupimento de gotejadores. Acima deste último valor, à ação das ferrobactérias associa-se a precipitação química do ferro, que, por seu lado, parece ter ação na deposição de substâncias orgânicas em suspensão (Ford, 1986). As ferrobactérias produzem mucilagens que contribuem para agravar os problemas de entupimento nos sistemas de irrigação localizada. Estas bactérias têm importância econômica e sanitária, causando a formação de crostas de ferrugem no interior de tubos ou de residências, precipitando hidróxido férrico em águas ricas nesse elemento. Elas chegam a formar extensos depósitos geológicos de ferro e, nas canalizações, constituem frequentes causas de obstruções, além de dar uma coloração parda-avermelhada à água. Na página anterior, observa-se a presença de incrustações pro-
Filtro de disco utilizado na irrigação com água ferruginosa mostrando a deposição de ferro
vocadas pela irrigação com água apresentando 3,57mg L-1 de ferro total. Atualmente existem diversos gotejadores de uso comercial, sendo que cada tipo de emissor possui uma sensibilidade própria ao entupimento, como verificado em trabalhos realizados por Resende (1999) e Martins (2007). Observa-se, na página anterior, três modelos de gotejadores novos e após 700h de funcionamento irrigando com água ferruginosa, com a presença de mucilagem formada pelas ferrobactérias. O entupimento pode ser parcial, reduzindo a uniformidade de aplicação de água, ou total, interrompendo por completo o funcionamento do sistema, causando sérios problemas às culturas, devido à deficiência hídrica (Cararo et al, 2004). As obstruções provocam variação na vazão dos gotejadores e como consequência reduz a uniformidade de distribuição de água e também de fertilizantes, no caso de uso da fertirrigação.
PREVENÇÃO E RECUPERAÇÃO Para a minimização do entupimento são sugeridas diversas técnicas na literatura e den-
Aplicação do dicloroisocianurato de sódio (65%) utilizando o injetor venturi
tre elas as mais usuais são a filtragem e a cloração. Porém, somente o uso de filtros não previne a obstrução de gotejadores operando com água ferruginosa. Usualmente utilizam-se filtros combinados a um tratamento químico, inspeção a campo e lavagem das linhas laterais. As obstruções dos emissores causadas por precipitados químicos podem ser prevenidas provocando-se a precipitação desses elementos antes de atingir o sistema de filtragem ou com a aplicação de ácido para reduzir o pH da água e mantê-los em solução. Tais elementos são solúveis em estado reduzido e, ao se oxidarem, precipitam. O cloro e os ácidos são os produtos mais utilizados, tanto como medida preventiva quanto para recuperar emissores obstruídos. Os derivados clorados podem ser de origem inorgânica, como gás cloro, hipoclorito de sódio, hipoclorito de cálcio; e de origem orgânica, que recebem este nome devido à estrutura química deste tipo de derivado clorado ser orgânica, ou seja, possuir carbono na sua estrutura química. Os principais representantes são o dicloroisocianurato de sódio e o ácido tricloroisocianúrico (Macêdo, 2000). O dicloroisocianurato de sódio vem sendo testado para o controle do entupimento em sistemas de irrigação por gotejamento e seu uso tem se expandido no Brasil, sendo comercializado na forma de pó ou granulado, pois possui maior estabilidade ao armazenamento que os compostos clorados inorgânicos. Outra característica vantajosa no seu uso no dia-a-dia é o pH da sua solução a 1%, que varia de 6,0 a 8,0, enquanto o pH de outros O dicloroisocianurato de sódio pode ser diluído em um balde plástico e injetado na tubulação através de um injetor de fertilizantes
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“As ferrobactérias produzem mucilagens que contribuem para agravar os problemas de entupimento nos sistemas de irrigação localizada ” localizada” Gráfico 1 - Valores médios do Coeficiente de Uniformidade de Cristiansem (CUC), sem tratamento da água e após a aplicação de 15mg L-1 de cloro livre
derivados clorados como hipoclorito de sódio e/ou de cálcio varia de 11,0 a 12,5. Com o uso dos derivados clorados de origem orgânica, a probabilidade de formação de trihalometanos é muito pequena ou nula quando comparada com os níveis formados pelos derivados clorados de origem inorgânica. Este produto pode ser diluído em um balde plástico e injetado na tubulação através de um injetor de fertilizantes do tipo venturi. Quando se utiliza água com elevado teor de ferro na irrigação localizada, sem tratamento químico, a uniformidade de distribuição de água vai diminuindo com o tempo, podendo comprometer completamente o sistema, devido ao entupimento. Resultados de pesquisa apontam que o uso de 15mg L-1 de cloro livre, injetado na tubulação, pode ser suficiente para manter o sistema funcionando com excelente uniformidade, acima de 90% (Martins, 2007), como demonstrado no Gráfico 1. Verifica-se, nesse mesmo gráfico, que após 700h de funcionamento com água ferruginosa, o sistema apresentou uma redução de 23% no seu coeficiente de uniformidade, representado pelo CUC (Coeficiente de Uniformidade de Christiansen). Também pode ser utilizada a aeração da água em lagoas, que promove a oxidação de ferro e manganês antes de entrar no sistema, por meio de saltos, bandejas, sistemas mecânicos em tanques abertos, ou injetando ar na água para induzir à oxidação e precipitação do ferro. Uma vez precipitado, o ferro pode ser separado por filtros. No entanto, ambos os processos devem ser avaliados economicamente (Pizarro, 1996). A aeração é recomendável nos casos em que a água contém gás carbônico em excesso, ácido sulfídrico, ferro dissolvido facilmente oxidável
e substâncias voláteis aromáticas de origem vegetal acumuladas em grandes represas. Aliados à aeração, os tanques de sedimentação são uma solução simples e econômica para a eliminação desses precipitados, bem como de sólidos em suspensão, como areia, silte e argila. Dentre os vários tipos de aeradores existentes, os tipos tabuleiros são os mais indicados para adição de oxigênio e oxidação de compostos ferrosos ou manganosos. São construídos de três a nove tabuleiros ou “bandejas”, iguais e superpostos, distanciados de 0,30 a 0,75m (em altura), através dos quais a água passa. O primeiro tabuleiro (mais alto) serve apenas para distribuir uniformemente a água, sendo construído com perfurações. Os demais tabuleiros são feitos com uma treliça sobre a qual é disposta uma camada de pedras, ou seja, material granular, que oferece superfície de contato e concorre para acelerar as reações de oxidação. O tanque de decantação é uma solução simples e econômica para eliminação de sólidos em
suspensão e alguns precipitados químicos, como o ferro, que se formam ao aerar a água. O tamanho do tanque é função do volume de água a ser tratada, do tamanho dos sedimentos presentes nela e da qualidade desejada na saída. Assim, verifica-se que a utilização de água com elevado teor de ferro em sistemas de irrigação por gotejamento tem proporcionado sérios problemas de obstrução dos emissores, devido também à proliferação de ferrobactérias. A avaliação periódica do sistema constitui uma boa prática para verificação da uniformidade de distribuição da água pelos emissores, pois possibilita identificar obstruções ou o mau funcionamento dos emissores devido à pressão de serviço inadequada. Recomenda-se verificar, periodicamente, o funcionamento dos filtros e fazer análise da água de irrigação, visto que sua .M qualidade muda ao longo do ano. Cristiani Campos Martins, Antônio Alves Soares e UFV
Aerador tipo tabuleiro com tanque circular de sedimentação
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Justiça em debate
Schubert K. Peter - schubert.peter@revistacultivar.com.br
Provas ilícitas
A
obtenção, por parte de fiscalização tributária e da polícia, de documentos em escritório de contabilidade, sem mandado judicial, inviabiliza seu uso como provas em procedimento administrativo ou em processo judicial. Afasta, inclusive, o uso de outras provas, obtidas a partir daqueles documentos. Embora haja divergência sobre esse entendimento, a jurisprudência tende a torná-lo dominante. Provas utilizadas como base para decisões condenatórias devem ser lícitas, reconhecidas como válidas pelo ordenamento jurídico. É uma decorrência necessária da estrutura legal brasileira, onde está contido o “devido processo legal”. Situação interessante ocorre quando a prova é lícita, mas fiscais ou policiais somente chegaram a ela por meio de outra, ilícita. Haveria algum tipo de contaminação? Sim. A ilegalidade transmite-se. Como doença. A essa situação fática dá-se o nome de Teoria dos Frutos da Árvore Envenenada. Em termos sintéticos, trata-se de caso de ilicitude por derivação. A ilegalidade inicial (a árvore) produz resultado necessariamente ilegal (frutos). Esse tipo de ilicitude ocorre no já mencionado caso de apreensão em escritório de contabilidade, situação cada vez mais comum. O Supremo Tribunal Federal entende que a proteção constitucional à “casa” aplica-se a qualquer compartimento privado - não aberto ao público – onde alguém exerce profissão ou atividade. Assim, a entrada em local privado, contrariando a lei, macula qualquer prova porventura lá encontrada. De acordo com esse entendimento, a excepcionalidade de vários poderes que investem a administração estatal não per.M mite afrontas aos princípios constitucionais.
Lei ambiental
A
legislação ambiental permanece desconhecida por muitas pessoas e empresas, apesar do seu rigor. Não deveria. Ao contrário de outras leis, cujas determinações são praticadas em decorrência de hábito, de costume, as normas relacionadas ao meio ambiente parecem vindas de outra sociedade. Utilizar apenas a própria razão como meio de imaginar a conduta correta pode causar grandes transtornos. Exemplo disso ocorreu com agência de publicidade que decidiu realizar, de helicóptero, imagens de reserva ambiental sem a autorização do Ibama. Acabou condenada pela Justiça por dano ambiental resultante do deslocamento de pedras, supostamente causado pelo voo da aeronave. A multa foi de R$ 50 mil.
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Prova paterna
H
á casos de decisões em tribunais permitindo ao suposto pai biológico a produção de prova para comprovar a existência de vínculo socioafetivo entre filho e pai registral (aquele que registra). A elucidação acerca dessa relação pode ser útil em casos onde o filho ingressa com ação de reconhecimento de paternidade contra o suposto pai biológico pleiteando alteração no registro de nascimento, alimentos e direitos sucessórios. A produção dessa prova importa, pois a existência de vínculo socioafetivo afasta, em muitos casos, a possibilidade de alteração registral e, por conseguinte, direitos sucessórios e prestações alimentares.