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Maquinas 58

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Destaques Matéria de capa

Perdas monitoradas As perdas de grãos na colheita da soja são avaliadas a partir de aspectos como idade das colhedoras, sistema de trilha e condição de propriedade

08

Plantio invisível

Filtro aos danos

No plantio direto, componentes aterradores especializados, que reestabeleçam o solo e a palha anteriormente removidos, tornam-se fundamentais para uma boa implantação das culturas

Aspectos técnicos e econômicos vinculados à utilização de filtros de discos no sistema de distribuição de água na irrigação localizada

Índice

16

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Nossa Capa New Holland

Rodando por aí

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Técnica 4x4

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Colheita mecanizada de cana

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Monitoramento de perdas na soja

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Filtros de disco na irrigação localizada

11

Acabamento da semeadura em PD

14

Sistema de preparo de solo

18

Nanotecnologia na agropecuária

22

Pulverização aérea

26

Manutenção passo-a-passo

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Esporte trator

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Grupo Cultivar de Publicações Ltda.

www.cultivar.inf.br www.grupocultivar.com

Cultivar Máquinas Edição Nº 58 Ano VI - Novembro 06 ISSN - 1676-0158

www.cultivar.inf.br cultivar@cultivar.inf.br Assinatura anual (11 edições*): R$ 119,00 (*10 edições mensais + 1 edição conjunta em Dez/Jan)

Números atrasados: R$ 15,00 Assinatura Internacional: US$ 80,00 • 70,00

• Editor

Gilvan Quevedo • Redação

Vilso Júnior Santi • Revisão

Silvia Maria Pinto • Design Gráfico e Diagramação

Cristiano Ceia • Comercial

Pedro Batistin

Sedeli Feijó Silvia Primeira

• Impressão:

Kunde Indústrias Gráficas Ltda.

• Gerente de Circulação

Cibele Costa • Assinaturas

Simone Lopes • Gerente de Assinaturas Externa

Raquel Marcos • Expedição

Dianferson Alves

NOSSOS TELEFONES: (53) • GERAL

• REDAÇÃO

3028.2000

3028.2060

• ASSINATURAS

• MARKETING

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3028.2065

Por falta de espaço, não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@cultivar.inf.br Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.


Maggion A Maggion acaba de lançar uma nova câmara de ar agrícola na medida 14.9R24 para aplicação em pneus radiais e diagonais traseiros de tratores. A câmara é fabricada com composto especial à base de borracha butílica, o que garante alta resistência a elevadas temperaturas, ótima impermeabilidade, evitando perda de pressão, maior resistência a furos e rompimento e também excelente performance em todos os tipos de terreno, com alto desempenho na aplicação de lastro. Mais informações em (11) 6468-0866 e/ou www.maggion.com.br.

Verion A Verion Oleohidráulica divulga promoção de final de ano: comprando uma de suas Ferramentas para Agricultura de Precisão, até o final de 2006, o pagamento será apenas em 2007. Além do Controlador VRMGPS para aplicação à taxa variável e do Novo Computador Vcom, estão disponíveis também no mercado o Kit de Bomba variável para trator e o eixo traseiro para colhedora, além de solução integral na área hidráulica. Informações adicionais: (11) 61007400 ou www.verion.com.br.

Cummins Em 2006 a Cummins viu sua participação no mercado de colhedoras saltar de 25% no ano passado para 35% este ano. Além desse avanço de dez pontos percentuais num mercado tão competitivo, a Cummins também avançou no segmento de máquinas para construção. Líder há vários anos, com uma participação na casa dos 47% do setor de máquinas e equipamentos para construção, a empresa acaba de avançar e atinge em 2006 uma participação de 55% neste mercado.

04 • Novembro 06

MWM

John Deere Em visita de três dias à América do Sul no final de outubro, o presidente mundial e CEO da Deere & Company, Robert W. Lane, mostrou interesse especial pela tecnologia brasileira de produção de cana-de-açúcar. Em Ribeirão Preto (SP), onde se localiza a Unidade de Negócios da Cana-de-Açúcar da John Deere, Lane e o grupo de dirigentes mundiais que participaram da visita tiveram um encontro com clientes e produtores ligados à cultura. De acordo com Robert Lane, seu objetivo era ouvir os produtores e especialistas para conhecer melhor as razões que fizeram o álcool brasileiro se tornar uma boa alternativa ao petróleo e também analisar como a John Deere pode participar do esRobert W. Lane (dir.) forço para produção de energia renovável.

Vitti Molinos Um moinho experimental de farinha de trigo, desenvolvido e fabricado com tecnologia 100% nacional, capaz de bater os resultados e os preços de seus similares importados. Este é o trunfo com o qual a Vitti Molinos Equipamentos Industriais Ltda, de Itajaí (SC), tem aberto espaço no mercado de implementos para a indústria alimentícia. Em um ano de atividade já foram produzidas e comercializadas unidades para moinhos de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Goiás. Outras informações (047) 8402 0410 e/ou www.vittimolinos.com.br

Paulo Busch

New Holland A fábrica da New Holland acaba de ganhar dois presentes. Os tratores, um Ford fabricado em 1951 e um Fiat lançado em 1919, chamam a atenção pela sua idade e remetem ao passado da mecanização agrícola. As primeiras unidades do modelo da Fiat começaram a chegar ao Brasil no início dos anos 20. O exemplar foi encontrado em uma fazenda no interior de São Paulo, na década de 50. Logo após, foi adquirido pela Fiat Allis, que hoje é a New Holland Construções. Já o modelo da Ford foi uma doação do presidente da New Holland, Valentino Rizzioli. O exemplar possui motor com quatro cilindros, potência de 45 cv e autonomia de 20 litros/h.

GSI No mês de outubro, a representação da GSI/Agromarau na Bolívia, a Casa Agrícola Ganadera, juntamente com o vendedor Edson Pereira, trouxeram para o Brasil os agricultores Jorge Vargas Alvarez e Ruddy Banegas Hurtado. Eles são produtores de soja e milho e vieram conferir de perto o processo produtivo da empresa e também aproveitaram a oportunidade para visitar alguns clientes. Durante a visita, Rafael Dalla Coletta, Diretor Administrativo e Financeiro da GSI/Agromarau, falou da preocupação que a empresa mantém em atender bem aos seus clientes e representantes. Informação que foi confirmada com os elogios prestados pelos clientes que tiveram suas obras visitadas.

Fahor No dia 16 de dezembro de 2006 a Faculdade Horizontina (Fahor) comemora a formatura de sua primeira turma de engenheiros mecânicos com ênfase em máquinas agrícolas, formação inédita no Brasil. O curso iniciado em 2002 culmina com este ato uma trajetória de realizações e de sucesso da instituição, que contabiliza a abertura de cursos novos, todos focados em agronegócio, e um novo campus. O curso foi reconhecido em 13 de outubro de 2006 através da Portaria Nº 759 do Secretário de Educação Superior do MEC. Para marcar suas carreiras os 25 formandos escolheram Martin Mundstock como patrono e Arno Dallmeyer como paraninfo.

Sfil A Sfil acaba de obter mais um destaque nacional. Desta vez, a empresa faz parte do ranking das 150 Melhores Empresas para Trabalhar no Brasil, segundo as revistas Exame e Você S.A., ambas da Editora Abril. Hoje a Sfil conta com 134 colaboradores que convivem num clima de respeito e credibilidade, onde a evolução do negócio está baseada no comprometimento das equipes. Segundo seus diretores, o mérito de a empresa estar no seleto grupo das 150 Melhores não é uma ação isolada, mas sim resultado do foco que a Sfil possui na gestão de pessoas. Eliseu e Janice Schaedler

A MWM International assinou em 28 de setembro acordo de parceria e cooperação tecnológica com a fabricante chinesa dos DCD, DongFeng Chaoyang Diesel Co., produtora de 160 mil motores/ano. Essa foi a segunda vez que a companhia anunciou negócios na China. Pelo acordo, caberá à MWM International o fornecimento de tecnologia e suporte dos motores cv a 170 cavalos. Em 2008 sairão os primeiros motores da DCD com tecnologia MWM International.

Gates A Gates acaba de comprar a EMB-EIFEL, fabricante de conexões hidráulicas padrão “DIN” para tubo métrico, tubo com anel de cravação, conexões para solda e conexões flangeadas. A EMBEIFEL é uma empresa com mais de 50 anos de existência, com matriz em Euskirchen na Alemanha e operações subsidiárias na Espanha e China, fornecendo para toda a Europa , com qualidade reconhecida mundialmente.

Jacto Uma comitiva de cafeicultores da região de Franca (SP) e de Minas Gerais visitou o Grupo Jacto para conhecer a estrutura e a filosofia da empresa que hoje está presente em mais de 80 países e completou 58 anos de atuação no mercado agrícola. A visita foi acompanhada pela revenda Sami Máquinas Agrícolas. Além do Grupo Jacto, os cafeicultores conheceram a Fundação Shunji Nishismura de Tecnologia, que mantém o Colégio Agrícola de Pompéia (com inscrições abertas para 2007), uma escola de ensino fundamental e uma escola profissionalizante.


Aclives

Fotos Técnica 4x4

Vencer subidas Para abordagem de rampas de até 45º de inclinação, primeiro deve-se verificar as condições do terreno e do trecho a percorrer. Depois, selecionar a marcha, engatar a tração 4x4, a reduzida e o blocante

U

m utilitário fora de estrada deve abordar rampas de no mínimo 30º de inclinação, sem que vire para trás, ou que o motor “engasgue”, como pode eventualmente acontecer com motores a gasolina e carburador. Os modelos atualmente fabricados são capazes de subir facilmente rampas de até 45º. Após analisar o trecho, verificando o tipo de piso e o que tem do outro lado, engate a tração 4x4, a reduzida e o blocante. Você poderá usar desde a primeira até a terceira marcha, cada tipo de piso irá exigir uma tomada de decisão diferente.

DESLOCAMENTO O uso de uma marcha mais solta como a segunda ou a terceira lhe dará mais margem para redução, caso perca embalo e precise de mais potência durante a subida. Posicione o veículo em linha reta com o topo e o final da subida, inicie o deslocamento com um pouco de embalo. Mantenha o pé no acelerador e o motor em alta rotação, não use a embreagem. Se sentir que pode perder aderência, gire rapidamente o volante para a esquerda e a direita e não tire o veículo da linha reta para o topo. Jamais suba em ângulo com o final do percurso. Como já mencionado, se o veículo escorregar para o lado, pode ficar difícil retomar o controle da direção. Mas suponha que você realmente faça tudo certo, e o veículo resolva sair de lado, então, freie rapidamente, engate marcha à ré e solte os

dois pedais, recolocando o veículo em linha reta até o ponto de partida, não pise no pedal de embreagem. Se precisar segurar o veículo, acione o freio de forma cadenciada, imitando o ABS, não trave as rodas e deixe o motor ajudar a fazer o trabalho de frenagem. Caso perceba que os pneus comecem a deslizar sem tração, acelere para recuperar o controle da descida. Veículos com caixa automática podem não ter o freio motor suficiente, neste caso, freie com o pé esquerdo e acelere suavemente com o direito. Uma vez embaixo, repita toda a operação até atingir o final do aclive. Faça tudo com moderação, prudência e calma. Quando estiver próximo do ponto final da subida, diminua a velocidade até parar no topo. Não passe direto, pois pode haver agora uma grande descida pela frente ou uma curva fechada, e novas providências devem ser tomadas. Fique atento ao con-

cluir a subida, talvez você não encontre terreno suficiente para apoiar as quatro rodas, e o veículo poderá se transformar em uma gangorra, ficando com sua parte central pendurada no topo do aclive. Para abordagem de subidas íngremes com rochas, o procedimento é um pouco diferente, já que a manobra vai exigir baixas velocidades e basicamente a primeira marcha reduzida e o blocante acionado. Você está agora em um terreno de grande atrito e não vai precisar de embalo para subir. Como o veículo vai chacoalhar para todos os lados é fundamental que você mantenha a baixa velocidade, para manter os pneus o máximo possível em contato com o terreno. Aqui, também é importante o longo curso da suspensão, já que será exigida M ao máximo. João Roberto de Camargo Gaiotto www.tecnica4x4.com.br

Abordagem correta de uma rampa em linha reta com o topo (esq.) e abordagem errada em ângulo (dir.). Você pode perder o controle da direção.

Novembro 06 • 05


sistema de corte

Fotos Roberto Cunha Mello

Corte eficiente

Com a incorporação de um novo sistema de corte, as colhedoras de cana reduzem as perdas de matéria-prima, diminuem o índice de impurezas minerais fornecidas às usinas, além de proporcionarem melhora na rebrota dos canaviais

O

Instituto Agronômico de Campinas (IAC), em parceria com a University of Southern Queensland, na Austrália, desenvolveu para colhedoras de cana-de-açúcar um sistema de corte de base que reduz as perdas de matéria-prima, além de melhorar a rebrota e reduzir o desgaste das lâminas de corte e a quantidade de impurezas minerais na cana fornecida às usinas. Atualmente, as colhedoras cortam a cana em sua base por impacto, usando múltiplas lâminas montadas em dois discos contrarotativos. Esse tipo de corte (Figura 1) causa alto volume de perdas e grandes danos na soqueira, o que prejudica a rebrota. É importante lembrar que o conceito de perdas não deve se limitar apenas às perdas de matéria-prima, mas também deve ser computar a quebra de produtividade devido à ação agressiva das lâminas e dos discos do cortador de base.

CORTE POR DESLIZAMENTO Como alternativa ao corte de base, Harris e Mello (1999) sugerem o corte por deslizamento, com a utilização de lâminas ser-

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rilhadas, como mostra a Figura 2. Se houver um ângulo entre a lâmina e o material a ser cortado, haverá um deslizamento, e, estando o material aderido à lâmina, este se romperá devido à fricção. Segundo Persson (1987) as lâminas serrilhadas iniciam o corte com maior facilidade, pois ocorre uma concentração de tensões na ponta dos dentes, e, pelo fato de as fibras ficarem alojadas entre os dentes, o corte ocorrerá com uma força normal menor, o que causa menos danos e conseqüentemente menos perdas.

A fim de comprovar a eficiência do novo sistema de corte de base, vários trabalhos de campo foram realizados, nas safras 2003, 2004 e 2005. Para avaliação do desempenho, o novo sistema foi comparado com o convencional, e foram mensurados os seguintes itens: altura de corte, quantidade de tocos encontrados dentro da parcela experimental e abalo de soqueira. Tanto para o sistema proposto como para o convencional, foram utilizadas lâminas novas, instaladas em colhedoras de pneus

Figura 1 - Detalhe de um típico corte da cana por impacto

Figura 2 - Corte por deslizamento com lâmina serrilhada


“Atualmente, as colhedoras cortam a cana em sua base por impacto, usando múltiplas lâminas montadas em dois discos contra-rotativos” Divulgação

Tabela 1 - Alguns indicadores de desempenho Tratamento Convencional Serrilhado

Impureza mineral (%) 0,58 0,55

* Altura de corte (cm) 7,73 6,73

* Quantidades de tocos 13,11 15,24

* média de 75 pontos de 2 m de comprimento

Tabela 2 - Abalo de soqueira Tratamento

Intactas Levemente abaladas Convencional 0,58 7,73 Serrilhado 0,55 6,73

Figura 3 - Diferenças na rebrota as linhas da direita foram cortadas com a lâmina serrilhada

sem controle automático de altura de corte. Para cada sistema, foram colhidas quantidades de cana suficiente para encher quatro caminhões de aproximadamente 60 toneladas. Já na determinação da altura de corte, da quantidade de tocos e de abalo de soqueira, foi feita uma amostragem de 75 pontos com dois metros de comprimento. As amostras foram coletadas aleatoriamente ao longo do talhão, imediatamente após a colheita, para evitar que a passagem de máquinas sobre as parcelas pudessem alterar os resultados. As impurezas minerais foram determinadas segundo procedimento adotado pelas usinas, e a altura de corte foi determinada com o auxílio de uma trena; todos os tocos foram medidos, e foi tirada a média. O abalo de soqueira, por sua vez, foi estabelecido sempre pela mesma pessoa, que com a ponta dos dedos aplicava no toco uma força lateral em diferentes sentidos e, dependo do deslocamento resultante, os classificava como: intacto, levemente abalado, abalado, ou arrancado, quando este se encontrava totalmente desprendido do solo.

Abaladas

Arrancadas

13,11 15,24

13,11 15,24

* média de 75 pontos de 2 m de comprimento

Roberto apresenta o novo sistema de corte para colhedoras de canade-açúcar, testado pelo IAC

tes e aumentam o volume de perdas. Um aumento na quantidade de tocos encontrados dentro de cada parcela significa que houve uma redução no número de tocos arrancados ou cortados muito profundamente (abaixo da superfície do solo), não sendo visualizados para contagem. Quanto ao abalo de soqueira, pode-se observar pelos dados da Tabela 2 que houve um aumento no número de soqueiras intactas e uma redução de aproximadamente

46% no número de arrancadas. O sistema proposto já se encontra disponível para quem deseja testá-lo. E, para o caso de aprovação, algumas empresas já se dispuseram a comercializá-lo. As lâminas serrilhadas e o disco podem ser vistos na Figura 4. O disco pode ser adaptado em qualquer colhedora automotriz sem a necessidade de qualquer modificação, e acredita-se que este irá apresentar melhores resultados nas máquinas equipadas com controlador automático de altura de corte (copiador de solo). O IAC também está conduzindo um experimento para se determinar qual a altura de corte ideal, levando-se em conta as perdas de toco e as diferenças na rebrota com refleM xos na produtividade. Roberto Cunha Mello, IAC

DADOS COMPARATIVOS Os resultados podem ser vistos nas Tabelas 1 e 2, e a Figura 3 mostra algumas diferenças na rebrota, quando se utilizou o sistema de corte com lâminas serrilhadas e inclinadas para a frente. Pelos resultados da Tabela 1, podemos observar que houve uma pequena redução na impureza mineral e na altura de corte e um aumento na quantidade de tocos. Mesmo com uma altura de corte menor, houve redução nas impurezas minerais quando foram utilizadas lâminas serrilhadas, isto se deve ao fato de que as lâminas lisas, porque não cortam adequadamente, tombam os tocos remanescenFigura 4 - O disco de corte e as lâminas serrilhadas podem ser adaptados em qualquer uma das colhedoras do mercado

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símbolos controle de perdas

Perdas monitoradas Pesquisadores avaliam as perdas de grãos na colheita da soja a partir de aspectos como idade das colhedoras, sistema de trilha (axial ou radial) e condição de propriedade das máquinas (própria ou alugada)

O

Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba constituem as regiões com maior produção de grãos do estado de Minas Gerais, devido principalmente ao bom nível tecnológico dos seus produtores, que utilizam práticas modernas, possibilitando o emprego de alta tecnologia na colheita de grãos. Por ser uma das principais etapas do processo de produção, a colheita torna-se uma operação muito delicada, sendo necessário um bom desempenho visando reduzir as perdas nesse processo. Alguns autores indicam que existe uma relação entre a idade de uso da colhedora e o nível de perdas na colheita. Entretanto, também pode ser encontrado nas lavouras do país elevado número de colhedoras com mais de 15 anos que apresentam perdas abaixo de um saco/ha, indicando que, além da idade, outros fatores tais como a habilidade do operador, as condições da lavoura e a conservação da máquina podem ter mais influência sobre o nível de perdas. O sistema de trilha na colheita da soja provoca quebra de pequenos fragmentos nos grãos, e muitas vezes esses danos não são percebidos nos restos culturais ou até em medições de perdas. As perdas com a quebra dos grãos representam de 1,7% a 14,5% das perdas na colheita. De modo geral, colhedoras que possuem sistema de trilha longitudinal ou axial apresentam menores danos mecânicos às sementes, quando comparados com sistema de trilha radial, além de possuírem maior capacidade de colheita, embora ainda apresentem um custo de aquisição considerado elevado para os produtores brasi-

leiros. A alta variabilidade encontrada em estudos da qualidade de sementes durante a colheita demonstram que as causas estão relacionadas a fatores como manutenção deficiente e regulagens inadequadas das colhedoras, além da ocorrência de chuvas durante o período de colheita.

TESTES DE CAMPO O presente trabalho teve por objetivo avaliar as perdas de grãos de soja em lavouras das regiões do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, em função da idade de uso das colhedoras, velocidade de trabalho, sistema de trilha (axial ou radial) e condição de propriedade das colhedoras (própria ou alugada), em dez propriedades produtoras de soja, avaliando-se as perdas em vinte e uma colhedoras. As propriedades e as colhedoras foram selecionadas de acordo com o perfil da mecanização agrícola regional, e os dados foram coletados utilizando-se a metodologia do copo medidor desenvolvida pela Embrapa. As perdas foram determinadas antes do início da colheita (perdas naturais), colo-

cando-se a armação em áreas não colhidas e após a passagem da colhedora (perdas totais). As perdas de cada máquina foram obtidas por meio da diferença entre as perdas totais e naturais. Para a obtenção dos valores da rotação e de velocidade de deslocamento, acompanhou-se o operador em um percurso equivalente ao comprimento do talhão durante a colheita, anotando-se na planilha as leituras realizadas no painel das máquinas. Para as colhedoras mais antigas, que não possuíam velocímetro, determinou-se a velocidade cronometrando-se o tempo de percurso em dez metros com três repetições, obtendo-se a velocidade média de deslocamento. A umidade dos grãos foi obtida por meio de aparelho digital portátil, no momento da colheita. Já a idade da colhedora foi obtida por meio de pergunta direta ao responsável pela colheita, em consulta aos manuais ou conferência na chapa afixada na colhedora com o ano de fabricação.

ÍNDICES DE PERDA As máquinas com idade entre zero e cinco anos apresentaram menores valores de perdas para a cultura da soja do que aque-

Case IH

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“O sistema de trilha na colheita da soja provoca quebra de pequenos fragmentos nos grãos, e muitas vezes estes danos não são percebidos nos restos culturais ou até em medições de perdas” Fotos Rouverson P. da Silva

As perdas no processo de descarga das colhedoras quase sempre estão relacionadas ao despreparo dos operadores

las com mais de seis anos de idade. A velocidade de deslocamento da colhedora e a rotação do cilindro não foram influenciadas pela idade de uso das máquinas. Na Figura 1, apresenta-se a curva de tendência das perdas médias em função da idade de uso das máquinas. As colhedoras mais novas, de zero a cinco anos apresentaram menores perdas, porém, ao se analisar as colhedoras mais antigas, de seis a dez anos e com mais de dez anos, observa-se que a idade não foi motivo relevante para a ocorrência de perdas, o que se explica devido à ação de outros fatores, tais como o estado de conservação da máquina, a taxa de utilização anual e a eficiência do operador, que também influenciam as perdas na colheita. Além destes fatores, um outro de igual importância a ser observado é a velocidade de deslocamento. Na Figura 2 percebe-se que, para as condições estudadas, a velocidade de deslocamento não influenciou significativamente as perdas de grãos, o que discorda dos resultados obtidos por Mesquita et al. (2001a), que afirmam haver tendência de menores perdas quando as colhedoras operam em velocidades abaixo de 7 km/h. A falta de relação direta entre a velocidade de deslocamento e as perdas na colheita é possivelmente explicada pelo alto valor do coeficiente de variação encontrado na determinação de perdas em condições de campo. Quanto à rotação do cilindro (Figura 2), também não foram encontradas diferenças significativas. A velocidade de deslocamento e a rotação do cilindro de trilha são fato-

res fortemente dependentes da regulagem promovida pelo operador, que nas colhedoras analisadas seguiu orientações dos proprietários das colhedoras (serviço próprio ou terceirizado). A regulagem, quando realizada de forma adequada, torna-se um fator decisivo para a redução ou o aumento das perdas. A condição de trabalho da máquina (própria ou terceirizada), mostrada na Figura 3, influenciou significativamente as perdas de grãos, com as colhedoras alugadas apresentando perdas 108,9% superiores ao nível considerado aceitável, que é de 1 sc/ha. Já as colhedoras próprias apresentaram perdas 34% superiores ao nível acei-

Figura 1 - Perdas de grãos resultantes da colheita da soja em função da idade de uso das colhedoras

tável. A diferença entre colhedoras terceirizadas e próprias pode ser explicada pelo maior cuidado exigido pelo proprietário na condução da colheita, enquanto que, nas máquinas terceirizadas, não se registram os mesmos cuidados durante a colheita. Os outros fatores analisados não diferiram significativamente em relação à condição de trabalho das máquinas. Quanto aos sistemas de trilha axial e radial (Figura 4), foram encontradas diferenças significativas para as médias de grãos perdidos, com as colhedoras de fluxo axial apresentando menores perdas quando comparadas com as colhedoras radiais. As perdas encontradas nas máquinas de fluxo axial permaneceram no nível tolerável para a cultura da soja, enquanto que, para as colhedoras de fluxo radial, em todas as faixas de rotação observadas, as perdas foram su-

BALANÇO FINAL

A

O índice de perdas pode ser mensurado através da coleta dos grãos depositados no solo após a passagem da colhedora

s colhedoras com idade entre zero a cinco anos apresentaram perdas menores do que as colhedoras com mais de seis anos de idade. Não houve diferenças significativas quando comparadas as perdas de grãos e rotação do cilindro em função da velocidade de avanço das colhedoras. As colhedoras próprias apresentaram menores perdas quando comparadas com as colhedoras alugadas, enquanto que nas máquinas com sistema de trilha axial as perdas foram significativamente menores em relação àquelas com sistema radial.

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Rouverson P. da Silva

Figura 2 - Perdas de soja em função da velocidade de deslocamento das colhedoras

Figura 3 - Perdas de soja e velocidade de deslocamento em função da condição de propriedade das colhedoras

Uma armação de arame pode ser utilizada para facilitar a contagem dos grãos perdidos e a conseqüente determinação dos índices de perda

Figura 4 - Perdas de soja em função do sistema de trilha das colhedoras

Divulgação

periores ao nível de 1 sc/ha, considerado aceitável para colheita de soja. Estes resultados demonstram que as colhedoras de fluxo axial proporcionam menores perdas na colheita, pois possibilitam que a palha permaneça mais tempo dentro da máquina, melhorando a eficiência do sistema de trilha. Aliado às menores perdas encontradas nas colhedoras de fluxo axial, tem-se o fato de que, por trabalharem em menor rotação do cilindro trilhador, essas máquinas apresentarão menor exigência de potência.

Marco Antonio e Rouverson apresentam uma avaliação das perdas na colheita da soja, na qual consideram diversos aspectos

10 • Novembro 06

Vilso Júnior Santi

Observa-se ainda que as colhedoras de fluxo radial apresentaram menores perdas na faixa de rotação de 800 a 900 rpm, quando

comparadas com colhedoras radias trabalhando com rotação do cilindro de 700 a 800 rpm, diferindo dos resultados de Costa et al. (2002a), que encontraram maiores perdas na colheita de sementes de soja para maior rotação do cilindro trilhador. Entretanto esses autores, ao utilizarem maior rotação do cilindro, trabalharam com velocidade acima da recomendada para as colhedoras analisadas. A redução de perdas em rotações maiores do cilindro das colhedoras radiais se justifica pela maior dificuldade de trilha encontrada em rotações mais baixas nestas colhedoras. M Rouverson Pereira da Silva, Marco Antônio Oliveira Campos, Carlos Eduardo Angeli Furlani e Afonso Lopes, Unesp


Charles Echer

filtros de discos

Filtro aos danos

A irrigação localizada, por suas particularidades, requer um processo eficiente de filtragem da água. Neste estudo, são apresentados aspectos técnicos e econômicos vinculados à utilização de filtros de discos no sistema de distribuição de água

N

a irrigação, a água de boa qualidade deve produzir melhores resultados e causar menores danos às culturas, aos solos e aos equipamentos de irrigação. Substâncias e impurezas presentes na água, das mais diversas origens, conferem propriedades físicas, químicas e biológicas, boas ou más, que merecem um estudo particular para cada caso. Em virtude das características e concentrações de partículas em suspensão presentes na água de irrigação, existe a necessidade do tratamento físico e/ou químico da água. A filtração é um tratamento físico da água que visa a remoção dos sólidos em suspensão e dissolvidos no meio, tais como areia, silte, argila, algas, sais, entre outros. A remoção dessas partículas garante maior

vida útil aos equipamentos de irrigação e melhor desempenho do sistema, constituindo, dessa forma, uma estratégia fundamental para redução dos custos de manutenção e troca de equipamentos de irrigação e aumento de produção e receita.

IRRIGAÇÃO LOCALIZADA Os sistemas de irrigação localizada, gotejamento ou microaspersão, requerem, obrigatoriamente, sistemas de filtração da água como tratamento mínimo da água de irrigação. Todos os emissores utilizados em irrigação localizada são passíveis de entupimento por agentes físicos, químicos e biológicos presentes na água, devido ao pequeno diâmetro dos mesmos (Ravina et al., 1992). O entupimento, por sua vez, promove diminuição da uniformidade

de distribuição de água às plantas, causando queda de produtividade e, conseqüentemente, diminuição de receita. A Tabela 1 apresenta os principais elementos que podem promover o entupimento de gotejadores e microaspersores. A escolha do sistema de filtração deve ser norteada pela qualidade da água disponível para irrigação e por características próprias dos emissores de cada sistema de irrigação, pela pressão e vazão do sistema, necessidade de limpeza e perda de carga que acarreta. O uso de filtros apropriados é de fundamental importância para garantir sobrevida e desempenho satisfatórios dos equipamentos e componentes do sistema.

FILTROS DE DISCOS A filtração da água de irrigação é usualmente feita com filtros de areia, tela ou disco, isola-

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Tabela 1 - Classificação dos riscos de uso de águas de diferentes qualidades para irrigação localizada com relação ao entupimento Tipo de problema Sólidos em suspensão (ppm) pH Sólidos dissolvidos (ppm) Mn (ppm) Ferro Total (ppm) SH2 (ppm) Bactérias (nº/ml)

Baixo Físico < 50 Químico < 7,0 < 500 < 0,1 < 0,2 < 0,2 Biológico < 10.000

Risco Médio 50 a 100 7,0 a 8,0 500 a 2.000 0,1 a 1,5 0,2 a 1,5 0,2 a 2,0 10.000 a 50.000

Fonte: Bucks & Nakayama (1986).

damente ou em associação. Os filtros de discos possuem a forma cilíndrica, constituindo-se de um recipiente metálico ou plástico, com elemento filtrante formado por anéis estriados, empilhados ao redor de um cilindro telescópico (Figura 1). Os discos possuem ranhuras em ambos os lados, que são comprimidas umas contra as outras ao se enroscar à carcaça. O elemento filtrante é de fácil limpeza, pois, quando aberto, os discos se soltam e podem ser facilmente lavados em um jato de água corrente. Os filtros de discos são de dupla ação; a superfície externa opera como filtro de tela e retém as partículas maiores. As ranhuras no interior do disco atuam como filtro de areia, permitindo, assim, a adesão das partículas mais finas, principalmente de matéria orgânica. Quando o filtro de discos está limpo, a perda de carga é da ordem de 1 m.c.a até 3 m.c.a; quando obstruído pode atingir valores da ordem de 4 m.c.a até 6 m.c.a, quando a perda de carga atinge valores dessa ordem deve-se proceder à limpeza. Figura 1- Filtro de discos

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SISTEMA DE FILTRAGEM

Para a escolha adequada do sistema de filtragem a ser utilizado, deve-se primeiramente Alto avaliar a qualidade da água que se está utilizando, para então tomar a decisão de como deve >100 ser composto o sistema de filtragem da propriedade. > 8,0 Um dos fatores que podem > 2.000 influenciar na medida de de> 1,5 cisão é quanto ao número de > 1,5 mesh a ser utilizado para se ob> 2,0 ter um melhor resultado quanto à qualidade da água, pois, > 50.000 quanto maior o número de mesh utilizado, maior potência será exigida do sistema de motobomba, implicando em gastos com energia ou diesel. Nesse estudo indicativo, procurou-se determinar uma composição econômica de filtragem nos estudos do custo anual total de filtros de discos em operação em três regiões distintas do Brasil: Sudeste (SE), Centro-Oeste (CO) e Nordeste (NE). Os parâmetros iniciais para avaliação econômica anual do desempenho dos filtros de disco dependem da vazão unitária (Qunit.), da vazão desejada (Q) e do número de unidades filtrantes supostas (U): (50; 48; 46; 44; 42; 40; 38; 36; 34; 32; 30; 28; 26; 24; 22; 20; 18; 16; 14; 12; 10; 8; 6; 4). Para determinar a potência unitária, cada unidade foi composta por quatro unidades filtrantes com os seguintes valores de mesh: 120; 140; 200 e 600, e cada unidade filtrante foi composta por 24 subunidades: 50; 48; 46; 44;

Fotos Marconi Batista Teixeira

Filtro de disco 100 mesh utilizado nas avaliações do sistema de filtragem em irrigação localizada

42; 40; 38; 36; 34; 32; 30; 28; 26; 24; 22; 20; 18; 16; 14; 12; 10; 8; 6; 4; sendo que a potência unitária (P.unit) em cada subunidade filtrante variou em função da vazão unitária (Qunit.), da perda de carga dos elementos filtrantes(hf) e do rendimento do conjunto motobomba (hmb). A potência total (P.T) foi determinada em função da potência unitária (P.unit) e do número de unidades de cada subunidade (U). P.T= P.unit. U O valor da potência total anual regional (PTAR) foi obtido a partir da potência total dos meses de funcionamento do sistema de irrigação de cada região (PTM), do tempo diário necessário de funcionamento (TD) e da média mensal anual (30,4 dias mensal anual).


“Quanto maior o número de mesh utilizado, maior potência será exigida do sistema de motobomba, implicando em gastos com energia ou diesel”

Figura 2 - Custo anual (R$) utilizando energia elétrica para as unidades 1, 2, 3, e 4

Figura 3 - Custo anual (R$) utilizando diesel para as unidades 1, 2, 3, e 4

Haroldo, Paula e Fábio falam da potência disponível na barra de tração como dado fundamental no dimensionamento dos conjuntos mecânicos

PTAR = PTM. TD. 30,4 O consumo de óleo diesel (COD) dispendido durante o período de irrigação foi obtido através da conversão da potência total anual em volume de óleo diesel (VOD) consumido, adotando-se o consumo de 240 g óleo diesel/ cv.h, cujo peso específico é 0,80 g/cm³ e o volume (L). VOD = (PTAR. COD) / 0,80) / 1000) Dessa forma calculou-se o custo total de diesel consumido ao ano para cada subunidade do sistema (CTDA), que foi determinado pelo preço do diesel (PD) estabelecido para cada região (R$) e pelo volume de diesel consumido (VDC) em litros. CTDA = PD. VDC Assim determinou-se o custo total anual das unidades filtrantes (CTAU) em R$, conhecendo-se o custo variável e custo fixo para cada unidade, da seguinte forma: CTAU = C.V. + CF em que: CV = custo variável; e CF = custo fixo do sistema. O custo fixo (CF) foi determinado pela seguinte equação: CF = Cf. U. FRC em que: Cf = custo do filtro (R$); U = número de unidades filtrantes; e FRC = Fator de recuperação do capital (%). Também foi utilizada a equação seginte para estabelecer os valores de FRC:

Isso significa que, a cada ano, o custo fixo anual é de 17,69% do valor inicial do equipamento. O custo total anual (R$) foi calculado individualmente para cada uma das subunidades e dado pela soma dos custos variáveis e fixo. Com os resultados é possível graficamente avaliar e determinar, através do custo total anual, o número de unidades e subunidade filtrante mais econômica para cada unidade. A subunidade econômica é definida pelo custo total anual quando este atinge o valor mínimo. A Figura 1 mostra que a unidade mais econômica para os filtros que utilizam 120 e 140 mesh é a unidade 30, já para o filtro com 200 mesh a unidade mais econômica é com 40 unidades e, para o filtro com 600 mesh, a unidade mais econômica é com 50 unidades. A Figura 2 mostra o custo total anual (R$) utilizando diesel para as unidades 1, 2, 3 e 4. Para a unidade 1, com 120 mesh, observase pelo gráfico que as unidades mais econômicas são as unidades de 38 a 30. Para a unidade 2, com 140 mesh, observa-se pelo gráfico que as unidades mais econômicas são as unidades de 34 a 28. Para a unidade 3 (mesh 200), as unidades mais econômicas são as unidades de 50 a 38. Já para a unidade 4 (mesh 600), as unidades mais econômicas são as unidades de 50 a 44. Como demonstra os gráficos acima e a Tabela 2, a subunidade econômica é definida pelo custo total anual quando este atinge o valor mínimo. A Tabela 2 demonstra as unidades econômicas utilizando energia elétrica. O dimensionamento econômico do siste-

DESEMPENHO FINAL 1) Com um pequeno número de unidades filtrantes tem-se um elevado custo anual total do sistema, decorrente do elevado consumo de energia (perda de carga no filtro); 2) A curva do custo total anual do sistema de filtragem (Figuras 1 e 2) apresenta um ponto de valor mínimo que indica o número de unidades filtrantes economicamente viável; 3) Para a vazão de 450 m3/h, os números de unidades filtrantes mais econômicas para os diferentes mesh estudados foram: 30, 32, 40 (mesh 120), 28, 32, 36 (mesh 140), 40 e 50 (mesh 200) e 50 unidades (mesh 600), indeM pendente da região considerada. Cleomar Ferreira Oliveira, Marconi Batista Teixeira e Rubens Duarte Coelho, Esalq/USP Tabela 2 – Unidades econômicas dimensionadas para o sistema utilizando energia elétrica mesh Unidade filtrante Custo anual total (R$) mais favorável SE CO NE 120 30 7.983,79 8.239,15 8.583,89 140 30 8.479,92 8.797,29 9.225,75 200 40 12.094,52 12.616,19 13.320,43 600 50 18.345,41 19.400,90 20.825,81

Tabela 3 – Unidades econômicas dimensionadas para o sistema utilizando diesel

FRC = Em que J refere-se aos juros anuais (valores decimais); e Vu à vida útil do equipamento (adotando-se dez anos). Adotando-se uma taxa de juros de 12% a.a, tem-se que FRC é 0,1769.

ma de filtragem em diferentes mesh utilizados na irrigação localizada, pela metodologia proposta, para avaliar economicamente uma subunidade dentro de uma unidade filtrante utilizou equações que determinaram o custo variável em função do custo de energia e o custo fixo em função do número de unidades filtrantes do sistema.

Marconi, Cleomar e Rubens detalham aspectos técnicos e econômicos da utilização de filtros de discos na irrigação localizada

mesh Unidade filtrante Custo anual total (R$) mais favorável SE CO NE 120 30; 32; 40 8.068,40 9.819,38 11.314,72 140 28; 32; 36 7.884,84 9.881,70 11.596,85 200 40; 50; 50 12.176,05 15.245,40 18.133,40 600 48; 50; 50 20.002,20 28.332,60 37.285,60

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plantadoras

Valtra

Plantio invisível No plantio de grãos, o ideal é que a palha existente na superfície do solo permaneça sobre a terra após a passagem da plantadora. Assim, componentes aterradores especializados, que reestabeleçam o solo e a palha anteriormente removidos pelas hastes ou discos de corte, tornamse fundamentais para uma boa implantação das culturas

A

John Deere

idéia de semear mecanicamente data da Antigüidade. Crônicas persas e hindus falam do uso desses equipamentos. Historiadores contam que os romanos semeavam com o mesmo

cuidado com que treinavam suas tropas. Na Europa, a semeadura era realizada manualmente até o final do século XVII, quando a idéia espalhou-se para praticamente todos os países.

A primeira semeadora foi desenvolvida na Europa somente em 1636, por Joseph Locateli de Corinto, denominada de “semeadore” pelo seu criador. Possuía conchas rotativas que pegavam as sementes num depósito cilíndrico e conduziam-nas por tubos até o solo. Em 1785, James Cook desenvolveu uma semeadora que tem sobrevivido até nossos dias, sendo na época extremamente utilizada na Inglaterra (Bernacki et al, 1972). O processo de semeadura visa à implantação de sementes no solo, promovendo condições para germinação, emergência, desenvolvimento sadio e produtivo das plantas. As máquinas que efetuam essa tarefa são denominadas de semeadoras. Existe uma infinidade de tipos de culturas, com sementes de diferentes formas e dimensões, exigências agronômicas diversas, como espaçamentos, densidades, profundidade, teor de água, aeração, temperatura, O bom desenvolvimento produtivo das culturas depende, em grande parte, da qualidade do processo de semeadura e de deposição das sementes no solo

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“O processo de semeadura visa à implantação de sementes no solo, promovendo condições para germinação, emergência, desenvolvimento sadio e produtivo das plantas”

contato íntimo com o solo, suscetibilidade a pragas, doenças, ervas daninhas, acidez e exigência em fertilidade. Para tanto, não é fácil que uma única máquina cumpra adequadamente todas essas funções.

TIPOS DE SEMEADORAS Hoje, para o plantio direto, quanto ao tipo de distribuição de sementes, existem na prática dois tipos de semeadoras: as de precisão (plantadoras) e as de fluxo contínuo (semeadoras), podendo haver as que fazem as duas coisas, denominadas de multissemeadoras. Em plantio direto, o revolvimento do solo deve ser mínimo. As máquinas semeadoras devem cortar a palha sobre a superfície do solo, evitando, assim, embuchamento nos demais componentes. Devem abrir um sulco para depositar o fertilizante na dosagem, posição e profundidade adequadas. Este sulco deve ser fechado e em seguida aberto novamente para a deposição das sementes na dosagem, posição e profundidade desejadas. Após isso, ele deve ser fechado com terra, retornando também a palha anteriormente retirada da linha de semeadura sobre o sulco, finalizando-se com uma adequada compactação do solo lateralmente às sementes, para que estas absorvam água durante seu processo de germinação e emergência (Casão & Campos, 2004). Observase que para cumprir essas funções a semeadora deve possuir um conjunto de sistemas e componentes.

FATORES INTERFERENTES

Fotos Ruy Casão Junior

O entendimento dos fatores que afetam a semeadura facilita a compreensão do funcionamento de uma semeadora, visando-se obter um bom desempenho na implantação das culturas (Casão Junior & Siqueira).

Tabela 1 – Características dimensionais de algumas sementes semeadas por máquinas de precisão

Ervilha Iapar 83 Tremoço branco Guandu anão Lab-lab Mucuna preta Mucuna anã Feijão de porco Feijão carioca Soja Algodão Milho Sorgo forrageiro Tremoço azul Ervilha forrageira Feijão branco Mucuna cinza Mucuna verde

Comprimento (mm) 6,13 10,86 5,96 11,02 14,59 11,65 17,64 10,34 7,35 8,64 12,2 3,82 7,49 5,57 13,34 15,23 12,41

Largura (mm) 4,98 4,95 4,07 7,30 10,72 10,12 11,83 6,69 6,61 4,92 7,45 2,28 5,79 9,54 11,35 9,98

O primeiro fator a ser destacado é a dosagem de sementes, considerando-se que as recomendações agronômicas sejam de três a 25 sementes por metro nas semeadoras de precisão. As sementes a serem distribuídas em precisão variam em formato, uniformidade, rugosidade e dimensão. A Tabela 1 apresenta alguns parâmetros dimensionais de sementes de diferentes culturas que necessitam de uma semeadora de precisão, para serem adequadamente distribuídas. O tratamento de sementes com inoculantes, inseticidas e fungicidas altera o coeficiente de atrito, dificultando que se alojem adequadamente nos alvéolos dos dosadores. Nesse caso, recomenda-se sempre o uso de grafite como lubrificante seco. Em plantio direto, salvo exceção, o fertilizante e as sementes são depositados no mesmo sulco, mas é importante que estejam es-

Espessura (mm) 4,40 7,26 7,97 8,50 4,65 5,63 4,34 5,70 7,86 7,10

Densidade das sementes (g/cm3) 0,82 0,78 0,84 0,80 0,89 0,86 0,86 0,82 0,73 0,33 0,82 0,76 0,76 0,82 0,76 0,84 0,86

Peso de 1000 sementes (g) 128,9 371,0 70,85 217,1 714,4 588,1 1181,8 245,8 164,2 109,3 295,2 19,7 194,6 128,9 494,2 999,8 601,3

paçados preferencialmente 5 cm um do outro. A higroscopicidade dos elementos químicos, como o nitrogênio (N) e o potássio (K), pode prejudicar e até impedir que a semente absorva água e germine. A profundidade recomendada para as sementes depende de vários fatores. As recomendações agronômicas para as sementes semeadas por máquinas de precisão estão entre 3 a 6 cm de profundidade. Também pode haver impedimentos sobre as mesmas, como torrões, pedras e crostas superficiais sobre o terreno, dificultando a emergência. Com disponibilidade de água e temperatura no solo acima de 200C, por exemplo, o milho é capaz de emergir em cinco dias. Em condições desfavoráveis pode demorar até 15 dias. Somente as sementes viáveis germinarão, mas as sementes podem possuir vigor baixo e

Figura 1 – Unidade de semeadura com sistema de acabamento sem aterradores e com Figura 2 – Unidade de semeadura com sistema de acabamento de semeadura constituído rodas compactadoras em “V” de rodas de controle de profundidade à frente dos discos duplos, discos aterradores e roda compactadora com ressaltos e um sulco no meio

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Figura 3 – Variação da porcentagem de emergência de feijão, aterramento, redução da palha sobre o sulco e ocorrência de selamento superficial em função de diferentes sistemas de acabamento de semeadura. Casão Junior & Campos, 2004

DIRETO E INVISÍVEL Para a manutenção da umidade do solo, a existência de palha sobre o terreno é imprescindível. Na condição de clima tropical Figura 4 – Redução de palha logo após a semeadura de soja e redução da umidade do solo na região das sementes oito dias após a semeadura de dois diferentes sistemas de acabamento de semeadura: 1 – Tradicional, Figura 1; 2 – Nova proposta, Figura 2. (adaptado de Freitas, 2005)

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e subtropical, as temperaturas são elevadas por ocasião da semeadura, e a palha auxilia amenizá-la e mantê-la na condição favorável para a germinação e emergência. O que se deseja é que a palha existente sobre a superfície do solo permaneça sobre este após a passagem da plantadora, ou seja, o “plantio direto invisível”. O solo descoberto no sulco de semeadura aquece e perde água mais rapidamenBaldan

variável, significando que possam não ter reservas suficientes para emergir, principalmente se a semeadura ou o ambiente em que foram implantadas seja desfavorável. O teor de umidade do solo também ajuda a definir a recomendação da profundidade de semeadura. Em lavouras não irrigadas, os menores riscos à semeadura são quando a consistência do solo está friável. Nessa condição há água facilmente disponível para as sementes, os componentes das semeadoras dificilmente provocarão compactação no solo e, pela menor aderência deste nos rompedores e abridores de sulco, mobilizarão menos o terreno. As sementes devem estar em íntimo contato com as partículas do solo para que absorvam água. Dessa forma, não deve haver bolsões de ar provocados pela atuação inadequada dos compactadores, palha que foi empurrada para dentro do sulco, ocorrência de torrões ou espelhamento das paredes do sulco de semeadura.

te, pode provocar selamento superficial, erosão e aumentar a ocorrência de plantas daninhas, entre outros problemas. Assim, componentes aterradores, que retornem o solo e a palha anteriormente removidos pelas hastes ou discos, são muito importantes. A maioria das plantadoras existentes no mercado nacional não possuem componentes aterradores especializados. O que predomina são máquinas com discos duplos desencontrados para abertura de sulco e com rodas paralelas de controle de profundidade para sementes, sendo, as mais modernas, oscilantes, seguidas de uma roda compactadora em “V” (Figura 1), com possibilidade de alterar sua abertura frontal e vertical, mas que não conseguem retornar principalmente a palha de volta ao sulco. Nos últimos anos têm surgido mais fabricantes preocupados com esses componentes. A melhor alternativa para aproximação de solo e palha ao sulco são os discos aterradores (Figura 2), muito usados no passado no sistema de semeadura convencional. Quatro fabricantes já usam o componente em suas plantadoras. Outra alternativa utilizada por seis fabricante, são as rodas aterradoras de formato cônico e inclinadas de 200 a 250 em relação à direção de deslocamento da máquina.


“Após o aterramento há necessidade de que ocorra uma compactação do solo sobre as sementes, para que estas absorvam água com mais facilidade”

Fotos Ruy Casão Junior

Figura 5 – Emergência da soja no sulco de semeadura, semeada com o sistema de acabamento: A – Tradicional; B – Nova proposta.

Vilnei, Airton e Renato atestam a viabilidade do investimento em plataformas específicas para colheita do milho em lavouras com altos potenciais produtivos

Podem ser de ferro fundido, estampado ou recobertas com borracha. Outros fabricantes têm o componente, mas a regulagem de abertura não é muito superior a 100. Após o aterramento há necessidade de que ocorra uma compactação do solo sobre as sementes, para que estas absorvam água com mais facilidade. São as rodas compactadoras as responsáveis por essa tarefa. Existem vários modelos no mercado, que devem evitar que ocorram bolsões de ar e selamento superficial sobre o terreno.

As rodas em “V” podem em curvas deslocar-se da linha de semeadura, compactando na posição incorreta ou até desenterrando sementes. Rodas cônicas revestidas com borracha lisa podem em solos úmidos e sem cobertura com palha provocar selamento superficial. Uma boa alternativa são as rodas cônicas revestidas de borracha, com um sulco no meio (Figura 2) para não compactar sobre as sementes e com ressaltos para evitar selamento. Pesquisa realizada pelo Iapar em Londrina (Casão Junior & Campos 2004), trabalhando com diferentes sistemas de acabamento de semeadura, mostra a importância do sistema adequado de aterramento e compactação. Observa-se na Figura 3 que o resultado de emergência do feijão foi de 35%, no Tratamento 1, quando foram utilizadas rodas paralelas de controle de profundidade dos discos de sementes e compactadoras em “V”, semelhante à Figura 1. Inclinando em 100 as rodas de controle de profundidade, como no Tratamento 2, a emergência passou para 53%. Isso devido ao melhor aterramento e à menor redução de palha sobre o sulco. No Tratamento 3 foram utilizados discos aterradores e uma roda compactadora larga revestida com borracha lisa. A emergência aumentou para 77%, mas foi prejudicada pelo selamento superficial (90%) provocado pela roda compactadora lisa, que tem também a função de controle de profundidade dos discos de sementes. O Tratamento 4 foi semelhante ao Tratamento 3, porém foram utilizadas roda compactadora com ressaltos e um sulco em seu interior, como na Figura 2. Nesse a emergência foi de 88%. Nos Tratamentos 5 e 6 foram introduzidas rodas paralelas de controle de profundidade à frente dos discos duplos (Figura 2), sendo que atrás destes utilizaram-se discos aterradores e rodas compactadoras estreitas. No Tratamento 5, ela era lisa e ma-

ciça, emergindo 95% das sementes e, no Tratamento 6, possuía um sulco no meio para não compactar diretamente sobre as sementes, emergindo 96%. Por sua vez, Freitas (2006) obteve significativa conservação do teor de umidade do solo, na região das sementes, medido oito dias após a semeadura (Figura 4), quando foi usado o sistema de acabamento de semeadura apresentado na Figura 2, em relação ao da Figura 1, isso devido à menor redução de palha após a semeadura e ao melhor aterramento do sulco. Dessa forma, pode-se propor o aperfeiçoamento das máquinas existentes no mercado nacional através da intervenção do próprio fabricante ou realizando uma adaptação na unidade de semeadura da plantadora. A Figura 5 mostra detalhes da emergência da soja quando foi utilizado o sistema apresentado na Figura 1 e na Figura 2. M Ruy Casão Junior, Iapar

O grau de invisibilidade da semeadura é apontado por Ruy como um importante indicativo da qualidade de plantio

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sistema de preparo

Efeito colateral Estudo demonstra que o sistema de preparo do solo não tem influência direta nas características agronômicas da cultura da soja, nem nos seus índices de produtividade. Nesse caso, o agricultor deve sempre estar atento às características físicas, químicas e biológicas da terra, a fim de optar pelo tipo de preparo que melhor atenda às suas necessidades

H

á cerca de cinco mil anos a soja começou a ser domesticada pelos chineses, alcançando depois um rápido crescimento na produção, com o desenvolvimento das primeiras cultivares comerciais. No Brasil, o grão chegou com os primeiros imigrantes japoneses em 1908, porém, sua expansão aconteceu nos anos 70, com o interesse crescente da indústria de óleo e o aumento da demanda no mercado internacional. De acordo com Furlani (2000), cada vez mais se procura o desenvolvimento de novas tecnologias, principalmente relacionadas a equipamentos, para aumentar a eficiência destes, porém, em grande parte dos casos, não há preocupação com a qualidade das operações agrícolas e, principalmente, com a conservação dos recursos naturais. A mecanização agrícola é um importante componente básico na maioria das estratégias de desenvolvimento rural, aumento da produtividade e mão-de-obra. O sistema de plantio direto, cada vez mais presente na agricultura brasileira, é um método que visa maior conservação do

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solo e diminuição do tráfego de máquinas, possuindo como princípio a semeadura diretamente no solo, onde apenas a linha de plantio é revolvida pelos discos de corte ou hastes da semeadora. Porém, hoje ainda é muito utilizado o preparo convencional, o qual é composto por aração com arados ou grade aradora, seguido de gradagens niveladoras. Intermediário aos dois sistemas anteriormente citados, aparece o preparo reduzido, que implica redução das operações do preparo do solo. Esse sistema já bastante difundido no país é realizado com o uso de escarificadores, normalmente equipados com discos de corte à frente de cada haste, para trabalhos em solos com palha sobre a superfície (Boller, 2003). Visando analisar alguns fatores que podem interferir na produtividade da soja, desenvolveu-se este trabalho na Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Campus de Jaboticabal (SP), pelo Lamma (Laboratório de Máquinas e Mecanização Agrícola), com objetivo de avaliar possíveis diferenças entre sistemas de

preparo em características do solo e no desenvolvimento da cultura da soja (Glycine max L.) em Latossolo Vermelho Eutroférrico.

EQUIPAMENTOS UTILIZADOS No trabalho de campo foram utilizados seis tratamentos, dos quais três de preparo convencional do solo, dois de preparo reduzido e um com semeadura direta sobre a palha, sendo eles: T1 – Arado de discos + duas passadas de grade leve (AD + GL); T2 – Arado de aivecas + duas passadas de grade leve (AA + GL); T3 – Grade pesada + grade leve (GP + GL); T4 – Escarificador com rolo destorroador + grade leve (ES + GL); T5 – Escarificador com rolo destorroador (ES); e T6 – Plantio direto (PD). Os tratores e equipamentos utilizados na condução do experimento foram os seguintes: - Trator 4x2, potência de 55,2 kW (75 cv) no motor; - Trator 4x2 TDA, potência de 77,0 kW (105 cv) no motor; - Trator 4x2 TDA, potência de 110 kW (150 cv) no motor; - Colhedora de parcelas, potência de 63 kW (85 cv) e largura útil de um metro; - Semeadora-


“Hoje ainda é muito utilizado o preparo convencional, o qual é composto por aração com arados ou grade aradora, seguido de gradagens niveladoras”

No sistema convencional é comum a utilização de arados e grades para revolvimento e preparo do solo

adubadora de arrasto, com quatro linhas espaçadas em 0,45 m; - e Pulverizador de barras montado, com tanque de capacidade de 600 litros de calda, barras equipadas com 24 bicos de jato em leque, com largura útil de 12 metros. Também serviram ao experimento: Arado de discos reversível de três discos de 26 polegadas; - Arado de aivecas re-

versível com duas aivecas recortadas; Grade niveladora de 32 discos de 18 polegadas, com massa aproximada de 1,2

mil kg; - Grade aradora de 18 discos de 24 polegadas, com massa aproximada de 2,3 mil kg; - Escarificador de sete hastes com rolo destorroador. Para a determinação do teor de água do solo, foi feita amostragem na época do florescimento da cultura nas profundidades de 0-10 e 10-20 cm. Já, para a determinação da resistência do solo à penetração, utilizou-se penetrômetro de impacto, modelo IAA/Planalsucar-Stolf (Stolf et al., 1983). Foram determinados três pontos aleatórios em cada nas profundidades de 0 a 40 cm, sendo as camadas analisadas a cada cinco centímetros. A avaliação da população inicial e final das plantas foi feita utilizando-se régua de madeira, com dois metros de comprimento, colocada no sentido da linha

Tabela 1 - Teor de água do solo (%), população inicial e final das plantas de soja (pl/ha) e produtividade de grãos (kg/ha) Tratamento T1– D+GL T2– A+GL T3– GP+GL T4 – ES+GL T5 – ES T6 – SD Média CV (%)

Teor de água* 0-10 cm 10-20 cm 21,4 A 20,1 A 21,3 A 20,8 A 21,1 A 19,8 A 21,3 A 19,9 A 22,2 A 21,0 A 20,2 A 19,8 A 21,3 20,2 4,12 5,52

Estande inicial 433.333 A 500.000 A 466.667 A 488.889 A 433.333 A 455.556 A 462.222 12,84

Estande final 377.778 A 444.444 A 377.778 A 411.111 A 422.222 A 422.222 A 412.222 10,92

Produtividade de grãos 1.430 A 1.700 A 1.485 A 1.410 A 1.330 A 1.240 A 1.435 12,29

* Amostragem feita na época do florescimento da cultura da soja.

New Holland

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Tabela 2 - Resistência do solo à penetração (MPa)* Tratamentos T1 – AD+GL T2 – AA+GL T3 – GP+GL T4 – ES+GL T5 – ES T6 – SD Média CV(%)

0-5 1,22 AB 0,89 B 1,05 AB 0,72 B 1,05 AB 2,07 A 1,16 42,72

5-10 2,24 A 2,07 A 2,56 A 1,73 A 2,74 A 3,42 A 2,46 48,59

10-15 3,59 A 3,76 A 4,94 A 2,92 A 3,76 A 6,12 A 4,18 48,58

Profundidade 15-20 20-25 4,77 A 7,30 A 5,11 A 6,29 A 6,97 A 8,49 A 5,11 A 6,78 A 5,11 A 6,78 A 6,97 A 8,83 A 5,67 7,41 42,30 35,10

25-30 8,49 A 8,32 A 8,83 A 7,47 A 8,49 A 8,99 A 8,43 29,40

30-35 8,99 A 7,98 A 8,49 A 8,49 A 9,67 A 8,99 A 8,76 21,83

35-40 7,47 A 8,82 A 8,32 A 8,99 A 9,33 A 8,99 A 8,65 27,65

* Amostragem feita na época do florescimento da cultura da soja;

de plantio e contando-se a quantidade de plantas neste segmento. Foram feitas três contagens em diferentes pontos escolhidos aleatoriamente em cada parcela, tanto para estande inicial quanto para final. Para a determinação do rendimento da cultura, utilizou-se a colhedora de parcela com plataforma de corte de um metro de largura. Os grãos colhidos foram trilhados e separados da palha, sendo sua massa determinada para um teor de água de 11%.

SISTEMA DE PRODUÇÃO

M

Massey Ferguson

De acordo com a Tabela 1, a umidade do solo na camada arável independe do sistema de preparo adotado, portanto, se o preparo for feito visando a permanência da umidade, deve-se optar pelo que demande menos energia e número de operações, de acordo com as possibilidades do agricultor. A população inicial e final de plan-

tas, bem como a produtividade de grãos, não foram influenciados pelos tipos de preparo do solo, ficando evidente a importância de se obter sementes com boa qualidade, altos índices de germinação e pureza. A baixa produtividade da cultura deveu-se provavelmente à semeadura tardia do experimento (10 de janeiro), devida à escassez de chuvas, uma vez que nessa região o limite máximo para o plantio da soja é a primeira quinzena de dezembro (Embrapa, 2003), sendo a cultura afetada pela escassez de chuva na época do florescimento, interferindo diretamente na produtividade. Observa-se, pela Tabela 2, diferença apenas na camada de 0 a 5 cm de profundidade para resistência do solo à penetração, podendo ser explicada pelo tráfego de máquinas e pessoas sobre a área no decorrer do experimento. Nota-se que a resistência do solo à pe-

netração (compactação) no plantio direto para profundidade de 0-5 cm foi maior em relação aos tratamentos T2 e T4, mostrando que a união arado de aivecas + grade leve e escarificador + grade leve provoca certa mobilização na camada superior do solo, aumentando sua porosidade. Observa-se também uma diminuição do coeficiente de variação ao longo Sistemas de plantio direto e/ou de cultivo reduzido primam pelo mínimo revolvimento do solo na implantação das culturas

20 • Novembro 06


“O agricultor deve sempre estar atento às características físicas, químicas e biológicas do solo, para optar pelo tipo de preparo do solo a ser efetuado” John Deere

Divulgação

Para Gustavo, os índices de produtividade de culturas como a soja nem sempre estão diretamente relacionados ao sistema de preparo do solo

do perfil do solo, evidenciando que, quanto mais profunda a camada, menor é a variação provocada por fatores físicos externos. Pelo observado neste trabalho podese concluir que o teor de água na camada arável do solo independe do sistema de preparo adotado. Na camada superficial do solo, a semeadura direta apresenta maior resistência à penetração na época do florescimento da cultura. As características agronômicas da cultura da soja não são influenciadas pelos tratamentos analisados. O agricultor deve sempre estar atento às características físicas, químicas e biológicas do solo, para optar pelo tipo de preparo do solo a ser M efetuado. Gustavo Naves dos Reis, Alexandre César Bizzi, Carlos Eduardo Angeli Furlani, Rouverson Pereira da Silva, Afonso Lopes e Jorge Wilson Cortez, Unesp


aplicação agrícola

John Deere

Pequena e poderosa A nanotecnologia desponta no setor agropecuário com a promessa de reforçar recursos de identificação e análise precisas dos processos de plantio, colheita ou procedimentos agroindustriais

NÍVEL DE INVESTIMENTO

A

nanotecnologia é atualmente um negócio de US$ 100 bilhões que possui a previsão de enorme crescimento, devendo atingir US$ 1 trilhão até 2011, devido ao seu potencial de aplicação nos mais variados setores industriais e ao impacto que seus resultados podem dar ao desenvolvimento tecnológico e econômico. O Brasil, embora em menor proporção, tem se esforçado para não ficar de fora da corrida por essa tecnologia. Em 2001, foi lançada a Iniciativa Brasileira em Nanotecnologia pelo governo federal, para procurar organizar e formar redes de pesquisa, que estão atuando desde então no tema.

22 • Novembro 06

O

avanço tecnológico é um fenômeno irreversível e pode ser considerado como uma revolução na história da humanidade. Desde que os transistores foram inventados há aproximadamente 50 anos, a tendência da eletrônica foi a contínua redução de dimensionamento desses dispositivos, acompanhada de um proporcional aumento de sua complexidade e operacionalidade. Ao longo da década de 1970, com a substituição dos sistemas analógicos pelos sistemas digitais, uma nova evolução foi anunciada. Com componentes de larga (LSI) e de extralarga escala de integração (ELSI), vieram os microprocessadores de alta velocidade de tecnologia MOS, que nada mais são que muitos circuitos integrados numa só plataforma epitaxial. Esses avanços permitiram que telefones celulares, CD players, scanners, câmeras de vídeo, câmeras digitais se tornassem tecnologias populares e acessíveis a todos. Toda essa “modernidade” que hoje é parte fundamental de nossas

vidas só foi possível devido ao contínuo processo de miniaturização. E a evolução continua. Com a nanotecnologia, portadores biológicos que localizam pragas na lavoura poderão liberar agrotóxicos na medida e em posições exatas, sem desperdício ou danos secundários ao meio ambiente. Sensores que indicam o melhor momento de colheita ou de consumo de um alimento serão usuais. Baterias solares minúsculas, de baixo custo e com alta eficiência, substituindo com vantagem a eletricidade, a combustão ou a energia nuclear, serão acessíveis a produtores rurais. Materiais altamente resistentes, porém extremamente leves, que associam fibras naturais com metais e plásticos, ao serem transformados em implementos, permitirão uma maior eficiência operacional com reduzido consumo de combustível. Sonho? Ficção científica? Não, esses são apenas alguns exemplos de possibilidades reais que os avanços tecnológicos resultantes da chamada nanotecnologia, que estão em desen-


“Com a nanotecnologia, portadores biológicos que localizam pragas na lavoura poderão liberar agrotóxicos na medida e em posições exatas, sem desperdício ou danos secundários ao meio ambiente” Odílio Benedito G. de Assis

SENSORES ELETRÔNICOS

O

Microprocessadores de alta velocidade permitiram que tecnologias como microcomputadores se popularizassem

volvimento, poderão trazer à sociedade, a qualquer momento.

O QUE É NANOTECNOLOGIA? A nanotecnologia pode ser considerada como um conjunto de atividades ou mecanismos que ocorram em uma escala extremamente pequena, mas que tenham implicações no mundo real. Esses mecanismos estão além da percepção dos olhos humanos e operam em uma escala chamada nanométrica. Um nanômetro é a bilionésima parte de um metro, ou seja, se dividirmos o diâmetro de um fio de cabelo humano em 80 mil partes, teremos um nanômetro = uma parte. A Figura 1 apresenta uma escala de tamanhos até a escala nanométrica. A nanotecnologia foi prevista em 1959 pelo físico norte-americano Richard Feyn-

s sensores estão entre os maiores produtos gerados pela nanotecnologia. Estes logo estarão disponíveis em baixo custo e para um amplo campo de aplicações, em especial na agroindústria. Vejamos a indústria automobilística, por exemplo. Segundo dados da Materials Foresight on The Electronics Industry, divulgados pela IEE, em 1997 os modernos carros produzidos na Europa apresentavam entre cinco a seis pontos eletrônicos. Em 2002, o número médio de sensores em um carro padrão europeu saltou para 25, o que indica um crescimento superior a 400% em cinco anos. Segundo a Nexus, o mercado de senman, que discorria sobre a possibilidade de, em um futuro não distante, investigar-se a construção de dispositivos pela manipulação átomo a átomo. A possibilidade de manipular átomos e moléculas é hoje uma realidade e abre um novo mundo de possibilidades. A chamada “ciência dos materiais” é o conceito fundamental nesse contexto. Além dos já largamente empregados semicondutores e circuitos integrados (chips), dispositivos como polímeros condutores, filmes finos com reações ou interações enzimáticas específicas,

Figura 1- Escala de tamanhos mostrando a escala nanométrica

sores cresceu significativamente no mundo na última década, o que se deve a uma melhor eficiência associada à redução do custo. Veja a evolução do mercado representada na Figura 2. E quais são as funções desses sensores? Permitir reduzir custos de manutenção, elevar a vida útil de componentes, indicar irregularidades, aumentar a segurança do usuário, permitir a sua localização e fornecer a distância do seu objetivo e, novamente, fornecer ao usuário (motorista) informações seguras para facilitar a tomada de decisões com respeito ao seu próprio bem e ao dos ao seu redor. membranas permeáveis de alta seletividade, sínteses de compósitos pela combinação de porções orgânicas e inorgânicas, mecânicas e biológicas, ou biológicas e eletrônicas, entre muitas possíveis combinações estes serão os materiais responsáveis por novas especificações e aplicações. Integração é a palavra de ordem. A biologia integrada com tecnologia eletrônica e mecânica será sem dúvida o maior mercado para a nanotecnologia, criando a possibilidade de ferramentas analíticas e de implantes que interliguem computadores e dispositivos avançados com conexões neurais, o que será sem dúvida de real benefício ao ser humano.

NANOTECNOLOGIA NO AGRONEGÓCIO Assim como nas demais áreas da ciência e do conhecimento, a nanotecnologia é de extrema importância para a agricultura, pecuária e para o agronegócio de um modo geral. A nanotecnologia é atualmente um negócio mundial de US$ 100 bilhões que atrai a cada dia mais investimento, devido ao seu enorme potencial de aplicação tecnológica nos mais variados setores industriais. O agronegócio é sem dúvida uma das áreas onde o nosso país pode ter a maior competitividade, graças às suas características e às oportunidades vinculadas aos nossos recursos naturais, clima e agricultura tropical. A qualidade e a certificação de produtos agrícolas, a biotecnologia, a agroenergia, o monitoramento ambiental, novos usos de produtos agropecuários, a agricultura de precisão, a rastreabilidade, a indústria de insumos (fertilizantes, pesticidas), os medicamentos para uso veterinário, a indústria de alimentos e vários outros setores vinculados à agroindústria serão inevitavelmen-

Novembro 06 • 23


Odílio Benedito G. de Assis

BENEFÍCIOS DA NANOTECNOLOGIA

A

lguns benefícios da nanotecnologia para o processo agroindustrial já tiveram início, e seu aperfeiçoamento caminha a passos largos, podendo-se citar: • A produção de nanopartículas da ordem de 1 nm a 100 nm de diâmetro que carregam em seu interior moléculas de agrotóxicos e de fertilizantes e, por afinidade, os libera no alvo desejado; • Biossensores e transdutores de alta sensitividade permitem a identificação e a quantificação de compostos químicos, orgânicos ou demais impurezas ou alterações de composição, sejam em plantas ou frutos, como tamte beneficiados pelos avanços da nanotecnologia. A qualidade de produtos de origem natural depende de um sofisticado balanço entre os mecanismos inerentes da natureza e a intervenção consciente do homem. O objetivo da nanotecnologia nesse sentido é aprimorar essa intervenção humana, através do uso de dispositivos sensores, elevando o controle sobre os eventos e facilitando tomadas de decisões para obtenção de melhores rastreabilidade, produtividade e qualidade. E como conseguir isso? Através do uso de sensores e dispositivos biomecânicos ou eletrônicos. Pode parecer exagero a afirmação, mas, embora ainda não plenamente acessíveis por seu custo ainda alto, avanços similares estarão disponíveis para o setor agropecuário, não apenas com o objetivo de segurança e conforto, mas como recursos de identifica-

bém em solos; • Sensores controladores de irrigação ou sensores de alto desempenho, como as chamadas “línguas”, “narizes” e “olhos” eletrônicos, deverão invadir o mercado brevemente, gerando uma enorme possibilidade de análises e tomadas de decisões. Associados a estes, os materiais piezo-elétricos, que deformam ou assumem formatos definidos na presença de um campo elétrico, ou, inversamente, geram eletricidade ao serem deformados, são ferramentas úteis, não só para sensores, mas como dispositivos de interação com o mundo ao seu redor. ção e de análises precisas dos processos de plantio, colheita ou procedimentos agroindustriais. Dados apresentados pela NanoVantage Inc. (Nanotechnology patents database, 2005) mostram uma evolução significativa das patentes relacionadas à nanotecnologia e à liderança dos Estados Unidos nesta área - gráficos das Figuras 3 e 4. Graças aos avanços da nanotecnologia, a agricultura de precisão consegue hoje agregar e adaptar as tecnologias para melhorar a eficiência da produção, sendo hoje comum tratores com instalações como computadores de bordo, sistemas automáticos de aquisição de dados, comunicadores RF, mapeamento espacial e em tempo real de características de plantio e colheita, sensores de análises químicas e biológicas e dispositivos inteligentes para a dispersão de agrotóxicos, entre outros recursos disponíveis. Sistemas de posicionamento global

Figura 2 – Evolução do mercado mundial de diversos tipos de sensores

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Sensor conhecido como “língua eletrônica” é um dos avanços proporcionados pela nanotecnologia na agropecuária

(GPS) têm tido seus preços gradualmente reduzidos e estão se tornando acessórios populares, precisos e personalizados. A tendência é a da confecção de módulos pequenos o suficiente para serem integrados em pacotes, permitindo acompanhar em tempo real a localização e as condições do produto transportado. Uma forte contribuição da nanotecnologia é possibilitar processos agroindustriais limpos, principalmente contribuindo para a redução de matéria-prima e energia. A miniaturização e a tecnologia de precisão permitem elevar a eficiência das reações e catálises, por operações na escala nanométrica. A nanotecnologia também deve trazer contribuições importantes na biotecnologia, conforme mostra a Figura 5, a evolução de dispositivos de nanotecnologia para as próximas décadas nesta área.

NANOTECNOLOGIA NO BRASIL No contexto mundial, os Estados Unidos são, sem dúvidas, o líder em pesquisa em nanotecnologia. A Ásia, igualmente, principalmente Japão, China e Coréia do Sul

Figura 3 - Registro de patentes em nanotecnologia nos últimos cinco anos segundo levantamento apresentado pela NanoVantage Inc (Nanotechnology patents database, 2005)


“Graças aos avanços da nanotecnologia, a agricultura de precisão consegue hoje agregar e adaptar as tecnologias para melhorar a eficiência da produção”

Figura 4 - Distribuídos da seguinte forma (fonte: pela NanoVantage Inc (Nanotechnology patents database, 2005)

eletrônica na caracterização de cafés, sucos, leite, vinho e água. A Embrapa Instrumentação Agropecuária também mantém linhas de pesquisas em sensores de identificação e quantificação de bactérias em água e alimentos; em sensores descartáveis e de baixíssimo custo para quantificação de etileno, identificando no local da colheita o grau de maturação de frutos; e no desenvolvimento de filmes comestíveis, ultrafinos e invisíveis, que atuam como embalagens ativas diretamente sobre frutos e legumes minimamente proDivulgação

já têm programas ousados e significativos montantes de recursos destinados à área de nanotecnologia. No Brasil, pesquisa e recursos voltados para a nanotecnologia são mais recentes e escassos. No entanto já temos uma série de universidades, institutos e grupos de pesquisa atuando em aspectos da nanotecnologia. A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), contudo, foi uma das instituições pioneiras em pesquisas de nanotecnologia voltada ao agronegócio na área da América do Sul. A unidade da Embrapa Instrumentação, localizada em São Carlos (SP), foi um dos primeiros institutos de pesquisa a visualizar aplicações de nanotecnologia no Brasil. Recentemente, a Embrapa Instrumentação Agropecuária obteve resultado inédito na nanotecnologia voltada ao agronegócio, ao desenvolver um sistema sensor, conhecido como Língua Eletrônica, pelo qual camadas de macromoléculas produzidas com controle nanométrico apresentam altíssima área superficial e permitem uma sensibilidade que pode chegar a mil vezes à de uma língua humana. Trabalhos em andamento demonstram o potencial da língua

Figura 5 - Evolução de dispositivos de nanotecnologia para as próximas décadas. O que se pode esperar da nanobiotecnologia nos próximos anos, segundo o ICTAF da universidade de Tel-Aviv, 2006

Pesquisadores do Cnpdia falam das diversas aplicações da nanotecnologia

cessados, elevando a vida útil e preservando a aparência do produto sem perdas das quaM lidades nutricionais. Odílio Benedito Garrido de Assis e Luiz Henrique Capparelli Mattoso, Embrapa/Cnpdia

LNNA

A

Melhor notícia no setor hoje é a iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia de criar em São Carlos (SP), através da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) do governo federal, o primeiro Laboratório Nacional de Nanotecnologia para o Agronegócio (LNNA), no qual estão sendo investidos recursos de R$ 4 milhões. A contemplada é a Embrapa Instrumentação Agropecuária, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que com essa ação pretende impulsionar as pesquisas no setor agropecuário para garantir sua competitividade.


tratamento aéreo

Fotos Cultivar

Proteção dos céus Nos últimos anos a importância da aviação agrícola no combate às doenças da agricultura tem crescido sistematicamente. No entanto, o desconhecimento técnico e alguns erros operacionais têm comprometido sua utilização em maior escala nas lavouras

P

rimeiro foi a DFC (doença de final de ciclo) na soja; depois, a ferrugem asiática; e mais recentemente, a cercospora no milho. Essas doenças surgiram de forma mais aparente há poucos anos no meio rural, que, até então, não praticava nenhum manejo mais específico, pontual, para evitá-las ou combatê-las. No entanto, após as pesquisas realizadas pelas Cooperativas Agropecuárias e por instituições como a Embrapa, Fundação MT, Fundação ABC, Fapa, Codetec, entre outras, se observou à necessidade de tratamento fúngico para que sejam garantidas as produtividades e, no caso específico da ferrugem, a manutenção da colheita. A partir dessa nova fase, surgiu uma forma alternativa de manejo agrícola, que incluiu a aplicação de fungicidas nas lavouras de soja. Formatou-se uma prática agrícola inovadora que incluiu a aviação agrícola, já que a aplicação de fungicidas ocorre normalmente numa fase em que as perdas por amassamento da lavoura são consideráveis; há necessidade de rapidez e de maior eficiência no tratamento. É importante e necessário ressaltar que a A aplicação de fungicidas via aérea exige precisão e observação pontual das condições meteorológicas

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aplicação de fungicida é mais técnica e exigente, em relação ao tratamento de inseticida – por exemplo. Exige precisão e observação pontual das condições meteorológicas. Além do que, neste tipo de trabalho – no caso da ferrugem – não há espaço para erros. É uma missão de guerra!

TRATAMENTO AÉREO Essas considerações precisam ser explicitadas porque ainda existe grande desconfiança

no meio agrícola, em relação à eficácia do tratamento aéreo fúngico. A grande maioria dos pesquisadores, agrônomos e produtores rurais ainda tem um pé atrás com o uso do avião para combater doenças, particularmente a ferrugem. Isso mesmo com todas as demonstrações de sucesso e eficácia que essa ferramenta tem promovido pelo Brasil afora. Essas dúvidas surgem numa escala bem menor no estado do Mato Grosso, onde a aviação já mostrou seus resultados de forma indiscutível.


“Talvez, o produtor ache menos arriscado usar as suas máquinas e os seus funcionários, a deixar suas lavouras nas mãos de um piloto que ele muitas vezes não conhece” Embraer

Erros operacionais podem comprometer a eficácia da aplicação de defensivos, seja por via aérea e/ou terrestre

TECNOLOGIA EM DEBATE Uma demonstração clara da preocupação em corrigir possíveis erros ocorreu durante o 58° Deftara (Curso de defesa fitossanitária, tecnologia de aplicação e receituário agronômico), evento promovido pela Andef e pelas Faculdades Integradas, na cidade de Campo Mourão (PR). Na oportunidade, debateu-se insistentemente acerca de alguns problemas que também afetam a aplicação tratorizada, como o uso de equipamentos sem manutenção e desregulados; pessoal pouco qualificado para as operações – embora o Senar esteja realizando um grande trabalho para reverter isso; contaminação ambiental: lavagem ou carregamento do pulverizador em córregos e rios, e falta de área própria para descontaminação da máquina; entre outros. Conforme dados da maior Cooperativa Agropecuária do Brasil, um enorme percentu-

al dos pulverizadores vistoriados apresentava irregularidades e/ou estavam fora de conformidade. Mesmo assim, em poucos momentos, foi abordada ou discutida como alternativa a tecnologia aeroagrícola: sua qualidade; sua segurança operacional em relação às pessoas e ao meio-ambiente etc. Um desses momentos ocorreu durante uma palestra sobre treinamento e educação na aplicação de defensivos. Nela o palestrante ressaltou a importância que a aviação terá nos próximos anos, no combate a doenças como a cercospora do milho. Mesmo assim, o receio a respeito da eficiência da aviação agrícola para combater esta e as outras doenças da agricultura ainda permanece. A aviação agrícola, para muitos, ainda parece algo de outro mundo, ou uma tecnologia muito recente, nova e com quase nenhuma informação técnica, o que não é de todo verdadeiro.

CONHECIMENTO TÉCNICO

zada, ampliar a difusão das informações técnicas disponíveis sobre tratamentos fúngicos e os outros serviços aeroagrícolas. É imprescindível falarmos a mesma língua no meio agrícola e aeroagrícola. Todos, indistintamente, fomentando e popularizando os serviços aéreos junto aos diversos segmentos agrícolas. No mundo moderno, na era de informação, não existe mais espaço para aventureiros. Em qualquer atividade econômica, conhecimento técnico, qualidade e baixo custo são e serão sinônimos da boa condução do agronegócio, da contratação de serviços, da aquisição de produtos e/ou tecnologias em equipamentos para uso nas lavouras. M Jeferson Luís Rezende, Unicentro Divulgação

Na última safra de verão no estado do Paraná, ocorreram alguns problemas pontuais, relacionados à aplicação aérea de fungicidas para conbate e controle da ferrugem, na região de Guarapuava, por exemplo, o que de certa maneira acendeu um sinal amarelo no que diz respeito à atividade. Tudo isso porque se voava muito na região central do estado, e, por alguns erros operacionais, a aviação teve sua imagem abalada, fazendo com que grande parte dos produtores do estado optasse pela aplicação tratorizada. Embora esse tipo de tecnologia não esteja imune a erros, muito pelo contrário. Mas, talvez, o produtor ache menos arriscado usar as suas máquinas e os seus funcionários, a deixar suas lavouras nas mãos de um piloto que ele muitas vezes não conhece. Nesse sentido, um erro eventual pode manchar toda a imagem da atividade aérea, como de fato isso já ocorreu no passado. Observa-se essa desconfiança em diferentes ambientes agrícolas, porém com níveis de desconhecimento e dúvidas sempre parecidos.

O fato é que precisamos, de forma organi-

Jeferson aponta os erros operacionais e o desconhecimento da tecnologia como os principais entraves para a utilização da aviação agrícola nas lavouras

Novembro 06 • 27


passo-a-passo

Fotos Vilso Júnior Santi

Lubrificação ajustada

A vida útil do motor e de suas peças depende, em grande parte, do bom funcionamento e da correta manutenção do sistema de lubrificação. Saiba quais os principais pontos a serem observados e os passos necessários para o ajuste dos componentes ficação diária da correta pressão do sistema são outros cuidados fundamentais. Isso deve ser feito pela constante supervisão dos instrumentos do painel, os quais acusam uma eventual falta de pressão no circuito de lubrificação. Importante: se alguma anormalidade for indicada através da luz de aviso e/ou indicador, pare o motor e verifique a causa. A falta de pressão geralmente é causada por nível baixo ou uso de óleo de viscosidade incorreta. Daí deriva a importância de se manter sempre o nível correto do óleo no sistema. Como se sabe, sem lubrificação as peças em movimento literalmente se destroem em poucos minutos (motor fundido). Para evitar a formação de parafina no inverno, que provoca obstruções no sistema de combustível, pode-se acrescentar até 5% de querosene puro em cada abastecimento. É importante lembrar também que a capacidade do óleo de transmissão pode variar conforme a configuração do trator. Além disso, ao operar com controle remoto, é preciso verificar se, após estender a haste de todos os cilindros, o óleo não está abaixo da marca de mínimo da vareta. Se necessário, adicione óleo.

V

ocê já deve ter ouvido a seguinte frase: “A lubrificação é a vida do motor”. Pode parecer exagero, mas é realidade. As condições em que um motor trabalha são as mais severas possíveis e, muitas vezes, desfavoráveis – altas temperaturas, elevadas pressões e grandes esforços nos componentes móveis. A operação contínua durante muitas horas em determinados períodos, alternada com épocas de inatividade quase absoluta, junto com o trabalho, às vezes, sob pronunciados índices de umidade do ar e, ainda, um certo nível de contaminação resultante da combustão - princi-

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palmente devido ao enxofre presente no combustível - completam o quadro extremo em que trabalha o motor. Isso aponta para o seguinte: o motor é sem dúvida nenhuma o item mais crítico em termos de lubrificação. Por essa razão se recomenda enfaticamente o uso de óleos de boa qualidade, de classificação API-CF ou CF-4, multiviscoso do tipo 15W40, além da troca nos períodos recomendados (a cada 250 horas de trabalho) e do uso de filtros de boa qualidade.

NÍVEL DE ÓLEO A manutenção do nível do óleo e a veri-

A manutenção do nível do óleo e a verificação diária da correta pressão do sistema são cuidados fundamentais


“Como se sabe, sem lubrificação as peças em movimento literalmente se destroem em poucos minutos (motor fundido)”

FUNÇÕES DA LUBRIFICAÇÃO

A

o contrário do que se imagina, o óleo desempenha mais funções além da lubrificação propriamente dita: • evitar a corrosão das peças; • auxiliar na troca de calor (arrefecimento). O óleo transporta calorias em excesso que são dissipadas diretamente através do bloco e cárter e, em muitos casos, também através de um trocador de calor; • auxiliar na vedação entre anéis, pistões e cilindros; • promover a limpeza interna, graças a aditivos (detergentes) presentes no óleo. Estes dissolvem incrustações e borras, carregando-as até os filtros que as retém. A sujeira que tende a se formar é decorrência da contaminação causada pelos resíduos da queima de combustível, da presença de enxofre, umidade etc.

Durante o Vitrine Randon 2007 os executivos do conglomerado não esconderam o entusiasmo com o desempenho da empresa nos últimos anos

PASSO-A-PASSO Verifique diariamente, antes de dar a partida, o nível do óleo do motor. Para isso o trator deve estar nivelado e no mínimo há 15 minutos com o motor desligado. O nível deve estar sempre entre as duas marcas – de máximo e de mínimo da vareta. Se necessário complete-o. Não misture óleos de marcas diferentes. Utilize somente óleos homologados pela fábrica. Periodicamente, a cada 250 horas, você deve fazer as trocas do óleo e filtros do motor. Recomendamos que, para troca do óleo, o motor deverá estar quente – na temperatura do trabalho. Para isso, remova o bujão até o óleo escorrer por completo. Depois remova o filtro ou os filtros de óleo. Descarte-os em local adequado. Quando colocar o filtro novo, não se esqueça de lubrificar o anel de vedação. Para colocá-lo no motor, basta apertar firmemente com as mãos. Após o esgotamento total do óleo, reinstale o bujão de dreno, observando o estado de conservação dos anéis de vedação, susbtituindo-os se estiverem danificados. Depois abasteça o cárter até a marca máxima da vareta.

Para trocar o óleo do motor, remova o bujão e deixe-o escorrer completamente

Após colocar o óleo no motor, estrangule ou desconecte a alimentação elétrica do solenóide de alimentação e acione a chave sem que o motor entre em funcionamento. Segure aproximadamente dez segundos para encher o filtro. Em seguida, empurre o estrangulador e/ou reconecte o solenóide e dê a partida. Observe sempre o indicador da pressão do óleo. Com o motor em marcha lenta, verifique se existem vazamentos pelo filtro ou bujão de dreno do cárter. Desligue o motor e após 15 minutos verifique novamente o nível, completando se necessário até a marca máxima. M Colaboração Cimma Ltda. Unidade Carter do motor

Transmissão (Câmbio e eixo traseiro), hidráulico e direção Redutores finais dianteiros 4x4 ZF (cada um) Diferencial dianteiro 4x4 ZF Eixo carraro Redutores finais traseiros (cada um) Ponto graxeiros Freio hidráulico Combustível Sistema de arrefecimento

Capacidade em litros 4 Cilindros Aspirado = 6,5 l 4 Cilindros Turbo = 8,0 l 6 Cilindros = 15,3 l Varia de 40 a 60 litros. Ver manual do operador Varia de 0,5 a 1,0 litro. Ver manual do operador Varia de 4,7 a 8 litros. Ver manual do operador Varia de 2 a 10 litros. Ver manual do operador Conforme necessário 0,25 litro. Ver manual do operador Ver manual do operador Ver manual do operador

Após o esgotamento total, reinstale o bujão e reabasteça o carter com o óleo recomendado Especificações SAE 15W 40 API CF-4 ou superior MULTIVISCOSO M 1135 SAE 90 API GL 5 MIL-L-2105 B SAE 90 API GL 5 MIL-L-2105 B SAE 90 API GL 5 MIL-L-2105 B SAE 90 API GL 5 MIL-L-2105 B Graxa de lítio NLGI 2 DOT 3 Óleo diesel com teor de enxofre máximo = a 0,5% Água com aditivo à base de Etileno Glicol

Novembro 06 • 29


Fotos Fabiano Dallmeyer

por Arno Dallmeyer - arnomaq@yahoo.com.br

Arrancadão de tratores: a tecnologia avança E

Motor Bi-Turbo

Intercooler

Freio a disco dianteiro

Freio a disco 30 • Novembro 06

stá muito enganado quem ainda pensa que os tratores de competição são coloridos brinquedos criados por mecânicos malucos. Mas não são mesmo! A tecnologia aplicada nesses veículos não deixa nada a desejar às outras categorias de esporte motor. A começar pela sólida gaiola de proteção que envolve o piloto e que já manteve ilesos vários deles nos poucos acidentes ocorridos, como o da estreante Darli Drisner, em Fraiburgo (SC) (Edição 56), ou o atípico acidente do campeão Ivan Schanoski em Não-Me-Toque (RS). A proteção do piloto é feita ainda por banco esportivo tipo concha, com proteção cervical, cinto de segurança de quatro pontos e capacete. As grandes modificações técnicas estão nos motores, evidentemente. Já não basta uma turbina nos motores diesel de quatro cilindros. Agora já há os com duas turbinas, em paralelo! Se o ar entra muito aquecido, coloca-se um intercambiador de calor (intercooler). Se a combustão é insuficiente, complementa-se com nitro (óxido nitroso), que funciona tanto como resfriador da câmara de combustão quanto como coadjuvante da combustão pela oferta maior de oxigênio. Sem fa-

lar nos ajustes da bomba injetora em si. A embreagem é reforçada, os discos com revestimento cerametálico agüentam o tranco. As caixas de mudanças são modificadas de forma que os pilotos tenham apenas a necessidade de uma troca de marchas durante a arrancada, ganhando tempo. Sobre a dimensão dos pneus ainda não chegaram a um consenso, há as equipes que preferem os de aro 36, e há as que optam por pneus menores, aro 30 ou até 26. E parar um bólido destes, com mais de duas toneladas, a mais de 100 km/ h? Freios a disco, de aplicação automotiva, com acionamento hidráulico ou hidrovácuo! Visando diminuir o efeito do empinamento sobre o chassi no momento da arrancada, há a suspensão dianteira, de aplicação veicular. Rodas de liga leve diminuem o peso do trem dianteiro e trazem a estética necessária ao conjunto. E as manobras são facilitadas por direção hidráulica... Para dar uma idéia do nível alcançado, apresentamos algumas ilustrações. Vá conferir pessoalmente os efeitos dessas tecnologias nas provas do próximo campeonato!

Suspensão dianteira

Nitro no blower

Depósito de óxido nitroso

Freio a disco

Direção hidráulica


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