Destaques Matéria de capa
Qualidade total Saiba como maximizar a aplicação de fertilizantes, aproveitando os recursos naturais disponíveis no solo
Adaptação forçada
Sol como motor
O avanço da agricultura brasileira em direção ao Norte requer adaptações nos sistemas mecanizados, aplicáveis a trópicos úmidos
Saiba como utilizar a energia solar em bombeamento de água para irrigação, alternativa ecologicamente correta
Índice 04
Lançamento Auteq
05
Rodas compactadoras
06
Filtro de ar
09
Aplicação de fertilizantes
10
Segurança no processamento de café
14
Sistema mecanizado em trópico úmido
16
Plantio de arroz
20
Energia para irrigação
22
Máquinas para manejo de cobertura
25
Farm Progress Show
28
Prêmio Gerdau Melhores da Terra
30
Expointer 2005
32
Esporte Trator
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Charles Ricardo Echer • Redação
Vilso Júnior Santi • Revisão
Silvia Maria Pinto • Design Gráfico e Diagramação
Cristiano Ceia • Marketing
Pedro Batistin
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Nossa Capa
Rodando por aí
• Editor
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Capa Valtra
Grupo Cultivar de Publicações Ltda. CGCMF : 02783227/0001-86 Insc. Est. 093/0309480 Rua Nilo Peçanha, 212 96055-410 – Pelotas – RS www.cultivar.inf.br www.grupocultivar.com Direção Newton Peter Schubert K. Peter Caderno Kepler Weber
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Cibele Costa • Assinaturas
Rosiméri Lisbôa Alves Simone Lopes • Gerente de Assinaturas Externa
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Edson Krause Dianferson Alves
Cultivar Máquinas Edição Nº 45 Ano IV - Setembro 05 ISSN - 1676-0158 www.cultivar.inf.br cultivar@cultivar.inf.br Assinatura anual (11 edições*): R$ 119,00 (*10 edições mensais + 1 edição conjunta em Dez/Jan)
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K.O.
Kepler Weber
Régis da Rosa
Sthil A Sthil está apostando na diversificação de sua linha de produtos. Conforme o coordenador técnico de propaganda e promoção da empresa, Régis da Rosa, apesar das adversidades do mercado, a Sthil mantém a pesquisa e o desenvolvimento constante de novos produtos e sistematicamente vem lançando novas opções em seu segmento.
Vence Tudo Mesmo com as dificuldades enfrentadas no mercado de máquinas agrícolas, Jones Eduardo Escobar, do departamento de marketing da empresa, confia na recuperação do segmento. Para ele a Expointer, apesar das adversidades do contexto, confirma a estabilização e a recuperação do mercado de máquinas agrícolas.
A equipe da Kepler Weber recebeu com alegria o troféu Prata na categoria Novidade, do Prêmio Gerdau Melhores da Terra. A premiação foi conferida ao secador de grãos ADS. Conforme Othon Eça – diretor presidente da empresa - a exigência do mercado por grãos de melhor qualidade e a necessidade de reduzir o consumo de energia e de agregar valor aos produtos levaram ao desenvolvimento do ADS, um equipamento diferenciado para o segmento.
New Holland
Ronaldo Nogueira da Cruz, diretor da K.O. máquinas agrícolas, mais uma vez se fez presente na Expointer 2005. Ronaldo ressalta que, embora acredite na próxima safra, as exportações realizadas pela empresa é que têm sido fundamentais. A K.O. hoje vende seus produtos para países como Uruguai, Honduras e Panamá.
Luiz Feijó, gerente da unidade de negócios CBU Sul da CNH Latino-Americana, confirma a ciência da empresa sobre a realidade atual do mercado. Segundo ele, a sazonalidade é uma característica do setor. Nesse contexto, a New Holland partiu para a busca de alternativas. A nacionalização de componentes foi a solução encontrada. Agora a linha de tratores TL Exitus, por exemplo, conta com motorização MWM – International de fabricação Luiz Feijó brasileira.
Fankhauser A Fankhauser, conforme Eduardo Dessimon - gerente comercial – vai manter seu cronograma de lançamentos em 2006. Apesar das incertezas do mercado, novos produtos serão apresentados pela empresa no Show Rural da Coopavel e na Expodireto do próximo ano. Segundo Eduardo, novos equipamentos eletrônicos deverão ser incorporados à linha, melhorando o desempenho das máquinas.
Ronaldo da Cruz
Stara Sfil Eduardo Dessimon
Yanmar Segundo Pedro Cazado Lima Filho - gerente de pós-vendas e marketing - a Yanmar vem-se consolidando como uma das principais fabricantes de máquinas e implementos para a agricultura familiar. Pedro diz que a empresa está pronta para atender ao segmento de máquinas multifuncionais e vem adaptando os produtos, pensando nas diferentes realidades vivenciadas pelos proPedro Cazado dutores e por suas famílias.
Sérgio Braun, gerente comercial da unidade pulverizadores da Stara Sfil, acredita num reequilíbrio do mercado de máquinas agrícolas. Ele confia principalmente no desempenho da linha Amazone como diferencial competitivo num momento classificado como delicado.
Kuhn Metasa Paulo Roberto Montagner, diretor de engenharia Kuhn Metasa, e Belarmino Peres, gerente de projeto, alertam para os novos produtos que a empresa está trazendo para o mercado brasileiro. As plantadoras pneumáticas, os equipamentos para fenação, os adubadores de precisão e a nova linha de pulverizadores- que passará a ser fabricada no país – são alguns dos destaques.
Belarmino (esq.) e Montagner
Semeato Matheus Menta
Menta Mit Matheus dos Santos Menta - diretor comercial da empresa - ressalta a diversificação, a praticidade e o baixo custo dos equipamentos que a empresa oferece a seus clientes. A linha de colhedoras de forragem, bem como o novo triturador florestal lançado pela Menta, foram os destaques da empresa na Expointer 2005.
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A preocupação constante com a satisfação dos produtores e a necessidade de adaptação das máquinas às diferentes condições de operação levaram a Semeato a desenvolver a semeadora Personale Drill 21. Segundo Jalsomir Brunetto, gerente de assistência técnica da empresa, o sucesso do projeto foi atestado pela conquista do Troféu Ouro na categoria Destaque – maior premiação do Gerdau Melhores da Jalsomir Brunetto Terra.
Masal A diretora industrial da Masal, Maremilia Paz Bier, recebeu do Prêmio Gerdau Melhores da Terra a menção especial Tecnologia Adaptada - conferida ao Rotor Axial, adaptável a diferentes tipos e modelos de colhedoras autopropelidas. Maremilia destaca que o produto tem como mérito melhorar o desempenho das colhedoras mais antigas, além de prolongar a sua vida útil.
Maremilia Bier
Assis Strasser
GTS O investimento permanente na pesquisa de novos produtos, segundo o diretor comercial da GTS , Assis Strasser, levou a empresa a criar uma identidade própria. Strasser diz que o respeito aos clientes é fundamental para brindar os produtores com equipamentos de alta tecnologia e elevada performace - como a nova Plannarroz e a plataforma New Line.
Total controle
Eficiência e sofisticação são as marcas do novo MPA 1200, monitor de plantadeira com sensor ultra-sônico de adubos, da Auteq Computadores e Sistemas
A
caba de chegar ao mercado, lançado pela Auteq Computadores e Sistemas, o MPA 1200. O monitor de plantadeira com sensor para dosagem de adubo é um produto composto por um módulo autônomo - dedicado ao acompanhamento do plantio de grãos, fácil de configurar, programar e operar; um sensor de velocidade baseado em GPS modelo SV18GPS; um sensor ótico para as sementes por linha; e, opcionalmente, um sensor ultra-sônico de adubos por linha, além do cabeamento necessário. Com o equipamento, é possível controlar, entre outras, as seguintes variáveis: espaçamento entre as sementes (em cm), quantidade de sementes por metro, população de sementes por hectare, velocidade de plantio (km/h), área trabalhada e área trabalhada por hora. Na tela, ele informa ao usuário possibilidades de configuração como: população de sementes planejada e tolerância na variação da população. Apresenta, por meio do display, diversas informações, como teste de sensores instalados, status de cada linha da plantadeira, status de todas as linhas em uma única tela, área plantada, população instalada de sementes, velocidade de deslocamento e rendimentos diversos. Outras funções são a emissão de alarmes sonoros e visuais, quando forem excedidos os parâmetros preestabelecidos pelo cliente (populações muito altas ou muito baixas nas li-
nhas), evitando, assim, qualquer falha no plantio e excessos de velocidade de operação. O sistema é adaptável a qualquer tipo de plantadeira, é de alta confiabilidade e, sendo de fabricação nacional, é de muito baixo custo. O sensor ultra-sônico de adubos permite detectar a interrupção no fluxo de adubos granulados, aumentando, assim, a eficiência e a produtividade das semeadoras no campo. Resistente contra corrosão e abrasão, o equipamento é muito mais tolerante ao acúmulo de resíduos do que os sensores óticos. O elemento
tem montagem simples e rápida e é adaptável a qualquer tipo de implemento agrícola utilizado na aplicação de adubos. A experiência de 13 anos de mercado, aliada ao domínio tecnológico integral da cadeia de produção, desde a concepção inicial até o produto final, confere grande flexibilidade à Auteq Computadores e Sistemas, também, para atender às necessidades específicas de seus cliM entes.
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS Gabinete Principal O gabinete é injetado em policarbonato, com parede dupla nas laterais e totalmente à prova d’água. Tem as seguintes dimensões: largura de 227, altura de 127 e profundidade de 70 mm. Seu teclado é de membrana com feedback táctil e acústico. O display gráfico é monocromático e iluminado. Possui alarmes sonoro e visual para indicar falha na(s) linha(s) e excesso de velocidade no plantio. O equipamento tem entradas para até 32 linhas, para sensor de velocidade e sensor de uso do implemento. A fonte de alimentação é de 8 a 36 V. Vem com sensores fotoelétricos para instalação em tubos condutores de sementes. O limite máximo de detecção de sementes é de 250 sementes/segundo em cada linha. Apresenta detecção automática de manobra (con-
figurável), retenção da configuração e retenção dos dados do plantio, quando desligado, além de software atualizável no campo. Sensor de Velocidade O sensor de velocidade é de alta precisão (erro máximo de velocidade de 0.2 km/h, independente da velocidade do veículo), baseado em módulo GPS, marca Auteq modelo SV18GPS, à prova d’água e de fácil instalação. Esse sensor não depende de calibragem dos pneus, nem da relação de transmissão do veículo; não gera falsa indicação de velocidade em virtude de trepidação do veículo ou pela passagem de chuva, folhas ou outros objetos. Como o sensor é montado sobre a cabine do veículo, fica protegido do impacto de pedras e resíduos.
Sensor de Sementes Os sensores fotoelétricos de alta performance são à prova d’água, compactos e resistentes. Estes usam fotocélulas contínuas de 15 mm e têm ajuste automático no nível de obstrução provocado pelos resíduos sólidos deixados pelas sementes, requerendo uma menor freqüência na limpeza dos tubos. Sensor de Adubos Os sensores do adubo são ultra-sônicos e de alta performance. À prova d’água, são extremamente resistentes contra abrasão e corrosão. São muito mais tolerantes que os sensores óticos de adubos ao acumulo de resíduos sólidos no seu interior. Esses sensores são adaptáveis a qualquer implemento agrícola utilizado para a aplicação de adubos granulados.
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radiais
Pressão certa A compressão do solo por diferentes modelos de rodas compactadoras, submetidas a diversas cargas verticais, não produz diferença estatística significativa na produção de milho
A
Charles Echer
produção do milho é muito importante tanto para consumo humano quanto animal. Atualmente, no cultivo dessa cultura, foi introduzido o sistema de espaçamento reduzido, que preconiza um melhor arranjamento das plantas. Nele, a distância entre as linhas de semeadura fica em torno de 0,50 m, enquanto o espaçamento convencional utiliza de 0,90 a 1 m. Scaleá (2004) cita que ocorre uma elevação na produção de massa seca pelo milho, quando em espaçamento reduzido, e que, como há aumento no número de plantas por hectare, ocorre o aumento na produção de grãos, promovendo duplo benefício. Normalmente, no espaçamento reduzido são utilizadas seis plantas por metro linear, o que favorece a distribuição das fo-
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lhas e uma melhor captação de luz pela cultura. A utilização de um número maior de plantas por metro traz controvérsias, mas pode casualmente apresentar maiores produções. No estudo do processo de semeadura, a utilização de espaçamentos menores vem sendo muito considerada. Nesse contexto, a avaliação dos efeitos da compressão causada pelas rodas compactadoras da semeadora, que podem ser tanto benéficos quanto maléficos, faz-se necessária. A compactação pode ser entendida como a diminuição do volume do solo, ocasionada por compressão, o que acarreta um rearranjamento das partículas e reduz a porosidade do substrato. Esse processo é causado pelo homem. Não devemos confundir compactação com adensamento do solo - efeito natural ocasionado por fenômenos ambien-
tais. Dentre as limitações que um solo pode impor às plantas, a compactação, muitas vezes, toma sérias dimensões. Ela pode impor restrições ao crescimento e desenvolvimento radicular dos cultivos e afetar direta e indiretamente a produção das plantas. A compactação também está relacionada aos atributos físicos, químicos e biológicos do solo que são importantes ao desenvolvimento das culturas. Certa compactação é benéfica às plantas. Uma ligeira compressão exercida sobre a superfície do solo, desde que não prejudique a porosidade, é boa para o estabelecimento das culturas. Ela assegura uma melhor transferência do teor de água para a semente, o que facilita o processo de emergência. Lembramos que em solos arenosos a porosidade média situa-se entre 35 a 50%, em solos argilosos, entre 40 a 60%, e em solos orgânicos, entre 60 e 80 %.
“A avaliação dos efeitos da compressão causada pelas rodas compactadoras da semeadora, que podem ser tanto benéficos quanto maléficos, faz-se necessária” Fotos Jorge Wilson Cortez
O teste foi realizado com a cultura de milho, que não apresentou diferença significativa entre as diferentes rodas
angulada em “V”. Ela faz a compactação lateral nas sementes e é muito utilizada nas modernas semeadoras de plantio direto. Na linha três, está a roda dupla com nervura simples, que faz uma compactação lateral e um pouco mais próxima da linha vertical onde está a semente. Ela é pouco utilizada no plantio direto. Na figura abaixo observamos as rodas duplo angulada em “V”, roda dupla com nervura e roda convexa larga, da esquerda para a direita, respectivamente. Na implantação da cultura, utilizamos
Com intuito de avaliar os mecanismos de semeadura, especificamente as rodas compactadoras e as pressões por elas exercidas sobre a semente na cultura do milho, foram realizados experimentos na Fazu (Faculdades Associadas de Uberaba – MG), durante o ano agrícola 2004-05. A cultura foi semeada após a avaliação da camada compactada do solo - verificada por meio de um penetrômetro de impacto (Stolf, 1986) -, e a eliminação desta camada deuse através de escarificação e homogeneização da área com enxada rotativa. Visando analisar a semeadura da cultura do milho como cultura de produção de grãos e de massa seca, implantou-se o experimento em cultivo reduzido com espaçamento de 0,50 m entre linhas e densidade de seis plantas por metro. A semeadura foi realizada em uma pista de ensaios com dois metros de largura e 24 metros de comprimento. Dispositivos auxiliares, tais como sulcador, rodas compactadoras, níveis de carga vertical, irrigação etc., foram utilizados. Na implantação da cultura, optamos por testar três rodas compactadoras, denominadas pela ASAE (1995)
como: roda duplo angulada (roda em “V”); roda dupla com nervura simples; e roda convexa larga. Estas foram submetidas a diferentes pressões de carga: 0 (C1), 100 (C2) e 200 N (C3), respectivamente, totalizando nove tratamentos.
RODAS COMPACTADORAS A roda convexa larga, de borracha deformável, que faz a compactação diretamente sobre a semente, foi utilizada na linha um, da esquerda para a direita. Ela era muito usada antigamente. Na linha central temos a roda duplo
ADENSAMENTO
P
rocesso natural no solo, pelo qual a argila se desloca de um horizonte superior para um horizonte inferior. Não devemos confundir este processo com a compactação – provocada por fatores externos, como a ação de equipamentos no preparo do solo para cultivo.
Tipos de rodas compactadoras utilizadas no teste de eficiência realizado na Fazu, em MG
Fotos Jorge Wilson Cortez
Da esquerda para direita: linha da roda dupla angulada em “V”, roda convexa larga de borracha deformável e roda dupla com nervura simples
o adubo NPK, de fórmula 4–28–16, na dose de 300 kg/ha mais 80 kg/ha de uréia (45% de N) em cobertura. Devido à pouca infestação de lagartas e percevejos, não utilizamos inseticidas e também não aplicamos nenhum tipo de fungicida, mesmo com a tendência atual de aplicação para aumento Produção de milho em kg/ha de acordo com os tratamentos realizados Tratamento
Médias (t/ha) Cargas
C1 C2 C3
11.775,60 a 8.724,60 a 11.637,60 a Rodas
RD1 RD2 RD3 Coeficiente de Variação
10.627,20 a 11.596,80 a 9.914,00 a 25,57
de produção. Os resultados mostraram que não houve diferença estatística entre as rodas analisadas e as cargas verticais impostas sobre elas na avaliação da produção, conforme tabela abaixo. Podemos observar, de acordo com as cargas verticais, que os tratamentos não diferiram entre si. No entanto, numericamente, C2 foi bem inferior aos demais. Estes valores, considerados como custo, podem ser significativos e, provavelmente, indicativos de não compensarem o uso de cargas em torno de 100 N. As rodas compactadoras também não diferiram muito entre si. Numericamente os valores pouco variaram. RD1 e RD2, normalmente as mais usadas no sistema de plantio direto, tiveram os melhores resulta-
dos. Já a produtividade média obtida foi de 178 sc/ha, ou seja, 10,71 mil kg/ ha, considerada dentro dos padrões dos brasileiros em áreas tecnificadas. Esses resultados convergem com os dados obtidos por Silva (2004). Ele avaliou os diferentes tipos de rodas testadas, sob diversas cargas verticais e a diversas profundidades de semeadura, e não encontrou variações significativas nos valores entre as rodas e as cargas. Na produção de matéria seca, obteve-se média de 9,05 mil kg/ha, resultado considerado satisfatório pela qualidade da palhada obtida. Isso mostra que o milho, seguramente, pode ser utilizado na produção de massa. Consideramos também que os valores apresentados são médias e que algumas parcelas do experimento tiveram uma produção acima de 10 mil kg/ha de massa seca, conforme tabela abaixo. Observa-se que, para a cultura do milho, a compressão gerada pelas rodas compactadoras e por suas respectivas cargas verticais não produz diferença estatística significativa de produção e produtividade. Existe, porém, uma tendência de cargas acima de 100 N produzirem melhores resultados de produção de grãos e massa seca. A RD1, largamente utilizada nas áreas de plantio direto, proporcionou também uma maior produção numérica de massa em relação M as demais. Jorge Wilson Cortez, Carlos Eduardo Angeli Furlani e Rouverson Pereira da Silva, Unesp Alberto Carvalho Filho, Fazu
* Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5 % de probabilidade
Produção de massa seca em kg/ha de acordo com os tratamentos realizados Tratamento
Médias (t/ha) Cargas
C1 C2 C3
8.728,66 a* 8.032,00 a 10.390,66 a Rodas
RD1 RD2 RD3 Coeficiente de Variação
9.607,33 a 8.246,66 a 9.297,33 a 18,07
* Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5 % de probabilidade
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O teste foi realizado pelos pesquisadores Rouverson, Carlos, Alberto e Jorge, na Fazu, em MG
Fotos Fábio Henrique Rojo Baio
lançamento
Nova geração Novos filtros de ar para máquinas agrícolas acabam de chegar ao mercado. A tecnologia PowerCore™ incorpora os filtros Donaldson, mais compactos e com maiores durabilidade e capacidade de filtragem
H
á não muito tempo, alguns agricultores da região Central do Brasil desenvolveram um sistema de pré-purificação do ar de admissão. Nele havia uma tubulação, ligando o prépurificador do filtro de ar ao tubo de descarga da máquina agrícola, geralmente de tratores. Esse sistema de limpeza se popularizou devido à sua eficácia. Começaram a surgir, então, equipamentos de fábrica desenvolvidos com esse sistema de pré-purificação do ar de admissão, não ligados ao tubo de escape, mas com tubulação posicionada perto do ventilador do radiador. Assim, o ventilador do radiador cria um vácuo nesta tubulação, o qual “puxa” a sujeira do pré-purificador do filtro de ar. Com esse dispositivo, praticamente são eliminadas todas as partículas maiores de sujeira e grande parte da sujeira de partículas pequenas aspiradas pelo motor. Dessa forma, diminuiu-se muito o intervalo entre as limpezas dos filtros de ar, ou seja, ganhouse em redução no custo de manutenção do equipamento. Essas observações levaram ao aperfeiço-
amento do sistema de filtragem que equipa as máquinas agrícolas e, também, ao desenvolvimento de um novo filtro de ar que recentemente chegou ao mercado brasileiro. Esse novo filtro possui um papel-filtro, com nova tecnologia incorporada, chamada de PowerCore™, e é fabricado por uma empresa norte-americana, chamada Donaldson (http://www.donaldson.com) A nova tecnologia trouxe consigo uma série de vantagens em relação aos filtros convencionais, como redução do espaço do filtro (carenagem mais compacta do equipamento, principalmente nos tratores), aumento da capacidade de filtragem, aumento da qualidade do ar filtrado, eliminação da possibilidade de “amassamento” do filtro e uma das maiores vantagens para o usuário final: o sensível aumento da vida útil do filtro de ar, conseqüentemente, redução do custo de manutenção. Ensaios realizados pelo departamento de engenharia da John Deere verificaram que o intervalo entre limpezas do mecanismo de filtragem de ar foi, em média, 2,3 vezes maior do que o de filtro com papel convencional. Esses ensaios foram realizados nas mesmas condições de “poeira” para os dois sistemas de filtragem. Além disso, o novo
filtro permite cinco limpezas, contra somente três do filtro convencional. Deve-se ainda ressaltar que a limpeza do filtro de ar é somente recomendada quando há necessidade. Claro que a necessidade é dada pelo indicador de restrição da máquina. A limpeza periódica, ou segundo um intervalo de limpeza, sem a consideração do indicador de restrição, faz com que haja um aumento dos poros do filtro de ar, diminuindo a capacidade de retenção de sujeira e, conseqüentemente, a eficiência da filtragem. Essa regra vale tanto para o filtro convencional, como para este com a nova tecnologia. O novo filtro de ar possui custo inicial maior que o do sistema convencional. Ele possui maior tecnologia incorporada, maior vida útil e maior capacidade de filtragem. Entretanto, o que se deve considerar é o custo-hora (R$/h) desse novo filtro. Como o filtro possui um custo menor por hora de utilização, conseqüentemente, é um sisteM ma mais vantajoso. Fábio Henrique Rojo Baio, John Deere
DONALDSON
A
vida útil do novo filtro de ar é 3,5 vezes maior que a do filtro com papel convencional. Testes de campo realizados comprovaram que o sistema pode trabalhar por até 1,5 mil horas sem necessidade de limpeza.
Fábio Baio mostra as principais vantagens dos novos filtros Donaldson
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John Deere
aplicação
Qualidade Total Devido à complexidade das atividades agrícolas, a tecnologia de aplicação de fertilizantes exige máxima valorização dos investimentos, continuidade dos trabalhos e preocupação com a preservação dos recursos naturais disponíveis
U
ma grande soma de recursos é empregada nas diferentes operações relacionadas ao fornecimento dos nutrientes necessários ao desenvolvimento das culturas agrícolas. Mesmo com todo o investimento se percebem inúmeros problemas que impedem o funcionamento adequado das técnicas utilizadas. Por essa razão, buscaremos esclarecer alguns pontos que deverão ajudar no aumento da eficiência do uso de fertilizantes e corretivos de solo. Como a atividade agrícola é uma das mais complexas, aquele que a pratica visando exclusivamente a obtenção de lucros estará condenado a enfraquecer suas terras, de modo que recuperação destas custará mais do que a soma obtida ao longo dos anos de exploração irracional. O agricultor inteligente procura valorizar ao máximo seus investimentos, apostando na continuidade e na longevidade do seu trabalho, por isso ele assume os custos de conservação e manutenção de suas ferramentas de trabalho, que não são apenas suas máquinas e implementos, entre
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elas também se incluem a água, o solo e o homem que nele trabalha.
OS NUTRIENTES COMO PARTE DO TODO Uma produção agrícola sustentável é o resultado do emprego correto dos vários recursos presentes na propriedade rural. Entre estes recursos se podem listar o potencial produtivo da variedade vegetal escolhida para o plantio, a água, a energia da luz do sol, os equipamentos, os insumos, os recursos humanos e o solo. O solo atua de diversas formas na transformação do potencial produtivo em produção efetiva da cultura. Ele atua como suporte para a planta, permitindo que ela possa estabelecer seus mecanismos de obtenção de energia (luz), de água e de nutrientes. Atua também como armazém e fornecedor gradativo de água e nutrientes. Essas diversas funções interagem entre si, tornando esses mecanismos de difícil entendimento. Por isso é necessário ao agricultor cuidar de três pontos da saúde do seu solo: a parte física, a parte química e a parte biológica.
A saúde física do solo diz respeito à facilidade que a água, o ar e as raízes têm para penetrá-lo. Solos que por diferentes
FAZENDA EFICIENTE
O
aumento de eficiência não deve ser entendido como o simples aumento da produção. Além do retorno financeiro, a fazenda eficiente toma as providências necessárias para: • manter ou melhorar os níveis de produtividade; • conservar os recursos naturais disponíveis; • corrigir as imperfeições das terras exploradas e • disponibilizar os elementos (de qualquer natureza) cuja escassez impede o sucesso da atividade.
“No passado, quando o uso de fertilizantes era precário ou ausente, era necessário que o solo ficasse em repouso para recuperar a capacidade de produção” Moises Storino
motivos (compactação, perda da matéria orgânica, revolvimento excessivo etc.) se apresentam muito densos impedem a infiltração e o armazenamento da água das chuvas ou da irrigação, prejudicando as plantas, tanto pela pouca disponibilidade de água como pela grande quantidade de energia que a planta gasta para formar as raízes. Esses fatores também se relacionam com a saúde biológica do solo, pois a compactação não permite que os microorganismos e outras forma de vida nele encontradas se desenvolvam. Sem a diversidade biológica, as pragas e doenças não encontram resistência para se estabelecer, causando muitos prejuízos. Finalmente a saúde química do solo permitirá que este forneça às plantas os diferentes nutrientes, nas quantidades corretas e nas formas químicas que podem ser absorvidas. Raramente, ou somente por um curto período, os solos têm condições de fornecer todos os nutrientes solicitados pelas plantas. Por essa razão, a adição de produtos que reponham ou corrijam as deficiências do solo é uma prática fundamental para o sucesso da agricultura. No passado, quando o uso de fertilizantes era precário ou ausente, era necessário que o solo ficasse em repouso para recuperar a capacidade de produção. A técnica conhecida como pousio é impraticável e, atualmente, só é recomendada para situações críticas, como na diminuição da infestação de pragas e doenças de plantas, ou em certas técnicas de agricultura ecológica, nas quais é restrita a utilização de produtos químicos. Em todos os demais casos, torna-se imprescindível o uso dos fertilizantes e corretivos. Da mesma forma que irrigar não é simplesmente molhar as plantas, adubar também exige técnica e sobretudo atenção e cuidados, para que o remédio não se torne veneno e o investimento na adubação possa dar o retorno desejado.
A caixa separadora de água e óleo, ligada à bacia de contenção, faz-se necessária para evitar danos ao ambiente
NUTRIÇÃO, ADUBAÇÃO E FERTILIZAÇÃO Apesar de muito comum entre os agricultores de todos os níveis e regiões, o uso de fertilizantes e corretivos exige, devido ao custo e aos riscos de quebra de produção, que se dediquem cuidados especiais nas suas diferentes etapas. Por essa razão, propomos a divisão dessa atividade em três grupos de ações. O primeiro grupo, denominado “nutrição”, está relacionado às necessidades da cultura que será implantada. Seus principais passos são a determinação das características do solo, que, confrontada com as demandas da cultura, permite o cálculo das quantidades de nutrientes e corretivos a serem empregadas. A análise do solo é a principal ferramenta técnica para essa etapa e é utilizada para determinar as quantidades de nutrientes do solo. Além das quantidades totais, essa análise permite conhecer quanto destes nutrientes estão disponíveis para as plantas. Essa disponibilidade pode ser al-
Adubar exige técnica e, sobretudo, atenção e cuidados, para que os remédios não se tornem veneno, e o investimento dê o retorno desejado
terada com a correção da acidez do solo, normalmente por meio da calagem. De maneira geral, a disponibilidade ideal de todos os principais nutrientes e a eliminação dos efeitos tóxicos da acidez e do alumínio são obtidas com valores de pH do solo em torno de 6,5. Porém, as diferentes culturas podem apresentar exigências específicas ou maior ou menor tolerância à acidez. Isso deve ser levado em conta na hora de decidir sobre: • a escolha da variedade, • os tipos e quantidades de fertilizantes e corretivos e • a quantidade de investimento que será necessária. Atualmente, os laboratórios de análise de solo, desde que bem informados das intenções de plantio para as áreas das amos-
Buscar a qualidade nas operações de fertilização implica preocupar-se em conhecer e analisar os resultados do trabalho realizado
tras analisadas, fornecem as quantidades necessárias de corretivos e de nutrientes. Devido aos inúmeros tipos, formas, fórmulas e marcas etc. de adubos e corretivos, as análises de solos utilizam padrões que devem ser atentamente observados. Para o calcário utiliza-se o valor PRNT (poder relativo de neutralização total), dessa forma devem-se corrigir as quantidades calculadas, caso o calcário utilizado possua valor de PRNT diferente do utilizado no relatório da análise de solo. Nas análises de solo, as quantidades de nutrientes são fornecidas em formas diferentes das encontradas no mercado. Para o nitrogênio é utilizada a quantidade do próprio elemento, para o fósforo, o teor de P2O5, e para o potássio, o teor de K2O, e assim por diante. Deve-se então ser levada em conta a concentração equivalente de cada elemento químico no adubo utilizado (p.ex.: para 45 kg de N são necessários 100 kg de uréia, ou 250 kg de sulfato de amônia). Devido ao elevado número de possibilidades para se obter o fertilizante ou o corretivo que mais convêm ao agricultor, denominamos este grupo como o de “atividades de adubação”. É nesse momento que é fundamental eleger nossos fornecedores, buscar preços adequados e formulações que garantam o equilíbrio entre a concentração dos diferentes elementos e as necessidades apontadas na análise de solo. O mercado de venda e distribuição de corretivos e fertilizantes é muito amplo e
COMPROMISSO DE TODOS
P
ara que tudo isso possa ser implantado na propriedade, é importante o envolvimento de todos. O tratorista, o administrador, o ajudante e os demais participantes devem ser treinados, não com uma simples transmissão de informações de uso do equipamento. O mais importante é desenvolver o sentimento de compromisso e de responsabilidade de cada um, para que cada elemento faça bem sua parte, e o resultado global satisfaça a todos.
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certamente abriga profissionais de características muito variadas. Optar pela idoneidade e pesar bem a relação preço/qualidade são itens importantes na hora da decisão. Determinadas as quantidades de nutrientes e as fórmulas a serem utilizadas, iniciam-se as atividades do terceiro grupo, o “grupo da fertilização”. Com as informações anteriores é feito o cálculo das taxas de aplicação, e são essas informações que irão orientar a constituição dos seus três pilares principais. Uma vez bem consolidados, estes pilares irão garantir o sucesso das fases anteriores. São eles: • a dosagem, • o posicionamento dos produtos e • a uniformidade das operações. A dosagem ou taxa de aplicação deve ser adequada para suprir as deficiências do solo, o posicionamento deve atender às exigências da cultura, considerando a sua fase de desenvolvimento e respeitando as características dos fertilizantes ou corretivos. Finalmente é necessário que as operações de fertilização sejam uniformes, ou seja, que se aplique a dose certa na posição correta e ao longo de todo o campo cultivado. Atualmente, as técnicas de agricultura de precisão buscam meios para otimizar o uso de fertilizantes e corretivos, propondo métodos para uma aplicação em taxas que
variam de acordo com as necessidades determinadas em um mapa de adubação ou de calagem e não em dose única por toda a parcela. Mesmo neste caso é necessário que a aplicação seja fiel ao mapa de recomendação, caso contrário os efeitos podem ser desastrosos.
QUALIDADE NAS OPERAÇÕES Devido à importância das operações de aplicação, podemos inserir alguns conhecimentos da indústria para auxiliar na eliminação dos seus problemas mais freqüentes. Buscar a qualidade nas operações de fertilização implica se preocupar em conhecer e analisar os resultados do trabalho realizado. É ilusório achar que uma boa máquina, um bom adubo e uma equipe boa sejam suficientes para o sucesso das operações. São necessários esforços para ajustar cada uma das partes, para que juntas possam cumprir suas tarefas com qualidade e responsabilidade. Da mesma maneira é preciso cuidar dos meios de produção para não se perderem os ganhos de qualidade alcançados. Escutar as opiniões dos diferentes colaboradores para a solução dos problemas do dia-a-dia é muito importante. Os principais ganhos aparecem no aumento da produtividade, na eliminação de desperdícios e na diminuição da insatisfação de seus clientes.
“É necessário que as operações de fertilização sejam uniformes, ou seja, que se aplique a dose certa na posição correta e ao longo de todo o campo cultivado” Divulgação
Massey Ferguson
Trazendo isso para nossa fazenda, é importante colocar em prática alguns testes para verificar como o trabalho está sendo realizado. Isso pode ser feito acompanhando o desempenho de nossos equipamentos e trabalhadores, tentando encontrar de onde vêm as causas dos problemas detectados. Também são importantes os cuidados para preservar e manter em bom estado de funcionamento os equipamentos e os insumos utilizados. Para as máquinas, são fundamentais a manutenção e o uso de acordo com as recomendações do fabricante e a verificação do estado das diferentes partes, principalmente daquelas que entram em contato com os fertilizantes, que normalmente são prejudiciais aos diversos materiais utilizados nas máquinas. O insumos também possuem recomendações de seus fabricantes para que se obtenha o melhor retorno com sua utiliza-
Storino e Peche falam sobre o uso correto e racional dos fertilizantes
ção. Essas recomendações dizem respeito ao transporte, ao armazenamento, ao manuseio e a outros cuidados que podem sigM nificar o sucesso da operação. Moises Storino e Afonso Peche Filho, IAC
aplicação deprocessamento corretivos
Charles Echer
Prevenir é o caminho Os riscos à saúde e à segurança do trabalhador no processamento de café podem ser minimizados através da elaboração de um bom programa de prevenção de acidentes
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nuas no ambiente do trabalho, com atenção prioritária para a eliminação do agente agressivo. Em geral, nas propriedades produtoras e beneficiadoras de café observa-se um elevado nível de ruído, poeira e presença de agentes biológicos, além dos riscos de acidentes.
combustível, o maior risco refere-se à queimadura, pois o trabalhador fica muito próximo à abertura da fornalha. A Figura 2 apresenta um trabalhador sem proteção, operando próximo à fornalha de um secador à lenha. Para aqueles secadores de café que adotam o gás GLP como combustível, constatam-se os riscos de explosão e incêndio, devido às condições de distribuição e armazenamento. Grande parte das propriedades que adotam o GLP não segue as medidas preventivas relacionadas nas NR20 e NR23. Na Figura abaixo se observa um exemplo de uma
AGENTES INSALUBRES O ruído é um agente físico insalubre presente em quase todo tipo de instalação. Em unidades de processamento e beneficiamento de café, o elevado nível de pressão sonora (ruído) deve-se, principalmente, ao acionamento de máquinas, como é o caso de lavadores, descascadores, secadores, transportadores, máquinas de ar e peneira. O ruído também está presente nos tratores utilizados para transportar o café, bem como em outros veículos usados para revolver o café no terreiro. Quanto aos agentes químicos, observase elevado nível de poeira que se desprende dos secadores e da movimentação de sacarias nos armazéns e terreiro. A Figura 1 apresenta um caso típico de instalação de secagem de café, onde se observa a grande quantidade de dispersóides, representando elevado risco de inalação e possível desenvolvimento de doenças pulmonares. Em secadores que utilizam a lenha como
Fotos Giovanni Francisco Rabello
O
ambiente do trabalho expõe o trabalhador a riscos, tanto àqueles mais visíveis, que afetam sua integridade física (agentes periculosos), quanto àqueles mais insidiosos, que atuam em longo prazo, minando paulatinamente a saúde (agentes insalubres). Os primeiros provocam os acidentes do trabalho, enquanto os últimos acarretam as doenças profissionais ou do trabalho. Sabe-se que, sob o ponto de vista da legislação, há três estratégias a serem adotadas diante dos agentes agressivos: aumentar a remuneração; proibir o trabalho; reduzir a jornada do trabalho. A primeira alternativa tornou-se a mais cômoda e a menos inteligente, pois se trata da monetarização do risco, e a segunda seria a ideal, mas nem sempre possível, sendo a terceira um ponto de equilíbrio. Alguns autores denominam o acréscimo de insalubridade de “adicional do suicídio”, que contraria os princípios da Medicina do Trabalho e a Declaração dos Direitos do Homem: “Nenhuma consideração de ordem econômica deverá jamais compelir a um trabalho que implique o risco de comprometer a saúde de quem o realiza”. A tendência moderna converge para a terceira alternativa, a de reduzir a jornada do trabalho de atividades insalubres, conjugada com a exigência de melhorias contí-
Instalação de gás realizada de forma irregular, que contraria as referidas NR20 e NR23
“Os riscos ocultos referem-se a muitos elementos presentes no ambiente, os quais aparentemente são considerados inofensivos sob o ponto de vista da segurança e da saúde do trabalhador”
Giovanni mostra os principais problemas de segurança do trabalhador no beneficiamento de café
instalação que contraria as referidas NR’s. Os painéis de comando de motores e o estado de conservação da rede elétrica, bem como a falta de manutenção, podem oferecer riscos de choque elétrico. É freqüente a situação em que se constam improvisos realizados nas instalações elétricas, destacando-se emendas sem conectores e mal isoladas, pedaços de fios substituindo fusíveis, acúmulo de poeiras e, em motores e painéis, presença de roedores. Na Figura 4 nota-se chave de partida de motores sem o quadro de proteção. Nas moegas e lavadores, existe o risco de queda dos trabalhadores, devido à falta de proteção e guarda-corpo e de escada segura e resistente (Figura 6). Um outro local onde há o risco iminente de queda de nível é a plataforma utilizada para a manutenção de secadores ou como caminho até as tulhas (Figura 7), freqüentemente desprovida de escadas com corrimão e guarda-corpo. Na falta de uma dessas proteções, o uso do cinto de segurança (pára-quedista e abdominal) é obrigatório. É necessário destacar que de acordo com a NR18 o dimensionamento de plataformas deve ser feito por profissionais habilitados, pois o cálculo estrutural deve prever o peso das pessoas e das cargas. Além disso, o piso deve ser antiderrapante, nivelado e fixado de modo seguro e resistente. Quando se faz a manutenção em instalações, por esquecimento ou outra razão, as proteções não são retornadas para as máquinas. É comum encontrar instalações onde a maioria das máquinas não possui envoltório nas polias e correias, podendo causar acidentes que resultem em lesões graves permanentes (Figura 8). Além disso, as máquinas possuem peças passíveis de rupturas e desprendimento, podendo ser arremessadas na direção dos trabalhadores (Figuras 9, 10 e 11), e de acordo com a NR12 tais peças devem nes-
O QUE DIZIA A LEI
S
ses casos ser enclausuradas. Os riscos ocultos referem-se a muitos elementos presentes no ambiente, os quais aparentemente são considerados inofensivos sob o ponto de vista da segurança e da saúde do trabalhador. Normalmente esses riscos são de difícil percepção pela maioria dos trabalhadores. Um risco oculto pode estar presente em uma ferramenta mal acondicionada, um equipamento fora do lugar, algo que pode sofrer ação de uma intempérie e se desprender, como, por exemplo, uma telha mal afixada, um empilhamento inadequado etc. Ressalta-se que não existe atividade à qual não haja um risco associado. Um elemento pode não oferecer risco isoladamente, mas a combinação de dois ou mais pode contribuir para o surgimento do risco concorrente. Entretanto, pode-se afirmar que a negligência é um grande inimigo da segurança.
PROGRAMAS DE PREVENÇÃO Antes de executar qualquer atividade, devem-se avaliar os riscos para se planejar com segurança sua execução. É preciso procurar profissionais da área de saúde e segurança do trabalho para elaborarem os programas de prevenção previstos nas NR´s e na NR31 que entrará em vigor brevemente. A sinalização e as cores constituem recursos auxiliares de suma importância na orientação dos trabalhadores quanto à existên-
aúde e segurança do trabalhador são questões de interesse público. A Lei Brasileira nº 6.514, de 22 de dezembro de 1977, que cuida das questões de saúde e segurança do trabalhador é aquela que alterou o Capítulo V do Título II da CLT, relativo à segurança e medicina do trabalho, e dá outras providências. Em 8 de junho de 1988 foram aprovadas as Normas Regulamentadoras (NR) da referida Lei através da Portaria 3214, e, em 12 de abril de 1988, foram aprovadas as Normas Regulamentadoras Rurais (NRR) através da portaria 3.067. Assim, a Constituição Federal promete, como direito subjetivo do trabalhador urbano e rural, a redução dos riscos do trabalho mediante normas de saúde, higiene e segurança. Em outras palavras, o empregador é obrigado por lei a zelar pela saúde e segurança de seus trabalhadores, sob risco de sofrer sanções penais. cia de riscos, principalmente em instalações onde o nível de percepção de risco é baixo, como é o caso de muitas unidades de beneficiamento de café. Assim, cores, sinais e símbolos devem ser usados no ambiente de trabalho para sinalizar equipamentos e máquinas, delimitando áreas de circulação, operação e armazenamento. Placas, cartazes de advertência, mapas de risco devem ser utilizados, informando e alertando quanto aos riscos inerentes às atividades. Um ambiente bem sinalizado demonstra a organização e contribui para a redução dos riscos. É bom salientar que as NR´s estabelecem os parâmetros mínimos e diretrizes gerais a serem observados na execução dos Programas de Prevenção de Riscos Ambientais e Programas de Controle Médico e Saúde Ocupacional. Para aqueles que querem trabalhar de acordo com a lei, um bom começo é designar um trabalhador para receber um treinamento de Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), o qual ficará encarregado de transferir as informaM ções para os demais trabalhadores. Giovanni Francisco Rabelo, Flávio Meira Borém e Cinara da Cunha S. Carvalho, Ufla Comando de energia sem proteção de usuário e operador alimentando a fornalha sem equipamento de segurança
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tratores
Adaptação forçada O avanço da agropecuária brasileira em direção à linha do Equador tornou constante a necessidade de adaptação dos sistemas mecanizados, aplicáveis aos trópicos úmidos
A
Fenot
o longo de décadas, o Brasil foi se adequando ao pacote tecnológico de mecanização de preparo do solo oriundo do modelo europeu. Preparo mínimo e plantio direto são tecnologias utilizadas abaixo do paralelo 33 (Trópico de Capricórnio) há décadas, migrando Brasil acima rumo à linha do Equador. Sabemos de longa data que, ao contrário do que acontece em regiões de clima temperado mais ao Sul do país, as regiões tropicais úmidas são caracterizadas por
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intensas chuvas torrenciais, precipitações variando entre mil e 3,7 mil mm entre a estação seca e a estação chuvosa e temperatura anual média entre 22 e 28º C. Um dos pontos fundamentais a conservação do solo é utilizá-lo racionalmente, adaptando tecnologias em mecanização às características do meio. Porém cabe uma pergunta: Como fazê-lo? Com a mesma tecnologia ao Sul e ao Norte em um país de dimensões continentais? Muitas são as áreas já degradadas no
trópico úmido, principalmente pela condução inadequada das áreas desflorestadas em pecuária intensiva. A Amazônia em sua grande extensão é constituída de áreas muito arenosas, a exemplo do Nordeste paraense, onde predominam solos sem estruturação física baixos teores de argila (entre 60 e 80 g/kg) nos dez centímetros superficiais do solo. O avanço no cultivo de novas áreas de commodities, rumo ao Norte brasileiro, havemos de concordar, é uma necessidade para o crescimento do país. Alertamos no entanto para a observância do zoneamento agroclimático nacional. Regiões, por exemplo, como o Sudoeste do estado do Pará, onde está localizado o pólo graneleiro de Paragominas, têm um clima ideal para o cultivo de grãos. Aí já existem grandes áreas cultivadas. Por outro lado, em zonas de precipitações, entre as anteriormente citadas, culturas ou métodos que levam a uma maior proteção do solo deverão ser utilizados. Muitas dessas áreas já foram cultivadas com dendezeiro, sendo hoje o Pará o maior produtor de óleo de palma do Brasil. O
“No Brasil, em distintas regiões, o uso de sistemas de trituração de modelo horizontal é uma realidade” Fotos Clóvis Priebe Bervald
Brasil ocupa a terceira posição mundial na produção de óleo de dendê, liderada pela Indonésia. Um hectare de dendê em plena produção, em um ano, rende mais que, por exemplo, a mesma área de soja. Em termos numéricos, enquanto o rendimento em óleo do soja é de 0,2 a 0,5 ton/ha ano, para o dendê esse rendimento aumenta de 3 a 6 ton/ha/ano. (Faesp) Se refletirmos mais um pouco, verificamos que a colheita de grãos necessita de um período mínimo para sua realização, o que não é proporcionado em algumas regiões da Amazônia brasileira. Essas constatações são fundamentais para a produção sem degradação. Culturas como o dendezeiro, no entanto, têm uma restrição quanto à mecanização. No manejo, no corte das folhas velhas da palmeira e na colheita, muitas operações são manuais. Porém, em termos de mecanização, já existem alternativas de outros setores tanto para o manejo de dendezais como para implantação de lavouras com sistemas que proporcionam a utilização da biomassa vegetal em áreas degradadas.
TRITURADORES DE BIOMASSA Equipamentos para manejo de restos florestais são de uso comum em países europeus. Essas máquinas necessitam de alta potência para operar, o que faz com que os
SISTEMA CONSERVACIONISTA
E
ntende-se como sistema conservacionista aquele em que as perdas de energia na transformação de materiais sejam mínimas, portanto atentos a fatores químicos, físicos e biológicos, visando à conservação da estrutura do solo.
Exemplo de adaptações nos modelos europeus tratores, nesses países, saiam das linhas de para que sejam oferecidas as condições montagem capazes de exercer e suportar ergonômicas mínimas ao operador essas funções. Como exemplo, temos a utilização de um frezador de tocos e um frezador de mata de grande dureza, é imprescindível o dimensionamento correto da resistência a para manejo dos resíduos. (Figura 1) Os frezadores são utilizados para tritu- esforços maiores. Tal fato pode indicar a ração de tocos remanescentes de antigas necessidade de uma linha especial de acioplantações florestais de pinus e eucaliptos namentos e de rolamentos, além de mecae para eliminação de antigas plantações de nismos de atuação com maior dureza cortante - de maior wídea. Em se tratando de frutíferas. No Brasil, em distintas regiões, o uso clima tropical (temperatura ambiente de de sistemas de trituração de modelo hori- 35º C), é necessário ainda resistência a alzontal é uma realidade. Os implementos tas temperaturas. Duas são as empresas do setor florestal consistem numa gama de máquinas que vão desde modelos como o Triton (Jan) - que possuem representação no Brasil, a utilizado na trituração de restos culturais - aos modeTabela 1 - Rendimento da máquina em capoeiras de diferentes idades los como o Rotertec - utiliMédia Desvio Min Max zados nas entrelinhas de caÁrea trabalhada ha 1,04 0,72 0,23 4,03 fezais e citros. São máquinas anos 3,95 1,37 2,00 8,00 que exigem baixo torque, Idade da vegetação portanto, de fácil acopla- Rendimento no primeiro passo ha/h 0,542 0,195 0,203 1,232 mento a tratores fabricados Consumo de combustível no passo 1 l/ha 51,46 21,82 17,59 106,27 nacionalmente, sem neces- Consumo de combustível no passo 1 l/ha 0,776 0,282 0,278 1,850 sidade de adaptações. Consumo de combustível l/ha 37,13 12,21 7,50 82,50 Para utilização em vege- Rendimento total ha/h 0,319 0,129 0,155 1,006 tações de material lenhoso, Consumo de combustível total
l/ha
88,582
30,727
22,982
169,34
Tabela 2 - Rendimento da máquina em capoeiras de diferentes idades Área trabalhada Idade da vegetação Biomassa Rendimento na primeira passada Consumo de combustível por área no primeiro passo Consumo de combustível por biomassa no primeiro passo Rendimento em função da biomassa no primeiro passo Rendimento no segundo passo Consumo de combustível por área segundo passo Consumo de combustível por biomassa no segundo passo Rendimento em função da biomassa no segundo passo Rendimento médio Consumo de combustível por área Consumo de combustível médio por biomassa
ha anos ton/h ha/h l/ha l/ton ha/h ha/h l/ha l/ton ha/h ha/h l/ha l/ton
Média 0,86 3,97 49,94 0,511 55,59 1,163 33,70 0,705 38,46 0,832 41,50 0,296 94,05 1,995
Desvio 0,58 1,38 14,88 0,166 25,29 0,490 14,36 0,206 12,92 0,318 16,80 0,077 38,12 0,808
Min 0,23 2,00 20,06 0,215 21,56 0,309 16,39 0,278 20,31 0,337 15,74 0,160 41,87 0,646
Max 2,76 8,00 90,62 0,906 122,34 2,286 73,78 1,142 82,50 1,591 75,78 0,424 204,8 3,877
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Fotos Clóvis Priebe Bervald
dor FM 600. O frezador FM 600 é um equipamento composto por um chassi, no qual estão agregados polias, eixos e semi-eixos de acionamento e também polias acionadas por correias e um rotor composto de dentes de wídea trocáveis. O equipamento tem uma largura útil de 2,3 mil mm, peso de 2,4 mil kg. Necessita de rotação de mil rpm na TDP e atinge uma velocidade periférica dos dentes de wídea de 18 m/s. O desempenho e o rendimento em dendezais pode ser verificado nas imagens a seguir.
Máquina realizando a operação de derrubada de capoeira
MECANISMOS DE AÇÃO
Acima, martelo novo e martelo após 400 horas de uso (1600 RPM no rotor). Abaixo: sapatas da máquina, pontos de apoio da máquina no solo
Ahwi Gmbh e a Schmidt, ambas de origem alemã. A primeira com mais de 4 mil horas de testes em condições extremas de Amazônia brasileira, junto ao projeto de cooperação binacional Shift (Studies of Human Impact on Forests and Floodplains in the Tropics), atuando em áreas sem utilização do fogo. O equipamento utilizado no projeto Shift foi o modelo Ahwi FM 600. Os equipamentos de trituração de biomassa da empresa estão distribuídos junto ao mercado europeu, sendo mundialmente utilizados no manejo ecológico de resíduos orgânicos em culturas de palma na Malásia, bananais na Costa Rica, pomares em diversos países e renovação de florestas, dentre outros, em países como México, Chile, Estados Unidos e Brasil.
TRITURADORES PARA A AMAZÔNIA Pelo fato de haver a necessidade de dois processos para preparo completo das áreas, um primeiro para derrubada da vegetação e um segundo denominado de retrituração ou acabamento, são necessárias algumas adaptações nos modelos europeus para que sejam oferecidas as condições ergonômicas mínimas ao operador e ao acoplamento da máquina. O sistema de trituração utilizado na Amazônia consistiu num conjunto mecanizado de trator modelo JD 7710 e freza-
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Valtra
A troca dos mecanismos de ação da máquina - dentes ou martelos - segundo testes realizados, com 1,6 mil rpm no rotor, na região Amazônica, deverá ser feita em torno de 400 horas de trabalho, momento em que a parte de wídea dos dentes se encontra completamente gasta. Sempre que algum martelo venha a sofrer alguma ruptura ou quebra por uma eventualidade qualquer, o mesmo deverá
ser trocado para evitar o funcionamento desuniforme do rotor. Com 800 horas é necessária a ressoldagem das chapas nas sapatas da máquina. Alguns resultados de rendimento nas triturações de biomassa encontram-se especificados abaixo nas tabelas de triturações realizadas em duas regiões distintas. A Tabela 1 apresenta valores para áreas heterogêneas com vegetação secundá-
“São necessárias algumas adaptações nos modelos europeus para que sejam oferecidas as condições ergonômicas mínimas ao operador e ao acoplamento da máquina”
Após a derrubada da capoeira, é realizado o preparo definitivo do solo
Máquina trabalha na operação de trituração dos resíduos de poda em dendezais e restos de bagaço
ria variando de dois a oito anos. Pela inexistência de vegetação de mesma idade, as áreas preparadas não foram de mesmo tamanho nas diferentes idades. De maneira geral o rendimento médio para o preparo de área foi de 0,319 ha/h com consumo de combustível em torno de 88,58 l/ha. Na Tabela 2, são apresentados valores mais detalhados de uma outra região.
A biomassa observada nessas áreas foi de 49,94 ton/ha variando entre extremos de 20 e 90,6 ton/ha. O rendimento verificado nas áreas foi de 0,51 ha/h no primeiro passo e 0,705 ha/h no segundo passo, totalizando um valor médio de rendimento de 0,296 ha/h com consumo médio de combustível de 94,05 l/ha. Em termos gerais pode-se dizer que o consumo de combustível somando os passos um e dois varia em torno de 2 l/t de biomassa triturada.
ADOÇÃO DO SISTEMA Os primeiros frutos das pesquisas desenvolvidas no sistema de manejo através da trituração de biomassa surgiram no trópico úmido por incentivo da empresa Albras (Alumínios do Brasil), que importou o primeiro trator Valtra da matriz finlandesa em janeiro de 2004, observando as adaptações necessárias para o acoplamento de frezadores (Figuras 8 e 9). A adoção de sistemas de trituração visando à conservação do solo para gera-
Clóvis aborda as principais adaptações realizadas em máquinas para avanço de áreas agrícolas em direção à linha do Equador
ção de matéria orgânica na Amazônia, em áreas degradadas e dendezais, é uma realidade presente no mercado. Os resultados práticos ainda são inexpressivos pela dificuldade de adaptação de tratores nacionais para tal fim e pelo custo de aplicação, além de que a tecnologia ainda não é totalmente limpa, por ainda utilizar o diesel oriundo de petróleo. Os desafios estão lançados, o biodiesel já é uma realidade, e sua aplicação em manejos conservacionistas é uma quesM tão de tempo e interesse. Clóvis Priebe Bervald, The GSI Group Brasil Osvaldo Ryohei Kato, Embrapa Amazônia Oriental Andreas Block, Georg-August-Universität Göttingen
CARACTERÍSTICAS DO TRATOR
O
trator deve satisfazer as seguintes características: • Potência em torno de 120 kW, dotado de sistema de transmissão power quad, ou power shift, com reversor de torque, de modo a facilitar ao operador executar os distintos acionamentos de forma coordenada e síncrona; • Para que o trabalho fique menos laborioso, é necessário ainda banco reversível para giro em 180 graus; • Velocidade normal inferior a 2,7 km/h (marcha superlenta com velocidade a partir de 0,25 km/h); • Levante de três pontos categoria III (3 mil kg); • Tomada de potência independente, com 540 ou 1000 rpm; • Torque alto em baixas rotações (acima de 750Nm); • Volante e pedais na posição traseira; • Três saídas hidráulicas para conexão das mangueiras (1-inclinação da máquina, 2-abertura da tampa defletora traseira, 3-movimento do braço auxiliar). Em termos práticos, para o operador, muda apenas a localização dos comandos, que ficam todos à esquerda no processo à ré.
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densidade de semeadura
Densidade comprometida? Flávio D. Haas
A danificação mecânica das sementes, provocada pelo mecanismo dosador da semeadora, ainda não tem efeito mensurado na germinação e no desenvolvimento da cultura do arroz
Figura 1. Observa-se que, à medida que a quantidade de sementes é reduzida, a danificação percentual aumenta. Para uma distribuição de 187 kg/ha, a danificação mecânica das sementes é de apenas 1,7% (já des-
PROJETO 10
O
T
anto os agricultores que estão adotando as técnicas prescritas no “Projeto 10”, criado pelo Instituto Riograndense do Arroz (IRGA) no intuito de elevar a produtividade do arroz para 10 t/ha, como aqueles que se utilizam de sementes híbridas, devem prestar atenção redobrada à semeadura da cultura. Como nesses dois casos é recomendada a redução na razão de distribuição de sementes, existe a possibilidade de aumento na danificação causada pelo dosador da semeadora por ocasião do plantio. Um experimento realizado por acadêmicos da disciplina de Máquinas Agrícolas da Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel (Faem) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com uma semeadora dotada de dosador tipo cilindro acanalado - o mais utilizado para o arroz -, avaliou o efeito da redução na razão de distribuição de sementes de arroz
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sobre a danificação mecânica provocada. Os estudantes utilizaram sementes básicas da cultivar BRS Atalanta com danificação prévia de 1,9%, semeadas com as seguintes razões de distribuição: 70, 122 e 187 kg/ha, o que correspondia a uma regulagem prévia desejada de 80, 140 e 180 kg/ha, respectivamente. Esses valores ilustram três situações distintas encontradas no campo. O menor valor se aproxima da recomendação de semeadura dos produtores de sementes híbridas. O valor intermediário equivale aproximadamente ao que é prescrito pelos órgãos de pesquisa e de difusão tecnológica para o estado do Rio Grande do Sul, enquanto que a maior densidade, embora acima do recomendado, ainda é muito utilizada pelos agricultores. A danificação mecânica das sementes provocada pelo mecanismo dosador da semeadora nessas condições pode ser vista na
Projeto 10- RS do IRGA (Instituto Riograndense do Arroz) é um manual de procedimentos que busca potencializar os índices produtivos das lavouras de arroz no estado do Rio Grande do Sul. Junto com outras instituições, o IRGA tem disponibilizado aos produtores cultivares com alto potencial produtivo para as condições edafoclimáticas do RS. Verifica-se também a introdução de novas tecnologias e conhecimentos relativos a máquinas, equipamentos e insumos. Entretanto, em nível de lavoura, constata-se significativa diferença de produtividade entre produtores, inclusive dentro de uma mesma região ou localidade, onde uma parcela pode atingir níveis produtivos de 8 a 9 t/ha, e outra, de 4 a 5,5 t/ha. As áreas onde os últimos índices são encontrados são numericamente significativas e influem decisivamente na produtividade média do estado. A partir disso o IRGA desenvolveu o projeto “Alta Tecnologia”, baseado na formação de grupos de produtores, supervisionados e orientados por técnicos devidamente capacitados, prevendo o manejo antecipado e o acompanhamento mútuo das lavouras, preconizando a adoção de tecnologias que têm influência decisiva no resultado final, considerando produtividade e racionalização de custos.
“Uma dica seria avaliar a campo o stand de plantas que realmente está sendo obtido e compará-lo àquele pretendido”
Figura 1 – Danificação das sementes pelo mecanismo dosador em função da quantidade de sementes utilizada
contada a danificação prévia), enquanto que, para a menor densidade, esse valor sobe para o preocupante índice de 6,8%, também descontados os valores prévios. Outra observação feita, mas não evidente na Figura, é a de que o número de sementes danificadas é constante para todas as situações testadas, donde se pode imaginar que os danos estão relacionados com locais específicos do mecanismo dosador, neste caso, a extremidade do cilindro acanalado que entra em contato com as sementes. Outro ponto que deve ser observado,
quando se pretende usar pouca quantidade de sementes, é a regularidade de distribuição destas pelo mecanismo dosador. Os dosadores tipo rotor acanalado, principalmente os de canaletas retas, costumam não distribuir uniformemente as sementes na linha de semeadura, quando são regulados para baixas razões de distribuição de sementes. Problemas têm sido relatados para vazões abaixo de 80 kg/ha. Como esses problemas são relativamente novos, ainda há poucos estudos, por exemplo: não se sabe qual o real efeito dessa danificação mecânica na germinação e no desenvolvimento da planta em condições de campo. De forma que não existem recomendações conclusivas aos agricultores para a minimização desses dois fatores (danificação e falta de precisão). Portanto, os agricultores que se utilizam dessas técnicas devem tratar a operação de semeadura com muito cuidado. Uma dica seria avaliar a campo o stand de plantas que realmente está sendo obtido e compará-lo àquele pretendido. Assim, os orizicultores terão mais certeza a respeito dos resultados físicos e econômicos das novas técnicas que estão senM do implantadas.
Charles Echer
Ângelo Reis explica os possíveis problemas que podem ocorrer no plantio do arroz em função da redução de densidade
Ângelo Vieira dos Reis e Antônio Lilles Tavares Machado, UFPel
Divulgação
energia solar
Sol como motor A aplicabilidade da energia solar fotovoltaica ao bombeamento de água na irrigação das culturas pode ser uma boa alternativa para minimizar o impacto ambiental da atividade agropecuária
O
s problemas ambientais vêm tomando espaço cada vez maior no cotidiano da população; cientistas, pesquisadores, ONG’s e até mesmo empresas estão dispensando maior atenção a este assunto que diz respeito a todos. A utilização de fontes alternativas de energia, como a energia solar, seria de grande ajuda para a diminuição do impacto ambiental que as fontes convencionais provocam. Segundo Cometta (1982), “Se o consumo de energia de origem térmica continuar a aumentar no ritmo atual, prevê-se que numa centena de anos atingir-se-á uma situação em que a quantidade de calor dissipada não mais será desprezível em relação àquela de origem solar e poderá, assim, causar uma elevação da temperatura média do globo, com conseqüências incalculáveis, pelo derretimento dos gelos polares e imediata elevação do nível dos mares”. Spense (2002) diz que “A energia do sol que alcança a Terra em apenas duas semanas equivale à quantidade de energia contida em todas as reservas mundiais de carvão, gás e petróleo”. Kawahara (2004) afirma que “...o Brasil é um dos países que detêm as maiores bacias hidrográficas, cuja energia elétrica proveniente de energia hidráulica também é limitada e ainda causa grandes inundações, para a formação dos reservatórios, em áreas que poderiam produzir mais alimentos, pois nesses locais os solos são mais ricos para a agricultura”. Por esses e outros motivos que a energia solar como fonte de energia alternativa poderia ser utilizada para amenizar esses problemas. Com a tecnologia dos painéis fotovoltaicos, é possível a utilização de energia solar em estações espaciais, satélites de telecomunicações, estações meteorológicas, entre outros. O rendimento de um painel fotovoltaico é baixo, e, por isso, faz-se necessário um estudo dirigido para a avaliação do sistema no bombeamento d’água, utilizando uma motobomba alimentada por essa energia. Foi realizado um experimento para avaliar o comportamento operacional do equipamento, proporcionando dados para o dimensionamento eficiente e para a compreensão funcional desse sistema.
CONFIGURAÇÃO DO SISTEMA O experimento foi instalado em uma caixa d’água de 20 metros de altura, nas dependências do Cefet (PR) (Unidade Oeste, Campus de Medianeira), como mostra a Figura 1. Embora tenham sido instalados dez painéis fotovoltaicos, foram utilizados somente dois deles, pois o sistema em questão foi configurado para trabalhar em 24 Vcc. Tais painéis alimentam uma motobomba do tipo
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“Com a tecnologia dos painéis fotovoltaicos, é possível a utilização de energia solar em estações espaciais, satélites de telecomunicações e estações meteorológicas” Fotos Roger N. Michels
COMPONENTES UTILIZADOS
volumétrico. Montou-se uma estrutura junto aos painéis, e instalou-se um piranômetro no mesmo plano do painel para obtenção dos valores de irradiação solar incidentes. Um transdutor de pressão foi instalado com o objetivo de indicar com qual força a água está sendo bombeada. O transdutor de vazão foi adaptado, utilizando-se um hidrômetro para a obtenção das informações em relação à quantidade de água que foi bombeada pelo sistema da cisterna à caixa d’água, a uma altura de aproximadamente 20 metros, e o medidor de vazão informará o valor total da vazão. O termopar do tipo K forneceu dados da temperatura nos painéis fotovoltaicos. Através de um shunt, obteve-se o valor de corrente elétrica, e, utilizando-se um divisor de tensão ligado em série com o datalogger, alcançaram-se as informações de tensão. Todos estes equipamentos estão ligados a um datalogger onde ocorre a aquisição e a armazenagem de dados. O computador tem a finalidade de processar e analisar os dados coletados. O programa utilizado para a aquisição de dados foi o PC208W 3.2. Para a análise e avaliação dos dados, foram utilizados os softwares estatísticos Microcal Origin 6.0 e Microsoft Excel.
Estação de bombeamento tradicional, um dos pontos de maior gasto na operação de irrigação
sição de dados. A tensão estabiliza-se em 33,24 V com uma radiação em torno de 650 W/m2. A corrente atinge estabilização em 1,41 A com uma radiação idêntica à da tensão. O dia de maior bombeamento d’água foi o dia 12 de dezembro de 2004, com uma vazão de 2,4 mil litros, e o menor foi o dia 23 de dezembro de 2004, com 309 litros d’água, isso devido à baixa incidência de radiação solar naquele dia. O sistema bombeou durante um mês um total de 51,58 mil litros d’água, uma média diária de 1,654 m³. A vazão estabiliza quando a incidência de radiação solar é de 495 W/m2. Durante o intervalo de estabilização, a média de vazão para o dia 12 de dezembro de 2004 é de 4,6 l/min, com variação entre 4 e 5 l/min. A temperatura máxima atingida pelo
• Dois painéis solares, fabricante Solarex, modelo MSX56, tensão padrão de 12 V; • Uma motobomba, fabricante Solarjack, modelo SDS – D -228, tensão de 30 V; • Um transdutor de pressão, fabricante Dicket – John, modelo 465700010, faixa de atuação de 0 a 100 PSI, tensão de entrada de 0 a 16 VDC, tensão de saída de 0,5 a 5,0 VDC; • Um medidor de vazão, fabricante LAO, tipo turbina, classe 0,1; • Um transdutor de vazão para aquisição de dados aferido com precisão; • Um micrologger de marca Campbel Scientific – INC, modelo CR 23X; • Um termopar aferido para aquisição de dados; • Um microcomputador; • Um piranômetro Kipp & Zonen CM3. painel foi às 14 hs do dia 06 de janeiro de 2004, com o valor de 66,2 ºC, a mínima ocorreu às 6 hs do dia 12 de dezembro de 2004, com a temperatura de 14,03 ºC. A radiação máxima encontrada no dia 12 de dezembro de 2004 foi de 1056 W/m2, sendo que bastaria um valor de 495 W/m2 para a estabilização da vazão. A potência emitida pelo sistema fotovoltaico é obtida através da multiplicação da corrente pela tensão. Tanto a tensão como a corrente possuem um período de estabilização, assim, a potência também possui esse período, a média encontrada é de 46,82 W,
RESULTADOS OBTIDOS Os dados apresentados foram obtidos através do experimento, entre os dias 8 de dezembro de 2004 e 8 de janeiro de 2005, completando, dessa forma, um mês de aquiPainéis fotovoltaicos e piranômetro, utilizados para captação de energia solar com o objetivo de gerar força para o bombeamento
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Fotos Roger N. Michels
O sistema bombeou durante um mês um total de 51,58 mil litros d’água, uma média diária de 1,654 m³
a mínima, de 43,13 W, e a máxima, de 48,73 W. Com radiação entre 260 e 270 W/m2, o painel já fornece potência necessária para o acionamento da motobomba. A eficiência do sistema é encontrada através da divisão da potência pela multiplicação da irradiação e da área útil do painel, no caso, o valor da área útil do painel é de 0,90288 m², e seus valores são dados em porcentagem. Entre 550 e 650 W/m2 ocorre a estabilização do sistema, a irradiação incidente acima deste valor é dada como desperdício, pois não será utilizada pelo sistema, como mostra a Figura 2. A eficiência máxima encontrada no período de estabilização é de 7,98%. O sistema entra em funcionamento aproximadamente às 7h 40 min., levando em consideração as estações do ano. Através do experimento e de análises dos dados, pode-se chegar às seguintes conclusões: • a corrente atinge sua estabilização a uma irradiação de 650 W/m2, obtendo nesse período uma corrente de 1,41 A; • a tensão estabiliza-se com o mesmo valor de irradiação que estabiliza a corrente; a
Roger explora as diversas vantagens e possibilidades de uso da energia solar na irrigação
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média durante a estabilização é de 33,24 V; a máxima, de 34,24 V, e a mínima, de 31,21 V; • no período de um mês, bombearamse 51,28 mil litros d’água, tendo um máximo de 2,4 mil litros em um dia de céu limpo e um mínimo de 309 litros, a média ficou em torno de 1,65 mil litros por dia no período de 8 de dezembro de 2004 a 8 de janeiro de 2005; • a vazão estabiliza com irradiação solar de 495 W/m2, sendo em torno de 4,6 l/ min1; • a temperatura máxima encontrada no painel foi de 66,2 ºC e a mínima de 14,03 ºC;
• a irradiação solar de 1056 W/m2 foi o maior valor medido pelo piranômetro, no dia 12 de dezembro de 2004; a média deste dia ficou em torno de 608 W/m2; • a potência atinge a sua estabilidade com índices de irradiação solar de 680 W/m2; durante o período de estabilização, a potência média encontrada foi de 46,82 W, com máxima de 48,73 W e mínima de 43,13 W;. • a eficiência máxima encontrada no dia de referência é de 7,98%. A eficiência estabiliza com incidência de irradiação entre 550 e 650 W/m2. • com a radiação entre 260 e 270 W/m2 o painel já fornece potência suficiente para o acionamento da motobomba; O sistema de bombeamento d’água entra em funcionamento aproximadamente às 7h 40 M min., no período de coleta dos dados. Roger N. Michels, Reinaldo P. Ricieri e Samuel N.M. de Souza, Unioeste Estor Gnoatto, Tatiane C. Dal Bosco e Marlos W. Grigoleto Cefet/PR
manejo de cobertura
Convivência pacífica M
anejar a vegetação e/ou os resíduos culturais é uma atividade que o homem desempenha na agricultura desde tempos remotos. Ainda hoje, é efetuada de diferentes formas e com diversos equipamentos. Para que áreas sejam disponibilizadas à agricultura, em solos cobertos por florestas, são feitos derrubada, retirada da madeira aproveitável, arranquio de tocos, enleiramento e, invariavelmente, queimadas. O fogo, na verdade, também foi o método mais empregado para manejo de restos de culturas até a metade da década de 80, em lavouras produtoras de grãos, especialmente na região Sul do Brasil, após a derrubada da floresta. E não o foi meramente por questões de praticidade, baixo custo ou ig-
norância, mas, principalmente, devido à falta de equipamentos de preparo e de semeadura que funcionassem em áreas com razoável quantidade de resteva sobre o solo. Com a incorporação de discos de corte de resíduos a equipamentos de preparo (escarificadores) e de semeadura (semeadoras), e também devido a inúmeras campanhas de informação sobre os malefícios da queima de resteva, empreendidas por órgãos de pesquisas e de extensão nesses estados, essa prática foi quase que totalmente eliminada em lavouras com culturas anuais. No entanto, ainda é empregada em áreas de pastagens e campos naturais em todo o Brasil, além de na cultura da cana, mas nesta está sendo gradualmente substituída por máquinas que conseguem co-
Com o advento do plantio direto, o manejo da vegetação e a presença de resíduos em cobertura tornaram-se imprescindíveis para a sustentabilidade da prática agrícola lher a mesma sem queima prévia. Com o aumento das áreas agrícolas conduzidas em semeadura e plantio diretos, o manejo da vegetação e/ou de resíduos assumiu grande importância, visto que a presença destes é imprescindível naqueles sistemas de manejo, em termos de superfície coberta e uniformidade, durante o ano todo. O manejo de plantas (invasoras e adubos verdes) pode ser feito por método químico, ou seja, uso de herbicidas, promovendo a morte da vegetação, e/ou por métodos mecânicos. A distribuição dos resíduos pode influenciar a incidência de invasoras, especialmente em locais com baixa cobertura do solo. Mecanismos de corte da palha das semeadoras podem se tornar ineficientes na Massey Ferguson
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Massey Ferguson
Quando não há disponibilidade de nenhum outro equipamento para manejo de vegetação, usa-se então a grade niveladora
faixa onde ocorreu acúmulo de palha. Nos preparos conservacionistas, podem ocorrer embuchamentos nos equipamentos, bem como diferenças de temperatura, teor de água, insolação, dificuldade de emergência de plantas e diferenças quanto ao teor de nutrientes, especialmente de nitrogênio.
TIPOS DE EQUIPAMENTOS No mercado, existem muitos modelos e tipos de equipamentos mecânicos empregados no manejo de vegetação e resíduos culturais, que podem ser resumidos em: picador/distribuidor de palhas, ou somente distribuidor de palhas acoplado às colhedoras de grãos; picadores de palha tratorizados; rolos-faca; roçadoras; grades niveladoras; roçadoras de entrelinhas de culturas anuais e equipamentos que utilizam descarga elétrica para dessecação de plantas.
PICADORES/DISTRIBUIDORES O picador/distribuidor acoplado à maioria das colhedoras de fluxo radial (cilindro e côncavo transversal ao seu comprimento) possui opções de regulagens para tamanho dos fragmentos e largura de distribuição da palha. No entanto, distribui somente a palha oriunda dos saca-palhas e, na maioria dos casos, não consegue redistribuí-la na mesma largura da plataforma. Além disso, há que se considerar que, para picar a palha, o mecanismo demanda potência e aumenta o consumo de combustível do motor. Questiona-se, hoje, na semeadura direta, a necessidade de picar a palha na operação de colheita, especialmente em culturas com baixa relação C/N (carbono/ni-
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trogênio) e em regiões com clima que propicie sua rápida decomposição. Por isso, alguns modelos de colhedoras já possuem opção de uso de distribuidores de palha, somente. Os mais usados são do tipo “tripé”, com três a cinco hastes emborrachadas, ou de discos distribuidores (pratos giratórios). Estes apresentam problema semelhante aos picadores/distribuidores - distribuir a palha na mesma largura de corte da plataforma. A ação dos ventos e/ou os diferentes tamanhos dos fragmentos provindos do interior da colhedora dificultam a distribuição uniforme. Esses mecanismos podem distribuir somente a palhada provinda dos saca-palhas, ou também o palhiço das peneiras, e consomem pouca energia para seu funcionamento.
TRITURADORES Os picadores de palhas tratorizados são denominados normalmente de trituradores. Possuem lâminas giratórias que, por impacto, cortam, picam e redistribuem os resíduos. Suas principais regulagens consistem em mudar a rotação das lâminas e a velocidade de deslocamento do trator. São empregados para triturar adubos verdes e invasoras, ou em lavouras de altas produtividades, como as de milho, que produzem grandes quantidades de resteva. Também é alternativa para redistribuir a palha deixada em forma de leiras pela colhedora, caso esta não possua distribuidor ou o mesmo não esteja funcionando na colheita. É um equipamento com largura útil de 2 a 4,5 m, necessita de trator e tem um consumo de energia dependente da quan-
tidade de palha a picar e do seu grau de fracionamento (varia de 0,5 a 1 kW.h/t). Depende, também, da uniformidade do terreno, para que as lâminas não atuem no solo, desgastando-as e deixando porções do mesmo sem cobertura. Deve-se ter o cuidado de não utilizar o picador paralelamente às linhas das culturas, pois isso provoca desgaste em determinadas lâminas e o seu desbalanceamento. Assim, a operação deve ser feita em ângulo às linhas de semeadura. Recentemente, foram desenvolvidos e testados com sucesso trituradores para vegetação mais vigorosa, como capoeiras, com objetivo de não haver necessidade de queima das mesmas. Todo material picado permanece sobre a superfície do solo para decomposição gradativa em matéria orgânica, permitindo, inclusive, uso de semeadura ou plantio diretos.
ROLOS- FACA O rolo-faca é um equipamento simples e tem como principais funções promover o acamamento da vegetação e o corte ou o seccionamento dos vasos das plantas, a fim de causar sua morte ou a viabilização das sementes. Pode ser puxado por animais ou tratores. Os tracionados por trator podem ser acoplados aos três pontos ou de arrasto, sendo que, neste caso, podem ser de levante por controle remoto ou não. Eles são constituídos de um ou mais rolos, dispos-
MÉTODOS MECÂNICOS
O
método de manejo mecânico pode ser efetuado sobre plantas, resíduos de plantas e restevas e tem várias finalidades: • picar e, conseqüentemente, reduzir o comprimento dos restos culturais e das coberturas vegetais; • distribuir os mesmos uniformemente sobre a superfície do solo; • proporcionar o dessecamento e a morte das plantas, ou cortar a vegetação a uma altura definida. É importante frisar que esse é um manejo de vegetação admitido e praticado na agricultura agroecológica ou biodinâmica.
“Deve-se preferencialmente semear no mesmo sentido da rolagem da vegetação, ou então transversalmente, para evitar embuchamentos na semeadora” Vilso Júnior Santi
tos lado a lado, ou em tanden (um após o outro). Também variam em diâmetro, peso, número e tamanho das lâminas de corte. São freqüentemente utilizados para manejo mecânico de resíduos de difícil decomposição, como altas quantidades de palhada de milho. Nesse caso, sua função consiste em quebrar os colmos mais grossos para permitir entrada de água e proporcionar contato com solo, facilitando o ataque de organismos do solo e acelerando sua decomposição. O rolo-faca não redistribui a vegetação ou os resíduos. Suas facas não devem penetrar no solo, pois isso propicia desgaste das mesmas e favorece a germinação e o estabelecimento de invasoras. Os rolos-faca demandam pouca energia (0,5 a 1 kW.h/t) e, por isso, podem ser tracionados por tratores de baixa potência. Em relação aos trituradores de palhas tratorizados, têm um consumo de combustível de até 30% menor por área trabalhada. Na semeadura, deve-se preferencialmente semear no mesmo sentido da rolagem da vegetação, ou então transversalmente, para evitar embuchamentos na semeadora. Esse equipamento, na prática, é muitas vezes substituído por pneus velhos de tratores ou caminhões, presos a correntes, que são arrastados sobre a vegetação a ser manejada. Existem também rolos-faca de maiores dimensões e peso, os quais são empregados para manejo de capoeiras e vegetação arbórea.
ROÇADORAS A roçadora é um equipamento comum nas propriedades agrícolas e também pode ser utilizada no manejo de vegetações ou de resíduos. Tem como inconveniências a deposição do material picado em forma de leiras, bem como o fato de suas sapatas laterais poderem deixar marcas na superfície do solo, o deixam descoberto. As roçadoras são muito utilizadas em culturas perenes, para manejo de vegetação entre as fileiras, que era efetuado por meio de gradagens. Esse manejo freqüentemente
promovia compactação do solo e sua exposição à erosão hídrica. Também já existe no mercado um equipamento constituído por múltiplas roçadoras individuais, acionadas pela tomada de potência do trator, uma para cada entrelinha de culturas anuais produtoras de grãos, cujo emprego destina-se aos cultivos orgânicos, onde não é permitido controle químico (uso de herbicidas).
ELETROHERBS Uma alternativa, com grande potencial de utilização para manejo mecânico de vegetação em áreas irrigadas (lavouras de arroz), em cultivo orgânico, é o emprego da eletricidade (descarga elétrica). Sob uma estrutura semelhante à roçadora, fios de arame entram em contato com a vegetação a manejar. Esses recebem energia elétrica produzida por um gerador, que pode ser acionado pela tomada de potência do trator ou por motor auxiliar. O conjunto é rebocado pelo trator e tem uma largura útil em torno de 2 m. A vegetação seca rapidamente e fornece bom controle, dependente da massa, da uniformidade e altura da mesma. A principal restrição ao uso é a alta demanda energé-
Levian e Trein abordam os principais implementos utilizados para manejo de vegetação
tica do processo (tração para deslocamento e acionamento do gerador de eletricidade).
GRADES NIVELADORAS Quando não há disponibilidade de nenhum outro implemento para manejo mecânico da vegetação e/ou dos resíduos culturais, pode-se utilizar uma grade de discos leve (niveladora). Nesse caso, regulase o implemento com um pequeno ângulo de abertura entre as seções, para que os discos praticamente rolem sobre o solo, com função semelhante à do rolo-faca. No sistema de semeadura ou plantio diretos, o uso desse implemento deve ser evitado, na medida do possível, pois pode mobilizar superficialmente o solo e, desse modo, favoM recer a emergência de invasoras. Renato Levien, Carlos Ricardo Trein e Luis Fernando Coelho de Souza, UFRGS
Farm Progress Show
Fotos Arno Dallmeyer e Charles Echer
Farm Show 2005 Considerado Considerado aa maior maior exposição exposição dinâmica dinâmica de de máquinas máquinas agrícolas agrícolas do do mundo, mundo, oo Farm Farm Progress Progress Show Show 2005 2005 impressionou impressionou pelo pelo número número de de expositores expositores ee oo tamanho tamanho das das máquinas máquinas apresentadas apresentadas
E
m uma fazenda no interior de Decatur, em Illinois, nos EUA, aconteceu mais uma vez a mostra de tecnologia e produtos para a agricultura norte-americana, na 52ª edição do Farm Progress Show 2005. Mais de 460 expositores apresentaram seus equipamentos em exposição estática, numa área total de 290 hectares, e realizaram demonstrações dinâmicas num terreno com mais de 90 hectares. Seguindo a tradição, o evento foi realizado no cinturão do milho, o Corn Belt, de 30 de agosto a 1 de setembro, alternando-se entre os estados de Iowa, Illinois e Indiana. Numa mudança estratégica, visando o conforto dos visitantes, com uma infra-estrutura mais persistente, o FPS terá bases fixas por 20 anos, dividindo-se bienalmente entre Iowa e Illinois (sendo que Illinois e Indiana operam juntos). A Cultivar Máquinas foi conferir para você o que aconteceu de marcante com relação a alguns tipos de equipamentos neste ano.
VEÍCULOS TODO-TERRENO Ao todo 13 empresas mostraram seus utilitários, conhecidos como ATVs. Numa agricultura profissionalizada e num florescente mercado de lazer, esses veículos, seja para pequenas cargas, seja apenas para o transporte de pessoas, chamam a atenção dos visitantes. Inovações interessantes, como transmissão hidrostática e suspensões altamente flexíveis, além de motorização diversificada, a diesel, gasolina ou elétrica, puderam ser apreciadas.
SILOS E TRANSPORTADORES Silos metálicos são sempre necessários naquela região, ainda que como reposição de capacidade de armazenamento. Sete fabricantes estiveram presentes, e mais de dez expositores mostraram roscas transportadoras, reflexo de uma grande produção de grãos e da necessidade de movimentação dos mesmos. Interessante a construção de um fabricante canadense que, usando tubos similares aos de roscas, utiliza em seu interior uma esteira transportadora, que al-
cança grandes alturas e, supostamente, causa menos danos aos grãos.
COLHEITA Cerca de 30 fabricantes mostraram as novidades em tecnologia de colheita. As marcas conhecidas no Brasil puderam ser vistas, várias com inovações ainda não conhecidas aqui, como a plataforma de cereais com esteira transportadora (ao invés de caracol) da New Holland, a colhedora de fluxo axial da Massey Ferguson, a “Twin Rotor” renovada da New Holland ou a STS da John Deere. Aos desavisados chamaria a atenção uma Lexion, cores de Caterpillar, que anda na direção de uma marca própria no mercado americano. Essa Lexion da série 500 foi apresentada como a maior colhedora do mundo, com plataforma de 40 pés de corte (12,2 metros!) e separação por rotores. Dos fabricantes “menores”, vêm novidades interessantes, como uma plataforma de milho dobrável (da Geringhoff) com até 18 linhas e um interessante sistema de discos de corte para picar a palha de milho incorporado. Outra curiosidade está numa plataforma para cereais cujo molinete tem maior tempo de trajetória nos dentes verticais, a e dentes especiais para culturas acamadas indicando que sempre há espaço para a inovação, mesmo nos detalhes mais conservadores.
CARRETAS GRANELEIRAS Tratores de grande porte estavam presentes nos estandes de todas as empresas do setor
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Plantadoras com muita tecnologia embarcada e dimensões gigantescas chamaram a atenção do público
As carretas graneleiras, que geralmente não têm muito destaque em nossas feiras, chamaram a atenção no Farm Progress Show por duas características: tamanho e rodado. Capacida-
NOVIDADES Roçadeiras Nada menos que dez fabricantes mostraram roçadeiras e equipamentos para corte de gramados. A segurança operacional é o item que mais chama a atenção nesses equipamentos. Autopropelidos com capacidade acima dos 5 mil litros e pneus de aro 52 para distribuir o peso
Transportador de grãos com tencologia diferente: ao invés de uma rosca-sem-fim, esteira de borracha para conduzir os grãos
des de carga de até 25 toneladas e esteiras de borracha fazem antever inovações que podem chegar ao Brasil em breve.
AGRICULTURA DE PRECISÃO Como seria de esperar, em um dos paísespolo do surgimento dessa tecnologia, cerca de 30 expositores mostraram seus equipamentos e sistemas, com destaque para os diferentes sistemas de direcionamento automático. Os fabricantes de equipamentos e periféricos destacaram-se pela diversidade de medidores, sensores e controladores para todos os níveis de tecnologia e possibilidades de investimento, além de programas para administração e gerenciamento da agricultura.
MOVIMENTAÇÃO E PREPARO DO SOLO Embora possa parecer que um país como os Estados Unidos está “pronto”, sempre há movimentações de terra a fazer, aterros, drenagem, diques etc. Por essa razão, duas dezenas de fabricantes mostraram seus equipamentos e máquinas de construção. No aspecto de pre-
Muitos modelos diferentes de carretas graneleiras, algumas com esteiras no lugar de pneus e capacidade de até 25 toneladas
paro do solo, com predominância de preparo reduzido, também dezenas de fabricantes exibiram equipamentos com desenho conhecido ou com novas disposições. Acessórios para injeção de fertilizante líquido são sempre disponíveis.
IMPLANTAÇÃO DE CULTURAS Semeadoras de grande porte, com distribuição e dosagem pneumática, predominaram no evento. As semeadoras utilizam espaçamentos de 35 a 50 cm, em muitos casos com a possibilidade de alternar o espaçamento para milho, simplesmente levantando a metade das linhas dotadas de acessórios interessantes para a retirada da palha das linhas, facilitando o trabalho dos sulcadores.
PULVERIZAÇÃO Repetindo a tendência que vemos no Brasil, muitos fabricantes apresentaram pulverizadores, notadamente autopropelidos. A iminência da chegada da ferrugem da soja e a falta de mão-de-obra especializada conduzem a máquinas de grande porte, com depósitos que ultrapassam os 5 mil litros e pneus de aro até 52 para compensar a grande pressão específica sobre o solo.
Construções rurais e acessórios Construções sólidas e duráveis, com o objetivo de proteger o patrimônio, são necessárias. Com esse enfoque, cerca de 20 fabricantes ofereceram desde cercas e contendores de gado (bretes) a pavilhões metálicos completos. Pecuária Expositores de produtos veterinários, identificadores de animais, e associações de criadores marcaram presença. As associações de Angus foram as mais destacadas. Como opções de trabalho e lazer, as associações de criadores de cavalos ofereciam passeios gratuitos (test rides). opção, não é a alternativa preferida pelos produtores, em função de várias razões. O gerenciamento das informações e a agricultura de precisão são opções definitivas. Dois grupos de brasileiros, num total de 53 pessoas, participaram do Farm Progress Show e visitaram fazendas nos estados de Illinois e Indiana num roteiro de sete dias elaborado e M executado pela Agritours Brasil. A equipe da Cultivar Máquinas viajou a convite da Agritours Brasil
IMPRESSÕES GERAIS As impressões sobre as má-
quinas e equipamentos expostos nos indicam a tendência do aumento de tamanho (semeadoras de mais de 20 linhas para soja, 12 para milho; pulverizadores de 36 m de barras; colhedoras de 12 m de plataforma), a permanência do preparo reduzido, portanto, plantio direto, embora seja uma
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Melhores da Terra
Melhores da terra
Vilso Júnior Santi
Há 23 anos, a Gerdau premia os melhores da indústria de máquinas e equipamentos agrícolas no Brasil e na América Latina
O
Prêmio Gerdau Melhores da Terra, em 2005, premiou as mais modernas e eficientes máquinas e equipamentos projetados e desenvolvidos, e em operação no setor agropecuário. Nove empresas e dois trabalhos científicos na área rural receberam menção. A maior premiação da América do Sul para o setor contou em sua 23a edição com um total de 115 participantes - 39 na categoria Destaque, 25 na categoria Novidade e 51 na categoria Pesquisa e Desenvolvimento. Neste ano, a comissão julgadora do Prêmio - composta por especialistas em mecanização agrícola da Argentina, do Brasil e Chile - visitou 490 usuários dos equipamentos inscritos na categoria Destaque, em cerca de 380 municípios. Foram percorridos 63,17 mil quilômetros no Mercosul. A partir das entrevistas com os agricultores, a comissão julgadora elaborou um relatório detalhado com os pontos positivos e as oportunidades de melhoria de cada equipamento participante. Esse parecer enviado em caráter confidencial às indústrias contribui para o aprimoramento das máquinas e dos equipamentos agrícolas e, conse-
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qüentemente, para o desenvolvimento da agricultura da região.
OS PREMIADOS A Categoria Destaque, que avalia as tecnologias que estão no mercado há mais de um ano, nesta edição, além dos troféus Ouro e Prata, concedeu dois prêmios especiais: um para Tecnologia Adaptada e outro para Novas Tendências. O troféu Ouro foi conferido à semeadora-adubadora Personale Drill 21, da Semeato S.A. (RS), por permitir a utilização de componentes de acordo com as necessidades de cada agricultor. Essa adaptabilidade às diferentes condições de cobertura de solo e topografia proporciona à máquina um desempenho diferenciado. A Personale Drill opera com sementes graúdas, miúdas e de pastagens de forma qualificada, isto é, com profundidade uniforme e regularidade de distribuição de sementes e fertilizantes. A plantadora de cana semi-automática, modelo PCSA-2/2, da Civemasa Implementos Agrícolas Ltda. (SP), e a Semeadora Juri MP 3.20, da Indústria Victor Juri S.A. (Argentina), foram as vencedoras do troféu Prata. O grande diferencial da plantadora da Civemasa é realizar, em uma única operação, abertura de sulcos, adubação, plantio, aplicação de inseticidas e cobrimento dos toletes de cana. Esse equipamento ganha importância num momento de conquista de novos mercados para os derivados de cana. Já a semeadora Juri MP 3.20 se destaca por possuir um sistema pneumático de dosagem de sementes e adubos, o qual melhora o desempenho e a confiabilidade da operação. O produto tem ainda um reservató-
rio de grande capacidade e órgãos sulcadores com desenho diferenciado. Em razão dessas qualidades, apresenta maior autonomia de trabalho e se adapta a condições adversas de operação, como, por exemplo, sob altas quantidades de palha molhada. O prêmio especial Tecnologia Adaptada foi conferido ao Rotor Axial, da Masal S.A (RS), adaptável a diferentes tipos e modelos de colhedoras autopropelidas. De fluxo radial, o componente substitui com vantagens o saca-plalhas, responsável por separar o grão da palha. O produto tem como mérito melhorar o desempenho das colhedoras mais antigas, além de prolongar a sua vida útil. O kit para taxa variável em semeadoras, adubadoras e aplicadores de corretivos, da Oleohidráulica Verion (SP), venceu o prêmio especial Novas Tendências. O controlador eletrônico hidráulico, da Oleohidráulica Verion Soluções Integradas, é um dispositivo que administra e comanda a rota-
A semeadora-adubadora Personale Drill 21, da Semeato S.A., ficou com o troféu Ouro na categoria Destaque
Fotos Divulgação
Na categoria Novidade, o avião Ipanema da Embraer recebeu o troféu Ouro, e a destruidora de soqueiras da JF Máquinas Agrícolas ficou com o troféu Prata A plantadora de cana PCSA-2/2, da Civemasa, e a Semeadora Juri MP 3.20, da Indústria Victor Juri S.A. (Argentina), foram as vencedoras do troféu Prata
ção de motores hidráulicos de acionamento dos dosadores de sementes, fertilizantes e corretivos. A Categoria Novidade - voltada para as melhores tecnologias lançadas após a Expointer de 2004 e apresentadas nesta edição da feira - teve quatro ganhadores, escolhidos entre 25 máquinas e equipamentos inscritos na premiação. O avião EMB-202A Ipanema, da Embraer/Neiva (SP), recebeu o Troféu Ouro na Categoria Novidade. É o primeiro avião agrícola no mundo homologado a operar com álcool hidratado, o que reforça o pioneirismo e a criatividade da aviação brasileira. A utilização do avião a álcool reduz em 60% os custos com combustível, se comparado ao modelo movido a gasolina. O troféu Prata na categoria Novidade foi concedido ao arrancador de soqueiras de algodão JF Cotton 100, da JF Máquinas Agrícolas Ltda. (SP). Ele permite o cumprimento da exigência legal de destruição das soqueiras de algodão - restos das plantas - após a sua colheita. É uma máquina que promove o corte das raízes, arranquio e trituração das plantas e distribuição dos restos na superfície do solo. O secador de grãos ADS, da Kepler Weber S.A. (RS), também recebeu o troféu Prata na categoria Novidade. A exigência do mercado por grãos de melhor qualidade e a necessidade de reduzir o consumo de energia e agregar valor aos produtos fazem dele um equipamento diferenciado para o segmento. As colunas de secagem e resfriamento na forma de bandejas autolimpantes são os diferenciais do secador. Essa característica faz com que o equipamento distribua o ar de forma homogênea e opere com maior
O prêmio especial Tecnologia Adaptada ficou com o Rotor Axial da Masal. O kit para taxa variável em semeadoras, da Verion, ficou com Novas Tendências
eficiência na aplicação de adubo e de reduzir o impacto ambiental do processo, o estudante e seu orientador projetaram e construíram um mecanismo para dosagem e distribuição de fertilizante sólido em covas no pós-plantio. M
conteúdo de impurezas nos grãos. O Motocultivador Tração Integrada, da Agritech Lavrale (SP), recebeu a premiação especial Agricultura Familiar da Categoria Novidade. O conceito multiuso de seu projeto é ideal para a mecanização da exploração agrícola de economia familiar. Sua utilização como fonte de potência para o acionamento de carretas, plataformas, distribuidores de corretivos e fertilizantes, aplicadores de defensivos, semeadoras, entre outras, fazem dele importante instrumento de qualificação e redução da mão-de-obra familiar, com comprovados retornos econômicos. A Categoria Pesquisa e Desenvolvimento, criada em 2003, valoriza os melhores trabalhos científicos realizados por estudantes de graduação e pós-graduação e/ou por profissionais das ciências agrárias. Dos 51 inscritos, foram escolhidos dois vencedores. O trabalho da Universidade do Chile “Desenvolvimento de um sensor de impacto não-destrutivo para a determinação da dureza de frutos em linha de manipulação”, de Ian Homer Bannister, venceu o Nível Profissional. O sistema desenvolvido automatiza todo o processo de classificação de frutas (pêssego e nectarinas), separando-as em três níveis de qualidade, de acordo com as exigências do mercado consumidor. No Nível Estudante, o trabalho vencedor foi o “Mecanismo para Adubação Pontual em Cobertura em Sistema de Plantio Direto”, do acadêmico Natanael Takeo Yamamoto, da Universidade Federal de Viçoça (MG). Com a intenção de aumentar a
Na categoria Novidade, o secador de grãos ADS da Kepler Weber foi Prata, e o motocultivador da Agritech Lavrale recebeu o prêmio especial Agricultura Familiar
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Expointer
Divulgação
Expointer da superação Apesar da queda no faturamento no segmento de máquinas, a maior parte das vendas foi referente à aquisição de equipamentos para armazenagem e sistemas de irrigação
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m sua 28ª edição, a Expointer teve como marca a superação. A feira trouxe as últimas novidades da moderna tecnologia agropecuária e agroindustrial. Desde 1972, ano em que assumiu o caráter internacional, o evento vem-se consolidando como um dos mais importantes nos setores agropecuário e de maquinário agrícola da América Latina. Durante os nove dias do evento, 2,4 mil expositores de animais, máquinas, implementos, insumos e produtos veterinários, veículos, equipamentos, serviços e artesanato apresentaram novas tecnologias incorporadas aos seus produtos/serviços e o que há de melhor em cada segmento. A Expointer 2005 superou a edição de 2004 na comercialização de animais e nas vendas dos pavilhões da Agricultura Familiar e do Artesanato. Foram negociados neste ano R$ 6,18 milhões em exemplares das diferentes raças participantes - contra o total de R$ 4,74 milhões do ano passado. O Pavilhão da Agricultura Familiar comercializou nesta feira R$ 286 mil. Em 2004, foram R$ 252 mil. Na área de Artesanato, as vendas totalizaram R$ 945 mil, enquanto em 2004 ficaram em R$ 927 mil. Houve menor desempenho apenas no segmento de máquinas e implementos agrícolas o que já era esperado pelo setor - e na freqüência de público, o que se justifica pela chuva na maior parte dos nove dias da 28ª Expointer. Na venda de máquinas e implementos, o total foi de R$ 135,24 milhões – grande parte em
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sistemas de armazenagem e/ou irrigação, o que representa 55% do valor obtido na edição anterior. Já o número de pessoas que passaram pelo Parque Assis Brasil foi de 526 mil, entre pagantes e não-pagantes. Em 2004, 720 mil pessoas estiveram na feira. A seguir apresentamos os principais destaque e lançamentos no setor de máquinas e implementos da feira neste ano.
JOHN DEERE Você pediu, ela voltou! Com esse espírito a John Deere apresentou na Expointer 2005 a Colhedora 1175 Hydro. A máquina que havia
A John Deere apresentou a Colhedora 1175 Hydro, que havia saído de linha e voltou a ser produzida este ano
deixado de ser produzida novamente figura como opção na linha de produção da empresa. Os Sistema Hydro, que proporciona à colhedora maior conforto e redimento operacional é o destaque do conjunto. Ele também reduz o uso de correias e polias. O PosiTorq – sistema de acionamento da trilha, as novas divisórias do bandejão e da peneira, a ampliação das escamas na extensão desta, as novas blindagens na parte posterior e o novo conjunto de radiadores são outras inovações na colhedora.
AGRALE O trator 4230.4 Cargo Compactador foi o destaque da Agrale. O conjunto, com tração 4x4 e reduzidas dimensões, é prático, ágil e de ótimo desempenho em locais de difícil acesso. O compactador possui capacidade de carga para lixo seco (compactação 1:2) de 6 m3 e para lixo
Na linha de tratores especiais, a Agrale apresentou o Cargo Compactador, para utilização em coleta de lixo seco
Fotos Vilso Júnior Santi
O destaque da Incomagri foi a Sembra 3500 PAH, que tem capacidade para 3,5 mil litros e distribuição em faixa de 7 a 24 metros
orgânico de 4,5 m3. Ângulo de descarga de 72°, peso de 1,88 mil kg e capacidade total de carga de 1,02 mil kg. Ele tem baixo custo de manutenção, fácil operação, caixa de câmbio sincronizada e caçamba que evita a saída de chorume durante a coleta de material. O motor M795W – primeiro modelo estacionário bicilíndrico refrigerado a água produzido pela empresa no Brasil – também mereceu atenção.
INCOMAGRI A semeadeira e adubadeira Sembra 3500 P AH foi apresentada pela Incomagri no evento. Com capacidade para 3,5 mil litros, o equipamento possui agitador horizontal, dosador com graduação frontal, duplo disco de distribuição em aço inox, pás de ângulo variável, alcance uniforme de distribuição de 7 a 24 m, caçamba removível de polietileno, comando de cabo ou hidráulico e chassi rebocador com regulagem na rodagem.
MASSEY FERGUSON Os destaques da Massey Fergusson na feira ficaram por conta dos modelos de tratores MF 5290/4 8x8 Export e o MF 680 HD. O primeiro proporciona ao produtor maior conforto, ergonomia e rapidez no preparo e plantio de arroz em áreas sistematizadas. Também, adapta-se muito bem às necessidades dos pecuaristas nas operações de silagem e em traba-
A GTS do Brasil apresentou duas novidades: a plataforma New Line e a plaina arrozeira Plannarroz
lhos com alimentação dos bovinos em confinamentos. O MF 680 HD, por sua vez, visa atender ao mercado de máquinas de maior porte e capacidade de produção. O modelo possui maior vazão – até 115 litros – e grande capacidade de levante hidráulico – até 5,5 mil kg. Ele foi desenvolvido para as lavouras de cana-de-açúcar, onde as condições de trabalho são extremamente severas e intensas, e para trabalhar com as plantadeiras pneumáticas que precisam de maior vazão hidráulica.
GTS Dois lançamentos marcaram a participação da GTS na Expointer 2005 - plataforma para colheita de milho New Line e a plaina arrozeira Plannarroz. A Plannarroz é capaz de corrigir com praticidade, versatilidade e precisão as áreas destinadas ao plantio do cereal. Ela é acoplável ao sistema hidráulico de três pontos do trator, tem acionamento direcional por controle remoto com exclusivo giro do rodado e pneus de alta flutuação. Requer de 70 a 120 cv de potência do trator para operação. Já, a New Line, é capaz de aliar design arrojado com ótimo desempenho na colheita do milho. É uma plataforma polivalente que incorpora um novo conceito de acoplamento – com exclusivo sistema de regulagem do ângulo compensador de ataque ao solo - ideal para atender todas as propriedades; proporciona maior velocidade de colheita, devido à nova concepção das caixas de transmissão e rolos despigadores, e possui menor peso bruto total, por combinar com equilíbrio materiais leves e resistentes.
A novidade da New Holland foi os tratores da linha Exitus, apresentados com motores MWM Internacional
sa na Expointer 2005.
MENTA MIT A Ecológica PGM – 8 foi a grande estrela da Menta Mit na Expointer 2005. O picador/ triturador de de galhos de árvores da empresa possui chassi inferior em monobloco robusto, rotor com diâmetro de 900 mm (construído em aço carbono 1020) e facas em aço especial (AISI 01) com cortes nas duas faces. As contra-facas são em aço liga com têmpera localizada e opção de corte nas quatro faces. O controle da bica de saída (opcional) pode ser feito por cabo manual ou por pistão hidráulico operado diretamente do trator. O engate no trator é oscilante para operação em terrenos irregulares. A boa manobracidade do conjunto (veículo + reboque) é outra característica marcante, quanto esta vem M instalada sobre carreta veicular.
NEW HOLLAND
Os tratores MF 5290/4 8x8 Export e o MF 680 HD foram os destaques da Massey Ferguson
A linha TL Exitus de tratores multiuso, com nova motorização, foi o destaque da New Holland. Os modelos agora trazem motores MWM – International, além de inovações visuais como novos toldo, adesivos e logomarca do capô. Os principais benefícios da linha são sua versatilidade e o retorno em desempenho para o produtor. Estão disponíveis no mercado quatro modelos – TL60E (62 cv), TL75E (75 cv), TL85E (83 cv) e TL95E (98 cv). Além da nova versão da linha Exitus, tratores das Séries 30, TL, TS e TM, junto com as colhedoras CS 660 e da linha TC, figuraram no estande da empre-
A estrela da Menta Mit foi o picador/triturador de galhos de árvores: Ecológica PGM- 8
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por Arno Dallmeyer - arnomaq@yahoo.com.br
Acelera...
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ste semestre ainda trará muita adrenalina aos aficcionados do Esporte Trator. As temporadas de ambas as categorias estão a pleno gás. O leitor poderá verificar os resultados da prova de TrekkerTrek em Castrolanda (PR), que mostra a competência da equipe do Dick Vigarista sendo ameaçada pelo Bandido. Nas categorias “menores” o Fenômeno dos Eltink e o Ronik mostraram seu valor. Provas que vale a pena assistir. Por outro lado o “Alemão” do Arrancadão de Tratores e sua troupe estão de mudança para Não-Me-Toque (RS). A contar pelo entusiasmo dos organizadores e pela expectativa gerada em todo o Sul do país, este será um evento de grande expressão, porque deixará suas marcas como estréia da modalidade no estado. Aliás, já não era sem tempo devido a importância que o estado teve e tem na história do desenvolvimento da mecanização agrícola no país. Esperamos encontrá-los em Não-Me-Toque ou nas demonstrações em Holambra durante o mês de setembro. Em novembro o fechamento das competições... Bem, conversaremos na próxima edição.
TREKKER-TREK Resultados em Castrolanda (PR) 13/08/2005 COLOCAÇÃO 1º 2º 3º 4ª
EQUIPE Fenômeno Trator Show Alligator Fenômeno
COLOCAÇÃO 1º 2º 3º
EQUIPE Ronik Phanter Trovão Azul
COLOCAÇÃO 1º 2º 3º
EQUIPE Dick Vigarista Bandido Tornado
COLOCAÇÃO 1º 2º 3º
EQUIPE Dick Vigarista Bandido Tornado
Divulgação
Bretzke quer o troféu
CATEGORIA LIVRE 2400 INICIANTES METROS PUXADA 71,08 2ª 69,74 2ª 69,42 2ª 60,06 2ª CATEGORIA LIVRE 2400 METROS PUXADA 80,40 2ª 68,38 2ª 63,67 2ª CATEGORIA LIVRE 3400 METROS PUXADA 75,56 2ª 48,18 2ª 42,91 2ª CATEGORIA LIVRE 4400 METROS PUXADA 68,87 2ª 50,93 2ª 20,04 2ª
PILOTO Marcos Eltink - Holambra (SP) Luis Ant. B. da Silva - Holambra (SP) Leandro G. da Silva - Holambra (SP) Renato Th. Eltink - Holambra (SP) PILOTO Rolando M. Niens - Holambra (SP) Marcelo Niens - Holambra (SP) Patrick Groot - Holambra (SP) PILOTO Geraldo Reijers - Holambra (SP) Luis Ant. B. da Silva - Holambra (SP) Paulo Groot - Holambra (SP) PILOTO Henrique Reijers - Holambra (SP) Luis Ant. B. da Silva - Holambra (SP) Paulo Groot - Holambra (SP)
O
agricultor David Bretzke (39), pioneiro da categoria desde que surgiram as arrancadas nas ruas de Maripá, está pronto para as próximas temporadas. Ele disputará o GP de Não-Me-Toque (RS), nos dias 8 e 9 de outubro, e o de Maripá (PR) nos dias 12 e 13 de novembro. David Bretzke defenderá as cores da equipe Metrocol / Retificadora Primor, NK Engrenagens/Máster Power e diz que a meta é conquistar o título em um dos GP deste ano. “No ano passado conquistamos um quarto lugar em Maripá e este ano estamos trabalhando para sermos campeões. Melhoramos muito o nosso trator, mas sabemos que o equilíbrio será um dos pontos altos das arrancadas este ano. Serão pegas sensacionais e queremos ser vitoriosos em todos eles”, afirma David.
Agenda Data Local Categoria 01 a 25/09 Holambra (SP) Exibição Trekker-Trek Expo-Flora 08 a 09/10 Não-Me-Toque (RS) Arrancadão GP/Oficial
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