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Maquinas 33

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Do editor Grupo Cultivar de Publicações Ltda. CGCMF : 02783227/0001-86 Insc. Est. 093/0309480 Rua Sete de Setembro, 160 – 12º andar 96015-300 – Pelotas – RS www.cultivar.inf.br www.grupocultivar.com Direção Newton Peter Schubert K. Peter

Cultivar Máquinas Edição Nº 33 Ano III - Agosto 2004 ISSN - 1676-0158 www.cultivar.inf.br cultivar@cultivar.inf.br Assinatura anual (11 edições*): R$ 119,00 (*10 edições mensais + 1 edição conjunta em Dez/Jan)

Prezado leitor Como a época do plantio de das culturas de verão está se aproximando, é hora de saber qual o método mais adequado de preparo do solo. E o produtor deve se conscientizar que preparar o solo vai muito além de simplesmente virar a terra. É justamente sobre isso que abordamos no nosso artigo de capa, onde chamamos a atenção para o fato de que não existe um tipo de manejo certo, mas um manejo adequado para cada situação. Esta edição dá uma atenção especial também para colhedoras de grãos e de cana-de-açúcar, onde abordamos os principais cuidados para evitar perdas na colheita de grãos e a manutenção adequada para colhedoras de cana, como forma diminuir os problemas gerados pelas grandes exigências que a operação exige. Como sempre, fazemos uma abordagem das principais operações agrícolas, com artigos sobre irrigação, pneus, pulverização e outros temas importantes. Uma boa leitura a todos!

Números atrasados: R$ 15,00 Assinatura Internacional: US$ 80,00 • 70,00

Índice

Nossa Capa

• Editor

Charles Ricardo Echer • Redação

Rocheli Wachholz • Revisão

Lise Rocha Marques • Design Gráfico e Diagramação

Cristiano Ceia _____________

• Gerente Comercial

Neri Ferreira • Assistente de Vendas

Pedro Batistin _____________

• Gerente de Circulação

Cibele Costa

Rodando por aí Operações adequadas de preparo de solo Distribuição de fertilizantes personalizada Sistemas estabilizadores de barras Pontos de perdas e regulagens de colhedoras Manutenção em colhedoras de cana Novo método para avaliar pneus agrícolas Consumo de água na irrigação 4x4 - Travessia de terrenos arenosos Software para manejo de reflorestamento Conbea 2004 Coluna Esporte Trator Lançamentos Novidades Palavra do produtor Coluna jurídica

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Capa Valtra

• Assinaturas

Rosiméri Lisbôa Alves Jociane Bitencourt Simone Lopes

Destaques

• Expedição

Edson Krause Dianferson Alves

Cada solo um trato Com a chegada da época do plantio, é necessário saber o método mais adequado de preparo de solo .................................................... 06

• Impressão:

Kunde Indústrias Gráficas Ltda. NOSSOS TELEFONES: (53) • ATENDIMENTO AO ASSINANTE:

3028.4013

Menos turbulência

• ASSINATURAS:

3028.4010 / 3028.4011 • GERAL

3028.4013 • REDAÇÃO:

3028.4002 / 3028.4015 • MARKETING:

3028.4004 / 3028.4005 • FAX:

3028.4001 Por falta de espaço não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@cultivar.inf.br Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.

Assine já

Os sistemas estabilizadores de barra de pulverização ajudam a aumentar a eficiencia nas aplicações fitossanitárias ................................................... 14

Minimizando as perdas Saiba como reconhecer os principais locais de perdas na colhedora e realizar as regulagens necessária ................................................... 18

Aproveitamento máximo Apesar da grande demanda de água, os avanços no manejo da irrigação podem garantir otimização do bem ................................................... 30


Rodando por aí

Exposição dos resultados

Gerente A divisão de Sistemas de Eixos e Transmissões Forade-Estrada da ZF do Brasil, nomeou Sílvio Dias Furtado, como novo gerente para a área de vendas e serviços. Furtado assumiu a gerência da unidade que abrange o relacionamento com as montadoras e também com os clientes do pós-vendas.

A AGCO expôs os resultados do Projeto Aquário aos participantes do XXXIII Conbea. Antônio Luis Santi, Gregory Brian Riordan, Charles Bolson Pautelli e Guilherme Belardo foram os responsáveis pelo atendimento aos participantes e pelas demonstrações e explicações sobre o projeto e agricultura de precisão.

Colhedoras em alta

Sílvio Furtado

Biodiesel Waldey Sanchez, presidente da International Engines South America anunciou que a empresa está realizando testes com o motor HS 2.8L, para uso veicular e com o MS 4.1L para aplicações agrícola e industrial com biodiesel como combustível. Um grupo de engenheiros e técnicos está trabalhando no projeto que teve um investimento de US$ 800 mil para a primeira fase.

Novo diretor

Sergio Plaut

Reforçando a marca

Medida Provisória A Medida Provisória nº 197, de 7 de julho de 2004 criou o Programa de Modernização do Parque Industrial Nacional (Modermaq) com a finalidade de promover e incentivar a modernização geral da indústria e a dinamização do setor de bens de capital. O programa financia a compra de máquinas e equipamentos e demais bens de capital, com o objetivo de fomentar a geração de empregos, o aumento da produtividade e o desenvolvimento tecnológico.

Fábio Piltcher

De acordo com Sergio Plaut, diretor comercial da New Holland para o Brasil, as vendas de colhedoras da New Holland registraram um crescimento de 53% no primeiro quadrimestre de 2004. A empresa passou de 641 máquinas comercializadas no período de 2003 para 984 em 2004, ficando responsável por 42% das vendas no segmento. Já na comercialização de tratores houve uma queda de 4,06% em relação ao ano anterior.

A Valtra esteve bem representada no XXXIII Conbea, no seu estande todo amarelo, projetado especialmente para reforçar a cor da empresa. Durante todo o evento, os participantes foram atendidos pelo pessoal do marketing, Alexandre Landgraf, Rogério Zanotto e Winston Quintas, e pelo representante da regional Piracicaba, Gilvan Ortlieb.

Prêmio Q1 A Unipac recebeu o prêmio Q1 da Ford, concedido a fornecedores que asseguram a qualidade de seus produtos. O recebimento do prêmio coloca a Unipac como um dos fornecedores preferenciais da montadora e a habilita a alcançar maior participação no mercado automotivo.

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Máquinas

Sintag De 20 a 22 de outubro acontece em Botucatu (SP) o III Sintag (Simpósio Internacional de Tecnologia de Aplicação de Agrotóxicos), que abordará qualidade e tecnologia de aplicação, segurança, legislação, certificação de pulverizadores, dinâmica ambiental, aditivos e adjuvantes, aviação. Mais informações podem ser obtidas no site www.pjeventos.com.br/ eventos/sintag2004 ou pelo fone (41) 241-1000.

Olmedilha, Shunji e Jiro Nishimura

Expansão no Brasil

Martin Richenhagen

Em visita realizada à fábrica de tratores Massey Fergusson da AGCO do Brasil sediada em Canoas (RS), o presidente mundial da AGCO Corp., Martin Richenhagen, afirmou que é projeto da corporação expandir unidades industriais de Canoas e Santa Rosa (RS) e elevar a qualificação da rede de fornecedores. “O setor agrícola no Brasil está cada vez mais profissional e, para atender a essa demanda, estamos fazendo transferência de tecnologias entre nossas unidades”, resumiu.

Novos rumos

Waldey Sanchez

Fábio Piltcher é o novo diretor de marketing da Massey Ferguson para a América do Sul. Em seu lugar, como gerente geral de pós-vendas e distribuição de peças para a América do Sul, assumiu Edgardo Legar.

O professor Dr. Arno Dallmeyer está assumindo nova função no setor industrial e, por este motivo, deixará de exercer o cargo de consultor técnico da Revista Cultivar Máquinas. Embora deixe oficialmente a revista, ele escreverá mensalmente sua coluna Esporte Trator e também continuará como colaborador emérito e fundador.

www.cultivar.inf.br

Arno Dallmeyer

Livro O professor titular da Esalq, Tomaz C.C. Ripoli e Marco L.C.Ripoli, acabam de lançar o livro “Biomassa de canade-açúcar: colheita, energia e ambiente”. O livro, de 302 páginas, é uma publicação de cunho técnico-científico voltada para o setor sucroalcooleiro e área ambiental. O valor de capa é de R$ 95,00 e pode ser adquirido pelo endereço: ccripoli@esalq.usp.br.

Agosto 2004


Preparo do solo aplicações

Charles Echer

a umidade do solo adequada e as condições de fertilidade. Variações locais, associadas ao solo, ao clima, a lito-estrutura, a topografia e a hidrologia, formam áreas com diferentes potenciais de produção e em cada situação particular, os solos irão comportarse diferentemente frente a métodos e equipamentos de preparo. Desse modo, atenção deve ser dada aos indicadores dessas condições para que áreas homogêneas possam ser agrupadas, permitindo a escolha de práticas de manejo mais eficazes. As características morfológicas, estruturais e texturais podem revelar aspectos muito importantes sobre a constituição e dinâmica dos solos e, deste modo, constituem-se em instrumental técnico indispensável para que, através do manejo, sejam criadas condições para o solo

Cada solo, um trato T

odos sabem que deve-se manejar o solo da maneira mais correta para obter-se uma colheita mais próspera, porém, a maioria preocupa-se mais com o momento da colheita. Assim sendo, o manejo do solo deve ter tamanha importância, tendo em vista que esta operação irá propiciar às plantas cultivadas as melhores condições para o seu estabelecimento e desenvolvimento, gerando maior resposta na produção. Existem várias maneiras de preparar

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Máquinas

o solo para plantar, e isso depende de diversos fatores. Não existe um sistema melhor, e sim, o mais adequado às variações que ocorrem em uma área agrícola, principalmente o tipo de solo. O preparo do solo, portanto, não deve ser entendido apenas como o seu revolvimento, mas sim, de uma maneira mais ampla, como sendo o seu manejo correto. Nesse sentido devem ser considerados o tipo de solo, o sistema de cultivo adotado, o implemento, a profundidade de operação,

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Cooplantio

O manejo correto do solo tem influência direta sobre a produtividade da lavoura, sendo que as operações envolvidas nesse processo devem ser selecionadas tendo em vista o tipo de solo e o sistema de cultivo adotado e o implemento utilizado

No sistema de plantio direto, é indispensável que se faça o controle químico das plantas daninhas

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“No Brasil, as principais classes de solos com aptidão agrícola são os latossolos, os argissolos, os cambissolos, os neossolos litólicos e quartzarênicos”

Agritechnica

fornecer, em quantidades adequadas, água, ar, nutrientes e energia para as plantas. No Brasil, as principais classes de solos com aptidão agrícola são os latossolos, os argissolos, os cambissolos, os neossolos litólicos e quartzarênicos. São solos com características de manejo diferentes dos que existem no hemisfério norte, onde precisam ser revolvidos para que o calor do sol possa aquecê-lo depois do inverno. Na realidade, os solos tropicais não foram feitos para serem revolvidos, mas essa foi a prática trazida pelos imigrantes europeus no final do século XIX e ainda bastante utilizada em locais onde o plantio direto ou o cultivo mínimo têm dificuldades de se estabelecer, seja por indisponibilidade de equipamentos ou por pouco conhecimento das técnicas específicas desses sistemas. Estimase que dos 50 milhões de hectares cultivados com grãos na safra 2004/2005, aproximadamente 15 milhões seja realizado em sistema de plantio direto e os outros 35 milhões em sistema de preparo mínimo ou convencional. O conhecimento da diversidade dos diferentes atributos dos solos permite a escolha dos métodos e equipamentos ade-

No sistema convencional, aração e gradagem compõem as operações de preparo do solo

quados às diversas situações. Torna-se importante ainda, embora complexas, entender a interação máquinas-soloplanta, visando atingir maior reposta das culturas. As opções de máquinas no mercado são consideráveis e a tendência é de aumentar cada vez mais com o uso de

máquinas em operações conjugadas. O preparo convencional, aqui definido pelo uso do arado e da grade, é uma forma de preparar o solo que contempla amplo revolvimento de suas camadas superficiais, com incorporação total ou parcial dos resíduos culturais resultando,


“O preparo mínimo, ou reduzido, é um sistema intermediário entre o preparo convencional e o plantio direto, que prevê a realização de um menor número de operações em relação ao convencional”

Marchesan

No preparo mínimo ou no plantio direto, o controle mecânico de plantas invasoras é fundamental para obtenção da camada de palha

Jan

xadas rotativas no preparo para plantio de florestas comerciais. No sistema de plantio direto o preparo do solo é, comparativamente aos demais, o mais conservacionista e consiste basicamente no controle de plantas invasoras sem mobilização de solo. Esse controle pode ser feito mecanicamente pelo uso do rolo-faca ou roçadoras e quimicamente através da aplicação de herbicidas, que é atualmente o mais usual, principalmente em grandes e médias propriedades. Nesse sistema são fundamentais as presenças da camada de palha sobre a superfície e a rotação de cultura. Neste sentido, vale lembrar que para ser considerado plantio direto, a área deve ter mais de 85% de sua superfície coberta com palha e que é preferível fazer o plantio convencional do que plantar direto em local sem a quantidade e distribuição adequada de palha. Solos do tipo latossolicos devem ser

Gemma

com o tempo, na mineralização (decomposição) da matéria orgânica, além de deixar o solo exposto à erosão e os nutrientes disponíveis para serem perdidos por lixiviação. O preparo mínimo, ou reduzido, é um sistema intermediário entre o preparo convencional e o plantio direto, que prevê a realização de um menor número de operações em relação ao convencional. O primeiro registro deste sistema apareceu quando a grade aradora passou a ser usada em substituição ao arado e a grade destorroadora/niveladora. A filosofia deste principio era estabelecida no fato de que se houvesse uma redução no número de operações isso por si só já era suficiente para ser enquadrado no método, independentemente da forma de mobilização e suas conseqüências ao ambiente solo. Atualmente, existem diferentes sistemas de preparo mínimo, dentro de um principio conservacionista, em que o mais adotado é uma combinação da aplicação de herbicida e mobilização localizada pelo uso de escarificadores sendo também aceito uma variação destes com en-

O uso de grade proporciona amplo revolvimento do solo, incorporando os resíduos culturais

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Máquinas

No preparo mínimo a mobilização de solo pode ser feita pelo escarificador

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manejados de forma a manter o máximo possível de restos de cultura em sua superfície para evitar o desaparecimento acelerado da matéria orgânica incorporada ao solo. Esses solos, muitos comuns na região do cerrado em que se posicionam na paisagem em condições mais estáveis, de relevo plano ou suave ondulado. Qualquer sistema de cultivo que mantêm a cobertura morta sobre o solo é indicado para esse tipo de solo. Solos do tipo argissolos apresentam uma camada adensada de argila nos horizontes menos superficiais. Trata-se de um horizonte adensado, que reduz a sua permeabilidade, dificultando a infiltração de água e causando encharcamento em áreas planas e erosão e lixiviação de horizontes mais superficiais para áreas de baixada em terrenos inclinados. Nestes casos, o preparo deve ser feito de forma a romper essas camadas compactadas. O cultivo mínimo, através da intervenção de escarificadores é o mais recomendado nesses casos. Solos tipo Neossolos Quartzarênico (areia quartzosa) são solos profundos, excessivamente drenados, com permeabilidade rápida ao longo de todo o perfil e pouco susceptível à erosão em condições de relevo plano e altamente susceptível a compactação devido à baixa coesão. Apresentam teor de matéria orgânica baixo e facilmente perdido durante o cultivo convencional. Neste caso, o manejo recomendado é o plantio direto ou, na pior das hipóteses, o preparo mínimo, onde ocorre um menor tráfego de máquinas e manutenção da matéria orgânica do solo.

Composição

O

solo é composto por três fases que são a sólida, a líquida e a gasosa. A fase sólida constitui-se na matriz do solo; a fase líquida consiste na água presente no solo, a qual existem substâncias dissolvidas, devendo ser chamada de solução do solo e a fase gasosa é a atmosfera do solo. Combinadamente, as fases líquida e gasosa representam uma grande parte do volume do solo e ocupam a porosidade total. A sua organização controla as outras fases do sistema e é um reflexo da combinação do clima, do tempo e do relevo com os materiais parentais e os resíduos orgânicos dos quais elas se originam, resultando solos com diferentes propriedades físicas, químicas, mineralógicas, biológicas e morfológicas.

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Semeato

O ideal, é que o torrão deixado após o preparo tenha dimensões proporcionais à semente, não devendo, desta forma, o solo ser excessivamente pulverizado pela grade destorradora-niveladora. Em qualquer situação, práticas de conservação de água e solo deverão ser observadas, como o terraceamento. Portanto antes de tudo, a construção de terraços dentro das técnicas, deverá ser feita em primeiro lugar, caso haja necessidade. Muito preocupa-se com as perdas na colheita, atribuindo totalmente essas perdas à colhedora, o que na verdade não deveria ser. A perda deve ser atribuída a outros itens também, como por exemplo, as práticas anteriores. A não observância da qualidade do preparo do solo, implica num dos maiores causadores das perdas na colheita, inclusive de produM tividade.

Tanto no plantio direto quanto no preparo mínimo, o uso de semeadora com cortador de palha é fundamental para o sucesso da operação

rações devem ser as mais conservacionistas possíveis, sendo o plantio direto o mais aconselhável. Independente do tipo de solo encontrado é sempre recomendável que se tenha o mínimo de mobilização durante o preparo. Desta forma, quando da necessidade de se adotar o preparo convencional deve-se atentar para alguns cuidados a fim de manter a integridade física do solo, como por exemplo: operar somente na condição de umidade que caracteriza o solo como friável que para os solos tropicais esta na faixa de 60 a 85% da capacidade de campo; trabalhar sempre em nível; alternar profundidades de trabalho e sentido de tombamento da leiva.

Divulgação

Os solos do tipo cambissolos e neossolos litólicos estão espalhados por todo o cerrado, mas eles só aparecem em áreas onde o relevo é movimentado como em morros, serras e sopés de chapadas. Embora existam cambissolos e neossolos litólicos muito férteis em outras regiões do brasil, no cerrado estes solos são distróficos e quase sempre muito ácidos. A baixa profundidade, a grande quantidade de cascalho e o relevo inclinado são impedimentos sérios à mecanização. O maior problema, no entanto, é o risco de erosão. Devido à baixa permeabilidade, sulcos são facilmente formados nestes solos pela enxurrada, mesmo quando eles são usados com pastagens. Nesse tipo de solo as ope-

Carlos Eduardo S. Volpato e Nilson Salvador, UFLA Jackson Antônio Barbosa, Fafeid

Salvador e Volpato alertam para a importância de entender a relação máquina-solo-planta


Implementos distribuidores

Massey Ferguson

Nutrição personalizada Como a produtividade do solo varia muito ao longo da lavoura, há necessidade de aplicarse quantidades específicas de insumos em cada área, o que só é possível com a utilização de equipamentos desenvolvidos especialmente para esta finalidade

A

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Máquinas

bém na indústria. No tocante à aplicação de fertilizante no sulco para a AP, ou seja, em taxas variáveis, alguns desenvolvimentos já foram feitos, visando disponibilizar tecnologia para esse fim. Entretanto, ainda não verifica-se no mercado nacional, semeadoras-adubadoras equipadas com sistemas capazes de efetuar a dosagem e aplicação de fertilizantes em taxas variáveis. Isso motivou a realização de uma pesquisa no NDIP (Núcleo de Desenvolvimento Integrado de Produtos) da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). O objetivo dessa pesquisa foi projetar, construir e testar em laboratório um sistema de dosagem de fertiliFranco Meneghetti

agricultura de precisão (AP) é uma nova abordagem no gerenciamento da produção agrícola, na qual o solo é tratado de acordo com as variabilidades dos vários fatores que afetam a produção. A AP apoia-se na premissa de que as características do solo variam ao longo do campo de produção. Sendo assim, os insumos utilizados (sementes, fertilizantes, água, defensivos etc) são aplicados em quantidades específicas que variam ponto a ponto, ao contrário da agricultura tradicional, onde uma única taxa de aplicação é utilizada para cada insumo. Em propriedades muito pequenas, o agricultor identifica visualmente as áreas de maior e menor produção e, mesmo que intuitivamente, interpreta as causas dessa variação e toma medidas no sentido de homogeneizar a produtividade. A medida em que as áreas plantadas aumentam, essa abordagem de tratamento diferenciado do solo torna-se impossível de ser realizada sem o auxílio de equipamentos específicos. Nos últimos anos, um grande esforço tem sido feito no sentido de desenvolver conhecimentos, métodos e equipamentos para a agricultura de precisão, através de pesquisas realizadas em instituições de ensino, pesquisa e tam-

O dosador do tipo acanalado é acionado através de transmissão por corrente

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zantes em taxas variáveis. O projeto envolveu principalmente o dosador, o acionamento e o controlador. Elementos como mapa de aplicação, GPS e processador da taxa de aplicação não foram abordados.

PROTÓTIPO O sistema desenvolvido enfoca, principalmente, o dosador, o acionamento do dosador e o controlador do sistema. Um dosador do tipo acanalado efetua a regulagem da vazão de fertilizante. Algumas de suas características diferem dos dosadores acanalados convencionais. A regulagem da vazão é feita somente através da variação rotacional do rotor, diferentemente dos dosadores convencionais que possuem também uma placa móvel para regulagem da vazão. Foram também realizadas algumas modificações na carcaça do dosador visando minimizar a pulsação do fluxo de fertilizante, tornando-o mais uniforme. O dosador atende a duas linhas de plantio e sua capacidade de dosagem é de 100 g/s por linha. O acionamento do sistema é feito por um motor de corrente contínua com escovas que possui, acoplado em seu eixo, um redutor do tipo coroa e sem fim, sendo, por esse motivo,

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“O protótipo desenvolvido tem bom potencial para ser utilizado na AP, pois mostrou bons resultados nos ensaios realizados e além disso as soluções utilizadas podem ser fabricadas ou adquiridas com baixo custo”

denominado motorredutor. O motorredutor é conectado a um eixo de transmissão que, por meio de rodas dentadas e corrente, aciona o dosador. A tensão elétrica de operação do motorredutor varia de zero a 12 Vcc. O eixo de transmissão de potência incorpora um disco com furos, que, em conjunto com um sensor indutivo, gera sinais digitais utilizados na medição da velocidade. A energia elétrica é devidamente regulada por um driver de potência chaveado. Como a vazão de fertilizante do dosador depende somente da rotação dos rotores acanalados, a variável a ser controlada é a rotação. O controle do sistema é feito por um microcontrolador PIC16F876. Este é um circuito integrado de utilização genérica, podendo ser programado. O PIC possui periféricos como portas lógicas, interface serial e saída PWM (Modulação por Largura de Pulso). Essas características e o baixo custo de aquisição, fazem deste chip uma solução adequada para o controle do sistema de dosagem. O protótipo desenvolvido inclui também um reservatório articulado e uma estrutura tubular que suporta o sistema. A Figura 1 mostra o protótipo do sistema de dosagem de fertilizantes. Um microcomputador foi utilizado para enviar os valores de referência desejados em termos de rotação ou vazão, e também receber dados referentes à rotação medida. Nos ensaios que envolveram medição de vazão, utilizouse uma balança digital de precisão de 0,01 g. A balança foi utilizada para pesar amostras coletadas na saída do dosador. O peso dessas amostras dividido pelo tempo de coleta fornece a vazão.

RESULTADOS

Fotos Franco Meneghetti

Diversos ensaios foram realizados com a finalidade de avaliar o protótipo em laboratório. Foi utilizado o fertilizante NPK Trevo com formulação 4-14-8 do tipo mistura de grânulos. Inicialmente, foi feito um ensaio para verificar o comportamento da vazão em função da velocidade angular (rotação), o qual mostrou que a vazão varia linearmente com a velocidade. Foi também realizado um ensaio para veri-

O protótipo do sistema de dosagem varia a quantidade de fertilizante que o solo recebe

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Máquinas

ficar a corrente elétrica consumida pelo motorredutor. Foi constatado que a máxima corrente consumida nesse ensaio foi de 3,2 A. Em seguida, foi feito um ensaio para avaliar o comportamento dinâmico do sistema para entradas em degrau de velocidade. Esse ensaio simula uma situação real onde, à medida que a máquina desloca-se no campo de produção, o processador da taxa de aplicação, não incluso no protótipo, informa ao controlador a quantidade de fertilizante que deve ser dosada em cada sub-região. Assim, periodicamente eram enviadas ao sistema, através do teclado do computador, diferentes referências de velocidade angular (rotação), para que se avaliasse, entre outros aspectos, o tempo de resposta do sistema. A Figura 2 mostra, em preto, a velocidade de referência e, em rosa, a velocidade medida. Percebe-se na figura que o sistema realmente “persegue” a velocidade de referência e que existe uma pequena oscilação em torno da velocidade desejada. O tempo de resposta variou de 0,43 a 1,7 s.

O último ensaio avaliou a precisão do sistema quando a ele são enviadas referências de vazão, ou seja, comparou-se a vazão desejada (referência) com a vazão medida. Os resultados mostraram que o erro máximo observado foi de 3,05 %.

CONSIDERAÇÕES FINAIS O protótipo desenvolvido tem bom potencial para ser utilizado na AP, pois mostrou bons resultados nos ensaios realizados e além disso as soluções utilizadas podem ser fabricadas ou adquiridas com baixo custo. Todo o projeto foi direcionado pelas necessidades dos clientes, o que tende a garantir a satisfação dos mesmos, caso o protótipo se converta em um produto comercial. Para utilização real do protótipo são necessários ainda dois elementos fundamentais, um computador de bordo e um receptor de GPS (Sistema de Posicionamento Global). O computador de bordo contém o mapa de aplicação

Desenvolvimento

O

sistema foi projetado utilizando-se uma metodologia sistemática de projeto. Essa metodologia prescreve, passo a passo, as atividades que devem ser realizadas durante o projeto. Inicialmente, foi feita uma pesquisa de campo junto a agricultores e fabricantes de máquinas agrícolas, através da aplicação de questionários estruturados em feiras de máquinas agrícolas. Questionários também foram enviados para pesquisadores da área através da Internet. A partir desses questionários, foram identificadas as necessidades dos

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clientes, as quais serviram para direcionar a execução do processo de projeto. Em seguida, foram criadas várias alternativas de soluções tecnológicas para sistema de dosagem. A seleção das melhores alternativas foi feita com base em critérios técnicos e econômicos obtidos a partir das necessidades dos clientes. Todos os desenhos foram feitos com auxílio de programas computacionais do tipo CAD (Desenho Assistido por Computador). O protótipo do sistema de dosagem foi então fabricado permitindo a realização dos testes e ensaios.

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de fertilizante, o qual prescreve as taxas de fertilizante que devem ser aplicadas em cada ponto do campo de produção. O receptor de GPS fornece a posição exata do implemento. Conhecendo a posição, o computador de bordo verifica no mapa de prescrição qual a taxa de aplicação correspondente. Essa informação é então enviada ao protótipo desenvolvido, que efetua as mudanças necessárias na rotação do dosador acanalado para que o fertilizante seja dosado de forma precisa. Tudo isso é feito de forma dinâmica durante todo o plantio. Para obter-se o mapa de aplicação, duas etapas devem ser realizadas antes do plantio. Na primeira, realizada em campo, as características do solo e de produtividade são mapeadas. Na segunda, realizada em escritório, o mapa de aplicação é cuidadosamente criado, e, antes do plantio, é transferido ao computador de bordo. Isso mostra que a aplicação de fertilizantes de acordo com a AP não depende de uma atividade específica, mas sim de um conjunto de atividades que formam um ciclo. Já existem soluções comerciais tanto para o computador de bordo como para o receptor de GPS, portanto, uma segunda etapa deste desenvolvimento seria a integração desses elementos com o protótipo desenvolvido, obtendo-se assim um pacote de equipamentos interdepen-

dentes. Uma vez que o mapa de aplicação é previamente criado e carregado no computador, o sistema funciona de forma totalmente automática, cabendo ao operador apenas monitorar o processo, através de uma tela que normalmente os computadores de bordo possuem. O protótipo desenvolvido resolve somente parte do problema de aplicação de fertilizantes na AP. Uma parte fundamental, para que todo o esforço feito nas etapas de mapeamento do solo e produtividade e de geração do mapa de aplicação seja respaldado por uma dosagem precisa e com equipamentos que possam ser produzidos com custos relativamente baixos. Este desenvolvimento deve ser continuado visando melhorar os resultados já alcançados, realizar a integração do protótipo com computador de bordo e receptor de GPS, e por fim realizar testes de campo. Ainda não existe previsão para a chegada desse sistema no mercado. Caso o agricultor queira implantar a dosagem de fertilizantes em taxas variáveis, isso não será obtido somente com o pacote de equipamentos para dosagem, já que os mapeamentos do solo e da produtividade e a geração do mapa de aplicação também dependem de equipamentos e softwares específicos. Além disso, a gera-

O autor explica que a implantação do dosador de fertilizantes depende também dos mapas do solo

ção de um mapa de aplicação requer conhecimentos agronômicos profundos. Uma boa alternativa é a terceirização dessas etapas, inclusive como forma de reduzir os custos de aquisiM ção de equipamentos. Franco Antonio Menegatti, Fernando Antônio Forcellini, Augusto Weiss, Univ. Federal de Santa Catarina


Pulverizadores

sistemas estabilizadores

Menos turbulência Os sistemas estabilizadores de barras de pulverização são responsáveis pela aplicação homogênea dos produtos fitossanitários diminuindo as perdas e possibilitando maiores velocidades na operação

A

maior parte dos produtos fitossanitários utilizados no setor produtivo do Agro-Negócio brasileiro é aplicado através de pulverizadores de barra, tendo passado por eles e pelos bicos de pulverização mais de US$ 2 bilhões, no ano de 2003. Considera-se que uma boa barra de pulverização precisa ser estável mantendo os bicos na altura correta durante todo o tempo de trabalho, deve conter um seguro sistema de desarme para não se quebrar ou danificar-se excessivamente no caso de impactos com obstáculos, como tocos de árvores etc, deve ser retrátil ou dobrável para facilitar o transporte, e ainda ser ajustável ao plano do terreno, para manter a relação de altura com o alvo. Até o final da década de 1970 as barras eram acopladas diretamente ao chassi do pulverizador, recebendo todos os solavancos decorrentes das irregularidades do terreno e caminhamento do pulverizador, que refletiam em excesso de impactos e oscilações da barra. Isto limitava a ampliação do seu tamanho, sendo inviáveis os modelos maiores do que 14 metros. Além disso, não era possível o aumento da velocidade

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Máquinas

de trabalho, porque dificilmente se obtinha uma pulverização segura e de qualidade acima dos 8 km/h, devido a este excesso de movimentação da barra. Os movimentos da barra de pulverização podem ser para cima, para baixo, para frente e para trás. Os movimentos para cima e para baixo causam dois tipos de efeito. O primeiro são as batidas da ponta da barra no chão causando quebras ou deformações. Há ainda o dano aos bicos quando tocam o solo que podem entupir-se ou quebrar-se necessitando de substituição. Neste caso, uma correta suspensão da barra é crucial para evitar os danos indesejáveis. O

segundo é a variação de distância da barra em relação à superfície do alvo que causa um efeito em variação da sobreposição dos jatos entre os bicos, resultando em baixa uniformidade. Os bicos de pulverização de energia hidráulica, que são os mais utilizados, possuem uma distribuição de volume que concentra maior quantidade de calda no centro do jato, requerendo sobreposição de cerca de 30% do jato de calda do bico subseqüente (exceto os bicos de jato contínuo-uniforme, ou “even”). Daí a importância de manter-se a relação de altura de 1:1 para os bicos de 110º, o que significa ter uma altura de 50cm para bicos espaçados de

Sem a sobreposição dos jatos entre os bicos, a aplicação torna-se mais uniforme

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“Os movimentos horizontais da barra, principalmente das maiores, proporcionam efeitos ainda mais negativos na distribuição da pulverização”

Marcelo C. Ferreira

Perfil de deposição de um bom bico hidráulico convencional - requer sobreposição

50cm entre si. Quando a barra aproxima-se do solo pode evitar que ocorra cruzamento entre os jatos de calda (lembrando que estes devem estar levemente angulados em relação à barra para evitar choque entre os jatos). As barras montadas mais altas em relação ao alvo podem corrigir pequenas oscilações de altura, principalmente nas extremidades, porém, há maior risco de deriva. Sendo assim, é preferível manter a barra mais próxima do alvo. Por sua vez, os movimentos horizontais da barra, principalmente das maiores, proporcionam efeitos ainda mais negativos na distribuição da pulverização.

Estes movimentos para frente e para trás das extremidades da barra provocam sub-dosagens, quando a barra avança, desenvolvendo velocidade maior que a do trator, e sobre-dosagens quando a barra “recua” com velocidade de avance menor que a do trator, ou mesmo repassando sobre uma pequena área já pulverizada. Todas essas irregularidades podem resultar em falhas na deposição, com conseqüente prejuízo no controle do alvo ou mesmo intoxicação da cultura, ambos com possíveis reflexos negativos na produtividade. Nos pulverizadores montados (engatados no terceiro ponto do trator), que causam me-


“Com isso, as oscilações do trator não mais se transmitiriam diretamente à barra, sendo absorvidas pelo sistema de suspensão”

Fotos Divulgação

Modelo de um sistema auto-estável, que proporciona aumento no tamanho da barra e no rendimento

nos danos à cultura do que os de arrasto, existe o limite do volume do tanque que pode ser acoplado no terceiro ponto. Há modelos de pulverizadores que trazem um tanque auxiliar a frente do trator ou mesmo outros dois montados lateralmente, para melhor distribuição do peso. Porém, o excesso de peso deve ser evitado, sob pena de causar danos à estrutura do trator e

tornar o equipamento instável. Nestes pulverizadores as barras sofrem mais impactos do que quando montados numa estrutura com chassi independente. Para romper com os limites de tamanho da barra e velocidade de caminhamento do pulverizador, após anos de desenvolvimento surgiu na década de 1980, na Inglaterra, o sistema de

acoplamento e estabilização de barra, para reduzir impactos e oscilações, diminuindo a heterogeneidade da deposição, mesmo para barras maiores do que 20m e velocidades superiores a 15 km/h. A proposta foi tornar a barra independente da estrutura do pulverizador, nela se ligando através de um sistema de suspensão (com molas e amortecedores). Com isso, as oscilações do trator não mais se transmitiriam diretamente à barra, sendo absorvidas pelo sistema de suspensão. O sistema foi amplamente adotado por indústrias de pulverizadores de todo o mundo e passa por constantes evoluções, sendo os modelos a seguir, disponíveis no mercado: Suspensões de barra passivas - são equipadas com amortecedores que utilizam o peso da barra para mantê-la estável e nivelada pela força da gravidade. São sistemas eficientes na estabilização dos movimentos horizontais da barra, embora nos cultivos em terrenos inclinados, a angulação do terreno afetará a distância da barra ao solo. Nestes casos o operador pode ou precisa corrigir a altura da barra em relação ao solo, nivelando a barra durante a pulverização. Suspensões de barra ativas - utiliza sensores eletrônicos de ultra-som e cilindros hidráulicos para ajustar automaticamente a distância da barra ao solo. Outros ainda mais desenvol-


Rendimento

P

Sem o sistema auto-estável há maior possibilidade de danificar a barra do pulverizador

vidos atuam com sensores de movimento que ajustam também a estabilidade da barra durante o caminhamento do trator. Existem ainda os sistemas analógicos de estabilização e nivelamento da barra ao terreno. Estes consistem na utilização de rodas em contato com o solo criando pontos de apoio na barra e subdividindo-a em seções menores e conseqüentemente mais estáveis e niveladas ao solo. Com este sistema já foram construídas barras maiores do que 30m, porém com desvantagens para a realização de manobras. Em áreas florestais onde, via de regra, os terrenos são mais acidentados e as velocidades de caminhamento são menores, foi observado

ara ter-se uma idéia do que signi ficam os aumentos de comprimento da barra e da velocidade de pulverização na capacidade de campo operacional, uma barra de 24 m é capaz de pulverizar 47,5% mais hectares do que uma de 14 m. Em relação a velocidade, a 15 km/h é possível tratar 73,4% mais hectares do que a 8 km/h. Combinando as duas características pode-se obter um aumento de 143,2% na quantidade de hectares tratados por hora. Se aliarmos a utilização de baixos volumes, situação em que os sistemas de estabilização ganham ainda mais importância, a capacidade operacional ainda pode melhorar. em velocidades específicas, que uma barra de 14 m com sistema de estabilização oscila menos, tanto na vertical quanto na horizontal em relação a uma barra de 12 m sem o sistema de estabilização, permitindo a utilização da barra maior. É consenso em todo o mundo que os sistemas de estabilização são efetivos para a redução da movimentação da barra de pulverização

e essenciais para uma boa distribuição da calda aplicada, principalmente quando se pensa em barras e velocidades maiores, com maior capacidade operacional e para a aplicação a baixos volumes em que pequenas variações locais podem resultar em elevada porcentagem de erro na dosagem estabelecida. O desenvolvimento contínuo dos pulverizadores em conjunto com as demais técnicas de produção são elementos que contribuem para o avanço do Agro-Negócio brasileiro rumo ao tratamento fitossanitário racional no ambiente do agro-ecossistema produtivo e sustentáM vel. Marcelo da Costa Ferreira, Unesp

O autor mostra que o rendimento da máquina pode aumentar em até 143,2% devido ao tamanho da barra


Colhedoras regulagem

Minimizando as p

Uma das formas de minimizar os prejuízos na colheita é saber identificar os principais pontos de perdas da colhedora e como regular corretamente cada item

A

s perdas ocorridas numa lavoura de soja são definidas em perdas antes da colheita ou de pré-colheita, perdas causadas pela plataforma de corte e perdas por trilha, separação e limpeza. As perdas de pré-colheita podem ser definidas como sendo sementes livres e sementes dentro de vagens existentes sobre o solo antes da operação de colheita. Estas perdas de pré-colheita estão diretamente relacionadas com a época de colheita. Portanto, numa colheita de soja atrasada, a tendência é a deterioração dos grãos e debulha em intensidade proporcional ao tempo de permanência da soja no campo. Avaliações efetuadas mostram que o atraso da colheita de soja aumentou consideravelmente as per-

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Máquinas

das de pré-colheita, representadas principalmente por uma maior quantidade de grãos e de plantas caídas e que não podem ser recuperadas pela plataforma de corte da colhedora. As perdas que ocorrem na plataforma de corte são devidas aos grãos que são debulhados pelo molinete, pelas plantas cortadas e que são jogadas ao solo e pelas vagens que permanecem abaixo do corte devido à elevada altura da barra de corte, que obviamente não chegam aos mecanismos internos da colhedora. Quando a colhedora desloca-se, o molinete recolhe as plantas de soja, puxando-as contra a barra de corte; através do caracol, o material é conduzido para o centro da plataforma e dirigido para o canal alimentador que transporta todo o material

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para o sistema de trilha. Estudando as perdas de grãos influenciadas pela plataforma de corte, vários pesquisadores, entre eles Lamp, concluíram que 80% de todas as perdas são ocasionadas pelo recolhimento do material ou pela plataforma de corte e que 55% dessas ocorrem pela deiscência ou debulha induzida por ação mecânica de impacto, compressão ou atrito. Através de análise de laboratório, estudos comprovam que 80% das perdas são causadas pela barra de corte. Por outro lado, as perdas na plataforma, provocadas pela barra de corte flexível e flutuante, são 25% inferiores àquelas ocasionadas pela utilização da barra de corte fixa. Esta redução de perdas pode ser atribuída basicamente à altura de corte das plantas. As perdas são afe-

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“A escolha dos equipamentos deve respeitar as exigências de cada uma de suas funções na propriedade, levando em conta os espaçamentos das culturas, a potência requerida, o formato das parcelas etc”

é aquela que não danifica ou não debulha os grãos, e a altura do molinete deve permitir que as barras apoiem a planta entre a altura de corte e a sua altura superior. Estudando as perdas de plataforma de corte, mais especificamente o efeito da velocidade e altura do molinete de 7,5 a 20 cm acima da barra de corte, pesquisadores concluiram que as perdas reduziram-se significativamente quando o molinete operou na altura e velocidades mais elevadas. Resultados de trabalhos conduzidos pela Embrapa, mostram que a barra de corte deve trabalhar próximo ao solo, procurando deixar o mínimo de vagens presas nos restos da cultura que permanecem na lavoura. De acordo com a Embrapa, a velocidade de deslocamento da colhedora deve ser 4 ou 5 Km/ h, mas podem ser considerados casos individuais. Já para outros autores, a velocidade da máquina na colheita de soja está entre 3 a 5 Km/h. Estudando as origens das perdas de grãos na operação de colheita mecânica em várias localidades através do Ministério da Agricultura, verificam-se que 12% delas são ocasionadas pelos mecanismos internos das máquinas. As perdas pelos mecanismos internos da colhedora podem ser classificadas em perdas na unidade de trilha, ocasionadas pelo cilindro, perdas de separação (as que ocorrem nos saca-palhas e peneiras) e perdas por fuga, que podem ocorrer em qualquer ponto da colhedora. As perdas nos saca-palhas são consideradas de separação, e as peneiras superior e inferior, de limpeza.

erdas John Deere

Massey Ferguson

Dentre os diversos itens que provocam perdas durante a colheita de soja, a barra de corte é responsável por 80% delas, causadas principalmente pelos grãos debulhados pelo molinete e pelas plantas cortadas e jogadas ao solo

As perdas na unidade de trilha são pontas de vagens, parcialmente trilhadas, que saem para fora da colhedora, através dos saca-palhas e peneiras, devido, principalmente, pela grande abertura entre o cilindro e o côncavo (acima de 30mm), baixa rotação do cilindro (inferior a 350 rpm), planta sem condição de ser colhida e a velocidade de deslocamento da máquina que pode alterar a quantidade do material de alimentação. Avaliando-se a influência da umidade do material de alimentação (palha e grãos) no desempenho das colhedoras durante a operação de colheita, verifica-se que as perdas ocasionadas pelo mecanismo de trilha do cilindro aumentaram com o aumento da umidade dos grãos (acima de 16%). De acordo com vários pesquisadores, a trilha dos grãos é uma das mais importantes etapas da colheita mecanizada e se mal conduzidas pode ser responsável por significativa perda de produto. As regulagens de rotação do cilindro de trilha e a distância entre o cilindro e o côncavo são essenciais à qualidade do produto e da redução das perdas que ocorrem na unidade de trilha. Portanto, um bom desempenho no processo de trilha deve ser alcançado quando as regulagens são efetuadas em função das condições da cultura que será colhida. As perdas de separação são formadas por aqueles grãos soltos que não foram separados da palha e saem pelo saca-palhas. A função do saca-palhas é continuar o processo de separação, agitando a palha e

tadas por diversos fatores, entre eles, a umidade do grão tem grande importância. As perdas de grãos de soja em cada lavoura da Cultivar BR-16, onde foram realizadas duas colheitas por Portella 1997. Na primeira, quando a umidade era 17,5%, as perdas na plataforma foram de 68% da perda total; na segunda colheita, com 14,7% de umidade do grão, a perda média diminuiu, ao passo que as perdas de plataforma aumentaram para 76%. Então, conclui-se que existe uma interação acentuada entre o nível de perda de grãos da colheita e a umidade do grão. Outros estudos mostram que a velocidade periférica do molinete deve ser de 15 a 20% superior à velocidade de avanço da colhedora, reduzindo a agitação das plantas cortadas. A velocidade correta do molinete

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As perdas na plataforma de corte ocorrem devido aos grãos debulhados pelo molinete, pelas plantas cortadas e jogadas ao solo e pelas vagens que permanecem abaixo do corte

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Máquinas

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“Uma vez que os novos equipamentos estão à disposição dos processos de produção, deverão ser estabelecidos os procedimentos para inseri-los de maneira adequada no dia-a-dia da fazenda, adotando-se práticas para a sua boa utilização”

Massey Ferguson

As perdas pelos mecanismos internos podem ser na unidade de trilha, no cilindro, na separação e na fuga

fazendo com que os grãos não separados caiam para unidade de limpeza, e transportar a palha para a parte traseira da máquina, de onde é jogada ao solo. As perdas de grãos provocados pelo sacapalhas são devidos, principalmente, à velocidade muito baixa do cilindro de trilha, por exemplo 250 rpm, abertura muito grande entre o cilindro e o côncavo (45 mm), desajuste na extensão do côncavo, posicionamento incorreto da lona, sobrecarga no saca-palhas (devido à alta velocidade de deslocamento da colhedora) e obstrução do saca-palhas. Com relação à unidade de limpeza, os grãos separados no côncavo e no saca-palhas juntamente com os resíduos de palha, são conduzidos pelo bandejão pela unidade

de limpeza, que tem a função de remover os resíduos da palha que estão misturados com os grãos. Por outro lado, o ar soprado pelo ventilador sob as peneiras remove a maioria dos resíduos de palha que vem com grãos; parte dos grãos trilhados são recolhidos pela seção de retrilha da peneira superior e são encaminhadas ao cilindro batedor pelo elevador de retrilha. As perdas de grãos ocorridas nas peneiras, são representadas por aqueles grãos que saem pelas peneiras para fora da colhedora. Suas causas são rotação inadequada do ventilador, rotação adequada é ¾ da rotação máxima do ventilador (muito baixa, por exemplo a ¼, ½) , direção incorreta do fluxo de ar (fluxo não direcionado em cima das peneiras), velocidade de deslocamento da colhedora muito alta em culturas de grande rendimento (acima de 8 km/h), produto com excesso de umidade (acima de 18%), peneira superior muito fechada impedindo a passagem do grão para a peneira inferior, acúmulo de impurezas sobre as peneiras, peneiras sobrecarregadas ou alta rotação do cilindro, ou, ainda, desalinhamento entre o côncavo e cilindro. A determinação das perdas de grãos durante a colheita mecânica é de fundamental importância no sistema produtivo. É a

partir desta determinação que pode ser verificada a importância da regulagem da colhedora, da abertura do côncavo, rotação do cilindro e velocidade de deslocamento da máquina, na obtenção de uma maior rentabilidade do produto. A determinação das perdas na fase de colheita é de essencial importância e deveria ser feita em todas as propriedades que utilizam essa operação. É


Flavio Gassen

e concursos de prevenção, de redução e levantamento de perdas e danos mecânicos em sementes e grãos de soja durante a colheita. As atividades de prevenção, desenvolvidas nas safras 1994/1995 e 1995/1996, promoveram um redução sensível dos desperdícios de sementes e grãos de soja. M

Divulgação

Raimundo Pinheiro Neto, Universidade Estadual de Maringá

necessário que as perdas sejam determinadas no campo, de forma que a máquina possa ser regulada no local. Pesquisadores da Embrapa desenvolveram um copo medidor que permite atualizar, de forma simples, rápida e mais precisa, as perdas durante a colheita. Esta metodologia proporciona uma maior facilidade na determinação das perdas. Recomenda-se a utilização

desta metodologia, uma vez que a mesma permite a determinação direta das perdas em sacas/hectare, através de simples leitura dos níveis impressos no copo medidor. A redução dos desperdícios das sementes e dos grãos de soja, durante o processo de colheita mecanizada significa aumento do lucro. Nos últimos dezoito anos, a Embrapa e a Emater do Paraná têm promovido cursos

Neto “A determinação das perdas na colheita mecânica é fundamental para permitir a correta regulagem”


Colhedoras manutenção

Trabalho pesado Fotos Gilmar da Silva

A colheita da cana-de-açúcar é uma operação que exige muito da máquina. Por isso, a regulagem e manutenção permanente são indispensáveis para evitar danos na colhedora

S

abe-se que hoje na cultura de cana-de-açúcar existe uma de manda muito grande por máquinas agrícolas, em especial colhedoras de cana-de-açúcar. Tudo isso ocorre devido às preocupações com a questão ambiental, mais especificamente o problema das queimadas, juntamente com o aumento da produção. Mediante todos esses aspectos, as empresas fabricantes estão se aperfeiçoando a cada dia para otimizar cada vez mais os seus produtos, de maneira que atenda às expectativas do proprietário. É sabido que hoje, ao adquirir uma colhedora de cana-de-açúcar, o proprietário não sabe muito bem o que está comprando, ou seja, quais as principais peças a serem substituídas, o que mais quebra na colhedora ao longo da safra, qual a manutenção que deve ser dada no momento da safra e quais os problemas eventuais que ela poderá sofrer caso a manutenção da colhedora não seja adequada. Para facilitar a compreensão do leitor,

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Máquinas

esse artigo tratará somente de como é feita a manutenção da colhedora de cana-deaçúcar com a safra em andamento.

A colhedora de cana-de-açúcar apresenta uma infinidade de itens referentes à manutenção, tornando-se impossível relatar um a um. Portanto, esse artigo irá discutir os principais itens relacionados à manutenção levantado junto às usinas de grande porte, abordando aqueles que mais quebram ao longo da safra, com seus respectivos problemas e apresentando as devidas soluções.

MANGUEIRAS HIDRÁULICAS Em um levantamento feito junto às principais usinas constatou-se que as mangueiras hidráulicas vinham sendo um dos problemas fundamentais no momento da safra. A partir do isolamento dessas, conseguiu-se uma maior durabilidade do sistema. Faz-se necessário o isolamento e o revestimento dessas mangueiras hidráulicas, para que não haja atrito e desgaste natural no momento de execução da colheita mecanizada de cana-de-açúcar. As figuras abaixo, ilustram a maneira correta de trabalho das mangueiras hidráulicas. É necessário ressaltar a importância das conexões das mangueiras e o seu perfeito estado de conservação para que não ocorra vazamento de óleo hidráulico. Havendo vazamento de óleo das mangueiras, o operador deve parar a colhedora imediatamente e contatar o mecânico responsável pela frente de trabalho. Esse imediatamente tem de levantar a causa, apresentando a solução, de modo que a colhedora não fique parada prejudicando o andamento da safra.

RADIADOR DE ÁGUA No radiador de agua, tanto o operador da colhedora quanto o mecânico devem observar os seguintes itens: • O radiador deve permanecer completamente livre de detritos e sujeira; • Nível correto de água; • Mangueiras sem danos; • Tensão correta na correia do ventilador. Faz-se necessário uma limpeza perio-

O isolamento das mangueiras hidráulicas possibilitou maior durabilidade do sistema

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Verificado o vazamento de óleo das mangueiras hidráulicas a máquina deve ser parada imediatamente

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“Deve-se evitar roupas demasiadamente largas que possam se prender facilmente em galhos ou arbustos, assim como jóias, calças curtas e sapatos abertos (sandálias)”

dicamente no radiador, quando este estiver com excesso de joçal. No momento da limpeza do radiador, o operador ou mecânico da colhedora devem utilizar os equipamentos de proteção individual (EPI’s) fornecidos pela usina. Inicialmente, a limpeza deve ser feita em sentido contrário a circulação do ar gerado pela movimentação do ventilador, após esta limpeza, deve-se também fazer a limpeza no lado oposto do compartimento de arrefecimento. Em se tratando de radiador faz-se necessário verificar o líquido de arrefecimento do mesmo, completando-o se necessário. Outro ponto fundamental no radiador são os tamanhos de suas aletas, o qual poderá causar um superaquecimento do sistema dependendo também da variedade de cana a ser colhida. A solução para esse tipo de problema consiste em tropicalizar o radiador, aumentando o diâmetro, bem como a largura de suas aletas, para permitir uma maior refrigeração do sistema.

TROCA DAS UNIÕES E DOS PINOS DE GIRO Os pinos e as uniões de giro devem ser

ficada no campo consiste em vazamentos, podendo ocorrer a quebra do cilindro. A solução é reforçar a mesa do giro do elevador. Em se tratando dos elos do giro do elevador, a principal causa encontrada no campo vem sendo a quebra ou rompimento. A solução é colocar elos maciços ou forjados com engraxadeiras. É importante assegurar-se que as uniões e os pinos do mecanismo de giro não fiquem presas, não esquecendo de verificar e lubrificar com graxa diariamente.

FACAS DO CORTE DE BASE

O radiador de água deve estar completamente livre de detritos e sujeira

verificadas semanalmente quanto ao desgaste e devem ser trocados quando necessário para assegurar que o mecanismo de giro não esteja danificado por folga excessiva nas ferragens. Começando com a manutenção do cilindro do giro do elevador, a principal causa veri-

Faz-se necessária a verificação das lâminas das facas do corte de base, pois estas se desgastam com bastante freqüência. O procedimento para troca das facas deve ser realizado da seguinte forma: 1) Remova o parafuso de fixação; 2) Guarde a lâmina antiga para afiar novamente. Se estiver com desgaste excessivo ou danificada, descarte-a; 3) Guarde as porcas e os parafusos para serem reutilizados. Descarte qualquer um que estiver com desgaste ou danificado. Utilize somente peças de reposição corretas; 4) Aperte o parafuso de fixação bem firme.


“o maior problema verificado no campo no que tange o Motor Charlinn consiste em vazamentos, podendo ocorrer também quebra de eixo”

Fotos Gilmar da Silva

Exemplo de elementos que compõem o giro do elevador

das (546 mm) no ponto mais estreito e o procedimento para troca é: 1) Remova os 16 parafusos de fixação que seguram o disco na perna da caixa de câmbio do corte de base. Remova o disco do corte de base. 2) Monte o disco na perna do cortador de base. Recoloque os parafusos de fixação e aperte.

MOTOR CHARLINN

Para evitar superaquecimento do radiador deve-se aumentar o diâmetro e a largura de suas aletas

É importante mencionar que o cortador de base deve ser ajustado de modo a cortar rente ao solo. Se o corte estiver sendo realizado muito baixo, as lâminas arrancam as raízes, aumentando as impurezas minerais e o desgaste prematuro das faquinhas. Caso o corte esteja sendo realizado muito alto, haverá perda de matéria-prima junto às soqueiras, ou seja, maior perda do teor de sacarose, uma vez que esta permanecerá no campo. O procedimento para afiação das facas do corte de base deve ser realizado da seguinte forma: 1) Corte cerca de 1 polegada (25mm) da extremidade externa da lâmina de modo a deixar uma ponta com ângulo reto na lâmina a exatamente 3¾ de polegadas (95 mm) do centro de um dos furos dos parafusos. Descarte qualquer lâmina que já tenha atingido o comprimento mínimo de 6¼ polegadas (159 mm) antes de afiar. 2) Refaça as bordas chanfradas da lâmina no esmeril para obter uma aresta afiada. Mantenha o ângulo correto do chanfro original de afiação (10 graus). Já para o caso do disco do corte de base, o diâmetro de um disco novo é de 22¼ polegadas (565 mm). Recomenda-se a troca quando este estiver abaixo de 211/2 polega-

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Máquinas

O motor Charlinn apresentado a seguir está diretamente ligado à parte frontal da colhedora de cana-de-açúcar, ou seja, ele é responsável pelo perfeito funcionamento do rolo cortador de pontas, ajuntador de pontas, disco de corte lateral e divisores de linha. Portanto, o maior problema verificado no campo no que tange o Motor Charlinn consiste em vazamentos, podendo ocorrer também quebra de eixo. Deve-se sempre melhorar o reparo do motor para que não haja vazamento que é a principal causa verificada no momento do trabalho realizado pela colhedora. Havendo necessidade de troca do motor Charlinn, o mecânico deverá realizála, utilizando-se dos componentes especificados na bancada, como mostra a foto. Tanto o adaptador de rolo quanto o pinhão sofrem desgaste de dentes, onde para solucionar esse problema deve-se montar o pinhão com diâmetro maior, preenchenCheck list para manutenção de colhedora de cana-de-açúcar

Facas e discos do corte de base exigem cuidado especial para não cortarem muito baixo ou muito alto

do todo o diâmetro do adaptador, melhorando assim o reparo do motor Charlinn. É importante ressaltar que o motor Charlinn compreende também os rolos superiores e inferiores da colhedora, o chamado conjunto trem de rolo.

GIRO DO EXAUSTOR PRIMÁRIO É sabido que o exaustor primário está diretamente relacionado com a devida limpeza do tolete de cana, onde este deverá trabalhar com uma rotação compatível, ou seja, se estiver sendo lançado cana pelo exaustor deve-se diminuir a rotação, e havendo excesso de palha aumenta-se a rotação. Existem dois tipos de exaustores primários, sendo o primeiro o mais vulnerável a desgastes, e o segundo modelo denominado Anti-Vortex. Hoje se recomenda o exaustor primário Anti-Vortex, pois apresenta um material de qualidade superior, 4 pás, atingindo a sua rotação máxima em 900 rpm, extraindo com maior eficiência as impurezas vegetais quando comparado ao modelo anterior. Ao realizar a inspeção no exaustor primário depois de um dia de trabalho, o mecânico ou operador da colhedora deve estar atento aos seguintes itens: 1) Lâminas sem desgaste, sem danos; 2) Parafusos apertados; 3) Tubos e mangueiras hidráulicas sem vazamento, sem danos; 4) Proteção sem desgaste excessivo, sem danos;

Bancada com os componentes de troca do motor Charlinn

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O motor Charlinn é responsável pelo funcionamento do rolo cortador de pontas, ajuntador de pontas, disco de corte lateral e divisores de linha

5) Ventiladores sem vibração devido ao desbalanceamento; 6) Rolamentos sem folga – verifique movimentos para cima e para baixo. Em relação a troca das pás do ventilador do exaustor, deve-se proceder conforme o manual do operador: 1) Remova os parafusos de fixação das pás ao cubo do exaustor. Limpe o cubo para remover todo o barro e sujeira acumulada. 2) Encaixe as pás no cubo do exaustor e instale os parafusos de fixação. Bata as pás de volta contra a direção de rotação. 3) Aperte os parafusos de fixação utilizando o torquímetro com um torque de 65-70 libras-pé (100-105 Nm). As pás são fornecidas em jogos de três balanceadas, mas é recomendável verificar o balanceamento depois que o ventilador tenha sido montado. Uma recomendação a ser seguida é de que as pás devem ser mantidas em boas condições para assegurar que a capacidade máxima de extração seja obtida. À medida que as pás se desgastam ou são danificadas por objetos estranhos, elas ficam desbalanceadas, necessitando assim de rebalancemaento ou a troca do conjunto ventilador ou das pás do ventilador antes que possa ocorrer

danos a outros componentes. Montar lâminas não padronizadas nos exaustores irá sobrecarregar os componentes hidráulicos e afetar seriamente sua vida útil. De acordo com o fabricante, as pás do ventilador do extrator primário estão disponíveis em jogos de comprimentos diferentes. Manter a folga correta entre a ponta da pá do ventilador e o revestimento de desgaste é vital para otimizar a eficiência de limpeza e a vida útil da pá. Assegure-se que a folga nas pontas das pás seja mantida entre 27 a 32 mm utilizando pás com comprimento correto. A colhedora de cana-de-açúcar possui uma infinidade de peças e componentes que devem sofrer reparo e manutenção constante, portanto esse artigo procurou enfatizar os componentes que apresentam um índice de quebra maior, quando comparado aos demais itens da colhedora ao longo da safra de cana-de-açúcar. Em se tratando do fato de que a colhedora de cana-de-açúcar é uma máquina cara, é preciso estabelecer uma programação de manutenção junto à usina. Essa programação deverá constar: manutenção diária, manutenção semanal, manutenção mensal, manutenção (250 horas), manutenção (500 horas), manuten-

O conjunto trem de rolo compreende os rolos superiores e inferiores da máquina

ção anual e finalmente estabelecer uma rotina de manutenção entre safras. É importante conscientizar tanto operador da colhedora quanto o mecânico, em caso de M dúvida a lerem o manual do operador. Gilmar da Silva, Creupi/SP

O autor alerta para a necessidade de fazer uma programação das manutenções


Pneus avaliação Fotos Alberto Nagaoka

Pneus à prova Novo equipamento para avaliação dinâmica de pneus agrícolas garante maior precisão nos resultados, a menores custos

N

o Brasil, os ensaios e pesqui sas de desempenho de pneus de tratores agrícolas são realizados em condições de laboratório, pista e campo, utilizando-se o trator completo, sendo que a análise dos dados coletados é realizada pelos valores médios das rodas motrizes. Esta metodologia tem como desvantagens o custo elevado e a dificuldade de avaliar individualmente o comportamento de cada pneu. Da necessidade de pesquisar o desempenho de pneus de tratores agrícolas em condições de campo e laboratório, com maior precisão e menor custo, foi desenvolvido em Botucatu (SP), na Universidade Estadual Paulista (Unesp), uma máquina denominada Equipamento para Ensaio Dinâmico de Pneu Agrícola Individual. Esta foi desenvolvida tendo como base os equipamentos utilizados nos Estados Unidos. O Professor Dr. Kleber Pereira Lanças (FCA/Unesp) trouxe, daquele país, a idéia de construir esta máquina no Brasil, porém, tratava-se de um equipamento construído com transmissão hidráu-

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Máquinas

lica e componente eletrônicos de altíssimo custo, tornando inviável para um trabalho de pesquisa no Brasil. Nos Estados Unidos, em Purdue, foi desenvolvido, em 1969, um carro dinamométrico tracionado por um cabo e

montado sob monotrilho fixado em cima de uma caixa de solo. O mesmo equipamento foi aperfeiçoado em 1979, recebeu um motor hidráulico para acionamento da roda e um cilindro hidráulico para variação da carga dinâmica do pneu,

Equipamento construído para ensaio dinâmico de pneus agrícolas

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“Esta metodologia tem como desvantagens o custo elevado e a dificuldade de avaliar individualmente o comportamento de cada pneu”

porém, um grande problema que surgiu foi a limitação de fazer apenas uma avaliação para cada preparo do solo na caixa. Em 1986, na Universidade da Califórnia, Davis (Estados Unidos) foi desenvolvido uma máquina para testes de rodas e pneus agrícolas, permitindo avaliar a velocidade de deslocamento, a rotação, a força de tração, o carregamento vertical e o torque da roda e também testes de comportamento em condições de campo. Em 1997, o professor Alberto Kazushi Nagaoka, do Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV/Udesc) de Lages (SC), iniciou o seu curso de doutorado na Unesp e sob a orientação do professor Dr. Kleber Pereira Lanças, iniciou um projeto de construção deste equipamento, com a mesma característica, porém com um custo bem menor. A máquina foi desenvolvida, com sistema de transmissão mecânica e componente eletrônico de menor custo tornando a sua construção viável. A conclusão do equipamento ocorreu em fevereiro de 2001 com sucesso, proporcionando agilidade e praticidade nos ensaios, demonstrando que o método utilizado foi adequado. O aparelho permitiu conjugar a sua marcha com a do trator para obter a força de tração, a patinagem, a velocidade, o torque ou a velocidade necessária para o ensaio. Neste caso, o próprio trator que forneceu energia para o equipamento pôde servir como trator de lastro. No Quadro 1, observa-se o resultado das principais combinações de velocidades com as respectivas patinagens em condiQuadro 1 - Patinagens resultantes das principais combinações de velocidades do trator e do equipamento, utilizando pneu BPAF em solo compactado Marcha (equipamento x trator) Patinagem (%) Rotação da TDP (rpm) 222 x A2 3,05 540 312 x A3 3,25 540 312 x B3 3,81 1.000 112 x A2 4,06 1.000 322 x C2 5,04 1.000 212 x A1 6,98 540 212 x A3 9,77 1.000 312 x C1 15,33 1.000 122 x A2 18,70 1.000 322 x B1 22,33 540 222 x B1 22,88 1.000 322 x B3 24,85 1.000 312 x B2 27,30 1.000 312 x A2 28,26 540 322 x A3 28,41 540 212 x A2 29,68 1.000 222 x A1 30,17 540 222 x A3 31,13 1.000

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Quadro 2 - Médias dos valores de força (FL), torque (Tt), rotação (nt), velocidade (vr), consumo horário (CH) e consumo específico (CE) da utilização de dois tipos de pneus (Pn): radial e diagonal, submetidos a diferentes níveis de cargas (C): 10.000 N, 13.000 N, 16.000 N e 19.000 N. Causas da Variação Pneu Radial Pneu Diagonal Carga 10.000 N Carga 13.000 N Carga 16.000 N Carga 19.000 N

Força líquida Torque no Rotação no (N) torciômetro (N.m) torciômetro (rpm) 7025,26a 394,80a 340,38a 6512,85a 359,37a 341,13a 4693,72c 261,97c 342,31a 3691,18c 194,10d 339,25a 8043,95b 461,43b 340,67a 10647,38 a 590,85a 340,78a

Velocidade do radar (km/h) 4,05a 4,07a 3,96c 3,94c 4,08b 4,24a

Consumo de Consumo específico combustível (L/h) (g/kW.h) 9,88a 842,39a 9,51b 780,77a 10,00a 928,40b 9,65b 1426,38a 9,52b 521,19bc 9,61b 370,35c

Em cada coluna para cada fator, médias seguidas de mesma letra não diferem entre si, pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

ção de solo compactado, utilizando-se o pneu BPAF. Estes valores não podem ser considerados constantes, pois variam de acordo com o tipo, o diâmetro, a pressão e a carga no pneu e, também, com a superfície em contato. Nesta avaliação, verificouse o limite máximo de patinagem (31,13%) para a condição em que o ensaio foi realizado. No Quadro 2, verificam-se os resultados obtidos nas experiências realizadas na pista de ensaio sobre solo solto, utilizando o pneu radial e diagonal em condições diferentes de lastragem. Os resultados da análise de variância demonstraram que a utilização de lastros mais pesados no pneu de 19.000 Newton (N), em comparação com lastro de 13.000 N, resultou em um aumento de força de tração líquida de 6.956 N, correspondente a 188% de acréscimo, 397 N.m (204%) de torque e 0,3 km/h (7,1%) de velocidade de deslocamento e reduziu 1.056 g/kW.h (74%) do consumo específico de combustível, o que justifica o uso de lastros na maioria dos tratores comercializados atualmente. Em um dos ensaios realizados com este equipamento, comparouse dois tipos de construção de pneu agrícola:

1 - De construção diagonal, em que os cordonéis das lonas estendem-se de talão a talão no sentido diagonal, formando um ângulo de aproximadamente 38o em relação à linha transversal; são de menor custo de aquisição, possibilitam a recauchutagem a baixos custos e a pressão de inflação é relativamente alta ( 22 a 29 lb/pol2i). 2 - De construção radial, em que os cordonéis das lonas estendem-se transversalmente de talão a talão, formando um ângulo reto (90o) em relação à linha de tração; possibilitam pressões menores do que


“As técnicas de semeadura direta são complementos das atuais técnicas de conservação de solo, com menor mobilização e remoção da terra e maior quantidade de restos vegetais na superfície do solo”

Fotos Alberto Nagaoka

Ensaio dinâmico de rodado agrícola com o equipamento sem cobertura do solo

Vista frontal do pneu radial (esq.) e do pneu diagonal (dir.), utilizados no experimento

os diagonais, são de custo mais alto e apresentam melhor desempenho do que os diagonais. As técnicas de semeadura direta são complementos das atuais técnicas de conservação de solo, com menor mobilização e remoção da terra e maior quantidade de restos vegetais na superfície do solo. Essas técnicas têm como vantagem a redução dos custos operacionais de mecanização, além dos aspectos conservacionistas e de recuperação das características físicas, químicas e biológicas do solo. Apesar da eliminação das operações de preparo, ainda permanece a movimentação de veículos e máquinas para a realização das demais tarefas, que podem contribuir para a formação de camadas compactadas no solo, constituindo-se em um fator negativo à produtividade. Por esse motivo é importante escolher o equipamento adequado para cada operação a ser realizada no campo e é fundamental também conciliar o peso da máquina com a pressão do pneu e com o tipo de pneu a ser utilizado. A resistência do solo à penetração é um indicador intermediário de compactação, não sendo uma medição física direta das condições do solo, pois é muito variável em função de outros fatores, principalmente

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o teor de água e tipo de solo. Apesar das limitações, a resistência à penetração é freqüentemente usada para a indicação com-

parativa do nível da compactação em solos de mesmo tipo e mesmo teor de água, devido a sua facilidade e rapidez com a qual numerosas medidas podem ser realizadas. Os resultados são normalmente expressos em termos de força por unidade de área do cone de dimensões padronizadas instalado na ponta da haste do penetrômetro ou penetrógrafo. Desta forma, este ensaio foi realizado com o objetivo de avaliar os dois tipos de pneus em função da resistência do solo à

Resistência do solo à penetração quanto ao tráfego com pneu radial, diagonal e sem tráfego na profundidade de 0 cm a 40 cm

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Resistência do solo à penetraç profundidade de 0 a 40 cm

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Cultivar

“O equipamento permite comparar diferentes pneus”, explicam Nagaoka e Lanças

Ensaio dinâmico de rodado agrícola com o equipamento em superfície com cobertura do solo

penetração. Observa-se, no gráfico, que o índice de cone depois do tráfego com pneu diagonal foi maior do que com pneu radial, mostrando que na média dos valores obtidos o pneu diagonal compactou mais do que o pneu radial. Essas camadas, além de provocarem erosão superficial do solo, refletem na produtividade agrícola, devendo, portanto, haver uma importante relação entre solo/ máquina/planta. Ao pesquisador cabe a função de investigar os efeitos causados

pelo uso da máquina, comparar e recomendar o uso correto para que os equipamentos tenham o máximo rendimento com mínimo prejuízo. O equipamento permite também comparar diferentes pneus em função da pressão de inflação, patinagem, raio de rolamento e carga no rodado, conforme as condições desejadas na pesquisa. O equipamento possibilitou realizar os

ensaios com variações de velocidades de 0 a 11,25 km/h, patinagem de 3 a 31% e diâmetro do pneus até 1.722 mm e permitiu avaliar a resistência à penetração do solo após o tráfego com pneu radial e diagonal, mostrando que na média dos valores obtidos o índice de cone com o pneu diagonal (2.510 kPa) foi maior que com o pneu radial (2.380 kPa). M Alberto Kazushi Nagaoka, CAV/Udesc Kléber Pereira Lanças, FCA/Unesp

ção quanto à carga nos pneus, na

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Irrigação

aproveitamento Rocheli Wachholz

Aproveitamento máximo

Apesar de a agricultura ser a atividade que demanda maior consumo de água, os avanços no manejo da irrigação têm possibilitado a otimização deste bem finito

E

xiste, atualmente, um crescen te aumento na escassez de água para o consumo humano. De fato, as disponibilidades mais críticas encontram-se naquelas regiões de rápido crescimento populacional, especialmente o Sul da Ásia e o Oriente Médio. Estatísticas publicadas pela ONU indicam que, no ano de 2025, 40% da população mundial e 50% dos países terão problemas de acesso à água potável. A quantidade total de água no mundo é invariavelmente a mesma, resultado do seu ciclo natural. A água precipitada sobre a superfície terrestre, na forma de neve, granizo ou chuva, pode ter vários destinos, uma parte é utilizada pelos vegetais e animais, outra parte infiltrada no solo, onde é armazenada ou perdida por percolação profunda, formando as águas subterrâneas. Posteriormente, toda essa água retorna à atmosfera, principalmente através da evaporação da superficíe do solo, lagos e oceanos e transpiração das espécies vegetais. A quantidade de água evaporada da superfície do mar ou lagos é da ordem de 505.000 km3 anuais, 90% dos

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quais retorna ao oceano através das precipitações pluviais e apenas 10% precipita sobre a superfície terrestre. Antes da década de 1980, as medidas utilizadas para aumentar a conservação da água e evitar as perdas por evaporação, erosão ou percolação profunda, foram a construção de infraestruturas de armazenamento, usualmente reservatórios (represas) para o armazenamento de água e aquedutos para a transposição de água para outros locais. A idéia era incrementar a capacidade de armazenamento da água que está ao nosso alcance antes de devolvê-la ao ciclo hidrológico. Entretanto, os efeitos negativos de tais reservatórios de água (perda de habitats aquáticos, danos em espécies aquáticas, assim como impactos sociais causados pelo desalojamento e reassentamento de pessoas atingidas pela construção de barragens) gradualmente fizeram aparecer opiniões públicas contrárias a esses projetos. Dessa forma, partiu-se para alternativas mais simples e menos onerosas, como a de limitar o suprimento de água para consumo que está ao nosso alcance.

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ESTATÍSTICAS DO USO DA ÁGUA Em termos de consumo, a água potável é geralmente dividida em três categorias: água para uso doméstico e municipalidades, água utilizada pelas indústrias e a água utilizada na agricultura (Figura 1). Individualmente, uma pessoa necessita de aproximadamente 50 a 300 litros dia (8%), incluindo a água para beber, cozinhar os alimentos e higiene pessoal. Estima-se que a água consumiFigura 1 - Distribuição da água consumida no mundo

Fonte: World Resouces Institute, ONU

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“A comparação do consumo de água em atividades domésticas com a demanda de água pelas plantas mostra a grande quantidade de água consumida pela agricultura”

Tabela 1 - Consumo de água por uma família de quatro pessoas na atividade doméstica durante o dia Atividades Tomando banho Lavando louça Lavando roupa Descarga Escovando dentes Lavando o rosto Consumo e preparo de alimentos Média por pessoa

Consumo (litros dia) 339 258 138 230 84 75 7 282

Fonte: Caderno Ambiente – Zero Hora (24/06/2004)

da pelas municipalidades seja da ordem de 357 km 3 em todo mundo. A água consumida pelas indústrias (bens e serviços) compreende cerca de 732 km3 (mais ou menos 22% da água potável). O setor industrial utiliza a água para a refrigeração, aquecimento, processamento e transporte, assim como para beber, manutenção de ar condicionados e limpezas. Apesar do permanente crescimento do setor industrial, tem sido observado um declínio no consumo de água por unidade industrial nos últimos 50 anos (Longo & Spears, 2003). A agricultura é a atividade que demanda maior quantidade total de água, consumindo aproximadamente 70% da água disponível. Em alguns lugares do mundo, de acordo com Lima et al. (1999), o uso da água na agricultura responde por 80% das derivações de água e, no Brasil, esse valor supera os 60%. A maior quantidade da água utilizada na agricultura é pela irrigação, enquanto uma pequena porção é reservada para a criação de animais domésticos. Segundo Hargreaves (2000), a irrigação será um elemento de fundamental importância para prover a produção de alimentos e fibras em escala suficiente para uma população que cresce continuamente. Na tabela 1 é apresentado o consumo de água por uma família de quatro pessoas adultas durante o dia na execução das diferentes atividades domésticas. Embora o consumo doméstico esteja longe de representar a maior fatia de água consumida no mundo, há um consenso entre os ambientalistas de que a redução no desperdício de água em ambientes domésticos dissemina essa conscientização para a aplicação em outros setores. A produção de alimentos é essencial para a existência humana e demanda uma grande quantidade de água. Em condições naturais de ecossistemas cultivados, a produtividade das culturas depende diretamente do meio ambiente, sendo o regime hídrico o fator mais im-

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Figura 2 - Requerimento hídrico de algumas culturas agrícolas para produzir um kg de produto

Adaptado de Testeslaf et al., 2002

portante (Petry, 2004) e, na falta de precipitações pluviais, há a necessidade de irrigação, de forma parcial ou integral, dependendo da região do país. Na figura 2, é apresentado o requerimento hídrico de diferentes culturas cultivadas em condições ideiais e normais de disponibilidade de água. A comparação do consumo de água em atividades domésticas com a demanda de água pelas plantas mostra a grande quantidade de água consumida pela agricultura. Entretanto, isso não significa que a agricultura seja responsável por um despedício maior de água que as atividades domésticas. A produção de alimentos efetivamente consome muita água e já está devidamente evidenciado pela pesquisa que a irrigação melhora a eficiência de seu uso, sobretudo quando esta estiver associada a uma programação de irrigação. A agricultura irrigada é a maior consumidora de água e a essa é quase sempre associada a idéia de que o volume de água é, na sua maioria, desperdiçado ou perdido, atribuindo-se à irrigação a responsabilidade pela escassez de água. Entretanto, é importante salientar que a

água utilizada para fins de irrigação é empregada na produção de alimentos e que as plantas consomem um grande volume de água para completar o ciclo. Além disso, na agricultura não irrigada, as plantas necessitam do mesmo volume de água para completar o ciclo e produzir, na ausência de precipitações pluviais ocorre redução no rendimento de grãos em decorrência da deficiência hídrica no solo. Os vegetais funcionam como uma bomba hidráulica, regulando o fluxo de água e solutos ao longo do sistema soloplanta-atmosfera. A água extraída pelo sistema radicular das plantas é transpirada pelas folhas em proporção à demanda evaporativa da atmosfera e qualquer alteração num desses segmentos modifica significativamente a produtividade das culturas.

A EFICIÊNCIA DO USO DA ÁGUA Uma das grandes questões envolvendo o manejo da água é a melhoria na eficiência de seu uso, a qual pode ser considerada a partir de diferentes ângulos. Do ponto de vista econômico, a eficiência de uso da água vem a ser o retorno financeiro em relação ao investimento no seu suprimento. Fisiologicamente, a eficiência do uso da água é o total de massa seca produzida pela planta por unidade de volume de água extraída do solo por essa planta. Para uma planta completar satisfatoriamente o seu ciclo e expressar seu máximo potencial produtivo, ela requer um volume grande de água, principalmente

Figura 3 - Lâmina máxima, média e mínima de irrigação necessária para a Depressão Central, Planalto Inferior, Planalto Médio, Missões e Baixo Vale do Uruguai, para diferentes épocas de semeadura do milho. Santa Maria, RS, 2004.

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“O feijão, ao contrário, apresenta um consumo total de água menor durante o ciclo, possivelmente devido ao ciclo curto”

Figura 4 - Regiões climáticas do Estado do Rio Grande do Sul

Adapatado de Maluf et al. (2000)

se comparado com outros tipos de usuários. A quantidade de água que as plantas necessitam absorver para realizar os processos fisiológicos ligados à germinação, crescimento, desenvolvimento e produção de grãos depende da espécie vegetal, época e região de cultivo. Em condições ótimas de disponibilidade hídrica, plantas de milho necessitam de aproximadamente 500 a 800 mm de água para completar o ciclo. A demanda hídrica da soja é, em geral, maior que a do milho, exigindo mais de 800 mm para completar o ciclo sem a ocorrência de déficit hídrico. A maior exigência hídrica da soja em relação ao milho deve-se ao ciclo mais longo daquela, considerando-se o período desde a semeadura à maturação fisiológica. O feijão, ao contrário, apresenta um consumo total de água menor durante o ciclo, possivelmente devido ao ciclo curto. Assim, a ocorrência de déficits hídricos em qualquer estádio de desenvolvimeto do feijoeiro é mais significativa na redução do rendimento de grãos, em função do menor tempo de recuperação das plantas (ciclo curto) e sistema radicular geralmente próximo à superfície. No Rio Grande do Sul, embora as precipitações pluviais sejam bem distribuídas ao longo das quatro estações do ano, frequentemente ocorrem períodos de deficiência hídrica, os quais causam redução no rendimento de grãos das culturas de primavera-verão. Uma das formas de contornar a deficiência hídrica é a utilização da irrigação complementar que, além de minimizar os riscos da atividade agrícola ligados à frustrações de safra por deficiência hídrica, pode significar aumento na produtividade e melhoria na qualidade do produto gerado. No Centro-Sul do Brasil a necessidade de irrigação é menor que no CentroOeste, Sudeste e Nodeste. Entretanto, a irrigação complementar é muito mais

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complexa que a irrigação integral, e a ocorrência de precipitações pluviais durante o ciclo de crescimento e desenvolvimento da cultura deve ser considerada (Petry, 2004). Conseqüentemente, as irrigações complementam a deficiência de precipitação ou a má distribuição desta,

mas também potencializam problemas de erosão do solo, percolação profunda e, segundo Reinert et al. (2001), problemas de compactação do solo em solos úmidos, com maior susceptibilidade à compactação. A irrigação é uma tecnologia que pos-

Figura 5. Precipitação pluvial média por região entre as diferentes regiões para a semeadura do milho entre os dias 227 e 347 do ano. As barras verticais menores representam o desvio padrão entre as médias. Santa Maria, RS, 2004

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Rocheli Wachholz

Charles Echer

O controle da lâmina de água a ser aplicada é importante no manejo da agricultura irrigada visando o melhor aproveitamento das chuvas e da irrigação

da é importante no manejo da agricultura irrigada, pois tanto o excesso como a falta causam redução no rendimento de grãos das culturas.

NECESSIDADE DE IRRIGAÇÃO NO RS

sibilita o aumento na produtividade dos cultivos, melhoria na qualidade da produção, agregando maior valor ao produto e diminuindo os riscos da atividade agrícola, propiciando maior renda aos agricultores. Não obstante, como a água é um recurso finito, seu uso deve ser cuidadosamente planejado, para evitar perdas no processo de captação, condução e distribuição. A eficiência do uso da água na agricultura pode ser bastante melhorada através do manejo da cultura visando o melhor aproveitamento das precipitações pluviais (Carlesso et al., 2003) através da programação da irrigação. O controle da lâmina de água a ser aplica-

Na figura 3 são apresentadas as lâminas de irrigação máxima, média e mínima para atender as necessidades hídricas da cultura do milho (média de 13 anos de dados meteorológicos) para as regiões da Depressão Central, Planalto Inferior, Planalto Médio, Missões e Baixo Vale do Uruguai (Figura 4), para épocas de semeadura de agosto à dezembro. A lâmina máxima de irrigação complementar necessária foi de 218, 242, 167, 164 e 186 mm, para semeaduras realizadas em 15 de setembro, 15 de agosto, 01 de setembro, 15 de outubro e 01 de outubro, para a Depressão Central, Planalto Inferior, Planalto Médio, Missões e Baixo Vale do Uruguai, respectivamen-

te. Para Matzenauer et al. (2000), a evapotranspiração diária de cada espécie depende do estádio de desenvolvimento, da disponibilidade de água no solo e da demanda evaporativa da atmosfera. Portanto, os valores absolutos estão em função das condições meteorológicas de cada região, do ano e época de semeadura na mesma região. A irrigação complementar necessária para as diferentes regiões e épocas de semeadura deve-se ao volume insuficiente e distribuição irregular das precipitações pluviais (Figura 5). Apesar de em muitos trabalhos na literatura terem sido registrados diferenças entre o total das precipitações pluviais para diferentes locais no Rio Grande do Sul (Berlato, 1992; Ávila et al., 1996, Fontana & Almeida, 2002), as variações espacial e temporal deste elemento observadas neste trabalho foram pequenas. Entretanto, seguindo a tendência da distribuição das precipitações pluviais durante o ano, maiores

Custo da aplicação

O

custo para a aplicação de 100 mm de água, considerando-se somente os gastos com energia elétrica, é de aproximadamente R$ 110,00 (cento e dez reais) por hectare. Tais valores representam uma fração substancial do custo de produção, daí a importância de se fazer uma programação de irrigação, visando maior eficiência dos sistema de irrigação e, principalmente, através do melhor aproveitamento das precipitações pluviais.

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“O controle da lâmina de água a ser aplicada é importante no manejo da agricultura irrigada, pois tanto o excesso como a falta de água causam redução no rendimento de grãos das culturas”

Fotos Rocheli Wachholz

A irrigação complementar para as diferentes regiões e épocas de semeadura deve-se ao volume de chuvas

valores e maior desvio padrão foram verificados para as semeaduras realizadas em agosto e setembro e na segunda quinzena de dezembro (ciclo mais longo), em relação às semeaduras realizadas em outubro e novembro. Os números apresentados na figura 3 podem parecer alarmantes, mas são representativos da demanda real de água pelas plantas. O incremento de produtividade e a participação da irrigação na produção de alimentos já estão devidamente evidenciados, seja na redução dos riscos da atividade agrícola ou na melhoria da qualidade do produto gerado. Segundos dados da FAO (1999), apenas 15% da área mundial cultivada é irrigada, sendo responsável por 36% da produção de alimentos, fato que evidencia a importância da irrigação na produção de

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alimentos nos países em desenvolvimento. Entretanto, como a água é um bem finito, seu uso deve ser cuidadosamente planejado, para evitar perdas no processo de captação, condução e distribuição. De acordo com Carlesso et al. (2003), a eficiência do uso da água na agricultura pode ser melhorada através do manejo da cultura e da irrigação, visando o melhor aproveitamento das precipitações pluviais e da programação da irrigação. O controle da lâmina de água a ser aplicada é importante no manejo da agricultura irrigada, pois tanto o excesso como a falta de água causam redução no rendimento de grãos das culturas.

A IRRIGAÇÃO E O CONSUMO DE ENERGIA Na tabela 2 são apresentados dados comparativos de áreas irrigadas no Centro-Oeste do Brasil (média de seis cultivos), cultivadas numa época em que normalmente não ocorrem precipitações pluviais (março a outubro), e dados de simulação da necessidade de irrigação complementar para Cruz Alta (RS), considerando-se 13 anos de dados meteorológicos. Esses resultados foram gerados através da programação de irrigação do Sistema Irriga. Em condições naturais de ecossistemas cultivados, onde o requerimento hídrico das culturas é provido pelas precipitações pluvias, as culturas citadas na Tabela 2 podem chegar a consumir 500 mm ou 5.000 m3 de

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Tabela 2 - Lâminas de irrigação aplicadas, precipitação pluvial entre a semeadura e colheita e custo da energia elétrica para a aplicação de 1 mm de água Cultura Lâmina irrigada Precipitação Pluvial Gasto com energia (mm) (mm) (R$ ha) Centro-Oeste Feijão 259 40 284,90 Milho 339 285 372,90 Trigo 275 40 302,50 Cruz Alta Soja 110 885 121,00 Milho 220 719 242,00 Feijão 120 414 132,00

água por hectare. Os dados apresentados mostram uma redução de aproximadamente 50% nas lâminas de irrigação aplicadas, em relação a demanda natural de água e aqueles valores de lâminas geralmente recomendados pela pesquisa, para as condições do Centro-Oeste do Brasil. Para as condições de Cruz Alta, poder-se-ia inferir, num primeiro momento, que não haveria a necessidade de irrigação. Entrentanto, a distribuição irregular das precipitações pluviais fez com que houvesse a necessidade de irrigação em todos os anos avaliados, para M as culturas do milho, feijão e soja. Mirta Teresinha Petry, Reimar Carlesso e Fabiano Luiz Zimmermann, Universidade Federal de Santa Maria

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4x4

condução Fotos Técnica 4x4

Areia no caminho Os terrenos arenosos, além da areia fofa, podem apresentar diversas oscilações como aclive mais acentuado ou final brusco de uma duna, o que exigirá atenção na travessia

P

ara atravessar terrenos areno sos, engate as rodas-livres, a tração 4x4 e o blocante, sempre antes de enfrentar o trecho. A marcha ideal depende muito do tipo de areia que terá pela frente, mas invariavelmente a segunda, terceira ou quarta reduzida resolvem o problema. Em certos casos até a primeira marcha normal poderá ser tentada, mas a vantagem da reduzida é que você pode colocar uma marcha mais forte se precisar, enquanto que a primeira marcha normal certamente não lhe dará essa margem e você terá que parar para engatar a alavanca para reduzida. A experiência irá lhe mostrar a melhor solução para cada local. Outro artifício importante é a diminuição da calibragem dos pneus. É bom lembrar que a escolha dos pneus é fundamental, pois o veículo pre-

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cisa de toda a flutuação possível e isto pode ser conseguido com pneus do tipo AT - All Terrain, como o Wrangler SR/ A, o AT/S ou, ainda, o RT/S. Ao entrar no trecho segure o volante com firmeza e entre com determinação, mantendo a aceleração alta e constante. Uma vez iniciado o deslocamento procure não frear bruscamente quando precisar parar. Freie com suavidade ou tire o pé do acelerador e desengate a marcha, deixando que a resistência do terreno segure o veículo. Se você frear com violência o travamento das rodas provocará o acúmulo de areia na frente de todos os pneus, que terão dificuldade em subir esses pequenos montes para seguir adiante. Procure ver sempre mais adiante na trilha, já que você irá encontrar rapidamente mudanças de terreno como um aclive mais acentuado ou o final brusco

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de uma duna, onde serão exigidos mais aceleração ou o alívio do pé no acelerador respectivamente. Se atolar, tente primeiro mover o veículo com uma arrancada suave, se precisar dê uma ligeira marcha à ré e em seguida engate uma segunda reduzida. Faça isso com destreza, até criar um suave balanço ou “momentum” como é mais conhecido, que embalará o veículo por cima da areia fofa iniciando o movimento para sair do buraco. Quando sentir que pode sair, use a segunda marcha e siga adiante. Por outro lado, se você encalhar não há porque sentir-se derrotado já que todos, sem exceção, até mesmo os pilotos do Paris-Dakar encalham, mais cedo ou mais tarde, em trechos de areia fofa. Alivie o peso do veículo e comece a cavar em frente ou atrás de todas as rodas, dependendo que direção você decidiu tomar, se adiante ou de ré. Saiba, entretanto, que sair de ré será mais fácil. Retire a areia que está travando diferenciais e chassi. Faça uma rampa suave para que os pneus iniciem o deslocamento. Se tiver água em abundância por perto, como na praia, por exemplo, molhe a areia logo à frente ou atrás das rodas, de acordo com a direção que você decidiu seguir, que isso irá compactá-la e facilitará a operação. Só tome cuidado para que a água salgada não entre em contato com as partes mecânicas e com a carroceria. Feito tudo isso é hora de dar a partida no motor e engatar a segunda marcha reduzida. Para veículos automáticos coloque a alavanca em 2. Acelere suavemente e as pessoas que puderem ajudar, devem empurrar o veículo sem balançá-lo para os lados, sob o risco de fazer os pneus cavarem a areia, afundando o veículo novamente. Se conseguir sair não pare até encontrar terreno firme, do contrário é hora de começar tudo de novo. M João Roberto de C. Gaiotto, Goodyear

Chapada Diamantina, areia fofa onde 4x4 e marcha reduzida são fundamentais

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Software Software

reflorestamento

Crescimento planejado Fotos Embrapa Florestas

Novos softwares foram desenvolvidos para viabilizar o manejo de áreas reflorestadas, permitindo a utilização de lavouras impróprias para a agricultura

O

interesse dos produtores rurais em implantar florestas têm sido bastante significativo, especialmente para áreas e solos marginais sem aptidão para a agricultura. Assim, o produtor viabiliza economicamente algumas áreas não utilizadas e o reflorestamento será uma “poupança”, que pode recorrer de acordo com a sua necessidade. À medida que as árvores crescem em um reflorestamento, aumenta a competição entre elas por água, luz e nutrientes. Por este motivo, são realizados desbastes que visam reduzir o excesso de competição. O mais comum é remover as árvores de qualidade inferior (dominadas, bifurcadas, tortas e doentes) assim como antecipar alguma renda ao produtor. Quando a competição volta a ocorrer de forma mais intensa, novos desbastes devem ser realizados, retirando-se linhas e árvores, preservando-se as árvores de melhor qualidade. Como as possibilidades de desbastes são inúmeras, a utilização de modelagem matemática e de técnicas de simulação do crescimento e da produção florestal são o único caminho prático para obter informações que indiquem ao produtor como manejar sua floresta. Estas técnicas devem incorporar métodos de análise econômica para possibilitar a visão conjunta de variáveis biológicas e econômicas, permitindo uma rápida configuração de cenários para o planejamento da produção florestal com otimização da produção madeireira e dos retornos financeiros. A Embrapa Florestas desenvolveu uma série de softwares que viabilizam o planejamento

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da produção florestal: • SisAraucaria, SisEucalipto e SisPinus: que simula desbastes de plantações florestais e prevê o crescimento e produção anual do povoamento e o sortimento de madeira por classe diamétrica para usos múltiplos das árvores provenientes de desbastes e do corte final; • Planin: possibilita o cálculo dos parâmetros de avaliação econômico-financeira e a análise de sensibilidade da rentabilidade a diferentes taxas de atratividade; • Replan: gerencia um banco de dados sobre rentabilidade de regimes de manejo, tendo por base o índice de sítio, a taxa de atratividade e a idade de rotação do povoamento. Os softwares são de fácil utilização pelos produtores, não importando o tamanho do reflorestamento. A utilização integrada destes softwares possibilita a definição do tipo de desbaste mais adequado para a floresta, bem como a época e intensidade ideais para sua realização e a idade ideal para o corte final. Pode-se avaliar o esto-

Figura 1 - Esquema do crescimento em volume, de uma floresta com desbastes (A, B e C) e sem desbaste

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que de madeira disponível no presente e a cada ano futuro, em termos de volume total e volume por tipo de utilização industrial como laminação, serraria, celulose e energia. São considerados ainda em seus cálculos todos os segmentos de custos operacionais de implantação, manutenção e exploração florestal. O sistema viabiliza a análise econômica da produção de madeira, através de vários critérios de avaliação, e possibilita a tomada de decisão sobre regimes ideais de manejo. Hoje os softwares estão incorporados nas atividades de planejamento, manejo e economia florestal de mais de 150 Empresas/Instituições, não apenas do Brasil, mas também da Argentina, Chile, Cuba, Estados Unidos, Paraguai e Uruguai. No caso de Pinus, o sistema é utilizado em áreas florestais que somadas representam 75% destas florestas no sul do País. Como benefícios sociais, além dos ligados aos benefícios ecológicos e à geração de empregos, destaca-se o uso do sistema por pequenos produtores. Esta difusão ocorre pelas Associações, Institutos e Sindicatos, e também pela Emater.

SISEUCALIPTO E SISPINUS Para operacionalizar o sistema, o usuário fornece os dados de inventário da floresta e o software prevê o crescimento e produção, indicando o quanto de madeira a floresta produz em qualquer idade. Ele possibilita a simulação de desbastes e o teste de qualquer regime de manejo que se deseja aplicar nos povoamentos (Figura 1).

Figura 2 - Segmentação de um fuste em função de tipos de utilização industrial

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“Hoje os softwares estão incorporados nas atividades de planejamento, manejo e economia florestal de mais de 150 Empresas/Instituições, não apenas do Brasil, mas também da Argentina, Chile, Cuba, Estados Unidos, Paraguai e Uruguai”

serraria, celulose e energia); • A realização de análise econômica da produção madeireira de em larga escala, através de vários critérios de avaliação; • A realização de análises de sensibilidade para a avaliação do comportamento dos custos e da rentabilidade da produção de madeira em função de variação nas taxas de atratividade e nos diversos centros de custos e preços; • A elaboração de cronogramas para a realização de desbastes e de cortes finais, visando o rendimento auto-sustentável e a máxima rentabilidade econômica; • Os softwares Planin e Replan podem, ainda, ser utilizados para outras espécies, pois são baseados em cálculos matemáticos independentes de aspectos biológicos de crescimento e proM dução das espécies.

Figura 3 - Rentabilidade econômica em função da idade de rotação, do povoamento e de taxas de atratividade

O sistema auxilia as tomadas de decisões sobre: quando, quanto e como desbastar, quando fazer o corte final e demonstra o volume de madeira por tipo de utilização industrial (Figura 2). O Planin é um software para análise econômica da produção florestal que considera os diversos segmentos de custos operacionais de implantação, manutenção e exploração florestal, o software também fornece fluxos de caixa, análise de sensibilidade e critérios de análise econômico-financeira mais utilizados pelas maiores empresas do Brasil.

REPLAN O Replan indica a rentabilidade econômica por idade, subsidiando a decisão sobre rotação da floresta, como ilustra a Figura 3. Algumas vantagens que o uso dos softwares oferece ao produtor: • A obtenção dos regimes ótimos de manejo para os povoamentos, em função do custo

Edilson Batista de Oliveira, Embrapa Florestas A utilização dos softwares permite a definição do desbaste mais adequado para a floresta

de produção, taxas de juros, preço de madeira no mercado consumidor e de necessidade de fornecimento de matéria prima para indústrias agregadas; • A quantificação da produção anual presente e futura das florestas, em função de regimes de manejo economicamente otimizados, tendo por base projeções e variações de custos e preços diversos; • A quantificação da madeira produzida por classes de utilização industrial (laminação,

Oliveira aponta como uma das vantagens a quantificação da madeira produzida por classes de utilização

Exemplo de simulação

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amos considerar para um povoa mento de Araucária com 6 anos de idade, tendo 1500 árvores por hectare com 7 metros de altura média e 17 metros de índice de sítio, definido pela altura dominante projetada para os 15 anos de idade. O valor de 17 metros pode ser considerado como sítio médio para os locais de onde os dados para construção do simulador foram obtidos. O inventário realizado apresentou 69,5 m3 de volume total, que significa 11,5 m3 de incremento médio anual. Será considerado a idade de 25 anos para corte final e dois desbastes seletivos realizados, aos 8 anos e 15 anos, deixando como remanescentes 800 e 300 árvores respectivamente. Nas Figura 1 a 4, geradas pelo SisAraucaria, são apresentados detalhes do sistema e os resultados a partir do exemplo utilizado.

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Fig. 1 - Primeira tela do SisAraucária, com detalhes da simulação solicitada

Fig. 2 - Tela do SisAraucária, com detalhes dos desbastes pretendidos

Fig. 3 - Tela de resultados do SisAraucária, com detalhes da tabela de crescimento e produção

Fig. 4 - Tela do SisAraucária, com resultados das produções de madeira por classes de diâmetro e sortimento

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Eventos Eventos conbea

Um olhar sobre a pesquisa Fotos Charles Echer

Soluções inteligentes para a agricultura, preservação da água e inserção da engenharia agrícola em projetos nacionais orientaram as discussões do Conbea 2004 CONTRIBUIÇOES PARA A PESQUISA

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urante cinco dias, pesquisa dores, profissionais e docen tes discutiram os rumos da engenharia agrícola no Brasil, no XXXIII Congresso Brasileiro de Engenharia Agrícola, realizado de 2 a 6 de agosto em São Pedro (SP). Com o tema geral “A inserção da Engenharia Agrícola em Projetos Nacionais”, o evento direcionou suas discussões para o agronegócio e segurança alimentar, como forma de incentivar a inclusão do tema no âmbito do ensino e da pesquisa, dando mais oportunidade aos profissionais e pesquisadores da área. Segundo a presidente do congresso e professora da Faculdade de Engenharia da Unicamp, Raquel Gonçalves, a edição deste ano teve algumas novidades importantes, como a inserção mais efetiva das empresas que, além de participarem da exposição de produtos, puderam apresentar sua visão e propostas em torno de te-

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mas relevantes para o setor. Paralelo ao Conbea, aconteceu também o Seminário Internacional da Sessão de Tecnologia Pós-Colheita do CIRG (Internacional Comission of Agricultura Engineering), com o tema “A exportação e o agronegócio”, que discutiu os avanços e obstáculos da exportação de produtos agrícolas do Brasil. A conclusão da comissão organizadora é de que os objetivos foram atingidos. “Conseguimos reunir pessoas altamente qualificadas para discutir cada um dos tópicos programados e os principais programas do governo, desde a inserção da tecnologia de forma a auxiliar o pequeno agricultor, e a agricultura familiar, até problemas macros como segurança alimentar, logística, problemas ambientais, novos matérias para embalagens, rastreabilidade, crédito rural e gestão de águas”, afirma Paulo Magalhães, professor da Unicamp e coordenador do evento.

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Para o Paulo Magalhães, foi possível perceber quanto o setor de agronegócio brasileiro está carente de tecnologias, que são ou podem ser desenvolvidas pela engenharia agrícola. E diz que, embora o país tenha avançado muito nos últimos anos nas questões de variedades, controle fitossanitário, produtividade, novas cultivares com resistência a pragas e doenças etc, é possível observar que atualmente as barreiras a serem transpostas estão no desenvolvimento e aplicação de engenharia. “Precisamos de máquinas e equipamentos que ajudem a garantir a produção e a qualidade de vida do agricultor, de tecnologias que permitam agregar valor ao produto e isto não é sinônimo de acrescentar etapas de industrialização, mas sim garantir que o produto obtido tenha qualidade e credibilidade. O algodão produzido no Nordeste pelos pequenos agricultores, por exemplo, precisa ser da mesma qualidade que o produzido no Centro-Oeste pelos grandes produtores que possuem máquinas sofisticadas. Neste cenário observa-se que

Paulo Magalhães, coordenador, e Raquel Gonçalves, presidente do Conbea: “objetivos alcançados”

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“Mais de 600 trabalhos foram aceitos e apresentados este ano, sendo que 80 deles foram na forma oral e o restante na forma de pôster”

NÚMEROS Mais de 600 trabalhos foram aceitos e apresentados este ano, sendo que 80 deles foram na forma oral e o restante na forma de pôster. Aproximadamente 550 pessoas, entre pesquisadores, estudantes, professores, representantes de empresas e representantes do governo participaram do evento. Outros mil acessos foram feitos via internet, já que o evento deste ano foi transmitido ao vivo. Para 2005, o Conbea está programado para o final do mês de julho, na Universidade Luterana do Braisl (Ulbra), em Canoas (RS).

Visitas técnicas

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urante o Congresso, aconteceram também visitas técnicas para quatro locais diferentes, como propriedades modelos, institutos de pesquisa. Uma dessas visitas foi realizada em Lençóis Paulista, para conhecer a área de um dos produtores de cana-de-açúcar que fornecem matéria prima para o grupo Zillo-Lorenzetti. Com a terceirização da parte agrícola pela usina, toda área cultivada hoje está ao cargo de fornecedores, que trabalham em áreas próprias, mas principalmente arrendadas da usina e de terceiros. Um grupo composto por cinco destes fornecedores criou um consórcio para realizar a colheita mecanizada de uma área de aproximadamente 35 mil hectares. Foi nesta área que os participantes da visita tiveram oportunidade de ver uma colhedora Cameco com controle automático de corte de base (CACB) em operação e discutir sobre os aspectos relacio-

nados ao cultivo de cana-de-açúcar, principalmente relacionados à colheita mecanizada e aos avanços incorporados recentemente nas colhedoras. Outros aspectos relacionados ao plantio, rotação de cultura, conservação de solo, aplicação de vinhaça, manejo, adubação, transporte, logística, uso da biomassa para geração de energia, aproveitamente de palhiço e enfardamento puderam ser explorados durante as visitas. Paulo Magalhães

máquinas de beneficiamento destinadas aos pequenos agricultores, precisam ser desenvolvidas e disponibilizadas”, garante. O evento permitiu discussões para propôr novas alternativas tecnológicas para solucionar os problemas levantados, e, muitos grupos de pesquisa aproveitaram o tempo disponível para iniciar discussões de como viabilizar novos projetos que auxiliem no desenvolvimento do agronegócio brasileiro.


por Arno Dallmeyer - arnomaq@yahoo.com.br

Arrancadão Dorval Conci vence prova de Campo Grande

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O

uita animação no mundo do “Esporte Trator”. Em julho começou o barulho com o Trekker Trek em Holambra (SP). Agora, em agosto, roncaram os velozes e furiosos em Campo Grande (MS), no Arrancadão. De agora até ao final do ano, várias provas ocorrerão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná. O público, como esperado, acorrendo em massa aos eventos dando prestígio aos pilotos, às equipes e retorno aos patrocinadores. Será que no ano de 2005 teremos outros Estados mostrando a evolução técnica das máquinas, seja em provas de tração, seja em provas de arrancada? Desejamos que sim. Boa leitura...

piloto Dorval Conci Júnior, de Maripá, no Oeste do Paraná, venceu o GP Firestone de Arrancada de Tratores, primeira etapa do Campeonato Interestadual, disputado nos dias 07 e 08 de agosto em Campo Grande (MS).

Fotos Divulgação

Acelera...

Resultados do Tratorshow em Campo Grande: 1º) Dorval Conci Júnior (Maripá) 2º) Ivan Schanoski (Maripá) 3º) Armando Boldrin Júnior (Toledo) 4º) Anildo Schanoski (Maripá) 5º) Reinado Ramos (Toledo)

Arrancadão - categoria Standard

Trekker Trek

C

A

ontinuação das regras publicadas nas edições dos meses de junho e

julho. Definição - Participam desta categoria tratores praticamente originais, com motores de quatro ou seis cilindros, de qualquer potência, que serão subdivididos em categorias, conforme tabela disponível com a comissão organizadora do evento. Poderão ser modificados escapamento e dimensão dos pneus. Homologação - a vistoria técnica fará avaliação seguindo critérios de segurança e detalhes nas modificações. Peso Mínimo - Original de cada trator, sem lastro. Motor - Motor original do trator. Alimentação - Será permitido somente o combustível liquido óleo diesel fornecido pelos organizadores do evento. Escapamento - Será livre seu dimensionamento. Suspensão - Agrícola Original. Transmissão (inclui embreagem) Original. Sendo proibido correr com uma roda livre. Embreagem - Original. Rodas e Pneus - Os pneus deverão estar em bom estado de conservação. Poderão ser recapados, se o recape for de qualidade aprovada pelos comissários desportivos e técnicos. A largura dos pneus será livre. Os pneus traseiros deverão ser agrícolas com o mínimo de aro 24. Os aros e

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pneus dianteiros serão livres, podendo ser lisos. Sistema de freio - O sistema de freio é livre, mas deverá estar funcionando com eficiência. Carroceria e chassi - Original do Trator. Sistema elétrico - Tipo Original. Sistema de lubrificação - Original. Circuito de combustível - Original. Equipe - Somente o piloto será aceito na inscrição. Segurança - O piloto deverá usar calçado firme, antiderrapante, calça comprida e capacete na prova. O Trator deverá estar em bom estado para a competição. Gerais - Todos tratores inscritos deverão deixar espaços no trator para a publicidade dos patrocinadores oficiais do evento. A pista de arrancada - A pista terá ao todo 400 metros de comprimento e 13 metros de largura totalmente pavimentados. A competição se fará nos 200 metros iniciais da pista, os 200 metros finais da pista servirão para desaceleração e frenagem.

ABTT Associação Brasileira de Trekker Trek realizou a primeira prova do ano em Holambra (SP) nos dias 10 e 11 de julho passado, em meio a grande festa. Novos competidores presentes, equipes, demonstram que o movimento está crescendo e se consolidando também no Brasil como importante categoria de esporte motor. Veja os resultados: Colocação

Equipe

Metros

CATEGORIA LIVRE 2400 INICIANTES 1º Alligator 84,67 2º Furação 80,51

Piloto Luiz Antonio B. Silva Marcos Eltink

CATEGORIA LIVRE 2400 1º Yellow Power 2º Ronik

90,12 89,20

Johannes Eltink Rolando M. Niens

CATEGORIA LIVRE 3400 1º Dick Vigarista 2º Faisquinha

83,44 76,83

Geraldo Reijers Renato Eltink

CATEGORIA LIVRE 4400 1º Faisquinha 2º Dick Vigarista

94,47 83,87

Renato Eltink Henrique Reijers

Agenda Dourados (MS) Aeroporto Spessato Data da etapa: 11/09/2004 Distância: 201 metros (estréia da categoria na cidade)

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Negócios lançamentos

Carregadeira 416D A

Caterpillar Brasil desenvolveu uma nova opção de carregadeira para aplicação industrial a partir do projeto da retroescavadeira 416D. A Carregadeira Industrial 416D é um equipamento de pequeno porte, projetado para proporcionar produtividade e flexibilidade no carregamento e transporte de materiais, principalmente em locais com espaço reduzido. A máquina teve sua parte de escavação removida e ganhou contrapeso para tornar a operação de carregamento mais rápida e segura. O modelo vem com opção de engate traseiro, com capacidade de tração de até cinco toneladas. Seu peso de operação nominal é de 6.290 Kg e a capacidade da caçamba é de 0,96 m3. A Carregadeira pode ser equipada com duas opções de motor Caterpillar, o Motor Diesel 3054C Cat de quatro cilindros, aspiração natural e injeção direta, de 74 hp (58 kw) e o Motor 3054T Cat turboalimentado, que produz 80 hp (62kw) de potência líquida. Na ver-

Divulgação

são turbo não há a necessidade de ajustar a potência do motor para operações em altitudes superiores a 2,3 mil metros (7,5 mil pés). A transmissão Power-Shuttle Caterpillar possibilita a troca das marchas para cima e para baixo com a máquina em movimento. A velocidade máxima de deslocamento da máquina é de 32,8 Km/h. O modelo pode vir com tração nas duas ou nas quatro rodas, que pode ser acionada com a máquina em movimento, sob carga, através de um interruptor no console frontal. Também estão disponíveis quatro opções de compartimento do operador para essa máquina, o toldo ROPS/FOPS com ou sem pára-brisa dianteiro, cabine Utility e cabine Utility Plus com ar condicionado. M

Algodão transgênico A

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SDI, representada no Brasil pela Gehaka, está lançando os kits imunocromatográficos Trait, que são testes rápidos para a determinação qualitativa da presença de orga-

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nismos genéticamente modificados (OGM) em amostras de grãos e farelos. O principal componente presente nas tiras de testes dos kits no algodão são anticorpos especificamente desenvolvidos para identificar as proteínas Cry1AC, PAT/bar e CP4EPSPS. Os testes possuem sensibilidade capaz de detectar uma semente/ caroço genéticamente modificada entre 400 convencionais, num período de cinco minutos. Com uma amostra representativa do que se quer analisar, obtêm-se 400 sementes/caroços, que devem ser triturados por aproximadamente 30 segundos ou até que todos as sementes/caroços estejam bem partidos. Então adiciona-se a estes grãos a solução de ex-

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tração e agita-se até que eles estejam completamente molhados. Do líquido sobrenadante transfere-se 0,5 ml através de pipeta descartável ao tubo de amostra e introduzse a tira de teste. Após cinco minutos fazse a interpretação dos resultados na própria tira de teste onde, uma linha cor de rosa significa resultado negativo (sem presença de OGM) e duas linhas cor de rosa, resultado positivo. Este mesmo teste pode ser aplicado às folhas no campo, utilizando-se ao invés de sementes/caroços, um pequeno pedaço da folha que se quer analisar. Os testes possuem especificidade, isto significa que é necessária a utilização de kit específico para cada evento que se queira pesquisar. Cada kit contém: • 100 tiras de testes • 100 pipetas descartáveis • 100 tubos Eppendorf (para amostra) • Dois litros de solução de extração-buffer • 100 bastões para análises em folhas • Manual de instruções M

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Negócios lançamentos

CPR 4000/6000 e Mecsilo Divulgação

abastecido pela moto-bomba que está incorporada ao conjunto, através da sucção da água armazenada em um reservatório qualquer, podendo ser abastecido por uma moto-bomba independente, enquanto que a moto-bomba do CPR 4000 está sendo usada para abastecer o pulverizador. A máquina é equipada com pneus rodoviários que suportam velocidade superior a 60 Km/h. O equipamento conta ainda com um filtro na entrada da sucção da moto-bomba, para filtrar toda a calda que está sendo transferida para o pulverizador, evitando paradas.

EMBOLSADEIRA

A

Mecmaq, empresa fabricante de máquinas de tratamento de sementes, está lançando o CPR 4000 e 6000 e a embolsadeira de grãos Mecsilo.

respectivamente. A velocidade do preparo da calda é de 500 l/min. O CPR está equipado com o conjunto moto-bomba (motor Diesel 10 CV), a suspensão é a ar e a partida elétrica. A máquina tem 2100 mm de largura, 4750 mm de comprimento e 2500 mm de altura. Os tanques são de polietileno em formato oval, o que facilita a homogeneização da calda, o seu esgotamento e a limpeza. O CPR pode ser auto-

O CPR 4000 e 6000, máquina desenvolvida especialmente para o preparo de calda para aplicações de agrotóxicos. O CPR – 4000 utiliza o incorporador Idea, que é usado pelos produtores para o abastecimento convencional de pulverizadores. O Idea é um incorporador que possui características especiais, as quais o difere do incorporador similar, que vem montado nos pulverizadores. Ele incorpora os produtos sólidos (pós-molháveis e adubos granulados) diretamente, sem a necessidade de pré-mistura, evitando a formação de micro-cristais e grumos, além de agilizar e expor menos o operador aos produtos. A máquina possui ainda o sistema de sifão, que possibilita retirar os produtos diretamente das embalagens quando estas são muito pesadas e difíceis de manusear. O CPR pode ser tracionado por um trator, camionete ou caminhão e os seus tanques tem capacidade para 2,2 mil litros e 3,3 mil litros cada,

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Divulgação

CPR 4000/6000

A embolsadeira de grãos Mecsilo, lançada pela Mecmaq, permite o armazenamento de qualquer tipo de grão. A máquina possui um sistema de enchimento da bolsa através da rosca sem fim com 350 mm de diâmetro por 1,700 mm de comprimento, acionado por Cardam na tomada de força do trator. A rotação da rosca sem-fim pode chegar a 360 rpm’s quando a rotação da tomada de força do trator está a 540 rpm’s sendo regulável para sincronizar com a rotação da abastecedora. A capacidade de produção da Mecsilo é de 250 ton/h. Ela é operada na TDP do trator com força requerida de 45 HP, tomada de força por barra cardam e possui regulador de altura da máquinas de transporte de 0 até 500 mm. A máquina tem peso aproximado de 1,5 mil Kg, altura (até o funil de recepção de grãos) de 2.750mm, largura de 2000 mm e comprimento de 4200 mm. A embolsadeira permite o armazenamento de qualquer tipo e quantidade de grãos, reduzindo custos com o transporte e permitindo que o produtor venda os grãos na M época que mais lhe convir.

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Negócios novidades

Sobras e lucros

Seminário A Kepler Weber promove a quarta edição do Seminário de Conservação de Grãos, buscando aprimorar a produtividade em toda a cadeia agroindustrial. A empresa, com sede em Panambi (RS), busca difundir as práticas e tecnologias que ajudem o setor o melhorar a qualidade e produtividade nos grãos. O primeiro encontro acontecerá no dia 03 de agosto, em Santarém (PA) , no dia 06 de agosto as palestras serão em Bom Jesus (PI), dia 24 em Lucas do Rio Verde (MT) e dia 27 o encontro ocorrerá em Dourados (MS). Em setembro estão marcados três encontros. O primeiro, no dia

02 será em Uberlândia (MG), dia 22 em Pato Branco (PR) e dia 24 em Campos Novos (SC). Em outubro o seminário está marcado para o dia 07, em Pelotas (RS). Entre os palestrantes estão o engenheiro Rubem Groff, da Kepler Weber, o consultor na qualidade de grãos Flávio Lazzari, da Universidade Federal do Paraná e os analistas de mercado das Safras e Mercado, Paulo Molinari e Flávio de Franca Júnior, que irão apresentar as expectativas da safra 2004/ 2005. As inscrições serão gratuitas e podem ser feitas pelo telefone 0800-512104, mas as vagas são limitadas.

Sobras e lucro é o título da publicação que acaba de ser lançada pelo entomologista Milton de Sousa Guerra, com o objetivo de evitar desperdícios e tornar mais rentável a propriedde rural. Aproveitamento de restos de frutas, hortaliças, leite e subprodutos em receitas de doces, compotas, xaropes, vinhos, licores e balas; além de noções de compostagem, são algumas das abordagens da obra de 136 páginas, divididas em 11 capítulos.

O autor acredita que suas idéias e ensinamentos poderão “ajudar a reduzir o número de desempregados, fato que atualmente aflige a população brasileira, dando lugar a emergência de novas iniciativas empresariais, ou pelo menos, novas alternativas para mais alguns ganhos, visando folgar o orçamento familiar.” Guerra foi um dos fundadores da Revista Cultivar. O livro pode ser adquirido através do correio eletrônico cultivar@cultivar.inf.br, ao preço de R$ 20,00, mais frete.

Milton Guerra

Sima 2005 De 27 de fevereiro a 3 de março de 2005 acontecerá o Sima 2005 no Parque de Exposições de Paris-Nord Villepinte, na França. Para esta edição do evento mais de 90% da área de exposição já foi reservada, totalizando mais de 100 mil m2 ocupados por estandes, onde todos os setores estarão representados. Para a produção de vegetais, as montadoras apresentarão linhas completas voltadas aos mercados internacionais e para a criação, serão apresentadas raças leiteiras e de vacas com bezerros ao pé. Mais de 400 animais estarão presentes ao lado de materiais, equipamentos, produtos e serviços voltados à criação. Expositores de mais de 30 países como Rús-

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sia, Coréia, China, Turquia e do Leste europeu já confirmaram presença. A área de água/ irrigação responderá aos questionamentos sobre utilização e gestão de água para irrigação e meio ambiente. Os equipamentos destinados às flo-

restas e à manutenção das áreas rurais, mais expressivos nesta edição, ficarão reunidos e ocuparão também uma área externa de demonstração. O evento é uma grande oportunidade para quem quer adiantar os lançamentos

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mundiais das empresas de máquinas agrícolas, pois é justamente no Sima que elas apresentam as novidades européias e que, posteriormente, acabam sendo lançados em feiras de outros países. A data e o local do evento contribuem também no que se refere ao conforto dos visitantes porque, enquanto o mês de fevereiro é muito quente no Brasil, na França o clima é propício, pois esta terminando o inverno. E por ser realizado em Paris, no final das contas, a viagem de negócios acaba sendo um oportunidade de percorrer roteiros turísticos inesquecíveis. Mais informações podem ser obtidas pelo site www.simaonline.com.

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Negócios

palavra do produtor

Desafios da produção

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melhorias significativas à nossa competitividade. Por último e não menos importante, temos a questão das sementes piratas. Aqui no Centro-Oeste, até poucos anos, éramos reféns de uma única variedade de algodão disponível para plantio. Hoje, diversas empresas públicas e privadas lançaram variedades novas e o produtor passou a ter mais opções para o plantio. Podemos escolher, de acordo com nossas necessidades, desde variedades com resistência às doenças e pragas existentes em nossa região, bem como características de fibra e produtividade, além do ciclo que vai do precoce ao tarCultivar

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s produtores brasileiros estão cada dia mais profissionais em relação ao que lhes cabe dentro das atividades que eles têm a executar. Investem em modernas tecnologias que lhes permitem maior produtividade, menor custo e produção de bens/ serviços com a qualidade imposta pelo mercado, tornando nossos produtos competitivos com os de outros países. Ainda assim, temos muitas maneiras de melhorar nossa performance, mas nos deparamos com certas dificuldades. Por exemplo, aqui no Mato Grosso, poderíamos melhorar e reduzir custos com transporte, criando hidrovias, que são altamente viáveis para transporte de longas distâncias. No entanto, deparamo-nos com questões ambientais. Entendemos e respeitamos tudo o que se refere ao meio ambiente, uma vez que somos os principais interessados, entretanto nos questionamos se o transporte por rodovias utilizando-se caminhões não é tão ou mais nocivo, uma vez que polui o ambiente com gases oriundos da queima do diesel pelos motores, além do consumo de pneus. Neste caso, além da poluição, estes produtos são retirados da natureza. Temos ainda a dificuldade no tocante aos portos quando de importações (insumos e maquinários) e exportações. Ocorrem de os navios ficarem de 40 a 50 dias aguardando a carga ou descarga dos produtos, o que incorre em custos elevados de “demurage”. Outro fator, são os valores dos juros elevados pelo custo Brasil e pela política econômica. A falta de liberação dos transgênicos sabidamente reduz custos de produção e aliado a isto temos o subsídio de seus produtos, pelos europeus e norte-americanos em detrimento de outros países, especialmente o Brasil. As discussões e decisões ocorridas na OMC, para estudos na diminuição dos subsídios de produtos agrícolas, faz com que vislumbremos

Brunetta “Cabe salientar que a competitividade da agricultura brasileira deve-se aos próprios produtores”

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dio, entre outros fatores inerentes a cada cultivar. Porém, o que percebe-se é que, embora a oferta de variedades de sementes de algodão tenha crescido consideravelmente, o produtor continua querendo economizar justamente na semente, cujo valor em comparação ao custo total da lavoura é menor que o da corretagem para comercialização do produto final, adquirindo ou produzindo sementes sem qualquer controle de qualidade. O importante é ter em mente que o que aparentemente no presente leva a um custo menor acarretará em prejuízos maiores futuros, exatamente por estarmos retirando os recursos necessários para que as empresas de pesquisa possam custear suas despesas com o melhoramento genético. Considerando o volume de comercialização de sementes piratas, comercializadas por pessoas e empresas que não têm responsabilidade pelo que comercializam, acredita-se que as empresas de pesquisa detenham hoje variedades melhores do que as que estão no mercado, mas não estão dispostas a lançá-las pelas desvantagens que a pirataria impôs ao mercado de sementes. Tudo o que dissemos é do conhecimento de todos. Cabe então salientar que a competitividade da agricultura brasileira deve-se, principalmente, aos próprios produtores que diante de tantas dificuldades unem-se em associações para soluções de seus problemas mais críticos. A exemplo disto temos os consórcios para pavimentação de estradas, formação de lotes para exportação, pool para compras de insumos, processo junto à OMC para retirada do subsídio do algodão pelos americanos e campanhas maciças de conscientização contra o uso de semenM tes piratas. Elói Brunetta, Dir. Presidente do Grupo Itaquerê

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Informe jurídico • Newton Peter • OAB/RS 14.056 • consultas@newtonpeter.com.br

Penhora on line

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a luta diária travada entre o Governo brasileiro e seus cidadãos, uma inovação jurídica está complicando a vida de pessoas e empresas que respondem a processos de execução. Trata-se da penhora on line, sistema onde juízes determinam ao Banco Central o bloqueio de contas bancárias para garantir o pagamento de dívidas. A agressividade da atitude é aumentada pelo fato de os bloqueios estarem ultrapassando as quantias supostamente devidas, chegando a comprometer todos os valores depositados em todas as contas de empresas e de seus administradores. O sistema, implantado como uma forma de apressar a execução de dívidas e garantir a satisfação do credor, é usado na maioria dos casos em ações trabalhistas e fiscais e traz em seu cerne a premissa da vilania do devedor. Dizem seus defensores tratar-se de medida útil para garantir maior celeridade nas cobranças, reduzir os custos de recuperação de créditos e, por conseguinte, melhorar as condições gerais da sociedade. O argumento peca pelo fato de os maiores beneficiários da medida serem credores trabalhistas, histórico problema para as empresas e o governo. Ora, qual vantagem o sistema financeiro adquire de ações trabalhistas e fiscais? Trata-se de ganho para credores privados, poder-se-ia argüir benefício para tomadores e oferentes de crédito. Nas duas espécies de execuções, as empresas privadas convivem com dificuldades. Em termos trabalhistas, no intuito de beneficiar o funcionário, considerado parte mais fraca da relação, a Lei praticamente inviabiliza a defesa do empregador em muitos casos. Na parte tri-

butária, os problemas são os recursos ilimitados disponíveis aos servidores do Estado (como enfrentar?) e a presunção da fé pública, figura jurídica que concede vantagens aos funcionários da Fazenda e INSS. Com tantas desvantagens, por que conceder a possibilidade de penhorar saldo de contas bancárias das empresas? A explicação, segundo os defensores da medida, consiste na oferta a penhor de bens com pouca liquidez ou de difícil alienação, seja por terem sido aceitos por valor superior ao de mercado, seja por consistirem em mercadoria sem procura em leilões. Acontece que em diversos casos, por causa da possibilidade de penhora de numerário, os pedidos de bloqueio de contas bancárias estão antecedendo a análise da qualidade ou liquidez dos bens oferecidos

em garantia na execução. Isso altera totalmente o equilíbrio de forças entre as partes, necessário para solução justa do caso. Frente à ameaça de bloqueio de contas, empresas executadas acabam compelidas a fazer acordos ruins na tentativa de evitar o trancamento de suas atividades, resultado óbvio do arresto de seu dinheiro. Pior quando decisões permitem o trancamento de contas de sócios-gerentes ou de administradores.

DESEQUILÍBRIO DE FORÇAS Por séculos, os devedores sofrem as mais horrendas penas. Nem por isso seu número diminuiu através dos tempos. Na Roma Antiga, um devedor poderia ter de passar anos na condição de escravo para quitar sua dívida. Se tivesse mais de um credor, seria dividido em partes proporcionais. Literalmente. Fato é que qualquer atividade empresarial traz riscos, muitos imprevisíveis, e a severidade dos castigos impostos possui tão-somente a capacidade de inibir iniciativas, não a de conceder clarividência. O bloqueio de contas bancárias, portanto, é inútil para evitar problemas em empresas, mas tem a nefasta capacidade de reduzir o incentivo para contratações e investimentos. A discussão será longa. Todavia, nos casos em que o bloqueio ultrapassa o valor objeto da execução, tem-se impetrado mandado de segurança e conseguido liminar favorável. Isso resolve parcialmente a questão, pois não libera todo o dinheiro. Empresas e administradores podem reduzir a exposição a riscos planejando alternativas com seus departamentos jurídicos antes de haver qualquer execução.

Decidido nos tribunais Penhora sobre faturamento - O vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça, Ministro Sálvio de Figueiredo, no exercício da presidência, negou pedido de empresa para suspender a penhora de 10% do seu faturamento líquido mensal. O credor é o INSS. Em processo de execução fiscal, o juiz da Primeira Instância determinou a penhora. Em seguida, o TRF, 4ª Região, confirmoua asseverando que não foi comprovada a existência de outros bens suficientes à garantia da dívida e que os demais bens oferecidos seriam ou gravados ou de difícil alienação. Sálvio de Figueiredo observou haver precedentes do STJ sobre o tema. “A presunção de legitimidade do crédito tributário, a supremacia do interesse público e o princípio de que a execução por quantia certa deve ser levada a efeito em benefício do credor, justificam a penhora sobre o faturamento, no módico percentual de 10% à míngua de outros bens penhoráveis”, acredita.

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Máquinas

Seguro de vida em grupo - A Segunda Turma do STJ foi unânime ao julgar contrariamente recurso interposto pelo INSS contra decisão do TRF, 4ª Região. Para a Turma, que acompanhou o entendimento da relatora, Ministra Eliana Calmon, o seguro de vida em grupo pago pelo empregador para todos os empregados “não pode ser considerado como espécie de benefício ao empregado”, não havendo, portanto, a incidência da contribuição previdenciária. À vista da previsão legislativa que antecedeu a reforma da Lei nº 8.212/91, “temos que o seguro de vida em grupo pago pelo empregador para todos os empregados, de forma geral, não pode ser considerado como espécie de benefício ao empregado, o qual não terá nenhum benefício direto ou indireto, eis que estendido a todos uma espécie de garantia familiar em caso de falecimento”. A Ministra Eliana Calmon conclui: “Se de seguro individual se tratasse, não haveria dúvida quanto à incidência, o que, entretanto, não ocorre em relação ao seguro de vida em grupo”.

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Agosto 2004


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