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Cultivar
Cultivar Máquinas • Edição Nº 192 • Ano XVII - Fevereiro 2019 • ISSN - 1676-0158
Índice
Destaques
04 Rodando por aí 10 Ficha Técnica
Nova versão do pulverizador autopropelido MF9330
16 Pneus
Utilização de lastragem líquida em pneus agrícolas
20 Colhedoras
Cuidados na preservação de soqueiras na colheita de cana
24 Semeadoras Comparativo de semeadoras
32 Nossa capa
Test Drive Imperador 3.0 da Stara com distribuidor pneumático
42 Agricultura de precisão
32
Semeadura de taxa variável
Equipamento que utiliza choque elétrico para destruir daninhas
Charles Echer
Nossa capa
46 Equipamentos
Confira o Test Drive exclusivo com o Imperador 3.0 da Stara
49 Mecanização
Divergências na terminologia de máquinas agrícolas
52 Rodados
Uso de esteiras de borracha em tratores agrícolas
Grupo Cultivar de Publicações Ltda. Direção Newton Peter
• Editor Gilvan Quevedo • Redação Rocheli Wachholz Karine Gobbi
Assinatura anual (11 edições*): R$ 269,90 www.revistacultivar.com.br cultivar@revistacultivar.com.br (*10 edições mensais + 1 conjunta Dez/Jan) Números atrasados: R$ 22,00 CNPJ : 02783227/0001-86 Assinatura Internacional: US$ 150,00 Insc. Est. 093/0309480 € 130,00
• Coordenador Comercial Charles Echer
• Revisão Aline Partzsch de Almeida
• Vendas Sedeli Feijó José Luis Alves Miriam Portugal
• Design Gráfico Cristiano Ceia
• Coordenação Circulação Simone Lopes
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Por falta de espaço, não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: contatos@revistacultivar.com.br Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.
RODANDO POR AÍ EletroVortex
Tratores
Os visitantes do Show Rural Coopavel puderam conhecer a tecnologia EletroVortex, presente no pulverizador Uniport 3030, da Jacto. Segundo o gerente de Produtos da empresa, Paulo Guirão, “a tecnologia permite melhorar a eficiência das aplicações e diminuir perdas por deriva, pois o EletroVortex combina duas tecnologias: a assistência de ar Vortex e o carregamento eletrostático de gotas”, explicou. Pesquisas de campo realizadas pela fabricante apontaram resultados positivos, com potencial para redução de aplicações, especialmente em soja e algodão, em até 5% e 10%, respectivamente.
A John Deere levou à edição deste ano do Show Rural Coopavel os tratores das Séries 5, 6, 7 e 8. De acordo com Thiago Dickel, especialista em Soluções para Preparo do Solo da Empresa, “todos os tratores possuem recursos em agricultura de precisão, monitoramento de performance, desempenho e conectividade para aumentar a produtividade e a rentabilidade do produtor”. Já para proporcionar rapidez no plantio, principalmente em tempos de janelas curtas, a John Deere lançou, por meio da sua marca GreenSystem, o DN 1006, voltado para a distribuição de corretivos e nutrientes sólidos a taxa fixa ou variável.
Distribuidor Master
A Piccin Implementos Agrícolas, levou aos produtores que passaram pela 31° Show Rural Coopavel, a solução esteiras precisas. Tecnologia de fábrica no multifuncional Distribuidor Master 1200 DH BI S Inox, o produto foi um dos destaques da marca na feira. “A Esteira Precisa garante maior vida útil, pois transporta qualquer tipo de material, mesmo que úmido. Também garante maior precisão e homogeneidade na distribuição devido à sua forma geométrica, evitando fatores como patinação da esteira e aplicação em golpes”, ressaltou a diretora comercial, Ligia Peccin e Silva. A empresa levou ao evento todo seu portfólio de distribuidores de adubo e orgânicos.
04
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Portfólio completo
Com destaque para suas novas linhas de tratores, a New Holland marcou presença no Show Rural Coopavel. Entre as novidades, estiveram os modelos TL 5.80, TL 5.90 e TL 5.100, com versões cabinadas e sem cabine. Também os novos TT 55, TT 65 e TT 75, juntamente com os tratores estreitos da linha T4. “A nova linha TL 5 apresenta motor FPT S8000 Turbo Intercooler quatro cilindros nas versões de 80cv, 90cv e 100cv, que traz maior potência, maior capacidade de tração e uma maior economia de combustível.” O gerente de Marketing de Produto para Tratores da New Holland, Saulo Silva, destacou também o Reversor Eletro-Hidráulico Power Shuttle, que dispensa o uso da embreagem nas movimentações de avanço frente e ré, gerando agilidade e conforto.
Barras de pulverização
O lançamento de tratores e o novo conceito de barras de pulverização foram os principais destaques da participação da Massey Ferguson nesta edição do Show Rural Coopavel. Segundo o diretor de Vendas, Eduardo Nunes, as novas famílias de tratores MF 4700 e MF 5700, com motorização de 75cv e 105cv, integram uma das faixas de potência mais importantes da marca. “2019 é um ano muito importante para a Massey Ferguson, devido à renovação de uma faixa de potência fundamental para a empresa no Brasil”, enfatizou. A marca lançou, ainda, o pulverizador MF 9330, com novo conceito de barras de pulverização e opções de até 30 metros de largura.
Sistema de quadro pendular
Um novo conceito de barra de pulverização foi apresentado pela Valtra no pulverizador BS3330H, lançado durante o Show Rural Coopavel. Com opções de 24 a 30 metros, o equipamento conta com sistema de quadro pendular e função de travamento, além de controle ativo para altura. “O sistema de quadro pendular diminui o atrito, melhora a estabilidade e favorece a deposição das gotas de pulverização. O equipamento traz também controle por válvulas pneumáticas”, explicou o coordenador de Marketing Pulverizadores da Valtra, Ronaldo Botelho Machado. A barra conta, ainda, com sistema de travamento, que na versão de 24 metros permite operações com o uso de meia barra, característica essencial no cultivo da cana-de-açúcar.
Primeira participação
Programa Trator Solidário
Além de comemorar o ingresso no programa governamental Trator Solidário, no estado do Paraná, a LS Tractor expôs seu portfólio de tratores aos produtores que visitaram seu estande no Show Rural Coopavel. “Com modelos de 40cv a 145cv, destacamos a nossa nova linha de 125cv e 145cv, tratores mais robustos, para podermos atingir uma fatia de mercado maior”, celebrou o gerente Nacional de Vendas da LS Tractor, Ronaldo Pereira. No programa Trator Solidário, a marca participa com dois modelos U 80, sendo um cabinado e o outro plataformado.
O presidente da LS Tractor, Juchan Kim, esteve presente no Show Rural Coopavel. Pela primeira vez em uma feira brasileira, o executivo se mostrou positivamente impressionado com o número de participantes. Kim lembrou que o mercado de tratores, no Brasil, chegou a 40 mil unidades em 2018. “Este ano acreditamos que, com o suporte do governo, o mercado seguirá crescendo”, opinou. O presidente da LS salientou a oportunidade de aproximação com os produtores e projetou boas vendas durante o evento.
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Pequenos e médios produtores
A Mahindra ampliou sua linha de tratores com motorização de 25cv e apresentou, durante o Show Rural Coopavel, o portfólio com máquinas de até 90cv. “Nosso foco no pequeno e médio produtor é representado pelos nossos lançamentos, prova disso é a introdução de um novo modelo de 25cv na feira: o 2025, um trator destinado para hortifrúti, para espaços diminutos de manobra ou para qualquer aplicação que o produtor precise de um modelo estreito”, enfatizou o especialista de Marketing de Produto da Mahindra, Gilberto Dutra. O trator 2025 é equipado com transmissão mecânica sincronizada de oito marchas à frente e quatro marchas à ré, e sistema hidráulico de três pontos com capacidade de levante de 750kg.
Tratores de esteiras
Tratores de alta potência e modelos voltados para a agricultura familiar foram apresentados pela Case IH no Show Rural Coopavel. “Como novidade na feira, estamos trazendo os tratores Quadtrac, que são articulados e com esteira de borracha. Um ponto positivo dessa tecnologia é a menor compactação e, ao mesmo tempo, mais transferência de torque ao solo. Isso resulta em economia de combustível e uma melhor e mais ágil operação”, explicou o diretor de Marketing de Produto da Case IH, Silvio Campos. Já a nova linha Farmall, que também esteve em evidência na feira, possui potências de 80cv, 90cv e 100cv, com motorização que atende à legislação MAR-I.
Potência elevada
Novidade de 629cv de potência, o trator articulado com esteiras Quadtrac foi peça central do estande da Case IH no Show Rural Coopavel. “A Case IH sempre esteve presente no campo, com lançamento de máquinas modernas e implementos agrícolas equipados com alta tecnologia. No 31° Show Rural Coopavel, esta tradição se mantém ao apresentarmos aos visitantes e clientes a linha de tratores articulados com esteira Quadtrac”, ressaltou o vice-presidente da Case IH para as Operações da América do Sul, incluindo América Central e Caribe, Cristian Gonzales.
Tecnologia de aplicação
Dentre as tecnologias de aplicação expostas no Show Rural Coopavel, o visitante teve a oportunidade de conhecer o Sistema de Controle de Bico Hawkeye – solução pulsada para pulverização da marca Raven. “Em cada bico do pulverizador é instalada uma válvula PWM, que controla a pressão e a vazão e, consequentemente, o tamanho da gota em determinada faixa de velocidade. Com isso, garantimos eficiência e qualidade na aplicação. Com a tecnologia também conseguimos reduzir a faixa de sobreposição, certificando a economia de produto”, ressaltou a especialista de Marketing da Raven, Sayuri Motoshima. A tecnologia foi exposta em estandes das empresas parceiras.
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Distribuidor Accura
A linha de distribuição de fertilizantes Accura e as semeadoras Quadra foram os destaques da Kuhn no Show Rural Coopavel. Versões novas, com mudanças na eletrônica, no acesso para manutenção e nas operações, estiveram entre as novidades da marca. “Lançamos, aqui na feira, o Accura 10.000 Rebocado em duas versões, uma mais básica, com sistema de distribuição mecânico, e outra com sistema de controle eletrônico, que faz taxa variável. As duas versões são capazes de trabalhar tanto com adubos granulados, quanto com pó, como no caso do calcário”, afirmou o diretor comercial da Kuhn, Robson Zofoli. A semeadora de precisão Quadra 7500, que incorpora semente e adubo ao solo, também ganhou destaque.
Demonstração
No dia 12 de fevereiro, a Raven do Brasil esteve presente em Erechim, em parceria com a Agroparts, realizando o Raven Day. No evento, além da disseminação do conceito de tecnologia para pulverização, foi possível demonstrar os benefícios do sistema de controle por bicos, o Hawkeye. Os clientes puderam conferir de perto os diferenciais apresentados pela tecnologia de aplicação por pulsos, como controle da pressão e da vazão, corte bico a bico, redução da faixa de sobreposição e compensação em curva.
Presença no campo
O diretor de Marketing da New Holland Agriculture para a América Latina, Gustavo Taniguchi, falou sobre a importância de estar presente no Show Rural Coopavel, uma das feiras mais importantes para o agronegócio da América Latina. “Estamos cada dia mais aumentando a nossa presença no campo, e é através de feiras do setor, como o Show Rural Coopavel, que conseguimos estreitar nossos laços com os agricultores. Esse é o nosso jeito de fazer, está no nosso DNA”, comentou.
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Demanda de tecnologia
Ao destacar os lançamentos no Show Rural Coopavel das quatro novas famílias de tratores T4, TT, TTF e TL5, a coordenadora de Comunicação da New Holland, Gabriela Brito, ressaltou as necessidades do produtor brasileiro e, em específico, o paranaense. “Todos nossos produtos foram projetados para atender a demanda de produtores rurais cada vez mais exigentes, que necessitam de tratores com maior nível de tecnologia, força e que, ao mesmo tempo, possuam robustez, conforto e design”, afirmou Brito.
FICHA TÉCNICA
MF9330 Com novo projeto de barras de pulverização e inovações tecnológicas que aumentam o desempenho em campo, a Massey Ferguson lança a nova versão do seu pulverizador autopropelido MF9330
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lançamento do pulverizador MF9330 assinala um novo momento da marca no mercado de pulverizadores. O modelo carrega em seu projeto um novo conceito em barras de pulverização e traz soluções técnicas que buscam ampliar a performance do equipamento, principalmente no que se refere à qualidade da aplicação. Um ponto de destaque é a estabilidade das barras de pulverização, que favorece a homogeneidade na distribuição e deposição de gotas. Dessa forma, uma melhor proteção da lavoura é alcançada para que o cliente da marca possa potencializar a sua lucratividade, ampliando a eficiência nas aplicações e diminuindo desperdícios desnecessários. Este novo projeto exigiu muitas horas de trabalho da equipe
Massey Ferguson
de engenharia em seu desenvolvimento, com protótipos a campo testando exaustivamente os novos conceitos, aprimorando seus componentes para entregar aos clientes um produto que exceda as suas expectativas. Com melhorias implementadas já a partir do chassi, apresenta nova escada de acesso com degraus em aço e bem distribuídos para um fácil ingresso à cabine de comando; novo design aplicado às luzes dianteiras de serviço; assento auxiliar mais confortável, e coluna de direção atualizada com nicho porta-objetos em sua parte superior. Além disso, a principal inovação deste modelo é o novo conjunto de quadro central e barras de pulverização, que carregam também um novo circuito de pulverização.
MOTOR
O MF9330 possui motorização AGCO Power de gerenciamento eletrônico, 6,6 litros, modelo 66CW3, seis cilindros turbo, com 200 cavalos de potência e 790Nm de torque, o que confere ao pulverizador plena capacidade operacional para atender as exigências da operação.
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Fotos Massey Ferguson
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O motor AGCO Power atende a normativa de emissão de gases de escapamento, que entrou em vigor a partir de 1º de janeiro de 2017, estando alinhado com o programa Proconve MAR I. Produzido em Mogi das Cruzes (SP) e desenvolvido para aplicações agrícolas, possui rotação nominal abaixo de 2.000rpm, entregando um consumo de combustível bastante baixo quando comparado a modelos de pulverizadores similares do mercado. Com um consumo médio aproximado de 13L/h, auxilia o produtor rural a diminuir os custos de produção. Aliado a um reservatório de diesel de 365 litros, entrega uma autonomia relevante de pelo menos dois dias de operação sem necessidade de reabastecimento.
TRANSMISSÃO
Possui transmissão hidrostática composta por duas bombas que atuam em tandem, alimentando os quatro motores de rodas. Esses motores se encontram em circuitos distintos, onde cada bomba hidráulica alimenta dois motores de rodas em diagonal, ou seja, rodado dianteiro esquerdo no mesmo circuito do traseiro direito e vice-versa. Esta configuração hidráulica confere maior segurança ao conjunto de transmissão, pois o óleo sempre busca o caminho de menor resistência. Para melhor entendimento, vamos imaginar que um rodado esteja sobre uma superfície escorregadia, esse tenderá a ter giro-livre e utilizar a maior parte da vazão de óleo gerada pela bomba de transmissão. Assim, os demais rodados que teoricamente se en-
contram em superfícies firmes, ficam com vazão de óleo insuficiente para gerar torque nos motores de roda para ajudar a locomover a máquina. Esta situação é bastante comum em projetos que possuem uma única bomba de transmissão. No caso do MF 93330, como são dois circuitos distintos, se uma roda patinar, irá prejudicar o rodado da diagonal que está no mesmo circuito, porém a outra diagonal ajudará o pulverizador a sair desta situação crítica por ser outro circuito independente. Além das bombas hidráulicas, há os redutores que se encontram acoplados aos motores de roda. Este conjunto de transmissão permite a operação em terrenos com declividade de até 30% ou 16,7°. É importante frisar que além do conjunto de transmissão, o pulverizador MF 9330 possui eixos independentes e chassi flexível. Essa característica faz com que se obtenha uma ótima performance de capacidade de tração, auxiliando os rodados a se manterem sob pressão no solo e minimizando o risco de patinagem.
CHASSI E SUSPENSÃO
A cabine possui assento de suspensão pneumática e controles de aplicação ergonomicamente situados integrados ao assento
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Chassi e suspensão são primordiais também para um bom desempenho da capacidade de tração do pulverizador e a manutenção da velocidade operacional. O chassi do MF 9330, conceituado de Flex-Frame (na tradução livre, flexível), possui estrutura feita de vigas “C” em aço de alta resistência a torção. Com componentes interligados por parafusos ao invés de solda, mantém as características originais do aço, garantindo longevidade à es-
trutura que é bastante exigida durante as operações nos diferentes tipos de solo e topografia. Os eixos dianteiro e traseiro são independentes do chassi e apoiados na suspensão pneumática, que é ativa, tendo válvulas individuais em cada rodado, a fim de que o eixo copie o terreno, porém mantendo o chassi nivelado para uma melhor estabilidade do pulverizador e de suas barras. A bitola do pulverizador MF9330 é ajustável hidraulicamente de dentro da cabine, variando desde 2,80 até 3,40 metros de largura. Também apresenta vão livre de 1,65 metro quando aplicado o rodado radial 380/90R46 ou 1,54 metro quando for o rodado diagonal 18.4-34.
AMBIENTE DO OPERADOR
O posto de trabalho do MF9330 oferece um ambiente muito agradável para que o operador se sinta bastante confortável para enfrentar as longas jornadas de pulverizações. Com a cabine posicionada no entre-eixos, a suspensão ativa com eixos independentes, o assento de suspensão pneumática e a ergonomia dos controles de aplicação situados integrados ao assento, garante-se o conforto a quem realizar a operação. Pensando na segurança do operador, a cabine é pressurizada, possuindo dois filtros de carvão ativado que garantem o isolamento com o ambiente externo. Na parte externa da máquina, há uma caixa de ferramentas para que o operador evite de trazer utensílios como os EPIs para dentro da cabine, contaminando este ambiente. Também há um reservatório exclusivo para água limpa, com capacidade de 40 litros isolada de demais sistemas da máquina, exclusivamente dedicado à higiene do operador. Para
Nova barra, além de ser robusta, protege o circuito de pulverização que está interno na estrutura
auxiliar o operador a manter o ambiente limpo, há uma tomada de ar comprimido com engate rápido no painel traseiro da cabine. No que tange à operação em si, com as teclas dos comandos na cabine iluminadas, fica mais fácil a localização das mesmas durante as operações noturnas que são muito recorrentes nas aplicações de defensivos agrícolas. Ao centro da coluna de direção se encontra o manômetro da pressão de pulverização para que o operador possa controlar o padrão de gota pulverizada. Há dois consoles eletrônicos, um menor que cuida do chassi, chamado C-1000, com todos os sensores e a rastreabilidade do circuito elétrico, e outro console maior touchscreen, C-3000, que gerencia o controle de aplicação e navegação do pulverizador, tendo uma tela de 12.1”.
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A atuação de abertura e fechamento é feita diretamente no porta-bicos quíntuplo, que possui válvula Pro-Stop de acionamento pneumático de fechamento instantâneo
CIRCUITO DE PULVERIZAÇÃO
Um dos grandes destaques deste lançamento da Massey Ferguson é o seu circuito de pulverização, o qual traz novidades que ampliam a eficiência do controle de aplicação. O circuito é conduzido dentro da estrutura da barra, ficando protegido de interferências com a cultura, cercas ou matas ciliares. Isso evita danos no sistema e paradas desnecessárias para manutenções de componentes. A tubulação, bem como seus suportes, é confeccionada em aço inox, garantindo resistência e longevidade aos componentes. As uniões entre seccionamentos da tubulação são por flanges de engate rápido de fácil manutenção.
O circuito possui fechamento automático de nove seções de gerenciamento eletropneumático. A atuação de abertura e fechamento é feita diretamente no porta-bicos quíntuplo, que possui válvula Pro-Stop de acionamento pneumático de fechamento instantâneo, minimizando desperdícios e ampliando a eficiência na aplicação, além de reduzir o impacto ambiental. Este sistema pneumático promove até 98% de economia quando comparado a sistemas de válvulas elétricas convencionais, que demoram alguns segundos para o fechamento das seções. O tanque de calda é de três mil litros, tendo uma reserva técnica de mais 10% de seu volume para assimi-
Sistema de suspensão horizontal ajuda a proporcionar melhor estabilidade do conjunto de pulverização
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lar a formação de espuma no tanque. Há um reservatório de agua limpa de 240 litros de capacidade dedicado ao sistema de tríplice lavagem de embalagens, sendo pressurizado por bomba pneumática de baixa vazão, atuando no lava-frascos e tendo autonomia para a limpeza de várias embalagens. A agitação de calda se dá por dois agitadores de ação Venturi, que se encontram no nível inferior do tanque de calda contrapostos entre a dianteira e a traseira do mesmo. A estação de recarga é de fácil entendimento do operador, possuindo acionamento do solo para ativação da bomba principal, que é do tipo centrífuga em aço inox com vazão máxima de 549 litros/minuto, auxiliando na carga do defensivo para o tanque de calda através do incorporador. O incorporador com lava-frascos possui reservatório de 26,5 litros de capacidade. Opcionalmente se dispõe uma bomba de recarga que é centrífuga autoescorvante com vazão de 568 litros/ minuto e capacidade de sucção de sete metros de desnível. O gerenciamento do controle de vazão da bomba principal centrífuga inox se dá por válvula PWM, não possuindo retorno no circuito. Na prática, a válvula PWM gerencia a vazão de óleo para que o giro no eixo do motor hidráulico acoplado à bomba centrífuga seja o suficiente para gerar a vazão necessária para o controle de taxa. Este sistema garante que o controle de aplica-
O quadro central possui sistema pendular por roletes e seu controle pode ser manual, passivo ou ativo
ção não sofra influência das condições operacionais quando houver maiores esforços do motor, gerando oscilações no regime de rotação do mesmo. Junto à barra de pulverização implementou-se a aplicação de faroletes de LED azul, facilitando a visualização da pulverização em aplicações noturnas que são corriqueiras nas operações diárias.
NOVO CONJUNTO DE QUADRO E BARRA
Aqui chegamos ao principal destaque deste lançamento da Massey Ferguson complementando o tópico anterior do circuito de pulverização. Uma nova estrutura de quadro central e barras, com grande robustez e excelente estabilidade, gera uma melhor distribuição e deposição de gotas. O quadro central com exclusivo sistema pendular por roletes de baixo atrito (patente AGCO) garante uma altura homogênea durante toda a aplicação, mesmo em terrenos irregulares. Também possui suspensão da barra com acumuladores de nitrogênio e transferência de carga entre as barras laterais, proporcionando uma melhor estabilidade do conjunto. Os bicos e porta-bicos estão protegidos na estrutura da barra, e o sistema desarme da ponteira multidirecional (patente AGCO) protege a mesma nas manobras de arremates. O sistema de fechamento horizontal ajuda a minimizar os riscos de acidentes com linhas de energia elétrica. O MF9330 possui opções de 24 ou 30 metros de barra, ambas com corte automático de nove seções. A ponteira da barra, quando armada, possui um dispositivo de travamento mecânico ao final do curso do cilindro hidráulico, que, além de aliviar o cilindro, garante o correto posicionamento da ponteira. As articulações da barra possuem buchas autolubrificantes, eximindo o operador de cuidados diários, garantindo longevidade aos componentes da barra de pulverização e mantendo a disponibilidade das operações. Outro destaque importante des-
te novo pulverizador é a operação em meia barra homologada de fábrica para a versão de 24 metros que é dedicada às operações em cana-de-açúcar. Para tal necessidade há um sistema que trava o quadro central, minimizando os esforços para poder atuar em meia barra. Por último, tratamos do conceito do controle de nivelamento e altura de barras, ponto este que diferencia o pulverizador MF9330 no mercado. O quadro central possui sistema pendular por roletes e seu controle pode ser manual, passivo ou ativo. Quando em nível passivo, o sistema busca o nivelamento atuando nos cilindros de nivelamento das barras laterais e no movimento pantográfico do quadro de acordo com a programação em tela. No modo manual o operador atua no nivelamento através dos comandos posicionados no manche controlando individualmente barras laterais e altura do quadro central.
Já o controle ativo, de superior performance em terrenos irregulares, além de comandar as atuações descritas no controle passivo, o sistema atua também no movimento pendular através de cilindro hidráulico e sensores de inclinação. Dessa forma, o conjunto busca uma resposta mais rápida e eficiente em operações com situações adversas, garantindo o maior tempo possível dentro da altura programada. Esse sistema minimiza as oscilações da barra de pulverização e principalmente garante a melhor qualidade na aplicação.
COMERCIALIZAÇÃO
O novo MF9330 está sendo apresentado nas principais feiras agrícolas que ocorrem neste primeiro trimestre de 2019. Com o lançamento do MF9330 e o atual MF8125, pulverizador de 2.500 litros que está inscrito no programa MDA, a Massey Ferguson oferece uma linha completa de equipamentos para aplicação de .M defensivos.
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PNEUS
Pressão líquida A utilização de lastros líquidos em pneus de tratores agrícolas ajuda a aumentar a área de contato com o solo, minimizando as chances de compactação
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om o avanço da tecnologia no que tange à área das ciências agrárias, houve uma grande modernização na mecanização. Com o decorrer do tempo, a fim de diminuir o esforço físico do homem, melhorando a qualidade de serviço associado à segurança e à rapidez, foi se inovando as máquinas agrícolas - além do avanço tecnológico embarcado nessas máquinas -, aumentando de tamanho e, consequentemente, tornando-as mais pesadas. Com todas as qualidades e vantagens da inovação no setor agrário, também houve algumas desvantagens no que diz respeito ao excesso de peso ligado ao mau uso, gerando a compactação do solo. A compactação é um processo mecânico, que através de frequentes aplicações de cargas ao solo vai expulsando o ar contido nos vazios do solo, resultando na diminuição do volume que, por sua vez, aumenta o contato entre as partículas sólidas e a resistência do solo, diminuindo a deformabilidade (Santos, 2008). Uma parte da compactação gerada por máquinas é justificada pela
falta de discernimento do funcionamento e a má calibração dos componentes. A compactação do solo é um problema nas áreas cultiváveis em nível mundial, o que limita a qualidade física do solo e a produtividade (Richart, 2005). Um dos manejos conservacionistas é o sistema de plantio direto, isto é, com o mínimo revolvimento do solo, e com o tráfego de máquinas pesadas associado à estrutura física do solo, provoca uma compactação devido ao não revolvimento deste solo. Com o aumento na utilização de máquinas agrícolas, ligado ao sistema que não faz o revolvimento do solo, observa-se uma compactação superficial provocada por estas máquinas (Centurion, 2006). Existem diversos estudos que mostram os efeitos e as causas da compactação do solo. O certo é que este efeito é um resultado de diversos fatores e práticas utilizadas por produtores, em que pequenos detalhes, como a pressão interna dos pneus e lastragem do trator, podem interferir no resultado final da produção e na posteridade da atividade agrícola. O Laboratório de Mecanização Agrícola do Pampa (Lamap) realizou um experimento como propósito de propor orientações aos usuários e produtores rurais sobre peso e pressão dos pneus das máquinas agrícolas. O lastro líquido e a pressão interna dos pneus do trator afetam tanto no solo quanto na cultura em desenvolvimento, gerando compacta-
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Tabela 1 - Médias das áreas de contato (cm²) obtidas no contato solo/pneu em diferentes pressões internas e níveis de lastro líquido Pressão interna (psi) 25% 75%
16 433,45 495,90
20 362,17 421,96
24 354,63 421,33
Tabela 2 - Pressão exercida sobre o solo (kgf cm-2) em função da pressão interna e níveis de lastragem Pressão interna (psi) Nível de lastro líquido 16 20 24 25% 2,373 2,840 2,900 75% 2,278 2,677 2,681 Tabela 3 - Avaliação da área de contato e pressão sobre o solo em função do nível de lastragem líquida e pressão interna dos pneus Nível de Área de Pressão lastragem (L) contato(cm²) (kgf cm-²) Lastro 25% 383,42b 2,71a Lastro 75 % 446,40a 2,54b Pressão (P) kPa (lb pol-²) 110 (16) 464,68a 2,33b 140 (20) 392,07b 2,76a 165 (24) 387,98b 2,79a Lastro 36,13** 5,74* Pressão 22,61** 19,46** Interação LxP 0,04 NS 0,22 NS C.V. (%) 5,35 5,46
mada pelo pneu. Os pneus traseiros do trator eram da marca Goodyear modelo Dyna Torque II, construção diagonal, tração regular (R1) e com medidas 18.4R30”. De acordo com o fabricante, a profundidade de sulco para o pneu novo é de aproximadamente 39,7mm e no estado atual dos pneus utilizados para a análise, foi mensurada a profundidade média de sulco de 32mm. Os pneus dianteiros não foram considerados para fins experimentais. O procedimento experimental foi realizado da seguinte forma: elevação do trator com o auxílio do macaco hidráulico, inserção da forma artesanal preenchida de cal virgem, descida do trator à posição inicial sobre a forma por um período de 30 segundos para estabilização total do peso e, por conseguinte, a elevação novamente do trator para a retirada da forma para análise. Esta análise baseou-se no registro de fotos da área formada pelo contato do pneu com a cal contida na forma, e foi predeterminada em escalas com réguas e dimensionadas através da assistência do software AutoCad. Após cada análise era feita a desagregação do material compactado pelo rastro dos pneus com o auxílio do rastilho de jardim. Os tratamentos foram compostos pela combinação de dois fatores, sendo nível de lastro líquido (25% e 75%) e pressão interna do pneu (110kPa, 140kPa e 165kPa) com três repetições resultando em 18 unidades experimentais básicas. Os dados fo-
Fotos Unipampa
NS: não significativo (P>0,05); *: significativo (P<0,05); **: significativo (P<0,01); C.V.: coeficiente de variação.
ção do solo, que por sua vez afetará a qualidade das raízes e provocará um alto potencial de erosão da área de cultivo. Através da análise do efeito de diferentes pressões internas com diferentes lastros líquidos sobre o solo, e mensurando a área de contato exercida pelo pneu sobre o solo, consegue-se determinar o efeito da pressão interna juntamente com o lastro líquido e propor uma condição mínima de compactação exercida pelo trator agrícola sobre as áreas de cultivo. O experimento foi realizado no Laboratório de Mecanização Agrícola do Pampa (Lamap), localizado na Universidade Federal do Pampa (Unipampa) Campus Alegrete (RS). Na avaliação, foi utilizado um trator New Holland TL 75E, com peso estático aproximado de 3.260kgf. Para avaliação, foram confeccionadas bandejas em madeira, preenchidas com cal virgem para simular a deformação no contato solo/pneu, além de utilizar macaco hidráulico para elevação do trator na colocação e remoção das bandejas de análise, compressor de ar e calibrador manual com escala de 1psi para realizar a aplicação e a aferição das diferentes pressões internas, rastilho de jardim para desagregação do material compactado entre as observações, câmera fotográfica para registro da deformação e software Autocad para mensuração da área defor-
Os tratamentos foram compostos pela combinação de dois fatores, o nível de lastro líquido e a pressão interna do pneu
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Quanto maior a área de contato entre pneu e solo, menor será o efeito da compactação, já que o peso do trator sobre a área será melhor distribuído
pressão sobre o solo.
RESULTADOS OBTIDOS
Conforme os dados obtidos no experimento, observou-se que há relação direta entre o nível de lastro líquido, a pressão interna do pneu e a pressão de contato solo/ pneu. Observa-se que, conforme há aumento da pressão interna do pneu, aumenta a pressão que o pneu exerce sobre o solo, potencializando a compactação. Os dados mencionados sequer consideram outras variáveis externas, como o efeito do teor de água no solo. Conforme era esperado, o lastro líquido se comporta de maneira inversa, pois com o aumento da lastragem de 25% para 75%, aumentou a área de contato, diminuindo a pressão que o solo recebe do pneu, mesmo com o acréscimo de carga nos pneus. A adequação dos fatores acima mencionados mostra-se de suma importância para redu.M ção dos níveis de compactação do solo. Henrique E. Rodrigues e Vilnei de Oliveira Dias, Lamap/Unipampa Charles Echer
ram submetidos à análise da variância e as médias comparadas pelo teste de Tukey com 1% e 5% de probabilidade de erro. Com o auxílio do AutoCad foi possível mensurar a área formada pelas garras dos pneus (Tabela 1), realizando uma média das áreas nas três repetições. A determinação da pressão que o pneu exerce sobre o solo, como já citado para o experimento foi utilizada cal, é definida como a aplicação de uma força distribuída sobre a área. Logo, quanto maior a área de contato entre pneu e solo, menor será o efeito da compactação devido a uma maior distribuição do peso do trator sobre esta área. O trator New Holland TL 75E TDA possui 3.260 quilos, com uma divisão de pesos 60% traseiros e 40% dianteiros, totalizando um peso de 1.304kg nos pneus dianteiros e 1.956kg nos pneus traseiros, peso que os pneus exercem sobre o solo. Segundo a fabricante Goodyear, o pneu R1 Dyna Torque II 18-4-30, possui capacidade de lastro líquido de 337kg. Como no experimento foram utilizados dois tipos de lastragem, 25% e 75%, determinou-se o acréscimo de carga para cada pneu, 1.028,55kg e 1.129,65kg, respectivamente. O princípio da determinação da pressão é definido pela relação entre o peso que o pneu exerce sobre o solo e a área de contato. Determinou-se a pressão que o solo recebe pelo pneu em kg/cm2, como mostra a Tabela 2. O resultado está apresentado em forma de tabela, em que médias seguidas de mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. De acordo com a Tabela 2, ocorreu efeito do lastro e da pressão interna de forma separada sobre o solo, porém não houve interação significativa entre lastro e pressão interna. Observa-se que a pressão interna de 110kPa (16psi) diferenciou-se das demais pressões no que tange à área de contato e à pressão exercida sobre o solo. Para a lastragem, de 75%, diferenciou-se significativamente da lastragem de 25%, possuindo maior área de contato e menor
Sistema de abertura de sulco dotado de disco de corte, que facilita o trabalho em palhadas muito densas
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COLHEDORAS Valtra
Zelo na colheita Para aumentar a longevidade dos canaviais e, consequentemente, reduzir os custos iniciais de implantação da cultura, é necessário trabalhar com cuidado para preservar as soqueiras e garantir um desenvolvimento sadio das plantas
U
m dos maiores desafios de quem produz cana-de-açúcar no Brasil está relacionado aos custos de produção. Segundo dados do Pecege, o custo médio de implantação de um canavial na região Centro-Sul, na safra de 2017/18, foi de R$ 7.282,04. Levando-se em consideração todas as etapas na formação de um canavial, quase metade do investimento se refere aos insumos, sendo boa parte deles cotados em
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dólar. Com a valorização da moeda estrangeira frente ao real, tem sido cada vez mais necessários o uso racional de recursos e a eficiência nas operações agrícolas para viabilizar a produção. A longevidade dos canaviais é uma maneira eficaz de diluir os elevados custos iniciais na formação da lavoura. Quanto maior o número de cortes tolerado por um canavial, com boa produtividade, menor será a necessidade de sua renovação e assim aquele custo inicial passa a ser diluído, corte a corte. Entretanto, com a expansão da mecanização a partir do fim da queima da cana, temos visto o aumento de falhas e perda de vigor dos canaviais e a redução do número de cortes tolerados pelas soqueiras, acarretando em quedas de produtividade e elevação de custos. Diante do cenário recente, o setor produtivo e de pesquisa tem unido forças para reverter as dificuldades encontradas, sendo possível levantar alguns cuidados necessários para quem produz, como veremos a seguir.
CUIDADOS RELACIONADOS À PLANTA E VARIEDADES ADAPTADAS
Um canavial de qualidade se inicia na escolha adequada das variedades. O Brasil tem o privilégio de ter programas de melhoramento genético de excelência, com uma gama enorme de variedades que podem ser escolhidas de acordo com a necessidade e condições dispo-
níveis para cada produtor. Com a mudança do cenário, para plantio e colheita mecanizados, foram desenvolvidas variedades com elevada performance nestas condições e com características desejáveis, como porte ereto, alta produtividade, gemas menos proeminentes, elevada brotação etc.
Representação do triângulo-padrão de Ripoli (1996), para classificação do porte de canaviais
PORTE E SENTIDO DE TOMBAMENTO
O conhecimento do porte do canavial é essencial, pois influi no desempenho das colhedoras e, por exemplo, na velocidade operacional da máquina. Por isso, é importante caracterizá-lo antes da operação de colheita. Uma maneira prática e rápida de caracterizar o canavial é a metodologia do triângulo-padrão criado por Ripoli (1996), que diz respeito à posição relativa dos colmos em relação ao solo, podendo ser classificados em ereto, acamado e deitado. Estudos recentes têm mostrado que associado ao porte, o sentido em que os colmos do canavial estão tombados em relação ao deslocamento da colhedora pode influenciar na qualidade da colheita, principalmente no recolhimento dos colmos decepados e abalos às soqueiras. O sentido de tombamento é classificado, segundo Gírio (2018) em: neutro, contra ou a favor ao sentido de deslocamento da máquina.
Classificação de Gírio (2018) do sentido de tombamento dos colmos do canavial em relação ao sentido de deslocamento da colhedora
UMIDADE DA PALHA
A colheita mecanizada da cana ocorre 24 horas por dia durante a safra, com isso, alguns cuidados devem ser tomados. Para as colheitas noturnas, são recorrentes recomendações de cuidados no que diz respeito à visibilidade, porém, dependendo das condições ambientais, a umidade da palha pode ser um fator que merece atenção. Quando a umidade do ar é elevada, a palha úmida tende a apresentar maior resistência ao corte e o embuchamento passa a ser mais frequente, reduzindo a eficiência operacional da colhedora devido às constantes paradas.
CUIDADOS RELACIONADOS À MÁQUINA E PISOTEIO DE SOQUEIRAS
O crescente aumento do uso de máquinas agrícolas no processo produtivo da cana, possivelmente foi um dos fatores que mais contribuíram para as quedas de produtividades dos canaviais em um primeiro momento. Se antes a colheita era realizada manualmente, com poucas máquinas circulando nos talhões, hoje o tráfego é intenso. O tráfego de máquinas pesadas, principalmente colhedoras, além de compactar o solo e dificultar o desenvolvimento da cultura, pode causar danos e abalos às soqueiras quando feito de maneira desordenada. No que diz respeito a pisoteio de soqueiras, é inte-
ressante entender o conceito de afastamento de segurança entre máquina e cultura. O conceito corresponde ao afastamento lateral, em ambos os lados da fileira da cultura, no qual o rodado das máquinas não prejudica a cultura, tanto na parte aérea quanto no sistema radicular. Levando-se em conta a largura dos rodados e a largura da cultura ao perfilhar, a distância de segurança entre a lateral do rodado e a cultura, segundo Belardo (2016), é de no mínimo 15cm. Com a possibilidade de colher duas fileiras ou mais de cana, é possível adotar um novo conceito, chamado de canteirização, em que o pisoteio pode ser reduzido ao criar áreas de tráfego para todo maquinário, desde a implantação da cultura até a colheita. A limitação de se colher duas ou mais linhas simultâneas é o relevo. Caso o relevo seja acidentado ou o microrrelevo não esteja adequadamente nivelado, como, por exemplo, após a operação chama de “quebra-lombo”, é possível que ocorram duas situações: haja excesso
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Fotos Lucas Augusto da Silva Gírio
ALTURA DE CORTE
Túnel de vento do Centro de Engenharia e Automação do IAC, onde são realizados os testes com produtos fitossanitários
Quando a umidade do ar é elevada, a palha úmida tende a apresentar maior resistência ao corte e o embuchamento passa a ser mais frequente, reduzindo a eficiência operacional da colhedora devido às constantes paradas
de tocos altos e/ou arranquio de soqueira. Possivelmente, a melhor solução para evitar pisoteio de soqueiras seja o uso do direcionamento automático com correção de sinal via RTK, que permite
trafegar com erros entre 2cm e 5cm, apenas. Quando a implantação de um canavial é feita utilizando o piloto automático, o paralelismo entre linhas é quase uniforme, facilitando as operações subsequentes quando comparado ao não uso desta tecnologia. Uma das operações mais favorecidas com o uso do piloto é a colheita, pois apresenta visibilidade baixa devido às características da planta, que se torna ainda mais limitante no período noturno.
Na maioria das unidades produtoras, recomenda-se uma altura de corte basal dos colmos entre 45mm e 55mm em relação ao nível do solo, e a aferição pode ser feita no campo, com uma régua graduada, logo após a passagem da colhedora. O corte não deve ser muito mais elevado que os 55mm, pois a maturação dos colmos se inicia da base para as pontas, ou seja, quanto maior a altura de corte, maior será a perda de material rico em sacarose. Por outro lado, se o for muito próximo ao solo, por vezes chegando a tocá-lo, há um aumento de impureza mineral que será levada para a indústria, bem como arranquio de soqueiras, redução da longevidade do canavial e desgaste excessivo de facas. É comum encontrar colhedoras com mecanismos de corte de base flutuantes que acompanham o microrrelevo do solo e facilitam o controle deste fator pelo operador, mas nem sempre esse mecanismo está calibrado ou funcionando adequadamente, ficando a critério do operador decidir o impasse de levar mais matéria-prima rica em sacarose e impurezas, baixando a altura de corte, ou deixar matéria-prima no campo, mas levar menos impureza mineral para a indústria, elevando a altura de corte.
DESGASTE DE FACAS
As facas de corte são os componentes
Representação do afastamento de segurança de 72,5 cm e 32,5 cm em uma colhedora convencional, com bitola de 1,90 m e espaçamento da cultura de 1,50 m.
Desgaste de uma faca após oito horas de uso em relação a uma faca nova e monitoramento do desgaste das facas de corte do mecanismo de corte basal
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que efetivamente vão cortar a cana por impacto. Quanto mais afiado for o fio de corte, melhor será a qualidade da colheita e menor serão os danos e abalos causados às soqueiras. Uma soqueira muito danificada tem facilitada a entrada de patógenos e pragas, o que reduz a longevidade do canavial. Além disso, como o corte é realizado por impacto, facas pouco afiadas, combinadas a alturas de corte elevadas, tendem a causar maior abalo às soqueiras, devido ao maior braço de momento formado, proporcionando um efeito “alavanca” nas soqueiras. Por isso, deve-se monitorar constantemente estes componentes e trocá-los sempre que necessário. A principal causa de desgaste das facas é o solo. Solos mais abrasivos, como os arenosos, exigem uma maior frequência de inversão das faces da faca. Enquanto em um solo argiloso a frequência de inversão das facas se dá em torno de a cada oito horas trabalhadas, em solos arenosos a frequência de inversão aumenta, e o intervalo entre as trocas cai para praticamente metade do tempo. A verificação do desgaste pode ser feita visualmente ou de forma mais precisa, aferindo-se a perda de massa e o desgaste do fio de corte com um paquímetro. À medida que a lâmina perde o corte, tende a ficar mais espessa. Como pode ser observado, o aumento da mecanização trouxe um novo cenário para a canavicultura. Para que se atinjam
Com a possibilidade de colher duas fileiras ou mais, é possível adotar a canteirização, em que o pisoteio pode ser reduzido ao criar áreas de tráfego para todo maquinário, desde a implantação da cultura até a colheita
.M
A recomendação para altura de corte basal dos colmos fica entre 45mm e 55mm em relação ao nível do solo, e a verificação pode ser feita no campo com uma régua graduada
Representação da colheita mecanizada em um sistema em que foi utilizado o direcionamento automático no plantio (paralelismo entre as linhas), e sem o direcionamento automático (sem paralelismo)
elevados patamares de produtividade, longevidade dos canaviais e lucro, o produtor de hoje deve ser cada vez mais técnico, buscando informações e adquirindo novas tecnologias. Cuidados como os evidenciados no texto são essenciais para garantir a competitividade frente aos desa.M fios surgentes. Lucas Augusto da Silva Gírio Patricia Candia de Menezes Franciele Morlin Carneiro Adão Felipe dos Santos Rouverson Pereira da Silva, FCAV/Unesp, Jaboticabal
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Charles Echer
SEMEADORAS
Teste de velocidade Comparativo feito com sete diferentes modelos de semeadoras mostra que na maioria das vezes o aumento de velocidade interfere na implantação e no desenvolvimento das culturas de milho e soja
P
ara obter bons resultados na produtividade das culturas de milho e soja, é importante se ter cuidado com o manejo da semeadura, pois a variação de distância entre as plantas e a profundidade de semeadura estão entre as causas que reduzem a produtividade destas culturas. O aumento da produtividade devido ao manejo de densidade populacional e a uniformidade de distribuição estão relacionados com o adequado aproveitamento da área foliar das culturas para interceptação da radiação solar, definindo a adequada população de plantas para cada cultura, assim como para os diferentes híbridos de milho e cultivares de soja. Pelo fato de que a janela de semeadura pode ser reduzida nas áreas de cultivo de milho e soja, principalmente para aproveitar o pico de produtividade referente ao zoneamento agroclimático, o desempenho operacional das semeadoras deve ser aproveitado ao máximo. De forma que tal estratégia é fundamental para se aproveitar o potencial dos híbridos e das cultivares implantadas e a melhor condição de clima para as plantas, com menor custo, dispensando aquisição de número exagerado de máquinas. Para conseguir aumentar o desempenho das semeadoras, a alternativa mais utilizada é aumentar a velocidade de semeadura, contudo, com isso pode-se prejudicar a qualidade de semeadura (plantabilidade) da cultura da soja (Bertelli et al, 2016). Sabe-se que outra possibilidade é ter mais máquinas, todavia, tem-se direcionado o foco para o aumento da largura das novas semeadoras comercializadas e adquiridas pelos produtores, pois os produtores buscam uso de menor número de tratores e menor número de operadores. Não obstante, tem-se adquirido tratores de elevada potência para possibilitar deslocamento em elevada velocidade, possibilitando alcançar elevado
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rendimento operacional, tanto por largura das máquinas quanto devido à elevada velocidade de semeadura, o que pode causar menor qualidade de semeadura e consequentemente menor produtividade.
QUALIDADE DE SEMEADURA
A qualidade da semeadura é função, entre outros fatores, do tipo de máquina semeadora, da velocidade de operação, da regulagem do disco de corte e da profundidade de semeadura. Delafosse, já em 1986, tratava a velocidade de semeadura como um dos aspectos que mais influenciam o desempenho de maquinários, sendo que para semeadoras, a distribuição longitudinal de sementes no sulco de semeadura é afetada pela velocidade, que, por fim, influencia na produtividade da cultura. Sendo assim, é necessária velocidade de semeadura adequada para se ter adequado estande de plantas. Quando se fala em espaçamentos, normalmente os utilizados são os aceitáveis, falhos e múltiplos. Segundo a ABNT (1994), tem como definição distância entre sementes o espaçamento entre sementes em uma mesma linha de semeadura, medidas com uma referência de um centro geográfico de sementes consecutivas. A distância referência (Xref) é a distância entre sementes definida segundo a recomendação agronômica da densidade populacional; aceitável é a distância entre sementes que varia de 0,5 a 1,5x Xref; múltiplos é a ocorrência de distância entre sementes menores que 0,5x Xref e falhos é quando a distância entre sementes é maior que 1,5x Xref (Reis e Forcellini, 2009).
ENSAIOS DE CAMPO
Para conhecer a qualidade de semeadura de máquinas atuais, foram montados ensaios para as cul-
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Figura 1 - Coeficiente de Variação do Espaçamento, Percentagem de Espaçamentos Aceitáveis e Profundidade de semeadura em diferentes velocidades de semeadura da cultura do milho, utilizando diferentes semeadoras de precisão novas, reguladas pelos técnicos da própria marca, conforme regulagens do fabricante em comparação com os dados médios gerais, Guarapuava/PR, safra 2017/2018
Leandro Rampim
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turas de milho e soja, testando diferentes velocidades de semeadura. Os ensaios de campo foram realizados na Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária - Fapa, no distrito de Entre Rios, no município de Guarapuava (PR). Na safra 2017/2018 foram realizados ensaios para semeadura de milho e soja utilizando várias semeadoras modernas, com regulagens realizadas pela equipe técnica de revendedores de cada marca (conforme regulagens do fabricante). Foram testadas semeadoras das marcas Case, Horch, John Deere (dois tipos de dosadores verticais), Massey Ferguson, New Holland, Planti Center, Semeato (dois tipos de dosadores horizontais) e Stara. O objetivo deste artigo é mostrar a diferença na distribuição e no desempenho das semeadoras, trabalhando em diferentes tipos de solos, coberturas e velocidades. Portanto, não serão apontados modelos ou marcas nos resultados. Apenas trataremos as máquinas utilizadas no experimento como letras de A a G. Isso evita que comparativos equivocados de desempenho sejam feitos, pois as máquinas trabalharam em condições distintas de cobertura, por exemplo, no plantio de soja, o que gerou um desempenho diferente entre máquinas que trabalharam em condições de palhada mais densa e palhada mais branda, por exemplo. E também é importante comentar que as máquinas/marcas testadas para milho não são exatamente as mesmas avaliadas para soja. Algumas destas marcas disponibilizaram semeadoras para semeadura de milho e outras para semeadura de soja. Nas semeadoras testadas, havia máquinas com sistema dosador horizontal (horizontal comum ou horizontal com rampa) e outras com dosador vertical (pneumático). Foram testadas diferentes velocidades de semeadura para cada semeadora, com velocidade máxima menor para milho e maior para a cultura de soja, que, de forma geral, permite maior velocidade de semeadura, devido ao maior número de plantas. Para o ensaio foi utilizado o mesmo lote de sementes para milho e outro lote de sementes para soja. Após a realização da semeadura, foi aguardada a emergência total das plantas de milho e soja. Na sequência, foi avaliado o coeficiente de variação do espaçamento entre plantas, percentagem de espaçamentos aceitáveis e profundidade de semeadura em diferentes velocidades de semeadura tanto para a cultura do milho quanto para a cultura da soja. Na Tabela 1 consta os resultados do ensaio da semeadura de milho realizado com semeadoras de precisão novas e modernas, reguladas pelos técnicos da própria marca, conforme regulagens do fabricante. Enquanto na Tabela 2 consta os resultados do ensaio
da semeadura de soja realizado com semeadoras de precisão novas e modernas, também reguladas pelos técnicos da própria marca, conforme regulagens do fabricante. O coeficiente de variação ou variabilidade do espaçamento entre plantas demonstra que a elevação da velocidade de semeadura, na maioria das semeadoras testadas, interfere negativamente na acomodação das sementes no sulco de semeadura, tanto para milho quanto para soja (Tabelas 1 e 2). Tal resultado pode ser visualizado ao se observar a percentagem de espaçamentos aceitáveis, prejudicado com o foco em aumento do rendimento operacional (Figuras 1 e 2). Na cultura de milho, as semeadoras C, E e F reduziram os espaçamentos aceitáveis ao elevar a velocidade, acarretando em aumento da variação de espaçamentos para as semeadoras C e F. Nas semeadoras em que a regulagem de profundidade foi mais profunda, a elevação da velocidade reduziu a profundidade de semeadura, como ocorreu nas semeadoras B e F. Por outro lado, as semeadoras A, B e D apresentaram resultados satisfatórios, sem ocorrer interferência nos espaçamentos aceitáveis, evidenciando resultados interessantes para tais semeadoras. Se destacam as semeadoras B e D, que mesmo ao semear em velocidade de 8km/h, apresentaram adequada qualidade de semeadura (Figura 1). Na cultura de soja, as semeadoras A, B, D, E, F e G apresentam redução dos espaçamentos aceitáveis com a elevação da velocidade de semeadura, sendo que as semeadoras A e D também reduziram a profundidade de semeadura com a elevação da velocidade. No ensaio de soja, a semeadora C se destacou, pois, mesmo com a velocidade de semeadura atingindo 13,5km/h, apresentou praticamente os mesmos resultados detectados nas velocidades mais baixas (Figura 2). Vale a pena ressaltar, que o tipo de solo e as condições de umidade também podem interferir na qualidade de
semeadura. Por conta disto, faz-se necessário selecionar uma semeadora ideal baseado na condição de cada local, mas o uso de forma equivocada pode
prejudicar o desempenho da mesma, e não realizando as regulagens para cada solo e condição de campo pode prejudicar a eficiência operacional.
Tabela 1 - Coeficiente de Variação do Espaçamento, Percentagem de Espaçamentos Aceitáveis e Profundidade de semeadura em diferentes velocidades de semeadura da cultura do milho, utilizando diferentes semeadoras de precisão novas, reguladas pelos técnicos da própria marca, conforme regulagens do fabricante, Guarapuava/PR, safra 2017/2018 Velocidade de semeadura, km h-1 2,5 4,0 6,0 CV % Significância (p<0,05) 2,5 4,0 6,0 CV % Significância (p<0,05) 2,5 4,0 6,0 CV % Significância (p<0,05) 2,5 4,0 6,0 8,0 CV % Significância (p<0,05) 2,5 4,0 6,0 8,0 CV % Significância (p<0,05) 2,5 4,0 6,0 8,0 CV % Significância (p<0,05)
Coeficiente de Percentagem de Variação do Espaçamentos Espaçamento, % Aceitáveis, % SEMEADORA A 20,2 97,0 20,4 96,8 21,5 95,6 29,9 2,2 ns ns SEMEADORA B 27,1 94,2 25,3 94,4 30,0 91,6 16,7 2,8 ns ns SEMEADORA C 24,0 95,6 32,4 89,6 46,5 86,2 22,4 4,2 * * SEMEADORA D 23,2 94,8 22,7 95,8 29,8 94,0 30,1 93,6 22,1 3,4 ns ns SEMEADORA E 38,0 94,2 33,3 89,0 43,5 83,6 49,7 73,2 32,4 4,1 ns * SEMEADORA F 26,3 95,4 30,3 93,4 33,0 90,4 41,4 84,2 10,7 3,8 * *
Profundidade semeadura, cm 5,2 5,0 5,5 9,2 ns 8,5 6,5 6,9 5,9 * SEMEADORA C 4,6 4,8 4,7 8,7 .M ns SEMEADORA D 5,9 4,8 5,0 5,7 10,9 * SEMEADORA E 4,4 5,6 5,4 5,5 14,4 ns SEMEADORA F 6,0 4,3 5,2 3,8 7,8 *
* significativo a 5% de probabilidade de erro pelo teste F; ns não significativo a 5% de probabilidade de erro pelo teste F.
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No que diz respeito à velocidade de semeadura, já na década de 2000, mesmo máquinas com menor tecnologia, Mahl et al (2004) verificaram que a melhor distribuição das sementes de milho foi com menores velocidades de deslocamento (4,4km/h e 6,1km/h). Quando se teve o aumento da velocidade para 8,1km/h, os espaçamentos múltiplos e falhos foram maiores, diminuindo a precisão do sistema. Dias et al (2009) ressaltaram que o aumento da Figura 2 - Coeficiente de Variação do Espaçamento, Percentagem de Espaçamentos Aceitáveis e Profundidade de semeadura em diferentes velocidades de semeadura da cultura da soja, utilizando diferentes semeadoras de precisão novas, reguladas pelos técnicos da própria marca, conforme regulagens do fabricante em comparação com os dados médios gerais, Guarapuava/PR, safra 2017/2018
velocidade de deslocamento da semeadora interfere na velocidade tangencial do sistema distribuidor. Carpes et al (2013) observaram que o aumento da velocidade da semeadora, de 5km/h para 10km/h, eleva a retirada de solo do sulco de semeadura, podendo aumentar o espaçamento entre plantas no sentido longitudinal. A redução de espaçamentos aceitáveis com aumento da velocidade causa desuniformidade de plantas da cultura de milho, podendo prejudicar o desempenho individual, já que podem ter plantas próximas umas da outras, reduzindo a produtividade individual e consequentemente a produtividade da área. A variabilidade de espaçamentos entre plantas pode causar redução na produtividade de culturas agrícolas. Sendo assim, para que sejam obtidas diferentes densidades de semeadura e, por conseguinte, populações de plantas, são necessárias variações na regulagem da semeadora, o que pode interferir na qualidade da dosagem de sementes, expressando na distribuição de espaçamentos aceitáveis, múltiplos e falhos. Nos ensaios é importante enfatizar que cada semeadora apresentou regulagens diferentes, as quais foram realizadas pela equipe técnica da marca, fato que é possível constatar com as diferenças de profundidade de semeadura entre as semeadoras, tanto para milho quanto para soja. Segundo Santos (2001), a profundidade ideal de semeadura da soja é entre 3cm e 5cm. O aumento da velocidade de semeadura pode acarretar em retirada de solo do sulco de semeadura (lançar solo distante do sulco), repercutindo em menor profundidade de semeadura. Tal situação demonstra a ocorrência de maior irregulari-
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dade na profundidade de semeadura ao elevar a velocidade de semeadura, podendo prejudicar a germinação e repercutindo em emergência desuniforme, o que pode ser agravado em situação de menor disponibilidade hídrica após a operação de semeadura. Para a regulagem de profundidade de semeadura, deve-se atentar para o correto ajuste conforme a profundidade almejada, fazendo a avaliação no campo na velocidade que se pretende utilizar. Deve-se ressaltar que o aumento da velocidade expõe mais solo, fator indesejável quando se almeja sustentabilidade do sistema plantio direto e menores riscos de erosão do solo. Trabalhos mostram que a produtividade final de uma cultura é afetada diretamente pela velocidade de semeadura, pois este fator está diretamente ligado a como as sementes estão distribuídas na linha. Segundo Madaloz (2014), a velocidade excessiva na semeadura acarreta desuniformidade na profundidade das sementes no solo, aumentando a frequência de falhas e plantas duplas, consequentemente aumenta a competição intraespecífica e o desenvolvimento irregular. Os resultados obtidos nos ensaios de milho e soja, mesmo com uso de máquinas modernas, enfatizam a importância de utilizar velocidade moderada durante a semeadura. Na década de 2000, que apresentava máquinas menos evoluídas, ensaios também evidenciavam que o aumento da capacidade operacional ocasionada pelo uso de velocidades de trabalho mais elevadas comprometia a qualidade da semeadura (Canova et al, 2007). Lacerda (2015) enfatiza a recomendação da Embrapa quanto à velocidade de semeadura da soja, que fique em torno de 4km/h a 6km/h, sendo que valores superiores afetam a distribuição das sementes. Observação se faz para a região Norte do Mato Grosso, na qual a maioria dos produtores tem suas operações de semeadura sendo executadas em torno de 9km/h. A distribuição adequada de plantas está ligada à
Tabela 2 - Coeficiente de Variação do Espaçamento, Percentagem de Espaçamentos Aceitáveis e Profundidade semeadura em diferentes velocidades de semeadura da cultura da soja, utilizando diferentes semeadoras de precisão novas, reguladas pelos técnicos da própria marca, conforme regulagens do fabricante, Guarapuava/PR, safra 2017/2018 Velocidade de semeadura, km h-1 2,5 4,0 6,0 8,0 10,0 12,0 CV % Significância (p<0,05) 4,0 6,0 8,0 10,0 12,0 CV % Significância (p<0,05) 3,0 4,0 5,0 6,0 7,0 8,0 9,0 11,0 13,5 CV % Significância (p<0,05) 2,5 4,0 6,0 8,0 10,0 CV % Significância (p<0,05) 2,5 4,0 6,0 8,0 10,0 CV % Significância (p<0,05) 3,0 4,0 5,0 6,0 8,0 10,0 CV % Significância (p<0,05) 2,5 4,0 5,0 6,0 8,0 10,0 12,0 CV % Significância (p<0,05)
Coeficiente de Percentagem de Variação do Espaçamentos Espaçamento, % Aceitáveis, % SEMEADORA A 48,5 60,2 47,6 63,8 50,7 57,0 50,4 54,2 64,8 43,4 77,2 42,8 11,7 8,7 * * SEMEADORA B 46,5 70,6 52,4 62,6 59,6 49,2 62,0 53,0 62,1 52,6 9,0 8,1 * * SEMEADORA C 51,1 69,4 51,8 71,4 45,4 74,0 45,0 74,4 47,4 71,0 47,0 74,2 48,9 69,8 50,5 69,6 51,6 66,4 10,0 7,9 ns ns SEMEADORA D 51,1 67,6 59,6 66,4 55,2 63,7 57,3 60,8 63,8 56,8 19,5 9,6 ns * SEMEADORA E 71,5 63,4 58,2 60,0 67,2 49,4 64,2 52,2 76,9 47,0 24,9 11,1 ns * SEMEADORA F 49,1 71,4 48,6 73,2 54,9 64,6 97,5 57,8 74,2 55,0 64,6 54,0 31,4 11,4 * * SEMEADORA G 51,8 81,9 45,6 85,2 45,5 85,9 36,5 85,5 47,2 81,3 83,5 72,6 69,2 59,3 60,6 7,6 ns *
Profundidade semeadura, cm 5,4 6,4 5,0 4,8 4,3 4,3 6,6 * 5,0 4,8 5,0 4,7 5,1 8,2 ns 4,1 5,3 5,3 5,8 5,4 5,2 5,7 6,1 5,1 9,1 * 5,2 5,3 5,5 4,8 4,7 20,3 * 6,6 8,0 6,3 6,8 6,4 7,5 * 5,5 6,4 6,3 3,1 5,7 6,0 9,1 * 2,6 2,7 3,3 3,7 3,1 2,8 2,4 17,1 *
* significativo a 5% de probabilidade de erro pelo teste F; ns não significativo a 5% de probabilidade de erro pelo teste F.
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Para se obter a densidade de semeadura com determinada população de plantas, são necessárias algumas variações na regulagem da semeadora
regulagem das semeadoras, o que interfere diretamente em espaçamentos aceitáveis, múltiplos e falhos da cultura (Dias et al, 2009), que podem ser prejudicados com o aumento da velocidade de semeadura. No quesito distância entre a semente e o adubo, pode-se dizer que a proximidade entre eles compromete a emergência das plântulas, devido ao efeito salino que o adubo pode exercer na linha de semeadura, por isso o correto é que o fertilizante seja adicionado cinco centímetros ao lado e abaixo da semente (Madaloz, 2014). É fato que, para obter densidade de semeadura, com determinada população de plantas, são necessárias algumas variações na regulagem da semeadora, podendo assim interferir diretamente na dosagem de sementes, expressa na distribuição de espaçamentos, alterando a qualidade da semeadura. Conhecendo estas especificidades, evidencia-se necessidade constante de monitorar a qualidade de semeadura, principalmente ao alterar o número de sementes por metro. Segundo Bortolotto (2014), a plantabilidade (qualidade de semeadura) é uma variável fundamental para o potencial produtivo de uma lavoura, sendo constituída por um bom estande de plantas seguindo as recomendações de populações para cada espécie. Além
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do mais, boa regulagem de semeadora, junto com sementes de qualidade, proporciona boa plantabilidade. A forma em que as plantas estão distribuídas na linha de semeadura pode acarretar na queda de produtividade da cultura. As plantas que estão mal distribuídas implicam baixo aproveitamento de recursos disponíveis como água, luz e nutrientes. No caso da cultura da soja, quando as plantas se encontram mais concentradas em certos pontos, pode acarretar plantas mais altas, menos ramificadas, com um diâmetro de colmo reduzido, sendo mais propensas ao acamamento, resultando em menor produção individual. Além disto, os espaços vazios deixados na linha de semeadura podem acarretar o desenvolvimento de plantas daninhas, e as plantas de soja ficam com tamanho menor que as outras. De fato, modificações relacionadas com a população de plantas podem aumentar ou reduzir a produtividade, pois essa característica é consequência da densidade das plantas nas linhas e também do espaçamento entre as linhas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Tão importante quanto ter semeadoras modernas, independentemente de marca selecionada, são a regulagem adequada da semeadora quanto à pro-
fundidade de semeadura (efetuada na velocidade que será realizada a semeadura); a regulagem adequada do número de sementes (baseado na população ideal para cada híbrido/cultivar e germinação/vigor das sementes); e a condição de umidade do solo, tipo de solo e condição climática após a semeadura (fator fundamental para obter resultado satisfatório na semeadura), ficando atento às previsões meteorológicas. De forma geral, os avanços das tecnologias presentes nas semeadoras modernas podem proporcionar melhor qualidade de semeadura. Isto é notável, tanto que os produtores rurais têm percebido tais evoluções ao longo dos anos e, mesmo aqueles que fazem revisões corretas em suas máquinas, fazem a troca de suas máquinas usadas em perfeito estado de conservação por máquinas modernas para continuar aprimorando a implantação das culturas no processo de semeadura. Com o aumento da velocidade, tem-se menor eficiência dos sistemas dosadores de sementes e interferência na abertura do sulco de semeadura, podendo prejudicar a acomodação das sementes. Baseado no ensaio realizado, também é possível constatar que o espaçamento aceitável para algumas semeadoras se mantém mais uniforme, mesmo com o aumento da velocidade, evidenciando que avanços têm ocorrido nos projetos de novos produtores. Isto mostra que o produtor tem vantagens ao substituir máquinas antigas por máquinas modernas que possam garantir desempenho satisfatório mesmo com velocidade acima do ideal. Neste aspecto, é necessário fazer ressalva que, conforme se aumenta a velocidade de semeadura, é necessário que outros fatores sejam favoráveis, como umidade adequada no pós-semeadura para iniciar germinação e ter eficiência na emergência uniforme; regulagem adequada em condições de elevado volume de resíduos vegetais; evitar a semeadura em umidade inadequada no solo, além de ausência de problemas de com-
John Deere
pactação do solo, que reflete em mais sementes expostas ao elevar velocidade de semeadura. É possível perceber a demanda por novas e constantes pesquisas para acompanhar os avanços tecnológicos das novas semeadoras, com a finalidade de suprir necessidade de elevar rendimento operacional da implantação da cultura. Estes trabalhos também possibilitam otimizar as máquinas no momento de semeadura, tanto para alcançar alta produtividade quanto para disponibilizar área de cultivo para implantação de outras culturas, amplian-
do o número de cultivos durante os 12 meses do ano ou, até mesmo, facilitar o cultivo de adubos verdes em mo.M mentos que ainda ocorra umidade do solo. Leandro Rampim, Unicentro Paulo José Alba, Fapa Jhonatan Spliethoff Roberto de França Vitor Hugo Outeiro, Unicentro
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NOSSA CAPA
Imperador 3.0 Dotado de um sistema pneumático, o Imperador 3.0 da Stara é uma máquina que pode realizar as operações de pulverização, distribuição de produtos sólidos e semeadura de sementes
P
ara os leitores da edição de março, que circula paralelamente à Expodireto 2019, na cidade de Não-Me-Toque no Rio Grande do Sul, a Revista Cultivar Máquinas apresenta um teste com uma máquina realmente inovadora. Trata-se do Imperador 3.0 da Stara, um equipamento que tem tríplice função, tornando-se uma máquina bastante versátil que pode ser usada em diversas operações durante a safra. Em 2016, a empresa lançou este equipamento possibili-
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tando a pulverização e distribuição de produtos sólidos. Em 2018 agregou uma função a mais, com a possibilidade de semear sementes de plantas que possam servir de cobertura após a colheita. Este novo equipamento apresenta um dispositivo de semeadura que utiliza um sistema pneumático de condução e distribuição de sementes. Este sistema passou a ser designado como Ponte Verde. Além de poder ser adquirido com a máquina nova, ele pode ser montado sobre um equipamento que tenha sido adquirido na confi-
Charles Echer
guração básica. Portanto, a grande vantagem é que o agricultor que possui o produto adquirido antes do lançamento do Ponte Verde pode adquirir este equipamento como opcional e montá-lo sem problemas, pois um dos diferenciais que possibilita isto é que o controlador que atua sobre o Ponte Verde é o mesmo usado para o pulverizador e o distribuidor de produtos sólidos, com disco. É quase desnecessário defender o estabelecimento de práticas que possibilitem a cobertura vegetal permanente do solo. Os estados do Sul constituíram uma cultura de conservação do solo, em que a cobertura permanente é fator-chave para o sucesso e a obtenção de altas produtividades. No Sul, em geral, a aveia, a ervilhaca ou mesmo com misturas de sementes de culturas, e no Centro-Oeste, principalmente a braquiária. Não há mais como pensar em um sistema equilibrado entre produção e conservação, sem uma cultura protegendo o solo. Há várias maneiras de se introduzir uma cultura em sequência da outra. No entanto, se houver possibilidade de antecipar a semeadura da cultura de cobertura, quando ainda o cultivo principal estiver no campo, representa um ganho de tempo fundamental. É natural entender-se que a capacidade de proteção de uma planta jovem é menor que uma
já estabelecida. Por isto, é necessário intercalar a semeadura antes da colheita, sendo primordial definir qual o estádio da cultura principal para esta semeadura. O momento da aplicação mais adequado parece ser o início da senescência, quando começa a desfolha, no caso da soja, nossa principal cultura nacional. Embora existam muitos dados e informações provenientes de órgãos de pesquisa, a Stara tem estabelecido parcerias para testes, a maioria em lavouras comerciais dos estados do Rio Grande do Sul e do Paraná. É sabido que a soja em final de ciclo gera pouca cobertura, portanto adiantar o processo de semeadura de uma cultura de inverno proporciona que já na colheita haja uma cobertura. Paralelamente à temática da inserção de culturas em cobertura, este equipamento também proporciona ao produtor rural a possibilidade de trabalhar com fracionamento de aplicação de produtos sólidos, quando conveniente, recomendado tecnicamente e economicamente viável. Nosso enfoque principal neste teste é este equipamento pneumático de distribuição de sementes, mas também avaliaremos sua integração em uma só máquina de pulverização e distribuição de produtos sólidos. Modernamente, o pulverizador já tomou protagonismo nos processos de
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Fotos Charles Echer
Motores de roda com redutores axiais permitem maior torque para trabalhar em terrenos declivosos
produção agrícolas modernos, sendo uma das máquinas mais utilizadas no ciclo, formado por diferentes fases. Quando uma máquina agrega, além do pulverizador, um distribuidor, sua utilização se incrementa bastante. Introduzindo-se ainda a função semeadura é necessário entender que a sua utilização em uma propriedade rural será mais intensa ainda. Nota-se que a posição da barra central de pulverização e em consequência do depósito de líquido é um fator importante para que houvesse a possibilidade de colocação do depósito de sólidos e sementes na parte traseira da estrutura. A barra de pulverização, neste novo projeto, passou a agregar além dos bicos, os dispersores que proporcionam a distribuição das sementes.
MOTOR E TRANSMISSÃO
O Imperador 3.0 é equipado com motor da marca Cummins, de seis cilindros em linha, turboalimentado, que proporciona 223cv de potência máxima. Este é montado transversalmente sobre o chassi da máquina e fica logo atrás da cabine. O motor possui gerenciamento eletrônico que atende à legislação de controle de emissões vigente, a Proconve MAR-I. Os técnicos da Stara relataram que a empresa fez um estreitamento de relações com o fornecedor do motor, em que se obteve o mapa de melhor rendimento do motor, o que resultou na possibilidade de dispor aos usuários uma função de modo econômico (ECO). A faixa ótima de funcionamento do motor está próxima ao regime de funcionamento de 1.800rpm, o que aumenta a economia de combustível. Esta função está disponível com um simples toque no monitor do sistema de gerenciamento da máquina. O sistema de transmissão montado na máquina conta com uma bomba hidráulica acoplada ao motor e a quatro motores de roda. Todo o sistema é da marca Re-
O sistema de distribuição de sementes é dotado de turbina, misturador/separador de sementes e bico dispersor, responsável pela distribuição homogênea das sementes
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Reservatório de sementes é produzido 100% em inox e possui capacidade para três metros cúbicos
xroth, que pertence ao Grupo Bosch. A transmissão é 4x4 integral e conta com controle de tração, que através da leitura de diferença de velocidade entre as rodas faz o controle do fluxo de óleo, reduzindo, com isto, o patinamento. O equipamento possui uma capacidade de rampa de 31,7%, o qual é bastante interessante para as lavouras do Sul do Brasil que, em geral, possuem relevo mais ondulado. São os redutores de roda que permitem este alcance. Com quatro “marchas” para deslocamento da máquina, tem como velocidades máximas 16km/h, 22km/h, 25km/h e 42km/h, sucessivamente. As três primeiras são indicadas pelo fabricante como as velocidades de trabalho, e a quarta é utilizada somente para transporte. A seleção destas marchas pode ser feita com o equipamento em movimento, através de interruptor localizado no comando multifunção. Todo o sistema hidráulico do Imperador 3.0 utiliza 195 litros de óleo hidráulico integrado, que deve ser trocado a cada 1.000 horas. O fornecimento do óleo resulta de uma parceria da Stara com a Iconic Lubrificantes (joint venture criada pela Ipiranga e a Chevron), que desenvolveu um óleo exclusivo de especificação 68 que pode ser adquirido nas concessionárias e revendas da Stara.
ESTRUTURA E DEPÓSITOS
O Imperador 3.0 é um equipamento autopropelido que reúne pulverizador com barras centrais, distribuidor e semeador pneumático (opcional). A estrutura básica é um chassi com longarinas longitudinais e travessas, onde todos os componentes são agregados. A posição central das barras confere estabilidade à máquina ao distribuir o seu peso sobre as operações. Para distribuição, o peso é dividido 44% na parte dianteira e 56% na parte traseira. Para pulverização, o peso é igualmente dividido, 50% na parte dianteira e 50% na parte traseira. Esta diferença se dá pela posição do depósito que
está sendo utilizado. A massa total do Imperador 3.0, em vazio, é de 9.980kg e de 11.680kg (1.700kg a mais) quando equipado com o sistema Sobe e Desce. Diferentemente dos pulverizadores autopropelidos Imperador 3000 e 4000, o Imperador 3.0 possui sistema de direção apenas nos rodados dianteiros da máquina. A máquina encontra-se equipada com sistema de suspensão pneumática ativa, com sistema de três pontos, curso de 20cm e com quatro bolsões de ar independentes, que
proporcionam melhor adequação ao terreno, menor índice de patinagem e melhoria na qualidade de aplicação.
SISTEMAS DE PULVERIZAÇÃO, DISTRIBUIÇÃO E SEMEADURA
O sistema de pulverização baseia-se em uma bomba centrífuga de aço inox com vazão de 430 litros/minuto. A tubulação, também de aço inoxidável, garante maior durabilidade dos componentes devido à resistência à corrosão. A barra de aplicação, que pode ser de 27m ou 30m,
O sistema sobe e desce permite que a máquina aumente seu vão livre em 40cm, com um simples toque num botão na cabine
A bitola pode variar de 2,80m até 3,50m de largura
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Suspensão pneumática ativa com sistema de três pontos garante maior uniformidade na aplicação
Bomba de autoabastecimento permite encher completamente o depósito em pouco mais de dois minutos
é dividida em sete seções, uma central e três para cada lado, podendo ser desligadas automaticamente para evitar a sobreposição (para pulverização), quando o veículo passar sobre uma área aplicada e que tenha sido registrada pelo sistema. As barras são fixadas ao quadro central por quatro pontos e possuem um controle exclusivo de estabilidade, montado em toda linha Imperador. O amortecimento das barras é feito através de acumuladores hidráulicos com gás. O corpo dos bicos de pulverização é triplo, o que possibilita a montagem de três pontas de pulverização que podem ser selecionadas somente com um giro da roseta do corpo. O Imperador 3.0 possui o retorno calibrado, sistema este que impede o sobrecarregamento dos bicos, como no caso de desligamento de uma seção. Neste caso, ao invés da calda permanecer na tubulação ou ser distribuída entre os bicos abertos, ela retorna ao reservatório. Isso garante que a pressão de trabalho seja constante no sistema. O incorporador de calda, localizado à esquerda da máquina, é de fácil acesso do operador, possuindo capacidade de 35 litros e contando com o sistema para a lavagem das embalagens dos produtos. Este processo conta um reservatório de água limpa com capacidade de 240 litros, tendo
Detalhe da turbina (acima) e da comporta dupla onde ocorre a divisão dos produtos em dosagens iguais para os dois lados da máquina
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Bicos dispersores responsáveis por distribuir as sementes
boa autonomia para realizar a tríplice lavagem. O Imperador conta com o sistema de autoabastecimento, opcional no modelo básico, que apresenta vazão máxima de 800 litros por minuto. O conjunto de abastecimento está montado na parte frontal direita da máquina e é de fácil acesso ao operador. O sistema de distribuição de produtos sólidos conta com um reservatório de aço inox montado na parte traseira da máquina, com capacidade de três metros cúbicos. Ao fundo do reservatório está instalada uma esteira de borracha para fazer o transporte do produto até os discos de distribuição. Os dois discos são acionados através de uma caixa de transmissão, acionada por um motor hidráulico. Ao final da esteira está instalada uma comporta para limitar a quantidade de produto, com regulagem fixa, fei-
Fotos Charles Echer
Com as barras localizadas no centro, o peso fica dividido 44% na parte dianteira e 56% na parte traseira para distribuição, e 50% na parte dianteira e 50% na parte traseira para pulverização
ta manualmente. Para o estabelecimento da dose a ser aplicada, quem faz esta calibragem é o controlador Topper 5500, que modifica a velocidade da esteira, para obter a quantidade de produto que cairá sobre os discos. O equipamento também possui um sistema de comporta dupla, que tem a sua abertura controlada automática e individualmente para a realização de arremates e bordaduras. O acesso ao reservatório de sólidos e sementes é feito através de uma escada localizada na parte traseira esquerda da máquina. Para fechamento do reservatório, o usuário pode adquirir como opcional uma lona que possibilita um fechamento fácil e rápido, através de um sistema de cabos e manivelas. Para auxiliar na visão traseira da máquina e da aplicação, uma câmera está instalada e transmite as imagens ao monitor Topper 5500. Opcionalmente, o Imperador 3.0 pode utilizar até seis câmeras, quantidade suportada pelo Topper 5500. Além da distribuição de sólidos, o Imperador 3.0 conta com o sistema de semeadura pneumática, onde é possível realizar a distribuição ao longo de toda a extensão da barra. A alteração de um sistema para o outro é simples e é realizada através de um simples toque em um interruptor localizado no painel de comandos, após a desmontagem do sistema de discos distribuidores e a montagem do sistema pneumático. O sistema de semeadura pneumática conta com uma turbina, que fornece um fluxo de ar, dois rotores colocados abaixo da esteira dosadora, para distribuir uniformemente para ambos os lados, dois misturadores/separadores de sementes e dispersores distribuídos na barra de pulverização. O reservatório para a colocação de sementes é o mesmo utilizado para os sólidos e a dose também é controlada através da velocidade da esteira de borracha. Assim, a esteira faz a dosagem das sementes, que vão para os rotores que garantem o fluxo uniforme do produto. Após, elas são levadas para o misturador, onde são distribuídas uniformemente para os dutos localiza-
dos nas barras até chegar aos dispersores espaçados em 0,95m (barras de 30m) e 1m (barras de 27m). Portanto, com este sistema é possível utilizar o mesmo rastro da pulverização para realizar a semeadura, diminuindo o amassamento e possibilitando a execução de prática de tráfego controlado.
AJUSTE DE BITOLA E VÃO LIVRE
O Imperador 3.0 possibilita o ajuste da bitola de 2,8m até 3,5m. Este ajuste pode ser feito pelo operador, desde o posto de operação, com uma pequena movimentação do veículo. Quanto ao vão livre, importante para aplicação em culturas em fases adiantadas de desenvolvimento, neste equipamento o ajuste pode ser feito em duas alturas, 1,43m e 1,83m. O sistema denominado “sobe e desce” utiliza um conjunto de alavancas e um pistão hidráulico em cada roda, que ao ser acionado de dentro da cabine, provoca uma elevação de 40cm na altura do equipamento. Este sistema, lançado em 2107, é realmente inovador e diferente das soluções utilizadas pelos concorrentes. Ao ser acionado, no monitor do Topper 5500, ele projeta o equipamento para trás e para cima, dando estas duas opções de altura. Embora opcional nos modelos básicos, a empresa afirma que a maioria dos produtores tem optado em adquirir a máquina com este dispositivo, pois a facilidade de ajuste e a utilidade são enormes.
CABINE
O posto de operador do Imperador 3.0 foi umas das surpresas positivas para a equipe de teste. O acesso à cabine é feito por uma escada, que já nos agradou, pois o primeiro degrau é bem próximo ao solo, facilitando o início da subida. Esta escada é retrátil e se movimenta automaticamente em função das condições de parada do veículo, que deve estar com o freio manual acionado para que o acesso e a saída sejam permitidos. Há bons pega-mãos para auxiliar a subida e como apoio na descida. Internamente, a cabine também impressio-
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O projeto da barra ajuda a manter os bicos de pulverização protegidos
O console lateral e o monitor Topper 5500 reúnem todas as funções vitais da máquina
nou positivamente, pois tem um ótimo acabamento e uma adequada distribuição dos comandos. Como comando central e multifunção, há um joystick, onde a função de aumento da velocidade em cada marcha é feito com a movimentação longitudinal do comando. A troca de marcha é feita apenas com toque de dois interruptores posicionados atrás da alavanca, ao alcance dos dedos indicador e mé-
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dio. A função de ajuste da altura da barra de aplicação é feita neste comando, com um toque do polegar, assim como a troca das telas do monitor, posicionado à direita, na altura dos olhos.
TECNOLOGIA TOPPER, PILOTO E TELEMETRIA
O Imperador 3.0 já vem equipado de fábrica com o controlador Topper 5500, que é responsável pelo gerenciamento da máquina e controle da pulverização, distribuição e semeadura. Sendo assim, é através da interface que se pode realizar a configuração da taxa de aplicação e distribuição. O monitor está localizado no lado direito do operador e é de fácil acesso, e neste se podem configurar nove telas. O controlador pode trabalhar tanto
com sinal GPS livre ou pago (antena RTK), sendo assim, dois modos de aplicação são possíveis, com a taxa fixa e com a taxa variável. No sistema de taxa fixa o operador informa a dose a ser aplicada e ela não se altera. Já quando se está utilizando a taxa variável é possível alterar a dose conforme a recomendação através de mapas de fertilidade e produtividade. Juntamente com o Topper 5500 está instalado o sistema de direção assistida ou piloto automático, de suma importância para a melhora da eficiência operacional da máquina, diminuição de falhas, redução de amassamento. Este possibilita trabalhos em modo curva e modo reto. Outra tecnologia empregada no Imperador 3.0 é o sistema de telemetria, sendo possível monitorar em tempo real a operação que a máquina está realizando e informações sobre aplicações.
TESTE
O teste do Imperador 3.0 foi realizado em uma área de teste de protótipos e treinamentos da Stara, localizada na sede da fábrica no município de Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul. Durante o teste tivemos a oportunidade de avaliar todos os dispositivos que constituem a máquina, sua aplicabilidade e funcionalidade, além da ergonomia proporcionada durante a ativação dos comandos.
Fotos Charles Echer
A primeira parte do teste constituiu-se em um breve período de explicações básicas de funcionamento e em adequar o posto de comando para o conforto do operador através do ajuste da coluna de direção, o qual pode ser feito em três partes: inclinação, regulagem de ângulo e regulagem de profundidade. Ademais, fez-se a regulagem do banco que possui suspensão pneumática e acionamento por tecla. Basicamente, o controle principal deste equipamento autopropelido é realizado através do joystick presente no console do lado direito do operador, em que nele se definem o sentido, a velocidade de deslocamento, as trocas de marchas, os comandos de altura de barra em relação à cultura, a ativação da pulverização ou distribuição, as trocas de tela do Topper 5500 e habilitar/desabilitar o piloto automático. Aproveitamos para testar a sensibilidade e a facilidade de troca de funções. O Imperador 3.0 está equipado com diversos dispositivos de proteção contra uso incorreto e segurança do operador. Desta forma, erros básicos que incidem e problemas de segurança são bloqueados pelo sistema. A função de habilitar as barras da máquina foi criada devido à necessidade de proteção durante o manuseio da mesma, caso o operador pressione uma das teclas de ativação da barra no joystick. Toda vez que se requer a utilização e o manuseio da barra, uma solicitação de ativação aparece no monitor Topper 5500 para que as mesmas sejam habilitadas e assim serem utilizadas. Ainda sobre as barras, o Imperador 3.0 apresenta comandos de acionamento eletro-hidráulicos para a correta utilização das mesmas. O primeiro é a ativação da bomba de pulverização através de tecla de acionamento. O segundo é para a liberação da barra (quadro) do chassi do autopropelido, para que esta fique independente do mesmo no momento da pulverização. O terceiro é a abertura da primeira parte das barras de forma automática, até o ponto predeterminado pela fábrica,
A capacidade de rampa do Imperador 3.0 é de 31,7%
A Stara
F
undada em 1960, a Stara é uma empresa do ramo agrícola que atua em todo o território nacional, e mundialmente está presente nos cinco continentes exportando seus produtos para mais de 35 países. Tem sua sede localizada na cidade de Não-Me-Toque, no estado do Rio Grande do Sul, e conta com duas fábricas filiais localizadas em Carazinho (RS) e Santa Rosa (RS). Hoje, emprega mais de 2.500 trabalhadores distribuídos nos diversos setores das fábricas e filiais. Seu portfólio de produtos abrange as áreas de agricultura de precisão, carretas agrícolas, distribuidores, niveladores de solo, plainas agrícolas, plataforma de colhedora de milho, pulverizadores, subsoladores, plantadeiras, semeadoras, escarificadores e tratores, além de uma linha de lubrificantes e bicos de pulverização. Apresenta-se como uma empresa dinâmica e com vocação tecnológica, sempre em busca de inovações e tecnologias que atendam às necessidades dos produtores rurais e gerem aumento da produtividade e lucro na atividade. A empresa baseia sua produção em cinco valores: evolução constante, consciência da qualidade, valorização e respeito às pessoas, integridade com todos os públicos e simplicidade.
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les nos traz surpresas positivas, seja pela inovação, a diversidade de soluções e inclusive pelas condições de cada local em que esta avaliação é conduzida. Avaliamos como muito positiva a experiência de testar este equipamento, pela sua variedade de funções e versatilidade. Porém, também foi positiva a visita ao ambiente Stara, que tem características especiais, sendo uma empresa local e com um sistema de produção em que os projetos e a maioria expressiva dos componentes são fabricados de forma autônoma. Quase todo o equipamento que testamos é montado com peças fabricadas pela Stara, inclusive os fundidos, que são produzidos na unidade de Carazinho, cidade vizinha de Não-Me-Toque. Igualmente nos chamou a atenção a integração entre os diferentes setores da fábrica, como a parte industrial e de marketing, onde se nota que os projetos são desenvolvidos e os componentes fabricados por pessoas que convivem no mesmo ambiente. É raro encontrar-se empresas fabricantes de equipamentos agrícolas onde o software e o hardware são desenvolvidos junto aos setores de engenharia. Talvez este seja um dos segredos do sucesso desta empresa que cresce e orgulha toda uma região. Quanto ao equipamento testado, ve-
mos que esta opção de utilizar o veículo autopropelido para pulverização e distribuição é uma excelente alternativa contra o prejuízo provocado pelo amassamento das culturas em fases adiantadas de desenvolvimento. Pareceu-nos claro que a opção de um equipamento que realize várias funções não é indicada particularmente para grandes produtores dos estados do Centro-Oeste do País, mas que se encaixa perfeitamente para os casos daqueles produtores com tamanho intermediário de área, talvez entre 300 e 1.000 hectares. Enfim, este autopropelido que agrega três diferentes funções certamente terá grande aceitação do mercado brasileiro, pelos benefícios que proporciona ao possibilitar ao produtor a utilização de uma única máquina em diversas atividades. Mas, ao que tudo indica, um dos grandes diferenciais é o sistema de distribuição pneumático, chamado Ponte Verde, que vem ao encontro de uma tendência forte nas lavouras brasileiras de antecipar a semeadura de coberturas verdes, dimi.M nuindo as janelas entre safras. José Fernando Schlosser, Daniela Herzog e Giácomo Müller Negri, Laboratório de Agrotecnologia - Nema - UFSM
Charles Echer
através de sensores instalados nos pistões hidráulicos para que a barra sempre se encontre na posição transversal em relação ao chassi. E o último comando é a abertura da segunda parte da barra de forma manual. Outro dispositivo de segurança presente na máquina é o botão de emergência para o piloto automático. Este botão é responsável pelo corte do envio de energia ao piloto automático, para que se evite a ativação do mesmo quando o autopropelido se encontrar fora do talhão de trabalho. A troca de funções (pulverização, distribuição ou Ponte Verde) também é realizada através de acionamento eletro-hidráulico. Ao selecionar a função, ocorre a troca de telas no monitor Topper 5500 e este emite aviso ao operador. Todas as configurações de aplicação e utilização do Imperador 3.0 são definidas através do Topper 5500, plataforma desenvolvida em ambiente Android, o que permite personalização de funções e comandos, conforme preferência do operador. A segunda parte do teste foi a operação do autopropelido na pista de teste de protótipos. Seguindo o percurso preestabelecido, observamos a estabilidade de barras, o conforto da cabine e a adequação do pulverizador ao terreno, com e sem o sistema de Sobe e Desce ativado. Testamos a transmissão hidrostática 4x4 com controle de tração na rampa presente na pista e observamos a marcante atuação dos módulos de controle do motor, ouvindo-se claramente a variação de rotação para se adequar às condições dinâmicas. Também se realizou o teste de distribuição e pulverização, acompanhando no monitor Topper 5500 ao lado do console a velocidade de deslocamento, a marcha de trabalho, a velocidade (rotação) da turbina, a taxa de aplicação/distribuição de produto e o nível de depósito. Além disso, é possível observar as áreas onde já foi aplicado, as seções da barra de pulverização que estão ativas ou as comportas de distribuição ativas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A equipe do Laboratório de Agrotecnologia do Núcleo de Ensaios de Máquinas Agrícolas tem sido convidada para vários testes da Revista Cultivar. Cada um de-
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Equipe da Stara acompanhou o test drive realizado pelo Laboratório de Agrotecnologia da UFSM no campo de testes da empresa em Não-Me-Toque (RS)
AGRICULTURA DE PRECISÃO
Solos manchados A aplicação em taxa variável de sementes é uma prática que ajuda a economizar no plantio e manter o potencial produtivo da lavoura. Mas para realizar esta técnica, é necessário investir em tecnologia e análise de solo adequadas
H
á diversas máquinas no mercado que são capazes de realizar a semeadura da soja e do milho em diferentes populações no campo, segundo técnicas de agricultura de precisão (AP). A aplicação em taxa variada de sementes já é uma prática possível, porém pouco difundida nas lavouras brasileiras. Mas como construir o mapa de recomendação ou prescrição das taxas de semeadura? Esses mapas são baseados na variabilidade de que fator? A resposta está no entendimento da variabilidade dos “solos manchados”. Os cultivos agrícolas são marcadamente heterogêneos, de modo a ser possível visualizar manchas no desenvolvimento e produtividade das culturas. As causas podem ser diversas, de natureza biológica como nematoides e pragas; causadas pela ação antrópica, tais como compactação, rotação de culturas, tempo de cultivo, adubação etc. Há também manchas relacionadas com propriedades intrínsecas das áreas de cultivos, como teor de argila, profundidade do solo (medida da superfície até a rocha) e do lençol freático, declividade, tipo de solo, entre outros. As manchas são caracterizadas por locais com menores produtividades e podem se repetir ano após ano. De modo que a incidência de manchas tem impacto direto na produtividade média das lavouras. É normal nas propriedades agrícolas, os talhões mais produtivos serem os mais uniformes, ou menos manchados. Quando relacionada a algum agente biológico, a ocorrência de manchas nas lavouras normalmente se inicia em pequenas áreas (reboleiras) e aumenta com o tempo (exemplo disso são pragas, plantas daninhas, nematoides etc). Com esse tipo de mancha, práticas para o controle do agente causal tendem a reduzir ou eliminar a ocorrência dessas áreas de menor produtividade. As manchas de natureza antrópica também podem ser alteradas, seja a curto ou médio prazo. A Figura 1 apresenta a variação na produtividade de soja em locais menores que 50 sc/ha (<3.000kg/ha) a locais superiores a 90 sc/ha (>5.400kg/ha). A média final desse talhão com 445ha foi de 74 sc/ha (4.440kg/
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Fotos Breno Juliatti
Divulgação
ha). Assim, o entendimento de o porquê da variabilidade do talhão é fundamental para a recomendação da taxa de semeadura de soja e milho. Nesse exemplo, há dois problemas distintos causando a variabilidade da produtividade: compactação e nematoides. E nenhum deles é usualmente utilizado para prescrever população de plantas. Então, aqui nos deparamos com uma incógnita, resolver o problema das manchas anteriormente à recomendação ou basear as taxas de semeadura para contornar a problemática presente? É uma decisão técnica baseada no custo/benefício. As manchas podem estar relacionadas com características primárias dos locais de cultivos, tais como tipo de solo, percentual de argila (textura), declividade, profundidade do lençol freático etc. Essas, por sua vez, dificilmente podem ser alteradas por práticas de cultivos em curto e médio prazo, sendo necessárias práticas agrícolas adequadas para esses ambientes. A Figura 2 apresenta um exemplo do efeito do teor de argila sobre a produtividade de milho. Nesse exemplo, há uma correlação direta positiva entre teor de argila e produtividade. Sendo assim, é razoável estabelecer populações diferentes de semeadura do milho baseadas no teor de argila. Então, vem o questionamento: onde semear mais e onde semear menos? Independentemente das causas das manchas, atualmente estão disponíveis ferramentas e conhecimento técnico para o mapeamento, diagnóstico e intervenção para reduzir o efeito da heterogeneidade dos ambientes agrícolas na produtividade das culturas. Além do aumento da produtividade, diversos estudos apontam para redução de insumos, de modo a diminuir os custos da produção, bem como menores impactos no meio ambiente.
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Figura 1 - Mapa de produtividade de soja em Chapadão do Céu-GO. Mancha vermelha na região superior do mapa mostra o efeito da compactação do solo por máquinas agrícolas. Manchas vermelhas em formas irregulares na região inferior correspondem à incidência de nematoide (Pratylenchus brachyurus)
Figura 2 - Mapa de produtividade de milho em Chapadão do Céu-GO. Mancha vermelha na região superior da imagem mostra o efeito do menor teor de argila na produtividade da cultura. Variações de 10% a 65% no teor de argila do solo em área de 400ha, influenciando na produtividade entre 55 sc/ha e 155 sc/ha, com média em 108 sc/ha
Red Edge (Sáude) – Nível de infestação
Tendo em vista a necessidade de identificar e mensurar a variabilidade espacial para a recomendação de taxas de semeadura, o primeiro passo é mapear a lavoura para localização e mensuração das manchas. Há diversas opções de tecnologias para o mapeamento de um campo agrícola: mapa de colheita, uso de drone munido com câmeras, sensores de vegetação embarcados em máquinas agrícolas, imagens de satélite, análises química e física de solo georreferenciadas, altimetria e sensores para mensuração de atributos de solo como umidade e condutividade elétrica. Cada uma dessas opções traz uma “camada de conhecimento” da área para basear a recomendação de semeadura, de modo que, para entendimento das causas das manchas em uma lavoura, pode ser necessária mais de uma informação para o correto diagnóstico. Dentre as várias técnicas existentes para a identificação de manchas, a condutividade elétrica aparente do solo (CEa) tem grande potencial de aplicação. Contudo, mesmo esse mapeamento sendo considerado uma tecnologia de ponta, sua utilização ainda é muito incipiente. A CEa é a capacidade do solo em conduzir corrente elétrica, sendo esse parâmetro utilizado como um indicador de características do solo, como salinidade, textura, umidade, matéria orgânica, CTC, lixiviação, definição de classificação de solos, drenagem e recarga de lençol freático. Existem no mercado diferentes modelos de sensores que mensuram a CEa para relacionar com as informações da variabilidade espacial dos fatores do solo. A população de plantas de soja pode variar de
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Figura 3 - CEa como atributo principal na determinação da população da semeadura do milho e o resultado na produtividade
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acordo com as características do solo, com efeito na economia de sementes. Essa afirmativa foi comprovada, como o trabalho realizado na UFMS – Chapadão do Sul (MS), onde foram estabelecidas três classes de semeadura de soja, com diferentes populações, baseando-se na CEa. A região com maior potencial produtivo (identificada pelos maiores valores de CEa) recebeu a menor população de soja, ou seja, 20% a menos de sementes por hectare. Na colheita dessa soja, a produtividade nesse ambiente de alto potencial foi similar ao tratamento que recebeu a taxa padrão de sementes. Mas atenção, nessa área não havia problemas de manchas de compactação ou nematoides ou mofo branco. Enfim, é importantíssimo o conhecimento prévio das causas da variabilidade local sobre a produtividade da cultura. A Figura 3 apresenta um exemplo da aplicação da CEa como atributo principal na determinação da população de milho em área comercial de 400ha em Chapadão do Céu (GO). Para a cultura do milho, a recomendação da população é inversa àquela aplicada para a soja. A planta de milho não “compensa” vegetativamente falhas no plantio, como a cultura da soja. O aumento populacional da cultura do milho em regiões de baixo potencial produtivo aumenta a competição entre plantas e causa a diminuição da produtividade. Assim, a região com maior potencial produtivo (identificada pelos maiores valores de CEa) recebem a maior po-
pulação de milho. A Figura 3 apresenta um resultado da aplicação dessa técnica. Através da variabilidade semelhante entre os tratamentos, não houve diferença estatística para a produtividade nas diferentes classes do teor de argila, a qual está relacionada diretamente com a CEa. Em suma, compreende-se que campos com maior uniformidade tendem a produzir mais do que aqueles que são heterogêneos, e que o conhecimento da variabilidade espacial em uma lavoura é o princípio para o manejo localizado, propiciando a sustentabilidade do meio. Para tanto, o levantamento de dados e a mensuração da CEa do
solo fornecem suporte para uma boa interpretação da variabilidade. Essas tecnologias da AP apresentam perspectivas promissoras na gestão de culturas nos campos agrícolas e, além de possíveis benefícios ambientais, permite reduções de custos de produção, otimiza a utilização de insumos e aumenta .M a produtividade.
Danilo C. Neves, Suzany S. Moura, Eder E. Silva, Fábio H. R. Baio e Paulo E. Teodoro, UFSM
Figura 4 - Mesma produtividade da cultura do milho em diferentes classes do teor de argila
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EQUIPAMENTOS
Choque orgânico Equipamento agrícola que utiliza choque elétrico para destruir plantas daninhas pode ser uma alternativa para o controle de invasoras em propriedades que trabalham com produção de alimentos orgânicos
A
s ervas daninhas representam um grande desafio para os agricultores. Em uma pesquisa realizada pela GeoAgri em 2018, existem cerca de 20 milhões de hectares de solo na produção da soja com a presença de ervas daninhas. Estas, quando não manejadas de forma correta, podem ser responsáveis por até 80% de perdas na produção, se tornando um desafio de con-
trole ainda maior, à medida que se adaptam ao solo e criam resistência a aplicações de herbicidas. Nesse último caso, por necessitar de maiores intervenções, eleva o custo médio de produção, reduzindo os lucros na lavoura. Nesse sentido, além da prática de manejo do solo e controle químico através de herbicidas, uma solução disponível para manter um controle viável das
Fotos Laserg/UFSM
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O tamanho ideal das plantas daninhas deve estar entre 20 e 40 centímetros de altura, entretanto, as descargas elétricas não necessitam tocar a superfície-alvo, pois o ar também pode ser um condutor elétrico
Por causa de manobras malfeitas, diversos componentes da esteira podem sofrer desgaste prematuro
ervas daninhas é a capina elétrica, a fim de uso ecológico. A tecnologia de capina elétrica baseia-se no uso e aplicação de descargas elétricas e/ou eletrochoques por equipamento específico. As taxas de repetição dos eletrochoques variam em função do tamanho e da capacidade do gerador, assim como da superfície de descarga. A máquina dessecadora utilizada para esse uso, principalmente pelos produtores de soja orgânica, é a Eletroherb, patenteada e lançada pela Sayyou Brasil, empresa do mercado de equipamentos industriais agrícolas com sede em São Bernardo do Campo (SP).
COMO FUNCIONA?
A Eletroherb é um implemento agrícola utilizado acoplado à tomada de potência do trator e com a principal característica de possuir dois mecanismos distintos de aplicadores de choques elétricos. Com diferentes tamanhos e potência do gerador, consegue se adaptar aos distintos objetivos dos usuários. Primeiramente, a energia mecânica promovida pelo acionamento do motor do trator é convertida em energia elé-
trica, no implemento, criando alta voltagem e alta frequência. Essa energia é então transmitida para os aplicadores de forma que a parte negativa é transmitida para os rolos localizados à frente do implemento e que estarão em contato direto com o solo com transferência de fluxo de elétrons. Já a parte positiva é transmitida para as placas localizadas mais próximas ao trator, e que estarão em contato direto com as ervas daninhas. Esse aplicador direciona a alta voltagem através das plantas até suas raízes e consequentemente ao solo. Nesse ciclo composto por polo positivo (planta) e polo negativo (solo), o circuito elétrico é fechado, de forma a tornar-se seguro e sem agredir o meio ambiente. Na extremidade desses aplicadores há uma série de eletrodos, os quais são responsáveis pelos choques elétricos, que podem variar de cinco mil volts a até 15 mil volts, dependendo do porte da máquina dessecadora. Importante ressaltar que para o funcionamento mais eficiente da capina elétrica, o tamanho ideal das plantas daninhas deve estar entre 20 e 40 centímetros de altura, entretanto, as
descargas elétricas não necessitam tocar a superfície-alvo, uma vez que o ar também pode ser um condutor elétrico. Além disso, esse método não depende da hora nem do dia para aplicação, além de possuir controle de altura, através de um sistema hidráulico, permitindo a regulagem de acordo com a planta-alvo.
ALTERAÇÃO OCASIONADA PELO CHOQUE
Os choques de alta voltagem atingem inicialmente as folhas, porém as consequências logo se alastram pela planta, alterando sua estrutura de forma irreversível. A clorofila das folhas é imediatamente atingida, o transporte de seiva é interrompido e o processo de fotossíntese é prejudicado. Como consequência desses distúrbios, o sistema radicular é alterado e compromete a absorção de água e nutrientes essenciais disponíveis no solo, matando a erva daninha em poucos dias.
RELAÇÕES ENTRE VANTAGENS E DESVANTAGENS
A grande vantagem do equipamen-
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to sobre as formas convencionais de controle das invasoras é a preservação integral do meio ambiente: o método por eletrocussão do Eletroherb é uma solução ecologicamente correta na medida em que elimina o uso de produtos químicos, entre outros. Por outro lado, existem desvantagens, ou seja, fatores que podem ser aprimorados para melhorar o desempenho. As principais vantagens e desvantagens do sistema podem ser conferidas no box a seguir. Dentre os fatores de aprimoramento, a não seleção entre os tipos de plantas se mostra como um déficit muito acentuado nesse implemento. Para tanto, a agricultura de precisão se insere como importante recurso, e os sistemas agrícolas com sensores e câmeras são capazes de diferenciar lavouras de ervas daninhas, aumentando a precisão na execução da tarefa. De toda forma, o uso da capina elétrica oferece uma importante contribuição ao setor de mecanização e de pragas, uma vez que auxilia na remoção de plantas daninhas dos cultivos, abstendo-se do uso de herbicidas. A técnica, produzida e comercializada em território brasileiro, é, sem dúvida, um importante aliado ao desenvolvimento de sistemas de produção agrícola, como, por exemplo, sistema de produção orgânica e integrada devido ao seu potencial de uso em diversas cadeias produtivas e em diferentes partes do mundo. .M
Fotos Laserg/UFSM
Os choques de alta voltagem atingem inicialmente as folhas, porém as consequências logo se alastram pela planta, alterando sua estrutura de forma irreversível Gabriela Matos Cambrussi, Airton dos Santos Alonço e Gessieli Possebom, Laserg/UFSM
Vantagens e desvantagens do eletroherb
O sistema mantém a cobertura orgânica sobre o solo
A longo prazo, o sistema é economicamente mais viável se comparado a outras alternativas
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Vantagens - Em longo prazo, mais economicamente viável se comparado a outras alternativas. - Socialmente responsável, uma vez que não oferece risco à saúde dos trabalhadores e consumidores. - Não sofre deriva, ou seja, não há risco de atingir outros cultivos. - Pode ser utilizado a qualquer horário do dia, pois não sofre influência, por exemplo, do orvalho. - Não deixa resíduo algum no solo e não polui os mananciais de água. - Mantém a cobertura orgânica sobre o solo. - É eficiente no combate a plantas daninhas resistentes a herbicidas. - Os choques elétricos não matam minhocas e formigas.
Desvantagens - Eficiência reduzida na remoção de plantas daninhas perenes, velhas e lignificadas. - Não é um processo muito rápido (cerca de 0,7ha/h). - Há risco de incendiar plantas já secas e palhas que encontram-se na região a ser controlada. - Elevado investimento inicial com a compra do equipamento. - Pode destruir plantas do cultivo, uma vez que o método não faz seleção entre os tipos de plantas a serem atingidas. - Requer múltiplsa aplicações para que seja efetivo. - Necessidade de corredores relativamente largos para o tráfego.
MECANIZAÇÃO
Terminologia
Empresas e academia ainda divergem quando o assunto é terminologia de máquinas agrícolas e, com isso, termos regionais acabam consolidando diferentes formas de designar o mesmo produto
U
m dos assuntos mais polêmicos quando se trata da relação acadêmica com as empresas fabricantes e os usuários de máquinas agrícolas é a forma utilizada para designar máquinas e seus componentes, ou seja, a terminologia utilizada para referenciar estas máquinas. Afora as diferenças regionais, há generalizado consenso entre os profissionais que trabalham em mecanização agrícola, tanto no ensino como na pesquisa. Grande parte deste mérito deve ser dada ao professor Luiz Geraldo Mialhe, que ao longo dos anos e na sua produção bibliográfica nos trouxe grande contribuição. A maioria dos que
trabalham nesta área utilizou na sua formação os textos deste emérito professor. Durante o ano de 2014, o Laboratório de Agrotecnologia do Núcleo de Ensaios de Máquinas Agrícolas da Universidade Federal de Santa Maria desenvolveu uma compilação de toda a terminologia utilizada em documentos da área e apresentou o trabalho à Associação Brasileira de Engenharia Agrícola (SBEA) durante a reunião temática ocorrida no Congresso Brasileiro de Engenharia Agrícola, em Cuiabá (2011). Com a aceitação da associação, o assunto voltou a ser discutido nos anos seguintes, nas reuniões dos Congressos
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Azud
Fotos Charles Echer
Válvula duplo efeito
Segundo a ABNT, máquina agrícola é aquela projetada especificamente para realizar integralmente ou coadjuvar a execução de operações agrícolas
de Londrina (2012) e Fortaleza (2013). A par do trabalho desenvolvido por diversos pesquisadores, a padronização da terminologia utilizada para designar máquinas e seus componentes nunca se concluiu e permanece a polêmica do uso diverso, de acordo com o setor de atividade. As normas oficiais contribuem pouco, pois embora abordem o tema e sejam públicas, têm o acesso dificultado pelo alto custo de aquisição. Neste texto precário em aprofundamento, destacaremos apenas os termos mais importantes e polêmicos, com o objetivo de expor ao leitor da Revista Cultivar Máquinas esta tentativa de padronização e consolidação. Evidentemente que para tornar este texto atrativo, discutiram-se os argumentos para a concordância ou contradição destes termos e, portanto, selecionaram-se os mais importantes e destacados, além de mais polêmicos em suas formas de utilização. Começaríamos por trazer à discussão a questão tão bem posta por Mialhe, L.G. (1972), que diferencia ferramenta, máquina e implemento. Ferramenta é o implemento em sua forma mais simples, constituindo a parte ativa de outro
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implemento ou máquina (ferramenta ativa ou órgão ativo) e, como é geralmente designada na prática, apetrechos manuais como a enxada, a foice, o machado etc. A Máquina nesta ótica é um conjunto de mecanismos com movimento relativo entre as partes, ao passo que implemento, mais simples, não possui componentes que giram entre si. A ABNT define Implemento agrícola (Agricultural implement) como a máquina na sua forma mais simples, cujos órgãos não apresentam movimentos relativos e projetados para realizar ou coadjuvar a execução de operações agrícolas, e Máquina agrícola (Agricultural machine) como a máquina projetada especificamente para realizar integralmente ou coadjuvar a execução de operações agrícolas. Tem como objetivo aumentar a produtividade do trabalho de produção agropecuária. Particularmente nos atrai mais a ótica de Mialhe, que não considera o implemento como máquina. Na área comercial e entre os produtores rurais é comum generalizar o termo máquina para todos os equipamentos utilizados para a produção agrária. A Máquina Agrícola para a ABNT é aquela projetada especificamente para realizar integralmente ou coadjuvar a execução da operação agrícola, e a Ferramenta Agrícola é o Implemento em sua forma mais simples, o qual entra em contato di-
reto com o material trabalhado, acionado por uma fonte de potência qualquer. Também é interessante analisar os sufixos utilizados nos termos. Em geral, este ponto é o mais conflitante entre a academia e o setor industrial e comercial. A academia, em geral, adota o sufixo “ora” para designar a máquina, enquanto a indústria e o comércio de máquinas adota o sufixo “eira”. Por exemplo, semeadora e semeadeira, plantadora e plantadeira. O sufixo “ora” melhor designa máquina, a nosso ver, e o sufixo “eira” melhor se adapta à pessoa. No uso diário e doméstico se aceita utilizar, por exemplo, lavadora, para uma máquina de lavagem de roupas e lavadeira para uma pessoa que lave roupas. Entretanto, nas máquinas agrícolas, voltando ao primeiro exemplo, a academia utiliza Semeadora como uma máquina destinada a implantar culturas por meio de sementes, como, por exemplo, milho, soja, arroz; Plantadora, para uma máquina destinada a implantar uma cultura por meio de introdução ao solo de partes vegetativas, como, por exemplo, mandioca, cana-de-açúcar; e Transplantadora, para designar uma máquina destinada à implantação de uma cultura por meio de mudas ou plantas no estado vegetativo jovem, como eucalipto. Na indústria, principalmente no Rio Grande do Sul, onde está instalada gran-
Na área comercial e entre os produtores rurais é comum generalizar o termo máquina para todos os equipamentos utilizados para a produção agrícola
de parte das empresas fabricantes desta máquina, é comum o uso do termo semeadeira para designar a máquina de semeadura com fluxo contínuo de sementes (grãos finos) e plantadeira para a máquina utilizada para semear grãos maiores como o milho e a soja. Evidentemente que os produtores rurais adotam mais facilmente a terminologia utilizada pela indústria do que a da academia. Neste contexto, um fato curioso, certos professores e pesquisadores da área de mecanização agrícola passam a usar a terminologia da indústria quando se comunicam com este setor e com os produtores. As normas oficiais em nada auxiliam neste caso. A NR 12 adota indiscriminadamente os sufixos “ora” e “eira” (plantadeira, ceifadeira), e também peca, em determinados casos, por definições fechadas, que não abrange outras alternativas da indústria, por exemplo quando define a Colhedora de algodão (Cotton harvester), a faz da seguinte maneira: Máquina que possui um sistema de fusos giratórios que retiram a fibra do algodão, sem coletar a parte vegetativa da planta, ou seja, caules e folhas. Determinados modelos têm como característica a separação da fibra e do caroço, concomitante à operação de colheita. (NR 12). Mas nem todas as máquinas de colheita de algodão fazem este processo. Outro ponto de conflito é com respeito ao subsolador e ao escarificador. Em geral, aceita-se que a grande diferença entre estes equipamentos é que o subsolador é destinado aos trabalhos profundos de descompactação, enquanto que o Escarificador (Chiselplow) é um implemento de preparo e conservação do solo, dotado de hastes fixas ou vibratórias, utilizado para romper camadas compactadas a profundidades de até 40cm. Para muitos, não há diferença conceitual entre estes dois equipamentos. Sem querer gerar perseguição ao trabalho adotado na NR 12, vejam a definição de Pulverizador autopropelido (Self propelledsprayer): Instrumento ou máquina utilizado na agricultura no combate às pragas da lavoura, infestação de plantas daninhas e insetos. Sua maior função é permitir o controle da dosagem na aplicação de defensivos ou fertilizantes sobre determinada área. Qual a prévia diferença entre instrumento e máquina? As pragas são os insetos. E as doenças? Enfim, o que se consegue concluir é que não há concordância total neste tema e desconhecemos o alcance .M da sua importância.
José Fernando Schlosser, Daniela Herzog, Giácomo Müller Negri e Lucas Simon da Rosa, UFSM
Em geral, a academia adota o sufixo ora para designar a máquina, enquanto a indústria e o comércio de máquinas adotam o sufixo eira
Documentos que tratam da padronização de terminologia
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ão vários os documentos que tratam de padronização de terminologia e que foram analisados nesta compilação, principalmente as Normas ABNT: NBR 66:1998 – Agregados – Constituintes mineralógicos dos agregados naturais – Terminologia; NBR-9741cancelada em 2010; NBR 12541:1992 - Aplicação de defensivos agrícolas - Terminologia; NBR 12548:1992 Métodos de aplicação de defensivos agrícolas – Terminologia; NBR 12936:1993 - Pulverizador agrícola – Terminologia; NBR 12937:1993 - Máquinas e implementos aplicadores de defensivos agrícolas – Terminologia; NBR ISO 11450:2016 - Equipamentos para colheita e conservação - Enfardadoras cilíndricas - Terminologia e especificações comerciais e NBR ISO 14269-1:2017 Tratores e máquinas agrícolas e florestais autopropelidas — Ambiente do compartimento do operador - Parte 1: Vocabulário; Documentos da American Society of Agricultural and Biological Engineers (Asabe) e Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego (NR 12 e NR 31). No entanto, ainda que as normas sejam bem elaboradas e prevejam terminologia diferente, nada impede que o setor industrial e comercial utilize termos que facilitem a comunicação.
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RODADOS
A
necessidade de aumentar a capacidade operacional para a maioria das operações mecanizadas faz com que as máquinas agrícolas sejam equipadas com motores cada vez mais potentes, proporcionando maior capacidade de tração no caso dos tratores, e processamento no caso das colhedoras autopropelidas de grãos. Quando essas máquinas trafegam em solo agrícola, o desempenho é afetado por inúmeros fatores, que vão desde os intrínsecos à máquina, até os parâmetros de solo. Além do aumento da potência do motor, se observa aumento da massa das máquinas, visando à adequação do que chamamos de “relação massa/potência”, principalmente para aquelas operações que demandam maiores exigências de força de tração. O aumento da massa das máquinas agrícolas acarretou maior pressão dos rodados sobre o solo, ocasionando problemas de compactação, principalmente em lavouras conduzidas sob o uso do sistema de plantio direto. Nas áreas de cultivo de arroz irrigado, o problema recai sobre a baixa capacidade de suporte de carga do solo ou baixa capacidade de sustentação do solo, devido ao excesso de umidade (solos hidromórficos) e de particularidades da cultura, como a formação da lâmina de irrigação. Essas características fazem com que a capacidade de tração dos tratores e a sustentação de carretas agrícolas graneleiras e de colhedoras sejam reduzidas. Quanto às colhedoras de grãos, observa-se aumento sig-
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nificativo do tanque graneleiro, com capacidades de cinco mil a 14.500, litros o que representa, em média, o armazenamento temporário de quatro a dez toneladas de grãos, sem contar a massa da colhedora, que ultrapassa, em determinados modelos, 25 toneladas quando carregadas, o que requer rodados que ofereçam melhor distribuição dessa massa sobre o solo. A fim de minimizar os problemas e aumentar a eficiência das operações agrícolas, há a necessidade da adequação de projetos e de criação, desenvolvimento e validação de novas tecnologias. Neste sentido, uma alternativa encontrada, há algum tempo, para garantir melhores condições de trafegabilidade das colhedoras em solos cultivados com arroz irrigado, foi o uso de esteiras metálicas. Os problemas decorrentes do uso das esteiras metálicas são a dificuldade de manobra e o aumento do tempo necessário para recolocar a colhedora na faixa de operação. Em média, uma colhedora leva em torno de 30 segundos para realizar a ma-
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Esteiras de borracha
O uso de esteiras de borracha em tratores e colheitadeiras pode ajudar a diminuir a compactação do solo e a melhorar a tração
Dificuldade de uma colhedora de grãos de trafegar em solos hidromórficos, típicos de lavoura de arroz irrigado Alexandre Russini
nobra completa de cabeceira utilizando esteiras metálicas. Ou seja, a cada 120 manobras de cabeceira, perde-se uma hora de trabalho, reduzindo a eficiência de campo e aumentando o custo operacional. Além destes, tem-se o elevado custo de manutenção das esteiras, devido ao desgaste precoce dos componentes. O uso das mesmas se limita aos solos inundados, já que a água, utilizada para irrigação da cultura do arroz, atua como um “lubrificante”, auxiliando na redução do atrito entre as partes metálicas, tais como roletes e correntes.
Pedro Augusto Fan
Charles Echer
Ulisses Giacomini Frantz
ESTEIRAS DE BORRACHA
Case IH
Uso de rodado duplo em colhedora de grãos, em lavoura de arroz irrigado
John Deere
Visando à redução do tempo de manobra e a tornar as colhedoras mais versáteis, aos poucos as esteiras metálicas foram sendo substituídas pelos rodados duplos, que propiciam maior agilidade no deslocamento entre as áreas e nas manobras de cabeceira. Outra característica diz respeito à maior durabilidade e, consequentemente, ao menor custo de manutenção. Porém, os rodados duplos têm menor capacidade de sustentação das máquinas, quando comparados com as esteiras metálicas, em função da menor área de contato dos pneus com o solo. Ainda, provocam o que chamamos de efeito alavanca so-
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bre o eixo de saída da transmissão, ocasionando quebras tanto do eixo, quanto dos pontos de acoplamento (centro dos aros) e redução final. Nas áreas de arroz irrigado, este problema é frequente em colhedoras, devido à existência de curvas de nível e valos, utilizados para irrigação e drenagem das lavouras. Neste sentido, a indústria está propondo alternativas aos agricultores, como, por exemplo, o uso de esteiras de borracha. Esta nova concepção de sistema de rodados para máquinas agrícolas apresenta uma série de benefícios, que visam aumentar a eficiência das operações mecanizadas, bem como a relação custo/benefício. Tais esteiras podem ser utilizadas tanto em tratores quanto em colhedoras, pois apresentam um projeto de cubo aberto, que possibilita o uso em máquinas com redução final (epicicloidal). O sistema de acionamento pode ser por fricção ou por tração positiva, onde os blocos da esteira de borracha encaixam-se diretamente na roda motriz, o que aumenta a capacidade de tração, evitando patinamentos da esteira. Já o de tensionamento, geralmente, é de forma hidráulica, o que mantém a tensão constante da esteira, aumentando a vida útil. As vantagens do uso das esteiras de borracha, tanto em tratores quanto em colhedoras, recaem sobre a maior área de contato esteira-solo, em média, o dobro em relação à área pneu-solo. Isso proporciona maior capacidade de sustentação da máquina e, consequentemente, menor pressão das esteiras sobre o solo, reduzindo a compactação.
QUANDO USAR
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O uso de esteiras de borracha possibilita acompanhar melhor as irregularidades do terreno, permitindo a distribuição uniforme da massa da máquina no solo, além de proporcionar maior área de contato e aderência das esteiras com solo. Estas características são importantes quando se deseja maior capacidade de tração dos tratores, e de sustentação das colhedoras de grãos, especialmente em solos encharcados. Embora o custo de aquisição seja um fator relevante, o agricultor deve levar em consideração a relação custo/benefício. O acompanhamento de operações de preparo do solo, semeadura e colheita, quando realizadas com tratores e colhedoras utilizando esteiras de borracha, tem apontado para resultados promissores, tanto pelo aumento da capacidade operacional (hectares/hora), quanto para a redução do consumo de combustível. .M Alexandre Russini Gregor Santana Vizzotto Rogério Rodrigues de Vargas Universidade Federal do Pampa Marcelo Silveira de Farias Universidade Federal de Santa Maria
Case IH
CamsoBrasil
As esteiras de borracha podem ser utilizadas em qualquer tipo e condição de solo, proporcionando maior estabilidade às máquinas e mobilidade em solos com baixa capacidade de sustentação e de tração. No caso da colheita do arroz irrigado, onde se faz necessário o uso de plataformas de corte do tipo rígido, a maior estabilidade da colhedora ao transpor as taipas reflete em um melhor nivelamento da plataforma, reduzindo, desta forma, as perdas de colheita. Apesar das vantagens oferecidas, o elevado custo de
aquisição das esteiras de borracha tem limitado a expansão do uso desta tecnologia. Tal custo depende muito do fabricante e do fornecedor, podendo ser até três vezes superior em relação aos rodados duplos, no caso das colhedoras. A vida útil das esteiras de borracha varia de seis a sete mil horas, superior aos rodados convencionais, porém irá depender da quantidade de tempo que as máquinas transitam em estradas pavimentadas, o que acelera o desgaste. Quanto à manutenção, esse sistema necessita de certos cuidados, como lavagem periódica, troca dos óleos anualmente e rodízio das bandas de rodagem a cada dois ou três anos. Na sua maioria, apresentam rolamentos blindados, que reduzem o custo de manutenção, por não necessitar engraxamento, e evitam a entrada de contaminantes.
Efeito da pressão de diferentes rodados sobre o solo. Rodado duplo 620/70 R42 (esquerda) e esteira de borracha de 36” (direita)
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Uso de esteiras de borracha em colhedora de grãos, em lavoura de soja