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Maquinas 181

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Cultivar Máquinas • Edição Nº 181 • Ano XVII - Fevereiro 2018 • ISSN - 1676-0158

Índice 4 Rodando por aí 8 Velocidade de semeadura 11 Resíduos de semeadoras 14 Desempenho de máquinas 18 Capa - Test Drive U60 Power Shuttle 26 Segurança em armazenamento 30 Consumo de combustível em colhedoras 33 App para lavouras de arroz 36 App para avaliar pulverização 40 Eficiência de piloto automático

Destaques

Test Drive - Trator U60 Power Shuttle

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Conheça o novo trator U60 da LS Tractor, que vem com transmissão Power Shuttle

Armazenagem em risco Saiba quais os cuidados necessários para evitar acidentes em unidades armazenadoras de grãos

Grupo Cultivar de Publicações Ltda. Direção Newton Peter

• Editor Gilvan Quevedo • Redação Rocheli Wachholz Karine Gobbi

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Agricultura de Precisão Avaliação mostra desempenho de piloto automático na semeadura circular e retilínea

Assinatura anual (11 edições*): R$ 269,90 www.revistacultivar.com.br cultivar@revistacultivar.com.br (*10 edições mensais + 1 conjunta Dez/Jan) Números atrasados: R$ 22,00 CNPJ : 02783227/0001-86 Assinatura Internacional: US$ 150,00 Insc. Est. 093/0309480 € 130,00

• Coordenador Comercial Charles Echer

• Revisão Aline Partzsch de Almeida

• Vendas Sedeli Feijó Rithiéli de Lima Barcelos José Luis Alves

• Design Gráfico Cristiano Ceia

• Coordenação Circulação Simone Lopes

Capa - Charles Echer

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Cultivar

• Assinaturas Natália Rodrigues Clarissa Cardoso • Expedição Edson Krause • Impressão: Kunde Indústrias Gráficas Ltda.

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NOSSOS TELEFONES: (53) • GERAL

• ASSINATURAS

• REDAÇÃO

• MARKETING

3028.2000

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Por falta de espaço, não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@revistacultivar.com.br Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.


RODANDO POR AÍ Mahindra

Fuse Connected Services

A Mahindra destacou os tratores 6060 da Série 6000 e 9500S da Série S, além do carregador frontal. De acordo com o gerente comercial e marketing, Jalison Cruz, os lançamentos vieram para ampliar ainda mais a oferta de tratores, com motorizações de 57cv e 95cv. “Nossos tratores saem de fábrica com cinco anos de garantia e atributos que os concorrentes oferecem como acessórios”, garante. Atualmente em franca expansão no Brasil, a Mahindra possui 15 concessionárias distribuídas pelas regiões Sul e Sudeste.

Um dos destaques no estande da Massey Ferguson foi o programa global Fuse Connected Services. Trata-se de uma oferta de serviços, que tem como foco o monitoramento das máquinas pelos concessionários a distância, oferecendo aos produtores rurais uma solução completa de manutenção preventiva e otimização de máquinas. De acordo com o coordenador de Marketing do Produto, Dener Jaime, o suporte oferece aos clientes todo auxílio necessário, além da manutenção dessas máquinas, para garantir o melhor desempenho dos equipamentos. “Isso se reflete em menor custo de manutenção e em rentabilidade também. Com o Fuse Connected Services é possível enxergar o processo de produção como um todo, e o quanto as máquinas agrícolas influenciam diretamente nele. É controle e conectividade em todo o ciclo produtivo”, ressalta.

Jalison Cruz (direita)

Série H A LS Tractor trouxe como principal destaque para o Show Rural uma nova família de tratores de médio e grande porte. A Série H traz modelos de 100cv a 150cv. De acordo com a gerente de Desenvolvimento e Marketing, Marilise Martinelli, estes modelos são desenvolvidos especialmente para o Brasil e vêm com cabine com componentes exclusivos para garantir mais conforto e segurança, além de tecnologias como piloto automático, proteção eletrônica de motor e telemetria.

Marilise Martinelli Fevereiro 2018 • www.revistacultivar.com.br

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Dener Jaime

FPT Industrial A FPT Industrial ampliou a sua participação no Show Rural Coopavel deste ano. Durante a feira, a equipe da FPT Industrial destacou as potencialidades do Motor Cursor 13 no estande da New Holland. O modelo Cursor 10 foi demonstrado no estande da Case IH. Já o propulsor N67 foi apresentado no estande da J. Malucelli, que em 2017 se tornou Distribuidor Master da FPT Industrial para os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.


Trimble

Fortalecida

A Trimble apresentou na Coopavel 2018 soluções de plantio que potencializam a eficiência e reduzem os custos da operação agrícola. De acordo com a supervisora de vendas e marketing de Agriculta, Flávia Lledo, a empresa “tem acompanhado cada vez mais os produtores da região, aderindo a soluções tecnológicas e tendo bons resultados com elas, sem contar o aumento de interesse por informações para investimentos futuros”. A empresa apresentou soluções de agricultura de precisão para propriedades de diversos tamanhos e necessidades.

A Industrial KF fortaleceu sua participação no Show Rural da Coopavel e apresentou, pela primeira vez na feira, suas soluções de agricultura de precisão. Fabio Person, analista comercial da Industrial KF, destacou o aumento do número de revendedores autorizados no Paraná e em outros estados. “Apresentamos para o mercado vários lançamentos que vão proporcionar aos nossos clientes maior rendimento, produtividade e qualidade ao trabalho desenvolvido na lavoura, alinhado com a tecnologia”, explica.

Plano de manutenção

Tratores Case IH Alguns dos destaques da Case IH no Show Rural foram os tratores da marca, especialmente as linhas Farmall e Steiger. De acordo com o diretor de Marketing Comercial, Diogo Melnick, a Série Farmall é referência em baixo custo operacional e de fácil manutenção, a linha de tratores Farmall também conta com máquinas que fazem parte dos programas de financiamento Mais Alimentos e Finame. Outra novidade foi a presença de um trator Steiger 420, série que a marca dará destaque também nos próximos eventos.

A Case IH também apresentou o Plano de Manutenção Case IH, que funciona como um plano de saúde para o maquinário agrícola. Com um valor fixo mensal, o produtor garante todas as intervenções preventivas em suas máquinas. De acordo com Auri Orlando, responsável de serviços, os pacotes são programados de acordo com a necessidade e a aplicação do equipamento. “Tudo é planejado para que as máquinas tenham o máximo de disponibilidade e desempenho”, explica. A Case IH oferece quatro tipos de planos de manutenção, que vão desde a troca de óleo até diagnósticos mais aprofundados da máquina.

Auri Orlando

Repensar a produtividade

Diogo Melnick

Um dos focos da Case IH no Show Rural foi apresentar produtos e serviços diferenciados, incentivando o produtor a rever suas formas de produzir. “É uma grande oportunidade para mostrarmos o que temos de melhor para o produtor. Nossas máquinas têm como objetivo fazer o empresário rural repensar a sua produtividade”, diz Silvio Campos, diretor de Marketing de Produto da Case IH.

Silvio Campos

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Crescimento

Exattus

O presidente da Case IH, Mirco Romagnoli, comemorou o crescimento da participação das máquinas da marca no mercado paranaense. Nos últimos dez anos, a empresa passou de 1,6% para 7,4% no mercado de tratores e de 2,1% para 15,8% no mercado de colhedoras de grãos. “Queremos continuar crescendo, por isso trazemos sempre produtos inovadores que vêm ao encontro das necessidades dos produtores”, garante.

A GTS do Brasil lançou durante o Show Rural Coopavel 2018 a semeadora Exattus. Segundo o diretor-presidente da empresa, Assis Strasser, a tecnologia embarcada na máquina possibilita fazer a semeadura entre linhas, em período de 15 a 20 dias após o plantio de milho. “Essa máquina é uma criação com base de projeto da engenharia GTS com o produtor. Estamos falando de uma revolução que a nossa semeadora vai conceder ao agronegócio brasileiro, que é a terceira safra. Nosso maior patrimônio é o solo e nós, produtores, somos responsáveis em manter a estrutura para as próximas gerações e a Exattus foi desenvolvida neste sentido”, explicou Strasser.

Mirco Romagnoli

New Holland A tecnologia esteve presente no estande da New Holland durante a Coopavel 2018. Considerada um dos principais itens que englobam o sistema de agricultura de precisão da empresa, a telemetria, tecnologia de monitoramento remoto, está em diversos produtos da marca, incluindo pulverizadores, tratores e colheitadeiras de pequeno a grande porte. Segundo a coordenadora de Agricultura de Precisão da New Holland, Grasielle Silva, na colheitadeira, por exemplo, ela apresenta informações como velocidade de deslocamento, consumo de combustível, carga e rotação do motor, índices de colheita, como peso e umidade, além de possibilitar as transferências dos mapas de desempenho da máquina e da lavoura. “Com acesso à rede de internet, tudo isso é possível em tempo real e a qualquer hora do dia”, afirmou Silva.

Grasielle Silva Fevereiro 2018 • www.revistacultivar.com.br

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Assis Strasser

Linha completa Os participantes do Show Rural Coopavel puderam conferir os tratores das séries 5, 6, 7 e 8, indicados para todas as etapas do ciclo de produção agrícola e pecuária. “Todos estes tratores possuem recursos para agricultura de precisão, monitoramento de performance, desempenho e conectividade para aumentar a rentabilidade do produtor”, explicou o especialista em Soluções de Preparo do Solo, Thiago Dickel. Já para proporcionar rapidez no plantio, a John Deere lançou, por meio da sua marca Green System, o DN 1006, um equipamento de precisão que forma uma solução de plantio de alta performance em conjunto com a plantadeira DB.

Thiago Dickel


Soluções para colheita

Novos tratores

Em soluções para colheita, a John Deere apresentou as colheitadeiras S400 para pequenas e médias propriedades. A nova série S400 é uma importante solução para a colheita de soja, principalmente para os produtores da região de Cascavel. Estas máquinas substituíram o sistema de separação com saca-palha pelo rotor e tornaram esta tecnologia acessível para pequenos e médios produtores. “Uma demanda, por exemplo, era uma máquina que tivesse bom desempenho em subidas e descidas, em função do relevo da região Sul do País, e a S400 mantém o desempenho nestas situações”, afirmou o especialista em Soluções para Colheita, Marcos Balsan.

Presente na Coopavel 2018, a Yanmar, em parceria com a marca Solis, volta para o mercado de tratores apresentando para os seus clientes e visitantes os modelos de 26cv a 90cv. Segundo o especialista de Pós-Venda, Mario Giaxa, os produtos Solis estão sendo importados e comercializados pela Yanmar no Brasil que, ainda este ano, iniciará a produção de modelos nacionais, permitindo condições especiais de financiamento.

Lançamentos

Marcos Balsan

70 anos Comemorando 70 anos de fundação, a Jacto participou da 30ª edição da Coopavel, reforçando a sua família de pulverizadores atomizadores. Durante a feira, realizou o lançamento do Uniport 2030, ampliou a linha de adubação com o lançamento da adubadora Uniport 5030 NPK e da adubadora tracionada Tellus 10.000 NPK. Segundo o gerente de Comunicação Jacto/Divisão Agrícola, José Tonon Junior, “a busca por inovações está no DNA da empresa e, desta forma, garante ao agricultor o acesso às tecnologias desenvolvidas pela empresa em seu amplo portfólio de produtos”.

Paulo Beraldi

A Valtra destacou a sua nova linha de tratores CVT, lançados em 2017, e que devem ajudar a alavancar as vendas de tratores da marca em 2018. “Contando com os tratores da série CVT, lançamos 29 modelos no ano passado, dotados de novas tecnologias que atenderão às expectativas dos produtores mais exigentes”, explicou o diretor de Vendas da Valtra, Paulo Beraldi. O evento também serviu para reforçar o trabalho dos concessionários regionais e aproximar ainda mais a marca dos produtores.

Grupo Orion

O Grupo Orion, fabricante de equipamentos para aplicação no sulco do plantio, lançou no Show Rural Coopavel 2018, a ferramenta CYGNI-AG, desenvolvida pela CYGNI Agro Ciência LTDA.​O CYGNI-AG é uma ferramenta digital que, através da internet, permite aos produtores, agrônomos, consultores e cooperativas, acesso a imagens de satélite em RGB e NDVI, de maneira simples, rápida e econômica. ​De acordo com o presidente da Orion, Ricardo Rodrigues da Cunha, a ferramenta possibilita a identificação de anomalias​,​demarcação, medição e geração de mapa de aplicação​. “Com isso, é possível realizar aplicação localizada de insumos e defensivos em taxa variável, apresentando inúmeros benefícios para o produtor, economia de produtos, redução de impacto ambiental, preservação de inimigos naturais, aumento de produtividade e redução de custos​“, destaca​​.​

José Tonon Junior (direita)

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SEMEADORAS

Rápido demais

Fotos Lara Marie Guanais Santos

O aumento da velocidade de semeadura tem sido alternativa encontrada por muitos produtores para aumentar a capacidade operacional do conjunto trator-semeadora. No entanto, estudo mostra que essa prática reduz em muito a lucratividade obtida por hectare

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om o aumento da população, teve-se também que aumentar a produção de alimentos. Porém, a expansão de áreas não cresceu proporcionalmente ao aumento da demanda. Com isso, os agricultores Fevereiro 2018 • www.revistacultivar.com.br

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procuram cada vez mais elevar a produtividade das culturas, produzido mais em uma mesma área. O que se nota também é uma redução na janela de plantio, devido a mudanças climáticas que alteraram as

características das estações. Uma das maneiras utilizadas pelos produtores é o aumento da velocidade de semeadura, ampliando assim a quantidade de hectares semeados por hora/dia para se manter dentro da janela. Porém, antes desta tomada de decisão, deve-se avaliar alguns pontos como o impacto na produtividade e consequentemente na lucratividade devido à semeadura em maior velocidade ser realizada sem os mecanismos corretores, podendo ocasionar redução na produtividade, afetando diretamente os rendimentos líquidos do produtor. Dentre as semeadoras existentes no mercado, as que utilizam o sistema pneumático apresentam uma melhor distribuição das sementes devido a características construtivas desse sistema de dosagem. Com a melhor distribuição das sementes, temos maior percentual de espaçamentos aceitáveis entre plantas, reduzindo assim o Coeficiente de Variação (CV), diminuindo perdas causadas pela má distribuição no momento da semeadura. O aumento da velocidade de semeadura tem influência direta na quantidade de plantas distribuídas por metro linear, bem como em sua disposição, ou seja, com o aumento da velocidade a distribuição entre plantas tende a ser desuniforme devido à maior trepidação dos mecanismos de deposição de sementes. Esta desuniformidade não é desejada, pois a cultura do milho é muito sensível com relação à alteração de espaçamento. Uma semeadura em alta velocidade, sem os mecanismos de compensação adequados e corretamente ajustados, pode causar falhas (espaçamento muito longo entre plan-


Tabela 1 - Esquema de instalação do experimento informando a posição das velocidades e o sentido do trator V 5,5 6,5

6,5 V 5,5

5,5 6,5 V

Fonte: Autores, 2016.

tas) e/ou sementes duplas, o que pode gerar plantas dominadas, ou seja, que não apresentam o desenvolvimento esperado devido à competição por nutrientes. Para se determinar a qualidade de uma semeadura é utilizado um índice matemático, denominado Coeficiente de Variação (CV). Esse índice representa em % quanto a disposição das sementes está variando em função da média dos espaçamentos, dessa forma, uma melhor distribuição é relacionada a um menor valor de CV. Quanto menor o CV, significa que houve menor variação no tamanho dos espaçamentos e consequentemente há uma maior produtividade. Este trabalho foi realizado na Fatec Shunji Nishimura de Tecnologia, localizada em Pompeia (SP), na área experimental do Grupo de Estudo de Colheita Mecanizada (Gecom) e teve como objetivo avaliar o impacto do aumento de velocidade na produtividade e lucratividade. A correção do solo consistiu de 500kg/ha de gesso e 1.000kg/ha de calcário. A adubação no sulco foi de 200kg/ha de superfosfato simples e a adubação de cobertura feita 28 dias após a emergência, com

Amostras coletadas manualmente para pesagem e verificação da umidade no momento da pesagem

aplicação de 90kg/ha de ureia. A área experimental total foi de 1ha. A semeadura foi realizada com sementes de milho híbrido Morgan 30A37 em sistema de plantio direto sobre palha de vegetação espontânea. Utilizou-se a semeadora adubadora da marca Jumil, modelo JM3090 com sete linhas, em espaçamento de 0,5m, com dosador de disco vertical pneumático. Os tratamentos consistiram em

duas velocidades de semeadura V1 = 5,5km/h e V2 = 6,5km/h calculadas através da tabela do escalonamento de marchas, onde a variação das velocidades foi feita como mostra a Tabela 1. Foram realizadas duas avaliações dos espaçamentos entre plantas, a primeira pós-emergência e a segunda em pré-colheita. Cada amostragem foi composta de duas linhas de cinco metros a partir de um ponto central

Gráfico 1 - Avaliação do estande obtido em duas velocidades

Gráfico 2 - Produtividade média de milho em sacas de 60kg por hectare em função da velocidade estudada e o coeficiente de variação a sua distribuição com relação ao coeficiente de variação

Fonte: Autores, 2016.

Fonte: Autores, 2016.

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Gráfico 3 - Produtividade em sacas de 60 kg por hectares com relação ao coeficiente de variação

Estudo foi realizado em área experimental da Fatec Shunji Nishimura de Tecnologia

georreferenciado, sendo 2,5m à direita e 2,5m à esquerda. Realizou-se a contagem de planta sempre nas cinco linhas centrais, de forma a evitar que alguma linha situada mais próxima da outra área sofresse algum tipo de interferência. A colheita foi realizada manualmente cinco meses após o plantio, possibilitando a pesagem de cada amostra separadamente e a verificação da umidade no momento da pesagem. Com a coleta dos dados e o processamento dos mesmos, foram obtidos os seguintes dados. Analisando o Gráfico 1, podemos concluir que a semeadura, quando realizada com velocidade de 5,5km/ ha, apresenta um aumento de 10.500 plantas no estande obtido em comparação com a velocidade de 6,5km/ha (aumento de 14,38%). Analisando o coeficiente de variação, notou-se uma variação da produtividade (SC/ha), conforme o Gráfico 2. Com velocidade de 5,5km/ha a produtividade foi de 83,72sc/ha e o coeficiente de variação da distância entre plantas foi de 28,96%. Já com a velocidade de 6,5km/ ha, a produtividade foi de 77,136sc/ha, 7,87% menor quando comparado com a velocidade de 5,5km/ha. Notou-se também que na velocidade de 6,5km/ha, o coeficiente de variação foi de 41,67%, um aumento do coeficiente de variação em 12,71 pontos percentuais, (aumento de 30,05%). Analisando o Gráfico 3, constatou-

Fotos Lara Marie Guanais Santos

Fonte: Autores, 2016.

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-se que houve uma redução no lucro do produtor com a semeadura na velocidade de 6,5km/ha de R$ 263,93 por hectare em relação à semeadura a 5,5km/ha (7,87% a menos no lucro). Com o conhecimento dos resultados obtidos, concluiu-se que o aumento da velocidade teve como consequência o aumento no Coeficiente de Variação (30,05%) e consequentemente a redução na população de plantas por hectare (14,38%), demostrando assim que o sistema de controle não foi capaz de adequar a quantidade de plantas por metro linear de forma a manter o stand da velocidade inicial. Com o coeficiente de variação maior e o número de plantas menor por hectare, consequentemente menor foi a produtividade (7,87%) e o retorno ao produtor, a única vantagem que pode ser verificada com o aumento

da velocidade, foi a maior capacidade operacional do conjunto estudado. Os mecanismos de compensação descritos acima, estão ligados ao deslocamento vertical da linha de semeadura, desta forma as molas de pressão das unidades de semeadura devem estar ajustadas de forma correta, para minimizar os impactos da velocidade na linha (trepidação nos carrinhos). Em semeadoras que utilizam o sistema de disco vertical, deve-se dar também uma atenção em especial à pressão do vácuo de forma a segurar as sementes no disco mesmo com o aumento da velocidade de deslocamento da se.M meadora.

Lara Marie Guanais Santos, Vinicius Andrade Favoni, Danilo Tedesco de Oliveira e Edson Massao Tanaka, Fatec Pompeia

Conjunto trator/semeadora utilizado na realização do experimento


SEMEADORAS Semeato

Mais que poeira O pó pelas semeadoras pneumáticas, derivado das sementes tratadas, libera produtos fitossanitários ao ambiente. No entanto, cuidados simples ajudam a evitar que isso aconteça

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ecentemente tem sido noticiada na imprensa internacional a morte de polinizadores, como as abelhas, associada à liberação de inseticida do grupo químico denominado neonicotinoides, presente no tratamento de sementes de grandes culturas. Um dos motivos da morte destes polinizadores é consequência da “poeira” gerada pela turbina, ao formar o vácuo, nas semeadoras pneumáticas. A corrente de ar, ao passar pelas sementes tratadas com inseticidas, libera certa quantidade de partículas de produtos fitossanitários ao ambiente, tóxicas aos polinizadores. A realização do tratamento químico de sementes pode melhorar a lucratividade do produtor por reduzir

a ação de pragas e patógenos, além de proporcionar condições mais favoráveis ao crescimento e desenvolvimento das plantas no campo. Diversos produtos, como micronutrientes, biorreguladores, inseticidas, fungicidas, inoculantes, pó secante e polímeros, podem fazer parte do tratamento, transformando a semente em um veículo de transferência de tecnologias (Avelar et al, 2011). O tratamento químico de sementes desempenha papel fundamental para o sucesso da emergência de plântulas de maneira uniforme, principalmente em situações adversas, tornando, portanto, inviável a eliminação deste processo em uma agricultura de escala comercial. Na última década, a tecnologia de tratamento de sementes evoluiu bastante, sendo que se tem hoje dois tipos

de processos. O primeiro, realizado dentro da propriedade, denomina-se “on-farm” e o segundo, feito por empresas especializadas, é chamado tratamento industrial de sementes (TIS). Conhecidamente existem alguns problemas com o tratamento de sementes “on-farm”. Por exemplo, no momento de compra pode-se estar adquirindo produtos piratas, além disso, produtos sem registro e com dose equivocada aceleram a resistência de pragas e doenças às moléculas. Há também questões como desconhecimento da interação entre os produtos utilizados, equipamentos desregulados, fitotoxidade, atraso no desenvolvimento inicial, estande desuniforme e plantas dominadas. Todos estes fatores podem contribuir para uma frustração na coFevereiro 2018 • www.revistacultivar.com.br

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Fotos Paulo Roberto Arbex Silva

(semente a semente), o que proporciona eficiência biológica, seletividade e economia (Pionner, 2015). Via de regra, o tratamento de sementes realizado nas propriedades é feito sem a utilização de equipamentos especiais e o risco de uma variação da quantidade e na cobertura de inseticida e/ou fungicida por semente é grande. Esta falta de precisão pode acarretar uma série de problemas futuros, dentre eles o desprendimento de maior quantidade de partículas de produtos na poeira liberada durante a semeadura. O mercado de químicos disponibiliza uma ampla variedade de produtos aptos a serem usados no tratamento de sementes, apresentando características diferentes. Um dos principais aspectos a serem observados e que está diretamente ligado à sua eficácia é se o produto é de contato/protetor ou sistêmico. O primeiro tipo age superficialmente, restringindo sua ação sobre os patógenos presentes no tegumento e logo abaixo desse, e o segundo é absorvido pela semente com a água de embebição translocado para a plântula, garantindo-lhe proteção nos estágios iniciais de desenvolvimento. Outro fator importante que deve ser levado em conta é se o produto é caracterizado com amplo espectro ou se é específico, ou seja, eficaz no controle de um grande número de patógenos ou se controla

Esteira simuladora para quantificar o resíduo da poeira

SEMEADORAS COM SISTEMA PNEUMÁTICO

As semeadoras-adubadoras têm papel fundamental no processo produtivo, pois a operação de semeadura é um dos principais fatores para o sucesso no estabelecimento de uma lavoura. A utilização de semeadoras reguladas de forma correta proporciona o aumento da produtividade e o menor risco ambiental. As semeadoras com mecanismo dosador pneumático existentes no mercado nacional utilizam o ar como princípio para captação de sementes. Como este ar é aspirado formando o vácuo, as sementes ficam presas no disco e, em seguida, são liberadas pela interrupção desta pressão do ar, ocorrendo o depósito destas sementes no solo. Após a neutralização do vácuo, o ar é redirecionado por um tubo condutor para fora da máquina, porém ele já

Fotos Alcione Brutti Dallaporte

lheita (Pionner, 2015). O tratamento de sementes industrial utiliza máquinas de alta tecnologia, o que proporciona um tratamento mais suave às sementes, evitando danos mecânicos e alterações nas suas características originais. Máquinas computadorizadas permitem precisão na colocação da dose correta do produto

especificamente poucos tipos. (Lucca Filho, 2003). Os neonicotenoides são um grupo de inseticidas com base na molécula da nicotina amplamente utilizado em culturas agrícolas. Estes produtos têm uma alta toxicidade para insetos e baixa para humanos e mamíferos em geral. Nos dias de hoje, a classe dos neonicotinoides é responsável por 20% do mercado global de inseticidas.

Detalhe da saída de ar da semeadora pneumática e do filtro contaminado

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Amostras de sementes tratadas de milho e soja


entrou em contato com as sementes tratadas e pode ter levado consigo partículas do tratamento. Devido à falta de informação e de pesquisas publicadas nesse assunto, não se sabe a quantidade real de produto que é liberada no ambiente e não foram propostos mecanismos de controle da “poeira”. A quantidade da poeira gerada difere entre as espécies devido ao formato e outras características das sementes de cada cultura. Dependendo das características de adesão dos produtos ativos nas sementes, podem se desprender em maior ou menor grau. Baseado nisso, iniciou-se uma pesquisa com o objetivo de quantificar os resíduos liberados pela “poeira” desprendida de sementes tratadas de grandes culturas, na operação com semeadoras de dosadores pneumáticos. A análise da quantidade de deposição desses produtos baseia-se na recuperação e detecção das substâncias presentes no coletor, amostrado através de cromatografia e espectrofotômetro. A cromatografia consiste num processo físico-químico de separação de misturas, mais especificamente, de sólidos em uma solução. Esse processo fundamenta-se no fato de as substâncias presentes na mistura terem diferentes propriedades e composições. Tem-se por base de metodologia o uso de coleta da “poeira” gerada no final do ciclo da semeadora pneumática, para identificar os ativos dos produtos que são desprendidos das sementes tratadas e quantificar o que realmente está sendo liberado para o meio externo. O trabalho compreende duas formas de ensaios, sendo a primeira com a

utilização de coletores nas semeadoras pneumáticas em campo e a segunda, a utilização de uma esteira simuladora – desenvolvida pelo Grupo de Plantio Direto (GPD) da Unesp, para facilitar a coleta dos dados, além de proporcionar um número bem maior de amostras. A esteira simuladora ainda tem a vantagem da rápida limpeza e troca entre os tratamentos. Com o desenvolvimento desta metodologia, pode-se analisar diferentes tipos de tratamentos de sementes, sendo aumentado o espectro de variações entre culturas, produtos comerciais e polímeros. Em ambos os ensaios realizados até o momento foram utilizadas sementes da cultura do milho e da soja com diferentes tipos de tratamentos,

Pesquisadores da Unesp avaliaram a emissão de resíduos de tratamento de sementes em semeadoras pneumáticas

sendo provenientes da combinação de inseticida (neonicotinoide), fungicidas e polímeros e também por meio de espectrofotômetro com a leitura do corante azul brilhante inserido nas sementes. Feita toda a análise, chega-se à quantificação e à identificação do material liberado ao ambiente. A segunda fase da pesquisa é criar formas para diminuição desta poeira liberada para o ambiente nas semeadoras pneumáticas. Alguns aspectos importantes a serem considerados são o uso da dosagem de ativo recomendada pelo fabricante, a distribuição uniforme do produto nas sementes, a aderência eficiente do produto às sementes, para que se evitem perdas durante a semeadura, o uso de filmes de recobrimento das sementes (polímeros), o uso de EPIs para manuseio das sementes na caixa de semeadura; a mudança na direção do fluxo de ar liberado pelas semeadoras, .M entre outros. Paulo Roberto Arbex Silva, Luiz Henrique Menck Rusconi, Adriano Fabbro Gandini e Luan Solér Francischinelli, FCA/Unesp

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TRATORES

Potencial aproveitado

Um dos grandes desafios da mecanização é conseguir colocar em prática todo o potencial disponibilizado nas tecnologias disponíveis nos maquinários agrícolas, que nem sempre são utilizados de maneira adequada

O

s usuários de máquinas agrícolas enfrentam uma série de decisões relacionadas às exigências no momento da seleção, aquisição, operação e manutenção destas, o que configura a necessidade de informações credíveis para a tomada de decisão, que podem ser oriundas de ensaios, testes, avaliações e/ou experimentações. Diversas são as condições que podem comprometer o desempenho de uma máquina, e estas são diretamente influenciadas por alguns fatores, como: o dimensionamento do conjunto motomecanizado e sua adequada regulagem, o tipo de pneu e sua pressão

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interna e as características físicas do solo. A ampla variabilidade existente no meio agrícola promove a utilização das variáveis de desempenho para prever a influência destes fatores na eficiência de máquinas e implementos agrícolas e sua interação com o solo. Então, de posse destas informações, se torna possível realizar as intervenções necessárias para a otimização da tarefa atrelada ao mínimo gasto energético. Dessa forma, a ponderação do desempenho de máquinas e implementos agrícolas na mobilização do solo tem por finalidade intrínseca a análise da habilidade do conjunto motomecanizado em executar a operação e a

estimativa das mudanças ocorridas no solo, resultantes da aplicação de forças pelos órgãos ativos, sendo necessário mensurar alterações qualitativas, quantitativas e a eficiência operacional (Figura 1). As duas primeiras são relativas às condições de mobilização do solo, principalmente a verificação do estado final, após a passagem dos órgãos ativos, e a massa e volume de solo mobilizado. Além disso, a estimativa do custo energético da operação também é de suma importância, visto que determinadas ferramentas podem fornecer as melhores condições finais, mas apresentarem grande gasto energético. Dessa


forma, a identificação do consumo de combustível, do patinamento dos rodados motrizes e, principalmente, do esforço tratório, faz-se necessária para ponderar o dispêndio de energia ocorrido no processo (Mialhe, 1996). Por outro lado, a identificação isolada dessas variáveis nem sempre propicia o entendimento adequado sobre o desempenho, sendo necessário identificar suas respectivas correlações. Para isso, analisa-se a força de tração específica (força de tração por profundidade) e a resistência específica operacional (força de tração por área mobilizada), que são muito mais significativas como indicadores da eficiência do processo de formação de sulco.

ESFORÇO TRATÓRIO

O esforço tratório, força de tração ou força horizontal, pode ser definido como a quantidade de força necessária para puxar ou empurrar um determinado implemento, sendo ela horizontal, paralela à superfície do solo e coincidente com a direção do deslocamento do conjunto. É oriundo do equilíbrio de um conjunto de forças de reação, que são originadas da resistência do solo e de momentos

Figura 1 - Variáveis de mensuração do desempenho operacional

que atuam no chassi da máquina/ implemento. Sua unidade de medida normatizada é o newton (N), na qual 1N corresponde à força exercida sobre um corpo de massa de um quilograma que lhe induz a uma aceleração de um metro por segundo. Outrossim, a potência demandada pode ser definida como a capacidade que o motor da máquina motora do conjunto (um trator, por exemplo) possui em realizar um trabalho por unidade de tempo, ou seja, é a quantidade de energia fornecida por este a cada unidade de tempo em função do requerimento do implemento. Sua unidade de medida normatizada é o watt (W), mas por questões históricas/

práticas usa-se unidades não oficiais como o cavalo vapor (cv) e o horsepower (hp). Logo, é estimada com base no conhecimento prévio da força de tração e da velocidade do conjunto.

CONSUMO DE COMBUSTÍVEL

A quantidade de combustível consumido por um motor pode ser expressa de duas formas, em relação ao tempo e ao trabalho mecânico. O primeiro é designado de consumo horário, adquirido pela razão entre o volume de combustível consumido por unidade de tempo (litros por hora, por exemplo), enquanto que o segundo é denominado consumo específico, que Charles Echer

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John Deere

programas computacionais.

RESISTÊNCIA ESPECÍFICA OPERACIONAL

Fatores como dimensionamento do conjunto motomecanizado e sua adequada regulagem interferem no desempenho da operação

é adquirido pelo quociente entre o produto da densidade do combustível e o do consumo horário pela potência demandada na barra de tração (gramas de combustível consumido por unidade de potência por hora). Dessa forma, por considerar a massa do combustível e a potência requerida, demonstrando a eficiência térmica do motor em transformar o combustível em trabalho, pode ser empregado para realizar comparações entre diferentes equipamentos.

MOBILIZAÇÃO DO SOLO

Para se determinar a eficiência de ferramentas em uma operação de mobilização de solo, Arvidsson e Hillerström et al (2010) destacam que a mensuração da demanda de energia deve ser comparada com o resultado da ação destes mecanismos sobre o solo, sendo que isso tem sido menos realizado em comparação às medições de demanda energética apenas. A penetração e deslocamento de uma ferramenta no solo é uma ação que pode ser descrita por um comportamento composto, desde que o solo normalmente rompe-se por alguma combinação de corte, cisalhamento, compactação e fluxo, à medida que o equipamento é forçado dentro do solo Fevereiro 2018 • www.revistacultivar.com.br

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(Portella, 1983). Os fenômenos decorrentes da atuação das ferramentas de solo podem ser decompostos em duas ações: o deslocamento vertical do perfil do solo e a sua área mobilizada, devendo ser realizados levantamentos de três perfis: da superfície natural, da superfície de elevação e o perfil interno do solo mobilizado. A área de solo mobilizada consiste na área situada entre o perfil natural e o de fundo de sulco, enquanto a área de elevação é aquela situada entre o perfil original e o da superfície do solo após a mobilização. A avaliação da área entre os perfis pode ser determinada por meio de representações gráficas, estudando-se as diferentes representações de suas áreas, utilizando-se de técnicas de planimetria e/ou

Para fins práticos, apenas a determinação da demanda de tração por ferramentas de mobilização do solo não é suficiente para uma adequada compreensão da operação conforme comentam Arvidsson, Keller e Gustafsson (2004), visto que os objetivos primários desta operação são a fragmentação, o nivelamento e/ou a incorporação de resíduos ao solo, entre outras ações. Assim, o mais importante é a determinação da força necessária para cada seção transversal de solo mobilizada, que é denominada como resistência específica operacional. Esta é obtida pela razão entre força de tração demandada e área de solo mobilizada, sendo que na busca de uma operação mais eficiente, deve-se almejar a redução deste parâmetro ao invés apenas da diminuição da força de tração. Segundo Conte et al (2011) esta variável proporciona uma comparação do gasto de energia por diferentes ferramentas em condições de mesma profundidade de operação e de eficiência no uso desta energia na mobilização do solo, quando as mesmas operam em diferentes profundidades de trabalho.

FORÇA DE TRAÇÃO ESPECÍFICA

A análise do comportamento quanto à demanda de tração entre ferramentas ou associações de mecanismos

.M

O consumo de combustível pode variar muito numa mesma operação com o mesmo conjunto mecanizado


da relação solo-máquina que realizam as mesmas funções, mas trabalham em profundidades diferentes, deve ser realizada, de modo que esta regulagem não interfira nas interpretações. Dessa forma, faz-se necessário identificar a razão entre o requerimento de tração e a profundidade de trabalho, o que possibilitará uma comparação mais condizente e verídica sobre o desempenho energético realizado pelas diferentes ferramentas e as associações destas. Assim, a força específica é obtida pela divisão da força de tração pela profundidade de trabalho.

PATINAMENTO DOS RODADOS MOTRIZES

Diversos são os fatores que afetam o desempenho dos tratores agrícolas, como por exemplo o tipo de solo, o tipo de preparo (primário ou secundário), o tipo de cultivo, o implemento utilizado, o patinamento, entre outros. Dentre os itens citados, o patinamento é um dos fatores que mais comprometem esse desempenho. Segundo Garcia (2006), o patinamento é o movimento relativo na direção de deslocamento, na superfície mútua de contato do rodado de tração ou de transporte e a superfície de apoio, sendo em geral expresso em termos percentuais. Depende de

Fotos Charles Echer

vários fatores como as condições do solo, pneu e distribuição de peso, além da carga no sistema de distribuição de engate de três pontos ou na barra de tração.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As ponderações de diversas variáveis de desempenho possibilitam um melhor entendimento dos efeitos do implemento em questão sobre o solo, o que resultará em uma operação mais eficiente e de menor custo. Fato este impossibilitado, quando avaliados somente com base em algumas, como é o caso do emprego “solitário” da potência.

Além disso, é de extrema importância a ampliação dos estudos relacionados às variáveis de desempenho nas mais diversas condições existentes, a fim de entendermos melhor as relações e criarmos modelos empíricos capazes de prever o comportamento dessas relações em outras condições de operação. Utilizamos, hoje, máquinas e equipamentos tecnológicos, com alto custo de aquisição e devemos evitar que sejam operados de modo .M ineficiente. Tiago Rodrigo Francetto, Airton dos Santos Alonço, Dauto Pivetta Carpes e Rafael Sobroza Becker, UFSM - Laserg


CAPA

LS U60 Power S Testado num local que exige agilidade nas manobras e bom raio de giro, o LS U60 mostrou que a sua transmissão Power Shuttle é uma excelente ferramenta para tornar o trator mais dinâmico e eficiente

D

e uma forma geral, os test drive da Revista Cultivar Máquinas são temáticos e envolvem a aplicação de uma máquina em uma ou duas operações específicas. Buscamos, desta maneira, inserir a máquina no processo real em que ela está sendo utilizada e, por isto, realizando a avaliação em uma condição específica identificada com a situação e o sistema de produção. Por esta razão, é completamente impossível realizar um teste ou uma avaliação quantitativa, com recursos tecnológicos disponíveis e utilizados na pesquisa científica. Para o teste desta edição, fomos até o município de Carambeí, no Paraná, para realizar uma avaliação do trator LS modelo U60 Cabinado, em uma situação extremamente particular, mas que, sem dúvida, será muito interessante para os nossos leitores e para poder levar informação sobre esse modelo que já havíamos testado, porém que agora vem ao mercado com uma importante novidade, o reversor eletro-hidráulico Power Shuttle. Este modelo, que é novidade na marca LS e será apresentado em todos os eventos e feiras deste ano, incorpora uma tecnologia de grande utilidade em muitas atividades agrícolas.

MOTOR

O trator é equipado com um motor

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LS agrícola, modelo L4AL, produzido pela própria LS, de quatro cilindros e quatro válvulas por cilindro, volume total de 2.505cm3, refrigerado a água, com injeção direta por bomba rotativa e turbo compressor centrífugo (turbina). O projeto contempla uma bomba de sangria, que possui um dispositivo eletrônico de detecção de água no combustível, que avisa o operador através de um sinal luminoso no painel do trator. O ar da admissão é filtrado por meio de dois elementos secos, de papel, um primário e outro secundário, que estão sob o capô, na parte da frente do motor. O motor atende à normativa Tier III de contaminantes atmosféricos, algo que diferenciou a marca desde a sua chegada ao país e que não é frequentemente encontrado em trato-

res desta potência. O motor, pela Norma ISO TR 14396, alcança 65cv de potência na rotação nominal, que é de 2.500rpm, sendo que, destes, 57cv chegam à TDP nesta rotação. O torque máximo de 209Nm é alcançado a 1.600rpm, chegando a uma reserva de Torque de 20%. Para o arrefecimento da temperatura do motor se utilizam nove litros de um líquido à base de água. Para a troca


Shuttle

da temperatura com o meio ambiente, dois radiadores estão colocados sob o capô à frente do motor. O primeiro é do condicionador de ar e o segundo é do líquido de arrefecimento do motor. Para diminuir a chegada de pó aos radiadores, existe uma tela, que pode ser removida para limpeza, quando necessário. Para atender a uma boa autonomia de combustível, o depósito tem capacidade para 60 litros. Sua posição é na parte inferior da cabine, no lado esquerdo.

TRANSMISSÃO E SISTEMA HIDRÁULICO

A transmissão é do tipo sincronizado, denominada nesta versão de Power Shuttle, com 16 marchas à frente e 16 marchas à ré, utilizando um reversor de sentido. São quatro marchas distribuídas em quatro grupos. A alavanca seletora de marchas está

Fotos Charles Echer

O motor é um Mitsubishi agrícola, modelo L4AL, produzido pela própria LS, de quatro cilindros e quatro válvulas por cilindro, volume total de 2.505cm3

posicionada à direita do operador e a de seleção de grupos, utilizada com menos frequência, está posicionada à esquerda do assento. Ambas apresentam posicionamento de neutro. Junto à coluna do volante da direção, onde normalmente é posicionada a alavanca de luz sinalizadora de direção (pisca-pisca), o fabricante posicionou a alavanca mais importante deste modelo, que é a do reversor de movimento. Com três posições, frente, neutro e ré, ela pode ser movimentada sem que seja necessário retirar a mão do volante. Bem ergonômica, é de muito fácil movimentação e se presta muito na ajuda necessária às manobras rápidas. Também notamos uma novidade interessante deste modelo, que é a possibilidade de configurar a reação do trator no engate da rever-

Pequeno raio de giro é um dos destaques deste modelo

são. No painel há um interruptor que possibilita que o operador diferencie o tempo de reação da reversão, em função da operação que está desenvolvendo e da sua exigência em esforço. Portanto, é possível configurar manobras mais rápidas, para operações de transporte e manobras mais lentas, para aquelas com implementos acoplados e que exigem esforço do trator. Este é um dos diferenciais deste modelo e que pudemos provar em uma operação de movimentação de silagem, na propriedade. Este modelo pode ainda ser equipado com a transmissão Synchro Shuttle,

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Fotos Charles Echer

O modelo U60 Power Shuttle é ideal para trabalhar em locais que exigem grande número de manobras em pequenos espaços, além de ter motor bastante silencioso

que traz um supercreeper, que proporciona mais 16 marchas ultrarreduzidas de velocidade de deslocamento. Na tomada de potência (TDP), esta marca já trouxe na sua chegada ao país uma novidade, que é a oferta de três velocidades de 540rpm, 750rpm e 1.000rpm. A rotação de 540rpm na TDP é conseguida com 2.409rpm, e a de 1.000rpm, se consegue a 2.381rpm do motor. Como alternativa, a marca dispõe de uma velocidade de 750rpm, que é considerada uma forma de TDP

econômica, conseguida a 2.375rpm. Um interruptor no painel serve para acionar de forma eletromecânica a tomada de potência (TDP), que pode ser utilizada em modo manual ou independente, dependendo da posição da chave seletora. Quando se escolhe a forma manual, a TDP se desconecta quando a embreagem for acionada. Quando a escolha

Este modelo possui TDP com três velocidades: 540rpm 750rpm e 1.000rpm

A manutenção é facilitada, como nos demais modelos da marca

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for para a forma independente, o trator desliga automaticamente a TDP quando os braços do sistema de três pontos do trator se elevarem. Para a proteção do usuário, a TDP apresenta uma proteção metálica fixa do tipo escudo. Como é comum em vários tratores, o mesmo lubrificante da transmissão é utilizado para o sistema hidráulico, VCRs e siste-


ma de direção. Neste trator este volume de fluido é de 47 litros. A direção é do tipo hidrostático e o eixo dianteiro é motriz, com tração dianteira auxiliar e acionamento mecânico por alavanca. Uma característica que difere este trator e é adotada pela marca, é que a transmissão dianteira utiliza engrenagens cônicas, e não árvore com cruzetas, que resulta em menor raio de giro, segundo o fabricante. O sistema hidráulico de três pontos é da categoria II, com vazão total máxima de 55 litros por minuto, pressão máxima de 200bar e capacidade máxima de levantamento na rótula de 1.754kgf. No sistema existe a tradicional alternativa de posição e profundidade, em duas alavancas,

posicionadas à direita do assento do operador. O sistema de controle remoto é independente, com duas válvulas VCR como versão standard e três como opcionais, com vazão máxima de 36,4 litros por minuto. Para a ativação do sistema foram montadas duas bombas hidráulicas independentes. Uma delas serve exclusivamente ao sistema de direção do trator e a outra é utilizada para o sistema de levantamento em três pontos e para as VCRs. Como novidade, há uma automatização do sistema, utilizando uma pequena alavanca, posicionada ao lado direito do posto de operação. Com este automatismo, o operador pode levantar o equipamento e com apenas um toque em um interruptor

pode baixá-lo a uma posição vertical pré-programada. A LS oferece várias opções de montagem de rodas e pneus para este modelo, além dos rodados dianteiros com especificação 11.2-24 e traseiros 18.930, montados no trator de teste. Ainda há mais três opções de R1 e uma opção de pneus garra alta R2 para a traseira. O nosso trator de teste estava equipado com seis pesos, cada um de 20kg, e mais um suporte de 33kg na parte frontal.

CABINE

A cabine é de boa qualidade, apoiada em quatro coxins, dois frontais e dois traseiros, para diminuir vibração, com porta de entrada do operador em ambos os lados e uma janela traseira

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Fotos Charles Echer

Alavanca de reversão (esquerda), acelerador manual (direita) e painel frontal com várias funções

basculante. As laterais são envidraçadas e favorecem a visibilidade, principalmente em operações intensivas e em espaço reduzido. Para a filtragem do ar interno da cabine há um filtro de carvão ativado, que o usuário como adquirir como opção. O cano de descarga dos gases está posicionado atrás da coluna da cabine e bem protegido, para evitar queimaduras de quem inadvertidamente possa apoiar-se. Como é padrão nesta classe de trator, o projeto previu aumento de visibilidade do operador, dotando o trator de dois retrovisores laterais e um no

interior da cabine. Para a iluminação noturna foram colocados dois faróis na parte superior da cabine e quatro faróis embutidos no capô, além de dois faróis de trabalho direcionáveis nos pega-mãos de acesso à cabine. As sinaleiras traseiras estão colocadas nos

Alavancas de acionamento das marchas, rotação da TDP, das VCRs e acionamento do sistema de três pontos

O teste foi realizado na operação de revolvimento da cama, onde ficam confinadas mais de 300 vacas de ordenha

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para-lamas, juntamente com as luzes de indicação de direção. Como se exige por norma brasileira e mundial, o trator tem uma estrutura de proteção ao capotamento (EPC) embutida dentro da cabine. O fabricante declara efetividade da estrutura, indicando que esta passou por ensaio pela norma Asae J2194. Dentro da cabine, encontramos todas as funcionalidades exigidas como o condicionador de ar, com saídas nas partes frontal e lateral do teto. Também no teto, porém na parte frontal esquerda, estão disponíveis os controles de ventilação e condicionamento do ar, assim como um CD-Player. Na lateral esquerda da cabine, embutidas nas colunas, outras funcionalidades, como o ponto de energia de 12V para carregamento de equipamentos portáteis como notebook e telefones móveis e os interruptores das luzes internas e


externas da cabine e do limpador de para-brisas. O console lateral principal está posicionado à direita do operador e nele existem um porta-objetos, as alavancas de acionamento das marchas, a alavanca de acionamento (escolha) da rotação da TDP e as de acionamento das VCRs, do acionamento do sistema de três pontos e determinação da profundidade de trabalho do implemento acoplado nos três pontos. Destaca-se também, na cor laranja, a pequena alavanca de memorização da posição regulada do sistema de três pontos, mencionada anteriormente. O freio de estacionamento e a alavanca seletora dos grupos de marchas (quatro grupos) estão colocados no piso ao lado esquerdo do assento do operador. À frente do volante foi colocado um pequeno painel frontal, onde podem ser visualizadas várias funções operacionais do trator, como o tacômetro analógico e digital, o registro do total de horas trabalhadas, um indicador da temperatura da água do motor, do nível de combustível e das luzes indicativas da condição do alternador, da pressão do óleo, do acionamento do freio estacionário e do aquecimento antes da

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O que é Compost Barn?

Compost Barn é uma técnica de confinamento de gado leiteiro, criada nos Estados Unidos na década de 1980, mas que somente agora está chegando ao Brasil. Embora recente no país, a sua adoção aumenta muito, com vários bons projetos sendo executados com sucesso, principalmente no estado do Paraná. Tecnicamente é uma instalação formada por pavilhões cobertos, com área de descanso para os animais sobre um piso macio formado por uma cama. Esta cama é à base do próprio solo, e vai constantemente sendo adicionada pelas fezes e a urina dos animais e outros compostos, como raspas finas de madeira e serragem. Esta cama, no entanto, para ser homogeneizada, precisa ser revolvida nos

momentos em que o grupo de animais que ocupa esta área é direcionado para a ordenha. Em geral, este revolvimento é feito com equipamentos mecânicos, do tipo enxada rotativa, embora existam equipamentos especiais. A alimentação dos animais se dá fora da área de descanso em áreas revestidas por concreto nas laterais do pavilhão. O elevado pé direito e a cama dão o conforto aos animais, que ficam descansando e se alimentando, com saídas de duas a quatro vezes ao dia para a ordenha. Por todas estas razões, um projeto necessita ser bem feito, com uma boa ventilação, medidas de drenagem da umidade em excesso e posicionamento correto em relação à movimentação do sol durante o dia.

O modelo U60 tem porta nas duas laterais, além de uma janela basculante na parte traseira da cabine, que facilita o acesso às VCRs e também pode funcionar como uma saída de emergência

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Concessionário TratorSul

concessionário TratorSul, que nos auxiliou na realização do test drive, é a revenda LS para a região dos Campos Gerais Paranaenses, que atende a vários municípios da região. Estivemos na loja matriz de Ponta Grossa, encontrando um prédio novo, com layout moderno e um visual bastante bonito e organizado. A loja nova, que tem quatro anos, conta com uma seção de serviços e peças bastante equipada, com atendimento em toda a região de abrangência. Além da

partida do motor. O volante da direção tem regulagem de posição e, junto a ele, temos o acelerador na direita e a alavanca de reversão na esquerda, que é o ponto alto deste modelo. No piso da plataforma, para o comando do operador, estão os pedais de embreagem, os freios, o acelerador de pé, de bloqueio do diferencial e do acionamento da TDA. O assento do operador possui apoio de braços, cinto de segurança e pode ser ajustado de três formas: distância, posição do encosto e oscilação vertical. O capô é basculante e favorece bastante as operações de manutenção e limpeza de radiadores e demais componentes do motor. Os freios são a disco, imersos em óleo, utilizando três unidades em cada lado, com acionamento hidráulico. Quanto às dimensões, o trator possui distância entre eixos de 2.047mm e comprimento total de 3.759mm. A altura máxima é de 2.454mm e o vão livre de 420mm.

OS TESTES

Dividimos o nosso teste em duas partes. A primeira foi dentro do pavilhão que abriga as vacas na operação de revirar a cama. Esta operação é bastante pesada, pois é necessário movimentar uma massa de solo, misturado com serragem e os resíduos dos animais. Fizemos este revolvimento utilizando uma enxada rotativa da marca Mec-Rul, Fevereiro 2018 • www.revistacultivar.com.br

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excelente estrutura e apoio para este teste, a concessionária dispôs de um técnico, o Agnado Queiroz Naldo, que é consultor de Vendas da empresa e que conhecia bastante a região e o equipamento que estava sendo testado. De parte da LS MTron Brasil tivemos o auxílio técnico de Astor Kilpp, que é diretor comercial da empresa e que está sempre próximo das atividades de conhecimento e aplicação das máquinas que a empresa comercializa.

com 1,20 metro de largura, posicionando o trator em segunda marcha do grupo 1, com uma rotação de motor de 2.200rpm, para estabelecer 540rpm na TDP. Esta operação de revolvimento deve ser feita lentamente, pois a condição é primordial para a qualidade do trabalho. No entanto, o tempo total da operação, nessa situação, deve consumir apenas 20 minutos, pois em seguida as vacas que foram levadas à ordenha estarão retornando e desejarão deitar na cama já revolvida. Portanto, ao passo

que a lentidão é uma premissa para a qualidade do revolvimento, o tempo total da operação é restrito, obrigando o conjunto mecanizado ser eficiente nas manobras, a perda de tempo menor e a eficiência da operação, a melhor possível. Mas não é somente esta a exigência para que um trator possa ser recomendado para este trabalho. Além de requerer que o trator tenha excelente raio de giro, para facilitar a manobra de retorno e de acabamento, é ideal que ele seja silencioso, para evitar estresse ao rebanho que continua na instalação. Também é necessário que o projeto do trator tenha previsto comandos acessíveis e de fácil acionamento, como é o caso do reversor, que antes comentamos. Finalmente, para movimentar a massa da cama, que é bastante pesada, é necessário que o motor entregue potência e torque adequados para acionar o equipamento que homogeneíza a cama. Enfim, não é qualquer trator que pode atender a todos estes requisitos e possa ser recomendado para uma operação intensiva como esta.


Fotos Charles Echer

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O U60 Power Shuttle pode ser financiado pelo programa Mais Alimentos

A segunda parte do teste foi feita sobre uma área de silagem. Para a compactação do silo fizemos operação de vai e vem sobre a massa vegetal, aproveitando a funcionalidade do reversor. Testamos, nesta ocasião, o sistema de fixação da reação à reversão presente neste modelo, que se verificou bastante efetivo. Ao final do teste, vimos que o trator se adaptou muito bem a estas exigências e deixou o produtor bastante empolgado para a aquisição .M deste modelo. José Fernando Schlosser, Nema/UFSM

Local do teste

local do nosso teste foi na propriedade rural da família Gerrit, na localidade de Santa Cruz, que é situada no município de Carambeí, quase na divisa com Ponta Grossa. A área que os proprietários chamam de chácara totaliza 60 hectares, mas que chega a 180 hectares contando a área de produção de alimento, onde se pratica uma atividade de pecuária leiteira intensiva, no sistema de Compost Barn. Fomos recebidos pela família do senhor Willen Kastelijn Gerrit, que administra a atividade junto com mais dez funcionários e membros da família, entre eles o seu pai, que é responsável pela produção da imensa quantidade de alimento que o gado consome. O módulo de Compost Barn que a família administra é formado de pavilhões cobertos de 110 metros de comprimento por 50 metros de largura, onde vivem e se alimentam 300 vacas leiteiras, a grande maioria da raça holandesa. Em anexo, há uma instalação com 14 ordenhadeiras, onde se revezam grupos pares de sete vacas. A atividade é intensa o ano todo. Durante o dia são três turnos de trabalho para chegar a uma média de 30 litros de leite por vaca, por dia, em três ordenhas. Há muito conhecimento envolvido, para entregar o melhor produto, livre de impurezas e no teor correto de gordura. Nos explicaram que o teor de gordura é controlado com a presença de alguns indivíduos da raça Jersey,

que fornece um leite mais gordo que o da raça holandesa. Na média, são oito mil litros de leite produzidos por mês na chácara da família. O alimento oferecido é à base de ração, misturada com um triturado de milho silagem e feijão, disponibilizado em quantidade suficiente para exceder a demanda gerada pelos animais. Na intensa rotina de trabalho são várias as atividades mecanizadas. Além do revolvimento da cama, em que trabalha o trator com a enxada rotativa, onde testamos o LS U60, identificamos várias outras operações. Um conjunto composto por um trator pequeno e um implemento específico faz a raspagem dos pisos ao redor da instalação, retirando resíduos animais, e quando da alimentação do gado, reposiciona a comida que foi afastada pelo animal, junto ao cocho. Também há um conjunto que usa um trator médio e um misturador que faz o trato dos animais, depositando uma faixa de alimento ao lado da instalação, em todo o seu comprimento. De outra parte, há um intenso trabalho de preparação do alimento com o corte, a ensilagem, a compactação e a desensilagem, em geral feita por tratores dotados de pás frontais. Vimos que na maioria das operações há a necessidade de reversão de movimento e que um trator equipado com um sistema ágil e preciso passa a ser fundamental.

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ARMAZENAGEM

Qualidade e segurança

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agronegócio brasileiro é o setor da economia que possui maior capacidade de geração de empregos e também tem participação relevante no Produto Interno Bruto do País. Devido ao grande aumento na produção agrícola brasileira, a segurança no ambiente de trabalho se torna um assunto de extrema importância. As unidades armazenadoras de grãos estão cada vez

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mais modernas e eficientes, porém a segurança do trabalhador ainda não é um dos itens prioritários nos planos de investimentos de muitas delas. A segurança deve estar presente desde o processo básico de recebimento de grãos e o uso dos equipamentos de proteção individual (EPI) é essencial para maior segurança do funcionário e para o bom funcionamento da empresa como um todo.

A prevenção, além de zelar pelo patrimônio dos produtos estocados, tem um propósito maior que é zelar pela vida dos colaboradores que estão no exercício da sua função e que muitas vezes podem estar sobre riscos de acidentes, biológicos, químicos, ergonômicos e físicos. Estudos apontam o mapa de risco como metodologia importante para o reconhecimento dos riscos existentes

Foto Charles Echer

As unidades armazenadoras de grãos estão cada vez mais modernas e eficientes. No entanto, a segurança do trabalhador ainda não é item prioritário em muitas delas, mesmo sendo fundamental para manter o bom funcionamento e a eficiência da empresa como um todo


Fotos Fernanda Aparecida Martins

Desde a chegada dos grãos na unidade armazenadora até a sua acomodação final é necessário respeitar normas de segurança para evitar acidentes com trabalhadores e instalações

em um local de trabalho. O ideal é que a elaboração desse mapeamento seja realizada pelos trabalhadores junto a especialistas da área, possibilitando, dessa forma, maior participação e sensibilização dos trabalhadores sobre os problemas e as necessidades de intervenção. O sistema de pós-colheita começa já na saída de caminhões e carretas das fazendas e nesse processo já se tem uma grande necessidade de uso de EPIs, como respiradores, capacetes e botas. Na chegada à unidade armazenadora, os pontos observados quanto à segurança são um tanto quanto mais complexos, mas todos de fácil prevenção.

REGRAS PARA O CAMINHONEIRO

O caminhoneiro deve fazer o uso de capacete, respirador contra pó e bota. Também se deve fazer um cadastro na entrada da unidade para se ter um controle de pessoal dentro do pátio, geralmente o motorista é proibido de descer do caminhão, evitando assim algum risco e acidente.

REGRAS PARA OS TRABALHADORES

Para o trabalhador da unidade, deve ser observado o risco de acordo com a função. O balanceiro deve usar respirador

contra pó, capacete e bota sempre que tiver que sair do escritório da balança, além de usar colete reflexivo, facilitando assim a sua localização no pátio. O operador do calador, se for manual, deve estar afivelado à guia de segurança da plataforma e usar respirador contra pó, luvas para proteção das mãos, botas e óculos de proteção, além de colete reflexivo e capacete. Para quem faz os testes nos grãos, os EPIs são mais complexos como jalecos, óculos, respiradores especiais e luvas de látex, evitando o contato direto com os grãos, já que os mesmos podem estar contaminados com diversos agroquímicos, insetos e dejetos recolhidos nas lavouras pelas colhedoras. Na moega, os varredores devem utilizar botas, coletes reflexivos, óculos, luvas, capacetes e respiradores contra pó. Para quem faz as manutenções nos silos e armazéns, deve sempre, quando for trabalhar em alturas ou fazer caminhada sobre os grãos, usar o cinto tipo paraquedista e efetuar o trabalho em dupla. O uso de tipos específicos de EPIs vai depender do tipo de trabalho a ser executado, mas em sua grande maioria, faz-se a utilização de botas e capacetes. Para trabalhos na parte interna dos silos e armazéns devem ser feitos testes para verificar a presença de gases tóxicos e incandescentes. A limpeza desses ambientes deve ser periódica,

pois as poeiras são inflamáveis e a massa de grãos, quando fermenta, libera gases que podem se incendiar facilmente. Os equipamentos devem sempre estar protegidos e terem suas partes móveis cobertas por telas e grades, evitando o contato acidental. O secador deve ser operado por trabalhador devidamente treinado e a fornalha, se for alimentada por lenha, deve ter um bom controle contra animais peçonhentos. As pilhas de lenha devem estar em local de fácil acesso e a um nível em que o trabalhador fique em uma posição ergonomicamente apropriada. As explosões nessas unidades de armazenamento são mais comuns do que se pensa, então a presença constante de membros da brigada de incêndio é imprescindível e as rotas de fuga devem ser traçadas, levando as pessoas para o ponto de resgate de forma mais rápida possível, mas sempre evitando rotas que passem por lugares de alto risco. Todos os trabalhadores devem ser treinados quanto ao uso de extintores e hidrantes para que possam fazer o uso desses equipamentos quando necessário e sempre se deve ter treinamento para primeiros socorros. Os equipamentos elétricos devem ser operados por profissionais capacitados e as áreas de alta tensão devem estar locadas em ambientes abertos e bem identificados (De David, 2013). Fevereiro 2018 • www.revistacultivar.com.br

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Fotos Fernanda Aparecida Martins

Os cuidados para garantir a segurança das instalações de armazenagem devem ser tomados dentro e fora das construções

Os equipamentos de proteção coletiva (EPC) também são indispensáveis, como, por exemplo, a instalação de exaustores para a retirada do pó, as guias de proteção e grades nos pisos, evitando a entrada dos pés nas valetas, além de sirenes que indicam o início da descarga e a movimentação de veículos. Tendo em vista a quantidade de riscos a que estão expostos os funcionários de unidades armazenadoras, torna-se necessário o conhecimento de mais algumas instruções básicas de segurança relacionadas com o segmento de trabalho de armazenagem, as quais são mencionadas a seguir. Manter as portas de inspeção fechadas, e nas roscas transportadoras e transportadores de corrente manter as tampas fechadas com seus fechos rápidos (coberturas), evitando a emissão de pó no ambiente, que constitui um dos maiores agentes de contaminação dos grãos nas unidades. Não entrar no interior dos secadores quando estes estiverem em funcionamento com a fornalha, ou mesmo antes do seu carregamento sem colocar alertas. Antes de realizar qualquer manutenção, é importante retirar do quadro de comando os fusíveis ou chaves refeFevereiro 2018 • www.revistacultivar.com.br

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rentes ao equipamento, colocando uma placa informando que este se encontra bloqueado para utilização. Dentro do processo da unidade, ainda há mais algumas recomendações que devem ser seguidas.

FORMAÇÃO DE GASES TÓXICOS

O trabalhador deve evitar a entrada em poços e túneis que possam ter a presença de gases sem antes verificar as condições. Nestas situações, recomenda-se a instalação de um sistema de aspiração de ar, onde o ponto de captação deverá ser no fundo do poço, junto ao pé do elevador ou túnel. Para eliminar qualquer dúvida quanto à existência de gases, o procedimento correto é realizar uma limpeza periódica no pé do elevador e no piso dos túneis onde ficam depositados os grãos. No caso dos túneis, localizados abaixo de graneleiros ou baterias de silos, prever duas entradas de ar, para que haja uma circulação do ar residente, provocando uma contínua renovação.

SISTEMAS ELÉTRICOS

Os sistemas elétricos precisam ser revisados antes de iniciar o período de safra. Todas as instalações e ligações

elétricas, fios e luminárias devem passar por verificação, pois em muitos casos os roedores consomem as capas dos fios, deixando-os expostos e possibilitando uma faísca, que pode causar explosão. Quanto às luminárias, utilizar as de sistema antiexplosão (blindadas), pois em caso de queima ou quebra da lâmpada, elimina-se a possibilidade de acionamento. É importante também utilizar extintores de incêndio, luvas e botas adequadas para a atividade e respiradores contra pó e gases, que evitam a aspiração de pequenas partículas que podem prejudicar a saúde dos operadores.

ORGANIZAÇÃO DAS INSTALAÇÕES

Outro aspecto fundamental é destinar locais de armazenamento de materiais como ferramentas, depósito de lenha, peças de reposição e sucatas, proporcionando segurança para os veículos que trafegam e as pessoas que circulam pela unidade. Identificar com pintura de segurança os pontos críticos da unidade, dentro das Normas Brasileiras de Segurança, também é item indispensável. Temos como exemplos o corrimão de escadas, os degraus, as faixas de segurança, os obstáculos próximos à circulação de veículos e demais pontos descritos em normas de segurança. Instalar tampas perfuradas para fechamento da boca dos poços de elevadores, com o objetivo de evitar quedas de operadores quando estiverem próximos, reduzindo o risco. Este fechamento deve permitir a passagem de ar e gases existentes. Instalar guarda-corpos em todos os elevadores, escadas de acesso, plataforma do acionamento e também nos poços, com uma profundidade que permita a instalação. Assim, quando o operador for obrigado a ter acesso, evitará o perigo de quedas. O recolhimento de qualquer grão que esteja em nível do piso também se faz necessário, evitando a formação de gases e a proliferação de roedores e


aves. Ainda, é importante salientar que não se deve fumar próximo aos pontos críticos da unidade, como nas moegas e nos túneis, quando estes estiverem processando e recebendo grãos. Neste caso, o correto é proibir o fumo nas dependências da instalação. Os riscos de explosão são iminentes quando tivermos uma concentração de pó, gases e nas limpezas de manutenção. Nas oportunidades em que houver visitantes nas unidades, é preciso destinar sempre uma pessoa como acompanhante, direcionando a visita até seu destino, evitando o acesso às dependências exclusivas aos funcionários e áreas de risco. É de extrema importância que durante a safra, em períodos noturnos, haja a presença na unidade de no mínimo dois operadores, nunca somente um. A companhia

de outro operador tranquiliza ambos, pois em situação de urgência, tanto no aspecto mecânico como em acidentes de trabalho, há maior agilidade para prestar apoio, devendo-se colocar em lugares visíveis telefones de emergência para serem utilizados nestas situações. Desenvolver um treinamento de segurança no trabalho, com empresas especializadas ou Corpo de Bombeiros da região, também é aspecto importante a ser considerado, assim como oferecer cursos de operação e manutenção de máquinas que compõem a instalação, desde a balança rodoviária até os equipamentos de armazenagem, transporte, limpeza, secagem e demais existentes. Não caminhar sobre a massa de grãos para realizar manutenção e reti-

Ambientes sujos e empoeirados propícios para a ocorrência de acidentes

rada de grãos deteriorados localizados na camada superior da massa, devido à condensação e ao gotejamento oriundo da não exaustão do bolsão de ar quente e saturado, que fica estacionário entre a cobertura e a massa no interior dos armazéns e silos verticais. Para casos necessários e urgentes, utilizar cinto de segurança e ter mais operadores junto nesta operação. Para que todo o sistema se mantenha em funcionamento adequado, estes são alguns tópicos considerados importantes, onde operadores devem atuar na prevenção, mantendo seu desempenho e qualidade de trabalho, pois são o maior patrimônio que uma empresa possui, e esta, por sua vez, deve criar mecanismos para garantir a melhoria dos recursos humanos e da qualidade de vida de cada um dentro .M da empresa. Fernanda Aparecida Martins, Ednilton Tavares de Andrade e Camila Almeida Dias, Ufla

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Fotos Rafael de Oliveira Faria

COLHEDORAS

Informação confiável

As colhedoras de cana-de-açúcar autopropelidas estão cada vez mais tecnológicas e eficientes, porém nem sempre todos os recursos disponíveis são utilizados. Sendo assim, estudo avalia se o contador de consumo de combustível é preciso para o gerenciamento de frotas e para o controle na colheita

A

cana-de‐açúcar é uma cultura de grande importância na economia de vários países produtores no mundo. Seus produtos são amplamente utilizados na produção de açúcar, eletricidade e etanol. Dentre os maiores países produtores de cana‐de‐açúcar, o Brasil é responsável por 30% da produção mundial. O sistema de colheita mecanizado é considerado como um dos mais importantes no processo de produção devido aos custos envolvidos na operação, à influência na qualidade da matéria-prima e à necessidade de se manter Fevereiro 2018 • www.revistacultivar.com.br

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um fluxo constante para atender à demanda da usina. As colhedoras de cana-de-açúcar autopropelidas estão cada vez mais tecnológicas e eficientes. Porém, muitas vezes, usinas ou os proprietários destas máquinas não utilizam todos os recursos tecnológicos disponíveis, como o computador de bordo, por exemplo. Dentre as máquinas disponíveis no mercado, a deste estudo possui um sistema embarcado standard, que permite a gravação de dados em uma memória USB para posterior análise

pelo software disponibilizado pela própria marca. Várias informações estão disponíveis no computador de bordo, como é o caso de temperatura do arrefecimento do motor, pressão do corte de base, altura de corte, entre outras. Estes dados são valores diretos de sensores posicionados pela máquina. Contudo, algumas informações dependem de cálculos e estimativas, como é o caso do consumo de combustível. A centralina do motor não trabalha com um sensor de fluxo para medir o consumo de combustível, visto que há necessidade de utilizar até dois destes sensores, um na entrada da bomba de combustível e outro no retorno de diesel para o tanque. Assim, a maneira mais simples para estimar o valor de consumo instantâneo é através de alguns parâmetros disponíveis no sistema de injeção eletrônica, tais como temperatura do ar, pressão atmosférica, temperatura do combustível, temperatura do óleo lubrificante, pressão no common-rail, tempo de abertura do bico injetor, entre outros. Um trabalho para medir o consumo de combustível foi realizado na região


de Ourinhos, estado de São Paulo, com altitude média de 470 metros, onde os terrenos possuem declividade menor que 12%. A colhedora de cana-de-açúcar utilizada foi o modelo A8800 de ano 2014, horímetro do motor de 4.439 horas e do elevador, 2.471 horas, com motor eletrônico de 358cv (263kW), rodados de esteira, sistema Autotracker e tambor separador bidirecional no cortador de pontas.

Nas configurações do computador de bordo foi montada uma tela “executar 6” contendo as informações do contador de transbordo, nome da tarefa, motivo de parada, operador, combustível total utilizado, horas do motor, horas do elevador, tempo em trabalho e tempo em campo. Para a medição do consumo de combustível, além do disponível na máquina, foram utilizados dois fluxômetros volumétricos, um entre o filtro de combustível e a bomba injetora do motor e o outro entre o motor e o resfriador de diesel para o retorno do combustível ao tanque. O controlador PHI-MD fabricado pela Techmeter ficou responsável pelo cálculo da diferença entre os valores dos pulsos gerados pelos fluxômetros de entrada e saída do motor, convertendo o resultado em litros. Conforme o aferimento do fabricante, este equipamento apresenta precisão de 99%. A aquisição dos dados do monitor foi realizada seguindo o “Guia rápido para utilização do computador de bordo e coletor de dados”, presente no Manual do Operador da colhedora de cana, e uma memória na porta USB do monitor e posteriormente analisados pelo software de desktop da mesma marca. O monitor utiliza uma antena com

Tela “executar 6” montada com os parâmetros para avaliação dos testes

módulo GNSS (Sistema de Navegação por Satélite), em que tem a possibilidade de calcular alguns parâmetros, como velocidade, distância percorrida e área trabalhada do equipamento durante a colheita. Durante os testes de campo utilizou-se uma planilha de anotações com informações de cada tarefa, como hora motor, hora elevador, quantidade de transbordos colhidos, consumo acumulado no monitor e consumo apontado pelo fluxômetro. Para diminuir possíveis interferências de outras variáveis relacionadas à colheita, o experimento foi conduzido seguindo alguns parâmetros de colheita já estipulados pela usina, como velocidade de colheita de 5km/h, pressão do corte de base de 45BAR, altura do corte de base de 65 unidades, rotação do motor diesel em 1.800rpm, com Smartcruise e Autotracker ligados. Foram realizadas três repetições com duração média de uma hora e 30 minutos de aquisição de dados para a avaliação e comparação dos dois métodos de medição do consumo de combustível, seguindo os parâmetros de colheita predefinidos. Após as análises dos dados no escritório, pôde-se observar que os resultados obtidos do somatório do consumo de combustível durante as repetições

Fluxômentros e controlador instalados na linha de combustível

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Fotos Rafael de Oliveira Faria

Autores avaliaram o consumo de combustível em colhedoras de cana

ficaram muito próximos entre os dois métodos, conforme Figura 1, e o resultado do teste de médias pelo software Sisvar pode ser visualizado na Tabela 1. Os resultados dos dois métodos apresentados na Figura 1 mostram a proximidade dos valores nas três repetições, com uma dispersão média de 0,4%, e quando aplicados ao teste de média, os dois métodos também não se diferem aplicando estatística descritiva, conforme Tabela 1. Este resultado é semelhante ao estudo feito por pesquisadores em um motor estacionário, onde compararam o contador de combustível e um fluxômetro, resultando em uma dispersão de 0,3%. Além das colhedoras de cana, este computador de bordo também é utilizado em outras máquinas agrícolas, como colhedoras de grãos, tratores de médio e grande porte, entre outros.

As colhedoras atuais coletam e disponibilizam diversos dados de colheita, como altura de corte e volume colhido

O monitor dispõe de outros parâmetros disponíveis para armazenamento, como a temperatura do óleo hidráulico, a rotação do motor, a pressão do corte de base, a velocidade média, entre outros. Todos estes dados podem ser selecionados e registrados durante o período de trabalho e posteriormente transformados em mapas temáticos e relatórios analíticos destes sensores. Os valores obtidos de consumo de combustível pelo display também podem ser comparados com os do

abastecimento, em que, na maioria das vezes, os caminhões de abastecimento não possuem contadores de combustíveis confiáveis e também possíveis erros de anotações do funcionário. Concluímos que o computador de bordo do monitor em estudo como registrador de dados e contador de consumo de combustível é preciso para o gerenciamento de frotas e controle de colheita, sendo ainda possível a comparação entre máquinas, operadores e talhões para a tomada de decisão. Possibilitando também a análise de mapas georreferenciados .M de consumo e outras variáveis. Rafael de Oliveira Faria, Universidade Federal de Lavras Roberto Biasotto, Case IH

Tabela 1 - Comparação das médias pelo Sisvar entre os métodos de fluxômetro e AFS PRO700, médias seguidas da mesma letra não se diferem pelo teste de Tukey a nível de 5% de significância. Coeficiente de variação de 19,77% Tratamentos Fluxômetro AFS PRO700

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Consumo de combustível (litros) 46.35a 47.65a


TECNOLOGIA Alexandre Russini

Ajuda importante

A orizicultura vem sofrendo com o aumento dos custos de produção e estagnação do preço, o que exige dos produtores a busca por alternativas e tecnologias que possam otimizar os recursos disponíveis. Neste sentido, está sendo desenvolvida uma ferramenta de apoio ao planejamento e tomada de decisão na operação de colheita mecanizada do arroz irrigado

A

orizicultura é considerada uma das mais importantes atividades agrícolas desenvolvidas no Rio Grande do Sul, na qual, segundo dados do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), totalizaram cerca de 1.094.877 hectares semeados na safra 2016/17. A lavoura orizícola é considerada a base da cadeia produtiva da fronteira oeste do Estado, contabilizando aproximadamente 318.555 hectares semeados nesta última safra, sendo importante fonte de renda para os municípios pertencentes à região, gerando milhares de empregos diretos e indiretos que vão desde a lavoura, as unidades de recebimento/beneficiamento, bem como no setor de transporte, máquinas agrícolas e insumos. Nos últimos anos a atividade vem

sofrendo com o aumento dos custos de produção e estagnação do preço do produto, o que tem levado muitos produtores a abandonar a atividade ou buscar constantemente novas alternativas e tecnologias voltadas ao sistema de produção no intuito de otimizar os recursos disponíveis. A cultura do arroz irrigado é considerada complexa em função dos inúmeros fatores que exercem efeito direto sobre a mesma, bem como o elevado número de operações requeridas desde a implantação da lavoura até a colheita. Particularidades no preparo de solo, formação e manutenção da lâmina de irrigação, controle de plantas daninhas, dentre outros fatores, até chegar ao processo final de colheita, exigem da assessoria técnica e dos produtores amplo conhecimento e habilidades.

Todos esses fatores acabam ficando, muitas vezes, impossíveis de serem controlados simultaneamente, e estratégias de manejo tornam-se difíceis de serem colocadas em prática. Isso ocorre devido à dificuldade de monitoramento e ao acompanhamento de extensas áreas cultivadas, sendo que o resultado refletirá na produtividade final. Neste sentido, o desenvolvimento e a adoção de novas tecnologias têm auxiliado produtores e técnicos na prevenção e identificação de problemas, bem como na tomada de decisão. Um exemplo disso são os Vants (Veículos Aéreos Não Tripulados), popularmente chamados de drones. Esses equipamentos permitem observar, por exemplo, através de imagens obtidas de áreas cultivadas com arroz irrigado, problemas de irrigação, ataque de insetos, infestação de Fevereiro 2018 • www.revistacultivar.com.br

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Figura 1- Interfaces do aplicativo

plantas daninhas, erros de semeadura e aplicação de produtos. Essas imagens permitem identificar pontos dentro dos talhões que dificilmente poderiam ser observados através de um simples caminhamento dentro da lavoura, possibilitando desta forma uma intervenção direta ou planejamento futuro, visando minimizar e/ou solucionar tais problemas. Neste cenário, o clima tem efeito direto sobre o planejamento das operações. As áreas de várzea onde o arroz é cultivado apresentam naturalmente condições de difícil drenagem, sendo o preparo inicial de solo muitas vezes antecipado para que semeadura possa ocorrer dentro do período recomendado, pois essa operação é seriamente afetada quando se tem excesso de precipitação. Esse problema irá refletir num período menor de semeadura, obrigando os produtores a suprimirem em parte o sistema de escalonamento Fevereiro 2018 • www.revistacultivar.com.br

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de semeadura, refletindo diretamente no final do ciclo, onde a cultura terá que ser colhida dentro de um período também restrito. Todo o planejamento de colheita realizado anteriormente, baseado no período de semeadura, terá que ser revisto. A partir deste problema, ocorrerão indefinições quanto ao número de colhedoras e tempo disponível para colheita, obrigando os produtores a tomarem muitas decisões e quando não tomadas corretamente podem acarretar enormes prejuízos. Quando se tem um período menor para realizar a colheita, os produtores precisam utilizar um número maior de colhedoras, seja através da aquisição de máquinas novas e/ou de terceirização. A aquisição de máquinas visando atender uma demanda momentânea é um risco que recairá sobre o agricultor, referente à ociosidade em anos normais, o que eleva de forma considerável o custo

operacional, sendo que em determinados casos, pode inviabilizar a permanência dessa máquina na propriedade. Outra possibilidade recai no aumento da eficiência operacional e da velocidade de deslocamento das colhedoras existentes. Em condições na qual se exige maior capacidade operacional durante a colheita, a alternativa mais comum encontrada pelos agricultores é o aumento da velocidade de deslocamento, o que, para a cultura do arroz, consiste de um parâmetro que deve ser muito bem observado, pois pode acarretar perdas de grãos a proporções inaceitáveis. Cabe ressaltar que não basta simplesmente aumentar a velocidade de deslocamento sem levar em consideração o tipo de plataforma e o sistema de trilha que equipam as colhedoras. Neste sentido, visando criar uma ferramenta de apoio referente ao planejamento e à tomada de decisão na operação de colheita mecanizada de arroz irrigado, foi desenvolvido no Laboratório de Sistemas Inteligentes e Modelagem (LabSIM), da Universidade Federal do Pampa – Campus Itaqui, um aplicativo para celulares com sistema operacional Android. O aplicativo denominado ColheArroz, na sua versão Beta, foi desenvolvido a partir de dados de desempenho de colhedoras, coletados durante quatro safras consecutivas, abrangendo diferentes cultivares de arroz irrigado e condições de colheita. Foram avaliadas as perdas de colhedoras equipadas com diferentes sistemas de trilha (radial, híbrido e axial) e plataformas de corte (helicoidal e draper). Foram gerados modelos matemáticos que relacionam a perdas de grãos com velocidade de deslocamento da colhedora, plataforma de corte e sistema de trilha. Os modelos para estimativa das perdas basearam-se nas principais cultivares de arroz irrigado cultivadas na fronteira oeste do Rio Grande do Sul. Futuramente, pretende-se desenvolver outras versões devido ao lançamento de novas cultivares e modelos de


colhedoras, ampliar a abrangência para outras regiões produtoras, bem como a disponibilização para outros sistemas operacionais e via web. Para o desenvolvimento do aplicativo ColheArroz para smartphones utilizou-se a IDE (Integrated Development Environment) Android Studio. Esta ferramenta permite trabalhar de forma exclusiva com o sistema, caracterizando-se por acelerar o desenvolvimento e criar aplicativos profissionais com alta qualidade para todos os tipos de dispositivos com sistema operacional Android. Após o desenvolvimento e a inserção dos modelos matemáticos no aplicativo, foi desenvolvida uma interface de interação usuário/aplicativo que permite o recebimento das variáveis relativas às operações como tipo de plataforma, largura da plataforma, sistema de trilha, velocidade de colheita, consumo horário, preço do combustível, tamanho da área, entre outras variáveis, conforme pode ser visualizado na Figura 1. Com as variáveis inseridas, o aplicativo é capaz de executar os modelos conforme sua programação, retornando os resultados das estimativas na tela do smartphone. O aplicativo apresenta uma interface amigável, onde o usuário insere os principais dados referentes à colhedora

e à área a ser colhida. A partir dessas informações, o aplicativo estima as perdas da colhedora por hectare, a área total e o valor monetário das perdas. Através do uso de equações já conhecidas, o aplicativo informa também a capacidade operacional em hectares por hora e o tempo estimado para a finalização da colheita, conforme pode ser observado na Figura 2. O sistema também calcula a largura total de plataforma necessária e o número de colhedoras, em função do ritmo operacional exigido. Isto permite ao usuário visualizar se as colhedoras existentes na propriedade atendem ou não a área a ser colhida e planejar com exatidão, caso seja necessário, a aquisição de uma máquina nova, solicitar um empréstimo ou terceirizar a operação de colheita. Cabe ressaltar que as estimativas referentes às perdas obtidas pelos usuários através deste aplicativo, representam valores médios observados a campo, na qual demonstram a condição real encontrada durante a operação de colheita na região da fronteira oeste do Rio Grande do Sul. Neste contexto, as perdas estimadas e já corrigidas a valores de 15% de umidade, podem ser reduzidas de forma considerável pelos agricultores, desde que seja realizada uma regulagem correta, baseada nas

especificações do fabricante, bem como a observação da manutenção e a forma de operação da colhedora. Portanto, a utilização de ferramentas que possam auxiliar os agricultores na tomada de decisão é fundamental para manter a competitividade e a sustentabilidade da cadeia produtiva do arroz. Esta, por sua vez, é caracterizada pela demanda por altos investimentos, tanto de máquinas quanto de insumos, sem contar nas variações do preço do produto e a suscetibilidade às adversidades climáticas, a qual vem prejudicando o setor de forma significativa nos últimos anos. A redução das perdas de grãos e a otimização do uso e na necessidade de aquisição de colhedores através de um correto planejamento do parque de máquinas, estão dentre os principais fatores a serem observados por agricultores e técnicos, no intuito de garantir a permanência dos agricultores na atividade. Este aplicativo encontra-se na fase final de testes com produtores da região e será em breve disponibilizado de forma .M gratuita aos futuros usuários.

Luis Daivid de Nazaré Martins, Daniel Ciro de Souza, Alexandre Russini, Cristiano Galafassi e Rogério Vargas, Universidade Federal do Pampa

Figura 2 - Resultados das estimativas a partir dos dados informados

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TECNOLOGIA

Diagnóstico rápido

Aplicativo para avaliar a qualidade da pulverização em condições de campo viabiliza o diagnóstico na lavoura, durante a aplicação, possibilitando os ajustes necessários em curto espaço de tempo

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Jacto

A

B

Figura 1 - Desenvolvimento do aplicativo para análise de etiquetas hidrossensíveis. (A) Interface inicial do aplicativo. (B) Opções disponíveis ao selecionar imagem

O

monitoramento da qualidade de uma aplicação é de grande importância para verificar se de fato está ocorrendo a deposição de gotas sobre o alvo, a penetração de gotas no dossel, bem como verificar as perdas de agroquímicos para o meio ambiente. Além da deposição de gotas sobre o alvo é importante monitorar o tamanho das gotas durante a pulverização, pois a eficiência e a qualidade da aplicação estão intimamente relacionadas ao espectro de gotas. Gotas muito finas podem favorecer a deriva e gotas

grossas favorecem o escorrimento. As avaliações em campo, geralmente são realizadas com etiquetas hidrossensíveis. Essas etiquetas são de papel, recobertas por uma camada de azul de bromofenol, que, em contato com a água, torna-se azul diante da mudança do pH (Turner; Huntington, 1970). Vitória e Campanharo, em 2016, relatam que etiquetas de papel hidrossensível, em experimentos ligados à tecnologia de aplicação, vêm sendo bastante utilizadas entre os pesquisadores, produtores e extensionistas de áreas relacionadas ao controle químico, oferecendo importantes informações a respeito dos fatores interligados ao controle de plantas daninhas, pragas e doenças. Por sua vez, as etiquetas são analisadas visualmente por meio de gabarito e lupa ou então com o auxílio de softwares para análises de imagens (Garcia et al, 2004). Estas análises, quando realizadas visualmente, além de exigirem elevado tempo, são um

processo desgastante, pois necessita ser avaliado um número elevado de gotículas (Pessoa e Chaim, 1999) e, ainda, são altamente suscetíveis a erros. Por meio de softwares, o trabalho em campo é oneroso, visto que se devem digitalizar as etiquetas para posterior processamento, empregando-se um computador e software específico para tal finalidade, corroborando com Hoffmann e Hewitt (2005). Visando facilitar estas avaliações em campo, um grupo de pesquisadores do Instituto Federal de Minas Gerais desenvolveu um aplicativo em plataforma Android para analisar as etiquetas hidrossensíveis e determinar os parâmetros da pulverização, como densidade de gotas por unidade de área e diâmetro mediano volumétrico (DMV).

METODOLOGIA

O aplicativo foi desenvolvido para a plataforma Android, e utiliza a biblioteca de visão computacional Fevereiro 2018 • www.revistacultivar.com.br

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Fotos Bruno Alberto Soares Oliveira

OpenCV. A tela principal foi composta com um ícone denominado “Selecionar imagem”, por sua vez, foi programado para abrir uma janela de opções (Figura 1). A opção “Instruções” demonstra ao usuário passo a passo o roteiro para utilizar o aplicativo. Para maior precisão na análise da imagem, o ícone “Ajustar dimensões” possibilita colocar o tamanho real da etiqueta em centímetros (largura e altura). A opção para “Adicionar da galeria” é utilizada para o usuário inserir a imagem a ser analisada e por último a opção de “Cancelar”. O aplicativo foi desenvolvido de tal modo que, para o usuário realizar a análise de uma etiqueta hidrossensível no campo, ele deve tirar uma fotografia com o aparelho móvel e, se necessário, com as próprias ferramentas de edição de imagem do aparelho, recortar a área da imagem a ser analisada. Em seguida, abre-se o aplicativo, escolhe-se o ícone selecionar imagem, adicionar da galeria e, se for o caso, ajustar as dimensões da etiqueta. Todas as alterações que o usuário realiza, o aplicativo salva e automaticamente retorna à tela inicial. De posse da imagem selecionada, o usuário deverá selecionar o segundo ícone da tela inicial “Analisar

Figura 2 - Edição/Seleção da imagem a ser analisada

Imagem”, onde uma caixa de diálogo é aberta com os resultados obtidos. O aplicativo fornece as dimensões da etiqueta (cm), a quantidade de gotas encontradas na imagem, o diâmetro médio (μm), DMV (μm) e a densidade de gotas (gotas/cm).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Ao selecionar a imagem da eti-

Figura 3 - Resultados obtidos após a análise

queta e executar os procedimentos de análise, o aplicativo fornece como resultado uma caixa de texto contendo as informações obtidas pelo processamento (Figura 3). Na análise de confiabilidade dos resultados, durante as diferentes repetições realizadas para um determinado modelo e marca de dispositivo

Com o aplicativo, é possível monitorar em tempo real a qualidade de cobertura e realizar as correções e regulagens necessárias

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móvel, observou-se boa repetibilidade dos valores com variação nula entre as diferentes repetições realizadas, mostrando que a metodologia definida para detecção de gotas é eficiente e confiável. Analisando-se diversas etiquetas hidrossensíveis, observou-se que ao alterar o fabricante de dispositivos móveis, houve pequena variação nos resultados, com coeficiente de variação máximo de 11,15%. Isto se deve provavelmente à maneira de como cada arquitetura trata o ponto flutuante, que se propaga no decorrer das operações matemáticas realizadas pelo aplicativo. A qualidade de uma aplicação de agroquímicos está relacionada à deposição sobre o alvo. Os papéis hidrossensíveis são muito utilizados em ensaios práticos a campo para determinar o tamanho de gotas via programas computacionais, os quais analisam o espalhamento da área molhada sobre o alvo artificial digitalizado (Baio et al, 2015). Deve-se ressaltar que as avaliações realizadas em campo são complicadas, pois quando se deseja uma análise criteriosa, deve-se utilizar softwares computacionais e requerer mão de obra qualificada. Adotando-se o aplicativo, as análises ficarão muito mais acessíveis, principalmente aos produtores rurais. Quando se trabalha com processamento digital de imagens, as ferramentas computacionais requerem alto potencial de softwares e hardwares. O aplicativo desenvolvido utilizou a biblioteca OpenCV, que possui algoritmos otimizados para reduzir o gasto com o processamento, permitindo a utilização do programa com dispositivos móveis com baixa capacidade de processamento, necessitando apenas do sistema operacional Android. Os dispositivos móveis estão cada vez mais acessíveis. Utilizando-se o aplicativo desenvolvido, diminuirá o tempo para as análises das etiquetas,

favorecendo as avaliações das pulverizações, aumentando assim a qualidade e a eficiência das aplicações. Para o produtor rural, gera economia com gastos em agroquímicos e reduz os impactos ambientais. Diante da grande portabilidade e facilidade no uso do aplicativo, é possível o responsável técnico do campo analisar instantaneamente se está ocorrendo a deposição de gotas sobre alvo, e pode-se identificar problemas relacionados ao ajuste do pulverizador como, por exemplo, ponta de pulverização hidráulica desajustada, pressão imprópria e outros parâmetros inerentes ao processo de pulverização (Souza et al, 2008).

CONCLUSÃO

O trabalho desenvolvido mostrou

que o aplicativo desenvolvido com a utilização do OpenCV para aplicação de detecção, contagem e cálculo do diâmetro mediano volumétrico em etiquetas hidrossensíveis apresentou resultados satisfatórios. Ele auxilia o profissional do campo, pois possui boa portabilidade computacional e é de baixo custo. Podemos também destacar que ele possui uma interface simples, interativa e de fácil utilização, requerendo pouco conhecimento técnico em informática. O coeficiente de variação máximo obtido entre os diferentes dispositivos móveis avaliados .M foi de 11,15%. Bruno Alberto Soares Oliveira, Robson Shigueaki Sasaki, Servílio Souza de Assis e Édilus Penido, IFMG

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AGRICULTURA DE PRECISÃO

No lugar exato

Fotos Cristiano Zerbato

O piloto automático é ferramenta cada vez mais presente nas propriedades na busca pela maior eficiência operacional das máquinas agrícolas. Avaliação realizada na operação do plantio mostra a eficiência do conjunto trator/semeadora em área de semeadura circular e retilínea quando comparado com operação manual

C

om o aumento populacional e as mesmas áreas agricultáveis, a produção de alimentos se torna um desafio cada vez maior. Sendo assim, para aumentar a produtividade em sua fazenda, o produtor precisa expandir a produção por unidade de área. Uma das formas de elevar a produtividade de uma área é aderir a técnicas e tecnologias de agricultura de precisão. Dentre essas tecnologias, podemos destacar o uso do piloto automático, que está cada vez mais presente nas propriedades mais tecnificadas. Fevereiro 2018 • www.revistacultivar.com.br

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O piloto automático é uma ferramenta que funciona com o auxílio de sistemas de posicionamento via satélite, sistemas de correção de sinal, sensores e atuadores que são adicionados ao trator ou autopropelido e tem como objetivo aumentar a precisão no deslocamento e a eficiência das máquinas agrícolas na lavoura. A utilização do piloto automático melhora as condições de trabalho do operador, aumentando a jornada de trabalho e a capacidade de campo do maquinário, o que faz a utilização de tal tecnologia ser considerada

uma técnica sustentável. A utilização do piloto automático nas operações mecanizadas diminui consideravelmente os erros entre as passadas da máquina, reduzindo as sobreposições e falhas na aplicação, podendo elevar a velocidade operacional, permitindo maior precisão na aplicação de insumos e elevando o tempo disponível para a operação. Com base nessas informações, objetivou-se comparar, por meio de cartas de controle e teste de Tukey, o erro no paralelismo obtido com o piloto


Figura 1 – Carta de controle dos erros entre as passadas da semeadora com e sem piloto automático

automático e pela operação manual do conjunto trator e semeadora e também avaliar o paralelismo do mesmo conjunto, em uma área de semeadura circular e em uma de semeadura retilínea. Um experimento para avaliar o paralelismo no plantio foi conduzido na Fazenda de Ensino, Pesquisa e Extensão da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinária (Fepe) – Unesp Jaboticabal. Foi utilizada uma área de pivô central, dividida ao meio, onde em uma metade foi realizada semeadura circular e na outra foi feita semeadura retilínea. O talhão retilíneo, para avaliação do erro de paralelismo, foi dividido novamente e metade foi semeada com piloto automático com correção RTK e metade sem piloto automático. A semeadora utilizada foi de quatro linhas espaçadas a 0,9 metro uma da outra e regulada para depositar seis plantas por metro. O trator utilizado era equipado com sistema de direcionamento automático por GNSS e com correção de sinal RTK. A semeadura foi realizada com o solo na capacidade de campo, a uma velocidade média de 6km/h, no sistema de plantio direto. Foram definidos 30 pontos amostrais em cada tratamento. Na área de semeadura circular foram definidas amostragens nas passadas que estavam a 20, 40, 60, 80 e 100 metros de raio em relação ao centro do pivô. Dessa forma, ficaram definidos seis tratamentos, com 30 amostragens

Figura 2 - Gráfico expressando teste de Tukey a 5% de probabilidade, referente à semeadura circular

em cada tratamento, totalizando 180 amostragens. As amostragens foram realizadas 20 dias após a germinação e utilizou-se uma trena para medir a distância entre as passadas, sendo que as medições foram realizadas posicionando a trena entre as plantas das duas linhas e entre as passadas da máquina. O desvio entre as passadas foi calculado subtraindo o resultado obtido do espaçamento entre linhas, que era de 0,9 metro. Os resultados obtidos por meio dessa subtração foram analisados através de cartas de controle, que têm como objetivo verificar o erro médio entre as passadas em ambos os tratamentos. A área retilínea e a área total foram submetidas à análise de variância

com nível de significância de 0,05% e quando significativos, os resultados foram submetidos ao teste de Tukey, onde foram analisados os efeitos dos tratamentos sobre a variação média no paralelismo entre as passadas.

SEMEADURA RETILÍNEA

Observa-se nas cartas de controle (Figura 1) que ao utilizar o sistema de direcionamento automático, as variações na precisão entre as passadas da semeadora foram consideravelmente menores, o que representa maior qualidade na operação. O erro médio ao utilizar piloto automático foi de 0,0531m, enquanto o tratamento sem piloto teve erro de 0,11m, no entanto, ao utilizar

Comparativo avaliou o paralelismo da operação de semeadura utilizando piloto automático em semeadura circular e retilínea

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Fotos Cristiano Zerbato

O experimento também comparou a qualidade da operação de semeadura com o uso de piloto automático e manual

piloto automático com correção RTK espera-se precisão de até 0,025m entre as passadas, valor que não foi atingido no experimento. Pode-se atribuir o erro médio elevado obtido no experimento ao alto valor de TEC presente na ionosfera no momento do experimento. O TEC (total elétrons content) é o termo utilizado para representar o valor total de elétrons presente na atmosfera e que quando elevado causa um atraso no sinal enviado pelo satélite e consequentemente uma diminuição da qualidade do sinal utilizado no direcionamento automático.

SEMEADURA CIRCULAR

Analisando os resultados, verificou-se por meio do teste de Tukey (Figura 2) que a testemunha e o tratamento R-100 têm o mesmo valor estatístico, isso se deve ao fato de que o trajeto percorrido com raio de 100 metros, apesar de curvilíneo, apresenta uma curvatura suave, fazendo com que o sistema de direcionamento automático responda quase com a mesma eficiência que quando submetido a um trajeto retilíneo, que é o caso da testemunha. Os tratamentos submetidos a Fevereiro 2018 • www.revistacultivar.com.br

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curvaturas de raio 40, 60 e 80 metros em relação ao centro do pivô apresentaram uma diferença significativa em relação ao trajeto retilíneo e ao trajeto percorrido no raio de 100 metros em relação ao centro do pivô. Porém, estatisticamente podem ser considerados iguais. O trajeto percorrido no raio de 20 metros apresentou um desvio médio do piloto automático superior aos demais tratamentos. No entanto, de acordo com o teste de Tukey, os valores coletados em campo se diferem apenas do tratamento de raio 100 e da testemunha. Os valores obtidos no trajeto retilíneo apresentaram um desvio médio de 7,54 centímetros, o que, de

acordo com a literatura, é inadequado. Podemos atribuir esses resultados a uma possível falha no sistema de correção, à calibração inadequada do piloto automático que equipava o conjunto trator-semeadora ou a possíveis efeitos de cintilação ionosférica, fator causado pela radiação solar que gera um acúmulo de elétrons na camada ionosférica e causa refração e até perda total do sinal emitido pelos satélites. Já os valores obtidos na semeadura circular, assim como o aumento dos mesmos quando submetidos a raios menores, se devem à dificuldade do piloto automático de efetuar curvas mais fechadas, fazendo com que se desviasse da linha para conseguir completar o trajeto. É possível concluir que o sistema de direcionamento automático reduziu pela metade o erro médio entre as passadas da semeadora e aumentou em 100% a precisão no direcionamento do maquinário. Quando avaliada a operação circular, o sistema de direcionamento automático apresentou menor precisão quando submetido a curvas mais fechadas. Quando o raio da curvatura foi de 100 metros, o paralelismo entre as passadas foi o mesmo em relação à que foi semeada .M em um trajeto retilíneo. Cristiano Zerbato, Watus Alves, Marco Antônio Vrech, Maílson Oliveira, Danilo Tedesco e Rafael De Graaf, Unesp

Os pesquisadores realizaram o estudo na Fazenda de Ensino, Pesquisa e Extensão da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinária da Unesp, em Jaboticabal


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