Cultivar Máquinas • Edição Nº 179 • Ano XV - Novembro 2017 • ISSN - 1676-0158
Índice 4 Rodando por aí 5 Uso de drones na agricultura 8 Manutenção em colhedora de cana 12 Bitolas de tratores 15 Consumo de combustível 18 Capa - Test Drive Série T CVT 28 Transplantio mecanizado de café 32 Avanços dos EPIs na pulverização 36 Como irrigar sem desperdícios 38 Empresas - Valley 40 Uso de Vants em lavouras
Destaques
Test Drive - Trator Valtra T230 CVT Conheça o Valtra T230 CVT com sistema hidráulico dianteiro e transmissão CVT, um trator com alta tecnologia e versatilidade
Colhedoras de cana Conheça quais são os maiores custos para manter as colhedoras em pleno funcionamento durante a colheita
Grupo Cultivar de Publicações Ltda. Direção Newton Peter
• Editor Gilvan Quevedo • Redação Rocheli Wachholz Karine Gobbi
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Máquinas mais dinâmicas
• Revisão Aline Partzsch de Almeida
• Vendas Sedeli Feijó Rithiéli de Lima Barcelos José Luis Alves
• Design Gráfico Cristiano Ceia
• Coordenação Circulação Simone Lopes
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Saiba como tornar sua máquina mais versátil através da alteração da bitola dos rodados
Assinatura anual (11 edições*): R$ 269,90 www.revistacultivar.com.br cultivar@revistacultivar.com.br (*10 edições mensais + 1 conjunta Dez/Jan) Números atrasados: R$ 22,00 CNPJ : 02783227/0001-86 Assinatura Internacional: US$ 150,00 Insc. Est. 093/0309480 € 130,00
• Coordenador Comercial Charles Echer
Capa - Charles Echer
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Cultivar
• Assinaturas Natália Rodrigues Clarissa Cardoso • Expedição Edson Krause • Impressão: Kunde Indústrias Gráficas Ltda.
NOSSOS TELEFONES: (53) • GERAL
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Por falta de espaço, não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@revistacultivar.com.br Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.
RODANDO POR AÍ Para o mundo Na edição 2017 da Agritechnica, maior feira de máquinas agrícolas do mundo, a Stara destacou os seus produtos e tecnologias, como o autopropelido Imperador 3.0. A marca exporta para 35 países, nos cinco continentes, e a feira é um importante momento de relacionamento com os seus clientes e revendedores. Durante o evento, a Stara recebeu a visita de produtores brasileiros e do mundo todo, que foram recepcionados pelo diretor-presidente da empresa, Gilson Trennepohl, e pelo vice-presidente, Átila Stapelbroek Trennepohl. Além do Imperador 3.0, a Stara apresentou as suas tecnologias para agricultura de precisão, como o controlador Topper 5500 e a Telemetria Stara. A Agritechnica ocorreu de 12 a 18 de novembro, em Hannover, na Alemanha.
O mercado externo, em especial da América do Sul, Central e do México, tem sido um dos focos de atuação comercial da LS Tractor, com o objetivo de fortalecer a produção da fábrica brasileira. Recentemente, a empresa consolidou negociações que estavam em curso desde o ano passado e criou rede de distribuidores no México e no Equador, ampliando a força da marca também na América Latina. O diretor comercial, André Rorato, destaca que além da abertura deste mercado, a LS Tractor já tem operações comerciais com o Uruguai e na África, atuando em Angola, Moçambique, Nigéria e Zimbábue. “Aos poucos vamos conquistando os mercados para os quais a fábrica brasileira foi construída e creio que, em breve, teremos novidades com novos países em nosso portfólio”, finalizou.
Mecânicos de concessionárias Agritech se reuniram no Centro de Treinamento em Indaiatuba (SP) para participar de um curso com foco em motor diesel, no final de outubro. Esse treinamento proporcionou o conhecimento na teoria de funcionamento dos motores ciclo diesel, bem como desmontagem e montagem dos motores das séries TNE, TNV e AT. O curso também abordou os novos motores que equipam os tratores das séries 1160 Turbo e 1185 S Turbo. O curso contou com a simulação de falhas, diagnósticos de defeitos, testes, regulagens, medições e utilização de ferramentas especiais.
A nova CR EVO 8.90 percorreu 1.400 quilômetros em sete regiões do Rio Grande do Sul em um tour para aproximar mais os produtores rurais gaúchos da colheitadeira da New Holland. A CR 8.90 é recordista mundial em colheita de soja, conquista realizada em abril deste ano na Fazenda Irmãos Mingori, em Formosa do Rio Preto, oeste da Bahia. Na ocasião, a máquina colheu mais de 439 toneladas em oito horas ininterruptas, com apenas um operador. Rafael Stein, especialista de Marketing da New Holland, garante que o perfil do produtor gaúcho mudou consideravelmente nos últimos anos. “Antes, eles escolhiam apenas máquinas de pequeno e médio portes devido ao tamanho da propriedade. Porém, hoje, mesmo não mudando a dimensão da área, o produtor almeja máquinas maiores, que apresentam desempenho único e atendem em menos tempo a necessidade dele.”
Atualização constante
Frota renovada Após renovar seu portfólio de produtos, a Case IH aposta na consolidação das novas máquinas em 2018. A marca fez importantes investimentos e tem hoje uma linha completa e atualizada de máquinas agrícolas. Os principais lançamentos de 2017 foram o novo pulverizador Patriot 250 Extreme, a nova plantadeira EasyRiser 3200, os modelos 2017 dos tratores de baixa e média potências e a linha 2017 das colheitadeiras Axial-Flow Série 230. “Todos os nossos produtos estão atualizados com o que há de mais avançado em mecanização agrícola. Por isso, nossos clientes encontram na Case IH as melhores soluções e as tecnologias mais adequadas para o campo”, afirmou o diretor de Marketing de Produto da Case IH, Silvio Campos.
Silvio Campos
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Mercado externo
André Rorato
Colheitadeira CR EVO
Agroser
Rhayner Pereira
A Case IH reforça sua rede de concessionários no Sul do País, com a inauguração da Agroser na cidade de Alegrete (RS). Com esta loja, a Case IH somará 22 concessionárias no Rio Grande do Sul. “A Agroser conhece a região muito bem, principalmente a potência do produtor rural. Esses fatores, atrelados à vasta gama de produtos com alto nível de tecnologia embarcada, farão da nova filial um grande sucesso”, afirmou o especialista em Desenvolvimento de Concessionárias Case IH, Rhayner Pereira.
DRONES
Reforço aéreo
Os drones, na agricultura, ganham cada vez mais espaço e tornaram-se uma ferramenta com potencial para gerar produtos como elaboração de mapas, com inúmeras aplicações para o planejamento e monitoramento das atividades agrícolas e de análise ambiental
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os últimos dez anos o mercado de aeronaves remotamente pilotadas (ARP), popularmente conhecidas como drones, apresentou expressivo crescimento, tanto em termos de avanço tecnológico quanto em áreas de aplicação, como, por exemplo, planejamento da produção agrícola e do meio urbano, diagnóstico e monitoramento ambiental. Em ciências agrárias essas aeronaves podem ser utilizadas no mapeamento da propriedade, por exemplo, em mapas de uso da terra, declividade e curvas de nível. Também como pulverizadores, com aplicação de defensivos agrícolas, e para auxílio no controle biológico de pragas, com a dispersão de Trichogramma sp, uma pequena vespa que parasita ovos de pragas que ocorrem em diversas culturas, tais como maracujá, milho, algodão, soja, abacate, tomate, cana-de-açúcar e citrus.
Divulgação
MODELOS
De modo geral, as características dos drones variam consideravelmente. Quanto à fonte de energia, predomina a elétrica, com bateria de lítio. Durante a operação o raio de alcance pode chegar a 10km e cobrir área de até 800 hectares, com autonomia de bateria de até 90 minutos, velocidade de deslocamento de 80km/h, condições de vento de até 40km/h. As maiores autonomias de voos são obtidas principalmente com os modelos “asas voadoras”, que conseguem cobrir grandes áreas. Por outro lado, estes modelos requerem mais detalhes para operação e com relação a pouso e decolagem deve-se considerar áreas mais abertas, livres de obstáculos. Os multirrotores apresentam maior capacidade de carga e as operações de pouso e decolagem são realizadas na vertical, fato que facilita consideravelmente o manuseio do equipamento. Podem ser encontrados no mercado
drones com duas câmeras embarcadas, sendo uma delas correspondente ao espectro do infravermelho, que possibilita destacar área com vegetação verde sadia e outra comum, ou seja, registra imagens semelhantes àquelas obtidas com a câmera de celular. As missões de voo na maioria dos drones são programadas por meio de softwares específicos, onde é possível definir altura de voo, velocidade de deslocamento, entre outros. Em seguida, no momento de executar a missão, o aparelho percorre a área de forma autônoma, guiado pelo sistema de navegação global por satélite (GNSS) e, com isso, vai obtendo as coordenadas de latitude, longitude e altitude do ponto central de cada foto. Ao deslocar numa linha de vôo, a aeronave vai registrando as imagens com 60% de sobreposição, ou seja, mais da metade da área regis-
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Fotos Google
Diferença de definição entre a imagem obtida com drone (esquerda) e a imagem de satélite (direita)
trada numa imagem é comum à imagem seguinte. Ao finalizar a linha, realiza manobra e inicia outra linha, paralela à anterior, e entre essas duas a sobreposição pode ser programada entre 40% e 60%. Com isso, os objetos presentes na área mapeada aparecem em várias fotos, portanto, em diferentes ângulos. Ao processar as imagens no software é possível analisar as características de variação do relevo, assim, pode-se gerar a imagem conhecida como “modelo digital de elevação do terreno”, portanto, obter dados planialtimétricos da propriedade agrícola. Com uso de ferramentas computacionais, disponíveis em alguns softwares, pode-se obter como produto uma imagem tridimensional da área mapeada e, a partir desses dados, traçar curvas de nível e gerar mapa de declividade da propriedade, como pode ser visto nas imagens ao lado. Neste caso, trata-se de levantamento de uma área experimental agrícola no campus universitário de Rondonópolis, da Universidade Federal de Mato Grosso, correspondente a cinco hectares, sendo as curvas de nível espaçadas com distância vertical de 25cm. Esses mapas, quando elaborados a partir de dados coletados com drone, operando com receptor de alta precisão relacionado ao Sistema Global de Navegação por Satélites, são expressivamente importantes no planejamento de atividades agrícolas, pois auxiliam na análise de áreas aptas para colheita mecanizada, determinam diferença de nível, realizam trabalhos de terraceaNovembro 2017 • www.revistacultivar.com.br
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mento, dimensionam sistemas de irrigação, identificam áreas de preservação permanente (APPs), ou seja, declividade superior a 45 graus, entre outros. Também com uso de ferramentas disponíveis em programas de computador é possível realizar a junção das fotos obtidas da missão, gerar um mosaico e, a partir deste, identificar falhas na lavoura, ou seja, problemas no desenvolvimento de plantas em decorrência da ação de pragas, doenças, compactação ou encharcamento do solo, entre outros. O monitoramento contínuo das áreas de produção agrícola na propriedade, com as imagens obtidas de drones, pode refletir em ganhos de produtividade, sendo, portanto, importante prática no contexto de agricultura de precisão. A partir do mosaico dessas imagens
aéreas, abrangendo a propriedade agrícola, pode-se quantificar as áreas ocupadas com lavouras, vegetação nativa, cursos d’água, construções, sistema viário e pastagens. A elaboração do mapa de uso da terra contribui consideravelmente na gestão do espaço físico, possibilitando identificação de áreas mais adequadas para expansão de benfeitorias, análise da situação da propriedade com relação à legislação ambiental, principalmente referente a reserva legal e APPs. Neste contexto, dada a alta qualidade das imagens, é possível identificar o traçado de córregos, rios, represas e nascentes, dependendo, é claro, da densidade e do porte da vegetação no entorno desses corpos d’água. Com isso, as APPs são identificadas e quantificadas e,
Mapa de declividade (direita) e curvas de nível geradas a partir do processamento de dados, ambos obtidos com drone
Fotos André Marcondes Andrade Toledo
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quando sobrepostas ao mapa de uso da terra, realiza-se o diagnóstico ambiental, determinando assim o passivo ambiental, ou seja, possibilita responder a seguinte questão: “Quanto dessas áreas de preservação estão irregulares e que precisam ser recuperadas?”. Esta abordagem, referente à quantificação e à recuperação de áreas degradadas, é extremamente importante no contexto do cadastro ambiental rural (CAR). Portanto, as imagens provenientes de drones apresentam potencial para gerar diversos produtos, envolvendo elaboração de mapas, com inúmeras aplicações para o planejamento e monitoramento das atividades agrícolas e de análise ambiental.
REGULAMENTAÇÃO
É importante ressaltar que o uso de drone está regulamentado pela Agência Nacional de Aviação Civil
Drone tipo asa voadora
Fotos Divulgação
Imagens obtidas com câmeras acopladas em drone comum (esquerda) e com infravermelho (direita)
(Anac), sendo definidas classes de aeronaves remotamente pilotadas. Na Classe 1 estão aeronaves com peso máximo de decolagem maior que 150kg; a Classe 2 agrega as aeronaves com peso máximo de decolagem entre 25kg e 150kg; a Classe 3 diz respeito às aeronaves com peso máximo de decolagem de até 25kg, e aquelas aeronaves para fins recreativos são classificadas de “aeromodelos”. Para a operação de drones são considerados fatores como registro da aeronave, aprovação ou autorização do projeto, limite de idade para operação, certificado médico, licença e habilitação, local de operação e altura de voo. Além disso, deve seguir regras
da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e de utilização do espaço aéreo do Departamento de Controle .M do Espaço Aéreo (Decea).
André Marcondes Andrade Toledo, Universidade Federal de São Carlos
Drone multirrotor pode ser utilizado para diversos fins
Exemplo de utilização de drone multirrotor na aplicação de defensivos químicos na agricultura
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COLHEDORAS
Custo necessário
Avaliação de gastos mostra que o custo com reparos e manutenções em uma colhedora de cana-de-açúcar em 4,7 anos se equivale ao valor de uma máquina nova
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om o fim da queima para a colheita da cana-de-açúcar, prevista para 2021 no estado de São Paulo, 100% das áreas produtivas devem utilizar a colheita mecanizada, inviabilizando a colheita manual de cana. Inicialmente os custos de implantação da mecanização são mais elevados que o da colheita manual, pois a colheita mecanizada necessita de sistematização da área cultivada, aquisição de maquinários e equipamentos, mão de obra especializada e treinada. Por outro lado, a mecanização da colheita eleva a produtividade, proporciona melhores condições de trabalho para os funcionários e reduz o impacto ambiental, se Novembro 2017 • www.revistacultivar.com.br
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implementada de forma adequada. Na colheita mecanizada o processo de corte, carregamento e transporte (CCT), ou corte, transbordo e transporte (CTT) é configurado com a colheita realizada pela colhedora de cana-de-açúcar, o recolhimento da cana colhida por um transbordo e posteriormente ocorre a transferência para um caminhão que irá transportar a cana colhida até a usina. Este processo é responsável por uma faixa de 30% a 60% do custo total da produção de cana-de-açúcar. Os custos econômicos da colhedora são influenciados pelos seguintes fatores: custo de aquisição da máquina, depreciação, consumo de insumos e
custos de reparo e manutenção (CRM). A gestão da colhedora de cana torna-se um ponto-chave para que seja possível obter a maximização da produtividade da colhedora e a redução das despesas. O CRM é importante também para a definição do ponto de troca do equipamento, pois a partir de certo ponto, a empresa pode ter prejuízos, que poderiam ser evitados. Em geral, se encontram poucos trabalhos sobre custos de reparo e manutenção, pois estas informações são difíceis de serem quantificadas no setor produtivo agrícola, sendo necessário um acompanhamento sistemático ao longo de vários anos para se estabele-
Charles Echer
Principais componentes da colhedora de cana-de-açúcar que exigem manutenções periódicas
cer modelos de previsão deste custo. A Asabe é uma organização técnica e profissional, com membros em todo o mundo que se dedicam ao avanço da engenharia aplicável na agricultura, alimentos e sistemas biológicos. A Asabe Standards são documentos desenvol-
vidos em consenso e adotados pela Sociedade Americana de Engenheiros da Agricultura e Biologia para encontrar uma padronização necessária dentro do escopo da sociedade, principalmente no campo de equipamentos para agricultura, engenharia florestal, alimentos e engenharia de processo, aplicações elétricas, ambiente vegetal e animal e gerenciamento de desperdício. Esta associação possui um método que relaciona o CRM com a vida da máquina em horas de uso coletadas no horímetro da colhedora.
AVALIAÇÃO
O objetivo deste trabalho foi comprovar a relação entre os custos de reparo e manutenção com as horas de trabalho das colhedoras de cana. Para
Gráfico 1 – CRM acumulado em relação ao período de operação da colhedora
isso utilizou-se o banco de dados técnico da Assiste Engenharia de Software Técnicos, por meio do software Sisma Sistema de Manutenção de Frota. Estes dados foram coletados num período de dez anos, entre 2003 e 2013, abrangendo cinco diferentes usinas e uma frota de 53 colhedoras de cana, dos dois fabricantes de colhedora de maior representatividade no mercado. Realizou-se o levantamento dos custos envolvidos para manter a máquina em condições de funcionamento. O período de levantamento de custos não se limita ao período de colheita, pois o período de maior custo está relacionado ao de entressafra, onde ocorre a revisão, a manutenção e a reforma da máquina. Na época de safra os custos são relacionados, principalmente a manutenção
Gráfico 2 - Média do CRM por faixa de período de trabalho anual
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Valtra
Case IH
corretiva e os materiais de consumo de manutenção periódica. Além disso, para ambos os períodos, são considerados os custos com a mão de obra nas oficinas e peças, e também os custos de serviços de terceiros, quando os reparos e as manutenções são feitos fora da usina. A média do período de trabalho foi de 2.598 horas por ano. Algumas medidas foram tomadas para minimizar as distorções que ocorrem quando a colhedora começa a operar ou quando ela está no final de sua utilização para colheita. Na condição em que o período trabalhado no ano foi abaixo de 500 horas, ou seja, quando a colhedora começou a trabalhar no final do ano contábil, os dados do horímetro foram somados no ano seguinte de apuração. Utilizou-se o mesmo conceito para verificar se a colhedora foi retirada de serviço de colheita, isto é, nos casos em que o período trabalhado foi inferior a 500 horas, então, nestas condições, as informações destes custos foram eliminadas. Para seguir o método proposto pela Asabe foi utilizado o CRM acumulado, que se refere às despesas acumuladas durante um ano de apuração. Os valores analisados foram corrigidos, conforme a indicação da Asabe, utilizando o índice IPCA no período, que é o índice oficial da inflação. Todos os valores foram atualizados para uma data-base e assim puderam ser analisados em conjunto.
ANÁLISES
A análise foi feita sobre um total de 338 observações e está representada Novembro 2017 • www.revistacultivar.com.br
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no Gráfico 1. O resultado da análise, representado por meio do coeficiente de regressão (R2), apresenta uma correlação de 92,7%. Desta forma, fica evidente a forte correlação entre os grupos de dados e que o CRM acumulado da colhedora tende a um crescimento potencial ao longo do tempo . Sendo assim, se atinge um CRM acumulado de R$ 1.000.000,00 em 4,7 anos (12.180 horas), ou seja, que em 4,7 anos foi dispendido com gastos de reparo e manutenção o valor de uma nova colhedora. Outra análise que se pode fazer com estes dados seria a comparação entre a média do CRM e o período trabalhado, para isso se dividiu em nove classes com 500 horas cada e dentro de cada classe foi calculada a média do CRM para o respectivo período de trabalho. Com estes dados foi gerado o Gráfico 2. A análise dos custos médios do CRM e do período de trabalho, por ano, apresenta uma tendência de maiores gastos quando a colhedora trabalha na faixa de 1.500 a 2.000 horas. Essa alta do CRM no período de 1.500 a 2.000 horas pode estar relacionada com o período de manutenção e revisão de maiores itens de peças de reposição recomendada pelos fabricantes (reforma da colhedora). Após este pico de máxima, há uma tendência de queda, voltando a aumentar na faixa de 3.500 – 4.000 horas, onde pode ser o novo período de revisão recomendado por fábrica, porém, não atingindo o mesmo nível de CRM. Um dos possíveis fatores dessa causa pode
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A vida útil da máquina também está intimamente ligada à maneira que o operador trabalha com ela
estar relacionado à redução do uso de peças genuínas conforme vai terminando o tempo de garantia da colhedora. O fato de as colhedoras - que trabalham na faixa de 4.000 a 5.000 horas por ano apresentarem baixo CRM pode estar relacionado com as colhedoras que não apresentaram manutenção corretiva e necessidade de intervenção ao longo da safra, fazendo com que elas pudessem trabalhar mais horas por ano e com o menor CRM. Os resultados apresentados neste trabalho permitiram confirmar a correlação entre o CRM acumulado das colhedoras e as suas horas de operação e também indicam o crescimento potencial dos CRM das colhedoras de cana. Ao produtor cabe a tarefa de fazer uma gestão eficiente dos equipamentos para poder minimizar estes custos, a máquina necessita de manutenção periódica para se manter trabalhando, como troca de óleos, filtros e limpeza dos componentes, além disso, existem peças de desgaste que são substituídas com uma certa frequência, pois
Sistema de corte da cana deve sempre ser revisado
se desgastam com o uso. Esta gestão do equipamento está em controlar as manutenções e trocas periódicas para julgar se as peças trocadas tiveram um rendimento similar às outras que já foram utilizadas. Como exemplo prático, se pegarmos um rolamento de um mancal e formos ao mercado, teremos vários fabricantes para este componente e também diversos preços. Normalmente a escolha do produtor é pelo de menor preço - sim, isso é o fator primordial para a escolha. Mas se esta peça, ao ser substituída, não fornece a mesma durabilidade que a outra com valor maior, a pregunta que fica é fundamental: será que o preço menor, pelo tempo menor de vida da peça, foi compensador? Repare que a questão remete aos problemas desta pesquisa, valor e tempo de vida. Entre outros pontos a serem verificados, que também se referem à gestão da máquina, pode-se citar o operador que trabalha com a máquina, seu trei-
John Deere
namento e comprometimento com o trabalho. Outro ponto é a sistematização das áreas de colheita, ou seja, a adequação dos traçados dos talhões e a preparação para que neles se realize a colheita mecanizada, fatores que influenciarão no custo de reparo. Aplicação deste método na gestão de máquinas agrícolas comprova a necessidade no monitoramento da frota e a utilização de indicadores para
o controle dos gastos e nas tomadas de decisões de troca de equipamentos. A correlação entre o CRM acumulado e o Período de Operação é imprescindível na tomada de decisão do momento de .M troca de uma máquina.
Vinícius C. M. Shimosakai, Cezario Benedito Galvão e Angel Pontin Garcia, Feagri – Unicamp Ângelo Domingos Banchi, Engenheiro de Software
John Deere
TRATORES
Trilho rentável
Em muitos casos, a simples alteração na bitola dos rodados garante maior versatilidade aos tratores agrícolas que podem se adaptar às mais diversas atividades agrícolas
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trator é uma máquina de importância única na produção, seja agrícola, agropecuária ou florestal, onde está presente em praticamente todas as fases do processo produtivo. O progresso agrícola se deve principalmente à evolução mecânica, pois o uso de máquinas auxilia o desenvolvimento do trabalho, tornando-o mais rápido e prático. Porém, ainda é comum a subutilização das possibilidades de arranjo de suas características técnicas e também o uso de forma incorreta. Pode-se citar os tratores como exemplo, Novembro 2017 • www.revistacultivar.com.br
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que quando usados incorretamente podem ocasionar em redução de sua vida útil, baixa eficiência e maior custo operacional. Grande versatilidade e possibilidade de realizar diversas operações são as principais características do trator. Para obter o máximo proveito desta condição é necessário realizar as regulagens e ajustes de acordo com a finalidade de uso. Nesse aspecto, o ajuste da bitola se relaciona diretamente à ampliação da gama de atividades que podem ser realizadas com a utilização do maqui-
nário existente na propriedade. Assim, essa medida pode ser ajustada de acordo com o tipo de cultura, de solo ou terreno, de operação e até mesmo do implemento. A bitola é a medida de centro a centro dos pneus dianteiros ou dos traseiros do trator. Um mesmo trator pode apresentar diversas bitolas para possibilitar o tráfego nas entrelinhas da cultura e para adequar o acoplamento de máquinas e equipamentos, entretanto, sua variação na roda traseira deve corresponder a uma variação idêntica
Fotos Case IH
A medida pode ser ajustada de acordo com o tipo de cultura, de solo ou terreno, de operação e até mesmo do implemento que será utilizado
na roda dianteira, para que o trator trabalhe adequadamente. O procedimento de ajuste das bitolas apresenta diferenças, tornando-se importante esse conhecimento, pois é o correto ajuste dessa medida que irá auxiliar a garantir o bom funcionamento operacional, maximizando o rendimento da operação. É importante salientar que para a realização dos ajustes, é necessário que o trator esteja num lugar nivelado e com os pneus calibrados, para que o processo ocorra de forma precisa.
BITOLA DIANTEIRA 4X2
Para o ajuste das bitolas 4x2, inicialmente deve-se imobilizar os dois lados do eixo dianteiro e levantar o trator, colocando um suporte embaixo do eixo, para garantir a segurança. Em seguida, de um lado e de outro, deve-se retirar os parafusos da barra telescópica principal e da barra de direção. Para ajustar até a posição desejada, realiza-se o deslocamento da barra, finalizando com a recolocação dos parafusos.
até atingir a bitola desejada. Em alguns tipos de rodas, pode-se inverter também a posição dos pneus, entretanto, nesse caso, é importante atentar para a correta posição de montagem.
BITOLA TRASEIRA
De acordo com as bitolas, as rodas traseiras podem ser classificadas em: fixas, de discos reversíveis, ou servo-ajustáveis. As rodas fixas são utilizadas quando a demanda do trabalho não necessita de ajustes de bitolas, como é o caso das lavouras de arroz irrigado. As rodas de disco reversíveis seguem os mesmos princípios de ajustes das rodas dianteiras. Já as rodas do tipo servo-ajustáveis possuem guias helicoidais de deslizamento que permitem a mudança de bitola usando a própria força do trator. Esse sistema permite o uso de várias bitolas diferentes. Nesse caso, o ajuste é feito da seguinte forma: em uma das rodas é removido
os dois batentes do trilho mestre, depois, colocado nos pontos de abertura da bitola e afrouxado as porcas dos grampos. Em seguida deve ser ligado o motor, freado a roda oposta, escolher a marcha e soltar a embreagem até que o aro encoste no batente. Uma vez feito isso, só é preciso apertar as porcas novamente e repetir a operação na outra roda, com o cuidado de utilizar a marcha adequada, tanto para abrir quanto para fechar a bitola. Ainda, pode-se inverter a posição das rodas, e sempre após ajustar as bitolas, deve-se conferir o alinhamento das rodas.
CÁLCULO DA BITOLA
O ajuste da bitola deve ser realizado com o cuidado de que as rodas do trator passem entre as fileiras da cultura. Para o ajuste ideal, existem cálculos da bitola em função do implemento utilizado, importante pois cada implemento possui suas peculiaridades. Por exemplo, no caso do arado de discos, por possuírem
BITOLA DIANTEIRA 4X4
As bitolas frontais nos tratores 4x4 são ajustadas de um modo diferente, pois de acordo com o tipo de roda, pode-se ter várias bitolas diferentes. Nesse casos, tanto os discos como os aros podem ser reversíveis. O procedimento inicia afrouxando as porcas dos aros e discos, e da mesma forma anterior, imobilizando e levantando o trator. Para os ajustes, deve-se remover as porcas e posicionar os componentes das rodas Novembro 2017 • www.revistacultivar.com.br
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Figura 2 - Percentual de variação da diferença entre a bitola mínima e a máxima, por faixas de potência dos tratores
tam menor variação entre a bitola mínima e a máxima. A variação máxima apresentada foi de 20% a 30% em aproximadamente um terço do total de modelos ofertados. Destaca-se na faixa de 50 a 99 cv, que 72% dos modelos possuem possibilidade de ajuste de 20 a 40% da bitola mínima. Tratores acima de 100 cv abrangem ajustes superiores a 40%, sendo que a partir dos 150 cv, há modelos em que o ajuste equivale a 50% do valor da bitola mínima, o qual é predominante em tratores na faixa de potência acima de 250 cv. Explica-se este fato, a agricultura extensiva e seu foco voltado para a maior eficiência operacional, através da busca pela redução da área trafegada pelos pneus agrícolas. Em complemento ao ajuste das bitolas e o adequado espaçamento da cultura, tem sido utilizado o sistema de direção assistida, popularmente conhecido como piloto automático. Este equipamento é utilizado para guiar as máquinas agrícolas em operações de campo, de tal forma que o deslocamento ocorra sempre em linhas paralelas, o que resulta na maior uniformização do
Exemplos de amassamentos causados por bitolas mal reguladas
espaçamento, com melhor aproveitamento do terreno e menor tráfego sobre as linhas de cultivo. Em canaviais, por exemplo, o ajuste da bitola das máquinas ao espaçamento da cultura aliado ao uso do piloto automático contribui para reduzir em 26% a área trafegada pelos pneus agrícolas, devido à sobreposição das passadas dos pneus no centro das entrelinhas. Portanto, o ajuste de bitolas que muitas vezes pode ser visto como algo não tão importante e significativo para a operação, deve ser levado a sério, pois aliado a outras ferramentas é capaz de resultar em .M maiores lucros. Gessieli Possebom Tiago Gonçalves Lopes Sabrina Bellochio Airton dos Santos Alonço Laserg/UFSM
Bitola é a medida de centro a centro dos rodados Budny
um formato abaulado, faz com que durante a operação tenha uma “folga” entre cada pneu e local de ataque do disco, e que deve ser considerado no momento do cálculo de ajuste. Na figura 1 é apresentado um esquema de ajuste de bitolas do trator para semeadora de soja em um espaçamento de 0,50 metros entre linhas. Dessa forma, observa-se que ao somar o espaçamento entre linhas a distância até o centro de ambos os pneus, totaliza 1,00 metro. Esse seria o valor da bitola, nessas condições de uso. O mercado brasileiro de tratores, nas diferentes faixas de potência, oferece opções de fábrica, para ajuste de bitola, visando abranger as diversas aplicações do produto. É possível observar na Figura 02 o percentual de variação da diferença entre a bitola mínima e a máxima, nas seguintes faixas de potência de tratores: até 49 cv, de 50 a 99 cv, de 100 a 149 cv, de 150 a 249 cv e acima de 150 cv. Conforme o Anuário de Tratores (2017), do total de modelos ofertados no mercado brasileiro, aproximadamente 60% disponibilizam dados relativos aos valores da bitola máxima e da mínima. Nas faixas de potência, segue este percentual, à exceção na faixa de tratores acima de 250 cv, a qual, 19% dos modelos apresentam esta informação. Tratores até 49 cv, em função de suas dimensões reduzidas, apresen-
Gessieli Possebom
Figura 1- Representação do cálculo de bitolas
TRATORES
Jefferson Sandi
Equação ideal
Para que os custos operacionais das máquinas agrícolas sejam reduzidos, não basta que a máquina se torne mais econômica através dos avanços tecnológicos. É fundamental também, por exemplo, empregar a rotação do motor adequada a cada situação, disponibilizando apenas a potência necessária para realizar as atividades
O
emprego de máquinas agrícolas permite ao produtor realizar as práticas de cultivo dentro do período desejado, aproveitando as condições climáticas adequadas para a implementação e o cultivo das lavouras, além de amplificar a capacidade de trabalho da mão de obra e tornar a atividade mais confortável ao operador. Estes fatores possibilitam maior capacidade de crescimento do setor agrícola por facilitar o planejamento e a execução das atividades na propriedade, aliando qualidade de trabalho com economia de recursos. O trator agrícola é a principal fonte de potência mecânica no campo devido à versatilidade proporcionada pelo elevado número de implementos que podem ser acoplados e acionados pelo
mesmo. O melhor aproveitamento econômico e operacional dos tratores ocorre quando a seleção destes é feita de forma racional e eficiente, ou seja, são adquiridos tratores com potência adequada para se obter a capacidade operacional ideal e conduzir todas as operações desejadas dentro do período disponível para sua realização. Por ser provido de motor de combustão interna como fonte de potência para deslocamento, acionamento de seus próprios componentes e acionamento e tracionamento das ferramentas e implementos de trabalho, todo fabricante de tratores indica uma rotação ideal de trabalho do motor, designada como rotação nominal de trabalho. Porém, em algumas situações operacionais, principalmente as que
empregarem ferramentas e implementos de menor porte que os indicados para o trator, ou durante a execução de operações leves, não será necessário utilizar toda a potência que o motor pode disponibilizar. Nestes cenários é possível operar o trator com o motor em rotação reduzida para se diminuir o consumo de combustível através da racionalização do uso da capacidade de trabalho do motor. Um exemplo prático disto é a opção de TDP (tomada de potência) econômica disponibilizada em muitos tratores presentes no mercado. Devido a isso, o emprego de mão de obra qualificada, bem como o contínuo treinamento e aperfeiçoamento dos operadores, permite a redução nos custos envolvidos no uso das máquinas, garantindo um uso mais eficiente, Novembro 2017 • www.revistacultivar.com.br
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Fotos Jefferson Sandi
o que resulta principalmente na redução do gasto com combustível, além de permitir o aproveitamento de todos os recursos tecnológicos presentes na máquina, redução do seu desgaste, de quebras, avarias e aumento da segurança.
TRABALHOS EM CAMPO
Para muitas das avaliações realizadas nos tratores agrícolas, empregam-se ensaios que permitem a obtenção de resultados importantes sobre o seu desempenho operacional através de medições em laboratório e/ou campo. Os ensaios de tratores agrícolas que buscam conhecer o seu desempenho utilizando a barra de tração geram informações fundamentais aos fabricantes e montadoras para a realização de alterações estruturais ou de componentes do trator que irão contribuir para a melhoria da sua capacidade de uso, além de permitir a correta seleção das condições operacionais e de dimensionamento dos conjuntos mecanizados (trator + implemento). As normas de ensaios de tratores existentes atualmente buscam submeter a máquina a situações e condições comumente encontradas pelos agricultores no campo, permitindo aos fabricantes a possibilidade de melhorar seus produtos, tornando-os mais capazes e eficazes. Entre as principais normas utilizadas encontra-se o Código 2 da OECD (Organisation for Econo-
Para cada operação e implemento existe uma opção que garante melhor custo/benefício
mic Co-operation and Development). A norma Código 2 da OECD busca, através dos ensaios de barra de tração realizados em pista padronizada, demostrar se o trator agrícola que está sendo submetido a ensaio é capaz de permitir economia de combustível através da alteração da marcha e rotação de operação durante o desempenho de esforço trativo. A seguir serão demonstrados alguns resultados obtidos através do ensaio normatizado para avaliação da economia de combustível de tratores agrícolas realizados pelo Nempa (Núcleo de Ensaios de Máquinas e Pneus Agroflorestais), pertencente à Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp, em Botucatu
O melhor aproveitamento econômico e operacional ocorre quando a seleção é feita de forma racional e eficiente
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(SP). O ensaio foi conduzido de acordo com a norma Código 2 (2012) da OECD utilizando-se um trator 4x2 TDA. Para a coleta das informações sobre a eficiência energética em cargas parciais deve-se mensurar o consumo de combustível em duas situações normalmente utilizadas para o trabalho de campo. A primeira (V1) é a condição em que o trator alcance, em rotação nominal, a velocidade mais próxima possível de 7,5km/h e a segunda (V2), uma condição em que o trator se desloque em uma velocidade entre 7km/h e 10km/h também em rotação nominal. A partir disso, o ensaio foi dividido em várias etapas. (Ver Box)
Ensaio de desempenho de tração de trator agrícola em pista de concreto pertencente ao Nempa
Tabela 1 - Resultados de potência na barra de tração, consumo horário volumétrico e consumo específico para a velocidade V1 Condição Potência (kW) 1 31,21 2 21,21 3 31,00 4 20,82
Consumo horário (L/h) Consumo específico (g kW/h) 13,44 367,57 10,78 431,87 11,04 301,58 8,22 335,42
Tabela 2 - Resultados de potência na barra de tração, consumo horário volumétrico e consumo específico para a velocidade V2 Condição Potência (kW) 1 31,54 2 21,77 3 31,76 4 21,44
Consumo horário (L/h) Consumo específico (g kW/h) 13,54 360,92 10,65 413,98 11,83 312,19 8,23 323,67
diminuir devido à operação do motor em rotação reduzida e ainda fornecer a potência necessária, porém com menor necessidade de combustível devido à menor abertura do débito da bomba injetora ou fornecimento de informações à unidade de controle eletrônico (através da posição do acelerador) sobre a real demanda de potência para a atividade, melhorando seu consumo específico. Estas situações também ocorrem durante a utilização da máquina em diferentes operações no campo, sendo extremamente importante a capacitação dos operadores para perceber qual a real necessidade de potência exigida pelo implemento e assim operar o trator nas condições em que seja
possível alcançar maior eficiência sem desperdiçar potência e por consequência combustível. Assim, para se reduzir o custo da operação não basta que a máquina se torne mais econômica através dos avanços tecnológicos, mas também é necessário analisar o seu desempenho em campo para empregar a rotação adequada do motor para cada situação, disponibilizando somente a potência próxima à necessária para que a ativi.M dade possa ser realizada.
Um mesmo trator pode operar em diversas operações, resta saber qual a melhor condição em cada uma delas
Nas Tabelas 1 e 2 é possível observar que, como esperado, não ocorreram diferenças de potências na barra de tração entre as condições 1 e 3, e 2 e 4 em ambas as situações (V1 e V2), pois em cada uma destas combinações (1 e 3; 2 e 4) são tracionados os mesmos valores de carga na mesma velocidade de deslocamento do trator. O consumo específico de combustível demonstra que a melhor eficiência energética do trator ocorreu na condição 3, quando o trator tracionou 75% de carga em rotação reduzida, ou seja, embora a condição 4 tenha resultado em menor consumo horário, o menor trabalho realizado devido ao menor valor de carga tracionada (50%) foi determinante para uma pior conversão energética deste tratamento em relação à condição 3, demonstrando que nas condições 1 e 2 o trator está desperdiçando potência (e por consequência combustível) e na condição 4 ele está sendo subutilizado. Estes resultados apontam que o consumo horário de combustível pode
Trator utilizado na avaliação de consumo e desempenho
P
Jefferson Sandi, Murilo Batisttuzzi Martins, Fábio Lopes, Fernanda Scaranello Drudi e Kleber Pereira Lanças, FCA-Unesp
Condições do experimento
rimeiramente, com o acelerador acionado ao máximo, foi obtida potência máxima da barra de tração disponível na marcha selecionada capaz de atingir as velocidades V1 e V2 (7,5km/h ou 7km/h a 10km/h) através de aplicação de carga que force a rotação do motor a cair e se manter estável na rotação nominal. Com base neste item são realizadas coletas em quatro condições para cada uma das velocidades selecionadas (V1 e V2): Condição 1 - Tracionar 75% da carga de tração correspondente à potência máxima à rotação nominal utilizando-se o motor em máxima aceleração e marcha
empregada no item 1.0. Condição 2 - Tracionar 50% da carga de tração correspondente à potência máxima à rotação nominal utilizando-se o motor em máxima aceleração e marcha empregada no item 1.0. Condição 3 - Encontrar uma marcha mais alta, que em rotação reduzida do motor seja capaz de tracionar a mesma carga e alcançar a mesma velocidade obtida na condição A. Condição 4 - Encontrar uma marcha mais alta, que em rotação reduzida do motor seja capaz de tracionar a mesma carga e alcançar a mesma velocidade obtida na condição B.
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CAPA
Valtra T230 CVT A Série T CVT traz dois diferenciais realmente relevantes para o mercado de tratores: a transmissão CVT e o levante hidráulico dianteiro fazem destes tratores opções completas para produtores que procuram aliar força e versatilidade
P
ara esta edição da Cultivar Máquinas, que circula no final do ano e no início de 2018, apresentamos o teste de campo do trator da marca Valtra, modelo
Elemento de admissão de ar e conjunto de radiadores
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T230 CVT. Para demonstrar seu funcionamento e vê-lo trabalhando no campo, fomos até uma área de produção pertencente à Central Energética Moreno Açúcar e Álcool Ltda, na Rodovia SP-253, km 160, município de Luiz Antônio, situado na Região Metropolitana de Ribeirão Preto, no estado de São Paulo. A Série T CVT, que substitui a tradicional Série BT da Valtra, é formada por quatro modelos, dois que utilizam motor AGCO Power de 6.600cm³, com 195cv (T195 CVT) e 210cv (T210 CVT), respectivamente, e dois modelos que utilizam motor de 7.400cm³, que proporcionam potência máxima do motor de 230cv (T230 CVT) e 250cv (T250 CVT), todos com seis cilindros e injeção eletrônica. Estes tratores
são fabricados em Mogi das Cruzes, no estado de São Paulo, e foram lançados no mercado brasileiro na última Agrishow, em maio de 2017, em Ribeirão Preto, São Paulo. Embora a Valtra pertença ao Grupo AGCO, que possui outras marcas no Brasil, a Série T CVT é exclusividade, assim como a transmissão CVT, que foi trazida da Europa, a partir da aquisição da marca alemã Fendt pela AGCO. As marcas do Grupo AGCO têm liberdade de concorrer no Brasil, mas há uma disposição para diferenciar a Valtra das demais, oferecendo produtos de alta tecnologia, consagrando a tradição da Valtra, de origem finlandesa, que desde a sua origem trabalha com produtos bastante evoluídos. A intenção é dar versatilidade ao trator, diminuindo ao máximo as suas limitações e obtendo, por isto, uma diferenciação dos outros produtos oferecidos pelo grupo. Atualmente há um entendimento de que os produtos oferecidos pelas marcas do grupo AGCO não
podem ser idênticos, segmentando-os por oferta de tecnologia e direcionamento de mercado. O trator de teste foi o da série T, CVT com 230cv de potência máxima do motor. Na designação dos modelos, o T significa a série, o número que segue é a potência de motor, expressa em cv, e o CVT, que acompanha a nomenclatura do trator, faz referência à transmissão continuamente variável utilizada com exclusividade na série. Como pontos fortes deste trator, destacamos o engate de três pontos com TDP frontal e a suspensão dianteira ativa. O engate frontal é a primeira vez que testamos. Estes foram diferenciais importantes e sobre os quais queremos informar nossos leitores, explicando seus detalhes.
Fotos Charles Echer
MOTOR
O modelo testado para esta edição está equipado com motor de seis cilindros, turbocomprimido, 24 válvulas, com volume total de 7.400cm3, marca AGCO Power, com controle de emissões de poluentes que atendem a regulamentação MAR-1. Através de um sistema iEGR, que proporciona a recirculação de gases, efetua o controle de emissões, não necessitando aditivos à base de ureia. A injeção de combustível é eletrônica, tipo common rail, que utiliza um módulo de injeção SisuTronic e proporciona, além da menor emissão de poluentes, a possibilidade de trabalhar com Diesel S10 e S500, sem problemas de funcionamento e comprometimento da durabilidade do motor. A potência máxima é de 230cv e o torque máximo de 1.009Nm a 1.500rpm. À frente do motor, uma série de radiadores efetua a troca de calor d o m o to r, d a t ra n s m i s s ã o ,
A suspensão dianteira auxilia na tração mais eficiente
dos fluidos hidráulicos e do ar-condicionado. O posicionamento do duplo filtro de ar, logo à frente e bem exposto, facilita a limpeza.
TRANSMISSÃO
Em geral, a transmissão da potência do motor aos demais órgãos se inicia com a embreagem, que tem função de conectar o motor com os demais eixos e árvores. No entanto, neste modelo o pedal de embreagem serve apenas para dar partida no motor, como dispositivo de segurança. A transmissão utilizada neste modelo é do tipo continuamente
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Fotos Charles Echer
A transmissão CVT possui quatro modos operacionais: manual, campo, transporte e pedal. Ela se adapta facilmente aos diferentes tipos de exigência do trator
variável (CVT), que proporciona um número infinito de velocidades ou marchas, retirando o tradicional escalonamento de velocidades e composição de grupos de marchas, o que, às vezes, impede o uso de velocidades ótimas. Outra vantagem é a capacidade de integrar totalmente o motor com a transmissão, conseguindo otimizar todo o conjunto e privilegiando os parâmetros de funcionamento.
Esta transmissão, que foi incorporada da marca Fendt, mistura uma parte mecânica e outra totalmente hidráulica com motores hidráulicos, que, ao se modificarem de posição, variam sem escalões as velocidades de deslocamento, unindo uma fase mecânica com outra totalmente hidráulica. A transmissão CVT, utilizada pela AGCO na marca Valtra, é considerada à prova de falhas de funcionamento, podendo suportar erros de operação sem danificar o trator, proporcionando correções a atitudes não previstas. Uma mostra
disto é a possibilidade de colocar o trator em movimento mesmo com o implemento em profundidade. Como exemplo, testamos parar o trator sem suspender o escarificador e em seguida colocar o trator em movimento. Ela torna a saída gradual e resolve o problema, sem deixar o motor morrer, como ocorreria em outros casos. Embora haja previsão para um automatismo total da operação, é possível ao operador escolher um modo totalmente convencional. Para isto, o fabricante dispôs de quatro modos de operação: manual, campo, transporte e pedal. Durante o teste, embora tenhamos testado outros modos, usamos na maioria do tempo o modo automático, pois é o que mais bem utiliza os recursos de integração, aproveitando melhor a tecnologia do trator. Com a escolha deste modo, o trator gerencia a integração do motor com a transmissão, estabelecendo a maior velocidade que combina com a melhor economia de combustível, utilizando o recurso de alterar a rotação do motor, levando em conta a carga que está sendo utilizada na barra de tração. Trabalhamos, por isto, com o modo alavanca utilizando o controle multifunção, onde era possível agregar todas as funções em um só comando. O sistema Power Control DTM que faz o gerenciamento eletrônico do
O sistema hidráulico de três pontos e a TDP na parte dianteira são pontos fortes da Série T CVT
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Controles localizados no para-lamas facilitam a operação do hidráulico
O sistema hidráulico utiliza bomba com vazão de 190L/min
motor, integrando-o com a transmissão, pode estar habilitado ou não. Trabalhando no modo automático, desloca-se o trator até alcançar a velocidade desejada para a operação e, após isto, aciona-se o interruptor C1, que deve ser configurado para a velocidade de operação que se deseja utilizar. Quando for realizar uma manobra, pressiona-se o interruptor C2, onde foi estabelecida a velocidade que se deseja empregar na manobra, em geral mais baixa. Depois de alinhar o trator no trajeto que se deseja seguir, aciona-se novamente o interruptor C1, recompondo-se aí a velocidade ideal de trabalho. Combinando-se este automatismo com uma operação de piloto automático, o operador tem mais tempo para se dedicar ao aumento da eficiência da operação, além de proporcionar maior conforto. O diferencial deste modelo, como mencionamos, é a disponibilidade de um sistema hidráulico e TDP na parte frontal do trator. A rotação padrão é de 1.000rpm na TDP dianteira, que é independente. Ela é acionada diretamente pelo virabrequim
do motor do trator, através de um pacote eletro-hidráulico e uma caixa de transferência. A carcaça já vem pronta da unidade europeia que a fornece, sendo facilmente instalada na mesa do eixo dianteiro, no local onde convencionalmente está instalado o suporte dos pesos de lastro. O mercado-alvo da TDP dianteira é bastante amplo, no entanto, de momento vislumbra-se o canavieiro, com suas diversas opções de uso, principalmente os que necessitem
utilizar qualquer triturador que use rotação de 1.000rpm, ou da pecuária, com alternativas já conhecidas, principalmente aquela que utiliza operações de corte de forragem, além da cultura do algodão, também já com demandas levantadas pelo fabricante. Embora este trator tenha um grande mercado na produção canavieira, sua utilização pode se ampliar para outras culturas, inserindo-o na demanda de áreas de culturas anuais que possam utilizar-se do sistema hidráulico de três pontos na parte dianteira, realizando operações simultâneas com um só trator. Nesta perspectiva, até áreas de lavouras que utilizam plantio direto de soja e milho podem ser de interesse, pois várias sequências de operações poderiam ser conjugadas, como pulverização e semeadura, trituração de resíduos e pulverização, entre outras alternativas.
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Mesmo com a tecnologia que está disponível, os cuidados mecânicos permanecem, de forma que o bloqueio do diferencial é automático, assim como a conexão e a desconexão do eixo da tração dianteira. Basta girar o volante e o bloqueio se desarma, assim como se desarma a tração dianteira quando a velocidade de deslocamento supera os 20km/h.
EIXO DIANTEIRO
Reservatório de combustível tem grande autonomia e possui caixa de ferramentas integrada
Junto à estrutura dianteira são instaladas válvulas de controle remoto (VCRs), sendo uma como standard, podendo ser instalada mais uma no lado oposto da carcaça do sistema dianteiro. O sistema Power Control DTM, exclusivo desta série, permite que de forma integrada a rotação de trabalho se ajuste para a manutenção da velocidade. É possível configurar o sistema DTM para privilegiar os parâmetros que o operador estime como mais importantes para determinado trabalho de campo. Os chamados disparos podem ser: contagiros, TDP, hidráulico traseiro, VCR (qualquer), TDP + hidráulico, TDP + VCR, hidráulico + VCR, ou seja, estes são os parâmetros que são informados ao sistema como determinantes da correção, para proporcionar maior eficiência. Nesta transmissão não há necessidade de montar um super-redutor, pois com a transmissão continuamente variável pode ser estabelecida uma velocidade mínima de 30 metros/hora. De outra parte, é Novembro 2017 • www.revistacultivar.com.br
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possível deslocar-se a velocidades de até 40km/h para o transporte e o deslocamento. Como é de praxe nesta classe de potência há um reversor hidráulico colocado na coluna da direção, que permite com um simples movimento de uma alavanca que o trator se desloque para frente e para trás, com a posição neutra situada no meio. Para segurança na operação, o fabricante colocou um dispositivo que limita a velocidade máxima para a marcha a ré. A Tomada de Potência (TDP) traseira oferece quatro opções, 1.000rpm convencional e econômica (1.000E) e 540rpm convencional e econômica (540E). É possível configurar para que a TDP seja utilizada na forma automática, quando o acoplamento do equipamento seja simultâneo na TDP e no sistema hidráulico de três pontos. Quando esta forma estiver configurada, o trator desarma a TDP automaticamente nas manobras, quando o equipamento é levantado pelo sistema hidráulico.
No mesmo suporte em que temos a TDP dianteira está instalado o sistema hidráulico de três pontos, com engate rápido. Este sistema tem todas as características do utilizado na parte traseira, com capacidade de levante de 4.000kg. Embora existam marcas que dis-
ponibilizem sistemas hidráulicos de três pontos na parte dianteira e não montem suspensões ativas no eixo frontal, esta combinação é imprescindível, pois é necessária uma compensação de equilíbrio, que se completa por esta combinação. Existem vários indicativos de ocorrência de power hop quando se trabalha sem suspensão nesta faixa de potência do motor, com distribuição próxima ou pouco acima dos 40% do peso total sobre o eixo dianteiro, em condições dinâmicas. O fenômeno do power hop é um movimento oscilatório, conhecido como galope do trator, que surge, entre outros fatores, da lastragem indevidamente colocada. Para o caso de operações em que não se usa o implemento frontal, o fabricante oferece um peso
O sistema dianteiro de três pontos tem capacidade de levante de 4.000kg
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Fotos Charles Echer
O modelo testado é o T230 CVT, com motor de 230cv, que trabalhou com um triturador marca Herder, modelo FM 310 acoplado na parte dianteira e escarificador Tatu Marchesan, modelo AST/Matic 500 de sete hastes na parte traseira
frontal de 850kg, preso ao sistema. Considerando-se a possibilidade de acoplar um implemento na parte frontal e utilizar a potência na forma hidráulica e mecânica, através do sistema hidráulico e da TDP, deduz-se que só para este acoplamento temos quase outro trator com média potência fazendo este trabalho. É quase como juntar dois tratores em um só, com dois implementos acionados ao mesmo tempo, porém com uma considerável economia e aproveitamento de potência. Além disso, temos que considerar que o sistema de transmissão tipo CVT e a integração com o motor se encarregarão de aperfeiçoar os parâmetros de motor e a velocidade de deslocamento. Reforçando a novidade da colocação do sistema de suspensão dianteira ativa automática, notou-se no teste que há a possibilidade de Novembro 2017 • www.revistacultivar.com.br
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o trator abaixar a parte dianteira até próximo ao chão, permitindo o acoplamento dos braços do sistema hidráulico para ajustar a qualquer tipo de implemento, por mais baixo que sejam seus pontos de engate. Esta suspensão dianteira absorve as oscilações incidentes no eixo dianteiro do trator, promovendo maior aderência dos rodados ao solo, incrementando tração e conforto.
O T230 CVT é fabricado no Brasil, mas mantém o design mundial da marca
SISTEMA HIDRÁULICO
O sistema hidráulico, com vazão de 189 litros por minuto e pressão máxima de 200kgf/cm2 utiliza uma bomba hidráulica de vazão variável. O sistema hidráulico de três pontos é da Categoria III, com engate rápido para os braços inferiores, o que facilita o acoplamento de implementos grandes e pesados por apenas uma pessoa. A versão que testamos pode ser equipada com sistema hidráulico de três pontos na parte dianteira como opcional. O acoplamento de implementos no sistema hidráulico de três pontos possibilita a utilização de um dispositivo de controle de equilíbrio de patinagem e está preparado para atingir uma capacidade máxima de levante de até 9.600kg no elevador traseiro. Para o acionamento de implementos que utilizem pistões
hidráulicos como grades, semeadoras e subsoladores, o modelo T230 CVT oferece como equipamento standard um conjunto de quatro válvulas VCR eletrônicas. O sistema de bombeamento é de centro fechado, com controle de fluxo e pressão. O acionamento das válvulas pode ser de duas maneiras, pelo joystick, empurrando para frente e para trás, ou por dois interruptores de acionamento colocados no console lateral.
ERGONOMIA
A chegada dos tratores importados a partir dos anos 1990, progressivamente permitiu o acesso dos clientes das marcas brasileiras a máquinas com tecnologia avançada. Vários são os pontos de destaque neste sentido. Os itens de ergonomia e segurança passaram a ser frequentes e adotados por quase todos os fabricantes nacionais a partir da vigência das Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego. Alguns fabricantes não só passaram a atender estas normativas, mas superaram as expectativas trazendo tecnologia de ponta dos países de origem. Um item interessante encontrado neste modelo é a possibilidade de controle do esterçamento do volante da direção,
de forma que possa ser alterada a relação entre a rotação do volante e a mudança de posição das rodas e, consequentemente, o raio de giro. Esta funcionalidade pode ser interessante nas manobras de fim de trajeto. O volante tem regulagem de profundidade e posição e pode ser escamoteado para o melhor acesso do operador ao posto de trabalho. À direita do operador temos um console denominado Armrest, onde o fabricante posicionou quase a totalidade dos comandos. Entre estes estão localizados o comando multifunção e um joystick, que é opcional, mas bastante útil para reunir diversos comandos, principalmente as válvulas VCRs, cada vez mais utilizadas. Embora vários comandos estejam presentes neste console, a maioria dos que se utilizam em operação pode ser reunida no comando multifunção. O assento é de alta qualidade, com suspensão pneumática e amplas regulagens, podendo ser ajustado automaticamente ao operador. Além disso, o assento apresenta em sua versão standard um sistema
de ventilação interno. Este sistema serve para aquecer ou resfriar o tecido, de acordo com a temperatura ambiente. Ao lado esquerdo do assento foi colocado um banco de acompanhante. A cabine, que é a mesma utilizada na Série A Hightech, é bastante envidraçada e ampla, e como consequência disto apresenta ótima visibilidade para frente e para trás. Há uma janela traseira que igualmente proporciona grande visibilidade ao implemento acoplado no sistema hidráulico traseiro. Esta cabine, de alto padrão, com suspensão mecânica
A cabine da Série T é ampla, com coluna de instrumento estreita para aumentar o campo de visão do operador e comandos ergonomicamente posicionados
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Fotos Charles Echer
Nononononononononono
A grande área das grades frontais e laterais facilita a entrada do ar para admissão do motor e radiadores
por mola e amortecedor nos pilares traseiros. O condicionador de ar, totalmente digital, é comparável aos melhores equipamentos oferecidos no mercado. A entrada e a saída ao posto de operador são feitas por duas portas, que são acessadas por uma escada de quatro degraus, antiderrapantes e em dimensão suficiente. Para facilitar a operação e a manutenção, o capô dianteiro basculante é amplo e de fácil abertura e fechamento. Os comandos de acionamento do sistema hidráulico e da TDP podem ser operados de fora da cabine, se estiverem assim configurados os interruptores que estão colocados nos para-lamas, de ambos os lados.
TECNOLOGIA
Para aqueles que utilizam os tratores e se interessam por conhecê-los, este modelo é um bom exemplo de alta tecnologia. Ao mesmo tempo em que há uma enorme potencialidade mecânica, representada por um motor forte e uma transmissão altamente evoluída, passando pela integração de ambas, a eletrônica é um item importante de mencionar. Novembro 2017 • www.revistacultivar.com.br
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Para conforto e facilitação do trabalho do operador, as possibilidades de reunir em um só comando (multifuncional) um número superior a 15 funções é altamente interessante. Os dois painéis monitores, colocados à direita do operador em cima do console, podem servir para controlar a operação e mesmo as funcionalidades do trator. O painel C1000, colocado na parte inferior, serve para diversas funções de controle e diagnóstico do trator, mas também algumas operações da relação trator-implemento podem ser acompanhadas. O painel superior AG3000, de 10”, apresenta as funções do GPS e gerencia implementos com tecnologia Isobus. A função de verificação instantânea do patinamento do trator é processada pela medida da rotação das rodas motrizes e da velocidade de deslocamento avaliada com um radar, posicionado na parte inferior da carcaça da transmissão. Seguindo a orientação mundial, a comunicação no padrão Isobus é plena neste trator, podendo haver comunicação integral com todos os equipamentos que usem este padrão. A tomada Isobus está co-
locada na parte traseira do trator, acima do terceiro ponto do sistema hidráulico, juntamente com uma tomada elétrica de oito pinos, que pode servir para abastecimento de eletricidade em 12 volts. O trator que testamos estava equipado com piloto automático Autoguide 3000, como é a tendência na maioria dos equipamentos que serão vendidos para o mercado brasileiro. Junto às válvulas de controle remoto (VCRs), tanto na parte traseira como na dianteira o fabricante colocou depósitos recuperadores de óleo, com a finalidade de evitar a queda deste fluido no meio ambiente, como exige a norma brasileira. Entre a parte traseira e a cabine há um símbolo em forma de triângulo, de veículo lento (Slow Motion Vehicle - SMV), importante para o alerta dos motoristas que se encontram com um trator em deslocamento em rodovia.
PNEUS
Este trator utiliza eixo traseiro flangeado, com o que se pode modificar de forma fácil e variada a bitola entre rodas no eixo traseiro. O trator que testamos estava equipado com pneus traseiros radiais da marca Trelleborg, modelo TM800, medidas 710/70R38, e dianteiros radiais da marca Trelleborg modelo TM800, medidas 600/65R28. Como forma de lastragem, na parte traseira havia oito discos de 80kg em cada roda pelo lado externo do centro da roda. Na parte dianteira estava acoplado um triturador. A pressão interna dos pneus estava em 16 PSI em ambos os eixos. A massa total deste trator é de 12.551kg, com lastro.
LOCAL DO TESTE
Como mencionamos no início do texto, nossa prova de campo foi em uma condição de pós-colheita de cana com abundância de palha. A área selecionada para o teste havia sido colhida há menos de uma se-
mana e estava coberta de resíduos de cana, com o que escolhemos uma atividade frequentemente utilizada na região, que é a escarificação. Os técnicos da usina estimaram uma quantidade de palha aproximada de 40 toneladas por hectare. Em geral, os produtores de cana, após cinco ou seis cortes em média, buscam opções para preparar o solo para renovar o canavial, fazendo o aproveitamento da palha, optando pelo enfardamento com fins energéticos ou a incorporação utilizando grade ou arado depois de picar a palha. É importante lembrar que as operações de preparo do solo na cana são de alto custo e que impactam muito os valores de produção. Na região, é comum que os produtores utilizem uma gradagem seguida de escarificação e gradagem leve, ou fazem a combinação de uma trituração, seguida de descompactação e em seguida o preparo com arado ou grade. Para escarificar esta área e provocar uma descompactação superficial utilizamos um conjunto de dois implementos. Na parte dianteira, ligado ao sistema hidráulico de três pontos e à TDP, acoplamos um triturador marca Herder, modelo FM 310, funcionando a 1.000rpm, composto
O teste foi realizado na Central Energética Moreno Açúcar e Álcool Ltda, no interior de São Paulo
de um rotor picador e um rolo de apoio. Na parte traseira utilizamos um escarificador marca Tatu Marchesan, modelo AST/MATIC 500 de sete hastes, regulado para trabalhar a uma profundidade média de 40cm. A rotação do motor escolhida foi de 1.950rpm, onde encontra-se a máxima potência e obtém-se boa reserva de torque. Variamos a velocidade entre 5km/h e 8km/h, onde os dois implementos conseguiram fazer um bom trabalho, nas condições em que tínhamos, com bastante umidade tanto da palha como da
superfície do solo. Fomos acompanhados no teste pelo engenheiro Alberto Toledo, coordenador de Marketing Produto – Tratores da Valtra, e pelo técnico agrícola Juliano Roque Origuela, que é especialista em Marketing Produto – Tratores da Valtra, que nos ajudaram a conhecer o funcionamento e a operação do trator e estiveram conosco durante o tempo em que operamos o trator, mostrando todas as funcionalidades do modelo. .M José Fernando Schlosser, Nema/UFSM
.M
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IMPLEMENTOS
Café mecanizado Muitos produtores estão optando pelo sistema semimecanizado ou mecanizado em substituição ao sistema manual de transplantio de mudas de café, com o objetivo de acelerar o processo e diminuir consideravelmente os custos da operação
A
instalação de mudas de café (Coffea arabica) em uma determinada área é uma operação geralmente utilizada para a introdução ou renovação de cafezais. Basicamente a escolha do método a ser utilizado está diretamente condicionada com a declividade do terreno, a extensão da área e os custos. Em razão do alto custo do processo manual, a operação de transplantio da cultura cafeeira apenas se viabilizou com a introdução das máquinas transplantadoras. Atualmente, a realização do transplantio Novembro 2017 • www.revistacultivar.com.br
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semimecanizado ou mecanizado é uma alternativa viável para os produtores, possibilitando um aumento da capacidade operacional e a redução nos custos com mão de obra. De uma maneira geral, os cafeeiros formados por meio do transplantio mecanizado, associados à uniformidade no posicionamento das plantas, atuam como fator importante para a produção da lavoura, influenciando a qualidade e a produtividade dos grãos, bem como os tratos culturais e a colheita mecanizada. A implantação de qualquer lavou-
ra passa primeiramente por um bom preparo do solo. No caso específico da cafeicultura maiores produtividades são obtidas em solos bem drenados, sem limitação hídrica. O preparo do solo antes do plantio e a manutenção do pH do solo entre 5,2 - 6,3 possibilitam às raízes um bom desenvolvimento e que os nutrientes estejam disponíveis para as plantas. Sistemas convencionais de manejo do solo sempre foram muito utilizados, sendo pautados nas operações de subsolagem, aração e gradagem. Atualmente, na implantação de novas lavouras, a utilização
Massey Ferguson
ntre os padrões técnicos e normativos pelo órgão de fiscalização da produção de mudas é possível destacar algumas características como: serem produzidas em viveiros registrados; terem de três a seis pares de folhas definitivas apresentando desenvolvimento normal; terem sido aclimatadas por um período de pelo menos 30 dias; estarem livres de doenças, como: cercosporiose, rizoctoniose e nematoide; apresentarem,
de transplantio é o material utilizado, ou seja, as mudas. Elas devem atender os padrões técnicos e normativos, definidos pelo órgão de fiscalização da produção de mudas. (Ver box)
VIABILIDADE TÉCNICA E ECONÔMICA
de sistemas conservacionistas de preparo de solo tem melhorado as condições para o desenvolvimento da cultura. Basicamente, neste tipo de sistema, o preparo do solo se restringe às operações de sulcamento. Sendo assim, após o sulco ser aberto são realizadas a distribuição de adubo e a incorporação no solo por meio dos batedores de covas. Fator importante no processo
Basicamente grande parte das transplantadoras encontradas no mercado é acionada mecanicamente e acoplada ao trator e a operadas por um trabalhador rural, que abastece o mecanismo de deposição das mudas. Em termos operacionais um dos grandes problemas na operação do transplantio é a necessidade de espera do conjunto mecanizado para o posicionamento do pessoal de apoio, acarretando maiores tempos desperdiçados. Pensando em sistemas mecanizados, o planejamento das atividades deve ser realizado de forma racional,
Figura 1 - Distribuição percentual dos itens que compõe o custo operacional do sistema
no máximo, 5% de “pião torto”. Além dessas características citadas, é possível dizer que características morfológicas como altura, atributos de vigor, capacidade de enraizamento são muito importantes. Em termos fisiológicos, atributos como o estado nutricional e o potencial hídrico são importantes. Tais características vão proporcionar maior qualidade na operação e menor necessidade de um posterior replantio.
a fim de se obter uma maior rentabilidade no campo. O conhecimento dos parâmetros de desempenho é uma importante ferramenta para a tomada de decisões e permite o melhor gerenciamento das operações mecanizadas. Dessa forma, o desempenho operacional de uma máquina refere-se a um complexo conjunto de informações que definem seus atributos, quando são executadas operações sob determinadas condições. Outra importante ferramenta é a determinação dos custos de produção. O desempenho econômico de máquinas agrícolas é estimado através dos custos operacionais, os quais se dividem em custos fixos e custos variáveis. Os custos fixos englobam a depreciação, os juros sobre o capital investido, além dos custos de seguro e alojamento, enquanto os custos variáveis, que são aqueles dependentes do uso do maquinário,
João Paulo Barreto Cunha
E
Condições do experimento
.M
Preparo dos sulcos e incorporação de adubos por meio do batedor de covas
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Fotos João Paulo Barreto Cunha
Transplantio semimecanizado de café
são os custos com os combustíveis, lubrificantes, reparos e manutenção e mão de obra.
COMPARATIVO DE CUSTOS
Como base de comparação e estudo foi realizado o acompanhamento de diferentes sistemas de transplantio da cultivar Catuaí IAC 144, com espaçamentos de 3,60m entre as linhas e 0,60m entre as plantas, totalizando 4.630 plantas por hectare. A cultura foi introduzida em áreas aptas à mecanização, apresentando declividades de até 20% e solo predominantemente classificado como Latossolo Vermelho Amarelo no sul de Minas Gerais. Foram comparadas operacionalmente e economicamente as operações de distribuição e transplantio das mudas por meio dos sistemas manual, semimecanizado e mecanizado. Dessa maneira, a capacidade de trabalho dos três sistemas de transplantio foi obtida por meio do tempo demandado para a execução de cada operação. Para a análise do custo horário das máquinas utilizadas nos diferentes sistemas avaliados, foram considerados os custos fixos e variáveis. Os custos fixos foram formados Novembro 2017 • www.revistacultivar.com.br
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Plataforma de mudas para distribuição
por depreciação, juros, abrigo e seguros. Os custos variáveis foram formados por lubrificantes, combustíveis, reparos e manutenção e mão de obra. A partir dos resultados demonstrados, constatou-se que a operação de distribuição das mudas no campo apresentou capacidade de campo efetiva superior que a operação de transplantio nos três sistemas avaliados. Esta resposta indica que a distribuição e os reabastecimentos
Detalhe do espaçamento entre mudas
das máquinas com mudas devem ser realizados de maneira dinâmica, no menor intervalo de tempo possível, uma vez que a capacidade operacional final sofrerá grande influência desta operação. Além do mais, a forma da distribuição das mudas em campo deverá ser realizada de maneira que facilite a operação subsequente de transplantio, visando o ganho operacional também nesta etapa. No sistema semimecanizado, a operação de abertura de sulco demonstrou ser a de maior capacidade de campo efetiva (1,01ha/h). Este fato está associado ao reduzido tempo gasto com manobras e parada, além de ser a operação executada com maior velocidade operacional. Ao avaliar somente a operação de transplantio nos três, foi observado que a utilização do sistema semimecanizado proporcionou um ganho de 32,8% na capacidade de campo efetiva quando comparada ao transplantio manual. Ao se utilizar o sistema mecanizado, o ganho na capacidade de campo efetiva foi de 56,3% quando comparada ao transplantio manual. Desta forma ficou evidenciado que a utilização do sistema mecanizado pode trazer expressivos ganhos operacionais
aos produtores quando utilizados de acordo com as práticas corretas de manejo. Em relação aos custos operacionais totais, o sistema mecanizado apresentou o menor custo operacional total entre todos os sistemas avaliados (R$ 506,44/ha), sendo cerca de 19% menor que o sistema manual. O sistema semimecanizado também apresentou redução nos custos operacionais quando comparados ao sistema manual, demonstrando que o uso da mecanização na etapa do transplantio de mudas de café pode propiciar ao produtor não apenas o ganho operacional, como também um ganho econômico. Analisando os custos operacionais de cada sistema de forma individual, observou-se que, no sistema de transplantio manual é grande a participação dos custos com mão de obra, representando, aproximadamente, 55% do custo horário do sistema. Os custos com combustíveis e reparos e manutenção impactaram, mesmo que de forma discreta, nos custos operacionais do sistema. Ressalta-se que mesmo no sistema manual, há a necessidade de maquinário para a distribuição das mudas no campo, sendo essa operação realizada por tratores.
Tabela 1 - Capacidade de campo efetiva, custo horário, e custo operacional total das diferentes operações de transplantio Sistema Manual
Semi-mecanizado Mecanizado
Operação Distribuição Transplantio Abertura de sulcos Distribuição Transplantio Distribuição Transplantio
Capacidade de campo (ha h-1) 0,229 b 0,125 a 1,01 c 0,301 b 0,186 a 0,331 b 0,286 a
Custo op. Total (R$ ha-1) 624,57 c
582,34 b 506,44 a
Médias seguidas da mesma letra na coluna não diferiram estatisticamente pelo teste Tukey, a 5% de significância.
Para o sistema semimecanizado, foi possível observar que a depreciação, os reparos e manutenção e os combustíveis foram os elementos dos custos que obtiveram maior participação nos custos operacionais. Tal fato é explicado pela maior quantidade de operações agrícolas em relação aos outros sistemas, visto que há a necessidade da operação de abertura de sulco para que seja realizada a operação de transplantio. O sistema mecanizado apresenta maior capacidade de trabalho e menores custos operacionais em relação aos outros sistemas. A menor influência da mão de obra nos custos operacionais em comparação aos outros sistemas (11% dos custos operacionais totais) é explicada pela redução do número de pessoas utilizadas nesse sistema. Em contrapartida, foi nesse sistema que
os custos referentes à depreciação mostraram-se mais representativos, devido, principalmente, ao valor inicial dos equipamentos utilizados, sendo o comportamento semelhante aos estudos realizados. Assim, com base nos resultados obtidos, ficou evidenciado que o uso do sistema de transplantio mecanizado apresentou maior viabilidade técnica e econômica em relação aos demais. Em termos de custos operacionais, a depreciação e o consumo de combustível são os componentes que mais afetam no custo final dos sistemas em que ocorre uso de maquinário com maior intensidade. .M João Paulo Barreto Cunha, Univ. Federal Rural do RJ Túlio de Almeida Machado, Instituto Federal Goiano Anderson Gomide Costa, Univ. Federal Rural do RJ
PULVERIZADORES Charles Echer
Avanços na proteção
A história das vestimentas de proteção para aplicadores de defensivos no Brasil mostra que, apesar de ainda haver espaço para melhorias, muitos avanços aconteceram garantindo uma proteção eficaz aos produtores
C
om as primeiras aplicações de defensivos no Brasil, relatadas na década de 1940, iniciam-se a preocupação com a segurança do trabalhador e o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) na Agricultura. Nesta época os EPIs eram adaptados da indústria, confeccionados com materiais grossos, pesados e impermeáveis, que além de proporcionarem baixo conforto e segurança, dificultavam as operações no campo. Apesar disso, em 1977, a Lei 6.514 torna obrigatórios o fornecimento e a manutenção dos EPIs e especifica que só poderão ser expostos à venda ou utilizados com a indicação do Certificado de Aprovação (CA) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A partir de então se inicia um processo de obrigação do uso de EPIs não apropriados que em muito contribuiu para a rejeição à utilização frequentemente observada nos trabalhadores rurais. É herança desta época, por exemplo, a utilização de capas de material impermeável, como a trevira, causando problemas como desidratação nos trabalhadores. Em 1989 o problema é agravado com a Lei 7.802, também conhecida como Lei dos Agrotóxicos, com a obrigação de que se conste no rótulo dos defensivos os EPIs a ser utilizados. A partir de então, os EPIs passam a ser recomendados apenas segundo a classe toxicológica do produto. Existem aí dois problemas Novembro 2017 • www.revistacultivar.com.br
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principais: primeiro que os EPIs, tanto para o preparo de calda quanto para a aplicação, são apresentados nos rótulos na forma de pictogramas, cujo entendimento por parte do trabalhador é muito baixo; segundo que desconsidera-se totalmente que o risco é função da toxicidade e da exposição, e que esta última pode mudar significativamente segundo o método de aplicação empregado. Neste sentido, um trabalhador utilizando um trator cabinado (baixa exposição ao produto) e outro um pulverizador costal manual (alta exposição ao produto), desde que aplicando um mesmo defensivo, devem utilizar o mesmo EPI, pois é o especificado no rótulo. Somente em 1990 inicia-se a preocupação com o desenvolvimento de EPIs adaptados ao trabalho na agricultura, por parte de técnicos da Fundacentro, nascendo aí o conceito da utilização das vestimentas elaboradas em algodão tratado com hidrorrepelente, até hoje amplamente utilizado na confecção de vestimentas para aplicação de defensivos. Entretanto, a segurança do trabalhador rural ainda enfrentava outros problemas. Um deles é que a falta de normas para o setor de vestimentas de proteção, inexistentes até então, fazia com que o CA fosse emitido apenas através da apresentação de uma Anotação de Responsabilidade Técnica por parte do fabricante, onde o este se responsabilizava pela qua-
lidade do equipamento de proteção fornecido, sem, no entanto, haver qualquer ensaio para comprovação efetiva da eficácia do mesmo em proporcionar segurança ao aplicador. Tal fato permitia que o trabalhador estivesse em conformidade com a lei, trajando uma vestimenta que possuía o CA para manipulação de defensivos, que, no entanto, lhe proporcionava pouca ou nenhuma proteção contra o risco a que estava exposto. Durante todo este tempo, portanto, a recomendação dos EPIs foi feita de maneira indiscriminada, como única forma de segurança, esquecendo-se que eles apenas atenuam a probabilidade de acidentes e que podem representar uma considerável carga de desconforto, principalmente térmico. Além disso, até então, apesar da percepção do risco ser influenciada por fatores de ordens cultural, social, econômica e psicológica, nenhuma preocupação com treinamentos foi observada. Apenas em 2005, com a publicação da NR 31 pelo MTE, é que se pôde observar na legislação a preocupação com treinamento e com o fornecimento de EPIs e vestimentas adequadas aos riscos, que não propiciem desconforto térmico prejudicial ao trabalhador. Dentro de todo este contexto, o marco histórico da segurança do trabalhador foi a publicação, em 30 de setembro de 2009, da Portaria No 121 do MTE, extinguindo no Brasil o CA por responsabilidade e instituin-
Divulgação
Jacto
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Fotos Hamilton Ramos
do normas de qualidade para todos os EPIs, estipulando prazos para que os fabricantes pudessem se adequar à nova regulamentação. Só a partir de então é que todo o esforço desenvolvido pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e seus parceiros, para o estudo e a discussão destas normas e da sua adequação às condições brasileiras, ficou evidente para a área rural. Neste sentido, destaca-se o trabalho conjunto de fabricantes e usuários de EPIs com instituições de pesquisa e governamentais, desde 2004, junto à Comissão de Estudos “CE-32:006.03” – Comissão de Estudos de Luvas e Vestimentas de Proteção – Riscos Químicos, do CB-32 – Comitê Brasileiro de Equipamentos de Proteção Individual (ABNT/CB32), que funciona sob os auspícios da Associação Nacional da Indústria de Material de Segurança e Proteção ao Trabalho (Animaseg), com o objetivo de desenvolver normas que atestem a qualidade dos EPIs disponibilizados ao agricultor, sempre em sintonia com os trabalhos desenvolvidos também na Organização Internacional de Normatização (ISO), uma vez que o Brasil é signatário de acordos que o impedem de especificar normas
Ensaio de penetração de produto nos tecidos
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Jacto
Atualmente, as máquinas mais modernas possuem cabines que isolam totalmente o operador dos produtos na hora da aplicação
próprias para assuntos onde haja uma norma internacional. Em paralelo aos trabalhos desenvolvidos na “CE-32:006.03”, outro esforço, na área de pesquisa e desenvolvimento, mostrou-se necessário em função daseguinte visão: se o setor agrícola preocupar-se apenas com a elaboração de normas, quando estas forem definidas, os materiais e equipamentos então existentes poderão não estar aptos para atendê-las na integridade, sendo impedidos de obter a renovação do CA. Assim, o trabalhador poderá ainda continuar nu em relação à proteção. Desta forma, nasceu em 2006 o Programa IAC de Qualidade de Equipamentos de Proteção Individual na Agricultura (Quepia), parceria entre o Centro de Engenharia e Automação do Instituto Agronômico (CEA/IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA), e empresas fabricantes de vestimentas de proteção por meio da Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag), cujos objetivos principais eram desenvolver estrutura de laboratório para realizar e avaliar as normas em estudo para discussão na “CE32:006.03” e ISO; analisar materiais e vestimentas de proteção disponíveis no mercado brasileiro quanto à sua adequação às normas em estudo e
auxiliar no processo de desenvolvimento de novos materiais mais seguros. Esta parceria entre fabricante, usuário, pesquisa e instituição normativa mostrou-se fundamental na definição dos padrões de qualidade para vestimentas de proteção para trabalhadores com defensivos como existem hoje no Brasil. A Portaria no 121 dividiu as vestimentas para riscos químicos em duas partes distintas: risco químico geral e risco químico com defensivos. Para ambas, a norma base de qualidade era a ISO 16602, publicada em 2007, desenvolvida para risco químico geral e que divide as vestimentas em seis níveis decrescentes de proteção. Esta norma já vinha sendo estudada na “CE-32:006.03” desde 2004 e em vários pontos não se mostrava adequada a vestimentas para aplicação de defensivos. Como exemplo, avaliou-se no laboratório do Quepia a resistência à penetração química proporcionada por 52 diferentes materiais utilizados na confecção de vestimentas de proteção, utilizando-se soluções de ácido sulfúrico (H2SO4), hidróxido de sódio (NaOH), butanol e ortoxileno, que são os líquidos teste especificados na ISO 16602, sendo que, para aprovação, o material deve atender aos padrões estabelecidos para pelo menos um deles.
Neste teste, observou-se que a grande maioria dos materiais foi aprovada apenas para o NaOH, tendo altos índices de penetração para outros líquidos. Como não se espera que os defensivos tenham uma natureza química sempre semelhante ao NaOH, julgou-se que a proteção poderia não ser adequada. Exatamente neste ponto do processo, a Portaria no 121 foi publicada. Felizmente, já havia em discussão no âmbito da ISO, e consequentemente da “CE32:006.03”, a ISO DIS 27065 que era uma norma em desenvolvimento especificamente para qualidade de vestimentas de proteção para aplicação de defensivos, que apesar dos estudos preliminares já havia se mostrado mais adequada que a ISO 16602. Em função disso, abriu-se discussão com o MTE e em 22 de julho de 2010, por meio da publicação da Portaria no 189 do MTE, o Brasil passa a adotar a ISO 27065, mesmo em final de desenvolvimento, como padrão de qualidade para vestimentas de proteção para riscos químicos com defensivos, tornando-se o primeiro país no mundo a ter lei específica para isso. Para se ter uma ideia do que isso representou à segurança do trabalhador, nesta época o Quepia passou a não mais fazer apenas pesquisa, mas também a realizar ensaios de qualidade com a finalidade de emissão de laudos a serem utilizados no processo de renovação dos CA. Até 2012, dos 163 modelos diferentes de vestimentas ensaiados, cerca de 51% foram reprovados. Considerando-se que só são enviadas ao laboratório vestimentas nas quais se acredita na qualidade, estima-se que o problema no campo poderia ser ainda maior. Norma é algo dinâmico e a ISO 27065, apesar do pouco tempo de publicação, já está em revisão. Além disso, já se discutem também a ISO 18889, específica para luvas ao trabalho com defensivos, e a ISO 19918,
que é um novo método para análise de permeação do produto químico, a ser utilizada tanto na ISO 27065 quanto na ISO 18889 para análise da qualidade de materiais desenvolvidos para proporcionar maior nível de segurança. Em todos estes processos os trabalhos da “CE-32:006.03” e do Quepia são considerados, e muitas das inovações em estudo hoje foram propostas pelo Brasil que, além de resultados de pesquisas que dão o necessário embasamento técnico para isso, deixou nos últimos cinco anos de ser membro Observador para ser membro Efetivo na ISO/TC94/ SC13 – Vestimentas de Proteção, participando de todas as reuniões anuais e dos ensaios interlaboratoriais propostos. Através da normatização, a qualidade é sempre um processo em desenvolvimento, com parâmetros claros a serem seguidos por aqueles que a buscam e que se preocupam com a segurança, com benefícios a toda a cadeia. Todos podem participar do processo, as reuniões do “CE-32:006.03” são abertas e ocorrem normalmente no Centro de
Engenharia e Automação do Instituto Agronômico, em Jundiaí (SP), onde também está o laboratório do Quepia. Mais informações podem ser obtidas nos sites www.abnt.org.br/cb-32 e www.quepia.org.br. Pelo exposto, a evolução dos EPIs para a área agrícola demorou a ser iniciada, entretanto, ações sistematizadas e coordenadas estão sendo tomadas para que possa ser acelerada, o que está levando a uma melhoria significativa em um curto espaço de tempo. Mais do que buscar culpados pela situação, o Brasil tem buscado soluções, e o estabelecimento de padrões por meio da normatização foi um importante primeiro passo para isso. Muito há ainda a se realizar, e as pesquisas do Centro de Engenharia e Automação do Instituto Agronômico, por meio do Quepia, serão ainda por muitos anos importante ferramenta no desenvolvimento da segurança e a saúde do trabalhador .M na agricultura. Hamilton Humberto Ramos e Viviane Corrêa Aguiar, Instituto Agronômico
Ensaio completo realizado em laboratório, onde condições severas são simuladas para testar as vestimentas fabricadas no Brasil
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IRRIGAÇÃO Charles Echer
Além do equipamento Na hora de escolher um sistema de irrigação, é preciso avaliar mais do que apenas o equipamento que será adquirido. O conhecimento das propriedades físicohídricas dos solos é de fundamental importância, pois permite otimizar custos de aquisição e operação do sistema, além de evitar desperdícios de água, erosão e lixiviação de nutriente
P
ara o correto dimensionamento de sistemas de irrigação é de extrema importância o conhecimento da caracterização físico-hídrica do solo, independentemente do método de irrigação a ser utilizado. Como as propriedades físicas dos solos podem variar em relação ao tipo de solo e também com o manejo adotado, é de Novembro 2017 • www.revistacultivar.com.br
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extrema importância para a elaboração do projeto de irrigação que sejam determinadas estas características no local onde será instalado o sistema, uma vez que será possível quantificar o volume de água a ser armazenado e a velocidade de infiltração de água no solo. A caracterização também é importante para o manejo da irrigação, uma vez que
possibilita a determinação de quando e quanto irrigar. Se a caracterização físico-hídrica do solo não for realizada de forma adequada, considerando o procedimento analítico e a variabilidade espacial do local, estes fatores comprometerão a eficiência do projeto de irrigação. Assim, devem ser levadas em consideração algumas características, que veremos a seguir. A determinação da capacidade de retenção de água do solo é importante para que se tenha o conhecimento da quantidade de água que fica retida no solo, a qual é possível de ser consumida pelas culturas. Sendo que, quanto maior a quantidade de água disponível às plantas, maior poderá ser o intervalo entre as irrigações para uma mesma cultura. Para esta determinação devem ser realizadas coletas de amostras indeformadas de solo em diferentes profundidades ao longo do perfil. As amostras coletadas devem ser encaminhadas para um Laboratório de Física do Solo, onde serão determinadas as umidades
Coleta de amostras de solo com a utilização de anéis extratores e marreta
Fotos Rogério Ricalde Torres
volumétricas do solo nos potenciais matriciais de 0kPa, -1kPa, -6kPa, -10kPa, -100kPa e -1.500kPa. De posse da umidade volumétrica do solo nos diferentes potenciais é obtida a curva de retenção de água do solo. O conhecimento das constantes hídricas capacidade de campo (CC), do ponto de murcha permanente (PMP) e da densidade do solo (ds) é requisito necessário para a determinação da disponibilidade total de água no solo (DTA) em cada camada do perfil. Considera-se como CC a umidade do solo na tensão de 10kPa (para solos arenosos) ou 33kPa (para solos argilosos) e, para determinação do PMP considera-se a umidade volumétrica na tensão de 1.500kPa. Para determinar a capacidade real de água no solo (CRA) se faz necessário o conhecimento da cultura que será utilizada. Com a profundidade efetiva do sistema radicular, obtém-se a quantidade de água retida no perfil do solo que fica ao alcance das raízes das plantas. Com o fator de depleção (que representa a capacidade que as plantas têm em esgotar a água do solo), identifica-se o quanto dessa água fica realmente disponível às plantas, uma vez que, em baixos potenciais matriciais de água no solo, pode haver prejuízos à produção da cultura e até mesmo a
morte de plantas. Dentre os métodos propostos na literatura para manejo de irrigação, pode-se citar o método proposto pela FAO (Allen et al, 2006), onde se determina o turno de irrigação (TI), dividindo-se a quantidade de água disponível às plantas (CRA) pela evapotranspiração potencial máxima da cultura (ETm). A ETm pode ser obtida através da multiplicação entre a evapotranspiração de referência (ETo) e um coeficiente de cultura (Kc). A velocidade de infiltração de água no solo é fator limitante para a determinação da taxa de aplicação de água via irrigação, pois se a taxa de aplicação de água do sistema de irrigação for superior à velocidade básica de infiltração de água do solo (VIB), irá ocorrer escoamento superficial, causando, além da perda da água aplicada, o carregamento de partículas do solo, de nutrientes, da matéria orgânica, de sementes e de defensivos agrícolas. Estas perdas, além de causarem prejuízos diretos à produção agropecuária, provocam a poluição dos cursos de água. Por outro lado, se a taxa de aplica-
Infiltrômetro de anéis concêntricos para avaliar a penetração da água no solo
Tabela 1 - Taxas de velocidade de infiltração básica de água no solo (VIB) em relação à textura do solo, segundo o Manual de Irrigação (Bernardo S., 2006) Textura Arenosa Franco-Arenosa Franco-arenosa-argilosa Franco-argilosa
Velocidade de Infiltração (mm/h) 25 a 250 13 a 76 5 a 20 2,5 a 15
ção de água do sistema de irrigação for muito baixa, o tempo de irrigação será maior para a aplicação de uma mesma lâmina de irrigação, o que diminuiria a área irrigada em um mesmo período de tempo. A VIB é correlacionada com a textura do solo (Tabela 1), porém, como esta característica pode mudar com o manejo adotado na área, também deve ser determinada a campo para evitar erros de projeto. Para a determinação da VIB pode-se utilizar um infiltrômetro de anéis concêntricos. A taxa de infiltração de água no solo deve ser determinada em mais de um local na área a ser irrigada, diminuindo as incertezas na realização do procedimento. Portanto, o conhecimento das propriedades físico-hídricas dos solos é de fundamental importância para o dimensionamento de sistemas de irrigação, pois com o entendimento destas propriedades trabalha-se para otimizar os custos de aquisição e operação do sistema, além de evitar desperdícios de água, erosão e .M lixiviação de nutrientes. Rogério Ricalde Torres, IFRS Adroaldo Dias Robaina, Marcia Xavier Peiter, Luis Humberto Bahú Ben, Jhosefe Bruning, Jardel Henrique Kirchner, Wellington Mezzomo, Anderson Crestani Pereira e Marcos Vinicius Loregian, UFSM Ricardo Beneti Rosso e Taise Cristine Buske, IFC Tonismar dos Santos Pereira, Unipampa
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EMPRESA
Para irrigar bem O potencial de crescimento da área irrigante brasileira encontra desafios estruturais e culturais para se desenvolver. A Valmont, através das marcas Valley e Irriger, trabalha para conscientizar o produtor dos benefícios do manejo correto de água e seu retorno em produtividade
A
Fotos Valley
pesar de estar entre os dez países que mais irrigam no mundo, o Brasil apresenta expressivo potencial de desenvolvimento de novas áreas. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), o País irriga apenas 6,95 milhões de hectares, de um total de 76 milhões de hectares onde há possibilidade de expansão. Considerando pivôs centrais, a área irrigada atual é de 1,40 milhão de hectares. Em Minas Gerais, a irregularidade de chuvas e a baixa umidade do solo prejudicaram produções de café. Na fazenda Santa Lúcia, do grupo AC Café, no município de Perdizes (MG), por exemplo, há uma gritante diferença entre lavouras que sofrem com a estiagem e o café irrigado. A AC Café possui duas fazendas em Minas Gerais, com um total de 3.600 hectares, e cerca de 18 milhões de pés de café arábica. Dos 3.600, 1.000 hectares são irrigados por 17 pivôs. De acordo com o engenheiro agrônomo e gerente técnico do grupo, João Gabriel Loyola, o custo médio de produção da empresa em áreas de sequeiro fica em torno de R$ 9.800,00 por hectare, com produtividade média de 28 sacas por hectare. “Os benefícios a gente vê na ponta do lápis. Nas áreas irrigadas, o custo médio de produção é de R$ 10.500,00 por hectare, com produtividade média de 40 sacas por hectare. Nessa soma nós já contabilizamos toda despesa com a energia elétrica para irrigar”, ressalta. O gerente prevê a ampliação das áreas irrigadas do grupo para 2018. O avanço que ocorre nas áreas irrigadas no Brasil está também ligado às inúmeras tecnologias novas que as empresas do setor oferecem ao mercado permanentemente. De acordo Novembro 2017 • www.revistacultivar.com.br
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Gerente técnico do grupo AC Café, João Gabriel Loyola: “Os benefícios a gente vê na ponta do lápis”
com o diretor-presidente da Valley, a marca trabalha para aumentar a área irrigante e conscientizar o produtor sobre a importância do manejo da água para atingir altas produtividades. “A irrigação a nível Brasil ainda está engatinhando. O estado do Nebraska, onde está localizada nossa matriz nos Estados Unidos, apresenta três vezes mais de área irrigada do que no Brasil inteiro. O potencial que a gente tem pra crescer é imenso”, afirma Silva. Para Silva, alguns desafios e paradigmas limitam o avanço de áreas irrigadas, seja por uma questão cultural, em que não há conhecimento de sua importância, seja devido a alguns aspectos de infraestrutura que precisam ser trabalhados, como a parte elétrica ou questões de outorga de água. “Nosso trabalho, muito mais do que vender o produto, é mostrar sua importância e a diferença que ele pode trazer na produtividade e na vida do produtor rural”, explica. Para o gerente de Engenharia da Valmont, Vinicius Melo, a união entre a tecnologia de pivô central e um sistema de gestão de qualidade possibilita o manejo ideal de água para as culturas. “A produtividade não acontece porque o produtor irriga, mas porque ele irriga certo”, enfatiza. O gerente ressalta a transformação da Irriger de uma empresa de serviços para uma empresa que gera tecnologia. Com o aumento
“O potencial que a gente tem pra crescer no Brasil é imenso”, destaca o diretor-presidente da Valley, Renato Silva
no investimento da área, a Irriger, que antes só atendia o Brasil, passará a ser o braço de tecnologia de precisão de irrigação da Valmont também em outros países. Para atender melhor e produzir mais, a Valmont está investindo R$ 4 milhões na modernização da fábrica brasileira, que está localizada em Uberaba (MG), além de novas tecnologias de produção. Essa inovação vai ao encontro dos lançamentos da empresa para 2017, como o Icon, um painel de controle inteligente, capaz de coletar dados de condições climáticas para aperfeiçoar a gestão da irrigação. Outra novidade é o Rhinogator, que são pneus de plástico mais sustentáveis, leves e que minimizam a compactação do solo pelo pivô. Além disso, diminuem os riscos de furto, por serem compatíveis apenas com pivôs. A materialidade
Gerente de Engenharia da Valmont, Vinicius Melo
do pneu possibilita menos manutenção da peça, o que proporciona conforto econômico ao produtor rural. Os pivôs também passam a contar com um motor mais potente, o W22 IR2 Premium, da fabricante brasileira Weg. Cada uma das novidades ressalta o compromisso da marca em continuar inovando e procurando soluções que atendam as mais diferentes culturas e necessidades. Com um faturamento acima de 3 bilhões de dólares, a americana Valmot está presente no Brasil através das marcas Valley e Irriger. A Valley, líder no mercado, contempla a produção e a venda de pivôs centrais, enquanto a Irriger especializa-se em serviços de gerenciamento e manejo de irrigação. As duas marcas trabalham para compartilhar com o produtor rural sua missão: alimentar o mundo e promover o uso racional de água na agricultura. Dentro desse conceito, estabelecem soluções inteligentes para otimizar e inovar conceitos de irrigação. A marca visa finalizar o ano de 2017 com 20% de aumento no faturamento brasileiro. Renato Silva atribui a retomada da economia e o descolamento das questões econômicas e políticas aos avanços dos resultados para o ano. Esse aumento deve-se, também, à expansão da marca no território nacional, com um salto de 38 para 50 pontos de venda em regiões estratégicas – evolução que .M aconteceu de 2013 a 2017. Novembro 2017 • www.revistacultivar.com.br
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VANTS
Diagnรณstico
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por imagens O
Determinação de índice de vegetação a partir de imagens obtidas por aeronave não tripulada auxilia na tomada de decisões em lavouras que trabalham com agricultura de precisão
cálculo de índices de vegetação é um dos recursos tecnológicos que a Agricultura de Precisão faz uso. Esse cálculo pode ser executado a partir do uso de sensores ativos ou passivos, realizando-se uma combinação aritmética entre bandas espectrais que evidencie algum componente de interesse. Dentre os diferentes índices, existe o Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI), inicialmente proposto por Rouse et al (1973) que permite realizar inferências sobre diferentes variáveis agronômicas, como a produtividade. O NDVI pode ser obtido, direta ou indiretamente, através do uso de sensores instalados em plataformas terrestres, aéreas ou orbitais. Em plataforma terrestre, o sensor pode ser acoplado em alguma máquina agrícola ou, ainda, no caso de parcelas pequenas, ser passado manualmente. Nesse caso, existem equipamentos comerciais que fornecem diretamente os valores de NDVI, registrando-os em dispositivos móveis como coletores de dados equi-
pados com receptores GNSS (Rosalen et al, 2014). No caso de plataformas aéreas ou orbitais, os sensores também registram a resposta espectral das bandas vermelha e infravermelha, porém, a obtenção do NDVI é realizada posteriormente em softwares que combinam as respostas espectrais de diferentes imagens, formando uma imagem composta, sendo posteriormente gerados mosaicos ortorretificados da área em estudo (Rosalen, 2015). Para plataformas áreas, destaca-se o uso de Aeronaves Remotamente Pilotadas (RPA), sendo estas fortes aliadas para a gestão de áreas agrícolas, possibilitando a obtenção de imagens com elevadas resoluções geométrica e temporal, viabilizando assim a avaliação da produtividade agrícola, a incidência de pragas, as falhas de plantio, plantas invasoras etc. Há também a possibilidade de se obter avaliações de estresse nutricional ou hídrico. Para tanto, faz-se necessário que o sensor presente na RPA registre os espectros vermelho e infravermelho próximos, possibilitando
dessa forma o cálculo do NDVI. Dentro deste contexto, o Núcleo de Geomática e Agricultura de Precisão (NGAP) do Departamento de Engenharia Rural da FCAV/Unesp desenvolveu um trabalho que teve como objetivo principal avaliar a viabilidade da obtenção de valores de NDVI, na cultura da soja, a partir de imagens aéreas coletadas por Aeronaves Remotamente Pilotadas e relacionar esses valores com a produtividade média da cultura. Neste trabalho foi realizada a cobertura aerofotogramétrica de uma área agrícola com 15,7ha, utilizando-se uma RPA. Essa área estava cultivada em quase sua totalidade com soja, situa-se no campus da Unesp de Jaboticabal, possui altitude média de 600 metros, declividade em torno de 7%. Para fins de caracterização topográfica da área realizou-se o levantamento do perímetro desta e de suas respectivas subdivisões, que acompanhavam o sistema de terraceamento agrícola presente na gleba. Esse levantamento foi realizado com receptor GNSS
Figura 1 - Mosaico ortorretificado infravermelho (bandas espectrais vermelha, verde Figura 2 - Mosaico ortorretificado com os valores do NDVI classificados em faixas de e infravermelho próximo) e respectivas zonas de manejo. 0,1 a 1,0
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Trimble R6 e coletor de dados Trimble TSC3 operado no método Relativo Semicinemático (Monico, 2008). Os dados assim obtidos foram pós-processados no software Trimble Business Center v.2.8 e posteriormente exportados em formato texto para o software TopoEVN v.6 para elaboração da respectiva planta topográfica da área. Os dados de produtividade foram obtidos junto à Empresa Júnior da FCAV/Unesp e, partir destes, em conjunto com o levantamento topográfico, delimitaram-se na área quatro possíveis zonas de manejo (Zonas 1, 2a, 2b e 3). A produtividade média de cada uma dessas zonas foi posteriormente confrontada com os valores médios de NDVI. A cobertura aerofotogramétrica foi realizada utilizando-se uma RPA, modelo eBee Ag da SensyFly (Sensyfly, 2014). A aeronave foi equipada com câmera Canon S110 NIR (Near-infrared) de 12Mp. Essa câmera possui sensor sensível às bandas verde (550nm), vermelha (625nm) e infravermelha próxima (850nm). O plano de voo foi realizado utilizando-se o software eMotion v.2, sendo este efetuado 33 dias após a semeadura, com uma altura em torno de 160m, obtendo-se uma resolução geométrica com cerca de 5cm. As imagens foram pós-processadas no software Terra 3D v.4.0, que gerou o mosaico ortorretificado da área de estudo. Os resultados obtidos no levantamento topográfico e na cobertura aerofotogramétrica foram convertidos em formatos de intercâmbio de dado
vetorial (DXF), formato texto e formato matricial GeoTiff para serem importados no software de geoprocessamento Spring v.5.3. Todos os resultados foram compilados em planilha eletrônica.
RESULTADOS
A Figura 1 exibe o mosaico ortorretificado obtido a partir das imagens aéreas capturadas pela câmera Canon S110 NIR e respectiva disposição das quatro zonas delimitadas. A Figura 2 exibe o mosaico ortorretificado da área de estudo com os valores de NDVI calculados e classificados em dez classes de 0,1 de amplitude. Destaca-se que as áreas pouco ou sem vegetação estão na coloração vermelha, com valores de NDVI bem baixos, variando de 0 a 0,1. As áreas com melhor cobertura vegetal possuem coloração azul-escura com valores de 0,5 a 0,7. Nota-se que não ocorreram áreas com valores de NDVI acima de 0,7. A Tabela 1 exibe os valores de área ocupadas pelas classes de NDVI, em área total e nas quatro zonas estabelecidas. Também são apresentados os valores médios de NDVI para cada uma das áreas. Os dados exibidos pela Tabela 1 indicaram que praticamente não ocorreram valores de NDVI superiores a 0,7 para o sensoriamento realizado a partir de RPA, confirmando a análise visual feita na Figura 2. Considerando a área total cultivada com soja, a faixa de 0,4 a 0,5 foi a que apresentou maior área e a faixa de 0 a 0,1 a menor. Esse fato pode ser explicado pela cultura estar em plena
Os autores David, Isabela e Paulo Henrique falam sobre o uso de vants para determinação de índice de vegetação em lavouras
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Tabela 1 - Áreas ocupadas pelas diferentes classes de NDVI NDVI
Áreas (ha) Total Zona 1 Zona 2a Zona 2b 0,0-0,1 0,1447 0,0775 0,0347 0,0194 0,1-0,2 0,4883 0,1712 0,1132 0,0729 0,2-0,3 1,5687 0,4350 0,3876 0,2180 0,3-0,4 3,2491 0,4310 1,3012 0,5966 0,4-0,5 4,6452 0,4428 1,9402 1,3792 0,5-0,6 3,8577 0,2423 0,7525 2,2395 0,6-0,7 0,3222 0,0101 0,0045 0,2555 0,7-0,8 0,0005 0,0000 0,0000 0,0005 0,8-0,9 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,9-1,0 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 NDVI médio 0,4225 0,3471 0,4104 0,4798
Zona 3 0,0131 0,1310 0,5280 0,9204 0,8828 0,6234 0,0522 0,0000 0,0000 0,0000 0,3962
Tabela 2 - Produtividade das zonas da área de estudo e respectivos valores de NDVI médios obtidos pelos sensoriamentos aéreo Zona 1 2a 2b 3
Produtividade (kg ha-1) 2.821 4.007 4.043 3.514
NDVI médio 0,3471 0,4104 0,4798 0,3962
fase vegetativa (V5), já com mais de 30 dias após a semeadura, no momento do sensoriamento aéreo. O valor médio de NDVI ficou em torno de 0,4. A Tabela 2 exibe as produtividades médias encontradas para cada uma das zonas da área de estudo e os respectivos valores de NDVI médios obtidos no sensoriamento aéreo. Os dados exibidos pela tabela indicaram que os valores de NDVI, obtidos a partir do sensoriamento aéreo, acompanharam as respectivas produtividades médias, isto é, as zonas mais produtivas tiveram valores de NDVI mais elevados. Dessa forma, os resultados indicaram que a determinação do Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI), a partir de recobrimento aerofotogramétrico via Vant, utilizando-se de sensores que operam na banda infravermelha próxima, mostrou-se viável, sendo compatíveis com as produtividades encontradas na área de estudo. David Luciano Rosalen e Isabela Ito Gaspar Gomes, Unesp Paulo Henrique Amorim Silva, GeoAgri