Cultivar Máquinas • Edição Nº 178 • Ano XV - Outubro 2017 • ISSN - 1676-0158
Índice 4 Rodando por aí 5 Mecanização e conservação do solo 8 Semeadura cruzada de soja 12 Óleos lubrificantes 16 Desempenho energético de tratores 20 Capa - Colhedoras axiais x tangenciais 28 Renovação de frota de tratores 30 Avaliação de pontas de pulverização 32 Erros de diluição de produtos 36 Enfardadoras em cana-de-açúcar
Destaques
Na ponta do lápis Comparativo entre colhedoras com sistema de trilhas tangenciais e axiais mostra quem é mais eficiente e vantajoso na hora da colheita
Cruzada produtiva Estudo realizado em soja mostra que a semeadura cruzada eleva os índices de produtividade da cultura
Grupo Cultivar de Publicações Ltda. Direção Newton Peter
• Editor Gilvan Quevedo • Redação Rocheli Wachholz Karine Gobbi
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Pulverização padrão Conhecer as diferentes pontas de pulverização pode garantir uma aplicação uniforme e sem desperdícios
Assinatura anual (11 edições*): R$ 269,90 www.revistacultivar.com.br cultivar@revistacultivar.com.br (*10 edições mensais + 1 conjunta Dez/Jan) Números atrasados: R$ 22,00 CNPJ : 02783227/0001-86 Assinatura Internacional: US$ 150,00 Insc. Est. 093/0309480 € 130,00
• Coordenador Comercial Charles Echer
• Revisão Aline Partzsch de Almeida
• Vendas Sedeli Feijó Rithiéli de Lima Barcelos José Luis Alves
• Design Gráfico Cristiano Ceia
• Coordenação Circulação Simone Lopes
Capa - Charles Echer
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Cultivar
• Assinaturas Natália Rodrigues Clarissa Cardoso • Expedição Edson Krause • Impressão: Kunde Indústrias Gráficas Ltda.
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NOSSOS TELEFONES: (53) • GERAL
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Por falta de espaço, não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@revistacultivar.com.br Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.
RODANDO POR AÍ Linha Reman John Deere
Marcelo Pimenta
A John Deere lança no mercado sua linha de peças remanufaturadas. Reman é parte de uma estratégia da John Deere para intensificar e fortalecer o pós-vendas da companhia, melhorando a disponibilidade das máquinas e reduzindo o custo de operação. As peças da linha Reman possuem a mesma garantia das novas, com uma redução de até 30% nos preços, além de toda a responsabilidade ambiental, uma vez que o programa se orienta para a reciclagem dos produtos. “Começamos o programa com três itens, mas os planos são de ampliar o portfólio nos próximos anos”, disse o gerente comercial de Pós-Vendas da John Deere, Marcelo Pimenta. Todas as peças passam por testes de performance para voltar ao mercado com o mesmo prazo de garantia, tecnologia e desempenho de uma peça John Deere.
Massey Ferguson Quem passou pela ExpoUlbra 2017 teve a oportunidade de conhecer o trator MF 7219, lançado pela Massey Ferguson este ano. A máquina esteve disponível para visitação dos estudantes na entrada da UlbraTech. O evento, que ocorreu de 16 a 20 de outubro no campus da Universidade Ulbra, em Canoas (RS), teve como objetivo promover a reflexão e o debate sobre o conhecimento, as ações comunitárias e o compromisso da universidade com a inovação regional.
Red Energy
A Case IH reuniu parte de sua força de vendas em um encontro com muita informação e interação no Chamado “Red Energy”, que ocorreu em Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso. O time de treinamento da marca recebeu no total 72 participantes de cinco concessionárias de máquinas agrícolas exclusivas da marca na região. “Foi um evento importante para a integração entre as áreas Comercial e de Peças e Serviços, no qual foram destacados os principais benefícios e valores dos produtos que levam os clientes a repensar a sua produtividade com o uso de tecnologias de ponta”, comentou o responsável pelo Treinamento da Case IH, José Roberto Camargo.
Café com a Direção No dia 3 de outubro, a Stara realizou mais uma edição do Café com a Direção, momento de confraternização e troca de informações entre colegas e a direção da empresa. Na oportunidade aproximadamente 90 colaboradores se reuniram com os diretores Márcio Fülber, Fábio Bocasanta, Cícero Ferreira, Cristiano Buss e Lucas Arend, o vice-presidente Átila Trennepohl e o diretor-presidente Gilson Trennepohl. Na oportunidade, o diretor-presidente destacou a importância da equipe de colaboradores da Stara e ressaltou a grande contribuição de cada um para chegar a um produto final de qualidade.
Gilson Trennepohl
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Dia da Criança Voluntários da New Holland e o Banco CNH Industrial levaram muita alegria para as crianças no Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba (PR), num Dia da Criança diferente. Entre as atividades realizadas, a grande surpresa foi a chegada do robô em forma de colheitadeira da marca. Esse robô, que é um grande sucesso no programa New Holland em Campo, associou a magia da tecnologia, que tanto encanta os clientes da marca no agronegócio, com o mundo lúdico infantil na forma de um “grande brinquedo”, criando um momento único e especial para as crianças.
Treinamento constante
Entre os dias 16 e 20 de outubro, concessionários Agritech se reuniram no Centro de Treinamento para participar de um curso voltado para o entendimento dos circuitos e diagramas elétricos, bem como conhecimento teórico e prático sobre os principais componentes que equipam as cabines série III, incluindo instalação e manutenção do ar-condicionado. Com essa capacitação, os profissionais passam a possuir conhecimento para compreender e diagnosticar possíveis falhas que possam surgir nos chicotes, dispositivos e componentes elétricos de produtos, bem como realizar a correta manutenção preventiva e corretiva das cabines.
MECANIZAÇÃO
Conflito de interesses Muitas vezes a busca pela eficiência operacional dos conjuntos mecanizados exige práticas que acabam gerando efeitos que prejudicam o manejo e a conservação do solo
Charles Echer
A
evolução na agricultura brasileira, em termos de manejo de solo, tem como pontos centrais o desenvolvimento da técnica do sistema plantio direto (SPD) e da modificação no padrão e a melhoria na qualidade dos processos de semeadura até a colheita, hoje “viralizados” como plantabilidade. Essas mudanças têm sido exaustivamente estudadas, especialmente na linha de manejo e conservação do solo, com resultados significativos e positivos na redução da perda de solo e recuperação da fertilidade química, com uso de terraceamento (em desuso hoje), uso de plantas de cobertura em sistemas de rotação/ sucessão, correção da acidez do solo seguida dos níveis de fertilidade. Mas ainda precisamos avançar ou retomar alguns pontos. Grande parcela destes resultados está alicerçada na construção, adaptação e uso de modelos matemáticos que buscam descrever fenômenos e processos no sistema solo-planta-máquina-atmosfera. Exemplo disso é o uso do modelo robusto de predição de perda
de solo, conhecido como Usle, que integra os fatores potencial erosivo das chuvas, suscetibilidade do solo em ser erodido, comprimento das pendentes e sua declividade, cobertura vegetal e manejo da mesma e práticas agronômicas complementares. Deste conjunto de fatores, os que são passíveis de serem manejados, de forma prática por técnicos e produtores, a fim de reduzir ou manter as perdas de solo dentro de limites aceitáveis, são os dois últimos. Embora passíveis de manejo na prática, esses podem ter inúmeras combinações no campo, podendo variar entre produtores e mesmo para dentro de uma mesma propriedade. Isso ocorre porque os fatores cobertura vegetal e seu manejo variam em função dos estádios fenológicos da cultura, da cobertura do solo pelo dossel das plantas, da cobertura do solo pelos resíduos culturais, do manejo dos resíduos culturais, do tipo de preparo do solo, do tipo de rotação de culturas e do efeito residual dos cultivos do uso do solo. Na pesquisa, essa combinação é dada por meio de uma
escala numérica que varia de zero (boa cobertura e manejo da mesma) até um (ausência completa de cobertura). Na prática essa cobertura funciona como o “teto do solo”, que dissipa a energia do principal agente erosivo, a gota da chuva. Quando a presença de cobertura está associada com menor mobilização de solo (escarificação e SPD, por exemplo), comparada ao realizado pelo preparo convencional, as perdas de solo têm sido reduzidas em torno de cinco vezes menos que as observadas em sistemas com intenso grau de mobilização do solo, como preparo convencional (Tabela 1). Mesmo havendo essa redução na perda de solo, ainda assim as estimativas e medições (Tabela 2) apontam uma perda de solo da ordem de 700g/m2/ano em sistemas com mínimo revolvimento de solo. Mas de que SPD estamos falando e de quanto tempo de sua implantação? Estamos falando de um SPD que mantém uma quantidade mínima de palhada na ordem de quatro a cinco toneladas por hectare (massa seca) e que vem sendo cultivado neste sistema há mais de cinco anos.
PRÁTICAS PARA CONSERVAR
As práticas conservacionistas complementares, que consistem em um conjunto de operações executadas pelo produtor com a finalidade de controlar os efeitos da erosão, também estão correlacionadas com o manejo e a cobertura do solo. Elas influenciam principalmente na redução do volume e da velocidade da água que não infiltra no solo, seja por problemas de degradação da estrutura física ou porque o solo
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Fotos Charles Echer
Perdas de solo e água sempre irão ocorrer, mas cabe a todos integrarem seus conhecimentos, a fim de reduzir a magnitude destas perdas
já atingiu sua capacidade máxima de infiltração. Também pode ser devido à intensidade da chuva ser maior do que a taxa de infiltração. Deste modo, a principal consequência destas práticas é a redução da capacidade de desagregar e de transportar solo (e junto nutrientes, pesticidas, matéria e material orgânico). Em alguns locais, com declividades superiores a 8% e um máximo de 30% (condição limite para a prática de culturas anuais mecanizadas), muito comuns na região Sul do País, o controle de erosão deve integrar, junto da cobertura vegetal, práticas de semeadura em nível e construção de estruturas físicas como terraços e/ou cordões vegetados (para áreas menores quando for o caso) destinadas a orientar e diminuir a água que não infiltra. Os valores numéricos atribuídos a essas práticas complementares que compõe a Usle podem variar de zero a um (sendo um a condição de semeadura morro acima/morro abaixo mesmo em SPD, ou quando não há nenhuma prática complementar). Trabalhos realizados por diferentes grupos de pesquisa apontam valores de 0,5 para plantio em contorno (que pode ser entendido como plantio em nível) até 0,2 quando se alia plantio em nível com cordões de Outubro 2017 • www.revistacultivar.com.br
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vegetação permanente. Perdas de solo e água sempre irão ocorrer, mas cabe à pesquisa, aos pesquisadores, aos técnicos e aos produtores integrarem seus conhecimentos, a fim de reduzir a magnitude destas perdas. Esforços neste sentido têm sido realizados desde a década de 1970, mas atualmente os princípios parecem ter sido esquecidos por todos os elos da corrente. Ainda aceitamos perdas de solo por erosão da ordem de 9t/ha/ano, quando os dados mostram que se pode reduzir isso para valores no mínimo 50% menores (Tabela 2), integrando conhecimento com vontade de fazer. Essa redução é possível quando há mudança no sentido das operações (morro acima/morro abaixo para condições em nível), independentemente do sistema de manejo adotado. Aí a pergunta que fica: será que não precisamos rever esses valores “tolerados”? Alguns podem se perguntar: mas esses sistemas testados têm pouca aplicação prática, uma vez que houve uma mudança muito intensa em termos de uso e manejo do solo, como a inserção dos chamados Sistemas Integrados de Produção? De fato houve grande mudança, sim, na forma de uso e manejo do solo, mas os dados aqui apre-
sentados mostram a importância dos fatores cobertura do solo permanente, mínima mobilização de solo e o cultivo em nível. Quando se alterou apenas o sistema de preparo do solo, passando de um preparo com alto revolvimento e mobilização de solo para um sistema com baixa mobilização, como no caso do preparo reduzido (uma escarificação) e o SPD, as perdas de solo foram diminuídas em 74% e 77%, respectivamente. Associado com a manutenção de uma cobertura mínima de 4t de palha por hectare (a qual dissipa a energia cinética da chuva, junto à superfície do solo, e reduz a energia do escoamento superficial pelo aumento da rugosidade hidráulica na superfície do solo, aumentando a infiltração e diminuindo a enxurrada), os ganhos para o sistema e para o produtor são facilmente perceptíveis.
COMPACTAÇÃO
Atualmente, grande parte dos solos cultivados em SPD no estado do Rio Grande do Sul está com elevado grau de compactação, principalmente pelo tráfego de máquinas em condições de umidade fora da faixa de friabilidade, pela baixa quantidade de palhada deixada sobre o solo pelas culturas ou pelo tradicional pastejo animal, sem considerar oferta e carga animal por área, o que tem levado à degradação da estrutura dos solos, com consequente diminuição dos rendimentos. A busca pela eficiência operacional dos conjuntos mecanizados sem levar em consideração o principal fator produtivo, o solo, tem tornado e vai continuar tornando a máquina como a vilã do
A escarificação auxilia na descompactação e conservação do solo
processo. O que seria adequado para o tráfego de máquinas (solo compacto e sem palha) está na contramão do que é essencial para o controle de erosão, o aumento dos fluxos de ar e água, a redução das emissões de gases potencializadores do efeito estufa, a ciclagem e a reciclagem de nutrientes no solo e tantos outros processos. A utilização de modelos matemáticos como a Usle, por exemplo - para simular perdas de solo em diferentes condições de manejo de solo e cobertura -, precisa sair dos laboratórios e artigos científicos que poucos produtores têm acesso, tempo e conhecimento para interpretar um volume gigante de informações, e se transformar em algo de fácil acesso, conhecimento, entendimento e divulgação. Mesmo assim, chegando a informação até o maior interessado, o produtor, algumas perguntas ainda são necessárias: sabendo da significativa eficiência da semeadura em contorno, por que os agricultores, especialmente os da região Sul, ainda realizam os preparos e as semeaduras no maior sentido das pendentes? A resposta é óbvia: para fa-
cilitar as operações das máquinas, para “ganhar” tempo e “melhorar” a tal da plantabilidade. Mas esses “ganhos” têm sido limitados, na sua maior parte por problemas físicos, como compactação do solo, que leva à redução da infiltração de água no mesmo, aumento do escoamento superficial, menor quantidade de palha, menor ciclagem e reciclagem de nutrientes e, por fim, aumento das perdas do solo rico em nutrientes da fina camada superficial, que sai carregado pela água. E neste ponto entra o fato de que o SPD - com todos os seus problemas - reduz o impacto visual das perdas de solo, quando comparado aos das décadas de 1970 e 1980, por não sair mais “o grosso do solo”, mas sim o “filé mignon”, a parte mais rica. Precisamos de novos ajustes, de mais campo e mais escritório para entender e processar dados integrados, gerando informação. Além disso, vemos que o novo padrão de máquinas nas lavouras, que estão maiores, mais articuladas, rápidas e potentes, tem condições de copiar bem o estado de desnível ocasionado pela construção de terraços, desde que
sejam corretamente dimensionadas. A semeadura em contorno perdeu espaço em razão do aumento do tamanho das semeadoras, da troca das semeadoras montadas no sistema hidráulico de três pontos pelas semeadoras de arrasto, principalmente em pequenas propriedades rurais. Para estas, com pequena área física explorável e, por vezes, com elevada pedregosidade, o terraceamento não é uma opção, mas há outras formas que precisam ser exploradas pela pesquisa e integradas aos produtores, como a substituição do terraço por curvas escarificadas em nível. Portanto, resgatar a velha prática de semeadura em contorno, de plantar em nível - uma das técnicas mais tradicionais e clássicas da conservação do solo -, ainda é a solução para mitigar os efeitos dos processos erosivos. Mas para isso precisamos readequar alguns pontos, discutir e integrar com pesquisadores, .M extensionistas e produtores. Tiago Stumpf da Silva, Michael Mazurana e Renato Levien, GPRSM - UFRGS
Tabela 1 - Perdas de solo em dois sistemas de sucessão de culturas e manejo, em um Argissolo Vermelho-Amarelo, em Eldorado do Sul (RS)
Sistema de Perdas de solo Fator cobertura culturas (Mg ha-1 ano-1) e manejo Trigo-soja em preparo convencional 33,0 0,156 Trigo-soja em plantio direto 7,0 0,037 Trigo-milho em preparo convencional 27,5 0,124 Trigo-milho em plantio direto 5,8 0,033 Fonte: Silva (2016)
Tabela 2 - Perdas de solo utilizando a Equação Universal de Perdas de Solo (Usle) e comparando com resultados obtidos a campo, na região da Depressão Central do RS
Atualmente, grande parte dos solos cultivados em SPD no estado do Rio Grande do Sul está com elevado grau de compactação
Perdas de solo Sistema de culturas Equação (USLE) Medida a campo Mg ha-1 ano-1 Semeadura morro abaixo Trigo-soja em preparo convencional 29,8 32,8 Trigo-soja em preparo reduzido 7,7 8,6 Trigo-soja em plantio direto 6,9 6,9 Semeadura em contorno3 Trigo-soja em preparo convencional 14,9 16,4 Trigo-soja em preparo reduzido 3,8 4,3 Trigo-soja em plantio direto 3,5 3,5 9,0 Tolerância de perdas de solo4 Fonte: Silva (2016)
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SEMEADORAS
Cruzada produtiva O trabalho comparativo entre a semeadura convencional e a cruzada na cultura da soja mostrou que a semeadura cruzada eleva os índices de produtividade
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soja apresenta grande importância econômica mundial e pode se adaptar em diversas regiões. No entanto, diversos fatores podem interferir no desenvolvimento da cultura e na qualidade final dos grãos. Neste sentido, avanços nos sistemas de semeadura, cultivares mais adaptadas, melhoria da capacidade produtiva dos solos, práticas conservacionistas, diferentes arranjos de plantas na área, entre outros fatores, podem contribuir para a melhoria dos caracteres agronômicos da cultura. Para a semeadura da soja, além da forma convencional existe a semeadura cruzada, que consiste na distribuição de sementes em linhas paralelas - como é realizada convencionalmente na soja -, seguida de uma nova distribuição de sementes sobre a mesma área, com linhas formando ângulos de 90º em relação às anteriores, ocorrendo assim Outubro 2017 • www.revistacultivar.com.br
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aumento da quantidade de sementes e de adubo por hectare. A redução do espaçamento entre as linhas da cultura, além das doses e do número de aplicações de herbicidas, possui a finalidade de favorecer a eficiência cultural na competição com plantas invasoras e vem sendo utilizada por alguns produtores que têm adotado esta estratégia para minimizar os custos de produção. As modificações relacionadas à população de plantas, em geral, influenciam na produtividade, pois se refletem na densidade de plantas nas linhas e no espaçamento entre as linhas de semeadura. Pelo fato da cultura da soja exercer um papel socioeconômico importante no país e ressaltando que os sistemas de semeadura de soja possam influenciar na qualidade do desenvolvimento da cultura e seus aspectos agronômicos, um grupo de pesquisadores da Unesp/
FCAV e da UFSCar realizou estudo que contribui com o conhecimento mais apurado sobre quais sistemas de semeadura podem ser utilizados para a garantia de bons rendimentos. Os pesquisadores da Unesp/FCAVe da UFSCar, Campus Lagoa do Sino, conduziram um experimento na área da fazenda de ensino, pesquisa e extensão (Fepe) da Unesp/Jaboticabal, no estado de São Paulo, utilizando-se um conjunto mecanizado trator MF660, 4x2 TDA (tração dianteira auxiliar), com 110kW (150cv) no motor, operado na marcha 3a L, com velocidade média de 5km/h, a 1.900rpm no motor, com a tração dianteira auxiliar acionada, e uma semeadora-adubadora de precisão da marca Marchesan, modelo COP Suprema 7/4, com disco vertical pneumático para dosagem de sementes. A semeadora foi equipada para o sistema de semeadura direta com discos
New Holland
A semeadura cruzada consiste na distribuição de sementes em linhas paralelas, seguida de uma nova passada num ângulo de 90º em relação às anteriores
duplos desencontrados para deposição das sementes, hastes para a abertura dos sulcos para deposição do adubo e rodas aterradoras-compactadoras duplas em “V”, operando com sete linhas de semeadura, e espaçamento entre linhas de 0,45m, com largura útil de 3,6m e profundidade de semeadura regulada para 0,03m. Para a semeadura convencional, foi realizada apenas uma passada aplicando 350kg/ha de fertilizante na formulação 02-20-20; já no sistema de semeadura cruzada, foram realizadas duas passadas. Na primeira passada da semeadora foi distribuída uma dose de 350kg/ha
de fertilizante na mesma formulação descrita e a segunda perpendicular às linhas da primeira (90º), aplicando-se mais 120kg/ha deste fertilizante. A cultivar de soja utilizada em ambos os sistemas de semeadura foi Anta 82 RR. A semeadura convencional foi realizada regulando-se a semeadora para 24 sementes/m e para a semeadura cruzada foram distribuídas 18 sementes/m, para, assim, aumentar a densidade de plantas na área. Para a colheita, utilizou-se a colhedora modelo JD1165, ano de fabricação 1997, com largura de corte da plataforma de 5m. A máquina operou com rotação no motor de 2.000rpm, marcha 1N e velocidade média de 3km/h. A caracterização do teor de água dos grãos foi realizada por meio de medidor portátil, da marca Gehaka Agri, modelo G600,
Figura 1 - Altura de plantas nos sistemas de semeadura
contabilizando-se dez amostras para cada sistema de semeadura. Os teores de água encontrados foram de 16,5% e 24,3% para as semeaduras convencional e cruzada, respectivamente. Após a pesagem dos grãos, os dados obtidos (gramas por linhas), os valores foram transformados para kg/ha, sendo esta produtividade corrigida para teor de água de 13%. O experimento foi realizado em delineamento estatístico de blocos casualizados; os tratamentos corresponderam a dois sistemas de semeadura (convencional e cruzada) com 12 repetições, totalizando 24 parcelas experimentais. Os resultados foram analisados por meio de teste F, utilizando-se o programa estatístico Minitab. Conforme demonstrado na Figura 1 a semeadura convencional apresentou
Figura 2 - Altura de plantas nos sistemas de semeadura
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Figura 3 - Número de vagens nos sistemas de semeadura
média de altura de plantas em torno de 88cm, enquanto que a semeadura cruzada cerca de 82cm. Desse modo, a altura de plantas (AP) de soja obtida nos dois sistemas de semeadura está dentro dos limites considerados ideais para colheita mecanizada, que varia de 80cm a 100cm, pois facilita a colheita mecanizada, podendo refletir na maior produtividade. A competição entre plantas de soja pelos fatores do ambiente irá determinar maior ou menor porte da planta, maior ou menor número de ramificações, fatores estes inversamente proporcionais. Sob maiores densidades de plantas na linha, há uma menor disponibilidade de nutrientes do solo para o crescimento vegetativo, com menor formação de ramos, sendo os fotoassimilados destinados ao crescimento das
Figura 4 - Altura de corte durante a colheita mecanizada nos sistemas de semeadura
plantas em altura. Em relação à altura da inserção da 1ª vagem (AIPV) (Figura 2), os dois sistemas de semeadura demonstraram alturas semelhantes com média de 13cm. Os sistemas que se destacaram estão de acordo com a altura mínima da primeira vagem, que deve ser de 10cm a 15cm para se obter uma colheita com o mínimo de perdas pela barra de corte da colhedora. Para o número de vagens também não foi constatada diferença entre os dois sistemas analisados (Figura 3), o número de vagens em soja é a característica mais responsiva das alterações causadas pelo estresse da competição por espécies concorrentes. Na avaliação da altura de corte da colhedora (Figura 4) a semeadura cruzada alcançou maiores valores, fato
Avaliações realizadas nos sistemas de semeadura convencional e cruzada
F
oram avaliadas as características agronômicas da soja: - Altura de plantas (AP): avaliou-se no estádio R8, compreendendo a distância, na haste principal, entre o colo e a inserção da vagem mais distal, com auxílio de uma régua graduada; - Altura da inserção da 1ª vagem (AIPV): no estádio R8, medindo a distância, em cm, entre a superfície do solo e a inserção da primeira vagem; - Número de vagem por planta (NV): foi realizada por meio da soma das vagens na haste principal e nos ramos secundários;
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- Altura de corte (AC): foi mensurada a distância entre o colo da planta até onde a plataforma de corte da colhedora decepou a planta, com auxílio de uma régua graduada; - Distribuição de palha (DP): foi obtida por meio de cordões de náilon de 5m de comprimento contendo 100 pontos espaçados a cada 0,05m. Para determinar a distribuição de palha realizada pela colhedora; - Produtividade de grãos (PG): foi avaliada por meio da colheita manual da área útil de cada parcela (2m em duas linhas, em ambos os sistemas de semeadura, com posterior trilhagem da soja, utilizando-se uma trilhadora estacionária.
esse que pode ter ocorrido devido à maior densidade de plantas na área, o que pode ter dificultado a visão do operador durante a colheita. A maior proporção de perda nas lavouras pode ser explicada pelo fato de a colhedora não possuir sistema de controle automático da altura de corte da plataforma, o que aumenta a possibilidade de ocorrer o corte ineficiente. Observa-se ainda que o maior valor médio de densidade de plantas foi encontrado no tratamento com semeadura cruzada, esse fato está vinculado ao maior número de plantas por metro neste tipo de semeadura, aumentando o material vegetal e, consequentemente, apresentando maior distribuição de palha. Neste sentido, a distribuição uniforme da palha é importante para o bom desempenho da semeadora, permitindo maior eficiência operacional,
Lavoura convencional (acima) e com semeadura cruzada (abaixo)
Figura 5 - Distribuição de palha durante a colheita mecanizada nos sistemas de semeadura
melhor controle de plantas daninhas e distribuição regular de sementes, promovendo maior lucratividade e qualidade operacional. Verifica-se na Figura 6 que o processo de semeadura cruzada de soja apresentou maiores valores de produtividade. Isso decorre da maior densidade de plantas, em virtude da maior distribuição de sementes, que por sua vez eleva o número de vagens
Figura 6 - Produtividade nos sistemas de semeadura
e grãos e, consequentemente, eleva a produtividade. As características agronômicas da soja foram influenciadas pelos sistemas de semeadura convencional e cruzada. A semeadura cruzada, devido à maior densidade de plantas, em virtude da maior distribuição de sementes, apresentou maior produtividade de grãos. O aumento na produtividade em cultivares de ciclo precoce, devido à
redução do espaçamento entre linhas, é atribuído ao adensamento de plantas, que também auxiliou no controle de .M plantas daninhas. Antonio Tassio Ormond Santana, Carla Segatto Strini Paixão, Cristiano Zerbato, Lucas Augusto da Silva Girio e Rouverson Pereira da Silva, Fcav/Unesp, Jaboticabal Murilo Aparecido Voltarelli, Ufscar, Campus Lagoa do Sino
Divulgação
LUBRIFICANTES
Exame do óleo
As análises de óleo lubrificante feitas de maneira adequada e em laboratórios especializados proporcionam o correto monitoramento das condições do produto e possibilitam maximizar os intervalos de troca para períodos maiores que os indicados pelos fabricantes
O
s lubrificantes são substâncias que formam uma película protetora quando interpostas entre duas superfícies em movimento ou uma fixa e a outra móvel. Têm a função principal de reduzir o atrito entre as peças. Como consequência, minimizam o desgaste das mesmas, Outubro 2017 • www.revistacultivar.com.br
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auxiliam no controle da temperatura, diminuem ruídos e nos motores ajudam na vedação entre o cilindro e os anéis dos pistões. Também, possuem a função de limpeza e redução do processo de oxidação, aumentando a vida útil das peças metálicas. Para isso acontecer, os lubrificantes
possuem propriedades como a viscosidade, ou seja, a resistência de vazão do fluido, identificado pela classificação da SAE. Com relação à qualidade dos óleos lubrificantes, esta é identificada pela classificação API. Para que atendam estas condições, aos óleos são adicionados aditivos que acrescentam e/ou
http://www.hydracheck.com
Fonte: Rovian Bertinatto (2013)
Bomba para coleta no tubo de nível do óleo
potencializam a qualidade do mesmo. Os óleos lubrificantes são classificados quanto à origem em: mineral (a partir do refino do petróleo), sintético (obtido através de processos industriais) e semissintético (mistura do mineral e o sintético). Atualmente, a manutenção preditiva em frotas de máquinas agrícolas vem tomando importância na redução de custos e na gestão controlada de ações desta operação. Faz parte desta manutenção o acompanhamento da qualidade do óleo lubrificante durante o período de uso. Para a melhor gestão dos intervalos de troca, hoje é possível, através de análises laboratoriais, identificar o estado de contaminação destes.
Charles Echer
Detalhe da válvula de coleta utilizada para extrair lubrificante
realizados na manutenção preventiva, o que ocorre é a retirada e a análise de amostras em laboratórios específicos. Avalia-se a qualidade do mesmo, e se determina um novo período para inspeção ou substituição. A análise deve gerar dados confiáveis sobre a condição do óleo lubrificante, a presença de contaminantes e o desgaste do equipamento. Através dos dados, obtidos nas avaliações laboratoriais, é possível realizar um diagnóstico da situação do óleo lubrificante na má-
quina e da vida útil do mesmo. Com isso, é possível reduzir as paradas de manutenção e evitar as trocas de óleos desnecessárias. Pode reduzir assim, o impacto ambiental (menor quantidade de óleo a ser destinada posteriormente para reciclagem) e também reduzir o custo operacional. As manutenções preventiva e preditiva, quando bem realizadas, auxiliam na tomada de decisão. As ações ficam cada vez mais confiáveis e as intervenções são realizadas com maior precisão. Ao realizar o acompanhamento da evolução das manutenções, com o planejamento, é possível buscar soluções, antecipar problemas e maximizar os resultados ano após ano. As análises de óleo lubrificante são realizadas para verificar a composição, as propriedades fluídas (degradação), as concentrações de contaminantes e os resíduos de desgaste da máquina.
DEGRADAÇÃO
Degradação é o processo que reduz
ANÁLISE DO ÓLEO LUBRIFICANTE
A análise de óleos lubrificantes constitui-se de avaliações laboratoriais acerca do lubrificante em uso, provenientes de motores a combustão, transmissões, eixos, entre outros. Essa tarefa é um dos pilares da manutenção preditiva, que possui como propósito uma maior assertividade no momento da manutenção mecânica periódica. A manutenção preditiva trabalha com uma programação da intervenção, tendo como referência os indicadores apresentados pela própria máquina. Nesta ação, ao invés de trocar o fluido em períodos predeterminados, como os indicados pelos fabricantes e
Dependendo do resultado da análise, o óleo pode ter uma vida útil maior que o previsto, mas o nível deve estar sempre dentro do recomendado
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a capacidade do óleo de cumprir as funções para as quais foi desenvolvido, isto é, lubrificar, proteger, limpar, arrefecer e vedar. Esta é originada pela alteração das propriedades físicas e químicas dos óleos lubrificantes, devido às diferentes condições a que é submetido (altas temperaturas, grandes velocidades de cisalhamento, materiais corrosivos, contaminações e envelhecimento). Para determinar a degradação do óleo lubrificante devem ser analisados parâmetros como: aparência (fuligem), viscosidade, índice de basicidade total (TBN), índice de acidez (TAN), oxidação (infravermelho), composição e aditivos, ponto de fulgor, densidade relativa e corrosão em lâmina de cobre.
CONTAMINAÇÃO
Entende-se por contaminação do óleo a presença de materiais indesejados como: partículas metálicas e óxidos metálicos, pó advindo da admissão (filtro obstruído), combustível, água e ácidos provenientes dos gases de combustão e da própria oxidação do óleo lubrificante. A contaminação pode ser determinada analisando o TBN, efetuando a contagem de partículas, análise de umidade, teste de glicol, diluição com combustível, nitratos, oxidação, sulfatos, fuligens e pela presença de alumínio, potássio, sódio, silício, além de outros.
RESÍDUOS DE DESGASTE
O óleo lubrificante, por trabalhar em contato direto com superfícies móveis,
Quem realiza a análise do óleo?
A
s análises são realizadas por laboratórios especializados neste tipo de material. Estes fornecem o material para a coleta, recebem as amostras, realizam as análises e também geram os laudos. Também, dão assistência aos usuários sobre os procedimentos técnicos para a coleta e a interpretação dos resultados.
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por exemplo em motores, arrasta consigo as partículas geradas pela fricção das superfícies metálicas e tem a missão de carregá-las até o filtro de óleo. É pelo estudo detalhado das partículas presentes no óleo que podemos constatar anomalias no motor, seja por análise quantitativa (onde conhecemos a quantidade de partículas) ou qualitativa (sabendo-se de que material se trata). O desgaste pode ser identificado no óleo lubrificante através do aumento da quantidade de metais da composição das peças do motor. Com maior frequência são identificados os seguintes componentes: alumínio, chumbo, cobre, cromo, estanho, ferro, molibdênio, níquel, prata e titânio.
COLETA DE ÓLEO LUBRIFICANTE
A coleta de óleo para a análise é realizada através de um kit, normalmente fornecido pelos laboratórios. Este é composto por: uma ficha cadastral, um frasco (com capacidade que varia de 50ml a 150ml) e uma mangueira (ambos esterilizados, de modo a não ocorrer adulteração no resultado final da análise). Estes devem ser acondicionados em embalagens plásticas lacradas ou com fecho rápido (tipo Zip Lock), assegurando a integridade da amostra a ser coletada, sem riscos de contaminações. Para a coleta da amostra de óleo lubrificante deve-se proceder da seguinte maneira: a máquina deve ser operada, por cerca de 30 minutos, e os implementos devem ser movimentados. Dessa forma, o óleo lubrificante irá movimentar e se tornará homogêneo. É possível adquirir uma válvula de coleta, a qual acelera o processo de retirada do óleo. Assim, para esse processo, aperta-se o botão e a primeira porção de óleo não deve ser utilizada sendo descartada em um recipiente adequado. A segunda drenagem é colocada no frasco esterilizado e enviada para a análise. É necessário fechar rapidamente o frasco, preencher a ficha e enviar para o laboratório.
Charles Echer
A quantidade de óleo retirada na coleta deve ser reposta imediatamente
A coleta também pode ser realizada com uma bomba a vácuo, sendo o óleo lubrificante succionado para o recipiente sem contato com agentes externos. Primeiro prende-se a mangueira na bomba, de forma que não ocorra contato com substâncias potencialmente contaminantes. Insere-se a mangueira no local da vareta de nível, cuidando para não encostar no fundo do cárter e retirar impurezas. Quando o frasco estiver com a quantidade correta de óleo lubrificante, o mesmo é fechado, preenche-se a ficha cadastral e envia-se imediatamente para o laboratório. A quantidade de óleo retirada na coleta deve ser reposta imediatamente. O óleo lubrificante a ser reposto deve ser da mesma especificação e fabricante (já em uso no equipamento). Verificar sempre o nível na vareta do óleo.
LABORATÓRIOS
As análises precisam ser feitas de forma rápida e correta. Os dados entregues ao solicitante da análise devem ser confiáveis. Para isso ocorrer, o laboratório escolhido deve ser conciso e eficiente acerca das suas análises. Porém, um ponto importante a ser levado em consideração é a distância do laboratório. Isso pode inviabilizar uma análise em função do tempo da respos-
ta ou retorno, a qual pode ser maior que o período de duração do fluido, e do custo de envio. Algumas empresas trabalham com sistemas de respostas rápidas, onde os resultados da análise são disponibilizados no dia seguinte ao recebimento da amostra.
RESULTADOS DA ANÁLISE
A partir dos resultados de uma análise, se faz necessário a compreensão para uma tomada de decisão. Cada laboratório tem uma forma específica de apresentar os dados, demandando de uma breve explicação por parte do mesmo. Este papel é desempenhado por estes prestadores de serviços, que possuem equipes especializadas à disposição dos usuários, auxiliando nas interpretações e no planejamento da manutenção. Assim, será possível identificar falhas antes que elas ocorram, através dos alertas gerados pelos resultados. Isto possibilita o planejamento da intervenção em manutenções e maior disponibilidade mecânica.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com a evolução dos lubrificantes, estes passaram a acumular funções como proteção à corrosão, auxílio na vedação, retirada de produtos indesejáveis do sistema, entre outros. As análises de óleo lubrificante são realizadas para verificar a composição, as propriedades fluídas (degradação), as concentrações
Diálise para retirar as impurezas
O
processo de diálise consiste em realizar uma filtragem aprimorada do óleo lubrificante, utilizando um conjunto com bomba e filtros externos. Estes filtros possuem capacidade de reter partículas que o filtro da máquina não consegue. Com isto, diminui os níveis de contaminação para valores aceitáveis, permitindo utilizar a mesma carga de lubrificante. Para obter o melhor resultado, é necessário que o operador ligue a máquina e movimente os hidráulicos, assim, o óleo lubrificante será homogeneizado. É indicado que sejam realizadas três filtragens da quantidade total de óleo. Em várias situações, as análises de óleo informarão que este possui uma boa capacidade de lubrificação e presença de aditivos. No entanto, o nível de contaminação poderá estar elevado. Com a utilização da técnica de diálise, a vida útil do óleo lubrificante será aumentada, e consequentemente diminuirão os gastos com trocas do lubrificante, reduzindo os custos operacionais.
de contaminantes e os resíduos de desgaste do motor. Com um correto monitoramento das condições do lubrificante, é possível maximizar os intervalos de troca dos lubrificantes, para períodos maiores que os indicados pelos fabricantes. Desse modo, o gasto com lubrificantes será menor e, consequentemente, terá menores gastos com filtros, mão de obra e horas paradas do equipamento para manutenção. Existe, também, a opção
Sistema móvel de diálise
de realizar a diálise do óleo lubrificante usado. Vale destacar que haverá benefício ambiental, pois menor quantidade de lubrificante será utilizada e posteriormente reciclada nas refinarias. .M Bruno Bortoluzzi Benetti, Rovian Bertinatto, Catize Brandelero, Valmir Werner, Juliano S. Depoi e Bianca Silva, UFSM, CCR, Nema, Lab. Mecaniza
Tabela 1 - Fontes típicas de elementos metálicos encontradas nos óleos lubrificantes Elemento Alumínio Antimônio Chumbo Cobre Cromo Estanho Ferro Níquel Silício Titânio Zinco
Fontes típicas Pistões, mancais e poeiras Mancais Mancais, gasolina, graxas e tinta Mancais, buchas e peças de bronze Cilindros, anéis, refrigerante, virabrequim e engrenagens Solda e mancais Cilindros, camisas, ferrugem e virabrequim Eixos, anéis e válvulas Poeira e antiespumantes Molas, válvulas e componentes de turbinas Aditivo, mancais e chapas galvanizadas
Com a evolução dos lubrificantes, estes passaram a acumular várias funções como proteção à corrosão, entre outros
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TRATORES
Desempenho energético
Agrale
Manter o desempenho com o menor gasto de energia é um eterno desafio para produtores e um dos fatores para aumentar a eficiência está na correta sincronia do escalonamento de marchas e rotações do motor
U
ma das principais funções dos tratores agrícolas é transformar a energia contida no combustível e fornecê-la, através da barra de tração, para tracionar máquinas e implementos agrícolas. O desempenho na barra de tração de um trator depende, principalmente, da potência do motor, dos mecanismos de transmissão, da distribuição de peso sobre os rodados, da altura e posição dos engates da barra e da superfície do solo (Gabriel Filho et al, 2010). Entre os fatores que interferem na tração, a condição da superfície do solo também é importante e, dentre as propriedades do solo que afetam a eficiência de tração de um trator agrícola, podem ser mencionadas a textura do solo, a umidade desse solo e as condições da superfície, dependendo da cobertura existente sobre o solo (Yanai et al). Outubro 2017 • www.revistacultivar.com.br
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Na transmissão de potência do motor para a barra de tração ocorrem perdas que, dependendo das condições de operação do trator, podem atingir níveis bastante comprometedores. Estimativa da perda de potência, segundo Zoz, nos diferentes mecanismos do trator e diferentes condições de solo para tratores 4 x 2 pode variar de 20% em pistas de concreto até 53% ou mais em solo cuja condição de tração é pobre (solo solto). A eficiência em realizar a tração depende de um complexo conjunto de fatores que envolvem a interação do rodado com o solo. Durante todo o processo produtivo, do preparo do solo, passando pela implantação de uma lavoura e manejo da cultura, os aspectos mais relevantes para seu sucesso estão relacionados com o desempenho dos conjuntos mecanizados, trator/implemento. A análise operacional das operações agrícolas mecanizadas
desempenha uma função fundamental para a produção em larga escala de grãos, tendo, portanto, influência direta nos custos de produção. Neste contexto, pesquisadores da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) realizaram um trabalho de campo com o objetivo de avaliar o desempenho energético de um conjunto trator-grade, sob diferentes marchas e rotações do motor.
ENSAIO NO CAMPO
Os ensaios foram realizados na Universidade Federal de Mato Grosso, campus Sinop (MT). O clima da região é do tipo tropical quente e úmido. Este tipo climático predominante do Centro-Norte do estado é caracterizado pela presença de duas estações bem definidas - uma chuvosa, no período de outubro a abril, e outra seca, de maio a setembro -, pela
Charles Echer
pequena amplitude térmica anual e por temperaturas e umidades elevadas: com médias anuais oscilando entre 24ºC e 27ºC, sendo os meses de setembro e outubro os mais quentes, com temperaturas máximas ao redor de 36ºC. A precipitação média anual é de 1.900mm. O solo da área do ensaio é do tipo Latossolo Vermelho-Amarelo (LVA), com relevo plano e textura argilosa (Santos et al, 2006), característico da região. A área é utilizada anualmente para o cultivo de arroz. Cada parcela experimental ocupou cerca 125m2, sendo 50m de comprimento e 2,5m de largura. Entre as parcelas, foi deixada, no sentido longitudinal, uma distância de 10m para a realização das manobras e estabilização da velocidade do conjunto trator-grade intermediária. Foram coletadas amostras de solo em toda a área de forma aleatória, para determinação do teor de água do solo, segundo o método gravimétrico padrão descrito pela Embrapa (1997), na profundidade de 0-0,10m. Os valores médios de teor de água foram de 0,2804kg/kg. Para determinar a resistência mecânica do solo à penetração foi utilizado o penetrômetro com registro eletrônico de dados. Foi realizada a coleta de dados em 58 pontos na área. Foram amostrados valores de resistência à penetração nas profundidades de 0-0,05m; 0,05-0,10m; 0,10-0,15m; 0,15-0,20m; 0,20-0,25m; 0,25-0,30m; 0,30-0,35m e 0,35-0,40m, sendo os valores expressos em MPa. Os valores médios da resistência do solo à penetração em função da profundidade são apresentados na Figura 1. Durante o experimento, a tração dian-
teira auxiliar foi acionada com o trator operando em condições normais, sem o bloqueio do diferencial. No trabalho utilizaram-se as seguintes combinações de marchas e rotação do motor, conforme o Quadro 1. No trabalho de campo, utilizou-se um conjunto trator-grade média. As características técnicas do trator e da grade estão no Quadro 2. O delineamento utilizado foi o de blocos casualizados, com oito tratamentos e quatro repetições, sendo os tratamentos as seguintes combinações de marcha e rotação de trabalho do motor, conforme descrito no Quadro 1. Para se encontrar o deslizamento das rodas motoras do trator seguiu-se a metodologia descrita por Gamero e Lanças (1996). Foram contados o número de voltas que as rodas motoras (dianteira e traseira) do trator realizavam com carga (gradeando) e o número de voltas das rodas motoras sem carga. Cada dado de patinagem foi obtido deslocando-se o conjunto (trator-grade) para suas rodas completarem dez voltas. A condição de avanço com carga foi calculada pela relação entre a distância percorrida durante a gradagem e o número de voltas percorridas. A condição de avanço sem carga foi calculada pela relação entre a distância percorrida pelo trator em solo firme, condição considerada sem patinagem, e o número de voltas percorridas. A patinagem total foi obtida através da soma da patinagem do rodado dianteiro e do rodado traseiro, dividindo o valor encontrado por dois, ou seja, uma média entre a patinagem de ambos os rodados.
A capacidade de campo efetiva (CCE) foi determinada por meio da largura útil de trabalho da grade média e sua velocidade de deslocamento medida no campo. Mediu-se no campo a largura efetiva de corte da grade média com uma trena. Em cada ensaio, foram registrados os tempos gastos em cada percurso, para determinação da velocidade, com um cronômetro digital. Não foram considerados os tempos perdidos (tempo de manobra, tempo de reabastecimento e paradas) durante o experimento. Para determinar o consumo de combustível horário, foi utilizado o método em massa. Completou-se o tanque do trator antes de começar cada percurso nas parcelas experimentais. Ao final da parcela utilizava-se de um recipiente contendo um volume de combustível, o qual era pesado. O tanque era completado novamente e media-se o recipiente com o restante do combustível que ficava no mesmo. Pela diferença do peso inicial e do peso após completar o tanque, se tinha a massa de combustível gasto em cada parcela. Considerando a densidade do combustível igual a 825g/L calculava-se o volume gasto no percurso de cada parcela experimental. A densidade admitida foi obtida via tabela do fornecedor do combustível, que considerava as variações de temperatura ao longo do dia, visto que o experimento iniciou-se com uma determinada temperatura e ao término a condição climática já não era a mesma. Em cada ensaio, foram registrados os tempos gastos em cada percurso, para determinação da velocidade, com um cronômetro digital. Os dados foram avaliados por meio de análise de variância
Figura 1 - Resistência mecânica do solo à penetração (MPa), em função de diferentes profundidades
A patinagem dos rodados não foi afetada pela variação da combinação marcha/rotação do motor
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Figura 2 - Efeito da rotação do motor e da marcha sobre a patinagem dos rodados motrizes em Figura 3 - Capacidade de campo efetiva para os tratamentos em função da rotação trator operando no preparo do solo com uma grade média. Médias seguidas de pelo menos uma do motor e da marcha mesma letra não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey, ao nível de 5% de probabilidade
(Anova) e as médias avaliadas pelo teste de Tukey, admitindo 5% de significância. O programa utilizado para as análises estatísticas foi o Saeg 9.0.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Uma síntese do quadro de análises de variância para as características avaliadas é apresentada na Tabela 1, na qual se observa que não foram registradas diferenças estatisticamente significativas para patinagem dos rodados motrizes do trator. Variação na marcha/rotação do motor empregada durante o preparo do solo com a grade média influenciou no rendimento do trator quanto aos consu-
mos horário e operacional do preparo do Latossolo Vermelho Amarelo estudado. Os baixos valores apresentados para o coeficiente de variação permitem inferir sobre a baixa variância e, consequentemente, sobre o elevado grau de precisão do experimento, para as variáveis consumo horário e consumo operacional. Estas variáveis podem ser classificadas, segundo Warrick e Nielsen (1980), como de baixa variação. Já a variável patinagem dos rodados motrizes do trator, com coeficiente de variação igual a 22,67%, pode ser classificada, segundo os mesmos autores, como de média variação, o que evidencia maior dispersão desta variável. Na Figura 2 pode-se observar o efeito
das várias combinações de marchas e rotação do motor sobre a variável patinagem dos rodados motrizes do trator. A menor velocidade 4km/h (1A x 1.550rpm) proporcionou o menor índice de patinagem e a maior velocidade 7km/h (6B x 1.950rpm) proporcionou o maior índice de patinagem. Mas não se observa uma tendência de que a patinagem aumenta com o aumento de velocidade, como já observado em outros trabalhos, relatados por Mialhe (1996), Lanças & Upadhyaya (1997), Gabriel Filho et al (2004), Monteiro (2008), Vale et al (2014). Os valores de patinagem estão abaixo da faixa ótima de patinagem estabelecida
Figura 4 - Efeito da rotação do motor e da marcha sobre o consumo horário em trator Figura 5 - Efeito da rotação do motor e da marcha sobre o consumo operacional em trator operando no preparo do solo com uma grade média. Médias seguidas de pelo menos uma operando no preparo do solo com uma grade média. Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey, ao nível de 5% de probabilidade mesma letra não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey, ao nível de 5% de probabilidade
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por Mialhe (1996) e pela Asae (1989). A norma Asae EP496.2 (2003) apresenta que os patinamentos para solos sem mobilização devem ficar entre 8% e 10%, para solos revolvidos entre 11% e 13% e em solos arenosos entre 14% e 16%. Com valores muito semelhantes, Corrêa (2003) afirma que em solo duro, a faixa ótima de patinagem fica entre 8% e 10%. Já solo firme e macio (já cultivado) varia de 10% a 13% e em solo arenoso ou solto varia de 13% a 16% para tratores 4 x 2. Na Figura 3 pode-se observar o efeito das várias combinações de marchas e rotação do motor sobre a capacidade de campo efetiva do conjunto trator-grade. A capacidade de campo efetiva é função direta da variação da velocidade de deslocamento. Assim, os tratamentos com velocidade menor apresentou menor capacidade de campo efetiva (Monteiro, 2008, Vale et al, 2014). O aumento da velocidade de deslocamento na operação de gradagem, de 4km/h para 7km/h, permitiu aumentar em 175,7% a capacidade de campo efetiva. Observou-se que os fatores marcha/ rotação do motor tiveram efeito sobre o consumo horário de combustível. Para o consumo horário a melhor combinação é a marcha 6B com 1.650rpm no motor. Já a pior combinação é a marcha 2A com 1.900rpm no motor. A diferença percentual é de 221,7% no aumento do consumo horário de combustível nestas condições (Figura 4). O consumo operacional de combustível na operação de gradagem é apresentado na Figura 5. Verificou-se que os fatores marcha/rotação do motor tiveram efeito sobre o consumo operacional de combustível. Para o consumo operacional a melhor combinação é a marcha 6B com 1.950rpm no motor. Já a pior combinação é a marcha 1A com 1.550rpm no motor. A diferença percentual é de 160,9% no aumento do consumo horário de combustível nestas condições. Segundo trabalho realizado por Furlani et al (2008) verificou que com o aumento da velocidade de 3,4km/h para 6km/h houve a redução do consumo de 5,8L/ ha para 3,9L/ha. E que o solo preparado
Tabela 1 - Resumo das análises de variância (Anova) para se avaliar o desempenho de um trator com uma grade média, no preparo de solo Quadrados Médios Fonte de Grau de Variação Liberdade Patinagem dos Rodados (%) Consumo Horário (L h-1) Consumo Operacional (L ha-1) Bloco 3 0,3996712ns 0,7217498ns 1,064750ns Marcha/Rotação 7 0,9246605ns 10,98940* 36,27760* Resíduo 21 1,362661 1,471993 1,759675 C.V. (%) 22,67 15,17 12,99 ** Significativo pelo teste F a nível 0,01 de probabilidade; ns Não significativo
com escarificador proporcionou maior concluir que a patinagem dos rodados consumo operacional em L/ha, quando não foi afetada pela variação da comcomparado ao solo preparado com arado binação marcha/rotação do motor. O mais grade, sendo esse maior valor atri- consumo horário de combustível foi buído à condição de solo irregular e com menor quando o trator foi operado na microrrelevos, diferentemente do prepa- marcha 6B a 1.650rpm e o consumo ro convencional, em que a operação de operacional de combustível foi menor gradagem após a aração permite melhor quando o trator foi operado na marcha .M consolidação do solo (Furlani et al, 2005). 6Ba a 1.950rpm. Segundo Amorim et al (2015), foi Pedro Henrique Vieira Turra, verificado que em solo preparado com Thiago Martins Machado arado seguido pela grade houve um Luis Henrique Metz aumento de cerca de 18% no consumo Erivelton Almeida Costa, operacional (L/ha), quando comparado UFMT a um solo que foi submetido ao processo Welington Gonzaga Vale, UFS de escarificação. Quadro 1 - Combinações de marchas e rotação do motor Furlani (2000) constatou que o consumo de combustível pode ser diretamente Velocidades (km/h) Marchas/Rotação do motor afetado pelo sistema de preparo do solo 4 km/h 1Ax1550rpm 5Bx1500rpm utilizado e, nesse sentido, avaliando uma 5 km/h 5Bx1950rpm 1Ax2000rpm semeadora de seis linhas para feijão, 6 km/h 6Bx1650rpm 2Ax1900rpm obteve maior consumo de combustível 7 km/h 2Ax2150rpm 6Bx1950rpm por área trabalhada em solo Quadro 2 - Características técnicas do trator e da grade escarificado, seguido pelo preparo convencional e plantio Trator direto, com valores de 9,3L/ Motor MWM Diesel há, 7,6L/ha e 7,1 L/ha, respec- Número de cilindros 4 tivamente. 77,2 kW (105 cv) Potência máxima no motor a 2.300rpm Esta forma de operação Torque máximo no motor a 1.500rpm 38 kgf.m (373 N.m) com a qual se procura au- Capacidade tanque de combustível 94L mentar a capacidade opera- Rodados dianteiros 14.9 – 24 R1 cional e reduzir o consumo Rodados traseiros 18.4 – 34” R1 de combustível, através da 1.655mm / 2.165mm Bitola dianteira (mín/máx) redução da rotação do motor 1.430mm / 1.850mm Bitola traseira (mín/máx) e da troca de marchas, é vista Grade como muito vantajosa dentro 1.750mm das operações agrícolas, isso Largura de corte 28” Diâmetro dos discos porque ao final das operações 14 Número de discos minimizam-se os custos e 270mm aumenta-se a eficiência de Espaçamento entre discos Barra de tração Acoplamento ao trator trabalho no campo. 51-58kW (70-80cv) Potência requerida no motor Centralizada ou deslocada Funcionamento CONCLUSÃO Rodado simples Após coletar e analisar Tipo de rodado 1.600kg todos os dados, foi possível Massa Outubro 2017 • www.revistacultivar.com.br
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CAPA
Na ponta do lápis John Deere
Comparativo entre colhedoras com sistema de trilhas tangenciais e axiais mostra que as máquinas de menor tecnologia podem dar conta do recado e também gerar redução de custos na hora da colheita, sendo mais vantajosas em vários cenários avaliados
A
colheita é uma operação agrícola que deve ser considerada de extrema importância, pois é a última
operação realizada no campo no processo de produção agrícola. É através dela que se expressa o resultado econômico da condução
A escolha correta do tipo da máquina, quanto a tamanho e capacidade de colheita, é fundamental, pois a colhedora representa uma grande parcela dos custos
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e do manejo da lavoura. O produtor precisa planejar todas as fases, de forma a integrar a colheita ao sistema de produção, buscando assegurar a produtividade da lavoura e a qualidade final do grão. Na maioria das vezes, cuidados simples como manutenções periódicas e treinamentos dos operadores podem reduzir, consideravelmente, o volume de grãos que ficam nas lavouras a cada safra. A escolha correta do tipo da máquina, quanto a tamanho e capacidade de colheita, é fundamental, pois a colhedora representa uma grande parcela dos custos de mecanização na produção de uma cultura. Quando a escolha é errônea, acarreta perdas consideráveis, diminuindo a produtividade e o lucro dos produtores. É senso comum que, para áreas extensas de lavoura, compensa a aquisição de colhedoras maiores que, embora inicialmente mais caras, possuem capacidade de colheita maior e, portanto, apresentarão o menor custo de colheita. O mercado de colhedoras oferece máquinas com sistema de trilha por alimentação tangencial e alimentação axial, com capacidades e preços diferentes. É, portanto, importante conhecer a capacidade operacional
Fotos Charles Echer
da máquina no campo e suas vantagens econômicas para o produtor, possibilitando a operação de colheita no prazo ótimo e sem maiores prejuízos.
COLHEDORAS TANGENCIAIS E AXIAIS
No sistema de alimentação tangencial a massa a ser colhida tangencia o cilindro de trilha, que é montado transversalmente na máquina e depois é separada por separadores por gravidade, denominados saca-palhas. Os componentes de debulha e separação são dispostos transversalmente ao corpo da máquina, daí sua classificação como sistema de debulha por alimentação tangencial. As colhedoras axiais são máquinas nas quais o material a ser debulhado segue um fluxo ao longo de um ou dois rotores dispostos axialmente, ou seja, ao longo do eixo longitudinal da máquina. A entrada do material é feita por um helicóide (rosca) que recebe o material diretamente do elevador de palhas da máquina. Por conta desse arranjo mecânico o sistema de trilha é denominado debulha por alimentação axial. Segundo estudos, colhedoras com sistema de trilha axial mostraram níveis de danos mecânicos e de grãos quebrados significa-
É importante conhecer a capacidade operacional da máquina no campo e suas vantagens econômicas para o produtor
tivamente menores do que nas tangenciais. Na colheita de feijão e sementes estas máquinas são bastante requisitadas.
CUSTOS DA OPERAÇÃO DE COLHEITA
Os custos da operação de colheita envolvem os custos diretos, relativos às despesas de propriedade e utilização da máquina, e os custos indiretos. As despesas de propriedade, frequentemente denominadas de custos fixos, independem do uso; ocorrem pela simples posse do equipamento.
Incluem as despesas de depreciação, juros, alojamento e seguro. Já os custos de utilização, também chamados de custos variáveis, decorrem da quantidade de uso da máquina. São contabilizados os gastos com reparo e manutenção, mão de obra do operador, combustível e lubrificantes. Além dos custos diretos, isto é, que decorrem da posse e utilização da máquina, nos custos de operação podem incluir, ainda, os custos indiretos decorrentes da pontualidade da operação agrícola. Denomina-se pontualidade a con-
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Case IH
A indagação a respeito do tamanho adequado de máquina para executar uma operação agrícola particular é de difícil resposta
clusão de uma operação agrícola no prazo agronomicamente ótimo (também denominado janela agronômica), e as perdas que ocorrem pela falta de pontualidade na operação são denominadas custos de pontualidade ou de oportunidade. A indagação a respeito do tamanho de máquina adequado para executar uma operação agrícola particular é de difícil resposta. Sucede que os custos da maquinaria não dependem de uma só máquina ou operação, mas de um conjunto de máquinas composto por tratores e unidades autopropelidas que executam várias operações, na maioria das vezes em sistemas de produção policulturais. E, ainda, o desempenho de uma máquina pode ser afetado pelo desempenho de outra. Alguns custos da maquinaria, embora reconhecidos, não podem ser facilmente calculados. É o caso, por exemplo, do custo da pontualidade (de oportunidade) resultante do dimensionamento Outubro 2017 • www.revistacultivar.com.br
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inadequado do equipamento para a execução de uma operação no prazo agronomicamente ótimo. Estimativas de rendimento das lavouras, relacionadas aos custos da maquinaria, são ainda dificultadas pelas condições agronômicas e climáticas, sobretudo que introduzem a incerteza na administração do sistema mecanizado. Devido ao risco climático e de quebra de máquinas, no planejamento tradicional a seleção do equipamento objetiva concluir a
operação no menor prazo possível, de modo a evitar perdas por atraso. Todavia, isso pode exigir um grande número de equipamentos, o que resulta na elevação dos custos fixos. Por outro lado, uma quantidade pequena pode ser incapaz de concluir a operação no prazo agronomicamente ótimo, resultando em perdas quantitativas e qualitativas da safra. Estudos realizados comprovam que áreas cultivadas com variedades tolerantes ao atraso apresentam custo de colheita menor, porque, sendo menores as perdas, a demanda de colhedoras é menor. Por outro lado, áreas cultivadas com variedades pouco tolerantes ao atraso possuem custo de colheita maior, porque para reduzir as perdas potencialmente maiores com atrasos, a demanda de colhedoras aumenta. Em ambos os casos, porém, o custo da operação pode ser reduzido com a colheita escalonada mediante a semeadura em talhões e o uso de cultivares de ciclos diferentes.
SELEÇÃO DAS COLHEDORAS
Para avaliar estes custos, foi realizado um estudo utilizando duas colhedoras tangenciais e três axiais, variando a potência do motor e as dimensões, que resultam em diferentes capacidades de
Gráfico 1 - Custo unitário total do serviço mecanizado das colhedoras - Cenário Soja + Trigo
campo. É interessante considerar que as colhedoras tangenciais começaram a ser fabricadas há 20 anos para atender o mercado interno, seu preço é comparativamente menor e sua tecnologia é bem dominada pelos agricultores. As características técnicas e comerciais mais relevantes destas colhedoras se encontram na Tabela 1. As colhedoras axiais possuem preços comparativamente maiores, e sua tecnologia está em fase de difusão entre os agricultores. As características técnicas e comerciais mais relevantes destas colhedoras se encontram na Tabela 2.
CENÁRIOS DA COLHEITA MECANIZADA
Foram utilizadas para o trabalho três culturas principais mecanizadas do estado do Paraná: soja, milho e trigo, em duas composições: a) soja e trigo e, b) milho e trigo. Embora haja pequenas variações nas janelas, dependendo da região agrícola do Estado, a colheita de milho geralmente tem início na primeira quinzena de fevereiro e se prolonga até meados de abril; a colheita da soja se inicia na primeira semana de março e geralmente se encerra na primeira quinzena de abril. Desta
Charles Echer
Gráfico 2 - Custo unitário total do serviço mecanizado das colhedoras - Cenário Milho + Trigo
maneira, havendo interferência das épocas de colheita de soja e milho, preferiu-se considerar separadamente, ou seja, a máquina que colhe milho, não colhe soja. Já a colheita do trigo tem início na primeira semana de outubro e é finalizada na primeira quinzena de novembro para dar lugar à semeadura da soja. Não havendo interferência das épocas, a máquina que colhe soja ou milho também pode colher trigo. As áreas para as culturas variaram de 100ha a 1.600ha, com escala de 100ha, totalizando 200ha a 3.200ha para cada composição.
CUSTO UNITÁRIO TOTAL
O custo unitário do serviço expressa o custo por unidade de área colhida de uma cultura com um determinado conjunto de colhedoras, e a base para o seu cálculo é o custo horário de propriedade e utilização da máquina. Este, por sua vez, depende do tempo médio de uso anual das máquinas que compõem a frota. É, pois, o custo direto da operação por unidade de área colhida. No presente trabalho não foram considerados os custos indiretos, ou seja, aqueles que decorrem da falta de pontualidade na operação, pelo simples fato que não se dispõe de dados relativos às perdas por atraso na operação paras as culturas consideradas neste trabalho. Ademais, não fez parte dos objetivos deste trabalho levantar tais informações.
CUSTO HORÁRIO DE PROPRIEDADE
Para o cálculo dos custos de propriedade e dos custos utilização das máquinas examinadas foram fixados parâmetros econômicos comuns. O tempo de vida útil é de dez anos, ou um horizonte
Os custos da maquinaria não dependem de uma só máquina ou operação, mas de um conjunto de máquinas composto por tratores e unidades
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Tabela 1 - Caracterização técnica das colhedoras tangenciais Modelo Classe Potência motora (kW/CV) Preço do equipamento com plataforma convencional Preço do equipamento com plataforma de milho Valor residual estimado após 10 anos (%) Transmissão Largura da plataforma convencional (m) Largura da plataforma de milho (m)
TANGENCIAL 1 IV 161,8/220 R$ 473.565,46 R$ 574.118,77 35,00% Hidro, 3 velocidades 6,1 (20’) 4,5 (9 linhas)
TANGENCIAL 2 V 196/266 R$ 580.212,91 R$ 703.111,40 35,00% Hidro, 3 velocidades 7,6 (25’) 5,5 (11 linhas)
Tabela 2 - Caracterização técnica das colhedoras axiais Modelo Classe Potência motora (kW/CV) Preço do equipamento com a plataforma convencional (20’) Preço do equipamento com a plataforma de milho (12 linhas) Valor residual estimado após 10 anos (%) Transmissão Largura da plataforma convencional (m) Largura da plataforma de milho (m)
AXIAL 2 AXIAL 3 AXIAL 1 VI VII V 230/312,7 278/378 200/271 R$ 736.375,24 R$ 869.684,55 R$ 1.028.386,12 R$ 870.446,32 R$ 1.014.928,22 R$ 1.195.974,96 35% 35,00% 35% Hidro, 3 velocidades Hidro, 4 velocidades Hidro, 4 velocidades 7,6 (25’) 9,1 (30’) 6,1 (20’) 6,0 (12 linhas) 6,5 (13 linhas) 7,5 (15 linhas)
Tabela 3 - Parâmetros econômicos
mensal de registro utilizado foi de R$ 1.500,00, acrescidos de encargos sobre folha da ordem de 98%. O preço do litro de diesel utilizado foi de R$ 2,89 e serve de base para o cálculo do custo do consumo de combustível e lubrificantes. A Tabela 3 resume os parâmetros econômicos adotados. É importante ressaltar que o valor inicial do investimento é diferente para cada colhedora em função das características técnicas e da plataforma que se utiliza, cujos valores apurados se encontram na Tabela 1 e na Tabela 2.
PARÂMETRO UNIDADE VALOR 35 Valor residual (Vr) % Vi 10 Tempo de vida útil (n) Anos 10 Taxa de juros (i) % aa 2,5 Seguro (is) % aa 1,0 Alojamento (ia) % aa 40 Fator de reparos e manutenção (FRM) % Vi Salário mensal (SM) R$ 1.500,00 1,98 Encargos sobre salário (E) % 2,89 Preço do Diesel (PD) Litro 4,5 PD Preço de lubrificantes (PL) Litro
de três mil horas, conforme preconiza, segundo a Asabe (2003). Para remuneração do capital foi utilizada taxa de juros de 10% ao ano, compatível com o praticado no mercado. A taxa de alojamento utilizada foi de 1% e o prêmio de seguro equivalente a 2,5% ao ano sobre o capital, usualmente utilizado em estimativas dessa natureza. Para estimar os custos de reparo de manutenção foi utilizado o fator equivalente a 40% do valor inicial do equipamento ao longo da vida útil da máquina, preconizado pela Asabe (2003). O salário Outubro 2017 • www.revistacultivar.com.br
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Para o cálculo do custo horário de propriedade da máquina, isto é, o comprometimento de depreciação, juros, alojamento e seguro por hora de operação da máquina, é necessário calcular o tempo médio de uso anual do equipamento, cuja metodologia de cálculo usada foi a estabelecida por Asabe (2003). É importante observar que a quantidade de máquinas (ou conjuntos mecanizados) varia conforme a cultura, tendo em vista que a capacidade de campo operacional e os prazos respectivos também são diferentes. Os custos de máquina relativos à utilização envolvem as rubricas de mão de obra, consumo de combustível, lubrificantes e reparo e manutenção, cuja metodologia de cálculo usada foi a estabelecida por Asabe (2003). Por fim, o custo unitário total é a soma dos custos unitários calculados para cada área de lavoura colhida com determinada máquina. Desta forma, as colhedoras examinadas produzem um custo unitário total do serviço mecanizado específico para cada cenário proposto, de modo que a comparação entre elas permite identificar em que cenários apresentam os menores custos, expressando sua capacidade ótima. A metodologia proposta foi desenvolvida na Planilha Eletrônica Microsoft Excel, e permite traba-
Fotos Charles Echer
lhar com cenários envolvendo mais de duas culturas para um modelo de colhedora selecionado.
QUAL COLHEDORA É A MAIS VANTAJOSA?
É necessário verificar qual colhedora oferece menor custo unitário total do serviço mecanizado, e para quais cenários de colheita.
CENÁRIO SOJA + TRIGO
A colhedora Tangencial 2 foi a que apresentou menor custo unitário do serviço mecanizado para a maioria das áreas, 800ha, 1.600ha a 1.800ha e 2.200ha a 3.200ha. O modelo Tangencial 1 apresentou menor custo unitário de serviço para as demais áreas, que não foram mais econômicas para a Tangencial 2, ou seja, áreas de 200ha a 600ha, 1.000ha a 1.400ha e 2.000ha, como pode ser observado na Tabela 4. Portanto, as colhedoras tangenciais apresentaram menor custo unitário do serviço mecanizado do que as colhedoras axiais, que te o r i c a m e n te p o s s u e m m a i o r capacidade operacional, ou seja, sua tendência é de colher mais em menor tempo. Os resultados observados pelo Gráfico 1 demonstram que apesar da maior capacidade operacional das axiais, e pelo menor número de máquinas necessárias para realizar a colheita, seu custo unitário
Estimativas de rendimento das lavouras, relacionadas aos custos da maquinaria, são ainda dificultadas pelas condições agronômicas e climáticas
do serviço mecanizado é maior, em nenhuma das áreas o custo destas colhedoras foi o mais vantajoso. Isto é justificado pelo maior preço inicial destas máquinas e porque em áreas próximas de até 3.200ha as colhedoras tangenciais são capazes de concluir a colheita no prazo agronômico da soja e do trigo, e são de menor preço inicial, tornando o uso das colhedoras axiais desvantajoso.
CENÁRIO MILHO + TRIGO
Neste caso, a Tangencial 2 tam-
bém foi a que apresentou menor custo unitário do serviço mecanizado para a maioria das áreas, 800ha, 2.200ha a 3.200ha, seguida da Tangencial 1 com menor custo nas áreas de 200ha a 600ha e 1.600ha a 2.000ha. Neste cenário a colhedora Axial 3 apresentou menor custo unitário de serviço mecanizado para as áreas de 1.000ha a 1.400ha, entretanto a diferença de preço foi mínima com relação à Tangencial 2 e à Tangencial 1 nestas áreas, conforme a Tabela 5. Os resultados demonstrados pelo Gráfico 2 podem ser justifica-
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Massey Ferguson
A série CR foi desenvolvida pensando em elevados rendimentos de colheita e possui sistema axial com rotores duplos
dos pelo fato da Axial 3 apresentar a maior capacidade operacional de todas as máquinas, principalmente para milho e trigo, o que resulta em menor número de máquinas a ser utilizado; nas áreas de 1.000ha a 1.400ha são necessárias apenas duas Axiais 3 e, no caso da Tangencial 1 e da Tangencial 2 é preciso três e quatro máquinas, respectivamente, por isso a Axial 3 se destacou em alguns pontos do gráfico como sendo a máquina economicamente mais vantajosa. Entretanto, como a diferença de custo entre a Axial 3 e a Tangencial 2 e Tangencial 1 é mínima, não haveria problema em utilizar as Tangenciais para realizar a colheita ao invés das Axiais. Avaliar a capacidade ótima das colhedoras, para diferentes cenários de cultura, é o segundo passo para decidir qual máquina adquirir.
CAPACIDADE ÓTIMA DAS MÁQUINAS
CENÁRIO SOJA + TRIGO
A colhedora Tangencial 1 demonstrou sua capacidade ótima nas áreas até 600ha, a Tangencial Outubro 2017 • www.revistacultivar.com.br
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Case IH
A quantidade de máquinas varia conforme a cultura, tendo em vista que a capacidade de campo operacional e os prazos respectivos também são diferentes
2 expressou sua capacidade ótima até 800ha. Quanto às colhedoras axiais, a Axial 1 teve sua capacidade ótima até 600ha, a Axial 2 até
800ha e a Axial 3 expressou em 1.200ha a sua capacidade ótima. Sendo assim, para o cenário soja e trigo, as colhedoras Tangencial 1 e Axial 1 possuem a mesma capacidade ótima, e as colhedoras Tangencial 2 e Axial 2 também possuem a mesma capacidade ótima. Embora possuam a mesma capacidade, o custo unitário do serviço mecanizado destas máquinas não é o mesmo, isto é justificado pela diferença no custo inicial de aquisição destas colhedoras. A Axial 3 se destacou com maior capacidade ótima, pois possui o maior tamanho, entretanto o custo unitário desta colhedora é o maior.
CENÁRIO MILHO + TRIGO
A capacidade ótima da colhedora Tangencial 1 se demonstrou na área de 600ha. A Tangencial 2 tem sua capacidade ótima na
área de 800ha. A colhedora Axial 3 expressou sua capacidade ótima em 1.400ha. Embora as colhedoras Tangencial 2, Axial 1 e Axial 2 possuam a mesma capacidade ótima, o custo unitário do serviço mecanizado destas máquinas não é o mesmo. Portanto, nas áreas de 1.000ha a 1.400ha é mais barato realizar a colheita com uma Axial 3 do que com duas Tangencial 1 ou duas Tangenciais 2, apesar do alto preço inicial da Axial 3. Da mesma forma, a Tangencial 2 é mais vantajosa que a Tangencial 1 nas áreas de 800ha e de 2.200ha a 3.200ha porque necessita de um menor número de máquinas do que se a colheita fosse realizada com a Tangencial 1.
TANGENCIAL OU AXIAL?
Charles Echer
Embora algumas colhedoras tenham demonstrado a mesma ca-
Tabela 4 - Custo unitário total do serviço mecanizado Cenário Soja + Trigo SOJA + TRIGO ÁREA TOTAL (ha) 200 400 600 800 1.000 1.200 1.400 1.600 1.800 2.000 2.200 2.400 2.600 2.800 3.000 3.200
Tangencial 1 NC2 (R$.ha-1) 1 985,90 1 569,68 1 430,93 2 569,68 2 486,44 2 430,93 2 391,30 3 465,62 3 430,93 3 403,19 4 456,17 4 430,93 4 409,60 4 391,30 5 430,93 5 413,60
CUSTO UNITÁRIO TOTAL (R$.ha-1) Tangencial 2 Axial 1 Axial 2 Axial 3 NC2 (R$.ha-1) NC2 (R$.ha-1) NC2 (R$.ha-1) NC2 (R$.ha-1) 1 1.133,88 1 1.466,05 1 1.678,47 1 1.937,10 1 623,92 1 818,71 1 914,08 1 1.033,23 1 453,94 1 603,15 1 659,29 1 731,94 1 368,94 2 818,71 1 531,89 1 581,30 2 521,93 2 689,40 2 761,21 1 490,91 2 453,94 2 603,15 2 659,29 1 430,65 2 405,37 2 541,43 2 586,49 2 645,86 2 368,94 3 657,00 2 531,89 2 581,30 2 340,61 3 603,15 2 489,42 2 531,08 3 419,94 3 559,95 3 608,33 2 490,91 3 392,12 4 642,36 3 566,64 2 458,04 3 368,94 4 603,15 3 531,89 2 430,65 3 349,33 4 569,86 3 502,49 2 407,47 3 332,52 4 541,43 3 477,29 2 387,61 4 385,94 5 603,15 4 557,37 3 490,91 4 368,94 5 576,15 4 531,89 3 468,31
Tabela 5 - Custo unitário total do serviço mecanizado Cenário Milho + Trigo MILHO + TRIGO ÁREA TOTAL (ha) 200 400 600 800 1.000 1.200 1.400 1.600 1.800 2.000 2.200 2.400 2.600 2.800 3.000 3.200
Tangencial 1 NC2 (R$.ha-1) 1 1.241,26 1 686,13 1 568,46 2 736,67 2 635,74 2 568,46 2 520,39 3 610,50 3 568,46 3 534,82 4 599,04 4 568,46 4 542,57 4 520,39 5 568,46 5 547,44
CUSTO UNITÁRIO TOTAL (R$.ha-1) Tangencial 2 Axial 1 Axial 2 Axial 3 NC2 (R$.ha-1) NC2 (R$.ha-1) NC2 (R$.ha-1) NC2 (R$.ha-1) 1 1.404,21 1 1.741,96 1 1.971,69 1 2.266,43 1 786,23 1 977,03 1 1.079,65 1 1.215,26 1 580,24 1 721,91 1 782,31 1 864,87 1 477,23 2 594,37 1 633,63 1 689,67 2 662,63 2 823,85 2 901,25 1 584,55 2 580,24 2 721,91 2 782,31 1 514,48 2 521,37 2 649,07 2 697,35 2 464,42 2 631,73 3 785,63 2 856,64 2 689,67 2 580,24 3 721,91 2 782,31 2 631,27 3 539,04 3 670,93 3 722,83 2 584,55 3 505,33 4 768,24 3 674,17 2 546,33 3 477,23 4 721,91 3 633,63 2 514,48 3 453,47 4 682,69 3 599,32 2 487,52 3 433,09 4 649,07 3 569,91 2 464,42 4 497,84 5 721,91 4 663,37 3 584,55 4 477,23 5 690,04 4 633,63 3 558,27
pacidade ótima, o custo unitário do serviço mecanizado foi diferente entre as máquinas, portanto nem sempre para áreas grandes a maior máquina é a economicamente mais vantajosa. Portanto, as colhedoras tangenciais mostraram-se máquinas economicamente mais vantajosas para
os cenários soja e trigo, e milho e trigo, nas áreas de 200ha a 3.200ha .M no estado do Paraná. Maíra Laskoski, Iackson de Oliveira Borges, Samir Paulo Jasper, Camila Weber Languinotti e Thiago da Silva Xavier, UFPR
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TRATORES
Frota renovada
Os tratores representam mais de 80% do total das vendas internas de máquinas agrícolas e rodoviárias no Brasil. Graças a fatores como linhas de crédito acessíveis, capitalização dos produtores e vasta gama de produtos, o Brasil possui atualmente a frota de tratores mais jovem de sua história
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O
Brasil figura como um dos maiores produtores mundiais de grãos, sendo o agronegócio a base do seu desenvolvimento econômico e social. Na década de 1960, a produção de soja era realizada apenas em pequenas propriedades no Sul do País, porém, muitas mudanças ocorreram ao longo dos anos, principalmente a respeito da forma de produzir. Até a década de 1960, o mercado de máquinas agrícolas no País era atendido por importações. Devido à dificuldade em obter peças de reposição e assistência técnica, a indústria local foi fomentada. A partir disso, o desenvolvimento tecnológico das máquinas agrícolas acompanhou os níveis do avanço industrial. Neste contexto, houve a busca pela redução de custos, e a concorrência entre os fabricantes foi evidente, na procura por adaptar seus produtos às necessidades da agricultura. Isto fez com que a dependência por máquinas e equipamentos fosse cada vez maior, visto que o principal benefício da mecanização é o aumento do rendimento operacional. Com a produção agrícola brasileira em processo de otimização, houve a expansão da área cultivada, o aumento no tamanho das propriedades e o crescente uso de novas tecnologias e práticas de cultivo, em conjunto com a introdução da agricultura de precisão na década de 2000. Assim, tratores mais potentes passaram a realizar as atividades operacionais com maior eficiência, sendo este um requisito vital para a agricultura em grandes áreas, tendo em vista, ainda, a tendência atual de redução do número de trabalhadores rurais. Dessa forma, a mecanização, a maior potência e a automatização das máquinas tornaram-se realidades de mercado pela busca de gestão e otimização dos recursos. Com o aumento da escala de produção e a abertura de novas fronteiras agrícolas, o agricultor passou a ter uma nova percepção sobre o campo e os tratamentos agronômicos. Por consequência, demandou a renovação da frota de tratores, para que se faça
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Figura 1 – Composição percentual da frota de tratores por faixas de tempo de uso no primeiro semestre de 2017
A mecanização, a maior potência e a automatização tornaramse realidades de mercado pela busca de gestão e otimização
possível atender às exigências de alto rendimento operacional. A frota de tratores no Brasil vem se renovando ao longo dos anos. Na década de 1970 ocorreu a expansão da agricultura e o fomento da produção nacional e da aquisição de máquinas agrícolas. Enquanto que no início dos anos 1980, apesar da frota continuar crescente, houve uma desaceleração nas vendas, como resultado principal da inflação elevada e da redução na disponibilidade de crédito agrícola. O período entre os anos 1990 até meados de 2000 apresentou menor crescimento de vendas e, consequentemente, uma menor renovação da frota, o que contribuiu para o envelhecimento do maquinário. Este fato refletiu-se em custos elevados na manutenção e em depreciação, em virtude do prolongamento de tempo hora-máquina trabalhada, reduzindo a cada safra a margem de lucro do produtor. Nos últimos anos, a frota nacional de tratores, que estava “sucateada”, começou a ser renovada e ampliada. Os principais fatores que impulsionaram esta renovação foram: a maior capitalização dos produtores, o contínuo incentivo na expansão de cultivo e as políticas de crédito facilitado. A implementação dos programas Moderfrota e Mais Alimentos contribuiu para que no primeiro semestre do ano de 2017,
o Brasil apresentasse a composição percentual de tratores com o menor tempo de uso dos últimos 30 anos. Neste cenário, levando em consideração os dados anuais das vendas dos tratores de rodas, divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), até julho de 2017, mais da metade da frota nacional de tratores apresenta até dez anos de uso, conforme Figura 1. O benefício de possuir uma frota com menor tempo de uso, além da compatibilidade com as novas tecnologias, está relacionado ao custo operacional. Esse diz respeito diretamente ao uso da máquina agrícola, ou seja, os gastos com combustíveis, manutenção, salários e lubrificantes. Assim, a renovação do maquinário se reflete em menor tempo de paradas durante a operação, menores índices de reparos, manutenções preventivas mais rápidas e eficientes,
A renovação se reflete em menor tempo de paradas durante a operação
manutenções corretivas menos onerosas, além do menor consumo de combustível. A soma desses aspectos resulta na maior eficiência operacional, no aumento de precisão na operação e consequentemente no melhor rendimento da máquina por hectare. Como forte tendência na atividade agrícola, as tecnologias estão cada vez mais presentes no campo. Atualmente, pesquisas com tratores autônomos já estão em estágio de testes em campo, bem próximos de operar nas propriedades, e a agricultura vem se tornando cada vez mais conectada e remota. A atividade passa a contar com sistemas de controle de desempenho das máquinas em tempo real, com geração e análise de dados simultâneos ao trabalho no campo. Desta forma, com a frota de tratores mais nova dos últimos 30 anos, o Brasil se fortalece cada vez mais no agronegócio. Independentemente de se tratar de grandes ou de pequenos produtores, a certeza é de que há uma máquina com a configuração ideal para cada demanda, capaz de atender e, até mesmo, superar .M as expectativas. Sabrina Dalla Corte Bellochio, Francieli de Vargas, Gessieli Possebom, Tiago Gonçalves Lopes e Airton dos Santos Alonço, Nema/CCR - UFSM
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PULVERIZADORES
Pulverização padrão Conhecer as características de diferentes pontas de pulverização é fundamental para garantir uma aplicação uniforme e sem desperdícios
Divulgação
A
falta de conhecimento técnico sobre pontas hidráulicas pode acarretar sérios problemas para aplicações de defensivos agrícolas, podendo comprometer a eficiência do produto, gerar gastos desnecessários e prejudicar o ambiente. Um trabalho realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa e da Universidade Associadas de Uberaba avaliou características técnicas de pontas hidráulicas comumente utilizadas em pulverizações. Foram submetidas pontas 110-02 jato simples, jato simples com indução de ar e jato duplo com indução de ar. Foram realizadas avaliações de similaridade da vazão, perfil de distribuição volumétrico individual e conjunto e simetria do jato, nas pressões de 2bar, 3bar, 4bar e 5bar e
Mesa coletora, espaçada em 5cm entre canaletas e 50cm entre pontas
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alturas de 35cm, 45cm e 55cm do alvo. O trabalho foi realizado no Laboratório de Mecanização Agrícola da Universidade Federal de Viçosa – Campus Rio Paranaíba. Utilizou-se uma mesa coletora, contendo 50 canaletas distanciadas de 5cm entre si e espaçamento entre pontas de 50cm (Figura 1). Para o ensaio a água foi pressurizada por meio de bomba centrífuga, com monitoramento da pressão do sistema com manômetro previamente calibrado. O objetivo principal do trabalho foi avaliar as características técnicas de pontas hidráulicas do tipo leque. As pontas avaliadas foram: 110-02 (jato simples), 110-02 (jato simples com indução de ar) e 110-02 (jato duplo com indução de ar) (Figura 1). Como resultados, para a similaridade de vazão dos bicos, todas as pontas apresentaram vazões maiores que a especificada pelo fabricante na pressão nominal (3bar). Porém, essas mesmas pontas apresentaram coeficientes de variações menores que 2%, o que é considerado baixo para valores de vazão.
Figura 1 - Pontas utilizadas no trabalho comparativo: 110-02 jato simples; 110-02 jato simples com indução de ar e 110-02 jato duplo com indução de ar
DESEMPENHO
O perfil de distribuição volumétrico individual da ponta jato duplo/ indução apresentou pior distribuição ao longo da bancada. Para o perfil de distribuição volumétrica do conjunto, as pontas simples/indução proporcionaram pior distribuição na pressão de 2bar e a ponta simples não apresentou diferença entre alturas. O ângulo de 110° do jato das pontas, operando na pressão nominal de trabalho (3bar), foi obtido nas pressões 4bar e 5bar. Não houve diferença entre as médias dos ângulos do lado direito e do esquerdo. Foram verificadas maiores diferenças entre os dois lados do jato traseiro da ponta 110-02 jato duplo/indução em relação ao jato dianteiro. De modo geral, todas as pontas utilizadas no trabalho proporcionaram condições satisfatórias para aplicação de defensivos. O ideal para a distribuição individual é que as pontas apresentem padrão suave,
Figura 2 - Perfil de Distribuição Volumétrico Individual (%) da ponta 110-02 jato duplo Figura 3 - Perfil de Distribuição Volumétrica do Conjunto de Bicos (%) da ponta 110-02 com indução de ar em diferentes alturas jato simples com indução de ar em diferentes alturas na pressão de 2bar
CONDIÇÕES SATISFATÓRIAS
De acordo com o Comitê Europeu
de Normalização, o coeficiente de variação máximo admitido é de 7% para a altura de barra e pressão indicada pelo fabricante, e 9% para as demais alturas e pressões. Todas as pontas utilizadas no trabalho apresentaram condições satisfatórias para a realização de pulverizações de ótima qualidade. A ponta 110-02 jato simples com indução foi a que proporcionou maior coeficiente de variação (2%), porém proporcionando ótima distribuição do líquido na bancada (Figura 3).
CONCLUSÃO
Os pesquisadores chegaram à conclusão de que a uniformidade de distribuição das pontas avaliadas foi influenciada pela vazão nominal, pela pressão de trabalho e pela altura da
barra. O aumento da pressão utilizada na barra de pulverização promoveu o aumento do perfil de pulverização, garantindo melhor uniformidade de distribuição, concluindo que todas as pontas utilizadas no trabalho proporcionaram condições satisfatórias para .M aplicação de defensivos.
Humberto Borges Bizinoto, Renato Adriane Alves Ruas e Lucas Rafael de Rezende Ribeiro, UFV Lucas Jorge Miziara Oliveira, Fazu
Divulgação
sem picos: deposição máxima no centro, laterais simétricos e rampas com inclinação constante. Em geral, todas as pontas proporcionaram perfis de distribuição triangular e simétrico, o que garante boa sobreposição dos jatos de pulverização e consequentemente boa uniformidade de distribuição do conjunto. A ponta 110-02 jato duplo com indução à pressão de 5bar foi a única que apresentou desuniformidade da característica de distribuição individual ideal (Figura 2).
Autor fala das características das diferentes pontas de pulverização
Jacto
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PULVERIZADORES
Soma de erros
Estudo sobre erros de diluição e de taxa de aplicação de defensivos na cultura da videira mostra a grande diferença que existe entre os índices ideais e as ações praticadas pelos operadores de atomizadores
Otavio Dias da Costa Machado
A
s pragas e doenças da videira, como em outras culturas, podem causar perdas importantes e as suas ocorrências podem variar pela presença dos agentes causais, pela suscetibilidade das plantas e pelas condições favoráveis de cada região. No Brasil, as principais regiões produtoras de uvas são Sul, Sudeste e Nordeste, com destaque para os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Pernambuco. Nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, precipitações pluviométricas propiciam a ocorrência severa de doenças de importância para a cultura, como o míldio e as podridões do cacho. O uso de pulverizadores agrícolas mal regulados, com pontas inadequadas ou desgastadas, e de doses
excessivas de defensivos contribui para a ineficiência das aplicações e contaminação ambiental. Na videira vem sendo observada a perda de eficácia nas aplicações ou o fracasso do tratamento com sobre ou subdosagens, pois em grande parte dos casos, pouca importância é dada à tecnologia de aplicação. Além dos equipamentos utilizados, outros pontos importantes são a escolha do produto e sua dose, a tecnologia adotada e a qualidade dos procedimentos. Em uvas viníferas no Rio Grande do Sul, em média, são realizadas 14 pulverizações com fungicidas ao longo de um ciclo, das quais, aproximadamente 70% são para o controle do míldio (Freire et al, 1992; Mendes, 2002). No estado de São Paulo, a aplicação de fungicidas pode variar
PESQUISA COM PRODUTORES
A avaliação de pulverizadores hidropneumáticos consistiu em verificar erros de diluição teórica de produtos, erros na taxa de aplicação e erros na dose real aplicada
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de 35 a 70 aplicações durante um ciclo, conforme a suscetibilidade das cultivares (Naves et al, 2006). Os estudos de avaliação de pulverizadores que vêm sendo realizados pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul/Campus Bento Gonçalves – IFRS/BG têm diagnosticado erros no tratamento da videira na região da Serra gaúcha, adicionando algumas novas avaliações em relação aos trabalhos anteriores. Esses novos resultados se somam aos já recorrentes erros observados de taxa de aplicação, que impactam na diluição do produto na cultura, descrevendo novas classes de erros. Portanto, as atividades empreendidas objetivaram avaliar pulverizadores hidropneumáticos utilizados em videiras e verificar erros de diluição teórica de produtos, erros na taxa de aplicação e erros na dose real aplicada. Um grupo de pesquisadores desenvolveu estudo em sete propriedades agrícolas com produção de videira na Serra gaúcha. Parte do trabalho foi entrevistar produtores para coletar informações como: município, cultivares de videira e áreas, área de outras frutíferas, área total cultivada, dose declarada de defensivo (DD), volume do tanque (VT) e taxa de aplicação pretendida (TAP). A DD consistiu da resposta pelo produtor ao questionamento de qual o volume de um produto hipotético seria diluído em um tanque de calda no equipamento utilizado por ele, sendo fornecido o parâmetro de 3,5L/ha,
Charles Echer
Tabela 2 - Volume de tanque (VT), Taxa de aplicação pretendida (TAP), Taxa de aplicação real (TAR), Dose declarada (DD), Dose ideal pretendida (DIP) e Dose ideal (DI) avaliados em sete propriedades de produção de videira na Serra gaúcha Tabela 1 - Lista de fórmulas utilizadas nos cálculos Variáveis Fórmula* Dose Ideal Pretendida (DIP) DIP = (VT x 3,5)/TAP Erro de Diluição Teórico (EDT) EDT = ((DD – DIP)/DIP) x 100 Dose Ideal (DI) DI = (VT x 3,5)/TAR Erro de Diluição Real (EDR) EDR = ((DD – DI)/DI) x 100 Taxa de aplicação real (TAR) TAR = (VaT x 10.000)/(V x E) Erro da taxa de aplicação (ETA) ETA = ((TAP-TAR)/TAR) x 100 * VT = volume do tanque, TAP = Taxa de aplicação pretendida, DD = Dose declarada, VaT = Vazão total aferida (L/min), V = Velocidade de trabalho (m/min) e E = espaçamento entrelinhas (m).
Amostra VT (produtor) (L)1 1 450 2 500 3 1000 4 400 5 400 6 400 7 300
TAP (L/ha) 900 500 600 700 600 400 500
TAR DD (L/ha) (L/tanque) 830,84 1,75 1100,46 3,50 623,24 5,80 585,84 2,39 640,18 1,50 450,22 4,55 273,62 1,75
DIP (L/tanque) 1,75 3,50 5,83 2,00 2,33 3,50 2,10
DI (L/tanque) 1,90 1,59 5,62 2,39 2,19 3,11 3,84
1 Volume do tanque do atomizador, conforme modelo e informação do produtor.
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Tabela 3 - Erro de diluição teórico (EDT), Erro na taxa de aplicação (ETA) e Erro de diluição real (EDR) em atomizadores de sete propriedades de produção de videira na Serra gaúcha Amostra (produtor) 1 2 3 4 5 6 7
EDT (%) 0,00 0,00 -0,57 19,50 -35,71 30,00 -16,67
ETA (%) -7,68 120,09 3,87 -16,31 6,70 12,55 -45,28
EDR (%) -7,68 120,09 3,28 0,01 -31,41 46,32 -54,40
segundo a metodologia de Gandolfo (2001). Após isto, foram obtidas as variáveis estimadas e realizadaa avaliação direta dos atomizadores, para estimativa das demais variáveis a seguir descritas. As variáveis estimadas a partir da entrevista foram a dose ideal pretendida (DIP), correspondente ao defensivo a ser diluído no tanque, e o erro de diluição teórico (EDT), que corresponde ao erro de diluição caso a TAP fosse atingida. Significa que, caso o planejamento da operação esteja correto, este erro corresponderia a zero. O EDT foi calculado comparando-se a DD com a DIP. Na avaliação direta do atomizador foi medida a taxa de aplicação real (TAR), correspondente à quantidade de calda realmente aplicada, e estimada a dose ideal (DI) de acordo com
a mesma. Em relação à TAP foi obtido o erro da taxa de aplicação (ETA), e também com base na mesma foi obtido o erro de diluição real (EDR), representando qual o desvio real em relação à dose padrão de 3,5L/ha. Na Tabela 1 estão descritas as fórmulas utilizadas.
RESULTADOS ENCONTRADOS
Na Tabela 2 é possível verificar que em todas as amostras as taxas de aplicação real não coincidiram com as taxas de aplicação teóricas, ou seja, nenhum dos produtores tem conhecimento da taxa de aplicação de seus atomizadores, variando o erro com taxas de aplicação para mais e para menos da taxa de aplicação pretendida, ultrapassando o limite recomendado de 5%, exceto na amostra 3. O erro na taxa de aplicação variou da subdosagem -45,28% em uma das amostras até a sobredosagem 120,09% noutra. Os erros nas taxas de aplicação corroboram os resultados verificados por Gandolfo (2001), que identificou 80,2% de reprovação de pulverizadores de barras, considerando um limite de 5% para o erro de taxa de aplicação. Também na Tabela 2, quando observados os dados referentes às doses de produtos a serem diluídos
Figura 1 - Combinação de erros associados à aplicação de produtos fitossanitários em parreirais na Serra gaúcha, Rio Grande do Sul
no tanque, percebe-se que apenas em duas amostras a dose declarada foi corretamente calculada, portanto igual à dose ideal pretendida. Estas foram a únicas amostras em que a taxa de aplicação pretendida era igual ou múltipla ao volume de tanque, o que possivelmente facilitou o processo de diluição. Uma exceção ocorreu na amostra 6, onde embora o volume de tanque fosse equivalente à taxa de aplicação pretendida, foi observado um erro de diluição real de 46,32%, com erro de diluição teórico 30% e erro de taxa de aplicação 12,55%. O erro da diluição ocorreu porque o produtor desconhecia o volume do tanque do seu equipamento, considerando este valor equivocadamente a partir do modelo do atomizador, sendo este número e o volume de tanque, não equivalentes. Dessa maneira, é possível estimar que nas condições avaliadas, a maioria dos produtores apresenta dificuldades no momento do cálculo pelo qual se define a quantidade de produto a diluir no tanque dos equipamentos. O EDT das amostras variou de -35,71% até 30%, conforme pode ser observado na Tabela 3 e na Figura 1. Com relação à dose ideal que deveria ser aplicada, em nenhuma das amostras houve igualdade entre a dose ideal e a dose ideal pretendida
Com relação à dose ideal que deveria ser aplicada, em nenhuma das amostras houve igualdade entre a dose ideal e a pretendida
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(Tabela 3), por decorrência dos erros encontrados nas taxas de aplicação reais. Consequentemente a isto, temos um efeito direto nos erros de diluição reais (Figura 1), que variaram de -54,40% até 120,09%, resultando em 71,43% das amostras com erro acima do limite de 5% recomendado. Em trabalho realizado por Gandolfo (2001), considerando-se a tolerância de 5% recomendada para os erros de diluição, 86,5% das avaliações ficaram acima da tolerância para o erro na taxa de aplicação. Quando consideramos o erro na taxa de aplicação, podemos observar que ele é influenciado pelo erro de diluição teórico e o erro de taxa de aplicação. Para tanto, ocorreram diferentes cenários de acúmulo de erros. Na amostra 6 houve acúmulo de erros aumentando a dose aplicada, onde teve erro de diluição teórico de 30%, que foi associado com um erro de taxa de aplicação de 12,55%, totalizando um erro de diluição real de 46,32%. Na amostra 7 houve acúmulo de erros diminuindo a dose aplicada, onde teve erro de diluição teórico de -16,67%, por influência de um erro de diluição real de -45,28%, totalizando um erro de diluição real de -54,40%.
CONCLUSÕES
O trabalho concluiu que os produtores têm dificuldade no cálculo teórico da diluição, o que proporciona o
Fotos Otavio Dias da Costa Machado
Produtores não conhecem a taxa de aplicação real, que é diferente da taxa de aplicação pretendida, ocasionando erro na taxa de aplicação e erro na diluição real
erro de diluição teórico. Muitos deles também não conhecem a taxa de aplicação real, que é diferente da taxa de aplicação pretendida, ocasionando com isto erro na taxa de aplicação e erro na diluição real. Também ocorre associação entre o erro de diluição teórico e o erro na taxa de aplicação, afetando o erro de diluição real. Essa associação de erros pode ocasionar três cenários: associação de erro de dosagem positivo com sobreaplicação, aumentando o EDR em sobredosagem; associação de erro de dosagem ne-
gativa e subaplicação, aumentando o erro de diluição real em subdosagem de produtos; e redução do erro de diluição real em sobredosagem ou subdosagem, quando os erros de diluição são contrários aos erros na .M taxa de aplicação. Otávio Dias da Costa Machado e Marcus André Kurtz Almança, IFRS – Campus Bento Gonçalves Antonio Felippe Fagherazzi, CAV-Udesc Sabrina Lerin, UFPel Helen Estima Lazzari, UFRGS
ENFARDADORAS Valtra
Custo para recolher
O recolhimento do palhiço da cana-de-açúcar já se tornou uma prática bastante utilizada no Brasil, com o emprego de enfardadoras cilíndricas ou prismáticas tracionadas por um trator agrícola. Por isso, é importante avaliar o desempenho do conjunto trator e enfardadora para garantir que a operação seja feita de forma eficiente e com custo reduzido
A
cana-de-açúcar é uma das principais culturas de interesse econômico da agricultura do Brasil, sendo a colheita realizada de forma mecanizada sem a queima prévia do canavial, o que resulta em grande volume de palha deixada na superfície do solo. O recoOutubro 2017 • www.revistacultivar.com.br
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lhimento do palhiço, que é constituído por palha, folhas verdes, ponteiros e outros materiais, já se tornou uma prática bastante utilizada, com o emprego de enfardadoras cilíndricas ou prismáticas tracionadas por um trator agrícola. O objetivo da utilização do palhiço
nas usinas pode ser para a cogeração de energia juntamente com o bagaço, um resíduo que é fruto do processo de extração do caldo da cana-de-açúcar, ou para a produção de etanol de 2ª geração. O interesse da queima do palhiço nas usinas para geração de energia se deve pelo fato de o poder
Marcelo Scantamburlo Denadai
calorífico apresentado pelo mesmo ser semelhante ao bagaço. Embora seja vantajoso o uso desse material, as variáveis envolvidas para coleta do palhiço no campo até a utilização do produto nas usinas devem ser avaliadas para que seja viavelmente econômico a realização desta operação. Uma das variáveis envolvidas durante o processo de recolhimento é a utilização das enfardadoras, sendo de grande importância a avaliação do desempenho operacional do conjunto trator-enfardadora. Em todas as atividades agrícolas as etapas de produção são baseadas em custos e o uso de máquinas se torna um dos principais componentes destes custos, uma vez que o seu gerenciamento pode ser uma tarefa complexa devido aos inúmeros fatores envolvidos neste processo (como as características das máquinas e dos implementos, condições ambientais do local de cultivo, mão de obra, tecnologias de suporte etc). Dessa maneira é imprescindível conhecer e utilizar ferramentas e técnicas que permitam avaliar o real desempenho dos conjuntos motomecanizados e apontem falhas ou erros operacionais que possam estar comprometendo sua eficiência de trabalho e no
Distribuição de fardos na área de estudo
uso de recursos. Existem muitos parâmetros que podem ser utilizados para avaliar o desempenho de máquinas agrícolas em diferentes atividades, entre os quais é possível citar: a capacidade de campo (efetiva e operacional), a eficiência de campo, o tempo efetivo, o consumo de combustível e a demanda energética. Para se obter estes valores é necessário primeiro dividir a operação em diferentes tipos de tempos: tempo de preparo da operação (tempo gasto nas atividades necessárias antes e após o trabalho para que o conjunto tenha condições de realizar a operação, como, por exemplo, acoplamento, lubrificação, regulagens etc), tempo de produção (tempo
O interesse da queima do palhiço nas usinas para geração de energia se deve pelo fato de o poder calorífico apresentado pelo mesmo ser semelhante ao do bagaço
gasto efetivamente trabalhando, como, por exemplo, arando, subsolando, semeando etc) e o tempo de interrupção (é o tempo gasto com os eventos que interrompem o trabalho, como manobras, embuchamento, reposição de insumos, reabastecimento etc). A capacidade de campo efetiva é a relação existente entre o desempenho real da máquina (área trabalhada) e o tempo gasto realizando somente o trabalho útil, sendo normalmente expressa em hectare por hora. Por sua vez, a capacidade de campo operacional é a relação entre o desempenho real da máquina (área trabalhada) e o tempo total de campo gasto na operação (soma do tempo de preparo, tempo produtivo e dos tempos de interrupção), como visto anteriormente. A eficiência de campo é a razão entre a capacidade de campo efetiva e a capacidade de campo teórica, e seu objetivo é indicar o percentual do tempo que está sendo realmente gasto com trabalho produtivo. O tempo efetivo indica o tempo gasto (tempo produtivo ou o tempo total da operação) em cada unidade de área trabalhada e serve para planejar e comparar operações com o intuito de facilitar o planejamento de atividade futuras dentro da propriedade. Por fim, a informação do combustível gasto também é muito útil para se gerenciar a operação, sendo indicado que se calcule a relação Outubro 2017 • www.revistacultivar.com.br
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Fotos Marcelo Scantamburlo Denadai
O objetivo da utilização do palhiço nas usinas pode ser para a cogeração de energia juntamente com o bagaço, um resíduo que é fruto do processo de extração do caldo da cana-de-açúcar, ou para a produção de etanol de 2ª geração
entre a quantidade de combustível e o trabalho realizado pelo conjunto mecanizado (em área ou produto) que pode ser denominado de consumo específico. A coleta destas informações permite conhecer muitas falhas e problemas que ocorrem durante as operações, facilitando a adoção de medidas que permitam reduzir ou eliminar seus efeitos. Em um trabalho realizado pelo Núcleo de Ensaio de Máquinas e Pneus Agroflorestais (Nempa), pertencente à Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade Estadual Paulista, Campus de Botucatu (SP), buscou-se através dessas informações avaliar o desempenho de um conjunto trator-enfardadora em operação de recolhimento de
palhada de cana-de-açúcar em duas áreas distintas, como demonstrado nas Tabelas 1 e 2. Embora a eficiência de tempo seja semelhante nas duas áreas trabalhadas, o conjunto de recolhimento trabalhou mais lentamente na área 1, o que acarretou uma menor capacidade efetiva e operacional (ha/h), levando a maior necessidade de tempo por unidade de área. Além disso, quando se observa apenas o consumo de combustível, independentemente em área ou por hora trabalhada, este também é maior na área 1. A partir destas informações seria possível concluir erradamente que a operação na área 1 é mais custosa que a operação na área 2. Para evitar estes erros de gerenciamento,
Fórmulas para calcular desempenho das máquinas
Área trabalhada (ha) tempo de produção (h) Área trabalhada (ha) Capacidade de campo operacional: CCO (ha/h) = tempo total em campo (h) Tempo produtivo (h) x100 Eficiência de Campo: Efc (%) = Tempo Total de campo (h) 1 1 Tempo Efetivo: Tef (h/ha) = ou CCE (ha/h) CCO (ha/h) Capacidade de campo efetiva: CCE (ha/h) =
Gasto de combustível: Cesp (L/ha) = consumo horário (L/h) x Tef área (h/ha) ouCesp (L/ton) =
consumo horário (L/h) produto (ton/h)
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é necessário atrelar os dados de desempenho do conjunto motomecanizado como visto anteriormente com a quantidade e a qualidade de trabalho/produto disponibilizado ao fim da operação, como pode ser visto nas Tabelas 3 e 4. É importante observar que o maior consumo de combustível horário e a menor capacidade operacional na área 1 se devem ao fato de que nesta há maior quantidade de palha para ser recolhida, o que exige menor velocidade de deslocamento do conjunto. Apesar disso, há um menor gasto de combustível por fardo produzido nesta área. Já na área 2 são produzidos fardos mais densos, o que faz com que se eleve o gasto de combustível por fardo, porém leva a um menor gasto de combustível por tonelada de palha recolhida. Estes parâmetros indicam diferentes formas para se visualizar resultados da operação realizada, e podem ser utilizados de diferentes maneiras para a tomada de decisão do produtor, com o objetivo de verificar o que é mais interessante para a viabilidade econômica de sua .M atividade. Murilo Battistuzzi Martins, Jefferson Sandi, João Vitor Paulo Testa e Kléber Pereira Lanças, FCA - Unesp Botucatu