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Cultivar
Cultivar Máquinas • Edição Nº 168 • Ano XIV - Novembro 2016 • ISSN - 1676-0158
Índice 4 Rodando por aí
Destaques
6 Subsoladores 10 Plantio com precisão 15 Pneus radiais x diagonais 18 Seleção de máquinas 22 Capa - Autopropelidos 30 Perdas em colhedoras 33 Colhedoras acopladas
Menu de autopropelido
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Conheça as principais características dos pulverizadores autopropelidos ofertados no mercado brasileiro
Pneus Confira o desempenho de pneus radiais e diagonais em teste de compactação de solo
Grupo Cultivar de Publicações Ltda. Direção Newton Peter
• Editor Gilvan Quevedo • Redação Rocheli Wachholz Karine Gobbi • Revisão Aline Partzsch de Almeida • Design Gráfico Cristiano Ceia
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Perdas em colheita de grãos Avaliação mostra os efeitos do aumento da velocidade e declividade do terreno no percentual de grãos perdidos
Assinatura anual (11 edições*): R$ 269,90 www.revistacultivar.com.br cultivar@revistacultivar.com.br (*10 edições mensais + 1 conjunta Dez/Jan) Números atrasados: R$ 22,00 CNPJ : 02783227/0001-86 Assinatura Internacional: US$ 150,00 Insc. Est. 093/0309480 € 130,00
• Coordenador Comercial Charles Echer • Vendas Sedeli Feijó Rithiéli de Lima Barcelos • Coordenação Circulação Simone Lopes
Capa - Arquivo
36 Óleos lubrificantes
• Assinaturas Natália Rodrigues Clarissa Cardoso Aline Borges Furtado • Expedição Edson Krause • Impressão: Kunde Indústrias Gráficas Ltda.
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NOSSOS TELEFONES: (53) • GERAL
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3028.2000
3028.2070
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Por falta de espaço, não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@revistacultivar.com.br Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.
RODANDO POR AÍ Campus Party Brasil A John Deere será apoiadora oficial da Campus Party Brasil, um dos maiores eventos de tecnologia e inovação do mundo, que acontece de 31 de janeiro a 5 de fevereiro, no Centro de Exposições do Anhembi, em São Paulo (SP). “Talvez o maior desafio da humanidade daqui por diante seja a necessidade de produção de alimentos em escala global. E esse desafio só será superado por meio de muita inovação e alta tecnologia na cadeia produtiva”, comentou o gerente de Comunicação Corporativa da John Deere para a América Latina, Guilherme Sierra.
Guilherme Sierra
A CNH Industrial firmou, no dia 31 de outubro, um acordo para a aquisição do negócio de implementos agrícolas da Kongskilde Industries, parte do grupo dinamarquês Dansk Landbrugs Grovvareselskab (DLG). O grupo fabrica e vende soluções para aplicações agrícolas nos segmentos de lavoura, semeadura, feno e forragem por meio de várias marcas, incluindo a Kongskilde, a Överum e a JF. A empresa tem fábricas na Polônia e na Suécia. “Temos orgulho de receber os produtos e as marcas bem estabelecidas da Kongskilde, Överum e JF no Grupo CNH Industrial. Nossa intenção é construir sobre esses patrimônios e aumentar significantemente o acesso do mercado deles como parte de nossa rede de distribuição mundial”, afirmou o CEO da CNH Industrial, Richard Tobin Richard Tobin.
Mulheres do Agronegócio
João Pontes
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A Fertisolo, concessionária New Holland na região Norte, completou 30 anos de atividades e 20 anos de representação da marca New Holland. A empresa é fruto da iniciativa de empreendedores que acreditaram ter encontrado um nicho de mercado, com atividades inicialmente voltadas para a área agrícola em Porto Velho (RO). Em 2002 a Fertisolo ampliou sua atuação e passou a representar também a New Holland Construction. Para o vice-presidente da New Holland Construction para a América Latina, Nicola D’Arpino, a Fertisolo é um dos concessionários fundamentais no desenvolvimento da marca New Holland.
Nicola D’Arpino
Agritech comemora 15 anos
Aquisição
A John Deere participou do Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, que ocorreu nos dias 25 e 26 de outubro no Transamérica Expo Center, em São Paulo. O evento reuniu agricultoras, pecuaristas, produtoras integradas e cooperadas, executivas de corporações, profissionais da indústria e sucessoras do agronegócio. Além de um estande da marca, o diretor de Planejamento Estratégico da John Deere, João Pontes, realizou a palestra “Valorização da agricultura, mecanização e agricultura de precisão: produtividade com lucro” durante o evento.
Fertisolo
Em 2016 a Agritech Lavrale, fabricante dos tratores e microtratores Yanmar Agritech, comemora 15 anos de trabalhos focados em oferecer soluções para a agricultura familiar. Instalada na cidade de Indaiatuba (SP), a empresa começou em 2001 produzindo apenas três modelos de máquinas agrícolas e, atualmente, conta com um portfólio composto por 11 produtos. Para celebrar a data, a empresa promoveu um evento no dia 4 de novembro e homenageou os profissionais ligados à empresa.
Visita Cerca de 30 produtores vindos do Paraguai participaram de uma visita na fábrica da Stara realizada em parceria com a concessionária Orotec no dia 8 de novembro. Os visitantes conheceram a filial da empresa, localizada em Carazinho (RS), e a matriz, em Não-Me-Toque (RS), onde puderam acompanhar os processos produtivos das máquinas agrícolas da Stara, bem como a sua história de 56 anos de evolução constante. A visita foi realizada em parceria com a concessionária Orotec.
Stara na Bolívia
Coffee Express
Nos dias 14 e 15 de outubro, a Stara, através da sua concessionária Unimaq, participou da Expo Vidas 2016, feira realizada em Montero, norte de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. Na feira, considerada a mais importante do país, a marca apresentou sua linha de máquinas agrícolas, com destaque para a plantadora Princesa e para o Imperador 3.0, autopropelido capaz de realizar tanto as funções de pulverização quanto de distribuição. O diretor-presidente da Stara, Gilson Trennepohl, esteve presente na feira e, junto com a Unimaq, recebeu visitantes no estande da concessionária.
A Case IH lançou as novas versões da colhedora Coffee Express 100 e 200 (CE100 e CE200), que trazem novo motor com ajustes hidráulicos, que permite realizar a colheita plena – que é feita com apenas uma passada da colhedora e retirada dos frutos em sua totalidade – sem perder a característica de qualidade da colheita seletiva. “Com o sistema de freio hidráulico, associado à maior quantidade de varetas, a desfolha das plantas é até 60% menor que a dos sistemas de freio mecânico”, explicou o gerente de Marketing de Produto da Case IH, Roberto Biasotto.
Expectativa
Farming Simulator
O diretor de Marketing da AGCO América do Sul, Alfredo Jobke, esteve presente no primeiro dia do Congresso AutoData Perspectivas 2017, realizado no dia 17 de outubro, em São Paulo (SP). No encontro, as principais fabricantes de máquinas agrícolas e de construção realizaram projeções para o setor no próximo ano. “Mesmo com a recuperação neste segundo semestre, o ano de 2016 fechará abaixo do esperado. Mas, a AGCO segue investindo no Brasil e acreditando que o cenário será melhor em 2017. Estimamos, inclusive, um crescimento setorial de 5% a 10%”, afirmou Jobke durante o painel.
Manter uma lavoura com excelentes índices de produtividade é a principal tarefa de quem se dispõe a encarar a nova versão do simulador de fazenda. Desenvolvida numa parceria da AGCO Corporation com Giants Software, a nova versão do game Farming Simulator permite vivenciar diversas etapas da agricultura. O jogo foi lançado no Brasil no dia 28 de outubro e conta com tratores e colheitadeiras das marcas do grupo, tais como: Massey Ferguson, Valtra, Challenger e Fendt. Totalmente em português, o game está disponível para PlayStation 4 e Xbox One nas principais lojas on-line e físicas do Brasil.
Alfredo Jobke
Canaplan
Carlos Graminha
Para debater os principais rumos do segmento da cana, a Canaplan, empresa de consultoria do setor agroindustrial da cana-de-açúcar, realiza a reunião anual de previsão e reavaliação de safra, baseada na realidade da produção de cana, açúcar e etanol das várias regiões do Estado de São Paulo e demais estados do Centro-Sul. O gerente de Contas Estratégicas de Cana da John Deere Brasil, Carlos Graminha, que participou do evento e palestrou sobre o tema “Produtividade – Grandes Agentes”.
App simula financiamento O Banco CNH Industrial lançou o App Simulador BCNHI, por meio do qual os vendedores das concessionárias agrícolas do grupo CNH, de construção e de veículos comerciais, podem fazer a simulação de financiamento, prevendo a modalidade na qual o cliente se encaixa, as taxas de juros e os valores de parcelas, com opção de arquivar, imprimir e enviar por e-mail. “Com mais esta ferramenta conseguimos agilizar ainda mais o crédito para o produtor, pois o vendedor pode, por exemplo, visitar um cliente e fazer o cálculo do financiamento ali mesmo, em frente à lavoura, à obra ou no escritório”, explicou o diretor Comercial, de Marketing e de Seguros da instituição, Marcio Contreras. Novembro 2016 • www.revistacultivar.com.br
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Fotos Charles Echer
SUBSOLADORES
Descompactação na medida No momento da seleção e aquisição de subsoladores é necessária uma avaliação criteriosa levando em conta as condições onde serão utilizados, a profundidade que se deseja trabalhar e a potência do trator que irá tracionar. Depois é só escolher entre os mais de 130 modelos comercializados no Brasil e optar pelo mais adequado para sua propriedade
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evido à expansão das áreas de cultivo, à necessidade de obtenção de altas produtividades, à evolução da tecnologia empregada em máquinas e implementos agrícolas, além da disponibilidade de linhas de créditos, ocorreu um crescimento da demanda de diversos implementos agrícolas promotores do preparo de solo, incidindo em um aquecimento de mercado na indústria que os desenvolve. As operações agrícolas de preparo de solo podem ser definidas Novembro 2016 • www.revistacultivar.com.br
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tomando como base a fonte de potência, como métodos manuais ou mecanizados. Estes têm por finalidade promover condições favoráveis para a semeadura, germinação das sementes, emergência das plântulas, destruição e incorporação de resíduos culturais, eliminação de plantas daninhas, além da descompactação dos solos com o objetivo de melhorar a infiltração de água, bem como auxiliar no crescimento radicular da cultura. Atualmente, pela competitividade do mercado agropecuário,
busca-se a obtenção de elevadas produtividades com o objetivo de otimizar a extração de recursos dos solos agrícolas e suprir os custos de implantação e investimentos da lavoura. Como consequência, tem-se um acréscimo em larga escala na intensidade do uso desses solos, implicando aumento da trafegabilidade de máquinas e implementos agrícolas para o manejo das áreas exploradas. Esses fatores, atrelados a condições inadequadas de manejo, favorecem grandes alterações es-
A compactação é um problema que atormenta o cenário produtivo dos agricultores, sendo um dos fatores promotores para o surgimento do sistema de plantio direto e da agricultura de tráfego controlado
truturais nos solos agrícolas, sendo apontada a compactação como a principal causa destas mudanças. A compactação é a alteração da forma e estabilidade estrutural das propriedades do solo, modificando assim o arranjo das partículas constituintes. Dessa maneira, ocorre uma redução no seu volume (menor porosidade total), afetando os mais diversos processos físicos, químicos e biológicos. Estes impedimentos, além de reduzirem o potencial produtivo das áreas, podem favorecer a erosão e/ou limitar o crescimento radicular das plantas, o que prejudica a exploração de áreas de solo em busca de água e nutrientes. A compactação é um problema que atormenta o cenário produtivo dos agricultores, sendo um dos fatores promotores para surgimento do sistema de plantio direto e da agricultura de tráfego controlado, a qual visa concentrar a passagem das máquinas em um mesmo local no campo. Neste contexto, os subsoladores podem ser citados, pois o crescimento da sua utilização para a descompactação mecânica do solo nas propriedades agrícolas tem o tornado um dos implementos mais ofertados e adquiridos no mercado nacional. Entretanto, para a seleção e
regulagem correta deste equipamento é imprescindível observar as informações contidas nos catálogos técnicos e manuais disponibilizados pelas empresas, os quais são uma forma de comunicação com objetivos comerciais e informacionais. Estes materiais não precisam, necessariamente, transmitir todas as informações sobre um determinado produto, pois um excesso de dados pode causar dificuldade de assimilação pelo receptor, consequentemente sua insatisfação (Schmid, 2006). Porém, a escolha correta das informações que serão disponibilizadas, juntamente com a qualidade destas, são requisitos essenciais para a confecção de um catálogo técnico completo.
A partir disso, objetivou-se analisar, relacionar e avaliar as características técnicas dimensionais e ponderais (relativas à massa) dos subsoladores agrícolas nacionais, a fim de subsidiar a seleção do modelo mais adequado às necessidades específicas do agricultor. Primeiramente, foi realizada a identificação dos fabricantes nacionais de subsoladores agrícolas. Logo após, foram catalogados os modelos comercializados e sucedeu-se o levantamento das características dimensionais e ponderais destes equipamentos, que foram obtidos através de catálogos técnicos, manuais e folhetos, totalizando 139 modelos disponibilizados por 25 empresas.
Profundidade de trabalho
5 a 7 vezes a largura da ponteira. Espaçamento entre hastes: Para ponteiras estreias 1 a 1,5 vez a profundidade; Para ponteiras aladas 1,5 a 2 vezes a profundidade. EXEMPLO Profundidade 20cm 28cm Espaçamento entre as hastes 20cm a 30cm 28cm a 42cm
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Tabela 1 - Classificação de subsoladores de acordo com o número de hastes
Charles Echer
Classe I II III IV
Número de hastes ≤3 5 7a9 ≥9
Classificação Leve Intermediários Pesados Superpesados
A partir disso, construiu-se um banco de informações organizadas em uma planilha eletrônica, analisando e quantificando as variáveis separadamente, sendo elas: largura de trabalho (m), massa (kg), potência requerida (cv), número de hastes e profundidade de trabalho (cm). Posteriormente à conclusão da coleta de dados foi criada uma classificação de acordo com o número de hastes descrita na Tabela 1. Analisaram-se as relações mas-
Tabela 2 - Médias das relações estudadas Massa/ Massa/ Potência/ Potência/Largura Potência Número de haste Profundidade de trabalho 8,00kg cv-1 188,56kg haste-1 3,57cv cm-1 58,01cv m-1
sa/potência, massa/número de haste, potência/profundidade e potência/largura de trabalho. As médias das relações para todas as classes de subsoladores em estudo estão sintetizadas na Tabela 2. A relação potência/largura de trabalho (RPL) pode ser observada na Figura 1. Essa relação (RPL) se comportou de modo constante, apresentando proporcionalidade entre as médias, ou seja, o aumento da largura acarreta em um incremento na demanda de potência em todas as classes estudadas. Isso se deve em virtude de que a largura
A compactação do solo, além de reduzir o potencial produtivo das áreas, favorece a erosão e limita o crescimento radicular das plantas em busca de água e nutrientes
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de trabalho geralmente é aumentada em maior proporção com o incremento do número de hastes, gerando aumento da demanda de potência. Observando a variação do número de hastes nos implementos e, com isso, da largura de trabalho conforme as classes, não há tendência de aumento ou redução proporcional da potência tanto com o aumento da largura quanto com a redução. Lembrando que a largura de trabalho está associada ao espaçamento entre as hastes, que por sua vez é influenciado pela profundidade de trabalho, sendo que essa é determinada pela largura da ponteira (veja Box 1). Dessa forma, é a largura da ponteira que influencia estas importantes regulagens, sendo que em determinados implementos, problemas estruturais podem interferir nas regulagens adequadas à ponteira escolhida. Como exemplo, a roda limitadora de profundidade pode não permitir que se alcance a profundidade desejada e o formato estrutural do chassi, que poderá impedir a disposição adequada das hastes. Na Figura 2 está disposta a relação potência/profundidade de trabalho para cada classe de subsoladores agrícolas. Para esta relação, que também é chamada de força específica, observamos que com o aumento do número de hastes ocorre um incremento de potência por unidade de profundidade, sendo esse incremento mais acentuado na classe IV, pois nesta classificação estão englobados subsoladores de até 17 hastes, apresentando assim uma amplitude nos resultados de até 11cv/cm. Outro fato é que subsoladores que apresentam um maior número de hastes necessitam de uma estrutura (chassi) maior e mais resistente, tendo estes uma maior massa, o que em consequência requer maior potência, este caso também pode ser visualizado
Figura 1 - Médias, Máximos e Mínimos da relação potência/largura de trabalho (RPL) Figura 2 - Média, Máximo e Mínimo da variável potência/profundidade ou força específica (FE)
na Figura 4. As razões Média, Máximo e Mínimo, entre a massa e o número de haste, estão dispostas na Figura 3. Com relação à razão entre a massa e o número de hastes, ocorre um acréscimo da massa dos subsoladores com o aumento do número de hastes devido ao maior tamanho da estrutura porta-ferramentas (chassi). Apesar de ocorrer esse incremento nas médias com o aumento das classes, podemos observar que nas classes II e III os valores máximos foram bem superiores, isso acontece pois nessas classes foram englobados subsoladores destinados ao setor canavieiro. Esses são projetados para romper compactações de até 62cm de profundidade, com isso a estrutura de acoplamento dos órgãos (chassi) necessita uma maior quantidade de
material para suportar maior grau de esforço (ferro, metal). A variação da relação massa por demanda de potência, para as diferentes classes de subsoladores, está ilustrada na Figura 4. Ocorreu um aumento da massa do chassi do porta-ferramentas e das hastes em relação à demanda de potência, ou seja, quanto maior o implemento (número de hastes), maior a demanda de potência requerida ou utilizada apenas tracionando a estrutura. Isso significa que a resistência ao rolamento é maior conforme o aumento do número de hastes. Tal fato também consta na relação potência por profundidade, pois a resistência ao rolamento (demanda de tração para tracionar o implemento sem estar preparando o solo) é maior com o aumento da classe.
Figura 3 - Média, Máximo e Mínimo da variável massa/número de haste (RMHa)
Conclui-se que, no momento da seleção e aquisição do equipamento existe a necessidade de uma avaliação criteriosa, pois as particularidades de cada um deverá suprir as necessidades que este irá desempenhar. A relação potência por largura de trabalho se comporta de maneira constante, indiferentemente do número de hastes, podendo ser utilizada para auxiliar a seleção do conjunto trator/implemento. Com aumento do número de hastes (largura de trabalho) aumenta-se a massa dos subsoladores, consequentemente o .M requerimento de potência. Rafael Sobroza Becker, Airton dos Santos Alonço, Tiago Rodrigo Francetto, Dauto Pivetta Carpes e Bruno Zart, Laserg/UFSM
Figura 4 - Média, Máximo e Mínimo da variável massa/potência
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AGRICULTURA DE PRECISÃO
Planejamento preciso
Charles Echer
Ferramentas de agricultura de precisão ajudam a identificar e planejar cenários e trajetos mais apropriados com o objetivo de tornar a operação de semeadura mais precisa
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iversas técnicas de gestão das lavouras têm sido disponibilizadas nos últimos anos, devido à mudança no perfil da agricultura brasileira, fazendo com que os produtores busquem técnicas que aumentem a capacidade produtiva de suas propriedades, mantendo-se competitivos no mercado. O conjunto dessas técnicas, denominado Agricultura de Precisão (AP), tem por princípio a utilização dos recursos disponíveis de forma racional e precisa aliado a sistemas de tecnologia, de modo a reduzir o custo e aumentar a lucratividade da atividade agrícola. Ao se pensar em redução de custos é fundamental que as operações sejam realizadas com o mínimo de dispêndio possível. O sucesso ou insucesso da lavoura está relacionado com a operação de semeadura, considerada uma das mais importantes etapas do processo produtivo. Quando essa operação é bem-sucedida, facilita o manejo da cultura, melhorando a eficiência das operações subsequentes, principalmente a aplicação de defensivos e a colheita mecanizada. Novembro 2016 • www.revistacultivar.com.br
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Assim, o uso de softwares, aliado a um sistema de direcionamento automático, pode contribuir, e muito, na implantação e rentabilidade de um sistema agrícola, uma vez que permite o planejamento da área e a estimativa de gastos na operação de semeadura. Além disso, possibilita análises comparativas de possíveis trajetos a serem percorridos pelo conjunto trator-semeadora, auxiliando na escolha do mais indicado para ser executado no campo, com base em uma série de quesitos, tais como número de manobras, comprimento de linhas, além da estimativa da capacidade operacional. Vale ressaltar que a aplicação e a eficácia desses softwares a campo só são possíveis graças aos Sistemas de Navegação Global por Satélites (GNSS). Dentre os métodos de posicionamento dos GNSS, o mais utilizado nos dias atuais é o de posicionamento relativo por sinal RTK (Real Time Kinematic), que garante erros máximos na ordem de 2,5cm. Porém, vale lembrar que esse tipo de posicionamento, quando utilizado em grandes áreas, ou em áreas
com relevo acidentado, pode apresentar degradação do sinal, fazendo com que seja necessária a instalação de bases repetidoras para assegurar a qualidade do sinal. O planejamento das operações utilizando um projeto e com uso de sinal GNSS, independentemente do tipo de sinal, melhora a qualidade do serviço, uma vez que o operador tem que desviar a sua atenção para o direcionamento da máquina. Assim, a utilização desses softwares, como o AgroCAD, tem auxiliado produtores em diversos aspectos, como escolha do melhor percurso das máquinas, de modo que seja possível o agricultor escolher aquele percurso em que a máquina ficará mais tempo em operação e menos tempo fazendo manobras, além de estimar, ajustar e sistematizar a área para operações subsequentes. Desse modo, para avaliar a eficácia do software AgroCAD, o Laboratório de Máquinas e Mecanização Agrícola (Lamma) realizou um experimento simulando cenários para a semeadura de amendoim na região de Orindiúva (SP), em
que foram gerados três cenários para a operação, selecionando-se então o mais adequado para realização da operação em campo, em seguida comparou-se o cenário executado com o previamente projetado no software. Para tanto, foi utilizado no planejamento das linhas de semeadura o software AgroCAD, desenvolvido pela TecGraf, representante Autodesk. No campo, realizou-se o levantamento dos limites dos talhões, utilizando o próprio sistema do trator para gravar o percurso (AMS RTK John Deere). Em seguida percorreram-se os terraços para realizar o levantamento de suas coordenadas. Com o trabalho de campo finalizado, utilizando um pen drive, os arquivos foram transferidos do monitor GS3 para o software AgroCAD. Após os arquivos serem transferidos, a partir dos terraços mapeados em campo, foram criadas linhas paralelas com espaçamento de 5,4 metros, compatíveis com a configuração da semeadora (seis linhas com espaçamento de 0,9m). Na Figura 1 encontra-se a ilustração das linhas paralelas criadas, assim como o posicionamento das fileiras de semeadura. Desenhadas as linhas, foi realizada uma análise com objetivo de verificar qual a melhor forma de distribuição das fileiras dentro do talhão, efetuando-se simulações que permitiram avaliar qual seria o projeto de semeadura mais eficiente, utilizando-se, como critério para seleção, a análise de curvas em nível mortas (“matação”), melhor capacidade de campo operacional e otimização de
manobras. Dessa forma, foram criados três cenários com as linhas planejadas de forma distinta entre eles. Esses cenários foram analisados visando posteriormente à seleção de um para execução no campo. As análises foram feitas no próprio software. Para cada cenário, o software permite que se possam comparar duas condições de planejamento: sem e com otimização. A condição “sem otimização” representa a utilização das linhas planejadas, porém, sem a junção de linhas próximas. Já na condição “com otimização”, o software verifica as possibilidades de junção de linhas planejadas próximas, utilizando como critérios a máxima distância entre nós e o ângulo máximo permitido pelo piloto automático. Para a análise deste trabalho foram considerados os valores de 25 metros de distância entre pontos (nós) e 10º para angulação máxima.
CENÁRIOS OBTIDOS NO SOFTWARE
Comparando-se a quantidade de linhas (Figura 2) sem otimização com a quantidade de linha após a otimização, observa-se que houve redução nas linhas de menor comprimento (0m a 200m), da ordem de 7,2%, 5,4% e 15,7% para os cenários 1, 2 e 3, respectivamente, enquanto que a quantidade de linhas maiores que 800m aumentou em 7,3%; 5,2% e 7,8% para os cenários 1, 2 e 3, respectivamente (Figura 2). A análise dos cenários, para a variável quantidade de linhas, aponta para a
Figura 1 - Esquema representativo das linhas para orientação do conjunto trator-semeadora utilizando piloto automático
utilização do cenário 1 ou 3 otimizado, pois os mesmos apresentam maior redução de linhas com comprimento de até 400m (22,5% e 25,7%, respectivamente) e também maior aumento de linhas de maior comprimento (7,3% e 7,2%), em relação ao cenário 2. Apesar de as porcentagens de redução de linhas menores e do aumento de linhas maiores serem próximos, constata-se que no cenário 1, o número total de linhas é de 330, enquanto que no cenário 3 é de 443. Quanto maior o número de linhas numa mesma área, espera-se menor comprimento médio de linhas, característica indesejada nas operações agrícolas, pois acarretaria em maior número de manobras. Porém, em contrapartida, pode significar melhor aproveitamento da área útil. Quando se comparam as distâncias totais percorridas (Figura 3) tem-se que, após a otimização, para as linhas superiores a 800 metros de comprimento, ocorre aumento da ordem de
Figura 2 - Quantidade de linhas em diferentes faixas de comprimento em cada cenário Figura 3 - Distância total percorrida em diferentes faixas de comprimento em cada cenário
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4,7%, 5,1% e 7,3% para os cenários 1, 2 e 3, respectivamente. Da mesma forma, estes cenários apresentam redução de distância total percorrida de 10,1%, 11,7% e 14,6%, respectivamente, para linhas com comprimentos inferiores a 800 metros. Esse resultado já era de se esperar, uma vez que para realizar a otimização das linhas, o software realiza a junção de linhas que se encontram próximas, logo, a distância percorrida para linhas menores tende a diminuir e as de comprimento maior a aumentar. A quantidade de manobras a serem realizadas (Figura 4) apresentou, em todos os cenários, redução após a otimização das linhas de semeadura. Essa
Figura 5 - Eficiência do percurso, tempo total de execução, de percurso e de manobra dos cenários 1, 2 e 3
redução foi de 5,5%, 5,4% e 9,4% para os cenários 1, 2 e 3, respectivamente, e está diretamente relacionada com o formato do talhão. O mais indicado é que os talhões apresentem larguras múltiplas da largura das máquinas a serem utilizadas, evitando o subaproveitamento das delas, então, é possível reduzir o número de manobras em campo, favorecendo a eficiência de percurso e, consequentemente, a eficiência de campo das operações agrícolas. Analisando-se o tempo gasto em manobras (Figura 5), como esperado, observa-se que houve redução do tempo após a otimização das linhas de semeadura. Nos cenários 1, 2 e 3
Divulgação
Fotos Rouverson Pereira da Silva
Figura 4 - Comprimento médio das linhas e quantificação de manobras dos cenários 1, 2 e 3
Trator utilizado para execução do cenário escolhido, equipado com receptor GPS Star Fire, modelo SF3000
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essa redução foi de 5,2%, 5,4% e 9,5%, respectivamente. Com relação ao tempo de percurso os três cenários não apresentaram diferenças consideráveis após a otimização das linhas de semeadura. No que se refere ao tempo total de execução, como esperado, houve redução após a otimização das linhas de semeadura, sendo essa redução de 1,3% para o cenário 1; de 1,4% para o cenário 2 e de 2,7% para o cenário 3. Essa redução do tempo gasto em manobras e do tempo total de execução, após a otimização, já era esperada, uma vez que o software promove a junção de linhas que estejam próximas, e, consequentemente, resulta em menor número de manobras, aumento da capacidade operacional do conjunto mecanizado. Vale ressaltar que para a realização de determinada operação mecanizada, sempre ocorrerão perdas de tempo, que podem ser controladas e são passíveis de serem reduzidas por meio de racionalização e controle da atividade realizada, ou então incontroláveis — influenciadas por fatores climáticos, pessoais e sistemas mecanizados. Desse modo, é fundamental que se tenha um estudo dos tempos e movimentos, uma vez que esse é instrumento básico para a otimização das operações mecanizadas, obtendo-se melhor execução e maior economia com a subdivisão de todos os movimentos realizados durante a operação. Em se tratando da eficiência do
Fileiras de amendoim semeado mediante projeto feito no software AgroCad
percurso, ainda na Figura 5, após otimização, o cenário 2 apresenta a maior eficiência (74%), seguido dos cenários 1 e 3, que apresentam eficiências de 73% e 70%, respectivamente. Não obstante, constata-se que a diferença de eficiência de percurso foi mínima entre os três cenários analisados e pode ser considerada como adequada para a operação de semeadura de amendoim.
SEMEADURA DE AMENDOIM
Após a análise de todas as variáveis foi selecionado para execução o cenário 1 otimizado, uma vez que este apresenta menor quantidade total de linhas, menor distância total percorrida, menor quantidade de manobras e, consequentemente, menor tempo gasto em manobras e menor tempo total de
execução. Ainda no software AgroCAD, o cenário selecionado foi transformado para o formato John Deere, sendo, na sequência, gravado em um pen drive para que pudesse ser transferido para o monitor GS3. No formato John Deere, diferentemente de outras marcas, os arquivos somente podem ser interpretados pelo sistema John Deere e, portanto, não permite que as linhas prontas em “shapefile” (formato universal de arquivo) sejam inseridas no monitor, exigindo que seja realizada uma conversão por meio do software. Após a inserção das linhas planejadas no monitor, o operador do trator fica responsável apenas por realizar as manobras no final de cada linha planejada, alinhar o trator na linha subsequente e
acionar o piloto automático, para execução da semeadura. A semeadura foi realizada utilizando um trator John Deere 7815, que possui 148kW (202cv) de potência no motor, tração 4x2 TDA, operando na velocidade média de deslocamento de 7km/h, equipado com receptor GPS Star Fire, modelo SF3000; monitor Green Star, modelo 3 2630, com sistema de correção RTK com rádio de 900MHz e piloto automático hidráulico. Utilizou-se uma semeadora-adubadora de precisão Marchesan, modelo Cop Suprema, com seis linhas de semeadura, dotada de disco duplo desencontrado de 15” (38,1cm) para deposição da semente e distribuidor pneumático. O espaçamento adotado entre linhas foi de 0,90m com densidade de semeadura em torno de 20 sementes por metro.
Figura 6 - Quantidade de linhas (A); E distância total percorrida (B), em diferentes faixas de comprimento dos cenários selecionado e executado
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Fotos Rouverson Pereira da Silva
COMPARATIVOS ENTRE OS CENÁRIOS
Após execução do cenário selecionado (término da semeadura), extraíram-se os dados das linhas executadas e, a partir daí, fez-se o comparativo entre o cenário selecionado e o cenário executado no campo. Por meio de comandos do software AgroCAD, foram feitas análises de confiabilidade da execução do projeto, que possibilitaram identificar os desvios realizados em campo, juntamente com a comparação de tempo executado de manobra, capacidade de campo operacional e tempo efetivo de semeadura. Observa-se que ocorreu aumento de 5,7% e 4,6% para o comprimento de linhas de zero a 200 metros e 200 a 400 metros, respectivamente. Enquanto que em linhas maiores a 800 metros reduziu em 1% (Figura 6A), e a distância total percorrida reduziu de 0,6% de linhas com comprimentos inferiores a 800 metros e aumentou de 0,1% de linhas superiores a 800 metros, do cenário selecionado com a do cenário executado (Figura 6B). Na Figura 7, é possível notar que houve redução de 6,8% no comprimento médio das linhas e, ainda, na mesma proporção o aumento na quantidade de manobras do selecionado para o executado em campo. Considerando que o número de manobras aumentou, consequentemente o tempo gasto em manobras também aumentou em 6,8% (Figura 8). Em
Avaliação do paralelismo entre as passadas do conjunto trator-semeadora
contrapartida, o tempo de percurso não apresentou diferença considerável, enquanto que o tempo total de execução aumentou cerca de 1,9% do planejado para o executado, contudo, mantendo a eficiência do percurso constante ao longo da operação (73%). As diferenças encontradas entre os cenários (selecionado e executado) para os tempos de manobra e total de execução são pequenas (6,8% e 1,9% superiores, respectivamente) e se justificam, assim como as diferenças encontradas na comparação das demais variáveis, pelo fato de que, durante a execução, podem ocorrer influências de fatores adversos. Esses fatores podem ser, dentre outros, presença de obstáculos e falhas de mão de obra e de sistematização do terreno. Estas adversidades não são adicionadas ao software AgroCAD e, portanto, podem levar ao aumento das variáveis na execução da operação de semeadura de amendoim. Ressalta-se ainda que, apesar dessas
Figura 7 - Comprimento médio das linhas e número de manobras do cenário selecionado e cenário executado
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pequenas diferenças, o uso do software AgroCAD foi benéfico, pois possibilita a seleção de um cenário que favorece a eficiência da operação de semeadura, em detrimento de outras opções que tornariam o processo mais oneroso, uma vez que se teria maior tempo gasto em manobras e maior quantidade de linhas curtas. Além disso, o software é eficiente na realização de análises de cenários e possibilita a otimização destes, mostrando ser uma boa ferramenta para auxiliar o agricultor na realização da semeadura. A utilização do software possibilitou a otimização das linhas de semeadura de amendoim proporcionando o aumento do comprimento médio das linhas e consequentemente o aumento dos tiros do conjunto mecanizado no momento da semeadura. Com o planejamento das linhas de semeadura no software é possível alinhar as operações subsequentes, de modo a reduzir os custos com a atividade agrícola, bem como estabelecer um controle de tráfego nas áreas planejadas, visto que as máquinas irão trafegar sempre sob a mesma faixa, independentemente da operação, só dependerá do ajuste .M da bitola dessas. Rouverson Pereira da Silva, Gabriel Garcia Blumer, Adão Felipe dos Santos, Luiz Augusto de S. Nardo, Cristiano Zerbato e Carlos Eduardo Angeli Furlani, Lamma, Unesp-Jaboticabal, SP
Figura 8 - Tempo total de execução, de percurso e de manobra dos cenários selecionado e executado
PNEUS
Ensaio avalia a influência de pneus de construção radial e diagonal na compactação do solo
N
os últimos anos, as cargas sobre o rodado foram aumentando, especialmente nas máquinas autopropelidas. A indústria de máquinas agrícolas e pneus responde a este fato com o desenvolvimento e a otimização e novos conceitos de material rodante como os pneus radiais de alta flutuação e eixos em sistema tandem, contribuindo para minimizar os impactos de altas cargas sobre o solo e reduzindo o risco de compactação. O termo “área de contato” refere-se à área do pneu que fica em contato com a superfície de apoio do solo, sendo um importante indicador da capacidade de distribuição de carga do pneu para a superfície de contato. Além disso, é nessa área que se transmitem os esforços desenvolvidos entre o pneu e o solo. A determinação da área de contato entre o pneu e o solo desempenha um papel importante na intensidade da compactação. A estimativa da área de contato do pneu contribui para a determinação das pressões de contato, tensão-propagação e risco potencial de compactação que, por sua vez, afeta a produtividade da cultura. A tração do pneu com o solo pode ser aumentada pelo aumento da área de contato. Adicionalmente, o consumo de combustível de tratores é dependente da resistência ao rolamento que, por sua vez, é função da área de contato entre o solo e o pneu.
A utilização de pneus com maior diâmetro e mesma largura ocasiona maior área de contato, uma vez que o comprimento da área de contato é diretamente proporcional ao seu diâmetro. Ensaios de pneus de diferentes tipos construtivos: radiais, diagonais e diagonais cinturados BPAF (Baixa Pressão e Alta Flutuação) auxiliam a indústria a procurar melhorias na estrutura e compostos, buscando tecnologias mais adequadas à realidade do consumidor. Nesse sentido, o setor agrícola demanda resultados técnicos atuais para nortear a melhor opção de investimento em rodados que reduzam os efeitos da compactação do solo e que contribuam para uma maior produtividade. Para analisar os fatores que ajudam a diminuir a compactação, um grupo de pesquisadores da Unesp desenvolveu um trabalho com o objetivo de avaliar a compactação do solo, a área de contato pneu/solo, a deformação elástica e o recalque proporcionado por pneus diagonais cinturados (BPAF) e radiais. O ensaio foi realizado no Núcleo de Ensaio de Máquinas e Pneus Agroflorestais (Nem-
Charles Echer
Radiais x diagonais
pa), Unesp, Campus de Botucatu (SP). Para a determinação das variáveis estudadas dos pneumáticos foram utilizadas uma prensa hidráulica e uma caixa de solo. A caixa foi preenchida com amostra do solo classificado como Latossolo Vermelho (LV), segundo com 35% de argila, 62% de areia e 3% de silte, apresentando teor de água de 0,10kg/kg, sendo dividido em quatro camadas de 0,10m de altura. Após o preenchimento de cada camada da caixa, foi utilizado um rolo compactador para nivelar e compactar o solo com uma densidade média de 1,4kg/dm3. Foram utilizados quatro diferentes tipos de pneus, sendo dois diagonais cinturados de baixa pressão e alta flutuação (BPAF): 600/55-26.5 e 600/50-22.5 e dois de construção radial: 600/55R26.5 e 600/50R22.5, ambos da marca Trelleborg. A carga aplicada nos pneumáticos foi definida baseada na carga média de 53kN (5.400kgf) por pneu, a partir de dados coletados em dez pesagens realizadas em usinas no estado de São Paulo, obtidas em caminhões para transbordo de dois eixos traseiros, carregados, com capacidade líquida de 117,70kN (12.000kgf) e 32m3 de capacidade volumétrica. As pressões foram definidas conforme indicado pelas tabelas do fabricante (Trelleborg, 2013). Cada pneu ensaiado foi colocado no eixo da prensa e por meio do sistema hidráulico foram aplicadas cargas (Ta-
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Fotos Thiago Machado
Tabela 1 - Dimensões, tratamentos do experimento, pressões de inflação Desenho da banda de rodagem dos pneus de construção radial medidas 600/55R26.5 (A) e 600/50R22.5 (B), e diagonais cinturados (BPAF), medidas 600/55-26,5 (C) e e cargas utilizadas no ensaio Dimensões 600/50-22.5 600/50R22.5 600/55-26.5 600/55R26.5
Tratamento D1 R1 D2 R2
Pressão de inflação (psi) 50 50 35 35
bela 1) obtendo a impressão da banda de rodagem do pneu e o recalque sobre a superfície deformável. Após cada prensagem foram obtidas imagens de cada área de contato utilizando-se uma câmera fotográfica digital apoiada em uma plataforma fixa e elevada na estrutura da prensa hidráulica. As imagens digitais foram transferidas para um microcomputador e as leituras gráficas dessas áreas de contato foram obtidas utilizando o programa computacional. Para a avaliação dos recalques na amostra de solo da caixa utilizou-se um perfilômetro e para a determinação das deformações totais foi acoplada uma escala graduada na estrutura da prensa hidráulica. Após cada prensagem do pneu sobre a amostra de solo foi determinada a resistência do solo à penetração (índice de cone) utilizando-se de um penetrômetro eletrônico com a aquisição e armazenamento dos dados. Esta operação avaliou a resistência do solo à penetração na área de contato pneu/amostra de solo e externamente a testemunha, com a finalidade de se obter o incremento da resistência do solo à penetração de cada contato do pneu após sofrer as cargas impostas pela prensa. Foram mensurados 12 pontos obtendo os valores de índice de cone em seis pontos longitudinalmente na linha central da prensagem
Carga (kN) 53,00 53,00 53,00 53,00
600/50-22,5 (D)
A
B
do pneu, alternando garras e entre as garras dos pneus, e seis pontos transversalmente a uma distância de 10cm entre cada perfuração na parte de maior recalque dos pneus. Para determinação dos valores de incremento à compactação do solo foram realizadas quatro perfurações aleatórias fora do local de deformação do solo (testemunha). Os valores para as áreas de contato pneu-solo, deformações elásticas, recalque e incremento da resistência do solo à penetração dos pneus são apresentados na Tabela 2. Os tratamentos R2 e D2 apresentaram maior área de contato em comA
600/50-22.5 carga 53 kN
C
D
paração aos demais (Tabela 2) e não diferiram entre si, sendo que o tratamento R1 apresentou uma área de contato 14% menor e o tratamento D1 apresentou área de contato 15% menor em relação ao tratamento R2. Os menores incrementos da resistência do solo à penetração foram obtidos no tratamento R2, já o tratamento D1 apresentou a maior resistência à penetração da amostra de solo da caixa. O tratamento R1 obteve maior deformação e menor incremento de resistência à penetração quando comparado com o tratamento D1, de mesmo diâmetro de aro. B
600/55R26.5 carga 53 kN
Impressão dos pneus 600/50-22.5 (A) 600/55R26.5 (B) prensados sobre a caixa de solo
Tabela 2 - Resultados das variáveis médias mensuradas nos ensaios de pneus
Tratamentos R2 D2 R1 D1
Área de contato (m2) 0,530 A 0,529 A 0,454 B 0,448 B
Dif. de área de contato em relação a R2 (%) - 0,188 -14,339 -15,471
Deformação elástica dos pneus (m) 0,081 A 0,063 B 0,044 C 0,029 D
Recalque dos pneus (m) 0,086 C 0,154 B 0,165 AB 0,166 A
Em cada linha, para cada fator, médias seguidas de mesma letra maiúscula não diferem estatisticamente entre si, pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade
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Incremento da resistência do solo à penetração (MPa) 0,685 D 1,185 C 1,228 B 1,530 A
Figura 4 - Valores de Índice de Cone para os tratamentos D1, R1, D2 e R2 em relação à profundidade na caixa de solo
Prensa hidráulica pressionando o pneu na caixa de solo durante o experimento
Apesar de todos os pneus possuírem a mesma largura de banda de rodagem sem carga, o diâmetro dos pneus nos tratamentos R2 e D2 eram maiores que nos demais tratamentos, possuindo uma capacidade de carga superior aos demais, o que possibilitou trabalhar com pressão de inflação inferior aos demais tratamentos, contribuindo para o aumento da impressão da área de contato tanto na largura como no comprimento, para maior deformação elástica e consequentemente menor recalque e incremento de resistência do solo à penetração (Tabela 2). Conforme demonstrado na Figura 1, o tratamento R2 apresentou um Índice de Cone abaixo de 2MPa, indicando que em camadas superficiais o pneu
de maior diâmetro e construção radial obteve melhores resultados. O tratamento D1 apresentou Índice de Cone de 2,83MPa na profundidade de 0,10m, sendo o maior valor obtido entre os todos os tratamentos e o tratamento R1 não atingiu valores superiores a 2MPa. Valores superiores a 2MPa de Índice de Cone têm sido associados às condições impeditivas para o crescimento das raízes, prejudicando a parte aérea das plantas, conforme relatos de vários pesquisadores da área.
CONCLUSÕES
Os aros com maiores diâmetros apresentaram os melhores resultados. O pneu de construção radial, com aro de 26,5” de diâmetro, destacou-se apresentando maior área de contato, maior de-
formação elástica e menor recalque, por conseguinte, contribuindo para minimizar os efeitos da compactação, avaliada pela resistência do solo à penetração. O pneu diagonal cinturado (BPAF) e aro 22,5” obteve o mais elevado incremento de resistência à penetração da amostra de solo e a menor deformação elástica. Os resultados evidenciam e confirmam que a correta utilização de tipos construtivos e modelos de pneus minimiza .M a compactação do solo. Thiago Martins Machado, UFMT Mauro Bueno Oliveira e José Augusto Artioli, Trelleborg Kléber Pereira Lanças, Unesp Indiamara Marasca, UniRV
Fotos Charles Echer
MECANIZAÇÃO
No tamanho certo
A dúvida sobre a dimensão correta das máquinas sempre ocorre na hora da aquisição e, em muitos casos, com um complicador que é encontrar uma no tamanho desejado pelo produtor
O
s sistemas de produção de agricultura familiar são responsáveis por grande parte da produção de alimentos do País como também pela movimentação econômica e social do meio rural. Com o passar dos anos, o avanço da tecnologia vem possibilitando a implantação de sistemas mecanizados em propriedades familiares, notadamente aquelas que ocupam menores áreas de produção. A necessidade do agricultor em aumentar sua eficiência durante o trabalho acaba fazendo com que a sua criatividade desperte, e dentro de seus limites muitos acabam desenvolvendo os próprios meios de facilitar seu trabalho, criando ferramentas ou até mesmo máquinas para auxiliar a execução de tarefas dentro da propriedade. Com programas de financiamento criados pelo Governo Federal como o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), se tornou mais fácil o investimento em tecnologias nas Novembro 2016 • www.revistacultivar.com.br
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pequenas propriedades agrícolas. Um dos principais investimentos a se fazer para que haja um aumento de produtividade é definitivamente a mecanização das atividades do campo. O incentivo dado ao agricultor com tais investimentos gera também o desenvolvimento do setor de máquinas e implementos agrícolas que ampliam seu mercado e a oferta de produtos. Desta forma o agricultor passa a contar com máquinas mais adequadas às suas necessidades, possibilitando o aumento de sua capacidade produtiva associada a menor esforço físico, obtendo melhor qualidade de vida. Infelizmente ainda existe carência no mercado nacional de máquinas com estas características, ou seja, adequadas à agricultura familiar e à pequena propriedade, o que gera insegurança no agricultor quando de sua aquisição, pois não sabe com certeza qual será o custo de manutenção e operação. É de fundamental importância ao
agricultor contar com informações para escolher o tipo de máquina mais adequada à sua lavoura, ou seja, com tamanho e capacidade adequados a suprir suas necessidades. Desta forma busca-se que o mesmo não tenha prejuízos, seja por adquirir um parque de máquinas com capacidade maior que a sua necessidade de trabalho ou por comprar um trator com potência no motor incompatível com as máquinas que tem ou vai comprar. Muitas vezes a máquina adquirida pode não ser a mais adequada ao trabalho, visto que muitas vezes o agricultor compra o trator através de recomendações de vizinhos, conhecidos ou por indicação do vendedor, sem ter o conhecimento necessário sobre o que realmente precisa. Outro fator importante que deve ser considerado é se o agricultor está preparado para utilizar essas novas tecnologias. Máquinas mais sofisticadas vêm acompanhadas de alguns tipos de sensores e computadores de bordo (ele-
Os aspectos mais importantes que devem ser analisados no momento da aquisição de um trator agrícola são o seu custo, o desempenho técnico, a ergonomia e a segurança
NA HORA DA COMPRA
Valtra
trônica embarcada), o que para pessoas acostumadas com equipamentos mais simples ou que nunca tiveram a possibilidade de trabalhar com uma máquina, pode gerar dificuldades na operação. É importante que os fabricantes ofereçam as informações e os treinamentos necessários e adequados para a utilização de suas máquinas. A falta de informação e instruções para operar os tratores pode gerar uma perda econômica grande para o produtor, uma vez que a má utilização deste tipo de máquina pode possibilitar um custo maior de operação e manutenção, com baixa eficiência. Tal fato pode colocar em risco a segurança do operador. Também a manutenção feita de forma inadequada pode causar impactos ambientais nos locais onde as máquinas serão utilizadas como: compactação do solo, possibilidade de acelerar os processos erosivos e contaminação química do solo e da água. Para sistemas agrícolas familiares são recomendados tratores de duas e quatro rodas. Tratores de duas rodas executam as mesmas tarefas que os tratores de quatro rodas, porém com potência e estabilidade menores e são adequados para áreas de até 30 hectares. Para áreas maiores podem ser utilizados tratores de quatro rodas, os quais são divididos com tração em duas e quatro rodas - os com tração em quatro rodas são chamados de TDA (tração dianteira auxiliar).
Os aspectos mais importantes que devem ser analisados no momento de aquisição de um trator agrícola são o seu custo, o desempenho técnico, a ergonomia e a segurança. Desta forma o agricultor poderá contar com um trator adequado às suas reais necessidades. O Núcleo de Inovação em Máquinas e Equipamentos Agrícolas (Nimeq) e o Programa de Pós-Graduação em Sistemas de Produção Agrícola Familiar (PPGSPAF) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) vêm desenvolvendo ações conjuntas no sentido de que o agricultor familiar conte com ferramentas que lhe permitam escolher adequadamente o trator a ser adquirido. Neste
sentido, duas dissertações de mestrado já foram defendidas e também foi desenvolvido um software que possibilita ao agricultor, por meio da inclusão de algumas características de sua lavoura, definir o modelo mais adequado à sua situação de trabalho. Esses métodos de seleção foram desenvolvidos com finalidade de, através das características do trator já citadas, dar as informações importantes e necessárias ao agricultor no momento de aquisição. O custo do trator envolve o seu custo de aquisição (preço inicial) e o custo operacional que vem a ser o valor gasto por hectare trabalhado (manutenção) e o consumo de combustível. Em geral o
.M
Estudos demonstram que devido às atividades e ao tamanho de áreas normalmente utilizadas na agricultura familiar, o ideal é usar tratores com potência de 50cv e 75cv
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Itens de segurança importantes no trator ara a maior segurança do operador existem alguns itens necessários no sentido de que o trator não apresente riscos, como a presença de uma estrutura de proteção na capotagem (EPC) em conjunto com um cinto de segurança. Estes itens são: - Câmbio sincronizado para evitar possíveis erros na troca de marchas, em caso de operação com troca contínua de marchas. - Proteção principal para a TDP, no sentido de evitar acidentes. - Presença de lanterna traseira para
preço dos tratores varia de acordo com a sua potência e se possui ou não TDA. O custo operacional inclui o consumo de combustível e o valor de manutenção. Com relação ao consumo de combustível, estudos demonstram que para tratores destinados à agricultura familiar este deve ficar abaixo dos 4L/h. Já o valor de manutenção ideal para estes tratores, não se incluindo a troca de pneus, deve ser abaixo dos R$ 0,60 por hora trabalhada. O desempenho técnico diz respeito à quantidade de trabalho que o conjunto trator-implemento pode realizar por unidade de tempo (capacidade do trator) aliado à facilidade de execução da manutenção. A capacidade do trator pode ser dividida em capacidade de operação (reserva de torque, autonomia do tanque, acionamento independente da TDP, controle remoto, raio de giro, largura do trator e capacidade de levante), e capacidade de tração (potência, presença de TDA e número de marchas), tendo cada item sua respectiva importância no desempenho técnico do trator. A reserva de torque é importante, pois é através desta que o trator consegue vencer um esforço adicional ao ocorrer a redução da rotação do motor. No que tange à autonomia do tanque, considera-se necessário que o trator tenha autonomia para no mínimo dez horas de trabalho. Quando questionados os agricultores consideraram como
facilitar a sua visualização quando trafegar em estradas. - Existência de cantos vivos próximos aos comandos por questões de segurança e para evitar acidentes, principalmente com relação aos membros superiores dos operadores. - Por fim, a existência de alertas de segurança (pictogramas de aviso de perigo dos acidentes mais comuns com tratores). O ideal é que o trator conte com todos os avisos de locais que podem, de alguma forma, provocar acidentes ou que tragam risco ao operador.
Fotos Charles Echer
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um item importante para a execução de seu trabalho o acionamento independente da TDP, em função da facilidade proporcionada às atividades a serem executadas na lavoura. Quanto ao controle remoto se faz necessário que o trator tenha este dispositivo, visto que atualmente existem diferentes tipos de máquinas que o utilizam, facilitando a utilização delas. Como a área em que os tratores trabalham nas propriedades agrícolas familiares normalmente são de tamanho reduzido, o raio de giro do trator deverá ser o menor possível, já que o espaço para manobras também será reduzido, sendo considerado interessante um raio de giro em torno de 2,70m. A largura do trator também deve ser adequada com o espaço entre linhas da cultura a ser
implantada. Para a agricultura familiar verificou-se que a largura máxima do trator deve estar entre 1,20m e 1,46m. A capacidade de levante do sistema está ligada à necessidade dos agricultores de transportar e utilizar equipamentos que precisam ser acoplados ao sistema de engate de três pontos e deve ser suficiente para que o mesmo erga e transporte equipamentos acoplados a este sistema, tendo-se verificado que valores adequados encontram-se na faixa mínima de capacidade de levante de 2.000kgf. Com relação à capacidade de tração do trator estudos demonstram que devido às atividades e ao tamanho de áreas normalmente utilizadas na agricultura familiar a necessidade de potência no motor destes tratores ficará em cerca de 37kW e 55kW, ou seja, algo em torno de 50cv e 75cv. Outro fator importante é a presença da TDA. Em relação a este item, principalmente devido ao sistema de preparo de solo utilizado no processo de cultivo na agricultura familiar, o qual vem a ser o chamado preparo convencional, faz-se imperioso que o trator a ser adquirido possua TDA. Desta forma estes produtores vão ter a possibilidade de um melhor aproveitamento da potência disponibilizada pelo motor do trator. Já com relação ao número de marchas, o ideal para cumprir as necessidades deste grupo de produtores é que o trator apresente
Para áreas maiores podem ser utilizados tratores com tração dianteira auxiliar, o que permite que ele seja usado em diversas operações
Gráfico 2 – Perdas dos diferentes sistemas de colheita
A reserva de torque é um item que deve ser observado na hora da compra
pelo menos seis marchas entre as velocidades de trabalho de 4km/h a 10km/h. Sendo totalmente inadequados tratores que possuam menos do que quatro marchas de trabalho entre as velocidades previamente citadas.
ERGONOMIA E SEGURANÇA
Com relação a ergonomia e segurança do operador, infelizmente estes são fatores que hoje em dia no Brasil ainda são deixados de lado. Mesmo com o avanço da tecnologia e do conforto nas cabines dos tratores, os modelos antigos ainda são muito usados e estes não apresentam todos os itens de segurança necessários ao operador. Com relação à ergonomia, para possibilitar e manter uma adequada qualidade de trabalho sem prejudicar a saúde do operador, existem alguns pontos que podem ser levados em conta, como posição do escapamento, isolamento térmico da transmissão, número de posições de conforto do assento, nível de ruído, presença de defletor de poeira, posição da alavanca de câmbio (o ideal é que esta seja localizada lateralmente) e regulagem da inclinação do volante de direção. A combinação adequada destes fatores proporcionará mais conforto, ergonomia e qualidade de operação, permitindo ao operador trabalhar por mais tempo e com maior rendimento, sem trazer prejuízos à sua saúde. Poucos acidentes que acontecem durante a operação de máquinas agrícolas são reportados, portanto não existem muitos dados referentes a este fator, porém, é de conhecimento
geral que o trabalho com máquinas agrícolas deve ser feito com bastante cuidado, respeitando normas de segurança, condições do terreno e especificações da máquina. Um ponto negativo da mecanização dos sistemas de produção agrícolas familiares é que a falta de informação faz crescer o número de acidentes durante o trabalho, assim como aconteceu quando as primeiras máquinas foram inseridas no dia a dia do trabalhador rural. Essa adaptação da agricultura familiar à tecnologia se faz necessária no sentido de possibilitar o aumento de produtividade, a qual traz reflexos imediatos nas regiões, em seu entorno
e para o país, pois maior produtividade significa maior geração de renda e consequentemente maior capacidade de consumo. O incentivo e o investimento em pesquisas e desenvolvimento de novas máquinas e ferramentas que possam reduzir os esforços e aumentar a eficiência nos sistemas de produção, aliados à existência de linhas de crédito para aquisição destas, certamente estimularão as fábricas a desenvolver máquinas .M adequadas a estes.
Antônio Lilles Tavares Machado, João Marco Barbosa de Moraes, Norberto Luiz Marques Andersson, Roberto Lilles Tavares Machado e Laurett de Brum Mackmill, NIMEq - UFPel
Projetos para pequenas propriedades
O
Núcleo de Inovação em Máquinas e Equipamentos Agrícolas (Nimeq), está desenvolvendo diversos projetos com a finalidade de facilitar o trabalho de agricultores e colaborar, consequentemente, com um aumento de produtividade do agricultor. Os protótipos ali desenvolvidos são para uso com tração humana, animal e mecânica, adequando-se a diferentes tipos de produtores e tamanho de propriedades. Neste núcleo de inovação, que tem contado com o importante apoio financeiro do CNPq, já foram desenvolvidos um debulhador de milho, três semeadoras, uma máquina para controle térmico de invasoras, um dosador de adubo de dupla saída, um
chassi mais leve direcionado a semeadoras de quatro linhas, possibilitando melhor utilização da potência do motor do trator nesta operação. Também encontram-se em desenvolvimento colhedora-beneficiadora de cebolas, encanteiradora-depositora de adubo, plataforma multifunção para a cultura do tabaco e uma máquina para execução de raleamento em faixas para o semiárido brasileiro, que será utilizada na implantação de Sistemas Agroflorestais Pecuários, projeto desenvolvido em conjunto com a Embrapa Ovinos, de Sobral (CE), além de outros equipamentos e sistemas dedicados a facilitar e qualificar o trabalho do agricultor familiar.
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CAPA
Menu de autopropelidos Mais de 60 modelos de pulverizadores autopropelidos são ofertados no mercado brasileiro garantindo grande variedade de tamanhos e configurações, com características para atender todos os tipos de lavouras
O
crescimento populacional e, consequentemente, a maior demanda por alimentos, exigem que o setor primário busque alternativas para alavancar a produtividade das áreas agricultáveis. Estima-se que em 50 anos a população mundial necessite de 100% mais alimentos para atender as demandas nutricionais. Neste contexto, o Brasil será responsável por 40% do alimento produzido no mundo. Destes, somente 20% terão origem de novas áreas, 10% serão procedentes da utilização eficiente do sistema visando à redução das perdas na produção e 70% deverão ser provenientes de novas tecnologias, as quais permitirão o aumento
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da produtividade das áreas já consolidadas. Sendo um dos maiores produtores de grãos, fibras e cereais do mundo, o Brasil também acaba sendo um grande consumidor de agroquímicos. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Brasil utiliza cerca de 300 mil toneladas de defensivos por ano. Por este motivo, a adequada utilização destes produtos se faz necessária, não só para garantir o potencial produtivo das áreas agrícolas brasileiras, mas também para preservar o meio ambiente em que se vive. Semelhantemente ao avanço tecnológico que ocorreu no melhoramento genético, na produção vegetal,
em fitossanidade, em uso, manejo e conservação dos solos, houve também o avanço tecnológico de máquinas e implementos agrícolas, com a utilização dos sistemas eletrônicos embarcados, possibilitando a realização das atividades de forma segura, rápida e econômica. Para atender a necessidade de aplicação de agroquímicos na agricultura e manter a fitossanidade das áreas agrícolas, o setor das máquinas agrícolas foi chamado a auxiliar com tecnologia adequada este processo. Os pulverizadores agrícolas utilizados para a proteção das culturas atendem o objetivo de atingir o alvo biológico e possibilitar que estas demonstrem sua produtividade po-
John Deere
tencial no meio em que se encontram. Atualmente, no mercado brasileiro existem diversos tipos de pulverizadores, onde se podem destacar os pulverizadores autopropelidos, como máquinas de grande porte com alta tecnologia embarcada e, decorrente disto, uma elevada capacidade operacional, o que possibilita atender grandes áreas com qualidade na pulverização.
FABRICANTES E MODELOS
Atualmente, no Brasil, existem diversos fabricantes de máquinas agrícolas, dentre estes vários que produzem pulverizadores autopropelidos. Entre os fabricantes encontram-se empresas nacionais e multinacionais (capital internacional), as quais possuem suas unidades fabris localiza-
das em diversos estados brasileiros (Tabela 1). Algumas destas empresas surgiram da fusão entre duas ou mais marcas, objetivando maximizar a produção e atender a demanda do mercado brasileiro. Dentre os estados brasileiros onde as empresas instalaram suas unidades fabris, destaca-se o Rio Grande do Sul com aproximadamente
Valtra
A John Deere disponibiliza os modelos JD 4630 e JD 4730, ambos equipados com motores de seis cilindros, transmissão hidrostática, tração 4x4 e barras de 24,3m e 30,5m respectivamente
Case IH
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A
Autopropelidos brasileiros
tualmente, no mercado brasileiro, os pulverizadores autopropelidos são classificados conforme a potência nominal do motor (cv/kW). A Classe I corresponde aos pulverizadores com potência do motor menor ou igual a 109cv (80kW); a Classe II refere-se à potência entre 110cv e 150cv (81kW e 110kW); a Classe III engloba modelos com potência entre 151cv e 190cv (111kW e 140kW); a Classe IV abrange pulverizadores com potência entre 191cv e 231cv (141kW e 170kW) e a Classe V corresponde à potência superior a 231cv (170kW). Assim, ao fazer o levantamento de todas as marcas e os modelos de pulverizadores autopropelidos disponíveis atualmente no mercado brasileiro, é possível observar na Figura 1 que, dos 60 modelos comercializados,
nenhum encontra-se na Classe I. A provável justificativa para esta ausência de oferta é que não há viabilidade técnica e econômica em investir-se em projetos de pulverizadores que utilizem motores com baixa potência, dado ao requerimento necessário, para o deslocamento da máquina e para o funcionamento de todo o sistema de pulverização. Ao analisar a Figura 1, constata-se que a Classe III é a que detém a maior parcela do mercado brasileiro, correspondendo a 32% do total comercializado, seguida pelas classes IV, II e V, as quais representam 30%, 27% e 11%, respectivamente, do mercado de autopropelidos. Estes valores podem ser explicados pela fatia do mercado em que cada fabricante pretende atender e, ainda, estar relacionados com o tamanho médio das áreas de cultivo brasileiras.
Figura 1 – Distribuição dos pulverizadores autopropelidos comercializados atualmente no mercado brasileiro conforme a classificação proposta por Farias e colaboradores, no ano de 2015
53% dos fabricantes de pulverizadores autopropelidos, seguido pelos estados de São Paulo, Paraná e Goiás, os quais possuem 27%, 13% e 7% das empresas, respectivamente. A partir do levantamento das características que cada fabricante utiliza em suas máquinas e da informação apresentada comercialmente no início do segundo semestre de 2016, pode-se chegar a diversas constatações, que serão colocadas a seguir num breve comentário sobre cada um deles. A fabricante de pulverizadores Novembro 2016 • www.revistacultivar.com.br
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Aral possui em seu portfólio dois modelos de pulverizadores autopropelidos, sendo eles: AR 2350 4x2 com motor de quatro cilindros e AR 2350 4x4 com motorização de seis cilindros, ambos com transmissão mecânica. Estes equipamentos possuem barras de pulverização que compreendem larguras entre 22 e 27 metros e reservatório de calda com capacidade volumétrica de 2.350 litros. A empresa Case-IH, pertencente ao grupo NH, apresenta em seu portfólio três modelos de pulveri-
zadores autopropelidos, o Patriot 250, o Patriot 350 e o Patriot 250 Extreme, o qual foi desenvolvido para terrenos que apresentam topografia acidentada. Os modelos Patriot 250 Extreme e Patriot 250 são equipados com reservatório de calda com volume de 2.500 litros, e o Patriot 350 é equipado com reservatório de calda de 3.500 litros. Os dois primeiros modelos possuem barras com 24 ou 27 metros de largura, já o Patriot 350, foi projetado para utilizar barra de pulverização com 30 metros de largura de trabalho. Os três modelos de pulverizadores autopropelidos da Case-IH são equipados com transmissão hidrostática e tração 4x4, sendo que os modelos 250 com motor de quatro cilindros e o modelo 350 com motor de seis cilindros. Uma das empresas mais antigas no ramo da pulverização, a Jacto, disponibiliza para os agricultores sete modelos de pulverizadores autopropelidos, sendo eles: Uniport 3000 Plus Vortex, Uniport 3000 Plus Canavieiro, Uniport 3030, Uniport 2000 Plus, Uniport 2530, Uniport 4530 e Uniport 2500 Star. Dentre estas versões, algumas possuem características específicas desenvolvidas para a cultura da cana-de-açúcar, bem como o sistema Vortex ®. Os modelos disponibilizados pela Jacto apresentam transmissões mecânica e hidrostática, podendo ter tração 4x4 ou 4x2 e motores com quatro e seis cilindros. Já no que diz respeito à largura das barras de pulverização, esta pode variar de 24 a 36 metros, conforme o modelo. Considerando a capacidade do reservatório de calda, esta varia entre 2.500 e 4.500 litros. A Jan está presente no mercado com dois modelos, o Power Jet 4x4 e o Power Jet 4x2. Ambos apresentam transmissão mecânica e motor com quatro cilindros. Os dois modelos são equipados com barras que podem variar entre 22 e 24 metros de largura e volume do reservatório de calda de
Massey Ferguson
Figura 2 - Distribuição e tipos de transmissões utilizadas pelos pulverizadores auto- Figura 3 - Distribuição da capacidade volumétrica do reservatório de calda utilizada propelidos conforme classificação proposta nos pulverizadores autopropelidos, em função da classificação utilizada
2.500 litros. Outra empresa que também possui dois modelos de pulverizador autopropelido é a John Deere. Os modelos disponíveis são: JD 4630 e JD 4730, sendo equipados com motores de seis cilindros e transmissão hidrostática, ambos com tração 4x4. O JD 4630 possui barra de pulverização de 24,3 metros de largura e reservatório de calda com capacidade para 2.270 litros. Já o JD 4730 possui barra de pulverização de 30,5 metros de largura e reservatório de calda de 3.028 litros. Recentemente, a Kuhn adquiriu a empresa Montana, agregando os modelos fabricados por ela em seu portfólio. Esta apresenta no merca-
do brasileiro nove modelos de pulverizadores autopropelidos, sendo a marca com o maior número de modelos disponíveis atualmente. Os modelos fabricados pela Kuhn são: Boxer 2025 M, Boxer 2021 H, Boxer 2021 M, Boxer 2025 H, Stronger 3040, Parruda 2627 M, Parruda 3027 H, Stronger 3030 e Parruda 2027 H. Estas máquinas são equipadas com motores de quatro e seis cilindros, possuindo transmissão mecânica ou hidrostática e tendo ainda a disponibilidade de tração 4x2 ou 4x4. A Kuhn possui equipamentos com larguras de barras que variam entre 21 e 30 metros e capacidade de reservatório de calda com volume entre 2.000 e 3.000 litros.
A empresa KF, que recentemente começou a produzir pulverizadores autopropelidos, apresenta o modelo Ákila. Este pulverizador é equipado com motor de quatro cilindros, transmissão hidrostática e tração 4x4. Possui barra de pulverização com 27 metros de largura e reservatório de calda com capacidade volumétrica de 2.500 litros. A Massey Ferguson, pertencente ao grupo AGCO, possui dois modelos de autopropelidos disponíveis no mercado, o MF 9030 Plus e o MF 9030 Plus Canavieiro. Ambos apresentam características semelhantes, como motor de seis cilindros, transmissão hidrostática com tração 4x4 e reservatório de calda com capacidade de
A Massey Ferguson possui dois modelos, o MF 9030 Plus e o MF 9030 Plus Canavieiro, com motores de seis cilindros, transmissão hidrostática com tração 4x4 e opções de barras de 25m e 28m
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Pla
Figura 4 - Distribuição da largura da barra de pulverização (metros) utilizada nos pulverizadores autopropelidos, segundo a classificação utilizada
New Holland
A Pla disponibiliza sete diferentes modelos, equipados com motores de quatro cilindros
3.000 litros. As principais diferenças entre eles são a largura da barra de pulverização e os rodados utilizados, sendo que o MF 9030 Plus é equipado com barra de pulverização entre 25 e 28 metros e pneus de construção radial, com dimensão de 380/90R46. Já a versão canavieira possui barra com 25 metros de largura e pneus de construção diagonal, com a dimensão 18.4-34. A empresa Metalfor também possui uma diversidade de modelos comercializados no mercado brasileiro. Esta possui em seu portfólio oito modelos de pulverizadores
autopropelidos, sendo eles: Futura 2200 AB, Multiple 3200 AB, Multiple 3000 AB, Multiple 2500 AB, 7040, Futura 2200 AB 4x4, Multiple 3000 AB 4x4 e Multiple 3200 AB. Todos os modelos são equipados com motor de seis cilindros, alguns com transmissão mecânica conjuntamente com tração 4x2 e outros com transmissão hidrostática de tração 4x4. Os modelos comercializados pela Metalfor apresentam reservatório de calda com capacidade volumétrica entre 2.200 e 3.200 litros. No que se refere à largura da barra de pulverização, esta pode variar entre 25 e 32 me-
tros, conforme o modelo. Outra empresa pertencente ao grupo CNH, a New Holland, está no mercado com dois modelos de autopropelidos, o Defensor SP 2500 e o Defensor SP 3500. Ambos os modelos estão equipados com transmissão hidrostática e tração 4x4 cruzada. O primeiro modelo possui motor de quatro cilindros, reservatório de calda com 2.500 litros e barra de pulverização com 24 metros de largura de trabalho. O segundo, que está equipado com motor de seis cilindros, conta com reservatório de calda com capacidade para 3.500
Os autopropelidos Defensor SP 2500 e o Defensor SP 3500 são os dois modelos comercializados pela New Holland, com reservatórios de calda de 2,5 mil litros e 3,5 mil litros respectivamente
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Kuhn
Case IH
litros e barra de pulverização com 27 metros de largura. Com sete modelos ofertados no mercado brasileiro, a PLA fornece diversas configurações em seus pulverizadores autopropelidos. Todos os sete modelos são equipados com motores de quatro cilindros, com transmissão do tipo mecânica ou hidrostática e tração do tipo 4x2 ou 4x4. Apresentam reservatório de calda com variação volumétrica entre 2.500 e 3.500 litros e largura de barra entre 22 e 36 metros. A empresa PulverJet possui quatro modelos: o PulverJet HD, o PulverJet PCTA, o PulverJet TD e o PulverJet PCT. Todos são equipados com motor de seis cilindros, onde diferem entre si pelo tipo de transmissão e tração. Dois modelos com transmissão mecânica e dois com transmissão hidrostática. Os modelos PulverJet PCTA e PulverJet PCT estão equipados com tração 4x2, o PulverJet HD está equipado com tração 4x4, já o PulverJet TD é um diferencial da marca e apresenta tração 6x6, sendo projetado para as culturas de arroz irrigado e de cana-de-açúcar. Os pulverizadores desenvolvidos pela PulverJet possuem reservatório de calda variando de 2.100 a 3.000 litros
A Case IH oferece três diferentes modelos: o Patriot 250, o Patriot 350 e o Patriot 250 Extreme, com opções de barras de 24m a 30m
de capacidade de armazenamento e barra de pulverização com dimensões entre 21 e 30 metros de largura. A ServSpray, pioneira na fabricação de autopropelidos no Brasil, apresenta quatro modelos, sendo eles: o Gafanhoto 4x4, o Gafanhoto 4X2, o Gafanhoto Dual e o Gafanhoto Dual Canavieiro. Os modelos que recebem a denominação Dual são adaptados também para a distribuição de produtos sólidos. Os quatro modelos da ServSpray são equipados com motor de seis cilindros e reservatório de calda com capacidade volumétrica de 3.000 litros. Eles diferem na largura da barra de pulverização, variando entre 21 e 30 metros. Cinco modelos de autopropelidos são disponibilizados pela Stara,
A Kuhn possui nove diferentes modelos de autopropelidos, com barras entre 21m e 30m
sendo eles: o Imperador CA 3100 (adaptado para as culturas da cana-de-açúcar e do arroz irrigado), o Imperador 3.0, o Imperador 3100, o Imperador 2650 e o Gladiador 2300. Os quatro primeiros modelos são equipados com motor de seis cilindros e o último com motor de quatro cilindros. Todos os modelos apresentam transmissão do tipo hidrostática e tração 4x4. Estes modelos são produzidos com barra variando entre 25 e 30 metros de largura e reservatório de calda entre 2.300 e 3.100 litros de capacidade. Outra empresa pertencente ao grupo AGCO, a Valtra, disponibiliza no mercado dois modelos de pulverizadores autopropelidos: o BS 3020 H e o BS 3020 H canavieiro. Estes
Tabela 1 - Representação dos fabricantes de pulverizadores autopropelidos no Brasil, número de modelos fabricados, município e estado onde se localizam Marca comercial Aral Case-IH Jacto Jan John Deere Kuhn KF Massey Ferguson Metalfor New Holland PLA PulverJet ServSpray Stara Valtra
No de modelos fabricados 02 03 07 02 02 09 01 02 08 02 07 04 04 05 02
Município São José do Ouro (RS) Piracicaba (SP) Pompeia (SP) Não-Me-Toque (RS) Catalão (GO) São José dos Pinhais (PR) Cândido Godói (RS) Canoas (RS) Ponta Grossa (PR) Piracicaba (SP) Canoas (RS) Tapejara (RS) Piedade (SP) Não-Me-Toque (RS) Canoas (RS)
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Jan
Stara
A Stara disponibiliza cinco modelos de autopropelidos, com barras de 25m a 30m
são equipados como motor de seis cilindros, transmissão hidrostática com tração cruzada 4x4 e reservatório de calda com capacidade para 3.000 litros. O diferencial entre os dois modelos é a largura da barra de pulverização.
TRANSMISSÃO DE POTÊNCIA
No que se refere ao sistema de transmissão de potência dos pulverizadores autopropelidos, pode-se observar na Figura 2 que nos pulverizadores pertencentes às classes II e III a transmissão hidrostática equipa 37,5% e 63,2% das máquinas, respectivamente. No entanto, 94% dos pulverizadores da Classe IV e a totalidade dos pulverizadores da Classe V disponibilizados no mercado brasileiro são equipados com transmissões hidrostáticas. Este tipo de transmissão proporciona melhor adequação da velocidade de deslocamento e de trabalho das máquinas, possuindo como vantagem a independência entre os componentes, como eixo e chassi. Trabalhos recentes, inclusive do grupo de autores deste diagnóstico, encontraram resultados semelhantes no ano de 2015 ao avaliarem os tipos de transmissões, a capacidade do reservatório de calda, a largura das Novembro 2016 • www.revistacultivar.com.br
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A Jan possui dois modelos de autopropelidos: Power Jet 4x4 e o Power Jet 4x2, com barras de 22m ou 24m
barras e o vão livre dos pulverizadores em função da potência nominal do motor.
RESERVATÓRIO DE CALDA
No que se refere ao reservatório de calda, pode-se analisar na Figura 3 que os pulverizadores autopropelidos foram divididos em máquinas com reservatórios com capacidade menor ou igual a 2.000 litros, entre 2.000 e 3.000 litros e, ainda, reservatórios com capacidade igual ou superior a 3.000 litros. Os pulverizadores pertencentes à Classe II possuem 50% dos seus modelos com capacidade de reservatório de calda menor ou igual a 2.000 litros e 50% dos reservatórios com capacidade de armazenamento de calda entre 2.000 e 3.000 litros. Na Classe III, 52,6% dos pulverizadores apresentam capacidade de 2.000 a 3.000 litros e 47,4% com armazenamento de calda maior ou igual a 3.000 litros. Na Classe IV, 27,8% dos pulverizadores apresentam capacidade de armazenamento de calda entre 2.000 e 3.000 litros e 72,2% com capacidade maior ou igual a 3.000 litros. Já na Classe V, todos os pulverizadores autopropelidos encontram-se equipados com reservatórios de calda maior ou igual
a 3.000 litros. Assim, pode-se afirmar que quanto maior a potência nominal do motor apresentada nos pulverizadores autopropelidos, como observado nas classes III, IV e V, maior é a capacidade do reservatório de calda.
LARGURA DAS BARRAS DE PULVERIZAÇÃO
No que se refere ao tamanho da barra de pulverização (largura em metros), os modelos dos autopropelidos pertencentes à Classe II possuem as três categorias de largura da barra conforme a classificação proposta. Sendo que 12,5% das máquinas possuem largura igual ou menor a 21 metros, 50% entre 21 e 25 metros e 37,5% dos modelos encontram-se equipadas com barra de largura igual ou maior que 25 metros (Figura 4). Na Classe III, 73,7% dos pulverizadores possuem largura mínima de barra igual ou maior que 25 metros, 15,8% e 10,5% das máquinas encontram-se equipadas com barras de largura menor ou igual a 21 metros e entre 21 e 25 metros, respectivamente. A maior parte dos modelos da Classe IV encontra-se equipada com barras de largura maiores ou iguais a 25 metros, dos quais apenas 5,6% são fornecidos com barras de largura menor ou igual a 21 metros. Já na Classe V, 28,6% dos pulverizadores
encontram-se distribuídos entre 21m e 25m e 71,4% igual ou maior que 25 metros. Diferentemente do que foi observado para o sistema de transmissão e capacidade do reservatório de calda, a maior potência nominal do motor não se traduz em barras largas de pulverização. Isto pode ser explicado pelo fato de, por mais que a máquina possua elevada potência nominal do motor (pulverizadores pertencentes à Classe V), o chassi, o sistema de amortecimento das vibrações e as características dos terrenos agrícolas não suportam elevadas larguras de trabalho, podendo dificultar a estabilidade e o nivelamento de barras de pulverização com larguras maiores.
Jacto
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao fazer a análise da descrição dos principais critérios técnicos destas máquinas, pode-se inferir que com o aumento da potência nominal dos motores dos pulverizadores autopropelidos, maior será a capacidade volumétrica do reservatório de calda,
pois proporciona o aumento da capacidade de trabalho do pulverizador (hectares/dia ou hectares/hora), aumentando a eficiência e a autonomia, uma vez que reduz as paradas para o reabastecimento da máquina. É possível observar também que, quanto maior é a potência nominal do motor, maior é o número dos equipados com transmissão hidrostática. Nota-se ainda que há uma tendência na utilização de barras cada vez maiores para as classes avaliadas. Porém, nas classes IV e V, verifica-se que as máquinas não são equipadas com barras de dimensões superiores a 36m de largura, o que provavelmente esteja relacionado à dificuldade na estabilidade e no nivelamento delas. Por fim, ressalta-se que há necessidade de propor-se uma classificação de pulverizadores que não somente leve em conta a potência no motor e agregue as dimensões do depósito de calda e a largura de barra. Uma proposta poderia enquadrar os pulverizadores autopropelidos comerciais em apenas três classes.
A primeira, a Classe I, reuniria pulverizadores com motores de quatro cilindros e potência entre 120cv e 140cv, depósito principal entre 2.000 e 2.500 litros, largura de barra de 21 a 25 metros. A Classe II envolveria aqueles pulverizadores com motores de seis cilindros e potência entre 140cv e 200cv, depósito principal entre 2.500 e 3.000 litros e largura de barra de 27 a 32 metros. Finalmente, a Classe III seria aquela que compreenderia os pulverizadores autopropelidos com motor de seis cilindros e potência entre 200cv e 250cv, depósito principal entre 3.000 e 3.500 litros, largura de barra de 27 a 32 metros. Em crescendo a potência, o volume do depósito e a largura acima destes padrões, pode ser usada uma Classe 4, com modelos com dimensões maiores que as previstas .M nas classes anteriores. Alfran Tellechea Martini, José Fernando Schlosser, Marcelo Silveira de Farias, Giácomo Müller Negri e Daniela Herzog, Agrotec/Nema - UFSM
A Jacto oferece sete diferentes modelos de autopropelidos: Uniport 3000 Plus Vortex, Uniport 3000 Plus Canavieiro, Uniport 3030, Uniport 2000 Plus, Uniport 2530, Uniport 4530 e Uniport 2500 Star, com opções de barras de 24m a 36m
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New Holland
COLHEDORAS
Devagar e sempre Avaliação de perdas na colheita mecanizada de trigo mostra que a velocidade de deslocamento da colhedora e a inclinação do terreno são dois fatores que devem ser observados para evitar perdas na operação
O
cultivo do trigo destaca-se como importante cereal de inverno e ocupa grandes extensões de terras, principalmente no Sul do Brasil. Durante a colheita, muitos aspectos fazem com que ocorra a perda de grãos, refletindo na produtividade efetiva das lavouras. Alguns fatores de perdas têm seus efeitos minimizados através da regulagem correta da própria colhedora. Por outro lado, existem situações, como inclinação da máquina, que acentuam as perdas, principalmente em sistemas de limpeza e separação sem nivelamento automático. As máquinas utilizadas na colheita possuem mecanismos complexos que precisam ser bem compreendidos para a correta regulagem. Essa operação é considerada uma das Novembro 2016 • www.revistacultivar.com.br
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etapas de maior importância dentro do sistema de produção, devido à sua relação direta com o rendimento e a qualidade final dos grãos. Por isso, os sistemas de alimentação, de trilha, de separação e, especialmente, o sistema de limpeza demandam regulagens que, associados à velocidade de trabalho e ao ponto de colheita, estabelecem a eficiência da operação. Levando-se em conta o uso de colhedoras com sistema de trilha de cilindros de barras (convencionais), Portella (2002) aconselha iniciar a colheita quando o grão de trigo tiver entre 16% e 18% de umidade. É neste ponto que se obtém melhor desempenho da colhedora, pois há menor debulha por ação da plataforma e menor trituração da palha, permitindo, desse modo, melhor eficiência
do saca-palhas e das peneiras de limpeza da colhedora. Também destaca que não é conveniente colher quando o grão apresentar mais de 18% de umidade, pois poderá provocar dano mecânico no produto, principalmente por esmagamento, que certamente irá afetar sua qualidade final, bem como o poder germinativo e o peso do hectolitro. Outros estudos apontam que à medida que é diminuída a umidade do grão do trigo, aumenta-se o número de grãos quebrados em sistemas de trilha convencional. A velocidade de deslocamento é um fator importante a ser estudado, pois reflete diretamente na alimentação da colhedora. Além disso, a inclinação da máquina resulta em sobrecargas na lateral das peneiras (sentido da inclinação). A combi-
nação desses dois fatores aumenta significativamente as perdas a campo, principalmente em áreas onde a colhedora trafega em áreas planas e inclinadas sem alterar a velocidade de deslocamento. Esse problema também é identificado em culturas como a soja e o milho. Quando a colhedora trabalha em áreas com menores inclinações, as perdas encontram-se dentro de parâmetros aceitáveis, já à medida que o terreno apresenta um desnível maior, as perdas aumentam consideravelmente. Nesse sentido, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal da Fronteira Sul, em Cerro Largo (RS), realizou ensaio com o objetivo de avaliar as perdas de grãos de trigo de uma colhedora submetida a três diferentes velocidades (4km/h, 6km/h e 8km/h) e a três condições de inclinação (0% a 5%, 5% a 10% e 10% a 15%).
Marcos Antonio Zambillo Palma
MÁQUINAS UTILIZADAS
O experimento foi realizado no ano agrícola 2013/2014 no município São Martinho, no Rio Grande do Sul. A coleta dos dados foi realizada no momento da colheita do trigo cultivar TBIO Pioneiro 2010 quando
Tabela 1 - Perdas de grãos de trigo na précolheita em diferentes inclinações do terreno Inclinação (%) 0-5 5-10 10-15 CV (%)
Perdas Pré-colheita (kg ha-1) 124,25 a 100,06 a 107,18 a 17,92
As médias seguidas pela mesma letra não diferem estatisticamente entre si. Foi aplicado o Teste de Scott-Knott ao nível de 5% de probabilidade.
os grãos apresentavam umidade de 13%. No experimento foi utilizada uma colhedora automotriz marca New Holland, modelo 8055, ano de fabricação 1993, equipada com plataforma New Holland Super Flex com largura de corte de 15 pés (450mm). A colhedora trabalhou com as seguintes regulagens: altura de corte 100mm; molinete com 35 rotações por minuto; cilindro a 1.000 rotações por minuto; abertura de côncavo de 10mm e 55% de abertura das peneiras. Para determinação das perdas decorrentes dos sistemas de corte e dos mecanismos internos (trilha e limpeza) foi utilizada a metodologia proposta por Portella (2002) e por Ferreira et al (2007), em que consideram-se dois metros quadrados de
Tabela 2 - Perdas de grão de trigo e função da inclinação do terreno e da velocidade de colheita (kg ha-1) Inclinação (%) 0-5 5-10 10-15 CV (%)
Velocidades (km h-1) 4 8 6 34,08 aB 29,38 bB 51,62 aA 25,99 aB 31,37 bB 53,45 aA 27,23 aB 50,07 aA 54,59 aA 26,94
Médias seguidas de mesma letra não diferem estatisticamente entre si, maiúscula na linha e minúscula na coluna, pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade.
área para coleta dos grãos perdidos numa faixa que abrange a largura da plataforma. Para verificar a influência da velocidade de deslocamento e da inclinação da colhedora nas perdas de grãos, foram avaliadas as seguintes velocidades de deslocamento na colheita: v1: 4km/h, v2: 6km/h e v3: 8km/h em três condições de inclinação do terreno (0% a 5%, 5% a 10% e 10% a 15%). A velocidade foi mensurada com o auxílio de um monitor de GPS e, para inclinação da colhedora, foi utilizado um clinômetro digital acoplado ao chassi da máquina. O delineamento experimental utilizado foi blocos inteiramente casualizados com três repetições. Caracterizaram-se as perdas em pré-colheita com cinco avaliações em cada inclinação. Para a análise estatística foi utilizado o software Assistat, versão 7.7, pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade.
QUANTO SE PERDE?
A inclinação da colhedora, na menor velocidade, não alterou significativamente as perdas
A lavoura, onde foi realizado o ensaio, apresentou produtividade média de 2.220kg/ha. As perdas na pré-colheita foram expressivas, embora a inclinação do terreno não tenha ocasionado diferenças, conforme a Tabela 1. O resultado está de acordo com o esperado, em que a inclinação do terreno não influencia diretamente sobre a perda de grãos no período anterior ao procedimento de colheita. Esse tipo de perda é denominado natural ou pré-colheita. Os valores das perdas na pré-coNovembro 2016 • www.revistacultivar.com.br
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Fotos Marcos Antonio Zambillo Palma
As menores perdas observadas no ensaio ocorreram na menor velocidade e, na velocidade intermediária, até a inclinação da máquina em 10%
lheita estão ligados à incidência de ventos que provocam o acamamento e ao retardo na colheita em função da sequência de chuvas. Devido aos fatores climáticos é comum a realização de operações fora das condições ideais de trabalho, uma vez que a umidade dos grãos apresentava-se abaixo de 16% que seria a condição de iniciar a colheita. Ao avaliar a velocidade de deslocamento da colhedora observaram-se maiores perdas na situação de maior velocidade (8km/h) e na velocidade de 6km/h em condição de maior inclinação de acordo com a Tabela 2. As menores perdas foram observadas na menor velocidade e, na velocidade intermediária, até a inclinação de 10%. Os resultados demostram a necessidade de alterar a velocidade de deslocamento da colhedora ao trafegar em inclinação superior a 10% devido à sobrecarga nas laterais das peneiras, o que ocasiona aumento nas perdas de grãos no sistema de limpeza. A inclinação da colhedora, na menor velocidade, não alterou significativamente as perdas. Dessa forma, é possível realizar a colheita com perdas aceitáveis, em condições de maior inclinação, mesmo com colhedoras sem o nivelamento automático Novembro 2016 • www.revistacultivar.com.br
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de peneiras desde que a velocidade não ultrapasse os 4km/h. Ao trafegar com a colhedora a 6km/h destaca-se que, na maior inclinação, houve um aumento significativo nas perdas de grãos. Em velocidades iguais ou superiores a 6km/h é fundamental ficar atento à inclinação da colhedora. Também é importante observar que até 10% de inclinação a colheita apresentou perdas semelhantes à menor velocidade, demonstrando que é possível aumentar a capacidade operacional da colhedora, mantendo os níveis de perdas semelhantes à menor velocidade de deslocamento. No entanto, à medida que a inclinação ultrapassar 10% recomenda-se reduzir a velocidade de deslocamento. Para situação de maior velocidade as perdas de grãos foram superiores independentemente da inclinação. Perdas semelhantes à condição de maior velocidade foram verificadas na maior inclinação ao trafegar na velocidade de 6km/h. O fluxo de material na colhedora em lavouras homogêneas, como foi o caso, permite uma boa separação do material após a passagem pelo sistema de trilha. No entanto, Ferreira et al (2007), em seu estudo na cultura da soja concluíram que o fluxo total
de material grão e não grão aumentou com o crescimento da velocidade, indicando uma sobrecarga e aumento das perdas nestes sistemas. Tal fator também foi verificado no presente estudo com a cultura do trigo, em que a maior velocidade apresentou as maiores perdas pelo maior fluxo de material.
CONCLUSÕES
Nas condições em que a pesquisa foi desenvolvida, concluiu-se que a colheita de trigo, realizada por colhedoras sem nivelamento automático de peneiras, deve ter deslocamento máximo de 6km/h em lavouras com inclinação de até 10% para manter menores níveis de perdas de grãos. Também é recomendado que para colheita de trigo, em áreas com mais de 10% de inclinação, a velocidade de deslocamento seja inferior a 4km/h. Baseados nos resultados obtidos, recomenda-se também que não deve ser realizada colheita de trigo a 8km/h, independentemente da inclinação do terreno, pois as perdas são significativamente maiores em relação à velocidade de 6km/h. .M Marcos Antonio Zambillo Palma, Marcos Hensel e Evandro Pedro Schneider, UFFS – Cerro Largo
IMPLEMENTOS
Duas linhas
A
Avaliação em campo aponta perdas na colheita de milho realizada por colhedora de duas linhas acoplada a trator agrícola
Região Sul representa grande participação da agricultura familiar no Brasil, sendo que o milho tem grande destaque de cultivo e uso dentro dessas propriedades. Os pequenos produtores de milho, no sistema de agricultura familiar, ainda dispõem bastante das colhedoras de uma ou duas linhas acopladas a tratores agrícolas, sendo este um fato justificado pelas pequenas extensões das propriedades e poucas áreas agricultáveis. Em muitas situações acaba não sendo economicamente viável a aquisição de grandes máquinas (colhedoras automotrizes) para essas pequenas áreas de lavoura. Dessa forma, muitos
agricultores fazem uso de colhedoras acopladas, pois além de serem equipamentos de menor custo de aquisição e manutenção, ainda permite utilizar o trator agrícola já presente na propriedade. Essas máquinas acopladas aos tratores, por serem de baixo custo, não apresentam muitas tecnologias presentes nas colhedoras autopropelidas, o que muitas vezes possibilita perdas significativas durante o processo de colheita. Dentre todos os manejos exercidos durante o ciclo da cultura do milho, a colheita mecanizada é a última etapa do processo produtivo, exigindo grandes cuidados ao conduzi-la, pois quando executada sem o emprego de
alguns critérios pode acarretar grandes perdas, aumentando o custo de produção e, consequentemente, redução na rentabilidade do produtor (Bertonha et al, 2012). Velocidades inadequadas no deslocamento da colhedora e umidade dos grãos são fatores que ajudam a elevar o número de perdas de grãos. Para reduzir a quantidade de perdas no processo da colheita mecanizada pode-se melhorar o grau de instrução dos operadores, fazer a manutenção periódica das colhedoras com regulagens eficientes, escolher uma correta velocidade de trabalho e o momento certo para iniciar a operação da colheita (Balastreire, 1987). No Brasil há grande Novembro 2016 • www.revistacultivar.com.br
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Tabela 1 - Média de perdas em quilogramas por hectare, obtida através da soma das amostras geradas na plataforma de corte e mecanismos de trilha em função da interação de umidade dos grãos e velocidade de colheita UMIDADE (%) 21 26
VELOCIDADES DE COLHEITA (km h-1) 6,0 3,0 4,5 85,8 bA 57,8bA 76,8bA 183,2 aB 154,6 aA 170,3 aA
Para cada velocidade, letras minúsculas iguais nas linhas não diferem entre si pelo Teste de Tukey ao nível de 5% de significância. Para cada umidade, letras maiúsculas iguais nas colunas não diferem entre si, pelo Teste de Tukey ao nível de 5% de significância.
uso e comercialização das colhedoras acopladas de milho e agricultores de diversas regiões do País não dispõem informações sobre as ideais condições operacionais dessas máquinas. Por isso, pesquisadores do Instituto Federal Catarinense realizaram estudo com o objetivo de quantificar as perdas durante a colheita mecanizada de milho com três velocidades de deslocamento e dois graus de umidade dos grãos da cultura do milho, utilizando uma colhedora de duas linhas acoplada a um trator agrícola. O experimento foi conduzido nos anos agrícolas 2015/2016 em uma área da Fazenda de Ensino, Pesquisa e Produção do Instituto Federal Catarinense (IFC) - Campus Rio do Sul, em Santa Catarina.
Foto
TESTE EM CAMPO
Antes da instalação do projeto foram retiradas amostras de solo na camada
de 0cm-20cm formando uma amostra composta, que foi encaminhada ao laboratório de análise química de solo da região do Alto Vale do Itajaí da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina - Epagri. A adubação foi realizada conforme a interpretação da análise de solo e recomendação para a cultura do milho seguindo a recomendação do manual de adubação e calagem para os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A semeadura do milho foi realizada em novembro de 2015 e definida com uma população de seis plantas/m² e espaçada a 0,80m entre linhas, utilizando o Híbrido Convencional 30F53 da Pioneer Sementes. No decorrer do desenvolvimento da cultura foram realizadas pulverizações de acordo com as recomendações agronômicas de manejo e a adubação de cobertura conforme a recomendação da interpretação da análise de solo. Quando a cultura atingiu maturação fisiológica, amostras de grãos foram colhidas e medida constantemente a umidade dos grãos até se alcançarem os níveis desejados de umidade para análise a campo. A colheita mecanizada foi realizada através de uma colhedora da marca Jumil JM 380 acoplada ao trator, com sistema de fluxo axial, posicionada lateralmente, acoplada na barra de tração e no chassi do trator. A colhedora é composta por sistema despigador, de alimentação, de trilha, de separação e de limpeza,
A colheita foi realizada através de uma colhedora da marca Jumil JM 380 acoplada ao trator, com sistema de fluxo axial
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sendo que a mesma colhe duas fileiras de plantas por vez com abertura total da plataforma de 1,6m. A tração e o acionamento da colhedora foram realizado por um trator da marca New Holland, modelo TM 135 com Tração Dianteira Auxiliar, com 102kW de potência. O delineamento experimental utilizando para análise dos dados foi o de fatorial com dois fatores (três velocidades de deslocamento da colhedora versus dois graus de umidade dos grãos) contendo cinco repetições. As diferenças de umidade foram obtidas através da colheita em datas diferentes, sendo que a primeira colheita foi realizada quando a umidade dos grãos apresentava média de 26% e a segunda época de colheita foi realizada quando a umidade se apresentava em torno de 21%. As velocidades de colheita foram de 3km/h, 4,5km/h e 6km/h, respectivamente. As variáveis utilizadas para análise estatística foram as perdas dos grãos caídos no momento da passagem da plataforma de corte e os grãos caídos ao solo após passar pelo sistema de separação e limpeza com trilha. Para se quantificar as perdas foi utilizada a metodologia descrita por Mesquita et al (1998). No momento da colheita, parcelas com 50m de comprimento foram utilizadas, sendo que os primeiros 20m serviram para estabilizar o fluxo de grãos dentro da máquina e o restante das parcelas foi utilizado para quantificar os grãos perdidos. Para determinar as perdas de grãos através do impacto da plataforma de corte e nos mecanismos internos, que somados representaram a perda total, relativas à colhedora, foi utilizada uma armação de 2m² com dimensões variáveis de acordo com a largura de corte da plataforma, colocada no sentido transversal ao plantio das linhas. Os grãos soltos e aqueles contidos em sabugos encontrados no chão dentro da armação foram pesados e os valores transformados em kg/ hectare. As amostras coletadas foram pesadas em balança analítica e posteriormente igualaram-se às umidades de ambas as amostras colhidas em épocas diferentes, de forma que não houvesse
Armação utilizada para avaliar as perdas ocasionadas pela colhedora
extrapolação dos resultados utilizando-se o valor de umidade utilizado para a comercialização dos grãos de milho de 13%. Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância pelo teste F e a comparação de médias, pelo teste de Tukey, ao nível de 5% de probabilidade. Na Tabela 1 encontra-se a síntese da análise de variância e teste de médias das perdas ocasionadas pela soma da plataforma e mecanismos de trilha, gerando as perdas totais ocasionadas pela colhedora. É possível notar que não houve diferença significativa entre as três velocidades de trabalho durante a colheita quando a umidade dos grãos se encontrava com 21%. Entretanto, quando a umidade dos grãos se encontrava em 26%, nas mesmas três velocidades, houve efeito significativo no aumento das perdas de grãos conforme o aumento da velocidade de colheita. Young e outros pesquisadores já em 1953 constataram que as perdas no campo com colhedora acoplada ao trator aumentavam à medida que havia um acréscimo na velocidade de colheita, sendo que na época as máquinas eram menos tecnificadas, chegando a recomendar que a colheita fosse realizada com tratores utilizando primeira marcha para se deslocar. Vale ressaltar que os autores Ortiz e Cañavate, em 1993, relataram que velocidades de colheita de 4km/h geraram perdas totais variando de 3,5% a 10,5% da produção por hectare, podendo chegar até a dobrar esse valor de perdas quando a velocidade aumentava para próximo a 7km/h. Em relação ao nível de umidade
Acamamento da cultura pode resultar em maiores perdas e grãos ardidos
relacionado às perdas na colheita, foi possível notar que quando a lavoura apresentava umidade dos grãos próxima a 21% as perdas não foram muito expressivas. Contudo, quando a colheita foi realizada antecipada, com teor de umidade dos grãos de milho em 26%, as perdas de grãos caídos ao solo após passar pelos mecanismos de trilha e separação da colhedora foram superiores a 1,5 saco/ha, principalmente na velocidade de 6km/h. Os resultados encontrados neste trabalho se assemelham aos encontrados por Loureiro em 2012, que avaliou as perdas quantitativas ocorridas na colheita mecanizada do milho cultivado em espaçamentos reduzido e convencional, onde foram
observadas perdas superiores a 1,5 saco/ha para perdas na plataforma e mecanismos internos. Segundo Sgarbi (2006), na medida em que os grãos vão secando na lavoura, melhora o desempenho da colhedora, tanto na plataforma quanto nos mecanismos internos (trilha e separação), fato também apontado por Portella (2003). Porém, quanto mais tempo a cultura levar para sair do campo, maiores são as chances de haver acamamento. Do contrário, quando se retira a cultura antecipadamente do campo com teores de umidade elevados, o produtor precisa levar em consideração a necessidade e a disponibilidade de secagem, o gasto de energia com secagem, os riscos de deterioração, além do aumento das perdas nos mecanismos de trilha (Quick e Buchele, 1978). De maneira geral, as perdas de grãos caídos ao solo após a passagem da plataforma de corte e passagem pelos mecanismos internos da colhedora foram altas, sendo que na umidade de 26% as perdas foram superiores em relação a quando estava em 21%, uma vez que, conforme houve aumento da velocidade de colheita, houve acréscimo nas perdas de grãos. Os valores médios estão representados .M na Figura 1. Dionata Hotz, Fabrício C. Masiero, Ricardo K. Veiga, Adelino do Amaral e Marlon Goede, IFC - Campus Rio do Sul
Figura 1 - Média de perdas em quilogramas por hectare em função de dois graus de umidade e três velocidades de deslocamento no momento da colheita
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LUBRIFICANTES
Óleo hidráulico
Divulgação
Na hora de realizar a troca do óleo do sistema hidráulico é necessário prestar atenção para não utilizar produtos com características indesejadas e que coloquem em risco os equipamentos
O
óleo hidráulico, também chamado de fluido hidráulico, é uma substância que se insere entre as superfícies em movimento, produzindo uma película que reduz o desgaste dos componentes e a geração de calor. Também pode ser utilizado como um meio de transmissão de energia em maquinário hidráulico, tendo como funções atuar como um elemento que transmite potência; agir como uma película de adequada resistência para reduzir o atrito e minimizar o desgaste entre as partes móveis e funcionar como um selo impedindo a entrada de ar no sistema. Os fluidos hidráulicos são compostos de substâncias sintéticas, óleo mineral, Novembro 2016 • www.revistacultivar.com.br
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água e misturas baseadas em soluções e emulsões aquosas. Sua característica mais importante é a baixa compressibilidade, ou seja, quando submetido à pressão externa tem baixa redução de volume. Durante a operação do sistema hidráulico a bomba pressuriza o sistema, fazendo com que o óleo aumente de temperatura em função das perdas de carga que são convertidas em calor. Isto ocorre, basicamente, devido ao atrito entre o fluido e as paredes da tubulação, bem como com o próprio fluido.
CARACTERÍSTICAS
Para sistemas hidráulicos algumas características dos óleos são
fundamentais ao adequado funcionamento do sistema, como viscosidade, resistência à solicitação térmica, resistência à oxidação, propriedade antiferrugem, demulsibilidade, resistência à formação de espuma, baixa compressibilidade, baixa filtragem e baixa toxidade. A viscosidade é a mais importante propriedade de um óleo hidráulico, pois atua na eficiência do sistema. Isso porque afeta diretamente o componente mais importante que é a bomba hidráulica e suas condições operacionais. Desta forma, a classificação ISO é a utilizada para atender aos requisitos de viscosidade estabelecidos pelos diversos fabricantes destas. A lubri-
a diminuir o ar solúvel (bolhas de ar) transportado no óleo hidráulico, que influencia na precisão dos acionamentos hidráulicos, modificando os tempos de resposta. Permanentemente o óleo é filtrado tanto na entrada como na saída do sistema, durante a operação. Logo, o tamanho dos filtros e o material com o qual a malha do filtro é confeccionada devem ser observados, para assim manter o óleo livre de partículas. Por fim, uma característica também importante é a baixa toxidade, item que deve ser conferido nas especificações fornecidas pelo fabricante do produto.
PRINCIPAIS FLUIDOS HIDRÁULICOS
Massey Ferguson
ficação da bomba hidráulica é o que determina a seleção da viscosidade do óleo hidráulico. Para manter a vida útil dos óleos hidráulicos é importante que estes trabalhem com temperaturas em torno de 80ºC, por isso é importante a propriedade de resistência à solicitação térmica. O aquecimento e o resfriamento de forma sucessiva fazem com que haja uma redução da vida útil deste. Para boa condutibilidade térmica o calor gerado no sistema hidráulico deverá ser transportado para o reservatório pelo fluido e este calor deverá ser irradiado das tubulações e do reservatório parcialmente para o ambiente. Não ocorrendo o resfriamento necessário, equipam-se os sistemas com mecanismos trocadores de calor. Quando recomendados para operar por longos períodos de tempo sobre severas condições, é fundamental que os óleos hidráulicos possuam estabilidade à oxidação. Daí a importância da propriedade de resistência à oxidação. A deterioração do óleo pode ocorrer devido ao calor proveniente da agitação e da turbulência, provocando a formação de óxidos, vernizes e lacas. A oxidação pode ser retardada com um óleo básico bem refinado e tratado, permitindo ao sistema hidráulico funcionar isento de formação de depósitos. Já a maior causadora da corrosão é a umidade. Esta pode ser evitada através de inibidores de ferrugem presentes em óleos hidráulicos de boa qualidade. Quando o óleo é contaminado com a água, resultante de vazamentos nos resfriadores do óleo e mais comumente da condensação da umidade atmosférica, pode causar problemas ao sistema hidráulico. Por isso, o óleo deve possuir boa demulsibilidade, ou seja, capacidade de separar a água do óleo, de forma rápida e eficiente. A espuma é composta por bolhas de ar envolvidas em uma película de óleo. As bolhas se formam no reservatório e se deslocam através da bomba de sucção. O ar irá rapidamente para a superfície se o óleo possuir boa resistência à formação de espuma e o reservatório for adequadamente projetado. A característica de baixa compressibilidade de um óleo hidráulico ajuda
Os principais fluidos utilizados no sistema hidráulico são os óleos minerais, óleos solúveis, fluidos sintéticos e fluidos não inflamáveis. Os óleos minerais representam mais de 90% dos fluidos hidráulicos usados mundialmente. Para produzir um bom fluido hidráulico, de base mineral, são utilizados óleos básicos parafínicos, altamente refinados e com aditivos como antidesgaste, antiferruginoso, antiespumante, abaixadores de ponto de fluidez e antioxidantes. Os óleos solúveis são utilizados para aplicações em sistemas leves, podendo a água ser utilizada como fluido hidráulico. Como a água não tem propriedades
lubrificantes, utiliza-se o óleo solúvel como proteção contra a ferrugem, em uma concentração de 2% a 3%. Este tipo de fluido hidráulico apenas poderá ser utilizado em temperaturas próximas a 50ºC, sistemas não críticos e equipamentos produzidos para operar com este tipo de fluido. Já os fluidos sintéticos são compostos químicos como ésteres, silicones e aromáticos de elevado peso molecular. Os fluidos não inflamáveis são as emulsões de óleo em água, de glicol em água ou os fluidos sintéticos à base de ésteres e polialfaelefina. Esse tipo de fluido dificilmente entra em ignição (combustão). Por exemplo: numa solução invertida com 40% de óleo, quando a água evaporar o óleo resultante poderá pegar fogo.
CLASSIFICAÇÃO PARA ÓLEOS HIDRÁULICOS
Os óleos hidráulicos possuem duas classificações: ISO e DIN. A classificação ISO (International Standards Organization) se baseia apenas na viscosidade do óleo lubrificante, desconsiderando o seu uso. O grau ISO indica que a viscosidade do óleo pode variar até 10% acima ou abaixo daquele valor. Como exemplo, o óleo ISO VG 68 pode apresentar viscosidade de 61,2 a 74,8 centistokes (cSt). Quanto mais alto o número, mais grosso ou viscoso é o óleo. Já a classificação DIN baseia-se na
O óleo ideal é aquele que serve para todos os tipos de sistemas hidráulicos, sob diferentes condições de trabalho
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Fotos Divulgação
Ao revisar o sistema hidráulico durante o trabalho, lembre-se que estes, normalmente, estão em temperatura elevada podendo causar graves queimaduras. Mantenha distância segura de uma máquina em funcionamento para evitar possíveis acidentes com a ruptura de uma mangueira de alta pressão. Ao reabastecer o sistema hidráulico, fique atento com a limpeza do local e mantenha a máquina nivelada para não realizar uma leitura errada do nível. E sempre que for manipular óleos hidráulicos tenha cautela, pois estes são agentes contaminadores do meio ambiente e de .M grande impacto.
O óleo hidráulico atua como um elemento que transmite potência
qualidade do óleo mineral, de maneira que as duas se complementam. (ver Tabelas 1 e 2)
A ESCOLHA DO ÓLEO HIDRÁULICO
Para escolher um óleo hidráulico devemos, primeiramente, conferir o manual do equipamento. Nele está especificado qual o tipo de óleo que deve ser utilizado e a sua viscosidade. Caso esta informação não esteja disponível, deve-se verificar se o sistema hidráulico requer fluido resistente ao fogo. Se ele não for necessário é recomendado utilizar um óleo mineral. O fluido ideal é aquele que serve para todos os tipos de sistemas hidráulicos, sob diferentes condições de trabalho. Ao adquirir óleo hidráulico busque conhecer o fabricante, que este seja reconhecido no mercado e que o fornecedor seja de sua confiança. A seguir, são listados alguns cuidados para realizar a adequada escolha e o bom manejo dos óleos hidráulicos.
CUIDADOS AO ESCOLHER
Na hora de escolher é necessário prestar atenção em algumas informações. Não se deve priorizar o custo ao escolher um óleo hidráulico. Ao optar pelo óleo mais barato, as despesas operacionais do equipamento poderão aumentar e a vida útil diminuir. Menos de 3% do custo operacional da maioria dos equipamentos industriais é representado pelo óleo hidráulico. A manutenção do fluido hidráulico é imprescindível para manter a qualidade da operação. Cerca de 80% das falhas em sistemas hidráulicos são causadas Novembro 2016 • www.revistacultivar.com.br
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É importante manter as válvulas protegidas para evitar a contaminação
devido à contaminação por água e sedimentos. Deve-se sempre armazenar em local apropriado: fechado, seguro, bem ventilado (sem oscilação térmica significativa), seco, sobre estrados ou pallets, devidamente identificado e sem acesso de crianças e animais. O óleo deve ser conservado dentro do recipiente original e identificado. Caso necessite de volumes menores, utilize recipientes apropriados e livres de resíduos e outras impurezas. O recipiente deve ser fechado para que a sujeira não se misture ao óleo. Tome cuidado também para não misturar fluidos hidráulicos de fabricantes diferentes, pois podem ocorrer danos ao sistema hidráulico. Por isso é importante sempre utilizar óleos hidráulicos conforme orientação do fabricante, respeitando os intervalos de troca recomendados. Também limpe e ou substitua os filtros conforme recomendações dos fabricantes.
Eliana Andreia Vogt, Valmir Werner, Catize Brandelero, Marcelo Alberto Hilgert e Jaqueline Ottonelli, Mecaniza/Nema/CCR - UFSM
Tabela 1 - Classificação da viscosidade cinemática em mm2/s a 40oC de óleos hidráulicos de acordo com a ISO 3448 Viscosidade ISO VG 2 ISO VG 3 ISO VG 6 ISO VG 7 ISO VG 10 ISO VG 15 ISO VG 22 ISO VG 32 ISO VG 46 ISO VG 68 ISO VG 100 ISO VG 150 ISO VG 220 ISO VG 320 ISO VG 460 ISO VG 680 ISO VG 1000 ISO VG 1500
Mínimo 1,98 2,88 4,14 6,12 9,00 13,50 19,80 28,80 41,40 61,20 90,00 135,00 198,00 288,00 414,00 612,00 900,00 1.350,00
Máximo 2,42 3,52 6,06 7,48 11,00 16,50 24,20 35,20 50,60 74,80 110,00 165,00 242,00 352,00 506,00 748,00 1.100,00 1.650,00
Tabela 2 - Classificação de óleos minerais de acordo com as normas DIN 51524 e ISO 6743/4 Descrição Óleo mineral sem aditivos Óleo mineral com inibidores de oxidação e corrosão Com aditivos anticorrosão, antioxidantes e antidesgaste Óleos HLP com aditivos detergentes e dispersantes Além de aditivos contra oxidação, corrosão e desgaste, também possuem os que aumentam sua viscosidade, para uso em equipamentos expostos a uma ampla faixa de temperatura
DIN H HL HLP HLPD HVLP
ISO HH HL HM HV, HR