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Maquinas 10

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Do editor Edição Número 10 - Ano II Março/Abril 2002 ISSN - 1676-0158 EMPRESA JORNALÍSTICA CERES CGCMF : 02783227/0001-86 Insc. Est. 093/0309480 Rua Sete de Setembro 160 7º andar Pelotas RS 96015 300 E-mail: cultivar@cultivar.inf.br

Circula com esta edição o suplemento especial Agrishow Cerrado, com as principais novidades que as grandes empresas fabricantes de máquinas do Brasil vão mostrar no evento, em Rondonópolis, que se realiza pela primeira vez, de 3 a 6 de abril. Na semana passada circulou a edição Especial da Cultivar Máquinas dedicada à Expodireto, promovido pela Cotrijal, que no seu terceiro ano de realização, em Não-MeToque, RS, já tomou lugar entre os pesos-pesados das exposições de máquinas no País. E no mês de fevereiro os leitores da Cultivar Máquinas examinaram , em detalhes, o que havia para se ver no Show Rural de Cascavel, um evento já consolidado como lançador de novidades na área de sementes e agroquímicos, agora também um exponente do setor de máquinas.

Site: www.cultivar.inf.br Assinatura anual (06 edições): R$ 38,00 DIRETOR

Newton Peter

São três promoções especiais da Cultivar Máquinas em apenas dois meses, no Rio Grande do Sul, Paraná e agora Mato Grosso, demonstrando afinação aguda com a indústria de máquinas agrícolas, levando ao produtor rural atualizada tecnologia, antes circunscrita ao Agrishow de Ribeirão Preto. Aproveitem, curtam o que de melhor chega a Rondonópolis.

EDITOR GERAL

Schubert Peter

CONSULTOR TÉCNICO

Índice

Dr. Arno Dallmeyer

Nossa Capa

REDAÇÃO

Foto Eugênio Schröeder

Pablo Rodrigues Charles Ricardo Echer

DESIGN GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO

Fabiane Rittmann

MARKETING

Otávio Pereira

CIRCULAÇÃO

Edson Luiz Krause

ASSINATURAS

Simone Lopes

ILUSTRAÇÃO

Índice

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Rodando por aí

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Armazenamento na propriedade

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Compre melhor seu 4x4

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Madeira na fazenda

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Desempenho garantido de tratores

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Pulverização eletrostática

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Transmissão em motores

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Previsão do tempo

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Novo Massey

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Opinião

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Rafael Sica

EDITORAÇÃO ELETRÔNICA

Index Produções Gráficas

Anúncios

FOTOLITOS E IMPRESSÃO

Kunde Indústrias Gráficas Ltda. NOSSOS TELEFONES:

Armazenamento Produtor rural descobre que é mais negócio armazenar na fazenda

(53)

....................................................

GERAL / ASSINATURAS: 272.2128

REDAÇÃO : 227.7939 / 272.1966

MARKETING: 3025.4254 / 272.2257

FAX: 272.1966

Caderno especial Pela primeira vez Rondonóplis realiza o Agrishow Cerrados mostrando as novidades do setor de máquinas agrícolas

Produção de madeira Uma pequena serraria pode tornar lucrativa uma propriedade

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Transmissão de motores Como funciona a transmissão da força gerada pelo motor às rodas

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Tecnologia na previsão do tempo Poder prever o tempo significa garantir qualidade na produção

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Rodando por aí

Sistema Fielstar

Astor Kilpp

Mais vendas em 2001

Astor Kilpp, Supervisor de Marketing da Massey Ferguson, está entusiasmado com o Trator MF 5320 da série 5000. O modelo possui o sistema Fielstar de agricultura de precisão para trabalhos de aplicação de insumos com base em mapas gerados a partir de dados obtidos na colheita ou através de análise química e física do solo. Os mapas gerados detalham as aplicações e mostram se há necessidade de correções em diferentes áreas da lavoura.

Goodyear

Não faltou entusiasmo no estande da Goodyear na Coopavel 2002. O Gerente de Produto da linha de pneus agrícolas e fora-de-estrada, Eduardo Duarte Rios, juntamente com a engenheira de vendas ,Suzan Petter, e o Gerente de Produtos da linha de correias, Ângelo Torchio, marcaram presença no Show Rural e mostraram-se otimistas com as perspectivas para o mercado em 2002, que prevê novidades na linha de pneus e correias agrícolas.

Os fabricantes de máquinas agrícolas comemoraram o crescimento das vendas de tratores e colheitadeiras em 2001. Com 28 mil tratores e quatro mil colheitadeiras comercializadas no ano passado, houve um aumento de 15% e 8% respectivamente em comparação com 2000. A AGCO lidera o mercado com 34,5% das vendas de tratores, seguido pela New Holland com 25,7%, Valtra com 23,3%, John Deere com 10,9% e Agrale com 2,7%. Para 2002 as perspectivas são melhores ainda, já que em janeiro deste ano as vendas cresceram 47% em tratores e 33 % em colheitadeiras, em relação ao mesmo período em 2001.

Nova frota

Francesco Pallaro, Diretor Comercial da New Holland Latino Americana, ressaltou a importância do Moderfrota para a modernização do processo produtivo. Quem não tinha, está comprando o primeiro, e quem tem está trocando a sua máquina por uma nova , garante ele, ressaltando que aproximadamente 1/3 da frota de tratores no Brasil tem mais de 20 anos.

Recorde

A Agrale S.A. registrou faturamento recorde em 2001, com um crescimento geral de 30% em relação ao ano 2000. Somente em exportações o valor chegou a quase R$ 14 milhões, um aumento de 58%, com direito a entrada em novos mercados como o Oriente MéFrancisco Stedile dio. As vendas de caminhões leves aumentaram 43%, mantendo a empresa líder no segmento pelo quarto ano consecutivo. Outro segmento que se destacou foi o de geradores, com um aumento em 135% nas vendas. Para 2002, a Agrale pretende continuar crescendo e espera um aumento de 20% no faturamento total.

Francesco Pallaro

O Diretor de Relações Externas da New Holland, Pércio Pastre, comemorou o crescimento das vendas da empresa em 2001 dando, o crédito aos produtores que buscam cada vez mais tecnologia e modernidade para o campo. Outro ponto destacado foi o aumento nas exportações, com um acréscimo de 39,2% em relação ao ano passado.

Pércio Pastre

Agródromo

Em sua passagem pelo Show Rural Coopavel 2002, o Governador do Paraná, Jaime Lerner, elogiou a organização do evento e declarou: Enquanto os outros preparam seus sambódromos, nós do Paraná temos um agródromo , fazendo referência à estrutura e ao sucesso nacional da feira. Na ocasião o Governador também recebeu a edição especial da Cultivar Máquinas que circulou com informações sobre as empresas e os produtos que se destacaram no Show Rural.

Jaime Lerner

Central de energia

A Caterpillar Brasil inaugurou no mês de fevereiro em sua unidade industrial, em Piracicaba, uma central de geração de energia com capacidade de 12,7 megawats de potência. O sistema garantirá o fornecimento ininterrupto de geração de energia para preservar a continuidade de suas operações, mesmo que ocorram paradas no abastecimento da rede pública. Os sete geradores irão operar diariamente das 18h às 21h e, em caso de falta energia, assumirão automaticamente toda a carga da empresa.

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Máquinas

Organização

O Presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, avaliou o Show Rural deste ano como a maior e melhor de todas as edições já realizadas . O evento encantou os expositores e os 118 mil visitantes pela excelente infra-estrutura e organização. Em sua 14ª edição a feira reuniu 204 empresas expositoras dos setores de pesquisa, extensão rural, agroquímicas, sementes e máquinas agrícolas.

CASE IH

Exportações

Angelo, Suzan e Ronaldo

Rogério, Ibrahim e Dilvo

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Carlito Eckert, Diretor de Vendas da Case IH, esbanja sorrisos com o sucesso que a Colheitadeira Axial Flow está fazendo por onde passa. Lançada no mercado em 2001, a nova colheitadeira da Case chama a atenção dos produtores, que querem conferir de perto o exclusivo sistema de fluxo axial.

Carlito Eckert

Mais leve e moderna

O Diretor Comercial da GTS, Assis Strasser, comemora a boa fase nas vendas da nova plataforma de milho da série 2001. A plataforma é 40% mais leve que as plataformas convencionais e possui blindagem das linhas, com sistema anti-impacto. Construída com chassi em alumínio e componentes em polietileno, a plataforma proporcionam maior velocidade, menor consumo de combustível e menor compactação do solo.

Assis Strasser

John Deere

José Coelho, Diretor de Mercado e Produto da John Deere, mostrou-se animado no Show Rural deste ano com o lançamento de três modelos de tratores da série 05, com motores da série 350, desenvolvidos especificamente para aplicações agrícolas, com alta reserva de torque, longa vida e baixos custos de manutenção.

José Coelho Março / Abril 2002


Colheita estocagem

Armazenamento na propriedade Estocar a produção na fazenda é uma das formas de aumentar a rentabilidade do negócio

P

ara muitos produtores a resposta é simples. Já que existem as unidades armazenadoras de sua cooperativa, de uma estatal ou privada em sua região, por que gastar dinheiro com um investimento extra, além de assumir os gastos com os custos operacionais e riscos de perdas? Afinal eles é que têm competência técnica para limpar, secar,armazenar e assumir os riscos de quaisquer perdas.

06

Máquinas

Por outro lado, os gerentes de unidades armazenadoras, tanto das cooperativas estatais ou privadas, são de consenso de que os agricultores não têm competência técnica nem recursos financeiros para limpar, secar e armazenar adequadamente sua produção. Dizem que é uma questão de economia de escala. Afinal de contas, a cooperativa já fez grandes investimentos com treinamento de técnicos e diversos operadores

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da unidade armazenadora, dotando a infraestrutura de grandes moegas, grandes secadores e enormes unidades armazenadoras é, que são orgulhos da região.

PICO DA SAFRA A cultura está no ponto de colheita, as máquinas colhedoras estão prontas (algumas alugadas) os caminhões extras para o Março / Abril 2002


Unidades industriais de secagem e armazenamento ainda são as mais usadas pelos produtores brasileiros

transporte de grãos da lavoura para a cidade já foram contratados (mesmo com tarifa mais elevada, pois a colheita não pode esperar). Acontece que todos os produtores vizinhos estarão na mesma situação. O resultado, como é previsível, é um grande congestionamento de caminhões em filas na porta das unidades armazenadoras, independentemente de serem de suas cooperativas, estatais ou privadas. O caminhoneiro reclama e exige tarifa extra por hora parada devido a demora no descarregamento, o produtor fica preocupado porque a colheita tem que ser entregue e pode necessitar contratar caminhões extras para dar conta do andamento da colheita.

QUALIDADE DOS GRÃOS No início da colheita a umidade dos grãos é mais elevada. Com a demora na descarga, ficando o dia inteiro ou até mais, os grãos podem começar a esquentar devido à fermentação e ao desenvolvimento de fungos, dando início ao processo de deterioração com o risco de o gerente recusar a carga pelo excesso de umidade ou em função de sinais de início de deterioração ou a presença de micotoxinas. A quantidade de grãos ardidos será grande e, dependendo do teor de grãos ardidos , seu lote pode ser recusado. Se a carga for recusada, desesperadamente procura-se uma unidade armazenadora, de modo geral privada, que cobrará custos de serviços exorbitantes, além de incidir os descontos também exorbitantes. Não é incomum a incidência de descontos além das normas tradicionais com uso de medidores de umidade viciados ou operados inadequadamente, intencionalmente, Março / Abril 2002

para incidir descontos maiores. Além desses problemas, para dar conta da fila de caminhões, os secadores vão ser operados com temperaturas excessivamente elevadas, promovendo danos físicos e biológicos irreversíveis nos grãos e, conseqüentemente, a desvalorização do produto na comercialização. Assim, para o produtor, de que valeu o investimento feito na escolha da semente, no preparo do solo, na aquisição de insumos, na modernização de suas máquinas e equipamentos, aplicação de tecnologias mais avançadas, se ficar à mercê das condições meteorológicas e ver o resultado de todo este trabalho e lucro esvaindo-se na situação descrita?

DESCONTOS E TARIFAS

contos que vão incidir sobre os lotes de grãos que chegam a uma unidade armazenadora coletora, quer seja privada ou estatal. Digamos que o caminhão foi descarregado relativamente sem perda de tempo. Faz-se a amostragem, passa pela pesagem do caminhão com carga, determina-se o teor de impurezas e umidade e dirige-se para a moega para a descarga. Suponhamos que o percentual de impurezas foi de: 8% e que o desconto é na base de 2%, e que a umidade foi de 18% e o desconto é na base de 13%. Só de descontos podemos contabilizar conforme se segue: a. 6.52%* sobre o total de grãos que foram entregues em função das impurezas; mais b. 5,74%* também sobre o total, devido a umidade; c. Total de 12,26% somente de descontos relativos a impurezas e umidade. *calculados de acordo com a seguinte fórmula:

[

]

Uinicial - Ufinal ___________ % Quebra = 100 - Ufinal

x 100

onde: % Quebra - Percentual de Quebra sobre o Peso inicial em % Uinicial - Valor da umidade inicial em % Ufinal - Valor da umidade final em % Obs.: Para o caso de desconto devido a impurezas, utilizar a mesma fórmula substituindo-se Uinicial por %Impurezas inicial e Ufinal por % de Impurezas final . No caso,

Vejamos agora como são feitos os des-

[ ]

18-13 % Quebra = ______ 100-13

x 100 = 5,74%

Com a umidade dos grãos e a demora na descarga o lote pode ser recusado e acarretar em perdas maiores www.cultivar.inf.br

Máquinas

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f

Fotos Pablo Rodrigues

Com a demora na descarga e, ficando o dia inteiro ou até mais, os grãos podem começar a esquentar devido à fermentação e ao desenvolvimento de fungos, dando início ao processo de deterioração


Fotos Pablo Rodrigues

Há de se reconhecer que a tecnologia de armazenagem foi introduzida no Brasil recentemente, isto é, na década de 1960

... ou calcular diretamente o Peso final, após o desconto, pela fórmula:

- Uinicial ___________ Pfinal = Pinicial 100 100 - Ufinal onde: Pfinal - Peso final após o desconto de umidade. Piniclal - Peso inicial. Uinicial - Valor da umidade inicial em %. Ufinal - Valor da umidade final em %. No caso:

100 - Uinicial __________ Pfinal = 100 ton. x 100 - Ufinal x 94,25% O objetivo de demonstrar os valores apresentando fórmulas é de mostrar que quando se calcula o percentual de desconto de 8% de impurezas para 2% não é 6%, e sim de 6,52%, do mesmo modo, quando o percentual de umidade vai de 18% para 13%, a diferença é de 5,74 e não 5%. Assim, logo de início, quando o produtor entrega seu produto na unidade armazenadora, para cada 100 toneladas entregues serão descontadas 12,26 toneladas (6,52% + 5,74%) de grãos, isto se as determinações forem realizadas corretamente e supondo-se que não houve falhas ou má fé do operador. Lembre-se de que o produtor já pagou pela despesa de transporte de 12,26 toneladas para cada 100 toneladas levadas. Acrescente a isto a tarifa de recepção, limpeza, secagem e expedição, cujos valores variam de acordo com a unidade armazenadora, conforme a tabela. Se deixar o produto armazenado na unidade, sofrerá um desconto de, no mínimo 0,15% sobre o total de 87,74 toneladas (100-12,26=87,74) por quinzena de armazenagem que representa, no caso,

No Canadá, 80% da capacidade de armazenamento está na propriedade rural

263 quilos por mês, mais o seguro, taxa de mão de obra, taxas de administração e taxas de emissão de documentos. Se, posteriormente o produtor for retirar esses grãos e levá-los para a sua sede como matéria prima para a fabricação de sua ração, terá que arcar com a tarifa de expedição acrescida de todos os custos inerentes à operação e ao custo de transporte. É óbvio que as unidades armazenadoras têm lucro com a operação de armazenagem.

OUTROS PAÍSES Na região oeste do Canadá, 80% da capacidade estática de armazenamento de grãos do país está localizada na propriedade rural, nos EUA, esse percentual atinge 60%, na Europa 35%, na Austrália mais de 33% e na Argentina 30%. No Brasil somente 4,5% da capacidade armazenadora de grãos do país é feita na propriedade rural. A diferença é gritante.

Apenas 4,5% da armazenagem no Brasil é feita na fazenda e poucos são os técnicos com treinamento no setor

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Máquinas

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CAMINHO CERTO Será que estamos no caminho certo? Parte da resposta para esta indagação foi respondida nos dois primeiros parágrafos no início deste artigo. É a falta de autoconfiança do produtor e o fato de acreditar no que dizem os gerentes de unidades armazenadoras. Há de se reconhecer que a tecnologia de armazenagem foi introduzida no Brasil rrecentemente, isto é, na década de 1960. Assim, no país, ainda são poucos os técnicos com treinamento no setor. O CENTREINAR (Centro Nacional de Treinamento em Armazenagem), órgão criado em convênio com a ex-CIBRAZEM (Companhia Brasileira de Armazenagem, hoje CONAB) e a Universidade Federal de Viçosa, em 1976, promoveu treinamento de quase 12.000 técnicos até então, e atendeu, na maioria dos casos, técnicos de unidades armazenadoras coletoras a terminais e proporcionalmente um número insuficiente de extensionistas, não só de instituições oficiais como também de cooperativas e de outras instituições privadas. Acrescente-se ao fato de que, ainda nos dias de hoje, em muitos cursos de Agronomia, não é lecionada a disciplina referente à Armazenagem de Grãos. O curso de Engenharia Agrícola, em cujo currículo mínimo consta a Engenharia de Processamento de Produtos Agrícolas, iniciou suas atividades no Brasil somente em 1974. O perfil do técnico que assistiria a armazenagem em nível de propriedade é diferente daqueles que assistem as unidades armazenadoras comerciais. Enquanto que, no segundo caso, a maioria dos equipamentos é relativamente disponível no mercado, já com projetos e procedimentos operacionais, de certa forma, padronizados. Março / Abril 2002


níveis no mercado. No nosso ponto de vista, o economista deveria calcular, para cada situação, o quanto deveria custar por unidade de volume de armazenagem, assim como o custo dos equipamentos para que o empreendimento seja economicamente viável para assim, os técnicos, engenheiros agrícolas, agrônomos e os fabricantes de equipamentos produzirem os silos e equipamentos que satisfaçam essas condições.

RECURSOS PARA FINANCIAMENTO Na década de 1970 o Ministério da Agricultura instituiu o PRONAZEM (Programa Nacional de Armazenagem) com recursos para implementar e desenvolver a armazenagem no Brasil, em todos os níveis: na fazenda, coletores, intermediários ou subterminais e terminais. A maioria dos recursos foi canalizada para os coletores (cooperativas e estatais) e alguns terminais. Para nível de fazenda foi incipiente e, logo em seguida, acabou o recurso do PRONAZEM. Desde então, nunca mais houve um programa de financiamento mais específico vol-

tado para a armazenagem em nível de fazenda. Somente em 03/07/2001 foi regulamentado pela Resolução 2.867 do BACEN o Programa de Incentivo à Construção e Modernização de Unidades Armazenadoras em Propriedades Rurais, com o objetivo de aumentar a capacidade instalada de armazenagem em nível de propriedades rurais e modernizar as unidades armazenadoras atualmente existentes, em todo o território nacional, com prioridade no atendimento a produtores e regiões com maior deficiência de armazenagem. Poderão ser atendidos os financiamentos contratados até 30 de junho de 2002, observando o limite global de R$ 100 milhões a produtores rurais, pessoas físicas ou jurídicas, seja de forma individual ou em grupo, a serem liberados em parcela única. São financiáveis investimentos fixos e semifixos relacionados com a implantação, recuperação ou modernização de unidades armazenadoras. A taxa de juros é de 8,75% a.a., incluído o spread do Agente de 5%a.a. com nível de participação de até 100%. O limite do valor

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No caso em questão, o extensionista vai deparar com situações bastante específicas que irão requerer um bom embasamento técnico e criatividade para resolver o problema. É de extrema importância o conhecimento tecnológico da armazenagem e condicioná-lo em situações muitas vezes adversas. Dois exemplos podem ilustrar este fato. Suponhamos que o tamanho do silo necessário para atender a real necessidade do produtor não é disponível no mercado e, aquele que poderia atender tecnicamente, é economicamente inviável. É necessário que o técnico use da criatividade, da habilidade do produtor e utilize modalidade construtiva, isto é, de alvenaria, concreto, chapas metálicas lisas, fibra de vidro, plástico ou qualquer outro meio, mas que atenda as condições técnicas e econômicas necessárias para o armazenamento. Quando se consulta um economista rural sobre a viabilidade econômica de se armazenar em nível de propriedade rural, de modo geral, a resposta é economicamente inviável. Isso porque o seu cálculo baseia-se nos preços dos silos e equipamentos dispo-


Muitos produtores brasileiros têm demonstrado grande competência na produção quanti-qualitativa de grãos, utilizando as mesmas tecnologias do primeiro mundo

do financiamento por cliente, no período de 01/07/2001 a 30/06/2002 é de até R$ 100.000,00 independente de outros créditos ao amparo de recursos controlados do crédito rural. Admite-se a concessão de mais de um financiamento para o mesmo cliente neste período, desde que a atividade financiada requeira e que fique comprovada a capacidade de pagamento do mesmo, e, ainda, que o somatório dos valores concedidos não ultrapasse o limite de crédito de R$ 100.000,00. O prazo é de até 96 meses incluída carência de até 36 meses. É um programa do BNDES cujas operações serão feitas pelas instituições financeiras credenciadas, por exemplo: Banco do Brasil, que informará qual a documentação necessária, analisará a possibilidade de concessão do crédito e negociará as garantias. Após a aprovação pela instituição, a operação será encaminhada para a homologação e posterior liberação dos recursos pelo BNDES. É uma pena que este financiamento venha de forma esporádica, deveria ser extendido por mais tempo, ou melhor, ser um programa permanente para corrigir as distorções gritantes existentes no que diz respeito à armazenagem em nível de propriedade no Brasil e atingir os objetivos propostos no referido programa.

IMPLEMENTAR A ARMAZENAGEM O problema crucial é a escassez de técnicos capacitados e devidamente treinados para orientar os produtores na elaboração de projetos e dar assistência técnica. Existem, sim, alguns técnicos treinados, porém pertencentes ou a empresas que vendem os secadores, silos e equipamentos ou a empresas armazenadoras privadas ou estatais, mas que na maioria dos casos não atendem às necessidades das es-

Valor estimativo de tarifas cobradas em Unidades Armazenadoras Discriminação

Unidade

Valor

1. Pesagem

unidade

variável

2. Recepção

R$ / tonelada

0,50 a 0,80

3. Limpeza

R$ / tonelada

0,74 a 1,00

4. Secagem alternativa 1

até 16% Acima de 16%

R$ / tonelada para cada 1% acima, acrescentar, %

2,00 8

5. Secagem alternativa 2

De 24% para 16% De 16% para 14%

R$ / tonelada R$ / tonelada

0,35 4,40

7. Armazenagem

R$ / ton. / mês

1,50 a 2,00

8. Sobretaxa (CONAB)

% / Quinzena

0,15

9. Expedição

R$ / tonelada

0,74 a 1,30

pecificidades de unidades armazenadoras em nível de produtor. O ideal seria que o produtor que tivesse competência, ou sob orientação de um técnico capacitado, elaborasse um projeto com as reais necessidades e procurasse um fornecedor de equipamentos para atender as especificações do projeto tanto tecnicamente como sob o aspecto econômico. Muitos produtores brasileiros têm demonstrado grande competência na produção quanti-qualitativa de grãos, utilizando as mesmas tecnologias do primeiro mundo, como a agricultura de precisão, máquinas e equipamentos de última geração e informatização tornando-se mundialmente competitivos, mesmo sem o adequado incentivo governamental. É difícil aceitar que esse produtor não tenha competência para armazenar pelo menos parte de sua produção em sua propriedade. É uma questão de informação e de treinamento.

VANTAGENS DO MÉTODO Centreinar

...

Tetuo Hara mostra como se pode ganhar armazenando na própria fazenda

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Permite ter o controle e proceder a programação do ponto ótimo de colheita, secagem e armazenamento evitando-se o sufoco do transporte e o congestionamento na unidade armazenadora coletora. Por questão de lógica elementar, sabe-se que com secagem a temperaturas mais amenas consegue-se produtos de melhor qualidade do que quando submetidas a secagens violentas a altas temperaturas, como ocorre no pico www.cultivar.inf.br

da safra nas unidades coletoras. Vide secagem de grãos para sementes. Evita-se os descontos, fretes e as tarifas das diversas operações conforme visto anteriormente. Preserva a qualidade e a identidade do seu produto sem misturar-se com outros, permitindo ter um produto diferenciado e valorizado. A comercialização poderá ser feita a medida que o produtor achar o momento ideal, sem ter que pagar a armazenagem a terceiros. É possível associar-se com um ou mais vizinhos para a construção de uma unidade armazenadora na tentativa de diluir os custos do investimento, como é permitido no Programa de Incentivo à Construção e Modernização de Unidades Armazenadoras em Propriedades Rurais do BNDES. Dependendo do tipo de instalação e da situação, poderá promover serviços para terceiros, tais como: pré-limpeza, limpeza, secagem, expurgo e mesmo armazenagem. Em alguns estados, como o de Minas Gerais, quando um lote de grãos armazenado sob a Anotação de Responsabilidade Técnica (CREA) de um Agrônomo, Engenheiro Agrícola ou de Alimentos, é possível operar na MinasBolsa ou na Bolsa de Mercadorias de Uberlândia somente com os documentos de depósito. Consideramos como a maior vantagem o fato de o produtor ter o controle do seu produto, pois, de modo geral, o produtor arca com todos os investimentos e riscos para produzir e, quando se consegue, entrega-se o produto a terceiros para comer.M cialização. Tetuo Hara Técnico do CENTREINAR Março / Abril 2002


Camionetas

Fotos Pablo Rodrigues

cuidados

Compre Compre melhor melhor seu seu 4x4 4x4 É o veículo mais usado pelos produtores agrícolas. Os qualquer terreno com tração nas quatro rodas merecem uma atenção particular devido ao seu uso intensivo. Quando sai zero quilômetro, na revenda, dispensa maiores cuidados, protegido pela garantia e lei do consumidor. Mas e quando o veículo já é usado, de segunda ou terceira mão, que cuidados deve ter o comprador? Março / Abril 2002

O chassis Não hesitar em se deitar sob a camioneta ou colocá-la num elevador para examinar o estado do chassis. Aproveite para verificar o estado do escapamento e da transmissão. Vazamentos de óleo no nível da caixa de mudanças são sintomáticos, mas nem sempre significam desgaste prematuro.

Um exame na parte inferior do veículo mostrará a forma como foi cuidado www.cultivar.inf.br

Máquinas

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Arranhões e outras saliências mais ou menos pronunciadas indicam seguramente que o veículo pode ter sido usado fora da estrada

Posto do motorista

Pensar em verificar os diferentes níveis de líquidos. Um motor diesel frio permite analisar o estado de seus sistemas de pré-aquecimento ou da bomba injetora logo após a ignição. Fumaça negra (ou azul nos veículos à gasolina), acelerando-se progressivamente, pode indicar certo desgaste.

Um acento do motorista gasto, um volante com revestimento liso, borrachas dos pedais usados enquanto os tapetes se mostram esfarelados (ou totalmente novos) traduz-se por uma quilometragem elevada. Da mesma forma, as reformas profissionais podem acarretar certa desconfiança. Os sinais de umidade ou de ferrugem sobre o assoalho se detectam levantando a forração de origem. É preciso sempre verificar o estado das juntas das portas, as condições dos tecidos ou couro dos bancos, assim como do ar condicionado e a composição do lote de acessórios (macaco, triângulo de sinalização, manivelas).

Fotos Pablo Rodrigues

O motor é o coração

Utilidades e conforto Limpeza no motor atesta a maneira de uso pelo primeiro proprietário

Alavanca de câmbio A alavanca de mudanças está firme ou há dificuldade para encontrar a marcha desejada? Alavanca dançando é sinal de muito uso. No veículo em bom estado as marchas se encaixam sem problemas.

Quilometragem no velocímetro

Climatização, guinchos, estribos, grades de proteção, de série ou adaptados para aumentar o conforto ou segurança do veículo, podem influenciar o preço de venda e seguramente fazem a diferença entre dois modelos similares na hora da escolha final. Detalhe: dispositivo de reboque indica que o veículo tracionou, o que aumenta os riscos de desgaste mecânico (motor, caixa, embreagem, suspensão).

Estado da caçamba Arranhões e outras saliências mais ou menos pronunciadas indicam seguramente que o veículo pode ter sido usado fora da estrada. Com uma caçamba muito amassada, é aconselhável saber mais sobre a utilização exata do veículo a pedir diferença no preço. Olhar debaixo da caçamba e examinar bem os paralamas ajudam a avaliar o estado real da camioneta.

Os 4 x 4 são usados freqüentemente por 10 anos. O velocímetro pode marcar algo entre 200 mil e 300 mil. Os registros de revisões ou as faturas de eventuais trocas de peças, muito comuns em certos modelos, permitem conhecer melhor o veículo.

Freio e embreagem A eficácia da freagem se verifica em andamento. O veículo deve conservar uma trajetória reta. Os ruídos na transmissão se detectam tirando bruscamente o pé do acelerador. O desgaste dos pneus e a comparação com o estepe também podem revelar algo sobre a quilometragem do 4 x 4. Para julgar o estado dos amortecedores, deve-se sacudir o veículo com as mãos e verificar que o balanço não se prolonga.

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Máquinas

A banda de rodagem do estepe, o silenciador e o chassis podem dizer muito sobre o carro www.cultivar.inf.br

Março / Abril 2002


Florestas

Fotos Embrapa Florestas

lucratividade

Madeira na fazenda A

atividade florestal pode ser mui to rentável para pequenos produtores caso consigam agregar valor à produção florestal na própria propriedade. Um projeto desenvolvido pela Embrapa Florestas, com o apoio da Cooperativa Tritícola de Erechim-Cotrel e da Woodmizer, mostra que serrarias portáteis podem ser uma excelente alternativa para agregar valor à madeira na propriedade. Na análise de viabilidade de uma serraria portátil produzida pela Woodmizer, considerou-se que ela poderia ser comprada através de dois tipos de empréstimos públicos ou de autofinanciamento. Nas três situações a serraria mostrou-se rentável para produtores rurais, pequenas comunidades e prestadores de serviço. Na pior situação, onde um prestador de serviços trabalha com taxas de juros altas e paga um empréstimo de 36 meses para adquirir a serraria, o fluxo de caixa da serraria é positivo, mas o lucro é quase inexistente. No

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entanto, há uma boa possibilidade de aumentar o lucro através de melhoria da eficiência e no uso da máquina em mais de um turno. O uso da serraria por um grupo de proprietários rurais ou por uma comunidade é ainda mais rentável porque podem se beneficiar de empréstimos a juros baixos. Os proprietários rurais se beneficiarão ainda do maior valor agregado à madeira e não só da operação da serraria. As comunidades se beneficiam também da geração de emprego em seus limites e com o aumento de renda de seus cidadãos. Além de benefícios econômicos, os sistemas de produção baseados em serrarias portáteis são mais vantajosos do ponto de vista ambiental, pois há uma diminuição no tráfego de caminhões e máquinas pesadas na área da floresta e em estradas e também há uma descentralização de resíduos. Não há restrições tecnológicas quanto ao uso de serrarias portáteis, pois são mais precisas e eficientes que muitas serrarias estacionárias tradicionais.

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Pequenas propriedades têm na exploração florestal uma boa alternativa

No caso do material serrado ser eucalipto, seu uso é altamente desejável uma vez que os defeitos ligados a tensões de crescimento aumentam com o tempo e o desdobro da madeira deve ser feito o mais rápido possível após a derrubada. Uma serraria necessita de aproximadamente 100 ha de florestas de eucalipto e pinus para funcionar de forma sustentável, isto é, sem que nunca falte matéria-prima para suprí-la. Como a floresta tem um ciclo longo, de 15 a 20 anos no caso destas duas espécies, 5 a 8 ha de florestas devem ser plantados e cortados anualmente. Dificilmente apenas um proprietário pode comprar uma serraria, porque não teria florestas em quantidade suficiente para usá-la economicamente, mas 5 ou 6 proprietários podem facilmente se quotizar e suprir uma microrregião com madeira de qualidade. Algumas agências de desenvolvimento internacionais perceberam o potencial de serrarias portáteis em programas de manejo floresMarço / Abril 2002


Uma serraria necessita de aproximadamente 100 ha de florestas de eucalipto e pinus para funcionar de forma sustentável

tal comunitário e apóiam a execução de projetos em vários países. É o caso das Nações Unidas e o projeto Bolfor na Bolívia e de programas da ITTO em florestas tropicais do Peru. Programas ligando o uso de serrarias portáteis em áreas de agricultura familiar, plantio de florestas de rápido crescimento, captura de carbono e produção de produtos de madeira parecem ser uma boa alternativa para a promoção de desenvolvimento rural e poderiam ser financiados por doadores internacionais. Nosso projeto está trabalhando agora com uma serraria menor, fabricada pela Husqvarna, aliada ao uso de secador solar de madeira e ao aproveitamento de resíduos da serraria na produção de cogumelos comestíveis e carvão, duas outras alternativas para agregar mais valor à produção florestal na propriedade. Os interessados em conhecer a experiência em mais detalhes podem adquirir um documento com um estudo de caso completo, solicitando-o para Embrapa Florestas.

Suécia, possui representante no Brasil. É pequena e é uma grande opção para quem tem áreas pequenas para corte. Desmontável, viaja na caçamba de uma camionete (S10, Ranger ou maior) e pesa aproximadamente 200 kg distribuídos em várias peças. Sua capacidade de corte é de até 4m3 de madeira serrada por dia, mas 3m3 é um valor razoável para cálculo de relação custo-benefício. Serra até 50cm de diâmetro e 3,9m de comprimento, haven-

pacidade de corte é de até 6m3 de madeira serrada por dia, mas 4m3 é um valor razoável para cálculo de custo benefício. Serra até 1,60m de diâmetro e comprimento de 5m, havendo possibilidade de compra de acessório de extensão. O motor é a gasolina, 4 tempos, de 16 a 25hp. O preço deve estar na casa dos R$ 30 mil. Vantec: um fabricante nacional, possui máquinas mais transportáveis do que portá-

ALTERNATIVAS INTERESSANTES Abaixo, estão listados alguns fabricantes de serrarias portáteis, com alguns comentários sobre seus produtos: Woodmizer: serraria a fita, com capacidade de corte de até 10m3 de madeira serrada por dia, conforme o modelo, mas 7m3 é um valor razoável para base de cálculo de relação custo beneficio. Muito prática, vem em carreta e pode ser puxada por carro médio (carreta e serraria pesam aproximadamente 1t). Serra até 90cm de diâmetro e 5m de comprimento, havendo possibilidade de compra de acessório de extensão. Motores a diesel, gasolina ou elétrico, conforme escolha. Preços variando de R$ 25 mil a R$ 125 mil, mais importação e transporte. Husqvarna: serraria a fita, fabricada na

Março / Abril 2002

Máquinas relativamente pequenas podem proporcionar bons lucros na fazenda

do possibilidade de compra de acessório de extensão. O motor é um motor dois tempos de motoserra, com 7hp. O preço está ao redor dos R$ 20 mil. Lucasmill: serraria com circular, fabricada na Austrália. Desmontável, viaja na caçamba de uma camionete e pesa aproximadamente 200 kg distribuídos em várias peças. Sua ca-

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teis propriamente ditas, mas oferece tanto serras fita quanto circulares múltiplas, montadas sobre carreta de caminhão. Serra diversos diâmetros, conforme o modelo, com diversas .M produtividades. Erich Schaitza, Embrapa Florestas

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Tratores tecnologia

Programa de computador desenvolvido no Brasil ajudará a avaliar tratores com maior rapidez

Desempenho garantido D

urante a fase de projeto de um trator agrícola, os projetistas passam inúmeras horas em frente ao computador estabelecendo os parâmetros básicos e dimensões de componentes e estruturas, com o único objetivo de criar uma máquina resistente, eficiente e, como exige o mercado, barata. Muitos deles, nesta fase, já começam a preocupar-se com os exaustivos testes que deverão realizar para provar o desempenho e a durabilidade do novo modelo. Alguns fabricantes promovem, eles mesmos, estes testes; outros destinam a tarefa árdua ao consumidor, colocando um produto, que nada mais é do que uma incógnita, nas mãos de, digamos, colaboradores (leia-se agricultores inovadores) para que estes lhes transmitam estas informações tão necessárias para que o produto passe à fase de comercialização estável. Passamos por uma febre de ensaios oficiais, em condições controladas, que tinham pouca aplicação prática a não ser verificar durabilidade das máquinas e testes desen-

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Máquinas

volvidos a campo, que variavam muito os resultados a cada repetição e em cada local, além de necessitar uma instrumentação eletrônica (para ser moderno) cara, difícil de calibrar e funcionar com confiabilidade, até chegar na simulação do desempenho, com ferramentas estatísticas, matemáticas e computacionais.

TEORIAS DE PREDIÇÃO No início da década de 70, três pesquisadores norte-americanos, Wismer, Luth e Brixius, deram início ao encurtamento do período de testes exaustivos do qual as empresas fabricantes queriam livrar-se. Deramse conta que depois de muitos testes, os resultados passam a repetir-se, seguindo tendências normais a cada parâmetro e que essas tendências podiam correlacionar-se entre si, surgindo equações que representam muito bem o comportamento do desempenho dos tratores, as chamadas equações de predição. www.cultivar.inf.br

Sendo assim tornou-se possível estimar o desempenho de uma máquina a campo, desde que se conheçam valores representativos do solo em questão, dos pneus e das condições de adaptação do trator. O solo agrícola pode ser representado por indicativos de sua condição atual e nisto sobressaiu-se, como representante, o índice de cone, ou média da resistência à penetração de um cone de metal, a uma certa profundidade, no solo. Este parâmetro medido pelo penetrômetro, equipamento padronizado em sua construção e dimensões, foi questionado, testado e passou a ser utilizado pela maioria, com bons resultados. Este ovo de Colombo visto por Deere & CO, em 1975 passou a representar uma solução para a diminuição dos custos de tempo e dinheiro, nesta fase do projeto e por todas as indústrias envolvidas no processo de seleção de pneus. Estava aí a chance de diminuir o valor do projeto de uma máquina. De início, ninguém aceitava correr este risco sem comprovação da veracidade dos Março / Abril 2002


Os ensaios de pista passaram a servir apenas para testar a resistência dos conjuntos mecânicos submetidos às severas condições do concreto

CONFIABILIDADE DO MÉTODO

Cultivar

Bastava então testar as condições desta metodologia para estimar a precisão em condições de campo, depois do ponta-pé inicial dos norte americanos. E também responder às perguntas que insistiam em surgir: Adapta-se a qualquer tipo e condição de solo? E a questão do tipo de pneus? Etc. No Brasil, eram feitas muitas pesquisas de desempenho de pneus, a ponto de que os pesquisadores já não sabiam o que estavam pesquisando, se era o trator, o solo ou as condições de adaptações da máquina. Algumas boas experiências também se fizeram no nosso país, com o objetivo de provar pneus e ferramentas de preparo. Neste processo evolutivo, muitos técni-

Equipes de técnicos com equipamento especial analisa rendimentok

cos partiram para as soluções semi-empíricas, matematicamente difíceis e tornaram mais complexas as equações básicas. Outros trataram de diminuir a quantidade de parâmetros de entrada, tornando as equações mais amigáveis à custa da supressão das variáveis de menor peso e importância para o resultado final. A primeira linha adotada por Wong e Upadhyaya e a segunda adotada por Linares, Cervantes, Catalán e Hernández, na Universidade Politécnica de Madrid, na Espanha, tiveram bons resultados.

EXPERIÊNCIA LOCAL O Núcleo de Ensaios da UFSM adotou por afinidade a segunda linha e desenvolveu um projeto de validação destas teorias, obtendo resultados muito bons. Foram feitas algumas provas de campo, com um trator marca Massey Ferguson, modelo 275, equipado com uma instrumentação eletrônica de tomada de dados de importância para a medição do desempenho e um penetrômetro para a avaliação da condição do solo no momento dos testes. Paralelamente foi feita uma rodada de estimação com as equações no seu formato original e os valores obtidos estiveram muito próximos dos medidos a campo, pricipalmente para solos macios, com índice de cone inferior a 1000 kPa. Os bons resultados animaram a equipe a continuar realizando trabalhos na área e a promover na comunidade científica, os benefícios de antecipar resultados através da simulação de condições dinâmicas.

PROGRAMA INFORMÁTICO

Fernando Schlosser explica como se testa o funcionamento do trator Março / Abril 2002

Aproveitou-se a metodologia proposta e utilizada na simulação do desempenho para produzir um programa informático, composto de módulos de simulação, em que o usuário pode entrar com dados de www.cultivar.inf.br

características de pneus, tratores e diferentes solos agrícolas, caracterizados pelo seu índice de cone e realizar as mais diferentes predições de força de tração e o conseqüente patinamento das rodas. Com o passar do tempo, o usuário terá uma base de informações que poderá auxiliá-lo a concluir

Fotos Fernando Schlosser

resultados e fazia acompanhar a estimativa por um teste de campo para estabelecer a confiança necessária. Entrava em xeque-mate também neste momento a validade de repetir-se os ensaios de pista de concreto, pois como a variabilidade dos seus resultados era pequena, os próprios resultados de ensaios de motor em dinamômetro poderiam servir de base para esta estimativa, como provou o Prof. Luis Márquez, em 1990, encontrando ótima correlação entre os valores medidos em pista e os calculados por sua metodologia. Os ensaios de pista passaram a servir apenas para testar a resistência dos conjuntos mecânicos submetidos às severas condições do concreto.

Exames no solo mostram o desempenho do trator

sobre situações em que o trator esteja sendo mal utilizado, ou que os pneus que o equipam não estejam bem adaptados. É uma boa ferramenta de projeto e seleção .M de máquinas e pneus agrícolas. Fernando Schlosser, UFMS Máquinas

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Tecnologia Eugênio Schröeder

pulverização

Eugênio Schröeder

Eletricidade no bico de pulverização é a saída para economizar produtos químicos

Autopropelido Spra Coupe

Fotos Charles Echer

Sistema de energização da gota

Painel de comando

U

m conceito revolucionário está assombrando e ganhando terreno rapidamente na área das aplicações de produtos químicos na agricultura. Desenvolvido em 1997 nos Estados Unidos, já tem aplicação comum no Canadá, Europa em geral, Austrália, Nova Zelândia e, quem diria, na Bolívia. Desembarcou no Brasil em 2000, com pouca divulgação dos importadores e muito interesse dos produtores agrícolas. A carência de informações, até mesmo de parte do pessoal técnico, impediu até o

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Máquinas

momento sua implantação mais acelerada. A partir de agora, detectados e superados algumas falhas no treinamento de pessoal, o sistema promete ganhar força e agitar o mercado. Estamos falando da pulverização eletrostática, que utiliza o mesmo princípio usado desde 1965 pelos fabricantes norte-americanos de automóveis para pintar os veículos. Uma carga elétrica adicionada à superfície da partícula de pulverização que se move no ar aumenta a sua velocidade de progressão para o alvo e pode até mudar sua trajetória, permi-

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Detalhe de bicos aspersores Eugênio Schröeder

Pulverização eletrostática

Preparação da calda fitossanitária

tindo que se dirija a alvos que não seriam atingidos pela pulverização convencional. A carga elétrica pode chegar a 40 mil vols/500uA negativos. Isso cria um campo de atração eletrostático entre a planta e as gotas adequadas, da ordem de quase 40 gravidades. Dessa forma, como diz um especialista, o ar que evapoMarço / Abril 2002


A pulverização eletrostática pode ser feita por via terrestre ou aérea. Ambas estão testadas no Brasil e começam a despertar a atenção dos produtores agrícolas

EQUIPAMENTO AÉREO

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Para aplicações aéreas foi desenvolvido o equipamento Spectrum Electrostatic Aerial Spray System , um sistema de alta pressão (70 psi) para aplicações em baixo volume (10 l/ ha) que carrega com carga eletrostática todas as partículas produzidas pelo sistema de pulverização da aeronave. Utilizando a bateria do próprio avião, ele emprega o sistema bipolar de indução eletros-

O boliviano Antônio Antezana conhece a fundo o novo sistema Março / Abril 2002

Eugênio Schröeder

tática que produz cargas de polaridades opostas em cada uma das barras. Desta forma o efeito que tornaria o avião eletricamente carregado (efeito Corona) se fosse produzida apenas um tipo de carga, é compensado pela geração de duas cargas opostas que se neutralizam quando atingem as mesmas intensidades. O equipamento As barras de pulverização têm para pulverização elecada uma 44 bicos de jato cônico trostática tem os seguintes componentes: Duas barras de pulverização, cada uma com 44 bicos de jato cônico Teejet TX-6 da Spraying Systems. Cada bico é envolvido por um anel de indução eletrostática. Dois geradores de alta voltagem instalados em uma mesma caixa de potência. Um painel de controle com chave geral, dois reostatos - um para cada barra e fusíveis. Um painel de instrumentos com dois conjuntos de voltímetro e microamperímetro um para cada barra. Cada bico é envolvido por um Um microamperímetro com indicação anel de indução eletrostática de carga positiva e negativa para medição do efeito Corona. Cablagem e Fiação - Cablagens de co- mento terrestre. Nessas aplicações o que se nexão entre a caixa de potência, painel de con- busca é eletrificar as partículas com uma cartrole, painel de instrumentos e bateria. Fiação ga tal que a relação entre a carga elétrica, mede distribuição da alta voltagem para os anéis dida em miliCoulumbs e a massa da neblina de indução eletrostática. Fiação para medição eletrificada por segundo, medida em quilos/ do efeito Corona nas pontas das asas, no pla- seg seja superior a 0,8 mC/kg, o que dá às neno fixo do leme e no plano fixo do profundor blinas características especiais permitindo que se use neblinas com DMV da ordem de 150 nos dois lados. micras de alta eficiência biológica, as quais sem a carga eletrostática se evaporariam e não atinCOMO FUNCIONA giriam os alvos. Cada mistura tem uma capacidade de carCarregado o avião com a mistura a aplicar, o piloto aciona em vôo o equipamento de pul- ga específica que deve ser determinada expeverização, liga a caixa de potência com os reos- rimentalmente antes da sua aplicação na latatos zerados, e aciona um dos reostatos até o voura. Os testes realizados na cultura do algodão ponto um que a amperagem indicada sofre um pico e passa a decrescer. Voltando para a volta- no Brasil Central, no período de 8 a 16 de gem do pico, imediatamente ele aciona o outro Maio de 2001, demonstraram a viabilidade reostato e observa o microamperímetro do efeito técnica e a eficiência biológica do Sistema de Corona até marcar a leitura zero o que indica Pulverização Eletrostático Aéreo produzido que as cargas estão em equilíbrio. Atingido esse pela empresa Spectrum Electrostatic Sprayers equilíbrio, ele fecha o by-pass e se dirige para a Inc. de Houston, Texas, e introduzido no aplicação da área a ser tratada. Interrompida a Brasil pela Indústria Aeronáutica Neiva S/A. A avaliação científica dessas aplicações foi aplicação o equipamento é desligado para o conduzida pelos pesquisadores Marcos Vilela abastecimento da aeronave. Normalmente ele demora 30 a 40 segun- Monteiro, Wellington Carvalho e Rene Baesdos para esse ajuste, consumindo o equiva- so, e apresentada no II Simpósio Internaciolente a três hectares de produto. Para evitar nal de Tecnologia de Aplicação. A pulverizaesses gastos com defensivos pode-se realizar ção de inseticidas em algodão com aeronave estes testes de capacidade de carga de cada Ipanema 202 (10 L/ha, 88 bicos TX-6, prestipo de mistura com o auxílio de um equipa- são de 70 PSI) promoveu excelente controle www.cultivar.inf.br

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rava as gotas simplesmente passou à história. As gotas pequenas (com diâmetro mediano volumétrico em torno de 150 micras) e com carga elétrica são atraídas pelas plantas, chegam muito mais rápido ao alvo e se distribuem de maneira mais uniforme na vegetação, atingindo também as páginas inferiores das folhas e superfícies não expostas diretamente à neblina de pulverização. Como são gotas pequenas, têm maior eficiência biológica do que as gotas produzidas atualmente nas pulverizações aéreas em altos volumes. E, com carga elétrica negativa, as partículas se repelem mutuamente, o que evita superposição e proporciona distribuição uniforme nas folhas. A economia de agroquímicos é impressionante. O total aplicado é em média de apenas 25% a 30% do usado convencionalmente.Há registros de pulverizações de 10 litros/ha de produtos para controle de insetos em algodão que obtiveram o mesmo resultado de aplicações convencionais de 43 litros. Reduz-se as dosagens porque o produto chega realmente às folhagens. Evita-se as perdas por evaporação, queda no chão e a deriva, o maior de todos os problemas. A pulverização eletrostática pode ser feita por via terrestre ou aérea. Ambas estão testadas no Brasil e começam a despertar a atenção dos produtores agrícolas.


O sucesso de uma aplicação, além de outros fatores, está diretamente relacionado com o volume de calda a ser aplicado (l/ha) e sua concentração

... de importantes pragas como pulgão, lagarta-

cionais, esse vórtice é mais pronunciado quando o avião Ipanema voa abaixo de 3m de altura, distância medida da barra de pulverização ao topo da cultura. Para o melhor desempenho das pulverizações eletrostáticas que usam gotas pequenas e sujeitas à evaporação, a altura recomendada é abaixo de 3m para diminuir ao máximo o efeito da evaporação e aumentar a ação da força de atração eletrostática. Como resultado desses primeiros testes podemos recomendar uma altura de 2 a 3 metros da barra até o topo da cultura, ou seja, deve-se voar mais baixo do que se voa atualmente para melhorar o desempenho dessa tecnologia. Os únicos inconvenientes apresentados pelo sistema nos testes conduzidos por Marcos Vilela Monteiro, Wellington Carvalho e Rene Baesso foram: A) O desperdício de produtos provocado pela calibração das cargas eletrostáticas em vôo. Esse problema pode ser resolvido com a bancada de análise de carga já desenvolvida pelo Dr. Carlton; B) A dificuldade do sistema em aplicar misturas de alta viscosidade. Diminuirá à medida que os agricultores comprovem a maior eficiência do sistema eletrostático e reduzam as quantidades de princípio ativo por hectare e o número de produtos por mistura.

APLICAÇÕES TERRESTRES Quem introduziu o sistema de pulverização eletrostática terrestre no Brasil foi a AGCO, proprietária da marca Spra-Coupe que adorna equipamentos já em uso em mais de 30 propriedades, a maioria no Centro Oeste e Bahia. O sistema é semelhante e já testado exaustivamente. De acordo com o Departamento Técnico da AGCO, o sistema funciona acionando-se uma carga elétrica na calda a ser aplicada. Para isso uma bateria envia uma corrente de 12v a um transformador, que a eleva para 40.000 volts negativos com baixa amperagem (500 microamperes). Esta corrente é enviada para a bomba de pulverização, por onde passa à calda a ser pulverizada. Quando saem dos bicos pulverizadores as gotas já estão carregadas negativamente e são atraídas pela planta, diminuindo a perda no processo. A principal diferença do sistema eletrostático em relação aos sistemas convencionais é a possibilidade de se coAGCO

das-maçãs e lagarta spodoptera. O equipamento foi apresentado no Brasil em Ribeirão Preto, em maio de 2001, pela Indústria Aeronáutica Neiva. As primeiras aplicações comerciais com aeronave Ipanema foram realizadas no mesmo mês, no estado de Mato Grosso, nos municípios de Pedra Preta e Primavera do Leste, pulverizando-se inseticidas e desfolhantes na cultura do algodão. Já a empresa Taim Aeroagrícola, relata o pesquisador Eugênio Schröeder, foi pioneira na América do Sul a operar rotineiramente o sistema, a partir do mês de outubro, aplicando herbicidas, fungicidas e inseticidas na cultura do arroz irrigado no município gaúcho de Rio Grande e arredores. Durante os primeiros cem dias da safra agrícola, foram tratados dez mil hectares, sempre num volume de calda de 10 l/ha, quando o usual na região é utilizar 30 l/ha. A redução no volume de calda gerou um incremento na produtividade das aplicações entre 30 e 40%, sendo mais expressivo em lavouras mais distantes das pistas de pouso. Os relatos e os dados dos testes realizados no Brasil Central demonstram, segundo os especialistas envolvidos, que estamos na presença de um sistema de grande eficiência e enorme potencialidade com o qual será possível: a) aumentar os rendimentos operacionais; b) expandir os períodos de aplicação; c) aumentar a eficiência do controle das pragas; d) diminuir as quantidades de defensivos por hectare; e) diminuir os riscos de deriva; e f) diminuir a poluição e contaminação ambiental. A atração entre as duas neblinas de cargas opostas ao longo do eixo do avião diminui as falhas provocadas pelo vórtice de hélice nas aplicações convencionais. A ação desse vórtice continua sendo observada visualmente nas aplicações eletrostáticas provocando pequena deriva, mas sem efeito pronunciado no resultado biológico. Como nas aplicações conven-

A pulverização eletrostática reduz ao mínimo a possibilidade de deriva

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À esq. efeito da pulverização convencional na folha e na dir. da eletrostática

locar o produto realmente no alvo desejado, com distribuição homogênea das gotas em toda a planta, inclusive na parte inferior das folhas, eliminando-se assim o efeito guardachuva. A deriva diminui em torno de 30% à 40% e o Spra Coupe possibilita o trabalho com baixas vazões (litros/ha). O sucesso de uma aplicação, além de outros fatores, está diretamente relacionado com o volume de calda a ser aplicado (l/ha) e sua concentração (quantidade de princípio ativo por volume de água). Como se consegue um melhor aproveitamento do produto aplicado devido à atração das gotas pela planta, podese trabalhar com vazões menores do que nas aplicações convencionais. Com o sistema eletrostático (ESP) trabalha-se com vazões de 20, 30, 40 ou 50 l/ha, dependendo do tipo de aplicação e do produto utilizado. Assim, a calda a ser aplicada tem uma maior concentração e, por conseqüência, maior quantidade de produto por volume de água. Desta maneira a quantidade de gotas necessárias para que um determinado produto tenha controle sobre algum tipo de planta invasora ou praga, teoricamente é menor do que uma aplicação que trabalha com um maior volume (l/ha).

DISTRIBUIÇÃO UNIFORME Um dos principais fatores que influencia a qualidade da aplicação é a distribuição das gotas na planta. Dependendo do tipo de produto aplicado (modo de ação), é necessário que se tenha uma ótima cobertura das folhas, tanto na sua parte superior como na parte inferior. No sistema eletrostático, todas as gotas saem dos bicos pulverizadores carregadas com Março / Abril 2002


MAIOR SEGURANÇA

Um dos maiores problemas que os produtores enfrentam nas aplicações de produtos químicos está relacionado à deriva, que pode ter duas formas: endoderiva e exoderiva. Na endoderiva as gotas não atingem as plantas e vão direto para o solo, ou não aderem às plantas e escorrem também em direção ao solo. A exoderiva ocorre quando parte do produto pulverizado não atinge o alvo por ser carregado pelo vento, ou quando não chega ao alvo devido à evaporação. Com o sistema eletrostático forma-se um campo eletrostático na extremidade do pulverizador que aumenta a velocidade das gotas, impulsionando-as para dentro do dossel da planta e assim pulverizando uniformemente as folhas. Por ser atraído eletricamente para as plantas, o líquido em dispersão passa a se agregar consideravelmente mais às folhas e com isto consegue-se uma redução da deriva entre 30% e 40%.

DOMANDO TECNOLOGIA Produto novo, com tecnologia inovadora, o sistema está sendo absorvido rapidamente e soluções interessantes começam a surgir. O revendedor Massey Ferguson Jaraguá Ltda, que opera no Chapadão do Sul, MS, e Luís Eduardo Magalhães, BA, para resolver as dificuldades próprias de sua adaptação, estabeleceu uma parceria com o já experiente distri-

buidor Spra-Coupe da Bolívia Profel SRL, iniciando as atividades desde setembro de 2001. Esta parceria, de acordo com o diretor da Divisão de Aplicações Agrícolas da Jaraguá, eng.agr. Antonio Antezana, está demonstrando hoje na Bahia, que Spra-Coupe ESP é uma jóia tecnológica. Economia de insumos de aplicação e eficácia do controle pela tecnologia eletrostática começam a ser demonstrados e não é coincidência que esta tecnologia já separou o conceito convencional e eletrostático nos equipamentos usados atualmente.

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a mesma carga (negativa), fazendo com que umas se afastem das outras, ou seja, as gotas não caem no mesmo lugar. Com isto consegue-se uma cobertura duas vezes melhor na parte superior da folha e três vezes melhor na parte inferior em relação a pulverizações convencionais. Testes com papel sensível à umidade mostram a eficácia da cobertura da superfície inferior da folha pelo sistema.

NOVO CONCEITO Antezana, boliviano de larga experiência com o sistema, acredita que a adoção de qualquer nova tecnologia, além do equipamento em si, requer uma mudança profunda na atitude do produtor, operadores e técnicos envolvidos. O sucesso não está garantido apenas pela aquisição do equipamento, pois a empresa agrícola deve mudar conceitos de uso, logística, manutenção, métodos de monitoramento e avaliação de aplicações. Estes elementos interagem e criam um sistema que otimiza os insumos, diminui custos e aumenta a rentabilidade . Este, na sua opinião, é o desafio de quem comercializa equipamentos de aplicação: deve implementar este sistema na empresa-cliente agrícola, através de treinamento para a mudança de atitude e a incorporação de métodos precisos, simples e confiáveis que os envolvam com sucesso. Na Bolívia, onde houve introdução destes conceitos, os agricultores de ponta aplicam com 30 l/ha, 20%U.R., vento 30 Km/H, com Spra-Coupe convencional e a partir de 10 l/ ha com Spra-Coupe ESP. Os custos finais de aplicação variam entre 0.7-1.30 US$/ha. As economias em insumos são cada vez mais sig.M nificativas.

Wellington e Marcos conduziram os primeiros teste aéreos no Brasil

O presente trabalho foi desenvolvido a partir do relato sobre as aplicações aéreas dos pesquisadores Marcos Vilela Monteiro, Wellington Carvalho e Rene Baesso, em Botucatu, SP, e Pedra Preta e Primavera do Leste, MT; do pesquisador Eugênio Schröeder em lavouras de arroz no RS; e do assessoramento técnico em aplicações terrestres do agrônomo boliviano Antonio Antazana, em Barreiras, BA. Todas as tabelas relativas às aplicações no Brasil Central, com os índices detalhados do controle de pragas em algodão, que deixamos de publicar por falta de espaço, bem como a íntegra do trabalho, podem ser obtidas mediante solicitação para o e-mail cultivar@cultivar.inf.br


Motores transmissão

Os novos sistemas de transmissão que equipam os tratores modernos parecem peças de ficção científica

Transmissão em tratores agrícolas

Conceitos e terminologias P

elo jeito vamos necessitar alguma coisa mais que a ajuda do cinema para entender as últimas transmissões que equipam os tratores modernos. Só a terminologia já nos tonteia. Se fizermos uma revisão na documentação comercial nos encontraremos com uma confusão de termos (todos em inglês, é claro) cuja função é destacar um dos componentes mais importantes do trator atual.

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Máquinas

Como sempre, as inovações técnicas e os termos com os quais elas são apresentadas vão mais depressa que os conceitos. Além disto, quando a inovação se estende, se aumenta o problema da terminologia, porque os diferentes fabricantes têm que buscar um termo diferenciador daquele utilizado pelo competidor. Por que tanta confusão? A pergunta é ingênua, já que seria melhor perguntarse: Há alguma coisa que não seja confusa

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em máquinas agrícolas? A potência, os ensaios, as capacidades de trabalho, os rendimentos, a regulamentação... em definitivo, a informação, que deveria ser clara e transparente, para servir de ajuda à difusão e seleção da maquinaria, é confusa e de difícil interpretação. Inclusive para os técnicos que trabalham no setor fica complicado ler a documentação técnica (e não digamos a comercial), assim que para os usuários fica ainda pior. Março / Abril 2002


A relação de transmissão (it) é o quociente entre as voltas do motor e as voltas da roda. Deste modo, um valor 100 quer dizer que o motor dá 100 voltas quando as rodas dão uma

A TRANSMISSÃO

POR QUÊ? Colocamos os argumentos tantas vezes ouvidos: As letras dos catálogos não interessam, ninguém os lê, o importante são as fotos. Traduções rápidas e duplicadas com distintos termos, que aumentam a confusão. Para que se incomodar em explicar as coisas, se ninguém vai entender. Além disso, ao usuário, no final, somente interessa o preço da máquina. Como se diz sempre: quando o rio faz barulho, é sinal que tem água , isto é, algo de verdade está contido em cada argumento, mas o resultado é que se movimenta muito dinheiro na documentação comercial e técnica para tirar tão pouco proveito. O certo é que uma grande parte dessa documentação é feita no exterior, já que a maioria das fábricas brasileiras têm origem externa, predominando a mentalidade comerMarço / Abril 2002

A potência do motor (seja qual for aquela de que falemos) se transmite às rodas motrizes, para ser aproveitada como potência de tração e na tomada de potência, para acionar os mecanismos operativos de muitas máquinas agrícolas. Neste caminho se encontram com a embreagem, a caixa de câmbio, o diferencial e as reduções finais. Durante muito tempo a embreagem foi do tipo mecânico, de disco, e a caixa de câmbio era decomposta em duas sub-caixas, uma com uma estrutura parecida com a dos automóveis (com três eixos, primário, intermediário e secundário), e a outra com duas possibilidades de seleção de marchas, como nos veículo off-road (na verdade, esses veículos é que copiaram os tratores). A caixa de câmbios (assim, no plural)

permite conseguir distintas relações de transmissão entre o motor e as rodas. A relação de transmissão (it) é o quociente entre as voltas do motor e as voltas da roda. Deste modo, um valor 100 quer dizer que o motor dá 100 voltas quando as rodas dão uma. Mas tão importante como a redução das voltas do motor é o aumento do torque que se produz. No exemplo anterior, o torque motor (este que aparece nas curvas características de desempenho do motor) se multiplicou por 100 ao chegar às rodas, e se converte na força que permite arrastar implementos utilizando a zona de contato entre a roda e o solo. Nesta transformação intervém os dois componentes do sistema: a roda e o solo. A roda tem um raio, que é o valor pelo qual há de dividir o torque que chegava a elas para obter a força de tração que poderia desenvolver o trator se não houvesse perdas no próprio sistema solo-veículo. O solo, por seu lado, atua de duas formas; por um lado, diminui esta possível força de tração ao opor uma resistência ao deslocamento da roda (a resistência ao rolamento), com o que a força possível se converte em real, a qual chamamos diretamente força de tração . Por outro lado, ela é limitada por um valor que depende de dois aspectos: o estado do solo (dureza e conteúdo de umidade) e a força que a roda aplique sobre ele (o peso sobre a roda e a área de contato). Essa limitação tem uma conseqüência: o patinamento, que faz com que a roda se desloque a uma velocidade menor, do que a que lhe corresponderia pelos giros que chegam do motor. Poderia perguntar-se: Por que falar de tudo isso? O objetivo não era falar de transmissões? Sim, mas recordemos que o trator é um todo e sua concepção unitária tem que considerar todos os aspectos que intervêm

Esquema geral da transmissão motor-rodas motrizes sem redutor

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cial nas empresas que, além disso, estão muito enxutas de técnicos que possam revisar as traduções que chegam da origem, quando for o caso. De outro lado, também é certo que mesmo que seja um excelente produto, não tendo boa venda, não serve para nada e para vender é necessário recorrer a coisas de impacto . Há casos de publicidade que falam coisas as quais no final não se confirmam, mas que de início promovem uma curiosidade. Isto é lógico e não se pode exigir purismo e pretender utilizar como argumentos de venda exclusivamente as características técnicas. No entanto, o ideal seria encontrar um ponto intermediário no qual, junto com estes necessários argumentos de venda, se cuidassem em dar as explicações técnicas que o acompanhem. Devemos dar ao agricultor do século XXI a oportunidade de ler uma documentação clara e precisa e já veremos se ele a lê ou não.


... no seu trabalho. A análise detalhada de um

dos órgãos do corpo do trator, a transmissão, não pode desprezar o funcionamento completo do seu corpo , incluído seu cérebro que, como veremos, também tem algo a dizer na gestão da transmissão, em função do resto dos parâmetros que intervêm. A transmissão é uma arma a mais para conseguir um trabalho eficiente do trator e não se pode esquecer nenhum elo da cadeia implemento/solo-veículo/transmissão/motor para conseguir esta ansiada eficiência.

Fig. 01

Nas transmissões dos tratores modernos podemos encontrar-nos sem susto, com valores de relações de transmissão de 17 até 3000

Exemplo de representação dos pontos de utilização do motor de um trator em duas condições: Toda a potência possível em uma marcha Super-curta (S) e 80 % da potência nominal na marcha Mais Longa (L)

UTILIZAÇÃO DA TRANSMISSÃO

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Máquinas

tração não pode ser de mais de 100000 kg. Claro, a resposta é que, com esta marcha supercurta, não é possível transmitir a potência de 64 kW (que era 80% da nominal e não dizemos nada de qual seria a potência máxima, que pode ser inclusive maior). De acordo, mas o trator não faz cálculos. Onde está o fusível? No solo, naturalmente, porque o terreno não é capaz de suportar tanta força (ao menos com o peso que tem um trator de 80 kW, ainda que sendo interessante calcular o peso que deveria ter um veículo que quisesse aplicar esta força ao solo). As rodas patinariam e a força (e, conseqüentemente o torque e a potên-

Fig. 02

Sedimentemos os conceitos com um exemplo que se pode montar a partir da documentação comercial. Nas transmissões dos tratores modernos podemos encontrarnos, sem susto, com valores de relações de transmissão de 17 até 3000. Sim, não é um erro gráfico, 3000!!!!. Comecemos precisamente por este valor. Em nível de velocidade não assusta tanto. Significa, como dizemos, que a velocidade da roda é 3000 vezes mais lenta que a do motor. Isto é, se o motor estivesse a 2100 giros, a roda iria a 0,7 rotações por minuto. Com uma roda de 0,8 m de raio, teríamos 0,21 km/h [(3,6x2xpx2100x0,8/(60x3000)], como corresponde a uma marcha puramente creeper , supercurta ou como queiram chamar-la. E o torque?. Suponhamos que o trator tenha 80 kW de potência nominal e um regime nominal de 2300 rot/min. Isto representa um torque nominal de [60000x80/ (2xpx2300)] =332 Nm. Como não estávamos considerando o regime nominal, e sim que o regime do motor era de 2100 rot/min, deve-se calcular o torque motor e então fazer uma nova (e lógica) suposição. Vamos considerar que está desenvolvendo 80 % da potência nominal, 64 kW. O que é lógico, porque não se costuma trabalhar a potência nominal (inclusive quando a potência máxima não é nominal). Nestas condições, o torque motor seria de 291 Nm [60000x64/ (2xpx2100)]. Se a relação de transmissão é de 3000, nos encontramos com um torque nas rodas de 873000 Nm (291x3000=873000 N m). Como o raio das rodas era de 0,8 m a força possível ou força tangencial (sem descontar a resistência ao rolamento) seria de 1091250 N (873000/0,8 = 1091250 N). Já sabemos que os Newtons não são kilograma-força. Colocando a força em kilogramas-força, temos 111352 kgf (1091250/9,8 = 111352 kgf). Agora, visto o que resulta, é quando rompe o fusível. Onde está a falha? Porque o que está claro é que, por muito grande que seja a resistência ao rolamento, a força de

Designação do pneu

www.cultivar.inf.br

cia) que se pode desenvolver nesta marcha é reduzida. As marchas muito curtas são para isto: para ir muito devagar, porque este tipo de deslocamento é um dos muitos condicionantes que tem um veículo tão versátil como o trator. Como conclusão do exemplo anterior, o trator não desenvolveria toda a potência, nem 80%, nem 70 %, nem.... É difícil dizer quanto de potência poderia desenvolver nesta marcha?. Não. Geremos números, que os números são nossos amigos.

HIPÓTESE DE PARTIDA Trator trabalhando na marcha mais curta, a 2100 r/min: O regime de rotação do motor se mantém a 2100 rev/min O grau de utilização do regime nominal é de 91% (100x2100/2300 = 91%) Digamos que o trator pese 4000 kg e tenha tração nas quatro rodas com pneus radiais Suponhamos que o coeficiente de tração do solo seja de 0,6 e o coeficiente de resistência ao rolamento de 0,1. Com estes valores, a força máxima que

Março / Abril 2002


Nas tabelas 1,2 e 3 se faz um resumo dos cálculos utilizados no exemplo, no qual se podem comparar as duas marchas. De igual maneira, nos quadros 1e 2 se resume a terminologia e as fórmulas utilizadas nos cálculos

Tabela 1. - Características do trator

Trator

Tração Peso Pneus Traseiros Potência nominal Regime nominal Relação transmissão marcha supercurta Relação transmissão marcha mais longa Rendimento transmissão motor-rodas

Dupla 4000 16,9R38 80 2300 3000 17 85

kg kW Rot/min %

Tabela 2.- Características do terreno e do trabalho Solo- labor Agrícola-Tração Transporte

Coef. Tração (do solo) 0,6 0,6

Coef. Resist. Rolamento 0,1 0,04

Patinamento (%) 10 3

Tabela 3.- Condições de utilização na marcha curta e mais Longa do trator

se poderia aplicar ao solo (força tangencial máxima) seria de 2400 kgf (4000x0,6 = 2400 kgf). A resistência ao rolamento valeria 400 kgf (4000x0,1 = 400 kgf), com o que resulta uma força de tração de 2000 kgf (2000x9,81 = 19620 N). Se colocarmos um patinamento de 10 %, o rendimento no patinamento será de 0,9 (1-0,1 = 0,9) com o que a velocidade real de deslocamento se reduz a 0,19 km/h (0,21x 0,9 = 0,19 km/h). Na velocidade de 0,19 km/h (0,19/3,6 = 0,053 m/s) a potência em tração seria de Março / Abril 2002

Marcha Supercurta 3000 2000 400 2400 0,8 18816 0,23 10 0,2 1 332 7,37 2100 1,6 2,2 91 2 62,5 0,5 0,6

Marcha Mais Longa 17 376 160 536 0,8 4205 37 3 36 36,78 332 291 2100 64 88 91 80 57 0,09 0,13

1,035 kW (19620x0,053/1000 = 1,035 kW). Sim, um humilde quiloWatt. E temos mais números. Calculemos o torque no motor. Se a força tangencial nas rodas (sem descontar rolamento) é de 2400 kgf (2400x9,81 = 23544 N), o torque necessário nas rodas é de 18835 Nm (23544x0,8 =18835 Nm) Com a famosa relação de transmissão de 3000, o torque no motor tem que ser de 6,27 Nm (18835/3000 = 6,27 Nm) Para colocarmos condições muito reais, considerando-se um rendimento na www.cultivar.inf.br

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Parâmetro Relação de transmissão Força de tração (kgf) Resistência ao rolamento (kgf) Força tangencial (kgf) Raio da roda (m) Torque na roda (Nm) Velocidade teórica de deslocamento (km/h) Patinamento (%) Velocidade real de deslocamento (km/h) Potência de tração (kW) Torque nominal (Nm) Torque no motor (Nm) Regime de rotação do motor (rev/min) Potência do motor (kW) Grau de utilização torque nominal (%) Grau de utilização regime nominal (%) Grau de utilização da potência nominal (%) Rendimento de tração (%) Coeficiente de tração do trator Coeficiente de força tangencial

Máquinas

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Trator Case - Internacional série 7100 Magnum

A transmissão é uma arma a mais para conseguir um trabalho eficiente do trator e não se pode esquecer nenhum elo da cadeia implemento/solo-veículo/transmissão/motor

então o torque necessário no motor seria de 7,38 Nm (6,27/0,85 = 7,38 Nm). Evidentemente, menor que o nominal. Como o torque nominal valia 332 Nm, o grau de utilização do torque nominal é de 2,2 % (100x7,38/332 = 2,2%). A potência no motor resultante valeria 1,62 kW (7,38x2xpx2100/60000 = 1,62 kW). Cada vez está mais claro que não é uma marcha para desenvolver potência. A eficiência em tração (não confundir com o coeficiente de tração) que sai é de 63,7%, resultado da divisão da potência de tração entre a potência necessária do motor (100x1,035/1,62 = 63,7). Não vale, é lógico, dizer que a eficiência em tração é de 1,29% (100x1,035/80 = 1,29%). Isto seria dividir a potência de tração entre a potência nominal, mas é que o motor está desenvolvendo 1,62 kW. Outra coisa é o aproveitamento da potência nominal ou grau de sua utilização ser baixo, neste caso 2% (100x1,62/80) = 2%). Embora saibamos disso, o assumimos quando pretendemos ir com uma máquina que requer tão baixa velocidade de deslocamento. Por último, já que o mencionamos anteriormente, diremos que o coeficiente de tração do trator, divisão entre a força de tração e o peso do trator seria de 0,5 (2000/ 4000 = 0,5) e o coeficiente de força tangencial, divisão entre a força tangencial e o peso, de 0,6 (2400/4000 = 0,6). Convém destacar que, no exemplo

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Máquinas

analisado, a força tangencial na zona de contato, que vale 2400 kgf, é a força máxima que suporta o solo, já que este foi o ponto de partida, procurar fazer a maior força de tração possível, chegando ao limite que suporta o solo. O exemplo torna-se ilustrativo para insistir em que as curvas características que se utilizam com naturalidade nos catálogos comerciais, são, precisamente, o que representam as figuras, linhas de utilização que correspondem a uma posição do acelerador,

a do acelerador no máximo. Nessas condições o motor somente pode funcionar em pontos situados sobre a linha desenhada. No exemplo anterior, a representação do ponto de funcionamento do motor se faria a partir do torque motor e o regime de rotação (7,37 Nm e 2100 r/min). O torque motor é 2,2 % do torque nominal (100x7,37/332 = 2,2 %) e o regime de rotação, 91% do regime nominal (100x2100/2300 = 91%). Por outro lado, serve para recordar que o motor somente equilibra a carga (o torque motor)

Cultivar

... transmissão motor-rodas motrizes de 85%,

O aproveitamento da potência do motor se torna maior com as novas transmissões www.cultivar.inf.br

Março / Abril 2002


Conceito

Nomeclatura

que representa arrastar o implemento, transformada pela transmissão. Embora tendo 80 kW e 332 Nm de potência e torque nominal não quer dizer que as desenvolva. O motor responde ao que se solicite. Neste exemplo o trabalho exige 2000 kgf de força que, na marcha de 3000 de relação de transmissão, requer 7,37 Nm de torque e ele os proporciona. Agora analisemos o trator na marcha mais longa, já que, nas marchas de transporte a situação é distinta.

HIPÓTESE DE PARTIDA Trator trabalhando na marcha mais longa a 2100 r/min: O regime de rotação do motor se mantém a 2100 rot/min. O grau de utilização do regime nominal é de 91% (100x2100/2300 = 91%). Se colocarmos uma relação de transmissão de 17 (que nos daria 40 km/h ao regime nominal de 2300 r/min), a velocidade Março / Abril 2002

Quadro 02 - Fórmulas empregadas nos cálculos

Unidades

Conceito

teórica, a 2100 r/min, seria de 37 km/h. Vamos comprovar se, nesta marcha, é possível desenvolver 80% da potência nominal. Com os 64 kW de antes e o rendimento na transmissão de 85% o torque nas rodas seria de 4205 Nm (291x0,85x17 = 4205 Nm). Para o raio de 0,8 m, a força de tração, sem descontar rolamento (força tangencial) fica em 5256 N (4205/0,8 = 5256 N), ou o que é a mesma coisa, 536 kgf. A resistência ao rolamento, suposto um coeficiente de resistência ao rolamento de 0,04 (em estrada) e o mesmo peso do trator de 4000 kg, seria de 160 kgf. De acordo com o anterior, ficaria uma força de tração de 376 kgf (376x9,81 = 3678 N). Ainda que ao coeficiente de tração do solo lhe puséssemos o mesmo valor de antes (que em transporte há que supor que poderia ser maior, já que o solo estará mais duro), o solo não vai ser um fator limitante, já que a força que se poderia aplicar na zona

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Fórmula

de contato (força tangencial máxima) seria 2400 kgf e neste trabalho pretendemos aplicar 536 kgf. O coeficiente de tração do veículo, resultado da divisão da força de tração entre o peso do trator é de 0,09 (376/4000 = 0,09), enquanto que o coeficiente de força tangencial vale 0,13 (536/4000 = 0,13). Fica claro que o coeficiente de tração do terreno que se costuma dar é, portanto, o máximo que suporta o solo, não o que resulta em uma condição de trabalho determinada. Precisamente quando se chega ao limite que impõe o solo (que, evidentemente, é o bandido do filme), se produzem problemas. Mas não divaguemos e sigamos com o trator na marcha de transporte. Neste caso, suponhamos que o patinamento, com tão pouca força de tração seja baixo, 3% (rendimento no patinamento de 97%). A velocidade real se reduz a 36 km/h (37x0,97 = 36 km/h), o mesmo que, 10 m/ s (36/3,6 = 10 m/s). Máquinas

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f

Quadro 01 - Nomenclatura utilizada nas fórmulas


Há duas possibilidades. Ou tenho um catálogo do pneu, ou calculo o raio a partir dos dados da marcação da roda

A potência de tração tem como resultado 46,2 kW (3678x10/1000 = 36,78 kW). A eficiência em tração se eleva para 57% (100x36,78/64 = 57) Com o torque nas rodas de 4205 Nm e a relação de transmissão de 17, se supõe, da mesma maneira que antes, um rendimento na transmissão de 85%, o torque necessário no motor será de 291 Nm [4205/ (17x0,85) = 291 Nm]. O grau de utilização do torque nominal é de 88% (100x291/332 = 88%). Logicamente, a potência do motor será os 64 kW que se consideraram como ponto de partida, e que se pode comprovar calculando-a a partir do torque motor e o regime de giro (291x2px2100/60000 = 64). O grau de utilização da potência nominal é, assim, de 80%. Portanto, aqui sim a potência pode ser de 80% da nominal, ou inclusive poderia alcançar este valor, mas com pouca força de tração e um baixíssimo aproveitamento de peso do trator em tração. Queremos, neste caso, velocidade. Para ilustrar mais o exemplo, façamos uma representação dos pontos de utilização sobre as curvas características. Na curva anexa, foram dispostas duas escalas para cada eixo. As escalas horizontais são de regime do motor (uma em rotações por mi-

nuto e outra em porcentagem do regime nominal) e as verticais de torque motor (uma em Nm e outra em porcentagem de torque nominal). Por isso, o ponto A, que representa o ponto de torque nominal (2300 rot/min) e regime nominal têm como coordenadas 100 nas escalas porcentuais. Como os pontos que se pretende representar correspondem ao regime de rotação de 2100 rot/min (91% do regime nominal), se desenhou a linha que corresponde a esta posição do acelerador selecionada. É a linha vermelha. Os possíveis pontos de utilização, com o acelerador a 2100 rot/min estarão, necessariamente sobre, e somente sobre, a linha vermelha. Os pontos do exemplo anterior seriam o S para a marcha Supercurta, e o L para a Marcha Mais Longa. Por último, e para não cair no que se critica, explicarei por que digo que os dados do exemplo (os relativos ao trator) se podem tirar da documentação comercial, em concreto, a relação de transmissão, porque os demais são muito claros.

RELAÇÃO DE TRANSMISSÃO Suponho (e espero) que alguém terá pensado: Isto não se vê em um catálogo. No entanto, insisto. Sim, está aí. Atentando para os cálculos, verão que, com a velocidade do motor, a roda e a velocidade de deslocamento se pode obter a relação de transmissão. Explico-me. Se no catálogo deste trator me dizem que pode ir de 0,23 a 40 km/ h (muitas vezes vem, inclusive, as velocidades em cada marcha), como a velocidade depende do regime de rotação do motor e do raio da roda e o dado que vem no catálogo sempre se refere a velocidade de deslocamento no regime nominal (2300 rot/ min, neste caso), nos fixamos na roda. Há duas possibilidades. Ou tenho um catálogo do pneu, ou calculo o raio a partir dos dados da marcação da roda. Se tiver o catálogo do pneu, o raio se obteria a partir da circunferência de rolamento que, para esta roda, valerá, por exemplo, 5024 mm (5,024 m), com algumas variações em função do fabricante, mas são diferenças pequenas. Com este dado, o valor do raio de rolamento é Pilar Linares

...

Pilar Linares, famosa professora espanhola, testando equipamento

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Máquinas

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A evolução das transmissões nos tratores é uma necessidade constante e imediata

de 0,799 m [5,024/(2p) = 0,799 m]. Se não tenho o catálogo do pneu, vamos a sua marcação técnica: 16,9R38. De um modo aproximado se pode calcular o raio considerando que o diâmetro total sem carga seria de duas vezes a altura do pneu mais o diâmetro da roda. A altura do pneu do tipo radial normal (não largo , nem milimétrico) costuma ser de 0,75 da largura, que, neste caso, é de 16,9 polegadas (43 cm). A roda é de 38 polegadas (96,5 cm). Com estes dados, o diâmetro total sem carga da roda seria de 1,8 m (0,75x43x2 + 96,5 = 182,5 cm), de maneira que o raio seria de 0,9 m. A diferença entre os 0,8 m do catálogo está em que o diâmetro assim calculado é diâmetro sem carga, isto é, deitado no solo, sem contar com a deflexão que inevitavelmente se produz quando a roda está de pé e colocada em um trator, suportando a parte do peso que lhe corresponde. Nestas condições se produz o que se conhece como deflexão do pneu, que ocorre quando em que a parte que toca o solo se deforma e o diâmetro diminui com respeito ao diâmetro total sem carga. Quanto diminui? Assim ficamos na mesma, que o melhor é ter o catálogo do pneu. Mas se não se tem, como é o normal, podem utilizar uma aproximação suficiente, que é: A deflexão é aproximadamente 25% da altura do pneu. Março / Abril 2002


Cultivar

Vejamos o que ocorre com essa recomendação: Se a altura do pneu era de 75% da largura, a altura valeria 32 cm (0,75x43 = 32 cm). Portanto, a deflexão seria de uns 8 cm (0,25x32 = 8 cm). Se diminuirmos do diâmetro calculado por marcação (1,8 m), os 8 cm de deflexão, nos sobram 1,72 m (180-8 = 172 cm). Com este valor, o raio resultaria em 0,86 m. Como se pode ver, vamos nos aproximando.

De todas formas, tampouco acreditem que o raio calculado com a circunferência de rolamento é perfeito. Este valor corresponde a algumas condições da roda que não ocorrem quase nunca. Repito, o valor de catálogo do pneu é tão aproximado como o calculado com os dados de marcação. Por quê? Porque é ele que tem a roda quando suporta a máxima carga que admite segundo seu índice de carga, na pressão de marcação (que, se tem uma estrela, por exemplo, será de 1,6 bar). As rodas quase nunca possuem esta pressão e, muito menos, com a carga máxima por roda. Seguindo com o exemplo, se a roda especificasse na borda 16,9R38 141 A8 I, o índice de carga seria de 141 e a este valor lhe corresponde uma carga máxima por roda de 2575 kg (nos catálogos de pneus vem a tabela de índice de carga-peso máxima por roda). Imaginem 2575 kg em cada roda traseira? Com isto já teríamos 5150 kg no eixo traseiro. O trator que viemos considerando pesa, no total, 4000 kg. No eixo traseiro podem ir 2400 kg (o que vocês acham, 60% do peso?), com o que cada roda levaria 1200 kg, menos da metade da que podem levar a 1,6 bar !! (claro que, seguramente, tampouco terá pressão interna de 1,6 bar). Como o raio diminui com a carga, já se intui que, para a maior carga, menor raio, de maneira que o raio da circunferência de rolamento sai menor que o calculado com os dados de marcação. Resumindo, posso tomar ambos valores como aproximados, porque, realmente, o que eu gostaria de utilizar é o raio índice, que é um raio virtual , isto é, inexistente na realidade. É um valor de papel ou de consenso , depende do gosto de cada um. É ele que se usa para o cálculo das velocidades de deslocamento e outros cálculos, de maneira que todo o mundo use o mesmo

valor. Como sempre, existem umas tabelas que apresentam os raios índice para todas as rodas. Para este pneu o raio índice vale 0,795 m, assim que o deixamos em 0,8 e seguimos adiante. Tratava-se (antes de começar esta confusão com os raios) de justificar de onde saem as relações de transmissão. Bem, se já admitimos que no catálogo vem, para a marcha mais curta (super-reduzida) a velocidade de 0,23 km/h no regime nominal de 2300 rev/min e com o raio de 0,8 m o cálculo é imediato. A relação de transmissão é de 3000 [3,6x2xpx2300x0,8/(60x0,23) = 3015 (os decimais arrastados produzem esta pequena variação). O mesmo ocorre com a relação na marcha mais longa, que teria 40 km/h, com o que a relação de transmissão fica em 17 [3,6x2xpx2300x0,8/(60x40) = 17].

CONCLUSÕES DA PRIMEIRA PARTE Conseguimos enrolar o trator em uma confusão. Algumas vezes queremos que vá muito devagar, ainda que o aproveitamento da potência do motor seja muito baixa; em outras queremos velocidade, ainda que o aproveitamento do peso seja, igualmente, baixíssimo. No meio estariam as marchas de trabalho , isto é, para desenvolver de maneira mais eficiente, potência do motor, peso e muita força de tração. Para todas estas coisas, junto com um motor elástico, colocamos uma transmissão complicadíssima que nos permita quase tudo . Nos próximos artigos seguiremos nos aprofundando nos elementos da transmis.M são, seus termos e sua utilização. Pilar Linares Universidade Politécnica de Madrid, Espanha


Clima

Dominar a previsão do tempo por alguns dias pode significar a diferença entre ter lucro ou prejuízo

Pablo Rodrigues

previsão

Os donos do tempo O

s agricultores sempre tiveram que se adaptar ao avanço contínuo da ciência, mas na história da agricultura nunca, até hoje se haviam enfrentado simultaneamente tantas profundas mudanças ambientais e grandes transformações tecnológicas. Os componentes físicos e bióticos do ambiente em que se cultivam as plantas e se criam os animais sempre foram mutantes, mas o ritmo e a magnitude das mudanças atuais são extraordinários. Certas variações se devem a fenômenos naturais, como os efeitos do El Niño mas, incrivelmente outras foram causadas pelo enorme incremento nas atividades industriais secundárias e terciárias a agricultura é considerada atividade primária. Estas indústrias secundárias produzem o efeito estufa , a destruição da camada de ozônio da estratosfera por compostos gasosos halogenados (CFC) e a precipitação ácida causada pelas emissões industriais de óxidos de enxofre e outros gases acidulantes. Entre os efeitos diretos causados por atividades agropecuárias inadequadas estão a destruição e queima das florestas para substituí-las por lavouras e pecuária comerciais. Isto libera na atmosfera reservas de carbo-

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Máquinas

no na forma de dióxido de carbono e agrava o aquecimento mundial chamado de efeito estufa . O clima e o tempo estão se tornando estranhos e caprichosos. Secas inesperadas, chuvas copiosas fora da estação acompanhadas de inundações, aumento na radiação solar, temperaturas excessivamente elevadas no verão, contrapostas a geadas mais fortes em zonas onde não ocorriam, além de tempestades violentas com ventos destruidores, estão afetando cada vez mais a agricultura. Essas mudanças, além disso, coincidem com uma nova época de produção agropecuária intensa, especialmente em áreas com economias agropecuárias em desenvolvimento acelerado, como na América Latina. Estão sendo usadas variedades muito produtivas mas ambientalmente delicadas, além de um amplo espectro de insumos e equipamento sofisticado, desde a semeadura e controle de invasoras até o combate de pragas e doenças. Para que esta nova tecnologia seja eficaz, econômica e segura, requerse ótimas condições climáticas e do ambiente em geral. Não são os produtores agrícolas os únicos interessados nessas mudanças ambientais. O público está mais do que nunca cons-

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ciente dos problemas e exige saber mais sobre a influência das atividades agrícolas e industriais sobre o ambiente. Algumas das inquietações mais freqüentes se relacionam com os possíveis efeitos que a devastação florestal e a monocultura têm sobre a estrutura e a estabilidade do solo, a ação dos fertilizantes e outros agroquímicos exercem sobre a disponibilidade e pureza das águas freáticas, assim como o efeito dos gases industriais que originam chuvas ácidas sobre a longevidade das árvores e o bem-estar dos seres aquáticos. Estas preocupações atingem a agricultura mundial e são por vezes obstáculos à desejada meta de obtenção de uma agricultura auto-suficiente. Como resultado, o agricultor de hoje está mais do que nunca obrigado a monitorar as mudanças do meio ambiente, acompanhando o clima, tempo e a presença de atividades industriais. Todo monitoramento requer medições quantitativas, e estas o emprego de instrumentos. Os agri-

As estações em manejo Março 2002


Para determinar o tempo e o clima é necessário o registro correto de certos parâmetros, por exemplo chuva, intensidade lumínica, temperatura e direção do vento

MEDIÇÕES AUTOMÁTICAS

ELE International

Para determinar o tempo e o clima é necessário o registro correto de certos parâmetros, por exemplo chuva, intensidade lumínica, temperatura e direção do vento, entre outros. Tradicionalmente tomava-se leituras diárias de vários instrumentos manuais, como pluviômetros, termômetros, anemômetros (velocidade do vento) e barógrafos (barômetros gráficos) que registram a pressão atmosférica. Atualmente esses trabalhos de medição e registro transformaramse radicalmente com o aparecimento da estação meteorológica automática. Que deve chamar-se estação de monitoramento ambiental (EMA, ou SEM em inglês), pois com ela se obtém algo mais do que um mero registro do tempo, e uma variedade de disci-

de monitoração ambiental (EMA) são usadas, de cultivos extensivos como este de canola Março / Abril 2002

USOS E APLICAÇÕES Estes sistemas são especialmente úteis em fruticultura ou plantios florestais com períodos prolongados entre o plantio e sua primeira colheita. É importante contar com um bom histórico dos parâmetros ambientais e assim poder avaliar as respostas de diversos clones ao clima. Além disso, a execução de certas atividades agronômicas, como o plantio e a aplicação de praguicidas, depende desta informação para maior eficácia e segurança. Com ventos fortes, em certas espécies arbóreas, as árvores de grande porte são arrancadas e se perdem totalmente, enquanto as jovens se deformam e nunca recuperam a postura correta. Vários fatores, como tipos de clones e de solo, afetam a suscetibilidade ao dano pelo vento, mas ainda mais importante é o local onde se plantam as árvores em relação ao vento sua magnitude e sua procedência. Quando se inicia o replantio de uma floresta, a EMA pode ser muito útil para determinar quais ladeiras e colinas estão expostas a ventos capazes de danificar as árvores. As plantações costumam ser tratadas contra doenças fúngicas, por exemplo, e a direção e velocidade dos ventos determinam não somente a segurança do avião e seu piloto como a forma com que se depositam as gotas nas copas das árvores. A temperatura e a umidade também afetam outros fatores, como a evaporação das gotas e a possibilidade de deriva. A única alternativa prática, www.cultivar.inf.br

além do avião, para aplicar fungicida na copa dessas árvores é o emprego de nebulizadores térmicos que enviem o agroquímico do solo, através das fileiras das árvores, mediante um efeito semelhante ao de uma chaCultivar

plinas a empregam para registrar cada aspecto físico ou químicos do ambiente. Uma EMA típica possui uma estrutura estável e resistente que contém uma série de sensores eletrônicos, os olhos e ouvidos do sistema, que detectam as mudanças do ambiente, por exemplo, a presença e intensidade da precipitação, alterações de temperatura, intensidade da luz e velocidade do vento. Estas leituras são controladas por um computador mantido em um receptáculo à prova de interferência dos fatores ambientais. Esta unidade controla os sensores, inicia a seqüência de leituras, as armazena e processa os dados. A estação é programável pelo usuário, e seus dados podem ser coletados à vontade do operador a qualquer momento, por meio de computadores e/ou impressoras portáteis. O operador determina o tipo de programa e a freqüência do registro dos dados quando instala o aparelho. Há disponível atualmente uma grande variedade de sensores que se podem instalar para determinar, por exemplo, umidade relativa, chuva, temperaturas do solo e do ar, radiação quântica, raios ultravioleta A e B, pressão barométrica, evaporação e a tensão elétrica do solo.

Clima monitorado ajuda a controlar pragas, doenças e invasoras

miné. Não obstante, a nebulização em árvores de plantações tropicais, como o cacau, também requer condições atmosféricas perfeitamente apropriadas. Isto inclui a velocidade correta do vento e a presença de inversões de temperatura para reduzir ao mínimo a deriva de partículas muito finas, não maiores do que 10 a 20 micras. As plantações empregam normalmente numerosos trabalhadores, que muitas vezes moram nas proximidades e cultivam hortaliças e outras culturas de subsistência. O uso de aplicações aéreas de praguicidas apresenta um enorme risco a essas comunidades. Na América Central é comum a deriva de agroquímicos para hortas domésticas de tomates e pimentões durante aplicações aéreas de produtos para o controle de Sigatoka nas plantações bananeiras. As EMA permitem aos aplicadores organizar seus programas de acordo com as condições atmosféricas para que o produto caia aonde deve e somente ali. Outra situação em que a deriva tem grande importância é a aplicação de agroquímicos nas plantações de grandes extensões, como nos campos de milho, soja, trigo e algodão. O uso de agroquímicos é uma das causas de grandes aumentos na produtividade e de qualidade dessas culturas, mas é sempre necessário vigiar de perto as condiMáquinas

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cultores já estão familiarizados com o uso de instrumentos manuais, tais como pluviômetros, termômetros, medidores de pH, etc. Entretanto, hoje precisam quantificar uma variedade de componentes físicos e bióticos para seu sistema de produção precipitação, velocidade do vento, umidade relativa do ar, temperatura, umidade do solo e ocupar-se com uma nova tecnologia eletrônica que inclui sensores, computadores e tabelas informativas.


... ções de tempo imediatamente antes e de-

prega para programar a irrigação de culturas como a cana-de-açúcar.

MONITORAÇÃO DE PRAGAS E DOENÇAS Monitorar pragas e doenças é uma das principais formas de emprego das EMA, pois já estão disponíveis programas de computação específicos para prevenir ataques específicos. As vantagens disto é que, primeiro, se torna possível prognosticar quando a praga ou a doença aparecerão, baseando-se em indicações de umidade, temperatura, etc, e, segundo, que se limitam as aplicações de agroquímicos somente às épocas em que são absolutamente necessárias. Esta faculdade se torna especialmente importante quando se trata de produtores que exportam suas colheitas para países que monitoram os resíduos de produtos químicos sobre os alimentos em seus portos de importação. É um fato que o aparecimento da sarna da maçã, causada pelo fungo Venturia inaequalis, já se pode prognosticar com êxito. Usando a tabela de infecção concebida por W.D. Mills, há mais de 40 anos, que relaciona a temperatura média com o número de horas em que as folhas estão úmidas, e o início da infecção de sarna, o fruticultor pode planejar a tempo suas aplicações de fungicidas. O agricultor leva um registro da temperatura, umidade relativa e umidade superficial da folhagem, e somente aplica fungicida quando a Tabela de Mills indicar que as condições são favoráveis para a infecção. Outro problema fitopatológico de largo histórico que também se relaciona com as condições ambientais de temperatura, umidade relativa e umidade foliar e que pode Cultivar

pois de aplicar. As mesmas aplicações terrestres, em que se empregam grandes pulverizadores auto-propelidos, podem originar deriva e tornar o agricultor responsável por danos causados a lavouras próximas. Isto é pior quando os campos vizinhos contêm hortaliças, flores ou frutas. Sabe-se de casos em que gotas de soluções herbicidas penetraram em estufas, onde circularam e arruinaram culturas valiosas de flores ornamentais. Também os horticultores podem usar com vantagens as estações meteorológicas. Muitos fruticultores, como os que cultivam plantas que dependem de um período de frio para florescer, ou que são suscetíveis a geadas, como pêssegos, nectarinas, uvas e cítricos, já sofreram perdas por geadas inesperadas e cada vez mais severas. A geada é muito prejuidicial para as flores das frutas, mesmo de espécies resistentes como maçãs, pêras e ameixas. Alguns fruticultores instalam sistemas de pulverização que são ativados como proteção contra geadas quando os censores detectam temperaturas abaixo de zero. A irrigação é outra prática que pode aperfeiçoar-se por meio das EMA. Mediante o emprego de sensores de temperatura, umidade relativa, velocidade do vento, radiação, umidade superficial e evaporação, fatores que afetam e controlam as perdas de umidade por transpiração das plantas, é possível calcular essas perdas. De forma semelhante, os tensiômetros medem a absorção da água pelas raízes. Todos esses parâmetros podem ser organizados na forma de relações matemáticas tais como a fórmula Penman , que se em-

A floração do feijoeiro pode ser afetada por fungos, em decorrência de altos índices de umidade relativa do ar

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Agricultura de las Americas

O emprego de sistemas de previsão para planejar aplicações estendeu-se agora a culturas tropicais, como da bananeira

A nova estação de monitoramento ambiental Cumulus

predizer-se com bastante exatidão é a requeima da batata. Já em 1947 A. Beaumont determinou que podiam esperar-se epidemias de requeima uma semana depois que a umidade relativa e a temperatura se mantivessem em, respectivamente,75% e 10 0 C durante um período de 48 horas. As culturas estão especialmente vulneráveis a estas condições durante certas etapas de seu desenvolvimento por exemplo, quando a folhagem se expande e cria micro-climas favoráveis à germinação de esporos e à infecção das folhas. O emprego de sistemas de previsão para planejar aplicações estendeu-se agora a culturas tropicais, como da bananeira. As infecções primárias conduzentes a epifitias de Sigatoka ocorrem devido à germinação massiva de ascosporas sob certas condições de temperatura e precipitação. Primeiro se criaram sistemas para prever a Sigatoka amarela (Mycosphaerella musicola) nas Antilhas Francesas de Guadalupe e Martinica. Depois foram os sistemas de atrair ascosporas e monitorar o clima para projetar calendários de aplicação aérea contra a Sigatoka negra (Mycosphaerella fijiensis) que é muito mais agressiva e daninha do que a amarela. Devido à crescente urbanização, a contaminação ambiental causada pelas indústrias se aproxima mais e mais das terras agrícolas mais produtivas. Os agricultores vizinhos das cidades terão de empregar as EMA não somente para monitorar as condições meteorológicas, mas também para identificar, quantificar e reportar gases contaminantes tais como os óxidos de enxofre e assim contar com evidências concretas e irrefutáveis no caso de prejuízos às suas colheitas e animais. .M Março 2002


Lançamento tratores

Baixo e com boa potência, o MF 250 Viti foi projetado para o trabalho nos parreirais da Serra Gaúcha

Novo Massey

Março / Abril 2002

ralama reto ou no estilo shell arredondado, CAFÉ E LARANJA para que o produtor possa escolher qual se adapta melhor às suas condições. Depois da experiência de desenvolver A altura do trator, do chão ao volante, é uma máquina com características especíde 1,39m e, com um operador de aproxima- ficas para o cultivo de uva na Serra Gaúdamente 1,80m, pode chegar a altura de cha, através da opinião dos produtores, a 1,75m. Ele mede 3,63m de comprimento e Massey está planejando ampliar a idéia e sua largura máxima, com pneus largos, chega produzir tratores adaptados à cultura de a 1,44m. Apesar de parecer pequeno, o Viti café e laranja com características específipossui potência suficiente para todo o traba- cas para as regiões onde as unidades serão .M lho desenvolvido na viticultura. A tomada de comercializadas. potência é mecânica, com rotação nominal de 540 rev\min e capacidade de levante da rótula de 2100 kgf. A transmissão do tipo deslizante possui oito marchas a frente e duas a ré. Possui ainda sistema de direção do tipo hidrostático, barra de tração oscilante, luzes para trabalho noturno, suporte de pesos dianteiros, luzes para sinalização, aquecedor de partida e tanque de combustível com capacidade Viticultores opinaram sobre para 57 litros. as características do Viti Fotos Divulgação Massey

A

Massey Ferguson lançou o trator MF 250 X Viti, desenvolvido especialmente para o trabalho em parreirais. A versão Viti é fruto de pesquisa com produtores de uva da Serra Gaúcha, que ajudaram a definir as características necessárias para o trabalho da máquina em parreirais da região. Os produtores que se envolveram no projeto determinaram que a máquina fosse baixa, compacta e que proporcionasse conforto ao operador, agilidade e estabilidade mesmo em terrenos escorregadios e dobrados. O resultado do trabalho em conjunto foi uma adaptação do trator MF 250 X, compacto, com potência de 51 cv e motor Perkins AD 3.152, de 3 cilindros. Ele teve os assentos, pedais e soleiras rebaixados para proporcionar uma posição ergonômica para o operador, de maneira que ele possa entrar e trabalhar com tranqüilidade embaixo das parreiras. Além da altura reduzida, um fator determinante para quem trabalha em viticultura, o Viti possui tração nas quatro rodas e foi desenvolvido com dois tipos de pneus traseiros, o Standard com menor diâmetro (9.5-24R1) e opcional maior e mais largo (11.2-24R1), que melhora a tração em terrenos úmidos e com topografia irregular. Além da diferença no tamanho do pneu traseiro, os produtores também mostraram interesse por estilos diferentes de paralamas e, por isso, o Viti possui a versão com pa-

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Opinião

o momento em que esta edição da Cultivar Máquinas estiver circulando, o mundo da tecnologia agrícola brasileira vai estar com os olhos voltados para uma pequena cidade agro-industrial no Planalto Riograndense, onde se realiza uma das quatro mais importantes feiras do segmento no País. Esta feira, refiro-me à ExpoDireto em Não-Me-Toque, tem alguns valores notáveis. Vejamos: é recém a terceira edição, e já conta com cerca de 200 expositores. Atrai além do público nacional o interesse de muita gente do Mercosul, predominantemente Paraguai e Argentina. Até ministros de Estado, além de outros políticos estão comprometidos com os seminários de agronegócios que ocorrem em paralelo. É a segunda feira do ano, em ordem cronológica (a primeira foi o Show Rural da Coopavel, em Cascavel-PR), e marca o início da colheita da soja nesta região. Não quero discutir neste momento as mazelas dos produtores de soja, altamente tecnificados e competitivos, mas ameaçados, de novo, e mais fortemente, por uma lei de subsídios de nosso maior concorrente estrangeiro, que pode vir a colocar em dificuldades esta atividade em todo o mundo abaixo da linha do equador. A Expo-Direto é temática, sobre uma tecnologia na qual o Brasil é líder mundial há mais de duas décadas, o Sistema Plantio Direto, e que mostra a cada dia sua importância e sua conveniência para a preservação de recursos naturais, e mais importante, a sustentabilidade da atividade agrícola! O que faz o sucesso de uma Feira como esta? Em primeiro lugar, o público. O público a que me refiro são visitantes qualificados, produtores ou técnicos que estão atuando diretamente na cadeia produtiva. Neste tipo de feira não há espaço para curiosos. Não há recordes de público. Não importa tanto o número de visitantes, mas sim sua qualificação. O atendimento a este público é também valorizado. Vemos com freqüência as altas direções das empresas em contato direto com os produtores, ou distribuidores. Os grupos de produtores, ou de técnicos vêm organizados, com roteiros a cumprir e focos de interesse bem claros e demarcados. A eficiência das visitas aumenta e a eficácia das mensagens dos expositores é muito maior. A dinâmica . Nestas feiras modernas

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existe a apresentação dinâmica dos produtos. São pequenas demonstrações da grande gama de equipamentos à mostra, onde se pode avaliar superficialmente o desempenho do equipamento ou da máquina na qual se está interessado. Embora eu tenha minhas dúvidas quanto à eficiência deste tipo de demonstração, ela tem atraído muito público, e funcionado como formador de opinião. Minha dúvida reside justamente aí: no caso de semeadoras de plantio direto ( plantadeiras como são denominadas pelo mercado), se uma máquina notadamente boa, reconhecida pelo mercado tiver que trabalhar sobre uma pequena área desfavorável e seu desempenho não for o esperado, ela perde conceito, que vai custar muito a ser recuperado. Azar! -Poderão dizer alguns. Mas aí me parece que poderemos ainda evoluir. No caso específico (e de tratores, e de preparo de solo, e de irrigação, etc...) existem normas INMETRO/ ABNT vigentes e aplicáveis. Por outro lado existem mui-

tão ávidos por oportunidades de interagir com o mercado ou o setor produtivo. Porque não apoiar estas demonstrações efêmeras de campo com dados de ensaios de mais longo prazo com metodologia conhecida e igual para todos? Então sim, com a técnica conhecida os produtores e técnicos poderiam tomar suas decisões com critérios claros e objetivos. A localização. As grandes feiras dinâmicas, e isto também ocorre no exterior, são localizadas dentro de centros de produção agrícola, perto, portanto, do público-alvo, e com ele identificadas. A organização é outro fator de sucesso. Os locais das feiras são aprazíveis, no caso da Cotrijal e da Coopavel são gramados muito bem cuidados, passeios firmes e que permitem o fluxo de pessoas esperado. O suporte aos visitantes é bom, banheiros limpíssimos, restaurantes bons, com higiene. Necessita mais? Os expositores. Não se poderia deixar de falar quem é ao mesmo tempo convidado e anfitrião. São os expositores que trazem o que tem de melhor e de mais novo para mostrar. E o fazem com a melhor qualidade que cada um tem de marketing e comunicação. Os estandes têm espaço para receber os visitantes com tranqüilidade, o número de pessoas disponível para os contatos é, normalmente, suficiente e muito bem preparado e o material informativo de boa qualidade. Os lançamentos, que normalmente eram feitos no segundo semestre de cada ano, já estão com seu eixo deslocado, ocorrendo nas feiras temáticas e dinâmicas do primeiro semestre. Os investimentos dos expositores costumam ser elevados, mas o retorno é garantido, até agora. Há que se cuidar para que os organizadores não exagerem nos custos, provocando então a evasão dos expositores, o que tiraria o brilho de qualquer evento... Então, pelo exposto, convimos que sempre vale à pena visitar as modernas feiras de tecnologia agrícola brasileira (algumas sequer cobram ingresso). Se você não pôde vir ao sul neste ano, no próximo tem outra, e certamente será melhor! E até lá tem uma no Centro-Oeste e a mais tradicional, em Ribeirão Preto - São Paulo. .M Bons negócios! Cultivar

N

Todos à feira!

Arno Dallmeyer é Consultor Técnico da Cultivar Máquinas e Professor Titular de Máquinas Agrícolas no CT/UFSM

tos Centros de Pesquisa e Desenvolvimento, tanto em órgãos de pesquisa quanto nas universidades, em condições de realizar ensaios e fornecer relatórios isentos e sérios do desempenho destes equipamentos. E por vezes es-

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