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Maquinas 07

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Do editor Edição Número 7 - Ano II Janeiro / Fevereiro 2002 ISSN - 1676-0158 EMPRESA JORNALÍSTICA CERES

Nesta edição a Cultivar Máquinas completa seu primeiro ano de vida. Foi um tempo em que a Empresa Jornalística Ceres ampliou seu trabalho de difusão de tecnologia para homem do campo. Tivemos muitas alegri-

CGCMF : 02783227/0001-86

as neste período, mas a maior de todas foi contar com a companhia de

Insc. Est. 093/0309480

fiéis e dedicados leitores, que periodicamente nos parabenizam, criticam

Rua Sete de Setembro 160 7º andar Pelotas RS 96015 300

e dão sugestões.

E-mail: cultivar@cultivar.inf.br

Apresentamos este mês as vantagens e desvantagens dos sistemas de pul-

Site: www.cultivar.inf.br

verização econômica, na visão do professor Luiz Mialhe, da Esalq. Por

Assinatura anual (06 edições): R$ 38,00 DIRETOR

falar em pulverização, você já pensou na importância que os pneus têm nos seus pivôs? A opção errada favorece a compactação do solo ou difi-

Newton Peter

culta o trabalho.

EDITOR GERAL

Outro aspecto que destacamos é o uso correto e seguro de motosserras.

Schubert Peter

Pequenos cuidados permitem ao operador fazer menos esforço e traba-

CONSULTOR TÉCNICO

Dr. Arno Dallmeyer

lhar com maior segurança.

REPORTAGENS ESPECIAIS

Pablo Rodrigues Charles Ricardo Echer

DESIGN GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO

Fabiane Rittmann

Índice

Nossa Capa Foto Husqvarna do Brasil

MARKETING

Rodando por aí

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CIRCULAÇÃO

Eletrônica na pulverização

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ASSINATURAS

Pneus no pivô central

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Correto uso de motosserras

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Compactação de solos

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Rendimento do trator

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Opinião

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Otávio Pereira Edson Luiz Krause Simone Lopes

ILUSTRAÇÃO

Rafael Sica

EDITORAÇÃO ELETRÔNICA

Index Produções Gráficas

FOTOLITOS E IMPRESSÃO

Kunde Indústrias Gráficas Ltda. NOSSOS TELEFONES:

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GERAL / ASSINATURAS: 272.2128

REDAÇÃO :

Destaques

Pneu ideal Saiba como fazer a seleção correta de pneus para pivô central

227.7939 / 272.1966

MARKETING:

....................................................

3025.4254 / 272.2257

FAX:

Caderno especial

272.1966

Por falta de espaço não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@cultivar.inf.br

Ceres Empresa Jornalística

A evolução do posto do condutor nos tratores e o conseqüente aumento do conforto e da segurança para o operador são abordados pelo professor Schlosser

Solos Especialista aborda os cuidados para minimizar a compactação do solo ...................................................

Trator sem mistérios Reportagem explica os princípios mais importantes para o rendimento do seu trator ...................................................

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Rodando por aí

Coopavel 2002

Carlito Eckert

Empolgado com as perspectivas de bons negócios, Carlito Eckert, Diretor de Vendas da Case Brasil, marcará presença no Show Rural Coopavel 2002, em fevereiro. Está apostando na Colheitadeira Axial Flow 2388, o grande lançamento da Case IH e a primeira axial produzida no Brasil. Para 2002 promete mais novidades, entre elas duas novas séries de tratores e colheitadeiras.

Exitus 4x4

A versão 4x4 do trator Exitus, da New Holland, promete para 2002. O 4x4 mantém as mesmas características que fizeram o Exitus um sucesso de vendas em 2001, com eixos dianteiros classe II, garantindo maior capacidade de carga e resistência, e a transmissão Synchro Command 12x4, que permite uma combinação perfeita entre velocidade, torque e potência em todas as atividades agrícolas. O trator possui também um sistema hidráulico de alta precisão com uma bomba exclusiva para o sistema de direção e outra para o sistema hidráulico, além do acionamento da tração nas quatro rodas com um simples toque no painel, sem necessidade de parar a máquina. O lançamento será durante o Show Rural Coopavel 2002.

Língua Eletrônica

O pesquisador Luiz Henrique Capparelli Mattoso e o pós-doutorando Antonio Riul Jr., da Embrapa Instrumentação Agropecuária, levaram o prêmio Governador do Estado Invento Brasileiro pela invenção de um sensor gustativo para avaliação de

Líder em exportação

A John Deere comemora o crescimento nas exportações de colheitadeiras, que em 2001 aumentou 80,3% em relação a 2000. Segundo a Anfavea, das 1.123 colheitadeiras embarcadas para o exterior, entre janeiro e novembro, 579 são John Deere. As máquinas rumaram para a América Latina, Europa, África e Ásia. Para 2002 uma das principais novidades é a nacionalização das maiores colheitadeiras do mundo: os modelos 9650 STS e 9750 STS, até agora fabricados somente na unidade de produção em Moline nos Estados Unidos.

Fossa Biodigestora

A partir de agora as propriedades rurais podem ter o esgoto que sai de suas casas tratado e transformado em adubo orgânico pelo processo de biodigestão. O pesquisador da Embrapa Instrumentação Agropecuária, Antonio Pereira de Novaes, descobriu um sistema simples e barato que funciona através de um desvio das tubulações das fossas para caixas d água, onde os coliformes fecais são transformados em adubo. Além de eliminar as possibilidades de contaminação do lençol freático, poços e contração de doenças causadas por coliformes fecais, os agricultores podem obter bons resultados com a adubação orgânica.

Colhimenta 3000

A Menta Mit Máquinas Agrícolas, de SP, está entusiasmada com as vendas da Colhimenta 3000, a colhedoura de cana-de-açúcar premiada com troféu ouro na categoria Equipamento Destaque, do Prêmio Gerdau Melhores da Terra 2001. Para Pedro Menta, engenheiro projetista da Menta Mit, a utilização da forragem para alimentação bovina tem aumentado nos últimos anos e poderá levar o Brasil ao posto de maior produtor e exportador de proteína animal do mundo. A Colhimenta 3000 estará exposta na Coopavel 2002.

Operação e Manutenção de silos

Investindo na qualificação de mão-de-obra, a Kepler Weber oferece curso de operação e manutenção de silos para técnicos e operadores durante todo o ano de 2002. O objetivo do curso é proporcionar um melhor desempenho das instalações, reduzindo os custos de operação e manutenção. O programa prevê aulas teóricas e práticas sobre todo o processo, desde a armazenagem até o transporte dos grãos. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 0800-512104 ou no site www.kepler.com.br.

Grande negócio

Hugo Zattera

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Máquinas

A Participale, holding do conglomerado Francisco Stedile, de Caxias do Sul, RS, através da Lavrale Máquinas Agrícolas Ltda, adquiriu o negócio de tratores e motocultivadores da Yanmar do Brasil S.A., com a aquisição do controle de capital da empresa, no dia 31 de outubro de 2001. Segundo Hugo Zattera, diretor geral da Lavrale, apesar da aquisição as empresas continuarão seus negócios de forma independente. A Participale seguirá sua produção com a costumeira qualidade, buscando atender às expectativas dos seus clientes. A Yanmar, da mesma forma, dará continuidade à produção de motores NSB e peças de reposição bem como toda a linha de produtos importados e à Fundituba.

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bebidas, como café, vinho e água. A Língua Eletrônica, como foi batizado o invento, representa um avanço na qualidade para a indústria alimentícia, vinícolas, estações de tratamento de água e na indústria farmacêutica. O sensor pode distinguir com precisão e em tempo real os padrões básicos de paladar, doce, salgado, azedo e amargo, em concentrações abaixo do limite de detecção do ser humano. A Língua Eletrônica foi criada em parceria com a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. O invento poderá ser conferido na Coopavel 2002.

Nova linha de velas Bosch

A Bosch passa a oferecer ao mercado brasileiro dois modelos de velas para aplicação em motosserras, roçadeiras e motores estacionários das marcas Husqvarna e Sthil. Os dois modelos são o WS7F0241235567 e W7AC0241235607, que na tabela de conversão eqüivalem, respectivamente, aos modelos BPM6A e B6HS da NGK. Mais informações podem ser obtidas com o SAC Bosch pelo telefone 0800 7045446.

Novo presidente

Jim Martinez

Jim Martinez assumiu a presidência das operações John Deere Brasil S.A., substituindo Eduardo Logemann que, após 15 anos à frente da empresa, dedica-se exclusivamente aos negócios da SLS Participações e empresas filiadas. Com 35 anos de trabalho dedicado à John Deere, Jim Martinez, atuou em várias funções e, ultimamente, acumulava os cargos de Diretor para América do Sul e Diretor de Operações da unidade do Brasil.

Janeiro 2001 / Fevereiro 2002


Tecnologia pulverizadores

Dispositivos eletrônicos nem sempre sempre apresentam apresentam uma relação favorável entre o custo e benefício em equipamentos de pulverização

Eletrônica na pulverização

nacional disponível no mercado brasileiro

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Fotos Mialhe

e Parruda (Montana), a possibilidade de operar em velocidades mais altas com barras de grande porte faz dessas máquinas forte concorrente do avião agrícola. Na prática, os usuários têm afirmado que o autopropelido faz em um dia o que o avião realiza em meio dia. Todavia, o grande fator restritivo é o balançar das barras quando trabalha em terrenos de microperfil irregular, como é o caso típico da lavoura canavieira. Porém, mesmo em terrenos mais uniformes (caso das lavouras de cereais), o tipo de sistema de suspensão (dos rodados e das barras) é fator determinante da máxima velocidade que efetivamente o pulverizador autopropelido pode desenvolver. O ponto alto nos pulverizadores instrumentados é a possibilidade de variar a velocidade de deslocamento, sem que se altere a taxa de aplicação que foi preestabelecida. Não se trata de exigência nova, mas inúmeras tentativas foram realizadas para obter esse mesmo efeito, como Máquinas

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á se passaram alguns anos da intro- trole operacional (fornecendo relatório de dução em nosso país de equipamen- área trabalhada, quantidade de calda aplitos eletrônicos de controle de pulve- cada etc). Nos pulverizadores autopropelidos, cuja rizadores mas, até hoje, sua adoção pelos empresários rurais tem sido bem vagarosa, presença hoje no mercado nacional conta apesar de suas inúmeras vantagens. Muitos com dois modelos importados (John Deere alegam que esses equipamentos, além de ca- e Case) e dois nacionais Uniporte (Jacto) ros, são de difícil manuseio; outros, por desconhecimento, preferem ficar com o velho e tradicional pulverizador de controle manual. A exceção, ao que parece, ficou com os pulverizadores autopropelidos (Montana, Agchem, Jacto etc) e alguns modelos de arrasto empregados em pomares (Jacto). Independentemente do tipo, marca e modelo, a grande vantagem desses equipamentos é permitir que os pulverizadores, de qualquer categoria, operem no campo a velocidade variável mantendo a mesma taxa de aplicação (litros de calda por hectare). Além desse aspecto existem outros, associados ao manejo do pulverizador (regulagens e comandos acionados por simples Pulverizador autopropelido de fabricação pressionamento de botões) e ao con-


A aplicação de herbicidas em cana-de-açúcar vem sendo feita com sucesso através de pulverizadores tratorizados equipados com controles eletrônicos

... foi o caso dos pulverizadores Berthoud (hoje

Montana) que adotando terminologia européia lançaram no início da década de 90 sistemas com as siglas VPM, (vazão proporcional à rotação do motor), VPA (vazão proporcional por avanço) e VPE (vazão proporcional por controle eletrônico). No caso do sistema VPM o bloco de válvulas de comando apresenta um circuito hidráulico no qual um aumento de vazão (proporcional ao aumento da rpm do motor ou TDP) da bomba é repassado às barras por aumento de pressão e conseqüentemente aumento de vazão, de forma que operando na mesma marcha do trator obtém-se volume constante por hectare. O problema com esse sistema é que se houver troca de marcha no trator, o VPA não funciona. No sistema VPA a bomba é acionada pela roda do pulverizador. A proporcionalidade da vazão da bomba com a velocidade de avanço faz com que o circuito hidráulico

Pulverizador VPA, com bomba acionada pela roda

neste caso funcione de forma semelhante ao anterior, porém, sem a limitação da troca de marchas. Todavia, esses tipos de sistemas de controles hidromecânicos (VPM e VPA) não tiveram, por várias razões, boa aceitação no mercado e foram marginalizados pelas vantagens oferecidas com o siste-

Nos pulverizadores convencionais a taxa de aplicação varia de forma inversamente proporcional à velocidade do avanço

ma VPE (vazão proporcional por controle eletrônico), com vários modelos fabricados no exterior e disponíveis no mercado interno (Spraying Systems, Dickey John, Arag, Raven etc) Um termo que vem ganhando adeptos é o volume aplicado para designar a quantidade de calda (água+defensivo) aplicada por unidade de área. Por ter um certo sentido ambíguo (tanto pode ser volume aplicado por área, como por tempo ou por jornada de trabalho) adotou-se aqui o termo clássico taxa de aplicação (Ta) para explicitar a quantidade de calda aplicada por unidade de área (m2, ha ou alqueires). Assim, conforme ilustram os esquemas da Figura 3, se um pulverizador equipado com comando de válvulas convencional for regulado para Ta = 300 l/ha e V = 4 km/h, passar a trabalhar a 8 km/h a taxa de aplicação cai para 150 l/ha. É esse o motivo da preocupação com VP, ou seja, vazão proporcional a velocidade de deslocamento. A explicação sobre esse relacionamento, porém, envolve alguns cálculos e o uso de fórmulas tiradas das próprias características operacionais do equipamento. Apesar de não ser

Croquis dae pulverizador com barra de 3 secções e 15 bicos: A= faixa de deposição por passada; B= distância entre bicos; C= faixa de recobrimento dos jatos das pontas da barra; E= espaçamento da lavoura

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Máquinas

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Pulverizador com controle eletrônico usado em cana-de-açúcar

Detalhe do painel de controle, ao lado do volante

nada complicado, vai exigir um pouco mais de atenção do leitor. A aplicação de herbicidas em cana-deaçúcar vem sendo feita com sucesso através de pulverizadores tratorizados (barras de 3 seções) equipados com controles eletrônicos. Para se entender como esses equipamentos operam é necessário conhecer o modelo de relacionamento das variáveis envolvidas na operação de pulverização de defensivos. Para iniciar, consideremos um pulverizador com barra de bicos subdividida em 3 seções (duas laterais e uma central), cada uma com 5 bicos espaçados de 0,6 m. Portanto, a largura da faixa de deposição de cada seção será Ls = 3,0 m e da barra toda Lb = 9,0 m, conforme ilustra o croquis da Figura 5. Se o trator deslocar-se no campo com velocidade V = 6 km/h (equivalente a 100 m/minuto), a área coberta em 1 minuto será Janeiro 2001 / Fevereiro 2002


mos:

[ 300 (l/ha) x 9 (m)]/600 = 4,5 = Qba (l/min) / V (km/h) Qba (l/min) = 4,5 x V (km/h)

Regressão de vibração da vazão do bico TF-VS4 em função da pressão

S = 9 x 100 = 900 m2. Considerando-se uma vazão dos bicos Qb = 1,9 l/min, a vazão total da barra será Qba = 1,8 x 15 = 27 litros/minuto. Assim, ao tomarmos a razão Qba/S, tem-se: 27 (l/min) / 900 (m2) = 0,03 litros/m2. Essa taxa de aplicação (Ta = 0,03 l/m2) corresponde a 0,03 x 10.000 = 300 litros por hectare, a qual poderá ser expressa pela seguinte equação: Ta (l/ha) = 10.000 x [ Qba (l/min)/S (m2/min)]

(1)

Fotos Mialhe

Mas, a área aplicada por unidade de tempo pode ser expressa por:

Como se nota, a vazão da barra de pulverização, em l/min, deve ser proporcional a 4,5 vezes a velocidade de deslocamento do trator, em km/h. Isso quer dizer, no caso do nosso exemplo, que a cada variação de 0,5 km/h na velocidade do trator, deverá ocorrer uma variação de 2,25 l/min na barra de pulverização, a fim de manter constante a taxa de aplicação de 300 litros por hectare. Essa variação de vazão, para acompanhar a variação de velocidade e manter constante a taxa de aplicação, é obtida por regulagem da pressão. A medida em que se aumenta a pressão, a vazão dos bicos é incrementada. Esse efeito é ilustrado no gráfico da Figura 6, traçado a partir dos dados fornecidos por uma tabela do fabricante de bicos (Spraying Sistems Co) para o bico flood jet TF-VS4. Utilizando-se de metodologia estatística (análise de regressão), pode-se obter uma equação matemática da variação da vazão do bico em função da pressão, cuja forma geral é:

Qb(l/min) = a + b.P (bar)

15 [ a + b.P(bar)] = 4,5 x V (km/h) (2)

Logo:

Ta (l/ha) = 10.000 x { Qba (l/min)/ [L (m) x V (km/h) x 16,66]}

que resulta em:

[Ta (l/ha) x L (m)]/600 = Qba (l/min) / V (km/h)

(3)

Assim, no caso do nosso exemplo, teríaJaneiro 2001 / Fevereiro 2002

(6)

Assim, para o caso do nosso exemplo, podemos associar as equações (6) e (4) considerando a barra com 15 bicos, a saber:

Método de determinação da vazão do bico pulverizador

que pode ser escrito como:

V (km/h) = 3,33 x [ a + b.P(bar)]

(7)

Verifica-se, pois, que a equação (7) relaciona diretamente a pressão P (em bar) com a velocidade V (em km/h) do pulverizador considerado no exemplo. No caso de se utilizar os parâmetros indicados no gráfico da Figura 6, a equação (7) tomaria a seguinte forma: www.cultivar.inf.br

É exatamente desse fato (equação 8) que os controles eletrônicos se utilizam para proporcionar uma taxa constante de aplicação, independente da velocidade de deslocamento. Mas, como isso é realizado ? É feito através de um conjunto de componentes eletrônicos associados ao circuito hidráulico do pulverizador. Os componentes eletro-eletrônicos de controle incluem: 1) Microcontrolador: - é um circuito integrado que contém muitos dos itens que um computador possui como CPU, memória, etc, mas que não contém nenhuma interface humana como teclado, monitor ou mouse . 2) Interface do operador: - conjunto de botões/teclas e display de cristal líquido, através dos quais tanto se injeta informações no microcontrolador, como dele se recebe informações. 3) Entradas & saídas: - conjunto de sensores (de pressão, vazão e deslocamento do trator), atuadores (servomotor e selenoides de acionamento das válvulas, comandados pelo microcontrolador) e sinalizadores (sonoros ou luminosos, para chamar a atenção

(5)

Nessa equação as constantes a e b são determinadas a partir dos dados obtidos em teste dos bicos, realizados de forma que se varia a pressão (P) e coleta-se a vazão (Qb) correspondente. Para isso emprega-se um frasco graduado e cronometra-se o tempo para recolher um volume dado, como ilustra a Figura 7. Depois, aplica-se a esses dados a metodologia de análise de regressão (método dos mínimos quadrados) para encontrar o valor dos parâmetros a e b . Considerando-se que a barra tenha n bicos, a equação (5) transforma-se sem:

Qba (l/min) = n x [ a + b.P (bar)]

S (m2/min) = L (m) x V (km/h) x 16,66

(4)

(8)

Blocos dos componentes do circuito eletro-eletrônico, associado ao circuito hidraúlico, para controle do pulverizador

do operador). O sistema funciona, em linhas gerais, da seguinte forma: O microcontrolador recebe sinais dos sensores de deslocamento e de pressão. A partir do sinal do sensor de deslocamento (tipo radar ou sensor de pulso instalado na roda), calcula o valor da variável V (velocidade de deslocamento). O sinal do sensor de pressão é memorizado como valor da variável P (pressão). Partindo dos valores das variáveis TA (taxa de aplicação) e Lb (largura da faixa de deposição da barra), ambos introduzidos pelo operador através do teclado, o microcontrolador calcula o valor do primeiro membro da equação (3): [Ta(l/min) x Lb (m)]/600. A seguir, calcula o valor da variável Qba (l/min) requerida para a velocidade atual (V), da forma como indicado pela equação (4). Depois, compara esse vaMáquinas

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e, portanto:

V (km/h) = 3,33 x [ 1,206 + 0,662.P(bar)]


Antes da decisão de investir boa quantia de dinheiro num equipamento instrumentado, é prudente solicitar do vendedor uma prova concreta da eficiência do sistema

... lor de vazão requerida (Qba) ao valor que

está sendo fornecido pelo fluxômetro (Qf) e toma uma decisão entre as seguintes opções: I) Se Qf < Qba, então incrementar P (bar). II) Se Qf > Qba, então decrementar P (bar). III) Se Qf = Qba, então não alterar P (bar).

A ordem de incrementar/decrementar P (bar) é cumprida pelo acionamento do servo-motor que aciona a válvula reguladora de pressão. Todavia, o aumento ou redução da pressão não pode ultrapassar determinados limites impostos pelas características dos bicos utilizados. Assim, o microcontrolador proporciona acionamento de abrir/fechar a válvula reguladora de pressão até esses limites, tomando por base os sinais recebidos do sensor de pressão e comparando-os com os limites armazenados na memória. Esses limites foram introduzidos pelo operador, quando o display de cristal líquido solicitou o código do bico utilizado.

no Laboratório do Departamento de Engenharia Rural da ESALQ/USP mostram que, muito raramente, os parâmetros das equações de regressão podem ser considerados semelhantes, mesmo em bicos novos, recém-adquiridos no mercado. Como contornar esse problema de falta de uniformidade nas características de vazão vs. pressão dos bicos disponíveis no mercado nacional ? A única solução efetivamente viável é utilizar sistemas de controle eletrônico com fluxômetro, sensor de pressão e válvula servo-comandada, em cada uma das secções da barra de pulverização. As vantagens adicionais de sistema assim montado são: a) possibilidade de localizar o sensor de pressão junto de cada secção da barra (eliminando erros por perda de carga) e b) possibilidade de agrupar conjunto de bicos com características de vazão vs. pressão semelhantes para cada secção da barra, mesmo que hajam diferenças significativas entre conjuntos aplicados em diferentes secções. Para quem já possui um pulverizador instrumentado e desejar conferir, na prática, as características da aplicação que está sendo indicada no painel, desenvolvemos no Depto. de Engenharia Rural da ESALQ/ USP um método fácil, barato e eficiente. Sua aplicação requer, todavia, a construção de dois dispositivos bastante simples, a saber: a) tubo de coleta do jato dos bicos (com tubo leve de PVC, de 4-5 polegadas); b) calha coletora (em chapa fina galvanizada). O tubo de coleta é constituído por um tubo de PVC com comprimento um pouco maior que o da secção da barra e apre-

Fotos Mialhe

Consoles de painel de equipamentos para controle eletrônico dos pulverizadores instrumentados

de secções da barra de pulverização. Assim, quando o operador fecha uma das secções da barra (acionando o comando da válvula de fluxo da respectiva secção), através de um botão/ tecla no painel, o microcontrolador é informado e altera o valor da variável Lb (largura da faixa de deposição) e, por conseqüência, recalcula o valor de Qba requerido para a velocidade atual. Portanto, ao comparar o novo valor da vazão requerida (Qba) com o valor que está sendo fornecido pelo fluxômetro (Qf), efetua a necessária alteração de P (bar) através de uma nova posição do servo-motor de acionamento da válvula reguladora de pressão. Mas, até que ponto isso tudo corresponde, verdadeiramente, às expectativas do usuário? Para que a explicação dada seja válida, existe uma condição fundamental: - todas as secções da barra devem apresentar exatamente as mesmas características de pressão vs. vazão. Mas, para que isso ocorra, é necessário que todos os bicos, em todas as secções, apresentem os mesmos valores para os parâmetros a e b da equação (5). Na prática isso realmente acontece? Os dados de testes de bicos realizados

PONTO CRÍTICO

Face a tudo que foi explicado, é pertinente perguntar-se qual é o ponto crítico do sistema? Resposta: - a uniformidade das características de vazão vs. pressão dos bicos de pulverização disponíveis no mercado nacional! Vamos explicar o porquê. A maioria dos sistemas de controle de pulverizadores disponíveis no mercado utiliza uma válvula reguladora de pressão servo-controlada, um fluxômetro e um sensor de pressão, independente do número

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Máquinas

Tubo de coleta para testes dinâmicos de vazão em pulverizador equipado com controlador eletrônico experimental www.cultivar.inf.br

Janeiro 2001 / Fevereiro 2002


Tao(l/ha) = 0,833 x F(ml)

Assim, para uma dada taxa de aplicação de, por exemplo, 200 l/ha a quantidade a ser recolhida na calha de 4 m de uma secção da barra será: F(ml) = Tao(l/ha)/0,833 = 200/0,833 = 240 mililitros

Pulverizador com tubo de coleta acoplada a cada uma das três secções da barra de pulverização

sentando perfurações espaçadas com o mesmo espaçamento dos bicos. Numa extremidade é fechado com uma cap e na outra se adapta uma redução e cotovelo (1 polegada de diâmetro). Nas perfurações são introduzidos pedaços de mangueira de plástico transparente (2 polegadas de diâmetro) em cuja extremidade é introduzido um envelope de plástico (com fundo cortado) cuja boca é adaptada ao bico e aí fixada com uma laçada apertada de barbante, de forma a impedir vazamento do jato. Dessa forma todo o líquido pulverizado pelos bicos de uma secção é recolhido e verte pelo cotovelo da extremidade do tubo. A calha coletora, construída em chapa fina galvanizada, apresenta secção transversal trapezoidal, com cerca de 0,45 m de boca e 4 m de comprimento, com laterais vincadas para lhe conferir resistência estrutural. Numa das extremidades e no funda da calha é adaptado um pequeno tubo de descarga, por onde será recolhido o volume liberado pelo tubo de coleta em sua passagem durante o teste. Para realização dos testes o tubo de coleta é acoplado à secção da barra de pulverização. O local dos testes deve ser uma pista plana e nivelada, na qual se dispõe a calha coletora (montada em cavalete) no sentido longitudinal da passagem do trator. A seguir traça-se uma linha de referência cuja distância do eixo longitudinal da calha possibilita dirigir o trator de forma que o cotovelo na extremidade do tubo coletor coincida com a direção da boca da calha. Após estabelecida uma taxa de aplicação Ta (l/ha) coloca-se o pulverizador em funcionamento e inicia-se o percurso de teste. Numa dada velocidade do trator, passa-se com a extremidade livre do tubo Janeiro 2001 / Fevereiro 2002

de coleta sobre o eixo longitudinal da calha coletora. A quantidade de calda F (ml) recolhida na calha corresponde ao volume pulverizado numa área equivalente Ae (m2) que pode ser expressa por: Ae (m2) = Ls (m) x C (m)

( 8)

onde Ls é a largura da faixa de deposição da secção da barra (na qual está acoplado o tubo de coleta) e C é o comprimento da calha coletora. Portanto, a taxa de aplicação observada Tao(l/ha) será expressa por:

Tao(l/ha) = 10 x [F(ml) / Ae(m2)] (9)

Assim, considerando-se o pulverizador tomado como exemplo e calha coletora com 4 m de comprimento, tem-se:

Tao(l/ha) = 10 x {F(ml) / [3(m) x 4(m)]}

Comparando-se a taxa de aplicação Ta pré-estabelecida (introduzida pelo console do controlador) com a observada Tao (obtida pela equação 9), determina-se o valor do erro na aplicação. A equação (9) não inclui a velocidade de deslocamento, ou seja, para uma dada regulagem da taxa de aplicação inserida no controlador, para qualquer velocidade de passagem do pulverizador (nos limites estabelecidos pelo sistema), o volume de calda recolhida F(ml) deve ser significativamente constante. A variabilidade de F(ml) reflete a imprecisão do equipamento. Para concluir, é oportuno esclarecer que antes da decisão de investir boa quantia de dinheiro num equipamento instrumentado, tratorizado ou autopropelido, é prudente solicitar do vendedor uma prova concreta da eficiência do sistema, em termos de controle da taxa de aplicação à velocidade variável, ligando e desligando parte das seções da barra e medindo a quantidade de calda liberada, como foram os testes realizados em 1997/98 pelo Centro de Tecnologia Copersucar (Piracicaba,SP) nos pulverizadores Rogator (Agchem) e Albatroz (Jacto). Apenas demonstrações tipo Agrishow, para esse tipo de equipamento, só convence quem entende .M pouco do assunto. Luiz Geraldo Mialhe, Esalq

Detalhe de alinhamento da boca de descarga do tubo de coleta sobre a boca da calha coletora, em função do direcionamento do trator sobre uma linha de referência traçada na pista www.cultivar.inf.br

Máquinas

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Pneumáticos pivô central

Pneu certo no pivô E

m geral, a seleção correta de pneus é enfatizada apenas para o trator agrícola. Os mesmos critérios e cuidados, porém, devem ser observados para outras máquinas e equipamentos agrícolas equipados com pneumáticos. É o caso dos sistemas de irrigação por pivô central.

FATORES DE SELEÇÃO Além das condições peculiares de tal aplicação, tais como trânsito repetido no mesmo local e trânsito sobre superfícies de solo freqüentemente umedecido, que favorecem a compactação localizada, é importante mencionar que, o tipo de solo e, sobretudo, o peso com água do vão do pivô.podem influenciar na seleção adequada de pneumáticos. Consultando alguns fabricantes de equipamentos de irrigação, verifica-se que os

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Máquinas

pneumáticos mais utilizados são pneus de tração com medidas 12.4-24, 14.9-24, 12.428, 14.9-28 e 12.4-38 os quais normalmente equipam o rodado dianteiro de tratores com tração dianteira auxiliar. Como se vê, são basicamente duas medidas de largura (12.4 e 14.9) para três medidas de diâmetro do aro (24, 28 e 38). Eventualmente, um pneu de medida 16.9, poderia ser usado. Aos pneus de medidas 12.4 e 14.9 correspondem a larguras aproximadas de 31,5 e 38,0 cm,

respectivamente. Por óbvio que pareça, vale ressaltar que os pneus com banda de rodagem estreita deixam rastros estreitos e pneus largos deixam rastros largos. Equipamentos pesados e solos arenosos

Ao se escolher o tipo de pneu deve-se observar fatores como clima, solo, cultivo

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Janeiro 2001 / Fevereiro 2002


Fotos Ila M. Corrêa

Equipamentos pesados e solos arenosos requerem rodados mais largos, pois permitem respectivamente, melhor distribuição de pressão no solo e melhor flutuação

O peso da água no vão do pivô deve ser considerado durante a seleção de pneumáticos

requerem rodados mais largos, pois permitem respectivamente, melhor distribuição de pressão no solo (no caso de equipamentos pesados) e melhor flutuação (no caso de solos arenosos). Pneus estreitos proporcionam maiores valores de pressão no solo, o que favorece a compactação. Por outro lado, os solos argilosos requerem pneus mais estreitos que permitem melhor penetração no solo e facilitam a passagem de outras máquinas sobre os sulcos deixados sistematicamente pelos pneus, a intervalos regulares. Marcas profundas ou largas representam depressões no terreno por onde máquinas de cultivo e de colheita devem passar.

CUIDADOS PARA CONSERVAÇÃO Uma particularidade dos pneus que equipam sistemas de irrigação em pivô central é o fato de estarem permanentemente expostos aos efeitos do clima, qualquer que seja seu tempo de funcionamento. Essa exposição excessiva causa ressecamento que

favorece o surgimento de rachaduras na borracha. Com o passar dos anos, o pneu fica mais suscetível a isso, podendo afetar seu desempenho. Certos cuidados, portanto, são necessários para retardar o início das rachaduras, entre eles: calibrar o pneu à pressão de inflação correta, periodicamente (a cada 500 horas, por exemplo) utilizar calibradores (manômetros) de boa qualidade de modo que a leitura feita indique efetivamente a pressão de inflação medida; evitar a verificação de pressão de inflação com temperatura ambiente muito alta, porque isso pode mascarar a leitura (em dias muito quentes a pressão interna do pneu aumenta); verificar condições da válvula de enchimento para evitar possível fuga de ar se o pivô ficar parado durante muito tempo, movimentar as rodas cerca de 180º a cada três meses; no caso dos pneus serem retirados a armazenados, cuidar para que fiquem ao

abrigo da luz do sol, sem contato direto com o solo e sobre superfície livre de óleos que prejudicam a borracha. Caso a pressão não seja conhecida, devese consultar o fabricante do equipamento ou do pneumático. A pressão de inflação é função, principalmente do peso suportado pelo pneu, do tipo de construção do pneu (se diagonal ou radial) e da velocidade de operação. Pressões muito baixas podem causar deslizamento do aro. Em geral, são usadas pressões de 24 lbf/ pol2 ou superior. Claro que tudo vai depender do peso suportado pelo pneu. Para isso é importante conhecer o peso carregado com água do vão dos pivôs. Exemplificando, um pivô cujo peso do vão com água seja da ordem de 3430 kgf, concentra cerca de 1700 kgf em cada pneumático. Se o pneu utilizado é um 14.9-24, isso levaria a uma pressão máxima de 24 lbf/pol2. Como a velocidade de operação do pivô é baixa, a capacidade de carga desse pneu poderia ser aumentada em até 30%, porém com aumento de 4 lbf/ pol2 na pressão. O que vale no sentido contrário, isto é, pode ser utilizada uma pressão de 20 lbf/pol2, uma vez que nas tabelas de pneus, corresponde ao valor de 16 lbf/ pol2 (referente a 1325 kgf) acrescido das 4 lbf/pol2 permitidas. Seguir as recomendações acima indicadas, prolonga a vida útil do rodado e, é uma atitude que reflete positivamente nos custos da produção. Se considerar-nos que um equipamento de irrigação por pivô central com alcance máximo de 300 m admite cerca de sete torres, cada torre equipada com dois pneus, a um custo que varia de R$ 400,00 a R$ 700,00 por pneu, dá para se ter idéia do custo que seria a substituição devida a danos .M causados na banda de rodagem. Ila Maria Corrêa CMAA/IAC


Motosserras segurança

Motosserras se tornaram instrumentos fundamentais na atividades agrícola, mas seu uso pressupõe cuidados com a segurança do operador

Corte seguro Q

uando analisamos uma economia industrializada moderna, o produto motosserra está inserido no ciclo de produção e é parte fundamental do processo produtivo em diferentes setores, como siderurgia, indústria moveleira, agricultura e papel e celulose, entre outros. A imagem negativa e anti-ecológica da motosserra dentro da sociedade brasileira contrasta com o papel importante que ela ocupa em atividades econômicas distintas, em todas as regiões do país. Do uso como ferramenta doméstica, muito comum nos estados do Sul, onde é utilizada como uma ferramenta auxiliar de trabalho em construções e obras rurais, passando pelo uso no reflorestamento por grandes empresas florestais, nos estados do Sul e Sudeste, e chegando às atividades extratoras em mata nativa, no Norte e Centro-Oeste, a motosserra é empregada em escala produtiva, colocando o Brasil entre um dos grandes mercados mundiais deste produto.

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Máquinas

Além do uso florestal, a motosserra adquire crescente importância no setor agrícola para limpezas de áreas, podas e produção de lenha, aumentando também seu uso nas cidades para o cuidado de parques e jardins, bem como nas atividades de bombeiros e outras ações de salvamento. Apesar da sua associação como responsável pela derrubada de nossas florestas, o real vilão na devastação das florestas é o fogo: o país perde sua reserva florestal nas queimadas para abertura de pasto e para agricultura tecnificada, muito comuns nas regiões CentroOeste e Norte. Dados divulgados na mídia informam que são detectados 600 focos de incêndio por dia no estado do Pará, por exemplo. Isto decorre também da pobreza existente em nosso meio rural, onde não existem recursos financeiros para que o pequeno produtor possa adquirir uma motosserra e a partir daí, selecionar as áreas de corte e aproveitar melhor a matéria-prima florestal. A motosserra constitui-se na ferramenta mais difundida na atualidade, em toda atividade

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florestal mundial, sendo um equipamento indispensável nas operações de derrubada, desgalhe e traçamento, tanto em mata nativa quanto em reflorestamentos.

OPERAÇÃO DA MOTOSSERRA Não basta somente comprar a primeira motosserra que se encontra e colocá-la para trabalhar, confiando apenas na sorte. São inumeráveis os casos em que estas máquinas, por seu desenho e construção muito especial, sofrem danos em pouco tempo, por desconhecimento das regras mínimas de manejo e manutenção. Outras vezes esta falta de conhecimento é o motivo da baixa durabilidade do produto: a motosserra não rende como esperado e o custo operacional é mais alto que o normal. Por outro lado, o fato de a

A forma correta da lâmina, não

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COMO COMPRAR Ao escolher uma motosserra deve-se levar em conta os seguintes quesitos: Marcas e modelos disponíveis no mercado, suas características e prestígio. Tipos de máquinas segundo sua potência, cilindrada e se estão aptas a realizar o trabalho necessário. Existência de um eficiente serviço de manutenção e de peças de reposição. Mesmo nos modelos mais avançados e robustos, o desgaste do produto é grande devido às extremas condições de uso e um serviço de assistência técnica eficiente é fundamental. Desenho e acessórios que permitam oferecer maior segurança e proteção à saúde do operador. Tecnologia empregada no produto, visando aumentar a segurança do usuário. Diâmetros médios das árvores à cortar, a fim de eleger uma máquina com comprimento de sabre adequado. Peso da motosserra, para evitar fadiga desnecessária do operador e maiores riscos de acidentes. As peças de uso mais comum que se devem ser adquiridas junto com a motosserra. Os equipamentos e roupas de segurança que o operador deve utilizar.

OPERAÇÃO SEGURA Os conhecimentos que seguem são necessários para tornar a operação segura:

de corte é através do uso da ponta da motosserra Janeiro 2001 / Fevereiro 2002

Os elementos e sistemas da máquina, suas características e especificações. O funcionamento normal de seus sistemas e partes. A manutenção adequada e oportuna de seus sistemas e partes. A detecção e reparação de falhas mecânicas ou elétricas simples. A técnica de afiação da corrente. Sua correta operação e normas de segurança para prevenir acidentes. Os riscos que encerra seu uso e como preveni-los. As técnicas corretas para realizar as diferentes operações. Os acidentes no trabalho florestal podem ser causados pelas motosserras ou pela floresta. Além destes acidentes, existem as enfermidades ocupacionais, devido principalmente a posição de trabalho, ruído e vibrações.

ACIDENTES DE CORTE

Operador de roçadeira deve manter distância segura dos demais

Uma das causas de acidentes mais freqüentes é o rebote ou retrocesso da motosserra conhecido em inglês como kick back . Quando a corrente desliza ao redor da ponta do sabre, se desloca mais ou menos perpendicular ao eixo do sabre. Se neste momento, a ponta entrar em contato com a madeira ou um ramo, ocorre o rebote da motosserra que pode alcançar então os ombros, perna ou outra parte do operador. Ao recorrer à parte superior da ponta do sabre, a corrente não pode cortar eficientemente: somente um ou dois dentes cortantes atacam a madeira, fazendo com que a potência da corrente em movimento ocasione um movimento violento da lâmina em direção ao operador. Este movimento se produz em fração de segundo, impossibilitando a defesa do operador. Mesmo com o uso de equipamentos de segurança, o resultado pode ser fatal. Por tal razão, é muito perigoso cortar com a metade superior da ponta do sabre. Se por qualquer motivo houver necessidade de usar esta parte do sabre, inicie o corte com a parte inferior da ponta do www.cultivar.inf.br

sabre e com alta velocidade ao entrar na madeira. As seguintes precauções contribuem para reduzir o perigo de rebote: 1) Não corte com a ponta, ou faça-o de forma segura; 2) Use uma motosserra com freio de corrente; 3) Esteja alerta ao rebote e observe a ponta do sabre; 4) Use calças de segurança; 5) Use correntes de segurança; 6) Use um sabre mas curto possível, que permite maior controle, e é menos provável que a ponta toque um ramo escondido; 7) Sustente o cabo anterior da motosserra com a mão esquerda com o polegar envolvendo-o; 8) Quando a altura de corte permite, apóie os cotovelos nos joelhos; 9) Finalmente, relembre que a melhor forma de evitar o rebote é estar atento às circunstâncias em que se produz e evitá-las. Outra causa de acidente é a aproximação ou afastamento produzidos pelas motosserras quando desramamos ou traçamos, ambos provocados pela instabilidade de posicionamento do operador, baixa velocidade de corte ou fraca sustentação do equipamento. A ruptura da corrente também pode produzir graves acidentes, se atingir o corpo ou mãos do operador. Para evitar estes acidentes as motosserras modernas, como os modelos produzidos pela Husqvarna, possuem um pino pega corrente e uma proteção para mão direita. As causas da ruptura da corrente são geralmente devido à faMáquinas

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corrente de corte ter uma velocidade superior a 70 km/h, podendo cortar uma árvore em segundos, a faz extremamente perigosa, podendo levar a acidentes muito graves.

Fotos Husqvarna

Não basta somente comprar a primeira motosserra que se encontra e coloca-la para trabalhar, confiando apenas na sorte


Fotos Husqvarna

O uso de protetores acústicos é norma de segurança e demonstra seriedade no trabalho com motosserras

tais, já que o usuário não tem a sensação de fadiga até o momento em que há perda de força para segurar a motosserra. Mesmo em modelos com redutores de vibração, recomenda-se intercalar períodos de descanso com os de trabalho. As motosserras modernas dispõem de sistemas anti-vibratórios (amortecedores) que diminuem consideravelmente as vibrações nos cabos. Um exemplo é o sistema Lowvib, utilizado em todos os modelos de motosserras e em alguns modelos de roçadeiras produzidos pela Husqvarna.

OUTROS RISCOS

O uso de equipamentos de proteção individual nunca deve ser esquecido

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lhas de manutenção, excesso de tensionamento e lubrificação da corrente. Outra situação de risco se apresenta quando a máquina é acelerada involuntariamente, mas as modernas motosserras possuem dispositivos que impedem tal ato.

ENFERMIDADES OCUPACIONAIS Já são muitos os riscos devidos aos elementos cortantes, mas a motosserra apresenta outros que atentam contra a segurança e a saúde. Talvez mais perigosos, porque não são vistos e seu efeito é lento, mas irreversível, são o ruído e a vibração. Ruído - O ruído produzido pela motosserra em funcionamento supera o tolerável pelo ouvido humano, afetando os terminais auditivos, provocando a perda da audição ao se expor durante tempo prolongado ao efeito da pressão sonora. O uso de protetores acústicos é norma de segurança e demonstra seriedade no trabalho com motosserras. Vibração - A vibração produzida pela motosserra afeta os vasos capilares produzindo problemas de circulação do sangue. Uma exposição prolongada pode ocasionar a enfermidade conhecida como dedos brancos e traduz-se em perda da sensibilidade nas mãos, podendo ocasionar acidentes fa-

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Máquinas

Posição do corpo - Uma posição correta do corpo garante significativa redução de esforços, fadigas e acidentes na atividade florestal. Devemos utilizar mais braços e principalmente pernas em detrimento do uso da coluna vertebral como alavanca de esforços. Perigos do combustível A gasolina é um produto muito inflamável, em contato com faíscas ou fonte de calor é início de incêndios muito rápidos. Para reduzir esses riscos, aconselhamos: a) Espere algum tempo antes de abastecer a motosserra; b) Arranque a máquina longe do local do abastecimento, c) Cuide para não derramar combustível no solo ou em suas roupas; e d) Não fume ao abastecer. Como vimos, a operação

segura de motosserras e roçadeiras depende de inúmeros fatores. O treinamento para operação em florestas, principalmente em mata nativa, é de fundamental importância. Um usuário leigo ou pouco treinado jamais deve operar nestas condições: o risco de acidentes fatais é alto. No caso de roçadeiras, por ser um produto aparentemente mais simpático e que requer menos habilidade para uso, a situação se complica: em muitos casos, vários operadores trabalham em uma mesma área, não respeitando a distância de segurança (a Husqvarna recomenda 5 metros de distância entre cada operador). A falta de inspeção prévia do terreno pode ocasionar o arremesso de detritos, o que, nos casos graves, pode ocasionar a perda de visão (uma pedra pode ser lançada a 80 km/h contra o rosto de um operador). O uso de equipamentos de proteção nunca deve ser descartado, independente da habilidade do usuário e das condições do local. Isto vale tanto para motosserras quanto para roçadeiras. E por último, ao escolher o produto adequado, o consumidor deve procurar uma loja especializada e informar-se sobre qual o modelo adequado e quais marcas agregam tecnologia de segurança passiva e ativa, como sistema anti-vibratórios, freios de corrente, protetores de mãos, sistemas de freio por inércia, válvulas descompressoras (facilitam a partida, minimizando o esforço e aumentando a vida útil do sistema de arranque), catalisadores para controle da emissão de gases e uma preocupação com a ergonomia aplicada, o que resulta em produtos mais .M confortáveis e fáceis de operar. João Rocha, José Alves Lafayette, Electrolux do Brasil S.A.

A motosserra desempenha papel importante no trabalho em todas as regiões do país www.cultivar.inf.br

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Solos

compactação

Durante a colheita de madeira deve-se tomar uma série de cuidados para minimizar a compactação do solo

Olho na terra

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Fotos F. Seixas

dade de macroporos, espaço poroso responsável pela aeração do solo, e aumenta a proporção de microporos. Como conseqüência, ocorre um decréscimo na taxa de difusão de oxigênio através do solo e aumenta-se a retenção da umidade do solo. Dados de li-

Deve-se evitar cargas excessivas nos equipamentos www.cultivar.inf.br

teratura informam que um valor mínimo crítico para os macroporos é de 10%. Outro efeito da compactação é sobre a densidade do solo. Mudanças na densidade servem como índices das mudanças nas propriedades físicas que regulam o crescimento das raízes. A interpretação dos efeitos da compactação deve ser feita considerandose uma mudança em porcentagem nos valores médios de densidade. O nível de compactação considerado prejudicial está por volta de um acréscimo entre 15 a 20% no valor inicial da densidade média do solo. O decréscimo na produção de uma cultura após a compactação do solo reflete os efeitos sobre o sistema radicular das plantas que podem incluir interações complexas entre resistência do solo, disponibilidade de água e nutrientes, aeração e populações micorrízicas. Leituras de penetrômetro (Índice de Cone), avaliando a resistência à penetração do solo, são consideradas medidas mais sensíveis da compactação do que a densidade do solo, haja vista que as medições por meio de penetrômetros possuem a vantagem da maior facilidade de coleta no campo, possibilitando um grande número de pontos de amostragem. As desvantagens incluem a influência da presença de raízes e pedras no solo e os efeitos da umidade do solo nas leituras, cujo aumenMáquinas

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tráfego de máquinas em uma floresta implica em alguns impactos no ecossistema, podendo resultar em danos às árvores remanescentes, no caso de desbastes, prejuízos à capacidade de rebrota das cepas, influência na qualidade dos recursos hídricos e na compactação do solo florestal. As principais forças causadoras da compactação em solos florestais se originam nas máquinas utilizadas nas atividades de silvicultura e colheita da madeira. Ultimamente, a intensificação da mecanização tem gerado uma maior preocupação quanto aos possíveis efeitos no solo. É difícil prever os efeitos da compactação do solo no crescimento no campo devido às interações envolvidas. A maior resistência do solo pode ocasionar um sistema de raízes ocupando um menor volume de solo, mas isto não significa necessariamente que o crescimento da planta será menor. Se o fornecimento de água, ar e nutrientes for o suficiente e o comprimento das raízes atender à planta, então o seu crescimento não será prejudicado em virtude da restrição do sistema radicular. Sob essas circunstâncias, a compactação pode inclusive ser benéfica devido à maior retenção de água e condutividade hidráulica. A compactação do solo reduz a quanti-


Os valores de índice de cone obtidos devido ao Valores de pressão de contato para máquinas florestais tráfego de um módulo harvester + forwarder EQUIPAMENTO PRESSÃO (kPa) em um solo seco Sistemas de cabo, teleféricos 0 (U=10%) e outro mais Skidder de esteiras flexíveis 30-40 úmido (U=28%), com teTrator de esteiras 50-60 ores de argila de 28 e 34% Skidder de pneus 55-85 respectivamente, permi Forwarder com eixo duplo traseiro 85-100 tem exemplificar a maior compactação ocorrida na Forwarder com eixo simples traseiro 105->125 condição mais úmida, comparativamente à alteração devido ao tráfego das Tab. 2 máquinas no solo seco, Resultados de densidade do solo pré e pós-tráfego com maior capacidade de suporte (Figura 1). Solo com cobertura Solo sem cobertura Um método usual para minimizar a compactação Densidade * Umidade Densidade* Umidade do solo é restringir as opeProfundidade (g/cm3) (%) (g/cm3) (%) rações das máquinas com base na textura ou condiPré 1.45 8.3 1.29 8.7 Esteiras distribuem melhor o peso da ções de umidade, baseado 5-10 cm Pós 1.73 9.5 1.75 8.6 máquina minimizando a compactação do solo na interpretação de um Dif. (D%) 0.28 (15%)a --0.46 (27%)b --modelo de compressibiliPré 1.53 8.8 1.40 9.0 dade, proposto pelo 12,5-17,5 cm Pós 1.68 9.0 1.74 8.6 Prof. Moacir de Souza Fig. 1 Índice de cone em declive entre 15 e 25% para o tráfego do módulo harvester+forwarder em solo argiloso seco (U=10% E) e argiloso úmido (U=28% D) Dif. (D%) 0.15 (8%) a --0.34 (19%) b --Dias Júnior (UFLA), que prediz a pressão (*) A análise de variância não foi efetuada entre as diferentes profundidades. máxima que o solo pode suportar para diOs incrementos médios seguidos da mesma letra não diferem entre si (p < 0.001) ferentes graus de umidade, sem causar compactação adicional, tomando como base a pressão de pré-conto geralmente implica na diminuição da resistência ao penetrômetro. Considera-se o solidação. Esse processo de análise travalor de 3 MPa de resistência à penetração balha com amostras indeformadas de do solo como limite para o desenvolvimen- solo, possibilitando a obtenção de resulto do sistema radicular de culturas flores- tados mais representativos da situação de campo. tais. Pressão no solo - A distribuição da pressão no solo sob as rodas dos veículos O QUE INFLUENCIA A COMPACTAÇÃO Alguns fatores que influenciam o nível irá depender de: a) peso do veículo, que de compactação incluem: a quantidade e irá determinar a força total sobre o solo; distribuição da camada orgânica superfici- b) área de contato entre a roda e o solo, al e resíduos da colheita de madeira, textu- que irá determinar a pressão; c) distrira e estrutura do solo, porcentagem de umi- buição da força na área de contato; e d) dade do solo, peso e função de uma máqui- conteúdo de umidade e densidade inicial. A tabela 1 apresenta alguns dados na e o tamanho da roda. Umidade - Os efeitos da umidade alte- sobre as pressões de contato aproximaram-se com as características do solo e com das para algumas máquinas florestais. Nas operações florestais, geralmente o esforço de compactação aplicado sobre o mesmo. Se o teor de umidade aumenta em o eixo traseiro das máquinas suporta maium solo argiloso, a resistência à compacta- or carga do que o frontal. No caso do skição diminui, devido à maior lubrificação das dder , tensão de cisalhamento também partículas, até que se atinja os limites plás- é gerada pelos pneus e outros tipos de ticos inferiores e o teor de umidade próxi- rodado, adicionando-se à tensão causamo à capacidade de campo, onde o pico de da pelas atividades de movimentação de to- ção das condições de umidade e tipo de solo. compactação ocorre. Acima deste limite, ras, resultando aproximadamente em forças O tráfego de um módulo feller-buncher + próximo do ponto de saturação de cada tipo de 80 kPa. Isto pode ter um efeito de com- skidder em solo areia quartzosa com 10% de solo, o aumento da umidade resulta em pactação de mais do que o dobro da carga de teor de umidade, registrou um aumento da resistência do solo em até 20 cm de prouma redução da densidade, chegando mes- estática normal. fundidade, sem contudo atingir o limite de Porém, o efeito no solo poderá não ser mo a causar a destruição da estrutura do muito pronunciado, principalmente em fun- 3 MPa, teoricamente considerado como crísolo. Tab. 1

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Máquinas

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F. Seixas

Os efeitos da umidade alteram-se com as características do solo e com o esforço de compactação aplicado sobre o mesmo

Fig. 3 Índice de cone para tráfego do módulo feller-buncher + skidder em solo AQ2 com 10% de umidade

Fig. 4 Índice de cone (MPa) para diversas freqüências de tráfego de um trator equipado com grua + carreta (Peso = 8 t) (Adaptado de Seixas & Souza, 1998)

raste de madeira já ocorre nas primeiras passadas de uma máquina (Figura 4). Neste exemplo, 80% da compactação total do solo, resultante de 20 passadas de um trator autocarregável, ocorreram após as cinco primeiras passadas. Esses resultados indicam a necessidade de se restringir o tráfego de veículos à menor área possível dentro da floresta, mesmo atingindo níveis mais altos de compactação, mas reduzindo-se a extensão do solo compactado. Tamanho do pneu - O uso de pneus mais largos ou pneus duplos em skidders tem sido avaliado visando à redução de danos ao sítio. Os pneus mais largos distribuem o peso da máquina sobre uma maior superfície de contato, resultando assim em menor pressão no terreno, o que ocasiona menor compactação do solo. Benefícios potenciais do uso de pneus mais largos de alta flutuação sobre pneus convencionais mais estreitos incluem: aumento da produtividade em solos úmidos e terrenos inclinados mais acidentados, economia de combustível, reduções substanciais nos distúrbios do terreno (sulcamento) e compactação e melhoria na estabilidade. O aumento no diâmetro do pneu irá diminuir o esforço de tração, enquanto que o acréscimo na largura do pneu pode reduzir o esforço de tração que é necessário devido ao aumento na flutuação e redução na resistência ao rolamento. Os pneus mais largos melhoram a colheita florestal e reduzem os distúrbios no solo, em algumas situações de maior umidade no solo, mas ainda necessitam um planejamento adequado e uma avaliação mais rigorosa para comparar as suas vantagens com o seu maior custo de aquisição. Camada de resíduos - As camadas de resíduos da colheita de madeira proporcionam uma redução significativa na formação de sulcos e aumento na capacidade de suporte do solo. Exemplificando, o tráfego de um trator agrícola equipado com grua mais carreta, utilizado para transporte de madeira, sobre camadas de resíduos (10 kg.m-2 de casca, galhos e folhas) da colheita de Eucalyptus grandis, reduziu em média 56% do nível de compactação, medido através da densidade do solo, até 17 cm de profundidade do solo (Tabela 2).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

tico para o crescimento do sistema radicular do eucalipto. Número de passadas de máquinas - Diversos estudos registram que a maior parte da compactação total em uma trilha de arJaneiro 2001 / Fevereiro 2002

A avaliação da compactação do solo devido ao tráfego de máquinas florestais envolve uma série de variáveis de influência, tais como: umidade e tipo de solo, pressão de contato e velocidade das máquinas, freqüência de tráfego, presença de cobertura orgânica no solo etc. Alguns efeitos prejudiciais podem ocorrer em termos da redução da produtividade da floresta e aumento www.cultivar.inf.br

Fernando Seixas explica como reduzir a compactação

das taxas de erosão. Contudo, ainda existe uma falta de informações com relação à quantificação dessa influência nas condições silviculturais de nosso país. Esse conhecimento é importante para que medidas de prevenção ou correção da compactação possam ser adotadas com eficácia e economia, com o objetivo final de manutenção da sustentabilidade florestal. Para finalizar este trabalho, são listadas algumas recomendações para limitar o grau e extensão da compactação: Reduzir a pressão de contato dos pneus para menos de 200 kPa, tanto quanto possível. Usar veículos com pneus com o maior diâmetro possível. Evitar carga excessiva. Manter o tráfego dentro do talhão sobre trilhas definidas, evitando-se a movimentação indiscriminada. Evitar o cruzamento de linhas de drenagem e cursos d água em épocas mais úmidas. Evitar sempre que possível os saltos dos equipamentos, por exemplo ao passar sobre troncos de árvores. Evitar as operações de colheita em épocas de maior umidade no solo, ou logo após a ocorrência de chuvas moderadas ou pesadas. Manter a vibração do equipamento no mínimo possível. Procurar trafegar sobre camadas de resíduos da colheita. Produzir curvas de compressibilidade do solo para a determinação de épocas críticas .M para o tráfego de veículos. Fernando Seixas, ESALQ Máquinas

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Tração tratores

Conheça os princípios mais importantes no rendimento dos tratores

Domine seu trator V

ocê não entende todas as informações que constam na publicidade de tratores? Pois também não lhe será de grande utilidade pedir informações a um vizinho que tenha adquirido recentemente um trator novo: o orgulho de proprietário, mais a falta de experiência com outras marcas e modelos, podem igualmente têlo confundido. Aqui apresentamos um resumo dos princípios mais importantes no rendimento dos tratores. Serão úteis para calcular a forma de obter rendimento melhor e mais econômico de seu atual trator. Além disso, se está pensando em comprar um novo, estes princípios o ajudarão a escolher o modelo que mais se adapta às suas necessidades. Os grandes tratores de hoje geram tanta potência que a tração pode tornar-se problemática, mesmo sendo conduzidos na velocidade de campo adequada. Existem vários métodos para se obter uma tração que corresponda às cargas elevadas que estes tratores são capazes de tracionar. Vejamos uma análise dos diferentes sistemas e uma comparação das vantagens e limitações de cada um:

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Máquinas

TRAÇÃO DIANTEIRA Quando se envia força às rodas dianteiras de um trator, pode-se incrementar sua potência na barra de tração em até 25%, em relação com tratores do mesmo tamanho com tração apenas nas rodas traseiras. As maiores vantagens se observam sob as piores condições operacionais: em condições melhores as vantagens diminuem. A força pode transmitir-se às rodas dianteiras de forma mecânica ou hidráulica. Nos sistemas mecânicos, a força se obtém da transmissão corrente, através de uma caixa de transmissão. A potência é transmitida por um eixo a uma caixa diferencial de engrenagens que integra o eixo dianteiro, o qual é flutuante. Juntas universais nas rodas permitem conduzir em vários ângulos enquanto impulsionam. Para coordenar a rotação das rodas dianteiras e as traseiras é necessário calcular bem os tamanhos dos pneus com os das engrenagens. Quando um trator dá a volta, as rodas dianteiras rolam mais do que as traseiras. Por isso, se desenha o tamanho das

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rodas e a relação das engrenagens para que traseiras e dianteiras tenham a mesma velocidade. Ao dar a volta, as rodas dianteiras serão puxadas da mesma forma que as rodas dianteiras convencionais não impulsionadas. Isto não melhora as manobras nem as conduz em terrenos macios. Por outro lado, é possível dispor engrenagens e rodas de forma que as dianteiras girem mais rápido do que as traseiras cerca de cinco por cento. Esta disposição faz com que as rodas dianteiras aumentem a tração durante as voltas, mas em marcha normal, em linha reta, produz-se uma pequena patinagem. Isto não é significativo durante a operação normal do trator no campo, mas quando se transita numa superfície dura é necessário desconectar a tração das rodas dianteiras, para que não se desgastem. No sistema de transmissão hidráulica há um motor hidráulico em cada uma das rodas dianteiras, acionado por outra bomba hidráulica do motor. Como o fluido sob pressão chega aos motores hidráulicos por mangueiras flexíveis, somem a carcaça com eixos do trem dianteiro, o diferencial e as Janeiro 2001 / Fevereiro 2002


uniões universais. Os controles do circuito hidráulico permitem sincronizar automaticamente a velocidade das rodas dianteiras com as traseiras sem serem afetados pelo tempo ou se o trator avança em curvas ou em linha reta. Seja qual for o tipo de transmissão dianteira devem tomar-se em conta certos princípios fundamentais para ganhar eficácia. Por exemplo, nos tratores de transmissão convencional só nas rodas traseiras, busca-se o deslocamento do peso produzido pela linha de tração e os ajustes de acoplamento traseiro. Necessita-se apenas de um peso moderado sobre as rodas dianteiras para poder manobrar adequadamente o trator. Na disposição de quatro rodas motrizes, entretanto, o extremo dianteiro deve ser lastreado para manter um peso suficiente sobre as rodas e assim aproveitar bem a tração frontal. Os valores variam segundo a carga na barra de tração e as condições do solo. Em geral, se há cargas pesadas, o trator deve lastrar-se até o limite de sua capacidade de suportar peso sobre as estruturas dianteiras e traseiras. Usualmente isso coloca cerca de um terço do peso sobre as rodas dianteiras e dois terços sobre as traseiras. Quanto às cargas rebocadas pela barra de tração, devem ser colocadas a uma altura relativamente baixa sobre o solo, para reduzir os efeitos de transferência do peso sobre a linha de tração.

RODADO DUPLO Rodados duplos podem usar-se para reduzir a compactação do solo, aumentar a potência de tração, ou ambos, de acordo com o lastreamento do trator. De início as rodas duplas dos tratores se instalavam com um espaço mínimo entre as bandas de rodagem do mesmo lado, da mesma forma que nos caminhões. Entretanto, com o objetivo de adaptar o trator às culturas em linha, os fabricantes introduziram um sistema de rodas duplas com eixos mais largos, que permitem que a roda externa se coloque a certa distância da interna. A comparação entre o uso de rodas simples e o de duplas depende de se manter o mesmo peso total ou simplesmente se leva em conta o peso adicional dos novos pneus e aros, creditando o incremento de peso no eixo traseiro. Em condições de solo leve, mantendo-se constante o peso sobre as rodas traseiras, as rodas duplas conseguem melhores resultados do que as simples, sempre que a patinagem não ultrapasse 30%. Na prática de campo não é conveniente que esta percentagem de resvalamento passe de 30%. As rodas duplas mostram uma vantagem relativamente menor quanJaneiro 2001 / Fevereiro 2002

Fotos Cultivar

Os grandes tratores de hoje geram tanta potência que a tração pode tornar-se problemática, mesmo sendo conduzidos na velocidade de campo adequada

O tracionamento pesado exige bom equilíbrio

do o solo está firme. Quando se colocam pneus suplementares a um sistema simples e se calcula o peso adicional resultante, ao empregar rodas duplas sem lastro se aumenta a capacidade de tração em 50% com relação às

rodas simples sem lastro. Portanto, o uso de rodas duplas com lastro duplica com sobras a capacidade de tração das rodas simples sem lastro. Para elevar ao máximo a tração usam-se rodas duplas lastreadas com líquido nas quatro extremidades do trator. Com esta disposição a compactação do solo é algo maior do que a produzida por rodas simples do mesmo tamanho, não lastreadas, porém menor do que a compactação das rodas simples com lastro. Há várias formas de instalar as rodas adicionais no trator. Se a intenção é incrementar a capacidade de tração deve-se empregar a estrutura mais resistente, e portanto a mais cara. Se o que se deseja é aumentar a flutuação sem afetar a capacidade de tração, basta normalmente usar uma estrutura mais leve, menos resistente e mais barata. Os sistemas mais resistentes contam com tubos montados diretamente no eixo. A roda adicional é instalada nesses tubos. Numa variação, fixam-se parafusos no aro da roda interna, eliminando o aro adicional da roda dupla. Uma terceira forma inclui adaptadores colocados na roda interna, aos quais se fixa a externa.

Para melhorar a tração é necessário calcular o peso sobre cada eixo www.cultivar.inf.br

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As rodas dianteiras podem também ser lastreadas com pesos ou com líquido, mas seu menor tamanho não comporta pesos grandes

MÉTODOS DE LASTREAMENTO Assim como os pesos de ferro nos aros, o lastro líquido dentro dos pneus pode ser igualmente eficaz para aumentar o peso do trator. Os pesos de ferro têm a vantagem da retirada com facilidade, para usar o trator em trabalhos mais leves. Assim se reduz a compactação do solo e a resistência causada pelo atrito com o solo. Como é necessário equipamento especial para introduzir a solução líquida nos pneus, este tipo de lastro usualmente é considerado parte integrante e permanente do trator. Ao usar lastro líquido, as rodas traseiras do trator requerem 75% ou 90% de enchimento. Um conteúdo de

te simples se os pesos dispõem de bordas ou sulcos que os mantêm em posição enquanto se fixam as porcas nos parafusos de sujeição. A instalação é mais conveniente quando os parafusos de fixação podem ser inseridos e mantidos firmes enquanto se coloca o peso seguinte. Ao contrário, se o peso deve ser levantado e mantido na posição exata enquanto se fixam os parafusos, a operação é trabalho para mais de uma pessoa. As rodas dianteiras podem também ser lastreadas com pesos ou com líquido, mas seu menor tamanho não comporta pesos grandes. Alguns fabricantes providenciam pesos de ferro para as rodas dianteiras. Sua instalação e retirada se tornam incômodas para o operador que as coloca em po-

Tratores pesados exigem bom equilíbrio de pesos para evitar a compactação do solo

90% de líquido proporciona peso maior, porém permanece espaço livre para acolchoar os solavancos. Em muitos tratores é necessário usar uma combinação de pesos de ferro e lastro líquido. Os pesos são a proporção ajustável e o líquido a porção permanente. A facilidade com que se instalam e retiram os pesos variam segundo o trator. Em certos casos usa-se uma boa quantidade de pesos relativamente pequenos; outros tratores trazem menos pesos, porém maiores. No primeiro caso há necessidade de mais trabalho para adicionar as peças, porém no outro a manobra é dificultada pelo maior peso. Também varia a forma de instalação dos pesos maiores. Pode ser relativamen-

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sição. Pesos líquidos ou de ferro nas rodas dianteiras tendem a dificultar as manobras, especialmente em velocidades de estrada. Os pesos de ferro fixados na frente do trator se instalam e retiram com facilidade, e têm menor efeito sobre as características de condução.

SELEÇÃO DO MÉTODO Qualquer comparação da eficiência dos diferentes métodos que melhoram a tração se vê complicada pela grande variedade de condições de trabalho no campo. Em geral a transmissão nas quatro rodas é o sistema mais eficaz sob condições adversas. E também o mais caro. O segundo método em eficácia é o uso de www.cultivar.inf.br

alguma forma de rodas duplas. O terceiro sistema, adequado para muitas situações, requer um engate que responda à carga e um sistema hidráulico. Em geral, cada quilo de peso instalado na frente do trator é ampliado pela ação deste engate, que deposita três quilos de peso sobre as rodas traseiras. Por isso os pesos postos na parte dianteira do trator podem ser uma melhor compra por quilo do que os pesos para as rodas traseiras, quando se usa um engate suscetível à carga. Vejamos um exemplo baseado nas condições médias, ou consideradas típicas, e que mostram as diferenças das várias seleções. Suponhamos um trator de 90 HP (68 Kw) equipado com um engate Categoria III, rodas traseiras com pneus de 16.9 x 38, de oito camadas, pneus dianteiros de 7.50 x 16 de oito lonas, eixo dianteiro largo. O peso total do trator é 3.870 Kg, distribuídos 2.655 Kg sobre o eixo traseiro e 1.250 sobre o eixo dianteiro. O trator deverá puxar um arado de cinco relhas, o que requer 75 HP (56 Kw) na velocidade de 8 km/ h, e a relação tração/peso é 0,6. Com base nisso, são necessários 4.230 Kg de peso efetivo sobre as rodas traseiras. Ou seja, um trator básico, com seus pneus cheios a 75% com solução adequada e com pesos de 135 nas rodas, requer um peso adicional de 563 kg, que deverá provir do extremo frontal do trator. Para se conseguir os 563 Kg requeridos sobre o eixo traseiro deve-se obter mais 189 do eixo dianteiro; a estabilidade da direção não será afetada. Entretanto, se as condições de operação são difíceis e exigem que a velocidade seja reduzida a 6,4 Km/h, trocando o câmbio para uma marcha mais baixa, ou se a tração é menos favorável e se reduz a 0,5 , então serão necessários 6.300 g de peso efetivo sobre as rodas traseiras. Nesse caso se deve acrescentar um lastro de 450 Kg na frente do trator para poder conservar as manobras da direção. Quando o trator é usado com implementos muito pesados que não oferecem transferência de peso, o lastro dianteiro não oferece qualquer vantagem. A capacidade total de tração do trator se reduz em 50%. Isto pode ser controlado parcialmente trabalhando com maior velocidade ou adicionando lastro às rodas traseiras. Janeiro 2001 / Fevereiro 2002


CONCLUSÕES Para situações normais empregar rodas simples regulares, com um engate hidrálico suscetível à carga, para implementos integrais ou semi-integrais. Os imple-

Fotos Cultivar

Outra alternativa é usar rodas duplas no eixo traseiro, com lastro líquido em todas elas. Nessa situação, o peso total sobre as rodas traseiras é de 4.500 Kg, suficiente para as condições menos severas e pode ser alterado facilmente com transferência de peso em situações mais graves. Não é necessário usar pesos dianteiros. Este peso maior sobre as rodas traseiras é útil para o arrasto de implementos de grande porte. O peso do eixo traseiro será adequado para produzir uma carga de 75 HP (56 Kw) a cerca de 8 Km/h. E, finalmente, o trator pode vir equipado com transmissão nas rodas dianteiras. A adição de peças da transmissão dianteira incrementa o peso total de 4.366 Kg, distribuídos 2.700 Kg atrás e 1.688 na frente. São necessários pesos adicionais de 450 Kg atrás e 225 Kg na frente para que se tenha uma distribuição de 33% na dianteira e 67% na traseira, quando se aplica a carga.

Rodado duplo reduz a compactação do solo e pode aumentar a tração

mentos rebocados exigem velocidades maiores, ou o uso de pesos adicionais no trator. Para situações médias, especialmente com má flutuação, ou quando haja problemas com o solo, usar rodas duplas suplemen-

tares pela transferência de peso ocasionada pelo engate suscetível à carga dos implementos integrais. Para os problemas mais severos de flutuação e de compactação do solo, usar um trator com transmissão nas quatro rodas. . M


Opinião

studos de importantes organismos internacionais indicam, e não é de hoje, que o petróleo (assim como carvão) tem estoque limitado. Trata-se de combustíveis fósseis, de vida finita. A petroquímica, com grande desenvolvimento na segunda metade do século passado, mostrou que podemos usar melhor o petróleo ao invés de o queimar em motores, fornos ou caldeiras. Se os combustíveis fósseis têm previsão de fim, e finalidades mais nobres que a queima, o que fazer para acionar nossos motores e queimadores em geral? O óbvio salta aos olhos: porque não usar fontes de energia renováveis? O grupo das energias renováveis é grande, e veja-se que são renováveis, e não infinitas, ou seja deve-se tomar cuidado no uso e na manipulação, especialmente na conservação delas, pois também podem vir a faltar no futuro (vide o recente caso do apagão ). Neste grupo estão: energia solar, eólica, hidráulica, e bioenergia, ou energia de biomassa. O estágio tecnológico atual nos mostra que os três primeiros grupos são mais adequados ao uso em instalações fixas, mesmo quando convertidas em energia elétrica. A agroindústria e outras estruturas de suporte podem ser atendidas com estas formas de energia (secadores, estações de bombeamento, aquecedores, etc...). Resta suprir os consumidores de energia que se movimentam. A estes cabe abastecer com energia da biomassa. Devemos sempre nos lembrar que para uso veicular, e aí incluídos os tratores demais máquinas agrícolas autopropelidas, um dos grandes problemas de uso de combustíveis alternativos é o poder calorífico. Ou seja, a quantidade de energia contida em cada unidade de massa do combustível. Nesta característica os combustíveis líquidos levam vantagem sobre os gasosos, que necessitam altas taxas de compressão para poder ser concentrados e transportados adequadamente. No momento em que está em andamento uma mudança importante na política nacional de combustíveis, pela primeira vez na história recente do País sinalizando uma baixa de preços de mercado, sou conduzido a refletir sobre quatro combustíveis diferentes, um antigo e consolidado, um mais novo (porém de futuro incerto), e dois muito em moda atualmente.

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DIESEL

É o mais antigo, derivado de petróleo, mas que é o sustentáculo das operações na agricultura e na movimentação de sua produção. Fala-se em liberação de fabricação de automóveis movidos a diesel. Para onde isto vai nos levar? Se o argumento da limitação de uso do diesel, e de sua venda a preço mais baixo que a gasolina, era sua destinação para o transporte de cargas e para agricultura o que esperar? Um aumento dos preços do diesel adequando-o à realidade . Este aumento traz a reboque o aumento dos custos de produção agrícola e de transporte. Lembremo-nos que 30% do custo operacional de um trator é devido ao combustível. Resumo: alimentos mais caros na gôndola do supermercado. Cultivar

E

Combustíveis da agricultura veu a tecnologia de produção, distribuição e aplicação de álcool combustível. Foi líder mundial no processo. Onde está hoje nossa frota de veículos a álcool? Sempre defendi o ponto de vista que, mesmo custando um pouco mais caro, o álcool gera riqueza dentro do Brasil. Não estaríamos exportando divisas, estaríamos alimentando brasileiros, estimulando produção e consumo de bens fabricados aqui. Ou isso não é função social?

GÁS NATURAL

Talvez o combustível de maior sucesso atualmente no Brasil. É de combustão relativamente limpa, polui menos, está disponível em várias capitais. Tem seus riscos de utilização sim, mas são baixos. O problema é levar este gás (o mesmo vale pra o biogás) a todos os pontos de consumo, além da dispendiosa necessidade de compressão a altas pressões, já mencionada. Na agricultura, com grandes distâncias e instalações espalhadas, dificilmente se tornará viável. E, a exemplo do petróleo, é finito.

BIODIESEL

A mídia está fazendo grande alarde sobre algumas pesquisas com este combustível, derivado basicamente do óleo de colza, transesterificado. A pesquisa do tema é importante, mas neste caso trata-se muito mais de uma validação de tecnologia que de pesquisa em si. Na Europa já existem centenas de pontos de abastecimento de biodiesel, com milhares de veículos rodando com este combustível menos poluente, com menores emissões e menos fuligem, funcionando em motores de ciclo Diesel, sabidamente mais eficientes que motores de ciclo Otto. E o combustível é renováArno Dallmeyer é vel, e poderia dar mais fôlego à agricultuConsultor Técnico da ra, servindo como cultura de rotação, pois a colza cresce no inverno. Cultivar Máquinas e Tecnologia de produção e de utilizaProfessor Titular de ção de combustíveis de fontes bioenergéMáquinas Agrícolas ticas nós temos e dominamos. Mais uma vez, trata-se de decisão política, investir no CT/UFSM no País, no seu desenvolvimento integral (mesmo do hinterland), colocar interesses coletivos e de longo prazo acima de inteÁLCOOL Esta já foi moda, e hoje parece condenado resses pessoais e corporativos. A quem .M à extinção. Há três décadas o Brasil desenvol- interessa?

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Janeiro / Fevereiro 2002


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