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Cultivar Máquinas 266

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Grupo Cultivar de Publicações Ltda.

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FUNDADORES

Milton de Sousa Guerra (in memoriam)

Newton Peter

Schubert Peter

• Diretor

Newton Peter

REDAÇÃO

• Editor

Schubert Peter

• Redação

Rocheli Wachholz

Nathianni Gomes

• Redator

Rogério Nascente

• Design Gráfico e Diagramação Cristiano Ceia

• Revisão

Aline Partzsch de Almeida

COMERCIAL

• Coordenação

Charles Ricardo Echer

• Vendas

Sedeli FrancieleFeijóÁvila

Ariadne Fuentes

CIRCULAÇÃO

• Coordenação Simone Mendes

• Assinaturas

Natália Rodrigues

Nossos Telefones: (53)

• Assinaturas 3028.2000

• Comercial e Redação 3028.2075

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Nesta edição, destacamos test drive com o trator MF 9S.425, que chega ao Brasil com a série MF 9S na faixa de 345 cv a 425 cv. Entra na disputa dos grandes com alta especificação. E chega em conjunto com a nova Momentum, reforçando a ideia de que hoje potência e precisão caminham juntas.

Esse avanço não surge isolado. Ele conversa com outros destaques da revista. A Série M5, da Valtra, mantém a proposta de trator multiuso pesado. Apoia operações de grãos. Conforme a configuração, também atende cana e transbordo. Apresenta potência, tração, transmissão e sistema hidráulico dimensionados para grandes implementos e longas jornadas.

Em outra frente, o Fendt 1000 Vario Gen4 amplia o debate sobre tratores de grande porte. A quarta geração chega ao mercado brasileiro com versões de 440 cv a 550 cv, transmissão CVT, tração contínua e capacidade hidráulica elevada.

Por outro lado, a Baldan tem destaque: a nova plantadeira de precisão Baldan SPA Line, com versões de três a nove linhas pantográficas, reúne versatilidade, autonomia e uniformidade de plantio está no mercado. Pode trabalhar com diferentes sistemas de dosagem. Oferece controle de profundidade próximo ao ponto de deposição. Amplia a capacidade dos reservatórios. Reduz paradas.

Há outro aspecto importante nesta edição. O produtor não compra apenas o lançamento. Ele compara. Calcula. Pondera. Por isso, o tema “quase novo” ocupa lugar tão relevante. O mercado de tratores usados aparece como alternativa para quem enfrenta limites de capital e precisa equilibrar qualidade, eficiência e economia. O levantamento apresentado mostra grande oferta de máquinas em diferentes faixas de potência e configuração. Mostra também que a compra passa por fatores objetivos, como qualidade, durabilidade, confiabilidade, facilidade de manutenção, vida útil e pós-venda.

Tudo isso e muito mais nas próximas páginas. Boa leitura!

Foto de Charles Echer

CNH tem nova liderança de comunicação

global de tecnologia

A CNH nomeou Erin Rinehart para o cargo de "Head of Global Technology Communications". A profissional atuava na empresa como diretora de Marketing Estratégico para Tecnologia de Precisão.

Na nova posição, Erin lidera a comunicação global de tecnologia. O foco inclui alinhamento de mensagens com os objetivos do negócio de agricultura de precisão da companhia. A executiva também conduz estratégias de posicionamento e comunicação de valor para o portfólio tecnológico das marcas da CNH.

Antes da nova função, ela dirigiu o Marketing Estratégico de Tecnologia de Precisão desde março de 2024. A executiva participou da definição de posicionamento, governança de marca e estratégias globais de lançamento de produtos.

Valtra amplia rede com nova unidade em Sinsacate

A Valtra anunciou abertura de nova unidade em Sinsacate, Argentina. A operação fica sob responsabilidade da Cimat SRL. A iniciativa amplia presença da marca na província.

A expansão integra estratégia de proximidade com o produtor. A empresa busca elevar a qualidade do atendimento e ampliar a cobertura territorial.

A Cimat atua com foco no desenvolvimento do agro local e a operação in-

clui oferta de soluções integradas ao produtor. Emiliano Ferrari, diretor comercial para a área Hispano-América, destaca avanço da rede. Segundo o executivo, a iniciativa amplia acesso à tecnologia e serviços alinhados aos padrões da marca. Manuel Aruta, proprietário da Cimat SRL, afirma compromisso com o produtor e ressalta a expansão da operação e o foco em qualidade e proximidade no atendimento.

Sergio Cavalheiro assume nova posição na

O administrador Sergio Cavalheiro assumiu o cargo de diretor de Operações de Peças e Administração de Vendas para a América Latina na CNH. Com mais de duas décadas de atuação na empresa, ele acumula experiência em operações, distribuição de peças de pós-venda e liderança de equipes.

Antes da nova função, Cavalheiro atuou por mais de quatro anos como diretor de Operações de Peças Latam.

CNH Latam

Fendt aposta em motor compatível com biocombustível

A Fendt anunciou a chegada do novo motor AGCO Power Core 80 ao campo brasileiro. Vencedor do prêmio Motor Diesel do Ano de 2026, o motor desenvolvido e fabricado em Linnavuori, na Finlândia, representa a tecnologia mais avançada da nova família de motores Core da AGCO Power.

Presente na nova série de tratores Fendt 800 Vario Gen5, que acaba de ser lançada no Brasil pela Fendt, ele é homologado para operar com o diesel HVO100 (Óleo Vegetal Hidrohidratado), conhecido como “diesel verde” e originado de óleos vegetais e gordura animal, reduzindo significativamente as emissões de CO₂ e a pegada de carbono no agronegócio.

“Atuar com combustíveis alternativos, hoje em dia, é de extrema im-

portância para o agronegócio. Além de mais sustentável, é uma solução eficiente para a transição energética no campo. Projetada para permitir o uso desses combustíveis, a plataforma dos motores Core promove versatilidade na potência dos equipamentos e um sistema avançado de controle de emissões de gases de efeito estufa”, destaca Fernando Silva, coordenador comercial da AGCO Power.

O Core80 é o maior da família de motores Core. Ele oferece 15% mais torque e 12% mais potência do que o também premiado Core75. Além disso, ele possui 25% menos peças - o que garante a sua robustez e menor vibração - e é o primeiro motor da família Core a apresentar um freio motor que economiza combustível, melhorando o tempo de atividade da máquina e a economia da operação.

John Deere apresenta lançamentos para 2026

A John Deere apresentou, na Casa John Deere 2026, uma série de lançamentos e atualizações de portfólio com foco em automação, conectividade e eficiência operacional. As novidades abrangem diferentes etapas do processo produtivo, com soluções voltadas ao plantio, à pulverização e à colheita.

Para operações de maior escala, a empresa reúne a nova série de tratores 8R às plantadoras 3100FT e DB transportável, além dos pulverizadores da série 400R. Já para propriedades de menor porte, o portfólio inclui os tratores da família 5M, o modelo 3041E e os pulverizadores 1025E. O conjunto também passa a contar com a colhedora S4, incorporada à linha de máquinas inteligentes lançada em 2025.

Entre os destaques está a série 8R, composta por tratores de alta potência. Apresentados nos Estados Unidos em fevereiro, os modelos 440, 490 e 540 alcançam até 634 cv, segundo a fabricante. A linha incorpora recursos embarcados que liberam potência adicional automaticamente em operações de maior exigência, com a proposta de manter a constância do trabalho, mesmo sob cargas elevadas.

A fabricante também destaca o motor de 13,6 l, desenvolvido para priorizar eficiência, e a transmissão elétrica EVT, capaz de

fornecer energia diretamente à plantadora, eliminando a necessidade de geradores externos. Com essa arquitetura, o trator amplia sua função no conjunto mecanizado, atuando não apenas na tração, mas também no fornecimento de energia aos sistemas do implemento.

Na cabina, a nova configuração busca elevar o nível de conforto do operador e integrar sistemas de agricultura de precisão voltados à conectividade e ao gerenciamento das operações ao longo de jornadas extensas. Com isso, a John Deere posiciona a série 8R como um elo entre alta potência, automação embarcada e integração de dados no campo.

Indiana Preet anuncia fábrica no Paraná e vai nacionalizar tratores de até 100 cv

A indiana Preet anunciou a instalação de uma fábrica de tratores em Ibaiti, no norte do Paraná, com entrada em operação prevista para meados de 2027. A unidade terá capacidade para produzir 3 mil tratores por ano e será destinada à fabricação local dos modelos de 80 cv, 90 cv e 100 cv. Outros modelos de 50 cv e 65 cv já estão em análise de nacionalização.

Segundo o gerente-geral da Preet no país, Ricardo Barbosa, investimento marca uma nova etapa da atuação da empresa no Brasil, com foco em crescimento, inovação e proximidade com o cliente. “Já superamos a entrega de mais de mil tratores por meio de licitações, com presença ativa em 21 estados, o que comprova a confiança do mercado na nossa marca. Além disso, temos outras mil unidades a serem entregues, resultado de licitações já conquistadas. Essa base sólida em campo fortalece ainda mais nossa estratégia e sustenta a expansão da nossa estrutura industrial no país, preparando a empresa para um novo ciclo de desenvolvimento e presença no setor”, explica.

Hoje, a Preet comercializa no Brasil oito modelos, numa faixa de 24 cv a 95 cv. O portfólio inclui o 2549, de 24,5 cv; os 7549, 7549L e 8049, de 80 cv; os 9049 e 9049L, de 90 cv; e o 10049, de 95 cv. Com a futura fábrica, os modelos de maior potência dessa linha passarão a ser nacionalizados, enquanto os tratores abaixo de 75 cv seguirão importados neste primeiro momento.

A produção local e a oferta de tratores voltados para pequenos e médios produtores rurais são parte central da estratégia da empresa. Com os modelos fabricados no Brasil, a Preet poderá enquadrá-los em programas de financiamento como o Finame, o que amplia a competitividade comercial em um segmento no qual crédito e custo de aquisição têm peso direto na decisão de compra.

Ao comentar a produção no Brasil, Ricardo Barbosa afirma que um dos objetivos dos investidores é criar uma empresa que busque resgatar o DNA brasileiro de orgulho nacional na produção de tratores, em referência ao papel desempenhado pela extinta Companhia Brasileira de Tratores (CBT). A menção ajuda a situar o posicionamento pretendi-

do para a operação local, que busca associar a nova fase da marca a uma base industrial brasileira, ainda que a origem tecnológica permaneça ligada à fabricante indiana.

A partir do anúncio da fábrica, a prioridade da companhia passa a se concentrar em três frentes: portfólio, rede de concessionárias e branding. O movimento indica a entrada da operação brasileira em uma nova fase. Até aqui, a presença da Preet foi sustentada principalmente por fornecimentos via licitações. Com a nova planta, a proposta passa a incluir expansão comercial, fortalecimento da rede de distribuição e construção de marca em um ambiente competitivo e ocupado por fabricantes já consolidados.

Quarenta e seis anos de história

A história da Preet começou em 1980, na cidade de Nabha, no estado de Punjab, na Índia, inicialmente como uma oficina de reparo de tratores e máquinas agrícolas. Em 1985, a empresa lançou sua primeira colhedora movida a trator. No ano seguinte, apresentou a primeira colhedora autopropelida e, em 1998, colocou no mercado a primeira colhedora da Índia com cabina e ar-condicionado. A divisão de tratores foi criada em 2001, com a fundação da Preet Tractors, inicialmente produzindo modelos de 35 cv a 45 cv. Desde então, a fabricante ampliou seu portfólio e informa atuar hoje com mais de 50 modelos em mais de 120 países.

No mercado brasileiro, a instalação da fábrica representa a transição de uma operação baseada em importação e fornecimento via licitações para uma estrutura com produção local, acesso a financiamento e maior presença comercial em uma faixa de potência voltada a pequenas propriedades, serviços públicos e diferentes aplicações agrícolas.

AMA Group fortalece sua presença no Brasil com soluções para agricultura de alto desempenho

Em um setor agrícola cada vez mais impulsionado pela tecnologia e focado em desempenho, o papel dos fornecedores está evoluindo: deixam de ser apenas fabricantes para se tornarem parceiros estratégicos capazes de garantir confiabilidade, integração e inovação em toda a cadeia de valor.

Nesse contexto, a AMA Group se posiciona como um ator-chave no mercado brasileiro. Graças à sua comprovada expertise em engenharia, amplo portfólio de produtos e presença internacional bem estruturada, o Grupo apoia OEMs e operadores do se-

tor com componentes projetados para suportar condições severas de operação.

Um passo fundamental nessa direção é a aquisição da divisão agrícola da CMR Agriculture, concluída em fevereiro de 2025. A transação envolveu a integração total da CMR Agriculture e uma participação de 51% na Taizhou CMR Machinery Co., fortalecendo ainda mais a presença da AMA em um mercado estratégico como o Brasil.

Grupo global com visão industrial integrada

Com mais de 55 anos de experiência, a AMA Group desenvol-

ve, produzem componentes e sistemas para máquinas agrícolas e veículos off-highway, apoiando clientes em todo o ciclo de desenvolvimento do produto, desde o projeto até a industrialização. Por meio de suas Unidades de Negócio Cab Systems & Components e Mechanical Components, o Grupo integra competências mecânicas, mecatrônicas e de interiores de cabines, oferecendo soluções completas adaptáveis a diferentes contextos de aplicação.

A dimensão internacional se reflete em uma presença concreta: mais de 525.000 referências de produtos, mais de 80.000 clientes em 90 países e uma rede de 44 plantas e escritórios comerciais, garantindo continuidade e capacidade de resposta mesmo nos ambientes mais exigentes.

A integração da CMR Agriculture

A aquisição da CMR Agriculture representa uma expansão direcionada do portfólio de produtos da AMA, particularmente no segmento de transmissões. Com mais de 30 anos de experiência, a empresa desenvolveu um sólido know-how no projeto e fabricação de componentes de alta pre-

Fotos

cisão para aplicações agrícolas e industriais.

Essa integração permite ao Grupo ampliar suas capacidades tecnológicas e responder de forma ainda mais eficaz às demandas de um mercado como o brasileiro, onde confiabilidade, robustez e continuidade operacional são essenciais.

Abordagem orientada ao mercado brasileiro

O Brasil é hoje um mercado central para a estratégia global da AMA Group. A crescente complexidade das aplicações agrícolas exige componentes e soluções cada vez mais robustos e capazes de se adaptar a condições severas de operação.

A integração da CMR Agriculture permite ao Grupo oferecer um portfólio mais completo, melhorar a capacidade de resposta às necessidades locais e fortalecer a integração com sua rede internacional em termos de desenvolvimento e logística.

Um parceiro para a evolução do setor

Em um setor em constante evolução, a AMA Group se posiciona como um parceiro capaz de apoiar fabricantes e operadores no desenvolvimento de soluções cada vez mais eficientes e confiáveis.

A integração da CMR Agriculture representa mais um passo nessa direção, contribuindo para consolidar uma oferta alinhada aos desafios da agricultura moderna, cada vez mais focada em produtividade e qualidade de desempenho.

Componentes projetados para condições intensivas de operação

As soluções desenvolvidas pela CMR Agriculture, agora integradas à estrutura da AMA Group, são projetadas para aplicações de alta exigência.

Caixas de engrenagens angulares, redutores e multiplicadores.

As caixas de engrenagens angulares

e os redutores da CMR Agriculture são projetados para diversos tipos de aplicações, carcaças reforçadas, engrenagens helicoidais e engrenagens forjadas com precisão garantem transmissão eficiente, durabilidade e confiabilidade mesmo em ambientes severos.

Caixas de engrenagens para misturadores de ração

As séries MXV e MXF de redutores planetários e caixas de câmbio são amplamente utilizadas em operações para pecuárias modernas para processos de mistura e distribuição de ração. Entregam alto torque em baixas rotações, alta eficiência e operação contínua, com desempenho de até 40 kNm de torque contínuo.

Cardans (PTO Shafts)

Os eixos cardans são componentes essenciais para a transmissão de torque e potência entre trator e implemento. As soluções da CMR Agriculture garantem confiabilidade, segurança e continuidade operacional de longo prazo, cardans homologados conforme normativa européia “CE”.

Sinais visuais

Experiências de uso em campo combinadas com rotinas de análises físico-químicas determinam correlação entre mudanças de coloração e degradação preocupante na condição de serviço de óleos lubrificantes

Acor de um óleo lubrificante origina-se da luz que é transmitida através dele. Diferentes cores são formadas, dependendo da concentração e do tipo de grupos químicos absorventes de luz em suspensão no óleo lubrificante, compostos chamados cromofóricos e comumente denominados “corpos de cor”.

Em relação a óleos lubrificantes novos, quanto mais elevada for a viscosidade cinemática, a tendência é de maior concentração natural de corpos de cor naturalmente existentes na massa líquida. Da mesma forma, óleos básicos naftênicos e com alto teor de enxofre são tipicamente de cor mais escura.

Efeitos

nas cores

A degradação e a contaminação de óleos lubrificantes usados podem ter efeitos marcantes na cor e na transparência. Resíduos de coqueificação e de carbono insolúvel, oriundos de falha térmica (altas temperaturas localizadas), podem causar sensível escurecimento de óleos lubrificantes.

A mistura de óleos lubrificantes sem a devida precaução pode gerar escurecimento, floculação de aditivos e formação de outros produtos oriundos de incompatibilidade. Contaminantes, como fuligem, produtos químicos, detergentes, ar entranhado etc., podem levar à mudança na coloração e na trans-

parência de óleos lubrificantes. Reações fotocatalíticas (UV) decorrentes da exposição à luz solar em visores de nível e copos lubrificadores podem causar descoloração em óleos lubrificantes.

Oxidação térmica

A termo-oxidação é outra causa comum de formação de corpos de cor e, consequentemente, escurecimento de óleos lubrificantes em uso.

A mudança de coloração é mais sensível em óleos lubrificantes com altas concentrações de enxofre e aromáticos. Existe uma sinergia entre compostos aromáticos e sulfurosos que causam a degradação do

Fotos Divulgação

Degradação e contaminação causam mudanças nas colorações

óleo lubrificante e levam à formação de corpos de cor durante as reações de oxidação térmica.

Anormalidade na descoloração

Em muitos casos, pode-se monitorar a ocorrência de descoloração anormal (por exemplo, escurecimento anormalmente rápido) de óleos lubrificantes em uso, nas inspeções regulares de campo com vistas a ter-se indicações do estressamento das propriedades físico-químicas do óleo.

Estudo técnico mostrou que óleos lubrificantes que sofreram escurecimento anormal e incomumente rápido apresentavam, também, alterações de conformi-

dade em determinadas propriedades físico-químicas e mereciam atenção.

Importância do monitoramento

Há situações, no entanto, em que o escurecimento gradual de óleos lubrificantes não se mostrou causa de real preocupação. Em face do exposto, torna-se necessá-

rio combinar experiências de uso em campo com rotinas de análises físico-químicas para se determinar correlação precisa entre mudanças de coloração e degradação preocupante na condição de serviço de óleos lubrificantes em uso.

Carta de comparação de cor em conjunto com medidor de nível tipo coluna é excelente ferramenta para monitorar a condição de uso de óleo lubrificante através de mudança de coloração M

Marcos Lobo, Qu4ttuor Consultoria

Série M5

A nova Série M5 da Valtra, que traz os modelos M165, M185 e M205, mantém a ideia de trator multiuso pesado, com foco em potência, tração, transmissão e sistema hidráulico dimensionados para suportar grandes implementos em longos períodos de trabalho

AValtra atualiza sua oferta no segmento de tratores pesados com a Série M5, composta pelos modelos M165, M185 e M205, direcionados a operações de grãos e arroz e, conforme a configuração, também a rotinas de cana-de-açúcar e transbordo. A linha sucede a proposta técnica da família BH HiTech e mantém a lógica de trator “multiuso pesado”, mantendo características como potência para tração e transporte, arquitetura para suportar implementos de maior massa e um pacote de transmissão e hidráulico dimensionado para ciclos longos de trabalho.

Motor e potência

Os M165 e M185 utilizam motor AGCO Power de 4 cilindros, 4,9 l de cilindrada, já o M205 utliza motor AGCO Power de 6 cilindros, 6,6 l, ambos motores com turbo e intercooler e sistema de injeção eletrônica common rail. A potência máxima declarada é de 165 cv (M165), 185 cv (M185) e 205 cv (M205) a 2.200 rpm. O torque máximo é de 650 Nm (M165), 700 Nm (M185) e 720 Nm (M205) a 1.500 rpm, faixa típica de operação em que o trator passa a trabalhar “cheio” em preparo, semeadura, operações de arrasto e transporte com carga. Para o dimensiona-

mento do conjunto, o dado de torque em baixa rotação é determinante na escolha de implementos e na forma de condução em condições de solo variável.

Transmissão e reversão

A Série M5 adota transmissão PowerShift HiTech3 Plus, agora sincronizada, com 18 marchas à frente e 18 à ré. A lógica do conjunto é permitir mudanças com o trator em movimento, com trocas automáticas dentro do grupo powershfit, reduzindo interrupções no fluxo de potência durante variações de carga. A reversão é do tipo Power Shuttle, com acionamento eletro-hidráulico, importante em manobras repetitivas e operações de carregamento e transbordo. O pacote inclui modos de programação que automatizam a troca de marchas por carga do motor (Auto 1) ou por rotação (Auto 2), além de um modo que desconecta automaticamente a transmissão (coloca em neutro) quando você pisa no pedal do freio, e assim que você solta o pedal do freio, a transmissão é reativada suavemente e o trator volta a se movimentar, sem a necessidade de acionar o pedal da embreagem ou a alavanca do reversor (Auto N). Na prática, esses recursos influenciam diretamente a produtividade em operações em

que velocidade constante e estabilidade do conjunto são mais importantes do que “picos” de potência.

TDP e interface com implementos

A tomada de potência é independente, com acionamento eletro-hidráulico, e oferece 540 rpm e 1.000 rpm. O escalonamento de rotação do motor para atingir as velocidades de TDP é um ponto observado por equipes de campo ao casar implementos com exigência de potência na árvore e necessidade de operar em rotação econômica. A capacidade de manter regime estável de TDP, associada à transmissão com trocas sob carga, tende a reduzir variações de desempenho em equipamentos acionados mecanicamente, como distribuidores, roçadoras e implementos de preparo que demandam rotação consistente.

Sistema hidráulico

No sistema hidráulico, a Série M5 trabalha com três arquiteturas, conforme a configuração: bomba de engrenagens (C1) ou bomba de vazão variável (C2). A pressão máxima do sistema é de 210 bar. Na configuração C1, a vazão indicada é de 91 l/ min; na C2, a vazão pode chegar a 150 l/min ou 205 l/min, faixa que

atende implementos com alta demanda de fluxo — caso de plantadoras pneumáticas e equipamentos com múltiplos atuadores e controle hidráulico mais intensivo.

A linha pode receber duas ou três válvulas de comando remoto (VCR), e, na versão com bomba de vazão variável, o número de válvulas pode ser três ou quatro. A vazão máxima por VCR é indicada em 110 l/min, parâmetro relevante para evitar “gargalo” em implementos que exigem resposta rápida de cilindros e motores hidráulicos, na válvula de Power Beyond a vazão chega até 204 l/min.

O levante traseiro é classificado como categoria CAT 2, com capacidade de elevação de 8.500 kgf no olhal e 6.000 kgf no eixo do olhal. Para a revenda, esse conjunto de números é o que efetivamente determina a compatibilidade segura com implementos mais pesados, o comportamento do trator no transporte do implemento em cabeceiras e a necessidade de lastro e distribuição de massa.

Estrutura, dimensões e capacidades

Os tratores possuem entre-eixos de 2.716 mm e comprimento total de 5.962 mm, com vão livre do solo de 474 mm. A altura total indicada é de 3.521 mm. O peso máximo admis-

sível é de 11.275 kg para o modelo M205., valor que deve ser considerado em conjunto com a seleção de pneus, lastros e exigências de tração em solos mais leves. A capacidade do tanque de combustível é de 365 l, com tanque hidráulico máximo 170 litros, combinação que favorece autonomia em jornadas longas, desde que a operação esteja corretamente dimensionada em consumo e regime de trabalho.

Em bitolas, há faixa ampla de ajustes: dianteira com eixo padrão de 2.226 mm a 1.600 mm; dianteira com eixo de 3 m (configuração voltada ao uso canavieiro) de 3.025 mm a 2.400 mm; e traseira padrão de 3.041 mm a 1.974 mm. Esses intervalos importam para estabilidade lateral, adequação a linhas de cultivo e compatibilidade com equipamentos de transbordo e trafegabilidade em áreas de cana e arroz irrigado, onde o controle de bitola e o comportamento do conjunto em sulcos e carreadores têm impacto direto sobre perdas, patinagem e eficiência.

O sistema de freios foi totalmente redesenhado em relação ao antecessor, é multidisco em banho de óleo, com novo acionamento hidráulico que aumentou em 28% a eficiência de frenagem, e freio de estacionamento por alavanca ma-

A Série M5 apresenta uma estética robusta e moderna, evidenciada pelo novo capô com design da 5ª geração

nual. Na direção, o conjunto é hidrostático, com bomba dedicada. Em operações de transbordo e transporte, principalmente com reboques e implementos articulados, o conjunto de frenagem e direção é um dos pontos que definem segurança operacional e constância de velocidade em ciclos repetitivos.

Cabina e posto de operação

O posto de operação é baseado em cabina HiComfort Plus. A atualização de interior inclui novos revestimentos e assentos, com foco em ergonomia de comandos e repetibilidade de operação ao longo do dia. Um elemento funcional incorporado ao ambiente de cabina é a caixa refrigeradora integrada (cooler box), item simples, mas relevante para quem opera por longas horas em janelas críticas de plantio e colheita, em especial em regiões de alta temperatura.

Configuração canavieira e aplicação em transbordo

A Série M5 mantém possibilidade de configuração voltada ao setor sucroenergético, com kit específico que inclui eixo dianteiro de 3 metros, freio pneumático e barra de tração pino-bola. Na prática, esses itens conversam com requisitos típicos de transbordo: estabilidade do conjunto em carreadores, acoplamento e desacoplamento rápidos, e segurança em deslocamentos com carga. Para concessionárias que atendem regiões com cana, essa versão muda o perfil de entrega do produto e aproxima o trator de rotinas de alta severidade operacional.

Tecnologias embarcadas, orientação e conectividade

A Série M5 incorpora recursos de agricultura de pre-

cisão e gestão. O pacote contempla piloto automático e orientação Valtra Guide, em configurações que podem operar com precisão decimétrica ou centimétrica, além de telemetria via Valtra Connect. Para operadores tecnificados, esses sistemas deixam de ser “adicional” e passam a integrar a forma de trabalhar: padronização de passadas, redução de sobreposições, rastreabilidade e suporte à manutenção por dados. Para a revenda, a discussão deixa de ser apenas potência e passa a envolver compatibilidade de implementos, treinamento do operador e integração do trator ao planejamento operacional da fazenda.

Em resumo, a nova série M5 pode ser traduzida por quatro critérios objetivos: potência e torque disponíveis para tração e transporte; transmissão PowerShift com 18x18 e reversão eletro-hidráulica para ciclos com alta exigência de manobra; hidráulica escalonável até 205 l/min para implementos de alto consumo de fluxo; e opções estruturais e de bitola que permitem adequar o trator a grãos, arroz e, quando configurado, cana e transbordo. Trabalhando em conjunto, esse pacote — motor, transmissão, hidráulico, estrutura, cabina e tecnologia — definirá o desempenho real no campo. M

A Série M5 adota transmissão PowerShift sincronizada HiTech3 Plus, com 18 marchas à frente e 18 à ré

Mapas computacionais

Taxa variável de aplicação de insumos, baseada em dados específicos de cada área da lavoura, pode aumentar produtividade e reduzir custos

Hoje, a agricultura não é mais feita “no olho”. A tecnologia avançou de tal forma que é possível tratar cada parte da lavoura de maneira personalizada, aumentando a produtividade e reduzindo custos. Entre essas tecnologias, os mapas computacionais e a aplicação de

taxa variável se destacam como ferramentas essenciais para quem quer melhorar a eficiência da produção e tomar decisões mais assertivas no manejo da propriedade. Mas afinal, o que são esses mapas e por que eles fazem tanta diferença na rotina do produtor?

De forma simples, imagine que

sua lavoura é um grande terreno dividido em várias pequenas áreas. Cada área tem características próprias: algumas são mais férteis, outras menos; algumas retêm mais água, outras menos. Além disso, fatores como compactação do solo, acidez, nutrientes disponíveis e histórico de produtividade influenciam

diretamente no desempenho das plantas.

Os mapas computacionais são ferramentas que registram essas diferenças de solo, produtividade e até condições climáticas, permitindo que você visualize exatamente onde cada recurso deve ser aplicado e como otimizar o manejo da lavoura.

Aplicar insumos como fertilizantes, sementes ou defensivos de forma uniforme é o método tradicional. Ele funciona, mas não é eficiente, porque trata todas as áreas da mesma maneira, ignorando as variações naturais do solo e da produtividade. Algumas áreas podem receber mais nutrientes do que realmente precisam, enquanto outras permanecem carentes, comprometendo o rendimento final. É nesse contexto que a aplicação de taxa variável se torna fundamental.

Com base nos mapas da lavoura, a taxa variável ajusta automaticamente a quantidade de insumo aplicada em cada área, de acordo com a necessidade específica do solo e da cultura. Em regiões mais férteis, pode-se reduzir a quantidade de fertilizante, enquanto em áreas com menor produtividade, a máquina aplica mais para equilibrar o crescimento das plantas. Essa tecnologia não só evita desperdícios e gastos desnecessários, mas também aumenta o rendimento por hectare e melhora a qualidade da produção.

Elaboração dos mapas

O processo de criação dos mapas começa com o levantamento detalhado de informações sobre a lavoura. Sensores instalados em máquinas agrícolas, drones, imagens de satélite e colhedoras equipadas com GPS coletam dados sobre o solo, o relevo, a produtividade

O processo de criação dos mapas começa com o levantamento detalhado de informações sobre a lavoura

e até questões climáticas que afetam a produção. Essas informações são transformadas em mapas digitais que mostram desde a textura do solo até o histórico de produção de cada talhão, possibilitando uma visão completa do comportamento da lavoura.

Alguns mapas podem ser simples, mostrando apenas a produtividade, enquanto outros são mais complexos, integrando dados de fertilidade, drenagem e compactação. Quanto mais detalhado e preciso for o mapa, mais eficiente será o manejo com taxa variável, permitindo decisões mais inteligentes e assertivas no campo.

Benefícios

imediatos

Para o produtor, os benefícios dessa tecnologia são claros e imediatos. Ao aplicar a quantidade certa de insumo apenas onde é necessário, é possível reduzir custos com fertilizantes, sementes e defensivos, evitando desperdícios e despesas desnecessárias. Cada área recebe o cuidado que realmente precisa, prevenindo a subprodutividade e promovendo uniformidade no desen-

volvimento das plantas.

Além disso, a aplicação correta de insumos contribui para a sustentabilidade da lavoura, diminuindo o impacto ambiental e preservando o solo e os recursos naturais para as próximas safras.

Com informações precisas sobre o comportamento da lavoura, o produtor consegue planejar melhor as próximas etapas, escolher variedades mais adequadas, antecipar problemas e tomar decisões estratégicas que elevam o potencial produtivo da propriedade.

Exemplo prático

Um exemplo prático ajuda a visualizar o impacto da taxa variável. Imagine um talhão de soja de 100 ha. Sem aplicar taxa variável, você distribuiria 100 kg de fertilizante por hectare, totalizando 10.000 kg. Ao analisar o mapa computacional, percebe-se que 30 ha estão com solo mais fértil e precisam de apenas 70 kg, enquanto 20 ha mais pobres necessitam de 130 kg. Aplicando a taxa variável, a quantidade total de fertilizante utilizada cai para 9.600 kg, gerando uma economia de 400 kg, ao mesmo tempo em

Os mapas computacionais representam uma forma inteligente de cuidar da lavoura, combinando tecnologia avançada com o conhecimento detalhado do solo

que a produção aumenta nas áreas que precisavam de mais nutrientes.

Mesmo que o gráfico simples que mostre a diferença entre aplicação uniforme e aplicação por taxa variável não esteja disponível, o efeito é evidente: mais eficiência, economia e aumento de produtividade.

Esse exemplo ilustra como pequenas alterações podem gerar impactos significativos na lavoura, tanto em termos econômicos quanto em termos de rendimento por hectare.

Procedimentos que auxiliam

Para adotar essa tecnologia com

sucesso, é fundamental investir no levantamento de dados detalhado da lavoura. Quanto mais informações você tiver, mais precisos serão os mapas e mais eficaz será o manejo por taxa variável.

Também é essencial escolher equipamentos compatíveis, como máquinas com GPS e capacidade de aplicar insumos em diferentes taxas, garantindo que a tecnologia seja plenamente aproveitada.

Depois de cada safra, é importante analisar os resultados obtidos, comparando o desempenho das áreas com aplicação uniforme e com aplicação de taxa variável, para ajustar a estratégia no ciclo seguinte

e aprimorar continuamente a gestão da propriedade.

Conhecimento gera eficiência

Os mapas computacionais e a aplicação de taxa variável não são modismos. Eles representam uma forma inteligente de cuidar da lavoura, combinando tecnologia avançada com o conhecimento detalhado do solo. Para o produtor, isso significa economia, aumento da produtividade, manejo mais sustentável e decisões mais estratégicas, elementos fundamentais para o sucesso da agricultura moderna. Investir nessas ferramentas hoje é preparar a propriedade para o futuro, garantindo eficiência e competitividade, sem deixar de lado o cuidado com o solo e os recursos naturais, que são a base de qualquer produção agrícola de sucesso. Ao integrar tecnologia, análise de dados e manejo personalizado, o produtor consegue transformar informações em resultados concretos, elevando o padrão da sua lavoura e fortalecendo sua posição no mercado. M

Ricardo Aparecido Santos, Andréa dos Guimarães de Carvalho, UFG

Baldan SPA Line

Nova plantadeira de precisão da Baldan, com versões de três a nove linhas pantográficas, alia versatilidade, autonomia e uniformidade de plantio

ABaldan apresenta ao mercado a SPA Line, uma nova linha de plantadeira de precisão de arrasto, desenvolvida para atender diferentes perfis de produtores, com foco em eficiência operacional, qualidade de deposição e adaptabilidade às condições de campo.

Projetada para o plantio de grãos grossos como soja, milho, feijão, sorgo, algodão e milhe-

to, a linha se destaca pela combinação entre robustez estrutural, tecnologia embarcada e facilidade de regulagem, características essenciais para operações modernas de plantio.

Configuração e versatilidade

A SPA Line está disponível em versões com três a nove linhas

pantográficas, com diferentes opções de espaçamento, permitindo sua utilização em propriedades de variados portes. A linha conta com quatro versões de chassi (05, 06, 07 e 09), ampliando a capacidade de adaptação às necessidades específicas de cada cultura e sistema produtivo. Outro ponto relevante é a flexibilidade nos sistemas de dosagem. O equipamento pode ser configurado com dosadores mecânicos (Baldan ou Titanium) ou pneumáticos (Selenium ou

VSet), possibilitando ajustes conforme o nível tecnológico desejado pelo produtor.

Sistema de plantio e qualidade de deposição

Um dos principais destaques técnicos da SPA Line está na uniformidade de distribuição

de sementes. O equipamento entrega coeficiente de variação horizontal a partir de 4%, contribuindo diretamente para a formação de estandes mais homogêneos.

O sistema de controle de semente possui diversas possibilidades de regulagem,

podendo atuar próximo ao ponto de deposição da semente, permitindo maior precisão no acompanhamento das irregularidades do solo. Essa configuração favorece a uniformidade de emergência, reduz a competição entre plantas e impacta positivamente o potencial produtivo das culturas.

Desempenho em diferentes condições de solo

A máquina foi desenvolvida para operar tanto em sistema de plantio direto quanto convencional, com bom desempenho em diferentes tipos de solo, incluindo condições arenosas e argilosas, além de áreas com relevo irregular.

Na linha de adubação, os discos de corte de 18 polegadas, disponíveis nas versões liso ou turbo, garantem eficiência no manejo da palhada. O sistema conta ainda com um desencontro (off-set) específico entre as linhas de adubo, que melhora o fluxo de resíduos orgânicos e reduz o risco de embuchamentos, favorecendo a continuidade da operação.

Excelente coeficiente de variação na distribuição horizontal de sementes a partir de 4%, trazendo maior homogeneidade na profundidade de deposição
MODELO (CHASSI) LNHAS
Fotos Baldan

Capacidade operacional

Os reservatórios de insumos foram dimensionados para aumentar a autonomia no campo. Cada linha possui capacidade média de 95 l no adubo e 68 l na semente, reduzindo a necessidade de paradas para reabastecimento. Com

média de 20% a mais de capacidade nos reservatórios, a SPA Line se consolida com a maior autonomia da categoria.

Essa característica permite maior rendimento operacional e melhor aproveitamento das jane-

las de plantio, fator crítico em sistemas produtivos intensivos.

Facilidade de regulagem

A SPA Line incorpora um siste-

Linha de plantio Baldan: roda de controle de profundi
Sistema de corte e adubação da Baldan SPA Line
A SPA Line pode ser configurada com dosadores mecânicos (Baldan ou Titanium) ou pneumáticos (Selenium ou VSet)

ma de regulagem de taxa de distribuição de sementes e adubo que dispensa o uso de ferramentas. O ajuste é realizado por meio de câmbio de taxas, tornando o processo mais rápido e prático.

Essa solução reduz o tempo de máquina parada e facilita a adaptação às diferentes recomendações agronômicas diretamente no campo.

Tecnologia e monitoramento

A plantadeira pode ser equipada com sistemas de monitoramento de plantio, como MP36 e PM400, que permitem o acompanhamento em tempo real da operação.

Esses recursos auxiliam na identificação de falhas de deposição e variações na população de sementes, contribuindo para maior precisão na execução do plantio e melhor uso dos insumos.

Considerações técnicas

A Baldan SPA Line se posiciona como uma solução voltada à eficiência operacional e qualidade de plantio, reunindo características como: alta uniformidade de distribuição de sementes; controle preciso de profundidade; versatilidade de configuração; elevada auto-

nomia operacional; redução de paradas para ajuste e abastecimento; melhor fluxo de palhada e menor risco de embuchamento.

Com essas especificações, a linha atende às demandas de produtores que buscam maior controle sobre o processo de semeadura e consistência nos resultados agronômicos.

Câmbio regulador de taxas de adubo e semente

Fotos Baldan
Reservatórios de adubo e semente da Baldan SPA Line: cada linha possui capacidade média de 95 l no adubo e 68 l na semente

MF 9S.425

Com modelos de 345 cv a 425 cv de potência, a série MF 9S da Massey Ferguson chega ao Brasil trazendo as tecnologias mais avançadas e aumenta ainda mais sua competitividade no mercado de tratores de altas especificações. Acoplada à série, chega também a nova Momentum, com inúmeras inovações tecnológicas

AMassey Ferguson ingressa definitivamente na disputa pelo mercado dos grandes tratores, com o lançamento da série MF 9S. Com a apresentação dos três modelos, a marca interrompe e substitui a fabricação da série MF 8700S, mostrando a elevada tecnologia presente nestes modelos, e faz aquecer a concorrência no mercado de grandes tratores e com alta tecnologia.

A marca, antes limitada em alta potência pelo modelo MF 8737S Dyna-VT de 370 cv, agora

sobe para 425 cv com o modelo MF 9S.425, ampliando o portfólio.

E nós, do Laboratório de Agrotecnologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a convite da Revista Cultivar Máquinas, tivemos a oportunidade de conhecer esta fera em ação, no município de Campo Alegre do Goiás (GO), situado a aproximadamente 200 km do Distrito Federal. Na Fazenda Santa Fé, tivemos a chance de que nos apresentassem as características e novidades tecnológicas, assim como de poder acompanhar e operar o trator com a

nova Momentum, de 28 linhas e espaçamento de 50 cm.

A série MF 9S, que na Europa tem seis modelos, foi lançada em Hannover na Agritechnica de 2023 e vem para o Brasil inicialmente com três modelos, MF 9S.340 de 345 cv, MF 9S.370 de 375 cv e MF 9S.425 de 425 cv. No exterior, ela foi distinguida com vários prêmios e participação elogiada em vários eventos e feiras. É uma série, de maior potência que a MF 8S Xtra, recentemente lançada no país e semelhante em várias características, porém com avanços tecnológicos justificáveis em tratores desta gama de dimensão e potência do motor. Assim como na MF 8S Xtra, o modelo do trator faz referência à sua posição no mercado: o núme-

ro 9 corresponde à dimensão da máquina, o S ao nível de tecnologia, que indica a alta especificação tecnológica, e, depois de um ponto, a potência máxima obtida no motor, expressa pelo protocolo da norma ISO.

Dando-nos o suporte estratégico e realizando toda a logística para que o teste ocorresse da melhor maneira, a empresa enviou os melhores técnicos especialistas. Estiveram conosco, o Eder Dornelles Pinheiro, que é coordenador de Marketing do Produto Tratores, e, para nos apoiar com a Momentum, o Revis Roberto Severo da Silva, que é coordenador de Marketing do Produto de Equipamentos de Aplicação. Também auxiliaram no trabalho o Ander-

son Schofer, promotor técnico da área de colheita, e o Luís Gustavo Oliveira, especialista de produtos. Durante boa parte do dia, acompanhamos o trabalho de acoplamento, deslocamento e operação do conjunto mecanizado, em uma área de plantio de soja fornecida pelo cliente. Tivemos oportunidade de operar o conjunto, conhecendo detalhes de utilização.

A expectativa de mercado da Massey Ferguson para estes três modelos é bastante positiva. São vários os clientes potenciais deste trator e do combo com a Momentum. Facilmente se visualiza o cliente que é produtor em grandes áreas do cerrado brasileiro, principalmente das culturas de soja, milho e algodão, especial-

mente aquele agricultor que tem visão empresarial e busca equipamentos com alta tecnologia útil. Também, a partir desta potência, a Massey Ferguson reforça a sua participação no mercado da cana-açúcar, principalmente com aqueles agricultores que produzem e fornecem para as usinas e mesmo médias e grandes usinas que requeiram os itens tecnológicos, como os que favorecem o uso da agricultura de precisão, oferecidos nesta série e que, em especial, entendam a importância e utilizem plenamente os recursos de uma transmissão continuamente variável. Mas igualmente a Massey Ferguson deve estar com um olhar atento para o mercado sul-americano, principalmente da Argentina e do Paraguai, onde existe a cultura do produtor profissional qualificado.

Sobre o motor

O motor que equipa a série MF 9S é o AGCO Power de 6 cil., com 8,4 l de volume deslocado total, que produz no 9S.425 a potência máxima de 425 cv a 1.850 rpm e um enorme torque de 1.750 Nm a 1.500 rpm. Este motor é bastan-

O motor que equipa a série MF 9S é o AGCO Power de 6 cil., com 8,4 l de volume deslocado total. A transmissão utilizada nesta série é a Dyna-VT, que é a mesma da série MF 8S Xtra, desenvolvida e fabricada pela própria AGCO

te utilizado pela marca e demonstrou qualidade em outros modelos da AGCO, tanto aqui no Brasil como no exterior. É um motor da nova geração, em que a potência máxima se obtém a rotações mais baixas, portanto, promovendo economia de combustível, menor desgaste do motor e, também, uma sensível redução na emissão de poluentes. Por sinal, este motor cumpre as regras de redução de poluição, atendendo ao rigoroso padrão europeu do Stage V, que é mais restrito que a norma brasileira, a Proconve MAR-1. Um interessante dispositivo que está presente nesta série e auxilia a prolongar a manutenção é o “modo poeira”, o qual, automaticamente ou por comando do operador, projeta um jato de ar para a limpeza do filtro da entrada da admissão do motor. Isto ajuda muito na proteção do motor,

mantendo o trator em trabalho durante a jornada, mesmo em condições de presença de pó excessivo. Outro detalhe interessante do motor desta série, é que ele dispensa a regulagem periódica das folgas das válvulas de admissão e descarga do motor, pois é equipado com tuchos hidráulicos, que não necessitam regulagem e se ajustam automaticamente durante o uso.

Sobre a transmissão

A transmissão utilizada nesta série é a Dyna-VT, que é a mesma da série MF 8S Xtra, desenvolvida e fabricada pela própria AGCO. A série MF 8S originalmente utiliza a Dyna7, porém, na nova série MF 8S Xtra, a transmissão é a Dyna-VT, a qual usa gerenciamento automático de velocidade (DTM). Em toda a série MF 9S esta é a transmissão padrão.

Durante o teste, utilizamos sempre o modo automático, fixando a velocidade de deslocamento. Neste modo, a integração é total entre o motor e a transmissão, de forma que a carga instantânea é medida pelo sistema e tanto o sistema CVT como a rotação do motor se ajustam para manter a velocidade de deslocamento. Como o câmbio é continuamente variável não são utilizadas marchas, pois estas são infinitas, mas a rotação do motor é sempre privilegiada para manter a velocidade de deslocamento, com o máximo rendimento do motor. Todos os dados que a empresa dispõe indicam que, neste modo, consegue-se a melhor eficiência do conjunto, com a maximização da economia de combustível. Resumindo, no automático, que se aciona por um interruptor no console lateral, a velocidade de deslocamento é configurada pelo operador e com a carga instantânea o motor e a transmissão se ajustam para manter esta velocidade.

Mas, para quem deseja utilizar o trator de um modo convencional, existe o modo manual, no qual o operador controla a rotação do motor no pedal do acelerador e a velocidade com o comando multifunção. É um desperdício de tecnologia, porém entende-se como uma forma alternativa de utilização.

Nesta transmissão, as velocidades de deslocamento vão de 30 m/h a 30 km/h em trabalho e até 40 km/h em transporte. Na ré, a velocidade é limitada em 16 km/h no trabalho e 30 km/h no transporte, por questões de segurança.

O eixo dianteiro é motriz e possui uma suspensão mecânica QuadLink, com controle pelo operador diretamente do seu posto.

Sistema hidráulico

Este trator tem um sistema hidráulico de três pontos da categoria 3, com opcional para a categoria 4, com capacidade de levantar equi-

A série MF 9S será comercializada junto com a nova Momentum, que também ganhou "upgrade" tecnológico em vários sistemas

Fotos Charles Echer

Como nas demais séries avançadas da marca, um painel localizado no paralamas traseiro pode ser usado para controlar o sistema hidráulico

pamentos de até 12 toneladas nos braços inferiores.

Como é de praxe nesta gama e neste nível tecnológico de tratores, o circuito hidráulico é de centro fechado, com possibilidade de exercer vazões de 205 l/min a 1.650 rpm, utilizando uma bomba Eco, e 340 l/min a 1.650 rpm, utilizando duas bombas concomitantemente. A pressão máxima do sistema é de 200 bares e o sistema Power Beyond é de série. De fábrica, são seis válvulas de controle remoto.

Conforto e ergonomia

Uma das características positi-

Detalhes do sistema hidráulico do modelo MF 9S.425 e também da escada de acesso à cabina

vas desta nova série e do modelo que testamos é a questão ergonômica, principalmente de qualidade da cabina. Desde o primeiro momento em que conhecemos a série MF 8S Xtra e, agora a MF 9S, este ponto foi marcante, para termos a ideia de que estávamos tratando de um produto Premium. Destacamos alguns pontos que nos impressionaram e chamaram a atenção no teste.

Externamente, se verifica que nesta série se mantém a separação de 18 cm entre o cofre do motor e a cabina, o denominado Protect-U. Esta abertura é um detalhe de projeto que objetiva criar uma divisão entre a estrutura que emite calor, ruído e vibração, no caso o motor, da cabina, que se quer proteger. Isto gera uma melhoria em conforto térmico e reduz ruído e vibração no posto do operador.

Entrando na cabina por uma cômoda escada seis degraus e uma ampla abertura de porta, verifica-se que ela é enorme, com 3,4 m³ de volume e área envidraçada de 6,6 m², segundo dados do fabricante. Já sentados no assento principal, este diferencial fica marcado, pois a visão é muito ampla, principalmente pelo design do capô, que se encontra em posição inferior e com a frente inclinada para baixo.

O assento principal é ótimo e conta com amortecimento pneumático de vibrações, com aquecimento da superfície e um novo apoio de braços. Outro diferencial é o encosto de cabeça articulável, que facilita a movimentação do corpo do operador para a visão ao implemento, que está atrás do trator. O console lateral é integrado ao assento, com o monitor do Terminal Datatronic 5 à frente. Mais

Interior da cabina da série MF 9S é um dos mais sofisticados da marca, com ampla área envidraçada, bancos modernos e consoles de controles com diversos monitores

informações do funcionamento do trator são mostradas também no monitor preso à coluna dianteira direita. O Datatronic 5 monitor controla todas as funções do trator, como piloto automático e controle de máquinas acopladas, e é preparado para agricultura de precisão e diagnósticos, além de ter uma imagem de câmera em uma de suas telas. Para trocar de tela, basta passar o dedo na horizontal,

como estamos acostumados com o telefone portátil.

Quanto à manutenção, o acesso ao motor é excelente, com uma enorme abertura do capô e outras facilidades, como a já mencionada limpeza automática do filtro de ar do motor. Há grandes entradas de ar e saídas de calor nas laterais do capô, direcionadas principalmente para as regiões quentes do nosso país.

Um auxílio à operação importante é a iluminação, que neste modelo tem faróis em LED e conta com 16 focos para iluminar em todas as direções.

Dimensões e características

Para o mercado brasileiro, este trator virá com o rodado duplo em ambos os eixos e, na dianteira com pneus grandes, da medida 650/60R34. Os traseiros são da medida 710/75R-42. Com todos os lastros, o trator pode chegar a 18.500 kg de massa. Na parte dianteira, com um lastro de 1.500 kg, seu suporte e pesos inferiores distribuem uma parcela de peso para o eixo dianteiro. A distância entre eixos é de 3.100 mm e o volume do depósito de combustível é de 660 l e o de Arla 32 (AdBlue) de 68 l, importantes para fornecer autonomia para uma longa jornada de trabalho. Neste trator, o sistema de redução de poluição é do tipo SCR e utiliza o agente redutor líquido de óxidos de nitrogênio automotivo (Arla), que transforma o NOx em nitrogênio e água, na forma de vapor.

Destaques tecnológicos

É difícil destacar pontos, em um equipamento com tanta tecnologia como os tratores da série MF 9S. Mas, entre vários pontos em destaque nesta nova série, um dos que impressionam positivamente é o do auxílio às manobras. Utilizando o MF AutoTurn e Autoheadland, é possível programar totalmente a manobra de cabeceira. Um segundo ponto de destaque se refere à nova geração e à evolução do piloto automático, MF Guide, que é da PTx Trimble, com opção de precisão através de sinais de rádio e tam-

bém com sinal de correção, no nível mais preciso.

Também relativo às manobras e ao direcionamento do trator, o SpeedSteer permite que o operador fixe o número de giros do volante, necessários para movimentar e alterar o ângulo de esterçamento das rodas. Estas tecnologias visam aumentar a eficiência operacional, reduzindo os tempos de perda no trajeto.

Com o MF Connect, é possível gravar os dados para análise pos-

terior e planejamento de uso e da operação. Com este sistema, uma central pode visualizar o trabalho e registrar em tempo real os parâmetros de monitoramento. Podem ser construídos relatórios para compartilhamento e análise conjunta. Também pode servir para a proteção do patrimônio, com alarmes transmitidos sempre que a máquina sair de linhas demarcadas. Este pacote é aberto ao cliente por até cinco anos após a aquisição.

Nesta série, é possível contro-

lar até 24 seções com o MF Section Control e cinco produtos de uma máquina através do MF Rate Control. Por exemplo, em semeadoras e pulverizadores, é possível controlar até 24 seções ou linhas. Por fim, uma câmera frontal auxilia na visualização de alguns pontos estratégicos do trator.

Nova Momentum

Mas o teste do novo trator da série MF 9S não era a única novidade da nossa experiência em Goiás. Acoplada no MF 9S.425 tínhamos a versão mais recente da Momentum, que agora entra no mercado a partir do Agrishow 2026, juntamente com o MF 9S.

A nova Momentum ingressa em um mercado competitivo para concorrer com máquinas de 30 a 40 linhas, com espaçamentos de 45 cm e 50 cm entre linhas. Esta nova máquina é montada no chassi grande, com aumento da flexibilidade necessária para contornar a superfície do terreno. No modelo de 30 linhas, pode vir com o pacote para a

implantação de sementes e fertilizantes, com opção de reduzir para 28 linhas, aumentando o espaçamento para 50 cm. Na versão de 40 linhas, é oferecida a máquina apenas para aplicação de sementes, também com a opção de aumentar o espaçamento para 50 cm, reduzindo o número de linhas para 38. Todo o sistema de dosagem foi atualizado, com os equipamentos da Precision Planting, o vSet2, de dosagem, e o vDrive, de acionamento por motor elétrico, e o consagrado monitor 20 20, de nova geração.

O acoplamento segue sendo possível pela barra de tração, mas também pelo sistema semimontado, utilizando a barra transversal nos dois pontos inferiores do sistema hidráulico de três pontos, com o sistema Power Beyond, dos modernos tratores, para a movimentação da máquina e o controle em semeadura.

A máquina vem de fábrica com uma câmera traseira, que utilizamos no teste e pode mostrar ao operador a imagem da superfície já semeada.

Outro destaque, é referen-

te aos novos e maiores depósitos de fertilizantes e sementes. São três depósitos com capacidade de 3.900 l de fertilizantes e, portanto, três seções, com o produto sendo distribuído para as linhas por corrente de ar. Os depósitos de sementes são em número de dois e agora têm capacidade para 4.500 l.

Para nós, o grande ponto positivo durante o teste foi analisar o novo sistema de transferência de peso, para uniformizar a pressão individual das linhas das asas,

o qual foi atualizado. Ele transfere carga central da maquina para as laterais, uniformizando a pressão de corte da palha, a abertura de sulco e a deposição de sementes e fertilizantes, o que melhora a emergência, a uniformidade de plantas e, por conta disto, a produtividade. Outra vantagem é a redução da pressão nos rodados centrais de apoio e transporte, o que diminui a compactação do solo. Quando fechada para transporte, a máquina fica com 3,60 m, possível de ser transportada com o trator.

A máquina chega da fábrica para o cliente com três opções de discos para sementes, uma completa caixa de ferramentas, um depósito para água de limpeza, luzes de trabalho e a câmera traseira.

Igualmente como novidade, houve um aumento do comprimento das linhas, para melhorar o fluxo do material da superfície, novos chicotes elétricos/eletrônicos foram desenvolvidos e também o novo sistema de distribuição de fertilizantes vApply Granu-

lar, da Precision Planting. Houve, também, a previsão de um espaço para colocação de um depósito de inoculante. A instalação deste conjunto fica facilitada e incorpora-se ao projeto com facilidade.

A equipe de campo de agronomia e soluções agrícolas da AGCO realiza pesquisas em que avalia vários parâmetros de produção e os ganhos financeiros das alternativas.

José Fernando Schlosser Nema - UFSM
O teste foi realizado com o apoio da equipe de marketing de produto da Massey Ferguson, no município de Campo Alegre do Goiás (GO)
A série MF 9S será comercializada formando um combo com a nova Momentum, que também entra no mercado a partir da Agrishow 2026

Quase novo

A aquisição de tratores novos é um desafio para produtores com menos recursos; o mercado de máquinas agrícolas usadas surge como alternativa que pode unir qualidade, eficiência e economia

Os tratores agrícolas desempenham um papel fundamental na capacidade de produção de uma propriedade. Eles estão envolvidos em diversas etapas, desde o preparo do solo até o transporte e o armazenamento da produção. Por essa razão, são indispensáveis no meio rural.

No entanto, dadas as condições atuais da agricultura no país, a aquisição de tratores novos pode representar um desafio para produtores menos capitalizados. Esse inves-

timento pode comprometer a viabilidade econômica de suas atividades, já que, além do custo do trator, os produtores precisam investir em outras ferramentas, insumos e demais despesas durante todas as safras, o que já representa um grande desafio.

Dessa forma, o mercado de máquinas agrícolas usadas pode ser uma alternativa. A possibilidade de adquirir tratores de tecnologias e potências do seu interesse com menor preço torna esse mercado uma ótima opção para

os produtores. Porém, o mercado de tratores agrícolas usados não tem um parâmetro claro para sua correta precificação.

Estimativas de preços

Para veículos de passeio, utilitários, motos e caminhões, os valores de referência são facilmente encontrados em instituições especializadas, como a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Este órgão desempenha um papel crucial no mercado de carros usados no Brasil, oferecendo um referencial de preços que facilita as negociações, protege o consumidor e contribui para a transparência do mercado, ou seja, auxilia o vendedor na precificação do ativo e oferece ao comprador parâmetros para verificar a justeza do valor.

Uma das formas que se têm de estimar o preço de um trator usado

é através dos cálculos de depreciação. No entanto, no Brasil, o cálculo de depreciação de máquinas agrícolas não é um campo de estudo muito explorado e, também, não se espera que os produtores saibam usá-lo. Mesmo que soubessem, os métodos matemáticos para chegar a um valor podem não condizer com a realidade do mercado.

Isso ressalta a importância de se ter outras formas de estimar o preço dessas máquinas. Na intenção de auxiliar neste aspecto, a mesma Fipe fornece uma estimativa de preço para tratores e colhedoras usadas.

Morais et al. (2018) abordaram uma forma diferente de estudar os valores de um trator, usando um índice de preço/potência para estudar exemplares disponíveis no mercado. No entanto, o estudo se limitou a tratores novos que se enquadravam no Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Esta forma de abordar o mercado de tratores agrícolas é interessante, pois, ao obter o preço médio pago pela unidade de potência, pode-se obter uma estimativa de preço de venda para um trator qualquer. Seria necessário apenas multiplicar este índice pela potência do trator em questão e, assim, obter uma estimativa do preço de mercado. No entanto, quando o objetivo for estimar o preço de tratores usados, é importante levar em consideração características como ano de fabricação, fabricante, classe de potência, configuração do seu posto de operação e horas de trabalho, já que essas características podem afetar o preço final da máquina.

Influência de fatores

Em estudo realizado sobre os atributos que influenciam na decisão de compra de máquinas agrícolas, os re-

sultados obtidos mostraram que os de maior influência na aquisição de tratores são qualidade, durabilidade, pós-venda, confiabilidade do produto, facilidade de manutenção e vida útil do bem (Kaspary et al., 2009).

Em outro estudo semelhante, o autor realizou levantamento em 52 empresas rurais e cinco concessionárias de máquinas agrícolas, com o objetivo de propor uma matriz de decisão com os atributos mais influenciadores para a compra de máquinas agrícolas. Ficou evidenciado que os mais importantes são qualidade, durabilidade e vida útil do bem, resultados semelhantes aos encontrados no trabalho citado anteriormente (Mello, 2019).

Em diversos estudos que abordam este tópico, sempre é possível ver que os clientes esperam máquinas confiáveis, duráveis e eficientes, com um suporte de pós-venda eficaz, assim como serviços de manutenção e reposição de peças.

Outros pontos apontados como importantes para os produtores, foram a confiança na marca, a facilidade operacional e, especialmente, o valor de revenda. Por outro lado, fatores como opinião de amigos, recomendação técnica, propaganda e design não exercem muita influência.

Estudo de caso

Para elaborar um panorama inicial do mercado de tratores usados no país, realizou-se um levantamento de dados entre outubro de 2024 e setembro de 2025, quando foi coletada uma amostra de 350 tratores anunciados. Eles foram classificados de acordo com classe de potência, tempo de uso em anos e horas do motor, configuração do posto de operação e presença ou não de piloto automático, entre outros aspectos.

Com o objetivo de diminuir o efeito da regionalização, os dados foram coletados de diversas fontes de diferentes regiões do país. O tamanho da amostra foi definido pela estabilização do índice de preço/potência (US$/kW), em função de aumentos consecutivos do tamanho de amostra. Cabe ressaltar que o estudo não buscou caracterizar fielmente o mercado, mas apresentar uma ideia inicial sobre as variáveis estudadas.

Faixas de potência

Em relação às faixas de potência (classificadas de acordo com o Anuário de 2025 da Revista Cultivar Máquinas), observa-se na Figura 1 uma

Figura 1 - mercado de tratores usados em função da faixa de potência

maior concentração na faixa IV (150 cv a 250 cv), com 139 tratores amostrados (39,7%). Analisando a figura, é possível observar que 50% do mercado encontrado na amostra situa-se nas classes II e III, englobando tratores de 50 cv a 150 cv de potência, sendo que não foi amostrado nenhum trator com menos de 36,8 kW ou 50 cv (Classe I).

Quando comparados à disponibilidade de modelos novos, os resultados são contrastantes aos dados do Anuário de Tratores 2025/26 (Cultivar Máquinas, 2025), onde a faixa de potência entre 50 cv e 99 cv (Classe II) é a mais representativa do mercado de novos, totalizando 157 modelos ofertados.

Tempo de uso em anos

Em relação ao tempo de uso dos tratores amostrados, a Figura 2 mostra que, embora a maior parte (25,14%) se concentre na faixa de três a quatro anos, outra faixa predominante foi a de tratores com dez a 15 anos de uso. Pelo que se pôde perceber, a janela de maior liquidez e revenda dos tratores ocorre após o período inicial de depreciação acentuada. Verificou-se, também, que existiam tratores das mais diferentes

“idades” anunciados. Notou-se, ainda, que mais de 30% dos tratores da amostra possuíam mais de dez anos de uso.

Tempo de uso em horas

A Figura 3 revela a distribuição da amostra em relação às horas de uso dos tratores. É possível observar, também, uma maior concentração na faixa de 2.000 horas a 5.000 horas (37,4%), indicando que a maior parte da oferta de tratores usados se situa em um estágio de uso intermediário, antes de atingir os extremos de depreciação por horas trabalhadas, o que levaria a uma maior necessidade de manutenções corretivas.

Por outro lado, o segundo grupo com mais exemplares foi o de 5.000 horas a 10.000 horas de uso. Os extremos de alto uso, acima de 10.000 horas, representaram a menor parcela da amostra, 4,5% no total.

Posto de operação

Como mostra a Figura 4, o fator posto de operação revela uma grande concentração de tratores cabinados (79,7%). Em alguns casos, a cabina representa um investimento adicional, mas, ainda assim, vale

o investimento, por trazer ganhos em segurança, conforto e ergonomia para o operador. Se outrora a cabina era tida como luxo, hoje trata-se de algo cada vez mais comum no meio rural.

Piloto automático

Outro dado interessante se refere à presença de piloto automático nos tratores da amostra. Verificou-se que apenas 29% dos anúncios informaram que havia este equipamento no trator. No extrato por classe, a amostra revelou que nas classes I e II (até 100 cv) apenas um anúncio indicava a presença de piloto automático. Conforme esperado, este equipamento foi se tornando mais presente nas classes de maior potência, até que todos os tratores anunciados da classe V (mais de 250 cv) estavam configurados com sistema de orientação automática.

Conclusão do estudo

Foi possível verificar uma grande oferta de tratores disponíveis à venda, de diferentes faixas de potência e configuração. A única exceção foi a faixa até 50 cv, na qual, nos portais pesquisados, não foi encontrado

Figura 2 - mercado de tratores usados de acordo com o tempo de uso em anos
Figura 3 - mercado de tratores usados de acordo com o tempo em horas

nenhum exemplar anunciado. Vale ressaltar, ainda, que a tomada de dados ocorreu entre 2024 e 2025 e que o mercado pode ter mudado desde então.

Cenários de maior dificuldade do campo inevitavelmente se re-

fletem nesse mercado, aumentando a disponibilidade de equipamentos anunciados. Assim, se o produtor procura um equipamento usado, fica evidente que há boas opções disponíveis no mercado nacional.

Guilherme Figueira Oliveira, Vilnei de Oliveira Dias, Letícia Possel, Bruna Flores Batistella, Luani Machado Trindade, Lucas Henrique Becker, Unipampa/Campus Alegrete M

Figura 4 - distribuição da amostra por posto de operação
Figura 5 - distribuição da amostra por presença de piloto automático

1000 Vario Gen4

A quarta geração da série Fendt 1000 Vario traz ainda mais inovações, mantendo a clássica transmissão VarioDrive e o motor de seis cilindros com potências de 440 cv a 550 cv

AFendt está lançando no mercado brasileiro a quarta geração do 1000 Vario (Gen4), série de tratores de grande porte posicionada na faixa de 440 cv a 550 cv, com três versões — 1044, 1048 e 1052 Vario. O projeto mantém o foco em tração contínua, elevada capacidade hidráulica e operação estável em jornadas longas, combinando motor de grande cilindrada, transmissão VarioDrive com gerenciamento ativo de tração e um pacote de cabina/iluminação e assistência que busca reduzir variabilidade de condução e facilitar o trabalho em ambientes com baixa visibilidade e alta severidade.

Motor

No trem de força, o 1000 Vario Gen4 utiliza o motor MAN D26, 6 cilindros e 12,4 l. A filosofia de funcionamento segue o conceito Fendt iD, que privilegia regimes mais baixos (650 rpm a 1.700 rpm) como zona preferencial de operação. Para tarefas que exigem tração elevada em baixa velocidade, o conjunto trabalha com torque máximo de 2.650 Nm a partir de 1.150 rpm, parâmetro que influencia a capacidade do trator em manter esforço de barra sob variação de carga, sem necessidade de trabalhar em rotação elevada de forma contínua.

Dois recursos de gerenciamento de potência ajudam a explicar o posicionamento do Gen4. O Fendt Dynamic Performance (DP) adiciona até 30 cv conforme a demanda de consumidores auxiliares — como ventilação, ar comprimido e ar-condicionado — ampliando a disponibilidade de potência do conjunto quando há consumo adicional fora do eixo de tração. Já o Fendt Adaptive Power trabalha com níveis ajustáveis de potência para adequar o trator a implementos de menor exigência, reduzindo consumo e limitando esforços desnecessários sobre implementos e componentes do próprio trator em operações que não pedem potência máxima.

Arrefecimento e filtragem

No pacote térmico, o Concentric Air System (CAS) segue como base do sistema de arrefecimento, com ventilador de pressão concêntrico e acionamento hidrostático independente, dimensionado para temperaturas externas de até 45°C. A construção compacta do conjunto é apresentada como fator de ganho de manobrabilidade ao permitir maior ângulo de direção. Como opção, há ventilador reversível para limpeza automática da grade do radiador, com comando manual ou automático via terminal.

Em ambientes com alto índice de poeira, o projeto inclui autolimpeza passiva e contínua dos filtros de ar do motor e da cabina, complementada por jatos curtos de ar direcionados ao filtro do motor, buscando reduzir paradas e manter qualidade do ar para motor e operador.

Transmissão e tração inteligente

A série mantém a clássica trans-

missão VarioDrive, com um sistema que oferece variação contínua de 0,02 km/h a 50 km/h, sem escalonamentos, com tração integral variável e independente até 25 km/h. Um dos efeitos práticos descritos é o “pull-in turn”, que reduz o raio de giro em até 10% quando comparado a uma tração integral convencional, com impacto direto em cabeceiras estreitas e manobras com implementos longos.

A distribuição de torque entre eixos (Fendt Torque Distribution) atua para direcionar o torque ao eixo com melhor aderência, minimizando patinagem e mantendo tração em condições de solo heterogêneas. O conjunto se integra ao TMS (sistema de gestão do trator), que ajusta automaticamente o regime do motor conforme a necessidade de carga e velocidade para operar no menor regime possível dentro da tarefa, bus-

cando economia sem perda de desempenho operacional.

Sistema hidráulico e controle remoto

No hidráulico, o 1000 Vario Gen4 trabalha com duas configurações de bomba com detecção de carga (LS): uma de 220 l/min ou duas bombas LS que somam até 430 l/min (com a adição de uma segunda bomba de 210 l/ min). A lógica é oferecer diferentes requisitos de pressão e volume em circuitos independentes, reduzindo perdas por estrangulamento e melhorando a eficiência quando várias funções operam em paralelo, como é o caso típico da semeadora Momentum e implementos com turbinas e múltiplos atuadores.

Na traseira, o trator sai com pelo menos três válvulas e pode chegar a sete válvulas de duplo efeito (uma frontal e seis traseiras), com opção de acoplamento DUDK. A válvula frontal opera com até 120 l/min, enquanto as traseiras chegam a 140 l/min; com DUDK, duas válvulas podem operar com 170 l/min sob demanda, ampliando a capacidade de alimentar cilindros de grande volume e motores hidráulicos em implementos de alta exigência.

Para alimentação direta do implemento, o pacote prevê Power-Beyond e opção com acoplamentos de face plana (FFC), com foco em reduzir en-

trada de sujeiras e perdas por restrição. A configuração e parametrização do conjunto hidráulico é feita via terminal de 12”, e a operação pode ocorrer por módulos lineares no apoio de braço ou por joysticks, integrando-se ao conceito operacional FendtONE.

Capacidade de levante

O sistema de levantes é digno do tamanho da série. No dianteiro, há duas variantes, com capacidade máxima de 5.688 kg no ponto de acoplamento, controle eletrônico por sensores de posição e possibilidade de definir pressão de contato ou alívio via terminal. No traseiro, o elevador com controle eletrônico oferece capacidade máxima de 13.180 kg no ponto de engate, com EHR e amortecimento ativo para reduzir oscilações no transporte com implementos. Para facilitar acoplamentos, há comandos externos nos dois lados dos para-lamas traseiros e escala integrada nos braços para ajustes repetíveis. Um detalhe construtivo é a possibilidade de colocar os braços inferiores em posição de repouso sem ferramentas, criando 15 cm adicionais de folga entre braço inferior e TDP/barra de tração, reduzindo interferências e melhorando a manobrabilidade em manobras e acoplamentos.

Tomada de potência e uso estacionário

Na tomada de potência, o trator trabalha com TDP traseira dupla (1000/1000E) e função automática associada ao elevador, com possibilidade de vincular liga/desliga a posições predefinidas. Em operação estacionária, um regime de motor previamente armazenado pode ser atingido automaticamente quando a TDP é acionada externamente, reduzindo etapas operacionais em atividades como bombeamento e enchimento de reservatórios.

Rodagem, e lastreamento

Em pneus e lastro, a série admite diâmetro de até 2,35 m no eixo traseiro e trabalha com estratégias de lastreamento para converter potência em tração, com referência a peso total permitido de até 24,5 t em campo. Há ainda a oferta de pneus duplos Row Crop 480 de fábrica, mantendo largura externa abaixo de 3,5 m, com componen-

tes específicos (eixo traseiro curto, cubo de roda duplo, espaçador e pesos) para conversão rápida entre aplicações e adequação a cultivos em linha.

Em segurança e comportamento dinâmico, o 1000 Vario Gen4 adota sistema de frenagem de quatro rodas com dois circuitos pneumáticos redundantes. O conjunto usa freios em banho de óleo com controle por ar comprimido e lubrificação por pressão, com discos multidisco dimensionados para trabalho com cargas elevadas.

Para estabilidade direcional em velocidade, o Fendt Stability Control (FSC) atua a partir de 20 km/h, reduzindo inclinação lateral e suprimindo oscilações em curvas, com objetivo de manter condução segura até 50 km/h.

Cabina e iluminação 360°

No ambiente do operador, o projeto de cabina incorpora itens voltados a longas jornadas: caixa térmi-

O novo Fendt 1000 Vario Gen4 oferece três versões — 1044, 1048 e 1052 Vario — equipadas com o motor MAN de 6 cilindros e a transmissão VarioDrive de última geração

ca de 12 l com controle de temperatura, ar-condicionado automático e assento premium com suspensão pneumática, aquecimento/ventilação, ajustes elétricos, memória e função de massagem.

Um segundo eixo técnico está na iluminação: o conceito de 360° com LED inclui a opção UltraVision, com faróis de 4.400 lúmens por unidade e escurecimento individual em cinco

níveis, além de perfis de iluminação salvos para diferentes cenários de operação. O conjunto complementa com pontos de luz distribuídos no teto, colunas e para-lamas e iluminação direcionada para a área de acoplamento traseiro (GroundVision), reduzindo zonas de sombra em manobras noturnas.

Conectividade e operação coordenada

Por fim, a conectividade passa a incluir o Workgroup, função de troca de dados em tempo real e sem fio para coordenar múltiplos tratores no mesmo campo, compartilhando linhas, limites e mapas de cobertura. Entre os destaques da série, estão a capacidade hidráulica, a repetibilidade de condução por automação (TMS e programação de funções), o gerenciamento de tração e pressão de pneus por tarefa e a integração de dados para planejamento e execução no talhão. Isso tudo, conectado a um motor em baixo regime, transmissão CVT com tração variável, hidráulico escalonável até 430 l/min, levantes de alta capacidade e pacote de cabina/iluminação certamente elevam a experiência de trabalho a um nível superior. M

Reforço operacional

Utilização de equipamentos de apoio é decisiva na eficiência das operações mecanizadas

Em muitas propriedades, a discussão sobre desempenho operacional ainda se concentra quase exclusivamente no porte da máquina principal. A largura de trabalho, a potência disponível e a velocidade de deslocamento são variáveis centrais. Mas, no campo, a capacidade real de uma operação não depende apenas do que a máquina poderia fazer em regime contínuo. Ela depende também do tempo que se perde entre uma passada e outra, nas cabeceiras, nos ajustes, no abastecimento de insumos e na retirada do material colhido. É nesse ponto que os equipamentos de apoio deixam de ser um detalhe logístico

e passam a ser parte estratégica do sistema mecanizado.

Quando se fala em capacidade de trabalho, convém ressaltar alguns conceitos. A capacidade pode ser expressa em termos teóricos, representando aquilo que a máquina poderia entregar em condição ideal, a partir de sua largura e velocidade projetadas, sem considerar perdas. A capacidade efetiva já se aproxima mais do que ocorre no campo, pois considera o trabalho executado em produção com a velocidade e a largura reais. A capacidade operacional é a que mais interessa ao produtor para planejar a safra, porque incorpora o tempo total de má-

quina, incluindo manobras, interrupções e paradas necessárias. Em termos práticos, é ela que determina quantos hectares realmente serão atendidos por hora e quantas horas serão exigidas para concluir uma área. A eficiência de campo sintetiza essa diferença entre o potencial e o resultado obtido em operação real. Quanto maior for a proporção de tempos acessórios no tempo total, menor será essa eficiência.

Fontes de variação

Há várias fontes de variação

que afetam a capacidade operacional. Formato dos talhões, relevo, habilidade do operador, organização da frente de trabalho, confiabilidade mecânica, clima e suprimento de insumos alteram o desempenho do conjunto.

Ainda assim, para evidenciar o efeito dos equipamentos de apoio, vale adotar uma simplificação analítica, ou seja, observar especificamente como a redução do tempo de parada modifica a capacidade operacional e o tempo final da operação. Essa abordagem é útil porque isola um fator muitas vezes negligenciado no planejamento da frota.

Neste artigo colocamos um exemplo simples para evidenciar os efeitos. Na Tabela 1, são apresentados valores hipotéticos para alguns equipamentos usualmente utilizados em lavouras de grãos.

Em todas as operações se considerou passadas de 400 m de comprimento e uma capacidade dada pela largura e pela velocidade, ou seja, seria a situação teórica sem qualquer perda de tempo.

Manobras de reposicionamento

As perdas de tempo aparecem de formas distintas, conforme a operação. Nas manobras de cabeceira, toda máquina interrompe o avanço produtivo para reposicionamento. Em áreas com passadas curtas ou máquinas estreitas, esse peso relativo cresce.

No exemplo para semeadura, a máquina trabalha com 5 m de largura, velocidade de 6 km/h, manobras de 40 s. Já para o pulverizador, com 21 m de largura e 12 km/h, o reposicionamento tem peso bem menor. Na colhedora, o efeito das manobras também é relativamente pequeno, quando comparado ao gargalo da descarga. Isso aparece nos tem-

A eficiência de campo sintetiza a diferença entre o potencial e o resultado obtido em operação real

pos acumulados considerados na simulação, 24 min para a semeadora, 7,9 min para o pulverizador e 0,8 min para a colhedora. O contraste mostra que nem toda operação perde tempo pelos mesmos motivos, as características da operação e o porte da máquina mudam o peso das interrupções.

Reparos e ajustes

Além das manobras, há os reparos e ajustes, que sempre existirão em algum grau. Regulagens, entupimentos, checagens e pequenas correções reduzem a disponibilidade prática da máquina.

A Tabela 2 traz valores calculados para os tempos perdidos e impactos nas capacidades das operações.

A semeadora precisa ser reabastecida com sementes e fertilizantes; o pulverizador depende de reposição rápida da calda; a colhedora precisa descarregar o produto colhido para continuar trabalhando. Nesses casos, a capacidade do reservatório e a demanda de material por hectare determinam a autonomia de cada ciclo.

A simulação mostra isso com clareza. A semeadora opera 144 min por ciclo antes de exigir novo abastecimento; o pulverizador, 48 min; a colhedora, apenas 9 min antes de

precisar descarregar. Em outras palavras, a colheita é muito mais sensível a gargalos de apoio porque a interrupção ocorre com frequência muito maior.

Apoio gera rendimento

É justamente aí que entram os equipamentos de apoio. No caso da semeadura, considerou-se que o abastecedor reduza a parada de 30 min para 10 min. No pulverizador, se considerou que o tanque de apoio reduz a parada de 20 min para 7 min. Na colheita, o transbordo graneleiro poderia derrubar o tempo de 15 min para 5 min.

O efeito parece simples, mas altera de maneira expressiva a capacidade operacional do sistema. Na semeadora, a capacidade sobe de 2,2 ha/h para 2,4 ha/h. O ganho absoluto é de 0,2 ha/h, mas, em termos relativos, significa aumento de 10,4% na capacidade operacional. No pulverizador, a capacidade passa de 15,9 ha/h para 19,2 ha/h, incremento de 3,3 ha/h, ou 18,9%. Na colhedora, como a quantidade de material é alta, a exemplo da colheita de milho, o salto é de 2 ha/h para 3,3 ha/h. Esse é o caso em que o apoio gera maior benefício, porque a descarga é o gargalo dominante do sistema.

Eficiência de campo

Os mesmos resultados podem ser lidos pelo lado da eficiência de campo. Tomando como referência as capacidades efetivas da Tabela 1, de 3 ha/h para a semeadora, 25,2 ha/h para o pulverizador e 5,4 ha/h para a colhedora, observa-se que a operação sem apoio retém apenas parte desse potencial.

A semeadora passa de aproximadamente 73% para 81% de aproveitamento; o pulverizador, de cerca de 69% para 76%; e a colhedora, de 36% para 61%; a Figura 1 permite visualizar melhor. A leitura é direta: a máquina principal já possui capacidade para produzir mais, mas fica limitada pela forma como o sistema foi organizado ao seu redor.

Tempo total

Quando a análise é levada para o tempo total necessário para atender 300 ha, o impacto fica ainda mais concreto. A semeadora demanda 137 h sem apoio e 124 h com apoio, isso representa redução de 13,9 h no tempo total. No pulverizador, o tempo cai de 18,9 h para 15,6 h, com

economia de 3,3 h. Na colhedora, a diferença é decisiva, de 153 h para 91 h, uma redução de 61,6 h e ganho de 40,4%. Para o gestor da operação, essas horas economizadas significam mais do que conforto operacional. Elas representam maior capacidade de cumprir janela agronômica e menor exposição a riscos inerentes ao atraso.

A Figura 2 traduz esse benefício para uma linguagem ainda mais próxima da tomada de decisão. Mantido o mesmo intervalo de tempo que seria gasto sem apoio para concluir 300 ha, a semeadora com apoio adicionaria 34 ha, o pulverizador 62 ha. E a colhedora 203 ha no mesmo período. Em termos práticos, isso mostra que o ganho operacional pode ser convertido em duas estratégias igualmente valiosas: terminar a mesma área antes ou trabalhar uma área maior sem ampliar a jornada total.

Sem necessidade de mais máquinas

Esse ponto merece atenção porque, diante de baixa capacidade operacional, a reação mais comum é pensar na compra de mais

máquinas. Em muitas situações, isso é justificável. Mas nem sempre o gargalo está na ausência de uma segunda máquina principal. Às vezes, o problema está no fato de a máquina disponível passar tempo demais parada. Se a colhedora espera para descarregar, se o pulverizador espera por reabastecimento ou se a semeadora perde longos minutos em cada parada, parte da aparente necessidade de ampliar a frota pode ser resolvida com melhor logística e com equipamentos de apoio dimensionados de forma coerente. Os resultados são evitar superdimensionamento, reduzir capital imobilizado e melhorar o uso do equipamento já existente.

Custos indiretos

Há ainda um aspecto econômico que costuma ser subestimado. Baixa capacidade operacional não aumenta apenas o custo horário diluído por hectare, ela também amplia custos indiretos. Quando a semeadura sai da janela ideal, pode haver falhas de estabelecimento, desuniformidade e perda de produtividade. Quando a pulverização atrasa, o controle tende a piorar, o risco de reinfestação aumenta e o uso do insumo se torna menos eficiente. Quando a colheita não avança no ritmo necessário, crescem os riscos climáticos, as perdas qualitativas e quantitativas e a pressão sobre transporte, secagem e armazenagem. Nesses casos, o custo total do sistema sobe não porque a máquina ficou cara, mas porque a operação deixou de acontecer no momento correto.

Componentes do sistema

Por isso, equipamentos

Figura 1 - participação dos tempos gastos em produção, manobrando e abastecendo ou descarregando

Tabela 1 - valores para efeito de simulação contendo características das máquinas, tempos e comprimento de cada passada para uma dada propriedade

Equipamento

Semeadora/plantadora

Pulverizador

Colhedora

Tabela 2 - valores calculados com base em valores arbitrários de doses a serem aplicadas ou material a ser colhido considerando capacidades dos reservatórios das máquinas e perdas de tempo com manobras e paradas. No caso das paradas, simulou-se o que ocorreria caso houvesse disponibilidade de equipamentos de apoio

Equipamento

Semeadora/plantadora

de apoio devem ser tratados como componentes do sistema mecanizado, e não como simples acessórios. Seu efeito depende de suas próprias características, como capacidade, vazão de descarga, mobilidade, compatibilidade com a operação e sincronização com a frente de trabalho. Depende, também, da organização logística, da distância até o ponto de suprimento, do número de unidades de apoio e do treinamento da equipe.

Um apoio mal dimensionado pode apenas deslocar o gargalo de lugar. Um apoio bem planejado, ao contrário, libera a máquina principal para permanecer mais tempo em produção.

Conclusões da simulação

Em síntese, a simulação mostra que reduzir o tempo de parada eleva a capacidade operacional, melhora a eficiência de campo e encurta de forma expressiva o tempo total das operações.

O benefício existe nos três casos analisados, mas é particularmente marcante na colheita, em

que a descarga tende a se tornar o limitante do desempenho.

Para agricultores, agrônomos e técnicos, a lição prática é clara: antes de concluir que faltam máquinas, é preciso verificar se o sistema está perdendo eficiência por falta de apoio. Em muitas situações, investir em logística com abastecimento e descarga rápida é o caminho mais racional para ampliar área atendida, reduzir perdas e

melhorar o resultado econômico da mecanização.

Por fim, destaca-se que os valores apresentados são apenas ilustrativos e servem para evidenciar o efeito dos equipamentos de apoio, devendo a análise ser ajustada às condições reais de cada sistema mecanizado.

Figura 2 - diferenças em tempo e na área trabalhada em função do uso de equipamentos de apoio; a diferença em área se refere ao montante adicional que poderia ser trabalhado no mesmo período em que se opera sem equipamento de apoio

Leandro M. Gimenez, Esalq/USP

Velocidade e eficácia

Estudo avalia, entre três velocidades de deslocamento das colhedoras, qual garante maior eficiência, menor custo e mais rentabilidade; regulagens adequadas e monitoramento constante da operação também influenciam nos resultados

Opresente estudo foi realizado no município de Pedrinhas Paulista, estado de São Paulo, durante a safra de milho 2023/2024, com o objetivo de avaliar as perdas quantitativas na colheita mecanizada em diferentes velocidades de trabalho. O experimento foi conduzido na Fazenda São João, em uma área de aproximadamente 84,65 ha, sob sistema de plantio direto, utilizando delineamento inteiramente casualizado.

A semeadura foi realizada no dia 1º de março de 2024, com duas semeadoras da marca Tatu Marchesan, modelo PST Duo Flex, equipadas com 12 linhas espaçadas em 0,5 m.

Foi utilizada a cultivar Agroeste 1800 Pro3, de ciclo precoce, com população aproximada de 66 mil plantas/ha. Todos os tratos culturais foram conduzidos conforme as exigências da cultura, sob acompanhamento técnico do agrônomo responsável.

A colheita ocorreu no dia 17 de julho de 2024, utilizando uma colhedora autopropelida New Holland TC5090, fabricada em 2016, equipada com sistema de trilha radial, motor de 240 cv, peneiras autonivelantes e plataforma de 6 m com 12 linhas. A altura de corte foi ajustada para apro-

ximadamente 0,45 m, e as regulagens da máquina seguiram o padrão utilizado pelos proprietários da área. A cultura apresentava altura média de 2,20 m, com inserção de espiga em torno de 0,83 m.

Metodologia utilizada

Foram avaliadas três velocidades de deslocamento da colhedora: 2 km/h, 4 km/h e 6 km/h, definidas por meio do ajuste da alavanca de avanço. A máquina não possuía sistema de piloto automático, sendo conduzida manualmente pelo operador para manter o alinhamento com as linhas de semeadura.

Para cada velocidade, foram realizadas sete repetições, totalizando 21 amostras.

A quantificação das perdas foi realizada com auxílio de um gabarito retangular de 4 m por 0,5 m, correspondendo a uma área de 2 m², posicionado transversalmente às linhas de colheita, conforme metodologia proposta por Mesquita et al. Após a estabilização da velocidade da máquina, o gabarito era colocado na área colhida, e todos os grãos presentes em seu interior eram coletados, acondicionados em sacos plásticos identificados e, posteriormente, pesados.

Os dados obtidos foram submetidos à análise estatística por meio do teste de Tukey a 5% de probabilidade, utilizando o software RStudio com o pacote AgroR.

A produtividade média da área foi de 5.406 kg/ha, equivalente a 90,1 sc/ha. O teor médio de umidade dos grãos no momento da colheita foi de 19%, valor ligeiramente acima do recomendado na literatura, que indica um intervalo ideal entre 15% e 18% para redução de perdas. As condições climáticas durante a operação foram favoráveis, com predomínio de tempo ensolarado e ausência de chuvas. Também não foram constatadas perdas pré-colheita, plantas acamadas ou tombadas, o que contribuiu para maior uniformidade dos resultados.

Resultados obtidos e avaliações dos testes

Os resultados demonstraram que não houve diferença estatisticamente significativa entre as perdas registradas nas diferentes velocidades de trabalho. Embora tenham sido observadas variações numéricas entre os tratamentos, essas diferenças não foram suficientes para caracterizar efeito significativo da velocidade sobre as perdas totais.

O experimento foi conduzido na Fazenda São João, em uma área de aproximadamente 84,65 ha, sob sistema de plantio direto

O coeficiente de variação obtido foi considerado aceitável para estudos de colheita mecanizada, conforme critérios estabelecidos na literatura, que reconhece a elevada variabilidade associada à metodologia de avaliação de perdas no campo. Nenhuma das velocidades testadas ultrapassou o limite máximo de perdas toleráveis, estimado em até 1,5 sc/ha.

Em relação ao rendimento operacional, verificou-se que o aumento da velocidade proporcionou maior capacidade de trabalho. Considerando uma eficiência operacional média de 70%, a velocidade de 2 km/h resultou

em rendimento aproximado de 0,84 ha/h, totalizando cerca de 8,4 ha/dia. Na velocidade de 4 km/h, o rendimento foi de aproximadamente 1,68 ha/h, equivalente a 16,8 ha/dia. Já na velocidade de 6 km/h, o rendimento atingiu cerca de 2,52 ha/h, totalizando 25,2 ha/dia, representando um ganho expressivo em relação à velocidade padrão adotada pelo produtor.

Esse aumento no rendimento operacional permite a conclusão mais rápida da colheita, liberando a área antecipadamente para a realização de práticas de manejo, como calagem, gessagem e preparo para a próxima

O aumento no rendimento operacional permite a conclusão mais rápida da colheita, liberando a área antecipadamente para a realização de práticas de manejo

Guilherme Morro de Assis

safra, além de possibilitar a implantação de culturas na entressafra. Além disso, a maior agilidade na operação contribui para reduzir riscos relacionados a fatores climáticos, como chuvas, que podem favorecer o desenvolvimento de doenças, especialmente a podridão da espiga.

Embora a velocidade de 6 km/h tenha apresentado, numericamente, maior porcentagem de perdas, os valores permaneceram dentro dos limites aceitáveis. Dessa forma, considerando o equilíbrio entre perdas e rendimento operacional, essa velocidade mostrou-se a mais adequada para as condições avaliadas neste estudo.

Conjunção de fatores

A literatura destaca que a efi-

ciência da colheita depende não apenas da velocidade, mas também de fatores como regulagem adequada dos sistemas de trilha, separação e limpeza, monitoramento constante da operação, manutenção da máquina e capacitação do operador. Além disso, aspectos relacionados ao manejo da cultura, como escolha da cultivar, densidade de semeadura, época de plantio, controle de plantas daninhas, umidade dos grãos e momento correto da colheita, também influenciam diretamente os índices de perdas.

O planejamento da colheita é fundamental para garantir melhor aproveitamento da capacidade operacional das máquinas, maior eficiência e redução

de prejuízos. Esse planejamento deve ser iniciado ainda na fase de implantação da lavoura, considerando fatores climáticos, disponibilidade de equipamentos, logística de transporte e armazenamento.

Atenção aos detalhes

De modo geral, os resultados obtidos demonstram que, nas condições avaliadas, a velocidade de 6 km/h representa a melhor alternativa para a operação de colheita do milho, pois proporciona maior rendimento operacional sem comprometer significativamente a qualidade do processo ou elevar as perdas acima dos níveis aceitáveis.

Assim, recomenda-se que os produtores adotem velocidades compatíveis com a capacidade da colhedora, realizem regulagens adequadas e mantenham o monitoramento constante da operação, visando maximizar a eficiência, reduzir custos e aumentar a rentabilidade da atividade.

Guilherme Morro de Assis, Lorena Plens Carvalheiro Marthins, Lara Marie Guanais Santos, Fatec Pompeia

O planejamento da colheita é fundamental para garantir melhor aproveitamento da capacidade operacional das máquinas
Esquema de avaliação de perdas na colheita do milho
Perdas totais em velocidades diferentes

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