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Cultivar 93

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Cultivar Grandes Culturas • Ano IX • Nº 93 • Fevereiro 2007 • ISSN - 1518-3157

Nossa capa

Destaques

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Capa / Adeney de Freitas Bueno

Risco de resistência Os cuidados necessários na aplicação de herbicidas contra picão-preto em milho

08 Vazio alentador Dados preliminares apontam queda na pressão da ferrugem asiática em lavouras de soja

Nossos cadernos

16

Fotos de Capa / Ivan Francisco D. da Costa

Surpresa desagradável Falsa-medideira se antecipa, com ataque simultâneo ao da anticarsia

22 Exclusividade negativa Os danos da curuquerê, praga exclusiva do algodoeiro

NOSSOS TELEFONES: (53) Grupo Cultivar AO de ASSINANTE: Publicações Ltda. • ATENDIMENTO Rua:3028.4013/3028.4015 Nilo Peçanha, 212 Pelotas –• RS 96055 – 410 ASSINATURAS: 3028.4010/3028.4011 • GERAL www.cultivar.inf.br 3028.4013 cultivar@cultivar.inf.br • REDAÇÃO:

3028.4002 / 3028.4003 • MARKETING:

3028.4004 / 3028.4005

Índice

REDAÇÃO • Editor

Gilvan Dutra Quevedo • Coordenador de Redação

Janice Ebel • Design Gráfico e Diagramação

Cristiano Ceia

Diretas

04

3028.4001 Assinatura anual (11 edições*): R$ 119,00 (*10 edições mensais + 1 edição conjunta em Dez/Jan)

Picão-preto em milho

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Números atrasados: R$ 15,00

Vazio reduz ferrugem da soja

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Surto de lagarta falsa-medideira

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Mede-palmo e anticarsia em ação

16

Pedro Batistin

Falsa ferrugem assusta produtores de soja

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CIRCULAÇÃO

• Redação: 3028.2060

Mosca branca ameaça sojicultores do MT

18

• Comercial: 3028.2065 / 3028.2066 / 3028.2067

Cochonilha ameaça o algodão

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Curuquerê no algodoeiro

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Simone Lopes

Informe DuPont

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• Gerente de Assinaturas Externas

Capim-camalote em cana

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Coluna Agronegócios

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Mercado Agrícola

30

• FAX:

Assinatura Internacional: US$ 80,00 70,00 Nossos Telefones: (53) • Geral 3028.2000 • Assinaturas: 3028.2070

Por falta de espaço não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@cultivar.inf.br Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.

• Revisão

Aline Partzsch de Almeida

COMERCIAL Sedeli Feijó

• Gerente

Cibele Oliveira da Costa • Assinaturas

Raquel Marcos • Expedição

Dianferson Alves • Impressão

Kunde Indústrias Gráficas Ltda.


Diretas

Lançamento

Tiametoxam

Esalq

A Cheminova obteve, em dezembro, o registro do Novazin®, fungicida em formulação, suspensão concentrada do grupo químico dos benzimidazóis, cujo ingrediente ativo é o Carbendazim, já conhecido e muito usado pelos agricultores brasileiros no controle de importantes doenças em culturas como a soja, algodão e feijão. Fabio del Cistia, gerente de Marketing Estratégico da empresa, destaca que as principais características do novo defensivo são a sistemicidade e a rápida ação dentro das plantas.

Depois de mais de dez anos de pesquisa, a Syngenta anuncia a comprovação dos benefícios de Tiametoxam, ingrediente ativo das suas marcas de inseticidas Cruiser®, Actara® e Verdadero® - para as plantas. Segundo o estudo, estão comprovados a emergência mais rápida da planta, maior altura e volume das raízes e fechamento precoce das linhas. Além do trabalho realizado na estação de Pesquisa Biológica da empresa na Suíça, foram feitos testes, durante três anos, em laboratórios e em estufa na Universidade de Berlim, na Alemanha, e na Universidade de São Paulo (USP), no Brasil.

Antônio Roque Dechen é o novo diretor da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq). Dechen é engenheiro agrônomo e professor do departamento de Ciência do Solo e substitui José Roberto Postali Parra. Em seu discurso de posse, salientou a atuação da diretoria no sentido de consolidar a participação da Esalq no agronegócio brasileiro com responsabilidade sócio-ambiental. Outra prioridade de Dechen é o programa de Adequação Ambiental do Campus e a criação de um Centro de Difusão e Transferência Tecnológica. “Conto com a efetiva participação de todos os segmentos da Esalq na consoliAntônio R. Dechen dação destes objetivos”, concluiu.

Novo comando José Felippe é o novo gerente nacional de Vendas da Unidade de Produtos para Agricultura da Basf no Brasil. Colaborador da empresa desde 1990, assume a área que até então estava sob a responsabilidade de Ernani Costa, que agora assume como gerente de Marketing da Unidade de Produtos para Agricultura para Ernani Costa José Felippe América Latina.

Contra a cárie A Dow AgroSciences realizou entre dezembro e janeiro, um circuito de palestras sobre doenças do arroz irrigado, nas principais regiões produtoras do Rio Grande do Sul. Aproximadamente 600 produtores e engenheiros agrônomos participaram dos 15 encontros, onde foram apresentadas a correta identificação e as formas de manejo de doenças do arroz, com ênfase à cárie-do-grão que na safra passada gerou perdas de até 45% no RS. Rodrigo Neves, da Dow AgroScience, apresentou resultados de ensaios com os fungicidas Systhane e Dithane, responsáveis por controle de até 88% da cárie-do-arroz. “Estamos testando doses em torno de 600 a 700 ml/ha do produto para garantir um controle eficiente. Na safra passada, muitos produtores não tiveram êxito com aplicações, por causa da baixa dose utilizada”, explica.

Novo cargo Pioneer A Pioneer coloca no mercado duas novas cultivares de soja com o gene Roundup Ready*, a P98Y11 e a P98Y51, ambas resistentes ao nematóide de cisto, raças um e três. A P98Y11 é uma soja precoce, grupo de maturação 8.1, indicada para o Cerrado brasileiro. Além de resistência ao nematóide de cisto, raças um e três, as variedades têm tolerância a doenças de final de ciclo e resistência ao glifosato.

Aminoácidos A Improcrop do Brasil investiu 25 milhões de dólares na montagem de um parque fabril para a produção de aminoácidos para fertilizantes foliares, na cidade de São Pedro do Ivaí, no Paraná. O objetivo é de elaborar produtos para todo o Grupo Alltech, do qual a Improcrop é subsidiária. “Dentro deste segmento, atuamos com nossa marca específica de nome, Liqui-plex, que é atualmente um lançamento, e que será de atuação nacional e para todas as culturas”, informa Marcelo Antunes, gerente de Marcelo Antunes Aminoácidos da Improcrop.

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Pragas de solo A Embrapa Trigo lança o livro “Pragas de solo no Brasil”. A obra aborda o manejo de pragas da agricultura, contemplando lavouras extensivas, fruteiras, florestas e pastagens. Os pesquisadores José Roberto Salvadori (Embrapa Trigo), Mauro Tadeu Braga da Silva (Fundacep) e Crébio José Ávila (Embrapa Agropecuária Oeste) são os autores. Informações pelo e-mail vendas@cnpt.embrapa.br Alessandra Fajardo assumiu recentemente a área comunicação de Roundup Brasil da Monsanto. Engenheira agrônoma pela Esalq e pós-graduada em marketing pela ESPM, está na empresa há seis anos, onde já atuou como coordenadora de Estratégia de Distribuição, responsável pelos programas de marketing para distribuidores Alessandra Fajardo e cooperativas da Monsanto.

Em expansão A Nidera se prepara para colocar no mercado brasileiro cultivares de trigo, girassol e sorgo. A gerente de Marketing da companhia, Fabrícia Andrade, lembra que com apenas dois anos de atuação no Brasil a empresa é a quarta mais lembrada pelos produtores quando o assunto é a comercialização Fabrícia Andrade de sementes.

Aplicação responsável A FMC promoveu no final de 2006, no município de Capão do Leão, Rio Grande do Sul, o 1° Curso de Capacitação de Aplicadores de Granulados para Aplicação Aérea, com participação de aproximadamente 70 pessoas. “Escolhemos o Sul do estado para começar este trabalho pela importância da região, que é um dos principais pólos horizícolas”, explicou Luiz Felipe Thomaz, coordenador de desenvolvimento de produto e mercado da FMC. Entre os palestrantes estiveram Hamilton Ramos, do IAC, Maria Laura Mattos, da Embrapa Clima Temperado e Irene Noda de Souza, da FMC.

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Milho

Picão resistente? Com biótipos resistentes a herbicidas já observados na cultura da soja, o picãopreto merece atenção especial dos produtores de milho na hora de aplicação dos defensivos. Rotação de princípios ativos é fundamental para o controle da invasora, de alta capacidade de disseminação e ciclo que pode durar até um ano Regis Echer

D

entre as espécies consideradas invasoras na cultura do milho, o picão-preto (Bidens pilosa) figura dentre aquelas que mais prejuízos têm causado às culturas anuais ou perenes exploradas comercialmente; entretanto, apesar da baixa capacidade competitiva de plantas individuais, esta espécie desenvolve-se em altas densidades nas áreas cultivadas, o que lhe confere grande capacidade competitiva. Na cultura do feijão, esta é uma planta daninha muito abundante, sendo considerada de alta nocividade. Na cultura da soja podem ser verificadas quebras de rendimento acima de 25% quando em altas infestações, enquanto que na cultura do milho essas perdas podem alcançar níveis superiores a 15% quando da colheita manual, e superiores a 25% quando da colheita mecânica. No Brasil, a planta ocorre durante todo o ano mas sua presença é mais detectada na primavera e no verão. Muitas vezes esta planta é conhecida pelos seguintes nomes vulgares: picão, picão-preto, picão-campo, picopico, erva-picão, fura-capa, carrapicho-deduas-pontas, goambu e coambi. A origem do nome vem do latim “Bidens”, que significa dois dentes, em alusão às duas projeções agudas sobre os aquênios, e “pilosa” pela ocorrência de pêlos esparsos sobre as brácteas.

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Esta planta tem como origem a América Tropical, estando presente em várias regiões do mundo, com maior ocorrência na América do Sul. No Brasil, é encontrada em praticamente todo o território nacional, com maior presença nas áreas de culturas anuais bem como em pomares e culturas perenes. O picão-preto pode ser considerado uma planta indicadora de solos de média fertilidade, bem como de solos mediamente degradados ou desequilibrados, mas também é uma das principais hospedeiras de nematóides do gênero Meloidogyne e Pratylenchulus, que atacam plantas cultivadas. Assim como também fungos dos gêneros Cercospora, Uromyces e outros.

MANEJO DO PICÃO-PRETO Controle mecânico Quando o sistema de plantio for o convencional e o solo for preparado, na primavera, logo após as primeiras chuvas ocorre uma grande germinação de sementes desta espécie. Caso as plântulas sejam eliminadas através de herbicidas, geralmente não ocorre uma nova infestação no mesmo período agrícola. Porém, se o controle é feito através de uma capina manual ou mecânica, existe a possibilidade de ocorrer uma nova infesta-

ção em poucos dias, porque o revolvimento do solo traz à superfície as sementes, que antes estavam em profundidades que não tinham as condições adequadas para a germinação, expondo-as a condições apropriadas para germinação. Controle cultural O uso de cobertura morta como meio de controle de plantas daninhas influencia as incidências de luz, temperatura e umidade do solo. O efeito da cobertura pode ocorrer da forma química através de compostos secundários, sendo que alguns apresentam efeito deletério na germinação e desenvolvimento de algumas plantas daninhas. Estes compostos são chamados de aleloquímicos. O efeito de qualquer aleloquímico está diretamente relacionado com quantidade e qualidade da cobertura do material vegetal (cobertura morta), do tipo de solo, da população (densidade e composição), de plantas daninhas presentes, da população microbiana do solo e principalmente das condições ambientais a que a cobertura vegetal é exposta. Vários efeitos aleloquímicos são conhecidos para uso no controle de plantas daninhas. Outro efeito que as coberturas podem exercer sobre as sementes depositadas no solo é o físico. A camada morta sobre a superfície

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Charles Echer

CARACTERÍSTICAS BIOLÓGICAS

A

grande adaptação desta espécie aos ambientes agrícolas devese, em parte, pela sua grande produção de sementes, aliada a mecanismos de dormência. Uma única planta de picão-preto pode produzir de 60 a cem flores que resultarão em mais de três mil sementes podendo, em condições favoráveis, chegar até a seis mil, o que garante de três a quatro gerações anuais devido à pouca germinação imediata. As sementes germinam facilmente até 3 cm de profundidade; quando em profundidades maiores que 10 cm, podem permanecer dormentes por vários anos. Mecanismos de dormência desta espécie possibilitam que as sementes enterradas profundamente no solo apresentem germinação ainda após três a cinco anos. Para que ocorra a germinação, há necessidade de estímulos que dependem de umidade, temperatura e luz. A temperatura ideal para que ocorra a germinação de sementes de picão-preto se encontra entre 20°C a 35oC. Quando as sementes se encontram mais na superfície do solo, há uma maior quantidade de luz e alternância de temperaturas que estimulam a germinação, entretanto, as sementes de picão-preto também podem germinar na ausência de luz.

Controle químico Vários são os herbicidas registrados no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento para o controle de Bidens pilosa (Tabela 1). Vale ressaltar os cuidados a serem tomados quando da utilização de qualquer herbicida. As aplicações devem seguir critérios técnicos, devidamente recomendados por profissionais habilitados para prescrever a receita agronômica. Os herbicidas de préemergência são aplicados após a semeadura do milho e antes da germinação das sementes do picão-preto. Estas aplicações são afetadas pela umidade do solo no momento da aplicação, ocorrência de chuvas após a aplicação e temperatura e tipo do solo. As aplicações de herbicidas de pós-emergência são realizadas após a emergência do picão-preto, geralmente quando as plântulas encontramse de duas a oito folhas, dependendo do herbicida a ser utilizado. Estas aplicações são dependentes do estádio vegetativo do picãopreto, das condições climáticas no momento da aplicação e das condições de estresse em que se encontram as plantas desta daninha. Estas aplicações podem ser realizadas precocemente, quando as plantas daninhas encontram-se com duas a quatro folhas verdadeiras, em condições normais, quando as plantas do picão-preto estiverem no máximo com seis folhas e aplicações tardias, quando as

Karam: rotação de princípios ativos de herbicidas é fundamental para evitar biótipos resistentes

plantas estiverem com mais de seis folhas verdadeiras. Outra época de controle registrada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento é a da aplicação em jato dirigido, na qual os herbicidas são aplicados quando a cultura do milho se apresentar com mais de oito folhas. Dentro da espécie e das variedades de Bidens pilosa ocorrem biótipos, alguns dos quais resistentes a determinados herbicidas. No Brasil tem sido observado que após certo tempo de uso, de herbicidas inibidores de enzimas acetolacto-sintase (ALS), como sulfoniluréias e imidazolinonas tem ocorrido falhas de controle com as doses normalmente eficientes, o que pode estar indicando falhas de aplicações ou mesmo o aparecimento de biótipos resistentes. O uso prolongado de um mesmo herbicida ou o uso repetitivo de químicos que pos-

Décio Karam

do solo reduz a amplitude térmica e hídrica do mesmo, reduzindo assim a germinação de determinadas espécies como o picão-preto. No sistema de plantio direto, é conhecido que a grande maioria das sementes das plantas daninhas encontra-se próxima à camada superficial, enquanto no sistema de

plantio convencional, as sementes ficam distribuídas ao longo do perfil do solo. Devido a este posicionamento das sementes, as plantas daninhas anuais, como o picão-preto, tendem a diminuir devido às ações prejudiciais à germinação como predação ou perda de viabilidade das mesmas.

Uma planta de Bidens pode produzir até cem flores que podem resultar em seis mil novas sementes

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O picão-preto é uma das principais hospedeiras do fungo do gênero Cercospora e também de nematóides como Meloidogyne e Pratylenchulus

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Tabela 1 - Herbicidas registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para o controle de Bidens pilosa na cultura do milho Nome Técnico acetochlor alachlor

alachlor + atrazine

ametrine amicarbazone

atrazine

atrazine + bentazon atrazine + dimethenamid atrazine + glyphosate atrazine + oleo

atrazine + simazine

atrazine + s-metolachlor

bentazon cianazine dicloreto de paraquate dimethenamid diurom + dicloreto de paraquate foramsulfurom + iodosulfurom-metyl linuron mesotrione nicosulfurom

nicosulfuron + atrazine simazine terbutilazine

Marca Comercial Kadett Kadett EC Surpass Alaclor Nortox Laço EC Agimix Alaclor + Atrazina SC Nortox Boxer Ametrina Agripec Gesapax GrDa Gesapax 500 Ciba-Geigy Dinamic Atrazina Nortox 500 SC Atrazinax 500 Coyote Genius WG Gesaprim GrDa Gesaprim 500 Ciba-Geigy Herbitrin 500 BR Proof Siptran 800 WP Siptran 500 SC Atrazina Atanor 50 SC Laddok Guardsman Gillanex Primóleo Actiomex 500 SC Controller 500 SC Extrazin SC Herbimix SC Primatop SC Triamex 500 SC Senior WG Primagram Gold Primaiz Gold Primestra Gold Banir Basagran 480 Basagran 600 Bladex 500 Gramoxone 200 Paradox Zeta 900 Gramocil Equip Plus Afalon SC Callisto Nicosulfuron Nortox 40 SC Nippon 40 SC Nisshin Sanson 40 SC Sanson AZ Herbazin 500 BR Sipazina 800 PM Gardoprim

suem o mesmo mecanismo de ação em culturas sucessivas, tem elevado o potencial de surgimento de casos de resistência na área, essa pressão de seleção gerada pelos herbicidas aumenta a freqüência dos biótipos resistentes. O surgimento de plantas de picãopreto resistentes a herbicidas tem sido rela-

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Concentração g/ha 840 840 768 480 480 260 + 260 240 + 250 300 + 180 500 785 500 700 500 500 500 900 880 500 500 500 800 500 500 200 + 200 320 + 280 225 + 150 400 250 + 250 250 + 250 250 + 250 250 + 250 250 + 250 250 + 250 450 + 450 370 - 230 370 - 230 370 - 290 480 480 600 500 200 200 900 100 + 200 300 + 20 450 480 40 40 750 40 20 + 500 500 800 500

Dose recomendada l ou kg/ha 3,0 - 4,0 3,0 - 4,0 2,6 – 5,2 5,0 - 7,0 5,0 - 7,0 6,0 - 8,0 6,0 - 7,0 7,0 - 9,0 3,0 - 4,0 2,0 - 2,5 3,0 - 4,0 0,4 3,0 - 6,5 3,0 - 6,5 5,0 - 6,0 1,0 - 3,0 2,5 - 3,5 4,0 - 5,0 4,0 - 5,0 4,0 - 5,0 3,0 - 4,0 4,0 - 5,0 4,0 - 6,0 3 4,0 - 5,0 4 5,0 - 6,0 5,0 - 6,0 3,5 - 6,0 3,5 - 6,5 6,0 - 7,0 6,0 -8,0 3,5 -6,0 2,5 - 3,5 3,5 - 4,5 3,5 - 4,5 3,25 -4,5 1,5 - 2,0 1,5 1,2 3,0 - 4,5 1,5 - 3,0 1,5 - 3,0 1,25 2,0 - 3,0 0,12 - 0,15 1,6 - 3,3 0,3 - 0,4 1,25 - 1,5 1,3 - 1,5 0,070 - 0,080 1,25 - 1,5 1,75 - 2,0 4,0 - 5,0 2,0 - 5,0 4,0 - 7,0

tado na cultura da soja, entretanto, por estarem presentes na cultura do milho, plantas resistentes de picão-preto também estão ocorrendo nesta cultura sem contudo ainda serem detectadas pelos produtores. O manejo de picão-preto antes do plantio da safra do milho pode ser realizado com

Décio Karam

O resultado das aplicações pós-emergentes é dependente do estádio vegetativo do picão-preto, condições climáticas e do estresse em que se encontra

herbicidas dessecantes com ação total, com métodos mecânicos, como o uso de rolo faca ou roçadeiras, ou com métodos culturais como o uso de cobertura morta. Este controle deve ser realizado para evitar a propagação desta espécie que é de alta capacidade de produção de sementes e de fácil disseminação devido às suas características morfoC lógicas. Décio Karam, Embrapa Milho e Sorgo Michelle Barbeiro da Cruz, Unesp

CICLO DO PICÃO-PRETO

O

ciclo vegetativo-reprodutivo do picão-preto pode variar de 150 a 360 dias, dependendo da época da germinação. Plantas emergidas no período de março a julho iniciam o florescimento com aproximadamente 60 - 70 dias, enquanto que as plantas emergidas de agosto a setembro iniciam o florescimento a partir dos cem dias. Em condições práticas de lavouras, as plantas emergidas após a semeadura geralmente completam o ciclo antes da cultura, e por ocasião da maturação da cultura as plantas de picão-preto já estão desfolhadas. A duração do ciclo de Bidens pilosa, contudo, pode variar, dependendo do fotoperiodismo, da temperatura, da umidade, da fertilidade do solo, da época da emergência, do grau de competição etc.

07


Soja

Amenizada pelo vazio

D

esde a primeira constatação da ocorrência da ferrugem asiática da soja no Brasil, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, no final da safra 2000/2001 em lavouras do Paraná, a doença evoluiu tanto na sua distribuição geográfica, como na população do fungo nas áreas em que vem ocorrendo. Atualmente, dos estados produtores de soja, apenas em Roraima a do-

08

ença não foi detectada, provavelmente devido à sua localização geográfica e sua diferente época de semeadura, em relação ao resto do País. Essa evolução da ferrugem tem resultado em perda de produtividade e aumento do custo de produção da lavoura. Na última safra (2005/06), estimativas da Embrapa Soja, em relação ao “custo ferrugem”, chegaram ao valor de US$ 2,124 bilhões. Desse valor, 33% se deu devido à diminuição de produtividade causada pela doença e 67% ao custo da aplicação de fungicidas. Esse quadro mostra uma inversão em relação às safras anteriores, onde o prejuízo causado pela diminuição da produtividade foi sempre maior que o custo da aplicação de fungicidas (Quadro 1). A conclusão que se pode tirar disso é que, em 2005/ 06, embora a doença tenha causado perdas menores que nos outros anos, o custo para o seu controle foi muito alto. Isso foi reflexo da maior pressão da doença, mas também revela algo que tem sido constatado no campo: a tecnologia de aplicação tem sido deficiente em vários aspectos. Entre esses aspectos estão a aplicação com condições climáticas desfavoráveis, pulverizadores mal regulados ou defeituosos, falhas de cobertura devido a obstáculos (buracos, árvores, torres de energia elétrica etc), baixa vazão e pouca penetração do fungicida no dossel inferior das plantas. Para corrigir isso é preciso haver um esforço conjunto entre os profissionais do setor, onde quem cultiva deve seguir as recomendações já existentes mais à risca e quem pesquisa deve buscar o aperfeiçoamento das tecnologias e dos mane-

Dados preliminares mostram que o vazio sanitário, implantado em alguns estados para reduzir o inóculo do fungo causador da ferrugem asiática, baixou a pressão da doença em relação à safra anterior no início do ciclo da soja jos utilizados. Em relação ao aumento da pressão da doença, principalmente nos estados do Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, a chamada “ponte verde” (cultivo durante o inverno, disponibilizando hospedeiros para o fungo na entressafra) parece ter sido um dos principais fatores atuantes. As condições de temperatura e fotoperíodo nos ambientes do Cerrado permitem o cultivo de soja durante os meses de inverno, sendo a única limitação, a escassez de chuvas. Para suprir essa limitação, sistemas de irrigação, principalmente do tipo pivô central, que irrigam a soja por aspersão em extensas áreas, foram instalados por diversos agricultores. Esse fato da “ponte verde” foi enfatizado por pesquisadores, principalmente no Mato Grosso e em Goiás, lugares em que vêm ocorrendo as piores epidemias de ferrugem, levando os governos desses estados a adotarem o “vazio sanitário” da cultura da soja, na safra 2005/06.

VAZIO SANITÁRIO Entende-se por vazio sanitário o período de ausência total de plantas vivas, no caso a cultura da soja, durante determinado período. Com isso, o fungo causador da ferrugem, por ser um organismo biotrófico, ou seja, necessita de um hospedeiro vivo para sobreviver, não encontra seu hospedeiro preferencial durante um período suficiente para reduzir drasticamente a sua população. Baseada nisso, a Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural do Estado do Mato Grosso emitiu a Instrução Normativa Nº 04/ 2005, em 16 de dezembro de 2005, instituindo o vazio sanitário. Desse modo, o estado foi dividido em duas regiões geográficas. Na Região I, o período de vazio ficou de 15/06 a 15/ 09 e, na Região II, de 01/07 a 01/10. Também foi criado o Cadastro Estadual dos Sistemas

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Quadro 1 – Histórico do custo ferrugem asiática da soja Safra 2001/02 2002/03 2003/04 2004/05

2005/06

Perda em grãos/ton Custo ferrugem/US$2 569,2 mil (US$125,5 milhões*) US$17,7 milhões 3,4 milhões ton (US$737,4 milhões**) US$1,16 bilhão 4,6 milhões ton (US$1,22 bilhões***) US$ 2,08 bilhões De acordo com os dados da Conab não houve De acordo com os dados da Conab não houve quebra quebra de produção no Mato Grosso, nessa safra. de produção no Mato Grosso, nessa safra. Provavelmente o aumento da área plantada Provavelmente o aumento da área plantada compensou a perda por ferrugem. compensou a perda por ferrugem. 2,9 milhões ton (US$640 milhões*) US$2,124 bilhões 1

Regiões mais afetadas RS, PR, MS, MT, GO Ocorrência em praticamente todas as regiões produtoras, exceto Roraima e Pará Todos os estados produtores, com exceção de Roraima

Fonte: Embrapa Soja 1 O cálculo da perda em grãos considera: *US$ 220,50/ton; **US$ 220/ton, ***US$ 266/ton 2 Custo ferrugem considera os custos médios dos produtos e da operação de aplicação, somados à perda em grãos e perda de arrecadação de impostos.

tes de sua implantação. Isso porque existe uma diversidade de fatores atuantes no sistema agrícola e ainda uma falta de conhecimento sobre alguns aspectos epidemiológicos de P. pachyrhizi. Entre esses fatores, pode-se citar os cultivos de soja na Bolívia e no Paraguai que, através de correntes de ar, seriam fontes de inóculo para o início dos cultivos de verão no Brasil. Também a capacidade do fungo de infectar diversas espécies de plantas, embora ainda não se tenha certeza da contribuição desses hospedeiros para a severidade da doença. A característica policíclica de reprodução do fungo, que permite rápido aumento da sua população, mesmo a partir de baixo inóculo inicial, é outro fator importante que pode comprometer a eficiência do vazio sanitário. Nesse cenário de incertezas, aliado a um período de crise econômica na agricultura brasileira, o vazio sanitário foi adotado nos estados citados, gerando expectativa de melhora na situação de controle da ferrugem asiática. Uma avaliação precisa das conseqüências dessa medida fitossanitária só poderá ser feita ao final da safra. Mas como, no presente momento, as infecções iniciais de ferrugem já vêm

Rafael Moreira Soares

de Irrigação do Mato Grosso, para mapear as áreas com irrigação. Além da proibição da semeadura, a Instrução determina a obrigação dos agricultores de eliminar eventuais plantas voluntárias (“guaxas” ou “tigüeras”) que venham a germinar nas lavouras. Excepcionalmente, mediante requerimento e assinatura de termo de compromisso e responsabilidade, a semeadura de inverno pode ser liberada para fins de pesquisa científica, melhoramento genético e avanço de gerações e produção de semente genética. De maneira semelhante, a Agência Goiânia de Defesa Agropecuária do Governo de Goiás aprovou a Instrução Normativa¹ 001/ 2006, no início de 2006, proibindo a semeadura de soja de 01/07 a 30/09. No Tocantins, a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Tocantins (Adapec) adotou e fiscalizou o vazio sanitário, com exceção a 22 hectares de soja nas áreas de várzeas tropicais. No Mato Grosso do Sul, embora não se tenha adotado oficialmente a medida, não ocorreram semeaduras de soja no inverno. Apesar de teoricamente correto, o vazio sanitário não tinha garantia de ser efetivo an-

Aplicações com condições climáticas desfavoráveis e equipamentos mal regulados prejudicam o controle da ferrugem

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MT

Todos os estados produtores, exceto Roraima

ocorrendo nas lavouras, sendo este o principal momento onde o vazio teria influência, avaliações preliminares podem ser feitas. A partir disso, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento poderá decidir pela implantação ou não de um vazio sanitário nacional para a cultura da soja.

AVALIAÇÃO PRELIMINAR Com o objetivo de monitorar o efeito do vazio sanitário, diversas incursões técnicas têm sido feitas nas regiões de adoção da medida, e a troca de informações entre os profissionais do setor tem sido constante e intensa, de modo a possibilitar a visualização da atual situação. O cenário visualizado até agora é bastante positivo, levando a crer que o vazio sanitário está conseguindo atingir seus objetivos, pois foi seguido à risca e foi bem fiscalizado pelas autoridades. Isso se reflete em situações como a do município de Primavera do Leste, no Mato Grosso, onde a ocorrência dos primeiros focos de ferrugem foi retardada em mais de 15 dias e não foram necessárias aplicações de fungicidas no estádio vegetativo da soja, como no ano passado. Segundo informações da Comissão de Defesa Vegetal de Mato Grosso, esse já foi o primeiro ganho proporcionado pelo vazio, pois a não-realização desta aplicação precoce pode representar economia de cerca de US$ 4 milhões para a região, que cultiva 240 mil hectares de soja. Embora o clima chuvoso esteja favorável para a ocorrência da doença, o espaçamento entre as chuvas que ocorreram no mês de dezembro, permitiu a entrada do agricultor no campo para realizar as aplicações. Com isso, a doença pode ser considerada sob controle até o momento. Os períodos mais críticos de ocorrência são nos meses de janeiro e fevereiro, quando as lavouras mais tardias chegam no estádio reprodutivo. Mas como a pressão da doença está menor, acredita-se que será possível realizar um controle satisfatório, sem comprometer o retorno econômico da lavoura. No estado de Goiás, informações da Agência Rural também descrevem um cenário de menor pressão da doença, mesmo com o clima favorável para a sua ocorrência. Não houve cultivos sob pivô central, mas sim falhas no controle da soja voluntária em algumas áreas,

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CONSIDERAÇÕES FINAIS Considerando a extensão territorial brasileira e sua diversidade climática, fica sempre difícil traçar um quadro geral sobre o panorama da ferrugem no País. Um exemplo que ilustra bem isso é o fato de que, no final do ano, enquanto algumas lavouras estavam sendo colhidas no Mato Grosso, outras estavam sendo semeadas no Rio Grande do Sul. Por isso, os pesquisadores da Embrapa enfatizam a importância do monitoramento das lavouras para determinar as aplicações de fungicidas e não a utilização de calendários fixos. Se as condições extremamente favoráveis para a ocorrência da doença nos ambientes do Cerrado têm demonstrado um melhor controle com aplicações no início do florescimento, isso não tem eliminado a necessidade de monitoramento durante a fase vegetativa. Nos estados do Sul, têm sido verificadas a viabilidade do monitoramento e a aplicação a partir da constatação dos primeiros sintomas na lavoura ou em unidades de alerta (parcelas semeadas antes da época normal, para detectar a doença). Um exemplo, nesta safra, foi de lavouras no oeste do Paraná, onde foram realizadas aplicações apenas no estádio R4 (formação de vagens) das plantas, direcionadas pela constatação da doença na região e a previsão de ocorrência de chuvas. Nesse caso, uma aplicação por calendário, no início da floração, não teria residual suficiente para proteger a cultura no momento em que a doença apareceu na região ou até o final do ciclo, gerando a necessidade de duas aplicações, au-

Fotos Rafael Moreira Soares

o que favoreceu a sobrevivência do fungo na entressafra. Por isso, talvez o atraso nas primeiras ocorrências não tenha sido verificado, como no Mato Grosso. No Mato Grosso do Sul, os efeitos positivos do vazio sanitário também estão sendo verificados, pois a pressão da doença está sendo considerada bem mais baixa pelos técnicos do estado. Embora focos da doença sejam encontrados em diversas áreas, eles iniciaram 20 dias após, em comparação com o ano passado. Acredita-se que as medidas tomadas pelos estados vizinhos de Mato Grosso e de Goiás tenham favorecido a formação deste cenário. Estas informações têm sido corroboradas pelo Consórcio Antiferrugem/Sistema de Alerta (www.cnpso.embrapa.br/alerta), que é alimentado pelas informações dos participantes do Consórcio, uma parceria público-privada coordenada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e que faz parte do Programa Nacional de Controle da Ferrugem Asiática da Soja. As ocorrências registradas no site mostram que, na safra de 2005/2006 e até o final de dezembro, haviam sido registradas 222 ocorrências, com a primeira constatação em 18/10 em Primavera do Leste (MT). Na safra 2006/07, até o final de dezembro, foram registradas 159 ocorrências, com a primeira constatação em 10/11, em Rondonópolis (MT). Até o dia 15 de janeiro de 2007, o Sistema de Alerta registrou 454 ocorrências de ferrugem. Na mesma data no ano passado haviam sido registradas 495 ocorrências.

Aplicação de fungicida por calendário pode não ter residual suficiente, caso condições para ocorrência da ferrugem se confirmem depois, afirma Rafael

mentando os custos econômico e ambiental da lavoura. Se monitoramento é, muitas vezes, considerado trabalhoso e de difícil execução, cabe ao agricultor e sua assistência técnica determinar o que é mais viável de realizar na sua situação. Mas a Embrapa, como órgão público de pesquisa, se vê na obrigação de divulgar o que considera o manejo mais adequado. Nessa situação, a utilização de unidades de alerta tem sido uma maneira de facilitar o monitoramento. A diminuição do custo de produção, a elevação do preço da soja e as previsões climáticas revelam um quadro animador e sinalizam recuperação do setor agrícola em relação à produção de grãos. O fenômeno climático El Niño deverá trazer chuvas abundantes aos estados do Sul e Sudeste, favorecendo a cultura, mas também, a maior incidência da ferrugem. Para evitar surpresas que possam levar a falhas no controle e a perdas de produtividade, o produtor deve estar sempre atento, em contato com a assistência técnica, mantendose bem informado sobre a ocorrência da doença e as condições climáticas da sua reC gião e do seu estado. Rafael Moreira Soares, Embrapa Soja Gráfico 1 - Ocorrências de ferrugem no Sistema de Alerta

No Mato Grosso a ocorrência dos primeiros focos de ferrugem foi retardada em mais de 15 dias, em comparação com a safra passada

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Capa

Sem barreira Fortalecido pelo desequilíbrio no agroecossistema, com a morte de inimigos naturais, o surto da lagarta falsa-medideira avança nas lavouras de soja de todo o país. Equilibrar as estratégias de controle, de forma integrada com produtos químicos e biológicos é a saída para enfrentar a praga

A

soja é um dos mais importantes produtos da exportação brasileira sendo cultivada desde o extremo Sul do país, no Rio Grande do Sul, até o Maranhão, na região Nordeste, e Norte (partes de Rondônia, Pará e Roraima) com perspectivas ainda de expansão de sua área plantada para novas fronteiras agrícolas. Entretanto, surtos de pragas que eram antes consideradas sem importância econômica têm ocorrido nas últimas safras colocando em risco a produtividade e o futuro desse importante agronegócio. Entre essas pragas destaca-se a lagarta falsa-medideira, (Pseudoplusia includens), que tem causado perdas econô-

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micas nas lavouras nos últimos anos, elevando o número de aplicações de inseticidas e, conseqüentemente, o custo de produção da cultura. Um marco importante na sojicultura brasileira foi o aparecimento da ferrugem asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi. A primeira constatação dessa doença no Brasil ocorreu na safra 2001/02, em seguida espalhouse rapidamente pelas principais regiões produtoras. Aplicações de fungicidas, que quase não eram feitas antes da ferrugem, passaram a ser uma prática comum após sua ocorrência. Atualmente, uma ou duas aplicações de fungicidas para o controle da ferrugem são reali-

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Fotos Adeney de Freitas Bueno

zadas pela quase totalidade dos agricultores que cultivam soja, o que tem resultado em algumas conseqüências indesejáveis que afetam o manejo da cultura. Por exemplo, pode estar ocorrendo a diminuição da incidência de fungos entomopatogênicos como Nomuraea rileyi (doença branca) e daqueles pertencentes ao grupo dos Entomophthorales tais como Pandora sp. e Zoophthora sp. (doença marrom). A lagarta P. includens era naturalmente mantida em equilíbrio por epizotias desses fungos que, certamente, estão sendo controlados pelos fungicidas utilizados para controlar a ferrugem. Além disso, o uso crescente de inseticidas e a aplicação de produtos não-seletivos como os piretróides, por exemplo, principalmente em misturas com herbicidas na dessecação e na aplicação de herbicidas pós-emergentes em sistema de plantio direto, também estão contribuindo para o desequilíbrio no agroecossistema, prejudicando o controle biológico natural desse inseto por parasitóides e predadores, visto que, além dos entomopatógenos, a lagarta P. includens é também mantida em equilíbrio por um complexo importante de parasitóides e predadores. Infelizmente, nos últimos cinco anos, os sojicultores têm realizado um número excessivo de aplicações, sem ao menos realizar monitoramento da lavoura e, portanto, sem considerar os níveis populacionais das pragas. Entre os agentes de controle biológico com potencial de uso no manejo integrado dessa praga está o parasitóide de ovos do gênero Trichogramma. Esse inimigo natural merece destaque por controlar a praga ainda na fase de ovo, além de apresentar a capacidade de ser criado em larga escala por um custo relativamente baixo. Esses parasitóides

Detalhe de dois dos três estágios de pupa de Pseudoplusia: a cor creme (dir.) dá lugar à cor marromescuro (esq.) pouco antes da emergência do adulto

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apresentam ampla distribuição geográfica, atacando uma grande diversidade de ovos de lepidópteros-pragas. Estudos com esses parasitóides vêm sendo conduzidos em mais de 50 países e liberações inundativas realizadas comercialmente em cerca de 32 milhões de hectares todo ano (Parra & Zucchi, 2004). No Brasil, a utilização de Trichogramma spp. é ainda pequena se comparada com outros países. Alguns estudos com esse parasitóide vêm sendo realizados visando o controle biológico de pragas da cana-de-açúcar (Botelho et al., 1999), algodoeiro (Bleicher & Parra, 1989), tomateiro (Pratissoli & Parra, 2000), milho (Sá & Parra, 1994), pragas de grãos armazenados (Inoue & Parra, 1998) e frutíferas como os citros (Torres, 2005). Entretanto, o uso desses parasitóides na cultura da soja é ainda pouco estudado, com os trabalhos desenvolvidos até o momento enfatizando o uso do Trichogramma no controle da lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis), (Zachrisson & Parra, 1998). Todavia, o uso aplicado do Trichogramma poderá não se restringir apenas ao controle de A. gemmatalis, havendo um grande potencial para seu uso no manejo do complexo de lagartas da soja. Pesquisas visando a utilização desse parasitóide no controle da lagarta-falsamedideira vêm sendo realizadas em parceria entre a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” - ESALQ/Pi-

A partir do quarto instar, a lagarta consome grandes áreas, mas mantém íntegras as nervuras principais, o que confere um aspecto rendilhado característico

racicaba e a Embrapa Soja. Resultados preliminares de experimentos realizados ainda em fase de laboratório mostraram que a linhagem de Trichogramma coletada em soja na região de Rio Verde, (GO), foi a que apresentou os melhores índices de parasitismo entre as espécies/linhagens estudadas (Tabela 1). ExTabela 1 - Percentual médio de parasitismo de 14 linhagens/espécies de Trichogramma e Trichogrammatoidea criadas em ovos de Pseudoplusia includens. Temperatura de 25 + 1ºC, UR de 70 + 10% e fotofase de 14 horas Linhagem/Espécie Rio Verde G2 FISHER G1 G18 TP BR10 BAGISA I G11 L4 L3 BAGISA II OIDEA ATP

Parasitismo + EPM (%)1 81,56 + 0,68 e 42,59 + 1,08 cd 38,11 + 1,51 bc 60,96 + 1,44 de 37,58 + 1,17 bc 38,52 + 1,57 bc 43,57 + 1,75 cd 48,39 + 1,38 cd 35,2 + 0,78 bc 61,77 + 1,43 de 44,36 + 1,40 cd 31,5 + 1,34 abc 25,57 + 1,14 ab 18,22 + 1,17 a

Médias seguidas da mesma letra nas colunas, não diferem estatisticamente entre si, (Tukey a 5% de probabilidade). ATP = Trichogramma atopovirilia; BR10 = Linhagem de T. bruni; G1, G2, G11, G18, L3, L4, TP, Bagisa I, Bagisa II e Rio Verde = Linhagens de T. pretiosum; OIDEA = Trichogrammatoidea annulata. 1 Dados transformados em (x+0,5). (dados não publicados, parte de tese de doutoramento em andamento).

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produtos químicos com o controle biológico, na maioria dos casos, crucial para o sucesso do MIP-soja. A conservação dos inimigos naturais é muito importante, não só no manejo da P. includens, mas também para todos os demais insetos-pragas da cultura. Entre os produtos normalmente considerados seletivos para a maioria dos insetos benéficos encontram-se os inseticidas reguladores de crescimento (também denominados inapropriadamente de “inseticidas fisiológicos”). Esses inseticidas atuam na fisiologia do inseto (na ecdise) e, portanto, são de atuação mais lenta em comparação com os inseticidas neurotóxicos. Entretanto, mesmo não matando as lagartas imediatamente após a aplicação, os inseticidas reguladores de crescimento reduzem a alimentação das lagartas. Isso foi demonstrado em experimentos de laboratório nos quais as lagartas tratadas com este grupo apresentaram um menor peso devido à menor ingestão de alimentos, especialmente, observadas aos quatro dias após a aplicação dos produtos (Tabela 2). Em algumas situações a aplicação de um inseticida de maior efeito de choque pode se tornar necessária. Inseticidas

perimentos de campo estão planejados para o período de 2007 a 2009. Além do Trichogramma, outro agente de controle biológico que tem potencial para uso no MIP-soja no controle de P. includens é um vírus de poliedrose nuclear (VPN) (Baculoviridae: Nucleopoliedrovirus) (PsinNPV). Um isolado desse vírus (obtido na Guatemala) foi testado em laboratório e em campo nos EUA, com resultados que indicaram a possibilidade de seu uso em programas de manejo integrado contra P. includens. No Brasil, esse vírus foi testado em laboratório, com resultados promissores. No momento, há atividades de pesquisa na Embrapa Soja, Londrina, visando avaliar esse vírus em campo, com o fim de desenvolvê-lo como um bioinseticida para o controle de lagartas de P. includens. Sua associação com liberações de Trichogramma spp., bem como com o baculovírus da lagarta-da-soja (AgNPV), A. gemmatalis, parece ser uma boa opção para o MIP-soja, pois Tricho-

gramma spp. e misturas do PsinNPV com o AgNPV agiriam conjuntamente para o controle de ambas espécies de lagartas. Há que se ressaltar, também, que o bioinseticida à base da bactéria (Bacillus thuringiensis) pode ser importante para o controle da lagarta-da-soja e da lagarta falsa-medideira, tanto isoladamente quanto em combinações com liberações de Trichogramma spp. e os vírus de ambas as espécies de lagartas, visando diminuir o uso de inseticidas químicos de amplo espectro na cultura. Embora o controle biológico seja de extrema importância, o controle químico ainda é indispensável em muitas situações. Os agroquímicos representam uma importante “ferramenta” para o produtor e têm papel significativo no sucesso da produção. No entanto, os produtos mais adequados para serem utilizados no MIP-soja são aqueles que combinem um bom controle do alvo biológico com o mínimo impacto sobre os inimigos naturais, sendo a integração de

Fotos Adeney de Freitas Bueno

Figura 1

Tabela 2 - Peso (g) de matéria viva de lagartas Pseudoplusia includens após a aplicação de diferentes inseticidas reguladores de crescimento em lagartas de terceiro instar. Temperatura de 25 + 1ºC, UR de 70 + 10% e fotofase de 14 horas Tratamento Clorfluazuron Triflumuron Diflubenzuron Methoxyfenozide Methoxyfenozide Methoxyfenozide Lufenuron Teflubenzuron Novalurom Testemunha CV (%)

Dose em g i.a./ha 15 24 22,5 28,8 32,4 36 15 11,25 15 CV (%)

1 0,012 a 0,019 abc 0,025 c 0,021 abc 0,013 ab 0,023 bc 0,011 a 0,019 abc 0,014 abc 0,015 abc 0,37

Dias após a aplicação 2 3 0,009 a 0,004 a 0,015 bc 0,012 ab 0,022 bc 0,019 ab 0,017 abc 0,015 ab 0,011 ab 0,009 ab 0,021 abc 0,015 ab 0,010 ab 0,006 ab 0,015 abc 0,009 ab 0,014 abc 0,002 ab 0,024 c 0,032 b 0,44 0,88

4 0,003 a 0,010 a 0,015 a 0,010 a 0,004 a 0,009 a 0,003 a 0,005 a 0,008 a 0,036 b 0,43

Médias seguidas da mesma letra nas colunas, não diferem estatisticamente entre si, [Tukey a 5% de probabilidade (dados não publicados)].

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DESCRIÇÃO BIOLÓGICA como o spinosad a 48 g i.a./ha (Tracer 100 mL p.c./ha) e o metomil a 215 g i.a./ha (Lannate 1000 mL p.c./ha) têm apresentado 80% de eficiência um dia após a aplicação. Entretanto, em um mesmo experimento, verificou-se que aos sete e nove dias após a aplicação não houve diferença estatística entre os vários inseticidas testados. Assim pode-se concluir que o produtor tem diversas opções de táticas de controle sendo que o controle químico deve ser somente utilizado quando a infestação da praga for igual ou maior que o nível conhecido como nível de ação (desfolha igual ou superior a 30% no período vegetativo e 15% no período reprodutivo da soja ou uma população de lagartas igual ou superior a 40 lagartas/ m2). A adoção do MIP-soja com a revitalização do uso do pano de batida para monitoramento e tomada de decisões de controle apenas quando a população atingir os níveis de controle preconizados pela pesquisa, é a única maneira para o sojicultor manter-se competitivo no mercado com redução dos custos e maximização da produtividade. Ainda, os resultados das pesquisas que vêm sendo desenvolvidas permitirão a apli-

P

. includens é uma lagarta pertencente à família Noctuidae e subfamília Plusiinae. Várias espécies dessa subfamília são importantes pragas agrícolas, mas daquelas que atacam a soja, P. includens é a espécie mais abundante. Sua distribuição é restrita ao hemisfério ocidental, ocorrendo desde o norte dos EUA até o sul da América do Sul (Alford & Hammond, 1982). A sua importância é ressaltada pelo grande número de hospedeiros, que pode chegar a 73 espécies de plantas de 29 diferentes famílias, incluindo culturas de importância econômica, como a soja, o algodoeiro, o feijoeiro, o fumo, o girassol e diversas hortaliças. Apesar de só recentemente P. includens estar assumindo importância na cultura de soja no Brasil, nos EUA esse inseto é considerado, há muito tempo, praga chave da cultura na região Sudeste do país, exigindo medidas de controle durante todo o ciclo da soja. Essa lagarta se alimenta geralmente de folhas localizadas no terço inferior da planta e principalmente as lagartas me-

nores (primeiros ínstares), selecionam as folhas mais tenras e se alimentam daquelas com pequena quantidade de fibra, tornando-se menos exigentes à medida que vão se desenvolvendo. Até o terceiro instar, as lagartas deixam intactas regiões da epiderme; entretanto, a partir do quarto ínstar, consomem grandes áreas, mantendo, porém, íntegras as nervuras principais, o que confere um aspecto rendilhado característico às folhas atacadas. As lagartas próximas à fase de pupa geralmente enrolam-se nas folhas e tecem um fino casulo de seda onde permanecerão até a emergência do adulto. A pupa apresenta coloração verde-claro brilhante, passando a uma cor creme, mantendo esta coloração até 48 h antes da emergência do adulto, quando adquire a coloração marrom-escuro. O potencial reprodutivo das fêmeas é muito alto sendo que a média total de ovos pode ser maior que mil quando as condições forem favoráveis, sendo 80 a 90% desse total de ovos colocados até o sétimo dia. cação de táticas de controle biológico que auxiliará no manejo dessa praga dando mais sustentabilidade para esse C agronegócio. Regiane Cristina O. de F. Bueno e José Roberto Postali Parra, Esalq Adeney de Freitas Bueno e Flávio Moscardi, Embrapa Soja José Rodolfo G. Di Oliveira e Marcos Fabiano Camillo, Univ. de Rio Verde/Fesurv

Inseto adulto de Pseudoplusia includens pode colocar até mil ovos em condições favoráveis à reprodução

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Fabio Quadros

Soja

Beneficiada pela chuva Pesquisadores Pesquisadores alertam alertam para para cuidados com a falsa-medideira falsa-medideira nesta nesta safra. safra. Clima Clima atípico, atípico, com alta intensidade de chuvas nos estados do Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, com alta intensidade de chuvas Grosso, pode pode ser a causa do aparecimento precoce da lagarta nas lavouras destes estados aparecimento precoce da lagarta nas lavouras

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ação dos produtos, especialmente quando a cultura estiver “fechada”. As pulverizações na soja devem ser realizadas com gotas pequenas, empregando-se preferencialmente bicos do tipo cone. Trabalhos conduzidos na Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados (MS), evidenciaram boa eficácia dos inseticidas thiodicarbe e metomil no controle da lagarta falsa-medideira. Os inseticidas fisiológicos, como os inibidores da síntese de quitina (ex. novaluron, teflubenzuron, diflubenzuron, clorfluazuron) são também promissores para o controle efetivo dessa praga. No caso destes inseticidas, as pulverizações devem ser realizadas quando a maioria das lagartas ainda esC tão pequenas (£ 1,5 cm). Crébio José Ávila e Sergio Arce Gómez, Embrapa Agropecuária Oeste

Crébio José Ávila

Tradicionalmente, é sabido que aplicações de inseticidas de amplo espectro (ex. piretróides) para o controle da lagarta-da-soja podem causar desequilíbrio biológico nas lavouras, impedindo ou prejudicando o estabelecimento dos inimigos naturais (predadores, parasitóides e entomopatógenos) no agroecossistema. A elevada incidência da falsa-medideira nas lavouras é uma preocupação a mais para o produtor, pois o seu controle químico tem sido relativamente difícil, por se tratar de uma espécie pouco suscetível aos ingredientes ativos normalmente recomendados para o controle da lagarta da soja. Além do mais, muitos dos princípios ativos atualmente disponíveis para o seu controle não têm sido eficientes. Outra dificuldade no controle da falsa-medideira está relacionada ao seu hábito. Como as lagartas ficam situadas, geralmente, no baixeiro e/ou no terço médio das plantas, os inseticidas aplicados sobre a cultura, normalmente, não atingem o ambiente onde a lagarta está alojada. Com isso, o inseto fica protegido da

Janice Ebel

N

a Região do Cerrado, notadamente nos estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, tem-se observado surtos freqüentes e acentuados da lagarta falsa-medideira, Pseudoplusia includens na cultura da soja. Os primeiros ataques dessa praga ocorrem, normalmente, após as primeiras incidências da lagarta da soja, Anticarsia gemmatalis, na cultura. Todavia, durante esta safra (2006/07) a falsa-medideira tem aparecido simultaneamente com a lagarta da soja, apresentando, em muitos casos, uma população até maior que a primeira. A alta intensidade de chuvas que tem ocorrido nas lavouras pode ter favorecido a multiplicação da falsa-medideira ou desfavorecido a da lagarta da soja, fazendo com que as duas pragas ocorram simultaneamente. Com o cessar das chuvas e o aumento da temperatura, é provável que o surto de lagartas seja intensificado, pois, além das plantas estarem vigorosas e atrativas para a praga, existe, na região, soja com diferentes estádios de desenvolvimento (do vegetativo ao amarelecimento), condição que contribui para o prolongamento do período de ataque do inseto nas lavouras. Contudo, as temperaturas e a umidade relativa do ar elevadas, também podem contribuir para que, daqui para adiante, haja epizootia do fungo branco, Nomuraea rileyi, que pode reduzir drasticamente as populações dessas duas lagartas desfolhadoras. Considera-se o nível de controle quando se encontrar de 30 a 40 lagartas grandes por pano batido, mas hoje em algumas lavouras, contando as grandes e pequenas, percebe-se uma quantidade bem maior que isso e a tendência é aumentar ainda mais, caso a incidência, em larga escala, do fungo branco não se confirme.

Detalhe do primeiro instar da lagarta falsa-medideira sob a folha de soja

Com o cessar das chuvas e o aumento da temperatura, é provável que o surto de lagartas seja intensificado, alerta Crébio Ávila

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Soja

Falsa ferrugem L

Foram analisadas diversas amostras de diferentes procedências e não foi detectado nenhum agente fitopatogênico associado às lesões, o mesmo foi relatado pelos pesquisadores da Argentina e da Bolívia Neste momento, a maior preocupação é que a LCD seja confundida com a ferrugem asiática. Em caso de dúvida, colocar as folhas em saco plástico, colocar um chumaço de alClaudine D. S. Seixas

Álvaro Almeida

esões de causa desconhecida (LCD) estão sendo confundidas com sintomas de doenças da soja por agricultores e técnicos, o que pode levar a aplicação desnecessária de fungicidas. Há relatos da ocorrência do sintoma em lavouras de diversos municípios do estado do Paraná e também nos estados de Mato Grosso do Sul, de São Paulo e de Goiás. Os sintomas ocorrem na forma de pequenas lesões circulares (pontuações) marromescuro e/ou na forma de lesões circulares, em torno de 1,0 mm em diâmetro, com bordo marrom e centro claro (cor de palha), bem distribuídas em toda a folha e normalmente em toda a planta. Este problema, identificado com maior intensidade nesta safra no Brasil, vem sendo observado na Argentina há 15 anos pelo pesquisador Daniel Ploper (EEAOC-Tucumán, Argentina), que não constatou perda de produtividade em decorrência dessa lesão. De acordo com Ploper, este fenômeno tem ocorrido, principalmente, em anos com condições de chuvas mais freqüentes, com diferença significativa entre cultivares. Essa diferença de sensibilidade dos cultivares ao problema também está sendo observada no Brasil. O mesmo tipo de lesão também já foi detectado na Bolívia, informou o Dr. Ruben Mostacedo (Asociación de Productores de Oleaginosas– Anapo, Santa Cruz, Bolívia).

Álvaro Almeida

Lesões de causa desconhecida acabam de ser identificadas em lavouras de soja do Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás. Por enquanto, a maior preocupação dos pesquisadores é com o uso desnecessário de fungicidas motivado pela incorreta identificação dos ferimentos, que apresentam sintomas semelhantes aos da ferrugem asiática

Detalhe das pequenas lesões circulares de cor marrom escuro, em torno de 1,0 mm em diâmetro

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As manchas se espalham uniformemente nas folhas de toda a planta

godão ou algum papel absorvente umedecido e amarrar a “boca” do saco. Deixá-lo em local fresco à temperatura ambiente. Observar após 12 a 24 horas. Caso haja infecção por Phakopsora pachyrhizi, fungo causador da ferrugem asiática, haverá a produção de urédias (conforme folha da esquerda, na foto acima) que são as estruturas reprodutivas do fungo, que se assemelham a pequenas feridas (bolhas) na face inferior das folhas. No caso da LCD (conforme folha da direita, na foto acima), não ocorrem modificações nas lesões após esse tipo de procedimento. A orientação é para que produtores e técnicos reforcem a atenção para diferenciar as lesões da LCD dos sintomas da ferrugem e que realizem aplicações de fungicidas apenas no caso de detecção de ferrugem. Mais inforC mações: www.cnpso.embrapa.br/alerta Claudine D.S. Seixas, Álvaro M.R. Almeida e Carlos Arrabal Arias, Embrapa Soja

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Soja

Lucia Vivan

A bola da vez Um Um das das mais mais terríveis terríveis pragas pragas em em solanáceas solanáceas ee culturas culturas como como algodão algodão ee feijão, feijão, aa mosca mosca branca branca passa passa aa representar representar agora agora uma uma grave grave ameaça ameaça também também àà soja. soja. No No sul sul do do Mato Mato Grosso, Grosso, produtores produtores ee pesquisadores pesquisadores estão estão preocupados preocupados ee buscam buscam alternativas alternativas para para barrar barrar oo avanço avanço do do inseto inseto

N

esta safra 2006/07, os sojicultores estão preocupados com outro problema nas lavouras da região sul do estado do Mato Grosso: a mosca-branca. Antes verificado em pequena escala, agora, o inseto já é responsável por infestações significativas entre as propriedades, podendo ocasionar perdas se não forem tomadas as precauções necessárias. Focos da praga já foram verificados em Rondonópolis, Campo Verde e Primavera do Leste e os produtores têm buscado monitorar o aparecimento de ninfas e adultos para aplicação de inseticidas específicos. A população do inseto sempre existiu na Região Sul, mas em menor quantidade das registradas no médio-norte do estado do Mato Grosso, por exemplo. Em função disso, com a aplicação de inseticidas para outras pragas, a mosca-branca era controlada. Agora, com a população em índices maiores, os produtores precisam investir em inseticidas específicos, tanto para as ninfas quanto para os adultos, o que encarece o controle da praga. Desta forma, os produtores precisam ficar atentos aos primeiros sinais dos adultos nas lavouras e fazer observações constantes na parte inferior da folha para verificação das ninfas. O monitoramento deve acontecer, no mí-

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nimo, uma vez por semana e, assim que detectado o inseto, entrar com a ação de controle. Com o período do Vazio Sanitário, para a soja no estado do Mato Grosso, alguns produtores optaram pelo plantio de feijão, que é uma planta hospedeira da moscabranca. Desta forma, com o plantio seqüente da soja, os insetos migraram para o novo cultivo, uma vez que se apresentaram significativamente na entressafra. Com a facilidade de disseminação, os insetos oriundos de áreas vizinhas podem migrar exigindo mais aplicações dos produtos químicos, aumentando o custo de produção da soja. Hoje, os neonicotinóides (thiametoxan /imidacloprid/acetamiprid) têm sido eficientes para as espécies, inclusive a adição de produtos como ciclodienos (endosulfan), organofosforados, carbamatos ou piretróides tem melhorado o controle da praga, por estes atuarem mais efetivamente sobre os adultos. Pesquisas recentes mostram que o diafentiuron (inibidor da síntese de ATP mitocondrial) tem se mostrado muito promissor no controle da mosca-branca na cultura da soja, em função da sua eficiência. Da mesma forma, os produtos IGRs oferecem melhor controle de

ninfas de mosca branca e, conseqüentemente reduzem a população de adultos. Na safra 2005/06, em Primavera do Leste, algumas lavouras tiveram perdas de até 40% na produtividade. Também, na região de Canarana, houve um problema significativo com um cultivo de entressafra de melancia, com isso as lavouras de soja em áreas vizinhas acabaram sendo prejudicadas com a presença numerosa do inseto. Nestas áreas de ataque é importante acabar com o cultivo de plantas altamente suscetíveis à praga na entressafra, que funcionam como “ponte biológica”, preferindo-se gramíneas como alternativa de rotação, por exemplo. Devido à preferência da praga por condições de seca, um maior cuidado deve ser tomado nas aplicações de inseticidas, sendo recomendadas aplicações em horários nos quais a temperatura está mais amena e a umidade relativa do ar mais elevada. Como ocorre com outras pragas de estiagem, o caso de sucesso de controle químico da mosca-branca em períodos de seca extrema é mais freqüente em pulverizações noturnas com boa cobertura do vegetal, nas aplicações que objetivem atingir o interior das plantas e a página inferior das plantas. C

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Algodão

Cristina S. Bastos

Nova e destruidora Recém-identificada em lavouras de algodoeiro do Nordeste do Brasil a cochonilha P. minor surge como praga altamente ameaçadora ameaçadora àà produtividade produtividade da cultura. Em alguns casos, o ataque alguns casos, o ataque pode pode levar levar aa planta à morte. Pesquisadores Pesquisadores buscam buscam alternativas alternativas para enfrentar mais esta vilã mais esta vilã

R

ecentemente, lavouras de algodoeiro localizadas no Nordeste do Brasil têm sofrido sérias perdas decorrentes do ataque de um inseto que não é citado como praga da cultura. Trata-se de cochonilhas, pertencentes à espécie Planococcus minor Maskel (Hemiptera: Pseudococcidae),

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as quais são consideradas pragas importantes de mais de 250 culturas e, dentre estas, várias espécies de Malváceas, família a qual o algodoeiro pertence. Existem relatos na literatura de ataque de P. minor a lavouras de banana, citrus, cacau, café, milho, uva, manga, batata, berinjela e soja. Como esta espécie é bas-

tante confundida com Planococcus citri Risso (Hemiptera: Pseudoccocidae), deve haver cuidado durante sua identificação, a qual somente deve ser realizada por profissionais capacitados (taxonomistas do grupo). Surtos de P. minor em cafezais localizados em Alegre (ES) foram atribuídos inicialmente à P.

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Fotos Cristina S. Bastos

Primeiros surtos registrados da cochonilha levaram as plantas à morte devido à alta densidade populacional da praga

citri. Os primeiros surtos da cochonilha P. minor em algodoeiro foram constatados em lavouras de algodão localizadas em várias áreas do semi-árido do Nordeste localizadas nos estados da Paraíba, Ceará e Bahia. O ataque se deu em altas densidades populacionais chegan-

do, em muitos casos, a ocasionar morte de plantas e parece ter sido favorecido por baixas precipitações pluviométricas e altas temperaturas, comuns nestas regiões. Além dos algodoeiros herbáceo e arbóreo, verificou-se sua ocorrência associada a outras espécies de importância agrícola tais como o gergelim, o amendoim, a melancia e a goiaba, além de algumas espécies de plantas espontâneas. O ataque de P. minor concentra-se principalmente no ponteiro das plantas, base dos botões e das flores e, com o passar do tempo, o inseto passa a infestar a planta de maneira generalizada. Há registros na literatura que mencionam que o inseto já se encontra disseminado nos locais de ocorrência. Todavia, como esta espécie é considerada uma praga de alto potencial de impacto ambiental por países como os Estados Unidos, sua ocorrência generalizada no território nacional poderá levar a imposição de restrições ao comércio estabelecido com aquele país. Devido à recente constatação dessa espécie como causadora de injúria significativa ao algodoeiro, medidas para convívio e controle da praga ainda não se encontram disponíveis. Normalmente, a amostragem de cochonilhas demanda bastante tempo por requerer o exame cuidadoso das várias estruturas componentes das plantas. Ataques desta espécie em acessos do banco de germoplasma de algodoeiro ar-

bóreo da Embrapa Algodão permitiram verificar visualmente que algumas plantas são menos preferidas ou quase não sofrem com o ataque da praga. A mesma tendência deve ser mantida em re-

Para limitar a dispersão da praga, é aconselhável a destruição de plantas infestadas no inicio da colonização da lavoura

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lação a espécies herbáceas, algo que torna esta tática do manejo integrado de pragas (resistência de plantas) promissora do ponto de vista de convívio com o inseto. Medidas, como a destruição de

O ataque da cochonilha P. minor geralmente começa pelo ponteiro das plantas, base dos botões e das flores até infestar a planta de maneira generalizada

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plantas infestadas no início da colonização das lavouras, também podem limitar a dispersão da praga. Deve-se considerar ainda a identificação das espécies de inimigos naturais que ocorrem naturalmente associados à P. minor nos locais de ocorrência, buscando reintroduções na forma de liberações inoculativas e/ou inundativas. Em relação aos métodos de controle disponíveis para outras espécies de cochonilhas, testes iniciais demonstraram que a utilização de óleo mineral é pouco eficiente no controle desta espécie. Exitem relatos na literatura que sugerem que inseticidas pertencentes ao grupo dos neonicotinóides apresentam boa eficiência de controle. Todavia, a utilização do controle químico fica condicionada à obtenção de registro de moléculas que sejam efetivas em conter os surtos populacionais da praga, junto ao Ministério da Agricultura, algo que ainda não está disponível no momento. A instrução normativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento No 27, de 22 de setembro de 2005 que atualizou as nomenclaturas científica e comum dos alvos biológicos, visando à uniformização das bulas de agrotóxicos e afins, cita P. citri (cochonilha-branca ou cochonilha-da-raiz) como uma espécie-praga do cafeeiro. Todavia, a consulta ao banco de dados de moléculas registradas para o controle de pragas demonstra que não existem registros de moléculas a serem usadas para o controle desta praga, apesar de haver relato quanto à possível eficiência de óleos emulsionáveis utilizados isoladamente ou em mistura com inseticidas do grupo dos organofosforados (http:// e x t r a n e t . a g r i c u l t u r a . g o v. b r / agrofit_cons/principal_agrofit_cons). Surtos populacionais de pragas normalmente ocorrem quando estas são transportadas para novos países onde seus inimigos naturais não ocorrem ou quando profundas alterações nos agroecossistemas tornam sua ocorrência extremamente vantajosa dadas a eliminação de espécies competidoras, presença de hospedeiros adequados em tempo suficiente para que o ciclo de vida seja completado, pequena ação de fatores abióticos de mortalidade, proximidade estabelecida entre diferentes hospedeiros, dentre outras. Todas estas condições, conjuntamente, parecem ter favorecido a ocorrência de P. minor nas regiões em que vem sendo constatada e em altas densidades populacionais. Deve-se ressaltar, ainda, que como grande parte das cochonilhas, P. minor possui a habilidade em

CARACTERÍSTICAS DA PRAGA

A

s cochonilhas P. minor apresentam formato ovalado, coloração rosada e o corpo recoberto com cerosidade branca e apêndices filamentosos ao seu redor (em número variável). As fêmeas de P. minor apresentam comprimento em torno de 1,3 - 3,2 mm, largura de 0,8 - 1,9 mm, pernas alongadas (trocânter posterior + fêmur em torno de 220 - 360 µm) e 18 pares de apêndices filamentosos. A maioria das espécies pertencentes ao gênero Planococcus reproduz-se sexuadamente, apesar da reprodução assexuada por partenogênese poder ocorrer. Alguns indivíduos pertencentes a diferentes espécies tais como P. citri e P. fícus são capazes de cruzar entre si e gerar híbridos a partir deste cruzamento. As fêmeas de P. minor produzem entre 65 a 425 ovos dependendo do hospedeiro e levam entre 31 a 50 dias para completar uma geração. As ninfas passam por quatro ínstares, com durações diferenciais para machos e fêmeas. Alguns estudos desenvolvidos em outros países demonstram que P. minor pode completar até dez gerações por ano, algo que fornece uma visão do potencial causador de injúria do inseto. manter relações associativas (simbióticas) com algumas espécies de formigas que, além de as protegerem de ações de outros inimigos naturais, atuam como dispersoras da espécie para outros locais e plantas. Algumas espécies de abelhas também podem atuar como dispersoras, a exemplo das abelhas Trigona spinipes Fabricius (Hymenoptera: Apidae) que foram observadas carreando ninfas e adultos de P. minor em lavouras de algodoeiro infestadas com a cochonilha em Itaporanga (PB). Em vista desta situação, e considerando a grande habilidade de dispersão do inseto, faz-se necessário buscar em caráter emergencial, alternativas para convívio com a praga. C Cristina S. Bastos, Raul P. de Almeida, Francisco das C. Vidal Neto e Gildo P. de Araújo, Embrapa Algodão

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Algodão

Exclusividade negativa Como praga exclusiva do algodoeiro e por atacar durante todo o ciclo da cultura, a curuquerê requer do produtor, além do monitoramento constante, a escolha de produtos adequados ao estágio da planta

Figura 1 - Flutuação populacional de lagartas de curuquerê, aos um, três, sete e dez dias após a aplicação dos inseticidas no ano agrícola 2004/05. Rio Verde (GO), 2007 Tabela 1 - Número médio de lagartas (N) e eficiência dos inseticidas aplicação de inseticidas na cultura do algodão, BRS-AROEIRA, em Tratamento Nome técnico (i.a.) Testemunha Alphacypermethrin + teflubenzuron Alphacypermethrin + teflubenzuron Chlofenapyr Flufenoxuron Flufenoxuron Spinosad CV(%)3

g/ha (i.a.) 13 + 13 15 + 15 192 10 12 24

1 daa N1 E (%)2 38,1 a 41,1 a 00 45,6 a 00 2,8 b 92,4 34,0 a 10,8 27,2 a 28,5 1,6 b 95,7 12

¹Médias nas colunas seguidas da mesma letra não diferem entre si a 5% de probabilidade (pelo método LSD). ²Eficiência de controle pelo método de Abbott (1925) ³ Dados transformados Öx+1.

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Rogério Inoue

O

algodão representa uma cultura de relevante importância econômica e social no Brasil e no mundo, e está situado entre as dez maiores fontes de riqueza no setor agropecuário brasileiro. Embora seja uma cultura rentável, é altamente susceptível à incidência de patógenos e insetos, devido ao seu longo período de desenvolvimento. A cultura do algodão atrai, alimenta e reproduz cerca de 13 espécies de pragas, que atacam raízes, caule, folhas, botões, maçãs, capulhos causando injúrias tanto quantitativas quanto qualitativas, ocasionando sérios prejuízos à produção, considerando, portanto, o controle fitossanitário, um dos principais desafios dessa atividade. Dentre as pragas que concorrem para reduzir a produtividade e a qualidade das fibras destaca-se a lagarta curuquerê (Alabama argillacea), considerada praga exclusiva do algo-

doeiro, é uma lagarta desfolhadora, que ataca durante todo o ciclo da cultura e requer monitoramento constante e tomadas de decisões em tempo hábil, quanto às devidas medidas de controle a serem utilizadas.

PREJUÍZOS Os danos causados pelas lagartas, advêm de seus hábitos alimentares, pois destroem as folhas das plantas em qualquer idade, onde os três últimos estádios larvais são os responsáveis pela maior parte da desfolha. As lagartas provocam um desfolhamento descendente nas plantas, a partir das folhas do ponteiro. Esporadicamente podem atacar brotos, gemas ou maçãs. Entre os vários danos causados pela curuquerê, é verificado que, se o ataque ocorrer por ocasião da abertura das maçãs, provoca a maturação precoce e forçada, diminuindo a resistência das fibras e a paralisação da frutificação. Pois, uma vez que afeta a área foliar, a eficiência fotossintética da metade ao final do ciclo da cultura, diminui a fotossíntese,

favorecendo principalmente a formação de fibras imaturas. As plantas do algodoeiro não são tolerantes a grandes perdas de área foliar nos primeiros 45 dias de desenvolvimento. Desfolhamento acentuado na fase de frutificação determinará prejuízos à produção quando ao final do ciclo da cultura, podendo acarretar problemas na combinação da finura e maturidade da fibra (micronaire) além de manchas provocadas pelas fezes, especialmente se houver umidade.

AMOSTRAGENS As amostragens devem ser realizadas com freqüência na cultura do algodão, utilizando o método de pano-de-batida, que possibilita a detecção de número de lagartas, bem como, por inspeções em toda a planta, a partir da folha do ponteiro, anotando a presença de ovos, lagartas pequenas, médias e grandes, além de nível de desfolha. Através do monitoramento, o produtor tem o conhecimento do comportamento da praga durante todo o ciclo da cultura, e assim pode implantar o método de controle apropriado. É importante destacar que o momento adequado para a realização do controle químico, depende do estádio de desenvolvimento da cultura e da praga. Sendo assim, em lavouras com até 30 dias após a emergência considera-se como uma a duas lagartas por planta e não deixar ultrapassar 10% de desfolha. Nas demais fases de desenvolvimento, controla-se quando a população for superior a duas lagartas por planta ou 25% de desfolha no ponteiro ou 10% de desfolha em toda planta, levando em consideração o que acontecer primeiro. Contudo, para manter o nível de infestação das pragas do algodão sob controle, é necessária a adoção de medidas que harmonicamente resultem no

(E %), no controle de curuquerê, aos um, três, sete e dez dias após Rio Verde (GO), na safra 2004/05 Dias após a aplicação (daa) 3 daa 7daa N1 E (%) N1 22,8 a 13,8 a 7,65 b 6,7 6,2 b 10,6 b 53,5 6,3 b 0,7 c 96,7 0,7 cd 8,0b 65 5,1 bc 6,7b c 70,5 6,5 b 0,75c 96,7 0,8 d 20 24

10 daa E(%) 55 54 94,6 63,1 53,1 93,6

N1 33,6 a 10,0 b 15,2 b 0,1 c 11,1 b 12,7 b 1,38 c

E(%) 58,4 55 99,6 67 62,1 96 16

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DESCRIÇÃO E PERÍODOS DE OCORRÊNCIA controle efetivo. Sendo assim, o Manejo Integrado de Pragas (MIP) surge como melhor estratégia no controle das pragas, conferindo à cultura do algodão um modelo mais sustentável que leva em conta os interesses dos produtores, bem como impactos na sociedade e no ambiente. Quando as pragas atingem o nível de dano econômico, o controle químico surge como medida a ser tomada, devido sua ação curativa na prevenção do dano, surgindo para minimizar as perdas decorrentes destes ataques. É importante destacar que a cultura do algodão é considerada a que exige uma maior amplitude de ação dos inseticidas, o que atualmente dificulta a adoção de medidas alternativas.

CONTROLE QUÍMICO

curuquerê é considerada uma das pragas mais antigas e conhecidas da cultura do algodão. Apresenta quatro estádios de desenvolvimento: ovo, larva, pupa e adulto, com ciclo que varia de 23 a 36 dias. O adulto é uma mariposa de cor pardo-argiloso-clara com duas manchas circulares escuras na parte central das asas anteriores, com 30 mm de envergadura. A fêmea deste inseto, ovoposita isoladamente na face inferior das folhas, colocando em média ao redor delas 500 ovos com postura de 50 a 70 por dia. Os ovos são muito pequenos, achatados estriados, verde-azulados no inicio, e amarelados posteriormente. A eclosão ocorre a partir do terceiro dia após a postura. As lagartas, translúcidas no início, ficam esverdeadas quando iniciam alimentação. Inicialmente as lagartas recémnascidas alimentam-se do parênquima das folhas do ponteiro. À medida que vão crescendo atacam, além das folhas, os frutos e até os galhos mais tenros. As lagartas apresentam coloração verde-escura, com duas estrias longitudinais no dorso e pintas pretas em toda a extensão do corpo, as altas infestações alteram

jo da lagarta nas áreas produtoras de algodão, principalmente na região Sudoeste do estado de Goiás. Em resultados de trabalhos (Tabela 1), verifica-se que tais produtos ao longo do desenvolvimento da cultura mantiveram eficiência acima de 90% em todas as avaliações, demonstrando o efeito prolongado destes produtos, sendo indicados no controle desta praga e apontados para fazerem parte do processo de rotação de ingredientes ativos na cultuC ra do algodão. Juliana Maria de Paula, Oscar Arnaldo Batista Neto, Márcio Fernandes Peixoto, Rafael Vieira Barbosa e Graciene de Souza S. Caetano, Cefet/RV Márcio Fernandes Peixoto

Lagartas recém-nascidas alimentam-se das folhas do ponteiro e à medida que vão crescendo passam a atacar os frutos e até os galhos mais tenros

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a coloração das lagartas, tornando-as mais escuras. Essa diversidade dá ao agricultor uma idéia do grau de infestação. Com ciclo larval de 14 a 21 dias, passam por 5 mudas de pele, da primeira a última muda, as lagartas vão aumentando sua voracidade alimentar, variando de coloração e aumentando o porte, alcançando de 38 a 40 mm. As lagartas devoram todo o tecido foliar ao longo das nervuras principais, podem também atacar nervuras maiores e pecíolos, concorrendo geralmente para a redução da produção. Quando completam o seu ciclo larval, as lagartas transformam-se em pupas, que se localizam nos bordos das folhas que elas dobram, prendendo-se por fios de seda, em período de seis a oito dias. A maior incidência do ataque da curuquerê ocorre aos 70 dias após a emergência, geralmente entre os meses de dezembro e fevereiro. O período de infestação pode sofrer variações de ano para ano em razão de diversos fatores, principalmente do regime de chuvas e temperaturas, pois períodos chuvosos e temperaturas elevadas são condições favoráveis ao aumento populacional das lagartas.

os reguladores de crescimento, inibidores da respiração celular (IRC), e Naturalytes. Outro aspecto a ser levado em consideração, além da adoção de inseticidas seletivos aos inimigos naturais, é a necessidade de se realizar a rotação de ingredientes ativos, para não correr risco de resistência da praga, tornando ainda a atividade mais onerosa. Dentre os produtos comumente utilizados na cultura do algodão para o controle químico da curuquerê, são encontrados no mercado Chlorfenapyr e Spinosad, produtos que se destacam e vêm sendo utilizados no mane-

Antônio Carlos Bernardes

Os inseticidas utilizados na cultura do algodão, para o controle da curuquerê, apresentam diferentes mecanismos de ação, portanto atuando de forma diferente no comportamento do inseto. Sendo assim, é importante destacar que nem sempre os produtos químicos recomendados serão eficientes nas diversas situações. Esta variação na eficiência está associada, entre outros, ao inseticida químico utilizado, densidade e estádio de desenvolvimento da praga. Preconizando mais uma vez que a amostragem surge como ferramenta fundamental, pois será através dela que as medidas de controle serão adotadas. Dessa forma, ao realizar o manejo químico de pragas, o produtor deve estar atento às premissas básicas do MIP, cujas recomendações estão em utilizar inseticidas de baixa toxicidade e seletivo aos inimigos naturais. Conforme (Figura 1), pode ser observada a importância dos inimigos naturais na cultura do algodão, pois se visualiza a redução populacional da praga na testemunha, tal fato indica a necessidade de se utilizar produtos que não sejam prejudiciais a estes insetos benéficos. Entre estes produtos utilizados, destacam-se

A

Período de pupa dura aproximadamente seis a oito dias, quando ficam presas nos bordos das folhas, que elas dobram, por fios de seda

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Empresas DuPont

Teste de seletividade Ensaio realizado pela DuPont avalia efeitos do Accent sobre dez diferentes híbridos de milho

C

om o objetivo de determinar o grau de seletividade do herbi cida DuPont Accent® (nicosulfuron NicoDry 75%WG) sobre diferentes híbridos de milho, um ensaio foi conduzido na Estação Experimental da Pionner Sementes em Itumbiara (GO), entre os meses de janeiro e abril de 2006. Foram escolhidos dez diferentes híbridos de milho, todos utilizados em larga escala na região Centro-Sul do país, ao que se segue: 30P70, 30F80, 30F90, 30K75, 30K64, 30K73, 30F35, DKB390, DAS2B710 e Maximus. No ensaio, foram aplicadas duas

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doses do herbicida DuPont Accent® (21 e 42 g.p.c/ha) em mistura com atrazina a 4,0 l.p.c/ha e Assist (0,3% v/v), com uma vazão igual a 200 l/ha, obtida por meio de um aplicador pressurizado com barra de quatro bicos e pontas tipo XR110.02. Além desse procedimento, foi realizado um tratamento-testemunha com as plantas de milho mantidas no limpo através de capina manual. Por ocasião da aplicação, as plantas de milho encontravam-se no estádio V4. Durante o período experimental, a precipitação foi de 451 mm. Avaliações visuais foram realizadas aos

sete, 14, 21 e 28 dias após a aplicação do herbicida com o objetivo de se verificar possíveis sintomas de fitointoxicação às plantas de milho. Independentemente da época de avaliação do híbrido observado e da dose do herbicida DuPont Accent® utilizado, não foram observados quaisquer sintomas nas plantas de milho que pudessem ser interpretados como fitointoxicação e, conseqüentemente, injúrias às plantas. Por ocasião da colheita, as produtividades dos dez híbridos de milho foram analisadas, não sendo observadas, no entanto, reduções das mesmas devido à aplicação do herbicida DuPont Accent®. Portanto, conclui-se que, para os dez híbridos de milho estudados, a aplicação de DuPont Accent® nas doses de 21 e 42 g.p.c./ ha no estádio V4 da cultura, não provocou sintomas perceptíveis de fitointoxicação na cultura, não reduzindo, assim, suas produtividades. Dessa maneira, para essa modalidade de aplicação e doses, o herbicida mostrou-se altamente seletivo à cultura do milho, apresentando-se como uma excelente opção para o manejo e controle de plantas C daninhas para esta cultura. Daniel Donato Hernandez, DuPont do Brasil S/A

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Cana-de-açúcar

Fotos Divulgação

Adversário gigante Apesar de recente nos canaviais, o capim-camalote já mostra seu potencial competitivo com a cultura da cana. Os melhores resultados de controle da planta daninha, que atinge até 2,5 m de altura, são observados com o uso de herbicidas de pré e pós-emergência inicial

O

capim-camalote (Rottboelia exaltata L. f.), também conhecido como capim-alto e rabode-lagarto, pertence à família Poaceae (antiga Gramineae) e é identificado internacionalmente pelo código Rooex (Kissman, 1997). A origem do nome científico Rottboelia é uma homenagem ao botânico dinamarquês Cristen F. Rottboel, enquanto que o adjetivo exaltata significa, em latim, exaltado, aquele que sobressai. Os diferentes nomes comuns vêm de relações

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ou associações que o próprio homem do campo faz. Por exemplo, capim-alto pelo fato de possuir até 2,5 m ou em alguns países chegam até a 4 m; capim-rabo-degato, pelo fato dos racemos (local onde estão as sementes) lembrarem o rabo do referido animal. No passado existiu confusão quanto ao nome dessa planta porque coincidentemente o nome Rottboelia exaltata foi dado a duas plantas diferentes. Uma dessas plantas somente ocorre em regiões temperadas e a outra em regiões tropicais. Para sanar

essa questão, a planta de clima temperado foi classificada como Ophiuros exaltatus, ficando o nome Rottboelia exaltata à planta tropical (capim-camalote). No Brasil ocorre na Região Norte, mas, foi introduzida em São Paulo e no Centro-Oeste. Essa planta é originária da Ásia, especificamente da Índia e, atualmente, encontra-se difundida nas Filipinas, África, Caribe e Colômbia.

CONTROLE QUÍMICO O capim-camalote, embora traga pro-

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Tabela 1 - Herbicidas com possibilidade de controle sobre campim-camalote (Rottboelia exaltata) em cana-deaçúcar. Ribeirão Preto, 2006 blemas à cultura, tem presença recente nos canaviais, sendo encontrado em algumas localidades e em outras não. Esse pode ser o motivo de encontrarmos no mercado poucos herbicidas recomendados para o controle dessa planta daninha em canas-de-açúcar. Assim, como muitos herbicidas seletivos à cana-de-açúcar estão no mercado por considerável tempo, talvez, o teste inicial de eficácia realizado pelas empresas fabricantes de herbicidas não tenha abrangido o capim-camalote, devido à sua pouca expressão na época, explicando a não-recomendação por alguns fabricantes. Nesse sentido, o produtor poderá executar alguns testes de eficácia e verificar se alguns dos herbicidas tradicionais recomendados à cultura também são eficazes no controle ou se certificar quanto à recomendação do herbicida junto ao fabricante. Nesse sentido, Lorenzi (2000) faz algumas considerações quanto ao uso de herbicidas para controle de capim-camalote (Tabela 1). Entretanto, por se tratar de uma planta de difícil controle, as aplicações de herbicidas em pré e pós-emergência inicial resultam em melhores resultados, mas, o agricultor deverá obedecer à característica e o modo de aplicação de cada herbicida. Todas os herbicidas citados na Tabela 1 podem ser utilizados em canas-deaçúcar, mas, todos possuem limitações de uso. Nesse sentido, Rodrigues & Almeida (2005) apresentaram diferentes relatos sobre esses herbicidas. A mistura pronta de ametryn + clomazone pode ser aplicada em área total na pré ou pós-emergência inicial (plantas com menos de quatro folhas antes do perfilhamento) do capim-camalote e, preferencialmente, na pré-emergência da cultura. Já o clomazone isolado é melhor

Herbicidas (ingredientes ativos) ametryn+clomazone clomazone (500 g/l) diuron+MSMA diuron+paraquat Glifosato Imazapic MSMA pendimenthalin tebuthiuron (500 g/l)

pré ppi A S • S • S S

Modo de aplicação pós inicial pós tardia S P • A A A A A A S S M • • • •

Dose (pc/ha) 5,0 – 6,0 l/ha 1,8 – 2,2 l/ha 8,0 – 10,0 l/ha 2 ,0– 3,0 l/ha 1,0 – 6,0 l/ha 140 – 175 g/ha 4,0 – 6,0 l/ha 2,0 – 3,5 l/ha 1,6 – 2,4 l/ha

Fonte: Lorenzi, 2000. pc (produto comercial); A (altamente susceptível); S (susceptível); M (medianamente susceptível); P (pouco susceptível); - (sem informação); • (não recomendado)

Figura 1 - Percentuais de controle de Rottboellia exaltada, 22 e 81 dias após a aplicação dos tratamentos. Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si pelo teste de Turkey a 5%. (1 - MSMA + diuron (2,88 + 1,12 kg/ha); 2 - trifloxysulfuron-sodium + ametryne (32,4 g/ha + 1.280 g/ha); 3 - trifloxysulfuron-sodium + ametryne (37 g/ha + 1.465 g/ha); 4 - trifloxysulfuron-sodium (0,37 g/ha); 5 - ametryne (1,25 kg/ha); 6 - diuron + paraquat (300 + 600 g/ha); 7 - testemunha com capina aos 45 DAE; 8 - testemunha sem capina)

Fonte: Freitas, S. P., et al., 2004

quando aplicado na pré-emergência do capim-camalote e cultura. Esses produtos devem ser utilizados

O controle mecânico do capim-camalote só deve ser feito com plantas jovens, antes da formação de colmos e com solo com baixa umidade

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planta adulta • • M S S • P • •

com cautela pelo produtor, pois não se recomenda a aplicação em canaviais com menos de 800 m das culturas do girassol e milho, além de hortas, pomares, viveiros, casas de vegetação, jardins, árvores ornamentais, videiras, vegetação ribeirinha e árvores nativas. Nas áreas tratadas com esses herbicidas, recomenda-se esperar até 150 dias para instalar outra cultura. Em cana-soca, principalmente, podem ocorrer problemas de cloroses brancas nas folhas da cultura, atreladas ao modo de ação do clomazone, porém, com total recuperação e desenvolvimento. Em canas-de-açúcar também não se recomenda a aplicação quando as plantas da cultura estiverem com mais de 20 cm de altura. A mistura pronta de diuron + MSMA pode ser aplicada em jato semidirigido, ou seja, na entrelinha da cultura, de modo que o cruzamento do jato fique no terço inferior da cultura. A mistura de diuron

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BIOLOGIA DA ESPÉCIE

A

s plantas dessa espécie, também segundo Kissmann (1997), podem atingir até 4 m de altura, mas, no Brasil é mais comum que o porte fique entre 1,5 a 2,5 m. Os colmos são longos e cilíndricos, podendo atingir até 2,5 m, com os interiores preenchidos por um tecido esbranquiçado e esponjoso onde estão distribuídos os vasos do xilema e floema. A quantidade de colmos por planta pode ser muito grande, encontrando plantas com até 50 colmos a partir da base. As folhas são presas ao colmo pelas bainhas, que podem revestir todo o entrenó. As bainhas possuem finas cerdas que ao longo do tempo ficam duras e ferem animais ou homem como se fossem microagulhas. Na parte terminal das folhas surgem os racemos com 8 a 15 cm de comprimento, divididos em mais ou menos 8 a 30 artículos com 6 a 7 mm cada, que abrigam as sementes. O número de racemos é variável nas plantas, sendo que em alguns casos surgem até três racemos em cada parte terminal das folhas. O capim-camalote é reproduzido por sementes e também por propagação vegetativa, a partir de pedaços de caules. Ocorre que os colmos são formados por entrenós e nós, nos quais existem uma gema e essa pode brotar quando em contato com o solo. Essa brotação ocorre quando a planta é deitada sobre o chão, mesmo que seu caule ainda esteja ligado à touceira, ou até mesmo quando pedaços do caule são distribuídos sobre a superfície do solo. Entretanto, o contro-

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or das plantas da cana-de-açúcar, mas, qualquer erro de manejo poderá levar a cana-de-açúcar à erradicação. Os herbicidas imazapic, tebuthiuron e pendimenthalin devem ser aplicados na pré-emergência total das plantas daninhas e cultura. Entretanto, se aplicados em solos bem preparados, livres de torrões e com umidade, a eficiência dos produtos poderá ser maior. A ação desses herbicidas ocorre na germinação das plantas daninhas, por isso recomenda-se a aplicação em pré-emergência. Em literatura, um dos trabalhos mais recentes envolvendo o controle do capimcamalote em cana-de-açúcar foi desenvolvido por Freitas et al. (2004). Nesse trabalho os autores verificaram que as misturas prontas de trifloxysulfuron-sodium + ametryne (37 + 1,465 g/ha), MSMA + diuron (2,88 + 1,12 g/ha), diuron + paraquat (300 + 600 g/ha) apresentaram os melhores resultados, quando aplicadas em cana-soca de terceiro corte infestada com 95% de capim-camalote (Figura 1), sem comprometer a produtividade. Segundo Deuber (2003) o capim-camalote é uma planta daninha recentemente introduzida no Brasil, provavelmente vinda em mistura com sementes e que ainda pode ser erradicada devido sua distribuição ser limitada, sendo necessário um programa de manejo apoiado em pesquisas e levantamentos abrangentes. Nesse sentido, o produtor necessita realizar o controle e evitar que essas plantas se multipliquem por sementes ou vegetaC tivamente. Carlos Azânia, IAC

dos colmos, muitos produtores aplicamno em jato-dirigido sobre as plantas daninhas, sempre na altura do terço inferiFotos Divulgação

+ paraquat e o MSMA isolado devem ser aplicados em jato-dirigido, diretamente sobre a planta daninha, tomando-se o cuidado de não atingir as partes verdes da planta de cana-de-açúcar. O glifosato pode ser usado exclusivamente em área total, apenas em área de reforma de canavial ou após o preparo prévio do solo, também antes do plantio, com a finalidade de diminuir a incidência do capim-camalote. Na cultura implantada, o cuidado com o uso do glifosato deve ser extremo, esse herbicida não é seletivo e pode erradicar as plantas de cana-de-açúcar. O uso do glifosato implica que o produto não pode atingir as partes verdes da cana-de-açúcar. Porém, após a formação

le mecânico pode ser um agente disseminador da espécie, principalmente se for feito quando as plantas estão mais desenvolvidas, porque além de disseminar pedaços do caule também dissemina as sementes. Essa prática agrícola deve ser feita quando as plantas estão em estádio mais juvenil, antes da formação de colmos e quando o solo estiver com menor umidade. As sementes disseminadas possuem elevada longevidade, entre 3 a 5 anos e podem germinar a profundidades de até 15 cm. Logo após o amadurecimento, uma certa porcentagem de sementes é dormente e outra porcentagem é de pronta germinação. A dormência pode estar associada à alelopatia porque sementes de outras espécies daninhas próximas a essas sementes dormentes também não germinam. A dormência das sementes traz problemas ao controle devido aos vários fluxos de emergência de plantas. Existem biótipos dessa planta adaptados para solos pesados e outros para solos leves, além de serem adaptados também a ambientes com maior ou menor umidade. Alguns biótipos toleram solos cobertos com um fino filete de água e outros solos mais secos. Essa planta prefere ambientes com plena insolação, mas, resiste a certo sombreamento. O capim-camalote é de fácil e rápida disseminação, em países de língua espanhola é conhecido como “caminaderas”. Ocorre que essas plantas conseguem lançar os artículos entre dois a três metros de distância.

Uma única planta de Rottboelia exaltata pode apresentar até 50 colmos a partir da base

Azânia: “O produtor necessita realizar o controle e evitar que essas plantas se multipliquem.”

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Agronegócios

O planeta febril

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screvo de Paris, onde participo da reunião do Painel de Energias Renováveis, da Academia Internacional de Ciências, da qual sou membro. E o que tenho a relatar para os leitores da Cultivar não são noticias alvissareiras. Vejo a humanidade entrando em uma das suas maiores crises. Tão séria quanto as pestes da Idade Média ou as eras glaciais, seguramente mais séria que as grandes guerras do século passado. Falo das mudanças climáticas globais, com potencial de antecipar o final de uma era da humanidade, ao menos tal qual a conhecemos.

VERÃO OU INVERNO Enquanto no Brasil as chuvas no Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste não davam trégua, no resto do mundo o clima também está desviado do normal. Nos EUA não havia inverno até o dia 17 de janeiro, quando uma onda de frio polar hiperintensa desabou sobre o continente, reduzindo a temperatura em até 30oC, em menos de 24h, congelando praias e pomares da Califórnia e produzindo estragos até o Maine, no outro extremo do país. Até então as cerejeiras de Washington e as árvores do Centrar Park estavam florescendo em janeiro ao invés de maio. Aqui em Paris estávamos a cálidos 12oC, ao contrário do tapete de neve que deveria se esperar para esta época do ano. De repente, no dia 18 de janeiro formou-se a tempestade que atingiu a Inglaterra, a França e a Alemanha, matando (até o momento) 67 pessoas. O que me recorda do verão de 2003, quando 20 mil europeus (10 mil franceses) morreram por uma onda de calor sem precedentes.

EXTREMOS CLIMÁTICOS Cada evento, isoladamente, pode ser explicado como um extremo climático natural, embora com baixa probabilidade. Porém, a seqüência de extremos, que se repetem continuamente, nos últimos 15 anos, mostra que o planeta Terra está com febre. Não apenas febre porque a temperatura está subindo, mas febre porque ele está doente. Ligo a televisão na RAI Uno e vejo uma reportagem sobre o Piemonte, norte da Itália, e sobre os Abruzos, próximos de Roma, tradicionais centros de esportes

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de inverno, que pediram o estado de calamidade natural. O esqui nos Alpes italianos está definhando, e nos Apeninos também. Desde 1860, início do registro das temperaturas, não havia na Itália um janeiro tão quente como 2007. Temperaturas: Aosta, 22 graus, Turim 19, Milão 18, Cortina d’ Ampezzo, 10 graus. O esperado eram temperaturas próximas de 0oC, especialmente abaixo de zero. Dezembro também foi o menos frio de todos os dezembros desde 1860. Em Moscou, quando o esperado era -30oC, os termômetros estão marcando 6oC.

IMPACTO NOS NEGÓCIOS Segundo a Agência Européia do Meio Ambiente, no séc XX, os Alpes

“Mesmo que parássemos de usar estes combustíveis hoje, a queima realizada no passado já foi suficiente para provocar mudanças que se estenderiam pelos próximos 50 anos”

perderam 30% de suas geleiras. Uma expedição na primeira semana de janeiro mostrou que a geleira da face norte do Adamello desapareceu e as de Lobbia e Pian di Neve estão desaparecendo. O pavor é que, em duas décadas, não haverá mais geleiras nos Alpes, inviabilizando os negócios baseados nos esportes e no turismo de inverno. Os negócios agrícolas também começam a ser afetados. Cultivos per-

manentes, como oliveiras e frutíferas, estão florescendo em pleno inverno. Como sempre acaba surgindo um frio (mesmo durante o inverno!), esta floração é perdida, reduzindo a expectativa de rendimento no final do verão. A piada corrente na Europa é que o aquecimento global vai resolver o problema do excesso de produção de vinho francês, tamanha será a queda na produção de uva. Aliás, não apenas de uvas, mas de maçã, pêra, pêssego, cerejas etc., pois o aquecimento está afetando toda a região produtora do Mediterrâneo e proximidades. Aliás, onde as previsões indicam que a indústria turística deverá perder mais de cem bilhões de euros anuais, pelas temperaturas insuportáveis esperadas para o verão, que deverá afugentar os turistas para o Norte da Europa, como a Suécia ou Noruega!

CLIMA E ENERGIA Mas o que tem a ver o clima com nossa reunião sobre energia? Tudo a ver. A razão fundamental para a ocorrência das mudanças climáticas é a alteração da composição química da atmosfera. A natureza levou centenas de milhões de anos para achar o ponto de equilíbrio dos gases na atmosfera. Aí o homem descobriu o petróleo (o carvão e o gás também) e passou a utilizá-lo intensamente como fonte de energia. Desta forma, dezenas de milhões de toneladas de carbono, que estavam estocadas há milhões de ano no subsolo, foram jogadas na atmosfera, criando um “capacete” que está aquecendo a superfície terrestre e provocando as mudanças no clima. Mesmo que parássemos de usar estes combustíveis hoje, a queima realizada no passado já foi suficiente para provocar mudanças que se estenderiam pelos próximos 50 anos. Acho que o preço que vamos pagar por haver emporcalhado o mundo e esgotado perigosamente seus recursos naturais, está muito acima do que a nossa vã mente pode imaginar. Estou me convencendo que pagaremos parte da fatura com a queda na qualidade de vida e o restante com as nossas própriC as vidas. Décio Luiz Gazzoni Engenheiro Agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja www.gazzoni.pop.com.br

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Mercado Agrícola

Brandalizze Consulting

brandalizze@uol.com.br

Ano da agroenergia com destaque para o milho O mercado agrícola está começando 2007 que, certamente, será o ano da virada para o setor que até então vinha atrelado como fonte de alimentos e agora passa a ser fonte de energia alternativa. Por conta disso, as cotações já estão mostrando grandes avanços, como é o caso do milho, que dobrou de valor nos últimos 12 meses no mercado mundial e ainda tem espaço para ir mais longe porque os países mais ricos estão jogando forte na busca de alternativas ao petróleo e que sejam menos poluentes. Com isso o quadro geral dos produtos agrícolas, que há poucos anos mostrava sobras grandes de quase todos os alimentos, agora está mostrando aperto, sendo que o último produto a ter estoque alto é a soja, mas que certamente no segundo semestre, depois do plantio americano, irá mostrar queda nos estoques para safra 2007/08, que será plantada de abril em diante. Desta forma, todos os grandes grãos terão quadro ajustado. Já se buscam alternativas futuras para produção de energia alternativa, uma vez que os espaços agrícolas estão restritos no mundo e desta forma as cotações tendem a se manter em alta. Assim, chegará um momento em que os valores dos grãos poderão estar caros para este tipo de uso e até mesmo para o consumo alimentar, tendendo a um equilíbrio, mas este virá bem à frente porque o milho ainda não atingiu as maiores cotações da história e neste começo de ano está apenas nos melhores momentos dos últimos dez e a soja ainda está distante dos melhores momentos, o que certamente irá mostrar demanda forte para biodiesel e forçará as cotações para cima. No Brasil, depois de muito tempo, teremos exportações de milho sem subsídios, devendo ter recorde de embarque, isso com o câmbio totalmente defasado, que desestimula os exportadores e estimula as importações, mas as cotações em dólar estão altas e, desta forma, viabiliza os negócios e segura a queda típica de safra que normalmente ocorre por aqui. Estamos começando um ano que sinaliza para ser um dos bons da história. MILHO Supersafra à vista e lucros O mercado do milho está começando o ano com as lavouras em excelentes condições, com indicativos de que deveremos ter recorde de produtividade e possivelmente crescimento do plantio da safrinha, com os produtores se apegando ao produto como uma boa alternativa de renda e desta maneira grandes exportações estão sendo contratadas. Nestes primeiros dias do ano já estávamos com mais de um milhão de toneladas contratadas para embarque a partir de fevereiro. Com cotações que variavam dos US$ 160/170 por t nos portos e desta forma trazendo suporte para as cotações no mercado interno que garante valores acima dos preços mínimos aos produtores. Em 2006, estávamos começando o ano com o valor do milho abaixo dos R$ 12 por saca aos produtores do Sul e Sudeste e agora estamos começando na casa dos R$ 16 aos R$ 18 e não mostra muito espaço no lado de baixa. Caminha para um bom ano e lucros aos produtores. Os primeiros números da safra total nos indica que poderemos chegar próximo dos 47 milhões de t, que foi recorde histórico de 2002/03. Mesmo com recorde de safra, devemos ter o milho com boa rentabilidade. SOJA Começando o ano com estabilidade O mercado da soja está começando o ano com níveis estabilizados em reais, mas com alta em dólares e mesmo com recorde de safra na América do Sul e no Brasil, não esperamos por grandes alterações nas cotações, pois temos um lado do governo apoiando via pregão de Prop e Pepro, que dá um subsídio para cobrir os custos mínimos. Desta forma não esperemos por baixa como ocorreu no ano passado. Nos próximos dois meses veremos a definição do plantio americano que tende a ter queda na área em favor do milho e desta forma criará suporte e apoio para as cotações internacionais do meio do ano para frente. O destaque do ano continuará sendo o biodiesel consumindo óleo, e mesmo com o petróleo abaixo dos US$ 50 o barril deverá ocorrer retração no ritmo da instalação de novas indústrias, pois os principais países consumidores do mundo estão criando ou já criaram leis que obrigam a mistura deste no diesel e este será

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um ano de avanço na demanda. O mercado das últimas semanas operou entre os US$ 15 aos US$ 16 nos portos para embarque em abril. FEIJÃO Clima prejudicou a primeira safra O clima nesta primeira safra que está em colheita foi irregular e negativo para grande parte dos produtores, porque trouxe chuvas em excesso no Sul e Sudeste, onde derrubou a qualidade e produtividade das lavouras, forçando as cotações para baixo, pois o mercado não tem espaço para este tipo de produto. No Nordeste, as lavouras da região do Irecê foram fortemente prejudicadas pelo clima seco entre 15 de dezembro e 12 de janeiro. Dessa forma, grande parte da safra já foi ceifada pelo clima e tem mantido as cotações em alta na região. Neste mês de fevereiro teremos colheita em boa parte das regiões produtoras e assim o espaço de alta será pequeno e limitado a momentos de

clima com excesso de chuvas. Mesmo assim, o produto de ponta deverá ter boa valorização. ARROZ Safra nova chegando e mercado lento O mercado brasileiro do arroz esteve atrelado a poucos negócios na virada do ano e as cotações pressionadas para baixo no Sul do país. Agora, com a chegada da safra, veremos mais vendedores do que compradores, e assim típico de safra com cotações em leve queda, mas também não devemos esperar por números muito baixos, como no ano passado, onde chegou a andar abaixo dos R$ 14 por saca. Agora esperamos barreira na casa dos R$ 16/ 17 em diante para o arroz do Sul. Vale lembrar que estamos colhendo uma safra de 11,3 milhões de t contra um consumo esperado de 13,2 milhões e, desta forma, há grande necessidade de importação. Com cotações em alta no meio do ano para frente.

CURTAS E BOAS SOJA - a Argentina está mostrando que o clima favorável e o crescimento do plantio irão resultar em recorde de colheita, chegando aos 42,5 milhões de t contra 40,5 da última safra. TRIGO - os quadros gerais, mundial e nacional, deverão passar por mais um ano de aperto no abastecimento, com produção e consumo ajustados e cotações em alta. Com isso, deveremos ver os produtores estimulados ao novo plantio que começa nos próximos meses e projeta boa rentabilidade para a cultura. Com níveis dos R$ 450 e acima para os produtores. ALGODÃO - os produtores estavam plantando a safra em janeiro com bom volume de chuvas, boas expectativas de colheita e grande parte da safra já negociada na exportação. Desta forma, se espera que a safra descontada à exportação não consiga atender à demanda nacional. Devendo trabalhar com cotações acima da média histórica. Continua mostrando expectativa da produção mundial abaixo do consumo, que está apontando em 121,2 milhões de fardos contra os 116,7 previstos para serem produzidos e assim, teremos queda nos estoques finais. MILHO - a Argentina está mostrando expectativa de colher 19,5 milhões de t e crescer em volume de exportação, buscando uma fatia do mercado mundial que é crescente e não pode mais ser atendida pelos americanos. ARROZ - o quadro geral mundial mostra que estamos com os estoques nos níveis mais baixos da década, com 77 milhões de t para este ano, sendo que o consumo está apontando para os 418 milhões de t e a produção não passando dos 415 milhões. Assim, as cotações começam o ano na casa dos US$ 300 por t, FOB e acima para o arroz beneficiado na Ásia, podendo pagar 10% acima para o produto de melhor qualidade.

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