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Cultivar 25

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índice

destaques Aposta certa

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Especialista diz que quem plantar milho terá lucro na safrinha

34 Pirataria continua Produtores de sementes começam a se organizar para diminuir os prejuízos

04 06 07 08 10 19 21 24 25 27 30 31 32 34 35 37 38 39 40 41 46 48 50 52 56 58 62 65 68 70

Diretas Diretas e Cartas Atraso na pesquisa O que plantar na safrinha? Como plantar milho safrinha Sorgo é opção Girassol desponta no Cerrado Energia nuclear na pesquisa do arroz Perspectivas para o café Café com a maturação certa Coluna da Aenda Mercado Agrícola Manejo ambiental Combate a pirataria Rapidinhas Novo coordenador na Coodetec Congresso de algodão Cerrado contra o bicudo Bahia contra o bicudo Quem é esse tal de bicudo? Manejo da doença azul São Paulo também exporta algodão Algodão colorido faz a moda Nematóides do bem O que acontecerá com o trigo Micronutrientes para a soja Estão chegando os novos alimentos Benefícios das plantas daninhas Agronegócios Última página

Anúncios Quem é ele?

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Santin Gravena ensina tudo o que você precisa saber sobre a biologia do bicudo

Do editor

Chegou a hora Queiram ou não os adversários de sempre, o Brasil está na reta final para a liberação, para fins comerciais, de organismos geneticamente modificados - ou transgênicos. Medida Provisória editada ainda no mês de dezembro deu à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, a CTNBio, os poderes que faltavam para realmente opinar decisivamente sobre a questão. A norma, ainda que provisória – é o que há de mais definitivo do que o provisório no Brasil? – suprime futuros e intermináveis debates judiciais. E as pesquisas seguem aceleradas, com a Embrapa assumindo papel decisivo nessa tecnologia. Mais, associou-se a setores privados para ampliar sua área de ação, obtendo ali os recursos financeiros de que carecia. São dois sinais inequívocos do que vem por aí. Do terceiro ninguém quer falar: Nos estados do Sul, a maior parte da soja plantada é transgênica, que ninguém fiscaliza para não correr o risco de encontrar. São cultivares argentinas, não adaptadas às condições brasileiras, o que reduz a produtividade. Mesmo assim trazem vantagens ao agricultor. E, nas palavras de vários produtores de sementes consultados, “estão quebrando as sementeiras”. O debate inconseqüente atrasou a pesquisa nacional, enriqueceu o contrabandista e está liquidando com o empresário estabelecido, que dá empregos e sustenta grande parte da economia do país. Por isso, que venham os OGMs, com rotulagem, pesquisa e organização. Que se organize a bagunça. E que sejam preservados – e protegidos – os direitos os empresários que estão sendo lesados pela atitude inconseqüente de algumas autoridades e de ambientalistas, cujo salário vem de doações e não de produção.

Continental Eagle DuPont Cheminova Dow Unimilho DuPont Gehaka Rafain Aventis Aventis Continental Eagle Bayer Ihara Ihara Basf/Ihara Coopavel Certero Mep Agroanalysis Brejeiro Agripec Cultivar Máquinas Cultivar HF Coodetec Coodetec Basf

Nossa capa Foto - Marineide M. Aguillera - UFSCar

Normalmente considerados problemas na lavoura, os nematóides podem ser usados no combate às pragas

02 05 07 13 15 17 22 23 26 29 36 39 43 45 47 49 51 54 55 57 59 60 64 67 71 72


diretas Ano III - Nº 25 - Fevereiro / 2001 ISSN - 1518-3157 Empresa Jornalística Ceres Ltda CGCMF : 02783227/0001-86 Insc. Est. 093/0309480 Rua Sete de Setembro 160 7º andar Pelotas RS 96015 300 E-mail: cultivar@cultivar.inf.br Site: www.cultivar.inf.br Assinatura anual (12 edições): R$ 58,00 Números atrasados: R$ 6,00 Diretor:

Newton Peter RPJ/RS 3513

Editor geral:

Schubert Peter RPJ/RS 9513

Reportagens Especiais:

João Pedro Lobo da Costa

Design gráfico e Diagramação:

Sementes

Os agricultores do Tocantins estão investindo em um novo filão do segmento agrícola: a produção de sementes de grãos. Apesar dos cuidados e do investimento alto para garantir um trato cultural adequado, a compensação vem na hora da comercialização. A saca de 50 kg de semente de soja pode chegar a R$ 45,00, enquanto que o preço do grão não passa de R$ 17. Já o arroz para semente tem sido vendido pelo dobro do preço do grão. O gerente do grupo Rebeschini no Tocantins, Antonio Carlos Lira, diz que esse crescimento é constante e conta que este ano vendeu todo seu estoque. O Rebeschini chegou a enviar pequenas quantidades de sementes de soja para o Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso.

Jansen na Semeali

O agrônomo Waldemar Jansen, presidente da APPS, é o novo assessor de diretoria da Semeali. Jansen, que trabalhou 28 anos na Cargill, aposentou-se e, pretendendo continuar no setor sementeiro, aceitou a proposta da Semeali, uma empresa que na sua opinião tem um bom trabalho genético, com uma linha de híbridos altamente competitivos para os vários níveis de tecnologia do Brasil. Jensen, formado pela Esalq, considera que sua experiência anterior na Cargill é uma forma de uma empresa multinacional contribuir para o crescimento de uma nacional.

Jansen

Fabiane Rittmann

Marketing:

Andrea González

Show Rural

Circulação:

Edson Luiz Krause

Assinaturas:

Simone Lopes

Ilustrações:

Rafael Sica

Editoração Eletrônica:

Index Produções Gráficas

Fotolitos e Impressão:

Kunde Indústrias Gráficas Ltda.

NOSSOS TELEFONES:

(53)

GERAL / ASSINATURAS: 272.2128

REDAÇÃO : 227.7939 / 272.2105 / 222.1716

MARKETING:

Quem quiser conhecer as novidades da agricultura brasileira este ano deve ir a Cascavel, PR, de 12 a 16 deste mês. Neste período ocorre o Show Rural da Coopavel, já reconhecido como o principal evento de tecnologia agrícola do país. Sem nenhum exagero, o que vai acontecer no Brasil este ano estará lá. Há três meses os hotéis da região estão com as reservas esgotadas. Os retardatários terão que se hospedar até em Foz do Iguaçu, distante 170 quilômetros. As principais empresas nacionais de sementes e as agroquímicas estarão lá mostrando o que prepararam de novo para a safra 01/02. O público é formado só por produtores. No ano passado mais de 100 mil estiveram lá.

Ibama tem novo presidente

O engenheiro agrônomo, Hamilton Casara, de 41 anos, é o novo presidente do Ibama. Ele ocupava o cargo de superintendente do Ibama no Amazonas. Filho de seringueiros e nascido em Guajará Mirim (RO), Casara será elemento de ponta na política ambiental do governo. A reavaliação das atribuições do órgão com objetivo de ampliar as parcerias com estados, municípios e países vizinhos está na sua lista de prioridades. Para ele, a cooperação internacional é importante como estratégia de conservação global. Com os países vizinhos, quer estimular a parceria para que os programas ambientais sejam conservados nas regiões de fronteira.

BAYER

A divisão Consumer Care da Bayer S.A. está lançando no Brasil o Baygon Chip, um novo produto de combate a insetos domésticos. Trata-se de uma pastilha

de alta tecnologia fabricada em plástico para ser utilizada em aparelhos elétricos. Único produto do gênero no mercado, as pastilhas do Baygon Chip são mais seguras

Hamilton

porque o princípio ativo permanece inerte no plástico e só é liberado quando o aparelho está ligado, evitando que o usuário entre em contato com o repelente durante o manuseio.

272.2257 / 272.1753 / 225.1499 / 225.3314

FAX: 272.1966

Curso na Fundação MT

SUCURSAIS

Mato Grosso

Gislaine Rabelo Rua dos Crisântemos, 60 78850-000 / Primavera do Leste Tel.: (65) 497.1019 ou 9954.1894

Bahia

José Claudio Oliveira Rua Joana Angélica, 305 47800-000 / Barreiras Tel.: (77) 612.2509 ou 9971.1254 Walter Jorge

A Fundação MT realizou um curso sobre Identificação e Manejo de Doenças e Pragas do Algodão em quatro cidades do noroeste do Estado: Sapezal, Campo Novo dos Parecis, Lucas do Rio Verde e Rondonópolis. O objetivo foi promover a integração dos produtores, técnicos e estudantes com as mais novas tecnologias para combate às pragas e doenças do algodoeiro, em especial sobre o manejo do bicudo no Cerrado. Foi ministrado pelos pesquisadores Walter Jorge dos Santos, do Iapar e Fabiano Victor Siqueri, da Fundação MT.

Algodão no RN

Elevar de 27 mil para 51 mil hectares a área plantada de algodão e chegar a um volume de 51,5 mil quilos do produto até o final de 2001 são as metas do programa de revitalização da cultura algodoeira no Rio Grande do Norte. Para isso a Secretaria da Agricultura e Pecuária distribuiu 1.125 quilos de sementes da espécie herbáceo 7H para 9 mil produtores de 65 municípios. A iniciativa vai exigir recursos de aproximadamente R$ 1 milhão, entre a produção das sementes, capacitação de técnicos e acompanhamento das unidades produtivas.


SÃO PAULO

Dias de Campo Embrapa Soja

SANTA CATARINA

PARCEIRO

LOCAL

DATA

PARCEIRO

LOCAL

DATA

Dedini Carol Sementes Brejeiro Fundação Meridional Cooperativa Pedrinhas Semel CATI

Pirassununga Orlândia Orlândia Ibirarema Pedrinhas Pta Matão Maracaí

02/02 15/02 16/02 20/02 Indefinido Indefinido 22/02

Coopercampos

Campos Novos

14 e 15/03

Coopervale

Abelardo Luz

20/03

Cereagro

Mafra

27/03

Sementes Prezzoto

Xanxerê

indefinido

PARANÁ

Gehaka exporta

A brasileira Gehaka está expandindo seus negócios, exportando seus produtos para a Europa e América do Norte, aproveitando a entressafra no Brasil. Com reconhecida tecnologia de ponta no setor de medidores de umidade de grãos, em especial os modelos G600 e G800, a Gehaka fez parceria com a empresa Consergra SL, de Barcelona, para vendas em Portugal e Espanha. Nos Estados Unidos, México e América Central, a Gehaka estará presente através da Grain Machinery MFG Co, de Miami.

• As revistas Cultivar e Cultivar HF são de muita importância para o trabalho da nossa instituição. Kelma P. de Souza UFG • Sou assinante da revista Cultivar e fiquei muito interessado em assinar também Cultivar

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Cultivar

Máquinas. Carlos Alberto carlalves@bol.com.br • Gostaria de fazer uma assinatura da Cultivar Máquinas Mauricio Paiva ctaibb@lutarc.com.br

• Estou necessitando de informações sobre a praga

Dias de Campo

A Embrapa Soja e o Serviço de Negócios Tecnológicos divulgam a lista dos seus dias de campo programados para o início deste ano. A novidade fica por conta do apoio e presença da nova Fundação Meridional entre os já tradicionais parceiros da instituição.

“cancro cítrico”, que ataca os pomares de laranja. Preciso saber se existe alguma solução para um pomar atacado, ou, se realmente tem que ser arrancado etc. Roseli Rodrigues advocacia.sidnei@zaz.com.br • Sou estudante da escola agrícola de Sertão e venho pedir-

PARCEIRO

LOCAL

DATA

Iapar Coagru Integrada Coopavel/ Show Rural Fund ABC Coamo Iapar Cotrefal Embrapa Soja/Corol Agropec Ipe Copagril Campos Verdes Coop Integrada Coop Integrada Lavoura S/A Sperafico Agropec Ipe I Riedi - Espigão Azul Coopervale Emater-Pr Coagel Sementes Guerra Embrapa Soja Coamo Peron Ferrari I Bocchi Coopevale Sementes Mauá Fund ABC Embrapa Neg Tecn Coop Agrária/Fapa Coprossel Fiorese SG Sementes Camp

Umuarama Ubiratã Ubiratã Cascavel Tibagi Campo Mourão Palotina Medianeira Arapongas Mandaguaçu Mal Cândido Rondon Maringá Astorga Assai Pato Branco Toledo Campo Mourão Cascavel Palotina Sta Terezinha do Itaipu Goierê Pato Branco Londrina Mangueirinha Sto Antº Sudoeste Realeza Brasilândia Mauá da Serra Tibagi Ponta Grossa Guarapuava Laranjeiras do Sul Roncador Roncador Prudentópolis

01 e 02/02 06/02 08/02 12 a 16/02 15/02 19 a 23/02 e 01/03 20/02 21/02 21/02 21/02 22/02 23/02 01/03 02/03 02 e 03/03 02/03 03/03 05/03 06/03 06/03 07/03 07/03 09/03 13/03 14/03 14/03 15/03 16/03 22/03 23/03 28/03 29/03 Indefinido 07/03 Indefinido

lhes informações sobre a cultura do milho deste ano. Alirio D. de Valle Quatro Irmãos RS

• Estou interessado na nova revista Cultivar Máquinas, voltada para a engenharia rural. Quais assuntos serão as áreas da engenharia agrícola aborda-

das pela revista? Ricardo A. da Silva ricardo_alencar@bol.com.br • Sou assinante da revista Cultivar. Tendo em vista o lançamento da revista Cultivar Máquinas, gostaria de recebê-la também. Francisco S. da S. Júnior fssja@bol.com.br

• Parabéns pelo excelente trabalho que vocês vêm realizando. Trabalho com consultoria em algodão e aproveito a oportunidade para pedir que publiquem uma reportagem sobre o controle do bicudo. Fernando J. Castilho castilho@hotmail.com

Fevereiro de 2001


Perspectivas para Safrinha

brandalizze@uol.com.br

Força no milho

terno. E por que não falar das exportações que estão andando desde dezembro último? Para o setor de rações, aponta-se continuidade do crescimento, onde o Sindirações estima uma produção de 37,8 milhões de T de ração em 2001, contra as 35,4 milhões produzidas em 2000. O avanço apóia-se na volta do crescimento do setor de frangos e suínos, que em função da vaca louca na Europa, deverá ganhar espaço na exportação. As projeções iniciais de consumo para o milho em 2001 vão das 37 às 40 milhões de T porque somente o setor de ração consumirá quase 30 milhões de T, lembrando que o consumo humano deverá passar das 6 ou 7 milhões de T, e outras 3 milhões de T devem ter destino industrial e nas propriedades rurais. Dessa forma, levando-se em conta que estamos passando de 2000 para 2001 com um estoque de 1,5 milhões de T e que o governo tem intenção de comprar 2 milhões de T para formação de estoques oficias, chegaremos ao final do ano com um quadro apertado.

Produtores receosos apontam para uma redução considerável na área de milho; quem plantar provavelmente ganhará dinheiro

O

s produtores do milho safrinha, que ficou famoso nos últimos 5 anos como uma nova fonte de renda, principalmente quando plantado depois da soja, teve o seu ápice no ano passado, com crescimento constante desde que começou há cerca de 5 anos. Neste ano o quadro para o milho não é o mesmo. Estamos vendo os produtores cautelosos, com olhos voltados para o mercado, onde em janeiro houve forte queda no preço do milho. Assim, os produtores tendem a reduzir a área. Culturas alternativas estão ganhando espaço, pois os produtores estão se conscientizando que devem acompanhar o mercado para ter maior sucesso econômico. Porém, o setor está de olho apenas no momento do plantio, e não na colheita. Os primeiros indicativos apontam uma redução de 730 mil hectares na área do milho, sendo que somente no Paraná o recuo beirará os 250 mil hectares. Vejamos, a seguir, os principais pontos que pesam na redução.

SITUAÇÃO ATUAL DO MILHO

O mercado mundial do milho crê em estoques recordes nos EUA, com indicativos de 55 a 58 milhões de T de passagem, contra 45 milhões em média nos últimos anos. Isso deverá forçar a redução do plantio local. Quando olhamos o quadro mundial notamos outra realidade. Atualmente 08

Cultivar

ÁREA DA SAFRINHA CAI

Pelos dados das intenções de plantio da safrinha podemos observar que a queda atingirá os 28%. O centro-sul terá um plantio de 1.875 mil hectares, contra os 2.605 milhões plantados no ano passado. Estamos quebrando o ritmo crescente de plantio da safrinha, con-

aponta-se como safra 2001 algo ao redor das 584 milhões de T, para um consumo estimado de 600 a 610 milhões de T, passando de um estoque inicial de 125 milhões de T para casa das 105 milhões de T. Se nos apegássemos somente nesses dados, veríamos que o quadro atual é melhor que o do ano passado. Os indicativos internacionais, que em 2000 eram fechados entre US$ 88,00 e US$ 94,00 por T, agora apontam para uma banda de US$ 92,00 a US$ 100,00, com chances de, em alguns momentos, andar acima. Dessa forma, este é um ano em que se poderá colocar milho na exportação, fato que já ocorreu em janeiro e poderá repetir-se caso o mercado interno ficar abaixo destes indicativos. O Brasil está colhendo uma de suas safras de milho. Com isso os indicativos apontam que estaremos com cerca de 34 milhões de T de milho nos arma-

zéns antes de junho. Ano passado esse volume não chegava às 27,5 milhões. Com a chegada de uma boa safra, onde os produtores conseguiram produtividade alta (o clima favoreceu), as cotações despencaram já nos primeiros dias do ano. Esse é o principal fator de desestímulo ao plantio da safrinha: estamos com muito milho e as cotações estão baixas. Com esse pensamento é que o produtor pula para outras culturas e desacredita no milho. Porém, ele esquece de olhar um fator importante, a demanda. Será que teremos boa demanda em 2001? Se ela crescer no mesmo ritmo que veio a produção, o quadro no segundo semestre será totalmente diferente do atual, onde não há compradores e o mercado é baixista. Os produtores neste momento têm que olhar para alguns fatores importantes. O principal deles é o consumo inFevereiro de 2001

Uma dica aos produtores: Devemos olhar para frente, ou seja, para o momento da colheita. O mercado sobe, desce e depois sobe de novo. Fique atento

forme se pode observar na tabela. O estado do Paraná mostra a maior queda em área passando dos 850 mil hectares de 2000 para a casa dos 600 mil - e há indicativos que apontam que não chegará nestes números. Em São Paulo a queda também é expressiva, perdendo cerca de 130 mil hectares, seguido do Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, onde se aponta queda de 80 a 85 mil hectares cada um. Com menos área certamente as chances de termos queda na produção é grande. Isso refletirá em menos milho em oferta no seFevereiro de 2001

Brandalizze recomenda atenção na escolha da cultura a ser plantada nesta safrinha

gundo semestre.

PARA ONDE VAI O PRODUTOR

Neste ano os produtores estão optando por outras culturas em detrimento ao milho, vejamos alguns casos: Trigo - no Sul, os produtores têm como opção a cultura do Trigo, que está projetando cotações satisfatórias. Deve haver incremento de área. Como temos um consumo de mais de 9 milhões de T e cerca de 8 são importadas, o mercado externo comanda. Lá fora a safra mundial está apertada e os estoques em queda. Com isso, as cotações vêm avançando, aumentando os custos para os moinhos importarem. É atrativo para os produtores do Sul. O trigo entra bem nos locais onde o plantio da soja se deu tarde e a colheita virá em época de risco para se plantar a safrinha do milho. Algodão - alguns produtores do Mato Grosso, principalmente do Norte, colheram a soja precoce e entraram com algodão, deixando de plantar o milho, que ocupava a área ano passado. É uma alternativa para o setor, mas que tem alto custo e não serve para todos os produtores. Arroz - também no Norte do Mato Grosso os produtores estão entrando com o arroz nas áreas de safrinha que deveriam receber milho. Como o arroz mostrou forte avanço nas cotações em janeiro despertou o interesse dos produtores, que estão entrando com uma variedade de sequeiro com ciclo de 100 dias. Feijão - nota-se que muitos produtores de feijão do interior de São Paulo, que normalmente colhiam a primeira safra e entravam com milho safrinha, optaram pelo plantio de Feijão novamente, buscando aproveitar-se do cres-

cimento das cotações do grão, que teve uma safra de verão pequena e é opção ao milho. Sorgo - no centro-oeste e também no Sul dos país, uma das grandes opções de troca do milho é o sorgo, que neste ano poderá ter a sua maior safra da história. Os produtores apostam numa cultura que tem menor risco com problemas climáticos. Com custos menores de produção, corre-se menor risco econômico. Outros - andando por este Brasil afora, constamos que além dos produtos citados, ainda se encontram outros que entram no lugar do milho, como o Girassol em Goiás e no Mato Grosso. Também há casos de produtos exóticos, como o alpiste e o painço, que têm mercado restrito, mas beliscam parte das áreas que antes tinham milho.

ANÁLISE FINAL

Os produtores estão correndo em busca de culturas que lhes dêem lucro. Porém, há uma grande falha no setor, que está olhando somente para o momento do plantio e não para o ano comercial como um todo. O produtor que não consegue analisar a oferta e a demanda em conjunto pode estar perdendo uma boa oportunidade de negócio em cima do milho. Lembre-se que o milho terá um quadro de oferta e demanda apertado e, se conseguirmos exportar alguns volumes, certamente chegaremos na entressafra com cotações satisfatórias. Uma dica aos produtores: Devemos olhar para frente, ou seja, para o momento da colheita. O mercado sobe, desce e de. pois sobe de novo. Fique atento. Vlamir Brandalizze, Consultor Cultivar

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Cultivar

Milho

Como fazer uma boa

Segunda safra O

Milho Safrinha é o milho de sequeiro cultivado extemporaneamente, de janeiro a abril, após a cultura de verão na região Centro-Sul brasileira. É semeado quase sempre depois da soja e, por ser a produtividade muito baixa e a adubação antieconômica em solo de baixa fertilidade, preferencialmente em terras férteis. As experiências positivas de agricultores no Paraná apontaram a potencialidade desse novo mercado, incentivando que as Empresas de sementes direcionassem híbridos de milho para as condições de outono/inverno. Paraná e São Paulo foram os Estados onde se iniciou a explosão da safrinha (figura 1). Atualmente, dos 12 a 13 milhões de hectares de milho no Brasil, cerca de 2,5 milhões são cultivados na safrinha, o que corresponde a 25% e 20% da área total de milho na região Centro-Sul e no País respectivamente (CONAB, levantamento de dados). Ocorreu redução da área de milho na safra de verão e aumento da safrinha (Tsunechiro, 1998); no Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, o milho safrinha já corresponde a mais de 60% da área total desse cereal (safrinha + verão) (Quadro 1). O rápido crescimento da safrinha ocorreu principalmente pela busca de alternativas agrícolas para o período de outono-inverno em regiões onde tradicionalmente as terras ficavam em pousio após a cultura da soja (Mato Grosso, Goiás e norte do Estado de São Paulo) e pela substituição parcial do trigo nos Estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e de São Paulo - Vale do Paranapanema, em vista da redução dos ganhos econômicos com esta cultura a partir de 1989 (Duarte et al., 1995). No início da expansão do milho safrinha , a produtividade era muito baixa e os investimentos em insumos desprezíveis; safrinha era sinônimo de risco e baixa tecnologia. Havia, de um lado, agricultores que estavam ganhando dinheiro com o milho safrinha e de outro, poucos técnicos que acreditavam que essa cultura tinha vindo para ficar. Os primeiros trabalhos de pesquisa foram desenvolvidos pelo IAPAR, no Estado do Paraná (Gerage & Bianco, 1990). Na década de noventa o IAC desenvolveu técnicas de cultivo específicas para o milho safrinha , as quais proporcionaram aos agricultores da região paulista do Vale do Paranapanema serem os primeiros a obter rendimento médio 10

Cultivar

O cultivo da safrinha pode oferecer boa rentabilidade ao produtor, mas algumas dicas devem ser seguidas para evitar prejuízos

regional superior a 3.000 kg/ha. Técnicos das empresas públicas de pesquisa (IAC, IAPAR e EMBRAPA) e de extensão (CATI e EMATER), Centro de Desenvolvimento do Médio Vale do Paranapanema (CDVale), cooperativas, universidades e empresas privadas passaram a realizar periodicamente, desde 1993, o Seminário Sobre a Cultura do Milho Safrinha , visando à discussão de tecnologias e perspectivas desse tipo de cultura no País. Portanto, em decorrência do desenvolvimento, divulgação e adoção de técnicas apropriadas, hoje podemos denominar o milho safrinha de milho segunda safra e afirmar que a safrinha não é o termo mais apropriado para caracterizar as culturas de outono/inverno. Os rendimentos médios, porém, ainda são muito baixos (Quadro 1), em decorrência de parte da semeadura ser efetuada em época acentuadamente tardia, reduzindo o potencial produtivo e tornando antieconômico o amplo emprego de insumos modernos . Embora a produtividade seja menor na safrinha, tem-se maiores preços de venda, por ser a colheita realizada em período de entressafra, e menor custo de produção devido ao baixo uso de insumos (Tsunechiro et al., 1995). O fertilizante é o item mais dispendioso dos fatores da produção nas duas épocas de semeadura (cerca de 1/3 dos custos variáveis) (Quadro 2). No sistema de produção de baixa tecnologia, empregado sobretudo nas semeaduras em época marginal, devido à baixa probabilidade de sucesso da lavoura, o agricultor economiza principalmente em insumos, mas obtém menor lucratividade. Outro fator que determina o nível dos investimentos é a expectativa de preços na colheita, os quais dependem do volume produzido na safra normal. Como ocorreu aumento de área de milho verão em 2000/2001 e existe previsão de uma excelente safra, a expectativa é que os preços não aumentem tanto na entressafra 2001, ocasião em que o milho safrinha será comercializado.

SEMEAR CEDO É O DESAFIO

Devido à redução da disponibilidade de água no solo e das temperaturas do ar no inverno, o sucesso do milho safrinha depende principalmente da época de semeadura. Quanto mais tarde for semeado, menor será o potencial produtivo e maior o risco de perdas por geadas e/ou seca. Assim, o planejamento do milho safrinha começa com a cultura de verão, visando liberar a área o mais cedo possível para a segunda cultura. As épocas limites recomendadas, preferencialmente para a semeadura encontramse no quadro 3. Em Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, norte de São Paulo e Mato Fevereiro de 2001

Fevereiro de 2001

Grosso do Sul, o principal fator de risco é o déficit hídrico, sendo atenuado nas áreas de altitude em razão das temperaturas amenas proporcionarem menor evapotranspiração. No Paraná, sul de Mato Grosso e sudoeste de São Paulo (Vale do Paranapanema) temse elevado risco de geada, principalmente nas áreas acima de 600 m de altitude. Assim, ao contrário do que é preconizado para o milho verão, as baixas altitudes são favoráveis ao cultivo da safrinha nas regiões mais ao sul do País. Nas duas principais regiões produtoras paulistas, por exemplo, tem ocorrido redução acentuada do potencial de produção com o atraso da semeadura dos experimentos de milho safrinha (Figuras 2 e 3). Porém, no Médio Vale do Paranapanema, região de transição entre inverno úmido e seco, as produtividades são maiores e a semeadura pode ser realizada mais tardiamente do que na região norte/noroeste, com estação seca bem definida. Não se dispõe de informações em outros Estados, o que não significa que o milho safrinha não possa ser cultivado. Conforme já citado, essa cultura não apresenta ampla dispersão geográfica nos Estados, concentrando-se em regiões onde o microclima e o solo são propícios ao seu desenvolvimento. Em vista dos baixos índices de chuvas desse período, a capacidade de armazenamento de água no solo é fator limitante para o cultivo da safrinha em algumas áreas; de maneira geral, é menor nos solos arenosos e maior nos argilosos. Isso, juntamente com a fertilidade do solo, explica porque a maioria da área de milho safrinha está concentrada em regiões que apresentam solos mais argilosos. A época de semeadura é o principal fator determinante do nível tecnológico da cultura do milho safrinha . Como essa cultura produz pouco quando é semeada tardiamente, não é vantajosa a compra de sementes de alto potencial genético (mais caras) para semear fora da época recomendada, devido ao baixo retorno econômico desse investimento. Deve-se priorizar a aquisição de sementes dos melhores cultivares e o emprego de adubação NPK nas lavouras implantadas dentro da época recomendada. Nas regiões mais tecnificadas, a semeadura direta na palha, sem preparo do solo, possibilita a antecipação da semeadura do milho safrinha em uma a duas semanas. Tem-se utilizado também a dessecação da soja com produtos químicos visando à antecipação de sua colheita, geralmente 7 a 10 dias. Estima-se que, em média, apenas metade dos agricultores procede à semeadura dentro da época recomendada, mesmo em algumas regiões que adotaram a semeadura na palha. Considerando que o milho safriCultivar

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A população de plantas por hectare deve ser bem pensada para não comprometer o retorno econômico

onamento dos arados de discos, aivecas e escarificadores. Assim, é comum a mistura Embora exista uma grande diversidade parcial de calcário no solo e a existência de de preparo da área para o cultivo do milho camadas compactadas denominadas pé de na segunda safra, predomina o emprego do grade , fatores delimitam o desenvolvimenplantio direto permanente ou temporário vi- to do sistema radicular e tornam a cultura sando antecipar a implantação do milho sa- mais suscetível aos períodos de estiagem frinha . No preparo direto temporário reali- (DeMaria et al., 1999). Um dos problemas do sistema de planza-se a semeadura direta do milho safrinha e o preparo convencional para a soja. Nesse tio direto do milho safrinha é o emprego da caso, no verão tem sido freqüente o preparo monocultura da sucessão soja/milho safrinha com grades devido ao grande volume de na maioria das lavouras, o que acarreta baipalha deixado pelo milho, dificultar o funci- xa cobertura do solo. Mesmo sendo semeado após a soja, que fixa simbioticamente o nitrogênio do ar, existem evidências de que está Evolução da área de milho safrinha nos principais Estados produtores no Fig.01 período 1984 a 1999. (Fonte: CONAB, levantamento de dados). havendo limitação na produtividade do milho devido ao MILHO SAFRINHA NOS ESTADOS empobrecimento do solo com EVOLUÇÃO DA ÁREA as exportações contínuas de nutrientes sem a reposição 2500 adequada nas adubações. O milho safrinha, em su2000 cessão à soja, apresenta boa resposta à adubação nitroge1500 nada, que não precisa ser parcelada em cobertura quando 1000 a produtividade esperada estiver em torno de 3.000 kg/ha. 500 Isso ocorre porque as chances de lixiviação do N aplicado no 0 plantio são pequenas, em vir84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 tude do volume decrescente Período (anos) de chuvas no período da sa-

PREPARO DO SOLO

12

Cultivar

arte et al., 1994), verificando-se que os melhores rendimentos foram obtidos entre 33.333 e 44.444 plantas por hectare, com vantagem da população superior quando o potencial produtivo era igual ou maior a 3 toneladas por hectare. Corroborando, Shioga et al. (1999) verificaram, em trabalho recente desenvolvido no Paraná, que apenas nos locais onde a produtividade média foi próxima à da safra normal (em torno de 6.000 kg/ha), os rendimentos dos cultivares continuaram aumentando em populações superiores a 44.444 plantas por hectare. Como a média das melhores lavouras de milho safrinha está entre 3 a 4 toneladas de grãos por hectare e os problemas recentes de pragas estão comprometendo o estabelecimento do estande, sugere-se implantar as lavouras de milho safrinha com população entre 40 e 45 mil plantas por hectare, dependendo das particularidades da propriedade e do cultivar. Para o milho safrinha, devido

Cultivar

nha é viabilizado com a colheita da soja de ciclo precoce e que as variedades precoces disponíveis no mercado devem ser semeadas preferencialmente em meados do mês de novembro, quando nem sempre têm ocorrido chuvas, é comum atrasar a implantação da soja para fins de novembro até dezembro. É necessário ficar atento à umidade do solo para antecipar a semeadura da soja (preparo operacional para começar a semeadura o quanto antes) e utilizar sementes de variedades de soja com período juvenil longo, a exemplo da IAC 18, IAC 22 e BR 133. Se as chuvas forem suficientes para umedecer o solo em outubro, o agricultor poderá implantar parte da sua lavoura antecipadamente, não precisando aguardar e correr o risco de não semear toda a soja em novembro. Independentemente da época de semeadura, têm sido observadas limitações na produtividade decorrentes da monocultura da sucessão soja - milho segunda safra (DeMaria et al., 1999). Onde não for possível antecipar a semeadura do milho deve-se priorizar o emprego de culturas alternativas de outono/inverno, como trigo, triticale, aveia, sorgo e girassol, ou mesmo a adubação verde, visando obter maiores rendimentos das culturas subseqüentes.

frinha (Cantarella, 1995). Nesse caso, todo o nitrogênio pode ser aplicado na semeadura com a fórmula NPK, evitando as incertezas de haver ou não umidade no solo no momento em que deveria ser feita a cobertura, além de liberar maquinário e mão-de-obra. A tabela de recomendação de adubação desenvolvida pelo IAC para o milho safrinha (Duarte et al., 1996) indica que em latossolos roxos, com teores de fósforo e potássio médios a altos, podem ser utilizados cerca de 200 kg/ha da fórmula NPK 15-1515 ou similar. Essa adubação poderá ser complementada ou não com nitrogênio em cobertura, dependendo da evolução das condições climáticas que determinam o potencial de produção. Ressalte-se que em solos arenosos ou em áreas cultivadas com milho ou outra gramínea no verão, a quantidade de nitrogênio requerida é maior. Nesses casos, não é recomendável dispensar a adubação nitrogenada de cobertura, mesmo quando se empregam fórmulas NPK concentradas em N na semeadura. Havendo condições de umidade no solo a cobertura deve ser feita antes de as plantas atingirem o estádio de 8 folhas, pois existe o risco da ocorrência de seca durante e posteriormente a essa fase. Foram desenvolvidos experimentos de população de plantas na região do Médio Vale do Paranapanema com cultivares de milho recomendados com densidade de 55.000 plantas por hectare no período do verão (DuFevereiro de 2001

ao menor potencial produtivo em relação à safra normal, pode-se utilizar menor população de plantas sem prejuízo no rendimento de grãos (população inicial = 40 a 45 mil plantas/ha). Populações excessivas oneram o custo total do item sementes, podem aumentar o acamamento e quebramento de plantas e não compensam a desuniformidade de semeadura (Duarte et al., 1994). O espaço entre as sementes deve ser uniforme; a produção das plantas de milho juntas não compensam à daquelas que poderiam existir nos espaços vazios, resultando em queda da produção. Considerando que o milho safrinha é semeado em período de baixa freqüência de chuvas e, preferencialmente, na palha, fatores que favorecem o desenvolvimento de algumas pragas de solo, e devido à necessidade do estande ser uniforme, o tratamento de sementes com inseticidas é fundamental para reduzir os riscos de um mal começo da cultura.

CONTROLE DAS PLANTAS DANINHAS

Em levantamento da flora infestante realizado pelo Instituto Agronômico (IAC) na cultura do milho safrinha , no Estado de

São Paulo verificou-se que, aproximadamente, um terço das lavouras apresentavam-se com infestação significativa de plantas daninhas (Duarte & Deuber, 1999). Isso foi explicado pela ineficiência do cultivo mecânico, empregado em algumas lavouras, e por deficiências no controle químico da flora infestante naquela época. Em 1995, fase inicial de cultivo de milho safrinha no Estado de São Paulo, verificou-se que na região do Vale do Paranapanema, onde essa cultura substituiu o trigo, predominavam as seguintes espécies: soja, leiteiro, trapoeraba, picão-preto e nabiça. No Norte, região mais seca e quente, onde as terras permaneciam ociosas no outono-inverno, predominavam soja, apaga-fogo, caruru, capim-carrapicho e picão-preto (Duarte & Deuber, 1999). Atualmente, pelo emprego generalizado e contínuo da atrazina e suas misturas com óleo vegetal e 2,4-D, que controlam predominantemente espécies de folhas largas, o capim-carrapicho é uma das principais espécies da flora infestante em todo o Estado. Visando antecipar a implantação do milho safrinha , sua semeadura é realizada ao mesmo tempo em que a soja é colhida em área subseqüente tornando escassa a dispo-


Fig.02

Rendimentos médio decêndial do milho safrinha nos experimentos desenvolvidos na região norte do Estado de São Paulo no período 1993 a 1999

PRODUTIVIDADE Kg/h

RENDIMENTO DE GRÃOS DO MILHO SAFRINHA REGIÃO NORTE/NOROESTE

Fig.03

(Fonte: IAC citado por Duarte et al.,2000)

Rendimentos médio decendial do milho safrinha nos experimentos desenvolvidos no Médio Vale do Paranapanema (SP) no período 1992 a 1999 (Fonte: IAC citado por Duarte et al., 2000)

PRODUTIVIDADE Kg/h

RENDIMENTOS DE GÃOS DO MILHO SAFRINHA MÉDIO VALE DO PARANAPANEMA

Fig.04

Evolução dos rendimentos do milho safrinha nos experimentos de avaliação de cultivares IAC/CATI/ Empresas, desenvolvidos no Médio Vale do Paranapanema no período de 1992 a 2000 (1 a 9)

RENDIMENTO Kg/h

RENDIMENTOS MÉDIO DO MILHO SAFRINHA REGIÃO MÉDIO VALE DO PARANAPANEMA

PROBLEMAS COM PRAGAS

Anos (1992 a 2000)

14

Cultivar

nibilidade de tratores e mão-de-obra para a aplicação de herbicidas nesse momento. Devido à necessidade de flexibilização da época de aplicação, tem sido priorizado o emprego dos herbicidas pósemergentes e, quando for necessária a dessecação de plantas daninhas remanescentes da soja, é comum realizá-la imediatamente após a semeadura do milho safrinha. É possível reduzir a dose dos herbicidas pósemergentes na safrinha em relação à safra normal, devido ao menor vigor das plantas daninhas nesse período. A menor disponibilidade de água e calor, principalmente nos estádios finais da cultura, faz também com que a reinfestação seja pequena. Estudos sobre adequação de doses de atrazina em milho safrinha demonstraram que nesse período pode-se reduzir a quantidade do produto comercial atrazine mais óleo vegetal (Primóleo) para 1,5 a 2,5 L/ha e que, para a maioria das espécies, a adição de 65 a 130 mL de 2,4-D comercial apresentava efeito sinérgico e não causava fitotoxidade quando aplicado na fase inicial da cultura, exceto quando o híbrido apresenta alta sensibilidade (Deuber, 1997). Atualmente, devido ao grande risco de fitotoxidade, não se recomenda o uso isolado do 2,4D em doses maiores que as já citadas. A mistura de óleo com a atrazine é importante, principalmente para o controle de soja e caruru. Em vez do óleo vegetal, pode-se adicionar o óleo mineral (1 L/ha de Assist), que deve ser misturado diretamente na água do tanque do pulverizador. Nas lavouras de milho safrinha com problema de folhas estreitas pode-se utilizar o nicosulfuron (Sanson) na dose de 0,50 a 0,75 L/ha, que é um excelente herbicida para o controle do capim-carrapicho. Como não controla muito bem a maioria das espécies de folhas largas, especialmente trapoeraba, caruru, apaga-fogo e guaxuma, deve-se empregá-lo em mistura com atrazine (Deuber & Duarte, 1999). Ao se aplicar nicosulfuron + atrazine para o controle da soja, caruru, leiteiro, picão-preto e carrapicho-de-carneiro não é necessário adicionar 2,4D, pois o próprio nicosulfuron maximiza o efeito da atrazine. É necessário adicionar 2,4-D (130 mL/ ha) ao nicosulfuron + atrazine, apenas para o controle da trapoeraba. A omissão do 2,4-D é relevante quando não for possível realizar a aplicação no milho ainda jovem ou se o cultivar for muito suscetível. O óleo mineral ou vegetal também não precisa ser utilizado quando se aplica nicosulfuron + atrazine, exceto quando predomina caruru (Deuber & Duarte, 1999).

A lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), principal praga do milho, está sendo controlada com um número cada vez maior de pulverizações com inseticidas, ocasionando a eliminação indiscriminada de inimigos naturais e muito possivelmente o aparecimento de populações resistentes. Há necessidade de utilizar métodos de amostragens de pragas para a cultura do milho safrinha para possibilitar o manejo integrado de pragas Fevereiro de 2001


16

Cultivar

Quadro 1

Médias das áreas e produtividade em 1997/98 e 1998/99 de milho verão e safrinha e valores relativos do milho safrinha nos principais Estados produtores

Estado

Área Verão

Safrinha

Produtividade Total

1.000 ha PR SP MT MS GO Centro-Sul (1) (1)

Quadro 2

(Cruz, 1999). A semeadura extemporânea do milho, por prolongar a oferta de alimento para as pragas, pode-se transformar em um fator multiplicador, bem como favorecer o surgimento de outras pragas consideradas exóticas ou mesmo mudar o status de uma praga secundária para primária (Gerage & Bianco, 1990). Os autores relataram a ocorrência de larvasde-vaquinha (Diabrotica speciosa), causando graves problemas de acamamento de plantas em lavouras no Estado do Paraná. Houve, recentemente, grande aumento do complexo de pragas subterrâneas na cultura do milho, as quais diminuem significativamente o número ideal de plantas da cultura. Apareceram também, novos problemas com percevejos (percevejo-verde-da-soja - Nezara viridula e percevejo barriga-verde - Dichelops furcatus), tripes e insetos vetores de doenças como as cigarrinhas e os pulgões. Atualmente, recomenda-se o monitoramento da população de percevejos da parte aérea no final da cultura da soja para verificar a necessidade do seu controle químico no estádio de emergência do milho safrinha. Uma das alternativas é o emprego de inseticidas para tratamento de sementes, os quais apresentam a vantagem de não afetar os inimigos naturais. Além de reduzir a produtividade, essas novas pragas estão exigindo maior gasto com inseticidas, seja no tratamento de sementes seja nas pulverizações, o que poderá inviabilizar economicamente o milho safrinha nas áreas mais críticas. Essas pragas, até então sem importância econômica nas principais regiões produtoras, estão associadas a fatores que favoreceram seu aparecimento, entre os quais podemos citar: 1) Monocultura da sucessão soja/milho safrinha , provocando desequilíbrio ambiental; 2) Quase metade das lavouras é semeada em época marginal, que apresenta menor potencial produtivo e maior risco de perdas, quando o retorno dos investimentos em insumos é reduzido e as lavouras pouco cuidadas (sem adubação e controle de pragas); 3) Aumento do plantio direto na palha, principalmente o temporário; que favorece os insetos residentes e exige manejo mais complexo (acompanhamento). Deve-se priorizar a rotação de culturas no planejamento da ocupação das áreas na propriedade, evitando a monocultura da sucessão soja/milho safrinha principalmente nas áreas mais críticas. Sugere-se que o milho safrinha seja implantado preferencialmente nas glebas onde for possível a semeadura na época recomendada para viabilizar o emprego dos insumos (incluindo fertilizantes e inseticidas) e técnicas culturais apropriadas. É necessário o exame dos tipos de pragas no solo (amostragem e identificação) para dimensionar quando e onde está ocorrendo cada tipo de praga e qual o seu potencial de dano - mapear o problema na propriedade (Gassen, 1999). Para isso, sugerese difundir o hábito de observação da população residente através de escavações. Outro problema bastante grave no milho safrinha é a presença de nematóides, tanto os formadores de galhas (Melodoigyne sp.) e os Pratylenchus.sp.

1.500 784 177 173 529 6792

902 413 364 300 211 2232

Relativo %

2.402 1.197 541 473 740 9.024

38 35 67 63 63 25

Verão

Safrinha Kg/ha

3.735 3.634 3.580 4.325 4.425 3.386

Relativo %

2.510 2.500 1.825 2.398 2.650 2.377

67 69 51 55 60 68

Inclui Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo , Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Fonte: CONAB (levantamento de dados)

Custo de produção do milho verão e safrinha na Região Paulista do Médio Vale do Paranapanema

Milho verão

Milho Safrinha Alta tecnologia

Fatores da Produção

Baixa tecnologia

R$ e % do custo efetivo Despesas de operação Serviços de terceiros Material consumido Calcário Semente Adubo Herbicidas Inseticidas Custo efetivo Encargos financeiros Encargos sociais Administração Depreciação de máquinas Seguro Subtotal Custo operacional Produtividade (kg/ha) Valor produto (R$/sc) Receita Lucro

45,92 130,44

( 7) (21)

32,92 50,74

( 9) (13)

26,80 35,49

(11) (15)

16,65 93,71 224,00 92,40 26,17 629,29 62,93 30,50 62,93 25,84 25,00 207,20 836,49 6.000 10,00 1.000,00 163,51

( 3) (15) (35) (15) ( 4) (100)

11,10 85,19 108,39 66,00 21,81 376,15 37,61 24,40 37,61 18,60 23,90 142,12 518,27 3.200 12,50 666,67 148,40

( 3) (22) (29) (18) ( 6) (100)

11,10 51,15 84,00 10,66 21,81 240,86 24,10 16,99 24,10 15,76 19,28 100,23 341,09 2.200 12,50 458,33 117,24

( 5) (21) (35) ( 4) ( 9) (100)

Método IEA descrito por Matsunaga (1976), sem incluir os custos de oportunidade. Lavoura de aproximadamente 50 ha em latossolo roxo em plantio direto. Valores de referência: verão = US$5,60/sc, e safrinha = US$7,00/sc (25 % superior à safra). Fonte: CDVale/COOPERMOTA

Fevereiro de 2001


DOENÇAS E CULTIVARES

Nas semeaduras extemporâneas é necessário maior rigor na escolha dos cultivares, utilizando os reconhecidamente resistentes às doenças de ocorrência regional, devido às condições propícias para a manutenção de fonte de inóculo no campo e aos estresses que tornam as plantas debilitadas. No período da safrinha têm ocorrido, sobretudo, as doenças transmitidas por insetos, especialmente o enfezamento causado por molicutes (Massola Junior et al, 1999; Duarte et al., 1999). Dentre as doenças foliares destaca-se, de maneira mais generalizada, a pinta-branca (Phaeosphaeria maydis) e, em determinadas regiões, a helmintosporiose (Exserohilum turcicum), a ferrugem branca (Physopella zeae), a ferrugem polissora (Puccinia polysora) e a cercosporiose (Cercospora zeae-maydis) (Fantin et al, 1999; Arias et al., 1999; Gerage & Bianco, 1990). No outono-inverno a disponibilidade diária de calor é menor do que nos cultivos de verão e a perda de umidade dos grãos é mais lenta, fazendo com que o ciclo se alongue em quase um mês. Tal fato, juntamente com os estresses fisiológicos, requer que seja dada atenção especial à resistência às doenças do colmo que podem provocar acamamento e quebramento de plantas e aos patógenos depreciadores da qualidade dos grãos. Os problemas de sanidade dos grãos têm sido notados com maior freqüência quando ocorre seca ou geada durante a maturação dos grãos.

EVOLUÇÃO DOS CULTIVARES

Atualmente, existem estudos que orientam a escolha dos cultivares mais adaptados e estáveis para a produção de grãos nas principais regiões produtoras (Corrêa, 1999; Duarte et al., 2000; Gerage & Shioga, 1999; IAC, 2000; Oliveira et al., 1999). Ressalte-se que, embora poucos genótipos comerciais adaptam-se na safrinha, não se tem material desenvolvido apenas para esse período, ou seja, todos os genótipos de milho recomendados para a safrinha são cultivados também na safra normal. A alteração da época de semeadura pode modificar as características fenológicas da planta de milho, sendo conhecido o prolongamento do ciclo das plantas na safrinha em relação à safra normal e, muitas vezes, a redução do porte das plantas (Duarte et al., 1995). Devido à grande variabilidade da época de semeadura do milho safrinha, juntamente com a própria irregularidade climática desse período, tem sido dada especial atenção à estabilidade da produção de grãos dos culti18

Cultivar

vares recomendados. Mas, de maneira geral, a estabilidade geral do cultivar na safra de verão não é bom indicativo da sua adaptação na safrinha, requerendo estudos específicos nessa época (Sawazaki et al., 1995). Isso se deve à ocorrência de temperaturas estressantes opostas entre as modalidades de cultivo: no verão ocorre calor excessivo e no outono-inverno, temperaturas muito baixas. Visando ao escape das condições adversas do meio, que acentuam com o decorrer do inverno, existe uma tendência de recomendar cultivares de ciclo precoce e superprecoce na safrinha. Porém, em regiões como o Médio Vale do Paranapanema, onde há transição climática entre inverno seco e úmido, a probabilidade de ocorrência de geadas é relativamente baixa e o atendimento hídrico é satisfatório na maioria dos anos, existem alguns cultivares de ciclo normal que se sobressaiam em relação aos mais precoces na maioria do anos. Embora não tenha havido o lançamento de materiais específicos para as condições da safrinha, foi o melhoramento genético que viabilizou o sucesso dessa cultura no País, principalmente pela introdução de cultivares mais precoces e/ou adaptados a essa condição. Houve também benefícios do emprego de práticas culturais adequadas para essa modalidade de cultivo, como pode ser observado nos resultados dos experimentos realizados na região paulista do Médio Vale do Paranapanema a partir de 1992 (Figura 4). Excluindo os resultados de 2000, em que a perda foi quase total devido às geadas, a produtividade média dos últimos anos foi 53% (cerca de 1.400 kg/ha) superior à média dos quatro pri-

Quadro 3

A maioria dos cultivares de milho multiplicam os nematóides formadores de galhas, especialmente o Melodoigyne incognita, (Lordello et al., 1999).

Estado

Aildson Pereira Duarte, IAC

Limite das épocas de semeadura para a cultura do milho safrinha por Estado e região produtora, de acordo com o Zoneamento Agrícola e trabalhos da EMBRAPA, IAC, IAPAR e EMPAER

Época Limite Altitude (1)

15 de março 28 de fevereiro 15 de fevereiro 28 de fevereiro Minas Gerais Mato Grosso do Sul 15 de março 15 de março 28 de fevereiro São Paulo 15 de março Mato Grosso Goiás

Paraná

meiros anos do trabalho, correspondendo a um ganho de 7,6% ao ano. Na escolha dos cultivares, deve-se considerar que os melhores são aqueles que apresentam bom desempenho agronômico em nível regional, e a melhor relação entre o benefício do seu emprego e o custo das sementes. Quanto maior o potencial produtivo da lavoura, em razão da época de semeadura e dos demais investimentos em insumos (adubos, inseticidas e herbicidas), maior será o ganho em rendimento de grãos com o emprego dos cultivares mais produtivos (Souza et al., 1993). Nas semeaduras muito tardias, devido à necessidade de reduzir os investimentos, deve-se utilizar as sementes mais baratas (híbridos duplos e variedades), que geralmente são de cultivares que apresentam menor potencial relativo de produção entre aqueles adaptados regionalmente. Particularmente na safrinha 2001, o agricultor deverá ser cauteloso na compra de sementes, utilizando as de maior preço apenas nas lavouras a serem implantadas na época recomendada. A qualidade dos grãos é outro fator que deve ser levado em consideração. Os consumidores têm comprado preferencialmente grãos duros e semiduros para evitar possíveis problemas com micotoxinas advindos principalmente do manuseio inadequado do produto. O milho de melhor qualidade, porém, tem sido remunerado de maneira diferenciada apenas quando o mer. cado é de grande oferta.

30 de março 30 de março 15 de março 30 de janeiro

Alta Alta Baixa Baixa Baixa e Alta Baixa Alta Baixa Baixa Baixa Baixa Baixa Baixa Alta

Região ( cidades referência) Centro-Norte (Sapezal, Lucas do Rio Verde) Sudoeste (Rio Verde, Jataí e Montividiu) Sudeste (Bom Jesus, Santa Helena) Vale do Rio Grande (Conceição das Alagoas) Centro-Norte (Campo Grande, São G. do Oeste, Chapadão do Sul) Centro-Sul (Dourados, Sidrolândia, Itaporã, Ponta Porã) Alto Paranapanema (Taquarituba, Itapeva, Capão Bonito) Norte (Guaíra, Orlândia, Ituverava) Noroeste (Votuporanga, Araçatuba) Médio Vale do Paranapanema (Assis, Ourinhos) Norte (Cornélio Procópio, Londrina, Maringá, Apucarana) Noroeste (Paravaí, Umuarama) Oeste e Vale do Iguaçu (Campo Mourão, sul de Palotina, Medianeira e Cruzeiro do Iguaçu) Transição (Wenceslau Braz, Mauá da Serra, sul de Ivaiporã, Cascavel, sul de Toledo até Francisco Beltrão)

Alta = altitude semelhante ou superior a 600 m e Baixa = altitude inferior a 600 m. Fonte: Brasil (1998), Brunini et al. (1995, 1997), Caramori et al. (1999), Oliveira & Fornasieri (1999) e Sans et al. (1999). (1)

Fevereiro de 2001

N

a altura do mês de julho do ano passado o mercado e o governo brasileiros trabalhavam com a sombria perspectiva da necessidade de se importar até 4 milhões de toneladas de milho para suprir o déficit de produção desse e de outros grãos energéticos empregados pela indústria de ração, como o sorgo. Naquela época se colhia uma das piores safrinhas de milho e também de sorgo dos últimos anos que não seria suficiente para complementar a safra de verão, que também ficara abaixo da expectativa. Era a voz geral de todos os agentes envolvidos no processo de produção e comercialização daqueles cereais. O governo federal informava que seus estoques estratégicos de milho não seriam suficientes até a entrada da próxima safra, mesmo não havendo uma forte tendência para aumento de consumo no segundo semestre do ano.

Cultivar

Sorgo

Por que não

Sorgo na Safrinha?

ESCASSEZ DE MILHO

Algumas indústrias, comerciantes de grãos e mesmo grandes e médios produtores resolveram, então, apostar na escassez de milho, ao mesmo tempo em que as importações de milho da Argentina traziam um obstáculo de caráter legal e político para o desembarque do produto: a presença de material geneticamente modificado nas amostras retiradas dos porões dos navios. Estava formado o quadro indicativo de que quem estocasse milho ganharia dinheiro na virada do ano . Muita gente seguiu nesta direção e os resultados da estratégia estão agora se revelando ruins: o preço do milho despencou nas últimas semanas e os que apostaram na escassez estão perdendo dinheiro, lamentavelmente. Afinal como explicar tudo isso? Erramos nos levantamentos estatísticos? Superestimamos o consumo? Os estoques reguladores eram realmente tão pequenos quanto se informava? Será que as previsões de redução da safrinha de milho e sorgo foram tão catastróficas como as informações veiculadas pela imprensa fizeram parecer? Ou ainda não nos acostumamos com o fato de que as indústrias de ração e todo o segmento de produção animal já não trabalham mais dependentes de uma só fonte de alimento energético, isto é, o milho? É provável que tenha acontecido um pouco de tudo isso e mais alguma outra explicação que foge de nossa percepção. Mas dois pontos devem ser considerados para se tentar entender este quadro. Primeiro, as estimativas da safrinha certamente estavam incorretas. A ampla distribuição geográfica do sistema de plantio de segunda safra no Centro-sul do Brasil e Fevereiro de 2001

Opção cada vez mais utilizada na segunda safra, essa granífera conta com boa aceitação no mercado, sendo opção ao cultivo do milho

Cultivar

19


Girassol A Unimilho através de suas empresas filiadas acredita numa safrinha próxima do normal e está preparada para atender seus clientes com sementes de milho e sorgo híbrido de alta qualidade e de potencial genético para as condições dessa época e sistema de cultivo. Voltando a falar especificamente de sorgo, nossa crença é que produtores cada vez mais profissionais e mais conscientes do risco climático inerente ao sistema de safrinha optarão pelo sorgo em todas as situações de maior risco para a cultura do milho, certos também de que a comercialização de sorgo está consolidada por todo o Centro-sul do país e portanto não faltarão compradores para sua produção. O produtor de safrinha ao optar pelo sorgo estará adicionalmente agregando o grande potencial de produção de palha de alta qualidade para a prática do plantio direto seqüencial.

Cultivar

milho transgênico no país, governo e setor privado se voltaram para o sorgo da Argentina, uma vez que a produção doméstica parecia ser insuficiente para atender a demanda interna. Pelos registros oficiais, até dezembro o Brasil já havia importado 300 mil t de sorgo, ou 500 mil segundo fontes do setor privado. A oferta total de sorgo (produção nacional+importação) de 1,3 a 1,5 mi-

Cultivar

a grande diversidade de níveis tecnológicos, aliada a taxas de risco climático também bastante diferenciados fazem com que as estimativas de produtividade da safrinha se tornem muito pouco precisas. De uma particular observação de lavouras de safrinha numa dada região se projetam estimativas para maior ou para menor produtividade em relação à área total plantada; e isso pode ser uma considerável fonte de erro.

A flor do Cerrado

CULTIVARES OFERECIDAS

O sorgo agrega palha de alta qualidade para a prática do plantio direto seqüencial

PRODUTOS ALTERNATIVOS

Em segundo lugar é preciso se atentar para a silenciosa, porém real mudança de hábitos da indústria consumidora de grãos forrageiros do Brasil. Na medida em que se amplia a oferta de outras fontes de alimento energético como o sorgo, o milheto, o triticale, sub-produtos de arroz e trigo, o próprio trigo nacional de baixo valor para panificação, polpa cítrica e tantos outros produtos regionais, cai a dependência pelo milho. Com os avanços da tecnologia de uso desses produtos alternativos e com a evolução dos processos de gerenciamento da qualidade combinados com a análise financeira da produção, vão acabando pouco a pouco os mitos e preconceitos de que o milho é um ingrediente insubstituível nas formulações. Olhando especificamente para o ingrediente alternativo ao milho hoje em maior disponibilidade no mercado brasileiro, o sorgo, verifica-se que nos últimos três anos sua oferta subiu de pouco mais de 800 mil t para algo próximo a 1.2 milhão de t na última safrinha. E mais, a partir das dificuldades para desembarcar 20

Cultivar

lhões de t, mais 1,8 milhões de t de milho importado, mais os outros ingredientes alternativos da cesta básica certamente ajudaram as explicar o achatamento dos preços do milho nesse final de ano. Desse modo, computando erros de previsão de safras e essa nova realidade de um mercado apto a adquirir ingredientes alternativos e necessitado de reduzir custos, se possa explicar pelo menos em parte porque não precisamos trazer tanto milho de fora e porque tem milho aparentemente sobrando no mercado interno.

PRÓXIMA SAFRINHA

Dentro desse quadro, o que poderá acontecer na próxima safrinha que se inicia nas próximas semanas? É possível que haja alguma redução de área, que se aumente a área de um ou de outro dos tradicionais produtos da safrinha, milho e sorgo, ou para surpresa de muitos incrédulos, os produtores mantenham sua programação original e plantem toda as sementes postas no mercado.

As empresas do Grupo Unimilho trabalham com híbridos de sorgo granífero e forrageiro da marca BR/BRS desenvolvidos pela Embrapa e que têm apresentado excelente desempenho nas condições de safrinha, desde o Norte do Paraná até latitudes mais ao norte, em baixas e médias altitudes (400 a 800m). Dos sorgos híbridos BR/BRS a Unimilho recomenda e oferece para a safrinha os seguintes produtos: BR 304: híbrido granífero precoce e de porte baixo, altamente resistente à seca e ao acamamento, sem tanino nos grãos, largamente adaptado às condições de safrinha, mas especialmente indicado para as épocas de plantio mais tardias além do dia 15 de março. BRS 306: híbrido granífero de porte médio e de alto potencial de produção, com boa resistência a seca e ao acamamento, sem tanino nos grãos, grande produção de palha para PD, largamente adaptado às condições de safrinha, mas especialmente indicado para a safrinha do cedo, entre 15 de fevereiro e 15 de março, e para altitudes acima de 700m. BR 601: híbrido forrageiro para silagem de porte alto nas condições de verão (2,50 a 3,00m) e de porte médio nas condições de safrinha (2,00 a 2,30m). Alta produção de matéria seca e de grãos, com boa resistência à seca e ao acamamento se plantado para um população final de 100 mil plantas por . hectare. Paulo Motta Ribas Consultor Técnico Fevereiro de 2001

A época de semeadura é de suma importância para o sucesso da cultura do girassol

O

girassol está se consolidando como uma alternativa econômica para os produtores do Cerrado e, vale lembrar, 80% do que se planta no Brasil está na região Centro-Oeste. A crescente opção dos agricultores por essa cultura não é gratuita. Após anos de trabalho, pesquisadores da Embrapa Cerrados desenvolveram sementes mais resistentes ao clima seco e técnicas de manejo mais apropriadas que, aliadas ao potencial do mercado, contribuíram para despertar o interesse dos produtores da região pelo produto. Originário da América do Norte, o girassol é hoje a quarta oleaginosa mais plantada no mundo, respondendo por 13% de todo o óleo vegetal produzido. No Brasil, em um ano, a área cultivada passou de 22 mil para 82 mil hectares. Todo esse crescimento, no entanto, não é suficiente para atender a demanda dos Fevereiro de 2001

correntes da estacionalidade de produção de forragem na região do Cerrado. O girassol se desenvolve e produz bem em climas temperados, tropicais e subtropicais. Seu fruto, mais conhecido como semente, é chamado aquênio. Comparada com a maioria das espécies cultivadas no Brasil, como o milho e o sorgo, é uma cultura que apresenta maior tolerância à seca, ao frio e ao calor. Nas áreas produtoras de grãos, serve como opção nos sistemas de rotação e sucessão de culturas. Demonstra grande adaptabilidade às diferentes condições edafoclimáticas, sendo seu rendimento pouco influenciado pela latitude, altitude e fotoperíodo. A alta qualidade do óleo de girassol, somada às suas excelentes características físico-quimicas e nutricionais, tem contribuído para o rápido incremento desse produto no consumo humano. O óleo extraído dos grãos é rico em gorduras poliinsaturadas (benéficas para a saúde humana) e possui a melhor relação de ácidos graxos poliinsaturados/saturados (65,3%/11,6%), o que lhe garante qualidade nutricional.

IMPORTÂNCIA DA SEMEADURA

fabricantes de óleo do país que, para suprir o mercado, importa o equivalente à produção de 150 mil hectares da Argentina.

USOS E VANTAGENS

Inicialmente o girassol foi utilizado pelos índios americanos, como fonte alimentar, e pelos europeus e asiáticos, como planta ornamental e hortaliça. Hoje vem sendo largamente usado sob diversas formas em todo o mundo. Sua principal utilização é como matéria-prima para a produção de óleo comestível. O farelo, subproduto da extração do óleo, é aproveitado pelos fabricantes de ração para alimentação animal. Os grãos são consumidos por monogástricos e ruminantes, além do uso na alimentação de pássaros. A planta inteira é utilizada sob a forma de silagem, rolão, verde ou corte, podendo oferecer grande contribuição para minimizar os problemas de-

A época de semeadura é de suma importância para o sucesso da cultura. A princípio, o girassol foi recomendado na região do Cerrado para ser plantado na safrinha. Como a região caracteriza-se por grande variabilidade climática, é necessário que o local de semeadura tenha uma precipitação suficiente para que a oleaginosa apresente bom desenvolvimento, satisfazendo suas exigências nas diversas fases fenológicas. A safrinha é viável desde que atenda ao suprimento de água e ao período recomendado, que vai do início de janeiro até 20 de fevereiro. Na região do Distrito Federal, numa altitude de mil metros, os resultados de semeaduras realizadas em novembro pela Embrapa Cerrados demonstraram grande desenvolvimento do girassol com rendimentos superiores aos obtidos na safrinha e a incidência de uma das principais doenças do girassol, a alternária, não foi acentuada. Também é posCultivar

21


sível cultivar o girassol na entressafra, com irrigação, desde que a temperatura não atinja valores abaixo de 10ºC por longos períodos. A quantidade de sementes gastas por hectare é, em média, de 3,0 a 4,0 kg, dependendo do tamanho da semente e do peso de mil grãos (aquênios). A densidade populacional é fator decisivo para altos rendimentos e depende da cultivar utilizada. A Embrapa Cerrados avaliou algumas das principais cultivares comerciais e verificou que a população, tanto para silagem como para produção de grãos, deve ficar entre 35.000 (apenas para cultivares específicas) a 50.000 plantas/ha. Quanto menor a competição entre as plantas, melhor é o espaçamento. Mas para adequá-lo ao sistema de produção dos agricultores dessa região, recomenda-se o espaçamento entre as linhas de 0,70 a 0,90 m. Os maiores valores favorecem a colheita com a plataforma de milho adaptada. A colheita deve ser feita quando a umidade estiver entre 14% a 16%. Existem plataformas específicas de corte para o girassol, mas é possível realizá-la com a plataforma de milho com pequenos ajustes. Os agricultores já estão utilizando essa tecnologia de baixo custo, desenvolvida pela Embrapa Soja, e que pode ser realizada na própria fazenda. Essa colhedeira promove acentuada redução das perdas, melhorando a capacidade da colheita.

TEMPERATURA E ADUBAÇÃO

A temperatura considerada ideal para o girassol varia de 27 a 28ºC. Temperaturas acima de 35ºC reduzem o teor de óleo e, agregadas à baixa disponibilidade de água, afetam o desenvolvimento da planta. Uma região que apresenta temperaturas entre 10ºC a 34ºC é considerada como tolerante à cultura. A maior parte dos materiais de girassol cultivados no Cerrado foi desenvolvida em solos corrigidos quanto ao pH, ao alumínio e à fertilidade. Sendo o girassol sensível à acidez do solo, torna-se necessário corrigir o pH e o alumínio presente nos nossos solos através da calagem, exigindo uma saturação por base de 50%. A adubação química deve estar de acordo com a recomendação estabelecida pela análise de solo. Em geral, para os Latossolos sob Cerrado, utiliza-se 100 a 120 kg/ha de P2O5 e de 40 a 55 kg/ha de K2O. A adubação nitrogenada recomendada é de 15 a 20 kg/ha de N na semeadura e de 65 a 70 kg/ha de N em cobertura entre os 25 e 30 dias após a germinação. Em relação a micronutrientes, o boro é um dos elementos mais importantes, pois além do girassol ser uma das culturas mais exigentes quanto a esse micronutriente, os solos sob Cerrado, em grande parte, são deficitários em boro. Sua ausência reduz a produção em até 60%. Deve-se aplicá-lo na semeadura, na dosagem de 3 kg/ha de boro.

Os sintomas de deficiência de boro são: folhas quebradiças, plantas com capítulos reduzidos, plantas sem capítulos (quando isto ocorre, as plantas apresentam um corte longitudinal na inserção do capítulo com o caule, provocando a sua abscisão), capítulos deformados e mal granados, e sementes chochas.

DOENÇAS E PLANTIO DIRETO

O girassol é hospedeiro de uma grande quantidade de fungos, vírus e bactérias. A importância das doenças está relacionada com as variedades, tratos culturais e condições climáticas (épocas de semeadura). Entre elas, a alternária (Alternaria helianthi) e a podridão branca (Sclerotinia sclerotiorum) são as mais importantes. A mancha de alternária ataca tanto caule quanto folhas, capítulos e aquênios promovendo uma acentuada redução da área foliar e, conseqüentemente, reduzindo a produção. Ocorre em condições de altas temperaturas e umidade relativa do ar elevada. A podridão branca é considerada a doença mais importante para o girassol no mundo, infectando a raiz, o colo da planta, o caule e o capítulo de modo geral, permanecendo por muitos anos no solo, com seu poder patogênico intacto. Em áreas que já apresentam o problema, uma vez que o fungo é polífago e é hospedeiro do feijão, deve-se evitar o plantio do girassol. Muitos produtores têm perguntado se o girassol se desenvolve bem no sistema de Plantio Direto. O que se tem observado é que, mesmo em solos com alto teor de argila, o sistema de Plantio Direto tem se mostrado altamente satisfatório. O maior problema é a distribuição eficiente das sementes, por elas serem muito leves (o peso de mil sementes varia de 44,0g a 70,0g). Embora já existam discos apropriados para a semeadura, o fato pode persistir com semeadura em velocidades acima das recomendadas (5 km/h). Quanto à possibilidade de resíduos de herbicidas aplicados no milho ou na soja virem a prejudicar o girassol, casos de injúria foram observados em culturas de girassol realizadas em sucessão a essas culturas, devido ao pouco tempo para a degradação dos herbicidas. Segundo a literatura, o girassol mostra-se sensível aos herbicidas do grupo das triazinas e as imidazolinonas, portanto, deve-se evitar a semeadura do girassol em áreas em que foram aplicadas imidazolinonas e esperar 150 dias onde se aplicaram triazinas. A Embrapa Cerrados vem pesquisando o girassol com os objetivos de gerar informações em bases técnicas, científicas e econômicas, identificar possíveis fatores que limitem o estabelecimento dessa oleaginosa no Cerrado e . promover a sua divulgação. Renato Amabile, Embrapa Cerrados

22

Cultivar

Fevereiro de 2001


Arroz

Café

Cultivar

Através da técnica, tenta-se conseguir variedades de arroz com raízes mais longas, com maior tolerância ao estresse hídrico

Para onde vai o café?

Energia nuclear na agricultura A

energia nuclear, quando usada para fins pacíficos, possui um vasto campo de contribuição positiva para a humanidade. Além de sua utilização como fonte de energia em geral e também na medicina e na engenharia, entre outros, tem sido bastante empregada na agricultura, especialmente por provocar o aumento da variabilidade genética nas plantas e, portanto, tornar mais efetiva a busca por melhor produtividade, qualidade e adaptabilidade ao meio ambiente. Por outro lado, estudos desenvolvidos por instituições internacionais têm indicado que, devido ao aumento da população e degradação dos recursos naturais, um dos maiores problemas a ser enfrentado pelo homem no próximo milênio será a escassez de água consumível. Na Europa, Ásia e África, a carência de água potável está aumentando acentuadamente nas últimas décadas, existindo regiões nesses continentes onde a 24

Cultivar

disponibilidade desse importante líquido já não é mais suficiente para atender a demanda da população. No Brasil, com o uso intensivo e descontrolado da irrigação na agricultura, já se faz notar a falta de água nos períodos críticos das culturas em várias regiões do País, principalmente nas áreas dos cerrados. Umas das maneiras mais eficientes e econômicas de reduzir o problema da escassez de água na agricultura ou mesmo sanar essa questão é através do uso pelos agricultores de plantas mais tolerantes à deficiência hídrica do solo. Nesse sentido, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), através da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA), vem financiando investigações científicas que tenham como objetivo a criação de plantas com sistema radicular mais eficiente na extração da água do solo. Recentemente, o projeto da Embra-

pa Arroz e Feijão: Seleção de mutantes de arroz in vitro para aumentar a tolerância do sistema radicular à seca foi aprovado pela IAEA e está sendo desenvolvido com a colaboração de instituições que pesquisam o arroz de terras altas no Brasil. A Embrapa Arroz e Feijão vem trabalhando, por meio do emprego da mutação induzida com raios gama, para obter plantas de arroz com raízes mais longas e mais grossas e, assim, capazes de penetrar nas camadas mais profundas do solo, explorando-o e retirando a água necessária para o crescimento e . produção. Evaldo Pacheco Sant Ana, Embrapa Arroz e Feijão Fevereiro de 2001

Em outros tempos os preços do café teriam reagido de maneira expressiva perante tantos fatores: plano de retenção; baixo estoque mundial; dois anos de secas sucessivos e geadas

O

impacto de um desses fatores sempre, ou quase sempre, foi motivo de aumento dos preços do café. No momento estamos convivendo com a interação desses fatores e o mercado encontra-se apático. Como poderemos explicar esse cenário? Plano de retenção: Um dos fatores negativos foi a morosidade das determinantes do plano de retenção, isso trouxe enorme inconveniente ao mercado cafeeiro nacional e Fevereiro de 2001

internacional. Quando saímos para uma guerra precisamos estar com todas as regras estabelecidas na base. Saímos dando tiros aleatórios e fomos bombardeados logo de saída. Isso não caracteriza que somos contra o plano de ordenamento de oferta, mas sim, necessitamos de um plano com estratégias definidas e claras. Hoje, parece-nos que o plano está definido. Porém, os países importadores tiveram de 6 a 7 meses para recompor os seus esto-

ques e bater duro contra o plano. Quando se iniciou a conversa sobre o ordenamento, os países consumidores tinham por volta de 11 milhões de sacas de café. Agora (em 30 de outubro de 2000), estão com 17 milhões de sacas de café em estoque. Um dos países que mais elevou seus estoques foi os EUA, os quais saíram de 2,6 milhões de sacas em dezembro de 1999 e chegaram a 6,3 milhões de sacas em setembro de 2000. Encostaram esse estoque do GCA (Green Coffee Association) na bolsa de Nova York e esse número passou a ser o regente na orquestra dos preços . Baixo estoque mundial: Estávamos em 30 de junho de 2000 com o estoque mundial de 21,1 milhões de sacas de café, ou seja, o menor estoque desde 1958 (segundo ANUÁRIO ESTATÍSTICO DO CAFÉ 2000/01 COFFEE BUSINESS, PÁG. 74 e do livro 150 ANOS DE CAFÉ, MARCELINO MARTINS, PAG. 312). O grande inconveniente desse estoque para recuperação dos preços, é que ele se apresenta nas mãos dos consumidores. Das 21,1 milhões de sacas, 15,4 encontram-se em poder deles em 30 de junho de 2000. Dois anos de secas sucessivos: Dos últimos 19 meses, ou seja, desde maio de 1999, o MARA/PROCAFÉ de Varginha detectou que tivemos déficit hídrico em 15 meses. Além de atrapalhar a produção 2000/01 atrapalhará ainda mais a produção 2001/02. O próprio MARA/PROCAFÉ já fez uma previsão inicial de que a safra 2001/02 ficará por volta de 25 milhões de sacas, o que representa uma produção bem menor que a safra que acabamos de colher. Geadas: Sem necessidade de maiores explicações, as geadas são sempre destrutivas. Paraná fortemente atingido, com quebra de 80 a 90% da produção e os estados de São Paulo e Minas Gerais numa faixa de 20 a 30% de quebra. Somado a esses quatro aspectos acima mencionados, temos a descredibilidade das informações quanto à quebra da próxima safra. O mercado não absorveu o impacto dessa quebra de produção. E ainda existe o interesse de determinados players que continuam jogando números e notícias que corroem as informações que favorecem melhores preços.

ESTOQUES EM QUEDA

Os estoques Mundiais começarão a entrar em queda por alguns fatores tais como: início do plano de retenção em outubro de 2000; os países exportadores que tinham prazo para entrar no plano até outubro de 2000 varreram seus estoques , fato esse já provado pelo Cultivar

25


Café Disponibilidade em milhões de sacas Estoque em junho de 1998 (Anuário Coffee Business) Produção em 1998/99 (EMBRAPA)

14,4 36,0

Disponibilidade 30/06/1998 a 30/06/1999

50,4

Estoque em 30 de junho de 1999 (Anuário Coffee Business) Produção em 1999/00 (EMBRAPA)

12,9 27,2

Disponibilidade 30/06/1999 a 30/06/2000

40,1

Estoque em 30 de junho de 2000 (Anuário Coffee Business) Produção em 2000/01 (EMBRAPA)

7,4 28,9

Disponibilidade 30/06/2000 a 30/06/2001

36,3

Estoque 30 de junho de 2001 * Produção em 2001/02 Estimada (MARA/PROCAFÉ Varginha / MG)

3,3 25,9

Disponibilidade 30/06/2001 a 30/06/2002

29,2

*estoque estimado pelos autores.

menor estoque mundial desde 1958; inverno nos países do hemisfério norte, que logicamente aumentará o consumo nos próximos tempos; época de entressafra na maioria dos países produtores. Em termos de produção, sabemos que em meados de dezembro, confirmou-se nossa previsão da florada desigualada e minguada e isso levará categoricamente a uma produção reduzida na safra 2001/02. No nosso entendimento quando oficializarmos a queda na produção na próxima safra, somados aos baixos estoques demonstrados, aumento do consumo mundial nos próximos tempos e a solidificação do plano de retenção (ordenamento), teremos condições extremamente propícias para a melhoria dos preços. O nosso embasamento é demonstrado com fontes seguras oriundas de organismos respeitados e que nos parece estatística e matematicamente corretos. Para enriquecer a nossa posição gostaríamos de

mostrar a disponibilidade de café brasileiro que ainda é responsável por aproximadamente 25 a 30% da produção e que mesmo contra o gosto de muitos analistas, é representativo a nível mundial. O Brasil tem poder e só perderá quando nos curvarmos perante o medo de continuarmos produzindo o máximo possível de café. Na tabela, o demonstrativo da queda vertiginosa da disponibilidade brasileira pode ser observado. Em relação aos dados anteriores, estamos desconsiderando os números publicados pelo USDA em 08/12/00, pois ainda estamos digerindo-os, o que nos pareça bastante indigestos e... Os dados anteriomente mencionados são auto-explicativos, onde a nossa disponibilidade precisa ser recuperada no futuro próximo, ou teremos sérios problemas com nossa logística de café. Uma queda da disponibilidade de 50,4 milhões de sacas de 30 de junho de 1998 a 30 de junho de 1999 para uma disponibilidade de 29,2 milhões de sacas de 30 de junho de 2001 a 30 de junho de 2002 é realmente alarmante, pois não suprirá a nossa demanda de aproximadamente 33 milhões de sacas (20 para . exportação e 13 de consumo interno). Armando Matielli, André L. Matielli, Engenheiros Agrônomos

Maturação desejada Pesquisa mostra como obter uma melhor maturação do café

A

realidade atual da cafeicultura brasileira indica que a agroindústria nacional tem capacidade de abastecer os mercados internos e externos com um produto de qualidade, o que depende de um estímulo em torno da revitalização da cultura em busca da produtividade e qualidade. No Brasil, poucos produtos agrícolas têm seus preços baseados em parâmetros qualificativos e, dentre eles, destaca-se o café cujo valor acresce-se significativamente com a melhoria da qualidade, a qual é também um fator limitante para a exportação. A bebida do café depende de vários fatores, destacando-se dentre eles: A composição química do grão, determinada por fatores genéticos, culturais e ambientais; O processo de preparo e conservação do grão, no qual intervém a ação da umidade e temperatura, a qual propicia infecções microbianas e fermentações indesejáveis; A torração e o preparo da bebida, que modificam a constituição química do grão, modificação sempre relacionada à composição original do grão cru. Tem sido intensivamente demonstrado que as melhores qualidades de bebidas de café são obtidas quando se processa o café cereja. Isto se explica pelo fato de ser o estádio cereja a fase correspondente ao ponto ideal de maturação dos frutos, no qual a casca, polpa e semente encontram-se com a composição química adequada a proporcionar ao fruto seu máximo de qualidade. Fevereiro de 2001

MUDANÇAS METABÓLICAS

Durante o processo de maturação e, principalmente, na etapa de amadurecimento de frutos em geral ocorrem mudanças metabólicas importantes, tais como: Aceleração do metabolismo de açúcares e ácidos; Aumento em compostos voláteis, tais como ésteres, aldeídos, cetonas, álcoois e outros, responsáveis pelo aroma característico dos frutos maduros; Aceleração de atividades respiratórias e biogênese do etileno em frutos climatérios; Degradação da clorofila e síntese de pigmentos, como carotenóides e antocianinas. Essas modificações na composição química conduzem o fruto ao ponto ideal de colheita, no qual os constituintes químicos atingem teores que lhe conferem características peliculares da maturação completa. Na prática, a maturação é evidenciada pela mudança da coloração verde da casca para a cor característica de fruto maduro que, no caso do café, é o vermelho-cereja ou amarelo. A realidade da colheita no ponto certo, isto é, com quantidade máxima de frutos maduros (cerejas) e mínima de frutos verdes tem sido um dos fatores que contribuem decisivamente para a qualidade final do produto. Por outro lado, a desuniformidade dos frutos, quanto ao estádio de maturação e a dificuldade de mão-de-obra durante o período de colheita, leva os cafeicultores a antecipar o início desta com um elevado percentual de frutos verdes.

Segundo Souza (1996), os frutos verdes são resistentes ao ataque de microorganismos tanto na planta quanto nas fases de colheita e armazenamento, mas conferem características indesejáveis à bebida, transmitindo-lhe a característica de adstringência devido ao elevado teor de fenólicos apresentado - prejudicam também quanto ao tipo obtido. Já ao colher os frutos mais tarde, haverá maior quantidade de grãos passas e secos que, muitas das vezes, caíram no chão, constituindo a parcela varrição, o que proporciona um produto de qualidade inferior pelo aumento do número de defeitos e pior bebida. Diante disso, como as colheitas nas condições brasileiras são realizadas através do processo de derriça e não da colheita seletiva, tem-se buscado alternativas visando melhorar uniformidade de maturação dos frutos. Dentre as alternativas disponíveis, destacase a utilização de cultivares com a maturação de frutos mais uniformes como as cultivares Rubi MG 1192 e Topázio 1190, lançadas a partir de 1994, pelo sistema Estadual de Pesquisa do Estado de Minas Gerais (EPAMIG, UFLA e UFV), o manejo adequado de irrigação, onde o cafeicultor retarda o início das irrigações e com isso consegue uniformizar o florescimento e conseqüentemente, a maturação ou ainda, a utilização de substância química precursoras de etileno (Hormônio ligado a maturação de frutos). Pesquisas realizadas recentemente pela EPAMIG através da Fazenda Experimental de Patrocínio têm evidenciado que uma vez Cultivar

27


Porcentagem de frutos cereja , na presença e ausência de Ethrel, avaliada em intervalos de 5 dias até a colheita, para as cultivares Acaiá Cerrado MG-1474, Topázio MG - 1190 e Catuaí Vermelho IAC - 15

Valores médios da Atividade da Polifenoloxidase (m /min/g), e classificação de amostras de café m/ beneficiado da Cultivar Catuaí Vermelho IAC-15, na presença e ausência de Ethrel. Tratamentos

Atividade de PFO

Classif. pela atividade PFO

Prova de xícara

Classif. qto ao tipo

Ethrel Testemunha

65,73 a 64,97 a

Fino - Mole - Ap. Mole Fino - Mole - Ap. Mole

Dura Dura

5a 5a

Médias seguidas por letras distintas diferem entre si pelo Teste de Turckey, ao nível de 1º de probalidade.

m/min/g), e classificação de amostras de café Valores médios da Atividade da Polifenoloxidase (m beneficiado da Cultivar Acaiá Cerrado MG - 1474, na presença e ausência de Ethrel Tratamentos

Atividade de PFO

Classif. pela atividade PFO

Prova de xícara

Classif. qto ao tipo

Ethrel Testemunha

60,95 a 61,24 a

Aceitável - Dura Aceitável - Dura

Dura Dura

3a 3a

Médias seguidas por letras distintas diferem entre si pelo Teste de Turckey, ao nível de 1º de probalidade.

Valores médios da Atividade da Polifenoloxidase (m /min/g), e classificação de amostras de café m/ beneficiado da Cultivar Topázio MG-1190, na presença e ausência de Ethrel. Tratamentos

Atividade de PFO

Classif. pela atividade PFO

Prova de xícara

Classif. qto ao tipo

Ethrel Testemunha

62,70 a 62,70 a

Aceitável - Dura Aceitável - Dura

Dura Dura

5a 5a

Médias seguidas por letras distintas diferem entre si pelo Teste de Turckey, ao nível de 1º de probalidade.

Valores médios do Índice de Coloração, Açúcares redutores, não-redutores e totais de amostras de café beneficiado da Cultivar Catuai Vermelho IAC-15, Acaiá Cerrado MG-1474 e Topázio MG-1190, na presença e ausência de Ethrel. Porcentagem de frutos verde , na presença e ausência de Ethrel, avaliada em intervalos de 5 dias até a colheita, para as cultivares Acaiá Cerrado MG-1474, Topázio MG - 1190 e Catuaí Vermelho IAC - 15

Tratamentos

Índice de Coloração

Açúcares redutores

Açúcares não-redutores

Açúcares totais

Ethrel Testemunha

1,73 a 1,74 a

0,43 a 0,37 b

5,79 5,91

6,54 a 6,60 a

Médias seguidas por letras distintas diferem entre si pelo Teste de Turckey, ao nível de 1º de probalidade.

aplicado no momento exato (fruto já granado) e seguindo todas as recomendações técnicas, tem-se obtido bons resultados quanto à maturação e qualidade da bebida de grãos beneficiados de café.

RESULTADOS DA PESQUISA

Após a aplicação de Ethrel a porcentagem de frutos verdes desejável por ocasião da colheita (<5%) foi obtida aos 20, 25 e 35 dias após a aplicação do produto para as cultivares Acaiá Cerrado MG-1474, Topázio MG1190 e Catuaí Vermelho IAC-15. Enquanto que na ausência do produto, seguindo uma maturação natural de um cafeeiro, o mesmo índice de verde para se realizar a colheita só foi obtido aos 35, 25 e 65 dias, respectivamente. (Figura 1). Com relação à porcentagem de frutos cereja , obteve-se uma antecipação com a aplicação do produto quando comparado com a área não tratada. (Figura 2). Foram realizadas também avaliações quanto à qualidade da bebida uma vez que, existia a possibilidade de ter ocorrido apenas 28

Cultivar

maturação no exocarpo (casca) e não no endosperma (grão). Contudo, conforme os resultados obtidos através de análises químicas determinadas a partir da atividade da Enzima Polifenoloxidase, Índice de coloração, Açúcares redutores, não-redutores e totais, bem como das avaliações de qualidade usuais como Análise sensorial ( prova de xícara ) e classificação quanto ao tipo (Tabela 1, 2, 3 e 4), a maturação antecipada devido à aplicação do produto não promoveu apenas a maturação do exocarpo, mas sim, a completa maturação fisiológica do grão uma vez que não houve diferença das amostras tratadas para aquelas não tratadas colhidas posteriormente conforme demonstrado na Figura 1 e 2. Cabe apenas ressaltar que por se tratar de um precursor de hormônio é importante que exista uma perfeita interação entre o estádio de crescimento do fruto, as condições nutricionais da planta e a tecnologia de aplicação . do produto. Gladyston Rodrigues Carvalho, Epamig Fevereiro de 2001


Aenda - Defensivos Genéricos

Mercado Agrícola - Brandalizze Consulting

Agroquímicos:

Pesquisando preços O mercado de defensivos agrícolas no Brasil cresceu, em termos econômicos, de US$ 836 milhões em 1986 para US$ 2,35 bilhões em 1999, conforme levantamento sistemático realizado pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola Sindag. O Estado de São Paulo ocupa o primeiro lugar totalizando 23,7% das vendas em todo o território nacional. O Instituto de Economia Agrícola IEA, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, resolveu enfrentar o desafio de emprestar aos analistas, planejadores e pesquisadores um levantamento sistemático de preço dos principais produtos deste importante insumo agrícola, no mercado paulista. Mas, o Instituto, uma casa de pesquisa, não podia simplesmente criar um balcão para anotação de preços. Era necessário implementar metodologia científica às enquetes, por sistemáticas que fossem. Daí, da decisão à prática, muito esforço foi despendido. A primeira tarefa foi selecionar os produtos, nesta fase representados pelos ingredientes ativos, tendo em vista a importância em termos de volume de vendas no geral e nas culturas de maior expressão. A estes, a equipe de pesquisadores, agregou alguns ingredientes ativos novos no mercado, mas que podem vir a representar relevância em futuro próximo, segundo especialistas em agroquímicos. Em seguida, a equipe levantou os estabelecimentos comerciais no Estado para possibilitar uma extratificação geográfica das enquetes, vis a vis as culturas enfocadas. Concomitantemente, foi desenhada uma tabela com as marcas comerciais representativas dos ingredientes ativos escolhidos, bem como as embalagens, por volume unitário, de maior aceitação. Em razão dos recursos do projeto, foi

30

Cultivar

decidido limitar o número de levantamentos por ano. Estudando a sazonalidade das vendas, os pesquisadores optaram por quatro levantamentos anuais: janeiro, abril, agosto e outubro. A escolha dos estabelecimentos comerciais, dentro das zonas agrícolas selecionadas, levou em conta a maior representatividade dos revendedores/atacadistas/

O mercado de defensivos agrícolas no Brasil aumentou de US$ 836 milhões (1986) para US$ 2,35 bilhões (1999), conforme dados do Sindag distribuidores na distribuição deste insumo, seguida pelas cooperativas. Essa etapa exigiu grande esforço, porquanto as relações de estabelecimentos conseguidas em diversas fontes, necessitaram de atualização de endereçamento e elemento de contato. Ao final, foram definidos 66 co-

laboradores para o primeiro levantamento, janeiro de 2000, assim distribuídos: São Paulo (10), Campinas (2), Itapetininga (10), Pindamonhangaba (3), Mogi das Cruzes (4), São José do Rio Preto (7), São João da Boa Vista (5), Assis (8), Cândido Mota (1), Barretos (3), Orlândia (2), Ituverava (4), Holambra (2), Bebedouro (1), Piracicaba (1), Guariba (1), Sertãozinho (1) e Jaú (1). Ao levantamento em si, precedeu um teste do questionário elaborado, o qual possibilitou alguns ajustamentos no formato e na relação dos produtos. De forma que, o modelo definitivo apresentou 95 ítens (85 marcas comerciais, sendo 10 com 2 tipos de embalagens). Foram incluídos 22 inseticidas, 9 acaricidas, 19 fungicidas, 1 regulador de crescimento e 41 herbicidas. Os dados coletados são trabalhados por um programa computacional, em linguagem Delphi, utilizado na digitação, depuração, cálculo das estimativas, formação do banco de dados e confecção dos relatórios finais com as médias de preços por produto, em nível de região e de Estado. Hoje, esse levantamento já conta com sua primeira série completa do ano de 2000, conforme o extrato abaixo.

Clorpirifós

Match

Lufenuron Mancozeb Azoxystrobin

janeiro

abril

agosto

1 litro

18,97

18,86

19,60

18,57

1 litro

51,56

53,11

51,73

51,03

outubro

1 quilo 100 gramas

12,71 41,14

12,93 41,81

13,17 39,97

13,03 40,06

20 litros

179,41

175,91

168,76

164,66

1 litro

67,31

73,08

70,32

67,71

HERBICIDA Aminol Sanson

2,4-D Nicosulfuron

onde veremos cotações menores agora e em crescimento no segundo semestre. Deveremos exportar grandes volumes de produtos (como milho e algodão), apenas importávamos. Também crescerá a demanda interna, principalmente em função da vaca louca, que atinge vários países europeus e aumentará

as vendas de frangos e suínos. Tudo deve refletir em consumo crescente de milho e soja por aqui mesmo. O clima favoreceu os produtores e a colheita deverá atingir as 90 milhões de T de grãos. É uma boa notícia para os transportadores.

MILHO

ARROZ

estoques do governo que passaram o ano na casa das 2 milhões de Toneladas.Deveremos ter um bom ano comercial para os produtores.

Exportações tiram o produto do Brasil

Os primeiros embarques de milho para a exportação começaram em janeiro via Paranaguá e, no final do mês, via Rio Grande. Com isso tira-se parte do excedente de verão do solo brasileiro. Os principais compradores da Europa têm valorizado o milho do Brasil, sendo mais vantajoso vender lá fora do que no mercado interno. É um primeiro passo para solucionar a falta de liquidez que normalmente o milho enfrenta em ano de safra cheia. Por aqui os negócios ficaram escassos, sem a presença das indústrias, que têm recebido milho de balcão diretamente dos produtores e assim pagam entre os R$ 7,50 e os R$ 7,80, sem forçar posição de lotes, que normalmente valem pelo menos R$ 1,00 acima. A demanda cresce, mas a colheita começou e não deve haver grandes avanços em fevereiro. Continuaremos com muitos vendedores e poucos compradores. As compras do governo devem começar este mês. Exportar é a melhor alternativa.

SOJA

O mercado teve pressão baixista dominando os indicativos, com queda de R$ 1,00 a R$ 2,00. O anúncio de aumento de área nos EUA e o clima bom na América do Sul derrubaram as cotações. Passamos janeiro pressionados para baixo, com os operadores olhando somente pelo lado da oferta, esperando crescimento da safra, que apontava para 167 milhões de T - mas poderá avançar. E também já acenando para a safra 2001/2002, onde se aponta troca de áreas de milho nos EUA por soja. Por outro lado, há demanda crescente no mercado europeu e, principalmente, asiático, que para analistas europeus poderá passar das 170 milhões de T, contra 167,8 milhões apontadas pelo USDA. Por aqui, com o início da colheita, há poucas chances de reação significativa nas cotações.

FUNGICIDA Dithane Amistar

O Brasil está colhendo uma grande safra, que pode ser a maior. Isso força as cotações para baixo e os produtores não estão preparados para suportar este início de colheita. O setor agrícola está pagando a securitização. Grande parte dos produtos colhidos acaba logo no mercado, recebendo cotações médias baixas. Neste ano, tudo indica que teremos um quadro bem definido de safra e entressafra,

Cresce áreas nos EUA e clima favorece na América do Sul

Preços em reais por unidade INSETICIDA Lorsban

Produtor não está preparado para negociar

Fevereiro de 2001

Fevereiro de 2001

Mercado mostrou avanços em janeiro

O mercado trabalhou em alta em janeiro, com bons ajustes nos indicativos do casca. Foram posições de R$15,00 / 15,50 para o produto comercial no RS e de R$14,00 / 15,00 para o Primavera no Centro-Oeste. Mas os produtores acenaram números maiores em alguns casos. Fato certo é que o arroz avançou no final da entressafra e o governo vendeu estoques na tentativa de segurar uma explosão dos indicativos. A safra deste ano vem com números menores, devendo ficar ao redor das 10,5 milhões de T, com um consumo esperado de mais de 12 milhões, portanto, deveremos consumir os

FEIJÃO

Safra de verão fraca fortalece as cotações

O mercado teve seu primeiro arranque nos indicativos, com alta entre R$ 10,00 e R$ 20,00. Os produtores reduziram fortemente a safra de verão, onde se aponta para 800 mil T, contra 1,5 milhões do ano passado. Assim há boas oportunidades de ganhos. Alguns produtores conseguiram indicativos de R$ 50,00 pelo carioca de boa qualidade.

CURTAS E BOAS TRIGO - otimismo nas cotações da safra nova, mas poucas sementes para o plantio. É assim que começa a safra 2001. Pode avançar 200 mil ha no Paraná. RAÇÃO - indicações do Sindirações apontam produção de 37,8 milhões de T, contra as 35,4 do ano passado. Muito milho e soja devem ser consumidos. Poderemos ter números maiores. SOJA - colheita começou no Mato Grosso em janeiro. Lucas do Rio Verde, com as primeiras lavouras, teve produtividade alta, chegando aos 3 mil kg para áreas isoladas que foram colhidas. ARROZ colhido o Primavera em Sorriso (MT), produtores conseguiram de R$ 14,00 a R$ 16,00. ALGODÃO - ganha espaço do milho em parte das áreas de safrinha, com o MT trocando 30 a 40 mil ha. GIRASSOL - uma boa opção para os produtores da safrinha em Goiás. Também tem adeptos no MT. SORGO - começa a ser plantado no Centro-Oeste e também deverá estar presente em muitas lavouras do RS.

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A frase Manejo Ambiental está nas entrelinhas da ciência entomológica e poucos se dão conta dessa velha-nova realidade. A sociedade entomológica americana criou a revista científica Environmental Entomology para abrigar os trabalhos voltados para a relação insetoambiente, separando-se da tradicional revista Journal of Ecomomic Entomology. Isso sinalizou uma nova tendência do manejo de pragas enfatizando as práticas ambientais no controle de pragas na agricultura

N

os três artigos anteriores, abordamos os três primeiros princípios do MEP (Manejo Ecológico de Pragas) em ordem cronológica, isto é, primeiro devemos saber que existem inimigos naturais convivendo com as pragas, depois é necessário saber quantificá-los na natureza (pragas e seus inimigos naturais) e utilizar os dados para tomar decisões de manejo, e em terceiro lugar, conhecer os impactos negativos e evitá-los no momento de aplicar alguma técnica de manejo que envolva agrotóxicos. Resta saber como lidar com as práticas culturais normais de condução da lavoura e introduzir novas técnicas ambientais que sirvam para reduzir a incidência das pragas e aumentar, ao mesmo tempo, as populações de inimigos naturais. Essas práticas culturais e técnicas ambientais recebem o nome de Manejo Ambiental de Pragas, caracterizando-se no quarto princípio do MEP, completando-o e apresentando-se à agricultura e ao agricultor como nova maneira de manejar pragas no novo milênio. Manejo Ambiental de Pragas é o quar32

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Fotos Gravena

Mep Depois da colheita pode ser feita a destruição por roçada ou por aração, dos restos vegetais que sobram com pragas e doenças. Citam-se os casos do bicudo e da lagarta rosada em algodão, doenças e pragas no tomate etc.

TÉCNICAS DA BIODIVERSIDADE

Manejo Ambiental

Manejo do mato em culturas perenes: A cobertura verde nativa e cobertura verde cultivada nas entre-linhas são práticas que se direcionam a favorecer a biologia e reprodução de insetos e ácaros benéficos. O manejo das ervas é feito normalmente por roçada ou capinas químicas para não prejudicarem a cultura por competição ou alelopatia. Consórcio, Rotação ou faixas vegetativas em culturas anuais: Dois tipos de cultivos em faixas alternadas e que não tenham os mesmos tipos de pragas e doenças com soja e trigo, alternância anual desses mesmos tipos de cultivos. Mistura de variedades: É comum hoje em dia mesclar variedades resistentes com não resistentes, para evitar resistência das pragas chaves. Tal medida se aplica, obrigatoriamente, em áreas com variedades transgênicas de milho, soja e algodão nos Estados Unidos. Batedura demonstra a atração do percevejo predador Orius incediosus pelo milheto

to princípio do MEP e significa empregar táticas ambientais de manejo, desde que sejam compatíveis economicamente, visando desfavorecer a vida das pragas e favorecer a dos inimigos naturais. Dentro do sistema de MEP, tais práticas devem ser compatíveis entre si, harmônicas, uma não afetando o desempenho da outra e até havendo melhorias nos efeitos de conjunto contra as pragas. Em última análise, significa mexer no ambiente de forma a dificultar a biologia da praga e facilitar a do inimigo natural sem custos maiores na produção. Num sentido mais prático, é considerar as tarefas normais de cultivo como técnicas que, com ou sem pequenas modificações, podem ajudar na redução de populações de pragas ou, pelo menos, não aumentá-las, esperando-se que ocorra o contrário em relação aos inimigos naturais. Existem técnicas ambientais que podem ser introduzidas no sistema do manejo ecológico sem comprometer os custos de produção. É bom sempre lembrar que não podem ser classificadas como técnicas ambientais as tarefas de amostragem de pragas, pois elas

são apenas práticas de verificação e não de ação. Assim também deve ser desconsiderada qualquer aplicação de produto químico ou liberação de insetos benéficos criados industrialmente contra as pragas. A aplicação de técnicas ambientais de manejo ecológico de pragas é limitada, claro, pelo custo de produção. De nada adianta uma prática cultural que não permita a margem de lucro esperada pelo agricultor. De preferência, ela deve trazer melhor retorno financeiro para o dono ou arrendatário da terra ou pelo menos evitar danos de pragas à produtividade da lavoura. Com tal fundamentação é que vamos, a seguir, tentar separar os diferentes tipos de técnicas ambientais possíveis na agricultura em geral.

TÉCNICAS MAIS COMUNS

Implantação de Quebra-Ventos: É a mais notória prática de manejo ambiental de pragas, embora o seu objetivo primordial sempre seja amenizar os efeitos diretos do próprio vento. Talvez os benefíFevereiro de 2001

cios mais palpáveis sejam a interrupção de vôos ou rotas da grande maioria de espécies de insetos e ácaros nocivos. Em alguns casos são expressamente utilizados para barrar esporos e bactérias, como no caso do cancro cítrico. Portanto, o uso de barreiras vegetais inter ou intra-cultivos, é a técnica ambiental clássica que se tem no MEP, nas condições atuais da agricultura, tanto para cultivos perenes como para anuais ou semiperenes. Poda de partes ou eliminação de plantas atacadas: A poda seria mais apropriada para cultivos perenes, como frutíferas, bebidas (café, cacao e chá) e florestais, enquanto que a eliminação de plantas atacadas se aplicaria mais a cultivos anuais de cereais e hortaliças. Colheita de frutos atacados: Para destruir ao mesmo tempo pragas internas como lagartas, traças e brocas. Os exemplos mais evidentes são goiaba, frutas de caroço e citrus, em relação a moscas das frutas e outras pragas. Destruição de Restos de Cultivos: Fevereiro de 2001

TÉCNICA DO ESCAPE ECOLÓGICO

Plantio em áreas distantes: Escolha de terrenos longe de áreas focos de pragas e doenças. Plantio de época: Escolha de data de plantio desfavorável para as pragas e doenças chaves dos cultivos anuais. Encapamento de frutas: Válido para certos cultivos como caqui, goiaba, pêssego e outras no grupo das frutíferas perenes(moscas) e pencas de tomates em plantação estaqueada(broca pequena), para mesa.

nejo ambiental comprovadamente eficazes, mas que não foram citadas. No entanto muitas outras devem ser estudadas, isoladamente ou em conjunto, para se comprovar sua eficiência e viabilidade. Entretanto, o bom senso e a experiência do dia-adia pode facilitar o uso de técnicas ainda não testadas. Para isso, os agricultores podem ter a assistência de especialistas para evitar efeitos colaterais indesejáveis e comprometimento na produção. O manejo ambiental de pragas (MAP) é um componente importante do MEP pela característica essencialmente ecológica que tem. Por essa razão, dentro da prática do MEP, o peso relativo do MAP é maior do que o do monitoramento e o da seletividade, e se equipara com o da preservação e aumento da quantidade de inimigos naturais no sistema ecológico agrícola, aos quais está diretamente ligado. Nos sistemas de produção orgânica, o manejo ambiental de pragas tem maior importância ainda, pois tem que suprir a falta de produtos químicos sintéticos comerciais que são aplicados no sistema convencional.De qualquer forma, o MEP, tendo o MAP como um dos princípios fundamentais proporciona os benefícios esperados pela sociedade contemporânea, que tende a exigir maior qualidade nos alimentos produzidos pela agricultura. Qualidade essa, que não pode mais ser apenas externa, mas também interna, sem resíduos de agroquímicos, e na origem, com garantia de que o agricultor não agrediu a natureza, nem colocou em risco seus trabalhadores e a si próprio, muito menos os consumidores, com . aplicação indevida de agrotóxicos. Santin Gravena, Consultor

TÉCNICA DA ISCA

Cultivo isca para a praga: Plantio de faixas da mesma espécie cultivada em 10% da área com duas ou três semanas de antecedência para servir de atração de certas pragas chaves migratórias. Pratica-se no manejo do bicudo do algodoeiro e do percevejo da soja. Cultivo atrativo para os inimigos naturais: É o plantio de faixas intercaladas ou laterais de espécies vegetais específicas para atração de inimigos naturais que depois migrariam para a cultura principal. Existem ainda outras técnicas de ma-

Para Gravena, o manejo ambiental é uma boa opção para controlar os insetospraga na lavoura

Cultivar

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Sementes

Rapidinhas Lançamentos em Encontro Técnico O 5° Encontro Técnico de Produtividade de Milho e Soja do Cerrado, dia 7 de março deste ano, na Fazenda Palmares/São Francisco, município de Tupaciguara (MG), é um prato cheio. Vem com novidades e a participação de empresas de destaque na área. Três variedades novas de soja (FGF 2001, FGF 2002 e FGF 2003) serão lançadas durante o evento, que terá a apresentação de híbridos e deve receber em torno de 1.500 produtores - um ótimo público - destacou o proprietário da Sementes Munari, Ângelo Dias Munari, lembrando que na edição anterior o número de participantes alcançou 1.200. A empresa trabalha com duas universidades de pesquisa, a Federal de Viçosa e a Federal de Uberlândia, com quem desenvolve variedades para lançamento nos próximos anos. Os resultados têm sido ótimos. Tanto que no Triângulo Mineiro a produtividade média de milho atingiu 9 mil kg/ha, próxima à obtida nos Estados Unidos. O Encontro é uma promoção das empresas da área de milho mais a Funacer, Sementes Munari e Emater. Na área do milho participam a Agroce-

Produtores de sementes unem-se para minimizar os prejuízos causados pela bolsa branca

Contra a pirataria A

s empresas produtoras de sementes brasileiras estão começando a organizar uma campanha contra seu pior inimigo: os vendedores clandestinos. Conforme noticiamos na edição de dezembro de 2000, a bolsa branca (venda ilegal de sementes) movimentou, ano passado, algo próximo de 30% de toda a semente vendida no país, num total estimado em mais de US$ l50 milhões. A Associação Brasileira dos Obtentores Vegetais Braspov está encaminhando correspondência a cada um dos cerca de 400 filiados, orientando-os a informar sobre quaisquer vendas ilegais de que tiverem conhecimento, para que a competente denúncia seja encaminhada ao Ministério da Agricultura. No ano passado a Braspov efetuou 82 denúncias, que resultaram na apreensão de 65.000 sacas de sementes ilegais, no valor de R$ 2 milhões. A pirataria de sementes, um negócio altamente lucrativo, prolifera em razão da precária fiscalização exercida pelo Ministério da Agricultura. Produtores de grãos vendem parte de suas colheitas a outros agricultores para utilização como sementes. Os compradores, atraídos por preços que julgam compensado34

Cultivar

res, alimentam a atividade ilegal. De pouco está adiantando avisar que não compensa usar grão como semente. Alerta sobre a baixa produtividade, risco de doenças e advertências do gênero não estão resolvendo. Nem mesmo saber que a semente representa somente 3% do custo da lavoura, e que a compra do produto ilegal, além de todos os riscos, baixa esse total no máximo para 2%.

MENOS PESQUISA

A pirataria generalizada põe em cheque a decisão das grandes empresas de pesquisa de investir em nova tecnologia. Na década de 80, como lembra João Henrique Hummel Vieira, da Abrasem, lançava-se em média três novas cultivares por ano, número que subiu para sete entre 90 e 97. Naquele ano, com o advento da Lei de Proteção de Cultivares (LPC), as empresas investiram pesado na pesquisa e a média de lançamentos subiu para 35 por ano. Nos últimos três anos registraram-se 222 cultivares protegidas, das quais 123 somente de soja (o algodão tem 12). Empresas como a Pioneer, por exemplo, investem anualmente US$ 1,5 milhão em pesquisas sobre soja e US$ 2 milhões em milho. A continuar a multiplicação desautorizada e a ven-

da ilegal, não há porque manter tais investimentos, diz o desalentado Claudio Peixoto, diretor de tecnologia da empresa. Situação ainda mais grave é a da MDM, a joint-venture formada pela Maeda, DeltaPine e Monsanto, que trouxe para o Brasil a cultivar de algodão DeltaOpal, que inundou o cerrado do Centro-Oeste e oeste baiano. Cerca de 30% da DeltaOpal plantada já é produto de sementes clandestinas, de acordo com Cláudio Manoel da Silva, da empresa. O problema todo tem origem no artigo da Lei que permite ao agricultor usar parte da produção como semente própria. Do uso próprio para a venda ao vizinho vai apenas romper a cerca entre as propriedades, o que abre uma brecha na lei. E tudo isso para evitar o pagamento de direitos aos obtentores da variedade. Agora, a Braspov está lembrando aos associados que a LPC prevê, para quem for descoberto vendendo sementes sem autorização do obtentor do registro da variedade, a obrigação de indenizá-lo, a perda do produto apreendido, e a pagar multa equivalente a 20% do valor da mercadoria. O valor da . multa duplica em cada reincidência. Fevereiro de 2001

Parceria revigorada A Coopervap e a Sementes Santa Helena renovaram por mais cinco anos o contrato da parceria estabelecida há quatro anos, para reforçar o trabalho na parte comercial e de produção. A parceria abrange basicamente as áreas de processamento, armazenamento e revenda. Agora, diz o gerente da Unidade Agrícola, Delander da Silva, a Cooperativa está entrando com uma unidade de beneficiamento, arrendada pela Santa Helena , na região de Paracatu, onde a empresa tem campo de sementes. Ângelo Munari res, Agromen, Dekalb, Dow Agrosite, Aventis, Novartis e Brejeiro. De outra parte, a Aventis, Manah, Novartis, Bayer e Milenia apresentarão produtos das linhas de defensivos e adubos.

Agilidade contra pragas

Dia de conhecer novidades

O programa piloto desenvolvido pelo DDI (Departamento de Defesa e Inspeção Vegetal) do Ministério da Agricultura, em conjunto com a Embrapa, para identificação de pragas nos 91 pontos de ingresso no País, será informatizado. Os técnicos poderão filmar e fotografar as lesões e os insetos que representam perigo, cuja identificação caberá à Embrapa. O diretor substituto do DDI, Odilson Luiz Ribeiro e Silva, informa que o programa será instalado em quatro pontos de ingresso neste primeiro semestre. Depois, passará aos outros 87 pontos. Com isso, espera-se agilizar muito o trabalho, o que representaria maior segurança em termos de prevenção à introdução de pragas quarentenárias no Brasil.

Um público crescente - ano passado superou 2.000 e este ano deve alcançar 3.000 participantes - tem prestigiado os dias de campo promovidos pela Fundação MS, em Maracaju. No evento deste ano, de 20 a 22 de fevereiro, serão apresentadas 70 cultivares de milho, 40 cultivares de soja, 36 tratamentos na parte de adubação de macro e micronutrientes, 28 na de macronutrientes e 24 tratamentos com inoculantes. Novidades nunca faltam. Entre elas estão previstas, além das cultivares de milho, equipamentos e recomendações de adubação, a demonstração de plantadoras e pulverizadores. Os participantes são agrônomos, técnicos ou produtores rurais, informa o diretor executivo da Fundação MS, Edson Borges Pereira. Empresas da área de defensivos que estarão presentes: Basf, Zeneca, Dow, Novartis, Bayer, Aventis, Ihara e FMC. Todas as empresas que trabalham com milho também vão participar, como a Dekalb, Agroceres, Novartis Milho e Agroeste. A Embrapa, que tem parceria com a Jotabasso, apresentará cultivares de soja das linhas BR e BRS.

Dia de campo em Araponga Muito movimento é esperado no dia 21 deste mês no Sítio Lagoinha, no Paraná, em onde a Corol (Cooperativa Agropecuária Rolândia Ltda) realiza dia de campo. Vai mostrar cultivares de milho, soja e alguns ensaios de defensivos. Participarão como parceiros a Embrapa, Coodetec, empresas fabricantes de defensivos e multiplicadoras de sementes de milho. Segundo Humberto Nogueira Duarte, do setor de Difusão de Tecnologia, o tradicional dia de campo terá, este ano, reforço no sistema de transporte. Fevereiro de 2001

Os amigos da terra Fundado em 1° de setembro de 1989 e tendo como um dos principais objetivos a difusão do plantio direto na palha, praticamente a única alternativa para o controle da erosão, a maior catástrofe mundial em termos de meio ambiente, o Clube Amigos da Terra alcançou suas metas na região do Planalto do Rio Grande do Sul. Através da tecnologia proposta, conseguiu eliminar o grave problema na área. Outra meta da entidade é defender a eficiência da propriedade como um todo, o que é feito todos os dias e depende de uma série de fatores que continua buscando . Como conseguiu evitar a perda de solo, adubo, semente e outros produtos devido à erosão, através do sistema de plantio direto na palha, o Clube levou o trabalho adiante e colheu os resultados. Uma ótima safra , por sinal. Hoje, o RS tem 4,5 milhões de hectares cultivados com a tecnologia, e o Brasil contabiliza 15 milhões de hectares de diversas culturas plantados com o mesmo sistema. Em função disso, o presidente Almir Oliveira considera que os Clubes de Amigos da Terra e outras entidades que defendem o sistema, como prioridade, são de fato entidades ambientalistas e como tal precisam ser tratadas.

Jornadas técnicas na Jotabasso Já viraram tradição os dias de campo, agora jornadas técnicas , promovidos e realizados pela Agropastoril Jotabasso, desde 1985. Neste ano, de 9 a 10 de fevereiro na fazenda Jotabasso, Pontaporã (MS), ocorre mais uma edição do evento que traz agricultores até do Paraguai, para onde exporta sementes. As atrações justificam as presenças, pois além de mostrar a tecnologia que utiliza, a empresa leva esta tecnologia aos agricultores. A Jornada Técnica, diz o gerente comercial e marketing da empresa, Airton Giovani Correa, conta com a participação, também, de escritórios de planejamento, agrônomos, técnicos e do pessoal das revendas. Uma bem montada estrutura aguarda os participantes. Desde as 7h da manhã e enquanto houver interessados, a empresa apresenta os produtos. A alimentação é fornecida desde a abertura até o fechamento do evento.

Airton Correa Cultivar

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Informe Técnico Continental Eagle

Algodão O tubo de semente, desenvolvido e usado exclusivamente pela continental Eagle para descaroçadoras de serra, faz com que 50% do caroço seja descarregado no centro deste tubo. Isto permite que o descaroçador opere em alta capacidade, preservando a qualidade da semente e da fibra

Parceria internacional Pesquisador francês assume o melhoramento de algodão na Coodetec

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Duas máquinas de descaroçamento de algodão de 161 serras da Continental Eagle Corporation operando com capacidade de até 30 fardos por hora

Prezado Delano, Em primeira mão gostaríamos de parabenizá-lo como novo Gerente Nacional de Vendas da Continental Para: Eagle. Espero trabalhar com você na sua nova função. Mr. Delano M. C. Gondim Achamos que você fez uma boa escolha pela sua nova empresa. Sem sombra de dúvida é uma boa Rua Mal. Antônio Aníbal da Motta, 479 companhia para trabalhar, tanto em termos de qualidade de seus produtos, como em seus serviços técnicos e Bairro Duque de Caxias respostas as nossas necessidades. Cuiabá MT Quando nós da Algodoeira Catléia optamos por comprar uma Planta Moderna de Beneficiamento de Algodão em Chapadão do Sul, pesquisamos em todas indústrias que fabricavam estes equipamentos nos Estados Unidos. Concluímos que a Continental tinha maquinários bem superiores. Seu Certificado de Qualidade ISO 9001 foi um dos principais fatores na nossa escolha e ficamos também particularmente impressionados pelo seu Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento. São os líderes em tecnologia de descaroçamento. Sei que tivemos muitas perguntas por parte da Indústria sobre a qualidade de nossa produção. Quero assegurar que estamos de fato muito satisfeitos com o nosso sistema de descaroçamento. Nossa planta com dois descaroçadores de 161 serras tem consistentemente operado com capacidade entre 25-30 fardos por hora, dependendo da qualidade e condição do algodão que entra na usina. Todo ano temos crescido e melhorado nossa produção, até a última safra quando descaroçamos cerca de 43.000 fardos. Devo dizer que estamos muito contentes com a qualidade da fibra, e que boa parte dela foi exportada. No primeiro ano tivemos alguns problemas devido principalmente à inexperiência de nossos funcionários, por nosso primeiro ano na produção de algodão. A Continental Eagle tinha um técnico na nossa algodoeira nesta primeira safra, durante o período experimental. Este técnico ficou, obviamente por conta da Continental, para assegurar que nossos funcionários fossem treinados apropriadamente e que as máquinas fossem operadas e ajustadas para superar algumas dificuldades ocorridas na colheita. No segundo ano, a Continental enviou um expert em descaroçamento de um dos seus clientes nos Estados Unidos, sob sua recomendação. Essa pessoa fez inspeção na manutenção e ajustes das máquinas, deu treinamento ao pessoal da usina, inclusive sobre segurança e deu-lhes algumas idéias sobre os procedimentos a serem seguidos. Novamente, todos os funcionários tiveram orientação de como trabalhar sob um novo conceito de descaroçamento. Descaroçar com estes novos equipamentos não é a mesma coisa como se fazia com as máquinas usadas no Brasil. Uma vez que esta mudança ocorre, jamais será olhado para o passado. Agora, temos um dos melhores times em descaroçamento no Brasil, operando com as melhores máquinas disponíveis. Sei que vocês visitaram nossa usina no Chapadão do Sul este ano. Lamento não estar junto do grupo que os acompanhou, mas tenho certeza que nosso gerente lhes deu todas as informações necessárias. Sinta-se livre para nos visitar quantas vezes for possível, juntamente com seus clientes. Se você ou algum de seus clientes tiver alguma pergunta ou informações adicionais, por favor, ligue-me no telefone 0 (xx) 67 562 2280 Sr. Gumercindo. Recomendamos equipamentos Continental Eagle para produtores que queiram montar usina de algodão com alta tecnologia, ou mesmo expandir suas fábricas. Sucesso na sua nova empreitada são meus votos e do Sr. Josué Corso Neto. Atenciosamente, Antônio Cezar Antoniolli Advogado

esponsável pelo Projeto ConeSul do Cirad, na América do Sul, o pesquisador Jean-Louis Belot é o novo responsável pelo melhoramento de algodão na Coodetec. Da pesquisa genética ao Programa de Melhoramento de Algodão, o pesquisador já desenvolveu seu trabalho em Guadalupe (Antilhas Francesas), em dois países africanos e no Paraguai, sendo que nos últimos dez anos dedica-se à pesquisa no Brasil. O Cirad é um órgão do governo francês dedicado à pesquisa agronômica e apoio tecnológico em países tropicais e subtropicais. No continente africano, conta Belot, a experiência era totalmente diferente do que é feito no Brasil. Lá, diz ele, o trabalho era feito para a pesquisa oficial. Ou seja, para o governo. E com muita burocracia. Contudo, ele afirma que apesar de se tratar de um país pobre a pesquisa algodoeira na África do Oeste possuía abundantes recursos disponíveis. Por ser uma das principais fontes de renda, lá a cultura do algodão é muito importante . Quando veio para o Brasil, Jean instalou-se junto à Ocepar que posteriormente passou a Coodetec. Ele lembra que na época os recursos eram abundantes, o processo para as tomadas de decisões não era burocrático. O objetivo era apresentar material comercial adaptado para a colheita mecanizada, com melhor tecnologia e rendimento de fibra. Outra preocupação era estruturar física e cientificamente a equipe de pesquisa. O primeiro resultado deste trabalho foi a variedade CD 401, originada do cruzamento feito com o material genético do Cirad. Desde então, outras três variedades foram desenvolvidas. Apesar da realidade brasileira diferir das demais, o pesquisador destaca que tecnologias e experiências sempre podem ser aproveitadas. Questionado se o segmento no Brasil está no caminho cerFevereiro de 2001

to, Belot contesta. Faltam algumas melhorias na metodologia de trabalho. Todavia, temos que estar sempre nos adaptando às novas tecnologias, sempre buscando estar em sintonia com o novo . Mas complementa que a pesquisa no país pode ser considerada boa. Um dos objetivos do Cirad, explica, não é fazer melhoramento clássico. Mas sim, estar sempre agregando novas tecnologias. Sua atuação como responsável pelo melhoramento de algodão na Coodetec, enfatiza, é apenas uma cooperação que o órgão francês está dando a um de seus parceiros mais importantes no Brasil. Pois deste modo, o Cirad estaria, também, preparando técnicos que possam estar aptos a andar com as própri. as pernas .

Sindicato fantasma

O presidente da Federação da Agricultura do Paraná (FAEP), Ágide Meneguette, alerta os agricultores paranaenses a não pagarem a guia de recolhimento bancário emitida por um sindicato ilegal, chamado ANAPRO (Associação Nacional Agropecuária), que está com as contas bloqueadas pela Justiça e cujo responsável responde por crime de estelionato. A Associação Nacional Agropecuária (ANAPRO) já tentou em anos anteriores dar o golpe nos agricultores com o nome de SINAPRO, um sindicato rural fantasma que usava o telefone de atendimento ao consumidor do Frigorífico Perdigão em Florianópolis. A fraude consiste em enviar aos produtores guias forjadas de recolhimento de Contribuição Sindical, o que é crime e fere o princípio da unicidade sindical. A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) é quem exerce a representação nacional dos agricultores, legitimada na Constituição Federal. O auto-proclamado presidente da entidade fantasma, Narciso da Rocha Clara, teve o sigilo bancário quebrado e a entidade está com os bens indisponíveis por ordem da Justiça Federal em Uruguaiana (RS), a pedido do procurador da República, Walmor Alves Moreira. Para o procurador, tudo indica que se trata de uma quadrilha, que constituiu uma entidade para fraudar o produtor .

Recuperação de Solos O Hotel Glória, na cidade do Rio de Janeiro, abrigará entre os dias 24 e 28 de setembro a III Conferência Internacional sobre Degradação de Terras. O evento é organizado pela Embrapa Solos e contará com a participação das maiores autoridades mundiais em solos e recuperação de áreas degradadas. A previsão é que o congresso conte com aproximadamente 650 inscritos, sendo 400 do exterior. Na área de estandes da Conferência estarão presentes empresas, universidades e institutos de pesquisa. Acontecerá, durante a conferência, uma excursão técnica de um dia pelo estado do Rio de Janeiro onde serão pesquisados os solos locais. Após o evento os participantes poderão optar por quatro grandes excursões pelas regiões Centro-Oeste, Nordeste, Norte e Sul do país. O objetivo é que os visitantes possam unir pesquisa e turismo. Em paralelo a realização da Conferência acontecerá a Reunião da Subcomissão C da União Internacional de Ciência do Solo (que trata de conservação e manejo de solo e água). Os interessados podem conseguir mais informações na página do evento em http:// www.cnps.embrapa.br/icld3. Cultivar

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Algodão

Congresso recebe apoio N

o período de 27 a 31 de agosto será realizado, no Centro de Convenções Palácio da Cultura, em Campo Grande (MS), o III Congresso Brasileiro de Algodão, sob a coordenação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e da Embrapa. A Comissão organizadora está divulgando as normas para apresentação de trabalhos, estabelecendo a data limite de 30 de junho de 2001 para postagem dos resumos expandidos. Ainda este mês será concluído o detalhamento da programação de conferências, cursos, palestras e mesas redondas. Eleusio Curvêlo Freire, da Embrapa Algodão, explica que toda a equipe gerencial, de pesquisadores e professorees está em sintonia, trabalhando na preparação e realização do congresso. Conclamamos os produtores, expositores, pesquisadores, professores, profissionais da assistência técnica e das empresas produtoras de insumos e equipamentos, assim como empresários têxteis e exportadores, a participarem do Congresso, de modo a contribuírem com suas presenças, debates, sugestões e críticas para o aperfeiçoamento e a melhoria da competitividade da cadeia produtiva do algodão .

DIFUSÃO DE TECNOLOGIA

Para o Responsável pelo Suporte e Desenvolvimento da Região do Cerrado da Coodetec, Hilário Molina, na visão das Cooperativas, o encontro é de suma importância. Em oportunidades como essa é que se apresentam ao público as tecnologias que estão sendo geradas em pesquisa de ponta. 38

Cultivar

de colheita até chegar à indústria, temos que corrigir vários fatores . Ele aponta os relacionados à fitotecnia, ao processo de colheita, ao transporte e ao beneficiamento. Ou seja, todo esse processo deve melhorar afim de que o algodão chegue melhor na indústria e esteja pronto para a exportação, atendendo com mais qualidade o mercado consumidor .

INTEGRAÇÃO PROFISSIONAL

Por sua vez, o presidente da Abrapa, João Luiz Pessa, acredita que eventos como esse, que promovem uma maior interação entre os profissionais ligados à cadeia produtiva, são entusiasmantes . Ele destaca que todas as oportunidades onde são reunidos os produtores, pesquisadores e palestrantes, assim como aqueles que prestam assistência técnica, trazem efeitos positivos para todo o processo que envolve a cultura. Há também os profissionais que se deslocam de outros países e enriquecem nosso conhecimento com as práticas já utilizadas por eles , ressalta. O presidente define o Congresso Brasileiro do Algodão como um evento fantástico, que traz inúmeros benefícios para a cotonicultura como um todo Ele ressalta que não só no caso da Coodetec que é uma cooperativa voltada para a pesquisa -, mas também para outras entidades de pesquisa que trabalham para aprimorar todo o processo da Cadeia Produtiva do Algodão, tanto em Mato Grosso, como no Brasil. A troca de idéias é fundamental , avalia. Hilário destaca que após congressos como esse os produtores, agrônomos e pesquisadores saem munidos de informações que permitem a correção de várias falhas. Detectamos, por exemplo, depois do evento que ocorreu em Cuiabá, que do ponto

PRODUTOR APÓIA

O cotonicultor da Grande Primavera, Édio Brunetta, diz que congressos são indispensáveis para a atualização dos agricultores. Principalmente na parte técnica. Ficamos interados das novidades em manejo, maquinários, defensivos e também sobre a comercialização , observa. As palestras, portanto, são importantes para se traçar a diretriz correta para todo o contexto da cultura. Ele cita a troca de experiências como outro fator que só deixa saldos positivos. A troca de idéias é de grande importância para que possamos aprimorar o . agronegócio do algodão . Fevereiro de 2001


Algodão

Algodão

Limpeza contra o bicudo

Barreiras no combate à praga Fotos Cultivar

I

Mato Grosso está em grande campanha para tentar minimizar os efeitos do bicudo na safra de algodão

P

ara tentar conter o avanço do bicudo no estado, a Coordenadoria Vegetal do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso - INDEA realizou um trabalho preventivo em mais de 1.700 km nas rodovias matogrossenses. Conforme o Coordenador da Defesa Vegetal, Belmiro Macedo, depois da destruição completa das soqueiras em todos os municípios produtores de algodão de Mato Grosso, era previsto que a praga se evacuasse. Como isso não ocorreu, as rodovias tornaram-se o segundo alvo da ação contra o bicudo. Justificando, Macedo explica que o transporte de algodão, muitas vezes, não é feito de forma totalmente segura. As sementes que caem durante o trajeto ocasionam o crescimento de algumas plantas as margens das rodovias. Caso alcance essas plantas o bicudo poderá se multiplicar, indo posteriormente para as lavouras, comenta. O fato de o bicudo realizar sua reprodução somente quando se alimenta de seu filé , que é o algodão, requer pede maior atenção por parte dos cotonicultores durante o transporte. Esse é um dos maiores problemas da cultura, portanto é ne40

Cultivar

cessário mais cuidado . No mundo, o único país onde o bicudo foi erradicado é os Estados Unidos. No Brasil existe um programa de erradicação desenvolvido pelo INDEA, mas o alto custo inviabiliza a aplicação.

GRANDES PREJUÍZOS

O bicudo é uma das pragas que mais causa prejuízos à cultura do algodão. Isto por causa da resistência, dificuldade de controle, alta capacidade de reprodução e elevado poder de destruição. Para a manutenção da produtividade em nível de convivência e tolerância da praga na lavoura, a um custo economicamente viável, o INDEA, através de sua Coordenadoria de Defesa Sanitária Vegetal CDVS, e de seu quadro técnico de engenheiros agrônomos, busca intensificar sua atuação na vigilância sanitária. Principalmente nos municípios onde ainda não foi detectada a presença da praga. O INDEA defende a adoção de práticas de vigilância e defesa vegetal, procurando obter dualidade de assistência técnica e defesa da fitossanidade vegetal.

Discorrendo sobre a ação do bicudo, Belmiro explica que na lavoura a alimentação consiste do pecíolo, limbo, das folhas novas e, principalmente, da estrutura reprodutiva da planta (botões, brotos e maçãs). Capacitado a voar grandes distâncias, o bicudo está sempre à procura de lavouras novas. Com isso pode infestar todos os municípios, podendo ainda ser levado através do transporte de máquinas, implementos etc. Caso a praga não encontre alimento (além do algodão, o bicudo também se alimenta de ervas daninhas, várias espécies vegetais e até do pólen das flores), entra em uma espécie de hibernação (diapausa). Tática que permite sua sobrevivência na entressafra. As práticas para o controle são: Destruir e queimar totalmente os restos da cultura logo após a colheita evitando a rebrota; eliminação da tiguera; eliminação das rebrotas; através da rotação de cultura; do plantio-isca na bordadura da cultura ou lavoura; implantação de armadilhas (feromônio); através da soqueira-isca; da colheita rápida (uso de desfolhante); da amostragem e, caso o agronômo recomen. de, do controle químico. GR Fevereiro de 2001

mpedir a proliferação do bicudo é também uma das prioridades da região de Barreiras, na Bahia, onde a cultura do algodão desponta como um dos mais promissores fatores de expansão de riqueza. Áreas recentes de plantio de algodão, o bicudo não as atingiu ainda em pleno, porém a preocupação de agrônomos e produtores é exatamente impedir que a praga se alastre, o que aumentará os custos de produção, pelo maior uso de agroquímicos. Já detectada no local, a praga está em franco crescimento e proporcionando danos econômicos cada vez maiores. Por isso a Associação dos Engenheiros Agrônomos de Barreiras (AEAB), sob a liderança de Ezelino Carvalho, está desenvolvendo forte campanha, assessorada pelo professor Paulo Degrande, da UFMS, visando a bloquear o ataque do inseto e procurar a convivência com ela do modo menos prejudicial possível. A estratégia de bloqueio baseia-se principalmente no controle rigoroso de soqueiras na entressafra. Como não há hibernação na região quente, o bicudo prolifera sempre e é preciso eliminar as plantas de algodão e o rebrote, isto é, sua possível alimentação no período. Além disso, uma ou duas aplicações de inseticidas conforme a intensidade populacional na época da emissão dos primeiros botões florais (ver artigo do prof. Santin Gravena nas páginas seguintes). Também se recomenda uma aplicação de final de ciclo junto com o desfolhante/maturador do algodão. Como medidas suplementares, há uma série de recomendações importantes, como a de concentrar a semeadura, se possível, em até 30 dias, em toda a região, o que facilita a adoção de estratégias de controle. Os agrônomos estão sugerindo a realização de controle rigoroso nas bordaduFevereiro de 2001

O manejo do bicudo depende de medidas de amplo espectro, tomadas por todos os produtores

ras, inclusive nas cabeceiras, com largura de 20 metros a 40 metros, onde surgem os primeiros sinais da praga, logo que se observar uma dessas situações: Aparecer o primeiro bicudo nas armadilhas de feromônio; Encontrar-se o primeiro bicudo na lavoura (bordadura); Aparecer o primeiro botão floral no plantio isca ou na lavoura, ou antes disso. Como as bordaduras representam em média cerca de 7,5% da área total, podese fazer 13,3 aplicações nelas para eqüivaler a uma aplicação geral, o que representa uma prática bastante econômica. Deve-se também tomar cuidado com a presença precoce de insetos no interior das áreas. Além disso, é necessário cuidado rigoroso da sementeira ou tiguera de algodão nas culturas subseqüentes. Na região, estabeleceu-se o nível de controle em 5% de botões atacados até os 90-100 dias, devendo-se amostrar

250 plantas/botões por talhão de até 100 hectares. Quanto ao uso de inseticidas, os agrônomos baianos estão recomendando o uso de produtos eficientes, evitando-se o uso de piretróides até os 70-80 dias, inclusive nas bordaduras e plantas-iscas. Como são repelentes, esses produtos podem espalhar a praga precocemente para o interior das lavouras. E atenção também com produtos que desequilibram para ácaros. Outra dica: para variedades suscetíveis à doença azul (veja páginas 46 e 47) atentar para o ataque do pulgão nas bordaduras e, se for o caso, acrescentar produto específico para controle do pulgão vetor. Essa estratégia global, devidamente monitorada pelos agrônomos participantes e os resultados, após análise e mapeamento, terá seus resultados apresentados no Congresso Brasileiro do Algodão, em . Campo Grande. Cultivar

41


Algodão

MOSPILAN®® é a nova geração de inseticidas do grupo dos Neonicotinóides para controle de Pulgão do algodão.

Quem é o Bicudo? O bicudo do algodoeiro Anthonomus grandis (Boheman) (Coleptera, Curculionidae) – é um pequeno besouro de 5 a 9 mm de comprimento, coloração que varia do pardo-acizentado ao negro, com pêlos dourados esparsos sobre as asas duras, onde se observam estrias ou sulcos longitudinais 42

Cultivar

C

omo todos os membros da família Curculionidae, esse inseto apresenta como maior característica o bico ou rostro, em cuja ponta situam-se as peças bucais mais ou menos no centro do bico estão as antenas. É algo lento ao caminhar e raramente voa, a não ser quando se dirige para a hibernação. Também chamada de diapausa, a hibernação é um meio de sobrevivência do inseto durante o inverno em países como os Estados Unidos, onde o frio é mais intenso. O local mais importante para se refugiar, naquele país, é a camada de folhas secas que se forma sob as florestas localizadas nas proximidades das plantações. No Brasil, devido à condição tropical, ocorre a quiescência no lugar da diapausa, o que significa que o inseto não paralisa totalmente suas atividades no inverno. Saindo da hibernação, o macho se dirige para as plantações de algodão, atraído pelo cheiro, e começa se alimentando de folhas novas. É então que libera os feromônios, atraindo as fêmeas para a plantação.

OCORRÊNCIA E HÁBITOS

A maior quantidade de adultos que adentra à cultura chega na época da emissão dos botões florais, estruturas preferidas para sua alimentação, perfurando-as. É também a época da postura. Com o bico eles alcançam o pólen dentro do botão e a postura é feita num pequeno orifício que a fêmea faz com as mandíbulas. Ao colocar um ovo por botão, a fêmea o recobre com uma substância, como uma capa protetora. O ovo é pequeno, branco, em forma de grão, podendo ser colocado também nas maçãs , pequenas ou grandes, na falta de botões. A preferência, tanto para alimentação quanto oviposição, decresce do botão floral para a maçã bem desenvolvida. Cada fêmea coloca cerca de seis ovos por dia, num total de 200 em toda sua vida, que em média é de pouco mais de 30 dias. Depois de dois a quatro dias as larvas eclodem e comem todo o interior do botão, que cai em uma semana, tempo que coincide mais ou menos com a vida da larva 6 a 12 dias. A larva se transforma em pupa no chão, ainda no interior do botão, com o empupamento durando de 3 a 5 dias. Conforme as Fevereiro de 2001

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ADVERTÊNCIAS PROTEÇÃO À SAÚDE HUMANA, ANIMAL E MEIO AMBIENTE Não permita que menores de idade trabalhem na aplicação do produto. Mantenha afastadas das áreas de aplicação, crianças, animais domésticos e pessoas desprotegidas. Use Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s). Não coma, não beba e não fume durante o manuseio do produto. Não desentupa bicos, orifícios ou válvulas com a boca. Primeiros socorros e demais informações, vide o rótulo, a bula e a receita. Evite a contaminação ambiental, preserve a natureza. Não utilize equipamentos de aplicação com vazamentos. Não lave as embalagens ou equipamentos em lagos, fontes, rios e demais corpos d’água. Descarte corretamente as embalagens e restos de produtos. Não reutilize as embalagens vazias. Seguir corretamente as instruções das bulas e rótulos. Aplique somente as doses recomendadas. As embalagens vazias deverão ser enxaguadas três vezes e a calda resultante acrescentada a preparação a ser pulverizada (tríplice lavagem). MOSPILAN: Em estudos realizados em animais de laboratório sua ação foi bastante reduzida, e nos estudos de metabolismo o produto foi eliminado rapidamente pelas excreções, fezes e urinas. Quanto aos efeitos agudos e crônicos, nesses animais não foram observados efeitos adversos. Este produto é muito perigoso ao meio ambiente e altamente persistente no mesmo. É altamente móvel, apresentando alto potencial de deslocamento no solo, podendo atingir áreas vizinhas, lençóis e águas superficiais. Classificação quanto ao potencial de periculosidade ambiental : II ( muito perigoso ). Classe Toxicológica: III ( medianamente tóxico ). Reg. Ministério da Agricultura e Abastecimento: 10498.

LEIA ATENTAMENTE O RÓTULO E O RECEITUÁRIO AGRONÔMICO, E FAÇA-O A QUEM NÃO SOUBER LER. CONSULTE SEMPRE UM ENGENHEIRO AGRÔNOMO E SIGA CORRETAMENTE AS INSTRUÇÕES RECEBIDAS.PRODUTOS DE USO AGRÍCOLA. VENDA SOB RECEITUÁRIO AGRONÔMICO. PRATIQUE O MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS.


condições de umidade e temperatura, o ciclo de ovo a adulto é de 11-21 dias. A umidade ideal para a sobrevivência das larvas durante o ciclo da cultura é próxima a 90%, e a temperatura ótima se situa entre 24 e 25ºC. É importante observar que a taxa de oviposição de 6 ovos/dia se refere às fêmeas que saem da hibernação e entram em lavouras novas daí os elevados danos que causam ao colocarem os ovos nos primeiros botões florais. Estes, emitidos pelas plantas aos 60-80 dias, serão responsáveis por cerca de 75% da produção total de fibras por ocasião da colheita. A capacidade de oviposição decai de geração para geração à medida em que o algodoeiro passa pelas fases de germinação, florescimento, frutificação e maturação, a ponto de, no final da safra, na época da colheita, uma fêmea colocar apenas m ovo a cada dois dias. Os adultos emergem dos botões ou maçãs caídos ao chão fazendo um buraco característico nas paredes desses órgãos. Ao sair, dirigem-se para a planta para o acasalamento e precisam se alimentar durante 5 a 6 dias, antes de iniciar a postura reproduzem-se em cerca de sete gerações por ano. Na última geração por ocasião da colheita surgem as formas hibernantes, cujos adultos adquirem maior quantidade de gordura, que os capacitará a sobreviver no período de entressafra sem muita alimentação. Um em cada 200 adultos hibernantes pode viver até 300 dias.

DISSEMINAÇÃO E CONTROLE

A capacidade de reprodução do bicudo a partir de um casal que entra na lavoura nova chega a ser fantástica. Teoricamente, um casal no início do ciclo pode dar origem a 12 milhões de descendentes no final da safra. No entanto, graças aos efeitos do meio ambiente clima, inimigos naturais, competição por alimentos e outros fatores essa incrível cifra se reduz a não mais de 2 milhões de indivíduos, população suficiente para a quebra total da produção. Knipling considera, entretanto, que a população do bicudo aumenta cinco vezes em cada geração, em condições normais, mas sob condições favoráveis pode chegar a 10 vezes. São hospedeiros verdadeiros do bicudo as malváceas dos gêneros Thespesia, Cienfuegosia e Hampea, nas quais pode se reproduzir da mesma forma como no algodão. Os algodoeiros não cultivados também lhe servem de morada. Felizmente tais hospedeiros não são comuns no sul do Brasil, onde há só um hospedeiro no qual a praga pode se estabelecer em todas as suas fases (9 de ovo a adulto). É o Hibiscus syriacus, uma planta ornamental importada da Síria devido às qualidades de sua fibra. A maçã é comestível, além de ser usada em jardins para embelezamento. Felizmente a densidade dessa espécie é baixa 44

Cultivar

CARACTERÍSTICAS AGRONÔMICAS OBTIDAS POR PLANTA DA CULTIVAR CNPA ITA 90, AFETADA PELA DOENÇA AZUL, APÓS INFESTAÇÃO DE 100 % DE PULGÕES

Nota* Produção (g/planta) 1 2 3 4 5

94,0 59,6 51,7 24,7 7,9

Capulhos/ Altura da Peso de Planta planta (cm) capulho (g) 21,1 14,8 15,0 8,4 4,0

4,5 4,0 3,4 3,0 2,1

124,2 115,7 91,4 79,5 60,6

% de fibra 41,4 40,5 39,9 33,8 23,6

*escala de 1 a 5, sendo 1 plantas sem sintomas da doença e 5 plantas apresentando severo enfezamento Fonte: Freire et al. 1999.

LASER 400 SC ®® é o carbamato da Ihara para o controle do pulgão do algodoeiro, Aphis gossypii.

PERCENTAGEM DE PLANTAS DE DIFERENTES CULTIVARES AFETADAS PELA DOENÇA AZUL, APÓS 100% DE INFESTAÇÃO DE PULGÕES

Plantas com sintoma de virose (%)

Cultivar CNPA ITA 90 BRS ITA 96 BRS Antares MT 94-151 BRS Facual MT 95-122 MT 95-743 MT 95-773

Época 1-67 dias

Época 2-45 dias

60,37 0,15 1,30 1,37 4,22 1,57 3,00 8,52

43,47 0,10 1,25 0,12 0,62 0,70 0,60 2,62

Época 3-10 dias 34,97 0,075 1,67 0,47 0,57 1,10 1,82 2,57

Fonte: Freire et al. 1999

e não chega a preocupar como meio de disseminação do Anthonomus grandis. Embora exista, o controle biológico natural do bicudo é muito pouco efetivo, pois a larva e a pupa vivem protegidas dentro do botão ou da maçã. Apenas um tipo de parasito e um tipo de preador conseguem romper a casca do botão atacado, com o intuito de retirar a larva ou a pupa. São os himenópteros representados pelas espécies Bracon mellitor (parasito) e Solenopsis sp. (predador), esta última conhecida por formiga lava-pés . O parasitismo fica em torno de 10% e a predação só é efetiva se houver mais de 200 ninhos em um hectare, o que é muito difícil de ocorrer. Já houve uma tentativa de criar o B. mellitor e a liberação de 2.000 parasitos num hectare teve 80% de eficiência no controle biológico. Todavia, essa técnica não surtiu efeito devido à dificuldade em fazer a criação do parasito, nas condições brasileiras. Assim, é preciso lançar mão de todos os

meios para reduzir a população da praga a níveis inferiores aos que causam danos econômicos à produção algodoeira. Esses níveis são: 50 adultos fêmeas por hectare no início da safra ou 10-25% de botões danificados e/ ou com postura durante o ciclo da cultura. Contudo, isso deve ser feito sem a quebra do equilíbrio ecológico, o que é extremamente difícil em se tratando do bicudo. A razão da dificuldade é a aplicação de inseticidas que podem causar dano ao ambiente logo no início da safra, quando a fauna benéfica é mais rica e abundante. Torna-se portanto urgente adotar todas as táticas de manejo ecológico para evitar tais desequilíbrios. As melhores táticas acabam sendo as ambientais (manipulação do meio ambiente contra as pragas e a favor dos inimigos naturais) que no passado eram conhecidas como métodos culturais, físicos, ou . mecânicos, por exemplo . Santin Gravena, Consultor Fevereiro de 2001

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ADVERTÊNCIAS PROTEÇÃO À SAÚDE HUMANA, ANIMAL E MEIO AMBIENTE Não permita que menores de idade trabalhem na aplicação do produto. Mantenha afastadas das áreas de aplicação, crianças, animais domésticos e pessoas desprotegidas. Use Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s). Não coma, os de aplicação com vazamentos. Não lave as embalagens ou equipamentos em lagos, fontes, rios e demais corpos d’água. Descarte corretamente as embalagens e restos de produtos. Não reutilize as embalagens vazias. Seguir corretamente as instruções das bulas e rótulos. Aplique somente as doses recomendadas. As embalagens vazias deverão ser enxaguadas três vezes e a calda resultante acrescentada a preparação a ser pulverizada (tríplice lavagem). LASER 400 SC: este produto pode causar dor de cabeça, tontura, fraqueza, náuseas, constrição das pupilas, visão obscura, caimbras abdominais, salivação e transpiração excessivas, diarréia e vômito. Befuracarb pertence ao grupo químico dos carbamatos, inibidor da colinesterase. O produto é absorvido pelo gastro intestinal e rapidamente metabolizado e excretado principalmente pela urina. Este produto é muito perigoso ao meio ambiente, altamente tóxico para aves e organismos aquáticos (peixes e microcrustáceos). Classificação quanto ao potencial de periculosidade ambiental: II (muito perigoso). Classe Toxicológica: II (altamente tóxico). Reg. Minist. Agricultura e Abastecimento: 03299.

LEIA ATENTAMENTE O RÓTULO E O RECEITUÁRIO AGRONÔMICO, E FAÇA-O A QUEM NÃO SOUBER LER. CONSULTE SEMPRE UM ENGENHEIRO AGRÔNOMO E SIGA CORRETAMENTE AS INSTRUÇÕES RECEBIDAS.PRODUTOS DE USO AGRÍCOLA. VENDA SOB RECEITUÁRIO AGRONÔMICO. PRATIQUE O MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS.


Algodão

Quando a doença é azul A

ORIGEM DO NOME

O nome doença azul está associado a uma doença relatada em alguns países africanos tais como Chade, República dos Camarões, Zaire, Benin, e, principalmente, com maiores danos, na República Centro Africana e denominada de blue disease . Doença com sintomas semelhantes foi descrita nas Filipinas em 1963, bem como na Tailândia. Em 1977 foi relatada no Paraguai uma doença que apresentava as mesmas características da hoje bem conhecida doença azul, verificada no Brasil. Na verdade foi a semelhança entre os principais sintomas das referidas doenças que, forçosamente, levou produtores e técnicos a acreditarem que mosaico das nervuras forma Ribeirão Bonito e doença azul constituem o mesmo problema, assim como acredita-se que doenças viróticas com aspectos semelhantes à doença azul podem existir em diferentes regiões produtoras de algodão do mundo. De qualquer modo, os danos ocasionados à cultura do algodoeiro é 46

Cultivar

Uma das principais doenças do algodoeiro no Brasil, a doença azul tem nos pulgões seu principal método de disseminação

que são realmente dignos de nota. A doença azul é de natureza virótica e tem como vetor o pulgão do algodoeiro Aphis gossypii Glov e não é transmitida através das sementes. Os principais sintomas são o clareamento das nervuras, no início, seguido de enrolamento dos bordos foliares, tomando as folhas um verde intenso que evolui para uma coloração arroxeada. Verificase, ainda, redução intensa do porte da planta em até 80% e, quando não ocasiona completa esterilidade da planta, torna a fibra produzida imprestável para uso comercial. Os danos ocasionados à cultura do algodoeiro podem ser verificados de maneira mais clara através dos dados apresentados na Tabela 1, onde foram avaliadas plantas de uma cultivar suscetível com diferentes graus de infecção. Verifica-se que a produção por planta, o peso do capulho e a percentagem de fibra sofrem drástica redução, à medida em que se eleva a severidade da doença. A doença azul já é bastante familiar ao produtor de algodão do cerrado brasileiro, embora não haja quem goste de ver sua plantação afetada. O Brasil tomou conhecimento dos graves prejuízos que esta doença causou à cotonicultura goiana na safra 1997/98

em função de problemas relacionados ao controle do vetor na cultivar Deltapine Acala 90. Para manejar a doença o produtor deve estar atento às características do material genético utilizado, pois a resistência ou suscetibilidade à virose é que determinarão o modo como o produtor deverá enfrentar a doença azul.

Cultivar

doença azul constitui-se numa das principais doenças do algodoeiro no Brasil, sobretudo na região dos Cerrados. Inicialmente foi descrita pelo eminente pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas, Dr. Álvaro Santos Costa, como Mosaico das Nervuras forma Ribeirão Bonito, em alusão ao fato de ter sido identificada causando sérios prejuízos ao algodoeiro na safra de 1963, no município de Ribeirão Bonito (SP). Acreditou-se, àquela época, que a doença era ocasionada por uma estirpe severa do mosaico das nervuras, daí decorre a primeira denominação da doença. Ainda não se sabe ao certo se a doença azul ou o mosaico das nervuras forma Ribeirão Bonito representam a mesma doença, pois até o momento o agente causal de ambas não foi plenamente caracterizado. Entretanto a relação estreita entre os sintomas e a forma de transmissão das mesmas, leva a crer que se trata da mesma enfermidade.

CULTIVARES RESISTENTES

Para que se possa ter uma idéia mais precisa das diferenças observadas no comportamento de cultivares resistentes e suscetíveis em relação à doença azul na presença de alta infestação do vetor, apresentamos na tabela 2 alguns dados que ilustram bem a reação à virose em três períodos distintos. Vê-se, portanto, que em uma cultivar suscetível, como a CNPA ITA 90, já aos 10 dias após 100% de infestação de pulgões, tem-se quase 35% de plantas com virose, ao passo que em uma cultivar resistente como a BRS Antares tem-se apenas 1,67% de plantas infectadas. Portanto, o manejo da doença deverá ser diferenciado para as duas variedades. Para a cultivar resistente tem sido recomendado fazer amostragem de pulgões Fevereiro de 2001

Alderi explica quais cuidados devem ser tomados para se evitar a doença azul na lavoura

Fevereiro de 2001

na face inferior da folha expandida mais alta. O período crítico é de 20 a 70 dias e de 110 a 130 dias, este último para evitar a presença indesejável de pulgões no final do ciclo e reduzir a possibilidade de ocorrência do que se convenciona chamar de algodão doce. O nível de controle, neste caso dá-se quando forem detectados 20 pulgões por folha e 50 a 60% das plantas estiverem com pulgões. No caso de cultivares suscetíveis a amostragem deverá ser realizada na face inferior de várias folhas na planta. O período crítico compreende dos 5 aos 100 dias e dos 110 aos 135 dias. O nível de controle é definido quando forem localizados 5 pulgões por folha e 5 a 10% das plantas estiverem com pulgões. Os produtores de Mato Grosso, estado que planta mais da metade de sua área de algodão com a cultivar CNPA ITA 90, suscetível à doença azul, conhecem bem como enfrentar o problema e têm obtido produtividades recordes com esta cultivar. Entretanto tem-se verificado, ao longo das safras, um aumento expressivo nos custos de produção da lavoura, estando embutido nestes, o custo elevado de controle do pulgão. É necessário que os produtores, lado-a-lado com o esforço da pesquisa, passem a adotar gradativamente cultivares com maiores níveis de resistência à virose buscando, sobretudo, a sustentabilidade do sistema produtivo. Uma preocupação que vem sendo levantada pelos produtores diz respeito à possibilidade de aumento da incidência da doença em cultivares suscetíveis, em função do plantio na mesma área de cultivares com resistência à virose, onde a população de pulgões seria mantida elevada. Pouco se sabe a respeito do comportamento do vírus na planta de algodoeiro. Se este se multiplicar no material resistente, embora sem haver expressão de sintomas, o que caracterizaria um fenômeno típico de tolerância, haveria certamente aumento de inóculo pelo aumento da população infectada do vetor. Por outro lado, se o vírus não se multiplicar no material genético resistente, e ao que parece esta é uma tendência que vem sendo observada nos estudos até então realizados, o material suscetível estaria exposto apenas ao inóculo primário, constituído de pulgões infectados que chegariam ao plantio e permaneceriam sobre o material resistente. Para reduzir a possibilidade de infecção do material suscetível, poder-seia estabelecer uma barreira química com pulverizações na bordadura do plantio, tanto do lado do material resistente para reduzir a população do pulgão quanto do lado do material suscetível para eliminar o ve. tor que estiver entrando. Alderi E. de Araújo, Embrapa Algodão Cultivar

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Algodão

Alta São Paulo no MT quer exportar P

ara exportar Algodão é preciso ter qualidade e um bom volume, principalmente para diluir custos fixos que são cobrados por contrato de exportação. Em São Paulo, os produtores podem ser classificados de médios para pequenos, quando se compara com outros estados produtores. Desde o início de suas atividades, a APPA está trabalhando para reunir em grupos de trabalho seus associados e assim aumentar o poder de barganha tanto na hora de comprar quanto na hora de vender seus produtos. O Estado foi dividido em cinco regiões sendo: Alta Mogiana, Leme, Holambra II, Votuporanga e Pontal do Paranapanema. Dentro de cada região formamos grupos de trabalho, como pode ser observado na tabela. A qualidade está sendo trabalhada com os grupos através da conscientização, com informações sobre a importância de se fazer bem todas as etapas do cultivo.

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Os agricultores em grupos, donos de um grande volume de algodão, estão conseguindo que muitas algodoeiras do estado se preocupem em investir na qualidade do beneficiamento, facilidade de recebimento, permitindo assim que o produtor venha fazer colheita mecanizada, um investimento que com certeza contribui para melhoria da qualidade. O volume dos grupos normalmente é grande e permite colocar apenas uma parte (30 a 40%) de sua produção para fazer uma possível exportação. A APPA tem se preocupado em buscar todas informações de interesse dos produtores sobre o assunto exportação e se coloca à disposição de todos para tirar dúvidas e ajudar os produtores a abrir mais esta porta de escoamento de safra de grande . importância. Janivaldo Oliveira Castro, APPA

REGIÃO

GRUPO

LÍDERES

Alta Mogiana

Do Guto Proag Mine De Colina

Luis A. Barbosa do Carmo Mauro Itió Takahashi Tadashi Mine Benedito Gomes e Décio Lopes

Leme

Conchal Mudnutti Taquari/Ponte Alg. Aliança

Clodoaldo Cruz Adelino Mudnutti Walter J. Oliveira e Elcio M. Neto Algodoeira Aliança

Holambra II

Holambra II

Johannes H. Scholten

Votuporanga

Alg. Ouro Branco Manuel Porto Grupo Riolândia

Adilson J. P. Segura Manuel A . Porto Vanildo F. Naressi e João C. C. Silva

P. Paranapanema

Ouro Campo

Hélio José de Lima

Cultivar

O desempenho da cultura do algodão em Mato Grosso, no decorrer de 2000, foi considerado satisfatório. Nesta safra a classe produtora acredita que o sucesso deverá repetir-se. Uma das razões: o plantio foi realizado no momento certo, além de auxiliado pelo clima propício. Na avaliação do presidente da Associação dos Produtores de Algodão de Mato Grosso AMPA, Adilton Sachetti, a expectativa de alcançar 52% da produção do país - pouco mais de 450 mil toneladas-, leva os cotonicultores a crer que o algodão do Estado será o grande destaque da agricultura nacional neste ano. Em contratos futuros cerca de 40% da safra já foi comercializada e os produtores que conseguiram excelência na qualidade da fibra já confirmaram contratos para exportação. O presidente coloca que a qualidade da fibra brasileira é encontrada em poucos países. Ponto extremamente positivo que beneficia o preço, deixando o preço da arroba em um bom patamar (na entressafra a arroba chegou a R$ 33). A área de plantio deve aumentar entre 25% e 30%. Devido às variedades utilizadas adequadas para o Cerrado e com alto potencial produtivo a produção e produtividade, afirma ele, também deverão ser boas. Contudo, Sachetti é cauteloso em suas colocações. Afirmando que muita água ainda vai rolar , ele ressalta que uma definição só poderá acontecer daqui a seis meses. Quando estivermos na colheita é que poderemos avaliar precisamente . A grande novidade em 2001 será o método de classificação. Num primeiro momento o intuito é classificar 100% do algodão através do HVI , relatou. No Brasil o maquinário é encontrado somente junto a BM&F e a Unicotton (que negocia a aquisição de mais uma máquina). Outras duas máquinas, oriundas dos Estados Unidos, estariam a caminho do Brasil. Entretanto, Adilton destaca que a única finalidade destas é a realização de testes.

Fevereiro de 2001


Algodão

Algodão Marrom

Fibra colorida é realidade no mercado brasileiro de 2001; novos lançamentos estão programados

cor são tão antigos quanto os de fibra normal de cor branca, sendo que menos desde o ano 2500 a.C. o homem já tinha utilizado fibra de cor, como foi verificado nas escavações realizadas em Huaca Prieta, na Costa Setentrional do Perú. Eram formas primitivas da espécie G. barbadense e a maioria dos algodões silvestres apresentam fibra de coloração marrom em várias tonalidades, porém não são fiáveis, devido a não apresentarem torções, necessárias para que haja a produção do fio. A cor da fibra é de herança monogênica e fácil de ser transferida, sendo que normalmente é regida por gene dominante, mas com alelos em diferentes locais. Desde que o algodão tornou-se a mais importante fibra para a vestidura da humanidade há mais de 200 anos (veste hoje 47% dos habitantes do planeta), até o ano de 1979, não se dava importância aos tipos produtores de fibras de cor, devido a vários fatores entre os quais problemas de contaminação (mecânica nas beneficiadoras e genéticas), e, principalmente, devido à baixa qualidade intrínseca de tais fibras, especialmente a baixa resistência, o curto comprimento e a finura grossa. No ano retro-mencionado nos EUA, a senhora Sally Fox foi a primeira a iniciar trabalho de seleção de algodões de fibras coloridas, marrom, e em 1987 foi iniciado o cultivo de tais algodões na Califórnia, sendo introduzido no Estado do Texas, em 1988. Aqui no Brasil, desde o início do século passado que os agricultores, técnicos, pesquisadores e outros têm visto e registrado tipos de algodões de fibra de cor, inclusive marrom, que eram denominados de algodão foba (São Paulo) e de macaco no Nordeste, tanto no algodoeiro hebáceo, quanto no mocó (perene) do Nordeste, que eram tidos como contaminantes, possuidores de fibra curta e sem resistência.

COMEÇA O MELHORAMENTO

A

tualmente existem já descritas e classificadas 52 espécies de algodão (Gossypium spp.), das quais apenas quatro cultivadas, com destaque para a G. hirsutum L. r. latifolium Hutch, que é o algodoeiro herbáceo, responsável por mais de 90% da fibra de algodão produzida no mundo, sendo que na 50

Cultivar

maioria delas, inclusive nas cultivadas, ocorrem tipos ou variantes que possuem fibras de cor. Já foram registradas as cores marrom (várias tonalidades desde o claro ao escuro), verde, vermelha, rosa, caqui, cinza e azul, além de combinações de cores. Os algodoeiros produtores de fibra de

A partir de 1984 os pesquisadores da área de melhoramento genético da Embrapa Algodão iniciaram a preservação dos tipos locais coloridos (PB, RN, CE, PI e PE) de algodão arbóreo (mocó) no Banco de Germoplasma e, em 1989, foi iniciado o processo de melhoramento genético para a obtenção de cultivares ou bulks produtores de fibra de cor, de início marrom. De início, 11 acessos foram avaliados em termos globais, que apresentam fibras curtas e com a maioria com baixa resistência, variando de 19,5 a 21,7 gf/tex, o que impossibilitava o uso nas modernas fiações. O programa continuou utilizando métodos de seleção individual com teste de progênies e, de 1085 plantas que resultaram em 217 linhas, foram escolhidas as linhaFevereiro de 2001

gens CNPA 92 1139 (1992), CNPA 94 362 (1994) e a CNPA 95 653, pela produtividade e boa qualidade global de fibra. Estas linhagens, fenotipicamente semelhantes foram misturadas formando um bulk que originou a BRS 200 - Marrom, a 1a cultivar de fibra de cor do Brasil, lançada oficialmente no último dia 18 de dezembro de 2000 no Auditório da Federação da Indústria da Paraíba (FIEP) junto com um desfile de moda com peças confeccionadas com a fibra marrom da referida cultivar, que possui fibra de cor marrom claro. Ela apresenta a vantagem sobre genótipos de fibra de cor de outros países por ter boa resistência (25 gf/tex), 36% de fibra finura de 3,7 (M.I.) e resistência do fio singelo de 27 tex. No ano passado, de posse da semente pré-básica oriunda da semente genética (bulk), foram plantados 140 ha com pequenos produtores, previamente selecionados e pertencentes a duas Cooperativas do Estado da Paraíba, colhendo-se cerca de 160t de algodão em rama, equivalente a mais de 57t de pluma e 100t de sementes que serão utilizadas, via produtores selecionados, para o plantio de sequeiro nas áreas previamente zoneadas para algodões perenes, como é o caso da BRS 200 - Marrom que tem ciclo econômico três anos, produzindo em média 1300 kg/ha/ano de algodão em caroço, e com custo de produção semelhante aos tipos de algodão perene de fibra branca, como é o caso da cultivar 7MH (derivada de híbrido mocó x herbáceo). As 57t de fibra produzidas serão transformadas em tecidos pelo Consórcio Natural Fashion que agrega 16 indústrias de confecções da Paraíba, sendo suficientes para produzirem, por exemplo, 87.692 calças para adultos ou 160.000 blusas. Com a semente produzida neste ano de 2001 pode-se plantar 6650 ha (15 kg/sementes/ha) e entrar de vez no mercado nacional e internacional que hoje paga 50% a mais no preço da fibra de cor em relação ao algodão de fibra branca. No lançamento oficial na FIEP estiveram presentes várias autoridades do Estado e do país como um todo, empresários de outras regiões do país, produtores, indústrias têxteis e a sociedade em geral, com mais de 300 participantes.

a efetiva participação financeira do Banco do Nordeste do Brasil. Acreditamos que com organização dos produtores, via associações e pequenas cooperativas, com o mercado garantido (previamente estudado e mapeado) e com a interação dos demais fatores de produção, haja espaço (nicho de produção) garantido para o algodão colorido no Brasil em especial no Nordeste, que por enquanto é a única região indicada para o cultivo do algodão marrom perene. Os estudos continuam com novos ti-

pos de algodão, como o de cor verde, já com linhagens avançadas da CNPA 7H verde e com outras cores, inclusive o marrom herbáceo, para as demais regiões produtoras de algodão no Brasil. No futuro, não muito distante, será iniciado em Programa de melhoramento para a obtenção de cultivares de fibra de outras cores, . como o azul e tipos multicor. Napoleão E. de Macêdo Beltrão, Eleusio Curvelo Freire, Embrapa Algodão

PRODUÇÃO AUMENTADA

Atualmente a Embrapa Algodão está desenvolvendo um projeto de P&D para o desenvolvimento de um sistema de produção de algodão de cor, BRS 200, orgânico, sem uso de produtos químicos industrializados, via métodos físicos, ecológicos e biológicos de controle de pragas, doenças e plantas daninhas, com Fevereiro de 2001

Cultivar

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A utilização de métodos alternativos aos produtos químicos para o controle de pragas tem sido uma das grandes metas a serem alcançadas por pesquisadores em todo o país, como resultado da crescente conscientização da necessidade da preservação ambiental. Juntamente aos vários outros inimigos naturais de pragas tais como bactérias, fungos, vírus e insetos, os nematóides têm despontado como uma excelente forma de controle biológico

Marineide M. Aguillera

Nossa Capa

Nematóides do Bem

Lagartas de Galleria mellonella inoculadas com nematóides entomopatogênicos para produção de inóculo

N

ematóides em geral são conhecidos pelos agricultores como prejudiciais às culturas, especialmente aqueles denominados comumente como nematóides das galhas, pertencentes ao gênero Meloidogyne. Nematóides entomopatogênicos, entretanto, são inócuos às plantas, visto que não são providos de estilete, estrutura do corpo através da qual os parasitos de plantas se alimentam do conteúdo das células vegetais. São denominados entomopatogênicos porque vivem e atuam em associação com bactérias simbiônticas, as quais são patogênicas aos insetos. Estas são encontradas na natureza somente em associação com nematóides entomopatogênicos ou em insetos por eles parasitados. Outros nematóides parasitos de insetos são também conhecidos como inimigos naturais e aliados do homem no controle de mosquitos, moscas, gafanhotos e outros. No Brasil, temos um muito bem 52

Cultivar

sucedido exemplo do uso de nematóides benéficos pertencentes ao gênero Deladenus, para o controle da vespa-da-madeira, em programa conduzido pela Embrapa Florestas, unidade localizada no estado do Paraná. Os entomopatogênicos são os únicos outros nematóides que têm sido utilizados pelo homem na agricultura.

GÊNEROS DE ALIADOS

Até o momento, são conhecidos três gêneros de nematóides entomopatogênicos a saber: Steinernema, Heterorhabditis e Neosteinernema. Destes, os dois primeiros têm sido intensivamente estudados em todo o mundo e, desde a época de sua descoberta, nas décadas de 20 e de 70, respectivamente, estão sendo multiplicados para aplicações em casa de vegetação e no campo. Estes nematóides caracterizam-se por vários aspectos favoráveis a seu uso na prática. Primeiro, por terem a capacidade de

se locomover no solo à procura de hospedeiros para os quais são atraídos por diferencial no teor de CO2 e possivelmente por componentes fecais. Segundo, por terem uma extensa lista de hospedeiros, o que ajuda na sobrevivência em condições de campo. São indicados principalmente para insetos que despendem pelo menos uma fase do ciclo biológico no solo, embora também possam ser usados para pragas de parte aérea, desde que medidas específicas sejam aplicadas. Por outro lado, testes de suscetibilidade feitos com alguns insetos benéficos mostraram que estes nematóides não são patogênicos a outros inimigos naturais. Depois, por poderem ser multiplicados em laboratório, tanto in vivo, sobre um inseto hospedeiro, quanto in vitro, em diversos meios de cultura, os quais requerem apenas composição rica em proteínas que favoreça o crescimento das bactérias simbiônticas, das quais os nematóides vão se aliFevereiro de 2001

mentar. Além disso, podem ser armazenados antes de serem aplicados. Outro fator altamente favorável à viabilização do uso destes nematóides é o fato de não necessitarem de registro por parte de órgãos públicos para aplicação, como é exigido para os produtos químicos. Isso permite que nematóides nativos sejam multiplicados, testados quanto à infectividade a pragas de importância agrícola e em seguida aplicados em campo, num curto espaço de tempo após sua descoberta. Da mesma forma, nematóides exóticos podem ser testados e aplicados no país sem necessidade de registro. Há, entretanto, a exigência de realizar importações de espécies ou strains através de unidades de quarentena da Embrapa. A pesquisa tem mostrado que nematóides entomopatogênicos são compatíveis com alguns produtos químicos, os quais estimulam a movimentação de juvenis infectivos. Este fato contribui para permitir que sejam usados em proFevereiro de 2001

gramas de manejo integrado de pragas. O ciclo destes nematóides consiste na fase de ovo, um estádio adulto, com machos e fêmeas, e quatro estádios juvenis. Os juvenis infectivos constituem-se em juvenis de terceiro estádio especializados, os quais são formados quando a fonte de alimento, ou seja, tecidos do inseto hospedeiro morto e, conseqüentemente células bacterianas, estão em vias de exaustão. Estes juvenis infectivos retêm a cutícula do segundo estádio, encapsulam células da bactéria simbiôntica e têm o trato digestivo desativado (Fig.1). Nesta fase, portanto, não se alimentam e estão aptos a suportar condições ambientais inadequadas, enquanto localizam um novo hospedeiro. Quando isso ocorre, invadem o corpo do inseto através de aberturas naturais e, ao alcançar a cavidade do corpo, liberam na hemolinfa, células da bactéria simbiôntica, as quais multiplicam-se rapidamente, e matam o

inseto por septicemia em período de aproximadamente 24 a 48 horas. Os nematóides então desenvolvem-se, alimentando-se da bactéria e alcançam o estádio adulto. No gênero Steinernema, nesta primeira geração formam-se machos e fêmeas, enquanto no gênero Heterorhabditis, formam-se apenas fêmeas hermafroditas. A partir da segunda geração, formam-se machos e fêmeas. Os adultos de primeira geração apresentam corpo bastante desenvolvido, com alta capacidade reprodutiva, multiplicam-se rapidamente e, desta forma, colonizam o inseto em curto espaço de tempo. As bactérias simbiônticas produzem antibióticos, impedindo que outros microrganismos se desenvolvam no inseto morto. Fêmeas produzem ovos que dão origem a juvenis e o ciclo se repete por cerca de três gerações até que haja indução para formação de juvenis infectivos, os quais abandonam o hospedeiro e migram no solo em busca de novo hospedeiro (Fig. 2). A criação de nematóides entomopatogênicos in vivo é feita em lagartas de Galleria mellonella, a traça da cera de abelha (Fig 3). A produção in vitro pode ser realizada em meios sólidos e líquidos. Em ambos os tipos, a produtividade é alta. Em meio sólido situa-se por volta de 40 milhões de juvenis infectivos/frasco de meio de cultura. Em meio líquido, a produtividade chega a mais de 100.000 juvenis infectivos/mL em fermentadores com 100.000 litros de capacidade. Diferentemente da tecnologia em meio líquido, a produção em meio sólido requer mais mão-de-obra, sendo mais utilizada em países onde esta é mais disponível. As quantidades de inóculo para aplicação em campo são da ordem de 2,5 bilhões de juvenis infectivos/ha. Isso evidentemente exige que grandes quantidades de inóculo sejam produzidas a preços que devem ser competitivos com o mercado de produtos químicos. Assim, os componentes dos meios de cultura devem necessariamente ser de baixo custo. Atualmente, muitas empresas privadas produzem nematóides entomopatogênicos ao redor do mundo. Cerca de 90 empresas nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Suíça; República Tcheca, Itália, Reino Unido, Suécia, Dinamarca, Alemanha, Holanda e Japão produzem nematóides entomopatogênicos em nível comercial. Diversos tipos de formulação estão atualmente disponíveis no mercado, sendo mais eficientes as que permitem armazenamento em condições ambientais por período de até seis meses.

APLICAÇÃO DE NEMATÓIDES

A aplicação de nematóides entomopatogênicos pode ser feita com a utilização de pulverizadores de diversos tipos e até por Cultivar

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UFSCar

Marineide espera que a pesquisa sobre nematóides entomopatogênicos conduza à utilização destes organismos no Brasil para o controle de pragas

irrigação. Estes nematóides suportam pressão de até 300 lb/pol2 , o que facilita esta etapa do processo. No Brasil, em 1937 foi publicado relato de parasitismo de um nematóide entomopatogênico parasitando praga do algodoeiro no estado de São Paulo. Sabe-se agora que se tratava de espécie do gênero Heterorhabditis. Depois desta constatação, apenas em 1985 foi encontrado o gênero Steinernema, parasitando Migdolus fryanus em área de cultivo de cana-de-açúcar. Levantamentos mais recentes realizados pela Universidade Federal de São Carlos têm mostrado a incidência destes dois gêneros de nematóides entomopatogênicos em diversos locais dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Alguns destes nematóides isolados no país estão sendo objeto de estudos e têm-se mostrado infectivos em laboratório a pragas tais como o Migdolus

fryanus, na cana-de-açúcar, o bicho-furão (Ecyitolopha aurantiana) em citros, o gorgulho da cana-de-açúcar, Sphenophorus levis e o moleque da bananeira, Cosmopolites sordidus. Esse último foi estudado pela pesquisadora Áurea Terezinha Schmitt com isolado de Steinernema obtido de Santa Catarina. Muitos outros insetos, potenciais hospedeiros destes nematóides, devem ainda ser testados em laboratório e em seguida no campo. Tendo em vista que Steinernema e Heterorhabditis estão presentes em vários locais no Brasil onde pragas suscetíveis continuam ocorrendo em níveis elevados, acredita-se que condições adequadas de manejo de solo possam favorecer o crescimento de populações de espécies e strains nativos, aumentando sua eficiência. Por outro lado, a perspectiva é de que em curto prazo estes nematóides nativos sejam multiplicados em laboratório para aplicações no campo na forma de inoculações inundativas onde grandes quantidades do inóculo são aplicadas ou de inoculações do tipo inoculativo onde apenas pequenos volumes de inóculo são aplicados. A escolha do método dependerá do comportamento do inseto-alvo. Em agosto de 2000, numa promoção conjunta da Embrapa Meio Ambiente, Universidade Federal de São Carlos e Sociedade Brasileira de Nematologia, foi realizado o Workshop: Nematóides Entomopatogênicos (Rhabditida: Steinernematidae e Heterorhabditidae): um Recurso Pouco Explorado no Brasil. Esse evento reuniu pesquisadores, técnicos, alunos e pes-

MANEJO ECOLÓGICO CONSULTORIA

®

Diagrama do ciclo biológico de nematóides entomopatogênicos.

(Adaptado de Parwinder Grewal, Ohio State University, Wooster, Ohio, USA)

soas interessadas no assunto e teve como objetivo despertar o interesse nestes importantes agentes de controle biológico e desta forma incentivar o desenvolvimento de pesquisas no Brasil. Naquela oportunidade foram formados grupos de trabalho para conduzir estudos nas seguintes áreas: 1) Exploração de espécies nativas; 2) Utilização de nematóides já disponíveis no mercado, incluindo nematóides exóticos e nativos. Padronização de métodos para isolamento e multiplicação de nematóides bem como execução de testes deverá ser estabelecida pelos grupos. Espera-se que o controle biológico com nematóides entomopatogênicos ganhe novos adeptos no Brasil e que este método seja devidamente explorado, com reflexos positivos na redução de danos causados por pragas e ao mesmo tempo na melhoria da . qualidade do ambiente. Marineide Mendonça Aguillera, Universidade Federal de São Carlos

DE

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Cultivar

Fevereiro de 2001


Fotos Cultivar

Trigo

Novo Milênio, novo trigo Há grande potencial de área para o Brasil aumentar a sua produção de trigo

O

desafio que se apresenta para a agricultura brasileira neste novo milênio é suprir a crescente demanda nacional e mundial por alimentos. No ano 2005 a população mundial será de 6,3 bilhões de pessoas e o consumo previsto pode chegar a 740 milhões de toneladas de trigo, por exemplo. Estimativas mostram que haverá uma deficiência de oferta superior a 100 milhões de toneladas. Repetir que trigo não é uma cultura nova no Brasil, que temos tecnologia para produzir, que importar o cereal nos custa mais de US$ 1,1 bilhão por ano, que pode converter um emprego direto e dois indiretos para cada 17 hectares incorporados ao sistema produtivo, que é a única opção econômica para o inverno na região sul do Brasil, que nosso problema é o custo Brasil, que os subsídios e o dumping praticado pelos países 56

Cultivar

exportadores é cruel, entre outras verdades conhecidas e incessantemente repetidas, não é mais producente e parece não estar ajudando a triticultura nacional, pelo menos nunca foi. Buscar no governo um culpado para os problemas da triticultura nacional é uma prática conveniente, mas não mais convincente, até porque não é somente culpa do governo o fato de termos uma dependência tão grande do trigo importado, ou que o trigo nacional não tenha a credibilidade que o conhecimento disponível nos levaria a acreditar que devesse ter.

NOVO CENÁRIO

Mas um questionamento é importante: o que a próxima safra, que se inicia já no final de fevereiro nas regiões produtoras do Brasil Central e se estenderá

até meados do mês de julho no Noroeste do Rio Grande do Sul, pode prometer? Bem, é o terceiro ano consecutivo que o governo promete, com medidas positivas à triticultura - como preço mínimo remunerador, disponibilidade de crédito para plantio - promessa de comercialização financiada e até, suportada por medidas de competitividade como é o caso do EGF para indústria de semente e de moagem, contratos de opção - CPR s e o PEP para a movimentação da safra. Também, temos uma realidade mercadológica que não era consistente até há pouco tempo atrás, quando os preços de mercado eram definidos pelos estoques internacionais, pela demanda de alguns países tradicionais importadores - como é o caso de China e Rússia - ou quando a demanda é maior que a oferta. Na verdade, novamente esses fatores

Benami mostra o que é necessário para que a cultura do trigo volte a ter destaque no País

Fevereiro de 2001

Fevereiro de 2001

passaram a influenciar de forma previsível e a exportação dos excedentes argentinos para o Oriente Médio causaram um aumento de pelo menos 30% no preço do trigo daquele país. O trigo gaúcho, por exemplo, passou, apesar da difamação qualitativa, a ser procurado com ofertas significativamente remuneradoras. Na safra de 2000, quando tivemos dois problemas sérios - uma geada no norte do Paraná, que destruiu um milhão de toneladas, e chuvas intensas no período de colheita do trigo do Rio Grande do Sul - no entanto, lavouras com tecnologia adequada conseguiram produzir mais de quatro toneladas por hectare, chegando, em alguns casos, como no Noroeste Gaúcho, a produzir 6,2 toneladas por hectare. Outro ponto importante que nos faz prever condições vantajosas para a triticultura Brasileira é o retorno da possibilidade, com demanda bem caracterizada, de reintroduzir o trigo nas regiões menos tradicionais do Brasil Central, como é o caso do Sul de Minas Gerais, Triângulo Mineiro, Sudoeste de Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul, tanto em condições de sequeiro, acima de 600 metros, como em condições de irrigação. A capacidade industrial daquela região é de aproximadamente 1,2 milhão de toneladas e demanda próxima a esse número. Existe a capacidade inquestionável de absorver até 500 mil toneladas de trigo produzido na região com marcante competitividade em relação ao trigo importado do exterior ou mesmo de outras regiões produtoras do país. É marcante, também, a transformação do mercado com relação a características qualitativas. Práticas de segregação de produto por qualidades caracterizadas permitem bonificações significativas, até para trigos que antes eram considerados comuns , e hoje são considerados superiores para a produção de biscoitos e bolos caseiros. A segregação da colheita e do armazenamento passa a ser um processo agregador de valor ao produto beneficiando a cadeia produtiva como um todo.

dos 530 mil hectares colhidos no ano passado para pelo menos 600 mil hectares. O Paraná, apesar do susto, pode aumentar para até 900 mil hectares, pois o grande competidor do trigo é o milho safrinha, que também foi prejudicado pela geada e não tem preço competitivo. Temos condições de retornar no Mato Grosso do Sul, em São Paulo e nos estados do Brasil Central em lavouras de cerrado, principalmente irrigadas. Isso permite antever um potencial para 150 mil hectares em sequeiro e 30 mil hectares sob pivot central de irrigação, que hoje estão ociosos. Podemos prever um incremento lento, mas consistente. Se quisermos, podemos colher, já na próxima safra 3,6 milhões de toneladas, muito menos do que necessitamos, mas quase o dobro do que colhemos na última safra e um passo decisivo para a menor dependência. Se for esta a política, e os indicadores dizem que é, podemos continuar este incremento de produção até atingirmos, no ano de 2003, cinco milhões de toneladas, o que seria uma posição significativa para a consolidação da triticultura nacional, consistente com a capacidade real do produtor brasileiro, com a habilidade competitiva de nosso agronegócio e como um indicador claro de que podemos, se quisermos, até exportar tri. go no futuro. Benami Bacaltchuk, Embrapa Trigo

IMPORTAÇÃO ELEVADA

O Brasil terá que importar cerca de 8 milhões de toneladas de trigo neste ano de 2001. Quanto teremos que importar no próximo ano? Óbvio que isto depende de quanto produziremos. O Rio Grande do Sul e Santa Catarina podem incrementar, pelo menos em 20%, a área plantada nesta próxima safra, passando Cultivar

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Soja

Micronutrientes,

Embrapa Soja

Macroimportância

Aspecto de planta de soja com deficiência de manganês, um dos micronutrientes necessários para uma boa produtividade

A

s altas produtividades obtidas na cultura da soja, devidas às novas cultivares e às novas tecnologias aplicadas, fazem com que as necessidades de nutrientes também sejam gradativamente elevadas. Manganês, cobre, molibdênio, cobalto, zinco e outros micronutrientes passam a ser necessários em dosagens mais elevadas para que possam ser atingidos os patamares de elevada produtividade necessários à boa rentabilidade econômica da cultura. 58

Cultivar

O molibdênio e o cobalto, além de necessários para o metabolismo normal da planta, assumem um papel fundamental por sua essencialidade no processo de fixação do nitrogênio. O molibdênio faz parte do centro ativo da enzima nitrogenase, a enzima que promove a transformação do nitrogênio atmosférico em amônio no interior do nódulo. Assim, na ausência do Mo, não existe fixação do nitrogênio e a produtividade ficará seriamente prejudicada. O cobalto também é fundamental no

processo de fixação, pois faz parte da cobalamina, substância de grande importância no processo bioquímico da fixação. Estes elementos, por outro lado, estão escasseando nos solos brasileiros. As explorações continuadas por anos e anos levaram ao seu esgotamento nos solos de cultivo. No caso particular do molibdênio, esta escassez é agravada pelo fato de que 80% do que é absorvido pela planta se deposita nos grãos, não retornado para o solo na palhada. Assim, ano a ano, está havendo uma Fevereiro de 2001


Biotecnologia drenagem contínua do Mo dos solos. A reposição do Mo pode ser feita de três formas: via adubação do solo, via aplicação foliar e via sementes. A aplicação via solo, juntamente com a adubação de macro nutrientes, não tem se mostrado eficaz, pois é muito difícil distribuir uniformemente 25g ou até mesmo 100g em um hectare. Além do mais, as formas de Mo aplicadas via adubo são geralmente de baixíssima solubilidade, demorando vários anos para uma correção eficaz. A aplicação via foliar, embora fácil de fazer quando se aplica juntamente com outros produtos necessários ao trato cultural, resulta em um aporte tardio, aos 25/30 dias após a germinação, o que deixa a planta com baixas dosagens durante este período, quando a fixação de N já é intensa. A aplicação via semente é a mais indicada, pois aporta os micronutrientes na mesma operação de tratamento das sementes com fungicida e inoculante, distribui uniformemente os produtos pela área e disponibiliza os elementos químicos desde os primeiros momentos após a germinação.

AUMENTO DE PRODUTIVIDADE

Quanto ao aumento de produtividade devido à aplicação de Mo e Co em soja já não restam mais dúvidas: os dados de pesquisa são incontestáveis e os resultados obtidos pelos agricultores confirmam que, para altas produtividades, o aporte de molibdênio e cobalto é indispensável. A dosagem recomendada pela pesquisa é de 12 a 25 g de Mo e de 1,2 a 2,5 g de Co por hectare. Há resultados de pesquisa que mostram aumentos de até 45% na produção de grãos com o uso de Mo e Co. Os grãos produzidos em lavoura bem provida de Mo são, geralmente, mais pesados que aqueles oriundos de áreas deficientes neste micronutriente. Entretanto, quando se aplicam os nutrientes via sementes, alguns cuidados devem ser tomados, pois há formulações que prejudicam seriamente o Bradyrhizobium do inoculante, causando uma grande mortandade nas bactérias, podendo até mesmo anular o efeito da inoculação e, por conseqüência, da própria aplicação de Mo e Co. O molibdato de sódio e de amônio são sais com pH extremamente elevados, podendo chegar a 10 ou 12, faixas de alcalinidade totalmente incompatíveis com o Bradyrhizobium. Algumas formulações existentes no mercado consistem em simples dissolução dos sais em água, adicionados de alguns espes60

Cultivar

Cultivar

Atraso nas pesquisas Batalha na mídia e discussão sobre biotecnologia prejudicam o desenvolvimento científico do Brasil

Solon recomenda cuidados para evitar a deficiência de micronutrientes na cultura da soja

santes, o que faz com que os produtos tenham pH elevado, incompatíveis com a sobrevivência da bactéria do inoculante. Por outro lado, há produtos que tem seu pH mal corrigido, chegando a níveis extremamente ácidos, abaixo de 4, o que também é letal para a bactéria fixadora de nitrogênio. As boas formulações devem ter seu pH corrigido para níveis próximos à neutralidade, de 6 até 7, propiciando uma boa compatibilidade com a bactéria do inoculante. Desta forma, é imprescindível que o agricultor escolha bem o produto que vai usar para suprir o Mo e Co em sua lavoura de soja. É necessário exigir do fabricante uma declaração de qual é o pH do produto e em caso de dúvida, deve ser remetida uma amostra para laboratório idôneo, solicitando uma análise de pH, para se verificar se o produto, ao invés de causar benefício à cultura, não vai, pelo contrário, causar danos e diminuição no rendimento. Este pequeno, mas indispensável cuidado vai, certamente, permitir que tanto a bactéria do inoculante quanto os próprios micronutrientes venham a exercer seu potencial benéfico para as culturas, contribuindo decisivamente para . o aumento da produtividade. Solon C. de Araujo, Bio Soja de Inoculantes Ltda. Fevereiro de 2001

A

limentos transgênicos são seguros? A discussão, alimentada nos dois últimos anos por organizações ecológicas, cujas doações sabidamente aumentam com a autopromoção, respaldadas pela mídia desinformada, nunca teve maior apoio nos meios científicos, favoráveis às novas tecnologias desenvolvidas pela engenharia genética. Mas ganhou expressão popular pela coincidência pelo aparecimento da Encefalopatia Espongiforme Bovina (BSE), especialmente. No momento em que a Europa morre de medo da vaca louca , que se discute o uso de antibióticos nas rações de suínos e aves e que entra em debate o teor de resíduos de agroquímicos em alimentos como o próprio pão integral, dada o acúmulo de pesticidas nas camadas superiores do grão, defender os transgênicos é comprar briga. No Brasil a liberação para fins comerciais de variedades geneticamente modificadas foi barrada por uma decisão judicial. A legislação era pouco específica sobre a questão, o que foi modificado em dezembro com a Medida Provisória que estabelece poderes especiais à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança para tratar do assunto. E a CTNBio é formada por pesquisadores que seguem somente normas técnicas e científicas para decidir, não se deixando levar pelo fanatismo ecológico nem pela mídia comprometida, o que entusiasma bastante os defensores da novas tecnologias, que vêem agora uma chance de aprovação.

SEM MEDO

A presidente da CTNBio, a pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz Leila Oda, não tem medo de transgênicos e disse isso em entrevista publicada no primeiro número do Fevereiro de 2001

Jornal da ANBio (Associação Nacional de Biossegurança), que circulou em janeiro. Para a cientista, o medo de novidades é o mesmo que no século XVIII, provocou a revolta popular contra a introdução da vacina contra a varíola. Somente 60 anos depois e muitas vidas perdidas a vacina foi aceita. A sociedade não percebe de imediato a importância e as vantagens de uma aplicação científica, preferindo ficar com o que já conhece.

O Brasil está atrasado nas pesquisas; aqui ainda se trabalha na primeira onda de plantas geneticamente modificadas O brasileiro diz Leila sofre o bombardeio constante da mídia que, por um lado, apóia os avanços que poderão advir do seqüenciamento do genoma humano e suas aplicações na medicina, mas por outro sataniza os transgênicos. Ela admite, no entanto, que não há risco zero em ciência e que nesse caso os riscos são os mesmos de outras tecnologias. Não existissem riscos, a Lei de Biossegurança ou a CTNBio seriam desnecessárias. O importante, salienta, é que só produtos seguros irão para a prateleira dos supermercados. Leila admite também que o Brasil está atrasado nas pesquisas. Aqui ainda se trabalha na primeira onda de plantas geneticamente modificadas, buscando melhorar características agronômicas, como a resistência a pesticidas e pragas. São transgênicos que favorecem o agricultor pela ampliação de sua

produção e redução de custos, enquanto na Europa e Estados Unidos já se trabalha na Segunda onda, com pesquisas e produtos de melhor qualidade nutricional. A terceira, já em perspectiva, trará maiores benefícios com a produção de fármacos e vacinas como a vacina transgênica, que promete a cura da AIDs. No Brasil já há 130 entidades credenciadas pela CTNBio para trabalhar com OGMs e há desenvolvimento de alguns de segunda e até de terceira gerações, como as vacinas contra hepatite e leishmaniose.

E O FUTURO?

Leila Oda é cautelosa em relação ao futuro, mas lembra que a China já planta mais de um milhão de hectares apenas de algodão transgênico, com uma redução de até oito vezes no uso de agroquímicos e substancial aumento de produção. A Argentina é outro exemplo: há cinco anos incorporou a tecnologia transgênica e dobrou a produção de grãos sem ampliar a área cultivada. A vantagem dessa tecnologia é que requer menor uso de agroquímicos e menores áreas de cultivo, o que é uma vantagem ao meio ambiente, pois reduz o desmatamento. O Brasil já conta com 800 áreas experimentais aprovadas pela CTNBio, que os vistoria juntamente com os setores competentes do Ministério da Agricultura em três fases do desenvolvimento: antes do plantio, durante a evolução da cultura e no final. É importante, diz, que a sociedade se sinta amparada pelo aval dos cientistas da CTNBio que analisam criteriosamente cada OGM. O papel da comissão é técnico, destaca. Mas os outros agentes do processo fiscalização dos Ministérios da Saúde, Meio Ambiente e Agricultura são os responsáveis pelo monitora. mento dessas ações. Cultivar

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Transgênicos quena parte das OGMs possuem traços de resistência a vírus. Plantas resistentes a bactérias e fungos ainda estão em desenvolvimento e logo chegarão ao mercado.

Novos alimentos estão chegando

A

expressão novos alimentos n clui muitas e diferentes substâncias emergentes, desde frutas exóticas a alimentos fármacos, além de produtos geneticamente modificados. Nos Estados Unidos e Japão, o mercado para novos produtos alimentícios está em franca expansão. Na Europa também o crescente mercado busca alimentos saudáveis, mas, ao contrário dos Estados Unidos, produtos à base de OGMs são rejeitados por esmagadora maioria da população. Contudo, a engenharia genética é parte dos negócios cotidianos da indústria alimentar, tanto na Europa quanto nos EUA. Cerca de 70% dos nutrientes manufaturados têm contato com a tecnologia genética em algum moi

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Cultivar

mento. A maioria das substâncias produzidas por modificação genética são enzimas e produtos auxiliares, como as vitaminas. Mais de 30 enzimas produzidas por OGMs são atualmente usadas na Alemanha. Cerca de 80% de todo o queijo alemão é obtido com o uso de renina geneticamente produzida, uma enzima normalmente sintetizada no estômago dos polvos. Algumas sociedades vegetarianas estão satisfeitas com esse desenvolvimento, que representa considerável redução de produtos animais na nutrição humana. Assim como as enzimas e substâncias auxiliares, mais e mais ingredientes de plantas GM, como a soja e o milho, são processados nos alimentos europeus. Importados dos Estados Unidos, Canadá e Argentina, eles chegam

CONSUMIDOR E PESQUISA

em carregamentos, misturados com os convencionais, porque a segregação é muito cara. O volume do mercado de plantas transgênicas nos EUA tem crescimento impressionante. Em apenas três anos ganhou 30% das vendas de cereais da América do Norte e de um modesto início com dois milhões de hectares plantados em 96 passou dos 20 milhões em 98. Não cresceu muito desde então, devido à polêmica criada pelos ecologistas. As cultivares autorizadas para consumo apresentam novos traços, como resistência a herbicidas ou a insetos, como o milho alterado para segregar uma proteína tóxica para certos insetos. Essa proteína, o Bacillus thuringiensis, o Bt, também é usada na agricultura orgânica para controlar insetos-pragas. Uma pe-

Fevereiro de 2001

A maior fonte das críticas é que nenhum dos OGMs de primeira geração trouxe qualquer vantagem direta ao consumidor. Tanto que a União Européia está orientando seus pesquisadores para, no futuro, dirigir seus trabalhos para aspectos mais esperados pelo público. As plantas transgênicas benéficas para o meio ambiente e a saúde serão mais apreciadas pelo consumidor e aceitas com facilidade. Exemplo disso são as plantas que absorvem fertilizantes artificiais com alta eficiência, que poderão reduzir os efeitos eutróficos em lagos e rios. Na tentativa de reduzir a poluição, diversas empresas pesquisam plantas que definem uma enzima chamada phitase, capaz de degradar e tornar digestível uma molécula que armazena fósforo no organismo vegetal, e a phitina, normalmente não acessível a porcos e frangos. Sem essa enzima, a maioria dos animais não aproveita o fósforo. Atualmente ela é produzida em grandes tanques e adicionada às rações, processo caro que se tornará supérfluo quando for sintetizada por plantas. O teor nutritivo do alimento pode ser melhorado pelo aumento do conteúdo vitamínico, de gorduras essenciais e aminoácidos, ou pela adição de redutores de colesterol e açúcares especiais. Plantas assim já estão em desenvolvimento. Óleo de canola GM com alto teor de ácido esteárico tem a vantagem de poder ser usado em margarinas, sem os danos à saúde causados pelos ácidos graxos usuais de hoje. Muitas plantas têm princípios ativos com propriedades iniboras do câncer ou redutoras de colesterol. Embora nem todos os estudos concordem com os resultados pretendidos, os pesquisadores trabalham para aumentar o conteúdo de antioxidantes, carotenóides, fitoestrogeno ou fibras nutricionais. Sementes de Arabidopsis thaliana foram modificadas para comportar mais vitamina E, e tomates para ter três vezes mais licopeno do que o normal. Alimentos e ingredienFevereiro de 2001

tes alimentares e para prevenir doenças já estão a caminho, pesquisados há 10 anos. Comida funcional, ou nutricêuticos são produtos com alguma vantagem agregada, além do seu valor nutritivo. Nos EUA e Japão o mercado cresce rapidamente para esses produtos. Um em cada dois consumidores japoneses compra alimento especial para a saúde. Mais de 120 ingredientes já estão registrados no Japão como Alimentos de Uso Indicado para a Saúde (ou Foshu, de sua sigla em inglês). Na Europa os primeiros exemplos são alimentos prebióticos e probióticos, e produtos ACE (contêm vitaminas A, C, e E). A prebiótica inclui os que contêm fibras solúveis nutritivas e são polissacarídeos, como a inulina ou semelhantes, capazes de reduzir o perigo de câncer colo-retal e diminuir os níveis de colesterol. Prebióticos são isolados de suas fontes naturais e adicionais como suplementos alimentares. É possível imaginar a reengenharia de frutas e hortaliças de forma a produzir sua própria prebiótica. Um dos projetos atuais é o desenvolvimento de um conceito para produzir substâncias prebióticas em diferentes plantas para melhorar a qualidade nutricional humana. A probiótica inclui microorganismos benéficos em calorias no sistema interno e um dos efeitos procurados é a estimulação do sistema imunológico. Produtos láticos são o meio mais apropriado para essas culturas, cuja distribuição requer ininterrupto resfriamento e Ph ligeiramente ácido como forma de garantir altas populações de organismos viáveis. Assim como produtos que agregam benefícios à saúde são bem aceitos (mesmo com preços altos), muitos europeus questio-

nam as vantagens da engenharia genética na agricultura. No Reino Unido supermercados e a indústria de alimentos recuam diante da tendência dos consumidores e passam a promover marcas sem OGMs. Até aqui um dos principais focos de crítica era o emprego de genes resistentes a antibióticos, o risco de alergias e alguns não especificados riscos ambientais. Sob a pressão de organizações de consumidores e algumas ONGs, mas também porque se tornou obsoleto, o uso de genes resistentes a antibióticos foi abandonado. Resta a alergenicidade. Tem sido enfatizado que o risco dos OGMs causar alergias é menor do que os de variedades convencionais. O exemplo de soja modificada, contendo um gene de castanha, mostrou um lado interessante. Estamos agora não só aptos a identificar a origem de alergias causadas por alimentos, como também dispomos da tecnologia para eliminar os fatores alergênicos de nossa alimentação. A eliminação de proteínas alergênicas pela engenharia genética é possível, ao passo que praticamente impensável no sistema de melhoramento convencional.

Cultivar

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Plantas Daninhas

Lado Bom Hollricher, Morris e Welters mostram as potencialidades que a engenharia de alimentos traz para o quotidiano da população

PROBLEMAS AMBIENTAIS

Há algum tempo jornais e revistas, bem manipulados por ONGs, alardearam a história das pobres larvas de borboletas monarca (Danaus plexippus) afetadas pelo pólen de milho transgênico Bt experimentalmente colocado nas plantas de que se alimentam. Algumas larvas morreram. Como a proteína Bt, presente no pólen do milho resistente à broca européia, foi lançada diretamente sobre as larvas, não é de estranhar que tenham morrido. O inverso é que seria. Mas os autores do artigo e outros cientistas estão alertando que essa experiência de laboratório provavelmente não seja relevante nas práticas agrícolas normais. O professor K. Amman, da Universidade de Berna, demonstrou na Alemanha que a reprodução da borboleta monarca ocorre em época do ano bem diversa daquela em que o milho floresce. Portanto, o contato dessa larva com o pólen é altamente improvável sob condições naturais. Para esclarecer dúvidas do consumidor concernente à segurança de OGMs cada planta é pesquisada exaustivamente em campos de testes especialmente desenvolvidos, além dos já requeridos para um registro normal de variedade. Na Alemanha o Ministério da Educação, Pesquisa e Tecnologia (BMBF) patrocina os estudos de biossegurança de plantas transgênicas através de um programa chamado Biomonitor . Provavelmente os países com alto potencial de aproveitamento para a en64

Cultivar

genharia genética não são os países industrializados, com seus bem desenvolvidos sistemas agrícolas, mas os países pobres. As plantas transgênicas podem melhorar a situação nutricional em alto grau. Pesquisadores estão trabalhando em mandioca africana para reduzir o teor de ácido ciânico e eliminar o sabor amargo do tremoço largamente cultivado na América do Sul. O arroz, que contribui com mais calorias para a alimentação mundial, é um foco de intensa pesquisa. Os exemplos incluem plantas capazes de crescer sob condições desfavoráveis, com alta salinidade e calor extremo. Outros exemplos são as cultivares de arroz contendo vitamina A não só no envoltório como também no grão. Na Ásia, milhões de pessoas sofrem os efeitos da deficiência de vitamina A , pois só usam arroz polido em suas dietas. Esse arroz geneticamente modificado, portanto, contribui decisivamente para melhorar a saúde de milhões, reduzindo ainda os casos de cegueira noturna. Além disso, poderá reduzir a cegueira completa das mulheres daquele continente, que sofrem mais por deficiên. cia em suas dietas alimentares. Karin Hollricher, Jornalista Peter Morris, Heriot-Wall Universit Peter Welters, Phytowet Gmbh Fevereiro de 2001

Plantas geralmente consideradas daninhas também têm aspectos positivos, que podem ser aproveitados na melhoria da qualidade de vida e ambiental

A

s plantas daninhas são definidas como plantas indesejáveis às atividades humanas num determinado momento e local; sendo assim as plantas daninhas terão sempre um caráter antropomórfico. Sempre que o ambiente é manipulado pelo homem para a prática da agricultura, surgem nichos que são adequados para certas espécies de plantas daninhas. Essas plantas, também chamadas de infestantes, afetam a produção agrícola, florestal, animal e até a saúde humana de forma significativa. O impacto econômico causado pelas plantas daninhas na agricultura implica na adoção de medidas de manejo para minimizar os efeitos negativos destas plantas nela, e outras atividades humanas. No entanto, a biodiversidade das esFevereiro de 2001

pécies de plantas, geralmente classificada como daninhas, é muito grande, criando possibilidades de utilização dessas plantas de formas benéficas, sendo que dentre estas formas destacam-se nutricêuticos e fitodescontaminantes ambientais, que serão discutidos neste artigo, embora, diversas outras utilizações benéficas das plantas podem ser facilmente enumeradas. Aliás, uma das definições também encontrada na literatura de planta daninha é que são plantas cujas virtudes ainda não foram descobertas. Os nutricêuticos são produtos cuja finalidade é suplementar a dieta, através de uma forma concentrada, de um agente que se presume ser bioativo, normalmente encontrado em alimentos, porém em baixas concentrações. Eles são prescritos na forma não con-

vencional de alimentação (pílulas, comprimidos, rações, etc), e são utilizados com a intenção de tornar o organismo da pessoa que os ingere regularmente mais saudável, pois as doses administradas são maiores que as obtidas de alimentos normais. Existem diversas outras terminologias utilizadas para também designar os nutricêuticos, tais como, fitoquímicos, suplementos alimentares, alimento medicinal, alimentos funcionais (alimento com função fisiológica), termos estes que foram literalmente traduzidos da língua inglesa, sendo todos considerados termos sinônimos de nutricêuticos, ficando a critério do leitor a adoção de um destes termos para designação destes produtos, pois acredito que não exista terminologia consensual para estes produtos. Cultivar

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les são preparados a partir de plantas daninhas. Existe um grande potencial de uso de plantas daninhas e plantas não cultivadas como fonte de produtos nutricêuticos. A planta daninha Fagopyrum esculentum Moench. e a erva de são joão St. Johnswort (Hypericum perforatum L.) são considerados suplementos alimentares botânicos. No Brasil praticamente não existem pesquisas nesta área, mas em função da biodiversidade botânica das nossas plantas daninhas, com certeza existe um grande potencial a ser explorado. Hall et al. (2000) sugerem para os pesquisadores da área da Ciência das Plantas Daninhas que pesquisas sejam desenvolvidas sobre o assunto com dois enfoques principais: a) screening de espécies de plantas daninhas que tenham relação taxonômica próxima com culturas hortícolas tais como tomate, crucíferas e alho e b) determinação do potencial de certas espécies daninhas para a produção, processamento e comercialização de nutricêuticos. Outro aspecto que as plantas consideradas daninhas tem como potencial benéfico de utilização é como descontaminate de solo e água que contenham metais pesados. Em grandes volumes de água, os metais pesados são difíceis de serem retirados, exigindo tratamento terciário, fato esse quase que inviável em uma estação de tratamento de água. Atualmente a técnica mais utilizada para descontaminação de solo com metais pesados é a imobilização ou extração através de métodos físico-químicos. Técnicas estas que são caras, exigindo equipamentos sofisticados, destruindo as atividades biológicas e físicas no caso de solos agrícolas (MacGrath et al. 1994). As plantas daninhas, no entanto, tem grande potencial de serem utilizadas como extratoras destes metais ou mesmo reter, através do seu sistema radicular, estes metais pesados, evitanCultivar

Christoffoleti mostra que as plantas consideradas daninhas também têm utilidade

Deixando de lado os aspectos nutritivos e medicinais destes produtos, que a propósito não é nossa especialidade científica, o interesse do público em geral para os nutricêuticos tem aumentado grandemente nos últimos 1015 anos, embora os benefícios dos nutricêuticos sejam conhecidos na cultura chinesa desde 100 A.C. (Chen e Weng, 1998). O mercado estimado para os nutricêuticos nos Estados Unidos da América do Norte foi de aproximadamente 14 bilhões de dólares americanos, durante o ano de 2000 (Zeisel, 1999); presumindo-se que para o Brasil este mercado seja também bastante expressivo, visto a evidente preocupação da população na manutenção de uma forma física saudável.

COMPLEMENTAÇÃO

As pessoas familiarizadas com a terminologia científica da classificação botânica das espécies vegetais e/ou que conhecem os nomes comuns de plantas, certamente devem ter notado nos frascos destes produtos que alguns de66

Cultivar

do sua lixiviação ou movimentação para outras áreas. Este processo é conhecido como fitodescontaminação. É claro que esta terminologia para o processo não é ainda usual cientificamente, mas me parece adequada. Existem dois tipos de fitodescontaminação: fitoestabilização e fitoextração. O primeiro envolve a estabilização do contaminante do solo, diminuindo assim a movimentação do contaminante no ambiente. A fitoextração envolve a remoção do metal pesado do solo ou da água e acúmulo na parte aérea. Poucas pesquisas foram desenvolvidas até o momento com as plantas daninhas que tem potencial de uso como descontaminate de solo e água. No Brasil estas pesquisas são praticamente inexistentes. Sendo assim, Hall et al. (2000) sugere que sejam conduzidas pesquisas em: a) screening de espécies que têm capacidade de acumular e tolerar altas concentrações de metal pesado b) avaliar características biológicas das plantas que favoreçam a tolerância e acúmulo de metais pesados; c) programas de melhoramento das plantas daninhas com o intuito de adicionar características biológicas para tolerar maior quantidade de metais pesados através de melhoramento tradicional ou técnicas moleculares e d) análise do custo/benefício da técnica de fitodescontaminação ambiental. A intenção deste artigo é, portanto, conscientizar os pesquisadores e público em geral que as plantas daninhas, ou simplesmente mato, são plantas que apresentam uma grande biodiversidade e têm grande potencial de utilização benéfica, e não apenas características danosas para a agricultura, ou outras atividades humanas. Não pretendemos com o artigo salientar a importância dos nuticêuticos ou fitodescontaminantes ambientais, pois deixamos este assunto para os especialistas da área, mas sim trazemos nossa contribuição para que pesquisadores da Ciência das Plantas Daninhas passem a observar os aspectos benéficos das plantas consideradas daninhas e assim trabalhar em conjunto com outras áreas das ciências, objetivando o bem estar da humanidade, através de recursos que a pró. pria natureza nos fornece. Pedro Jacob Christoffoleti, Esalq Fevereiro de 2001


Mercado

Tecnologia faz diferença

ÁREA CULTIVADA E PRODUTIVIDADE DE ALGUNS CULTIVOS NO BRASIL

Cultura ALGODÃO ARROZ IRRIGADO BATATA CAFÉ CEVADA FEIJÃO FIBRAS MANDIOCA MILHO PÊSSEGO SOJA TRIGO

P

ara quem almeja ser líder mundial dos agronegócios, a década de 90 teve um resultado pífio. É verdade que caímos no conto do vigário da OMC, escancaramos o nosso mercado sem que os países ricos cumprissem sua parte no Acordo sobre Agricultura, firmado em Marrackesh. Mas esse é tema para outra conversa e explica apenas parcialmente que produzimos 488 kg/habitante/ano de grãos, enquanto a FAO recomenda um mínimo de 600kg, ou seja, ainda exportamos por conta da nossa baixa renda per capta e da má distribuição dessa renda. Abrimos a década plantando 19,8 milhões de hectares de cereais e terminamos com 17,4. Algumas culturas estabilizaram; outras cresceram um pouco, mas o saldo é pífio frente ao potencial e à ambição brasileira de auto-abastecimento e conquista do mercado internacional.

AS RESTRIÇÕES

A agricultura brasileira sofreu com a conjuntura macro-econômica interna e os impactos das crises e da deslealdade dos países ricos no trato do comércio internacional durante a década. A conjuntura interna inclui dezenas de entraves, desde a inflação descontrolada até a seqüência de alquimias bruxeolantes para controlá-la, com direito ao confisco da poupança nacional, o descontrole das contas públicas, explosão do déficit governamental, o que elevou os juros às alturas e restringiu os recursos públicos e privados de investimento e financiamento da produção. Compute-se também a corrupção elevada à máxima potência, a incapacidade governamental de definir e cumprir prioridades focadas no desenvolvimento econômico e social, o corporativismo exagerado, em especial nos portos, demolindo a competitividade brasileira. Convivemos com uma defasagem cambial que foi mortífera, quase levando o país à bancarrota. Faltam-nos vias de acesso adequadas. Em especial, não dispomos de malha ferroviária ou hidroviária, que conferem competitividade aos nossos concorrentes. As legislações tributária e trabalhista oneram indevidamente as atividades produtivas e o governo não parece disposto a encarar o 68

Cultivar

Área (mil ha)

Produtividade (Kg/ha)

1991

2000

1991

2000

1822 4127 161 2767 97 5440 2150 1943 13109 1992 9916 1994

823 3164 152 2344 150 4340 1012 1570 11857 2000 13507 1068

1336 2300 1407 551 1137 505 468 1262 1810 5029 1553 1464

1478 3010 1697 782 2454 715 823 1385 2745 7250 2350 1857

FONTES: FAO FAOSTAT; IBGE-LSPA (SPA/MA); AGRIANUAL 99

dução em um produto. Comparativamente ao Brasil, a Argentina tem solos mais férteis e planos, melhor estrutura de escoamento e tributação mais vantajosa. Quando a defasagem cambial pesou negativamente, a redução de custos, adveniente do uso de soja transgênica, permitiu uma sobrevida à sua produção.

Investimentos em tecnologia sustentaram o produtor brasileiro frente às dificuldades; a tendência deve persistir monstro para solver o problema. No campo externo, sofremos com a imagem de pouca seriedade que o país transmite, pagamos o preço das sucessivas crises financeiras de países emergentes, incluindo o próprio Brasil, a deslealdade dos países ricos no mercado internacional, que chegam a subsidiar até 2/3 do preço do produto agrícola para derrotar concorrentes mais eficientes. Finalmente, padecemos da falta de tradição mercantilista - somos comprados, mas não sabemos vender - atuando reativamente, sem agredir o mercado, para ocupar e consolidar espaços, e descobrir novos nichos.

O DIFERENCIAL

O que salvou a década foi a tecnologia tupiniquim, incluindo a melhoria expressiva da sanidade agropecuária, elaboração estratégica de um dos mais brilhantes cérebros do Governo Federal, o Dr. Enio Marques, que ocupou a Secretaria de Defesa Agropecuária do MA, e teve a visão de futuro de entender que sem sanidade o Brasil estaria alijado do mercado internacional. A produtividade agrícola cresceu 57%, passando de

CENÁRIO NO BRASIL

1,53 para 2,41 ton/ha, na média dos diversos cultivos, fruto do uso de tecnologia mais adequada, enquanto a área plantada encolheu. Para as culturas mais expressivas a afirmativa é verdadeira, conforme exposto na tabela. Como esse espaço é limitado, vou me ater à soja, o mais expressivo dos agronegócios nacionais. A produção mundial cresceu mais de 50 milhões de toneladas nos anos 90, lastreada no aumento da demanda, com ênfase no sudeste asiático. O Brasil era o país que dispunha de vantagens comparativas para apropriar-se da maior parcela desse mercado adicional, o que não se concretizou. Os EUA incorporaram mais de 7 milhões de hectares à área de soja (30%), e a produtividade cresceu de 2.300 para 2.450 kg/ha (6,5%). A Argentina saltou de 4,2 para 9,3 milhões de ha (120%), com produtividade estabilizada em 2.500 kg/ha. Já o Brasil incorporou pouco mais de 3,6 milhões de ha em 10 anos média geométrica de 1,7% a. a. nos últimos 15 anos. Já a produtividade cresceu 49,4% nessa década, passando de 1.553 para 2.350 kg/ha, com picos localizados de 4.000 kg/ha. Fevereiro de 2001

ANÁLISE

Na década, a produção dos EUA cresceu 32 milhões de toneladas (quase um Brasil), da Argentina 11,5 milhões, e do Brasil 15 milhões. Como foi possível, se as vantagens comparativas estavam do nosso lado área a expandir a baixo custo, capacidade empresarial e de processamento já disponível, insumos sem restrição de oferta, clima e base tecnológica adequados? A análise dos aspectos macro-econômicos e estruturais aponta as razões. Os EUA alavancaram sua produção via subsídios à produção e comercialização, garantindo a rentabilidade do agricultor quando as cotações internacionais foram deprimidas, a ponto de os EUA terem aumentado para 24% do preço final do produto o subsídio à soja. A margem dos agricultores americanos deriva de subsídios e não do lucro operacional. Bem posicionados no mercado mundial de trigo e milho, os EUA modificaram sua Lei Agrícola, permitindo maior subsídio à soja, para manter sua posição no mercado. A Argentina expandiu sua produção à custa de reduções na área de sorgo, girassol e milho, concentrando perigosamente sua proFevereiro de 2001

As vantagens comparativas em relação à área disponível e à base industrial foram anuladas pelo custo Brasil: problemas de política macro-econômica, inflação, crédito escasso e caro, forte defasagem cambial, distorções tributárias (realinhadas pela Lei Kandir) e deficiências na infra-estrutura de armazenagem, transporte e embarque nos portos, inviabilizaram maior participação no mercado. O que permitiu ao Brasil manter sua posição relativa foi a maior produtividade, alicerçada no avanço tecnológico, gerando o diferencial de competitividade. A vantagem do ganho de produtividade sobre a expansão de área é que aquele vem acompanhado de menor custo por unidade produzida, viabilizando financeiramente o agricultor, conferindo sustentabilidade ao negócio. Ao longo da década, na cultura da soja e apenas dentro da porteira, o PIB agrícola foi incrementado em R$ 2,4 bilhões, não contados a agregação de valor e a demanda agregada de insumos e outros produtos ao longo da cadeia. O setor colheu os frutos do investimento em ciência e tecnologia de anos anteriores, o que lhe conferiu competitividade quando os demais fatores foram adversos. Compare esse ganho com os R$ 600 milhões do orçamento da Embrapa de 2000. A Embrapa trabalha com dezenas de cadei-

as agroprodutivas, através de milhares de projetos de pesquisa, gerando benefícios não apenas econômicos, mas de cunho social e ambiental. Por esse cotejo, o leitor terá a dimensão de como o investimento em ciência e tecnologia é uma das melhores aplicações dos recursos da sociedade. Não fosse o diferencial tecnológico propiciado pela pesquisa agropecuária, a década poderia ter sido inteiramente perdida para os agronegócios. Para citar dois exemplos típicos da cultura da soja, a fixação simbiótica de nitrogênio poupa aos agricultores R$ 3 bilhões anuais, o manejo de pragas da soja reduziu em 70% o uso de agrotóxicos e as novas variedades adaptadas ao Cerrados permitiram a expansão da cultura para a nova fronteira agrícola.

COMPETITIVIDADE

Há uma profusão de exemplos de ganhos decorrentes da tecnologia, como o aumento de 220% na produção dos Cerrados pelo uso adequado de correção e adubação, a introdução de parasitóides que controlam pulgões reduziu em 95% o uso de agrotóxicos no trigo, e em 60% na cultura do tomate do médio São Francisco. Para garantir sua competitividade, o Brasil precisa dispor de ambiente saneado e tecnologia adequada, porém sem descuidar das questões macroeconômicas e de infra-estrutura de suporte. Além disso, é necessário criar a cultura de ocupação de mercados, formar uma imagem de qualidade e credibilidade no exterior e garantir os mercados tradicionais, amplian. do a participação nos demais. Décio Luiz Gazzoni, Embrapa Soja Cultivar

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Última página

Autoridade para a CTNBio O

Brasil tem sido vítima de um debate por demais ideológico e pouco lógico entre diferentes setores que defendem ou atacam aguerridamente uma opção de ser contra ou a favor de produtos transgênicos e da biotecnologia. O que mais ouvimos é a pergunta se somos contra ou a favor. Ora, esta visão pode muito bem se aplicar a situações de escolha ideológica ou de preferências pessoais. Quando se fala de produtos transgênicos ou da própria biotecnologia, não é uma questão de opção, pois está se generalizando a escolha de um produto final através do julgamento do meio de obtêlo. Quando se opta ou não pelos transgênicos ou pela biotecnologia, se opta ou não pela Ciência. Portanto, a nossa opção deve recair sim sobre cada produto gerado. Ao agirmos assim estaremos possibilitando a seleção entre bons e maus produtos, seja em que área for, alimentos, medicamentos, fibras, técnicas médicas, etc. O conhecimento que cumulativamente o homem conquista, e é posto a serviço da humanidade, nunca poderá ser apagado ou esquecido. Deverá, sim, ser usado de forma racional e positiva, sempre fazendo a devida seleção, tanto pelos consumidores leigos quanto pelos cientistas que desenvolvem novos produtos.

LEIS E NORMAS

Para que haja nesta seleção a devida imparcialidade, e para que os interesses comerciais

não sobrepujem os da sociedade, é necessária a criação de normas e leis com a definição de regras claras. Com esse objetivo se criou no Brasil, em 1995, a Lei de Biossegurança que, diga-se de passagem, é considerada entre os países que a possuem, uma das mais seguras e avançadas do mundo. No entanto, a lei vem sendo atacada da mesma forma que a própria ciência, através de tentativas de desmoralização da CTNBio, órgão que tem a incumbência de realizar todo o controle das atividades com produtos transgênicos no Brasil. Esse é o nosso órgão de Biossegurança, que está encarregado de julgar cientificamente e com a participação da sociedade, quais são os produtos que oferecem benefícios e que são, ao mesmo tempo, seguros.

O ideal para todos é que o Brasil permaneça no mercado global, porém com a devida segurança É bom lembrarmos que a CTNBio também desaprova e desautoriza produtos, mais até do que aprova, e que todos os produtos transgênicos em teste no país passam obrigatoriamente pelo seu julgamento, análise e acompanhamento, sob os mais rigorosos critérios. Os seus membros são cientistas do mais alto gabarito que, ao contrário do que muitos desinformados pensam, o nosso Brasil possui em

Ivo Carraro mostra a importância das novas atribuições da CTNbio e como elas afetarão a agricultura brasileira

quantidade e qualidade suficiente para dar segurança à sociedade. Essas pessoas merecem todo o nosso respeito e credibilidade. Sendo o Brasil um país essencialmente agrícola não pode ficar alheio aos seus concorrentes mundiais, sob pena de num breve tempo estar fora do mercado, com graves conseqüências econômicas para toda a sociedade. Quem será responsabilizado neste caso? Alguém questionaria também sobre a segurança alimentar e do meio ambiente. No entanto, o ideal para todos é que o Brasil permaneça no mercado global, porém com a devida segurança. É justamente por isso que existe a CTNBio, que, não temos

dúvidas, deve ter a autoridade máxima para exercer a sua nobre tarefa a serviço da sociedade, permitindo o ingresso no mercado somente de produtos seguros e úteis, rechaçando aqueles que ofereçam risco ou não atendam as necessidades das pessoas. Por tudo isto, é que julgamos oportuna e correta a edição da Medida Provisória, e que institui em nível de Lei, e não mais de Decreto, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança CTNBio. Agora essa Comissão realmente pode exercer sua atividade com a autoridade compatível com a sua importância para a sociedade, e é mais um grande passo para o desenvolvimento científico e . econômico do País. Ivo Marcos Carraro, Braspov e Coodetec


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