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Destaques
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@RevistaCultivar
Índice
Sensibilidade vigiada
Por que é tão importante monitorar a reação de isolados de Phakopsora pachyrhizi à aplicação de fungicidas
08
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Quando tratar
Como reagem as diferentes cultivares de trigo ao emprego
Diretas
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Tratamento de sementes em trigo
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Dinâmica de herbicidas em cana crua
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Manejo da buva por estatura
16
Equilíbrio nutricional em feijão
20
Manejo de resistência
23
Capa - Sensibilidade da ferrugem asiática
26
Manejo do milho voluntário
30
Controle de cigarrinha em milho
36
Controle da ramulária em algodão
40
Influência do clima no café
44
Coluna Agronegócios
48
Coluna Mercado Agrícola
49
Coluna ANPII
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do tratamento de sementes
36
Inimigo silencioso
A necessidade de adotar estratégias de manejo contra a cigarrinha Dalbulus maidis já a partir da constatação dos primeiros indivíduos na lavoura Cultivar Grandes Culturas • Ano XX • Nº 241 Junho 2019 • ISSN - 1516-358X Crédito de Capa: André Shimohiro Grupo Cultivar de Publicações Ltda. CNPJ : 02783227/0001-86 Insc. Est. 093/0309480 Rua Sete de Setembro, 160, sala 702 Pelotas – RS • 96015-300 Diretor Newton Peter www.grupocultivar.com contato@grupocultivar.com Assinatura anual (11 edições*): R$ 269,90 (*10 edições mensais + 1 edição conjunta em Dez/Jan)
Números atrasados: R$ 22,00 Assinatura Internacional: US$ 150,00 Euros 130,00 Nossos Telefones: (53) • Geral 3028.2000 • Comercial: • Assinaturas: 3028.2065 3028.2070 3028.2066 • Redação: 3028.2067 3028.2060
Por falta de espaço não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: contato@grupocultivar.com Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.
Expediente Fundadores: Milton Sousa Guerra, Newton Peter e Schubert Peter
REDAÇÃO • Editor Gilvan Dutra Quevedo
• Vendas Sedeli Feijó José Luis Alves Miriam Portugal
• Redação Rocheli Wachholz Karine Gobbi Cassiane Fonseca
CIRCULAÇÃO • Coordenação Simone Lopes
• Design Gráfico e Diagramação Cristiano Ceia • Revisão Rogério Nascente COMERCIAL • Coordenação Charles Ricardo Echer
• Assinaturas Natália Rodrigues Clarissa Cardoso • Expedição Edson Krause
GRÁFICA: Kunde Indústrias Gráficas Ltda.
Diretas Presença
A Corteva participou da AgroBrasília 2019, em maio, em Brasília, no Distrito Federal. “A Corteva tem um portfólio completo, oferecendo soluções para os cultivos mais importantes do país, por meio de uma estratégia de multicanais. Por essa razão, a participação em eventos, como a AgroBrasília, é muito importante para a companhia, pois permite a apresentação de nossas soluções, demonstrando como a inovação pode contribuir para uma agropecuária ainda mais eficiente”, avaliou o presidente da Corteva Agriscience, Divisão Agrícola DowDuPont no Brasil e Paraguai, Roberto Hun.
Milho
Durante a AgroBrasília os visitantes tiveram a oportunidade de avaliar o desempenho do híbrido de milho MG515, lançamento da Morgan. “Queremos apoiar os produtores com soluções integradas que possam aumentar a eficiência no campo, maximizar a produtividade e agregar qualidade ao mercado de grãos”, explicou a líder de Marketing da Morgan, Diogênes Panchoni.
Híbridos
A Forseed apresentou híbridos para planejamento da safra 2019/20 na AgroBrasília, como os lançamentos em milho FS505, FS575 e FS715, que, segundo a empresa, trazem ganhos em produtividade, sanidade e alta tolerância ao complexo de enfezamento e virose. “No campo, certo é ser específico. A solução precisa ter como objetivo a melhor resposta aos produtores rurais em suas regiões de atuação”, afirmou o líder de Marketing da Forseed, Aldenir Sgarbossa.
Participação
As equipes técnica e comercial da UPL estiveram presente na AgroBrasília com o programa Pronutiva. “Nossa proposta é cuidar de todo o ciclo de cultivo de forma integrada, com soluções que contribuam para a melhor saúde vegetal das plantas”, explicou o líder de inseticidas da UPL, Sergio Chidi. Com portfólio completo, que une as soluções da UPL e da Arysta Life Science, os destaques ficaram com os graminicidas Select One Pack e Kennox, para o tratamento e controle de ervas de folha estreita, ambos com formulações para combater as plantas daninhas mais resistentes, e o herbicida Sanson Evo, para a cultura do milho.
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Biodefensivos
O Grupo Vittia esteve presente em mais uma edição da AgroBrasília, com lançamentos em biodefensivos. As novidades foram apresentadas por especialistas por meio do conceito do Vit Integra, que compreende soluções integradas para a maximização dos resultados no campo, como biofertilizantes, nutrição vegetal, controle biológico, adjuvantes e inoculantes.
Sementes
A Nidera Sementes apresentou na AgroBrasília o portfólio da marca. Em soja destacou a cultivar NS 6909 IPRO, cujas características incluem ciclo médio, superprecocidade e capacidade de engalhamento com alto potencial produtivo. “Em milho, a biotecnologia Agrisure Viptera 3 é a maior inovação da última década para a proteção do milho contra pragas e ervas daninhas. E nós temos dois lançamentos de mercado com essa tecnologia: NS 45 e NS 73, oferecendo aos nossos clientes a melhor solução para o controle eficaz do complexo de espécies de lagartas”, informou o coordenador de Marketing e Comunicação da Nidera Sementes, Nélio Reis.
Manejo
A Basf apresentou, durante a AgroBrasília, soluções para o manejo eficiente. Destacou as marcas para sementes de soja Credenz e SoyTech. Os visitantes também tiveram a oportunidade de conferir o portfólio completo da marca para o manejo de plantas daninhas de difícil controle. Para o combate de doenças em milho, o fungicida Abacus HC foi apresentado para o controle das ferrugens e manchas encontradas nas lavouras do cereal. O planejamento da próxima safra e a escolha dos insumos também estiveram em foco. “É preciso ter uma estratégia de monitoramento contínuo da cultura para que a tomada de decisão do produtor rural seja cada vez mais assertiva”, opinou o gerente de Marketing de Território da Basf, Marcos Antônio Campos.
Linhas
Durante a AgroBrasília a Alltech Crop Science apresentou soluções especializadas para cada estágio da produção. A linha Solo é voltada para o equilíbrio da rizosfera de maneira natural e a linha Performance oferece estímulo aos processos das plantas para melhorar o desempenho dos cultivos. A linha Proteção é uma alternativa biológica para estimular naturalmente as defesas da planta e a linha Nutrição busca oferecer equilíbrio nutricional para que a planta expresse seu máximo potencial.
Crescimento
A Oro Agri, empresa de tecnologia de aplicação e nutrição vegetal, planeja crescer 200% no Brasil, em cinco anos, como resultado da aquisição pelo Grupo Omnia. Presente no País desde 2008, Oro Agri é o acrônimo de Orange Oil for Agriculture ou Óleo de Laranja para Agricultura. Os produtos mais comercializados no Brasil são Wetcit, Oro-Fast, Oro-Star e Oro-Cinetic. “Muito em breve seremos a divisão mais importante dos negócios da Omnia”, garante Luís Carlos Cavalcante, gerente geral da Oro Agri na América do Sul.
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Evolução
Durante a AgroBrasília, a Bayer destacou o lançamento do fungicida Fox Xpro. O produto possui três modos de ação e três ingredientes ativos, com destaque para o Bixafem, a mais nova e exclusiva carboxamida desenvolvida em conjunto com a Bayer Brasil e Alemanha. “Trata-se da evolução da confiança. Esta mistura tripla coloca o manejo de doenças em um novo patamar de controle”, opinou o gerente de Comunicação e Marketing da Bayer, Lucas Perez.
Herbicida
O destaque da Syngenta durante a AgroBrasília foi o herbicida Calaris, que chegou ao mercado para atender a uma demanda urgente do agricultor: controlar, com eficiência, daninhas que ameaçam a produtividade das lavouras brasileiras de milho. O Calaris amplia o espectro de controle das plantas daninhas. A Syngenta também destacou o multissítio Bravonil, que, associado a outros fungicidas, é uma importante ferramenta no controle do complexo de doenças da soja. Também mereceu destaque o inseticida Proclaim, desenvolvido para combater lagartas de difícil controle.
Lucas Perez
Soja
A cultivar de soja Brasmax Extrema foi destaque da marca na AgroBrasília, especificamente para Mato Grosso e Mapitoba. O material genético apresenta características como alto potencial produtivo, alta adaptação para Mapitoba, resistência à nematoide de cisto, precocidade, porte controlado, resistência a acamamento e boa sanidade foliar. O produto promete ainda potencializar controle de doenças, fornecer rápida emergência do solo, além de propiciar manutenção do estande populacional.
Convenção
A Rudan Agrotecnologia realizou a sua convenção de vendas em maio, na cidade de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul. De acordo com o diretor da empresa, Ivonel Teixeira, o evento contou com a presença de representantes de todas as regiões do Brasil e do Paraguai. Além de abordar assuntos como tecnologia de aplicação, nutrição e fisiologia de plantas, a Rudan aproveitou o encontro para lançar o produto Súlfur, à base de enxofre, na forma de sulfeto.
Nutrição
Flávio Marçal dos Santos
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A Satis contou com estande no Pavilhão de Negócios da AgroBrasília, onde apresentou soluções de seu portfólio voltado à nutrição vegetal, além de resultados obtidos em lavouras da região, principal produtora de feijão irrigado do país, uma das características que justificam a presença da empresa na feira e o desenvolvimento de pesquisas em lavouras locais. Entre os produtos, estiveram as linhas especiais Fulland, Sturdy e Humicbor, recomendadas para culturas como soja, milho e feijão, entre outras.
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Milho e soja
A KWS Sementes, empresa alemã com mais de 160 anos de atuação no mercado, esteve mais uma vez presente na AgroBrasília 2019. Entre os produtos apresentados pela marca destacam-se os híbridos de milho com a tecnologia VIP3, em pleno desenvolvimento de mercado e com expansão de área plantada no Brasil. Durante a feira também foram apresentadas cultivares de soja, com destaque para os lançamentos com resistência a nematoides.
Proteção solar
A Santa Clara Agrociência levou para a AgroBrasília 2019 o Protex, um protetor solar para plantas que promete ampliar a produção de soja de 73 sacas por hectare para 82 sacas por hectare. Este resultado foi obtido em experimento conduzido no Mato Grosso do Sul, com elevação de 12,3% na produtividade do agricultor. O Protex funciona como um “protetor solar” que evita a insolação excessiva e a radiação UV nas folhas das plantas, se encaixando em praticamente todo tipo de cultura.
Divulgação
Os auditores fiscais federais agropecuários estiveram na AgroBrasília para divulgar os trabalhos relativos ao fomento e à fiscalização agropecuária nacional. O Sindicato atua em todas as etapas da produção animal e vegetal, do processamento, do transporte e do comércio internacional. No estande, foi exposto material interativo com dicas para os consumidores e produtores rurais. Os visitantes receberam uma ecobag, material que tem como objetivo a redução do uso de plásticos e resíduos não biodegradáveis.
Serviços
A Bayer destacou serviços ao produtor durante a AgroBrasília, como a Patrulha Percevejo, a Estação Meteorológica e o projeto UAI (União dos Agrônomos Independentes). Os serviços estiveram disponíveis para o produtor da região, com opção de aquisição por meio do Programa de Pontos da Rede. Todas as novidades e produtos puderam ser vistos em uma área preparada especialmente para o evento, com a presença de técnicos e especialistas para o esclarecimento de dúvidas.
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Trigo
Quando tratar O tratamento de sementes de trigo pode responder de maneira distinta em relação a aspectos como umidade, massa de hectolítrico, produtividade e massa de mil grãos, dependendo da cultivar utilizada
Joanei Ceccin
A
produtividade da cultura do trigo varia em função de seus fatores construtores e protetores. Como fatores construtores da produtividade, destacam-se o processo de semeadura, a qualidade de sementes e o correto posicionamento de cultivares para cada região. O ajuste das datas de semeadura, bem como as velocidades adotadas durante a instalação da cultura afetam o estande de plantas, os aspectos morfológicos e fisiológicos do trigo (MA et al., 2018). Sementes de alta qualidade fisiológica e cultivares com alto potencial produtivo, estabilidade de produção, adaptação a condições edafoclimáticas e boas características agronômicas associadas, são fatores que contribuem no estabelecimento da cultura, possibilitando ganhos em produtividade e qualidade industrial
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(Conab, 2017). A considerar, a escolha adequada de cultivares para cada região também se destaca por ser um dos fatores construtivos da produtividade, visto que devem atender uma ampla gama de requisitos e combinar características de rusticidade, resistência, alta produtividade e boa qualidade de grãos. Os aspectos protetores da produtividade incluem o manejo fitossanitário de plantas daninhas, doenças e pragas. Em relação às doenças, algumas como a ferrugem-da-folha do trigo (Puccinia triticina), ferrugem do colmo (Puccinia gramini), oídio (Blumeria graminisf. sp. tritici), giberela (Gibberella zeae) e brusone (Pyricularia grisea), associadas à resistência desses patógenos, são consideradas as principais doenças que infectam a cultura (Singh et al., 2016). Segundo Fernandes (1999), algumas dessas
demonstrado que o tratamento de sementes pode ser prejudicial à qualidade fisiológica das mesmas, afetando a germinação e o vigor, reduzindo o estande de plantas (de Moraes Dan et al., 2012). Em contrapartida, outros estudos mostram que o tratamento de sementes, embora não aumente a produtividade de grãos de trigo, não afeta a emergência e promove um aumento do estande de plantas (Freiberg et al., 2017). O tratamento de sementes pode responder de maneira distinta de acordo com a cultivar utilizada, afetando em maior ou menor magnitude o vigor e a germinação das sementes (Abati et al., 2014). Pesquisas realizadas com diferentes cultivares e em locais distintos apresentam um grande espectro de informações a respeito do desempenho de diferentes materiais. Entretanto, com a constante substituição de cultivares e opções no tratamento de sementes, o conhecimento em relação à interação entre eles é limitada. Assim sendo, objetivou-se verificar o efeito do tratamento de sementes na umidade, massa de hectolítrico, produtividade e massa de mil grãos, em cultivares de trigo.
MATERIAL E MÉTODOS
O projeto foi conduzido na área experimental do Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria, localizado nas coordenadas geográficas 29°42' S, 53°42' O e 116 metros de altitude. O solo da área é classificado como argissolo vermelho distrófico arênico (Embrapa, 2018), correspondente Ultisol de acordo com a classificação do
Soil Taxonomy (Soil Survey Staff, 2014). O clima da região, conforme a classificação de Köppen é do tipo Cfa (Peel et al., 2007), caracterizado como subtropical úmido, com verões quentes e sem estação seca definida (Heldwein et al., 2009). A semeadura foi realizada no dia 3/8/18, com uma semeadora-adubadora da marca Imasa, com dez fileiras de semeadura, espaçadas a 0,20m entre fileiras, das quais foram isoladas duas fileiras centrais, permanecendo em atividade apenas oito fileiras de semeadura, quatro com tratamento de sementes e quatro sem tratamento de sementes, para cada cultivar. O tratamento de sementes (TS) foi realizado com os inseticidas imidacloprid+tiodocarbe (Cropstar) na dose de três mililitros (ml) por quilograma (kg) de sementes e o fungicida difenoconazol (Spectro) na dose de três mililitros por quilograma de sementes. A semeadora foi regulada para densidade de 80 sementes por metro linear e distribuição de 400kg/ha de fertilizante na formulação NPK 10-30-20. A adubação nitrogenada foi complementada em duas aplicações de nitrogênio (N) (ureia, 45%) em cobertura, nas dosagens de 50kg/ha de N em cada aplicação nos dias 10/9/2018 (início do perfilhamento) e 28/9/2018 (início do alongamento). As aplicações de agroquímicos sucederam-se de acordo com o Quadro 1. As cultivares utilizadas, bem como suas características, estão descritas na Tabela 1. O experimento foi conduzido em delineamento experimental de blocos ao acaso, com quatro repetições,
Fotos Evandro Deak
doenças fúngicas podem causar danos de até 44,61%, equivalente a 1.152kg de trigo por hectare. A respeito do manejo fitossanitário de pragas, tais como corós (Diloboderus abderus e Phyllophaga triticophaga), pulgões (Schizaphis graminum, Rhopalosiphum padi, Sitobion avenae e Metopolophium dirhodum), lagartas (Pseudaletia sequax, Pseudalertia adultera e Spodoptera frugiperda), percevejos (Dichelops furcatus, Dichelops melacanthus e Nezara viridula) e brocas (Elasmopalpus lignosellus). De modo geral, os danos que essas pragas causarão à cultura dependem de sua espécie, tipo de injúria e densidade populacional. O manejo fitossanitário de pragas e doenças deve ser realizado preferencialmente de maneira integrada, conciliando os métodos de controle. O uso de cultivares resistentes acaba por ser o método preferencial, principalmente por reduzir custos de produção, porém, como ainda não foram produzidas cultivares resistentes a todo o espectro de pragas e doenças incidentes na cultura do trigo, prevalece o uso do controle químico. Nesse sentido, o tratamento químico de sementes tem se demonstrado eficiente, não só no que diz respeito ao controle de pragas (Milosavljević et al.,2019) e doenças iniciais da cultura (Ramanauskienė et al., 2018), mas também economicamente, podendo reduzir aplicações de fungicidas e inseticidas em pós-emergência (Schoeninger&Bischoff, 2014), evitando o retorno de fungos veiculados pelas sementes (Reunião, 2018). No entanto, alguns estudos têm
No Brasil a área cultivada com trigo na safra 2018 foi de aproximadamente 2,04 milhões de hectares
Sementes de alta qualidade fisiológica contribuem no estabelecimento da cultura
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Fotos Evandro Deak
Diversos fatores impactam a produtividade na cultura do trigo
cujas unidades experimentais possuíam 6,4m2 de área. Dessa área, foram colhidas amostras correspondentes a uma área útil de 2,4m2. Em seguida, as amostras foram trilhadas e realizadas as análises de umidade de grãos (UM, %) e massa de hectolítrico (MH) no equipamento Gehaka G650i. A massa de mil grãos (MMG, g) foi realizada a partir de uma contagem direta e posterior pesagem de 300 grãos por amostra, e a produtividade de grãos (PG, kg/ha) foi estimada em função da área colhida. Os dados foram submetidos à análise da variância pelo teste F. Quando significativos, foi realizado o teste de comparação de médias de Sckott-Knott a 5% de probabilidade. As análises foram realizadas com o auxílio do software estatístico Sisvar (Ferreira, 2011).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
De acordo com a análise de variância, houve interação significativa das fontes de variação cultivar e tratamento de sementes para as variáveis umidade de grãos, massa de hectolítrico, produtividade de grãos e massa de mil grãos, evidenciando que cultivares utilizadas apresentaram comportamento distinto quando efetuado o tratamento de sementes. A umidade de grãos no momento da colheita determinará sua qualidade durante o armazenamento, de modo que grãos colhidos com teores inadequados de umidade proporcionarão perdas em massa de mil grãos e massa de hectolítrico, além de aumentos na incidência de patógenos (Scariot et al., 2018). Contudo, em umidades elevadas deve-se realizar o processo de secagem artificial. É possível observar que não houve diferenças significativas na umidade de grãos quando as sementes não foram submetidas ao TS (Tabela 3). Entretanto, quando submetidas ao TS, as sementes da cultivar Audaz obtiveram 10
O tratamento de sementes pode responder de maneira distinta, de acordo com a cultivar utilizada
destaque, com uma umidade de grãos de 11,4 %, seguido das cultivares Sonic e Toruk, com umidades de 11,9 %, sendo que obtiveram, também, uma menor umidade de grãos quando comparadas ao tratamento sem TS. A massa de hectolítrico é um parâmetro importante para definir a qualidade de grãos, sendo definida como a quantidade em quilogramas de grãos de trigo em um volume de cem litros. De acordo com Manley et al. (2009), a massa de hectolítrico é um importante indicador da qualidade física do trigo, sendo também reconhecido como indicador do potencial de produção de farinha. Observando os resultados, quando não utilizado TS, as cultivares Energia e Iguaçu obtiveram destaque, com 71,1kg/hl e 71,7kg/hl, respectivamente. Quando as sementes foram submetidas ao TS, não foram verificadas diferenças significativas para essas cultivares (Tabela 3). Em contrapartida, quando utilizado TS, o melhor desempenho foi obtido pelas cultivares Audaz e Sossego, embora não tenham diferido estatisticamente das cultivares Energia e Iguaçu. A cultivar Toruk foi exceção, apresentando melhor desempenho sem TS. Segundo Guarienti et al. (2005), a precipitação pluviométrica na colheita é um dos principais fatores que influenciam na MH. Freiberg et al. (2017), avaliando o efeito do tratamento de sementes e seu impacto na cultura do trigo, utilizando sementes da cultivar Vigore Tec tratadas com inseticida (Tiametoxam) e fungicida (Carboxamina + Tiram), não encontraram diferenças significativas em MH comparadas à testemunha sem TS. Em contraste, Barichello e Ferreira
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(2010), utilizando a cultivar Coodetec 104, constataram que o tratamento de sementes e a aplicação foliar com fungicidas (tebuconazol + trifloxistrobina) aumentaram a MH, quando comparada ao tratamento testemunha. As melhores produtividades foram obtidas pelas cultivares Audaz, Toruk e Energia, com ou sem TS, de modo que a cultivar Audaz alcançou, com TS, a maior produtividade (2.034,4kg/ha), sem diferir estatisticamente das cultivares Toruk, Sossego e Energia. A cultivar Iguaçu também obteve destaque, entretanto, quando comparada às demais cultivares com TS, juntamente com as cultivares Sonic e Sintonia, obteve desempenho inferior. A cultivar Sossego foi uma das únicas cultivares em que a não realização do TS proporcionou significativamente menor produtividade, quando comparada ao desempenho com TS. Freiberg et al. (2017) constataram que a PG não é afetada pelo TS nas sementes da cultivar Vigore Tec tratadas com Tiametoxam + Carboxamina + Tiram, embora o TS proporcionasse um maior estande de plantas. Em contraste, de Moraes Dan et al. (2012), avaliando sementes de soja, constataram que em alguns casos o TS pode ser prejudicial ao vigor e à germinação, reduzindo o estande de plantas e proporcionando menores produtividades. Quanto à massa de mil grãos, quando as sementes não foram submetidas ao TS, destacaram-se as cultivares Sonic (27,8g), Toruk (26g) e Energia (26,6g), enquanto as cultivares Sintonia e Audaz obtiveram, respectivamente, resultados inferiores. Quando as sementes foram submetidas ao TS, a cultivar Sonic
Tabela 1 - Principais características das cultivares utilizadas no experimento; classificação (CL), ciclo (CL), massa de mil sementes (PS), altura média de plantas (AP), comportamento à geada na fase vegetativa (GV), comportamento ao acamamento (AC), brusone (B), ferrugem da folha (FF), giberela (G), mancha amarela (MA), mosaico (MO), oídio (O), nanismo amarelo da cevada (VNAC) e bacteriose (BAC) Cultivar Audaz Toruk Sonic Sossego Sintonia Energia Iguaçu
CL Melhorador Pão/Melhorador Melhorador Pão Melhorador -Pão
CI Precoce Médio Superprecoce Médio Precoce Médio Médio
PS 32 33 38 33 33 -34
AP Média/Baixa Baixa Baixa Média Média Média Média/Alta
GV MS MR/MS MS MR/MS MR/MS -MR/MS
AC MR MR MR MR/MS MR MS/MR MR/MS
B MR/R MS/MR MR/R MR/R MS -MS
FF MR MR MR MR MS MS/MR S/MS
G MS/MR MS MS MS/MR MS MS MS
MA MR MS MR MR/R MS/MR MS/MR MS
MO MR MS MR MR MR MS MR
O MS MR MS MS/MR S/MS MR/R MS/MR
VNAC -S/MS -MS/MR MS/MR -MS/MR
BAC MR/R MS/MR MR/R MR/R MR MR MS
Fonte: Empresa detentora do material (Biotrigo Genética Ltda). Legendas: Suscetível (S), Moderadamente Suscetível (MS), Moderadamente Resistente (MR), Resistente (R), Sem Informação (--).
(28,2g) obteve o melhor desempenho, enquanto que a cultivar Sintonia (19,8g) resultou no pior desempenho. Comparando as cultivares com e sem TS, obtiveram diferenças significativas apenas as cultivares Sossego e Energia, alcançando um melhor desempenho quando realizado TS. A massa de mil grãos é uma característica controlada geneticamente (Guarienti et al., 2005), portanto, podem ocorrer variações pequenas e que contrastam com a média esperada indicada nas informações técnicas de cada cultivar (Tabela 1). Um dos fatores que afetam a massa de mil grãos, segundo Guarienti et al. (2005), é o índice pluviométrico. No entanto, esse valor ainda pode ser alterado pela densidade de semeadura, dependendo do ano e local (Vieira Tavares et al., 2014) e outros fatores ligados ao ambiente e manejo. As características das cultivares analisadas quanto à resistência a doenças são bastante similares, evidenciando que, hipoteticamente, poucas variações poderiam ter ocorrido e alterado os resultados em função de ocorrência de doenças. Outra característica a ser observada, é quanto à classificação das cultivares, ou seja, para qual fim são destinadas, pois nem sempre só uma boa produtividade basta. Isso resulta em tipificações e classificações do trigo de acordo com sua massa hectolítrica e umidade, evidenciando que, em alguns casos, como o da cultivar Toruk, dependendo da finalidade da produção, o TS poderia ter um efeito negativo, reduzindo UM e MH. Dessa forma, as cultivares Audaz, Toruk e Energia são as mais produtivas, independentemente da realização do tratamento de sementes. A massa de hectolítrico aumentou nas cultivares Audaz e Sossego submetidas ao tratamento de sementes e reduziu na cultivar Toruk. A massa de mil grãos reduziu nas cultivares Sossego e Energia submetidas ao tratamento de sementes. A umidade de grãos foi reduzida nas cultivares Audaz, Toruk e C Sonic submetidas ao tratamento de sementes.
Tabela 2 - Resumo da análise de variância com seus respectivos quadrados médios para verificação dos fatores cultivar, tratamento de sementes e suas interações sob as variáveis umidade de grãos (UM, %), massa de hectolítrico (MH), produtividade de grãos (PG, kg/ha) e massa de mil grãos (MMG, g) FV Bloco Cultivar (CV) Trat. de Sementes (TS) CV x TS Erro CV (%) Média
UM 0,09ns 1,05** 2,91** 0,26* 0,11 2,65 12,45
MH 9,24* 320,37** 0,73* 9,76** 2,65 2,42 67,25
PG 280689,49* 785054,86** 40213,94ns 211268,54* 83250,28 18,39 1568,91
MMG 8,61** 44,99** 6,07ns 5,89** 1,58 5,16 24,34
*, **, ns significativo a 5%, 1% probabilidade e não significativo, respectivamente, pelo teste F.
Tabela 3 - Média das variáveis umidade de grãos (UM), massa de hectolítrico (MH), produtividade de grãos (PG) e massa de mil grãos (MMG), para as cultivares com e sem tratamento de semente Cultivares
Umidade de grãos Massa de hectolítrico Produtividade de grãos (PG,kg ha-1) (UM,%) (MH,kg hl-1)
Massa de mil grãos (MMG, g)
Audaz Toruk Sonic Sossego Sintonia Energia Iguaçu
Sem TS 12,3 aA 12,4 aA 12,7 aA 12,7 aA 12,8 aA 12,7 aA 13,0 aA
Sem TS 12,3 aA 12,4 aA 12,7 aA 12,7 aA 12,8 aA 12,7 aA 13,0 aA
Com TS 11,4 cB 11,9 bB 11,9 bB 12,4 aA 12,4 aA 12,9 aA 12,7 aA
Sem TS 12,3 aA 12,4 aA 12,7 aA 12,7 aA 12,8 aA 12,7 aA 13,0 aA
Com TS 11,4 cB 11,9 bB 11,9 bB 12,4 aA 12,4 aA 12,9 aA 12,7 aA
Sem TS 12,3 aA 12,4 aA 12,7 aA 12,7 aA 12,8 aA 12,7 aA 13,0 aA
Com TS 11,4 cB 11,9 bB 11,9 bB 12,4 aA 12,4 aA 12,9 aA 12,7 aA
Com TS 11,4 cB 11,9 bB 11,9 bB 12,4 aA 12,4 aA 12,9 aA 12,7 aA
*Médias seguidas de mesma letra não diferem estatisticamente entre si, minúsculas na coluna e maiúsculas na linha, pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade
Quadro 1 - Data de aplicação, ingrediente ativo e dose de ingrediente ativo dos produtos comerciais utilizados Data 20/9/2018
Guilherme de Almeida Arismendi Pedro Aléssio Evandro Deak Jéssica Deolinda Leivas Stecca Dionatas Rodrigues da Silva Giovani Burg e Thomas Newton Martin UFSM
GL 3 6 1 6 39 -
5/10/2018 18/10/2018
30/10/2018
Produto Comercial Topik Ally Engeo Pleno Tilt Nativo Engeo Pleno Nativo Engeo Pleno Sphere Max Tilt EngeoPleno
Ingrediente ativo (i.a.) Clodinafope-Propargil Metsulfurom metílico Tiametoxam/Lambda-cialotrina Propiconazol Tebuconazol/Trifloxistrobina Tiametoxam/Lambda-cialotrina Tebuconazol/Trifloxistrobina Tiametoxam/Lambda-cialotrina Ciproconazol/Trifloxistrobina Propiconazol Tiametoxam/Lambda-cialotrina
Dose (g de i.a./ha) 60,0 3,0 28,2/21,2 100,0 150,0/75,0 28,2/21,2 150,0/75,0 28,2/21,2 40,0/93,75 100,0 28,2/21,2
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Plantas daninhas
Comportamento dinâmico Para se obter melhor eficiência no controle de plantas daninhas em cana crua é importante conhecer os processos envolvidos desde a chegada dos herbicidas na palha, sua dinâmica e como esses produtos se comportam ao alcançarem o solo Fotos Caio Antonio Carbonari
N
o Brasil, a adoção de sistemas de produção em que as culturas são implantadas sobre algum tipo de palhada tem aumentado em diversas regiões, em função de inúmeros benefícios atribuídos à cobertura vegetal morta. Entre exemplos típicos, pode-se mencionar o cultivo mínimo em áreas de reflorestamento, o plantio direto de culturas anuais e o sistema de produção de cana crua, onde a colheita sem queima deixa sobre o solo uma espessa camada de palha que pode superar 20t/ha, dependendo da cultivar utilizada. O desenvolvimento do sistema cana crua provocou inúmeras alterações no manejo de plantas daninhas. A presença de cobertura morta sobre o solo promove grandes mudanças quanto à ocorrência de daninhas e também sobre o comportamento dos herbicidas aplicados nesses sistemas de produção. Em geral, no sistema de produção da cana crua são observadas drásticas reduções na incidência de algumas plantas daninhas com elevada importância nas áreas com colheita de cana queimada, porém, são registradas altas infestações com outras espécies tolerantes à palha, como as cordas-de-viola (Ipomoea spp). Essa mesma cobertura morta também é uma barreira para a chegada do herbicida ao solo. O controle químico com a utilização de herbicidas é indispensável no manejo de plantas daninhas na cultura da cana-de-açúcar. O lento fechamento da cultura, decorrente do espaçamento am12
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Gráfico 1 - Evolução dos sintomas em plantas de buva resistente e suscetível após a aplicação de 2,4-D. PDPA/UFRRJ - Seropédica/RJ - 2019
plo, exige o uso de programas de controle de longa duração, fundamentados em herbicidas persistentes no solo ou aplicações sequenciais. Desta forma, para se obter a melhor eficiência no controle de plantas daninhas é importante conhecer os processos envolvidos desde a chegada dos herbicidas na palha, sua dinâmica sobre a palha e o comportamento ao alcançarem o solo. Uma vez que a cana crua se tornou o sistema de produção predominante, a compreensão da dinâmica de herbicidas aplicados em pré-emergência sobre a palha mostra-se fundamental para racionalizar o uso e as recomendações desses produtos.
decomposição, até que seja lixiviado para o solo. Por conseguinte, a fotodegradação de herbicidas conhecidos por serem fotoestáveis no solo, pode ser alterada e potencializada na aplicação sobre a palhada, consequência da maior exposição à luz solar. Destaca-se ainda que, nas horas mais quentes do dia, a temperatura na superfície da palhada é mais elevada que a temperatura na superfície do solo ou das folhas das plantas, o que indica que, ao ser aplicado sobre a cobertura morta, o herbicida pode
ser submetido a um regime térmico completamente distinto e, possivelmente, mais favorável à degradação e à volatilização do que na aplicação sobre o solo ou folhas (Figura 1). Uma vez interceptado pela palha, a quantidade de herbicida aplicado que atingirá o solo depende de uma série de fatores, como composição e quantidade da palha; características físico-químicas e formulações dos herbicidas; estabilidade quando expostos a altas temperaturas e à luz; volume de chuva após a aplicação, e tempo de permanência na palha antes da ocorrência de chuvas. Nesse sentido, a cultura da cana-de-açúcar apresenta algumas particularidades, uma vez que é uma cultura com ciclo longo, plantada e colhida em diferentes períodos durante o ano, o que proporciona a necessidade do manejo de plantas daninhas e a aplicação de herbicidas mesmo em épocas com baixa oferta hídrica, permitindo que os produtos aplicados em pré-emergência fiquem expostos sobre a palha antes da ocorrência de chuvas. Para se obter a melhor eficiência no controle de plantas daninhas é essencial conhecer os processos envolvidos desde a chegada dos herbicidas na palha, sua dinâmica sobre os resíduos vegetais e o comportamento
DINÂMICA DE HERBICIDAS NA PALHA E NO SOLO EM CANA CRUA
A palha sobre o solo atua como uma barreira física, interceptando os herbicidas aplicados em pré-emergência e impedindo a sua chegada no solo. Até que ocorram chuvas para carregar os herbicidas até o solo, os produtos ficam expostos à radiação solar, o que pode representar maiores perdas por fotodegradação e volatilização. Para muitos herbicidas, os efeitos da fotodegradação quando aplicados diretamente sobre o solo são conhecidos. No entanto, existem poucas informações sobre a fotodegradação de herbicidas na palha. Um herbicida aplicado sobre a palhada é interceptado pela superfície da palha e torna-se vulnerável à volatilização e/ou foto-
A palha sobre o solo pode atuar como uma barreira física, interceptando os herbicidas aplicados em pré-emergência
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Caio Antonio Carbonari
A
B
Figura 3 - (A) Planta com rápida necrose apenas nas folhas que receberam aplicação de 2,4-D (demais folhas cobertas no momento da aplicação) e (B) Folhas de buva com sintomas de necrose após aplicação do herbicida 2,4-D, demostrando que não há translocação do herbicida da folha tratada para as demais. Seropédica/RJ - 2019
O controle químico é indispensável no manejo de plantas daninhas na cultura da cana-de-açúcar
desses produtos ao alcançarem o solo (sob a palha). Existe um paradigma de que, para ter uma boa dinâmica em palha, o herbicida deve possuir elevada solubilidade em água e/ou ainda um baixo Kow (indicador de lipofilicidade). Apesar da solubilidade em água ter relação com a facilidade de saída de um herbicida da palha para o solo com a água de chuva, tem se observado que muitos herbicidas que apresentam baixa solubilidade mostram bom comportamento de saída da palha. As características físico-químicas do herbicida devem ser consideradas no entendimento da dinâmica de herbicidas na cobertura morta, no entanto, aspectos da formulação têm se revelado decisivos quanto à mobilidade dos herbicidas na palha. Em geral, observa-se melhores comportamentos de herbicidas aplicados em formulações em suspensão, o que aumenta a faci-
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lidade de “lavagem” do herbicida da palha. Outro aspecto muito relevante é que um mesmo ingrediente ativo pode ter comportamentos completamente diferentes quanto à passagem pela palha, dependendo da formulação. Um bom exemplo é o do herbicida clomazone, que na formulação microencapsulada possui menor retenção na palha, quando comparado à formulação Emulsão Concentrada (EC). A aplicação de herbicidas em cana-de-açúcar, especialmente em época seca, com longos períodos de permanência do herbicida sobre os resíduos da cultura, representa perdas significativas, o que pode comprometer a eficácia e o efeito residual no controle de plantas daninhas até o fechamento da cultura. Tal fato também exige uma análise cuidadosa da necessidade de ajuste de dose para compensação destas perdas, especialmente em época seca. No entanto, deve-se levar em
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consideração os aspectos relacionados à seletividade do herbicida, para não causar intoxicação na cultura caso ocorram chuvas antecipadas e a sensibilidade das plantas daninhas alvos a este produto. A interação entre as características físico-químicas dos herbicidas e suas formulações e o tipo e a quantidade de cobertura sobre o solo influencia a mobilidade e a dinâmica dos herbicidas na cobertura morta e, consequentemente, no solo. Portanto, a escolha do herbicida a ser utilizado nas áreas com a presença de cobertura morta sobre o solo deve levar em consideração as propriedades físico-químicas da molécula e, principalmente, formulações mais adequadas, que garantam maior facilidade para transpor a camada com cobertura morta e reduzam as perdas por volatilização e fotólise. A manutenção de palha sobre o solo em sistemas de produção agrícolas, como o da cana crua, acarreta vários benefícios ao solo, tais como redução da erosão hídrica, conservação da umidade, melhora das propriedades físicas, incremento do teor de carbono orgânico, e favorecimento à diversidade e à atividade microbiana do solo. Uma vez que a presença de palha altera a médio e longo prazo o teor de matéria orgânica dos solos, muda também a capacidade de sorção dos herbicidas nos mesmos. Infelizmente o compartimento palha, frequente nos sistemas brasileiros de produção agrícola, não está presente na maioria das áreas agrícolas em outros países, sobretudo em regiões temperadas. Esse compartimento palha tem sido pouco incorporado em estudos de dinâmica, avaliação e modelagem dos riscos ambientais associados ao uso de deC fensivos agrícolas.
Caio Antonio Carbonari, Edivaldo Domingues Velini e Giovanna Larissa Gimenes Cotrick Gomes, Unesp Maria Lucia Bueno Trindade, Bioativa Pesquisa e Compostos Bioativos
Plantas daninhas
Desempenho por estatura
No controle químico da buva resistente ao glifosato, o resultado da aplicação de herbicidas pode variar de acordo com o tamanho da planta daninha
O
manejo de plantas daninhas em soja foi facilitado desde a introdução da tecnologia Roundup Ready (RR) que confere tolerância ao herbicida glifosato. Entretanto, o uso exclusivo deste herbicida de forma continuada e por mais de duas vezes durante a estação de cultivo, selecionou plantas daninhas com resistência, com destaque no Brasil para a buva (HEAP, 2019). A buva passou a causar elevados prejuízos à soja, em função das falhas de controle ocasionadas pela ocorrência da resistência. Para C. bonariensis, quanto mais avançado o estádio de desenvol-
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vimento no momento da semeadura da soja, maiores serão as perdas de rendimento, devido à dificuldade de manejo (Patel et al., 2010). Ainda, quanto mais avançado o estádio de desenvolvimento de C. bonariensis, menor é a eficiência do controle químico, sendo que o estádio ideal para realizar o manejo químico desta planta daninha é de até seis folhas (Kaspary, 2014). Assim, o manejo da buva exige a adoção de métodos alternativos de controle, sendo a utilização de herbicidas com mecanismos de ação alternativos ao glifosato uma das principais ferramentas. Medidas de controle de populações com resistência necessi-
Fotos Mauro Rizzardi
Figura 1
Diferentes estaturas de plantas de buva utilizadas no experimento
Área com alta infestação de buva, no município de Cascavel, no Paraná
tam ser adotadas e podem ser realizadas pela aplicação de herbicidas com mecanismo de ação distinto ao do glifosato. A associação de herbicidas e a utilização de herbicidas com mecanismos de ação diferentes são medidas preconizadas para o manejo integrado de plantas daninhas resistentes (Johnson; Gibson, 2006). Muitos herbicidas empregados no manejo em pré-semeadura da soja são alternativas eficientes no controle de populações de buva resistente ao glifosato. Paraquate, 2,4-D, glufosinato de amônio, saflufenacil mostraram-se alternativas eficientes (Bianchi; Schneider; Rockenbach, 2011; Kaspary, 2014). A indicação de herbicidas alternativos, bem como o estádio de desenvolvimento adequado para o controle de buva resistente ao glifosato, é importante para a adoção de práticas de manejo integrado desta planta daninha. Diante do exposto, o objetivo deste trabalho foi identificar as alternativas químicas para o controle de buva resistente ao glifosato, aplicadas em diferentes estaturas da planta daninha.
MATERIAL E MÉTODOS
Para atingir os objetivos propostos, foram conduzidos dois experimentos a campo, em Cruz Alta, Rio Grande do Sul. Na parcela, alocaram-se os tratamentos
herbicidas com diferentes mecanismos de ação, aplicados de forma isolada ou em associação com glifosato (Tabela 1); e na subparcela, diferentes estaturas das plantas de buva: Estatura I, plantas com no máximo 5cm; Estatura II, plantas entre 6cm e 15 cm; e Estatura III, plantas entre 16cm e 25cm.
RESULTADOS
Apesar de as plantas de buva com até 5cm apresentarem leves sintomas, não houve diferenças entre as quatro doses testadas do glifosato e os três estádios de desenvolvimento nas quatro épocas de avaliação (Tabelas 2 e 3). Estes resultados sugerem que as populações de buva presentes na área de condução do expe-
rimento eram resistentes ao glifosato. Para os tratamentos, glifosato + saflufenacil, paraquate, diquate e amônio glufosinato, já aos sete DAT, as plantas com até 5cm foram totalmente controladas. Este resultado manteve-se até 28 DAT, quando houve a última avaliação, com exceção para o tratamento glifosato + saflufenacil que aos 21 DAT começou rebrotes em algumas plantas. Quando se avaliou o desempenho dos tratamentos em função dos estádios de desenvolvimento, pode-se observar que há diferenças na flexibilidade de controle em diferentes estádios de desenvolvimento. Para plantas de buva com estatura entre 6cm e 15cm, o tratamento que apresentou maior controle, considerando todo o período de avaliação, foi amônio glufosinato (Tabelas 2 e 3). O tratamento com glifosato + saflufenacil contro-
Tabela 1 - Relação entre percentual de controle e sintomas observados em biótipos de buva resistente e suscetível sob aplicação do herbicida 2,4-D. PDPA/UFRRJ - Seropédica/RJ - 2019 Trat 1¹ 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Mecanismo de ação Ingrediente Ativo ----Inib. da EPSPs Glifosato ----Inib. da EPSPs Glifosato ----Inib. da EPSPs Glifosato ----Inib. da EPSPs Glifosato Mimetizador de Auxínas 2,4-D Inib. da EPSPs Glifosato Inib. da Protox Saflufenacil Inib. da EPSPs Glifosato ----Inib. do Fotossistema I Paraquate ----Inib. do Fotossistema I Diquate ----Inib. da Glutamina sintetase Amônio glufosinato ----Testemunha ---
Dose (g i.a. ou e.a. ha-1) 540 1080 2160 3240 1080 + 1005 1080 + 49 400 400 600 ---
Fonte: Agrofit, 2018. Nota: ¹Em todos os tratamentos foi adicionado o adjuvante Assist (0,5% v/v). Nota - ¹Em todos os tratamentos foi adicionado o adjuvante Assist (0,5% v/v)
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Tabela 2 - Controle (%) de Conyza spp. aos 7 e 14 dias após a aplicação dos tratamentos A(DAT). Cruz Alta - 2017 Herbicidas (g e.a./i.a. ha-1)
Até 5 cm
Glifosato (540) Glifosato (1080) Glifosato (2160) Glifosato (3240) Glifosato + 2,4-D (1080 + 1005) Glifosato + Saflufenacil (1080 + 49) Paraquate (400) Diquate (400) Amônio glufosinato (600) Testemunha C.V. (%)
A 003,5 c A 008,5 c A 004,2 c A 003,0 c A 062,5 b A 100,0 a A 100,0 a A 100,0 a A 100,0 a A 000,0 c
Glifosato (540) Glifosato (1080) Glifosato (2160) Glifosato (3240) Glifosato + 2,4-D (1080 + 1005) Glifosato + Saflufenacil (1080 + 49) Paraquate (400) Diquate (400) Amônio glufosinato (600) Testemunha C.V. (%)
A 003,5 c A 003,5 c A 004,5 c A 007,2 c A 065,0 b A 099,2 a A 099,7 a A 100,0 a A 100,0 a A 00,0 c
Estatura 6 a 15 cm 7 DAT A 001,5 c A 005,5 c A 002,2 c A 000,5 c B 050,0 b A 098,7 a B 056,2 b B 055,0 b A 098,5 a A 000,0 c 4,20 14 DAT A 01,2 d A 01,7 d A 02,7 d A 05,0 d B 45,0 c B 88,7 b B 86,2 b A 98,7 a A 98,0 a A 00,0 d 14,72
16 a 25 cm A 000,0 c A 001,7 c A 000,0 c A 000,0 c C 033,7 b B 083,7 a C 036,5 b C 038,7 b B 085,0 a A 000,0 c
A 00,5 e A 00,7 e A 01,7 e A 04,0 e B 36,2 d C 68,7 b C 52,5 c A 90,7 a A 93,0 a A 00,0 e
Fonte: Dados dos autores. Nota - Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna ou maiúscula na linha, comparadas em cada período de avaliação, não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Scott-Knott (p≤0,05)
Tabela 3 - Controle (%) de Conyza spp. aos 21 e 28 dias após a aplicação dos atratamentos (DAT) Herbicidas (g e.a./i.a. ha-1)
Até 5 cm
Glifosato (540) Glifosato (1080) Glifosato (2160) Glifosato (3240) Glifosato + 2,4-D (1080 + 1005) Glifosato + Saflufenacil (1080 + 49) Paraquate (400) Diquate (400) Amônio glufosinato (600) Testemunha C.V. (%)
A 005,2 d A 003,5 d A 006,5 d A 006,7 d A 068,7 c A 094,5 b A 097,5 a A 100,0 a A 100,0 a A 000,0 e
Glifosato (540) Glifosato (1080) Glifosato (2160) Glifosato (3240) Glifosato + 2,4-D (1080 + 1005) Glifosato + Saflufenacil (1080 + 49) Paraquate (400) Diquate (400) Amônio glufosinato (600) Testemunha C.V. (%)
A 003,5 c A 003,2 c A 005,7 c A 005,6 c A 076,2 b A 096,5 a A 098,7 a A 100,0 a A 100,0 a A 000,0 c
Estatura 6 a 15 cm 14 DAT A 003,0 e A 002,2 e A 004,0 e A 004,0 e B 047,5 d B 080,5 b B 072,5 c A 099,5 a A 099,2 a A 000,0 e 6,74 28 DAT A 01,7 d A 02,2 d A 02,7 d A 02,6 d B 63,7 c B 77,5 d B 66,2 c A 98,2 a A 97,5 a A 00,0 d 7,84
16 a 25 cm A 01,5 f A 0,5 f A 2,0 f A 02,5 f C 038,7 e C 060,0 c C 045,0 d B 085,5 b B 093,2 a A 000,0 f
A 000,5 e A 000,5 e A 001,0 e A 001,9 e C 041,2 d C 047,0 c C 040,0 d B 082,5 b B 090,5 a A 000,0 e
Fonte: Dados dos autores. Nota: Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna ou maiúscula na linha, comparadas em cada período de avaliação, não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Scott-Knott (p≤0,05).
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lou 98,7% aos sete DAT, no entanto, na última avaliação finalizou com 77,5% de controle, devido à ocorrência de rebrote nas plantas de buva. O herbicida Diquate controlou lentamente as plantas de buva, porém foi consistente até os 28 DAT. Aos sete DAT, apresentou 55%, evoluindo para 98,7% aos 14 DAT e finalizando com 98,2 aos 28 DAT. Em plantas de buva com estatura de 16cm a 25cm, somente amônio glufosinato controlou acima de 90%. No entanto, limitou-se a 90,5% aos 28 DAT, com início de rebrote nas plantas neste estádio de desenvolvimento. Desta forma, nenhum destes tratamentos pode ser utilizado de forma isolada no controle de plantas de buva com mais de 16cm. O estádio de desenvolvimento está diretamente relacionado com a suscetibilidade a herbicidas, principalmente produtos de contato. Biótipos de Conyza canadensis apresentaram níveis de resistência ao glifosato diferentes, em função do estádio de desenvolvimento (Shrestha; Hembree; VA, 2007). Desta maneira, a aplicação de herbicidas em buva em estádios iniciais de desenvolvimento é fundamental para a obtenção de sucesso no controle. Nas aplicações em estádios iniciais de desenvolvimento, a suscetibilidade aos herbicidas é maior e resulta em menor risco de rebrote nas plantas. Em estádios avançados, as plantas, ao aumentarem o acúmulo de matéria seca, adquirem maior capacidade de sobrevivência e recuperação dos efeitos dos herbicidas (Moreira et al., 2010). Os tratamentos que proporcionaram entre 80% e 90% de controle não são suficientemente satisfatórios. Em função da ampla capacidade de produção de sementes de buva, em torno de 200 mil sementes por planta, somente o controle total das plantas impedirá a propagação de sementes da espécie para a própria área ou até mesmo para regiões distantes. Vale ressaltar a importância da adoção de estratégias de manejo durante todo o ano nas áreas agrícolas. A utilização de culturas de cobertura no período do inverno, aliada à aplicação de herbicidas, é alternativa que facilita o controle na aplicação em pré-semeadura da soja. Essas estratégias auxiliam na redução na densidade e na estatura das plantas de buva no momento da dessecação (Oliveira Neto et al., 2010). Com a utilização destas alternativas, há inúmeras maneiras de controle químico eficientes para serem utilizadas no momento da pré-semeadura da soja, principalmente nas plantas de buva em estádio de desenvolvimento inicial.
CONCLUSÕES
Plantas de buva com no máximo 5cm são eficientemente controladas com os tratamentos herbicidas glifosato + saflufenacil, paraquate, diquate e amônio glufosinato. Plantas de buva entre 6cm e 15cm são eficientemente controladas com os tratamentos herbicidas glifosato + saflufenacil, diquate e amônio glufosinato. Plantas de buva entre 16cm e 25cm são controladas com a apliC cação de amônio glufosinato. Theodoro Schneider, Unicruz Mauro Antônio Rizzardi, UPF Mário Antônio Bianchi, Unicruz
Feijão Fotos Emmanuel Manolo
Efeito da nutrição
A influência do uso de fertilizante foliar na produtividade do feijoeiro, cultura bastante exigente em nutrientes por conta do ciclo curto e do sistema radicular superficial
O
feijoeiro é uma planta exigente em nutrientes. Isso se deve ao fato de o sistema radicular ser pequeno e pouco profundo e, principalmente, por ter um ciclo curto. Deste modo, as exigências nutricionais de uma cultura podem ser supridas pelo fornecimento de doses equilibradas de fertilizantes, combinadas com a época e o modo de aplicação (Mendonça et al., 2007). O papel dos nutrientes é fundamental durante as fases de formação, desenvolvimento e maturação das sementes, principalmente na constituição das membranas e no acúmu-
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lo de carboidratos, lipídios e proteínas (Graham, 1984). A deficiência de micronutrientes, especialmente a de manganês e zinco, pode reduzir a atividade metabólica, devido à demanda em processos fisiológicos, como componentes de enzimas essenciais, e também comprometer a manutenção estrutural e a integridade funcional das membranas (Lopes e Guilherme, 1989). Plantas cultivadas em condição de deficiência de zinco, geralmente, pro-
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duzem sementes com baixos conteúdo e concentração desse nutriente, e quando semeadas em solo deficiente, as plântulas são menos vigorosas, refletindo em baixo rendimento na colheita. O aumento do conteúdo de zinco nas sementes tem efeito positivo no crescimento do rendimento nessas condições (Thorne, 1957) Sangoi et al. (2003) afirma que um dos principais processos de perda de nitrogênio (N) do solo se dá por meio da lixiviação. Sendo assim, o N possui
uma importância significativa para um bom desenvolvimento e aumento da produtividade do feijoeiro, pois é um elemento absorvido em grandes quantidades pela planta do feijão. Segundo Coelho (2010), a escolha do método e da época de aplicação é baseada nas características do solo, na época de semeadura (verão, outono/inverno), no acúmulo dos nutrientes, nas diferentes fases de desenvolvimento da planta, nas doses a serem aplicadas e no uso de irrigação. As épocas podem ser divididas em: adubação de plantio, adubação de formação e adubação de produção. Para a adubação do feijoeiro, devem ser levados em conta fatores como a fertilidade do solo e as necessidades da cultura. Sendo assim, os dois fatores principais para a definição da adubação são a oferta de nutrientes no solo e as exigências nutricionais da planta (Posse et al., 2010).
EXPERIMENTO
Figura 1 - Croqui da área de plantio (tratamento e tratamento-controle), Toledo, 2018
Para avaliar o efeito da aplicação de fertilizante foliar na produtividade do feijão, um experimento foi realizado a campo, no município de Toledo, Paraná, no período de janeiro a abril de 2019. Foram semeadas dez sementes de feijão cv. carioca por metro linear, com espaçamento de 0,5m entre as linhas. Os delineamentos experimentais utilizados foram em bloco inteiramente casualizado (BIC) e em triplicata. A semeadura foi realizada no dia 10 de janeiro de 2019 e a colheita em 10 de abril. O espaçamento entre as linhas foi de 0,5m, com 0,1m entre plantas, com uma bordadura de 0,2m (Figura 1). Foram utilizados no plantio 50kg/ha de esterco bovino curtido na própria propriedade. No dia seguinte, após a aplicação do adubo, o solo foi removido e incorporado. A semeadura foi realizada em cinco dias, após aplicado o adubo. Durante todo o experimento, tratamentos específicos para
controles fitossanitários de plantas daninhas, insetos e demais doenças foram realizados, com aplicação de calda de fumo e de calda bordalesa. No experimento foi feita uma aplicação do adubo foliar Spin (1% de N + 1% de P2O5 + 1% de K2O + 0,75% de Mo p/p ou 10,5g/L de N + 21g/L de P205 + 10,5g/L de K2O + 7,88g/L de Mo), na dosagem de 1mL/m-2. A aplicação foi efetuada com um regador de 5L, no estágio V4. Foram coletadas seis plantas/linha aos 55 dias após a emergência. O cálculo de produtividade teve como padrão o peso dos grãos na área do experimento. O delineamento experimental foi em bloco inteiramente casualizado (BIC), com três repetições para análises morfológicas e anatômicas. Os dados foram calculados a uma análise de variância, quando do término do ciclo do feijoeiro, período em que foram realizadas observações para a presença de possíveis alterações significativas, pelo teste de
Sistema radicular pequeno e pouco profundo faz com que o feijoeiro se torne altamente exigente em nutrientes
As exigências nutricionais de uma cultura podem ser supridas pelo fornecimento de doses equilibradas de fertilizantes
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Figura 2 - Gráfico dos efeitos individuais da aplicação do SPIN na interação com a produtividade do feijão
Tukey a 5% de probabilidade e no teste p-valor de Anderson-Darling. Aplicado o teste de Tukey a 5% de probabilidade, houve uma diferença significativa do tratamento em relação ao tratamento-controle em todas as análises (Tabela 1). Em relação à produtividade, verificou-se que as médias foram diferentes entre si com a aplicação do adubo foliar, pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. A Figura 2 mostra que ao aplicar o fertilizante foliar no feijão, houve um aumento significativo na produtivida-
de final do ciclo da planta. Nos gráficos de resíduos na Figura 3.c observa-se a distribuição aleatória dos resíduos em torno do zero, bem como na ordem de coleta dos ensaios na Figura 3.d. Verifica-se também que nos gráficos da probabilidade normal dos resíduos, já na Figura 3.b, não há a presença de outliers e que os resíduos aderem a uma distribuição normal, com p-valor 0,35(> 0,05) na Prod., determinado pelo teste de normalidade de Anderson-Darling (AD). Essas observações quanto aos resíduos na Anova satisfazem a premissa da estatística
Tabela 1 - Desempenho de produtividade da cultura do feijão, com aplicação de adubo foliar SPIN. Toledo, CAET, 2019 Sistema de cultivo Tratamento Tratamento-controle Média geral CV (%) p-valor AD
Prod. (kg ha-1) 2214,5a 2081,1b 2147,8 1,07 2,2E-10 42,3
*Prod.: produtividade. Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si, pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade.
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Figura 3 - Gráficos de resíduos, sendo o histograma geral (a), o QQ-plot (b), resíduos x valores ajustados (c) e resíduos padronizados versus ordem de coleta (d)
paramétrica e permitem uma análise mais aprofundada dos dados. A dose aplicada pelo fertilizante foliar afetou significativamente os valores de produtividade do feijoeiro, com um incremento de aproximadamente 7%. Este fator pode ser reforçado, pois o feijão é uma cultura de ciclo curto e necessita de grande oferta de C nutrientes. Emmanuel Zullo Godinho, CAEAAC Fernando de Lima Caneppele, USP
O feijão
O
feijão comum (Phaseolus vulgaris L.) é uma das principais culturas produzidas no Brasil e no mundo. Possui relevância enquanto fator de segurança alimentar e nutricional; existe também uma importância cultural na culinária de diversos países e culturas (Barbosa; Gonzaga, 2012). Segundo dados da Conab (2016), a produção no Brasil foi de, aproximadamente, três milhões de toneladas, um número que quando comparado com a produção atual de arroz se torna relativamente pequeno, mas não menos importante.
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Manejo
Manejo da resistência Comitês Frac-BR, Hrac-BR e Irac-BR intensificam no Brasil as ações no combate à resistência de doenças, plantas daninhas e insetos às táticas de controle
E
m ambientes tropicais como o Brasil, o manejo eficiente de doenças, plantas daninhas e insetos pragas é fundamental para se atingir bons resultados de produtividade dos cultivos. Mas para garantir a eficiência a longo prazo das estratégias de manejo atualmente disponíveis, algumas boas práticas agrícolas devem ser implementadas. Para isso, é necessário entender um pouco mais sobre quais são as estratégias de manejo da resistência e como a cadeia produtiva vem se organizando para garantir a sustentabilidade das práticas de manejo de doenças, plantas daninhas e insetos. Dentre os pilares atuais de um manejo fitossanitário, é possível citar a resistência de plantas e o uso de controle químico como os mais utilizados nas lavouras do Brasil. Independentemente de qual seja a estratégia de manejo utilizada, a diversidade genética presente em uma população de doenças, plantas daninhas
ou pragas faz com que alguns indivíduos tenham a habilidade de sobreviver a uma determinada tática de controle, devido a suas características genéticas. Sendo assim, caso o mesmo agente de controle seja utilizado continuamente, a frequência dos indivíduos que possuem essa característica irá aumentar e a população se tornará resistente àquele agente de controle que, anteriormente, causava a mortalidade da maioria dos indivíduos daquela população. Nesse contexto, a resistência de insetos, doenças e plantas daninhas é caracterizada devido às falhas de controle sucessivas após a aplicação de um determinado produto que anteriormente apresentava capacidade de controlar a maioria dos indivíduos. É importante destacar que para ser definida como resistência, essa característica deve ser herdável, ou seja, passada para seus descendentes geração após geração.
Vale ressaltar que essa é uma característica pré-adaptativa, ou seja, indivíduos resistentes podem estar presentes na população de determinadas doenças, plantas daninhas e, ou pragas, antes mesmo da exposição a determinado agente de controle. Portanto, o uso de estratégias de manejo de pragas em desacordo com as boas práticas agrícolas favorece que a frequência (número) de indivíduos resistentes aumente na população, fazendo com que, nas safras seguintes, as estratégias de manejo de pragas tenham a sua eficácia reduzida. Nesse sentido, para evitar ou retardar o aumento da frequência de indivíduos resistentes, boas práticas agrícolas devem ser adotadas, dentro de um programa de manejo da resistência. Como um importante elo da cadeia produtiva, as empresas que detêm e/ ou desenvolvem “ferramentas” para o manejo de doenças, plantas daninhas e/ou pragas têm se empenhado para desenvolver e implementar programas de manejo da resistência. Por meio de comitês, tais como os Comitês de Ação à Resistência a Fungicidas, Herbicidas e Inseticidas (Frac-BR, Hrac-BR e Irac-BR, respectivamente), essas instituições buscam garantir a sustentabilidade da agricultura por meio do incentivo à implementação de estratégias de manejo de resistência, bem como, difundindo informações sobre alternativas viáveis para o manejo de doenças, plantas daninhas e pragas. Dessa forma, programas de manejo de resistência vêm sendo implementados em parceria com produtores, cooperativas, universidades, fundações, instituições de pesquisa e outros órgãos ligados à cadeia produtiva agrícola.
Andre Shimohiro
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Fotos Andre Shimohiro
O manejo eficiente de pragas é fundamental para se atingir bons resultados de produtividade dos cultivos
No caso de plantas geneticamente modificadas resistentes a insetos (plantas Bt), a adoção de áreas de refúgio é fundamental para permitir a sobrevivência de insetos suscetíveis. Esses indivíduos suscetíveis podem, então, acasalar com possíveis resistentes provenientes das áreas de cultivo Bt, evitando que a frequência da resistência aumente em determinada população de um inseto-praga. Cabe ressaltar que a implantação do refúgio deve ser realizada por todos os produtores em escala regional, e que os inseticidas utilizados para o manejo de insetos nas áreas de refúgio devem seguir as recomendações técnicas. Essas recomendações foram desenvolvidas por pesquisadores de diversas instituições públicas e privadas do Brasil, em parceria com o Irac-BR, para as culturas de soja, milho e algodão, e podem ser encontradas na página do comitê. Vale lembrar que, recentemente, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) instituiu o uso de refúgio estruturado como medida fitossanitária. O mesmo princípio se aplica a métodos de controle químico de insetos, ácaros, fungos e plantas daninhas. Ao pulverizar defensivos químicos na lavoura, pode ocorrer a sobrevivência de indivíduos que, por algum mecanismo, são naturalmente resistentes ao(s) produto(s) utilizados. O Irac-BR, em parceria com universidades,
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instituições de pesquisa ou empresas contratadas, tem realizado o monitoramento da suscetibilidade a inseticidas das principais espécies-praga de plantas cultivadas no Brasil, como: mosca-branca (Bemisia tabaci), falsa-medideira da soja (Chrysodeixis includens), lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), lagarta helicoverpa (Helicoverpa armigera), traça-do-tomateiro (Tuta absoluta), percevejo-marrom (Euschistus heros) e ácaro-rajado (Tetranychus urticae). O Frac-BR é um dos membros da Comissão Técnica de Reavaliação Agronômica de Produtos Registrados para o Controle de Phakopsora pachyrhizi na Cultura da Soja, a qual foi criada pelo Mapa para reavaliar os produtos registrados para ferrugem da soja. O mesmo tem realizado internamente e em parceria com instituições de pesquisa o monitoramento da suscetibilidade de doenças como ferrugem da soja (Phakopsora pachyrhizi), mancha-alvo (Corynespora cassicola), ramulária do algodão (Ramularia areola) e requeima da batata (Phytophthora infestans) a fungicidas. Nesse mesmo sentido, o Hrac-BR vem realizando o monitoramento de resistência das espécies de buva (Conyza bonariensis, Conyza sumatrensis e Conyza canadensis), capim-amargoso (Digitaria insularis), capim-pé-de-galinha (Eleusine indica), azevém (Lolium multiflorum) e leiteiro (Euphorbia heterophylla) aos herbicidas mais utilizados nas principais regiões produtoras do país. Esses monitoramentos são de extrema importância para os produtores e a indústria de insumos, pois o tempo necessário para se descobrir, desenvolver e registrar um novo fungicida, herbicida e/ou inseticida no Brasil é superior a dez anos, o que demanda alto investimento. Com isso, a detecção precoce de casos de redução da sensibilidade de patógenos, plantas daninhas ou insetos aos fungicidas, herbicidas ou inseticidas, respectivamente, tem uma grande relevância estratégica, por objetivar a garantia da sustentabilidade da produção agrícola brasileira. Além do monitoramento, ações simples e de grande valia, como a rotação de produtos de diferentes modos de ação e a observância do período de vazio sanitário, são cruciais para o sistema agrícola. Nas páginas de internet do Frac-BR (www. frac-br.org), Hrac-BR (www.hrac-br.org) e Irac-BR (www.irac-br.org) há orientações sobre o manejo da resistência aos agroquímicos usados para o controle dos organismos-alvo.
lizar-se dos diferentes momentos, bem como ferramentas para o controle dos alvos que causam danos à cultura - Evitar pousio sem cultura ou sem cultura de cobertura, valendo ressaltar sobre utilizar cultura de cobertura certificada, devido à problema de introdução de novas doenças, plantas daninhas ou pragas, não existentes na área - Caso observe alta sobrevivência de insetos, ácaros, fungos ou plantas daninhas após a aplicação de um defensivo, informar o responsável técnico e o órgão competente, bem como os Comitês de Ação à Resistência (Frac-BR, Hrac-BR e Irac-BR) - Somente realizar a aplicação de agroquímicos com prescrição de um responsável técnico habilitado - Manter os equipamentos de aplicação bem calibrados, para evitar o uso de produtos em doses abaixo ou acima do recomendado na bula ou rótulo, pois isso irá comprometer a eficácia e poderá contribuir para a seleção de indivíduos resistentes - Limpar o maquinário antes e após a entrada em talhões ou fazendas distintas, mas também entre estados e países - Utilizar práticas de manejo que favoreçam o estabelecimento de inimigos naturais, como o uso de produtos seletivos - Utilizar de tecnologia de aplicação e formulação em benefício dos melhores resultados de controle - Encontrar e utilizar as ferramentas existentes das boas práticas agrícolas e de manejo de resistência para proteger
A sustentabilidade do controle passa pela adoação de boas práticas agrícolas
o instrumento fungicida, herbicida e inseticida - Consultar os conteúdos oferecidos pelos Comitês em plataformas on-line e aplicativos para ter acesso às recomendações atualizadas de manejo da resistência A resistência de doenças, plantas daninhas e pragas às táticas de controle atinge toda a cadeia produtiva, impactando diretamente a agricultura brasileira como um todo e reduzindo a competitividade, bem como a sustentabilidade do agronegócio. Dessa maneira, a adoção de estratégias de manejo da resistência é de suma importância e essencial para o sucesso e a sustentabilidade das atuais e futuras práticas de manejo de doenças, C plantas daninhas e pragas. Renato Carvalho, IRAC-BR Caio Rossi, HRAC-BR Luis Demant, FRAC-BR Regina Sugayama, Oxya
Regina Sugayama
A evolução da resistência coloca em risco não só alternativas químicas de manejo, mas também uma das práticas agrícolas mais incentivadas pelo Programa Agricultura de Baixo Carbono2, que é o plantio direto na palha. Plantas daninhas resistentes a alguns herbicidas, como a buva (Conyza spp.) e o capim-amargoso (Digitaria insularis), têm representado grande dificuldade para o produtor, a ponto de se considerar, em algumas situações, a realização de revolvimento do solo com grade ou arado, para reduzir a infestação antes da implantação da lavoura. O Hrac-BR, através de informações publicadas pela Embrapa, menciona que as perdas causadas devido à resistência a herbicidas dessas duas espécies, atreladas à matocompetição com a cultura da soja, sejam da ordem de nove bilhões de reais ao ano. Independentemente do tipo de organismo - patógeno, planta daninha ou inseto -, a adoção de boas práticas agrícolas é essencial para retardar a seleção de indivíduos resistentes e, consequentemente, a resistência. Para isso, devem ser seguidos: - Realizar a rotação de produtos com modo de ação distinto. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) passou a exigir que o grupo do modo de ação esteja em evidência nos rótulos e bulas dos defensivos. Além disso, nos sites dos Comitês, é possível realizar a consulta de forma eletrônica, bem como no site www.modosdeação. com.br - Alternar ciclos de produção de culturas hospedeiras e não hospedeiras, além de eliminar tigueras ou plantas voluntárias, ajuda a evitar a ponte verde entre cultivos - Observar rigorosamente o período do vazio sanitário para cada estado, como estratégia para reduzir a pressão inicial sobre a lavoura - Uso de sementes certificadas, principalmente para as questões de sementes de plantas daninhas resistentes, mas também no caso de doenças e insetos - No caso de plantas geneticamente modificadas resistentes a insetos, fazer o plantio do refúgio estruturado - Começar a cultura no limpo e uti-
Grupos de pesquisa se debruçam sobre o tema da resistência e sustentabilidade do controle
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Capa Fotos Carolina Deuner
Sensibilidade vigiada
Na eterna luta para manejar a ferrugem asiática da soja, monitorar periodicamente o comportamento de isolados do fungo Phakopsora pachyrhizi à aplicação de fungicidas é medida importante para ajudar a preservar a eficiência das tecnologias e garantir que o controle químico tenha vida longa e sustentável
A
ferrugem-asiática da soja (FAS), causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi Sidow&Sidow, é a principal doença de parte aérea da cultura da oleaginosa e pode resultar em danos que variam de 50% a 90%, dependendo das condições climáticas. Dentre as opções de manejo da doença, destaca-se o controle químico, o qual, no Brasil, teve início na safra de 2002/03, utilizando fungicidas do grupo químico triazol (IDM), posteriormente, a mistura de IDM e estrobilurina (IQe) (Reis et al., 2014) e, por último, misturas contendo carboxamidas (ISDH)todos fungicidas de sítio-específico. Um dos problemas do uso de fungicidas no controle de doenças, é o surgimento de fungos fitopatogênicos resistentes na população (Ghini & Kimati, 2000), que ao serem ameaçados podem desenvolver mecanismos que conferem resistência a produtos
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anteriormente considerados tóxicos a eles, para que sobrevivam. Portanto, a resistência de um fungo ao fungicida é caracterizada como uma alteração genética estável e herdável (mutação), que resulta na redução da sensibilidade do patógeno à molécula em questão (Brent & Hollomon, 2007). Nos últimos anos, constatou-se a redução da eficiência dos fungicidas, que resultou em falha de controle da ferrugem-asiática, sendo isso confirmado pela detecção de mutações nos isolados de P. pachyrhizi. Ensaios realizados por Schmitz et al. (2014) revelaram que cinco mutações diferentes nos isolados do fungo foram detectadas no gene CYP51 (citocromo P450) para o grupo químico IDM. Posteriormente, detectou-se uma mutação no gene CYTB (citocromo b) para o grupo químico IQe, sendo que 100% dos isolados provenientes de Mato Grosso e Goiás apresentaram a mutação F129L (Klosowski et al., 2016).
Figura 1 - Ensaio de soja a campo para monitoramento da sensibilidade de Phakopsora pachyrhizi aos fungicidas triazol (IDM), estroburinas (IQe) e misturas de dois grupos químicos
Para o grupo químico carboxamida (ISDH), isolados do fungo apresentaram a mutação I86F na subunidade C do gene SDH (succinato desidrogenase) (Klappach, 2017). Para inferir sobre a alteração da sensibilidade dos fungos aos fungicidas é necessário fazer o monitoramento dos fungicidas no laboratório, utilizando metodologia apropriada e reconhecida mundialmente, sempre correlacionando com o monitoramento no campo (Figura 1). Os monitoramentos in vivo e in vitro no laboratório têm por objetivo determinar a concentração efetiva do fungicida para o controle de 50% da severidade da doença (CE50), sendo possível quantificar o nível de fungitoxicidade da molécula ao patógeno. Para que um fungicida seja considerado altamente tóxico ao fungo, o valor da CE50 não deve ultrapassar 1mg/L; quando a CE50 está entre 1mg/L e 10mg/L, os fungicidas são moderadamente fungitóxicos; quando o valor está entre 10mg/L e 50mg/L, são pouco tóxicos; e acima de 50mg/L, são atóxicos ao fungo (Edgington et al., 1971). Desse modo, a classificação proposta é um parâmetro para determinar alterações na sensibilidade de isolados de P. pachyrhizi aos fungicidas. O Laboratório de Fitopatologia da Universidade de Passo Fundo desenvolve continuamente trabalhos de monitoramento da sensibilidade de P. pachyrhizi aos fungicidas. Durante os anos de 2017 e 2018 foram realizados ensaios seguindo a metodologia de folíolos de soja destacados (in vivo), proposta por Scherb e Mehl (2006), utilizando diferentes isolados de
P. pachyrhizi (Figura 3), para determinar a CE50 e fazer a classificação fungitóxica dos fungicidas. Para isso, foram testados fungicidas isolados e em mistura para sete isolados do fungo de diferentes regiões. Para o fungicida protioconazol (Tabela 1), houve diferença máxima entre isolados na magnitude de 8,2x, sendo que o isolado do município de Itaberá, São Paulo, apresentou o maior valor de CE50 (1,64mg/L). Para azoxistrobina, o maior valor foi detectado para o isolado de Sertão, Rio Grande do Sul (6,66mg/L), apresentando diferenças de CE50 entre isolados de até 5,8x. Para trifloxistrobina, todos os valores de CE50 ficaram abaixo de 1mg/L. Para fluxapiroxade, o valor máximo foi de 2,56mg/L para o isolado
de São Gabriel do Oeste, Mato Grosso do Sul, sendo este 6,7x maior que o do isolado de Itaberá, São Paulo (0,38 mg/L). Para a maioria das misturas de fungicidas, de maneira geral, verificou-se que a CE50 foi abaixo de 1mg/L, mostrando a vantagem da utilização de misturas, quando comparadas aos fungicidas isolados. Apesar disso, algumas exceções foram verificadas, como o isolado de Sertão, Rio Grande do Sul, para o fungicida azoxistrobina + benzovindiflupir (1,28mg/L) - sendo que para esse isolado já havia alteração de sensibilidade à azoxistrobina -; e também o isolado de Itaberá, São Paulo, para protioconazol + trifloxistrobina, que teve o mesmo comportamento para o protioconazol isolado. Juliatti et al. (2017) en-
Figura 2 - Vista das parcelas do ensaio de soja a campo para monitoramento da sensibilidade de Phakopsora pachyrhizi aos fungicidas: (A) sem fungicida (B) triazol (IDM) e (C) mistura de dois grupos químicos. Passo Fundo/RS (Fonte: Deuner, C.C.)
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Fotos Carolina Deuner
Tabela 1 - Concentração efetiva (CE50) de fungicidas para o controle de 50% da severidade da ferrugem asiática em soja com isolados de Phakopsora pachyrhizi de diferentes regiões do Brasil. UPF, Passo Fundo/RS, 2019 Ingrediente ativo
Protioconazol
Figura 3 - Caixas gerbox com trifólios de soja, após aplicação de fungicida e inoculados com Phakopsora pachyrhizi
contraram valores de CE50, em teste de folíolos destacados, para o fungicida protioconazol de 0,056mg/L e 3,16mg/L, para a azoxistrobina de 0,6 e 2,96 mg/L, para trifloxistrobina de 0,0001mg/ L e 0,007mg/L e para o fluxapiroxade de 0,35mg/L e 0,05mg/L para isolados de P. pachyrhizi oriundos de Chapadão do Sul-Mato Grosso do Sul e de Uberlândia, Minas Gerais, respectivamente. Da mesma forma, Blum (2009) verificou que os isolados sensíveis do fungo causador da ferrugem-asiática da soja apresentaram CE50 variando entre 0,07mg/L e 0,15mg/L para azoxistrobina e entre 0,09mg/L e 0,13mg/L para trifloxistrobina. Além disso, foi possível categorizar os fungicidas pela fungitoxicidade (Tabela 2), sendo classificados como altamente ou moderadamente fungitóxicos. Nenhum deles foi considerado pouco tóxico ou atóxico aos diferentes isolados do fungo. Portanto, há variabilidade com relação à sensibilidade dos isolados de P. pachyrhizi de diferentes regiões, frente aos fungicidas testados, necessitando de monitoramento constante, devido à variabilidade do fungo - sendo que os fungicidas testados são altamente ou moderadamente fungitóxicos aos isolados do fungo. Para que o controle químico seja sustentável e perdure, é necessário adotar estratégias que evitem a redução de eficiência de controle dos fungicidas. Para isso, sugere-se fazer aplicação de fungicida preventivamente (Deuner & Winck, 2016), alternar grupos químicos dos fungicidas (Deuner et al., 2015), utilizar fungicidas multissítios (Visintin et al., 2015) e adotar tecnologia de aplicação eficiente. É importante salientar que para a obtenção da máxima efetividade e longevidade do controle químico, o mesmo deve estar inserido dentro de um programa de manejo integrado, em que outras medidas de manejo deverão ser utiliC zadas, como resistência genética e vazio sanitário. Amanda Chechi, Jaqueline Huzar Novakowiski, Walter Boller e Carolina Cardoso Deuner, UPF
Azoxistrobina
Trifloxistrobina
Fluxapiroxade
Azoxistrobina + Benzovindiflupir
Protioconazol + Trifloxistrobina
Protioconazol + Bixafem + Trifloxistrobina
Isolado (Cidade/Estado) Passo Fundo-RS Tupaciretã-RS Sertão-RS Caseiros-RS Campos Novos-SC Itaberá-SP São Gabriel do Oeste-MS Passo Fundo-RS Tupaciretã-RS Sertão-RS Caseiros-RS Campos Novos-SC Itaberá-SP São Gabriel do Oeste-MS Passo Fundo-RS Tupaciretã-RS Sertão-RS Caseiros-RS Campos Novos-SC Itaberá-SP São Gabriel do Oeste-MS Passo Fundo-RS Tupaciretã-RS Sertão-RS Caseiros-RS Campos Novos-SC Itaberá-SP São Gabriel do Oeste-MS Passo Fundo-RS Tupaciretã-RS Sertão-RS Caseiros-RS Campos Novos-SC Itaberá-SP São Gabriel do Oeste-MS Passo Fundo-RS Tupaciretã-RS Sertão-RS Caseiros-RS Campos Novos-SC Itaberá-SP São Gabriel do Oeste-MS Passo Fundo-RS Tupaciretã-RS Sertão-RS Caseiros-RS Campos Novos-SC Itaberá-SP São Gabriel do Oeste-MS
CE50(MG/L) 0,88 1,03 0,93 0,20 0,35 1,64 1,11 1,44 2,22 6,66 1,24 1,13 1,85 1,14 0,35 0,63 0,28 0,08 0,03 0,29 0,49 1,93 0,86 0,77 0,91 0,86 0,38 2,56 0,95 0,98 1,28 0,36 0,40 0,99 0,65 0,81 0,78 0,91 0,44 0,39 1,07 0,99 0,50 0,42 0,51 0,02 0,05 0,53 0,31
Cor verde indica o menor valor da CE50 e a cor vermelha o maior valor
Tabela 2 - Classificação da fungitoxicidade dos fungicidas a sete isolados de Phakopsora pachyrhizi. UPF, Passo Fundo/RS, 2019
Amanda, Jaqueline e Carolina monitoraram a sensibilidade de Phakopsora pachyrhizi a fungicidas
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Altamente fungitóxicos Moderadamente fungitóxicos Pouco fungitóxicos CE50< 1mg/L CE50 entre 1 e 10mg/L CE50 entre 10 e 50mg/L Protioconazol (4 isolados) Protioconazol (3 isolados) Trifloxistrobina (todos os isolados) Azoxistrobina (todos os isolados) Fluxapiroxade (5 isolados) Fluxapiroxade (2 isolados) Protioconazol + trifloxistrobina (6 isolados) Protioconazol + trifloxistrobina (1 isolado) Azoxistrobina + benzovindiflupir (6 isolados) Azoxistrobina + benzovindiflupir (1 isolado) Protioconazol + bixafem + trifloxistrobina (todos os isolados)
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Soja
Voluntário nocivo O sucesso do estabelecimento de cultivos de importância agronômica depende do correto manejo de plantas daninhas, de modo a permitir que a cultura se desenvolva no limpo, sem competição por água, luz e nutrientes. Dentre estes desafios, encontra-se o milho tiguera tolerante a glifosato, fonte de preocupação aos produtores de soja no Brasil
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A
-se perdas superiores a 25% na produtividade da cultura da soja em lavouras infestadas com cinco plantas de milho/ m2 a seis plantas de milho/m2. Sendo assim, nos sistemas agrícolas onde o milho tolerante ao herbicida glifosato se comporta como planta daninha na cultura da soja, torna-se necessário o uso de técnicas de controle alternativas a este herbicida.
CONTROLE DE MILHO TIGUERA
O controle de milho tiguera, com tolerância ao herbicida glifosato, pode ser realizado tanto na dessecação como em pós-emergência da cultura da soja. No entanto, em ambos os casos, o manejo principal é realizado com a utilização de herbicidas inibidores da ACCase, conhecidos como graminicidas. Dentre os graminicidas, os ingredientes ativos que possuem registro para uso em soja e têm sido amplamente utilizados no controle de folhas estreitas, são o haloxifope-P-metílico, o fluazifope-P-butírico, o quizalofope-P-tefurílico, o cletodim e o setoxidim. Apesar de pertencerem ao mesmo mecanismo de ação e apresentarem semelhança no espectro de controle e eficácia, são quimicamente distintos, diferindo principalmente em relação à velocidade de translocação. Os inibidores da ACCase são seletivos para folhas largas, sistêmicos, absorvidos
pelas folhas e translocados por duas vias, xilema e floema. São divididos em grupos químicos, sendo os ariloxifenixipropionatos (FOPs) e as ciclohexanodionas (DIMs) os que possuem registro para a cultura da soja no Brasil. Enquanto os FOPs translocam preferencialmente via floema, os DIMs translocam via xilema e floema, devido a sua maior solubilidade em água, justificando a maior velocidade na translocação dos ingredientes ativos deste grupo químico. Esses herbicidas atuam inibindo a enzima ACCase, resultando na incapacidade das plantas de formar e manter as membranas celulares, desencadeando morte das espécies sensíveis. Os sintomas desses herbicidas são característicos, ocasionando arroxeamento das folhas mais velhas, facilmente perceptíveis após a aplicação. Sua atividade concentra-se nos pontos de crescimento das plantas, logo, percebe-se a paralisação no crescimento e a morte da gema apical, sendo a folha mais jovem facilmente removida. Em plantas sensíveis, os primeiros sintomas podem ser observados entre cinco dias e dez dias após aplicação, e a morte das plantas ocorre aproximadamente aos 21 dias depois do início do procedimento. A eficácia de controle dos graminicidas está relacionada com o estádio fenológico da planta de milho tiguera a ser controlada. Quando as plantas estão com até seis folhas, estádio conhecido
Fotos Camila Ferreira de Pinho
introdução no Brasil de novas tecnologias para o sistema de produção de milho conferiu muitos avanços, com destaque à utilização de híbridos geneticamente modificados, como os com tolerância ao herbicida glifosato, tecnologia denominada RR (Roundup Ready). O glifosato é um dos herbicidas mais usados no mundo, sendo sistêmico, não seletivo, com amplo espectro de ação e alta eficiência no controle de plantas daninhas, o que proporcionou rápida e ampla disseminação da tecnologia de milho RR no país. No Brasil, destaca-se o sistema de sucessão soja-milho, que ocupa a maior área de cultivo. Neste sistema de produção, é comum a presença de grãos e fragmentos de espigas de milho perdidos durante a operaçãode colheita que podem germinar, dando origem às plantas voluntárias, conhecidas também como milho tiguera ou plantas guaxas. Plantas de milho tiguera podem causar danos diretos ou indiretos à cultura da soja, acarretando em perda na produção de grãos. Existem diversos fatores que influenciam no grau de competição entre a cultura e as plantas daninhas, dentre eles, a eficiência no uso da água. Geralmente, plantas com metabolismo fotossintético C4, como é o caso do milho tiguera, são mais eficientes e competitivas em relação ao uso da água, quando comparadas com plantas C3, como é o caso da soja. Estima-
Milho tiguera RR presente em lavoura de soja, competindo por água, luz e nutrientes
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Testemunha + Cletodim 0,45L/ha, com déficit hídrico;Testemunha + Cletodim 0,45L/ha sem déficit hídrico; Testemunha + Haloxifope 0,5L/ha com déficit hídrico e Testemunha + Haloxifope 0,5L/ha, sem déficit hídrico
como V6, tanto os FOPs quanto os DIMs irão apresentar eficiência no controle. Em plantas com entre seis folhas e dez folhas, o controle ainda poderá ser satisfatório, porém reduzido. Em plantas com estádio mais avançado, o controle será mais lento, sendo na maioria das vezes ineficaz. Entretanto, pesquisas identificaram que os herbicidas FOPs têm um melhor desempenho no controle de plantas tigueras em estádios mais avançados de desenvolvimento, em comparação aos DIMs. Cuidados com a tecnologia de aplicação também devem ser levados em consideração, principalmente em relação às condições edafoclimáticas. As aplicações devem ocorrer com umidade relativa acima de 50% e temperatura do ar menor que 30°C. Deve-se também fazer uso de adjuvantes recomendados pelas empresas fabricantes dos herbicidas, para que os graminicidas apresentem uma boa eficácia no campo. No entanto, além de todos os fatores mencionados, a disponibilidade de água no solo pode influenciar no desempenho da molécula do herbicida. São comuns situações de déficit hídrico, ocasionadas pela falta de chu-
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vas, principalmente coincidindo com dessecação pré-plantio da soja.
DÉFICIT HÍDRICO
Sabe-se que a eficiência dos herbicidas pode ser reduzida pela menor disponibilidade de água no solo, devido à baixa absorção e à translocação do produto nas plantas, que estão relacionadas com fatores como orientação verticalizada ou enrolamento das folhas, espessamento da cutícula e fechamento estomático. A orientação verticalizada ou enrolamento das folhas prejudica a deposição do herbicida, em virtude da menor área foliar disponível. Sendo assim, a penetração das moléculas é fortemente afetada devido à menor concentração de herbicida disponível para ser absorvido pelas plantas. Após a deposição do herbicida sobre a folha, estas moléculas precisam ser absorvidas pelas plantas, sendo necessária a passagem pela cutícula presente nas folhas ou através do poro estomático. Em plantas sob déficit hídrico, o espessamento da cutícula é uma característica comum, fato que reduz significativamente a absorção de herbicidas aplicados via foliar, devido a uma barreira maior para entrada das
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moléculas nas folhas. Após a absorção dos herbicidas, começa o processo de translocação das moléculas até o sítio-alvo (no caso dos herbicidas graminicidas, o ponto de crescimento das plantas), podendo esta ocorrer através do xilema ou floema. Em plantas sob déficit hídrico, normalmente ocorre o fechamento estomático, ocasionando menor evapotranspiração e, consequentemente, reduzindo a translocação dos herbicidas via floema e xilema (fortemente prejudicada). A condição de longos períodos de seca ou veranicos provoca alterações no comportamento da planta, cuja irreversibilidade dependerá da duração do déficit hídrico e da sua fase fenológica. Desta forma, o controle de milho tiguera em estádios fenológicos avançados e em condições de déficit hídrico dificulta o manejo desta espécie através do uso de herbicidas.
ENSAIO DESENVOLVIDO
Com o objetivo de avaliar a eficácia dos herbicidas graminicidas no controle de milho tiguera tolerante ao herbicida glifosato sob condição de déficit hídrico, um ensaio foi conduzido pelo grupo de pesquisa em Plantas Daninhas e Pestici-
das no Ambiente - PDPA/UFRRJ. Os tratamentos avaliados no ensaio estão dispostos na Tabela 1. O ensaio foi dividido em duas condições, com e sem déficit hídrico. O déficit foi simulado antes e após a aplicação dos herbicidas, sendo a primeira parte do déficit realizada quando as plantas alcançaram o estágio fenológico V7, considerado de difícil controle. As plantas com déficit hídrico foram separadas das com irrigação, não recebendo água durante cinco dias. No momento da aplicação, as plantas sob déficit encontravam-se “encharutadas”. Após aplicação, a irrigação das plantas com déficit hídrico ocorreu um dia depois da aplicação de forma intercalada, sendo um dia com disponibilidade hídrica e dois dias de déficit hídrico, sendo conduzido dessa forma até o fim do ensaio. As plantas que não foram submetidas ao déficit hídrico foram irrigadas normalmente durante toda a condução do experimento. As plantas sem déficit hídrico apresentaram controle superior, quando comparadas às plantas sob déficit. Entretanto, em condições de seca, foi observada diferença significativa de controle entre os herbicidas avaliados, sendo o herbicida haloxifope mais eficiente, quando comparado ao herbicida cletodim. Como os dois herbicidas são translocados de forma diferente nas plantas, a seca interfere na eficácia dos produtos de forma distinta. O cletodim, por ter alta solubilidade em água, tem sua translocação favorecida pelo xilema (em conjunto com o floema), sendo esta fortemente afetada em condições de seca. Sendo assim, a eficiência do herbicida cletodim é prejudicada de forma significativa para controle de milho tiguera, em comparação ao haloxifope que possui translocação quase que exclusivamente via floema. Desta forma, os resultados deste ensaio sugerem que, no sistema soja-milho, o herbicida haloxifope apresenta eficácia superior, sendo indicado para o controle de C milho tiguera em condições de seca.
Tabela 1 - Tratamentos utilizados para o controle de milho tiguera em condições de disponibilidade e déficit hídrico. Seropédica, 2018 Tratamento Testemunha Haloxifope Cletodim Glifosato Haloxifope+Glifosato Cletodim+Glifosato
Doses do produto comercial Doses em g de ingrediente ativo/ha ----------------0,5L pc/ha 63,35 g ia/ha 0,45L pc/ha 84 g ia/ha 6,0L pc/ha 2880 g ia/ha 0,5 + 6,0L pc/ha 63,35 +2880 g ia/ha 0,45L+ 6,0L pc/ha 84 + 2880 g ia/ha
Plantas de milho tiguera em estágio V7 na cultura da soja RR
Camila Ferreira de Pinho, Ana Cláudia Langaro, Rúbia Moura Carneiro, Larissa Brasil de Souza Cavalheiro, Gabriela de Souza da Silva, Monara Abreu Mendes e Felipe Sant’Ana Marinho, Grupo de Pesquisa Plantas Daninhas e Pesticidas no Ambiente - UFRRJ
Milho
Inimigo silencioso O cultivo sucessivo de milho no Brasil tem resultado no aumento das infestações da cigarrinha Dalbulus maidis, transmissora de doenças como enfezamentos vermelho e pálido, além da“virose-da-risca". Por se tratar de praga severa, medidas de controle devem ser adotadas já a partir da constatação da presença de um número mínimo de indivíduos na lavoura
A
produção de milho no Brasil é atualmente realizada em duas épocas de plantio: a primeira safra ou “safra de verão” e a segunda safra ou “safrinha”. Essa nova interface no sistema de produção com dois plantios anuais, que se intensificou e tornou mais comum no início da década de 1990, trouxe mais desafios para os produtores de milho quanto ao manejo de insetos-praga. Um dos problemas fitossanitários que têm sido agravados devido ao cultivo sucessivo do milho é o aumento nas infestações de Dalbulus maidis (Hemiptera: Cicadellidae), mais conhecida como cigarrinha-do-milho. Além das injúrias diretas causadas pela sucção de nutrientes da seiva das plantas, a cigarrinha-do-milho é considerada um dos principais insetos vetores de doenças da cultura. As três doenças que são transmitidas pela praga são conhecidas como “enfezamento-vermelho’’, “enfezamento-pálido” e “virose-da-risca”, cujos sintomas são observados nas plantas de milho somente mais ao final da safra, após o florescimento e durante o enchimento dos grãos das espigas. Historicamente, os prejuízos causados por essas doenças têm sido observados principalmente em áreas de cultivo de milho de segunda safra ou “milho safrinha”. Os enfezamentos de maneira conjunta (vermelho e pálido) podem reduzir em até 70% a produção de grãos das plantas
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doentes em relação às plantas sadias, em material de milho suscetível. A redução total da produção de uma área cultivada é diretamente proporcional à incidência de plantas com enfezamentos (Sabato et al., 2013; Oliveira et al., 2013). Desse modo, há um decréscimo na produção de sacas de milho a cada safra plantada, o que reforça a necessidade de mais estudos que busquem desenvolver estratégias eficientes de manejo desse inseto-praga, bem como das doenças transmitidas nas principais regiões produtoras de milho no país.
CIGARRINHA-DO-MILHO
A cigarrinha-do-milho é um inseto diminuto que apresenta na fase adulta coloração amarelo-palha, com duas manchas negras circulares bem marcadas na região da cabeça, entre os olhos. Essas características morfológicas permitem a identificação da cigarrinha nas plantas de milho em campo, que tem preferência pela região do cartucho. Seus ovos são colocados endofiticamente, isto é,
Avermelhamento foliar em plantas infectadas com enfezamento-pálido
O culltivo sucessivo do milho tem resultado no aumento das infestações de Dalbulus maidis
dentro dos tecidos foliares. Indivíduos imaturos e adultos de D. maidis estão presentes o ano todo em diversas áreas de produção de milho no Brasil. Isso se deve à grande capacidade de aumento e dispersão de suas populações em regiões produtoras, infectando facilmente lavouras em formação (Oliveira; Lopes; Nault, 2013). A cigarrinha-do-milho causa perdas econômicas pela sucção da seiva da planta e, principalmente, pela transmissão de doenças. Estas, por ocorrerem mais no final do ciclo da cultura, comprometem o enchimento de grãos das espigas. Isso ocorre em função de D. maidis apresentar eficiência de transmissão dos patógenos próxima a 100% (Oliveira et al., 2011) e possuir grande capacidade de colonização e dispersão. O efeito combinado da alimentação da cigarrinha (sucção de nutrientes do floema) e da transmissão das doenças resulta em perdas substanciais tanto de
rendimento quanto de qualidade. Assim, a presença dessa praga e das doenças transmitidas é uma das maiores preocupações que o produtor de milho pode ter atualmente no que diz respeito aos problemas fitossanitários da cultura.
ENFEZAMENTO-VERMELHO
A doença conhecida popularmente como enfezamento-vermelho é causada por um micro-organismo da classe dos Mollicutes, Phytoplasma (“maize bushy stunt phytoplasma”), que é uma classe de bactérias sem parede celular. O enfezamento-vermelho recebe esse nome justamente pela presença de sintomas de avermelhamento generalizado das plantas, proliferação de espigas (multiespigamento), redução da altura das plantas e, dependendo do híbrido ou cultivar, perfilhamento nas axilas foliares ou na base das plantas.
ENFEZAMENTO-PÁLIDO
O agente causal do enfezamento-pálido é do mesmo grupo (Mollicutes) do enfezamenNononononononononononono to-vermelho, denominado de Spiroplasma
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Fotos Bruno Sardinha
A virose-da-risca, também conhecida por "rayado fino", caracteriza-se por pequenos pontos cloróticos nas folhas, os quais podem coalescer
kunkelii (“corn stunt spiroplasma”). Os sintomas do enfezamento-pálido observados em campo são caracterizados pela presença de faixas cloróticas ou esbranquiçadas nas folhas que se estendem da base em direção ao ápice, e acentuada redução na altura das plantas e no tamanho das espigas. Apesar desses sintomas característicos, existem relatos de proliferação de espigas e de algum avermelhamento foliar em plantas infectadas com enfezamento-pálido.
VIROSE-DA-RISCA
A virose-da-risca é uma doença causada pelo agente etiológico Maize rayado fino virus, um vírus que é transmitido pela cigarrinha de forma persistente-circulativa. A virose-da-risca, também conhecida por “rayado fino”, caracteriza-se pelos sintomas de pequenos pontos cloróticos nas folhas, os quais podem coalescer, adquirindo o aspecto de linhas pontilhadas e tracejadas paralelas às nervuras das folhas, assemelhando-se a riscas finas. Esses sintomas são mais característicos nas folhas de plantas de milho em estádios iniciais, mas podem ocorrer também emfolhas mais velhas (Coelho, 2013). A redução da produção de grãos de
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milho em função da ocorrência dessa virose pode variar de 10% a 100%, dependendo do ambiente, estádio de desenvolvimento em que a planta foi infectada e características genéticas da planta hospedeira (híbrido ou cultivar) (Zambrano et al., 2014; Gámez, 2018). Há casos de perdas de 43% na produção de milho em alguns países da América Central (De Leon, 2004).
MANEJO INTEGRADO DA CIGARRINHA-DO-MILHO
Pelo fato de a cigarrinha D. maidis possuir estratégias de sobrevivência durante a entressafra do milho, o produtor terá de utilizar práticas para evitar a dispersão da praga e das doenças que transmite; isso porque populações de cigarrinhas abandonam campos senescentes de milho e, por meio de voos migratórios a longas distâncias, buscam novas áreas de plantio. Em áreas onde o milho é cultivado sob irrigação ao longo do ano, pode haver resquícios de plantas espontâneas de milho (tigueras) que podem ser utilizadas como hospedeiras pelas populações de cigarrinhas remanescentes, contribuindo para que permaneçam na área e colonizem a próxima safra de milho. Esse
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cenário pode se agravar nas lavouras que utilizam híbridos de milho geneticamente modificados, que toleram aplicações de herbicidas. É importante mencionar que a espécie D. maidis tem a planta de milho como um dos seus poucos hospedeiros, não sendo capaz de infestar outras culturas que são comumente cultivadas em rotação ou em sucessão ao milho, como o feijão e a soja. Desse modo, a disseminação das cigarrinhas e sua permanência em campos de milho são fatores muito importantes e que devem ser levados em consideração no manejo integrado da praga. Em áreas onde são cultivadas duas safras anuais de milho, as estratégias do produtor devem ser a eliminação de plantas voluntárias de milho durante a entressafra, para evitar a sobrevivência das populações de D. maidis; a identificação, remoção e destruição (“roguing”) de plantas doentes, para evitar a disseminação dos agentes causais (Mollicutes e vírus); evitar o escalonamento durante a janela de plantio; e no caso de áreas com histórico de altas infestações, é recomendado realizar o pousio durante pelo menos uma das safras anuais. O emprego desses métodos culturais deve ser complementado com aplicações de inseticidas sistêmicos, principalmente na fase inicial do cultivo, quando as plantas de milho são mais suscetíveis aos enfezamentos. Em áreas irrigadas também são recomendadas aplicações de inseticidas ao final de cada ciclo do milho, a fim de controlar cigarrinhas migrantes e impedir a disseminação das doenças em lavouras adjacentes. Outra opção de controle químico reside no tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos, que irá proteger as plantas no início do desenvolvimento. Por se tratar de um inseto vetor de doenças, considerada então uma praga severa, não há um nível de controle específico, sendo a tomada de decisão para seu controle determinada a partir da constatação da presença de um número mínimo de indivíduos na lavoura. Essa prática é recomendada pelo fato de os danos indiretos causados pelas doenças
transmitidas não serem proporcionais ao tamanho da população de cigarrinhas, o que limita muito as opções de controle disponíveis. Atualmente, existem 23 produtos registrados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para o controle de D. maidis em milho; desses, 18 são inseticidas químicos e cinco são biológicos à base do fungo Beauveria bassiana (Tabela 1). Diversas cultivares/híbridos de milho com resistência aos enfezamentos estão disponíveis no mercado. No entanto, se esses materiais resistentes às doenças não forem associados com o uso dos métodos culturais e químicos, sempre haverá a possibilidade da ocorrência de surtos epidêmicos, uma vez que as interações entre patógenos e plantas hospedeiras são muito dinâmicas, com possibilidade de variantes genéticas dos agentes causais das doenças. Portanto, é fundamental que esses híbridos/cultivares sejam rotacionados ou utilizados mais de um material genético na lavoura, a fim de diminuir a pressão de seleção sobre os patógenos e evitar sua adaptação e quebra da resistência. Por outro lado, ainda não existem materiais genéticos de milho que sejam diretamente resistentes ao vetor das doenças, ou seja, à cigarrinha-do-milho. Manejo Integrado de Pragas (MIP) é uma filosofia que se baseia no planejamento, monitoramento e uso estratégico de táticas de controle de pragas para manter suas populações abaixo de níveis que causem danos à produtividade e à qualidade de produtos agrícolas, cuja tomada de decisão leva em conta análises de custo/ benefício baseadas em princípios econômicos, ecológicos, toxicológicos e sociais. A partir deste conceito e do que foi apresentado, nota-se que para obter eficiência no manejo da cigarrinha-do-milho são fundamentais a conscientização sobre tais preceitos por parte dos produtores e a adoção integrada e estratégica das táticas
de controle disponíveis (métodos culturais, resistência de plantas e controle químico), levando-se em consideração não apenas os aspectos econômicos e os efeitos em curto prazo. Algumas pesquisas têm sido atualmente conduzidas no Departamento de Entomologia da Universidade Federal de Lavras (Ufla) a fim de se obter maior conhecimento sobre a praga e seus efeitos na cultura do milho, bem como desenvolver estratégias eficientes no manejo da cigarrinha-do-milho. Um dos trabalhos realizados em campo utiliza tecnologias transgênicas de milho que são voltadas para o manejo da lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda, e avalia se essas tecnologias, quando expressam proteínas transgênicas em homozigose e hemizigose, podem interferir nas populações de D. maidis e na incidência de doenças. Outro trabalho que tem sido realizado em condições de campo, casa de vegetação e laboratório é a avaliação de variedades crioulas de milho à infestação da cigarrinha, que são materiais que apresentam ampla variabilidade genética, com grande potencial de se encontrar genes de resistência ao inseto-vetor. Por fim, outro estudo avaliará o uso de indutor de resistência e bioestimulante associado ou não com tratamento de sementes na infestação da cigarrinha, ocorrência das doenças transmitidas e os efeitos na produtividade de milho em campo. Espera-se com essas pesquisas gerar informações importantes que possam auxiliar os produtores no manejo integrado C da cigarrinha-do-milho.
Larah Martins Freitas e Bruno Henrique Sardinha de Souza, Universidade Federal de Lavras (UFLA)
Tabela 1 Produto Adage 350 FS Adage 700 WS Beauveria JCO Bouveriz WP Biocontrol Bovebio Connect Cropstar Cruiser Opti Cruiser 350 FS Cruiser 600 FS Cruiser 700 WS ECOBASS Gaucho FS Granada Imidacloprid Nortox Inside FS Much 600 FS Picus Poncho Saluzi 600 FS Siber Sombrero Talisman
Ingrediente ativo (grupo químico) Tiametoxam (neonicotinoide) Tiametoxam (neonicotinoide) Beauveria bassiana (produto microbiológico) Beauveria bassiana (produto microbiológico) Beauveria bassiana (produto microbiológico) Beta-ciflutrina (piretroide) + imidacloprido (neonicotinoide) Imidacloprido (neonicotinoide) + tiodicarbe (metilcarbamato de oxima) Lambda-cialotrina (piretroide) + tiametoxam (neonicotinoide) Tiametoxam (neonicotinoide) Tiametoxam (neonicotinoide) Tiametoxam (neonicotinoide) Beauveria bassiana (produto microbiológico) Imidacloprido (neonicotinoide) Beauveria bassiana (produto microbiológico) Imidacloprido (neonicotinoide) Clotianidina (neonicotinoide) Imidacloprido (neonicotinoide) Imidacloprido (neonicotinoide) Clotianidina (neonicotinoide) Imidacloprido (neonicotinoide) Imidacloprido (neonicotinoide) Imidacloprido (neonicotinoide) Bifentrina (piretroide) + carbosulfano (metilcarbamato de benzofuranila)
Formulação FS - Suspensão Concentrada p/Trat. Sementes DS - Pó para Tratamento a Seco de Sementes WP - Pó Molhável WP - Pó Molhável WP - Pó Molhável SC - Suspensão Concentrada SC - Suspensão Concentrada / FS - Suspensão Concentrada p/Trat. Sementes FS - Suspensão Concentrada p/Trat. Sementes FS - Suspensão Concentrada p/Trat. Sementes WS - Pó para Preparação de Pasta em Água WP - Pó Molhável FS - Suspensão Concentrada p/Trat. Sementes WP - Pó Molhável SC - Suspensão Concentrada FS - Suspensão Concentrada p/ Trat. Sementes FS - Suspensão Concentrada p/ Trat. Sementes FS - Suspensão Concentrada p/ Trat. Sementes FS - Suspensão Concentrada p/ Trat. Sementes FS - Suspensão Concentrada p/ Trat. Sementes FS - Suspensão Concentrada p/ Trat. Sementes FS - Suspensão Concentrada p/ Trat. Sementes EC - Concentrado Emulsionável
Classe IV III IV IV IV ll ll I III IV II IV III IV II III III III III III III III II
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Algodão
Tolerância genética De que modo cultivares de algodão resistentes e/ou tolerantes à mancha de ramulária podem auxiliar no melhor manejo da doença, com economia nas aplicações de fungicidas e impacto positivo no custo de produção Cultivar
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A
mancha de ramulária, causada pelo fungo Ramularia areola, era considerada como doença secundária até a década de 1990 na cotonicultura brasileira. Com o incremento de lavouras de algodão em regiões do bioma cerrado, a enfermidade vem ganhando importância pelos crescentes danos à produtividade observados nas últimas três safras. Atualmente, passou a ser considerada como a principal doença foliar do algodoeiro no Mato Grosso, com ocorrência em todos os estados produtores dessa malvácea (Siqueri et al., 2011). De acordo com a Embrapa Algodão, os danos de produtividade podem atingir níveis de até 75% em cultivares altamente suscetíveis. Essa doença foliar tem grande impacto econômico-financeiro-ambiental para os cotonicultores, especialmente no norte do estado do Mato Grosso, onde os produtores chegam a realizar uma média de dez aplicações de fungicidas sintéticos em áreas plantadas com cultivares suscetíveis (Spark-Bip, safra 2017/18). Isto gera um custo médio de US$ 175/ha somente com produtos químicos, o que representa 8% do custo total com insumos (Kleffmann Group). Em regiões mais favoráveis ao desenvolvimento da doença, com alta pressão de inóculo de R. areola em cultivares suscetíveis, são necessárias até 15 aplicações de fungicidas durante uma safra. Assim, é necessário ampliar o entendimento sobre métodos de controle para manejo sustentável desta importante doença foliar. Os sintomas da mancha de ramulária podem ser observados em todos os estádios fenológicos do algodão e em todos os terços da planta. Quando o vegetal é infectado em estádios iniciais de seu desenvolvimento, principalmente em períodos chuvosos, são observados cotilédones cloróticos e avermelhados, ocorrendo posteriores quedas de folhas e apodrecimento de maçãs dos ramos mais próximos do solo (Mehta&Menten, 2006). Isto influencia a taxa de fotossíntese e o consequente fluxo de nutrientes para os capulhos que estão inseridos nas últimas posições, resultando em abortamento ou redução de peso, da produtividade e da qualidade de fibra.
Fotos Ivan Pedro Araújo Júnior
Sintomas da mancha de ramulária em regiões produtoras de algodão. A) Lesões de coloração branca e aspecto pulverulento na face abaxial das folhas B) Lesões ocupando todo o limbo foliar, em ambas as faces, e apodrecimento de maçãs dos ramos mais próximos do solo
Geralmente, os sintomas mais comuns são observados em folhas verdadeiras, com início do processo infeccioso aos 45-60 dias após semeadura (DAS), inicialmente visualizados na face abaxial, com aparência de lesões angulosas entre as nervuras, pequenas (1mm-3mm), de coloração branco-azuladas. Posteriormente, essas lesões se tornam brancas e/ou amareladas e de aspecto pulverulento ou cotonoso. As condições ambientais favoráveis ao fungo são formadas por ciclos de noites úmidas e dias secos e quentes, sem ocorrência de períodos prolongados de molhamento foliar. Nesta condição, o patógeno começa a esporular e as lesões se multiplicam, podendo ocupar todo o limbo foliar, em ambas as faces das folhas, momento em que são observadas as necroses e quedas das folhas. O controle químico vem sendo a principal forma de combate à mancha de ramulária, o que aumenta significativamente o custo de produção do algodão. Os fungicidas utilizados para o manejo desta doença são do grupo dos
organoestânicos, triazóis, estrobilurinas, carboxamidas e benzimidazóis, e suas misturas. Há registros que indicam que fungicidas do grupo dos organoestânicos em adição a outros ingredientes ativos têm uma excelente eficiência de controle da doença. Porém, na cultura do algodão, possuem registro apenas para controle da mancha de alternaria. Também é importante salientar que fungicidas do grupo dos benzimidazóis são os que possuem maior número de casos de resistência em fungos (Andrade Jr. &Galbieri, 2014). A efetividade do controle químico vem sendo cada vez mais ameaçada pela perda de sensibilidade de isolados de R. areola presentes em algumas regiões produtoras de algodão. De acordo com o Comitê de Ação de Resistência a Fungicidas (Frac), este é um fungo com altíssimo risco de desenvolvimento de resistência a fungicidas, devido à sua alta variabilidade genética, ao seu curto ciclo de vida, a múltiplas gerações de indivíduos durante o ciclo da cultura e à alta adaptabilidade genética. Por isso,
o controle inadequado da doença pode resultar em números cada vez maiores de aplicações de fungicidas, com consequente perda da eficiência dos grupos químicos oferecidos no mercado atual. Especialistas que compõem a Rede de Pesquisa da Ramulária já constataram a existência de isolados de R. areola mais virulentos em diferentes localidades do Mato Grosso. Um melhor entendimento sobre a variabilidade genética do patógeno permite a condução de testes mais efetivos no intuito de se obter novas cultivares e novas soluções químicas. Além disso, entender as interações patógeno x genótipo x ambiente contribui para um melhor posicionamento de soluções integradas para o manejo sustentável da doença. Na tentativa de enfrentar esse importante problema técnico, algumas empresas vêm buscando alternativas, como o desenvolvimento de cultivares de algodão resistentes e/ou com maior tolerância à R. areola, e também novas moléculas químicas de ação sítio específicas com maior potencial de controle da doença. Nesse sentido, trabalhos conduzidos pela TMG (Tropical Melhoramento & Genética) levaram ao desenvolvimento da Tecnologia RX, que confere tolerância à mancha de ramulária em cultivares comerciais de Gossypium hirsutum. A Tecnologia RX é capaz de reduzir de 20% a 50% o número de aplicação de fungicidas. Em 2014, a TMG lançou as primeiras cultivares comerciais com genes nativos que conferem tolerância aos isolados mais virulentos de ramulária, combinados com tecnologias transgênicas para controle de lagartas e tolerância a herbicidas. Atualmente, a TMG oferece ao
Tabela 1 - Descrição dos seis protocolos de aplicação de fungicidas comparados nos ensaios de Campo Verde e Sapezal, e o tratamento controle (sem aplicação de fungicida). Créditos: Ivan Pedro Araújo Júnior (FMT) Programa C P1 P2 P3 P4 P5 P6
30 DAE
45 DAE
60 DAE
90 DAE 75 DAE Testemunha (sem aplicação de fungicidas)
Estrobilurina + Triazol Estrobilurina + Triazol Estrobilurina + Triazol Estrobilurina + Triazol Estrobilurina + Triazol Estrobilurina + Triazol
Estrobilurina + Carboxamida Estrobilurina + Carboxamida Estrobilurina + Carboxamida Estrobilurina + Carboxamida Estrobilurina + Carboxamida Estrobilurina + Carboxamida
Organoestânico Organoestânico Organoestânico Organoestânico Organoestânico
Estrobilurina + Carboxamida Estrobilurina + Carboxamida Estrobilurina + Carboxamida Estrobilurina + Carboxamida
Organoestânico Organoestânico Organoestânico
105 DAE
120 DAE
Triazol + Isoftalonitrila Triazol + Isoftalonitrila
Triazol + Isoftalonitrila
DAE: dias após emergência
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Ivan Pedro Araújo Júnior
Cultivar suscetível versus cultivar com Tecnologia RX (que confere tolerância à Ramularia areola). Benefício do controle genético na redução do número de aplicações de fungicidas para controle da mancha de ramulária, com impacto positivo direto no custo de produção de algodão
mercado três cultivares com Tecnologia RX: TMG42WS, TMG44B2RF e TMG47B2RF. As cultivares com tolerância à mancha de ramulária são recomendadas, principalmente para regiões com alta intensidade de inóculo do fungo. A escolha correta de uma cultivar é um passo importante do cotonicultor, que precisa conhecer suas características para que o manejo adequado seja conduzido, possibilitando a redução do uso intensivo de fungicidas e, consequentemente, diminuição do custo de produção. Em busca de fornecer aos cotonicultores uma proposta de manejo adequada da man-
cha de ramulária, a TMG, em parceria com a Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT), realizou ensaios para comparação de tolerância genética associada ao controle químico. Os locais dos testes foram Campo Verde e Sapezal (Mato Grosso), durante a safra 2017/2018. O tratamento controle, sem aplicação de fungicida, foi comparado com seis protocolos de aplicação de fungicidas (Tabela 1). Foram comparadas as severidades da doença (que se refere à porcentagem da área foliar infectada) entre três cultivares de algodão com a Tecnologia RX disponíveis atualmente no mercado (TMG42WS, TMG44B2RF e TMG47B2RF) e três cultivares suscetíveis à ramulária (Suscetível_WS, Suscetível_GLT e Suscetível_B2RF). Em ambos os locais do experimento, mesmo no caso do tratamento controle, sem qualquer aplicação de fungicidas foliares (Figura 1), as cultivares com tolerância genética à ramulária (Tecnologia RX) apresentaram baixos níveis de severidade ao longo do tempo em comparação com as cultivares suscetíveis (sem RX). Esta importante observação ressalta a necessidade de o cotonicultor optar por uma cultivar que apresente algum nível de tolerância genética em áreas com alta intensidade de inóculo de R. areola. Os resultados também evidenciaram a existência de forte interação genótipo x protocolo de aplicação de fungicidas x local (Figura 2), indicando que para cada local pode haver uma combinação específica de cultivar e um programa de aplicação de fungicidas mais adequado. Em geral, foi observada maior severidade da doença em Campo Verde que em Sapezal, tanto no caso do tratamento controle como nos seis protocolos de aplicação de fungicidas. Nos dois locais, as cultivares TMG44B2RF e TMG47B2RF apresentaram menor
Figura 1 - Progresso da severidade (%) da mancha de ramulária ao longo do tempo (em dias) em seis cultivares, sem aplicação de fungicidas em Campo Verde e Sapezal (MT)
Créditos: Ivan Pedro Araújo Júnior (FMT) 42
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severidade sem aplicação de fungicida que as cultivares suscetíveis submetidas a qualquer um dos seis protocolos de aplicação de fungicidas. Além disso, para essas cultivares resistentes, o protocolo mais simples (P1) resultou em mais de 50% de controle da doença em ambos os locais de avaliação. Foi possível verificar que a cultivar TMG47B2RF respondeu de forma mais sensível a possíveis variações patogênicas e/ou condições ambientais entre Sapezal e Campo Verde, sendo que em Sapezal foram necessárias quatro aplicações de fungicidas (protocolo P3) para controlar aproximadamente 63% da mancha de ramulária, enquanto que em Campo Verde o protocolo mais simples (P1) resultou em 83% de controle da doença. É possível verificar claramente que, para ambas as regiões, apenas duas aplicações de fungicidas (programa P1) em cultivares suscetíveis reduziram a doença entre 12% e 26%, sendo necessárias as sete aplicações (programa P6) para níveis de controle acima de 70%. Para a cultivar TMG 44B2RF, recomenda-se no mínimo três aplicações de fungicidas (programa P2) com controle médio de 60% da mancha de ramulária em Campo Verde e Sapezal. Para esta cultivar, cinco aplicações de fungicidas (programa P4) resultaram em taxas de controle acima de 70% em Campo Verde e acima de 80% em Sapezal. Finalmente, vale ressaltar a importância de se trabalhar o manejo sustentável da mancha de ramulária, integrando os diversos métodos de controle disponíveis (Figura 3), como uso de cultivares tolerantes e com boa sanidade de sementes, para a obtenção de um bom vigor das plantas, semeadura do algodão em épocas adequadas e início das aplicações de fungicidas no aparecimento dos primeiros sintomas para o controle efetivo da doença. Para isso, é importante uma equipe de monitoramento bem treinada e qualificada, e que esteja constantemente na lavoura. A partir do momento que são identificadas as primeiras lesões nas folhas mais velhas (baixeiro), deve ser iniciada, de imediato, a aplicação de fungicidas eficazes no controle da mancha de ramulária. As-
sim, espera-se evitar a dispersão rápida do patógeno, impedindo ou retardando a epidemia em campo para garantir a máxima produtividade do algodão. C
Marcella Viana de Sousa, Gustavo César Sant’Ana e Paulo Hugo Aguiar, TMG
Figura 2 - Severidade da mancha de ramulária (área abaixo da curva de progresso da doença - AACPD) em seis cultivares de algodão (três suscetíveis e três com Tecnologia RX) em Sapezal e Campo Verde (MT), submetidos a seis protocolos aplicação de fungicidas (P1a P6). P1 a P6 referem-se aos seis protocolos de aplicação de fungicidas apresentados na Tabela 1, e C ao tratamento controle (sem fungicida). Créditos: Ivan Pedro Araújo Júnior (FMT)
Figura 3 - Medidas de manejo para vencer a mancha de ramulária do algodão, cujo patógeno é Ramularia areola
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Café
Clima hostil
O cafeeiro é bastante sensível às intempéries climáticas, que podem afetar tanto o crescimento e o desenvolvimento da planta como a produtividade e a qualidade do grão. Por isso lidar de modo correto com as rápidas e profundas mudanças do clima e seus impactos é fundamental para a sustentabilidade da cultura
N
os últimos anos têm ocorrido mudanças climáticas regionais e globais alarmantes, nomeadamente no que diz respeito ao aumento da temperatura atmosférica e da distribuição das chuvas. Uma parte importante desses problemas é atribuída ao aumento na emissão de gases com efeito estufa na atmosfera, entre os quais se destaca o CO2. Estas mudanças impõem um impacto severo no ecossistema terrestre e representam sérias ameaças à sustentabilidade da agricultura, uma vez que esta é uma das atividades humanas mais vulneráveis às intempéries climáticas, pois as plantas necessitam
de condições ambientais adequadas para alcançar um nível satisfatório de produção e de qualidade do produto agrícola. De fato, as alterações de temperatura e a redução da oferta hídrica são consideradas as maiores ameaças à produção agrícola mundial. Esta realidade é causa de forte preocupação, pois a demanda por alimentos será cada vez maior, aumentando de acordo com o crescimento da população mundial, que se estima venha a passar dos atuais 7,6 bilhões para 9,8 bilhões em 2050, prevendo-se que a produção global de alimentos necessite aumentar em torno de 60%-70% para atender a esse crescimento populacional.
Adicionalmente, o aumento de CO2 atmosférico afetará diretamente os processos fundamentais da planta, como a fotossíntese e a respiração e, consequentemente, o seu desenvolvimento e a sua produção, sendo que os efeitos na biologia da planta de tais alterações permanecem ainda pouco conhecidos, apesar de se estimarem alguns impactos diretos positivos na produção e até na mitigação do impacto do aumento da temperatura em algumas culturas. O cafeeiro é uma cultura que apresenta grande sensibilidade às intempéries climáticas no que diz respeito ao crescimento e ao desenvolvimento da planta, assim como
Fotos Fábio Luiz Partelli
A qualidade do grão obtido pode ser impactada pelo clima
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Alta temperatura e déficit hídrico podem ter efeitos devastadores sobre as plantas
à produtividade e à qualidade do grão obtido. Apesar dos significativos progressos da produção cafeeira mundial, diversos estudos relatam danos em países como México, Nicarágua, Tanzânia, Etiópia e Brasil relacionados com variações climáticas. Sendo o Brasil o maior produtor e exportador mundial de café, estes impactos poderão atingir uma importante dimensão. De fato, foram registrados na região Sudeste aumentos significativos da temperatura mínima nos últimos 60 anos, para além de períodos mais frequentes de seca relacionados com alterações na distribuição das chuvas, acarretado imensos prejuízos para a agricultura de um modo geral e na cafeicultura em particular. O clima no estado do Espírito Santo, segundo maior produtor de café brasileiro, caracteriza-se pela ocorrência de veranicos regulares, com a maioria das áreas produtoras a apresentar déficit hídrico, principalmente na região Norte, onde se concentra maior parte da área produtiva de Coffea canephora (Conilon ou Robusta). O decréscimo significativo da produtividade de café Conilon no estado do Espírito Santo nas safras de 2015 a 2017, deveu-se a uma das maiores secas da história em anos consecutivos. Apesar das muitas lavouras serem irrigadas, a maioria dos cafeicultores ficou sem água nos reservatórios, córregos e rios para irrigação. Com isso, a queda da produção foi drástica nos anos referidos e em determinadas áreas o impacto levou mesmo à morte das plantas e, posteriormente, à erradicação de lavouras - e, consequentemente, a problemas socioeconômicos.
AS CONSEQUÊNCIAS DO AUMENTO DE TEMPERATURA E DÉFICIT HÍDRICO AO CAFÉ
Qualquer destas duas condições é limitante para as lavouras de café, tornando-se ainda mais grave quando ocorrem simultaneamente. Ambas têm forte implicação no metabolismo fotossintético da planta, causando danos sobre os componentes da “maquinária fotossintética”, com reflexo quase imediato na diminuição de taxas de fotossíntese líquida que é um componente essencial para o desenvolvimento, a produção e a qualidade final do produto.
AUMENTO DE TEMPERATURA
A influência da temperatura elevada não ocorre normalmente de forma isolada, sendo frequentemente acompanhada pelo déficit hídrico e pela alta irradiação, podendo ocasionar a escaldadura das folhas, desbalanço nutricional, decréscimo acentuado na taxa de crescimento e redução da produção. De um modo geral, as temperaturas elevadas afetam a área foliar, com retardo do crescimento e abscisão; e diminuem o estímulo à brotação e, consequentemente, o crescimento e a reprodução, podendo mesmo originar a morte da planta. Sabe-se atualmente que diversos cultivares de café conseguem suportar temperaturas bem acima do que historicamente era afirmado. Por exemplo, a taxa de fotossíntese líquida permanece quase inalterada até perto dos 37°C durante alguns dias, desde que não haja restrição hídrica. Contudo, temperaturas acima de 35°C na fase reprodutiva aumentam a ocorrência de flores estéreis (estrelinha), abor-
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Fotos Fábio Luiz Partelli
O déficit hídrico causa significativas alterações morfológicas e fisiológicas, com impactos em todas as fases fenológicas da planta
to e queima da flor antes da ântese; afetam a germinação e o crescimento do tubo polínico e, consequentemente, a fecundação do óvulo, impossibilitando a produção do fruto. Se tais temperaturas ocorrem no período de desenvolvimento do fruto, pode ocorrer a aceleração do seu crescimento e da sua maturação, o que pode levar à alteração da composição química do grão e, consequentemente, à perda de qualidade da bebida.
DÉFICIT HÍDRICO
O déficit hídrico causa significativas alterações morfológicas e fisiológicas, com impactos em todas as fases fenológicas da planta, retardando o crescimento, o desenvolvimento e a produção. Consequentemente, reduz diretamente a acumulação de biomassa da parte aérea e radicular, a altura da planta e o diâmetro dos caules e da copa; e promove uma menor área foliar da planta devido à produção de folhas de menores dimensões e intensa desfolha. No período reprodutivo, provoca danos nas fases de abotoação, florescimento, chumbinho e expansão rápida, podendo abortar e/ou formar frutos chochos e mal desenvolvidos, ocasionando defeitos nos grão, modificando a composição química e, portanto, a qualidade final da bebida. Na fase de maturação, quando os frutos já estão formados, os danos não são tão severos.
ESTRATÉGIAS PARA MITIGAR OS IMPACTOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Diante de condições de estresse ambiental, a flexibilidade metabólica que permite a aclimatação das diferentes espécies e cultivares de cafeeiro não pode ser ignorada. As respostas de tolerância das plantas à alta temperatura e à seca envolvem uma estreita coordenação e complementariedade de mecanismos e ocorre em vários níveis, desde a morfologia e a fisiologia até a bioquímica e a expressão gênica, incluindo vias metabólicas
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Secas severas podem levar à morte das plantas e, posteriormente, à erradicação de lavouras
como as da fotossíntese, respiração e fotorrespiração. Mecanismos que pretendem evitar um desequilíbrio entre a absorção e o uso de energia luminosa (por exemplo, pela produção de pigmentos de fotoproteção) podem atuar em conjunto com outros que objetivam o decréscimo do consumo de água pela planta, como um maior controle estomático, maior eficiência na transpiração e extração de água no solo por meio do alongamento do sistema radicular, repartição de biomassa entre caules e folhas, redução de área foliar, mudança na orientação foliar e produção de cutícula espessa. A existência de variabilidade genética dentro de uma espécie se consagra como ponto crucial para o melhoramento, facilitando o trabalho de melhoristas na busca por materiais com características desejáveis para os mais diversos ambientes. Cafeeiros com capacidade de tolerância ou adaptação a certas condições ambientais se tornam extremamente necessários diante do atual cenário de mudanças climáticas, portanto estudos estão sendo realizados. Apesar dos relatórios climáticos caracterizarem o aumento de CO2 atmosférico como um “vilão” do aquecimento global, este gás é simultaneamente um importante componente no processo de fotossínteseque permite à planta transformar a energia solar em energia química (açúcares) que depois é usada em todos os processos metabólicos celulares. Desta forma, o incremento de concentração de CO2 na atmosfera poderá ter impactos positivos nas plantas em geral e nas culturas agrícolas em particular, desde que as restantes condições ambientais respeitem os limites de tolerância das plantas. A concentração atual de CO2 (que já ultrapassou 408ppm e continua a aumentar a uma taxa aproximada de 2ppm por ano) está abaixo do que pode ser ótimo para a fotossíntese das culturas com metabolismo C3. Assim, as taxas fotossintéticas de folhas têm potencial para aumentar em resposta ao contínuo acréscimo de CO2, funcionando como uma “fertilização” em carbono. Esse au-
mento da taxa de fotossíntese deve-se ao aumento da atividade de carboxilação da enzima ribulose 1,5-bisfosfato carboxilase/oxigenase (RuBisCO), que é central no processo de fotossíntese, e em simultâneo ao decréscimo da taxa de fotorrespiração (que resulta da função de oxigenação da mesma enzima). Tal aumento do funcionamento do metabolismo fotossintético poderá, eventualmente, fortalecer e alterar os limites de tolerância para as restrições ambientais. Causam também modificações no tamanho, densidade e redução da abertura dos estômatos e condutância estomática, menor transpiração e até mesmo economia de água. Vários estudos com cultivares de café (Coffea arabica e C. canephora) estão sendo realizados por instituições brasileiras e estrangeiras. Tais estudos sugerem que o aumento de CO2 atmosférico (700ppm) pode mitigar o impacto do aumento da temperatura, ao nível da folha (e mesmo da qualidade do grão), desde que não haja restrição hídrica. Tal efeito positivo estaria ligado ao aumento da fotossíntese, e o reforço de mecanismos de tolerância térmica em nível fisiológico e bioquímico. Contudo, o impacto ao nível da floração não foi ainda avaliado. O cafeeiro é originário e evoluiu naturalmente debaixo da copa de árvores de maior porte, sendo frequentemente cultivado sob condições arborizadas. Apesar de não ser tão comum no Brasil, pode ser considerada como uma alternativa para amenizar os impactos das mudanças climáticas, pois o cultivo sombreado com espécies arbóreas proporciona vantagens em relação ao cultivo tradicional. Entre
Diante de condições de estresse ambiental, a flexibilidade metabólica que permite a aclimatação das diferentes espécies e cultivares de cafeeiro não pode ser ignorada
eles, proporciona um microclima mais favorável, com redução da temperatura e irradiância e aumento da umidade relativa do ar junto ao cafeeiro. Além disso, conduz a formação de grãos maiores e promove uma maturação mais lenta, o que pode melhorar a qualidade organoléptica da bebida. Investimentos em cobertura do solo com gramíneas e leguminosas e até mesmo manter as plantas daninhas nas entrelinhas dos cafeeiros também pode ser alternativas com grande viabilidade, uma vez que aumentam o teor de matéria orgânica e melhoram a conservação da água, devido às menores taxas de evaporação. O sistema de plantio de alta densidade pode aliviar os impactos negativos do estresse térmico, pois sob essas condições o ar que circunda os cafeeiros torna-se mais úmido, devido à transpiração das plantas e à baixa velocidade do vento, proporcionando um microclima mais
favorável entre as plantas. O investimento em adubações regulares, atendendo às exigências da cultura, também irá contribuir para que haja um fortalecimento da planta diante das condições estressantes, sendo uma prática essencial para o cafeeiro que é tão exigente nutricionalmente. Por fim, a preservação de recursos hídricos e o armazenamento de água serão aspectos com uma crescente importância. Também a adoção de formas de irrigação mais eficientes (irrigação localizada) são essenciais para C uma cafeicultura sustentável. Danielly Dubberstein, Ufes/PPGGM Weverton Pereira Rodrigues, Uenf/CCTA Fábio Luiz Partelli, Ufes/Ceunes José Nobre Semedo, Iniav/Portugal José Cochicho Ramalho, Ulisboa/ISA, Portugal
Danielly, Rodrigues, Partellli, Semedo e Ramalho destacam influência do clima no cafeeiro
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Coluna Agronegócios
A
Atender à demanda por soja implica em desmatamento?
ntecipo a conclusão: no caso do Brasil, não há necessidade de desmatar. Basta utilizar e combinar adequadamente duas alternativas que o país dispõe, que são o aproveitamento de áreas antropizadas e o aumento constante da produtividade da cultura. No primeiro caso, as áreas antropizadas provêm majoritariamente de pastagens, sejam degradadas ou liberadas por melhorias dos índices zootécnicos. Estima-se que, nos próximos 30 anos, uma área superior a 30 milhões de hectares de pastagens será liberada para outros usos, grande parte dela com adequação para utilização em culturas anuais, como soja e milho. Adicionalmente, o crescente uso de sistemas de integração lavoura-pecuária (iLP) também permite expandir a área de soja, sem necessidade de recorrer ao desmatamento.
QUANTO VAMOS PRODUZIR?
Na página 163 do livro A saga da soja - De 1050 a.C. a 2050 d.C., publicado pela Embrapa, o cenário mais provável aponta a duplicação da demanda mundial de soja entre 2020 e 2050. Caberia ao Brasil o protagonismo neste processo, estimando-se que aqui serão produzidas 260 milhões de toneladas (Mt), em 2050. É possível fazer alguns exercícios para entender a importância do aumento da produtividade como forma de ampliar a produção sem desmatamento. Inicialmente, é importante visitar o site do Cesb (http://www.cesbrasil.org.br/publicacoes/) e verificar como um número crescente de produtores tem demonstrado ser possível ir muito além da média brasileira de produtividade de soja. O recorde nacional é de 8.945kg/ ha, muito superior à maior média aferida pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que foi de 3.394kg/ha, na safra 2016/17. E não é apenas uma questão de recorde, centenas de produtores de diferentes regiões já demonstraram ser possível aumentar em muito a produtividade da soja, ampliando a rentabilidade. Se estes produtores conseguem- e eles utilizam apenas tecnologias disponíveis no mercado- qualquer outro produtor de soja pode fazê-lo.
ha e 5.305kg/ha, um acréscimo inferior a 50% sobre a maior produtividade média do Brasil. Nesse caso, seria necessário expandir entre 12Mha e 20Mha até 2050. Partindo da informação do potencial de liberação de 30Mha de pastagens até aquela data, estamos muito confortáveis em afirmar que é perfeitamente possível produzir toda a soja que demandarem do Brasil até 2050, sem derrubar uma única árvore.
E NO CERRADO?
Participei recentemente de dois workshops promovidos pela The Nature Conservancy (TNC), cujo objetivo era justamente propor modelos sustentáveis de expansão da produção de soja no Cerrado. Essa ONG projeta para o Cerrado aumento de 7 Mha, até 2030, além dos 19 Mha atuais. A simulação exposta na Tabela 2 mostra que a produção de soja no Cerrado deverá expandir-se de 64Mt para 88Mt, entre 2020 e 2030. Na coluna C é calculada a produtividade necessária para obter a mesma produção (coluna B), sem alteração de área, o que exigiria ganhos de 3,2% anuais. E, na coluna D, apresenta-se a produtividade obtida com incrementos anuais de 1,53%, o mesmo índice obtido no Brasil entre 1960 e 2018. Nesse caso, a demanda de área seria inferior a 50% do previsto pela TNC, atingindo, em 2050, produtividade de 3.951kg/ha, o que é muito provável e factível. Assim, novamente, e por outra linha de raciocínio, é possível concluir que o Brasil pode produzir a soja que potencialmente será demandada do país, sem cortar uma árvore sequer. Urge, desde já, um esforço integrado, persistente e permanente de ganho de produtividade sustentável na cultura da soja, lastreado em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias com este objetivo, e de assistência técnica para garantir que essas tecnologias serão amplamente adotadas. C
COMO VAMOS PRODUZIR?
A Tabela 1 elenca várias possibilidades, desde a fixação da produtividade atual (3.394kg/ha) até 2050, quanto a possibilidade de não haver qualquer expansão de área, com o acréscimo de produção sendo obtido exclusivamente por ganhos de produtividade. Essas duas hipóteses extremas servem apenas para compor a curva, devendo-se atentar para os valores centrais de ganhos anuais de produtividade (entre 1% e 1,5%). Para não haver expansão de área, seriam necessários incrementos médios anuais de 2,25% na produtividade, atingindo 7.119kg/ha em 2050. Embora inferior ao atual recorde de produtividade, consideramos não ser factível obter essa média de produtividade, mesmo em`2050. Por outro lado, fixando-se a maior produtividade já obtida no Brasil, seria preciso mais do que dobrar a área de soja até 2050. Essa hipótese também pode ser totalmente desconsiderada. No livro A saga da soja (página 39) verifica-se que, entre 1960 e 2018, ocorreu um incremento geométrico médio de 1,53% na produtividade de soja. Portanto, com base no passado recente, pode-se considerar factível obter valores similares para o futuro mediato, considerando-se o invulgar avanço da Ciência nessas décadas. Nesse caso, a produtividade da soja brasileira, em 2050, situar-se-ia entre 4.574kg/ 48
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Decio Luiz Gazzoni O autor é Engenheiro Agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja Tabela 1 - Projeção de área e produtividade de soja em 2050 A 2,25 2,00 1,75 1,50 1,25 1,00 0,75 0,50 0,25 0
B 7.119 6.148 5.711 5.305 4.926 4.574 4.246 3.941 3.657 3.394
C 37 42 46 49 53 57 61 66 71 77
A = Incremento anual de produtividade (%) B = Produtividade em 2050 (kg/ha) C = Área de soja em 2050 (Mha)
Tabela 2 - Projeção de área e produtividade de soja no Cerrado Ano 2020 2021 2022 2023 2024 2025 2026 2027 2028 2029 2030
A 19 20 20 21 22 23 23 24 25 25 26
B 64 67 69 72 74 76 79 81 83 86 88
C 3.394 3.519 3.644 3.769 3.894 4.019 4.144 4.269 4.394 4.519 4.644 3,2% a.a.
A = Área de soja em Mha B – Produção de soja em Mt C = Produtividade (kg/ha) para não expandir área D = Produtividade (kg/ha) para expandir 3,5 Mha
D 3.394 3.446 3.499 3.552 3.607 3.662 3.718 3.774 3.832 3.891 3.951 1,53% a.a.
Coluna Mercado Agrícola
Crise entre EUA e China deixam Brasil sozinho como exportador para o mercado chinês
O
Brasil segue com o pé no acelerador das exportações de grãos. A soja lidera forte, acumulando nestes primeiros quatro meses do ano a marca de 27 milhões de toneladas exportadas. A China é o principal destino com a compra de mais de 20 milhões de toneladas do grão. A crise entre os EUA e a China aumentou no mês anterior, em função das novas tarifas impostas pelo presidente Trump sobre a importação de produtos chineses- disputa que favorece as exportações brasileiras. O Brasil está fadado a abastecer o mundo de alimentos. Para isso, basta que os políticos não atrapalhem.
MILHO
Safrinha chegando e exportações crescendo
estimularam negócios
O mercado da soja do Brasil esteve em bom ritmo de negócios no mês passado e mostra grandes volumes negociados. A safra brasileira avançou acima de 60% negociados com ritmo forte de fechamentos na exportação. A expectativa é de mais de 30 milhões de toneladas de soja exportadas no trimestre de maio, junho e julho. Desta forma, a oleaginosa seguirá com indicativos fortes nos portos, com apoio do dólar que já superou a faixa de R$ 4,00 e os prêmios superiores a US$ 1,00 por bushel. O mercado segue firme e estimulará os negócios da safra nova também.
A safrinha começa a ser colhida e se estende até o final de julho, com boas expectativas. Estima-se produção entre 70 e 75 milhões de toneladas, o que eleva a safra total do milho brasileiro a algo próximo de 95 milhões de toneladas, uma das maiores marcas da história. Este volume atende o mercado interno, que se encontra em crescimento de demanda, e o país volta a crescer em exportação. Houve 23,9 milhões de toneladas exportadas em 2018, com boas chances de passar fácil das 30 milhões de toneladas em 2019. Nos primeiros quatro FEIJÃO meses deste ano, o Brasil já ultrapassou Calmaria com a chegada da segunda 7,2 milhões de toneladas exportadas e a safra, mas mantendo boa demanda tendência é de crescer forte no segundo O mercado do feijão deve manter pasemestre, com apoio da grande safrinha tamares calmos em parte de junho, peem colheita. Os valores nos portos devem ríodo de colheita da segunda safra, mas girar próximos de US$ 10,00 por saca patende a se valorizar novamente, porque ra o exportador. há problemas na safra em vários estados - com chuvas no momento da maturação SOJA Dólar forte e prêmios valorizados das lavouras e consequentes perdas.
ARROZ
Arroz com colheita fechada e produção bem abaixo do consumo
O mercado do arroz mostrou forte avanço em plena fase de colheita da safra gaúcha. Os indicativos da saca saltaram de R$ 40,00 para R$ 45,00 e até R$ 50,00 para as cultivares nobres, no Sul. Já a saca do arroz dos estados centrais registrou valores de até R$ 60,00. O apelo altista foi apoiado pelo dólar, também em alta, em muitos meses com cotação acima de R$ 4,00. Este cenário deixou o arroz importado com preços muito acima do produto nacional, com fôlego para o Brasil exportar mais. Nos primeiros quatro meses do ano, o país superou a marca de meio milhão de toneladas exportadas - e as importações estiveram pouco acima das 250 mil toneladas. Isso deixa o mercado interno C ainda mais apertado.
Vlamir Brandalizze Twitter @brandalizzecons www.brandalizzeconsulting.com.br
Curtas e boas TRIGO - O mercado do trigo mostra fôlego positivo, com apoio da cotação do dólar acima de R$ 4,00 e problemas na safra dos EUA. O cenário impulsiona o mercado internacional e abre boas expectativas para a safra nova que está em plantio no Sul do Brasil. Haverá demanda crescente e produção limitada à casa de cinco milhões de toneladas a seis milhões de toneladas. Desse modo, grandes importações, com valores em alta, devem favorecer indicativos internos. EUA - Os produtores estão plantando a safra com grande atraso e clima desfavorável. Começam o ano agrícola com problemas e riscos de perdas. O inverno que passou foi muito longo e agora os indicativos apontam que o verão que começa será curto. Isso deixa os produtores norte-americanos em pânico, temendo grandes perdas na safra de grãos. CHINA - A China anunciou aos quatro cantos do mundo os problemas com a peste suína. Mostrou imagens de algumas
centenas de animais sendo sacrificados- desnecessário porque a doença não é transmitida ao homem e poderia haver uso industrial e não in natura. O que levanta suspeitas de que se fez uma grande campanha de marketing para segurar as cotações dos grãos, em ano de guerra comercial com os EUA. ARGENTINA - A safra dos argentinos ainda está em colheita de milho e finalizando a de soja. O governo segue com alta tributação em cima das exportações dos grãos e isso tira renda dos produtores em ano que as cotações estão baratas em dólares. Fator que deve limitar avanços no novo plantio. Mesmo assim, continuam com indicativos de boa safra, acima de 48 milhões de toneladas de milho e 56 milhões de toneladas de soja - frente às baixas colheitas de 2018, que foram de 31 milhões de toneladas de milho e 37 milhões de toneladas de soja. Devem atender parte do mercado chinês, que o Brasil não conseguirá cobrir neste ano.
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Coluna ANPII
Qual o limite Em um contexto de crescentes inovações e mudanças na agricultura brasileira, até onde é possível ir com a fixação biológica do nitrogênio?
A
Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN) é, junta- para essas elevadas produtividades, contrariando as premente com a fotossíntese, um dos fenômenos visões pessimistas de que, ao se chegar acima dos 50 saessenciais para a vida na terra. Muitos anos an- cos por hectare, seria necessário o aporte de nitrogênio tes de Cristo já era conhecido empiricamente que as le- mineral, o que vem sendo provado pela pesquisa e pela guminosas melhoravam a fertilidade do solo. Relatos de prática, como desnecessário, na grande maioria dos casos. escritores romanos, mais de 200 anos a.C. já menciona- O feijão, considerado por muito tempo como o “patinho vam as vantagens do uso de leguminosas antes da cultura feio” da FBN, atualmente já tem cepas eficientes que podo trigo e de outras plantas. dem produzir mais de 3.000kg/ha sem o uso de N mineral. Mas foi no final do século 19, época de grandes feitos Mas o que ainda há pela frente? A agricultura caminha em todas as áreas da ciência, que se intensificaram os es- para fortes diferenciações em relação a tudo que se sabe tudos para explicar as razões pelas quais as leguminosas hoje. Em paralelo ao uso de ferramentas digitais e de forte melhoravam a qualidade dos solos. automação na condução de lavouras por controle remoApós os estudos de Hellriegel, Wilfarth, Winogradsky, to, drones substituindo a vistoria por pessoas, alguém, Prazmowsky e outros cientistas, ficou demonstrado que a de qualquer lugar do mundo vendo e administrando uma fixação se dava no interior dos nódulavoura em lugares distantes milhares los e que estes eram provocados pela de quilômetros e ordenando ao compresença de bactérias, denominadas putador aplicar o produto X na área Y O uso de então de Bacillus radicícola. na quantidade Z, o uso de produtos Daí para a frente há toda uma hisbiológicos, seja na área de fertilidade ferramentas tória de sucesso no uso agrícola e no como na de controle de pragas e domoleculares, a aumento da eficiência da FBN no Brasil enças, é também uma nova vertente produção controlada e no restante do mundo. O primeiro que irá impactar de forma muito forte inoculante comercial nos Estados Unio manejo agrícola. Lógico que não da de hormônios dos no final do século 19, o primeiro forma disruptiva como se está se dane indutores de inoculante comercial brasileiro em do o uso de ferramentas digitais, mas 1956, a intensificação das pesquisas com uma mudança de enfoque, com resistência, e mais com novas cepas de Bradyrhizobium, o uso de produtos inovadores e que dezenas de ideias a marcha da soja e da inoculação papoderão impactar a produtividade e, estão atualmente ra o cerrado, a criação de três fábricas principalmente, a sustentabilidade da em 1970, a entrada de inoculantes atividade produtiva no campo. no radar de importados no Brasil, a criação da ReO uso de ferramentas moleculares, inovação na área de lare, a obrigatoriedade de esterilizaa produção controlada de hormônios ção da turfa, a entrada do inoculante e indutores de resistência, e mais deprodutos biológicos líquido primeiramente importado e zenas de ideias estão atualmente no em universidades e logo a seguir produzido por empresas radar de inovação na área de produtos brasileiras, a melhoria do padrão dos biológicos em universidades e empreempresas de todo o inoculantes comercializados no país, sas de todo o mundo. mundo a entrada de grandes multinacionais A ANPII, dentro de seu propósito de no mercado brasileiro, o advento da unir as empresas associadas e buscar coinoculação em soja... Tudo isso são sempre uma constante evolução, vem fatos marcantes durante todos estes anos. E nesse meio estreitando cada vez mais seus laços de cooperação entre tempo, houve a notável evolução nos números obtidos os setores de P&D das associadas com as entidades de com a fixação biológica. De inoculantes com concentra- pesquisa, com o objetivo de estar sempre na frente no ção de dez milhões de bactérias por grama, chegou-se que tange aos inoculantes. C ao atual patamar de cinco bilhões por grama ou mLa seis bilhões por grama ou mL de produto. A produtividade da soja, de 30 sacas por hectare na Solon Araujo, década de 1970 pulou para 79 sacas/hectare a 89 sacas/ Consultor da ANPII hectare. E a FBN continua propiciando todo o nitrogênio
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