Destaques
Índice Diretas
04
Mofo-branco em soja
10
Empresas - Syngenta
14
Empresas - Jornada Técnica
16
Carboxamidas no manejo da ferrugem
18
Fundação MT em Campo
22
da distribuição vertical da lagarta
Capa - Comportamento da falsa-medideira
26
falsa-medideira nas plantas de soja
Empresas - Nidera
30
Demanda nutricional em café
32
Nematoides em cana-de-açúcar
35
Compatibilidade de inseticidas e fungicidas
38
Doença azul em algodoeiro
41
Coluna Agronegócios
44
Coluna Mercado Agrícola
45
Coluna ANPII
46
26
Em movimento
O estudo do comportamento e
32
Conforme a demanda
Taxas de acúmulo de nitrogênio e a identificação da exigência nutricional em cafeeiro
41
Doença azul
Como conter o mosaico das nervuras forma Ribeirão Bonito ou a virose atípica, causada por pulgões Cultivar Grandes Culturas • Ano XIX • Nº 227 Abril 2018 • ISSN - 1516-358X Crédito de Capa: André Shimohiro
Grupo Cultivar de Publicações Ltda. CNPJ : 02783227/0001-86 Insc. Est. 093/0309480 Rua Sete de Setembro, 160, sala 702 Pelotas – RS • 96015-300 Diretor Newton Peter www.grupocultivar.com cultivar@grupocultivar.com Assinatura anual (11 edições*): R$ 269,90 (*10 edições mensais + 1 edição conjunta em Dez/Jan)
Números atrasados: R$ 22,00 Assinatura Internacional: US$ 150,00 Euros 130,00 Nossos Telefones: (53) • Geral 3028.2000 • Comercial: • Assinaturas: 3028.2065 3028.2070 3028.2066 • Redação: 3028.2067 3028.2060
Por falta de espaço não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@grupocultivar.com Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.
Expediente Fundadores: Milton Sousa Guerra e Newton Peter
REDAÇÃO • Editor Gilvan Dutra Quevedo
• Vendas Sedeli Feijó Rithieli Barcelos José Luis Alves
• Redação Rocheli Wachholz Karine Gobbi • Design Gráfico e Diagramação Cristiano Ceia • Revisão Aline Partzsch de Almeida COMERCIAL • Coordenação Charles Ricardo Echer
CIRCULAÇÃO • Coordenação Simone Lopes • Assinaturas Natália Rodrigues Clarissa Cardoso • Expedição Edson Krause
GRÁFICA: Kunde Indústrias Gráficas Ltda.
Diretas Time
O gerente de Marketing Território Sul, Rafael Marcon, o gerente de Desenvolvimento de Mercado, Sérgio Silva, e o responsável pelo Desenvolvimento Técnico de Mercado na região de Passo Fundo, Diego Pires, integraram o time da Basf durante a Expodireto 2018. Entre os destaques da marca na feira esteve o fungicida Versatilis, recomendado no manejo da ferrugem-asiática e também de outras doenças na cultura da soja, como o oídio. Contra a ferrugem o produto deve ser aplicado ao aparecimento das primeiras pústulas nas plantas. Do grupo químico das morfolinas tem papel importante, também, no manejo de resistência. Seu uso deve ser associado a multissítios. “É um excelente fungicida, mas deve ser aplicado dentro do manejo. Não existe produto que usado isoladamente seja salvador da Pátria”, alertou Marcon.
Presença
O novo diretor de Negócios da Bayer para o Sul do Brasil, Abdalah Novaes, participou da Expodireto 2018. Na empresa há sete anos, o executivo está de volta ao Brasil depois de morar por três anos na Alemanha. “Estou impressionado com a estrutura e qualidade da feira, principalmente com o público formado por produtores ávidos por informação e interessados em produtos e serviços”, elogiou.
Fernando Manzeppi
Crescimento
Abdalah Novaes
Equipe
O time técnico da Syngenta marcou presença em mais uma edição da Expodireto Cotrijal, no município de Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul. O diretor de Desenvolvimento Técnico de Mercado, Leandro Martinho, elogiou o modo como a empresa expôs suas soluções na feira. “É muito interessante a forma como a Syngenta conseguiu mostrar na prática ao agricultor nossos produtos e serviços.”
04
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
O diretor de Marketing Brasil da Nufarm, Fernando Manzeppi, destacou durante a Expodireto o trabalho de campo da empresa, com a realização de mais de 800 eventos em áreas experimentais. Lembrou também a expertise da marca em pegar moléculas que foram abandonadas pelo mercado, melhorá-las e oferecer tecnologia de qualidade com preço acessível ao produtor.
Cooperativas
O diretor comercial da Nufarm, Nelson Caldeira, destacou na Expodireto a participação da marca em grandes feiras, que servem de vitrine para a apresentação de produtos e serviços. Entre os destaques da marca no evento esteve o programa Nucoop, voltado para cooperativas, além dos herbicidas Zethamaxx e Crucial.
Líder
O diretor global da Syngenta, Jon Parr, visitou a Expodireto 2018. Acompanhado por outros executivos percorreu a feira e conheceu de perto o estande da marca, circulou pelas parcelas demonstrativas, recebeu informações sobre o evento, perfil do público e estratégias da companhia na região.
Balanço
A Rigrantec aproveitou a participação na Expodireto para abordar o cenário atual e as perspectivas da empresa para 2018. Com 23 anos de história e mais de 70 produtos em nutrição, tecnologias de aplicação e colheita, quelatos-micros, tratamento industrial de sementes e paisagismo, a marca gaúcha tem como meta um crescimento geral de 25% para o ano. “Crescemos mesmo em anos de crise, com aumento de investimentos e da nossa equipe”, lembrou o gerente de Negócios, Vinícius Camargo. A capacitação tem sido um dos pontos fortes da estratégia da empresa. Em 2017 foram 45 dias de campo, 24 palestras e 42 treinamentos.
Avaliação positiva
O presidente da Syngenta para o Brasil e a América Latina, Valdemar Fischer, elogiou a organização da Expodireto Cotrijal. “É uma feira sensacional, pelo alto nível de tecnologia e quantidade de agricultores focados em negócios. É muito bom ver o investimento da Syngenta em produtos e tecnologias ser exposto em um evento desta importância”, avaliou.
Valdemar Fischer
Prêmio
O Instituto Phytus recebeu em março o Troféu Brasil Expodireto, Destaque Pesquisa 2018. A homenagem foi entregue ao sócio-proprietário, Ricardo Balardin. “Estamos muito orgulhosos deste reconhecimento dos nossos 18 anos de trabalho por uma cooperativa com a credibilidade da Cotrijal”, avaliou a diretora-geral do Instituto Phytus, Clarice Balardin.
www.revistacultivar.com.br • Abril 2018
05
Nova marca
A Divisão Agrícola DowDuPont apresentou, na Expodireto Cotrijal, a marca Corteva Agriscience, nome da companhia agrícola que se tornará uma empresa independente e totalmente voltada à agricultura a partir de junho de 2019. “Estamos fortemente comprometidos com o desenvolvimento de soluções de qualidade superior que possam impulsionar a agricultura e ampliar a renda dos produtores rurais. Queremos mostrar isso em todas as feiras em que participarmos neste ano”, afirmou o presidente da Divisão Agrícola no Brasil, Roberto Hun.
Lançamento
A Monsanto apresentou uma nova tecnologia na Expodireto, a Intacta2 Xtend. "Durante toda a feira a empresa manteve um estande exclusivo da nova marca para apresentar aos produtores gaúchos os benefícios da soja com tecnologia Intacta2 Xtend, onde eles puderam tirar dúvidas e entender como esta nova plataforma impactará seu dia a dia", explicou o gerente para a América do Sul, Fábio Passos, responsável pelo lançamento da Intacta2 Xtend.
Felipe Fett e Wagner Cianci
Expodireto
A Expodireto Cotrijal 2018 obteve receitas em vendas superiores a R$ 2,207 bilhões, um crescimento de 4% frente à edição de 2017. O balanço ainda indicou a presença de 265,65 mil visitantes, que representa percentual de 10,4% mais público em comparação com o ano passado. O presidente da Cotrijal, Nei Cesar Manica, comemorou os bons resultados e confirmou a próxima edição da feira para os dias 11 a 15 de março de 2019.
Sementes
A Morgan Sementes e Biotecnologia apresentou na Expodireto Cotrijal o MG545, seu novo híbrido de milho para a safra de verão. Segundo o fabricante o material apresenta ciclo precoce, alta sanidade foliar e de grãos, além de excelente produtividade em sistemas de produção com alto investimento. Os visitantes do estande também tiveram a oportunidade de observar em primeira mão os resultados da tecnologia PowerCore Ultra, em uma parcela demonstrativa. A marca apresentou, ainda, seu portfólio completo de sementes indicado para lavouras do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.
06
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
Tratamento de sementes
A Bayer oferece ao mercado gaúcho a possibilidade de uso de sementes já tratadas e prontas para o plantio, por meio das suas próprias sementes ou dos parceiros de negócio. De acordo com a gerente do SeedGowth Center Brasil, Marcia Terzian, o principal foco é contribuir para a proteção das sementes e para o cultivo de plantas, proporcionando maior controle sobre os fatores de risco da lavoura e mais produtividade.
Participação
A UPL participou da Expodireto 2018 com sua gama de produtos como Unizeb Gold, Fascinate, Sperto, Start e Triziman. O destaque da marca foi para fungicida Triziman com três ingredientes ativos diferentes, que promovem efeito de contato com ação multissítio. “O Triziman dá início a uma nova geração de produtos para controle de doenças em soja, devido às suas características, formulação e combinação de ingredientes ativos. A soja é sem sombra de dúvidas uma das principais culturas agrícolas para o Brasil e demanda inovações constantes para proteger todo seu sistema produtivo. Por isso, a UPL está atenta a essas demandas”, explicou o gerente de Marketing de Fungicidas da UPL, Marcelo Figueira.
Divisão
Marcia Terzian
Marketing
O diretor de Marketing Brasil da Basf, Marcelo Batistela, participou da Expodireito 2018, no município de Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul. A empresa levou para o evento serviços, soluções e produtos voltados para as culturas de soja e milho. Um dos destaques da marca no evento ficou por conta do aplicativo Basf Agro para smartphones. Disponível para iOS e Android a plataforma permite a busca de soluções da empresa por cultivo e também por alvos (pragas, doenças e plantas daninhas).
Durante a Expodireto o produtor teve acesso às soluções completas da Divisão Agrícola da DowDuPont. Foi possível conhecer um circuito com soluções para manejo de plantas daninhas, de pragas, de doenças, Pastagem e Enlist, além de assistir a uma sessão de cinema com informações sobre a Divisão. Os visitantes puderam percorrer todos os espaços, acompanhados de especialistas.
Leandro Trafane
Variedade
A Bayer apresentou na Expodireito a nova variedade de soja CZ 15B92 IPRO e uma extensa linha de serviços e produtos. De ciclo precoce e com sistema radicular robusto, a CZ 15B92 Ipro promete alto poder de engalhamento e elevado peso de grãos. Outras ações desenvolvidas pela empresa no evento foram a plataforma do programa de pontos da Rede AgroService, Patrulha Percevejo, Tratamento de Sementes Industrial e degustação da nova variedade de melancia Pingo Doce.
Marcelo Batistela
www.revistacultivar.com.br • Abril 2018
07
Visita
O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, esteve no estande da Tropical Melhoramento e Genética (TMG) na Expodireto Cotrijal. Acompanhado de dirigentes da Cotrijal e de autoridades do Rio Grande do Sul, Maggi posou para foto com a equipe da TMG, empresa de biotecnologia que desenvolve cultivares de soja, algodão e híbridos de milho.
Gennesis
O programa Gennesis, focado na cultura da soja, foi o destaque da FMC na Expodireto Cotrijal. Aspectos como estande, vigor, eficiência e sanidade são objetivos delimitados na estratégia, que inclui o inseticida Premio, os produtos para tratamento de sementes Rocks, Presence e Seed+, o herbicida Boral e o fungicida Locker. "É extremamente significativo participar de um evento focado na conexão entre a agricultura e o negócio, bem como seus reflexos na agricultura regional, nacional e internacional, contribuindo para o agronegócio brasileiro”, avaliou o vice-presidente da FMC para a América Latina, Ronaldo Pereira.
Ferrugem-asiática
A Adama levou para a Expodireto Cotrijal soluções para a cultura da soja. “Este ano o nosso foco no evento continua sendo a ferrugem-asiática da soja, doença que está presente em mais da metade dos estados brasileiros. Por isso, nosso grande destaque na feira é o lançamento do Cronnos, fungicida desenvolvido para auxiliar o agricultor no combate à ferrugem”, explicou o gerente de Marketing de Produto da Adama, Leandro Garcia. Além disso, os resultados do SIM (Solução Integrada para Manejo) Soja e do SIM Milho puderam ser vistos nos campos demonstrativos da empresa disponíveis na feira.
Pesquisa e debate
A Basf levou para a Expodireto 2018 especialistas e pesquisadores com o objetivo de debater e apontar soluções de como proteger as lavoura para obter mais rentabilidade. Os pesquisadores explicaram os sintomas e os cuidados das principais doenças que atacam a cultura da soja e do milho. Entre os destaques da empresa esteve, também, a oferta de soluções para o controle da ferrugem e de importantes doenças de final de ciclo, com os fungicidas Orkestra SC, Ativum e Versatilis.
08
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
Adaptabilidade
A Nidera Sementes esteve presente pela 13ª vez na Expodireto Cotrijal. "É uma honra participar deste evento, do qual somos parceiros e onde apresentamos novidades para o agricultor, como híbridos de milho e cultivares de soja com excelente adaptação geográfica. Este ano lançamos a cultivar de soja NS 6601 IPRO com um diferencial de alta produtividade nos mais diversos ambientes, desde o Rio Grande do Sul até o sul do Mato Grosso do Sul, com excelente tolerância ao complexo de doenças da soja. Além disso, está sendo observada no campo uma tolerância desta cultivar ao estresse hídrico no sul do Rio Grande do Sul, que vai retornar em ganhos de produtividade para o agricultor", explicou o coordenador de Marketing e Comunicação da Nidera Sementes/Brasil e Paraguai, Nélio Reis.
Novidades
Os agricultores que passaram pelo estande da Pionner na Expodireto puderam conferir as soluções oferecidas pela empresa. "Trouxemos os híbridos com a tecnologia Leptra de proteção contra insetos e os benefícios do tratamento de sementes industrial, além do destaque para o lançamento do híbrido de milho P2501, excelente opção para o aumento de produtividade”, opinou o líder comercial da marca Pionner para o Sul, Antonio Marcos Franciscon. Já no portfólio de soja os destaques da empresa foram para as duas novas sojas Intacta 95R95 IPRO e 95R90 IPRO.
Produtividade
O supervisor Comercial da Brasmax, Cristiano Rosa, enfatizou a importância de participar da Expodireto Cotrijal e destacou os lançamentos da empresa, especializada no licenciamento de cultivares de soja. "Participamos da Expodireto há dez anos e sempre tivemos muita receptividade e confiança do agricultor. Neste ano, apresentamos dois lançamentos para a próxima safra, com as cultivares Zeus e Delta, com foco na produtividade do agricultor.”
Destaques
O principal destaque da Arysta na Expodireto foi o herbicida Select One Pack, com formulação diferenciada para o combate de plantas daninhas mais resistentes. Além disso, os produtores também puderam obter mais informações sobre o fungicida Vitavax e o fisioativador Biozyme, recomendados para tratamento de sementes. “Somos uma empresa parceira, que conhece o negócio e está comprometida com a busca de soluções inovadoras e confiáveis. É o caso das Biossoluções, que envolvem o uso de produtos sustentáveis, que respeitam o ambiente e proporcionam alta produtividade. Oferecer as melhores tecnologias ao produtor para o manejo eficiente é poder fazer parte da sua evolução e proporcionar que suas expectativas sejam atendidas, o que nos aproxima cada vez mais”, opinou o gerente de Marketing da Arysta Lifescience, Ricardo Dias.
www.revistacultivar.com.br • Abril 2018
09
Soja
Manejo combinado Práticas integradas, com foco especialmente em medidas preventivas, são essenciais para enfrentar de modo correto e sustentável o mofo-branco na cultura da soja, doença fúngica com alto potencial destrutivo, cujo patógeno uma vez introduzido na área de cultivo é quase impossível de ser erradicado Fotos Gerarda Beatriz Pinto da Silva
O
mofo-branco ou podridão branca da haste, causado pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum (Lib.) de Bary, é uma das mais antigas doenças que acometem a cultura da soja, com ocorrência em diferentes regiões produtoras do Brasil. Possui capacidade de infectar mais de 500 espécies de plantas, em sua maioria dicotiledôneas. O mofo-branco da soja está amplamente distribuído em todos os continentes, com capacidade de ocasionar perdas na produtividade de aproximadamente 30%. Contudo, quando as medidas de controle não são eficientes, pode ocorrer a perda total da produção. Além disso, é importante salientar que o fungo tem potencial para causar doença em inúmeras culturas de importância agrícola, como alface, amendoim, batata, berinjela, canola, cenoura, girassol, feijão, tomate e diversas espécies de flores. A disseminação em áreas de cultivo é favorecida pela utilização de sementes contaminadas, ausência de rotação de culturas combinada com a adoção do plantio direto, introdução de espécies sensíveis em áreas infestadas como nabo forrageiro, crotalária, algodão, girassol e feijão e, em soja cultivada sob sistema de irrigação por aspersão. O fungo infecta a planta em qualquer estádio de desenvolvimento. No entanto, o período mais vulnerável compreende os estádios de plena floração (R2) até o início da formação das vagens (R3/R4). As condições climáticas são os principais fatores moduladores de infecção, crescimento e desenvolvimento do fungo, bem como da formação de suas estruturas de resistência (escleródios). As condições favoráveis ao patógeno são elevada umidade relativa do ar e temperaturas entre 10ºC e 21ºC. A infecção por S. sclerotiorum começa quando os escleródios germinam e produzem o micélio, que penetra diretamente nos tecidos da planta. Ao infectar a planta hospedeira, a doença ocasiona podridão e seca, principalmente na haste da soja, devido à colonização dos tecidos verdes. Os primeiros sintomas visíveis são lesões encharcadas, que evoluem para uma coloração castanho-clara. É possível ainda observar um profuso crescimento micelial de coloração branca, característica que originou o nome da doença. Em poucos dias, os micélios se transformam em escleródios. O fungo S. sclerotiorum pode persistir na área de um ciclo de cultivo para outro, pela colonização de restos culturais presentes no solo, através da formação de estruturas de resistências, popularmente conhecidas como escleródios. Tais estruturas possibilitam que o fungo permaneça viável por até 11 anos e são responsáveis por armazenarem substâncias de reserva, que permitem a sobrevivência do patógeno até que as condições ambientais sejam favoráveis
10
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
Estágios iniciais do desenvolvimento micelial de Sclerotinia sclerotiorum em plantas de soja. Santa Bárbara do Sul/RS ao seu desenvolvimento. Os escleródios formados pelo micélio do fungo apresentam coloração escura e tamanho variável, de alguns milímetros a até alguns centímetros. Os sintomas apresentados por plantas infectadas englobam amarelecimento, murchamento e secamento dos ramos e das folhas. Em estágios mais avançados de desenvolvimento da doença, tem-se a formação dos escleródios. O emaranhado de micélios transforma-se, portanto, em uma massa negra e rígida, dando origem aos escleródios, que podem estar presentes tanto na superfície como no interior de hastes e vagens colonizadas pelo fungo. O manejo desta doença deve, preferencialmente, ser realizado através da adoção de várias medidas de controle integrado, ambas
com o objetivo de reduzir o inóculo inicial. O primeiro passo para o controle do mofo-branco é evitar a entrada do patógeno na área, através da limpeza de implementos agrícolas utilizados em lavouras com histórico da doença e da aquisição de sementes certificadas com qualidade fitossanitária atestada. Além disso, recomenda-se a realização do tratamento de sementes com fungicida. Atualmente existem três produtos registrados para uso no tratamento de sementes de soja para o controle de S. sclerotiorum: tiofanato metílico + fluazinam, carboxina + tiram e fludioxonil + metalaxil-M + tiabendazol. A rotação e/ou sucessão de culturas com espécies não hospedeiras é fortemente recomendada, principalmente com o uso de espécies gramíneas como o milho, o trigo e a aveia branca. Em sistemas de cultivos convencionais, com o revolvimento do solo, os escleródios são expostos à luminosidade e a temperaturas elevadas e, consequentemente, degradados. Um eficiente manejo de daninhas também é importante para a redução do inóculo inicial de S. sclerotiorum, uma vez que essas plantas podem ser hospedeiras do patógeno responsável por causar a doença. Para o controle químico do mofo-branco em soja, os fungicidas registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) são fluazinam, procimidona, carbendazin, boscalida, metam-sódico, iprodiona, procimidona, picoxistrobina, boscalida + dimoxistrobin, além de misturas de tiofanato metílico com fluazinam, clorotalonil, mancozeb e procimidona. Entretanto, é importante ressaltar que a eficiência do controle químico vai depender, sobretudo, da época, da qualidade e do modo de aplicação. Uma das principais dificuldades encontradas nessa medida de controle é propiciar
Fotos Gerarda Beatriz Pinto da Silva
condições para que o produto possa atingir as partes inferiores das plantas e a superfície do solo em um momento em que o dossel de plantas já tenha fechado totalmente. Diante das dificuldades enfrentadas no controle químico do mofo-branco em soja, a utilização do controle biológico tem se tornado uma prática recorrente. Diversas pesquisas têm demonstrado a eficiência do uso de fungo Trichoderma spp. no controle biológico de S. sclerotiorum. Em áreas com histórico da doença, o Trichoderma spp. é geralmente aplicado no solo antes ou no início do desenvolvimento da cultura. Genótipos de soja com algum grau de resistência ao mofo-branco já foram relatados na literatura. No entanto, atualmente não se tem registro de cultivares de soja que apresentem aceitável nível de resistência genética ao mofo-branco no mercado brasileiro. Para um manejo eficiente do mofo-branco na cultura da soja deve-se fazer uso de práticas que compõem o manejo integrado de doenças. Quando combinadas, essas técnicas contribuem para uma medida de controle mais sustentável e racional. As medidas preventivas sempre serão preconizadas, devido ao fato de que uma vez introduzido o patógeno na área de cultivo, a sua erradicação C torna-se uma tarefa de grande dificuldade.
Maike Lovatto e Gerarda Beatriz Pinto da Silva, Universidade Federal do Rio Grande do Sul Gabrielle Casarotto e Cássio Guilherme Capitanio, 3 Tentos Agroindustrial
Escleródios de Sclerotinia sclerotiorum completamente formados e sintoma reflexo de seca da haste da soja
Planta de soja severamente infectada com Sclerotinia sclerotiorum (esquerda). Interior da haste da soja infectada com mofo-branco, a seta em destaque indica a presença de escleródios e micélio de Sclerotinia sclerotiorum na parte interna da haste (direita)
A soja no Brasil
A
soja (Glycine max L. Merril) está entre as culturas leguminosas de maior importância agrícola. Sua área mundial de cultivo na safra 2016/17 foi de 120,3 milhões de hectares, com produção de 351,3 milhões de toneladas, de acordo com as informações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O Brasil possui a maior área cultivada com soja do mundo, com 33,9 milhões de hectares. Entretanto, quando observada a produção brasileira, que na última safra foi de 113,9 milhões de toneladas, o país é o segundo maior produtor, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, que produziu aproximadamente 117,21 milhões de toneladas. Os EUA possuem a segunda maior área de cultivo de soja do mundo. Apesar de contar com maior área plantada, o Brasil apresenta menor produtividade média (3,36 mil kg/ha) em relação aos EUA (3,50 mil kg/ha). É importante salientar que, juntos, estes dois países correspondem a 65,8% da produção mundial de soja. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os três estados brasileiros com maior produção
12
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
de soja são Mato Grosso (30,51 milhões de toneladas), Paraná (19,53 milhões de toneladas) e Rio Grande do Sul (18,71 milhões de toneladas), em uma área de 9,32 milhões de hectares, 5,25 milhões de hectares e 5,57 milhões de hectares, respectivamente. Ao observar-se a produtividade média de cada estado, o Paraná destaca-se em primeiro lugar, com aproximadamente 3,72 mil kg/ha, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 3,36 mil kg/ha, e Mato Grosso do Sul, com 3,27 mil kg/ha. O potencial produtivo genético da soja é influenciado por diversos fatores ambientais, denominados de estresses bióticos e abióticos. As doenças estão entre os principais estresses bióticos limitantes ao rendimento desta cultura. Os fungos são agentes patogênicos responsáveis por causar doenças com maior frequência na soja cultivada comercialmente no Brasil. A maior frequência de doenças fúngicas se deve às condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento de fungos, juntamente com a prática da monocultura e o uso, em alguns casos, de sementes contaminadas.
Empresas
Aliado da produtividade Manejo da lagarta Helicoverpa armigera, praga de difícil controle e responsável por reduzir o potencial produtivo das lavouras de diversos cultivos comerciais como soja, algodão e feijão, ganha reforço de produto formulado a partir do benzoato de emamectina
E
ntre os vários desafios enfrentados pelos produtores brasileiros, o ataque de insetos-praga desponta como um dos mais importantes fatores limitantes de produtividade das lavouras brasileiras. Entre estes entraves, a lagarta Helicoverpa armigera, notificada pela primeira vez no Brasil, em 2013, tem causado prejuízos em diversos cultivos, como soja, algodão e feijão. A convivência com este inseto, cujos danos variam a cada safra, exige monitoramento adequado, medidas de manejo integrado e muita atenção dos produtores. Em alguns casos, na ausência de manejo correto, os danos podem alcançar até 50% da produtividade da lavoura. “A Helicoverpa armigera é uma das lagartas de mais difícil controle que temos no Brasil, devido ao seu hábito na planta e ao dano que causa para os cultivos. É extremamente importante fazer o controle desta praga para garantir o potencial produtivo das lavouras. A Helicoverpa, no passado, já foi a lagarta mais importante no Brasil e atualmente ainda se mantém como uma das mais importantes”, alerta o gerente de Inseticidas, Vinicius Zardo. A partir do final do ano passado abriu-se a possibilidade dos produtores brasileiros contarem com mais uma opção de controle de Helicoverpa armigera. Em novembro de 2017 o produto comercial Proclaim 50, formulado a partir de benzoato de emamectina, obteve o registro federal definitivo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para utilização nas culturas de soja, algodão e feijão. Registrado em mais de 90 países o produto chega para auxiliar no controle de lagartas de difícil controle. “O Proclaim é uma das ferramentas que o agricultor
14
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
Cecília Czepack
Fotos Syngenta
Zardo destaca a importância do Proclaim no manejo da lagarta Helicoverpa armigera
pode contar para o controle da Helicoverpa armigera. Sua utilização fez com que os agricultores alcançassem o manejo desta lagarta que tanto causou desconforto em anos passados. Esta é uma opção importante no manejo integrado de pragas”, avalia Zardo. Proclaim pode ser usado em qualquer estagio do ciclo da lagarta, mas está posicionado para o momento de maior pico das lagartas na lavoura.” É um produto altamente eficaz, que atua logo nas primeiras horas após a aplicação, paralisando a praga, impedindo-a de se alimentar. Além disso, é altamente seletivo aos inimigos naturais devido à sua ação translaminar. Por se tratar de um novo modo de ação auxiliará os produtores no manejo antirresistência. Será um
Notificada pela primeira vez no Brasil em 2013, lagarta tem apresentado intensidade de danos variável a cada safra
grande benefício aos agricultores para a proteção e produtividade das lavouras”, opina Zardo. Devido à sua ação translaminar, o produto permanece dentro da folha, sem causar danos aos inimigos naturais que estão na lavoura. Efeito de choque e poder residual são outros diferenciais salientados pelo fabricante. Como qualquer defensivo, Proclaim não deve ser utilizado como estratégia isolada no controle de pragas. Sua aplicação deve ocorrer dentro dos preceitos do manejo integrado de pragas, com a realização de rotação de culturas e de outras C boas práticas agrícolas.
Controle de Helicoverpa armigera na cultura da soja em aplicação única
Percentual de controle de H. armigera - Morrinhos- Goiás
Controle de H. armigera em Chapadão do Sul - MS
Percentual de controle de H. armigera em Chapadão do Sul - MS
www.revistacultivar.com.br • Abril 2018
15
Empresas
Jornada técnica No ano em que comemora duas décadas de fundação, a Agrodinâmica Pesquisa e Consultoria Agropecuária promoveu seu evento anual na Estação Experimental de Deciolândia, em Mato Grosso
N
o ano em que comemora duas décadas de fundação, a Agrodinâmica Pesquisa e Consultoria Agropecuária promoveu, em fevereiro, em Deciolândia, Mato Grosso, sua 9ª Jornada Técnica. O evento reuniu aproximadamente 900 participantes entre engenheiros agrônomos, técnicos, produtores, gerentes de fazendas e estudantes. Realizada anualmente na Estação Experimental de Deciolândia, a jornada contou com 30 patrocinadores. A empresa mostrou ensaios
16
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
de fungicidas de ferrugem e mancha-alvo em soja, em torno de 70 cultivares de soja de diferentes tecnologias, sistemas de produção com diversas plantas de cobertura de solo e consórcios de culturas e coberturas, além de palestras com os pesquisadores Eduardo Caires, da UEPG, Fernando Adegas, da Embrapa Soja, e Valtemir Carlin, da Agrodinâmica. “O evento tem tomado uma dimensão estadual, abrangendo inclusive um pouco de estados vizinhos e tem servido como uma atu-
Fotos Agrodinâmica
alização das inovações que ocorrem anualmente no agronegócio”, avaliou Carlin. “É extremamente prazeroso poder gerar e difundir resultados que venham a contribuir com os clientes, com a região e com o estado. Gratidão a Deus, à família, aos clientes, aos colaboradores/parceiros e aos amigos é a palavra que mais expressa a satisfação de ter descoberto uma região tão próspera, acolhedora e tão boa para se trabalhar e viver”, agradeceu.
HISTÓRICO
Com sede em Tangará da Serra, Mato Grosso, a Agrodinâmica Pesquisa e Consultoria Agropecuária surgiu através de uma oportunidade oferecida pela Cooperativa Mista Vale do Sepotuba (Coomivale), que por estar encerrando suas atividades, permitiu que seu fundador, Valtemir José Carlin, criasse uma empresa de Consultoria, Pesquisa e Crédito Rural, com um grupo de clientes desta cooperativa. Com o objetivo de ter uma empresa ágil, dinâmica (razão do nome Agrodinâmica), o fundador e sua sócia e esposa (Roseane Carlin) trabalharam duro. Com alguma experiência em pesquisa (melhoramento e nutrição de plantas), rapidamente a empresa obteve o credenciamento junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para a realização de ensaios de eficiência agronômica. E com o crescimento da agricultura no Mato Grosso, a necessidade de geração de dados locais e a consolidação da cultura do milho e de outras culturas de segunda safra, a empresa foi se estruturando de maneira a atender estas demandas. O aumento da importância das doenças na cultura da soja, especialmente mancha-alvo e posteriormente a ferrugem-da-soja, trouxe também uma grande demanda por trabalhos regionais. Foram muitos anos montando ensaios dentro de fazendas de clientes, com pouca estrutura de trabalho, máquinas grandes, muito deslocamento e pouca equipe, até a criação de duas estações experimentais (Deciolândia e Campo Novo do Parecis) que compreendem quase 100 hectares de pesquisa, com boa infraestrutura e equipamentos, onde realizam-se trabalhos com fitopatologia ou manejo de doenças de soja, milho, algodão (sendo a principal atividade na pesquisa, permitindo-lhes participar dos ensaios cooperativos da Embrapa para doenças de soja e da Comissão de Defesa Sanitária Vegetal do Estado de Mato Grosso), além de trabalhos de manejo de sistemas, avaliação de cultivares de soja e algodão e híbridos de milho, também diversos outros experimentos com herbicidas, inseticidas,
Equipe técnica da Agrodinâmica na 9ª Jornada Técnica, na Estação Experimental de Deciolândia
Evento reuniu aproximadamente 900 participantes em Mato Grosso
nematicidas e com outras culturas como girassol, mamona etc. Além disso, começou recentemente um projeto de avaliação de antracnose da soja na região de Brasnorte/ Juara, importante doença em toda a região Norte de Mato Grosso e em alguns estados vizinhos. Além da pesquisa, a empresa sempre trabalhou com consultoria a produtores, atividade que lhes permite utilizar os dados da pesquisa em primeira mão e também trazer para as estações as demandas geradas pelo campo. Carlin comenta que as atividades são complementares e que transitar no mundo real do campo e no da ciência é extremamente prazeroso e importante, pois dá uma segurança muito grande na solução de desafios que são intermináveis na agricultura. Com uma equipe de sete agrônomos (Marcos Augusto Netto, Regis Souza, Juliano
Sztoltz, Janile Mainardi, Michael Biava, Eduardo Costa e Cassiano Bianchini), um técnico em agropecuária (Raymison Renan Mattos), além do setor administrativo (Ana Lúcia Rodrigues e Roseane Carlin), operadores, cozinheiras e estagiários, a empresa está sempre focada na qualidade do trabalho e dos resultados, no respeito a seus clientes, colaboradores e parceiros e na sustentabilidade do agronegócio. Os investimentos são constantes em infraestrutura, equipamentos, metodologias e inovação, a fim de atingir estes objetivos. Apesar dos riscos inerentes ao agronegócio e dos “altos e baixos” frequentes, o diretor da empresa é extremamente otimista com a atividade no Mato Grosso, pois considera o estado muito estável para a agropecuária e com muita coisa ainda para ser implementaC da e melhorada.
www.revistacultivar.com.br • Abril 2018
17
Soja
Como preservar Consórcio Anti-Ferrugem
Com o agravamento dos problemas de perda de sensibilidade da ferrugemasiática à aplicação de fungicidas e a escassez de ferramentas de controle, não há espaço para perda de nenhum grupo químico. No caso das carboxamidas se faz cada vez mais necessário posicioná-las corretamente, de modo a manter sua eficácia e o auxílio ao manejo da resistência a triazóis, estrobilurinas e morfolinas
S
egundo estudos da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), a redução de controle da ferrugem da soja poderia acarretar perdas significativas na indústria processadora, que girariam em torno de R$ 7 bilhões, sendo que R$ 2 bilhões deixariam de ser arrecadados em impostos e 300 mil empregos poderiam deixar de existir. Os impactos econômicos também se estenderiam às cadeias de insumos, máquinas, serviços, entre outros. Nesse sentido, a utilização de fungicidas figura como a principal ferramenta para o manejo da ferrugem-da-soja no Brasil. No entanto, não são vastas as opções de grupos químicos fungicidas com diferentes mecanismos de ação que são eficazes no controle dessa doença. Dentre os fungicidas sistêmicos e mesostêmicos com ação sítio-específica, atualmente estão disponíveis apenas quatro grupos químicos diferentes para os quais são registrados elevados níveis de controle de ferrugem-da-soja (Phakopsora pachyrhizi): as carboxamidas, os triazóis (incluindo o triazolintione), as estrobilurinas e as morfolinas. Além desses, existem também como ferramentas os fungicidas não sistêmicos (protetores) com ação em multissítios. Cada grupo químico recebe uma importância muito grande nesse cenário para que se mantenham elevadas
18
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
eficácias e se manejem os riscos de seleção de indivíduos com menor sensibilidade aos fungicidas. Assim, mesmo que em um passado recente (safra 2016/17) tenha sido verificada uma queda de eficácia de controle das carboxamidas, esses fungicidas continuam sendo ferramentas fundamentais na construção de programas fungicidas eficientes na soja.
MAS QUAL A IMPORTÂNCIA DAS CARBOXAMIDAS NOS PROGRAMAS DE MANEJO?
As carboxamidas são fungicidas que agem sobre a ferrugem-da-soja, sendo que alguns ativos possuem ação também sobre outras doenças que ocorrem na soja. Além disso, são fungicidas que apresentam elevado efeito residual e, por possuírem mecanismo de ação diferente dos demais fungicidas comumente utilizados em soja, são ferramentas importantes para utilizar em misturas formuladas e para rotacionar grupos químicos. Assim, a utilização de carboxamidas não apenas é importante do ponto de vista de incremento de controle, mas também para o manejo da resistência aos triazóis, às estrobilurinas e às morfolinas.
A queda de eficácia das carboxamidas foi relacionada a uma alteração no sítio-alvo do patógeno, que afeta as interações químicas entre o fungicida e a proteína-alvo. Isso já havia ocorrido para os triazóis e para as estrobilurinas em safras anteriores. No entanto, após tais acontecimentos, a adoção de boas práticas de manejo de maneira conjunta por parte dos produtores, empresas, técnicos, cooperativas, universidades, tem sido decisiva para que sejam evitados novos casos de perda de performance e para que a eficácia das moléculas seja preservada.
ESTRATÉGIAS DE MANEJO PARA USO CORRETO DAS CARBOXAMIDAS Momentos corretos de aplicação
Assim, terão translocação limitada na planta (movimento traslaminar), tendo frações do ingrediente ativo que ficam retidas nas camadas cerosas da cutícula da folha. Quando posicionadas de maneira curativa e/ou erradicativa, após a colonização do fungo, terão dificuldade de atingir o sítio-alvo do fungo apresentando queda de desempenho. Em aplicações tardias de carboxamidas, como na Figura 3, nas setas 3 e 4 não é recomendada a utilização. Nesse cenário tardio, além do desempenho de controle ser reduzido, aumenta-se o risco de expor essas moléculas a uma maior pressão de seleção de indivíduos resistentes. Reforço das aplicações com multissítios
As carboxamidas são fungicidas que vêm formulados em mistura com outros produtos como estrobilurinas e triazóis. Isso já é um fator importante para agregar em espectro de ação e proteção contra resistência. No entanto, ao longo dos anos notou-se que misturas formuladas não têm sido suficientes para vencer o patógeno. É nesse sentido que os fungicidas protetores com ação em multissítios ganharam importância e ampla aceitação. Os multissítios são fungicidas com menor risco de resistência em função de poderem atuar em diversos processos fisiológicos no fungo que o levam à morte. Assim, ao utilizar um produto multissítio como reforço da aplicação, esse fungicida poderá ser letal a indivíduos menos sensíveis aos fungicidas sítio-específicos.
Os produtos contendo carboxamidas devem ser utilizados em momentos de maior sanidade da planta, de maneira preventiva, antes da ocorrência de infecção pelo patógeno. Esse é um dos motivos pelos quais o uso das carboxamidas tem sido recomendado nas primeiras aplicações em soja. A aplicação preventiva indica que o fungicida deve estar presente na planta antes do fungo chegar atuando nas fases de pré-penetração e inibindo a infecção (Figura 1). Nesse cenário, as carboxamidas terão sua máxima eficácia e residual. Em função do modo de ação demonstrado na Figura 1, quando os fungicidas do grupo das carboxamidas são posicionados de forma curativa ou erradicante em relação ao processo de infecção, sua eficiência Figura 1 - Posicionamento de carboxamida para expressar sua alta eficiência diminui significativamente. Essa condição pode ser observada na Figura 2, onde a aplicação preventiva resultou em maior eficiência de controle e houve maiores ganhos produtivos por hectare em comparação à aplicação curativa. Esses dados foram observados na safra 2015/16, antes mesmo dos relatos dos casos de redução de eficácia que afetou as carboxamidas, que se comprovou na safra seguinte. Dessa forma, as carboxamidas são fungicidas altamente técnicos que demandam correto posicionamento em função do seu mecanismo de ação e dinâmica na planta: (I) Mecanismo de ação: as fases de pré-penetração do fungo na folha do hosFigura 2 - Eficiência de controle da ferrugem-asiática (A) e ganho produtivo (B) em função da aplicação pedeiro são de alta demanda de energia de misturas contendo carboxamida na cultura da soja. **Os dados representam uma média de 16 oriunda da respiração do patógeno e de experimentos conduzidos no Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais na safra 2015/16. alta vulnerabilidade do fungo à ação dos fungicidas. Dessa forma, como as carboxamidas atuam inibindo a respiração, terão maior letalidade sobre essas fases de pré-penetração do fungo na folha e por isso devem ser aplicadas cedo. (II) Dinâmica na planta: as carboxamidas são moléculas com alta lipofilicidade (atração por ceras) e com baixa solubilidade.
www.revistacultivar.com.br • Abril 2018
19
Quando esse indivíduo menos sensível é eliminado da população, resta anulada a possibilidade dele se reproduzir e ter sua frequência na população aumentada. Caso não seja eliminado, em um determinado momento irá predominar dentro da população frente aos indivíduos sensíveis ao ponto de causar falhas de controle do fungicida. Assim, a contribuição dos multissítios, do ponto de vista de manejo, não se faz necessária apenas pelo incremento de controle, mas essencialmente pela função de proteção da vida útil das demais moléculas fungicidas, como, por exemplo, as carboxamidas. Os multissítios exercem uma contribuição importante nesse sentido e são ferramentas que devem fazer parte das aplicações de fungicidas em soja. Diversos trabalhos conduzidos no Instituto Phytus na safra 2016/17 evidenciaram significativo incremento de controle pela associação com produtos multissítios (Figura 4). Os resultados evidenciam o controle da doença obtido com três aplicações de cada combinação de fungicidas.
que têm refletido em excelentes resultados. A ferramenta química não pode ser posicionada de forma isolada e como estratégia intransponível pelo fungo. Outras estratégias de controle podem ser incluídas em um programa integrado de manejo, como realizar a semeadura dentro das épocas recomendadas de forma a escapar dos períodos de maior pressão da doença e reduzir o tempo de convívio da cultura com o patógeno, ajustar a nutrição das plantas, eliminar plantas hospedeiras do fungo (vazio sanitário) e melhorar constantemente a tecnologia de aplicação de forma a melhorar a distribuição do ingrediente ativo sobre a planta. Além disso, é muito importante que se conheça o nível de suscetibilidade das cultivares frente à ferrugem-da-soja, pois esse parâmetro terá influência sobre as demais estratégias de controle. Em relação à tecnologia de aplicação, por exemplo, deve-se evitar aplicações em condições ambientais desfavoráveis, em que a relação do produto com a planta poderá ser prejudicada, afetando C negativamente o desempenho dos fungicidas.
Adequar intervalos entre aplicações e doses corretas
Trabalhos internos conduzidos no Instituto Phytus têm deLeandro Marques, monstrado que a flexibilização dos intervalos entre aplicações, em Marlon Stefanello, momentos que a doença já se encontra estabelecida no campo, Mônica Debortoli, poderá permitir que a enfermidade evolua, causando perdas Nédio Tormen e produtivas. Ricardo Balardin, Assim, tem sido aceito que em momentos de baixa pressão Instituto Phytus da ferrugem sejam utilizados intervalos de até 18 dias, desde que com produtos eficientes e com reforço, e em momentos de maior pressão da ferrugem Figura 3 - Estádios fenológicos da cultura da soja e progresso da ferrugem da soja no tratamento tesreduzir esse intervalo para até 14 dias. temunha. Setas indicam aplicações e as cores indicam o caráter preventivo (verde), curativo (amarelo) Em relação à dose dos produtos é essene erradicativo (vermelho). *Tais momentos podem variar em função da cultivar, época de semeadura cial que sejam utilizadas as recomendadas. e condições ambientais São comuns situações de campo em que é pensado no aumento de dose como fator para incremento de controle. No entanto, no caso das carboxamidas, o aumento de dose poderá intensificar a pressão de seleção de isolados cada vez mais resistentes. Rotação de produtos e número de aplicações
Rotacionar fungicidas diz respeito a não utilizar uma mesma combinação de ativos fungicidas repetidamente em aplicações sucessivas. Isso contribui para reduzir a exposição das moléculas no campo e para que indivíduos resistentes não sejam selecionados. Além disso, é muito importante que produtos que contenham carboxamidas não sejam utilizados em mais de duas aplicações em uma mesma safra (Frac, 2017).
Figura 4 - Desempenho de controle da ferrugem-da-soja com misturas formuladas de estrobilurina + carboxamida associada ou não a fungicidas multissítios. Itaara/RS, safra 2016/17
Valorizar a diversificação de estratégias de manejo
Diversificar as estratégias de Manejo Integrado da Doença (MID) é um dos pontos
20
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
C
Eventos
Décadas de pesquisa
Ao completar 25 anos, a Fundação MT, em seu primeiro evento de transferência de tecnologia do ano, apresenta pesquisas realizadas na safra 2017/2018, além de objetivos e diretrizes para que a divulgação de resultados chegue até o produtor
"U
ma história que se confunde com a história da agricultura do Mato Grosso.” Foi assim que o presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação
22
MT), Francisco Soares Neto, descreveu o marco de 25 anos de trajetória da instituição durante o tradicional Fundação MT em Campo. O evento é o primeiro do ano e foca no encerramento das pesquisas realizadas
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
durante a safra 2017/2018 e na divulgação dos protocolos desenvolvidos para toda a cadeia da agricultura do Mato Grosso. Em nove áreas demonstrativas, os pesquisadores da Fundação divulgaram pesquisas voltadas para manejo de doenças e pragas, mecanização e agricultura de precisão, adubação e manejo do solo no Centro de Aprendizagem e Difusão (CAD) do Médio Norte, em fevereiro, em Nova Mutum, Mato Grosso. O evento também ocorreu em Rondonópolis, no mesmo mês. O Fundação MT em Campo é apenas um dos eventos que exibem a importância da transferência de resultados para a instituição. Uma de suas principais diretrizes é aliar a teoria à prática e entregar resultados ao produtor. “Não adianta nada você ter um bom resultado, uma boa pesquisa e não conseguir divulgar e transformar isso em realidade para o produtor. Talvez esse seja o nosso maior desafio, transformar a pesquisa agronômica em ações que possam ser aplicadas no dia a dia do campo”, afirmou o presidente. Com esse objetivo em mente, o ano de aniversário também marca a mudança de slogan da Fundação para “Dando vida aos resultados” – frase que solidifica o trabalho que a empresa tem realizado e o seu papel como difusora de informação técnica e de qualidade. “Nosso desafio é oferecer dados com qualidade, que gerem resultados hoje, mas, principalmente, amanhã”, explicou o gestor técnico da Fundação MT, Leandro Zancanaro. Segundo Zancanaro, planejar a produtividade da lavoura passa pela integração de áreas de conhecimento na pesquisa agropecuária. “A lavoura mato-grossense precisa pensar na produtividade de forma sistêmica,
Fotos Fundação MT
Fundação MT em Campo marcou encerramento das pesquisas realizadas na safra 2017/18 e a divulgação de protocolos para a cadeia agrícola de Mato Grosso
tomando decisões integradas que levem em consideração o futuro da lavoura, não só o presente”, explicou. A orientação para a visão da produtividade em longo prazo e a sustentabilidade dos sistemas de produção são pilares do debate da empresa com o público da cadeia, e um dos destaques na programação e nas discussões realizadas nos eventos promovidos.
Leandro Zancanaro, gestor técnico da Fundação MT
EDUCAÇÃO
Dentre as novidades apresentadas durante o Fundação MT em Campo, a empresa divulgou a área de Novos Projetos. Com foco educacional, o primeiro novo projeto já está sendo desenvolvido: o Fundação MT nas instituições, criado para capacitar estudantes de escolas técnicas e de Ensino Superior na área agrícola. “Temos a missão de capacitar mais a equipe técnica que sai das faculdades e das escolas técnicas, para que consigam rapidamente dar retorno ao produtor e elevar patamares de produtividade no meio agrícola”, relatou Soares Neto. Para o gerente de Marketing e Novos Projetos da Fundação MT, Luís Carlos de Oliveira, existe um “gap” entre o conhecimento teórico produzido e o que chega, através dos técnicos agrícolas à lavoura. “Executores bem capacitados, que vão até a lavoura, são nossa principal ferramenta para divulgação de informações. Contribuir para que o estudante saia da escola com uma visão mais ampla, e torne-se um técnico mais completo, com uma visão holística do sistema de produção, é um dos nossos grandes objetivos”, ressaltou Oliveira.
A orientação para a visão de produtividade em longo prazo e a sustentabilidade do sistema de produção foram pilares dos debates durante o evento
Também estão sendo desenvolvidos projetos com escolas de Ensino Fundamental, levando crianças até o campo e a agricultura até as escolas. “Nosso objetivo é transformar o CAD em uma sala de aula para que uma nova geração possa conhecer mais, além de C valorizar, a agricultura do Mato Grosso”, explicou o gerente.
www.revistacultivar.com.br • Abril 2018
23
Capa
Em movimento
A importância de conhecer o comportamento nas plantas, a flutuação populacional e a distribuição vertical da lagarta falsa-medideira na cultura da soja para definir as melhores estratégias de manejo e o controle destes insetos
A
lagarta falsa-medideira Chrysodeixis includens (Walker) (Lepidoptera: Noctuidae) já foi uma praga secundária em soja. No entanto, a partir da safra 2003/2004 esta espécie se tornou praga-chave na cultura devido aos frequentes surtos populacionais e à grande severidade de danos nas áreas cultivadas. As dificuldades de controle na cultura da soja estão muito relacionadas ao comportamento desse inseto. A falsa-medideira tende a ocupar o dossel inferior das plantas de soja, o que dificulta o seu controle por meio de pulverizações com inseticidas. O monitoramento de pragas constitui a base do manejo integrado de pragas e define a implementação ou não das táticas de controle. O emprego de armadilhas iscadas com feromônio sexual sintético é também considerado um método prático e eficiente para o monitoramento de pragas. A realização de estudos sobre a distribuição vertical de insetos-praga poderá aprimorar o monitoramento e auxiliar no desenvolvimento de táticas de controle. Estas informações podem indicar o melhor momento ou o local para deposição dos inseticidas aplicados em pulverização, a fim de maximizar o controle das pragas. Com esse objetivo foi conduzido um estudo na Embrapa Agropecuária Oeste, durante a safra 2014/2015, com o objetivo de obter informações sobre a flutuação populacional, conhecer as relações entre adultos e imaturos de C. includens na cultura da soja, bem como calcular a distribuição vertical de ovos e de lagartas no dossel foliar da cultura, com o objetivo defornecer subsídios para serem utilizados no manejo integrado dessa praga. Os adultos da lagarta falsa-medideira foram monitorados duranFigura 1 - Flutuação populacional de adultos de Chrysodeixis includens capturados em armadilhas de feromônio sexual, temperaturas médias e precipitação mensal observadas no período de outubro de 2014 a outubro de 2015. Dourados, MS
26
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
te o período de outubro de 2014 a outubro de 2015 na cultura da soja. A captura de mariposas foi realizada com uso de armadilhas do tipo Delta, com pisos adesivos, iscada com o feromônio sexual BioPseudoplusia. Semanalmente, as armadilhas foram inspecionadas para a contagem de mariposas capturadas, quando também eram trocados os pisos adesivos, enquanto os septos do feromônio foram substituídos a cada 21 dias. Ovos e lagartas foram monitorados visualmente sobre as plantas de soja logo após a sua emergência. Nas amostragens de lagartas, utilizou-se o pano de batida, realizando-se de duas a três vezes por semana com cinco batidas de pano próximas de cada armadilha de feromônio. As lagartas capturadas foram classificadas como grandes (≥ 1,5cm) ou pequenas (< 1,5cm). Em cada época de amostragem, duas plantas próximas de cada armadilha eram também arrancadas e levadas ao laboratório de entomologia para a inspeção de ovos nas folhas e hastes. Os dados de captura de adultos nas armadilhas e suas formas imaturas encontradas nas plantas de soja foram submetidos à análise de regressão linear. As lagartas de C. includens foram também amostradas nas plantas de soja durante o florescimento da cultura a partir das 6h, com o objetivo de estudar a distribuição vertical desses insetos durante o dia no dossel foliar da soja. Para isso, dez plantas foram coletadas e seccionadas em três extratos (inferior, mediano e superior), os quais eram ensacados separadamente e levados ao laboratório para contagem de ovos e de lagartas. O mesmo procedimento foi repetido às 8h, 10h, 12h, 14h, 16h, 18h e 20h de cada dia. Para a análise do deslocamento de lagartas entre os extratos das plantas ao longo do Figura 2 - Flutuação populacional de adultos e de formas imaturas de Chysodeixis includens na cultura da soja durante a safra 2014/2015. Dourados, MS
dia, às partes superior, mediana e inferior das plantas, foram considerados os tratamentos a serem avaliados e o número de plantas, as repetições do ensaio conduzido no delineamento inteiramente casualizado.
RESULTADOS OBTIDOS Flutuação populacional e relações entre adultos e imaturos na soja Durante todo o período de monitoramento foram capturadas 1.199 mariposas de C. includens, sendo observada a presença desta espécie em todos os meses do ano. No período de cultivo da soja (outubro/2014 a fevereiro/2015), o número de mariposas capturadas foi notadamente superior, com o maior pico de ocorrência de adultos sendo observado nos meses de janeiro a fevereiro (Figura 1), quando a soja se encontrava no estádio reprodutivo. Em abril foi constatado o segundo pico de mariposas, quando na área estava sendo cultivado milho safrinha. A falsa-medideira é considerada uma praga polífaga, pois se alimenta e se desenvolve em aproximadamente 170 espécies de plantas hospedeiras, pertencentes a 39 famílias. Esta espécie já foi constatada atacando outras plantas como feijão, tomate, fumo, girassol, couve-flor, alface, além de soja, algodão e milho. Todavia, estudos têm demonstrado que C. includens tem maior preferência e adaptação à soja quando comparada a outras culturas. No Brasil, surtos de C. includens ocorrem com frequência no oeste da Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, mas faltam informações sobre a mobilidade desta espécie nas condições tropicais, especialmente durante a entressafra da soja. Os primeiros ovos e lagartas de C. includens foram observados no mês de novembro entre os estádios fenológicos V2 e V3 das plantas de soja, enquanto os picos populacionais de adultos, ovos e de lagartas na soja foram observados durante o mês de janeiro (Figura 2). Esses resultados evidenciam que a explosão populacional dessa praga ocorre quando as plantas de soja, geralmente, entram na fase reprodutiva e com dossel “fechado”. O mês de janeiro apresentou precipitação menor (82mm), quando comparado aos outros meses de cultivo da soja (Figura 1). É de conhecimento que C. includens é favorecida por condições Dirceu Gassen
www.revistacultivar.com.br • Abril 2018
27
Figura 3 - Regressão Linear entre a densidade populacional de ovos e lagartas pequenas (A) e de ovos e lagartas grandes (B) de Chrysodeixis includens amostradas na cultura da soja, na safra 2014/2015. Dourados, MS
de baixa precipitação ou por períodos de seca que antecedem aos surtos dessa praga, como observado nesta pesquisa. As relações entre mariposas capturadas nas armadilhas iscadas com feromônio e as densidades de imaturos amostrados na cultura da soja não foram significativas. No entanto, foi constatada relação linear e significativa entre as densidades de ovos e de lagartas desta praga (Figura 3). Com base nos resultados obtidos, pode-se inferir que a amostragem de ovos nas plantas de soja poderia ser uma boa opção para se estimar a infestação de lagartas na cultura. No entanto, os ovos de C. includens são difíceis de ser monitorados por serem muito pequenos (medem aproximadamente 0,5mm de diâmetro), o que torna esse parâmetro sem aplicabilidade para fins de monitoramento de lagartas na soja, sendo assim mais prático realizar a amostragem das lagartas com o pano de batida. Nas condições em que este trabalho foi realizado, as armadilhas de feromônio foram eficazes na detecção de adultos de C. includens. Essa
informação é importante, pois a presença de adulto na cultura antecede a ocorrência de ovos e de lagartas. No entanto, não foi observada uma relação significativa entre a população de adultos e as densidades de imaturos que tornasse possível estimar a infestação de lagartas ou de ovos nas plantas de soja, empregando-se a densidade populacional de adultos encontrada nas armadilhas de feromônio. Distribuição vertical de ovos e de lagartas na soja As mariposas de C. includens ovipositaram em todos os três extratos (inferior, mediano e superior) das plantas de soja, porém os ovos foram depositados em maior quantidade no extrato inferior, quando comparados aos extratos mediano e superior, que apresentaram taxa de oviposição semelhante (Figura 4). Quando as plantas de soja estão no estádio de pleno florescimento, a cultura fica fechada. Nesta condição, as plantas crescem e se aproximam umas das outras,
fechando o dossel foliar, deixando a parte inferior das plantas mais protegida. As mariposas depositaram, preferencialmente, seus ovos na parte inferior, seguida pela parte mediana das plantas, provavelmente devido à proteção que esse ambiente confere aos seus imaturos, que ficam menos expostos às adversidades climáticas, à desidratação, bem como a inimigos naturais e ao controle químico. Nos estudos de distribuição vertical de lagartas de C. includens foram amostrados 282 insetos, sendo 186 lagartas pequenas e 96 grandes. Independentemente do tamanho das lagartas, se distribuíram no perfil da
Figura 4 - Distribuição vertical de ovos de Chrysodeixis includens no perfil das plantas de soja na safra 2014/2015. Dourados, MS
Barras seguidas de letras diferentes, os valores diferem estatisticamente pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.
28
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
Folha de soja severamente danificada pela lagarta Pseudoplusia includens
Fotos Dirceu Gassen
mais quentes do dia, entre 10h e 16h, a maioria das lagartas migra dos extratos superior e médio para o extrato inferior das plantas. Porém, nos horários do dia de temperaturas mais amenas (6h, 8h, 18h e 20h), as lagartas retornam para o extrato médio e até mesmo o superior das plantas de soja. Nestes horários, o extrato superior apresenta proporcionalmente uma maior porcentagem de lagartas, especialmente as grandes, do que nos outros períodos. Essa informação é de extrema importância especialmente para o manejo de lagartas grandes de C. includens na cultura da soja, uma vez que essas lagartas são mais difíceis de serem controladas que as pequenas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
planta, preferencialmente no terço inferior, seguido do terço mediano à semelhança do observado para o comportamento de oviposição (Figuras 5 e 6). As lagartas têm preferência pela parte inferior das plantas, provavelmente porque neste ambiente estão mais protegidas de inimigos naturais e das adversidades climáticas. Cabe salientar que este comportamento das lagartas dificulta o seu controle através da aplicação de inseticidas, pois elas ficam menos expostas ao contato com os inseticidas quando aplicados na soja, especialmente quando a cultura está na fase reprodutiva em que o topo das plantas está fechado, formando uma barreira à penetração das gotas de pulverização, fato conhecido como efeito guarda-chuva. Nos estudos sobre a distribuição vertical de lagartas de C. includens no perfil das plantas de soja ao longo dia foi constatado que tanto lagartas grandes quanto pequenas migram para diferentes extratos das plantas de acordo com o horário (Figuras 5 e 6). Durante os períodos
Figura 5 - Distribuição vertical de lagartas pequenas de Chrysodeixis includens ao longo do dia no perfil das plantas de soja na safra 2014/2015. Dourados, MS
Com base nos resultados obtidos nesta pesquisa pode-se inferir que adultos de Chrysodeixis includens podem ser encontrados praticamente durante todo o ano na região de Dourados, Mato Grosso do Sul, porém o pico de sua ocorrência se verifica nos meses de janeiro e fevereiro, época de florescimento da soja. Existe uma relação linear significativa e positiva entre a densidade de ovos de C. includens e as densidades de lagartas pequenas e de lagartas grandes nas plantas de soja. As fêmeas de C. includens têm preferência em ovipositar no dossel inferior das plantas de soja. As lagartas pequenas e grandes de C. includens permanecem, geralmente, em maior proporção no dossel inferior das plantas de soja, em relação à parte mediana e à superior. Todavia, ao longo do dia, essas lagartas se deslocam no perfil das plantas de soja, ficando mais expostas nos extratos mediano e superior em horários de temperaturas mais amenas, especialmente para o caso das lagartas grandes. Dessa forma, pode-se inferir que o controle químico de lagartas grandes e pequenas da falsa-medideira deve ser realizado preferencialmente nos primeiros horários do dia ou ao anoitecer, uma vez que nestes períodos as lagartas ficam mais expostas ao contato C com os produtos pulverizados na cultura.
Daniele Zulin, Universidade Federal da Grande Dourados Crébio José Ávila , Embrapa Agropecuária Oeste Eunice Cláudia Schlick Souza, Instituto Federal de MT
Figura 6 - Distribuição vertical de lagartas grandes de Chrysodeixis includens ao longo do dia no perfil das plantas de soja na safra 2014/2015. Dourados, MS
www.revistacultivar.com.br • Abril 2018
29
Empresas
Crescimento enraizado
Com metas ousadas para ganhar mercado, Nidera Sementes encerra ciclo de encontros do Programa Raízes, em Foz do Iguaçu, no Paraná, com a presença de mais de 200 distribuidores e representantes dos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul
E
m março a Nidera Sementes realizou em Brasília, Distrito Federal, o segundo encontro do Programa Raízes, que reuniu aproximadamente 150 distribuidores e representantes das regiões Centro e Leste com o objetivo de alinhar estratégias de negócios e aproximar cada vez mais a empresa de seus canais de distribuição. O ciclo foi encerrado em abril, com a reunião de distribuidores da região Sul, em Foz do Iguaçu, Paraná. Nesta área, que agrega regiões pro-
dutoras muito importantes, estão instaladas três estações de pesquisa, duas unidades beneficiadoras, uma estação quarentenária (que é referência no setor e uma das melhores da América Latina) e armazéns climatizados distribuídos estrategicamente. De acordo com o diretor comercial Centro, Igor Lyra, nesta região na safra 2017/18 foram comercializados aproximadamente 28,6 milhões de sacas de sementes de soja e 11 milhões de sacas de milho, em que a Nidera tem um ma-
Distribuidores e representantes das regiões Centro e Leste estiveram reunidos em Brasília
30
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
rketshare de 12% e 6% respectivamente na participação vertical. Neste contexto entra o Programa Raízes de Distribuição, que busca alinhar estratégias para fortalecer a rede de distribuição em todo o Brasil. A meta nesse mercado é se tornar a primeira marca em soja e a segunda em milho safrinha, com um marketshare de 22% em soja e 15% em milho até 2020. Para atingir estes objetivos, a empresa está apostando no reposicionamento de seu portfólio, mantendo no mercado apenas cultivares e híbridos extremamente competitivos. De acordo com o gerente de Produto, Fábio Guerra, esta estratégia está mostrando que a empresa está no caminho certo. Na safra 2013/14, por exemplo, a Nidera disponibilizava 36 cultivares e comercializou 1,79 milhão de sacas de sementes de soja. “Para a safra 2017/18 restaram 15 cultivares e as vendas alcançaram 2,40 milhões de sacas. E a previsão é reduzir o portfólio para 13 cultivares em 2018/19 e comercializar 2,75 milhões de sacas”, explica. "Nós passamos por um reposicionamento estratégico das cultivares e esse ajuste faz parte da nossa estratégia porque nós queremos lançar as melhores cultivares de soja e os melhores híbridos de milho", destacou. O mesmo aconteceu com o segmento de milho, que em 2013/14 contava com 12 híbridos e 88 mil sacas vendidas, reduzindo para seis híbridos em 2017/18 e superando 602 mil sacas comercializadas, com previsão da venda de 860 mil sacas na safra 18/19.
Fotos Nidera
Time da Nidera apresentou as estratégias de negócios e metas de crescimento da marca
Ciclo de encontros do Programa Raízes se encerrou em abril, em Foz do Iguaçu, no Paraná
"O Programa Raízes é inovador para o mercado, traz políticas comerciais que não existiam no mercado, principalmente quando vamos falar em soja. E um ponto para destacar é que estamos comunicando para os nossos parceiros a transformação pela qual a Nidera Sementes está passando, relacionado a posicionamento de produtos que nos permitirá ser mais assertivos no lançamento de novas cultivares de soja e novos híbridos de milho." De acordo com o gerente de Acesso e Inteligência de mercado, Luís Brandão, o próximo passo para efetivar a implementação do programa será oferecer aos distribuidores treinamentos, capacitações e incentivos comerciais que garantam remunerações mais elevadas, ampliando a capacidade de vendas de cada um.
ENCONTRO DE DISTRIBUIDORES NO SUL
Em abril, a Nidera encerrou o seu ciclo de encontros do Programa Raízes, com os distribuidores da Região Sul, em Foz do Iguaçu, Paraná. O evento reuniu aproximadamente 200 distribuidores e representantes dos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Sul do Mato Grosso do Sul. "O Programa Raízes chega no melhor momento da Nidera Sementes no Brasil, onde estamos trabalhando para sermos a melhor escolha para os nossos parceiros, oferecendo um programa de marketing que agrega valor ao negócio de nossos distribuidores, além de ser um programa inédito para a soja. Estamos também consolidando e fortalecendo nossa relação, pois entendemos que para crescer forte precisamos crescer juntos, oferecendo nesse programa capacitação de alto nível em diversos temas, melhoria nos níveis de serviço e sobretudo na remuneração do parceiro e de sua equipe comercial. A marca Nidera Sementes tem reconhecimento nacional pelos agricultores como referência no segmento de sementes de soja e o Programa Raízes vem fortalecer ainda mais a nossa marca junto ao nossos
clientes", explicou o coordenador de Marketing e Comunicação da Nidera Sementes para o Brasil e Paraguai, Nélio Reis. O evento foi marcado por debates e palestras. O diretor comercial para o Centro, Igor Lyra, o gerente de Acesso de Mercado e Inteligência, Luis Brandão, o gerente de Produto para Soja e Milho Brasil e Paraguai, Fabio Guerra, e o diretor comercial para o Sul e Paraguai, Rafael Carmona, abordaram temas como futuro, mercado e atual posicionamento da marca Nidera Sementes. "Estamos passando por muitas decisões importantes e o caminho ainda é longo, mas pretendermos fazer o processo com qualidade em todas as partes, e para isso ocorrer fortalecemos nossas alianças tecnológicas, tivemos um upgrade no nosso suppychain, otimizamos a nossa pesquisa e estamos inovando nossa abordagem comercial com o Programa Raízes", destacou Brandão. Foram discutidas diretamente com os licenciados e parceiros questões e atitudes que serão fundamentais para chegar ao resultado esperado. "Estamos prevendo um aumento de participação de mercado de soja em 20% e para milho estamos prevendo 85% de aumento de participação", projetou Carmona. A Nidera Sementes acredita que está preparada para atingir esses patamares de crescimento e para isso realizou mais de 130 dias de campo, mais de 900 eventos lado a lado de soja, mais de 600 lado a lado de milho, mais de 150 dias de campo de colheita, mais de 200 tours com agricultores e apresentou diversos resultados de produtividade. "Temos um compromisso muito forte com os agricultores, principalmente quando estamos falando em portfólio, e neste ano tivemos o lançamento da NS 6601 Ipro, que apresenta tolerância à seca no Sul. Com esses lançamentos garantimos produtividade, consistência e segurança para o agricultor” C enfatizou Guerra.
www.revistacultivar.com.br • Abril 2018
31
Café
Conforme a demanda
A partir do conhecimento das taxas de acúmulo de nutrientes, como o nitrogênio, é possível identificar a exigência nutricional em cada período, o que pode auxiliar de forma prática no programa de adubação da lavoura cafeeira. Ajustar a quantidade e a frequência do uso de fertilizantes, conforme a necessidade da planta ao longo do ano, otimiza o emprego do insumo e tende a resultar em redução de perdas por volatilização, fixação e lixiviação
O
cafeeiro é uma planta com alta exigência nutricional. Logo, a nutrição mineral se destaca como um dos principais fatores que contribuem para o sucesso na formação e produção da cultura. Maior parte dos nutrientes absorvidos é acumulada nos órgãos da planta, em específico os frutos, que são retirados da lavoura, e uma parcela transforma-se em produto a ser comercializado. O nitrogênio se destaca como nutriente mais acumulado no tecido vegetal e ao mesmo tempo um dos que mais
32
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
necessitam de parcelamento de adubação em função de suas perdas, principalmente por lixiviação e volatilização. A fase reprodutiva do café Conilon/Robusta é composta por etapas. Inicia-se com a floração, em sequência ocorre o desenvolvimento dos frutos composto pelos estádios de chumbinho, expansão rápida, granação e maturação. Cada estádio de formação possui funções fisiológicas e metabólicas próprias, essenciais à formação final da semente e do fruto do café, bem como ocorre variações na
Fotos Fábio Partelli
concentração e no conteúdo de elementos acumulados em cada estádio. Obtendo-se o conhecimento das taxas de acúmulo dos nutrientes é possível identificar a exigência nutricional em cada período. Portanto, pode auxiliar de forma prática o programa de adubação da lavoura, ajustando-se a quantidade e a frequência do uso de fertilizantes, conforme a necessidade do nutriente pela planta ao longo do ano. É possível, assim, otimizar o uso do insumo, com dosagens adequadas em cada período, conforme a demanda, com redução de perdas por volatilização, fixação e lixiviação, por exemplo. Ensaios de campo têm aferido que o acúmulo, bem como a taxa de acúmulo de nutrientes no fruto varia conforme genótipos, sistema de manejo e região de cultivo. Serão apresentadas as taxas de acúmulo apenas do nitrogênio nas três principais regiões produtores de café Conilon/Robusta do Brasil (Espírito Santo, Rondônia e Bahia), com suas particularidades.
ESPÍRITO SANTO DIFERENTES GENÓTIPOS
O trabalho foi realizado no município de Nova Venécia, Espírito Santo, com o objetivo de avaliar o acúmulo de nutrientes nos frutos em diferentes períodos para três
clones/genótipos da variedade Vitória (10V, 12V e 13V) e o clone Ipiranga 501. Portanto, verificou-se diferenças entre os genótipos, que apresentam ciclo de maturação distinta (de precoce a supertardio). Será apresentado apenas o acúmulo de nitrogênio nos frutos. Observa-se, de forma clara, distinto padrão de acúmulo de N nos frutos entre os genótipos ao longo do período de avaliação (Figura 1). Para uma melhor exemplificação da diferença de acúmulo de N, destacam-se duas datas, sendo uma no início de formação dos frutos - 9 de setembro: clones tardios (13V e Ipiranga) com acúmulo inferior a 5%, enquanto os demais (10V e 12V) com acúmulo superior a 25%; 6 de fevereiro: clones tardios com acúmulo inferior a 40%, e os demais com acúmulo superior a 90%.
BAHIA: COM E SEM IRRIGAÇÃO
O trabalho foi realizado no município de Itabela, Bahia. Foi avaliado o acúmulo de nutrientes nos frutos desde a fase de grão chumbinho até a maturação do genótipo 12V da cultivar Vitória, em sistema irrigado e não irrigado. Contudo, será apresentado apenas o acúmulo de nitrogênio nos frutos. De forma geral, o trabalho permitiu afirmar que a irrigação proporciona maior acúmulo de nitrogênio nos frutos de café Co-
O cafeeiro é uma cultura com alta exigência nutricional Tabela 1 - Acúmulo de nutrientes na palha, nos grãos e nos frutos equivalente a uma saca de 60 quilos beneficiada, de café Conilon irrigado. Itabela, Bahia Acúmulo de macronutrientes por saca (g saca-1) N
P
K
Ca Mg S Palha Irrigado 399,1 25,3 550,0 140,6 25,7 56,0 Grão Irrigado 1600,2 164,2 1012,7 126,1 78,2 105,5 Fruto Irrigado 1999,3 189,5 1562,7 266,7 103,9 161,5 Acúmulo de micronutrientes por saca (g saca-1) Fe
Zn
Irrigado
1504,7
239,5
Irrigado
3300,0
400,0
Irrigado
4804,7
639,5
Cu Palha 208,3 Grão 790,0 Fruto 998,3
Mn
B
286,4
853,9
570,0
740,0
856,4
1593,9
www.revistacultivar.com.br • Abril 2018
33
Figura 1 - Acúmulo médio de nitrogênio no fruto (em porcentagem), de diferentes genótipos de cafeeiro Conilon ao longo do período de formação dos frutos. As barras representam o erro padrão da média. Nova Venécia, Espírito Santo
Figura 2 - Acúmulo médio de nitrogênio no fruto (em porcentagem), em diferentes regimes hídricos (não irrigado e irrigado) de café Conilon ao longo do período de formação dos frutos. As barras representam o erro padrão da média. Itabela, Bahia
nilon na região Atlântica da Bahia. O acúmulo de nitrogênio nos frutos (Figura 2) caracterizou-se por apresentar taxas de acúmulo reduzidas na fase inicial de formação dos frutos, seguida (a partir de outubro) de uma fase de rápida expansão com as mais altas taxas de acúmulo, e taxas menos expressivas ao final do ciclo de formação dos frutos.
Figura 3 - Acúmulo médio de nitrogênio no fruto (em porcentagem), em café Conilon/Robusta, com e sem adubação, ao longo do período de formação dos frutos. As barras representam o erro padrão da média. Rolim de Moura, Rondônia
RONDÔNIA: COM E SEM ADUBAÇÃO
DIFERENÇAS ENTRE AS REGIÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para efeito de comparação e exemplificação serão ressaltados os clones de maturação precoce/média (12V) utilizados na pesquisa realizada na Bahia e no Espírito Santo e de maturação média de Rondônia, em três momentos aproximados (Figuras 1, 2 e 3). Em 8/9 de outubro: acúmulo de 28% no Espírito Santo, 20% em Rondônia e aproximadamente 5% na Bahia. Em 3/6 de dezembro: acúmulo superior a 55% no Espírito Santo, 45% em Rondônia e aproximadamente 30% na Bahia. Início de fevereiro: acúmulo superior a 90% no Espírito Santo e Rondônia, e inferior a 75% na Bahia. Esses números evidenciam diferenças de acúmulo de N nas três regiões, com uma maior discrepância na região da Bahia, apesar da proximidade com o Espírito Santo. Fica evidente que a porcentagem da demanda é diversa e, consequentemente, a quantidade e a frequência devem ser diferentes nas três regiões, para promover a otimização do uso do fertilizante. Essa mesma lógica deve ser usada para genótipos de maturação diferenciada (precoce, médio, tardio e supertardio).
DEMANDA DE NUTRIENTES NO FRUTO, NO GRÃO E NA PALHA
Em pesquisa realizada por dois anos, com o genótipo 12V, em
34
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
Itabela (Bahia), foi verificado que o N é o nutriente mais acumulado no fruto e no grão de café e o segundo na palha do café (Tabela 1), portanto, com a colheita, é o mais retirado da lavoura. Além disso, é um dos nutrientes que mais apresentam perdas, por volatilização e lixiviação, o que gera necessidade de parcelamento e eficiência na aplicação, para otimizar o aproveitamento do insumo e oportunizar C menos gastos com adubação.
Fábio Luiz Partelli, Ufes/Ceunes André Monzoli Covre e Danielly Dubberstein, Ufes/PPGGM Fotos Fábio Partelli
A pesquisa foi realizada em lavoura clonal de cafeeiro Conilon/ Robusta de maturação média, no município de Rolim de Moura, Rondônia. Foi avaliado o acúmulo de nutrientes nos frutos durante toda a fase de formação, em linhas com e sem adubação. Será apresentado apenas o acúmulo de nitrogênio. O acúmulo de nitrogênio no fruto nos estágios inicial e final foi baixo, na linha com e sem adubação (Figura 3). A partir de setembro, a taxa de acúmulo e, consequentemente, a demanda por N passaram a ser maiores, comparadas aos outros períodos
Partelli, Covre e Danielly abordam taxas de acúmulo de nutrientes em café
Cana
Fotos L.L. Dinardo-Miranda
Vilões da produtividade Diferentemente do que ocorre em outras culturas, nematoides não levam canaviais à morte. Mas as plantas geralmente ficam menores, com colmos mais finos, as touceiras se desenvolvem menos e têm menor número de colmos, o campo como um todo se torna muito irregular e pouco produtivo. O uso de nematicidas químicos e biológicos é uma das estratégias para minimizar os prejuízos destes parasitos
O
s nematoides causam redução de produtividade em muitas culturas de importância agrícola, como soja, algodão, milho, café e laranja, e não é diferente em relação à cana-de-açúcar. Em canaviais podem ser encontradas muitas espécies de nematoides, mas quatro são as responsáveis pelos maiores prejuízos aos
produtores brasileiros: Pratylenchus zeae e P. brachurus, Meloidogyne javanica e M. incognita. De acordo com o DMLab – Laboratório de análises agrícolas em Ribeirão Preto, São Paulo, que analisa amostras enviadas por produtores de todo o Brasil, P. zeae é, sem dúvida, a espécie mais frequentemente
encontrada em populações altas o suficiente para causar danos econômicos em canaviais, presente em 97% das amostras analisadas. As espécies M. javanica e P. brachyurus são encontradas em aproximadamente 35% das amostras, enquanto M. incógnita é mais rara em canaviais, com presença em aproximadamente 20% das amostras.
www.revistacultivar.com.br • Abril 2018
35
Figura 1 - Redução de produtividade da cana-planta, plantada em diferentes épocas do ano, devido aos nematoides
P. zeae é a espécie mais relevante em cana-de-açúcar por ser a mais frequentemente encontrada em populações altas o suficiente para causar danos econômicos, como citado anteriormente, mas não é a mais patogênica; em geral, as espécies de Meloidogyne são mais patogênicas às cultivares de cana-de-açúcar que as espécies de Pratylenchus. Assim, em média, a patogenicidade decresce na seguinte ordem: M. incognita, M. javanica, P. zeae e P. brachyurus. Considerando a frequência em que aparecem em população alta o suficiente para causar dano, a importância decresce na seguinte ordem: P. zeae, M. javanica, M. incógnita e P. brachyurus. O ataque dos nematoides à cana-de-açúcar restringe-se às raízes, de onde extraem nutrientes para o crescimento e o desenvolvimento. Esse ataque ao sistema radicular ocorre desde a emissão das primeiras raízes, originadas tanto do tolete como dos perfilhos brotados a partir das gemas. Como os nematoides injetam toxinas no sistema radicular, ocorrem deformações (como as galhas provocadas por Meloidogyne) e extensas áreas necrosadas, quando os nematoides presentes são Pratylenchus. Em consequência do ataque de nematoides, as raízes tornam-se pobres em radicelas e incapazes de absorver água e nutrientes necessários para o bom desenvolvimento das plantas, que ficam menores, raquíticas, cloróticas, murchas nas horas mais quentes do dia e menos produtivas. Se em culturas como soja, tomate e café, entre outras, se observam com facilidade as galhas provocadas por Meloidogyne, em canaviais nem sempre isso ocorre, devido à espessura das raízes de cana, muitas vezes as galhas passam despercebidas. Já as necroses radiculares provocadas por Pratylenchus podem também ser confundidas em cana por necroses provocadas por certas pragas, como a cigarrinha das raízes. Assim, a detecção de populações de nematoides em canaviais depende de análise de amostras de raízes e solo em laboratório. Tais análises são ainda mais necessárias porque os nematoides não chegam a provocar a morte de plantas de cana-de-açúcar, o que é comum em culturas anuais (soja, algodão etc) e até mesmo em algumas perenes. Em cana-de-açúcar, as plantas geralmente ficam menores, com colmos mais finos; as touceiras se desenvolvem menos e têm menor número de colmos; o campo como um todo se torna muito irregular e pouco produtivo; mas não se observam touceiras mortas devido ao ataque de nematoides.
36
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
Figura 2 - Produtividade da cana-soca conduzida em área infestada por nematoides, tratada com nematicida químico (carbosulfan) ou biológico (Bacillus subtilus + B. licheniformis) e não tratada (testemunha)
Galhas provocadas por Meloidogyne tanto em raízes originárias do tolete plantado como do perfilho brotado
Lesões em raízes de cana-de-açúcar provocadas por Pratylenchus
Os danos causados por esses parasitos variam em função das espécies presentes, da população de cada uma delas, do tipo de solo, da variedade de cana e de muitos outros fatores, mas estão em média entre 20% e 40% de redução de produtividade no primeiro corte, podendo chegar a mais de 50%, em casos de níveis populacionais muito altos e variedades muito suscetíveis. Nas soqueiras, a produtividade também é seriamente reduzida, comprometendo a longevidade da lavoura, que precisa ser renovada mais frequentemente em áreas infestadas. A grandeza dos danos causados por nematoides em cana-planta e em cana-soca pode ser facilmente observada em campo, pelo uso de nematicida em áreas infestadas, em comparação com áreas não tratadas:
plantas maiores apresentam menores populações de nematoides em suas raízes devido ao uso de nematicidas, no plantio ou nas soqueiras. Um exemplo dos danos causados por nematoides à cana-planta é apresentado na Figura 1, em que está representada a redução de produtividade causada por nematoides em canaviais, conduzidos em diversas áreas infestadas, nas quais o plantio foi realizado em diferentes épocas do ano. Para estimar tal dano foram comparadas as produtividades do canavial, plantado ou não com nematicida no sulco. No exemplo citado, os nematoides causaram redução de produtividade variando de 11% a 25%. Os danos causados por nematoides em soqueiras também são relevantes e podem
Aspecto de canavial implantado em área infestada por nematoides, tratado (à direita) ou não (à esquerda) com nematicida no plantio
ser percebidos quando se efetua ou não o tratamento nematicida em área infestada e se compara a produtividade tanto da área tratada como da não tratada (testemunha). Um exemplo disso está na Figura 2, em que a cana-soca foi tratada tanto com nematicida químico (carbosulfan) como com nematicida biológico (Bacillus subtilis + B. licheniformis). Tanto em cana-planta como em soqueira, o uso de nematicidas químicos ou biológicos em áreas infestadas resulta em incremento significativo de produtividade do canavial, o que confirma a importância de nematoides C em cana-de-açúcar.
Leila Luci Dinardo-Miranda, Centro de Cana-de-açúcar, Instituto Agronômico
Área infestada por nematoides, tratado (à esquerda) ou não (à direita) com nematicida na soqueira
www.revistacultivar.com.br • Abril 2018
37
Pragas e doenças
Misturados e compatíveis
Na luta para combater pragas e doenças nas culturas de algodão e soja, agricultores têm recorrido cada vez mais à associação de inseticidas e fungicidas em um mesmo tanque, na tentativa de reduzir o número de aplicações e o custo das operações. Cenário que torna fundamental conhecer os efeitos que essas misturas podem causar em relação à eficácia de controle do alvo e à fitotoxicidade sobre plantas
N
o Brasil, as culturas do algodão e da soja apresentam elevada importância econômica, sendo cultivados mais de 900 mil e 34 milhões de hectares, respectivamente. Entretanto, os agricultores podem enfrentar alguns entraves durante o ciclo dessas plantas que resultam em queda na produção. Um dos problemas reside na ocorrência de doenças fúngicas, que podem resultar em perdas de até 80% em cultivos de soja devido, por exemplo, à antracnose, ao míldio, ao oídio, a podridões, ao tombamento e à ferrugem, sendo esta última considerada uma das principais doenças da cultura. Do mesmo modo, o algodoeiro pode ser afetado por diversos fungos que causam doenças como ramulária, mofo branco, tombamento e murcha de fusarium. Outro problema que preocupa os agricultores frequentemente é o surto de lagartas, como Helicoverpa armigera (Lepidoptera: Noctuidae), identificada no Brasil no ano de 2013 com danos em diversas culturas,
38
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
atacando tanto as partes vegetativas quanto as reprodutivas. Essa espécie pode causar sérios prejuízos por ser um inseto que apresenta alto potencial reprodutivo, além de grande capacidade de dispersão e adaptação, provocando um aumento de até 15% no número de pulverizações na cultura do algodão. Para evitar danos às plantas, causados por doenças e/ou pragas, os agricultores precisam utilizar algumas medidas de controle. Muitas vezes essas ações podem ser adotadas em conjunto, para reduzir o número de pulverizações na área e também o custo para realização dessas operações.
CONTROLE DE DOENÇAS
Para controlar as doenças que afetam as culturas é necessário conhecer o patógeno (agente causal), os fatores que favorecem seu de-
CONTROLE DE PRAGAS
Para alcançar o sucesso no controle de um inseto-praga recomenda-se seguir as etapas do Manejo Integrado de Pragas (MIP), sendo necessária a tomada de decisão correta, baseada no nível populacional dos insetos em campo obtido por meio de monitoramento e identificação. Com isso em mãos, deve-se escolher o melhor método de
controle e a época de sua implementação. Sabe-se que para o controle de lagartas geralmente são utilizados produtos químicos, por ser um método de ação rápida, pela praticidade de emprego e pela oferta no mercado. Porém, deve-se atentar para a pressão de seleção desses inseticidas quando utilizados de maneira desordenada e indiscriminada, que resultará em controle ineficiente do inseto, além de efeitos colaterais indesejáveis. Para evitar ou retardar a seleção de populações resistentes aos inseticidas é importante utilizar algumas estratégias de manejo como o emprego dos produtos somente quando o nível de controle for atingido; não usar doses maiores que a recomendada; empregar inseticidas de diferentes mecanismos de ação em rotação; utilizar produtos seletivos aos inimigos naturais e associar outros métodos de controle, como o químico e o biológico.
ASSOCIAÇÃO DE PRODUTOS
Como citado anteriormente, a maior parte das doenças e das pragas é controlada por meio de produtos químicos e, muitas vezes, os agricultores misturam esses produtos no tanque do pulverizador para reduzir o número de aplicações e, consequentemente, o custo com essa atividade. Porém, é importante conhecer os efeitos que essas misturas podem causar em relação à eficácia de controle do alvo e à fitotoxicidade sobre plantas.
Fotos Caio Cesar Truzi
senvolvimento, o estádio de desenvolvimento das plantas e as cultivares que são mais ou menos suscetíveis. Um dos métodos mais utilizados para o controle de doenças causadas por fungos é o químico. Os fungicidas, por serem de fácil utilização, apresentam boa relação custo-benefício e boa eficácia quando comparados com outros métodos e acabam sendo muito utilizados pelos agricultores. Estes produtos podem ter ação protetora, curativa ou sistêmica, sendo que os fungicidas protetores apresentam a melhor forma de controle, pois impedem que a planta seja contaminada, que os fungos se multipliquem e, consequentemente, evitam a pressão de seleção sobre a população dos patógenos, pela aplicação de fungicidas que seria realizada na presença de doenças. Como exemplo de fungicidas protetores pode-se citar mancozebe, clorotalonil, sulfurados ou à base de enxofre, baseados em cobre (oxicloreto, sulfato e óxido), além das caldas cúpricas (bordalesa e viçosa).
Helicoverpa armigera em cubo de dieta artificial tratado
A fitotoxidez ocorre quando a concentração do ingrediente ativo sobre a folha resulta em queima ou destruição das células pela dificuldade da planta metabolizar essa quantidade do ingrediente ativo, prejudicando o seu desenvolvimento. Em relação ao controle, essas misturas de produtos podem potencializar ou reduzir a eficácia de determinado ingrediente ativo sobre seu alvo. Por conta disso foram realizados testes para avaliar a influência do oxicloreto de cobre, um fungicida protetor, associado aos inseticidas clorantraniliprole e metoxifenozida no controle de lagartas de H. armigera. Metoxifenozida é um inseticida não sistêmico com ação por ingestão, que é acelerador de ecdise, imitando o hormônio natural da “muda” dos insetos, o ecdisônio, que age especificamente sobre larvas de Lepidoptera (lagartas) e que pertence ao grupo químico diacihidrazina. Clorantraniliprole, que pertence ao grupo químico das diamidas antranílicas, é um inseticida que atua por contato e ingestão, sendo modulador dos receptores de rianodina das células musculares dos insetos; possui alta atividade larvicida causando interrupção da alimentação, paralisia e morte do inseto. Os testes foram realizados em laboratório com uso de cubos de dieta artificial imersos nas respectivas caldas dos produtos por três segundos, sendo posteriormente secos em temperatura ambiente e oferecidos para alimentação de lagartas de terceiro instar (cinco dias de idade). O experimento totalizou 11 tratamentos: T1) Água destilada (controle); T2) Oxicloreto de cobre (117,6g i.a.); T3)
www.revistacultivar.com.br • Abril 2018
39
Antonio Eduardo Fonseca
Figura 1 - Mortalidade (%) de lagartas de Helicoverpa armigera tratadas apenas com inseticidas, somente com fungicidas ou com a mistura dos produtos. Barras seguidas de letras iguais não diferem pelo teste de Kruskal-Wallis
Oxicloreto de cobre (294g i.a.); T4) Clorantraniliprole (15g i.a.); T5) Clorantraniliprole (30g i.a.); T6) Metoxifenozida (75g i.a.); T7) Metoxifenozida (150g i.a.); T8) Clorantraniliprole (15g i.a.) + oxicloreto de cobre (294g i.a.); T9) Clorantraniliprole (30g i.a.) + oxicloreto de cobre (294g i.a.); T10) Metoxifenozida (75g i.a.) + oxicloreto de cobre (294g i.a.); e T11) Metoxifenozida (150g i.a.) + oxicloreto de cobre (294g i.a.), sendo todas as quantidades para um volume de 100L. As quantidades utilizadas foram baseadas nas recomendações dos produtos para a cultura do algodão, sendo que para o fungicida foram testados o recomendado e o dobro da dosagem, enquanto que para os inseticidas foram utilizados o recomendado e a metade do recomendado. A mortalidade de lagartas foi registrada 24 horas, 48 horas, 60 horas e sete dias após o início da alimentação. As análises realizadas evidenciaram que o tratamento 8 {Clorantraniliprole (15g i.a.) + oxicloreto de cobre (294g i.a.)} provocou maior mortalidade de lagartas após 24 horas e 48 horas, sendo de 60% (Figura 1). Após 60 horas de alimentação, os tratamentos que incluem o clorantraniliprole isolado (T4) ou associado (T8) resultaram em maior mortalidade, sendo de 70% em associação e 50% de forma isolada. Já no tempo máximo de avaliação, sete dias, a sobrevivência do controle, tratado apenas com água, foi de 75%. Nos demais tratamentos onde foi utilizado apenas o inseticida ou a associação inseticida + fungicida, a mortalidade variou entre 95% e 100%. Deste modo, pode-se observar que ambos os inseticidas, associados ou
Planta de soja afetada pela ferrugem -asiática (Phakopsora pachyrhizi)
não, apresentaram controle eficiente de lagartas de H. armigera, em condições de laboratório. Quando se analisa o efeito isolado do oxicloreto de cobre sobre as lagartas, observa-se que houve maior mortalidade em relação ao controle, porém esta mortalidade não caracteriza que o oxicloreto de cobre apresenta elevada ação inseticida sobre H. armigera. Entretanto, quando esse fungicida foi utilizado em associação com os inseticidas, principalmente metoxifenozida, foi observado que a mortalidade de lagartas foi maior após 60 horas (T10 e T11). Durante a preparação das caldas foi observado que esses produtos são compatíveis em misturas, evitando possíveis problemas durante a aplicação como o entupimento das pontas de pulverização. Além disso, os resultados observados demonstraram que são eficazes para o controle de H. armigera, sendo que o fungicida utilizado em associação com os inseticidas pode até mesmo auxiliar na eficiência C de controle do inseto.
Caio Cesar Truzi, Natalia Fernanda Vieira, Alessandra Marieli Vacari e Sergio Antonio De Bortoli, Fac. de Ciências Agrárias e Veterinárias, FCAV/Unesp, Jaboticabal (SP)
Caio Cesar Truzi
40
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
Algodão
Doença azul
Também conhecida como mosaico das nervuras forma Ribeirão Bonito e por virose atípica, a mais importante enfermidade causada por vírus em algodoeiro é transmitida pelo pulgão (Aphis gossypii). Seu controle no Brasil está alicerçado no uso de cultivares resistentes e no emprego de inseticidas contra o vetor Rafael Galbieri
www.revistacultivar.com.br • Abril 2018
41
Fotos Alderi Emídio de Araújo
Colônia de pulgões (Aphis gossypii) no algodoeiro
Planta de algodão com sintomas de doença azul
A
tualmente conhecido como “doença azul”, o mosaico das nervuras forma Ribeirão Bonito foi assim chamado por se referir à ocorrência de uma suposta estirpe mais agressiva do vírus do mosaico das nervuras, observada por Costa e Carvalho (1962), afetando plantios de algodão no município de Ribeirão Bonito, no estado de São Paulo. Posteriormente, uma doença com o mesmo sintoma foi constatada no Paraguai, onde os técnicos locais associaram com a doença azul que ocorria na República Centro-Africana. Assim, quando os primeiros surtos desta virose começaram a ocorrer no Brasil, não se sabia ao certo de qual doença se tratava, se da doença azul verificada no Paraguai e associada com a que ocorria na África ou do mosaico das nervuras forma Ribeirão Bonito. A dúvida persistiu por longo período e, mesmo assim, foram conduzidos programas de melhoramento para resistência à doença e estratégias de controle da virose foram estabelecidas. Em 2005 foi realizado o sequenciamento do gene da capa proteica e de parte do gene da polimerase do vírus e, de acordo com análises comparativas das sequências, associaram a um Polerovírus da família Luteoviridae, tendo sido proposta a nomenclatura Cotton leafroll dwarf virus, CLRDV, encerrando a controvérsia existente. Portanto, a mais
42
importante virose do algodoeiro no Brasil é a doença azul, causada pelo vírus CLRDV. A doença se caracteriza por causar o encurtamento dos entrenós, mosaico ou palidez ao longo das nervuras, melhor visualizado pela observação das folhas contra a luz, e o restante da folha aparenta uma coloração verde azulada ou mesmo arroxeada. Rugosidade e intensa curvatura do limbo a partir das bordas são também verificadas. É comum nos casos mais severos que haja um vermelhão no limbo alcançando nervuras e pecíolo. O encurtamento dos entrenós causa enfezamento da planta, cujo crescimento cessa. A produção é completamente comprometida. O vírus da doença azul é transmitido pelo pulgão (Aphis gossypii) e plantas expostas à alimentação por esses insetos infectados podem desenvolver sintomas em torno de 18 dias após o contato com o vetor. Na safra 2005/2006 foram observados focos da doença azul em áreas onde estavam sendo cultivadas variedades resistentes. As plantas normalmente não exibiam os sinais característicos da doença azul, e sim alguns sintomas atípicos, como folhas com coloração avermelhada e plantas com pouca ou nenhuma redução de crescimento. Estudos realizados posteriormente permitiram concluir que
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
os sintomas atípicos também eram ocasionados após a picada do mesmo vetor, o que poderia caracterizar assim como uma virose atípica. As observações feitas sobre a reação de diferentes variedades de algodoeiro em relação à virose atípica e à doença azul levaram a crer que poderia se tratar de patógenos diversos para doenças diferentes. Os estudos direcionados à caracterização dos vírus associados às duas formas da doença indicaram uma diferença na sequência de uma proteína que pode ter conferido ao vírus CLRDV a capacidade de superar a resistência de algumas cultivares de algodoeiro. Com base nesses resultados, os programas de melhoramento genético do algodoeiro, conduzidos atualmente no Brasil, levam em consideração a existência de dois patógenos, que provavelmente tenham características distintas. Ao mesmo tempo, cuidados devem ser dispensados de maneira mais incisiva no que se refere ao controle do pulgão em cultivares resistentes à doença azul e suscetíveis à virose atípica.
COMO CONTROLAR
O controle da doença azul no algodoeiro se baseia em dois princípios: o uso de cultivares resistentes e o controle químico do vetor, no caso o pulgão Aphis gossypii. Em cultivares resistentes tanto à doença
Alderi Emídio de Araújo
Fileira de plantas de algodão com sintomas de doença azul
azul quanto à virose atípica, os níveis de pulgão podem atingir até 60% das plantas com colônias para que sejam iniciadas as aplicações de inseticidas para o controle. Em cultivares com resistência intermediária, os níveis de infestação de pulgões não devem ultrapassar 40% das plantas com colônias. O período de aplicação de inseticidas nas cultivares resistentes deve se estender dos 20 dias aos 70 dias após a emergência e dos 110 dias aos 130 dias. A amostragem deve ser realizada para detectar pulgões na face inferior das folhas e vistoriar a folha aberta mais alta na planta (ponteiro). O nível de controle é atingido quando a infestação for de 20 pulgões por folha ou 50% a 60% de plantas com pulgões. No caso do plantio de cultivares suscetíveis, o período de controle deve ser mais amplo e se estenderde cinco dias a 100 dias após a emergência e de 110 dias a 135 dias. A amostragem deve ser efetuada dividindo-se a planta em três partes e com exame da face inferior de uma folha do ponteiro, da parte intermediária e do baixeiro. O nível de controle é estabelecido a partir de um a dez pulgões por folha ou de 5% a 10% de plantas com três a cinco pulgões. Na
Tabela 1 são apresentados os danos ocasionados pela doença azul em uma cultivar de algodoeiro suscetível, não submetida ao controle químico. Os valores permitem observar a dimensão dos prejuízos causados à produção no caso de descuido do produtor em adotar as medidas de controle no período adequado. A nota dada ao nível de doença varia de 1 a 5, sendo 1 a planta sem sintomas e 5 a planta com os sintomas mais severos. É importante destacar que a aplicação de inseticidas após os 100 dias tem por objetivo, principalmente, o controle do pulgão como praga e não propriamente como vetor das viroses, uma vez que as
fezes açucaradas do inseto podem ocasionar o fenômeno de caramelização da fibra ou “algodão doce”, que sofre severas restrições da indústria têxtil. Recomenda-se que os produtores procurem informações seguras, junto às empresas obtentoras, sobre os níveis de resistência das cultivares a serem plantadas em suas áreas de produção, no que se refere à doença azul e à virose atípica, para estabelecer estratégias de controle que minimizem os riscos ao rendimento C de suas lavouras.
Alderi Emídio de Araújo, Embrapa Algodão
Tabela 1 - Efeito de níveis de severidade da doença azul sobre as características agronômicas de uma cultivar de algodoeiro suscetível não submetida ao controle químico. Nota* Produção (g/planta) Capulhos/planta Altura da planta (cm) Peso do capulho (g) % de fibra 1 94,0 21,1 124,2 4,5 41,4 2 59,6 14,8 115,7 4,0 40,5 3 51,7 15,0 91,4 3,4 39,9 4 24,7 8,4 79,5 3,0 33,8 5 7,9 4,0 60,6 2,1 23,6 *1. Planta sem sintomas; 5 Sintomas mais severos
www.revistacultivar.com.br • Abril 2018
43
Coluna Agronegócios
Fake news: não acredite sem confirmar em fonte segura
A
ntigamente, alertava-se que “o papel aceita tudo”. Hoje é a internet que aceita tudo. Incluindo fake news, que se propagam a uma velocidade superior às notícias verdadeiras. Um informe publicitário (https:// g1.globo.com/pr/parana/especial-publicitario/apreaa/noticia/ agrotoxicos-podem-causar-cancer-apontam-pesquisas.ghtml) afirmava que os paranaenses consumiam 8,7 litros de agrotóxicos por pessoa. Poderia ser escrito um livro para rebater essa fake news, tantos são os argumentos contrários. Entrementes, uma conta bem simples é suficiente para mostrar quão longe ela está da verdade. Tomemos como exemplo o Malation, um dos inseticidas mais seguros, utilizado no fumacê para combater o mosquito da dengue. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, sua dose letal 50 (DL50 - a dose que levou a óbito 50% dos animais em teste) é de 1g/kg de peso vivo. Considerando que ele é vendido com diluição de 50%, a dose passa para 2g/ kg. Uma pessoa de 70kg teria 50% de probabilidade de morrer se ingerisse 140g do produto comercial. Para os pesticidas mais tóxicos, 10g seria suficiente. Agora, imagine se fosse verdade que consumimos 8.700g (8,7 litros) de agrotóxico por ano, a maioria mais tóxica que o Malation. Não teria sobrado um único paranaense vivo, sequer para envenenar os demais! Não existem apenas agrotóxicos sintéticos, eles também são produzidos nas plantas, para sua defesa – e são altamente tóxicos, venenos perigosos. São centenas de “bioagrotóxicos” que existem naturalmente nos alimentos que consumimos todos os dias, ou em outros vegetais. E por que esses alimentos não causam intoxicação em massa? Vamos às explicações. 1. Solanina. É um glicoalcaloide produzido por solanáceas (batata, tomate, berinjela), estando presente em toda a planta, com maior concentração nas partes verdes. As batatas cultivadas possuem cerca de 100mg/kg de solanina. Sua DL50 é de 42mg/kg. Assim, uma pessoa de 70kg que consumisse 2,94g de solanina teria 50% de probabilidade de vir a falecer. Essa quantidade é encontrada em 29,4kg de batata. Assim como ocorre com os pesticidas sintéticos, os biopesticidas são metabolizados no organismo. Logo, quando a pessoa atingir o consumo de 29,4kg de batata – digamos, em três meses - a maior parte da solanina já foi metabolizada pelo organismo, ela nunca consegue acumular 2,94g no corpo. 2. Capsaicina. É um alcaloide presente nas pimentas e nos pimentões. Sua LD50 é de 47,2mg/kg, além de ser referido como indutor de câncer gástrico. O teor de capsaicina em pimentas muito ardidas é superior a 4g/kg. Logo, o consumo médio de 3,3g de capsaicina poderia ocasionar a morte de 50% das pessoas que consumissem 825g de pimenta. Por que não ocorre um morticínio generalizado entre baianos ou mexicanos? Pelas razões expostas acima, o organismo inativa a toxina antes de atingir a dose fatal.
44
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
3. Cafeína. Trata-se de um alcaloide tóxico e viciante, presente no café e em diversos chás, com LD50 de 367mg/kg. Um café de coador pode ter até 800mg/L de cafeína. Chás podem chegar a 150mg/L. Assim, seriam necessários 25,7g de cafeína para levar a óbito 50% das pessoas que ingerissem tal dose, que equivale a 32 litros de café. Como já afirmado acima, quando uma pessoa tiver ingerido esse volume, o organismo já eliminou a maior parte da cafeína ingerida, portanto ela não se intoxica. 4. Miristina. Trata-se de um alcaloide encontrado em temperos, muito comum na noz moscada. Sua DL50 é semelhante à do inseticida Malation, descrito no início deste artigo. Diversos biopesticidas são utilizados para controle de pragas agrícolas ou urbanas. Alguns deles não estão presentes em produtos alimentícios, como a aziradactina, que é encontrada em plantas como o nim. O óleo de nim, rico em aziradactna, é utilizado como pesticida na agricultura orgânica, apesar de ser altamente tóxico para diversas espécies não visadas, como é o caso das abelhas. A DL50 da aziradactina é de 13mg/kg, ou seja, menos de 1g da substância seria suficiente para ocasionar a morte de 50% das pessoas expostas. Dessa forma, o óleo de nim, um biopesticida natural, é cerca de 77 vezes mais tóxico que o malation, ou 120 vezes mais tóxico que o tiametoxam, um neonicotinoide largamente utilizado no mundo. A ricina, presente em mamona, é uma toxina poderosa, sendo sua LD50 de 1mg/kg. Bastariam 70mg para levar a óbito 50% das pessoas, pesando 70kg, que ingerissem essa pequena quantidade. E, finalmente, um exemplo de uma toxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum, a toxina botulínica, base do botox. Sua LD50 é de apenas 0,4 nanogramas/kg, ou seja, meros 28 nanogramas seriam suficientes para matar 50% das pessoas de 70kg que recebessem esta dose. Lembrando que um nanograma equivale a um bilionésimo de grama. O fato central é que não existem registros oficiais de mortes de pessoas diretamente causadas pela presença de resíduos de agrotóxicos, sejam eles sintéticos ou naturalmente presentes nas plantas ou bactérias. A razão já foi exposta acima – a rápida degradação no organismo, que evita a acumulação, evitando que a dose letal média seja atingida. Portanto, não apenas é uma fake news um paranaense ingerir 8,7 litros de agrotóxico por ano, como não é possível alguém consumir esse volume e, se possível fosse, estaria morto com a ingestão de apenas uma pequena fração. A ausência de registros de mortes atribuídas à presença de resíduos de pesticidas é o golpe final na fake news. Portanto, não acredite em tudo o que circula na Internet, C confirme antes com um especialista.
Decio Luiz Gazzoni, O autor é Engenheiro Agrônomo, Membro do Conselho Científico Agro Sustentável
Coluna Mercado Agrícola MILHO
Reação já neste começo de ano
O mercado do milho registrou forte alta nos primeiros meses do ano, com níveis na faixa de R$ 40,00 a saca (patamares de R$ 15,00 a mais por saca em relação ao mesmo período do ano passado). Isso serviu de apoio para que o plantio da safrinha se alongasse e que a área, com indicativos de queda, recuperasse o fôlego e até mostrasse avanço. Tudo aponta para mais de 60 milhões de toneladas nesta segunda colheita, que, aliada a pouco mais de 24 milhões de toneladas da primeira safra, resultará em algo ao redor de 85 milhões de toneladas de colheita total. Volume que deverá servir para atender a demanda interna, exportações e manter cotações lucrativas aos produtores.
SOJA
Safra recorde e exportações fortes
O mercado da soja do Brasil ainda contabiliza a colheita, mas já há sinais de recorde, como o registrado no Mato Grosso, que fechou a colheita com quase 32 milhões de toneladas, frente a pouco mais de 30 milhões de toneladas do ano passado. O restante do Brasil também segue na mesma linha, com a Bahia com
colheita recorde se aproximando de cinco milhões de toneladas e produtividades em parte das lavouras que superam as 80 sacas por hectare. Com números muito fortes, os produtores estão se capitalizando e vendendo com indicativos de R$ 12,00 a R$ 15,00 por saca acima do que venderam no ano passado. Os portos têm negociado muito grão na faixa de R$ 80,00 por saca.
FEIJÃO
O feijão voltando a ter pressão de compra
O mercado do feijão teve uma boa safra de verão, mas perdeu qualidade, o que gerou calmaria nos primeiros três meses do ano e cotações fracas. Agora, o quadro começa a mudar para mais demanda, procura pelo produto de melhor qualidade, com cotações em alta e pressão positiva aguardada para as próximas semanas. Com espaço para avançar forte e ir a níveis acima de R$ 120,00 a saca para o Carioca, frente a patamares de R$ 90,00 a R$ 100,00 anteriores.
ARROZ
Colheita deixando mercado ainda fraco
O arroz teve a safra com atraso no Rio Grande do Sul neste ano e a colheita efetiva começou somente na segunda quinzena
de março. Com isso, a pressão negativa nas cotações ainda vai permanecer agindo neste novo mês e provavelmente até maio. O setor teria mais fôlego se houvesse um bom canal de exportação, como ocorre com o milho que obteve força positiva em cima da exportação e da boa demanda externa. O arroz tem boa demanda interna, mas é frágil na exportação. Neste momento, o porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, fica tomado pelo movimento da soja e não consegue dar fluxo ao arroz. Há condição apenas para embarcar pouco produto e o ideal seriam grandes volumes exportados para que servisse de pressão de alta nos indicativos internos. O mercado mostra bom potencial para o segundo semestre. A boa notícia é que a safra deste ano mostra boa qualidade no grão e isso deverá ser C valorizado à frente.
Vlamir Brandalizze Twitter @brandalizzecons www.brandalizzeconsulting.com.br
Curtas e boas TRIGO - O mercado do trigo registrou forte alta nestes primeiros três meses do ano, nas cotações internacionais, devido ao clima, com seca nas grandes planícies dos EUA, inverno alongado e duríssimo na Europa e principalmente no leste europeu. Com isso, as primeiras estimativas da safra já mostram que podem ter ocorrido perdas ao redor de dez milhões de toneladas. O quadro de trigo barato aparentemente passou e deve começar a dar lugar a avanços nos indicativos que tendem a chegar ao Brasil também na nova safra que começará a ser plantada. O consumo deve chegar a 12 milhões de toneladas e a produção em torno de cinco milhões de toneladas. Com esse cenário abre-se espaço para crescimento do plantio nos estados centrais. EUA - O plantio da nova safra começa em algumas semanas e tudo indica que haverá redução da área de milho e aumento da área de soja. Os primeiros indícios apontam que a soja avança entre 500 mil hectares e 700 mil hectares e pode chegar ao total de 37,2 milhões de hectares. O milho deverá perder entre 350 mil hectares e 500 mil hectares e ficar abaixo de 36 milhões de hectares. Esses serão os fatores a comandar Chicago nestes próximos meses. CHINA - A China está em guerra comercial com os EUA,
porque foi sobretaxada em seu aço nas importações americanas e isso causa perdas importantes aos asiáticos. Com isso, joga forte suas compras de soja no mercado brasileiro e neste começo de temporada tem sido líder absoluta em comprar a oleaginosa do Brasil, com mais de 70% das compras até o momento e expectativa de alcançar algo na faixa de 55 milhões de toneladas a 60 milhões de toneladas neste ano. Mesmo assim, não poderá se dar ao luxo de deixar de comprar nos EUA, porque terá uma demanda próxima de 115 milhões de toneladas e mais de 100 milhões de toneladas deverão ser importadas neste novo ano. O país continuará evoluindo na produção do etanol do milho e haverá crescimento das importações do cereal nos próximos anos. ARGENTINA - A safra dos argentinos foi uma das piores das últimas décadas, afetada pela seca e o calor extremo, com números muito fracos para soja e milho. Onde deveria colher mais de 58 milhões de toneladas de soj, tende a não alcançar 40 milhões de toneladas. O milho, que deveria superar 42 milhões de toneladas, tem indicativos de colheita de 32 milhões de toneladas. Deixa, assim, o mercado mundial descoberto, porque é um dos grandes exportadores mundiais de grãos.
www.revistacultivar.com.br • Abril 2018
45
Coluna ANPII
Chave para o desenvolvimento Um forte e contínuo investimento em pesquisas é indispensável para que o Brasil possa manter a importância que detém no agronegócio
A
evolução da agricultura brasileira chama a atenção em no altamente disputado mercado internacional. todo o mundo. De um país que até poucos anos imA geração de tecnologias não se faz aos saltos, mas sim dentro portava alimentos como leite, carne e outros, passou de um processo contínuo e ininterrupto. Uma pesquisa intera exportador, enviando nutrientes para diversas partes do globo. rompida, seja em qualquer área do conhecimento humano, mas Atualmente é exportador de proteína animal, soja, café, açúcar, principalmente na agricultura, não pode ter seu prejuízo medido celulose e outros produtos do campo. Mas o que levou o país, em apenas pelo número de anos que esteve interrompida, mas sim por poucos anos, a sair da condição de importador para provedor de este tempo multiplicado por vários números. Uma pesquisa que nutrição para muitos milhões de pessoas em boa parte do mundo? se descontinue por um ano, vai ter reflexos por muitos e muitos Lógico que isto não se deve a nenhum fator isolado, mas a um anos mais. conjunto harmônico de fatos que, somados e de forma sinérgica, A produção e o uso dos inoculantes no Brasil tiveram e têm levaram a esta atual situação. As condições climáticas do país, com na pesquisa arcabouço científico. A seleção de estirpes, os meios muitos dias de sol, possibilidade de duas ou três safras por ano, água de cultivo e tudo o mais que dependa fortemente de ciência mais em abundância na maioria das regiões e terras disponíveis para profunda são desenvolvidos nos órgãos de pesquisa. As empreagricultura, têm sido um fator decisivo para sas, daí para a frente, fazem sua parte de que a atividade agrícola seja atualmente o desenvolver protocolos para produção em motor da economia brasileira. Mas o comalta escala, desenvolver embalagens e tudo Diversos países ponente humano desempenha um papel o que seja necessário para colocar um excejá investem de elevado protagonismo nesta situação. lente produto na mão do agricultor. As pessoas envolvidas na agricultura Assim, a Associação Nacional dos Profortemente em têm papel fundamental: de um lado o dutores e Importadores de Inoculantes novas tecnologias agricultor, que com tenacidade e espírito (ANPII) vê com apreensão o desmonte que agrícolas e o para aceitação da tecnologia possibilitou atualmente se observa em muitas instituias elevadas produtividades hoje obtidas ções de pesquisa, com cortes de bolsas, Brasil não poderá no campo, e de outro os pesquisadores, de custeio, de admissão de novos pesquide forma alguma em institutos, universidades e empresas sadores, enfim, uma visão míope que vai privadas que propiciaram um forte subsnos distanciar dos países que, mesmo em perder esta posição trato científico, colocando à disposição do situação de crise, têm a visão de futuro e de liderança que agricultor um amplo leque de opções tecnoinvestem mais fortemente em pesquisas, hoje exerce. O lógicas nos mais diversos recantos do Brasil sabendo que isto é uma ferramenta que vai e para as principais culturas, sejam as de abrir caminho para sair da crise e entrar em mundo precisa grandes áreas, bem como as de pequenos novo ciclo de crescimento. dos alimentos aqui agricultores. Claro que não se pode deixar Para que o agronegócio continue em de acrescentar os assistentes técnicos sua carreira vitoriosa, por anos a fio, de produzidos em suas mais variadas vertentes, da área forma sustentável, é necessário um forte pública, através de Emater, cooperativas e e contínuo investimento em pesquisas, consultorias privadas. que irão gerar inovações, permitindo uma competitividade com A pesquisa, salvo nos raríssimos casos de “estalo”, de desas nações mais desenvolvidas do mundo. Se secarem as fontes cobertas sensacionais, é fruto de um processo, que começa na de financiamento para as instituições de investigação científica, longa formação e maturidade do pesquisador. Em paralelo vem o este período de sucesso no agronegócio poderá se assemelhar equipar dos laboratórios, dos trabalhos de campo, da construção a um “voo de galinha”, ficando uma nostalgia da era de ouro do de um arcabouço que vai, paulatinamente, levando a pequenas agronegócio. Diversos países já investem fortemente em novas descobertas que, somadas e de maneira sinérgica, formam uma tecnologias agrícolas e o Brasil não poderá de forma alguma perder rede de conhecimento coletivo, a qual culmina com a obtenção esta posição de liderança que hoje exerce. O mundo precisa dos C de um arsenal de tecnologias que levam à maior produtividade, alimentos aqui produzidos. à maior rentabilidade dos fatores de produção, como solo, água, Solon Araujo, nutrientes e tudo o que uma planta necessita para gerar mais e mais Consultor da ANPII alimentos e à maior competividade, atualmente um fator decisivo
46
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br