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Cultivar 225 (5)

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Destaques

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Índice

Horizonte enferrujado

Como enfrentar os riscos de agravamento da ferrugem-asiática, principalmente nas lavouras de soja semeadas de modo tardio

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Melhor manejo

Planejamento adequado para o bom uso das áreas de cultivo no período da safrinha

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Impacto no bolso

O assustador custo da resistência de plantas daninhas à aplicação

Cultivar Grandes Culturas • Ano XIX • Nº 225 Fevereiro 2018 • ISSN - 1516-358X Crédito de Capa: Carolina Deuner

Diretor Newton Peter www.grupocultivar.com cultivar@grupocultivar.com Assinatura anual (11 edições*): R$ 269,90 (*10 edições mensais + 1 edição conjunta em Dez/Jan)

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Nematoide das galhas em arroz

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Helicoverpa e falsa-medideira

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Desafios da ferrugem-asiática na safra

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Desempenho de cultivares de soja

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Nematoide Tubixaba em Goiás

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Uso planejado das áreas na safrinha

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Mistura de agroquímicos em tanque

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Fertilizantes de liberação gradual em cana

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Impactos da resistência de daninhas

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Empresas - Proteção de sementes

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Coluna Agronegócios

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Coluna Mercado Agrícola

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Coluna ANPII

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Expediente Fundadores: Milton Sousa Guerra e Newton Peter

de herbicidas no Brasil

Grupo Cultivar de Publicações Ltda. CNPJ : 02783227/0001-86 Insc. Est. 093/0309480 Rua Sete de Setembro, 160, sala 702 Pelotas – RS • 96015-300

Diretas

Números atrasados: R$ 22,00 Assinatura Internacional: US$ 150,00 Euros 130,00 Nossos Telefones: (53) • Geral 3028.2000 • Comercial: • Assinaturas: 3028.2065 3028.2070 3028.2066 • Redação: 3028.2067 3028.2060

Por falta de espaço não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@grupocultivar.com Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.

REDAÇÃO • Editor Gilvan Dutra Quevedo

• Vendas Sedeli Feijó Rithieli Barcelos José Luis Alves

• Redação Rocheli Wachholz Karine Gobbi • Design Gráfico e Diagramação Cristiano Ceia • Revisão Aline Partzsch de Almeida COMERCIAL • Coordenação Charles Ricardo Echer

CIRCULAÇÃO • Coordenação Simone Lopes • Assinaturas Natália Rodrigues Clarissa Cardoso • Expedição Edson Krause

GRÁFICA: Kunde Indústrias Gráficas Ltda.


Diretas

Estufa

A Bayer anunciou o investimento de aproximadamente 45 milhões de euros na construção de uma estufa de 11 mil m² em Monheim, na Alemanha, voltada à pesquisa de inseticidas. Um laboratório de 1.200m² e escritórios de 870m² também fazem parte do complexo. Trata-se do maior projeto individual da empresa, em Monhein, em um programa de investimentos que soma 170 milhões de euros nos últimos seis anos. "O novo prédio nos ajudou a superar um dos desafios fundamentais de nossos tempos: a proteção do fornecimento mundial de alimentos", disse o chefe da área de Distribuição de Produtos e membro do Comitê Executivo da divisão Crop Science da Bayer, Dirk Backhaus.

Antonio Morelli, Shandrus Carvalho e Rafael Coelho

Parceria

A FMC Agricultural Solutions estabeleceu uma parceria com a Agronow, plataforma de inteligência de mercado com monitoramento, previsão e análises de safras. Inicialmente, o acordo abrange o monitoramento da evolução de 268 campos de testes de soja no Cerrado Brasileiro que utilizam o Programa Gennesis, da FMC. “A FMC é a primeira empresa do segmento a realizar esse investimento. Estamos trilhando o caminho da inovação e nosso intuito é expandir o projeto para outras culturas. Utilizando o sistema da Agronow, os produtores podem realizar a previsão da safra e diminuir os custos de operação em 30%. Além disso, podem checar se sua estratégia está correta e se a produtividade esperada será atingida”, comentou o diretor de Marketing da FMC, Shandrus Carvalho.

Aplicativo

Nery Ribas

Produtividade

A décima edição do Desafio Nacional de Máxima Produtividade, promovido pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb), safra 2017/2018, registrou mais de 5,5 mil inscrições neste ano. O estado com maior adesão foi o Rio Grande do Sul, com 1.808 produtores inscritos e no total geral, agricultores de 956 municípios participarão. “Este é um recorde de inscrições. Cada vez mais o sojicultor se interessa na troca de experiências e conhecimento técnico. É por isso que, ano após ano, o Desafio ganha cada vez mais projeção no mercado”, comemorou o presidente do Cesb, Nery Ribas. A partir da primeira quinzena de fevereiro, o Comitê dará início às auditorias. A premiação será realizada no mês de junho.

Acaba de ser lançado o aplicativo Basf Agro para smartphones. A plataforma permite que os produtores acessem as principais soluções da empresa, por cultivo ou por problemas (pragas, doenças e plantas daninhas), além de encontrarem, de forma rápida e off-line, informações para o manejo eficiente nas lavouras. O aplicativo está disponível para os sistemas iOS e Android. “Essa plataforma tem o objetivo de auxiliar o agricultor na tomada de decisão e, consequentemente, na redução de riscos. O desenvolvimento do aplicativo Basf Agro reforça a nossa estratégia em atender as necessidades do produtor rural e o nosso comprometimento em apresentar soluções cada vez mais inovadoras”, avalia o gerente de Marketing Digital para a América Latina da Basf, Almir Araújo.

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Arroz

Problema à vista Presença do nematoide das galhas Meloidogyne graminicola em lavouras de arroz irrigado do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina acende sinal de alerta sobre o potencial de danos dessa ameaça silenciosa e oculta. Monocultivo e emprego de cultivares suscetíveis estão entre os aspectos que contribuem para o rápido crescimento populacional desse parasito no solo

A

produção mundial de arroz (Oryza sativa L.) atinge anualmente 700 milhões de toneladas. No Brasil, o Rio Grande do Sul se destaca como maior estado produtor, com área de 1,10 milhão de hectares destinada ao cultivo de arroz irrigado, o que garante mais de 70% da produção nacional deste cereal. Apesar de os números se mostrarem expressivos, a demanda por aumento da produtividade das lavouras arrozeiras é cada vez mais constante, principalmente devido à importância social da cultura em relação à nutrição humana. Embora esta demanda seja premente, diversos problemas de ordem fitossanitária apresentam capacidade para limitar o potencial produtivo da cultura do arroz irrigado. Dentre estes fatores, os nematoides parasitos de plantas podem destacar-se no cenário orizícola. Estes micro-organismos são especializados em infectar

Leandro Py

e prejudicar o crescimento do sistema radicular das plantas. Um dos principais grupos envolvidos neste processo é o dos nematoides das galhas, considerado de maior importância econômica na agricultura mundial. Este grupo pode parasitar número superior a duas mil espécies de plantas, sendo já catalogadas mais de 100 espécies pertencentes ao gênero. Apesar da grande diversidade que compõe este grupo e das várias espécies que podem atacar a cultura do arroz irrigado, Meloidogyne graminicola é a mais presente e prejudicial nas diferentes partes do globo. Estimativas apontam que o impacto causado por esse nematoide em lavouras de arroz irrigado em países asiáticos pode chegar a 80%. Os sintomas relacionados à infecção causada por Meloidogyne sp. em arroz variam de acordo com o grau de resistência das plantas, com a densidade populacional do nematoide no solo e com as

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Fotos Paulo Santos

Sintoma na raiz conhecido comumente como cabo de guarda-chuva e exemplares de Meloidogyne sp., dentro e fora da raiz

práticas de manejo utilizadas nas lavouras. No entanto, os sintomas geralmente começam pela formação de galhas nas pontas das raízes (comumente conhecidas como cabo de guarda-chuva), que prejudicam significativamente o desenvolvimento do sistema radicular, refletindo na parte aérea e na fisiologia da planta. A infecção de nematoides nas raízes das plantas interfere diretamente no fluxo de absorção e transporte de água e nutrientes, podendo refletir em sintomas na parte aérea, como raquitismo, clorose, perda de vigor, retardo na maturação e redução no perfilhamento, o que prejudica o crescimento das plantas e pode causar redução substancial no rendimento da cultura. Frente a essa situação, nos últimos anos o Instituto Phytus tem realizado levantamentos em lavouras de arroz irrigado no estado do Rio Grande do Sul, em parceria com a Basf e com a FMC, em Santa Catarina, a fim de estudar a distribuição deste nematoide em regiões produtoras. Para isso, foram coletadas 112 amostras contendo solo e raiz em diversas lavouras comerciais de 11 municípios produtores do estado gaúcho (Rosário do Sul, Uruguaiana, Formigueiro, Mata, São Sepé, Itaqui, São Vicente do Sul, Alegrete, São Pedro do Sul, São Borja e Jaguari) e cinco municípios do estado de Santa Catarina (Turvo, Ermo, Timbé do Sul, Meleiro e Rio do Oeste). Nessas lavouras coletou-se uma amostra composta de plantas de arroz e solo proveniente de pelo menos cinco pontos de cada área, efetuados em caminhamento zigue-zague. Após isso, as amostras foram levadas ao laboratório de nematologia do Instituto Phytus, para identificação e quantificação de nematoides. Em laboratório, as amostras coletadas foram submetidas à extração e a população foi estimada pela contagem, com uso de microscópio óptico. Determinou-se o número de nematoides em 200cm³ de solo e em 10g de raiz. Realizou-se a identificação de gênero através da monta-

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gem de laminas temporárias, seguida de observação, baseando-se em caracteres morfométricos de chaves taxonômicas. De acordo com os resultados, praticamente todos os municípios amostrados em ambos os estados apresentaram a presença do nematoide das galhas em diferentes densidades populacionais. Nas amostras do Rio Grande do Sul houve variação entre dez a 4.370 juvenis em 200cm³ de solo, e nas raízes de dez a 14.800 juvenis em 10g de raiz. Nas amostras coletadas no estado de Santa Catarina a variação foi de 170 a 1.590 juvenis em 200cm³ de solo e de 1.050 a 18.420 juvenis em 10g de raiz. A média dos valores obtidos nos respectivos municípios demonstra uma variação populacional de 890 juvenis no solo e 1.810 nas raízes, referentes às amostras do estado do Rio grande do Sul. Nas amostras de Santa Catarina o valor médio foi de 540 juvenis no solo e 5.590 nas raízes (Gráfico 1). Diante dos resultados prévios obtidos neste estudo verifica-se a elevada presença deste nematoide nas lavouras arrozeiras. Esses resultados levantam alguns questionamentos interessantes acerca dessa problemática. Uma das prováveis causas para a elevada ocor-

Gráfico 1 - Número médio de juvenis de Meloidogyne sp., encontrados em 200cm³ de solo e em 10g de raízes nos diferentes municípios amostrados nos estados do RS e SC


rência desse nematoide é o monocultivo de arroz com cultivares suscetíveis ao longo de anos, devido à dificuldade de se fazer rotação de culturas com plantas não hospedeiras, o que contribui significativamente para o rápido crescimento populacional desse nematoide no solo. Outra possível causa relaciona-se ao desconhecimento e à falta de diagnóstico do problema por técnicos e produtores, onde os danos causados pelo nematoide acabam não sendo vinculados, sendo confundidos com outros eventos, tais como deficiências nutricionais, ataque de outros patógenos de solo (Orizophagosoryza - bicheira-da-raiz), fitotoxidez causada por herbicidas ou até dano indireto por excesso de ferro no solo. Apesar de serem conhecidos todos os sintomas citados, a planta de arroz possui mecanismos de “plasticidade”, que lhe possibilitam adaptar-se a condições específicas de cultivo, onde características morfológicas iniciais sofrem mudanças para possibilitar a adaptação da planta para superar determinada situação de estresse, sendo um mecanismo natural de defesa. Em determinadas situações essa possível adaptação pode fazer com que os sintomas causados pelo ataque de nematoides sejam mascarados, não gerando reflexos na parte aérea, o que pode passar despercebido facilmente por produtores e técnicos. Outra possível explicação para que os sintomas na parte aérea das plantas sejam pouco expressivos reside na aplicação da adubação nitrogenada, pois o efeito do nutriente incide sobre o crescimento do tecido da planta, estimulando o ciclo vegetativo e, por consequência, obrigando a planta a emitir novas raízes. Isso tende a ocultar ou reduzir os danos causados pelo nematoide das galhas. Os fatos de esses micro-organismos não serem visíveis a olho nu e os principais sintomas iniciais da problemática ocorrerem no sistema radicular das plantas, ambiente “subterrâneo” de difícil visualização, também dificultam a observação dos sintomas a campo. Todos esses problemas de diagnose e identificação têm proporcionado condições favoráveis para o crescimento do nematoide das galhas nas áreas produtoras de arroz. Tendo em vista o potencial biótico deste grupo de nematoide e a alta capacidade de reprodução quando as condições ambientais são favoráveis, existe grande preocupação com o possível crescimento das po-

pulações nas lavouras de arroz irrigado. É muito importante a correta diagnose dos sintomas na propriedade, para que seja realizada a identificação e adotadas práticas de manejo para conter o aumento populacional desse micro-organismo. A capacidade de movimentação desse micro-organismo no solo é relativamente baixa, portanto, tanto no sistema de cultivo convencional como no pré-germinado, a água e os implementos agrícolas desempenham um papel crucial na disseminação dos nematoides, podendo promover a sua movimentação para áreas ainda isentas, aumentando a extensão do problema. Novos estudos deverão ser realizados nesta safra, com o objetivo de obter um panorama geral da distribuição desse nematoide nas lavouras arrozeiras dos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Além disso, torna-se necessário mensurar os impactos causados no rendimento da cultura, bem como alternativas de manejo que possibilitem auxiliar os produtores na diminuição dos danos causados por esse nematoide, que é considerado uma praga silenciosa e oculta, mas que merece total atenção devido à possibilidade de acarretar C queda de produção e depreciação de lavouras.

Paulo S. dos Santos e Bruna Hettwer, Instituto Phytus Natalia Tobin Aita, Leonardo Dill Gularte, Felipe Frigo Pinto e Ivan F. Dressler da Costa Universidade Federal de Santa Maria Leandro Grimaldi Py FMC Wilson R. Freitas Tavares Basf

Galhas formadas no sistema radicular de plantas de arroz infectadas pelo nematoide (Timbé do Sul) Fotos Leandro Py

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Pragas

Quase inatingíveis Helicoverpa armigera e Chrysodeixis includens são duas pragas com alto potencial de provocar danos a diversas culturas como soja, milho, feijão e algodão. Pelo modo como se alojam nas plantas tornam-se alvos difíceis de serem atingidos pela aplicação de inseticidas. Por isso, além da escolha correta do produto, o uso adequado da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso no controle destes insetos

Sebastião Araújo

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rodução agrícola exige esforços constantes, dedicação, conhecimento e discernimento. Grandes desafios se apresentam dia após dia ao produtor, que para enfrentá-los se vale das tecnologias mais avançadas, maquinário

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moderno e de alto rendimento, sementes certificadas, fertilizantes, modelos de gestão adaptados e sistemas de cultivo altamente rentáveis. No controle de pragas, no entanto, apesar da oferta de todas estas ferramentas, não é raro o insucesso de uma

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pulverização porque o alvo não é atingido. Por vezes há pragas de difícil controle, seja por sua tolerância ou resistência a determinadas moléculas, pela sua localização e posições na planta, onde não é fácil a gota chegar, ou ainda pela dose inadequada


do produto inseticida. Entre estas pragas estão espécies polífagas, como Helicoverpa armigera e Chrysodeixis includens, cujo controle populacional nem sempre é obtido pelas pulverizações, induzindo a intensificação cada vez maior do uso e das doses de inseticidas químicos, resultando no aumento do custo de produção e em danos diretos à produção. O mau uso da tecnologia de aplicação tem sido constantemente citado entre as prováveis causas do insucesso no controle desses insetos, demandando pesquisas mais específicas para a aplicação de inseticidas químicos e biológicos utilizados no controle destes lepidópteros. Culturas como soja, milho, feijão e algodão são atacadas pelas duas pragas que se deslocam entre cultivos em diferentes épocas, o que favorece sua sobrevivência e o aumento das populações. Nas últimas safras as lagartas Helicoverpa (Helicoverpa armigera) e falsa-medideira (Chrysodeixis includens) têm se tornado mais frequentes, causando danos significativos e exigindo ações de controle por parte dos agricultores. A extensão e a proximidade de lavouras de feijão, girassol e soja, principalmente, determinam a permanência e consequente migração de mariposas para cultivos de algodão. Esta sucessão de hospedeiros permite a estas pragas se manter em alta densidade no agroecossistema, outra razão para seus surtos frequentes. Praga conhecida em outras regiões produtoras de grãos e fibras do mundo, Helicoverpa armigera teve sua ocorrência registrada pela primeira vez no Brasil na safra 2012/2013 em áreas do cerrado, associada aos cultivos da soja e do algodoeiro. Desde então, surtos populacionais se tornaram frequentes, inclusive em algumas lavouras transgênicas. Estas lagartas se alimentam de folhas e hastes, mas têm preferência por estruturas reprodutivas. Os adultos

Tabela 1 - Doses de inseticidas recomendadas pelo fabricante para controle de H. armigera e C. includens Inseticida

Bacillus thuringiensis Baculovirus Lufenuron Flubendiamida

Espécie-alvo H. armigera C. includens 500 g/ha 500 g/ha 750 g/ha* 50 ml/ha** 1000 ml/ha 1000 ml/ha 150 ml/ha 150 ml/ha

Modo de ação do inseticida Disruptor microbiano intestinal Agente de infecção intestinal Inibidor de biossíntese de quitina Modulador de receptores de rianodina

*HzSNPV; **ChinSNPV

são fortemente atraídos pelo néctar das flores, o que influencia de maneira significativa a escolha das plantas hospedeiras. Além disso, H. armigera possui grande capacidade de adaptação a condições ambientais adversas de temperaturas extremas e baixa umidade relativa do ar. Mas, evidentemente que se o clima for favorável, maior será a capacidade de manter populações elevadas, fato comum em alguns estados brasileiros, como a Bahia, que possui clima quente e seco aliado à diversidade de plantas cultivadas hospedeiras, onde a ocorrência desta praga e os seus danos são maiores. Atualmente distribuída pelas regiões produtoras de grãos e fibras do Brasil, de Sul a Nordeste, é encontrada se alimentando de plantas dicotiledôneas como feijoeiro, soja, também em culturas como algodoeiro e em menor extensão em lavouras de milheto, sorgo e milho. Ademais, o que agrava a situação é o fato de que esta espécie tem apresentado linhagens que possuem tolerância ou até resistência a inseticidas e a plantas geneticamente modificadas. Estima-se que a perda mundial ocasionada por essa praga chegue a cinco bilhões de dólares. No Brasil, os prejuízos estimados são da ordem de R$ 2 bilhões até a safra 2012/2013. Chrysodeixis includens tem sua forma jovem popularmente conhecida como falsa-medideira, e tanto lagartas pequenas como grandes são encontradas alimentando-se do terço inferior das plantas e de folhas tenras de ramos secundários de soja, girassol, feijão e algodão. Mas é constante notar que durante o primeiro e o segundo instar as lagartas apenas raspam as

Figura 1 - Eficiência de controle (%) de Helicoverpa armigera (a) e Chrysodeixis includens (b) após a aplicação de inseticidas com diferentes doses. Valores corrigidos por Schneider-Orelli

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folhas, enquanto, a partir do terceiro instar, conseguem perfurá-las, deixando, entretanto, as nervuras centrais e laterais intactas, proporcionando aspecto característico de folhas rendilhadas, reduzindo a capacidade fotossintética da planta. Sua polifagia permite que se desenvolva em 73 espécies de plantas hospedeiras no Brasil. Os surtos de falsa-medideira parecem ser maiores em agroecossistemas, onde a soja e o algodão são cultivados próximos. Alguns estudos constataram um aumento em longevidade, oviposição e frequência de cópulas, quando foi fornecido o néctar das flores de algodoeiro para adultos de C. includens. Isso em parte pode explicar o maior índice populacional de C. includens em soja, quando existe área de algodão nas proximidades. Tal condição ocorre comumente no Brasil Central, em áreas agrícolas onde há a sucessão destas culturas e constante sobreposição de áreas de cultivo envolvendo culturas de soja e algodoeiro. O principal método de controle dessas pragas tem sido o químico, muitas vezes realizado de forma indevida, sem uma correta amostragem que indicaria o momento ideal de aplicação. Autores mencionam que o momento adequado para o controle químico destas espécies seria nos primeiros instares larvais, pois as lagartas alimentam-se preferencialmente das partes mais tenras das plantas e, portanto, estariam mais expostas e suscetíveis ao contato dos produtos aplicados. Entretanto, nem sempre a pulverização é feita sob esta situação ideal, sendo necessárias mais informações a respeito do comportamento destas pragas, difíceis de serem atingidas pelo controle químico. A dificuldade de alcançar o alvo passa a ser maior nas situações em que essas pragas ocupam preferencialmente as regiões do interior das culturas (porções média e inferior das plantas), exigindo maior penetração das gotas para que os produtos possam agir sobre a praga-alvo. Em função disso, é comum considerar a técnica de aplicação utilizada e/ou condição operacional associada como uma das causas do insucesso no controle. Para a adequação de recomendações de inseticidas com satisfatória eficiência de controle, na safra 2016/2017, foram realizados bioensaios com Helicoverpa armigera e Chrysodeixis includens, além de avalições de quatro inseticidas distintos com

modos de ação em lagartas de terceiro instar, estágio mediano do ciclo de desenvolvimento. Eficiência de controle de Helicoverpa armigera maior que 75% foi verificada com o uso de dose inteira (dose recomendada em bula) e dobro da dose de Baculovirus (HzSNPV) e todas as doses de flubendiamida (Figura 1). Os demais produtos resultaram em eficiência de controle inferior a 75%. Contra Chrysodeixis includens, eficiência de controle igual ou acima de 75% foi verificada com o uso de lufenuron e flubendiamida. Os demais produtos resultaram em eficiência de controle máxima de 53%. Nos testes com ambas as espécies de lagartas, a eficiência dos produtos e respectivas doses na fase pupal foi sempre relativamente baixa, atingindo no máximo 5%, o que demonstra que a ação letal dos produtos se concentrou na fase larval. A mortalidade larval diária acumulada de H. armigera promovida por B. thuringiensis variou ao longo do tempo, porém pouco ultrapassou o valor de 50%, independentemente da dose utilizada (Figura 2a). Tendência de incremento da mortalidade com o aumento da dose foi observada com Baculovirus (HzSNPV), sendo que a dose recomendada promoveu mortalidade larval final próximo a 80% e o uso do dobro da dose elevou tal mortalidade a valores próximos a 100%. Lufenuron promoveu mortalidade larval crescente nos primeiros cinco dias, estabilizando após este período em patamares entre 50% e 60% quando utilizadas meia dose e dose inteira, e próximo a 80% quando empregado o dobro da dose. Quanto à flubendiamida, a mortalidade larval foi significativamente incrementada logo nos primeiros cinco dias após a exposição, estabilizando em valores elevados entre 90% e 100%, mesmo quando meia dose foi adotada (Figura 1b). A mortalidade larval diária acumulada de C. includens, promovida por B. thuringiensis aplicado em meia dose e dose recomendada, não atingiu 40%. Quando utilizado o dobro da dose recomendada, a mortalidade atingiu valor um pouco acima de 60% no final da fase larval. Baculovirus (ChinSNPV) promoveu mortalidade crescente ao longo da fase larval, porém a mortalidade larval acumulada variou entre 50% e 65%, sendo este valor máximo resultante do uso do dobro da dose recomendada. A

Figura 2 - Mortalidade larval de H. armigera (a) e Chrysodeixis includens (b) ao longo do tempo, causada pela aplicação de inseticidas

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Fotos Sebastião Araújo

Nas útltimas safras as lagartas Helicoverpa e falsa-medideira têm se tornado mais frequentes em áreas de cultivos

mortalidade devido ao uso de lufenuron ocorreu nos primeiros sete dias da fase larval e atingiu valores próximos a 100%. O mesmo padrão de mortalidade foi verificado com flubendiamida, sendo que os valores finais resultantes variaram entre 80% e 100%, proporcionalmente à dose utilizada. Os resultados permitiram concluir que dentre os produtos testados, os mais eficientes para o controle de Helicoverpa armigera foram flubendiamida na dose de 75ml p.c./ha, Baculovirus (HzSNPV) na dose de 1.500g p.c./ha e lufenuron na dose de 2.000ml p.c./ha. Contra Chrysodeixis includens, lufenuron na dose de 500ml p.c./ ha e flubendiamida na dose de 75ml p.c./ ha foram os mais eficientes. Importante salientar que para ambas as espécies foi necessária apenas a metade da dose recomendada de flubendiamida para a obtenção do controle desejado. Da mesma forma, para o controle de C. includens, lufenuron foi eficiente mesmo com meia dose (500ml p.c./ha). Na prática, porém, é de bom senso a manutenção da dose recomendada, pois os testes foram efetuados em ambiente de laboratório, sem a presença de outros fatores adversos à pulverização, enquanto no campo a ação dos produtos pode ser afetada por fatores bióticos e abióticos. Produtos e doses adequados ao controle das pragas das culturas fazem parte da tecnologia de aplicação. A interação

dos fatores relativos ao produto e aqueles relacionados à cultura, ao ambiente e às características e condições do equipamento aplicador concorrem para o controle eficiente, a redução do custo e dos impactos ambientais. Assim, além do produto e da dose adequados, deve-se atentar para a boa regulagem do pulverizador e o momento correto de aplicação, considerando-se a fase suscetível da praga, o horário de aplicação, as condições de temperatura, umidade e vento. As condições de clima devem ser favoráveis à absorção e translocação dos produtos, indicando-se temperaturas entre 20ºC e 30ºC, umidade relativa entre 60% e 70% e ventos com velocidade inferior a 10km/h. Não é prudente realizar aplicações em caso de chuva iminente, pois pode haver perda do produto por escorrimento. O volume de calda a ser aplicado, o número e o tamanho das gotas, a pressão de funcionamento dos bicos, a agitação e a adição de adjuvantes devem ser verificados cuidadosamente. Finalmente, recomenda-se que o produtor consulte sempre um engenheiro agrônomo para auxiliá-lo no C aferimento de todos estes fatores.

Wilian Oliveira Pires, Uni-Evangélica José Ednilson Miranda, Embrapa Algodão

Miranda aponta para a necessidade do bom uso da tecnologia de aplicação

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Capa

Eterna vilã

Panorama da incidência da ferrugem-asiática nos estados brasileiros produtores de soja aponta para os riscos de agravamento da doença, principalmente em áreas semeadas tardiamente. Produtor deve estar atento às condições climáticas e proteger as lavouras para evitar reduções de produtividade. Rotação de fungicidas e associação de multissítio despontam entre as medidas necessárias para aumentar a eficiência dos produtos sítio-específicos Fotos Cláudia Godoy

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safra de soja no Brasil começa com o término dos períodos de vazio sanitário, que variam em cada estado. Essa medida é atualmente uma das principais estratégias de manejo da ferrugem-asiática e tem como objetivo a redução de inóculo do fungo Phakopsora pachyrhizi na entressafra. Lavouras semeadas logo após o término do vazio sanitário tendem a ter a doença em estádios mais adiantados de desenvolvimento da cultura, mas começam a multiplicação do fungo, que se dissemina pelo vento, para áreas semeadas mais tarde. As ocorrências de ferrugem-asiática na safra podem ser verificadas no mapa do site do Consórcio Antiferrugem (www. consorcioantiferrugem.net), também disponível em aplicativos nas plataformas iOS


e Android (Tabela 1). O principal objetivo do mapa é informar as primeiras ocorrências para alertar o produtor sobre a chegada da doença. Como o fungo se dissemina facilmente pelo vento, com o alerta, o produtor pode proteger sua lavoura, evitando perdas de produtividade. O Consórcio Antiferrugem é uma parceria pública-privada e as informações no site são inseridas por pesquisadores e pela assistência técnica, mas não há 100% de cobertura em todas as regiões produtoras. Outras parcerias têm sido estabelecidas para aumentar a abrangência do site. Na safra 2017/18, as primeiras ocorrências de ferrugem-asiática foram registradas no site a partir da segunda quinzena de novembro em São Paulo, no Paraná, no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais, em

Figura 2 - Visão esquemática das estruturas químicas dos fungicidas inibidores da succinato desidrogenase (SDHIs). Marques, traduzido de Sierotzki & Scalliet (2013)

lavouras comerciais, algumas irrigadas, e em áreas experimentais utilizadas para o monitoramento do fungo. Mais de 70% das ocorrências registradas no site até o final de janeiro foram de lavouras na fase de enchimento de grãos (estádio R5), o que caracteriza uma situação mais tranquila de manejo para as primeiras semeaduras. Apesar de a ferrugem ser uma das doenças mais severas da cultura, seu potencial de dano diminui à medida que a incidência é tardia na lavoura. Essa incidência tardia nas primeiras semeaduras é uma das consequências da redução de inóculo proporcionada pelo vazio sanitário. No Rio Grande do Sul, a ferrugem-asiática mostrou-se muito severa nas últimas safras. Essa doença continua sendo a maior preocupação dos produtores e técnicos, em razão da grande quantidade de inóculo do fungo oriundo da Bolívia, do Paraguai e de outras regiões do Brasil. O Rio Grande do Sul é o único estado produtor que não possui vazio sanitário e, em situações de inverno ameno como o de 2017, há a manutenção de soja voluntária com ferrugem-asiática no campo. As precipitações em novembro e janeiro ocorreram acima da média histórica, sem veranicos importantes na região até o final de janeiro. Na safra atual, a doença apareceu 30 dias mais cedo em relação à safra anterior (16/11/2017) e, apesar de mostrar-se discreta na fase vegetativa da soja, agora se encontra em curva

ascendente, com potencial para tornar-se uma grande epidemia. O número baixo de ocorrências no estado relatado no site do Consórcio pode ser explicado pelo fato de o produtor conhecer bem a doença e não enviar amostras aos laboratórios para fazer o cadastro da ocorrência. O estado do Paraná tem o maior número de relatos no site do Consórcio, em função da excelente cobertura obtida pela colaboração da assistência técnica. A doença já foi relatada em praticamente todas as regiões produtoras. No estado, as semeaduras foram atrasadas em dez dias a 15 dias, em razão do atraso das chuvas. Apesar desse atraso, o primeiro foco de ferrugem-asiática foi relatado na mesma época da safra passada (segunda quinzena de novembro). A baixa precipitação no início da safra e depois as precipitações frequentes no final de dezembro e no início de janeiro interferiram no desenvolvimento das lavouras, prolongando o ciclo da cultura. Com isso, a maior parte das colheitas deverá ocorrer a partir de fevereiro. A frequência das chuvas dificultou as entradas para as aplicações de fungicidas, ocasionando atrasos e aumento de intervalos. Em algumas situações são relatadas lavouras em enchimento de grãos com alta severidade de ferrugem-asiática no baixeiro. Os problemas com ferrugem tendem a se agravar em lavouras semeadas após novembro. Lavouras de soja semeadas

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em dezembro e janeiro, após feijão, têm apresentado sintomas já no vegetativo e irão demandar maior número de aplicações com os fungicidas mais eficientes, aumentando a pressão de seleção de resistência do fungo aos fungicidas. Essas áreas, embora não significativas em relação à área de soja da safra principal no estado, podem acelerar a perda de eficiência dos fungicidas. Nessa safra, em decorrência do atraso no início das chuvas, a janela de semeadura da soja foi prorrogada para 14 de janeiro no Paraná. A maioria das lavouras de soja no estado do Mato Grosso do Sul está em fase de enchimento de grãos e em algumas áreas a colheita já ocorre. A ferrugem-asiática está presente em praticamente todos os municípios produtores de soja, mas, no geral, a infestação da doença é baixa e restrita ao baixeiro das plantas. Na região de Bonito e da fronteira com o Paraguai, a situação é mais grave e a severidade da doença é alta, com dificuldade de

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controle do fungo. A intensidade da doença começou a se elevar na última semana de janeiro, no estado como um todo, indicando a possibilidade de epidemia severa, o que pode comprometer a produtividade de forma significativa nas áreas semeadas a partir de novembro. No sudoeste de Goiás, a ocorrência da ferrugem-asiática tem sido imprevisível, começando mais cedo em determinadas safras ou regiões, mesmo sob condições menos favoráveis ou tardiamente sob condições climáticas favoráveis. Essas situações estão diretamente relacionadas com a presença do inóculo inicial, reforçando a necessidade de um bom vazio sanitário. No Sudoeste, a parceria entre o Sindicato Rural, a Universidade de Rio Verde e colaboradores tem contribuído no monitoramento da doença por meio de análises foliares para os produtores, tendo sido analisadas até o final de janeiro mais de 1,3 mil amostras. Muitas dessas amostras são coletadas em parcelas específicas para monitoramento (denominadas sentinelas), que não recebem aplicação de fungicidas até o surgimento da ferrugem, quando então são eliminadas para evitar a multiplicação do fungo. Os primeiros relatos da ferrugem-asiática nessa safra ocorreram em 28/1/2018, em Rio Verde, pela AgroCarrregal e em 29/1/2018, em Jataí, pela Universidade Federal de Goiás, em soja, nos estádios R6 e R5, respectivamente. Na safra 2016/17, o primeiro relato de ferrugem-asiática ocorreu em 11/1/2017, no município de Jataí, seguido de Rio Verde, em 19/1/2017. Tanto na safra 2016/17 quanto na atual, todas as parcelas de monitoramento finalizaram seu ciclo sem sintomas da ferrugem-asiática detectados, mesmo com condições climáticas favoráveis para a sua ocorrência. No entanto, a extensa janela de semeadura, superior a 60 dias, no sudoeste goiano, tem sido motivo de preocupação, porque as lavouras semeadas a partir de novembro podem receber esporos provenientes de outros estados já com ocorrências da ferrugem-asiática. No Mato Grosso, de modo geral, a safra 2017/18 vem apresentando chuvas acima da média normal. Em algumas localidades foram observadas restrições hídricas na


Fotos Cláudia Godoy

fase de enchimento de grãos. As condições climáticas nos meses de dezembro e janeiro foram favoráveis para a ocorrência e o desenvolvimento da ferrugem-asiática no estado. As primeiras ocorrências foram registradas nos municípios de Campo Verde e de Primavera do Leste, na segunda quinzena de dezembro. Posteriormente, as regiões de Parecis (Tangará da Serra, Deciolândia e Campo Novo do Parecis) e médio-norte (Nova Mutum, Lucas do Rio Verde e Sorriso) na primeira quinzena de janeiro. Já na região do Vale do Araguaia (Nova Xavantina até Vila Rica) não houve relatos até o final de janeiro. As lavouras semeadas no mês de setembro com cultivares precoces (<105 dias) já foram colhidas. Mas nas semeadas de outubro em diante (cerca de 60%), em algumas regiões, as aplicações de fungicidas foram atrasadas em razão da alta frequência das chuvas associada à capacidade operacional das propriedades. Considerando a oferta de inóculo e a capacidade de dispersão do fungo, podem ocorrem perdas significativas de produtividade nessas áreas. A semeadura na região oeste da Bahia ocorreu dentro do calendário previsto, de 8 de outubro a 15 de janeiro, uma vez que as condições climáticas foram favoráveis a essa operação. As lavouras semeadas em outubro, nas áreas irrigadas, já foram ou estão sendo colhidas, sem problemas com a ferrugem-asiática. O primeiro relato da doença ocorreu em 3/1/2018, no município de São Desidério, em uma área comercial no estádio R3. Com as condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento do fungo, outros focos foram relatados nesse mesmo município. Se as condições continuarem favoráveis ao fungo, os problemas com a

A ferrugem-asiática continua sendo uma das principais preocupações dos técnicos e produtores de soja

ferrugem-asiática podem se agravar na região, porque existem lavouras em diferentes estádios fenológicos. Para acompanhar os focos da região, a Círculo Verde se uniu com o Sindicato Rural de Luís Eduardo Magalhães (SRLEM) e com colaboradores de diversas empresas de agroquímicos e passaram a oferecer no Sindicato Rural o Laboratório Alerta Ferrugem para análise gratuita de folhas com suspeita da doença. De maneira geral, observa-se em todas as regiões que as lavouras semeadas mais cedo apresentaram escape ou incidência tardia da ferrugem-asiática e a situação deve se agravar nas semeaduras tardias. Desde de janeiro pode-se observar, pelo site, ocorrências generalizadas em alguns estados e ainda podem aumentar nos estados que tiveram semeaduras tardias. O produtor deve estar atento às condições climáticas e proteger as lavouras para evitar reduções de produtividade. O número de fungicidas com eficiência satisfatória para o controle da ferrugem-asiática reduziu nos últimos anos com a resistência ou menor sensibilidade do fungo aos três principais grupos de fungicidas com modo de ação sítio-específicos: os triazóis (fungicidas Inibidores da Desmetilação, IDM), as estrobilurinas (Inibidores da Quinona externa, IQe) e as carboxamidas (Inibidores da Succinato Desidrogenase, ISDH). A rotação dos modos de ação, recomendada como estratégia antirresistência,

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não é possível de ser realizada na cultura, uma vez que os fungicidas são formulados em misturas com dois ou três modos de ação. Apesar disso, a indicação é que se realize a rotação dos fungicidas. Embora a

resistência seja cruzada dentro do mesmo modo de ação, os ingredientes ativos são afetados de maneira diferente pelas mutações do fungo. É difícil prever quais serão as muta-

Cláudia Godoy

Tabela 1 - Número de relatos de ferrugem-asiática no site do Consórcio Antiferrugem, na safra 2017/18, até 31/1/2018 UF BA GO MG MS MT PR RO RS SC SP TO Total

nov/17 1 2 1 1 -

dez/17 1 3 37 1 11 3 2 -

jan/18 4 3 4 38 31 67 12 17 3 6 5

Total 4 4 5 38 34 106 13 29 6 9 5 253

ções que estarão presentes no fungo, na safra e nas regiões e, dessa forma, para aumentar a eficiência dos fungicidas sítio-específicos, depois de detectadas na região, o produtor deve sempre procurar associar o fungicida multissítio (à base de cobre, mancozebe e clorotalonil) nas aplicações para o controle da ferrugem-asiática, em função do alto potencial de C dano da doença.

Cláudia V. Godoy, Embrapa Soja José Fernando J. Grigolli, Fundação MS Éder N. Moreira, Faculdade Centro Mato-grossense - Facem Hercules D. Campos, Universidade de Rio Verde - UniRV Carolina Deuner, Universidade de Passo Fundo Mônica C. Martins, Círculo Verde

É difícil prever quais mutações do fungo podem estar presentes na safra

Sentinelas

O

monitoramento da ferrugem-asiática é essencial para o controle no momento correto. Os sintomas da ferrugem-asiática podem aparecer em qualquer estádio de desenvolvimento, sendo mais comumente observados após o fechamento do dossel da lavoura nas semeaduras iniciais, mas podem aparecer antes em lavouras semeadas tardiamente em razão do aumento de inóculo do fungo. Os primeiros sintomas da ferrugem-asiática são discretos nas lavouras, sendo difícil para o produtor encontrar a doença no início. Uma das estratégias para o monitoramento é a utilização de parcelas sentinelas. Parcelas sentinelas para monitoramento da ferrugem-asiática foram utilizadas pela primeira vez na África. No Brasil, em 2003/04, a Syngenta Proteção de Cultivos implantou mais de 1.500 áreas “Syntinelas”, distribuídas nas principais regiões produtoras de soja, com o apoio de pesquisadores e produtores. Na Argentina, centenas de parcelas também foram estabelecidas nos primeiros anos em regiões de produção de soja, evitando aplicações desnecessárias de fungicidas. Após a entrada da ferrugem-asiática nos Estados Unidos, em 2004, o programa de parcelas sentinelas foi estabelecido entre universidades e o USDA-Aphis, com um mínimo de 30 parcelas sentinelas por estado.

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Áreas sentinelas são áreas pequenas, semeadas preferencialmente antes da lavoura principal ou com cultivares precoces. Essas parcelas não recebem aplicação de fungicida e permitem o monitoramento em uma área menor, em plantas em estádio mais avançado. Após a detecção da ferrugem-asiática, essas áreas devem ser tratadas com fungicidas ou destruídas para evitar a multiplicação do fungo. Com o vazio sanitário, a semeadura antes da lavoura principal acabou sendo limitada, mas pode-se semear cultivares precoces. Canteiros de germinação podem ser usados pelo produtor como sentinelas. Em 2016, a Syngenta retomou essa iniciativa instalando mais de 400 áreas de monitoramento e auxiliando a inserção de ocorrências no site do Consórcio Antiferrugem, contando com o apoio de mais de 500 produtores, pesquisadores e técnicos (Gtec). Esse projeto também foi implementado em outros países da América Latina, envolvendo principalmente o Paraguai e a Bolívia.

Marcelo H. Habe, Syngenta Proteção de Cultivos


Soja Fotos Evandro Deak

Adaptadas ao Sul A escolha correta de cultivares de soja deve ser realizada por meio de testes a campo e considerar o zoneamento agroclimático para determinar os materiais que melhor se adaptam às condições de cada região

A

escolha correta da cultivar e a época de semeadura para uma determinada região são pontos importantes para obtenção de bons resultados produtivos. Por ser uma planta de dia curto (Rodrigues et al, 2001), pode ocorrer redução no período vegetativo da cultura, quando cultivares sensíveis são semeadas fora da época, o que diminui o potencial produtivo (Rodrigues et al, 2006). No Rio Grande do Sul, em função da grande variação do fotoperíodo, são recomendados o escalonamento da semeadura e a utilização de cultivares com diferentes ciclos de desenvolvimento. Cada cultivar possui seu fotoperíodo

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Fotos Evandro Deak

Bons resultados produtivos passam pela escolha correta da cultivar e também da época de semeadura

crítico (Rezende; Carvalho, 2007). Nesse caso, a escolha da cultivar deve ser feita por meio de testes a campo, e levar em consideração o zoneamento agroclimático, para determinar as que melhor se adaptam às condições da região. Assim, os ensaios com o objetivo de avaliar o desempenho das cultivares são cada vez mais importantes, uma vez que existe no mercado um grande número de cultivares, o que por vezes deixa em dúvida produtores e técnicos. Com o objetivo de avaliar diferentes cultivares de soja na região central do Rio Grande do Sul, um experimento foi conduzido na área experimental do Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria, com altitude de 117m, latitude 29º4’4” S e longitude 53º4’4” W. O clima do local é do tipo Cfa, subtropical com verões quentes e sem estação seca definida (Peel et al, 2007). O solo do local é classificado como Argissolo Vermelho Distrófico típico (Embrapa, 2013). O delineamento se deu em blocos ao acaso com 11 cultivares de soja com tipo de crescimento indeterminado e três repetições. Cada parcela possuía uma área de 15,75m². As cultivares utilizadas no experimento e suas principais características estão descritas na Tabela 1. Antes da instalação do experimento foi realizada a análise química do solo, que apresentou os seguintes atributos químicos na camada de 0cm – 10cm: pH (H2O) – 6.0, Ca (cmolc/dm³) – 6.6, Mg – 2.7, P (mg/dm³) – 53.1, K (cmolc/dm³) – 0.307, S (mg/dm³) – 11.0. Na adubação de base foram aplicados 370kg/ha da formulação NPK 05-20-20. A semeadura foi realizada no dia 17 de dezembro de 2015, utilizando espaçamento de 0,45m entre fileiras e densidade de 35 sementes por m² para todas as cultivares. O controle das plantas daninhas foi realizado 20 dias antes da semeadura e em pós-emergência da cultura no estádio vegetativo V3, utilizando o herbicida glifosato na dose de 1.440g i a/ha. O controle de pragas e doenças foi realizado conforme as indicações técnicas para a cultura (Embrapa, 2014). Para avaliar o desempenho das cultivares foi colhida uma área útil de 6,75m² por parcela. As características avaliadas foram a massa de cem grãos (MCG) e a produtividade de grãos (PG). As variáveis foram corrigidas para base de 13% de umidade. As variáveis foram submetidas à análise de variância e quando constatado efeito significativo, as médias foram comparadas pelo teste de Scott-Knott, a 5%

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de probabilidade de erro, utilizando o software estatístico Sisvar (Ferreira, 2011). De acordo com os resultados obtidos (Tabela 2) foi possível observar diferenças significativas entre as características estudadas das cultivares de soja. Para a variável MCG houve diferença estatística apenas para a cultivar TEC 6702 Ipro, obtendo valor de 19,06g, 60,8% maior em relação à cultivar TEC 7849 Ipro, que obteve a pior média. As cultivares NS 5258 RR e NS 5106 Ipro também se destacaram, alcançando valores de 15,11g e 15,39g, respectivamente. Porém, não diferiram estatisticamente das demais cultivares. Os valores encontrados para a MCG das cultivares de soja encontram-se de acordo com as informações fornecidas pelas empresas. Contudo, estes valores podem variar conforme o local, a época de semeadura e as condições ambientais. Para variável PG houve destaque para a cultivar SYN 13671 Ipro, com produtividade de 3.049,10kg/ha. Este resultado foi superior à média de produtividade do experimento. Essa cultivar é de ciclo tardio, e expressou alto potencial produtivo em relação às outras cultivares. Porém, vale ressaltar que o período em que as plantas foram semeadas, 17 de dezembro, favoreceu as cultivares de ciclo tardio, uma vez que, cultivares precoces, quando semeadas no final da época recomendada, podem perder seu potencial produtivo em função da redução no período vegetativo (Portella et al., 1997). No estado do Paraná, Motta et al. (2002) observou redução média de 33,9 dias no ciclo de cultivares de soja, quando a semeadura foi atrasada de 15/10 para 15/12. Altos rendimentos na cultura são obtidos quando ocorre um período de 50-55 dias de crescimento vegetativo (Mundstock, 2005). As cultivares BMX Tornado RR e BMX Valente RR, NS 5106 Ipro, NS 5909 RR, NS 6700 Ipro não diferiram estatisticamente da cultivar SYN 13671 Ipro. Porém, as produtividades foram menores. A cultivar SYN 13671 Ipro produziu 81,9% a mais que a TEC 7849 Ipro, que obteve a pior média e 7,2% a mais do que a cultivar NS 6700 Ipro,


que atingiu a segunda melhor média. Durante o ciclo da cultura foi registrada uma precipitação total de 1.230mm (Figura 1), sendo mais do que a média histórica para o mesmo período, que é de aproximadamente 900mm. Por ocasião da colheita houve alto acúmulo de precipitação, o que dificultou a remoção da cultura e reduziu a qualidade dos grãos produzidos. No momento da escolha da cultivar, a época de semeadura é um dos fatores determinantes (Oliveira, 2010). Nesse experimento foi realizada apenas uma semeadura, em 17 de dezembro, já no final da época recomendada, o que pode ter prejudicado as cultivares precoces e superprecoces, não permitindo que pudessem expressar todo seu potencial produtivo. No Rio Grande do Sul, a partir do mês de janeiro, a temperatura média, o fotoperíodo e a intensidade de radiação solar começam a reduzir (Zanon et al, 2015). A duração das fases e do ciclo da soja é influenciada pela temperatura e pelo fotoperíodo, variando de acordo com o genótipo (Kantolic, 2008). Com isso, as cultivares precoces utilizadas no experimento tiveram um período de desenvolvimento vegetativo mais curto, que consequentemente causou redução na produtividade. As cultivares BMX Tornado RR, BMX Valente RR, SYN 13671 Ipro, NS 5909 RR, NS 6700 Ipro e NS 5106 Ipro apresentaram melhores desempenhos na região central C do Rio Grande do Sul.

Thomas Newton Martin, Evandro Ademir Deak, Glauber Monçon Fipke, Guilherme Kalil Reimann, Matheus Martins Ferreira e Vinícius dos Santos Cunha, UFSM

A soja

A

soja [Glycine max (L.) Merrill] é a cultura com maior ocupação de área no Brasil, com 33,8 milhões de hectares cultivados na safra 2016/2017. A produção do grão vem aumentando a cada ano, principalmente em função do cultivo em áreas anteriormente destinadas a outras culturas, lançamento de cultivares mais produtivas, máquinas modernas, além do manejo adequado das lavouras. O Rio Grande do Sul é o terceiro maior produtor do grão do país, no entanto, as condições ambientais desfavoráveis e o manejo inadequado limitam a produtividade da cultura, fazendo com que o estado obtenha produtividade por área abaixo da média nacional (Conab, 2017).

Figura 1 - Precipitações registradas em Santa Maria (Rio Grande do Sul) entre os meses de outubro e abril, no ano agrícola de 2015/2016

Tabela 1 - Característica das cultivares de soja Cultivar BMX Tornado RR BMX Valente RR TEC Irga 6070 RR TEC 7849 Ipro TEC 6702 Ipro SYN 13671 Ipro NS 5258 RR NS 5909 RR NS 6700 Ipro NS 5106 Ipro M 5917 Ipro

Ciclo* P P P T P T P SP P SP SP

Grupo de maturação 6,2 6,7 6,3 7,8 6,7 7,1 6,3 5,9 6,7 5,2 5,9

Resistência ao acamamento** M R R M M R R R R M R

*Ciclo: (SP) superprecoce; (P) precoce; (T) tardio. **Resistência ao acamamento: (M) moderado; (R) resistente.

Tabela 2 - Massa de cem grãos (MCG), produtividade de grãos (PG) e produtividade de grãos em sacos (PGS) de diferentes cultivares de soja na região central do Rio Grande do Sul Cultivar BMX Tornado RR BMX Valente RR TEC IRGA 6070 RR TEC 7849 Ipro TEC 6702 Ipro SYN 13671 Ipro NS 5258 RR NS 5909 RR NS 6700 Ipro NS 5106 Ipro M 5917 Ipro Média geral CV (%)

MCG (g) 13,1 b* 14,4 b 13,5 b 11,8 b 19,0 a 14,8 b 15,1 b 13,9 b 13,6 b 15,3 b 14,1 b 14,4 8,2

PG (kg ha-1) 2744,9 a 2612,3 a 2291,2 b 1675,7 c 2387,7 b 3049,1 a 2254,3 b 2635,9 a 2843,3 a 2590,0 a 2319,2 b 2491,2 12,5

PGS (kg ha-1) 45,7 a 43,5 a 38,1 b 27,9 c 39,7 b 50,8 a 37,5 b 43,9 a 47,3 a 43,1 a 38,6 b 41,51 12,5

*médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem estatisticamente entre si pelo teste Scott-Knott ao nível de 5% de probabilidade de erro.

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Nematoides

Gigante do mal

Diferente entre os nematoides fitoparasitas por conta do tamanho avantajado e da possibilidade de ser visualizado a olho nu, Tubixaba tuaua está presente também no estado de Goiás. Espécie migradora e capaz de atingir várias culturas como soja, milho e trigo demanda muita atenção e monitoramento

O

outro nematoide fitoparasita. Seu nome é de origem indígena e significa algo como “o maior entre os maiores” ou “o cacique dos caciques”, justamente em razão de seu tamanho. Os fitonematoides são organismos que atacam as plantas em áreas relativamente concentradas, formando espécies de “buracos” nas plantações, as

chamadas “reboleiras”. Esses parasitas prejudicam o crescimento das plantas e deixam suas folhas amareladas, afetando a produtividade das culturas. No sudoeste goiano, que é uma das regiões que mais produz grãos no Brasil, os fitonematoides mais comuns são o Pratylenchus brachyurus, Heterodera glycines, que podem causar perdas de até 21% nas

Fotos Laboratório de Fitopatologia e Nematologia do IF Goiano

nematoide Tubixaba tuxaua foi identificado em outubro de 2016, por pesquisadores do IF Goiano, em uma área comercial no município de Montividiu, no sudoeste de Goiás, estado em que ainda não havia registro da sua presença. Tubixaba tuxaua é um nematoide gigante, que pode ser visto a olho nu, diferente de qualquer

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safras, e espécies do Meloidogyne, com potencial de danos ainda maior. No caso do Tubixaba, mesmo sendo grande, ele provavelmente ainda não havia sido identificado porque o método tradicional de extração de nematoides não permite essa identificação. Na área em que a espécie foi encontrada, havia histórico do nematoide Heterodera glycines (nematoide do cisto da soja), e há pelo menos 7 anos apresentava reboleiras em sua decorrência. Como os métodos de extração dos dois parasitas, Heterodera e Tubixaba, são similares, foi possível identificar esse novo nematoide na região. O processo de extração de cisto, como é chamado, começa com a coleta de amostras de solo e raiz que são homogeneizadas em água. Em seguida, essa suspensão passa por duas peneiras. O conteúdo que fica na peneira mais grossa é recolhido e observado em um microscópio do tipo estereoscópico, um equipamento mais simples pelo qual é possível visualizar objetos tridimensionais e opacos (por onde a luz não passa). Os fitonematoides encontrados foram transferidos para lâminas para que se pudesse identifica-los em um microscópio óptico, um tipo de microscópio mais “potente”. Neste equipamento foi identificado o Tubixaba, em uma média de 12 indivíduos a cada 100 cm³ de solo. No método tradicional de extração, esses materiais passariam por mais algumas peneiras e, como o Tubixaba é grande, acabaria ficando nas primeiras, que são mais largas, e esse material é descartado. Essa espécie de nematoide foi relatada pela primeira vez na década de 1980, no estado do Paraná. Em 2009 também foi detectada a presença do nematoide no Tocantins, em área de cultivo de soja onde as plantas apresentavam subdesenvolvimento, folhas amareladas e sistema de raízes “envassourado”. Esses sintomas foram observados em reboleiras, típicas da presença de nematoides. É possível que o Tubixaba tenha chegado a Goiás em máquinas agrícolas alugadas que não foram devidamente limpas. Além disso, provavelmente já existe uma população considerável desse nematoide no sudoeste goiano. Mas como o método padrão de extração não o identifica, ainda não havia registros. Das 30 amostras coletadas em Montividiu, sete continham o Tubixaba, um indício de que não se trata

Desde a safra 2001/02 a ferrugem asiática tem causado perdas na produção da soja brasileira Áreas com reboleiras provocadas pela presença de Tubixaba tuxaua de um caso isolado. O Tubixaba é considerado um “ectoparasita”, isto é, um nematoide que não penetra na raiz da planta, mas estraga suas radículas e, por isso, pode causar danos à produtividade. O pesquisador Cléber Furlanetto coordenou uma pesquisa recentemente em que foram relatadas perdas significativas nas culturas do milho e da soja em uma área do Paraná com infestação de Tubixaba. Por outro lado, se reproduzem lentamente: enquanto outros nematoides como o Pratylenchus postam 500 ovos por vez, em média, o Tubixaba posta em torno de 80. Apesar disso, são necessários mais estudos para estimar o potencial de danos desse nematoide. Atualmente, há poucos protocolos de manejo desse nematoide porque seu impacto ainda é pouco conhecido em grandes culturas. Até o momento, sua presença pode ser indicada pelas reboleiras e o manejo envolve rotação de culturas, uso de materiais resistentes e controle biológico. Produtos químicos não são recomendados porque não possuem viabilidade econômica, ambiental e técnica. Nesse sentido, ainda que se saiba pouco sobre o Tubixaba, quando houver indícios de nematoides em determinadas áreas, é importante que seja feita uma extração adicional, pensando na sua possível presença. Isso porque se trata de uma espécie migradora, que consegue sair de uma raiz e ir para outra, além de atingir várias culturas, como soja, milho e trigo por exemplo. C

Visão microscópica do nematoide Tubixaba tuxaua

Alaerson Maia Geraldine, Gabriel Jesus Silva, Jefté Figueiredo, Lucas Soares, Suellen Polyana da S. C. Mendes, Karen Terossi e Leonardo de Castro Santos, IF Goiano - Polo de Inovação Ednalva Andrade, IF Goiano Campus Rio Verde

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Safrinha

Melhor manejo

No período da safrinha é importante contar com planejamento adequado para o bom uso das áreas de cultivo. Deixar as lavouras em pousio desponta como a pior opção. Outro fator fundamental reside no papel do aumento da biodiversidade como alternativa para a melhoria do manejo cultural no sistema de produção soja/milho/algodão

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A

Quanto à ocorrência de outras pragas e doenças, o produtor deve estar atento ao monitoramento periódico, para interferir no sistema sempre que necessário, mas seguindo as recomendações baseadas nos níveis de ação. A incidência de lagartas, tanto na soja, como no milho verão, não despertou maiores preocupações, em grande parte pelas condições favoráveis do clima e pela atividade eficiente dos eventos Bt utilizados nos últimos anos. É importante registrar que o manejo eficaz das pragas ao longo dos anos tende a baixar a população geral de pragas na região. Também, nenhum novo registro de resistência de inseto às tecnologias Bt a campo foi documentado. A adoção das boas práticas agronômicas, como a dessecação antecipada, o uso de sementes certificadas, o tratamento de sementes, o manejo eficaz das plantas daninhas/tigueras e, principalmente, a inclusão das áreas de refúgio nas culturas Bt e a realização do monitoramento periódico (que deve ser iniciado mesmo antes da semeadura), constitui a principal estratégia para o manejo fitossanitário efetivo. Nas áreas semeadas com o milho safrinha ou a serem cultivadas, além das observações já apresentadas, deve-se reiterar o tratamento de sementes com inseticidas de ação sistêmica, como aqueles à base de neonicotinoides para o controle de sugadores. Além disso, é indispensável monitorar a incidência de cigarrinhas logo após a emergência das plantas para reduzir a incidência de viroses

e enfezamentos no milho. Nas áreas com histórico de incidência dessas doenças ou onde a janela ideal para o plantio do milho safrinha já tenha passado, uma alternativa é a utilização da safrinha de sorgo, pois, além dele não ser afetado pelas doenças, por não ser hospedeiro da cigarrinha, reduz sua população para os plantios na próxima safra. Além disso, o sorgo é bem mais tolerante ao estresse hídrico, típico nos períodos de veranico que ocorrem nos plantios mais tardios. Caso não haja a possibilidade de aproveitar toda ou parcialmente a área com uma cultura comercial na safrinha (milho, algodão ou sorgo), ela não deve ser deixada em pousio, pois essa é a pior opção. Nas áreas em pousio, o crescimento de plantas tigueras constitui uma das principais ameaças ao sucesso da próxima safra, pela sobrevivência de patógenos e pragas na área. Neste caso, surge a oportunidade para se fazer uma melhoria da qualidade e da quantidade de palhada para a próxima safra, utilizando uma ou mais culturas de cobertura. O aumento de custo, em função das novas tecnologias introduzidas no sistema de produção, e o crescimento dos problemas no campo, como a exaustão da matéria orgânica do solo e consequente maior incidência de nematoides, além do aumento na complexidade do manejo fitossanitário, têm preocupado os produtores. A rotação de culturas é uma prática milenar, sempre utilizada com sucesso na agricultura convencional. Essa prática é

Fotos José Waquil

safrinha, de milho ou de sorgo, que surgiu como alternativa às culturas de inverno nas regiões menos frias, principalmente em substituição ao trigo, atualmente ultrapassa, tanto em área plantada, como na média da produtividade, a cultura de verão ou da safra. Essa denominação de safrinha se deve mais ao potencial de produtividade, que é menor nesse caso, do que propriamente à área cultivada. Assim, o cultivo do milho em sucessão à soja tornou-se a dobradinha perfeita em muitas regiões, pois a soja fixa o nitrogênio (cerca de 1kg de N/saca colhida) tão demandado pelo milho e este aumenta a matéria orgânica do solo pelo resíduo deixado na forma de palha. Portanto, nessas regiões sobram poucas alternativas para a rotação dessas culturas. Por outro lado, a rotação de culturas com diferentes espécies vegetais é uma prática fundamental para o aumento da biodiversidade, por reduzir os problemas fitossanitários devido a um melhor equilíbrio biológico (no ambiente acima e abaixo da superfície do solo), aumentar a quantidade de matéria orgânica e, consequentemente, dar sustentabilidade à produção. O atraso das chuvas ocorrido nesse ano e os preços baixos do milho na última safra levaram a uma redução da área semeada com o milho verão e aumento da área cultivada com a soja. Esses fatos devem trazer algumas dúvidas ao produtor quanto às opções de cultivo na safrinha. Outro fator que tende a afetar a decisão do produtor para a próxima safra tem sido a alta incidência, em algumas regiões, de doenças cujos patógenos são transmitidos pela cigarrinha-do-milho.

Muitos organismos são benéficos e têm importante papel na manutenção do equilíbrio biológico

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José Waquil

considerada uma forma eficiente de reduzir os impactos ambientais provocados pela monocultura, melhorando as condições físicas, químicas e biológicas do solo. Além disso, a rotação melhora as condições ambientais acima do nível do solo, o que promove um manejo mais eficiente das plantas daninhas, doenças e pragas, principalmente aquelas específicas para cada cultura comercial. Embora a rotação de culturas seja uma prática bastante benéfica para o sistema de produção, nem sempre é factível. A modernização das atividades agrícolas é cada vez mais necessária, com a adoção de novas tecnologias e grandes investimentos em infraestrutura (máquinas, equipamentos e insumos) e treinamento da equipe operacional (know-how), para tornar a atividade mais competitiva, com ganhos em produtividade e em escala na produção. Considerando esses e outros fatores, as opções de culturas, economicamente viáveis para fazer rotação, ficam muito restritas. Por exemplo, na região Centro-Oeste do Brasil predomina o cultivo da soja no verão e a sucessão com o milho safrinha ou algodão. Portanto, as opções para o agricultor são realmente escassas e a solução para diversificar as espécies cultivadas na área é a rotação das culturas de cobertura, aumentando assim a biodiversidade no agroecossistema. Muitos produtores ainda não perceberam os benefícios das culturas de cobertura e insistem em deixar as áreas em pousio. Isto porque boa parte deles mantém pouco registro sobre suas atividades/resultados na propriedade. Assim, as pequenas perdas ao longo do tempo ou os ganhos a médio e longo prazos ficam difíceis de ser percebidos em função das flutuações comerciais e ambientais. Há resultados de pesquisa indicando que o cultivo do solo com culturas de cobertura modifica a sua estrutura, deixando seu perfil comparável ao da mata nativa. Então, um avanço no uso das culturas de cobertura, introduzindo sua rotação, demanda ainda maior esforço. Portanto, como os benefícios da rotação das culturas de cobertura só têm um retorno a médio e longo prazos, a sua demonstração ao produtor deve ser muito convincente, para que essa prática seja amplamente adotada. Um exemplo concreto reside no que vem sendo realizado na Fazenda Capuava, em Lucas do Rio Verde, Mato Grosso, pelo engenheiro agrônomo José Eduardo de Macedo Soares Junior. A diversificação e a consorciação das culturas de cobertura no agroecossistema promovem muitos benefícios para o produtor e restauram a sustentabilidade agrícola e ambiental. No curto e médio prazos, elas reduzem a incidência de pragas, doenças e

É necessário monitorar tanto as culturas comerciais como as de cobertura para a presença de pragas, doenças, plantas daninhas e organismos benéficos

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plantas daninhas, ao mesmo tempo em que aumentam o teor de matéria orgânica do solo, melhorando tanto a fertilidade, como a retenção de umidade, reduzindo os estresses devido aos períodos de estiagem. A utilização de plantas de cobertura com sistema radicular de alta capacidade de penetração no solo recicla os nutrientes minerais, reduzindo a lixiviação, melhora a penetração da água da chuva por aumentar a porosidade do solo, reduzindo a compactação e a erosão, e pereniza as nascentes, entre vários outros benefícios. O produtor, ao realizar a transição do seu sistema de produção, com ou sem o uso da monocultura de cobertura, para a rotação de culturas de cobertura, deve estar ciente de que é um processo gradual e deve estar atento a vários fatores. Paulatinamente vai aumentar a diversidade biológica, tanto dos organismos que vivem na superfície, como no solo. Muitos desses organismos são benéficos e têm importante papel em manter o equilíbrio biológico, alimentando-se de pragas importantes para a cultura comercial. O maior teor de matéria orgânica no solo permite a sobrevivência de micro-organismos patogênicos para as pragas subterrâneas como, por exemplo, os nematoides. Portanto, a adoção de práticas que protejam os organismos benéficos no ambiente leva à redução do uso de defensivos no campo. As pragas que atacam as culturas durante a emergência são o grande desafio dos produtores que começam a rotação das culturas de cobertura, especialmente aqueles que utilizam uma única espécie de planta de cobertura. No início, a incidência de lagartas cortadeiras, lesmas, larva-arame e outras pragas desafia as novas práticas, até que a rotação de diferentes culturas de cobertura comece a produzir efeitos. Mesmo nos sistemas de plantio direto, onde há pouca palha, as glebas de encosta podem sofrer erosão devido à compactação do solo pelo baixo teor de matéria orgânica, reduzindo drasticamente a produtividade. Assim, inicialmente pode ser necessária uma subsolagem. Mas só isso pode não ser suficiente e outras práticas talvez sejam necessárias para manter as condições do solo favoráveis. Paulatinamente o produtor vai descobrindo que a rotação e a consorciação das culturas


Cuidados para garantir os benefícios e o sucesso do novo sistema • Monitorar tanto as culturas comerciais como as de cobertura para pragas, doenças, plantas daninhas e organismos benéficos (predadores, parasitoides e patógenos), bem como o perfil do solo para avaliar a saturação do alumínio e profundidade de raízes. • A adoção de métodos de controle das pragas deve obedecer ao nível de ação estabelecido pela pesquisa para cada praga e cultura, evitando assim as pulverizações desnecessárias, ou seja, aquelas que não trazem benefício econômico e que podem promover um desequilíbrio causador de explosão da população

de cobertura trazem maior diversidade de plantas na área cultivada, operando uma verdadeira revolução para o seu sistema de produção, reduzindo o uso de defensivos para o controle de pragas, doenças e plantas daninhas, ao mesmo tempo em que aumentam a eficiência das culturas na utilização dos fertilizantes, recuperando ou aumentando a sua produtividade. Além disso, o aumento do teor de matéria orgânica no perfil do solo contribui para a correção da acidez nas camadas mais profundas, o que permite maior desenvolvimento do sistema radicular das culturas comerciais. No sistema de produção das culturas anuais, predominam as culturas comerciais de soja, milho e algodão. O arroz, o feijão e o sorgo, esporadicamente também são utilizados. Além dessas, dependendo da região, são utilizadas culturas de cobertura para produzir palhada para o plantio direto. Como as opções de culturas comerciais para rotação são restritas, a rotação planejada de culturas de cobertura torna-se essencial para diversificar o agroecossistema durante as estações do ano. No sistema de plantio direto, tão importante quanto a quantidade (camada de palha) é a qualidade da matéria orgânica cobrindo o solo. Para manter uma boa relação carbono/nitrogênio (C/N) na matéria orgânica do solo é fundamental a diversificação das

de outras pragas. • Caso o monitoramento da praga indique controle, tratar com produtos específicos e com maior eficiência para cada grupo de praga e monitorar a sua atividade, com intervalo necessário para avaliar os resultados e o impacto no ciclo biológico da praga. • Consorciar algumas culturas de cobertura com culturas comerciais, oferecendo plantas alternativas como alimento às pragas, o que reduz os danos na cultura comercial, aumentando e mantendo a população dos organismos benéficos na área.

fontes de palha, pois as de gramíneas têm maior teor de carbono e as de leguminosas (proporcionalmente) de nitrogênio. Assim, a combinação de espécies de diferentes grupos melhora a relação C/N. A camada de palha deve ser espessa o suficiente para proteger a superfície do solo do impacto mecânico das gotas de chuva, evitando a desagregação das partículas do solo, bem como sua proteção contra a dessecação pela incidência direta da luz solar. A abundância de matéria orgânica, retendo um maior teor de umidade, permite inclusive uma maior diversidade de organismos secundários da fauna e da flora do solo, aumentando assim a biodiversidade. Portanto, tanto a quantidade quanto a diversidade de espécies de plantas para serem utilizadas como cobertura são igualmente importantes. Os ganhos são progressivos com a incorporação de fitomassa no perfil do solo. O aprofundamento das raízes no perfil do solo traz uma série de benefícios, como discutido anteriormente. Para isso, a neutralização do alumínio do solo nas camadas mais profundas é fundamental. Além dos corretivos de solo, a matéria orgânica tem papel relevante nesse processo. A fitomassa produzida pelas raízes é até mais importante que a produzida pela parte aérea das plantas. Experimentos conduzidos com braquiária têm demonstrado que a fitomassa das raízes resulta em maior ganho em produtividade que a da parte aérea

da planta, quando avaliadas separadamente. Ainda, cada cultura tem um sistema radicular com diferentes capacidades de penetração no solo. À medida que vai se rotacionando as culturas de cobertura, vai se aprofundando o perfil do solo explorado pelo sistema radicular das plantas comerciais, podendo passar de menos de 80cm para mais de 2,5m de profundidade. Obviamente, plantas com um sistema radicular mais profundo terão seu potencial produtivo bastante aumentado. Há fortes evidências de que o atual gargalo para o aumento da produtividade das culturas anuais em muitas propriedades está na qualidade física do solo, pois o plantio direto vem sendo praticado com pouca palhada e geralmente uma única espécie vegetal. Assim, resta um baixo teor de matéria orgânica, que limita o estabelecimento da população ideal de plantas, o aprofundamento das raízes e reduz a tolerância das plantas ao déficit hídrico por explorar apenas as camadas superficiais do solo, além de aumentar o acamamento. Aparentemente, a principal vantagem dos solos de cerrados, que reside na profundidade, tem sido pouco aproveitada C pela maioria dos produtores.

José M. Waquil, Consultor

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Charles Echer

Defensivos

Longo caminho Prática amplamente utilizada pelos produtores brasileiros, a mistura de defensivos em tanque finalmente ganha regulamentação. Ao mesmo tempo em que a medida representa um passo importante a ser comemorado, seu sucesso vai demandar suporte da pesquisa, com a associação entre diferentes instituições e áreas de conhecimento para minimizar possíveis interações indesejadas entre os defensivos

O

Brasil é um dos maiores produtores de grãos do planeta e um dos grandes exportadores de produtos agrícolas, sendo o agronegócio responsável por boa parte do produto interno bruto do País. Entretanto, existem diversas condições, como crescimento das áreas de cultivo e práticas de manejo inadequadas, que levaram ao aumento do número de plantas daninhas, doenças e insetos-praga, ocorrendo na maioria das vezes no mesmo período de tempo, o que gera menor rendimento das culturas. O manejo fitossanitário para o controle dessas pragas se torna indispensável, mas precisa ser eficiente, economicamente viável e com maior espectro possível. Dessa maneira, a mistura de agroquímicos é uma realidade na agricultura brasileira, conforme ficou comprovado pela pesquisa realizada por Gazziero (2015), que demonstrou que 97% dos entrevistados utilizam misturas em tanque e em 95% das vezes variando de dois a cinco produtos. Entretanto, a regulamentação da mistura de agroquímicos somente foi publicada no Diário Oficial da União no dia 27/12/17, por meio de uma Instrução Normativa conjunta de Mapa/Anvisa/ Ibama. Dessa maneira, esse ato governamental regulamentou uma prática que já era amplamente utilizada no País. Diante desse novo cenário, alguns aspectos precisam ser discutidos para que seja possível entender melhor quais serão os impactos dessa importante alteração para a agricultura brasileira.

POR QUE MISTURAMOS AGROQUÍMICOS?

O principal motivo que leva à utilização de defensivos em mistura é de que os insetos-praga, as plantas daninhas e as doenças ocorrem concomitantemente nas lavouras. Por exemplo, a ocorrência de percevejos e lagartas na soja se dá na mesma época em que é necessário fazer o controle da ferrugem-asiática da soja. Sendo assim, torna-se mais prático e viável economicamente realizar a aplicação no mesmo momento, na busca por um menor custo operacional (custo de diesel, mão de obra e uso de água) e uma menor perda por danos mecânicos (amassamento da cultura).

INSTRUÇÃO NORMATIVA

A nova Instrução Normativa (IN) conjunta tem por objetivo,

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segundo seu artigo 1°, “Estabelecer critérios e procedimentos a serem adotados para recomendação de mistura em tanque de agrotóxicos e afins e sua prescrição em receituário agronômico”. Além disso, no seu artigo 2°, fica definido que: “As recomendações de mistura em tanque devem ser feitas por: I – instituição pública ou privada de ensino, de pesquisa ou extensão rural; II- associação de produtores, cooperativas de agricultores; III - empresa registrante de agrotóxicos e afins”. Entretanto, essas recomendações de misturas devem ser encaminhadas ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para divulgação no seu portal eletrônico, podendo ser atualizadas ou mesmo contestadas. Ainda de acordo com o artigo 2° “As recomendações devem ser precedidas de estudos e pesquisas científicas ou uso consagrado comprovado em literatura científica”. Portanto, as recomendações de mistura de tanque trazem um novo desafio para a pesquisa brasileira, abrindo uma nova lacuna de informações que necessita ser preenchida rapidamente com uma pesquisa séria e comprometida com a agricultura e toda a sociedade brasileira.

O QUE PODE ACONTECER QUANDO MISTURAMOS AGROQUÍMICOS?

Os efeitos que podem ocorrer quando se mistura defensivos já foram relatados por diversos autores (Nash, 1967; Marking, 1985; Calabrese, 1991). A mistura pode resultar em três tipos de efeito: a) aditivo, quando a combinação dos produtos apresenta eficiência igual à aplicação individual; b) sinérgico, quando a mistura aumenta o efeito individual; e c) antagônico, quando um produto reduz a eficiência de outro em conjunto. A avaliação da compatibilidade dos defensivos pode ser dividida em incompatibilidade física e incompatibilidade química. A parte física é sempre mais fácil de ser avaliada e quantificada (por ser visível), entretanto, as interações químicas que podem acontecer no tanque de pulverização são muito difíceis de serem previstas e mesmo explicadas.

INCOMPATIBILIDADE FÍSICA

A qualidade da mistura é a principal forma de avaliação de uma incompatibilidade física entre os produtos. Neste caso, observa-se como ocorre a interação dos produtos, se de forma


homogênea ou se existe uma formação de precipitado, sobrenadante ou floculação. Na Figura 1a é possível visualizar uma mistura homogênea dos produtos, enquanto na Figura 1b percebe-se separação da calda de pulverização e na Figura 1c formação de precipitados na calda. A partir desta avaliação, recomenda-se a agitação ou até mesmo a não aplicação dos produtos em mistura, conforme a deficiência na homogeneidade. Uma recomendação importante é a do Centro Brasileiro de Bioaeronáutica (CBB), que está descrito na Tabela 1. Baseado nisso, a instabilidade da calda pode ocasionar a diminuição da qualidade da aplicação, devido à interação entre características deficientes do líquido com instrumentos da pulverização como: o padrão de distribuição de gotas e distribuição volumétrica, o volume de calda e a formação de gotas. O que pode acarretar em baixa eficiência no controle, devido aos

produtos sólidos ficarem retidos nos filtros e as pontas e aos líquidos separados em fase, o que pode ocasionar aplicações em subdose (Miller, 2000). Outro estudo nessa área foi realizado por Pazzini et al (2013), que avaliou agroquímicos utilizados na cultura do arroz, em que demonstrou que as misturas de tanques testadas que possuíam maior incompatibilidade física apresentavam rápida formação de precipitado. As misturas que apresentaram maiores incompatibilidades entre produtos foram profoxidim + cialofope-butílico, profoxidim + cialofope-butílico + lambda-cialotrina e tebuconazol + trifloxistrobina + imidacloprido. Em relação à associação de inseticidas e fungicidas, em trabalho realizado por Almerini (2015) pelo grupo de pesquisa em Manejo Inteligente em Tecnologia de Aplicação (Mita) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), foram avaliadas as interações existentes entre os fungicidas:

trifloxistrobina + protioconazol, benzovindiflupir + azoxistrobina e picoxistrobina + ciproconazole em mistura com os inseticidas clorantraniliprole, metomil, tiametoxam + lambda-cialotrina e cipermetrina, com e/ ou sem adjuvantes. Os resultados mostraram que a mistura de trifloxistrobina + protioconazol com todos os inseticidas se mostrou estável, exceto quando associado com cipermetrina + o adjuvante óleo mineral (hidrocarbonetos alifáticos), que apresentou sobrenadante, sendo recomendada a agitação contínua. Por outro lado, para as misturas de benzovindiflupir + azoxistrobina, todos os tratamentos se mostraram instáveis, havendo em alguns casos a formação de precipitados, entretanto, com a agitação contínua a mistura poderia ser utilizada. As misturas de picoxistrobina + ciproconazole com os diferentes inseticidas e adjuvantes se mostraram estáveis, apenas com formação de sobrenadante quando em associação com

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assist, mas também podendo ser utilizada desde que com agitação contínua. Cabe ressaltar que, nesse trabalho, foi avaliada somente a incompatibilidade física, não sendo realizada a aplicação dos tratamentos em campo.

INCOMPATIBILIDADE QUÍMICA

MITA-UFSM

A mistura de moléculas químicas e suas interações dentro do tanque de pulverização é sempre uma incógnita. Fato que se deve à enormidade de variáveis, desde a estrutura molecular do agroquímico até as condições para que uma reação química ocorra (pH, temperatura da calda etc). Portanto, a adição de qualquer produto na calda deve levar em consideração a real necessidade de sua utilização e uma avaliação sobre os benefícios e prejuízos que pode causar. Para uma boa mistura, em primeiro lugar deve ocorrer uma interação física, considerando as características físico-químicas dos ingredientes (solubilidade, constante de ionização, coeficiente de partição octanol-água), para que depois existam interações químicas, que estão associadas à molécula do produto (Petter, 2013).

Alguns autores também avaliaram a possível incompatibilidade química entre moléculas. York (1991) relatou efeito antagônico do herbicida clomazone misturado com o inseticida aldicarb e dimetoato devido a efeito fitotóxico da mistura para a cultura do algodoeiro. Para a cultura do arroz, a aplicação de herbicidas pós-emergentes em conjunto levou à predominância de efeito antagônico no caso de inibidores de ACCase em mistura com inibidores de ALS (Matzenbacher, 2015).

Adriano Arrué Melo, Diego Delevati Almerini, Eric Fernandes Luchese, Lucas Hahn, Mailson Licht de Almeida e Matheus Collaço Machado, Universidade Federal de Santa Maria

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A regulamentação das misturas de tanque de defensivos pode representar um avanço para a agricultura brasileira e uma maior segurança no uso dos agroquímicos. Entretanto, a regulamentação de mistura de tanque necessita do suporte da pesquisa. Para tal, é necessária uma associação entre diferentes instituições de pesquisa e áreas de conhecimento para minimizar possíveis interações indesejadas entre os defensivos, tornando as aplicações mais confiáveis e seguras. A regulamentação dessa prática, que já vinha sendo utilizada há vários anos em campo, é um primeiro passo para uma agricultura cada vez mais produtiva e segura.

Possíveis interações da mistura de agroquímicos: Efeito aditivo: 2 + 2 = 4 Efeito sinérgico: 2 + 2 = 6 Efeito antagônico: 2 + 2 = 3

Tabela 1 - Recomendação da incompatibilidade física sobre a separação da calda de pulverização Grau 1 2 3 4 5

Condição Separação imediata Separação após 1 minuto Separação após 5 minutos Separação após 10 minutos Estabilidade perfeita

Recomendação Não aplicar Não aplicar Agitação contínua Agitação contínua Sem restrições

Adaptado de: Centro Brasileiro de Bioaeronáutica (CBB)

A B C

Exemplo de misturas de agroquímicos

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Entretanto, ainda há um longo caminho para que os técnicos de campo possam recomendar as misturas sem medo, tirando o máximo dos agroquímicos, otimizando o seu uso e permitindo uma agricultura mais C eficiente.

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Cana

Liberação controlada Fornecimento regular e contínuo de nutrientes para as plantas, menor frequência de aplicações em solos, redução de perdas de nutriente devido à lixiviação, imobilização e, ainda, volatilização, eliminação de danos causados a raízes pela alta concentração de sais. Eficiencia de fertilizante de liberação controlada em relação à fertilização convencional no rendimento agrícola e tecnológico da cana-de-açúcar

A

cana-de-açúcar é cultivada em quase todas as regiões agrícolas brasileiras, o que abrange solos com fertilidade variável e, consequentemente, diferentes ambientes de produção. Neste contexto, a adubação se torna um fator indispensável para o pleno desenvolvimento da cultura, com finalidade de obtenção de altas produtividades. A adubação tem por objetivo fornecer à planta todos os nutrientes, sem os quais o vegetal não completa seu ciclo. A prática de adubação, além de constituir um dos fatores indispensáveis para o desenvolvimento das plantas, se manejada de forma correta pode acelerar consideravelmente seu crescimento,

reduzir os custos de produção e possibilitar maiores produtividades (Malavolta, 1980). Neste contexto, avanços devem ser realizados em programas nutricionais no que diz respeito à eficiência de uso pelas diversas culturas, como a cana-de-açúcar. Uma alternativa de fertilização para aumentar a eficiência de uso pelas plantas diz respeito ao emprego de adubos encapsulados, denominados fertilizantes de liberação gradual. Esses fertilizantes, uma vez aplicados no solo, liberam os nutrientes de forma gradual devido ao recobrimento por substâncias químicas e/ou orgânicas. A liberação gradual de nutrientes depende da umidade e da temperatura

do solo, uma vez que a temperatura promove expansão da camada de resina, provocando aumento de sua permeabilidade à água. Esse processo ocorre independentemente de permeabilidade, pH ou atividade microbiológica do solo, podendo variar de poucos meses a até quase 20 meses para liberação total, sendo a longevidade específica de cada formulação do fertilizante. Trabalhos científicos relatam que as principais vantagens dos fertilizantes de liberação gradual são fornecimento regular e contínuo de nutrientes para as plantas, menor frequência de aplicações em solos, redução de perdas de nutriente devido à lixiviação, imobilização e, ainda, volatilização, eliminação Júlio César Garcia

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Tabela 1 - Tratamentos utilizados no ensaio Tratamentos T1 T2 T3 T4 T5 T6 T7 T8 T9

Descrição dos tratamentos utilizados no experimento Testemunha (sem adubação) Adubação convencional, conforme Boletim 100 IAC sobrepalhada Liberação gradual (50%) 60/40 sobre palhada Liberação gradual (75%) 60/40 sobre palhada Liberação gradual(100%) 60/40 sobre palhada Liberação gradual (50%) 40/60 sobre palhada Liberação gradual(75%) 40/60 sobre palhada Liberação gradual(100%) 40/60 sobre palhada Liberação gradual (75%) 60/40 incorporado sob palhada

Tabela 2 - Valores médios para rendimento de colmos em tonelada de colmos por hectare Tratamentos Testemunha (sem adubação) Adubação convencional Liberação gradual (50%) 60/40 sobre palhada Liberação gradual (75%) 60/40 sobre palhada Liberação gradual(100%) 60/40 sobre palhada Liberação gradual (50%) 40/60 sobre palhada Liberação gradual(75%) 40/60 sobre palhada Liberação gradual(100%) 40/60 sobre palhada Liberação gradual (75%) 60/40 incorporado

Tonelada de colmos por hectare 55,56 77,86 71,83 79,50 79,56 73,63 77,73 83,03 73,56

Tabela 3 - Valores médios para teores de Brix (%) cana e Fibra (%) cana e Pol (%) cana Tratamento T1- Testemunha T2- AC T3-LC 50% 60/40 T4- LC 75% 60/40 T5- LC 100% 60/40 T6- LC 50% 40/60 T7- LC 75% 40/60 T8- LC 100% 40/60 T9- LC 75% 60/40 i

Brix(%) cana 21,64 22,13 21,75 21,51 22,13 21,80 22,00 21,54 22,36

Fibra (%) cana 12,47 12,26 11,89 12,33 12,41 12,35 11,72 12,19 11,77

Pol(%) cana 15,95 16,71 16,67 16,32 16,68 16,43 16,59 16,20 16,73

Tabela 4 - Valores médios para Pureza (%) cana, Açúcares Redutores e ATR Tratamento T1- Testemunha T2- AC T3-LC 50% 60/40 T4- LC 75% 60/40 T5- LC 100% 60/40 T6- LC 50% 40/60 T7- LC 75% 40/60 T8- LC 100% 40/60 T9- LC 75% 60/40 i

Pureza 87,60 89,56 90,35 90,10 89,64 89,56 88,59 89,15 88,05

Açúcares Redutores 0,53 0,47 0,46 0,46 0,47 0,47 0,51 0,49 0,53

ATR 156,82 163,57 162,97 159,69 163,22 160,91 162,72 158,83 164,14

Tabela 5 - Valores médios para nitrogênio e potássio Tratamento T1- T T2- AC T3-LC 50% 60/40 T4- LC 75% 60/40 T5- LC 100% 60/40 T6- LC 50% 40/60 T7- LC 75% 40/60 T8- LC 100% 40/60 T9- LC 75% 60/40 i

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Nitrogênio (g/Kg) 17,67 a 19,17 a 19,15 a 19,80 a 20,17 a 19,52 a 19,50 a 20,00 a 20,62 a

Potássio (g/kg) 9,07 a 11,50 a 11,35 a 11,72 a 11,40 a 11,50 a 11,17 a 12,12 a 11,07 a

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de danos causados a raízes pela alta concentração de sais, maior praticidade no manuseio dos fertilizantes, contribuição à redução da poluição ambiental pelo NO-3, atribuindo valor ecológico à atividade agrícola (menor contaminação de águas subterrâneas e superficiais) e redução nos custos de produção. O uso de fertilizantes de liberação controlada se soma a esses avanços, devido ao efeito protetor das camadas de polímeros que envolvem os grânulos, diminuindo os efeitos de lixiviação, volatilização e adsorção pelos coloides do solo, tornando os nutrientes mais acessíveis ao sistema radicular e consequentemente melhorando a eficiência de uso pelas plantas. Com o objetivo de avaliar a eficiência agronômica desses fertilizantes foi realizado um ensaio de campo conduzido pelo Centro de Cana – IAC, em soqueira de cana-de-açúcar de terceiro corte, no município de Serrana, São Paulo, em um Latossolo Vermelho mesoálico, textura franco arenosa. A variedade de cana utilizada no experimento foi a RB 867515, apresentando as características de alta produtividade agrícola e rusticidade, alto teor de sacarose, perfilhamento médio, colheita de meio a final de safra e tolerância às principais doenças. Os tratamentos foram constituídos pela aplicação dos fertilizantes de liberação controlada na proporção de 50%, 75% e 100% em relação à adubação convencional. Utilizaram-se duas fontes de fertilizante de liberação controlada, uma com 60% do formulado com liberação controlada e 40% convencional, outra de 40% do formulado com liberação controlada e 60% convencional. A adubação convencional foi realizada conforme recomendação do Boletim 100 IAC, de acordo com resultado da análise de solo, na quantidade de 120kg/ha de N e K2O e 30kg/ha de P2O 5, bem como um tratamento testemunha, sem aplicação dos fertilizantes, conforme descrito na Tabela 1. Os fertilizantes de liberação controlada utilizados no ensaio possuíam longevidade de liberação para o nitrogênio em torno de 120-150 dias, enquanto para o potássio em torno de 120-180 dias. Uma informação importante neste estudo diz respeito aos dados pluviométricos. De acordo com a Figura 1, a precipitação total ocorrida durante a condução do ensaio, comprendido entre os meses de dezembro/13 a setembro/14 resumiu-se a apenas 762,2mm de chuva. Os resultados do estudo mostraram algumas respostas interessantes. Os dados obtidos para rendimento agrícola, expressos em toneladas de colmos por hectare, podem ser analisados na Tabela 2. Observa-se pelos dados descritos na Tabela 2 um grupo distinto de três médias em relação ao rendimento de colmos por hectare. A menor média é atribuída à testemunha absoluta, ou seja, sem adubação, sendo este um parâmetro já esperado. Outro grupo intermediário, composto pela dosagem de 50% da adubação convencional com os fertilizantes de liberação controlada na proporção, tanto de 40/60 quanto de 60/40 (controlada/convencional) sobre a palhada, e 75% da adubação convencional 60/40 (controlada/convencional) incorporado sobre a palhada e um grupo com média maior em rendimento agrícola, superior à média da adubação convencional, composto


Fotos Júlio César Garcia

A adubação tem por objetivo fornecer à planta todos os nutrientes, sem os quais o vegetal não completa seu ciclo

por 75% e 100% tanto de 40/60 quanto de 60/40 (controlada/convencional) aplicado sobre a palhada da cana. Entretanto, observa-se baixa produtividade no canavial, independentemente dos diferentes tratamentos estudados no ensaio, o que pode ser explicado, principalmente, pela quantidade de chuvas durante o período de condução de ensaio, ficando muito abaixo da necessidade hídrica exigida pela cultura da cana-de-açúcar, que necessita de uma precipitação anual de aproximadamente 1.200-1.500mm bem distribuída ao longo do período para um bom desenvolvimento vegetativo, que reflete diretamente na produtividade. Observa-se pelos dados da Figura 1 que a precipitação durante a condução do ensaio foi de apenas 762,2mm, insuficiente para a demanda hídrica da cana e ainda com distribuição desuniforme. É possível verificar em dezembro de 2013 uma condição pluviométrica acima da média histórica, entretanto, entre os meses de janeiro e março de 2014 a distribuição de chuva ficou muito abaixo da média. Neste período, há uma grande exigência de água pela planta, devido ao rápido crescimento. O baixo índice pluviométrico ocorrido neste período pode ter contribuído para a menor produtividade do canavial. Em relação às características tecnológicas da cana-de-açúcar pode-se verificar pelos dados apresentados nas Tabelas 3 e 4 que as diferentes doses de fertilizantes de liberação gradual em relação à adubação convencional proporcionaram valores médios semelhantes para teores de Brix, Fibra, Pol, Pureza, Açúcares Redutores e ATR. Foram avaliados também os teores foliares de nitrogênio e potássio relacionados às doses de fertilizantes de liberação gradual comparados com a adubação convencional, descritos na Tabela 5. Como pode ser observado, os efeitos dos diferentes tratamentos não influenciaram os teores foliares de nitrogênio e potássio. Os teores foliares de nitrogênio, considerados adequados para a cana-de-açúcar, para amostras de folha +1 na fase de pleno desenvolvimento vegetativo, encontram-se na faixa

Figura 1 - Preciptação mensal entre dezembro de 2013 e outubro de 2014 Fonte: Ciiagro - IAC

Garcia aborda o papel dos fertilizantes de liberação gradual

de 18g/kg – 25g/kg, e os de potássio entre 10g/kg – 16g/kg, estando os valores médios proporcionados pelos diferentes tratamentos dentro da faixa aceitável para a referida cultura. De acordo com os resultados alcançados neste estudo relacionado ao ambiente de produção em que o ensaio foi conduzido, pode-se concluir que a adubação com fertilizante de liberação controlada na proporção de 75% da adubação convencional proporcionou o mesmo rendimento de colmos por hectare, comparado a 100% da adubação convencional, sem afetar as características tecnológicas da cana-de-açúcar e C os teores foliares de nitrogênio e potássio.

Julio Cesar Garcia, Centro de Cana - IAC

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Plantas Daninhas

Impacto no bolso A impressionante cifra de R$ 9 bilhões é o custo total anual estimado para a resistência de plantas daninhas à aplicação de herbicidas no Brasil. Responsável por aumento dos gastos com controle e perdas de produtividade, este problema tem se agravado e exige cada vez mais obediência aos princípios do manejo integrado

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Divulgação

ma das principais consequências da resistência de plantas daninhas a herbicidas reside no aumento dos custos de controle, o que normalmente não é abordado nas publicações científicas sobre o tema, mas é de grande importância para o setor produtivo. Nos sistemas de produção de grãos do Brasil, especialmente no da cultura da soja, o impacto da resistência de plantas daninhas a herbicidas pode ser dividido em duas fases. A primeira refere-se ao período de 1993 até meados dos anos 2000, caracterizada pela ampla e massiva utilização dos herbicidas inibidores da enzima acetolactato-sintase – ALS. Esses herbicidas possuem, como características positivas, elevada eficiência no controle de plantas daninhas dicotiledôneas, especialmente o picão-preto e o leiteiro (amendoim-bravo). Por outro lado, os inibidores da ALS possuem, como característica negativa, alta probabilidade de seleção de biótipos de plantas daninhas resistentes, cujos primeiros casos foram observados no Rio

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Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, com rápida disseminação para as demais regiões produtores de grãos do país. Nessa época, o custo médio atualizado de controle nas áreas sem problema de resistência era de R$ 62,57, variando entre R$ 46,53 e R$ 78,60 por hectare. Nas áreas com problemas de resistência houve a necessidade de se utilizar herbicidas com mecanismos alternativos, o que elevou o custo médio do controle para R$ 285,98 por hectare (incremento médio de 357%). A situação brasileira de resistência de plantas daninhas a herbicidas na cultura da soja convencional, em meados dos anos 2000, era considerada pelos produtores como insustentável, devido às dificuldades de controle, o alto custo e a baixa eficiência dos mecanismos de ação dos herbicidas disponíveis contra as espécies resistentes. A solução para esse problema ocorreu com a introdução da soja transgênica resistente ao herbicida glifosato, conhecida como soja Roundup Ready ou soja RR. A tecnologia RR oportunizou a utilização do glifosato em pós-emergência


da soja, com controle eficiente das espécies resistentes aos inibidores da ALS. No entanto, o uso intensivo do glifosato acarretou grande pressão de seleção sobre as plantas daninhas, resultando na seleção de sete espécies daninhas resistentes: o azevém (Lolium multiflorum), a buva (Conyza bonariensis, C. canadensis, C. sumatrensis), o capim-amargoso (Digitaria insularis), o caruru-palmeri (Amaranthus palmeri) e o capim pé-de-galinha (Eleusine indica). A resistência ao glifosato é considerada a segunda fase de resistência de plantas daninhas no Brasil. Azevém, buva e capim-amargoso são as três plantas daninhas mais dispersas pelo território nacional. Os principais custos da resistência relacionam-se à necessidade do uso de herbicidas alternativos e às perdas de produtividade causadas pela competição das plantas daninhas resistentes e remanescentes na lavoura. O custo com herbicidas alternativos varia de acordo com a opção adotada pelo produtor, uma vez que, na maioria das vezes, há mais de uma alternativa de produto para uso no manejo das populações de invasoras resistentes. Na ausência de resistência, o custo médio de controle de plantas daninhas na cultura da soja pode ser restrito a uma aplicação de glifosato na dessecação e duas aplicações na pós-emergência, resultando em custo atualizado total de R$ 120,00 por hectare.

Figura 1 - Estimativa do aumento percentual do custo do controle de plantas daninhas (R$ ha-1), em áreas de soja com presença de diferentes populações de plantas daninhas resistentes aos inibidores da EPSPs (glifosato), comparado a áreas sem resistência

Em uma condição de infestação de azevém resistente ao glifosato, existe a necessidade do uso de um herbicida graminicida alternativo associado ao glifosato para controle da infestante. Com isto, o custo tem aumento médio de R$ 57,65 por hectare. Outro cenário normal para o Sul do Brasil é a ocorrência de buva e azevém com resistência múltipla na mesma área. Nesse caso, as opções restringem-se apenas à dessecação com o herbicida 2,4-D para controle da buva e

paraquate para o controle do azevém. Já para aplicação seletiva na cultura, os herbicidas flumioxazin e trifluralina são as principais opções. O custo nessa situação aumenta, em média, R$ 197,55 por hectare. Em áreas infestadas com capim-amargoso resistente ao glifosato, a alternativa de controle passa a ser o uso de graminicidas específicos, principalmente os inibidores

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Divulgação

Alta infestação de buva em área de cultivo de soja

da ACCase, tanto em dessecação como em pós-emergência da cultura, podendo ser intercalados na dessecação com herbicidas de contato, como o paraquate e o amônio-glufosinato. De maneira geral, tem-se realizado entre duas e quatro aplicações de graminicidas, o que aumenta o custo médio de controle em R$ 198,35 por hectare. No cenário de infestação conjunta de capim-amargoso e buva resistentes ao glifosato, o custo de controle pode chegar a R$ 479,50 por hectare, acréscimo de até R$ 359,50 por hectare quando comparado à área sem a presença dessas espécies resistentes. Quando se analisa a variação percentual do custo de controle verifica-se grande aumento dos custos em lavouras com a presença de plantas daninhas resistentes ao glifosato, variando, em média, entre 42% e 48% para as infestações isoladas de buva e azevém, respectivamente, e até 165% na presença de capim-amargoso. Nas situações de maior dificuldade de controle, onde ocorrem os maiores gastos, o custo de controle para essas espécies praticamente triplica em relação ao custo mínimo, sendo 125% maior para a buva, 148% para o azevém e 290% para o capim-amargoso.

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A Embrapa Soja, através do seu grupo de pesquisadores em plantas daninhas, tem realizado periodicamente o monitoramento da resistência de plantas daninhas a herbicidas nos sistemas de produção de grãos no Brasil. Atualmente, esse grupo de pesquisadores estima que existam 20,1 milhões de hectares cultivados com soja infestados com populações resistentes de azevém, buva e capim-amargoso. A presença de azevém resistente está restrita aos estados do Sul do País, com área estimada em 4,2 milhões de hectares, sendo que em 3,4 milhões de hectares o azevém aparece junto com a buva resistente. Nesse cenário, a depender do tratamento considerado, o custo médio adicional de controle no sistema de produção de soja no Brasil é estimado em R$ 813.790.000,00 por ano. No Brasil, a área com presença apenas de buva resistente é estimada em 7,7 milhões de hectares, sendo que a somatória do aumento dos custos de controle nessas áreas resulta em incremento médio anual de R$ 1.312.850.000,00. A estimativa da área total infestada apenas com capim-amargoso resistente ao glifosato atinge 5,5 milhões de hectares,

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onde o incremento médio do custo de controle é estimado em R$ 1.750.925.000,00 ao ano. O pior cenário em relação ao aumento dos custos reside na presença simultânea do capim-amargoso e da buva, cuja área é estimada em 2,7 milhões de hectares e resulta no incremento médio anual do custo de controle, em R$ 1.041.255.000,00. Analisando toda a área de soja infestada com plantas daninhas resistentes no Brasil, os custos de controle em relação às áreas sem problemas de resistência estão entre R$ 3.796.540.000,00 e R$ 6.046.500.000,00, com incremento médio anual de R$ 4.918.820.000,00. Se forem acrescentadas a este custo as perdas médias de 5% da cultura em função da competição com a população resistente remanescente, o custo total anual da resistência no Brasil poderia atingir R$ 9 bilhões. Este quadro pode piorar com o surgimento de novas espécies resistentes, especialmente ao glifosato, ou à disseminação de espécies relatadas recentemente como resistentes ao herbicida (capim-pé-de-galinha e caruru-palmeri). Nesse cenário, é extremamente importante que todos os agentes do setor produtivo se conscientizem da importância de enfrentar o problema da resistência das plantas daninhas aos herbicidas, cujo planejamento deve ser feito com obediência aos princípios do manejo integrado de plantas daninhas (MIPD), que pode ser definido como sendo a seleção e a integração de métodos de controle e o conjunto de critérios para a sua utilização, com resultados favoráveis desde uma perspectiva agronômica, econômica, ecológica e social. Vale ressaltar que, em qualquer sistema de produção agrícola e em qualquer cenário de resistência, o manejo integrado de plantas daninhas deve ser gerenciado por um engenheiro agrônomo responsável C pela atividade.

Fernando S. Adegas, Dionísio L. P. Gazziero, Embrapa Soja Leandro Vargas, Embrapa Trigo Décio Karam, Alexandre Ferreira da Silva, Embrapa Milho e Sorgo Dirceu Agostinetto, Universidade Federal de Pelotas


Fotos Laborsan

Empresas

Duas décadas

No ano em que completa 20 anos de atividades, a Laborsan Agro contabiliza os resultados do trabalho em produtos e serviços voltados para a proteção e o tratamento de sementes

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Laborsan Agro desenvolve e comercializa tecnologias de revestimento de sementes (film-coating e incrustação & peletização), além de produtos que têm por objetivo somente coloração/identificação para sementes. Este ano a empresa completa 20 anos. A Laborsan Agro desenvolve e posiciona seus produtos auxiliares para o Tratamento Industrial de Sementes (TIS) como a tecnologia film-coating, que utiliza produtos conhecidos como “polímeros” e “pós secantes”. “Consideramos o TIS como uma evolução necessária do tratamento de sementes ‘on-farm’, agregando qualidade de aplicação dos produtos, comodidade e segurança ao homem e ao meio ambiente”, explica o diretor Francisco Albuquerque. As tecnologias Film-coating, Incrustação & Peletização e os produtos que têm por objetivo somente coloração/ identificação podem ser posicionados para sementes de hortaliças e forrageiras. É necessário identificar a cultura em específico e a(s) necessidade(s) do sementeiro, que poderá ser personalizada de acordo com seu mercado-alvo ou ainda com o desafio que a semente apresenta ao revestimento ou à coloração. No Brasil, a expectativa neste segmento é positiva e

caminha junto com a conscientização do agricultor de que precisa de uma semente certificada e bem tratada. Há demanda cada vez maior pelo uso racional de insumos e necessidade de otimização de mão de obra, em que o aumento da tecnologia agregada em sementes pode contribuir para tal. O ponto forte da Laborsan Agro se dá pela flexibilidade em atender ao mercado de sementes, aliada à qualidade que entrega em suas tecnologias, em que a satisfação de seus clientes é ponto primordial e inicial no conjunto de valores da empresa. Possui uma equipe de profissionais técnicos-comerciais agrônomos e químicos, que atuam diretamente nas empresas de sementes identificando suas necessidades. É um trabalho árduo considerando o tamanho do país e as várias espécies que estão utilizando o tratamento para aumentar o desempenho das sementes. Isto possui um diferencial competitivo bastante significativo. “O investimento em infraestrutura ampliou as operações necessárias para a expansão de nosso share no agronegócio. A gestão participativa trouxe inovação em produtos e processos, traduzida em qualidade no campo. Nesse cenário, a superação foi importante, mas temos desafios maiores: a crescente demanda e a C internacionalização”, avaliou Albuquerque.

A Laborsan Agro desenvolve e comercializa tecnologias de revestimento de sementes

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Coluna Agronegócios

É possível atrasar o futuro, mas não impedi-lo

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agricultura do futuro terá que ser mais eficiente, usando menos terra, água e mão de obra – recursos que ficarão mais escassos – e aproveitando melhor a luz do sol. No processo mais comum de fotossíntese – denominado C3- os cloroplastos usam a energia solar para dividir a água em hidrogênio e oxigênio. O hidrogênio combina-se com dióxido de carbono para formar pequenas moléculas orgânicas com três átomos de carbono que, posteriormente, transformam-se em carboidratos. Contudo, existem plantas que, diferentemente das plantas C3, sintetizam compostos com quatro carbonos como os primeiros produtos da fotossíntese. A fotossíntese C4 é muito mais eficiente do que a C3, especialmente em climas tropicais, estando presente em diversas plantas cultivadas, como milho, sorgo e cana-de-açúcar, que possuem tetos de produtividade elevados. Não é o caso do arroz, cuja produtividade seria 50% maior com a rota C4. Este é o objetivo do Projeto de Arroz C4, um estudo que envolve 18 institutos da Ásia, Austrália, Europa e América do Norte. A meta é permitir a síntese de cinco enzimas que não existem no genoma atual do arroz, além de reorganizar o arranjo celular nas folhas, criando compartimentos especiais para estocar CO2, exigido na rota C4, mas não na C3. Os genes das enzimas foram transferidos do milho para o arroz, porém, o controle genético que governa a estocagem do CO2 ainda é obscuro. Outros cientistas buscam culturas resistentes à seca, ao calor, ao frio e ao sal. Estudos avançados estão gerando plantas resistentes às pragas, eliminando o uso de agroquímicos, ou com rotas mais eficientes para uso de água e nutrientes, inclusive estendendo a outras plantas a capacidade de fixar nitrogênio do ar, como já ocorre com soja e feijão. Não menos importantes são as plantas com maior teor de nutrientes.

NOVAS TÉCNICAS

Chega-se, agora, à era das novas técnicas, mais precisas e eficientes. Uma delas é a edição do genoma, que ajusta o DNA já existente, adicionando, subtraindo ou substituindo até uma única "letra" genética presente no DNA. Essa técnica é similar ao processo natural de mutação, que é a base da variabilidade genética natural. A forma de edição mais popular entre os cientistas é chamada de CRISPR/Cas9, utilizando a mesma ferramenta com a qual as bactérias atuam sobre os genes dos vírus invasores. Com uso dessa técnica já foi obtido o trigo, que permite polinização cruzada, facilitando a obtenção de híbridos mais produtivos. Pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências estão desenvolvendo plantas de trigo resistentes ao oídio, aumentando a produtividade e reduzindo o uso de defensivos. Outra técnica é a seleção genômica, um avanço na seleção assistida por marcadores, que são processos que reconhecem segmentos de DNA- os marcadores- encontrados em QTLs ou em regiões do cromossomo próximas a eles. Um QTL é parte de um genoma que tem um efeito mensurável e previsível sobre um fenótipo, atribuível aos genes nele contidos. Se o marcador estiver presente, então o QTL também estará. Destarte, uma planta com o marcador deve exprimir o efeito fenotípico de um QTL. A seleção assistida por marcador convencional dependia de algumas

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centenas de marcadores. A seleção genômica baseia-se em polimorfismos de um único nucleotídeo, denominado SNPs (pronuncia-se snips). Trata-se de uma porção do DNA, onde uma única “letra” genética varia em uma parte inalterável do genoma, sendo facilmente identificável. Com o enorme poder de computação atualmente, é fácil vincular SNPs a QTLs, além de poder analisar as interações entre os QTLs. Assim, o melhorista identifica rapidamente, e com precisão, quais plantas individuais incorporaram os genes pretendidos. As novas ferramentas beneficiam o produtor, o consumidor e o ambiente. Um exemplo do sucesso dessa técnica são as modernas variedades de milho, tolerantes à seca, um avanço em relação à variedade anterior, desenvolvida usando a outra abordagem. Outro exemplo é o Projeto NextGen, envolvendo institutos científicos da África. Os pesquisadores identificaram 40 mil SNPs de mandioca, que foram utilizados durante três gerações de seleção genômica, buscando desenvolver variedades de mandioca resistentes a viroses, com rendimentos mais elevados e melhoria nas propriedades nutricionais da cultura. É uma ação concreta que beneficia pequenos produtores familiares, que sofrem com a falta de políticas públicas adequadas e tecnologias que garantam a sua rentabilidade e sustentabilidade.

FUTURO

Pode parecer ficção científica, mas a própria engenharia genética era assim considerada há meros 20 anos. O pesquisador Donald Ort (ARS/ USDA) lidera um grupo de cientistas que se propõem não meramente a aperfeiçoar a evolução, mas, de fato, a redesenhar o processo fotossintético de uma maneira que a evolução ainda não descobriu. Ort sugere ajustar as moléculas de clorofila para capturar um espectro mais amplo de frequências de luz, aproveitando melhor a radiação solar incidente sobre as plantas. O grupo também objetiva melhorar a forma como as plantas absorvem o dióxido de carbono. Como resultado, espera-se um crescimento mais rápido das plantas e com maior produtividade. Isto significará menor desmatamento, menor uso de água e de mão de obra, os tais recursos escassos. Entrementes, sempre haverá ativistas que veem o avanço científico como uma abordagem não natural, e é importante que eles existam, para servir como consciência crítica, a fim de discutir aspectos éticos e externalidades de novas tecnologias. No entanto, cumpre ter em mente que as novas técnicas emulam precisamente o que aconteceu quando os ancestrais das plantas modernas surgiram, através da combinação de uma bactéria e seu hospedeiro e seu posterior ajuste mútuo para viver em simbiose. Foi esse salto evolutivo que cobriu a Terra de verde, permitindo a formação das cadeias alimentares, das quais o homem está no topo. Os cientistas não estão fazendo nada diferente do que a própria Natureza já fez, inclusive usando as mesmas técnicas e antecipando um futuro que chegaria de qualquer maneira. Ou seja, o futuro, fatalmente C chegará, pelas mãos da Ciência ou da Natureza.

Decio Luiz Gazzoni, O autor é Engenheiro Agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja


Coluna Mercado Agrícola

MILHO

O mercado de milho teve a sua maior safra já colhida no Brasil, próximo de 97 milhões de toneladas, e também deve registrar recorde histórico de exportação, com 29,3 milhões de toneladas e faturamento próximo a 4,6 bilhões de dólares, muito acima dos 21,8 milhões de toneladas exportadas e do faturamento de 3,6 bilhões dólares em 2016. Além do grão direto, o milho deu condições para o setor de carnes crescer na exportação e ganhar novos mercados, que tenderão a crescer novamente em 2018. Frango, suíno e boi registraram embarque de 5,75 milhões de toneladas, sendo que além de carnes, houve exportação de 276 milhões de dólares em bovinos vivos. No mercado interno, o milho passou o ano com cotações baixas e começou 2018 calmo. Mas tende a ser um ano diferente, porque há cotação mais fraca agora e tudo aponta para valores maiores à frente. Isso porque a exportação, que no momento paga na faixa de R$ 32,00 a saca nos portos, tem potencial para pagar mais de R$ 36,00 a saca no segundo semestre. O cenário é de um ano atípico, de preços baixos no começo e de alta na sequência, com melhores condições para os produtores.

SOJA

O mercado da soja do Brasil esteve de olho nas exportações, que trouxeram mais de 32 bilhões de dólares em divisas, com saídas de exportações que chegaram à marca de 83,5 milhões de toneladas, um recorde

histórico em faturamento e em volume. A expectativa para 2018 é de cotações médias maiores, com apelo mais positivo em faturamento, mesmo que por enquanto se esperem exportações menores em volume. Ainda há volume superior a 60% da safra de soja para ser negociado, frente a anos anteriores, que já registravam 50% de comercialização neste período. Assim, o produtor terá de acompanhar o mercado de perto e tudo indica que irá ganhar mais se souber aproveitar os momentos de alta. O ano começou com cotações na faixa dos 10,00 dólares e levemente acima em Chicago, com fôlego para manter estes níveis e dar boa liquidação ao mercado brasileiro. Existe forte demanda internacional para manter as cotações firmes na exportação.

FEIJÃO

O mercado do feijão teve um ano de flutuações em 2017 e começa 2018 com calmaria, porque houve safra um pouco maior em área neste verão e com isso a oferta inicial é boa. Como ocorreu muita chuva em janeiro, há muito produto de qualidade média e baixa ofertado rapidamente ao mercado e isso limita avanço nas cotações. Pode melhorar a partir de março, com espaço para que as cotações avancem e alcancem a faixa de R$ 130,00 a R$ 160,00 pela saca, de maio em diante.

ARROZ

O arroz começa um ano atípico, sendo

que, neste momento, de início de colheita, há forte pressão de baixa porque o setor industrial está descapitalizado e não possui caixa para formar estoques. O governo não tem dinheiro para participar e criar apoio e assim os níveis de preços não são bons. O arroz do Sul, que estava em colheita em Santa Catarina, mostra o arroz de lavoura com valores entre R$ 31,00 e R$ 33,00 a saca, com cotações pouco acima no Rio Grande do Sul pelo arroz de armazém. Até houve momentos de exportação em que foram fechados bons volumes para embarque em Rio Grande. Exportar abre espaço para criar um suporte frente a novas baixas nas cotações do arroz, que podem ainda surgir se o governo não criar apoio para garantir o preço mínimo (nesta safra de R$ 36,00 a saca). Mas neste começo de ano, o mercado é de baixa e tende a ser de alta a partir da metade do ano. Baixa na safra e alta na entressafra, fato que não ocorreu no ano passado. Na média, espera-se por um mercado melhor, mas que fatalmente C passará por um período negativo.

Vlamir Brandalizze Twitter @brandalizzecons www.brandalizzeconsulting.com.br

Curtas e boas TRIGO - O mercado de trigo está em alta em Chicago, já a caminho dos 5,00 dólares por bushel na bolsa, com indicativos na faixa de 200 dólares por tonelada no mercado exportador. Para o Brasil, a expectativa se situa acima de R$ 600,00 a tonelada, para a nova safra que começará a ser plantada nos próximos meses. EUA - Os primeiros indicativos apontam que os norte-americanos devem plantar novamente um pouco mais de soja e menos milho. Dessa forma, buscam se firmar na liderança da produção da oleaginosa novamente e superar os 120 milhões de toneladas para atender ao mercado crescente internacional e também ao consumo próprio, principalmente com a taxação do biodiesel importado, que foi para 50% da Indonésia e 60% da Argentina. Isso favorece a produção norte-americana, que irá necessitar de mais soja e dá folego para esta nova fase de evolução positiva das cotações das commodities agrícolas. CHINA - As compras de soja seguem recordes e o país já

aponta para a importação de mais de 100 milhões de toneladas em 2018. Neste último ano, as negociações cresceram mais de 13% e ficaram acima de 95 milhões de toneladas importadas. A expectativa é de que os negócios avancem também em milho, que caminha para bater recorde no atendimento à demanda interna crescente, impactado ainda pelo corte dos subsídios locais para se adequar às normas da OMC. ARGENTINA - A safra argentina se encontra em um ano de alto risco, com seca e calor, atraso no plantio e potencial produtivo limitado. Neste final de janeiro as estimativas pessimistas apontavam para menos de 50 milhões de toneladas de soja frente a 58 milhões de toneladas colhidas em anos anteriores. Também há problemas com o milho, o que acaba por favorecer o mercado internacional. O período mais importante de ambos os cultivos se dará em fevereiro, mês que será decisivo para uma boa ou má colheita.

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Coluna ANPII

Crescimento conjunto A curva ascendente do emprego de nitrogênio via biológica tende a manter sua trajetória em 2018, alicerçada no crescente incremento de qualidade dos inoculantes brasileiros

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inoculação já é uma prática adotada pela esmagadora estreitamente com a pesquisa. maioria dos plantadores de soja no Brasil, na ArgenO Simpósio Sobre Fixação do N com Não Leguminosas é um tina, no Uruguai, no Paraguai e na Bolívia. Devido evento de cunho internacional, sendo realizado de dois em aos excelentes resultados no aumento da produtividade e nos dois anos em diversos países. A edição de 2016 foi realizada benefícios para o ambiente, o uso de inoculantes se consagra em Budapeste e a ANPII esteve presente, apresentando uma cada vez mais como uma das tecnologias de melhor custo/ palestra sobre o uso de Azospirillum na agricultura brasileira. benefício para o agricultor. Já o Workshop Latino-Americano sobre PGPR (bactérias Embora ainda não se tenha estatísticas da venda de inopromotoras de crescimento de plantas) é um evento que vem culantes do ano passado, é possível afirmar que houve ausendo realizado a cada dois anos em países latino-americanos. mento substancial no uso de inoculantes no Brasil. Esta curva Desta vez, ocorre no Brasil. O workshop procura abrir novos ascendente no uso do nitrogênio via biológica continuará em caminhos para a promissora tecnologia do uso de micro-orgasua trajetória, inclusive porque a qualidade dos inoculantes nismos para aumentar a produtividade dentro de um conceito brasileiros também vem sendo incrementada, trazendo mais de sustentabilidade da prática agrícola, com conservação benefícios para o agricultor. e melhoria das qualidades do solo ao Vários eventos técnico-científicos longo dos anos. Serão apresentados rerelacionados com a fixação do nitrogênio sultados de pesquisa de diversos países, serão realizados em 2018, todos com a mostrando que as tecnologias baseadas participação ativa da Associação Nacioem micro-organismos indicam cada vez A inoculação já nal dos Produtores e Importadores de com mais consistência que esta é a linha Inoculantes (ANPII), como patrocinador do futuro da agricultura. é uma prática e responsável por palestras e apresenA Relare, por sua vez, com reuniões adotada pela tações. ininterruptas desde 1985, quando foi De 11 a 14 de junho haverá o VII fundada por seu idealizador, João Ruy esmagadora Congresso Brasileiro de Soja, em Goiânia. Jardim Freire, é uma discussão ampla e maioria dos A ANPII estará presente com estande abrangente de toda a política relacionaplantadores de e apresentará resultados da pesquisa da com os inoculantes. Congregando os de uso de inoculantes no Brasil, uma pesquisadores, diretores e técnicos das soja no Brasil, radiografia de como o Brasil utiliza o empresas produtoras de inoculantes e Argentina, Uruguai, inoculante, em que regiões o produto o setor responsável por esta área do tem mais aceitação, quais os tipos mais Ministério da Agricultura, Pecuária e Paraguai e Bolívia utilizados e muitas outras informações Abastecimento (Mapa), em exemplo de que balizarão o marketing das empresas interação dos três setores, são traçadas associadas. Em um painel durante o as linhas gerais da pesquisa, produção congresso, o presidente da ANPII, José e fiscalização dos inoculantes. A Relare Roberto Pereira de Castro, apresentará tem sido um dos marcos para o sucesso os resultados aos participantes. do uso dos inoculantes no Brasil, o país que mais emprega a De 26 de agosto a 1º de setembro serão realizados, conFBN na agricultura. comitantemente, três importantes eventos para esta área do Com todos estes eventos sendo realizados no Brasil, abre-se conhecimento: o XVI Simpósio sobre Fixação Biológica de Nitrooportunidade para que pesquisadores, consultores e agricultores gênio com Não Leguminosas, o IV Workshop Latino-Americano possam participar mais facilmente, ampliando o nível de conheciC de PGPR e a XIX Relare, nos dias 30 e 31 de agosto de 2018. mento nesta área fundamental para a agricultura. Todos os eventos ocorrem em Foz do Iguaçu, no Paraná, de forma que os participantes possam assistir aos temas de maior interesse. Solon Araujo, Como ocorre há alguns anos, a Relare será patrocinada Consultor da ANPII pela ANPII, que também contribuirá financeiramente com os demais eventos, dentro do espírito da Associação de colaborar

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Fevereiro 2018 • www.revistacultivar.com.br


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