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Cultivar 220

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Cultivar Grandes Culturas • Ano XVIII • Nº 219 • Setembro 2017 • ISSN - 1516-358X

Cultivar

Destaques

Nossa capa

Especial mofo-branco - 34 a 44

Conheça os resultados dos ensaios cooperativos realizados na safra 2016/17 com fungicidas usados no controle do mofo-branco e o manejo da doença em soja, feijão e algodão

Maurício Meyer

Índice

Pressão intensa - 18

Como enfrentar ácaros, cuja incidência tem aumentado nas lavouras de algodão ao longo das últimas safras

Diretas

04

Indução de resistência em trigo

06

Desafios da ferrugem-asiática

10

Mancha branca em milho

14

Ácaros em algodoeiro

18

Mancha-alvo em lavouras do Cerrado

22

Misturas de agroquímicos em tanque

26

Resistência de capim-pé-de-galinha

30

Especial mofo-branco - Mofo na rede

34

Especial mofo-branco - Fatores-chave

37

Especial mofo-branco - No algodão

42

Fertirrigação em cana-de-açúcar

46

Eventos - Bayer SeedGrowth

50

Eventos - Top Ciência

52

Eventos - Press trip Adama

56

Coluna Agronegócios

58

Coluna Mercado Agrícola

60

Coluna ANPII

62

Alvo vulnerável - 22

Os fatores que levaram ao salto de importância da mancha-alvo nas lavouras dos cerrados

Expediente Fundadores: Milton Sousa Guerra e Newton Peter

REDAÇÃO • Editor

Gilvan Dutra Quevedo

• Redação

Rocheli Wachholz Karine Gobbi

• Design Gráfico e Diagramação

Cristiano Ceia

• Revisão

CIRCULAÇÃO

Aline Partzsch de Almeida • Coordenação Simone Lopes

COMERCIAL • Coordenação

Charles Ricardo Echer

• Vendas

Sedeli Feijó

Rithieli Barcelos José Luis Alves

• Assinaturas

Natália Rodrigues Clarissa Cardoso

• Expedição

Edson Krause

GRÁFICA: Kunde Indústrias Gráficas Ltda.

Grupo Cultivar de Publicações Ltda. CNPJ : 02783227/0001-86 Insc. Est. 093/0309480 Rua Sete de Setembro, 160, sala 702 Pelotas – RS • 96015-300 Diretor Newton Peter www.grupocultivar.com cultivar@grupocultivar.com Assinatura anual (11 edições*): R$ 269,90 (*10 edições mensais + 1 edição conjunta em Dez/Jan)

Números atrasados: R$ 22,00 Assinatura Internacional: US$ 150,00 Euros 130,00 Nossos Telefones: (53) • Geral 3028.2000 • Comercial: • Assinaturas: 3028.2065 3028.2070 3028.2066 • Redação: 3028.2067 3028.2060

Por falta de espaço não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@grupocultivar.com Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.


DIRETAS Inoculante biológico

A Basf apresentouno XX Congresso Brasileiro de Sementes seu portfólio completo para tratamento de sementes. Um dos destaques foi o inoculante biológico Granouro, de longa vida, para a fixação de nitrogênio na cultura da soja. “A Basf oferece soluções completas para empresas de sementes, multiplicadores e produtores. Reúne proteção de sementes e plântulas, serviços customizados e tecnologias inovadoras”, explicou o coordenador de Marketing de Tratamento de Sementes da Basf, José Guma. Além dos destaques em Seed Solutions, a Basf levou para o evento resultados de pesquisas com foco em inoculantes.

Apoio

A Nidera Sementes foi uma das patrocinadoras do XX Congresso Brasileiro de Sementes, realizado em agosto, em Foz do Iguaçu, no Paraná. Os times Comercial, Desenvolvimento de Produtos, Gerência de Portfólio e Biotecnologia, Gestão da Qualidade e Marketing estiveram presentes e atentos à programação do evento. "O Congresso é uma excelente oportunidade para estar próximo dos membros da cadeia produtiva de sementes, pois eventos como este agregam muito para o fortalecimento da agricultura brasileira", avaliou Nélio Reis, Marketing e Comunicação Brasil e Paraguai da Nidera.

Congresso

A 20ª edição do Congresso Brasileiro de Sementes ocorreu em agosto, Foz do Iguaçu, no Paraná. Realizado pela Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes (Abrates), o evento reuniu mais de 1.200 participantes. "É preciso abrir os horizontes para novas necessidades de pesquisa, para a possibilidade de parceria com instituições nacionais e internacionais, que podem trazer avanços e para que possamos contribuir para a produção de sementes de alta qualidade e consequentemente para o desenvolvimento da agricultura do País", defendeu o presidente da Abrates e pesquisador da Embrapa Soja, Francisco Krzyzanowski.

Fungicida

Durante o Congresso Brasileiro de Sementes o gerente de Marketing Centro-Sul da Basf, Eduardo Eugenio Santos, destacou o fungicida Versatilis, cujo lançamento tem acompanhado em todo o País. “Versatilis apresenta uma série de benefícios, como o efetivo controle da ferrugem da soja, a facilidade de aplicação, a flexibilidade de aplicação em diferentes fases de cultura e por se tratar de uma ferramenta essencial para manejo de resistência.”

Eduardo Eugenio Santos

Proteção

A Bayer participou do XX Congresso Brasileiro de Sementes com seus produtos e soluções. “A proteção inicial é um passo essencial para que o produtor rural possa proteger o potencial produtivo da sua semente, por isso é importante tratá-la com produtos com alta tecnologia”, defendeu a gerente da Bayer SeedGrowthTM, Marcia Terzian. Entre os produtos voltados para o tratamento e proteção das sementes, a empresa apresentou o Poncho Energy - composto por dois inseticidas e um fungicida - e o inseticida CropStar. A Bayer também levou ao evento sua marca global de sementes de soja, Credenz.

Roberto Berwanger Batista

04 Setembro 2017 • www.revistacultivar.com.br

Recobrimento de sementes

A Biogrow participou do XX Congresso Brasileiro de Sementes, onde lançou a Linha Biocroma. De acordo com o gerente-geral da companhia, Alejandro Gesswein, os polímeros Biocroma são formulados à base de água para substituir o uso de pós de acabamento no tratamento de sementes. “Sua avançada tecnologia proporciona um resultado inovador no recobrimento de sementes. O uso do Biocroma consolida todas as vantagens do uso de um polímero mais um pó de terminação em uma única formulação, permitindo obter um sofisticado recobrimento de sementes, com brilho, aparência e alta qualidade”, explica Gesswein.


Máquinas

A Momesso apresentou no XX Congresso Brasileiro de Sementes sua linha para tratamento em indústria, fazenda e laboratório. Entre os destaques estiveram a linha de máquinas Cimbria, com um amplo portfólio de equipamentos pré e pós-limpeza, as classificadoras por tamanho, forma e peso, além das mundialmente reconhecidas selecionadoras eletrônicas SEA.

Programa

A australiana Nufarm anunciou durante a 20ª edição do Congresso Brasileiro de Sementes o lançamento de seu programa SeedProtection, para tratamento de sementes, com objetivo de elevar sua participação no segmento, que movimenta em torno de 800 milhões de dólares no Brasil. De acordo com a Nufarm, a plataforma SeedProtection é ancorada na flexibilidade, ou seja, permite que o agricultor escolha, segundo as características e condições de sua propriedade, os agroquímicos adequados ao controle das principais pragas e doenças que atingem sementes e plântulas das culturas de soja, milho, algodão, trigo, entre outras.

Soluções completas

O gerente de Inseticidas e fungicidas da Nufarm, Murilo Borges, assinalou que a oferta de soluções completas embasa a proposta de valor da plataforma de tratamento de sementes SeedProtection, considerada prioridade estratégica da empresa australiana no Brasil nos próximos anos. Borges acrescentou ainda que em menos de um ano foram lançados pela empresa três produtos para tratamento de sementes. O gerente de Trade Marketing da Nufarm, Jeander Costa, destacou que o sistema SeedProtection será baseado nos inseticidas Maestro FS e Saddler 350 SC, recém-lançados; Inside FS e Adage 350 FS. Complementam o programa os fungicidas Apron RFC e Carbomax 500 SC.

Nematicida

Tratamento industrial

Durante o Congresso de Sementes a gerente de Qualidade de Sementes da Syngenta, Nilceli Fernandes, destacou as vantagens do Tratamento de Sementes Industrial (TSI), como segurança, praticidade, precisão e eficiência. “A Syngenta possui soluções, equipe e sistema de certificação voltados para o TSI”, lembrou. Durante o evento a equipe também deu ênfase ao Fortenza Duo, Tratamento de Sementes Inseticida que, segundo o fabricante, proporciona amplo espectro de controle de pragas, da semente ao desenvolvimento inicial, com efeito residual prolongado, além de proteger o potencial produtivo da semente.

A Syngenta Proteção de Cultivos acaba de obter o registro no Brasil de um novo nematicida microbiológico destinado ao controle de nematoide de cisto da soja (Heterodora glycines). Batizado de Clariva PN, o produto é destinado ao tratamento de sementes e possui em sua composição a bactéria Pasteuria nishizawae. O deferimento do pedido de registro foi publicado no Diário Oficial da União do dia 22 de agosto, através do Ato de número 69 do Departamento de Fiscalização de Insumos Agrícolas, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Publicação

O livro “Mofo branco, Sclerotinia sclerotiorum” já está disponível para venda junto ao Laboratório de Fitopatologia da Universidade Estadual de Ponta Grossa (Laboratório F12), no Campus de Uvaranas. Com editoria técnica dos pesquisadores David Jaccoud Filho, Luciane Henneberg e Edilaine Grabicoski a publicação conta com a colaboração de produtores, técnicos agrícolas, agrônomos, extensionistas de cooperativas, profissionais de fundações de pesquisa e professores de centros de pesquisa brasileiros e estrangeiros, empenhados no desenvolvimento de estratégias de manejo e controle da doença. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail livromofobranco@outlook.com ou pelo telefone (42) 3220-3774.

www.revistacultivar.com.br • Setembro 2017

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Fotos Janaína Marek

Trigo

Modo defesa ativado O uso de Trichoderma spp e de outros eliciadores pode contribuir para a indução de resistência de plantas de trigo, com reflexos no aumento de produtividade e diminuição da severidade de doenças que afetam a cultura

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uando se pensa em qualidade do grão de trigo, logo se relaciona este assunto a um conjunto de condições de cultivo (características do solo, temperatura, umidade, doenças, manejo da cultura) e de procedimentos de colheita, secagem e armazenamento. Tais fatores afetam de forma direta o uso industrial do produto final. Por isso é tão importante evitar e controlar as doenças nesta cultura, buscando por substâncias que facilitem o manejo com menor custo. Neste contexto, a indução de resistência em plantas de trigo pode auxiliar no quesito: menos doença e maior produtividade. Quando as plantas reconhecem indutores de resistência são acionadas vias de sinalização e estas ativam processos nas plantas, tais como produção de enzimas, engrossamento da parede celular e produção de fitoalexinas. É importante que estas vias de indução de resistência sejam ativadas, pois assim a planta estará de certa forma “vacinada” e preparada para se defender de patógenos. Ativará o siste-

ma de defesa de forma mais rápida e eficaz e, quanto menos o patógeno agir, mais saudável a planta permanecerá e, assim, melhor será sua produtividade. Os mecanismos da indução de resistência, que ocorrem nas plantas, para que estas se defendam dos patógenos, são estudados há muito tempo. Uma das primeiras pesquisas realizadas nesta área foi de Bernard em 1911, que trata sobre a ativação de mecanismos de indução de defesa em plantas contra micro-organismos. Ao estudar a relação de orquídeas e fungos de solo observou que pedaços de bulbos sem sinais de doença, quando em proximidade com esses fungos dos solos, não eram infectados. O pesquisador concluiu que os bulbos não tratados respondiam a secreções geradas pelos fungos com a produção de substâncias com propriedades microbianas. Mesmo sendo comum o uso de fungicidas para o controle de doenças fúngicas é possível utilizar outras substâncias que são menos tóxicas em conjunto, no planejamento de

06 Setembro 2017 • www.revistacultivar.com.br

prevenção e controle, a fim de minimizar o desenvolvimento destas doenças.

SUBSTÂNCIAS QUE PODEM ATIVAR A INDUÇÃO DE RESISTÊNCIA

Uma substância indutora é qualquer composto ou fator capaz de ativar mecanismos de defesa da planta. Um indutor de resistência contém uma ou mais moléculas responsáveis diretamente pela ativação da defesa, sendo que essas moléculas são denominadas eliciadores. Os eliciadores podem ser agrupados de acordo com sua origem, em bióticos e abióticos. Os eliciadores bióticos são divididos em exógeno (moléculas ou fragmentos de parede celular de micro-organismos patogênicos ou não patogênicos ou compostos isolados do meio de cultivo do micro-organismo) e endógeno (moléculas liberadas da planta) como, por exemplo, oligogalacturonídeos ou outros oligômeros de parede celular. Os indutores de resistência variam muito e podem incluir fungos, bactérias, vírus, nematoides, insetos,


Figura 1 - Progresso da severidade (%) da mancha marrom na cultivar BRS Sabiá, avaliada a cada sete dias, em campo experimental no município de Paula Freitas/ PR, safra 2016. Tratamentos T1: A. japonicus, T2: T. tomentosum, T3: ácido salicílico, T4: Acibenzolar-s-metil (ASM), T5: fungicida (Azoxistrobina com Tebuconazol) e T6: testemunha (água destilada esterilizada)

metabólitos e produtos de patógenos ou não patógenos, polímeros orgânicos e inorgânicos (KUC, 2001). Dentre os compostos abióticos, incluem-se agentes físicos (temperatura, radiações UV e gama) e químicos como moléculas orgânicas sintetizadas, como o acibenzolar-S-metil (ASM), ácido salicílico, ácido jasmônico, etileno, íons metálicos, alguns antibióticos e alguns fungicidas de efeitos fisiológicos. Esta classificação se sobrepõe à medida que as substâncias de origem biológica estão sendo sintetizadas em condições de laboratório. Os compostos elicitores bióticos podem ser ou conter moléculas químicas ou, então, ser ou ter em sua constituição extratos celulares dos micro-organismos ou substâncias produzidas pelos micro-organismos, ou até mesmo uma mistura dessas substâncias. E quando os micro-organismos endofíticos estão fazendo parte do ambiente da planta, seja nas folhas, na raiz ou no caule, contribuem para a

Figura 2 - Área abaixo da curva de progresso da doença – AACPD, da mancha marrom na cultivar BRS Sabiá, campo em Paula Freitas/ PR, safra 2016. Médias seguidas de letras distintas entre os tratamentos diferem pelo teste de Tukey (p<0,05). Barras indicam desvio padrão da média. T1: A. japonicus, T2: T. tomentosum, T3: ácido salicílico, T4: Acibenzolar-s-metil (ASM), T5: fungicida (Azoxistrobina com Tebuconazol) e T6: testemunha (água destilada esterilizada)

promoção de crescimento (PGPR) e ajudam a planta no controle de doenças, induzindo sua resistência. Alguns micro-organismos, além de terem o efeito inibidor de patógenos de forma direta, através do antagonismo, também possuem característica de promotores de crescimento de planta (PCP) e induzem resistência. A proteção contra os mais diversos patógenos é manifestada tipicamente na redução dos sintomas da doença e também na inibição do seu crescimento. Já foi comprovado que alguns fungos, como os do gênero Trichoderma, possuem a ação de contribuir tanto com a indução de resistência, como promotores de crescimento. Acredita-se que os fungos endofíticos são capazes de produzir produtos naturais biologicamente ativos. E devido a esta incrível capacidade em residir em nichos diferenciados, apresentam um estado metabólico de agressividade constante, sintetizando assim

diversos metabólitos. Os metabólitos com propriedades bioativas produzidos por micro-organismos endofíticos têm mostrado capacidade de inibir uma grande variedade de fungos, bactérias e vírus patogênicos. Podem apresentar atividade antitumoral e atuarem como agentes antidiabéticos e imunossupressores. Os fungos endofíticos têm propriedades de ativar os mecanismos de indução de resistência em plantas.

PRINCIPAIS EFEITOS DE INDUTORES DE RESISTÊNCIA NA CULTURA DO TRIGO

Diminuição da severidade da doença A aplicação de substâncias indutoras diminuiu a severidade da mancha marrom em trigo cultivar BRS Sabiá, como pode ser verificar na Figura 1. A aplicação das suspensões dos fungos endofíticos, ácido salicílico e também do Acibenzolar-S metil (ASM) diminuiu a AACPD da doença quando comparados com


AUMENTO DA ATIVIDADE DE ENZIMAS

A aplicação de elicitores (substâncias com capacidade de ativar a indução de resistência) pode desencadear na planta a produção de metabólitos secundários. Estes metabólitos constituem diversas substâncias que participam dos mecanismos de indução de resistência. Um dos exemplos reside na ativação de enzimas que fazem parte da cascata de ativação de proteção da planta. Estudos em plantas de trigo tratadas com diferentes indutores aumentaram a atividade das enzimas fenilalanina amônia liase e peroxidase (Figura 3). Observa-se pico de atividade destas enzimas quando tratadas com diferentes eliciadores, indicando que estas substâncias proporcionam a ativação dos mecanismos de defesa das plantas de trigo. A fenilalanina amônia liase (FAL) é uma enzima chave da via metabólica, pois está envolvida na formação de lignina, proporcionando seu aumento na parede celular e, assim, ajudando na defesa da planta. Esta enzima catalisa a reação para produção de suberina, cumarinas, flavonoides, antocianinas e fitoalexinas. Essas substâncias também ajudam na proteção da planta. As enzimas peroxidases são glicoproteínas que estão relacionadas com algum estresse que a planta venha a sofrer. Estas enzimas têm propriedade de catalisar diversas reações, como, por exemplo, a produção de peróxido de hidrogênio, reforçando a parede celular,

Tabela1 - Características agronômicas e produtividade de trigo cultivar BRS Sabiá, município de Paula Freitas/PR, 2016 Tratamentos A. japonicus T. tomentosum Ácido salícilico Fungicida1 ASM2 Testemunha3 CV (%)

Rendimento kg ha-1 3049,8b 3110,2b 2750,4c 3397,2a 2936,6c 2489,4d 1,72

Número de espigas m-2 340,2c 347b 344,8b 351a 348,6b 333,8d 0,32

Número de grãos espiga-1 25,6b 25b 23,6c 26,6a 24,6c 23,2c 1,64

Altura de plantas (cm) 87,1b 88,8a 87,0b 86,9b 86,7b 85,2c 0,42

Médias seguidas da mesma letra na coluna não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey (p < 0,05). 1Fungicida (Azoxistrobina com Tebuconazol); 2Acibenzolar-s-metil (ASM); e 3Testemunha (água destilada esterilizada).

pois atuam na formação da lignina, suberina e papilas, possibilitam a ligação entre glicoproteínas ricas em hidroxiprolina, estão envolvidas na peroxidação de lipídeos, aumentam as espécies reativas de oxigênio e as fitoalexinas, são tóxicas para os patógenos, catalisam as auxinas, auxiliam na cicatrização dos tecidos, têm propriedade de oxidar os compostos fenólicos e também participam da senescência, germinação de sementes e floração.

AUMENTO DA PRODUTIVIDADE

As aplicações de determinadas substâncias podem contribuir na promoção de crescimento das plantas e consequentemente proporcionar aumento da produtividade, como observado na Tabela 1. Com relação aos índices de desenvolvimento das plantas, número de espigas, de grãos por espiga e altura de plantas, todos os tratamentos atingiram avaliações superiores ao da testemunha. Isto evidencia o potencial existente para a utilização destas substâncias via foliar, para melhorar o desenvolvimento das plantas de

Figura 3 - Atividade das enzimas peroxidase (A) e fenilalanina amônia liase (B) em plantas de trigo cultivar BRS Sabiá, tratadas com: A. japonicus, T. tomentosum, ácido salicílico, Acibenzolar-s-metil (ASM), fungicida (Azoxistrobina com Tebuconazol) e testemunha (água destilada esterilizada) e também inoculadas com o patógeno B. sorokiniana. Guarapuava/PR, safra 2016

08 Setembro 2017 • www.revistacultivar.com.br

trigo e contribuir para a produtividade. Neste contexto os fungos do gênero Trichoderma podem contribuir significativamente. De modo geral a pesquisa com fungos tornou-se uma importante atividade de investigação nos últimos anos, principalmente por causa dos valiosos metabólitos com várias atividades biológicas, bem como um importante potencial de aplicação na agricultura, na medicina e na indústria alimentar. É possível constatar que algumas espécies de fungos podem diminuir a severidade de doenças fúngicas, aumentar a atividade de algumas enzimas e ainda contribuir para o aumento da produtividade. Mostra-se uma alternativa com baixo impacto ambiental e pequeno custo na cultura do trigo, com potencial para identificação de novos compostos químicos. C Elaine Pittner, Janaina Marek e Dione de Azevedo, Unicentro Janaína Marek

a testemunha (Figura 2). Estes tratamentos são eficazes por atrasarem e/ou impedirem o progresso da doença.


Soja

Antes que enferruje Marcelo Madalosso/ Phytus Club

Apesar de anos mais amenos, em algumas regiões estar alerta à ferrugem-asiática é sempre uma decisão importante. Os cuidados com o manejo correto e as aplicações de fungicidas realizadas com responsabilidade podem evitar que a resistência seja o próximo pesadelo do produtor na safra que começa a ser planejada pós-vazio sanitário

A

ferrugem-asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é a principal doença da cultura. A redução de produtividade causada por esta enfermidade e por outras doenças foliares da soja pode superar 30 sacos/hectares. Portanto, seu manejo exige atenção especial, principalmente em relação ao programa de aplicações de fungicidas. A ocorrência da ferrugem é influenciada pelo clima dentro e fora da safra. O fungo causador da doença sobrevive em plantas de soja voluntárias (guaxas ou tigueras) que vegetam nas margens de lavouras e estradas. Em 2016, as temperaturas no Sul do Brasil ficaram abaixo das normais históricas, com grande frequência de geadas, que eliminaram a maior parte da soja voluntária. Por este motivo as epidemias se iniciaram mais tarde e foram menos severas. Durante o verão, as menores temperaturas noturnas também contribuíram para uma menor ocorrência da ferrugem. Apesar de a ferrugem ter sido menos intensa na safra 2016/17, houve um aumento

na resistência de Phakopsora aos fungicidas. Experimentos e lavouras comerciais estabelecidas a partir de novembro, com maior quantidade da doença, evidenciaram a menor sensibilidade do fungo a carboxamida, com reflexos variáveis, porém negativos sobre o controle da ferrugem e a produtividade da soja. Posteriormente, este fato foi comprovado pela rede de ensaios do Consórcio Antiferrugem, especialmente aqueles conduzidos na região Sul e no Mato Grosso do Sul. A preparação para a safra de soja 2017/18 exige atenção especial. A ferrugem-asiática poderá estar presente mais cedo no ciclo da cultura, e em maior quantidade, e os principais fungicidas utilizados no seu controle mais comprometidos pela resistência do fungo. É cada vez mais importante a integração de diferentes estratégias de manejo, como a eliminação da soja guaxa/tiguera, o planejamento da época de semeadura, o uso de cultivares com resistência e a adoção de programas de aplicação seguros em controle e de menor risco de resistência.

10 Setembro 2017 • www.revistacultivar.com.br

A inclusão dos fungicidas protetores (multissítios) nas aplicações é a principal ferramenta para o manejo da resistência. Os principais estados produtores de soja no Brasil têm média de 3,03 (PR), 3,38 (MT) e 3,83 (RS) aplicações de fungicida por safra. Aumentar esse número, com fungicidas específicos, sujeitos à resistência, não é a solução e pode agravar o problema. Melhor estratégia é incluir mais vezes os protetores, que atualmente têm média de 1,5 aplicação/safra. Assim, maneja-se conjuntamente a doença e a resistência. Outra estratégia é direcionar os fungicidas específicos para as aplicações iniciais, onde há menos doença e, talvez, uma frequência menor de indivíduos resistentes. Mas sempre com o reforço dos protetores. Nas aplicações finais, a lógica seria inversa. Os fungicidas protetores deixariam de ser um reforço, e passariam a ser a base do tratamento, possivelmente em doses maiores. Triazóis à base de ciproconazol ou morfolinas (exemplo fempropemorfe) seriam os complementos dos protetores, para controle de outras doenças (oídio) ou ação curativa


mente ainda não estão sendo adotados por grande parte dos produtores, visto a necessidade de se preservar as moléculas que ainda estão funcionando a contento.

Phytus Club

sobre infecções da ferrugem. Combinações assim foram avaliadas na Universidade de Passo Fundo por três safras, com resultados muito seguros.

A LOGÍSTICA DO MEIO DO CAMINHO

COMO AUMENTAR A EFICÁCIA E COLHER MAIS?

Tudo começa com a proteção da sua lavoura e o uso de produtos com responsabilidade, além de acreditar nas pesquisas que estão sendo trazidas sobre o fungo.

CUIDADOS INDISPENSÁVEIS

A ferrugem asiática é a principal doença na cultura da soja

doença. Isso faz com que os pesquisadores sintam grande preocupação, pois situações como essa em um passado não tão distante levaram a um relaxamento dos produtores e a grandes prejuízos nos períodos subsequentes. Em situações de aparente “calmaria” o risco é de que se aplique menos fungicidas ou utilize programas mais fracos, sem fungicidas multissítios/protetores, atualmente essenciais para um controle seguro da ferrugem-asiática. E já temos visto isso, em alguns programas de aplicação, o que causa grande preocupação, porque produtos importantes no manejo da doença estão perdendo a eficácia. Isso torna primordial o uso de multissítios, que infeliz-

- Eliminar toda planta guaxa que for encontrada; - Se preparar bem com a compra de fungicidas no mínimo igual ao pior cenário de que já se teve notícia no passado; - A indicação é ter o mesmo número de aplicações de multissítio que o de misturas. De forma alternada ou como mistura de tanque; - Realizar as aplicações preventivas; - Utilizar bons produtos; - Fazer o monitoramento da lavoura; - Respeitar os intervalos de aplicação; - Respeitar o vazio sanitário; - Fazer o plantio, o mais cedo e mais rápido possível. Outro fator importante é que segundo modelos meteorológicos há confirmação de que o clima está em neutralidade, com um pequeno atraso na estabilização das chuvas em relação ao ano passado. Usar o tempo a C favor é imprescindível. Carlos Alberto Forcelini, UPF e Eagle Team Fabiano Siqueri, Fundação MT e Eagle Team

Marcelo Madalosso/ Phytus Club

E no meio do caminho havia não somente uma pedra. Mas, também, as condições ideais para a proliferação de plantas guaxas à beira de uma estrada onde cerca de 90% da soja é transportada. Nesse caminho, também houve vento, varredura e o balanço dos caminhões que rodam por ela. Os mesmos que pouco a pouco derrubaram as sementes de soja e também adubo e calcário. Foi então que no meio do caminho havia a situação ideal para a proliferação de uma grande quantidade de ferrugem. Geradas por quase todos, mas pertencentes a ninguém por lei. Uma real e bem nutrida soja tiguera incontrolável e que acaba sobrevivendo e auxiliando na continuidade da ferrugem-asiática. Independentemente do ano anterior, a expectativa sobre a Phakopsora pachyrhizi está sempre alta. Não entramos em nenhuma safra sem imaginar sobre a ferrugem. Pois essa é uma doença que não nos permite relaxar, mesmo que tenhamos anos de ação mais branda, não existe uma ação durativa e por isso, estamos sempre em alerta, nos preparando com estratégias pré-safra para que no momento das primeiras aplicações todos os cuidados já estejam previstos. Há sempre a expectativa de que haverá novamente ferrugem-asiática, principalmente em um ambiente de plantas de soja tiguera à beira das estradas, em pleno vazio sanitário. Outro fator importante reside nas chuvas que caíram no mês de agosto, que ajudam na sobrevivência desse fungo nas plantas guaxas. Quando a ferrugem sobrevive ali, com o plantio da nova safra o esporo vai para o ar, encontra o hospedeiro (soja recém-emergida da nova safra) e começa a nova infecção. Por certo esse não é o melhor momento nem a condição climática mais favorável à ferrguem, e por isso, há menos esporos suspensos. Mas, em breve, quando a condição climática melhorar, logo após o vazio sanitário, a quantidade de esporos irá aumentar, o que influenciará na infecção de novas safras que já estarão em crescimento. Nos três últimos anos, por conta de condições ora muito secas, ora muito propícias para a semeadura no Cerrado como um todo, apesar de algumas aparições da ferrugem as infecções não chegaram a causar danos de tanta proporção nas lavouras. No último ano também foi conseguido pelos produtores um plantio bastante “acelerado”, o que permitiu um fechamento do ciclo da cultura e uma colheita antecipada, evitando perdas pela

A preparação para a safra de soja 2017/18 exige atenção especial pois a ferrugem poderá estar presente mais cedo e em maior quantidade

www.revistacultivar.com.br • Setembro 2017

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Milho

Mancha severa

Fotos Rodrigo Véras da Costa

Capaz de resultar em acentuada redução da produtividade a mancha branca é uma doença endêmica, presente em praticamente todas as regiões produtoras de milho no Brasil. Uso de cultivares resistentes, semeaduras antecipadas, cuidados com a nutrição das plantas e uso adequado de fungicidas estão entre as medidas para enfrentar esta enfermidade de difícil controle

14 Setembro 2017 • www.revistacultivar.com.br


A

mancha branca apresenta uma ampla distribuição geográfica nas américas do Sul, Central e do Norte, na Ásia e na África (Cimmyt, 2012). No Brasil é uma doença endêmica e sua incidência e severidade têm aumentado significativamente a partir dos anos 1990, podendo ser encontrada, atualmente, em quase todas as regiões onde o milho é cultivado. Em cultivares suscetíveis, a doença pode reduzir a produção de grãos em mais de 60%. Folhas com 10% a 20% de severidade apresentam redução na taxa fotossintética líquida em torno de 40% em cultivares suscetíveis, podendo reduzir a produção de grãos em até 60% (Godoy et al, 2001). A mancha branca torna-se mais problemática devido à suscetibilidade de grande parte das cultivares e pela baixa eficiência das aplicações de fungicidas. Em condições de elevada pressão da doença observa-se secamento precoce das folhas com redução do período de enchimento dos grãos e, consequentemente, diminuição acentuada da produtividade (Embrapa Milho e Sorgo, 2015).

HISTÓRICO E ETIOLOGIA

No Brasil, os primeiros relatos da doença remontam ao ano de 1977, quando a doença foi, inicialmente, reportada como mancha foliar de phaeosphaeria, causada pelo fungo Phaeosphaeria maydis, provavelmente pela semelhança dos sintomas aqui observados com aqueles relatados na Índia, onde a doença foi descrita pela primeira vez em 1965. Nos Estados Unidos a mancha de phaeosphaeria foi descrita pela primeira vez em 1991 no estado da Flórida. Entretanto, no ano de 1985, no Brasil, alguns autores relataram uma doença em milho causada por uma bactéria identificada como Pseudomonas syringae. Os autores apresentaram

fotos dos sintomas da doença muito semelhantes aos de mancha branca, denominada pelo autor como “Holcus Spot” (Fernandes & Oliveira, 1977; Carson et al, 1991). No decorrer dos estudos sobre a etiologia da doença, dificuldades foram encontradas na reprodução dos sintomas causados por P. maydis, bem como de outros fungos obtidos das lesões. Foram, também, observadas falhas na identificação dos fungos obtidos de lesões já estabelecidas, típicas da mancha branca, como, por exemplo, a identificação de Phyllosticta spp. como a fase sexual P. maydis, o que foi comprovado, posteriormente, através de técnicas moleculares, que se tratavam de espécies diferentes. Entre os organismos isolados das lesões, o fungo Phoma tropica é o que aparece com maior frequência. Entretanto, esse fungo é considerado um oportunista que surge em lesões já preestabelecidas (Paccola-Meirelles et al, 2001; Cervelatti et al, 2002; Amaral et al, 2005). Em 2001, a equipe da professora Luzia Doretto Paccola-Meirelles, da Universidade Estadual de Londrina, relatou o envolvimento da bactéria P. ananatis na etiologia da mancha branca do milho. Testes de patogenicidade e reisolamentos do patógeno, a partir de lesões produzidas por inoculações artificiais em casa de vegetação, confirmaram o envolvimento da bactéria com a fase inicial da doença, que é caracterizada pelo aparecimento de lesões do tipo anasarca. Posteriormente, estudos com o uso de técnicas de microscopia eletrônica e ferramentas moleculares, como primers bacterianos para os genes 16S rDNA e rpoB e o oligonucleotídeo universal para fungos ITS4, reforçaram o relato feito anteriormente do envolvimento da bactéria na etiologia da doença. Os autores verificaram, por microscopia eletrônica de transmissão, um grande número de células bacterianas nos espaços intercelulares

em lesões oriundas de plantas naturalmente e artificialmente infectadas. Além disso, estruturas fúngicas não foram visualizadas em lesões jovens. Houve amplificação positiva com primers bacterianos; entretanto, nenhuma amplificação foi observada quando o primer ITS4 foi usado. Outro aspecto importante discutido por esses autores é que espécies fúngicas podem colonizar lesões preestabelecidas por P. ananatis. A utilização do teste Elisa indireto, com emprego de antissoro policlonal produzido em coelho contra células de P. ananatis, isoladas de lesões anasarcas, confirmou a presença da bactéria nestas lesões (Paccola et al, 2001; Bomfeti et al, 2008). Recentemente, no México, a bactéria P. ananatis foi detectada em manchas foliares, típicas da mancha branca, em campos de produção de milho “criolo”. Os autores ainda relatam a presença dessa bactéria na região da rizosfera das plantas atacadas e que o solo também poderia servir como fonte de inóculo para novas infecções (Pérez-y-Terrón et al, 2009). A mesma bactéria também foi relatada causando doença em milho, em outros países como Argentina e Polônia (Alippi & López, 2010; Krawczyk et al, 2010). Os únicos trabalhos encontrados na literatura que apresentam evidências científicas sobre etiologia da mancha branca, inclusive com os postulados de Koch, são os publicados pela equipe da professora Luzia, que indicam a bactéria P. ananatis como responsável pelos sintomas iniciais da doença. Assim, neste documento, foi conferida à P. ananatis a etiologia da mancha branca do milho.

SINTOMATOLOGIA E EPIDEMIOLOGIA

As lesões da mancha branca são, inicialmente, circulares, aquosas e verde-claras,

Figura 1 - Evolução dos sintomas da mancha branca do milho

Seca precoce de plantas de milho devido à elevada severidade da mancha branca do milho

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Fotos Rodrigo Véras da Costa

Figura 2 - Evolução dos sintomas da mancha branca do milho em condição de campo

et al, 1997; Rolim et al, 2007).

EVOLUÇÃO NO CAMPO

com aspecto de anasarca (Figura 1). Posteriormente tornam-se necróticas, de coloração palha, de circulares a elípticas, com diâmetro variando de 0,3cm a 1cm. Geralmente, as lesões são encontradas dispersas no limbo foliar, mas iniciam-se na ponta da folha progredindo para a base, podendo coalescer. Em geral, os sintomas aparecem inicialmente nas folhas inferiores, progredindo rapidamente para as superiores, sendo mais severos após o pendoamento. Sob condições de ataque severo, os sintomas da doença podem ser observados também na palha da espiga (Embrapa Milho e Sorgo, 2015). Em condições de campo, normalmente os sintomas não ocorrem em plântulas de milho. Sob condições favoráveis, a mancha branca pode causar seca prematura das folhas e redução no ciclo da planta, no tamanho e peso dos grãos. As lesões podem variar em tamanho, de acordo com o nível de resistência da cultivar utilizada (Fernandes & Oliveira, 1997). As condições favoráveis para o desenvolvimento da doença são umidade relativa

acima de 60% e temperaturas noturnas em torno de 14ºC. Por isso, tem sido observada alta severidade em cultivos tardios de milho, em algumas regiões. As semeaduras realizadas a partir de novembro, nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, em geral, permitem que a cultura se desenvolva sob altas precipitações pluviométricas, propiciando as condições adequadas para o desenvolvimento da doença. A uniformidade de precipitação também é um fator preponderante no desenvolvimento da doença. Plantas infectadas precocemente podem ter sua produtividade reduzida se a umidade relativa for elevada, preferencialmente com água livre na superfície da folha, e se as temperaturas forem moderadas. Estas condições climáticas são comumente encontradas em regiões acima de 600m de altitude. Plantas de milho, em condições de campo, apresentam um aumento acentuado da severidade da mancha branca após o período de florescimento, progredindo durante a fase de enchimento de grãos (Fernandes

Figura 3 - Comparação dos valores de notas de severidade final da mancha branca do milho no híbrido DAS657, considerado suscetível, submetido à aplicação de diferentes fungicidas e número de aplicações no ensaio 1. Os valores após o nome dos ingredientes ativos representam as doses de cada produto em l ha-1. Os valores após os hífens representam o número de aplicações. Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si pelo teste Scott-Knott (p < 0,05). CV (%) = 21,82. (Fonte: Costa et al., 2012)

16 Setembro 2017 • www.revistacultivar.com.br

A mancha branca é, provavelmente, a doença foliar do milho que apresenta a maior taxa de progresso dos sintomas nas plantas. Em um estudo da evolução dos sintomas da doença no campo, realizado pela Embrapa Milho e Sorgo, foram selecionadas 50 lesões na fase 1 (anasarcas) e foi registrado o desenvolvimento dos sintomas através de uma sequência de fotografias tiradas no mesmo horário, durante 17 dias. Como exemplo, na Figura 2 está representado o registro de fotos da lesão de número 27 (circulada na foto) durante oito dias. Verifica-se que a mudança de fase da lesão é muito rápida. No primeiro dia a lesão estava no estágio 1, no dia seguinte no estágio 2, no terceiro dia no estágio 3 e no quinto dia no estágio quatro. Além disso, observa-se que, no entorno do círculo que delimita a lesão 27, muitas anasarcas surgiram do primeiro para o segundo dia, e alcançaram o estágio 2 no terceiro dia. O aparecimento de novas lesões e a mudança de fase ocorreram muito rapidamente, ocupando uma grande área foliar a partir do quinto dia de registro. Isso mostra quão agressiva pode ser a mancha branca em condições favoráveis ao seu desenvolvimento, considerando as condições de clima e de suscetibilidade da cultivar.

CONTROLE

O método de controle mais eficiente para o manejo da mancha branca é o uso de cultivares resistentes. Apesar das dificuldades em relação à identificação do agente

Figura 4 - Comparação dos valores de área abaixo da curva de progresso (AACPD) da mancha branca do milho no híbrido 30P70 submetido à aplicação de diferentes fungicidas no ensaio 2. Os valores após o nome dos ingredientes ativos representam as doses de cada produto em l ha-1. Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si pelo teste Scott-Knott (p < 0,05). CV (%) = 22,02. (Fonte: Costa et al., 2012)


causal, tem sido verificada variabilidade para resistência à doença no germoplasma de milho, utilizada em programas de melhoramento. Linhagens com bons níveis de resistência têm sido identificadas em trabalhos realizados com germoplasma da Embrapa Milho e Sorgo. A reação das cultivares de milho disponíveis no mercado, em relação à resistência ou suscetibilidade ao agente causal da mancha branca, pode ser encontrada na página da Embrapa Milho e Sorgo (www.cnpms.embrapa.br). A realização de semeaduras antecipadas, em que a fase de maior suscetibilidade das plantas não coincide com o período chuvoso, tem-se revelado uma prática cultural efetiva no controle dessa doença. Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, à medida que a semeadura do milho é retardada, há um aumento na severidade da doença e uma redução no rendimento dos grãos. Tem-se observado que semeaduras realizadas em setembro (primeira época de semeadura) resultaram em menores índices de mancha branca e em maiores rendimentos de grãos. Além da época de semeadura, variações nos níveis de adubação interferem no desenvolvimento da doença, principalmente com relação ao nitrogênio. Maiores severidades da mancha branca têm sido verificadas

quando são utilizadas maiores doses de nitrogênio (Embrapa Milho e Sorgo, 2015; Dornelas et al, 2015). Em condições de elevada pressão da doença e de utilização de cultivares suscetíveis, o emprego de fungicidas tem sido uma medida bastante adotada. No entanto, são bastante frequentes os relatos de baixa eficiência de alguns fungicidas no controle da mancha branca, gerando dúvidas com relação à eficácia dos diferentes grupos químicos e quanto à viabilidade dessa medida para o manejo dessa doença, além de questionamentos quanto à forma correta de sua utilização. De modo geral, tem sido verificado que há baixa eficiência dos fungicidas, do grupo químico dos triazóis no controle da mancha branca. A Embrapa Milho e Sorgo vem realizando vários ensaios com o objetivo de avaliar a eficiência de fungicidas pertencentes a diferentes grupos químicos no controle desta doença. Os resultados dos ensaios de avaliação da eficiência de fungicidas para o controle da mancha branca do milho têm demonstrado que a azoxistrobina é o ingrediente ativo que apresenta maior eficiência para o controle da mancha branca (Figura 3). Os fungicidas triazóis, mesmo em mistura com carbendazim, não apresentaram eficiência no controle da

doença. Resultados semelhantes já foram observados anteriormente, mostrando que o fungicida azoxistrobina, na dose de 150g/ha do ingrediente ativo, proporciona controle satisfatório da doença no campo (Embrapa Milho e Sorgo, 2015). Em outros experimentos de campo foi avaliada a eficiência da azoxistrobina pura e em mistura com triazóis, além de outras moléculas. Os resultados obtidos nestes experimentos confirmaram a eficiência desta estrobilurina no controle da mancha branca. A eficiência de controle da azoxistrobina pura foi estatisticamente igual à mistura de azoxistrobina + ciproconazole (Figura 4). Os demais fungicidas e antibióticos aplicados isoladamente apresentaram eficiência intermediária no controle da doença, diferindo significativamente da testemunha sem aplicação. A relação de todos os fungicidas registrados para o controle da mancha branca do milho pode ser acessada no site do Ministério da Agricultura (http://www. C agricultura.gov.br/). Rodrigo Véras da Costa, Dagma Dionísia da Silva e Luciano Viana Cota, Embrapa Milho e Sorgo


Fotos Germison Tomquelski

Algodão

Pressão intensa

Nas últimas safras o ataque de ácaros em algodoeiro tem se intensificado nas lavouras de algodão do Cerrado brasileiro, favorecido pelo sistema de cultivo, a ampla gama de hospedeiros e a presença em culturas antecessoras. A espécie Tetranychus urticae é atualmente a de maior predominância no Brasil central. O manejo dessas pragas demanda trabalho atento de amostragem e a integração de outras estratégias ao controle químico

A

planta de algodoeiro apresenta um grande número de pragas, que durante o ciclo da cultura são capazes de causar redução na produção, resultando em sérios prejuízos ao agricultor. O algodoeiro nesta última safra (2016/2017), em função de fatores como clima favorável, remuneração e tratos culturais adequados, se mostrou bastante atrativo no sistema de produção da região Centro-Oeste. A região, nos últimos anos, tem apresentado diversas dificuldades no manejo com pragas de alto potencial de danos como o bicudo (Anthonomus grandis), a lagarta Helicoverpa (H. armigera), o pulgão (Aphis gossypii) e nestas últimas safras os ácaros. Estas pragas são alguns dos fatores limitantes da produção e levam a prejuízos significativos para os cotonicultores se não forem devidamente controladas, além de serem responsáveis por elevar o custo de produção.

Muitas destas pragas apresentam polifagia (ampla gama de hospedeiros alternativos para seu desenvolvimento), requerendo entender cada vez mais os aspectos biológicos, a fim de melhorar o manejo no sistema de produção. Cada vez mais o técnico e o produtor precisam ter uma visão holística do seu negócio. Na região dos Chapadões (Chapadão do Sul, Costa Rica e Chapadão do Céu) o sistema de produção é intensivo com as culturas de soja, milho, algodoeiro, feijoeiro, cana-de-açúcar, pastagens, entre outras. A região do Cerrado brasileiro caracteriza-se pela presença de áreas extensas e altamente mecanizadas. O agroecossistema utilizado apresenta-se favorável à multiplicação de pragas, pois prevalece um sistema de produção em que a soja é a principal cultura a se estabelecer na grande maioria das áreas, sendo rotacionada ou mesmo em sucessão com a cultura do algodoeiro ou milho em

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determinadas regiões e anos. Os ácaros são pragas comuns no algodoeiro e seus prejuízos relatados há vários anos. A cultura, por estar em um sistema intensivo, tende a sofrer uma carga de dispersão de pragas em função da senescência das culturas antecessoras ou migração por conta da proximidade espacial ou mesmo de plantas daninhas que podem ser hospedeiras alternativas ou mesmo plantas associadas. O sistema de produção de culturas antes com poucos relatos da praga, como o caso da soja, atualmente tem que ser levado em consideração em função da sua presença e dos prejuízos encontrados (Tomquelski e Martins 2007; Guedes et al, 2007; Roggia et al, 2008; Reichert et al, 2014). Entre as espécies de ácaros reportadas atacando a cultura da soja é possível citar Mononychellus planki McGregor, Polyphagotarsonemus latus Banks, Tetranychus urticae Koch (Guedes et al, 2007; Roggia et al, 2008; Reichert et al, 2014).


Gráfico 1 - Eficiência de acaricidas pulverizados (1 aplicação em estádio C3) avaliados aos 7, Gráfico 2 - Eficiência de acaricidas pulverizados (duas aplicações em estádio R 5.2) 10 e 15 dias após aplicação no controle de T. urticae e seu reflexo na produtividade em arrobas no controle de T. urticae e seu reflexo na produtividade em sacas por hectare na de caroço por hectare na cultura do algodoeiro. Fundação Chapadão. Safra 2014/2015. G.85 cultura da soja. Fundação Chapadão. Safra 2014/2015. I-49

O ácaro-rajado (Tetranychus urticae) é atualmente o de maior predominância no Brasil central, em amostragens realizadas pela Fundação Chapadão. Esta praga da família Tetranychidae é uma das que vêm aumentando significativamente no sistema, atacando as folhas das plantas, levando muitas vezes à desfolha precoce. No algodoeiro tem sido observada sua ocorrência principalmente após o florescimento da cultura, até o final do desenvolvimento. As fêmeas de T. urticae possuem forma ovalada e apresentam duas manchas verde-escuras no dorso enquanto os machos exibem abdome com extremidade mais estreita, cerca de 0,3mm de comprimento. A oviposição é feita em fios de teia tecidos pelo ácaro na face inferior das folhas, sendo que os ovos são esféricos e de coloração amarelada. O tempo quente e seco favorece o desenvolvimento desta espécie. De acordo com Esteves et al (2010), os ácaros em geral possuem desenvolvimento em algodoeiro a temperaturas de 25ºC e UR: 57,4% o ciclo durando cerca de nove dias. Eles colonizam a face inferior das folhas e em função do seu ataque a esta face da folha levam ao surgimento de manchas avermelhadas nos locais opostos ao da colônia que posteriormente tornam-se necróticas, expandindo por toda a folha, podendo promover sua queda (Tomquelski, 2014). Outra praga comumente encontrada no algodoeiro é o ácaro-branco Polyphagotarsonemus latus Banks (Acari: Tenuipalpidae). Uma espécie extremamente polífaga encontrada nas brotações e folhas mais novas, responsável pela redução significativa na quantidade e na qualidade do algodão produzido. Seu ataque deixa a face inferior das folhas com aparência brilhante acompanhada de ligeira ondulação, cujas margens se dobram para cima e posteriormente para baixo. O limbo foliar torna-se coriáceo e quebradiço, partindo-se nas áreas entre as nervuras, e os internódios podem se apresentar alongados. As folhas se desenvolvem de forma anormal

mantendo-se pequenas ou deformadas (Tomquelski, 2014). De acordo com Viera et al (2004), este ácaro ataca preferencialmente quando a umidade do ar está elevada e a planta se encontra em período de menor estresse hídrico. Hambleton (1938) fez o primeiro relato do ataque de P. latus no algodoeiro no Brasil. Em estudo sobre a flutuação da população dos ácaros, Chiavegato (1975) concluiu que a densidade populacional do ácaro-branco foi positivamente afetada pelas precipitações. As últimas folhas apicais na cultura do algodoeiro tendem a ser as mais atacadas, tanto da haste principal como dos ramos frutíferos presentes no terço médio das plantas. A dispersão dos ácaros de forma geral ocorre pelo vento ou mesmo entre a folhagem das plantas, por estruturas vegetais infestadas e transportadas de uma área para outra. Na espécie P. latus ainda é comum também a foresia, ou seja, pode ser transportada por algum inseto, no caso mosca-branca (Bemisia tabaci biótipo B). Outra espécie relatada e frequente em algumas lavouras de soja e também de algodoeiro é Mononynechellus planki. Vulgarmente

conhecido como ácaro-verde, possui corpo de coloração verde e pernas amareladas. Apresenta áreas de cor verde-escuro ao redor das setas dorsais e a postura é realizada ao longo das nervuras das folhas. Seu ataque em algodoeiro é comum no terço médio da cultura. Esta praga tem se observado também na cultura do milho, levando a prejuízos da ordem de 10%. Esta praga provoca clorose em ambas as faces das folhas, evoluindo para uma coloração acinzentada. A praga, ao penetrar o estilete nas células vegetais, consegue estourá-las, o líquido celular extravasa, sendo após ingerido pela boca através da bomba faringeana. Em função da oxidação a folha apresenta o aspecto prateado. Pode surgir em condições de alta ou baixa umidade e ser comumente confundido com T. urticae. Juntas estas espécies se apresentam com alto potencial de danos à cultura da soja (Tomquelski 2014), como também em algodoeiro. O Manejo Integrado de Pragas (MIP) caracteriza-se em alterar o agroecossistema o mínimo possível, e a partir disto, o controle de pragas do algodoeiro necessita ser realizado

Detalhes do ataque de ácaros em folha de algodoeiro

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Fotos Germison Tomquelski

Monynechellus plank, vulgarmente conhecido como ácaro-verde

Folhas do ponteiro de plantas de algodoeiro atacadas por ácaro

com menor dependência de inseticidas químicos, com a adoção de sistemas que enfatizam o manejo de populações das pragas. No entanto, estas mudanças no sistema de produção nas culturas de soja, milho e algodoeiro têm levado a alterações de pragas hora secundárias para primárias e consequentemente em função do seu controle o aumento dos ácaros. Em algodoeiro o aumento de intervenções químicas para pragas como Anthonomus grandis e Bemisia tabaci biótipo B, além do maior número de aplicações de fungicidas (Barboza et al, 2017) tem proporcionado os aumentos de populações. Em culturas como a soja o crescimento do número de aplicações para pragas como percevejos tem levado ao aumento de ácaros. Já na cultura do milho, por conta do maior ataque de cigarrinhas (Dalbulus maidis) é esperado um aumento da praga nesta cultura. A cultura com maior custo de produção entre as três citadas anteriormente é o algodoeiro (acima de R$ 9 mil o hectare, segundo Vilela et al, 2016). Mais de 25% do custo de produção é gasto no manejo de pragas. Por isso um bom amostrador de pragas faz toda a diferença no cultivo de algodão. Um dos pontos bases do Manejo Integrado de Pragas (MIP) é a amostragem, e

para os ácaros o entendimento da biologia, aliado a uma boa realização deste processo, torna-se fundamental para o sucesso das práticas de manejo. Os ácaros, em função da dispersão pelo vento, tendem a ocorrer em manchas nas lavouras, ou seja, com distribuição desuniforme. Detectar o início das infestações é uma grande dificuldade, sendo necessários vários pontos nas lavouras para traçar as estratégias de controle. De modo geral, lentes de bolso (lupas) com aumento de 20-40x auxiliam na amostragem. Detectado este início de infestação e sabendo-se do estádio da praga (adultos – Deuto e Protoninfas – ovos), pode-se optar por um acaricida registrado para a cultura. Alguns níveis de infestação em algodoeiro, como 3%-5% das plantas com a presença de T. urticae, são bons indicativos de que a população tende a levar prejuízos significativos à produção da cultura. Ainda dentre estes prejuízos, na cultura da soja índices de dez indivíduos (adultos e ninfas) por folíolo levaram a prejuízos na ordem de 10% na produtividade, comparando-se áreas tratadas e não tratadas. Enquanto na cultura do algodoeiro, trabalhos atuais da Fundação Chapadão, com níveis de dez ácaros (indivíduos ninfas e adultos) na 3ª folha das plantas, na haste principal, proporcionaram a diminuição na ordem de 9% na produtividade desta cultura (Gráfico 1).

O controle biológico é umas das opções no combate a ácaros e o estudo de ácaros predadores a estas pragas tende a ser uma alternativa interessante. Vale salientar que alguns fungos já utilizados em outras pragas como Beauveria bassiana apresentam supressão de até 50% deste tipo de praga em determinados cultivos. Apesar do controle químico ser uma estratégia muito eficiente contra ácaros, em determinadas áreas, e de ser amplamente utilizado, trata-se de uma prática que tem apresentado alguns problemas, em função do uso excessivo de determinados acaricidas. O ácaro-rajado é o artrópode-praga que possui um dos maiores números de resistência a compostos (Sparks e Nauen, 2015). Dessa forma, o manejo e a rotação de produtos com diferentes modos de ação reduzem a possibilidade de ocorrer a resistência das populações a determinados acaricidas. Em trabalhos realizados pela Fundação Chapadão desde a safra 2004/2005, diversos acaricidas apresentaram resultados interessantes. Os ingredientes ativos mostraram comportamentos diferentes conforme o seu posicionamento. O que pode ser atribuído às fases da praga presente por ocasião da montagem do experimento. Deve-se atentar e muito às características de cada produto para melhorar a sua eficiência. Os acaricidas diafentiuron, espiromesifeno, abamectina, clorfenapyr, propargite e etoxazol apresentam resultados interessantes nas diversas espécies de ácaros incidentes e culturas para as quais são registrados. Somente com boas amostragens, atenção às mudanças no ambiente e o manejo das populações de ácaros no início da infestação será possível evitar este problema C para a cultura do algodoeiro. Andressa Schirmann, Josiane Oliveira, Nayara Luchiari e Germison Tomquelski, Fundação Chapadão

Gráfico 3 - Efeito de alguns acaricidas em duas aplicações (estádio R 5.3 e R 5.4) Gráfico 4 - Efeito de alguns acaricidas em duas aplicações no controle de Tetranychus no controle de M. planki e seu reflexo na produtividade em sacas por hectare na urticae (em %) e seu reflexo na produtividade (@s de pluma) da cultura do algodocultura da soja. Fundação Chapadão. Safra 2014/2015. G-43 eiro. Faz. Cristalina. Fundação Chapadão. Safra 2016/2017. G-121

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Doenças

Valtemir José Carlin

Alvo vulnerável

Cultivares suscetíveis, monocultura, foco no aumento da produtividade em detrimento da sanidade e adaptação dos fungos estão entre os aspectos que provocaram um salto de importância na incidência de mancha-alvo nas lavouras dos cerrados. Deixar o manejo desta doença somente para o controle químico pode ser uma prática temerária, especialmente para a vida útil dos fungicidas disponíveis no mercado

O

final da década de 1990 no Mato Grosso foi marcado pela ocorrência do cancro-da-haste na cultura da soja e pela disseminação do nematoide-do-cisto, o que inviabilizou a maioria das cultivares pioneiras na abertura do cerrado, como FT-Cristalina, Embrapa Doko RC, Emgopa 306, Emgopa 308, substituídas posteriormente por cultivares resistentes ao cancro e em parte por cultivares resistentes ao nematoide-do-cisto, como BRSMT Pintado, FMT Caxara e BRS Jiripoca. Rapidamente as cultivares resistentes ao nematoide-do-cisto ocuparam grandes áreas, especialmente nas regiões onde esta praga estava mais disseminada (Parecis e Leste do MT). A prática da

monocultura e agenética destas novas cultivares, mais suscetíveis à mancha-alvo que as anteriores, fizeram com que esta doença passasse a ser mais presente nas lavouras do Mato Grosso. As próximas cultivares oferecidas no mercado, especialmente as com resistência a cisto, continuaram a demonstrar suscetibilidade à mancha-alvo e assim a doença passou a assumir cada vez mais importância. Inicialmente, o manejo químico da doença era realizado com fungicidas benzimidazóis (exemplo benomyl, carbendazin, tiofanato-metílico), que já eram utilizados no controle de doenças de final de ciclo (DFCs), até que em 2009/10, a Agrodinâmica demonstrou, através de alguns ensaios conduzidos

22 Setembro 2017 • www.revistacultivar.com.br

na região dos Parecis, que este grupo de produtos não mais apresentava controle satisfatório para esta doença. Os resultados mostravam que, independentemente do número de aplicações, da dose empregada ou do momento de aplicação, o controle era muito baixo, não superando 13% na melhor das hipóteses (Tabelas 1 e 2), confirmando-se posteriormente por pesquisadores da Universidade de Passo Fundo (Avozani & Reis, 2011, UPF) que o fungo Corynespora cassiicola havia se tornando insensível ao grupo dos benzimidazóis. Novos ativos eficientes surgiram, como protioconazol e algumas carboxamidas (fluxapiroxade e bixafen), trazendo patamares de controle muito bons. Todavia, novas cultivares foram


Avozani & Reis, 2011 (UPF)

Efeito de diferentes concentrações de carbendazin em dois isolados de mancha-alvo: à esquerda – suscetível, com bom controle a partir de 1ppm; à direita – resistente, sem controle

Fotos Valtemir José Carlin

introduzidas, com alta suscetibilidade e sinais diferentes, fazendo com que o conhecimento das cultivares e a diagnose correta sejam ferramentas muito importantes, a fim de realizar o adequado manejo. Segundo Yorinori et al (2009), a mancha-alvo pode ocorrer em qualquer fase do ciclo da soja, necessitando apenas de altas umidade e temperatura, já que o fungo é nativo das principais regiões produtoras de soja. Atualmente, esta doença é relatada em praticamente

todas as regiões de cultivo de soja no Brasil. A real importância da doença e as perdas causadas sempre foram questionadas em função da grande variabilidade entre cultivares, regiões, históricos e condições ambientais. No Mato Grosso, em anos mais chuvosos, os plantios de soja em restevas de algodão ou de Crotalarias pectabilis (que são hospedeiros alternativos), são os locais onde a doença mais se manifesta e causa as maiores perdas. Os ensaios cooperativos

indicam perdas próximas a 20% em cultivares suscetíveis, o que mostra que esta doença também precisa ser bem diagnosticada, estudada e manejada. O modelo agrícola de monocultura geralmente adotado nos cerrados, a busca por potencial produtivo sem atentar para a sanidade e a adaptação dos fungos fazem com que esta doença aumente sua importância dentre várias outras enfermidades que causam grandes perdas na cultura da soja. Deixar o manejo da doença somente


Tabela 1 – Severidade de Corynespora cassiicola e percentagem de controle em soja Tabela 2 – Severidade de Corynespora cassiicola e percentagem de controle em cultivar TMG 803, em diferentes momentos e número de aplicações de Carbendazin. soja cultivar TMG 803, em diferentes momentos, número de aplicações e doses Estação Experimental Agrodinâmica, Deciolândia, Diamantino, safra 2009/2010 de Carbendazin. Estação Experimental Agrodinâmica, Deciolândia, Diamantino, safra 2009/2010 Tratamento

1-Testemunha 2-Carbendazin 3-Carbendazin 4-Carbendazin 5-Carbendazin 6-Carbendazin 7-Carbendazin 8-Carbendazin 9-Carbendazin 10-Carbendazin 11-Carbendazin 12-Carbendazin 13-Carbendazin 14-Carbendazin 15-Carbendazin 16-Carbendazin C.V. (%)

Dose mL/ha 500 500 500 500 500 500 500 500 500 500 500 500 500 500 500

V9 x x x x x

R1

Momento das aplicações R1+10 R1+20 R1+30

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Sev. R5.5 (%) 35,3 a 34,0 a 34,5 a 32,8 b 33,3 a 32,0 b 33,3 a 34,0 a 34,0 a 32,0 b 32,3 b 32,8 b 31,8 b 33,3 a 32,0 b 33,8 a 3,62

Contr. (%) 0,0 3,7 2,3 7,1 5,7 9,3 5,7 3,7 3,7 9,3 8,5 7,1 9,9 5,7 9,3 4,2

Tratamento 1-Testemunha 2-Carbendazin 3-Carbendazin 4-Carbendazin 5-Carbendazin 6-Carbendazin 7-Carbendazin 8-Carbendazin 9-Carbendazin 10-Carbendazin 11-Carbendazin 12-Carbendazin 13-Carbendazin C.V. (%)

Dose mL/ha

R1

500 500 500 500 750 750 750 750 1000 1000 1000 1000

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Momento das aplicações R1+10 R1+20 R1+30

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Sev. R5.5 (%) 33,3 a 33,3 a 34,0 a 32,0 a 32,7 a 32,5 a 32,8 a 30,8 b 30,5 b 33,0 a 31,8 a 31,0 b 29,0 b 5,39

Contr. (%) 0,0 0,0 0,0 3,9 1,8 2,4 1,5 7,5 8,4 0,9 4,5 6,9 12,9

Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste de Scott-Knott.

Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste de Scott-Knott.

para o controle químico pode ser uma prática perigosa, pois pode gerar excesso de exposição de produtos e induzir a resistência de fungos de Corynespora para estes grupos que estão sendo expostos, a exemplo do que aconteceu com os benzimidazóis ou do que se observar em relação à ferrugem-asiática. O manejo integrado e as boas práticas agrícolas vão muito além do controle químico. É necessário estar atento também para o uso de sementes de qualidade, à rotação de culturas, à nutrição adequada, à resistência genética, às populações adequadas e ao monitoramento, a fim de preservar e dar longevidade às ferramentas disponíveis C no mercado. Valtemir José Carlin, Agrodinâmica

Diferentes sinais de mancha-alvo em folhas de soja em função de diferentes cultivares

Folhas de algodão e Crotalária spectabilis infectadas por C. cassiicola, servindo de fonte de inóculo para a cultura posterior

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Carlin aborda estratégias e desafios impostos pela mancha-alvo às lavouras dos cerrados


Tecnologia de aplicação

Junto e misturado Fotos Cultivar

Fonte de discussões polêmicas e de falta de informação, a mistura de agroquímicos em tanque, no Brasil, parece finalmente caminhar para a regulamentação através de Instrução Normativa conjunta dos Ministérios da Agricultura, da Saúde e do Meio Ambiente

E

m meados dos anos de 1980 todas as recomendações sobre mistura em tanque foram retiradas das instruções de uso por orientação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Após muitas discussões e passados dez anos, foram regulamentadas pela Portaria do Mapa nº 67, que permitia às empresas incluírem nos registros a recomendação das misturas em tanque. Entretanto, essa portaria acabou sendo revogada pela Instrução Normativa 46/2002 e até então se espera por uma solução dos órgãos governamentais competentes. Durante todo esse período, o questionamento que mais se ouviu foi: a mistura

é ou não é proibida? Um estudo jurídico encomendado pela Associação Brasileira dos Defensivos Genéricos (Aenda), em 2011, concluiu que a mistura em tanque não é proibida e pode ser praticada pelo agricultor, sob sua responsabilidade. Entretanto, ela não pode ser prescrita por profissional legalmente habilitado em um receituário agronômico, pois qualquer agroquímico só pode ser recomendado observando-se as informações de uso aprovadas em rótulo e bula (Decreto 4.074/02). Assim, o entendimento, do ponto de vista legal, é que a mistura em tanque não é proibida. Na prática, é comum a ocorrência simultânea de insetos-pragas, plantas

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daninhas e doenças em uma mesma cultura. Além disso, muitos dos inseticidas, herbicidas e fungicidas têm espectro de ação específico, ou seja, não controlam todas as espécies-alvo. Esta característica contribui para que alguns produtores optem pela realização da mistura de tanque com objetivo de reduzir custos e otimizar os tratos fitossanitários. Com a falta de regulamentação, as informações sobre as misturas em tanque, de fontes seguras, foram escasseando, gerando insegurança e riscos aos agricultores e técnicos. O receio de autuação por parte do Poder Público desestimulou a geração e a transferência de informações, e criou um contraste com o que ocorre na prática, uma vez que a mistura em tanque nas propriedades agrícolas do Brasil é usual. Por outro lado, produtos formulados em mistura, ou seja, misturados previamente pela indústria, podem ser registrados no Brasil, mas não atendem as diversidades que ocorrem comumente no campo, por falta de espectro de ação ou dose dos ativos misturados. Além disso, o número de produtos registrados também não atende às necessidades do campo. Em contrapartida, a mistura em tanque permite uma solução caso a caso, individualizada para cada tipo de problema, e com a vantagem de poder ser realizada com base no diagnóstico de um profissional. Para conhecer a realidade do uso das misturas em tanque de agroquímicos nas propriedades agrícolas do Brasil foi realizado um estudo (Gazziero, 2015), em que foram entrevistados agentes de assistência técnica privada (consultores), de assistência técnica ligada ao governo, de assistência técnica ligada às cooperativas e produtores rurais. Os resultados mostram que 97% das aplicações dos defensivos são feitas com misturas em tanque (Figura 1), e que 95% das misturas contemplam o uso de dois a cinco produtos associados em um só tanque. Em 5% dos casos ocorre a mistura de seis ou mais produtos aplicados concomitantemente (Figura 2). Verificou-se ainda que em 69% das vezes


os produtos são colocados diretamente no tanque de pulverização, e em 31% são pré-misturados antes de serem colocados no pulverizador. A pré-mistura é recomendada para verificar a existência de reações indesejadas. Na visão dos entrevistados, são inúmeras as vantagens que podem ser citadas com a utilização de agroquímicos em misturas, tais como: economia de tempo, de mão de obra, de água, de óleo diesel, agilidade nas operações, facilidade de manejo da cultura, diminuição da compactação do solo, aumento do espectro de ação dos produtos, manejo da resistência e aplicação no momento adequado. Em relação às desvantagens foram apontados falta de regulamentação, preocupação com os riscos à saúde e ao ambiente, possibilidade da ocorrência de fitointoxicação, incompatibilidade química, redução da eficiência (antagonismo) e maior desgaste dos equipamentos. Entre os entrevistados apenas um terço desconhece haver problemas com as misturas, enquanto a maioria confirma haver possibilidade de ocorrer algum tipo de problema, como, por exemplo, a dificuldade de dissolver os produtos misturados, a fitotoxicidade, o excesso de formação de espumas, o entupimento de bicos e a decantação de produtos no tanque. Em pulverização não se pode admitir em hipótese alguma que ocorram. Outra observação importante a ser destacada no trabalho realizado por Gazziero (2015) foi o consenso entre os entrevistados de que as informações sobre as misturas não são suficientes. Isto estimula uma reflexão: se a prática da mistura em tanque se mostra tão comum e necessária para a agricultura, por que não regulamentá-la?

Com a falta de regulamentação as informações sobre as misturas são escassas

Várias instituições têm buscado soluções para o caso das misturas em tanque

A regulamentação da mistura em tanque de agroquímicos é um assunto de interesse de todos os que atuam na área da sanidade vegetal, e especialmente dos agricultores e profissionais que prestam assistência técnica. As misturas de produtos com diferentes mecanismos de ação é uma prática mundialmente recomendada para prevenir ou manejar problemas com insetos-praga, doenças e plantas daninhas resistentes. A resistência das pragas aos herbicidas, fungicidas e inseticidas é atualmente uma ameaça mundial, que afeta diretamente a agricultura no Brasil. Várias instituições públicas e privadas, que acreditam na necessidade de uma solução para o caso das misturas em tanque, têm trabalhado junto ao governo federal, no sentido de que seja elaborada uma Instrução Normativa Conjunta pelos Ministérios da Agricultura, da Saúde e do Meio Ambiente, para que a regulamentação das misturas se torne uma realidade. As discussões levam em consideração as legislações internacionais utilizadas em países desenvolvidos, uma rigorosa análise de riscos e a realidade brasileira. O fato é que o Brasil precisa encaminhar

uma solução. Desde meados dos anos 1980 incontáveis moções solicitando a regulamentação foram feitas ao governo, entretanto, sem sucesso. Porém, nunca se chegou tão perto de uma solução como atualmente, pois há o entendimento dos órgãos competentes de que esse problema deve ser definitivamente solucionado. Existe expectativa de que uma decisão seja tomada ainda em 2017, pois os agricultores não podem continuar trabalhando com a falta de informações necessárias, assim como os profissionais legalmente habilitados não devem ser impedidos de atuar nesse assunto. A regulamentação pelos órgãos governamentais, como ocorre em outros países, permitirá que as informações circulem livremente, chegando aos usuários e resultando em benefícios econômicos, agronômicos, ambientais e C para a saúde do trabalhador. Dionisio L. P. Gazziero, Alexandre Ferreira da Silva, Fernando S. Adegas, Leandro Vargas, Décio Karam e Andre Andres, Embrapa

Figura 1 - Distribuição da aplicação de agroquímicos em propriedades rurais do Figura 2 - Distribuição do número de produtos (inseticida, fungicida, herbicida, adubo foliar, etc.) utilizados em mistura de tanque, em propriedades rurais do país. Fonte Gazziero, D.L.P. 2015 país. Fonte: Gazziero, D.L.P.2015

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Plantas daninhas

Alternativas viáveis Fotos Hudson Takano

Planta daninha que figura entre as espécies resistentes ao glifosato, o capim-pé-de-galinha é um sério desafio enfrentado pelos produtores de soja e de milho. Herbicidas alternativos são uma opção para o emprego em sistemas de rotação de mecanismos, mas outros métodos de controle também devem ser considerados para evitar a seleção de resistência múltipla

O

capim-pé-de-galinha é uma das mais importantes plantas daninhas do mundo. Suas características de ciclo fotossintético do tipo C4, rápido crescimento e elevada produção de sementes que podem germinar em diferentes condições de solo (alta salinidade, alto ou baixo pH, compactação e temperatura), fazem com que esta espécie seja extremamente competitiva no ambiente. Ocorre principalmente em beiras de estradas e rastros de maquinários devido à compactação do solo nestes locais e à ausência de outras plantas ao seu redor. A resistência de plantas daninhas ao glifosato constitui o principal problema de resistência a herbicidas no mundo. A seleção de espécies resistentes a este herbicida tem ocorrido em resposta às atuais práticas de manejo empregadas no campo como a utilização repetida de herbicidas com o mesmo mecanismo de ação. Portanto, o manejo efetivo da resistência a herbicidas deve considerar todas as opções disponíveis

de controle cultural, mecânico e químico, com o objetivo de minimizar a pressão de seleção causada por uma única ferramenta. O uso de doses recomendadas de herbicidas, a associação de princípios ativos, bem como a rotação de diferentes mecanismos de ação são fundamentais para o manejo de plantas daninhas resistentes. Neste sentido, quatro experimentos foram conduzidos pela Universidade Estadual de Maringá (UEM - Maringá/PR) com o objetivo de avaliar alternativas químicas para o controle de capim-pé-de-galinha resistente ao glifosato. Estes experimentos incluíram herbicidas recomendados para as culturas da soja e do milho em diferentes modalidades de aplicação. As doses dos herbicidas que foram utilizadas são aquelas registradas na bula dos produtos comerciais. No caso da soja e do milho, uma vez que a aplicação do herbicida em pré-emergência é realizada no momento da semeadura, o controle residual até 20 dias após a aplicação

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(DAA) pode ser suficiente para manter a cultura no limpo entre a semeadura e a aplicação em pós-emergência. Mesmo que o controle residual de alguns herbicidas seja menor após 35 DAA ou 60 DAA, a supressão imposta por estes produtos permite que a aplicação em pós-emergência ocorra em uma situação mais tranquila (menor infestação e plantas em estádio inicial de crescimento). Outro ponto importante reside no fato que a utilização de herbicidas residuais é determinante para o manejo de populações de capim-pé-de-galinha resistentes ao glifosato. Considerando todos estes aspectos, dentre os herbicidas avaliados, sulfentrazone, pendimethalin, s-metolachlor e trifluralin são os herbicidas com maior eficácia. No entanto, flumioxazin, fomesafen, clomazone, isoxaflutole, diuron e [flumioxazin + imazethapyr] também podem ser utilizados no controle de capim-pé-de-galinha resistente ao glifosato em pré-emergência. Para a pós-emergência, ambos os herbicidas paraquat e [paraquat + diuron] são eficazes para o controle de capim-pé-de-galinha


com até um perfilho. Paraquat (600g/ha) e [paraquat + diuron] controlam plantas com até quatro perfilhos em mais de 80%. Estes herbicidas possuem recomendação para aplicação em dessecação pré-plantio tanto para a cultura da soja quanto para a cultura do milho, sendo alternativas viáveis para a semeadura das culturas no limpo. De modo geral, a maioria dos herbicidas inibidores da ACCase aplicados isolados proporciona controle maior ou semelhante àquele obtido pela associação destes herbicidas com glifosato. No caso de plantas pequenas (um perfilho), exceto para fenoxaprop e sethoxydim, mesmo sendo o controle mais lento, a associação destes graminicidas com glifosato foi eficaz. Por outro lado, em plantas maiores (quatro perfilhos), o controle final de capim-pé-de-galinha é limitado na maioria dos casos, especialmente em associações com glifosato. Mesmo os herbicidas inibidores da ACCase apresentando eficácia sobre algumas populações de capim-pé-de-galinha, é importante lembrar que outras populações resistentes a este mecanismo de ação já foram documentadas no Brasil. Portanto, o uso destes herbicidas deve ser feito de maneira sustentável, para a preservação da sua eficácia sobre a espécie. Dentre os herbicidas avaliados neste experimento, glifosato isolado apresenta no máximo 65% de controle em plantas pequenas e 55% de controle em plantas grandes. Todos os graminicidas isolados ou associados ao glifosato apresentam eficácia acima de 80% sobre capim-pé-de-galinha com um perfilho, com exceção de glifosato + fenoxaprop (960g/ha + 110g/ha e 960g/ha + 220g/ha) e glifosato + sethoxidim (960g/ha + 384g/ha). Para plantas com quatro perfilhos, as opções eficazes são clethodim (108g/ha e 192g/ha), haloxyfop (60g/ha e 120g/ha), quizalofop-tefuril (70g/ ha e 120g/ha), quizalofop-methyl (75g/ha e 100g/ha), glifosato + haloxyfop (960g/ha + 120g/ha), glifosato + quizalofop-tefuril (960g/ ha + 120g/ha), glifosato + quizalofop-methyl (960g/ha + 100g/ha), glifosato + fluazifop (960g/ha + 250g/ha e 960 + 500g/ha). No caso do milho, nicosulfuron (50g/ ha e 60g/ha), glifosato + nicosulfuron (960g/ha + 50g/ha e 960g/ha + 60g/ha), bem como todas as associações de atrazine com mesotrione, tembotrione e nicosulfuron, são eficazes no controle de plantas com até um perfilho. Por outro lado, em plantas com quatro perfilhos as opções são extremamente restritas. Mesmo que estes herbicidas sejam recomendados para a cultura do milho, o controle de capim-pé-de-galinha em estádio avançado se torna bastante limitado nesta cultura. De forma generalizada, o número de opções de tratamentos eficazes para o controle de capim-pé-de-galinha em estádio mais avan-

O capim-pé-de-galinha é uma das mais importantes plantas daninhas do mundo

çado é sempre menor que para plantas com até um perfilho. Para esta espécie, o tempo entre a emergência e o início do perfilhamento é de apenas nove dias, o que significa pouco tempo para que a aplicação seja feita no estádio adequado. Existe uma hipótese importante para explicar a menor eficácia de herbicidas sobre plantas de capim-pé-de-galinha em estádio avançado. A cutícula das plantas com mais de três perfilhos apresenta maior acúmulo de ceras, o que pode limitar a absorção pela planta. Estas ceras atuam como um compartimento de acúmulo de herbicidas e, portanto, impedem parcialmente a entrada do ingrediente ativo em células epidérmicas e consequentemente no floema. Neste sentido, para o controle efetivo de plantas de capim-pé-de-galinha em estádio avançado, aplicações complementares ou aplicações sequenciais são necessárias. Outro fato importante é que diferentemente do capim-amargoso, as misturas de glifosato com herbicidas inibidores da ACCase, aparentemente não apresentam efeito sinérgico no controle de capim-pé-de-galinha. A associação destes herbicidas constitui uma das principais ferramentas para o controle de capim-amargoso resistente ao glifosato. A utilização de herbicidas residuais é de-

terminante para o manejo desta espécie, uma vez que a maioria dos herbicidas aplicados em pós-emergência controla apenas plantas pequenas. A rotação de mecanismos de ação de herbicidas, bem como misturas destes produtos, geralmente apresenta efeito retardador na seleção de populações resistentes, especialmente para espécies que são autopolinizadas, que possuem mecanismo de resistência baseado em alteração no sítio de ação e a dispersão de suas sementes é restrita. Esta série de características adapta-se justamente ao capim-pé-de-galinha, que é uma espécie autógama, cuja dispersão ocorre estritamente por sementes e o mecanismo de resistência ao glifosato é uma mutação no gene da EPSPS. Portanto, herbicidas alternativos ao glifosato eficazes no controle de capim pé-de-galinha podem ser recomendados em sistemas de rotação de mecanismos de ação com o objetivo de manejo deste caso de resistência. Além da rotação de mecanismos de ação de herbicidas, outros métodos de controle devem ser considerados para evitar a seleção de resistência múltipla, em curto prazo. O uso de culturas de cobertura, a descompactação do solo e o rápido fechamento de entre linhas são métodos alternativos aos herbicidas que também diminuem a infestação destas plantas na lavoura. Por fim, o uso de herbicidas residuais para o controle de capim-pé-de-galinha resistente ao glifosato constitui uma ferramenta de extrema importância para o seu manejo efetivo, e o estádio de aplicação é determinante para obtenção de eficácia em pós-emergência (no máximo um perfilho). C Hudson Kagueyama Takano e Rubem Silvério de Oliveira Jr., Univ. do Estado do Colorado (CSU) Jamil Constantin, Univ. Estadual de Maringá (UEM)

Avaliar alternativas químicas para o controle de capim-pé-de-galinha resistente ao glifosato é uma necessidade

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Especial - Mofo-branco

Mofo na rede

Fotos Maurício Meyer

Com importância crescente nas lavouras de soja do Brasil, Sclerotinia sclerotiorum passou a ser monitorado a partir de 2008/09 em um esforço conjunto de instituições públicas e privadas para estudar a eficiência de fungicidas utilizados no controle, a exemplo do que já ocorre com outras doenças, como a ferrugem-asiática. Na safra 2016/17 o ensaio cooperativo foi realizado em 14 locais, distribuídos nos estados de Goiás, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia e no Distrito Federal

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O

mofo-branco, causado pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum (Lib.) de Bary, é uma das doenças de plantas mais antigas no mundo, afetando mais de 400 espécies, inclusive soja, feijão, algodão, girassol, canola, tomate, ervilha, entre outras culturas de importância econômica. Os danos ocorrem com maiores frequência e intensidade em regiões de altitude acima de 800m, com clima chuvoso, temperatura amena e alta umidade relativa do ar. A partir da safra 2006/07 observou-se aumento significativo na incidência e nos níveis de danos nas lavouras de soja no Brasil, tanto nas áreas mais altas do Cerrado, quanto nas mais tradicionais de cultivo do Sul e do Sudeste, chegando a reduzir a produtividade em até 70% em determinadas lavouras. Estima-se que aproximadamente 23% da área de produção de soja brasileira esteja infestada pelo patógeno, compondo aproximadamente 7,7 milhões de hectares que necessitam da adoção de medidas integradas de manejo da doença. Os estados mais atingidos pelo mofo-branco são Goiás (com mais de dois milhões de hectares infestados), Bahia, Mato Grosso e Paraná (de um a dois milhões de hectares infestados), Minas Gerais (com 0,5 a um milhão de hectares infestados) e Mato Grosso do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (com menos de 0,5 milhão de hectares infestados) (Figura 1). Uma característica marcante do patógeno é a produção de escleródios, que são estruturas de sobrevivência formadas por aglomerados de hifas, comumente arredondados ou alongados, de coloração preta e consistência firme. O escleródio pode germinar de forma carpogênica ou miceliogênica, desencadeando novos ciclos da doença. A germinação miceliogênica ocorre mediante a formação de micélio branco, a partir dos escleródios, ao passo que a germinação carpogênica ocorre a partir da formação de apotécios nos escleródios. A produção de apotécios é a principal fonte de infecção nas plantas de soja. Nos apotécios se formam os esporos do fungo, denominados ascósporos, que são ejetados sob pressão, atingindo as flores da soja, onde encontram condição ideal de germinação e início da infecção. A manutenção da umidade do solo é fundamental para a ocorrência da doença, pois a germinação dos escleródios depende de alta umidade (chuvas frequentes), de temperaturas entre 15°C e 25°C e de pouca incidência de luz solar (sombreamento do solo pelas plantas). Pela dependência dessas condições, a ocorrência de mofo-branco em soja varia de intensidade entre as safras, sendo mais frequente em regiões com altitude superior a 800m. O fungo é capaz de infectar qualquer parte da planta de soja, porém, as infecções começam com maior frequência a partir das


A produção de apotécios é a principal fonte de infecção nas plantas de soja

inflorescências, das axilas, dos pecíolos e dos ramos laterais. O fungo pode atacar toda a parte aérea da planta, afetando folhas, hastes e vagens. A planta da soja infectada apresenta, inicialmente, lesões aquosas, sobre as quais crescem hifas, formando abundante micélio branco, o que caracteriza o nome da doença. Os tecidos atacados necrosam em consequência da ação das diversas toxinas e de ácido oxálico, produzidos por S. sclerotiorum. Nessa fase, podem ser observados o apodrecimento de ramos, vagens e folhas ou mesmo da haste principal, com morte de toda a planta. Os escleródios são formados tanto na superfície quanto no interior das hastes e das vagens infectadas, podendo se desprender naturalmente ou serem lançados ao solo durante a colheita, aumentado o inóculo na área. O manejo da doença tem como objetivos a redução do inóculo (escleródios no solo) e a redução da incidência e de sua taxa de progresso. A diminuição de inóculo é alcançada pela inviabilização dos escleródios no solo e

Lavoura de soja com sintomas do ataque do mofo-branco

pela diminuição da produção de escleródios nas plantas doentes, por medidas como formação de palhada para cobertura uniforme do solo, preferencialmente oriunda de gramíneas; rotação e/ou sucessão com culturas não hospedeiras; emprego de controle biológico por meio da infestação do solo com agentes antagonistas; utilização de sementes de boa qualidade e tratadas com fungicidas; emprego de controle químico, por meio de pulverizações foliares de fungicidas no período de maior vulnerabilidade da planta (R1 a R4). Para a redução da incidência do mofo-branco e de sua taxa de progresso são importantes a escolha de cultivares com arquitetura de plantas que favoreça uma boa aeração entre plantas (pouco ramificadas e com folhas pequenas) e com período mais curto de florescimento e a utilização de população de plantas e de espaçamento das entre linhas adequado às cultivares. Outra medida que contribui para a redução da dispersão do fungo S. sclerotiorum é a limpeza de máquinas e equipamentos após utilização

em área infestada, para evitar a disseminação de escleródios para novas áreas. A efetividade do controle do mofo-branco em soja só é conseguida com a integração dessas medidas, não apresentando resultados satisfatórios isoladamente. Desde 2008/09, ensaios em rede vêm sendo realizados por instituições públicas e privadas com o objetivo de comparar a eficiência de fungicidas para controle de mofo-branco em soja. Em função dos resultados desses ensaios cooperativos, acumulados ao longo de nove anos de execução, verificaram-se níveis de eficiência média de controle de alguns fungicidas variando entre 62% e 72% (Tabela 1). Na safra 2016/17, o ensaio cooperativo de controle químico de mofo-branco foi realizado em 14 locais, distribuídos nos estados de Goiás, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia e no Distrito Federal (Figura 2). As aplicações foram realizadas com pulverizadores costais pressurizados com

Figura 1 - Estimativa de áreas infestadas pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum, nas Figura 2 - Distribuição dos 14 locais de realização do ensaio cooperativo de controle químico de mofo-branco em soja no Brasil – safra 2016/17 principais regiões produtoras de soja no Brasil

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CO2 e volume de calda de 150L/ha. Foram comparados nove tratamentos fungicidas em duas aplicações, sendo a primeira em início de florescimento ou no fechamento das entre linhas da soja e, a segunda aplicação, dez dias após. Apenas o tratamento composto por tiofanato metílico (T2) foi aplicado quatro vezes a intervalos de dez dias. Um tratamento

sem aplicação de fungicidas (T1) foi mantido como controle (Tabela 2). Foram avaliadas a incidência de mofo-branco e a produtividade da soja e também foi quantificada a massa de escleródios obtida na trilha das plantas de cada parcela. Os resultados foram analisados em conjunto, nos locais onde houve homogeneidade de

variância dos dados. Os melhores níveis de controle químico variaram de 71% a 79% e foram observados nos tratamentos com duas aplicações dos fungicidas procimidona (T3), fluopyram (T5), dimoxistrobina + boscalida (T6) e com a associação de carbendazim e procimidona (T7) (Tabela 3). A média da produção de escleródios (masTabela 1 - Incidência, controle relativo, produtividade da soja (Produtiv.), redução de produtividade (Red. sa de escleródios) de S. sclerotiorum, coletados das plantas do tratamento sem controle (T1), Produtiv.), massa de escleródios produzidos e redução da produção de escleródios (Red. M.Escler.) em função foi de 2.708g/ha. Os tratamentos procimidona dos tratamentos fungicidas dos ensaios cooperativos de controle de mofo-branco em soja, médias de nove (T3 e T9), fluopyram (T5), dimoxistrobina + anos (2009 a 2017) boscalida (T6), associação de carbendazim e Tratamentos Incidência1 (%) Controle2 (%) Produtiv. (kg ha-1) Red. Produtiv.3 (%) Massa Escleródio (g ha-1) Red. M.Escler.4 (%) procimidona (T7) e fluazinam + tiofanato 0 Testemunha 34,4 a 2887 d 18,4 3055 a 0 metílico (T8) apresentaram significativa redu45 Tiofanato metílico (4X) 19,0 b 3218 c 9,0 1619 b 47 ção na produção de escleródios, comparados 62 Procimidona (2X) 13,0 c 3381 b 4,4 771 c 75 à testemunha sem controle (T1), variando de 68 Fluazinam (2X) 10,9 d 3514 a 0,6 945 c 69 57% a 79% (Tabela 3). 72 Fluopyram (2X)* 9,8 d 3461 a 2,1 758 c 75 Os tratamentos procimidona (T3 e T9), 72 Dimox. + boscalida (2X) 9,5 d 3536 a 0,0 741 c 76 fluazinam (T4), fluopyram (T5), dimoCV (%) 16,8 3,0 40,8 xistrobina + boscalida (T6), associação de carbendazim e procimidona (T7) e fluazinam 1Incidência de mofo-branco em R5.5. 2Porcentagem de controle da doença em relação à testemunha, considerando-se a incidência em R5.5. 3Porcentagem de redução de produtividade da soja em relação ao tratamento de maior rendimento. 4Porcentagem de redução da produção de escleródios. Médias seguidas + tiofanato metílico (T8) apresentaram as da mesma letra nas colunas não diferem pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade. *Produto em fase de registro no MAPA. maiores médias de produtividade da soja. Foi observada redução de produtividade de 19% Tabela 2 - Tratamentos com fungicidas (produto comercial= P.C.), ingrediente ativo (I.A.), empresa fabricante, no tratamento sem controle de mofo-branco épocas de aplicação e doses utilizadas no ensaio cooperativo de controle de mofo-branco em soja, safra 2016/17 (T1) em relação ao tratamento mais produtivo (T6) (Tabela 3). -1 Ingrediente Ativo (I.A.) Épocas de aplicação Dose (L-kg ha ) Produto Contudo, considerando que ainda ocorre e empresa fabricante P.C. I.A. 1ª 2ª 3ª 4ª Comercial (P.C.) produção de escleródios, mesmo que reduzida 1 Testemunha em função do controle químico, as demais tiofanato metílico, Ihara 0,5 R1 10 DAA 10 DAA 10 DAA 1,0 2 Cercobin medidas de manejo devem ser adotadas com a procimidona, Sumitomo 1,0 0,5 R1 10 DAA 3 Sumilex finalidade de inviabilização desses escleródios fluazinam, ISK / FMC 1,0 0,5 R1 10 DAA 4 Frowncide/Zignal durante a entressafra, promovendo o manejo fluopyram, Bayer 0,2 R1 10 DAA - 0,4 + 0,4 5 PNR + Aureo C integrado da doença. dimoxistrobina + boscalida, Basf 1,0 0,4 R1 10 DAA 6 Spot Maurício C. Meyer e carbendazim, Nufarm 1 + 0,5 0,5 R1 10 DAA 7 Carbomax + Agris Cláudia V. Godoy, procimidona, Sumitomo 1,0 0,5 R1 10 DAA AS* Sialex Embrapa Soja fluazinam + tiof. metílico, Nortox 2,0 0,4 + 0,8 R1 10 DAA 8 PNR + 0,25% v/v adj.¹ Hércules D. Campos, procimidona, Ourofino 1,0 0,5 R1 10 DAA 9 PNR UniRV isofetamid, ISK 1,25 0,5 R1 10 DAA 10 PNR + Assist 0,5% v/v Carlos M. Utiamada, *AS = Aplicações Sequenciais. Primeira aplicação em R1 ou no fechamento das entrelinhas. DAA = dias após a última aplicação. PNR = produto não registrado. Tagro 1Adj.= adjuvante mineral ou vegetal, a critério do pesquisador. Edson P. Borges, Tabela 3 - Incidência, controle relativo, produtividade da soja, redução de produtividade (Redução Produtiv.), massa de Fundação Chapadão escleródios produzidos e redução da produção de escleródios (Redução M. Esc.) em função dos tratamentos fungicidas José Nunes Junior, CTPA dos ensaios cooperativos de controle de mofo-branco em soja, média de oito ensaios, na safra 2016/17 Fernando C. Juliatti, Tratamento Incidência1 (%) Controle2 (%) Produtiv. (kg ha-1) Red. Produtiv.3 (%) Massa Escleródio (g ha-1) Red. M.Escler.4 (%) UFU 0 1. testemunha 36,8 a 3.326 d 19 2.708 a 0 David S. Jaccoud Filho, 46 2. tiofanato metílico 20,0 b 3.830 c 7 1.589 bc 41 UEPG 71 3. procimidona 10,5 cde 3.996 abc 3 1.155 bcde 57 Luciana C. Carneiro, 68 4. fluazinam 11,6 cd 3.961 abc 4 1.227 bcd 55 UFG 74 5. fluopyram 9,7 de 4.075 a 1 558 e 79 Luís H.C.P. da Silva, 79 6. dimoxistrobina & boscalida 7,7 e 4.130 a 0 796 de 71 Agro Carregal 76 7. carbendazim/procimidona 8,8 de 4.075 ab 1 736 de 73 Marcio Goussain, 70 8. fluazinam & tiofanato metílico 10,9 cd 4.004 abc 3 967 cde 64 Assist 68 9. procimidona 11,8 cd 3.935 abc 5 1.102 bcde 59 Mônica C. Martins, 64 10. isofetamid 13,1 c 3.890 bc 6 1.697 b 37 Círculo Verde CV (%) 27,8 6,4 59,3 Mônica P. Debortoli, 1Incidência de mofo-branco em R5.5. 2Porcentagem de controle da doença em relação à testemunha, considerando-se a incidência em R5.5. 3Porcentagem de redução Instituto Phytus de produtividade da soja em relação ao tratamento de maior rendimento. 4Porcentagem de redução da produção de escleródios. Médias seguidas da mesma letra nas Wilson S. Venancio, colunas não diferem pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade. *Produto em fase de registro no MAPA. CWR

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David S. Jaccoud Filho

Especial - Mofo-branco

Fatores-chave

A escolha correta do fungicida, a época adequada e as técnicas de aplicação são fundamentais para a obtenção de bons resultados no controle químico do mofo-branco Sclerotinia sclerotiorum. Na cultura do feijão, a pulverização de produto sistêmico realizada antes da floração plena obteve melhor desempenho em relação à posterior

O

manejo químico está entre os métodos mais antigos e usuais no controle de Sclerotinia sclerotiorum (Lib.) de Bary (Natti, 1971; Steadman, 1983). No entanto, alguns fatores devem ser considerados quando se deseja utilizar a aplicação de fungicidas para o controle do mofo-branco, como a

época de aplicação, o fungicida e as técnicas de aplicação. A infecção do patógeno no hospedeiro pode ser instaurada em qualquer fase do ciclo da cultura, principalmente quando as condições edafoclimáticas são favoráveis; porém, é fundamental conhecer o momento em que a ação protetora é mais efetiva,

bem como as características e o período de atuação do fungicida utilizado. Na aplicação de fungicida sistêmico realizada de três dias a sete dias antes da floração plena do feijão, o controle do mofo-branco foi 100% mais eficiente que a aplicação na floração plena da cultura. Tal procedimento fez com que o fungicida

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Tabela 1 - Classificação de tamanho de gotas, baseado nas especificações do Conselho Britânico de Proteção de Culturas (BCPC) e na norma ASAE S-572.1 (Sociedade Americana de Engenheiros Agrícolas), publicada em março de 2009 Categoria do espectro Extremamente fina Muito fina Fina Média Grossa Muito grossa Extremamente grossa Ultragrossa

Símbolo XF MF F M G MG EG UG

Muito grossa Ø 400 µm 1 gota

Grossa Ø 252 µm 4 gotas

Média Ø 200 µm 8 gotas

fosse transportado para as flores antes que caíssem (Natti, 1971). Quando a aplicação ocorre de modo preventivo, na época recomendada para a cultura, o controle químico pode apresentar resultados insatisfatórios na supressão de doenças, por causa da dificuldade de atingir a penetração da calda no dossel e o molhamento adequado no terço inferior da cultura durante o período de florescimento (R1/R2) (Schwartz e Steadman, 1978; Mueller et al, 2001). Neste mesmo estádio de desenvolvimento das plantas de soja, o posicionamento de fungicidas atinge 50% de cobertura e 60% de ação residual, em função do Índice de Área Foliar (IAF), sendo considerado momento de alto risco (Madalosso et al, 2016). Portanto, é necessário reunir os conhecimentos técnicos dos fatores epidemiológicos do fungo Sclerotinia sclerotiorum (Lib.) de Bary na cultura da soja e das dificuldades para o controle, associando-os aos conceitos básicos da tecnologia de aplicação, para estabelecer a melhor estratégia de produzir o efeito desejado.

CONCEITOS BÁSICOS

DMV aproximado 50 µm < 136 µm 136 – 177 µm 177 – 218 µm 218 – 349µm 349 – 428 µm 428 – 622 µm > 622 µm

Cor lilás vermelho laranja amarelo azul verde branco preto

Fina Ø 159 µm 16 gotas

Tipo de Pressão Vazão Categoria do espectro de gotas 80o 110o ponta (bar) (L.min-1) Média 0,72 Fina XR 8002 2,5 Fina 0,79 Fina XR 11002 3 Fina 0,72 Muito fina TJ60 8002 2,5 Fina 0,79 Muito fina TJ60 11002 3 Fonte: Catálogo TeeJet Technologies.

Baixo Muito fina Ø 100 µm 64 gotas

gotas”, as quais são classificadas em função do Diâmetro Mediano Volumétrico – DMV (diâmetro da gota do espectro que divide o volume em duas partes iguais: 50% do volume é formado por gotas de tamanho ≤ ao DMV e 50% do volume é formado por gotas de tamanho ≥ ao DMV), conforme se observa na Tabela 1. O potencial de risco de deriva (PRD) está relacionado com o tamanho das gotas, e indica a porcentagem do volume pulverizado que pode ser perdida pela deriva e evaporação. Portanto, quanto menor o diâmetro da gota, maior será a cobertura na área foliar. E, além disso, a menor massa facilita mudanças de sua trajetória no dossel das plantas. Todavia, não se deve descuidar do risco de deriva estabelecido para cada categoria do espectro. As recomendações técnicas para o controle do mofo-branco na cultura da soja indicam que é necessário atingir o terço inferior do dossel das plantas no estádio R1/R2, período em que apresentam alto Índice de Área Foliar (IAF). Assim, é essencial conhecer a categoria do espectro de gotas que será formado na aplicação do

Tabela 3 - Altura de pulverização em função da distância entre os bicos e o ângulo da ponta de pulverização Espaçamento entre bicos na barra do pulverizador (m) 0,35 0,50

Altura recomendada (m) Ângulo de pulverização 80o 110o 0,53 0,35 0,75 0,50

fungicida, para obter condições favoráveis ao alcance do alvo biológico. A categoria de enquadramento do espectro de gotas pode se alterar em função das seguintes variáveis: tipo de ponta de pulverização, vazão, pressão de trabalho, ângulo de pulverização e produto que será pulverizado, conforme alguns exemplos apresentados na Tabela 2. Se, por um lado, as gotas de menor diâmetro apresentam características favoráveis à cobertura e à movimentação no dossel das plantas, por outro são mais suscetíveis a perdas por deriva e evaporação. Logo, deve-se procurar reduzir o tempo de exposição das gotas, ou seja, diminuir a trajetória entre a ponta e o alvo biológico, e, para tanto, é preciso utilizar pontas com maior ângulo de pulverização e/ou reduzir o espaçamento entre bicos na barra do pulverizador, conforme mostra a Tabela 3. O estádio fenológico de desenvolvimento das plantas, o local e a quantidade de alvo biológico a ser atingido, o tamanho

Fotos Altair Justino e David S. Jaccoud Filho

A pulverização produz gotas com tamanhos variados, o chamado “espectro de

Potencial de Risco de Deriva (PRD) Alto

Tabela 2 - Categoria de espectro de gotas formadas em função de variáveis associadas

Figura 1 - Protótipo de barra auxiliar para abertura de dossel de plantas de soja

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O mofo-branco é uma doença agressiva, capaz de comprometer seriamente a produtividade e cujo manejo deve ser realizado com muito critério


da gota e o volume de aplicação (L/ha) podem determinar a cobertura necessária, sendo os dois últimos parâmetros mais utilizados nos estudos de controle de mofo-branco. A cobertura pode ser ampliada com o aumento do volume de aplicação ou, ainda, mediante a utilização do mesmo volume, mas com redução do tamanho das gotas (com as variáveis: tipo de ponta, pressão de trabalho, ângulo de pulverização, velocidade de trabalho). Contudo, não basta apenas variar o volume de aplicação e/ou reduzir o tamanho das gotas, como mostram os estudos realizados por Berger Neto (2015), no controle de mofo-branco em soja - safras 2012/13 e 2013/14, com a combinação dos fatores: volume de aplicação (100L/ha e 200L/ha), fungicida (fluazinam = 500g de i.a. ha-1 e procimidone = 500g de i.a./ha) e ponta de pulverização hidráulica (cone vazio - gotas finas; leque plano - gotas finas; leque plano com pré-orifício - gotas médias; e leque plano com indução de ar gotas extremamente grossas a ultragrossas). Os resultados indicaram que a ponta leque plano com indução de ar foi a mais eficiente no controle do mofo-branco (menor incidência de doença e menor produção de escleródios), do mesmo modo que a mesma ponta e a de leque plano com pré-orifício proporcionaram maior cobertura no terço inferior das plantas em comparação com a ponta cone vazio. Também foi verificado que nos três terços das plantas avaliados o volume de aplicação de 200L/ha proporcionou um percentual de cobertura significativamente maior que o volume de 100L/ha (volumes obtidos com a mesma pressão, mas variando a velocidade de deslocamento), mas sem indicar diferença estatística na incidência, severidade e produção de escleródios do fungo Sclerotinia sclerotiorum (Lib.) de Bary. Assim, as condições em que ocorreram as aplicações dos fungicidas (estádio R1 e dez dias após R1) revelaram dificuldades de atingir o alvo biológico com gotas finas e, além disso, o uso de um volume maior não produziu o efeito desejado, o que evidencia a necessidade de estudos específicos para cada situação, para definir as estratégias mais adequadas.

DISPOSITIVOS AUXILIARES PARA PENETRAÇÃO DE GOTAS

Dispositivos acoplados na barra de pulverizadores tratorizados podem auxiliar no controle do mofo-branco na soja nos diversos estágios de desenvolvimento do patógeno, em função de atuarem como

abridores do dossel das plantas, o que é fundamental, principalmente quando os alvos biológicos se concentram no solo e/ou no terço inferior das plantas, e em estádios fenológicos das plantas com alto índice de área foliar.

ASSISTÊNCIA DE AR

Cortina de ar formada pela ação de ventiladores com intensidade e direção reguláveis, com o objetivo de movimentar o dossel das plantas e impulsionar as gotas pulverizadas, tendo o suporte da deflexão do ar pela superfície do solo para captar gotas na face inferior das folhas.

BARRA AUXILIAR

Dispositivo originário de estudos realizados por David de Souza Jaccoud Filho e Altair Justino em 2004, na UEPG, e avaliado por Auer (2014). Trata-se de protótipo constituído de uma barra auxiliar de PVC com 25mm de diâmetro e um metro de comprimento, presa por barras metálicas (metalon) e com ajustes nos sentidos vertical e horizontal em relação à barra do pulverizador tratorizado, que é fixada por presilhas no lado anterior (Figura 1). Os resultados mostraram que o uso da barra auxiliar promoveu incrementos consideráveis nos valores de cobertura e densidade de gotas nos terços inferior e médio das plantas, e as condições mais favoráveis ao tratamento químico das doenças foliares da soja foram obtidas com ponta em leque com gotas médias, operando no sentido longitudinal à linha de semeadura.

CORTINA DE CORRENTES

Trata-se de outro dispositivo auxiliar para a abertura do dossel das plantas de soja, desenvolvido pelo engenheiro agrônomo José Sérgio da Silva Witt. As cortinas de correntes consistem em mecanismos auxiliares para pulverizadores de barras, cujo efeito é inclinar as plantas, promovendo uma abertura em forma de cunha na parte superior da massa vegetal das culturas a serem pulverizadas. Para a soja, a cortina de correntes é posicionada mais próxima da projeção vertical da barra do pulverizador (0,25m), ocasionando menor inclinação das plantas quando se deslocam junto com a barra de pulverização, mostrando-se eficaz para aumentar a deposição de fungicida no interior do dossel da cultura. (Boller et al, 2011). C Altair Justino e David de Souza Jaccoud Filho, Univ. Est. de Ponta Grossa - UEPG Ayrton Berger Neto, UPL www.revistacultivar.com.br • Setembro 2017

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Especial - Mofo-branco

Fotos Luiz Gonzaga Chitarra

No algodão Doença altamente destrutiva, o mofo branco tem crescido de importância também nas lavouras de algodoeiro favorecido por fatores como a monocultura adotada em áreas dos cerrados. Várias medidas são recomendadas para minimizar o problema, com a integração de práticas de medidas de controle genético, cultural, biológico e químico

A

expansão da área cultivada na cultura do algodoeiro no Cerrado brasileiro deve-se principalmente à utilização de altas tecnologias e ao investimento em qualidade de fibra. No entanto, o plantio repetitivo - no decorrer dos últimos anos - de cultivares suscetíveis às doenças, as condições climáticas favoráveis do Cerrado ao desenvolvimento dos patógenos, a falta de práticas culturais, como a rotação de culturas, e a destruição adequada dos restos culturais potencializam os riscos de surtos epidêmicos, resultando em perdas na produção. Tem-se observado em diversas áreas produtoras que as doenças são responsáveis pelas perdas econômicas do algodoeiro e, em determinados casos, podem ser causa impeditiva desta atividade. Portanto, é imprescindível que nestas áreas do Cerrado sejam adotadas as práticas de manejo adequadas para que a cultura do algodoeiro tenha sustentabilidade. Dentre as doenças, destaca-se o mofo branco do algodoeiro, doença fúngica causada por

Sclerotinia sclerotiorum (Lib.) de Bary. O mofo branco, doença causada por S. sclerotiorum, é amplamente distribuído em todas as regiões temperadas, tropicais ou subtropicais onde se cultivam algodão, soja, feijão, girassol, canola, ervilha, pepino, tomate, quiabo, fumo e alface. O mofo branco foi relatado pela primeira vez em 1924, nos Estados Unidos, na cultura da soja e desde então a doença tem sido observada em vários outros países. No Brasil, o mofo branco foi relatado pela primeira vez em 1921, em plantas de batata no estado de São Paulo. Atualmente, o patógeno encontra-se disseminado por todo o País, tendo maior incidência nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que apresentam condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento do patógeno. No algodoeiro, o mofo branco foi constatado, pela primeira vez em 1996, na cultivar Deltapine, irrigada sob pivô central, em Paracatu, Minas Gerais (Charchar et al, 1999). Atualmente esta doença, com alto poder destrutivo, encontra-se disseminada pelas principais

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regiões produtoras de algodão, tanto em áreas irrigadas como em áreas de sequeiro, nas regiões de Unai (Minas Gerais), Patos de Minas (Minas Gerais), Montividiu (Goiás), Jussara (Goiás), Pedra Preta (Mato Grosso), Jaciara (Mato Grosso), Campo Verde (Mato Grosso), Primavera do Leste (Mato Grosso) e São Desidério (Bahia), principal região produtora de algodão no oeste baiano. Observa-se, nos últimos anos, um aumento da ocorrência do patógeno principalmente nas áreas de altitudes acima de 600 metros. De acordo com Tormen (2014), o mofo branco pode ser responsável por até 30% de perda da produção agrícola, se não houver controle adequado. No Brasil, aproximadamente seis milhões de hectares apresentam a doença, de um total de 70 milhões de áreas cultivadas. Isto significa que o patógeno está presente em aproximadamente 9% das áreas cultivadas com as culturas de soja, feijão e algodão, principalmente nos estados da Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. No Cerrado, a tendência é de que


as áreas com a presença de S. sclerotiorum aumentem se o sistema de manejo do solo permanecer o mesmo, ou seja, modelo de monocultura ou sucessão de culturas com espécies hospedeiras.

DISSEMINAÇÃO

A disseminação de S. sclerotiorum nas principais áreas produtoras do Cerrado ocorre, principalmente, na forma de ascósporos, escleródios, vento, implementos agrícolas, animais, águas da chuva e irrigação e por meio de sementes. Segundo Athow, 1973, os ascósporos são ejetados das ascas e levados pelo vento a plantas e lavouras vizinhas. Os ascósporos, nesse caso, podem sobreviver no campo por até 12 dias (Suassuna & Coutinho, 2011). Os escleródios, estruturas de resistência do fungo, presentes no solo podem ser disseminados das áreas infestadas para as livres do patógeno por meio de implementos agrícolas, águas da chuva e irrigação ou por animais, ao se alimentarem de restos culturais contaminados. A disseminação dos escleródios também pode ser em mistura com as sementes, infestando-as ou infectando-as, pois nem sempre os escleródios são totalmente removidos do lote por ocasião do beneficiamento, tornando-se, portanto, uma das principais vias de disseminação do patógeno. A introdução desse fungo nas lavouras de algodoeiro do Cerrado brasileiro provavelmente está relacionada com a utilização de sementes de algodão, soja e/ou feijão infectadas e/ou infestadas com o patógeno, sendo a semente, nesse caso, a principal via de disseminação inicial do patógeno. Além disso, o aumento significativo da área de mofo branco onde se cultiva o algodoeiro pode estar relacionado com os modelos de produção atualmente utilizados nas áreas do Cerrado, ou seja, monocultura ou sistema sucessão de culturas. No modelo monocultura, o algodoeiro é cultivado em áreas que no ano anterior foram cultivadas também com algodoeiro e no sistema sucessão de culturas, o algodoeiro é cultivado fundamentalmente após a colheita da soja. No entanto, a monocultura (algodão-algodão) e o sistema contínuo de sucessão do tipo soja-algodão, característicos em muitas regiões agrícolas do Cerrado, podem ocasionar o aumento da incidência do patógeno como a degradação física, química e biológica do solo e, consequentemente, provocar a queda da produtividade das culturas. Estes sistemas de produção proporcionam condições favoráveis para o desenvolvimento de doenças, principalmente em áreas com histórico do mofo branco, além de favorecer as pragas e plantas daninhas. Ambos os sistemas são potencialmente favoráveis

ao desenvolvimento e à disseminação do patógeno, pois as espécies de plantas atualmente cultivadas são altamente suscetíveis à doença. No sistema sucessão de culturas soja-algodão, a pequena quantidade de palha produzida pela soja, aliada à rápida decomposição dos seus resíduos, não evita a proliferação do mofo branco na área e a disseminação do fungo da área contaminada para as áreas livres. Por ser um patógeno de ocorrência mundial e por ter uma vasta gama de hospedeiros, o patógeno pode atacar em torno de 408 espécies e 278 gêneros de plantas (Boland & Hall, 1994). Sendo assim, a disseminação e a distribuição do patógeno nas principais regiões produtoras de algodão no Cerrado são favorecidas pelo aumento das áreas de plantio, associado à forma inadequada de eliminação de restos culturais, ao sistema de manejo do solo, à sucessão de plantio de variedades suscetíveis e/ou espécies hospedeiras cultivadas sucessivamente na mesma área e às condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da doença. Vale ressaltar que as principais culturas cultivadas são espécies hospedeiras do patógeno e não há tendências de mudanças em relação aos sistemas de manejo do solo atualmente utilizados, fatores que também podem inviabilizar o cultivo da cultura no Cerrado.

SINTOMAS

Os sintomas característicos da doença no algodoeiro são murcha, necrose e podridão úmida da haste, do pecíolo, da folha e da maçã. No interior do capulho é possível encontrar micélio do fungo de coloração branca e os escleródios, estruturas de resistência de coloração escura e

irregular do patógeno. Os escleródios, por serem estruturas de resistência do patógeno, podem sobreviver no solo por até 11 anos preservando seu poder patogênico (Leite, 2005), e em condições climáticas favoráveis germinam no solo produzindo estruturas denominadas de apotécios, onde são produzidos os esporos do patógeno, os quais são facilmente transportados pelo vento. Estes esporos, na época da floração e em condições favoráveis, germinam em flores senescentes e, em seguida, invadem outros órgãos da planta, causando o apodrecimento das partes das plantas afetadas. Os fatores que favorecem o desenvolvimento do mofo branco são períodos prolongados de precipitação, alta umidade relativa acima de 70%, alta umidade do solo, temperaturas amenas entre 15°C e 22ºC e a alta densidade de plantio. O fungo pode sobreviver parasitando outros hospedeiros, saprofiticamente em restos culturais, ou utilizando a matéria orgânica disponível no solo.

RECOMENDAÇÕES DE MANEJO PARA A CULTURA DO ALGODOEIRO

O manejo do mofo branco no Cerrado torna-se difícil devido às culturas cultivadas, que na sua maioria são suscetíveis ao patógeno e pela presença de escleródios nas áreas cultivadas, que podem sobreviver por um longo período de tempo no solo. Devido a estes fatores, recomenda-se que sejam adotadas várias medidas para minimizar o problema. Controle Cultural • Utilização de sementes sadias, certificadas, de procedência conhecida e com cer-

Lavoura de algodoeiro gravemente atacada por S. sclerotiorum

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Fotos Luiz Gonzaga Chitarra

Os sintomas da doença são murcha, necrose e podridão úmida da haste, do pecíolo, da folha e da maçã

Presença de escleródios e destruição provocada pela doença

tificado fitossanitário de origem, evitando, deste modo, a introdução do patógeno na área a ser cultivada; • Rotação de culturas, prática que deve ser adotada para evitar plantas hospedeiras como soja, feijão, girassol devido à suscetibilidade a S. sclerotiorum; • Formação de palhada homogênea sobre o solo, especialmente de gramíneas como braquiárias, milheto, milho doce, aveia, arroz e trigo, que, além de promoverem a degradação natural dos escleródios, proporcionam uma boa cobertura do solo. A palhada deverá conter camadas comaproximadamente 5cm de espessura, formando uma barreira física e dificultando a germinação dos escleródios e a ejeção dos ascósporos; • Plantio direto, sistema que consiste

O ALGODÃO

A

cultura do algodoeiro (Gossypium hirsutum L.) é uma das mais importantes atividades agrícolas do Brasil, não somente por produzir matéria-prima natural para a indústria têxtil, mas também pela utilização dos seus produtos para outras importantes finalidades. A área nacional cultivada com o algodoeiro na safra 2016/2017 foi de aproximadamente 939,1 mil hectares (Conab, 2017). O estado de Mato Grosso é o maior produtor de algodão do Brasil, com área cultivada de aproximadamente 627,8 mil hectares na safra 2016/2017, representado 66,85% da área total cultivada. Na Bahia, segundo maior produtor, a área cultivada na safra 2016/2017 foi de 201,6 mil hectares. O terceiro maior produtor é o estado de Mato Grosso do Sul, com a área nessa safra de 28,6 mil hectares (Conab, 2017).

O mofo-branco é distribuído em regiões temperadas, tropicais ou subtropicais onde se cultiva algodão

no não revolvimento do solo, na rotação de culturas e plantio sob palhada, que mantém a umidade do solo e a população microbiana elevada, podendo atuar no controle biológico do patógeno e proporcionar uma barreira física à formação dos apotécios, que necessitam da presença de luz para o seu desenvolvimento; • Cultivo do algodoeiro em áreas com elevadas densidades de escleródios, recomenda-se o enterrio dos escleródios a uma profundidade de 20cm a 30cm, utilizando-se o arado de aiveca e a adoção imediata do sistema plantio direto por vários anos, pois uma nova aração poderá trazer os escleródios para as camadas próximas à superfície; • Para minimizar a ocorrência do mofo branco, aconselham-se menores densidades de semeadura, espaçamento entre linhas maior e plantio sob palhada, permitindo deste modo uma maior aeração das plantas, diminuindo o possível contato de plantas atacadas com plantas adjacentes; • Evitar adubações excessivas de nitrogênio, as quais podem tornar os tecidos das plantas favoráveis ao ataque do fungo; • Evitar o trânsito de implementos agrícolas das áreas infectadas para as áreas livres do patógeno. Controle biológico • Utilização dos fungos Trichoderma asperellum e T. harzianum para a colonização e a redução dos escleródios e o aumento da flora microbiana no solo. Controle genético • Não existem cultivares resistentes ao mofo branco do algodoeiro, medida considerada a mais indicada e econômica para o manejo da doença. Controle químico • Recomenda-se a utilização de pro-

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dutos químicos registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para o controle da doença na cultura do algodoeiro.

CONSIDERAÇÕES

A área agrícola do Cerrado tem todas as condições edafoclimáticas para o desenvolvimento das doenças do algodoeiro, principalmente o mofo branco nas áreas com altitudes acima de 600 metros. A presença de S. sclerotiorum já foi constatada em aproximadamente 10% dessas áreas. As áreas de incidência com a doença estão aumentando, provavelmente devido à utilização de sementes contaminadas, ao plantio repetitivo e sucessivo com espécies suscetíveis ao patógeno e aos sistemas de manejo do solo utilizados pelos produtores. Atualmente, não há oferta no mercado de cultivares de algodoeiro resistentes ao mofo branco, medida mais viável economicamente para o controle do patógeno. Portanto, o desafio é descobrir fontes de genes de resistência genética, ou seja, plantas de algodoeiro que possuam no seu DNA a capacidade de resistir ao ataque de S. sclerotiorum. O ácido oxálico, fitotoxina produzida por S. sclerotiorum durante o processo de infecção, é considerado o principal fator de patogenicidade do fungo. A expressão de enzimas que degradam o ácido oxálico em plantas transgênicas tem sido utilizada em diversas culturas, como em tomate e fumo (Kesarwani et al, 2000), alface (Dias et al, 2006) e soja (Cunha et al, 2010), para o desenvolvimento de cultivares resistentes, que poderá ser uma alternativa viável também para a cultura do algodoeiro. Porém, essa alternativa deverá estar associada com o potencial produtivo da cultivar. Vale ressaltar que o melhoramento genético é mais uma ferramenta para o cotonicultor, porém deve ser utilizado em associação com as práticas agrícolas recomendadas para o controle do mofo branco na cultura do algodoeiro. C Luiz Gonzaga Chitarra, Embrapa Algodão


Cana

Fotos Nelmício Furtado da Silva

Fertirrigação nitrogenada O uso de nitrogênio via água de irrigação em sistema de pivô central pode trazer vários benefícios aos canaviais. Aumento da produtividade e melhorias nos índices de qualidade da matéria-prima se destacam. Seu uso, no entanto, precisa ocorrer de forma racional, com atenção a aspectos sociais e ecológicos da região, ao mesmo tempo em que ajude a tornar mais lucrativa a atividade

A

cultura da cana-de-açúcar é bastante exigente quanto à nutrição. O nitrogênio (N) é requerido em grandes quantidades para a produção de biomassa. Em média 1,4kg de N por tonelada de colmo produzido. É, dentre os nutrientes minerais aplicados para a produção de cana-de-açúcar no Brasil, o mais caro, e as quantidades adubadas de N fertilizante

geralmente são iguais ou menores que as exportadas pelos colmos. A sua deficiência causa redução na síntese de clorofila, de aminoácidos essenciais e da energia necessária à produção de carboidratos e esqueletos carbônicos, refletindo diretamente no desenvolvimento e no rendimento da cultura. A fertirrigação é uma técnica que tem por objetivo a aplicação de fertilizantes em estado

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líquido, juntamente com a água de irrigação, otimizando o sistema de irrigação, que na maioria das vezes possui um custo elevado. Essa operação é de grande utilidade para as plantas, pois o fertilizante é fornecido com a água que está sendo aplicada ao solo (essencial para sua absorção). Apresenta ainda muitas outras vantagens, como a melhor distribuição do fertilizante no campo, redução dos custos, diminuição da compactação do solo, maior flexibilidade de aplicação, possibilidade de aplicação em épocas críticas e redução de danos mecânicos à cultura. O uso da fertirrigação possui, de modo geral, a característica de melhorar a eficiência no uso dos nutrientes, por serem aplicados de maneira fracionada, conforme a marcha de absorção de nutrientes da cultura. A aplicação de fertilizantes via água de irrigação deve seguir as recomendações de período de aplicação, frequência, doses e fontes assegurando, dessa maneira, uma adequada oferta de água e nutrientes na zona radicular da planta. Trabalhando com a hipótese de que a fonte e a oferta de nitrogênio via água de irrigação influenciam o cultivo da cana-de-açúcar na região do Cerrado, foi realizado estudo para avaliar a produtividade, a qualidade e o rendimento da cana-de-açúcar irrigada submetida a diferentes doses de fertirrigação nitrogenada via sistema de pivô central no ciclo de cana-planta em um Latossolo Vermelho Distrófico argiloso, fase cerrado.


O EXPERIMENTO

O experimento foi conduzido em condições de campo, em área da fazenda Rio Paraiso II pertencente à Usina Raízen, no município de Jataí, Goiás. As coordenadas geográficas do local são 17°44'2.62"S e 51°39'6.06"O, com altitude média de 907m. Segundo a classificação de Köppen & Geiger (1928), o clima do local é do tipo Aw, tropical, com chuva nos meses de outubro a abril, e seca nos meses de maio a setembro. A temperatura máxima oscila de 35ºC a 37ºC, e a mínima de 12ºC a 15ºC (no inverno há ocorrências de até 5ºC). A precipitação anual chega a 1.800mm aproximadamente, porém mal distribuídas ao longo do ano. O solo da área experimental é classificado como Latossolo Vermelho distrófico, muito argiloso. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso. Os fatores avaliados constituíram de quatro doses de N aplicados via fertirrigação (0kg/ha, 60kg/ha, 120kg/ha e 180kg/ha), parcelada em quatro aplicações mensais a partir dos 60 dias após o plantio. Todos os tratamentos foram adubados no sulco de plantio com fósforo P2O5 (100kg/ha) na forma de superfosfato triplo, potássio K2O (80kg/ha) na forma de cloreto de potássio, e micronutrientes, conforme resultados das análises de solo e recomendação.

O preparo do solo foi realizado pelo sistema convencional, por meio de aração e gradagem, seguido de abertura dos sulcos de plantio mecanizado. A variedade implantada no experimento foi a IACSP95-5000, nas condições de cana-planta, plantada em 5/8/2014. Os tratos culturais referentes ao uso de herbicidas, inseticidas, fungicidas e demais produtos relacionados com o controle de plantas invasoras, pragas e doenças foram utilizados conforme a necessidade e avaliação de infestação, e de acordo com as práticas adotadas pela Usina Raízen. A irrigação e a fertirrigação foram realizadas por um pivô central marca Zimmatic, modelo PC 08-64/03-647/01-646/L4 + AC, em aço galvanizado, baixa pressão, com 12 torres de sustentação, com uma área total irrigada de 139,31 hectares, velocidade de 268m/h na última torre, aplica uma lâmina bruta mínima para uma volta a 100% de 1,35mm. A tubulação adutora possui 800m de comprimento, com diâmetro de 162,2mm feito em PVC de 150/60. Pressurizado por uma bomba simples Imbil modelo ITA 100400, com vazão prevista de 128,99m3/h, e pressão prevista de 63,90mca, rotação de 1.750rpm e potência do motor de 47,49cv. Para realização da fertirrigação foi utilizado um sistema acoplado ao pivô contendo duas

caixas reservatório para diluição do fertilizante e um sistema de bombeamento para injeção do fertilizante diluído no pivô central. Foi empregada uma lâmina de 3mm no momento da fertirrigação. A colheita foi realizada em 25/8/2015. A produtividade de colmo foi determinada através da pesagem total dos colmos presentes nas respectivas parcelas, quantificado o peso dos colmos, cujo valor foi extrapolado para t/ha. Os parâmetros de qualidade da cana foram determinados no laboratório da própria usina. Os valores de rendimento industrial foram calculados com base nos parâmetros de qualidade e de produtividade de colmos. Os resultados foram submetidos à análise da variância pelo teste F ao nível de 5% de probabilidade, e em casos de significância, foi realizada análise de regressão para os níveis de fertirrigação nitrogenada, utilizando-se o software estatístico Sisvar.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A produtividade de colmos (PC) aumentou linearmente 40,22% em função da fertirrigação nitrogenada, chegando a uma produtividade máxima de 142,55t/ha na dose de 180kg/ha de N, sendo que cada 1kg/ha de N promoveu um acréscimo de 0,7919t/ha na PC (Figura 1A). Os açúcares totais recu-


Figura 1 - Produtividade de colmo (A), Açúcares totais recuperáveis TR (B), Rendimento bruto de açúcar (C) e Rendimento bruto de álcool (D) em função da dose de nitrogênio via fertirrigação

peráveis (ATR) apresentaram incremento de 5,16%, devido à fertirrigação nitrogenada via água de irrigação, com um valor de ATR de 140,77kg/t na dose de 180kg/ha de N, sendo que cada 1kg/ha de N promoveu incremento de 0,7820kg/t no ATR (Figura 1B). O rendimento bruto de açúcar (RBAÇ) aumentou linearmente 43,31% em função da fertirrigação nitrogenada via água de irrigação,

de tal modo que na dose de 180kg/ha de N alcançou um rendimento de 20,32t/ ha, sendo que cada 1kg/ha de N proporcionou aumento de 0,1129t/há no RBAÇ (Figura 1C). O rendimento bruto de álcool (RBAL) apresentou acréscimos de 43,20% em função da fertirrigação nitrogenada via água de irrigação, atingindo 14,50m3/ ha na dose de 180kg/ha de N, sendo que

A CANA-DE-AÇÚCAR

A

cana-de-açúcar (Saccharum officinarum L.) é cultivada no Brasil desde o século 16 e expandiu-se no País, sendo utilizada na produção de açúcar para o consumo interno e para exportação, gerando divisas para o país. Adquiriu grande importância econômica, devido à grande demanda por bioenergia, produção de combustível limpo e renovável, substituindo os combustíveis derivados do petróleo. O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar e seus derivados, açúcar e álcool, favorecido por sua extensa área e pelo clima propicio à produção vegetal durante todo o ano. A área colhida de cana-de-açúcar destinada à atividade sucroalcooleira na safra 2015/16 foi de 8.654,2 mil hectares. São Paulo, maior produtor, possui 52% (4.498,3 mil hectares), seguido por Goiás, com 10,4% (885,8 mil hectares), Minas Gerais com 10,1% (866,5 mil hectares),

Mato Grosso do Sul com 7% (596,8 mil hectares), Paraná com 6% (515,7 mil hectares), Alagoas com 3,7% (323,6 mil hectares), Pernambuco com 3% (254,2 mil hectares) e Mato Grosso, com 2,7% (232,8 mil hectares). Estes oito estados são responsáveis por 94,9% da produção nacional. Os outros 14 estados produtores possuem áreas menores que 1% da área total do país, totalizando 5,1%. O crescimento do cultivo da cultura da cana-de-açúcar na região Centro-Oeste vem elevando-se não apenas devido à ampliação das áreas agrícolas, mas também pelo aumento da produtividade, porém, é de fundamental importância a aplicação de novas técnicas para a otimização do setor, no que diz respeito à evolução tecnológica, de forma a proporcionar contínua elevação dos índices de produtividade por área, uma vez que a cultura possui grande potencial produtivo.

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cada 1kg/ha de N propiciou aumento de 0,0805m3/ha no RBAL (Figura 1D). A fertirrigação nitrogenada promoveu incrementos significativos em todas as variáveis produtivas analisadas. No Brasil, experimentos realizados em condições de campo, com aplicação de ureia sobre palhada de cana, têm mostrado perdas por volatilização de amônia (NH3) que podem atingir 20% a 40%, ou mais, do N aplicado. Dados semelhantes têm sido relatados em outras regiões produtoras de cana do mundo. O uso da fertirrigação mitiga o problema das perdas gasosas de NH3 e pode contribuir para aumentar a eficiência de uso da água e do N do fertilizante. A fertirrigação, além de aumentar a produtividade da cana-de-açúcar, promove melhorias nos índices de qualidade da matéria-prima. Essa prática ainda é pouco difundida, porém seus benefícios para a cultura são vários. No entanto, a aplicação de nutrientes via água de irrigação nas culturas deve ser manejada de forma racional, considerando os aspectos sociais e ecológicos da região, procurando maximizar a produtividade e a eficiência de uso do nutriente e minimizar os custos, quer de mão de obra, quer de capital, de forma a tornar lucrativa a atividade. Deve-se fazer fertirrigação com o objetivo de aumentar o lucro e a produtividade, em quantidade C e em qualidade. Nelmício Furtado da Silva, Fernando Nobre Cunha, Fernando Rodrigues C. Filho, Marconi Batista Teixeira e Edson Cabral da Silva, IF Goiano – Campus Rio Verde (GO)


Empresas

Tratar para produzir Fotos Bayer

Iniciativa Bayer SeedGrowth foca no tratamento de sementes industrial, na busca por auxiliar o produtor a garantir novos patamares de produtividade através da qualidade de germinação e da emergência uniforme de plantas

P

roteger a semente e a germinação de planta é essencial para que o produtor consiga estabelecer uma lavoura com sanidade, tornando-a ainda mais rentável. Por isso, o investimento em sementes e no seu tratamento é um pré-requisito para quem deseja produzir mais. Há mais de 100 anos com experiência no tratamento de sementes, a Bayer desenvolveu um sistema de tecnologias completamente integrado para proteção de sementes à disposição dos agricultores. Bayer SeedGrowth tem por objetivo oferecer valor agregado aos envolvidos na cadeia de tratamento de sementes industrial (TSI), conceito que é complementado pelo conhecimento da marca em cultivos, clima e outras condições específicas de cada país e sua tradição em soluções químicas. Entre os principais benefícios do TSI estão segurança na proteção de sementes, evitar as perdas por pragas, proporcionar um bom estande inicial da planta, retardar o ataque de doenças na lavoura, proporcionar a uniformidade de emergência de plantas e proteger o potencial produtivo daquela semente. A garantia de que o produtor re-

ceberá uma semente tratada com qualidade está embasada em quatro competências, que norteiam a estratégia Bayer SeedGrowth: 1) Portfólio de produtos; 2) Recobrimentos; 3) Equipamentos e 4) Serviços. “A base da produtividade de uma lavoura é a semente, com ela você define o potencial produtivo da lavoura e por isso deve ser tratada de uma maneira muito cuidadosa. Além disso, a semente é um grande investimento para o produtor, e ele precisa preservar esse investimento e ver resultados”, avaliou a gerente da Bayer SeedGrowth, Márcia Terzian.

PORTFÓLIO DE PRODUTOS

Atualmente, o portfólio de produtos para TSI da Bayer conta com dois inseticidas (CropStar e Poncho), quatro fungicidas (Atento, Baytan, Derosal Plus e Monceren SC) e um nematicida (CropStar). Além disso, já está previsto para 2019 o lançamento de um tratamento biológico para nematoides. “Nossos produtos são soluções completas, de alta performance, que promovem inovação e um amplo espectro de controle de pragas e doenças”, defendeu Márcia. Um dos principais de-

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safios enfrentados da cadeia de tratamento de sementes está relacionado à janela de plantio do produtor rural. “Uma complexidade muito grande de produtos faz com que o sementeiro demore para realizar o tratamento da semente. Ou seja, quanto mais amplo o espectro do produto, quanto mais problemas ele resolver, melhor a eficiência logística, colocando a semente tratada nas mãos do produtor com um timing correto”, ressaltou.

RECOBRIMENTOS

Responsáveis por aderir os produtos de proteção à semente, os Recobrimentos ou Film-coatings são tecnologias que envolvem a semente com uma fina película permeável. Essas tecnologias proporcionam a distribuição homogênea e a boa fixação dos ingredientes ativos. “Desenvolvemos um portfólio de soluções em recobrimentos bem robusto porque levamos em consideração a composição e as características de cada tipo de semente. Além disso, temos a questão da compatibilidade. Se os ingredientes ativos que vão fazer a proteção do cultivo não forem compatíveis com o recobrimento, não conseguiremos formar


Entre os principais benefícios do TSI está a segurança na proteção de sementes

o agente de adesão do produto”, explicou a engenheira agrônoma da Bayer SeedGrowth, Danila Monte Conceição. Além de auxiliar na homogeneidade dos produtos de proteção de plantas, o Recobrimento forma uma trama polimérica que vai aderir às moléculas do ingrediente ativo, para que a semente chegue na lavoura com todas as tecnologias de proteção aplicadas. Outros benefícios importantes dessa tecnologia são a uniformização dos ingredientes ativos na superfície da semente, o controle da emissão de poeira (evitando que o produto saia com o atrito que a semente sofre até chegar à lavoura) e a fluidez e a plantabilidade, criando uma superfície lisa, fazendo com que o processo de plantio seja mais exato, sem falhas ou duplas.

EQUIPAMENTOS

Com a integração da Gustafson, em 2004, a Bayer ampliou seu portfólio de equipamentos de aplicação, que são desenvolvidos pela unidade Bayer CropScience de Shakopee, nos EUA, especializada em engenharia, projeto, fabricação, marketing e venda desses equipamentos. As máquinas de tratamento de sementes oferecidas aos parceiros de negócios brasileiros possuem tecnologia CBT (Continuous Batch Treater), em português, Tratador Contínuo por Bateladas. Esse tipo de sistema pesa a semente e aplica a quantidade exata de produto, batelada a batelada. Por isso, não há necessidade de preparo de calda, já que cada produto é aplicado individualmente com estações de bombeamento e pesagem independentes. “Quando você controla todas as variáveis da equação, produz com mais qualidade. A tecnologia própria Bayer e a agilidade para tratar são fundamentais para atender o produtor. Outro grande destaque é a segurança do tratamento industrial, que oferece contato zero com o produto. E um dos principais diferenciais da nossa tecnologia é a precisão milimétrica de aplicação de produto, devido ao uso da bomba peristáltica”, enfatizou a gerente da Bayer SeedGrowth, Márcia Terzian.

Danila Monte Conceição, Márcia Terzian e Simon Veldt

SERVIÇOS

Atualmente, a Bayer possui máquinas em sistema de comodato espalhadas por todo Brasil. Cada um desses equipamentos foi importado, instalado, calibrado e configurado pelas equipes do SeedGrowth Center, que está localizado em Paulínia, São Paulo. Além de serem responsáveis pelo monitoramento e suporte de todas essas máquinas, o SeedGrowth Center promove seminários de treinamento para os funcionários que ficarão responsáveis pela operação dessas máquinas. Desde 2011, cinco mil pessoas foram treinadas no Centro de Paulínia. Para maximizar a eficiência do suporte técnico oferecido aos clientes, a Bayer possui um sistema de Telemetria, que monitora on-line todos os dados gerados por máquinas a campo e acessa remotamente caso qualquer problema seja identificado. Esta facilidade gera rapidez nas soluções de problemas, fazendo com que as máquinas fiquem paradas o mínimo de tempo possível. “Resolvemos em média 70% das ocorrências em menos de 30 minutos e assim, nosso índice de máquinas paradas é inferior a 1%”, afirmou

Márcia Terzian. Além de oferecer treinamentos e suporte, o SeedGrowth Center Brasil realiza análises e pesquisas para otimizar todo processo de TSI, como a análise de compatibilidade de produtos e sementes, testes de fluidez e plantabilidade, análise de formação de poeira, testes de scanner para checar a uniformidade de sementes tratadas e testes de HPLC, que avaliam a quantidade de ingrediente ativo na semente. Entre os parceiros de negócios da Bayer em tratamento de sementes está a Cooperativa Agro Industrial Holambra, localizada em Paranapanema, São Paulo, que há quatro anos oferece o TSI para seus associados. A Holambra, que já tem como diferencial o nível tecnológico de seus produtores, contabiliza em torno de 70% das sementes plantadas por seus cooperativados tratadas na própria cooperativa com equipamento e produtos Bayer. “Com a padronização do tratamento, que antes era feito na fazenda, conseguimos alcançar muito mais na qualidade e na uniformidade de germinação”, relatou o presidente da Cooperativa, Simon Veldt. C

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Eventos

Técnico e científico Top Ciência apresenta novidades e aprofunda discussões na busca por soluções sustentáveis para o agronegócio. Evento reuniu mais de 400 participantes no mês de agosto, em Campinas, São Paulo

A

11ª Edição do Top Ciência, realizado pela Basf, reuniu aproximadamente 400 participantes em agosto, em Campinas, São Paulo. Um dos principais fóruns de discussões técnicas e científicas para a busca de soluções agrícolas sustentáveis, o evento contou com lançamento de produtos e ferramentas, apresentação de resultados, além da premiação de projetos de pesquisa. Focado na proteção e no manejo integrado do sistema produtivo para alcançar bons resultados nas lavouras agrícolas, a 11ª edição do evento levantou a preocu-

pação não apenas de aumentar a produtividade, mas de alcançar o reconhecimento da qualidade dos alimentos produzidos no Brasil. “Nada pode comprometer a imagem do produto brasileiro”, alertou o vice-presidente sênior da Unidade de Proteção de Cultivos da Basf para América Latina, Eduardo Leduc. Para o executivo, o Brasil reúne todas as condições para ser reconhecido não apenas pela quantidade de alimentos que produz. “Em café, por exemplo, somos os maiores produtores, possuímos qualidade, mas ainda não somos referência”, lembrou.

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Problemas como os enfrentados recentemente pelo setor de exportação de carnes reforçam o sinal de alerta. “Prejudicou muito o enorme esforço feito pela cadeia produtiva”, lamentou. Leduc lembrou que é necessário um esforço conjunto de pesquisa, produtores e empresas do setor. “Não é um trabalho de curto prazo. Além do controle de pragas e doenças, precisamos pensar cada vez mais no impacto de produtos e soluções na qualidade final do que o cliente produz, fomentar outras áreas de pesquisa como as que envolvem transporte, armazena-


Basf

Cultivar

De Gerone destacou os investimentos em Inovação, Pesquisa e Desenvolvimento

diversos públicos, como os segmentos de HF, cana, café, tomate e minorcrops. Para o manejo de doenças em soja, nos últimos três anos a companhia trouxe ao mercado fungicidas como Orkestra, Ativum e Versatilis.

LANÇAMENTO FUNGICIDA VERSATILIS

gem”, disse. Alicerçado nos conceitos de inovação aberta e cocriação o Top Ciência contabiliza mais de dez anos de relação sólida com a comunidade científica. “A combinação de tecnologia necessária para produzir não virá apenas de um fornecedor, mas quem vai buscá-la pode ser uma única pessoa, o técnico”, lembrou Leduc.

Durante o Top Ciência ocorreu, ainda, o lançamento oficial do fungicida Versatilis, com foco no controle da ferrugem-asiática, principal pesadelo dos produtores de soja. Com princípio ativo fenpropimorfe, do grupo químico das morfolinas, o produto chega ao mercado com o objetivo de auxiliar no manejo de resistência da doença e na tentativa de aumentar a longevidade dos demais fungicidas. “É um produto sistêmico, com grupo químico novo, compatível com qualquer outro fungicida. Sua aplicação deve ocorrer ao aparecimento dos primeiros esporos e demanda baixa dose”, explicou o gerente de Marketing Soja da Basf, Elias Guidini.

Guidini enfatizou o papel do fungicida Versatilis no manejo de resistência da ferrugem-asiática

Para o pesquisador Valtermir Carlin, da Agrodinâmica Assessoria Agropecuária, é indispensável preservar os defensivos que atualmente estão registrados para o controle da ferrugem-asiática no Brasil. “Teremos de sobreviver nos próximos sete ou oito anos com os fungicidas que temos”, alertou.

BLOG

O Top Ciência serviu também para o lançamento do blog Agro Basf, ferramenta que conta com a colaboração dos professores Durval Dourado Neto, em Fitotecnia, Paulo Cesar Sentelhas, em Agrometeorologia, José Otávio Menten, em Fitopatologia, Pedro Yamamoto, em Entomologia, e Pedro Jacob Christoffoleti, no Manejo de Plantas C

INVESTIMENTO EM PESQUISA E DESENVOLVIMENTO

O diretor de Inovação, Pesquisa e Desenvolvimento da Basf para a América Latina, Ademar De Gerone, lembrou os investimentos realizados pela companhia no Brasil, nos últimos anos. “Investimos muito na nossa Estação Experimental, em manejo de resistência e no segmento de biológicos. Atualmente contamos também com oito Centros Experimentais Avançados”, relatou. Nos últimos cinco anos a Basf lançou dez diferentes produtos para atender

Blog da Basf pretende ser uma ferramenta interativa com informações atualizadas sobre fitotecnia, agrometeorologia, entomologia, fitopatologia e herbologia

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Basf

Vencedores do Top Ciência 2017 SUBCATEGORIA FISIOLOGIA HERBICIDA FITOPATOLOGIA

FITOTECNIA ENTOMOLOGIA E BIOLÓGICOS INOVAÇÃO AGROMETEREOLOGIA

CATEGORIA COOPERAÇÃO TÉCNICA REGULAR COOPERAÇÃO TÉCNICA REGULAR COOPERAÇÃO TÉCNICA REGULAR BASF - COSTA RICA COOPERAÇÃO TÉCNICA REGULAR COOPERAÇÃO TÉCNICA REGULAR COOPERAÇÃO TÉCNICA REGULAR REGULAR

no campo.

PRÊMIO TOP CIÊNCIA 2017

Na 11ª edição do Top Ciência foram premiados 14 estudos, de um total de 262 trabalhos inscritos em toda a América Latina. Participaram pesquisadores, cientistas, agricultores e consultores de diversos países da América Latina, além de representantes de associações, Ministério da Agricultura e colaboradores da Basf. Os trabalhos destacaram temas como agrometeorologia, tecnologia de aplicação, manejo de resistência, inovação em produtos, controle fitossanitário e biotecnologia.

INTELIGÊNCIA COGNITIVA

Com histórico de derrotar concorrentes humanos, como o campeão de xadrez Garry Kasparov, e vencer o tradicional programa americano de perguntas e respostas Jeo-

Cultivar

Daninhas. Além disso, diversos estudantes de pós-graduação da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq) se revezarão na publicação de artigos e textos focados no setor. “O público terá acesso livre a todos os conteúdos do Blog”, explicou a gerente de Novos Modelos de Negócios da Basf, Manoela Lima. Apesar da enorme importância para a agricultura, a Agrometeorologia ainda deixa de receber a devida atenção. Os investimentos, principalmente governamentais, são escassos e a informação produzida nem sempre chega ao produtor. “Não temos como alterar o clima, mas é possível prever, observar como tem se comportado ao longo dos anos”, lembra Sentelhas. Desta forma, é possível orientar melhor o produtor com relação às janelas de plantio, ao possível comportamento de doenças, pragas e auxiliar na adoção de ações preventivas de modo a preservar o investimento realizado

NOME Fernando José Hawerroth Elizabeth Orika Ono Danilo Franco Mauro Antonio Rizzardi Renato Agnelo da Silva Caroline Almeida Gulart Claudiana Carr Pedro Jorge Bottene Schineider Cesio Humberto de Brito Sérgio Schimiloski Alexandre Mansano Michel da Silva Fernandes Durval Dourado Neto Henrique Dias

Leduc ressaltou a importância de que o país alcance o reconhecimento da qualidade daquilo que produz

pardy, a tecnologia da IBM de inteligência cognitiva chega também à agricultura. Durante o Top Ciência o líder de Watson da IBM Brasil, Guilherme de Araújo, apresentou detalhes do sistema, que impressiona pela capacidade de apreender em poucas semanas o que o ser humano demoraria longos anos. Utilizado em diversas áreas, o que inclui estudos para a identificação de cura para doenças como o câncer, Watson também pode ser um importante aliado do agronegócio. Treinado por agrônomos, já é utilizado para aumentar a velocidade e a precisão de análises laboratoriais na cultura da soja. “Popularmente cunhado como inteligência artificial, o Watson é um exemplo de inteligência cognitiva, já que necessita da cognição humana para aprender. Precisa ser treinado por humanos e por isso não vai substituí-los”, esclareceu Araújo.

PAI DA SOJA

O pesquisador Romeu Kiihl foi um dos homenageados durante a 11ª edição do Top Ciência

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Entre as homenagens prestadas durante o Top Ciência esteve o reconhecimento ao trabalho do pesquisador Romeu Kiihl, considerado o “pai da soja”, responsável pelo desenvolvimento da primeira variedade da oleaginosa para as condições do Cerrado brasileiro. “Nada seria possível sem a coragem do agricultor brasileiro, especialmente o pessoal do Sul, que largou tudo para plantar soja no Cerrado”, C lembrou.


Fotos Cultivar

Eventos

Café com informação

Press trip reuniu 18 jornalistas em encontro com participação do presidente da Adama. Evento marcou, ainda, o lançamento do fungicida Cronnos, destinado ao controle de doenças como a ferrugem-asiática

O

evento Café com o Presidente, tradicionalmente realizado pela Adama para reunir clientes, neste ano trouxe uma novidade. Pela primeira vez o encontro foi destinado à imprensa e reuniu 18 jornalistas, com o objetivo de mostrar as inovações da marca, apresentar informações sobre mercado e lançar o fungicida Cronnos, que chega ao mercado brasileiro para auxiliar no controle da ferrugem-asiática e de outras doenças que afetam a cultura da soja. A abertura do evento coube ao presidente da Adama Brasil, Rodrigo Gutierrez, e ao diretor de Marketing, Romeu Stanguerlin. “O propósito da Adama é criar simplicidade na agricultura, oferecendo aos produtores soluções que facilitem suas vidas e tragam produtividade com respeito ao meio ambiente. A Adama conta com a expertise herdada de Israel, um dos países mais reconhecidos no mundo por seu desenvolvimento tecnológico, que possibilita a agricultura em uma das regiões mais áridas do planeta, e pelos quatro prêmios Nobel de Química”, destacou Gutierrez. A empresa possui mundialmente cerca de cinco mil funcionários, sete centros globais de pesquisa e desenvolvimento e 20 unidades fabris. Está presente em mais de 100 países. Em 2016, a Adama registrou receita de aproximadamente 3,1 bilhões de dólares, o que lhe garante a 7ª posição entre as maiores companhias do setor. Desde 2011

a ChemChina detém o controle acionário do grupo Adama Agricultural Solutions. O portfólio da Adama engloba herbicidas, inseticidas, fungicidas, tratamento de sementes e fertilizantes foliares. “Nossos produtos e soluções têm o objetivo de auxiliar o agricultor na missão de produzir mais e melhor, para ajudar a alimentar a crescente população mundial, contribuindo também para o fortalecimento da agricultura nacional”, disse Stanguerlin.

NOVO FUNGICIDA PARA A SOJA

Após cinco anos de pesquisa, a Adama lança o Cronnos, fungicida com modos de ação sistêmica e de contato, pertencente aos grupos químicos estrobilurina (pico-

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xistrobina), triazol (tebuconazol) e alquilenobis (mancozebe). O produto chega para complementar o portfólio da marca. Trata-se de um defensivo que oferece proteção contra ferrugem-asiática, doença que desde 2001 tem causado sérios prejuízos às lavouras brasileiras. “Esta combinação dos modos de ação do Cronnos faz com que o agricultor evite fazer as indesejáveis misturas em tanque que, além de irregulares, são sinônimo de perda de tempo. Cronnos está criando uma nova era de combate à ferrugem asiática da soja e com certeza se tornará um importante parceiro dos agricultores na luta contra a doença”, opinou o gerente de Produtos da Adama, Leandro Garcia. C

Stanguerlin, Gutierrez e Garcia detalharam posicionamento da Adama na agricultura


COLUNA AGRONEGÓCIOS

Um novo paradigma no controle de pragas

A

té meados do século passado, exclusivamente do ponto de vista fitossanitário o desafio dos agricultores era simples: controlar as pragas e proteger os cultivos. De lá para cá tudo mudou, não basta controlar as pragas, é preciso fazê-lo com o mínimo impacto social e ambiental negativo. Tecnologias com essa característica já existem, como o próprio controle biológico, o uso de macho esterilidade (para disromper o ciclo reprodutivo das pragas) ou o uso de feromônios (para provocar confundimento e evitar o seu acasalamento). Porém, essas técnicas não se popularizaram quanto se podia esperar por sua dificuldade de uso ser maior que o controle químico, sua especificidade ou seu custo ainda não muito atrativo quando comparado aos inseticidas químicos. O mundo evoluiu conforme surgem inovações tecnológicas, a Ciência é o grande vetor de desenvolvimento da sociedade. Um artigo publicado pela equipe do pesquisador Xiufeng Zhang, da Universidade da Califórnia em Riverside (http://www. pnas.org/content/114/10/E1895.abstract) apresenta um estudo realizado com o mosquito Aedes aegypti, transmissor de febre amarela, dengue, chikungunya e zika, demonstrando a viabilidade de utilizar microRNAs para seu controle. O estudo abre perspectivas entusiasmantes para seu uso futuro no controle de mosquitos e de pragas de importância agrícola.

mensageiro perde sua função. Entra em cena outro tipo de RNA, o microRNA, que desliga ou altera o processo de produção de proteínas, degradando o RNA mensageiro. Se isto não ocorresse, a célula continuaria produzindo indefinidamente uma determinada proteína, provavelmente levando o organismo à morte. Temos então um conceito fundamental: os microRNAs controlam os níveis de mRNAs nas células, fazendo com que sejam degradados, regulando a sua ação e, consequentemente, a quantidade de proteína a ser produzida pelos ribossomos. Os microRNAs fazem parte da rede regulatória que garante que apenas a quantidade certa e adequada de proteínas seja produzida, em cada célula, e em cada estágio de seu desenvolvimento. Essa explanação é essencial para entender a importância dos microRNAs e como eles podem se tornar ferramentas de controle de pragas.

O COMPLEXO DO CÓDIGO GENÉTICO

A próxima etapa, de cunho essencialmente prático, será desenvolver métodos adequados para seu uso em populações de mosquitos presentes na natureza

Nos dias atuais, raro é o cidadão que não saiba que os organismos vivos são controlados pelo DNA, um código herdado dos progenitores, localizado no núcleo de uma célula, o qual contém genes, que nada mais são que instruções para a síntese de inúmeros compostos químicos fundamentais para a vida. Enquanto o DNA é um grande “arquivo de receitas”, o RNA, que é uma cópia perfeita da receita, é o “cozinheiro”, que põe a mão na massa para que as substâncias que o organismo necessita sejam efetivamente produzidas. O RNA mensageiro (mRNA) é responsável por transferir o código de um gene do DNA para uma parte da célula chamada ribossoma, que pode ser chamada de “fábrica de proteínas”. Uma vez cumprida a sua tarefa, ou seja, depois que a proteína foi sintetizada, o RNA

ENTENDENDO O PROCESSO

Tanto os mosquitos quanto outros artrópodes que se alimentam de sangue de animais - como percevejos ou carrapatos exigem determinados requisitos do sangue de suas vítimas, para produzir proteínas necessárias para o desenvolvimento de suas crias. A equipe do pesquisador Xiufeng

Zhang intuiu que poderia manipular o processo e perturbar o desenvolvimento dos ovos das pragas. Para tanto, foram analisados os níveis de expressão de microRNAs nos mosquitos Aedes aegypti, em uma parte do organismo chamada de "corpo gordo" (fatbody). É nessa estrutura que os precursores das proteínas do ovo do mosquito são produzidos, e sua concentração aumenta logo após as fêmeas sugarem sangue, dando início ao processo de desenvolvimento de seus ovos. A pesquisa começou identificando quais microRNAs são importantes para as funções do “corpo gordo” e quais genes estavam envolvidos. Examinando fêmeas dos mosquitos por 48 horas após terem sugado sangue de suas vítimas, os pesquisadores observaram cinco picos de expressão de microRNAs, contendo aproximadamente 100 tipos diferentes. Os níveis de muitos microRNAs mudam significativamente ao longo do período de 48 horas após uma refeição de sangue, indicando que podem estar estabelecendo alterações significativas na expressão de genes-chave durante este tempo de permanência no corpo gordo. O estudo identificou quais microRNAs são abundantes no “corpo gordo” do mosquito, como cada subgrupo de microRNAs varia ao longo do tempo e, particularmente, estabeleceram as concentrações de cada microRNA específico durante o desenvolvimento do ovo.

O FUTURO DA PESQUISA

O estudo da equipe de Xiufeng Zhang é tipicamente uma pesquisa básica, que reuniu informações sobre os genes envolvidos na produção de ovos de mosquito e os microRNAs que interferem no processo. Agora o estudo entra em uma nova etapa, em que a equipe vai estudar fórmulas de “perturbar” o processo, interrompendo uma etapa-chave no ciclo reprodutivo, que é a produção de ovos do mosquito. Ao longo do estudo surgiram indicações claras de que o objetivo é factível. A próxima etapa, de cunho essencialmente prático, será desenvolver métodos adequados para seu uso em populações de mosquitos presentes na natureza. Cumprida essa etapa, o avanço do conhecimento se desdobrará para que sua aplicação seja extensiva a pragas agrícolas, de maneira a controlá-las praticamente sem impacto sobre o ambiente ou a saúde humana. C

Décio Luiz Gazzoni O autor é Engenheiro Agrônomo e pesquisador da Embrapa

58 Setembro 2017 • www.revistacultivar.com.br


COLUNA MERCADO AGRÍCOLA

Brasil prepara-se para a safra 2017/18 com poucos negócios antecipados A safra atual registrou recorde em colheita e produtividade no Brasil. Os produtores obtiveram ganhos menores que os esperados, mas poucos tiveram prejuízos efetivos. Contudo, o que chamou a atenção foram as cotações nominais em reais, muito abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, próximo ao início do plantio. Basta lembrar que o milho tinha patamares próximos de R$ 50,00 por saca, o feijão mais de R$ 500,00 a saca, o arroz na faixa de R$ 50,00 a saca e a soja acima de R$ 80,00 a saca. Diferente dos níveis atuais, que mostram o milho abaixo de R$ 22,00 a saca, o feijão a menos de R$ 120,00 a saca, a soja inferior a R$ 60,00 a saca e o arroz abaixo de R$ 40,00 a saca no mercado gaúcho. Isso mantém lentas as negociações dos insumos, deixadas para a última hora, o que tende a acarretar problemas de abastecimento. Os níveis nominais baixos também estão fazendo com que os produtos mais afetados pelo mercado, como milho, arroz e feijão, comecem a apresentar sinais de diminuição de plantio. Tudo indica que o milho deverá registrar a maior queda no plantio de verão, o que já se mostra irreversível. O arroz tende a trocar parte das áreas por soja. O feijão também mostra fraco interesse dos produtores, que devem migrar para a soja. Mesmo com preços atuais menores a oleaginosa é quem está puxando o plantio para cima, com indicativos de avançar algo ao redor de meio milhão de hectares em áreas destinadas aos demais grãos. Mesmo com avanço no plantio da soja, há atraso na comercialização este ano, que não ultrapassa 15% do volume, frente a níveis de 25% a 30% registrados em anos anteriores. Os produtores negociaram parte deste volume no mês de julho, quando houve soja vendida nos portos na faixa de R$ 76,00 a R$ 80,00 a saca para as posições de maio a julho de 2018. Alguns produtores aproveitaram, porque naquele momento a relação de troca de soja por insumos estava melhor que no ano passado, mesmo as cotações daquela época sendo muito maiores que as atuais. O fato é que os insumos tiveram queda de valores em reais neste ano e assim a relação de troca para os produtores teve boas oportunidades de fechamento. Mas em boa parte do setor não foram aproveitadas e isso normalmente é desfavorável, porque quando começa o plantio tende a haver uma corrida de última hora por insumos, que podem ser tornar escassos e até registrar alta, trazendo impacto negativo aos custos dos produtores. Desse modo, nesta hora de plantio que se aproxima o produtor tem de olhar para a melhoria de sua produtividade, fazendo a velha pergunta: o que posso fazer sem gastar mais para melhorar a produtividade? Porque para continuar evoluindo e tendo rentabilidade, será necessário seguir buscando crescer em produtividade, mantendo a competitividade no mercado internacional. Porque atualmente tudo que o Brasil produz está atrelado ao mercado externo e, assim, se parar de evoluir, ficará menos competitivo, o que implica perda de espaço externo e prejuízos internos. O agronegócio brasileiro é o mais competitivo do mundo e o ano de aperto serve para o setor repensar o que fazer de melhor para seguir crescendo. MILHO

Safrinha fechando colheita

O milho safrinha fecha a colheita com recorde, acima de 65 milhões de toneladas, que somadas à safra de verão chegam a mais de 95 milhões de toneladas. A saída para escoar esse volume é a exportação e isso já se mostra em crescimento, com recorde de embarques em julho e também em agosto. Cenário que tende a permanecer forte, abrindo espaço para as cotações pagas aos produtores começarem a melhorar. SOJA

Entressafra chegando

O mercado da soja do Brasil andou abaixo daquilo que os produtores esperavam, mas nestes últimos dois meses os negócios fluíram e o país já soma quase 55 milhões de toneladas exportadas até agosto, frente a pouco

mais de 51 milhões de toneladas de todo o ano passado. A entressafra começa a aparecer e pode trazer apoio às cotações, com valores maiores no mercado interno que os praticados na exportação a partir de setembro. Espera-se por boa demanda neste restante de ano. FEIJÃO

Oferta maior que demanda em agosto e recuperação em setembro

O mercado do feijão teve os menores níveis do ano em agosto, quando chegou a safra dos estados centrais e derrubou os indicativos para níveis de R$ 90,00 a R$ 110,00 a saca, frente a patamares de até R$ 300,00 pagos pela saca no primeiro semestre. Agora a fase de baixa tende a passar e já se espera por melhoria em setembro, quando pode alcançar valores de R$ 140,00 a R$ 150,00 a saca ou até acima destes patamares em outubro, quando

Vlamir Brandalizze brandalizze@uol.com.br • Twitter@brandalizzecons • brandalizzeconsulting.com.br

60 Setembro 2017 • www.revistacultivar.com.br


ocorre o pico da entressafra. O plantio da primeira safra se mostra menor que nos anos anteriores. ARROZ

Esperava alta em agosto e agora em setembro

O arroz tinha tudo para mostrar avanços em agosto, o que não ocorreu. Isso porque as ofertas seguiam maiores que o interesse de compra das indústrias, que tendo boa demanda do varejo e cotações estáveis do fardo, seguiam

trabalhando com os estoques adquiridos na safra. Desse modo os níveis pagos aos produtores não reagiram e se mantiveram na faixa de R$ 40,00 a saca e até abaixo desse valor na media do Casca comercial gaúcho. Em setembro o ambiente está pronto para registrar reação nos indicativos, porque há boa demanda no varejo, produtores rolaram dívidas e as indústrias têm necessidade de correção para não seguirem carregando prejuízos. Esse pode ser o primeiro avanço desde a colheita.

CURTAS E BOAS TRIGO - O mercado do trigo registrou calmaria em agosto devido às primeiras colheitas do Paraná e as ofertas que surgiram de produto da Argentina e do Paraguai. Mas em setembro, mesmo em colheita, pode haver alguma reação, porque a safra do Paraguai tende a ser menor que a demanda interna do país e assim não haverá produtor para exportar. Isso abre espaço de alta interna, até porque a safra dos EUA foi fortemente prejudicada pelo clima e as cotações internacionais estão em alta. Se a Rússia não incomodar com ofertas é possível que haja ajustes positivos para o produtor brasileiro de agora em diante. UCRÂNIA - A safra de milho está em colheita e tudo indica que haverá perdas, porque o calor forte da temporada junto com seca em boa parte do período afetou a produtividade das lavouras. Especula-se volume de 25 milhões de toneladas frente aos 28 milhões de toneladas do ano passado. A soja local também mostra problemas e pode ter menos de quatro milhões de toneladas colhidas frente aos 4,3 milhões de toneladas do ano passado. Haverá menos soja e milho para exportarem neste novo ano.

CHINA - As importações continuaram batendo recorde na soja, com mais de 54,5 milhões de toneladas internalizadas até julho. E tudo aponta que os chineses vão furar com facilidade a marca de 95 milhões de toneladas importadas neste ano. As compras seguiam fortes em agosto devido às cotações baixas em Chicago, com a China aproveitando para garantir abastecimento futuro. A demanda local tende a alcançar mais de 110 milhões de toneladas em 2018. ARGENTINA - A nova safra mostra que o milho deve crescer novamente. Neste novo ano um bom volume do cereal deve ser usado para a produção de etanol e, assim, o avanço no plantio, que está projetado em 6% com área de 5,4 milhões de hectares, pode não representar avanço na oferta internacional se mantida a expectativa de uso crescente para o etanol. UNIÃO EUROPEIA - A safra de grãos da região caiu forte devido ao calor e à seca deste ano, o que deve impactar as importações de milho deste novo ano para o patamar de 15,3 milhões de toneladas frente aos 12,3 milhões C estimados anteriormente.


COLUNA ANPII

Seleção de cepas A agricultura produtiva e rentável exige que inoculantes sejam produzidos com estirpes selecionadas pela pesquisa e produzidos dentro dos mais rígidos conceitos de controle de qualidade

N

o final da década de 1960, pesquisadores do Brasil, do Uruguai e da Argentina realizaram a primeira Reunião Latino-Americana de Rizobiologia (Relar), em que foram traçadas as primeiras linhas para uma organização da pesquisa e produção de inoculantes. Posteriormente, por ação do professor Jardim Freire, da Universidade do Rio Grande do Sul, foi criada a Relare, rede de laboratórios brasileiros para sistematizar a pesquisa e o uso de material genético para a fixação biológica no Brasil. Estas iniciativas representaram um marco na fixação biológica do nitrogênio, tendo resultado em uma estrutura que ordenou a seleção e a recomendação de cepas (ou estirpes) de Rhizobium/Bradyrhizobium, que forneceu toda a base científica para que a técnica da inoculação se firmasse no Brasil como uma tecnologia plenamente adotada pelos agricultores brasileiros. E por que a seleção é importante? Como em todas as populações, há indivíduos mais ou menos capazes para determinadas funções. Quando se deseja obter melhores resultados, faz-se uma seleção dos mais eficazes, daquelas linhagens que poderão trazer maiores benefícios. Isto ocorre com plantas, nas quais se selecionam as mais produtivas; com animais, selecionando-se as galinhas com maior postura, o gado de corte com maior ganho de peso em menos tempo, as vacas com maior produção de leite. Com as bactérias fixadoras de nitrogênio não é diferente: através de métodos científicos muito bem estudados, busca-se identificar, em uma vasta população, aquelas cepas que sejam mais aptas para fixar nitrogênio, mas que, ao mesmo tempo, possuam outros atributos: alta capacidade de competição, bom crescimento em meios artificiais, sobrevivência por largo

tempo nos meios usados para formular inoculantes, alta estabilidade genética. Este é o trabalho que vem sendo desenvolvido, vitoriosamente, por longos anos no Brasil. As grandes produtividades obtidas na soja inoculada têm como base a seleção de estirpes. Inicialmente em laboratório, passa para vasos com solo em uma segunda etapa e finaliza com ensaios de campo, realizados em rede por diversas entidades de pesquisa, em vários locais do país. Desta forma, os inoculantes produzidos no Brasil contêm cepas de elevada eficiência, cientificamente selecionadas

As entidades de pesquisa, as associações de classe dos engenheiros agrônomos, as universidades, os serviços de assistência técnica e as empresas produtoras de inoculantes devem cerrar fileiras em defesa das modernas, e altamente eficazes, técnicas de inoculação

e com eficiência agronômica comprovada. Por outro lado, as indústrias de inoculantes desenvolveram sistemas de produção altamente sofisticados, contrataram pessoal qualificado para a produção e pesquisa e desenvolvimento, com o objetivo de oferecer produtos da mais elevada qualidade para que o agricultor possa obter altos rendimentos. Mas apesar de tudo isto, dos investimentos feitos em ciência e tecnologia, começam a aparecer tentativas de produções rudimentares de inoculantes “alternativos” para, supostamente, substituir os inoculantes produzidos com cepas selecionadas e com elevada tecnologia. Em uma agricultura que se moderniza diariamente, com máquinas, equipamentos e insumos de última geração, é inconcebível que a fixação biológica de nitrogênio, altamente rentável para o agricultor, a economia do país e para o ambiente, venha a sofrer retrocessos, voltando a processos antiquados, sem se ater aos conhecimentos científicos que tanto estão dando certo em termos de produtividade na agricultura brasileira. As entidades de pesquisa, as associações de classe dos engenheiros agrônomos, as universidades, os serviços de assistência técnica e as empresas produtoras de inoculantes devem cerrar fileiras em defesa das modernas, e altamente eficazes, técnicas de inoculação. Um retorno a práticas rudimentares somente traria prejuízos a uma técnica que se confirma, cada vez mais, como a mais rentável para o agricultor. As empresas que integram a Associação Nacional dos Produtores e Importadores de Inoculantes (ANPII) continuam com seu compromisso de entregar ao agricultor brasileiro inoculantes produzidos com estirpes selecionadas pela pesquisa e produzidos dentro dos mais rígidos conceitos de controle de qualidade, atendendo às exigências de uma agricultura produtiva C e rentável.

Solon C. de Araujo, Consultor da ANPII

62 Setembro 2017 • www.revistacultivar.com.br


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