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Cultivar 211

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Cultivar

Cultivar Grandes Culturas • Ano XVII • Nº 211 • Dezembro 16/Janeiro 17 • ISSN - 1516-358X

Destaques

Nossa capa

Mais cedo - 23 a 29

Como preservar o potencial produtivo da lavoura de soja em um ano em que as condições climáticas favorecerão o ataque antecipado e mais agressivo da ferrugem asiática

André Shimohiro

Índice Diretas

04

Doenças em milho

06

Mancha de alternária em algodão

10

Controle do caruru-palmeri no Brasil

16

Prêmio à produtividade de milho safrinha 18 Percevejinho Lygaeidae em soja

20

Especial ferrugem - Clima adverso

23

Especial ferrugem - Vilã da produtividade

26

Especial ferrugem - Pesadelo recorrente

28

Aumento da produtividade em soja

30

Manejo cultural contra nematoides

33

Ferrugem da folha do trigo

36

Posicionamento correto de germoplasma 38

Como controlar - 16

A situação de Amaranthus palmeri desde a sua detecção em Mato Grosso e as estratégias para combater esta planta daninha no Brasil

Colheita do rebroto de arroz

40

Controle da broca-do-café

42

Expedição da Agricultura para a Vida

46

Coluna Mercado Agrícola

48

Coluna Agronegócios

49

Coluna ANPII

50

"Percevejinho" na soja - 20 A necessidade de investigar o potencial de dano do pequeno percevejo Lygaeidae na cultura da soja

Expediente Fundadores: Milton Sousa Guerra e Newton Peter

REDAÇÃO • Editor

Gilvan Dutra Quevedo

• Redação

Rocheli Wachholz Karine Gobbi

• Design Gráfico e Diagramação

Cristiano Ceia

• Revisão

CIRCULAÇÃO

Aline Partzsch de Almeida • Coordenação Simone Lopes

COMERCIAL • Coordenação

Charles Ricardo Echer

• Vendas

Sedeli Feijó

Rithieli Barcelos

• Assinaturas

Natália Rodrigues Clarissa Cardoso Aline Borges Furtado

• Expedição

Edson Krause

GRÁFICA: Kunde Indústrias Gráficas Ltda.

Grupo Cultivar de Publicações Ltda. CNPJ : 02783227/0001-86 Insc. Est. 093/0309480 Rua Sete de Setembro, 160, sala 702 Pelotas – RS • 96015-300 Diretor Newton Peter www.grupocultivar.com cultivar@grupocultivar.com Assinatura anual (11 edições*): R$ 269,90 (*10 edições mensais + 1 edição conjunta em Dez/Jan)

Números atrasados: R$ 22,00 Assinatura Internacional: US$ 150,00 Euros 130,00 Nossos Telefones: (53) • Geral 3028.2000 • Comercial: • Assinaturas: 3028.2065 3028.2070 3028.2066 • Redação: 3028.2067 3028.2060

Por falta de espaço não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@grupocultivar.com Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.


DIRETAS Black Friday

Produtores e clientes cadastrados no Programa de Pontos da Bayer tiveram acesso em novembro a ofertas especiais durante a Black Friday. O diretor de Acesso ao Mercado da Bayer, Ivan Moreno, explicou que foram selecionados produtos e soluções. “Ser a primeira empresa do setor a estar presente durante esta campanha mundial de vendas nos aproxima ainda mais dos produtores e reforça a nossa posição como parceiros do campo. Queremos ajudar o empresário rural a produzir mais e melhor. Oferecemos desde produtos como o silo bag, que atende a uma necessidade real de armazenagem de grão, até serviços para ajudá-lo a administrar melhor seu negócio e consequentemente possibilitar aumento de renda, como o sistema de gestão para propriedades”, Ivan Moreno relatou.

Campeonato

Ocorreu no final de outubro o II Campeonato Brasileiro de Herbologia, evento promovido pela Sociedade Brasileira de Ciência das Plantas Daninhas (SBCPD), realizado na Estação Experimental da Dow AgroScience em Mogi Mirim, São Paulo. Durante os dois dias de evento, os alunos de graduação e pós-graduação passaram por diversas provas como identificação de plantas e sementes de daninhas, calibração de pulverizador, sintomatologia de herbicidas e recomendação de controle de daninhas em culturas. A Comissão Organizadora foi formada pela professora Camila Ferreira de Pinho, da UFRRJ, pelo professor Carlos Eduardo Schaedler, da Unipampa, pelo pesquisador Rogerio da Silva Rubin, da Dow AgroSciences e pelo professor Anderson Luis Nunes, do IFRS/Campus Sertão.

Alimentos

A Basf divulgou em novembro o documento “Cocriando soluções para mitigar perdas e desperdícios de alimentos no Brasil: uma visão geral da cadeia de valor de culturas de destaque da agricultura brasileira e dos hábitos de consumo”. Trata-se do resultado do Creator Space Tour São Paulo, evento promovido pela empresa em 2015 como parte das comemorações de 150 anos da companhia. “Com mais de 100 anos de experiência na oferta de soluções que contribuem para a sustentabilidade da agricultura, a Basf se compromete em contribuir para a mitigação dos impactos negativos gerados pelas perdas e o desperdício de alimentos. Em conjunto com nossos parceiros e outros representantes da sociedade, podemos colaborar para a eliminação do crescente hiato entre as necessidades humanas e a má distribuição de alimentos no Brasil e no mundo”, explicou o vice-presidente sênior da Unidade de Proteção de Cultivos da Basf Eduardo Leduc para a América Latina, Eduardo Leduc.

Palestras on-line

O Instituto Phytus, por meio de seus pesquisadores, tem realizado palestras on-line sobre diversas problemáticas encontradas no campo atualmente. Os webinars são gratuitos e ocorrem em tempo real, o que permite que os participantes possam interagir, enviando perguntas e dúvidas. Para participar, basta ter um cadastro gratuito na plataforma do Phytus Club e inscrever-se em cada palestra oferecida. Todas as palestras ocorrem ao vivo, nas segundas-feiras, às 19h (horário de Brasília). Na plataforma é possível optar pelo cadastro na modalidade Premium, que oferece vantagens como assistir e fazer download das palestras na íntegra, a qualquer momento, posteriormente.

Café

Prêmio

Antonio Carlos Zem

A FMC Agricultural Solutions está entre as 100 empresas mais inovadoras no uso de tecnologia de informação. O reconhecimento foi alcançado na 16ª edição do prêmio “As 100+ Inovadoras no Uso de TI”, ofertado pela IT Mídia, em parceria com a PwC (PricewaterhouseCoopers) e consultores de mercado. A companhia alcançou a 65ª posição na classificação geral e a 3ª na categoria de Indústria Química, Petroquímica, Óleo e Gás. Ao todo, a premiação contou com 20 segmentos diferentes e as três empresas finalistas foram homenageadas. “Nosso intuito é garantir o sucesso do nosso negócio e de nossos clientes. É com grande orgulho que parabenizo a todos os profissionais que trabalham com empenho e dedicação nesse setor”, comemorou o presidente da FMC Corporation América Latina, Antonio Carlos Zem.

A DuPont Proteção de Cultivos divulgou os cafeicultores vencedores da primeira edição do programa DuPont Colheita Farta Café. O concurso de produtividade realizado ao longo da safra 2015/2016 teve abrangência nas regiões de Alto Paranaíba, Sul de Minas Gerais, Triângulo Mineiro e São Paulo. Na região de Alto Paranaíba venceu Versi Crivelente Ferrero, que colheu a média de 139 sacas por hectare. José Maria Peloso sagrou-se campeão do concurso na região Sul de Minas, com a média de produtividade de 132 sacas por hectare. Campeã de São Paulo, a cafeicultora Maria Coelho obteve média de produtividade de 120,12 sacas/ha. Já na região do Triângulo Mineiro foi campeão o cafeicultor João Apolinário de Souza, com a média de produtividade de 113,6 sacas por hectare.

04 Dezembro 2016 / Janeiro 2017 • www.revistacultivar.com.br


Milho

Doenças manejadas Fotos Lauro José Guimarães

Cercosporiose, ferrugem polissora, ferrugem tropical, mancha branca, enfezamentos vermelho e pálido, podridões de colmo, grãos ardidos, antracnose foliar e mancha foliar de Diplodia estão entre os desafios que afetam as lavouras de milho. A resistência genética tem papel importante no manejo destes patógenos, que deve incluir também outras práticas agronômicas como uso de sementes tratadas com fungicidas, rotação com culturas não suscetíveis, adubação equilibrada e colheita na época correta

06 Dezembro 2016 / Janeiro 2017 • www.revistacultivar.com.br

C

omo a cultura do milho é utilizada basicamente para a produção de grãos, o objetivo principal dos programas de melhoramento é o aumento da produtividade. Neste contexto, os híbridos simples, derivados de cruzamentos entre duas linhagens complementares, são o principal produto comercial das empresas de sementes, pois esse tipo de cultivar apresenta o maior potencial produtivo dentre todos os tipos de cultivares e proporciona facilidades no manejo devido à uniformidade da lavoura, sendo altamente demandado por produtores tecnificados. Mas, além de produtividade, é necessário que os novos híbridos também apresentem características agronômicas importantes, como porte adequado, resistência a doenças, resistência ao acamamento e ao quebramento e arquitetura foliar mais ereta para maior adensamento de plantio. Daí a importância da seleção de plantas superiores no processo de desenvolvimento de linhagens parentais, pois serão portadoras de alelos que condicionarão as características genéticas de seus híbridos e, portanto, as linhagens elites constituem os principais ativos de um programa de melhoramento. Toda lavoura está sujeita a estresses desde sua implantação, sendo que as doenças estão entre as principais causas de perdas no potencial de produção do milho e também na qualidade de grãos colhidos. Mas, em muitos casos, a ocorrência de doenças está associada a práticas agronômicas que, por um lado, proporcionam maior eficiência nos sistemas de produção, como o cultivo em várias épocas (safra e safrinha), a expansão de fronteiras agrícolas, a ausência de rotação de culturas (simplificação do sistema de produção com sucessão soja-milho), o plantio direto (que promove a manutenção dos restos culturais na superfície do solo), o uso de irrigação, o plantio com elevada densidade populacional etc. É notório que essas práticas têm proporcionado aumentos na produtividade e na produção de milho no Brasil, entretanto, estão promoven-


Plantas de milho suscetíveis à cercosporiose (Cercospora zeae-maydis), com elevada incidência da doença

do desenvolvimento do patógeno. Sendo a resistência uma resposta a um agente patogênico, pode se expressar em diferentes níveis, de modo que, geralmente, são utilizadas escalas de referência para definição de resistência ou suscetibilidade de cultivares. De forma geral, a resistência genética a doenças pode ser categorizada em dois tipos principais: vertical e horizontal, com base no status epidemiológico e na estabilidade da resistência. A resistência vertical é também denominada como resistência raça-específica, ou não durável. É condicionada por um ou poucos genes de efeito maior, sendo efetiva para raças específicas de um determinado patógeno (não para a espécie patogênica de forma geral). É

de herança simples, tipicamente qualitativa, sendo observadas classes bem definidas: completamente resistente ou completamente suscetível. Uma das formas mais comuns é a observação de sintomas de hipersensibilidade, que resulta na morte de células do hospedeiro, vizinhas ao ponto de infecção do patógeno, impedindo a expansão da doença. A resistência horizontal, por sua vez, é condicionada por muitos genes de pequeno efeito, sendo, portanto, de herança poligênica ou quantitativa. É também conhecida como resistência durável ou resistência parcial, não havendo reação diferencial a raças (ou isolados) do patógeno em diferentes cultivares, sendo efetiva contra todos os genótipos (raças, patótipos ou isolados) de uma espécie patogê-

Adaptado de Nicoli et al. (2015)

do importantes modificações na dinâmica populacional dos patógenos, resultando em aumento na incidência e severidade das doenças que atacam a cultura. Diversos tipos de microrganismos podem ser patogênicos à cultura do milho, como fungos, bactérias, molicutes, vírus e nematoides, que podem afetar diferentes órgãos da planta, provocando doenças foliares, podridões de colmo e das raízes, podridões de espigas e de grãos, e doenças sistêmicas. Para que uma doença se manifeste em elevada severidade, é necessária a ocorrência, no tempo e no espaço, de três componentes básicos: o hospedeiro suscetível (vulnerável a infecções), o patógeno virulento (capaz de infectar e causar distúrbios metabólicos no hospedeiro) e o ambiente favorável (há, também, de se considerar aqui os fatores de manejo). A ausência de um destes fatores impede a manifestação da doença no campo. Desta forma, o desenvolvimento de cultivares resistentes faz parte da rotina dos programas de melhoramento, visto que sua utilização é uma das práticas de manejo de doenças mais recomendadas, pois não traz custos adicionais aos produtores, não apresenta impactos ambientais e é compatível como outras estratégias de manejo. Desde que haja variabilidade quanto à reação de diferentes cultivares a uma doença, a resistência apresentará uma base genética que pode ser utilizada de forma favorável pelos programas de melhoramento para o desenvolvimento de cultivares superiores. Frequentemente a resposta a uma infecção é induzida por genes de defesa da planta (R) que, ao reconhecerem a invasão dos tecidos pelo patógeno, promovem uma interação com produtos de genes de avirulência do patógeno (Avr). São duas as formas básicas de resistência: inibição da infecção e inibição

0,5* (0-12,5)**

1,0 (12,6-25)

1,5 (25,1-37,5)

2,0 (37,6-50)

2,5 (50,1-62,5)

3,0 (62,6-75)

3,5 (75,1-87,5)

4,0 (87,6-100)

Diagrama para avaliação da severidade de antracnose (Colletotrichum graminicola) em colmos de milho, com escala de notas (*) e, entre parênteses, porcentagem de severidade (**)

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Fotos Rodrigo Veras da Costa

Reação de hipersensibilidade em folha de milho inoculada com ferrugem polissora (Puccinia polysora Underw)

nica sem interação cultivar x isolado. A partir da infecção, plantas com maior resistência horizontal são capazes de reduzir as taxas de expansão do patógeno e diminuir sua taxa de reprodução em relação a plantas com baixa resistência. O desenvolvimento de cultivares com resistência horizontal é mais desafiador, pois é necessário o aumento da frequência de muitos alelos favoráveis de locos gênicos de pequeno efeito. No caso da resistência vertical, um programa de retrocruzamentos simples é suficiente para a fixação da característica desejável em linhagens elites e, por sua vez, nos híbridos derivados dessas linhagens. Entretanto, novas raças do patógeno podem suplantar a resistência vertical, tornando a cultivar suscetível à doença. Portanto, apesar da maior dificuldade na obtenção de cultivares com resistência horizontal, esta é de maior durabilidade, pois o patógeno (ou diferentes raças) teria que suplantar diversos genes na planta hospedeira resistente para a manifestação da doença em alta intensidade. Na cultura do milho é mais frequente a resposta de resistência condicionada por alelos dominantes. Também é mais comum a resistência horizontal com algumas exceções relatadas na literatura, como, por exemplo, para mancha de turcicum e ferrugem comum, que apresentam resistência predominantemente de herança qualitativa. Os métodos de fenotipagem para identificação de genótipos resistentes a doenças podem ser extremamente variados, mas podem ser resumidos, genericamente, em testes de campo, testes em casa de vegetação e testes in vitro. Geralmente recomenda-se a inoculação artificial, para minimização de erros por variabilidade espacial ou escape. Testes de campo com inóculo natural podem proporcionar bons resultados em regiões e épocas onde as doenças ocorram com alta incidência e severidade. Para o desenvolvimento de cultivares resistentes, além de conhecimentos sobre a variabilidade para os tipos de resistência (vertical ou horizontal), é necessário o conhecimento sobre o tipo de ação gênica predominante (aditiva ou dominante) e se existem diferenças no padrão de herança ao se trabalhar com diferentes backgrounds genéticos no germoplasma disponível para os melhoristas.

Dentre as principais doenças de milho no Brasil, podem ser citadas a cercosporiose, a ferrugem polissora, a ferrugem tropical, a mancha branca, os enfezamentos vermelho e pálido, as podridões de colmo e os grãos ardidos. Além destas, algumas doenças como a antracnose foliar e a mancha foliar de Diplodia estão aumentando em importância. Existe vasta literatura relatando padrões de herança, a existência de genes de resistência (R) relacionados a raças específicas de patógenos e presença de QTLs (locos de caracteres quantitativos), condicionando herança poligênica, para a maioria das doenças de importância econômica na cultura do milho, como exposto por Wisser et al (2006). Essas informações são de grande utilidade para traçar esquemas de seleção e desenvolvimento de cultivares superiores nos programas de melhoramento. Ferramentas de biologia molecular, como mapeamento de QTLs e mapeamento associativo, também têm sido de grande utilidade para melhor entendimento da herança da resistência genética a várias doenças do milho e têm contribuído para a identificação de marcadores moleculares associados a alelos favoráveis de genes de resistência no milho, úteis para a seleção assistida por marcadores. Outras metodologias no campo da biotecnologia também têm elevado potencial para auxiliar na obtenção de cultivares mais

R0

R1

resistentes a doenças, como a seleção genômica ampla (principalmente para resistência de herança quantitativa), a transgenia, o RNAi (expressão de pequenas moléculas de RNA-dupla fita, que podem silenciar genes específicos dos patógenos) e a edição gênica (via sistema CRISPR). Devido à dinâmica dos sistemas de produção e à grande pressão de seleção de raças de patógenos, percebe-se que, dentre outras características de interesse, há a necessidade de introgressão (ou aumento da frequência) de genes de resistência a doenças nas novas linhagens elites. Além disso, doenças consideradas secundárias podem se tornar mais importantes e patógenos inexistentes em um território (doenças quarentenárias, por exemplo) podem ser introduzidos e provocar profundas alterações nos sistemas de produção onde o milho está inserido. Desta forma, é de extrema importância que os programas de melhoramento de milho continuem alocando esforços no desenvolvimento de cultivares com resistência genética às principais doenças para evitar perdas econômicas e vulnerabilidade à segurança alimentar associada à cultura do milho. Além da adoção de cultivares com resistência genética às principais doenças que ocorrem nas diferentes regiões e épocas de cultivo, o produtor deve se atentar para outras práticas agronômicas que contribuem para maior efetividade no controle de doença, como a utilização de sementes tratadas com fungicidas, as rotações com culturas não suscetíveis e de cultivares em diferentes safras, a adubação equilibrada, o estande adequado, o controle de pragas e de invasoras e a colheita C na época correta. Lauro José Moreira Guimarães Rodrigo Veras da Costa Embrapa Milho e Sorgo

R2

S

Reação de linhagens de milho à ferrugem polissora em casa de vegetação, com inoculação artificial. R0 Sem sintoma (planta resistente); R1 - Manchas cloróticas sem esporulação (planta resistente); R2 - Manchas cloróticas, pequenas pústulas com pouca esporulação (planta moderadamente resistente); S - Pústulas formadas com moderada a abundante esporulação (planta suscetível)

08 Dezembro 2016 / Janeiro 2017 • www.revistacultivar.com.br


Algodão

Cultivares avaliadas Edivaldo Cia

A resistência genética desponta como mais barata, segura e racional entre as alternativas para conviver com a mancha de alternária, doença secundária, mas que tem demandado atenção nas lavouras de algodão do Brasil, favorecida pelo modelo agrícola e pelas condições ambientais

D

oenças foliares provocadas por fungos têm sido relatadas há longo tempo na cotonicultura da região meridional do Brasil. Entretanto, salvo ocorrências localizadas e intensas de ramulose, e um surto episódico grave de mancha de Stemphylium nos anos 1994 a 1996 – nos dois casos devido à incidência em cultivares muito suscetíveis – tais doenças nunca foram expressivas na região. Mesmo com incidências frequentes, sempre foram consideradas secundárias em seus efeitos. Essa percepção, todavia, passa por considerável mudança a partir do primeiro quinquênio deste século, pela conjugação de

dois fatores principais. De um lado ocorre o deslocamento da cultura para regiões do Centro-Oeste brasileiro, especialmente Mato Grosso, onde prevalecem condições climáticas altamente favoráveis aos patógenos responsáveis por essas doenças. De outro, na esteira desse deslocamento geográfico, sobrevém notável mudança tecnológica na condução da cultura, realizada agora em grandes áreas e com alto nível de mecanização nas suas práticas. Esse segundo fator viria a demandar cultivares adaptadas às novas condições, especialmente quanto a alta porcentagem de fibra, porte e compactação das plantas, resistência ao acamamento, ciclo mais precoce e determi-

10 Dezembro 2016 / Janeiro 2017 • www.revistacultivar.com.br

nado, maior retenção da pluma nas cápsulas e adaptação à colheita mecânica. Devido à inexistência, no Brasil, de cultivares com essas propriedades, quando da implantação dos novos sistemas de produção, iniciou-se e tornou-se regra a utilização, nas lavouras, de material introduzido, que se mostrou suscetível à maioria dos patógenos que aqui ocorrem. E isso vem acontecendo não apenas para as doenças mais destrutivas, mas também para aquelas outrora consideradas secundárias, entre elas a mancha de alternária. Conhecida e descrita há mais de um século, essa doença é causada no Brasil pelo fungo Alternaria macrospora Zimm. Sua impor-


Fotos Edivaldo Cia

Mancha nas folhas do baixeiro

tância tem sido destacada em outros países, mediante relato da incidência principalmente em cultivares de algodoeiro da espécie Gossypium barbadense, praticamente não cultivada comercialmente no Brasil. Nesses relatos têm sido apontados prejuízos de até 20% na produção devido a esse patógeno. As circunstâncias, já mencionadas, podem ocorrer na cotonicultura brasileira atual, tanto pelas condições ambientais favoráveis ao fungo, como pelo uso de cultivares de alta suscetibilidade. O progresso da doença é favorecido por alta umidade relativa, principalmente em tem-

Manchas generalizadas por toda a planta

peraturas na faixa de 20ºC a 30ºC. A infecção ocorre já nos cotilédones, manifestando-se, em seguida, nas folhas verdadeiras do baixeiro das plantas, quando atingem 20 dias a 30 dias de idade. Sob as mesmas condições, o desenvolvimento da doença é bem maior nos cotilédones do que nas folhas, o que os torna o principal reservatório de inóculo para infectar as folhas que surgem a seguir. Os sintomas iniciais são áreas de cor verde-clara e forma indefinida, que evoluem para manchas circulares de tonalidade marrom e bordas enegrecidas e bem definidas. Nelas se

notam anéis concêntricos de coloração escura, onde se encontram os esporos do patógeno. No centro das manchas verifica-se um halo de coloração amarelada. Em casos de incidência mais severa, pode ocorrer coalescência das lesões, levando à formação de áreas necróticas irregulares, que promovem rasgaduras nas folhas e até mesmo sua queda. O patógeno em questão é transmissível por meio de sementes e sobrevive em restos culturais. Esses fatos já indicam providências necessárias para prevenir a ocorrência da doença, principalmente se for utilizada


Tabela 1 - Incidência de mancha de Alternaria em cultivares disponíveis no Brasil, observadas em Piracicaba-SP, Miguelópolis-SP e Mococa-SP, no ano agrícola de 2013/14 IAC 08-2031 NUOPAL IMA 09-474 TMG 81 WS IAC 26 RMD FM 975 WS IMA CD 6035 FM 944 GL BRS 371 RF IMA 09-2059 BRS 372 FM 982 GL TMG 41 WS TMG 82 WS DP 555 BG RR IMA 08-12427 TMG 42 WS TMG 43 WS

Piracicaba NM* 1,28 1,40 1,34 1,58 1,54 1,60 1,42 1,54 1,56 1,54 1,44 1,40 1,94 1,70 2,24 1,72 3,26 3,50

Miguelópolis NM 1,57 1,48 1,58 1,60 1,35 1,63 2,13 1,83 2,20 2,80 3,53 3,78 3,25 2,47 3,93 4,50 4,38 3,87

NM*=nota média de 1 a 5, sendo 1=melhor até 5=pior na lavoura cultivar suscetível. Entre elas, o emprego de semente isenta ou tratada, a destruição de restos culturais e a rotação de culturas. Todavia, estabelecida a doença, faz-se necessário seu controle por meios químicos. Para isso, fungicidas estanhados são os mais recomendáveis, havendo diversos deles, ao lado de outros grupos químicos, registrados para a doença, no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Em áreas onde já se espera utilizar fungicidas para o controle de outras doenças, como ramulose

Mococa NM 1,18 1,26 1,26 1,50 1,62 1,80 1,40 1,98 1,78 1,74 2,40 3,10 2,00 3,20 3,44 4,30 3,16 3,70

Tabela 2 - Incidência de mancha de Alternaria em cultivares disponíveis no Brasil, observada em Miguelópolis-SP e Piracicaba-SP no ano agrícola de 2014/15 TRATO. IMA 2106 GL IAC 08-2031 NUOPAL RR FM 975 WS IAC 011-433 DP1240 BGIIRRFLEX TMG 82 WS IMA 08-3869 TMG 81 WS FM 980 GLT DP 1227 RR FLEX DP 555 BG RR BRS 372 TMG 11 WS IMA 5675 B2RF FM 940 GLT TMG 43 WS TMG 42 WS

Miguelópolis NM* 2,217 2,183 1,950 2,017 2,950 2,550 2,667 2,533 3,283 3,240 3,333 3,683 4,000 4,367 4,783 3,850 4,533 4,617

PIRACICABA NM 1,10 1,20 1,34 1,48 1,28 1,44 1,68 1,84 1,24 1,96 1,70 2,42 2,26 2,30 2,62 2,80 3,46 3,60

NM*=nota média de 1 a 5, sendo 1=melhor até 5=pior e ramulária, pode-se cogitar o emprego de produtos que, além destas, controlem também a mancha de alternária. Obviamente, o controle mais seguro, racional e econômico dessa e de outras doenças se dá por meio de cultivares resistentes. Essa possibilidade pode ser verificada nas Tabelas 1 e 2, nas quais se encontram resultados obtidos pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), em experimentos de campo realizados em localidades de São Paulo. Neles foram avaliadas para a doença, sob infestação na-

tural desse patógeno, cultivares e linhagens recentemente desenvolvidas pelas principais entidades que realizam melhoramento genético do algodoeiro no Brasil. O desempenho de cada cultivar é caracterizado por meio de notas médias, em escala que variou de 1 (máxima resistência) a 5 (suscetibilidade máxima). Verifica-se notável diferença entre as cultivares, havendo desde as altamente resistentes até as altamente suscetíveis, e outras, de desempenho intermediário. Ressalte-se que entre as mais suscetíveis foram estimadas perdas de até 12% na produção devido à incidência da doença. Assinale-se, ainda, que algumas cultivares têm desempenho inconsistente, mostrando-se resistentes em condições de baixa ou média infestação e suscetíveis sob incidências mais severas da doença. Esse fato deve ser levado em conta para que não ocorram equívocos na C escolha da cultivar a ser utilizada. Edivaldo Cia e Milton Geraldo Fuzatto, Instituto Agronômico (IAC)

Comparação entre folhas de cultivar resistente e suscetível

12 Dezembro 2016 / Janeiro 2017 • www.revistacultivar.com.br

Anéis circuncêntricos nas bordas e coloração amarelada no centro


Fotos Acácio Gonçalves Neto

Plantas daninhas

Como controlar A

Planta daninha agressiva, detectada no Brasil em 2015, o caruru-palmeri está presente em aproximadamente 12 mil hectares de lavouras do Mato Grosso. Com resistência confirmada a glifosato e a ALS no Brasil, o manejo de Amaranthus palmeri inclui medidas como uso adequado de herbicidas pré e pósemergentes, emprego da palhada pelo sistema de plantio direto, além de consórcio e rotação de culturas 16 Dezembro 2016 / Janeiro 2017 • www.revistacultivar.com.br

s plantas daninhas foram selecionadas a partir de distúrbios naturais do ambiente e pelo desenvolvimento da agricultura, que modificaram o habitat da vegetação nativa, e assim proporcionaram a evolução de espécies adaptadas a esses ambientes, sendo então chamadas de plantas daninhas. Frequentemente estas espécies são disseminadas pelas áreas agrícolas do mundo pelo próprio ser humano, que as transportam para outros ambientes, por terem características ornamentais, forrageiras, medicinais e até mesmo como culturas e, posteriormente, se adaptam ao novo habitat tornando-se infestantes com variável grau de agressividade. Dentre os inúmeros casos é citado que, no Brasil, as espécies Brachiaria decumbens, B. brizantha e Panicum maximum são exemplos de forrageiras introduzidas a partir de meados de 1950, e que atualmente são importantes plantas daninhas de difícil manejo. A espécie Amaranthus palmeri (caruru-palmeri) foi introduzida no Brasil, sendo identificada sua presença em 2015 em regiões do núcleo de produção algodoeiro do estado de Mato Grosso, onde normalmente se pratica o sistema de produção de sucessão das culturas de algodão, soja e milho. Especula-se que o caruru-palmeri pode ter sido introduzido no Brasil através da importação de colhedoras de grãos e de algodão usadas que estariam contaminadas com restos de caruru-palmeri vindos de fora do país, prática comercial cada vez mais comum dentre os produtores brasileiros. Após a introdução do caruru-palmeri no Brasil, houve expectativa de que o setor de pesquisa do país levantasse informações sobre a sua biologia, formas de disseminação, competitividade e controle, em condições brasileiras, pois estas informações existem para outros países, sendo que as plantas daninhas de maneira geral se comportam de formas diferenciadas quando submetidas a diferentes regiões geográficas no mundo. Segundo estimativa do Indea/MT, a área infestada com caruru-palmeri no Brasil atualmente é de 11 mil hectares a 12 mil hectares aproximadamente, valor este que não se alterou muito desde sua identificação, ou seja, sua infestação é considerada sob controle. A espécie é dioica, ou seja, em uma população, parte das plantas terá somente flores femininas (plantas “fêmea”) e a outra parte somente flores masculinas (plantas “macho”). Essa é uma característica que facilita a identificação do caruru-palmeri, uma vez que todas


Mancha foliar em forma de V, típica da espécie Amaranthus palmeri

Detalhe das flores femininas e masculinas de Caruru palmer, com destaque para as anteras expostas e bem visíveis

as outras espécies de caruru já identificadas no Brasil têm flores masculinas e femininas separadas, porém na mesma planta, sendo classificadas como monoicas. As sementes são produzidas somente nas plantas com flores femininas, porém as plantas femininas podem produzir sementes mesmo sem a ocorrência de polinização por partenocarpia. Este fato facilita a invasão desta espécie em novos ambientes. Nos Estados Unidos há relatos de populações de caruru-palmeri que foram selecionadas como resistentes a pelo menos um dos herbicidas pertencentes a cinco mecanismos de ação: inibidores da ALS (ALS), inibidores da EPSPs (glifosato), inibidores da HPPD (HPPD), inibidores da síntese da tubulina (trifluralina) e inibidores do fotossistema II (FSII). O manejo dessas populações se torna ainda mais complexo, sobretudo para as populações com mecanismos de resistência múltipla, o que já foi relatado para dois ou três desses mecanismos de ação: ALS/glifosato; ALS/glifosato/FSII e ALS/FSII/HPPD. Além das fronteiras dos EUA, já foram observados biótipos de caruru-palmeri com resistência a ALS em Israel e Argentina. No Brasil a planta já foi pesquisada com relação à resistência a herbicidas e trabalhos publicados comprovam que as populações estudadas são resistentes a glifosato e ALS. Algumas alternativas de controle vêm sendo utilizadas no manejo de A. palmeri resistente ao glifosato com sucesso, dentre elas destaca-se a aplicação de herbicidas, pós-emergentes, inibidores da Protox como fomesafen, lactofen, saflufenacil e flumiclorac. Além disso os futuros traits de culturas resistentes a herbicidas não seletivos (amônio-glufosinato, 2,4-D, dicamba e tembotrione), que estão sendo desenvolvidos proporcionarão maior leque de opções para o manejo do caruru-palmeri. Ressalta-se que para o sucesso do manejo químico de caruru-palmeri através da utilização de pós-emergentes, estes herbicidas devem ser aplicados em estádios iniciais de desenvolvimento da planta daninha, na dose apropriada. Em relação a herbicidas pré-emergentes, o

manejo pode ser feito com o uso dos herbicidas s-metolachlor, sulfentrazone, flumioxazin, metribuzin. A utilização de herbicidas pré-emergentes tornou-se fundamental para que o manejo químico proporcione boa eficácia de controle de plantas daninhas, além de reduzir as perdas de produção decorrentes da matocompetição no início do ciclo da cultura. Um fator importante a ser observado na aplicação dos herbicidas em condições de pré-emergência são os atributos do solo, como teor de matéria orgânica e argila, bem como a condição hídrica do solo no momento da aplicação, ou seja, se a aplicação está sendo realizada em época úmida, seca ou de transição. Além disso, alternativas não químicas também podem ser usadas, como é o caso do emprego da palhada pelo sistema de plantio direto, além do consórcio entre culturas e a rotação de culturas com adubos verdes, que tem por objetivo reduzir a pressão causada pelo banco de sementes existente na área, uma vez que dificulta a emergência de inúmeras espécies e inviabiliza a germinação ao longo do tempo. A associação de mais de um método de controle do caruru-palmeri aumenta significativamente a eficácia de manejo e traz benefícios a médio e longo prazo. O manejo integrado, em que se faz a associação de dife-

rentes práticas, tem por objetivo obter alta eficácia de controle do caruru-palmeri resistente a herbicidas, uma vez que proporciona melhor controle, além de dificultar o estabelecimento e, consequentemente, a reprodução das plantas daninhas na cultura a médio e longo prazo, oferecendo maior sustentabilidade à atividade agrícola. Em resumo, o controle de caruru-palmeri é recomendado principalmente em fases iniciais de crescimento da planta daninha, devido ao seu alto potencial competitivo com as culturas e à maior suscetibilidade aos herbicidas, evitando-se assim as perdas por matocompetição precoce. O controle da espécie também se faz ao longo do ciclo da cultura, a fim de evitar escapes e, consequentemente, a produção de sementes pela planta daninha. O desenvolvimento de práticas de manejo que integram o uso sustentável de herbicidas, além de implementação adequada de métodos não químicos para sistemas de cultivos afetados pelo caruru-palmeri, deve, portanto, ser prioridade para o sucesso de manejo tanto na safra C atual, como nas subsequentes. Acácio Gonçalves Netto, Pedro Jacob Christoffoleti e Marcelo Nicolai, Esalq/USP

Detalhe do crescimento acelerado de caruru palmer que pode chegar a 7cm por dia 08/09/15

10/09/15

12/09/15

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Cultivar

Empresas

Esforço premiado Produtores de milho safrinha do Paraná e do Mato Grosso do Sul, participantes do Programa de Produtividade Integrada da Syngenta, recebem reconhecimento por colheitas de até 150 sacas por hectare

A

Syngenta premiou em novembro produtores de milho safrinha participantes do Programa de Produtividade Integrada (PIN). Criado há dois anos pela Unidade Sul da companhia, no Brasil, o trabalho integra o Plano de Agricultura Sustentável (The Good Growth Plan), que tem como um dos seus principais pilares a busca pelo

aumento da produtividade. Por conta do período de colheita do milho safrinha, a Syngenta realizou, separadamente, o reconhecimento dos agricultores que acessaram os melhores índices de produtividade por meio das soluções integradas Granotope Integrare Milho. A primeira envolve produtores ligados a cooperativas e tem como foco,

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além do aumento de produtividade, a qualidade do grão, uma vez que seu destino costuma ser o da indústria. A segunda, com protocolos muito similares, foca no aumento de produtividade e envolve as revendas. Aproximadamente dois mil produtores de milho participaram da iniciativa. “Nesta edição do PIN, a média de pro-


Weber e Zampieri, da Syngenta, destacam o papel das soluções e tecnologias da companhia no aumento da produtividade

dutividade alcançada pelos primeiros colocados foi de 150 sacas por hectare, contra uma média nacional de 70 sacas por hectare, o que comprova o potencial da cultura e a efetividade das Soluções Integradas Syngenta”, garante o gerente de Marketing da Unidade Sul da Syngenta, William Weber. O PIN envolve agricultores de soja, milho (incluindo silagem) e trigo dos três estados da Região Sul, além de Mato Grosso do Sul e de algumas regiões de São Paulo. Nesta edição estiveram envolvidos produtores de milho safrinha dos estados do Paraná (principalmente da região oeste) e do Mato Grosso do Sul. Entre as cooperativas participantes estiveram Copagril, Copacol, Copavel, C. Vale e LAR. Também participaram algumas revendas, tanto do Paraná quanto de Mato Grosso do Sul. O programa teve sua primeira premiação realizada em junho de 2015,

quando aproximadamente 1.700 produtores participaram, destinando partes de suas lavouras à aplicação dos protocolos Syngenta, conforme as culturas. “Importante ressaltar que a aplicação das Soluções Integradas Syngenta tem como objetivo viabilizar o alcance de mais produtividade, usando menos recursos e insumos, atentar para o cuidado ambiental e assegurar que os produtores envolvidos recebam orientações sobre a correta aplicação de tecnologias. Por meio dessas soluções, técnicos da empresa identificam as reais necessidades de cada agricultor, considerando as particularidades de cada cultura e fatores diversos - como condições do solo e do clima da região – e, consequentemente, pragas e doenças às quais as lavouras estão mais expostas. Com base nesses dados, equipes da Syngenta e de seus distribuidores indicam o tratamento adequado e realizam o acompanhamen-

to necessário até a colheita dos bons resultados”, explicou Weber. Em 2016 foram 2.246 produtores participantes, totalizando uma área de 182.455 hectares inscritos no programa. “Por sermos parte da solução para a segurança alimentar mundial, entendemos na Syngenta que as conquistas viabilizadas por nossas tecnologias são também dos produtores e do consumidor final. Além do alcance de mais produtividade, os resultados atingidos representam uma injeção de ânimo e confiança a agricultores que, apoiados por nossas sementes, defensivos e acompanhamento técnico, reconhecem sua capacidade e o papel fundamental que desempenham em alimentar o mundo, enquanto cuidam da terra e dos trabalhadores rurais, deixando um importante legado às gerações futuras”, avaliou o diretor geral da Unidade Sul da Syngenta, João Paulo Zampieri. C

Ganhadores PIN Granotop 2016 Solução Integrada Granotop Granotop Granotop Granotop Granotop Granotop Granotop Granotop Granotop Integrare Milho Integrare Milho Integrare Milho Integrare Milho Integrare Milho

Cooperativa Coopavel Coopavel Copagril Copacol Copacol C.Vale C.Vale LAR LAR Precisão Rural Silotti Panorama Panorama Panorama

Estado PR PR PR PR PR PR PR PR PR PR PR MS MS MS

Produtor Jurandir Alexandre Lamb Elci Dalgalo Mauro Luciano Vorpargel Elci Dalgalo Luiz Protis Nelson Neiverth Celso da Silva Janiaki Armando Corbari Pasqual Monsani Jairo J. Jagnow Yoshikasu Murata Kessley Reis Lima Sebastian Simon Petrus Spekken Artur Burgel

Produtividade (sc/há) 169,42 180,91 137,20 180,91 145,45 141,75 137,60 144,38 142,62 164,46 154,00 138,90 131,90 131,00

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Fotos Adeney de Freitas Bueno

Soja

“Percevejinho” na soja

Comum em plantas de girassol e em daninhas, pequeno percevejo da família Lygaeidae tem causado apreensão entre sojicultores no Paraná. Ainda sem dados conclusivos que possam identificar o potencial de danos na cultura, inseto demanda investigação

A

partir da segunda quinzena de outubro de 2016 os pesquisadores da equipe de Entomologia da Embrapa Soja receberam consultas de agricultores e engenheiros agrônomos da região centro ocidental e norte central (IBGE) do Paraná referente à ocorrência de um pequeno percevejo em soja. Até o momento no Paraná foram registradas três reclamações de ocorrência em Jussara, duas em Maringá, uma em Sarandi, uma em Campo Mourão, uma em Arapongas e outra em Londrina. Os relatos de ocorrência desse inseto têm sido também comuns em diferentes grupos de WhatsApp

dos quais os pesquisadores da Embrapa Soja eventualmente participam. Esses relatos têm preocupado os sojicultores e levado a algumas aplicações de inseticidas para controle da praga, muitas vezes precipitadamente. Quanto à identificação do inseto, analisando as imagens recebidas suspeitou-se tratar de um percevejo da família Lygaeidae, o que foi confirmado por um especialista dessa família, o taxonomista Alexandre Silva de Paula, da Universidade Federal de Ouro Preto. Insetos coletados no Paraná estão sendo enviados para De Paula a fim de ser identificada a espécie. O taxonomista adiantou que

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provavelmente se trata de um percevejo da subfamília Orsillinae, da família Lygaeidae. É um inseto bastante pequeno com cerca de 4mm de comprimento que se desloca rapidamente e habitualmente fica sobre o solo, embaixo da palhada, restos de culturas ou protegido em plantas daninhas. No Paraná já é conhecida a ocorrência desses percevejos dos gêneros Nysius e Xionysius, os quais pertencem à família Lygaeidae, subfamília Orsillinae, comumente associadas à cultura do girassol e a diversas plantas daninhas da família Asteraceae. Os levantamentos de insetos associados à cultura da soja, realizados


Percevejos da família Lygaeidae escondidos na palhada na lavoura de soja

pela Embrapa Soja ao longo dos anos, indicam que esse percevejo ocorre nas lavouras de soja do Paraná, porém, habitualmente em baixa densidade populacional. Alguns dos relatos de ocorrência da praga que chegaram até a Embrapa Soja associam o ataque do inseto à ocorrência de amarelecimento e morte de plantas jovens de soja. Porém, podem existir outros fatores que causam morte de plantas na fase inicial do desenvolvimento da lavoura de soja, não sendo possível afirmar que o percevejo Lygaeidae esteja causando danos significativos a essa cultura. É importante considerar que durante o mês de outubro de 2016 houve

poucas chuvas ou chuvas irregulares com elevadas temperaturas, que podem estar associados a diversos eventos que provocam mortalidade de plantas de soja. Em outros casos, é relatada apenas a ocorrência de pequenas pontuações nas folhas, sem plantas mortas. Porém, na maior parte dos casos não foram relatadas injúrias que possam indicar algum prejuízo às plantas de soja ou perda de produtividade. A presença desse percevejo em soja está associada à ocorrência de manchas escuras sobre folhas e cotilédones, as quais são as fezes dos insetos. Além disso, o que tem chamado atenção dos agricultores é a elevada densidade populacional do percevejo


Edson de Oliveira

Percevejos da família Lygaeidae se abrigando em plantas de buva

na lavoura de soja. Alguns desses agricultores já realizaram aplicação de inseticidas para o controle desse percevejo, apesar de não haver evidências concretas de que sua presença na lavoura de soja cause perdas de produtividade à cultura. Porém, é importante que seja investigada com detalhamento científico a interação desse percevejo com a soja, para determinar se há potencial de causar danos à cultura. Com o objetivo de determinar os danos desse percevejo à soja, no dia 1º de novembro foi recebida, na Embrapa Soja, uma amostra de insetos vinda de Sarandi (Paraná), os quais foram infestados em plantas de soja em casa de vegetação. Até o momento não foram observados, em condições controladas, os sintomas de morte de plantas constatada em campo, ou seja, ainda não é possível afirmar que esse inseto causa morte de plantas de soja. Além disso, no dia 11 de novembro pesquisadores da Embrapa Soja visitaram áreas infestadas com a praga na região de Londrina para uma melhor visualização e caracterização da ocorrência desse “percevejinho” nas lavouras. Nessa ocasião, plantas de soja expostas ao inseto foram coletadas e posteriormente analisadas em laboratório. Nessas plantas foram observadas picadas de alimentação dos insetos nos cotilédones, mas quase nenhuma picada foi observada nas hastes ou folhas mais novas da soja. Isso indica que o potencial de dano do inseto é muito baixo e que o produtor deve evitar aplicações de inseticidas nessa fase inicial da cultura. Dos casos notificados para a Embrapa

Soja até o momento, em dois, um de Maringá e outro de Sarandi, o inseto ocorreu em maior intensidade em locais infestados com nabiça, uma planta daninha da família Brassicaceae. É possível que esse inseto tenha se multiplicado anteriormente em plantas daninhas e está agora utilizando a soja como fonte complementar de alimento e abrigo, devido à ausência de plantas hospedeiras preferenciais. É importante levar em consideração que, por ocasião da semeadura da soja, é realizada a dessecação das plantas daninhas presentes na área, eliminando assim praticamente toda a vegetação. No entanto, no caso da nabiça o processo de morte é lento e a planta permanece com tecidos verdes por mais tempo que as demais plantas antes de morrer. Isso pode estar contribuindo para a maior ocorrência desse inseto associado à nabiça. Assim, é importante verificar por meio de pesquisas científicas qual o papel da nabiça e da soja na sobrevivência dos percevejos e se essas plantas permitem o seu desenvolvimento e a reprodução, ou se a multiplicação do inseto depende de outras plantas que ocorreram anteriormente à semeadura da soja. Em outro caso, em Jussara (Paraná), o agricultor relatou maior ocorrência do percevejo em locais infestados com marcelinha, uma planta daninha da família Asteraceae. Nesse caso, considerando o que se conhece até o momento sobre plantas hospedeiras típicas desse percevejo, é mais provável que a marcelinha possa estar contribuindo efetivamente para a multiplicação desse percevejo, bem como outras plantas dessa família, por

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serem consideradas hospedeiras preferenciais. A semeadura da soja nas regiões em que tem sido observado o percevejo Lygaeidae ocorreu no final de setembro e início de outubro e os agricultores têm observado o inseto no final de outubro, cerca de quatro semanas após a emergência da soja. Nesse contexto, é importante investigar detalhadamente cada caso, a fim de analisar se o percevejo está se mantendo em alguma planta daninha ou se de fato está atacando a soja. Nas observações iniciais feitas pelos pesquisadores da Embrapa Soja, esses insetos estão atacando mais as folhas cotiledonares e pouco ataque pode ser observado nas hastes ou folhas mais novas da soja, indicando que a oleaginosa pode estar mais servindo com uma fonte suplementar de água. Também, relatos da Emater (Informativo Semanal MIP/MID de 6 a 11/11/2016) indicam que nas lavouras de Jussara, Maringá e Sarandi, onde havia sido relatada a ocorrência de infestações desse “percevejinho”, nessa semana já não foram mais encontrados exemplares em campo. Com o desenvolvimento das plantas de soja, possivelmente a ocorrência desse inseto tende a ser de menor importância. Portanto, é necessária cautela na tomada de decisão de controle, pois aplicações de inseticidas nesta fase da cultura poderão causar mortalidade de agentes de controle biológico importantes, desequilibrando o agrossistema, podendo acarretar mais problemas com pragas devido à eliminação desses artrópodes benéficos. Além disso, os produtos mais usados para controle desses “percevejinhos” são os mesmos utilizados para os percevejos-praga da soja no período reprodutivo. O uso antecipado desses produtos pode agravar ainda mais os problemas com resistência dos percevejos da soja aos inseticidas utilizados que já são observados na atualidade. Portanto, a recomendação é de que o produtor não aplique prematuramente inseticida para controle dessa praga, visto que a planta de soja é bastante tolerante a esse “percevejinho”. Na literatura, o dano dessa praga é apenas relatado quando superpopulações migram das plantas daninhas para as culturas de importância agronômica. Por isso, um agrônomo deve ser sempre consultado para melhor avaliação da área e uma correta adoção de manejo de praga e também de plantas daninhas na sua propriedade. C Samuel Roggia, Edson Hirose, Daniel Ricardo Sosa-Gomez e Adeney de Freitas Bueno, Embrapa Soja Beatriz Spalding Corrêa-Ferreira, Pesq. aposentada da Embrapa Soja


Carolina Deuner

Especial Ferrugem

Clima adverso

Mesmo com o efeito do fenômeno La Niña, condições climáticas serão bastante favoráveis a doenças como a ferrugem asiática no Brasil. Por isso todo o cuidado e monitoramento serão indispensáveis para que os produtores possam proteger o potencial produtivo, em ano de alta pressão destas enfermidades nas lavouras

O

La Niña já começa a dar sinais de sua presença, apesar de ainda não haver confirmação formal por parte de institutos oficiais como a Organização Mundial de Meteorologia (OMM) e a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (sigla em inglês NOAA). Isso ainda não ocorreu, pois segundo esses Institutos há a necessidade de cinco meses consecutivos de temperaturas das águas da região equatorial do Oceano Pacífico iguais ou inferiores a -0,5°C de anomalia. E até o momento, só vieram a ocorrer três meses. E talvez essa seja a grande dúvida dos institutos, pois segundo os modelos de projeção desses fenômenos climáticos a tendência é que apenas quatro meses fiquem com temperaturas para a confirmação oficial do La Niña. Mas mesmo que não venha a ocorrer a sua confirmação oficial é fato que o fenômeno La Niña, mesmo de fraca intensidade, irá influenciar o clima ao longo desta safra. A presença do fenômeno fica evidente quando se observa o regime de chuvas deste ano, onde houve um atraso bastante significativo na regularização do regime de chuvas nesse começo de safra, em praticamente toda a região Centro-Norte do País. E agora neste final de primavera o que se verifica é um período de chuvas muito irregulares na região Sul. E esse padrão meteorológico está intimamente associado ao La Niña.

Entretanto, como não há indicativos de que o La Niña venha a ser de forte intensidade nem que irá durar por um longo tempo, haverá uma grande variabilidade no regime de chuvas ao longo de toda esta safra. Assim, em um determinado período os corredores de umidade, juntamente com as frentes frias, irão permanecer posicionados sobre a região Sul do Brasil, enquanto em outro determinado período esses elementos meteorológicos estarão sobre a região Centro-Norte do Brasil. Desse modo, a tendência é de que não venham a ocorrer longos períodos de estiagem e muito menos longos períodos de invernadas. Mas, por outro lado, devido à presença do La Niña a região Sul, incluindo o sul do Mato Grosso do Sul, poderá ter períodos mais frequentes de estiagem. E por consequência as regiões Central e Norte do Brasil poderão registrar mais períodos de invernadas. Além da variabilidade no regime de chuvas, as temperaturas também serão impactadas pela presença do La Niña. Enquanto na última safra foram observadas temperaturas recordes em praticamente todos os meses, por conta da influência do El Niño, nessa safra, as condições se invertem. Uma das características do La Niña é manter baixas as temperaturas do ar ao longo de boa parte da safra. Fato esse que pode ser confirmado pelas ocorrências de geadas em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e também no Paraná em pleno mês

de novembro. Desse modo, a tendência é de que haja uma grande amplitude térmica na região Sul e uma pequena amplitude na faixa Centro-Norte. Por conta, exclusivamente, das temperaturas máximas, que não deverão ser tão altas como foram nas últimas duas safras. Além do La Niña, outro fator que irá contribuir para que as temperaturas máximas do ar não se elevem tanto nesse verão é que os modelos de previsão estão indicando uma maior probabilidade de que venham a ocorrer períodos maiores de nebulosidade e, portanto, baixas taxas de luminosidade. Principalmente sobre as regiões Sudeste e Centro-Oeste, incluindo também Rondônia e partes de Tocantins, Pará e Maranhão. Apenas no oeste da Bahia, no sul do Piauí e em todo o sertão nordestino é que as previsões indicam taxas de luminosidade dentro da média para o verão de 2017. Todos esses fatores meteorológicos já citados poderão contribuir para que ao longo desta safra de soja possa vir a ocorrer um aumento no percentual de áreas infectadas por doenças, como a ferrugem asiática, que causa impactos bastante significativos à produção nacional todos os anos. Segundo dados levantados junto à literatura e a fitopatologistas, o fungo da ferrugem asiática necessita de temperaturas entre 18°C e 35°C, umidade relativa do ar superior a 87% e quatro horas de período

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Figura 1 - Anomalia das chuvas previstas para os meses de dezembro/16 a feve- Figura 2 - Anomalia das chuvas previstas para os meses de janeiro/17 a março/17 reiro/17 para a América do Sul. (Fonte: NOAA/CFSv2) para a América do Sul. (Fonte: NOAA/CFSv2)

de melhoramento foliar para que possa infectar uma planta e daí causar reduções nos potenciais produtivos das lavouras. E todos esses padrões estarão ocorrendo ao longo dessa safra 2016/17 nacional de soja. Lógico que as regiões Central e Norte serão as mais afetadas, pelo fato de que haverá maiores períodos de umidade e de temperaturas mais amenas. Mas no Sul, mesmo com um aumento nos períodos de estiagem, a pressão não será pequena, haja vista que segundo especialistas, devido à alta incidência da doença na safra passada, a quantidade de esporos presentes no ambiente é ainda muito grande, o que gerará pressões altas da doença. Além disso, mesmo que venham a ocorrer esses períodos de estiagem e, portanto, condições adversas à proliferação do fungo, o retorno das chuvas na sequência já será favorável para que ocorram infestações da doença.

O grande problema não estará somente nas condições meteorológicas favoráveis à proliferação da doença, mas também em um menor cuidado natural por parte dos produtores. Nas últimas duas safras a pressão da ferrugem asiática sobre as lavouras do Centro-Oeste, Sudeste e de Matopibapa foi praticamente baixa, uma vez que o regime de chuvas foi muito irregular ao longo de toda a safra. Isso gera um certo relaxamento por parte dos que produzem, já que imaginam que essa doença estaria praticamente controlada em suas propriedades. E nisso reside todo o perigo, pois produtores desatentos e desinformados tendem a manter o mesmo padrão de tratamento praticado nas últimas safras, podendo gerar perdas de produtividade em suas propriedades. Ainda mais quando ocorrerem os períodos de invernadas, quando não será possível entrar com os

Figura 3 - Anomalia da temperatura para os meses de dezembro/16 a fevereiro/17 para a América do Sul. (Fonte: NOAA/CFSv2)

pulverizadores no campo. Desta forma, nesta safra todo o cuidado e monitoramento serão de suma importância para que os produtores obtenham altas produtividades. Será um ano em que a pressão para ocorrência de doenças será alta. Desse modo, o uso da previsão meteorológica, seja através de internet, aplicativos de celular, TV, rádio e demais mídias, será de grande valia. Portanto, o produtor terá que manter um olho grudado em sua lavoura e outro no céu. Além, é lógico, de conscientizar seus vizinhos e produtores da região a adotarem boas práticas agrícolas no combate não só da ferrugem asiática, mas também das demais doenças que infectam as lavouras de soja, causando perdas signiC ficativas em seus bolsos. Marco Antonio dos Santos, Rural Clima

Figura 4 - Probabilidade de ocorrência dos fenômenos climáticos La Niña/El Niño (fonte: IRI)

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Marcelo Madalosso/Phytus Club

Especial Ferrugem

Vilã da produtividade Responsável por perdas médias de até 35% e que podem superar 90% em situações críticas, a ferrugem asiática desafia os produtores de soja e ameaça fortemente o potencial produtivo a cada safra. A chegada recente de fungicidas à base de carboxamidas trouxe um alento ao sojicultor, tanto pela eficiência no controle de doenças como no manejo de resistência. Como a tendência é de que nos próximos sete a dez anos não surjam novos modos de ação, preservar as ferramentas existentes e trabalhar integradamente todas as estratégias de manejo são essenciais

A

té o final do ano 2000, de modo geral, as doenças foliares na cultura da soja na região dos cerrados pouco representavam em termos de severidade e de perdas de produtividade. As doenças de final de ciclo (DFCs) onde, com algumas imprecisões na diagnose, eram englobados fungos como Cercopora kikuchii, Septoria glycines, Colletotrichum truncatum e Corynespora cassiicola, representavam algo em torno de duas sacas por hectare a quatro sacas por hectare de perdas e, dependendo do contexto em que ocorriam, eram consideradas as mais importantes daquela época. Com a introdução de cultivares mais suscetíveis à mancha-alvo (muitas vezes aliadas aos materiais resistentes a nema-

toide-do-cisto da soja) e a maior presença da antracnose (mais intensa em algumas regiões), passou-se a exigir diagnoses e manejos mais precisos a fim de obter os resultados esperados. A chegada da ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi) no Mato Grosso na safra 2002/2003 também alterou completamente a forma de diagnosticar e manejar as doenças em função das perdas que rapidamente foram vistas no campo e nunca tinham sido observadas antes nesta magnitude. Passou-se a registrar danos e perdas muito mais severas e a utilizar estratégias de manejo muito mais rigorosas para minimizar as perdas causadas por esta doença. O Quadro 1 mostra o potencial de

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perda e a média das principais doenças na cultura da soja, mostrando que o mau manejo pode trazer perdas altamente significativas. Conhecer particularidades das diferentes regiões, épocas de semeadura, ciclo das cultivares, altitudes, correntes de vento, precipitação, molhamento foliar e fontes de inóculo passou a ser muito importante, explicando a dinâmica das epidemias e as diferentes respostas às estratégias de manejo da ferrugem asiática ao longo dos anos. As localidades mais altas do Mato Grosso, como a região Sudoeste, onde está a Chapada do Parecis, a região Sul, que envolve a Serra da Petrovina, e a região Leste, que abrange principalmente Campo Verde e Primavera do Leste, são as que his-


Divulgação

toricamente mais sofreram ao longo destes anos com a ferrugem da soja, em função do contexto anteriormente relatado. Isso não significa que nas outras regiões não exista a ocorrência da doença, entretanto, historicamente, as regiões citadas têm exigido mais atenção. O manejo químico assumiu grande importância naquele momento, e o que antes manejava-se com uma aplicação de benzimidazóis ou estrobilurinas isoladas, exigia agora duas a quatro aplicações de triazóis ou misturas de triazóis e estrobilurinas por safra, a fim de realizar um controle satisfatório. Poucos anos passados, em função da pressão de seleção causada pelo uso repetido dos mesmos modos de ação, a insensibilidade dos fungos aos fungicidas foi ficando evidente, mostrando que produtos extremamente eficientes em um determinado momento já não eram tão efetivos após alguns anos de exposição. Entre 2006/2007 e 2007/2008, observou-se em ensaios de campo e em áreas comerciais a queda abrupta de eficiência dos fungicidas triazóis, extremamente eficientes até aquele momento, que eram a grande sustentação do manejo da ferrugem da soja em função do modo de ação e do seu caráter curativo. Passou-se então a recomendar e utilizar nas safras seguintes somente misturas de triazóis e estrobilurinas e o controle voltou a patamares aceitáveis. Por volta de 2009/2010, os fungicidas benzimidazóis, produtos amplamente utilizados no controle de mancha-alvo, antracnose e DFCs, também tinham perdido a eficiência para Corynespora no Mato Grosso, conforme verificado em ensaios internos (Carlin et al, 2011). No final de 2014 outro evento foi registrado, com a confirmação da mutação F129L, conferindo redução na eficiência dos fungicidas na ferrugem da soja para o grupo das estrobilurinas, evento que, apesar das diferenças, afetou todas as misturas. Infelizmente, a seleção direcional

Quadro 1 – Potencial de perda e perda média de produtividade das principais doenças na cultura da soja no Brasil DOENÇA Ferrugem da soja Mancha alvo Mofo branco DFC Oidio Antracnose

POTENCIAL DE PERDA (%) 80 35 35 20 10-35 25

MÉDIA (%) 35 7 15 5 -

Fonte: Consórcio Anti-ferrugem, 2016.

Carlin destaca a importância de preservar as ferramentas disponíveis contra a ferrugem

parece ser um processo contínuo. As grandes extensões de soja, aliadas ao uso indiscriminado dos mesmos produtos ou dos mesmos modos de ação, com todo um cenário climático favorável à doença, podem continuar reduzindo a eficácia destes defensivos, que, na nossa opinião, é diretamente proporcional à exposição destes produtos no campo, além das características intrínsecas de cada ativo. A chegada recente de fungicidas contendo novos ativos à base de carboxamidas trouxe um alento ao sojicultor, pois este grupo de fungicidas específicos tem alta eficiência nas principais doenças da cultura da soja e pode representar uma grande contribuição neste manejo. Estes ativos, com novo modo de ação, assumem papel fundamental no controle da ferrugem da soja e no manejo da resistência por serem uma opção de rotação. Por atuarem em nível de mitocôndria, na respiração do fungo, expressam sua melhor eficiência quando aplicados preventivamente, sem a presença do fungo na área. Atualmente, programas de fungicidas à base de carboxamidas e misturas de estrobilurinas + triazóis têm sido a base do manejo da ferrugem asiática. A fim de reduzir a velocidade da sele-

ção direcional de fungos e de dar longevidade aos fungicidas de sítio específico, fungicidas protetores e multissítios têm sido avaliados nos últimos anos, com ações interessantes quando associados a fungicidas específicos, mostrando respostas em complemento de performance de controle da ferrugem da soja, ação antirresistência. Manejar doenças em soja de modo racional e viável no contexto atual tem se tornado complexo, pois a ferrugem asiática levou o patamar de perdas a níveis muito altos, além disso, dependendo do ambiente, diversas outras doenças “secundárias” também têm trazido perdas cada vez mais significativas. Não é raro visualizar no campo situações de altas severidades de Cercospora kikuchii, Corynespora cassiicola, Septoria glycines, Colletotrichum truncatum, além de bacterioses assumirem papel cada vez mais importante, em função de sensibilidade de materiais, fontes de inóculo cada vez maiores em função do nosso modelo agrícola de monocultura e práticas de manejo que muitas vezes não focam no equilíbrio do sistema. Como não haverá novos modos de ação nos próximos sete a dez anos, preservar as ferramentas existentes e trabalhar integradamente todas as estratégias de manejo são essenciais para a sustentabilidade e a rentabilidade do negócio soja no Mato C Grosso e no restante do Brasil. Valtemir José Carlin, Agrodinâmica

Fotos Valtemir Carlin

Ensaio cooperativo, Agrodinâmica – safra 2015/2016

1-Testemunha

2-Triazol + estrobilurina

3-Carboxamida+estrobilurina

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Especial Ferrugem

Pesadelo recorrente Edson Borges

A presença de condições climáticas semelhantes às observadas em 2009, com excesso de chuvas em agosto e setembro nos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, aumenta a preocupação dos produtores que temem sofrer de modo antecipado com o ataque da ferrugem asiática. Medidas preventivas, na tentativa de retardar a entrada da doença nas lavouras, são indispensáveis para evitar o comprometimento do potencial produtivo e seus sintomas passem a não ser perceptíveis, pois o que se vê é somente lesão de ferrugem.

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e todos os desafios enfrentados pelos produtores de soja, a ferrugem asiática é, sem dúvida, o pior pesadelo. Detectada no Brasil na safra 2001/02 a doença resultou, já naquela época, em perdas de aproximadamente 125 milhões de dólares. Identificada inicialmente nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás, rapidamente se espalhou para quase todas as regiões produtoras do país. De acordo com os dados do Consórcio Antiferrugem, na safra 2013/14 o custo de controle da ferrugem alcançou 2,2 bilhões de dólares, apesar de as condições climáticas não terem sido as mais favoráveis ao desenvolvimento da doença. No Centro-Oeste, importante região produtora de soja, a doença tende a repetir o cenário registrado em 2009, quando atacou mais cedo. O clima chuvoso, registrado na região nos meses de agosto e setembro, aumentou a preocupação para a safra 2016/17. Para o pesquisador e diretor executivo da Fundação Chapadão, Edson Borges, a rapidez com que a ferrugem se alastra e a agressividade que exerce sobre as plantas tornam indispensáveis medidas preventivas para retardar a entrada do patógeno nas lavouras: É correto afirmar que a ferrugem asiática é o maior inimigo da produtividade da soja? O que torna esta doença tão agressiva?

Dentre as principais doenças que atacam a cultura da soja, como mofo-branco, mancha-alvo, septoria, oídio, míldio, mela e cercospora, a ferrugem é, sem sombra de dúvida, a principal doença que ataca a cultura da soja. Isto porque sua agressividade é superior a todas as outras. Ao detectarmos o primeiro foco de ferrugem no baixeiro da planta de soja, entre 18 dias a 24 dias ela já estará no ponteiro. Em uma semana sua incidência chegará a 100% das plantas de soja e sua severidade crescerá mais de 50%. Com esta agressividade, a ferrugem asiática diminui a produtividade não de 10% a 15%, mas de 30% a até mais de 50%. Tudo dependerá do momento de entrada da doença em relação ao estágio da cultura. Quanto mais cedo, mais dano. Que diferenças estão presentes no fungo causador da ferrugem asiática que a fazem mais agressiva e letal em relação a outras doenças que também afetam a cultura da soja? Por ser um fungo que tem como hospedeiro principal a cultura da soja, sendo esta sua principal fonte de alimento, a doença se multiplica com muita intensidade. De uma semana a outra chega a níveis de 50% de severidade. Isto é característico dela, e de nenhuma outra, por isto se torna uma doença única que merece toda nossa atenção. Tanto é verdade isto que a ferrugem, quando aparece em uma lavoura, faz com que todas as outras doenças

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Quais são os fatores que determinam a maior ou a menor incidência da ferrugem asiática a cada safra? Para a nossa região (chapadões do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás), ao longo dos anos as condições climáticas têm sido determinantes. Quando os meses de agosto e setembro registram chuvas um pouco mais intensas que o normal, a ferrugem é detectada na região mais cedo (dezembro). Com a ocorrência mais cedo, e com a soja em estágio de florescimento (R1 ou R2), por faltarem muitos dias até a colheita e diante da sua dispersão muito intensa, aliada à sua severidade, a doença se torna mais agressiva e consequentemente mais danosa às lavouras. Se não efetivado seu controle no momento oportuno, os prejuízos serão severos. Qual o prognóstico em relação à safra 2016/17? Quando se trata de ferrugem é difícil fazer qualquer prognóstico. Porém, monitorando as lavouras de soja de nossa região desde 2007 percebemos que nos anos em que os meses de agosto e setembro são mais chuvosos, a ferrugem tende a aparecer mais cedo (dezembro), aliados à soja mais nova (fase de florescimento). Diante das características de dispersão e severidade deste fungo, a doença se torna mais presente na lavoura, por mais tempo, devido ao ciclo da cultura da soja. E com esta maior presença na lavoura, seus danos podem ser mais expressivos. Assim, para a safra 2016/17, considerando o clima de nossa região, que teve agosto e setembro chuvosos, estamos alerta, pois nesta safra o clima está muito semelhante a 2009/10, ano em que a ferrugem chegou cedo, obrigando todos os produtores a ser bastante assertivos no manejo desta doença. Quem teve um pequeno descuido precisou dispender mais investimento no seu controle. O que fazer de modo preventivo para retardar a entrada da doença nas


Como evitar que as plantas de soja percam potencial produtivo em virtude da ferrugem asiática? O dano direto provocado pela ferrugem é a redução da área fotossintética da soja. Como consequência, há queda das folhas e com isto redução do peso dos grãos da soja, levando à queda de produtividade. Assim, o efetivo manejo preventivo desta doença, controlando-a no momento inicial da sua detecção na área, com uso de produtos efetivos, faz com que os prejuízos não ocorram. Qual o papel do tratamento preventivo das lavouras para retardar a entrada da ferrugem asiática em uma área de cultivo? A qual (quais) estágio (s) da cultura o produtor precisa estar mais atento para evitar prejuízos e perda de potencial produtivo provocados pela ferrugem? O monitoramento de uma lavoura é fundamental. O ideal seria o produtor, duas vezes por semana, coletar folhas e levar a um laboratório com técnico capacitado e proceder a diagnose das doenças de soja. Este laboratório pode ser da própria fazenda, de consultores, revendas, cooperativas, sindicatos rurais, universidades, Embrapa e fundações de pesquisa. Caso seja detectado foco de ferrugem em lavouras na fase vegetativa (V), a aplicação precisa ser imediata. Quando as lavouras começam a fase reprodutiva (R1) as aplicações devem ser iniciadas e repetidas conforme o programa preconizado pelo seu consultor. O controle da ferrugem tem que ser de forma preventiva, isto é, em nenhum momento o produtor deve iniciar a aplicação

após o diagnóstico da ferrugem a não ser na fase vegetativa. O manejo da ferrugem na fase vegetativa é mais efetivo devido à lavoura estar aberta, com menor índice de área foliar. Assim, as aplicações são mais efetivas. Ao entrar na fase reprodutiva, em especial no início de florescimento (R1), a soja começa a fechar as ruas, assim, com o passar dos dias o controle da ferrugem vai se tornando cada vez mais dificultado pelo crescimento foliar da soja, uma vez que a doença começa no baixeiro e todas as pulverizações de fungicidas são de cima para baixo. Outro ponto a considerar é que a soja é menos tolerante à doença à medida que se aproxima a fase de enchimento de grãos (R5). A cultura se torna mais sensível ainda ao ataque da ferrugem, por isto que o efetivo controle deve ser feito de forma preventiva.

associado às formas de manejo que não custa reiterar: vazio sanitário, não plantio de soja após 31 de dezembro, não plantio de soja safrinha, eliminação de soja tiguera, plantio cedo, uso de cultivar precoce, emprego de cultivares com boa tolerância, seguir à risca o programa de manejo químico preconizado pela pesquisa, consultor ou empresas, uso de doses adequadas ao efetivo controle da doença, respeito ao período efetivo de controle de cada produto, promover a rotação de produtos, enfim, monitorar as lavouras para proceder ao programa efetivo de controle dos focos iniciais, não permitindo a dispersão e bloqueando o meio de dispersão do fungo causador desta doença. A fazenda nunca deve permitir que a logística, o financeiro, seja o que defina o manejo e o controle da ferrugem da soja. Sempre deixar que prevaleça o conhecimento técnico, este sim é efetivo no manejo e controle das doenças. Além do mais, controlar preventivamente a ferrugem da soja é fazer o seguro de todo seu investimento, pois após um ano de prejuízo o produtor leva no mínimo mais três para recuperá-lo.

Como o senhor percebe as ferramentas de controle químico atualmente disponíveis no Brasil para o controle da ferrugem? Como a pesquisa tem avançado neste sentido? Há novas tecnologias que podem auxiliar o produtor a conviver melhor com a doença? Hoje ainda temos produtos efetivos ao controle da ferrugem, desde que seu uso seja feito de forma preventiva, que não haja redução de dose, que o intervalo entre aplicações seja seguido, que não ocorra redução ou substituição do adjuvante ou óleo recomendado, que as práticas de aplicação (temperatura, umidade, vento e chuvas) sejam respeitadas. Isto ocorrendo, ainda há boas alternativas. A cada safra as empresas e os pesquisadores testam novos produtos e/ou associações de produtos com vistas a substituir os usuais na busca de novos procedimentos que tornam mais seguro o controle desta doença. Ocorre que em curto prazo não se vislumbram soluções que não sejam as que temos disponíveis hoje. Assim, é de fundamental importância que todos os produtores sigam os conceitos preconizados pela pesquisa, através de seus consultores, pois do contrário poderemos perder as ferramentas mais efetivas que temos para o controle desta doença. Qual a principal dificuldade para o manejo da ferrugem asiática no Brasil? A principal dificuldade é decorrente da agressividade desta doença, de sua forma de disseminação que ocorre de baixo para cima enquanto as aplicações são realizadas de cima para baixo. Que outras medidas de manejo integrado são importantes para que seja possível conviver com a doença sem ser engolido pelos prejuízos ou perder demasiadamente o potencial produtivo? O uso de fungicida é a forma mais efetiva de controle da ferrugem, porém, deve ser

Algum outro aspecto que o senhor gostaria de enfatizar? Sim, controlar a ferrugem da soja é muito simples. O produtor tem de monitorar sua lavoura para acertar a primeira aplicação, não errar a segunda, a terceira e fazer a quarta quando necessário. É importante reafirmar que a fazenda nunca deve permitir que o setor financeiro defina o manejo de doenças, insetos e plantas daninhas em nossas lavouras. O setor técnico tem de ser o responsável por isto. O produtor deve sempre ter em mente que o clima, essencial a nossas lavouras de soja, que ajuda a obter o máximo de produtividade, é o mesmo que favorece o desenvolvimento das doenças. O clima é controlado por Deus e as doenças devem ser manejadas através do conhecimento que foi conferido ao homem. Por isto, é preciso aceitar que não há como produzir uma cultura sem a presença de doenças. C Fundação Chapadão

lavouras? Uma vez que não há como impedir a entrada da ferrugem em nossas lavouras, tendo em vista que sua dispersão ocorre principalmente pelo vento e há necessidade de que seja produzida uma quantidade de esporos da doença para que ela infecte as lavouras, podemos, sim, utilizar práticas que retardem sua entrada nesses locais. Para isto é recomendado seguir o programa, pensar em várias práticas, iniciando com a obediência ao vazio sanitário, não plantio de soja após 31 de dezembro, não plantio de soja safrinha, eliminação de soja tiguera, plantio cedo, uso de cultivar precoce, emprego de cultivares com boa tolerância, seguir à risca o programa de manejo químico preconizado pela pesquisa, consultor ou empresas, uso de doses adequadas ao efetivo controle da doença, respeito ao período efetivo de controle de cada produto, promover a rotação de produtos, enfim, monitorar as lavouras para proceder ao programa efetivo de controle dos focos iniciais, não permitindo a dispersão ou bloqueando o meio de dispersão do fungo causador desta doença.

Borges alerta para condições de clima semelhantes às de 2009, quando a doença atacou mais cedo

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Soja

Fotos Evandro Binotto Fagan

Produtividade potencializada

A aplicação em conjunto do herbicida lactofen e de cinetina pode resultar em efeito sinérgico na produtividade da soja. Entretanto, seu uso precisa ser criterioso e o potencial de resposta depende da variedade utilizada. É necessário, ainda, que o ambiente de cultivo seja capaz de possibilitar a recuperação das plantas e de permitir que respondam à sinalização proporcionada pelo hormônio

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produtividade média de soja no Brasil não ultrapassa 50 sacas por hectare. No entanto, algumas pesquisas mostram que a produtividade potencial da cultura supera as 330 sacas por hectares. Prova disso, recentemente no estado da Geórgia, nos EUA, o produtor Randy Dowdy bateu o recorde mundial de produtividade da oleaginosa, colhendo 192,23 sacas de 60 quilos por hectare. Tais resultados mostram que ainda há muito para explorar do potencial

produtivo desta cultura. Atualmente, a exploração do potencial produtivo tem sido baseada em estratégias de manejo que buscam alterar os componentes de produção da cultura, pois regulam diretamente a produtividade (Figura 1). A densidade de plantas é um fator importante para o crescimento e a produtividade de soja, embora a densidade não seja diretamente proporcional à produção de matéria seca e de sementes. Quando a densidade de plantas é

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elevada, a formação de ramos laterais diminui e dessa forma o número de nós decresce. No entanto, quando a população de plantas é reduzida, tendem a incrementar a formação de ramos laterais, aumentando o número de nós produtivos, o que significa que plantas de soja apresentam potencial para terem seu crescimento modulado em função do ambiente ou manejo adotado. As informações contidas na Figura 1 realçam a hipótese de que plantas de soja


Figura 1 - Componentes de produção da cultura de soja

Figura 2 - Brotação das ramificações proporcionadas pela aplicação de lactofen (60g [i.a.] ha-1)

apresentam alto potencial para terem seu crescimento modulado em função do ambiente ou manejo adotado, aproveitando a plasticidade das plantas. Como exemplo, variações na produtividade de soja frequentemente estão associadas com alterações no número de vagens e sementes por unidade de área. Consequentemente, práticas de manejo que alteram o número de ramificações e nós produtivos podem potencializar a produtividade da cultura por proporcionar a maior formação de pontos de formação de órgãos reprodutivos. Com este objetivo, tem crescido nas últimas safras a utilização do hormônio citocinina e do herbicida lactofen para atender tal objetivo. Já é bastante conhecido que a auxina, juntamente com a citocinina, regula a brotação das gemas laterais. Em situações em que há a decapitação do caule (quebra da dominância apical), ocorre o brotamento das gemas laterais, favorecido pela menor produção de auxina no ápice e melhor redistribuição da citocinina nas gemas laterais. Como no campo é difícil causar a quebra da dominância apical mecanicamente, o lactofen tem sido utilizado com este propósito. Este herbicida, quando aplicado ocasiona acúmulo de protoporfirina-IX como resultado da translocação do substrato da Protox

para o citoplasma, seguido pela oxidação não enzimática ou por oxidases insensíveis ao herbicida. Na presença de luz, a protoporfirina-IX acumulada, agora compartimentalizada, está incapaz de ser utilizada e reage com o O2, formando oxigênio singleto (1O2). O 1O2 formado causa a peroxidação dos lipídios e, eventualmente, mata as células. O estresse oxidativo causado pelo herbicida com posterior morte das células ocasiona danos no ápice das plantas. Devido aos danos causados, ocorre a quebra da dominância apical, que repercute na formação de ramos laterais e redução do crescimento das plantas (Figuras 2 e 3). As ramificações laterais são um dos componentes que regulam a produtividade de soja, pois influem na quantidade de nós reprodutivos formados e, consequentemente, de vagens potenciais. Com base nos efeitos proporcionados pela aplicação pela citocinina e pelo lactofen, a utilização em conjunto poderia ocasionar efeitos sinérgicos nas plantas. A quebra da dominância apical proporcionada pelo lactofen, associada à aplicação de citocinina, poderia potencializar a brotação das gemas laterais (Figura 4). Além disso, algumas pesquisas têm mostrado que as citocininas aumentam a tolerância das plantas a estresses por intera-

gir com as vias do ácido salicílico e abscísico, hormônios conhecidos como reguladores de estresses em plantas. Trabalhos realizados pelos autores em Patos de Minas (Minas Gerais) buscaram entender o efeito da aplicação de citocinina e lactofen em duas cultivares de soja. Foram utilizadas as variedades cultivadas de soja NA-5909-RG (grupo de maturação 6.7) e NS-7114-RR (grupo de maturação 7.1) submetidas à aplicação no estádio V4 de cinetina (CK) (50mg/ha), lactofen (LC) (60g [i.a.] ha) e cinetina + lactofen, comparadas às plantas sem aplicação (Controle). Os resultados apresentados na Figura 5 mostram que a aplicação de lactofen proporcionou incremento no dano foliar nas duas variedades cultivadas, sendo o maior efeito na NS-7114-RR, enquanto que a cinetina reduziu o dano na NA-5909-RG e incrementou na NS-7114-RR. A associação de lactofen com cinetina reduziu o dano foliar nas duas variedades comparado à aplicação isolada de lactofen, o que reforça o potencial da citocinina em reduzir o nível de estresse celular devido à ativação do metabolismo antiestresse. O dano celular, além de comprometer a produção de energia pelas plantas, repercute em gasto energético para reparação das estruturas degradadas. Portanto, a aplicação de produtos como o lactofen deve ser bem planejada, pois o alto nível de estresse gerado pode


Fotos Luis Henrique Soares

Figura 3 - Efeitos da aplicação de lactofen na cultura de soja, cultivar NS-8490-RR

Tabela 1 - Número de nós, vagens e produtividade de plantas de soja submetidas à aplicação de lactofen (LC) e cinetina (CK) Tratamentos Controle Lactofen Cinetina LC + CK

Número de nós (nós/planta) NA-5909-RG NS-7114-RR 17,8bB 20,5bA 19,4aNS 20,7b 18,3bB 22,4aA 18,0bB 23,8aA

Número de vagens (vagens/planta) Produtividade (sacas/ha) NA-5909-RG NS-7114-RR NA-5909-RG NS-7114-RR 31,3bB 37,3cA 56,6cNS 54,1d 34,3aB 39,3bA 57,8cB 63,2cA 34,8aB 44,2aA 61,3bB 66,0bA 32,2bB 45,3aA 65,4aB 68,8aA

* Letras maiúsculas se referem à comparação entre as variedades cultivadas, dentro de cada tratamento, individualmente, enquanto que letras minúsculas comparam os diferentes tratamentos, dentro de cada variedade cultivada, pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade de erro. NS: não significativo.

reduzir a produtividade caso estas plantas não tenham condições ambientais suficientes para garantir a saída do estresse. Exemplo disso, em outros ensaios desenvolvidos pela equipe do Núcleo de Pesquisa em Fisiologia e Estresse de Plantas (Nufep) em Patos de Minas (MG), quando a aplicação de lactofen antecedeu longos períodos de estiagem houve redução na produtividade de soja. Nos resultados apresentados na Tabela 1, embora a aplicação de lactofen tenha incrementado o número de nós e de vagens por planta na variedade cultivada NA-5909RG, não foi observado aumento na produtividade. Esta variedade cultivada, por ser de grupo de maturação menor comparado à NS-7114-RR, foi mais precoce, com menor duração da fase reprodutiva, o que limitou a recuperação do estresse causado pelo lactofen. Na variedade cultivada NS-7114RR, mesmo com o estresse causado pela aplicação de lactofen, houve incremento de 5,4% no número de vagens e 9,1 sacas/

ha. Estes resultados realçam a ideia de que o posicionamento deve ser planejado, pois depende também da variedade cultivada. Embora não existam informações científicas concretas sobre tal fato, acredita-se que variedades de ciclo precoce são mais sensíveis a estresses e, consequentemente, menos responsivas a estas práticas de manejo. A aplicação de citocinina isolada proporcionou aumento no número de vagens nas duas variedades cultivadas, o que causou incremento de 4,7 sacas na variedade cultivada NA-5909-RG e 11,9 sacas na NS7114-RR em relação ao Controle (Tabela 1). Novamente, a variedade com maior grupo de maturação foi mais responsiva. Estes resultados estão ligados ao fato de que os hormônios desempenham funções de sinalização nas plantas. Para que as plantas respondam à sinalização proporcionada pelo hormônio é necessário que as condições de cultivo proporcionem esta resposta. Cultivares de ciclo curto, como o caso da NA-5909-RG, apresentam menor duração da fase reprodutiva e são mais sensíveis às condições ambientais, o que reduz o potencial de resposta. Estas informações significam que para que haja elevada resposta da aplicação de hormônios em plantas é necessário que antes da aplicação, outros aspectos como adaptação da variedade ao ambiente de cultivo, correção de solo, nutri-

ção de plantas, irrigação, sanidade de folhas sejam muito bem trabalhados. A associação entre lactofen e cinetina não alterou o número de nós e vagens na NA-5909-RG, embora tenha incrementado 8,8 sacas/ha na produtividade em relação ao Controle. Na NS-7114-RR, o aumento no número de nós e vagens proporcionou aumento de 14,7 sacas/ha em relação ao Controle (Tabela 1). Estes resultados mostram que o lactofen e a cinetina proporcionaram efeito sinérgico na produtividade da cultura, no entanto, o potencial de resposta é modulado pela variedade cultivada utilizada. Portanto, estes sistemas de manejo podem contribuir para a potencialização da produtividade de soja. No entanto, é necessário que o ambiente de cultivo seja capaz de possibilitar a recuperação das plantas e de permitir que estas respondam à sinalização proporcionada pelo hormônio. Além disso, ainda é necessário entender mais sobre como as diversas variedades cultivadas de soja disponíveis no mercado respondem a C este tipo de manejo. Luís Henrique Soares, Evandro Binotto Fagan, Marina Rodrigues dos Reis, Isabella Sabrina Pereira, Rafael Gonçalves Gontijo Cunha e Jérssica Nogueira Soares Unipam

Figura 4 - Modelo hipotético dos efeitos de citocinina e lactofen na brotação das Figura 5 - Danos foliares e peroxidação lipídica (nmol [TBARS] g-1 MF]) de plantas gemas laterais de soja de soja submetidas à aplicação de lactofen (LC) e cinetina (CK)

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Soja

Manejo cultural

Fotos Luis Henrique Carregal

Responsável pelos maiores danos causados à cultura da soja durante as últimas safras, o nematoide das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus) tem desafiado os produtores. Diante da escassez de medidas tecnicamente eficazes ou economicamente viáveis, o emprego de práticas culturais na entressafra se torna fundamental. O controle criterioso de plantas daninhas é importante. O uso de crotalária também pode ajudar a diminuir a população desta espécie, mas é preciso atenção para não agravar outros problemas fitossanitários como mancha-alvo e mofo-branco

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os últimos anos, os níveis de danos provocados por fitonematoides têm aumentado em grandes proporções devido à expansão da soja para novas fronteiras agrícolas, à adoção de práticas de manejos inadequados e à intensificação da monocultura. No Brasil, as principais espécies associadas às culturas anuais são os nematoides das galhas (Meloidogyne incognita e M. javanica), o nematoide das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus e P. zeae), o nematoide de cisto da soja (Heterodera glycines), o nematoide reniforme (Rotylenchulus reniformis) e, mais recentemente, Tubixaba tuxaua, os quais ocorrem frequentemente nas culturas de soja, milho, feijão, algodão, cana-de-açúcar, girassol, entre outras. Dentre estas espécies, Pratylenchus brachyurus tem sido responsável pelos maiores danos causados à cultura da soja nas últimas safras, especialmente na região Centro-Oeste, onde sua ocorrência é mais intensa, devido à predominância de solos arenosos e também pela utilização de milho ou algodão em sucessão à soja, culturas também suscetíveis ao nematoide. Outro problema que afeta o

controle populacional deste nematoide é a indisponibilidade de cultivares de soja com altos níveis de resistência e a ocorrência de populações mistas (mais de uma espécie na mesma área), o que leva muitas vezes a erros na diagnose. Neste sentido, se o nematoide das galhas ocorre associado ao das lesões radiculares, serão facilmente identificados os sintomas do primeiro e, neste caso, a escolha das estratégias de manejo poderá permitir o aumento da população de Pratylenchus. Portanto, a análise laboratorial é, sem sombra de dúvida, imprescindível para o melhor manejo. A autodisseminação do nematoide das lesões é relativamente pequena, pois se move a curtas distâncias, geralmente formando reboleiras que aumentam a cada ano, no mesmo local. Maiores disseminações estão relacionadas à movimentação de solo através de implementos agrícolas contaminados, trânsito de trabalhadores e animais, escoamento de água em áreas de declive e as águas de irrigação. A sintomatologia pode ser verificada pelo sistema radicular, onde as raízes mostram áreas parciais ou totalmente escuras,

resultantes da coalescência das muitas lesões necróticas causadas internamente pelo nematoide. Essas anomalias provocadas no sistema radicular limitam a absorção e o transporte de água e de nutrientes, levando a planta atacada a exibir diferentes sintomas reflexos na parte aérea, em especial enfezamento, nanismo, murcha nas horas mais quentes do dia, clorose e outros indicativos de distúrbios nutricionais, como desfolha, queda na produtividade etc. Há várias medidas de manejo que podem ser cogitadas para a solução de um determinado problema de natureza nematológica, porém, para Pratylenchus brachyurus, a maioria delas não se mostra tecnicamente eficaz ou economicamente exequível, o que torna as opções bastante restritas. O emprego do controle varietal, por exemplo, embora fosse o ideal, não está ao alcance no momento, pois não se dispõe de cultivares de soja altamente resistente a P. brachyurus. É no âmbito da questão que as práticas culturais empregadas na entressafra da soja se tornam fundamentais para o manejo do nematoide das lesões radiculares, uma vez que a população tem

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aumentado a cada safra. Conduziu-se um experimento em condições de lavoura comercial em área naturalmente infestada por Pratylenchus brachyurus, no município de Montividiu, Goiás. A reboleira foi identificada durante a safra 2013/14 junto ao laboratório de nematologia da Agro Carregal Pesquisa e Proteção de Plantas. Foram quantificados em média 21 nematoides em 100cm3 de solo. Em março de 2014, iniciou-se um experimento onde as parcelas foram dispostas em delineamento experimental de blocos casualizados contendo diferentes opções culturais para entressafra, a saber: Milheto ADR 300 (T1); Crotalaria ochroleuca (T2); Milho P30K75 (T3); Crotalaria spectabilis (T4); Área revolvida (T5); Área capinada constantemente (sem plantas daninhas) (T6); Área com plantas daninhas (sem capina) (T7). Após a dessecação dos tratamentos, em outubro de 2014 foi realizada a semeadura da soja. A população de P. brachyurus foi determinada em cada parcela, analisando-se tanto o solo quanto as raízes da soja aos 45 dias e aos 90 dias após a semeadura (DAS). Aos 45 dias após a semeadura observou-se que as parcelas cultivadas em entressafra com Crotalaria ochroleuca ou Crotalaria spectabilis, área revolvida e área sem plantas daninhas, apresentaram menores populações de Pratylenchus brachyurus em soja. Os tratamentos com milho e milheto ocuparam uma posição intermediária. Já o tratamento com plantas daninhas foi o que resultou em maiores populações desse nematoide (Tabela 1).

As crotalárias funcionam como plantas armadilhas, permitindo a penetração dos juvenis em suas raízes, mas impedindo o seu desenvolvimento até a fase adulta. No caso da área revolvida, o solo permanece limpo com o intuito de deixar o nematoide sem abrigo e exposto a ambientes adversos, de forma que não encontre alimento para se desenvolver, sendo morto por inanição, dessecação ou exposição ao sol (deve-se atentar para problemas de erosão e degradação do solo ao longo do tempo). Mesmo na ausência de hospedeiro vivo, os nematoides das lesões radiculares são capazes de sobreviver nas raízes da soja em decomposição por um período de, no mínimo, 30 semanas. Nesse caso, a melhor forma de capina é a química, que reduz o tempo de permanência desse nematoide nas raízes de soja e, além disso, é uma prática viável ao agricultor que cultiva soja em grandes áreas. Aos 90 dias após a semeadura, verificou-se intensa multiplicação do nematoide, na área com plantas daninhas e na área cultivada com milho (Tabela 1). A produtividade e o peso de mil grãos da soja diminuíram com o aumento da população de P. brachyurus. As maiores produtividades e o peso de mil grãos foram observados nos seguintes tratamentos: área cultivada na entressafra com Crotalaria ochroleuca ou Crotalaria spectabilis, área revolvida e área sem plantas daninhas. O milheto também se mostrou como alternativa de maior viabilidade quando comparado ao milho (Tabela 2). Vale ressaltar que no sudoeste goiano, os sistemas de cultivo que predominam

Tabela 1 - Número de espécimes de Pratylenchus brachyurus por grama de raiz em plantas de soja aos 45 (08/12/2014) e 90 (22/01/2015) dias após a semeadura Tratamentos 1- Milheto 2- Crotalaria ochroleuca 3- Milho 4- Crotalaria spectabilis 5- Área revolvida 6- Área sem plantas daninhas 7- Área com plantas daninhas CV (%)

45 dias 44,77 bc 22,48 a 61,32 c 32,39 ab 28,94 ab 27,65 ab 88,96 d 19,30

90 dias 289,89 b 120,42 a 498,99 c 142,32 a 205,01 ab 182,76 ab 539,12 c 17,90

Médias seguidas pela mesma letra não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Tabela 2 – Peso de mil grãos e produtividade da soja em função do tratamento realizado em entressafra Tratamentos 1- Milheto 2- Crotalaria ochroleuca 3- Milho 4- Crotalaria spectabilis 5- Área revolvida 6- Área sem plantas daninhas 7- Área com plantas daninhas CV (%)

PMG (g) Produtividade (kg ha-1) 141,82 ab 3742,61 ab 144,15 a 4082,80 a 135,33 b 3269,21 bc 143,26 ab 4064,74 a 149,68 a 4080,14 a 150,06 a 4095,34 a 125,06 c 2624,55 c 2,66 8,87

Médias seguidas pela mesma letra em cada coluna não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

é soja verão e milho safrinha, o que tem contribuído para o aumento da população deste nematoide. Áreas onde o manejo de invasoras em pós-colheita não tem sido realizado podem aumentar ainda mais a população desse nematoide. O agricultor deve ser alertado, ainda, que o uso incorreto das crotalárias pode gerar outros problemas fitossanitários como aumento na incidência de mancha-alvo (Corynespora cassiicola) e mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum) em soja. Portanto, consulte sempre um engenheiro C agrônomo. Celso Mattes de Oliveira e Luís Henrique Carregal, Agro Carregal Pesq. Prot. de Plantas

Presença de reboleiras, sintoma típico do ataque de nematoides

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Oliveira e Carregal destacam a importância de práticas culturais no manejo de nematoides


Trigo

Folha enferrujada Fotos Gerarda Beatriz Pinto da Silva

A ferrugem da folha do trigo é uma das principais vilãs que afetam a cultura no Sul do Brasil. Manejá-la passa por medidas adotadas antes mesmo da instalação da lavoura, com a escolha da cultivar, o planejamento de aplicações com fungicidas protetores e a manutenção da doença em baixos níveis com o auxílio de produtos sistêmicos e/ou curativos

O

trigo cultivado na região Sul do Brasil é exposto a diferentes estresses bióticos (pragas e doenças) e abióticos (estiagem, excesso de chuva, temperaturas altas ou muito baixas). Esses estresses impedem que cultivares de alto rendimento alcancem o seu máximo potencial produtivo. No Brasil, o trigo é cultivado no período de outono-inverno, se estendendo até meados da primavera. Durante este período ocorrem grandes variações nas condições ambientais, especialmente na temperatura e umidade relativa do ar, o que favorece o desenvolvimento de diversas doenças, entre elas as ferrugens. No mundo todo, causam perdas significativas de produtividade no trigo as ferrugens da folha, do colmo e a ferrugem amarela. A ferrugem amarela, causada por Puccinia striiformis, é de pouca importânciano Brasil, onde somente casos esporádicos têm sido reportados. Esta doença tem maior importância em regiões mais frias (Europa, Austrália, Chile), sendo menos freqüente em condições de

clima subtropical, como no Brasil. A ferrugem do colmo (Puccinia graminis) é considerada a doença mais destrutiva do trigo, podendo causar perdas de 100% da lavoura devido à fragilidade e à quebra dos colmos quando severamente afetados. O uso de resistência genética, entretanto, tem garantido o controle da doença desde meados da década de 90. Atualmente, a maioria das cultivares brasileiras de trigo apresenta resistência a essa doença. A ferrugem da folha do trigo, causada pelo fungo Puccinia triticina Eriks, é a doença mais comum e a mais amplamente distribuída ao redor do mundo. O ambiente é uma condição-chave para a dispersão e germinação dos esporos de P. triticina, influenciando diretamente na variação da severidade das epidemias. A dinâmica populacional de P. triticina no Cone Sul (Argentina, Uruguai, Chile e Sul do Brasil) tem determinado uma vida curta da resistência das cultivares comerciais, já que o fungo sobrevive no verão-outono parasitando plantas voluntárias de trigo, que correspondem à principal fonte de inóculo no Brasil.

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A ferrugem da folha é caracterizada pela presença de pústulas de coloração amarelo-escuro a marrom ao longo da superfície foliar, podendo ocorrer em todas as fases do desenvolvimento das plantas. Temperaturas oscilando entre 15ºC e 20ºC e alta umidade relativa do ar são as condições ideais para o progresso da doença. As perdas em produtividade ocorrem em decorrência da redução da área fotossinteticamente ativa e do transporte de fotoassimilados para as espigas, acarretando redução no peso de grãos. Em casos de epidemias severas já foram registrados valores de até 65% de perda de produtividade. A doença está associada ainda à redução da qualidade de grãos, o que influencia diretamente na qualidade de panificação. A utilização de cultivares resistentes e o uso de fungicidas são frequentemente empregados como os métodos mais eficientes de controle da doença. Atualmente existem no mercado cerca de 100 produtos comerciais registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para a


Alta incidência da ferrugem observada na folha bandeira

ferrugem da folha em trigo. Destacam-se os grupos de estrobilurinas, triazóis, carboxamidas e ditiocarbamatos. Com a mudança da legislação de alguns anos para cá, hoje é possível se obter produtos comerciais com misturas de ingredientes ativos e mecanismos de ação, o que permite uma melhor eficácia no controle desta enfermidade, com destaque para estrobilurina + triazol, estrobilurina + carboxamida e triazol + carboxamida. Há uma tendência por parte dos agricultores a preferirem a mistura de estrobilurinas + triazóis, visto que apresenta uma maior eficiência a campo, pois possuem melhor capacidade fungitóxica e amplo espectro de ação, associados a um maior poder residual, que garante seu efeito por mais tempo na lavoura. Porém, cuidados devem ser tomados, não sendo recomendada a sua aplicação quando os grãos atingirem estágio de leitoso. Nesse estágio, o grão já está praticamente formado, ocorrendo, portanto, redução da eficiência e maior predisposição para acúmulo de fungicidas, o que inviabiliza a sua utilização como matéria-prima alimentar. O melhoramento de cultivares com resistência genética é uma opção ambientalmente segura e, por isso, deve ser preferencialmente utilizado para o controle da ferrugem da folha. Além disso, diminui a necessidade de aplicações de fungicidas, resultando em redução de custos aos produtores. A resistência genética pode ser de dois tipos. A primeira é a resistência completa, que confere imunidade às plantas, não sendo observados sintomas de ferrugem a campo, ou seja, não há o desenvolvimento das pústulas. Esta resistência também é conhecida como vertical, por conferir resistência específica a determinadas raças do patógeno. Dessa forma, o uso da resistência completa em cultivares comerciais determina que esta seja superada em alguns anos após o seu lançamento, devido à alta pressão de seleção exercida pelas raças de P.

triticina de maior virulência. O segundo tipo de resistência expressa-se principalmente na fase adulta e caracteriza-se pela redução na quantidade da doença, por isso é denominada como resistência de planta adulta (RPA). Em outras palavras, a planta exibe um padrão de suscetibilidade, porém ocorre um lento

desenvolvimento da doença. Portanto, a RPA atua nos componentes da taxa de progresso da doença, como o período de latência, eficiência de infecção e tamanho das pústulas. Apesar de isoladamente à presença de RPA nas cultivares não garantir níveis de controle adequados, possibilita aumentar o intervalo e a eficiência das aplicações reduzindo o custo com fungicidas. A ferrugem da folha do trigo é um dos principais vilões para a produção desta cultura no Sul do Brasil, pois está presente anualmente, em maior ou menor proporção, nas lavouras. Portanto, as estratégias para o manejo dessa enfermidade devem começar antes da implantação do trigal, com a escolha da cultivar, o planejamento de aplicações com fungicidas protetores e a manutenção da doença em baixos níveis com o auxílio de produtos sistêmicos e/ C ou curativos. Gerarda Beatriz Pinto da Silva, Francisco Saccol Gnocato e Geísa Finger, UFRGS

O TRIGO

O

trigo hexaploide (Triticum aestivum L.) consumido atualmente, de modo especial na forma de pães, é o resultado da domesticação de uma espécie que surgiu há mais de dez mil anos, na região que hoje representa o Sudeste asiático. Foi a espécie pioneira para a criação da agricultura, pois a partir do seu surgimento os homens deixaram de ser nômades e passaram a se fixar em regiões onde era possível o seu cultivo. Atualmente, o trigo é um alimento de primeira necessidade para mais de 50% da população mundial, especialmente nos países da Europa, América do Norte e do Norte asiático. Além de ser o terceiro cereal mais cultivado no mundo, está largamente difundido em todos os continentes. Sozinho, o trigo é responsável por cerca de 1/5 (20%) de todas as calorias humanas consumidas no mundo inteiro, sendo a principal fonte de alimento em muitos países em desenvolvimento. De acordo com estimativas do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), a produção mundial de trigo para a safra 2016/2017 deve alcançar um novo recorde, com produção estimada em aproximadamente 248,37 milhões de toneladas. No Brasil, a triticultura é historicamente

importante na região Sul, sendo o Rio Grande Sul o único estado autossuficiente na produção/consumo do grão. A produção nacional, entretanto, não atende à demanda dos brasileiros, o que torna o Brasil um importador deste grão, sendo a Argentina responsável por aproximadamente 75% das importações. Espera-se que em 2016, a Argentina colha em torno de 14 milhões de toneladas de trigo. Já a estimativa brasileira é de produzir 6,3 milhões de toneladas, sendo o Rio Grande do Sul responsável por aproximadamente 30% da produção nacional. Apesar de uma redução de 14,5% da área plantada na safra 2016, estima-se que o Brasil produza mais trigo que na safra passada, devido ao aumento de produtividade de 2,26ton/ha para 3ton/ha. No Rio Grande do Sul, o trigo é uma cultura de grande importância econômica. Quando as condições climáticas são adequadas e não há problemas severos com pragas e doenças, o retorno financeiro é garantido. Atualmente existem diversas cultivares de trigo desenvolvidas por entidades brasileiras que apresentam excelente qualidade de panificação, tornando o produto um pouco mais atrativo que o produzido há alguns anos.

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Sementes

Posicionamento adequado Fotos Syngenta

Tentar responder qual germoplasma é o melhor, sem considerar as inúmeras variáveis que envolvem esta questão, revela uma concepção errada no debate deste tema. O mais importante passa por identificar o material que mais se adapta às necessidades e condições presentes no local de cultivo

É

possível saber qual é o melhor germoplasma? A maneira como essa pergunta é formulada já reflete uma concepção errada de como o tema vem sendo discutido. O germoplasma é um material genético que captura as características da planta, incluindo dias para floração, dias para maturidade-rendimento, resistência às pragas, resistência às doenças, tolerân-

cia às secas, fatores ligados à qualidade e outras informações importantes. O germoplasma descreve, ainda, a gama de genes que as empresas utilizam para entregar produtos de alta performance aos produtores. Como tal, o germoplasma se torna a base para a agricultura em desenvolvimento. O uso do germoplasma correto é um dos principais fatores para uma

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colheita de sucesso. Portanto, é natural que o produtor tenha interesse em saber qual é a semente com melhor desempenho no campo. Imagine-se fazendo a seguinte pergunta a um criador de cavalos: “Qual é a melhor raça de cavalo?” A resposta certamente será “depende”. O melhor cavalo ou o cavalo com o melhor desempenho varia de acordo com o objetivo


proposto. Por exemplo, um cavalo de guerra teria que ter algumas características como resistência, agilidade ou uma extraordinária capacidade de carregar coisas. Cavalos pesados capazes de carregar grandes cargas são usados em fazendas como animais de carga. Nenhum cavalo é “o melhor” para todos os usos e categorias. Assim como a ideia de melhor cavalo (raça) depende das intenções do usuário, o mesmo se aplica ao germoplasma. O pressuposto de que existe o melhor germoplasma é um mito, uma vez que as condições nas fazendas variam muito. Na região Centro-Oeste, por exemplo, os nematoides têm sido recentemente um dos maiores e mais persistentes problemas para os produtores. No Sul, a podridão-de-fitóftora e o oídio são mais desafiadores. Portanto, enquanto a resistência a nematoides é um fator importante para o Centro-Oeste, a resistência às doenças é mais importante para o Sul. Em qualquer lugar do país ou ao redor do mundo, a mistura exata da resistência às doenças, resistência à seca, resistência aos nematoides, dias para maturação e outras características essenciais irá variar de acordo com o clima, o solo e outros fatores relacionados. Mesmo em um único local, o que é importante pode mudar de uma colheita para outra.

POSICIONAMENTO, POSICIONAMENTO, POSICIONAMENTO

Nenhuma atividade agrícola é idêntica à outra, consequentemente, não existe uma semente melhor. O mais importante, então, é saber qual semente que melhor se adaptará àquele local. A maioria dos produtores conhece esse fato intuitivamente. “Como este produto se comportará no meu campo?” É mais importante saber como a cultivar irá se comportar em condições ideais de campo. Saber como um produto vai se comportar em um lote de terra nas condições climáticas atuais, e não nas condições climáticas da estação passada, é o tipo de conhecimento que irá desencadear as mais altas produtividades possíveis. Altos níveis de produtividade não são alcançados através de especulação, pressupostos ou suposições sobre qualquer desempenho. Exigem fatos concretos e a ciência para saber qual produto terá um bom desempenho em uma determinada condição. Uma recomendação customizada só é possível através de uma análise

O uso do germoplasma correto é um dos principais fatores para uma colheita de sucesso

baseada em dados. Dados e pressupostos podem prever prováveis resultados, usando várias sementes na terra de um produtor e mostrar qual provavelmente terá um melhor desempenho para aquele produtor. Respondendo à pergunta inicial, “o melhor” germoplasma é aquele que se adapta às necessidades e às condições daquele local; portanto, a chave do negócio são as condições locais. Do mesmo modo que não existe a melhor semente, um maior pool de germoplasma não garante resultados superiores. A diversidade é um conceito importante, mas sozinha não é suficiente. Não existe nenhum benefício, por exemplo, em desenvolver resistência a

Byrum aborda importância de ter foco correto quando o assunto é germoplasma

uma doença se os produtores não estão tendo que lidar com este problema. O tempo gasto com características que não são necessárias é tão valioso que poderia estar sendo gasto desenvolvendo características mais úteis. O gerenciamento do germoplasma deve focar em conseguir diversidade que traz resultados. Isto significa ter uma estrutura analítica no programa de melhoramento centrado em qualidade e não quantidade. Os melhores resultados virão da organização com os melhores grupos de germoplasma que se adaptam a uma maior gama de condições enfrentadas pelos seus clientes. Uma diversidade gerenciada de maneira apropriada ajuda no posicionamento do germoplasma, trazendo, em contrapartida, melhores resultados. Todas as partes devem trabalhar juntas para se obter sucesso. Somente um posicionamento correto do germoplasma oferece o potencial verdadeiro para trazer excelentes resultados. O germoplasma oferece uma base sólida necessária para maximizar o benefício advindo de todas as ferramentas que são aplicadas na fazenda. O germoplasma correto, identificado através de ferramentas analíticas, garante que o sistema esteja totalmente otimizado, e não só uma parte dele. C Joseph Byrum, Syngenta

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Arroz

Dupla colheita Fotos Divulgação

Apostar no rebroto de arroz irrigado para produzir grãos novamente na mesma planta e alcançar uma segunda safra surge como alternativa para maximizar rendimentos e diminuir a ociosidade de máquinas agrícolas

C

omo alternativa de obtenção de maiores lucros e redução da ociosidade das colhedoras arrozeiras, alguns produtores adotam o sistema de colheita do rebroto do arroz irrigado nas áreas sistematizadas. Trata-se de realizar duas colheitas de uma mesma planta, ou seja, após realizar a colheita principal, são aplicadas algumas técnicas de manejo bastante simples que possibilitam produzir grãos novamente na mesma planta, acrescentando uma segunda safra à lavoura, embora com produtividade inferior à colheita principal. As técnicas de manejo para a colheita do rebroto do arroz irrigado começam no momento da semeadura da colheita principal, que deve ser realizada precocemente para que no momento do desenvolvimento do rebroto ainda existam condições de clima favoráveis, como temperaturas na faixa de 25°C e luminosidade adequada. Para isso, na região da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, por exemplo, recomenda-se que a semeadura seja realizada até o final de setembro. Um dos aspectos fundamentais refere-se ao ponto de colheita na primeira safra ou colheita principal. Recomenda-se que a colheita seja realizada com umidade do grão entre 22% e 25% para evitar que as plantas parem sua

atividade metabólica e não tenham mais condições de se recuperar e produzir novamente. Também é indicado que a altura de corte da plataforma da colhedora seja imediatamente abaixo das panículas, para a manutenção de boa parte da área foliar das plantas ainda em condições fisiológicas e fotossinteticamente ativas para o desenvolvimento dos grãos da segunda safra. Outro ponto crucial diz respeito ao teor de umidade do solo no momento da colheita. É favorável que a colheita principal seja realizada com o solo o mais seco possível, o que reduz os danos que os pneus ocasionam na estrutura do solo e às plantas. Entretanto, sabe-se da dificuldade em drenar a umidade para melhorar a consistência do solo completamente no momento da colheita devido às chuvas e à declividade zero em áreas sistematizadas ou à ineficiência dos sistemas de irrigação e drenagem utilizados em algumas áreas e aos possíveis danos causados à maquina quando as taipas encontram-se demasiadamente secas. Quando o cultivo é realizado em áreas sistematizadas, o manejo da água após a colheita é mais fácil, pois é possível encher os quadros de água com facilidade e assim obter a lâmina de irrigação necessária para o cultivo

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do rebroto do arroz. Diante das dificuldades em relação à umidade do solo, a alternativa para reduzir os danos nas plantas é evitar o tráfego de tratores dentro dos talhões, o que tende a proporcionar maior índice de rebrote da lavoura. De acordo com Bisognin et al (2015), uma forma de reduzir o tráfego dos tratores dentro dos talhões é a utilização do circuito “vai e vem” (alternado) e o planejamento do momento das descargas dos grãos das colhedoras. Neste sistema é possível determinar um ponto fixo para descarga dos grãos, sendo realizado sempre nas extremidades dos talhões, próximo a estradas, beiras de cercas ou canais de irrigação, eliminando os rastros ocasionados pelos tratores no meio do talhão, onde somente a colhedora causará danos na cultura. O cultivo do rebroto do arroz irrigado pode ser uma atividade lucrativa por necessitar de baixo investimento e ser desenvolvida em curto espaço de tempo, podendo produzir de 1.000kg/ha a 1.750kg/ha em um período de 70 dias, dependendo do clima e do solo. Experimentos realizados em Santa Catarina registraram uma produtividade de 2.750kg/ha, sendo baixa em relação à colheita principal, porém, devido ao baixo investimento torna-se


Figura 1 - Produtividade do rebroto do arroz irrigado em kg/ha

Além do ganho econômico, colheita reduz a ociosidade das máquinas agrícolas

rentável (Planeta Arroz, 2016). A granja Bock, no município de Alegrete, no Rio Grande do Sul, por exemplo, adota esta técnica há quatro anos em uma área sistematizada de aproximadamente 50 hectares. Na safra 2014/15, a propriedade cultivou a variedade BRS Irga 409, realizando uma aplicação de ureia a cinco dias da colheita principal na dose de 50kg/ha. A produtividade de arroz irrigado do rebroto foi de 1.000kg/ha, com 59% de grãos inteiros. O custo de produção médio calculado pelo agricultor foi de 100kg/ ha de arroz em casca, divididos entre ureia, combustíveis e manutenções preventivas das colhedoras, o que garantiu uma margem de lucro de 90%. Segundo o produtor, na colheita principal a margem de lucro não ultrapassa os 35%. No tocante à redução da ociosidade, cabe ressaltar que o produtor realiza a colheita principal nesta área da propriedade em cerca de 90 horas. Com a colheita do rebroto do arroz, o emprego da colhedora aumentou para 150 horas. Ao realizar um comparativo das duas últimas safras de rebroto na propriedade consegue-se visualizar uma baixa significativa na produção devido à safra 2015/16 ter sido um ano climaticamente atípico, com grandes perdas nas lavouras arrozeiras no estado do Rio Grande do Sul. Na área analisada nesta safra ocorreu excesso de precipitação pluviométrica. A colheita principal teve uma grande

O cultivo do rebroto do arroz irrigado pode ser uma atividade lucrativa por causa do baixo investimento

baixa e consequentemente a colheita do rebroto também, conforme mostra a Figura 1. Na região da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, a técnica de colher o rebroto do arroz irrigado ainda é algo inovador. Trata-se de uma iniciativa econômica que pode alavancar a produção neste período, pois outras atividades não teriam a mesma lucratividade que o rebroto. Fica evidenciado, ainda, que o cultivo do rebroto do arroz irrigado é uma excelente forma de reduzir a ociosidade das máquinas utilizadas na lavoura arrozeira, que normalmente são dimensionadas para grandes picos de trabalho ao longo da safra

e permanecem inativas durante o restante do ano. Um dos grandes entraves à maior aceitação da técnica refere-se às áreas que são arrendadas, onde normalmente após a colheita implanta-se uma pastagem cultivada, utilizada pelo proprietário da área no período da entressafra. Nesse caso, cabe a locador e locatário entrarem em acordo, sempre com vistas ao aumento do rendimento técnico e C financeiro da lavoura arrozeira. Rômulo Bock, Bruno Pilecco Bisognin e Vilnei de Oliveira Dias Dias, Lamap-Unipampa Alegrete

ARROZ E MÁQUINAS

C

om uma produção anual entre 11 e 13 milhões de toneladas de arroz nas últimas safras, o Brasil participa com 79,3 % da produção do Mercosul, seguido pelo Uruguai, Argentina e, por último, o Paraguai, que já representa mais de 2,5 % do total produzido pelo bloco. O Rio Grande do Sul se destaca como o maior produtor nacional, sendo responsável por mais de 61% do total produzido no Brasil, seguido por Santa Catarina com produção de 8% a 9 %. Esse grande volume produzido nos dois estados do Sul, totalizando aproximadamente 70 %, é considerado estabilizador para o mercado brasileiro e garante o suprimento desse cereal à população brasileira (SOSBAI, 2010). A Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul é uma grande produtora de arroz irrigado com aproximadamente 333.680 hectares cultivados, com uma produtividade média de 7827kg/ha, sendo uma das mais altas do estado. O arroz é uma cultura anual, pode ser cultivado em sistema com nivelamento da superfície (Sistematizado) que

necessita de nivelamento do solo, plantio, tratos culturais e colheita; ou em sistema com superfície do solo desnivelada (em taipa), que demanda um grande número de operações agrícolas: preparo primário e secundário do solo, nivelamento das curvas de nível, entaipamento do solo, plantio, tratos culturais, colheita. No entanto, independentemente do sistema de cultivo, a colheita do arroz irrigado pouco se diferencia. Sabe-se que os custos de aquisição das máquinas agrícolas são elevados, com juros de pelo menos 8,5% ao ano, o que se torna um alto investimento que deve ser pago em prazos de 8 anos a 10 anos. Entretanto, nem todas as máquinas são utilizadas durante todo o ano. As colhedoras, por exemplo, operam geralmente nos meses de fevereiro a abril, com ciclo médio de colheita de um mês, ficando ociosas no restante do tempo. Este fato é potencializado quando não há um planejamento da mecanização, onde o número de máquinas é superior ao necessário.

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Café

Avanços no controle Paulo Rebelles Reis

Praga com poder para causar prejuízos sérios em cafezais, a broca-do-café Hypothenemus hampei tem se comportado de modo dinâmico ao longo dos anos no Brasil, ao mesmo tempo em que as medidas de combate ao inseto se aprimoram com novas estratégias, ferramentas e tecnologias

A

broca-do-café, Hypothenemus hampei (Ferrari, 1867) (Coleoptera: Curculionidae, Scolytinae), é considerada a segunda praga em importância do cafeeiro Coffea spp. na maioria das regiões cafeeiras do Brasil. Conhecida no país desde 1922, até 1970 era considerada a principal praga. Depois passou a ser a segunda ou até terceira em importância, com exceção da Zona da Mata de Minas Gerais, estados do Espírito Santo e Rondônia. Ainda, lavouras muito próximas às grandes represas e aos cafezais irrigados, devido à alta umidade e temperatura, proporcionam condições ideais para o desenvolvimento e a sobrevivência do inseto na entressafra. A fêmea adulta é um pequeno besouro de cor preta, luzidia, medindo aproximadamente 1,7mm de comprimento por 0,7mm de largura. O macho, menor, tem aproximadamente 1,2mm de comprimento por 0,5mm de largura, não voa por ter as asas posteriores

atrofiadas. Permanece sempre dentro dos frutos, onde realiza a fecundação das fêmeas. A fêmea perfura o fruto, desde verde (chumbão) até maduro (cereja) ou quase seco (passa), geralmente na região da coroa, cavando uma galeria com cerca de 1mm de diâmetro até atingir a semente. No ciclo evolutivo da broca, o desenvolvimento do macho é mais rápido (dois instares larvais) que o desenvolvimento da fêmea (três instares larvais).

DANOS CAUSADOS

Os danos são causados pelas larvas que vivem no interior da semente de café, onde se alimentam, causando a queda de frutos, redução do peso dos grãos (prejuízo quantitativo) e redução da qualidade do café por meio da alteração no tipo e às vezes da bebida (prejuízo qualitativo). Geralmente uma só semente é atacada e raramente as duas, podendo, portanto, a destruição do fruto ser parcial ou total.

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Inicialmente, o prejuízo se dá com a queda de frutos (chumbinhos). Para Coffea arabica L. já foi constatado que a broca aumenta a porcentagem de queda natural da ordem de 8% a 13% e para Coffea canephora Pierre & Froehner (‘Conillon’) é responsável por uma queda de frutos da ordem de 46%, por ser essa cultivar mais suscetível. Os frutos broqueados que não caem, sofrem redução de peso, que pode chegar a 21% ou 12,6kg por saco de 60kg de café beneficiado. A qualidade do café é alterada diretamente pelo ataque da broca, passando do tipo 2 ao tipo 7 somente com o aumento da infestação, pois dois a cinco grãos broqueados constituem um defeito. As perdas aumentam durante a operação de descascamento devido à fragilidade que o grão atacado apresenta, sendo quebrado e descartado com a ventilação da máquina de descascar. Os danos provocados pela broca começam quando a infestação atinge 7% a 10% nos frutos da maior florada (Figura 2). A qualidade da


Figura 1 - Ciclo biológico da broca-do-café, Hypothenemus hampei

Macho com asas posteriores atrofiadas (esquerda) e fêmea com asas posteriores normais (direita) que possibilitam o voo

bebida do café não é diretamente influenciada pelo ataque da broca, mas indiretamente pela facilidade que os danos proporcionam à penetração de micro-organismos, como fungos dos gêneros Fusarium e Penicillium, que estão relacionados com a alteração da qualidade da bebida do café.

MONITORAMENTO DA BROCA

Para que o controle seja iniciado em época correta, devem ser efetuadas amostragens periódicas dos frutos, nos diversos talhões da lavoura, começando pelas partes mais baixas e úmidas. O monitoramento da broca deve ser iniciado na época de “trânsito” do inseto, aproximadamente três meses após a grande florada (outubro), quando forem observados nas rosetas os primeiros frutos broqueados, e realizado até abril. Nessa época de “trânsito” as fêmeas adultas do inseto abandonam os frutos remanescentes da safra anterior, onde se criaram, voam e perfuram frutos verdes desenvolvidos (chumbões) da safra seguinte.

MÉTODOS DE CONTROLE

O controle cultural talvez seja o mais

eficiente método de controle. Os cafezais devem ser plantados em espaçamentos que permitam um maior arejamento e penetração de luz, a fim de propiciar baixa umidade do ar em seu interior, condição que é desfavorável à praga, além de permitir a circulação de pulverizadores acoplados a tratores. Mais importante ainda como um método cultural é a colheita do café, que deve ser muito bem feita, devendo ser evitado que fiquem frutos nas plantas e no chão, nos quais a broca poderá sobreviver na entressafra (frutos remanescentes), principalmente se a entressafra for chuvosa. Após a colheita, caso tenham ficado muitos grãos nas plantas e no chão, é recomendável fazer o repasse ou a catação dos frutos remanescentes da colheita. Estudo realizado com C. canephora cv. Conillon, no Espírito Santo, mostrou que, cinco meses após a colheita, cerca de 72% dos frutos remanescentes estavam atacados pela broca, e em Rondônia perto de 76%. Esses dados

evidenciam a importância da colheita bem feita e do repasse, principalmente em lavouras não mecanizadas, onde as pulverizações são difíceis de serem realizadas. A colheita deve ser sempre iniciada nos talhões mais infestados, a fim de que sejam evitados maiores prejuízos, pois a broca apresenta grande capacidade de reprodução e, em anos de alta infestação, os últimos talhões a serem colhidos apresentarão, sem dúvida, maiores populações de broca e consequentemente maiores prejuízos.

CONTROLE BIOLÓGICO

Apesar de existirem outras formas de controle biológico, uma delas reside no emprego do fungo entomopatogênico Beauveria bassiana (Bals.-Criv.) Vuill. Já constatado no

Fêmea adulta da broca-do-café fora do fruto e orifício de penetração no fruto de café ainda verde, na lateral da coroa, região central do fruto

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Tabela 1 - Alguns inseticidas com registro no Mapa para uso no controle da broca-do-café no Brasil Nome comercial Azamax Benevia Bovemax EC Lorsban 480 BR Vexter Klorpan 480 EC Tracer Trebom 100 SC Verimark Voliam Targo Copros Instivo

Nome Formulação comum Azadirachtin - regulador de crescimento de origem vegetal do grupo químico tetranortriterpenóides EC Cyantraniliprole - grupo químico das diamidas antranílicas OD Beauveria bassiana - microbiológico EC

Dose ml/ha 800 1.500 1.500

Chlorpyrifos - grupo químico organofosforados

EC

1.500

Spinosad - de origem biológica do grupo químico das espinosinas Ethofenprox - grupo químico éter difenílico Cyantraniliprole - grupo químico das diamidas antranílicas. Obs.: para uso só em pivô central Abamectin + Chlorantraniliprole - origem biológica do grupo químico das avermectinas + grupo químico das diamidas antranílicas

SC SC SC

300 - 500 1.250 500

SC

1.000

FONTE: Agrofit (outubro de 2016).

Figura 2 - Perda de peso de café beneficiado em função da porcentagem de infestação pela broca-do-café Corte de fruto de café mostrando a presença de larvas da broca em seu interior e destruição parcial

limitando-se a alguns talhões. Em lavouras irrigadas, o controle químico pode ser necessário na maioria dos talhões. Os ingredientes ativos e produtos comerciais com registro no Brasil para uso em cafeeiro no controle da broca-do-café encontram-se relacionados na Tabela 1.

NOVAS PESQUISAS PARA O CONTROLE QUÍMICO DA BROCA-DO-CAFÉ

FONTE: Reis et al. (1984); Reis (2002). Observação: Na figura a cor verde significa perda insignificante (3% a 5% de infestação); cor amarela requer atenção, início de perda (entre 5% e 10% de infestação) e cor vermelha as perdas são significativas (entre 10% e 100% de infestação).

Brasil, este fungo vem sendo desenvolvido por meio de pesquisas, porém ainda sem uma perspectiva de uso eficiente como único agente de controle. O tempo nublado e a alta umidade relativa (mínimo de 80%) são condições que favorecem a infecção da broca por B. bassiana. Essas condições, ideais para o fungo, nem sempre são encontradas em cafezais com espaçamento convencional, o que provavelmente torna os adensados, sombreados ou arborizados, como promissores ao controle da broca com o uso de fungos entomopatogênicos. Produtos comerciais contendo o fungo B. bassiana como ingrediente estão relacionados na Tabela 1.

a 5% de frutos broqueados, se possível ainda naqueles frutos em que a broca não tenha alcançado a semente, onde será morta por contato ou ingestão com o inseticida aplicado, antes que coloque ovos. Como o ataque não se distribui uniformemente em uma lavoura, recomenda-se o controle apenas nos talhões cuja infestação já atingiu o NC. Portanto, na maioria das vezes, o controle não é feito em toda a lavoura, mas

Diversas moléculas em teste para o controle da broca-do-café vêm se destacando nas diversas regiões cafeeiras do Brasil, algumas em misturas, como os princípios ativos metaflumizone (Verismo, Basf), ethiprole (Curbix - Bayer), ethiprole + imidacloprid (Bayer), bifenthrin + acetamiprid (UPL 183 FP BR - UPL/United Phosphorus Limited), imidacloprid + bifenthrin (Galil - Adama), indoxacarb + novaluron (Plethora - Adama), já com resultados promissores para o controle C da broca-do-café no Brasil. Paulo Rebelles Reis, Epamig Sul de Minas/EcoCentro

CONTROLE QUÍMICO CONVENCIONAL

O controle químico é considerado eficiente e rápido em espaçamentos que permitam o uso de pulverizadores acoplados a tratores, ao contrário da cafeicultura adensada e/ou sombreada. A tática do controle químico muitas vezes é a única disponível para manter a praga abaixo do nível de controle (NC), que é de 3%

Fruto de café com broca morta pelo fungo Beauveria bassiana na entrada da galeria. As manchas brancas são hifas, conidióforos e conídeos do fungo no corpo da broca que morreu na entrada da galeria

44 Dezembro 2016 / Janeiro 2017 • www.revistacultivar.com.br


Empresas

Plataforma itinerante

tas das áreas de manejo de plantas daninhas, pragas e tecnologia de aplicação.

MANEJO DE PLANTAS DANINHAS

O professor da Universidade de Passo Fundo e especialista em manejo de plantas daninhas Mauro Rizzardi é o responsável pelo conteúdo relacionado a esse tema. O objetivo do módulo é fomentar as estratégias para um manejo integrado, auxiliando o produtor a identificar as plantas daninhas presentes na sua lavoura, contando com a ajuda de um herbário e sementário. Também serão usados os jogos interativos Identifique as Plantas Daninhas e Roleta Mecanismos de Ação dos Herbicidas.

MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS

Dow AgroSciences lança Expedição da Agricultura para a Vida, que percorrerá 13 estados brasileiros em 2017 e projeta treinar aproximadamente três mil pessoas de diversas áreas agrícolas

A

Dow AgroSciences apresentou em novembro a Expedição da Agricultura para a Vida, uma novidade no Programa de Boas Práticas Agrícolas, que pretende levar treinamento a aproximadamente três mil pessoas de 13 estados brasileiros, em 2017. O lançamento ocorreu na Estação Experimental da empresa, em Mogi Mirim, São Paulo. A plataforma itinerante, desenvolvida especificamente para o Brasil, tem por objetivo levar conhecimento, de forma interativa, a partir de ferramentas multimídias e conteúdo técnico para um público tecnicamente qualificado. Dirigido a consultores, agrônomos e técnicos, a iniciativa tem como uma de suas prioridades a disseminação de Boas Práticas Agrícolas a fim de otimizar recursos e prover maior sustentabilidade para o agronegócio. Será utilizado um caminhão de sete metros de comprimento e 3,5 metros de largura, com baú 100% adaptado e dividido em ambientes (ou estações), projetado para ser montado de forma rápida, sem precisar de um grande espaço. A Expedição deve começar pelo Rio Grande do Sul. A coordenadora de Boas Práticas Agrícolas da Dow AgroSciences, Ana Cristina Pinheiro, explica que a empresa vem investindo muito nos últimos anos em gestão segura e responsável dos produtos que a companhia comercializa, envolvendo todo seu ciclo. “A Dow AgroSciences vem trabalhando muito a questão das boas práticas agrícolas, incen-

tivando o uso responsável. Um dos exemplos é o Programa de Aplicação Responsável, parceria desenvolvida entre a Dow e a Unesp de Botucatu que teve início em 2010 e que se fortalece a cada a cada ano”, citou. O objetivo foi trabalhar com a conscientização e a eficácia de uma boa aplicação de defensivos agrícolas. O projeto já percorreu cerca de dois mil municípios e foram capacitadas mais de 15 mil pessoas. “É um número bastante expressivo. A Expedição Agricultura para a Vida é um projeto inovador”, avalia. O projeto conta com o apoio de diversas instituições acadêmicas e também de pesquisadores internos da companhia. “Estamos comprometidos em prover uma agricultura sustentável, com capacitação profissional, preservando o meio ambiente, maior proteção para os trabalhadores, disseminando informações técnicas para garantir a proteção da lavoura à mesa, com alimentos seguros e saudáveis”, garante. Além desse projeto, a empresa lançou uma biblioteca digital para levar informações de forma ágil, simples e didática para estudantes, produtores e a todas as pessoas que estão envolvidas na produção de alimentos. O projeto também conta com o apoio do renomado chef de cozinha Henrique Fogaça, que reconhece na agricultura responsável o meio fundamental para se obter alimentos seguros e saudáveis. O trabalho contará com diversas estações, coordenadas por especialis-

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Coordenado pelo pesquisador Antônio Cesar Santos, da Dow AgroSciences, o objetivo da estação é mostrar, através de uma apresentação teórica e reforçada com diferentes experiências interativas, algumas estratégias que devem ser adotadas no Manejo Integrado de Pragas. Os jogos interativos são Plante Refúgio, Identifique as Pragas e Mecanismos de Ação dos Inseticidas.

TECNOLOGIA DE APLICAÇÃO

Sob coordenação do professor da Unesp de Botucatu, Ulisses Antuniassi, que também é especialista em tecnologia de aplicação, a intenção é mostrar a qualidade das aplicações como forma de obter uma melhor eficácia e reduzir o risco de deriva. Essa estação terá uma sala escura, para grupos de três a quatro pessoas, onde será feita uma demonstração a fim de mostrar a diferença no tamanho das gotas com auxílio de uma luz estroboscópica.

TENDA TECNOLOGIA DE APLICAÇÃO

Serão apresentados nesta tenda dois equipamentos, sendo um Espectrofotômetro de gotas e um Simulador de Deriva, que são portáteis, com funções didáticas e têm por objetivo educar e treinar os consultores quanto à forma e às medidas corretas nas pulverizações C de defensivos agrícolas.

Ana Cristina destacou preocupação da companhia com ciclo completo dos produtos


COLUNA MERCADO AGRÍCOLA

Legado deixado por Obama para o agronegócio O presidente norte-americano Barack Obama, quando assumiu o governo dos EUA há oito anos, gerou grandes temores para o setor agrícola americano, porque no ano anterior o ex-presidente George Bush tinha criado a lei dos biocombustíveis e o temor geral do setor produtivo e da indústria americana era de que Obama, vindo do partido Democrata, cancelasse o programa, especialmente em uma época em que houve forte alta nos preços dos alimentos no mundo e em que a opinião pública e parte da mídia se posicionavam contrárias ao uso de grãos para a produção de energia. Mas os temores não se confirmaram e agora, nos seus últimos momentos de governo, Obama deu mais um sinal positivo para o setor agrícola ao instituir novas normas para as misturas de combustíveis renováveis sobre combustíveis fósseis, com o objetivo de diminuir o impacto ambiental ou reduzir o ritmo do aquecimento global e também para manter renda no campo. Nesta nova etapa, os EUA deverão passar a usar cerca de 15 bilhões de galões de etanol na gasolina - ou 57 bilhões de litros -, um avanço importante porque neste ano o consumo foi de aproximadamente 50 bilhões de litros. Esse avanço vai demandar muito mais milho, saindo de pouco mais de 134 milhões de toneladas do grão apontadas pelo USDA neste último mês para algo que poderá superar 140 milhões de toneladas. A nova legislação é benéfica para o setor produtivo americano em ano de safra recorde histórica, mas isso também é positivo para o restante do mercado global, porque diminuirá o volume de milho disponível para ser exportado, o que abre oportunidades para o grão, inclusive da nova safrinha brasileira. O fato é que na derradeira saída do cargo o presidente norte-americano teve uma grande atitude porque preserva o ambiente e cria uma onda positiva no consumo dos biocombustíveis. O biodiesel, que tem sua base no óleo de soja, também está sendo beneficiado e deverá sair de menos de sete milhões de litros consumidos para a casa dos oito bilhões de litros consumidos. E isso também é um grande fator novo de demanda que trará efeitos positivos em longo prazo ao Brasil. Ou seja, para o agronegócio, Obama fecha seu mandato com uma “canetada de ouro”. MILHO

Plantio fechado e boas expectativas de produção

O ano está fechando com o milho em ritmo lento, com pressão de baixa e excelentes condições das lavouras da safra de verão. Se permanecer este cenário, haverá cerca de dez milhões de toneladas a mais que no ano passado e isso servirá de apoio positivo para o setor de ração, que sofreu com a escassez do cereal neste ano. Mesmo assim, com safra cheia e calmaria há pouco espaço para grandes baixas, porque sempre haverá a exportação como suporte e, em tempos de dólar em alta, pouco espaço para grandes baixas deve ser esperado à frente.

comprador e o fundamento demanda segue forte. FEIJÃO

Calmaria neste final de ano

O mercado do feijão, que proporcionou excelentes cotações aos produtores, chegando a alcançar níveis na faixa de R$ 600,00 pela saca do Carioca, vai fechando o ano com patamares de pouco mais de R$ 200,00 a casa. Mesmo assim, com lucros aos produtores e a caminho de um novo ano em que tudo indica a volta da boa demanda e mais rentabilidade. ARROZ

SOJA

De volta aos negócios

O mercado da soja brasileira registrava negócios em ritmo lento, desde o mês de junho, na exportação. Mas nesta reta final do ano voltou a animar os produtores, com os portos registrando valores acima de R$ 86,00 a saca de 60 quilos. Houve fechamentos nestes níveis nos portos para bons volumes e muitos vendedores aproveitaram para se posicionar e garantir renda. Os níveis atuais são lucrativos e desta forma os produtores devem seguir vendendo nos momentos que as cotações mostrarem estes ajustes. Ainda é possível que ocorram boas oportunidades à frente, porque o mercado mundial se mantém muito

Safra plantada em boas condições

A safra do arroz no Rio Grande do Sul está plantada e em boas condições, bem diferente do cenário de perdas que apresentou no ano anterior. A expectativa é de que o estado gaúcho colha algo próximo de 8,5 milhões de toneladas, contra pouco mais de 7,3 milhões de toneladas. Isso trouxe calmaria para este fechamento de ano. Para 2017 haverá necessidade de uma boa estratégia de comercialização que possibilite aproveitar os momentos rentáveis e aguardar quando houver muita oferta e cotações menores. Será um bom ano, mas terá de ser bem administrado.

CURTAS E BOAS TRIGO - O mercado do trigo fechou a colheita de uma grande safra no Brasil e as cotações estão abaixo da expectativa dos produtores, que para obter melhor renda terão de esperar para negociar depois de fevereiro. O fator positivo reside no fato de que o dólar está mais caro e o trigo importado chegará ao País com valores majorados. Desta forma, após março o setor tende a vender melhor. O segmento de ração já consumiu muito grão neste ano e assim ajudou a aliviar a pressão da oferta junto aos moinhos. ÁSIA - O inverno chegou à safra local, colhida com perdas localizadas. O que sobram são recomendações e proibições de novos plantios em vários pontos da região, porque o ano foi de poucas chuvas e muitas regiões não terão água para a nova safra. Assim, a tendência novamente será de pouco plantio de arroz no começo de 2017, abrindo espaço para recuperação das cotações. CHINA - As importações de grãos da China avançaram a passos largos, com o país comprando agressivamente nos EUA. O ritmo de

negócios está acelerado e os indícios são de que o esmagamento chinês segue com lucros e a demanda de soja em crescimento forte. UCRÂNIA - Muitos produtores plantam antes da neve para que a safra chegue depois, na primavera, e neste ano há indicativos de perdas. Os mesmos rumores são ouvidos na Austrália, onde as geadas causaram grandes perdas no trigo local, o que diminuirá o volume para exportar em 2017. ARGENTINA - A safra de grãos está em plantio e deverá avançar até janeiro, com indicativos de aumento em milho e queda em soja. O primeiro deve crescer mais de um milhão de hectares e a oleaginosa, por enquanto, tem apontamentos de redução de meio milhão de hectares. Mas este número poderá crescer, porque o governo de Mauricio Macri optou por manter o imposto de exportação inalterado em 30% para 2017 na maior parte do país e isso inviabiliza muitas lavouras. Desta forma, somente no final de janeiro é que C será possível saber com exatidão qual foi a queda. Vlamir Brandalizze

brandalizze@uol.com.br • Twitter@brandalizzecons • brandalizzeconsulting.com.br

48 Dezembro 2016 / Janeiro 2017 • www.revistacultivar.com.br


COLUNA AGRONEGÓCIOS

O

Serviço ambiental de polinização sob ameaça

s polinizadores prestam um serviço ecossistêmico chave por polinizar não apenas as culturas, mas também plantas silvestres. Estima-se que 35% da produção agrícola global e 85% da flora não cultivada dependem, em algum grau, da polinização. Não apenas as abelhas são responsáveis pela polinização das plantas, mas este grupo é reconhecido como o mais importante em escala global. Mais de 20 mil espécies de abelhas - pertencentes a várias famílias da ordem Hymenoptera - já foram descritas, e um número indefinido delas ainda é desconhecido. Só no Brasil já foram identificadas quase três mil espécies de abelhas, 80% delas encontradas na Floresta Amazônica. Apesar da sua importância para o bem-estar humano, a biodiversidade em uma escala mais ampla e os serviços ecossistêmicos naturais - como a polinização -, em uma análise mais restrita, são prejudicados por atividades antrópicas. Uma avaliação realizada pelo World Resource Institute, em 2005, estimou que 60% dos serviços dos ecossistemas - incluindo a polinização - estão sendo degradados ou não estão sendo regenerados com a rapidez necessária para atender a demanda. Existe enorme preocupação com o declínio da população de abelhas, em escala global e, consequentemente, com a eficácia dos serviços de polinização, o que pode representar uma ameaça significativa para o bem-estar futuro da humanidade. Em se tratando especificamente da abelha doméstica (Apis mellifera), é mister salientar que o número de colmeias existentes no mundo aumentou nos últimos 50 anos, apesar de haver ocorrido forte redução em alguns países europeus e norte-americanos.

AÇÃO GLOBAL

A Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversityand Ecosystem Services (IPBES), que atualmente tem 124 países membros, foi criada há quatro anos, como um órgão independente ligado à ONU, com a missão de avaliar a situação da biodiversidade do planeta, seus ecossistemas e os serviços essenciais que prestam à sociedade. De acordo com a avaliação do IPBES, um número crescente de espécies de polinizadores está sob ameaça de extinção, em decorrência de diversas pressões adversas, muitas delas com origem em

atividades humanas, ameaçando os meios de subsistência de comunidades que dela dependem, e colocando em risco centenas de bilhões de dólares da produção agrícola. O IPBES menciona algumas estatísticas importantes para ilustrar a interface entre os serviços de polinização e a agricultura, tais como: • Existem cerca de 20 mil espécies de abelhas selvagens, além de uma grande quantidade de espécies de borboletas, mariposas, vespas, besouros, pássaros, morcegos e outros vertebrados que contribuem para a polinização; • Quase 75% das culturas alimentares do mundo dependem - pelo menos em parte - dos serviços de polinização; • O valor anual das culturas globais diretamente afetadas pelos polinizadores pode chegar a 567 bilhões de dólares; • O valor do serviço de polinização é estimado em quase 250 bilhões de dólares anuais, só para a Europa; • Nos últimos 50 anos, o volume da produção agrícola dependente de polinização por animais aumentou mais de 300%, com a expansão da agricultura; • Quase 90% das plantas selvagens dependem, em certa medida, da polinização animal;

Apesar da sua importância para o bemestar humano, a biodiversidade em uma escala mais ampla e os serviços ecossistêmicos naturais - como a polinização -, em uma análise mais restrita, são prejudicados por atividades antrópicas

• A produção mundial de mel da abelha doméstica atinge 1,6 milhão de toneladas anuais; • Mais de 15% dos polinizadores vertebrados estão ameaçados de extinção; • E mais de 40% das espécies de polinizadores invertebrados - especialmente abelhas e borboletas - estão enfrentando o risco de extinção.

AMEAÇAS

Existe um conjunto de fatores responsáveis pela diminuição da população de polinizadores, incluindo: • 1 - A perda de habitat e a simplificação dos ecossistemas, reduzindo a oferta de abrigo e a quantidade, qualidade, frequência e diversidade de recursos alimentares necessários para os polinizadores; • 2 - A introdução de espécies invasoras no ambiente, prejudicando o equilíbrio entre plantas e polinizadores; • 3 - O surgimento e a disseminação de pragas novas ou tradicionais que afetam tanto as abelhas nativas quanto as domésticas; • 4 - O impacto negativo da aplicação de pesticidas sobre polinizadores, incluindo os efeitos agudos e subletais; • 5 - As mudanças climáticas globais, tornando alguns ambientes inadequados ou menos adequados para os polinizadores. Além desses aspectos-chave, é digno de mencionar outras fontes de impactos negativos sobre polinizadores, especialmente para espécies de abelhas de criação. Entre elas estão consanguinidade genética; vários estresses aos quais as abelhas são submetidas, como alimentação, transporte e temperatura; práticas não adequadas de manejo das colmeias, especialmente do ponto de vista da saúde das colônias; e a crescente dependência de abelhas domesticadas para a polinização de cultivos, que pode competir com polinizadores selvagens por recursos cada vez mais escassos. Pela importância do serviço ambiental de polinização é fundamental que todos os interessados, incluídos produtores, governos, universidades, instituições de pesquisa, iniciativa privada e os diferentes atores das cadeias produtivas, estejam unidos e organizados em torno de uma proposta única de reverter o quadro atual, para evitar os impactos negativos previstos, caso a redução da oferta do serviço de C polinização siga a tendência atual.

Decio Luiz Gazzoni O autor é engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja

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COLUNA ANPII

Segmento promissor O uso de micorrizas na agricultura brasileira ainda esbarra em vários fatores, como a falta de legislação que permita o registro desses produtos. No entanto, um passo importante foi dado para que empresas fiquem mais próximas de ofertar estes produtos no mercado

H

á mais de um século já se conhece a importância das micorrizas para grande parte das plantas nativas ou cultivadas. Fungos que se estabelecem nas raízes de plantas, formando com estas um sistema simbiótico, vêm sendo largamente estudados, deixando claro que em muitos casos são até mesmo indispensáveis para o desenvolvimento das plantas. Entretanto, se por um lado existe uma vasta literatura no Brasil e no exterior sobre este tema, ainda não há produtos disponíveis para a grande agricultura. Embora em alguns países, principalmente na Europa, já se produzam fungos micorrízicos para uso em lavouras, seu emprego ainda não entrou na agenda dos agricultores, salvo alguns pontos isolados, em especial em espécies florestais e hortícolas. Muitas vezes pode-se pensar: por que um fenômeno tão conhecido não é ainda utilizado na agricultura? Conhecendo-se os benefícios da simbiose e sua importância para as plantas, como não utilizá-lo largamente em uma agricultura tão tecnificada como a brasileira? Vários fatores têm contribuído para isto. A falta de pesquisas mais intensas, comprovando aumentos de produtividade, bem como dificuldades na produção de determinados tipos de fungos micorrízicos, tem atrasado a

entrada desta tecnologia na moderna agricultura. Alie-se a isto a falta de uma legislação que permita o registro destes produtos, dificultando que empresas bem estruturadas, que só trabalham com produtos registrados, possam entrar no mercado. Este último ponto, entretanto, está sendo equacionado, pois um grupo de pesquisadores da área já encaminhou ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) um modelo de legislação, inclusive com a metodologia de análise de produto, ponto fundamental para a comparação confiável para os compradores do inoculante. Como todo o produto novo, os inoculantes com fungos micorrízicos deverão passar por todo o trâmite técnico de comprovação de eficiência agronômica, para que os produtos colocados no mercado possam de fato atender às necessidades dos agricultores. Do ponto de vista de suporte científico, o Brasil conta atualmente com diversos centros de pesquisa que desenvolvem trabalhos sobre o uso de micorrizas em diversas culturas e que poderão fornecer todo o apoio às empresas que desejarem produzir e comercializar estes fungos. Os fungos micorrízicos exercem diversos papéis na planta, todos comprovados cientificamente tanto nacional como no âmbito internacional. O mais estudado é o aumento da área

de absorção de nutrientes e água. As hifas do fungo espalham-se no sistema radicular e funcionam como “raízes auxiliares” aumentando em muito a área de absorção. Por se tratar de um sistema simbiótico, os fungos absorvem a água e os nutrientes e os transportam para dentro da raiz. A planta, por sua vez, fornece os açúcares e outras substâncias orgânicas para os fungos. Mas a importância das micorrizas vai muito além disto. Os fungos, produzindo e liberando ácidos orgânicos na rizosfera, solubilizam o fósforo fixado no solo e o tornam assimilável pelas plantas. Diversos estudos comprovam aumentos no teor de fósforo em plantas com um bom sistema micorrízico. Além destes efeitos, fartamente demonstrados pela pesquisa, existem outros que já foram detectados, como barreira física para a entrada de fungos patogênicos nas raízes, aumento da resistência a fatores abióticos, em especial ao estresse hídrico, e indução de resistência a doenças. Desta forma, dentro do panorama de valorização dos produtos biológicos na agricultura, tendência que se consolida cada vez mais em todo o mundo, as micorrizas aparecem como uma nova linha destes produtos, podendo aumentar a oferta de tecnologias sustentáveis e rentáveis para a agricultura brasileira. A Associação Nacional dos Produtores e Importadores de Inoculantes (ANPII) está acompanhando a evolução deste segmento, para o qual as empresas associadas possuem capacitação técnica para ingressar tão logo haja a regulamentação por parte do Mapa. C Solon C. de Araujo, Consultor da ANPII

50 Dezembro 2016 / Janeiro 2017 • www.revistacultivar.com.br


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