Skip to main content

Cultivar 208

Page 1

C

Cultivar

Cultivar Grandes Culturas • Ano XVII • Nº 208 • Setembro 2016 • ISSN - 1516-358X

Destaques

Nossa capa

Mudança de sensibilidade - 26

Conheça os resultados dos ensaios realizados com 17 fungicidas avaliados pelo Consórcio Antiferrugem no combate à ferrugem asiática

André Shimohiro

Índice

Bola da vez - 10

A recente resistência de capim pé-de-galinha à aplicação de glifosato

Diretas

05

Congresso Brasileiro do Agronegócio

08

Resistência de capim pé-de-galinha

10

Plantas daninhas resistentes

12

Manejo do bicudo-do-algodoeiro

16

Bicho-mineiro em café

22

Nossa capa - Fungicidas contra ferrugem

26

Capim-camalote em cana

30

Mercado de produtos biológicos

34

Manejo de pragas em milho

36

Tratamento de sementes de milho

40

Informe - Sementes tratadas

43

Empresas - Boas práticas agrícolas

44

Empresas - Investimentos em tecnologia

48

Coluna Agronegócios

50

Coluna Mercado Agrícola

52

Coluna ANPII

54

Guerra incessante - 16 Os eternos desafios de manejar o bicudo, principal praga em algodoeiro

Expediente Fundadores: Milton Sousa Guerra e Newton Peter

REDAÇÃO • Editor

Gilvan Dutra Quevedo

• Redação

Rocheli Wachholz Karine Gobbi

• Design Gráfico e Diagramação

Cristiano Ceia

• Revisão

CIRCULAÇÃO

Aline Partzsch de Almeida • Coordenação Simone Lopes

COMERCIAL • Coordenação

Charles Ricardo Echer

• Vendas

Sedeli Feijó

Rithieli Barcelos

• Assinaturas

Natália Rodrigues Clarissa Cardoso Aline Borges Furtado

• Expedição

Edson Krause

GRÁFICA: Kunde Indústrias Gráficas Ltda.

Grupo Cultivar de Publicações Ltda. CNPJ : 02783227/0001-86 Insc. Est. 093/0309480 Rua Sete de Setembro, 160, sala 702 Pelotas – RS • 96015-300 Diretor Newton Peter www.grupocultivar.com cultivar@grupocultivar.com Assinatura anual (11 edições*): R$ 269,90 (*10 edições mensais + 1 edição conjunta em Dez/Jan)

Números atrasados: R$ 22,00 Assinatura Internacional: US$ 150,00 Euros 130,00 Nossos Telefones: (53) • Geral 3028.2000 • Comercial: • Assinaturas: 3028.2065 3028.2070 3028.2066 • Redação: 3028.2067 3028.2060

Por falta de espaço não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@grupocultivar.com Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.


DIRETAS Herbicidas

A FMC apresentou no Congresso Brasileiro da Ciência das Plantas Daninhas o desempenho da sua linha de herbicidas. “Este Congresso é uma ótima oportunidade para se aproximar de clientes e pesquisadores. Em breve, a companhia estará com grandes lançamentos para a cultura de cana-de-açúcar, consagrando a FMC como líder no mercado de cana”, informou o coordenador de Herbicida, Leonardo Lombardi Perez.

Novidade

Especialistas da Nufarm estiveram de plantão no estande da empresa no 30º Congresso de Ciência de Plantas Daninhas, onde apresentaram o herbicida ZethaMaxx, que acaba de receber registro oficial dos órgãos reguladores para as culturas de soja e feijão. Além disso, toda a linha de herbicidas da marca, formada por aproximadamente 20 produtos, incluindo Agritone, Crucial, Nufuron, Sumyzin 500, Texas, Tractor, Tucson, entre outros, esteve à disposição dos participantes.

Controle

A Bayer CropSciences destacou no Congresso de Plantas Daninhas o novo herbicida pré-emergente Alion - voltado para café, citros e cana-de-açúcar -, bem como o herbicida pós-emergente Liberty, que teve sua extensão para a cultura da soja aprovada recentemente, e a tecnologia LibertyLink, inserida nas variedades de soja comercializadas pela empresa. “O manejo integrado de plantas daninhas prevê iniciativas por meio de sementes tratadas, produtos de proteção de cultivos desenvolvidos com alta tecnologia e serviços customizados para a prevenção da lavoura, além de promover as melhores práticas de manejo no dia a dia do agricultor. Isso mostra que prevenir é melhor do que tratar”, avaliou o gerente de Portfólio de Herbicidas e Reguladores de Crescimento da Bayer, Mário Lussari.

Iniciativa 2,4-D

A Iniciativa 2,4-D, formada pelas empresas Atanor, Dow AgroSciences e Nufarm para gerar informação técnica sobre o uso correto e seguro de defensivos agrícolas, esteve presente no XXX Congresso Brasileiro da Ciência das Plantas Daninhas. No estande da Iniciativa 2,4-D os participantes puderam verificar algumas das ações desenvolvidas pelo grupo e os resultados obtidos. “Em nossos treinamentos, levamos pesquisadores para um bate-papo com agricultores de diversas regiões do País, proporcionando um compartilhamento de informações mútuo, principalmente sobre o manejo da resistência de plantas daninhas e tecnologia de aplicação”, explicou a coordenadora da Iniciativa 2,4-D, Ana Cristina Pinheiro.

Diretoria de Marketing

Presença

O pesquisador americano, especialista em resistência de plantas daninhas e cientista da Dow AgroSciences (uma das empresas da Iniciativa 2,4-D) Terry Wright foi um dos palestrantes durante o XXX Congresso Brasileiro da Ciência das Plantas Daninhas. O especialista destacou que a utilização de herbicidas com diferentes mecanismos de ação é uma estratégia que deve ser adotada pelos produtores para evitar o surgimento de daninhas resistentes. “Além disso, o controle de plantas daninhas deve ser realizado com ferramentas diversificadas, combinando o uso de herbicidas, rotação de culturas, culturas de cobertura, plantio direto e controle mecânico”, salientou Wright.

Terry Wright

Robison Serafim acaba de assumir a Diretoria de Marketing Unidade Sul da Syngenta, em Londrina, Paraná. De acordo com o executivo, seu principal desafio é maximizar a utilização das plataformas tecnológicas pelos clientes, fazendo com que o papel da empresa e dos profissionais agregue valor à agricultura e aos agricultores. Serafim iniciou sua carreira na Syngenta no ano de 2000 como assistente técnico, em 2002 foi contratado como RTV para contas-chave, promovido a gerente de Marketing na região Leste, atuando com café, citrus e hortaliças e frutas. Também passou pela gerência de Marketing para Soja no Cerrado e atualmente estava à frente dos Negócios de Fungicidas Brasil.

Robison Serafim

www.revistacultivar.com.br • Setembro 2016

05


Manejo integrado

A Basf apresentou durante o Congresso Brasileiro da Ciência das Plantas Daninhas o herbicida Heat, que tem como objetivo acelerar a dessecação das principais invasoras de folhas largas de difícil controle, como corda-de-viola e cipós em geral. Já o herbicida Plateau é recomendado para o manejo de importantes plantas daninhas na cultura da cana-de-açúcar, como o capim-colchão e a tiririca. “Atualmente, não é possível controlar plantas daninhas somente com um método específico. É preciso seguir um manejo integrado como rotação de culturas, uso de herbicidas com diferentes mecanismos de ação, capinas manuais, controle biológico”, afirma o gerente sênior de Desenvolvimento de Mercado da Basf, Sergio Zambon.

Comemoração

A Microquímica celebra 40 anos com bons motivos para comemorar. Com crescimento expressivo no mercado nacional, encerrou 2015 com aumento acima de 20% no faturamento em comparação com 2014 e tem expectativa de novo saldo positivo acima de 20% com relação às vendas do ano passado. Para Anderson Nora Ribeiro, gerente de Marketing da Microquímica, os resultados reforçam o amadurecimento do trabalho que a empresa vem realizando ao longo destes 40 anos de história. “Estamos em 2016, um ano que trouxe inúmeros desafios no setor econômico nacional. No entanto, a Microquímica criou uma base que a fortaleceu nessas quatro décadas e nos possibilita passar por esse período de forma Anderson Nora Ribeiro mais segura e confiante.”

Inovação

Durante o XXX Congresso Brasileiro da Ciência das Plantas Daninhas, a UPL apresentou em primeira mão aos visitantes de seu estande, mais uma inovação para o manejo sustentável de plantas daninhas, inclusive as resistentes ou de difícil controle, o Fascinate. Por ser um herbicida de amplo espectro de ação para a dessecação de pré-plantio em soja, milho e algodão, oferece ao agricultor a proteção do potencial produtivo destas culturas, que se consolida principalmente na fase inicial das lavouras. “Fascinate está em fase final da obtenção de registro e, em breve, chegará aos agricultores”, informou o gerente de Desenvolvimento de Mercado, Rafael Pereira.

Lavoura Limpa

A Syngenta lançou no Congresso de Plantas Daninhas 2016 o programa Lavoura Limpa, voltado a apontar as melhores soluções para o manejo de plantas daninhas resistentes ao glifosato, principalmente na cultura da soja. O programa é parte de um dos principais compromissos assumidos pelo Plano de Agricultura Sustentável da empresa, de aumentar em até 20% a produtividade média das principais culturas do mundo. "Com a resistência ao glifosato foi necessário criar um sistema de manejo adequado, que combina diferentes soluções, voltadas a momentos diferentes da cultura, para resolver o problema das plantas daninhas", explicou o gerente de Produtos da Syngenta, Francisco Gutierrez.

Expansão

De olho no crescente mercado agrícola brasileiro, a Albaugh amplia sua participação mundial e lança em agosto a Albaugh Brasil. Com investimentos iniciais de US$ 300 milhões, a empresa de origem norte-americana quer se firmar no País ampliando sua capacidade fabril e de distribuição. Segundo o presidente da Albaugh Brasil, Renato Seraphim, a empresa escolheu se expandir no País, pois trata-se do maior mercado de insumos agropecuários do mundo. “O agronegócio movimenta cerca de um quarto do PIB brasileiro e a produção e a produtividade, principalmente das commodities agrícolas, não param de crescer. Nosso objetivo é ser a melhor alternativa de custo x benefício para o Renato Seraphim produtor”, destaca o presidente.

Lançamento

A Nufarm reuniu a comunidade científica, consultores e produtores durante o XXX Congresso Brasileiro de Ciência das Plantas Daninhas para apresentar o herbicida Zethamaxx. O evento contou com a participação do diretor-presidente Brasil Luciano Torres Daher e também do diretor executivo Marketing Brasil da companhia, Vitor Raposo. “O novo produto representará uma solução de ponta, inovadora e exclusiva, para manejo de plantas invasoras nas culturas de soja e feijão, pois proporciona efeito residual prolongado e amplo espectro de controle de gramíneas e folhas largas. Essa característica também favorece o manejo de resistência de herbicidas, preservando a suscetibilidade das plantas daninhas à molécula do glifosato”, informou o gerente de Desenvolvimento de Produto e Mercado, Christian Thoröe Scherb.

06 Setembro 2016 • www.revistacultivar.com.br


Errata

O artigo “Questão de sensibilidade”, publicado na edição 207, agosto de 2016, tem como autora a pesquisadora Silvânia Helena Furlan, do Instituto Biológico e não do Frac-Brasil, como constou à página 39, não refletindo, portanto, a opinião do Comitê sobre o assunto resistência de fungos à aplicação de fungicidas.

Plantas daninhas

Com ênfase no manejo de ervas resistentes, a Arysta LyfeScience levou para o Congresso Brasileiro da Ciência das Plantas Daninhas a sua nova tecnologia, o SelectOne Pack para a cultura da soja. “O evento foi uma excelente oportunidade para a Arysta apresentar à comunidade acadêmica, instituições de pesquisas e consultores do segmento, soluções que comprovadamente ajudam os agricultores a obter níveis elevados de produtividade”, avaliou o gerente de Produto e Mercado Centro-Sul, Ricardo Dias. Já para a cana-de-açúcar o destaque foi o herbicida Oris. “É uma ótima ferramenta da Arysta para o manejo sustentável de plantas daninhas na cultura da cana-de-açúcar”, opinou o responsável pelo Marketing de Cana-de-açúcar, Lucas Rosa.

Adjuvante polifuncional

O destaque da Fortgreen no Congresso da Ciência das Plantas Daninhas foi o LI 700, um adjuvante polifuncional. "É uma ótima oportunidade para a Fortgreen participar deste congresso como patrocinadora, proporcionando uma maior aproximação com clientes, pesquisadores e formadores de opinião", avaliou a responsável por Marketing e Eventos, Lizandra Lacal.

Soluções

A Dow AgroSciences apresentou no XXX Congresso Brasileiro de Ciência das Plantas Daninhas tecnologias para o manejo correto de plantas daninhas, como os herbicidas Arylex, Tricea e Rinskor, além do Sistema Enlist. “O sistema é uma solução inovadora e extremamente efetiva para que o agricultor enfrente os crescentes problemas de matocompetição no campo, maximizando o potencial produtivo de suas variedades de soja e híbridos de milho”, explicou o Líder do Projeto Enlist no Brasil, Marcello Cunha.

Marcello Cunha


Eventos

Fotos Divulgação Abag

Liderança e protagonismo

15º Congresso Brasileiro do Agronegócio teve como objetivo gerar debates sobre os desafios de manter o Brasil na liderança mundial da produção de alimentos, fibras e energias renováveis

C

om a participação lideranças políticas, econômicas e do agronegócio brasileiro, a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) promoveu, no mês agosto, em São Paulo, o 15º Congresso Brasileiro do Agronegócio. O evento foi dividido entre painéis e palestras e contou com a presença de quase mil participantes. Durante o Congresso foram homenageados o sócio-fundador da Vignis, Sizuo Matsuoka, com o prêmio "Normam Borlaug"; e o governador do estado do Mato Grosso, Pedro Taques, com o prêmio de personalidade do agronegócio "Ney Bittencourt de Araújo". A premiação, segundo a Abag, é um reconhecimento ao trabalho desempenhado em favor do agronegócio mato-grossense e brasileiro. Na cerimônia de abertura, o presidente da Abag, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, falou da importância do agronegócio para o País e do protagonismo para estabelecê-lo no cenário agrícola mundial. “O agronegócio é muito importante para o Brasil, tem um crescimento contínuo e sua competitividade perante o mercado global é inegável. Mas precisamos lutar por diversas reformas para consolidar essa

liderança. Reformas, trabalhistas, tributária, previdenciária e política precisarão acontecer. E, para tanto, é preciso um posicionamento conjunto nosso, não isolado”, acrescentou Carvalho. "Brasil: hoje e amanhã" foi o tema da palestra que iniciou os trabalhos no dia 8. Arnaldo Jabor - cineasta, jornalista, escritor, roteirista, diretor e produtor cinematográfico - foi o responsável pela apresentação que avaliou o histórico político que levou o Brasil à situação política e econômica atual. A palestra foi seguida pelo painel "Liderança no agronegócio", que contou com a senadora pelo PP/RS, Ana Amélia Lemos; o presidente da Cooxupé, Carlos Alberto Paulino da Costa; o presidente do Conselho Diretor da Andef, Eduardo Leduc; o economista e sócio da MB Associados, José Roberto Mendonça de Barros; e a moderação do colunista de economia do Estadão, Celso Ming. Na avaliação da senadora, a atual conjuntura política exige dos líderes do agronegócio nacional um embate efetivo, uma liderança mais assertiva, muitas vezes, tomando o papel de instituições públicas. “Para consolidar essa liderança, temos de aumentar muito nossa

08 Setembro 2016 • www.revistacultivar.com.br

produtividade e ter uma visão de toda a cadeia produtiva”, acrescentou Leduc. O “Protagonismo do agronegócio” foi o tema do segundo painel do Congresso, que reuniu o embaixador Marcos Azambuja; o ex-ministro da Agricultura e atual coordenador da GVAgro, Roberto Rodrigues; a economista da XP Investimentos, Zeina Latif; e o representante da Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura, Marcelo Furtado. Quem mediou o debate foi o editor de agronegócios do Valor Econômico, Fernando Lopes. O último painel do dia discutiu "Ética e o Brasil" e contou com a presença do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carlos Ayres Brito; do economista Eduardo Giannetti da Fonseca; e do filósofo Luiz Felipe Pondé. O responsável pela moderação foi Augusto Nunes, colunista da Veja e apresentador do "Roda Viva", da TV Cultura. Além do Congresso, a Abag promoveu no dia 9 de agosto, também em São Paulo, um workshop para jornalistas com o tema “Sustentabilidade no agro”. O evento foi dividido em quatro palestras, a primeira a cargo da especialista em Uso Correto e Seguro de Agroquímicos do Sindiveg, Paula Arigoni, que abordou o Projeto Colmeia Viva, que prevê um diálogo entre agricultores e apicultores, promovendo o uso correto e seguro de defensivos, a fim de proteger as abelhas e o ambiente. A segunda palestra coube à gerente de Sustentabilidade do Inpev, Maria Helena Zucchi Calado, que destacou a importância do Sistema Campo Limpo para a sustentabilidade com a logística reversa das embalagens de agroquímicos. A terceira palestra foi apresentada por Marcelo Furtado, representante da Coalizão Brasil, Clima Florestas e Agricultura, que discutiu a necessidade da difusão de ações sustentáveis entre todos os elos da cadeia produtiva. O workshop foi encerrado pelo diretor executivo da Abag, Luiz Cornacchioni, que abordou aspectos relacionados ao trabalho C desenvolvido pela Associação.

Presidente da Abag, Luiz Carlos Carvalho, abordou importância do agronegócio para o Brasil


Plantas Daninhas

Bola da vez

Fotos Hudson Takano

Capim pé-de-galinha, Eleusine indica, é o mais recente caso de resistência à aplicação de glifosato no Brasil. Associações de herbicidas, emprego de pré-emergentes, rotação de mecanismos de ação e de culturas estão entre as medidas complementares em estudo para o manejo destas populações resistentes

A

resistência a herbicidas tem sido o centro das atenções dos profissionais envolvidos no manejo de plantas daninhas. Esta característica pode ser resumidamente definida como a capacidade de um biótipo em sobreviver à exposição de uma dose de herbicida que normalmente é letal para o biótipo suscetível. Mundialmente, mais de 470 casos de resistência a herbicidas já foram documentados, sendo que 41 destes episódios ocorreram no Brasil. O glifosato é o herbicida mais utilizado no Brasil e no mundo, portanto, os casos de resistência envolvendo este defensivo merecem atenção. No início, acreditava-se que a resistência a este herbicida seria pouco provável de ocorrer, devido às características do produto como amplo espectro de controle de plantas daninhas e ao baixo ou nulo efeito residual no solo. No entanto, em 1996 foi relatado o primeiro caso de resistência ao glifosato, e depois do início do cultivo da soja resistente a este herbicida, conhecida como soja RR, houve um grande aumento do número de espécies resistentes, devido à utilização excessiva do glifosato, em função da possibilidade de aplicação

em pós-emergência da cultura. No Brasil, as espécies resistentes ao glifosato já relatadas são a buva (Conyza sp.), o azevém (Lolium perene ssp. multiflorum), o capim-amargoso (Digitaria insularis), o capim-branco (Chloris elata) e o caruru (Amaranthus palmeri). Além destas espécies, nas últimas safras, problemas com escapes de capim pé-de-galinha (Eleusine indica) após a aplicação de glifosato têm sido observados no campo, em diversas regiões do País. O capim pé-de-galinha é uma gramínea de ciclo anual, com rápido crescimento, alta capacidade de competição com as culturas e que está presente em praticamente todas as regiões do Brasil e no restante do mundo. A ampla área de distribuição desta planta daninha deve-se principalmente à sua adaptação aos diversos ambientes, à produção de elevado número de sementes e mais recentemente à resistência a herbicidas. Diversos casos de resistência desta espécie têm sido reportados em outros países como Argentina, Estados Unidos, Austrália, Malásia, China, Japão, Bolívia, Filipinas e Colômbia. Estes casos podem ser de resistência simples ou resistência

10 Setembro 2016 • www.revistacultivar.com.br

múltipla, sendo que os mecanismos envolvidos são os inibidores da ACCase, inibidores da EPSPS, inibidores da GS-Gogat, inibidores do fotossistema I, inibidores da ALS e inibidores da formação de microtúbulos. No Brasil, o único caso de resistência reportado para esta espécie, até então, envolvia os herbicidas inibidores da ACCase. No sentido de avaliar se tais falhas de controle no campo estavam realmente relacionadas à resistência de capim pé-de-galinha ao glifosato, a Universidade Estadual de Maringá tem conduzido diversos trabalhos de pesquisa desde o ano de 2013. Nestes trabalhos, sementes de capim pé-de-galinha foram coletadas nas safras de 2013/2014 e 2014/2015 em áreas com histórico de aplicações de glifosato e cultivadas em sistema de sucessão soja/ milho, sendo em todos os casos, variedades de soja RR. Nestas áreas, a coleta foi realizada em plantas não controladas pela aplicação do herbicida em pós-emergência da soja. No primeiro ano foram avaliadas 14 diferentes populações oriundas de localidades dos estados do Paraná, Santa Catarina e Goiás, enquanto no


Presença de Eleusine indica em cultivo de soja

segundo foram 16 localidades somente no Paraná. Doses crescentes de glifosato (0, 60, 120, 240, 480, 960, 1.920, 3.840, 7.680 e 15.360g e.a./ha) foram aplicadas em dois estádios da infestante: com dois a três perfilhos e em plantas com cinco a seis perfilhos, avaliando-se a porcentagem de controle e massa seca aos 28 dias depois da aplicação. Os resultados obtidos mostraram que menores porcentagens de controle foram observadas para plantas em estádio mais avançado, necessitando de doses mais altas para o controle nestas situações. A partir destes resultados, duas populações da safra de 2013/2014 e 12 populações de 2014/2015 foram consideradas como potencialmente resistentes ao glifosato (fator de resistência entre 2 e 8). Dentre estas populações, uma de Luiziânia e outra de Campo Mourão apresentaram todos os atributos para comprovação de resistência, pois a dose necessária para obter 80% de controle (C80) foi maior que a registrada para o controle desta espécie, e as progênies destas populações também apresentavam as mesmas características. Além dos experimentos de dose resposta, o mecanismo de resistência também foi investigado comparando plantas resistentes e suscetíveis quanto ao acúmulo de chiquimato após apli-

Infestação de capim pé-de-galinha após a colheita do milho

Desde 2013 a UEM tem conduzido trabalhos de pesquisa com capim pé-de-galinha

cação do glifosato. O chiquimato é um substrato da reação em que o herbicida atua, portanto, após a aplicação do defensivo em plantas suscetíveis. Esta rota é interrompida e o chiquimato é acumulado, o que não ocorre em plantas resistentes. Os resultados revelaram diferenças significativas entre plantas suscetíveis e resistentes, corroborando com a hipótese de que as falhas de controle estariam associadas à seleção de populações resistentes. Posteriormente, fragmentos do gene que codifica a enzima EPSPS foram sequenciados, sendo encontrada uma substituição de um aminoácido na posição 106 da sequência do biótipo resistente. Isto demonstra que a resistência é causada por uma mutação no sítio de ação do glifosato, o que impede que o herbicida desempenhe a sua função. Portanto, foi comprovado que o

capim pé-de-galinha é um novo caso de resistência ao glifosato no Brasil e o mecanismo que confere a resistência envolve uma mutação no sítio de ação do herbicida. Neste sentido, novas pesquisas estão sendo desenvolvidas em conjunto pela Universidade Estadual de Maringá e a equipe técnica da cooperativa Coamo, com o objetivo de proporcionar medidas complementares de manejo destas populações resistentes, tais como associações de herbicidas, utilização de herbicidas pré-emergentes, rotação de mecanismos de ação, rotação de culturas e culturas C de cobertura, entre outras.

Testemunha sem aplic.

Hudson Takano, Rubem Silvério de Oliveira Jr. e Jamil Constantin, Universidade Estadual de Maringá Fernando Storniolo Adegas, Embrapa Soja

Resistente (960g e.a. ha-1)

Suscetível (960g e.a. ha-1)

Capim pé-de-galinha após a aplicação de glifosato (960g e.a. ha-1). Maringá (PR) 2016

www.revistacultivar.com.br • Setembro 2016

11


Plantas Daninhas

Samuel Lammel/ Phytus Club

Rastros da resistência

O aparecimento de populações resistentes a herbicidas é um fenômeno mundial, que começou na década de 70 e já atinge mais de 250 espécies de plantas daninhas, causando perdas financeiras de bilhões de dólares, constituindo-se em uma grave ameaça à produção sustentável de alimentos no mundo. Somente o uso racional de herbicidas, em um sistema onde se utilizem produtos com diferentes mecanismos de ação aliados a diversas ferramentas de controle, poderá permitir que as tecnologias atualmente disponíveis não se percam e, assim, alterar este cenário em favor dos produtores

A

cena está se tornando cada vez mais comum. De um lado, um produtor preocupado e insatisfeito com o herbicida que apresentou controle ineficiente de uma ou mais espécies de plantas daninhas presentes em sua lavoura. De outro lado, profissionais dos setores público e privado, consultores e especialistas em manejo de plantas daninhas, algumas vezes perplexos ao explicar ao agricultor o porquê aquele produto, que era tradicionalmente eficiente sobre determinada espécie, repentinamente não é mais capaz de exercer o seu controle. Resistência ou tolerância? É importante definir o que é a resistência a herbicidas e como ela difere de outro conceito importante, conhecido por "tolerância" a herbicidas. Resistência define-se como a habilidade de uma planta, biótipo ou população de plantas

daninhas, de sobreviver e se reproduzir após a aplicação de um herbicida, em dose que seja letal a plantas suscetíveis da mesma espécie. Mais recentemente, definiu-se que biótipos resistentes devem sobreviver ao herbicida, quando usado em dose cheia (100% da dose recomendada de acordo com a bula), para eliminar plantas supostamente resistentes. Resistência se refere a plantas, de uma determinada espécie, que são capazes de se comportar de maneira distinta à espécie, no caso sobreviver à aplicação de doses que seriam letais à espécie. Já o conceito de tolerância a herbicidas relaciona-se à habilidade da espécie em sobreviver à aplicação do herbicida, sendo, portanto, a resposta inerente à espécie e não sendo exclusiva de algumas populações ou biótipos. Populações de três espécies de buva ou voadeira (Conyza canadensis, C. sumatrensis

12 Setembro 2016 • www.revistacultivar.com.br

e C. bonariensis) resistentes ao herbicida glifosato, ingrediente ativo presente em produtos como o Roundup, foram encontradas em lavouras de vários estados brasileiros. O controle de buva com este herbicida era eficiente nestes estados, em decorrência do predomínio de populações suscetíveis. Este exemplo caracteriza-se, então, como um caso de resistência. Por outro lado, há plantas daninhas, como a trapoeraba (Commelina benghalensis) e a corda-de-viola ou corriola (Ipomoea spp.), que devido a fatores morfológicos e fisiológicos apresentam dificuldade de controle com a utilização de glifosato. Essas espécies exigem altas doses do herbicida e caracterizam-se como espécies em que o escape de plantas e ausência de controle são comuns. Neste caso, a tolerância ao glifosato é algo inato das espécies e não apresenta-se como uma particularidade


de alguns biótipos ou populações, como é o caso da buva.

Tabela 1 - Características relacionadas à distribuição de escapes (plantas sobreviventes) na lavoura que podem indicar que populações resistentes de uma espécie de planta daninha estão presentes

SURGIMENTO E MECANISMOS DE RESISTÊNCIA

que pode levar a falhas de controle após a aplicação de herbicida. Na realidade, antes que haja a suspeita da presença de populações resistentes, todos os fatores envolvidos nas falhas de aplicação devem ser eliminados (Figura 1).

FALHAS NO CONTROLE Como distinguir entre resistência e outros fatores É possível dividir os fatores relacionados ao controle ineficiente de plantas daninhas por um herbicida em duas categorias: (I) problemas com a aplicação do produto, como emprego de pontas de aplicação entupidas, equipamento mal calibrado, pulverização em situações climáticas inadequadas (temperaturas muito elevadas, umidade relativa baixa, presença de ventos fortes, chuva após a aplicação), ou uso de produtos sem validade; (II) aspectos relacionados ao alvo - aplicação realizada em estádio de crescimento das plantas daninhas inadequado (por exemplo, aplicação sobre planta em estádio mais avançado do que o indicado para o produto), ou sob plantas em condições de estresse ambiental. Deve-se também garantir que possíveis misturas de tanque, que apesar de não permitidas são, às vezes, utilizadas, não sejam as responsáveis pela diminuição da eficácia dos produtos, visto que casos de antagonismo entre produtos são comuns. As características de distribuição de invasoras geralmente estão associadas ao desenvolvimento de resistência a herbicidas em determinada lavoura (Tabela 1).

Cenário atual no Brasil e no restante do mundo Até o presente momento já foram relatados mais de 450 casos de resistência a herbicidas no mundo, englobando mais de 250 espécies de invasoras em 86 países, e afetando ao todo 66 culturas diferentes (Tabela 2). O problema se torna mais claro quando se analisa o número de mecanismos de ação (M.D.A) afetados pela resistência, 23 de 26 existentes. Mesmo que sejam lançados novos herbicidas constantemente no mercado, o último mecanismo de ação foi lançado há mais de 20 anos, indicando que a taxa de lançamento de moléculas com novos mecanismos não tem acompanhado o rápido crescimento de casos de resistência. No Brasil são 37 casos de resistência relatados, afetando 27 espécies em oito culturas diferentes. Apesar do panorama favorável, deve-se mencionar que casos de resistência nem sempre são relatados por pesquisadores brasileiros ao banco de dados mundial da área (website www.weedscience.org) e estes números podem não representar um retrato fiel dos problemas de resistência a herbicida na agricultura nacional. No Brasil, algumas plantas daninhas resistentes a herbicida têm recebido bastante atenção devido à extrema dificuldade de manejo de populações resistentes pelos produtores. Nesta lista encontram-se as três espécies de buva citadas anteriormente, que são competidoras agressivas em lavouras de soja, milho e trigo. Cabe destacar que a resistência ao glifosato

Carla do Amaral Siqueira/Phytus Club

Diferentemente das culturas, as populações de plantas daninhas apresentam uma grande variabilidade genética entre si. Em uma mesma área geográfica, quanto maior for a variabilidade genética e maior for a densidade da infestação, maiores as chances de surgimento de resistência a um determinado herbicida ou a mecanismos de ação. O mecanismo de ação de um herbicida é a maneira pela qual o herbicida afeta a planta a nível histológico ou celular. Como exemplo, há o ingrediente ativo glifosato (presente em uma gama de produtos formulados), que atua através da inibição da enzima EPSPs (enol-piruvil-shiquimato-fosfato sintase). Esta enzima está presente no cloroplasto e age na rota do ácido chiquímico, sendo o glifosato o único ativo que possui este mecanismo de ação. A resistência a um mecanismo de ação, em uma população ou biótipo, ocorre de formas distintas. Pode processar-se quando a mutação acontece diretamente sobre o sítio de ação do herbicida (como mutações em uma enzima-alvo ou superprodução desta), ou quando age sobre mecanismos fora do sítio de ação. Os mecanismos fora do sítio de ação são variados e englobam importantes mecanismos de resistência, como a metabolização acelerada do herbicida em populações resistentes (evitando assim que o herbicida se acumule no sítio de ação e alcance níveis fitotóxicos), e como a reduzida translocação e absorção do herbicida, através da cutícula foliar, dentre outros. A elucidação do mecanismo de resistência em determinada população da planta daninha é de extrema importância, para que medidas de manejo sejam definidas. As medidas de manejo devem levar em conta a fisiologia da planta, visto que alguns biótipos resistentes podem apresentar mais de um mecanismo de resistência em uma mesma planta, dificultando o uso de outros herbicidas do mesmo mecanismo de ação, ou mesmo de outros mecanismos de ação. A resistência é, portanto, a perda de eficácia de um herbicida que ocorre ao longo do tempo, devido à intensa pressão de seleção exercida pelo herbicida, através de seu uso repetitivo no campo. Herbicidas são ferramentas altamente eficazes para controle de plantas daninhas, apresentando em geral controle acima de 80%-90%. Assim, ano após ano, plantas resistentes conseguem sobreviver e se reproduzir, sofrendo seleção até que se torne perceptível e estabeleça-se o problema de resistência a herbicidas na lavoura. Contudo, a resistência a herbicidas não é o único problema

1) Distribuição de plantas na área em reboleiras e bem localizadas 2) Distribuição em formato retangular devido à distribuição de sementes pela colhedora 3) Algumas plantas em estádio de crescimento similar foram controladas, mas outras não 4) Ausência de sinais indicando falha na aplicação, como controle ineficiente de todas as plantas da espécie, ou ainda presença de faixas definidas no campo devido a problemas na pulverização

Bidens pilosa, conhecida comumente como picão-preto, desenvolveu resistência a herbicidas inibidores da enzima acetolactato sintase (ALS)

www.revistacultivar.com.br • Setembro 2016

13


Figura 1 - São vários os fatores a serem eliminados antes que se considere que a planta daninha desenvolveu resistência a herbicidas

Tabela 2 - Número de casos relatados de resistência a herbicidas no Brasil e no mundo, e número de espécies de plantas daninhas, mecanismos de ação dos herbicidas (M.D.A.) e culturas afetadas MUNDO No de Casos 470 No de Espécies 250 No de M.D.A. 23 de 26 No de Culturas 86 (soma de 66 países)

foi desenvolvida recentemente, além de casos de resistência a múltiplos herbicidas em C. sumatrensis. Além destas, as espécies Bidens pilosa e B. subalternans, chamadas comumente de picão-preto, e invasoras agressivas em soja, também desenvolveram resistência a herbicidas inibidores da enzima acetolactatosintase (ALS), como, por exemplo, os ativos no grupo das sulfonilureias e imidazolinonas. Como resultado do surgimento de biótipos resistentes, têm-se muitas vezes um aumento na complexidade do programa de manejo de plantas daninhas acompanhada da elevação de custos, de perdas financeiras ocasionadas pela matocompetição dos biótipos resistentes, dentre outros efeitos deletérios.

daninhas que necessitam de luz e a emergência de plântulas). Deve-se também alternar os mecanismos de ação dos herbicidas e não somente os herbicidas ou ingredientes ativos, para que espécies que, porventura, tenham sobrevivido a aplicações em safras anteriores sejam controladas com eficiência, antes que se disseminem e tornem-se dominantes. Nesta ótica, a rotação de culturas é de extrema importância, pois favorece a utilização de herbicidas de diferentes mecanismos de ação. Indica-se, também, o uso de herbicidas de diferentes tipos e modalidades de uso, como pré-emergentes ou pós-emergentes, especialmente quando há a possibilidade de adicionar um mecanismo de ação em pré-emergência que não esteja disponível em pós. Por fim, é também importante controlar escapes ou plantas daninhas que estejam presentes na lavoura através do uso de herbicidas dessecantes ou controle mecânico, mesmo que próximo à colheita, para evitar o aumento do banco de sementes da área e maiores dificuldades para a safra seguinte, especialmente tratando-se de espécies resistentes. A agricultura moderna demanda proatividade do produtor e monitoramento extensivo dos campos. Quanto mais cedo o problema foi identificado, menores serão os custos para contorná-lo e menores serão as perdas. Deve-se, portanto, investir no controle de plantas daninhas previamente à instalação do problema, para que não haja mais gastos quando o problema tiver fugido do controle e adquirido proporções que dificultem sua C resolução.

Manejo integrado de plantas daninhas Dadas a severidade do problema e a importância dos herbicidas para a agricultura moderna, é de extrema importância que se saiba utilizar as várias ferramentas existentes para manejo de plantas daninhas, de forma racional e em conjunto com outras técnicas, em um sistema no qual o manejo integrado de plantas daninhas seja posto em prática. Assim, recomenda-se que o uso de herbicidas para controle de plantas daninhas esteja aliado a um sistema de manejo diversificado, objetivando dificultar a adaptação de plantas daninhas ao sistema, diminuindo a pressão de seleção de plantas resistentes. Várias medidas podem ser incluídas como partes essenciais de um sistema de manejo de plantas daninhas robusto, como o uso de manejo mecânico (como emprego de roçada ou cultivador para controle de plântulas), e o manejo cultural (como a rotação de culturas, as variações no espaçamento, o uso de plantio direto, visto que a presença de palha constitui-se como uma barreira física, prejudicando a germinação de sementes de plantas Rafael Pedroso/ Phytus Club

Rafael M. Pedroso Carla Siqueira Instituto Phytus Divulgação/ Phytus Club

O caso do caruru-gigante Como se já não houvesse problemas suficientes para lidar no tocante ao manejo de plantas daninhas no Brasil, em 2015, veio somar-se à lista acima a planta daninha caruru-gigante (Amaranthus palmeri). Plantas da espécie, nativa da América do Norte, foram recentemente encontradas em lavouras de algodão no Mato Grosso - sua presença nunca havia sido relatada no Brasil. Trata-se de uma espécie altamente agressiva, de crescimento acelerado e tolerante a condições de altas temperaturas e baixa disponibilidade de água, capaz de produzir mais de um milhão de sementes por planta. A presença da espécie, por si só, em território nacional, já seria o suficiente para causar alvoroço, pois o clima favorece sua disseminação. Porém, há alguns meses, confirmou-se que as populações encontradas são resistentes ao herbicida glifosato, o que elevou a preocupação e colocou sob o holofote as medidas de contenção desenvolvidas pelos órgãos competentes, e trazidas ao público através da Instrução Normativa número 47, de 2015.

BRASIL 37 27 6 de 26 8

A buva (Conyza canadensis) é um dos exemplos de resistência a glifosato no Brasil

14 Setembro 2016 • www.revistacultivar.com.br

Pedroso e Carla recomendam prevenção antes de o problema com daninhas se instalar


Algodão

Guerra incessante Arquivo IMAmt

Principal praga do algodoeiro, o bicudo Anthonomus grandis é responsável por perdas próximas a 360 milhões de dólares por ano no Brasil. Seu combate exige atenção permanente, manejo intenso e ausência de plantas de algodão na entressafra, de modo que seja possível conviver com este inseto sem resultar em pesados prejuízos

D

e todas as pragas que atacam o algodoeiro no Brasil, o bicudo-do-algodoeiro [Anthonomus grandis (Coleoptera: Curculionidae)] é sem dúvida a principal. Características de biologia, ecologia e comportamento deste inseto impõem ao produtor um grande desafio. Isto porque mesmo com emprego de medidas de controle, se não forem bem planejadas e adotadas em sua totalidade conforme preconizado pelo programa

de manejo, ainda haverá perdas de produtividade. Levantamento realizado recentemente pela equipe de Entomologia do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt) revelou que o produtor de algodão no Brasil perde aproximadamente 375 dólares por hectare/ano para o bicudo, contabilizadas perdas causadas pela praga e os custos com manejo (inseticidas, armadilhas, tubo mata-bicudo, destruição de tigueras, rebrotas etc). Estendendo isso para a

16 Setembro 2016 • www.revistacultivar.com.br

área total cultivada, o Brasil perde para o bicudo aproximadamente 360 milhões de dólares/ ano (perdas de produção + custos de manejo), valores que justificam qualquer investimento relacionado ao planejamento para a redução populacional da praga. As perdas ocasionadas pelo bicudo são elevadas devido ao ataque nas estruturas reprodutivas do algodoeiro, tanto para a alimentação como para a reprodução. O inseto


Arquivo IMAmt

Detalhes das injúrias de alimentação (esquerda) e oviposição (direita)

florais, e, quando ocorre o estabelecimento na área por falta de controle ou adoção de medidas ineficazes de controle, as infestações se mantêm até o fim do ciclo da cultura. A partir da colonização, a dispersão do bicudo dentro do talhão está relacionada com as futuras gerações/multiplicação, e o progresso deste deslocamento é influenciado pelo manejo adotado. O monitoramento via armadilhas com feromônio ou monitoramento via monitores nas bordas e dentro dos talhões é atividade primordial para uma tomada de decisão correta para o controle do bicudo. Isso porque o sucesso do controle químico está relacionado com as aplicações de inseticidas no momento da colonização acusada pelo monitoramento. Assim, é recomendado que as aplicações inseticidas nos talhões apresentando infestação após a detecção da praga sejam de forma

ATRs IMAmt

completa o seu desenvolvimento passando pelas fases de ovo, larva, pupa e adulto, sendo que as três primeiras ocorrem protegidas no interior das estruturas reprodutivas (por exemplo, botões florais). Desta forma, somente os adultos ficam expostos e são suscetíveis às pulverizações. O adulto é facilmente identificado por ser um besouro da família Curculionidae, podendo ter de quatro a dez milímetros de comprimento, apresenta um rostro (aparelho bucal) longo e curvo, que normalmente mede a metade do comprimento do seu corpo, e sua coloração pode variar de marrom-claro, pardo-acinzentado a marrom-escuro. Usualmente, o bicudo-do-algodoeiro entra na lavoura de algodão quando as plantas começam a fase reprodutiva, ou seja, assim que as plantas emitem os primeiros botões

sequencial, normalmente em número de três aplicações com intervalo de cinco dias entre elas. Estas aplicações são importantes para obter sucesso no controle daqueles adultos emergindo, o que ocorre constantemente (fluxos de emergência), bem como para controlar os indivíduos que escapam das pulverizações anteriores. O manejo do bicudo-do-algodoeiro não se limita ao monitoramento e às aplicações corretas de inseticidas. É necessária adoção de medidas de manejo durante o ano todo, ou seja, desde a cultura instalada, em fim de ciclo, colheita e, ainda, no período de entressafra (pós-colheita). Desta forma, é possível afirmar que o manejo do bicudo não depende somente de uma ferramenta, como os inseticidas, mas sim de um somatório de ações que resultará em menor pressão da praga nas safras subsequentes e, consequentemente, menores perdas. O manejo de entressafra deve ser adotado por todos de forma rigorosa, especialmente com relação às plantas espontâneas de algodão nesse período, que devem ser todas eliminadas, sejam tigueras, soqueiras e/ ou rebrotas, independentemente do lugar que se encontram. Como o bicudo possui poucos hospedeiros que são utilizados na sua alimentação e, no Brasil, até o momento, não há relatos dele se reproduzindo em outras espécies de plantas a não ser em algodoeiro, a eliminação de plantas de algodão no período de entressafra é medida essencial para a redução populacional do bicudo, garantindo assim menor população para infestar as lavouras nas safras subsequentes. Vale salientar que a prática de destruição de plantas de algodão fora da época de cultivo é amparada por lei, sendo dever o cumprimento do vazio

Figura 1 - Mapa do Mato Grosso com as duas regiões distintas do vazio sanitário (Região 1 e Região 2) e respectivos municípios. (Imagem por: Antonio Oliveira)

Plantas de algodão em meio à lavoura de soja em entressafra devem ser eliminadas, visando quebrar o ciclo do bicudo-do-algodoeiro

18 Setembro 2016 • www.revistacultivar.com.br


Aldair Kossmann

Divulgação/IMAmt

Barros, Rolim, Crosariol Netto e Torres destacam os desafios de manejo do bicudo

da cadeia produtiva do algodão, o IMAmt, através do projeto Controle Efetivo do Bicudo-do-algodoeiro em Mato Grosso, tem criado Grupos Técnicos do Algodão (GTAs), com a finalidade de promover a interação dos integrantes dessa cadeia produtiva e, com isso, realizar troca de informações, padronização de ações, visitas técnicas, entre outras ações que contribuam para o sucesso do manejo do bicudo e de outras pragas. Até o momento, em Mato Grosso, foram formalizados nove GTAs: Sapezal, Sorriso, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Diamantino/Deciolândia, Campo Novo do Parecis, Rondonópolis (região da Serra da Petrovina), Primavera do Leste e Campo Verde. Para facilitar o diálogo e a interação dos integrantes são realizadas reuniões mensais em cada localidade e, apesar da recente formação dos GTAs, já se observam avanços consideráveis com relação ao manejo do bicudo, especialmente no que diz respeito à destruição de soqueiras e tigueras de algodão, ao monitoramento,

sanitário do algodoeiro. Produtores de algodão de Mato Grosso, responsáveis por mais da metade da produção de todo o algodão do Brasil, devem ficar vigilantes para as recentes mudanças na Instrução Normativa (Sedec/Indea-MT Nº 001/2016) que trata sobre as normas de datas de plantio, vazio sanitário, destruição de soqueira, controle do bicudo e outras. Em especial, com relação às alterações das datas de vazio sanitário, que foram regionalizadas, dividindo Mato Grosso em duas regiões, sendo a Região 1 integrada pelos Núcleos Regionais Sul, Centro-Leste e Centro; e a Região 2 pelos Núcleos Regionais Noroeste, Médio-Norte, Centro-Norte e Norte. Essa divisão é apresentada na Figura 1. As datas para o vazio sanitário em cada região ficaram estabelecidas assim: Região 1 – Compreendida entre 1º de outubro e 30 de novembro. Região 2 – Compreendida entre 15 de outubro e 14 de dezembro. Outro ponto importante para o qual os produtores devem ter atenção é com relação ao termo utilizado para autuação. Antes, era empregada “planta viva” de algodão, sendo o produtor autuado quando encontrada qualquer planta viva em sua propriedade no período do vazio sanitário, enquanto que o termo atual é “planta com risco fitossanitário”, cuja definição é: plantas de algodão tigueras acima do estádio V3 e plantas rebrotadas (soqueiras) com mais de quatro folhas por broto ou presença de estruturas reprodutivas. Com exceção das lavouras de algodão, as propriedades devem manter as áreas livres de planta com risco fitossanitário em qualquer período do ano. Com relação ao trabalho em conjunto

Eduardo M Barros

Eliminação de plantas: destruição de plantas de algodão em beira de rodovias

Armadilha iscada com feromônio Grandlure na bordadura do talhão de algodão

a aplicações sequenciais de inseticidas (controle rígido), ao transporte de fardos e caroço de algodão, entre outros. Apesar do clima “seco” ter sido desfavorável ao bicudo durante a safra 2015/2016, contribuindo para menores populações na fase final da safra, é necessário permanecer em alerta e realizar todas as ações recomendadas. Infelizmente, não se tem produzido grandes novidades em relação ao manejo do bicudo. Medidas de sucesso de manejo preconizadas desde a entrada desta praga no Brasil são as mesmas utilizadas atualmente, assim, o que resulta em maior ou menor sucesso do manejo é a austeridade com que C essas práticas são implementadas. Eduardo Moreira Barros e Jacob Crosariol Netto, Inst. Mato-grossense do Algodão Jorge Braz Torres e Guilherme Gomes Rolim, UFRPE

PRÁTICAS CONTRA O BICUDO • Realizar um bom manejo da praga no período de desenvolvimento da cultura, manter este manejo até o fim de safra, com monitoramento e aplicações corretas de inseticidas, mesmo em fim de ciclo do algodoeiro, não colocando a perder todo o trabalho realizado durante a safra. • Buscar manter as áreas com ausência de hospedeiro do bicudo na entressafra, através da eliminação de plantas de algodão de qualquer local (talhões, beira de estradas, algodoeiras, confinamentos etc), eliminar também plantas de algodão presentes em talhões cultivados com soja e milho. • Realização de medidas de manejo de forma conjunta e coordenada entre as propriedades algodoeiras a fim de buscar padronização das boas ações.

www.revistacultivar.com.br • Setembro 2016

19


Café

Minador impiedoso Giovani Belutti Voltolini, 2016

Responsável por intensa desfolha nas plantas de café e por prejuízos severos à produtividade, o bicho-mineiro ostenta o título de praga de maior importância agronômica na cafeicultura. Seu manejo passa primeiro por monitoramento criterioso para a determinação do nível de dano e a posterior adoção de medidas de controle

A

praga de maior importância agronômica na cafeicultura é o bicho-mineiro. Caracterizada por ser uma mariposa pequena, possui ciclo de vida completo (metamorfose completa), ou seja, seu ciclo se inicia na fase de ovo, evolui como lagarta, pupa ou crisálida e posteriormente se torna adulta. Cada mariposa põe, em média, 36 ovos em um período de até 25 dias, justificando assim sua importância, pois devido ao ciclo curto, a infestação é muito rápida e severa. A mariposa pertence à ordem Lepidoptera, sendo da espécie Leucoptera coffeella. Os hábitos do inseto são noturnos, sendo que se escondem nas folhagens durante o dia, e ao entardecer realizam suas atividades de postura e predação das folhas.

SINTOMAS

O bicho-mineiro possui esse nome pelo fato de as larvas penetrarem nas folhas e se alimentarem do tecido, deixando um vazio entre as duas epidermes da folha, conhecidas como “minas”. Essa região posteriormente se

transformará em manchas necróticas, reduzindo assim a área fotossintética da planta. Outro dano que pode ocorrer é a desfolha, interferindo na produção, na formação de botões florais e na florada. Dessa forma, dependendo da intensidade dessa praga, além de afetar a produção do ano de infestação, pode atingir também a safra seguinte, porque devido aos danos à atividade metabólica da planta, o ramo vegetativo terá seu crescimento reduzido e, consequentemente, menor produção no segundo ano do biênio.

CONDIÇÕES PARA DISSEMINAÇÃO

O clima é um fator de enorme influência nos ataques desta praga, que ocorre mais em regiões com temperaturas elevadas associadas a estiagens e baixa umidade relativa, período que vai de março a setembro. Outros fatores também afetam a incidência dessa praga, como o uso excessivo de inseticidas que podem interferir no equilíbrio de inimigos naturais do bicho-mineiro, adubações insuficientes, deixando as plantas mais sensíveis ao ataque e, espaçamentos mais largos, que propiciam

22 Setembro 2016 • www.revistacultivar.com.br

maior circulação do ar, sendo o vento o fator de disseminação do inseto.

DANOS

A mosca do bicho-mineiro, na sua fase larval, se alimenta apenas das folhas do cafeeiro, causando lesões (minas), que evoluem para o aspecto necrótico, com coloração escura. Como conseqüência do ataque, a área foliar da planta sofre redução, o que implica diretamente na diminuição da taxa fotossintética produzida pela planta. Isso é um fator que acarreta em prejuízos ao desenvolvimento vegetativo e também menor produtividade da cultura. Outro dano causado pelo bicho-mineiro é a queda das folhas. De acordo com a intensidade do ataque da praga, podem ocorrer desfolhas drásticas no cafeeiro, começando do terço superior para as regiões baixeiras da planta. Nas plantas em produção, a infestação é maior no terço superior da planta. Em caso de intensa desfolha do cafeeiro, a sua recuperação pode durar até dois anos. Esses prejuízos acarretam queda na produção da lavoura,


Cafepoint, 2016

diminuindo o lucro e aumentando gastos com a recuperação. Por fim, vale ressaltar que mesmo em diferentes épocas do ano, onde ocorre o ataque da praga, a produção cafeeira será afetada, como principalmente na fase de formação dos botões florais, onde as perdas atingem até 50% da safra.

MONITORAMENTO

Mariposa que origina as larvas do bicho-mineiro

com minas rasgadas (NFCMR). Sobretudo, estas informações são utilizadas no cálculo de infestação, que é a principal ferramenta indicadora para o momento de iniciar o controle. A partir da obtenção do nível de infestação de bicho-mineiro na lavoura, o cafeicultor pode lançar mão de estratégias de controle, sendo que em situações onde os níveis de infestação chegam a 30% no terço médio das plantas ou 20% no terço superior, o produtor deve começar o controle, pois já está no nível de dano econômico à cultura. Em lavouras novas, o cálculo de infestação é desnecessário, e a partir da constatação das primeiras folhas minadas o controle deve ser realizado. Vale ressaltar que o cafeicultor deve analisar cada talhão separadamente, e somente realizar o controle naqueles que atingiram os níveis de dano econômico, para assim preservar os inimigos naturais situados no local. Sobretudo, o georreferenciamento é uma das técnicas mais atuais que vêm sendo utilizadas para amostragem e monitoramento de pragas e doenças na agricultura, permitindo maior eficácia no levantamento das informações.

FORMAS DE CONTROLE

A fim de evitar a ocorrência da praga ou amenizá-la é importante que seja feito o monitoramento da área pelo produtor ou técnico Giovani Belutti Voltolini, 2016

O monitoramento é uma das práticas de maior importância para o controle e manutenção da praga na cultura. Deve ser realizado sistematicamente, de modo que a quantificação dos níveis de infestação irá servir para a tomada de decisão do momento correto de se iniciar o controle químico. A etapa de planejamento é muito importante, pois é nesta hora que o cafeicultor vai dividir as glebas da lavoura, obtendo áreas homogêneas até 10ha. As planilhas de anotações devem ser elaboradas para a coleta dos dados. Estes dados históricos também podem servir como ferramenta para os anos posteriores, indicando locais onde a infestação é antecipada ou com maior intensidade. A partir do planejamento, é hora da execução da amostragem para levantamento das informações da área de cultivo. Sobretudo, para o monitoramento do bicho-mineiro as folhas amostradas devem estar localizadas no terço médio das plantas, pois é neste local onde os níveis de infestação são mais severos. A escolha das plantas a serem utilizadas para a amostragem deve se dar ao acaso, totalizando cerca de 20 plantas por gleba homogênea, e coleta de uma folha adulta (expandida), localizada entre o terceiro (3º) ou quarto (4º) par de folhas, em cinco galhos de um lado da planta. O caminhamento deve ser em zigue-zague de forma que a amostragem seja o mais representativa possível. A época de amostragem também é de grande importância, pois há períodos estratégicos de coleta em campo, isto devido aos picos de infestação do patógeno na cultura. Neste sentido, o monitoramento do bicho-mineiro é realizado em duas épocas do ano, sendo a primeira compreendida entre os meses de setembro e outubro, pois o tempo está seco e propício à disseminação desta praga, assim como de março a abril. Portanto, cabe aos cafeicultores maior atenção ao bicho-mineiro nestas épocas do ano, garantindo, assim, maior eficiência no controle em caso de infestação, isto devido ao controle no momento correto. Após a obtenção das informações da época ideal de se iniciar o monitoramento, assim como a metodologia a ser utilizada, o próximo passo é qual a forma de se avaliar o material coletado. No caso do bicho-mineiro, as anotações devem estar divididas em duas colunas, uma com o número de folhas com minas ativas (NFCMA) e a outra com o número de folhas

responsável. Dessa forma, pode observar a presença ou não de ovos e larvas nas folhas do cafeeiro, como também a presença da mosca. A partir desse levantamento é indicado, de acordo com a necessidade, adotar formas de controle para o bicho-mineiro, com objetivo de diminuição dos níveis de infestação e controle do patógeno. Os mais comumente utilizados são o químico, o cultural, o genético e em alguns casos o controle biológico. Contudo, o controle químico, por meio da utilização de inseticidas, é o mais utilizado, pois seu resultado é rápido e na maioria das vezes mais eficiente no controle do inseto. Desta forma, os inseticidas de ação sistêmica são os mais empregados e podem ser aplicados junto a pulverizações foliares, para diminuir os custos operacionais. O controle químico somente deve ser realizado quando os níveis de infestação atingirem 30%. Importante ressaltar que o cafeicultor não deve lançar mão da pulverização com inseticidas sem a recomendação adequada. Já o controle genético consiste na busca por cultivares que sejam resistentes ao ataque do bicho-mineiro. O mercado dispõe de várias pesquisas, em diversas regiões, para alcançar o resultado esperado pelo melhoramento genético. É possível citar os trabalhos da fundação Procafé, que recentemente lançou a cultivar Seriema, com alelos que lhe conferem resistência à infestação deste patógeno. Por meio de técnicas como a estruturação de plantios intercalares ou até mesmo quebra-ventos, a incidência do bicho-mineiro é reduzida. Isso ocorre devido ao controle cultural desta praga. Por fim, há o controle biológico, feito com inimigos naturais da praga, sendo algumas espécies de parasitas, entopatógenos ou predadores. O uso de feromônios sexuais, em armadilhas, também é uma forma de controle biológico, com poder de atrair o macho e evitar a reprodução das moscas. Esse tipo de controle necessita de condições ideias para um bom

Crisálida e larva do bichomineiro nas folhas de cafeeiro

www.revistacultivar.com.br • Setembro 2016

23


Cálculo do nível de infestação de bicho mineiro no cafeeiro

Figura 1 - Local de amostragem dos principais patógenos na cultura do café. Fonte: Cafepoint, 2007

Infestação (IBM%) = no de folhas com minas ativas x 100 no total de folhas coletadas Fonte: Cafepoint, 2007.

resultado e, muitas vezes, dependendo da incidência do bicho-mineiro, pode ser inviável.

EQUILÍBRIO NUTRICIONAL X BICHO-MINEIRO

A correlação entre a incidência de bicho-mineiro no café e o desbalanço nutricional entre os elementos N e K já é estudada e tem seus efeitos elucidados parcialmente. Salvo exceções, na maioria dos casos, o desequilíbrio entre N e K acentua a infestação de bicho-mineiro. Isso ocorre quando os teores de N estão muito elevados em comparação aos teores de K. Justifica-se esta infestação devido à atividade metabólica desempenhada pelo nitrogênio dentro da planta, estruturando e formando aminoácidos, e consequentemente acarretando em maior vegetação na planta. Sobretudo pela associação do N no metabolismo, as folhas tornam-se mais frágeis por conta do intenso crescimento e são mais suscetíveis ao ataque desta praga. Por outro lado, quando em baixas quantidades de K, o desbalanço inibe a lignificação. Neste sentido, sabe-se que a lignificação é favorecida pela presença do potássio, que torna a folha mais rígida e menos exposta ao ataque deste patógeno. Outro fator que é associado à presença e à infestação do bicho-mineiro é a aplicação de cobre (Cu), por meio de pulverizações foliares Planilha de coleta de dados para amostragem de bicho-mineiro

Fonte: Cafepoint, 2007.

à base de fungicidas cúpricos, em épocas de estiagem, ou seja, em períodos secos. Neste caso, a atuação do cobre sobre as folhas do cafeeiro implica na maior propensão ao ataque da praga, visto que se apresentam mais suscetíveis. Outra explicação pode ser a alteração do microambiente na área de cultivo, onde a ação cúprica possa inibir/prejudicar os inimigos naturais deste patógeno, aumentando assim sua eficiência reprodutiva e consequente disseminação.

INCIDÊNCIA ATÍPICA

Nestes últimos anos foi observada elevada incidência de bicho-mineiro nas lavouras cafeeiras, inclusive em regiões como o Sul de Minas Gerais e Alta Mogiana, que comumente não apresentavam problemas graves com esta praga. A causa desta infestação severa do bicho-mineiro nestes anos está associada a mudanças do clima. As chuvas se iniciaram

mais cedo, no final de agosto e começo de setembro, porém, a estiagem acompanhada de veranico também começou mais cedo, no final de dezembro, gerando assim maior propensão à disseminação da praga. Esta ampla disseminação foi favorecida porque a praga antecipou seu ciclo de reprodução em uma fase, devido ao clima favorável ao bicho-mineiro, fazendo com que a população dos insetos e sua instalação na cultura já tivessem adiantados no momento em que comumente as aplicações com inseticidas são realizadas, ou seja, no final de dezembro/ começo de janeiro. Como consequência disso, as formas de controle foram pouco eficientes, pois a partir do momento em que a infestação atinge níveis elevados de danos às lavouras (alta porcentagem de folhas infestadas), os inseticidas não têm tanta eficácia, evitando a infestação por um curto espaço de tempo. Os danos observados pela presença de bicho-mineiro nas lavouras cafeeiras nos anos de 2014 e 2015 foram muito severos. Porém, devido ao retorno da chuva, depois do ataque à cultura, o fluxo de seiva dentro da planta permaneceu elevado, assim como sua atividade metabólica, gerando essa condição atípica, onde mesmo com a presença de “minas” não C houve queda das folhas. Giovani Belutti Voltolini, GHPD/Necaf Larissa Cocato da Silva, Ufla/Necaf Dalyse Toledo Castanheira, Pedro Menicucci Netto, Thales Lenzi C. Nascimento e Ricardo Nascimento L. Paulino, Ufla/GHPD/Necaf

Figura 2 - Épocas de amostragem dos principais patógenos da cultura do café. Fonte: Cafepoint, 2007 AGO

SET

OUT

NOV

DEZ

JAN

FEV

MAR

ABR

MAI

JUN

JUL

Fases fenológicas do cafeeiro Florescimento

Formação dos frutos

Período de chuvas Principais problemas fitossanitários do cafeeiro Ferrugem Mancha de olho pardo Mancha de Ascochyta Mancha de phoma Nematoides Bicho mineiro Broca do cafeeiro

24 Setembro 2016 • www.revistacultivar.com.br

Maturação e colheita

AGO


Capa

Mudança de sensibilidade

André Nagaoka

Ao longo dos anos o fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem-asiática, tem apresentado alterações em relação à aplicação de fungicidas, com seleção de isolados menos sensíveis. Com este cenário desfavorável, prolongar a vida útil desses produtos através do uso racional e da adoção de boas práticas culturais se torna cada vez mais indispensável. Limitar a data de semeadura é uma das medidas para ajudar a atrasar a resistência e a perda de eficiência

26 Setembro 2016 • www.revistacultivar.com.br


A

em pontos específicos do metabolismo do fungo, como os fungicidas inibidores da desmetilação (IDM, “triazóis”), que atuam inibindo a formação da membrana celular do fungo e representam ao redor de 70% dos fungicidas registrados para a ferrugem; os inibidores da quinona oxidase (IQo, estrobilurinas) e os inibidores da succinatohidrogenase (ISDH, carboxamidas), que agem inibindo a respiração do fungo. Além da eficiência, os ensaios em rede têm permitido acompanhar a mudança de sensibilidade do fungo P. pachyrhizi aos fungicidas que vêm ocorrendo ao longo dos anos. Essa alteração de sensibilidade é atribuída à seleção de isolados menos sensíveis, em conseqüência do uso intensivo de fungicidas. Nos ensaios realizados em 2015/16, as maiores porcentagens de controle foram observadas para as misturas de picoxistrobina e azoxistrobina com benzovindiflupir (T18 - 78% e T11 - 76%), seguido das misturas triplas debixafen + protioconazol + trifloxistrobina (T17 71%) e piraclostrobina + epoxiconazol + fluxapiroxade (T16 – 69%), e da mistura de trifloxistrobina + protioconazol (T8 – 68%) (Tabela 1). As misturas prontas dos fungicidas picoxistrobina + tebuconazol com o multissítio mancozebe (T13) e azoxistrobina + tebuconazol + mancozebe (T14 e T15) apresentaram controle variando de 55% a 64%, sendo observada redução significativa de severidade com o

aumento da dose da mistura azoxistrobina + tebuconazol + mancozebe (T14 e T15). A menor severidade dentre essas misturas foi observada para picoxistrobina + tebuconazol + mancozebe (T13). O tratamento com tebuconazol apresentou a menor porcentagem de controle (T2 - 19%), seguido de azoxistrobina (T4 – 24%) e ciproconazol (T3 – 26%). A menor sensibilidade do fungo P. pachyrhizi aos fungicidas IDM (T2 e T3) e IQo (T4), confirmada por meio de bioensaios e estudos moleculares, comprometeu a eficiência dos ativos isolados (Figura 1) e das misturas de fungicidas com esses dois modos de ação. Nos ensaios em rede os fungicidas são avaliados individualmente, em aplicações sequenciais, para determinar a eficiência de controle. Essas informações devem ser utilizadas na determinação de programas de controle, priorizando sempre a rotação de fungicidas com diferentes modos de ação e adequando os programas à época de semeadura. Aplicações sequenciais de fungicidas com um mesmo modo de ação podem selecionar indivíduos resistentes/ menos sensíveis, a exemplo do que aconteceu com IDM e IQo. Fungicidas multissítios foram avaliados quando a ferrugem foi relatada no Brasil. No entanto, em função da menor eficiência de controle comparado aos fungicidas IDM e misturas de IDM + IQo nesses testes, foram desconsiderados para o controle da ferrugem. Com a redução de eficiência

André Shimohiro

ocorrência da ferrugem-asiática (Phakopsora pachyrhizi) da soja no Brasil trouxe diversas mudanças no sistema produtivo da cultura, sendo a mais acentuada a intensificação na utilização de fungicidas. Antes da ferrugem, esses produtos eram recomendados para o controle do oídio (Microsphaera diffusa), quando observados sintomas em plantas no campo, e para as doenças de final de ciclo (Septoria glycines e Cercospora kikuchii), durante a fase de formação e enchimento dos grãos. O oídio ocorre de forma esporádica, em condições de temperaturas amenas (20°C - 22°C) e baixa umidade relativa, havendo diferença de resistência entre as cultivares. As doenças de final de ciclo causam a desfolha precoce e a antecipação da colheita, com maiores danos em períodos úmidos e quentes. O dano máximo atribuído a essas doenças é de 20%, em situações favoráveis ao seu desenvolvimento. A mudança de cenário que ocorreu com a entrada do fungo P. pachyrhizi é atribuída ao alto potencial de dano dessa doença, que também causa desfolha precoce, porém, podendo provocar até 80% de redução de produtividade. Além do alto potencial de dano, o fungo ocorre em praticamente todas as regiões produtoras de soja, com eficiente disseminação pelo vento e aumento de inóculo à medida que as semeaduras se sucedem. Para doenças com alto potencial de dano como a ferrugem, há uma correlação alta entre eficiência de fungicidas e produtividade. Desde 2003/04, ensaios em rede vêm sendo realizados por instituições públicas e privadas com o objetivo de comparar a eficiência de fungicidas para diferentes alvos biológicos. Testes de produtos para o controle do fungo P. pachyrhizi foram conduzidos em todas as safras desde o início. Nos ensaios realizados para o controle da ferrugem-asiática, na safra 2015/16, foram avaliados 17 fungicidas, sendo três deles incluídos para monitoramento da sensibilidade do fungo (T2 a T4), seis ainda em fase de registro (T12 a T15, T17 e T18) e os demais (T5 a T11 e T16) são misturas prontas de diferentes modos de ação (Tabela 1). Foram efetuadas aplicações sequenciais dos produtos, que começam no pré-fechamento e reaplicando em intervalos de 21 dias e 14 dias. As áreas para condução dos ensaios são semeadas tardiamente para aumentar a probabilidade de ocorrência da doença, em função do aumento de inóculo do fungo ao longo da safra. Os principais produtos registrados avaliados são misturas de fungicidas sítio-específicos, isto é, agem

Lavoura de soja severamente atacada pela ferrugem-asiática Phakopsora pachyrhizi

www.revistacultivar.com.br • Setembro 2016

27


Figura 1 - Porcentagem de controle da ferrugem nos ensaios cooperativos nas safras: 2003/04 (11 ensaios), 2004/05 (20 ensaios), 2005/06 (15 ensaios), 2006/07 (10 ensaios), 2007/08 (7 ensaios), 2008/09 (23 ensaios), 2009/10 (15 ensaios), 2010/11 (11 ensaios), 2012/13 (21 ensaios), 2013/14 (16 ensaios), 2014/15 (21 ensaios) e 2015/16 (23 ensaios) em diferentes regiões produtoras no Brasil. TBZ – tebuconazol; CPZ – ciproconazol e AZ – azoxistrobina.

Todas as estratégias de manejo devem ser utilizadas para evitar prejuízos graves com essa doença

Na safra 2014/15 foi iniciada a avaliação dos fungicidas multissítios para controle da ferrugem nos ensaios em rede, isolados e em combinações com fungicidas sítio-específicos.

Fotos André Shimohiro

dos IDM e das misturas de IDM + IQo, fungicidas multissítios têm sido registrados para o controle de doenças na soja e sua utilização aumentou na última safra em associação aos fungicidas sítio-específicos.

A ocorrência da ferrugem-asiática da soja no Brasil trouxe diversas mudanças no sistema produtivo da cultura

28 Setembro 2016 • www.revistacultivar.com.br

Nos ensaios com multissítios isolados são realizadas cinco aplicações, iniciando no pré-fechamento e repetindo com intervalo médio de dez dias entre as aplicações, para conhecer a eficiência individual de cada fungicida. Nos ensaios em rede da safra 2015/16, a porcentagem de controle dos melhores fungicidas multissítios variou de 56% a 67% em relação ao tratamento testemunha (Tabela 2), sendo inferior ao tratamento com o fungicida sítio-específico azoxistrobina + benzovindiflupir, com três aplicações. Os fungicidas multissítios têm sido considerados como uma ferramenta importante em programas de manejo da ferrugem na soja, por aumentarem a eficiência de controle dos fungicidas com problemas de resistência, podendo atrasar o aparecimento nos que ainda não apresentam. Além dos ensaios com os produtos isolados, outros com fungicidas multissítios em combinação com fungicidas sítio-específicos foram realizados em 2014/15 e 2015/16. De forma geral, o aumento de eficiência do fungicida sítio-específico em combinação com o multissítio é maior quanto menor a eficiência do sítio-específico isolado, mas nem sempre suficiente para um controle eficiente da doença. A dose do fungicida multissítio é importante para obter os resultados observados nos ensaios em rede e há interação entre o fungicida sítio-específico e o fungicida multissítio, devendo ser evitadas generalizações. Os fungicidas multissítios podem ser uma ferramenta importante em programas de manejo da ferrugem-asiática na soja, sendo necessário o registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para a sua utilização.


Embora os fungicidas representem uma importante ferramenta de controle, todas as estratégias de manejo devem ser utilizadas para evitar reduções de produtividade com a ferrugem, envolvendo a utilização de cultivares de ciclo precoce e semeaduras no início da época recomendada; a eliminação de plantas de soja voluntárias e a ausência de cultivo de soja na entressafra (vazio sanitário); o monitoramento da lavoura desde o início do desenvolvimento da cultura; o emprego de fungicidas preventivamente ou no aparecimento dos sintomas e a utilização de cultivares com gene(s) de resistência. As cultivares com gene(s) de resistência apresentam lesões com menor quantidade de esporos e não dispensam a utilização de fungicidas. São ferramentas importantes de manejo e podem ajudar a reduzir a pressão de seleção sobre os fungicidas, mas, como apresentam um ou no máximo dois genes de resistência, o fungo pode vencer essa resistência de forma semelhante ao que ocorre com os fungicidas. A semeadura no início da época recomendada é uma das principais estratégias para escapar da doença, uma vez que o fungo começa sua multiplicação após o período do vazio sanitário. Pelos resultados dos ensaios em rede, pode-se observar que há um número limitado de fungicidas com boa eficiência de controle para ferrugem e os novos fungicidas, em fase de registro, são novas combinações dos modos de ação já disponíveis no mercado ou associações com fungicidas multissítios. O grande risco é que não há nenhum modo de ação novo para entrar no mercado nos próximos anos. Por ser um processo natural, é grande a probabilidade de que a resistência à maioria dos novos fungicidas (ISDH) ocorra. No entanto, a vida útil desses produtos pode ser prolongada com o uso racional e a adoção de boas práticas culturais. Uma das formas de reduzir a pressão de seleção para resistência é limitar o número de aplicações de fungicidas na cultura. Como o aumento na necessidade de utilização de fungicidas ocorre com o avanço na época de semeadura, a definição de datas-limites de semeadura pode contribuir para a redução do número de aplicações. Instruções normativas têm sido propostas limitando a data de semeadura para reduzir a pressão de seleção para resistência. Os estados de Goiás, do Mato Grosso e do Paraná limitaram a semeadura da soja até 31 de dezembro. O objetivo é reduzir as semeaduras que necessitam de maior número de aplicações para atrasar a resistência aos fungicidas ISDH. Essas semeaduras após janeiro representaram

Tabela 1 - Severidade da ferrugem, porcentagem de controle (C) em relação à testemunha sem fungicida, produtividade e porcentagem de redução de produtividade (RP) em relação ao tratamento com a maior produtividade, para os diferentes tratamentos. Média de 23 ensaios para severidade e produtividade. Safra 2015/16 Modo Tratamento Dose de ação Ingrediente ativo g i.a. ha-1 1. testemunha IDM 2. tebuconazol 100 IDM 3. ciproconazol 30 IQo 4. azoxistrobina1 50 IQo+IDM 5. azoxistrobina+ciproconazol1 60+24 IQo+IDM 6. picoxistrobina+ciproconazol2 60+24 IQo+IDM 7. trifloxistrobina+ciproconazol3 75 +32 IQo+IDM 8. trifloxistrobina+protioconazol3 60+70 IQo+IDM 9. picoxistrobina+tebuconazol4 60+100 IQo+ISDH 10. piraclostrobina+fluxapiroxade5 116,55+58,45 IQo+ISDH 11. azoxistrobina+benzovindiflupir2 60+30 IQo+IDM 12. azoxistrobina+ciproconazol1,8 60+24 IQo+IDM+MS 13. picoxistrobina+tebuconazol+mancozebe6,8 80+80+1200 14. azoxistrobina+tebuconazol+mancozebe7,8 82,25+98+1044,75 IQo+IDM+MS IQo+IDM+MS 15. azoxistrobina+tebuconazol+mancozebe7,8 94+112+1194 IQo+IDM+ISDH 16. piraclostrobina+epoxiconazol+fluxapiroxade5 64,8+40+40 ISDH+IDM+IQo 17. bixafen+protioconazol+trifloxistrobina3,9 62,5+87,5+75 IQo+ISDH 18. picoxistrobina+benzovindiflupir9 60+30 C.V. (%)

Severidade (%) 74 A 60 B 55 D 56 C 44 E 37 G 37 G 24 K 32 H 32 H 18 M 42 F 27 J 33 H 30 I 23 K 21 L 16 N 8,9

C Produtividade RP (%) kg ha-1 (%) 2312 L 34 19 2451 K 30 26 2572 J 26 24 2452 K 30 40 2692 I 23 51 2873 H 17 50 2950 GH 15 68 3196 CD 8 56 2970 G 15 56 3110 EF 11 76 3428 A 1 44 2762 I 21 64 3126 DE 10 55 3010 FG 13 59 3065 EF 12 69 3246 BC 7 71 3303 B 5 78 3479 A 0 5,4

Médias seguidas de mesma letra, na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey (p=0,05). 1Adicionado Nimbus 0,6L ha-1; 2Adicionado Nimbus 0,75L ha-1; 3Adicionado Aureo 0,25% v/v; 4Adicionado Nimbus 0,5L ha-1; 5Adicionado Assist 0,5L ha-1; 6Adicionado Nimbus 1L ha-1; 7Adicionado Agris 0,5% v/v; 8RET II; 9RET III. Modos de ação: IDM - inibidores da desmetilação; IQo - inibidores de quinona oxidase; ISDH – inibidores da succinato desidrogenase e MS – multissítio (Fonte: Embrapa, Circular técnica 119).

Tabela 2 - Severidade da ferrugem, porcentagem de controle (C) em relação à testemunha sem fungicida, produtividade e porcentagem de redução de produtividade (RP) em relação ao tratamento com a maior produtividade, para os diferentes tratamentos. Média de 22 ensaios. Safra 2015/16. Tratamentos de 2 a 12 com cinco aplicações em intervalos de dez dias; tratamento 13 com três aplicações em intervalos de 21 e 14 dias Tratamento Ingrediente ativo (i.a.) 1. testemunha 2. clorotalonil4 3. oxicloreto de cobre4 4. oxicloreto de cobre4 5. mancozebe1,4 6. mancozebe1,4 7. sulfato de cobre4 8. propinebe2,4 9. fluazinam1,4 10. clorotalonil4 11. clorotalonil4 12. mancozebe1,4 13. azoxistrobina+benzovindiflupir3 C.V. %

Dose g i.a. ha-1 1080 280 560 1500 1875 113,85 1400 500 1000 1000 2000 60+30

Severidade (%) 77,5 A 34,3 E 46,5 B 39,8 C 34,1 E 28,0 F 47,8 B 41,2 C 37,3 D 39,9 C 37,0 D 25,8 G 19,4 H 8,4

C (%) 0 56 40 49 56 64 38 47 52 48 52 67 75 8,4

Produtividade kg ha-1 2120 I 2900 DE 2604 H 2692 GH 2920 CD 3004 BC 2610 H 2664 H 2770 FG 2824 EF 2806 F 3062 B 3257 A 6,5

RP (%) 35 11 20 17 10 8 20 18 15 13 14 6 0

Médias seguidas de mesma letra, na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey (p=0,05). 1Adicionado Agris 0,5%; 2adicionado Áureo 0,25%; 3adicionado Nimbus 0,6L ha-1; 4PNR - Produto não registrado para Phakopsora pachyrhizi - RET III. (Fonte: Embrapa, Circular técnica 121).

menos de 1% da área de soja no Brasil. No entanto, o uso intensivo de fungicidas nessas áreas pode acelerar a perda de eficiência dos fungicidas. Os resultados apresentados só foram possíveis com o trabalho conjunto de diversas instituições de pesquisa, que integram o Consórcio Antiferrugem. Os resultados completos dos ensaios em rede podem ser

acessados no site da Embrapa Soja (www. C embrapa.br/soja). Cláudia V. Godoy e Maurício C. Meyer, Embrapa soja Carlos M. Utiamada, Tagro Hercules D. Campos, UniRV

www.revistacultivar.com.br • Setembro 2016

29


Fotos www.floridagrasses.org /Grass_data/Rottboellia.html

Cana

Perigoso e daninho Também conhecido como caminhadeira, pela facilidade de dispersão do extenso banco de sementes, o capim-camalote pode levar a perdas de rendimento de até 100% em canaplanta e 80% em cana-soca. Para minimizar os prejuízos desta espécie agressiva e de difícil controle é preciso integrar os métodos preventivo, cultural, mecânico e químico

O

capim-camalote durante muitos anos foi identificado pelos pesquisadores como Rottboellia exaltata, mas o nome atual para a espécie é Rottboellia cochinchinensis. Assim, é importante salientar que qualquer uma das nomenclaturas encontradas em livros e revistas se refere à mesma espécie: o capim-camalote. A planta pode germinar de uma semente ou brotar de um pedaço de colmo e rapidamente cresce emitindo os perfilhos, formando uma touceira. Quando adulta, a touceira pode ter até 50 colmos com 1cm de diâmetro, além de crescer até 2,5m. As folhas são finas e compridas e na sua base possuem cerdas minúsculas que ferem as pessoas ao tocá-las. Nessa fase, a planta emite até 16 mil sementes que caem no chão à medida que amadurecem. Uma parte pode germinar e formar outras plantas, a outra pode permanecer no solo dormente e germinar depois de quatro anos. As sementes são leves e podem ser levadas pelo vento, enxurradas, pássaros e atingir áreas distantes. Dessa característica a planta ganhou outro nome, caminhadeira. A dormência nas sementes de capim-camalote permite que fiquem estocadas vivas no solo, porém, sem entrar no processo de germinação. Todos os anos as plantas não controladas pelos herbicidas produzem sementes, que, ao caírem no solo, aumentam o “estoque” de sementes. Por outro lado, parte das sementes estocadas é estimulada pelas

condições do clima (chuva e temperatura) e sai da dormência estabelecendo novas plantas. A estocagem de sementes no solo é conhecida como banco de sementes. Os colmos possuem nós (em cada um há uma gema) que, ao acamar-se no chão brotam e formam também novas plantas. Essa planta daninha é muito vigorosa e prolífica. Uma única planta é capaz de emitir até 100 perfilhos e produzir 15 mil sementes, que ficam dormentes no solo por até quatro anos (Lorenzi, 2000).

ONDE ESTÁ O CAPIM-CAMALOTE?

Inicialmente foi encontrado na Índia e atualmente está presente em 28 países. Infesta 18 culturas, incluindo a cana-de-açúcar (Holm et al, 1977). Estima-se que na América Central e no Caribe o capim-camalote infeste mais de 3,5 milhões de hectares (FAO, 1992). No Brasil pode ter chegado no final da década de 1950 junto às sementes de arroz, oriundo da Colômbia (Deuber, 1992). Inicialmente sua infestação ocorreu na região do Rio de Janeiro (Freitas et al, 2004). Hoje ocorre também nos estados nordestinos, Centro-Oeste e Sudeste (Carvalho et al, 2005). Há relatos de infestações em canaviais de São Paulo, particularmente em Mococa, Porto Ferreira, Piracicaba, Igarapava, Dumont e Ribeirão Preto. Entretanto, a disseminação não está generalizada entre os canaviais, mas sim

30 Setembro 2016 • www.revistacultivar.com.br

de forma isolada. Segundo Bianco (2004), o capim-camalote deverá ser a principal espécie daninha dos canaviais da região de Ribeirão Preto.

QUAIS OS PREJUÍZOS CAUSADOS?

Na cana-de-açúcar, R. cochichinensis proporcionou perdas de rendimento de até 100% em cana-planta e até 80% em cana-soca (Arévalo e Bertoncini, 1994). Em outros países, como na Venezuela, também há relatos de até 80% de perdas de produtividade (Anzalone et al, 2006). A planta reduz significativamente a produção de colmos, traz decréscimo da longevidade do canavial, redução da qualidade industrial da matéria-prima e dificuldade nas operações de colheita (Ferreira et al, 2010).

QUANDO CONTROLAR O CAPIM-CAMALOTE?

No campo, observa-se que o capim-camalote é sensível à sombra e quando o canavial está sombreando a superfície do solo o fluxo de novas plantas é diminuído. Porém, na cana-de-açúcar o sombreamento que diminui a emergência de novas plantas do capim-camalote ocorre quando a cultura estiver entre 150 dias da colheita ou plantio. Dentro desse período é comum observar no campo fluxos de emergência da infestante. Ao considerar o capim-camalote, o ideal é manter o canavial até 180 dias livres da infestante, mas a partir de 120 dias o porte da cultura passa a dificultar a utilização de


Fotos www.floridagrasses.org /Grass_data/Rottboellia.html

Principais localidades brasileiras com incidência de capim-camalote

A planta emite até 16 mil sementes que caem à medida que amadurecem

equipamentos para aplicação de herbicidas. Também há de considerar que a aplicação de herbicidas na cultura a partir dos 120 dias deve ser feita com critério para que a cana não se intoxique com o produto utilizado.

COMO FAZER O CONTROLE?

O capim-camalote é uma espécie agressiva e de difícil controle. Assim, para minimizar seus prejuízos é preciso integrar os métodos de controle preventivo, cultural, mecânico e químico. A utilização da palha da cana-de-açúcar pode representar importante método de controle do capim-camalote, pois as sementes têm dificuldade em superar a camada de palha. Outro controle importante é o preventivo, que ao limpar os equipamentos utilizados em áreas infestadas pelas plantas impede a disseminação para áreas sem infestação. Na atualidade esse controle é de expressiva importância, embora pouco adotado entre os produtores devido ao longo tempo exigido na limpeza. Para o controle químico do capim-camalote, na cultura da cana-de-açúcar, os herbicidas mais utilizados são o clomazone e o ametryn + trifloxysulfuron. Os herbicidas, para um melhor controle da planta daninha, devem ser aplicados sequencialmente sobre a cultu-

ra. Produtos como amicarbazone, trifluralin, ependimethalin ou aplicações sequenciais de trifluralin e pendimenthalin aplicados em dose cheia no plantio da cana-de-açúcar podem resultar em controles entre 80% e 85% durante 60 dias a 90 dias. Mas esses herbicidas precisam ser incorporados para resultarem em maior eficácia. Assim, a ocasião do plantio se torna mais propícia.

POR QUE CAPIM-CAMALOTE É DE DIFÍCIL CONTROLE?

Ainda não se conhece com exatidão o porquê de o capim-camalote ser uma planta daninha de difícil controle. Possivelmente, a causa da tolerância natural da planta aos herbicidas seja em detrimento de um conjunto de características: estruturas anato-morfológicas e metabolismo diferenciado. A planta, particularmente brotada de touceiras, possui sistema radicular bem fasciculado e profundo, o que pode dificultar a absorção dos herbicidas. Os produtos se concentram mais nas camadas superficiais do solo e as raízes mais profundas não o absorvem. Essa característica pode contribuir com a dificuldade de controle. Observa-se na planta um rápido crescimento que pode chegar até próximo a 2m

O capim-camalote pode germinar de uma semente ou brotar de um pedaço de colmo e rapidamente cresce emitindo os perfilhos

de altura. A formação de colmos e bainhas é muito presente e naturalmente seus tecidos especializados dificultam a absorção de herbicidas aplicados em pós-emergência. Assim como em outras espécies, tiririca (Cyperus rotundus) e grama-seda (Cynodon dactylon), que também possuem sistema radicular profundo e vigoroso, o controle mais efetivo é o químico associado ao mecânico. Os implementos segmentam as raízes e as expõem à superfície sob desidratação do sol. Simultaneamente facilita o posicionamento do herbicida no solo, colocando-o em profundidade. Com isso, à medida que a brotação ou germinação de sementes inicia-se, o herbicida está presente na solução e no solo e é absorvido. Como a planta ainda é muito jovem, os tecidos especializados não estão totalmente formados e o herbicida poderá ser mais eficaz por atingir o local de ação com maior rapidez. Dadas essas considerações conclui-se que o manejo químico do capim-camalote deve ser priorizado no plantio da cultura, ocasião da C reforma do canavial. Ana Rosália Calixto e Carlos Alberto Mathias Azania, IAC

Na cana-de-açúcar, R. cochichinensis proporcionou perdas de rendimento de até 100% em cana-planta e até 80% em cana-soca

www.revistacultivar.com.br • Setembro 2016

31


Opinião

Mercado ascendente Pedro Christoffoletti

Mais baratos de desenvolver, produtos biológicos têm conquistado o mercado e crescido a um ritmo cinco vezes maior que o da indústria de agroquímicos. Uso harmônico com os defensivos químicos desperta interesse de grandes companhias e tende a aumentar cada vez mais

Q

ual é o futuro da agricultura? Essa é uma questão que a FMC trabalha continuamente para responder. Ao olhar para o passado, é possível lembrar que o uso de defensivos agrícolas trouxe importante incremento na produtividade das culturas e, consequentemente, grande aumento na produção de alimentos em todo o mundo. Com a evolução tecnológica e a busca por novas opções para o controle das pragas agrícolas, os produtos biológicos têm se apresentado como ferramenta econômica e tecnicamente viável ao produtor. Isso não quer dizer que se pensa em substituir completamente os defensivos agrícolas pelos biológicos, mas é nítido que estão ganhando mercado

mediante produtos de alta tecnologia, sendo uma valiosa ferramenta de rotação para colaborar com uma agricultura mais produtiva. O controle biológico e os defensivos agrícolas, assim como as outras ferramentas preconizadas pelo manejo integrado de pragas, devem compor o conjunto de medidas de controle utilizadas pelo agricultor. Dessa forma, se atingem altos níveis de eficiência no manejo, reduzindo os danos e permitindo ao produtor o aumento do retorno financeiro de sua lavoura. Antes, o mercado de soluções biológicas era visto como pequeno, de baixa eficácia e qualidade inconsistente. Agora, com o crescente interesse de multinacionais e maior capital para

34 Setembro 2016 • www.revistacultivar.com.br

investimentos, utilizando os biológicos como estratégia de diferenciação, é natural esperar a introdução de uma nova gama de produtos no mercado. Inclusive, o foco estratégico da FMC em biológicos oferece soluções integradas que permitem melhorar a produtividade de maneira sustentável, tanto para o produtor como para toda a cadeia envolvida na produção e comercialização de alimentos. O mercado mundial de biológicos tem crescido a um ritmo cinco vezes maior que o da indústria de agroquímicos, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio). Entre 2011 e 2014, o mercado mundial desses produtos teve crescimento médio anual de 15,3%.


tem galgado avanços significativos no passado recente. A FMC acredita firmemente que soluções biológicas são um diferenciador-chave e crescente no mercado de proteção de cultivos. Esse segmento está evoluindo e os principais fatores são a demanda por soluções integradas, o aumento da pressão regulatória e o amadurecimento das biotecnologias. Os biológicos oferecem uma nova plataforma para as empresas de defensivos, permitindo que mantenham não somente o ritmo de evolução dos negócios, como a defesa de suas moléculas químicas. A parceria firmada entre a FMC e a Chr. Hansen tem como objetivo desenvolver novos produtos via compartilhamento do que se tem de melhor em conhecimento na indústria. A Chr. Hansen detém a mais alta tecnologia em microbiologia com caracterização, seleção e fermentação em larga escala, enquanto a FMC fornece sua capacidade em formulação, pesquisa e desenvolvimento no campo, registro e comercialização de produtos, assim como acesso ao mercado global. Um exemplo de que essa parceria tem sido muito valiosa é o lançamento do Nemix C para uso na cultura de cana-de-açúcar. Trata-se de um inoculante altamente concentrado, que cria um biofilme ao redor da raiz, aumentando a proteção e a sanidade da planta, como uma barreira viva que cresce com a raiz. Além de Nemix C, a aliança entre FMC e Chr. Hansen, atualmente, detém um pipeline robusto de inovação que trará ao mercado global

uma série de soluções biológicas focadas no crescimento de plantas e no controle biológico de pragas e doenças nos principais cultivos agrícolas. A FMC tem foco estratégico em biológicos para oferecer soluções integradas que permitam melhorar a produtividade de uma forma mais sustentável tanto para o agricultor como para toda a cadeia envolvida na produção e comercialização de alimentos. O último lançamento da linha de defensivos biológicos foi o Regalia Maxx, biofungicida que ativa os sistemas naturais de defesa da planta, protegendo-a de ataques de fungos e bactérias. Regalia Maxx é altamente eficiente e possui o menor intervalo de carência entre aplicação e colheita do mercado, permitindo assim aplicações no final do ciclo sem impactos nos níveis de resíduos. Com Nemix C, Dipel, Regalia Maxx e os futuros lançamentos da linha de inovação focada em biológicos, a FMC manterá seu papel de protagonista no mercado nacional como provedora de soluções sustentáveis para a agricultura. Enfim, estamos no limiar de uma nova era para os biológicos, onde a identificação, a seleção, a avaliação e a produção de novos micro-organismos deverão ganhar uma escala sem precedentes, resultando em formulações estáveis e de prolongada vida de prateleira, com impacto positivo expressivo na percepção e adoção dessa ferramenta pelos empresários e produtores rurais. C Antônio Carlos Zem FMC Corporation América Latina

FMC

Isso se deve, em primeiro lugar, a uma questão de investimento, uma vez que para desenvolver um novo defensivo o custo é extremamente alto: 286 milhões de dólares, enquanto o biológico custa uma fração desse valor. Além disso, existe uma demanda da sociedade e dos órgãos reguladores pela produção de alimentos sem resíduos. Nesse contexto, a utilização dos defensivos biológicos em alternância com os produtos químicos, permite que sejam realizadas aplicações para o controle de pragas e doenças no final do ciclo de cultivo, quando a aplicação de defensivos químicos é limitada em função dos limites máximos de resíduo e intervalo de carência. Outra vantagem da introdução de produtos biológicos no manejo é a extensão da vida útil dos defensivos químicos. Biológicos representam novos e complexos mecanismos de ação, para os quais a evolução da resistência de pragas e doenças é menos problemática. Considerando que o lançamento de moléculas químicas tem ocorrido de forma cada vez mais lenta, a manutenção da alta eficácia das moléculas atuais é fator crítico para a sustentabilidade da agricultura e, nesse sentido, a integração com biológicos é fundamental para retardar a evolução da resistência e prolongar o ciclo de vida desses ativos. Biológicos têm uma expectativa de crescimento robusto, fornecem alternativas eficazes e sustentáveis, são uma eficiente ferramenta para proteger os altos investimentos em sementes e a rentabilidade do agricultor. Os produtores estão adotando o manejo integrado de pragas (MIP), no qual o uso de defensivos biológicos desempenha papel central. A tendência do mercado é que o uso de biológicos conviva em harmonia com os defensivos químicos. A mudança no perfil dos produtos biológicos e o aumento exponencial de sua utilização, migrando de nichos para a consolidação no mercado, atingindo as principais culturas, dependem da evolução dos processos de produção massal e formulação. Para a consagração dos produtos biológicos, suas formulações devem cada vez menos depender de logística diferenciada para transporte, armazenamento e aplicação. Essa evolução só será possível com investimentos massivos em tecnologia de fermentação e formulação de microrganismos, o que, até então, não foi profundamente desenvolvido considerando as características desejáveis para um defensivo biológico, diferente do mercado nutracêutico que

Zem aborda perspectivas dos produtos biológicos e sua coexistência harmônica com agroquímicos

www.revistacultivar.com.br • Setembro 2016

35


Milho

Manejo de pragas Fotos Lab. de Manejo de Pragas-Unesp-Ilha Solteira

Corós rizófagos, larva-alfinete, lagarta-do-cartucho, lagarta-elasmo, lagarta-rosca, brocada-cana, cigarrinha, mosca-branca e percevejo barriga-verde estão entre os insetos que causam prejuízos à cultura do milho. O tratamento de sementes com inseticidas é uma das alternativas para proteger a cultura de ataques na emergência e em estádios iniciais de desenvolvimento das plantas camadas adensadas e sob condições de déficit hídrico. As plantas atacadas por corós apresentam inicialmente desenvolvimento reduzido, seguido por amarelecimento, murcha e morte, podendo esses sintomas ocorrer em grandes reboleiras distribuídas irregularmente nas lavouras. Em condições de alta infestação de corós no solo, pode se dar até 100% de perda da lavoura, especialmente quando a presença de larvas mais desenvolvidas coincide com a fase inicial de desenvolvimento das plantas de milho. Os corós Liogenys suturalis e Phyllophaga cuyabana são espécies que apresentam uma geração/ano (univoltino) e que tradicionalmente ocorrem nas lavouras de milho do Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás. P. cuyabana é uma espécie que pode causar danos tanto em milho como na soja, enquanto L. suturalis está associado somente a gramíneas como milho, trigo e aveia. As revoadas de adultos destas espécies ocorrem durante os meses de setembro a novembro. Após o acasalamento, os ovos são colocados no solo, onde ocorre o completo desenvolvimento das fases imaturas do inseto. As larvas apresentam três estágios de desenvolvimento (instares) e, no final do terceiro estágio, entram na fase de pré-pupa, quando não mais se alimentam e apresentam baixa mobilidade.

LARVA-ALFINETE

O

milho cultivado em condições brasileiras sofre intenso ataque de pragas, sendo esse um dos principais fatores que impedem a cultura de atingir o seu máximo potencial produtivo. Dentre as pragas que atacam as raízes de milho na região Centro-Oeste destacam-se as larvas subterrâneas rizófagas de besouros melolontídeos, também denominadas de corós, bicho-bolo e larva-alfinete, que embora possam ocorrer durante todo o ciclo da cultura, causam danos mais severos nos estádios iniciais de desenvolvimento das plantas.

CORÓS RIZÓFAGOS

Corós rizófagos são larvas de coleópteros da família Melolonthidae que apresentam o corpo de coloração branca, três pares de pernas torácicas e se posicionam no formato de U, quando em repouso. Os danos de corós no milho são provocados pelo consumo de raízes, acarretando-se redução na capacidade das plantas de absorver água e nutrientes, ingredientes esses essenciais para o seu desenvolvimento. Essa intensidade de danos é maior em plantas jovens de milho, cultivadas em solo de baixa fertilidade, com

36 Setembro 2016 • www.revistacultivar.com.br

À semelhança do coró, a larva-alfinete, Diabrotica speciosa, alimenta-se das raízes do milho. As larvas dessa praga são de coloração esbranquiçada, porém, apresentam, na cabeça e na placa anal, uma mancha esclerotizada de coloração pardo-escura ou preta. Essas larvas alimentam-se especialmente das raízes adventícias do milho. A perda dessas raízes reduz a capacidade das plantas de absorver água e nutrientes, tornando-as menos produtivas, bem como mais suscetíveis a doenças e ao tombamento. As plantas caídas ficam com um aspecto recurvado, caracterizando o sintoma conhecido como “pescoço de ganso”. Embora


Sintomas de ataques de percevejo barriga-verde, Dichelops melacanthus, em plantas jovens de milho. Selvíria (MS). 2014

essas plantas, por ocasião da colheita, possam conter espigas de milho desenvolvidas, geralmente não são colhidas pela plataforma da colhedeira.

LAGARTA-DO-CARTUCHO

A principal praga do milho, que é um enorme problema tanto para os pequenos como para os grandes produtores, é a lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda, também conhecida como lagarta-militar. É uma praga cosmopolita, que ataca várias culturas de importância econômica em diferentes países. No Brasil, além do milho, esta praga é encontrada atacando plantas de algodão, trigo, arroz, sorgo, soja, entre outras. Os danos causados no milho pela lagarta são um dos entraves para a garantia da produtividade da cultura, podendo reduzir a produtividade em até aproximadamente 35%. As lagartas, no início apenas raspam as folhas e quando desenvolvidas podem destruir completamente o cartucho, produzindo grande quantidade de excreções nas folhas remanescentes. Com o aumento do plantio do milho na segunda safra (“safrinha”) e o cultivo deste cereal em áreas irrigadas, a população da praga tem aumentado consideravelmente e apresentado uma mudança no seu comportamento habitual, atacando plantas recém-emergidas e provocando sintomas de “coração morto” semelhantes aos da lagarta-elasmo, Elasmopalpus lignosellus. As lagartas cortam as plantas rente ao solo, como ocorre coma lagarta-rosca, Agrotis ipsylon, especialmente em períodos de veranico. Quando a praga ocorre no final do ciclo da cultura, as lagartas podem também danificar a espiga, apresentando o mesmo hábito da lagarta-da-espiga, Helicoverpa spp.

Cultivares transgênicos: sucesso parcial no controle da lagarta-do-cartucho O lançamento das primeiras cultivares transgênicas de milho Bt levou os produtores a um enorme otimismo, pois nos primeiros anos de plantio a principal praga da cultura era muito bem controlada. Entretanto, o uso intensivo em quase a totalidade das áreas de plantio, associado à não realização de refúgio, proporcionou uma menor suscetibilidade das lagartas do gênero Spodoptera às proteínas tóxicas produzidas pelas cultivares Bt, levando ao insucesso no controle dessa praga em poucos anos. Uma das principais táticas de controle contra lepidópteros-pragas, com principal objetivo de controle da lagarta-do-cartucho na cultura do milho, é o uso de plantas que

expressam proteínas tóxicas (Tabela 1), que são cultivadas em grande escala, com mais de 80% das áreas cultivadas em todo país. No entanto, os eventos Bt comportam-se de forma distinta para cada espécie de praga, ou seja, não se espera o mesmo nível de eficiência para as principais pragas-alvo da tecnologia, como S. frugiperda, Diatraea saccharalis e Helicoverpa zea. Até o momento no Brasil, o maior entrave para o sucesso de controle das cultivares Bt são as lagartas do gênero Spodoptera, que apresentam maior potencial para evolução de resistência, pois possuem grande capacidade reprodutiva, gerações contínuas e sobrepostas. Com a intensificação da agricultura, os cultivos sucessivos possibilitam a sobrevivência de elevadas populações de S. frugiperda e o fluxo contínuo de mariposas entre culturas hospedeiras favorecem a manutenção de altas populações, propiciando a ocorrência de severas infestações em qualquer estádio fenológico e época de cultivo. Soma-se a isso o fato de haver baixa adoção de áreas de refúgio e de outras táticas de controle, o que torna o cenário ainda mais favorável ao desenvolvimento de resistência. Entre as tecnologias de milho Bt com expressão de duas ou mais proteínas inseticidas, várias não atendem aos requisitos básicos da pirâmide de genes, que provocam elevada mortalidade da praga-alvo e ausência de resistência cruzada entre as proteínas. Neste cenário agrícola, foram constatadas falhas no controle da S. frugiperda em cultivares Bt que expressavam a proteína Cry1F. Com isso, em menos de quatro anos de uso dessa tecnologia no Brasil ocorreu também redução da eficácia de controle da

Ataque de lagarta-rosca (secção de plântulas), na cultura do milho. Selvíria (MS). 2016

www.revistacultivar.com.br • Setembro 2016

37


Fotos Lab. de Manejo de Pragas-Unesp-Ilha Solteira

sua eclosão, fazendo galerias no interior do colmo, provocando a morte ou o perfilhamento da planta. O controle é realizado com inseticidas em tratamento de sementes ou através de cultivares transgênicas (Bt)

LAGARTA-ROSCA, AGROTIS IPSILON

Como a lagarta-elasmo, a lagarta-rosca também provoca danos à cultura em sua fase inicial de desenvolvimento. É uma praga secundária que está gerando danos mais frequentes e significativos em lavouras de milho, principalmente por provocar injúrias no período mais vulnerável da cultura, resultando em redução de estande. A espécie tem hábito noturno e “secciona” a planta logo acima do nível do solo, estando suscetível ao ataque da praga até 35cm de altura. O uso de inseticidas na dessecação antes da semeadura pode reduzir o ataque da lagarta-rosca.

Mosca-branca em folhas de milho

lagarta-do-cartucho em cultivares contendo outras proteínas, como a Cry1A.105, além da Cry1F, devido à elevada probabilidade de resistência cruzada entre estas duas proteínas. Neste contexto, a eficácia a longo prazo de cultivares contendo a proteína Cry2Ab2, que não apresenta resistência cruzada com proteínas Cry1, também pode ser comprometida, deixando de controlar a lagarta-do-cartucho, pois a proteína Cry2Ab2 mostrou baixa toxicidade contra S. frugiperda em estruturas reprodutivas, o que pode favorecer um aumento na frequência de insetos heterozigotos resistentes em populações de campo.

TRATAMENTO DE SEMENTES

A utilização de culturas de cobertura do solo como o milheto, semeado anteriormente ao plantio do milho, é uma prática utilizada no Cerrado brasileiro. Neste ambiente, a lagarta-militar, S. frugiperda, tem a capacidade de se reproduzir e, após a dessecação do milheto e plantio da cultura, lagartas grandes se abrigam na palhada junto ao solo e passam a cortar as plântulas

recém-emergidas, causando redução do estande. O atual avanço tecnológico no tratamento de sementes com inseticidas tem proporcionado a introdução de novos inseticidas como as diamidas antranílicas, que são eficientes no controle de lepidópteros no início de desenvolvimento das plântulas. Trabalhos realizados pela equipe de pesquisa coordenada pelo pesquisador Geraldo Papa, da Unesp Ilha Solteira, constataram o efeito dos inseticidas clorantraniliprole e ciantraniliprole, do grupo químico das diamidas atranílicas, aplicados via tratamento de sementes, para o controle da Spodoptera frugiperda aos até 20 dias após a emergência da cultura (Figura 1).

LAGARTA-ELASMO, ELASMOPALPUS LIGNOSELLUS

A lagarta-elasmo possui hábito alimentar polífago, proporcionando sérios danos a diversas culturas de importância econômica como milho, cana-de-açúcar, trigo, soja, arroz, feijão, sorgo, amendoim, algodão, dentre outras. As injúrias são provocadas quando a lagarta penetra na região do colo, logo após

Figura 1 - Controle de S. frugiperda no milho com inseticidas aplicados nas sementes

38 Setembro 2016 • www.revistacultivar.com.br

BROCA-DA-CANA-DE-AÇÚCAR, DIATRAEA SACCHARALIS

O dano dessa praga é proporcionado em sua fase larval, que após a eclosão perfura a planta ainda na fase de “cartucho”, promovendo orifícios ao longo da folha no sentido transversal. Caso a infestação seja precoce, as larvas podem aprofundar no cartucho e matar a planta logo após a emergência da cultura. Nas plantas mais desenvolvidas, o dano das larvas ocorre através da alimentação do interior dos colmos, produzindo galerias que enfraquecem a planta, tornando-a propensa ao quebramento. O controle deve ser feito preferencialmente quando as lagartas estiverem nos primeiros instares larvais com inseticidas. Outra alternativa é a utilização do controle biológico através de parasitoides como Trichogramma galloi (Hymenoptera: Trichogrammatidae) e Cotesia flavipes (Hymenoptera: Braconidae) e o uso de plantas Bt.

CIGARRINHA, DALBULUS MAIDIS

A espécie Dalbulus maidis é responsável por perdas expressivas na produção do milho, principalmente por transmitir para

Figura 2 - Número de plantas com sintomas de ataque do percevejo barriga-verde por tratamento aos nove dias após a segunda aplicação dos inseticidas. Selvíria, MS


as plantas patógenos que proporcionam o enfezamento do milho. O aumento da incidência da praga e consequentemente de seus danos está diretamente relacionado a áreas em que se cultiva o milho de segunda época ou “safrinha”, onde os prejuízos causados por essas doenças têm sido maiores, como na região Centro-Oeste do País. O controle da cigarrinha é realizado através da pulverização de inseticidas registrados para este alvo.

MOSCA-BRANCA, BEMISIA TABACI - BIÓTIPO B

São insetos pequenos com aproximadamente 1mm a 2mm de comprimento; apresentam dois pares de asas membranosas de cor clara, recobertas por uma pulverulência branca, enquanto o corpo é recoberto por uma cera extracuticular amarelada, dando aspecto de uma pequena mosca. As fêmeas da espécie possuem uma preferência para oviposição principalmente na primeira e segunda folha de milho, mas também são capazes de colonizar as folhas em desenvolvimento. Ainda não há informações relatando as injúrias provocadas na cultura do milho, bem como não há informações de controle da praga nesta cultura.

Tabela 1 - Tecnologias Bt disponíveis para cultivo e respectivos graus de resistência (Moderado (M); Suscetível (S); Resistente (R)) em folhas contra lagartas recém-eclodidas de Spodoptera fugiperda Evento Yieldgard; Agrisure TL Herculex™ Viptera™ AgrisureViptera™ Optimum™ Intrasect™ VT PRO™ Power Core PW/Dow VTPROMax™ C

Proteína (s)/Toxina (s) Cry1Ab Cry1F VIP3Aa20 Cry1Ab + VIP3Aa20 Cry1Ab + Cry1F Cry1A.105 + Cry2Ab Cry1A.105 + Cry1F + Cry2Ab Cry1A.105 + Cry1F + Cry2Ab

Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) M S R R M R R R

Moderado (M); Suscetível (S); Resistente (R). Fonte: adaptado de Bernardi (2016)

PERCEVEJO BARRIGA-VERDE, DICHELOPS MELACANTHUS

A utilização do sistema de plantio direto e o uso intenso das áreas por cultivo de milho safrinha têm favorecido o crescimento populacional do percevejo barriga-verde, Dichelops melacanthus, que promove danos às plantas de milho no início de seu desenvolvimento, quando injeta toxinas no colo das plântulas durante seu processo de alimentação, causando redução no estande e do vigor, além do perfilhamento. Entre os métodos de controle, o uso de inseticidas é o mais eficaz, podendo ser realizado preventivamente, através do tratamento de

sementes e via pulverização foliar. Em pesquisas realizadas pela equipe do professor Geraldo Papa, da Unesp – Ilha Solteira, constatou-se a eficiência do uso de neonecotinoide + piretroide, no controle do percevejo barriga-verde, aplicado em pós-emergência. C Geraldo Papa, João Antonio Zanardi Jr, Roberto da Silva e André Gonsales Amaral, Unesp Crebio José Ávila Embrapa Agropecuária Oeste


Milho

Agente disseminador Elcio Alves

Sementes são um dos meios mais eficientes de disseminação de fungos em milho, tanto em campos de produção como em condições de armazenamento. Por isso, tratá-las com fungicidas é uma excelente opção do ponto de vista econômico e ambiental

A

semente é um dos meios mais eficientes de disseminação de doenças, considerando-se que através dela os patógenos podem ser transportados a grandes distâncias e introduzidos em novas áreas. As sementes de milho são suscetíveis a vários fungos, que podem causar prejuízos para o estabelecimento da cultura, redução do estande e debilitação das plântulas. No Brasil, os principais fungos transportados pelas sementes de milho são Fusarium verticillioides e Acremonium strictum, em campos de produção de sementes, e Aspergillus spp. e Penicillium spp., em condições de armazenamento. Danos mecânicos oriundos da colheita mecanizada de sementes de milho podem

permitir a entrada de microrganismos de armazenamento e do solo, aumentando o índice de podridão do lote, principalmente na região do embrião. Assim, o tratamento de sementes de milho tem por objetivo, também, o controle dos fungos do solo, como as espécies dos gêneros Pythium, Rhizoctonia, Fusarium e Stenocarpella. Essas espécies podem causar podridões de sementes, morte de plântulas em pré e pós-emergência, e podridões radiculares, o que promove a formação de um estande irregular. O fungo Fusarium verticillioides é causador das podridões de colmo e da espiga ou fusariose. Tem poder de provocar a morte de plântulas, ocasionada por necrose no coleóptilo, além de causar apodrecimento

40 Setembro 2016 • www.revistacultivar.com.br

das raízes da base da planta e dos entrenós inferiores. Na fase de maturação fisiológica dos grãos, a doença torna-se mais severa, formando massa de esporos de cor rosa-salmão na parte externa do tecido afetado. A doença vem aumentando nos últimos anos principalmente em áreas com sistema de cultivo em plantio direto e sem rotação de culturas. As sementes de milho são rotineiramente tratadas com defensivos químicos e esta prática é uma excelente opção, não só pela eficiência, mas também pela economia e por apresentar menor impacto ambiental, em comparação com produtos aplicados via foliar ou no sulco de plantio. Nesse sentido, foi conduzido um trabalho para verificar a eficiência de diferentes


Figura 1 - Porcentagem de incidência de fungos, valores médios das nove amostras de sementes, com os respectivos tratamentos

Tabela 1 - Linhagens e híbridos a serem avaliados no experimento Híbridos AM 997 AM 606 HS 724

(1)Médias seguidas pela mesma letra em cada fungo não diferem estatisticamente pelo teste de Scott-Knott, ao nível de 5% de probabilidade.

pela empresa Melhoramento Agropastoril Ltda, especializada em melhoramento genético de milho. As sementes foram tratadas com os fungicidas de acordo com a dose do fabricante (Tabela 2). Os produtos, em um volume de calda de 0,5% do peso das sementes, foram adicionados sobre as sementes em sacos plásticos, agitando-se vigorosamente até a completa cobertura e, posteriormente, submetidas à secagem

98 14 42

na sombra. O tratamento correspondente à testemunha foi tratado com 0,5% de água destilada. A avaliação foi realizada através dos testes de sanidade, de germinação e de emergência de plântulas em estufa. A qualidade sanitária das sementes foi analisada utilizando-se o método do papel de filtro com congelamento e a germinação utilizando-se o método do rolo de germinação (papel-toalha), ambos segundo as Regras para Análise de Sementes (Brasil, 2009). Para determinação da emergência de plântulas foi realizada a semeadura em caixas plásticas de 43 x 30 x 11cm, contendo substrato. Foram mantidas em estufa e, a partir do início da emergência, anotado diariamente o número de plântulas normais emergidas até que o processo se estabilizasse. Com esses dados foram

João Américo Wordell Filho

Renata Rebellato Linhares

fungicidas no tratamento de sementes de linhagens e híbridos de milho, para o controle de Fusarium verticillioides. O estudo foi realizado no Laboratório de Patologia de Sementes, situado no Departamento de Fitopatologia e Nematologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Piracicaba/SP). Foram utilizadas sementes de seis linhagens e três híbridos resultantes do cruzamento dessas linhagens (Tabela 1). Essas sementes foram cedidas

Linhagens 72 23 18

Redução de estande na lavoura de milho causada por Fusarium verticillioides. No detalhe, coleóptilo e raiz de plântulas de milho atacados pelo patógeno

Imagem de microscopia de luz: hifas e microconídios de Fusarium verticillioides


obtidos outros índices de vigor, sendo estes o índice de velocidade de emergência (IVE) e a porcentagem de plântulas emergidas. Foram identificados no teste de sanidade das nove amostras testadas os seguintes fungos: Fusarium verticillioides, Acremonium strictum, Penicillium spp. e Aspergillus spp. Todos os produtos reduziram a incidência de F. verticillioides, Penicillium spp. e Aspergillus spp., com destaque para os produtos à base de carbendazim + tiram + captana e fludioxonil + azoxystrobin + metalaxil-M + tiabendazol, que tiveram maior eficiência principalmente no controle de F. verticillioides. Esses mesmos tratamentos foram os que se destacaram na redução da incidência de A. strictum. Isso pode ser verificado na Figura 1, em que a coloração das barras representa os tratamentos das sementes e as menores barras indicam menor incidência do fungo transportado pelas sementes. Os melhores tratamentos foram aqueles cujos produtos continham maior número de ingrediente ativo. Essa correlação positiva entre os produtos e o aumento da eficiência no controle de fungos podem ser chamados de sinergismo de substâncias. No teste de germinação, verificou-se na primeira contagem (considerada como um parâmetro de vigor) maior número de plântulas normais em todos os tratamentos com fungicidas em relação ao sem fungicida. Infere-se que este aumento no vigor

Tabela 2 – Ingredientes ativos (i.a.), concentrações e doses aplicadas no tratamento de nove amostras de sementes de milho Ingrediente Concentração Dose do i.a. Dose do p.c. ativo (g/100kg de sementes) (ml ou g/100kg de sementes) Testemunha Carbendazim + tiram 150+350 g/L 45 + 105 300 Captana 500 g/kg 150 300 Carbendazim + tiram + captana 500 g/kg + 150+350 g/L 150 + 45+105 300 + 300 Fludioxonil + metalaxil-M + tiabendazol 25+20+150 g/L 3,75 + 3 + 22,5 150 Fludioxonil + azoxystrobin + metalaxil-M + tiabendazol 35 g/L 5,25 150

Tabela 3 - Resultados, em porcentagem, dos testes de germinação e emergência das amostras de sementes com os respectivos tratamentos Tratamento

Teste de germinação Teste de germinação Teste de emergência Índice de velocidade (1ª contagem) (2ª contagem) (% plântulas emergidas) de emergência (IVE) Testemunha 30,56 B(1) 76,94ns 80,33ns 4,14ns carbendazim + tiram 39,17 A 80,83 82,44 4,23 captana 38,94 A 78,17 80,83 4,21 captana + carbendazim + tiram 39,56 A 80,33 81,72 4,22 fludioxonil + metalaxil-M + tiabendazol 38,11 A 77,00 81,94 4,05 fludioxonil + azoxystrobin + metalaxil-M + tiabendazol 32,61 A 77,56 81,67 4,15 CV (%) 20, 55 9,92 9,72 17,66 Médias seguidas pela mesma letra em uma coluna não diferem estatisticamente pelo teste de Scott-Knott, ao nível de 5% de probabilidade. ns = Fator de interação não significativo. (1)

esteja relacionado com o controle do fungo F. verticillioides, observado no teste de sanidade. Os demais parâmetros avaliados não foram eficientes em discriminar os tratamentos em relação à qualidade fisiológica das sementes (Tabela 3). Assim, os tratamentos que se destacaram foram carbendazim + tiram +

captana e fludioxonil + azoxystrobin + metalaxil-M + tiabendazol reduzindo a incidência dos fungos sem afetar a qualidade fisiológica das sementes. Estes produtos podem ser usados na produção de milho, a fim de auxiliar os produtores tanto de sementes, na obtenção de híbridos com alto potencial de rendimento, quanto de grãos, no estabelecimento de lavouras com C o estande desejado.

PRODUÇÃO DE MILHO milho (Zeamays L.) é o cereal mais produzido no mundo, sendo o Brasil o terceiro maior produtor, atrás dos Estados Unidos e da China. Na safra 2015/2016, estima-se que a produção nacional atinja 69,1 milhões de toneladas (Conab, 2016), representando uma das principais atividades produtivas, ficando atrás em produção apenas para as culturas da cana-de-açúcar e da soja. A cultura desempenha papel fundamental na alimentação humana e, principalmente, animal, pois em sua maioria os grãos são destinados para a fabricação de rações. Estima-se que a população mundial, atualmente com mais de sete bilhões de pessoas, terá, até 2050, nove bilhões de indivíduos. Considerando este cenário mundial, o milho é uma cultura que apresenta um grande potencial, principalmente como uma fonte de energia a ser explorada a fim de se alcançar a sustentabilidade, e também suprir uma demanda de alimentos cada vez maior por parte da humanidade. No início do século 20, pesquisas rea-

lizadas em diversas áreas, principalmente no melhoramento genético, possibilitaram a obtenção do milho híbrido (cruzamento forçado entre duas plantas de linhagens puras), sendo esta a principal causa do aumento espetacular em produtividade de grãos na cultura. O crescimento na produtividade contribui diretamente com a sustentabilidade, já que se produz mais em uma mesma área, significando menos desmatamento. O desafio dos melhoristas atualmente está em continuar produzindo novos híbridos que possam substituir com vantagens os existentes. Em um programa de melhoramento, a escolha de linhagens e híbridos de milho é influenciada pelo potencial genético da espécie, que está diretamente relacionado com o seu rendimento. Para que o potencial genético possa ser expresso é necessário que as sementes possuam alta qualidade fisiológica e sanitária, ou seja, com alto potencial de germinação e vigor altos e baixa incidência de patógenos.

42 Setembro 2016 • www.revistacultivar.com.br

Renata Rebellato Linhares

O

Renata Rebellato Linhares, Maria Heloísa D. de Moraes Mariane Sayuri Ishizuka e José Otávio Machado Menten, Universidade de São Paulo

Teste de emergência em substrato aos 9 dias após a semeadura. Plântulas de milho do híbrido AM 997


Informe empresarial

Semente bem tratada! Fotos Ourofino

A busca pelo aumento de produtividade passa pela adequada proteção aos estágios iniciais de desenvolvimento das plantas

O

crescimento populacional é vertiginoso e pode ser visto por todos em uma simples caminhada pela cidade. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), a população do planeta deverá chegar aos 8,5 bilhões em 2030 e 9,7 bilhões em 2050. O número assusta e precisa ser incorporado aos mais diversos setores, inclusive ao agronegócio. O Brasil entende essa necessidade e, no cenário agropecuário, atua como protagonista. Somente na produção atual de soja, o País conta com mais de 33 milhões de hectares plantados, além de ter imensas áreas para expansão. No entanto, para atender toda demanda mundial é necessário mais que isso: aumento de produtividade, preços competitivos e estrutura sustentável são fundamentais. Para Silvestre Bellettini, engenheiro agrônomo e consultor, existem alguns pilares dentro do manejo de pragas e doenças, por exemplo, que podem ser mais bem trabalhados, como o tratamento de sementes (TS). A prática vem crescendo de forma expressiva no Brasil em função dos resultados apresentados. “Antes, a prática era realizada de forma indevida e ineficaz, o que mudou frente à evolução da tecnologia e garantiu ganhos”, explica. O profissional diz ainda que um tratamento bem feito, para o controle inicial e/ou preventivo de pragas e doenças, deve oferecer um residual satisfatório para que a planta permaneça protegida, diminuindo possíveis danos em busca do seu pleno potencial produtivo.

por cerca de 40% da prática de tratamento de sementes no Brasil e esse percentual deve aumentar nos próximos anos. “Isso graças aos aspectos ambientais e avanços tecnológicos, que garantem mais segurança e qualidade”, diz Bellettini. Por outro lado, há produtores que preferem realizar o tratamento on farm, com objetivo de atuar especificamente na real necessidade do problema, prática comum em lavouras brasileiras. “No campo ou na indústria, o tratamento de semente é um grande aliado do produtor em retorno de produtividade”, afirma o gerente de Produtos (Inseticida) da Ourofino Agrociência, Marco Antonio Cunha.

TERRA FORTE É A NOVA SOLUÇÃO DA OUROFINO AGROCIÊNCIA

Diante da necessidade do agricultor e do crescente mercado de tratamento de sementes, a Ourofino Agrociência apresenta o Terra Forte, um inseticida de contato e ingestão à base de fipronil, recomendado para as culturas de soja, milho, algodão, feijão e também para pastagem. O inseticida é recomendado para o controle das principais pragas de solo e as de parte aérea em fase inicial, como broca, lagartas, vaquinha, coró em estágio larval e cupins. “A base de qualquer cultura é a germinação. Quando o produtor investe em sementes de qualidade e as protege, ele

NA INDÚSTRIA E NO CAMPO

A prática de tratamento de sementes pode ser dividida de duas formas: Tratamento Industrial de Sementes (TSI) e on farm (tratamento na fazenda). A primeira é a evolução do tratamento efetuado pelo agricultor, só que em escala industrial e com equipamentos de alta tecnologia. Atualmente, estima-se que o TSI responde

Cunha e Nucci ressaltam a importância do tratamento de sementes para o produtor obter bons resultados

evita perdas, garante uma melhor germinação e um estande adequado, que reflete em mais produtividade”, orienta o gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa, Antônio Nucci. Produzida na fábrica da Ourofino Agrociência, a nova solução possui densidade compatível com os equipamentos de tratamento de semente industrial, proporcionando a utilização em diferentes calibrações. “Trata-se de um produto com formulação líquida, com melhor homogeneização da calda e densidade adequada. Além disso, oferece mais facilidade na limpeza dos equipamentos industriais”, completa Cunha. Para o homem do campo, que investe em qualidade e busca produtos de alta tecnologia, o Terra Forte oferece mais confiança em função do seu amplo espectro de controle e residual prolongado, que protege a lavoura de pragas que atacam as sementes e, com isso, auxilia na busca pelo aumento de produtividade. “A escolha do produto é fator preponderante no sucesso da prática”, opina o consultor Bellettini. Cunha também alerta que a exposição de uma semente sem tratamento às pragas de solo, inclusive na pastagem, pode trazer grandes prejuízos ao produtor. Dependendo da infestação, as perdas podem ser significativas. “O ataque de pragas em sementes não tratadas ocasiona uma demora na formação da pastagem e gera problemas para o produtor”, destaca. O Terra Forte chega para complementar o portfólio de 21 produtos em comercialização da Ourofino Agrociência, que conta com inseticidas, herbicidas e fungicidas. C

DICAS Para uma boa colheita, os gerentes da Ourofino Agrociência orientam três práticas: 1. Utilize sementes certificadas que garantam germinação adequada. 2. Para proteger as sementes, realize os tratamentos recomendados pelos agrônomos responsáveis. 3. O plantio é a base de toda a produção, invista em produtos confiáveis.

www.revistacultivar.com.br • Setembro 2016

43


Empresas

Com sustentabilidade Em um cenário de necessidade de aumento da produtividade para atender à demanda mundial crescente por alimentos é indispensável a prática responsável de uma agricultura que seja ao mesmo tempo produtiva e sustentável

N

públicos e privados precisam trabalhar em conjunto. A Dow AgroSciences, uma empresa que tem compromisso com a sociedade, reconhece que tem um papel fundamental neste processo e que todas as recomendações e soluções têm como meta atender as necessidades do produtor. Praticar uma agricultura produtiva e sustentável significa adotar práticas integradas de manejo. Pensando nisto, foi desenvolvido pela Dow AgroSciences o Programa de Boas Práticas Agrícolas, que tem como principal objetivo divulgar conceitos para contribuir na otimização dos recursos, redução do impacto no meio ambiente e prover maior sustentabilidade ao agronegócio. Estes conceitos englobam pontos importantes sobre o manejo da resistência de plantas daninhas, manejo de resistência de insetos e tecnologia de aplicação. Ao abordar manejo da resistência de plantas daninhas vale lembrar que sempre Dow AgroSciences

o período de 1800 a 2010 a população mundial cresceu cerca de sete vezes. Ou seja, passou de um bilhão de habitantes para sete bilhões de habitantes. A economia, medida pelo Produto Interno Bruto (PIB), por sua vez, aumentou ao redor de 50 vezes. Estima-se que a população mundial atinja a marca de 8,5 bilhões até 2030. Com o crescente aumento da população e do consumo, existe uma demanda exponencial pelos recursos naturais, e desta forma, a sustentabilidade assume um papel de extrema relevância no mundo. Diversos setores da sociedade estão empenhados no fortalecimento do conceito de responsabilidade na produção agroindustrial e nas ações socioeconômicas. Um exemplo deste processo é o constante fortalecimento dos fóruns internacionais sobre a responsabilidade nos processos de produção agrícola. Ao longo dos anos, diversas inovações foram incorporadas ao agronegócio para auxiliar e melhorar a eficiência das lavouras, tornando o papel da agricultura fundamental para a economia. Segundo informações da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO-2012), será necessário um aumento de 60% na produção agrícola - tanto na produção de alimentos para consumo humano, quanto na produção destinada a biocombustíveis - para suprir as necessidades dos nove bilhões de pessoas que deverão habitar o planeta em 2050. A previsão anterior, de 2009, estimava que a produção global deveria crescer 70% (usando como média a produção de 2005 e 2007). Mesmo com estimativa mais modesta, aumentar a produção de alimentos em 60% em cerca de quatro décadas é um desafio. A FAO prevê que a pressão de compra fará com que os preços continuem a subir no futuro próximo. Para atingir os objetivos de 2050, espera-se que quase toda a expansão da produção (90%) venha de ganhos de produtividade, e que o restante exija um aumento da área plantada. Para vencer este desafio todos os setores

Ana Cristina enfatiza o fortalecimento do conceito de responsabilidade na produção agroindustrial

44 Setembro 2016 • www.revistacultivar.com.br

estiveram presentes no trabalho agrícola realizado pelo homem no campo. No entanto, nos últimos anos, a dificuldade para controlá-las aumentou devido ao maior número de casos de plantas tolerantes e resistentes aos herbicidas. Uma série de fatores pode levar ao aparecimento da resistência, sendo muitos deles ligados à adoção de práticas de alto risco durante a condução da cultura, como o uso repetido de herbicidas com o mesmo mecanismo de ação. É importante que o agricultor saiba identificar as plantas daninhas tolerantes e resistentes, além de conhecer as ações mais eficientes para evitar o aparecimento de resistência. Outro ponto relevante é o manejo de resistência de insetos, para evitar que a ação inseticida das lavouras Bt sobre os insetos-praga exerça uma pressão de seleção sobre as lagartas-alvo, gerando o problema da resistência de insetos à tecnologia. É de extrema importância adotar estratégias para prevenir ou retardar a seleção de indivíduos resistentes, como, por exemplo, a prática do refúgio, que garante o equilíbrio na biodiversidade e a produtividade das lavouras, permitindo ao produtor usufruir dos benefícios da tecnologia com longevidade. Por fim, a tecnologia de aplicação demonstra como deve ser feita a aplicação correta dos defensivos agrícolas. A utilização de pontas e pressão de trabalho recomendadas de acordo com a velocidade do vento no momento da ação é fundamental para se evitar a deriva e contribui para que o alvo desejado seja atingido de forma mais eficaz. O agricultor reduz seus custos e o impacto da atividade no meio ambiente, uma vez que há menor necessidade de refazer as aplicações, além de diminuir as emissões de gases do efeito estufa. Unir e beneficiar agricultores, a comunidade científica e a sociedade, com informação e treinamento, é a melhor maneira para se praticar uma agricultura responsável e produtiva. Este é o ciclo da agricultura para a vida! C Ana Cristina Pinheiro, Dow AgroSciences


Empresas

Fotos Divulgação Syngenta

Investimento em tecnologia

Syngenta lança programa Manejo Consciente e inaugura no Brasil a primeira unidade voltada para produção exclusiva do fungicida Elatus na América Latina

A

Syngenta aproveitou as comemorações do Dia do Agricultor para realizar dois anúncios importantes para o setor. A empresa lançou o programa Manejo Consciente, cujo foco é o manejo sustentável das lavouras de soja, e também inaugurou a primeira unidade a desenvolver a tecnologia para a produção do fungicida Elatus na América Latina. Alinhada à importância de disseminar conhecimentos ligados ao manejo correto da ferrugem e de outras doenças da soja, a Syngenta desenvolveu o programa Manejo Consciente, com o objetivo de unir esforços pela efetividade das tecnologias e sustentabilidade na agricultura. Durante o evento houve discussão técnica com consultores e outros pesquisadores sobre as boas práticas para potencializar o manejo das doenças da soja e a eficiência das tecnologias disponíveis no mercado atualmente. De modo interativo os participantes puderam responder perguntas sobre a iniciativa do programa por meio de um aplicativo chamado Radar Syngenta. O objetivo deste APP é ser um hub de informações sobre os

eventos do agronegócio, tanto aqueles que a empresa participa e promove, como os que não se envolvem com a organização. Além disso, o aplicativo tem como pontos fortes a interatividade, a possibilidade de o usuário receber pushs, responder enquetes, visualizar a galeria de fotos dos eventos, entre outros. De acordo com o pesquisador Ricardo Balardim, um dos palestrantes do evento, não haverá manejo de doenças no futuro se não for possível entender todos os sistemas que estão envolvidos, ou conhecer a dinâmica dos sistemas, patógeno x planta, produto x planta, produto x patógeno, todos interagindo dinamicamente. “Se não entendermos isso, não haverá controle, precisamos entender os sistemas de forma dinâmica e a partir daí construir nossa plataforma de ação”, avaliou. A utilização correta de defensivos, a assistência técnica no campo e o planejamento detalhado das safras são as principais ferramentas para o controle de doenças como a ferrugem. Para evitar a resistência a estas ferramentas e todos os riscos que isso implica, é necessário executar ações de mitigação. Por isso, além de chamar a atenção para o problema, por meio

48 Setembro 2016 • www.revistacultivar.com.br

do Programa Manejo Consciente, a Syngenta tem o objetivo de disseminar as melhores práticas agrícolas de forma efetiva, com o apoio de técnicos, pesquisadores e demais entidades do agronegócio. No primeiro momento, o foco do Programa vai ser em soja, a principal cultura agrícola brasileira e que pode ser atacada por um grande número de doenças. Dentre os danos que essas doenças podem ocasionar, a ferrugem asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é a mais desafiadora, capaz de devastar por completo o potencial produtivo de uma lavoura. A adoção de técnicas de manejo integrado, o planejamento detalhado das safras e a aplicação correta de fungicidas garantem a produtividade das lavouras de soja. “Ao transferir conhecimentos e orientar produtores rurais sobre o manejo adequado de doenças, buscamos não apenas proteger a efetividade dos fungicidas e a produtividade da soja, mas principalmente atuar com práticas ambientalmente sustentáveis, em linha com os compromissos assumidos em nosso Plano de Agricultura Sustentável”, afirma o gerente de Portfólio de Fungicidas da Syngenta, Robison Serafim.


Giampani ressaltou a busca por entregar melhores soluções aos produtores

UNIDADE INAUGURADA

A Syngenta investiu 43 milhões de dólares na nacionalização da produção do fungicida Elatus, em sua fábrica localizada em Paulínia, São Paulo. No dia 29 de julho, a empresa inaugurou a nova unidade, em um evento que celebrou a abertura da primeira unidade a desenvolver a tecnologia Pepite na América Latina. Desenvolvido pela área de Tecnologia e Engenharia da Syngenta, o processo de produção do Pepite desenvolve o Elatus como grânulos solúveis em água - que combinam as propriedades de manipulação de um líquido com a conveniência de um produto seco e sólido. A tecnologia da formulação também aperfeiçoa o transporte de ingrediente ativo para o tecido das plantas, permitindo que comece rapidamente a mover-se sistemicamente para proteger a cultura. A solenidade de inauguração contou com a presença do diretor-presidente da Syngenta, Laércio Giampani, que reiterou a importância do manejo consciente. “A Syngenta está firme e dedicada nesta jornada.

Balardin lembrou as inúmeras variáveis que interferem no manejo de doenças

Serafim destacou potencial de aumento de produtividade da soja no Brasil

Nosso objetivo é entregar o melhor para o produtor”, disse. O executivo destacou ainda a importância da tecnologia Elatus em um país onde a soja é um dos principais itens da produção agrícola, sendo o segundo maior produtor mundial. "Além desses benefícios para os produtores, que contam com a tecnologia de Elatus para proteger a produtividade da soja, a formulação sólida de nosso fungicida facilita a aplicação correta e segura do produto no campo. Agrega, também, vantagem na logística e no armazenamento, quando comparado ao líquido. Fatores totalmente alinhados aos compromissos que assumimos por meio do Plano de Agricultura Sustentável", destacou o gerente da fábrica da Syngenta em Paulínia, Sandro Carvalho. Com dedicação exclusiva à fabricação de Elatus, a nova planta tem capacidade para produzir quatro mil toneladas de Pepite por ano, o que permite o pleno atendimento à demanda brasileira. Desde seu lançamento, em 2014, o fungicida Elatus acumula bons resultados no

controle de doenças da soja, com ênfase para ferrugem asiática, e também produtividade. O acompanhamento de mais de 200 áreas demonstrativas na última safra - denominadas "áreas referência" em um projeto de monitoramento liderado pela Syngenta, e mais 80 pesquisadores e consultores brasileiros, identificou que as áreas tratadas com o produto registraram incremento médio de 3,3 sacas de soja por hectare. "Tomando como base a área de soja plantada no Brasil na última safra - 32 milhões de hectares -, o incremento médio de produtividade alcançado com a utilização de Elatus - 3,3 sacas por hectare - e a média nacional de produtividade do grão - 50 sacas por hectare -, concluímos que se Elatus fosse utilizado como tratamento padrão em todo o País, o potencial seria de cerca de dois milhões de hectares a mais em produtividade, sem aumentar nenhum hectare sequer em área plantada, em linha com o proposto por nosso Plano de Agricultura Sustentável", opinou o gerente de Portfólio de Fungicidas da SyngenC ta, Robison Serafim.


COLUNA AGRONEGÓCIOS

E

A solução é aumentar a produtividade

m 2005, um estudo da FAO estimou a necessidade de incrementar em 70% a produção agropecuária global até 2050, ainda faltando, em 2016, uns 60%. Oferta tem tudo a ver com demanda, e ambos têm tudo a ver com preço. Nas últimas três décadas houve queda ou estabilidade de preços de alimentos. Estudos recentes alertam que a manutenção dos parâmetros de produção agropecuária do passado recente não será suficiente para atender o aumento da demanda até a metade deste século, o que poderia redundar em aumento acentuado no preço dos alimentos, maior fome e pobreza.

O PASSADO

Até meados do século 20, os desafios para o atendimento da demanda global de alimentos eram menores do que os observados nos últimos 60 anos e, seguramente, foram muito menos complexos do que os antevistos para a primeira metade deste século, postas as seguintes razões: a) não havia uma preocupação efetiva com o dilema da fome no mundo; b) as taxas de crescimento populacional eram relativamente baixas, devido à elevada mortalidade infantil e à reduzida esperança de vida; c) as taxas de crescimento da renda per capita eram moderadas; d) havia muita área agrícola fértil ainda por incorporar; d) a produtividade das culturas era muito baixa, portanto a margem para expansão era elevada. Na segunda metade do século 20 houve forte alteração do cenário, pois a população mundial cresceu aceleradamente, expandiu-se fortemente a renda per capita, o dilema da fome no mundo passou a ser uma preocupação generalizada, com inúmeros programas para sua mitigação, a área agrícola escasseou e a produtividade evoluiu em altas taxas.

O FUTURO

Os desafios passados apequenam-se quando projetamos os próximos 35 anos. A população mundial crescerá 26%, de 7,4 para 9,3 bilhões de pessoas, o que explica apenas 40% do aumento da demanda de alimentos do período, o restante sendo explicado por outros fatores. A expectativa de vida passará dos atuais 67 para 76 anos, ampliando o período da vida em que a renda do cidadão não significará restrições para aquisição de alimentos. Nos últimos 50 anos, a renda per capita global cresceu

quase 200%, e a FAO estima que, até 2050, haverá um crescimento adicional de 90%. O aumento de renda incorporará ao mercado consumidor um contingente estimado em 800 milhões de pessoas, que possui algum grau de vulnerabilidade nutricional. Em extratos de renda intermediários, o incremento da renda per capita significará um aumento de consumo marginal, porém qualificado, em especial de proteína animal, frutas e hortaliças, impondo fortes exigências em termos de certificação, qualidade e inocuidade. Quanto maiores as exigências, mais elevados os descartes por não conformidades dos alimentos. A produção de carnes significa aumento da demanda de cereais e oleaginosas de forma desproporcional ao que ocorreria se estes produtos se destinassem diretamente ao consumidor final.

RESTRIÇÕES

Quatro importantes restrições à expansão da produção agrícola podem ser antevistas. De acordo com a FAO, quase não haverá expansão líquida da área cultivada, pois: a) as áreas mais férteis do mundo já se esgotaram, e o custo de incorporação de áreas menos apropriadas é muito alto; b) as áreas mais distantes dos centros de consumo ou dos portos exigem elevados investimentos em infraestrutura, que encarecem os alimentos; c) existe uma competição muito grande por outros usos de área, como expansão das cidades, áreas industriais e comerciais, lazer e infraestrutura; d) a sociedade global pressiona pela preservação de matas, desincentivando a sua ocupação pela agropecuária. Em segundo lugar, o planeta Terra enfrenta um processo de mudanças climáticas, que, em geral, serão desfavoráveis à agricultura, tornando as colheitas mais incertas. Haverá restrições hídricas (ou excesso de precipitação) em áreas tradicionais de agropecuária, reduzindo o volume global da produção esperada, em confronto com o passado recente. Associado a este aspecto, surge a terceira restrição, representada pela dificuldade de expansão da irrigação, pelas crescentes limitações de acesso à água. Finalmente, espera-se maior incidência e maior potencial de danos de pragas agrícolas, devido à expansão das culturas, à introdução de novas pragas nas regiões produtoras, à adaptação das pragas aos cultivos que ora não são hospedeiros, à resistência das pragas aos agroquímicos

utilizados para seu controle e ao efeito do aumento gradual da temperatura, tornando os ambientes mais favoráveis ao ataque das pragas e à sua reprodução mais intensa.

PRODUTIVIDADE

O rendimento potencial de uma cultura é aquele obtido quando cultivada em condições consideradas ideais, em especial sem limitação de água e nutrientes e com estresses bióticos efetivamente controlados. O potencial produtivo do germoplasma representa o teto teórico possível, sendo a sua expressão em condições de campo decorrente da interação com condições ambientais locais, como a radiação solar, temperatura, CO2 atmosférico, arquitetura de plantas e arranjo que permita e interceptação de luz de forma eficiente. Na transição da década de 1950 para 1960, quando o rendimento médio de trigo na Holanda era inferior a 5t/ha, estudiosos anteciparam o potencial produtivo superior a 10t/ha, atingido na década de 1990. Já neste século, os rendimentos obtidos pelos agricultores nos países ricos se aproximam do potencial teórico estimado, com o uso das condições ótimas de cultivo. Assim mesmo, existem boas possibilidades de expansão da produtividade, nos próximos 35 anos, se considerarmos o aumento do protagonismo de países tropicais e subtropicais e as inovações que devem chegar ao campo, seja germoplasma mais produtivo ou tecnologias que mitigam as restrições impostas por estresses abióticos (clima, solo) ou bióticos (pragas), aproximando o ambiente produtivo daquele considerado ideal para máxima produtividade. O mundo espera que o Brasil responda por cerca de um terço do aumento da produção agrícola mundial entre 2005 e 2050. Apesar de nosso país ser um dos raros que ainda dispõem de áreas novas para incorporar à agricultura, as restrições à sua expansão nos impõem dois caminhos preferenciais. O primeiro é a intensificação da agricultura, com duas a três safras de grãos, mais pastagens, na mesma área. O outro é o aumento sustentável da produtividade agrícola. O avanço da tecnologia e a sua adoção em larga escala e em velocidade acentuada serão fundamentais para converter as vantagens comparativas do Brasil em competitividade, transformando-o no grande protagonista do mercado agrícola internacional, bem antes de 2050. C

Decio Luiz Gazzoni O autor é engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja

50 Setembro 2016 • www.revistacultivar.com.br


COLUNA MERCADO AGRÍCOLA

Plantio forte para 2016/17 Os produtores brasileiros observaram, em 2016, recordes de cotações em quase todos os produtos agrícolas. O feijão chegou a registrar níveis acima de R$ 600,00 a saca de 60 quilos. Houve recorde da soja, que em seu melhor momento chegou a alcançar R$ 100,00 a saca de 60 quilos, em Paranaguá. O milho atingiu R$ 60,00 a saca. O arroz também bateu recorde no primeiro semestre, acima de R$ 50,00 a saca no Rio Grande do Sul e chegou a R$ 80,00 pagos pelo sequeiro nos estados centrais e Norte do Brasil, mostrando que ainda tem folego para mais algum ganho neste segundo semestre. Além destes grãos, que fazem parte da alimentação diária dos brasileiros, houve recordes de preços aos produtores de batata, que chegaram aos R$ 300,00 a saca. Desta forma despertou um grande interesse do setor em plantar a nova safra com alta tecnologia e buscar a colheita antes mesmo do fechamento do ano comercial. Observa-se que o plantio do milho avançou forte em agosto no Sul do País. Se o clima permitir, as primeiras colheitas ocorrerão ainda em 2016 ou em janeiro de 2017. Os produtores de arroz também mostram grande interesse em plantar cedo, porque normalmente as lavouras cultivadas primeiro apresentam maiores produtividades e melhores qualidades. No Sul do País já se percebe que o milho volta a ocupar áreas que tinha perdido em anos anteriores e deverá ter crescimento de plantio na faixa de 10%, fato que também pode ser verificado em arroz, que deverá avançar entre 30 mil hectares e 50 mil hectares no Rio Grande do Sul. Isso porque o ano promete carregar lucratividade aos produtores. Enquanto isso, nos demais estados, principalmente nos das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, os produtores seguem dependentes da temporada de chuvas, que tende a chegar um pouco mais tarde. Com esse cenário, os agricultores do Sul correm com o plantio para garantir colheita mais cedo e desta forma ofertar produto da safra nova ainda em plena fase de entressafra, com ganhos maiores com os grãos. O País sai de um ano de recordes de cotações e tudo aponta que entrará em outro de grandes lucros aos produtores, até porque fechará o ano comercial com os menores estoques já vistos em pelo menos 20 anos. MILHO

Colheita fechando na faixa de 45MT abaixo

Os produtores de milho safrinha estão fechando a colheita deste ano com números próximos de 45 milhões de toneladas, distante do potencial estimado no momento do plantio, quando havia chances de alcançar níveis acima de 60 milhões de toneladas. Mas o clima prejudicou o resultado, com irregularidade em chuvas e perdas grandes em muitas lavouras. Com isso houve fôlego para as cotações se manterem firmes, o que ao mesmo tempo limitou as exportações brasileiras para este segundo semestre, porque há pouco produto para ser colocado no mercado internacional. O quadro atual dá sinais de que o País deixará de exportar algo próximo de dez milhões de toneladas de milho neste segundo semestre de 2016 e começo de 2017. O mercado interno segue com indicativos favoráveis aos produtores, mas ocorreu queda do dólar neste ano e Chicago também mostra números não atrativos. As cotações nos portos recuaram para menos de R$ 35,00 por saca, impedindo que novos contratos de exportação sejam fechados. Os consumidores internos, que tiveram de bancar cotações recordes no primeiro semestre, agora administram os indicativos e vêm controlando as negociações. Mesmo assim, o quadro geral segue de cotações favoráveis e lucrativas aos produtores, que ainda tendem a ver níveis acima das médias históricas.

agosto, já mostrava recorde e exportação acumulada até a metade do mês com cerca de 45 milhões de toneladas, frente a níveis que não chegavam a 40 milhões de toneladas nos melhores momentos dos anos anteriores. Assim, aliado ao farelo, com cerca de 11 milhões de toneladas e óleo próximo de 800 mil toneladas, já havia acúmulo até a segunda semana de agosto de quase 57 milhões de toneladas, de um total previsto para o ano de 71 milhões de toneladas. Portanto, sobrou pouco para ser exportado neste restante de ano. Nas últimas semanas era possível voltar a observar negócios nos portos, com compradores agressivos, buscando soja antes da colheita da safra americana, que se dará a partir do final de setembro. Com novos negócios também na safra nova, que, devido ao dólar mais barato trazia relação de troca pelos pacotes de insumos bastante atrativos aos produtores, que estão tendo chances de fechar esse custo com menos soja do que usaram nos anos anteriores, garantindo custo de produção menor que nas safras passadas. Dinheiro que sobra para buscar melhor tecnologia e com isso aumentar o potencial produtivo desta nova safra, que aparentemente tem indicativos de leve queda na área no Sul e Sudeste, mas aponta para suave avanço em milho e feijão, mantendo o plantio em ligeiro crescimento nas demais regiões produtoras do Brasil.

SOJA

FEIJÃO

O mercado da soja, mesmo em plena entressafra em

O mercado do feijão, que teve recorde de cotação

Entressafra e negócios na exportação

52 Setembro 2016 • www.revistacultivar.com.br

Safra que chega e não atende a demanda


no primeiro semestre, registrou recuo no mês de julho (período de férias e de fraca demanda em cotações). Entrou em agosto com expectativa de mais ofertas e novas quedas, fato que não se confirmou, porque os produtores estavam colhendo menos do que esperavam, com mais perdas aparecendo na safra do Nordeste. Chega ao vazio sanitário do feijão do Centro do País, que começa nas próximas semanas, com pouca oferta e demanda firme. O Brasil deve entrar em uma nova fase de alta nos indicativos em outubro devido ao aperto no abastecimento. Os indicativos podem voltar a subir novamente nas próximas semanas e assim manter os valores bastante lucrativos para os produtores que tiverem produto disponível. Isso desencadeou uma corrida para o plantio cedo nas regiões que não integram a área de vazio sanitário, o que poderá gerar oferta de produto novo no final de outubro e novembro, desde que o clima permita. Mas há risco de que o Sul e parte do Sudeste ainda registrem massas de ar frio neste novo mês, limitando

o potencial da safra do grão, que não há em estoque e é consumido diariamente. ARROZ

Recorde de cotação pode voltar

As cotações do arroz, que em junho bateram recorde no Sul, seguiram o mesmo caminho também nos demais estados, acima de R$ 80,00 a saca no Centro-Oeste e de R$ 50,00 no Sul. Lembrando que no Sul o produto é comercializado em sacas com 50kg, diferente de outros estados em que a saca é de 60kg. De setembro em diante haverá novo espaço para mais pressão de alta, porque o País caminha para um final de ano apertado, sem estoques, importações crescentes e fôlego para novos ajustes, porque o consumo dos brasileiros cresce, o ano é de desemprego alto, com consumo de alimentos básicos como arroz e feijão em ritmo mais forte. Os produtores querem plantar cedo e já se movimentavam no Sul para o cultivo se dar em setembro, com o objetivo de adiantar a colheita neste novo ano.

CURTAS E BOAS TRIGO - O mercado do trigo tem mostrado calmaria nestes últimos tempos, porque houve forte queda do dólar no segundo semestre e a moeda norte-americana somente encontrou algum equilíbrio quando atingiu cotação de R$ 3,20, distante dos R$ 4,27 que chegou a registrar nos momentos de maior valorização. Como ocorreu queda dos níveis no mercado externo, acabaram limitados os avanços internos, que agora permanecem entre R$ 850,00 e R$ 950,00 por tonelada e até abaixo destes patamares para o produto das primeiras colheitas, oriundo do Oeste e do Norte do Paraná. Os indicativos são de que o produto importado esteja chegando ao Brasil pouco acima de R$ 1.000,00 por tonelada, o que tende a servir de suporte contra grandes baixas no preço do novo trigo que o país colherá. ÁSIA - O clima tem se comportado de maneira desfavorável à safra da região. Houve seca seguida de frio alongado. Agora, em plena fase crítica e começo de colheita, se tem notícia de grandes tufões chegando às lavouras, além de inundações e vento forte. Com isso há perdas importantes às lavouras, o que deve manter limitação de oferta de grãos na região com consequente manutenção de crescimento de importações. Em agosto, grandes tufões, como o Nida, causaram inundações e perdas agrícolas no Sul da China. CHINA - As importações de soja devem bater recorde antes mesmo do ultimo mês do ano comercial. Especula-se no país que os chineses devem importar 90 milhões de toneladas neste novo ano e 85 milhões de toneladas no ano que está fechando. Números bem acima dos estimados pelo Departamento de

Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que apontavam para 83 milhões de toneladas de soja importadas neste último ano e 87 milhões de toneladas para o novo ano. O país também segue comprando milho em bom ritmo (tem dado preferência à Ucrânia) e arroz (grande parte dos fornecedores é da Ásia). A China confirmou queda no plantio da safra de milho este ano (em início de colheita) com redução de dois milhões de hectares, ficando pouco acima de 34,6 milhões de hectares cultivados. O país tende a reduzir o plantio ainda mais no novo ano, sinalizando para queda na produção local de grãos e aumento das importações. UCRÂNIA - O ano corria com clima regular e em agosto a região começou a enfrentar tempo seco, com perdas na safra de milho e grandes prejuízos no trigo. Há estimativas de que o milho pode não chegar a 25 milhões de toneladas frente às 26 milhões de toneladas esperadas pelo USDA. ARGENTINA - A safra de soja fechou na faixa de 56 milhões de toneladas e o milho ainda estava em colheita no final de agosto, com grande atraso e rumores de qualidade baixa no grão que ficou para ser colhido no final. A nova safra deve ter menos soja e um pouco mais de milho. O plantio deve começar neste mês. EUA - O clima se manteve perfeito até agosto, quando houve tempestades fortes e inundações em parte do Sul do cinturão, limitando a safra que caminha para fase final em setembro. Mesmo com o clima irregular nas últimas semanas, será uma grande safra nos EUA, com níveis próximos de 110 milhões de toneladas de soja e patamares superiores a 380 milhões de toneladas em milho. C

Vlamir Brandalizze brandalizze@uol.com.br • Twitter@brandalizzecons • brandalizzeconsulting.com.br

www.revistacultivar.com.br • Setembro 2016

53


COLUNA ANPII

Novos caminhos

O

É importante partir para campos mais ousados, que ampliem as pesquisas, com a soma de forças de microbiologistas, agrônomos, fisiologistas de plantas e de microrganismos, para ampliar o uso de bactérias e fungos na prática agrícola

uso das bactérias fixadoras de nitrogênio em soja e outras leguminosas já é uma prática reconhecida como indispensável na moderna agricultura. Além da capacidade de propiciar elevadas produtividades, com alta rentabilidade para o agricultor, a fixação biológica do nitrogênio, através do uso de inoculantes, traz enormes benefícios para o ambiente, pois reduz o uso dos fertilizantes nitrogenados, reconhecidamente emissores de elevada quantidade de gás efeito estufa. Nas leguminosas, o uso destas bactérias já tem mais de um século. Mais recentemente, na primeira década do século 21 iniciou-se o uso de bactérias fixadoras em gramíneas, aliando-se aí o efeito promotor de crescimento das bactérias do gênero Azospirillum. Já em franca utilização no milho, trigo, arroz e pastagens, esta bactéria se firma como uma ferramenta de grande utilidade para incrementar a produtividade, por suas funções de fixar nitrogênio e de promover o crescimento, com maior enraizamento das plantas, redundando em maior aproveitamento da água e dos nutrientes. Além destas funções, a bactéria também tem outras, ainda pouco estudadas, como solubilização de fósforo, proteção contra doenças radiculares e mesmo indução de resistência. Mas ainda há todo um universo a ser pesquisado. Seja na utilização destas bactérias já conhecidas em outras culturas, como frutíferas, hortaliças, outros cereais, ou no aproveitamento da sinergia existente entre microrganismos. Os microrganismos não vivem de forma isolada nos solos, mas sim em comunidades, com funções recíprocas, interdependentes. No momento em que se passa a estudar um microrganismo de forma isolada, seja no meio de cultura, seja

em meio estéril, se está estudando uma artificialidade, pois foca-se apenas em um ser que, embora possa viver isoladamente, não vai expressar todo seu potencial. Partindo para uma analogia grosseira, seria como estudar a construção de uma casa apenas sob o ponto de vista de um marceneiro, quando se sabe que apenas um grupo formado por pedreiros, encanadores, marceneiros e eletricistas vai de fato levantar um prédio. Da mesma forma, se for possível desenvolver modelos de pesquisa que permitam um estu-

A pesquisa agrícola e as empresas necessitam partir para campos mais ousados, ampliando as pesquisas, juntando forças de microbiologistas, agrônomos, fisiologistas de plantas e de microrganismos, em pesquisas para ampliar o uso de bactérias e fungos na prática agrícola

do da ecologia de microrganismos, a relação entre eles e também a relação com as plantas, abrir-se-á um novo universo, capaz de revolucionar a agricultura e fazer sua inserção em um ambiente ao mesmo tempo de altas produtividades e de sustentabilidade ao longo de anos de exploração agrícola em uma mesma área. Os avanços já são grandes e trazem resultados palpáveis, altamente significativos, mas há que se buscar novos campos na microbiologia do solo, hoje focada em apenas um pequeno número de microrganismos, quando a natureza oferece um enorme repositório de genes que necessitam ser estudados, explorados para virarem tecnologias à disposição do agricultor. A pesquisa agrícola e as empresas necessitam partir para campos mais ousados, ampliando as pesquisas, juntando forças de microbiologistas, agrônomos, fisiologistas de plantas e de microrganismos, em pesquisas para ampliar o uso de bactérias e fungos na prática agrícola. Se com o uso de poucos microrganismos já se obtêm resultados altamente significativos, é possível imaginar o que poderá ser obtido caso se amplie estes horizontes, se de fato forem empreendidas pesquisas em toda a plenitude da microbiota do solo. Sem dúvida vai ser possível potencializar ainda mais os efeitos tanto de fixação de nitrogênio como das outras funções de sinergia entre plantas e microrganismos. Fica aqui um desafio saudável: assim como o Brasil, Argentina e Uruguai assumiram a liderança nas pesquisas e produção de inoculantes, por que não partir para estudos mais profundos de microbiologia do solo e fisiologia para também tornar o País líder na pesquisa e no uso de produtos biológicos como um todo? Capacidade científica e industrial para tanto não falta. C Solon C. de Araujo, Consultor da ANPII

54 Setembro 2016 • www.revistacultivar.com.br


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Cultivar 208 by Grupo Cultivar - Issuu