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Cultivar 207

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C

Cultivar Grandes Culturas • Ano XVII • Nº 207 • Agosto 2016 • ISSN - 1516-358X

Cultivar

Destaques

Nossa capa

Especial daninhas - 14 a 23

Como manejar plantas daninhas no momento correto, prevenir prejuízos e diminuir a pressão de seleção de resistência à aplicação de herbicida

Charles Echer

Índice

Monitorar e manejar - 06 Como enfrentar as principais pragas que atacam as lavouras de arroz irrigado

Diretas

04

Pragas em arroz

06

Encontro de Difusores Dupont Pioneer

11

1º Seminário Phytus

12

Especial daninhas - Na entressafra

14

Especial daninhas - Na soja

18

Especial daninhas - Em algodão

22

Percevejo em soja

26

Tratamento de sementes em soja

32

Ferrugem asiática

34

Bioestimulantes em soja

40

Cultivares de milho para silagem

42

Coluna Agronegócios

46

Coluna Mercado Agrícola

48

Coluna ANPII

50

Maior vilão - 26

A necessidade de se adotar um controle racional de percevejos na cultura da soja

Expediente Fundadores: Milton Sousa Guerra e Newton Peter

REDAÇÃO • Editor

Gilvan Dutra Quevedo

• Redação

Rocheli Wachholz Karine Gobbi

• Design Gráfico e Diagramação

Cristiano Ceia

• Revisão

CIRCULAÇÃO

Aline Partzsch de Almeida • Coordenação Simone Lopes

COMERCIAL • Coordenação

Charles Ricardo Echer

• Vendas

Sedeli Feijó

Rithieli Barcelos

• Assinaturas

Natália Rodrigues Clarissa Cardoso Aline Borges Furtado

• Expedição

Edson Krause

GRÁFICA: Kunde Indústrias Gráficas Ltda.

Grupo Cultivar de Publicações Ltda. CNPJ : 02783227/0001-86 Insc. Est. 093/0309480 Rua Sete de Setembro, 160, sala 702 Pelotas – RS • 96015-300 Diretor Newton Peter www.grupocultivar.com cultivar@grupocultivar.com Assinatura anual (11 edições*): R$ 269,90 (*10 edições mensais + 1 edição conjunta em Dez/Jan)

Números atrasados: R$ 22,00 Assinatura Internacional: US$ 150,00 Euros 130,00 Nossos Telefones: (53) • Geral 3028.2000 • Comercial: • Assinaturas: 3028.2065 3028.2070 3028.2066 • Redação: 3028.2067 3028.2060

Por falta de espaço não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@grupocultivar.com Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.


DIRETAS Evento

Everson Zin

A Bayer CropScience participou do 1º Seminário Phytus, em julho, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. O gerente de Estratégia de Marketing da empresa, Everson Zin, destacou a qualidade do corpo técnico que palestrou durante o evento e elogiou o público pelos questionamentos realizados nas sessões de perguntas e respostas. “Foi um importante momento de transferência de informação e conhecimento de qualidade, baseado em resultados de pesquisa e com foco no aumento da produtividade das lavouras”, avaliou.

Presença

A Syngenta também participou do 1º Seminário Phytus, no município gaúcho de Santa Maria. O responsável pelo Desenvolvimento Técnico e de Mercado da Syngenta, Adilson Jauer, avaliou o evento como muito bem estruturado e organizado. “Agregou novos conhecimentos e ferramentas de manejo consciente nos aspectos fitossanitários e nutricionais juntamente com tecnologia de aplicação”, analisou.

Nutrição

Roberto Batista e Rodrigo Giordani

A Microquímica marcou presença no 1º Seminário Phytus, realizado em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Roberto Berwanger Batista e Rodrigo Giordani participaram do evento que, entre outros assuntos, discutiu a importância da nutrição de plantas para o controle de doenças. “A Microquímica é parceira do Instituto Phytus, junto ao qual realiza ensaios científicos para estudar os efeitos do Vorax na fisiologia das plantas”, explicou Batista.

Multissítio

A UPL aproveitou o 1º Seminário Phytus para apresentar detalhes da ação multissítio de Unizeb Glory, com foco no manejo da ferrugem asiática da soja e da mancha branca no milho. Os modos de ação integrados do fungicida no manejo de doenças foi o foco da exposição realizada pela equipe da empresa aos participantes do evento.

Reunião anual

Foi realizada em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, a Reunião Anual de Multiplicadores de Sementes Clearfield. O evento reuniu mais de 40 participantes entre multiplicadores de todas as regiões arrozeiras do estado gaúcho, técnicos do Irga, gerentes técnicos, de vendas e marketing da Basf. O evento teve como objetivo a troca de informações de mercado de sementes, certificação, posicionamento de defensivos para cultivares Clearfield, uso do Sistema de Informação para geração de cobrança de royalties e apresentação do programa Seed Solutions.

Fungicida

A Basf marcou presença no 1º Seminário Phytus, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. O gerente de Marketing da empresa, Elias Guidini, destacou o lançamento do Ativum. “Trata-se de um fungicida foliar de triplo modo de ação, que proporciona o controle da ferrugem asiática e auxilia no manejo dos fungos", explicou. Guidini também ressaltou a qualidade do evento. “Foi uma oportunidade para a Basf demonstrar seu portfólio e apoiar o evento que é técnico e focado em discutir o manejo.”

04 Agosto 2016 • www.revistacultivar.com.br

Melhoria

A Arysta LifeScience investe em um produto já consagrado no mercado, o Select One Pack, oferecendo uma nova formulação com óleo para buscar a máxima performance do ingrediente ativo e apresentar resultados no controle de ervas de difícil controle. O produto atualmente é destinado ao controle de plantas daninhas na cultura da soja e está em processo de expansão de bula para outras culturas. “Para a Arysta, oferecer as melhores tecnologias ao produtor para o manejo eficiente é poder fazer parte da sua evolução e permitir que suas expectativas sejam atendidas, o que nos aproxima cada vez mais”, afirmou o gerente de Produtos e Mercados Ricardo Dias Centro-Sul, Ricardo Dias.


Arroz

Monitorar e manejar Bicheira-da-raiz, lagarta-da-panícula, percevejos do colmo e do grão, pulgão-da-raiz e broca-do-colmo estão entre as principais pragas que atacam as lavouras de arroz irrigado. Identificar corretamente estes insetos, determinar o nível de dano econômico e lançar mão do controle químico no momento correto e de modo racional são o caminho para o manejo sustentável das áreas de cultivo 06 Agosto 2016 • www.revistacultivar.com.br


A

incidência de insetos nos últimos períodos tem preocupado os produtores, pois além das altas populações, novas espécies estão atacando a lavoura de arroz irrigado. O produtor deve preocupar-se com as principais pragas, para as quais estratégias podem ser adotadas ao longo do ciclo da cultura, devido os danos econômicos. O conhecimento do histórico de ocorrência das pragas na área é de grande importância para a implantação de métodos de controle. Dessa forma, o produtor deve ficar atento à ocorrência de insetos, logo, o monitoramento deve ser adotado para estimar a população.

ASPECTOS IMPORTANTES NO MANEJO DE PRAGAS Identificação e período de ocorrência O conhecimento do impacto das pragas na produção do arroz irrigado e as condições que favorecem o aumento são importantes fatores no seu manejo. Primeiro, é necessário conhecer e saber identificar as principais pragas, os danos causados e qual o estádio crítico da planta ao ataque do inseto. Também na lavoura ocorrem espécies de insetos secundários com pouca probabilidade de causarem dano à cultura. Nível de dano econômico É a densidade populacional da praga que causa redução no rendimento de grãos, igual ou superior ao custo estimado no controle. A simples presença do inseto na lavoura não deve necessariamente determinar o controle. Isso só deve ocorrer quando a população atingir níveis que podem provocar danos à cultura.

Inimigos naturais Os insetos benéficos são importantes pela sua constante presença e a relativa abundância. Medidas para preservá-los, como deixar áreas de refúgio junto à lavoura após a colheita, onde podem abrigar-se em condições desfavoráveis nas temperaturas baixas da entressafra, vão garantir a sua sobrevivência. Entre as principais espécies de inimigos naturais destacam-se as aranhas. Nas lavouras de arroz do Rio Grande do Sul a principal espécie é a Alfaida venilae, que corresponde a 80% da população. As aranhas não danificam as plantas, possuem a capacidade de aumento rápido da população e no caso de explosões populacionais pode ocorrer o canibalismo. Também as libélulas, tesourinhas e joaninhas são importantes predadores ao alimentarem-se de mariposas, ovos, pupas, pequenas lagartas, ácaros e pulgões.

PRINCIPAIS PRAGAS Bicheira-da-raiz, Oryzophagus oryzae É a mais importante praga, pois ocorre em todas as regiões e ataca mais de 65% da área semeada do Rio Grande do Sul. Além da espécie O. oryzae, outras foram encontradas no estado gaúcho, como: Lissorhoptrus bosqi, carinirostris, lepidus e tibialis. Nesta última espécie os adultos são maiores que das demais. A hibernação dos insetos ocorre dentro ou fora da lavoura, mas a partir de setembro, com o aumento da temperatura e com a irrigação, os adultos são atraídos para a lavoura esten-

dendo-se até dezembro. Entrando na lavoura, primeiro alimentam-se das folhas, deixando cicatrizes brancas longitudinais à nervura principal e a seguir as fêmeas colocam os ovos nos colmos. Após, surgem as larvas, que se alimentam no interior da bainha foliar e após deslocam-se para as raízes. Estas apresentam seis pares de austórios, cuja finalidade é retirar o oxigênio das raízes. As larvas apresentam ciclo médio de quatro semanas. Aos 20 dias após a irrigação, as larvas começam o ataque às raízes causando grandes danos. Uma segunda infestação ocorre, geralmente, aos 50 dias após a irrigação, e como as larvas preferem as raízes novas, poderão ocorrer danos. O monitoramento das larvas é importante e deve ser iniciado aos 20 dias depois da irrigação, examinando as raízes. Após, arrancar 15 plantas/amostra, colocá-las em balde com água e, ao serem agitadas, as larvas aparecerão na superfície, sendo facilmente contatadas. As amostragens devem ser coletadas em áreas favoráveis à ocorrência de larvas, em lavouras semeadas primeiro ou com lâmina de água mais alta. Os sintomas característicos são plantas menores e sistema radicular danificado. As raízes parecem pouco destruídas, mas ao remover o solo verifica-se que a parte central é a mais atacada. As maiores infestações de larvas ocorrem dos 35 dias aos 45 dias após o início da irrigação, causando danos em torno de 10%. As cultivares de ciclo precoce são as mais danificadas. Cada larva/amostra, em média pode causar redução de até 1,5%. Lagarta-da-panícula, Pseudaletia sequax e P. adultera É uma das principais pragas, está distribuída por todo o Rio Grande do Sul e tem ocorrido em mais de 45% da lavoura. São duas as espécies: a Pseudaletia adultera e a P. sequax, sendo que a adultera é responsável por

Fotos Jaime Vargas de Oliveira

Monitoramento O monitoramento é a maneira correta de determinar a população existente na lavoura através de amostragens que devem

ser realizadas semanalmente. O número de amostras e o tamanho da área de coleta serão determinantes na precisão do método. Portanto, quanto maior o número de amostras, maior será a precisão do monitoramento. A determinação da população de insetos pode ser feita através da coleta de no mínimo 30 amostras representativas da área.

Dano provocado pela lagarta-da-panícula (esquerda) e a presença de pulgões em ataque às raízes (direita)

www.revistacultivar.com.br • Agosto 2016

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Fotos Jaime Vargas de Oliveira

temperatura e o fotoperíodo, os adultos abandonam os locais de hibernação e se dirigem à lavoura. No início, a população de adultos é baixa, porém, com a postura de até 500 ovos por fêmea, vai ocorrer grande aumento populacional. Os danos dos percevejos ocorrem em dois estágios da planta: no afilhamento atacam o colmo, onde se observa um ponto de coloração escura, devido ao estrangulamento do colmo, provocando a morte da folha central, sintoma denominado de "coração morto". Na fase reprodutiva, provoca a formação de panículas brancas ou com grande número de grãos estéreis. Cada percevejo/m² pode causar perdas de 2% no rendimento de grãos. O monitoramento deve ser realizado semanalmente desde o início do perfilhamento até o florescimento. Como o percevejo tem o hábito de permanecer na parte inferior das plantas, geralmente a infestação não é observada. Então a amostragem deve ser feita, preferencialmente, nas taipas, abrindo-se as plantas para localizar os insetos. Em muitas lavouras não monitoradas o ataque do percevejo foi observado tardiamente, quando da incidência de panículas brancas ou na colheita ao examinar o graneleiro e na pré-limpeza, pela alta incidência de insetos. Com a colheita do arroz, os percevejos hibernam a partir do final de abril em áreas dentro ou próximas à lavoura não sujeitas à inundação, abrigando-se em restos culturais, nas plantas daninhas, sendo o principal hospedeiro o rabo-de-burro, Andropogon bicornis. Na cana-de-açúcar foram encontrados até dez percevejos/planta abrigados entre a lígula e o colmo. Na hibernação em várias lavouras do Rio Grande do Sul, foram coletados insetos atacados por fungos, destacando-se Beauveria bassiana. Espécies de lagarta-da-panícula, praga cujo período crítico vai do florescimento até a colheita

mais de 70% da população. As fêmeas fazem as posturas nas folhas e colmos, colocando até mil ovos. Após, surgem as lagartinhas, que atacam as plantas, em média, por 28 dias. Nos primeiros estágios as lagartas se alimentam das folhas e nos demais cortam as panículas. A diferenciação das lagartas dessas espécies é viável a partir do quarto instar, sendo as P. adultera escuras e as P. sequax, rosadas. O período crítico da lagarta-da-panícula vai do florescimento até a colheita. Durante o dia as lagartas encontram-se abrigadas na parte inferior das plantas, subindo à noite para atacarem as panículas. O monitoramento deve ser realizado na fase crítica. São recomendadas amostragens em que são abertas as plantas para verificar a ocorrência de lagartas ou se existe parte da panícula caída no solo. Quando forem encon-

tradas duas lagartas/m², medidas de controle devem ser adotadas, pois quando estes insetos ocorrem em altas populações os prejuízos na produtividade podem chegar a 20%. Depois da colheita as lagartas hibernam dentro da lavoura, abrigando-se na resteva, em áreas mais altas. Mesmo com temperaturas baixas no mês de junho, na palha do arroz foram encontradas lagartas. Percevejo-do-colmo, Tibraca limbativentris Este inseto é uma das principais pragas, tem atacado mais de 40% da lavoura e ocorre em todas as regiões gaúchas. Devido à sua ocorrência anual, a altas populações nas últimas safras e por estar distribuído por toda a área, tem preocupado os produtores. A partir de setembro, com o aumento da

08 Agosto 2016 • www.revistacultivar.com.br

Percevejo-do-grão (Oebalus poecilus e O. ypsilongriseus) O percevejo-do-grão é uma espécie de ocorrência crônica e está distribuído em todo

Adulto do percevejo-do-colmo, inseto que tem atacado mais de 40% da lavoura


Danos do pulgão-da-raiz em lavoura de arroz irrigado

Entre as principais espécies de inimigos naturais destacam-se as aranhas

o estado gaúcho. Os insetos adultos, após deixarem os locais de hibernação, podem ser encontrados nos campos, pastagens ou nas plantas daninhas próximas à lavoura, procurando sementes para a alimentação. Os principais hospedeiros são: Echinochloa spp., Paspalum spp., Brachiaria spp. e Digitaria spp. Posteriormente, as fêmeas dirigem-se para a lavoura, colocando os ovos nas folhas, grãos do arroz ou plantas daninhas, podendo envolvê-las completamente e, após sete dias, surgem as ninfas. Mesmo ocorrendo em focos, os insetos deslocam-se e realizam as posturas em várias partes da lavoura. Em dias com temperaturas altas, muita luminosidade e com vento, os insetos ficam abrigados na parte central das plantas. As amostragens devem ser realizadas no final da tarde, quando os percevejos são encontrados nas partes superiores das plantas. O monitoramento deve ser realizado no florescimento, evitando perdas. Os danos são causados por ninfas e adultos, sendo que no estágio leitoso ocorre a formação de panículas estéreis. No estágio final, os grãos ficam enfraquecidos e quebram ao serem beneficiados. Além dos danos diretos, as picadas dos insetos podem transmitir fungos causadores de manchas nos grãos. A cada inseto/m² ocorre redução de 1% no rendimento de grãos.

nitoramento deve ser adotado neste estágio. Os pulgões, por apresentarem coloração escura, são difíceis de serem observados, pois se confundem com a coloração do solo. As amostragens devem ser feitas arrancando-se as plantas, e com um exame nas raízes pode ser constatado o inseto. Também, ao colocar um papel de coloração clara e agitando-se a planta, o inseto cairá junto com o solo e logo em seguida os pulgões começam a movimentar-se, facilitando a sua identificação. Os danos causados pelos pulgões nas raízes são observados nas plantas com clorose nas pontas das folhas, enrugadas, de coloração vermelho-alaranjada, e posteriormente plantas secas. As maiores infestações ocorrem nas taipas, reduzindo o estande inicial, e, após, a morte das plantas.

Pulgão-da-raiz, Rhopalosiphum rufiabdominale Este inseto é um dos principais da região da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, ocorrendo também na Depressão Central e Planície Costeira Externa. Na forma adulta, apresenta abdômen de coloração verde-escura com área vermelho-alaranjada. A espécie caracteriza-se por apresentar antenas com cinco artículos. As fêmeas são aladas ou ápteras, com predominância da última. Os pulgões hibernam nas plantas daninhas, destacando-se a roseta, mas também são encontrados no azevém, rabo-de-burro e capim-arroz. Como atacam a lavoura antes da irrigação, formando colônias nas raízes, o mo-

Broca-do-colmo, Diatraea saccharalis A broca-do-colmo tem aumentado sua população e ocorre todos os anos atacando as lavouras da região da Fronteira Oeste. Os adultos têm hábito noturno e se caracterizam por apresentar asas anteriores de coloração amarelada, com duas estrias transversais no terço apical. As fêmeas realizam as posturas agrupadas, na parte superior das folhas; após, surgem as lagartas que perfuram o colmo das plantas e alojam-se no seu interior. Passam por seis estágios e têm um ciclo médio de 30 dias. O monitoramento da broca-do-colmo é feito pela identificação dos sintomas e pelo orifício nos colmos. As taipas são os locais da lavoura com maior infestação de broca-do-colmo. Os danos na fase vegetativa ocorrem aos 30 dias após a irrigação e são causados pela morte da folha central. Na fase reprodutiva ocorre a formação de panículas brancas. As lagartas também atacam os grãos em formação. Os danos provocados pela broca-do-colmo têm ocasionado redução na produtividade de 10%. Não existe inseticida registrado para o controle da broca-do-colmo em arroz.

10 Agosto 2016 • www.revistacultivar.com.br

Hibernação de percevejo-do-colmo, cujo período se estende até setembro

MANEJO

A incorporação da resteva e a eliminação das plantas daninhas, nas ruas, taipas e bordas da lavoura vão auxiliar na redução da população. A grama existente nestas áreas deve ser apenas cortada, com o objetivo de manter os inimigos naturais. A rotação de culturas, além de melhorar a produtividade, auxilia no controle das pragas. Neste sistema deve ser semeada uma cultura da qual o inseto não se alimenta. Nas áreas de arroz esta medida está sendo adotada com sucesso, com a utilização da cultura da soja. A irrigação correta exige uma lâmina de água cobrindo todas as partes da lavoura, pois áreas secas favorecem o desenvolvimento dos insetos-praga. O manejo para reduzir os danos do pulgão-da-raiz passa pela colocação de uma lâmina de água alta durante uma semana. O controle químico deve ser adotado quando os níveis populacionais podem causar perdas. Na escolha do produto é importante aplicar defensivos com registro, eficientes e com baixa toxicidade. O uso de não seletivos resulta na eliminação dos insetos benéficos e pode ocorrer que uma espécie sem importância torne-se uma praga primária. Nunca aplicar por vários anos o mesmo produto, pois pode causar resistência.

A APLICAÇÃO SEQUENCIAL

O uso de inseticidas aplicados preventivamente em mistura com fungicidas é incorreto e muitas vezes não é eficiente, podendo aumentar o custo de produção e afetar os inimigos naturais. Manejar corretamente não quer dizer empregar produtos com maior C frequência e sem critério técnico. Jaime Vargas de Oliveira, Unitec Danielle Almeida e Lidia Fiuza, Irga Paulo Luciano P. de Siqueira, Pava Consultoria


empresas

Diálogo permanente Fotos DuPont/Pioneer

Realizado durante 15 anos consecutivos, Encontro de Difusores Dupont Pioneer tem por objetivo manter diálogo constante entre a empresa e os produtores na busca por maximizar a produtividade nas lavouras brasileiras

A

Dupont Pioneer realizou no final de junho, em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, o 15º Encontro de Difusores e Tecnologia Dupont Pioneer. O evento reuniu, ao longo de dois dias, aproximadamente 170 participantes entre pesquisadores, agrônomos, produtores rurais e técnicos. “Não basta apenas gerar informação e tecnologia se ela não chega no campo. Queremos convertê-la em produtividade”, alertou o engenheiro agrônomo e líder de Agronomia Brasil e Paraguai, Itavor Nummer, ao abrir sua palestra durante o evento. Discutir diretamente com técnicos e produtores questões que sejam fundamentais para que obtenham melhores resultados nas suas propriedades e reforçar a marca como referência técnica no campo foram os principais objetivos do encontro. Realizado desde 2002 pela Dupont Pioneer em diversos municípios do Brasil, o evento marca em 2016 os 45 anos da empresa em território brasileiro. O encontro buscou disseminar informações técnicas entre os chamados difusores de tecnologia, através de palestras e debates sobre as culturas do milho e da soja, reforçando ainda mais a imagem da Dupont Pioneer de fornecer produtos e soluções para os produtores. De acordo com Nummer, o encontro de difusores marca a saída a campo de um trabalho de um ano, onde a empresa busca soluções para os problemas que vão se apresentar nas próximas safras. “Apresentamos a pesquisa

realizada na empresa para ajudar o produtor a potencializar a produtividade, a ter uma visão mais completa de todos os aspectos que envolvem a produção e a reconhecer na equipe Dupont a possibilidade de solucionar problemas e a construir uma relação de respeito e confiança.” Ainda de acordo com o executivo, bem mais que a metade do que é discutido nos encontros versa sobre previsões do que pode se tornar problema para os agricultores no futuro. “O restante discute questões e problemáticas atuais, para que a empresa esteja sempre à frente e efetivamente apresente soluções para os produtores.” Participaram do encontro cerca de 170 pesquisadores, agrônomos, produtores rurais e técnicos, considerados importantes difusores de informação, para discutir sobre as atuais e futuras tecnologias, em busca de maiores e melhores níveis produtivos em milho e soja. Ao longo dos 15 anos de evento, segundo Nummer, algumas soluções importantes foram implementadas nas lavouras brasileiras e são fruto de discussões que ocorreram nestes encontros. “No ano de 2002, quando fizemos o primeiro evento, apresentamos a redução de espaçamento como uma questão importante e que traria resultados muito positivos para os produtores, com grande incremento de produtividade na mesma área. Hoje, cerca de 90% de toda a soja plantada no Brasil segue esta recomendação de espaçamento”, explica. Alguns temas discutidos no encontro

deste ano foram Manejo inicial de pragas; Previsão do tempo e o que se pode esperar para a próxima safra; Previsão de mercado para milho e soja; Planejamento agronômico da nova safra; Manejo de doenças como mancha branca e de turcicum; O futuro do melhoramento genético e qualidade de sementes. Durante os 15 anos do evento, temas como biotecnologia e melhoramento genético, tratamento de sementes industrial, Organismos Geneticamente Modificados (OGMs), manejo de tecnologia Bt na cultura do milho e boas práticas de manejo para a soja foram C discutidos com os produtores.

Nummer detalhou trabalho para que a tecnologia chegue ao campo e seja convertida em produtividade

www.revistacultivar.com.br • Agosto 2016

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Eventos

Experiência compartilhada Fotos Instituto Phytus

1º Seminário Phytus, em Santa Maria, Rio Grande do Sul, marca lançamento de confraria e apresentação de nova plataforma digital com abrangência na América do Sul

O

Instituto Phytus realizou em julho seu 1º Seminário, no município gaúcho de Santa Maria. O evento reuniu aproximadamente 400 participantes entre produtores, representantes de empresas de agroquímicos, estudantes e outros profissionais ligados ao setor agrícola. Também marcou a criação da Confraria Phytus, formada por consultores do Rio Grande do Sul e do portal Phytus Club, agora com abrangência internacional, em substituição ao Clube Phytus. Construir a produção agrícola de modo cada vez mais palpável através do conhecimento focado em resultados sustentáveis, ter uma visão global dos inúmeros fatores que interagem e interferem no processo, aumentar a produtividade com sustentação econômica, trabalhar com identificação correta dos desafios e agir no momento exato, utilizar todas as ferramentas disponíveis de modo racional e melhorar, através da tecnologia, a velocidade com que a informação chega às lavouras estiveram entre as propostas defendidas no Seminário. Especialistas como Ricardo Balardin, Marcelo Madalosso, Caroline Gulart, Paulo Cesar Santos, Juliano Farias, Nedio Tormen, Mônica Debortoli e Rafael Pedroso palestraram ao longo dos dois dias de evento. Phytobioma: nova fronteira da fitossanidade, Como obter eficácia efetiva no programa de controle químico, Nematologia, Entomologia, Fitopatologia no Cerrado e no Sul, Herbologia, Tecnologia de Aplicação, Biotecnologia no manejo de pragas, Manejo Integrado de Doenças (MID) em áreas irrigadas, Nutrição e Indutores de Defesa, além das Fragilidades da Fitossanidade em Fungicidas, Inseticidas e Herbicidas foram temas abordados pelos pesquisadores, com direito a mesa-redonda e

sessões de perguntas e respostas.

CONFRARIA PHYTUS

Na manhã que antecedeu o Seminário foi criada a Confraria Phytus, com o objetivo de aprofundar a troca de informações sobre a vasta área agrícola do Rio Grande do Sul. Trata-se de uma ação em conjunto com consultores espalhados pelas diversas regiões de cultivo. “A intenção é aumentar a longevidade das ferramentas no campo e buscar ações de curto e médio prazo em conjunto. Os consultores irão usar protocolos e, ao final de cada safra, terão informações regionalizadas para auxiliar na tomada de decisões”, explicou o pesquisador do Instituto Phytus, Marcelo Madalosso. Para o consultor Rafael Ramos, da Proatec Consultoria, de Alegrete, a importância do programa se dá principalmente pelo objetivo técnico de auxiliar produtores: “Essa ação é uma inovação, porque se está juntando a pesquisa com o trabalho dos consultores no campo, que hoje é ainda muito distante”. Participaram os pesquisadores do Instituto

Phytus, consultores do Rio Grande do Sul e representantes das empresas Basf, Bayer, Syngenta, UPL, Dupont e Agrichem. A data da 2ª Confraria Phytus está marcada para 12 de julho de 2017.

PHYTUS CLUB

O Instituto Phytus também lançou a nova plataforma virtual Phytus Club, em substituição ao Clube Phytus. Conteúdos segmentados, como palestras on-line, cursos, materiais didáticos, videoaulas, cadernos científicos, podcasts, e-books e infográficos fazem parte do espaço. Além disso, o portal oferece a agenda dos pesquisadores, fotos e ainda será adaptado para dispositivos móveis. “O Phytus Club ganha esse nome porque estamos fazendo uma internacionalização da nossa marca. O objetivo é atingir a América do Sul. A plataforma é mais uma fonte de informação para que o nosso conteúdo seja compartilhado com qualidade e exclusividade”, explicou a diretora do Instituto Phytus, Clarice Balardin. C

Madalosso explicou que intenção é aumentar a longevidade das ferramentas no campo e buscar ações de curto e médio prazo em conjunto

12 Agosto 2016 • www.revistacultivar.com.br


Especial - Plantas Daninhas

Hora de controlar O período de entressafra não serve apenas para ajudar na redução do banco de sementes de plantas daninhas, mas também para manejar algumas espécies de difícil controle como o capim-amargoso e a buva. Essas duas infestantes não devem ser combatidas por um produto, isoladamente, mas por um conjunto de ações e de herbicidas aplicados de forma sequencial

H

á consenso de que para se obter um bom controle de plantas daninhas na cultura da soja é preciso estar atento durante o ano inteiro. E o período da entressafra é o melhor momento para eliminar algumas espécies como buva (Conyza spp.) e capim-amargoso (Digitaria insularis). A soja no Brasil é cultivada em grandes extensões territoriais, em diferentes regiões, cada uma com características bem diferenciadas quanto ao clima e ao regime hídrico,

especialmente no período de entressafra. O Sul do Brasil, com suas diferentes microrregiões, caracteriza-se por apresentar temperaturas mais baixas nesse período, enquanto o Centro-Oeste destaca-se por ter um regime hídrico mais limitado e temperaturas mais altas. Independentemente das características das regiões e das suas condições de clima e solo, a entressafra é um momento propício para a multiplicação das plantas daninhas e para o aumento do banco de sementes no solo. Algumas microrregiões podem ter chuvas

14 Agosto 2016 • www.revistacultivar.com.br

escassas a ponto de não permitir o cultivo ou o desenvolvimento de uma cultura de interesse econômico, mas pode ser o suficiente para a germinação e o desenvolvimento de algumas espécies de plantas daninhas. Para muitas espécies, como amendoim-bravo (Euphorbia heterophylla), picão-preto (Bidens spp.) e outras, trata-se de uma ótima oportunidade para reposição do banco de sementes, o que permitirá que expressem todo o seu potencial de interferência durante o período do verão. Controlar plantas daninhas é de fun-


Fotos Dionizio Gazziero

damental importância para a obtenção de altos rendimentos, tanto na soja quanto nas culturas de segunda safra, pois essas plantas podem interferir não só na produtividade, mas também no coeficiente técnico de colheita, no percentual de impureza e de umidade dos grãos.

mente com maior pressão do que nas áreas bem manejadas durante esse período. Embora altamente competitiva, a soja sofre os efeitos dessa convivência, pois normalmente o banco de sementes das plantas daninhas é suficientemente grande para anular sua capacidade competitiva. Para demonstrar o efeito do potencial de incremento do banco de sementes de plantas daninhas no solo foi realizada uma simulação no período de entressafra em uma área de produção que aguardava a semeadura do trigo. A reposição do banco de sementes de picão-preto e amendoim-bravo foi analisada com base no número de plantas (m-2) e no número médio de sementes (m-2) produzidas pelas plantas presentes. Foram contadas 71 plantas m-2 de picão-preto e 33 plantas m-2 de amendoim-bravo. Após essa contagem, foi feito um cálculo, simulando que 80% das sementes produzidas estivessem aptas para germinar e que fossem feitas duas aplicações de herbicidas com 90% de eficiência. O aumento no banco de sementes seria de 1.954 e 144 sementes m-2 de picão-preto e amendoim-bravo, respectivamente. Essas espécies podem apresentar pelo menos dois a três fluxos de germinação, o que permite uma reposição ainda maior ao longo do ano. Os resultados dão uma ideia da facilidade do aumento do banco de sementes, e indicam a importância de se preocupar com esse fator quando do estabelecimento de programas de controle de plantas daninhas. O manejo no período de entressafra representa, também, a oportunidade de se trabalhar a área no momento ideal para eliminar plantas invasoras como buva e capim-amargoso, pela oportunidade de se utilizar herbicidas e doses sem riscos de fitointoxicação da soja. Esse é o momento em que se podem utilizar produtos não seletivos como paraquate, paraquate + diuron, glifosato, 2,4-D, saflufenacil, glufosinato de amônia, além de ser possível combinar esses herbicidas com outros, com ou sem ação residual no solo. O número de aplicações e as

doses a serem utilizadas variam em função da comunidade presente na área, e do estádio de desenvolvimento das plantas daninhas. Aplicações sequenciais na entressafra têm proporcionado excelentes resultados, e são essenciais, principalmente, quando as espécies estão mais desenvolvidas. Em áreas com longo intervalo entre a colheita de uma cultura (como a do milho safrinha) e a semeadura da soja, a primeira aplicação pode ser feita de 15 dias a 20 dias após a colheita do milho e a segunda antes da semeadura da soja.

CAPIM-AMARGOSO

O grande desafio que os agricultores enfrentam com essa espécie se dá quando precisam manejar plantas adultas e entouceiradas. Nessas condições, o controle com uma aplicação única poderá deixar a desejar e permitir o rebrote das plantas. Resultados de pesquisas têm mostrado que o planejamento de aplicações sequenciais é fundamental para esses casos. O momento ideal para iniciar o controle do capim-amargoso é na entressafra, utilizando-se glifosato (normalmente destinado para eliminar outras espécies) e um graminicida pós-emergente (fundamental quando se tratar de biótipos resistentes ao glifosato). Herbicidas pré-emergentes também podem ser utilizados para evitar a emergência da sementeira. O programa pode ser complementado com herbicidas de contato para acelerar o controle ou para facilitar a semeadura na área. A realização de uma aplicação sequencial poderá ser necessária antes da semeadura da soja, se a eliminação não for total e ocorrer rebrota. Após a emergência da cultura e se houver a presença de plantas de capim-amargoso uma nova aplicação de graminicida deverá ser feita, só que agora em doses menores, pois as plantas novas com até três a quatro perfilhos apresentam maior sensibilidade. A aplicação de herbicidas em plantas roçadas mecanicamente ou pela barra de corte da colhedora só deve ser realizada quando as plantas apresentarem bom desenvolvimento vegetativo, com

A ENTRESSAFRA

O controle das plantas daninhas na segunda safra é tão importante quanto durante o cultivo da soja na safra principal. No período de pousio, entre o cultivo da segunda safra e a semeadura da soja da safra principal, ou mesmo no outono, ocorrem boas condições para amultiplicação das espécies infestantes. As sementes das plantas daninhas produzidas nessa época, somadas às já existentes no banco do solo, infestam a soja cultivada posterior-

Plantas adultas e entouceiradas representam o maior desafio de manejo do capim amargoso

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rebrota, de aproximadamente 30cm de altura, e em condições climáticas adequadas. A altura de roçagem deve ser, preferencialmente, em torno de 10cm. O controle em áreas infestadas também com buva pode envolver o uso de latifolicidas (como o 2,4-D) e graminicidas. Dependendo do graminicida, das condições de trabalho, do clima, da idade das plantas, do tamanho das touceiras e da dose utilizada, essa combinação pode resultar em problemas de incompatibilidade e diminuir a eficiência dos graminicidas (inibidores da ACCase).

nicosulfuron, entre outros) são eficientes e, se aplicados de forma adequada, impedem que ocorram perdas de rendimento das culturas por competição. Já em situações de resistência múltipla (glifosato + ACCase ou glifosato + ALS) os herbicidas alternativos são produtos não seletivos como o paraquate e paraquate + diuron para uso na dessecação pré-semeadura das culturas, com eficiência menor e possibilidade de perdas por competição por causa de falhas de controle.

MILHO VOLUNTÁRIO

Na operação de colheita do milho safrinha é normal a ocorrência de perdas de grãos e espigas, que podem originar plantas voluntárias que competem com a soja cultivada em sucessão. Dessa forma, quanto menor a perda na colheita, menor será o problema. A germinação do milho voluntário pode ser desuniforme, dependendo se o grão está ou não desprendido da espiga, ou se está ou não enterrado ao solo. Isso pode resultar na necessidade do controle químico ser feito em mais de uma aplicação. No passado recente, o controle químico do milho voluntário era realizado com o herbicida glifosato, aplicado na operação de manejo de entressafra ou em pós-emergência da cultura da soja, nas cultivares RR. Essa aplicação não se mostra mais viável quando as plantas de milho voluntário são provenientes de híbridos também resistentes ao herbicida glifosato, cuja área de cultivo tem aumentado gradativamente. Por isso, a recomendação de controle químico do milho voluntário se baseia na aplicação de graminicidas pós-emergentes do grupo dos

A dificuldade de controle químico da buva está associada ao tamanho das plantas, principalmente quando estão acima de 10cm, e quando a população é resistente ao glifosato. Em áreas com a presença de biótipos resistentes deve ser feita a associação do glifosato com outros mecanismos de ação, como 2,4-D e/ou clorimuron, além de produtos residuais como diclosulam, imazaquim, metribuzin e flumioxazin. Herbicidas com ação residual podem auxiliar na diminuição da emergência da infestante no período anterior à semeadura da soja. Essa aplicação pode ser complementada para controlar os escapes com o uso de dessecantes de contato não seletivos, como saflufenacil, paraquate + diuron, amônio glufosinato. É importante reforçar que a buva deve ser obrigatoriamente controlada antes da semeadura da soja, pois o seu combate na pós-emergência da cultura apresenta limitações, em razão da baixa eficiência dos herbicidas que podem ser utilizados para essa finalidade. É preciso estar alerta, pois já existem áreas infestadas com buva que apresentam resistência múltipla a inibidores da ALS + EPSPs.

AZEVÉM

A presença de biótipos de azevém resistentes ao glifosato, aos inibidores da ALS e ACCase representa grande impacto econômico e técnico para a agricultura brasileira. O glifosato possui custo baixo para o produtor e alta eficiência de controle, razão de seu uso intensivo. Já as moléculas iodosulfuron e nicosulfuron, inibidores da ALS, são importantes herbicidas usados na cultura do trigo e do milho, respectivamente, e, por causa da resistência de biótipos do azevém aos herbicidas inibidores da ALS, esses herbicidas perderam a eficiência no controle dessa espécie. Da mesma forma, os inibidores da ACCase (clethodim, sethoxydim, entre outros) consistiam nas principais alternativas para controle de azevém, e agora não mais. Em situações de resistência simples ao glifosato, os produtos alternativos inibidores da ACCase (clethodim, sethoxidim, haloxifop, clodinafop, entre outros) e os inibidores da ALS (iodosulfuron,

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O período de entressafra não serve apenas para ajudar na redução do banco de sementes das plantas daninhas, mas também para manejar algumas espécies de difícil controle como o capim-amargoso e a buva. Essas duas infestantes não são controladas por um produto isoladamente, mas por um conjunto de ações e de produtos aplicados de forma sequencial. A disseminação de plantas daninhas resistentes aos herbicidas resultou em problema para o agricultor, tornando o controle mais trabalhoso e mais caro, podendo chegar, em alguns casos a aumento de 200% até 400% comparativamente às áreas sem esses biótipos. No entanto, existem práticas que podem auxiliar no controle, como o uso de culturas que produzem palhada na entressafra, especialmente as de trigo e aveia no Sul e as braquiárias no Centro-Oeste. A cobertura morta tem possibilitado a redução no uso de herbicidas em semeadura direta e diminuído a emergência das plantas daninhas entre 60% e 90% quando comparada com áreas não cultivadas na entressafra ou cultivadas com C milho safrinha solteiro. Dionisio Luiz Pisa Gazziero, Fernando Storniolo Adegas, Alexandre Ferreira, Leandro Vargas, Decio Karan, Antonio Luiz Cerdeira e Elemar Voll, Embrapa

Dionizio Gazziero

BUVA

inibidores da ACCase.

16 Agosto 2016 • www.revistacultivar.com.br

Após a colheita do milho de segunda safra é preciso iniciar a eliminação das plantas daninhas da área


Especial - Plantas Daninhas

Na soja Pedro Christoffoleti

O mau uso da tecnologia e a aplicação repetida de herbicidas com o mesmo mecanismo de ação têm ajudado a aumentar a pressão de seleção de resistência de plantas daninhas nas lavouras brasileiras. A retomada do manejo integrado, com rotação de culturas e de defensivos, é uma das principais recomendações para auxiliar a prevenir o encurtamento da vida útil das ferramentas de controle e evitar agravamento da situação

O

s sistemas de produção agrícola brasileiros são bastante diversificados de uma região para outra, porém, o manejo de plantas daninhas, de uma forma geral, se baseia na utilização do glifosato e de culturas tolerantes a este herbicida, haja vista a ampla aceitação da soja geneticamente modificada para tolerância ao glifosato (soja RR), mais tarde o algodão RR e posteriormente o milho RR. O uso do glifosato em área total sobre a cultura já estabelecida trouxe maior praticidade no manejo de plantas daninhas, pelo fato de se tratar de um herbicida de amplo espectro de controle, sem fitotoxicidade observável e

com inúmeras opções de produtos comerciais no mercado. O sucesso da tecnologia e o barateamento do custo de manejo de plantas daninhas levaram o glifosato à situação de único herbicida utilizado em culturas como a soja, tornando desnecessário o uso de pré-emergentes e demais parceiros do glifosato em pós-emergência. A utilização do glifosato repetidamente ao longo dos anos, no entanto, atuou como pressão de seleção sobre a comunidade infestante, resultando na seleção de biótipos de plantas daninhas resistentes a este herbicida, como azevém (Lolium multiflorum), buva (Conyza spp.), capim-amargoso (Digitaria insularis)

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e capim-branco (Chloris spp.). Ainda, espécies como as cordas-de-viola (Ipomoea spp) e capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) se tornaram muito difíceis de manejar apenas com o uso do glifosato.

BUVA (CONYZA SPP.)

As espécies de Conyza de maior importância no Brasil são C. canadensis, C. bonariensis e C. sumatrensis, sendo as duas primeiras predominantes. A primeira se diferencia morfologicamente das outras espécies, no entanto, C. bonariensis e C. sumatrensis apresentam menor grau de diferenciação entre si. A principal distinção morfológica entre


o solo dificulta a emergência desta espécie. Outra alternativa é a rotação de culturas, que pode proporcionar o uso de outros mecanismos de ação de herbicida, como por exemplo o milho, que na safrinha possibilita o emprego de herbicidas na temporada de maior incidência desta espécie, impedindo sua reprodução e redução na ocorrência durante as próximas safras. Portanto, a associação de diferentes métodos de controle proporciona maior eficácia e tem por objetivo obter maior sustentabilidade através do manejo integrado.

CAPIM-AMARGOSO (DIGITARIA INSULARIS)

O primeiro caso relatado sobre um biótipo de capim-amargoso resistente ao glifosato veio do Paraguai, no ano de 2005, e no Brasil o primeiro caso foi relatado em 2008. Em ambos os casos a espécie apresenta biótipos resistentes apenas para herbicidas inibidores da EPSPS e foi encontrada nas culturas do milho e da soja, além do girassol no Paraguai. Contudo, a resistência do capim-amargoso pode ser confundida com a maior tolerância a herbicidas na planta após sua perenização (formação de rizoma), uma vez que a suscetibilidade da população a herbicidas reduz nos estádios avançados de desenvolvimento. Como controle alternativo alguns herbicidas pós-emergentes se destacam, como por exemplo, os herbicidas inibidores da ACCase (quizalofop, haloxifop, clethodim e sethoxydim). Estudos mostram que o uso isolado ou em associação com o glifosato dos herbicidas quizalofop, haloxifop, clethodim e sethoxydim, quando aplicados em estádios iniciais, se mostra excelente alternativa de controle para o capim-amargoso resistente. No entanto, a utilização massiva de herbicidas inibidores da ACCase no controle de D. insularis pode elevar a pressão de seleção, fazendo com que tal estratégia de controle seja comprometida,

Fotos Pedro Christoffoleti

as espécies é a inserção das inflorescências e a margem das folhas, embora outros caracteres morfológicos possam ser considerados na identificação, como, por exemplo, maior ramificação na parte superior do caule (C. canadensis), ramos laterais mais altos que as inflorescências (C. bonariensis) e regressão de tamanho das folhas superiores em relação às inferiores (C. sumatrensis). Há constatação de resistência de biótipos de Conyza em mais de 20 países e para diversos mecanismos de ação de herbicidas, como EPSPs (glifosato), FSI (paraquat/diquat), FSII (atrazina, diuron) e ALS (chlorimuron/ imazethapyr). Além de resistência múltipla entre os mecanismos de ação ALS + EPSPs, ALS + FSII e EPSPs + FSI. Estes casos de resistência fazem com que a buva seja uma planta daninha de difícil controle nos sistemas conservacionistas de solo, com alto uso de herbicidas à base de glifosato. Para um bom manejo de espécies de buva na cultura da soja é recomendada uma boa dessecação e plantio no limpo, uma vez que poucos são os herbicidas pré e pós-emergentes eficazes no controle de Conyza spp. e seletivos para a cultura da soja. Uma das opções com maior eficácia na dessecação é a aplicação de glifosato associado ao 2,4-D ou chlorimuron, com aplicação sequencial de saflufenacil, paraquat, amônio-gluphosinato ou paraquat + diuron. Em pré-emergência pode ser utilizado diclosulan ou flumioxazina, sendo a dose baseada na textura de solo da área. Em pós-emergência da cultura as opções são fomesafen (protox), cloransulan (ALS), chlorimuron (ALS) e imazethapyr (ALS), sendo os três últimos inúteis em áreas com presença de populações de buva com resistência múltipla aos herbicidas inibidores da ALS e glifosato. Em áreas de integração lavoura-pecuária, a densa camada de palhada depositada sobre

Presença de capim-amargoso em área de cultivo de soja

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devendo-se adotar outras práticas de controle. Também foram observados bons resultados no controle de capim-amargoso resistente (três a cinco perfilhos) na utilização de herbicidas como paraquat isolado ou em associação com diuron e amônio-glufosinato, sendo realizados como aplicação sequencial ao herbicida glifosato. Além disso, o controle químico associado ao uso de plantas de cobertura pode ser uma estratégia promissora para o manejo de capim-amargoso. Assim, fica claro que a recomendação para o manejo de capim-amargoso não é única e pontual, já que as melhores práticas envolvem o conhecimento sobre o comportamento dessa planta daninha na área durante todo o ano. De forma geral, as dessecações envolvendo flumioxazina, trifluralina, imazethapyr e s-metolachlor são opções de manejo das sementeiras de capim-amargoso. Os herbicidas flumioxazina e s-metolachlor são também opções para as aplicações em pré-emergência da cultura de soja. Invariavelmente, na pós-emergência da cultura, os herbicidas inibidores da ACCase já citados também são opções de manejo em associação ao glifosato. Há de se frisar que se todo ano ocorrer o uso de inibidores da ACCase na dessecação de plantas perenizadas e na pós-emergência da soja, haverá perda também desta opção de manejo, pela possível resistência múltipla entre inibidores da ACCase e glifosato no caso do capim-amargoso.

CAPIM-BRANCO (CHLORIS SPP.)

O capim-branco (Chloris polydactyla, sin: Chloris elata) é outra planta daninha que, semelhante ao capim-amargoso, era encontrada de forma mais esparsa e em áreas sem manejo, mas sua importância nas áreas de soja vem aumentando. A espécie também apresenta tolerância a vários herbicidas, havendo necessidade de aumentar a dose do herbicida glifosato para controle efetivo em estádios mais avançados, mesmo em biótipos suscetíveis. O primeiro relato de capim-branco resistente ao herbicida glifosato no Brasil em áreas de soja ocorreu em 2014, o que pode explicar o rápido aumento em frequência e densidade da espécie. O uso de herbicidas em pré-emergência (chlorimuron-ethyl, clomazone, diclosulan, imazethapyr, s-metolachlor, sulfentrazone emetribuzin) se mostra eficaz no controle de capim-branco resistente ou suscetível. Já em pós-emergência, estudos mostram que os herbicidas haloxyfop-p-methyl efenoxaprop-p-ethyl têm sido os mais eficazes no controle da espécie. Para o controle de capim-branco, pode-se dizer que o manejo não pode ser único e pontual, sendo necessária atenção ao comportamento da planta daninha e dos herbicidas ao longo de todo o ano.


A incidência de buva em lavouras de soja representa um grande desafio, uma vez que são poucos os herbicidas pré e pós-emergentes eficazes no controle

De forma geral o manejo do capim-branco se assemelha muito ao do capim-amargoso, sendo que o uso preventivo de herbicidas residuais em áreas de soja é uma maneira de evitar infestações de ambas estas espécies.

AZEVÉM (LOLIUM MULTIFLORUM)

O primeiro relato de azevém resistente no Brasil foi em 2003 em pomares e na cultura da soja, apresentando resistência ao glifosato. Foram também encontrados no País biótipos de Lolium multiflorum resistentes a herbicidas inibidores da ALS na cultura do trigo, além de resistência múltipla aos herbicidas clethodim (inibidor da ACCase) e glifosato nas culturas de milho, soja e trigo em 2010. Entretanto, os herbicidas inibidores da enzima ACCase, como haloxyfop e quizalofop, ainda são muito utilizados no controle de azevém resistente ao glifosato na dessecação (pré-semeadura) de culturas como a soja, desde que seja ajustada a dose do herbicida ao estádio fenológico da planta, A aplicação complementar com paraquat, independentemente da dose, do herbicida e do estádio fenológico do azevém, também se constitui em uma prática viável. Outra prática valida é a utilização de sucessão de culturas, o que pode reduzir significativamente o banco de sementes na área. Dessa forma, fica claro que o manejo de Lolium multiflorum na cultura da soja requer atenção e medidas conjuntas, como rotação de mecanismos de ação de herbicidas e rotação de culturas, com objetivo de prevenção e controle efetivo de biótipos resistentes a herbicidas.

O azevém com problemas de resistência múltipla entre inibidores da ACCase e glifosato já é uma realidade em áreas do Sul do País, o que aponta claramente para a chance de se desenvolver o mesmo problema para as plantas daninhas capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) capim-branco (Chloris spp) e capim-amargoso (D. insularis).

CONSIDERAÇÕES GERAIS

O sistema agrícola baseado na utilização do glifosato e de culturas resistentes a princípio proporcionou alta praticidade e flexibilidade no manejo de plantas daninhas na cultura da soja. No entanto, a seleção de diversas espécies resistentes, sejam monocotiledôneas ou dicotiledôneas, e a diversidade dos sistemas agrícolas, inviabilizaram o manejo baseado unicamente nesse método. Com a diversidade da comunidade infes-

tante, é mais apropriada para obtenção de um bom controle de plantas daninhas a associação de métodos químicos e culturais, como a utilização de herbicidas residuais, adubos verdes, culturas de cobertura e rotação de culturas. A utilização de herbicidas pré-emergentes tornou-se fundamental para que o manejo químico proporcione boa eficácia de controle na cultura da soja, além de reduzir as perdas de produção decorrentes da matocompetição no início do ciclo da cultura. A utilização da palhada pelo sistema de plantio direto, além do consórcio entre culturas e a rotação de culturas com adubos verdes, tem por objetivo reduzir a pressão causada pelo banco de sementes existente na área, uma vez que dificulta a emergência de inúmeras espécies e inviabiliza a germinação ao longo do tempo. A associação de mais de um método de controle aumenta significativamente a eficácia de manejo e traz benefícios a médio e longo prazos. O manejo integrado, em que se faz a associação de diferentes práticas, objetiva obter alta eficácia de controle de espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas, uma vez que proporciona melhor controle, além de dificultar o estabelecimento e, consequentemente, a reprodução das plantas daninhas na cultura a médio e longo prazos, oferecendo maior sustentabilidade à atividade agrícola. O uso descontrolado de inibidores da ALS para o controle de buva, bem como de herbicidas inibidores da ACCase no controle de gramíneas, deve ser repensado pelo agricultor antes de selecionar em suas áreas biótipos com resistência múltipla destes mecanismos C de ação com o glifosato. Acácio Gonçalves Netto, Ednaldo Alexandre Borgato, Maiara Maria Franzoni e Pedro Jacob Christoffoleti, Esalq/USP Marcelo Nicolai, Agrocon Assessoria Agronômica

A associação de mais de um método de controle aumenta significativamente a eficácia de manejo de daninhas e traz benefícios a médio e longo prazos

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Especial - Plantas Daninhas

Caçada aos resistentes Fotos Edson R. de Andrade Junior

Projeto desenvolvido em Mato Grosso visita propriedades de várias regiões produtoras de algodoeiro para coletar sementes de biótipos de plantas daninhas suspeitos de apresentarem resistência a herbicidas. Trabalho serve de subsídio para orientar ações na tentativa de preservar as tecnologias de controle químico disponíveis

O

controle de plantas daninhas com herbicidas é amplamente utilizado na agricultura, pois além de eficiente, é ágil e tem uma boa relação custo/benefício quando comparado com outros métodos de controle. No entanto, os herbicidas são fortes agentes de seleção de espécies e biótipos de plantas daninhas, e seu uso inadequado tem acelerado o aparecimento de espécies tolerantes e biótipos resistentes. Se, em uma comunidade de plantas daninhas, há uma espécie que não é bem controlada pelos sucessivos tratamentos herbicidas que são aplicados na área (espécie tolerante), a consequência é que essa espécie, já problemática para o manejo adotado, tenha sua população aumentada. Entre outros condicionantes, a escolha do tratamento herbicida

deverá levar em consideração a eficiência sobre as espécies de plantas daninhas de maior densidade e competitividade, mas também possuir boa eficiência sobre espécies que recentemente apresentaram rápido aumento de população, ou que estejam fazendo isso de forma constante. Caso em uma comunidade de plantas daninhas exista uma espécie cuja população sempre foi bem controlada por determinado tratamento herbicida, e começa-se a observar indivíduos dentro dessa população que não mais são controlados como os demais, eles são suspeitos de se tratar de biótipos resistentes. A confirmação da resistência demanda estudos com métodos adequados, uma vez que, por outros motivos, falhas de controle podem ocorrer em indivíduos suscetíveis. Uma vez

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confirmada a resistência, o manejo deve ser mudado para que o biótipo resistente seja efetivamente controlado. Há alguns mecanismos conhecidos, pelos quais as plantas se tornam resistentes a herbicidas. Desses, até agora o mais comum, considerando todos os herbicidas em uso, tem sido a ocorrência de modificação genética que promove alteração em um ou mais pontos da substância onde o herbicida atua, chamado alteração no sítio de ação. Para esses casos, o conhecimento do sítio de ação do herbicida a que o biótipo ficou resistente é necessário, pois uma das medidas para controlá-lo é o uso de herbicidas eficientes sobre a espécie, mas que atuem sobre outro sítio de ação. É por isso que, entre as medidas para o manejo e/ou prevenção da resistência de plantas daninhas a herbicidas, recomenda-se que o emprego de herbicidas respeite o princípio da alternância de sítios de ação. Há outros mecanismos de resistência importantes, às vezes mais comuns para determinados tipos de herbicidas, e outros que preocupam muito pela capacidade de gerar biótipos com resistência simultânea a herbicidas com distintos sítios de ação (resistência múltipla), com implicações severas para o manejo por reduzir as opções de herbicidas ou mesmo inviabilizar o controle químico. O problema da resistência de plantas daninhas a herbicidas interessa a todos os setores envolvidos com a produção e o uso de espécies vegetais que têm o controle químico como ferramenta importante. A gestão desse problema depende de informações e conhecimentos, entre os quais está a formação de um banco de dados atualizado sobre a ocorrência dos biótipos resistentes, com informações sobre os locais de detecção, herbicidas aos quais ficaram resistentes, herbicidas eficientes para seu controle etc. Uma das formas de contribuir com essas informações são os levantamentos realizados regionalmente, ou em escala maior, onde se coletam e testam indivíduos identificados como suspeitos de possuir resistência. No estado de Mato Grosso, um projeto está sendo executado com essa finalidade.

O PROJETO

O projeto é uma iniciativa do Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMAmt) e da Associação Mato-Grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), financiado pelo Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), tendo como instituições parceiras o Centro Universitário de Várzea Grande (Univag) e a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Nesse trabalho são realizadas visitas a propriedades de várias regiões do estado, que têm o algodoeiro como uma das culturas no sistema de produção, e nelas coletadas sementes de biótipos de plantas daninhas suspeitos de apresentarem


resistência a herbicidas. Essas sementes são utilizadas em baterias de ensaios em condições controladas com o objetivo de confirmar ou descartar a resistência. Paralelamente são recebidas e testadas amostras de sementes provenientes de propriedades não visitadas, independentemente da região ou cultura. O projeto iniciou-se na safra 2011-12 e está em andamento, nessa fase priorizando biótipos suspeitos que possam se constituir em novos casos.

RESULTADOS

Os biótipos de plantas daninhas, cuja resistência a herbicidas já foi confirmada pela equipe do projeto nos agrossistemas de Mato Grosso, estão listados na Tabela 1. Todos os herbicidas foram aplicados em pós-emergência das plantas daninhas Além dos biótipos listados, já foi registrado para Mato Grosso um biótipo de Amaranthus retroflexus resistente a atrazina e a prometrina, que são inibidores do fotossistema II, sendo também resistente a trifloxissulfurom-sódico. Mas nesse caso somente quando aplicado na modalidade de pré-emergência (Francischini, 2011).

IDENTIFICAÇÃO DE BIÓTIPOS RESISTENTES

Para reduzir o número de resultados negativos na avaliação de resistência, alguns pontos devem ser observados: - Há controle efetivo das demais espécies de plantas daninhas suscetíveis ao herbicida utilizado? - Na população da espécie investigada, existem plantas daninhas mortas (suscetíveis) ao lado daquelas não controladas (biótipo suspeito)? Caso a resposta seja afirmativa, verificar se essas plantas vivas não se tratam de reinfestação da área (pode ser observado pela diferença no desenvolvimento entre as

Tabela 1 - Espécies de plantas daninhas com biótipos resistentes a herbicidas nos agrossistemas de Mato Grosso, herbicidas aos quais ficaram resistentes e seus respectivos sítios de ação Planta Daninha Picão-preto (Bidens subalternans) Leiteiro (Euphorbia heterophylla) Caruru-rasteiro (Amaranthus deflexus) Caruru-gigante (Amaranthus retroflexus) Caruru-palmeri (Amaranthus palmeri) Mentrasto (Ageratum conyzoides) Buva (Conyza canadensis) Capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) Capim-amargoso (Digitaria insularis)

Herbicida Piritiobaque-sódico Trifloxissulfurom-sódico Piritiobaque-sódico Fomesafem Piritiobaque-sódico e Glifosato Trifloxissulfurom-sódico Glifosato Cletodim / Tepraloxidim Glifosato

plantas). - Há ocorrência de plantas daninhas com resistência confirmada em áreas ou talhões vizinhos? - Existe na área um padrão visual característico de plantas daninhas resistentes, como reboleiras com alta densidade de plantas no centro, que aparecem todos os anos no mesmo ponto do talhão, ou escapes em diferentes direções? - Verificar se não houve problemas na aplicação do herbicida como dose abaixo da recomendada; volume de calda, adjuvantes e bicos inadequados; falhas na pulverização; efeito guarda-chuva exercido pela própria cultura; problemas climáticos como chuvas, ventos, alta temperatura e baixa umidade e plantas fora do estádio de desenvolvimento preconizado.

AÇÕES PARA PREVENÇÃO E CONTROLE DE DANINHAS RESISTENTES

Em uma mesma área realizar rotação ou associação de herbicidas com diferentes sítios de ação. Para que essa prática seja efetiva,

C

Mentrasto (Ageratum conyzoides) resistente a inibidores de ALS em área de cultivo de algodoeiro

Capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) resistente aos herbicidas inibidores de ACCase, em algodão

Sítios de Ação Inibidores de ALS Inibidores de ALS Inibidores de ALS Inibidores de PROTOX Inibidores de ALS e Inibidores da EPSPS Inibidores de ALS Inibidores da EPSPS Inibidores de ACCase Inibidores da EPSPS

as plantas daninhas devem ser suscetíveis a pelo menos dois herbicidas com sítios de ação diversos, usados em rotação ou associados. É importante controlar plantas remanescentes após as aplicações dos tratamentos herbicidas - o controle deve ser realizado antes que essas plantas remanentes estejam adultas, evitando a produção de sementes. A rotação de culturas é outro aspecto importante, principalmente para facilitar o uso de outros métodos de controle e a rotação de herbicidas com diferentes sítios de ação. Rotacionar variedades resistentes a herbicidas é outra medida. Embora essas variedades constituam-se em ferramentas úteis, deve-se alternar nas mesmas áreas tecnologias que permitam usar herbicidas com diferentes sítios de ação, pois usar repetidamente os herbicidas para os quais as variedades foram desenvolvidas levará à seleção de biótipos resistentes e à perda da tecnologia. É preciso realizar o uso adequado das variedades com resistência a herbicidas pois são importantes ferramentas para a prevenção e o controle de biótipos resistentes, mas seu uso inadequado tem favorecido a seleção de espécies tolerantes e biótipos resistentes. Isso tem ocorrido porque apenas um ingrediente ativo tem sido aplicado na área, sucessivas vezes, para controlar o mesmo grupo de plantas daninhas. Assim, se faz necessário o planejamento de uso dessas variedades para permitir a rotação de herbicidas na mesma área, de modo que tenham distintos sítios de ação e mesmo espectro de controle das plantas daninhas. Em um cenário de resistência múltipla, ou envolvendo mecanismos de resistência não relacionados ao sítio de ação, são necessárias ações mais específicas e recomenda-se consultar especialista experiente no C assunto. Edson de Andrade Junior, Inst. Mato-Grossense do Algodão Anderson Luis Cavenaghi, Univag Sebastião Carneiro Guimarães, Univ. Federal de Mato Grosso

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Soja

Maior vilão Jovenil J. Silva

Percevejos são pragas importantes, que atacam as vagens das plantas de soja e provocam sérios prejuízos. A pouca diversidade de inseticidas registrados com diferentes modos de ação, os riscos de resistência e as deficiências na tecnologia de aplicação tornam esses insetos os maiores vilões da produtividade das lavouras atualmente. O uso inadequado de inseticidas, sem a devida amostragem, agrava esse cenário e aumenta os custos de produção. Aprender a realizar o controle, com o emprego de defensivos no momento correto, é um dos principais desafios do sojicultor. A chave do sucesso reside no manejo da praga tante no cenário nacional é, sem dúvida, o percevejo-marrom, Euschistus heros. Esses insetos danificam diretamente os tecidos dos grãos, tornando-os chochos e enrugados, afetando a produção e a qualidade dos grãos produzidos. As injúrias causadas pelos insetos durante sua alimentação facilitam a contaminação dos grãos por patógenos e podem, ainda, causar distúrbios fisiológicos, como atraso na maturação, retenção foliar e desenvolvimento anormal de folículos e vagens. Entretanto, é importante destacar que os maiores prejuízos às lavouras devido ao ataque dessa praga ocorrem, principalmente, por conta do abandono do Manejo Integrado de Pragas da Soja (MIP-Soja) e a utilização de inseticidas de forma “calendarizada” ou em “carona” com pulverizações de herbicidas e fungicidas. Para o sucesso no controle dos percevejos é preciso utilizar de forma correta as principais ferramentas de manejo disponíveis, entre as quais os inseticidas merecem destaque.

CORRETA UTILIZAÇÃO DO CONTROLE DE PERCEVEJOS

E

ntre as pragas mais importantes da soja estão os percevejos, insetos que atacam as vagens desta planta. A pouca diversidade de inseticidas registrados com diferentes modos de ação, a resistência comprovada de populações da praga aos inseticidas existentes, associada às deficiências na tecnologia de aplicação desses produtos, fazem deste complexo de pragas o maior vilão da produtividade das lavouras na atualidade. Ainda, o uso

errôneo de inseticidas, com aplicação “preventiva” sem a devida amostragem, agrava esse cenário e aumenta os custos de produção, sem qualquer benefício para o produtor. Aprender a controlar a praga com o uso de inseticidas na hora certa é um dos principais desafios do sojicultor e a chave para o sucesso reside no manejo da praga. Existe uma grande diversidade de espécies de percevejos que pode atacar a soja, porém, a mais abundante e impor-

26 Agosto 2016 • www.revistacultivar.com.br

Controle químico O inseticida químico é atualmente a ferramenta mais importante no manejo de percevejos e quando bem utilizado traz benefícios ao produtor. Contudo, pulverizações desnecessárias, realizadas sem a adoção de critérios agronômicos, podem trazer grandes malefícios como o aumento do custo de produção, a seleção de populações de insetos resistentes, além de surtos de pragas ainda maiores que na ausência da aplicação. O aumento crescente no custo de produção da lavoura de soja é uma realidade que vem preocupando o produtor rural. Parte desses gastos deve-se ao uso incorreto


e desnecessário de agroquímicos. Quando comparados os gastos com defensivos entre as safras 2002/2003 e 2012/2013 (Figura 1) é possível perceber esse aumento significativo. Parte desses gastos pode ser reduzida, evitando-se o uso desnecessário de inseticidas. O sojicultor, muitas vezes, temendo perder o controle dos percevejos opta por realizar aplicações de inseticidas com populações baixas ou quando a praga ainda não causa dano, como no período vegetativo, por exemplo. Porém, ao fazer isso, apenas seleciona insetos mais resistentes aos inseticidas utilizados, o que piora os ataques que ocorrerão no período reprodutivo, quando a praga é realmente danosa. É importante que o produtor não utilize inseticida em qualquer infestação da praga ou preventivamente. A aplicação de inseticidas precisa ser econômica e, portanto, somente justificável quando a população de percevejos estiver igual ou acima dos níveis de ação (representados pelo momento economicamente correto para que uma medida de controle seja iniciada) e assim evitar que a população de insetos cresça demasiadamente e cause prejuízos econômicos. Infelizmente, a busca incessante pelo aumento da produtividade, associada aos bons preços pagos pela soja e ao baixo custo de muitos inseticidas, tem fomentado que muitos profissionais recomendem aplicações precoces para o controle de percevejos. Isto fez com que muitos produtores abandonassem a amostragem de pragas e o uso do nível de ação, passando a aplicar os inseticidas na soja junto com herbicidas em pós-emergência ou com fungicidas na fase reprodutiva. Isso tem sido feito até em tentativa de aproveitar a operação agrícola

que está sendo realizada. Com essa aplicação errônea de inseticidas realizada junto (“carona”) aos herbicidas e fungicidas e não mais no nível de ação, o controle de percevejos na soja vem apresentando resultados desastrosos. Atualmente, utilizam-se até três ou quatro aplicações de inseticidas para controle dessa praga totalizando-se seis ou mais aplicações de inseticidas em uma única safra da soja, o que, com certeza, é excessivo e pode ser racionalizado com a utilização do MIP-Soja. O uso racional de inseticidas já é uma realidade no Paraná. Nesse estado o MIP-Soja tem sido conduzido em diversos municípios em um programa de estado chamado Plante seu Futuro. Nessas áreas de manejo (unidades de referência: URs) os técnicos da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) prestam assistência e introduzem o MIP-Soja aos produtores. Com isso, já foi possível reduzir o uso de aplicações de inseticidas em aproximadamente 50%, além de aumentar o intervalo da primeira aplicação de 35 dias para 63 dias, permitindo assim maior preservação dos inimigos naturais e propiciando menor impacto decorrente da aplicação do inseticida químico (Figura 2). Esses resultados foram obtidos porque o produtor aplica os inseticidas apenas quando realmente é necessário (nos níveis de ação), e assim, as aplicações desnecessárias são eliminadas. Resultados recentes de pesquisa, com algumas das novas cultivares de soja (ciclo precoce e crescimento indeterminado), mostram que os níveis de ação são confiáveis e indicam o melhor momento para o sojicultor começar a aplicação de inseticidas com sabedoria, preservando a produtividade da lavoura, assim como o ambiente. Em experimentos

Figura 1 - Gastos com agroquímicos na soja em diferentes safras. Fonte: Kleffmann Group

conduzidos no município de Arapongas, Paraná, durante diferentes safras foram comparadas a produtividade e a qualidade das sementes após o uso de inseticidas em diferentes intensidades de infestação de percevejos, sendo: NA de percevejo (média de 2 percevejos/m); ¼ do NA de percevejo (média de 0,25-0,5 percevejo/m); preventivo (aplicação associada a herbicidas e fungicidas) e a testemunha (sem aplicações)(Tabela 1). Os resultados obtidos demonstraram que mesmo com uma menor população de percevejos no tratamento em que foi considerado ¼ do nível de ação em relação aos demais tratamentos avaliados (Figura 3), não houve nenhum ganho significativo na produtividade (Tabela 1). Por outro lado, esse tratamento teve certamente maior custo econômico e ambiental, visto que foram necessárias seis aplicações de inseticidas, enquanto no tratamento que seguiu o nível de ação preconizado pela pesquisa (2 percevejos/m), houve a necessidade de somente duas aplicações de inseticidas (Figura 3). É importante salientar que a produtividade observada diferiu apenas entre os tratamentos com aplicações, independentemente do critério utilizado, e a testemunha sem aplicação de inseticidas (Tabela 1). Ao avaliar os danos de percevejos (escala 6-8 no teste de tetrazólio), apenas a testemunha mostrou alto índice de dano, com 13,7% dos grãos com sementes não viáveis. Os tratamentos 1 (2 percevejos/m), 2 (0,25-0,5 percevejo/m) e 3 (preventivo) foram estatisticamente iguais e resultaram em porcentagens de sementes não viáveis inferiores a 6% (Tabela 1). Esta intensidade de dano ainda é aceita para a produção de sementes, cujos padrões são mais exigentes em relação à produção de

Figura 2 - Unidades de referência implantadas no Paraná pelo programa de Estado Plante seu Futuro sob a coordenação da Emater-PR. Fonte: Emater (PR)

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Tratamento 1) Nível de ação de percevejos 2) Do nível de ação de percevejos 3) Preventivo 4) Testemunha CV (%)

Teste de Tetrazólio(%)1 Dano Percevejos (escala 6-8) 4,5 ± 2,6 b 1,0 ± 0,4 b 4,8 ± 2,3 b 13,7 ± 2,2 a 30,00

Produtividade (kg ha-1)1 3812,5 ± 96,5 a 3992,9 ± 116,5 a 3678,9 ± 76,6 a 3267,2 ± 39,9 b 4,78

1Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey (P>0,05).

grãos comprovando mais uma vez a segurança dos níveis de ação recomendados. Controle biológico Dentre os inimigos naturais de percevejos, a “vespinha” Telenomus podisi, um parasitoide de ovos, merece destaque por sua capacidade de parasitismo. Diversos estudos mostram que T. podisi apresenta longevidade em torno de 32 dias a 45 dias, dependendo de seu hospedeiro, e que suas fêmeas têm a capacidade de parasitar ovos em média durante dez dias. Esta espécie é encontrada em diferentes agroecossistemas e uma de suas principais características é a preferência por ovos de E. heros, além de grande capacidade de busca por estes ovos, que podem estar escondidos na planta e em locais de difícil cobertura pela aplicação tradicional de inseticidas. Assim, o parasitoide encontra os ovos do percevejo, oviposita dentro destes ovos e, após aproximadamente 14 dias, emergem os adultos que darão continuidade ao controle, proporcionando um efeito duradouro, comparado ao controle químico convencional. Outra vantagem na utilização de parasitoides de ovos no MIP-Soja está no fato do controle ser exercido sobre o ovo, antes de o dano ocorrer. Isso permite que, caso haja alguma falha de controle, outra medida de manejo possa ser adotada sem prejuízos na produção da lavoura. A utilização deste parasitoide ainda depende

de pesquisas que estabeleçam todas as recomendações para a sua utilização (pacote tecnológico), estando em andamento investigações em diferentes instituições de pesquisa como, por exemplo, Embrapa Soja, Universidade Estadual de Londrina (UEL), dentre outras. Além disso, o uso do parasitoide precisa estar devidamente registrado nos órgãos competentes para que possam ser recomendados em campo. Diante disso, acredita-se que em breve T. podisi poderá ser utilizado como alternativa de controle para Euschistus heros, auxiliando a manter a população do percevejo em níveis que não apresentem ricos de danos à cultura.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Atualmente, as infestações com percevejos têm aumentado significativamente na cultura da soja em todo o território brasileiro, principalmente da espécie E. heros. Isso tem ocorrido em função de um conjunto de fatores, tais como seleção de populações de percevejos resistentes aos principais inseticidas utilizados; falta de disponibilidade no mercado de inseticidas com diferentes mecanismos de ação; deficiências na tecnologia de aplicação; e desequilíbrio ecológico causado pelo uso abusivo e desordenado de inseticidas de largo espectro de ação, logo no início do desenvolvimento da cultura e abandono do MIP-Soja.

Portanto, para o manejo correto desse inseto é necessário controlar os percevejos com inseticidas apenas a partir do estágio R3 (início das primeiras vagens), quando a população for igual ou maior que os níveis de ação (através de um monitoramento bem feito com o auxílio do pano de batida); adotar os níveis de ação (2 percevejos ≥ 0,3cm/metro para soja destinada a grãos ou 1 percevejo ≥ 0,3cm/metro para soja destinada a sementes) inclusive para as cultivares mais modernas (soja precoce e de crescimento indeterminado); usar o sal de cozinha (0,5% do volume de calda – v/v) na calda inseticida quando a soja apresentar desafios para a tecnologia de aplicação (o sal auxilia a contaminação do percevejo com o inseticida, pois faz com que o inseto permaneça mais tempo sobre as folhas e expostos à aplicação). É preciso o cuidado de lavar bem o equipamento após a aplicação, porque os resíduos de sal em contato com o metal podem fazer com que sofra processo de corrosão. Sempre fazer a rotação de inseticidas utilizados (≠ modos de ação); reservar o uso das misturas (neonicotinoides + piretroides), do acefato ou de outro produto recomendado para controle de percevejos, apenas para o período reprodutivo da soja. Isso reduz a pressão de seleção para percevejos resistentes a esses inseticidas e preserva sua ação para o controle dessa praga por maior tempo. Esses cuidados com o manejo da praga irão auxiliar o sojicultor a ter um bom manejo de sua lavoura, com a utilização de menos inseticida e a obtenção de boa C produtividade. Adeney de Freitas Bueno e Daniel Ricardo Sosa-Gómez, Embrapa Soja Débora Mello da Silva, Iapar Adair V. Carneiro

Tabela 1 - Principais níveis de ação para lagartas na cultura da soja

Figura 3 - População média de percevejos (população predominante de Euschistus heros) ao longo do desenvolvimento da cultura da soja após aplicação de inseticidas em intensidade de infestação de percevejos. Embrapa Soja, Arapongas (PR), safra 2010/11. As setas coloridas indicam quando o controle foi realizado em cada tratamento

Telenomus podisi parasitando ovos de percevejo

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Soja

Ferramenta de manejo Charles Echer

No desafio de controlar pragas iniciais em soja Bt, o tratamento de sementes é uma das alternativas mais utilizadas. O inseticida chlorantraniliprole (Rynaxypyr) tem apresentado bons resultados na proteção da cultura com consequentes reflexos positivos na produtividade

O

Brasil é o segundo maior produtor mundial de soja. Na safra 2014/15, o país registrou produtividade média de três mil quilos por hectare, colhendo 95 milhões de toneladas da oleaginosa, em uma área plantada de 31,6 milhões de hectares. Alguns fatores foram decisivos na conquista desses números, sobretudo a melhora do parque de máquinas existente, os investimentos em fertilizantes, o emprego da biotecnologia e a aplicação de um grupo de novos defensivos agrícolas, produtos de alta tecnologia e performance. As pesquisas na área de biotecnologia trouxeram grandes benefícios ao produtor, como a introdução da soja “intacta”, que possibilitou o controle, ou a supressão, durante o ciclo de desenvolvimento da cultura, de pragas representativas. Importante lembrar que a

biotecnologia constitui atualmente uma aliada de peso do produtor no manejo de pragas, somada a outras práticas de monitoramento e controle (veja o box). Na área de defensivos agrícolas, diversos testes são conduzidos por aproximadamente dez anos antes de um novo produto ser lançado. O objetivo da indústria e da pesquisa é sempre introduzir no mercado insumos inovadores, com alta performance biológica e menor impacto possível ao aplicador e ao meio ambiente. Baseada nessas premissas, a DuPont introduziu recentemente no mercado brasileiro de tratamento de sementes, com o princípio ativo chlorantraniliprole (formulação 625 FS), um inseticida do grupo das diamidas antranílicas (Grupo 28 do Comitê Brasileiro de Ação à Resistência a Inseticidas). O produto se caracteriza por um novo modo de ação em tratamento de sementes, por

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contato e ingestão. Durante as últimas três safras, os pesquisadores da DuPont desenvolveram estudos diversificados em torno do chlorantraniliprole, na Estação Experimental da companhia, em Paulínia, São Paulo, envolvendo também a participação de universidades e fundações. Os resultados permitiram atestar a excelente performance do tratamento de sementes com chlorantraniliprole no controle das principais pragas de solo e lagartas iniciais na cultura da soja. Por ser aplicado via tratamento de sementes, chlorantraniliprole (Rynaxypyr) é absorvido no processo de germinação, favorecendo a proteção e a manutenção de estande já nas fases iniciais de desenvolvimento, marcadamente contra o ataque de pragas iniciais de solo como Elasmopalpus lignosellus e Phyllophaga cuyabana. Durante o desenvolvimento da plântula de soja, o chlorantraniliprole (Rynaxypyr) é translocado via xilema para a parte aérea da planta. Assim, apresenta alta atividade residual e resistência a chuva, proporcionando amplo espectro de controle de lagartas das espécies Spodoptera frugiperda, Helicoverpa armigera e Anticarsia gemmatalis. A paralisação da alimentação destas lagartas ocorre de forma rápida, reduzindo as chances de dano à cultura. Quando o inseto entra em contato com o chlorantraniliprole (Rynaxypyr), o produto se liga aos receptores de rianodina localizados no músculo dos insetos, e estes pontos ficam bloqueados, ocorrendo a saída de cálcio necessário para a contração muscular do inseto. Como consequência, ocorrem a paralisia e a morte dos insetos. Chlorantraniliprole (Rynaxypyr) no tratamento de sementes é um grande aliado no manejo de resistência de insetos pelo seu perfil toxicológico mais favorável. O chlorantraniliprole (Rynaxypyr) também é considerado atualmente uma excelente ferramenta para programas de manejo integrado de pragas. Em relação à proteção da população de plantas na cultura da soja “intacta”, o tratamento de sementes com chlorantraniliprole (Rynaxypyr) evitou a perda de nove mil plantas por hectare na dose de 50ml do inseticida, e de 13 mil plantas/hectare na dose 100ml. Nas duas doses, o resultado foi superior ao do tratamento padrão. Na Figura 1 é possível observar a eficiência na manutenção de plantas quando comparado o chlorantraniliprole (Rynaxypyr) ao inseticida padrão do mercado. Chlorantraniliprole (Rynaxypyr) é mais eficiente no controle da Spodoptera frugiperda na soja “intacta”, pois manteve a cultura protegida por até 28 dias após a emergência (Figura 2). Em relação à produtividade, também na comparação ao tratamento padrão, chlorantra-


Figura 2 - Brasil: Spodoptera frugiperda - Número de lagartas por metro

Fonte: Dados internos da DuPont Proteção de Cultivos. Estudos comprovam os resultados apresentados. Recomendação de bula/dose: •100ml/100kg de sementes: Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus) lagarta-militar (Spodoptera frugiperda) e Helicovepa armigera. •50ml/100kg de sementes: Coró (Phyllophaga cuyabana) e lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis).

Fonte: Dados internos da DuPont Proteção de Cultivos. Estudos comprovam os resultados apresentados. Recomendação de bula/dose: •100ml/100kg de sementes: Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus) lagarta-militar (Spodoptera frugiperda) e Helicovepa armigera. •50ml/100kg de sementes: Coró (Phyllophaga cuyabana) e lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis). DuPont

Figura 1 - Brasil: Estande - Plantas/ha

Figura 3 - Brasil: Produtividade - Sc/ha

Fonte: Dados internos da DuPont Proteção de Cultivos. Estudos comprovam os resultados apresentados. Recomendação de bula/dose: •100ml/100kg de sementes: Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus) lagarta-militar (Spodoptera frugiperda) e Helicovepa armigera. •50ml/100kg de sementes: Coró (Phyllophaga cuyabana) e lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis).

niliprole (Rynaxypyr) resultou na produção de uma saca a mais por hectare na dose 50ml, e no ganho médio de duas sacas por hectare na dose 100ml do produto (Figura 3). A adoção do tratamento de sementes com inseticidas já é uma prática comum entre os produtores, mas um aspecto que tem chamado a atenção no campo se dá na migração deste tratamento, realizado na fazenda e também chamado “on farm”, para o tratamento de sementes industrial. O tratamento de sementes industrial, comumente chamado de TSI, apresenta uma série de vantagens ao produtor, tais como melhor cobertura das sementes com os defensivos para tratamento de sementes; redução na poeira e aumento da fluidez das sementes; menor exposição aos defensivos utilizados no tratamento das sementes; não expõe o operador ao contato direto; maior precisão na dose aplicada de produto por semente; e maior facilidade de negociação na compra de sementes mais defensivos. Esses benefícios, que o produtor irá observar principalmente no momento do plantio e na fase inicial de desenvolvimento, são oriundos de uma série de estudos realizados em laboratório, com o objetivo de assegu-

O tratamento industrial de sementes com inseticidas ganha espaço entre os produtores, que antes utilizavam a prática de modo "on farm"

rar a melhor performance dos defensivos. Destacam-se a compatibilidade química dos defensivos, polímeros, corantes, inoculantes, biológicos etc; shelf-live ou avaliação da qualidade (germinação e vigor) da semente, durante o período de armazenamento ao plantio; abrasão – verifica quanto dos defensivos aplicados pode se perder do tratamento ao plantio; dust-off – afere a possível emissão de poeira e/ou resíduos do tratamento de sementes; fluidez – avalia a facilidade com que a semente desliza entre elas após o tratamento; plantabilidade – observa se as características de plantio foram alteradas após o tratamento; loading – verificação da quantidade de ingrediente ativo presente na semente após o tratamento, garantindo que a dose desejada por semente seja atingida, evitando falta ou excessos de produto na semente. A agricultura aperfeiçoa constantemente as ferramentas de suporte à produtividade e convive ininterruptamente com a inovação. O tratamento de sementes da soja “intacta” figura no rol das grandes inovações recentes C da sojicultura brasileira e mundial. Orlando Garcia e Sérgio Guenze, DuPont Proteção de Cultivos

MONITORAMENTO E CONTROLE • Refúgio: prática que tem por objetivo a manutenção de 20% da área sem o uso de variedades “intacta”, reduzindo a pressão de seleção de indivíduos resistentes, e permitindo maior efetividade e durabilidade da tecnologia ao longo do tempo. • Monitoramento: deve ser realizado semanalmente o monitoramento de pragas na área de soja “intacta” e na área de refúgio, para observar a dinâmica populacional dos insetos e adotar as práticas complementares de controle mais adequadas a cada praga que ocorrer. • Tratamento de sementes: mesmo a soja “intacta” conferindo controle ou supressão a algumas determinadas pragas, é recomendável a utilização do tratamento de sementes para o controle de pragas não alvo como corós, formigas, coleópteros e a lagarta do gênero Spodoptera. É importante sempre utilizar produtos registrados e nas dosagens recomendadas na bula.

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Soja

Questão de sensibilidade

Silvânia Helena Furlan

Ao longo dos anos o fantasma da resistência de fungos a fungicidas tem rondado as lavouras brasileiras e tirado o sossego de pesquisadores e produtores. Com relação a Phakopsora pachyrhizi, causador da temida ferrugem asiática, a situação é ainda mais preocupante. Por isso monitorar a sensibilidade dos fungos e adotar estratégias antirresistência se torna cada vez mais indispensável

O

uso contínuo de poucos grupos químicos de fungicidas para o controle de doenças na cultura da soja justifica os estudos sobre resistência de importantes patógenos, sobretudo de Phakopsora pachyrhizi, com o objetivo de minimizar os efeitos negativos. Os fungicidas protetores ou de contato, ao inibirem um grande número de passos metabólicos ou processos vitais dos fungos,

apresentam amplo espectro de ação e por isso são conhecidos também como fungicidas multissítios ou de ação múltipla. Não podem penetrar ou translocar nas plantas, porque se isso ocorresse seriam fitotóxicos. Apresentam menor período de proteção das folhas (residual) em relação aos sistêmicos e necessitam de uma boa cobertura. Mesmo com o uso continuado por muitos anos, não promovem a seleção de populações resisten-

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tes devido ao seu modo inespecífico de ação, salvo raras exceções. As vantagens dos fungicidas sistêmicos contemplam sua maior fungitoxicidade inerente, dada a sua especificidade, absorção e translocação dentro da planta e efetividade em pequenas doses. Os seus efeitos protetor, curativo e erradicante podem assegurar vantagens sobre os multissítios, possuindo muitas vezes um residual maior, fato que reduz a necessidade de um maior número de aplicações. Possivelmente, sua única desvantagem em relação aos protetores seja a pressão de seleção exercida sobre o patógeno quando utilizado continuadamente, sem a rotação com outros fungicidas de distintos mecanismos de ação. Nos primeiros anos de epidemias da ferrugem asiática da soja no Brasil, a partir de 2001, era usual o controle desta doença com triazóis isolados até a safra 2005/06 ou 2006/07, dependendo da região, com excelentes resultados. Muitas vezes a forma de uso nestas safras era curativa ou erradicante pela elevada eficácia de ativos deste grupo químico. Em anos posteriores, foi observada uma gradativa redução na sensibilidade das populações de Phakopsora pachyrhizi a este grupo e, consequentemente, falhas de controle em muitas regiões produtoras. Mato Grosso e Goiás foram os primeiros estados a sinalizarem o problema com triazóis. Enquanto que para as estrobilurinas isoladas não se observavam mudanças drásticas em seu desempenho até 2009/10 na grande maioria das regiões produtoras. As constatações de falhas deste outro grupo foram feitas inicialmente no estado de Goiás, evidenciadas pelos ensaios de rede que avaliam a eficiência de vários fungicidas,


Dinâmica de sensibilidade da Phakopsora pachyrhizi, em 6 safras, com base na frequência das concentrações letais (CL50 e CL95), evidenciando o modelo quantitativo da resistência parcial para um DMI (tebuconazole) e um QoI (azoxistrobina), respectivamente

terminando por atingir em média apenas 16% de controle da doença na safra 2013/14. A mesma tendência ocorreu para os ensaios da safra 2014/15.

RISCOS DA RESISTÊNCIA

Nas populações de Phakopsora pachyrhizi existe uma diversidade genética afetada pelas condições das regiões em que incidem. As linhagens são naturalmente sensíveis aos produtos desenvolvidos para este alvo. Linhagens com menor sensibilidade aos fungicidas também ocorrem naturalmente nesta população. As diferenças devem-se às mutações ou a algum outro mecanismo de variabilidade dos seres vivos. A aplicação do fungicida é uma condição adversa, e o aumento das linhagens resistentes no processo garante a sobrevivência da espécie do fungo. Assim, o fungicida favorece a competição das resistentes sobre as sensíveis, eliminando-as e selecionando as resistentes. O risco de linhagens resistentes atingirem uma proporção significativa ou passarem a predominar na população do patógeno é muito variável, podendo ocorrer logo após a introdução do fungicida ou levar muitos

anos. Vários fatores influenciam a velocidade de desenvolvimento da resistência como a base genética da resistência, a adaptabilidade da linhagem resistente na presença ou ausência do fungicida, a natureza do patógeno e da doença e a pressão de seleção exercida pelo fungicida. Como objetivos do monitoramento da sensibilidade de fungos a fungicidas têm-se: obter aviso precoce de uma situação de resistência eminente, o que é viável para a resistência quantitativa; verificar se as estratégias de manejo da resistência apresentam resultados positivos; observar se a resistência é a causa da ausência de controle da doença porque muitas vezes a falha está relacionada ao mau uso do produto, como erros na dosagem e técnicas de aplicação.

ADAPTABILIDADE DA LINHAGEM RESISTENTE

O risco de perpetuação da resistência de um patógeno a um fungicida é proporcional à capacidade de adaptação das linhagens resistentes no campo. Esta capacidade está diretamente relacionada ao modo de ação dos

fungicidas e aos mecanismos de resistência dos fungos. Quanto menores forem as alterações fisiológicas pelas quais o fungo deve passar para se tornar resistente, maiores suas chances de se adaptar ao ambiente. Muitas vezes, as alterações genéticas no fungo responsáveis pela resistência podem ser desvantajosas na ausência do fungicida, reduzindo sua adaptabilidade. Em outros casos, a adaptabilidade da linhagem resistente não difere significativamente da sensível porque não foram alteradas as suas características relacionadas à capacidade de infecção, esporulação e sobrevivência, entre outras. Em relação à planta hospedeira, um aspecto pouco explorado na avaliação do risco de resistência a fungicidas é a influência das cultivares utilizadas. Subpopulações resistentes selecionadas por um fungicida têm sua adaptação e predominância facilitadas quando há cultivos contínuos de um mesmo material genético. Neste caso, a população fúngica passa por uma dupla seleção, para resistência e patogenicidade. Contrariamente, o uso de diversas cultivares, ou a utilização alternada de materiais com genes diferentes para resistência a doenças, dificulta a adap-

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Silvânia Helena Furlan

Uredósporos de P. pachyrhizi coletados de folhas com sintomas da ferrugem provenientes de diferentes regiões produtoras

tação das linhagens resistentes a fungicidas. Assim, na cultura da soja não parece ser este um fator importante no surgimento da resistência, dada a diversidade de material genético utilizado. O surgimento de resistência tende a ser mais rápido em patógenos com intensa esporulação em partes aéreas da planta do que em patógenos que esporulam pouco ou produzem esporos que não são facilmente transportados. A disseminação dos propágulos permite a introdução de linhagens resistentes em locais anteriormente livres do problema. Pelas evidências apresentadas no campo, os mutantes de P. pachyrhizi parecem não sofrer fortes penalidades pelas mutações e sim parecem apresentar boas habilidades competitivas.

PRESSÃO DE SELEÇÃO EXERCIDA PELO FUNGICIDA

A pressão de seleção exercida pelo fungicida está fortemente associada ao seu mecanismo de ação, dose, número de aplicações, persistência na planta e qualidade da aplicação. Também, o maior tamanho da área tratada com um mesmo fungicida favorece a ocorrência de resistência e, ainda, o momento da aplicação, pois com aplicações curativas, quando há maior número de propágulos nas lesões, a eficácia do fungicida é reduzida, aumentando mais as chances de desenvolvimento de resistência que com as aplicações preventivas. A dose utilizada do fungicida influencia

de diferentes formas a ocorrência de resistência, dependendo se esta for quantitativa ou qualitativa. A resistência qualitativa é favorecida pelo uso de doses altas, que eliminam grande parte ou praticamente toda a subpopulação sensível, permitindo que prevaleçam as linhagens naturalmente resistentes. No caso da resistência quantitativa considera-se, de modo geral, que o uso contínuo de subdoses aumenta a velocidade de seleção de linhagens com diversos graus de resistência ao fungicida. Maior número de aplicações também faz crescer o risco de resistência, pois aplicações sucessivas, tanto de um mesmo fungicida como daqueles com resistência cruzada não permitem que a subpopulação sensível do patógeno se recomponha, facilitando a seleção das linhagens resistentes.

MODO DE AÇÃO DOS FUNGICIDAS E MECANISMOS DE RESISTÊNCIA DA FERRUGEM

Triazóis Triazóis são inibidores da síntese de ergosteróis, componente importante para a constituição da membrana celular dos fungos, tendo como sítio primário de atuação a desmetilação do C-14, e por isso são classificados como fungicidas DMI (inibidores da desmetilação). A falta de ações específicas dos esteróis desmetilados mais o desequilíbrio lipídico levam o fungo à morte. As estrobilurinas atuam na mitocôndria dos fungos, impedindo o transporte de elétrons no complexo citocromo bc1, portanto, atu-

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ando no processo de respiração. Relatos de resistência a este grupo vêm sendo feitos desde a década de 80, em geral, após seis a oito anos de seu uso intensivo. A ação dos triazóis e de diversos outros fungicidas pertencentes ao grupo químico dos inibidores da desmetilação do C14(DMI) é feita pelo bloqueio da biossíntese de esteróis do fungo, impedindo a formação de precursores do ergosterol, essencial na formação da membrana celular de hifas e haustórios. A redução na oferta do ergosterol e o acúmulo de compostos precursores resultam na desorganização celular, com rompimento da membrana e extravasamento de solutos iônicos. Como o ergosterol é o principal lipídio da membrana plasmática da maioria dos fungos superiores, o efeito dos triazóis se dá sobre grande número de patógenos. Outra característica importante deste grupo químico é que estes compostos, embora possam atuar também como protetores, inibem apenas parcialmente a germinação de esporos, que pode ocorrer na ausência da biossíntese, somente a partir de produtos armazenados pela célula fúngica. Pela ação curativa, há inibição do desenvolvimento do fungo durante a penetração e no interior dos tecidos da planta. Vários mecanismos podem estar envolvidos na resistência de fungos a triazóis, além da alteração (mutação em pontos específicos) na biossíntese do ergosterol, as alterações na concentração intercelular destes fungicidas devido à redução da penetração pela membrana, ou devido a um sistema de efluxo ativo. De acordo com Schmtiz et al, 2014, um aumento da regulação constitutiva do gene CYP51, de até dez vezes (superexpressão do gene) já foi observado em alguns isolados menos sensíveis aos DMIs. Observou-se que ao ocorrer um único mecanismo são obtidos baixos níveis de resistência, mas um acúmulo gradual destes eventos resulta em diminuição também gradativa da sensibilidade das subpopulações do patógeno ao fungicida. As alterações bioquímicas que envolvem estes mecanismos de resistência são limitadas a um determinado nível, de forma que a resistência aos triazóis raramente é completa, conforme relatam alguns autores. Além disso, alguns destes mecanismos consomem energia de outros processos celulares, comprometendo a adaptabilidade e a estabilidade das linhagens menos sensíveis ao fungicida. Assim, a resistência aos DMIs manifesta-se por uma alteração gradual do patógeno, aumentando ao longo do tempo como atestam os autores do tema.


A resistência cruzada entre fungicidas deste grupo é parcial, isto é, a resistência a um deles não implica na mesma proporção de falha de controle por outro produto. Dependendo do patógeno, maiores níveis de resistência cruzada entre estes compostos podem ser observados. Estrobilurinas Houve relatos de ocorrência de resistência em alguns patógenos após um a dois anos de uso das estrobilurinas. Atuam preventivamente, apresentando também ação erradicante e atividade antiesporulante, podendo ainda ter algum efeito curativo. São classificadas como fungicidas sistêmicos moderados denominados de mesostêmicos por acumularem-se na cutícula cerosa da superfície das plantas e apresentarem movimento translaminar, com liberação lenta, gradual e constante de um lado para o outro da lâmina foliar da planta, proporcionando um efeito residual longo. Há também as que se movem tanto translaminar quanto sistemicamente. São tipicamente absorvidas pela cutícula do fungo, agindo como fungicidas protetores, sobretudo sobre esporos de fungos germinando na superfície foliar e sobre seu micélio no interior da planta. Pertencem ao grupo químico dos fungicidas inibidores da quinona externa (QoI) e com resistência cruzada entre todos os fungicidas deste grupo. O grupo químico dos fungicidas QoI tem como modo bioquímico de ação a inibição da respiração mitocondrial, atuando no sítio Qo, sendo este sítio, visado pelo fungicida, codificado por um gene extranuclear (mitocondrial). Estudos permitiram detectar três substituições de aminoácidos, codificadas pelo gene do citocromo b, em diversos fitopatógenos, que governam a resistência aos inibidores de Qo: alteração de glicina para alanina na posição 143 (G143A); de fenilalanina para leucina na posição 129 (F129L) e de glicina por arginina na posição 137 (G137R). Cada uma destas substituições, causando polimorfismos em apenas um nucleotídeo no gene do citocromo b; pode ser responsável, individualmente, pelo processo de seleção qualitativa (único passo) da resistência dos fungos às estrobilurinas, esta mais relacionada ao G143A. Constatou-se que há grande variação no Fator de Resistência (quociente da concentração efetiva para obter 50% de controle CE50 da população resistente do patógeno pela CE50 da população sensível) associado com as três mutações. Os valores do FR causado pelas mutações F129L e

MUTANTES RESISTENTES ÀS ESTROBILURINAS

O

trabalho de alguns pesquisadores europeus na área de biologia molecular atribuiu a dificuldade da resistência das ferrugens às estrobilurinas às diferenças do DNA de cada gene do citocromo b, ponto de atuação deste grupo de fungicidas. Alguns anos antes de se observar os resultados de perda de sensibilidade, hoje comprovada a este grupo, foi sequenciado o DNA codificado para o citocromo b em uma ampla gama de patógenos e descobriram uma variação em tamanho mesmo entre fungos intimamente relacionados devido aos “íntrons”, dentro do gene, que não são necessários para funcionamento da proteína do citocromo b. Normalmente estes íntrons são removidos quando o DNA é transcrito na proteína do citocromo b, com uma sequência particular de DNA logo antes da sequência do íntron, indicando que partes precisam ser removidas. Descobriu-se que em fungos causadores de ferrugens, um íntron começa imediatamente após a posição 143. Isto significa que se a mutação ocorrer, previne-se que o íntron seja removido e a proteína do citocromo b não seja produzida, e assim, o fungo morre, não sobrevive. Naturalmente, sem a mutação o fungo continua a ser sensível às estrobilurinas. Todos os fungos que têm se tornado totalmente resistentes às estrobilurinas não têm um íntron imediatamente após a posição 143, enquanto os fungos causaG137R variam geralmente entre cinco e 15 e, raramente, chegam a 50, enquanto os FR relacionados com G143A são, na maioria dos casos, superiores a 100 e, geralmente, maiores que várias centenas. Isolados carregando G143A expressam resistência elevada (completa), enquanto que isolados com as mutações F129L ou G137R expressam resistência moderada (parcial), podendo ainda ser controlados pelas estrobilurinas. Desta forma, se as estrobilurinas são utilizadas isoladamente em populações de patógenos onde predomina a mutação G143A, o controle da doença pode se tornar totalmente ineficaz. Além disso, a ocorrência da mutação G143A é a mais comum entre as diversas espécies de patógenos, sendo encontrada em

dores das ferrugens têm. Uma mutação que altera a sequência do DNA de glicina para alanina no aminoácido 143 (G143A) impede a ligação das estrobilurinas, tornando o fungo resistente. Esta mutação foi relatada em Septoria e oídio. Até este período, permanecia a dúvida sobre os mutantes resistentes às estrobilurinas. Como era de conhecimento destes pesquisadores, esta descoberta, no entanto, não assegurava a possibilidade da resistência da ferrugem da soja por outras mutações existentes em pontos diferentes como o F129L. Sabe-se que neste ponto a mutação geraria uma resistência parcial e não completa como seria se ocorresse no ponto G143A. Também a resistência seria parcial caso se desse no códon G137R, embora esta seria mais difícil, o que de fato não ocorreu como já demonstraram outros pesquisadores e relatado pelo Frac. Isso justificou o que pesquisadores brasileiros observaram no campo quedas de eficácia já a partir da safra 2010/11, reforçados pelos ensaios de rede a partir da safra 2011/12, evidenciando mais uma vez a eficiência significativamente reduzida das aplicações com este grupo químico isolado ou em algumas misturas. Até mesmo levando à necessidade de encurtar o intervalo entre as aplicações, antes eficientes em 28 e mesmo 35 dias entre elas. Atualmente, recomenda-se de 15 a 21 dias para os programas de misturas em uso. aproximadamente 90% dos patógenos, possuindo mutação neste gene, havendo ainda patógenos carregando mais de uma mutação. Estudos realizados em 2005, monitorando a frequência de ascósporos resistentes às estrobilurinas na população de Mycosphaerella graminicola, agente causal da mancha de septória, em um campo de trigo no Reino Unido, constataram que após o surgimento da resistência, pulverizações com estrobilurinas rapidamente selecionaram isolados resistentes dentro da população, sendo que logo após uma aplicação do fungicida, a frequência de isolados resistentes aumentou de 35% a 80% e após a segunda aplicação, a população resistente atingiu mais de 90% da população do patógeno. Já em 1997 foi relatado também um gene

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Silvânia Helena Furlan

Severidade dos sintomas da ferrugem nos folíolos de soja aos 14 dias da inoculação dos uredósporos de P. pachyrhizi, incubados em condições controladas. Metodologia do Frac – folhas destacadas

nuclear em fungos, que aumenta a produção alternativa de oxidase, proporcionando redução da sensibilidade a estrobilurinas, mas resultados obtidos em 2008 por Fernández-Ortuño et al indicam que a respiração alternativa tem baixo rendimento energético, não sendo suficiente para a redução da sensibilidade dos patógenos a estes compostos em condições de campo. Há alguns patógenos, no entanto, em que a resistência completa às estrobilurinas não foi relatada até o momento, mesmo após muitos anos de alta pressão de seleção para estes fungicidas. Este fato ocorre em várias espécies de Puccinia, como também com agentes causais de outras ferrugens (Uromyces appendiculatus, Phakopsora pachyrhizi, Hemileia vastatrix), além de Pyrenophora teres, Alternaria solani e vários outros fungos fitopatogênicos. Nestes, a presença de um íntron foi observada logo após o triplet GGT, que codifica para a glicina na posição 143 do DNA, tornando letal a substituição deste aminoácido, que leva à mutação G143A, de forma que os indivíduos portadores não sobrevivem. A presença deste íntron foi conservada em todos os isolados avaliados dentro das espécies fúngicas pesquisadas. Estudos moleculares recentes realizados por pesquisadores americanos e europeus, e divulgados posteriormente pelo Frac-Brasil, constataram mutantes em elevada frequência nas populações de Phakopsora pachyrhizi provenientes de regiões brasileiras, porém, as mutações ocorridas não se deram no principal sítio de ação das estrobilurinas (posição

143). Ocorreram no códon 129 (F129L), sabidamente um gene que confere baixo fator de resistência, que na prática acarreta perda parcial de eficiência dos fungicidas do grupo QoI. Carboxamidas Este é um grupo de fungicidas recentemente explorado e utilizado nos programas de aplicação para a ferrugem, formulados em mistura com estrobilurinas e/ou outros com triazóis, em dupla ou tripla. Como as estrobilurinas (QoI), as carboxamidas (SDHI) atuam no processo de respiração mitocondrial. QoI agem no complexo III (citocromo bc1 - ubiquinol oxidase no sítio Qo) e os SDHI no complexo II (succinatodesidrogenase). Cada um apresenta resistência cruzada dentro do seu grupo e não existe resistência cruzada entre os dois grupos. Até o momento não há ocorrência de resistência de carboxamidas a Phakopsora pachyrhizi. O risco dentro deste grupo pode ser considerado equivalente ao QoI (médio a alto) pelo modo específico de ação, o que alerta para a importância do monitoramento da sensibilidade do fungo também aos representantes de SDHI em uso nas lavouras de soja, bem como do emprego destes produtos.

ESTUDO DE MONITORAMENTO

O Frac (Fungicide Resistance Action Committee -Comitê de Ação à Resistência de Fungos a Fungicidas) no Brasil vem apoiando há seis safras um estudo realizado pelo Instituto Biológico em Campinas, São Paulo,

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sobre o monitoramento das populações de P. pachyrhizi aos principais fungicidas triazóis e estrobilurinas utilizados na cultura da soja. O estudo da sensibilidade das populações de P. pachyrhizi é baseado na metodologia de “base-line” pela inoculação de uredoporos em folhas destacadas de soja, em condições controladas. Para isso, foram amostradas regiões de diferentes localidades do Brasil em seis safras consecutivas, a partir da safra 2009/10 até a safra 2014/15, das quais foram recebidas amostras de folhas doentes, finalizando em 29, 36, 43, 55 e 36 isolados viáveis para cada safra, respectivamente. Seguindo metodologia do Frac, folíolos de soja sadios foram imersos em caldas fungicidas em diferentes concentrações, segundo escala logarítmica: 0; 0,125; 0,25; 0,5; 1,0; 2,0; 4,0; 8,0; 16 e 32 ppmi.a., com o objetivo de obter de 0% a 100% de controle da doença. Até o momento os estudos incluíram quatro ativos do grupo dos triazóis e dois ativos das estrobilurinas. Diluições de uredosporos em água, de cada amostra separadamente, foram pulverizadas sobre os folíolos, de acordo com a metodologia desenvolvida pelo Frac. Após 14 dias da incubação das placas em condições favoráveis ao fungo (23ºC - 24°C e umidade elevada), os folíolos foram avaliados quanto à severidade dos sintomas da doença por escala diagramática de Godoy et al, 2006. A partir destes dados foram estabelecidas as porcentagens de inibição e estimadas as CL50 e CL95 das populações amostradas, por meio de um modelo de regressão linear probit entre as porcentagens de controle e as concentrações dos fungicidas (logaritmo na base 10). Os valores médios de CL50 e CL95 são ilustrados em gráfico para as seis safras de um triazol e uma estrobilurina. Valores mais elevados das concentrações letais para alguns isolados podem indicar uma evidência de mutantes e explicar em parte os resultados de menor eficácia nos ensaios com os triazóis, as estrobilurinas isoladas e mesmo de algumas misturas mais antigas de triazóis + estrobilurinas. O comportamento diferenciado de eficácia dentre as misturas e os produtos isolados ao longo do tempo podem estar relacionados ao custo adaptativo dos isolados mutantes. Para ambos os grupos químicos, visualiza-se, a cada safra, uma tendência de elevação crescente dos valores da CL50 e CL95, evidenciando-se o modelo da resistência do tipo parcial ou quantitativa da ferrugem da soja aos triazóis e às estrobilurinas (Gráficos). Alguns estudos sobre a sensibilidade de P. pachyrhizi foram realizados no Brasil por Blum, 2009; Schmitz et al, 2014; e Xavier et al, 2015, que verificaram valores de CL50 va-


riáveis para as populações amostradas em diversas regiões do País. Observa-se que o fator de resistência foi elevado para alguns casos. Este último trabalho de 2015 concluiu que as medianas de CL50 para quatro fungicidas analisados (triazóis) foram inferiores a 0,5mg L-1, em três safras estudadas. As correlações entre as CL50 dos quatro foram significativas, mostrando a existência de resistência cruzada entre eles. A variação nos valores de CL50 verificados no monitoramento confirmou uma coexistência de populações com diferentes níveis de sensibilidade aos DMIs no campo. Sugerem-se que as diferenças de valores obtidas entre os estudos de monitoramento dos diferentes autores devam-se à metodologia utilizada, tais como tratamento foliar, inoculação, avaliação dos sintomas e, ainda, a escala de concentrações dos ativos testados, que pode influenciar na porcentagem de controle e no modelo de regressão para a obtenção das concentrações letais de cada produto. Dinâmica de sensibilidade da Phakopsora pachyrhizi, em seis safras, com base na frequência das concentrações letais (CL50 e CL95), evidenciando o modelo quantitativo da resistência parcial para um DMI (tebuconazole) e um QoI (azoxistrobina), respectivamente.

MECANISMOS DE RESISTÊNCIA E ESTRATÉGIAS ANTIRRESISTÊNCIA

Um fungo pode apresentar diferentes mecanismos de resistência e estes ocorrerem isoladamente ou associados, tais como: desenvolvimento de via metabólica alternativa; degradação metabólica do fungicida; exclusão ou expulsão do fungicida; decréscimo na permeabilidade da membrana do fungo;

aumento na detoxificação e alteração bioquímica do sítio-alvo. Estes mecanismos, quando associados, podem potencializar os efeitos da resistência. O controle integrado que preconiza a adoção das boas práticas culturais, biológicas e químicas é fundamental para o sucesso no manejo da resistência. Entre as estratégias de manejo para os fungicidas específicos como as estrobilurinas, triazóis e carboxamidas, está o uso combinado com os fungicidas multissítios, em alternância (sequencial), já que as misturas de tanque não são regulamentadas. Os estudos realizados recentemente em ensaios de rede no Brasil têm demonstrado que alguns fungicidas protetores, com modo de ação inespecífico, apresentam bons níveis de controle da ferrugem quando associado ao uso dos específicos. Esta prática pode ser adotada dentro de uma estratégia antirresistência por possibilitar uma maior eficiência dos programas de uso dos produtos. O emprego de doses fora da recomendação, combinado com repetidas aplicações de fungicidas de mesmo modo de ação, também tardias (curativas) sob epidemias já instaladas, e ainda em áreas muito extensas, aumenta a pressão de seleção. Portanto, recomenda-se utilizar sempre a dose do fungicida indicada pelo fabricante, evitando doses elevadas ou subdoses, aplicar na época e forma adequadas, evitar pulverizações tardias ou curativas e restringir o número de pulverizações dentro dos limites recomendados, evitando, assim, aplicações desnecessárias. Como existem diferenças de eficácia entre fungicidas do mesmo grupo químico, uma medida válida é alternar diferentes misturas dos triazóis (ou compostos relacionados) e estrobilurinas de diferentes princípios ativos,

embora não pareça ser essa uma medida de grande impacto. De uma forma geral, o Frac recomenda como estratégias de utilização de um fungicida no controle de doenças em plantas cultivadas, as seguintes medidas: utilizar o manejo integrado de doenças; alternar misturas de fungicidas (exemplo: sistêmico-protetor-sistêmico); restringir o número de aplicações por safra; manter a dose recomendada pelo fabricante; evitar o uso erradicante; aumentar e utilizar a diversidade química. Deve-se lembrar que por ser um fungo biotrófico, P. pachyrhizi depende do hospedeiro para sobreviver na entressafra e a eliminação de outras plantas hospedeiras ou plantas de soja voluntárias é medida importante na redução do inóculo, assim como evitar o cultivo de soja sobre soja e reduzir a janela de semeadura. Algumas cultivares possuem genes de resistência ao fungo, reduzindo a sua multiplicação, no entanto, isso não desobriga o uso de fungicidas. Nas semeaduras precoces de soja as chances de escape das epidemias aumentam, o que seguramente reduz o núC mero de aplicações dos fungicidas. Silvânia Helena Furlan, Instituto Biológico

ERRATA

O

presente artigo possui como autora exclusiva Dra. Silvânia Furlan, do Instituto Biológico, não tendo qualquer participação do FRAC-BR, não refletindo em nenhuma hipótese a opinião do referido comitê sobre o assunto.


Cultivar

Soja

Produtividade bioestimulada

Emprego de bioestimulantes no tratamento de sementes de soja mostra resultados promissores na potencialização do crescimento radicular e melhor absorção de N, economia de energia, aumento da resistência das plantas a estresses bióticos e abióticos e consequente efeito positivo na produtividade

O

aumento da população traz consigo a necessidade de se produzir cada vez mais alimentos. Para suprir essa demanda tem se buscado cada vez mais tecnologias que possibilitem aumentar a produtividade de plantas cultivadas. Dentre as tecnologias utilizadas, o emprego de bioestimulantes tanto no tratamento de sementes quanto em aplicações foliares tem se mostrado promissor Os bioestimulantes podem ser constituídos, entre outros, por nutrientes, hormônios, extrato de algas, aminoácidos, ácidos húmicos e fúlvicos e vitaminas que são ofertadas às plantas, de modo que apenas absorvam encurtando os processos metabólicos, culminado em uma economia de energia que pode ser usada para aumentar a produção. Em função disso, cada vez mais se tem realizado trabalhos buscando entender e verificar a ação destes produtos em plantas. Nesse sentido, foi conduzido no Centro Universitário de Patos de Minas (Unipam) na safra 2014/15 um ensaio

que teve por intuito avaliar a influência fisiológica de bioestimulantes em tratamento de sementes de soja (cultivar NS 7114 RR). Os produtos testados foram à base de aminoácidos (13%), extrato de algas (3%), cobalto (7,56g/L) e molibdênio (75,6g/L) e o outro à base de ácido salicílico (15%). Foram avaliados parâmetros fisiológicos, teor de clorofila na folha, assimilação de NO3- e produtividade de grãos. Observou-se que a utilização de biostimulantes em sementes de soja ocasiona um incremento na assimilação de N na forma de nitrato na fase inicial. Essa característica é de extrema relevância, pois é nessa fase que as plântulas dependem essencialmente do N do solo. Considerando que a fixação biológica se estabelece a partir de V3, o crescimento inicial das plantas depende de outras fontes de nitrogênio, seja do solo, do fertilizante aplicado ou da reserva da própria semente. Em média, considerando 40% o teor de proteína, para semeadura com população de 300 mil plantas, utilizando 60kg/ha de sementes (11% de água),

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são adicionados via semente 3,2kg/ha de N. Até que a fixação biológica estabeleça (V3), uma lavoura de soja com a mesma população já acumulou em torno de 11,8kg/ha de N (Figura 1). Desta forma, há um déficit de 8,6kg/ha de N, o que deve se suprido, via fertilizante ou mineralização da matéria orgânica. Portanto, é importante que este déficit seja suprido, considerando a eficiência de utilização do fertilizante pela planta e, portanto, depende da atividade da enzima nitrato redutase. Além disso, é importante salientar que o N adicionado via fertilizante pode servir de estímulo para o desenvolvimento radicular e potencializar a formação de nódulos. O aumento da assimilação de N ocasionou incremento no teor de clorofila das folhas. Isso significa que apresentaram cor verde mais intensa. Como são as clorofilas que absorvem a energia da luz e a transformam em energia química para assimilação de CO 2 na fotossíntese, esse parâmetro fisiológico apresenta uma relação direta com produtividade. Já o ácido salicílico


Figura 1 - Quantidade de nitrogênio fornecido pela semente e necessidade de plântulas de soja

como observado neste trabalho, pois se tratam de áreas experimentais menores e no campo existem outras variações que afetam tanto no sentido de maximizar quanto minimizar os efeitos. Com base em trabalhos realizados em áreas comerciais em outras safras ficou claro que esses incrementos oscilam de 3% a 6%. Estes efeitos, possivelmente, estão relacionados à aplicação de compostos salicílicos que atuaram induzindo a resistência das plantas a estresses bióticos e abióticos, possibilitando a realocação da energia que seria gasta para repor as estruturas celulares que teriam sofrido dano. Tudo isso, combinado com

Divulgação

(SA) usado no tratamento foliar atuou como indutor de resistência em plantas devido à sua ação em diversas rotas e síntese de fitoalexinas. Além disso, o SA atua na estabilidade, clorofilas e na atividade da enzima nitrato redutase, parâmetros que foram maximizados pela aplicação deste produto conforme observado nos dados. A potencialização das variáveis fisiológicas avaliadas foi uma das possíveis causas do efeito positivo dos bioestimulantes na produtividade encontrada no ensaio que variou de 9,9% a 20,6% em relação ao controle. É importante ressaltar que em campo o incremento não chega a ser tão elevado

Figura 2 - Efeitos do tratamento de sementes na potencialização do crescimento radicular, o que aumenta a absorção de nitrogênio

Ellen, Fagan, Soares, Marina, Isabella e Jérsica avaliam o uso de bioestimulantes no tratamento de sementes de soja

o efeito do cobalto, do molibdênio e dos aminoácidos, que possivelmente potencializaram a fixação biológica de nitrogênio, resultou em um incremento significativo na produtividade. O modelo fisiológico simplificado é apresentado C na Figura 2. Ellen Mayara Alves Cabral, Evandro Binotto Fagan, Luís Henrique Soares, Marina Rodrigues dos Reis e Isabella Sabrina Pereira, Unipam Jérssica Nogueira Soares Esalq/USP


Milho

Com qualidade Thomas Martin (2011)

Apesar da técnica de ensilagem de milho ser bastante conhecida, a definição de qual híbrido será adotado em determinado local, o pacote tecnológico da propriedade, o manejo adequado da cultura e um processo de confecção e conservação são importantes para a obtenção do rendimento esperado

A

cultura do milho é importante fonte de alimento para a produção de leite, carne e derivados. Amplamente adaptada às diversas condições climáticas, integra grande parte dos sistemas produtivos de exploração agrícola. Além dos grãos produzidos pelo cereal, também sua utilização na confecção da silagem a partir da parte aérea da planta, em momento adequado, contribui para aumentos dos índices produtivos da bovinocultura, especialmente na de leite. Períodos de escassez de alimento volumoso ocasionados por prolongada ausência de precipitação e baixo crescimento de pastos nativos são as épocas mais exigentes em alimentos alternativos conservados, produzidos em outros períodos. Embora existam várias espécies de plantas agrícolas forrageiras anuais ou perenes que possam ser destinadas para a produção de volumoso, a cultura do milho é a mais empregada. Características como rendimento de matéria verde, qualidade de fermentação, manutenção do valor nutritivo do alimento após sua estabilização,

aceitação pelos animais, baixo poder tampão, teor de matéria seca superior a 30% e palatabilidade fazem com que a silagem de milho seja a mais utilizada pelos produtores na alimentação dos animais. Apesar da técnica de ensilagem de milho ser bastante conhecida, a definição de qual híbrido será adotado em determinado local, o pacote tecnológico da propriedade, o manejo adequado da cultura e um processo de confecção e conservação são importantes para obtenção do rendimento esperado. Além disso, a técnica pode e deve ser ajustada para cada propriedade, permitindo assim maior eficiência do processo.

TECNOLOGIA NA SEMENTE

A semente é um dos componentes fundamentais no sucesso do processo produtivo, por isso é necessária a escolha de forma mais adequada do híbrido a ser semeado. Características como potencial produtivo, resistência a pragas e doenças, adaptação ao sistema produtivo, adaptabilidade às condições edafoclimáticas são indispensáveis para que a lavoura se torne

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mais competitiva. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), para a safra 2013/14 foram ofertadas 467 cultivares de milho, destas, 253 cultivares transgênicas e 214 cultivares convencionais. Essa grande oferta de híbridos com novos adventos biotecnológicos tem possibilitado resistência e/ou tolerância a determinadas doenças foliares, lepidópteros-praga (lagartas) e herbicidas específicos, o que vem contribuindo para um manejo mais racional da lavoura, tornando-a com maiores potenciais produtivos. Outro ponto-chave no segmento de tecnologia de sementes é a sua base genética empregada (híbridos simples, triplos, duplos e variedades de polinização aberta) (Figura 1). Atualmente, com as alterações na dinâmica dos programas de melhoramento, os híbridos simples dominam o mercado de sementes da cultura do milho. Estes genótipos são altamente exigentes a condições favoráveis de cultivo, manejo, fertilidade, precipitação hídrica e insolação para poderem expressar seu potencial produtivo. A textura do grão influencia na qualidade do volumoso, alterando o seu valor energético e reduzindo a necessidade de alimentos concentrados. Existem basicamente dois tipos de textura de grãos e suas transições no mercado de sementes: grãos tipo Dent (Zeamays ssp. Indentata) e grãos do tipo Flint (Zeamays ssp. Indenduro) (Figura 1). Os grãos do tipo dentando (dent) possuem um amido mole, farináceo, poroso, de fácil ataque enzimático com baixa densidade pela perda de umidade do grão. Esta região central do grão se “encolhe”, conferindo uma conformação de dentado. Os grãos do tipo duro (flint) apresentam, como o nome já sugere, endosperma duro ou cristalino ocupando quase todo o seu volume, apresentando baixa proporção de endosperma farináceo. Esta vitreosidade em grãos duros é definida pela proporção de endosperma duro (vítreo) em relação ao endosperma total, reduzindo a suscetibilidade à hidrólise enzimática, diminuindo


Figura 1 - Características das cultivares de milho com base na sua base genética e textura do grão. Adaptado: Embrapa (2014)

DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DE PLANTAS

A melhoria do ambiente de desenvolvimento para a planta de milho permitiu a utilização de densidades populacionais maiores juntamente com a modificação na distribuição espacial de plantas. Esta metodologia está associada ao melhoramento genético e manejo mais específico, conferindo plantas com arquitetura de folhas mais eretas, plantas menores com menores inserções de espigas e menor sombreamento das folhas mais baixas, conferindo assim maior aproveitamento da insolação incidente sobre as plantas e/ou por melhorias no manejo cultural da cul-

tura, com melhor emprego de tecnologias de irrigação e adubação. A distribuição espacial de plantas no Brasil é muito variada ainda (Ritchie et al, 2003), onde são observadas variações de espaçamento entre fileiras de 0,35m a 1,20m e densidades populacionais de 35 mil plantas/ha a 100 mil plantas/ha. Esta variação está relacionada às características de cultivo, à tecnologia empregada, ao manejo fitossanitário disponível e ao poder aquisitivo dos produtores. Incrementos na distribuição e por vezes densidade de plantas são uma das alternativas mais fáceis e eficientes de se aumentar as produtividades pelo melhor aproveitamento dos recursos produtivos (Demétrio et al, 2008). O aumento da densidade de plantas deve ser ajustado para cada híbrido x local x ambiente, de forma a obter-se a maximização dos recursos locais. A redução do espaçamento entre fileiras também é uma alternativa para proporcionar incrementos na produtividade (Penariol et al, 2003). Com menores espaçamentos entre fileiras, até determinado limite, obtêm-se ampliações de produtividades de grãos pelo melhor aproveitamento de água e luz. A partição da matéria seca exportada

via silagem provém 90% através da fixação dos elementos atmosféricos pelo processo da fotossíntese (Ueno et al, 2011). Desta forma, a maximização de estratégias que possam ampliar o aproveitamento dos recursos do ambiente torna-se uma importante estratégia para melhorar o rendimento da silagem. Com isso, a luz incide por mais tempo sobre as folhas baixeiras, a planta fica menos estressada e essas folhas ficam ativas por mais tempo, podendo ser aproveitadas para o processo de silagem. Caso haja uma competição intensa dentro da fileira de semeadura as plantas irão priorizar as folhas mais jovens e as mais velhas (baixeiras) irão senescer antes e consequentemente a altura de corte será maior e haverá uma menor produção de silagem por área.

EXIGÊNCIA NUTRICIONAL DA LAVOURA

O planejamento de uma determinada área para a silagem deve levar em consideração as exigências nutricionais da cultura, o teto produtivo e a exportação de matéria seca e, consequentemente, nutrientes. Dessa forma, os nutrientes mais exportados são o nitrogênio (N) e o potássio (K). Quando se ensila uma lavoura de milho e se armazena em silo, renova-se Paulo Schaeffer, modificado por Thomas Martin

sua digestibilidade do carboidrato presente. Contudo, deve-se considerar que a partir do manejo do híbrido x textura pode-se utilizar adequadamente ambas as texturas para a confecção de silagem. Atualmente se encontra maior oferta de sementes com a textura dura no comércio de sementes, com exceções para a região Sul do Brasil, em que sementes do tipo dentado ainda são ofertadas. Um dos motivos dessa maior presença pode estar no aumento da produção de grãos que esse tipo de textura confere.

Figura 2 - Caracterização de híbridos de milho em relação a sua produtividade de grãos e leite. Santa Maria, 2015

A) Muita matéria seca, da parte mais baixa do colmo e folhas secas; B) tamanho de partícula grande; C) silagem adequada bem misturada

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Paulo Schaeffer

Compactação de silo trincheira

a integridade dos minerais da parte aérea da planta colhida, ao contrário de quando só se retiram os grãos. Conforme Coelho (2006), produção de silagem de aproximadamente 18 toneladas de matéria seca exporta na sua composição 230kg/ha de nitrogênio e 265kg/ha de potássio. Para Oeno et al (2011) esta quantidade de nutrientes removida pela parte aérea causa prejuízos ao balanço de nutrientes e rápido empobrecimento do solo, tendo como consequência a queda de produtividade e a baixa qualidade da silagem em cultivos posteriores, quando não submetidos constantemente à reposição destes elementos minerais através de análises de solo. Segundo Cruz et al (2010), para este sistema é necessário elevar a saturação de bases para 70% e o teor de K para 5% da capacidade de trocas de cátions do solo. Além disso, a adubação deve ser realizada no momento ideal para o desenvolvimento da cultura para a produção de silagem, em que os componentes da massa verde da planta (folhas e colmo), além dos grãos, também são importantes. Em geral, para estes sistemas são utilizadas doses superiores de 30% a 50% quando comparados com a produção de grãos, devendo ser realizados em ao menos duas adubações de cobertura, em que na primeira aplicação (quatro a cinco folhas) deve-se aplicar em torno de 30% da adubação de cobertura. Essa quantidade limitada é suficiente para ampliar/preparar o sistema radicular para a segunda aplicação, assim como auxiliar na definição do potencial produtivo para tetos mais elevados. A segunda aplicação (aproximadamente 70%) deve ser realizada a partir de uma maior formação do sistema radicular da planta do milho, reduzindo-

-se assim as possibilidades de perdas de nitrogênio ou falta de cobertura do sistema radicular na absorção dos nutrientes. A segunda aplicação do nitrogênio em cobertura é recomendada quando a planta estiver com sete folhas a oito folhas.

MOMENTO DE CORTE

O ponto de colheita é outro fator muito importante no sucesso desta atividade, afetando diretamente a qualidade e a produtividade da cultura no processo de ensilagem. Sua determinação preconiza o máximo rendimento de matéria seca e com a melhor qualidade nutricional da planta, perfazendo teores entre 30% e 35% de MS na sua constituição. Este momento é caracterizado quando a planta apresenta uma linha do leite visível nos grãos, ou seja, 2/3 do endosperma se apresenta duro e 1/3 está em consistência mole ainda. Esta fase compreende na escala fenológica da cultura a R4 e R5, aproximadamente 35 dias a 45 dias após o florescimento da cultura. Para Nussio e Manzano (1999), estes teores de MS são obtidos nas plantas de milho no momento em que a consistência dos grãos estiver variando entre o estádio pastoso e o farináceo duro, o que corresponde à visualização da linha de leite. Segundo Cruz et al (2008), a colheita do milho com teores de MS acima de 35% a 37% não é desejável, pois aumenta a resistência da massa de silagem à compactação. Mas, contrapondo, teores mais elevados de umidade do material estão relacionados com a menor produção de MS, perdas por lixiviação de compostos, baixa qualidade final do volumoso e redução do consumo pelos animais. Para Dermachi (2001), o valor da umidade do material deve se

44 Agosto 2016 • www.revistacultivar.com.br

concentrar entre 65% e 70% de umidade, pois valores abaixo e acima desse intervalo indicam perdas por efluentes e fermentação do material. A altura de corte normalmente situa-se entre 25cm e 30cm acima do solo, podendo sofrer alterações conforme as condições fitossanitárias das folhas mais baixeiras da planta. Segundo Dias (2002), o aumento da altura de corte no momento da ensilagem acarreta na redução da relação colmo/espiga, o que faz com que haja melhorias nas características nutricionais do volumoso. A densidade final é uma característica muito afetada pela escolha correta do momento de colheita, pois está diretamente relacionada pelo tamanho de partícula, muito dependente do implemento mecânico utilizado e teor de MS. Com isso, afeta a porosidade do volumoso, que estabelece a taxa de aeração da silagem do material e, posteriormente, seu grau de deterioração no armazenamento e na sua desensilagem (Bolsen & Bolsen, 2004). Uma densidade ideal para uma boa silagem está localizada entre 550kg/m-3 e 700kg/m-3, pois valores muito acima disto não são recomendados, uma vez que, geralmente, resultam de silagens com teores mais baixos de matéria seca, colhidas mais verdes ou com má compactação.

QUALIDADE DO VOLUMOSO

Ao final do processo de fermentação e armazenamento é esperada a obtenção de um material com alta qualidade, boa aceitabilidade pelos animais e nenhuma perda por deterioração. Valores médios mais encontrados na literatura ressaltam como uma boa silagem aquela que possuir 30% a 35% MS, 5,8% a 7,5% de proteína bruta, 23% a 28% de fibra detergente ácida, 38% a 43% de fibra detergente neutra e com nutrientes digestíveis totais acima de 68%. A qualidade de silagem está diretamente relacionada a inúmeros fatores já descritos anteriormente, mas sempre se encontra atrelada ao rendimento da cultura a ser empregada na confecção do volumoso. Híbridos com bons rendimentos de grãos ou MS no ponto de silagem nem sempre apresentam as melhores qualidades para a produção animal, mais especificamente a produção de leite. No cenário do mercado de sementes são encontrados vários híbridos específicos para produção de grãos, outros mais destinados à produção animal, e aqueles considerados de dupla aptidão. Em trabalho desenvolvido na safra 2014/15 na região central do Rio Grande do Sul, avaliando-se cinco híbridos específicos de milho


foi constatada uma distribuição espacial apurando a especificidade de cada material genético testado. Os componentes de rendimento dos híbridos de milho avaliados estão apresentados na Tabela 1. Esta sua maior resposta está diretamente associada a menos perdas em seu ciclo produtivo causado por insetos-praga e sua genética, conferindo-lhe maior rendimento com maior sanidade. Utilizando-se uma metodologia proposta pela Universidade de Wisconsin (Milk 1997 –Undersander et al, 1993), baseada em um sistema de modelagem numérica que leva em consideração os parâmetros preestabelecidos de um animal padrão tem-se: massa corporal da vaca: 509kg; produção de leite da vaca 18,9L/d; percentual de gordura no leite 3,42%; estágio de lactação intermediário; percentual de perdas na silagem de 10%, fibra detergente neutro da silagem 49,44% e digestibilidade in vitro da matéria seca 67,9%. A partir dos parâmetros de entrada dos diferentes híbridos obtém-se a produção possível de leite por área. Com isso, podem-se caracterizar os híbridos de milho quanto à sua aptidão. Em se tendo a produção de grãos e a produção de leite

Tabela 1 - Componentes de rendimento de híbridos de milho, prolificidade (prol), número de grãos por fileira (NGF), número de fileiras (NF), número total de grãos por espiga (NGT), produção de grãos (PG, kg/ha), massa seca total de planta (MST, kg/ ha) e índice de colheita (IC). Santa Maria, 2015. Híbridos 30F53 Supremo Velox (3949) Status 7205 Defender 7617 Vip

Prol 1,00 1,66 1,00 1,00 1,33

NGF 29,33 32,00 32,67 34,67 33,00

NF 16,00 14,80 19,33 16,00 14,50

NGT 464,67 477,20 631,33 554,67 481,50

PG 9200 15748 12500 10982 12712

MST 17690 33243 18335 28406 30104

IC 0,55 0,55 0,54 0,51 0,55

* experimento em blocos ao acaso 4 repetições, parcelas de 7 m de comprimento 5 fileiras. ** foram avaliadas cinco plantas por parcela.

por área é possível unir essas duas informações e obter um gráfico com quatro áreas distintas. Híbridos situados na região A são mais indicados para a produção de leite, região B indicados para a dupla aptidão e na região D para a produção de grãos. Contudo, essas comparações somente são válidas se forem considerados os híbridos contrastantes para as avaliações, bem como o ambiente produtivo, pois, cada híbrido possui uma complexidade de opções para o seu desenvolvimento. Quanto maior a qualidade e quantidade do volumoso produzido, menor será a necessidade de suplementação desta alimentação. Assim, consequentemente, é possível alcançar índices produtivos

elevados com redução de custos, seja na cadeia leiteira ou na produção de carne. A resposta produtiva do animal confere a melhor maneira para determinar sobre qualidade do volumoso produzido. Outros itens ainda devem ser considerados para a produção de silagem de qualidade, como o tipo de silo, o tamanho das partículas, a utilização de equipamento capaz de reduzir o tamanho das partículas, a vedação e o tempo de conservação antes C da abertura do silo. Thomas Newton Martin, Paulo Eugênio Schaeffer, Thânia Maria Müller e Alex Taglia Pietra Schönnell, UFSM


COLUNA AGRONEGÓCIOS

A

Decifrando as interações entre seres vivos

ecologia química é um ramo recente da Ciência, envolvendo principalmente Química, Biologia e Biotecnologia. Tem como objetivo estudar as causas e consequências da interação entre os organismos vivos, abarcando a sua distribuição, abundância, diversidade, desenvolvimento, reprodução, adaptação ao ambiente e capacidade competitiva. As interações normalmente são complexas, mediadas por substâncias químicas, voláteis ou não, e incluem processos antagônicos, sinérgicos, mutualismo, predação, parasitismo, defesa, adaptação, entre outros. Esses processos podem variar no espaço e no tempo. Todos os organismos usam compostos químicos endógenos e exógenos que mediam as interações. Uma vez elucidadas as interações ecológicas entre os organismos que interessam, existe um enorme potencial de desenvolvimento tecnológico, manipulando de forma mais eficaz as interações que sejam de interesse da agropecuária. Seguramente, nos próximos anos, os agricultores – e a sociedade em geral - serão muito beneficiados com as inovações tecnológicos decorrentes das pesquisas em ecologia química, que permitirão o desenvolvimento de sistemas agrícolas mais sustentáveis, em especial do ponto de vista do manejo sanitário e fitossanitário.

CIÊNCIA ABRANGENTE

O campo de estudo da ecologia química é muito vasto e abrangente, envolvendo agropecuária, meio ambiente e saúde pública. No caso da agropecuária, destacam-se os estudos pioneiros sobre feromônios, as interações das plantas com insetos, fungos, bactérias, vírus, nematoides, que são pragas das culturas. É possível ir além e estudar a relação entre as pragas e seus inimigos naturais, bem como a coevolução de espécies, incluindo efeitos da comunidade e do ecossistema nas interações entre espécies quimicamente mediadas. Os compostos orgânicos atuam como sinais (atraentes ou repelentes), toxinas, deterrentes alimentares, corantes, resinas, látex, com vasta diversidade e complexidade química. A identificação das substâncias químicas envolvidas requer técnicas sofisticadas de análise,

enquanto a demonstração das suas funções ecológicas também exige equipamentos sofisticados, técnicas precisas e muita experiência e conhecimento dos cientistas envolvidos.

FEROMÔNIOS

Os estudos pioneiros em ecologia química envolveram extração, isolamento, identificação, teste e produção de feromônios, que são substâncias voláteis utilizadas na comunicação entre insetos. A presença de feromônios desencadeia uma série de comportamentos nos insetos da mesma espécie, como a aproximação, o alarme e o recrutamento, incluindo o processo de reprodução. O primeiro feromônio, denominado bombicol, foi isolado do bicho-da-seda, sendo um álcool de cadeia longa liberado pelas fêmeas, e sua função é atrair os machos para o acasalamento. A percepção do feromônio sexual ocorre nas antenas dos insetos, nos chamados quimiorreceptores. Em contato com o feromônio, os quimiorreceptores enviam impulsos nervosos para o cérebro, induzindo comportamentos específicos. Após reagirem com os quimiorreceptores, as moléculas de feromônio são degradadas por enzimas, restabelecendo a capacidade sensorial do indivíduo. Os processos que mediam a interação são mais complexos do que se possa imaginar. Por exemplo, predadores ou parasitoides podem se valer de sinais emitidos pelos insetos-praga para localizá-los. Obviamente, a intenção do inseto que liberou uma substância química para o ambiente não era ser predado ou parasitado, houve o aproveitamento do sinal pelos inimigos naturais. Em sentido oposto, as plantas podem emitir substâncias químicas voláteis quando atacadas por pragas. Essas substâncias são interpretadas pelos inimigos naturais como sendo um indicador de que há presas para eles e se dirigem para as plantas que estão sendo atacadas. O reverso é verdadeiro: pragas podem extrair substâncias químicas das plantas, que não as afetam, mas que são repelentes ou tóxicas para os seus inimigos naturais, utilizando-as, então, para sua defesa. Já as plantas tanto

podem dispor nas suas células de substâncias químicas que são tóxicas para as pragas, que tornam seus tecidos pouco palatáveis para as pragas, ou mesmo que dificultam a digestão e absorção do tecido vegetal pelas pragas. Ou, então, ativam a produção dessas substâncias apenas quando são danificadas pelas pragas, uma resposta de defesa da planta ao ataque de pragas. Por meio do melhoramento genético, é possível produzir plantas com maior capacidade de gerar as substâncias de defesa, tornando-as resistentes às pragas.

MUTUALISMO

Existem muitos serviços ambientais, naturais, que são essenciais para a agricultura. Um deles é a polinização. Para atrair e fidelizar os seus polinizadores, as plantas utilizam um arsenal de substâncias químicas, de maneira a garantir a visita dos polinizadores que lhes sejam úteis, na frequência, quantidade e hora do dia mais adequadas para garantir a polinização e a fecundação das flores. No âmbito das raízes das plantas, ocorrem reações de mutualismo entre plantas e microrganismos, que são altamente benéficas ao agricultor, cuja mediação é feita por substâncias químicas. É possível citar duas delas, a mais conhecida sendo a fixação biológica de nitrogênio, que ocorre com as bactérias que são inoculadas nas sementes e que se localizam nos nódulos das raízes. São bilhões de dólares poupados pelos agricultores a cada ano, garantidos pela interação química entre a planta e as bactérias. Outras associações mutualísticas também ocorrem nas raízes, como a ação dos fungos micorízicos. Por meio de troca de sinais químicos estabelece-se uma negociação em que a planta fornece algumas substâncias que o microrganismo necessita, recebendo, em troca, fósforo prontamente assimilável, que de outra forma não estaria disponível no solo. Esses exemplos limitados ilustram o potencial da ecologia química como geradora de inovações tecnológicas que muito beneficiarão o agropecuarista, nos próximos anos, sendo uma fonte de tecnologias à semelhança da química, da física, da biologia e da biotecnologia. C

Decio Luiz Gazzoni O autor é engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja

46 Agosto 2016 • www.revistacultivar.com.br


COLUNA MERCADO AGRÍCOLA

Uma grande safra para 2016/17 Depois de sofrer com uma safra fortemente afetada pelo El Niño, o Brasil deve ingressar em uma nova e grande safra em 2016/17. Há otimismo entre os produtores, recordes de cotações no mercado e indicativos de clima sem grandes anomalias, ao contrário do que ocorreu neste último ano e gerou perdas em grande parte das culturas. Houve queda na safra de arroz, milho, soja, feijão e trigo. Agora, o país caminha para um quadro mais próximo da normalidade e o que se observa é um avanço na área plantada de todos os cultivos. Mas o fator mais importante reside no ânimo dos produtores, com busca de melhores tecnologias para aumentar a produtividade e assim procurar esticar as margens de lucros para compensar as perdas do último ano. O Brasil tem sido visto no mercado internacional como o “salvador” da alimentação mundial, porque atualmente os EUA sozinhos não conseguem mais atender à demanda, que cresce a cada momento, enquanto os norte-americanos já chegaram ao limite do seu potencial de vender alimentos. O Brasil já atingiu o primeiro posto na exportação de soja, que sempre era dominada pelos EUA, detém o segundo lugar nas exportações de milho e continua como líder nas exportações de açúcar, laranja, café, carnes de frango e bovino e fumo. Deve crescer, ainda, na exportação de suínos. Tem avançado na exportação de arroz, mas neste quesito ainda se encontra distante de ser grande exportador porque o ano tende a ser de importações maiores que exportações. O fato é que o Brasil é líder mundial nas vendas de grandes commodities e neste novo ano tende a caminhar para a maior safra da história do país, com potencial para colher 110 milhões de toneladas de soja em 35 milhões de hectares. O milho deve registrar safra maior no verão, com chances de alcançar 30 milhões de toneladas. Com safrinha cheia tende a conquistar a faixa de 80 milhões de toneladas. O arroz deverá ter bons investimentos por parte dos produtores e atingir níveis de colheita próximos de 12 milhões de toneladas. O trigo está estimado em cinco milhões de toneladas e o feijão 3,5 milhões de toneladas. Há potencial de acréscimo acima de 210 milhões de toneladas e para isso será necessário mais investimentos em armazenagem, para que os produtores não necessitem colher e correr para vender ou ter que deixar a colheita no campo até que se abra espaço nos armazéns existentes. O agronegócio continuará a ser o maior pilar da economia brasileira neste próximo ano. Os indicativos seguem positivos e as cotações que estão em patamares recordes devem permanecer lucrativas aos produtores no novo ano agrícola que começa nas próximas semanas. MILHO

Colheita confirma safrinha menor em 2016

Os produtores da Safrinha avançam para a fase final da colheita do milho e é possível observar que houve grandes perdas na produtividade em todas as regiões devido ao clima. Assim, o quadro geral é de um ano ajustado, com oferta limitada frente à demanda, que neste ano também será limitada, porque houve queda no consumo pelo setor de ração que diminuiu o ritmo de crescimento. Houve a entrada de produtos alternativos, como sorgo, quebrados de arroz, trigo e outras formulações que apareceram nos últimos meses em busca de atender o setor que registrava dificuldade de abastecimento com o milho. A entrada da safrinha fez as cotações se acomodarem, com indicativos entre R$ 40,00 e R$ 45,00 a saca de 60 quilos junto às indústrias de ração no Sul e Sudeste do país. Cenário que acabou refletindo em ajustes para baixo também nas demais regiões produtoras. O quadro seguia com calmaria no mês de julho e com indícios de que permaneceria assim em agosto. As exportações do Brasil, neste ano, deverão ser menores porque os valores nos portos, entre R$ 34,50 e R$ 37,00 a saca de 60 quilos, não atendem aos interesses dos vendedores, que conseguem números melhores no mercado interno (que tende a dominar os negócios). As vendas devem ocorrer de maneira escalonada nestes próximos meses. Há movimento maior de plantio para a safra de verão,

48 Agosto 2016 • www.revistacultivar.com.br

como mostram as vendas crescentes de sementes. O plantio deve começar a partir do final de agosto no Sul. SOJA

Entressafra e negócios regionalizados

O mercado da soja está com a maior parte da safra negociada. Assim, o pouco produto que resta não ultrapassa 15% a 18% das 93 milhões de toneladas colhidas e ainda por negociar neste segundo semestre. Esse cenário tende a deixar o quadro interno ajustado, com entressafra firme e negócios regionalizados. O mercado externo tem dado boas alternativas para a nova safra e os produtores aproveitam para fazer os fechamentos dos insumos via soja, o que lhes garante boa relação de troca, uma das melhores em mais de dez anos, porque houve avanços importantes para a soja em dólar. A moeda norte-americana registra calma no Brasil, dando mais poder de compra ou troca para a soja que será plantada de setembro em diante. Há expectativa de queda no ritmo das vendas na exportação e negócios concentrados no mercado interno, que terá de pagar mais para não perder os últimos volumes do grão livre que ainda restam. FEIJÃO

Safra voltando e atendendo a demanda

O mercado do feijão registrou recorde de cotação neste ano,


principalmente o Carioca, que chegou a ser negociado acima de R$ 600,00 a saca de 60 quilos. A chegada da terceira safra tende a atuar como fator de calmaria, deixando os indicativos do grão em patamares menores que os níveis de maio e junho. Fôlego para os consumidores, que ao invés de pagarem quase R$ 20,00 por um quilo do produto na gôndola irão encontrar patamares mais próximos de R$ 10,00. Ainda assim, valor atrativo para os produtores, que seguirão ganhando com o grão. Há potencial de plantio maior nesta primeira safra de verão e otimismo quanto à demanda, porque os consumidores migraram para alimentos básicos, que mesmo em alta são ainda bastante procurados. Os próximos meses tendem a permanecer com boa demanda, mas com preços de varejo menores e mantendo boa lucratividade aos produtores. O foco no preço do feijão, nos últimos dois meses, também acabou servindo de estímulo ao consumo.

ARROZ

Recordes continuarão ao longo do ano

As cotações do arroz alcançaram níveis recorde históricos, passando da faixa de R$ 50,00 pagos pela saca de 60 quilos do produto comercializado no Rio Grande do Sul. Os indícios são de que continuará com estes patamares no restante do ano, porque a entressafra apenas começou e o produto importado ainda chega ao país com valor superior ao nacional. Desta forma, há um grande argumento para o novo plantio, onde já se nota corrida dos produtores para buscar insumos e sementes de melhor qualidade. Os orizicultores irão focar em aumento da área e principalmente da produtividade, porque o Brasil caminha para um bom ano climático, sem El Niño e com boa oferta de água no Sul para a nova safra. Há todos os ingredientes para ser um dos melhores anos da história do arroz no País. Com forte demanda, cotações recordes e safra crescente.

CURTAS E BOAS TRIGO - O mercado do trigo tem mostrado correções internas para estimular os produtores que estão com as lavouras nos campos. A safra deste ano tende a alcançar produção próxima de seis milhões de toneladas. Os triticultores esperam menos problemas com o clima em relação ao ano passado, quando as chuvas em excesso trouxeram grandes perdas. Os produtores almejam colher mais e o mercado tende a oferecer níveis mais atrativos de preços, porque o grão importado não tem chegado aos moinhos brasileiros abaixo de R$ 1.100,00 a tonelada e os indicativos seguem em alta no mercado internacional. Mudou a tendência do setor, que era de baixa nos últimos anos e agora está em recuperação. Apoiado pelas demais commodities e com os bons sinais da economia mundial, deverá crescer e trazer apoio aos produtores brasileiros. ÁSIA - O clima foi duro neste começo de temporada de verão na região, trazendo tempo seco no início da safra e depois a chegada de chuvas de monções com atraso e concentradas, como visto no começo de julho, onde houve grandes inundações em boa parte do Sul da China e também em outros países vizinhos. Assim, as perdas geradas pela seca avançaram com as tempestades e inundações, trazendo apelo de alta nas cotações dos principais grãos e estimulando o aumento das importações. Há apelo positivo para o mercado mundial. A região registra bons números na economia regional, que voltou a crescer em ritmo acelerado. CHINA - As importações do país devem seguir em crescimento. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostrou em seu relatório de oferta e demanda de julho, importação de 87 milhões de toneladas de soja, frente a 83 milhões de toneladas do último ano. A expectativa é de que este número poderá avançar para patamares próximos de 90 milhões de toneladas. Há apelo crescente de compras para

atender a demanda, que avança a passos largos. Enquanto isso, o plantio do milho registra queda no país, onde o governo tem reduzido os subsídios, fazendo com que os produtores se adaptem à nova realidade, porque aquilo que os agricultores chineses recebem vinha representando mais que o dobro do patamar com que trabalha o mercado internacional. Assim, há indicativos que nesta safra que se encontra nos campos chineses a área tenha caído entre 1,3 milhão de hectares e 1,5 milhão de hectares frente ao ano passado. Algo na faixa de 36 milhões de hectares, ante os aproximadamente 37,5 milhões que o país plantava. E há chances de mais redução de área nos próximos anos. UCRÂNIA - O ano registra clima regular e safra com boas condições, no caso do milho com potencial para produzir 26 milhões de toneladas se mantido o cenário climático favorável. A safra de trigo do país foi comprometida devido à seca, e agora os produtores esperam cotações maiores para negociar o milho, que terá as primeiras colheitas de setembro em diante. ARGENTINA - A safra de soja fechou na faixa de 56 milhões de toneladas colhidas e o milho, que estava em colheita em julho, mostrava indicativos de 28 milhões de toneladas. Os produtores têm segurado o ritmo das negociações e alguns dão sinais de que irão deixar parte para negociar no começo de 2017, em busca de uma taxa de retenciones menor para exportar a soja. EUA - A safra plantada tende a registrar área maior que as expectativas iniciais, mas o clima não apresentava bons sinais aos produtores norte-americanos nas últimas semanas. Os indicativos são para colheita de 106 milhões de toneladas de soja e 370 milhões de toneladas de milho. Mas a definição da produção só deve se dar a partir do final de agosto. C

Vlamir Brandalizze brandalizze@uol.com.br • Twitter@brandalizzecons • brandalizzeconsulting.com.br

www.revistacultivar.com.br • Agosto 2016

49


COLUNA ANPII

Nova fase ANPII investe na atualização da linguagem para melhor se comunicar com os agricultores, tanto através de cursos a distância como na oferta de informações em formato digital

A

agricultura brasileira cresce em tecnologia de forma muito rápida nos últimos anos. Os dados de maior produtividade nas principais culturas mostram isto de forma muito clara, pois grande parte do crescimento da produção não se deve ao aumento de área plantada, mas sim à maior produção, ou seja, da produtividade. Há todo um ferramental colocado à disposição do agricultor, oferecendo um leque de novas tecnologias que vão sendo absorvidas e adotadas no campo. Dentre estas tecnologias, a uilização de inoculantes, que propicia o uso de nitrogênio biológico em substituição aos fertilizantes químicos nitrogenados, representa uma destas ferramentas que agregam elevado valor não só à atividade do agricultor como ao país, pela redução de importações, bem como ao ambiente, pela diminuição das emissões de gases de efeito estufa. As empresas que integram a Associação Nacional dos Produtores e Importadores de Inoculantes (ANPII) vêm contribuindo de forma consistente, ao longo dos anos, para que a FBN se consolide cada vez mais no cenário agrícola brasileiro como uma tecnologia de ponta para o agricultor. Contribuindo financeiramente para a realização da Reunião da Rede de Laboratórios para a Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologia de Inoculantes Microbianos de Interesse Agrícola (Relare), apoiando o banco de estirpes de Rhizobium, contribuindo para as discussões sobre legislação, participando das reuniões da Câmara Temática de Insumos Agropecuários do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, de projetos de pesquisa em conjunto com as entidades oficiais, divulgando o uso de inoculantes através de palestras, dias de campo e participação no projeto de divulgação da Embrapa, a ANPII se credencia cada vez mais fortemente

como a legítima representante do setor de inoculantes no Brasil. Mas, com a evolução do perfil do agricultor, que cada vez mais participa do universo digital, a associação vem também atualizando sua linguagem na comunicação. A inserção nas redes sociais, em especial no Facebook, se constitui em um canal de interação com agricultores e com a comunidade de pesquisa. O site www.anpii.org. br, totalmente remodelado no último mês, também tem se constituído em um ponto de apoio aos que desejam manter-se informados sobre o tema. Quem entrar na página, na aba “contato”, encontrará um formulário para se cadastrar e receberá mensalmente newsletter com temas ligados à agricultura, em especial, logicamente, à Fixação Biológica de Nitrogênio. Os dados da página são constantemente atualizados, mantendo conteúdo dinâmico e interativo. Mas a grande novidade da página é o lançamento de um curso a distância – EAD – sobre o processo da Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN). Abrangendo desde a parte teórica até a forma de utilizar o inoculante no campo, este curso tem por objetivo oferecer uma visão geral de todo o processo da FBN, podendo ser lido tanto por iniciantes no tema, como por aqueles que já conhecem algo sobre o assunto. Este curso já se encontrava

na página, em Power Point, mas foi totalmente atualizado, tanto na parte técnica como na parte visual, ficando com uma leitura fácil e atraente. Ao final de cada módulo haverá um questionário para que o aluno faça uma avaliação de seus conhecimentos. Na sequência, outros serão adicionados à plataforma sobre temas mais específicos, como coinoculação, inoculação no sulco e outros até mesmo que venham a ser sugeridos pelos leitores. O curso foi elaborado pela consultoria da ANPII com a participação de todas as empresas, através de seus departamentos técnicos e com a parte visual e a plataforma de EAD viabilizadas pela empresa que presta assessoria de imprensa para a associação. Além de atingir agricultores e quem se interessa pelo tema, uma das finalidades é alcançar o maior número de faculdades de Agronomia, pois se constituirá em um excelente e atualizado material para as aulas deste assunto, que muitas vezes não ocupa o devido espaço nos currículos dos cursos de Agronomia. Desta forma, a ANPII, assim como todas as suas empresas associadas, vem se modernizando e se capacitando para manter uma linguagem adequada às novas mídias, participando cada vez mais ativamente do processo de aumento da produtividade do agroneC gócio brasileiro.

Solon C. de Araujo, Consultor da ANPII

50 Agosto 2016 • www.revistacultivar.com.br


Fotos Gilvane Luis Jakoby

02 • Agosto 2016 • Soja • www.revistacultivar.com.br

Tratamento duradouro

Pragas de solo e foliares iniciais são responsáveis por prejuízos graves em soja, com consequências negativas no desempenho e na produtividade das plantas. Neste contexto o uso de sementes tratadas tem sido uma das ferramentas mais utilizadas para prevenir danos e garantir proteção ao começo da cultura. Com novo modo de ação e efeito residual mais prolongado, a oferta de tratamento de sementes inseticida composta pelos ativos cyantraniliprole + tiametoxan é mais uma alternativa para auxiliar o produtor no difícil manejo destes insetos

A

expansão contínua das áreas cultivadas com soja, associada aos sucessos dos cultivos de safrinha, oferta de alimento na entressafra (culturas de cobertura) e

instabilidade das condições climáticas, tem favorecido um aumento significativo das pragas iniciais na cultura da soja. Os ataques destas pragas podem ocorrer nas sementes antes da germinação e

emergência, no sistema radicular das plantas, comprometendo a capacidade de absorção de água e nutrientes, e colo das plantas, interrompendo o fluxo de água e nutrientes. As consequências diretas do ataque dessas pragas na cultura são a redução do número de plantas por metro (estande), o atraso no desenvolvimento das plântulas, no fechamento das entre linhas, a redução do sistema radicular, a maior sensibilidade das plantas à situação de estresses, o que resulta, consequentemente, em menor produtividade. Dentre os principais insetos-praga que ocorrem na fase inicial da cultura da soja, as de maiores frequência e importância são o complexo de corós Phyllophaga cuyabana, P. capillata, Lyogenis fusca, (Coleoptera: Melolonthidae), a lagarta-elasmo, Elasmopalpus lignosellus (Lepidoptera: Pyralidae), as lagartas com hábito de rosca, Spodoptera frugiperda (Lepidoptera: noctuidae) e Agrotis ípsilon (Lepidoptera: noctuidae) e mais recentemente a lagarta Helicoverpa armigera (Lepidoptera: noctuidae),


www.revistacultivar.com.br • Soja • Agosto 2016 • Figura 1 - Número médio acumulado de plantas mortas aos 35 dias após a emergência em função do ataque de larvas de P. cuyabana. Montividiu (GO), safra 2013/2014

Figura 2 - Número médio de plantas por metro aos 28 dias após a emergência em área com alta pressão de larvas de P. cuyabana. Montividiu (GO), safra 2013/2014

os crisomelideos Maecolaspis spp. e Megascelis spp. (Coleoptera: Crisomelidae) e a mosca-branca Bemisia tabaci Biótipo B (Hemiptera: Aleyrodidae) que possuem alta capacidade de provocar danos às plantas, comprometendo o desenvolvimento inicial e o estande das lavouras. Várias alternativas são adotadas com o objetivo de manejar estas pragas, como os avanços na biotecnologia com a introdução da soja Bt, o manejo na dessecação, as épocas de semeadura, entre outras. Mas nenhuma destas alternativas terá sucesso se não estiverem associadas à proteção da semente com inseticida. O tratamento de semente é uma medida de proteção das sementes e plântulas recém-emergidas que atua como uma prevenção contra o ataque de pragas iniciais, de difícil visualização no campo. E, a germinação uniforme e o estabelecimento vigoroso de plântulas são alguns dos processos

mais importantes de manejo para obter altos rendimentos de grãos. No entanto, as pragas iniciais constituem-se em fator limitante nos processos produtivos.

PRAGAS INICIAIS DE MAIOR IMPORTÂNCIA E OCORRÊNCIA NO CERRADO Phyllophaga cuyabana

O coró P. cuyabana apresenta ciclo anual univoltino, ou seja, completa o ciclo de vida em um ano. A duração das diferentes fases do ciclo biológico é muito variável, com épocas bem definidas ao longo do ano. Os adultos emergem e permanecem no interior do solo, em câmeras construídas durante a fase larval por um período que varia de sete dias e 16 dias até completar a maturação sexual, saindo em seguida para realizar o acasalamento. A duração da fase adulta pode variar de sete a 99 dias. A espécie P. cuyabana apresenta baixa capacidade

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reprodutiva, com média de 17,6 ovos por fêmea. Os ovos são colocados no solo, na camada superior, variando de 3cm a 10cm. O período de incubação é de 13,8 dias, em temperatura de 25ºC. Durante a fase larval, P. cuyabana passa por três estádios. O terceiro estádio é dividido em um período onde as larvas se alimentam vorazmente e outro de inatividade alimentar, quando entram em diapausa dentro de câmaras no solo. As larvas em diapausa são caracterizadas por baixa mobilidade e coloração esbranquiçada no abdômen, em função da ausência de alimentação e acúmulo de lipídios. A intensidade dos danos provocados por P. cuyabana nas lavouras não ocorre somente em função da população dos insetos, mas, também, do desenvolvimento radicular da planta e do estádio de desenvolvimento da cultura na época do ataque. Os danos de P. cuyabana são causados durante as fases larvais, principalmente a partir do 2º instar, pelo consumo de raízes. Esse dano provoca o enfraquecimento do sistema radicular, podendo levar à morte das plântulas, quando o ataque ocorre no início do desenvolvimento da cultura da soja. As plantas atacadas, que conseguem sobreviver, apresentam menor porte e amarelecimento precoce das folhas em função da perda de parte da capacidade de absorção de água e nutrientes, essenciais ao seu desenvolvimento.

LAGARTAS QUE ATACAM A FASE INICIAL DA SOJA

A ocorrência de lagartas na fase inicial de desenvolvimento da cultura da soja geralmente está associada à ocorrência de lagartas provenientes de infestações ocorridas na cultura ou vegetação anterior à semeadura da soja, devendo ser tratada como um problema do sistema e não somente da cultura. Após a colheita da soja na região

Planta com alta infestação de crisomelídeos (Maecolaspis sp.)


Fotos Gilvane Luis Jakoby

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Adulto (esquerda) e larva de Phyllophaga cuyabana (direita)

do Cerrado, grande parte das áreas é cultivada com milho, sorgo ou plantas de cobertura como milheto e crotalária. Durante o ciclo de desenvolvimento das plantas de coberturas, com propósito de formar palhada, geralmente não é realizado nenhum manejo fitossanitário a fim de controlar doenças, plantas daninhas e os insetos-pragas presentes nestas culturas. Estas áreas voltam a ser manejadas somente próximas ao início do novo cultivo (geralmente com soja), com início em outubro. Durante esse período, as plantas de cobertura, bem como algumas espécies de plantas daninhas (buva – Conyza canadensis, trapoeraba – Commelina benghalensis, leiteiro – Euphorbia heterophylla, erva-de-santa-Luzia – Chamesyce hirta, apaga-fogo - Alternanthera ficoidea, entre outras) permanecem verdes no campo servindo de alimentação, abrigo ou mesmo para reprodução de lepidópteros-praga, permitindo a continuidade do ciclo da praga no campo, durante várias gerações ao longo do ano. O manejo dessas plantas de cobertura, assim como das plantas daninhas no período de entressafra após a colheita do milho, pode refletir na redução populacional de lagartas na cultura da soja plantada em sequência, de forma que no momento em que as condições ambientais (temperatura e umidade) voltarem a ser favoráveis para a emergência dos adultos (mariposas), os insetos encontrarão menores condições para efetuarem as posturas, por falta de hospedeiros, assim como menor oferta de alimento até a emergência da cultura. A redução dos níveis populacionais dessa primeira geração de lagartas possivel-

mente irá diminuir a pressão de lagartas ao longo do ciclo de desenvolvimento da cultura da soja. Elasmopalpus lignosellus

A lagarta-elasmo (E. lignosellus) é de

hábito polífago, ou seja, alimenta-se de diversas espécies de plantas, como gramíneas e leguminosas. Durante a fase larval apresenta coloração que varia do verde-azulado ao róseo, com listras transversais marrons e cabeça pequena também marrom. Pode

Figura 3 - Número médio acumulado de plantas mortas aos 28 dias após a emergência em função do ataque E. lignosellus. Rio Verde (GO), safra 2013/2014

Figura 4 - Número médio de plantas por metro aos 28 dias após a emergência em área com alta pressão de E. lignosellus. Rio Verde (GO), safra 2013/2014


www.revistacultivar.com.br • Soja • Agosto 2016 • Figura 5 - Número médio de plantas de soja cortadas por S. frugiperda em diferentes manejos, com dessecação e tratamento de sementes. Rio Verde (GO), safra 2015/2016

*: Dose de i. a. p.c 100 kg de sementes; ** Dose de i. a. p. c ha-1

atingir 15mm de comprimento e se caracteriza por formar um abrigo feito de seda, detritos e partículas do solo na base da planta. A pupa apresenta coloração inicial amarelada ou verde, passando a marrom e, logo antes da emergência do adulto, assume a coloração preta. O adulto é uma micromariposa cinza, que mede de 15mm a 23mm de envergadura e é muito atraída por focos luminosos. Geralmente a ocorrência de E. lignosellus se dá com maior frequência em culturas instaladas em solos arenosos e em períodos secos após as primeiras chuvas, os veranicos. Na cultura da soja o ataque da lagarta-elasmo se inicia pela alimentação em folhas mais novas, e desce posteriormente para a base da planta em contato com o solo, onde penetra na planta na altura do coleto, fazendo uma galeria ascendente. Em ataques nas fases iniciais da cultura da soja, podem-se observar plântulas com ponteiros murchos ou mortas na linha de semeadura. A lagarta-elasmo broqueia a região do colo da planta, interrompendo o

transporte de seiva entre a parte aérea e a raiz, podendo provocar a morte da planta, que ocorre após dois ou três dias, reduzindo o número de plantas por unidade de área. Durante os períodos mais quentes do dia os sintomas são facilmente visíveis em função da murcha das plantas. Plantas com mais de 25cm de altura suportam mais o ataque em função da resistência dos tecidos. Nesta fase as lagartas não conseguem abrir galerias, mas danificam o tecido do colo. Quando o ataque ocorre em plantas mais desenvolvidas (V5-V6), pode desenvolver no local um tecido que provoca o engrossamento do caule no ponto atacado, influenciando no transporte de seiva, o que provoca atraso no desenvolvimento e murcha nos períodos mais quentes do dia. Essas plantas podem quebrar mais facilmente com a ação da chuva e dos ventos, reduzindo a população de plantas.

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hábito cosmopolita. Sua ocorrência é mais comum em áreas mais úmidas e com presença de palhada. Durante os horários mais quentes do dia as lagartas ficam enroladas, sob torrões ou restos culturais. A. ipsilon, na fase adulta, são mariposas com asas anteriores de coloração marrom e algumas manchas pretas e asas posteriores semitransparentes. Apresenta uma grande capacidade de multiplicação. Cada fêmea pode colocar até mil ovos. Os ovos são de coloração branca e depositados nas folhas. As lagartas possuem coloração pardo-acinzentada em tons escuros. As lagartas, quando completamente desenvolvidas, medem cerca de 40mm. A duração do ciclo larval varia de 25 dias a 30 dias em temperatura média de 25ºC a 30ºC. Após a eclosão dos ovos de A. ipsilon, nos primeiros instares, as lagartas consomem o limbo foliar e o pecíolo das plantas de soja, sem cortar o caule da planta. No entanto, os maiores danos à cultura da soja são provocados por lagartas grandes. A ocorrência de lagartas grandes (últimos instares) no início de desenvolvimento da cultura é proveniente de infestações ocorridas na cultura ou vegetação anterior ao plantio da soja. As lagartas grandes podem cortar a haste das plântulas, provocando sua morte, ou seccioná-las parcialmente, comprometendo o desenvolvimento das plantas. Spodoptera frugiperda

Na cultura da soja, dentre o com-

Agrotis ipsilon

A lagarta-rosca (A. ipsilon) possui

Mortalidade de plantas e redução do estande provocadas pelo ataque de larvas de Phyllophaga cuyabana na cultura da soja

Adulto (acima) e larva de Phyllophaga cuyabana (abaixo)


Fotos Gilvane Luis Jakoby

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Morte de plantas em função do ataque de E. lignosellus em diferentes estádios de desenvolvimento das plantas de soja

plexo Spodoptera, Spodoptera frugiperda ocorre com maior frequência atacando as plântulas de soja logo após a emergência da cultura, mas, eventualmente, pode ocorrer também o ataque de Spodoptera cosmioides e Spodoptera eridania. A ocorrência de lagartas grandes (últimos instares) de S. frugiperda no início de desenvolvimento da cultura da soja é proveniente de infestações ocorridas na cultura ou vegetação anterior ao plantio da soja. As lagartas grandes podem cortar a haste das plântulas, provocando sua morte, ou seccioná-las parcialmente, comprometendo seu desenvolvimento. Os maiores prejuízos econômicos ocorrem quando coincide a ocorrência de lagartas grandes de S. frugiperda com a fase de emergência da cultura. Na fase inicial de desenvolvimento da cultura da soja, a lagarta S. frugiperda se aloja no solo durante o dia, sob restos culturais ou torrões, e à noite ou em dias nublados sai para se alimentar das plântulas. A ocorrência de S. frugiperda na cultura da soja costuma estar associada a períodos mais secos. Helicoverpa armigera

A lagarta H. armigera é uma espécie altamente polífaga, com capacidade de se desenvolver em uma ampla gama de hospedeiros, como algodão, soja, feijão, sorgo, milho, milheto, guandu, trigo, crotalária, tomate, plantas ornamentais e em algumas espécies de plantas daninhas. Durante a fase adulta de H. armigera as mariposas fêmeas apresentam as asas dianteiras amareladas e os machos cinza-esverdeados, com uma banda ligeiramente mais escura no terço distal e uma pequena mancha escurecida no centro da asa em formato de rim. As asas posteriores são mais claras, com uma borda apical escura na extremidade apical e mancha clara no centro. As fêmeas de H. armigera possuem alta capacidade repro-

dutiva. Durante o período de oviposição cada fêmea pode ovipositar até três mil ovos. Os ovos são depositados de forma isolada sobre talos, flores, frutos e folhas, com preferência pela face adaxial das folhas. São de coloração branco-amarelada logo após a sua deposição, tornando-se marrom-escuro próximo à eclosão das lagartas. A parte superior do ovo é lisa e o restante da sua superfície é esculpido em formas de nervuras longitudinais. A fase larval de H. armigera dura em média de duas a três semanas, passando por cinco a seis instares. Os primeiros instares larvais são de coloração variando de branco-amarelada a marrom-avermelhada e cápsula cefálica entre marrom-escuro e preta, adquirindo diferentes colorações à medida que vão se desenvolvendo, variando do amarelo-palha ao verde. Apresentam também listras de coloração marrom lateralmente no tórax, abdômen e na cabeça. Lagartas mais desenvolvidas, a partir do quarto instar, apresentam tubérculos abdominais escuros e visíveis na região dorsal do primeiro segmento abdominal, os quais são dispostos na forma de semicírculo, aparentando formato de sela.

A textura do tegumeto de H. armigera apresenta aspecto coriáceo, diferindo das demais espécies de noctuideos que ocorrem no Brasil. Quando perturbada, encurva a cápsula cefálica até o primeiro par de falsas pernas, permanecendo assim por alguns segundos. H. armigera ocorre na cultura da soja desde a emergência das plântulas, quando lagartas grandes já estabelecidas na área, antes mesmo da semeadura da soja, provocam danos principalmente nos cotilédones, até a fase reprodutiva, quando se alimenta das flores e dos grãos. Quando o ataque ocorre nos cotilédones pode provocar um atraso no desenvolvimento das plantas, em função do consumo das estruturas de reservas. Nas infestações após as emergências das plântulas de soja, as lagartas se alimentam dos folíolos mais novos das plantas, provocando redução na área fotossintética. Como a produtividade da soja depende da produção de fotoassimilados, que é oriunda do complexo fotossintético, altos índices de desfolha provocados pelas lagartas comprometem diretamente a produtividade da cultura.

TRATAMENTO DE SEMENTES

Os inseticidas químicos utilizados em tratamento de sementes são uma das principais ferramentas de controle de insetos-praga na fase inicial de desenvolvimento da cultura da soja. Após a semeadura no solo os inseticidas desprendem-se das sementes devido à sua baixa pressão de vapor e à alta solubilidade em água, e em seguida são lentamente absorvidos pelas raízes das plantas, proporcionando proteção às plantas por determinado

Plantas de soja cortadas pelo ataque de S. frugiperda e secionamento parcial da haste da planta


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Plantas de soja atacadas pela lagarta Helicoverpa armigera, espécie altamente polífaga, com capacidade de se desenvolver em uma ampla gama de hospedeiros

tempo contra o ataque de insetos de solo e da parte aérea. Fortenza Duo é um tratamento de sementes que em sua composição possui o inseticida cyantraniliprole, de última geração, da classe química das diamidas antranílicas, possuindo um novo modo de ação no controle das pragas de solo e foliares iniciais, devido a um efeito residual mais prolongado associado ao neonicotinoide (tiametoxam), que possui excelente sistemicidade, oferecendo maior proteção e desenvolvimento das plântulas, tanto na parte aérea como radicular, conhecido como efeito fitotônico.

MODO DE AÇÃO DO FORTENZA DUO

Cyantraniliprole: diamidas antranílicas Sítio de ação: agonista de receptores de rianodina Esta molécula atua no sistema nervoso e muscular dos insetos, regulando a liberação de Ca++ intracelular, exercendo função-chave no processo de controle das contrações musculares. Liga-se ao receptor, causando saída descontrolada de cálcio, esvaziando o estoque interno da célula. Consequentemente, o inseto paralisa seus movimentos e alimentação. A complementação do Fortenza Duo se dá pela presença do neonicotinoide tiametoxam, que é um

agonista de acetilcolina. Após a semeadura de material tratado com inseticidas do grupo das antranilamidas inicia-se o processo de solubilização pela água presente no solo (solução do solo), o que ativa a proteção da planta ainda no momento da germinação. As raízes começam a absorver os ingredientes ativos e translocá-los via xilema para as folhas e parte aérea da planta, protegendo a lavoura de pragas desfolhadoras como as lagartas que atacam a cultura na fase inicial e sugadores como a mosca-branca (B. tabaci Biótipo B) e os corós. Um dos maiores benefícios do Fortenza Duo é o rápido estabelecimento da cultura, permitindo plantas mais vigorosas, com maior enraizamento, consequentemente, maior tolerância a estresses e intempéries climáticos, maior

proteção da parte aérea na fase inicial pelo longo efeito residual, resultando em maior produtividade. Nas Figuras 1, 2, 3, 4 e 5 são apresentados resultados obtidos por Rattes Consultoria e Pesquisa Agronômica, demonstrando o efeito de inseticidas do grupo das antranilamidas associados ao neonicotinoide na redução dos danos provocados pelos insetos-praga na fase inicial de desenvolvimento da cultura da soja, proporcionando a manutenção do C estande da lavoura.

Jurema F. Rattes e Dayanne Fonseca de Castro, Universidade Rio Verde e Rattes Cons. e Pesq. Agronômica Gilvane Luis Jakoby, Rattes Cons. e Pesq. Agronômica

Jurema, Dayanne e Jakoby abordam tratamento de sementes no manejo de pragas em soja

Encarte Técnico • Circula encartado na revista Cultivar Grandes Culturas • nº 207 • Agosto 2016 • Capa - Charles Echer Reimpressões podem ser solicitadas através do telefone: (53) 3028.2075

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Resistência amarga Fernando Adegas

Capaz de interferir fortemente na produção de soja, o capim-amargoso Digitaria insularis tem poder de fogo para reduzir a produtividade da cultura em mais de 40% quando registradas grandes infestações. Resistente ao glifosato e disseminada em diversas regiões do Brasil, esta planta daninha exige manejo integrado através de práticas de controle cultural, mecânico e químico

D

igitaria insularis, vulgarmente conhecida como capim-amargoso, é uma planta nativa de uma extensa área do continente americano, que vai do Sul dos Estados Unidos até a região central da Argentina. No Brasil essa espécie é oriunda do bioma Mata Atlântica (Pimenta et al, 2012), onde no passado era encontrada frequentemente em áreas de pastagem degradadas, em lavouras perenes, em beira de estradas e terrenos baldios, mas pouco comum em áreas de cultivos anuais. No entanto, essa planta tem se adaptado a vários outros sistemas de cultivo, como relatam Oliveira

& Freitas (2008), que comprovaram a presença dessa espécie na cultura da cana-de-açúcar no Rio de Janeiro, o que também foi observado por Kuva et al (2008) em São Paulo. Recentemente foi constatado o aumento da infestação desta espécie em outras importantes regiões agrícolas do País, como Paraná e a região do Cerrado, especialmente em áreas de produção de grãos. O capim-amargoso é uma planta perene, ereta e ramificada em touceiras a partir das gemas próximas ao solo, com ramos que podem atingir mais de 150cm de altura e fotossinteticamente eficiente (ciclo C4). Os colmos são

cilíndricos e formados de entrenós longos, as folhas possuem bainhas glabras ou levemente pilosas, a inflorescência é encontrada na parte terminal dos longos ramos, sendo composta por grandes panículas, com até 35cm de comprimento que, por sua vez, são formadas por numerosos racemos, geralmente com 10cm-15cm de comprimento, contendo espiguetas com cariopse inclusa na gluma, que possuem longos pelos que facilitam o transporte das sementes pelo vento (Kissmann & Groth, 1997), sendo este considerado o principal método de dispersão da espécie, cuja propagação também pode


www.revistacultivar.com.br • Soja • Agosto 2016 • e entre quatro plantas m² e oito plantas m-2 reduziram a produtividade da cultura em 23,5% e em 44,5%, respectivamente (Gazziero et al, 2012). Atualmente, para o manejo do capim-amargoso é recomendado que os produtores adotem os conceitos do Manejo Integrado de Plantas Daninhas (MIPD), que inclui a integração de diversas práticas de controle, como o controle cultural (exemplo: cobertura do solo com palha), o mecânico (capinas de repasse e roçada de plantas perenizadas) e o químico (com herbicidas de mecanismo de ação diferentes do glifosato). Em relação ao manejo químico, o controle pode ser realizado tanto em pré quanto em pós-emergência das plantas. Os principais herbicidas pré-emergentes para o controle do capim-amargoso pertencem aos seguintes mecanismos de ação: os inibidores da divisão celular, os inibidores do fotossistema II, os inibidores da síntese de carotenoides, os inibidores da ALS e os inibidores da protox.

Já para o controle em pós-emergência, os principais mecanismos de ação são: os inibidores da ACCase, os inibidores da GS, os inibidores do fotossistema I e os inibidores da síntese de carotenoides. A situação mais crítica para o controle do capim-amargoso é quando a planta atinge o ápice do crescimento vegetativo, caracterizado pela abundante formação de perfilhos, em grandes touceiras e pleno florescimento. Para essa condição, os herbicidas aplicados isoladamente, mesmo em doses maiores, geralmente não proporcionam controle satisfatório, incluindo os considerados mais eficientes. As alternativas para o controle das plantas nesse estádio seriam a realização de aplicações sequenciais, preferencialmente intercalando diferentes mecanismos de ação, e a integração do controle químico com o controle mecânico, espeC cialmente a roçada.

Fernando Adegas, Embrapa Soja

Fernando Adegas

ocorrer vegetativamente, através de seus pequenos rizomas (Lorenzi, 2000). O período de menor crescimento vegetativo do capim-amargoso é o compreendido entre a emergência das plantas até o início da formação de rizomas, que ocorre em média entre 34 dias a 45 dias após a emergência (Machado et al, 2006). A partir deste estádio, a planta passa a ter uma fase de crescimento mais acelerado. Plantas de capim-amargoso, provenientes de rizomas, apresentam maior espessura da cutícula, que resulta em lâmina foliar mais espessa, folhas com maior índice estomático e maior número de estômatos por área foliar, além de possuírem grande quantidade de amido nesses rizomas reprodutivos, sendo normalmente mais difícil de serem controladas quimicamente (Machado et al, 2008). Todas estas características da espécie explicam a facilidade de dispersão e adaptação do capim-amargoso aos principais sistemas produtivos brasileiros, em especial aos que não promovem a movimentação de solo, como a produção de grãos em plantio direto, especialmente da cultura de soja, onde o controle é realizado principalmente na operação de manejo, que é a dessecação da flora infestante antes da semeadura, principalmente com a aplicação de glifosato. No entanto, devido à alta frequência de aplicação de glifosato, inclusive em pós-emergência da soja, ocorreu uma forte pressão de seleção de biótipos de plantas daninhas resistentes, que já estavam naturalmente presentes nas áreas. O primeiro caso mundial de resistência de capim-amargoso ao herbicida glifosato foi comprovado em 2005, no Paraguai, por Adegas et al, sendo que três anos depois foi relatado, pela mesma equipe, o primeiro caso no Brasil (Heap, 2016). A partir deste relato inicial, outros casos foram comprovados no País, estando a espécie disseminada em diversas regiões brasileiras produtoras de soja. Neste cenário de resistência, onde o capim-amargoso já era naturalmente difícil de ser controlado, o problema se agravou, com aumento do custo de controle e perdas nas lavouras, pois a matocompetição com o capim-amargoso pode interferir fortemente na produção da soja, com situações onde infestações entre uma planta m² e três plantas m-2,

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O capim-amargoso é uma planta perene, ereta e ramificada em touceiras


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Na dessecação Herbicida à base de haloxifope-p-metílico pode ser utilizado como uma das ferramentas na dessecação de manejo para o controle em pós-emergência de capim-amargoso

O

capim-amargoso (Digitaria insularis) consiste na planta daninha que

tem causado maiores prejuízos para a agricultura brasileira na atualidade, disseminada nas principais

regiões produtoras. O crescimento em importância desta planta daninha ocorreu pela seleção de biótipos que


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apresentam resistência ao glifosato, herbicida mais comumente utilizado nos diferentes ambientes de produção do País. Para o manejo do capim-amargoso resistente ao glifosato, as melhores alternativas herbicidas consistem na aplicação dos inibidores da ACCase, conhecidos popularmente como graminicidas. Por haver poucos mecanismos de ação que apresentam eficácia no controle em pós-emergência de capim-amargoso, é fundamental

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Tabela 1 - Porcentagens de controle de capim-amargoso após aplicação de herbicidas na dessecação de manejo. Mandaguaçu (PR), 2015 Tratamentos Verdict® R1/ Verdict® R1/ Verdict® R1/ Verdict® R1/ Clethodim2/ Testemunhas em herbicida F CV (%) DMS

Doses L p.c. ha-1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 F CV (%) DMS

14 DAA 40,00 d 50,00 c 63,25 b 75,00 a 74,25 a 0,00 e 288,25* 6,60 7,64

% de controle de capim-amargoso 21 DAA 64,50 c 79,75 b 87,50 a 94,75 a 93,50 a 0,00 d 473,90* 4,73 7,61

28 DAA 55,00 c 70,75 b 77,50 b 98,75 a 97,00 a 0,00 d 210,34* 7,57 11,56


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assegurar esta valiosa ferramenta no manejo da espécie, evitando que haja também a seleção de biótipos resistentes aos inibidores da ACCase. Para isso, uma importante prática cultural a ser adotada é a rotação de princípios ativos, uma vez que no âmbito dos inibidores da ACCase é possível variar entre a aplicação dos

herbicidas “DIMs” e “FOPs”. Dentro desse contexto, um trabalho foi desenvolvido para avaliar o desempenho do Verdict (haloxifope-p-metílico) aplicado na dessecação de manejo para o controle de capim-amargoso. O experimento foi instalado em área agrícola localizada no município de Mandaguaçu, Paraná,

durante os meses de julho e agosto de 2015. O solo da área experimental era de textura muito argilosa e o delineamento utilizado foi o de blocos ao acaso, com seis tratamentos e quatro repetições. Os tratamentos foram compostos por quatro doses do Verdict R (0,2; 0,3; 0,4 e 0,5L p.c. / ha), um tratamento com aplicação


de Clethodim (0,6L p.c./ha) e uma testemunha sem herbicida, que serviu como padrão para as avaliações de controle. Os herbicidas foram aplicados em área em pousio, consistindo em uma aplicação de dessecação de manejo. As plantas de capim-amargoso estavam em estádio de desenvolvimento de 3-5 perfilhos e em uma infestação média de 48 plantas/m -2 . A porcentagem de controle de capim-amargoso foi avaliada aos 14, 21 e 28 dias após a aplicação dos tratamentos (DAA). De maneira geral, observou-se maior eficácia no controle de capim-amargoso pela aplicação de doses mais elevadas de haloxifope-p-metílico (Tabela 1). Apesar de, aos 28 DAA, não ter proporcionado níveis de controle satisfatório, a dose de 0,4L p.c./ha do produto, deve ser estudado com objetivo de utilização em sistemas de manejo de capim-amargoso com aplicações sequenciais, visto que aos 21 DAA, o referido tratamento apresentou níveis acima de 80%. Quando comparada a performance das diferentes doses do Verdict, verificou-se que a dose de 0,5L p.c./ha apresentou desempenho semelhante ao padrão Clethodim no controle de capim-amargoso, sendo estes os únicos tratamentos eficazes aos 28 DAA no manejo desta espécie. Portanto, conclui-se que o Verdict (haloxifope-p-metílico) pode ser utilizado na dessecação de manejo para o controle em pós-emergência de capim-amargoso na dose de 0,5L p.c./ha. Ressalta-se que estes resultados são válidos para o controle de plantas de capim-amargoso que se encontram nos mesmos estádios em que foram realizadas as aplicações dos herbicidas neste trabalho, uma vez que para plantas já entouceiradas/florescidas, o manejo torna-se muito mais complexo, necessitando aumento de dose C do produto comercial.

Jamil Constantin, Rubem Silvério de Oliveira Jr., Denis Fernando Biffe, Guilherme Braga Pereira Braz e Fellipe Goulart Machado, NAPD/UEM Luiz Henrique Saes Zobiole, Dow AgroSciences

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O capim-amargoso consiste na planta daninha que mais prejuízos tem causado para a agricultura brasileira


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Capim florescido Dow AgroSciences

Aplicações sequenciais de haloxifope-p-metílico para o controle de amargoso entouceirado ou em florescimento revelam bons resultados com o herbicida

E

s t u d o s re a l i z a d o s p e l o Departamento de Pesquisa da Dow Agrosciences demonstram que, para o controle de amargoso entouceirado ou mesmo em florescimento, a aplicação sequencial de Verdict associado ao glifosato fornece controle desta espécie. A segunda aplicação (a sequencial) pode ser realizada após a rebrota, que ocorreu aos 35 dias após a primeira aplicação. Os resultados demonstraram que a avaliação da aplicação única aos 28 dias após aplicação (DAA), não foi eficaz para nenhum tratamento aplicado. Entretanto, a aplicação sequencial foi eficaz para todos os herbicidas, sendo igual ao controle observado para o

herbicida Cletodim. Dessa forma, a estratégia de manejo utilizando aplicações sequenciais é uma ferramenta a ser utilizada pelo agricultor para o controle desta espécie.

HERBICIDA VERDICT - R

Verdict – R é um herbicida seletivo recomendado para o controle de plantas daninhas de folhas estreitas nas culturas de soja, algodão e feijão, em aplicação em pós-emergência. (Rodrigues & Almeida, 2011). Faz parte do grupo de herbicidas conhecidos como inibidores da ACCase, com uma resposta rápida no controle das espécies sensíveis (WSSA, 1994). Deve ser aplicado com as plantas

daninhas em adequado estado de vigor vegetativo, evitando-se períodos de estiagem, horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%. Apresenta translocação via floema e acumula-se nos meristemas. Os sintomas de plantas sob o efeito desse produto são a paralisação do crescimento e o amarelecimento dos meristemas e das folhas jovens. As plantas sensíveis morrem em uma a C três semanas.

Luiz Zobiole, Gabriel Pereira, Bruno Cavenagui e Gizelly Santos, Dow AgroSciences


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Controle da sementeira

Herbicidas pré-emergentes, com efeito residual, são uma ferramenta importante no combate ao capimamargoso em pré-emergência da soja. Diclosulam, por sua capacidade de ultrapassar a palhada, é uma ferramenta que, aliada ao manejo correto da cultura, pode auxiliar a minimizar perdas e a consequentemente maximizar os resultados do produtor

A

s sementes do capim-amargoso não precisam de luz para germinar e muitas vezes nascem embaixo da palha ou ainda quando a cultura já está fechada. Nestes casos, a oportunidade de controle reside no uso de herbicidas pré-emergentes com efeito residual Spider 840 WG (diclosulam) é uma alternativa amplamente difundida entre os agricultores, por sua seletividade à cultura e amplo espectro de controle. Neste sentido, a Universidade Estadual de Maringá desenvolveu trabalhos mostrando a eficiência do Spider no controle da sementeira do capim-amargoso, além de sua seletividade para a cultura. Estes resultados demonstram o potencial de uso do Spider 840 WG

na cultura da soja, visto que, além de proporcionar um período residual longo, este herbicida também apresenta amplo espectro de ação sobre diversas espécies. Além de ser um herbicida que ultrapassa a palhada, importante característica no combate a essa planta daninha que germina mesmo sem luz, ou seja, embaixo da palha. Outra característica importante é que nenhum sintoma visual de injúria foi constatado nas plantas de soja após

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a aplicação dos herbicidas. Para o controle de capim-amargoso em pré-emergência, existem, também, outros herbicidas, de mecanismos de ação distintos que possuem eficácia nesta modalidade, como inibidores de divisão celular, inibidores do fotossistema II, inibidores da síntese de carotenoides, inibidores da ALS e inibidores da Protox. Aliado a isso, ressalta-se que o capim-amargoso possui desenvolvimento inicial lento, sendo suprimido pela cultura ou mesmo pela presença de outras plantas daninhas. Portanto, o manejo efetivo desta espécie é baseado em um conjunto de medidas (controle com herbicidas pré e pós-emergentes + bom manejo da cultura) que, ao serem adotadas da maneira correta e no momento certo, resultam em menores perdas de produtividade por matointerferência e consequentemente maior rentabilidade para o produtor.

SPIDER 840 WG

Estratégias de controle com o uso de herbicidas pré-emergentes com mecanismo de ação diferenciado são de grande relevância para o manejo da Digitaria insularis na cultura da soja. Um dos produtos registrados para a aplicação e controle da sementeira do capim-amargoso é o Spider. Nesse sentido, o diclosulam, produto comercial Spider 840 WG, é mais uma ferramenta para o controle desta espécie que está disponível aos agricultores para ser utilizada neste C importante combate.

Jamil Constantin, Rubem Silvério de Oliveira Jr, Denis Fernando Biffe, Fabiano Aparecido Rios e Hudson Kagueyama Takano, NAPD/UEM Luiz Henrique Saes Zobiole, Dow AgroSciences

Tabela 1 Tratamentos

Doses

Spider 840 WG Spider 840 WG Spider 840 WG Testemunha no mato

29,8 35,7 41,7 -

1/

% de controle de capim-amargoso2/ 42 DAA 28 DAA 59,5 67,5 78,0 75,0 86,7 85,7 0,0 0,0

Produtividade (kg ha-1) 1429,6 2467,7 2629,6 745,9

Encarte Técnico • Circula encartado na revista Cultivar Grandes Culturas • nº 207 • Agosto 2016 • Capa - Dow AgroSciences Reimpressões podem ser solicitadas através do telefone: (53) 3028.2075

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CC Deuner

04 • Agosto 2016 • Soja • www.revistacultivar.com.br

Prevenção protetiva

Evitar a ocorrência de doenças como a ferrugem asiática nas lavouras de soja é uma missão quase impossível atualmente. Contudo, impedir uma alta incidência e prejuízos no rendimento depende de medidas que estão ao alcance do agricultor brasileiro. A aplicação de fungicidas durante a fase inicial do período vegetativo da cultura é indispensável à preservação do potencial produtivo das lavouras


urante os dias 5 e 6 de julho de 2016 ocorreu em Londrina, no Paraná, uma das mais importantes reuniões de pesquisas sobre soja do Brasil. A ocasião foi oportuna para a apresentação e discussão dos resultados dos ensaios em rede para o controle de doenças em soja, coordenados pelo Consórcio Antiferrugem (CAF). Os ensaios em rede são conduzidos pelo CAF desde a safra 2003/04 com o objetivo de comparar a eficiência de fungicidas registrados e em fase de registro, que também vêm sendo utilizados para monitoramento da sensibilidade do fungo da ferrugem da soja nas diferentes regiões, além da mancha-alvo e do mofo-branco. A preocupação com a manutenção dos fungicidas com sítio de ação específico e suas combinações para o controle da ferrugem (Figura 1) ficou evidente ao constatar-se que houve redução da eficiência em função da adaptação do fungo através de um processo de seleção natural. O número de opções de moléculas também vem reduzindo, comprometendo desta forma o controle efetivo da ferrugem asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi), que é uma das doenças mais severas que incide nessa cultura. Os danos podem variar de 10% a 90% nas diversas regiões geográficas onde foi relatada (Sinclair; Hartman, 1999; Yorinori et al, 2005). As misturas prontas devidamente registradas ou em fase de registro, que combinam modos de ação diferentes e complementares, como triazóis e estrobilurinas (Figura 2) carboxamidas (que também interferem em diferentes processos na respiração do fungo) e estrobilurinas, e mesmo as tríplices misturas (Figura 3), têm tido sua eficiência comprometida ao longo das safras. É importante ressaltar que os fungicidas sistêmicos e sítio espe-

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Daniel Cassetari Neto

D

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cíficos têm ainda sua contribuição, sendo indispensáveis no controle de doenças, mas que seu uso intensivo pode ter como consequência a seleção de isolados de fungos menos sensíveis a estes modos de ação. Porém, os fungicidas protetores melhoram o controle e podem atrasar a seleção de indivíduos menos sensíveis a esses modos de ação puramente específicos.

Com o objetivo de ajudar a proteger o potencial produtivo das lavouras de soja no Brasil e contribuir para o devido manejo da resistência do fungo causador da ferrugem asiática, P. pachyrhizi, a empresa UPL lançou a combinação exclusiva de um fungicida multissítio com um fungicida de sítio específico para o controle de doenças em soja. Trata-se do produto Unizeb Glory, um


Daniel Cassetari Neto

06 • Agosto 2016 • Soja • www.revistacultivar.com.br

A mancha-alvo ataca as diversas partes da planta como folhas, hastes, vagens, sementes e hipocótilos

fungicida composto pela combinação ideal de uma estrobilurina, e um ditiocarbamato. Estes ingredientes ativos apresentam dois diferentes modos de ação complementares, o primeiro pertencente ao grupo dos QoI, que são inibidores do complexo II da respiração mitocondrial, e o segundo, ao grupo dos produtos com atividade em múltiplos sítios de ação, entre os sítios mencionados, o núcleo da célula, inibindo várias funções celulares, nos ribossomos, que são responsáveis pela síntese de proteínas na célula, também na mitocôndria, consequentemente na respiração celular, retículo endoplasmático liso e rugoso, que são responsáveis pela síntese de lipídeos e proteínas, na membrana plasmática, responsável pela nutrição e excreção celular e por fim na cromatina, que responde pela herança genética e reprodução celular. Esta combinação de diferentes modos

de ação, faz parte de uma estratégia de manejo de resistência. A combinação de um fungicida multissítio, mais um fungicida sistêmico, faz de Unizeb Glory, um fungicida único e com as atribuições mais adequadas para as aplicações na fase vegetativa da cultura da soja, sendo totalmente seletivo a cultura, não causando qualquer tipo fitotoxicidade, promovendo dessa forma efeitos benéficos para a soja desde sua fase inicial. Sabe-se que doenças como a ferrugem e a mancha-alvo (Corynespora cassiicola) podem já estar presentes durante a fase vegetativa da cultura da soja a partir de V1, (primeiro nó e folhas unifoliadas abertas) e que desde esta fase, a planta consegue iniciar sua consolidação no campo e, consequentemente, o começo da construção de seu potencial produtivo. De posse destas informações o agricultor e os técnicos responsáveis devem ini-

ciar o monitoramento da lavoura e projetar a primeira aplicação de um fungicida adequado para a prevenção dessas doenças tão danosas inicialmente no estádio vegetativo, mas que sejam produtos completamente seletivos à cultura da soja, como, por exemplo, o fungicida Unizeb Glory. O Brasil é o segundo maior exportador de soja do mundo. Essa cultura representa mais de 28% dos óleos vegetais consumidos mundialmente. A ferrugem pode causar até 90% de redução em produtividade, e no Brasil cultivam-se ao redor de 33 milhões de hectares com esta cultura. A combinação de dois potentes modos de ação, trazida por Unizeb Glory, e a proteção oferecida por Unizeb Gold para as demais aplicações, quando utilizado no manejo com fungicidas convencionais, fazem desses produtos ferramentas importantes para a manutenção do potencial produtivo da soja. Os fungicidas Unizeb Gold e Unizeb Glory, aliados às boas práticas agrícolas e iniciativas trazidas pela UPL, como o Eagle Team, grupo que reúne renomados fitopatologistas do Brasil para debater alternativas de programas de manejo de resistência, com o intuito de proteger as plantas cultivadas de perdas ocasionadas por doenças, pragas e plantas daninhas resistentes e, ainda, parcerias sólidas com as principais instituições de pesquisa públicas do Brasil, firmam o comprometimento da UPL com a agricultura brasileira. Prevenção: iniciar aplicações com fungicidas na fase vegetativa da soja Muitas vezes, doenças como oídio, ferrugem, antracnose, crestamento foliar, mancha-alvo, mela e mancha-parda já estão presentes nas lavouras de soja, desde o início da fase vegetativa da cultura, porém, sem sintomas visuais. Segundo a Embrapa, o oídio (Microsphaera diffusa) tem apresen-


tado severa incidência em diversas cultivares em todas as regiões produtoras, desde os Cerrados ao Rio Grande do Sul. As lavouras mais atingidas podem ter perdas de rendimento de até 40%. A infecção pode ocorrer em qualquer estádio de desenvolvimento da planta, porém, é mais visível por ocasião do início da floração. Quanto mais cedo iniciar a infecção, maior será o efeito da doença sobre o rendimento. Uma das principais doenças da parte aérea da cultura da soja, o oídio, causado pelo fungo Microsphaera difusa, possui capacidade de sobrevivência em hospedeiros alternativos. Temperaturas baixas e alternância de umidade (entre baixa e alta) são condições ideais para seu desenvolvimento. Por isso, o período da entressafra, por apresentar baixa umidade e temperaturas amenas, se constitui em ponto crítico por favorecer bastante o desenvolvimento da doença. Há alguns anos o oídio era também considerado doença secundária, mas com o decorrer das safras passou a apresentar severa incidência em diversas cultivares de soja, em várias regiões produtoras dessa cultura. Capaz de infectar uma vasta lista de espécies leguminosas, o fungo é parasita obrigatório, que afeta a parte aérea das plantas, atingindo desde folhas até hastes e pecíolos. Em alguns casos também atinge as vagens. Microsphaera difusa pode ser observado nas plantas de soja pela presença de uma fina camada de micélio e conídios pulverulentos representados por pequenos pontos brancos ou até mesmo a cobertura completa da parte aérea. Nas vagens, a severidade costuma ser menor. Nas folhas a coloração branca do fungo evolui para castanho-acinzentado. Em condições de infecção severa ocorre diminuição da fotossíntese, como dano indireto, além, é claro, dos danos que provoca ao tecido das plantas. As

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Lucas Navarini

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O fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem asiática da soja, é atualmente a doença que mais tem preocupado os produtores de soja


08 • Agosto 2016 • Soja • www.revistacultivar.com.br manchas circulares maiores, de cor castanha e com formação de halos concêntricos. Umidade relativa do ar acima de 80% e temperaturas superiores a 20ºC favorecem a doença. Capaz de sobreviver em plantas voluntárias, hospedeiros alternativos e restos culturais, Corynespora cassiicola tem alto poder de resistência, podendo permanecer em áreas de pousio por período superior a dois anos. A diminuição da área fotossintética é um dos principais danos provocados pela mancha-alvo. A doença, quando presente em lavouras em que foram utilizadas

folhas afetadas caem e secam de modo prematuro, semelhante ao que ocorre com a aplicação de herbicidas utilizados para a operação de dessecação. Em pecíolos e hastes as estruturas de Microsphaera difusa assumem coloração esbranquiçada, que pode variar para a tonalidade bege, enquanto a epiderme da planta apresenta-se de arroxeada a negra. Cultivares muito suscetíveis, quanto são severamente afetadas por esta doença, podem apresentar sintomas de engrossamento do lenho, rachaduras das hastes e cicatrizes superficiais. O fungo Microsphaera difusa tem capacidade para provocar infecção em qualquer estádio de desenvolvimento da planta. Contudo, o início da floração é o período em que se torna mais visível. Existe uma proporcionalidade entre o momento em que ocorre a infeção e o efeito da doença sobre o rendimento das plantas. Quanto mais cedo se der a infecção, maior o prejuízo.

MANCHA-ALVO

A incidência da mancha-alvo, causada pelo fungo Corynespora cassiicola, tem aumentado nas últimas safras em razão do aumento da semeadura de cultivares suscetíveis e da baixa eficiência dos fungicidas

mais comumente utilizados na cultura da soja, sendo encontrada em praticamente todas as regiões de cultivo do Brasil. O fungo sobrevive em restos de cultura e em sementes infectadas, podendo colonizar uma ampla gama de resíduos no solo. Umidade relativa alta favorece a infecção na folha (Almeida et al, 2005). Causada pelo fungo Corynespora cassiicola, a mancha-alvo passou do status de doença pouco expressiva para problema que ganha importância a cada safra. Encontrada em praticamente todas as regiões produtoras do Brasil, ataca, além da soja, diversas outras culturas agrícolas como algodão e feijão, além de incidir também em algumas espécies daninhas, como é o caso da trapoeraba (Commelina benghalensis). Sua disseminação rápida nas lavouras de soja do Brasil tem sido fator de preocupação entre produtores e pesquisadores. A mancha-alvo ataca as diversas partes da planta como folhas, hastes, vagens, sementes e hipocótilos. No sistema radicular é responsável por provocar podridão. As lesões na parte aérea começam com minúsculas pontuações de coloração parda e halo amarelado. Evoluem para

Madalosso/Instituto Phytus

Figura 1 - Eficiência de Tebuconazol - TBZ e Ciproconazol - CPZ, (representando o grupo do triazóis , que agem inibindo a biossíntese de ergosterol, importante componente da membrana celular dos fungos sensíveis) e também Azoxistrobina - AZ (estrobilurinas, que interferem na respiração mitocondrial dos fungos) desde a safra 2003/04, para o controle de P. pachyrhizi, segundo os dados do CAF


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cultivares suscetíveis, tem poder de fogo para levar a intensa desfolha e apodrecimento das vagens. Quando a infecção atinge a região da sutura das vagens em desenvolvimento, há risco de que se abram, provocando germinação ou apodrecimento dos grãos enquanto ainda se encontram verdes. Ao conseguir infectar as vagens, Corynespora cassiicola pode atingir as sementes e acabar sendo disseminado para outras áreas.

FERRUGEM ASIÁTICA

O fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem asiática da soja, é atualmente a doença que

C

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Figura 2 - Eficiência de combinações de triazóis e estrobilurinas ao longo das safras

mais tem preocupado os produtores de soja, e seu principal dano é a intensa desfolha precoce. Devido

à facilidade de disseminação do fungo pelo vento, a doença ocorre em todas as regiões produtoras de


10 • Agosto 2016 • Soja • www.revistacultivar.com.br

soja do País. Pesadelo dos sojicultores, a ferrugem asiática é uma doença extremamente agressiva, cuja intensidade varia a cada safra em função de fatores como clima, presença de inóculo e suscetibilidade varietal. Trata-se da doença foliar mais importante na cultura da soja e os riscos de resistência do fungo à aplicação de fungicidas tornam-a ainda mais ameaçadora. Identificada pela primeira vez no Brasil, em 2001, como o próprio nome já sugere a doença teve origem na Ásia, tendo sido relatada no Japão há mais de 100 anos. De rápida disseminação, o fungo se alastrou em pouco tempo para todas as regiões produtoras brasileiras. A desfolha precoce, com comprometimento da formação dos grãos, e o do enchimento das vagens são características de plantas severamente afetadas pela ferrugem asiática. Como consequência, o tamanho e o peso dos grãos acabam seriamente afetados. Neste caso, quanto mais cedo se der a desfolha, maiores serão as perdas, tanto no rendimento como na qualidade. Evitar a presença de inóculo inicial é fundamental para prevenir epidemias da doença. Por isso, além do controle químico, outras medidas integradas são importantes. A obtenção de cultivares resistentes

para a ferrugem da soja é um processo muito difícil. Devido à alta variabilidade do fungo e à existência de diferentes raças, sua resistência pode ser quebrada facilmente se não utilizados fungicidas para o controle efetivo da doença, mesmo nessas cultivares. Desta forma, deve-se considerar como métodos de boas práticas: a semeadura precoce e dentro da época recomendada, o uso de cultivares com ciclos mais curtos, a obediência ao calendário do vazio sanitário (para que o fungo não ataque plantas muito jovens), observar

Fotos UPL

Figura 3 - Eficiência de combinações duplas de carboxamida e estrobilurina e tríplies, triazol com carboxamida e estrobilurina

“Baixeiro” das plantas de soja em uma lavoura sem aplicação de fungicida na fase vegetativa

Efeito em uma lavoura de soja, durante a maturação, sem aplicação de fungicida na fase vegetativa

“Baixeiro” das plantas de soja em uma lavoura com aplicação de Unizeb Glory, durante o estádio vegetativo da cultura

Enfolhamento maior em uma lavoura de soja, que recebeu a aplicação de Unizeb Glory, durante a fase vegetativa da cultura


as recomendações preconizadas dentro dos preceitos da tecnologia de aplicação e efetuar aplicações preventivas de fungicidas. Como atualmente a não ocorrência de ferrugem em uma lavoura de soja é quase impossível, mas evitar uma alta incidência e prejuízos no rendimento depende de medidas que estão sob o controle dos agricultores, a aplicação de fungicidas durante a fase inicial do período vegetativo da cultura é indispensável à preservação do potencial produtivo das lavouras. Com o forte objetivo de ajudar o agricultor brasileiro em seu aumento de rendimento, através das práticas que ajudam a contribuir na manutenção do potencial produtivo de diversas culturas, entre elas a soja, empresas de defensivos agrícolas têm trabalhado forte. Um dos exemplos é a UPL, que trouxe para o mercado brasileiro soluções como o Unizeb Gold e, mais recentemente, o Unizeb Glory, com objetivo do efetivo controle da ferrugem asiática da soja e obtenção de maiores rendimentos por área da cultura. Fundada em 1969, com atuação em 86 países, a empresa conta com 27 Centros Tecnológicos, já realizou mais de 28 aquisições nos últimos 11 anos e está entre as dez maiores do mundo no segmento de agroquímicos. Com investimentos contínuos que fomentam a diferenciação, a partir de novas formulações, produtos e combinações cada vez menos agressivos ao meio ambiente e à saúde das pessoas, a UPL tem atuado para se consolidar ainda mais no mercado agrícola C mundial. Killer Abreu, Marcelo Figueira e Rafael Pereira, UPL do Brasil

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Rodrigo Alff/Instituto Phytus

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O oídio (Microsphaera diffusa) tem apresentado severa incidência em diversas cultivares em todas as regiões produtoras

Encarte Técnico • Circula encartado na revista Cultivar Grandes Culturas • nº 207 • Agosto 2016 • Capa - Rafael Soares Reimpressões podem ser solicitadas através do telefone: (53) 3028.2075

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