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Cultivar 205

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C

Cultivar Grandes Culturas • Ano XVII • Nº 205 • Junho 2016 • ISSN - 1516-358X

Cultivar

Destaques

Nossa capa

Ataque implacável - 22

O papel da tecnologia Bt associada a outras estratégias de manejo na luta contra a lagarta-do-cartucho, praga que afeta folhas, espigas, colo e colmos das plantas de milho

Instituto Phytus

Índice

Marrom endêmico - 10

Como realizar o manejo correto da mancha parda, doença de ocorrência endêmica nas lavouras de arroz do Brasil

Diretas

04

Rotação em cana-de-açúcar

08

Mancha parda em arroz

10

Mofo branco em soja

14

Controle de percevejos em soja

17

Informe empresarial

20

Capa - Lagarta-do-cartucho em milho

22

Cigarrinha em milho

25

Escolha de cultivares de trigo

28

Cultivares de algodão

32

Antracnose em feijão

36

Coluna Agronegócios

38

Coluna Mercado Agrícola

40

Coluna ANPII

42

Lucro ameaçado - 17

O que fazer para que a incidência de percevejos em soja não se torne um problema incontrolável

Expediente Fundadores: Milton Sousa Guerra e Newton Peter

REDAÇÃO • Editor

Gilvan Dutra Quevedo

• Redação

Rocheli Wachholz Karine Gobbi

• Design Gráfico e Diagramação

Cristiano Ceia

• Revisão

CIRCULAÇÃO

Aline Partzsch de Almeida • Coordenação Simone Lopes

COMERCIAL • Coordenação

Charles Ricardo Echer

• Vendas

Sedeli Feijó

Rithieli Barcelos

• Assinaturas

Natália Rodrigues Clarissa Cardoso Aline Borges Furtado

• Expedição

Edson Krause

GRÁFICA: Kunde Indústrias Gráficas Ltda.

Grupo Cultivar de Publicações Ltda. CNPJ : 02783227/0001-86 Insc. Est. 093/0309480 Rua Sete de Setembro, 160, sala 702 Pelotas – RS • 96015-300 Diretor Newton Peter www.grupocultivar.com cultivar@grupocultivar.com Assinatura anual (11 edições*): R$ 269,90 (*10 edições mensais + 1 edição conjunta em Dez/Jan)

Números atrasados: R$ 22,00 Assinatura Internacional: US$ 150,00 Euros 130,00 Nossos Telefones: (53) • Geral 3028.2000 • Comercial: • Assinaturas: 3028.2065 3028.2070 3028.2066 • Redação: 3028.2067 3028.2060

Por falta de espaço não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@grupocultivar.com Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.


DIRETAS Cultivares

A Brasmax participou da Agrobrasília e apresentou aos visitantes os resultados de produtividade obtidos na região. A cultivar lançamento Brasmax Power Ipro alcançou 88sc/ha, em Água Fria de Goiás. Outro resultado expressivo foi alcançado em Cristalina, com produtividade de 78sc/ha em 120 hectares plantados. Em Doverlândia, na região Oeste do mesmo estado, a cultivar chegou a 85sc/ha, em sequeiro, na Fazenda Confusão.

Ações

A Dow AgroSciences levou à Agrobrasília 2016 uma série de ações focadas nas necessidades do agricultor. Um dos destaques foi a Tenda de Boas Práticas Agrícolas, em que, por meio de simulações digitais e práticas, o produtor pôde vivenciar o impacto da utilização das boas práticas agrícolas na lavoura. A empresa também levou ao evento o inseticida Exalt, nova alternativa de controle para as culturas de soja e milho com tecnologia para o controle do complexo de lagartas em soja e milho e altíssimo efeito de choque. A Dow destacou também a tecnologia PowerCore, primeiro evento em milho com cinco genes estaqueados aprovado no Brasil, que atua contra as principais pragas e plantas daninhas desta cultura. Com desempenho acima da média de mercado, PowerCore atingiu, em 2015, cerca de três milhões de sacas vendidas.

Fertilizantes especiais

Aminoagro e Dimicron, duas empresas de fertilizantes especiais que se uniram formando uma nova companhia entre as três maiores do segmento no Brasil, participaram juntas pela primeira vez da Agrobrasília. De acordo com o gerente de Marketing Gilberto Medeiros, o objetivo foi apresentar ao produtor da região novas tecnologias para a produção de grãos. O principal destaque da empresa, para as culturas como soja, milho e algodão, entre outras, foi o Programa Construindo Plantas (PCP), que tem como objetivo melhorar a eficiência de cada planta dentro da lavoura.

Manejo

Os principais produtos da Basf para o manejo de soja e milho foram apresentados na Agrobrasília. Os visitantes puderam conhecer o portfólio completo da empresa para o controle de pragas, doenças e plantas infestantes nas culturas de soja e milho. Um dos destaques da empresa ficou por conta do fungicida Orkestra, recomendado desde a primeira aplicação. O produto é indicado para o controle da ferrugem-asiática da soja e de outras doenças como mancha-alvo, antracnose, mancha-parda e oídio, desafios que merecem extrema atenção, pois podem provocar perdas de até dez sacas por hectare nas lavouras de soja.

04 Junho 2016 • www.revistacultivar.com.br

Soluções e serviços

As soluções e os serviços Syngenta, voltados ao alcance de novos índices de produtividade, puderam ser explorados de perto pelos visitantes da Agrobrasília. Um dos destaques da empresa ficou por conta do fungicida Elatus, que entre os diferenciais apresenta 21 dias de residual. Apenas no primeiro ano de utilização do defensivo foram tratados 13 milhões de hectares de soja. Segundo o fabricante, a média de aumento de produtividade foi de 3,25 sacas por hectare no Brasil. Com o apoio de um vídeo wall (série de monitores conectados fisicamente em arranjo, de modo a formar uma grande tela) e de óculos Rift (de realidade aumentada), os visitantes ampliaram o conhecimento sobre o produto, seus benefícios e resultados que também puderam ser observados no circuito de campo da feira.

Proteção

Durante a Agrobrasília, o destaque da Monsanto foi para a tecnologia Intacta RR2 PRO voltada à proteção das lavouras contra lagarta da soja, lagarta falsa-medideira, broca das axilas, também conhecida como broca dos ponteiros, lagartas das maçãs, elasmo e as do gênero Helicoverpa. A tecnologia permite, ainda, flexibilidade no manejo de plantas daninhas devido à tolerância ao herbicida glifosato.


Boas práticas

A FMC Agricultural Solutions apresentou na Agrobrasília o Programa Domínio Percevejo FMC. “É de extrema importância ressaltar as soluções de prevenção e combate a essa praga, que pode prejudicar até 20% da produtividade do campo. O programa leva conhecimento e informação sobre prevenção e controle de surtos dos percevejos por meio de orientações técnicas com especialistas renomados. A iniciativa passou pelos principais estados brasileiros produtores de soja e milho e, agora, estamos trazendo para a Agrobrasília”, relatou o gerente de Marketing FMC, Vinícios Faria.

Portfólio completo

A Bayer esteve presente com todo o seu portfólio de produtos e serviços durante a Agrobrasília. Levou ao evento suas plataformas de relacionamento como a Rede AgroServices e o Programa de Pontos, duas das principais frentes da empresa que auxiliam o produtor rural no desenvolvimento da lavoura e de seus negócios. Entre os serviços mais requisitados na troca de pontos pelos agricultores estão as estações meteorológicas. O equipamento instalado na lavoura permite monitorar o clima e tomar decisões assertivas durante toda a produção, otimizando o uso de maquinários e defensivos com a previsão do tempo local. Os sensores das estações medem chuva e temperatura, além de monitorar a umidade do solo e apresentar histórico climático da propriedade rural.

Tecnologias integradas

As empresas DuPont Proteção de Cultivos e DuPont Pioneer apresentaram a força das tecnologias integradas nas áreas de sementes e agroquímicos durante a Agrobrasília 2016. A DuPont Proteção de Cultivos anunciou no evento que obteve o registro oficial dos órgãos reguladores para a aplicação do inseticida Benevia (ciantraniliprole) no controle da mosca-branca, com possibilidade de emprego no manejo de diferentes pragas em 30 culturas agrícolas brasileiras. No estande da DuPont Pioneer na Agrobrasília, os produtores também conheceram a linha de híbridos de milho para a produção de grãos na safra verão e safrinha do cerrado, com destaque para P3456H, P3630H e P3271H, além da cultivar de soja 95R51.

Luto

A pesquisa brasileira perdeu em junho um dos maiores fitopatologistas e especialistas na cultura da soja. José Tadashi Yorinori, de 72 anos, estava internado desde o final de abril depois de ter sofrido um acidente doméstico, no Paraná. Generoso ao compartilhar seu vasto conhecimento no manejo de doenças, como a ferrugem asiática, Tadashi Yorinori foi colaborador assíduo, com inúmeros artigos publicados em Cultivar Grandes Culturas. Sua morte deixa enorme vazio na pesquisa e profunda tristeza entre familiares, amigos, admiradores e colegas de trabalho.

José Tadashi Yorinori

Certificação

Armazenagem

A Isoeste acaba de lançar mais uma solução aplicada para o agronegócio. Trata-se de câmaras onde sementes podem ser armazenadas em ambientes climatizados e com umidade controlada, mantendo suas principais qualidades biológicas, físicas e químicas. Algumas das vantagens estruturais das câmaras climatizadas para sementes incluem rapidez de instalação, redução de custos, resistência a fogo, completo estanque e isolamento térmico.

A Round Table on Responsible Soy Association (RTRS) acaba de reconhecer oficialmente o programa Valore, da Bayer, como equivalente aos padrões de certificação internacional da organização. Segundo a gerente de Desenvolvimento Sustentável da Bayer, Cristiane Lourenço, esta é uma grande conquista para a empresa. "A partir de agora nossos clientes poderão utilizar o programa Valore com o intuito de atingir, ao final, a certificação internacional RTRS”. O programa é fruto de cooperação entre a Bayer e a organização civil RTRS para certificação da produção de soja. O programa Valore está disponível aos clientes da Bayer por meio do Programa de Pontos da empresa, em que cada R$ 1 investido em insumos agrícolas da Bayer, seja na compra direta ou com distribuidor, o agricultor acumula um ponto. A soma desses pontos dá acesso a uma gama de serviços e produtos voltados ao desenvolCristiane Lourenço vimento dos negócios na propriedade rural.

www.revistacultivar.com.br • Junho 2016

05


Sandro Brancalião

Cana

Rotação e reforma A reforma, realizada em média a cada cinco cortes, é o período em que os canaviais se tornam mais vulneráveis à erosão. Observar a correta rotação de culturas para a cobertura do solo, empregar cultivo mínimo e plantio direto estão entre as práticas de manejo conservacionistas recomendadas neste tipo de operação

A

recente expansão da produção de cana-de-açúcar no Brasil impulsionou o aumento de área cultivada, especialmente em São Paulo, onde são estimados aproximadamente 5,4 milhões de hectares. De acordo com LAL (2009), a demanda global por energia crescerá a uma taxa de 2,23% ao ano até 2025, por conseguinte, é extremamente importante a adoção de sistemas de produção com princípios da agricultura conservacionista, com destaque ao plantio direto que é utilizado em somente 6,4% das áreas agrícolas mundiais. O Brasil tem longa tradição no uso de energia renovável e apresenta quase 40% das áreas agrícolas em algum tipo de manejo conservacionista. Nos últimos anos, a colheita de cana crua aumentou expressivamente, e já representa ao redor de 1,92 milhão de hectares ou mais de 50% da safra paulista. Neste sistema são depositados sobre a superfície do solo em média 15mg/ha de matéria seca, que apresenta característica recalcitrante e auxilia no controle de plantas daninhas (Cristofoletti et al, 2007), reduz

emissão dos gases do efeito estufa (La Scala et al, 2006), aumenta o teor de matéria orgânica e mantém maior conteúdo de água no solo (Bolonhezi et al, 2007). Por outro lado, a grande quantidade de resíduos aumenta os custos com preparo do solo em 30%, o que agrava problemas com erosão em cerca de dez vezes, pois os terraços são espaçados com finalidade de facilitar a colheita mecanizada. Portanto, o período de maior vulnerabilidade do canavial à erosão é o de reforma do canavial, realizado em média a cada cinco cortes. Nos últimos anos, a reforma tem representado somente 8% do total de canaviais implantados, mas o potencial é para cerca de um milhão de hectares anuais somente na região Centro-Sul. Em São Paulo, mediante acordo do setor sucroenergético com o governo, estabeleceu-se que a partir de 2014, nas áreas mecanizáveis não se poderá utilizar queima na pré-colheita. Há mais de dez anos pesquisas (Bolonhezi et al, 2007) e validações comerciais vêm sendo conduzidas sobre a viabilidade da adoção do plantio direto na reforma de cana

08 Junho 2016 • www.revistacultivar.com.br

crua, que apresentam resultados favoráveis para soja/ amendoim), leguminosas, adubos verdes e até para cana-de-açúcar plantada na sequência. Mesmo assim, na prática, algumas usinas e fornecedores que adotam a semeadura direta das culturas de rotação ainda fazem preparo do solo antes do plantio da cana-de-açúcar no outono, justificadas pela necessidade de reduzir os problemas com compactação. Contudo, faltam indicadores conclusivos sobre a real necessidade de realização deste preparo do solo. Uma das mais populares e ainda bastante utilizadas ferramentas para tomada de decisão, sobre o nível de compactação e qual profundidade do solo está ocorrendo é a resistência à penetração. Um trabalho foi conduzido com o objetivo de avaliar a resistência à penetração em diferentes culturas de sucessão e sistemas de preparo na reforma de canavial, implantado em um Latossolo Vermelho Amarelo em Guaíra/São Paulo. A pesquisa foi conduzida em área comercial, situada na Usina Açucareira Guaíra,


localizada em Guaíra, São Paulo. Em canavial de 5o corte, estimou-se 16mg/ha de matéria seca de palhiço depositado sobre o solo após a colheita mecanizada. Utilizou-se delineamento experimental em blocos ao acaso com os tratamentos arranjados em esquema de parcelas subdivididas, em quatro repetições no campo. Os tratamentos principais compreenderam os sistemas de preparo, a saber: convencional (gradagens + aração com aiveca), cultivo mínimo (dessecação da soqueira + subsolador com rolo destorroador) e plantio direto (dessecação com glifosato, 5L/ha). Os tratamentos secundários foram as quatro opções de culturas comerciais, amendoim (cultivar IAC-886), soja (cultivar Monsoy 7908rr), milho (DKB 390 Bt) e girassol (cultivar IAC-Iarama), duas leguminosas adubos verdes (Crotalaria juncea and Mucuna aterrima), além do pousio (vegetação espontânea). As culturas comerciais foram fertilizadas com N, P2O2 e K2O, respectivamente 12kg/ha, 60kg/ha e 60kg/ha, além das coberturas nitrogenadas realizadas no milho (90kg/ha) e girassol (40kg/ha). As culturas foram semeadas em 1º/12/2007, utilizando semeadora modelo Ultra Flex (marca Tatu Marchesan) com 9 linhas, disco de corte de 20", sistema de distribuição de sementes mecânico e haste escarificadora na aplicação do fertilizante. As parcelas foram dimensionadas para facilitar a completa mecanização do plantio das culturas e da cana subsequente, e apresentaram 15m de frente por 20m de comprimento. As culturas de soja, girassol, milho, Crotalaria juncea e mucuna verde foram semeadas no espaçamento de 0,45m entre linhas. Para o amendoim foi utilizado espaçamento de 0,90m conforme as recomendações para esta cultura. As pulverizações para controle fitossanitário foram tratorizadas. Utilizou-se penetrômetro de impacto

conforme modelo de Stolf (1991). As determinações foram realizadas no mês de fevereiro. Após colheita das culturas utilizadas em reforma ou com potencial de serem utilizadas, foram amostrados dois pontos em cada uma das 84 subparcelas. As análises estatísticas foram feitas e analisadas através do teste t de Student (5% probabilidade). O preparo de solo é realizado com o objetivo de facilitar o plantio, garantir um melhor desenvolvimento das raízes, eliminar as ervas daninhas e incorporá-las (Christofoletti et al, 2007), juntamente com os restos culturais (Lal, 2008). A sequência de eventos a serem realizados durante esta fase depende do estágio de exploração da área, do nível tecnológico a ser empregado, da quantidade de restos culturais e das características de solo (Bolonhezi, 2007). Convencionalmente, o solo é preparado por meio de aração e duas gradagens leves, sendo uma após a aração e outra imediatamente depois do plantio, ou com duas gradagens com grade aradora. Os resultados encontrados durante o experimento, no preparo convencional em reforma na cultura da cana-de-açúcar mostram ser a utilização de arados característicos de uma agricultura agressiva obtendo os valores de Resistência à penetração (Rp) para as Culturas de Reforma (CR) um pouco maiores que o pousio. Entretanto, em todos os preparos, o pousio mostrou o mesmo comportamento. O girassol, a soja e a mucuna verde, devido ao maior recobrimento do solo, mostraram uma maior facilidade em se desenvolver após o ciclo de cinco anos deste material de cana-de-açúcar. Por outro lado, no cultivo mínimo o escarificador deve ser ajustado para operar a uma profundidade de até 28cm, para eliminar camadas adensadas e favorecer o desenvolvi-

Figura 1 - Resistência à penetração entre as Culturas de Reforma estudadas

mento das raízes. A primeira gradagem para a incorporação dos resíduos vegetais deverá ser realizada entre dez dias e 15 dias antes da aração. Por outo lado, o cultivo mínimo também requer atenção com relação ao teor de água no solo. A identificação do ponto ideal de umidade no solo para começar o preparo do solo é fundamental para assegurar um funcionamento adequado e econômico dos equipamentos e para a obtenção de um resultado satisfatório (La Scala et al, 2006). As atividades de preparo devem ser realizadas com o solo no estágio friável, que é reconhecido tomando-se um punhado de solo e comprimindo-o na mão. A friabilidade é constatada se a porção de solo puder ser facilmente moldada, mas se esboroe com facilidade, tão logo cesse a força sobre ela. No Plantio Direto os resultados mostraram um ganho compensador significativo para a cultura do amendoim, que também foi utilizada como (CR), sendo bastante importante economicamente na região de Ribeirão Preto. Não houve diferença estatística significativa entre as Culturas de Reforma. O cultivo mínimo mostrou significativa menor Rp ao longo do perfil do solo Recomendam-se o cultivo mínimo e plantio direto como estratégias de reforma para a cultura da cana colhida sem despalha a fogo na região de Ribeirão Preto. Dentre as culturas de reforma estudadas, o amendoim mostrou-se mais sensível que as outras plantas de cobertura para os sistemas C de manejo do solo empregados. Sandro Roberto Brancalião IAC Denizart Bolonhezi Ag. Paulista Tecn. dos Agronegócios

Figura 2 - Resistência à penetração para a cultura do amendoim comparando os diferentes sistemas de manejo estudados

www.revistacultivar.com.br • Junho 2016

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Arroz

Marrom endêmico A

mancha parda, também conhecida como mancha marrom, é causada pelo fungo Bipolaris oryzae (Breda de Haan) Shoemaker [Cochiobolusmiyabeanus (Ito &Kuribayashi) Drecheler&Dastur]. Outros nomes conhecidos do fungo são Helminthosporium oryzae e Drechslera oryzae. O fungo apresenta conídios típicos curvados, mais largos no meio, com um leve afunilamento nas extremidades. São de coloração marrom, apresentam de seis septos a 14 septos e normalmente com hilo. A germinação do conídio é polar e produz um tubo germinativo em cada célula das extremidades do conídio. É considerada a segunda doença em importância econômica e apresenta caráter endêmico nas lavouras brasileiras de arroz. Os prejuízos à produção de arroz no País ocorrem tanto no sistema de plantio em terras altas quanto no irrigado. Em regiões tropicais e subtropicais observa-se maior intensidade da mancha parda e também nas regiões amazônicas, onde prevalecem altas umidades, altas temperaturas e baixa fertilidade do solo. O fungo está disseminado em todo o mundo, porém, seu potencial de dano varia de acordo com as condições edafoclimáticas, o manejo cultural, a resistência genética e a parte da planta atacada. Em algumas regiões ou em determinados anos, a ocorrência da mancha parda é tão ou mais importante que a brusone (Magnaporthe oryzae), principal doença da cultura. Assim como ocorre na Ásia, devido aos danos causados na produção e na qualidade dos grãos. Esta doença está entre os principais fatores responsáveis por reduções de produtividade e qualidade dos grãos de arroz, podendo causar danos diretos e/ou indiretos. Como danos diretos, incluem, principalmente, a redução no estande de plantas, a redução no peso e no número de grãos por panícula e a mancha nos grãos. Os indiretos incluem

Gerson Dalla Corte

A mancha parda está entre os principais fatores responsáveis por reduções de produtividade e qualidade de grãos de arroz. Endêmica nas lavouras brasileiras a doença exige integração de medidas de manejo, como tratamento de sementes com fungicidas e adubação equilibrada associada ao controle químico

10 Junho 2016 • www.revistacultivar.com.br


Fotos Valácia Lemes da Silva-Lobo

A

B

C

Gerson Dalla Corte

Sintomas de mancha parda nas folhas (A) e lesões atípicas observadas conforme resistência da cultivar (B e C)

Sintomas de mancha parda nas folhas e nos grãos

12 Junho 2016 • www.revistacultivar.com.br

reduções de produtividade, especialmente na região tropical, onde as condições climáticas favorecem o desenvolvimento e a dispersão da doença. Porém, com as mudanças climáticas, alterações quanto à ocorrência e à severidade das doenças, na região subtropical, podem ser esperadas. A mancha parda pode ocorrer em todas as partes da planta de arroz e em qualquer estádio fenológico. Apresenta três fases principais em que causa dano: redução da germinação das sementes infectadas; manchas necróticas nas folhas e a descoloração dos grãos. Os principais sintomas observados em plântulas são lesões arredondadas de coloração marrom. Em folhas adultas os sintomas são lesões tipicamente ovais ou circulares, mais frequentemente elipsoides, geralmente de coloração marrom-escuro com halo clorótico. O halo clorótico é provocado por toxinas produzidas pelo patógeno. Com o passar do tempo, o centro das lesões torna-se acinzentado, isso devido à presença de estruturas reprodutivas do fungo. Já em cultivares resistentes, observam-se apenas pequenos pontinhos pretos nas folhas (cabeça de alfinete), ou seja, lesões iniciais que não se desenvolveram. Nos grãos, as machas apresentam coloração marrom-escuro e na grande maioria se unem cobrindo-os totalmente. Quando o ataque se dá na formação dos grãos, resulta a esterilidade da espigueta. No processo de beneficiamento, os grãos ficam totalmente manchados apresentando gessamento e coloração escura, provocando perda da qualidade comercial. A semente é considerada uma das principais formas de propagação e introdução de patógenos em áreas de


Lívia Teixeira Duarte

Figura 5 - Relação entre a severidade da mancha parda na folha bandeira e a mancha de grãos em 12 genótipos de arroz

Semente de arroz infectada por Bipolaris oryzae, causador da mancha parda

observou-se correlação linear e positiva entre a severidade da mancha parda na folha bandeira e o índice de mancha de grãos (R2=0,70 p<0,01). Esta informação é de grande importância, uma vez que a ocorrência de mancha parda na folha bandeira é um alerta para a necessidade de controle para a mancha de grãos. Mesmo atualmente, com o conhecimento que se tem sobre os agentes causadores das doenças e os métodos de controle, ainda ocorrem perdas significativas no campo em função da ocorrência de doenças. Isto reflete em aumento do custo de produção, menor oferta e baixa qualidade dos produtos. Lívia Teixeira Duarte

produção. Quando isso acontece, ocorrem maiores perdas no rendimento da produção de arroz. A transmissão do patógeno e a germinação das sementes são influenciadas pelo nível de infecção. Os restos culturais também são fontes de inóculo importantes. O fungo pode sobreviver em partes de plantas infectadas por dois anos a três anos, principalmente em sementes. Diversas gramíneas e espécies de Oryzae são suscetíveis e hospedeiras deste fungo, como Zizania glumaepatula, Oryzae glumaepatula e Oryzae grandiglumis. A doença é favorecida por excesso de chuvas e por baixa luminosidade durante a formação de grãos. Alta umidade e temperaturas entre 20°C e 30°C são condições ótimas para a infecção e o desenvolvimento da doença. As espiguetas, logo após a emissão das panículas até a fase leitosa, são mais suscetíveis. É comum observar a doença associada ao cultivo do arroz em solos deficientes em nutrientes, especialmente em potássio, manganês, sílica, ferro e cálcio. Deficiência ou excesso de nitrogênio também contribui para o desenvolvimento da doença. A idade da planta influencia diretamente o processo de infecção. Diversos autores demonstraram o aumento da suscetibilidade do arroz à mancha parda, à medida que a planta se torna mais velha. Quando a doença se manifesta no início da fase reprodutiva da planta, provoca a redução do peso e do número de grãos na panícula. Em trabalhos conduzidos por diferentes autores, observou-se que no período de florescimento foi onde houve maior severidade da mancha parda. Em estudos recentes onde se avaliaram 12 genótipos, tanto de terras altas quanto de arroz irrigado,

Conídio do fungo, causador da mancha parda, Bipolaris oryzae

As perdas causadas pelas doenças são estimadas em 30% da produção agrícola mundial, representando uma séria ameaça à segurança alimentar da população, portanto, o manejo da doença torna-se indispensável. Além das medidas já citadas, algumas estratégias disponíveis para o manejo da mancha parda devem ser consideradas, como as preventivas para melhor manejar a doença, como: conhecer o histórico da área e da região, fazer uso de sementes de alta qualidade fisiológica e fitossanitária, adotar a densidade de semeadura recomendada para a cultivar, atenção para a época de plantio mais adequada, redução do inóculo inicial presente no solo, restos de cultura e/ou em plantas voluntárias, adubação equilibrada, bom preparo do solo, práticas no plantio que facilitem a emergência rápida e uniforme das plantas, além de evitar tanto o estresse de plantas e/ou exposição prolongada às condições favoráveis ao desenvolvimento dos patógenos, sistematização da área, manejo da água de irrigação, uso de cultivares resistentes, controle de plantas daninhas, controle de insetos, entre outras práticas culturais. De uma forma resumida, o controle é feito via tratamento de sementes com fungicidas, com o objetivo de reduzir o inóculo inicial, aumentando a germinação e mantendo o estande de plantas desejável. O manejo da cultura envolve adubação equilibrada associada ao controle químico. Este deve ser feito conforme recomendação técnica, com início no final da fase de emborrachamento, com segunda aplicação, quando necessário, C dez dias após a primeira. Valácia Lemes da Silva-Lobo, Embrapa Arroz e Feijão

www.revistacultivar.com.br • Junho 2016

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Soja

Sobrevivência fácil Lucas Navarini

De difícil controle o fungo Sclerotinia sclerotiorum, causador do mofo branco, encontra nas condições de cultivo de soja no Brasil um ambiente bastante favorável para sobreviver e se disseminar. Medidas preventivas, que incluem o uso de fungicidas antes do estabelecimento da doença, são as mais efetivas para enfrentar o problema

14 Junho 2016 • www.revistacultivar.com.br

A

cultura da soja é acometida por várias doenças fúngicas. No Brasil, a número um é a ferrugem asiática da soja, seguida das manchas foliares. Porém, ocultamente, as podridões de raiz e haste acabam sorrateiramente, levando a rentabilidade da cultura. E estas doenças se distribuem pelo país de diferentes formas, beneficiadas pelas particularidades de cada região de cultivo, que acabe as favorecendo. Neste contexto o mofo branco, causado pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum, veio a cada safra ganhando importância para a sojicultura brasileira, mais pela sua dificuldade de controle do que pelo real potencial de dano à cultura, comparativamente à ferrugem. Na safra 2005/2006 algumas lavouras comerciais de soja em Jataí apresentaram incidência da doença com perdas de até 33%. No entanto, na safra 2007/2008, foi observada presença da doença em quase todas as áreas de cultivo, e vários casos severos apresentaram reduções de até 70% do potencial produtivo da lavoura. Os primeiros relatos de agricultores naquele município datam da safra 2001/2002. Atualmente, sabe-se que regiões de cultivo de soja que ofereçam condições mais amenas e melhores condições de molhamento (água livre) têm grandes chances de desenvolverem maiores perdas de produtividade pela agressividade do mofo branco. Em contrapartida, algumas regiões, apesar de apresentarem plantas com sintomas, não oferecem condições, durante o ciclo de cultivo da soja, para que a doença ganhe importância econômica. Em outras palavras, compromete a rentabilidade, mas não oferece risco econômico de perdas em produtividade. A grande problemática que envolve essa doença no Brasil é a facilidade que este fungo tem de sobreviver nas condições em que a soja é cultivada no país. O fungo dissemina-se principalmente na forma de escleródios, ascósporos e


micélio dormente no interior e exterior de sementes. Os escleródios podem ser disseminados por implementos e máquinas agrícolas, mas principalmente disseminam-se entre as sementes. Nesse caso, no Sul do País, especialmente o nabo forrageiro, onde a semente é semelhante ao escleródio, e se o agricultor não for atento com a qualidade da semente, pode acabar involuntariamente fazendo inoculação de sua lavoura com Sclerotinia sclerotiorum. Já os ascósporos são ejetados das ascas e lançados com a ajuda do vento até as plantas e lavouras próximas. Os ascósporos no vento normalmente aderem a todas as superfícies da planta, porém, dependendo de onde caírem, por exemplo, na parte superior das folhas do topo da planta, as condições para sua germinação e infecção são severamente ruins, e a probabilidade de ocorrer a doença é mínima. Contudo, o principal sítio de infecção, as pétalas senescidas presas, geralmente sobre axilas, facilitam incrivelmente o processo infeccioso, pois o fungo encontra nessas pétalas matéria orgânica (fungo necrotrófico, saprofítico) sem resistência à infecção, normalmente observada em tecidos vivos (folhas e hastes). E nestes locais, em geral o período de sombreamento e molhamento após o fechamento das linhas de soja pode chegar a até 16 horas por dia ou mais. Ou seja, quanto maior o período de molhamento, por exemplo, se as 10h da manhã ainda houver a possibilidade de molhar a barra das calças caminhando em uma lavoura de soja, maior será a probabilidade de estabelecimento da patogênese. Se houver uma região que proporcione (temperatura elevada, menor frequência pluviométrica) um menor tempo de molhamento (12 horas, por exemplo), a possiblidade da doença se tornar epidêmica na área é severamente reduzida, e com isso as chances de proporcionar perdas. As pétalas de soja senescidas do estádio R3 para o R4, em sua grande maioria, bem como flores senescidas de feijão ou partes mortas de crucíferas, servem como fonte de energia para garantir a infecção primária dos tecidos sadios pelos ascósporos e posterior colonização do hospedeiro. De acordo com a bibliografia é necessária uma fonte de nutrientes exôgena, para ocorrer a infecção, ou infectando a partir de ferimentos. Fato que ajuda a explicar lavouras de soja com presença de escleródios no solo, porém, em regiões de baixa altitude, secas e quentes não apresentarem níveis de dano

econômico da doença, muitas vezes não justificando o controle químico. Com isso, obviamente conclui-se que o mofo branco se relaciona com o estádio de florescimento dos hospedeiros. Contudo, os ascósporos podem infectar plantas injuriadas mecanicamente ou com lesões necróticas incitadas por outros patógenos ou pragas. O que em locais altamente favoráveis, observa-se o desenvolvimento da doença antes do florescimento, especialmente em lavouras de soja, começando pelas ruas de tráfego das máquinas (pulverizadores). Vale ressaltar que este fungo tem uma alta variabilidade genética e taxa de mutação. É um fungo polífago, capaz de atacar mais de 692 espécies de plantas, especialmente folhas largas. Assim, mesmo áreas de primeiro ano de soja não estão livres de sofrerem danos pela doença. No Brasil, o mofo branco acomete as culturas de girassol, feijão, algodão, canola, nabo forrageiro, batata e soja. Até o que se conhece atualmente, não há desenvolvimento da doença em gramíneas como milho, trigo, sorgo e braquiária. Após a entrada do patógeno pelas fronteiras das plantas, irá disseminar-se fácil e rapidamente (com alta agressividade) para folhas, pecíolos, internódios e também plantas próximas, afinal de contas, já conseguiu sua fonte primaria de alimento, e a partir disso sua principal função é disseminar-se e produzir micélio e escleródios em abundância na maior área possível, desde que as condições de ambiente lhe favoreçam para isso, como

adensamento da soja, espaçamento entre linhas menores, regiões de altitude, onde as temperaturas geralmente são mais frias à noite, aumentando o orvalho e o tempo de molhamento das plantas. Os tecidos corticais são invadidos rapidamente, até que se produz a morte da parte aérea da planta, sendo esta uma das causas que tornaram o mofo branco doença prioritária, ganhando muitas vezes mais importância econômica que a própria ferrugem em algumas regiões, onde as condições de clima e de uso da terra favoreceram seu aumento vertiginosamente. O exemplo disso é a sequência de soja, feijão, girassol, onde pode ocorrer nas três culturas uma produção massiva de escleródios, em relação à produtividade de fungo na área. Mas, em geral, a colonização é não seletiva (não específica a tecidos como o xilema). O desenvolvimento dos sintomas está associado ao ácido oxálico e às enzimas pectolíticas produzidas pelo fungo. Inicialmente o ácido oxálico penetra no tecido, reduzindo o pH de 6,8 para 4,0, fornecendo assim um pH ótimo para a ação da enzima pectolítica. Lembrando que um dos principais componentes da parede celular vegetal, que dá rigidez e serve de barreira à entrada de patógenos nas plantas, é o gel de pectina, que agrega as celuloses e hemiceluloses. A ação do patógeno resulta em regiões da planta com sintomas de encharcamento ao redor das lesões, que podem ser variáveis, conforme a tolerância ou resistência do hospedeiro ao ácido. As lesões surgem

Presença de apotécios do fungo Sclerotinia sclerotiorum, causador do mofo branco

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essa doença nos campos de soja é agir sobre o inóculo e não sobre a doença. As ações de controle desenvolvidas na doença (interação do fungo com a planta) minimizam a rentabilidade com o processo. Porém, ações voltadas para a diminuição da produção de escleródios e de sua viabilidade e manutenção na área são mais demoradas de se obter, mas, mais rentáveis. Como o objetivo é ganhar dinheiro com soja, é necessário achar um meio de utilizar as duas de modo a obter o melhor retorno econômico no investimento de tecnologias voltadas ao controle dessa doença, como o uso dos fungicidas. A soja brasileira, em sua grande maioria (mais da metade dos 31,5

Lucas Navarini

frequentemente do primeiro ao quinto nó e em ramificações secundárias da soja. As lesões se expandem da inflorescência para a haste principal, colonizando os tecidos e aumentando as lesões. A doença aumenta até a maturação da soja, podendo chegar a 90% de incidência. A grande problemática do mofo branco na cultura da soja no Brasil é a dificuldade de controle, de manejo. A bibliografia mostra já há alguns anos e não só no Brasil, que não existe controle total da doença, apenas uma diminuição da incidência. A forma de amenizar os danos causados pelo fungo é a integração de medidas, para a diminuição dos propágulos do fungo na área. A medida de controle mais efetiva e rentável para

Se medidas efetivas não forem adotadas antes do estabelecimento da doença, severos prejuízos podem ocorrer

16 Junho 2016 • www.revistacultivar.com.br

milhões de hectares em 2015), é de soja sobre a resteva de soja, sem rotação. Não é segredo que a oleaginosa é o grande viabilizador econômico de uma propriedade ou empresa agrícola atualmente, mas é preciso considerar que se, por fatores econômicos, não for possível fazer uma rotação de culturas adequada, deve-se realizar uma rotação de tecnologias, usar diferentes cultivares que possibilitem alterações de densidade e espaçamento entre linhas sem prejuízo da produtividade, arquitetura de plantas que dificultem o tempo de molhamento e, claro, os fungicidas. As regiões ou áreas mais críticas, invariavelmente, devem prever o cultivo de gramíneas (Poacea) sucessivamente, com o objetivo de promover a drástica diminuição do inóculo na área. O uso integrado de antagonistas, em áreas-problema, também deve ser considerado como um auxílio de médio - longo prazo, como o Trichoderma spp. Afinal, se atualmente a rentabilidade da lavoura está comprometida por causa do mofo branco, no futuro pode ser possível produzir soja sem mofo branco na área e, para isso, os fungos antagônicos de solo ajudam muito. A Embrapa Soja vem já há algumas safras liderando um ensaio em rede com parceiros de diversas instituições de pesquisa sobre o manejo químico do mofo branco. O objetivo é gerar resultados de pesquisa para auxiliar o registro e a recomendação de fungicidas. Os ensaios vêm sendo realizados desde a safra 2008 nos estados de Goiás, Bahia, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Sugere-se que produtores de soja passíveis de enfrentar essa doença devastadora atualizem-se, obtendo a circular técnica dos ensaios em rede para mofo branco no Brasil. O uso de fungicidas é muito efetivo antes do estabelecimento da doença. Uma vez que consiga infectar as pétalas mortas, os defensivos terão um baixo efeito de controle. Sabendo disso, o estádio fenológico mais crítico para o manejo químico é o início do florescimento. Pensando em usar o fungicida muito mais sobre o inóculo da doença, os apotécios e ascósporos, do que na planta e muito C menos na doença. Lucas Navarini IFRS - Campus Ibirubá/RS Carlos Machry, Dionatan Nicola e Francine Simmi, IFRS - Campus Ibirubá/RS


Soja

Lucro ameaçado Jerson Guedes

O manejo de percevejos deve acompanhar a evolução do cultivo da soja, principalmente considerar o aumento das populações da praga, as dificuldades de controle (espécies do inseto e a eficiência dos inseticidas), os severos danos que produzem e o alto valor da soja. Juntos esses componentes determinam que o controle deve ser feito em baixas populações sob pena de se tornarem incontroláveis, sugando os lucros do produtor

O

fatores como: o crescimento da área cultivada, o número e o tempo de oferta de hospedeiros, as falhas operacionais de controle, a resistência aos inseticidas e a falta de inovações no controle químico. Nesse cenário, o percevejo-marrom e os percevejos-barriga-verde se destacaram e atualmente predominam na grande maioria das lavouras do Brasil. O Percevejo-marrom (Euschistus heros), na fase adulta tem a coloração que o próprio nome já sugere, mede 11mm em média, tem pronoto pontiagudo que termina em espinhos e o escutelo apresenta uma mancha clara em forma de “v”. As fêmeas fazem a postura agrupada

em folhas e legumes, disposta em duas ou três linhas paralelas, com aproximadamente 15 a 20 ovos amarelos. Após a incubação, emergem as ninfas que inicialmente são de coloração marrom-amarelado, com bordos serreados, mudando para o marrom-esverdeado com manchas. Como as ninfas de outros percevejos, elas permanecem agrupadas até o 3º instar, quando ficam mais ativas, se dispersam e começam a se alimentar. A fase de ninfa dura em média 33 dias e os adultos podem viver mais de 100 dias. Os percevejos-barriga-verde (Dichelops spp.) já foram considerados pragas secun-

Clérison Perini

manejo de percevejos deve considerar as importantes alterações que ocorreram no cultivo da soja nos últimos tempos, (I) o crescimento da área cultivada avançando sobre regiões antes não exploradas; (II) o cultivo em diferentes épocas servindo de pontes verdes que hospedam pragas; (III) o uso intenso de fungicidas, inseticidas e herbicidas e seu impacto sobre organismos benéficos; (IV) o aumento do período reprodutivo com a oferta de legumes nas cultivares modernas e (V) a redução do uso de inseticidas nos cultivos Bt. Nos Sistemas Integrados de Grãos a distribuição dos percevejos é influenciada pela sucessão de cultivos, pela presença de plantas daninhas e pelos cultivos do entorno da área, pois passam a maior parte do ano em outras plantas hospedeiras ou na palhada e apenas dois a três meses na soja. Os cultivos do entorno das lavouras de soja e da entressafra influenciam na migração e na prevalência de algumas espécies de percevejos, contribuindo para sua permanência e sobrevivência nas áreas ou no seu entorno. As espécies de percevejos que ocorrem na soja do Brasil variam em resposta a diversos

Teste de Tetrazólio: grãos de parcela sem aplicação de inseticida (esquerda) e com aplicação de inseticida (direita)

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Área da lavoura (hectares) < 20 21 a 60 61 a 100 > 100

Número mínimo de pontos 4 6 10 15

Custo de controle (R$/ha)* 30 40 50 60 70 80 90 100

40 ² 0,54 0,72 0,90 1,08 1,26 1,44 1,62 1,80

45 ² 0,48 0,64 0,80 0,96 1,12 1,28 1,44 1,60

Valor da saca de soja (R$/ha) 50 55 60 65 70 2 Percevejos/m ² 0,43 0,39 0,36 0,33 0,31 0,58 0,52 0,48 0,44 0,41 0,72 0,65 0,60 0,55 0,51 0,86 0,79 0,72 0,66 0,62 1,01 0,92 0,84 0,78 0,72 1,15 1,05 0,96 0,89 0,82 1,30 1,18 1,08 1,00 0,93 1,44 1,31 1,20 1,11 1,03

75

75

0,29 0,38 0,48 0,58 0,67 0,77 0,86 0,96

0,29 0,38 0,48 0,58 0,67 0,77 0,86 0,96

*Custo de controle (R$/ha) = custo do inseticida + serviços. Estimativas realizadas com eficiência de controle do inseticida de 90%.

Eixo embrionário do grão de soja e região vascular danificada por picadas de percevejos (cor branca)

76% do total de percevejos, seguido por N. viridula e E. heros, respectivamente. Na safra seguinte, predominaram as espécies P. guildinii, D. furcatus e E. meditabunda. Embora E. heros não esteja entre as três que apresentaram maior proporção, esta espécie passou de 4% em 2006/07 para 12% do total de percevejos e atualmente é a espécie que predomina na maioria das lavouras de soja do Brasil (Figura 1). A predominância e as altas populações do percevejo-marrom e dos percevejos-barriga-verde no sistema produtivo da soja podem compensar sua baixa capacidade natural de causar os danos. Os danos dos percevejos variam ao longo do seu desenvolvimento. As ninfas pequenas (de 1° instar e 2° instar) ficam agrupadas e não se alimentam, como as ninfas grandes e os adultos. As ninfas grandes (de 3°, 4° e 5° instares) se alimentam para se desenvolver e cumulativamente causam 2/3 dos danos. O 1/3 restante é provocado pela alimentação do adulto. Por isso, quando se observam percevejos adultos na soja, parte dos lucros já foi sugada por essa praga na fase de ninfa. Os cotilédones das plantas de soja recém-emergidas são atacados por percevejos remanescentes de culturas anteriores (como milho, trigo ou mesmo a soja), resultando em menor altura inicial das plantas, por

cessar o fornecimento de energia para o seu crescimento inicial. A partir da formação dos legumes até o final do enchimento dos grãos ocorrem danos diretos, quando os percevejos se reproduzem e aumentam em número nas lavouras, sugando os legumes e grãos que ficam menores, chochos, enrugados e com menos peso, diminuindo o rendimento e a qualidade dos grãos. Além disso, o ataque de percevejos em legumes recém-formados (R3R4) provoca o seu abortamento, que pode ser ainda mais severo em períodos de estiagem. Quando se cultiva soja para sementes, uma picada de percevejo no eixo embrionário inviabiliza a germinação. Picadas na região vascular, por onde passam vasos que ligam o eixo embrionário aos cotilédones, comprometem o transporte de nutrientes dos cotilédones à planta em desenvolvimento, reduzindo a emergência, o vigor e a sanidade das plantas. Por isso, sojas cultivadas para a produção de sementes devem ser protegidas e estarem livres do ataque de percevejos durante a fase reprodutiva. Os danos dos percevejos não são percebidos durante o ciclo da soja e sua visualização só é possível com o teste de Tetrazólio, que permite ver o local da picada e a região morta no grão, alertando o produtor sobre os severos danos que os percevejos ocasionaram em sua

Jerson Guedes

dárias na soja, no entanto, em função das mudanças no sistema de manejo das lavouras (rotação com milho e trigo, principalmente), apresentam populações fora de controle em muitas culturas. Os adultos medem de 9mm a 10mm de comprimento e têm coloração de castanho-amarelado ao acinzentado, com abdome verde. A cabeça termina em duas projeções pontiagudas e o pronoto com margens anteriores denteadas e expansões laterais em espinhos. As posturas são feitas sobre folhas ou legumes, em massas de aproximadamente 14 ovos de coloração verde-clara. As ninfas são castanhas, com abdome claro e pontuações escuras sobre o corpo. A fase de ninfa dura em média 18 dias. Após a colheita da soja, o percevejo-marrom e os percevejos-barriga-verde se abrigam sob a palhada, onde se alimentam de grãos secos caídos no solo. Essas espécies colonizam e atacam o milho safrinha e no inverno o trigo, e mudam seus hábitos alimentares ao longo do ano, passando de sugadores de grãos a sugadores de tecidos vegetativos. As alterações observadas no cultivo da soja se refletiram na proporção de espécies de percevejos da soja. O efeito do controle químico, variável sobre as espécies, as estratégias bioecológicas e comportamentais e a maior polifagia (leguminosas e gramíneas) permitiram o maior sucesso do percevejo-marrom e dos percevejos-barriga-verde. O percevejo-verde-pequeno (Piezodorus guildinii) e o percevejo-verde (Nezara viridula) diminuíram muito sua importância no Brasil e mesmo no Rio Grande do Sul. Nas safras 2006/07 e 2007/08, essa alteração já estava clara. No primeiro ano, a espécie predominante foi P. guildinii, com

Tabela 2 - Níveis de dano econômico de percevejos em soja

Clérison Perini

Tabela 1 - Número de pontos para a amostragem de percevejos

Figura 1 - Proporção de espécies de percevejos da soja

Adulto do percevejo-barriga-verde

18 Junho 2016 • www.revistacultivar.com.br


Jerson Guedes

Figura 2 - Proporção de espécies de percevejos em lavouras de soja Bt e não Bt em três safras agrícolas no Brasil (2011/12, 2012/13 e 2013/14)

Danos de percevejos em grãos de soja

lavoura de soja. O monitoramento das populações de percevejos em soja serve para determinar as fases (ninfas pequenas, grandes e adultos), espécies e número de percevejos/m2 na lavoura. Esses dados são usados para a tomada de decisão de controle, determinando se controla ou não, qual inseticida e a dose a ser usada. A maneira de amostrar percevejos depende do estágio de desenvolvimento da soja. Nos estágios iniciais e na entressafra é feita pela contagem direta do número de percevejos em uma área de 1m2, nas plantas e na palhada. Com as plantas mais desenvolvidas se usa o pano de batida vertical com calha, com duas tomadas (batidas) em uma fileira de soja (2m), totalizando 1m2 de área amostrada. Essa amostragem deve ser semanal em tantos pontos na lavoura que permita ter certeza da variação espacial das populações (Tabela 1). As bases para decidir o controle de percevejos são o Nível de Dano Econômico (NDE) e o Nível de Controle (NC). A decisão de controle tem relação direta com quatro fatores: 1) custo do controle (inseticida + aplicação); 2) valor da saca de soja; 3) dano dos percevejos e 4) eficiência do inseticida. Estes são os fatores que alimentam a equação do NDE e norteiam a

decisão de controle. O produtor deve calcular para a sua situação o momento de controle de percevejos, pois o valor do NDE (valor dado em percevejos/m2) estimado pela fórmula, expressa o limite máximo de percevejos que o produtor pode tolerar em sua lavoura. Na prática, o produtor deve aplicar o inseticida antes que os percevejos cheguem ao valor do NDE. Esse número é conhecido como NC. Os danos que os percevejos causam em soja já foram estudados e uma estimativa de 36 resultados mostra um dano de aproximadamente 75kg/percevejo/m². Utilizando esse valor na fórmula do NDE, com custo de controle de R$ 50,00/ha e o valor da saca de soja de R$ 70,00, o NDE é de 0,71 percevejo/ m². Na Tabela 2 são apresentados os dados que mostram que o NDE varia com o custo de controle e o valor da saca de soja. A redução das aplicações de inseticidas em sojas Bts favoreu os percevejos, o que já ocorreu em algodão nos EUA entre 2001 e 2007 e no Brasil em meados de 2010. Com a redução das aplicações de inseticidas de amplo espectro para o controle de lagartas, que também controlavam populações iniciais de percevejos, estes insetos ocorrem mais cedo na cultura, se reproduzem e aumentam sua densidade

populacional. Em lavouras com soja Bt há pelo menos 10% a mais de percevejos do que em lavouras não Bt, conforme foi observado em pesquisa do Laboratório de Manejo Integrado de Pragas (LabMIP) da Universidade Federal de Santa Maria. O sucesso do manejo de percevejos depende do monitoramento das populações e da otimização das oportunidades de manejo dessa praga no sistema de cultivo da soja. Isso inclui o controle dos percevejos colonizadores nas culturas antecessoras, na palhada antes da semeadura e nas pulverizações associadas com fungicidas, no final do vegetativo e durante o período reprodutivo da soja. A falta de monitoramento (pano de batida) e do correto diagnóstico (espécies e população) leva a aplicações tardias com infestações acima do nível de controle e à diminuição do lucro dos produtores. C Jerson V. C. Guedes, Clérison R. Perini, Leonardo Burtet, Regis F. Stacke, Adriano A. Melo e Jonas A. Arnemann, Univ. Federal de Santa Maria

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Informe

Alto vigor

Fotos Dimicron

Iniciativa voltada a sementeiros oferece certificação a quem alcançar mínimo de 70% de sementes classificadas como de maior potencial produtivo. Objetivo é de elevar o padrão de sementes cultivadas e contribuir para o aumento da produtividade de soja

O

negócio da Aminoagro é de nutrição e fisiologia de plantas, suplementação de sementes e revitalização de solo, e com essa atuação a empresa tem acompanhado de perto os desafios de agricultores de todo o Brasil no plantio da soja, mas também de diversas outras culturas como o milho, café e hortifrúti. O que levou, então, os pesquisadores da companhia a desenvolver uma tecnologia voltada para a semente foi o conhecimento adquirido na parceria contínua com os produtores rurais e a comprovação que, sem uma semente classificada como mais alto vigor, ou pelo menos de alto vigor, ou seja, uma semente de verdade, os resultados são menos satisfatórios do que

poderiam ser. A cultura da soja possui quatro componentes de rendimento que são responsáveis pela produtividade: número de plantas por área, número de vagens por planta, número de grãos por vagem e o peso de grão. Todos se relacionam entre si, por isso é impossível manejar apenas um deles sem influenciar os outros. Por exemplo, se for aumentado muito o número de plantas por área, é possível favorecer o aparecimento de plantas com menor número de vagens ou com redução de grãos por vagem. Desta forma, o segredo para altas produtividades é manejar a cultura para obter em conjunto o máximo de cada componente, afetando o mínimo possível os demais.

20 Junho 2016 • www.revistacultivar.com.br

Neste contexto, sabe-se que o potencial genético da soja vai muito além do que se colhe, pois um produtor do Paraná colheu 141,8 sacas de soja por hectare, resultado que levou esse agricultor a vencer o Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja em 2015. Entretanto, ao conversar com os produtores no dia a dia do campo, percebe-se que nem nas expectativas mais otimistas eles esperam chegar a pelo menos 100 sacas por hectare. Longe disso, os resultados em um estado como o Mato Grosso, por exemplo, que é o maior produtor do Brasil atualmente, alcançam 52 sacas por hectare em média. Isso significa que é possível encontrar na mesma linha, lado a lado, plantas que produzem 150 vagens e


outras apenas 40. E o motivo pelo qual isso ocorre está diretamente relacionado com a semente: sua produção será limitada pelo vigor, que compreende as propriedades das sementes que determinam o seu potencial para a emergência rápida e uniforme e desenvolvimento de plântulas normais, sob ampla diversidade de condições de ambiente (Aosa, 2009). Atualmente, uma das maiores inovações da agricultura foi o desenvolvimento da tecnologia Organismos Geneticamente Modificados (GMO), com relevante incremento de produtividade e aumento da resistência a diferentes intempéries, além de pragas e moléculas com efeito herbicida, mas em muitos casos diminuiu-se a atenção quanto ao vigor da semente de soja e aos níveis de nutrientes na semente. Além disso, é importante observar que podem ocorrer danos na semente, por exemplo, por umidade na fase de enchimento dos grãos, pós-maturidade fisiológica, de armazenamento, ou danos mecânicos que podem ser provocados em diferentes etapas do processo de colheita, como por exemplo: no transporte ou beneficiamento, ou ainda por percevejo devido ao mau manejo de pragas. Quanto maior for o nível de vigor da semente antes do plantio, maior será seu desenvolvimento e resistência aos fatores de estresse biótico e abiótico e os resultados em produtividade certamente serão maiores. Neste cenário inovador, a Aminoagro se uniu à Dimicron em 2015 e formou uma companhia que está entre as três maiores do país. Com objetivo de contribuir para o melhor desenvolvimento da planta e pensando em todas as etapas do seu desenvolvimento, criou-se o Programa Construindo Plantas (PCP), que tem como objetivo melhorar a eficiência da lavoura, partindo da análise de semente, que dentre as avaliações classifica o seu vigor e estimula fisiologicamente e nutricionalmente o desenvolvimento da planta de forma pontual em suas fases de maior demanda energética. Com esse conhecimento, a empresa pode orientar sobre a melhor forma de obter plantas mais eficientes em todas as fases da cultura. O PCP tem início com análises fisiológicas (dentre elas, o vigor) e químicas da semente, possibilitando identificar os principais danos e níveis nutricionais.

ainda, antes da próxima safra, com o certificado Sementes de Verdade. Para obter o selo de qualidade, os sementeiros precisam alcançar o mínimo de 70% de sementes classificadas como mais alto vigor e de alto vigor, que são aquelas que possuem o maior potencial produtivo. Com essa iniciativa, a empresa quer elevar o padrão de sementes cultivadas e, consequentemente, contribuir para o aumento da produtividade de soja. Em seu Laboratório de Análise de Sementes (LAS), a empresa analisa sementes de diversas culturas e de todas as regiões onde atua. Do total de amostras analisadas em 2015, observou-se que alcançaram 75% de germinação e 66% de vigor, um padrão considerado muito baixo. O fator mais crítico reside no fato de que o percentual de sementes de mais alto vigor encontrado foi de apenas 3,29%, e somente 33% foram classificadas como alto vigor. Segundo Kolchinski et al (2005), ao trabalhar com a soja, observou-se que o uso das sementes de alto vigor proporciona acréscimos superiores a 35% no rendimento em relação ao uso das sementes de baixo vigor e que o aumento na proporção das plantas provenientes das sementes de alto vigor na comunidade também proporcionou acréscimo linear no rendimento. Para receber o certificado, o sementeiro deverá alcançar o índice de 95% de germinação e 90% de vigor, sendo desses 70% de sementes classificadas como mais alto vigor e alto vigor. Para alcançar esse

padrão de qualidade o produtor poderá contar com um conjunto de práticas de manejo e de produtos desenvolvidos pela Aminoagro e Dimicron voltados a atingir o grau de excelência da semente. Os grãos serão analisados pelo LAS e se atingirem os índices, o sementeiro receberá o certificado. O agricultor se sentirá mais seguro em investir na compra, pois poderá ter mais confiança no potencial produtivo de sua semente. A queda de qualidade das sementes vem sendo percebida, principalmente diante das mudanças climáticas que afetam a cultura da soja. As alternativas que têm surgido, como o cultivo caseiro ou a produção de sementes selecionadas, têm um custo alto para o produtor e não favorecem uma melhoria geral do padrão de sementes. A certificação está disponível para os sementeiros em 2016, o que significa que terão chance de fornecer aos agricultores, em nova condição, na safra de 2016/2017, que tem início em outubro. Além disso, a empresa vai ampliar o seu atendimento aos produtores de soja na região Centro-Oeste, com a abertura de mais um LAS que iniciará operação no segundo semestre de 2016, em Cuiabá, com investimentos de R$ 1 milhão. A empresa tem sede em Indaiatuba, São Paulo, e fábricas na Cidade Ocidental (GO), Cuiabá (MT) e Cruz Alta (RS), onde já funciona seu C laboratório. Shirlei Uhde, Dimicron Química do Brasil

C

UM PASSO ADIANTE COM OS SEMENTEIROS

O investimento em pesquisa e inovação e a contínua assistência técnica ao produtor agora se completam com uma iniciativa voltada aos sementeiros, que poderão contar

Vigor das sementes tem papel extremamente importante na obtenção de alta produtividade

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Fotos Anderson Rossato

Capa

Ataque implacável

Folhas, espigas, colo e colmo das plantas de milho estão entre os alvos da lagarta-docartucho, Spodoptera frugiperda, uma das principais pragas da cultura, responsável por danos de até 60%. Para conter os prejuízos deste inseto são necessárias medidas integradas, adotadas ao longo de todo o ano, que incluem dessecação antes da semeadura, tratamento de sementes com inseticidas e emprego de tecnologia Bt

O

milho é uma das culturas mais importantes no mundo. Para obtenção de elevadas produtividades, faz-se necessário a proteção das plantas contra o ataque de pragas. Comparativamente a outras culturas, a população de plantas no milho é menor, fazendo com que a perda de área foliar ou de plantas, em decorrência de erros do manejo fitossanitário, tenha maior impacto na produtividade de grãos (Cruz et al, 2010). Como uma das principais pragas do milho tem-se a lagarta-do-cartucho (Spo-

doptera frugiperda). Os seus danos podem chegar a até 60%, dependendo do híbrido, da época de semeadura e do estádio de desenvolvimento da cultura, sendo que o florescimento é o período crítico (Cruz et al, 2010; Carvalho, 1970). O período larval da lagarta-do-cartucho varia de 12 dias a 30 dias, de acordo com a temperatura, sendo nesse período que ocorrem os danos às plantas de milho. A coloração da lagarta pode oscilar de cinza a marrom até verde, possuindo seis instares, podendo atingir 50mm no último (Gallo et al, 2002; Avila

22 Junho 2016 • www.revistacultivar.com.br

& Papa, 2015). A lagarta-do-cartucho é um inseto polífago e possui estádio de adaptação em diversos hospedeiros alternativos. No sorgo granífero e no selvagem o nível é alto e intermediário em culturas como soja, trigo, capim braquiária e caruru-de-porco. Com isso a incidência desta praga em lavouras de milho é elevada (Boregas et al, 2013; Cruz, 2010). A lagarta tem preferência por atacar folhas novas, raspando-as, provocando o primeiro sintoma conhecido como “folha


raspada”. Quando a lagarta ocorre dentro da espiga em formação são gerados danos diretos, como o consumo de massa em si, e indiretos, na facilitação da entrada de bactérias e fungos, prejudicando a qualidade do grão e a silagem. Em situações como alta infestação, pode haver danos no colo das plantas, colmo e espigas. Outros fatores como períodos de estiagem, temperaturas acima de 25°C, áreas de cultivo contínuo de milho, milho safrinha e semeadura tardia favorecem o aumento da população desta praga (Avila & Papa, 2015). Para que o manejo da lagarta-do-cartucho seja eficiente, as ações devem ser realizadas todo o ano. É recomendável a dessecação antecipada 30 dias antes da semeadura, eliminando a presença de massa verde (plantas daninhas e culturas antecessoras), que servem de hospedeiras para a praga. Em um período próximo à semeadura deve-se realizar uma nova dessecação com o objetivo de eliminar as plantas daninhas que não foram afetadas pelo primeiro manejo. No controle cultural, práticas como evitar a semeadura próxima de plantas hospedeiras, controlar plantas hospedeiras no interior e bordas, semeaduras no sentido contrário da direção do vento e evitar semeaduras escalonadas na mesma área ou áreas próximas, diminuem a pressão do inseto (Sarmento, 2002). No controle biológico, entomopatógenos, baculovírus, inoculações da vespinha Trichogramma e a preservação de inimigos naturais como a tesourinha (Doru luteipes), podem controlar eficientemente a campo. O fator abiótico mais importante no controle da lagarta-do-cartucho é o regime de chuvas. Quando as chuvas são fortes e frequentes, a lagarta é naturalmente controlada, diretamente pela chuva e indiretamente via inimigos naturais, como doenças (Sarmento, 2002; Bianco, 1997). Alternativamente o manejo da lagarta-do-cartucho e de outros lepidópteros pode se dar pelo emprego de milhos Bts. Esses possuem proteínas que são provenientes da Baixo

Nível

bactéria Bacillus thuringienses, que atuam em todo o ciclo da cultura (Gallo et al, 2002; Santos et al, 2012). Porém, devem ser respeitadas duas regras legais impostas pela CTNBio: uma referente às áreas de refúgio, que exige 10% da área cultivada com híbridos de milho não Bt e distantes no máximo 800 metros da lavoura Bt, e a outra evitar a contaminação de lavouras de vizinhos não Bt, por meio da polinização (Embrapa, 2011). Híbridos Bts e convencionais não dispensam o uso de tratamento de sementes, que deve ser de amplo espectro, proporcionando eficiência no controle de pragas iniciais. Porém, o efeito residual do tratamento de sementes varia de 15 dias a 20 dias após a emergência, o que coincide com as denominadas pragas iniciais (Embrapa, 2011). Após o efeito do tratamento de sementes é necessário o monitoramento semanal da lagarta-do-cartucho. Como esta praga não se distribui uniformemente nas áreas, pode ser usado o acompanhamento tanto visual do ataque de plantas como o uso de armadilhas de feromônios para justificar uma situação de controle. O nível de ação, para a lagarta-do-cartucho, é atingido quando 20% das plantas de milho apresentarem o nível 3 da escala de Davis. Em regiões com histórico de pressão do inseto, recomenda-se como parâmetro o nível de 10% de plantas atacadas (Grützmacher et al, 2000; Cultivar, 2013; Rosa, 2011; Davis et al, 1992). O controle da lagarta-do-cartucho deve ser justificável, isto é, a partir de um monitoramento rígido e não com o uso de aplicações pré-agendadas, por exemplo. No caso da necessidade de controle químico, há 155 produtos registrados para o controle da lagarta-do-cartucho, pertencentes aos grupos químicos carbamato, organofosforado, piretroide, neonicotinoide, espinosina, benzoilureia, oxadiazina, diamida, clorpenapir ediacilhidrazina e biológicos (Agrofit, 2016). É preferível Médio

Nível

o uso de inseticidas seletivos para a preservação de inimigos naturais. Também se deve rotacionar os ingredientes ativos de modo a evitar a resistência da praga (Bianco, 1997). Na safra de 2014/2015, 60% das sementes disponíveis no mercado foram transgênicas, resistentes a insetos da ordem lepidóptera e/ou com resistência a herbicidas (Cruz et al, 2014). Dessa porcentagem, verificaram-se cinco eventos transgênicos para o controle de lepidópteros no mercado: o evento MON 89034 (toxina Cry1A.105/Cry2Ab2), marca VT PRO; o evento TC 1507 (toxina BtCry 1F), marca Herculex I; o evento MON 810 (toxina BtCry 1Ab), marca YieldGard; o evento Bt11 (toxina BtCry 1Ab), marca Agrisure TL; e o evento MIR162 (toxina BtVIP3Aa20), marca TL Viptera (Embrapa, 2014; Cruz et al, 2014). Foram realizados dois experimentos na área experimental do Departamento de Fitotecnia da UFSM. Foram realizadas estimativas visuais de dez plantas ao acaso nas três fileiras centrais da parcela do experimento I e em uma fileira no experimento II, com o auxílio da escala visual de danos ocasionados por S. frugiperda, que varia de 1 a 9 (Davis et al, 1992). Dessa forma, objetivou-se com esse trabalho avaliar a presença da lagarta Spodoptera frugiperda em híbridos de milho por meio da escala de Davis. A semeadura foi realizada diretamente sobre palhada de trigo na densidade de seis sementes/m². O delineamento experimental utilizado foi de blocos completamente casualizados, com três repetições, nos dois experimentos. Os tratamentos no experimento I foram constituídos de 20 híbridos comerciais de milho, com semeadura realizada no dia 19/10/2015. Destes 20, dois são (híbridos convencionais), 11 (VT PRO), dois (Herculex), quatro (Herculex + YieldGard) e um (YieldGard). Foram realizadas duas aplicações de inseticidas: a primeira em Alto

1

4

Nenhum dano até

De 4 a 7 lesões alongadas nas folhas do cartucho de

3 lesões bem pequenas.

1,3cm a 2,5cm presente em várias folhas expandidas e novas;

2

5

Lesões pequenas e circulares

De 4 a 7 lesões alongadas nas folhas do cartucho maiores

nas folhas do cartucho.

que 2,5cm em algumas folhas expandidas e novas;

3

6

Pequenas lesões alongadas e circulares

De 4 a 7 lesões maiores que 2,5cm presentes em várias

até 1,3cm nas folhas expandidas e novas.

folhas expandidas e várias folhas novas;

Nível 7 8 ou mais lesões de todos os tamanhos presentes em folhas do cartucho, além de furos com formato uniforme e irregular em folhas expandidas; 8 8 ou mais lesões alongadas de todos os tamanhos na maioria das folhas do cartucho, e muitas lesões médias a grandes em várias folhas, algumas completamente comidas; 9 Cartuchos e folhas expandidas quase ou totalmente destruídas.

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Tabela 1 - Média das notas atribuídas aos híbridos, segundo a escala de Davis e a classificação Experimento I Híbridos NS 92 PRO2 NS 50 PRO DKB 290 PRO 3 DKB 230 PRO 3 AS 1666 PRO 3 AS 1677 PRO 3 AS 1656 PRO 3 9025 PRO 3 8780 PRO 3 8690 PRO 3 P 3456 H P 2530 32R22 YHR P 1680 YH 30F53 YHX NS 56 PRO BG 7318 YH BG 7060 HR BG 7046 30F53 YR Média CV

Notas V8 V4 1,1 a* 1,13 a 1,43 a 1,8 a 1,2 a 4 b 1,23 a 4,13 b 1,2 a 1,2 a 1,26 a 1,4 a 1,33 a 1,4 a 1,23 a 1,3 a 1,26 a 1,3 a 1,5 a 1,63 a 1,43 a 3,9 b 1,63 b 4,26 b 1,73 b 4,1 b 1,86 b 4,3 b 2,33 b 3,06 b 1,8 b 1,86 a 1,86 b 3,93 b 1,9 b 4,4 b 2,13 b 5,43 c 1,93 b 3,76 b 1,57 2,86 19,11 15,59

Experimento II Híbridos Defender vip Status vip AS 1656 PRO3 DKB 240 PRO2 Fórmula DKB 290 PRO3 Velox TL Dow 2B688 P 1630 HX 30 F53YHX

Notas V4 V8 1,03 a 1,3 a 1,03 a 1,03 a 1,2 a 3,43 b 1,2 a 3,84 b 1,3 a 6,9 d 1,33 a 2,9 b 1,4 a 5 c 1,5 a 3,63 b 1,86 b 5 c 1,93 b 5,56 c

Folha de milho bastante danificada pela ação da lagarta Spodoptera frugiperda

nologia VT PRO mostraram-se superiores às demais tecnologias (Tabela 1). Deve ser ressaltado que em alguns híbridos, que não atingiram nota 3 em V4 e V8, talvez não seria necessária a aplicação de inseticida, pois não atingiram o nível de controle da lagarta-do-cartucho (Tabela 1). Já híbridos como BG 7046 e P2530 demonstraram que duas aplicações de inseticida, 34 DAS E 40 DAS não foram suficientes para o controle da lagarta. Nesse caso, seriam necessárias mais aplicações, onerando os custos de produção, pois o nível de controle, segundo Davis et al (1992), é a nota 3. Moraes et al (2015), demonstraram que híbridos convencionais apresentam maiores danos quando comparados com suas versões transgênicas em dois locais distintos, Campinas e Mococa, e também que diferentes toxinas Bts exibem danos variados pelo ataque de S. frugiperda. Além disso, a demonstração de Moraes et al (2015) verificou que o evento Maximus Viptera obteve uma das menores notas de dano e

1,38 3,86 23,83 15,91

V5, (tiametoxan + lambda-cialotrina) e a segunda em V6 (lambda-cialotrina + chlorantraniliprole) + (lufenurom). No experimento II, os tratamentos foram constituídos de dez híbridos comerciais e a semeadura realizada no dia 17/12/2015. Neste experimento foram utilizadas as seguintes tecnologias de híbridos: dois convencionais, dois TL Viptera, três VT PRO, um Herculex, um Herculex + YieldGard e um Agrisure TL. Foi realizada uma aplicação de inseticida (Acefato) em V5. Os danos em ocorrência da lagarta-do-cartucho foram avaliados nos estágios fenológicos V4 (4 folhas completamente desenvolvidas) e V8 (8 folhas completamente desenvolvidas), em ambos os experimentos. Foram realizadas estimativas visuais de dez plantas ao acaso nas três fileiras centrais da parcela do experimento I e em uma fileira no experimento II, com o auxílio da escala visual de danos ocasionados por S. frugiperda, que varia de 0 a 9 (Davis et al, 1992). No experimento I, no estágio V4, os maiores danos foram observados nos híbridos convencionais e nos que possuem a tecnologia Herculex + YieldGard, YieldGard e Herculex, com a exceção do P 3456 H (Tabela 1). Na avaliação feita no estágio V8 foi possível observar que os híbridos da tec-

Anderson da Costa Rossatto, Guilherme Bergeijer Rosa, Vinícius dos Santos Cunha e Thomas Newton Martin, UFSM

Anderson Rossato

*médias seguidas por letras distintas diferem a 5% de probabilidade de erro pelo teste de Scott-knott.

possuiu a maior produtividade comparado com outros nove híbridos. Nesse trabalho de Moraes et al (2015), as menores notas obtidas foram nas tecnologias Herculex e TL Viptera, entretanto, o único híbrido com a tecnologia VT PRO não atingiu o nível de controle, o que condiz com a maioria dos híbridos deste trabalho. Martin et al (2015), ao avaliar os danos causados em diferentes híbridos de milho pela lagarta-do-cartucho, observaram que híbridos transgênicos foram menos atacados e que a tecnologia TL Viptera apresentou menores danos em Santa Maria, Rio Grande do Sul. No experimento II, a avaliação em V4, as cultivares não atingiram o nível de controle necessário. Porém, em V8, os únicos híbridos com danos menores foram Defender VIP e Status VIP. Os demais mostraram que uma aplicação de inseticida aos 34 DAS não foi o suficiente para o controle da lagarta, e para ter evitado isso teria que ter havido uma medida de controle antes dos altos valores atingidos em V8. O que pode explicar o alto dano no experimento II ocasionado pela lagarta-do-cartucho é a semeadura tardia, expondo a uma maior pressão do inseto (Avila & Papa, 2015). O baixo dano da tecnologia TL Viptera nesse experimento é compatível com resultados de Martin et al (2015) e Moraes C et al (2015).

24 Junho 2016 • www.revistacultivar.com.br

Principal praga na cultura do milho, a lagarta-do-cartucho pode levar a perdas de até 60%, dependendo do híbrido utilizado


Milho

Vetor de problemas Germison Tomquelski

Uma das mais sérias pragas de milho na América Latina, a cigarrinha Dalbulus maidis, além de perdas na produtividade tem poder de fogo para causar efeitos indiretos, através da transmissão de patógenos como viroses e enfezamentos. O controle químico, via tratamento de sementes e aplicação de inseticidas, é uma das ferramentas recomendadas para o combate ao inseto associada a um conjunto de medidas de manejo integrado

O

avanço tecnológico na cultura do milho no Brasil promoveu ganhos significativos em produtividade. O agroecossistema utilizado no Centro-Oeste é um ambiente favorável à multiplicação de pragas, pois prevalece sistema de produção em que se cultivam poucas culturas na grande maioria das áreas, muitas vezes sem a rotação e sucessão necessárias à maior diversidade de inimigos naturais. Desta forma, o cultivo sucessivo destas culturas faz com que muitas pragas se adaptem ao sistema. Aliado a isto, outros fatores como condições climáticas favoráveis, altas temperaturas e inverno ameno tornam-se ideais para a multiplicação dos insetos. A cultura do milho está sujeita ao ataque de diversos insetos desde a germinação à colheita. Dentre a diversidade de pragas, a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) (Hemiptera: Cicadellidae) teve sua ocorrência constatada no Brasil há vários anos e tem aumentado a frequência nas lavouras de milho em todo o País, causando danos significativos às plantas e exigindo ações de controle. Este hemíptero, quando na fase adulta, mede de 3mm a 4,5mm de comprimento, sendo de coloração amarelo-palha. É frequentemente encontrado no cartucho do milho. O ovo, amarelado, apresenta um período embrionário em torno de nove dias, sendo colocado dentro dos tecidos das plantas, preferencialmente na nervura central da folha. As ninfas passam por cinco instares, por um período médio de 17 dias - 20 dias. O ciclo completo varia de 23 dias a 40 dias. D. maidis se caracteriza por sugar a seiva, o que consequentemente resulta na diminuição do desenvolvimento das plantas. Outro fator importante é o efeito indireto através da transmissão de patógenos, sendo viroses e enfezamentos (corn-stunt). Ainda, ao sugarem a seiva, quando em altas populações, em alguns casos se pode observar a presença de fumagina nas folhas. Mas é importante salientar que outras pragas também levam a este sintoma na cultura. Este inseto é considerado como uma

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Fotos Germison Tomquelski

Plantas com enfezamento tendem a apresentar estrias amareladas nas folhas

das mais sérias pragas de milho na América Latina devido à sua capacidade de transmitir, de forma persistente e propagativa, o vírus da risca do milho (maizerayado fino vírus - marafivirus – MRFV) e dois molicutes associados aos enfezamentos, Spiroplasma kunkelii (corn stunt spiroplasma – CSS, também chamado de enfezamento pálido) e o fitoplasma (maize bushy stunt phytoplasina – MBSP, conhecido ainda como enfezamento vermelho) (Naut, 1990) (Oliveira et al, 2003) (Martins et al, 2008). Os prejuízos de modo geral levam a perdas médias em algumas regiões na ordem de 10% a 30% de produtividade. No entanto, pode se chegar a 100% de prejuízos com ataque de viroses e enfezamentos. De modo geral, a região Centro-Oeste do Brasil apresenta uma grande diversidade de ambientes onde se observam áreas com cultivos de verão e 2ª safra (“safrinha”), áreas somente com o cultivo de verão e áreas com até 2,5 safras (áreas irrigadas onde o produtor, em função do mercado, faz a escolha do período a semear a cultura do milho, diante da condição econômica).

Em regiões com sistemas de produção em que a cultura do milho é mais intensiva, tem se observado aumento generalizado de D. maidis. A cigarrinha-do-milho apresenta ocorrência nas diversas fases da cultura. No entanto, pode ser considerada como uma praga inicial. É interessante relatar que na grande maioria dos casos, as altas populações têm ocorrido na fase inicial. Nesta fase é importante salientar que a planta de milho apresenta o seu colmo com menor diâmetro, e desta forma a cigarrinha consegue alcançar os vasos de condução de seiva (floema) com estilete. Consequentemente, estes vasos são em parte obstruídos, causando menor desenvolvimento às plantas. Plantas com enfezamentos (a forma como é chamada a planta com sintoma do ataque de D. maidis) tendem a apresentar estrias amareladas nas folhas, avermelhamento de folhas (iniciando pelo ápice e nas margens), amarelecimento, diminuição no porte da planta, ocorrendo também a diminuição no tamanho de espigas. As plantas adquirem normalmente os vírus e fitoplasmas na fase inicial, mas mos-

Gráfico 1 - Efeito de alguns inseticidas em D. maidis na cultura do milho. Porcentagem de controle nas diferentes modalidades de aplicações e inseticidas com suas respectivas doses em ingrediente ativo por hectare (Tratamentos de sementes – T1, T2, T3 e T4 – Manejo na dessecação anterior à semeadura - T5 e pulverização na cultura do milho após a emergência – T6). Fundação Chapadão. Chapadão do Sul/MS - Safra 2004/2005

26 Junho 2016 • www.revistacultivar.com.br

tram os sintomas nas fases posteriores como pendoamento e mesmo próximo à colheita. Vários estudos mostram que a planta, ao adquirir a doença na fase inicial, tende a mostrar maiores prejuízos, levando até mesmo a não produzir a espiga. Já foi observado em alguns casos no Brasil que, com este menor desenvolvimento, as plantas tendem a cair em função do vento, levando a prejuízos por ocasião da colheita e a dificuldades para a operação mecanizada. Também são observadas diferenças entre materiais no mercado em função do ataque desta praga, devendo o produtor estar atento à opção daqueles com melhor desenvolvimento-estabelecimento de colmo, o que pode diminuir os prejuízos. Além dos danos diretos e indiretos desta praga, vale salientar que ao promover menor desenvolvimento das plantas, o inseto pode provocar alterações no manejo da cultura, pois espaços com plantas menores favorecem a emergência de daninhas, que além de serem competidoras por recursos, diminuem a produtividade e afetam também a qualidade dos grãos produzidos.

Gráfico 2 - Efeito de alguns inseticidas em D. maidis na cultura do milho. Porcentagem de controle com um dia após a aplicação por diversos inseticidas com suas respectivas doses em ingrediente ativo por hectare. Fundação Chapadão. Chapadão do Sul/MS - Safra 2015/2016. G.84


Área de soja com tigueras de milho RR no meio

O crescente aumento da população de D. maidis pode ser explicado, em parte, pela presença de tigueras de milho. Muitas delas, em função da adoção da tecnologia de resistência a herbicidas, acabam sobrando após a aplicação, na cultura da soja, e consequentemente a praga aumenta sua população por conta desta oferta de alimento. Além do milho existem diversos outros hospedeiros para D. maidis, como cana-de-açúcar, sorgo e plantas daninhas: Eleusine indica (capim-pé-de-galinha), Digitaria horizontalis (capim-colchão), entre outras. Algumas destas culturas e plantas daninhas podem ser hospedeiras de fitoplasma. No manejo integrado desta praga devem ser levados em consideração todos os aspectos, como a eliminação de hospedeiros, definição de épocas de semeadura, controle biológico e controle químico. Entre as estratégias químicas o tratamento de semente com os inseticidas neonicotinoides (imidacloprid, thiametoxan e clotianidina) tem promovido controle de parte da população, sendo muito importante no manejo por fazer o controle da primeira população migrante no cultivo. Esta estratégia tem mostrado eficiências até os 15 dias e 20 dias após a emergência da cultura. O tratamento de sementes é uma modalidade de aplicação que apresenta algumas vantagens, como preservar parte dos inimigos naturais, não afetando a dinâmica nas culturas. Porém, apesar de ser um método eficaz, é preciso ter em mente que mesmo com o uso do melhor inseticida é esperado um certo nível de ataque da praga, pois como a plântula encontra-se tratada, haverá a necessidade de consumo para que

ocorra o controle. Em trabalhos realizados por Martins et al, 2008, onde tratamento 1 - Imidacloprido 45 + tiodicarbe 135g/ha em tratamento de sementes – (TS); 2 - Tiametoxan 42g/ha (TS); 3 - Clotianidina 210g/ha (TS); 4 Acetamiprido 70g/ha (TS); 5 - Cipermetrina 25g/ha em manejo na dessecação anterior à semeadura, e 6 - Tiametoxan 28 + lamdacihalotrina 26,5g/ha em aplicação aos dez

dias após a emergência do milho (estádio V2) observou-se que o tratamento de sementes promoveu supressão da praga na ordem de 70% a 80% de controle, com os diferentes inseticidas disponíveis no mercado. A aplicação de manejo anterior à semeadura com o inseticida em questão apresentou a menor contribuição no trabalho e a aplicação após a saída do milho proporcionou eficiência semelhante ao tratamento de sementes (Gráfico 1). Outra estratégia são as pulverizações com inseticidas a fim de promover controle até as fases de V8-V9, onde a praga diminui os seus prejuízos. Estas pulverizações tendem a complementar a estratégia do tratamento de sementes, sendo fundamental para o controle de populações migrantes de outras culturas. Se não houver a integração de todos os métodos será possível vencer uma batalha, mas não a guerra contra esta importante C praga na cultura do milho. Josiane Oliveira, Patricia Mariano e Germison Tomquelski, Fundação Chapadão

Figura 1 - Sistema de produção adotado na região dos Chapadões, com épocas de culturas no campo Cultura Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Soja Feijão Milho Algodão

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Trigo

Escolha vital

Luiz Fernando Teleken Grando

A utilização de cultivares adequadas à região em que ocorrerá o plantio de trigo é o primeiro passo para que o produtor possa obter sucesso em sua lavoura. Contudo, é preciso considerar sempre a forte dependência do manejo adotado pelo produtor e das condições ambientais durante o ciclo

O

trigo (Triticuma estivum L.) é o segundo cereal mais produzido no mundo, com uma produção mundial de 729,5 milhões de toneladas na safra 2015 (FAO, 2016). E para que a produção de grão de trigo atinja patamares elevados nas mais diversas regiões do mundo é necessário que as cultivares se adaptem às condições tecnológicas das propriedades; com isso, faz-se necessário que as cultivares sejam avaliadas em todos os ambientes. Além disso, deve-se considerar que o consumo brasileiro de trigo está estag-

nado em 10,5 milhões de toneladas. No entanto, a produção nacional nunca ultrapassou seis milhões de toneladas. Evidenciando o problema de um país essencialmente agrícola, como o Brasil, dependente da importação de aproximadamente 50% do volume utilizado do cereal no território brasileiro (Conab, 2016). Dentre os principais motivos mencionados para essa baixa produção nacional, cita-se a restrita área de cultivo desse cereal em âmbito nacional, que segundo a Companhia Nacional

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de Abastecimento (Conab, 2016) concentrou-se em 90% na região Sul do País na safra 2015. Essa concentração de produção deve-se ao fato dessa cultura caracterizar-se como um das únicas com rentabilidade econômica no período de inverno para essa região. No entanto, a expansão dessa cultura para o Brasil central vem sendo objeto de vários estudos desde a década de 70 (Tomasini, 1982; Amorin et al, 2006; Trindade et al, 2006), e vários destes encontraram resultados satisfatórios. Todavia, o lento incremento de área


Gráfico 1 - Número de plantas e número de espigas por metro quadrado

Gráfico 2 - Produtividade de grãos (kg ha-1) e massa de hectolitro (MH) (kg hl-1)

*Médias seguidas pela mesma letra não diferem estatisticamente pelo teste de Duncan (p>0,05). *As letras maiúsculas fazem referência aos dados de espigas por m2, enquanto as minúsculas referem-se ao número de plantas por m2.

*Médias seguidas pela mesma letra não diferem estatisticamente pelo teste de Duncan (p>0,05). *As letras maiúsculas fazem referência aos dados de produtividade, enquanto as minúsculas referem-se à massa de hectolitro.

da cultura no Centro-Oeste brasileiro deve-se a fatores culturais por parte dos produtores, e principalmente pela menor rentabilidade do trigo quando comparada a outras culturas potencialmente concorrentes para a região Central no Brasil. Entretanto, além da área restrita, a baixa produtividade das lavouras nacionais intensifica o problema da pequena produção interna. Ressalta-se que as lavouras tritícolas brasileiras obtiveram na safra 2015 uma produtividade média de 2.206kg/ ha (Conab, 2016), valor muito inferior à

média das lavouras europeias no mesmo ano safra, 5.170kg/ha (Mars, 2016), o que evidencia a baixa eficiência da triticultura no Brasil. Dentre os fatores que proporcionam um aumento de eficiência e competitividade da triticultura nacional, Embrapa (2011) destaca algumas práticas de manejo cruciais para a obtenção do sucesso com a lavoura. Começa pelo cumprimento dos períodos de semeadura indicados pelo zoneamento agrícola, seguido por investimentos em fertilidade e por uma qualidade de semeadura, considerando aspectos como

espaçamento, profundidade e densidade. Além disso, deve-se realizar um minucioso manejo de plantas invasoras, doenças, pragas e adubação nitrogenada de cobertura. Salienta-se que para o sucesso nos manejos, é de extrema importância a escolha correta da cultivar de exploração, a fim de expressar a máxima produção frente aos manejos adotados e observando as peculiaridades edafoclimáticas de cada região. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa/2016), o Brasil dispõe de 244


Gráfico 3 - Massa de mil grãos das cultivares de trigo

*Médias seguidas pela mesma letra não diferem estatisticamente pelo teste de Duncan (p>0,05).

na decisão da escolha da cultivar para a safra sequente. O experimento foi realizado na área experimental do Departamento de Fitotecnia do Centro de Ciências Rurais, localizado no campus da Universidade Federal de Santa Maria. Neste, utilizaram-se 15 cultivares de trigo, sendo todas semeadas no dia 3 de julho de 2015. A semeadura ocorreu sob condições ideais de umidade no solo, utilizando uma semeadora-adubadora previamente regulada para distribuir 300 sementes por m² a 340 sementes por m², com espaçamento de 0,2 metro, e 300kg/ha de fertilizante da fórmula comercial 05-20-20, conforme necessidade prevista pela análise de solo. Seguido a isso, realizou-se a adubação nitrogenada em cobertura, dividida em duas parcelas totalizando 110kg/ha.

Fotos Luiz Fernando Teleken Grando

cultivares de trigo, adaptadas às mais diversas condições climáticas, e com os mais distintos propósitos de cultivo. O que torna obscura a decisão da escolha da cultivar mais adequada. Mediante isso, faz-se necessário a realização de experimentos com amplitude de condições ambientais e com várias cultivares (Cargnin et al, 2006), a fim de identificar o melhor genótipo para cada condição em particular. Partindo da inferência de que um dos principais pilares para o sucesso da produção de trigo é a escolha certa da cultivar, buscou-se com o presente texto realizar uma explanação seguida por discussão, a respeito de diferentes cultivares de trigo e alguns de seus componentes de produtividade para a região Central do estado do Rio Grande do Sul, a fim de auxiliar os produtores

O minucioso manejo de invasoras, pragas e doenças tem grande impacto no aumento da produtividade do trigo

Para que a produção de trigo atinja patamares elevados é necessário que as cultivares se adaptem às condições tecnológicas das propriedades

30 Junho 2016 • www.revistacultivar.com.br

As variáveis analisadas foram número de plantas por m 2, número de espigas por m 2, massa de mil grãos, massa de hectolitro e produtividade. Analisando os dados de número de plantas por m² e espigas por m² (Gráfico 1), observa-se que para a característica número de plantas por m², destacam-se como superiores as cultivares Mestre (344 plantas m²) e TEC 6219 (343 plantas m²) em relação às demais cultivares. No que diz respeito ao número de espigas por m², observou-se (Gráfico 1) que a cultivar TEC 6219 (389 plantas m²) sobressaiu-se às outras. Esse fato deve-se principalmente ao grande número de plantas por m² dessa cultivar. A cultivar Ametista (389 plantas m²) foi a única a ter um número de espigas menor que o número de plantas. Isso deve-se, possivelmente, à morte de algumas plantas por fatores bióticos ou abióticos ou, então, algumas plantas não produziram espigas por algum estresse causado a elas. Todavia, salienta-se que o número de espigas por m² é uma característica ditada principalmente pelo afilhamento do trigo. Este, no entanto, é fundamental para que se obtenha a uniformização das áreas em que houve problemas de semeadura ou germinação/emergência das plantas. Segundo Valério (2009), o afilhamento é uma característica responsiva a um conjunto de fatores, englobando genética, disponibilidade de luz e água, densidade de semeadura, nutrição, entre outros. O Gráfico 2 apresenta os valores referentes à produtividade e massa de hectolitro (MH)(kg/hl). A massa de hectolitro caracteriza-se como uma medida indireta do rendimento farináceo no momento da moagem. Esse valor representa a quantidade de reservas em relação às camadas envolventes, juntamente com a acomodação do amido e proteínas nas células do endosperma. Assim, utiliza-se essa medida pela sua rapidez e simplicidade de determina-


ção, respondendo como uma avaliação indireta da qualidade dos grãos (Mundstock, 1999). No Brasil, o trigo é comercializado utilizando-se como valor de referência, MH igual a 78kg/ hl. No entanto, características varietais, grãos mal formados e impurezas no lote determinam um baixo valor de MH. Outro fator adverso à MH são chuvas no momento da colheita, o que, segundo Mundstock, 1999, baixam a MH progressivamente e substancialmente em um curto espaço de tempo. Observa-se (Gráfico 2) que mesmo a cultivar BRS 327 (72kg/hl), que obteve maior valor de MH, não alcançou o valor básico considerado, 78kg/hl, o que evidencia o grave problema de elevadas e sequentes precipitações pluviométricas no momento da colheita, na primeira quinzena de outubro de 2015. Analisando os valores de produtividade, observou-se que a cultivar BRS 327 (3.056kg/ha) obteve resultado superior às demais. Essa cultivar também fez parte do grupo de cultivares com produtividade superior no Ensaio Estadual de Cultivares de Trigo no ano 2014 referente à região central do Rio

Grande do Sul (Aires et al, 2015). Todavia, destaca-se que a produtividade é uma característica quantitativa com forte controle genético, acarretando em uma alta dependência do manejo adotado pelo produtor e das condições ambientais durante o ciclo. No entanto, ao comparar-se a média de produtividade do experimento com a média do Rio Grande do Sul na mesma safra, observa-se uma superioridade do experimento de 47% (Conab, 2016). No que diz respeito à variável massa de mil grãos, pode-se observar (Gráfico 3) que as cultivares Sintonia (35,5g), Prisma (35,3g) e BRS 327 (34,45g), sobressaíram-se às demais. Todavia, salienta-se que esse componente sofre forte influência pela fotossíntese que a planta realiza através dos seus órgãos verdes. Assim, enfatiza-se a importância da sanidade da planta desde o início de seu desenvolvimento. Além disso, destaca-se que essa variável tem elevado grau de importância para a indústria, que a utiliza para fins de classificação do grão, com o propósito de homogeneizar os lotes e garantir a menor perda pelas máquinas. (Gutkoski et al, 2007).

Por fim, ressalta-se que um ambiente propício conjuntamente a um bom manejo cultural e fitossanitário proporciona as condições ideais para a máxima expressão da cultivar. No entanto, para isto, é de extrema importância a escolha correta da cultivar de exploração para cada região. A partir dos dados apresentados, infere-se que as cultivares, dentre as testadas, mais aptas ao cultivo para a região central do Rio Grande do Sul são BRS 327, Quartzo, Toruk, Iguaçu e Parrudo, por apresentarem maior produtividade de grãos e terem obtido uma massa de hectolitro satisfatória, levando em conta as adversidades climáticas no momento da colheita. Contudo, é preciso sempre ter em mente o forte controle genético que é imposto à produtividade, acarretando a esta uma alta dependência do manejo adotado pelo produtor e das condições ambientais durante o ciclo. C Luiz Fernando Teleken Grando, Luiza Kohler Durlo, Alex Taglia Pietra Schonell e Thomas Newton Martin, UFSM


Algodão

Como se comportam Patricia Vilela - IMA MT

Ensaios nacionais de ciclo médio-precoce e de ciclo médio-tardio mostram o comportamento de cultivares de algodão convencionais e transgênicas nas condições do Cerrado brasileiro

A

pesar da adequada aptidão e do alto desempenho das cultivares de algodão plantadas no Cerrado, alguns fatores ainda comprometem a sustentabilidade da atividade algodoeira na região, dentre os quais pode se destacar o elevado custo de produção em função do uso intensivo principalmente de inseticidas para o controle do bicudo do algodoeiro e de fungicidas para o combate de doenças foliares, com destaque para a mancha de ramulária. Com o objetivo de maior segurança e praticidade no manejo

de lagartas e plantas daninhas, os produtores estão empregando cada vez mais, cultivares transgênicas de algodão com eventos que conferem conjuntamente a resistência a herbicidas (tecnologias Roundup Ready, Roundup ReadyFlex, LibertyLink e Glytol) e aos lepidópteros-pragas (tecnologias WideStrike, Bollgard I e Bollgard II e TwinLink). Nos últimos anos, as cultivares transgênicas com resistência a herbicidas e a lepidópteros-praga têm alcançado altos níveis, que atingiram aproximadamen-

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te 65% de adoção na safra 2014/2015 (Céleres, 2015). Contudo, para que a tecnologia da transgenia para o controle de lepidópteros seja sustentável em longo prazo, é imprescindível o uso de refúgios, que nada mais são do que áreas comerciais cultivadas sem a presença do evento para resistência a pragas (Bt). Também é fundamental que a transgenia seja inserida em germoplasma de alto valor agronômico e que se torne provedor de fibra que atenda à indústria têxtil. Assim, é imperativo a continuidade de pesquisas


Figura 1 - Produtividade de algodão em fibras (PRODF, kg/ha) do Ensaio Nacional de Ciclo Médio-Precoce. Médias de dez locais. Safra 2013/2014

para desenvolvimento de cultivares convencionais com elevado valor agronômico e resistência genética a doenças e fitonematoides, bem como elevada qualidade tecnológica de fibra.

ENSAIO NACIONAL DE CULTIVARES – SAFRA 2013/14

Na safra 2013/2014, os Ensaios Nacionais de cultivares de ciclo precoce (ENMP) foram avaliados em dez locais representativos da região do Cerrado, distribuídos nos seguintes municípios por estados: Mato Grosso (Campo Verde, Pedra Preta, Primavera do Leste – Ima e Ceres - e em Sinop); Goiás (Santa Helena, Trindade e Montividiu) e Bahia (Luís Eduardo Magalhães e São Desiderio), totalizando 19 experimentos. As coordenadas geográficas e altitude dos locais encontram-se na Tabela 1. A relação das cultivares de cada ensaio encontra-se na Tabela 2.

PRINCIPAIS RESULTADOS Ensaio Nacional de Ciclo Médio-Precoce (ENMP) - Safra 2013/2014 As cultivares do ENMP foram ava-

Figura 2 - Porcentagem de fibra (PF, %) do Ensaio Nacional de Ciclo Médio-Precoce. Safra 2013/2014. Médias de dez locais

liadas em dez locais representativos dos estados do Mato Grosso, Goiás e Bahia. Nas Figuras 1, 2, 3, 4 e 5 encontram-se os desempenhos médios (dez locais) das cultivares com produtividade de algodão em fibra (PRODF), porcentagem de fibras (PF), comprimento (COMP), resistência (RES) e fiabilidade (CSP), respectivamente. Com relação ao desempenho produtivo médio de dez locais avaliados pela produtividade de algodão em fibra (PRODF, kg/ha), verifica-se na Figura 1 que as cultivares IMA CV 690 (2.076kg/ ha ou 138,40@/ha), DP 555 BG RR (1.920kg/ha ou 128@/ha), BRS 369 RF (1.879kg/ha ou 125,26@/ha), TMG 42 WS (1.847kg/ha ou 123,13@/ha) e TMG 41 WS (1.810kg/ha ou 120,66@/ha) se destacaram com médias superiores à geral (1.807kg/ha ou 120,46@/ha de fibra). A média geral obtida para a característica porcentagem de fibras (PF) em dez localidades foi de 42,10%, sendo que as maiores médias obtidas ficaram por conta das cultivares IMA CV 690 (45%), DP 555 BG RR (43,6%), IMA 08 WS (43%) e BRS 369 RF (42,60%).

Figura 3 - Comprimento de fibra (COMP, mm) do Ensaio Nacional de Ciclo Médio-Precoce. Safra 2013/2014. Médias de dez locais

Quanto às características tecnológicas de fibras, a cultivar TMG 41 WS se destacou em relação às demais para resistência da fibra (32,20gf/tex) e fiabilidade (CSP: 3070). Com relação às demais cultivares, constata-se que a maioria apresentou características de fibras exigidas pela indústria têxtil.

ENSAIO NACIONAL DE CICLO MÉDIO TARDIO (ENMT) - SAFRA 2013/2014

As cultivares do Ensaio Nacional de Ciclo Médio-Tardio (ENMT) foram avaliadas em nove locais representativos do Cerrado dos estados do Mato Grosso, Goiás e Bahia. Nas Figuras 6, 7, 8, 9 e 10 encontram-se os desempenhos médios dos genótipos avaliados em nove locais com relação à produtividade de algodão em fibra (PRODF), porcentagem de fibras (PF), comprimento (COMP), resistência (RES) e fiabilidade (CSP), respectivamente. No que se refere ao desempenho produtivo (média conjunta de nove locais) avaliado pela produtividade de algodão em fibra (PRODF, kg/ha), verifica-se na Figura 6 que as cultivares: TMG 81 WS (2.136kg/ha ou 142,40@/ha), IMA

Figura 4 - Resistência da fibra (RES, gf/tex) do Ensaio Nacional de Ciclo Médio-Precoce. Safra 2013/2014. Médias de dez locais

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Tabela 1 - Locais, instituição responsável, altitude e coordenadas geográficas dos pontos Tabela 2 - Relação das cultivares e das empresas obtentoras participantes do Ensaio de condução dos Ensaios Nacionais Médio-Tardio e Médio-Precoce. Safra 2013/2014 Nacional de Ciclo Médio-Precoce e Médio-Tardio. Safra 2013/2014 Locais Campo Verde (MT) Pedra Preta (MT) Primavera do Leste (MT) Primavera do Leste 2 (MT) Sinop (MT) Luis E. Magalhães (BA) São Desidério (BA) Santa Helena (GO) Montividiu (GO) Trindade (GO)

Instituição IMA FMT IMA CERES EMBRAPA FBA FBA EMBRAPA EMBRAPA BAYER

Altitude (m) 736 750 636 636 345 769 718 562 797 515

CD 6035 (2.080kg/ha ou 138,66kg/ha), FM 975 WS (2.063kg/ha ou 137,53@/ ha), IMA CD 3869 (2.059kg/ha ou 137,26,26@/ha) e FM 982 GL (1.974kg/ ha ou 131,60@/ha) se destacaram com médias elevadas e superiores à média geral (1.885kg/ha ou 125,66@/ha de fibra). A média geral obtida para a característica porcentagem de fibras (PF) em nove localidades foi de 42,80%, sendo que as maiores médias foram obtidas pelas cultivares TMG 81 WS (45%), FM 982 GL (44,1%), IMA CD 3869 (44%) e FM 944 GL (43,70%). Sobre as características tecnológicas de fibras constatou-se que a maioria das

Latitude - S 15o32´ 16o37´ 15o33´ 15o33´ 11o51´ 12o05´ 12o21´ 17o48´ 17o26´ 07o05´

Longitude - W 55o10´ 54o28´ 54o17´ 54o17´ 55o30´ 45o47´ 44o59´ 50o35´ 51o10´ 40o06´

NT1 CULTIVARES 1 TMG 41 WS 2 TMG 42 WS 3 TMG 43 WS 4 IMA CV 690 5 IMA 5675 B2RF 6 IMA 08 WS 7 NUOPAL 8 DP 555 BGRR 9 DELTA OPAL 10 BRS 286 11 BRS 335 12 BRS 368 RF 13 BRS 369 RF

OBTENTORA TMG TMG TMG IMA MT IMA MT IMA MT MONSANTO MONSANTO MONSANTO EMBRAPA EMBRAPA EMBRAPA EMBRAPA

cultivares avaliadas apresentou valores médios desejáveis para indústria têxtil, 1 NT: Número do tratamento. com destaque para a cultivar BRS 336, que obteve um valor médio de comprimento (COMP) de 33,40mm e resistência de 34gf/tex, indicando uma excelente resistência à ruptura da fibra e uma fiabilidade (CSP) superior a 3.400, indicando uma superior qualidade de fibra (Figuras 8, 9 e 10, respectivamente). Esta cultivar é classificada como fibra longa e está sendo recomendada para plantio no Cerrado e Semiárido do Brasil, sendo que neste bioma sob o regime de irrigação.

ALGODÃO NO BRASIL

O

Brasil se destaca no cenário mundial como um dos principais produtores da fibra de algodão, com uma área plantada de 976,20 mil hectares e produção de 1,50 milhão de toneladas de pluma na safra 2014/15. Os maiores estados produtores são Mato Grosso, Bahia e Goiás (Conab, 2015). As produtividades médias alcançadas nas últimas safras são

iguais ou superiores aos grandes países produtores, tais como Estados Unidos, China, Austrália, Índia e Paquistão. Um dos fatores que vêm contribuindo para estes avanços em produtividade é, sem dúvida, a pesquisa desenvolvida nos diferentes programas de melhoramento do algodoeiro que atuam no Cerrado brasileiro.

Figura 5 - Índice de fiabilidade da fibra (CSP) do Ensaio Nacional de Ciclo Médio-Precoce. Safra 2013/2014. Médias de dez locais

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ENSAIO CULTIVARES MÉDIO PRECOCE FM 975 WS MÉDIO PRECOCE FM 982 GL MÉDIO PRECOCE FM 944 GL MÉDIO PRECOCE TMG 81 WS MÉDIO PRECOCE TMG 82 WS MÉDIO PRECOCE IMA CD 05-8276 MÉDIO PRECOCE IMA CD 07-6035 MÉDIO PRECOCE IMA CD 3869 MÉDIO PRECOCE IAC 26 RMD MÉDIO PRECOCE BRS 336 MÉDIO PRECOCE BRS 372 MÉDIO PRECOCE BRS 370 RF MÉDIO PRECOCE BRS 371 RF

OBTENTORA BAYER BAYER BAYER TMG TMG IMA MT IMA MT IMA MT IAC EMBRAPA EMBRAPA EMBRAPA EMBRAPA

ENSAIO MÉDIO TARDIO MÉDIO TARDIO MÉDIO TARDIO MÉDIO TARDIO MÉDIO TARDIO MÉDIO TARDIO MÉDIO TARDIO MÉDIO TARDIO MÉDIO TARDIO MÉDIO TARDIO MÉDIO TARDIO MÉDIO TARDIO MÉDIO TARDIO

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Na safra 2013/2014, os principais resultados por ensaio obtidos foram os seguintes: No Ensaio Ciclo Médio-Precoce (ENMP), as cultivares que apresentaram produtividade de fibras (PRODF) acima da média geral foram: IMA 690, DP 555 BG RR, BRS 369 RF, TMG 42 WS e TMG 41 WS. Quanto à qualidade da fibra, o destaque foi para: cultivar TMG 41 WS que se destacou em relação às demais para resistência da fibra (32,20gf/tex) e fiabilidade (CSP: 3070). Sobre as demais cultivares, constata-se que a maioria apresentou características de fibras exigidas pela indústria têxtil. Enquanto no Ensaio Ciclo Médio-Tardio (ENMT), as cultivares que se destacaram foram: TMG 81 WS, IMA CD 6035, FM 975 WS, IMA CD 3869 e FM 982 GL. No que se refere aos valores médios dos caracteres tecnológicos de fibras, constatou-se que a cultivar BRS 336 se destacou em relação às demais com valores médios de comprimento e resistência de 33,10mm e 34,30gf/tex,

Figura 6 - Produtividade de algodão em fibra (PRODF, kg/ha) do Ensaio Nacional de Ciclo Médio-Tardio. Médias de nove locais. 2013/2014


Figura 7 - Porcentagem de fibra (PF, %) do Ensaio Nacional de Ciclo Médio-Tardio. Médias de nove locais. 2013/2014

Figura 8 - Comprimento de fibra (COMP, mm) do Ensaio Nacional de Ciclo Médio-Tardio. Médias de nove locais. 2013/2014

Figura 9 - Resistência da fibra (RES, gf/tex) do Ensaio Nacional de Ciclo Médio-Tardio Médias de nove locais. 2013/2014

Figura 10 - Fiabilidade da fibra (CSP) do Ensaio Nacional de Ciclo Médio-Tardio Médias de oito locais. 2013/2014

Francisco José Correia Farias e Camilo de Lellis Morello, Embrapa Algodão

Francisco José Correia Farias - Embrapa

Anderson Tadeu A. Pereira - Monsanto

Paulo Hugo Aguiar - Fundação MT

apresentou valores médios de fibras nos padrões demandados pela indústria C têxtil.

Paulo Hugo Aguiar - Fundação MT

respectivamente, classificando tal fibra como longa. Com relação às demais cultivares, verificou-se que a maioria

Cultivares de algodão TMG 42 WS e TMG 81 WS (acima), cultivar transgênica DP 555 BG RR e BRS 369 RF tolerante a glifosato (abaixo)

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Feijão

Fotos Maria Alice Bento Ávila

Incidência fatal

Capaz de levar à perda total da produção em casos severos, a antracnose, causada pelo fungo Colletotrichum lindemuthianum, é agressiva principalmente quando ocorre no início do ciclo da cultura. O tratamento de sementes com fungicidas é uma das alternativas que apresentam bons resultados na prevenção aos prejuízos com esta doença

O

cultivo do feijão é bastante difundido em todo o território do Brasil, assim, inúmeros fatores são limitantes para a produção desta leguminosa. Um dos principais são as doenças que, além de diminuírem a produtividade da cultura, depreciam a qualidade do produto final, sendo grão ou semente agrícola. O investimento em programas de melhoramento genético é fundamental para manter o volume produzido de grãos de feijoeiro e o avanço da cultura nas variadas regiões produtivas brasileiras. A utilização de cultivares com resistência ou tolerância às principais doenças tem por objetivo a diminuição do custo de produção do agricultor em função da menor utilização de defensivos agrícolas. De forma paralela, aumenta a produção de sementes certificadas como forma de facilitar o repasse de tecnologia, contribuindo também para o aumento da taxa de utilização de sementes certificadas pelos agricultores. O esforço da pesquisa em trabalhos dedicados à resistência à antracnose tem sido enorme no Brasil e no mundo. Muitas linhagens resistentes têm sido obtidas, algumas das quais recomendadas para o cultivo. Contudo, o trabalho de obtenção e recomendação de linhagens resistentes a esse

patógeno deve ser constante, devido à grande variabilidade do fungo, refletida em um grande número de raças. A antracnose é uma doença significativa na cultura do feijoeiro, podendo causar perdas totais de produção em casos severos. Causada pelo fungo Colletotrichum lindemuthianum, ocorre em locais de temperatura baixa a moderada associada às altas umidades relativas. Por este motivo, é mais problemática em regiões de clima temperado e subtropical, como exemplo a região Sul do Brasil e regiões serranas de Minas Gerais e São Paulo. Sementes infectadas são as principais fontes de disseminação do fungo. A partir daí ocorre a sua transmissão de um plantio de safra para outra, incremento de inóculos em locais já contaminados e para regiões isentas da doença e até mesmo a longas distâncias. Pode também ser transmitido pelo vento e por respingos de água de chuva em curtas distâncias. O patógeno causador da afecção sobrevive em restos culturais de feijoeiro, o que torna inevitável a rotação de culturas. As perdas causadas pela antracnose são mais severas quando a doença ocorre no início do ciclo da cultura. Os sintomas são observados em toda parte aérea da planta a partir de

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cinco dias em contato com o fungo.

DANOS EM FOLHAS

Os sintomas característicos da doença são lesões necróticas de coloração marrom-escura ao longo das nervuras na face inferior da folha, podendo ocorrer necroses adjacentes às nervuras. Às vezes estas lesões podem ser vistas na face superior das folhas, desenvolvidas ao lado das manchas necróticas e as folhas tendem a curvar-se para baixo. Em ataques severos, as lesões estendem-se ao limbo foliar ao redor das áreas afetadas nas nervuras, resultando em necrose de parte do tecido foliar.

DANOS NO HIPOCÓTILO

Podem ocorrer lesões alongadas e elípticas, popularmente denominadas mancha de olho, superficiais ou deprimidas, com chances de se dar o estrangulamento e a morte da plântula.

DANOS NAS VAGENS

Os sintomas são mais típicos e fáceis de serem observados, ocorrem lesões arredondadas, de coloração escura, deprimidas e de tamanho variável. No centro das lesões pode aparecer uma massa de coloração rósea ocasionada pela produção de esporos do fungo. As lesões po-


Ricardo Balardin

Campo de feijoeiro atacado por antracnose

dem coalescer, se juntar, e cobrir parcialmente as vagens que em seguida murcham e secam.

DANOS EM SEMENTES

As sementes infectadas são ligeiramente descoloridas. Ocorrem também cancros e lesões escuras e levemente deprimidas, de tamanhos variáveis e coloração marrom.

ESTRATÉGIAS DE CONTROLE

Dentre as estratégias recomendadas para o controle desta, a utilização de cultivares resistentes é a mais econômica. Entretanto, devido à grande variabilidade genética que o agente causal desta doença apresenta, o seu controle através da resistência das cultivares nem sempre é possível. Em seguida, o uso de sementes sadias é uma das principais ferramentas para a obtenção de bons rendimentos e manutenção da área livre de patógenos e do monitoramento da doença. Quando as sementes são produzidas em regiões semiáridas, é delatada uma redução da manifestação e a disseminação da doença é evitada em diversos estudos. A rotação de cultura, principalmente com plantas não hospedeiras como o milho, por dois a três anos, deve ser feita para conter persistência do fungo na área. O Colletotrichum lindemuthianum é um patógeno quase exclusivo das leguminosas, excepcionalmente é capaz de parasitar plantas de outras famílias, como cebola. Tais técnicas evitam a utilização de defensivos químicos, além de praticamente não onerarem o custo de produção, embora a pulverização de fungicidas seja empregada em larga escala. A decisão sobre a aplicação de fungicidas na cultura do feijoeiro deve levar em consideração o nível tecnológico adotado e a finalidade do campo, o potencial de produção da lavoura, o retorno econômico, as condições da lavoura no momento da aplicação, bem como a ocorrência de condições climáticas favoráveis à doença. O tratamento químico de sementes exibe bons resultados.

Plântula de feijão com antracnose, sintoma típico de nervura necrosada da parte de baixo

Plântula de feijoeiro atacada severamente por antracnose

Deste modo, o uso de agroquímicos é, por muitas vezes, a única alternativa que o produtor rural possui para o manejo da antracnose. Por meio do tratamento químico das sementes, o controle só será bem-sucedido se destruir os esporos do fungo que estiverem alojados no seu interior, o que, geralmente, não é fácil de ser alcançado. Tanto a época de aplicação como a alternância de princípios ativos de fungicidas protetores e sistêmicos são fatores primordiais no controle da antracnose. Aplicações de fungicidas dos seguintes grupos químicos são indicadas para pulverização de controle de antracnose: estrobilurinas, triazóis, benzimidazóis, clorotalonil, ditiocarbamato, dicarboximida, cúpricos, organoestânico. Misturas de fungicidas têm sido utilizadas, experimentalmente, no controle de doenças do feijoeiro comum apresentando resultados positivos. De um modo geral, possibilitam ampliar o espectro de ação, permitindo controlar simultaneamente outras doenças que ocorrem na cultura do feijoeiro comum, além de diminuir a possibilidade de seleção de biótipos do patógeno resistentes a fungicidas. Entretanto, estas misturas só podem ser utilizadas em lavouras se aprovadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e

Abastecimento (Mapa). Em situações em que se verificam condições favoráveis à doença, três épocas de aplicação de fungicidas são recomendadas. Primeira aplicação A primeira aplicação ocorre preventivamente no estádio tecnicamente chamado de V1 ou emergência. Caracteriza-se pela presença dos cotilédones acima da superfície do solo. Segunda aplicação A segunda aplicação deve ocorrer entre dez e 15 dias após a primeira aplicação, quando o ambiente propicia as condições adequadas para a alta incidência e o aumento progressivo da doença. É necessário atenção ao histórico dá área de plantio. Terceira ou quarta aplicação Deve ocorrer após o florescimento do feijoeiro, evitando a infestação das vagens e para que as características dos grãos demandadas pelo mercado consumidor C sejam mantidas. Maria Alice Bento Ávila, Universidade Federal de Lavras

FEIJÃO NO BRASIL O grão do feijoeiro-comum (Phaseolus vulgaris L.) é a principal fonte de proteína vegetal consumida pelos brasileiros, um dos produtos agrícolas de maior expressão econômica e social, constitui-se juntamente com o arroz, a base da alimentação nacional. O Brasil é um dos maiores produtores de feijão do mundo, com produção de

3,38 milhões de toneladas prevista para a safra de 2015/2016 em uma área de três milhões de hectares. Atualmente, a produtividade média do feijoeiro no Brasil é de 1,13 tonelada por hectare, média das três safras: Verão com semeadura entre outubro e novembro; Seca, semeadura entre fevereiro e março; e Inverno, semeada entre maio e julho.

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COLUNA AGRONEGÓCIOS

A

Pragas quarentenárias

o ouvir o termo “pragas quarentenárias”, a primeira ideia que nos ocorre é de pragas agrícolas ausentes do país. Parcialmente verdade, pois podem existir pragas quarentenárias contidas geograficamente em uma determinada região de um país, sob um programa oficial de controle. No Brasil, o ácaro-vermelho-das-palmeiras e o ácaro-hindustânico-dos-citros são exemplos dessa situação. A maioria das pragas agrícolas que existem no Brasil, em algum momentoforam pragas quarentenárias. Isto antes de serem introduzidas de outros países, e causarem inúmeros problemas econômicos, ambientais, sociais e, eventualmente, serem motivo de barreiras aos nossos produtos agrícolas, interpostas por alguns países importadores. Algumas pragas introduzidas são particularmente marcantes, pelos danos causados – e que continuam a causar. Vamos referir alguns marcos históricos. O primeiro é a introdução do bicudo do algodoeiro (Anthonomus grandis), no início da década de 1980. Sua capacidade de redução da produção de algodão, a dificuldade e o elevado custo de seu controle, remodelaram a geografia da cotonicultura nacional. Antes cingida a pequenas propriedades do Norte do Paraná, São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul, além de ser o mais importante cash crop do sertão nordestino, progressivamente o algodão migrou para as grandes propriedades, especialmente Mato Grosso e Oeste baiano, as únicas com estrutura para enfrentar os custos e riscos da cultura. O cacau foi responsável pelo fausto da região metropolitana e do Sul da Bahia, ao longo do século 20, tão bem retratado na obra de Jorge Amado. As divisas das exportações e os impostos advenientes do cacau representavam a maior fonte de riqueza daquela região do país. Subitamente, ingressou na zona cacaueira ao redor de Itabuna-Ilhéus o fungo Moniliophtora perniciosa, causador da vassoura-de-bruxa. A devastação que se seguiu gerou fome, pobreza e ranger de dentes. Passados 25 anos, o Brasil, outrora um protagonista da exportação de cacau, ainda é um grande importador do produto. Um exemplo recente é a entrada no Brasil da ferrugem da soja (Phakopsora pachyrhizi). Significou, inicialmente, redução de produção, porém, ao longo do tempo, os prejuízos econômicos consolidaram-se no aumento do custo de produção, pela necessidade de

diversas aplicações de fungicidas, a cada safra. Porém, apesar da adversidade, a soja suportou o impacto devido ao valor elevado do grão e de seus derivados no mercado internacional.

PERIGO NA NOSSA PORTA

Ao longo dos últimos dez anos, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informa que 35 novas pragas ingressaram no Brasil. Do total de 500 pragas quarentenárias, com potencial para causar sérios prejuízos à agricultura brasileira, 211 estão nas fronteiras do Brasil, uma vez que já foram registradas em ao menos um país da América Latina. Estando tão próximas do Brasil, aqui podem ingressar por razões fortuitas, como as correntes de vento, ou transportadas em produtos agropecuários, partes de plantas, mudas, sementes, embalagens etc. O principal instrumento para evitar pragas quarentenárias é a prevenção. Qualquer país que almeje o protagonismo no comércio internacional de produtos agrícolas precisa dispor de sólidos mecanismos de proteção contra o ingresso de pragas quarentenárias. No Brasil, a Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) do Mapa é responsável pelas ações que objetivam evitar o ingresso de novas pragas agrícolas no País. Para tanto, dispõe de serviço de inspeção de ingresso de produtos agrícolas, de laboratórios de suporte, baseia-se na análise de risco de pragas dos produtos que estão sendo introduzidos, entre outras ferramentas. Havendo uma interceptação de praga quarentenária, a SDA dispõe de mecanismos e instrumentos legais para impedir o ingresso do produto contaminado, conferindo-lhe o destino mais adequado. O sistema de vigilância nos portos de entrada de produtos agrícolas no país, por mais eficiente que seja, é baseado em amostragens. Portanto, o risco de uma praga burlar o sistema de vigilância é real. Além disso, existem ao menos três outras importantes vias de ingresso de pragas quarentenárias: uma é a introdução intencional, o bioterrorismo. Outra é o ingresso em produtos agrícolas em locais onde não há inspeção de ingresso, mormente fronteiras secas ou caminhos transfronteiriços secundários. A terceira é o ingresso por vento ou outras formas não antrópicas.

E SE A PRAGA ENTRAR?

Em caso de ingresso, acidental ou não, é

fundamental a detecção precoce e a imediata implantação dos programas oficiais de controle, para contenção e erradicação da praga. Para tanto, sistemas de vigilância em lavouras e outros locais, como rodovias, são fundamentais, valendo-se de diversas formas de amostragens, incluindo exame de plantas, verificação de danos ou armadilhamento. Apenas detectar o ingresso da praga pode não ser suficiente, caso não se disponha de métodos eficientes de controle. É onde cresce a importância de estudos científicos sobre pragas quarentenárias, antes que venham a ser descobertas no País. É fundamental dispor-se de um conjunto completo e abrangente de informações sobre biologia, ecologia, danos, hospedeiros, inimigos naturais, inseticidas eficientes para seu controle, entre outras. Com esse objetivo, a Embrapa aprovou, recentemente, um conjunto de projetos denominado Arranjo Quarentena, liderado pela Embrapa Roraima, que pretende apoiar os trabalhos da SDA. O denominado melhoramento preventivo ocupa lugar de destaque. Programas dessa natureza podem identificar genes que confiram tolerância ou resistência a determinadas pragas quarentenárias, de importância econômica. Assim, é possível introduzir esses atributos em materiais genéticos que já disponham de outras características importantes para a cultura no Brasil, como produtividade, rusticidade, adaptação a determinados solos ou climas, entre outros. Dessa forma, na eventualidade de ingresso de uma nova praga, seria possível dispor de uma ferramenta fundamental para evitar ou mitigar seus danos. Exemplos históricos dessa prática são encontrados na cultura do café, com o desenvolvimento de variedades resistentes à ferrugem do cafeeiro: quando a doença chegou ao Brasil, as variedades estavam disponíveis. Ou na cultura da soja, com a introdução da resistência ao cancro da haste em cultivares comerciais, antes que a doença fosse detectada em nosso País. Em síntese, o ingresso de pragas quarentenárias é uma das maiores ameaças ao protagonismo do Brasil, fadado a ser o líder do mercado internacional de produtos agrícolas. Essa ameaça somente será debelada com um sistema de defesa agropecuária à altura da importância do País, e um investimento elevado e continuado em inovação tecnológica para erradicar ou permitir a convivência com C novas pragas. Decio Luiz Gazzoni

O autor é engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja

38 Junho 2016 • www.revistacultivar.com.br


COLUNA MERCADO AGRÍCOLA

Entressafra antecipada junto com o fechamento da colheita de verão A safra de verão, ou primeira safra, está fechada e com ela a antecipação dos efeitos da entressafra no mercado. Fato que não costuma acontecer tão cedo, com as ofertas escasseando rapidamente. É o que tem ocorrido com todos os grãos produzidos no Brasil neste período do ano, como o arroz e o feijão, pratos diários, que se encontram em ritmo de entressafra em plena fase final de colheita, porque o volume da safra é muito menor que a demanda. Haverá grande necessidade de importações e neste ano os indicativos internacionais de ambos estão em alta, com apelo para pressão positiva já neste começo de entressafra. Há antecipação de um cenário que geralmente só ocorre a partir de agosto/setembro. Neste ano os efeitos da entressafra começaram logo após a colheita e no caso do arroz e do feijão, enquanto ambos ainda não tinham sequer fechado a colheita. Já no mercado do milho a entressafra vem desde o ano passado e atravessou a safra sem sofrer mudanças. Agora, vai para a safrinha, que está em colheita, ainda em entressafra, mas com indícios de que pode sofrer pressão nas próximas semanas. A soja foi afetada pelo clima e registrou perdas na produtividade em várias regiões do País. A cultura tinha potencial produtivo estimado na casa de 105 milhões de toneladas e está fechando com números que poderão ficar entre sete milhões de toneladas e dez milhões de toneladas abaixo. Desta forma, é outro produto que registra fechamento de colheita com abertura de entressafra. Há um quadro típico de desabastecimento a poucos dias do final da colheita. A soja tem como principais álibis da falta de oferta cotações recordes e entressafra em cima do final da colheita e os bons números das exportações. O mercado externo se mostrou comprador e nos meses anteriores, quando a cotação do dólar esteve acima de R$ 4,25 (mesmo com Chicago abaixo de 9 dólares/buschel na época), se viabilizaram muitas negociações. O que se observa agora são embarques recordes indicando grande aperto no abastecimento, porque o Brasil caminha para ver os embarques do grão em níveis recordes históricos. Podem ocorrer embarques a mais que o potencial e com isso provocar um buraco interno no abastecimento antes mesmo da virada do ano. Com este quadro, há apelo para mais pressões positivas nas cotações de todos os grãos, que já se encontram em ritmo de entressafra.

MILHO

Milho em colheita e aumento das ofertas

Os produtores da safrinha estão em colheita, que neste ano deverá avançar até o mês de julho e em alguns casos alcançará agosto. Isso porque houve uma fase de plantio alongada devido ao clima, o que gerará colheita escalonada. Começou nas primeiras áreas em maio, deverá avançar em junho e deixará uma boa parte para ser colhida em julho e começo de agosto. A expectativa é de que a fase de alta do milho estaria chegando ao final para o momento, porque a exportação não é favorável neste momento. Assim, somente os negócios antecipados deverão ser cumpridos e não tendem a ocorrer fechamentos novos. O milho que não estiver comprometido com exportação deverá ficar no mercado interno e tudo aponta que os níveis tendem a recuar um pouco. A exportação registra patamares na faixa de R$ 38,00 a saca nos portos e este nível é muito abaixo do que os vendedores querem nos mercados regionalizados, que no mês de maio teve fechamento de lotes livres sendo efetivados em torno de R$ 60,00 por saca no FOB, lote bem localizado do Rio Grande do Sul. Enquanto isso, os primeiros produtores a colher no Paraná, nesta safrinha, estavam recebendo aproximadamente R$ 40,00 pelo grão de balcão. Ambas as cotações em patamares recordes históricos. O milho vive o seu melhor momento da história no Brasil e, mesmo com a safrinha que está chegando,

40 Junho 2016 • www.revistacultivar.com.br

seguirá com cotações bastante atrativas e lucrativas para os produtores. Contudo, tende a ter queda nos indicativos nestas próximas semanas. SOJA

Colheita fechada e mercado aquecido

O mercado da soja registra a oferta escasseando rapidamente ainda em maio, com a colheita na reta final. Ou seja, houve muita venda, com mais de 80% da safra negociada até maio, frente a níveis que normalmente estariam abaixo dos 70%. Desta forma resta pouco para atender o mercado interno brasileiro nestes próximos meses. Ainda há mais ou menos oito meses para as primeiras colheitas da nova safra de soja e, assim, até lá, será preciso trabalhar com um volume que não representa mais de 16 milhões de toneladas a 17 milhões de toneladas. O que, para o quadro interno de demanda de farelo e óleo, aliado a novas exportações de farelo e óleo, é pouco. Seriam necessárias 25 milhões de toneladas para atender às necessidades em condições normais e guardar algum estoque de passagem. Com o quadro atual vai haver indústrias que a partir de agosto/setembro não terão matéria-prima para trabalhar. E aqueles que ficarem em operação terão de buscar e disputar forte o pouco de grão que estará no mercado. Os produtores, de agora em diante, tendem a usar a soja como ativo financeiro e vender somente nos momentos necessários ou quando as cotações forem muito atrativas.


Preto para compensar a escassez do Carioca.

FEIJÃO

Safra passou, entressafra chegou e Brasil passará por aperto

ARROZ

O mercado do feijão assistiu à safra chegar e passar rapidamente. Houve perdas grandes na produtividade, redução da área e queda na produção se deparando com um ano de forte demanda devido à crise que o País enfrenta, forçando o consumo diário de arroz e feijão. O grão escasseou rapidamente e as cotações alcançaram a marca de R$ 300,00 a saca de 60 quilos. Com pouco produto para cobrir as necessidades e para complicar ainda mais a vida dos consumidores, não deve haver grandes volumes de produto nos próximos meses, porque de agora em diante somente o feijão irrigado do Brasil Central irá chegar, além da safra do Nordeste, que normalmente tem pouca representatividade. A demanda deve se manter firme, com indicativos forçados para cima e fôlego para novas altas. A importação virá a partir de junho, mas de feijão Preto, porque não há Carioca no mercado internacional (um e outro volume pequeno poderão vir da Bolívia, mas isso em cargas isoladas e de pouca representatividade). Aumentará o consumo do feijão

Safra menor que a demanda

A safra brasileira do arroz está fechada com produtividade inferior e baixa qualidade nas últimas lavouras, com muito arroz brotado. Há fôlego de alta para os indicativos porque as ofertas estavam em retração. Os produtores sofreram com o clima em todas as regiões e assim a produção brasileira pode fechar efetivamente na faixa das 10,5 milhões de toneladas. No Rio Grande do Sul, pelos últimos levantamentos, a produção não irá ultrapassar 7,5 milhões de toneladas. O Brasil deve consumir 12 milhões de toneladas e terá de importar grandes volumes neste ano. Para viabilizar estas compras externas necessariamente haverá aumento das cotações internas, porque o mercado internacional segue em alta e mostra avanços de 20% a 30% nas cotações do arroz somente neste começo de 2016. O produto importado tende a chegar ao Brasil na faixa de R$ 50,00 por saca, na base do Casca, abrindo espaço para ajustes nos indicativos do mercado nacional.

CURTAS E BOAS TRIGO - Os produtores têm negociado trigo para o setor de ração, em patamares de R$ 750,00 a R$ 800,00 a tonelada. Enquanto isso, os moinhos pretendiam trabalhar com estes níveis ou até abaixo, querendo produto de alta qualidade e prazo. Com isso, houve muitos fechamentos de trigo de pH menor nas últimas semanas, que foram para as indústrias de ração como mistura devido à falta de milho. A expectativa é de aumento das importações de trigo neste ano devido à redução da oferta local, com o produto chegando ao Brasil acima dos R$ 1.050,00 por tonelada. E se for necessário importar do Canadá, ultrapassará R$ 1.100,00 a tonelada, o que resulta em apelo de alta nos indicativos. O governo aumentou o preço mínimo para a faixa de R$ 38,00 a saca de 60 quilos, enquanto os produtores apontam que os custos de produção estão acima de R$ 40,00. O fato é que mesmo com preço mínimo, não há garantia de que haverá dinheiro para garanti-lo. Desta forma, o que dá suporte aos produtores são a demanda e o custo alto do trigo importado. ÁSIA - O clima foi desfavorável no ano passado e nestes primeiros meses de 2016 continua fazendo estragos na safra da maior parte dos países asiáticos. Há grandes perdas na Índia, país que tem registrado recordes históricos de temperaturas. Com isso, já há forte alta nas cotações do arroz local, o que tende a puxar os demais grãos em nível global. CHINA - A boa notícia do relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) do último mês foi apontar que a China seguirá como líder mundial na importação de soja, com a marca de 87 milhões de toneladas neste novo ano comercial. Há queda na produção do milho, porque o país está reduzindo o plantio e o governo tem desestimulado os produtores para não ter de bancar altos subsídios ao setor. Os produtores chineses recebem mais que o dobro do valor do

mercado internacional pelo milho e, assim, o governo, nesta nova fase, quer equilibrar as cotações. Isso reduzirá a safra com queda do plantio, que tende a alcançar de 1,3 milhão de hectares a 1,5 milhão de hectares. Com isso, a estimativa da safra vem para 218 milhões de toneladas, enquanto o consumo deve atingir patamares acima de 227 milhões de toneladas. Bom para o mercado global, com espaço para alta e novas exportações. UCRÂNIA - O plantio da safra está fechado e parte se deu no final de maio. Os riscos com geadas precoces no final de agosto e setembro aumentam e assim o ano está fluindo e as estimativas de produção apontam para algo na faixa de 25 milhões de toneladas de milho. Se confirmam grandes perdas na produção do trigo devido à seca e haverá menos grãos forrageiros para exportar neste ano, o que tem valorizado o farelo de soja em Chicago. ARGENTINA - Os produtores ainda estavam colhendo grande parte das lavouras no final de maio, com atraso neste ano e perdas crescentes na produção, estimada em 56 milhões de toneladas de soja e 25 milhões de toneladas de milho, além de 1,3 milhão de toneladas de arroz. Em junho há colheita de feijão no país e parte do Preto local deverá ter como destino o mercado do Brasil. EUA - O plantio se deu com atraso e partes das lavouras foram semeadas na fase de riscos, como o milho no final de maio e a soja no começo de junho. Há expectativa de que o clima possa trazer problemas neste meio de temporada, que vai da metade de junho até o começo de agosto. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aponta para a soja com 103 milhões de toneladas, frente a mais de 106 milhões de toneladas da safra passada. Além dos riscos do clima, há redução C de área e queda no investimento em tecnologia. Vlamir Brandalizze

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COLUNA ANPII

É suficiente Em especial nas leguminosas está cada vez mais comprovado, científica e empiricamente, que a associação simbiótica entre bactérias e plantas é capaz de prover todo o nitrogênio necessário para os cultivos das plantas desta família, mesmo para as mais elevadas produtividades

O

sol é a fonte primordial de energia no planeta Terra, isto todos sabem. Das 6h da manhã às 19h as lavouras recebem a radiação solar e vão, através da fotossíntese, formando suas estruturas e realizando todos os processos fisiológicos necessários à vida no planeta. É uma energia natural, abundante, sem custo, podendo ser utilizada indistintamente por todos. O que diriam se alguém viesse com a ideia de colocar lâmpadas e, através da iluminação artificial, dar uma “mãozinha” para o sol, reforçando a fotossíntese? Naturalmente a ideia iria para o rol das maluquices, das ideias sem sentido e, principalmente, sem fundamento nenhum, seja prático ou científico. Através de intervenções humanas, como orientação espacial das lavouras, produtos que atuem na fisiologia, pode-se melhorar o desempenho da fotossíntese, mas nunca substituí-la. Claro, se o cultivo de soja ocorrer em ambientes fechados, como casas de vegetação, onde a incidência de sol fica prejudicada, aí sim, a luz artificial poderá ser usada. Mas, sempre em casos excepcionais. Outro fenômeno natural de tanta importância quanto a fotossíntese para a vida na Terra é a Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN). Através da conversão do nitrogênio atmosférico este elemento químico que se encontra em forma não assimilável pelas plantas torna-se de fato um nutriente, permitindo às plantas, juntamente com os demais elementos essenciais, dar todos os passos necessários da germinação à produção de flores e frutos. Durante milênios a natureza vem promovendo este ciclo: nitrogênio atmosférico é metabolizado por microrganismos que o colocam no sistema solo/planta e com isto há exuberantes florestas e pastagens, permitindo todo

o ciclo vital no planeta. Fotossíntese e Fixação Biológica do Nitrogênio, juntamente com os processos químicos e bioquímicos que permitem a solubilização de rochas, mantêm a Terra como um planeta vivo. Com o advento de populações gregárias, que deixaram de ser de alimentos, mas passaram a produzi-los em locais delimitados e, posteriormente, com grande parte da população vivendo em cidades e consumindo mas não produzindo alimentos, tornou-se necessária a intervenção humana para aumentar a produtividade, ou seja, aumentar a produção não pela via da abertura de novas áreas, mas pelo aumento de produção em uma mesma área. Aí começou a nascer a tecnologia aplicada à agricultura. Inicialmente rudimentar, a tecnologia agrícola teve um grande incremento a partir do final do século 19 e teve seu auge no século 20.

Tão estranho quanto alguém sequer pensar em substituir a luz solar por luz artificial em lavouras, é a ideia de se substituir, total ou parcialmente, a FBN pela utilização de fertilizantes nitrogenados

Entretanto, dois fenômenos continuaram imutáveis: fotossíntese e FBN. Em especial nas leguminosas foi verificado e está cada vez mais comprovado, científica e empiricamente, que a associação simbiótica entre bactérias e plantas é capaz de prover todo o nitrogênio necessário para os cultivos das plantas desta família, mesmo para as mais elevadas produtividades. Pode-se chegar a mais de seis mil quilos de soja em um hectare, tendo somente a inoculação como fonte de nitrogênio. Logicamente que houve intervenção humana para incrementar as ações deste fenômeno. Seleção de cepas mais eficazes, produção das bactérias em condições que permitam expressar todo seu potencial, formas de uso mais efetivas por parte do agricultor, tudo isto foi sendo estudado e posto em prática durante vários anos, em trabalhos desenvolvidos pelos órgãos de pesquisa, pelas indústrias de inoculante e pelos agricultores. Assim, tão estranho quanto alguém sequer pensar em substituir a luz solar por luz artificial em lavouras, é a ideia de se substituir, total ou parcialmente, a FBN pela utilização de fertilizantes nitrogenados. Por que deixar de trabalhar com um fenômeno natural, parte de um ciclo vital para as plantas, se ele é passível de utilização pela mais avançada tecnologia que se possa aplicar na moderna agricultura? Contrassenso total. Por sorte, a agricultura brasileira está no caminho correto, prestigiando o uso de inoculantes, e o agricultor brasileiro está perfeitamente conscientizado das vantagens para ele próprio, para o país e para o ambiente do uso dos inoculantes em suas lavouras. As tentativas de se introduzir a adubação nitrogenada em soja mostraram sua total incoerência, pois resultaram em maiores gastos para o agricultor e, em alguns casos, até mesmo C na diminuição da produtividade. Solon C. de Araujo, Consultor da ANPII

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Produtividade construída

Ricardo Balardin

Investimento barato, responsável por percentual que varia de 0,5% a apenas 2% dos custos das lavouras, o tratamento de sementes é uma ferramenta poderosa para garantir proteção na fase inicial de cultivo. Em soja, no caso do uso de fungicidas para este fim, além dos resultados no manejo integrado de doenças uma nova geração de produtos tem se destacado também por apresentar ação fisiológica combinada aos benefícios sanitários, mesmo na ausência ou em baixos níveis de organismos nocivos à cultura


04 • Junho 2016 • Soja • www.revistacultivar.com.br Figura 1 - Eficácia de Standak Top aplicado em sementes de arroz no controle de Pyricularia grisea

* Cultivares fornecidas por diferentes produtores

Figura 2 - Eficácia de fungicidas aplicados a sementes de trigo no controle de Bipolaris sp, Alternaria sp. e Fusarium sp

A

elevado às culturas em praticamente todos os estádios de desenvolvimento. Desde a germinação, os patógenos podem provocar redução importante na população de plantas, levando a um impacto significativo na produtividade final. Os patógenos oriundos das sementes podem originar epidemias infectando todos os órgãos das plantas. Contaminações por bactérias, vírus e nematoides, que também podem ser transmitidos pelas sementes, contribuem para perdas fisiológicas importantes aos cultivos. No caso da soja, os fungos dos gêneros Cercospora, Fusarium, Macro-

TRATAMENTO DE SEMENTES

Atualmente, o tratamento de sementes movimenta ao redor de três bilhões de dólares no mundo, devendo ultrapassar quatro bilhões de dólares até 2018. Os Estados Unidos detém 40% deste mercado. No Brasil, o tratamento de sementes tem apresentado

Fotos Ricardo Balardin

importância das sementes nos cultivos anuais pode ser atestada pela sobrevivência das espécies, capacidade de tolerância às adversidades (climáticas, dessecações etc), capacidade de originar outro indivíduo devido a dormência, dispersão das espécies, produção de alimento e insumo gerador de renda. As sementes viabilizam o potencial genético de uma cultivar, sendo primordial sua alta qualidade genética, fisiológica e sanitária. A qualidade sanitária está relacionada à ausência dos patógenos causadores de doenças, capazes de afetar significativamente a produtividade das culturas. Diversos patógenos encontram na semente um veículo altamente eficiente para tornar viável seu ingresso nas lavouras. Durante a etapa de estabelecimento, o ataque de patógenos sobre a semente, ou sobre seus órgãos seminais, pode provocar sua deterioração, levando à queda da produtividade das culturas. Com isso, a busca por sementes livres de patógenos torna-se fundamental, tanto para permitir altas produtividades, como para que o tratamento de sementes com fungicidas possa atingir uma alta eficácia de controle. Os patógenos podem causar dano

phomina e Phomopsis são exemplos de importantes patógenos, apresentando dispersão na lavoura a partir das sementes. Ainda, fungos do gênero Aspergillus são importantes causadores de deterioração de sementes durante o armazenamento (Henning, 2005), ou no caso de solos secos, podem causar podridão durante a germinação e emergência. Patógenos como Colletotrichum, Monilia e Rhizopus podem ser transmitidos tanto pelas sementes como a partir de restos culturais, causando prejuízos principalmente no estabelecimento inicial das lavouras, atacando, além das sementes, as plântulas, em pré e pós-emergência, plantas pequenas e até as plantas adultas (Oliveira et al, 1999). Os benefícios de um programa de produção de sementes incluem: a) aumento de produção e produtividade; b) utilização mais eficiente de fertilizantes, irrigação e pesticidas, devido à maior uniformidade de emergência e vigor das plântulas; c) reposição rápida e eficiente de novas cultivares; d) auxílio no controle de plantas daninhas, doenças e pragas do solo (Peske et al, 2003), sendo indispensável como base dos programas de manejo integrado de doenças.

Aspergillus flavus em soja


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Tabela 1 - Sistemas de aplicação, tratamentos químicos (produto comercial), princípios ativos e doses dos produtos avaliados para o controle de fitonematoides da soja em nível de campo. Instituto Phytus, 2012 Sistemas de aplicação TS (1)

TS + Sulco (2)

Sulco (3)

Tratamentos químicos Testemunha Avicta Completo Cropstar + Derosal Plus Standak Top Furadan 350 FS + Derosal Plus Testemunha Avicta Completo Cropstar + Derosal Plus Standak Top Furadan 350 FS + Derosal Plus Testemunha Avicta Completo Cropstar + Derosal Plus Standak Top Furadan 350 FS + Derosal Plus

um crescimento anual de 15% desde 2010, representando atualmente 700 milhões de dólares. É um segmento dominado pelo uso de fungicidas e inseticidas, podendo também ser incluídos os inoculantes, produtos biológicos e fertilizantes. O tratamento de sementes é utilizado, em muitas culturas, para diversos propósitos. Sua maior utilização tem sido em fornecer uma proteção contra o apodrecimento das sementes causado por fungos de solo como Pythium spp. e Rhizoctonia solani. Em condições adversas de semeadura, sua utilização justifica-se devido a condições de déficit hídrico elevado, solos com baixa temperatura e/ou alta umidade, períodos de chuvas pesadas devido à formação de crosta grossa na superfície do solo, solos compactados e semeadura profunda. Em condições de ausência de rotação de culturas, cultivo em áreas novas ou em áreas com histórico de ocorrência de tombamento, o uso do tratamento químico das sementes é uma medida que evita ataques inesperados por patógenos habitantes do solo.

Sclerotinia sclerotiorum em soja

Princípios ativos abamectina + tiametoxam + fludioxonil + metalaxil-M + tiabendazol imidacloprido + tiodicarbe + carbendazim + tiram fipronil + tiofanato-metílico+ piraclostrobina carbofurano + carbendazim + tiram abamectina + tiametoxam + fludioxonil + metalaxil-M + tiabendazol imidacloprido + tiodicarbe + carbendazim + tiram fipronil + tiofanato-metílico+ piraclostrobina carbofurano + carbendazim + tiram abamectina + tiametoxam + fludioxonil + metalaxil-M + tiabendazol imidacloprido + tiodicarbe + carbendazim + tiram fipronil + tiofanato-metílico+ piraclostrobina carbofurano + carbendazim + tiram

Exemplos de tratamentos de sementes são: (a) tratamento com fungicidas sistêmicos, para controlar patógenos em sítios protegidos das sementes ou patógenos causadores de doenças foliares; (b) tratamento com fungicidas, com o objetivo de proteger raízes das plantas contra o ataque por fungos que habitam o solo; (c) aplicação de produtos com ação fisiológica, propiciando aumento no crescimento das plantas e aumentando a taxa de germinação; (d) tratamento físico para o controle de patógenos localizados no interior das sementes (termoterapia); (e) revestimento de sementes para melhorar sua plantabilidade; e (f) aplicação de

Doses (g de i.a. ha-1) 30 + 42 + 1,5 + 1,2 + 9 63 + 189 + 18 + 42 30 + 27 + 3 420 + 18 + 42 60 + 84 + 3 + 2,4 + 18 126 + 378 + 36 + 82 60 + 54 + 6 840 + 36 + 82 30 + 42 + 1,5 + 1,2 + 9 63 + 189 + 18 + 42 30 + 27 + 3 420 + 18 + 42

produtos que afetam as relações de umidade de sementes, resultando em melhor armazenagem. Tendências mundiais no desenvolvimento de pesquisas no campo do tratamento químico de sementes indicam: (a) desenvolvimento de formulações com uso de uma menor quantidade de ingrediente ativo; (b) aumento na demanda por produtos biológicos ou ativadores de performance; (c) prática estratégica constituindo-se em um dos pilares dos programas de manejo integrado de doenças; (d) desenvolvimento de novos produtos com predomínio daqueles com ação fisiológica ou ativação de defesas vegetais.

Colletotrichum truncatum em soja


Fotos Ricardo Balardin

06 • Junho 2016 • Soja • www.revistacultivar.com.br Figura 3 - Efeito do tratamento de sementes combinado ao tratamento de parte aérea com fungicidas dos grupos estrobilurinas e triazóis aplicados em condições de estresse hídrico (até 28 DAE) e sem estresse hídrico

Colletotrichum truncatum e Phomopsis sp. em soja

EFEITO FISIOLÓGICO DEVIDO AO TS

O tratamento de sementes agrega benefícios importantes a sementes, destacando-se a economia de sementes, a obtenção de uma adequada população de plantas, arranque inicial da lavoura rápido e seguro, controle preventivo de doenças e pragas das culturas, redução de custos das lavouras, diminuindo a necessidade de ressemeadura, investimento barato (0,5% a 2% dos custos das lavouras). O uso de fungicidas sempre teve, como único foco, o controle de doenças. Apóso lançamento de fungicidas do grupo químico das estrobilurinas, essa perspectiva foi alterada e o manejo de doenças adquiriu um novo conceito devido aos benefícios fisiológicos propiciados por tais fungicidas desde o tratamento de sementes até a construção final da produtividade. Apesar do reconhecido benefício que o tratamento de sementes agrega no controle de doenças e pragas, alguns trabalhos têm demonstrado que, mesmo na ausência ou em baixos níveis de organismos nocivos à cultura, o tratamento de sementes pode melhorar o estabelecimento das plantas, proporcionando aumento de vigor e crescimento radicular, repercutindo de maneira positiva no rendimento de grãos devido ao melhor aproveitamento nutricional e otimização na hidratação das plantas.

Neste sentido, um novo conceito foi implementado em condições de campo, indicando que a nova geração de produtos para tratamento de sementes deveria apresentar uma ação combinada sanitária e fisiológica. Trabalho conduzido, com o objetivo de avaliar o efeito do tratamento de sementes sobre a fisiologia de plantas de soja, demonstrou ação positiva da mistura de thiametoxam e piraclostrobina. Thiamethoxam promove a expressão de genes na soja relacionados com a síntese e atividade de enzimas, alterando a produção de aminoácidos precursores de fito-hormônios, resultando no aumento da germinação, vigor e crescimento radicular. Por outro lado, piraclostrobina diminui a respiração vegetal

e aumenta a fotossíntese líquida, proporcionando maior acúmulo de fitomassa. Na Figura 3 é demonstrado que a adição combinada de piraclostrobina na semente, seguida de aplicação na parte aérea, sob condições de estresse hídrico, possibilitou compensação no rendimento final da cultura. Por outro lado, quando produtos sem ação fisiológica foram utilizados, o efeito compensador do estresse hídrico não foi observado. Mesmo que a aplicação na parte aérea tenha sido importante do ponto de vista fisiológico, a adição de tais compostos na semente foi decisiva para o ganho em produtividade.

TRANSMISSIBILIDADE

A transmissibilidade de patógenos em sementes de cultivos anuais é uma das mais importantes etapas no processo de estabelecimento das fontes iniciais de inóculo em condições de lavoura. Testes de patologia de sementes têm por objetivo determinar a frequência de sementes infectadas por patógenos. Contudo, devido à locali-

Tabela 2 - Massa fresca de raiz (g.planta-1) de plantas de sojas conduzidas em vasos aos 15 e 30 dias após a emergência (DAE), em função de diferentes tratamentos químicos e sistemas de aplicação. Instituto Phytus, 2012 15 DAE Sistemas de aplicação (SA)2 TS TS + Sulco Sulco Média TQ

1 1,1 aB3 1,3 aC 1,32 aC 1,24 c

Tratamentos químicos (TQ)1 2 3 4 1,72 bA 1,76 cA 2,01 bA 2,41 aB 2,51 aAB 2,76 aA 2 bAB 2,19 bA 1,98 bAB 2,05 b 2,15 ab 2,25 a

1 8,86 aB 9,43 aB 9,68 aA 9,32 b

Tratamentos químicos (TQ) 2 3 4 9,94 aAB 9,92 aAB 11,08 bA 9,51 aB 9,83 aB 14,14 aA 9,3 aA 9,88 aA 10,36 bA 9,58 b 9,88 b 11,86 a

Média SA 5 1,92 bA 2,36 aB 1,81 bB 2,03 b

1,70 b 2,27 a 1,86 b

30 DAE Sistemas de aplicação (SA)2 TS TS + Sulco Sulco Média TQ

Média SA 5 9,75 aAB 10,38 aB 9,4 aA 9,84 b

9,91 ns 10,66 9,72


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zação do patógeno na semente, bem como sua capacidade de infectar tecidos seminais durante o processo de germinação e emergência, apenas uma fração destas sementes infectadas irá converter a infecção para as plântulas. Esta transferência do inóculo desde a semente até a plântula se denomina transmissibilidade (Figura 4). A Sociedade Americana de Fitopatologia publicou alguns dados de transmissibilidade para patógenos na cultura da soja: 1. Mancha púrpura – Cercospora kikuchii: 30%; 2. Mancha-olho-de-rã – Cercospora sojina: 30%; 3. Mancha parda – Septoria glycines: 20%; 4. Seca da haste – Phomopsis spp.: 25%; 5. Antracnose – Colletotrichum truncatum: 10%; 6. Cancro da haste – Diaphorte phaseolorum: 1%; 7. Mofo branco – Sclerotinia sclerotiorum: 40% - 70%. Do ponto de vista do manejo, e considerando que a quantidade de inóculo inicial é uma das métricas mais importantes para o controle de epidemias, a realização de testes de patologia de sementes torna-se muito importante, pois indica o fungicida correto para o tratamento de cada lote de sementes, bem como a probabilidade de uma epidemia tornar-se severa. De acordo com parâmetros meteorológicos, a partir da determinação da quantidade de inóculo pode ser inferida a taxa de progresso, que poderá ser observada nas condições de campo. Ambos os parâmetros epidemiológicos são importantes para que a proteção de parte aérea seja implementada no momento correto e sejam empregados os fungicidas corretos. Depreende-se deste conjunto de fatores que, provavelmente, a combinação entre a qualidade sanitária das sementes, o tratamento das sementes com fungicidas corretos e sua complementação na parte aérea constituem-se em ações fundamentais para o correto manejo de doenças transmitidas pelas sementes.

POLÍMEROS ASSOCIADOS AO TRATAMENTO

A utilização de polímeros associados ao tratamento de sementes vem ganhando importância nos últimos oito anos. Este processo consiste em aplicar uma base fina e contínua que contém polímeros sólidos dissolvidos ou em uma suspensão, tendo como vantagens: melhoria da plantabilidade, adesão dos produtos

Cercospora kikuchii em soja


08 • Junho 2016 • Soja • www.revistacultivar.com.br Figura 4 - Transmissibilidade de Colletotrichum dematium em sementes de soja com infecção nas sementes de 5% e, considerando o nível de eficácia do tratamento de sementes, a projeção de densidade de fontes de inóculo primário em plantas de soja

nas sementes, aumento da penetração e fixação dos ativos e, principalmente, diminuição do risco de fitotoxicidade. Atualmente, a adição de polímeros já é realizada no momento do tratamento de sementes industrial, o que representa um grande ganho para o produtor que utiliza esse tipo de tecnologia, visto que

os benefícios são muitos. Em estudo realizado em campo e casa de vegetação, buscou-se avaliar o desempenho do fungicida Standak Top (fipronil + tiofanato-metílico + piraclostrobina), isolado e em associação com três polímeros (polímero 1, polímero 2 e polímero 3), sendo comparados

Figura 5 - Transmissibilidade de Pyricularia grisea em sementes de diversas cultivares de arroz, fornecidas por diferentes produtores, com ou sem tratamento de sementes

Figura 6 - Evolução do Percentual de germinação das sementes ao longo do período de armazenamento da soja. Itaara, 2015

com o polímero Pol 4 e Maxim XL + Cruiser. Os ensaios semeados com as sementes armazenadas por períodos diferentes mostraram que houve variação no percentual de plantas emergidas, vigor de plantas e percentual de fungos recuperados das sementes em função deste armazenamento das sementes. Os dados de percentual de plantas emergidas indicam que até os seis meses de armazenamento das sementes, não houve perdas substanciais na emergência de plantas, exceto no tratamento fipronil + tiofanato-metílico + piraclostrobina, que teve o número de plantas reduzido gradativamente até os 18 meses de armazenamento. Observando os dados da testemunha, nota-se que a partir dos nove meses de armazenamento da soja ocorre uma perda de poder germinativo e, assim, a redução do percentual de germinação de plantas no tratamento não pode ser atrelada à presença do produto na semente. Entretanto, tratamentos incluindo Standak Top misturado a diversos polímeros apresentaram percentual de emergência de plantas superior a 70% na semeadura após nove meses de armazenamento, seguidos por Standak top + Pol 4 (L 232), que teve 60% de emergência (Figura 6). Essa superioridade dos tratamentos contendo fipronil + tiofanato-metílico + piraclostrobina em adição aos polímeros e Pol 4 (L 232) se manteve até a semeadura realizada após 18 me-


www.revistacultivar.com.br • Soja • Junho 2016 •

Figura 7- Evolução do Vigor de plântulas de soja ao longo do período de armazenamento. Itaara, 2015

Figura 8 - Incidência de Penicillium sp. em sementes de soja armazenadas por 18 meses. Itaara, 2015

de armazenamento aumentou, notou-se acréscimo na frequência de aparecimento das espécies Aspergillus e Penicillium, que são fungos que depreciam a qualidade das sementes e isso pode estar relacionado à redução do percentual de emergência a partir dos nove meses de armazenamento (Figuras 8 e 9). Também foi observada redução na incidência

Fotos Ricardo Balardin

ses de armazenamento, quando esses tratamentos apresentaram percentual de plantas emergidas em média duas vezes maior que Standak Top isolado e três vezes maior que o padrão Maxim XL + Cruiser e a testemunha sem tratamento, mesmo que os valores fossem inferiores a 50% (Figura 6). O vigor de plantas de soja também variou significativamente entre tratamentos, e essa variação foi maior à medida que o período de armazenamento das sementes aumentou. Até a semeadura após nove meses de armazenamento das sementes, todos os tratamentos, exceto o padrão Maxim XL + Cruiser, apresentaram vigor de plantas superior a 90%. Acompanhando os resultados de emergência de plantas, os tratamentos com fipronil + tiofanato-metílico + piraclostrobina em adição aos polímeros, destacaram-se com as plantas mais vigorosas na semeadura após 18 meses de armazenamento (Figura 7). Na avaliação de patologia de sementes foi observada, no lote de sementes, a presença de Fusarium solani, Cladosporium sp., Colletotrichum truncatum, Rhizopus sp., Penicillium sp., Alternaria sp., Aspergillus sp., Cercospora kikuchii, Rhizoctonia solani e Aspergillus niger. Os tratamentos de sementes reduziram o número de fungos recuperados das sementes. À medida que o período

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Eficácia de Standak Top aplicado em sementes de arroz no controle de Pyricularia grisea

de Fusarium sp quando foi utilizado fipronil + tiofanato-metílico + piraclostrobina em associação aos polímeros testados, que, além de apodrecimento de sementes, também pode ser transmitido à plântula (Figura 10). Dessa forma, em situações onde for necessário armazenar sementes, o ideal é que seja associado um polímero


10 • Junho 2016 • Soja • www.revistacultivar.com.br ao fungicida, pois, desta forma, por um período médio de até seis meses, de acordo com os dados obtidos, é possível manter germinação, vigor e patógenos de armazenamento em níveis aceitáveis. Contudo, ressalta-se que a qualidade fisiológica e sanitária do lote de sementes, bem como as condições em que esta foi produzida, é determinante para o sucesso de uma lavoura.

Figura 9- Incidência de Aspergillus sp. em sementes de soja armazenadas por 18 meses. Itaara, 2015

CONCLUSÕES

A utilização de sementes com qualidade fisiológica e sanitária elevados é prática fundamental na produtividade das culturas, que se traduz em ótima relação custo/benefício, afetando diretamente o potencial produtivo da cultura . Quando esta qualidade estiver associada ao tratamento químico, constitui-se em um dos pilares fundamentais do Manejo C Integrado de Doenças (MID).

Figura 10 - Incidência de Fusarium sp. em sementes de soja armazenadas por 18 meses. Itaara, 2015

Ricardo Balardin

Ricardo Balardin, Univ. Federal de Santa Maria Caroline Goulart, Instituto Phytus

Encarte Técnico • Circula encartado na revista Cultivar Grandes Culturas • nº 205 • Junho 2016 • Capa - Charles Echer Reimpressões podem ser solicitadas através do telefone: (53) 3028.2075

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