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Cultivar
Cultivar Grandes Culturas • Ano XVII • Nº 203 • Abril 2016 • ISSN - 1516-358X
Destaques
Nossa capa
Inimigo à espreita - 22
Como reagir a Spodoptera albula em soja, praga com potencial para se tornar parte do principal grupo do complexo de lagartas do gênero Spodoptera no Brasil
Antonio G. Rocha
Índice
Monitoramento focado - 24
A importância de técnicas como pano de batida e uso de feromônios na tomada de decisão de controle de lepidópteros em soja
Diretas
04
Uso de água e nitrogênio em café
08
Podridão abacaxi em cana-de-açúcar
12
Congresso de Entomologia
15
Desempenho de cultivares de soja
18
Capa - Spodoptera albula em soja
22
Manejo de lepidópteros em soja
24
Manejo correto de nematoides
28
Tratamento de sementes em soja
30
Controle de lagartas em algodão
32
Caruru palmer em algodoeiro
36
Daninhas em algodão
38
Coluna ANPII
40
Coluna Agronegócios
41
Mercado Agrícola
42
Exército nefasto - 32
A integração do controle químico a outras estratégias de manejo integrado de lagartas em algodoeiro
Expediente Fundadores: Milton Sousa Guerra e Newton Peter
REDAÇÃO • Editor
Gilvan Dutra Quevedo
• Redação
Rocheli Wachholz Karine Gobbi
• Design Gráfico e Diagramação
Cristiano Ceia
• Revisão
CIRCULAÇÃO
Aline Partzsch de Almeida • Coordenação Simone Lopes
COMERCIAL • Coordenação
Charles Ricardo Echer
• Vendas
Sedeli Feijó
Rithieli Barcelos
• Assinaturas
Natália Rodrigues Clarissa Cardoso Aline Borges Furtado
• Expedição
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Por falta de espaço não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@grupocultivar.com Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.
DIRETAS Esquadrão
A Basf destacou na Expodireto o Esquadrão Fungicidas, com foco principalmente no produto Orkestra, recomendado para o manejo precoce de doenças da soja. "Queremos mostrar ao produtor que o Orkestra é o melhor produto para a 1ª aplicação, pelo seu amplo espectro de contato e pelo multicontrole de doenças", explicou o coordenador de Marketing Cereais Sul, Rodrigo Machado. A Basf também expôs durante o evento os benefícios de Cultivance, a primeira soja 100% transgênica, que foi lançada em parceria com a Embrapa, e o Cartão Fidelidade Safra Basf, que possibilita ao produtor acumular pontos e trocar por diversos produtos eletrônicos Rodrigo Machado e passagens aéreas.
Tecnologia
Adriana Rizzo Bernardet
A Monsanto destacou em seu estande os benefícios da tecnologia Intacta RR2 Pro, com diversas atrações para esclarecer sobre o modelo de negócios e eventuais dúvidas dos produtores. A empresa também lançou a publicação "Manual Intacta" que conta toda a evolução do processo, desde o lançamento da tecnologia até a comercialização das sementes. "Foi realizado o maior estudo de campo da tecnologia no Brasil, com cerca de quatro mil produtores eleitos" explicou a gerente de Negócios Intacta, Adriana Rizzo Bernardet.
Refúgio
Os destaques da Agroceres para Expodireto 2016 foram os híbridos AG 9025, AG 8780 com tecnologia Pro 3, AG 8690 híbrido para silagem também com tecnologia Pro 3. “O lançamento do Refúgio Max tem como objetivo oferecer um portfólio completo de híbridos e tecnologias adequados às necessidades de cada agricultor”, enfatizou a analista de Marketing, Renata Portugal Ferreira.
Hiperprecoce
Híbrido
O lançamento da BioGene para a Expodireto 2016 foi o BG7318YH, híbrido de milho desenvolvido para a região Sul do Brasil. “A feira é uma oportunidade de se aproximar do produtor e mostrar as nossas tecnologias agregadas ao manejo correto, visando alta produtividade dos nossos parceiros”, ressaltou o gerente de Marketing, Sergio Silva.
Soluções tecnológicas
A FMC expôs aos participantes da Expodireto 2016 suas soluções tecnológicas para o manejo de pragas na plantação de milho e soja. “Tivemos um campo demonstrativo onde foram realizadas simulações da aplicação de defensivos, destacando a importância de um manejo de qualidade para o sucesso no controle de pragas e doenças. Recomendamos para manejo de percevejos na soja os inseticidas Mustang na dessecação, Hero no estágio vegetativo e Talisman no reprodutivo”, explicou o diretor comercial Sul da FMC, Ricardo Almeida.
A Dekalb lançou na Expodireto Cotrijal 2016 o híbrido hiperprecoce DKB 230 PRO 3. “O objetivo da Dekalb na feira foi trazer para o agricultor do Sul do país híbridos de genética inovadora com alta capacidade produtiva”, disse a representante de Vendas Sul, Beatrice Silva.
Sergio Silva
Manejo
Durante a Expodireto 2016, a Basf apresentou suas soluções para o manejo fitossanitário das culturas de soja e milho. Os destaques ficaram para os produtos: fungicida Orkestra SC, fungicida e inseticida Standak Top e o herbicida Heate. Além disso, a empresa também apresentou o Seed Solution, demonstrando o funcionamento de uma máquina de Tratamento de Semente Industrial, bem como estações de cultivo de Arroz CL e o Sistema de Produção Cultivance, fruto da parceria entre Basf e Embrapa.
04 Abril 2016 • www.revistacultivar.com.br
Soja
O destaque da Agroeste na Expodireto Cotrijal 2016 foi o híbrido de soja AS 3570 Ipro. “Estamos comprometidos em oferecer produtos e soluções de qualidade, com consultoria técnica ao produtor durante todas as etapas do crescimento da cultura da soja”, enfatizou a analista de Marketing, Isabela Sasso.
Parceria
Durante a Expodireto Cotrijal 2016, a DuPont Pioneer, em parceria com a DuPont Proteção de Cultivos, apresentou em seu estande o portfólio de produtos para a safra verão e silagem, dando destaque para os híbridos P1630H e 30F53YH; e P2530, híbrido convencional indicado para refúgio. Para a soja, foram apresentadas as cultivares superprecoces 95R51 e 95Y72. Os representantes comerciais e a equipe técnica da Pioneer e DuPont se revezaram na recepção aos produtores, com apresentação de áreas demonstrativas e esclarecimento de dúvidas.
Campanha
A Monsoy aproveitou a participação na Expodireto Cotrijal 2016 para reforçar a campanha de 20 anos da marca no Brasil, criada para divulgar e fortalecer o relacionamento com o produtor de sementes e o sojicultor. Na feira foi lançada a variedade precoce M5730 Ipro. O germoplasma foi desenvolvido por meio de melhoramento genético convencional e aliado aos diferenciais da tecnologia Intacta RR2 PRO. “A tecnologia oferece proteção contra as principais lagartas que atacam a soja. A M5730 Ipro é resistente também ao acamamento”, ressaltou o representante de Licenciamento Monsoy, Everton Wojahn.
Everton Wojahn
Construindo Plantas
Agrodigitais
Serviços agrodigitais foram destaque no estande da Adama durante a Expodireto Cotrijal 2016. Uma dessas ferramentas é o Adama Alvo, que auxilia na identificação de pragas, doenças e plantas daninhas. Por sua vez, Adama Clima fornece ao usuário, como o próprio nome já sugere, a previsão climática para sua propriedade. Já Adama Wings captura imagens com veículos aéreos não tripulados, identificando falhas no plantio e matocompetição. Além disso, a empresa destacou o inseticida Voraz, para manejo de lagartas.
Gilberto Medeiros
Quem visitou o estande da Dimicron na Expodireto Cotrijal 2016 pode conhecer as tecnologias disponíveis para as diferentes culturas da região Sul. Um dos principais destaques da empresa foi o Programa Construindo Plantas (PCP), que objetiva aumentar a eficiência de cada planta em todas as fases de seu crescimento. Em seu Laboratório de Análise de Sementes (LAS) em Cruz Alta, Rio Grande do Sul, a Dimicron faz análise fisiológica e química da semente, identificando as ações corretivas desde o plantio até a colheita.
Biotecnologia
A Morgan Sementes e Biotecnologia esteve presente durante a Expodireto Cotrijal 2016. De acordo com o gerente de Marketing, Denilson Anderson Rigonatto, os dois lançamentos da empresa no evento foram os híbridos de milho adaptados para a região Sul do Brasil: MG580 e MG300. “O MG580 é um híbrido indicado pelo potencial produtivo e qualidade de grãos, já o MG300 apresenta um material que se destaca pela superprecocidade aliada à sanidade de folhas, colmo e qualidade de grãos”, explicou Rigonatto.
Portfólio
Os produtores que visitaram o estande da BioGene na Expodireto Cotrijal 2016 tiveram a oportunidade de conhecer o portfólio completo da marca, em milho. “A nossa equipe de representantes esteve à disposição para tirar dúvidas relacionadas à cultura do milho e levar informações importantes, bem como apresentar as novas tecnologias e a associação destas às boas práticas de manejo no campo”, destacou o gerente de Contas da BioGene nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, Ricardo Battisti.
Correção
Ao contrário do veiculado na página 4, do espaço Diretas, da edição de março de Cultivar Grandes Culturas, o nome correto do diretor de Sementes da Dow AgroSciences é Mozart Fogaça e não Mozart Fagundes Júnior, como publicado.
Mozart Fogaça
www.revistacultivar.com.br • Abril 2016
05
Mais produtividade
As soluções e os serviços Syngenta puderam ser explorados de perto na Expodireto Cotrijal 2016. Ao chegar ao estande, o visitante era convidado a conhecer as experiências de produtores que atingiram novos patamares de produtividade a partir da utilização das soluções da empresa, com destaque para o fungicida Elatus. As equipes técnica e comercial da Syngenta também estiveram à disposição dos participantes do evento para apresentar as tecnologias disponíveis para sua região.
Boas Práticas
A Dow AgroSciences levou para a Expodireto Cotrijal 2016 uma série de ações que focam nas necessidades do agricultor e na melhoria do agronegócio. A empresa apresentou duas novas alternativas de controle para as culturas de soja, milho e trigo lançadas em 2015. O inseticida Exalt, para o controle do complexo de lagartas em soja e milho, e o herbicida Tricea, pós-emergente seletivo para a cultura do trigo. O público também teve a oportunidade de conhecer a Tenda de Boas Práticas Agrícolas da Dow AgroSciences.
Proteção
A UPL Brasil participou da edição 2016 da Expodireto Cotrijal. A empresa apresentou o lançamento do Unizeb Glory, mistura de protetor e solução sistêmica com ação multissítio para manejo de resistência de fungos. “Nosso objetivo é ir além e trazer novas soluções que possam potencializar e proteger melhor as lavouras de todo o País", afirmou o gerente de Produtos Fungicidas da UPL, Marcelo Figueira. Além deste lançamento, a UPL trouxe demonstrações de outras soluções desenvolvidas pela empresa, como o inseticida Perito e o próprio Unizeb Gold.
06 Abril 2016 • www.revistacultivar.com.br
Visita
O diretor da Biosul Fertilizantes, Tadeu Pontalti, visitou a Expodireto 2016. Fundada em novembro de 2003, trata-se de uma indústria brasileira, sediada na cidade de Vacaria, Rio Grande do Sul. Com um portfólio que contempla mais de 60 produtos para grãos, fruticultura, hortigranjeiros e flores, a Biosul vem trabalhando em duas linhas de pesquisa, com o objetivo de melhorar o controle fitossanitário das culturas agrícolas e facilitar o controle de pragas. “Nestes quase 15 anos de atuação no mercado, sempre investimos em tecnologia e desenvolvimento, colocando a ciência a serviço da natureza, para oferecer as melhores soluções para todos os tipos de culturas”, ressaltou Pontalti.
Tadeu Pontalti
Rede
Na edição 2016 da Expodireto Cotrijal, a Bayer apresentou uma série de soluções para os produtores da região Sul do Brasil. Um dos destaques desse ano foi a Rede AgroServices, ambiente digital de relacionamento que reúne produtores, cooperativas, prestadores de serviço, pesquisadores e distribuidores para debater a agricultura brasileira, compartilhar visões e somar conhecimentos. “A Bayer tem muito orgulho de liderar esta iniciativa e ajudar a conectar importantes elos para mostrar a força e a importância do agronegócio brasileiro", afirmou o gerente de Clientes da Bayer, Mário Rissi.
Cultivares
A equipe de Desenvolvimento de Mercado da TMG no Sul do Brasil apresentou na Expodireto 2016 as principais cultivares de soja recomendadas para o Rio Grande do Sul. O gestor de Desenvolvimento de Mercado e Sementes, Osmair Mendonça, lembrou que no primeiro ano de participação, em 2015, uma das principais cultivares do portfólio da TMG foi lançada na Expodireto. “Lançamos a TMG 7062 Ipro e durante a safra 2014/15 a cultivar alcançou a área de 400 mil hectares. Hoje, é uma das principais do portfólio e também destaque no Rio Grande do Sul”, recordou.
Presença
O CEO da UPL Brasil, Carlos Pellicer, fez questão de participar da Expodireto Cotrijal 2016, no município de Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul. O executivo destacou a importância estratégica da região para a empresa e a oportunidade de estabelecer uma relação ainda mais próxima com produtores do Sul do Brasil.
Carlos Pellicer
Sementes
A Bayer Cropscience realizou o lançamento da sua própria marca de sementes de soja, Credenz. "Para este lançamento, a Bayer disponibilizará 20 variedades aos produtores, entre oito e 11 variedades conhecidas pelos produtores brasileiros e pretende expandir Credenz nos próximos anos, com a introdução de novas tecnologias e variedades", explicou o diretor de Sementes Bayer no Brasil, Eduardo Mazzieri. Além de sementes de soja convencional, Credenz tem em seu portfólio variedades com três tecnologias: a LibertyLink, tecnologia Bayer que está sendo lançada com Credenz para a próxima safra, Roundup Ready e Intacta RR2 PRO.
Eduardo Mazzieri
Estações
Durante o lançamento da marca de sementes Credenz, o diretor do Negócio de Sementes de Soja da Bayer Cropscience, Hugo Borsari, destacou que o mercado de soja evolui muito rápido, sendo essencial viabilizar aos produtores acesso a grãos com características únicas e sob medida para atender às necessidades específicas de produção brasileira. "Para atender a essas necessidades, investimos em cinco estações de produção de sementes de soja Credenz no Brasil para fornecer o que há de mais moderno aos produtores de soja brasileiros e, assim, contribuir para o crescimento desta imHugo Borsari portante cultura para o País."
Variedades
Com a entrada no segmento de sementes, a Bayer também reforçou os trabalhos das equipes de campo, a fim de monitorar as variedades e garantir o melhor posicionamento técnico possível da tecnologia. Na safra 15/16, mais de 750 produtores foram assistidos diretamente em áreas experimentais com variedades Credenz, localizadas ao lado de cultivos convencionais. “Isso nos permite comprovar a qualidade e os diferenciais das nossas variedades, para que já na safra 2016/2017 possamos recomendar aos produtores a variedade certa, com a tecnologia certa, com a proteção mais adequada", explicou o gerente de Marketing de Sementes de Soja da Bayer e responsável pelo lançamento, Felipe Romano.
Felipe Romano
Enraizador
Durante a Expodireto o destaque da Rigrantec foi para o produto Alga CoMo+. De acordo com o diretor da empresa, Nelson Azambuja, trata-se de um enraizador à base de cobalto, molibdênio e extrato de algas marinhas. É destinado para tratamento de sementes e pulverização foliar. "Alga CoMo+ melhora o equilíbrio fisiológico das plantas, acelera a germinação, induz a planta a um maior enraizamento e i n c re m e n t a o crescimento vegetativo, proporcionando uma melhor uniformidade de estande, além de dar a maior resistência à fadiga física e ambiental", explica Nelson Azambuja Azambuja.
Aplicação eficiente
A Syngenta aproveitou a Expodireto Cotrijal 2016 para demonstrar aos visitantes, de forma prática, a importância da tecnologia de aplicação, através do projeto Integrare. Com o uso de uma lâmpada especial, Laércio Hoffmann e Rafael Roerigh demonstraram a cobertura nas plantas com o emprego de diferentes tamanhos de gotas, vazão, volume de calda e tipos de bicos.
www.revistacultivar.com.br • Abril 2016
07
Café
Água e nitrogênio Universidade Federal do Espírito Santo
A oferta hídrica e de nutrientes de modo adequado é fundamental para o crescimento e a produtividade do cafeeiro. Por isso o uso da irrigação e o manejo da nutrição, quando adotados de modo racional e criterioso, são ferramentas que podem auxiliar o produtor a obter melhores resultados
A
periodicidade de crescimento do cafeeiro está associada a diversos fatores ambientais, como o suprimento de água e nutrientes. A ocorrência do déficit hídrico em determinadas fases do ciclo fenológico, como a que antecede o início da floração, pode comprometer a produtividade da cultura. A maior parte das lavouras de café conilon do Espírito Santo ocupa áreas nas regiões Norte e Noroeste, que são consideradas marginais, de baixas altitudes, temperaturas mais elevadas, com solos de baixa fertilidade e que sofrem constantemente com problemas de baixa oferta de água (Busato et al, 2007), fazendo com que uma adubação equilibrada e o correto manejo da água sejam indispensáveis para melhoria da produtividade e da qualidade do produto. Neste sentido, a adoção da irrigação tem por objetivo um manejo adequado da cultura e possibilita incrementos em pro-
dutividade que podem variar de 20% a 260% (Silva; Reis, 2007).
IRRIGAÇÃO NA CAFEICULTURA
Dentre os sistemas de irrigação comumente empregados na cafeicultura irrigada no Norte capixaba destacam-se os sistemas localizados (gotejamento convencional, gotejamento com “microjet” e microaspersão) e por aspersão (pivô central, aspersão convencional e fixa). Embora os sistemas localizados apresentem maior potencial de economia de água, associados à alta uniformidade e eficiência de aplicação, nos últimos anos tem havido uma tendência na implantação de sistemas novos de aspersão fixa. Nesse sentido, o manejo da irrigação constitui uma técnica muito importante do ponto de vista econômico e ambiental em uma atividade agrícola irrigada, proporcionando economia de água, energia, aumento da produtividade da cultura e melhoria na
08 Abril 2016 • www.revistacultivar.com.br
qualidade do produto (Bonomo et al, 2013). Portanto, adotando-se um manejo adequado é possível utilizar, muitas vezes, o sistema de irrigação em tempo inferior a aquele em que foi projetado, economizando assim, em termos de operação, com reflexos diretos nos custos de energia elétrica e mão de obra. A irrigação promove o incremento da produção, já que a produtividade da lavoura é comprometida quando ocorrem períodos críticos de deficiência hídrica durante as fases de florada e frutificação até aproximadamente a décima oitava semana após a floração.
OFERTA DE ÁGUA E NUTRIÇÃO COM NITROGÊNIO NO CAFEEIRO
O nitrogênio (N) é um dos nutrientes mais afetados pela oferta de água no solo, principalmente na fase de frutificação, quando é intensamente transportado das folhas para os frutos, seja em condição de suprimento ade-
Figura 1 - Estimativa do crescimento acumulado dos ramos plagiotrópicos do cafeeiro conilon, em função das doses de N (kg ha-1), nas épocas de avaliação novembro/2012 (A) e dezembro/2012 (B)
quado ou deficiente. A resposta da cultura ao N está intimamente relacionada com a oferta de água no solo, pois é essencial às funções vitais da planta. Normalmente, a dose de N utilizada no cafeeiro é baseada em uma recomendação geral, de acordo com a expectativa de produtividade, sendo raramente realizada utilizando análise da planta. Quando efetuado, esse monitoramento é realizado pela análise química quanto aos teores de N na massa seca das folhas. Esses procedimentos são onerosos, demorados e devem ser efetuados em locais adequados e por pessoas com algum grau de instrução (Fontes, 2011). Nesse sentido, a determinação do teor de N na planta por técnicas rápidas de diagnóstico, dentre elas características biométricas ou de crescimento da planta como comprimento de ramos, área foliar e massa seca da folha e características ou índices de N associados com a intensidade da coloração verde da folha e com a clorofila, talvez possa ser uma ferramenta útil e viável no manejo do N em cafeeiro. A quantificação do crescimento ou de
índices de N no cafeeiro em função dos níveis de adubação nitrogenada se traduz em um prognóstico do potencial produtivo da lavoura, em campo, e permite ainda adequar o manejo da adubação com N para otimização dos fertilizantes e menor impacto ao meio ambiente. Com o objetivo de avaliar a produtividade do cafeeiro conilon irrigado sob doses de nitrogênio, realizou-se um experimento em uma propriedade rural do município de Colatina, bacia do Rio Doce, região noroeste do Espírito Santo. O clima do local é Tropical Aw, segundo a classificação climática de Köppen. A região é caracterizada por apresentar terras quentes, com altas temperaturas, relevo acidentado e ocorrência de secas, com irregularidade das chuvas durante o ano e inverno seco, com precipitação anual média de 1.100mm. A espécie utilizada foi o cafeeiro conilon (Coffea canephora), em produção e o experimento foi cultivado sob o espaçamento de três metros entre fileiras e 1,5 metro entre plantas. Nesse espaçamento, a lavoura foi manejada com poda e desbrota tradicional, mantendo-se 5 hastes/planta - 6 hastes/planta, equivalentes
a 13.333 hastes/ha, conforme recomendação de Fonseca et al (2007). As doses de N foram aplicadas na forma do fertilizante ureia (45% de N), parceladas em quatro aplicações durante o ano, sendo 30% no mês de outubro, 30% no mês de dezembro, 25% no mês de fevereiro e 15% no mês de junho. Foram testadas seis doses de nitrogênio (N): 0kg/ha/ano, 110kg/ha/ano, 220kg/ha/ ano, 440kg/ha/ano, 880kg/ha/ano e 1.320kg/ ha/ano de N, e suas influências sobre as características de crescimento e produtividade, em duas safras: 2012/2013 (1ª safra) e de 2013/2014 (2ª safra). Verificou-se que houve efeito positivo das doses de N no crescimento dos ramos plagiotrópicos (Figuras 1A, 1B, 2A e 2B) e ortotrópicos (Figuras 3A, 3B, 4A e 4B), e sobre o número de nós dos ramos plagiotrópicos e ortotrópicos das plantas do cafeeiro conilon em todas as épocas de avaliação que foram novembro de 2012 (E1), dezembro de 2012 (E2), fevereiro de 2013 (E3) e junho de 2013 (E4).
Figura 2 - Estimativa do crescimento acumulado dos ramos plagiotrópicos do cafeeiro conilon, em função das doses de N (kg ha-1), nas épocas de avaliação fevereiro/2013 (A) e junho/2013 (B)
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09
Figura 3 - Estimativa do crescimento acumulado dos ramos ortotrópicos do cafeeiro conilon, em função das doses de N (kg ha-1), nas épocas de avaliação novembro/2012 (A) e dezembro/2012 (B)
Figura 4 - Estimativa do crescimento acumulado dos ramos ortotrópicos do cafeeiro conilon, em função das doses de N (kg ha-1), nas épocas de avaliação fevereiro/2013 (A) e junho/2013 (B)
características de crescimento apresentaram relação direta com a adubação nitrogenada e que é possível sua utilização como ferramenta auxiliar no diagnóstico nutricional nitrogenado do cafeeiro conilon. Resultados semelhantes de aumento dos níveis de adubação em cafeeiro irrigado na fase de produção foram obtidos por Costa et al (2010) e Guimarães et al (2010) que verificaram que cafeeiros irrigados têm crescimento
durante todo ano. Estudando o fator N em cada época de avaliação, nota-se que houve efeito positivo de doses de N sobre a área foliar da folha diagnóstico em todas as épocas de avaliação, em dezembro de 2012 (E1), fevereiro de 2013 (E2), junho de 2013 (E3), outubro de 2013 (E4) e dezembro de 2013 (E5), com aumento nos valores dessa característica com o incremento das doses de N. Fotos Universidade Federal do Espírito Santo
Observou-se que o crescimento dos ramos foi maior nas primeiras avaliações, reduzindo até a última avaliação, uma vez que a maior taxa de crescimento do cafeeiro se concentra no verão. Ademais, com o passar do tempo os ramos foram se tornando mais velhos. As doses de N proporcionaram incremento significativo no crescimento dos ramos, tanto dos ortotrópicos quanto dos plagiotrópicos, e no número de nós, mostrando que essas
Figura 5 - Estimativa da área foliar (unitária) da folha diagnóstico do cafeeiro conilon, em função das doses de N (kg ha-1), em cada época de avaliação
Utilização de clorofilômetro na medida da intensidade do verde da folha (esq.) e diferença de coloração “verde” das folhas em função da adubação nitrogenada
10 Abril 2016 • www.revistacultivar.com.br
Figura 6 - Estimativa da produtividade (sacas/ha) do cafeeiro conilon em função das doses de N (kg/ha), na 1ª safra avaliada (2012/2013) (A) e na 2ª safra avaliada (2013/2014) (B)
A
O uso da área foliar da folha diagnóstico é mais adequado que o uso da área da folha mais velha, uma vez que a primeira é considerada fisiologicamente mais ativa e representa melhor a condição da planta. Além disso, a folha diagnóstico tem acesso mais facilitado na planta, o que representa maior rapidez na mensuração em campo, ao passo que as folhas mais velhas têm maior chance de terem sofrido com estresse biótico ou abiótico. Quanto maior a oferta de N, maior foi a área foliar (Biemond; VOS, 1992; Andriolo et al, 2006) do cafeeiro conilon, mostrando que a expansão da área foliar foi sensível ao efeito do N. O suprimento adequado de N, mantendo os níveis dentro das faixas adequadas preconizadas por Gomes e Partelli (2013), é imprescindível para o crescimento contínuo do cafeeiro durante todo o ano, inclusive no outono-inverno, apesar de ocorrer em menor taxa. Verificou-se que houve efeito de doses de N sobre a produtividade de café beneficiado (sacas/ha) do cafeeiro conilon nas duas safras avaliadas (1ª safra - 2012/2013 e 2ª safra 2013/2014) (Figuras 6A e 6B). Na 1ª safra avaliada a produtividade média foi de 130,4 sacas/ha. A dose de 830,2kg/ha de N propiciou a máxima produtividade de café beneficiado dentre os níveis estudados, que foi de 144,8 sacas/ha. Um dado interessante é que a dose de N necessária para obtenção de 90% da máxima produtividade (130,1 sacas/ ha) foi de 251,3kg/ha, ou seja, uma redução em 10% na produtividade máxima acarretou uma redução de 69,7% da dose de N aplicada. Na 2ª safra avaliada a produtividade média foi de 94,5 sacas/ha. A dose de 815,2kg/ha de N propiciou a máxima produtividade de café beneficiado dentre os níveis estudados, que foi 120,5 sacas/ha. A dose de N responsável por 90% da produtividade máxima (108,5 sacas/ha) foi de 430,3kg/ha. Analisando-se esses resultados
B
de forma semelhante à análise dos resultados da safra anterior verifica-se que uma redução em 10% na produtividade máxima proporcionou uma diminuição de 47,2% na dose de N aplicada. A recomendação de adubação com N para o cafeeiro conilon no Espírito Santo para uma produtividade de 137,4 sacas/ha é de 560kg/ha de N e para uma produtividade de 114,5 sacas/ ha é de 500kg/ha de N (Prezotti et al, 2007). Verifica-se que a 1ª safra apresenta uma produtividade média 27,47% maior que a 2ª safra. Na 1ª safra as plantas estavam notadamente mais vigorosas, com maior número de ramos em produção. Com a realização da poda, a arquitetura da planta foi alterada e na 2ª safra, maior era o número de ramos em estádio vegetativo e, portanto, mais jovens. Silva (2014), em experimento realizado com cafeeiro conilon em São Mateus (ES), observou que as plantas na safra 2011/2012 apresentavam melhor estrutura, com maior número de ramos e folhas e, consequentemente, obteve uma produtividade de 127 sacas/ha, bem maior quando comparada com a produtividade da safra 2012/2013, que foi de 92 sacas/
ha. Os ramos produtivos reduzem o seu vigor depois da segunda ou terceira colheita e não há crescimento compensatório para manutenção de altas produtividades (Bragança et al, 2007). Quanto à análise da bienalidade de produção, Valadares et al (2013) constataram que ao longo de oito safras avaliadas do cafeeiro arábica em Martins Soares, Minas Gerais, maior estabilidade produtiva foi obtida nos tratamentos com maiores doses de N. Portanto, o maior suprimento de N proporcionou menor bienalidade de produção. Os autores reforçam que na análise da bienalidade, a relação entre adubação e maior estabilidade produtiva pode ser atribuída, essencialmente, à adubação com N. Verificou-se em campo que a irrigação tende a potencializar o efeito das doses de fertilizantes, refletindo, assim, em maior número total de ramos plagiotrópicos, potencializando a produção. C Camilo Busato, Cristiani Campos M. Busato, Edvaldo Fialho dos Reis e Fábio Luiz Partelli, Univ. Federal do Espírito Santo
CARACTERÍSTICAS AVALIADAS NO EXPERIMENTO a) Comprimento dos ramos ortotrópicos e plagiotrópicos - medido com auxílio de trena; b) Número de nós dos ramos ortotrópicos e plagiotrópicos - obtido por contagem. c) Área foliar - as medições foram efetuadas no 3º ou 4º par de folhas contado a partir do ápice de ramos plagiotrópicos situados no terço médio das plantas de cafeeiro, identificadas como Folha Diagnóstico (FD) e na Folha mais Velha (FV)
do mesmo ramo, em cada lado da planta. d) Produtividade de café beneficiado - as plantas avaliadas foram colhidas por derriça no pano quando apresentavam aproximadamente 80% de grãos maduros. Por ocasião da colheita foram mensurados o volume (litros) e a massa (kg) dos grãos colhidos em cada parcela de adubação. Os resultados de produção foram então transformados para produtividade em sacas de 60kg/ha de café beneficiado.
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Cana
Abacaxi na cana? Roberto Giacomini Chapola
Causada por Ceratocystis paradoxa, a podridão abacaxi é uma doença fúngica que ataca a cana-de-açúcar e provoca prejuízos capazes de comprometer a produtividade em até 35%. Seu manejo exige integração de medidas, que incluem atenção à época do plantio e emprego de fungicidas quando necessário
D
entre os fungos que podem atacar os rebolos de cana-de-açúcar após o plantio, destaca-se a espécie Ceratocystis paradoxa, agente causal da doença conhecida como podridão abacaxi. Esse fungo é capaz de atacar diversas plantas, como bananeira, palmeira, coqueiro e abacaxizeiro, e está presente em praticamente todas as regiões produtoras de cana do país. A podridão do abacaxi inibe ou retarda a germinação da cana. Áreas atacadas ficam com aspecto irregular, apresentando muitas falhas; em alguns casos, é necessário o replantio, operação bastante onerosa. Os prejuízos não se resumem somente às falhas, mas também ao menor desenvolvimento das plantas. Áreas com ataques severos de podridão abacaxi podem apresentar reduções de até 35% na produtividade. Havendo queda de produtividade, é certo que a rentabilidade do produtor também será afetada. Dos fatores ambientais que influenciam a germinação da cana, a temperatura é o mais importante. Para uma germinação satisfatória,
a temperatura do solo deve estar acima de 21°C. De um modo geral, pode-se afirmar que em temperaturas abaixo de 21°C o desenvolvimento das gemas é bastante lento; acima de 21ºC, a velocidade de germinação aumenta progressivamente e atinge um ótimo entre 31°C e 36°C. Outro fator importante é a umidade do solo; sua falta ou até mesmo o excesso pode prejudicar a germinação. Quando condições desfavoráveis de temperatura e umidade atrasam a germinação da cana, os esporos de Ceratocystis paradoxa presentes no solo são estimulados a germinar por substâncias liberadas pelos rebolos e penetram por suas extremidades. Essa observação é particularmente importante, pois durante o plantio os colmos são seccionados em rebolos de três a quatro gemas, medida que ajuda a uniformizar a germinação; por outro lado, as extremidades dos rebolos são a principal porta de entrada para o fungo. Em rebolos recém-invadidos observa-se um encharcamento, que se inicia na região do corte e se aprofunda rapidamente, acom-
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panhado por um avermelhamento na parte interna dos rebolos, decorrente da produção de substâncias de defesa pela planta. À medida que a podridão avança, a coloração interna dos rebolos vai se alterando, passando para cinza, pardo-escura e negra. Nesta última fase, somente a casca dos rebolos continua intacta; os feixes vasculares internos estão soltos e recobertos por uma massa negra de esporos do fungo. Rebolos infectados podem começar o desenvolvimento de raízes e gemas. No entanto, são geradas plantas fracas, que morrem antes de emergirem do solo, ou que são dominadas pelo mato ou pela competição com plantas vizinhas. O sintoma típico da podridão do abacaxi é a fermentação dos rebolos, que passam a exalar odor característico de abacaxi maduro. Esse sintoma ocorre principalmente nas fases iniciais do ataque, quando os rebolos ainda possuem reservas de açúcar. Outros fatores que retardam a germinação da cana e favorecem a podridão abacaxi são o uso de mudas de má qualidade, a cobertura
PRODUÇÃO DE CANA E PLANTIO NO INVERNO
O
Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, seguido por Índia, China, Tailândia e Paquistão. A produção brasileira na safra 2015/16 está estimada em 658 milhões de toneladas, em uma área de aproximadamente nove milhões de hectares. A produtividade deverá ser 3,9% superior em relação à safra anterior, passando de 70,5t/ha para 73,2t/ ha. A produção de açúcar será próxima de 35 milhões de toneladas e a de etanol será superior a 29 bilhões de litros. São Paulo é o maior estado produtor, com mais de 50% da produção nacional, seguido por Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Paraná. Na região Centro-Sul do Brasil, a maior parte do plantio de cana-de-açúcar é realizada entre os meses de setembro e março, período mais quente e chuvoso do ano, quando predominam condições favoráveis à germinação. No entanto, vem crescendo o número de usinas e produtores que fazem o plantio de inverno, realizado entre abril e agosto. Algumas vantagens do plantio de
inverno são a alta produtividade e o fato da área não passar um ano sem colheita, como acontece no plantio de ano e meio, realizado entre janeiro e março. Outra vantagem é que o plantio de inverno permite que usinas e produtores façam o plantio de cana praticamente durante o ano todo. Ao distribuir o plantio ao longo do ano, usinas e produtores utilizam seus maquinários de maneira mais racional; há um ganho em eficiência e diminui-se o número de equipamentos necessários para plantar toda a área. Entretanto, o plantio de inverno possui algumas desvantagens. Uma delas é a necessidade de irrigação, pois o plantio é realizado na época mais seca do ano. Além disso, predominam condições de baixas temperaturas que, aliadas à menor oferta hídrica, atrasam a germinação da cana; dessa forma, os rebolos - pedaços de colmos utilizados no plantio e que possuem de três a quatro gemas - ficam expostos a algumas espécies de fungos presentes no solo, que podem causar podridões nos mesmos.
muito profunda dos rebolos e os plantios em solos mal preparados. Os impactos da podridão abacaxi tendem a crescer com a adoção do plantio mecanizado. Neste sistema, os rebolos são colhidos mecanicamente e, por isso, possuem mais ferimentos em relação aos apanhados manualmente. Com isso, aumentam-se as portas de entrada para o fungo.
e com boa velocidade de desenvolvimento inicial são consideradas resistentes ao fungo e devem ser utilizadas. Outra medida eficaz é empregar rebolos com gemas mais jovens, que germinam mais rápido que as gemas mais velhas. Antes do plantio, deve-se fazer um bom preparo de solo, com o objetivo de eliminar os torrões e reduzir a compactação, fornecendo melhores condições para a germinação da cana. Além disso, os rebolos devem ser plantados em uma profundidade adequada, uma vez que plantios muito profundos atrasam a germinação e favorecem a ação do fungo. O corte dos colmos em rebolos maiores, ou
Dentre os métodos que podem ser empregados para minimizar a podridão abacaxi, o mais simples e eficaz é a escolha da época de plantio. Quando existem condições ótimas de temperatura e umidade para a germinação da cana, o fungo pode estar presente no solo, porém seus danos não ocorrem. Assim que as plantas emergem do solo e começam os processos fotossintéticos, se tornam imunes à doença. Na região Centro-Sul do Brasil, o plantio realizado entre os meses de setembro e março é suficiente para controlar a doença. Porém, quando a escolha da época de plantio não é possível, outras técnicas devem ser empregadas para o manejo da podridão abacaxi. Dentre os métodos disponíveis, qualquer medida que estimule a germinação rápida da cana reduz os impactos da doença. Por exemplo, variedades de rápida germinação
Roberto Giacomini Chapola, PMGCA/UFSCar/Ridesa
Fotos Roberto Giacomini Chapola
COMO CONTROLAR
mesmo o plantio de colmos inteiros, também reduz o impacto da podridão abacaxi. Essa prática tem efeito sobre a doença porque há uma diminuição na quantidade de ferimentos nos rebolos e, consequentemente, diminuem-se as portas de entrada para o fungo. Quando os rebolos são provenientes de colheita mecanizada, é recomendável o plantio em maiores densidades, ou seja, utilizar uma quantidade maior de gemas por metro de sulco. Essa medida compensa as possíveis falhas de germinação devido à podridão abacaxi, uma vez que os rebolos colhidos mecanicamente são menores e mais danificados que os colhidos manualmente. Em alguns casos, o plantio em maiores densidades evita o replantio na área, operação onerosa para usinas e produtores. A aplicação de fungicidas nos rebolos também produz bons resultados no controle da podridão abacaxi e vem sendo bastante utilizada nos plantios de inverno. Seu uso é indispensável quando o plantio é realizado em condições desfavoráveis à germinação e em áreas com histórico comprovado da doença. Alguns fungicidas proporcionam aumentos de 15% a 20% na produtividade em comparação a áreas ou parcelas onde nenhum tratamento foi realizado. Os produtos agem protegendo as extremidades dos rebolos contra a penetração do fungo ou, em alguns casos, acelerando a germinação da cana. Existem diversos produtos registrados para o controle da podridão abacaxi, sendo que a maioria é composta por uma mistura de estrobilurina com triazol. É possível concluir que existem diversas maneiras de se controlar a podridão abacaxi, caso se opte pelo plantio de inverno. Porém, o ideal não é utilizar as diferentes técnicas isoladamente. Ao invés disso recomenda-se fazer o manejo integrado, isto é, utilizar os métodos de controle em conjunto, desde o preparo de solo até o plantio, para reduzir os impactos da doença de maneira sustentável e sem aumentar consideravelmente os custos C de produção.
14 Abril 2016 • www.revistacultivar.com.br
Fase inicial de ataque da podridão abacaxi em cana (esquerda) e sintomas da fase final da doença (direita)
Eventos
Fotos Karine Gobby
A favor da agricultura
Disseminar a pesquisa, enriquecer os trabalhos desenvolvidos e aliar a teoria à prática de campo foram alguns dos objetivos do XXVI Congresso Brasileiro de Entomologia e do IX Congresso Latino-Americano de Entomologia
C
om organização da Sociedade Entomológica do Brasil (SEB) e Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE), o XXVI Congresso Brasileiro de Entomologia (CBE) e o IX Congresso Latino-Americano de Entomologia foram realizados no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, em março, em Maceió, Alagoas. Os eventos consistem nos principais fóruns de debate sobre Entomologia na América Latina. O CBE, que ocorre de dois em dois anos, totalizou 1.298 participantes inscritos de quase todos os estados brasileiros, além de países da América Latina e Estados Unidos. O evento englobou três simpósios, 33 mesas-redondas, 152 palestras, 98 apresentações de pôsteres e o lançamento de dois livros. Integraram as atrações, além dos estandes dos realizadores e patrocinadores, a segunda edição da gincana Entomoquiz, concurso de fotografias e a exposição Planeta Inseto. A Dow AgroSciences, patrocinadora do evento, apresentou soluções e tecnologias, assim como painéis interativos para demonstrar a importância do manejo integrado de pragas, da preser-
vação da biotecnologia e do correto uso de inseticidas. Além disso, o líder de Pesquisa para Inseticidas, Tratamentos de Sementes e Biotecnologia da Dow AgroSciences, César Santos, participou do I Simpósio de Gestão de Carreiras para Alunos de Entomologia, e também de palestras sobre Integração de Novas Tecnologias e seu Impacto no Manejo de Pragas de Grandes Culturas, onde dividiu a mesa com mais três pesquisadores. “A participação teve por objetivo promover a importância da utilização de plataformas integradas que beneficiam o produtor em todas as etapas do processo de cultivo”, comentou Santos. A empresa também proporcionou que 20 consultores participassem do evento, com o objetivo de garantir que os debates e o conhecimento trocado durante o Congresso cheguem também à lavoura através desses profissionais. O líder de Marketing Enlist da Dow AgroSciences, Marcello Cunha, também esteve presente no CBE e destacou a importância da participação dos consultores. "Nenhuma tecnologia tem sentido se não for transformada em produção. Esse ano nosso foco é na troca de co-
nhecimento com o profissional que pode efetivamente levar esse conhecimento até o produtor, unindo a teoria à prática", explicou. No estande da Dow AgroSciences, os congressistas puderam obter informações sobre a Conkesta, biotecnologia que objetiva a resistência a um amplo espectro de lagartas, como também o controle de plantas daninhas. Pela primeira vez desde o desenvolvimento da tecnologia, sete trabalhos com foco nos resultados do seu uso foram apresentados. Esses trabalhos foram desenvolvidos por pesquisadores da Dow AgroSciences, em parceria com pesquisadores de outras instituições. A tecnologia foi anunciada em 2013 e tem previsão para chegar ao mercado em 2018. Focada em incentivar as pesquisas de pós-graduação, a Dow AgroSciences promoveu também o Prêmio Flávio Moscardi para reconhecer pesquisadores que atuam na área de entomologia aplicada. O ganhador na edição 2016 foi o doutorando da Esalq/USP Rogerio Bezerra do Nascimento, por seu trabalho com Identificação de Marcadores Moleculares para o Monitoramento da Resistência de Spodoptera frugiperda a inseticidas e proteínas Bt. O vencedor foi premiado com uma viagem para a sede corporativa da Dow AgroSciences em Indianápolis, nos Estados Unidos. O XXVII CBE e a 16ª edição do Simpósio de Controle Biológico (Siconbiol) já têm local definido. Ocorrerão em 2018 na cidade de Gramado, na Serra C gaúcha. Karine Gobbi viajou a convite da Dow AgroSciences
Para Cunha nenhuma tecnologia tem sentido se não for transformada em produção
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Soja
Cultivar
Desempenho produtivo
A escolha de cultivares adequadas ao nível tecnológico que será empregado pelo sojicultor é um dos fatores decisivos na formação dos componentes da produtividade de grãos. Por isso é fundamental conhecer as principais características e a estabilidade produtiva do material genético, para posicioná-lo conforme as condições de cultivo
A
escolha da cultivar a ser semeada é uma decisão essencial para dar-se início a um bom manejo da lavoura. Estima-se que no processo de escolha, semeadura e estabelecimento são definidos 50% da produtividade da cultura da soja. Atualmente, são comercializadas mais de 300 cultivares de soja (de 1.486 cultivares registradas) em todo território nacional. Algumas de suas particularidades precisam ser bem esclarecidas e atestadas para cada condição de cultivo. São elas, o grupo de maturação, o tipo de crescimento, a resposta à adubação, a rusticidade a doenças, dentre outras. Tendo em vista sanar algumas destas respostas, foi conduzido um experimento com cultivares de
soja, com o objetivo de fazer a caracterização produtiva de cada um destes materiais, para as condições edafoclimáticas de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. O experimento foi conduzido na área experimental do Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). O solo da área é classificado como Argissolo Vermelho Distrófico Arênico, pertencente à Unidade de Mapeamento São Pedro (Embrapa, 2006). O clima da região, conforme a classificação de Köppen, é do tipo Cfa (Heldwein et al, 2009). A semeadura foi realizada em 10 de novembro de 2014 com semeadora-adubadora de plantio direto, utilizando 20 sementes aptas
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m/linear, espaçados por 0,45m e 350kg/ha, de adubo formulado NPK (05-20-20). As sementes foram tratadas com inseticida e fungicida e inoculadas com bactérias do gênero Bradyrhizobium spp. no dia da semeadura. Os demais manejos da cultura foram feitos de acordo com as recomendações técnicas. Foram avaliadas 42 cultivares de soja, conforme descrito na Tabela 1. O delineamento experimental foi o de blocos ao acaso com quatro repetições. A unidade experimental totalizou 15,75m². A colheita foi realizada de acordo com a maturação fisiológica de cada cultivar, tendo sua umidade ajustada para 13%. A massa de grãos foi determinada pela contagem direta de oito repetições de 100
SOJA E DESAFIOS DE PRODUTIVIDADE
O
Brasil encerrou a safra 2014/15 como segundo colocado mundial na produção de soja, com 95 milhões de toneladas, sendo superado apenas pelos 108 milhões de toneladas produzidas nos EUA (USDA, 2015). A área semeada no Brasil foi de 32 milhões de hectares, com produtividade média aproximada de 3t/ha (±50sc/ha). No Rio Grande do Sul houve acréscimo da área cultivada com a oleaginosa (5,6%) em relação à safra anterior, com produtividades abaixo da média nacional (2,8t/ha) (Conab, 2015). A lavoura gaúcha vem aumentando suas produtividades médias de grãos (8,1% em relação à safra anterior), porém, ainda longe das médias nacionais. Isso pode estar atrelado principalmente às distintas condições de manejo da cultura advindas das condições de relevo. O Rio Grande do Sul pertence à macrorregião sojícola número 01, com cultivo na região RS 101, mesmo tendo correspondido com elevada produtividade de grãos. A cultivar TMG 7062 Ipro incorpora também
regiões edafoclimáticas identificadas como 101, 102 e 103 (Embrapa, 2014). A região edafoclimática 101 abrange a maior parte do território do estado, sendo a predominância dos municípios pelo cultivo em áreas de terras baixas. Por característica própria do solo, geralmente argissolos, há excesso de umidade e manejo de palhada deficiente. A adaptação do cultivo às áreas de terras baixas também pode resultar em menores produtividades. Em contrapartida, as demais regiões, 102 e 103, predominam áreas mais tecnificadas e de adoção do sistema de semeadura direta de longa data, fazendo com que as médias de produtividades sejam maiores em relação à região 101. As práticas de manejo devem ser adotadas para cada situação, buscando sempre o máximo retorno econômico a curto prazo (produtividade em R$/ha) e a longo prazo (conservação dos recursos). em sua base genética a tecnologia Inox, onde há a presença de um gene resistente à ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizie), aliado
Fotos Guilherme Kalil Reimann
grãos. Procederam-se a análise da variância (Teste F) e o teste de comparação de médias Skott-Knott (α≤0,05) com auxílio do software Sisvar (Ferreira, 2008). Quanto à produtividade de grãos (Tabela 1), destacaram-se as cultivares DM 5958 RSF Ipro, TMG 7062 Ipro, SYN 1365 RR e M 5947 Ipro. Todos citados ultrapassaram a marca de 4,2t/ha (70 sacos/ha). Essas marcas representam 50% a mais da média do estado do Rio Grande do Sul (2.835kg/ha) e 42% a mais na produtividade de grãos no país (2.998kg/ha). Foram dispostas às mesmas condições de cultivo para todos os materiais, portanto, considera-se que estas quatro cultivares apresentam alta capacidade produtiva e adaptaram-se bem às condições do presente ano na região de Santa Maria. Alguns aspectos em comum podem ser destacados dentre estas cultivares, como base genética, grupo de maturação relativa, tipo de crescimento, dentre outros. Com a utilização de novas tecnologias agregadas às sementes, as cultivares possuem aumento na produtividade, proteção às principais lagartas que atacam a cultura da soja e tolerância ao glifosato. Todas as quatro cultivares possuem o tipo de crescimento indeterminado e ciclo médio (GMR = 5.8 - 6.5). Salienta-se que a cultivar SYN 1365 RR não possui a tecnologia Intacta e também não é recomendada para
Alguns aspectos em comum podem ser destacados entre as cultivares como base genética, grupo de maturação relativa e tipo de crescimento
à máxima expressão do potencial produtivo e elevada massa de grãos. Contudo, deve-se observar que o manejo de plantabilidade, principalmente o número e a distribuição de plantas, deve ser ajustado e observado para cada cultivar e isso nem sempre foi possível para esse experimento. Realizada tal adequação, a planta ajustará a
emissão de ramos foliares e elongação dos entrenós, proporcionando um melhor desempenho produtivo para as cultivares (Mundstock; Thomas, 2005). O correto arranjo de plantas é fundamental na diminuição da competição intraespecífica. A competição entre plantas tem sido assunto de pesquisa há muitos anos, para a
Tabela 1 - Principais características1 das cultivares utilizadas no experimento, grupo de maturação relativa (GMR), tipo de crescimento (TC), massa de mil grãos (MMG, gramas), resposta ao acamamento (AC), exigência de fertilidade do solo (FER), cancro da haste (CH), mancha olho-de-rã (MOR), pústula bacteriana (PB), podridão radicular de Phytophthora (PR), massa de mil grãos2 (MMG, gramas), produtividade de grãos (PG, kg/ha), produtividade de grãos em sacos (PGS, sacos de 60kg/ha), porcentagem de produtividade em relação ao experimento (% X E), 3.171kg/ha, porcentagem de produtividade em relação à média (2014-2015) do estado do Rio Grande do Sul, 2.835kg ha-1 (% X RS), e porcentagem de produtividade em relação à média (2014-2015) nacional (2014-2015), 2998 kg ha-1 (% X BR) Cultivar GMR SYN 1359 IPRO 5.9 SYN 1365 RR 6.5 SYN 1258 RR 5.8 SYN 1163 RR 6.3 SYN 13671 IPRO 6.7 SYN 13561 IPRO 5.8 VTOP RR 5.9 FUNDACEP 65 RR 5.9 FUNDACEP 57 RR 6.2 FUNDACEP 66 RR 6.2 TEC IRGA 6070 RR 6.0 TEC 9295 RR TEC 5718 IPRO 6.0 TEC 5833 IPRO 5.8 TEC 5936 IPRO 5.9 TEC 6029 IPRO 5.9 TEC 6702 IPRO 6.7 TEC 7849 IPRO 7.8 BMX ATIVA RR 5.6 BMX VANGUARDA 6.0 BMX TORNADO 6.2 BMX VALENTE RR 6.7 BMX MAGNA RR 6.2 BMX PONTA IPRO 6.6 BMX POTÊNCIA 6.7 BMX TURBO RR 5.8 M 5917 IPRO 5.9 M 5947 IPRO 5.9 M 6210 IPRO 6.2 M 6410 IPRO 6.4 DM 5958 RSF IPRO 5.8 DM 6563 RSF IPRO 6.3 DM 6458 RSF IPRO 6.0 NS 6006 IPRO 6.0 NS 6700 IPRO 6.7 NS 5106 IPRO 5.1 NA 5909 RR 5.9 NS 6209 RR 6.2 NS 5290 RR 5.2 NS 5258 RR 5.2 TMG 7062 IPRO 6.2 FPS URANO RR 6.2
TC I I I I I I I D D I I I I I I I I D I I I I I I I I I I I I I I I I I I SD I I SM D
MMG 146-180 144 151 200 140-160 182-210 165-220 164-215 182-210 170-200 148-176 174 165 175 189 143 166 168 232 170 170 140 121 175-185 164 162 143-180 171 167 185 174
AC FER CH MOR R R R MR R S/MR A R R MR R B/M/A R R M/A R MR R M/A R R R A MR R R MR M/A R R MR M/A R S A MR R R A MR R MR A MR R S A R R MR A R R S A R R MR M R R R A R R S A MR R R M/A R MR R A R R MR A MR MR R M/A R MR R A MR MR R MR MR MR A R R MR A R R MR A R R MR A R R R R R M R R R R R R A R R R A R R MR
PB R MR S MR R MR S S MR MR S S S S S S S S MR MR R R MR MR MR MR R R R R R R R S
PR MMG2 PG PGS - 156d3 2765c 46,0c - 187c 4317a 71,9a - 142e 2994c 49,9c S 145e 2244d 37,4d - 144e 3140b 52,3b - 156d 3014c 50,2c - 164d 3779b 62,9b 165d 3539b 58,9b R 145e 2449c 40,8c R 223a 3548b 59,1b MR 143e 2552c 42,5c - 146e 2401c 40,0c R 142e 2562c 42,7c R 188c 2768c 46,1c R 195b 1467d 24,4d R 194b 2980c 49,6c MR 189c 3336b 55,6b MS 119f 1751d 29,1d R 191c 3676b 61,2b S 158d 2509c 41,8c MR 153d 3300b 55,0b R 174c 2313d 38,5d 175c 3347b 55,7b R 157d 3117b 51,9b R 145e 2873c 47,8c R 200b 3695b 61,5b S 161d 3472b 57,8b S 160d 4260 a 71,0 a S 141e 3590b 59,8b S 148e 3144b 52,4b R 181c 4606 a 76,7 a MR 170c 2891c 48,1c MR 180c 3543b 59,0b - 186c 3514b 58,5b - 125f 2051d 34,1d R 166d 3454b 57,5b - 156d 3516b 58,6b R 133f 3592b 59,8b R 148e 3138b 52,3b R 160d 3605b 60,0b R 201b 4563 a 76,0 a R 165d 3804b 63,4b
% x E % x RS -2 -13 52 36 6 -6 -29 -21 11 -1 6 -5 33 19 25 12 -23 -14 25 12 -20 -10 -24 -15 -19 -10 -2 -13 -54 -48 5 -6 18 5 -45 -38 30 16 -21 -11 16 4 -27 -18 18 6 10 -2 1 -9 30 17 22 9 50 34 27 13 11 -1 62 45 2 -9 25 12 24 11 -35 -28 22 9 24 11 27 13 11 -1 27 14 61 44 34 20
% BR -8 44 0 -25 5 1 26 18 -18 18 -15 -20 -15 -8 -51 -1 11 -42 23 -16 10 -23 12 4 -4 23 16 42 20 5 54 -4 18 17 -32 15 17 20 5 20 52 27
1dados retirados do site da detentora do material e/ou livros de indicações técnicas; 2massa de mil grãos obtidos no experimento; 3médias seguidas pela mesma letra não diferem estatisticamente entre si, pelo teste Skott-Knott (α≤0,05). Legendas: indeterminado (I), determinado (D), semideterminado (SD), resistente (R), moderadamente resistente (MR), suscetível (S), alta (A), média (M).
20 Abril 2016 • www.revistacultivar.com.br
uniformização do dossel desde a germinação da semente, maturação e colheita. Os trabalhos indicam modificações na arquitetura de plantas inerentes à redução do espaçamento entre fileiras (Ventimiglia et al, 1999) e ajuste da população de plantas (Pires, Costa; Thomas, 1998). Os efeitos de diferentes níveis de vigor entre as sementes dentro de um lote (kolchinski, Schuch; Peske, 2005); a uniformidade na emergência (Merotto Junior et al, 1999); o tamanho inicial das plântulas (Vanzolini et al, 2007); o rendimento de sementes das plantas individuais dentro das comunidades (Schuch; Kolchinski; Finatto, 2009); dentre outros. Quanto à massa de grãos, observaram-se as cultivares TMG 7062, BMX Turbo RR, TEC 6029 Ipro, TEC 5936 Ipro e Fundacep 66 RR, com destaque para esta última com 223 gramas/mil grãos. Assim como no número de grãos por vagem, a massa de grãos é um valor característico de cada cultivar, porém, isso não impede que esse valor se altere em função das condições ambientais e de manejo aos quais a cultura é submetida (Silva et al, 2011). As cultivares TEC 7849 Ipro e TEC 5718 Ipro, por exemplo, apresentavam em suas informações técnicas provindas do distribuidor 148 gramas/mil grãos a 176 gramas/mil grãos e 182 gramas/mil grãos a 210 gramas/mil grãos, respectivamente. No experimento foi encontrado um valor divergente de 119 gramas/mil grãos e 142 gramas/mil grãos, respectivamente. O aumento da densidade populacional provocou uma plasticidade na planta (estiolamento/acamamento), modificando-a de maneira que prejudicou o enchimento dos grãos. Autores como Pires et al (1998) comprovaram que há alteração na massa de grãos quando é utilizada uma população de plantas inadequada. Outro aspecto diz respeito ao aumento da massa e tamanho dos grãos quando o espaçamento entre plantas é equidistante, e que esse aumento ocorre também com a diminuição da população (Moore, 1991). Portanto, a escolha da cultivar adequada ao nível tecnológico que será empregado pelo sojicultor, bem como fatores do ambiente favoráveis (bióticos e abióticos) são decisivos na formação dos componentes da produtividade de grãos. Assim, salienta-se a importância de conhecer as principais características e estabilidade produtiva do material genético, posicionando-o conforme as condições de C cultivo. Glauber Monçon Fipke, Fabiano Colet, Anderson da Costa Rossatto e Thomas Newton Martin, UFSM
Capa
Inimigo à espreita Fotos Antonio Germano Carpim Rocha
Capaz de passar despercebida em campo, por falta de identificação, Spodoptera albula acaba de ser detectada em lavouras de soja de Goiás e Mato Grosso. Favorecida pelo sistema de cultivo brasileiro, em que a soja situa-se como cultura principal sucedida de milho, esta praga tem potencial para se tornar parte do principal grupo do complexo de lagartas do gênero Spodoptera. Estudos sobre o nível de controle e eficiência de princípios ativos precisam ser aprofundados para enfrentar mais este desafio
S
podoptera albula é uma praga que apresenta ampla distribuição geográfica, uma vez que pode ser encontrada em diversos locais como EUA, Caribe, América Central e América do Sul. No Brasil, seu primeiro registro foi na década passada na região sudeste atacando a cultura do amendoim. É uma espécie de lagarta que se alimenta de folhas e frutos, podendo causar dano econômico a diversas culturas como soja, milho, sorgo, girassol, algodão e hortaliças, implicando em prejuízo aos produtores rurais.
Possui alto potencial reprodutivo, visto que uma fêmea tem capacidade de ovipositar, uma a quatro camadas sobrepostas com 100 ovos a 250 ovos, que podem eclodir em seis dias após a postura, conforme condições climáticas. As lagartas de primeiro instar, raspam o limbo foliar e, conforme vão se desenvolvendo, destroem completamente a folha. Geralmente são encontradas em reboleiras devido à forma de oviposição em massa, pelo adulto, no terço médio da planta hospedeira. A coloração das lagartas varia de preto-acinzentado a castanho-acinzentado, com
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duas fileiras dorsais de manchas triangulares escuras, cada uma delas com um ponto branco no centro. A linha lateral é ausente ou fraca e as linhas dorsais e subdorsais são, frequentemente, de cor amarelo-brilhante, vermelha ou laranja, podendo ser fracamente marcada e a cabeça, castanha com manchas pretas (King & Saunders, 1984). Após finalizar seu ciclo, a lagarta deixa a planta, dirige-se para o solo, e se transforma em pupa, de coloração avermelhada até quase preta, com uma duração de 15 dias a 17 dias. As mariposas dessa espécie possuem de 26mm a 37mm de envergadura, asas anteriores e corpo com coloração cinza e as asas posteriores brancas, porém muitas vezes são translucidas, podendo viver aproximadamente 12 dias. Geralmente, após o terceiro ou quarto dia da emergência da fêmea ocorre a oviposição. Assim, o ciclo completo de desenvolvimento do inseto, que se inicia na fase de ovo até adulto é de aproximadamente 30 dias. Os adultos dessa espécie possuem hábito noturno, não são ativos durante o dia, e são encontrados em abrigos próximos ao solo, geralmente sob folhas. Se houver alguma perturbação, voam aleatoriamente, até encontrarem algum local, para que possam se esconder. Duas a quatro horas, após o pôr do sol, inicia-se o período ativo dos adultos, em que as mariposas se movimentam próximas às plantas hospedeiras para alimentação, acasalamento e oviposição (Todd & Poole, 1980). Na fase de lagarta, S. albula compartilha com Spodoptera eridania e Spodoptera cosmioides muitas características morfológicas e biológicas semelhantes, o que dificulta sua identificação. Dessa forma é possível que essa praga esteja disseminada pelas regiões brasileiras, passando despercebida aos olhos de profissionais do campo. Nos últimos anos, tem sido encontrada na cultura da soja, porém em populações baixas, não atingindo níveis de controle preconizados para as demais lagartas de igual gênero. O sistema de produção atual, em que a soja situa-se como cultura principal sucedida de
Mariposa de Spodoptera albula
Vista superior de lagartas de Spodoptera albula (Querência MT, Jan. 2016)
milho, algodão ou sorgo, provavelmente, tem favorecido o desenvolvimento e adaptação dessa praga, ocasionando surtos populacionais. Dessa forma, gradativamente, S. albula vem ganhando espaço e aparecendo com mais frequência, sendo crucial para o controle, sua correta identificação. Na safra de verão de 2016, lagartas de S. albula foram encontradas atacando a cultura da soja, nos municípios de Rio Verde e Santo Antônio da Barra, em Goiás e Querência, no Mato Grosso, sendo necessário efetuar controle químico do inseto nessa última área. Foram encontradas lagartas ativas no período diurno e em "reboleiras" de diâmetro de aproximadamente 12 metros, formando ilhas de infestação não homogêneas na lavoura, causando desfolha nos terços superiores das plantas, preservando as nervuras centrais do limbo foliar. Foram amostradas, em média, 10 indivíduos (3o instar a 5o instar) por metro de pano de batida, que foram identificados pelo pesquisador Alexandre Specht (Embrapa Cerrados, Planaltina DF).
Rocha e Carmo alertam para potencial nocivo de Spodoptera albula no Brasil
S. albula possui tolerância a diversos inseticidas químicos como observado no município de Querência na Fazenda São Cristóvão (BR242), 12°46’10.82” S e 52°13'43.62" O, onde houve necessidade de duas aplicações com diferentes princípios ativos (espinosina e diamida, respectivamente) em intervalo de 7 dias. Assim como as demais espécies do gênero Spodoptera, albula possui resistência ao gene Cry1Ac de Bacillus thuringiensis. Fica evidente, portanto, a realização de estudos, associados ao Manejo Integrado de Pragas, como importante ferramenta para efetivar um melhor manejo contra essa praga. Por exemplo, o monitoramento com utilização de armadilhas para capturar adultos, como forma de averiguar a
presença da praga, época de infestação, local e nível populacional. Com isso a base para a tomada de decisão para controlar S. albula pode ser definida pelo produtor. A associação e rotação de inseticidas pode evitar que esta praga proporcione prejuízos à lavoura e prevenir que princípios ativos percam sua eficiência. A eliminação de plantas voluntárias e restos culturais são importantes para evitar ou reduzir o potencial de ataque e reinfestação desta praga para a próxima safra ou a nova cultura a ser implementada. Ainda, existem poucos estudos relacionados ao nível de controle de S. albula, de plantas daninhas hospedeiras e eficiência de princípios ativos, o que mostra a necessidade de se conhecer mais sobre essa espécie, que pode se tornar parte do principal grupo do complexo de lagartas C do gênero Spodoptera. Antonio Germano C. Rocha e Eduardo Lima do Carmo, Universidade de Rio Verde
C
Spodoptera albula na cultura da soja (Querência, MT, jan. 2016)
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Soja
Monitoramento focado Cecília Czepack
Práticas como o uso do pano de batida e armadilhas com feromônio sexual são bastante úteis no manejo integrado de pragas em soja, por possibilitarem quantificar a população de insetos e sua flutuação, determinar o nível de ação e necessidade de controle, adaptar as aplicações de inseticidas ao momento mais adequado, além de ajudar a prever possíveis surtos populacionais
encontra, o potencial de dano, o estádio fenológico da cultura e o ciclo biológico da praga. O conhecimento da relação entre densidade de uma praga e as perdas que causa é fundamental para o estabelecimento de critérios para a tomada de decisão sobre o seu controle dentro dos princípios de MIP. A adoção dos diferentes métodos de monitoramento depende da praga e da cultura a ser amostrada. O método mais utilizado é o pano de batida em função da facilidade e simplicidade de execução e por abranger em sua amostragem um amplo espectro de pragas da parte aérea da cultura da soja. Porém, apresenta algumas limitações como dificuldade de amostragem em plantas pequenas e a contagem de alguns insetos de rápida locomoção. Este método permite a determinação da
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densidade populacional da praga no exato momento da amostragem, auxiliando na tomada de decisão pelo controle, sendo esse Copacol
E
ntre as principais causas de redução de produtividade das culturas estão as pragas, que têm capacidade de causar danos diretos e indiretos, resultando em redução da produtividade, sendo necessária a adoção de medidas de controle para evitar ou reduzir o nível de dano para não comprometer a produtividade e a qualidade do produto. O Manejo Integrado de Pragas (MIP) busca associar práticas de controle (química, física, biológica e mecânica) com o objetivo de manter a população dos insetos em níveis que não causem danos significativos à cultura de interesse. O MIP segue princípios básicos como o monitoramento dos insetos para auxiliar na tomada de decisão do controle, levando em consideração a densidade populacional, o estágio em que a praga se
Teston, Fávero e Madalosso destacam monitoramento para a decisão de controle
Figura 1 - Relação entre a flutuação de mariposas de Chrysodeixes includens capturadas Figura 2 - Flutuação de mariposas de Chrysodeixes includens capturadas em armaem armadilhas com feromônios e larvas capturadas no pano de batida, médias de 11 dilhas com feromônios, instaladas em 11 locais em duas safra de soja da região locais durante o ciclo da soja na região oeste do PR, safra 2014/2015 oeste do PR
realizado quando a quantidade (população) de insetos-praga for superior (atingir) ao nível de ação. Outro método que vem sendo reintroduzido ao MIP na culturada soja é o monitoramento por armadilha com feromônio sexual. A retomada desse processo se deve em grande parte à constatação da presença da praga Helicoverpa armigera no Brasil no ano de 2013. Devido às informações da ocorrência desta praga em outros países e à dificuldade enfrentada no controle, houve apreensão por parte dos produtores e técnicos quanto ao manejo dessa praga em solo brasileiro, o que levou à retomada de vários processos do MIP,
como o uso de armadilhamento. A utilização dos feromônios em armadilhas quando comparada a armadilhas luminosas ou com outros atrativos apresenta a vantagem de capturar espécies específicas de insetos-praga, facilitando a sua identificação e quantificação. A especificidade da espécie amostrada depende da composição do feromônio sexual utilizado e permite o monitoramento apenas de insetos adultos. O método de monitoramento por armadilha de feromônio permite estimar picos populacionais das pragas com base na quantidade de adultos capturados nas armadilhas. A
determinação de possíveis picos populacionais é dependente de vários fatores relacionados à biologia do inseto e a condições ambientais. Assim, o aumento da captura de insetos adultos nas armadilhas não recorre obrigatoriamente a um surto de larvas (lagartas) na lavoura, pois as condições do ambiente podem restringir a sua ocorrência. Desta forma, não existe nível de ação para o monitoramento de adultos de lepidópteros em soja. Porém, o aumento da captura de adultos gera um alerta, pois se elevam as chances de que um surto de lagartas ocorra. Na Figura 1 está um exemplo de monito-
Fotos Copacol
Figura 3 - Comparativo da precipitação mensal acumulada em duas safras no município de Cafelândia (PR)
Especificidade de amostragem de lepidópteros comparando uma armadilha luminosa (esquerda) e uma armadilha com feromônio sexual (direita)
ramento conjunto armadilha de feromônio e pano de batida, realizado com falsa-medideira (Chrysodeixes includens) na área de atuação da Copacol. É possível observar que o aumento do número de adultos capturados em dezembro de 2014 elevou a quantidade de lagartas na cultura da soja. Nesse caso, pode-se fazer o controle com inseticidas em lagartas pequenas, que são facilmente controladas, principalmente no caso da falsa-medideira. Esta espécie apresenta maior tolerância natural aos inseticidas quando comparada a outras espécies. Outro entrave para seu controle é o hábito de se alimentar no terço médio das plantas de soja, o que diminui sua exposição direta no momento da aplicação e faz com que se alimente de subdoses de inseticidas, já que os defensivos não chegam na quantidade adequada para seu controle no terço médio das plantas. A estimativa de picos populacionais de adultos facilita o planejamento das aplicações dos inseticidas, minimizando erros, evitando atrasos nas aplicações e consequentemente maximizando o controle das pragas. Dentre os fatores que influenciam na biologia e na dinâmica populacional dos insetos-praga destacam-se a temperatura, a umidade e a qualidade do alimento. A temperatura de um modo geral regula a velocidade com que os processos metabólicos ocorrem, influenciando de maneira direta no ciclo biológico da praga. A umidade também interfere no desenvolvimento dos insetos, variando conforme a espécie. A baixa umidade relativa do ar
Teston, Fávero e Madalosso destacam monitoramento para a decisão de controle
favorece a perda de umidade para o meio. Por outro lado, a alta umidade relativa do ar propicia condições favoráveis ao aumento de fungos entomopatogênicos, influenciando na dinâmica populacional dos insetos. O alimento é outro fator de extrema importância na biologia da praga, determinando o fluxo populacional dos insetos-praga, influenciando diretamente no desenvolvimento do inseto e também na sua capacidade reprodutiva, pois fornece os nutrientes necessários para o desenvolvimento, sendo que sua composição varia conforme a espécie, sendo requerido em quantidade e qualidade para cada fase do ciclo da praga. A introdução de cultivares geneticamente modificadas (OGMs), geração RR2, que confere à cultura da soja resistência às principais espécies pragas da ordem dos lepidópteros, foi um grande avanço na agricultura brasileira, sendo uma nova ferramenta para o manejo integrado de pragas, garantindo maior estabilidade e segurança no manejo da cultura. Porém, o monitoramento de pragas em cultivares de soja Bt deve seguir o mesmo padrão de cultivares convencionais, pois a ação da proteína Bt não se dá sobre todas as espécies de lepidópteros, não havendo controle para algumas espécies como no caso do gênero Spodoptera, constituído de três espécies, que causam danos indiretos na cultura da soja,
consumindo as folhas, e diretos consumindo vagens e grãos, apresentando alto potencial de dano à cultura se não controlada corretamente. A prática do monitoramento pelo método de pano de batida associado com o monitoramento por armadilha de feromônio sexual possibilita quantificar a população real da área (pano de batida) e a flutuação populacional de adultos (feromônio), permitindo uma adequação das aplicações, sempre levando em conta o nível de ação da respectiva praga-alvo do controle. É possível, ainda, prever possíveis surtos populacionais e programar as aplicações de acordo com a cultura, praga e método de controle utilizado, para que coincida com o estádio da praga ideal para o controle, estádio da cultura que facilite as aplicações dos inseticidas ou os demais métodos de controle utilizados, levando em consideração o nível de controle da praga através do pano de batida, garantindo o controle eficiente com uso racional dos inseticidas, trazendo benefícios ao ambiente e maior C retorno econômico ao produtor. Renan Teston, Tiago Madalosso e Fernando Fávero, Copacol
SOJA E ALTOS RENDIMENTOS
O
Brasil é o segundo maior produtor de soja do mundo e a produção nacional vem crescendo anualmente, o que pode estar atrelado ao C aumento de área, à utilização de novas ferramentas tecnológicas (OGMs, agricultura de precisão, dentre outras) e às práticas de manejo adotadas. No ano agrícola 2015/16, o Brasil tem uma área total utilizada para o plantio da cultura da soja de aproximadamente 33,02 milhões de hectares, com a estimativa de produção
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de 98,8 milhões de toneladas, aumento de aproximadamente 2,4% com relação à safra 2014/15 (Conab, 2016). A obtenção de altos rendimentos de grãos está relacionada com a interação entre o genótipo, o qual traz em sua carga genética seu potencial de produção, e o ambiente, que engloba todos os recursos disponíveis para que a planta cresça e se desenvolva, sendo capaz de expressar seu potencial, e as práticas de manejo para a manutenção do potencial produtivo.
Soja
Reação mapeada Marcelo Madalosso
Nematoides das galhas, Meloidogyne javanica, estão entre os principais fitonematoides presentes no Brasil, capazes de atacar as raízes de soja e causar danos severos à cultura. O cultivo contínuo de variedades com alto fator de reprodução da praga tem agravado os prejuízos. Por isso a importância do estudo constante do comportamento das cultivares em relação a esta espécie
O
cultivo da soja tem se tornado desafiador devido à elevada diversidade de problemas fitossanitários que incidem na cultura. Se analisado apenas o cenário das doenças, já seria assustador. Neste grupo, podem ser agrupados problemas que
ocorrem na semente, nas raízes e na parte aérea das plantas. No tocante aos organismos que podem atacar as raízes da soja, destacam-se os fitonematoides, distribuídos por todas as regiões produtoras do Brasil e capazes de causar danos significativos. Anualmente, a
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incidência de nematoides tem sido crescente, potencializando problemas de compactação de solo ou mesmo incidência de outros patógenos de solo. Como a sintomatologia pode ser variada, em função da complexidade da interação das espécies de fitonematoides e as diversas cultivares de soja, diversos problemas observados na cultura são, erroneamente, atribuídos a outros fatores, minimizando um problema que na verdade tem dimensões preocupantes. Esta praga de solo alimenta-se no sistema radicular, causando interferência nos processos fisiológicos da planta, comprometendo a absorção e translocação de nutrientes, reduzindo a produtividade. A alimentação destes microrganismos, quando estabelecidos nos estádios iniciais de desenvolvimento das plântulas de variedades de soja suscetíveis e dependendo da densidade populacional presente no solo, pode favorecer a entrada de fungos de solo que infectam as radicelas, comprometendo o desenvolvimento dessas plântulas e o estande inicial. Em levantamentos realizados pelo Instituto Phytus, Rio Grande do Sul, a partir de 2012/13, tem sido observada a presença do nematoide das galhas (Meloidogyne javanica) em mais de 70% das áreas amostradas (Figura 1), seguido do nematoide de cisto da soja (Heterodera glycines) e o nematoide das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus). Uma das possíveis explicações para a elevada ocorrência de M javanica, quase sempre causando níveis elevados de danos, é o uso contínuo de variedades de soja com alto fator de reprodução. Em decorrência disso, o Instituto Phytus desenvolve estudos para determinar a reação de 20 variedades de soja ao nematoide das galhas M. javanica, em casa de vegetação, ano 2014/15 (Tabela 1). Os estudos têm sido conduzidos em vasos com capacidade de 2,8 litros preenchidos com solo e areia (2:1). As variedades de soja foram semeadas e, após a emergência, foi inoculado um total de cinco mil ovos e juvenis de Meloidogyne javanica. Após 60 dias da inoculação, todas as variedades de soja foram avaliadas, utilizando o fator de reprodução (FR) determinado pela divisão entre a população final e a população inicial
Instituto Phytus
Gráfico 1 - Fator de reprodução (FR) de M. javanica em cultivares de soja. Itaara (RS), 2014/15
(5.000), conforme a metodologia descrita por Oostenbrink (1966), considerando-se resistentes cultivares com FR < 1,00 e suscetíveis com FR > 1,00. (Gráfico 1). O Fator de Reprodução e/ou multiplicação refere-se à capacidade de reprodução do nematoide M. javanica sobre uma determinada planta hospedeira, neste caso, as cultivares de soja. É importante salientar que estes resultados foram obtidos em condições controladas (população do nematoide 5.000/planta para cada variedade), utilizando a metodologia de fator de reprodução. Foi considerada apenas a capacidade reprodutiva, pois existem outras metodologias de avaliação que analisam outros aspectos como, por exemplo, os danos visuais causados no hospedeiro. Embora este seja um método limitado, apresenta bons indicativos acerca do comportamento das variedades. Os resultados obtidos mostraram diferentes níveis de multiplicação entre as cultivares, o que indica escassez de materiais com baixo fator de reprodução a M. javanica. A cada safra há surgimento de inúmeras cultivares de soja, sendo necessário o estudo contínuo da sua reação às espécies de fitonematoides importantes para cada região. Se for construído um plano anual de manejo, além da reação varietal, a contribuição das diferentes culturas de inverno sobre a densidade populacional de M. javanica passa a ser de grande importância para a diminuição da população no solo. Neste caso, além de reduzir o impacto dos fitonematoides na produtividade da cultura soja, também seria reduzida uma possível pressão de seleção exercida pelas diversas populações sobre variedades que apresentem mecanismos genéticos ligados à resistência. Como regra, variedades de soja resistentes devem ser ajustadas em programa de manejo, utilizando a rotação/sucessão com culturas não hospedeiras. Os avanços por parte do melhoramento genético para o lançamento de cultivares resistentes vêm evoluindo. Os mecanismos de
resistência que atuam no patossistema nematoide/soja passam por fatores presentes em dois momentos: antes da penetração do organismo, através da liberação de exsudatos radiculares que apresentam características químicas repelentes, ação nematicida; e após a penetração do nematoide, através da ação de elicitores que desencadeiam eventos bioquímicos, impedindo o estabelecimento dos nematoides. De maneira geral, o produtor deve intercalar a rotação ou sucessão de culturas não hospedeiras, de modo a reduzir a população inicial de uma safra para outra, permitindo o convívio com este organismo e preservando as C fontes de resistência.
Galha na raiz, fêmeas de M. javanica, corte perineal e juvenil de 2º estádio
Paulo Santos, Andrezza Lopez, Gracieli Rebelato e Maiquel Frigo, Instituto Phytus Pablo Tuzi Serafini e Jacson Zuhl UFSM
Tabela 1 – Variedades de soja e suas características, e o fator de reprodução (FR) de M. javanica em relação às variedades. Itaara (RS), 2014/15 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
Cultivar BMX Potência RR BMX Valente RR BMX Magna RR BMX Ativa RR CD 2694 IPRO CD 2585 RR TEC 5833 IPRO TEC 6029 IPRO MSOY 8000 RR NS 5959 IPRO NS 5445 IPRO NS 7300 IPRO NA 5909 RG A 6411 RG 95Y72 SYN Vtop RR SYN 1161 RR SYN 1157 RR TMG 7062 IPRO TMG 7262 RR
Ciclo Semi Precoce Precoce Precoce Semi Precoce
Precoce Precoce
Hábito de Crescimento Indeterminado Indeterminado Indeterminado Determinado Determinado Indeterminado
Cor da Flor Branca Branca Branca Roxa
Indeterminado Determinado Indeterminado Indeterminado Indeterminado Indeterminado Determinado
Roxa
Indeterminado Indeterminado Indeterminado Indeterminado Indeterminado
Branca Roxa Branca Branca Branca
Roxa
Roxa Roxa
Fator de reprodução (FR) >1 >1 >1 >1 >1 >1 >1 >1 >1 >1 >1 >1 >1 >1 >1 >1 >1 >1 >1 >1
Reação S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S
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Vigor e germinação R.R. Rufino
O uso de material genético de qualidade, com ótimas características fisiológicas e de sanidade, sem contaminações, é extremamente importante para que o produtor de soja possa maximizar resultados de produtividade. E o tratamento de sementes com inseticidas + fungicidas um aliado para auxiliar neste processo
A
semente de soja, para ser considerada de alta qualidade, deve ter características fisiológicas e sanitárias, tais como altas taxas de vigor de germinação e de sanidade, bem como garantia de purezas físicas e varietal, e não conter sementes de ervas daninhas (Krzyzanowski, 2004). A fim de evitar possíveis perdas decorrentes da ação de pragas e doenças de solo e da parte aérea, que danificam as sementes e as plântulas jovens, tem-se como alternativa o uso de inseticidas e fungicidas no tratamento de sementes (Martins et al, 2009). Segundo Menten (2005), o tratamento de sementes com inseticidas e fungicidas é uma prática que na maioria dos casos possibilita reduzir o número de aplicações de produtos químicos após a emergência da cultura. Os testes utilizados para análise das sementes devem seguir criteriosamente as prescrições das Regras para Análise de Sementes (Brasil, 2009), com o intuito de padronizar os procedimentos para instalação, condução e avaliação dos testes de germinação. Assim, espera-se minimizar os erros, obtendo resultados uniformes e comparáveis. Os testes de germinação e de vigor são essenciais no controle de qualidade das empresas de produção de sementes, tendo como objetivo identificar os lotes com maior ou menor probabilidade de apresentar bom desempenho no campo
ou durante o armazenamento (Martins et al. 2002). Com o objetivo de avaliar o vigor e a porcentagem de germinação de semente de soja após o tratamento com fungicidas e inseticidas, um trabalho foi realizado no Laboratório de Sementes do curso de Agronomia da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), no município de Imperatriz, Maranhão. Foram utilizadas 138,12g de sementes de soja da cultivar BRS 9090 RR, lote: 024/13 de uso comercial com vigor de 95% produzido na unidade da Embrapa localizada no mesmo município. O tratamento das sementes foi realizado com produtos comerciais, como o fungicida do grupo químico: acilalaninato e fenilpirrol; composição química: (metalaxil – M e fludioxonil), o inseticida do grupo químico: neonicotinoide; composição química: (tiametoxam), e o inseticida pertencente ao grupo químico: pirazol; composição química: (fipronil). Os tratamentos foram: Testemunha T0 sem tratamento; Tratamento T1 – fungicida (metalaxil– M e fludioxonil) na recomendação de 3,47ml do produto para 500ml de água, para tratar 200 sementes, ou seja, 34,42g de semente; Tratamento T2 - fungicidas + inseticidas (metalaxil – M e fludioxonil e tiametoxam) em que foram usados 3,5ml dos dois produtos dissolvidos em 100ml de
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água, para tratar 200 sementes, o que corresponde a 34,55g de semente; Tratamento T3 - fungicidas + inseticidas (metalaxil – M e fludioxonil e fipronil) utilizando 3,5ml dos dois produtos misturados a 100ml de água, para tratar 200 sementes, correspondendo 34,60g de sementes. Após as amostras serem tratadas com os produtos químicos o teste foi conduzido normalmente, com o uso de papel Germitest, isento de substâncias químicas tóxicas e solúveis em água, de fungos e bactérias que possam interferir na germinação. O material apresenta poder de absorção e retenção de água adequada e índice de pH de 6 a 7,5. Sua textura deve ser tal que as raízes se desenvolvam sobre e não através de sua superfície. As folhas do papel foram colocadas em bandejas plásticas previamente lavadas e esterilizadas com álcool 70% e umedecidas com água. Em seguida as sementes foram distribuídas no papel em quatro repetições, sendo que cada repetição possuía 50 sementes. O rolo de germinação foi composto por três folhas de papel, previamente umedecidas, sendo duas na parte inferior, onde foram depositadas as sementes, e uma ou duas folhas na parte superior cobrindo as sementes. As sementes foram distribuídas sobre as folhas de papel previamente umedecidas e cobertas também com folhas de papel,
Tabela 1 – Efeito da utilização de fungicida e inseticida na germinação de sementes de soja em laboratório
Tabela 2 – Avaliação do hipocótilo após tratamentos com fungicida e inseticida em laboratório
Média de germinação em laboratório Tratamentos T0 T1 T2 T3
R1 48 49 47 50
R2 47 48 49 48
R3 47 49 48 49
R4 48 50 49 48
% Germinação 95 % 98 % 96,5 % 97,5 %
Média de comprimento do hipocótilo Tratamentos T0 T1 T2 T3
R1 2,08 2,76 2,86 2,33
R2 2,50 2,42 2,92 2,14
R3 1,97 3,02 2,56 3,02
R4 Hipocótilo (cm) 2,45 2,25 cm 2,56 2,69 cm 2,59 2,73 cm 2,32 2,40 cm
T0 - Testemunha. T1 - Metalaxil – Me Fludioxonil. T2 - Metalaxil – M e Ffludioxonil e Tiametoxa. T3 - Metalaxil – M e Fludioxonil e Fipronil.
T0 - Testemunha. T1 - Metalaxil – Me Fludioxonil. T2 - Metalaxil – M e Ffludioxonil e Tiametoxa. T3 - Metalaxil – M e Fludioxonil e Fipronil.
houve um aumento na germinação de 1,5%. Já o tratamento T3, realizado com a combinação fungicida e inseticida (metalaxil – M e fludioxonil e fipronil), das 200 sementes germinaram 195 sementes, ou seja, 97,5% e houve um aumento na germinação de 2,5% em relação à testemunha. De acordo com a Tabela 1, os tratamentos que tiveram a maior porcentagem de germinação foram T1 - metalaxil – M e fludioxonil e T3 - metalaxil – M e fludioxonil e fipronil. Em resultados evidenciados por Krohn et al (2004), atribuiu-se que na maioria das vezes sementes tratadas apresentam desempenho superior à testemunha. A eficiência de fungicidas e inseticidas na erradicação de fungos, sejam patogênicos ou não, como o efeito nocivo sobre a qualidade das sementes, foi comprovada por vários pesquisadores, que recomendam o tratamento imediatamente antes da semeadura. Castro et al (2008), em pesquisas encontrou resultados similares para o inseticida imidacloprid, no tratamento de sementes de soja. Por outro lado, os tratamentos com imidacloprid + thiodicarb, acefato e carbofuran apresentaram percentuais de germinação inferiores aos demais tratamentos, indicando pouco efeito negativo sobre esta variável. Quanto à análise do vigor através do hipocotilo, se deu da seguinte forma; a plântula foi medida da base do hipocotilo até os cotilédones. Como mostra a Tabela 2, dos quatro tratamentos, obtiveram maior desenvolvimento do hipocotilo o T1 - metalaxil – M e fludioxonil; e T2 - metalaxil – M e fludioxonil
e tiametoxan, em relação à testemunha. O Gráfico 1 mostra que os tratamentos T1, T2 e T3, registraram maior índice de germinação e vigor das sementes, também comparados à testemunha. No tratamento T1, com uso apenas do fungicida metalaxil – M e fludioxonil, a germinação foi de 98% em relação à testemunha. O tratamento T2 foi realizado com a combinação fungicida + inseticida (metalaxil – M e fludioxonil e tiametoxam). Neste caso, observou-se uma porcentagem de germinação de 96,5% em relação à testemunha (95%). No tratamento T3, realizado com a combinação fungicida + inseticida (metalaxil – M e fludioxonil e fipronil) a porcentagem de germinação foi de 97,5%. Os tratamentos que tiveram a maior porcentagem de germinação em relação à testemunha foram T1 - metalaxil – M e fludioxonil e T3 - metalaxil – M e fludioxonil e fipronil. Dos quatro tratamentos, incluindo a testemunha, os que obtiveram maior desenvolvimento do hipocotilo foram: T1 - metalaxil – M e fludioxonil; e T2 - metalaxil – M e fludioxonil e tiametoxam. Neste trabalho, observou-se que as sementes tratadas com fungicidas + inseticidas obtiveram uma maior porcentagem de germinação e desenvolvimento do hipocótilo, C se comparados com a testemunha. Edvan Costa da Silva, Eric Leonardo Maciel dos Santos, Léo Vieira Leonel e Humberto Filipe Torres Reis, Universidade Estadual do Maranhão Edvan Costa da Silva
dobrando-se a parte inferior dos papéis e a lateral direita, aproximadamente com 3cm, de forma a não prejudicar o desenvolvimento das raízes das plântulas próximas às dobras. Em seguida, os rolos unidos por atilhos e identificados foram colocados no germinador a uma temperatura de 25°C. O rolo não deve ficar muito apertado, para não prejudicar o desenvolvimento normal das plântulas, que podem ser danificadas, além dos riscos de restrições a aeração e maior possibilidade de contaminação biológica do teste. Cada grupo de rolos, representantes de uma amostra, foi identificado com o nome de cada tratamento. Durante a realização do teste, com duração de sete dias, realizou-se o monitoramento diário da temperatura da sala. A contagem de germinação das sementes foi feita a partir da instalação do teste até seu encerramento, que teve a duração de sete dias. Após a germinação das sementes, realizou-se a avaliação do vigor de cada plântula. Os hipocótilos das plântulas tiveram o comprimento medido, após sete dias, da extremidade do gancho plumular até o início da raiz principal, onde se observa o aparecimento das raízes secundárias. Na Tabela 1, encontram-se as médias obtidas nos testes de germinação para cada repetição, sendo verificados para cada tratamento. Nos tratamentos individuais foram utilizadas 200 sementes, divididas em quatro repetições contendo 50 sementes. É possível observar que no tratamento T0 (testemunha) não houve alteração do teor de germinação, coincidindo com o mesmo valor germinativo, do lote de semente fornecido pela Embrapa, que é de 95%. No tratamento T1, usando apenas o fungicida (metalaxil – M e fludioxonil), das 200 sementes germinaram 196, o equivalente a 98%, havendo um aumento na germinação da semente em relação à testemunha de 3%. O tratamento T2 foi realizado com a combinação fungicida e inseticida (metalaxil – M e fludioxonil e tiametoxam). Neste caso observou-se que das 200 sementes germinaram 193, o mesmo que 96,5%, e em relação à testemunha
Gráfico 1 - Porcentagem de germinação e vigor da semente
T0 - Testemunha. T1 - Metalaxil – Me Fludioxonil. T2 - Metalaxil – M e Ffludioxonil Tiametoxa. T3 - Metalaxil – M e Fludioxonil Fipronil
Pesagem, e umedecimento do papel, distribuição das sementes, teste de germinação em rolo de papel germitest, contagem da germinação e medição das plântulas
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Algodão
Exército nefasto Fotos F. J. Celoto, Unesp
Por sua diversidade e alto potencial destrutivo, lepidópteros estão entre as principais pragas em algodoeiro. Lagarta-das-maçãs, Helicoverpa armigera, falsa-medideira, complexo Spodoptera e curuquerê são alguns destes insetos. Para o combate, além do controle químico é preciso obedecer às práticas de manejo integrado como monitoramento, manutenção e preservação de inimigos naturais, tratamento de sementes e estabelecimento de período específico de semeadura para cultivo em cada região
N
as últimas safras a ocorrência de lagartas tem preocupado os cotonicultores, principalmente espécies da subfamília Heliothinae, como a velha conhecida lagarta-das-maçãs, Heliothis virescens, e a Helicoverpa armigera, recém-introduzida nas condições brasileiras, além do complexo Spodoptera, lagarta-falsa-medideira, Chrysodeixis includens (Walker) e o curuquerê-do-algodoeiro, Alabama argillacea (Hübner).
CURUQUERÊ
O curuquerê-do-algodoeiro, Alabama argilácea, é a principal praga desfolhadora. Pode provocar desfolha de grande intensidade, pois cada lagarta é capaz de consumir 90cm² de área foliar para completar seu ciclo. A cada safra os ataques desta praga estão ocorrendo mais cedo, em decorrência das plantas de
algodão remanescentes (soqueira e tigueras) da safra anterior, que permanecem entre as lavouras de soja, milho e ao longo das estradas, alimentando-as e favorecendo a reprodução continuada da praga. As lagartas possuem coloração verde-escura, com duas estrias longitudinais no dorso, e apresentam pintas pretas em todo o corpo. Em alta infestação, as lagartas ficam com uma coloração escura, dando ao cotonicultor um indicativo do grau de infestação. Os danos ocorrem inicialmente em folhas novas do ponteiro que se apresentam raspadas e, em seguida, as folhas medianas das plantas mostram perfurações irregulares. Posteriormente ocorre a desfolha generalizada, podendo atacar inclusive as brácteas das estruturas reprodutivas. Quando o ataque se dá na abertura das maçãs, provoca sua
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maturação forçada, diminuindo a resistência das fibras, e as fezes podem manchar as fibras, depreciando-as. O controle deve ser realizado quando atingir o nível de 50% de plantas com lagartas pequenas (menor que 1,5cm) ou 30% de plantas com lagartas grandes (maior que 1,5cm), podendo ainda considerar o nível de 25% de desfolha.
LAGARTA-DAS-MAÇÃS
A lagarta-das-maçãs, Heliothis virescens, é uma espécie de grande potencial para causar prejuízo à cultura do algodão, capaz de ocasionar perdas que variam de 18% a 32%, dependendo da região. Em média para cada 5% de infestação haverá a destruição de 25% de maçãs. Os ovos são depositados nos ponteiros das plantas e as lagartas novas se
Figura 1 - Eficiência do inseticida de origem biológica HzNPV (Helicoverpa zea Nucleopolyhedrovirus) sobre Helicoverpa armigera. (Fonte: G. PAPA /Lab. MIP – Unesp/Ilha Solteira)
Curuquerê-do-algodoeiro, Alabama argilácea, é a principal praga desfolhadora
alimentam das folhas novas. Após passar para o segundo instar, movimentam-se em sentido descente, destruindo botões florais a partir do ponteiro. Quando mais desenvolvidas atacam botões florais maiores, flores e maçãs, destruindo-as. Durante a fase de lagarta, que dura aproximadamente 15 dias, cada indivíduo pode atacar, em média, sete estruturas reprodutivas. Surtos no início da safra tendem a estar ligados à ocorrência de alta infestação na cultura anterior, como a soja. As amostragens para lagarta-da-maçã devem ser feitas em toda a planta, a partir dos ponteiros, e o nível de dano é 6% a 8% de plantas atacadas. Entretanto, a presença de lagartas grandes dificulta o controle da praga.
HELICOVERPA
Lagartas da espécie H. armigera possui alto potencial reprodutivo. Cada fêmea pode ovipositar até 1.500 ovos, colocados sempre de forma isolada sobre talos, flores, frutos e folhas. O período larval é constituído por cinco a seis instares e pode durar de duas a três semanas, dependendo das condições climáticas, período em que causa danos. A espécie pode se alimentar de folhas e caules, contudo, tem preferência por brotos, inflorescências, frutos e vagens e causa danos tanto na fase vegetativa quanto reprodutiva, comportamento semelhante ao da lagarta-da-maçã. Ambas possuem alto
Curuquerê provoca desfolha generalizada, podendo atacar as brácteas das estruturas reprodutivas
potencial destrutivo, uma vez que a preferência é por estruturas reprodutivas, afetando diretamente na produtividade. A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) estima que as perdas na safra de 2012/2013 no Brasil atingiram R$ 2 bilhões, com destaque para a Bahia, onde foram constatadas perdas de até 80% na produção do algodão. Estudos realizados pela equipe de pesquisa do professor Geraldo Papa demonstraram que cada lagarta (em um ciclo de vida) pode consumir em média 9,7 estruturas reprodutivas e a ocorrência de uma lagarta/planta de algodoeiro tem poder para reduzir a produtividade em 14,1%. Uma das alternativas que se adaptam ao manejo integrado da H. armigera é o emprego de inseticidas de origem biológica, como o HzNPV (Helicoverpa zea Nucleopolyhedrovirus), que apesar de sua especificidade, é seletivo a inimigos naturais, possui bom
perfil toxicológico e demostra-se eficiente ao controle da praga, como mostra a análise desenvolvida pela equipe de pesquisa do professor Geraldo Papa.
LAGARTAS DO GÊNERO SPODOPTERA
As lagartas do gênero Spodoptera que atacam o algodoeiro (Spodoptera frugiperda, Spodoptera cosmioides e Spodoptera eridania) são pragas cuja importância econômica tem crescido ano a ano na cultura do algodão, principalmente nas áreas agrícolas do cerrado brasileiro, promovendo danos severos que podem reduzir significativamente a produção de fibra. As causas do aumento populacional da espécie na cultura envolvem o cultivo intensivo do solo praticado nestas áreas, com sucessão de ciclos de hospedeiros durante todo o ano, condições climáticas favoráveis (alta temperatura e baixa umidade relativa do ar), o uso excessivo e inadequado de inseticidas de amplo espectro de ação e, principalmente,
HELIOTHIS X SPODOPTERA: DANOS COMPARADOS
C
om o objetivo de quantificar as diferenças entre as lagartas de Spodoptera frugiperda e Heliothis virescens quanto aos danos produzidos ao algodoeiro, o professor Geraldo Papa e equipe instalaram experimento onde plantas de algodão foram infestadas com S. frugiperda e outras com com H. virescens e deixadas para se alimentarem das plantas até o empupamento. Os parâmetros avaliados foram: número de estruturas reprodutivas danificadas individualmente por espécie, produtividade de plumas + sementes e observações do comportamento das lagartas nas plantas. Concluiu-se que: - As lagartas de H. virescens danificaram maior número de estruturas reprodutivas
(média de 19,5 estruturas/planta) que lagartas de S. frugiperda (média de 5,6 estruturas/planta). - A produção das plantas infestadas com S. frugiperda foi 15,6% superior à produção obtida pelas plantas infestadas com H. virescens. - As lagartas de S. frugiperda deslocaram-se menos nas plantas e consumiram grande parte das estruturas atacadas, consequentemente, o consumo do número de estruturas foi menor. - As lagartas de H. virescens deslocaram-se bastante e consumiram pequena parte das estruturas atacadas, porém o número de estruturas danificadas foi maior.
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Fotos F. J. Celoto, Unesp
Figura 2 - Média acumulada de danos causados por S. frugiperda e H. virescens por planta em relação ao número total de estruturas (Fonte: G. Papa, 2005)
Lagarta-da-maçã em situação de ataque à flor de algodoeiro
o plantio de gramíneas como milho, sorgo e milheto em sucessão à cultura do algodão. A polifagia e a capacidade migratória do inseto asseguram sua sobrevivência em épocas desfavoráveis, já que nesta espécie não ocorre o fenômeno da diapausa. Outro fato importante é que as lagartas que sobrevivem na área de plantio após a dessecação apresentam comportamento de lagarta rosca, permanecendo abrigadas sob torrões e restos culturais durante o dia e, à noite, saem para atacar as plantas recém-emergidas, cortando-as rente ao solo ou destruindo as folhas. As lagartas ocorrem praticamente durante todo o período vegetativo da cultura do algodão, atacando todas as partes da planta. As mariposas realizam postura geralmente na parte mediana das plantas, onde ovipositam em média 100 ovos agrupados, dispostos em camadas. Nas últimas safras, constatou-se de
forma crescente a ocorrência de Spodoptera eridania e Spodoptera cosmioides em lavouras de algodão, principalmente nas regiões de cerrado, causando desfolha e danificando os órgãos frutíferos. Para a Spodoptera, além do percentual de plantas atacadas com a presença das lagartas, é importante quantificar a intensidade do ataque em número de lagartas por planta durante as amostragens e considerar essa informação para auxiliar na tomada de decisão. Cada lagarta destrói em média seis estruturas produtivas, sendo dois a três botões florais e três a quatro maçãs, durante o período do ciclo larval. Quando a lagarta-das-maçãs e a lagarta-militar ocorrem separadamente ou em períodos distintos, são considerados os mesmos valores de referência para o seu controle. Medidas de controle devem ser adotadas quando atingir o nível de 10% de plantas ou estruturas reprodutivas atacadas. Entretanto, os danos provocados ao algodão são diferentes de acordo com a
Tabela - Danos causados por Spodoptera frugiperda e Heliothis virescens em algodão. Número médio por planta de estruturas florais danificadas (botões florais, flores e maçãs) e produção média por planta de plumas + sementes (g). (Fonte: G. Papa/2005) Plantas Média/planta
Heliothis virescens Estruturas danificadas g (pluma+semente) Estruturas danificadas g (pluma+semente) 19.5 a* 39.7 a** 19.5 a* 39.7 a**
Testemunha g (pluma+semente) 47.3 b**
* Letras diferentes em azul significam que a comparação de médias de estruturas danificadas provocadas por S. frugiperda e H. virescens foram significativas pelo teste de Tukey (5%); ** Letras diferentes em vermelho significam que a comparação de médias de produção de plumas entre plantas infestadas por S. frugiperda e H. virescens foram significativas pelo teste de Tukey (5%)
SPODOPTERA X CULTIVARES TRANSGÊNICAS (BT)
A
pesar das cultivares transgênicas expressarem proteínas tóxicas à maioria dos lepidópteros-pragas, o gênero Spodoptera tem sido o grande problema para essas cultivares devido à menor sensibilidade das lagartas às proteínas Bt e Vip. Assim, os produtores que adotam a tecnologia optando por cultivares transgênicas (Bt) na expectativa de controle de todas as lagartas acabam necessitando pulverizar as lavouras de algodão para o controle de Spodoptera, aumentado seu custo, pois
além do maior valor das sementes transgênicas, os inseticidas de menor custo não têm sido efetivos para o controle de Spodoptera, sendo necessário o uso de inseticidas mais modernos e mais caros. Assim, para regiões produtoras onde a ocorrência de Spodoptera é maior, o produtor necessita estar atento à presença das lagartas, efetuando monitoramento constante dos algodoais para executar o controle químico no momento em que as lagartas ainda estão nos primeiros instares.
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espécie. (ver box).
FALSA-MEDIDEIRA OU LAGARTA-MEDE-PALMO
A falsa-medideira (Chrysodeixis includens) é a predominante nas lavouras quando comparada a outras espécies de Plusiinae. A constatação de elevadas populações de falsa-medideira tem preocupado produtores e técnicos em diversas regiões produtoras, passando de status de praga secundária a status de praga-chave em cultivos de soja e aumento da frequência de ataque em algodão. Os adultos são mariposas com cerca de 35mm de envergadura com as asas superiores de coloração cinza-escuro, apresentando um pequeno desenho prateado no centro, em forma de “U”, os ovos são colocados isoladamente na face inferior das folhas e nos ponteiros, apresentando a coloração branca. O dano provocado pela falsa-medideira é a desfolha causada pela alimentação das lagartas. O ataque começa no baixeiro com sentido ascendente. Os danos nas folhas são perfurações circulares entre as nervuras. A presença de 20% das plantas com lagartas pequenas determina o momento de controle. A posição de ataque das lagartas dessa espécie, abaixo da metade inferior das plantas, dificulta a ação de controle de inseticidas, pois nas aplicações convencionais é relativamente reduzida a quantidade de substância que atinge os estratos inferiores das plantas. As desfolhas tardias durante o período de abertura dos capulhos são provocadas por populações mistas de curuquerê e falsa-medideira e o controle deve ser realizado antes da deposição de excrementos nas fibras. O ataque nas lavouras de algodão coincide com a maturação das lavouras de soja.
MANEJO
O manejo de lagartas é complexo. Deve ser implementado em um âmbito regional, visto que a maioria das espécies tem hábito polífago. A principal forma de controle destas pragas é o controle químico decorrente, em grande parte pela praticidade do método associada à rápida obtenção dos resultados desejáveis e à frequente viabilidade econômica. No entanto, na maioria dos casos as medidas coletivas de manejo não são executadas, favorecendo a
ALGODOEIRO E LEPIDÓPTEROS
O
Papa, Zanardi Jr., Silva e Celoto abordam o manejo de lepidópteros em algodoeiro
reprodução e dispersão das pragas e, nestas condições, os inseticidas não proporcionam a eficácia esperada, ou seja, os inseticidas passam a ser a única medida de combate às pragas e “sucumbem a tanta responsabilidade”. Desta forma, torna-se extremamente necessário que a cotonicultura moderna interaja com as práticas propostas pelo Manejo Integrado de Pragas (MIP), tais como monitoramento, níveis de controle, uso de feromônios, manutenção e preservação de
algodoeiro está entre as mais importantes culturas de fibras no mundo, produzido em mais de 60 países. É responsável pela movimentação de 12 bilhões de dólares, aproximadamente. No cenário mundial, o Brasil ocupa o 5° lugar no ranking dos maiores produtores com 1,507 milhão de toneladas, sendo a China líder com 6,463 milhões de toneladas produzidas na safra de 2014/2015. No entanto, nas condições brasileiras o cultivo é inimigos naturais, manejo de resistência de insetos, tratamento de sementes, controle de pragas na dessecação que antecede a semeadura, vazio sanitário, controle eficiente de soqueiras e plantas voluntárias, controle de pragas em culturas de final de ciclo e que “forneceriam” pragas para o cultivo seguinte e estabelecimento de período específico de
afetado diretamente pela ocorrência de pragas, sendo fator determinante para que a cultura não desempenhe seu máximo potencial produtivo, além de manter sua própria sustentabilidade em risco. Por sua diversidade e capacidade de atacar diversas estruturas em todas as fases de desenvolvimento e pelo grande potencial destrutivo, os lepidópteros estão entre as principais pragas da cultura do algodoeiro. semeadura (“janela”) para cultivo em cada região. C Geraldo Papa, João Antonio Zanardi Jr. Roberto da Silva e Fernando Juari Celoto, Unesp – Campus de Ilha Solteira/SP
Tabela - Inseticidas registrados no Mapa para controle de lepidópteros em algodão. (Fonte: adaptado de Agrofit, 2015) Nome técnico Bacillus thuringiensis beta-ciflutrina+triflumurom bifentrina bifentrina+carbosulfano bifentrina+cipermetrina cipermetrina cipermetrina+profenofós clorantraniliprole cloratraniliprole+lambda-cialotrina clorfenapir clorfluazurom cloridrato de cartape clorpirifós deltametrina diflubenzurom esfenvalerato espinosade flubendiamida flufenoxurom gama-cialotrina indoxacarbe lambda-cialotrina lufenurom metomil metoxifenozida novalurom permetrina tebufenozida teflubenzurom tiodicarbe triflumurom VPN-HzSNPV zeta-cipermetrina zeta-cipermetrina+bifentrina
Grupo químico Biológico piretroide/ benzoilureia Piretroide piretroide/metilcarbamato de benzofuranila piretroide/piretroide Piretroide piretroide/organofosforado antranilamida antranilamida/piretroide análogo de pirazol benzoilureia bis (tiocarbamato) organofosforado piretroide benzoilureia piretroide Espinosinas diamida do ácido ftálico benzoilureia piretroide oxadiazina piretroide benzoilureia metilcarbamato de oxima diacilhidrazina benzoilureia piretroide diacilhidrazina benzoilureia metilcarbamato de oxima benzoilureia não pertinente piretroide piretroide/piretroide
Lepidópteros controlados Curuquerê-do-algodoeiro; Lagarta-das-maçãs e Helicoverpa armigera Curuquerê-do-algodoeiro e Lagarta-das-maçãs Curuquerê-do-algodoeiro; Lagarta-militar e Helicoverpa armigera Curuquerê-do-algodoeiro; Helicoverpa armigera; Curuquerê-do-algodoeiro; Lagarta-militar e Lagarta-mede-palmo Curuquerê-do-algodoeiro e Lagarta-das-maçãs Curuquerê-do-algodoeiro e Lagarta-da-maçã Curuquerê-do-algodoeiro; Lagarta-das-maçãs e Helicoverpa sp. Lagarta-militar e Helicoverpa sp. Lagarta-das-maçãs; Lagarta-militar e Helicoverpa sp. Curuquerê-do-algodoeiro Curuquerê-do-algodoeiro Curuquerê-do-algodoeiro; Lagarta-das-maçãs e Helicoverpa armigera Curuquerê-do-algodoeiro; Lagarta-das-maçãs e Lagarta-mde-palmo Curuquerê-do-algodoeiro e Lagarta-militar Curuquerê-do-algodoeiro e Lagarta-das-maçãs Curuquerê-do-algodoeiro; Lagarta-das-maçãs e Helicoverpa sp. Curuquerê-do-algodoeiro; Lagarta-das-maçãs; Helicoverpa armigera; Lagarta-militar e Spodoptera eridania Curuquerê-do-algodoeiro Lagarta-das-maçãs Curuquerê-do-algodoeiro; Lagarta-das-maçãs; Helicoverpa armigera; Lagarta-militar Curuquerê-do-algodoeiro e Lagarta-das-maçãs Curuquerê-do-algodoeiro; Lagarta-das-maçãs e Lagarta-militar Curuquerê-do-algodoeiro; Lagarta-das-maçãs e Lagarta-mede-palmo Curuquerê-do-algodoeiro; Lagarta-das-maçãs e Helicoverpa sp. Curuquerê-do-algodoeiro e Lagarta-militar Lagarta-das-maçãs Curuquerê-do-algodoeiro Curuquerê-do-algodoeiro Lagarta-das-maçãs e Lagarta-militar Curuquerê-do-algodoeiro e Lagarta-das-maçãs Helicoverpa armigera Curuquerê-do-algodoeiro; Lagarta-das-maçãs e Lagarta-militar Curuquerê-do-algodoeiro; Lagarta-mede-palmo; Helicoverpa armigera; Lagarta-militar
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Algodão
Oportunista e letal Cultivar
Principal planta daninha da cultura do algodoeiro nos EUA, caruru palmer foi identificada em áreas de cultivo no Brasil em 2015. De efeito devastador quando não controlada, esta planta daninha, resistente a vários herbicidas, tem poder de fogo para provocar perdas de produtividade de até 91% na cultura do milho, 65% no algodão e 79% na soja
I
dentificada pela primeira vez no Brasil, no ano de 2015, em áreas de plantio de algodão no estado do Mato Grosso, a planta daninha caruru palmer (Amaranthus palmeri) é tema de importantes debates acerca de seu potencial impacto negativo sobre as culturas não só desta região, como de todo o país. Trata-se de uma planta resistente ao herbicida glifosato, bem como aos herbicidas inibidores da enzima ALS, especulando-se bastante se poderia ser resistente também a outros herbicidas e, assim, quais alternativas eficientes restariam para o controle. As espécies de caruru com ocorrência no Brasil são de ciclo de vida anual, reproduzidas exclusivamente por sementes e, de modo geral, de difícil diferenciação visual entre as espécies. Uma planta de grande porte pode produzir até 1.000.000 de sementes. A. palmeri é uma espécie de planta daninha oportunista e competitiva por excelência, com alta fecundidade, germinação e crescimento rápido, capacidade fenotípica e plasticidade fenológica que permitem a produção de sementes em condições diferentes. Estudos realizados nos Estados Unidos mostram que A. palmeri pode produzir
entre de 600 mil e dois milhões de sementes por planta e levar de três dias a oito dias para germinar. Caruru palmer é uma espécie dióica, o que significa que, em uma população, parte das plantas terá somente flores femininas (plantas “fêmea”) e outra parte, somente flores masculinas (plantas “macho”). Essa é uma característica que facilita a identificação de A. palmeri, uma vez que todas as outras espécies de caruru já identificadas no Brasil têm flores masculinas e femininas na mesma planta, sendo classificadas como monóicas. As sementes são produzidas somente nas plantas com flores femininas, mas há um detalhe importante e agravante da reprodução da espécie: flores femininas podem produzir sementes mesmo sem a ocorrência de polinização. O caruru palmer é originário de regiões áridas do centro-sul dos Estados Unidos e norte do México, e está presente em vários países do mundo. Nos últimos anos, esta espécie se tornou a principal planta daninha do algodoeiro nos EUA, em função de suas características biológicas e da resistência a herbicidas de diferentes sítios de ação. Nos EUA,
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além do glifosato, há relatos de populações de A. palmeri resistentes a outros mecanismos de ação, tais como: • Inibidores da síntese de tubulinas (K1) Foi o primeiro relato de resistência a herbicidas de A. palmeri nos Estados Unidos. A resistência ao herbicida trifluralina foi confirmada em 1989 em oito populações de diferentes locais da Carolina do Norte e em 1998 no estado do Tennessee. • Fotossistema II (C) Os primeiros relatos vieram do estado americano do Texas em 1993 referentes ao herbicida atrazina. Posteriormente, a resistência a atrazina foi relatada novamente no Texas e também no Kansas em 1995 e na Geórgia em 2008. • ALS (A) Nos Estados unidos os inibidores de ALS têm sido amplamente utilizados no controle de A. palmeri desde a sua introdução em 1982. A maioria dos casos de resistência a herbicidas inibidores da ALS é causada por alterações na sequência de bases do gene de ALS, resultando em uma enzima que é menos sensível à ligação de inibidores da ALS. Esta sequência alterada
Fotos Gonçalves Netto
Christoffoleti, Netto, Nicolai e Weber abordam as preocupações com a presença de c. palmer no Brasil
Detalhe das flores femininas e masculinas de caruru palmer, com destaque para as anteras expostas e bem visíveis
é normalmente herdada como um alelo único com um alto grau de predominância. A resistencia de caruru palmer aos herbicidas inibidores da ALS está difundida em todo o sul dos EUA. Foram relatados casos em Arkansas em 1994, Carolina do Norte em 1995, Carolina do Sul em 1997, Geórgia em 2000 e Flórida e Mississippi em 2008. A resistência cruzada a vários herbicidas inibidores da ALS é comum em caruru palmer. • HPPD (F2) A resistência a vários herbicidas que inibem a HPPD foi recentemente confirmada no estado americano do Kansas, no ano de 2012, mas o mecanismo e o modo de herança da resistência ainda não são conhecidos. O manejo das populações de caruru palmer resistentes a herbicidas se torna ainda mais complexo, sobretudo para as populações com resistência múltipla, já relatada para dois ou três desses mecanismos de ação: ALS/glifosato; ALS/gllifosato/FSII e ALS/FSII/HPPD. Além das fronteiras dos EUA, já foram relatados biótipos de caruru palmer com resistência a inibidores da ALS em Israel e na Argentina. O impacto da falta de controle de caruru palmer, seja por falta de manejo ou pelo fato das plantas serem resistentes a algum tipo de herbicida, em qualquer tipo de cultura, pode ser devastador. Essas perdas de produtividade podem chegar a 91% na cultura do milho, 65% no algodão, 68% no sorgo, 79% na soja, 68% no amendoim e 94% na batata-doce. O manejo integrado para o controle de caruru Palmer é essencial, visto que se trata de uma planta extremamente agressiva, podendo chegar a crescer de 5cm a 7cm por dia, além da já citada capacidade de produzir grandes quantidades de sementes que germinam rapidamente. Algumas alternativas de controle vêm sendo utilizadas no manejo de caruru Palmer resistente a glifosato com sucesso. É possível destacar aplicação de alguns herbicidas pós-emergentes como amônio glufosinato em culturas Liberty-Link, como algodão e soja, o 2,4-D e o dicamba em culturas resistentes ou tolerantes, como soja e milho, a atrazina isolada ou em associação com herbicidas inibidores de HPPD na cultura do milho,
os herbicidas inibidores da protox, como fomesafem ou lactofem na cultura da soja. Em relação a herbicidas pré-emergentes estão sendo utilizados com sucesso os herbicidas s-metolachlor, sulfentrazone, flumioxazina e metribuzim. É preciso levar em consideração que para o sucesso da utilização o estádio de desenvolvimento da planta daninha deve ser o menor possível para os herbicidas pós-emergentes. Da mesma forma deve-se observar as características do solo, como matéria orgânica, teor de argila, umidade do solo e época do ano no caso dos pré-emergentes. Vários fatores podem contribuir para que caruru palmer se torne uma das principais plantas daninhas dos sistemas de cultivo do brasileiro. Alguns destes fatores estão associados com as práticas de manejo de plantas daninhas. Por exemplo, o plantio direto que preza pelo não revolvimento do solo favorece caruru palmer com suas sementes pequenas que germinam facilmente na superfície da palhada. Outro fator que pode favorecer o aumento da infestação é a grande dependência por herbicidas no sistema de produção atual à base de glifosato e de inibidores da ALS, o que gera um ambiente favorável para esta planta daninha, que tem um grande potencial para
a evolução rápida da resistência. Mais estudos sobre estratégias a longo prazo se fazem necessários, principalmente com o objetivo de evitar que caruru palmer se torne resistente a outros herbicidas além do glifosato e dos inibidores da ALS. A introdução de culturas resistentes a outros mecanismos de ação irá fornecer aos produtores mais flexibilidade no controle químico, bem como a maior adoção do uso de pré-mergentes especialmente na cultura da soja. Contudo, dada a grande capacidade de adaptação desta planta daninha, a evolução de resistência múltipla a herbicidas é altamente provável. O desenvolvimento de práticas de gestão que integram o uso sustentavel de herbicidas, além de implementação adequada de métodos não químicos para sistemas de cultivos afetados por caruru palmer deve, portanto, ser uma prioridade. Essencialmente, a rotação de mecanismos de ação herbicidas é fundamental, entendendo-se que se deva explorar melhor a dessecação pré-plantio, bem como o uso de pré e pós-emergentes C alternativos ao glifosato. Pedro Jacob Christoffoleti e Acácio Gonçalves Netto, Esalq/Usp Marcelo Nicolai e Ronald E. H. Weber, Unesp, Botucatu e Agrocon
Crescimento acelerado da planta daninha Caruru Palmer que tem altura aumentada em até 7cm por dia
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Algodão
Competição severa Fotos IFMT
Cultura de desenvolvimento inicial lento o algodoeiro sofre com a interferência negativa de plantas daninhas, com limitações ao crescimento, produtividade, qualidade da fibra e beneficiamento. Herbicidas pré-emergentes são uma das ferramentas disponíveis para manejar o problema
A
s plantas daninhas constituem um dos principais problemas na cultura do algodão, por interferirem diretamente em crescimento, produtividade, qualidade da fibra e beneficiamento. O algodoeiro geralmente é cultivado com espaçamento largo que varia de 0,80m a 1m entre as linhas e possui um lento desenvolvimento inicial. Esses fatores acabam favorecendo o crescimento de plantas daninhas principalmente nos primeiros meses da implantação da cultura. Portanto, é necessário um controle efetivo das plantas daninhas para não haver risco de comprometer o potencial produtivo da cultura. Neste contexto foi conduzido um experimento sobre o efeito residual de diferentes princípios ativos de herbicidas pré-emergentes sobre as principais ervas daninhas que ocorrem na cultura do algodão na região sudeste de Mato Grosso. O experimento foi realizado no município de Campo Verde, Mato Grosso, na safra 14/15, em área comercial com plantio em 4/1/15, cultivar FM975 WS com seis tratamentos e quatro repetições. Os tratamentos são apresentados na Tabela 1. Cada parcela foi composta por quatro linhas com espaçamentode 0,80m por 5m de comprimento. Os parâmetros avaliados foram população e espécie de ervas daninhas em 1m2
na área útil da parcela aos 14, 28 e 42 DAE e altura das plantas aos 20 e 45 DAE. As determinações das dosagens foram resultado de discussões e recomendações de profissionais, levando em consideração os registros dos produtos junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para a cultura do algodão. Na aplicação foi utilizada uma bomba costal de CO2 com pontas de pulverização tipo leque de 110° ADI Isso regulada para o volume de 130L/ha. Os parâmetros avaliados foram população e espécies de ervas daninhas, além da altura de plantas aos 20 e 45 DAE. Para avaliação de altura de plantas foi utilizada uma única linha em cada bloco, avaliando as cinco plantas da região central no sentido único em cada tratamento para que a quantidade de adubo, que pode variar de uma linha para outra, não causasse interferência. Na medida de altura foi considerada a distância do solo até o ápice da planta de algodão. Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias, de todos os tratamentos, comparadas pelo método de agrupamento de Tukey a 1% de probabilidade. Já para a quantificação de população de ervas daninhas o método de agrupamento utilizado foi o de Scott-Knott a 5% de probabilidade.
RESULTADOS OBSERVADOS
Foram realizadas três avaliações de plantas
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daninhas aos 14, 28 e 42 dias após a emergência do algodão (DAE), além de altura de plantas aos 20 e 45 DAE. As seguintes ervas foram encontradas no experimento: pé-de-galinha (Eleusine indica), junquinho (Cyperus esculentus), apaga fogo (Alternanthera ficoidea L. Sm.), trapoeraba (Commelina benghalensis L.), corda de viola (Ipomoea triloba L.), joá-bravo (Solanum sisymbriifolium Lam.), caruru (Amaranthus deflexus L.) e erva de santa luzia (Commelina nudiflora). Na primeira avaliação foi encontrado o menor número de plantas daninhas. Houve diferença significativa apenas para a testemunha (aplicação única de glifosato) em relação à população de junquinho que apresentou 0,5 planta/m2 enquanto nos demais tratamentos não houve nenhuma planta (Tabela 2). Na segunda avaliação 28 DAE, 31 dias após a aplicação dos cinco primeiros tratamentos e 21 dias após a aplicação do S-Metalacloro ocorreu diferença significativa para a erva de santa luzia e joá-bravo, onde a testemunha (somente glifosato) e trifluralina, respectivamente, foram menos eficientes no controle destas ervas (Tabela 3). Na terceira avaliação, aos 42 DAE, não ocorreu diferença significativa entre todos os tratamentos (Tabelas 4 e 5). Na avaliação de altura de plantas não foi constatada diferença significativa entre os tratamentos indicando que os produtos testados não afetam o desenvolvimento inicial do algodoeiro (Tabela 6). Para todos os efeitos somente foram avaliadas ervas que emergiram após a aplicação dos herbicidas, evitando a ocorrência de influência das plantas que já se encontravam no local no momento da implantação do experimento. O glifosato não apresentou controle eficiente de junquinho aos 14 dias após a emergência, uma vez que não é um herbicida de ação pré-emergente. Aos 28 DAE, apresentou menor eficiência sobre erva de santa luzia e como todos os outros herbicidas avaliados aos 42 dias não diferiu quanto ao número total de ervas. Aos 14 DAE a trifluralina não apresen-
Tabela 1 - Tratamentos, doses e época de aplicação de diferentes herbi- Tabela 2 - População de junquinho (Cyperus esculentus) e pé-de-galinha (Eleusine indica) aos 14 dias cidas pré-emergentes na cultura do algodão. Campo Verde (MT), 2015 após a aplicação de herbicidas pré-emergentes na cultura do algodão. Campo Verde (MT), 2015 Tratamento Descrição Dose (g e.a. ha-1)* Aplicação (D.A.S.)*** 1 Glyfosato (Testemunha) 1,188** 2 2 Diuron 0,800 2 3 Diuron + Trifluralina 0,800 + 1,200 2 4 Trifluralina 1,200 2 5 Clomazone 0,800 2 6 S-Metalacloro 0,966 12 *g e.a ha-1 (gramas do equivalente ácido). **Todos os tratamentos receberam a aplicação de glifosato na dosagem de 1.188 g e.a ha-1 como forma de dessecação. ***D.A.S. (dias após a semeadura).
TRATAMENTO 1)Glifosato 2) Diuron 3)Diuron + Trifluralina 4) Trifluralina 5) Clomazone 6) S-Metalacloro
Junquinho (NP/M2) * 0,50 B 0,00 A 0,00 A 0,00 A 0,00 A 0,00 A
Pé de galinha (NP/M2) * 2,25 A 1,00 A 9,25 A 0,50 A 0,25 A 5,75 A
*Número de plantas/m2
Tabela 3 - População de Erva de Santa Luzia (Commelina nudiflora) e Joá Tabela 4 - População média das plantas daninhas encontradas aos 42 DAE. Campo Verde Bravo (Solanum sisymbriifolium Lam.) aos 28 DAE. Campo Verde (MT), 2015 (MT), 2015 Tratamento 1) Glyfosato 2) Diuron 3) Diuron + Trifluralina 4) Trifluralina 5) Clomazone 6) S-metalacloro
Erva de Santa Luzia 0,50 B* 0,00 A 0,00 A 0,00 A 0,00 A 0,00 A
Joá Bravo 0,00 A 0,00 A 0,00 A 0,75 B 0,00 A 0,00 A
TRATAMENTOS Pé de galinha Junquinho Corda de viola 1) Glyfosato 7,75 A 0,25 A 0,25 A 2) Diuron 0,50 A 0,25 A 0,00 A 3) Diuron + Trifluralina 11,75 A 0,25 A 0,00 A 3) Trifluralina 2,00 A 0,00 A 0,75 A 4) Clomazone 19,50 A 0,00 A 0,00 A 6) S-Metalacloro 2,00 A 0,00 A 0,00 A
Caruru Apaga fogo Erva de Santa Luzia Trapoeraba 0,00 A 0,00 A 0,00 A 0,25 A 0,00 A 0,50 A 0,00 A 0,00 A 0,25 A 0,00 A 0,75 A 0,00 A 0,00 A 0,00 A 0,00 A 0,00 A 0,75 A 0,00 A 0,00 A 0,00 A 0,25 A 0,00 A 0,50 A 0,00 A
*Número de plantas/m2
tou controle eficiente sobre o joá-bravo. Nas seguintes avaliações não se diferenciou estatisticamente dos outros tratamentos, quando considerada a eficiência do controle, sendo encontrados números significativos indicando não haver redução satisfatória da população. Para diuron, diuron + trifluralina e S-metalocloro não foram encontrados resultados que se diferenciassem dos demais tratamentos em nenhuma das avaliações (14, 28 e 42 DAE). Além disso, na última avaliação, aos 42 DAE, foi possível constatar não haver diferença entre os tratamentos, indicando que o efeito residual dos pré-emergentes já havia se esgotado e se igualavam estatisticamente à testemunha. Segundo as avaliações de altura de plantas realizadas tanto aos 20 quanto aos 45 DAE, não foram encontradas diferenças nas médias de altura de plantas, constatando-se não haver efeito fitotóxico dos produtos testados que influenciassem na altura ou no desenvolvimento inicial da cultura do algodão.
Instrumento utilizado para a avaliação (1m²)
Tabela 5 - População média total de plantas daninhas aos 42 DAE. Campo Verde (MT), 2015 Tratamento 1) Glyfosato 2) Diuron 3) Diuron + Trifluralina 4) Trifluralina 5) Clomazone 6) S-metalacloro
Média total de plantas daninhas/m2 9,00A 2,00A 13,50 A 2,75 A 20,50 A 2,75 A
A partir dos dados estatísticos apresentados conclui-se que glifosato e trifluralina foram menos eficientes até os 28 DAE, deixando uma maior quantidade das plantas invasoras infestarem a área. Porém, no decorrer do experimento, aos 42 DAE, todos os tratamentos se igualaram mostrando que a partir daí nenhum dos tratamentos obteve eficiência no controle C de plantas invasoras.
Tabela 6 - Média de altura de plantas de algodoeiro aos 20 e 45 DAE. Campo Verde (MT), 2015 Tratamento
Altura de plantas aos 20 DAE (cm) 1) Glyfosato 11,50 A 2) Diuron 11,47 A 3) Diuron + Trifluralina 10,80 A 4) Trifluralina 12,62 A 5) Clomazone 11,02 A 6) S-metalacloro 11,17 A
Altura de plantas aos 45 DAE (cm) 40,05 A 40,05 A 37,65 A 38,05 A 38,45 A 41,40 A
Wellinton L. Figueredo, Vagner Zuconelli Mendez, Crislaine Cristina S. Martins, Maurício Claro Silva, Rita de Cássia S. Goussain e Charles Revson Araújo, Inst. Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de MT
ALGODÃO NO BRASIL
O
algodoeiro herbáceo (Gossypium hirsutum) é uma das principais culturas produtoras de fibra, sendo cultivados 35 milhões de hectares em todo o mundo (Abrapa, 2015). Segundo os levantamentos da Conab (2015), a área cultivada no Brasil na safra 2014/2015 foi de 1,017 milhão de hectares, com uma média de 1,7 milhão de toneladas de pluma produzida. O Brasil se coloca entre os cinco maiores produtores mundiais, sendo o primeiro em produtividade em algodão sequeiro, terceiro país maior
exportador e quinto maior consumidor (Abrapa, 2015). A região Centro-Oeste é a maior produtora de algodão do País, destacando o estado de Mato Grosso como maior produtor nacional. O estado da Bahia é o segundo maior produtor. Mato Grosso e Bahia concentram 85% da área plantada de algodão do País. Particularmente a cultura se desenvolve em regiões onde a agricultura já está consolidada e solos com alta fertilidade, o que acaba concentrando as regiões produtoras.
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COLUNA ANPII
Resgate vital Para que o Brasil possa manter sua liderança no mercado agrícola é indispensável que se incrementem os estudos sobre a microbiologia do solo e sua interação com as plantas
É
de conhecimento comum que a vida dos animais, inclusive os humanos, depende em larga escala dos bilhões de bactérias que existem no corpo, em especial no sistema digestivo. Os processos metabólicos passam pelo trabalho destes minúsculos seres abrigados pelo corpo humano. Quando há um desequilíbrio desta microflora, o corpo passa por distúrbios que podem ir desde mal-estar estomacal e intestinal até doenças mais sérias, incluindo baixa no sistema imunológico. Hoje se sabe que as plantas também dependem da microflora do solo para sua saúde. Desde o século 19 se conhece uma ampla microflora no solo, exercendo inúmeras funções na liberação de nutrientes para as plantas, bem como nos processos da matéria orgânica e na manutenção da fertilidade do solo. Entretanto, atualmente se sabe muito mais sobre o papel desta microflora, que vai muito além da simples reciclagem de nutrientes. Um sistema orgânico, profundamente interativo entre os microrganismos e entre estes e as plantas, demonstra que a microflora do solo é algo que vai muito além da convivência entre macro e microrganismos, em um mesmo ambiente. Cada vez se abrem mais conhecimentos sobre uma profunda interação entre plantas e microrganismos do solo. As plantas exsudam substâncias que favorecem a multiplicação das bactérias e estas, por sua vez, produzem outras substâncias que irão beneficiar as plantas. Mas não se trata de sistemas autônomos, em que cada ser produz algo que será utilizado pelo outro, mas sim de um sistema dinâmico, interativo, em que a planta pode selecionar os microrganismos para determinada situação e os microrganismos podem se deslocar para plantas que lhes forneçam determinados produtos. Há uma “inteligência” ainda não compreendida em seu todo por nós. Hoje se sabe que as plantas podem se-
lecionar um consórcio de microrganismos conforme sua necessidade, exsudando substâncias que favoreçam a multiplicação de fungos e bactérias conforme a condição ambiental. Assim, já se conhece que em situação de estresse hídrico são multiplicados microrganismos que irão produzir substâncias que permitirão à planta tolerar mais esta situação adversa. Em outras ocasiões, frente ao ataque de algum fungo patógeno, serão “acionados” microrganismos indutores de resistência, que permitirão à planta enfrentar melhor os microrganismos adversos. Assim, toda uma série de mecanismos interativos, uma verdadeira comunicação por canais ainda pouco conhecidos, permite esta associação entre plantas e microrganismos do solo. Desta forma, com os novos conhecimentos e com pesquisas que ora são desenvolvidas em todo o mundo, a microbiologia do solo volta a despertar um enorme interesse, abandonando-se
Está na hora de se incrementar o estudo de todo o arsenal de microrganismos existentes no solo, seja através de uma prospecção mais ampla da microflora, seja pelos consórcios existentes na rizosfera
o conceito, imperante durante muitos anos, de que o solo seria um simples suporte para as raízes e que a fertilidade deste solo seria recomposta apenas com fertilizantes químicos. Obviamente que nem de longe se poderia pensar em uma agricultura produtiva sem o uso destes fertilizantes. Entretanto, um resgate dos estudos da microbiologia do solo e sua interação com as plantas é o campo do futuro, com o objetivo de potencializar todo este arsenal que existe e que deve ser muito melhor explorado para aumentar a produtividade das principais culturas, não só mantendo, mas incrementado a fertilidade dos solos. A pesquisa brasileira tem obtido sucessos admiráveis no uso de microrganismos para a fixação biológica do nitrogênio, seja com o grupo dos rizóbios em leguminosas, e mais recentemente com o emprego de Azospirillum em gramíneas. Mas está na hora de se incrementar o estudo de todo o arsenal de microrganismos existentes no solo, seja através de uma prospecção mais ampla da microflora, seja pelos consórcios existentes na rizosfera, e, principalmente pela interação destes organismos com as plantas cultivadas. Mas, para isto, é indispensável que a microbiologia do solo mereça um ensino mais aprofundado nas faculdades de Agronomia. Em entrevistas com recém-graduados em Agronomia, quando se questiona quantas aulas tiveram sobre este tema, a resposta, em mais de 90% dos casos, é uma hora de aula. Quer dizer, nos cinco anos de curso, dedica-se apenas uma hora ao estudo de um dos fenômenos mais importantes da atividade agrícola. Isto deve mudar, assim como o número de estudos atualmente desenvolvidos em universidades e institutos de pesquisa. O Brasil, para manter sua liderança na produtividade agrícola, terá de incrementar os estudos nesta área, sem dúvida C alguma. Solon C. de Araujo, Consultor da ANPII
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COLUNA AGRONEGÓCIOS
U
As bactérias “do bem”
m dos segredos da sustentabilidade da agricultura é utilizar a Natureza a favor da humanidade, tirar proveito dos serviços ambientais, quase sempre gratuitos ou de custo muito baixo. A menção a bactérias provoca associação imediata com doenças das plantas, seus danos, prejuízos e custos. Mas, basta um pouco de reflexão para que seja possível distinguir as bactérias “do bem”, aquelas que aumentam a produtividade e diminuem o custo das lavouras. A fixação Biológica do Nitrogênio (FBN) sempre é tema de artigo do meu “vizinho” de página, Solon de Araujo, a quem peço vênia para ingressar em sua seara. Todos os produtores de soja e demais profissionais que trabalham na sua cadeia produtiva conhecem bem esse processo, a cargo de alguns microrganismos, que possuem a enzima nitrogenase funcional. É essa enzima que permite a fixação do nitrogênio atmosférico nas plantas. Todos sabem da importância do nitrogênio para a nutrição, crescimento e desenvolvimento das plantas. Sem ele não existiriam proteínas, uma das pilastras nutricionais dos organismos superiores. As bactérias do gênero Bradyrhizobium - ilustres representantes das bactérias “do bem” - são as mais conhecidas dos agricultores. Para ilustrar o benefício do serviço ambiental prestado por essas bactérias, refira-se que a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) permite a fixação de, aproximadamente, 258 milhões de toneladas de nitrogênio por ano, considerando-se todas as relações simbiontes plantas-bactérias, em escala mundial. Desse total, quase 25% é fixado em culturas agrícolas, de importância econômica. As plantas das famílias de leguminosas e fabáceas concentram os exemplos mais importantes, sendo os casos do feijoeiro e da soja os mais conhecidos. Os cálculos realizados pela Embrapa Soja mostram que, se o nitrogênio necessário para cultivar soja no Brasil fosse proveniente de fertilizantes, a cultura não teria o mesmo protagonismo no País. Considerando uma produtividade média de 50 sacos/hectare, seriam necessários 588 quilos de ureia/hectare, a um custo
que se aproxima de R$ 1.000,00/hectare, variável de acordo com a região do País. É possível estabelecer um contraste com o custo da inoculação com bactérias do gênero Bradyrhizobium, que é de R$ 8,00/hectare. Extrapolando-se para a totalidade da área plantada com soja, na última safra, o valor economizado seria superior a R$ 33 bilhões ou, ao câmbio de março de 2016, a 9,2 bilhões de dólares.
MAIS BACTÉRIAS “DO BEM”
Além daquelas utilizadas para inoculação de soja ou feijão existem outros exemplos de bactérias favoráveis. No gênero Azospirillum são encontradas bactérias denominadas “promotoras de crescimento vegetal”. Um exemplo é a Azospirillum brasilense, que pode diminuir os gastos com adubos nitrogenados na cultura do milho. Essa bactéria produz vários compostos com atividade hormonal, que estimulam o crescimento das plantas - principalmente do seu sistema radicular. Também promove a fixação biológica de nitrogênio, sem a presença de nódulos, pois são bactérias endofíticas Os compostos fitoquímicos produzidos pelas bactérias, ao promover o crescimento das raízes, permitem melhor absorção dos nutrientes do solo pelas plantas, redundando no aproveitamento mais eficiente da adubação química realizada na lavoura. Em tempos de mudanças climáticas, é importante ressaltar que o melhor enraizamento da planta, promovido pelas bactérias, aumenta a sua tolerância à seca, pela sua maior capacidade de absorção de água.
VALIDANDO A TECNOLOGIA
Para desenvolver as tecnologias envolvendo o uso da bactéria foram necessários muitos estudos. Depois de desenvolvida, a tecnologia foi testada pela Embrapa Soja, em Londrina (Paraná), pela Embrapa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas (Minas Gerais) e Goiânia (Goiás), e pela Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop (Mato Grosso). Para os testes, as sementes de milho foram inoculadas com uma formulação contendo o Azospirillum veiculado em turfa ou em formulação líquida.
Os resultados demonstram ser possível obter altos rendimentos no cultivo do milho, com redução de até 25% do fertilizante nitrogenado que, normalmente, é aplicado em cobertura. Nos experimentos, os pesquisadores obtiveram incremento médio de produtividade de até 30%, comparativamente ao milho não inoculado com a bactéria. Mesmo em plantios onde não há o emprego de alta tecnologia, como nas pequenas propriedades familiares, os experimentos mostraram resultados auspiciosos, resultando em produtividade superior a sete toneladas por hectare, utilizando apenas 30 quilos de nitrogênio por hectare.
OS BENEFÍCIOS
À semelhança do que ocorre com os conhecidos rizóbios, na cultura da soja, o Azospirillum possui a capacidade de capturar o nitrogênio da atmosfera, transformando-o em substâncias nitrogenadas, que podem ser utilizadas pelas plantas, substituindo o adubo químico nitrogenado. Para o Brasil, os ganhos econômicos são de duas ordens: ganha o produtor, que gasta menos, e ganha o país, que reduz sua dependência nas importações de adubos qu ímicos nitrogenados. Se a tecnologia for utilizada em larga escala, o Brasil pode poupar mais de R$ 6 bilhões por ano, pela redução na importação de adubos nitrogenados. O ambiente agradece às bactérias “do bem”, não apenas pelo menor risco de poluição devido ao lixiviamento do nitrogênio - que acaba por contaminar cursos de água - mas, também, por reduzir a demanda de produtos fósseis - petróleo e gás - seja na forma de insumos ou de energia usada na produção de fertilizantes nitrogenados. Ao final, menos poluição e menor emissão de gases de efeito estufa, mitigando as mudanças climáticas. Para terminar, um lembrete: a inoculação do milho com Azospirillum não substitui, integralmente, o fertilizante nitrogenado. Entretanto, permite reduzir consideravelmente a quantidade de nitrogênio aplicado na lavoura, o que é um ganho considerável para o produtor de milho, sempre preocupado com a relação entre produtividade, custo da lavoura e C margem de lucro. Decio Luiz Gazzoni
O autor é engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja
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COLUNA MERCADO AGRÍCOLA
Safra de verão caminha para o fechamento da colheita com números recordes A safra de verão do Brasil, com domínio da soja, caminha para o fechamento com recorde de colheita em função do aumento da área plantada. A soja deve ter fechado o plantio próximo de 35 milhões de hectares com produção de 98,5 milhões de toneladas e chances de passar de 99 milhões de toneladas se os números finais da safra do Rio Grande do Sul vierem dentro das expectativas. A colheita gaúcha pode superar os 16 milhões de toneladas de soja, em um ano de boas condições de chuvas no estado, fato que não ocorreu com o Norte e o Nordeste brasileiro, onde as lavouras sofreram no começo por falta de chuvas para plantar e durante o desenvolvimento com veranicos e calor extremo. Para o milho de verão o quadro é de queda forte na área e assim os números da colheita em andamento estão indefinidos. Mas pelo observado nos campos não deve ultrapassar 23 milhões de toneladas contra 30 milhões de toneladas colhidas no ano passado. Desta forma, o mercado começou o ano com o pé no acelerador e avançou para fevereiro e março também acelerado, com recorde de cotações internas e paralisia de novas exportações. Mesmo assim, já confirmando recorde de exportações no ano passado e também nos três primeiros meses do ano para produto previamente contratado. O somatório da produção de soja, acima de 98,5 milhões de toneladas, milho com 84 milhões de toneladas, arroz com 11 milhões de toneladas, trigo em torno de 5 milhões de toneladas e feijão próximo de 3 milhões de toneladas, faz com que o Brasil alcance produção de aproximadamente 201,5 milhões de toneladas. Se somados aos demais grãos, como sorgo, triticale, cevada e outros, o país chegará próximo de 205 milhões de toneladas, com recorde histórico de grãos. Em plena crise política e econômica o campo responde com recorde de colheita para garantir um grande volume de divisas para o Brasil. MILHO
Milho com recorde de cotações O mercado do milho registrou recorde de cotações em janeiro, com forte alta nos indicativos em período que normalmente é marcado por recuo. Depois passou por fevereiro com níveis firmes, resistindo ao apelo dos grandes compradores que apontavam para a safra que estaria chegando. Em março, em plena colheita, novamente há indicativos fortes e recordes para o período, porque de um lado existe safra menor e de outro as chuvas atrapalham a colheita. Há pouco grão sendo ofertado, indústrias desabastecidas e pegas de surpresa, pois acreditavam que o ano comercial teria em março estoques de passagem na faixa de 11 milhões de toneladas, conforme estimava a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Na realidade os estoques estão zerados e tudo o que sai dos campos está sendo bem valorizado, mantendo os indicativos em alta. Isso serviu para movimentar parte do setor, que estaria importando milho e mesmo assim as cotações seguiam firmes. Os produtores vão colher o produto, mas a oferta tende a ser limitada porque o consumo anda próximo de 6 milhões de toneladas mensais e existe pouco mais de 12 milhões de toneladas nos campos da primeira safra para serem colhidas. O ano sinaliza para ser ajustado e não sobrar milho para estoque de passagem novamente. SOJA
Colheita fechando e safra recorde
Os produtores estão fechando a colheita da soja e os números, mesmo com lavouras para serem colhidas no Sul, Norte e Nordeste, apontam para safra recorde. Com mais de 98,5 milhões de toneladas, há aproximadamente 60% negociados até o final de março e indicativos de que o restante deverá ser comercializado de maneira cautelosa pelos produtores, que esperam cotações maiores que os níveis praticados nestas últimas semanas. Os produtores apostam em problemas na safra americana para dar mais fôlego a Chicago, que conseguiu avançar na faixa de US$ 9,00. Também acreditam em cotações melhores do dólar, o que pode não ocorrer devido à forte presença do BC vendendo contratos de Swaps e limitando grandes avanços com objetivo de controlar a inflação. O fato é que a soja caminhará a passos lentos em negociações destes próximos meses e também haverá ritmo lento dos negócios com a Safra Nova, que até agora negociou pouco para as entregas de maio de 2017. Os números atuais não estimulam os vendedores aos fechamentos. Mas pode ocorrer estímulo de maio a junho com o plantio americano. O quadro atual já é bem melhor que o de fevereiro e janeiro em Chicago. Assim, reportes via insumos deverão fluir nas próximas semanas.
com mais demanda que oferta. Assim, os níveis dos preços praticados seguiam fortes e não devem mudar muito o quadro nos próximos meses, porque estamos num ano que teremos crescimento da demanda e safra comprometida pelo clima desde o início e pouco avanço na produção da segunda e terceira safras que não devem crescer muito porque o milho também anda com valores atrativos e assim não houve uma corrida para o feijão. Desta forma, o apelo é de manter indicativos do Carioca na base dos R$ 180,00 acima pelo produto que chegar nas próximas semanas e alguns momentos podendo puxar bem mais, como já tivemos de R$ 250,00, mas daí para frente começa enroscar nas gôndolas e limita o movimento, mas tem fôlego positivo para o ano. ARROZ
Com safra chegando atrasada
A safra brasileira do arroz, que tem a maior parte colhida no Rio Grande do Sul, registra atraso. Mais da metade da safra estará sendo colhida em abril e desta forma o mercado, que se mantinha calmo, será pressionado neste mês, com indicativos que devem girar entre R$ 36,00 e R$ 39,00 a saca de 60 quilos, para os produtores gaúchos. Depois da colheita, a cotação tende a navegar novamente para cima, porque o produto importado não chega ao mercado nacional FEIJÃO com valores abaixo de R$ 45,00 a saca. No segundo semestre Segue com mais demanda que oferta mais pressão de alta deve ocorrer em cima da forte demanda O mercado do feijão começou o ano com o pé no e desta forma apelo para equilibrar e até ultrapassar o valor acelerador, mostrou alguns momentos de oferta e segue pago pelo importado.
CURTAS E BOAS TRIGO - O mercado deste ano dá sinais positivos aos produtores brasileiros, porque se tudo correr dentro do ideal a safra não passará de 7 milhões de toneladas. Em anos de crise, os alimentos básicos têm aumento no consumo e desta forma o Brasil vai para a faixa de 11,5 milhões de toneladas a 12 milhões de toneladas consumidas. Com isso o país terá de importar no mínimo 5 milhões de toneladas que chegarão ao mercado brasileiro com valores acima dos R$ 1.100,00 por tonelada. Isso levando em consideração o câmbio na faixa dos R$ 3,60 e espaço para ir além deste nível. Cenário favorável aos produtores que estão plantando ou se preparam para plantar a nova safra. Outro fator positivo reside no fato de que não há previsão de El Niño e assim as tempestades e chuvas em excesso de inverno não mostram sinais de que deverão ocorrer como se deu no ano passado. Assim, uma boa safra pode vir e encontrará mercado rentável aos produtores. CHINA - As compras de soja começam a ganhar forças vindas das empresas chinesas, que nos primeiros dois meses deste ano tinham levado 10,2 milhões de toneladas e devem chegar à marca acima de 18 milhões de toneladas no acumulado do trimestre. A partir de abril tendem a ganhar ainda mais fôlego, quando começarão a chegar a este destino centenas de navios de soja do Brasil que já estavam em forte atividade em março e que descarregarão em abril. As projeções locais para as importações deste ano são de 85 milhões de toneladas a 86 milhões de toneladas.
O fechamento do ano passado tinha sido de 81,7 milhões de toneladas. O USDA melhorou o número deste ano para 82 milhões de toneladas, mas ainda se trata de estimativa conservadora. ARGENTINA - Os produtores colhem a safra de milho e soja, que neste ano terá a maior parte concentrada entre abril e maio porque houve atraso no plantio. Os produtores apostam no armazenamento para o segundo semestre e em cotações maiores à frente. Com isso ocorre uma corrida por Silos Bolsas para segurar boa parte da colheita. Desta forma, não se espera por grande apelo em vendas nestas próximas semanas. Com a safra ainda com riscos devido ao clima (fase de chuvas abaixo das necessidades), os resultados podem ser de 58 milhões de toneladas de soja e também abaixo de 25 milhões de toneladas de milho. EUA - Os produtores, em abril, começam os primeiros plantios da safra local com o milho. Pelo que se observa nos campos há leve avanço no plantio do cereal e queda pequena em soja. Há indícios de diminuição da tecnologia empregada e temor de que o clima poderá não ser tão favorável como foi nos últimos quatro anos, devido à transição de El Niño para La Niña. Desta forma, a safra vai começar com grandes incertezas e pode trazer apelo positivo para as cotações em Chicago, porque nota-se maior movimento das exportações americanas em relação a fevereiro e março. Cenário C que também pode servir de argumento positivo para a Bolsa.
Vlamir Brandalizze brandalizze@uol.com.br
42 Abril 2016 • www.revistacultivar.com.br