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Cultivar%20224[1]

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Editorial

Índice

M

ais um ano se passou em ritmo acelerado e novamente chega o momento de apresentar nossa Edição Especial, com material inédito e a seleção de parte dos melhores artigos publicados ao longo de 2017. Foi um período intenso. Em meio a novos sobressaltos na esfera política, desafios fitossanitários e dificuldades com o clima, o produtor brasileiro conseguiu manter o equilíbrio do agronegócio com a maturidade e a maestria de quem já está acostumado a superar múltiplos obstáculos para produzir. A safra de grãos, plantada com atraso por conta de dificuldades com o clima, aumenta os riscos e a necessidade de gerenciamento. Pragas e doenças mais agressivas continuam a exigir melhor manejo. Em 2017 o aumento da incidência da cigarrinha Dalbulus maidis assustou os produtores de milho. Em soja, a sempre temida ferrugem-asiática voltou a mostrar seu enorme potencial de seleção de resistência, capaz de ameaçar as já escassas opções de controle. São apenas exemplos dos muitos desafios fitossanitários que sempre rondam as lavouras brasileiras. Entre as novidades apresentadas pelo Grupo Cultivar em 2017 merece destaque o Anuário de Tratores brasileiro, produzido por Cultivar Máquinas com apoio técnico do Núcleo de Ensaios de Máquinas Agrícolas (Nema) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A iniciativa, inédita no Brasil, tem o objetivo de ajudar a suprir uma lacuna de informação sobre modelos, potência e outros detalhes técnicos de máquinas disponíveis no País. Em 2018 o produtor precisará continuar atento ao mercado para vender em momentos mais favoráveis e gerenciar seu negócio de modo competitivo, com racionalidade e eficiência. A eleição presidencial e a definição das políticas que nortearão o Brasil sempre geram máxima expectativa. Mas, incertezas à parte, o setor é sólido, indispensável e a demanda mundial por alimentos e energia permanece crescente, o que aponta para a manutenção da lucratividade no setor. Como sempre, o Grupo Cultivar se manterá vigilante no esforço por fornecer informação técnica qualificada, atualizada e útil para subsidiar você, caro leitor! Agradecemos pela companhia em mais este ano! Ótima leitura, boas festas e excelente 2018!

Cultivar Grandes Culturas • Ano XIX • Nº 224 Janeiro 2018 • ISSN - 1516-358X

Grupo Cultivar de Publicações Ltda. CNPJ : 02783227/0001-86 Insc. Est. 093/0309480 Rua Sete de Novembro, 160, sala 702 Pelotas – RS • 96015-300 Diretor Newton Peter www.grupocultivar.com cultivar@grupocultivar.com Assinatura anual (11 edições*): R$ 269,90 (*10 edições mensais + 1 edição conjunta em Dez/Jan)

Números atrasados: R$ 22,00 Assinatura Internacional: US$ 150,00 Euros 130,00 Nossos Telefones: (53) • Geral 3028.2000 • Comercial: • Assinaturas: 3028.2065 3028.2070 3028.2066 • Redação: 3028.2067 3028.2060

Por falta de espaço não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@grupocultivar.com Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.

Como se movem os fungicidas

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Desafios da ferrugem asiática

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Adama lança nematicida

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Como preservar os fungicidas

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Lançada a LP Sementes

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Manejo correto de percevejos

26

Sementes certificadas em arroz

32

Monitoramento do mofo branco

36

Cigarrinha Dalbulus maidis em milho

40

Fungicidas e produtividade em milho

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Migdolus fryanus em cana

48

Patógenos transmitidos por sementes

52

Eventos - Na Mesa com a Monsanto

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Expediente Fundadores: Milton Sousa Guerra e Newton Peter

REDAÇÃO • Editor Gilvan Dutra Quevedo

• Vendas Sedeli Feijó Rithieli Barcelos José Luis Alves

• Redação Rocheli Wachholz Karine Gobbi • Design Gráfico e Diagramação Cristiano Ceia • Revisão Aline Partzsch de Almeida COMERCIAL • Coordenação Charles Ricardo Echer

CIRCULAÇÃO • Coordenação Simone Lopes • Assinaturas Natália Rodrigues Clarissa Cardoso • Expedição Edson Krause

GRÁFICA: Kunde Indústrias Gráficas Ltda.


Cultivar

Fungicidas

Como se movem Conhecer as características físico-químicas dos fungicidas e sua penetração em tecidos foliares é fundamental para obter melhor eficácia e prevenir perdas no campo. Seja qual for a classificação, não se pode perder de vista que sua movimentação a longas distâncias na planta é limitada. Fator que demanda muita atenção à tecnologia de aplicação porque se o produto atingir somente as folhas de cima jamais chegará às do baixeiro

A

penetração de substâncias nas folhas é um processo passivo impulsionado por gradientes de concentração. De acordo com a lei de Fick, o gradiente de concentração é a força motriz para a

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difusão. As taxas de penetração por difusão de qualquer solução aplicada externamente sobre a superfície da folha dependem tanto da sua concentração na superfície como da concentração no interior da folha.

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A concentração de uma determinada solução no interior da folha depende da natureza do composto e de fatores fisiológicos das plantas, tais como a mobilidade e a taxa de penetração na epiderme e nas células


do mesofilo (Grignon et al, 1999; Ewert et al, 2000). A concentraçãodo produto dentro do tecido foliar, logo abaixo da gota, é supostamente muito menor, especialmente na chegada da gota. Portanto, pode-se dizer que as taxas de difusão para o interior da folha são principalmente governadas pela concentração externa dos solutos (Figura 1). A difusão foliar é determinada por muitas características inerentes aos ingredientes ativos e à sua formulação, como a interação planta-ambiente, o que acabará por ter uma influência direta em fatores como morfologia da folha, estrutura, posição, exposição ao sol e taxa de processos fisiológicos na planta. Ao entrar em contato com a planta, a primeira barreira que o produto químico encontra é a cutícula, uma fina película superficial composta de lipídios solúveis e poliméricos (Jeffree, 1996). A função mais importante da cutícula é a proteção dos tecidos vivos das plantas contra a perda de água (Schönherr, 1982), mas constitui-se também em uma barreira para a penetração de produtos químicos aplicados via foliar. O movimento de agroquímicos através das cutículas das plantas tem sido extensivamente modelado e revisado (Briggs; Bromilow, 1994; Wang; Liu, 2007; Satchivi et

Figura 1 - Taxas de difusão para o interior das plantas

al, 2006) e é consideravelmente mais complexo do que o movimento previsto por simples leis de transferência de massa (Riederer; Friedmann, 2006). Os adjuvantes, tipo de formulação, relações de ingrediente ativo (IA) para adjuvante e a concentração do IA na pulverização de gotículas estão entre os muitos parâmetros de aplicação que influenciam a absorção foliar (Zabkiewicz, 2007; Stock, 1996; Forster et al, 2006; Stock et al, 1993). Entre as propriedades físicas dos IA que influenciam a absorção foliar, a

Figura 2 - Fungicidas que permanecem na superfície da planta

partição octanol-água (logKow) é frequentemente considerada o parâmetro fundamental para a penetração através da cutícula e redistribuição na planta (Wang; Liu, 2007; Kirkwood, 1999). De fato, Bromilow e Chamberlain (1989) afirmaram que a sistemicidade de compostos pode ser prevista por lipofilicidade e que compostos com valores LogKow maiores que 3 deixam de se mover nas plantas. O volume molar (VM) também tem sido considerado um preditor-chave do movimento dos compostos através

Figura 3 -Substâncias que absorvidas pelas raízes e folhas são translocadas via xilema ou floema

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da membrana cuticular (Satchivi et al, 2006; Schönherr; Baur, 2004). Briggs e Bromilow (1994) consideram que o ponto de fusão (PF) pode ser uma propriedade-chave para controlar a solubilização de um composto na superfície foliar, sendo o primeiro passo para a penetração e redistribuição na planta. Sauter (2007) também propôs que o PF é um parâmetro importante, sendo que o baixo PF impulsiona uma forte atividade translaminar de piraclostrobina, afetando positivamente o espectro de atividade desse produto, a segurança das culturas e melhorias de rendimento.

Os fungicidas podem ser classificados quanto à mobilidade na planta, a partir da permanência na superfície da planta após a deposição, ou da absorção e translocação pelo sistema condutor para locais distantes da deposição. Dessa forma, os fungicidas podem ser classificados como: (I) Tópicos ou imóveis: são fungicidas que ao serem aplicados nos órgãos aéreos não são absorvidos nem translocados, permanecendo na superfície da planta (do grego topykos = lugar), no local onde foram depositados (Figura 2). Também são chamados de não sistêmicos. Exemplo: fungicidas multissítios (Tabela 1).

Tabela 1 - Classificação, modo de ação e mobilidade dos fungicidas Cód. do grupo 1 2

Classe do fungicida benzimidazol ou MBC dicarboximida

Nome comum tiofanato metílico iprodiona

3

inibidores da desmetilação (DMIs) - triazóis

triflumizol triforina miclobutanil tebuconazol

1

2

Modo de ação do fungicida inibe a formação de tubulina na mitose, amplo espectro NADH citocromo c redutase em peroxidação lipídica Peroxidação (proposto), espectro amplo inibidor da biossíntese de esteróis, espectro amplo

Mobilidade móvel no xilema penetração localizada/translaminar móvel no xilema

bannermaxxpropiconazol

4 7

fenilamida (PA) carboxamidas

9 11

anilinopirimidina inibidores da quinona externa (QoIs) - estrobilurina

12 14

fenilpirrole hidrocarbonetos aromáticos

17 18 19 21 (P)3

hidroxianilina antibióticostreptomyces "polyoxin" Indutores de defesa em plantas hospedei-ras, resistência sistêmica adquirida (SAR)

M (33)

atividade multissítio fosfonato

40 M

ácidocinâmico atividade multissítio inorgânicos

M

atividade multissítio ditiocarbamatos

M M M (29) U (27) U (28)

atividademultissítio "chloroalkythios"

atividademultissítiocloronitrilo atividademultissítiofenilpiridinamina cianoacetamidaoxima desconhecido carbamato desconhecido

bayleton epoxiconazol metconazol protioconazol mefenoxam flutolanil boscalida ciprodinil kresoxim-metil

translaminar4/móvel no xilema4

inibe a síntese de RNA, ativa em oomicetos inibe a respiração (MET2, succinatodesidrogenase), ativa em basidiomicetos

móvel no xilema localmente sistêmico

biossíntese de metionina e enzimas hidrolítica, ativa em Botrytis, Monilinia, Venturia localmente sistêmico inibe a respiração, amplo espectro localmente sistêmico/ translaminar

azoxistrobina móvel no xilema trifloxistrobina localmente sistêmico/ translaminar picoxistrobina móvel no xilema4/ translaminar4 piraclostrobina localmente sistêmico4/ translaminar4 fludioxonil disruptura da integridade da membrana, amplo espectro imóvel quintozeno pensado em agir sobre os lipídios, ativo em basidiomicetos e alguns ascomicetos imóvel dicloran atua sobre Botrytis, Monilinia, Rhizopuse Sclerotinia etridiazol controle curativo e preventivo de doenças transmitidas através do solo, especialmente oomicetos fenhexamida inibidor da biossíntese de esteróis, Botrytis, Monilinia, Sclerotinia localmente sistêmico estreptomicina bactericida, sítio-específico móvel no xilema "polyoxin D" sítio-específico, inibe a síntese da quitina, atua em alguns fungos móvel no xilema acibenzolar-S-metílico ativa a Resistência Sistêmica Adquirida (SAR) de plantas, amplo espectro sistêmico - xilema/ floema harpina induz uma resposta hipersensível em plantas, amplo espectro fosetil-alumínio inibe a fosforilação oxidativa em oomicetos Amfimóvel - sistêmico verdadeiro ácido fosfórico dimetomorfe pensado em atuar na síntese da parede celular em certos oomicetos penetração localizada/ translaminar cobre interrompe a função das enzimas e sistema de transporte de energia, integridade das membranas imóvel enxofre inibe o movimento de elétrons, assim interfere com a respiração celular mancozebe, manebe, Reagem com proteínas dos grupos SH, amplo espectro imóvel dietilditiocarbamato captan Combina com tióis (grupos SH), amplo espectro imóvel clorotalonil Atua na respiração fúngica via tiol, amplo espectro imóvel fluazinam Desacopla a fosforilação oxidativa, amplo espectro localmente sistêmico cimoxanil Residual curto, atua em oomicetos localmente sistêmico propamocarbe Ativo em oomicetos móvel no xilema

1 Código Frac listado entre parênteses sob o código do Grupo EPA quando os códigos diferem. Nenhum dos dois sistemas inclui biofungicidas. 2 Por questões de consistência, códigos de grupo e classes de fungicidas são aqueles usados pelo Comitê de Ação à Resistência de Fungicidas (Frac) e pela Agência de Programas de Pesticidas da EPA. Este programa faz parte do sistema de classificação de pesticidas desenvolvido para auxiliar os produtores na gestão da resistência. 3 Embora descritos similarmente, os modos de ação são diferentes. 4 Sugerido por Goertz, A. (2012)

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Figura 4 - Fungicidas mesostêmicos consistem na união dos conceitos de sistemicidade translaminar e episistemicidade

(II) Sistêmicos ou móveis: substâncias que ao serem absorvidas pelas raízes e folhas são translocadas pelo sistema condutor da planta via xilema (grande maioria) ou floema (Figura 3). Uma vez no interior da planta, estes fungicidas conferem uma ação protetora prolongada. Não ficam expostos à lixiviação pela chuva e à fotodecomposição e, portanto, não requerem aplicações tão frequentes. Os fungicidas sistêmicos aplicados nas sementes não são absorvidos nem translocados, pois as sementes não apresentam sistema condutor. Dessa forma, os fungicidas permanecem na superfície, sendo somente absorvidos via solo (pela radícula) e translocados (via xilema) para os órgãos aéreos da plântula quando ocorre a germinação. Exemplo: triazóis, algumas estrobilurinas e carboxamidas (Tabela 1). (III) Mesostêmicos: fungicidas mesostêmicos consistem na união de dois conceitos: sistemicidade translaminar e episistemicidade. A ação translaminar ocorre quando o fungicida é aplicado na superfície adaxial da folha (em cima) e é translocado para a superfície abaxial (embaixo). Fungicida episistêmico apresenta distribuição nas camadas

de cera das folhas através de sua fase de vapor. Se a pressão de vapor da substância é suficientemente alta, a migração pode começar a partir da deposição na superfície da folha e transporte na forma de vapor. Os fungicidas mesostêmicos apresentam características lipofílicas, cujos depósitos aderem fortemente à camada de cera cuticular. Por isso, apresentam elevada resistência à remoção pela água da chuva ou irrigação. Os principais exemplos são: estrobilurinas e carboxamidas (Tabela 1). Existe ainda na literatura uma terminologia chamada de Sistêmico verdadeiro ou Amfimóvel (do grego amphi = ao redor). Essa terminologia é definida como a capacidade do fungicida se movimentar tanto pelo xilema como pelo floema, atingindo todas as partes da planta, independentemente do local em que foi depositado. Não são conhecidos exemplos de fungicidas de grandes culturas com esta característica. O único exemplo prático é o fosetil-alumínio, ingrediente ativo do grupo químico dos etilfosfonatos, recomendado para a maioria dos cromistas (oomicetos) em frutas e hortaliças. O conhecimento das características físico-químicas do fungicida a ser trabalhado é fundamental para melhoraria da eficácia e redução das

Figura 5 - Capacidade do fungicida se movimentar tanto pelo xilema como pelo floema, atingindo todas as partes da planta

perdas no campo. Um exemplo são os fungicidas multissítios, que são imóveis e demandam boa cobertura de gotas por unidade de folha e, por conseguinte, são muito suscetíveis à lavagem pela chuva. Do outro lado, os fungicidas que penetram no tecido e possuem vantagens inversamente proporcionais ao citado anteriormente. No entanto, é importante frisar que a movimentação a longas distâncias na planta de qualquer fungicida é limitada. Por isso, não deve ser dispensada uma atenção significativa à tecnologia de aplicação, visto que se o produto atingir somente as folhas de cima da planta, jamais chegará nas folhas C do baixeiro.

Marlon Tagliapietra Stefanello, Leandro Nascimento Marques, Marcelo Gripa Madalosso e Ricardo Silveiro Balardin, UFSM/Instituto Phytus

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Soja

D

Sem cessar

De modo contínuo e agressivo a ferrugemasiática segue a tirar o sossego da cadeia produtiva da soja. Cenário que reforça a necessidade de rígida obediência ao vazio sanitário, monitoramento e atenção redobrada aos preceitos técnicos de manejo integrado da doença e uso de estratégias focadas em diminuir a pressão de seleção de resistência de modo a preservar e aumentar a longevidade das ferramentas disponíveis para o controle químico genéricos, dominou o mercado de fungicidas em soja. O excesso de aplicações, associado à redução de doses e às aplicações erradicativas, aumentou a pressão de seleção e, na safra 2006/07, verificou-se nos experimentos conduzidos em Rio Verde, Goiás, redução drástica na eficiência dos fungicidas pertencentes a esse grupo químico (Fitopatologia Brasileira, 2008 - Suplemento). Nos resultados obtidos pelo pesquisador Luís Henrique Carregal constatou-se que os produtos que apresentaram maior queda de eficácia nesses experimentos foram flutriafol, tebuconaLuis Carregal

esde a safra 2001/02 o fungo causador da ferrugem-asiática causa perdas na produção da soja brasileira. Até a implementação do vazio sanitário as perdas eram enormes e vários agricultores amargavam prejuízos substanciais. Inicialmente as dificuldades estavam relacionadas à identificação da doença a campo, à falta de informações e à incredulidade dos agricultores. À medida que os pesquisadores de diferentes instituições começaram as pesquisas e, principalmente, a divulgar as informações em palestras e dias de campo, o agricultor foi conhecendo melhor o problema. Com a construção desse conhecimento, foi possível minimizar as perdas. Após a implantação do vazio sanitário, os problemas com a doença também foram reduzidos. Boa parte da sociedade rural passou, então, a menosprezar a importância da ferrugem-asiática. O uso de triazóis isolados, em virtude de alta eficiência, menor preço e presença de

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Embrapa Soja

zol e ciproconazol, respectivamente. Nesta mesma safra, o flutriafol também apresentou queda de eficácia no Mato Grosso, embora tenha sido atribuída a problemas de formulação. Na safra 2007/08, a mesma falha de controle para tebuconazol e ciproconazol foi verificada no Mato Grosso por outras instituições de pesquisa, como a Agrodinâmica (Valtemir José Carlin) e Fundação MT (Fabiano Siqueri). Daí em diante, o Consórcio Antiferrugem (CAF), coordenado por pesquisadores da Embrapa Soja (Cláudia Godoy), ganhou forças e auxiliou sobremaneira na divulgação de resultados na forma de alertas aos agricultores, por meio do site do CAF (www.consorcioantiferrugem.net). Com a menor eficácia comprovada dos triazóis, os agricultores passaram a utilizar preferencialmente as misturas com estrobilurinas e triazóis para o controle da doença. Além desses fungicidas, algumas empresas passaram a recomendar o uso de estrobilurinas isoladamente em aplicações antecipadas (vegetativo). Desta vez, a pressão de seleção passou a ser sobre as estrobilurinas, uma vez que o outro grupo químico constituinte da mistura já estava com problemas de eficácia (triazóis). Não demorou muito e os problemas de redução de eficácia também foram detectados para as misturas contendo estrobilurinas. Para os pesquisadores da Agro Carregal Pesquisa e Proteção de Plantas, da Agrodinâmica e alguns outros profissionais da região Central, os problemas iniciais foram verificados durante a safra 2011/12, quando os resultados indicavam redução drástica de eficácia das misturas mais utilizadas a campo (piraclostrobina + epoxiconazol e azoxistrobina + ciproconazol). As pesquisas continuaram e, durante a safra 2013/14, comprovaram-se mudanças significativas na sensibilidade in vitro de Phakopsora pachyrhizi às estrobilurinas (Carregal, 2014 – trabalho apresentado junto ao Eagle Team em Campinas, SP; Wegner, 2014 – monografia apresentada junto à UniRV, sob

Desde a safra 2001/02 a ferrugem asiática tem causado perdas na produção da soja brasileira

orientação de Luís H. Carregal). Em novembro de 2014 a empresa DuPont relatou junto aos pesquisadores do Expert Team a detecção da mutação F129L em Phakopsora pachyrhizi, que confere menor sensibilidade do fungo a esse grupo de fungicidas (Klosowski et al, 2015). Os resultados dos ensaios cooperativos, apesar de trabalharem com uma média nacional, também apontavam, desde 2011/12, reduções de eficácia no controle dessa doença (Godoy et al, 2012).

E AGORA, JÁ É A HORA DAS CARBOXAMIDAS?

Algumas áreas comerciais no Mato Grosso do Sul apresentaram alta severidade de ferrugem-asiática na safra 2016/17. Nessas áreas tinham sido realizadas aplicações de fungicidas, até então, altamente eficazes no controle da doença contendo carboxamida + estrobilurina. Os problemas foram também relatados em outros municípios do Mato Grosso do Sul e no Paraná. Entretanto, nem toda falha de controle a campo deve ser precipitadamente encarada como resistência. A eficácia de um fungicida depende do momento de aplicação, dose aplicada, tecnologia de aplicação, núme-

ro e intervalo entre as aplicações, tipo de fungicida, perda de aplicações por chuva etc. Caso não seja identificado nenhum desses fatores e o controle proporcionado esteja abaixo do esperado, a causa pode ser a resistência do fungo, devendo ser confirmada por meio de bioensaios e análises moleculares de mudanças do sítio de ação do fungicida no fungo. A utilização de misturas de dois ingredientes ativos com diferentes modos de ação constitui-se uma estratégia antirresistência. No entanto, para ser efetiva, ambos os componentes da mistura devem ter eficiência, isolados para controle do alvo, o que não ocorre com as misturas atuais contendo carboxamidas. Desta forma, desde o seu lançamento em 2013, esse grupo está sob forte pressão de seleção. A redução de eficácia relatada no Mato Grosso do Sul e Paraná já vem sendo relatada no Paraguai desde 2016. Nos ensaios em rede, redução de eficiência vem sendo observada para as misturas comerciais de carboxamida e estrobilurina desde a primeira safra de teste (2012/13). No dia 8 de março de 2017, O Frac (Fungicide Resistance Action Committee) compartilhou com a sociedade científica resultados parciais do monitoramento de fungicidas re-

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Instituto Phytus

será realizado pelas companhias detentoras das moléculas ou verificadas a campo nas próximas safras. Há pouca informação até o momento, mas acredita-se que a resistência seja cruzada e que haja diferenças na sensibilidade do fungo a cada princípio ativo, assim como ocorre para a mutação F129L para as estrobilurinas.

RESISTÊNCIA DE FUNGOS A FUNGICIDAS

alizados no Brasil para esse grupo, relatando que em áreas com histórico de uso intensivo de carboxamidas e em condições de alta pressão de doença foram detectados casos de redução de eficiência desses fungicidas. Também foi detectada já na safra 2015/16 a presença uma mutação na subunidade C na posição I86F no fungo P. pachyrhizi. No entanto, é importante salientar que não houve reclamações na maioria das áreas comerciais dos diferentes estados brasileiros. Nas áreas experimentais da Agro Carregal Pesquisa e Proteção de Plantas, durante a safra 2016/17, não houve alterações de eficácia dos fungicidas contendo carboxamidas e estrobilurinas. Nos mais diferentes experimentos, fungicidas desse grupo químico permanecem como os mais eficientes. É importante salientar que nesses experimentos houve a redução acentuada de eficiência das misturas tradicionais já comercializadas há mais tempo. Nas áreas experimentais da Agrodinâmica em Deciolândia e Campo Novo do Parecis, observou-se redução drástica na eficiência de carboxamidas + estrobilurinas e também de triazóis + estrobilurinas, inclusive dos produtos mais recentes lançados no mercado. Esta constatação foi apresentada na 8ª Jornada Técnica, onde muitos participantes puderam verificar isso in loco. Estes dados corroboram os de outros pesquisadores em áreas de Mato Grosso e também em áreas comerciais de plantios tardios (principalmente em novembro), os quais apresentaram alta severidade da ferrugem-asiática e drástica redução na produtividade. Desta forma, acredita-se que os isolados mutantes para resistência às carboxamidas não estejam amplamente disseminados, o que confere a possibilidade de adoção de medidas que minimizem o risco. Como os pesquisadores de instituições públicas e privadas não têm acesso às carboxamidas isoladas (não são comercializadas isoladamente), o monitoramento da dispersão de isolados resistentes

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Fotos Divulgação

Até a implementação do vazio sanitário as perdas eram enormes e os produtores amargavam grandes prejuízos

Mas, afinal, o que é a resistência de fungos a fungicidas? Como e por que ocorre? A resistência pode ser evitada ou, pelo menos, atrasada? Uma mesma espécie de fungo poderia ficar resistente a diferentes grupos químicos? A resistência de fungos a fungicidas é um fenômeno estável e hereditário, podendo ser verificada a campo pela redução parcial ou total no controle proporcionado por determinado produto ou grupo químico. Essa redução pode ocorrer de forma abrupta de uma hora para outra (resistência qualitativa) ou acontecer de forma constante e gradativa (resistência quantitativa). Os fatores que estão relacionados à resistência dependem das características de cada espécie de fungo (exemplo: variabilidade genética), do fungicida (exemplo: sítio de ação) e da forma como o fungicida é recomendado e utilizado (exemplo: momento de aplicação, dose etc). Mesmo em fungos onde a produção de esporos ocorre de forma assexuada existe variabilidade genética, principalmente por um processo natural e aleatório denominado mutação. A taxa de mutação (número de indivíduos mutantes formados) é de 106, ou seja, a cada um milhão de esporos, um é geneticamente diferente. Normalmente as mutações são deletérias, ou seja, ruins para os fungos, que acabam morrendo. Entretanto, nas espécies que produzem muitos esporos ou que apresentem maior frequência

Carregal e Carlin alertam para os cuidados necessários no manejo sustentável da doença


algumas análises devem ser realizadas de forma imparcial, onde serão considerados: agricultor, recomendantes, pesquisadores e empresas de defensivos. Agricultores: parte dos agricultores, na ânsia de reduzir os custos de produção, normalmente não segue todas as recomendações técnicas, utilizando doses abaixo das recomendadas, aplicando de forma curativa/ erradicativa, com baixos volumes de calda sem a adequada tecnologia de aplicação ou, até mesmo, não obedecendo aos intervalos entre as aplicações. Além disso, os órgãos que representamos agricultores precisam tomar suas decisões atendendo aos interesses da coletividade e baseados em aspectos técnicos (amparados por profissionais e entidades habilitadas), quando tratarem de temas como as alterações no vazio sanitário e cultivo da soja safrinha. Soja safrinha na atual conjuntura (com resistência múltipla do fungo causador da ferrugem-asiática e sem resistência genética) é um crime contra os próprios agricultores e a economia do país. Recomendantes: infelizmente a

assistência técnica no Brasil é precária, estando muitas vezes nas mãos das revendas de defensivos, cooperativas (que em muitos casos são como as revendas, com a diferença de serem multimarcas) e consultores particulares. Como em qualquer atividade, existem bons e maus profissionais. O mais importante seria que todo e qualquer profissional que difunde a informação ao agricultor, a fizesse de forma séria e transparente, onde o lado comercial não se sobreponha ao técnico. Dentre os principais equívocos recomendados a campo, verificam-se: redução na dose do fungicida (sistêmico ou de contato - multissítios), retirada total ou parcial do adjuvante recomendado (que é essencial para eficácia de estrobilurinas e carboxamidas); troca de adjuvante; mistura de tanque com dois fungicidas, sendo ambos em subdoses etc. Pesquisadores: o papel da pesquisa é primordial para desenvolver soluções a curto, médio e longo prazo, mas, como tudo que ocorre no Brasil, está havendo uma banalização da pesquisa. Profissionais que não têm

Carolina Deuner

de mutação (número de indivíduos mutantes que permanecem na população), existe maior probabilidade da ocorrência de resistência. É importante salientar que os fungicidas não induzem a mutação. Trabalham como selecionadores dos indivíduos que naturalmente são resistentes e estão em menor frequência na população. É em virtude disso que produtos com sítio de ação específico (só matam o fungo em um determinado ponto) devem ter recomendação controlada, assim como ocorre na saúde humana com os antibióticos. Quanto mais exposto for o produto, dependendo do sítio de ação, maior será a probabilidade da seleção de indivíduos resistentes. É importante salientar que pode haver variações entre os grupos químicos, sendo diferente o risco para cada um deles e, dentro de um mesmo grupo químico, pode haver diferença na magnitude da resistência entre os produtos. O tempo tem indicado que a forma como os fungicidas são utilizados a campo é o que mais tem interferido nos problemas de resistência. O objetivo não é indicar culpados, mas

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essa formação ou sequer experiência nessa atividade estão solicitando credenciamento de suas estações de pesquisa por todo Brasil, gerando resultados inconsistentes. Informações seguras e com histórico são imprescindíveis para direcionar o manejo da resistência de forma correta. Empresas de defensivos: embora possuam área técnica capacitada, muitas vezes as decisões dos posicionamentos não são exclusivamente técnicas, no que diz respeito a doses, intervalos de aplicação e, até mesmo, número de aplicações a serem realizadas. O posicionamento meramente comercial prioriza o portfólio da empresa, que muitas vezes não possui opções para um sistema

de rotação ideal como estratégia antirresistência. Os programas acabam determinados pelo “marketing” que enfatizam principalmente a lucratividade máxima a ser obtida. Erros recorrentes ocorrem quando as empresas oferecem aos clientes Pacotes (normalmente chamados de Soluções) sem que haja rotação de grupos químicos e quando apenas os pontos fortes dos programas são evidenciados, sem enfatizar as demais estratégias de controle além do controle químico. Vale salientar também que no Brasil existem os que aproveitam a onda. Empresas que possuem adubos foliares, bioestimulantes, indutores de resistência recomendam seus produtos como

um modo de ação diferenciado, sem, sequer, terem sido testados ou mesmo estarem registados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para tal finalidade. A introdução de fungicidas protetores no mercado tem “arrastado” uma série de produtos não validados pela pesquisa, e muitos deles podem não apresentar eficiência alguma, bem como piorar a eficiência de alguns C produtos.

Luís Henrique Carregal, Agro Carregal Pesq. e Prot. Plantas Valtemir José Carlin, Agrodinâmica Pesq. e Consult. Ltda

Como gerenciar a resistência múltipla de Phakopsora pachyrhizi a triazóis, estrobilurinas e carboxamidas?

A

s estratégias para gerenciamento de resistência não estão pautadas apenas no uso de fungicidas, mas, principalmente, nos fatores que aumentam a pressão de seleção em todos fungos que incidem na cultura da soja, pois os problemas de resistência não se limitam à ferrugem-asiática. Comprovadamente já existe resistência dos agentes causadores da mancha-alvo aos benzimidazóis e às estrobilurinas, da ferrugem-asiática a triazóis, estrobilurinas e carboxamidas e do crestamento-foliar-de-cercospora às estrobilurinas. As principais estratégias para reduzir a pressão de seleção são: - Obedecer ao período de vazio sanitário e expandir para os estados que ainda não têm essa regulamentação, como Santa Catarina e Rio Grande do Sul; - Estabelecer um calendário de semeadura regionalizado e flexível em virtude das safras (atraso por condições climáticas), mas que seja o mais restrito possível, para todos os estados; - Proibir nacionalmente o cultivo tardio de soja, seja após soja ou outra cultura como feijão (soja safrinha); - Desenvolver um acordo na América do Sul (princi-

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palmente Paraguai e Bolívia) sobre o cultivo da soja, para que as normativas de regulamentação de semeadura, vazio sanitário e monitoramento de resistência, sejam adotadas nesses países; - Monitorar a doença na lavoura, informando os laboratórios credenciados para que as primeiras ocorrências sejam registradas no site do Consórcio Antiferrugem; - Aplicar os fungicidas preventivamente e em intervalos adequados; - Não reduzir ou aumentar doses recomendadas; - Definir as estratégias de controle químico baseadas no calendário de semeadura; - Utilizar fungicidas multissítios em todas as aplicações, independentemente do programa de fungicida sistêmico adotado; - Rotacionar, dentro do possível, os modos de ação e, até mesmo, os princípios ativos, pois há diferenças na sensibilidade dos fungos aos mesmos; - Limitar o número de aplicações de determinados grupos químicos. Os tempos atuais exigem mudanças. E, que estas, ocorram de forma séria e ética. Estamos preparados?


Empresas

Encontro produtivo Fotos Divulgação

Adama aproveita evento em São Paulo para anunciar lançamento de nematicida de baixa toxicidade, destinado a culturas como soja, café e cana-de-açúcar

A

Adama realizou no final de novembro, em São Paulo, mais uma edição do Encontro com o Presidente. Abordar expectativas do mercado agro para 2018 e debater a problemática do ataque de nematoides nas lavouras brasileiras estiveram entre os objetivos. O evento trouxe como convidada técnica a pesquisadora da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Claudia Arieira. A especialista abordou os desafios que os agricultores enfrentam com a presença de nematoides, responsáveis por perdas de até 80% nas lavouras e por prejuízo anual ao país de aproximadamente R$ 35 bilhões. “Faltam informações a respeito do problema, o que tem feito muitos produtores mudarem de atividade”, lamentou Cláudia. A pesquisadora explicou que apesar de não haver solução para a erradicação da praga, seu combate é possível, se realizado de maneira integrada, com uso de controles biológico, químico e cultural. A Adama aproveitou o evento para anunciar o lançamento do nematicida Nimitz, defensivo que pode ser utilizado nas culturas de café, algodão, cenoura, citros, tomate, pimentão, cana-de-açúcar, batata, pimenta-do-reino, goiaba e soja. “Estamos trabalhando em laboratório para que o produto possa atender a mais oito culturas”, informou o gerente de Portfólio e Desenvolvimento de Mercado da Adama Brasil, João Giraldi. Com um portfólio amplo, que engloba fungicidas, herbicidas e inseticidas, tratamento de sementes e uma linha de bioestimulantes e nutrição, a Adama pretende lançar de quatro a cinco novos produtos por ano. O CEO da Adama Brasil, Rodrigo Gutierrez, destacou pontos fortes do nematicida Nimitz. “Um dos diferenciais é a baixíssima toxicidade, de 30 vezes a 40 vezes menor que o principal nematicida do mercado brasileiro. Nosso propósito é criar simplicidade na agricultura, oferecendo aos produtores soluções que facilitem sua vida e tragam produtividade com respeito ao meio ambiente”, enfatizou. Coube à gerente de Publicidade e Promoção, Lydia Damian, e ao gerente de Portfólio e

Desenvolvimento de Mercado da Adama Brasil, João Giraldi, a abertura oficial do evento. “A Adama é uma empresa que trabalha em busca de novos produtos, novas tecnologias e novos serviços que possam simplificar a vida do agricultor”, destacou Giraldi. O diretor de Gestão de Pessoas e TI, Johannes Castellano, apresentou os valores e as estratégias da empresa e falou sobre o significado do nome Adama, uma palavra de origem hebraica, que significa “solo” ou “terra”. O grupo Makhteshim Agan foi incorporado em 2011 pela Chem China, uma das maiores companhias de produtos químicos do mundo. Em 2014 a Makhteshim Agan deu início ao processo de rebranding, quando ficou definido que Adama seria o nome instituído globalmente para a marca. “Neste momento nasceu um gigante, a sétima maior empresa de agroquímicos no mundo. Somos cerca de cinco mil colaboradores no mundo, com presença em mais de 100 países e a número um em quantidade de ingredientes ativos”, ressaltou. A Adama no Brasil possui duas unidades fabris, uma sede em Londrina, no Paraná, e uma unidade em Taquari, no Rio Grande do Sul. São quase 600 colaboradores presentes em quase todas as regiões através da distribuição e representantes comerciais. São mais de 16 regionais de vendas e quatro diretorias de negócios. C

Cláudia abordou problemática de nematoides

Gutierrez destacou a baixa toxicidade de Nimitz

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Juliana Madeiros/Phytus Club

Soja

Preservação vital Diante do aumento da pressão de seleção de resistência da ferrugem-asiática à aplicação de fungicidas é preciso reforçar o bom uso das moléculas e a preservação dos grupos químicos, sob pena de se tornarem ainda mais escassas as ferramentas para manejar a doença mais agressiva na cultura da soja

A

adoção do uso de fungicidas contendo carboxamidas foi rápida no manejo de doenças em soja. A razão está no seu elevado nível de eficácia em baixas doses e na ausência de opções de controle com tamanha performance. A primeira carboxamida com amplo espectro para pulverizações foliares foi a boscalida, lançada em 2003 para hortifrúti. Nos últimos anos, vários novos inibidores da succinato desidrogenase (SDHI) tem sido lançados como fluxapiroxade, benzovindiflupir e bixafen para a cultura da soja. Novos indícios já publicados pelo Frac (2017) indicam que a eficácia destes ingredientes ativos pode estar ameaçada.

A ESTRUTURA QUÍMICA DAS MOLÉCULAS DE CARBOXAMIDA

As diferentes moléculas de fungicidas SDHI são estruturalmente muito semelhantes e apresentam uma característica comum essencial, um grupamento amida (-NH) (Rheinheimer, 2007). A classificação das moléculas é feita com base na parte central da molécula, que está ligada à carbonila da amida. Seis tipos químicos principais são encontrados distinguindo diferentes classes de carboxamidas (Figura 2, painel tracejado em vermelho) (Sierotzki

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Figura 1 - Madalosso, traduzido de Dehne et al (2015) Figura 2 - Visão esquemática das estruturas químicas dos fungicidas inibidores da succinato desidrogenase (SDHIs). Marques, traduzido de Sierotzki & Scalliet (2013)

& Scalliet, 2013). A classificação se baseia nos elementos presentes no sistema, no anel de cinco ou seis componentes. O maior número de carboxamidas, principalmente aquelas para aplicação foliar, está incluso no grupo dos pirazóis, como benzovindiflupir, fluxapiroxade e bixafen. Essa região do núcleo é essencial para a ligação no sítio-alvo no fungo e por conferir atividade fungicida. No outro lado da ligação amida encontra-se uma porção vinculadora que pode ou não ter a presença de substituintes (Figura 2, painel tracejado em azul). O ligante mais frequente é um grupo fenil. Ligado a este grupo está uma porção hidrofóbica. Esta porção tem sido relatada por ter uma forte influência sobre o espectro da atividade fungicida e a eficácia do composto (Figura 2, painel tracejado de verde).

A PROTEÍNA-ALVO E O MECANISMO DE AÇÃO DOS SDHI

A enzima SDH transfere elétrons derivados do succinato para a ubiquinona da cadeia respiratória, sendo essencial a respiração do fungo (Keon et al, 1991). A estrutura da SDH é formada por quatro proteínas, CII-A (Flavoproteína) e CII-B (Proteína Enxofre ferroso) e as proteínas CII-CeCII-D

que são formadoras de polipeptídeos ligados às membranas (Figura 3). A proteína CII-B é responsável pelo transporte de elétrons da cadeia respiratória do Complexo I para o Complexo III. Já a proteína CII-C é o principal local de ação das carboxamidas. Elas se ligam fortemente ao local de ligação da ubiquinona, bloqueiam fisicamente o acesso ao substrato e consequentemente impedem a oxidação do succinato e a transferência de elétrons. Assim, qualquer surgimento de resistência aos SDHI depende de um novo arranjo dos aminoácidos dentro da proteína. Em âmbito celular, estudos do mecanismo de ação das carboxamidas ainda indicam seu efeito na biossíntese de proteínas, lipídeos, DNA e RNA, além de ser observada maior transformação de glicose ou acetato em succinato e uma diminuição na transformação de citrato, malato e fumarato. Na ligação das carboxamidas na interface, entre as subunidades SDHB e SDHC, tem sido relatada que muitas frações de aminoácidos em SDHC e SDHD exibem um alto grau de variação entre espécies de fungos (Cecchini, 2003). Tal fato é responsável, em grande parte, pela diversidade das estruturas químicas dos ativos e pela

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Figura 3 - Visão esquemática das estruturas enzima mitocondrial succinato desidrogenase (SDH)[EC 1.3.5.1]. Madalosso, adaptado de Frac (2016)

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de aminoácidos no sítio de ligação, Trp224 e Tyr130 em SDHB e SDHD, respectivamente, o que seria a resistência completa às carboxamidas em campo. A substituição da histidina no fundo da cavidade (His267B) tem sido encontrada em muitas espécies de fungos como sendo uma das alterações mais frequentes, conferindo resistência. A substituição das frações de aminoácidos de prolina na posição 225 em SDHB também já foi frequentemente relatada em B. cine-

Marcelo Madalosso/Phytus Club

variação no espectro de ação entre os fungicidas SDHI. A Figura 4 ilustra as principais características da interação entre as fracções de aminoácidos da ubiquinona (numeração com base no fungo M. graminicola) com o inibidor, no caso as carboxamidas. A ligação amida central estabelece ligações -H com os aminoácidos Trp224 em SDHB, Tyr130 em SDHD e através de uma molécula de água para Ser83 em SDHC. Estas frações de aminoácidos são estritamente conservadas entre as espécies porque estão diretamente envolvidas na funcionalidade da enzima (Silkin et al, 2007; Tran et al, 2006). A porção central da molécula interage com as frações dos aminoácidos Arg87 em SDHC e His267 em SDHB localizado no fundo da cavidade da enzima. A porção vinculadora interfere principalmente através da interação hidrofóbica com algumas frações de aminoácidos em SDHB e SDHC, incluindo Pro220 em SDHB, que também é estritamente conservado (Sierotzki & Scalliet, 2013). A porção hidrofóbica interage principalmente com frações de aminoácidos de subunidades SDHC e SDHD. Diversas mutações promovendo alterações nos aminoácidos da enzima podem conferir diferentes graus de resistência ou perda de sensibilidade. Isso ocorre em função da alteração afetar a ligação e o encaixe do fungicida na enzima. Ainda não foram relatadas ocorrências de fungos mutados em duas frações

Esporos da ferrugem-asiática presentes em plantas de soja

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rea (Stammler et al, 2011). Para além destes importantes efeitos no sítio de ligação na ubiquinona, uma gama de outras posições substituídas podem conduzir à resistência por alterar a conformação da ligação do fungicida. Diversas alterações em aminoácidos das subunidades SDHC e SDHD também têm sido frequentemente relatadas conferindo resistência, como em alternária (SDHC H134 e SDHD H133) (Mallik et al, 2014).

A POSSIBILIDADE DA RESISTÊNCIA

Mutações nos genes que alteram a conformação dos aminoácidos nas subunidades da SDH são a razão para a ocorrência de isolados com resistência a carboxamidas em outras culturas. Até 2013, pelo levantamento feito por Sierotzki and Scalliet (2013), 27 mutações conferindo resistência a carboxamidas em diferentes patógenos foram relatadas. Até agora, nenhum mecanismo, que não seja mutação na conformação dos aminoácidos nas subunidades, foi relatado


como sendo responsável pela resistência a carboxamidas. As mutações relatadas estão ligadas a substituições de aminoácidos nas proteínas das subunidades SDHB, -C e -D. No caso de P. pachyrhizi, segundo o comunicado do Frac (2017), parece envolver a substituição de uma isoleucina por uma fenilalanina na proteína da subunidade C, por uma mutação na posição 86 (I86F) da SDHC. Esta alteração, inicialmente, parece estar ligada a um ingrediente ativo somente. Assim, ainda não é claro que existe o conceito de resistência aplicado ao patossistema ferrugem-asiática/soja, pois é necessário um entendimento populacional deste. A dinâmica e herdabilidade destes isolados na população do fungo é uma linha de estudo que precisa ser trabalhada para elucidar esta dúvida. Com base nos vastos estudos em outros patógenos com ocorrência de mutações, mais de uma mutação pode ser selecionada na mesma espécie conferindo resistência, porém até então não tem sido relatada a ocorrência conjunta de mais de uma mutação em SDH, no mesmo isolado (Sierotzki & Scalliet, 2013).

QUAL O GRAU DE RESISTÊNCIA QUE PODE SER IMPOSTO PELAS MUTAÇÕES?

Os fatores de resistência conferidos pelas mutações no local-alvo até então detectadas diferem em função do fungicida selecionador e do tipo de mutação (Scalliet et al, 2012; Ishii et al, 2010). Com base na Figura 3, em que é mostrado o esquema ilustrativo da interação entre proteína-alvo e fungicida, nota-se que, dependendo de qual aminoácido é alterado, o encaixe do fungicida pode ser mais ou menos prejudicado. Nota-se pela Figura 4 que os aminoácidos têm diferentes terminações, e a troca de um aminoácido pode impactar maior ou menor grau a eficiência de ligação do fungicida. Ainda, o aminoácido trocado pode imprimir diferenças na eficiência de

Figura 4 - Vista esquemática das interações intermoleculares de carboxamidas no local de ligação naubiquinona de Mycosphaerella graminicola. Em vermelho está a cavidade polar interagindo com a parte central ácida da molécula de carboxamida e com o grupamento amida; Em azul é a fração hidrofóbica interagindo com a fração vinculadora da carboxamida; Em verde é o sulco na superfície da proteína acomodando a fração hidrofóbica restante da carboxamida. Linhas tracejadas representam ligações de hidrogênio ou interações eletrostáticas; linhas completas representam contatos hidrofóbicos ou estéricos; A indicação por asteriscos indica os locais com ocorrência de mutações já relatadas, conferindo algum tipo de resistência a SDHI. Marques, traduzido de Sierotzki & Scalliet (2013).

ligação entre as diferentes carboxamidas, o que caracterizaria uma perda de sensibilidade diferencial. Mutações na enzima SDH foram relatadas por conferir resistência a carboxin em Ustilago maydis e Aspergillus nidulans na década de 1970 (Georgopoulos et al, 1972; 1977). Interessante é que fatores de resistência, variando de 20 vezes a 100 vezes, foram verificados entre diferentes mutantes alélicos do mesmo gene. Leroux & Berthier (34) relataram a resistência de Puccinia horina ao fungicida carboxin, mas mutantes com fator de resistência baixa, ≈10 vezes. Nesse caso, os autores afirmam que a resistência desapareceu após o cultivo da estirpe, não aumentando sua frequência. Nota-se assim que o grau de resistência conferido pela mutação detectada em P. pachyrhizi deverá ser investigado, bem como se afetaria a eficiência de ligação para todas as carboxamidas. Em M. graminicola, a alteração de uma treonina para asparagina na subunidade SDHC na posição 79 foi detectada em isolados (Frac). O fator de resistência descrito foi como baixo, supostamente não afetando o desempenho dos fungicidas SDHI. A simples detecção de uma mutação não pode ser usada como justificativa para todas as falhas de controle e muito menos para inferir que o efeito de determinada molécula está perdido.

É ESPERADA MUTAÇÃO CRUZADA?

Modelos de homologia e simulações de acoplamento explicam comportamentos de ligação e algumas peculiaridades dos perfis de resistência cruzada exibidos por diferentes membros desta classe de fungicidas. Além disso, os padrões de resistência cruzada entre os SDHIs são complexos

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ativos carboxamidas. Mesmo mutações na mesma posição conferindo a troca apenas de diferentes aminoácidos podem conferir um padrão de sensibilidade completamente diferente a fungicidas SDHI. Por exemplo, a mudança de H272 para Y272 em SDHB induz sensibilidade diminuída para boscalida, isopirasam e bixafen, por outro lado, hipersensibilidade ao fluopiram (Scalliet et al, 2012). Estes exemplos mostram que, no caso da P. pachyrhizi, será crucial explorar esse evento genético para avaliar os comportamentos de resistência cruzada às carboxamidas. O que se nota nos trabalhos com outros patógenos é que parecem existir mutações mais frequentes que ocorrem, as quais induzem padrões de resistência diferentes, dependendo da espécie em que ocorrem.

É ESPERADO UM AUMENTO RÁPIDO DA FREQUÊNCIA DE ISOLADOS MUTANTES?

Na maioria dos trabalhos em que a resistência parcial foi relatada, a frequência dos isolados era ainda muito baixa em nível de campo ao ponto de impactar significativamente na queda acentuada de desempenho dos fungicidas. Em situações em que

Ferramentas para a preservação de grupos químicos

Marcelo Madalosso/Phytus Club

porque muitas mutações conferem resistência cruzada total, enquanto outras não. Na Figura 2 foi abordada a questão estrutural das principais carboxamidas amplamente utilizadas atualmente no campo, e pode-se notar que suas moléculas são muito semelhantes, com variação mais acentuada na porção hidrofóbica final. Nesse sentido, a priori, resistência cruzada afetando todos os SDHIs deve ser esperada. No entanto, poderá configurar perda de sensibilidade diferencial dependendo da mutação encontrada no patógeno e do fungicida selecionador. Com base nos estudos com outros fungos, um fato tem sido claro até então, as possibilidades existem para ambos os lados, há relatos de mutantes com resistência cruzada afetando todos os SDHIs, como também existem situações em que a resistência foi estabelecida para uma carboxamida selecionadora, porém outras carboxamidas continuavam a ter efeito. Como, por exemplo, a eficácia de diferentes carboxamidas foi diferencialmente afetada por mutantes resistentes em U. maydis (White & Thorn, 1980). Os mutantes foram selecionados pela exposição acarboxin, no entanto, tais mutantes poderiam ser controlados por outros

o aumento na frequência de isolados mutantes na população não ocorra de maneira rápida, a melhoria na implementação de estratégias para manejo da doença pode vir a prevenir o estabelecimento da resistência em área total (o que poderia impactar a perda potencial de uso das moléculas carboxamidas). As substituições que conferem resistência às carboxamidas exibem um efeito negativo na eficiência enzimática da enzima. Algumas mutações podem diminuir a atividade da enzima em até 90%. Esse fator é provável que exerça influência negativa sobre a adaptação dos isolados resistentes. No entanto, ainda não há provas claras de que isso ocorra (Fraaije et al, 2011; Kim & Xiao, 2011). Estudos adicionais, no caso de P. pachyrhizi, precisarão investigar os custos adaptativos (se existirão e se terão alguma influência significativa sobre a sobrevivência de populações com a presença da mutação).

QUAL A PERSPECTIVA PARA A NOVA GERAÇÃO DE MOLÉCULAS CARBOXAMIDAS?

Com base nos trabalhos já conduzi-

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dos com outros fungos, apenas algumas mutações parecem induzir fatores de resistência elevados, ao ponto de afetar

o desempenho de todos os fungicidas no campo. Infere-se, aqui, que o fungicida que foi mais exposto à população de onde se originou o mutante, pode ter tido papel decisivo no tipo de mutação. Com base nesse contexto e nos estudos com outros patógenos, sugere-se que, apenas algumas mutações em campo são suspeitas de induzir redução na eficácia da nova geração de fungicidas carboxamidas. Qual o impacto que isso teria em situações de campo? Se caso houver perda de sensibilidade diferencial para as diferentes carboxamidas, aquelas que porventura venham a apresentar maior eficácia serão mais utilizadas, e isso será um risco potencial na seleção de novas mutações. Essa ideia sugere que o fungicida mais utilizado funciona como uma espécie de selecionador para determinados tipos de mutação e, consequentemente, o fator de resistência conferido ao grupo em si. Por exemplo, se ficar comprovado a campo que a carboxamida A perdeu drasticamente sua eficácia e a carboxamida B ainda não, aí existirá o risco de uso. Na safra seguinte haverá uma migração gigantesca dos produtores para o uso da carboxamida B, podendo provocar uma seleção direcional para este produto. Assim, com essa pressão de seleção, poderão selecionar novas mutações na conformação dos aminoácidos nas subunidades da SDH, declinando a eficácia da carboxamida B, que até então era funcional. Por esta razão, as duas carboxamidas ficarão ineficazes sequencialmente, diferentemente da resistência cruzada, que também é um risco. Porém, a mutação precisaria ser em mais de um aminoácido na SDHC, impedindo a entrada do anel pirazol na SDH. Dentre as diretrizes estabelecidas pela Frac para manejo antirresistência, estava o fato de restringir o uso de misturas contendo ativos


INDAGAÇÕES E PERSPECTIVAS FUTURAS

Em primeiro instante infere-se que o relato de ocorrência de uma mutação conferindo menor sensibilidade a P. pachyrhizi é um início. Muitas outras investigações deverão ser conduzidas a fim de melhor caracterizar o quanto isso irá refletir no campo. Existe uma grande diversidade de mutações potenciais, inclusive já relatadas em outros patógenos, ou seja, em P. pachyrhizi foi a primeira. A esperança que fica é de que novas mutações em P. pachyrhizi sejam evitadas e assim seja possível continuar tendo as carboxamidas como ferramenta de manejo. É muito importante que esforços continuem sendo somados para o bom uso dessas moléculas, diante do pequeno número de grupos químicos

Marcelo Madalosso/Phytus Club

com mecanismos de ação similares. No entanto, muitos dos produtos formulados atualmente disponíveis no mercado são misturas de SDHIs com QoIs. Infelizmente, em alguns cenários, estes produtos começaram a ser largamente utilizados em patossistemas onde a resistência parcial a QoI já era relativamente frequente, como, por exemplo, no cenário de P. pachyrhizi em soja. Portanto, nesses casos, a carboxamida da mistura foi o principal protagonista no controle da doença e uma considerável pressão de seleção de SDHI foi estabelecida nas populações do patógeno. Dessa forma, configura-se um risco potencial de haver, de curto a médio prazo, a ocorrência de isolados mutantes com adaptações conferindo resistência parcial múltipla, tanto a estrobilurinas quanto a carboxamidas.

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utilizados para o manejo da ferrugem da soja. Já é notório que a queda de eficácia de alguns triazóis, estrobilurinas e, agora, as carboxamidas, pode deixar os produtores sem opções para manejar esta doença. Antes que algum grupo perca totalmente sua eficácia, pela resistência completa por parte do patógeno, é urgente que se trabalhe com ferramentas para a C preservação de todos eles.

Leandro Nascimento Marques, Marlon Tagliapietra Stefanello e Mônica Debortoli, Instituto Phytus Marcelo Gripa Madalosso Instituto Phytus e URI/Santiago Ricardo Silveiro Balardin Univ. Federal de Santa Maria


Fotos Divulgação

Empresas

Novos rumos A

Yuan LongPing High-tech Agriculture e a Citic Agri Fund concluíram a aquisição de ativos de sementes de milho da Dow AgroSciences no Brasil. O anúncio foi realizado em dezembro, em Ribeirão Preto, São Paulo. Aproximadamente 45 executivos chineses participaram do evento que serviu para lançar a LP Sementes, empresa que já ocupa a terceira colocação no ranking brasileiro de sementes de milho. A companhia manterá a operação da marca Morgan e terá uma licença de uso do nome Dow Sementes por 12 meses. Nesse período a empresa irá lançar uma nova identidade que já está em fase de desenvolvimento. O presidente-executivo da LongPing, Zhang Xiukuan, vai presidir também a LP Sementes. Vitor Cunha, que era gerente-geral da Dow AgroSciences, permanecerá com o mesmo cargo na LP Sementes. A estrutura organizacional e a equipe gestora da empresa serão mantidas. “A companhia é notável”, avaliou SHI Liang, gerente-geral do Citic Agri Fund. “Graças ao excelente apoio e à coordenação da Dow AgroSciences durante a transação, todo o processo foi amigável e bem-sucedido”, afirmou o executivo. “Nos dedicamos a identificar empresas de alta qualidade nas mais modernas cadeias de valor agrícola do mundo para promover o desenvolvimento do setor através do poder do capital e do investimento. Acreditamos que a LP Sementes trará nova experiência de gerenciamento e operação ao Citic e continuará a impulsionar seus negócios para prosperar”, opinou.

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Aquisição de ativos de sementes de milho da Dow AgroSciences no Brasil dá lugar à LP Sementes, terceira maior empresa no ranking brasileiro do setor A sede da LP Sementes vai funcionar em São Paulo e o escritório de Ribeirão Preto será mantido. A LongPing é líder global no segmento de arroz híbrido e possui participação de mercado de 30% na China. Sementes de arroz devem ser trazidas para o Brasil, mas ainda não foi definido onde serão instalados os laboratórios. “O profissionalismo e a expertise que a Dow AgroSciences mostrou nesta transação nos convenceram ainda mais da força e do valor da companhia”, avaliou o vice-presidente da LongPing, Yuan Dingjiang. C

Shi Liang, Zhang Xiukuan e Vitor Cunha, da LP Sementes

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C

Evento em Ribeirão Preto marcou apresentação da nova empresa


Gilvane Luis Jakoby

Soja

Presença antecipada

Em geral a presença de percevejos na cultura da soja está diretamente relacionada à existência de vagens nas plantas. Contudo, nas últimas safras, esses insetos têm chegado mais cedo e com maior intensidade às lavouras, o que demanda atenção. O manejo da praga continua a exigir monitoramento, de modo a permitir a correta tomada de decisão de controle e a aplicação de inseticidas no momento adequado

O

s percevejos representam um dos grupos mais importantes de insetos-praga da cultura da soja, devido à alimentação direta nas vagens. Várias são as espécies que ocorrem nessa cultura. A espécie de maior frequência e importância econômica é Euschistus heros (percevejo-marrom) seguido de Piezodorus guildinii (Percevejo-verde-pequeno). Outras como Nezara viridula, Acrosternum sp., Edessa meditabunda, Neomegalotumus parvus e Dichelops melacanthus são consideradas espécies secundárias, porém, formam um complexo de percevejos que devem ser observados com muita atenção pelos produtores, por apresentarem os mesmos hábitos e causarem danos semelhantes às principais espécies. Dentro do comportamento dos percevejos, é interessante conhecer seus hábitos para facilitar o controle. O conhecimento da dinâmica populacional e preferência alimentar dos percevejos é de grande importância para as tomadas de decisões no manejo, com o objetivo de reduzir a população destes insetos nas próximas safras e compreender o aumento substancial de suas populações nos últimos anos.

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Os primeiros insetos que chegam à soja são normalmente percevejos velhos, cujo vigor já está comprometido, com baixa capacidade reprodutiva e curta longevidade. Em geral, sua presença na cultura está diretamente relacionada à presença das vagens nas plantas, cujo período entre o começo da frutificação e o ponto de acúmulo máximo de matéria seca no grão é o de maior sensibilidade da soja ao ataque desses insetos sugadores. Entretanto, atualmente, devido às altas populações, os percevejos estão chegando com maior intensidade, mais cedo nas lavouras e populações elevadas podem ser observadas ainda no período vegetativo da cultura. Fato que tem gerado muitas dúvidas aos produtores quanto à necessidade de se realizar o manejo ainda na fase vegetativa. Dados científicos demonstram que na fase de desenvolvimento vegetativo até a floração, os percevejos não causam danos à cultura da soja. No entanto, frente às elevadas populações de percevejos observadas nas últimas safras no período vegetativo, o tema merece atenção especial, principalmente por parte da pesquisa, a fim de acompanhar a evolução da praga na lavoura. A ma-

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Figura 1 - População de Euschistus heros em diferentes manejos durante Figura 2 - Gráfico evidenciando o período de desproteção da cultura e o a fase reprodutiva da cultura da soja. As setas indicam o momento das aumento populacional de E. heros durante a fase de enchimento de grãos no manejo calendarizado aplicações em cada manejo. Safra 2015/16

nutenção desses percevejos presentes na fase final do período vegetativo e do florescimento, se não realizada, possivelmente pode gerar um aumento populacional no início da formação das vagens, com dificuldades de controle em função do processo de multiplicação desses insetos dentro da lavoura, que se alimentaram das vagens em formação, podendo provocar seu abortamento. No vegetativo, a colonização ocorre principalmente por percevejos velhos, em fase final de seu ciclo biológico e com baixa atividade alimentar e reprodutiva. Por falta de alimento preferencial (grãos) no vegetativo, as ninfas não conseguem chegar à fase adulta, geralmente morrem antes do período crítico, não causando danos à cultura. No entanto, em função dos diferentes ciclos de desenvolvimento das variedades de soja presentes no mercado, com presença de cultivos em diferentes estádios de desenvolvimento, pode ocorrer o processo de deslocamento desses insetos de áreas mais tardias para as mais novas, gerando maiores danos à cultura em função da viabilidade e alta taxa alimentar e reprodutiva dos percevejos. Portanto, cabe uma decisão particular para cada área de cultivo de controlar ou não os percevejos na fase final do vegetativo e do florescimento, levando em conta a época de colonização, o grupo de maturação da variedade presente e o estádio de desenvolvimento das plantas, bem como a densidade populacional de percevejos.

O maior problema ocasionado pelos percevejos fitófagos na cultura da soja está na fase de enchimento de grãos e se estende até a colheita. A partir do início da floração os percevejos começam a reprodução na soja (R1), época em que as populações, principalmente de ninfas, começam a aumentar (chamado de período de alerta). Com o início da formação das vagens (R3) é que os danos de percevejos se tornam importantes, necessitando de vistorias constantes nas lavouras (com auxílio de pano de batida) por parte dos produtores até a fase de maturação. Ao final do desenvolvimento das vagens (R4) e início de enchimento de grãos (R5) se dá a fase mais suscetível ao ataque dos percevejos. É quando são observados os maiores danos nas sementes, provocando redução no rendimento. Próximo à maturação, no final da fase de enchimento de grãos (R6), as populações atingem picos máximos, principalmente por percevejos migratórios vindos de lavouras vizinhas em fase de colheita. O monitoramento dos percevejos na fase final do estádio reprodutivo, a partir do estádio R7, é fundamental, visto que podem provocar danos à cultura principalmente quanto à qualidade dos grãos. Este monitoramento e controle das populações de percevejos na fase final do reprodutivo da cultura da soja se torna ainda mais importante quando a área é destinada ao cultivo de milho safrinha. Grande parte da população de percevejos, prin-

cipalmente as ninfas, após a colheita da soja, permanece na área, abrigada na palhada e nas plantas daninhas. Após a emergência do milho, esses percevejos irão se alimentar das plantas de milho provocando danos através da injeção de toxinas no colo das plântulas durante a alimentação, causando redução de vigor, estande e perfilhamento nas plantas. Desta forma, o controle dos percevejos no final do ciclo da soja auxilia na redução da praga, evitando danos e quebra no rendimento em função dos danos provocados na fase inicial de desenvolvimento da cultura do milho. Os danos causados por esses insetos na cultura da soja vão desde o chochamento e má-formação dos grãos até o abortamento das vagens. Além da redução da qualidade, da viabilidade e do vigor, as sementes de soja danificadas por percevejos sofrem alterações nos teores de proteínas e de óleo, e aumento na porcentagem de ácidos graxos livres. Os grãos atacados ficam menores, enrugados, chochos e com cor mais escura que o normal. Os danos dos percevejos ocorrem através da inserção de seus estiletes (aparelho bucal do inseto), onde injetam substâncias histolícas, extraindo porções líquidas e nutritivas para a alimentação. Os danos são observados ao cortar os grãos no sentido transversal ao cotilédone e no local da punctura. Na película do grão são observadas desde manchas bem claras a manchas escuras que podem se apresentar, no local, também em forma de

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Fotos Jurema Rattes

Figura 3 - Qualidade de grãos de soja em função do manejo adotado para o controle de E. heros na cultura da soja. Safra 2015/16

Figura 4 - Momento da colheita e retirada das amostras para verificar o número médio de percevejos coletados na descarga da colhedora, em função do manejo adotado

depressões ou em relevos. Na polpa dos cotilédones, as manchas características mais comuns são as brancas, mas podem se apresentar, também, com coloração verde e até preta. No local da picada no grão pelo percevejo, provocada pela penetração do estilete, há uma ruptura do tegumento que serve como porta de entrada para micro-organismos. O monitoramento dos percevejos através do uso do pano de batida é o método mais eficaz de amostragem e captura desses insetos. De forma alguma, a tomada de decisão quanto ao controle deve ser tomada com base na análise visual da praga na lavoura. No entanto, o monitoramento tem sido deixado de lado por parte de produtores e consultores, optando pela aplicação “calendarizada” ou aplicação de carona junto a herbicidas e fungicidas, sem o conhecimento da população de percevejos presentes no campo. Muitas das vezes, as aplicações calendarizadas são realizadas sem a presença da praga ou em baixas populações, ou com índices populacionais muito altos, comprome-

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tendo a performance dos inseticidas aplicados. O monitoramento bem realizado, com o auxílio do pano de batida, proporciona ao produtor realizar as aplicações de inseticidas nos momentos certos, com presença do inseto na área e em populações controláveis através da aplicação dos inseticidas. Na safra 2015/16 foi realizado um trabalho pela equipe da Rattes Consultoria e Pesquisa Agronômica em parceria com a Universidade de Rio Verde (UniRV), comparando o manejo de E. heros, realizado com base no monitoramento e com base nas aplicações calendarizadas. No manejo 1 (Man. 1), com base no monitoramento, as aplicações de inseticidas foram realizadas com população de 0,5 percevejo a 1 percevejo por metro. Para o manejo 2 (Man. 2), as aplicações de inseticidas foram realizadas sem levantamento populacional da praga, levando em consideração as aplicações de fungicidas programas da fazenda. Após maturação da cultura foi realizada a colheita manual das plantas de soja para posterior debulha manual,

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a fim de se obter o rendimento e a qualidade dos grãos. Os grãos foram classificados em sadios, danificados (manchados e com característica de picada de percevejo) e chochos. Independentemente do manejo utilizado, seja com base no monitoramento ou calendarizado, foram realizadas três aplicações de inseticidas durante a fase reprodutiva da cultura da soja para o controle do percevejo marrom E. heros. Embora os manejos adotados não tenham apresentado números diferentes de aplicações, estas foram realizadas em diferentes estádios de desenvolvimento da cultura (Tabela 1). No Man. 2 (calendarizado) a primeira aplicação de inseticida para o controle de percevejos foi realizada no estádio R3, com ausência da praga, conforme Figura 1. Como já mencionado, as aplicações calendarizadas para o controle de percevejo têm ocorrido de forma frequente entre os produtores, sem levar em consideração o nível populacional da praga, implicando baixo controle da praga e grande impacto sobre a população de inimigos naturais. Como os inseticidas disponíveis no mercado têm apresentado um baixo período nocivo aos percevejos, as aplicações realizadas com a ausência dos insetos nas lavouras não apresentaram nenhum efeito sobre as populações que possam infestar a lavoura em alguns dias após a aplicação. Portando, as aplicações calendarizadas, em grande parte das vezes, são desperdiçadas, provocando desequilíbrio no ecossistema, aumentando o custo de produção e agravando ainda mais o processo de resistência já comprovada aos principais inseticidas indicados para o controle. A infestação de percevejo se iniciou a partir do estádio R5.1/R5.2, com índice populacional para a primeira aplicação no Manejo 1 (monitoramento). Ao se analisar a Figura 1, verifica-se que a primeira aplicação no Manejo 1 proporcionou uma redução na população de E. heros, e em contrapartida, no Manejo 2, houve um aumento crescente da população, deixando as vagens e os grãos desprotegidos durante a fase crítica ao ataque de percevejo, de R5.1 a R5.4 (Figura 2). Ao realizar a comparação dos dois manejos, verifica-se que no Manejo 1 houve menor densidade de percevejos na cultura durante a fase reprodutiva,


Tabela 1 - Número de aplicações e inseticidas utilizados para o controle de E. heros na cultura da soja de acordo com cada manejo. Safra 2015/16 Manejo Man. 1

Man. 2

Data da aplicação 14/02/16 04/03/16 11/03/17 24/01/16 24/02/16 04/03/16

Estádio de desenvolvimento da cultura R5.2 R5.5 R6 R3 R5.5 R5.5

Inseticidas (i.a) Imidacloprido & Betaciflutrina Imidacloprido & Betaciflutrina Acefato Imidacloprido & Bifentrina Imidacloprido + Bifentrina Imidacloprido + Bifentrina

em função do controle na fase inicial de infestação, impedindo e/ou reduzindo o processo de multiplicação dentro da lavoura. Já no Manejo 2 (aplicação calendarizada), em função da falta de monitoramento da população, as aplicações não proporcionaram um bom controle sobre a população da praga, possivelmente em função das épocas das aplicações, seja com ausência desses insetos na primeira aplicação ou pelas populações altas já estabelecidas. As aplicações de inseticidas, realizadas no momento correto, obtido através do monitoramento, refletiram em maior rendimento da cultura, assim como proporcionaram maior qualidade de grãos, com menor peso de grãos danificados e chochos em função do ataque de E. heros (Figura 3). A perda de rendimento em função da qualidade de grãos nem sempre é contabilizada pelo produtor, em função do descarte dos grãos (chochos) durante o processo de colheita, junto à palhada. O manejo Monitoramento (Man. 1) obteve um rendimento superior a quatro sacas de soja por hectare em relação ao manejo calendarizado, com o mesmo número de aplicações de inseticidas, porém, aplicado no momento correto. No momento da colheita, durante o processo de descarga dos grãos para o caminhão, foram coletadas 20 amostras (pote com peso médio de 3,5kg de soja) em cada

Doses i.a ha 100 & 12,5 100 & 12,5 750 75 & 15 175 + 25 175 + 25

Tabela 2 - Rendimento e qualidade de grãos em função do manejo utilizado para o controle de E. heros na cultura da soja. Safra 2015/16 Manejo Man. 1 Man. 2

Qualidade de grãos1 Rendimento Kg/ha Sacas/ha Sadios Danificados Chochos 4.395 73,25 980,23* 16,62* 2,02* 36,54 3,75 4.143 69,05 901,36

1 Média de 50 plantas. *Significativo pelo teste F.

manejo, para contagem do número de percevejos presentes. Extrapolando o número de percevejos coletados nas amostras para um rendimento de quatro mil quilos de soja por hectare, foi obtida uma média de 4.628 percevejos por hectare no manejo Monitoramento, contra uma população média de 39.600 no manejo calendarizado. Esses dados reforçam a necessidade do monitoramento e do controle de percevejos na fase final do ciclo de desenvolvimento da soja, contribuindo para uma menor pressão desses insetos na fase inicial de desenvolvimento da cultura do milho semeado em safrinha. Os resultados mostram a importância do monitoramento no manejo de percevejos na cultura da soja para a tomada de decisão, visto que a aplicação calendarizada ou associada a fungicidas em função do critério operacional pode ocorrer em momentos não adequados para a tomada de decisão e C população da praga.

Jurema F. Rattes, Universidade de Rio Verde-UniRV Rattes Cons. Pesq. Agronômica Gilvane Luis Jakoby, Rattes Cons. Pesq. Agronômica

Figura 5 - Número médio de percevejos coletados na descarga da colhedora, em função do manejo adotado. Dados extrapolados para um rendimento médio de 4.000 quilos de soja ha-1. Safra 2015/2016

Jurema e Jakoby ressaltam a importância do monitoramento para tomada de decisão de controle

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Sementes certificadas

Insumo fundamental dentro do sistema produtivo, sementes de qualidade são um investimento barato capaz de trazer enormes benefícios à produtividade e à sustentabilidade das lavouras de arroz. Importante meio de disseminação de tecnologias, esses materiais também são aliados dos produtores no combate e prevenção a espécies contaminantes como o arroz vermelho, um dos piores inimigos dos orizicultores

A

semente é um insumo de fundamental importância dentro do sistema produtivo, pois é nela que estão inseridas todas as características agronômicas selecionadas no desenvolvimento de uma variedade, o que torna possível que novas tecnologias cheguem aos produtores. Segundo dados da Política Setorial do Instituto Rio Grandense do Arroz, na safra 2016/2017 a aquisição de semente certificada representou apenas 3,76% do custo total de produção, o que leva à conclusão de que a aquisição de uma semente de qualidade representa muito pouco em relação aos benefícios que ela pode trazer ao produtor, principalmente em relação ao aumento da produtividade e sustentabilidade do

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Flávia Miyuki Tomita

Arroz

negócio. Além disso, ao utilizar sementes com boa procedência, o produtor pode trabalhar com densidade de semeadura menor quando comparado com a semeadura de materiais que não passaram por nenhum controle na produção como, por exemplo, as sementes salvas e piratas. Com isso, o produtor que adquire sementes sem procedência precisa aumentar a densidade de semeadura para obter a mesma população de plantas que uma lavoura de semente certificada, igualando o custo de aquisição da semente e aumentando os riscos de contaminar a sua área com os diversos contaminantes que podem vir nesses produtos. Os benefícios da utilização de sementes certificadas estão baseados em quatro aspectos: pureza genética, qualidade sanitária, qualidade fisiológica e pureza física.

QUALIDADE GENÉTICA

A qualidade genética é um fator determinante para o sucesso na produção. Todas as características de interesse de uma cultivar, como a resistência a doenças, a toxidez por ferro, o potencial produtivo, estão incluídas nesse “pacote” chamado semente. O produtor, ao adquirir uma semente certificada, terá a garantia de que esse material passou por todos os controles


de gerações que a legislação exige para que chegue o mais pura possível no campo. Esse trabalho de pureza genética começa na produção das sementes (genética e básica) pelo obtentor e termina com a produção das categorias C1 e C2 por parte dos sementeiros credenciados para realizar esta atividade, finalizando o ciclo de produção de sementes certificadas (Figura 1). Ao adquirir uma semente que não passou pelo processo de certificação corre-se o risco de semear um produto que “segregou”, ou seja, que perdeu alguma das características de interesse da cultivar, parcialmente ou na totalidade.

Figura 1 - Avanço de gerações: classes certificadas e não certificadas

QUALIDADE SANITÁRIA

A semente é o principal meio disseminador de doenças nas grandes culturas agrícolas, não sendo diferente no arroz, onde praticamente todos os patógenos que afetam a cultura podem estar infectados na semente. As sementes certificadas passam por um rigoroso processo de vistorias a campo, onde a identificação de doenças causadas por fungos, por exemplo, pode condenar o campo de produção de sementes, pois sua presença pode afetar aspectos fisiológicos da semente, como germinação, por exemplo. Com isso, os produtores de sementes certificadas têm a consciência de que devem realizar um manejo diferenciado na lavoura, normalmente com aplicação preventiva de fungicidas para proteger as sementes da infecção de patógenos. Além do rígido controle no campo e no laboratório, um bom acondicionamento e o controle das embalagens também são realizados pelos produtores e vistoriados pelos certificadores, credenciados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), para que a semente certificada chegue ao produtor com uma qualidade sanitária desejável.

QUALIDADE FISIOLÓGICA

A qualidade fisiológica se refere a aspectos inerentes à semente propriamente dita, onde se destacam a germinação e o vigor. A germinação diz respeito à quantidade de sementes que conseguem “nascer” quando apresentam as condições ideais. Já o vigor caracteriza-se por um conjunto de atributos que conferem à semente a capacidade de germinar, emergir e se desenvolver, principalmente sob condições adversas. Normalmente germinação e vigor caminham lado a lado. Na prática, a germinação determina a população de plantas na área e o vigor, o desenvolvimento inicial da cultura, que é determinante para o estabelecimento inicial da lavoura e se manifesta até o seu final. Nesse sentido é muito importante o produtor receber o certificado da semente para ter o conhecimento do lote do produto que está adquirindo.

PUREZA FÍSICA

A última característica da semente certificada é a pureza física, que diz respeito à ausência de outras sementes nocivas, destacando-se o arroz vermelho, além da presença de outras espécies contaminantes, como capim-arroz e angiquinho, que também são motivos de reprovação do lote. Com isso, adquirindo sementes certificadas o produtor não corre o risco de

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estar disseminando na sua área sementes de outras espécies contaminantes que podem, em curto prazo, comprometer a sustentabilidade do negócio.

PROGRAMA DE CERTIFICAÇÃO

O programa de Certificação de Sementes do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) começou em 2002, ano em que o Instituto foi credenciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para ser Entidade Certificadora de Sementes de Arroz no Estado do Rio Grande do Sul. No mesmo ano, a área semeada foi de 2.070 hectares, com uma oferta de sementes certificadas capaz de atender a apenas 10% da área do estado. Ao longo desses 15 anos o programa vem em uma crescente, sendo que na safra 2015/2016 a área semeada em solo gaúcho foi de 18.500 hectares, com a certificação de um volume de 67.500 milhões de toneladas, capaz de atender 75% da área semeada no estado na Safra 2016/2017. A expectativa para a safra 2017/2018 é de que a oferta de sementes certificadas siga nesse patamar.

LABORATÓRIOS DE ANÁLISE DE SEMENTES

A Etapa de Certificação de semente que envolve os Laboratórios de Análise de Sementes funciona como o teste final para determinar a qualidade na qual a semente analisada foi produzida. O Irga possui quatro Laboratórios de Análises de Sementes (LAS) localizados nos municípios de Cachoeirinha, Uruguaiana, Rosário do Sul e Pelotas, por onde passa toda a produção de semente de arroz certificada do estado. As sementes analisadas no LAS são submetidas a quatro tipos de análises: a) Análise de pureza, onde a amostra deve ter no mínimo 98% de sementes puras; b) Determinação de outras sementes por número, a amostra não deve ter sementes nocivas; c) Arroz


Fotos Flávia Miyuki Tomita

Arroz vermelho longo fino, difícil identificação em campo (esquerda) e semente com baixa sanidade, vigor e poder germinativo (direita)

vermelho, neste teste a amostra de sementes é descascada e, caso tenha um grão de arroz vermelho, o lote analisado é condenado; d) Teste de germinação, sendo 80% o limite mínimo aceitável para aprovação. Portanto, para que um lote seja aprovado e receba o certificado de semente deverá ter padrões mínimos de qualidade respeitando a Instrução Normativa nº 45 de 17/06/13 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Todas as avaliações seguem os procedimentos das Regras de Análise de sementes, normativas e legislações vigentes.

ARROZ VERMELHO, O PIOR INIMIGO DO ORIZICULTOR

O arroz vermelho é o principal problema que afeta alto percentual das lavouras do estado do Rio Grande do Sul, e grande parte deste problema foi, e continua sendo, causada pelo uso de sementes sem procedência. Durante o processo de certificação de sementes, são realizadas duas vistorias a campo, onde a presença destes contaminantes é fator de condenação do campo. Como atualmente a presença do arroz vermelho longo fino está em todas as regiões do estado e, caso uma lavoura de sementes seja aprovada a campo com a presença desde tipo de nociva, o laboratório po-

derá detectar a presença, sendo assim, reprovado o lote. Atualmente o padrão exigido para a semente certificada é de presença zero de sementes de arroz vermelho, por este motivo a semente certificada é uma ferramenta importante para o controle desta nociva. Outra ferramenta reside no uso de cultivares com a tecnologia do Sistema Clearfield, portadoras de genes que lhes conferem resistência aos herbicidas do grupo químico das imidazolinonas. O Irga e a Basf, juntos, possuem as cultivares comerciais Irga 424 RI e Irga 428 com a tecnologia Clearfield. Esse sistema, que tem por objetivo o combate ao arroz vermelho, só foi possível chegar aos produtores via semente.

E POR QUE MUITOS PRODUTORES AINDA NÃO USAM SEMENTES CERTIFICADAS?

Muitos produtores ainda querem economizar fazendo uso de sementes piratas, acreditando que assim irão diminuir o custo de produção, mas na verdade trata-se de exemplo típico do barato que sai caro, sem esquecer que tal prática é ilegal. Há também o uso de semente salva, quando o produtor guarda parte de sua produção para semear na safra seguinte. Apesar da prática não ser vedada por lei, a qualidade da semente salva

jamais atingirá os padrões de qualidade pela qual passa a semente certificada. Segundos dados do Mapa/Sefia-RS a taxa de uso de semente certificada em arroz na safra 2015/2016 alcançou 45%. O restante do volume de sementes certificadas comercializadas acabou indo para outros estados do país, além de outros países da América Latina. Portanto, mais da metade das áreas de produção comercial de arroz no estado do Rio Grande do Sul ainda são semeadas com sementes sem origem, podendo comprometer, em um futuro próximo, a produtividade e a C sustentabilidade dessas lavouras.

Flávia Miyuki Tomita e Gustavo Campos Soares, Seção de Prod. de Sementes do Irga

Flávia e Soares destacam a importância da qualidade da semente para as lavouras de arroz

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Doenças

Mofo na rede

Com importância crescente nas lavouras de soja do Brasil, Sclerotinia sclerotiorum passou a ser monitorado a partir de 2008/09 em um esforço conjunto de instituições públicas e privadas para estudar a eficiência de fungicidas utilizados no controle, a exemplo do que já ocorre com outras doenças, como a ferrugem-asiática. Na safra 2016/17 o ensaio cooperativo foi realizado em 14 locais, distribuídos nos estados de Goiás, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia e no Distrito Federal

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Maurício Meyer

O

mofo-branco, causado pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum (Lib.) de Bary, é uma das doenças de plantas mais antigas no mundo, afetando mais de 400 espécies, inclusive soja, feijão, algodão, girassol, canola, tomate, ervilha, entre outras culturas de importância econômica. Os danos ocorrem com maiores frequência e intensidade em regiões de altitude acima de 800m, com clima chuvoso, temperatura amena e alta umidade relativa do ar. A partir da safra 2006/07 observou-se aumento significativo na incidência e nos níveis de danos nas lavouras de soja no Brasil, tanto nas áreas mais altas do Cerrado, quanto nas mais tradicionais de cultivo do Sul e do Sudeste, chegando a reduzir a produtividade em até 70% em determinadas lavouras. Estima-se que aproximadamente 23% da área de produção de soja brasileira esteja infestada pelo patógeno, compondo aproximadamente 7,7 milhões de hectares que necessitam da adoção de medidas integradas de manejo da

doença. Os estados mais atingidos pelo mofo-branco são Goiás (com mais de dois milhões de hectares infestados), Bahia, Mato Grosso e Paraná (de um a dois milhões de hectares infestados), Minas Gerais (com 0,5 a um milhão de hectares infestados) e Mato Grosso do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (com menos de 0,5 milhão de hectares infestados) (Figura 1). Uma característica marcante do patógeno é a produção de escleródios, que são estruturas de sobrevivência formadas por aglomerados de hifas, comumente arredondados ou alongados, de coloração preta e consistência firme. O escleródio pode germinar de forma carpogênica ou miceliogênica, desencadeando novos ciclos da doença. A germinação miceliogênica ocorre mediante a formação de micélio branco, a partir dos escleródios, ao passo que a germinação carpogênica ocorre a partir da formação de apotécios nos escleródios. A produção de apotécios é a principal fonte de infecção nas plantas de soja. Nos apotécios se formam os

esporos do fungo, denominados ascósporos, que são ejetados sob pressão, atingindo as flores da soja, onde encontram condição ideal de germinação e início da infecção. A manutenção da umidade do solo é fundamental para a ocorrência da doença, pois a germinação dos escleródios depende de alta umidade (chuvas frequentes), de temperaturas entre 15°C e 25°C e de pouca incidência de luz solar (sombreamento do solo pelas plantas). Pela dependência dessas condições, a ocorrência de mofo-branco em soja varia de intensidade entre as safras, sendo mais frequente em regiões com altitude superior a 800m. O fungo é capaz de infectar qualquer parte da planta de soja, porém, as infecções começam com maior frequência a partir das inflorescências, das axilas, dos pecíolos e dos ramos laterais. O fungo pode atacar toda a parte aérea da planta, afetando folhas, hastes e vagens. A planta da soja infectada apresenta, inicialmente, lesões aquosas, sobre as quais crescem hifas,


formando abundante micélio branco, o que caracteriza o nome da doença. Os tecidos atacados necrosam em consequência da ação das diversas toxinas e de ácido oxálico, produzidos por S. sclerotiorum. Nessa fase, podem ser observados o apodrecimento de ramos, vagens e folhas ou mesmo da haste principal, com morte de toda a planta. Os escleródios são formados tanto na superfície quanto no interior das hastes e das vagens infectadas, podendo se desprender naturalmente ou serem lançados ao solo durante a colheita,

Tabela 1 - Incidência, controle relativo, produtividade da soja (Produtiv.), redução de produtividade (Red. Produtiv.), massa de escleródios produzidos e redução da produção de escleródios (Red. M.Escler.) em função dos tratamentos fungicidas dos ensaios cooperativos de controle de mofo-branco em soja, médias de nove anos (2009 a 2017) Tratamentos Incidência1 (%) Controle2 (%) Produtiv. (kg ha-1) Red. Produtiv.3 (%) Massa Escleródio (g ha-1) Red. M.Escler.4 (%) 0 Testemunha 34,4 a 2887 d 18,4 3055 a 0 45 Tiofanato metílico (4X) 19,0 b 3218 c 9,0 1619 b 47 62 Procimidona (2X) 13,0 c 3381 b 4,4 771 c 75 68 Fluazinam (2X) 10,9 d 3514 a 0,6 945 c 69 72 Fluopyram (2X)* 9,8 d 3461 a 2,1 758 c 75 72 Dimox. + boscalida (2X) 9,5 d 3536 a 0,0 741 c 76 CV (%) 16,8 3,0 40,8 1Incidência de mofo-branco em R5.5. 2Porcentagem de controle da doença em relação à testemunha, considerando-se a incidência em R5.5. 3Porcentagem de redução de produtividade da soja em relação ao tratamento de maior rendimento. 4Porcentagem de redução da produção de escleródios. Médias seguidas da mesma letra nas colunas não diferem pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade. *Produto em fase de registro no MAPA.

Tabela 2 - Tratamentos com fungicidas (produto comercial= P.C.), ingrediente ativo (I.A.), empresa fabricante, épocas de aplicação e doses utilizadas no ensaio cooperativo de controle de mofo-branco em soja, safra 2016/17 Produto Comercial (P.C.) 1 Testemunha 2 Cercobin 3 Sumilex 4 Frowncide/Zignal 5 PNR + Aureo 6 Spot 7 Carbomax + Agris AS* Sialex 8 PNR + 0,25% v/v adj.¹ 9 PNR 10 PNR + Assist 0,5% v/v

Ingrediente Ativo (I.A.) e empresa fabricante tiofanato metílico, Ihara procimidona, Sumitomo fluazinam, ISK / FMC fluopyram, Bayer dimoxistrobina + boscalida, Basf carbendazim, Nufarm procimidona, Sumitomo fluazinam + tiof. metílico, Nortox procimidona, Ourofino isofetamid, ISK

1ª R1 R1 R1 R1 R1 R1 R1 R1 R1 R1

Épocas de aplicação Dose (L-kg ha-1) P.C. I.A. 2ª 3ª 4ª 1,0 0,5 10 DAA 10 DAA 10 DAA 1,0 0,5 10 DAA 1,0 0,5 10 DAA 0,4 + 0,4 0,2 10 DAA 1,0 0,4 10 DAA 1 + 0,5 0,5 10 DAA 1,0 0,5 10 DAA 2,0 0,4 + 0,8 10 DAA 1,0 0,5 10 DAA 1,25 0,5 10 DAA -

*AS = Aplicações Sequenciais. Primeira aplicação em R1 ou no fechamento das entrelinhas. DAA = dias após a última aplicação. PNR = produto não registrado. 1Adj.= adjuvante mineral ou vegetal, a critério do pesquisador.

Tabela 3 - Incidência, controle relativo, produtividade da soja, redução de produtividade (Redução Produtiv.), massa de escleródios produzidos e redução da produção de escleródios (Redução M. Esc.) em função dos tratamentos fungicidas dos ensaios cooperativos de controle de mofo-branco em soja, média de oito ensaios, na safra 2016/17 Tratamento

1. testemunha 2. tiofanato metílico 3. procimidona 4. fluazinam 5. fluopyram 6. dimoxistrobina & boscalida 7. carbendazim/procimidona 8. fluazinam & tiofanato metílico 9. procimidona 10. isofetamid CV (%)

Incidência1 (%) Controle2 (%) Produtiv. (kg ha-1) Red. Produtiv.3 (%) Massa Escleródio (g ha-1) Red. M.Escler.4 (%)

36,8 a 20,0 b 10,5 cde 11,6 cd 9,7 de 7,7 e 8,8 de 10,9 cd 11,8 cd 13,1 c 27,8

0 46 71 68 74 79 76 70 68 64

3.326 d 3.830 c 3.996 abc 3.961 abc 4.075 a 4.130 a 4.075 ab 4.004 abc 3.935 abc 3.890 bc 6,4

19 7 3 4 1 0 1 3 5 6

2.708 a 1.589 bc 1.155 bcde 1.227 bcd 558 e 796 de 736 de 967 cde 1.102 bcde 1.697 b 59,3

0 41 57 55 79 71 73 64 59 37

1Incidência de mofo-branco em R5.5. 2Porcentagem de controle da doença em relação à testemunha, considerando-se a incidência em R5.5. 3Porcentagem de redução de produtividade da soja em relação ao tratamento de maior rendimento. 4Porcentagem de redução da produção de escleródios. Médias seguidas da mesma letra nas colunas não diferem pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade. *Produto em fase de registro no MAPA.

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aumentado o inóculo na área. O manejo da doença tem como objetivos a redução do inóculo (escleródios no solo) e a redução da incidência e de sua taxa de progresso. A diminuição de inóculo é alcançada pela inviabilização dos escleródios no solo e pela diminuição da produção de escleródios nas plantas doentes, por medidas como formação de palhada para cobertura uniforme do solo, preferencialmente oriunda de gramíneas; rotação e/ou sucessão com culturas não hospedeiras; emprego de controle biológico por meio da infestação do solo com agentes antagonistas; utilização de sementes de boa qualidade e tratadas com fungicidas; emprego de controle químico, por meio de pulverizações foliares de fungicidas no período de maior vulnerabilidade da planta (R1 a R4). Para a redução da incidência do mofo-branco e de sua taxa de progresso são importantes a escolha de cultivares com arquitetura de plantas que favoreça uma boa aeração entre plantas (pouco ramificadas e com folhas pequenas) e com período mais curto de florescimento e a utilização de população de plantas e de espaçamento das entre linhas adequado às cultivares. Outra medida que contribui para a redução da dispersão do fungo S. sclerotiorum é a limpeza de máquinas e equipamentos após utilização em área infestada, para evitar a disseminação de escleródios para novas áreas. A efetividade do controle do mofo-branco em soja só é conseguida com a integração dessas medidas, não apresentando resultados satisfatórios isoladamente. Desde 2008/09, ensaios em rede vêm sendo realizados por instituições públicas e privadas com o objetivo de comparar a eficiência de fungicidas para controle de mofo-branco em soja. Em função dos resultados desses ensaios cooperativos, acumulados ao longo de nove anos de execução, verificaram-se níveis de eficiência média de controle de alguns fungicidas variando entre 62% e 72% (Tabela 1). Na safra 2016/17, o ensaio co-


Figura 1 - Estimativa de áreas infestadas pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum, nas principais regiões produtoras de soja no Brasil

operativo de controle químico de mofo-branco foi realizado em 14 locais, distribuídos nos estados de Goiás, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia e no Distrito Federal (Figura 2). As aplicações foram realizadas com pulverizadores costais pressurizados com CO2 e volume de calda de 150L/ha. Foram comparados nove tratamentos fungicidas em duas aplicações, sendo a primeira em início de florescimento ou no fechamento das entre linhas da soja e, a segunda aplicação, dez dias após. Apenas o tratamento composto por tiofanato metílico (T2) foi aplicado quatro vezes a intervalos de dez dias. Um tratamento sem aplicação de fungicidas (T1) foi mantido como controle (Tabela 2). Foram avaliadas a incidência de mofo-branco e a produtividade da soja e também foi quantificada a massa de escleródios obtida na trilha das plantas de cada parcela. Os resultados foram analisados em conjunto, nos locais onde houve homogeneidade de variância dos dados. Os melhores níveis de controle químico variaram de 71% a 79% e foram observados nos tratamentos com duas aplicações dos fungicidas procimidona (T3), fluopyram (T5), dimoxistrobina

Figura 2 - Distribuição dos 14 locais de realização do ensaio cooperativo de controle químico de mofo-branco em soja no Brasil – safra 2016/17

+ boscalida (T6) e com a associação de carbendazim e procimidona (T7) (Tabela 3). A média da produção de escleródios (massa de escleródios) de S. sclerotiorum, coletados das plantas do tratamento sem controle (T1), foi de 2.708g/ ha. Os tratamentos procimidona (T3 e T9), fluopyram (T5), dimoxistrobina + boscalida (T6), associação de carbendazim e procimidona (T7) e fluazinam + tiofanato metílico (T8) apresentaram significativa redução na produção de escleródios, comparados à testemunha sem controle (T1), variando de 57% a 79% (Tabela 3). Os tratamentos procimidona (T3 e T9), fluazinam (T4), fluopyram (T5), dimoxistrobina + boscalida (T6), associação de carbendazim e procimidona (T7) e fluazinam + tiofanato metílico (T8) apresentaram as maiores médias de produtividade da soja. Foi observada redução de produtividade de 19% no tratamento sem controle de mofo-branco (T1) em relação ao tratamento mais produtivo (T6) (Tabela 3). Contudo, considerando que ainda ocorre produção de escleródios, mesmo que reduzida em função do controle químico, as demais medidas de manejo devem ser adotadas com a finalidade

de inviabilização desses escleródios durante a entressafra, promovendo o C manejo integrado da doença.

Maurício C. Meyer e Cláudia V. Godoy, Embrapa Soja Hércules D. Campos, UniRV Carlos M. Utiamada, Tagro Edson P. Borges, Fundação Chapadão José Nunes Junior, CTPA Fernando C. Juliatti, UFU David S. Jaccoud Filho, UEPG Luciana C. Carneiro, UFG Luís H.C.P. da Silva, Agro Carregal Marcio Goussain, Assist Mônica C. Martins, Círculo Verde Mônica P. Debortoli, Instituto Phytus Wilson S. Venancio, CWR

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Fotos Gilvane Luis Jakoby

Milho

Enfezou

A incidência da cigarrinha-do-milho Dalbulus maidis tem aumentado de modo rápido, principalmente em lavouras da região Central do Brasil. A presença de plantas tigueras, que fornecem abrigo e comida para o inseto durante o período de entressafra e de cultivo da soja, está entre os fatores que ajudam a explicar a maior incidência. O tratamento de sementes com inseticidas neonicotinoides, associado a outras estratégias integradas e preventivas, tem mostrado bons resultados no manejo desta praga

A

intensificação do cultivo do milho na safrinha e de sistemas irrigados quebrou a sazonalidade de plantio, proporcionando maior pressão de pragas e doenças específicas, com exposição da cultura durante todo o ano no campo. Aliado a isso, outros fatores como as condições climáticas favoráveis, altas temperaturas e invernos amenos têm favorecido a multiplicação de insetos. Dentre os problemas fitossanitários da cultura do milho, a cigarrinha-do-milho Dalbulus maidis (DeLong & Wolcott) (Hemiptera: Cicadellidae) tem aumentado substancialmente com frequência nos últimos anos, exigindo estratégias de controle em função dos prejuízos provocados. Um dos possíveis fatores que têm proporcionado o aumento da cigarrinha-do-milho, principalmente na Região Central do Brasil, é a presença de plantas tigueras de milho durante o período de entressafra e de cultivo da soja, já que estas plantas voluntárias são as principais hospedeiras da praga e das doenças transmitidas por ela. Em função da adoção da tecnologia de resistência a herbicidas presentes em grande parte dos materiais disponíveis no mercado, essas plantas de milho não são devidamente controladas na cultura da soja, servindo de alimento, abrigo e de fonte de reprodução para diversos insetos-praga. O aumento da oferta de alimento durante o período de entressafra e de cultivo da soja proporciona a manutenção da cigarrinha D. maidis no ambiente, favorecendo a multiplicação e ainda a manutenção de plantas infectadas, com viroses e enfezamentos. A manutenção da praga no ambiente durante a entressafra e o cultivo da soja tem gerado altas densidades populacionais na fase inicial de desenvolvimento da cultura do milho, período de maior suscetibilidade ao ataque da praga com elevados prejuízos aos produtores. Os adultos de D. maidis medem cerca de 4mm de comprimento e menos de 1mm de largura. Embora a coloração predominante seja palha,

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no abdômen possui manchas negras, que podem ser maiores nos indivíduos desenvolvidos em climas com temperaturas amenas. Na cabeça destacam-se duas manchas negras com o dobro do diâmetro dos ocelos. Possuem como característica duas fileiras de espinhos nas tíbias posteriores (Oliveira et al, 2003, Waquil, 2004). Durante a fase adulta, esses insetos podem ser facilmente visualizados no interior do cartucho das plantas de milho. O estabelecimento ocorre na fase inicial de desenvolvimento da cultura, porém é capaz de se manter em altas populações durante todas as fases de desenvolvimento do milho. A longevidade média dos adultos é de 16,3 dias para machos e de 42,1 dias para fêmeas (Marín 1987). No entanto, esse período pode chegar a 106 dias em condições de temperaturas mais baixas (Tsai, 1988). As fêmeas depositam os ovos de maneira isolada, em pares ou em grupos de cinco a seis ovos no limbo foliar ou na parte adaxial das folhas, de preferência na metade basal das primeiras folhas das plantas jovens. A postura é endofítica, ocorrendo dentro do tecido da nervura central das folhas da planta. Cada fêmea deposita aproximadamente 14 ovos por dia, podendo depositar durante seu ciclo de vida até 611 ovos. Os ovos são translúcidos, com o formato de uma banana, medem menos de 1mm x 0,2mm e são fáceis de observar com a folha do milho contra a luz. Depois de sete a dez dias, se tornam leitosos. A biologia da cigarrinha é diretamente afetada pela temperatura. Sob condições de temperaturas amenas não ocorre a eclosão dos ovos. No entanto, quando incubados a temperaturas acima de 20ºC ocorre a eclosão normal das ninfas (Marín 1987). Durante a fase de ninfa, passam por cinco instares, que duram em torno de 15 dias. As ninfas tendem a permanecer estáticas, alimentando-se na folha, e só se movem se forem incomodadas (Oliveira et al, 2003, Waquil, 2004). A fase de ninfa até a formação de adultos ocorre, geralmente, entre 20 dias e 25 dias, sendo esse período influenciado pela temperatura ambiente. A cigarrinha D. maidis possui poucos hospedeiros, com multiplicação restrita ao gênero Zea. Há relatos de outros hospedeiros, como a cana-de-açúcar, o sorgo e algumas espécies de plantas daninhas, como o capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) e o capim-colchão (Digitaria horizontalis) (Oliveira et al, 2016). Além de alguns hospedeiros alternativos para D. maidis, espécies da família Poaceae, como o capim-colonião (Panicum maximum), o capim-marmelada (Brachiaria plantaginea) e a Brachiaria decumbens podem ser infectadas por fitoplasmas (Hass, 2010), no entanto, segundo Sabato et al (2015) é necessária uma melhor avaliação da importância epidemiológica dessas espécies vegetais na perpetuação e disseminação desse patógeno na cultura do milho. A cigarrinha D. maidis é um inseto de ampla ocorrência, com presença tanto nas lavouras da safra de verão quanto na safrinha. Movimenta-se dentro e entre lavouras de milho e nas plântulas. A cigarrinha D. maidis é considerada uma praga inicial em milho, visto que ocorre nas plântulas de milho logo após a emergência da cultura, sendo proveniente de outras lavouras de milho (Oliveira et al, 2013a). Ao longo do ciclo do milho, a população desse inseto-vetor aumenta desde os estádios iniciais de desenvolvimento até o florescimento das plantas, em função da produção de novas gerações de insetos, e da entrada contínua de mais cigarrinhas adultas, especialmente quando há milho em estádios mais adiantados nas imediações (Oliveira et al, 2015b). Em áreas infestadas, as cigarrinhas podem ser facilmente ob-

servadas, alimentando-se, preferencialmente, na região do cartucho da planta de milho (Vianna et al, 2002; Waquil, 2004). Embora a cigarrinha D. maidis possa provocar danos diretos através da sucção da seiva nas plantas de milho, comprometendo o desenvolvimento da planta, e principalmente o sistema radicular, essa espécie é mais importante devido à sua capacidade de transmitir de forma persistente e propagativa o vírus da risca do milho (maize rayado fino virus – MRFV) e dois molicutes, associados aos enfezamentos Spiroplasma kunkelii e o maize bushy stunt fitoplasma (MBS-fitoplasma), agentes causais, respectivamente, das doenças do milho denominadas de enfezamento pálido e enfezamento vermelho (Sabato et al, 2015). Os molicutes são responsáveis por infecções e entupimentos dos tecidos do floema. A crescente importância do

Planta de milho com Rayado fino (maize rayado fino virus – MRFV)

Sintomas do enfezamento pálido

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complexo dos enfezamentos verificados nos últimos anos, nos cultivos de milho tardios e de safrinha, está relacionada diretamente ao aumento da população do inseto-vetor, a cigarrinha D. maidis. Os agentes causais dos enfezamentos são adquiridos pela cigarrinha quando se alimentam de plantas de milho doentes. Esses micro-organismos multiplicam-se nas cigarrinhas (inseto-vetor) e são transmitidos para plântulas de milho jovens e sadias, quando a cigarrinha migra de lavouras maduras para as recém-implantadas. As cigarrinhas infectadas conseguem transmitir os fitopatógenos para as plantas sadias por um tempo de alimentação relativamente curto, de aproximadamente uma hora (Vianna et al, 2002; Waquil, 2004; Oliveira & Oliveira, 2010). A transmissão de fitopatógenos ocorre na fase inicial de desenvolvimento da cultura do milho, fase em que a planta apresenta menor diâmetro de colmo, permitindo com que a cigarrinha D. maidis consiga alcançar os vasos de condução de seiva (floema) com o estilete. Em consequência das infecções nos tecidos do floema ocorre um menor desenvolvimento das plantas e o enfraquecimento dos colmos, podendo se dar a queda das plantas em função da ação de ventos. Os sintomas do enfezamento vermelho são caracterizados pela descoloração e o avermelhamento da margem e do ápice das folhas. Em infestações severas, todo o limbo foliar pode apresentar características típicas do enfezamento. É possível verificar também o perfilhamento das plantas, seja nas axilas foliares ou na base da planta, e a proliferação de espigas, além de redução na altura. Os sintomas de enfezamento normalmente são mais visíveis a partir do florescimento e próximos à maturação da cultura, principalmente em regiões de temperatura mais alta (Reis et al, 2004; Sabato et al, 2002). Os sintomas do enfezamento pálido caracterizam-se pela presença de faixas cloróticas ou esbranquiçadas, que se estendem da

base em direção ao ápice das folhas, podendo apresentar avermelhamento das folhas inferiores. Plantas infectadas demonstram crescimento reduzido, espigas menores com grãos frouxos, pequenos e descoloridos ou manchados. Dependendo da cultivar, pode apresentar perfilhamento e secamento precoce. Os sintomas foliares se manifestam a partir do florescimento das plantas e os demais sintomas depois da formação e enchimento de grãos (Balmer & Pereira, 1987; Fernandes & Oliveira 1997). Plantas de milho infestadas com vírus do rayado fino apresentam sintomas da doença entre sete dias e dez dias após a inoculação, na forma de pequenos pontos cloróticos alinhados. Com o crescimento desses pontos, se fundem e formam uma risca fina. Em cultivares suscetíveis, a infecção precoce pode acarretar redução de crescimento e aborto das gemas florais. A intensidade dos danos na cultura do milho depende da fase fenológica em que a cultura é atacada pela cigarrinha infectada. Quando o ataque ocorre na fase inicial da cultura (V1 – V3-4), maiores são os prejuízos e quanto mais tardiamente as cigarrinhas infectadas chegam à cultura, menores são os danos e prejuízos.

MANEJO DA CIGARRINHA-DO-MILHO

As estratégias de manejo da cigarrinha D. maidis devem ter início antes da semeadura do milho, através da eliminação de plantas tigueras no período de entressafra e durante o cultivo da soja, com intuito de eliminar as possíveis fontes de alimento e de reprodução da praga, para a redução na sua população na fase inicial de desenvolvimento do milho semeado em sequência. Tais medidas, além das possíveis reduções das primeiras gerações de cigarrinhas, têm por objetivo a redução de plantas de milho infectadas nesses períodos, que servem de fonte de aquisição e posterior inoculação desses patógenos nos cultivos. No

Área com presença de milho tiguera no período de entressafra. Fonte de alimento e de multiplicação de Dalbulus maidis 42

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entanto, como se trata de um inseto com alto potencial biótico e com grande capacidade de migração a longas distâncias para colonizar campos de milho recém-emergidos, essas estratégias devem ser realizadas em conjunto com todos os produtores de uma mesma região. O uso de materiais tolerantes, ou menos suscetíveis, é o método de controle mais eficiente e recomendado para o controle dessas doenças transmitidas pela cigarrinha D. maidis. No entanto, nem todos os materiais de milho disponíveis no mercado possuem tolerância satisfatória, assim, cabe ao produtor fazer a melhor escolha no momento da aquisição das sementes e optar por materiais que apresentem maior tolerância, com intuito de diminuir as perdas. Como os danos mais severos ou a transmissão de fitopatógenos ocorrem na fase inicial de desenvolvimento da cultura do milho, medidas de controle na fase inicial são extremamente necessárias por protegerem as plântulas neste período, além de promover ou reduzir a população inicial, evitando uma explosão populacional da cigarrinha D. maidis nos estágios subsequentes. Entre as estratégias químicas de controle adotadas na fase inicial, o tratamento de sementes com inseticidas neonicotinoides é fundamental para reduzir a população da praga nesse período de desenvolvimento da cultura e tem proporcionado resultados muito eficazes no controle desta praga. Em trabalhos realizados pela Rattes Consultoria e Pesquisa Agronômica em parceria com a Universidade de Rio Verde (UniRV), na safra atual, os inseticidas disponíveis no mercado para tratamento de sementes, realizados com as moléculas tiametoxan, imidacloprido, e clotianidin proporcionaram supressão de até 80% da população de D. maidis, até 15 dias após a emergência da cultura. Após esse período, dependendo da pressão e região, se fazem necessárias aplicações foliares de inseticidas. As aplicações foliares

Presença de milho tiguera no cultivo da soja, favorecendo a multiplicação da praga e manutenção de plantas infectadas, com viroses e enfezamentos


Fotos Gilvane Luis Jakoby

Rayado fino, característica dos pontos cloróticos, em forma de risca fina

devem ser realizadas com base nas amostragens das populações da praga, com intuito de complementar o tratamento de sementes e de controlar as populações em função da produção de novas gerações dentro do mesmo cultivo ou de insetos migrantes de áreas vizinhas. Até o momento não existe um Nível de Dano Econômico (NDE) que possa ser adotado em função de ser um inseto transmissor de fitopatógenos. Assim, os danos não são proporcionais ao tamanho da população, mas sim em função da capacidade de disseminação dos agentes causais dos enfezamentos, o que torna necessário o uso de medidas preventivas. As pulverizações foliares são realizadas normalmente até os estádios V8 – V9 na cultura do milho, podendo se prolongar até a fase de pendoamento. Dentre as possíveis estratégias de manejo desta praga, o produtor tem que conscientizar que com a adoção de uma única, de modo isolado, não vai obter sucesso no C controle da D. maidis.

Encurtamento dos internódios e superespigamento em função da presença de molicutes

Ovos de D. maidis - postura endofídica (esq.) e Ninfa de D. maidis (dir.)

Jurema F. Rattes, Universidade de Rio Verde- UniRV Gilvane Luis Jakoby, Rattes Consult. Pesq. Agronômica

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Milho

Retorno produtivo Uso da metanálise em trabalhos de pesquisa realizados entre 2007 e 2013 aponta maior probabilidade de aumento da produtividade quando ocorre o emprego de fungicidas na cultura do milho comparado à testemunha sem aplicação

O

Charles Echer

milho é uma das principais culturas agrícolas no Brasil, que apresenta contínuo crescimento de produtividade ao longo dos anos. Estimativas apontam que em um intervalo de dez anos, entre as safras 2004/05 e 2014/15, a média de produtividade subiu de 2.857kg/ha para 5.396kg/ha, ou seja, a produtividade média de milho, incluindo a primeira e a segunda safra, quase dobrou (Conab). O ataque de doenças apresenta cada vez mais destaque na cultura no Brasil e tem incrementado a aplicação de fungicidas. Nos Estados Unidos, Paul et al (2011) citam que também ocorre o mesmo comportamento, como medida para obtenção de altas produtividades. Contudo, ensaios com aplicação de fungicidas

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nem sempre indicam incremento significativo de produtividade e mesmo apresentando diferença de produtividade entre os tratamentos, estatisticamente não é possível afirmar que essa diferença foi em função do uso dos fungicidas. Como alternativa ao método estatístico tradicional, pode ser utilizada a metanálise, que consiste em um conjunto de técnicas estatísticas usada para analisar todos, ou pelo menos a maioria dos trabalhos já publicados em relação ao tema de estudo, ou seja, uso de fungicidas em milho, no presente caso. Esta revisão permite identificar indícios, que quando analisados em estudos isolados e sob estatística tradicional, não são observados. A técnica empregada na área da saúde


vem ganhando destaque na fitopatologia, muito por conta do crescente número de informações geradas. O presente estudo tem como objetivo realizar a revisão sistemática de trabalhos relacionados à aplicação de fungicidas no controle de doenças foliares em milho e verificar seu efeito em produtividade, através do uso da metanálise.

Figura 1 - Decréscimo ou incremento de produtividade em milho obtido em 225 situações originadas de estudos com aplicação de fungicidas para o controle de doenças foliares em milho, publicados entre 2007 e 2013. Barras representam o erro padrão da medida

LEVANTAMENTO DE DADOS E ANÁLISE

Inicialmente foi realizada a revisão sistemática, ou seja, coleta de todos os artigos publicados em periódicos nacionais e resumos expandidos de anais de congresso, contendo a aplicação de fungicidas no controle de doenças na cultura do milho. Para seleção de estudos foram estabelecidos os seguintes critérios: estudos que apresentassem dados de aplicação foliar de fungicidas para o controle de doenças em milho; estudos que informaram dados de produtividade de todos os tratamen-

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Figura 2 - Probabilidade de retorno econômico com aplicação de fungicidas em função do preço da saca de milho. Para base de cálculo, o custo médio total de duas aplicações foi estimado em R$ 150,00 por hectare

tos, produto utilizado, dose e número de aplicações, e o coeficiente de variação (CV) ou Quadrado Médio do Resíduo (QME); estudos publicados no intervalo de 2007 a 2013. Os dados selecionados foram agrupados e classificados através da diferença entre os valores de produtividade do tratamento com aplicação do fungicida, diminuído do valor da produtividade da testemunha sem aplicação. Em seguida os dados foram processados pelo programa Comprehensive Meta-Analyses. Na análise, para cada estudo foi atribuído um peso que foi inversamente proporcional à variância e assim gerado o gráfico floresta (forestplot), a estimativa metanalítica e os dados para obtenção da probabilidade de ocorrência daquele resultado. Logo após, os dados foram organizados considerando-se o número de aplicações, a composição do produto e a composição do fungicida (princípio ativo único ou em mistura). Os grupos foram novamente processados e estimadas as probabilidade de ocorrência de cada acréscimo de produtividade com algumas estimativas econômicas.

RESULTADOS

A revisão de literatura permitiu a seleção de 40 trabalhos. Alguns foram excluídos por não satisfazerem todos os critérios de seleção. Ao final, 21 trabalhos foram utilizados para metanálise, totalizando 225 entradas (pares com dados de produtividade com uso de fungicida comparados

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Figura 3 - Probabilidade de retorno econômico com aplicação de fungicidas em função do custo total de aplicação e do preço da saca

à testemunha sem aplicação). Os dados levantados foram organizados, gerando gráfico de distribuição de frequência a partir da diferença entre a produtividade da testemunha sem aplicação e o tratamento com aplicação de fungicidas, conhecido como medida de efeito e o erro padrão representado pelas barras (Figura 1). Dentre os estudos, 199 apresentaram acréscimo de produtividade (D>0) com a aplicação de fungicidas. A estimativa metanalítica indicou acréscimo de aproximadamente 660kg/ha (p<0,001), para aplicações de fungicidas no controle de doenças foliares de milho, frente ao tratamento testemunha sem aplicação. Cerca de 30% das entradas não apresentaram diferença estatística (p<0,05) nos estudos originais, demonstrando o maior poder dos testes metanalíticos para detectar pequenas diferenças entre os tratamentos. Estes resultados indicaram que, na média dos casos analisados, o uso de fungicidas permitiu recuperar o potencial produtivo afetado pelas doenças foliares em milho. A probabilidade de obter incremento na produtividade com o uso de fungicidas foi de 95,2%, sendo 82,1% para ocorrer acréscimo de cinco sacas/ha e 56,7% de chance de acréscimo de dez sacas (Tabela 1). Com os resultados em mãos calculou-se a probabilidade de obtenção de lucro, com o uso de fungicidas, em função do preço esperado para venda do milho (Fi-

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gura 2). Neste cálculo estimou-se o custo de controle em R$ 150,00/ha, para duas aplicações de fungicidas, variando-se o preço de venda da saca de milho de R$ 10,00 a R$ 30,00. Vale a ressalva de que se houver alteração no custo de controle também haverá alteração na probabilidade de lucro.

FUNGICIDA COM PRINCÍPIO ATIVO ÚNICO OU EM MISTURA

Os trabalhos com aplicação de produtos com apenas um ingrediente ativo foram obtidos de 48 entradas, enquanto a maioria apresentou resultados para produtos em mistura, geralmente triazol + estrobilurina, com 178 entradas. Os tratamentos compostos por mistura indicaram incrementos maiores na probabilidade, porém a probabilidade de ocorrência de acréscimo mostrou-se similar para os dois tipos de produto (Tabela 2).

EFEITO DO NÚMERO DE APLICAÇÕES

Separando-se os estudos que apresentavam uma ou duas aplicações, observou-se que a maior parte apresentava incremento de produtividade, independentemente do número de aplicações. Contudo, o acréscimo de produtividade para tratamentos com uma aplicação foi menor (Tabela 3). Os resultados mostraram que os tratamentos que utilizaram


ANÁLISE ECONÔMICA

Os dados da metanálise permitiram também estimar as probabilidades de retorno econômico (lucro) em função do preço da saca do milho e do custo total de aplicação (Figura 3). Como esperado, quando o preço da venda do milho está elevado, a probabilidade de lucro aumenta. O mesmo comportamento observa-se quando o custo de controle (aplicação) é reduzido. Vale lembrar que todos os cálculos foram baseados na metanálise de resultados de experimentos publicados entre os anos de 2007 e 2013. Também destaca-se que não foram consideradas na metanálise quais as doenças diagnosticadas em cada trabalho, tampouco o nível de severidade. Em trabalho semelhante realizado para as condições dos EUA, Paul et al (2007) destacaram que a resposta à aplicação de fungicidas estava associada à suscetibilidade, ao potencial produtivo da cultura, ao nível de doença no momento da apli-

cação e à eficiência do produto utilizado. Outra influência na produtividade final foi destacada por Issa (1983), trabalhando com helmintosporiose, causada por Exserohilum turcicum. Nesse caso, quando os sintomas da doença começaram antes do pendoamento, os prejuízos gerados pela doença foram maiores.

CONCLUSÃO

A aplicação de fungicidas na cultura do milho apresentou 95,1% de probabilidade de promover efeito positivo na produtividade, com 82,1% de probabilidade de se alcançar cinco sacas/ha de acréscimo, comparada à testemunha sem aplicação. Quando se comparou o uso de uma ou duas aplicações, concluiu-se que duas aplicações de fungicidas aumentaram as chances de maior produtividade, compaC radas a apenas uma aplicação.

Lucas Henrique Fantin, André Luis da Silva, Marcelo Giovanetti Canteri, Universidade Estadual de Londrina

Tabela 1 - Probabilidade de ocorrência de acréscimo de produtividade em resposta ao uso de fungicidas na parte aérea da cultura do milho Produtividade Decréscimo Acréscimo 5 sc/ha. 10 sc/ha. 12 sc/ha. 15 sc/ha. 20 sc/ha.

Probabilidade (%) 4,8 95,2 82,1 56,7 44,8 28,1 9,2

Kg/ha + 300 600 720 900 1200

Tabela 2 - Probabilidade de acréscimo de produtividade para estudos utilizando produtos com um ingrediente ativo ou produtos em misturas de triazol + estrobilurina Mistura

1 ingrediente ativo Nível Kg/ha <0 >0 + 5 sc/ha. 300 10 sc/ha. 600 12 sc/ha. 1200 15 sc/ha. 1500

% 2 98 91,7 76,5 27,2 1,02

Nível Kg/ha <0 >0 + 5 sc/ha. 300 10 sc/ha. 600 12 sc/ha. 1200 15 sc/ha. 1500

% 0 100 98,1 77 28 1

Tabela 3 - Probabilidade de acréscimo de produtividade na cultura do milho com uso de uma ou duas aplicações foliares de fungicidas, comparada à testemunha sem aplicação 2 aplicações

1 aplicação Nível Kg/ha <0 >0 + 5 sc/ha. 300 10 sc/ha. 600 12 sc/ha. 1200 15 sc/ha. 1500

% 1 99,0 82,7 44,0 7,2 0

Nível Kg/ha <0 >0 + 5 sc/ha. 300 10 sc/ha. 600 12 sc/ha. 1200 15 sc/ha. 1500

% 0 100 99,8 96,1 33,9 6,6

Charles Echer

duas aplicações apresentaram maiores chances de obter acréscimos superiores a 10sc/ha (96,10%) e 12sc/há (33,9%) quando comparados aos tratamentos com apenas uma aplicação, 44% de chances de acréscimo de 10sc/ha e 7,2% de 12sc/ha.

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Garcia e Botelho

Cana

Convívio forçado Migdolus fryanus é uma praga agressiva, que causa prejuízos severos à cultura da cana-de-açúcar nas principais regiões produtoras do Brasil. O manejo integrado para o “convívio” com este inseto exige uma sequência lógica e racional. Devido à sua complexa biologia comportamental, a redução populacional deve ser planejada a longo prazo

E

spécies do gênero Migdolus têm ocasionado prejuízos severos à cultura da cana-de-açúcar, nas principais regiões produtoras do Brasil, e podem atacar outras plantas cultivadas (exemplo: amora, café, eucalipto, mandioca, pastagens) ou nativas (exemplo assa-peixe, cipós nativos), sendo M. fryanus a espécie predominante na cultura da cana-de-açúcar. Os danos são provocados pelas larvas do inseto, que possuem hábito subterrâneo e alimentam-se do sistema radicular, destruindo-o. Em 1992, existia no estado de São Paulo área atingida pelo inseto de, aproximadamente, 50 mil hectares, com prejuízos da ordem de 45 milhões de dólares, o que apontava queda de 25% da produção nas áreas afetadas. Em 1995, incluindo todas as regiões produtoras do estado paulista, estimou-se que as áreas atingidas por Migdolus spp. ultrapassavam 100 mil hectares de cana-de-açúcar. Atualmente, estima-se área superior a 280 mil hectares sob o ataque de Migdolus spp., em diferentes estados produtores de cana-de-açúcar - Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo - proporcionando prejuízos anuais superiores a 252 milhões de dólares. Devido às poucas informações de ordem bioecológica sobre essa praga, ainda não se estabeleceu o nível econômico de danos nem ações eficientes para o seu controle. As perdas provocadas por esse inseto podem variar de 25 toneladas de cana por hectare a 30 toneladas de cana por hectare até a completa destruição da lavoura, resultando na reforma antecipada, mesmo em canaviais de primeiro corte.

ASPECTOS BIOLÓGICOS

A grande dificuldade encontrada para estudar a biologia desse inseto, em condições naturais, é o fato de que as larvas ao se locomoverem pelo solo podem atingir de três metros de profundidade a quatro metros de profundidade, com ciclo biológico muito longo, podendo ultrapassar mais de 12 meses de duração. Os ovos têm formato cilíndrico e cor branco leitoso, medindo

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aproximadamente 4,5mm de comprimento. São depositados individualizados no solo, a uma profundidade que varia entre 1,6m e 4m, provavelmente entre os meses de outubro e março, ocorrência dependente de sua região de incidência. As larvas possuem formato cerambiciforme, de coloração branco leitoso, com pernas atrofiadas, com região anterior do corpo mais avantajada. Nos segmentos abdominais ocorrem expansões dorsais em forma de calombos, mais ou menos oblongas, transversais e as da região ventro-lateral voltadas para a parte posterior do corpo, em arco com o formato de meia-lua. Essas projeções dos segmentos abdominais funcionam como pseudópodos para auxiliar no deslocamento da larva pelo interior das galerias, no solo. Na fase final do desenvolvimento a larva pode atingir aproximadamente 50mm de comprimento. A metamorfose se procede no solo, onde a larva constrói uma câmara pupal. A pupa apresenta coloração branco amarelado e vive neste estágio por um curto período de tempo. Os adultos recém-formados permanecem no interior de câmaras pupais, em dormência, por um período e, por razões desconhecidas, despertam-se coletivamente e vem à superfície para a revoada. Os adultos apresentam acentuado dimorfismo sexual. Os machos possuem antenas maiores e coloração preta (maioria), e são mais abundantes. As fêmeas, por sua vez, menos frequentes, apresentam tamanho menor, antenas menores, coloração castanho-avermelhado ou castanho-escuro, asas posteriores rudimentares muito estreitas, sendo impróprias para voo. O macho, após o começo das revoadas, vive em média de quatro dias a sete dias. As fêmeas podem viver de sete dias a 38 dias e após a cópula ovipositam de 14 ovos a 45 ovos, os quais têm um período de incubação variável de 17 dias a 23 dias.

COMPORTAMENTO

O comportamento reprodutivo de M. fryanus é complexo e característico. Seu desenvolvimento completo - ovo até adulto - se dá dentro do solo, subindo até a superfície, machos e fêmeas, somente para o acasalamento, o qual é antecedido pelas revoadas, que ocorrem em dias com temperatura


elevada e umidade, geralmente após períodos chuvosos. Os adultos na superfície venceram a barreira física do solo através, em parte, de galerias abertas e deixadas pelas larvas em suas andanças antes do processo de construção da câmara pupal e posterior metamorfose para a pupação. Na revoada, os machos vêm à superfície do solo, enquanto as fêmeas procuram se expor menos. Às vezes, limitam-se a liberar o feromônio ainda no interior do canal que as trouxe, sem abandoná-lo de todo, ou caminham sobre o solo, pois são incapazes de alçar voo. Os machos emergem na superfície primeiro que as fêmeas e permanecem pacientemente sobre o solo ou em partes das plantas, até o aparecimento das fêmeas. São atraídos pelo forte feromônio sexual

liberado pelas fêmeas, voam a baixa altura ou caminham rapidamente até as proximidades e a partir daí procuram localizá-la. Com auxílio das mandíbulas prendem a parceira e realizam a cópula. A disputa pelo acasalamento geralmente envolve vários machos e múltiplas cópulas ocorrem em um curto espaço de tempo. Após esse ritual, a fêmea retorna ao solo, geralmente pelo mesmo orifício que a trouxe à superfície. A postura irá ocorrer a diferentes profundidades. Fundamental para o acasalamento,

as revoadas têm duração variada geralmente de sete dias ou mais e ocorrem sempre na mesma faixa de horário no transcorrer do dia. Este horário varia de acordo com a região, geralmente começam ao redor das 7h, com o aparecimento dos primeiros machos, e terminam por volta das 15h. O horário de pico, em que machos e fêmeas estão mais ativos, ocorre entre 10h e 11h.

FLUTUAÇÃO POPULACIONAL

A dinâmica populacional de M.

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Fotos: Garcia e Botelho

Semanalmente, durante o período das revoadas, deve-se fazer a remoção dos insetos capturados Os adultos apresentam acentuado dimorfismo sexual

fryanus é complexa, pois as larvas apresentam grande movimentação vertical no solo ao longo do ano. As maiores populações de larvas na superfície - até 30cm -, atacando consequentemente raízes e a base das touceiras, coincidem com os meses mais frios e secos do ano, ou seja, entre abril e setembro. Após este período, com o surgimento das primeiras chuvas, há drástica diminuição na população nessa profundidade. As revoadas ocorrem entre outubro e fevereiro. A partir de março/abril há novamente o aumento na população de larvas, em parte influenciado pela postura das fêmeas após o acasalamento. Este comportamento varia de acordo com a região e as condições climáticas anuais. Porém, como pode haver sobreposição de gerações, muitas larvas são também encontradas nos períodos de revoadas. Considerando-se a ocorrência anual de revoadas em um determinado local, esse evento pode ser o indicativo da existência de diferentes gerações ocorrendo simultaneamente ali, pois o ciclo biológico completo da praga tem a estimativa média de durar cerca de dois ou três anos.

MONITORAMENTO

O monitoramento é realizado através de levantamentos sistemáticos da população da praga por meio de armadilhas de feromônio - o nome comercial desse feromônio é Migdo -, distribuídas na plantação ao longo dos carrea-

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dores (uma armadilha a cada 50ha). Semanalmente devem ser vistoriadas as armadilhas, sendo aconselhável a troca dos peletes ou pastilhas a cada 30 dias. Diversos tipos de recipientes têm sido adaptados como armadilhas, sendo atualmente muito comum o uso de garrafas plásticas tipo PET, utilizadas em embalagem de refrigerante e água mineral, porém a armadilha tradicional é conhecida como Pitfall. Um dispositivo côncavo (tipo funil) é rosqueado na boca da garrafa contendo o pelete ou a pastilha, sendo enterrada rente ou ligeiramente abaixo da superfície do solo. Semanalmente, durante o período das revoadas, deve-se fazer a remoção dos insetos capturados.

MANEJO INTEGRADO

Devido à complexa biologia comportamental de M. fryanus, sua redução populacional deve ser planejada a longo prazo, por geralmente envolver a sobreposição de gerações. Dessa forma, o manejo integrado para o “convívio” com esta praga deve seguir uma sequência lógica e racional, tendo em vista os investimentos necessários para isto.

CONTROLE CULTURAL

Esse método envolve a necessidade de reformar o canavial e o grande inconveniente de implicar vultuosos gastos econômicos para realizá-lo. Porém, indiscutivelmente é o que mais contribui para reduzir significativamente a

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população da praga. Tem por objetivo, além da morte de larvas pela ação do implemento, a sua exposição a predadores. Para isso, há de se considerar dois pontos importantes: a época da execução do trabalho e o implemento a ser utilizado. Estudos da flutuação de larvas de M. fryanus têm mostrado que a época do ano que se encontra o maior número de larvas nos primeiros 20cm do solo a 40cm do solo coincide com os meses mais frios e secos do ano (março a setembro). Com relação ao implemento a ser utilizado, o Destruidor Mecânico de Soqueira pode reduzir a população das larvas em mais de 80% quando comparado com grades aradoras. A complementação dessa prática com a rotação de cultura é fundamental após esse processo, com objetivo de deixar a área por um maior tempo possível sem a sua principal fonte de alimento, a cana-de-açúcar. O grande segredo para o sucesso no controle dessa praga é manter o solo, com relativa frequência, sendo constantemente manipulado em sua camada mais próxima à superfície (20cm a 40cm) para assim sistematicamente ir eliminando as larvas que ali se aproximam para alimentar ou mesmo a privando disso. Daí, a depender da gravidade do problema, a necessidade de manter o local por um período mais prolongado livre de culturas de ciclo longo, como a cana-de-açúcar, retornando depois desse período ao plantio


A pupa apresenta coloração branco amarelado e vive neste estágio por um curto período de tempo

da cultura.

CONTROLE QUÍMICO

Barreira química - Operação que antecede o sulco de plantio, a barreira química tem por objetivo a completa distribuição de inseticida em subsuperfície, a profundidade variável de 50cm a 60cm. Recomenda-se para esta operação, subsolador devidamente adaptado para distribuição correta da calda (lâmina subsoladora triangular acoplada na extremidade inferior da haste) ou arado de aiveca. Estes devem ser equipados com um conjunto pulverizador autônomo. O conjunto pode ser acionado opcionalmente pela tomada de força ou por motor hidráulico, sendo recomendadas pontas pulverizadoras com jato em leque e indução de ar, instalado atrás de cada “sapata” do subsolador ou do arado de aiveca, para depositar o inseticida em camada contínua, homogênea e em toda a largura de trabalho, formando uma barreira química. O volume de calda, além da escolha correta do inseticida para esta modalidade, é fundamental para o sucesso da operação, onde recomendam-se de 800 litros de calda por hectare a mil litros de calda por hectare. Tem como principais inconvenientes o elevado custo de execução, a contaminação do solo e a destruição de outros organismos não alvo no processo. Sulco de plantio - Com vazão de 250 litros de calda por hectare, no fundo e nas paredes do sulco do plantio, no momento da cobertura dos toletes de cana ou simultaneamente ao processo de distribuição ou plantio mecânico.

Cortador de soqueiras tradicional Nas áreas de cana soca (pós-colheita), o inseticida escolhido deve ser aplicado com implemento específico, que injeta 100% da calda na linha da cana-de-açúcar, a uma profundidade variável de 15cm a 20cm. Para esse método recomenda-se pulverização com volume de água variável de 250 litros a 500 litros por hectare, dependendo da época do ano e do tipo de solo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em razão da biologia, ainda não totalmente conhecida, e do peculiar comportamento, M. fryanus constitui-se em um desafio à convivência, implicando adoção de métodos pouco usuais para o seu controle. Essas ações implicam grandes gastos, onerando a produção em áreas sob ataque da praga. Entretanto, sua baixa capacidade de dispersão constitui fator favorável, restringindo os ataques às áreas onde tradicionalmente ocorre. Outro aspecto positivo consiste em seu longo ciclo de vida, que limita o número de gerações no tempo. Dessa forma, ações de

controle mecânico e/ou por meio de coletas massais de adultos (machos) tendem a contribuir significativamente para reduzir suas populações e os danos. Outra medida, o pousio da área afetada livre de plantas hospedeiras por um período prolongado, de dois a três anos, auxilia na solução do problema. Nesse período a área pode ser explorada com culturas de ciclo curto, com o solo sendo frequentemente trabalhado, através de arações e gradagens em épocas em que há acúmulo de larvas na superfície com o objetivo de eliminá-las. Tal medida constitui alternativa para, quiçá, resolver em definitivo o problema, pela redução expressiva de sua população ou por erradicá-la. Para tanto, o agricultor tem que abrir mão, nesse período, de explorar a área com cana-de-açúcar para posteriormente C voltar com a atividade.

José Francisco Garcia, Global Cana - Soluções Entomológicas

Paulo Sérgio Machado Botelho, Univ. Federal de São Carlos

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Algodão

Questão de sanidade Para alcançar bons níveis de produtividade e produzir fibra de qualidade, cuidados com o material genético e com o estabelecimento do estande inicial da lavoura são imprescindíveis. Ramulose, mofo-branco, tombamento de plântulas e mela estão entre as principais doenças causadas por patógenos transmitidos por sementes na cultura do algodão

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s sementes, como principal insumo, devem merecer maior importância por parte de qualquer segmento agrícola, uma vez que determinados micro-organismos associados podem constituir-se em fator altamente negativo no estabelecimento inicial de uma lavoura. É sabido que a qualidade das sementes é determinada pelo somatório de atributos físicos, genéticos, fisiológicos e sanitários. O aspecto sanitário tem sido um tema amplamente discutido no Brasil e no mundo. Considerando que a semente assume papel


Fotos Cultivar

decisivo na diminuição de riscos, a sanidade de sementes apresenta-se com importância significativa. Como a semente é um insumo básico para a produção da maioria das espécies vegetais de interesse humano (90% das espécies destinadas à produção de alimentos no mundo são propagadas por sementes e estas plantas estão sujeitas ao ataque de doenças cuja maioria de seus agentes causais pode ser transmitida pelas sementes), sua qualidade é um aspecto que exige maior atenção e extremo cuidado por parte dos sistemas de certificação. Vários e evidentes são os exemplos que podem demonstrar a relevância de utilização de sementes sadias e os riscos advindos do emprego de sementes portadoras de agentes patogênicos. No caso específico do algodoei-

A qualidade das sementes é determinada pelo somatório de atributos físicos, genéticos, fisiológicos e sanitários

ro, dentre as doenças de importância econômica que ocorrem nessa culturae que são causadas por patógenos que são transmitidos pelas sementes, merecem destaque a ramulose, causada pelo fungo Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides, e o mofo-branco, que tem como agente causal o fungo Sclerotinia sclerotiorum. Essa associação fungo-semente resulta na introdução de doenças em áreas novas ou mesmo na sua reintrodução em áreas cultivadas. Dessa forma, a única maneira de se resguardar em relação a esses problemas é submeter o lote de sementes ao teste de sanidade (ferramenta eficaz e de baixo custo), que proporciona informações seguras do real estado sanitário das sementes, que podem ser usadas como subsídio para a tomada de decisão quanto ao uso comercial do referido lote. Além dessas doenças transmitidas pelas sementes, merecem destaque aquelas causadas pelo fungo de solo Rhizoctonia solani. Denominados de doenças iniciais do algodoeiro, o tombamento de plântulas e a mela estão amplamente disseminados no Brasil, principalmente nas regiões dos cerrados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Bahia. Favorecidos pela monocultura do algodoeiro, preparo intensivo do solo, alagamento e encharcamento, causam danos significativos na fase inicial de estabelecimento da lavoura, pela redução da população de plantas, levando, muitas vezes à necessidade da ressemeadura. Além disso, a utilização de sementes com baixo vigor, associada ao plantio em épocas favoráveis à ocorrência destas enfermidades, são também fatores predisponentes ao ataque desse patógeno. R. solani é um parasita necrotrófico, habitante natural do solo, polífago (ataca um grande número de espécies vegetais), podendo ser transmitido pelas sementes, porém raramente isto ocorre, motivo pelo qual a semente não é considerada a principal fonte de inóculo desse patógeno. Este patógeno, estando presente no solo e/ou nas sementes, além de ocasionar perdas significativas na fase de plântulas (falha no estande), pode servir ainda como fonte de inóculo para culturas subsequentes. É sabido que a cultura do algodoeiro é atacada por um grande número de doenças fúngicas, que podem causar prejuízos tanto ao rendimento quanto à qualidade das sementes.

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Fotos Augusto César Goulart

Ataque severo da mela, causada pelo fungo Rhizoctonia solani

Entretanto, baseado em critérios de importância, patogenicidade e ocorrência, ênfase maior será dada aos patógenos descritos anteriormente.

SANIDADE DE SEMENTES

A condição sanitária é extremamente importante se for considerado que as sementes são veículos de agentes fitopatogênicos, que nelas podem se alojar e com elas serem levados ao campo, provocando redução na germinação e vigor e originando focos primários de infecção. O objetivo do teste de sanidade de sementes é determinar o estado sanitário de uma amostra de sementes e, consequentemente, do lote que representa, obtendo-se, assim, informações que podem ser usadas para comparar a qualidade de diferentes lotes de sementes ou determinar a sua utilização comercial. Existem vários testes de laboratório que podem ser utilizados para caracterizar o estado sanitário das sementes, sendo que o principal método utilizado na análise sanitária das sementes é o papel de filtro (“blotter”). Em casos específicos, o método pode ser alterado, variando-se a temperatura e o pe-

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ríodo de incubação para detectar patógenos como Sclerotinia sclerotiorum, por exemplo. No caso de Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides, o método recomendado para a detecção desse patógeno nas sementes de algodão é o blotter test. Em relação a Sclerotinia sclerotiorum, que é um fungo não detectável facilmente nas sementes pelo método de incubação em substrato de papel (“blotter test”), métodos específicos foram desenvolvidos com o objetivo de detectar com rapidez e maior precisão esse patógeno, tais como rolo de papel-toalha modificado, blotter test modificado e incubação em meio ágar-bromofenol (neon).

COLLETOTRICHUM GOSSYPII SOUTH VAR. CEPHALOSPORIOIDES COSTA - (C.G.C.)

O patógeno, causador da ramulose, é transmitido tanto externa quanto internamente pelas sementes de algodoeiro, que são o seu mais eficiente veículo de disseminação. O papel das sementes na transmissão do patógeno fica evidente ao constatar-se a doença

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em áreas novas. As taxas de transmissão de C.G.C. planta-semente e semente-planta são bastante elevadas e, por esta razão, a utilização de sementes portadoras do patógeno representa sério risco de sua introdução em áreas novas (taxa de transmissão do patógeno das sementes para a parte aérea do algodoeiro é de aproximadamente 3:1, o que significa que três sementes com C.G.C. representam uma planta no campo com ramulose). Em condições de clima favorável (temperatura de 25ºC a 30ºC e umidade elevada), a doença avança na lavoura, 1m a cada cinco dias. Este patógeno pode ainda sobreviver de um ano para outro em restos culturais e provocar o tombamento de pré e pós-emergência, porém, isso só ocorre quando a incidência desse patógeno nas sementes é elevada (acima de 20%, através de inoculação). De maneira geral, a incidência e a frequência desse patógeno em lotes de sementes são baixas, variando em função da resistência do genótipo. Considerando que, em condições naturais de infecção no campo, a incidência máxima desse patógeno nas sementes tem variado de 5% a 9%, a ocorrência de tombamento no campo devido a este fungo é rara. Lesões deprimidas, pardo-escuras, atingindo grande extensão do colo e da raiz das plântulas, são os sintomas característicos provocados por este patógeno. O tratamento de sementes com fungicidas é a prática mais importante no controle desse patógeno presente nas sementes de algodão. Os fungicidas mais utilizados são vitavax-thiram, vitavax-thiram + carbendazin, carbendazin + pencycuron + triadimenol, carbendazim + thiram, fludioxonil + mefenoxan + azoxistrobina e piraclostrobina + tiofanato metílico + fipronil, nas doses recomendadas pelos fabricantes. Dados de pesquisa têm demonstrado que a eficiência de um determinado fungicida está relacionada diretamente com o nível de incidência dos fungos nas sementes, sendo maior em lotes de baixa infecção. Nesse contexto, o ideal e recomendável do ponto de vista epidemiológico é realizar o tratamento com fungicidas em sementes com baixos níveis de infecção/contaminação, pois nelas o controle é mais efetivo. Além da adoção do tratamento de sementes com fungicidas, o manejo da ramulose envolve outras práticas culturais, principalmente a rotação de culturas e a pulverização de fungicidas na parte aérea das plantas. O cultivo contínuo de algodão e o uso de sementes contaminadas contribuem para o acúmulo de inóculo na área que, associado a períodos prolongados


de chuva, culminam em danos econômicos. Com relação à resistência genética, a cultivar IAC 24 possui bom nível de resistência, sendo consideradas moderadamente resistentes as cultivares BRS Aroeira, BRS Camaçari e BRS Buriti

SCLEROTINIA SCLEROTIORUM (LIB.) DE BARY

Causador da doença conhecida como mofo-branco, S. sclerotiorum é um dos fitopatógenos mais antigos relacionados a doenças de plantas de alto potencial destrutivo. No algodoeiro, o mofo-branco foi constatado pela primeira vez em 1996, na cultivar Deltapine, irrigada sob pivô central, em Paracatu, Minas Gerais. Atualmente esta doença encontra-se disseminada pelas principais regiões produtoras de algodão, tanto em áreas irrigadas como em áreas de sequeiro, com temperaturas amenas (médias abaixo de 25°C), altitudes acima de 500m a 600m e alta umidade do solo, onde encontra condições adequadas para promover epidemias da doença. Como fungo polífago, S. sclerotiorum ataca mais de 75 famílias, 278 gêneros e 408 espécies vegetais cultivadas. Este patógeno tem nas sementes de algodoeiro a sua principal fonte de inóculo primário da doença. A semente, que pode transmitir o fungo tanto por micélio dormente (interno) quanto por escleródios misturados a ela, tem sido considerada como o principal meio de introdução do patógeno em novas áreas, e de reinfestação de locais onde já se faz o manejo do mofo-branco. A transmissão via micélio dormente é baixíssima, mas em áreas novas tem que ser considerada. O fungo, devido à formação de estruturas de resistência (escleródios), é de difícil erradicação após introduzido na área, podendo se estabelecer no solo e se manter viável por aproximadamente 14 meses na superfície do solo e por cerca de 36 meses quando enterrados. Porém, a falta de cuidados com a semente, oriunda de áreas afetadas pelo mofo sem o devido cuidado com o beneficiamento, contribui de forma significativa para a disseminação dessa doença para as regiões produtoras do Brasil. A detecção da presença de uma semente infectada na amostra é preocupante. Para se ter uma ideia do potencial de disseminação desse fungo na lavoura, considerando a cultura da soja, há um exemplo ilustrativo: cada semente produz mais que um escleródio e este, por si, pode produzir 20 apotécios com a capacidade individual de liberar dois milhões

de ascósporos em dez dias. Neste sentido, uma semente tem a possibilidade de produzir, no mínimo, dois milhões de focos de infecção. Assim, a detecção do patógeno em sementes torna-se um dos pontos importantes para tomada de decisão das estratégias de controle a serem utilizadas. As recomendações para o controle do mofo-branco baseiam-se no sistema integrado de medidas, como rotação de culturas com plantas não hospedeiras; formação de palhada homogênea sobre o solo objetivando formar uma barreira física à formação dos apotécios, que necessitam da presença de luz para o seu desenvolvimento; menores densidades de semeadura; espaçamentos entre linhas maiores, permitindo deste modo uma maior aeração das plantas, diminuindo o possível contato de plantas atacadas com asadjacentes; controle biológico (tendo como alvo os escleródios presentes no solo, visando a redução da viabilidade dos mesmos para os próximos cultivos); uso de fungicidas pulverizados na parte aérea e em tratamento de sementes; e utilização de sementes isentas do patógeno, que é a principal maneira de evitar a sua introdução em áreas indenes. Atualmente, o tratamento de sementes com misturas de fungicidas tem sido a maneira mais eficiente de controle de S. sclerotiorum presente nas sementes. Das misturas fungicidas disponíveis no mercado, os melhores resultados no controle de S. sclerotiorum presente nas sementes de algodão estão sendo obtidos com fluazinam + tiofanato metílico, carbendazim + thiram, fludioxonil + mefenoxan + thiabendazole e fipronil + pyraclostrobin + tiofanato metílico, nas doses recomendadas pelos fabricantes.

RHIZOCTONIA SOLANI KUHN TOMBAMENTO DE PLÂNTULAS

O tombamento de plântulas de algodoeiro, causado por Rhizoctonia solani Kuhn, grupo de anastomose AG-4 (teleomorfo: Thanatephorus cucumeris (A.B. Frank) Donk), é uma doença que está amplamente disseminada no Brasil, principalmente nas regiões dos cerrados (onde está 85% do algodão cultivado no Brasil) dos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Bahia. Ocorre na fase de plântula (tombamento de pós-emergência) e ataca as sementes por ocasião da germinação (tombamento de pré-emergência). Os sintomas caracterizam-se inicialmente pelo murchamento das folhas com posterior tombamento das plântulas. Este fungo provoca

O tombamento de plântulas é uma das doenças iniciais que afeta a cultura do algodoeiro

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Fotos Augusto César Goulart

lesões deprimidas e de coloração marrom-avermelhada no colo e nas raízes das plântulas de algodão. O manejo dessa doença deve ser feito de maneira integrada, agregando diferentes táticas de controle. Recomenda-se evitar semeaduras anteriores a meados de outubro, uma vez que baixas temperaturas favorecem a severidade e a incidência do tombamento causado por R. solani. Sob baixas temperaturas, sementes de algodoeiro exsudam maior quantidade de açúcares e aminoácidos, o que é extremamente favorável ao ataque do patógeno. Estas condições atrasam a germinação ou tornam mais lento o processo de emergência, mantendo a plântula em um estágio suscetível por período mais longo. Assim, a necessidade de adoção de medidas de controle, como o tratamento de sementes com fungicidas, tem sido claramente demonstrada sob condições de solo com temperaturas baixas, que assume um importante papel, sendo considerado, até o momento, a principal medida a ser adotada e a opção mais segura e econômica (representa apenas 0,17% do custo total de produção) para minimizar os efeitos negativos desta doença. Os melhores resultados no controle desta doença têm sido obtidos com as misturas fludioxonil + mefenoxan + azoxistrobina; carbendazim + pencycuron + triadimenol; carboxin + thiram; piraclostrobina + tiofanao metílico + fipronil e tiofanato metílico + fluazinam nas doses recomendadas pelos fabricantes. A rotação de culturas e a resistência genética também são táticas de controle importantes neste contexto e devem ser consideradas no manejo do tombamento. Com relação à rotação de culturas, cultivos prévios de braquiária (Brachiaria ruziziensis), aveia-preta, milheto, milho e sorgo forrageiro, além do pousio, são eficientes na redução da população de R. solani do solo, o que resulta em menores índices de tombamento de plântulas de algodoeiro. O

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uso de soja, feijão, crotalária (Crotalaria juncea) e braquiária (Brachiaria ruziziensis) + crotalária (Crotalaria juncea) como culturas antecessoras consistentemente está associado aos maiores índices de tombamento de plântulas de algodoeiro, o que evidencia um aumento da população desse fungo no substrato. Resultados de pesquisa têm mostrado que maiores índices de tombamento são observados com o uso contínuo do algodão sem o tratamento de sementes com fungicidas. Da mesma forma que o uso contínuo do algodão, a utilização de leguminosas contribui para o aumento da população de R. solani no solo, devendo ser evitadas como cultivos prévios à cultura do algodoeiro. Por outro lado, a adoção de gramíneas com características de supressividade a R. solani devem ser as preferenciais como culturas antecessoras ao algodoeiro. Em se tratando da resistência genética como estratégia de controle de R. solani na cultura do algodão, poucas evidências científicas foram encontradas no sentido de afirmar que a resistência genética a esse patógeno existe (supõe-se que a resistência de plântulas de algodoeiro a R. solani seja do tipo poligênica com baixa herdabilidade). Pesquisas têm demonstrado que fontes altamente resistentes não têm sido identificadas, com os resultados mostrando apenas genótipos tolerantes, evidenciando apenas diferença de comportamento de certos materiais frente a esse patógeno. Alguns mecanismos têm sido sugeridos para explicar estas mudanças na resistência, como, por exemplo, que plântulas de algodoeiro tornam-se mais resistentes ao tombamento de R. solani com a idade, em função do aumento da espessura da cutícula, além de aspectos relacionados às defesas bioquímicas (presença em plântulas de algodoeiro de compostos terpenoides, aldeídos, catequinas e polifenóis). Nesse contexto, trabalhos desenvolvidos na Embrapa Agropecuária Oeste, em


com fungicidas eficientes.

MELA

Dourados, MS, identificaram que as cultivares BRS Aroeira, BRS Cedro, BRS Ipê, FMT 701 e CNPA ITA 90 II foram as que apresentaram maior tolerância ao ataque de R. solani, na fase de plântulas. Deve-se enfatizar, entretanto, que os resultados obtidos nesses trabalhos mostraram de forma muito clara que esses níveis de tolerância, sozinhos, são insuficientes para proporcionar efetivo controle do patógeno. Porém, podem ser úteis se integrados a outras estratégias complementares de controle, como o tratamento de sementes

A mela do algodoeiro, doença relativamente nova na cultura, é causada pelo fungo Rhizoctonia solani Kuhn, grupo de anastomose AG-4 HGI (teleomorfo: Thanatephorus cucumeris (A.B. Frank) Donk). Esse grupo de anastomose até então não havia sido relatado no Brasil como patógeno foliar do algodoeiro. Essa doença chama a atenção pela forma peculiar que se apresenta - distinta da forma clássica de tombamento - e pelos danos que vem causando na fase inicial de desenvolvimento da lavoura. O primeiro relato da ocorrência desta doença foi na safra 2004/05, no estado de Mato Grosso. Desde então, está presente também nos estados de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Bahia. Esta doença ataca o algodoeiro na fase inicial de desenvolvimento (fase de plântula- cotiledonar), reduzindo o estande e, em casos mais sérios, levando à ressemeadura, onerando ainda mais o custo de produção e reduzindo o potencial produtivo da lavoura. Os sintomas iniciais caracterizam-se pela presença de lesões nas bordas dos cotilédones. A infecção evolui para o encharcamento (anasarca), seguida de destruição total dos cotilédones com posterior morte da plântula. Importante ressaltar que este fungo, R. solani, já é patógeno na cultura do algodoeiro, causando a doença conhecida como “tombamento”, caracterizada pela formação de lesões no colo e nas raízes das plântulas de algodoeiro, sintomas bem distintos das lesões cotiledonares observadas nas plântulas com mela. Assim, este é o primeiro registro no Brasil da ocorrência de R. solani AG4-HGI em plântulas de algodoeiro. Chuvas frequentes na fase

inicial de desenvolvimento da cultura com posterior alagamento e encharcamento da área de plantio, associada a temperaturas amenas durante a noite, são as condições que mais têm favorecido a ocorrência da mela de uma forma mais severa. Além disso, a monocultura do algodoeiro, associada ao preparo intensivo do solo, contribui de forma significativa para o aumento do potencial de inóculo do patógeno. Com relação ao manejo desta doença, o tratamento das sementes com fungicidas associado a uma pulverização na fase inicial de desenvolvimento da lavoura (fase de plântula - cotiledonar) tem sido a estratégia mais eficiente e viável de controle desta doença. Desta forma, pesquisas desenvolvidas a campo vêm apontando, ao longo dos anos, bons resultados de controle da mela com a adição do fungicida PCNB, na dose de 500g/100kg de sementes às misturas padrões (fludioxonil + mefenoxan + azoxistrobina; carbendazim + pencycuron + triadimenol; carboxin + thiram; piraclostrobina + tiofanao metílico + fipronil e tiofanato metílico + fluazinam) já utilizadas para o tratamento de sementes para o controle do tombamento. Adicionalmente ao tratamento de sementes, quando as condições climáticas estão favoráveis à ocorrência da mela, tem sido realizada uma pulverização com o fungicida azoxystrobin, na dose de 300ml/ha, com bons resultados sendo obtidos. A rotação de culturas também deve ser considerada como mais uma opção neste caso, dando preferência para as gramíneas que apresentem potencial de supressividade C da população de R. solani no solo.

Augusto César Pereira Goulart, Embrapa Agropecuária Oeste


Empresas

Fotos Monsanto

Na mesa

Monsanto realiza evento em São Paulo para apresentar parceiros da plataforma Climate FieldView amplo e conectado conjunto de ferramentas digitais, ao reunir a contínua coleta de dados de campo, modelagem agronômica avançada e monitoramento do tempo local em simples soluções móveis e de web. Os planos de integração entre a plataforma Climate FieldView e esses parceiros serão personalizados com base na oferta de cada empresa e podem incluir uma variedade de opções, tais como a possibilidade de acesso a novos clientes através da plataforma Climate FieldView e a integração de dados, a pedido do agricultor, entre a sua conta e as contas de parceiros para ajudá-lo a obter uma análise mais aprofundada sobre o desempenho de suas culturas durante a safra. Durante o evento, o gerente da Climate para a América do Sul, Pedro Rocha, explicou o papel das startups que fazem parte da parceria com a subsidiária da Monsanto. “Farmbox é uma plataforma única de gestão agrícola que ajuda os agricultores a melhorar a eficiência e a lucratividade através de uma melhor gestão de suas operações. Através de seu próprio aplicativo, que pode trabalhar off-line no campo, os agricultores podem tomar decisões com maior precisão e agilidade. A Aegro é um software de gestão agrícola de fácil utilização que ajuda os agricultores a planejar, registrar, mapear e analisar suas atividades operacionais, acessando todas as suas informações de qualquer lugar e de qualquer dispositivo”, explicou Rocha. Já o Ibra Laboratórios é líder em análise agronômica há mais de uma década, ajudando os agricultores a entender sobre a saúde do campo para maximizar a produtividade das culturas de forma sustentável. “O Ibra oferece uma variedade de técnicas de análise de culturas, mais amplamente reconhecidas por suas capacidades de análise de solo, desenvolvimento de novas tecnologias e soluções que vão do planejamento da amostragem ao diagnóstico com recomendações agronômicas C individualizadas”, detalhou Rocha.

O

correu em dezembro, em São Paulo, a quarta edição do evento na Mesa com a Monsanto. O encontro serviu para anunciar os primeiros acordos de parcerias da plataforma digital Climate FieldView, que pertence à subsidiaria Climate Corporation, firmados com três empresas de tecnologia agrícola líderes do setor: a Checkplant, que atua com o produto Farmbox, a Aegro e o Ibra Laboratórios. “A inclusão desses parceiros sustenta o compromisso da Climate Corporation de oferecer um verdadeiro ecossistema de agricultura digital, através do qual os agricultores podem acessar um amplo e interconectado conjunto de ferramentas, serviços e dados em uma interface única e fácil de usar para otimizar todas as decisões de gestão em suas fazendas”, destacou o presidente da Monsanto para América do Sul, Rodrigo Santos. A plataforma digital da empresa permite gerenciamento via celular, por um aplicativo que fornece aos agricultores um

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Janeiro 2018 • www.revistacultivar.com.br

Rodrigo Santos, presidente da Monsanto para a América do Sul

Pedro Rocha, gerente de produto da Climate para a América do Sul


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