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Cultivar Grandes Culturas • Ano XVIII • Nº 222 • Novembro 2017 • ISSN - 1516-358X
Cultivar
Destaques
Nossa capa
Potencial de danos - 26
A importância de determinar o período crítico do ataque do percevejo barriga-verde nas áreas de cultivo de milho, com base nos estádios de desenvolvimento do inseto e das plantas
Juliano Farias - Phytus Club
Índice Diretas
04
Quantificação de prejuízos de nematoides 05 Resistência genética à ferrugem-asiática 08
Impacto subterrâneo - 05
A redução no retorno financeiro provocada pela incidência de nematoides Meloidogyne javanica nas lavouras
Herbicidas associados na dessecação
12
Preservação de insetos benéficos
16
Empresas - Nidera
20
Nitrogênio em milho e girassol
22
Capa - Percevejo barriga-verde
26
Manejo da broca-do-café
30
Programa de sanidade de sementes
35
Tecnologias contra a mancha de ramulária
36
Aplicação de fertilizante nitrogenado
40
Coluna Agronegócios
43
Coluna Mercado Agrícola
44
Coluna ANPII
46
Novas tecnologias - 36
O emprego de técnicas a partir dos índices de vegetação no combate à mancha de ramulária em algodoeiro
Expediente Fundadores: Milton Sousa Guerra e Newton Peter
REDAÇÃO • Editor
Gilvan Dutra Quevedo
• Redação
Rocheli Wachholz Karine Gobbi
• Design Gráfico e Diagramação
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• Revisão
CIRCULAÇÃO
Aline Partzsch de Almeida • Coordenação Simone Lopes
COMERCIAL • Coordenação
Charles Ricardo Echer
• Vendas
Sedeli Feijó
Rithieli Barcelos José Luis Alves
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• Expedição
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Grupo Cultivar de Publicações Ltda. CNPJ : 02783227/0001-86 Insc. Est. 093/0309480 Rua Sete de Novembro, 160, sala 702 Pelotas – RS • 96015-300 Diretor Newton Peter www.grupocultivar.com cultivar@grupocultivar.com Assinatura anual (11 edições*): R$ 269,90 (*10 edições mensais + 1 edição conjunta em Dez/Jan)
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Por falta de espaço não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@grupocultivar.com Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.
DIRETAS Parceria
A UPL e a Bayer firmaram parceria para o manejo de resistência da ferrugem-asiática no Brasil. A cooperação técnica entre as duas empresas ocorrerá por meio do Programa de Pontos da Rede Agroservices e inclui o fungicida multissítio da UPL, Unizeb Gold, e o fungicida sítio-específico da Bayer, Fox. A iniciativa vem ao encontro da orientação do Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas (Frac) sobre a importância do uso de soluções com modos de ação diferentes, atuando em conjunto na cultura. “Essa é uma cooperação técnica para contribuir com a redução dos impactos da resistência da ferrugem-asiática aos principais ingredientes ativos dos defensivos agrícolas ofertados no mercado brasileiro”, explica o gerente sênior de B2B e Acesso de Mercado da UPL, Giuliano Scalabrin.
Milho
A Nidera Sementes tem realizado uma maratona de eventos para marcar o lançamento da cultivar de milho NS 77 PRO 2, com tecnologia tolerante ao glifosato. Em um dos eventos, na cidade de Lucas de Rio Verde, no Mato Grosso, a empresa reuniu aproximadamente 100 agricultores. Precocidade, com porte de planta ideal para safrinha, alto rendimento e tolerância ao enfezamento, recomendada para a região centro do Brasil, são algumas características da nova variedade, que estará disponível na safra 2017/18. "O lançamento do híbrido NS 77 PRO 2, de genética própria, veio para agregar ao portfólio de milho da Nidera Sementes e para firmar o compromisso com nossos clientes e agricultores", explicou o Marketing e Comunicação Brasil e Paraguai da Nidera Sementes, Nelio Reis.
Aquisição
A Bayer assinou acordo para vender parte dos negócios da Crop Science à Basf por EUR 5,9 bilhões. A transação inclui o negócio global de glufosinato de amônio da Bayer e a tecnologia LibertyLink para tolerância a herbicidas, essencialmente todos os negócios de sementes de culturas de campo da empresa, bem como as respectivas capacidades de pesquisa e desenvolvimento. Os negócios de sementes que estão sendo desinvestidos incluem o negócio global de sementes de algodão (excluindo Índia e África do Sul), os negócios norte-americano e europeu de sementes de canola e também o negócio de sementes de soja. “Com este investimento estamos aproveitando a grande oportunidade de adquirir ativos altamente atrativos para cultivos e mercados que entendemos ser relevantes. Estes investimentos são vistos como complementos estratégicos para o negócio de proteção de cultivos da Basf, negócio este que consideramos estabelecido e muito bem-sucedido”, relatou Kurt Bock, CEO e membro da Junta Diretiva Kurt Bock da Basf.
Cereais
Abordar a tecnologia de toda a cadeia produtiva dos cereais de inverno, da pesquisa à agroindustrialização, é o foco do WinterShow realizado pela Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária (Fapa), que ocorre entre os dias 17 e 19 de janeiro em Guarapuava, Paraná. A Arysta LifeScience é parceira desta iniciativa. “A Arysta está comprometida com a busca de soluções inovadoras e confiáveis. É o caso das Biossoluções, que envolvem o uso de produtos sustentáveis, que respeitam o meio ambiente e proporcionam alta produtividade”, defendeu o gerente de Produtos e Mercados da Arysta LifeScience, Ricardo Dias.
Tecnologias
Aplicativo
A Stoler Brasil acaba de lançar o app Soluções Essenciais. Trata-se de um aplicativo que aproveita a mobilidade do equipamento direto no campo, acessando o conhecimento para o manejo das lavouras nas soluções fisiológicas, nutricionais e biológicas. Os guias de deficiência e fases de desenvolvimento impressos agora estão disponíveis em smartphones, trazendo orientação para o correto acompanhamento das fases e a identificação de deficiências para mais de dez cultivos. "Um dos diferenciais desse aplicativo é a qualidade das imagens, o conhecimento sobre as fases e deficiências em uma interface interativa", conta o gerente de Comunicação da Stoller Sergio Mariuzzo Brasil, Sergio Mariuzzo.
Roberto Berwanger Batista
A Microquímica recebeu autorização do Mapa para o uso de duas novas tecnologias na cultura de soja, a coinoculação, com o uso combinado dos fertilizantes Atmo e AzzoFix, e a proteção biológica por meio do SynFlex para tratamento de sementes com até 30 dias de antecedência à semeadura. “Possibilita aumento de mais de 20% na produtividade por hectare”, informou o diretor técnico da Microquímica, Roberto Berwanger Batista.
Correção
Na edição 221, espaço Diretas, página 5, na nota “Manejo de Doenças”, que aborda a participação da UPL no 50º Congresso Brasileiro de Fitopatologia, onde se lê fungicida Trizimax, leia-se Triziman. O novo produto é uma mistura tripla, com três diferentes modos de ação em formulação WG, desenvolvida para controle de doenças na soja e o manejo de resistência. Triziman possui dois modos de ação sistêmicos e um multissítio.
04 Novembro 2017 • www.revistacultivar.com.br
Soja
Impacto subterrâneo Paulo Sérgio dos Santos
Qual a redução no retorno financeiro por hectare provocada pela incidência de nematoides na cultura da soja? Embora se tenha clara a necessidade de determinação dessas perdas para nortear possíveis tomadas de decisões, ainda são escassos os trabalhos com ênfase nesse assunto. Para tentar preencher essa lacuna estudos com esse enfoque vêm sendo conduzidos no Rio Grande do Sul, em áreas comerciais infestadas por Meloidogyne javanica
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cultivo da soja tem se tornado desafiador nos últimos anos. No intuito de produzir cada vez mais, os produtores vêm enfrentando inúmeros desafios, muito deles em decorrência do sistema agrícola intensivo e altamente produtivo. Um dos principais obstáculos está associado à elevada diversidade de problemas fitossanitários, que podem estar distribuídos nas sementes, raízes e na parte aérea das plantas. Nos últimos anos, o complexo de patógenos habitantes do solo tem
crescido significativamente. Micro-organismos de dificílimo controle atacam o principal órgão da planta (raízes) em seu período mais crítico de desenvolvimento, podendo acarretar perdas no rendimento da cultura. Dentre os diversos grupos de micro-organismos que habitam o solo e podem atacar as raízes da soja, os nematoides parasitos de plantas (fitonematoides) figuram como um dos principais, com perspectivas sólidas de agravamento para os próximos anos. Estes parasitos possuem uma ampla distribuição nas regiões
produtoras do país e são capazes de causar danos significativos à cultura. As espécies mais frequentemente encontradas nas lavouras são os nematoides das galhas (Meloidogyne javanica e M. incognita), o nematoide das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus), o nematoide de cisto da soja (Heterodera glycines) e o nematoide reniformis (Rotylenchulus reniformis). O Instituto Phytus, no Rio Grande do Sul, vem acompanhando, desde a safra 2012/13, a presença de fitonematoides na região Sul do País.
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Fotos Paulo Sérgio dos Santos
Plantas murchas em períodos mais quentes do dia
Folhas amarelecidas e cloróticas
Uma das espécies que têm apresentado maior prevalência na região é o nematoide das galhas (Meloidogyne javanica) (Gráfico 1). Este estudo compilado recentemente, sobre um total de mais de duas mil amostras de solo e raízes de diferentes localidades, mostrou a presença desta espécie em mais de 80% das lavouras coletadas, seguida pelo nematoide de cisto da soja (Heterodera glycines) e o nematoide das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus). Uma das possíveis explicações para a elevada ocorrência de M. javanica pode ser o uso contínuo (monocultivo) de cultivares de soja com alto fator de reprodução, haja vista que, nem sempre, os produto-
res levam em consideração a escolha de materiais com baixo fator de reprodução, para “desacelerar o aumento” desta espécie em suas áreas. Plantas de soja infectadas pelo nematoide das galhas apresentam engrossamentos anormais em seu sistema radicular, comumente conhecidos como “galhas”. Tal evento compromete principalmente o fluxo de absorção e translocação de nutrientes pelas plantas e, a priori, observam-se alguns sintomas na parte aérea, que podem ser variados, como o desenvolvimento irregular das plantas (subdesenvolvimento), folhas amarelecidas com manchas cloróticas, necroses entre as nervuras “carijó”, murchamento em perío-
Manchas e reboleiras em lavoura de soja
06 Novembro 2017 • www.revistacultivar.com.br
dos quentes do dia. Estes complexos de sintomas a campo quase sempre estão dispostos em manchas ou reboleiras. Essas injúrias comprometem fisiologicamente a planta, o que culmina em redução de produtividade. Historicamente, para que se desenvolva um programa bem-sucedido de manejo, se faz necessário conhecer os danos e quantificar as perdas de produtividade das lavouras. Porém, os conceitos de dano e perda são frequentemente confundidos e implicam escolhas equivocadas na hora da tomada de decisão no controle de nematoide. Conceitualmente, dano se refere a toda e qualquer redução na qualidade/quantidade de grãos, podendo ou não levar à perda (mensuração da redução no retorno financeiro por hectare). Embora se tenha clara a necessidade de determinação das perdas causadas pelo nematoide das galhas para nortear possíveis tomadas de decisões, ainda são escassos os estudos com ênfase nesse assunto. Isso ocorre provavelmente em função da alta complexidade desta tarefa, que está relacionada a fatores de difícil previsão. Contudo, nos últimos anos, o Instituto Phytus, no Rio Grande do Sul, tem acompanhado e desenvolvido trabalhos com o objetivo de mensurar as perdas de produtividade na cultura da soja em áreas comerciais
Gráfico 1 - Levantamento de fitonematoides no Rio Grande do Sul
Plantas altamente infestadas com número reduzido de vagens
infestadas por Meloidogyne javanica. Na safra 15/16 foram instalados experimentos no município gaúcho de Júlio de Castilhos, onde foram avaliados parâmetros de desenvolvimento das plantas, como massa seca de parte aérea (MSPA), estatura de plantas (Estat), número de legumes por plantas (N°LEG) e produtividade (Prod). Parâmetros normalmente são afetados sobre o processo de parasitismo de M. javanica. Além disso, durante o desenvolvimento do trabalho coletaram-se amostras de solo e raiz das áreas para quantificação do número de nematoides no solo (Mj-Solo) e nas raízes (Mj-Raiz). Após a obtenção dos resultados dos experimentos aplicou-se uma análise de correlação sobre o valor médio das variáveis obtidas. Diante dos resultados, observou-se que a população de M. javanica no solo (Mj-Solo) apresentou correlação negativa para as variáveis de massa seca de parte aérea (MSPA) (= -0,80**), estatura de plantas (EST) (r=-0,74*), número de legumes por planta (LEG) (r=-0,66) e produtividade (Prod) (=-0,78*) (Tabela 1). Já para a variável população de M. javanica na raiz (Mj-Raiz) foi observada a correlação negativa entre as variáveis massa seca de parte aérea (MSPA) (r=-0,55), estatura de plantas (EST) (r=-0,86*), número de legumes (N°LEG) (r=-0,66) e produtividade (Prod) (r=-0,73*) (Tabela 1). Os resultados das correlações indicaram que as produtividades observadas nestes estudos foram inversamente proporcionais à densidade populacional de M. javanica encontrada no solo e nas raízes, permitindo
inferir que essa espécie influencia diretamente no desenvolvimento das plantas, acarretando em um decréscimo significativo na produtividade final (Tabela 1). Em outras palavras, em solos infestados por este nematoide, a redução na produtividade será certa e dependendo da densidade populacional deste parasito, pode atingir perdas superiores a 90% dentro das reboleiras. Os efeitos do parasitismo de M. javanica no sistema radicular comprometem diretamente o sistema fisiológico da planta, podendo ocorrer agravamento sob condições climáticas adversas como “veranicos”, situação não observada nestes experimentos. Outro ponto a analisar é em relação à densidade populacional na área e a suscetibilidade da cultivar, pois em observações a campo, quanto mais cedo tem ocorrido a infecção de M. javanica nas raízes das plantas, maiores têm sido as perdas. Também se faz necessário apontar a importância de proteger ou Tabela 1 – Coeficiente de correlação de Pearson, entre as variáveis, M. Javanica no solo (MJS), M. javanica na raiz (MJR), Massa seca de parte aérea (MSPA), Número de legumes por planta (LEG), Estatura de plantas (EST) e Produtividade (PROD) Júlio de Castilhos (RS), 2016 PROD Mj-Raiz Mj-Solo N°LEG ESTAT MSPA
PROD Mj-Raiz Mj-Solo 1 -0,73* -0,78* 0,74* 1 1
N°LEG ESTAT MSPA 0,50 0,87** 0,74* -0,83** -0,86* -0,55 -0,66 -0,74* -0,80** 0,77* 0,51 1 1 0,72* 1
Significância dos valores de F: ** = 1 %; * = 5 %.
retardar a infecção inicial deste parasito, seja via tratamento de sementes ou sulco de semeadura, utilizando produtos químicos ou biológicos, sempre que possível associados a cultivares de baixo fator de reprodução. Outra medida extremamente eficiente reside na rotação de culturas com plantas não hospedeiras, que tem o papel de reduzir a população deste nematoide presente no solo a níveis abaixo do limiar de dano. A erradicação ou eliminação dessa espécie quando estabelecida em áreas de cultivo a níveis de dano é praticamente impossível, principalmente pela questão dos custos e pelo tempo de operacionalização para tal. Portanto, destaca-se a necessidade de estudar e conhecer melhor os impactos causados pelo nematoide das galhas, além de determinar as demais espécies que também são problemáticas e geram perdas nas diferentes regiões produtoras do Brasil. Desta forma, cada região terá suas características e realidades conhecidas, de modo a alertar e conscientizar os produtores, técnicos e assistentes agrícolas do risco iminente causado por estes micro-organismos, que crescem safra após safra trazendo prejuízos a produtores de soja de C todo o país. Paulo Santos e Andrezza Lopes Instituto Phytus Natalia Tobin Aita, Leonardo Furlani, Maíne Alessandra Lerner e Leonardo Dill Gularte, Univ. Federal de Santa Maria
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Soja
Tecnologias somadas Phytus Club/Marcelo Madalosso
Em um cenário de crescente perda de sensibilidade do fungo causador da ferrugem-asiática, a resistência genética ganha ainda mais importância, não como alternativa isolada de controle, mas como ferramenta indispensável no manejo integrado dessa doença que desafia a sustentabilidade da soja no Brasil
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esde o primeiro relato da ocorrência da ferrugem-asiática da soja no Brasil em 2001, a doença causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi continua ameaçando o sucesso da cadeia produtiva da soja. Mesmo após muitos anos de “convivência” com a ferrugem, o setor produtivo ainda não encontrou uma solução efetiva para combatê-la. O aumento do número de aplicações de fungicidas a cada safra, com média atual próxima a três aplicações, é reflexo do problema com a ferrugem da soja. Os custos com fungicidas utilizados no controle da ferrugem estão estimados em dois bilhões de dólares anuais, que, juntamente com as
potenciais perdas de produtividade, tornam a doença uma séria ameaça à sustentabilidade de produção de soja no Brasil. Apesar da variação na incidência da ferrugem nas regiões produtoras de soja no país, o mapa de dispersão da doença desenvolvido pelo Consórcio Antiferrugem mostra a sua ampla ocorrência (Figura 1). A doença é de fato recorrente todos os anos, com variações na sua incidência influenciada principalmente pelas condições climáticas, eficiência do vazio sanitário e do controle de plantas de soja voluntárias na entressafra, que geralmente servem como “ponte verde” para o inóculo da safra seguinte.
08 Novembro 2017 • www.revistacultivar.com.br
Apesar da expectativa da efetividade dos fungicidas contra a doença, tem sido demonstrada pela comunidade científica e empresas de agroquímicos uma significativa perda de sensibilidade do fungo aos ingredientes ativos existentes no mercado. Isso ocorre principalmente pelo processo de seleção de indivíduos resistentes presentes em populações do fungo, que associado à sua rápida capacidade de reprodução e dispersão contribui para a rápida perda da eficácia de controle. O Frac Brasil (Comitê de Ação à resistência de fungicidas: http:// www.frac-br.org/soja) apresentou recentemente novas recomendações para o manejo da ferrugem-
Figura 1 - Mapa da dispersão de ferrugem-asiática na safra 16-17 (Consórcio Antiferrugem: http://www. consorcioantiferrugem.net)
-asiática da soja, que são embasadas principalmente na importância de retardar o rápido desenvolvimento de populações resistentes do fungo aos três principais grupos químicos utilizados no controle da doença. Além da perda de sensibilidade do patógeno a fungicidas ofertados no mercado, a preocupação do setor produtivo também existe em função da baixa expectativa de lançamento
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de produtos com alta eficácia contra a ferrugem no curto e médio prazo. Considerando o cenário de baixa eficácia dos principais produtos químicos disponíveis, o uso de cultivares resistentes torna-se uma ferramenta importante no manejo da ferrugem. Atualmente encontram-se disponíveis no mercado as cultivares de soja Inox, com genes de resistência à ferrugem da soja. O
principal mecanismo de resistência dessas cultivares ocorre por uma reação de hipersensibilidade, que pode ser visualmente identificada pela lesão marrom-avermelhada do tipo RB (do inglês, “reddishbrown” – Figura 2). Esse tipo de reação limita o desenvolvimento do fungo no tecido foliar e reduz significativamente a esporulação, limitando o progresso e disseminação da doença. Já as cultivares suscetíveis mostram os sintomas típicos da doença na folha com lesões tipo “TAN”, que possuem estruturas reprodutivas (urédias) com grandes quantidades de uredosporos viáveis. Os uredosporos são facilmente disseminados pelo vento, permitindo rápida evolução da epidemia de ferrugem. No início, os sintomas aparecerem como pequenas pontuações na face inferior da folha, mas em condições favoráveis de temperatura e de elevada umidade, a severidade pode evoluir rapidamente e resultar em amarelecimento e desfolha precoce, consequentemente prejudicando o enchimento de grãos. Apesar da reação de resistência à ferrugem, em situações de elevada incidência da doença, as cultivares resistentes podem reagir com muitas lesões RB e isso pode resultar em perda de área foliar, caso não seja usado fungicida no manejo da doença. Dessa forma, mesmo com o uso de cultivares Inox a aplicação de fungicidas continua sendo fundamental, pois além de reduzir substancialmente o progresso da
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Figura 2 - Lesão tipo TAN, encontrada em cultivares suscetíveis, e lesão de resistência do tipo RB, encontrada em cultivares Inox
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Fotos Claudinei Rios e Luan Cruz (TMG)
Figura 3 - Lenta evolução da severidade de ferrugem na cultivar Inox em comparação A com a cultivar TMG 2187 (suscetível) em ensaio conduzido a campo, com e sem aplicação de fungicidas (testemunha). Média da severidade nas folhas por fase reprodutiva (R1= florescimento; R5=enchimento de grão; R6= granação completa e folhas verdes). Crédito: Ivan Pedro (Fundação MT)
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Figura 5 - Representação de banco de germoplasma com diversidade de genes de resistência à ferrugem da soja, em uma primeira etapa (identificação de fontes de resistência) e em uma segunda etapa, com linhagens de soja já adaptadas e sendo desenvolvidas para lançamento comercial com a tecnologia Inox
doença, conforme resultados de ensaios a campo (Figura 3), sempre haverá necessidade de controle de outras doenças, como mancha-alvo e doenças de final de ciclo (DFCs). Outro papel do uso das cultivares com resistência à ferrugem é a maior flexibilidade para as aplicações de fungicida, pois o mecanismo de ação genético é contínuo, desde o estabelecimento da lavoura da soja até a fase reprodutiva. Isso permite maior segurança do controle em situação de períodos prolongados de chuva, que impossibilitam as aplicações de fungicida ou quando ocorrem atrasos nas aplicações. A contribuição para maior segurança provida por
cultivares Inox em áreas de plantio comercial de soja pode ser observada em áreas de alta pressão da doença (Figura 4). A resistência genética é conferida por genes conhecidos na literatura como Rpp (resistência a Phakopsora pachyrhizi). Atualmente estão reportados sete genes distintos com as siglas Rpp1-7 e para cada um existem diferentes “versões” conhecidas como alelos. Por analogia aos produtos químicos, cada gene poderia ser considerado como um grupo químico com modo de ação diferente, enquanto os alelos seriam as diferentes moléculas dentro de cada grupo. Os genes são encon-
trados em fontes (linhagens de soja – Figura 5) existentes em bancos de germoplasma, que na maioria das vezes não são adaptadas às condições edafoclimáticas do Brasil e, portanto, precisam de um longo trabalho de melhoramento genético para que possam resultar em cultivares que combinem resistência genética com elevado potencial produtivo. Os trabalhos de caracterização das diversas fontes de resistência mostram que existem respostas de hipersensibilidade muito diferentes (Figura 6). A importância da diversidade de genes de resistência à ferrugem se dá justamente pela variabilidade genética existente em populações do
Rogério Medeiros
Figura 4 - Demonstração da contribuição da resistência genética em cultivar Inox para o controle de ferrugem. Ambas as cultivares foram manejadas com o mesmo programa de fungicida. Como a pressão de ferrugem foi elevada, houve amarelecimento e desfolha precoce na cultivar suscetível enquanto a cultivar Inox manteve o vigor vegetativo
10 Novembro 2017 • www.revistacultivar.com.br
Figura 6 - Variação dos tipos de reação de resistência, devido à diversidade de genes existentes em soja, com respostas tipo imune até altamente esporuladas. Os trabalhos de melhoramento da TMG buscam respostas imunes ou resistências que contribuem para baixa esporulação
fungo, onde sempre irá existir algum isolado ou raça que possui habilidade de “quebrar” a resistência de uma variedade, assim como ocorre a perda de sensibilidade a fungicidas. Para evitar a quebra de resistência e aumentar a longevidade do controle genético da doença, múltiplos genes podem ser combinados em uma única variedade. Para isso, é essencial o desenvolvimento de ferramentas de análise de DNA conhecidas como marcadores moleculares, que permitem a seleção eficiente dos genes durante o processo de melhoramento. O melhoramento genético, contudo, demanda tempo, necessitando em média sete anos para o desenvolvimento de uma nova variedade. Pelo elevado investimento no desenvolvimento de cultivares resistentes, o uso de fungicidas também é essencial para preservar a tecnologia genética. Os fungicidas auxiliam na redução da pressão de seleção e eliminam indivíduos do fungo que potencialmente possam “quebrar” a resistência existente nas cultivares. Da mesma maneira, as cultivares com resistência genética podem auxiliar o controle de indivíduos do fungo menos sensíveis aos fungicidas, contribuindo para a longevidade do controle químico no manejo de ferrugem. Por isso, é recomendado que o manejo e o número de aplicações de fungicidas em uma cultivar resistente sejam similares aos de uma variedade suscetível. Diante de toda a complexidade no controle efetivo da ferrugem, fica evidente que o pilar central de manejo seja a redução da quantidade de inóculo do patógeno (leia-se di-
minuição ou eliminação de uredosporos viáveis) durante toda a safra e principalmente na entressafra. Para tanto, não existe uma única solução, mas uma proposta de controle integrado (Figura 7), que inclui: (I) respeitar o vazio sanitário com mínimo de 60 dias e eliminar plantas de soja voluntárias nesse período; (II) dar preferência a cultivares de ciclo precoce e que tenham boa adaptação ao plantio no início/abertura da safra; (III) utilizar cultivares com resistência genética à ferrugem-asiática, atualmente existentes no mercado com a marca Inox; (IV) realizar o monitoramento e o controle rápido com fungicidas nos primeiros sintomas ou preventivo na lavoura, com a adoção de protetores multissítios e a
alternância de fungicidas, seguindo as recomendações dos fabricantes. Por fim, atualmente está claro que a ferrugem-asiática da soja é um problema de segurança nacional. Os impactos socioeconômicos serão catastróficos, segundo os levantamentos feitos pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), caso o Brasil venha a perder as formas de controle à ferrugem. É fundamental que o produtor continue sempre utilizando o conceito de controle integrado de ferrugem, respeitando e preservando as tecnologias atualC mente existentes. Anderson Rotter Meda, Romeu Afonso Kiihl e Alexandre Garcia, TMG
Figura 7 - Sistema de controle integrado da ferrugem da soja com uso de cultivares com resistência
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Plantas daninhas
Associação eficiente Tássia Tuane Moreira dos Santos
Na dessecação de áreas para o cultivo a associação de herbicidas residuais aos de manejo passa a ser uma alternativa interessante. Dentre os produtos que possuem efeito residual e que podem ser associados ao glifosato no manejo de daninhas de difícil controle na dessecação é possível elencar diclosulam, flumioxazin, chlorimuron e imazethapyr
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o Brasil, o sistema de plantio direto (SPD), que tem por fundamentos o não revolvimento do solo, sua cobertura permanente e a rotação de culturas, ganhou espaço considerável entre os produtores de soja nos últimos 50 anos. A área cultivada com a oleagionsa nesse sistema é estimada em 32 milhões de hectares. Para o estabelecimento de plantio direto preconiza-se uma boa formação de palhada sobre o solo. Esse material, quando distribuído uniformemente sobre a superfície do solo, pode agir de forma física, química e biológica sobre o
banco de sementes de plantas daninhas, com consequente diminuição da taxa de germinação e reinfestação da área. Entretanto, nem todas as espécies de daninhas são suprimidas pelos efeitos da cobertura morta. Assim, na dessecação de áreas para o cultivo de culturas, a associação de herbicidas residuais aos de manejo, como o glifosato, passa a ser uma alternativa interessante, pois possibilita o estabelecimento inicial das culturas no limpo, ou seja, sem a presença de plantas daninhas e sua consequente competição com o cultivo. Dentre os herbicidas que possuem efeito residual e que podem ser associados ao
Figura 1 - Reinfestação inicial de plantas daninhas, 31 dias após a dessecação. Jataí, GO, 2014
12 Novembro 2017 • www.revistacultivar.com.br
glifosato no manejo de plantas daninhas de difícil controle na dessecação de áreas pode-se elencar diclosulam, flumioxazin, chlorimuron e imazethapyr. Em pesquisa de campo, a cultivar de soja Monsoy 9144 RR foi semeada no sistema plante-aplique, sobre 4,4t/ ha de cobertura vegetal proporcionada por Urochloa ruziziensis. Na dessecação da cobertura vegetal foram adotados os seguintes tratamentos herbicidas: glifosato + diclosulam sem aplicação complementar em pós-emergência com glifosato (G + D); glifosato + diclosulam em pré-semeadura com uma aplicação
Figura 2 - Densidade relativa de plantas daninhas, 31 dias após a dessecação. Jataí, GO, 2014
Figura 3 - Número de vagens por planta e produtividade de soja. Jataí (GO), 2014
complementar em pós-emergência de glifosato (G + D + G) e a aplicação de glifosato em pré-semeadura com mais uma aplicação em pós-emergência de glifosato em complementação (G + G) (Tabela 1). Todas as aplicações de complementação foram realizadas aos 35 dias após a semeadura (DAS), estágio V4 da soja. Por época da colheita, em avaliação de reinfestação de plantas daninhas na área, foi notória a superioridade do
controle onde houve complementação com glifosato na pós-emergência das plantas daninhas, realizada aos 35 DAS da soja (Figura 1). Nessa pesquisa ficou evidente que o efeito residual do herbicida diclosulam não foi suficiente para excluir a aplicação complementar. Apesar do efeito residual do diclosulam ser de 67 dias quando aplicado em área de plantio direto, a diminuição deste efeito associado à ausência da complementação com glifo-
sato permitiu o sucesso da germinação da sementeira de plantas daninhas, além de rebrotes de braquiária, com consequente reinfestação da área. A presença de palhada pode ter interferido na eficiência do diclosulam, uma vez que a camada de palha pode impedir sua chegada ao solo através da retenção, expondo as moléculas do herbicida a condições favoráveis a diferentes formas de degradação, até que seja levado ao solo pela ocorrência de chuva.
Fotos Tássia Tuane Moreira dos Santos
Tabela 1 - Descrição dos tratamentos Tratamentos 1ª aplicação (pré-semeadura) 2ª aplicação (35 DAS) --G+D glifosato1 + diclosulam2 glifosato G+D+G glifosato + diclosulam glifosato G+G Glifosato Doses: glifosato:1,2 kg ha-1 de equivalente ácido (e.a.); diclosulam: 25,2g ha-1 de ingrediente ativo (i.a.); (1) Roundup WG, 792,5 g kg-1 de e.a., Monsanto do Brasil; (2) Spider 840 WG, 840 g kg-1 de i.a., Dow AgroSciences.
Figura 4 - A) Parcelas de soja tratadas com glifosato e uma aplicação complementar de glifosato (G + G) e a associação de glifosato e diclosulam com uma aplicação complementar de glifosato (G + D + G). B) Parcela de soja tratada com associação de glifosato e diclosulam sem complementação (G + D). Jataí, GO, 2014
Na avaliação de presença de plantas daninhas que foi realizada aos 31 dias após a dessecação foi observado que o picão-preto (Bidens pilosa) era a espécie dominante na área. A alta população do picão-preto indica a grande adaptação desta planta daninha ao SPD, que não foi suprimida pela palhada presente na superfície do solo, além de evidenciar a baixa eficácia do diclosulam no controle residual para esta espécie. Compondo a comunidade infestante, ainda havia outras plantas daninhas que foram encontradas em menor quantidade, como a trapoeraba (Commelina benghalensis), erva-de-santa-luzia (Chamaesyce hirta), braquiária (Brachiaria ruziziensis), capim-colchão (Digitaria insularis) e buva (Conyza canadensis) (Figura 2). A mistura glifosato + diclosulam em pré-semeadura sem complementação também reduziu a infestação de erva-de-santa-luzia e buva nas parcelas. Os tratamentos com a aplicação de glifosato + diclosulam com e sem comple-
mentação (G + D e G + D + G) diminuíram as médias de densidade populacional das plantas daninhas aos 31 dias após a dessecação. O tratamento com a aplicação de glifosato sem herbicida residual aos 35 DAS resultou na maior reinfestação inicial, com a presença de 63,6 plantas m-2 (Figuras 1 e 2). Muitas espécies de plantas daninhas possuem sementes com dormência em vários graus, a fim de garantir emergência sucessiva. Com isso, a ausência do herbicida com efeito residual na dessecação permitiu a germinação do banco de sementes de plantas daninhas alguns dias após a dessecação. As parcelas do tratamento sem a complementação com glifosato resultaram em 50% de dificuldade de colheita, sendo que a maior parte desta infestação foi da própria cobertura vegetal (braquiária) e de picão-preto (Bidens pilosa). A presença da cobertura vegetal proporcionada pela comunidade infestante no momento da colheita pode dificultar a colheita mecanizada, além de influenciar na qualidade
Figura 5 - Reinfestação de plantas daninhas aos 31 dias após a dessecação. À esquerda parcelas de soja tratadas com a associação de glifosato e diclosulam (G+D e G+D+G). À direita parcela de soja tratada apenas com glifosato (G+G). Jataí, GO, 2014
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do grão colhido. As parcelas tratadas com G + D, sem a complementação, resultaram na menor produtividade (Figura 3), em decorrência da maior incidência de plantas daninhas, e consequente competição com a cultura. O efeito residual do diclosulam permitiu o estabelecimento inicial da cultura de soja no limpo, embora não fora o suficiente para suprimir a competição das plantas daninhas com a cultura até o momento da colheita. Somente a associação dos herbicidas não assegura o controle das plantas daninhas durante todo o ciclo da soja. Assim, a aplicação complementar em pós-emergência não pode ser dispensada. Mais estudos com associações para o controle residual sem aplicação complementar devem ser realizados considerando o uso de mais herbicidas com efeito residual. Além disso, a dinâmica desses herbicidas na palhada deve ser averiguada, uma vez que pode influenciar na eficiência dos herbicidas no controle das plantas daninhas dependendo da característica físico-química de cada molécula e das espécies de plantas daninhas que compõem C a comunidade infestante. Tássia Tuane M. dos Santos, Paulo César Timossi, Marcus Vinícius Santana, Suzete Fernandes Lima e Dênio Celestino Gonçalves, Universidade Federal de Goiás
Figura 6 - Cobertura vegetal proporcionada por Urochloa ruziziensis. Jataí, GO, 2014
Insetos
Exército do bem
Adeney Bueno
“Inseto bom é inseto morto!” tem sido o pensamento recorrente entre muitos agricultores que temem a redução na produtividade pela mera presença destes animais nas lavouras. Entretanto, é importante salientar que nem todos os insetos, ácaros, fungos ou bactérias consomem plantas. Alguns desses organismos, inclusive, se alimentam das pragas que comem os cultivos. São os responsáveis pelo controle biológico natural, e saber como mantê-los ativos nas áreas de cultivo é muito importante para reduzir os problemas com pragas e diminuir os custos com inseticidas é necessário aplicar inseticidas, fungicidas ou herbicidas para matar espécies daninhas que possam estar ocorrendo? A reposta simples para esse dilema é escolher bem o agroquímico a ser aplicado, priorizando os mais seletivos aos organismos benéficos. Defensivos seletivos são aqueles que são eficientes contra a espécie-alvo, mas não matam os organismos benéficos. Mesmo um produto não sendo seletivo, pode ser aplicado de forma seletiva, o que também contribui para a preservação dos inimigos naturais na lavoura. A seletividade, de maneira geral, pode ser classificada em fisiológica e/ou ecológica, sendo ambas complementares e de grande importância na preservação dos inimigos naturais.
SELETIVIDADE DE AGROQUÍMICOS AO CONTROLE BIOLÓGICO Seletividade ecológica
A
o notar a presença de insetos nas lavouras se pode pensar que estão se alimentando das plantas cultivadas, causando prejuízos. Entretanto, existem muitos insetos/ ácaros que consomem outros insetos/ ácaros, reduzindo a população das pragas naturalmente nas lavouras. Para ilustrar a importância desses pequenos organismos, de grande valor para a sanidade das lavouras, é possível citar: 1) Geocoris sp., conhecido como percevejo olho-grande, é um predador que tem a capacidade de consumir aproximadamente nove ovos da lagarta-da-soja por dia. 2) Nabis sp. pode consumir 21 ovos ou mais de três lagartas-da-soja por dia. 3) Callida sp. come cerca
de 65 lagartas-da-soja para completar seu ciclo de vida. 4) Calosoma sp. pode matar mais de 22 lagartas-da-soja por dia. 5) Trichogramma sp., uma pequena vespinha de menos de 0,5mm, quase imperceptível devido ao seu tamanho diminuto, pode parasitar e matar até 50 ovos das lagartas em poucos dias. Depois de conhecer esses números, se consegue imaginar o potencial desse exército do bem que protege os cultivos contra o ataque de pragas. Portanto, reconhecer esses organismos e saber como preservá-los ativos em campo é de grande importância para o manejo sustentável da lavoura. Como posso manter esses organismos benéficos vivos no campo se muitas vezes
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A seletividade ecológica é o emprego de defensivos de maneira ecologicamente seletiva, que minimizem a exposição dos inimigos naturais a esses químicos e que, ao mesmo tempo, controlem os insetos-praga. Um exemplo de seletividade ecológica na cultura da soja é o emprego de inseticidas em tratamento de sementes em substituição ao uso de inseticidas em pulverização junto à dessecação, por exemplo. O uso de tratamento de sementes faz com que os inseticidas atinjam apenas as pragas que se alimentam da planta, preservando seus inimigos naturais que não entram em contato com o produto. Outro exemplo de seletividade ecológica na soja é para a aplicação de inseticidas no controle de percevejos. Os inseticidas para controle de percevejos existentes no momento não são seletivos fisiologicamente para maioria dos inimigos naturais. Entretanto, se a amostragem de pragas for efetuada com
Jovenil J. Silva Jovenil J. Silva
Adair V. Carneiro
Percevejo predador Geocoris sp. na fase adulta
Nabis sp. se alimentando de uma lagarta-da-soja
Besouro predador Callida sp.
frequência, é possível notar quando os percevejos estão no início da colonização da lavoura. Neste cenário, é comum ocorrer situações onde as populações de percevejos estão muito altas na bordadura da lavoura, mas praticamente ausentes na parte central. Nessas situações é possível pulverizar apenas a bordadura da lavoura, mantendo-se um refúgio para os inimigos naturais na área central não pulverizada.
cados em pulverização na cultura. Esses produtos, por não serem denominados inseticidas, são, muitas vezes, considerados inofensivos para os agentes de controle biológico, mas podem também ter efeitos nocivos sobre esses inimigos naturais. Em geral, os inseticidas reguladores de crescimento são destacados pela sua seletividade aos agentes de controle biológico. Apesar dessa maior seletividade dos inseticidas reguladores de crescimento de insetos (conhecidos popularmente como “fisiológicos”), estudos de seletividade realizados com Trichogramma pretiosum mostraram que podem, algumas vezes, ser classificados como nocivos, dependendo da dose do produto testada e da fase de desenvolvimento do parasitoide utilizada no bioensaio. Portanto, sempre que a seletividade de um agroquímico é avaliada, torna-se de extrema importância considerar a dose, a espécie e a fase de desenvolvimento do inimigo natural avaliado, visto que estas variáveis têm influência crucial nos resultados obtidos e sua alteração pode mudar a classificação, entre seletivo e nocivo, de um defensivo. Neste cenário, os estudos de seletividade ganham impulso nos últimos anos e especial atenção tem sido dedicada aos parasitoides de ovos, principalmente Trichogramma, existindo um volume satisfatório de estudos sobre
o impacto de inseticidas sobre esse gênero. A importância desses resultados deve-se também ao fato de que os insetos do gênero Trichogramma são, geralmente, muito sensíveis à ação de agroquímicos. Sendo assim, sua utilização nos ensaios de seletividade pode, eventualmente, até ser vislumbrada como potenciais bioindicadores para essa análise, sendo que, muito provavelmente, os químicos seletivos à Trichogramma possam ser também seletivos aos demais artrópodes benéficos da soja de tamanho maior e geralmente mais tolerantes aos efeitos desses produtos. Produtos estudados até o momento, que foram considerados seletivos a Trichogramma sp., estão destacados no Quadro 1. Se por um lado os reguladores de crescimento de insetos são, em geral, mais seletivos aos inimigos naturais, por outro lado, os inseticidas do grupo dos piretroides (neurotóxicos) são normalmente considerados menos seletivos. Sempre que possível, os inseticidas menos seletivos aos inimigos naturais devem ser substituídos por produtos mais seletivos na aplicação. É lógico que a seletividade aos inimigos naturais não é o único fator a ser comparado na escolha do melhor defensivo, pois eficiência, disponibilidade no mercado e preço, entre outras variáveis, são sempre
Seletividade fisiológica
A seletividade fisiológica é inerente ao produto químico, e é relacionada à tolerância de um inimigo natural quando submetido ao contato direto aos resíduos ou à ingestão de um agroquímico específico. Os produtos mais adequados para o manejo integrado de pragas (MIP) são aqueles que combinam um bom controle da praga-alvo com o mínimo impacto sobre a atividade dos inimigos naturais presentes nesse agroecossistema (produtos seletivos fisiologicamente ou ecologicamente), sendo essa integração do controle químico e biológico crucial para o sucesso da lavoura. Ao ressaltar a importância do uso de defensivos agrícolas seletivos na sojicultura, é importante considerar não somente os inseticidas e acaricidas, mas também herbicidas, fungicidas, adubos foliares e outros químicos que são apli-
Adair V. Carneiro
Jovenil J. Silva
Adulto do besouro predador Calosoma sp.
também analisados pelo produtor na escolha do produto a ser aplicado. Vale ressaltar, entretanto, que o preço, apesar de importante, não pode ser fator decisivo de escolha do inseticida. Muitas vezes, é possível optar por produtos mais baratos a princípio, mas que acabam matando os inimigos naturais, fazendo com que as lavouras tenham mais pragas devido ao desequilíbrio ecológico que causam. Assim acaba que essa lavoura desequilibrada necessita de mais inseticidas no total. Esse é o verdadeiro “barato” que sai “caro”, pois surtos de pragas secundárias ou a ressurgência da praga-chave trazem a necessidade de mais aplicações de defensivos, fazendo com que o agricultor, no total da safra, acabe gastando mais do que se tivesse optado por produtos mais seletivos desde o início, que preservassem os inimigos naturais, mesmo que esses inseticidas pudessem ser mais caros na comparação simples do valor da aplicação por hectare.
Parasitoide Trichogramma sp.
Um bom exemplo do valor econômico da seletividade do inseticida para o bolso do produtor está demonstrado na tese de doutorado de Talita Alexandre (2010). Em áreas com diferentes inseticidas utilizados no controle da lagarta-da-soja, onde se aplicaram os produtos mais seletivos aos inimigos naturais (baculovírus anticarsia e inseticida regulador de crescimento), houve menor problema com a lagarta-falsa-medideira (Figura 1). Em áreas onde se aplicaram produtos do grupo dos piretroides, devido a seus efeitos nocivos aos inimigos naturais, um número maior de aplicações de inseticidas foi necessário e, mesmo assim, o surto da lagarta-falsa-medideira acabou sendo maior. O baculovírus anticarsia não tem qualquer controle sobre a lagarta-falsa-medideira, mas ao preservar os inimigos naturais, devido à sua seletividade, não permitiu um surto tão grande desta praga. Este é um excelente exemplo prático de que
o tratamento mais seletivo sem impacto nos agentes de controle biológico natural, efetivamente evitou um surto de outra praga (no caso da lagarta-falsa-medideira), enquanto os inseticidas químicos, devido aos seus impactos em inimigos naturais, resultaram em maior número dessa praga. Não apenas os produtos denominados inseticidas, mas qualquer químico aplicado sobre as plantas como defensivo ou estimulante deve ser avaliado também quanto à sua seletividade aos inimigos naturais. Por exemplo, os herbicidas e fungicidas, na maioria das vezes, são negligenciados nesse aspecto e podem também ter efeito sobre o controle biológico. A aplicação de defensivos pode ter efeitos danosos não somente aos parasitoides e predadores, mas também sobre fungos entomopatogênicos, interferindo no seu papel de agente de controle natural e ocasionando surtos de pragas anteriormente controladas. Divulgação
Figura 1 - População da lagarta-falsa-medideira após aplicação de diferentes inseticidas (Alexandre, 2010)
Bueno, Bruna, Ana Paula e Jaciara ressaltam a necessidade de preservação de insetos benéficos para as lavouras
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A IMPORTÂNCIA DA PRESERVAÇÃO DOS FUNGOS ENTOMOPATOGÊNICOS
Em muitos sistemas agrícolas, como a soja, por exemplo, os fungos entomopatogênicos são importantes agentes de controle natural de diversas espécies de insetos e ácaros. Frequentemente, no campo, as doenças entomopatogênicas passam despercebidas para a maior parte dos agricultores e técnicos, mas a sua supressão (pela aplicação abusiva de defensivos e de produtos não seletivos) pode ter consequências econômicas negativas importantes. Na cultura da soja, experimentos de campo têm demonstrado que aplicações de fungicidas como benomil ou difenoconazole podem estimular a incidência de maior número de lagartas nas áreas tratadas, pela supressão de um dos inimigos mais importantes das lagartas da soja, o fungo Metarhizium rileyi. Além dos fungos M. rileyi e Beauveria bassiana, ocorrem outros fungos menos conhecidos, porém não menos importantes. Os fungos da ordem Entomophthorales são importantes agentes de controle natural de inúmeras pragas. Por exemplo, Zoophthora radicans e Pandora gammae no controle da lagarta-falsa-medideira e Neozygites spp. no controle de ácaros fitófagos.
USO RACIONAL DE DEFENSIVOS
Além de priorizar o uso de agroquímicos seletivos no MIP, é importante que sejam utilizados no momento certo. O uso racional de defensivos é também de extrema importância para preservação do controle biológico. A hora certa de usar inseticidas na lavoura é, muitas vezes, uma dúvida entre os sojicultores. O produtor de soja não deve utilizar o controle em qualquer infestação de pragas. A aplicação de inseticidas precisa ser racional e econômica sendo, portanto, somente justificável quando a população da praga estiver em níveis reconhecidamente que ameacem a lucratividade da lavoura. Neste contexto, a menor população de pragas que é capaz de causar danos econômicos às plantas é definida como o Nível de Dano Econômico (NDE). No entanto, para evitar que o NDE seja atingido, várias variáveis devem ser levadas em consideração, como o tempo necessário para que as medidas de controle se tornem efetivas contra essas pragas; condições climáticas que podem retardar a implementação de uma medida de controle, entre outros.
Quadro 1 - Exemplos de produtos seletivos à fase de pupa e/ou adulto de espécies do parasitoide Trichogramma spp. Produto (i.g) Clorantraniliprole (0,2 g i.a L-1) Flubendiamida (0,4416 g i.a L-1) Diflubenzuron (0,48 g i.a L-1) Bifentrina (0,324 g i.a L-1) Baculovírus anticarsia (140 x 109 cpi) Bacillus thuringiensis (16,8 g) Óleo de neem (9,6 ppm) Rotenoides (4% 4 L) Triflumuron (0,2 ml i.a L-1) Flufenoxurom (10 g i.a.ha-1) Diflubenzuron (20 g i.a.ha-1) Bifentrina (5 g i.g. ha-1) Metoxyfenozide (36 g i.a. ha-1) Clorfenapir (0,60 g i.a L-1) Etofenprox (0,10 g i.a L-1) Alfa-cipermetrina/teflubenzuron (0,0425/0,0425g i.a L-1) Clorfluazuron (10 g i.a ha-1) Triflumuron 14,4 g i.a ha-1) Alfa-cipermetrina (10 g i.a ha-1) Zeta-cipermetrina (10 g i.a ha-1) Methoxyfenozide (19,2 g i.a ha-1) Teflubenzuron (12 g i.a ha-1) Endosulfan (525 g i.a ha-1) Acetamiprido (0,05 g i.a. L-1) Imidacloprido (0,14 g i.a L-1) Lufenuron (0,04 g i.a L-1) Novaluron (0,02 g i.a. L-1) Piriproxifen (0,1 g i.a L-1) Methoxyfenozide (240 g i.a L-1) Clorantraniliprole (350g i.a kg-1) Metharhizium anisopliae (Metsch.) (50g i.a kg-1) Trinexapaque-etílico (10g i.a. L-1) Metarhizium anisopliae (0,08 x1011 conídios L-1) Sulfometurom-metílico (0,495 g i.a L-1) Indoxacarbe (150 g i.a L-1) Flubendiamida (480 g i.a L-1) Acefato (750 g. i.a L-1)
Fase do inseto Adulto Pupa S S S S S S NS S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S NS S
Referência Barros (2016)1 Barros (2016)1 Barros (2016)1 Barros (2016)1 Silva e Bueno (2015)1 Silva e Bueno (2015)1 Silva e Bueno (2015)1 Silva e Bueno (2015)1 Goulart et al. (2012)1 Carmo et al. (2010)1 Carmo et al. (2010)1 Carmo et al. (2010)1 Carmo et al. (2010)1 Souza et al. (2014)1 Souza et al. (2014)1 Souza et al. (2014)1 Bueno et al. (2008)1 Bueno et al. (2008)1 Bueno et al. (2008)1 Bueno et al. (2008)1 Bueno et al. (2008)1 Bueno et al. (2008)1 Bueno et al. (2008)1 Carvalho et al. (2010)1 Carvalho et al. (2010)1 Carvalho et al. (2010)1 Carvalho et al. (2010)1 Carvalho et al. (2010)1 Rodrigues et al. (2017)2 Oliveira et al. (2013)2 Oliveira et al. (2013)2 Nunes (2013)2 Nunes (2013)2 Nunes (2013)2 Paiva (2016) 1 Paiva (2016) 1 Paiva (2016) 1
1Trichogramma pretiosum. 2Trichogramma galloi. S = Seletivo. NS = Não seletivo. - Não avaliado.
Assim, a decisão sobre o controle de pragas deve ser realizada com frequência, antes do NDE ser alcançado. O momento certo para começar o controle de uma praga e evitar que a população de pragas atinja o NDE e cause prejuízos é o Nível de Ação (NA). Portanto, o NA representa o momento economicamente correto que uma praga deve ser controlada para evitar qualquer prejuízo econômico. Na cultura da soja, a Embrapa Soja vem conduzindo vários trabalhos sobre NA e os desfolhadores devem ser controlados quando houver 30% de desfolha no período vegetativo e 15% no reprodutivo. Para percevejos, o NA é de dois ou mais percevejos maiores que 0,5cm por metro quando a soja for destinada à produção de grãos ou um per-
cevejo quando a lavoura for de produção de sementes. Respeitar os níveis de ação recomendados à cultura da soja para um uso racional de agroquímicos (quando necessário) e priorizar os produtos mais seletivos aos inimigos naturais são a chave para preservar o controle biológico natural ativo na lavoura, atitude essencial para reduzir os problemas com pragas e diminuir os C gastos com inseticidas. Adeney de Freitas Bueno, Embrapa Soja Bruna Magda Favetti, Iapar Ana Paula de Queiroz e Jaciara Gonçalves, UFPR
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Empresas
Para a safrinha
Fotos Nidera
Lançamento da Nidera para a safra 2017/18, o híbrido de milho NS 77 PRO2 chega ao mercado com um pacote tecnológico para atender produtores da região Centro-Oeste
A
Nidera Sementes realizou uma sequência de eventos no mês de outubro nos estados do Mato Grosso, Minas Gerais e Goiás para lançar o híbrido de milho NS 77 PRO2, já disponível nessa safra 17/18. O produto é resultado de um novo e bem-sucedido programa de melhoramento que busca aliar alto potencial produtivo, defensividade e precocidade. Desenvolvido a partir das estações de pesquisa da Nidera Sementes de Sorriso, Mato Grosso, e Uberlândia, Minas Gerais, o NS 77 PRO2 foi testado em mais de 300 locais ao longo dos últimos quatro anos, sendo avaliado diante das mais diferentes condições de solo, de clima e época de semeadura.
Os resultados, segundo o fabricante, demonstraram excelente potencial produtivo, estabilidade e segurança para os cultivos de 2ª safra. “Comparado aos melhores produtos que o mercado oferece, o NS 77 PRO2 foi destaque em todos os ambientes em que foi avaliado e apresentou resultados de produtividade superiores aos concorrentes”, explica o coordenador de Marketing e Comunicação Brasil e Paraguai da Nidera Sementes, Nélio Reis. O novo híbrido se caracteriza como uma planta de porte baixo (2,15m), inserção de espiga baixa (1,15m), espigas de 16 fileiras a 18 fileiras em formato cilíndrico e de grão semiduro alaranjado. “Além do porte de planta mais adequado aos cultivos de 2ª safra,
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apresenta ótima capacidade de enraizamento e excelente colmo, características que se traduzem em uma colheita com o estande de plantas íntegro até o final do ciclo de cultivo”, garante Reis.
TECNOLOGIAS
A NS 77 PRO2 traz também a tecnologia para milho VT PRO 2, uma ferramenta que auxilia no controle da lagarta do cartucho, da lagarta da espiga e da broca do colmo. Também oferece tolerância ao herbicida glifosato, tornando-se mais uma ferramenta de manejo para o produtor controlar de forma mais eficaz as plantas daninhas que competem com o milho por água, luz e nutrientes. O híbrido possui tolerância ao enfezamento do milho
Nélio Reis fez questão de ressaltar o bom desempenho do híbrido de milho NS 77 PRO2
Sequência de eventos tem marcado o lançamento do híbrido de milho NS 77 PRO2
e grande resistência ao complexo de doenças da cultura. O NS 77 PRO2 é recomendado para as condições de 2ª safra do Cerrado e do Sul do Brasil, com posicionamento de semeadura para janeiro até metade de fevereiro e populações entre 60 mil plantas/ha e 65 mil plantas/ha. Já em semeaduras de fechamento é recomendado o uso de populações entre 55 mil plantas/ha e 60 mil plantas/ha. A Nidera Sementes tem um grande portfólio que engloba cultivares de soja e milho adaptáveis para todo o Brasil. “O principal motivo do crescimento do portfólio de milho é a qualidade técnica das nossas sementes. O híbrido NS 77
PRO2 veio para agregar, e para chegar neste produto de alta performance de produtividade, precocidade, tolerante ao enfezamento, foram mais de sete anos de pesquisa e testes em todo o território brasileiro”, explicou o gerente de Desenvolvimento de Produto Brasil e Paraguai, Alexandre Mansani. Com o objetivo de se tornar a maior empresa de sementes do Brasil nos próximos anos, a Nidera está passando por grandes transformações positivas, explicou o diretor Comercial Centro, Igor Lyra. Para isso, o projeto está alicerçado em três principais pontos: melhoramento - com materiais competitivos -, volume e qualidade da
Mansani destacou a qualidade técnica das sementes com a marca Nidera
semente. “Com isso, podemos atender a necessidade dos nossos clientes de forma excelente. Estamos buscando parcerias sólidas e consistentes para ser a melhor empresa de sementes no Brasil”, destacou. Lançamentos como este fazem parte do compromisso da empresa de forte crescimento até 2020. “Para ser a melhor empresa do mercado, precisamos também reforçar o relacionamento com acionistas, colaboradores, agricultores e parceiros. E para isso acontecer, vamos fazer todas as partes do processo com qualidade, começando na pesquisa até chegar ao campo”, finaliza Nélio Reis. A previsão é de que aproximadamente 80 mil hectares sejam plantados com o híbrido NS 77 PRO2 já na próxima safrinha nos estados do Mato C Grosso, Minas Gerais e Goiás.
Lyra explicou as transformações pelas quais a empresa tem passado com objetivo de se tornar líder do setor no Brasil
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Milho
Dose equilibrada
Raphael Maia Aveiro Cessa
Essencial para o crescimento e o desenvolvimento de plantas de milho e de girassol, o nitrogênio é extremamente importante para ambas as culturas. Por isso a importância de determinar com equilíbrio as doses de adubação deste elemento, que ao mesmo tempo em que privilegiem aspectos de produtividade sejam também viáveis economicamente
A
medida que a agricultura torna-se mais competitiva o custo de produção nos seus vários níveis de tecnologia transforma-se em importante instrumento do processo de decisão da administração rural, embora existam dificuldades de estimá-los (Martim et al., 1994). Confresa é o município mais populoso da região denominada Araguaia – Xingu, inserido a noroeste do Mato Grosso. Este município insere-se na transição dos Biomas Cerrado e Floresta Amazônica, entre os paralelos 10º a 11º e os meridianos 51º a 53º. Com 24.293 habitantes (IBGE, 2012), a população do município distribui-se 34,80% na zona urbana e 65,20% na zona rural. Segundo Zanatta (2013), o município de Confresa “cresce” acima da média nacional em demanda por crédito
e em ritmo empresarial no cultivo de soja e milho, de forma integrada com a pecuária, bem como a construção de gigantescos armazéns para depositar a produção dos grãos. O Banco do Brasil, por exemplo, elevou em 2.000% seus “negócios” rurais nos últimos cinco anos. Problemas logísticos como preços de frete, rodovias e estradas inacabadas e/ou em péssimo estado de conservação, baixa fertilidade dos solos ocupados por anos com pastagens sem aporte de corretivos e fertilizantes e falta de estruturas armazenadoras de produção influenciam os componentes dos custos de produção. O crescimento de áreas agrícolas cultivadas no município de Confresa demanda, portanto, estudos econômicos para que agricultores, agropecuaristas e grupos econômicos atuantes
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no setor agrícola possam entender de forma mais concisa os fatores geotécnicos e econômicos que influenciam, de alguma forma, sobre a participação quantitativa dos componentes do custo de produção daquele município. Dessa forma, poderão embasar-se melhor no momento de planejar ações importantes à obtenção dos lucros. O nitrogênio (N) é essencial para o crescimento e desenvolvimento das espécies vegetais, pois, presente na composição das mais importantes biomoléculas, tais como ATP, NADH, NADPH, clorofila, proteínas e inúmeras enzimas (Miflin & Lea, 1976; Harper, 1994; Marschner, 1995; Malavolta, 2006). A baixa eficiência das adubações nitrogenadas está relacionada ao grau de recuperação desse elemento pelas plantas, alcançando em muitos casos
Fotos Raphael Maia Aveiro Cessa
Áreas cultivadas com girassol nas safrinhas de 2015 e 2016 no município de Confresa, no Mato Grosso
menos de 50%, devido à lixiviação, volatilização de amônia, desnitrificação, erosão e imobilização microbiana (Bredemeier & Mundstock, 2000; Chavarria & Mello, 2011). Associados a esses fatores está, ainda, o elevado custo das adubações nitrogenadas (Döbereiner, 1990). No caso do milho, por exemplo, o N é o elemento nutricional de maior custo no sistema de produção da cultura (Cantarella & Marcelino, 2008). A dose máxima econômica de fertilizantes pode ser entendida quando o valor do aumento em produção é igual ao custo do fertilizante, sendo que um acréscimo proporcional do fertilizante não será pago pelo aumento monetário na produção (Raij, 1991). A orientação do técnico neste caso é a lei das proporções variáveis, também denominada lei dos rendimentos decrescentes ou lei dos acréscimos não proporcionais, que pode ser assim enunciada: se a quantidade de um fator produtivo for aumentada por incrementos iguais, permanecendo fixas as quantidades de outros fatores, os acréscimos na produção correspondentes poderão crescer a princípio, mas decrescerão depois de certo ponto (Zagatto & Pimentel Gomes, 1960). O objetivo deste trabalho foi estimar as doses de nitrogênio máximas econômicas aplicadas a lanço, em cobertura às plantas de milho e girassol cultivadas nas "safrinhas" de 2015 e 2016 em Confresa, Mato Grosso, Brasil. O experimento foi conduzido no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso – campus
Confresa, em área cultivada anteriormente com soja. O milho (Down AgroSciences Power Core 22M12VIP) e girassol (M734) foram semeados respectivamente em fevereiro e março, nas datas 26/02/2015 e 11/02/2016 e 28/03/2015 e 27/03/2016 no espaçamento de 0,50cm entre linhas estabelecendo-se população final de 3,1 plantas por metro linear e 4 plantas por metro linear. A quantidade de fertilizante fornecida em atendimento à adubação com P2O5 e K2O deu-se considerando-se os valores da análise química do solo e a recomendação de adubação para essas culturas segundo Ribeiro et al. (1999). Ainda, na linha de semeadura, foram adicionados 25kg/ha de N. O delineamento experimental utilizado foi blocos casualizados com fornecimento de 0,0 20,0, 40,0, 60,0 80,0 e 100,0kg/ha de nitrogênio a lanço no estádio fenológico V6 para o milho e girassol com uso de ureia e quatro repetições. A produtividade estimada em kg/ha de grãos de milho ou girassol ajustada à umidade de 14% (característica avaliada) permitiu a determinação da dose de N de máxima produção (DNMP) e dose de nitrogênio máxima econômica (DNME) por meio de equação de regressão polinomial de 2ª ordem conforme descrito por Raij (1991). Para tal, foram considerados também os valores de comercialização de R$ 19,00 (2015) e R$ 32,75 (2016) e R$ 47,00 (2015) e R$ 47,00 (2016) dos sacos de grãos de milho e girassol com 60kg respectivamente, bem como o valor do kg do N na fonte nitrogenada utilizada de R$ 2,44.
Nos ensaios com milho e girassol foi observado aumento do lucro líquido e da receita bruta com aumento das doses de N no cultivo do milho e girassol até determinado "ponto", e que o aumento do custo do fertilizante é linear. A dose de nitrogênio de máxima produtividade (DNMP) média no milho obtida por meio das derivadas das equações de regressão nas safrinhas de 2015 e 2016 respectivamente foi de 53,82kg/ha de N adicionado em cobertura, permitindo produtividade média de 116,08 sacos de grãos de milho/ha. Ainda, nesse sentido, a dose de nitrogênio máxima econômica (DNME) média foi de 48,13kg/ha de N proporcionando produtividade média de 115,69 sacos de grãos de milho/ ha. A diferença média entre a DNMP e DNME para o milho foi de 5,69kg/ha de N, o que significa que as DNME foi 10,57% menor que a DNMP. Silva et al. (2014) trabalhando com doses de N (20% na linha de semeadura e 80 % a lanço) e fósforo no cultivo de milho "safrinha" (19/03/2010) com uso de irrigação em veranicos em um Cambissolo Háplico eutrófico de textura argilosa na cidade de Baraúna, Rio Grande do Norte, observaram que 88kg/ha de N permitiu a máxima
Plântulas de girassol em área experimental do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia
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Espigas de milho obtidas em função de diferentes doses de nitrogênio
produtividade de grãos de milho, sendo a dose máxima econômica 70 kg/ha de N combinada com 120kg/ ha de P2O5., uma diferença de 41,67%. Pavinato et al (2008), cultivando milho nas safras 2002/2003 e 2003/2004 em um Latossolo Vermelho distrófico constataram que a máxima produtividade de grãos de milho sob irrigação por aspersão ocorreu com 283kg/ha a 289kg/ha de N, mas a máxima eficiência econômica ocorre com 156kg/ha a 158kg/ha de nitrogênio. Isso significa uma diferença também respectiva de 44,87% e 45,33%. Orioli Junior et al (2011) conduziram experimento destinado à produção de grãos de milho safra no município de Ribeirão Preto, São Paulo, em Latossolo Vermelho distroférrico textura argilosa. As doses crescentes de N foram aplicadas em cobertura, no entanto, foram utilizados 20kg/ha desse elemento na linha de semeadura. As doses máximas econômicas e de máxima produtividade de grãos de milho foram de 150kg/ha e 170kg/ha e 136kg/ha e 162 kg/ha de N com uso respectivo de ureia e sulfato de amônio, o que resulta em 9,33 % e 4,71 % respectivamente. A dose de nitrogênio de máxima produtividade (DNMP) média no girassol obtida por meio das derivadas das equações de regressão nas safrinhas de 2015 e 2016, respectivamente, foi de 69,94kg/ha de N adicionado em cobertura, permitindo produtividade média de 29,29 sacos de grãos de milho/ha. Ainda, nesse sentido, a dose de nitrogênio máxima econômica (DNME) média foi de 61,88kg/ha de N proporcionando produtividade média de 29,08 sacos de grãos de milho/ ha. A diferença média entre a DNMP e DNME para o milho foi de 8,06kg/ ha de N, o que significa que a DNME foi 11,39% menor que a DNMP.
Rasool et al (2013), em solos siltosos da Kashimira, identificaram em dois anos de estudos doses máxima econômica e máxima produtividade de 80,00kg/ha e 120,00kg/ha N. Süzer (2010) em solos siltosos da Turquia identificou em três anos de estudos com diferentes populações de plantas híbridas de girassol, doses médias de máxima econômica e máxima produtividade de 50,00kg/ha e 60,00kg/ ha N respectivamente. Já Rasool et al (2013), em solos siltosos da Kashimira, identificaram em dois anos de estudos doses máxima econômica e máxima produtividade de 80,00 kg/ha e 120,00 kg/ha N. Em Cassilândia, Mato Grosso do Sul, Biscaro et al (2008) testaram quatro doses crescentes de N parceladas em três coberturas em Neossolo Quartzarênico sob irrigação, no período entre março a agosto. Constataram que 55,00kg/ha de N proporcionou a maior produtividade de grãos. Sachs et al (2006) afirmaram que com este mesmo valor obtiveram a melhor resposta sobre a produtividade de aquênios de girassol. No experimento de Santos et al (2013), no período de abril a agosto em Lagoa Seca, Paraíba, testando doses crescentes de N em dois parcelamentos de cobertura, constataram que a dose de máxima produtividade de aquênios de girassol foi de 112,43kg/ha de N. Em um experimento conduzido no município de Londrina, Paraná,
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em Latossolo Roxo eutrófico, textura muito argilosa durante três safras (1991/92, 92/93 e 93/94), Castro et al (1999) observaram na análise conjunta dos dados referente ao cultivo do girassol com utilização de ureia em incorporação ou parte incorporada (30% do N total na dose testada) e parte em cobertura, que a dose máxima econômica foi de 17,5kg/ ha de N, não sendo possível determinar um "ponto" na equação polinomial de segunda ordem para determinação da dose de máxima produtividade de grãos.
CONCLUSÕES
As doses médias de N fornecidas a "lanço" na cobertura das plantas de milho e de girassol em que foram obtidas as máximas produtividades de grãos foram 53,82kg/ha e 69,94,00kg/ha N respectivamente, sendo 48,13kg/ha e 61,88kg/ha N as doses máximas econômicas. As doses de N máximas econômicas foram respectivamente menores em 10,57% e 11,39% em relação às doses de N utilizadas para obtenção das máximas produtividades de grãos de C milho e girassol. Raphael Maia Aveiro Cessa, Joel Carlos Alves Rodrigues, Givaldo Dantas Sampaio Neto Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do MT Elmo Pontes de Melo, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de MS
Lavoura de milho em estádio vegetativo cultivado na safrinha de 2015
Milho
Potencial de danos
Fotos Dirceu Gassen
Entender o período crítico de ataque do percevejo barriga-verde na cultura do milho, com base nos estádios de desenvolvimento das plantas e da praga, é essencial para a adoção do manejo no momento correto, de modo a prevenir prejuízos e garantir maior rendimento de grãos
O
período crítico que define o potencial de produtividade do milho é definido durante os estádios iniciais de desenvolvimento da planta. Dessa forma, a ocorrência de estresses nestas épocas, como déficit hídrico, doenças, destruição da área foliar, sucção de seiva da planta e impedimento físico e químico do solo, poderá ter grande impacto sobre o rendimento de grãos da cultura. O percevejo barriga-verde, Dichelops melacanthus (Dallas) (Hemiptera: Pentatomidae), constitui uma importante praga em diferentes culturas como a soja, o milho, a aveia e o trigo. No milho (Zea mays L.), os danos decorrentes da
presença dessa praga foram registrados pela primeira vez no município de Rio Brilhante, Mato Grosso do Sul, no ano de 1993 (Ávila & Panizzi, 1995). Acredita-se que a intensificação do cultivo de milho de segunda época (safrinha) e o aumento na adoção do sistema de plantio direto tenham proporcionado condições favoráveis ao aumento populacional dessa praga nos sistemas de produção agrícolas do Brasil. Populações de D. melacanthus têm sido observadas em lavouras de milho com danos a plantas jovens, causando amarelecimento, lesões punctiformes nas folhas e até perfilhamento das plantas. Os danos são ocasionados pela alimentação do inseto próximo ao colo das plântulas,
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onde provocam injúrias típicas à medida que as folhas se desenvolvem. Chocorosqui (2001) constatou que densidades populacionais a partir de dois percevejos/ m2 causam sérios prejuízos na cultura do milho safrinha. No entanto, inexistem trabalhos que avaliaram o potencial de dano do percevejo barriga-verde nos diferentes estádios de desenvolvimento da planta de milho, bem como o potencial de danos causados pelas ninfas dessa praga na cultura. Na Embrapa Agropecuária Oeste foi conduzida uma pesquisa com o objetivo de avaliar o potencial de danos causados pelo percevejo barriga-verde em diferentes estádios de desenvolvimento das plantas
Figura 1 - Índice de dano (notas) segundo a escala de Bianco (2004) em plantas Figura 2 - Médias da massa seca da parte aérea do milho ao final do período de de milho submetidas às infestações de diferentes estágios de desenvolvimento do infestação das plantas com diferentes estágios de desenvolvimento do percevejo percevejo barriga-verde Dichelops melacanthus, em casa de vegetação. Dourados, MS barriga-verde, em casa de vegetação. Dourados, MS
Médias seguidas pela mesma letra, nas colunas, não diferem entre si pelo teste de Tukey (p < 0,05).
de milho, bem como o potencial de dano de diferentes estádios de desenvolvimento dessa praga nas plantas do milho. Para garantir a oferta de insetos para a condução dos ensaios, foi estabelecida uma criação de percevejos barriga-verde em condições de laboratório seguindo as metodologias de Panizzi & Mourão (1999) e de Costa et al (1998). O potencial de dano do percevejo barriga-verde em diferentes estádios de desenvolvimento do milho foi conduzido em condições de casa de vegetação e de campo no ano de 2015. No ensaio de campo, em uma área de plantio direto, realizou-se a abertura dos sulcos com aproximadamente quatro sementes de milho por metro, no espaçamento de 0,45m de entre linhas. A adubação de plantio foi de 250kg/ha de adubo da formulação 1018-18 (N-P-K). Cada unidade amostral foi constituída de cinco plantas de milho, sobre as quais foi instalada uma gaiola em estrutura de PVC revestida com tecido tule para contenção dos insetos. Os tratamentos foram representados pelos diferentes estádios da planta de milho, como segue: T1: plantas com uma folha (V1); T2: plantas com três folhas (V3); T3: plantas com cinco folhas (V5); e T4: plantas com sete folhas (V7). Cada gaiola com os diferentes estádios do milho foi infestada com cinco percevejos adultos durante 14 dias, exceto o tratamento testemunha (T5) em que não houve infestação do percevejo desde o estádio de V1. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso com os cinco tratamentos (estádios da planta) e cinco repetições (gaiola). No ensaio de casa de vegetação, o mi-
Colunas seguidas pela mesma letra, as médias não diferem entre si pelo teste de Tukey (p < 0,05).
lho foi semeado em vasos conduzindo-se uma planta/vaso até o primeiro estádio de infestação do percevejo (V1). Os tratamentos foram os mesmos utilizados no ensaio de campo (V1, V3, V5 e V7), onde cada vaso com uma planta de milho foi infestado com um percevejo adulto durante 14 dias, cobertos com o tecido tule sustentado por uma gaiola de arame, para contenção dos insetos na planta do milho. Um tratamento adicional, em que não houve infestação do percevejo, foi também avaliado como testemunha. Após o período de infestação, os percevejos foram eliminados das plantas, mantidas livres de insetos até a determinação do peso seco das plantas. O ensaio que avaliou o potencial de danos causados por diferentes estádios de desenvolvimento do percevejo barriga-verde no milho foi conduzido em casa de vegetação à semelhança do ensaio de danos nos diferentes estádios do milho.
O ensaio foi instalado quando o milho encontrava-se no estádio V1 (uma folha expandida), sendo as plantas infestadas com um inseto/vaso que continha uma planta de milho. Foram estudados quatro estádios de desenvolvimento do percevejo: T1: ninfa pequena (2° instar), T2: ninfa média (3° a 4° instar), T3: ninfa grande (5° instar) e T4: adulto (com cerca de 48 horas de idade), e T5: sem infestação do percevejo. As infestações foram mantidas nos vasos por 14 dias, sendo os insetos repostos na gaiola quando morriam.
RESULTADOS OBTIDOS
As plantas de milho quando infestadas no estádio vegetativo V1 com ninfas médias e ninfas grandes do percevejo barriga-verde apresentaram índice de dano semelhante ao observado nas plantas infestadas com adultos, os quais foram significativamente maiores que os índices verificados nas plantas infestadas
Dichelops melacanthus constitui importante praga na cultura do milho
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com ninfas pequenas ou sem infestação (Figura 1). Os índices de danos nas plantas infestadas com ninfas médias, grandes e adultos apresentaram valores médios em torno de 3, o que resulta plantas com cartucho enrolado ou perfilhadas, enquanto as plantas de milho infestadas com ninfas pequenas obtiveram índice médio abaixo de 1, caracterizando baixo potencial de dano no milho nesse estádio de desenvolvimento do inseto (Figura 1). Plantas de milho submetidas ao ataque de ninfas pequenas também não tiveram reduções significativas do peso seco da parte aérea, quando comparadas às plantas não infestadas pelo percevejo (Figura 2). Acredita-se que o aparelho bucal menos desenvolvido nessa fase de desenvolvimento do percevejo (ninfas pequenas) seja possivelmente o fator-chave que explica os resultados obtidos. Já as plantas infestadas com ninfas médias, grandes e adultos do percevejo barriga-verde tiveram o peso significativamente reduzido em comparação às plantas infestadas com ninfas pequenas ou não infestadas pela praga (Figura 2). Com relação ao ensaio de danos do percevejo a campo, verificou-se que infestações do percevejo no milho com diferentes estádios de desenvolvimento tiveram efeito significativo no diâmetro do colmo, sendo esse efeito mais deletério nas plantas infestadas nos estádios V1 e V3 (Tabela 1). Não se observou diferença significativa para o diâmetro do colmo nas plantas infestadas nos estádios de desenvolvimento V5 e V7, quando comparadas ao tratamento testemunha em que não houve infestação da praga. Plantas de milho infestadas com o percevejo nos estádios de desenvolvimento V1 e V3 tiveram também os menores rendimentos de grãos quando comparadas ao tratamento testemunha. As plantas infestadas no estádio V1 apresentaram
redução de produtividade de 50% quando comparada à produtividade das plantas do tratamento testemunha. Esses resultados evidenciam que as plantas jovens do milho (V1 a V3) são mais sensíveis ao ataque do percevejo barriga-verde do que plantas mais desenvolvidas, como aquelas com idade após o estádio V5. Segundo Fancelli & Dourado (1997), V1 até V6 compreende o período em que a planta define seu potencial produtivo, sendo, dessa forma, estes estádios mais suscetíveis ao ataque de pragas. Bianco (2004) também observou que plantas submetidas à presença do percevejo barriga-verde entre dois dias e nove dias após a emergência (DAE) foram mais suscetíveis ao ataque em comparação às plantas infestadas aos 16 DAE. Os maiores índices de dano do percevejo nas plantas de milho foram observados quando as infestações foram realizadas nos estádios de desenvolvimento V1, V3 e V5 (Tabela 1). Quando a infestação de D. melacanthus foi realizada no estádio V7, os valores de danos nas plantas de milho foram semelhantes aos observados no tratamento testemunha, evidenciando que neste estádio de desenvolvimento o milho já está tolerante ao ataque da praga. No ensaio de danos conduzido em casa de vegetação os índices de dano nas plantas de milho foram superiores quando as infestações foram realizadas nos estádios de desenvolvimento V1 e V3, seguidos pelo estádio V5 (Tabela 2). Na infestação realizada no estádio V7, os índices de dano nas plantas de milho não diferiram daquele observado nas plantas do tratamento testemunha (sem infestação), à semelhança dos resultados observados no ensaio conduzido a campo (Tabelas 1 e 2). Já a massa seca das plantas de milho teve redução significativa em todos os estádios de desenvolvimento em que se realizou a infestação do percevejo quando
comparados ao tratamento testemunha (Tabela 2). No entanto, os menores valores de peso seco foram observados quando as infestações do percevejo foram realizadas em V1 e V3, evidenciando novamente ser estes os estádios de maior suscetibilidade ao ataque da praga. Duarte et al (2015) observaram que na densidade de dois percevejos barriga-verde/planta de milho entre os estádios de desenvolvimento V1 e V5, as reduções da massa seca da parte aérea das plantas foram significativas em relação às plantas não infestadas. Porém, estes autores não avaliaram o estádio V7, no qual a presente pesquisa constatou a menor suscetibilidade ao ataque do percevejo barriga-verde (Tabela 2).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base nos resultados obtidos neste estudo pode-se inferir que as ninfas médias, grandes e adultos de D. melacanthus têm grande potencial de causar danos nos estádios iniciais de desenvolvimento do milho, o que não se observa para ninfas pequenas dessa praga. Em adição, os estádios de desenvolvimento do milho V1, V3 e V5 são mais suscetíveis ao ataque de adultos do percevejo barriga-verde, D. melacanthus, em comparação ao estádio V7, podendo, nestas condições, um ataque da praga afetar drasticamente o rendimento de grãos da cultura. Dessa forma, o produtor deve garantir uma maior proteção do milho contra o ataque do percevejo barriga-verde nos estádios iniciais de desenvolvimento da planta, em especial entre os estádios V1 a V3, para garantir menor dano dessa praga e, consequentemente, maior rendimento de C grãos da cultura. Paulo Henrique R. Fernandes, Univ. Federal da Grande Dourados Fundect Crébio José Ávila, Embrapa Agropecuária Oeste
Tabela 1 - Diâmetro do colmo, rendimento de grãos e notas de danos nas plantas de Tabela 2 - Massa seca e nota de danos no milho infestado em diferentes estádios milho quando infestadas em diferentes estádios de desenvolvimento por adultos de de desenvolvimento da planta por adultos de Dichelops melacanthus em casa de vegetação em Dourados, MS, 2015 Dichelops melacanthus em condições de campo. Dourados, MS, 2015 Estádios da infestação Testemunha Plantas em V1 Plantas em V3 Plantas em V5 Plantas em V7 CV (%)
Diâmetro (mm) 28,22 ± 0,31 a 21,15 ± 1,43 b 21,07 ± 1,22 b 24,61 ± 1,31 ab 28,62 ± 0,45 a 10,61
Rendimento (Kg/ha) 8100 ± 745,32 a 3980 ± 823,45 c 4510 ± 778,86 bc 5612 ± 681,62 abc 8020 ± 821,61 ab 29,96
Notas 0,00 b 3,12 ± 0,2 a 2,92 ± 0,3 a 2,32 ± 0,1 a 0,08 ± 0,04 b 9,22
Médias seguidas de mesma letra, não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey p < 0,05).
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Estádios da infestação Testemunha Plantas em V1 Plantas em V3 Plantas em V5 Plantas em V7 CV (%)
Massa Seca (g/planta) 11,58 ± 0,44 a 1,34 ± 0,24 c 3,58 ± 0,42 c 7,90 ± 0,65 b 9,26 ± 0,60 b 21,74
Médias seguidas de mesma letra, não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey p < 0,05).
Notas 0,00 b 3,12 ± 0,2 a 2,92 ± 0,3 a 2,32 ± 0,1 a 0,08 ± 0,04 b 9,22
Café
Controle desmistificado
Fotos Paulo Rebelles Reis
Conhecida no Brasil desde 1922 a broca-do-café continua a trazer desafios aos cafeicultores. Nenhum método aplicado de modo isolado é suficientemente eficiente para evitar os prejuízos causados pela praga. A redução dos danos será consequência do contínuo monitoramento e da utilização do manejo correto do inseto
A
broca-do-café, Hypothenemus hampei (Ferrari, 1867) (Coleoptera: Curculionidae, Scolytinae) é a segunda praga em importância em cafeeiro Arábica, Coffea arabica L., na maioria das regiões cafeeiras do Brasil. Conhecida no país desde 1922, até 1970 era considerada a principal praga da cafeicultura. Após, passou a ser a segunda ou até terceira em importância, com exceção da Zona da Mata de Minas Gerais, estados do Espírito Santo e Rondônia em cafeeiro Conillon, Coffea canephora Froehner, e continua desafiando os cafeicultores quanto a um controle eficiente. Já se sabe que os danos mais significativos causados pela broca começam quando a infestação atinge 7% a 10% dos frutos (Figura 1). Porém, devido à praga se alojar dentro dos frutos e não mais poder ser controlada, e também por motivos
operacionais das propriedades rurais produtoras de café, recomenda-se que o controle seja iniciado quando a infestação atingir de 3% a 5% de frutos (NC = Nível de Controle químico), ou seja, quando os danos ainda são muito baixos e as brocas ainda não se alojaram dentro das sementes para colocar seus ovos (Figura 1). Por esse motivo torna-se importante o monitoramento da broca, ou seja, por meio de amostragens de frutos determinar o início de controle químico (3% a 5%). Assim, o controle químico só é realizado se for mesmo necessário e apenas nos talhões afetados.
MONITORAMENTO DA BROCA
Para que o controle seja iniciado em época correta, devem ser efetuadas amostragens periódicas dos frutos, nos diversos talhões homogêneos da lavoura,
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determinados pelos cafeicultores, começando pelas partes mais baixas e mais úmidas. O tipo de monitoramento fica a critério de quem o vai fazer, podendo ser o convencional ou o sequencial (consulte um técnico), o importante é que sempre deve ser feito. O monitoramento da broca deve ser iniciado na época de “trânsito” do inseto, aproximadamente três meses (90 dias) após a grande florada (que em geral ocorre em setembro-outubro, e pode variar conforme a região cafeeira). Inicia-se o monitoramento quando forem observados nas rosetas os primeiros frutos broqueados. O levantamento deve se estender até os meses de abril-maio. Na época de “trânsito” as fêmeas adultas do inseto já fecundadas abandonam os frutos remanescentes da safra anterior, onde se criaram, voam e perfuram frutos verdes já desenvolvidos
Figura 1 - Perda de peso de café beneficiado em função da porcentagem de infestação pela broca-do-café. Fonte: Reis et al (1984); Reis et al (2010)
Observação: na figura a cor verde significa perda insignificante (3% a 5% de infestação = NC = nível de controle químico); cor amarela requer atenção, início de perda (entre 5% e 10% de infestação) e cor vermelha, perigo, onde as perdas são significativas (entre 10% e 100% de infestação).
(chumbões, já com menor teor de água) da safra seguinte (Figura 2).
MÉTODOS DE CONTROLE CONTROLE CULTURAL E MECÂNICO
O controle cultural é o mais eficiente método e tem início no plantio dos cafeeiros. Os cafezais devem ser implantados em espaçamentos que permitam maior arejamento e penetração de luz, a fim de propiciar baixa umidade do ar em seu interior, condição que é desfavorável à praga, além de permitir a circulação de pulverizadores acoplados a tratores. Cafeeiros sombreados e/ou adensados propiciam condições favoráveis de microclima para o desenvolvimento da broca e se possível devem ser evitados. Mais importante ainda, como método cultural, é a colheita do café, que não pode em nenhuma hipótese ser malfeita, ou seja, deve ser evitado que restem frutos nas plantas e no chão, nos quais a broca sobreviverá na entressafra (frutos remanescentes) e que infestarão os cafés da safra seguinte. A sobrevivência da broca será favorecida, principalmente, em uma entressafra chuvosa e em cafezais irrigados, onde a umidade é maior próxima ao solo. Nos cafezais irrigados recomenda-se a suspensão da irrigação na entressafra como medida para reduzir a sobrevivência da broca nos frutos remanescentes. Isso ocorre porque a broca é monófaga, ou seja, somente tem o fruto de café como hospedeiro. Portanto, se forem retirados todos os frutos não haverá como a broca sobreviver de uma safra para outra. Após a colheita, caso tenham ficado muitos grãos nas plantas e no chão, é recomendável
Figura 2 - Fruto de café no estágio de “chumbão” com orifício realizado pela fêmea da broca-do-café na região da coroa
fazer o repasse ou a catação dos frutos remanescentes da colheita, de modo manual ou mecanizado. Nos cafezais, onde a colheita e a varrição são manuais, geralmente restam menos frutos nas plantas e no chão sob os cafeeiros. Porém, com a mecanização da colheita, o que se tem observado é uma maior permanência de frutos nas plantas e no solo, principalmente se a safra for de baixa produção e houver desestímulo ao cafeicultor na questão do preço de venda do café, não compensando, do ponto de vista financeiro, o repasse na colheita e a varrição dos grãos de café. Prevalecendo essas condições e se ocorrer uma entressafra mais chuvosa, a broca-do-café terá condições ideais para sobreviver nos frutos remanescentes e passar de uma safra para outra, o que sempre deve ser evitado. Estudo realizado com C. canephora cultivar Conillon, no Espírito Santo, mostrou que, cinco meses após a colheita, aproximadamente 72% dos frutos remanescentes estavam atacados pela broca, e em Rondônia perto de 76%. Esses dados
evidenciam a importância da colheita bem-feita e do repasse, principalmente em lavouras não mecanizadas, onde as pulverizações são difíceis de serem realizadas. A colheita deve ser sempre iniciada nos talhões mais infestados, a fim de que sejam evitados maiores prejuízos, pois a broca apresenta grande capacidade de reprodução e, em anos de alta infestação, os últimos talhões a serem colhidos apresentarão, sem dúvida, maiores populações da broca e consequentemente maiores prejuízos, pois durante a safra as fêmeas sempre estarão à procura de novos frutos para procriarem. Após a retirada do café das plantas é realizada a operação de varrição dos grãos que caíram ao chão utilizando-se assopradores-varredores, ou simplesmente arruadores, nas lavouras mecanizadas e em seguida são empregados os recolhedores centrais, que levantam o café e outros detritos que foram varridos para o meio das ruas (entre linhas dos cafeeiros) (Figura 3). É recomendável que após a colheita não restem grãos de café remanescen-
Figura 3 – Entre linha de cafeeiros após a varrição para o meio da rua (esquerda) e após o levantamento mecânico dos grãos de café com recolhedor central (direita)
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Fábio Moreira da Silva
Rodrigo Luz da Cunha
semioquímicos na entressafra, porém faltam pesquisas sobre essa modalidade.
CONTROLE BIOLÓGICO
Figura 5 - Cafezal esqueletado no sistema safra zero
tes - pelo menos sob as plantas - e caso não sejam recolhidos, manualmente ou mecanicamente, indica-se que sejam assoprados e varridos para o meio das ruas e triturados com implementos apropriados para esse fim, como os trituradores de matéria orgânica e de controle de ervas daninhas, também conhecidos como trinchas (Figura 4). É claro que os resultados de redução da broca não serão totalmente imediatos, porém, com o uso sistemático desse tipo de manejo os resultados serão sentidos em pouco tempo, sem, é claro, deixar de lado o uso de outras medidas de controle também recomendadas. O chamado sistema safra zero de café, que consiste na poda cíclica dos cafeeiros realizada com o esqueletamento (poda lateral da planta) e decote (poda da parte superior da planta), principalmente em ano de baixa produção, permite também a realização de um vazio sanitário para a broca-do-café, pelo menos no talhão que for esqueletado (broca zero), uma vez que, além da eliminação de parte dos ramos e da copa dos cafeeiros, são eliminados os frutos remanescentes (Figura 5). Isso resultará em zero de produção para o ano seguinte e, portanto, também não haverá broca no talhão esqueletado por ser uma praga monófaga, que só vive em frutos de café, e sem frutos não haverá broca.
As armadilhas com semioquímicos [750ml de álcool metílico (metanol), misturado com 250ml de álcool etílico (etanol) e 10g de café torrado e moído, que pode ser substituído por óleo de café] colocados dentro de um pequeno frasco difusor no interior de uma garrafa PET, construídas pelo próprio cafeicultor, de preferência pintadas de vermelho, ou as industrializadas (Figura 6), devem ser penduradas nos próprios cafeeiros ou em estacas de bambu a 1,50m do solo, na distância de aproximadamente 20m uma da outra, em número de 25 armadilhas por hectare a 30 armadilhas por hectare. Essas armadilhas de semioquímicos, instaladas em cafezais, permitem detectar com precisão os picos de trânsito ou de deslocamento da broca-do-café e também reduzem os danos causados pela praga devido à sua captura. Entretanto, apesar de serem também chamadas de armadilhas de coleta massal, essa redução não é suficiente para manter a densidade da broca abaixo do nível de controle, que deve ser complementado com os outros métodos conhecidos. Existem também publicações que recomendam o uso de armadilhas de
CONTROLE MECÂNICO E POR COMPORTAMENTO (CONTROLE ETOLÓGICO)
Não se conhece ainda feromônio sexual para atração das fêmeas da broca-do-café. Entretanto, são conhecidos os efeitos atrativos do óleo de café e do álcool etílico e metílico (semioquímicos tipo cairomônios) que podem ser utilizados como atrativos em armadilhas para captura das brocas fêmeas durante o trânsito (deslocamento) entre os frutos de café.
CONTROLE QUÍMICO CONVENCIONAL
É um método de controle considerado eficiente e rápido em cafezais a pleno sol
Fonte: Iapar e Bio Controle
Figura 4 - Triturador ou trincha passando na entre linha de cafeeiros
Será abordado apenas o controle biológico com o fungo entomopatogênico Beauveria bassiana (Bals. - Criv.) Vuill., embora haja outras formas de controle biológico, como, por exemplo, os parasitoides e predadores que ocorrem naturalmente nos cafezais e devem ser preservados. O fungo entomopatogênico B. bassiana (Figura 7) vem sendo desenvolvido por meio de pesquisas para uso no controle da broca-do-café, porém ainda sem uma perspectiva de uso eficiente como único agente de controle. Entretanto, pode ser utilizado em associação com outros métodos conhecidos de controle. O tempo nublado, a baixa radiação ultravioleta e a alta umidade relativa (mínimo de 80%) são condições que favorecem a infecção da broca por B. bassiana. Essas condições, ideais para o fungo, nem sempre são encontradas em cafezais com espaçamento convencional, o que provavelmente torna aqueles adensados, sombreados ou arborizados (características de lavouras de produção familiar, orgânica, biodinâmica etc) promissores ao controle da broca com o uso de fungos entomopatogênicos. Um produto comercial contendo o fungo B. bassiana como ingrediente ativo e registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para uso em cafeeiros está relacionado na Tabela 1.
Figura 6 - Armadilha tipo PET, modelo Iapar, com frasco difusor (esquerda) que pode ser também de cabeça para baixo (centro) para facilidade do escoamento e da troca da água, e armadilha de múltiplos funis (direita)
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Fotos Paulo Rebelles Reis
Figura 7 - Fruto de café com broca morta pelo fungo Beauveria bassiana. As manchas brancas são hifas, conidióforos e conídeos do fungo no corpo da broca que morreu na entrada da galeria
e com espaçamentos que permitam o uso de pulverizadores acoplados a tratores, ao contrário da cafeicultura adensada e/ou sombreada. A tática do controle químico muitas vezes é a única disponível para manter a praga abaixo do nível de controle (NC), que é de 3% a 5% de frutos broqueados (Figura 1) e, se possível, esse nível deve ser encontrado nos frutos antes que a broca alcance as sementes, posições A ou B (Figura 8), onde será morta por contato ou ingestão, pelo inseticida aplicado, e, o
mais importante, sem ter colocado ovos. Quando nas posições C ou D (Figura 8), ou seja, já no interior das sementes, o controle químico torna-se impossível. Como o ataque da broca não se distribui uniformemente em uma lavoura, ou seja, a broca em geral apresenta-se agregada em focos ou reboleiras, recomenda-se o controle químico apenas nos talhões, cuja infestação já atingiu o nível de controle (NC). Portanto, na maioria das vezes, o controle não precisa ser realizado em toda a lavoura, mas limitando-se a alguns
Reis enfatiza a importância do monitoramento contra a broca-do-café
talhões. Isso demonstra a importância da operação de monitoramento. Em lavouras irrigadas, devido às condições de umidade favoráveis para a sobrevivência da broca, o controle químico Mauricio Sergio Zacarias, pode ser necessário Embrapa Café na maioria dos talhões. Os ingredientes ativos e produtos coNathan Jhon Silva Lopes, Universidade Federal de Lavras merciais com registro no Brasil para uso em cafeeiro no controle da broca-do-café encontram-se relacionados na Tabela 1.
Broca iniciando a perfuração da galeria
Broca dentro da galeria, mas ainda na casca
Broca dentro da galeria e já na semente
Broca em reprodução dentro da semente
Posição B
Posição C
Posição D
Posição A
Figura 8 - Esquema exibindo um corte longitudinal de um fruto de café mostrando a posição e o desenvolvimento da boca-do-café. Fonte: Brocarta - Boletim Informativo sobre la Broca del Café, n.18. Caldas, Colômbia: Cenicafé, 1994
PESQUISA DE NOVOS PRODUTOS
Diversas moléculas ainda estão em teste para o controle da broca-do-café e vêm se destacando nas diversas regiões cafeeiras do Brasil, como o princípio ativo ethiprole e as misturas imidacloprid + bifenthrin e indoxacarb + novaluron, já com resultados muito promissores para o controle da broca-do-café no Brasil.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nenhum método de controle da broca-do-café aplicado de modo isolado é suficientemente eficiente para evitar os prejuízos causados pela praga. A redução dos danos será consequência do contínuo monitoramento e da utilização de todos os métodos disponíveis de controle, sendo realizado o chamado manejo da broca-do-café. Alguns métodos devem ser perma-
nentemente utilizados, como a colheita total dos frutos das plantas e a varrição seguida do recolhimento ou destruição dos frutos que caírem ao solo. Os demais métodos podem ser naturais, como o controle biológico pelo parasitoide da broca, a epizootia de fungos entomopatogênicos, dependendo das condições de calor e umidade nas lavouras de café. O controle biológico com o fungo B. bassiana também pode ser aplicado caso as condições sejam favoráveis ao fungo. O controle químico da broca-do-café deve ser sempre realizado com base no monitoramento, ou seja, por meio do levantamento do número de frutos em início de dano e nunca por “calendário” com datas prefixadas. O controle químico só deve ser efetuado se for mesmo necessário, evitando o uso desnecessário de produtos de proteção de plantas. Deve ser
sempre a última modalidade de controle a ser utilizada. Após a colheita e a secagem dos frutos (em torno de 11,5% de umidade, por meio de secagem ao sol em terreiros ou secadores mecânicos), a broca não se constituirá mais em problema e não será necessária nenhuma outra medida de controle durante o armazenamento. O mesmo não se pode dizer para o café destinado a sementes, com cerca de 20% a 25% de umidade, onde a broca, se presente, continuará se desenvolvendo normalmente, danificando as sementes de café. Caso sejam constatadas brocas nas sementes, devem ser submetidas a expurgo com fosfeto de C alumínio (fosfina). Paulo Rebelles Reis, Epamig Sul/EcoCentro Pesquisador do CNPq
Tabela 1 - Inseticidas com registro no Mapa para uso no controle da broca-do-café no Brasil Nome Comercial Azamax Alverde Verismo Bio Broca Benevia Bovemax EC Lorsban 480 BR Vexter Klorpan 480 EC + quatro marcas comerciais Tracer Trebom 100 SC UPL 138 FP UPL 138 FP BR Verimark Voliam Targo Copros Instivo
Nome Comum (Grupo Químico) Azadirachtin (Tetranortriterpenoide) Metaflumizona (Semicarbazone) Metaflumizona (Semicarbazone) Etanol (álcool alifático) + metanol (álcool alifático) Cyantraniliprole (Antranilamida) Beauveria bassiana - microbiológico
Formulação EC SC SC GE OD EC
Dose ml ou g/ha 600-800 1.500-2.000 1.500-2.000 Um frasco difusor por armadilha 1.500 1.500
Chlorpyrifos (Organofosforado)
EC
1.500
Spinosad (espinosina) Ethofenprox (Éter difenílico) Acetamiprido (Neonicotinoide) + Bifentrina (Piretroide) Acetamiprido (Neonicotinoide) + Bifentrina (Piretroide) Cyantraniliprole (Antranilamida). Obs.: para uso somente em pivô central
SC SC WG WG SC
300 – 400 1.250 160-200 500 1.500-2.000
Chlorantraniliprole (Antranilamida) + Abamectin (Avermectina)
SC
1.000
FONTE: Agrofit: Disponível em: <http://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons>. Acesso em: set. 2017.
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Informe
Ferramenta estratégica Divulgação
Nufarm desenvolve programa para a sanidade de sementes e plântulas em diferentes culturas. Conceito abrange oferta de agroquímicos, equipamentos e serviços, segundo o perfil e as características de cada propriedade
P
rodutores de soja, milho, algodão e trigo, entre outras culturas, passam a contar na safra 2017/18 com a plataforma flexível para tratamento de sementes SeedProtection, da Nufarm. Segundo a companhia, a ferramenta é estratégica para a rentabilidade do agricultor e consiste na oferta de um mix de produtos e serviços, que abrange desde agroquímicos e equipamentos de precisão, até serviços de consultoria agronômica na área. De acordo com a Nufarm, a plataforma SeedProtection permite ao agricultor escolher o programa de tratamento de sementes mais indicado ao perfil da propriedade e às vulnerabilidades potenciais de cada cultura. O objetivo da ferramenta é transferir ganhos de produtividade às lavouras através do gerencia-
mento da sanidade da semente, no tratamento on farm (dentro da propriedade) ou TSI (tratamento de sementes industrial). “A semente constitui o insumo mais importante para o agricultor. Este material embute tecnologia para
SeedProtection permite ao agricultor escolher programa mais adequado à propriedade
formar lavouras vigorosas e rentáveis. Entretanto, até o final do ciclo reprodutivo das culturas, pragas e doenças podem danificar sementes, plântulas e prejudicar o estabelecimento do estande de plantas, reduzindo a competitividade do produtor”, resume o gerente de Marketing da Nufarm, Murilo Borges. O gerente assinala que o conhecimento de pragas e doenças iniciais específicas de cada cultura é decisivo na escolha de ferramentas apropriadas ao tratamento de sementes. “Aspectos como a eficiência de polímeros e do maquinário utilizado também pesam diretamente no sucesso da proteção das sementes”, esclarece Borges. Estudos foram realizados pela Nufarm, para medir a eficácia da plataforma SeedProtection contra pragas e doenças de alta relevância econômica, nas principais culturas agrícolas. “Observamos nos ensaios a campo, sobretudo, que a ferramenta favorece a germinação da semente e o estabelecimento do estande da cultura, duas variáveis que interferem diretamente no comportamento de lavouras até a hora da colheita”, explicou Borges. Integram a plataforma SeedProtection os inseticidas Saddler 350 SC (recém-lançado), Inside FS, Maestro FS, Adage 350 FS e os fungicidas Apron RFC e Carbomax 500 SC. C
Murilo Borges, gerente de Marketing da Nufarm
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Algodão
Novas tecnologias Luiz Marcel Gomes
Na busca por maior precisão e agilidade na avaliação de doenças e na aplicação de fungicidas no momento mais oportuno, o uso da tecnologia tem sido crescente no campo. É o caso de técnicas empregadas a partir dos índices de vegetação, utilizadas para o aprimoramento da pesquisa no controle da mancha de ramulária na cultura do algodoeiro
D
oenças foliares podem provocar uma grande modificação no dossel das plantas, seja por desfolha ou por uma pigmentação diferente nas folhas. Um exemplo é a mancha de ramulária (Ramularia areola), doença considerada principal da cultura do algodoeiro. Seus sintomas se manifestam em ambas as faces da folha, em particular na inferior. De início caracterizam-se por lesões azuladas na face inferior da folha, evoluindo para coloração branca, em toda a folha, de formato angular e aspecto cotonoso, provocando sua queda. Quando o ataque do fungo se inicia precocemente, como o ocorrido nos últimos anos, se dá a desfolha intensa, diminuindo a área foliar sadia e, assim, os capulhos
que estão nas últimas posições não recebem os nutrientes necessários e acabam sendo abortados pela planta ou resultam em menor peso, o que ocasiona a redução da produção. A cultura do algodoeiro é extremamente técnica devido ao custo elevado de produção e também à sua sensibilidade ao ataque de pragas e doenças. Mesmo tendo uma das maiores rentabilidades entre as grandes culturas, a área plantada registrou redução na região do Cerrado nos últimos anos, mostrando o quanto é complexo o manejo desta cultura. Por conta disso, a pesquisa nesta cultura se mostra a cada dia mais importante. Um trabalho a partir da parceria entre a Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Chapadão (Fundação Chapadão)
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e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (campus de Chapadão do Sul) foi realizado para comparar diferentes índices de vegetação e de tratamentos com aplicações de fungicidas para o controle da mancha de ramulária na cultura do algodoeiro, com o objetivo de criar novas técnicas de avaliação de doenças em culturas e aprimorar a pesquisa. Desde o início da pesquisa, os resultados se mostraram muito satisfatórios, a exemplo das imagens obtidas da cultura em estádio fenológico C3, quando estão abertos os capulhos de terceira posição, a partir do sensor Sequoia acoplado a um Veículo Aéreo Não Tripulado (Vant). A Figura 1 mostra o campo experimental da Fundação Chapadão, onde foi cultivado o algodoeiro,
Figura 3 - Refletância da luz na faixa do visível www.dsr.inpe.br
Figura 1 - Imagem aérea da área experimental com a cultura do algodoeiro utilizado nos trabalhos para o controle da mancha de ramulária e seu efeito no Índice de Vegetação
Luiz Marcel Gomes, adaptado de Fabio Henrique Baio.
tendo como enfoque a pesquisa de diferentes manejos da mancha de ramulária. A coloração da imagem (Figura 1) mostra em verde os maiores valores do índice de vegetação (neste caso o NDVI). Estes maiores valores refletem as áreas com maior cobertura de folhas. Em amarelo estão os valores médios e em vermelho os valores mais baixos, que mostram os locais com menor quantidade de vegetação. As marcas longitudinais na imagem correspondem aos rastros do trator utilizado para fazer as aplicações de manutenção da área. Ainda, nota-se uma faixa cortando a área próxima à metade no sentido horizontal, um pouco inclinada onde se encontra uma curva de nível. De dentro deste talhão, foi retirado um experimento em que se comparou a eficácia de fungicidas utilizados no controle da mancha da ramulária com o valor do índice de vegetação e notou-se uma grande correlação, como mostra a Figura 2. À esquerda da Figura 2 está a escala de valores da eficácia, que são obtidos através do método de avaliação de doenças conhecido como Área Abaixo da Curva de Progresso da Doença (AACPD), representados pelas colunas azuis. Ao lado direito estão os valores de um dos índices de vegetação estudados, sendo que
os maiores valores correspondem à maior quantidade de vegetação. Na parte inferior do gráfico estão os números referentes a cada um dos tratamentos fitossanitários utilizados no controle da mancha da ramulária, sendo o tratamento 1 considerado controle (sem nenhuma aplicação de fungicidas). Nota-se, de forma clara, que o índice de vegetação acompanha precisamente a curva da eficiência de cada tratamento de fungicida. Os resultados foram surpreendentes e alguns índices de vegetação apresentaram maior correlação com a eficiência do controle da doença do que a própria produtividade da cultura. Isso significa que se trata de uma nova forma de avaliar e
quantificar a mancha de ramulária no algodoeiro, provando, assim, a viabilidade desta técnica. Em poucos anos espera-se que esta técnica possa ser utilizada tanto na pesquisa agropecuária como na propriedade rural, como mais uma ferramenta da avaliação de doenças foliares, melhorando as técnicas de avaliação, para que possam também ser melhorados os diferentes tratamentos a doenças foliares da cultura. Intensificar o monitoramento das lavouras pode ser considerada uma perspectiva futura para a produção de algodão. Tal acompanhamento é a ferramenta mais segura, prática e barata que permite ao agricultor fazer a aplicação de fungicidas para o controle de doenças na época mais
Figura 2 - Eficácia dos tratamentos sobre a Área Abaixo da Curva de Progresso da Doença (AACPD) no controle da mancha de ramulária e Índice de Vegetação. Correlação = 84,57%
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oportuna, com o máximo proveito de todo o conhecimento técnico disponível, e até mesmo adotar outros métodos de controle (físico, cultural e biológico).
avaliação de uniformidade da lavoura, detecção de ataques de pragas em reboleira e até mesmo para estimativa de produção de algumas culturas. Nos últimos anos, essa ferramenta tem se mostrado bastante útil à agricultura. Pesquisas apontam que esses índices têm por objetivo compreender as variáveis de dossel e servir como base em muitas aplicações de sensoriamento remoto para o gerenciamento da lavoura, uma vez que estão correlacionados a várias propriedades biofísicas importantes (Ahamed et al, 2011). Os Índices de Vegetação, de acordo com Jensen (2009), podem ser correlacionados ao índice de área foliar (IAF), à porcentagem de cobertura verde, ao teor de clorofila, à biomassa verde (v) e à radiação fotossinteticamente absorvida (RFAA). Também cada um dos parâmetros agronômicos pode ser maior correlacionado com uma banda específica ou com um índice de vegetação. Por
Na agricultura mundial, muitas técnicas vêm sendo empregadas a partir dos Índices de Vegetação, uma ferramenta relativamente nova que dispõe de várias utilidades. Para compreender o leque de possibilidades que são abrangidas por esta ferramenta, é necessário entender do que realmente se trata. Em suma, os índices de vegetação utilizam duas ou mais medidas de refletância, que é a quantidade de luz refletida pelo objeto dividida nas faixas do espectro. Essas faixas, também chamadas de bandas, quando localizadas na região do espectro visível (Figura 3), representam as cores que são refletidas. Dentro de cada banda existe ainda uma variação da quantidade de luz refletida por objeto, individualmente, e devido a isto é possível gerar um número inserido em modelos matemáticos específicos conhecidos como Índices de Vegetação. Essas medidas podem ser obtidas a partir de inúmeros tipos de sensores, que vão desde equipamentos manuais, operados de forma mais simples que passam informação em tempo real. Também sensores acoplados a veículos aéreos, como drones e Veículos Aéreos Não Tripulado (Vants), e sensores orbitais enviados ao espaço junto a satélites. Todos estes sensores podem ainda ser ativos, que captam a luz artificial emitida pelo próprio equipamento, ou passivos, que captam a luz solar refletida pelo devido objeto. Além da versatilidade propiciada pelos índices de vegetação, o acesso à informação também teve um grande avanço. Satélites como Cebers e Landsat oferecem suas informações de forma gratuita e acessível. Além disso, existem empresas especializadas em imageamento de lavouras. A campo os Índices de Vegetação já têm sido utilizados, por exemplo, para a elaboração de mapas de solo,
Luiz Marcel Gomes, Everton da Silva Neiro, Xaiane de Souza Braga Gomes e Fabio Henrique Rojo Baio, UFMS Campus Chapadão do Sul Alfredo Riciere Dias, Fundação Chapadão
Alfredo Riciere Dias
ÍNDICES DE VEGETAÇÃO
exemplo, a banda espectral do Red Edge (RE) é altamente correlacionada com o teor de nitrogênio foliar e quantidade de clorofila. Já a banda espectral do Near Infra Red (NIR) está mais associada à cobertura e à biomassa verde. Teoricamente, os índices de vegetação podem captar variações no dossel das plantas. E essa variação depende, principalmente, da quantidade de folhas e da arquitetura do dossel (Ponzoni et al, 2012). Assim, todo tipo de modificações na quantidade de folhas ou arquitetura surtirá um efeito na refletância e, consequentemente, nos índices de C vegetação.
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Desfolha intensa ocasionada pela mancha de ramulária (R. areola) na folha de algodoeiro
Cana
Aplicação ajustada Cultivar
O ajuste do modo e da época de aplicação do fertilizante nitrogenado é uma técnica simples, de fácil adoção, que permite aumento da produtividade da cana-de-açúcar. Sempre que estiverem presentes condições operacionais é recomendado efetuar esse tipo de operação quando houver umidade na lavoura
N
ão há dúvidas da importância da adubação nitrogenada para ganhos de produtividade da cultura de cana-de-açúcar, principalmente em áreas de soqueiras, em que a palha residual da colheita mecanizada é mantida sobre o solo. Uma revisão de literatura realizada por Otto et al (2016) verificou que, dos trabalhos consultados (47 no total), em 75% houve aumento da produtividade de colmos (TCH) em função da adubação nitrogenada. Apesar de a cultura responder à aplicação do N-fertilizante, a eficiência de uso do N (EUN) em cana-de-açúcar
é baixa, ao redor de 26% (Otto et al, 2016), enquanto para outras culturas esse valor é superior a 50% (Trivelin & Franco, 2011). Nesse cenário surge o seguinte questionamento: não seria iminente a necessidade de desenvolvimento de estratégias para o manejo da fertilização nitrogenada nos canaviais brasileiros que promovam o aumento da eficiência da adubação nitrogenada? A presença da palha na superfície do solo e a época de colheita da lavoura (período úmido ou seco) são aspectos que devem ser levados em consideração para o manejo dos tratos culturais das soqueiras de cana-de-açúcar, sobretudo
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na aplicação de fertilizantes nitrogenados. Tal afirmação pode ser justificada ao se analisar a produtividade média (Figura 1) obtida ao longo de três safras, em que a mesma variedade de cana-de-açúcar (IACSP95-5000) foi colhida em diferentes épocas ao longo da safra (início: abril, meio: agosto e fim: outubro). Comparando as adubações (mesma dose) efetuadas em épocas úmida e seca (entenda-se por época úmida: condições de umidade do solo e clima favoráveis ao desenvolvimento da cultura e época seca: condições adversas nesses parâmetros), percebe-se que a fertilização realizada
A aplicação de fertilizantes nitrogenados pode ser realizada de várias maneiras: 1) aplicada incorporada ao solo pelo cultivo na entre linha (tríplice operação); 2 - aplicação superficial em faixa; 3 - aplicação sob a palha e em faixa; 4 - aplicação incorporada em ambos os lados da soqueira; 5 - aplicação superficial em área total, 6 - aplicação aérea líquida e aplicação foliar. As aplicações de N-fertilizante realizadas por meio do cultivo da entre linha ou superficialmente em faixa são as mais tradicionais, devido ao cultivo ter sido muito utilizado na cana queimada e a aplicação superficial apresentar maior facilidade operacional em canaviais sob cana crua, devido à camada de palha resultante após a
Ricardo Curione
Jacto
em época úmida sempre promoveu as maiores produtividades, sendo mais pronunciadas nos canaviais colhidos no final da safra (as diferenças de produtividade nas diversas condições de umidade em início, meio e fim de safra foram respectivamente de 6, 7 e 5TCH), como mostra a Figura 1. Em geral, a área colhida em início de safra obteve a maior produtividade de colmos (96TCH), seguida da área de meio (85TCH) e da área de final de safra (68TCH). A diferença de produtividade entre as áreas de início, meio e fim de safra está relacionada às condições climáticas e à umidade de solo após o corte do canavial. Nesse contexto, em busca de maiores produtividades, a época de aplicação do N-fertilizante está condicionada à umidade do solo e não ao estágio de desenvolvimento da planta, na área de meio de safra (Figura 1). A aplicação em época úmida ocorreu aproximadamente 60 dias após a colheita, enquanto a aplicação em época seca se deu imediatamente após a colheita. Com isso, o melhor momento para se aplicar o N na soqueira de cana-de-açúcar ocorre quando existir umidade no solo, independentemente do período em que foi realizada a colheita. Outra possibilidade de aumento da eficiência da fertilização nitrogenada em cana-de-açúcar está relacionada às formas de aplicação. Esse fato já é de conhecimento dos produtores e extensionistas, principalmente quando se usa fertilizantes amídico-amoniacais, que são passíveis de perdas por volatilização de amônia (NH3) se aplicados sobre a superfície do solo ou resíduos culturais (Trivelin & Franco, 2011).
colheita atrapalhar a escarificação da entre linha (na opção cultivo). Existe a necessidade de avaliar se realmente tais modos de aplicação são os mais viáveis e os que apresentam maior retorno produtivo no manejo da fertilização nitrogenada em cana crua. Para atestar a necessidade da realização ou não do cultivo da entre linha de soqueiras colhidas sem queima, um experimento realizado na região de Sales Oliveira, em solo argiloso (Castro et al, 2014), mostrou que nenhum efeito foi obtido na produtividade da cultura pela adoção do cultivo da entre linha (Tabela 1). Outros trabalhos também verificaram essa falta de resposta da cultura sob cana-crua, o que coloca em xeque a necessidade de se realizar tal operação, devido à cana-de-açúcar não explorar a região da entre linha da cultura (Otto el al, 2009), mesmo em áreas em que não há tráfego de máquinas na entre linha (Rossi Neto, 2015). A aplicação realizada pela tríplice operação, apesar de também ser incorporada ao solo, apresenta menores rendimentos de
Fotos Arquivo Autores
Figura 1 - Efeito da época de aplicação do fertilizante nitrogenado de acordo com a época de colheita da cana-de-açúcar. Fonte: Castro, S.G.Q., 2017
Figura 2 - Modos de aplicação de fertilizantes nitrogenados em soqueira de cana-de-açúcar
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Figura 3 - Efeito do modo de aplicação do N-fertilizante na produtividade da cana-de-açúcar. Fonte: Castro et al., 2016. Obs: Letras maiúsculas diferem entre si dentro de cada ano
TCH devido justamente à distância em que o fertilizante é posicionado em relação à soqueira da planta e a área abrangida pelo sistema radicular, que no meio da entre linha é muito pequena (Otto et al, 2009). Comparando formas de aplicação de fertilizante nitrogenado em cana crua, Castro et al (2016) constatou que tanto a aplicação superficial em faixa quanto a aplicação na entre linha incorporada ao solo (a cerca de 30cm) apresentaram produtividade de colmos inferiores à aplicação realizada nos dois lados da linha com incorporação (10cm) ao solo (Figura 3). Em geral, a incorporação do N-fertilizante apresentou acréscimo na TCH de 14% (28 TCH) e 19% (38 TCH) quando comparada, respectivamente, à aplicação superficial e na entrelinha, que não diferiram entre si. Os ganhos de TCH na aplicação incorporada podem ser justificados devido ao fertilizante ser alocado diretamente no solo e próximo ao sistema radicular, transpondo a camada de palha, além de que, 80% do sistema radicular da cultura está localizado a até 40cm de profundidade, a uma distância horizontal da soqueira de cana-de-açúcar de 30cm (Otto et al, 2009). Vale ressaltar que nos trabalhos de Castro et al (2016) a fonte nitrogenada foi o nitrato de amônio, que não sofre perdas por volatilização de amônia nas condições de pH dos solos do Centro-Sul, onde brasileiros estão localizados. Pesquisa conduzida pelo Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), sob coordenação
Figura 4 - Efeito de formas de aplicação de N-fertilizante na produtividade de colmos -TCH. Fonte: Borges et al., 2016. Obs: Letras comparam as formas de aplicação em cada um dos anos
do pesquisador Henrique Junqueira Franco, nessa mesma temática dos trabalhos de Castro e colaboradores, avaliou três formas de aplicação de fertilizante nitrogenado em soqueira de cana crua: aplicação sob a palha e em faixa; aplicação superficial em faixa e aplicação incorporada ao solo em soqueira de cana crua. A produtividade da cultura se mostrou maior quando o fertilizante nitrogenado foi aplicado de forma incorporada ou sob a palha, em comparação com a aplicação superficial (Figura 4). Em ambos os anos desse estudo os fertilizantes nitrogenados não eram suscetíveis a perdas de N por volatilização de NH3 (2015 – nitrato de amônio; 2016 – sulfato de amônio). Considerada a produtividade média obtida nos dois anos agrícolas (Figura 4), a aplicação incorporada ao solo e sob a palha proporcionou acréscimos
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na TCH, respectivamente, de 16% (26mg/ha) e 13% (21mg/ha) quando comparada à aplicação superficial. De acordo com os resultados de pesquisa obtidos resta claro que o ajuste do modo de aplicação do fertilizante nitrogenado é uma técnica simples, de fácil adoção, que permite aumento da produtividade da cana-de-açúcar. Nesse sentido, a fim de maximizar os ganhos com o ajuste do modo de aplicação é conveniente adequar a época de aplicação do N-fertilizante. Sempre que estiverem presentes condições operacionais deve-se aplicar o fertilizante nitrogenado quando houver umidade na lavoura, preconizando a aplicação incorporada em ambos os lados da C linha ou aplicação sob a palha. Sérgio Gustavo Q. de Castro e Henrique Coutinho J. Franco, CTBE/CNPEM
C
Castro e Franco abordam os ajustes da época e o modo de aplicação do fertilizante nitrogenado em cana
COLUNA AGRONEGÓCIOS
O
Proteção aos serviços ecossistêmicos
uso propor que o Brasil está condenado a ser o grande protagonista do mercado internacional de produtos agrícolas, até o final da próxima década. Ainda não é o maior produtor e talvez nem venha a superar EUA e China neste quesito. Mas já é o maior exportador líquido (exportações menos importações), e expandirá essa margem cada vez mais, no futuro próximo. Uma regra de ouro para quem pretende ser protagonista no mercado internacional: no futuro mediato não bastará produzir, será necessário fazê-lo com sustentabilidade. A preocupação com temas ambientais, sociais e de saúde pública constituirá o arcabouço onde se assentará o mercado, obviamente estando atendidos os aspectosde preço compatível e qualidade exigida pelos consumidores. Saindo do geral para o particular, um dos aspectos a considerar no âmbito da sustentabilidade é a preservação dos serviços ecossistêmicos, como o controle biológico de pragas e a polinização, geralmente mediada por insetos, como as abelhas. Ora, se abelhas são insetos, e inseticidas são desenvolvidos para matar insetos, logo inseticidas matam abelhas polinizadoras ou insetos predadores ou parasitoides de pragas. Destarte, o nosso desafio é usar os inseticidas para controlar as pragas da lavoura, com o menor impacto possível sobre insetos benéficos.
CUIDADOS NAS APLICAÇÕES
Há vários insetos-praga que atacam a soja durante o seu ciclo, sendo os principais os desfolhadores e os que se alimentam de vagens e grãos. Em tese, uma aplicação de inseticida pode ter efeito negativo sobre agentes de controle biológico. Entrementes, já dispomos de diversos referenciais sobre como minimizar o efeito deletério de inseticidas. Já no tocante aos polinizadores, cujo período crítico de impactos negativos coincide com a presença de flores nas plantas de soja, ainda existe carência de estudos. O período de floração da soja pode variar de 12 dias a 30 dias, dependendo de vários aspectos, mas, especialmente, se as cultivares de soja são do tipo determinado ou indeterminado. Em se tratando de cultivares de crescimento do tipo deter-
minado, o estágio R2 é caracterizado pela plena floração, quando o nó terminal superior desenvolve flores, interrompendo o crescimento vertical da planta. No estágio R3 (início de formação das vagens), o período de floração se encerra e poucas flores estão presentes nas plantas. O período de floração médio para cultivares de hábito determinado dura entre 12 dias e 17 dias (em média 15 dias). Nas cultivares de hábito de crescimento indeterminado (as mais cultivadas no Brasil na atualidade), o florescimento continua após o estágio R3, por vezes até R5 (início do enchimento de grãos), estendendo-se, em média, por 25 dias (variando entre 22 dias e 30 dias). Logo, vagens e flores estão presentes, ao mesmo tempo, sobre as plantas. Assim, enquanto polinizadores visitam flores de soja, as vagens e os grãos podem (ou não) ser atacados por pragas, podendo necessitar de práticas de controle dependendo da intensidade do ataque. Esta é uma diferença muito importante, por vezes crucial, em relação ao impacto do controle de pragas sobre polinizadores, porque, em cultivares determinadas, o período de floração não se sobrepõe com a formação e o enchimento de vagens.
nos e de ações. Em havendo necessidade de utilização de controle químico deve-se evitar a aplicação de agroquímicos durante o horário preferencial de forrageamento das abelhas (das 9h às 15h). Inseticidas biológicos, fisiológicos ou doses menores de inseticidas que sejam menos prejudiciais para polinizadores constituem táticas fundamentais para atenuar o impacto adverso. É importante reforçar que é desnecessário e inútil controlar pragas que atacam vagens e grãos (percevejos ou lagartas) anteriormente à presença de vagens com mais de 0,5 centímetro de comprimento, nas plantas de soja. A questão é mais complicada quando se trata de cultivares de hábito indeterminado, por conta da presença simultânea de flores e vagens nas plantas. Neste caso, se percevejos ou lagartas que se alimentam de vagens ou grãos atingirem os níveis de ação, é recomendado o controle dessas pragas para evitar prejuízos financeiros. Novamente, a diretiva principal é selecionar, entre os inseticidas recomendados para controle dessas pragas, aqueles que têm o menor impacto sobre polinizadores. A aplicação dos inseticidas deve ser realizada evitando os horários preferenciais de forrageamento das abelhas (9h – 15h), reduzindo a CUIDADOS NA APLICAÇÃO possibilidade de os inseticidas atingirem, Para minimizar o impacto negativo das diretamente, os polinizadores. ações de controle de pragas sobre os polinizadores é necessário seguir, rigorosamente, TECNOLOGIA DE APLICAÇÃO as recomendações do Programa de Manejo Além de seguir rigorosamente as inIntegrado de Pragas de Soja (MIP-Soja). dicações do MIP-Soja, em qualquer dos Insetos desfolhadores podem ser pragas casos aqui referidos, é muito importante importantes ao longo de todo o ciclo, a regulagem adequada dos equipamentos embora as espécies dominantes variem de pulverização, atentando para a vazão de acordo com a localização geográfica, as adequada e para as faixas ótimas de condições ambientais ou a presença de ini- temperatura e de vento. Recomenda-se migos naturais (predadores, parasitoides, observar uma faixa tampão entre as bordas doenças de pragas) ou, ainda, estando re- do campo de soja e áreas contíguas, que lacionados a esquemas de controle químico possam servir de abrigo e alimentação para incorretamente aplicados. polinizadores. Nesse particular, deve ser Pragas desfolhadoras podem, inclusive, evitada, a todo o custo, a deriva nas aplicaatacar a soja durante o período de floresci- ções, para não atingir alvos não desejados mento, tanto em cultivares determinadas fora dos limites da cultura de soja. quanto indeterminadas. Neste caso, é Seguindo essas regras simples, além possível eliminar ou minimizar o impac- de reduzir o custo de produção, será to sobre polinizadores seguindo regras possível melhorar o currículo brasisimples, como efetuar o monitoramento leiro perante o mercado internacional constante do crescimento populacional e aperfeiçoar sua condição de grande das principais pragas e de seus danos e exportador mundial, lastreado em boas observar criteriosamente os níveis de da- práticas agrícolas. C
Décio Luiz Gazzoni O autor é Engenheiro Agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja.
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COLUNA MERCADO AGRÍCOLA
Plantio atrasado obriga produtor a ser mais técnico e eficiente para ganhar O plantio da safra 2017/18 no Brasil registra grande atraso em todos os grãos, do arroz ao milho, principalmente a soja, devido ao clima. Para o arroz o problema maior foi o excesso de chuvas e inundações. Já os demais cultivos sofreram com a falta de chuvas para dar condições de umidade ao solo. Os produtores de arroz começaram o plantio em agosto (Santa Catarina) e em setembro (em pontos isolados do Rio Grande do Sul). Depois vieram as chuvas, que paralisaram as máquinas gaúchas, e a seca, que atingiu as lavouras de Santa Catarina em agosto e no começo de setembro. Somente em outubro é que o plantio pôde avançar. No caso da soja, que envolve a maior área brasileira, houve atraso devido à falta de precipitações em setembro, e assim as máquinas puderam andar de maneira pontual onde havia pancadas de chuva. A partir do final de outubro as chuvas normalizaram e deram condições de seguir com o plantio. Parte das áreas deste ano será plantada em dezembro, como no Nordeste e no Norte. Mas o ponto importante em ano de demora no plantio é o atraso no início da colheita. Em alguns momentos de março haverá colheita concentrada e riscos de o produtor amargar perdas se não fizer um bom planejamento e também se não souber onde vai entregar esse volume de soja, pois os armazéns tendem a registrar filas. Por isso, o produtor tem de estar preparado, pois normalmente nestes momentos de excesso de entrega de soja a tendência é de pressão de baixa nas cotações e de alta nos fretes. No restante, tudo caminha para saldo positivo, porque normalmente a safra tende a ter produtividade menor e desta forma o quadro seguirá de oferta inferior à safra anterior, enquanto a demanda será maior. Assim, o Brasil sairá de um ano de supersafra para um de safra grande, porém com demanda muito maior. Isso resultará em quadro ajustado e favorável aos produtores. O que reforça a necessidade de gerir as lavouras com alta tecnologia e buscar a melhor produtividade com custos controlados, garantindo a lucratividade.
MILHO
SOJA
Reação chegou e vem mais alta
O milho registrou alta desde agosto e passou setembro com boa evolução interna, com apoio dos pregões do governo e grande movimento na exportação, que até o final de outubro já tinha embarcado aproximadamente 22 milhões de toneladas. A tendência é de mais dois meses bons para embarque pela frente, com espaço para chegar à marca de 30 milhões de toneladas. Com apelo interno de calmaria, porque os compradores das indústrias de ração se abasteceram com a safrinha do Centro-Oeste e vinham operando de maneira lenta em outubro. Como o formador de preços do milho nacional é a exportação, que se encontrava na faixa de R$ 29,00 a R$ 30,00 a saca, nos portos, não havia espaço para novas altas. Somente o aumento na cotação do dólar poderia resultar em fôlego positivo, porque há pouco espaço para grandes avanços em Chicago. Mas o mercado está melhor do que esteve no primeiro semestre e tende a ter o começo de ano mais favorável que o anterior. A primeira safra foi plantada com forte queda na área, principalmente no Paraná, onde houve redução de 35% frente ao ano passado. Dessa forma, a produção deverá cair forte, recuando de 30,5 milhões de toneladas que o Brasil colheu na primeira safra para a casa de 20 milhões de toneladas a 22 milhões de toneladas neste novo ano.
Exportação já superou as expectativas do ano
O mercado da soja no Brasil permanece atento aos embarques para o mercado internacional, que até o mês de outubro já superaram os volumes dos anos anteriores. Trata-se de recorde histórico anual antes mesmo de fechar o ano e também já superou as projeções, que na melhor das hipóteses apontavam para 62 milhões de toneladas do grão e 77,2 milhões de toneladas no complexo todo. Até a terceira semana de outubro já registrava 62,7 milhões de toneladas do grão, embarcadas e com espaço para chegar a mais de 65 milhões de toneladas no ano. No complexo soja (grão, farelo e óleo) já contabilizava 75,8 milhões de toneladas, ou seja, próximo de atingir as projeções mais otimistas. O recorde anterior foi em 2015, com 70,8 milhões de toneladas. Assim, a soja seguia escoando na exportação e a grande safra brasileira próxima de 114 milhões de toneladas correndo o mundo. Com o atraso no plantio da safra atual pode haver um começo de ano apertado de oferta e demanda crescente, quadro positivo para os produtores que possuírem grão disponível entre janeiro e fevereiro. FEIJÃO
O feijão passou outubro na calmaria e volta à demanda em novembro
O mercado do feijão passou por algumas semanas
Vlamir Brandalizze brandalizze@uol.com.br • Twitter@brandalizzecons • brandalizzeconsulting.com.br
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de calmaria, em função da oferta da safra irrigada e de sobras da segunda safra. As cotações se mantiveram calmas, entre R$ 120,00 e R$ 150,00 a saca. Para novembro há poucas ofertas e junto a isso houve frio em outubro, o que prejudicou as lavouras que estavam plantadas. Tudo caminha para um vazio de oferta nestas próximas semanas, o que pode resultar em nova onda de alta nas cotações. É bom ficar atento, porque antes de dezembro é possível que ocorra nova janela positiva para as cotações. ARROZ
Esperando e pouco reagiu
O ano já está chegando ao final e a cultura do arroz passou por um dos seus piores momentos, com
prejuízos generalizados. Quadro que reflete no plantio, com queda esperada na faixa de 10% da área brasileira, com indicativos de redução na faixa de 12% a 15% na produção. Isso porque, além de reduzir a área, os produtores tiveram de diminuir a tecnologia, por estarem descapitalizados. O mercado, de agora em diante, mostra pouco espaço para mudanças, porque o último mês efetivo de vendas ao varejo do ano é novembro. Dezembro acaba ficando com poucos volumes e as indústrias entram em férias coletivas. Assim, restam algumas semanas de negócios para o arroz e pouco espaço para mudanças. O governo demorou em ajudar o setor e isso vai refletir em uma forte queda na produção. Mudará totalmente o quadro do mercado em 2018, que será mais ajustado.
CURTAS E BOAS TRIGO - O mercado do trigo caminha lento, porque a colheita ainda flui no Sul e muitas áreas foram surpreendidas com chuvas em excesso na fase final e perderam qualidade. No Paraná, os produtores sofreram com a seca e, assim, em geral, o quadro foi de queda na produtividade e na qualidade e com produção menor. Mas o mercado não reagiu para compensar este cenário, porque os moinhos estavam conseguindo comprar trigo barato no mercado externo. De agora em diante a melhor opção aos produtores será negociar a partir de fevereiro, quando tende a ocorrer pressão positiva nas cotações. EUA - Os produtores estão fechando a colheita e os números finais da soja americana apontam para recorde, com mais de 120 milhões de toneladas. Também mostram uma safra regular do milho, mas com forte queda frente ao ano passado devido à redução da área plantada em 1,6 milhão de hectares. Os compradores
continuam agressivos para o grão americano, mas os produtores locais não mostravam interesse em vender nos patamares que estavam sendo praticados. Querem níveis acima de 10,50 dólares para a soja de Chicago. CHINA - As importações seguiram fortes, com aquisição de grandes volumes do Brasil e dos EUA. O produto brasileiro já somava mais de 40 milhões de toneladas vendidas para a China até o final de setembro. Com fôlego para novas transações, porque os chineses continuam com boa margem de lucros no esmagamento e grande demanda interna. ARGENTINA - A safra está em plantio, mas neste ano os argentinos temem pelo clima, que não mostra sinais de ser nem de fenômeno El Niño nem de La Niña. Com isso, pode registrar momentos com seca e outros com excesso de chuvas e inundações. Se confirmado, este cenário pode dar fôlego às cotações no mercado C internacional.
COLUNA ANPII
Aumento de consumo Números crescentes da venda de inoculantes pelas empresas associadas à ANPII demonstram que seu uso se tornou vital para quem deseja mais produtividade e rentabilidade nas lavouras
D
urante os últimos anos o uso de inoculante no Brasil vem em uma curva ascendente de forma contínua e consistente, o que demonstra de forma clara a adesão dos agricultores brasileiros a esta técnica agrícola que tantos benefícios traz aos produtores, ao país como um todo e ao ambiente. Novamente no plantio deste ano o uso do produto vai aumentar de forma acentuada, espalhando as bactérias fixadoras de nitrogênio pelas lavouras do país. De Norte a Sul do Brasil os agricultores se mobilizam para semear dentro da época mais apropriada, o que, neste ano, nem sempre está sendo possível pelo atraso no início das chuvas. E nesta situação de baixa oferta de água no solo os cuidados com a inoculação devem ser redobrados. Nenhum ser vivo vive sem água. E como as bactérias do inoculante são seres vivos, também necessitam de água para sobreviver. Isto se agrava ainda mais no caso do Rhizobium/ Bradyrhizobium, que são bactérias não esporuladas, portanto, sem forma de resistência. Sem dúvida que um tempo prolongado com as bactérias em um ambiente seco, ainda mais com elevada temperatura, é um fator altamente estressante, levando a uma elevada mortalidade de bactérias. Mas como fugir ou pelo menos minimizar ou corrigir este efeito negativo da falta de chuvas na época ideal de plantio? Se por força da logística da propriedade for indispensável plantar com o solo seco e sem previsão de chuva nos próximos dias após a semeadura, é necessário um acompanhamento
rigoroso da nodulação. Em torno de 12 dias a 15 dias após a emergência deve-se fazer uma observação das raízes para verificar se os nódulos já estão se formando em torno da raiz principal. De dez a 15 nódulos nesta fase já demonstram que a nodulação deverá se formar corretamente. Entretanto, se nesta inspeção não forem observados nódulos, ou se estiverem em número muito baixo, é sinal de que a inoculação ficou prejudicada. Neste caso, pode-se fazer uma aplicação de inoculante via pulverização, usando-se de três a cinco doses por hectare, diluindo o inoculante em água, pulverizando-se de 50 a 100 litros por hectare, tomando-se o cuidado de dirigir o jato o máximo possível para o pé da planta, pois as bactérias do inoculante têm que chegar ao solo para atingir as raízes. As bactérias que ficam sobre a folha não trazem nenhum resultado. Entretanto, mesmo neste caso, a umidade do solo é fundamental. Esta pulverização em solo seco não terá efeito. Outro cuidado é não fazer esta aplicação nas horas de sol pleno. O final da tarde é o
período ideal para a utilização desta técnica. A fixação biológica do nitrogênio, como todas as técnicas utilizadas na agricultura, tem suas particularidades e requer atenção no uso. Assim como os produtos químicos têm de ser aplicados sob determinadas condições de ciclo da planta, das doenças, das pragas, das invasoras, o inoculante também tem que respeitar suas condições específicas para que o agricultor tire o máximo proveito no aporte de nitrogênio para sua lavoura. Mas, de longe, os benefícios do nitrogênio via biológica superam suas dificuldades de aplicação, o que tornou o inoculante um produto atualmente utilizado por mais de 80% dos agricultores brasileiros. Os números crescentes da venda deste produto pelas empresas associadas à ANPII demonstram que o uso de inoculante se incorporou às técnicas “obrigatórias” para quem deseja elevadas produtividade e rentabilidade em sua lavoura. O Gráfico 1 demonstra o crescimento do uso de inoculante nos C últimos oito anos.
Gráfico 1 - Vendas de inoculantes pelas empresas associadas à ANPII
Solon C. de Araujo, Consultor da ANPII
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