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Cultivar 14

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destaques

índice

O show do produtor Show rural da Coopavel torna-se o maior evento de difusão de tecnologia do país CAPA - Foto CNPS

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Sem descanso

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A cigarrinha transmite uma série de vírus para o milho. Controle é necessário

A voz do sementeiro Informativo da Abrasem traz as últimas novidades do setor de sementes

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Siga a trilha

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Aqui também tem O girassol, boa opção, sofre com o ataque de diversas pragas. Saiba quais são elas

Ano II - Nº 14 - Março / 2000 ISSN - 1516-358X Empresa Jornalística Ceres Ltda CGCMF : 02783227/0001-86 Insc. Est. 093/0309480 Rua Sete de Setembro 160 7º andar Pelotas RS 96015 300 E-mail: cultivar@cultivar.inf.br Assinatura anual (12 edições): R$ 48,00 REDAÇÃO : (53) 227.7939 ASSINATURAS/GERAL: 272.2128 MARKETING: 272.2257 / 225.1499 FAX: 222.1716

Editor geral: Newton Peter - RPJ/RS 3513 Secretário de redação: Schubert Peter - NUJ 26693 Reportagens Especiais: João Pedro Lobo da Costa Design gráfico e Diagramação: Fabiane Rittmann Editoração de Imagens: Fabiane Al-Alam Marketing: Jane Bernardi Patrícia Germano Circulação: Edson Luiz Krauze Assinaturas: Simone M. Gonçalves Editoração Eletrônica: Index Produções Gráficas Fotolitos e Impressão: Kunde Indústrias Gráficas Ltda.

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Anúncios

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Através da observação da vegetação pode-se saber quais as deficiências do solo

04 05 06 09 10 14 17 18 20 22 23 27 28 30 32 34 35 36 38 39 41 44 46

Diretas Cartas Doenças de feijoeiro Transgênicos rotulados O maior evento do Brasil Cigarrinha e milho Milho: chegaram os sugadores Lagarta continua a preocupar Manejo ecológico de pragas Mercado Agrícola Atualidades da Abrasem Notícias da Aenda Vegetação e solos Pragas do girassol Nutrição em trigo e soja Novo presidente da Aenda Congresso de entomologia Arroz de Terras Altas no RS Bactéria importada Padronização do algodão Nematóides em café Agronegócios Última Página

Novartis Basf Agripec Plantio Direto IBC Dow Ihara Monsanto Gravena Bayer Bayer FMC Microsal Gehaka Aenda FMC Milenia Sipcam

02 07 09 13 15 16 19 26 31 33 35 37 38 38 39 43 47 48

Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.


Empresa migra

Cristiano

Treinamento O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) e a Associação Nacional de Defesa Vegetal (ANDEF) firmaram convênio para formação de instrutores que mostrarão aos agricultores de São Paulo técnicas de uso correto de produtos fitossanitários. A meta é atingir 100 mil agricultores já neste primeiro ano de funcionamento do Convênio. Os instrutores repassarão aos trabalhadores rurais ensinamentos sobre temas como armazenamento, manejo integrado de pragas; destino final de produtos e embalagens e equipamentos de proteção individual, repetindo em São Paulo uma experiência bemsucedida em 18 outros Estados do país , explica o Presidente Executivo da ANDEF, engenheiro agrônomo Cristiano Walter Simon.

Mais um gaúcho chegando ao Mato Grosso, dessa vez não para plantar, mas sim industrializar. O empresário Domingos Casarin, de Pelotas, anuncia o início das operações de beneficiamento de arroz em Sinop dentro de 60 dias, em parceria com produtores oriundos do Paraná. No ramo há 30 anos, Casarin está satisfeito com a qualidade das cultivares Maravilha e Primavera e pretende, de início, beneficiar 100 mil fardos/mês. O projeto total representa um investimento de US$ 10 milhões e a segunda etapa inclui armazenamento.

Falcão

Tecnologia

Este mês, de 09 a 11, acontecerá o

Bem-vinda A Monsoy tem nova responsável pela área comercial. Márcia Veras está no cargo em plena atividade, viajando pelo país e ouvindo os parceiros da empresa. Márcia, com formação jurídica, vem dos quadros de Aprovado Técnicos da CTNBio estiveram vistoriando o experimento da Aventis com arroz transgênico, no município de Rio Grande (RS). Concluíram que ele segue todas as normas necessárias, além de observar outras, não-obrigatórias, como uma área de retenção para a água utilizada na pesquisa e um estudo específico sobre a ação dos insetos.

tradicional dia de campo na Sementes Falcão, em Passo Fundo (RS). Novas variedades, técnicas de plantio e medidas para aumentar a produtividade serão mostradas aos produtores. Humberto Falcão promete grandes novidades. Vale conferir.

Parceria A FMC está ultimando detalhes de um grande projeto para estabelecer 12 grandes centros de tratamento de sementes no Centro-Oeste, em parceria com o INDEA. O projeto, segundo Maria Paula Luporini, da FMC, tem detalhes inovadores e envolve as prefeituras de municípios da região. É uma das grandes novidades da empresa para este ano.

Márcia

recursos humanos da Monsanto. Vídeo Irrigação por gotejamento é um sistema em que a planta recebe a água de forma gradual, gota-a-gota. O fornecimento é localizado. A Via Rural, empresa especializada em vídeos técnicos, produziu material sobre o assunto. Informações adicionais, através dos telefones (41)347-7399 ou 3475540.

Joelson

Opção no arroz

Paula

Com moral O diretor geral da Aventis no Brasil, César Rojas, foi taxativo ao falar da importância do Brasil para a empresa. Consideramos o mercado brasileiro de defensivos o mais importante de todos, com enorme potencial de crescimento . A empresa espera conseguir participação de 16% do mercado brasileiro este ano. Novo avião

A indústria aeronáutica Neiva, do grupo Embraer, introduziu inovações tecnológicas na aeronave agrícola brasileira Ipanema, visando melhorar ainda mais as pulverizações de produtos fitossanitários, através da redução da deriva de gotas para fora das áreas a serem tratadas. As barras de pulverização foram rebaixadas, as

Novo lar Joelson Mader está de casa nova. É o novo gerente de marketing da Cheminova, fundada em 1938 em Copenhagen, Dinamarca, e com atuação em mais de 100 países é uma das líderes no mercado de defensivos genéricos. Seus principais produtos são os inseticidas: Malathion, Dimethoate, Chlorpyrifos, Methyl Parathiom, Ethion e Fenitrothion. Além dos herbicidas Glyphosate e Imazethapyr.

pontas das asas foram elevadas e um condicionador de ar foi instalado para maior conforto dos pilotos. A empresa enviou um protótipo para ser avaliado pela Mirim Aviação Agrícola, que realizou os teste em parceria com a UFPel. Os resultados preliminares são promissores e farão parte de uma tese de pósgraduação.

Em alta A Assembléia Geral Ordinária da Coodetec (Cooperativa Central Agropecuária de Desenvolvimento Tecnológico e Econômico) aprovou as metas para este ano. Entre elas, vem aí o lançamento de uma nova cultivar de trigo, duas de soja, duas de milho e uma de algodão. A área de ação também será ampliada, passando a atender outros Estados brasileiros, a Bolívia e a Argentina, além do Paraguai, onde suas sementes já têm forte presença. Ainda neste ano, a cooperativa implantará um laboratório de biotecnologia. Ao longo dos anos, a Coodetec formou um dos maiores bancos genéticos do País. De suas pesquisas resultaram dezenas de novas variedades, que hoje já representam 15,22% da área de plantio de soja no Brasil, 8,5% da área de trigo e 18,68% da área cultivada em algodão.

Chegou ao mercado a maior colheitadeira de arroz fabricada no Brasil. Trata-se da TC-59 Arrozeira, lançada nesta safra pela New Holland, em duas versões: terras altas e irrigado. A TC59 Arrozeira é uma colheitadeira de seis saca-palhas e com uma plataforma de corte com 19 pés de largura. Seu tanque graneleiro tem capacidade para 6.700 litros.

Fuso Clean 2000

A empresa Rigran informa o lançamento do Fuso Clean 2000, produto mais concentrado e econômico do que o conceituado Fuso Clean. A embalagem de 1,2 kg do novo produto equivale a cinco litros do produto tradicional. De acordo com o diretor da empresa, Nelson Azambuja, o novo produto mantém a qualidade e o desempenho comprovados, não altera as características do algodão e protege as partes plásticas e metálicas das colhedeiras. Maiores informações, telefone (51) 341-3225 ou http:// www.rigran.com.br

Estou orgulhoso de receber essa excelente revista Cultivar. O trabalho de vocês está muito bom e nem se discute a qualidade do material apresentado (conteúdo, qualidade de impressão e papel). Sempre divulgo a revista aos demais

colegas da área, dentro do IAPAR em Curitiba. Vocês estão de parabéns. Nilceu R.X. de Nazareno, PhD Iapar A Cultivar nos mostra muito mais informações técnicas do que outras do mesmo

Uniroyal A razão social da Uniroyal mudou. Agora é Ckwitco. Ainda não foram divulgados detalhes sobre o negócio, nem sobre possíveis mudanças na equipe. Além do nome, só se sabe o novo endereço: Av. JK de Oliveira, 1830 10º andar, Torre 1. São Paulo.

Novo Nome A empresa Ribeiral Sementes Ltda., comprada ano passado pela Aventis (AgrEvo na época), entrou na fase final da sua reestruturação. O nome da empresa passa a ser AgrEvo Sementes do Brasil Ltda. Os demais dados permanecem os mesmos.

Sucesso Uma nova concepção em dias de campo foi inaugurada pela empresa de sementes Três Tentos, no RS. No passado chegou a receber 3.000 pessoas em um só dia. Agora seus eventos recebem convidados em dias e horas marcados. Pequenos grupos de 20 produtores, com toda a assistência, são levados em carretas puxadas a trator para percorrer as bem organizadas instalações, sem atropelos ou distrações. Aprovei-

segmento. Edson Rocha da Silva Hokko do Brasil Leio essa revista todo mês. Estou trabalhando com desenvolvimento de produtos na Zeneca Agrícola, necessito de informações

Perspectivas Rui Goerck, diretor da Basf do Brasil e vicepresidente do Sindicato Nacional de Defensivos Agrícolas (Sindag) espera melhorias no setor este ano. Não há empolgação, mas as perspectivas para o ano 2000 são bem melhores do que o ano passado . Apesar da redução de 8,8% nas vendas no ano passado, o resultado foi considerado surpreendente pelas empresas de defensivos agrícolas, que esperavam redução bem maior, entre 10 e

Rui

15%. A exportação de produtos para outros países, principalmente da América Latina, na opinião de Goerck, deve ser umas das armas das indústrias que possuem fábricas no Brasil. Até 2002 devemos dobrar nossas vendas para o mercado externo .

Luiz Osório

tamento total é o que se observa. Mesmo assim, em dois dias de fevereiro Luiz Osório Dumoncel (foto) o pai João e o irmão João Marcelo recepcionaram mais de 800 agricultores. A Três Tentos está em Santa Bárbara, RS.

gerais diversas e a Cultivar é muito útil nisso.

Joelson P Mader Cheminova

Cláudia Godoy Rolândia/ PR

Parabéns pelo trabalho que vocês vêm executando. A Cultivar está cada vez melhor. Continuem firmes.

Hoje a qualidade da Cultivar é comparada com as melhores revistas agrícolas do mundo. Vocês não perdem para ninguém.

Alderi Araújo Embrapa Algodão

A Cultivar agradece as cartas recebidas. Infelizmente, por questão de espaço, não poderemos publicar todas. Entretanto, informamos que as respostas aos pedidos de informações e de artigos já foram remetidas. Ficamos sensibilizados com as mensagens de incentivo e tentaremos corrigir os erros apontados por nossos leitores.


Feijão

doenças

FABC

Sintomas de podridão radicular causada por Rhisoctonia solani

Em nosso último artigo abordamos as principais doenças fúngicas da parte aérea do feijoeiro. Este texto descreverá as principais medidas adotadas para o controle das principais doenças da cultura transmitidas via solo: Mofo Branco (Sclerotinia sclerotiorum), Podridões Radiculares (Fusarium solani & Rhizoctonia solani) e Murcha de Fusarium (Fusarium oxysporum f.sp. phaseoli).

O mal que vem pela raiz O

Mofo Branco apresenta maior importância em áreas de cultivo de feijoeiro de inverno sob irrigação. É favorecido pelo clima favorável e pela manutenção dos escleródios na superfície do solo. Em sua grande maioria, as recomendações de controle do Mofo Branco envolvem práticas culturais. Não há relato de variedades resistentes e o controle químico nem sempre é eficaz. A adoção de um sistema de rotação de culturas e o uso de cobertura morta na superfície do solo (plantio direto)

são as principais medidas recomendadas. A barreira física da palhada de cobertura e a ação de microorganismos antagônicos evitam a infecção pelo patógeno. Murcha de Fusarium A Murcha de Fusarium vem se tornando importante em algumas regiões do país devido ao cultivo sucessivo do feijoeiro e aos poucos cuidados dispensados aos métodos de controle preventivos. As principais medidas de con-


Biotecnologia trole da doença são o uso de cultivares resistentes, práticas culturais e fungicidas em tratamento de sementes para evitar entrada do patógeno na área. Em ensaios realizados em Ponta Grossa no Paraná a rotação de culturas apresentou efeito semelhante ao preparo de solo com arado de aiveca para o controle da Murcha de Fusarium. Este fato demonstra a importância da rotação de culturas no manejo da murcha, bem como a importância de se utilizar resistência genética em áreas com histórico da doença. Podridões radiculares Dentre as doenças transmitidas via solo, as podridões radiculares apresentam maior risco de danos à produção sob cultivo intensivo de feijoeiro em solos encharcados e compactados. Condições ambientais favoráveis, aliadas à grande capacidade de sobrevivência dos patógenos e a ausência de resistência genética efetiva, tornam difícil o controle desta enfermidade. Alguns cultivares possuem uma maior capacidade de emissão de novas raízes junto à superfície do solo nos primeiros dias após emergência, minimizando os efeitos nocivos da doença. A rotação de culturas não é efetiva no controle das podridões radiculares, contudo quando não é realizada, permite a aumento na quantidade de inó-

Atualidade

FABC

S

Lavoura atacada por fusarium; o tratamento de sementes teria evitado o problema

culo no solo. o tempo de exposição e maior a Por todas estas dificuldades, a ado- quantidade de tecido exposta aos pação conjunta de várias práticas cultu- tógenos. rais, pode reduzir a intensidade das pob) Umidade de plantio: plantios dridões radiculares até níem solos próximo a veis aceitáveis. Estas prásaturação propiciticas procuram evitar o am o espelhamenAs podridões ponto de saturação de to do solo e por radiculares água no solo nos primeiconseguinte retenapresentam grande ros trinta dias após o planção de água (enrisco à produção tio. As práticas recomencharcamento), do feijoeiro dáveis são: condições básicas Uso de cultivares para a ocorrência que possuam uma maide infecção. or capacidade de enraizamento suc) Adubação: fertilizantes que perficial em áreas possuam alta taxa de salinização, de risco, tais tais como o potássio, danificam a como Rudá e raiz e facilitam o processo de infecAporé. ção. A localização do adubo, ou até Rotação de mesmo a possibilidade da aplicação culturas: apesar destes fertilizantes à lanço, deve ser de não ser efeti- observada. va, evita o aud) Utilização de discos de corte mento da densi- tipo corrugados ou facão na distridade de inóculo buição do adubo devem ser utilizano solo, diminu- dos quando houver camadas adenindo os riscos. sadas na sub-superfície, a fim de Atenção na evitar o encharcamento do solo e operação de plan- favorecer a livre percolação da água tio: das chuvas. Os benefícios destes sisa) Profundida- temas podem ser prejudicados quande de plantio: do utilizados em solos saturados. deve ser em torno de três centíme- Olavo Corrêa da Silva, FABC tros, quanto mais Maristella Dalla Pria, UEPG profundo, maior Marcelo G. Canteri, UEPG

Transgênicos rotulados

aiu enfim o acordo sobre o comércio internacional de transgênicos. No final de janeiro, 130 países assinaram em Montreal o Protocolo de Biossegurança, que prevê rótulos distintos nos carregamentos de grãos geneticamente modificados. A documentação da carga internacional deverá ser marcada com a expressão pode conter alimento transgênico. O caráter indeterminado do rótulo decorre de não ter sido incluída no protocolo a segregação, que permitiria afirmar com certeza se um lote contém ou não OGMs (organismos geneticamente modificados). Foi uma pequena vitória para o Grupo de Miami (Estados Unidos, Canadá, Austrália, Argentina, Chile e Uruguai), que já havia cedido muito mais: o próprio rótu-

co. Baseia-se no princípio da precaução, consagrado na Convenção da Biodiversidade, firmada no Rio em 1992, da qual o Protocolo de Biossegurança é um prolongamento. A UE tem o apoio de países em desenvolvimento. Para vigorar, no entanto, o protocolo de Montreal deve ser ratificado por 50 lo, que não admitiam por considerar os países. Mas é pouco provável que os EsOGMs idênticos ao alimento normal, e o tados Unidos o ratifiquem, pois não firprincípio da precaução, que permite a um maram a convenção de Biossegurança do Rio. Por isso já se prevê imensos debates, país recusar importações pois a UE, por exemplo, de OGMs que considerar pode alegar o princípio arriscados. da precaução para imA União Européia Em 1999, o grupo ocaconta com o por barreiras, enquanto sionou o fracasso da reuapoio dos os exportadores alegarinião em Cartagena (Copaíses em am a falta de certeza cilômbia), da qual deveria desenvolvimento entífica. ter saído o protocolo. O Como o documento principal adversário do diz que não pode ser Grupo de Miami é a União usado como motivo para alterações nos Européia (UE), que defendia a segregadireitos e obrigações em acordos internação de transgênicos desde a produção e a cionais existentes, não prevalece sobre a permissão para um país recusar OGMs. Para a UE, essa possibilidade deve existir OMC, o que abre possibilidade de os exmesmo quando não há prova científica portadores recorrerem à entidade quanconclusiva de insegurança do transgêni- do prejudicados.


Show rural

Coopavel

Coopavel

Fotos Cultivar

O MAIOR EVENTO AGRÍCOLA DO BRASIL Show Rural da Coopavel reuniu mais de 95 mil pessoas

J

á se tornou o maior evento agrí- to firmou-se definitivamente em sua tercola do Brasil, eleito por exposi- ceira edição. Expuseram produtos as tores e participantes do Show Rural da maiores empresas de máquinas e tratoCoopavel, realizado em Cascavel de 07 res e em campo os produtores puderam a 11 de fevereiro, que recebeu em cin- conferir as novidades em diversas culco dias mais de 95 mil visitantes, con- turas, mas principalmente de milho e tados nas roletas. soja. Em termos de experimentos foram apresentados mais de 4.500 parcelas em Destaque das soja, milho, algodão, feijão, sorgo entre agroquímicas outras, numa área de 72 hectares totalAs empresas agroquímicas multinamente cobertos e aproveitados para a cionais, na totalidade, capitaneadas pela realização do evento. Os visitantes pu- ANDEF, montaram estandes. O maior, deram ainda assistir a 150 palestras di- da Monsanto, destacou-se pelo tamaárias, ministradas por profissionais de nho: mais de 1200 metros quadrados todas as áreas. Uma de construção, o maior já organização exemplar visto em eventos dessa namanteve limpeza abtureza. O foco centralizouEmpresas soluta no local, onde se nos experimentos com apresentaram jamais apareceram a classe de herbicidas modernas papéis ou pontas de Roundup. Um deles, o tecnologias aos cigarro, e os banheiRoundup Transorb, foi produtores rurais ros sempre rigorosalançado oficialmente no mente limpos, apesar Paraná pelo presidente da das 20 mil pessoas Monsanto, Gustavo Leite, que por ali transitaram a cada dia. Nas aproveitando a ocasião. filas do restaurante, por exemplo, a esA Novartis, com dois estandes, despera não ultrapassava 15 minutos. tacou entre outras coisas, a ação do inVisitado por autoridades e políticos, seticida Cruiser pintado em um enorque não receberam maior atenção do me balão em cultura de milho. Tampúblico - os produtores estavam inte- bém levou um grupo de especialistas ressados mais em tecnologia -, o even- da Universidade de Passo Fundo para

demonstrar um aparelho que mede o aproveitamento da luminosidade e efeitos na fotossíntese. Tratamento de sementes com Promet, experimentos com os herbicidas Tilt e Alt e demonstrações de híbridos de milho também foram mostrados pela empresa. Na FMC o foco esteve no Boral, um herbicida à base de sulfentrazone, uma nova molécula desenvolvida pela FMC. O sulfentrazone é um novo ingrediente ativo representante de uma família de produtos também nova: a aril triazolinonas. O Boral também teve o nome pintado em balão. A Basf mostrou seu programa de tratamento de doenças de soja, onde os produtos Kumulus-DF e Cercobin são estrelas. Os dois fungicidas são indicados contra oídio, cercospora e septoria. A empresa também dedicou espaço ao inoculante Nitragin e ao fertilizante foliar Basfoliar, ambos para soja. Para milho mostrou o Semevin em tratamento de sementes, e o herbicida Sanson. A Dow AgroSciences levou sua linha completa porém destacou a ação do inseticida Tracer contra a lagarta-docartucho. Em herbicidas mostrou o Spider e o Pacto, ambos latifolicidas de pré e pós emergência, respectivamente, recém-lançados no Paraná. Também mostrou a linha de produtos da Sanachem, agora integrando a linha da Dow. Na Milênia, que levou sua linha completa para soja e milho, viu-se porém empenho em mostrar o fungicida Orius, lançamento no Paraná, à base de tebuconazole, recomendado para trigo, batata, cevada, maçã, cebola, feijão e tomate. O novo produto vem indicado para controlar uma ampla série de doenças. A Aventis, ainda em fase de implantação após a fusão da AgrEvo e Rhone,

Os imitadores Praga e Doença foram uma atração à parte

não mostrou produtos novos. Demonstrou, então, a sinergia entre os integrantes das duas linhas de produtos. A equipe da empresa enfatizou a distribuição de informações. E mobilizou diversos pesquisadores de renome, como Walter Jorge, do Iapar, para proferir palestras aos produtores visitantes. Já a DuPont centrou as atenções no herbicida Classic, enfatizando sua ação residual quando usado em associação ao Roundup. O programa, chamado Desseque e Plante , pela empresa, prega o plantio logo após a ação do herbicida, com o Classic retardando o surgimento de ervas até que a soja esteja em condições de abafar a competição. A DuPont também demonstrou os efeitos do tradicional fungicida Benlate em feijão. A Hokko destacou no evento a sua linha completa de produtos em soja, milho e feijão. Ênfase em manejo com residual. A equipe da Hokko foi bastante consultada sobre o inseticida Orthene, com ação direta contra o percevejo da soja, em plena atividade. Na Zeneca, em estado de pré-fusão com a Novartis, e em fase de registro do herbicida Amistar para uva, tomate

e batata, e do inseticida Priori, o destaque total coube ao lançamento, em conjunto com a Coopavel, do projeto Escola no Campo, um programa de educação infantil para o uso adequado de agroquímicos. O próprio presidente da empresa, Joseph Sherman, referendou o início do programa, que em oito Estados já ensinou a mais de 210 mil crianças como usar agroquíPresidentes de empresas micos sem maiores marcaram problemas. presença no A Bayer foi ouShow Rural. tra que levou sua liAcima, Joseph nha completa de Sherman, da produtos para o Zeneca, ao Show. Com forte lado da vicedestaque na inforgovernadora mação, teve sempre do Paraná. À grande afluência de direita, público prestigianGustavo Leite, presidente da do as palestras dos Monsanto do técnicos. De produBrasil tos destacou o fungicida Folicur e aproveitou para enfatizar o novo inseticida Valient, especialmente no controle da lagarta da soja. Finalmente, entre as agroquímicas, curada, a curiosidade correu por conta a Nortox mostrou seus herbicidas Tri- da Monsanto e da Dow AgroSciences. fluralina e Glifosato vendidos com a A primeira, dona da Monsoy e que commarca da empresa, óleo mineral e o in- prou a Cargill, Braskalb e Agroceres, seticida e acaricida Dimetoato, organo- montou, além do seu gigantesco estanfosforado de ação sistêmica. de, três outros para as coligadas. MonOs fabricantes de tratores e máqui- soy, Agroceres e Dekalb são as marcas nas agrícolas tiveram um show à parte. que ficarão, a primeira na soja e as deEm ampla área mostraram modernas e mais no milho. A marca Cargill surgiu potentes colheitadeiras, equipamento apenas ligada à marca Dekalb, que perde pulverização, irrigação e toda a li- manecerá no mercado em seu lugar. Já nha que compõe o setor. Todos os gran- a Dow levou a nova Sementes Dow des fabricantes nacionais, sem exceção, AgroSciences, que abrange as antigas levaram seus produtos de linha à Cas- Dinamilho, Colorado, Hatã e FT Micavel. lho. Já na área de sementes, muito pro-


Show rural

Coopavel

As novidades que vêm no milho Dow e Monsanto destacaram-se com novas cultivares e tecnologia de ponta

Fotos Cultivar

F

oi no Show Rural da Coopavel a apresentação oficial do conglomerado Sementes Dow AgroSciences, formada por quatro empresas adquiridas: a Dinamilho, Hatã, Colorado e FT Milho, das quais apenas duas marcas permanecerão no mercado. O diretor Luis Pelá explica que a Dow decidiu, com base em pesquisa, manter as quatro empresas, com mudanças. Assim, a marca Dina passará a designar os híbridos graníferos de milho, enquanto os híbridos cerosos, doce e verde serão comercializados com a marca Colorado. A Hatã deixa o mercado, mantendo apenas o H nas cultivares originais. Por exemplo, Dina H-34 é um híbrido antes vendido com aquela marca. Já enquanto o girassol receberá a marca Morgan, o sorgo chegará ao mercado com a Hardy. Pelá salienta que para o futuro a Sementes Dow desenvolve um milho branco, com maior valor agregado. E a tendência da empresa é valorizar seu produto com mais altos teores. Na sua opinião os recursos genéticos ainda permitem melhoramentos consideráveis. E posteriormente, quando se aplicar a biotecnologia, não haverá mais limites. Atualmente, porém, a idéia central é agregar valores para que seu produto tenha classificação superior à de commoditie. Como as quatro empresas incorporadas tinham programas de pesquisa, o cruzamento dos respectivos germoplasmas pode gerar melhores produtos quanto à fitossanidade e mais produtivos, em velocidade mais rápida. Dessa forma, acha que se pode dizer que a marca Dina em seus novos híbridos representa maior produtividade, ganhando a

Luís Pelá

Antônio Carlos Lacerda

jeto que prevê fases como a unidade beneficiadora de sementes de Uberlândia, a ser inaugurada esse mês, e que poderá processar três milhões de Movimento sacas de milho e sorgo por ano. Será a na Monsanto maior da América, no gênero. Para a Monsanto o desafio esse ano A Monsanto joga forte no milho também é consolidar novas marcas, mas também apostará no sorgo, em com o lançamento da Dekalb e repo- especial o granífero. A Monsanto quer sicionamento da Agroceres. A Cargill parte do mercado permanece enquanto se que cresce rapidaefetua a transição para a mente, evoluindo Dekalb. Empresas de 800 mil hectaO diretor de marketing aumentarão os res plantados em em milho, Antonio Carlos investimentos na 98 para 1.200 mil Lacerda, está coordenancultura do milho no em 99. Lacerda do a geração de novos mapróximo ano destaca os materiteriais em cinco frentes. ais de porte baixo Esse ano já estão sendo que estão conquislançadas cinco novas cultando a preferência do produtor. Na tivares, três pela Agroceres e duas pela sua opinião, o Volumax, por exemplo, Dekalb. Essa última incorpora a antié o Cadillac dos híbridos para silagem. ga Braskalb e a Sementes Cargill, amA Dekalb, nesse meio, já nasce em bas compradas pela Monsanto. Para o posição de liderança, como herdeira próximo ano a intenção é competir das grandes Cargill e da antiga com 15 lançamentos. Braskalb. As cultivares Agroceres seDe acordo com Lacerda, a emprerão conhecidas pelas letras AG antes sa visa a garantir a qualidade superior do material. Para isso vem inves- de um número (ex. AG 6018), enquantindo pesadamente, e gastará algo em to as da Dekalb trarão antes dos nútorno de US$ 50 milhões em um pro- meros o C (de Cargill) e DK ou XL. Colorado em sanidade. Ambas incorporam híbridos da Hatã, que investira em cultivares adaptadas ao Cerrado.


Milho

vírus

A DOENÇA VEM DA CIGARRA H

á no mundo mais de 32 doenças (MBS -maize bushy stunt phytoplasma) e do descritas causadas por vírus e Mo- vírus da risca (MRFV - maize rayado fino llicutes em milho. Esses patógenos são virus). P. maidis e vetor do vírus (MStpV transmitidos das plantas doentes para as maize stripe virus) cujo patógeno ainda não plantas sadias por cigarrifoi descrito no Brasil. nhas, pulgões e besouros. Embora D. maidis Nos Estados Unidos, já fotenha sido registrada A população ram registradas mais de 30 pela primeira vez no média da espécies de cigarrinhas aliBrasil em 1938, por cigarrinha no mentando-se em milho. A Mendes, os patógenos milho é de um densidade, bem como a procausadores dos enfezaadulto por planta porção das espécies, depenmentos e da virose da de do local, do ano e da esrisca foram descritos tação do ano. pela primeira vez em Entretanto, as principais espécies cita- 1971 por Costa, Kitajima e Arruda (em São das em milho pertencem aos gêneros: Dal- Paulo). Em Minas Gerais, a cigarrinhas D. bulus, Graminella, Euscelidus, Stirellus, maidis e P. maidis foram documentadas pela Exitianus, Baldulus e Peregrinus. São cita- primeira vez em março de 1985. Elas alidas também 22 espécies de pulgões, desta- mentavam-se em milho na estação expecando-se o pulgão-do-milho, Rhopalosi- rimental da Embrapa Milho e Sorgo, mas phum maidis (Fitch) e o pulgão-verde, Schi- é possível que essas espécies já estivessem zaphis graminum (Rondani) que são os ve- presentes naquele Estado há muito temtores mais eficientes do vírus do mosaico po. Para verificar a incidência dos insetos comum. Fotos Waquil Entre os besouros, os vetores mais importantes pertencem aos gêneros Diabrotica e Choetocnema, e surgem de um vírus - ainda não confirmado no Brasil - denominado MCMV (maize chlorotic mottle vírus). Ainda nos EUA, existem também algumas espécies de ácaros, como Aceria tosichella Keifer, que ganham citação de vetor do vírus HPV (high plains virus) e WSMV (wheat streak virus). No Brasil, a ocorrência dos ácaros (Catarhinus tricholaenae and Oligonychus zeae) foi registrada no milho, mas não há registro dos patógenos por eles transmitidos. As cigarrinhas Dalbulus maidis e Peregrinus maidis estão distribuídas desde o sul dos EUA até a Argentina. A espécie D. maidis é descrita como vetor de dois mollicutes, enfezamento pálido (CSS - corn stunt spiroplsma), do enfezamento vermelho Adubação correta

nas plantas de milho basta observar o interior do cartucho das plantas - seu local preferido de alimentação e abrigo. Para levantar sua ocorrência em lavouras podem ser usados a rede entomológica, amostragem de plantas com saco plástico ou mesmo o aspirador motorizado. Dados de campo revelaram que a espécie D. maidis constituía 93% das cigarrinhas encontradas em milho, 40% em sorgo e 34% em áreas em pousio. Levantamentos semanais da incidência de insetos no cartucho do milho durante 8 anos, revelaram que em média a população da cigarrinha do milho gira em torno de um adulto por planta. Porém, nos meses de março e abril - quando ocorre o pico populacional - a densidade de D. maidis pode chegar a 10 adultos por planta. Biologia da cigarrinha Os adultos da cigarrinha podem atingir mais que 4 mm de comprimento e 0.85 mm de largura. A coloração dos adultos é palha, podendo variar de escura a clara, dependendo da idade e de fatores ambientais. Na cabeça apresentam duas manchas escuras e, no último par de pernas, duas filas de espinhos bem visíveis. As fêmeas inserem seus ovos principalmente na base da nervura central das folhas das plântulas de milho na proporção de 14 ovos por fêmea, por dia. Dependendo da temperatura, depois de 9 a 20 dias de incubação, eclodem as ninfas, que passam por 5 mudas até atingirem a fase adulta em 14 dias. As ninfas se alimentam na

face inferior das folhas e se movimentam pouco, deixando pequenas exúvias brancas (exoesqueleto) presas na folha após cada muda. Os adultos sobrevivem em média 52 dias, mas alguns podem ultrapassar 4 meses. A temperatura ideal para o desenvolvimento dessa espécie é 26,5oC, entretanto, abaixo de 20oC não há eclosão de ninfas. Danos da cigarrinha-do-milho Em geral, os insetos vetores de patógenos causam dois tipos de danos: um decorre da ação do patógeno por ele transmitido, que provoca perdas nas plantas infectadas; o outro deve-se à ação direta da alimentação do inseto, seja através do consumo do tecido foliar ou sugando a seiva da planta infestada. Como foi mencionado anteriormente, a cigarrinha é considerada a principal espécie vetora de patógeno em milho. Entre as doenças causadas por esses patógenos, destacam-se o enfezamento vermelho, enfezamento pálido e a virose da risca. As perdas que causam variam de 9 a 90%, dependendo da susceptibilidade das cultivares utilizadas, do patógeno envolvido e das condições ambientais. No Brasil, já foram registradas perdas de 28,6% na produção de milho devido à virose da risca. Embora exista muita variação entre as cultivares de milho hoje disponíveis no mercado, em lavouras implantadas tardi-

Adubação correta

amente há registro de até 60% de plantas infectadas. As plantas de milho são severamente danificadas quando infectadas pelos patógenos causadores dos enfezamentos, cujas perdas na produção podem chegar a 50% devido ao enfezamento vermelho e a 100% devido ao enfezamento pálido. Os danos diretos causados pela cigarrinha-do-milho às plantas decorrem da sucção de seiva. Dependendo do estádio nutricional da planta e da densidade de infestação, pode ocorrer murcha e morte das plantas recém-germinadas. Experimentalmente foi observado que a densidade de 10 adultos por planta pode reduzir o peso seco do sistema radicular em 62% e da parte aérea de plantas novas em cerca de 40% Efeitos nas cultivares Uma coleção de 42 híbridos comerciais de milho foi avaliada para a incidência de adultos e ovos da cigarrinha. Os resultados revelaram diferenças significativas entre os híbridos. O menor número de adultos da cigarrinha por planta foi nos PX 1373-A, Z 8501, AG 122, G 150-C and Z 8568. Já o menor número de ovos por planta ocorreu nos híbridos PX 1273A, CO 822992, AL-Manduri, C 615, P 3041 and AG. De todos os 43 híbridos avaliados, os mais infestados apresentaram 10,0 ovos/ planta e os menos infestados 2,5 ovos/ planta em média. Foi observado ainda que nem sempre o híbrido com maior densidade de adultos apresentava maior densidade de ovos, mostrando que nem sempre o melhor híbrido para a cigarrinha se alimentar é o melhor para oviposição. Foi observado que o sorgo é cerca de 10 vezes menos ovipositado - ou visitado pela cigarrinha - do que o milho. Por outro lado, também o sorgo não é sensível aos patógenos transmitidos pela cigarrinha. Em condições de campo pode-se coletar essa cigarrinha em sorgo, mas em laboratório, 100% dos insetos utilizados na infestação experimental do sorgo morreram. Controle da cigarrinha Há várias estratégias para o controle das doenças causadas por vírus e mollicutes no milho. Cultivares resistentes têm sido a principal estratégia para o controle


Milho de doenças em plantas. No entanto, a imu- traciclinas. nidade do milho aos patógenos causadoA alternativa à resistência genética res do enfezamento vermelho (fitoplasma) para o controle das doenças, cujos patógee do enfezamento pálido (espiroplasma) nos são transmitidos por vetores, geralmenainda não foi registrada. Há diferenças sig- te é baseada no manejo do vetor. Neste nificativas entre os híbridos comerciais dis- caso, os métodos culturais - biológicos ou poníveis no mercado, no que tange à sus- químicos - são os mais comumente usados. ceptibilidade aos patógeNo caso da cigarrinhanos transmitidos pela cido-milho, pode-se destagarrinha. car como medidas cultuAinda não existem A eficiência de transrais a eliminação das variedades de milho missão do espiroplasma plantas voluntárias proresistentes aos pela cigarrinha infectiva venientes de sementes enfezamentos varia de 5% após 3 dias perdidas durante a colheivermelho e pálido de alimentação a 72% ta anterior, realização do após 14 dias. Doze dias plantio o mais cedo e num após a alimentação em menor intervalo de templantas doentes, 100% da população de ci- po possível, evitando-se os plantios sucesgarrinha tornam-se infectivos. O período sivos e contínuos como acontece nas regide incubação do espiroplasma em D. mai- ões onde é possível cultivar mais de uma dis varia de 16 a 30 dias, dependendo da safra por ano agrícola. temperatura. Os sintomas das plantas inA opção do controle químico deve ser fectadas aparecem depois de 4 a 7 sema- adotada somente em último caso. Através nas. Há registro da redução da incidência de pulverização, os adultos da cigarrinha do enfezamento do milho em plantas tra- são controlados por vários inseticidas, tadas com antibiótico, especialmente as te- como os à base de oxydemeton methyl e

acephate. Entretanto, se existirem focos de infestação próximos, novas populações estarão imigrando para o campo diariamente, e esses produtos não apresentam bom efeito residual, tornando necessário monitoramento freqüente do campo e repetidas pulverizações. Melhores resultados são obtidos com o tratamento do solo. Nos Estados Unidos, há registro de redução de 70% na incidência dos enfezamentos em áreas tratadas com o carbofuran, resultando em incremento de 300% na produtividade. No Brasil, resultados experimentais revelaram ótimo controle da cigarrinha com os princípios ativo aldicarb - utilizado no tratamento do solo -, e do imidacloprid, usado no tratamento de sementes, com redução de 100% na incidência da virose da risca. Outros princípios ativos como o carbofuran e thiodicarb, foram eficientes. Mas apresentaram um menor efeito residual. José Magid Waquil Embrapa Milho e Sorgo

praga

Fotos Cultivar

Safrinha sugada Percevejos ameaçam o bom desenvolvimento da lavoura de safrinha

C

om a chegada da safrinha de milho o percevejo volta a ser um dos centros de atenção. Há algum tempo pareceria estranho o inseto atacar a cultura do milho e causar danos econômicos. Pois é, de praga secundária do milho o percevejo está cada vez mais se tornando um problema para o agricultor brasileiro. Com o aumento da área de milho safrinha, e com o plantio sendo feito pós soja-verão, propiciou-se - sem o intervalo da cultura de inverno (trigo, aveia) - uma adaptação do inseto à cultura. Como a colheita da soja é feita de forma gradativa, devido à época de plantio e de variedades de ciclos de maturação diferentes, o percevejo tem alimento em abundância por um período mais longo. É muito comum encontrar áreas com soja a ser colhida e milho safrinha já com duas ou mais folhas na área ao lado. O percevejo é um inseto sugador que pode atacar o colmo da espiga da planta do milho. Para a introdução do aparelho bucal na planta ele libera uma substância como forma de saliva que age como lubrificante.

É esta substância que é tóxica para o milho, causando distúrbios fisiológicos que podem levar, dentre outros sintomas, ao perfilhamento de colmo e espiga. O dano causado pelo inseto é muito mais significativo em plantas jovens, e quando isto acontece não

Paulo acredita no aumento do número de percevejos

é raro que a planta perca seu vigor e seja encoberta pelas demais. Nestes casos o perfilhamento da planta é praticamente certo. Em plantas adultas, o que pode ocorrer é um perfilhamento das espigas quando atacadas, porém na maioria das vezes o que acontece é uma necrose no local perfurado. Os sintomas do ataque do percevejo não são perceptíveis de imediato. Por isso, é recomendável que se faça um acompanhamento criterioso na área. O principal percevejo que vem atacando a cultura do milho é o Percevejo Marrom ou Barriga Verde (Dichelops fuscatus) e em menor escala o Percevejo Escuro (Leptoglossus zonatus) que também pode atacar as folhas do milho. Uma prática adotada, embora em pequena escala, é fazer aplicação de inseticida no final da cultura da soja para impedir que a praga migre para o milho. O tratamento de sementes também pode ser uma ótima alternativa, porém fica claro que a rotação de culturas continua sendo a grande chave para reduzir a população deste inseto. Paulo Alves, Monsanto


Milho

praga

A

Com a chegada da safrinha, vale relembrar as principais características do inimigo

Cultivar

s alterações climáticas propiciaram esse ano um surto desmedido de lagarta-do-cartucho, que causou sérios prejuízos especialmente no Paraná. A seca e o atraso no controle das manifestações aumentaram os danos, na avaliação do agrônomo Kédilei Duarte, da Dow AgroSciences, que acompanhou a evolução da praga. Como as previsões são de normalização das chuvas somente a partir de junho, fica o alerta: a safrinha de milho poderá sofrer muito com os ataques da lagarta. Se não atacada a praga na fase inicial, as larvas penetram no cartucho e dificilmente serão desalojadas. A lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda - principal praga da cultura do milho no Brasil - ataca a planta desde sua emergência até a formação de espigas. A mariposa fêmea, de coloração geral acinzentada, com cerca de 25 mm de envergadura, coloca seus ovos em massa, em média cerca de cem a cada vez, explica o pesquisador Ivan Cruz, da Embrapa Milho e Sorgo. Em temperaturas ao redor de 25 graus, ocorre a eclosão da lagarta em três dias. Os insetos

Danos prejudicam a produção da planta

recém-nascidos geralmente permanecem juntos nas primeiras horas de vida, iniciando sua alimentação pela casca dos próprios ovos. Depois, diz o pesquisador, os insetos raspam a folha da planta hospedeira, propiciando um sintoma típico do dano da praga, mas sem perfurar a folha, deixando a epiderme membranosa intacta. As larvas maiores, especialmente a partir do segundo instar, começam a migrar para outras plantas. Elas tecem uma teia e pela ação do vento são levadas para áreas ou plantas adjacentes. Posteriormente dirigem-se, em menor número, para a região do cartucho, onde se alimentam das partes mais tenras. Em uma planta normalmente são encontradas poucas larvas de uma mesma idade, em função da alta taxa de canibalismo existente. Nas épocas mais quentes do ano, o ciclo biológico do inseto de ovo até a emergência do adulto pode ser completado em pouco mais de 30 dias. Como danos típicos do inseto, aponta Cruz, podem ser considerados a raspagem das folhas pelas larvas de primeiro instar e a destruição do cartucho por larvas mais desenvolvidas. No entanto, tem-se verificado outros sintomas de danos, provavelmente até em função da evolução do sistema de produção da cultura de milho. Nos últimos anos registrou-se grande mortalidade de plântulas pela presença da praga em altas infestações, logo após a germinação. Essa situação se tornou muito comum, particularmente em áreas de safrinha e em cultivos de plantio direto. O inseto também pode atacar e causar danos ao milho de maneira semelhante à lagarta-do-elasmo e lagarta-rosca. A larva penetra na base da plântula e alimenta-se no interior do colmo pouco desenvolvido, ocasionando, antes de matar completamente a planta, o sintoma conhecido como coração morto , típico da lagarta-elasmo. As folhas centrais são facilmente destacáveis. Em plantas maiores, pode ocorrer um seccionamento total ou parcial do colmo, matando a hospedeira, à semelhança do ataque da lagarta-rosca; geralmente esse tipo de dano é ocasionado por larvas mais desenvolvidas. Nesta circunstância, sugere Cruz, o agricultor deve entrar com rápidas medidas de controle, pois os danos são elevados, com a diminuição no número ideal de plantas na colheita.


Mep

controle

Fotos Sterling

Cotesia flavipes atacando curuquerê da couve

Controle biológico por parasitóides Ao lado dos artrópodes predadores estão os parasitóides. Sem estes insetos benéficos aqueles não serviriam para muita coisa, pois a ação de um completa a do outro. São os organismos preferidos para transferência de um país para o outro para o controle biológico clássico. Mas a grande maioria das vespinhas é nativa, isto é, elas já existem na natureza ao nosso redor e desempenham um papel preponderante no MEP.

N

reproduzir necessita de apenas um hospedeiro, ao contrário do predador, que precisa geralmente de mais de uma presa para viver. Enquanto que a joaninha predadora Cycloneda sanguinea na sua fase adulta só sobrevive se consumir pelo menos 50 pulgões por dia durante os seus 60 dias de vida, a vespinha parasitóide Trichogramma pretiosum, por sua vez, precisa de apenas um ovo - por menor que seja - da broca pequena do tomate, Neoleucionodes elegantalis, para completar o seu ciclo de ovo a adulto (tudo isso dentro de um ovo hospedeiro da broca). Enquanto os predadores provêm de duas classes (Arachnida e Insecta) e de quase todas as ordens de artrópodes, os parasitóides são oriundos apenas da classe Insecta e de duas de suas ordens: Hymenoptera e Diptera. A grande maioria deles está em Hymenoptera. O curioso é que existem poucos hymenópteros, que são pragas das plantas cultivadas. São apenas exceções como a vespa da madeira, abelha Arapuá ou algumas que causam gálias (tumores) nas folhas. Já na ordem dos dípteros há muitas pragas que limitam produções e implicam em restrições comerciais entre os países. O maior exemplo: as moscas das frutas, que chegam a ser consideradas ameaças para a agricultura na diplomacia entre nações na compra de frutas. O outro exemplo é a formiga cortadeira (saúva, quemquem, etc.), um flagelo muito grande no Brasil.

o meio científico prefere-se chamar de parasitóide as vespinhas ou moscas parasitas de outros insetos para diferenciar-se do parasita Como em si. Ao parasitóide atribui-se o indiatacam víduo que ataca e mata o seu hospedeiEntre as inúmeras espécies e grupos ro, não sendo, pois, propriamente pa- de espécies de parasitóides há dois tirasita. Ao parasita respos de ação sobre as prata hospedar-se no orgagas das plantas: 1) os ecOs parasitóides nismo, mas não chega toparasitóides - ou vespisão importantes a matá-lo, daí o termo nhas - que não vivem aliados do parasita significar se dentro dos seus hospeagricultor no aproveitar de outro indeiros e que são chamacombate às divíduo sem praticados de externos; 2) os enpragas mente afetá-lo. A Codoparasitóides - ou vestesia flavipes é o parapinhas - que vivem inteisitóide da broca da cana e o berne é a ramente dentro das suas vítimas, conhemosca parasita do boi. Os ácaros só po- cidas também como internas. A Cotedem ser parasitas, nunca parasitóides. sia glomeratus é endoparasitóide que Define-se como parasitóide aquele ataca a lagarta curuquerê da couve e a inseto que, para se desenvolver, com- Galeopsomyia fausta é a vespinha ecpletar o seu ciclo de ovo a adulto e se toparasitóide, cuja larva está do lado de

fora da sua hóspede que é a minadora das folhas dos citros. Os parasitóides externos podem ser mono, oligo ou polientomófagos, ou seja, podem atacar uma, algumas ou muitas espécies de pragas, respectivamente. A vespinha externa Proacrias coffeae, por exemplo, só ataca o bicho mineiro do café, enquanto que a sua parceira Horismenus spp. pode viver de outras espécies minadoras de folhas. Todos são da mesma família - os eulofídeos - onde estão agrupados também os parasitóides que atacam as cochonilhas de carapaça dos citros como escamas farinha, vírgula, pardinha, parlatória os do gênero Aphytis. O parasitóide externo inicia o trabalho de parasitismo picando suas vítimas e paralisando-as. Só então passa a sugar os fluídos das larvas exaurindo-as até ficar só a pele. Algumas espécies são especializadas em parasitar ovos das suas vítimas. As espécies de Trichogramma formam um grupo que é dos mais estudados e utilizados no mundo para controle biológico. Ovos dos percejevos nocivos como o Nezara viridula são parasitados pela vespinha Trissolcus basalis e torna-se um grande aliado do MEP da soja. Há uma espécie que parasita o ovo mas só sai do hospedeiro quando este se transforma em pupa: é o Ageniaspis citricola já citado antes neste artigo. Outras vespinhas, contudo, podem colocar seus ovos nas formas larvais, na pupa e até na fase de adulto dos seus hospedeiros. O parasitóide díptero Trichopodopsis bota os ovos sobre o corpo do percevejo N. viridula. Eficiência dos parasitóides De um modo geral os internos são mais específicos que os externos. Por isso, se tornam mais eficazes no controle biológico. Já os externos, por não serem tão específicos, sobrevivem mesmo que a sua presa preferida desapareça da área, pois vivem sobre hospedeiros alternativos (outras espécies de pragas semelhantes). De qualquer maneira, um bom parasitóide é aquele que tem maior capacidade de busca ou procura de suas vítimas para atacar. Mas de nada adianta essa qualidade se não dispuser de mecanismos que lhe per-

Larva minadora morta por parasitóide

mitam gerar descendentes em maior número do que o hospedeiro (praga) e gerações em tempo igual ou mais curto do que as gerações do hospedeiro. Na prática isso significa que a quantidade de indivíduos que ele consegue parasitar aumenta em maior proporção e ritmo do que o aumento de descendentes do hospedeiro em cada geração, chegando no final do processo a um nível tal que não cause mais dano econômico. Vida solitária ou gregária Em princípio, as vespinhas parasitóides são solitárias no seu modo de vida adulta. A variação em número de indivíduos ocorre na quantidade deles dentro de um mesmo indivíduo hospedeiro. Muitas lagartas são parasitadas por um único inseto descen-

dente de um único ovo colocado por sua mãe dentro do corpo da praga. São as espécies da família Ichneumonidae e alguns braconídeos. É a vespinha Campoletis sonorensis: no lugar da lagarta parasitada surge uma única pupa do parasitóide. O mesmo ocorre com o pulgão, cujo parasitóide é um dos mais conhecidos pela ciência e se chama Lysiphleblus testaceipes. Cada pulgão parasitado por uma vespinha tem o seu interior todo consumido pela larvinha parasita. A vítima fica com o aspecto de uma múmia, daí o termo pulgão mumificado . De um único ovo podem surgir milhares de embriões originando milhares de descendentes. Assim acontece com a espécie Leptomastix truncatellum, que tem preferência nítida pelas lagartas medidoras do grupo das Plusias. Esse processo foi denominado de polyembrionia. É aí, então, que pensamos que é gregária. Mas não é, não vivem em sociedade como as formigas e vespas predadoras. Numa posição intermediária estão as espécies do gênero Cotesia, de cujo ovo surgem vários embirões mas nunca milhares. Santin Gravena, consultor

Curiosidades sobre parasitóides Um predador, se é abundante na área, acaba predando ovos e larvas de pragas já parasitadas por vespinhas, sendo estas então predadas indiretamente. A joaninha Cycloneda sanguinea, coitada, tem inimigos parasitóides em todas as sua fases de vida: no ovo pode estar o Trichogramma, na larva a vespinha Homalotylus, na pupa o díptero Phalacrotophora e no adulto a vespinha Dinocampus. Tem autores que consideram o parasitóide não como tal mas como um predador especializado pois, fora ou dentro do seu hospedeiro ele está mastigando ou sugando a sua presa . O bom parasitóide é aquele que se auto controla para não acabar com sua fonte de alimento, ou seja, não pode acabar de vez com seu hospedeiro a ponto de ficar sem a hospedagem. O Parasito que parasita o parasito que parasita o parasito! Essa é uma expressão possível. Há parasitóides que parasitam parasitóides. São os hiperparasitóides. Eles podem formar uma cadeia trófica (alimentar) até a quarta ou quinta geração. Uma espécie que parasita o parasitóide primário é o hiperparasitóide ou parsitóide secundário. A espécie que parasita o secundário é o terciário e assim por diante.


B. Consulting

BRANDALIZZE consulting

Informativo da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes

Safra chegando. E agora, o que fazer? Nestas últimas semanas andamos por este imenso Brasil e a pergunta que mais nos fizeram foi justamente dos produtores, sobre o que fazer agora que a safra está sendo colhida? Para dar uma posição geral ao setor, sempre apontamos que o normal para este período é de queda nas cotações. Mas temos algumas diferenças entre as principais culturas. Pelo lado da soja, observamos que neste mês teremos uma concentração da colheita, e os produtores forçarão para fechar, levando exportadores e indústrias a pagar de 5 a 15% menos do que em fevereiro, quando a oferta era menor e os compradores bancavam cotações maiores do que realmente poderiam. No caso específico do milho, temos a presença da safra de verão, que os produtores relutarão em vender agora. Assim poderemos ter indicativos melhores que o esperado, ainda que abaixo dos de fevereiro. O grande problema ainda vigente é que os produtores continuam se comprometendo drasticamente com dívidas atreladas à colheita, com o que o setor produtivo se obriga a vender grande parte da colheita nos piores momentos do ano. Em geral temos sugerido aos produtores que março não é mês de vender produtos, mas sim de colheita.

MILHO Safrinha

comprometida

O plantio efetivado da safrinha ficou muito abaixo das expectativas dos produtores. O excesso de chuvas em fevereiro, que impossibilitou a colheita da soja, fez com que os melhores momentos para se plantar passassem. Agora já se pode antecipar que a produção será comprometida, devendo apertar o quadro no segundo semestre. O atraso do plantio do milho está benefi-

22

• Cultivar

Março 2000

Encartado na Revista Cultivar nº 14

ciando o crescimento da área com sorgo, que poderá avançar em mais de 30% neste ano e chegar a 900 mil hectares. Os preços do milho devem chegar aos menores níveis do ano em março, mesmo assim compensadores para os agricultores.

FOCO NAS MUDANÇAS

Safra concentrada prejudica produtores Nas últimas semanas realizamos algumas avaliações da soja no Brasil e constatamos que a colheita ficará distribuída em três épocas distintas, e que até 15 de março 20% da safra deverá estar colhida. Entre 15 de março e 15 de abril mais 60% serão colhidos, restando 20% para depois. Assim, neste mês estaremos com excedente de ofertas, crescimento da procura por transporte, que fará subir os preços dos fretes. Haverá grande disputa para entrega junto aos armazéns para limpeza e secagem, devendo promover grandes filas e aumento dos descontos da soja no momento da classificação. Os indicativos da soja devem girar entre os US$ 8,00 aos US$ 9,80 para os produtores brasileiros.

ARROZ Em busca das opções Os produtores estão colhendo a safra, que mesmo com problemas de falta de chuvas, vem tendo boa produção, que continua prevista entre 10,5 e 11,0 milhões de T. E para os produtores que não querem fechar agora, com preços baixos, há as opções do governo como alternativa.

Fotos Cultivar

A

SOJA

CURTAS E BOAS ... SOJA - Continuamos vendo que as doenças crescem sobre as lavouras da soja, e isso poderá refletir em queda na produtividade. MILHO - A devolução de um navio com 29 mil T de milho por uma empresa da área de frangos e suínos remexe novamente o setor dos transgênicos. Isso demonstra que nenhuma das grandes indústrias quer ser a primeira a ter seus produtos vinculados com a tecnologia moderna, mas continuamos apontando que mais cedo ou mais tarde ela entra.

ARGENTINA - Os produtores de arroz do país vizinho estão temendo que o Brasil limite as importações e assim acabe matando o setor argentino. Já se fala em nova redução da produção para 2001. As indicações atuais apontam safra entre 800 e 850 mil T. URUGUAI - Depois da comprovação da contaminação do arroz local, com a bactéria Xanthomonas oryzae (ver página 38), os produtores daquele país temem que as portas para as vendas no Brasil fiquem bastante apertadas, e assim já se coloca em risco a produção da nova safra. Por enquanto se comenta entre 700 a 900 mil T para este ano.

e-mail: brandalizze@uol.com.br FEIJÃO Poucas chances de recuperação a curto prazo A safra do Irecê, no Nordeste, já foi colhida e a pressão baixista passou, ou melhor, já

chegamos ao fundo do poço e agora tudo leva para cima. Mas temos que lembrar que estamos num momento de boa disponibilidade de feijão e há poucas chances de vermos as cotações acima dos R$ 30,00 no curto prazo.

s grandes e recentes mudanças de ordem legal, econômica e organizacional ocorridas no mercado internacional de sementes e, em especial, no mercado brasileiro, precisam ser explicadas e analisadas. Por isso, a Abrasem (Associação Brasileira dos Produtores de Sementes) vai promover nos dias 27 e 28 deste mês, no Hotel Nacional Inn, em Campinas, o seminário Sementes: As Interações do Novo Ambiente de Negócios . A abertura ocorrerá às 8h do dia 27, quando falará o dr. Ywao Miyamoto (Abrasem). O evento, que faz parte da Assembléia Geral Ordinária da entidade promotora, terá amplo debate relativo à nova conjuntura na qual as empresas de sementes do País estão inseridas. O seminário focalizará primeiramente as diversas alternativas de acesso das empresas de sementes a programas de melhoramento vegetal, seja através de licenciamento de produtos, parcerias em projetos de pesquisa e desenvolvimento ou via consórcios para fomento. Analisará a seguir o novo contexto legal do setor de sementes no Brasil, no que tange à defesa sanitária, à nova lei de sementes, aos esquemas internacionais de certificação, à proteção e registro de cultivares e ao patenteamento de gens. Por fim, destacará as eventuais oportunidades de novos negócios surgidas deste novo ambiente, resssaltando temas como A integração de cadeias produtivas , Novos modelos de canais de distribuição e ainda empreendimentos diversos, como o agenciamento para registro e proteção de cultivares, multiplicaAtualidades ABRASEM

Capelaro estará presente no evento

Miyamoto falará sobre as novidades no setor

ção contratada de sementes, redes de ensaio para determinação V.C.U., etc.

Após espaço para o almoço, terá lugar a abordagem do segundo tema: Parcerias em Projetos de Pesquisa e Desenvolvimento , incluindo Modelos de Contratos; Capitalização de projetos específicos; Contra-partidas, e Titularidade. No dia 28, acontece a abordagem do terceiro tema: Empreendimentos diversos , abrangendo Melhoramento vegetal; Multiplicação de sementes; Certificação de sementes; Redes de ensaio de competição e determinação V.C.U., e Agenciamento de Registro e Proteção de Cultivares. Expositores: Fapeagro (Iapar/PR) e Pioneer (Cláudio Peixoto). Informações adicionais na APPS: tel/fax (19) 252-4562 E-mail: apps@correionet.com.br com Cássio Camargo.

Primeiro tema Na primeira rodada de exposição a Pesquisa e Desenvolvimento (obtentores) x produtores de sementes, a abordagem do primeiro tema enfocará Licenciamento de Produtos , incluindo Modelos e características dos contratos; Formas de remuneração; Critérios de seleção e habilitação; Determinação de cotas e áreas de atuação, e Produtos oferecidos. Os expositores: Monsoy (José Elias Carramate); Coodetec (Ivo Marcos Carraro); FT (Francisco Terazawa); OR (Otoni Rosa Fo.); Indusem (Rüdiger Boye); Novartis (Ademir Capelaro), e Zeneca ( Santo Silva).

Março 2000

Cultivar • I


Pró-Semente

Braspov

Parceiros para crescer

Cultivar

N

o contexto de uma visão das que objetivem a geração, a difuabrangente do cenário atual são e a aplicação de conhecimentos do setor de produção de sementes, tecnológicos direcionados à agropeconstituído especialmente através do cuária; b) cooperar com instituições advento da Lei de Proteção de Culti- de ensino, pesquisa e extensão rural, vares, da engenharia genética, da fu- em projetos voltados ao desenvolvisão de grandes empresas privadas do mento institucional, científico e tecramo de agroquímicos e de fármacos, nológico; c) fornecer suporte técnia APASSUL e 39 associados, resolve- co, científico e administrativo, e proram instituir uma fundação de direi- mover parcerias inter-institucionais to privado e sem fins lucrativos, vi- com órgãos dos poderes públicos e sando apoiar a pesquisa e o desen- com entidades da livre iniciativa, volvimento experimental das empre- para a execução de programas, a cosas públicas e privadas, voltadas para operação técnica e financeira, e a o setor agropecuário na região sul do prestação de serviços técnicos especializados; d) estimular projetos de Brasil. Como agência de apoio ao desen- atividades de pesquisa, de experivolvimento regional da agropecuária, mentação e de extensão, no âmbito da agricultura, pecuáem atenção aos proria, silvicultura, biodiblemas agrários e às versidade, meio ambidemandas sócio-ecoA Fundação tem ente e agroindústria, nômicas, a Fundação como objetivo envolvendo adminisPró-Sementes atuará auxiliar iniciativas de difusão de tração, economia e sode forma articulada tecnologia ciologia rural. Bem com os sistemas oficomo climatologia, reciais de pesquisas e cursos naturais, saniintegrada às políticas governamentais de ciência e tecno- dade , alimentação e nutrição, reprodução e genética, e demais áreas cilogia. A primeira Assembléia Geral da entíficas afins. Para a consecução de seus objetiFundação ocorreu no dia 17 de setembro de 1999, quando foi eleita a pri- vos, no planejamento e realização de meira Diretoria, que tem como presi- suas atividades, a fundação Pró-Sedente Narciso Barison Neto e Airton mentes adotará políticas, diretrizes e Roos e Luiz Osório Dumoncel como critérios racionais, com a finalidade vices. O conselho curador é compos- de: Promoção de cooperação e de into pelos produtores Francisco Stédile, Raul Anselmo Randon e Carmeli- tercâmbio estimulando a transferênano Zamboni, e suplentes, Jones cia tecnológica; Articulação com entidades púDalla Porta, Laércio Bortolin e Efrablicas e privadas para a aplicação dos im Fischmann. São objetivos da Fundação: a) princípios da política agrícola e da Apoiar iniciativas públicas e priva- política de educação, ciência e tecII

• Cultivar

Março 2000

Agora é para valer, e quem estiver na contramão da Lei de Proteção de Cultivares deve se enquadrar - o mais rápido possível - e antes que a Braspov descubra. Ela firmou convênio, fortaleceu o poder de seus técnicos e instalou a Central de Denúncias, que tem o escritório central funcionando em Brasília. Com o mesmo objetivo - proteger cultivares - a entidade trabalha para ampliar o setor de vigilância. E avisa: quem cometer qualquer irregularidade capaz de prejudicar as atividades de seus afiliados, estará sujeito a severas penalidades

S

Loureiro explica os objetivos do Pró-Semente

nologia relativa ao setor agrícola; Assessoria aos produtores rurais na aplicação harmoniosa de programas; realização e participação em iniciativas ou em eventos, Apoio e promoção à formação, à capacitação e ao aperfeiçoamento de recursos humanos especializados, em atenção a projetos específicos que sejam do seu interesse; Associação a empreendimentos públicos e privados, prestando serviços de planejamento, organização, seleção, consultoria, assessoria e avaliação; Publicação de trabalhos técnicos-científicos, Prestação de serviços de gestão financeira ou administrativa e de serviços de consultoria ou assessoria técnica a instituições interessadas; Suporte instrumental, técnico e financeiro para a realização de pesquisas, estudos, consultorias ou experimentos; Produzir e comercializar sementes com seus instituidores. Antônio Eduardo Loureiro, Apassul Atualidades ABRASEM

egundo a Lei de Proteção de Cultivares, aprovada e regulamentada em 1997, todo aquele que vender ou multiplicar, bem como embalar ou armazenar para esses fins, material de propagação de cultivar protegida, com denominação correta ou não, sem autorização do titular, fica sujeito a penalidades que vão de indenização e multa à prisão. Esta lei tem o respaldo da sociedade brasileira, pois o trabalho de melhoramento é dispendioso, requer grandes investimentos a longo prazo, gera inúmeros empregos, diretos e indiretos, e garante o desenvolvimento da agricultura nacional por criar variedades mais produtivas, mais resistentes a pragas, doenças e condições climáticas adversas. O papel da Braspov Para que os esforços do trabalho de melhoramento sejam efetivamente reconhecidos, e diante do princípio legal, a Braspov, entidade de classe formada para representar empresas públicas e privadas de melhoramento vegetal, está totalmente engajada no combate a irregularidades na multiplicação, manipulação e comercialização de sementes e mudas de cultivares protegidas. Para isso, desenvolveu um sofisticado sistema de fiscalização. Primeiramente, um convênio de parceria firmado com o Serviço Nacional de Proteção de Cultivares - SNPC, órgão vinculado ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, e que emite o Certificado de Proteção de Cultivar, permite que seus técnicos tenham acesso aos registros de campos de sementes e mudas junto às Entidades Certificadoras/Fiscalizadoras Estaduais. Esses dados, confrontados com a relação das autorizações de uso de cultivares protegiAtualidades ABRASEM

Agora é a Lei das emitidas pelos seus associados, possibilita à Braspov o rastreamento de campos de semente e mudas que por ventura tenham sido inscritos ilicitamente. Cultivar

Para Manoel a Braspov ajudará os sementeiros

Contratos de auditoria firmados entre as empresas associadas e seus licenciados, também delegam aos técnicos da Braspov o poder de realizarem inspeções periódicas nas redes de franquia, onde são verificados os volumes de cada material protegido que estão sendo produzidos, estocados e comercializados. Central de denúncias O principal instrumento de defesa da propriedade intelectual de cultivares, recentemente instalado, é a Central de Denúncias, que está funcionando no escritório central em Brasília, para atendimento ao público em geral. Quem tiver informações sobre o uso irregular de material de propagação de cultivares protegidas e quiser fazer uma denúncia deve, preliminarmente, obter todos os dados possíveis do infrator, como

nome, identidade, CPF, profissão e endereço, se for pessoa física, e o nome fantasia, a razão social, o CGC, a sede, o ramo de atividade e o nome do responsável pelo estabelecimento, se for pessoa jurídica. Deve também obter o maior número possível de testemunhas e documentos que contenham elementos de convicção, tais como notas fiscais, contratos, declarações escritas, fotos, filmes ou gravações. A partir das denúncias, recebidas e guardadas com extremo sigilo, existe todo um procedimento cuidadosamente analisado pela consultoria jurídica da Braspov. Este inclui o apoio de técnicos e detetives particularaes, a compilação das provas, a formulação de denúncias ao COTEC/SNPC para apreensão e exames laboratoriais do material, obtenção de medida cautelar inominada na justiça comum, para que se constate judicialmente a quantidade, as características e a posse do material. E até mandado de segurança na justiça federal, em caso de inação do órgão público competente. Quando for caracterizada a reprodução, venda ou armazenamento de material de propagação de cultivar protegida, sem autorização de quem de direito, e com o nome falso, o infrator pode também sofrer ação penal por crime contra o consumidor ou por estelionato. Com a intenção de formar uma rede ainda maior de vigilantes, a Braspov está disponibilizando seus engenheiros agrônomos regionais para a realização de uma série de treinamentos para vendedores, técnicos e outros representantes das empresas associadas. Com toda essa estrutura, avisa que qualquer ofensa às Leis de Sementes, de Proteção de Cultivar, de Biosegurança, ou outras que afetem as atividades de seus afiliados, será alvo desta entidade , e que os produtores e comerciantes de sementes fora-da-lei vão pagar caro . Manoel Olímpio Vasconcellos, Consultor Março 2000

Cultivar • III


Defensivos genéricos AENDA

Receituário pede reforma O receituário agronômico, legalmente instituído pela Lei 7802 de 1989, resgatou um antigo propósito da classe agronômica, pertinente a preocupações com o uso dos produtos fitossanitários. É um instrumento importante na arrancada brasileira para dotar o meio rural de uma modernização nas práticas agrícolas e no processo educativo visando melhorar a segurança ambiental e humana. Além do mais, é por si só um forte freio contra recomendações de cunho mais mercantilista ou para evitar auto-indicações do agricultor, uma e outra ainda com vícios e riscos indesejáveis. O agrônomo é o lídimo executor deste programa, por sua formação profissional, afinal ele é o médico das plantas. Embora, seja oportuno lembrar uma diferença fundamental entre os serviços médicos e agronômicos: via de regra, o paciente dirige-se ao hospital ou consultório e, por óbvio, as plantas não conseguem esse poder de locomoção. Isso, em um país continental e com recursos escassos traz à tona dificuldades impensadas quando da promulgação da lei. Com boa dose de persistência e bom senso, a não possibilidade da presença do técnico a cada problema fitossanitário de uma propriedade agrícola, está sendo solucionada, usando-se o conhecimento acumulado dos departamentos técnicos das cooperativas, das empresas governamentais de fomento e das empresas particulares de comercialização. No entanto, detectamos alguns outros pontos que merecem reformulação do apontado no Decreto Regulamentador 98.816/90. O principal deles, é a camisa-de-força que a legislação impôs a quem prescreve: ele não pode receitar nenhuma instrução diferente do que está escrito no rótulo ou bula do produto. A receita é pois uma mera cópia dos rótulos, não permitindo a agregação de conhecimento e experiência. Continuamente, a pesquisa aporta novos dados e técnicas que obviamente os rótulos não podem acompanhar na mesma dinâmica, mas o receituário sim, poderia perfeitamente cobrir essa lacuna. Aliás, essa situação desmerece toda a pesquisa agrícola e deslustra a aplicação da ciência agronômica. Uma receita não deve ser uma repetição pura e simples de bulas, mas sim uma orientação com responsabilidade própria do técnico que a prescreve, que adapta as recomendações do fabricante às contingências locais, amparado sempre por estudos e pesquisas. Os casos da mistura em tanque e do controle integrado são exemplares.

Essas informações são alargadas ano a ano e não se tratam de valores técnicos com obrigatoriedade para constar em bulas, são apenas práticas agrícolas, de responsabilidade clara do agricultor, suportado pela pesquisa regional e, no Brasil, compartilhada com o responsável pela receita. Na esteira dessa imposição do Decreto, assistimos a ineficácia e inadequação que é repetir na receita os primeiros socorros, as advertências relativas ao meio ambiente, as instruções de disposição final das embalagens e outras orientações distintas da função básica de uma receita que é prescrever o ingrediente ativo certo, em dose adequada para um determinado problema fitossanitário. As demais instruções citadas estão bem explicitadas na bula e é lá que o agricultor lê com mais interesse. Além disso, a comunicação de todo esse conjunto de medidas é feita durante a visita, ou, em palestras regionais das cooperativas, companhias e escritórios engajados na assistência técnica e no comércio. Neste sentido, o governo podia introduzir no ensino de 1º e 2º Graus das escolas rurais a obrigatoriedade de matérias desta ordem. Aí, teríamos um instrumento de alcance cultural realmente profundo e definitivo. Outro aspecto a merecer alteração é a citação na receita apenas da marca comercial do produto. A receita não é instrumento de propaganda comercial, seu alcance é estritamente técnico. É mister preservar esse foco, receitando por ingrediente ativo, pois os rótulos trazem obrigatoriamente o nome do ativo abaixo da marca comercial. Dessa forma não se limitaria o poder de escolha do usuário. Por fim, que tal diminuir o número de vias do receituário? A receita é a expressão escrita de um serviço técnico, então, a atividade de fiscalização do receituário deveria estar circunscrita unicamente no âmbito do Conselho Regional do Profissional, eliminando-se outros agentes da operação. Aliás, por falar em Conselho, temos ouvido reclamos que o agrônomo para receitar em outra região diferente da sua, deve primeiro credenciar seu diploma naquela outra região. É de se perguntar: quantos brasis temos? O diploma vale ou não vale em todo o território nacional? Se, tal qual a receita, a burocracia é inevitável, que tenha os limites do mínimo funcional. Tulio Teixeira de Oliveira Dir. Executivo da Aenda

Material produzido pela Associação das Empresas Nacionais de Defensivos Agrícolas. As opiniões manifestadas são de sua responsabilidade. E-mail: aenda@sti.com.br

Produtividade A Coodetec divulgou os resultados do Concurso de Multiplicação de Sementes CD 104 . A variedade de trigo estará disponível em escala comercial na próxima safra e promete recorde de produtividade. Isso, além de incorporar outras características importantes, como tolerância à germinação, debulha e acamamento, resistência a doenças e elevado padrão de qualidade industrial dos grãos. O lançamento do concurso foi a saída encontrada pela Coodetec e pelas Cooperativas, para apressar a multiplicação da semente básica. Cada Cooperativa participante selecionou entre os melhores triticultores, aqueles que receberam lotes de sementes. Para estimular ainda mais, a Coodetec, em conjunto com a Bayer, estabeleceu duas categorias de premiação. Uma destacou a maior produtividade. A outra premiou os agricultores que colheram mais semente CD 104 para cada quilo plantado. Segundo o presidente da Coodetec, Irineo da Costa Rodrigues, o campeão em produtividade foi o agricultor Johann Dück, que cultivou 7,5 hectares com a nova variedade e colheu 4.994,13 quilos por hectare, ou o equivalente a 201,34 sacas de trigo por alqueire (a produtividade média no Estado é de 76,71 sacas/alqueire). Dück é associado à Cooperativa de Witmarsum e contou com assistência técnica do agrônomo Anacleto Luiz Ferri, que também recebeu troféu alusivo à conquista. Na classificação por índice de conversão, o vencedor foi João Tarcísio Koelher, da Copacol. Com assistência técnica do agrônomo Leone Vignaga, Koelher colheu 38,61 quilos de semente certificada para cada quilo de semente plantada. A taxa média de conversão no estado do Paraná é de 13 quilos. Características da variedade A variedade CD 104 tem como características o alto potencial de rendimento, a melhor qualidade industrial, alta tecnologia e resistência ao acamamento. Seu ciclo é intermediário. Espigamento acontece em média, aos 74 dias e maturação aos 118 dias. A planta alcança em média, 81 centímetros. O grão é de alta qualidade industrial, e foi classificado como melhorador (92,9% melhorador e 7,1% superior). É resistente ao acamamento, moderadamente resistente à germinação na espiga e moderadamente sensível ao alumínio (pode ser cultivado em solos com até 20% de saturação de alumínio).


Nossa Capa solos

PLANTAS DENUNCIAM A COMPOSIÇÃO DO SOLO A avaliação dos problemas de uma determinada área normalmente se baseia em critérios técnicos ou, mais especificamente, em atributos ambientais que permitem determinar o grau do problema e conseqüentemente a qualidade ambiental, comparando-se o grau de desvio de um grupo de atributos com aqueles mesmos parâmetros de um ambiente considerado referencialmente como ideal. Este processo de avaliação não se baseia em atributos isolados mas em uma síntese das qualidades do ecossistema que se reflete diretamente na fertilidade do solo, na sua capacidade de reter umidade e também na maior ou menor susceptibilidade a encharcamento ou a processos erosivos

É

possível, no entanto, que técnicos e produtores utilizem alguns atributos identificadores de ambientes a partir de critérios visuais de fácil identificação, tais como características de relevo, cor e textura do solo e a vegetação natural. Entretanto, deve ser levado em consideração que o Brasil é um país extenso, formado por um mosaico de ambientes nitidamente diferenciados entre si quando se consideram as diferenças entre as grandes regiões fisiográficas tais como amazônia, cerrados , caatinga, elevações do Sudeste e a região dos pampas. Se tomarmos apenas um destes vastos ecossistemas e fizermos uma análise mais acurada vamos perceber que existe uma infinidade de ambientes diferenciados entre si, compondo cada um grandes extratos fisiográficos.

mentar nas gradações de cerrado para campo limpo. Na região amazônica, a tipologia da vegetação secundária conhecida como capoeira ou juquira reflete com bastante clareza o grau de depauperação do solo pós-desmate, resultante da

presença do capim colonião pode indicar concentração de nutrientes apenas na camada superficial, como acontece nos tabuleiros costeiros. Nos dois casos, os solos tendem a apresentar baixos teores de matéria orgânica. Pastagens de capim jaraguá (tam-

lado pelo técnico - e principalmente pelo produtor - dentro da propriedade ou dentro de uma região específica. É notória a dinâmica de ocorrência de ervas daninhas dentro de uma lavoura em função da melhoria da fertilidade do solo, das condições de irrigação e CNPS

terminada espécie ou conjunto de espécies reflete em primeira instância o balanço resultante da interação entre as condições de água e o nível de nutrientes do solo. É oportuno ressaltar que o ganho de conhecimento no que diz respeito a este assunto se faz muito mais através de um processo de observação e constatação do que através de métodos científicos.

Solos das Regiões A título de exemplos, e de forma bastante suscinta, serão apresentadas algumas interpretações referentes às relações entre ocorrências naturais de vegetação e o potencial de fertilidade dos solos num contexto de macro-regiões brasileiras: Áreas com ocorrência de florestas perenifólias (florestas sempre verIdentificando des) das partes mais elevadas Sudeste qualidade do Brasil estão relacionadas com ocorDentre os parâmetros visuais de rências de solos poidentificação de qualibres, muito profundos dade de ambiente, a vee com elevados teores A vegetação de getação natural é um de matéria orgânica. cerrados dos mais importantes, Ocorrências de caracteriza-se pela pois as plantas que matas caducifólias ocorrência de solos ocorrem espontanea(mata seca) e caatinga pobres e com acidez mente em um determiestão associados a soelevada nado ambiente são relos mais férteis. Nestas sultantes de um longo áreas a textura e a cor processo de adaptação aos fatores que do solo podem ser também utilizados condicionam a qualidade daquele como atributos de identificação, ou ecossistema. Ressalta-se, no entanto, seja, solos mais amarelos ou muito areque as nuances qualitativas resultan- nosos tendem a ser pobres mesmo sob tes da interação de diversos fatores im- este tipo de vegetação. Tanto a mata primem características e comporta- seca quanto a caatinga são indicadomentos que apenas serão válidas se res de deficiência hídrica acentuada. analisadas dentro de um contexto re Vegetação de cerrado, que ocupa gional. Assim, para cada região espe- cerca de 20% do território nacional cacífica há a necessidade de se criar mo- racteriza solos pobres, com altos teodelos de predição baseados nas inter- res de alumínio trocável (acidez elerelações planta/ambiente dentro da- vada). Os teores de alumínio e consequela região. A ocorrência de uma de- qüentemente a acidez tendem a au-

interação do processo de exportação de nutrientes e principalmente pela perda por erosão. Dentro da propriedade Considerando que quase a totalidade de alguns ecossistemas não apresenta vegetação natural, como é o caso da grande região Sudeste, fica mais fácil utilizar as relações do próprio uso agrícola para interpretar atributos ambientais. A título de exemplificação serão dadas algumas ocorrências de gramíneas como identificadoras de qualidade ambiental na região Sudeste. Ocorrência de capim colonião em pastagens já utilizadas há alguns anos em solos mais declivosos indica níveis mais elevados de nutrientes no solo. Em áreas planas pouco permeáveis, a

bém conhecido como capim provisório ou lajeado em algumas regiões) tendem a ocupar as partes mais férteis e com menor permeabilidade. Geralmente quando há ocorrência de pastagens de capim colonião e jaraguá numa mesma região, o jaraguá tende a ocupar as partes menos permeáveis da paisagem. Significa que é um capim mais adaptado a problemas de encharcamento temporário do que o capim colonião. Capim-gordura, muito comum nas elevações do Sudeste, é sinônimo de solo pobre, bem drenado e com altos teores de matéria orgânica. Muitas vezes o capim-gordura está associado à ocorrência de sapé indicando áreas em estágio avançado de degradação. Mais importante do que os exemplos citados é o conhecimento acumu-

mesmo em função da redução da permeabilidade em função do uso intensivo de grades, ocasionando problemas sazonais de deficiência de oxigênio. Através da observação e do entendimento das inter-relações de causa e efeito é possível utilizar a dinâmica de ocorrência natural de plantas daninhas ou do domínio de uma determinada gramínea numa pastagem no processo empírico de ganho de conhecimento, no que se refere à avaliação da qualidade do ambiente voltada para um melhor aproveitamento de seu potencial e para o conhecimento de suas principais limitações. Isso permite tomar decisões mais racionais quanto ao uso e preservação do meio ambiente. Ciríaca Arcângela F. do Carmo, Embrapa Solos


Girassol

pragas

Fotos Embrapa Cerrados

Percevejo Xyomisius califomicus causa danos significativos em cultivos no Centro-Oeste

Pragas crescem com o girassol A

cultura da moda no Brasil, especialmente na região Centro-Oeste, chama-se girassol. Planta originária da América do Norte o girassol (Helianthus annuus) pertence à família das Compositae, é cultivado em várias partes do mundo e apresenta atualmente cerca de 18 milhões de ha plantados. No Brasil o crescimento da cultura com relação à área plantada está em ascendência há pelo menos três safras. A área plantada em todo o país não passava de 5 mil hectares há apenas dois anos, e aumentou para 22 mil na safra 97/98. Só no estado de Goiás, o crescimento somou 6 mil ha. No ano agrícola 98/99 a área plantada continuou em ascensão e chegou a 82 mil ha, com 65 mil na região Centro-Oeste onde o estado de Goiás já responde por 34 mil ha. Se o avanço da cultura observado nos últimos anos se confirmar, a projeção de área cultivada para o ano 2000 em todo o País já é aproximadamente de 160 mil ha. A possibilidade de uma cultura alternativa para a safrinha, com custo de produção de 20 a 25% mais barato do que o milho e as várias utilidades do girassol, explicam o interesse dos agricultores brasileiros.

A produção de óleo para diversas finalidades, farelo para consumo humano e animal, farmacêutico, cosméticos entre outros - todos com boa aceitação no mercado - são os principais destinos para o girassol.

ficativa. As espécies de pragas mais importantes do girassol variam de acordo com a fase de desenvolvimento da cultura. O combate é mais problemático durante a floração, pois, além da dificuldade para a entrada de máquinas devido ao porte alto das plantas, deve-se evitar o uso de inseticidas prejudiciais aos polinizadores, especialmente as abelhas e inimigos naturais. Na fase inicial da cultura as pragas mais importantes são o percevejo castanho, lagarta rosca e algumas larvas de besouros como vaquinha e besouro do capítulo. Depois do estabelecimento da cultura até a floração, os maiores danos são causados por lagartas desfolhadeiras como a falsa medideira, lagarta da soja e lagarta do algodão, além de besouros, entre eles a vaquinha. Na fase de frutificação os percevejos e besouro do capítulo são as pragas mais importantes. Além dos insetos relacionados abaixo, existem outros, geralmente de menor importância, mas que também devem ser monitorados. Exemplo: formigas, minadores das folhas, Idi amim (Lagria villosa), Pseudoplusia includens, etc... Besouro do Capitulo Cyclocephala melanocephala Nas fases juvenis (ovo, larva e pupa) vive no solo. Logo após a eclosão das larvas começa a se alimentar das raízes das plantas hospedeiras, retardando o seu crescimento e prejudicando a produção. Na fase adulta alimenta-se dos capítulos e sementes do girassol. Na região Centro-Oeste, onde concentrase a maior produção da cultura, este inseto vem ocorrendo em maior número nos meses de janeiro a março, embora no começo das chuvas (outubro) já seja facilmente encontrado.

Pragas do girassol Não é novidade que a Besouro Chrysomelidae introdução de uma cultura Aestylus variegatus Vásempre vem acompanhada rias espécies de besouros Grande parte das dos insetos e doenças assoda família Chrysomelipragas que atacam ciados a ela. Com a cultura dae são pragas de cultuo girassol são do girassol não é diferente e ras. A maioria ataca as conhecidas de algumas pragas já começam raízes na fase de larva e outras culturas a preocupar, pois o rápido danifica as folhas na fase aumento da área plantada adulta. Esta espécie é vem favorecendo também observada, com mais um aumento das pragas, alfreqüência, atacando as gumas delas consideradas, até então, secun- folhas e caule do girassol. No entanto, é imdárias para o girassol, portante ficar atento para a possibilidade do Grande parte das pragas observados na ataque também às raízes e sementes durancultura do girassol até o momento já são co- te o plantio. nhecidas em outras culturas. E é por isso que o manejo e controle se tornam mais fáVaquinha ou Patriota ceis. Falta, no entanto, definir - pelo menos Diabrotica speciosa - A vaquinha, é uma para a maioria das espécies - os níveis de das várias espécies de pequenos besouros danos no qual a queda da produção é signi- pertencentes à família Chrysomelidae, e são

Anticarsia gemmatalis - lagarta do girassol - é a principal praga da cultura

pragas importantes nas fases de larva e adulta. Para o girassol, em particular, os adultos continuam sendo os mais importantes. Eles atacam folhas, caule e capítulo, porém, as larvas também devem ser monitoradas pois a exemplo de outras culturas como o milho, podem se tornar prejudiciais se atacarem as raízes. Percevejo Castanho Scaptocoris castanea - É uma praga polífaga que tem aumentado sua ocorrência em certas regiões. É de difícil controle e pode causar grandes prejuízos. O monitoramento do solo por ocasião do preparo, é a maneira mais adequada de prevenção. O controle é bastante difícil devido à profundidade em que podem permanecer no solo. E deve ser preventivo por ocasião do plantio, com tratamento das sementes ou no sulco, embora nenhuma das medidas de prevenção sejam completamente eficazes. Em solos com histórico da presença do percevejo castanho, recomenda-se o preparo com aração e gradagem. É importante, igualmente, evitar plantas daninhas durante o ciclo vegetativo da cultura e entre-safra. Percevejo Verde Nezara viridula Ao contrário da soja - planta hospedeira principal desta espécie -não tem sido observado atacando a se-

mente (aquênio) do girassol, mas sim o caule. Como a população deste percevejo é maior entre os meses de dezembro e março e o plantio do girassol geralmente é feito em fevereiro, o maior cuidado deve ser tomado nos primeiros 30 dias após a germinação. Além disso, este é o período de maior vulnerabilidade da cultura, não só para o percevejo verde, mas também para várias outras pragas.

que são borboletas alaranjadas com manchas pretas. As borboletas fazem a postura nas folhas e em pouco mais de uma semana eclodem as lagartas novamente. Lagarta da Soja Anticarsia gemmatalis Esta é a principal praga da soja e poderá se transformar numa das mais importantes do girassol, também, pois consegue se alimentar das folhas, e danificar os capitulos. Até o momento o ataque não é severo, no entanto, é uma praga que preocupa, pois está bem adaptada e já apresenta resistência a vários inseticidas.

Lagarta Rosca Agrotis ipsilon - Mariposas da família Noctuidae bastante conhecidas em todo o Brasil. A lagarta apresenta a cor acinzentada ou marron, dependendo do estágio de desenvolvimento. Em plantas novas as lagartas podem atacar as Deve-se evitar raízes e cortar o caule Percevejo Marrom o uso de inseticidas do girassol próximo ao Euschistus heros Além prejudiciais aos solo. As mariposas são de outras culturas, como a insetos de tamanho médio soja, este inseto pode causar polinizadores (35mm de envergaduprejuízos na cultura do girasra), asas anteriores essol, danificando os capítulos. curas e asas posteriores de cor clara. Percevejo Xyomisius californicus É um perceveFalsa Medideira jo da família Lygaeidae que ataca o capíRachiplusia nu É uma lagarta desfotulo. Em certas regiões com população baixa não chega a ser praga importante. No lhadeira pertencente à família NoctuiCentro-Oeste, vários produtores de giras- dae. Na região Centro-Oeste não ocorsol têm registrado danos significativos cau- re com muita freqüência, mas com o avanço da cultura é previsível a sua presados por este inseto. sença nas próximas safras. A lagarta apresenta a cor verde claro, com duas Lagarta do Girassol Chlosyne lacinia É a praga mais im- linhas brancas ao longo do corpo, e tem portante da cultura. Ataca folhas e caule três pares de pernas falsas. O adulto é e, em caso de ocorrência severa, pode in- uma mariposa com asas anteriores de cor viabilizar completamente a produção. As escura com mancha brilhosa e asas poslagartas vivem cerca de 20 dias, são de co- teriores de cor amarelo-claro. loração laranja com pelos (cerdas) escuros Amabílio Aires de Camargo, e vivem agrupadas. A fase de pupa dura Renato Fernando Amábile, uma semana. Depois, emergem os adultos, Embrapa Cerrados Percevejo Pequeno Piezodorus guildinii É um percevejo da família Pentatomidae que ataca várias culturas. É praga importante, também do girassol, na fase de frutificação, quando ataca os capítulos.

Manejo Ecológico de Pragas CONSULTORIA T REINAMENTO PESQUISA GRAVENA - Manejo Ecológico de Pragas Agrícolas Ltda. - Chácara Paulista Rodovia Deputado Cunha Bueno, SP 253, km 0.7, 14870-000, Jaboticabal/SP, Fone/Fax: (16) 323-2221 e-mail: gravena@asbyte.com.br


Nutrição

rizóbio

Tecnologia exportada

Fotos CNPSo

Técnica brasileira de inoculação de cereais de inverno, que aumenta o desempenho futuro da soja, passa a ser adotada pelos Estados Unidos

P

esquisadores da Universidade de Dakota do Norte, nos Estados Lineu ressalta que a técnica é específica para áreas de primeiro plantio Unidos, que fazem testes com técnicas para viabilizar a introdução de soja naquele estado, começaram a adotar uma sol são as culturas tradicionais da re- soja são, muitas vezes, desprovidas de tecnologia desenvolvida pela pesquisa gião. Devido a doenças, pragas e/ou aos populações de rizóbio. Nesses casos, a brasileira há vários anos. Consiste na baixos preços nos últimos anos, os pro- inoculação via semente nem sempre é inoculação de cereais, como trigo e dutores estão procurando alternativas. suficiente para estabelecer uma boa aveia, com rizóbio (Bradyrhizobium Entre elas despontam soja, milho e fei- nodulação da soja no primeiro cultivo. spp.) na safra anterior ao plantio de soja. jão. Assim, nos últimos anos, a soja Uma maneira de incrementar a noduRizóbio é a bactéria que faz a fixação constituiu-se numa nova opção devido lação e a eficiência da fixação do nitrodo nitrogênio em nódulos nas raízes da à criação de cultivares produtivas adap- gênio nessas áreas, é aumentar o númesoja. Com a ocorrência tadas à curta estação de ro de células de rizóbio no solo. Como da nodulação e fixação crescimento. a inoculação direta no solo não é ecodo nitrogênio em níveis Segundo o professor nomicamente viável, pois exigiria uma Áreas de primeiro adequados, é possível de ciências do solo da dose muito grande de inoculante, surcultivo de soja evitar o uso do adubo Universidade de Dako- giu a idéia de se introduzir a bactéria usualmente nitrogenado e reduzir o ta do Norte (NDSU), Dr. via inoculação da cultura anterior. Emnão possuem custo de produção das populações de Jay Goos, os produtores bora os cereais, como trigo e aveia, não rizóbio lavouras, além de dimiamericanos que intro- formem nódulos e, portanto, não fixem nuir o impacto ambienduziam a soja em suas nitrogênio, substâncias liberadas por tal da atividade agrícoterras perceberam que a suas raízes servem de alimento ao rizóla. Só para se ter uma idéia, o processo planta não estava fixando bem o nitro- bio, o que aumenta sua população no de inoculação evita a aplicação de, pelo gênio. Resolveram recorrer aos pesqui- solo. menos, 200 kg/ha de adubo nitrogena- sadores da Universidade. Na falta de Embora a idéia da introdução de rido todos os anos. Maiores informações resposta para o problema, o professor zóbio em solos desprovidos dessa bacsobre fixação biológica do nitrogênio Goos fez uma revisão da literatura mun- téria, através da inoculação de não lepodem ser obtidas nas Recomendações dial e descobriu as pesquisas realiza- guminosas, seja relativamente antiga na Técnicas para a Cultura da Soja (http:/ das no Brasil. Essa tecnologia já fora literatura (ver os estudos de Diatloff na /www.cnpso.embrapa.br/rectec/ usada pelos produtores brasileiros, es- Austrália, 1969) foi no Brasil que ela torectec.htm). pecialmente no cerrado. Por isso, o pro- mou forma e foi levada efetivamente ao O estado de Dakota do Norte fica fessor Goos decidiu entrar em contato campo. Em 1982, Milton A.T. Vargas, bem ao norte dos Estados Unidos, onde com a Embrapa Soja, dando início a José R.R. Peres e Alert A. Suhet, pesa estação de crescimento é curta e a tem- uma interação entre as duas institui- quisadores da Embrapa Cerrados, puperatura varia de 38ºC, no inverno, a ções. blicaram um estudo em solos de cerra+38ºC, no verão. Trigo, cevada e girasAs áreas de primeiro cultivo com do sem população estabelecida de rizó-

bio, onde a inoculação de sementes de arroz mostrou-se capaz de sanar os problemas de nodulação da soja cultivada pela primeira vez, logo após esse cereal. É bom lembrar que os veranicos, altas temperaturas e baixa fertilidade dos solos de cerrado dificultam o estabelecimento de boa nodulação da soja e outras leguminosas. Assim, criam obstáculos à fixação biológica do nitrogênio, no primeiro plantio. Em 1986, Ivo R.S. Costa (Embrapa Recursos Genéticos), em sua dissertação de mestrado pela Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FA-UFRGS), sob a orientação dos professores José A. Costa e Pedro A. Selbach, observou que era possível aumentar a população de rizóbio no solo, através da inoculação de trigo, mesmo em áreas já cultivadas com soja. Em 1990, Lineu A. Domit (Embrapa Soja), José A. Costa, Caio Vidor (então na FA-UFRGS e hoje na Embrapa Soja) e Jessi S. Pereira (FEPAGRO) publicaram os resultados de seus estudos. Eles mostraram

que houve aumento da população de rizóbio no solo de áreas em que não havia entrado soja nos últimos 10 anos, no Rio Grande do Sul. Essa publicação

Alexandre prega o uso de tecnologia

foi a que chamou a atenção do professor Goos e o fez entrar em contato com a Embrapa Soja. Nas áreas onde o trigo foi inoculado, em Dakota do Norte, eles conseguiram estabelecer uma população de rizóbio de nove mil células por grama de solo, enquanto que nas áreas onde não houve inoculação, esse número foi de apenas 100 células por grama. Os resultados foram considerados tão bons que resolveram testar a mesma tecnologia também para alfafa e outras leguminosas. O professor Goos, inclusive, disponibilizou algumas fotos na internet, mostrando os resultados obtidos (www.onf.com/~goos/notinoc.jpg e www.onf.com/~goos/inoc.jpg). É importante ressaltar que essa tecnologia é específica para áreas de primeiro plantio. Nos plantios subseqüentes os benefícios podem ser muito pequenos ou mesmo inexistentes. Alexandre José Cattelan e Lineu Alberto Domit, Embrapa Soja


Mercado

Congresso

mudanças

Um novo presidente A

entomologia

Cultivar

adoção, pelo governo federal, é relevante, porque de uma política agrícola com alargam as opções de metas mais expressivas e arrojadas uso dos produtos, para a produção de grãos, consideran- atingindo agricultores do muito baixo o festejado patamar de mais distantes ou pes80 milhões de toneladas colhidas em quisando novos usos um país com potencial para plantar para o mesmo ingre200 milhões de hectares mas que só diente ativo, enquanusa cerca de 50 milhões, foi o foco cen- to contribuem para tral do discurso de posse do novo pre- reduzir preços, como sidente da Associação das Empresas conseqüência natural Nacionais de Defensivos Agrícolas da concorrência mulAENDA, Jorge Alberto Studart Gomes, tiplicada, até patamaem solenidade realizada em Fortaleza, res antes impossíveis na Federação das Indústrias do Ceará. de aceitação por agriStudart acredita no potencial brasileiro para produzir alimentos O empossado é diretor presidente da cultores em estágio empresa Agripec. tecnológico intermeBeto Studart, como é conhecido pe- diário. los colegas, criticou o fato de o Brasil A AENDA é composta hoje por 37 produtos fitossanitários por não poainda importar alimentos, apesar do empresas, representadas na cerimônia der comprar matérias-primas mais baseu potencial produtivo, o que sugere de transmissão do cargo pelo presi- ratas e de qualidade já reconhecida, a necessidade de generalizar o empre- dente anterior, Michel Haradon, da que redundaria em redução do preço go de mais tecnoloFersol, que também se final dos produtos para o agricultor. gia. O aumento da mostrou perplexo com o Tal disposição, diz, é um contra-senprodução levará ao que considera baixa pro- so, que deve ser combatido, por cono aumento da crescimento das exdução de grãos, ainda que siderar inaceitável essa restrição. produção de Dos 200 milhões de hectares de terportações e superáo governo faça do teto atualimentos levará ao superavit comercial vit na balança coal um motivo de comemo- ras agricultáveis que o Brasil possui, brasileiro destacou, cerca de um quarto apenas mercial, hoje basicaração. mente sustentada Beto Studart também estão sendo cultivados. Por outro lado, pelo agronegócio. denunciou o que chama em virtude das deficiências tecnológiNa sua opinião as empresas agro- de paradoxo inadmissível , hoje, cas de que muito se ressente a maioria químicas devem estar atentas, pois te- num mundo que marcha a passos rá- dos nossos agricultores, a produtividarão importante participação numa po- pidos para a plena globalização de de baixa das áreas cultivadas constitui lítica com tal objetivo, porque os pro- mercados. Pela legislação atual, dis- entre nós um sério problema, que é dutos fitossanitários têm importância se, uma empresa brasileira não pode- motivo de desânimo, de pobreza e tamfundamental no combate a pragas que rá cadastrar um novo fornecedor in- bém de incompetência de nossa polítiinfestam a agricultura nacional, de ternacional, estando obrigada a adqui- ca agrícola. Em 20 anos, no período de onde provém a base de nossa alimen- rir suas matérias-primas só e exclusi- 1975 a 1995, a população brasileira tação. vamente dos antigos fornecedores. dobrou, porém o mesmo não ocorreu Nesse contexto, destacou, o papel Desse modo, perde sua capacidade com a produção de alimentos, hoje indos fabricantes de produtos genéricos competitiva no mercado brasileiro de suficiente para seu abastecimento.

Simplesmente imperdível

Pela primeira vez no Hemisfério Sul, o XXI Congresso Internacional de Entomologia só deve voltar à América Latina dentro de algumas gerações, e serve de âncora para um conjunto de 15 eventos científicos de estudo de insetos. Veja alguns dos pontos mais importantes: Conferência - Serão proferidas 18 11. Uma nova visão da respiração conferências por eminentes cientistas, dos insetos, Dr. Karel Slama; de renome internacional: 12. Uma revisão atualizada das evi1. Entomologistas e a conservação dências entre seleção sexual e a evoluda biodiversidade, Dr. John H. Lawton; ção da genitália dos insetos, Dr. Willi2. Desafios entomológicos para o am Eberhard; próximo século, Dr. Manfred Kern; 13. Associação carrapato-parasita 3. O impacto da filogenia sistemá- na interface do hospedeiro, Dr. Patritica de W. Hennig na entomologia con- cia A. Nuttall; temporânea, Dr. Nils M. Andersen; 14. Reavaliação do papel da micro4. Interações inseto-planta uma flora intestinal nos insetos, Dr. R. J. Disíntese, Dr. Elizabeth Bernays; llon; 5. Plantas transgênicas: um méto15. Desenvolvimento do sistema do ambientalmente correto para con- nervoso dos insetos, Dr. Leslie Tolbert; trolar pragas? Dr. Angharad M. R. Ga16. O papel dos pequenos agricultehouse; tores no estreitamento da ligação en6. 400 milhões de anos de artrópo- tre biodiversidade e agricultura sustendos terrestres e as radiações mesozói- tável: Uma visão das culturas de arroz cas dos insetos, Dr. e de hortaliças na Ásia troDavid Grimaldi; pical, Dr. William H Settle; 7. Interações pa17. Insetos para expeO Congresso rasitóides-insetos, será composto rimentos em Biologia bápor diversas sessões sica, Dr. Michael Locke; Dr. Mike Hassell; explanatórias e 8. Desenvolvi18. Mosca branca, uma atividades mento sustentável e fronteira revisitada, Dr. culturais manejo integrado Dan Gerling de pragas, Dr. MarSessões e Simpósios: cos Kogan; Serão realizadas 24 ses9. Diversidade química em feromô- sões simultâneas, com cerca de 200 nias sexuais de coleópteros, Dr. Walter simpósios sobre estudos dos insetos, Leal; com cerca de 1.000 palestras. 10. Paratransgênese aplicada à disPosters: Aguarda-se a apresentarupção na transmissão de doenças de ção de aproximadamente 5.000 posplantas e animais, e no controle de pra- ters sobre as relações dos insetos com gas de plantas, Dr. Frank Richards; agricultura, silvicultura, pecuária,

Dennis Crawford

medicina, saúde pública, áreas urbanas, além de sericicultura e apicultura. Exposição de Insetos: Insetos de importância para a Humanidade, provenientes do Brasil e de diversas partes do Mundo, estarão expostos durante o Congresso. Salão Fotográfico: Insetos como arte será a exposição focada em fotos premiadas, provenientes de todas as partes do mundo. Paralelamente haverá exposição de óleos e aquarelas tendo insetos como tema. Décio Luís Gazzoni


Arroz

novidades

Terras Altas no RS?

S

e, por um lado, o arroz de terras altas desenvolvido para a região Centro-Oeste representa ameaça ao mercado das lavouras irrigadas do Rio Grande do Sul, as novas cultivares podem significar a solução para muitos gaúchos. Com arquitetura moderna, folhas eretas e demais características semelhantes às cultivares irrigadas, as recém-chegadas, produzindo grãos agulhinha, ganham cada vez mais adeptos. Recebidas até com menosprezo pelos arrozeiros tradicionais do Sul, que não viam no chamado arroz de sequeiro empecilhos à sua hegemonia, desde o ano passado as excelentes cultivares Maravilha , Primavera , Cirad e Canastra estão sendo plantadas experimentalmente e com bons resultados em várias regiões do Estado. De Passo Fundo, área da soja, a Santana do Livramento, fronteira do Uruguai, já existem 600 hectares com cultivares de arroz originalmente indicadas para o Centro-Oeste. E há forte tendência para incremento na próxima safra.

Cultivar

Lisboa estuda a adaptabilidade das cultivares no RS

Mas nem só de arroz irrigado vivem os gaúchos. A estatística é vaga, mas se fala em 20.000 hectares cultivados em pequenas propriedades, em áreas de 3, 5 e 10 hectares por produtores de soja, no norte do Estado. Predomi-

na a antiga cultivar Caiapó . A chegada das novas promete agitar o setor em breve. Observando na prática O engenheiro agrônomo José Lisboa é um dos que estudam a adaptação das cultivares de terras altas no Rio Grande do Sul. Ele próprio plantou pequena área em Santana do Livramento (4 ha de Primavera e 3 ha de Maravilha ) e já pode falar sobre as principais dificuldades de adaptação, pois as recomendações técnicas para o Centro Oeste nem sempre valem no Sul. O controle de invasoras, por exemplo, deve ser feito em pré e pós-emergência, 30 dias depois. Ao contrário do irrigado, esse arroz não tem a água para veicular o herbicida. A densidade de plantio também difere. Ele usou 25 cm e 30 cm entre linhas, com aparente melhor resultado no primeiro espaçamento. Reduz a competição de invasoras, embora force a do arroz. E a época do plantio também parece ser a mesma do irrigado, embora possa ser ligeiramente antecipado. Outra coisa é saber o momento certo de aplicar adubação nitrogenada. Enfim, salienta Lisboa, é preciso conhecer agora os detalhes do manejo, as épocas de cada etapa, pois tudo ainda precisa ser estabelecido. Vantagem do sistema A vantagem do uso no Rio Grande do Sul é a imensa redução de custo em relação ao arroz irrigado, caro por causa da água. O arroz de terras altas tem produtividade de 4.000 kg/ha no Centro Oeste. Lisboa acredita que 2.400 já deixam certo lucro no Sul. Os primeiros plantios, na região de Passo Fundo, alcançaram apenas 1.500 kg. Ao conhecer-se a densidade ideal, época adequada de plantio e detalhes sobre aplicação de fungicidas e adubação nitrogenada a produtividade crescerá, diz. No seu caso, primeiro experimento, não alcançará em Livramento a meta estabelecida de 2.400 kg/ha por ter perdido terreno para as invasoras em certo momento. Mas acha que ganhará na próxima.


Arroz

Algodão

controle

mercado

Barrada na fronteira Saiba como a Xanthomonas, a bactéria que devasta lavouras na Ásia e foi detectada em arroz com casca importado do Uruguai, ataca as plantações

A

bactéria Xanthomonas campetris pv. orizae, que causa grandes prejuízos nas plantações de arroz de países asiáticos (Índia, China, Indonésia...) foi o fator determinante para se proibir a entrada de arroz uruguaio, com casca, no Brasil. O microorganismo, que se hospeda na casca do grão, foi detectado por técnicos da UFPel e do Ministério da Agricultura e do Abastecimento em análise realizada em arroz proveniente do Uruguai, nos laboratórios da Embrapa de Pelotas, no dia 16 de fevereiro. O produto importado em setembro de 1999 ficou sob suspeita, que se confirmou depois de vários resultados positivos obtidos nas análises. A bactéria barrada na

fronteira transmite uma doença que pro- brasileiros e poderia, segundo a professovoca a queima bacteriana no arroz , ex- ra da UFPel, Andréa Moura, devastar toplica a pesquisadora Patrícia Messenberg talmente as lavouras. A doença espalhaGuimarães, do Cenargen, da Embrapa de se pelo ar , explica. Já a previsão sobre quando o produto Brasília. A Xanthomonas causa danos conside- uruguaio poderá atravessar a fronteira, está ráveis, principalmente em arroz inundado, na pauta de reuniões entre os ministros da que não é o caso do Brasil. Porém, destaca Agricultura dos países do Conesul, em BuPatrícia Guimarães, o nosso País tem tem- enos Aires. Porém, somente depois de um peratura alta e grande umidade. É o mes- encontro bilateral, que servirá para estamo ambiente que favorece o surgimento e belecer procedimentos para analisar o aralastramento da doença nas culturas de ar- roz, é que a compra poderá ser efetivamenroz de vários países asiáticos. É uma bac- te liberada. Como se fosse uma ironia, a confirmatéria nova no Brasil, e sem descrição no arroz , diz a pesquisadora. Significa que ção da bactéria ocorre justamente no mopode ser classificada como uma praga de mento em que autoridades brasileiras discutem medidas adicionais importância quarentepara impedir volumosas nária: não existe no Braimportações de arroz prosil e sua entrada está Apesar de prejudicar duzido na Argentina e no proibida. É inofensiva à a cultura do arroz, Uruguai. Produtores e parsaúde humana e animal. a bactéria não lamentares do Rio Grande Segundo a pesquisaafeta a saúde do Sul pressionam o Minisdora, as folhas atingidas humana tério da Agricultura para ficam amareladas e as garantir medidas capazes margens, depois, se torde protegerem o mercado nam necrosadas (escuras). A Xanthomonas se espalha no alto do nacional. É importante ressaltar-se que, para não sistema vascular, e a planta pode morrer. A forma mais severa da praga é a Kresek dar margem à polêmicas, o segundo teste foi presenciado por representantes das duas e ocorre em países asiáticos. nações. O anti-soro usado nos exames, traComo zido da Europa, obedece a mesma metocontrolar dologia aplicada em exames de DNA. A A pesquisadora do Cenargen aponta al- propósito, a professora Andréa sugere gumas formas para controlar a praga. Em uma boa estratégia para resolver o proprimeiro lugar, não se deve usar sementes blema. O governo brasileiro deve exigir infectadas. Em segundo, indica, o produ- um laudo fitossanitário do arroz importator deve evitar lavouras de aspersão; isso do do Uruguai . facilita a dispersão da doença. Aconselha, inclusive, o desenvolvimento de variedades de arroz resistentes e adaptáveis ao ambiente brasileiro. Mas as sugestões não cessam aí. Patrícia Guimarães aponta a necessidade de um levantamento mais amplo, não só no Uruguai, mas também no Sul do Brasil, para se ter uma noção mais precisa de como a doença está ocorrendo. Os agricultores uruguaios sabem como combater e as características que a doença apresenta. Ela ainda é estranha para os

BMF

Padronizando a qualidade A concorrência e a disputa por mercadorias, isto é, a lei da oferta e da procura, forçaram os produtores, comerciantes e industriais a praticarem a seletividade de seus produtos, através do estabelecimento de faixas de qualidade bem definidas, para que pudessem oferecer suas mercadorias com segurança, facilidade e economia

João Cecílio explica o funcionamento e a importância de uma correta padronização do algodão

A

essas regras dá-se o nome de Normas e Padrões . Elas tiveram uso crescente a partir da Revolução Industrial, ocorrida na Inglaterra, na segunda metade do século XVIII, a qual, no período de 1850 a 1900, espalha-se pela Europa, América e Ásia. Cresce a concorrência, a indústria de bens de produção se desenvolve e as ferrovias e o transporte marítimo se expandem, devido à invenção da locomotiva e do barco a vapor. Na primeira fase da Revolução Industrial (1750 a 1850) a indústria têxtil da Inglaterra monopolizava o mundo, e a cidade de Lancashire tornou-se o centro têxtil do planeta. Apesar da pujança da Inglaterra, toda a matéria-prima (algodão) era importada especialmente dos Estados Unidos, Brasil e Índia. Primeiro padrão O primeiro padrão estabelecendo normas de qualidade surgiu na Inglaterra, em 1800, para classificar o algodão em pluma e visava proteger os industriais têxteis ingleses contra o recebimento de fibras de algodão desuniforme e de má qualidade - im-

portadas de outros países. Em busca de preços melhores e pressionado pela Bolsa de Mercadorias de São Paulo, fundada em 1917, o Ministério da Agricultura estabeleceu, em 1925, a padronização do algodão destinado à exportação, com base nos padrões de Liverpool. Nos anos de 1933 e 1934 dois decretos do governo federal tornam obrigatória a classificação oficial de todo o algodão produzido no Brasil, e estabelece que o algodão somente poderia ser exportado se o descaroçamento e prensagem fossem controlados pela Diretoria de Plantas Têxteis do Ministério da Agricultura. É importante frisar que em 1925, ano do estabelecimento do primeiro padrão de algodão no Brasil, o país exportou 30.637t de pluma. Em 1938, treze anos após o primeiro padrão, a exportação de pluma atingiu 268.700t e, no ano de 1946 - um ano após o término da 2ª Guerra Mundial - exportamos 352.800t de pluma, e o país permaneceu como grande exportador de fibra de algodão até o início da década de 80, devido a grande aceitação da fibra do algodão nacional, especialmente o algodão de fibra longa produzido no Nordeste.


Café É bom lembrar que a padronização e a classificação do algodão em pluma, no Brasil, obedecem a Portaria Nº 55, de 9 de fevereiro de 1990, do Ministério da Agricultura.

6, 6/5, 7. Ressalta-se que para a região Meridional, existem mais 3 padrões para o algodão manchado (manchas provocadas por pragas e doenças): 6 MAN, 6/7 MAN e 7 MAN; e 6 padrões Padrões para a pluma de coloração levemenMeridionais te avermelhada (motivada pela cor do Com base nas análises do colorí- solo, especialmente terra roxa), demetro para o algodão nominados de 6 LAV, (Rd% de reflexão e 6/7 LAV, 7 LAV, 7/8 Através da +b grau de amarelo LAV, 8 LAV e 9 LAV. A padronização é da fibra) e do analisasigla MAN corresponpossível dor Shirley, que anade ao algodão de plucomercializar o lisa o desperdício ma manchada, e a produto sem a sua (percentagem de imLAV, refere-se a pluma presença física purezas e de matérilevemente avermelhaas estranhas contidas da. na fibra), foram estabelecidos os paComo se percebe, a padronização drões para a região Meridional, com e a classificação são efetuadas para os tipos 3/4, 4, 4/5, 5, 5/6, 6, 6/7, atenderem às exigências dos merca7, 7/8, 8 e 9; para a região Setentri- dos interno e externo, cada vez mais onal (Herbáceo) com os tipos 3/4, 4, exigentes em padrão de qualidade. 4/5, 5, 5/6, 6, 6/7, 7, 7/8 e 8, e para Por outro lado, a padronização a mesma região com o algodão Mocó- possibilita a comercialização sem a Seridó, com os tipos 4, 4/5, 5, 5/5, presença física do produto, median-

te a apresentação dos certificados ou descrição do resultado da classificação, o que facilita a fixação de preços dos produtos em diferentes mercados. E ainda agiliza a realização de negócios nas bolsas de mercadorias, para entrega imediata ou futura, além de proteger o nome do país exportador. É importante ressaltar que a indústria têxtil nacional, considerada a sexta do mundo, consome em torno de 800 mil toneladas de pluma/ ano, a qual tem de ser toda classificada para atender aos ditames da lei. Numa análise global da produção nacional e em comparação com os demais países produtores, o Brasil vem produzindo algodão de boa qualidade. Mas ainda necessita de ação mais enérgica para diminuir o percentual de matérias estranhas e impurezas, durante a colheita. João C. Farias de Santana, Consultor

sanidade

IAC

Excluindo os nematóides D

esde antes do primeiro relato sobre a ação dos nematóides de galha (Meloidogyne spp.) em cafeeiro, no final do século passado, nenhuma outra praga ou doença foi tão devastadora para a cafeicultura no Brasil como esses nematóides. De fato, os nematóides de galha devastaram a cafeicultura da então Província do Rio de Janeiro, maior produtora na época. No Volume 8 dos Archivos do Museu Nacional, publicado em 1892, encontra-se o famoso Relatorio sobre a Molestia do Cafeeiro na Provincia do Rio de Janeiro . Foi concluído pelo Dr. Emílio Augusto Goeldi, um naturalista suíço que trabalhava no Museu Nacional no Rio, nos primeiros dias de Novembro de 1887 , embora só tenha sido publicado em novembro de 1892. Prefaciando o Volume 8 do citado periódico, contendo a diagnose da doença na cafeicultura da então Província do Rio de Janeiro, o Dr. Neves Armond, Diretor Geral Interino do Museu, entre outras palavras, escreveu: Acha-se incluído no presente volume o relatório em que o Sr. Dr. Emilio Göldi descreve a moléstia que tem assolado os cafesaes no Estado do Rio de Janeiro, causando-lhes graves estragos e pondo em sério perigo o futuro da mais importante fonte da riqueza nacional. Assignala-lhe o distincto zoologo como causa um verme nematoide da familia dos anguillulideos, para o qual propõe o nome scientifico Meloidogyne exigua .

Nenhuma outra praga e doença foi tão devastadora no Brasil quanto o nematóide de galha

Discorrendo sobre o histórico e expan- menor do que aquelle que se obteria theosão da doença na então Província do Rio ricamente dividindo 69.000 por 150. Si esta de Janeiro, Goeldi escreveu: Ha vinte an- época, hypotheticamente, só chegará depois nos, mais ou menos, existe a molestia do de 8 ou 9 gerações humanas - quem sabe si cafeeiro, cujo resumo historico vamos dar, ella não se apresentará depois de uma ou ao norte da Provincia do Rio de Janeiro. duas gerações? Declaro com franqueza que Baseado nas melhores informações sobre o seria grande illusão enxergar um futuro côr apparecimento da molestia do cafeeiro, sou- de rosa na cultura do café, na Provincia do bemos que foi observado em primeiro logar Rio. Desejaria de coração que nem uma nas proximidades da cidade de S. Fidelis, a nem outra das duas fórmas da minha pro12 ou 15 kilometros para sudoeste da Serra phecia chegasse a realizar-se - mas, caveant denominada do Collegio até a margem do consules! [A expressão latina caveant conrio Parahyba, na fazenda da Pureza , na sules significa: Cuidem-se os governantes]. qual a mortandade foi tão grande, de 1869 É oportuno salientar que, ante a iminência a 1870, que os seus proda destruição da cafeiculprietarios tiveram de tura da então Província do abandonar a cultura do Rio de Janeiro, pelo nemaA interferência do nematóide na café, substituindo-a pela tóide, Goeldi já advertia, absorção de da canna. em novembro de 1887: nutrientes é Na época, o autor es Cuidem-se os governanconhecida há timou que a área total intes! . tempos festada já havia alcançado cerca de 300 mil ha. Café por De acordo com suas esticana mativas, a Província do Rio de Janeiro tiTendo se confirmado o prognóstico de nha uma área total de 69.000 km2 e a do- Goeldi, contido em seu relatório publicado ença se expandia à razão de 150 km2 por em 1892, os nematóides forçaram a substiano. Com base nesses números, Goeldi as- tuição da cafeicultura do Rio de Janeiro pela sim se expressou em seu relatório sobre o cultura da cana-de-açúcar, a partir do final futuro da cafeicultura do Estado do Rio de do século passado. No início deste século, o Janeiro, face à expansão da doença: So- Estado de São Paulo passou a ser o princimos levados a crer que a molestia conquis- pal beneficiário dos novos investimentos na taria a superficie total da Provincia do Rio cafeicultura. O Estado do Paraná o foi a de Janeiro em um espaço de tempo muito partir de 1950. Na década de 1965 a 1975,


o Estado do Paraná produziu uma média tores brasileiros de que esse nematóide não anual de 9,3 milhões de sacas contra 7,1 tinha importância econômica relevante para milhões produzidas por São Paulo e apenas a cafeicultura. 2,4 milhões produzidas por Minas Gerais. De fato, os cafeicultores da Zona da No final da década de 70 e início dos Mata, do Alto Paranaíba e do Sul do Estaanos 80, os danos que os nematóides vinham do de Minas Gerais e da região geo-econôcausando à cafeicultura paranaense foram mica de Vitória da Conquista, no Sudoeste denunciados em várias publicações. Jaehn da Bahia, vêm convivendo com esse nema& Lambert, 1983 (Resultados de Pesquisas tóide há mais de 25 anos, usualmente, sem Cafeeiras 1971-82. Rio de Janeiro, IBC/ adotarem nenhuma medida de controle. GERCA, 1983. p.287) também se referiram Mesmo assim, nunca constataram mortaliàs pesadas perdas que os nematóides vinham dade de plantas semelhante ao que foi relacausando à cafeicultura paranaense e apon- tado por Goeldi na então Província do Rio taram Meloidogyne exigua , M. incognita e M. de Janeiro. Pelo menos em parte, isso, procoffeicola como as espécies de maior impor- vavelmente, se deve ao fato de que os getância econômica. nótipos de cafeeiro plantados, hoje, foram Essas perdas constantes causadas pelos selecionados e testados em áreas de ocornematóides e as freqüentes geadas, soma- rência do nematóide. das a períodos de preços do café não muito Naturalmente, um certo grau de resisatrativos, certamente foram decisivos para tência ou tolerância vem sendo incorporadesestimular a cafeicultura paranaense. O do às diferentes seleções feitas, quer pelos principal pólo de produção de café passou, pesquisadores quer pelos produtores. Aliás, então, para o Estado de São Paulo onde os tratando deste particular, Goeldi, em seu renematóides também já latório publicado em 1892, vinham causando prejujá havia notado diferença de ízos. Das 60 mil propriecomportamento entre varia sobrevivência da dades de café existentes edades de café. Sobre isso cafeicultura em São no início da década de ele escreveu: Tem-se obPaulo deve-se em 80, cerca de 25 mil já esservado que a variedade do grande parte às tavam infestadas pelos café influe algum tanto socooperativas nematóides de galha bre a mortandade, sendo (Meloidogyne spp.), remenos atacado o café Java, presentando 43,35 % mais o Bourbon e ainda dessas propriedades, conforme dados da li- mais o Maragogipe. Desta ultima variedade teratura. No Oeste do Estado, cujo parque pude notar que morrem 10% no terceiro cafeeiro, em 1978, contava com 430 mi- anno e 50% no quarto anno . lhões de covas, os danos causados por espécies de Meloidogyne foram devastadores. Dados Como conseqüência, a partir da metarecentes de da década de 1980, a cafeicultura em Mais recentemente, novas tecnologias Minas Gerais começou sua arrancada rumo introduzidas no cultivo do cafeeiro, notaà liderança na produção brasileira. Prova- damente a aplicação de defensivos granuvelmente, os mineiros não perderão essa po- lados no solo para o controle de pragas e sição tão cedo para nenhuma outra unida- doenças de parte aérea, tais como o bicho de da Federação. Primeiro, porque, além de mineiro (Perileucoptera coffeella Guérin) e a M. exigua, não há outras espécies de Meloi- ferrugem (Hemileia vastatrix Berk. & Br.), dogyne mais nocivas ao cafeeiro dissemina- respectivamente, contribuíram para saliendas no Estado; segundo, pelas possibilida- tar a importância econômica do parasito. des de expansão da cafeicultura no cerrado Com efeito, os próprios fabricantes dos proe, em terceiro lugar, porque ainda há, em dutos vêm deixando de recomendar essa seus domínios, expressivas áreas de frontei- prática, em áreas infestadas com M. exigua, ras agrícolas aptas para a cafeicultura. pelo pronto reconhecimento da baixa eficiência do controle, em função da interferênPraga cia do nematóide na absorção e transporte importante dos produtos pelas raízes atacadas. A interEm que pesem os registros históricos ferência do nematóide na absorção e transdando conta dos vultosos prejuízos causa- porte de nutrientes em cafeeiro já é fato codos por M. exigua à cafeicultura do Rio de nhecido e bem documentado (Santos & Janeiro, com o passar do tempo, difundiu- Ferraz, 19XX). se uma crença generalizada entre os produDo total de 82 espécies válidas de Me-

loidogyne, 14 infectam o cafeeiro em todo o mundo e, dessas, sete já foram citadas associadas ao cafeeiro (Coffea spp.) no Brasil, a saber: M. arenaria, M. coffeicola, M. exigua, M. hapla, M. incognita, M. javanica e M. paranaensis. Além dessas, em 1997 esse autor, em cooperação com o Dr. Anario Jaehn da FCA de Botucatu (falecido) e com o Dr. Wallace Gonçalves do IAC Campinas, descreveram uma nova espécie coletada em Dracena, SP e a nomearam M. goeldii (Santos, 1997). Embora não se trate de uma espécie com agressividade comparável a M. incognita, M. paranaensis ou M. coffeicola, no Município de Álvaro de Carvalho, SP, recentemente, foi encontrado um cafezal com reboleiras exibindo plantas mortas por esta espécie. Embora os nematóides de galha que atacam o cafeeiro já tenham sido detectados em diferentes Unidades da Federação, a sua ação devastadora se deu apenas nos Estados do Rio de Janeiro, Paraná e São Paulo. Em Minas Gerais, M. incognita e M. coffeicola foram detectados em Uberaba e Machado, respectivamente, há alguns anos. Contudo, os danos ficaram restritos aos locais de ocorrência. Em parte, isso se deve ao fato de que muitos dos cafeicultores das fronteiras agrícolas mais recentes de Minas, vieram de áreas dos Estados do Paraná e de São Paulo onde os nematóides causaram danos devastadores. Muitos deles já têm certa experiência; já sabem e põem em prática certas estratégias de exclusão, notadamente evitando mudas suspeitas. No Estado de São Paulo, a sobrevivência da cafeicultura em regiões como o Noroeste do Estado, a Alta Paulista, Sorocabana e outras se deve, em grande parte, ao trabalho das Cooperativas. Estas têm feito chegar aos produtores as tecnologias que têm sido geradas pelos órgãos de pesquisa, notadamente o IAC, visando possibilitar a convivência com os nematóides. A enxertia, por exemplo, uma das mais bem sucedidas alternativas de convivência, aprimorada pelo IAC-Campinas, tem chegado aos produtores pelo trabalho das Cooperativas e seus Profissionais. No Estado do Paraná, o trabalho das Cooperativas e do IAPAR e até ações da iniciativa privada, têm possibilitado a renovação de lavouras em áreas infestadas. Jaime Maia dos Santos, UNESP / FCAV


CNPSo

É preciso dar o primeiro passo Décio Luiz Gazzoni

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e não estava, ao menos o presidente FHC parecia muito feliz no dia 19 de janeiro, quando em cerimônia engalanada no Planalto, anunciou o programa Brasil Empreendedor Rural. Odeio a crítica pela critica, gosto de analisar qualquer fato sem preconceitos. E esse precisa ser analisado de per se, e sua inserção no contexto da agropecuária. O presidente anunciou crescimento mínimo de 4% para a economia brasileira em 2.000, alavancado por um crescimento do setor agrícola, que além de sustentar as exportações (único setor superavitário nos últimos anos), continua sendo uma âncora para a estabilidade econômica. O que o governo está fazendo é a oficialização da iniciativa privada como financiador do setor agrícola. Há quase 20 anos que o financiamento oficial é apenas marginal como fator de produção. Multinacionais de insumos e tradings já vinham financiando seus clientes há muito tempo. Financiamento privado Oficializa a venda antecipada da safra uma duplicata que os produtores emitem contra a colheita, antes do plantio - através da Cédula Rural Financeira (destinada a investidores fora do circuito agrícola), com possibi44

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lidade de liquidação financeira; Em tese a idéia é ótima, dese a CPR Export, uma espécie de mamando o agricultor de um Adiantamento de Contrato de governo que pouco tem se imCâmbio (ACC), operado por portado com a vocação agrícoprodutores e cooperativas, e li- la do país. Entretanto, tem suas quidação pela entrega da mer- contra-indicações: enquanto o cadoria. Estes instrumentos já produtor europeu, americano existiam há muito tempo, fal- ou japonês conta não apenas tando a regulamentação da ope- com financiamento oficial, poracionalização pelo Banco do rém com subsídios, o brasileiro Brasil, o que foi feito agora. As pagará os sufocantes juros de CPRs atrairão capitais estran- mercado, que se apropriam da geiros, ampliando sua oferta, as maior parcela da rentabilidade oportunidades de exportação e da lavoura. reduzindo custos de intermediação. Outras O mercado de opções é medidas aberto para estrangeiros, lastreO seguro agrícola deixa de ados em commodities, e referen- proteger só o financiamento, ciado em caso se confirbolsas esme o interesse trangeiras, das empresas Um grande avanço permitindo privadas em seteria sido o a venda e gurar a produajuste tributário compra anção, aberto pelo para máquinas tecipada da pacote. O que agrícolas safra, diminão foi dito clanuindo risramente, mas cos, sofisticorre pelos bascando o processo de comercia- tidores, é que os privados entralização, expandindo as possibi- rão no negócio se houver um lidades de hedge. Os estrangei- fundo de resseguro para calamiros já operavam nos contratos dades. Foi proposta a modernifuturos da BM&F. zação da Lei de Armazenagem, Entretanto, o governo pre- permitindo que armazenadores cisa tomar muito cuidado com também sejam comerciantes de este poderoso instrumento de produtos agrícolas. O projeto fapolítica agrícola, pois o lança- culta a classificação de produmento recente das opções de tos. É necessário confirmar a compra de milho a R$ 9,00/ abrangência dessa medida, que saco, foi um dos fatores prepon- pode ser inócua. Se o objetivo é derantes para a violenta queda transformar o Estado em normanas cotações do grão, junto com tizador, fiscalizador e controlaa aproximação da safra e as im- dor de qualidade, deixando aos portações do produto. privados a classificação, tudo

bem. Quem exige classificação é o mercado, ao governo interessa marginalmente, pela incidência diferencial de alíquotas de taxas e impostos, em alguns casos. Também foi anunciada a unificação do despacho aduaneiro, integrando os Ministérios da Agricultura, Saúde e Fazenda, com o objetivo de desburocratizar importação e exportação, parte ponderável do custo Brasil, e que gera tanta dor de cabeça. O BNDES reduzirá as taxas de juros a 8,75% a. a. para pequenos produtores, e a 10,75% a. a. para os demais, na aquisição de tratores (prazo de 6 anos) e colheitadeiras (8 anos). Ficou no ar a possibilidade de redução do IPI (federal) caso os governos estaduais reduzam o ICMS, para a aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas. Não foi atendida a reivindicação de uma hipoteca abrangente, que não onerasse o produtor com uma hipoteca a cada operação de crédito. Pequenos produtores têm vantagens extras: não mais precisam apresentar certidões negativas para operação de crédito; aumento das linhas de financiamento da agricultura familiar e dos assentados; e aumento dos recursos destinados à Agricultura Orgânica. Expectativas financeiras Nenhuma das medidas é de grande impacto, sequer novida-

beça no lugar. A ção de soja americana seja quaTV repetiu deze- se igual à produção de grãos do nas de vezes sua Brasil, que a França, com 16% imagem susten- de nosso território produza mais tando O anúncio do que nós. À guiza de agenda, desse pacote tem relacionemos problemas que enmais foguetório do travam a agropecuária brasileique realmente ra, e a quem cabe a iniciativa merece . Entendo das medidas: 1. Governo suas palavras denDesequilíbrio nas relações tro de duas grandes linhas de raci- comerciais com o exterior, pelo ocínio. A primeira excesso de subsídios aos produconduz à falta de tos americanos, japoneses e eunovidades, confor- ropeus, e pelas barreiras que nos me comentado impõem; Gazzoni prega a importância de medidas de longo prazo Incapacidade crônica de enacima a iniciativa privada já vinha tendimento da vocação agrícode, embora tenham seus méri- financiando insumos e fazendo la brasileira, de sua importância tos. As principais expectativas compra antecipada de safra. para a geração de renda, empresão na área financeira, com Ajudou, mas pouco. Um gran- go, divisas, estabilidade econômenor dependência do gover- de avanço teria sido o ajuste tri- mica, etc. no, e a criação de um mercado butário para máquinas e impleRedução do Custo Brasil; secundário de títulos agrícolas, mentos agríReforma com liquidez garantida. A CPR colas, que tributária Export é um mecanismo de in- morreu mais que privileOs problemas da gresso antecipado de recursos uma vez na gie a produagropecuária lastreados em moeda estrangei- gula e no imeção; brasileira são mais ra. O Banco do Brasil prevê ope- diatismo de alFalta de profundos do que as rar com essas medidas, a partir guns goveruma política medidas do pacote do mês de março. As demais nantes, que agrícola sémedidas terão tempo de matu- preferem apliria, consisração mais longo, seja o seguro car altas taxas tente, de agrícola ou a linha de investi- sobre uma base menor, do que longo prazo, para que o Brasil mento do BNDES. Vai que o taxas menores sobre uma base ocupe, no século XXI, o lugar banco repassador da linha resol- maior, ampliando a arrecada- dos EUA no cenário dos agrova colocar mais 3-4% em cima ção. Lembro mais uma vez: negócios; em especial, deve dos juros fixados pelo governo, como Mato Grosso se tornou o prestar muita atenção ao pequeatravés das costumeiras exigên- maior produtor de algodão do no e médio produtor, vítimas cias de contrapartidas? Aí a coi- Brasil, em três anos? Com inte- dos desacertos governamentais, sa não deslancha. Se o prêmio ligência tributária! que acabam por tornar-se futude seguro for razoável, será uma ros membros do MST; grande alavanca, especialmenGarantir o cumprimento da O contexto te para as regiões mais sujeitas a Lei no campo, resguardando a do problema instabilidades climáticas. Mas, Outra interpretação das pa- integridade física do produtor, prêmios acima do suportável lavras do Ágide, levam ao títu- de seu patrimônio e dos meios afugentarão o produtor do cor- lo dessa coluna: Os problemas de produção; Investimento em retor. da agropecuária brasileira são infra-estrutura, portos, aeropormuito maiores que as questões tos, ferrovias, rodovias, energia, A reação das atacadas pelo pacote. O qual irrigação, comunicação, etc. lideranças Cumprimento da função do pode ser inviabilizado justamenA mídia pipocou análises de te pela falta de abrangência das Estado de propiciar um ambienlideranças do setor agropecuá- medidas. Temos problemas fi- te sanitário elevado, garantir a rio. No meu entender, a mais lú- nanceiros na agricultura? Sim, inovação científica-tecnológica cida foi a de Ágide Meneghetti, os temos e são grandes. Mas te- e seu repasse aos clientes, manpresidente da FAEP, uma das mos outros problemas que pre- tendo todos os técnicos da área maiores lideranças agrícolas do cisam ser resolvidos urgente- agrícola sempre treinados, bem país, com os pés no chão e a ca- mente, para evitar que a produ- informados e motivados;

2. Produtores e suas organizações União e organização, pauta única de reivindicações, firmeza, tenacidade, persistência, carisma e representatividade para lutar pelo setor; Entendimento de que o mercado do próximo século será pautado pelo dueto qualidade e segurança alimentar, o que significa operar com a melhor tecnologia e com um ambiente perfeitamente saneado. Manter-se perfeitamente atualizado e informado sobre os avanços no sistema de produção e comercialização agropecuária, maximizando o uso dos fatores de produção, reduzindo suas taxas de risco e mantendo alta rentabilidade. 3. Profissionais Manter-se permanentemente informado sobre os últimos avanços da tecnologia, sobre aspectos de mercado e de comercialização; Manter os produtores aos quais presta assistência técnica sempre motivados a ter o foco posto no mercado, para evitar ser alijado do mesmo. Os 1.000 km a percorrer É uma agenda braba. Mas não existe atalho para o Brasil deixar de ser o eterno campeão potencial, e realizar sua vocação de líder dos agronegócios mundiais. Para deixar a situação ridícula de produzir menos de 500kg de grãos/habitante. Para não passar pelo vexame de ainda ter febre aftosa, e dezenas de outras pragas facilmente erradicáveis, no seu ambiente produtivo. Para alavancar um surto de progresso que beneficie a sociedade brasileira como um todo, alavancando negócios, gerando empregos, distribuindo renda. É tarefa para uma década? Ora, meu Senhor do Bomfim, para uma caminhada de 1.000km o primeiro passo foi dado dia 19. Faltam apenas 999.999. Pé na estrada, gente! Março 2000

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Transgênica está próxima Newton Peter, Jornalista

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Brasil deverá ter importantes novidades no mês de março em relação à biotecnologia. É a expectativa nos meios da pesquisa e da produção agrícola. Os mais otimistas acreditam até na possibilidade de liberação imediata do cultivo e comercialização das cultivares transgênicas. Uma tomada de posição rápida está sendo exigida pela Presidência da República. Os prenúncios de alterações são claros e aquietaram-se os adversários dos organismos geneticamente modificados que diariamente se manifestavam pelos jornais depois da reação enérgica de produtores de Passo Fundo, RS, que mantiveram presos por dois dias os agentes do governo que pretendiam fiscalizar lavouras de soja. Nem a polícia dobrou os agricultores, que só liberaram os agentes sob a promessa de irem embora. Na última semana de fevereiro a Embrapa divulgou o resultado da análise de amostras de soja colhidas: eram de variedades convencionais. De outra parte, o partido que governa o Grande do Sul, o PT, prevê perda de votos em Porto Alegre e grandes cidades e pretende buscar novos eleitores este ano no campo. A fiscalização e queima de lavouras não os ajudaria. As organi46

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zações não governamentais, alinhadas com partidos da esquerda, também reduziram as campanhas. A soja transgênica plantada já vai ser colhida e o problema passa a ser a comercialização, misturada com a convencional. Na safra passada houve cultivo de sementes, mas o produto colhido e apreendido (40 mil sacos), ainda está em depósito judicial, porém com o poder germinativo compro- Por enquanto a soja transgênica brasileira só se encontra em plantações irregulares metido e deverá ser vendido como grão. sa de milho transgênico da Toda a força política do Mais importante, porém, Dekalb que o governo do Nordeste, e do senador Antônio Carlos Magalhães em será a decisão do Superior Estado pretendia impedir. Tribunal de Justiça sobre o Outro indício forte de particular, o que não é pourecurso imnovidades, o co, está concentrada no propetrado vice-presiden- jeto baiano. Enquanto isso, produtop e l a te Marcos MaUma decisão Monsanimediata ciel afirmou res estão tranqüilos e sabem favorecerá o to do Braque o presi- que o abastecimento de seplantio ainda para sil contra dente Fernan- mentes geneticamente moa próxima safra decisão do Henrique dificadas na próxima safra do juiz quer uma deci- de soja não é problema. Disda 6ª são imediata. põem da informação de que Vara FeA entrevista foi na Argentina há 11 mil hecderal de Brasília que proíbe dada dias após a visita ao tares plantados exclusivao cultivo comercial da soja Brasil do presidente mun- mente com cultivares transpor falta do Relatório de dial da Monsanto, Robert gênicas brasileiras, para uso Impacto no Meio Ambiente. Shapiro, ao ministro do após a liberação judicial do A lacuna já foi preenchida. Meio Ambiente, José Sar- cultivo. A semente colhida De uma eventual pronúncia ney Filho, em que saiu o seria suficiente para plantar favorável cabem meros ex- anúncio do investimento de no Brasil outros 500 mil pedientes protelatórios e lo- US$ 850 milhões no Brasil, hectares, porém chegaria a cais, afastada a hipótese de sendo US$ 550 milhões na um preço alto. A alternatilevar o caso ao Supremo Tri- Bahia em uma fábrica que va melhor está na liberação bunal Federal por não se tra- produzirá o herbicida nesse mês, pois ainda havetar de matéria constitucio- Roundup. Hoje a Monsan- ria condições de multiplicánal. E em fevereiro o Tribu- to gasta US$ 150 milhões las na Bahia a um custo nal de Justiça do Rio Gran- por ano importando a ma- compensador. Ou até em de do Sul autorizou pesqui- téria prima do herbicida. Porto Rico.


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