Cultivar Grandes Culturas • Ano XI • Nº 125 • Outubro 2009 • ISSN - 1516-358X Destaques
Nossa Capa
Dirceu Gassen
Os limites da resistência.......................26
Bayer
Com a chegada de variedades resistentes à ferrugem, saiba o que considerar na adoção de um programa de manejo da doença
Minúsculos e agressivos..............16 Dinâmica das epidemias...............36 Hora de escolher........................40 As estratégias disponíveis para diminuir a população de nematoides das lesões radiculares na cultura do milho
Como enfrentar a ferrugem em trigo, doença que apresentou desenvolvimento atípico em 2008
Índice
Expediente
Diretas
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Eventos - Congresso de Algodão
10
Alternativa de nutrição
12
Nematoides em milho
16
Falsa-medideira em soja
20
Ferrugem em soja
26
Ramulose e ramularia em algodão
30
Ferrugem em trigo
36
Cultivares de arroz
40
Resistência de azevém a glifosato
44
Coluna ANPII
46
Coluna Agronegócios
48
Mercado Agrícola
Conheça as variedades da Embrapa disponíveis no mercado para a nova safra de arroz
50
Fundadores: Milton Sousa Guerra e Newton Peter
REDAÇÃO • Editor
MARKETING E PUBLICIDADE • Coordenação
Charles Ricardo Echer
Gilvan Dutra Quevedo • Coordenador de Redação
Janice Ebel
• Vendas
Pedro Batistin Sedeli Feijó
• Design Gráfico e Diagramação
Cristiano Ceia • Revisão
Aline Partzsch de Almeida
GRÁFICA • Impressão
CIRCULAÇÃO • Coordenação
Simone Lopes
• Assinaturas
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• Expedição
Kunde Indústrias Gráficas Ltda. Grupo Cultivar de Publicações Ltda. Avenida Fernando Osório, 20, sala 27 A Pelotas – RS • 96055-000 Diretores Newton Peter Secretária Rosimeri Lisboa Alves www.revistacultivar.com.br cultivar@revistacultivar.com.br Assinatura anual (11 edições*): R$ 129,90 (*10 edições mensais + 1 edição conjunta em Dez/Jan)
Dianferson Alves Edson Krause Números atrasados: R$ 15,00 Assinatura Internacional: US$ 130,00 Euros 110,00 Nossos Telefones: (53) • Redação: • Geral 3028.2060 3028.2000 • Assinaturas: 3028.2070
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Por falta de espaço não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@cultivar.inf.br Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.
Diretas Variedade nova
Durante o VII Congresso de Algodão a Bayer CropScience lançou a variedade de sementes de algodão LibertyLink, nas dependências do hotel Iguazú Grand Hotel, em Puerto Iguazú, na Argentina. O evento contou com a participação de aproximadamente 200 cotonicultores. A tecnologia promete auxiliar os produtores no manejo de plantas daninhas e na obtenção de fibra de mais qualidade. A nova variedade de sementes permite o uso seletivo de herbicidas à base de glufosinato de amônio. Arturo Peyloubet, diretor de Marketing, Cristiano Figueiredo, gerente de Marketing Grandes Clientes, Alex Merege, diretor de BioScience, Fernando Prudente, gerente de cultura algodão, e Hélio Romano, diretor comercial, apresentaram os detalhes do lançamento.
Instrumento importante
Gustavo Canato, gerente de Produtos da FMC, destacou a importância do lançamento do Manual de Doenças do Algodoeiro. “Acreditamos que o trabalho de conscientização pode começar dentro da companhia, transcender os meios de comunicação e disseminar conhecimento para todos. Nosso intuito é facilitar o acesso dos profissionais à informação, além de expressá-la da forma mais clara possível”, afirma Canato.
Gustavo Canato
Novos rumos
A F3 amplia sua estrutura e cria um novo núcleo de inteligência e planejamento, com a F3 Agro. A agência passa a contar com equipe de pesquisas, consultores agro, mapeamento do perfil do público e veiculações com abrangência internacional. Para reforçar a equipe foi contratado Leo Togashi. Com 20 anos de vivência na área de comunicação do agronegócio, traz consigo a experiência de quem já trabalhou em grandes empresas do setor, como Ciba-Geigy, Leo Togashi Novartis Agro, Syngenta e Basf.
Nilson Caldas Hélio Romano, Fernando Prudente, Alex Merege, Cristiano Figueiredo e Arturo Peyloubet
Adensamento
Durante o VII Congresso Brasileiro a Basf ofereceu aos produtores a oportunidade de conhecer em detalhes o uso de espaçamentos ultraestreitos para produção de algodão, batizado de sistema adensado. Por meio de palestras do consultor técnico Jonas Guerra, cotoniculores receberam informações para a execução dos tratos culturais e fitossanitários, para um manejo correto desse sistema. “A Basf tem como objetivo primordial contribuir para que o Brasil chegue em primeiro lugar no ranking dos exportadores de algodão e, para isso, investe em pesquisa, inovação e em soluções que promovam a sanidade, a qualidade e a produtividade da cotonicultura brasileira”, destaca Nilson Dias Caldas, gerente de Nilson Dias Caldas Marketing de Soja, Milho e Algodão.
Colheita
A Busa, tradicional empresa de beneficiamento, participou do VII Congresso Brasileiro de Algodão. Apresentou sua linha de produtos, com destaque para Cotton Line, Smart Cotton Gin e Sistema Busa modelo Pente. No Sistema Pente, a plataforma trabalha com dedos em forma de pente, que retiram o algodão da planta e descarregam em um caracol principal, que introduz o fluxo nos dutos do circuito de ar onde são separadas as maçãs verdes, conduzidas até a pré-limpeza e daí para o cesto.
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Visita
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, acompanhado por Almir Montecelli, presidente do Congresso Brasileiro de Algodão, e Haroldo Rodrigues da Cunha, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), estiveram no estande da Syngenta durante o evento. Foram recebidos por Fábio Fontes, gerente de Marketing de Algodão da empresa.
Manual de Doenças
A FMC lançou no VII Congresso Brasileiro de Algodão o Manual de Doenças do Algodoeiro. A publicação reúne informações técnicas sobre doenças de importância econômica traduzidas em linguagem simples e acessível. O material foi elaborado por Paulo Edimar Saran, da Solo e Planta Consultoria Agronômica, de Luís Eduardo Magalhães, oeste baiano. No lançamento ocorreu sessão de autógrafos.
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Interatividade
Durante o VII Congresso Brasileiro de Algodão a Syngenta proporcionou, diariamente, happy-hour aos participantes. De acordo com Fábio Fontes, gerente de Marketing Algodão, o momento serviu para interação e aproximação entre os visitantes e a equipe técnica da empresa.
Nutrição
A Produquímica participou do VII Congresso Brasileiro de Algodão. Apresentou aos cotonicultores formulações exclusivas, já conhecidas em outras culturas. Foram destaque os produtos Polyblen, Sulfurgran 90 e Ever. Paulo César Cau, novo diretor de Negócio da Área Agrícola, esteve presente no evento.
Portfólio
Durante o Congresso de Algodão a Ihara apresentou todo o seu portfólio para a cultura, com produtos recomendados para controle de plantas daninhas, pragas e doenças. “A cultura do algodão é muito importante para a empresa, por isso investimos constantemente em pesquisas e apoiamos o Grupo Brasileiro de Consultores do Algodão (GBCA)”, explicou Raphael Godinho, gerente de Herbicida para o Brasil.
Fibra
Com o slogan “O mundo reconhece a nossa fibra” técnicos da Syngenta, liderados pelo gerente de Marketing Algodão Fábio Fontes, estiveram à disposição no estande da empresa durante o Congresso de Algodão. A equipe esclareceu dúvidas e apresentou o portfólio para a cultura.
Foco
Christian Scherb, gerente de Desenvolvimento de Mercado, Filipe Paiva, gerente de Commodities, e Jeander Costa, gerente de Marketing de Algodão, Milho e Soja para o Cerrado, integraram a equipe da Nufarm no VII Congresso Brasileiro de Algodão. “É uma das culturas foco para Nufarm. No Brasil, estamos trazendo para o mercado o Imidacloprid Nufarm Nuprid e o maturador CottonQuick, melhorando o nosso atual portfólio para a cultura. São soluções consagradas, à disposição da cotonicultura brasileira, por isso a importância de estarmos presentes neste evento” explicou Costa.
Viabilidade
Almir Montecelli, presidente da Associação dos Cotonicultores Paranaenses (Acopar), presidiu o VII Congresso Brasileiro de Algodão. O principal objetivo do evento, segundo Montecelli, foi convencer o agricultor de que a cultura do algodão é viável desde as pequenas até as grandes propriedades. O Congresso teve como tema central “Sustentabilidade da Cotonicultura Almir Montecelli Brasileira e Expansão dos Mercados”.
Tratamento de Sementes
Durante o VII Congresso Brasileiro do Algodão, Luis Henrique Feijó, gerente de Portfólio Tratamento de Sementes da Bayer, destacou o inseticida CropStar. O produto possui registro para nove culturas e atualmente está em fase de registro para algodão. “O tratamento de sementes é etapa fundamental para garantir a proteção contra a ocorrência de doenças e pragas, assegurando o bom estabeleciLuis Henrique Feijó mento da cultura”, lembrou Feijó.
Marketing
Julio Negreli assumiu a gerência de Marketing da Deltapine no Brasil. Formado em Administração de Empresas, possui mais de dez anos de experiência em marketing, no Brasil e no exterior. No novo cargo tem como missão consolidar a marca no Brasil, na cultura do algodão, tarefa facilitada pelo fato de a Deltapine ser detentora do maior banco mundial de germoplasma.
Julio Negreli
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Presença
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, acompanhado por Jorge Maeda, prestigiou a estreia da Deltapine no Brasil durante o VII Congresso Brasileiro de Algodão. Foi recepcionado no estande da empresa por Julio Negreli, Jorge Maeda, Julio Negreli e Reinhold Stephanes gerente de Marketing.
Bolsa
A Bolsa Brasileira de Mercadorias participou do VII Congresso Brasileiro de Algodão. No estande recebeu visita de produtores, exportadores, indústrias de fiação e tecelagem, indústrias químicas e de interessados em saber como funcionam as operações, explicou o diretor executivo, Edílson Alcântara.
Edílson Alcântara
Celeridade
Qualidade
A Deltapine ofereceu coquetel durante o Congresso de Algodão. Durante o evento, Rogério Diacov, gerente da marca no Brasil, afirmou que a empresa está empregando recursos financeiros e humanos para levar ao mercado novas sementes, no menor tempo possível.
Stanis Bombanato e o fitopatolgista Alam Willian Vilela Pomela, da Sementes Farroupilha, participaram do VII Congresso de Algodão, em Foz do Iguaçu. Ambos se mostraram satisfeitos com a qualidade dos trabalhos apresentados no evento.
Participação
Equipe
Luiz Fernando Felix integrou a equipe da Inquima no Congresso de Algodão. “A Inquima prima por uma agricultura moderna e de qualidade, por isso é importante a participação da empresa nestes eventos”, avaliou Felix.
A equipe da Cheminova participou do Congresso de Algodão, em Foz do Iguaçu. “Os congressos são fundamentais para atualização profissional”, frisou Graciela Mognol, gerente de Marketing Fungicida da empresa.
Beneficiamento
Expectativa positiva
A Candeloro participou do VII Congresso Brasileiro do Algodão. A empresa atua no ramo metalúrgico e dedica-se à produção e à manutenção de equipamentos para o beneficiamento do algodão, fundição e usinagem para terceiros. “Estar mais próximo de nossos clientes e continuar crescendo com o Brasil e buscando novos mercados são alguns dos objetivos da empresa” explicou Jean Karlo Abrão, gerente de Vendas
Warley Palota, gerente de Negócios de Sementes e Traits Algodão da Bayer Cropscience, participou do VII Congressão Brasileiro de Algodão. Destacou que o lançamento oficial do algodão LibertyLink para a safra 2009/2010 será uma alternativa atrativa para o manejo de plantas daninhas na cultura. “Existe grande expectativa dos produtores, pois irão agregar muito valor ao produto final, devido à maior facilidade e liberdade no manejo de plantas Warley Pelota daninhas”, disse.
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Eventos
Foco no algodão VII CBA reúne 1,5 mil participantes em Foz do Iguaçu, no Paraná, para discutir sustentabilidade e expansão de mercados na cotonicultura
C
om o tema “sustentabilidade da cotonicultura brasileira e expansão dos mercados” ocorreu em setembro, em Foz do Iguaçu, no Paraná, o VII Congresso Brasileiro de Algodão, realizado pela Acopar, numa promoção da Abrapa e com apoio técnico-científico da Embrapa Algodão e do Iapar. O evento reuniu aproximadamente 1,5 mil participantes, entre pesquisadores, produtores, estudantes e outros profissionais ligados ao agronegócio algodoeiro. Durante cinco dias, o Congresso contou com três conferências masters, seis minicursos e 118 palestras. Logística, algodão no Mercosul, redução de custos, aperfeiçoamento dos sistemas de produção, algodão adensado, erradicação do bicudo, novas doenças e pragas, manejo de lavouras transgênicas, agricultura de precisão, manutenção da lucratividade e da competitividade e desafios para o aumento da produção e das exportações, estiveram entre os temas abordados. Um total de 348 artigos foi recebido pela comissão científica. Os trabalhos foram agrupados em seções: Agricultura Familiar, Agroeconomia e Transferência de Tecnologias (26), Biotecnologia (21), Entomologia (91), Fisiologia e Ecofisiologia (18), Fitopatologia (24), Fitotecnia e Sistema de Produção (29), Irrigação e Mecanização Agrícola (08), Melhoramento
Genético (55), Nematologia (03), Plantas Daninhas (11), Produção e Tecnologia de Sementes (07), Solos e Nutrição de Plantas (50), Tecnologia de Fibra Têxtil (05). “Deste total, 24 artigos foram selecionados de acordo com a sua maior aplicabilidade à cotonicultura para apresentação oral durante o congresso”, salientou Odilon Reny Ribeiro Ferreira da Silva, coordenador da Comissão Científica. Ainda durante o Congresso foi lançado o Manual Abrapa de Exportação de Algodão. O objetivo da publicação é orientar os cotonicultores brasileiros em relação às ações adequadas para exportar a pluma. Entre as informações contidas no manual há especificações de como o produtor deve proceder na hora de habilitar-se para exportar e ainda as particularidades de cada estado produtor. Além da programação científica do congresso, as empresas expositoras também atraíram a atenção do público com a apresentação de novos produtos para a cultura, lançamento de publicações e participação em palestras técnicas.
Bayer
Entre os destaques da Bayer CropSciences esteve o lançamento oficial do Algodão LibertyLink, variedade que estará à disposição dos cotonicultores para a safra 2009/2010 e que promete ser uma alter-
Equipe da Bayer CropScience lançou oficialmente a variedade de algodão LibertyLink durante o congresso
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nativa atrativa para o manejo de plantas daninhas na cultura. Outras duas novidades da empresa no evento ficaram por conta dos inseticidas Belt (para o controle de lagartas) e CropStar (ainda em fase de registro para o tratamento de sementes), ambos com aplicação na cultura do algodão.
Deltapine
A Monsanto aproveitou o evento para apresentar a Deltapine, sua marca mundial voltada para a cotonicultura. Já presente em países como Estados Unidos, México, Costa Rica, Argentina, Brasil, Grécia, África do Sul, Índia, Austrália e Turquia, pretende levar novas soluções aos cotonicultores, que consideram desde o processo de pesquisa até o consumidor final. Ainda entre os destaques no evento estiveram as tecnologias recém-aprovadas pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio): Roundup Ready (outubro de 2008) e o Bollgard II (maio de 2009). O algodão Roundup Ready® (RR), tolerante a herbicidas à base de glifosato, já é adotado em países como Argentina, China, Filipinas, Canadá, Estados Unidos e Austrália. Já Bollgard II confere proteção a algumas das principais pragas do algodoeiro: curuquerê do algodoeiro (Alabama argillacea), lagarta-das-maçãs (Heliothis virescens), lagarta rosada (Pecti-
Deltapine: marca da Monsanto voltada para a cotonicultura estreou no evento
Fotos Cultivar
A Basf, além de trazer seu portfólio para a cultura do algodão, apresentou palestra sobre o cultivo adensado
nophora gossypiella) e lagarta do cartucho ou lagarta militar (Spodoptera frugiperda). A tecnologia foi aprovada em maio de 2009, mas ainda não há sementes para comercialização devido à falta de tempo hábil para multiplicação e registro de variedades com Bollgard II.
Basf
O cultivo de algodão adensado foi um dos destaques da Basf durante o Congresso. Através da palestra com o consultor técnico Jonas Guerra, a empresa levou informações aos produtores sobre o novo sistema, que tem como principais características o uso de espaçamentos ultraestreitos para produção e semeadura com alta densidade de plantas. Do portfólio para a cultura mereceram destaque os produtos Nomolt 150 e Imunit, além do regulador de crescimento PIX HC.
Gesagard, Bion, Chess e Avicta Completo foram os produtos mais divulgados pela equipe da Syngenta durante o congresso
Syngenta
A Syngenta apresentou o Gesagard (herbicida seletivo de ação sistêmica, indicado para o controle pré-emergente de plantas daninhas), Bion (ativador de plantas, sem ação direta sobre patógenos), Chess (inseticida de ação sistêmica, do grupo químico piridina azometina para o controle de pulgão e mosca-branca) e Avicta Completo (nematicida e inseticida, do grupo químico avermectinas para o tratamento de sementes). Completaram ainda o portfólio marcas já consagradas no mercado como Polo, Dual Gold, Envoke, PrioriXtra.
FMC
A FMC apresentou o inseticida Marshal Star. O produto é indicado para controle do bicudo, percevejo, lagarta e pulgão. Outro destaque foi o lançamento do
O lançamento do Manual de Doenças do Algodoeiro e a apresentação do inseticida Marshal Star atraíram o público na FMC
Manual de Doenças do Algodoeiro, elaborado pelo consultor técnico, Paulo Saran. A publicação traz imagens e informações técnicas que ajudam a identificar os patógenos da cultura nas diferentes fases de desenvolvimento das plantas traduzidas em linguagem simples e acessível a diversos públicos.
Ihara
O inseticida Mospilan foi o carro chefe da Ihara no evento. O produto é indicado para o controle do pulgão do algodoeiro. Também mereceram destaque o Afitrix, indicado para o controle do pulgão, e o Tuval, regulador de crescimento para algodão cultivado em sistema convencional ou adensado. A empresa organizou, ainda, visitas a lavouras da região para mostrar o manejo outonal com o Flumyzin para o controle da buva (conyza spp), planta daninha resistente C à aplicação de glifosato.
Além de divulgar o inseticida Mospilan, a equipe da Ihara realizou visitas a lavouras da região
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Nutrição Fotos Jose Francisco Garcia
Alternativas de nutrição
O
Em um mercado bastante disputado e oneroso para os produtores, adubos de liberação lenta, biorreguladores, aminoácidos e biofertilizantes surgem como fontes alternativas para atender à demanda nutricional de cultivos no Brasil
acentuado desenvolvimento da agricultura brasileira é evidenciado pelo consumo de fertilizantes. O país, atualmente, detém o posto de quarto consumidor do mundo, atrás apenas da China, Estados Unidos e Índia. Porém, somos altamente dependentes do mercado externo e as importações representam aproximadamente 74% do suprimento atual de fertilizantes no país. Isso faz com que a indústria nacional adote preços elevados, comparáveis ao mercado internacional. A adubação, fator importantíssimo na cadeia de produção, é, portanto, prática bastante onerosa. Desse modo torna-se necessário que os fertilizantes sejam utilizados dentro da sua máxima eficiência. Com esse objetivo, nos últimos anos, novas tecnologias e fontes de nutrientes têm sido oferecidas ao meio agrícola. Adubos de liberação lenta, biorreguladores, aminoácidos e biofertilizantes encontramse atualmente em evidência, despertando o interesse e curiosidade dos produtores na busca de aumentos de produtividade e diminuição de custos.
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Adubos de liberação lenta
Existem vários grupos de fertilizantes de liberação lenta que são classificados como peletizados, quimicamente alterados e recobertos. Todos apresentam a mesma característica, que é a liberação gradativa dos nutrientes para a solução do solo, porém, com mecanismos distintos para tal. O primeiro grupo compreende os compostos de baixa solubilidade, na forma de “pellets”, cuja liberação dos nutrientes depende da ação microbiana. No segundo grupo estão incluídos os fertilizantes modificados de maneira a converter parte dos nutrientes em formas insolúveis em água, liberados ao meio de forma gradativa. Os fertilizantes recobertos, também chamados de encapsulados, incluem compostos solúveis envolvidos por diferentes substâncias orgânicas, inorgânicas ou resinas sintéticas, fazendo com que os nutrientes sejam liberados de maneira gradual. A liberação adequada dos nutrientes depende de diversos fatores como a espessura e natureza do material de recobrimento, quantidade de microfissuras na
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sua superfície, tamanho dos grânulos do fertilizante, temperatura e umidade do solo, entre outros. As principais vantagens dos adubos de liberação lenta são fornecimento regular e contínuo dos nutrientes para as plantas, menor frequência de aplicação nos solos, redução de perdas de nutrientes e diminuição da poluição ambiental pelo NO3-.
O fornecimento regular e contínuo de nutrientes é uma das vantagens dos adubos de liberação lenta
vimento vegetal. Alguns hormônios vegetais encontram-se ligados a aminoácido (que têm papel fundamental na síntese, ativação e estimulação de enzimas vegetais). A mistura de dois ou mais reguladores vegetais com outras substâncias (aminoácidos, nutrientes e vitaminas) é designada de bioestimulante.
Resultados de pesquisa comparativa do desempenho da adubação nitrogenada do milho com adubo de liberação lenta e com ureia, demonstraram que a redução da adubação nitrogenada pela metade com o adubo de lenta liberação não prejudicou o estado nutricional da planta e a produtividade. Diversos pesquisadores salientam que os fertilizantes de liberação controlada podem ter influência sobre o crescimento vegetal, principalmente ao reduzir a perda de nitrogênio (N) do solo ou substrato por lixiviação. Há relatos de que a perda de N por lixiviação foi aproximadamente 20 vezes maior com a utilização de fertilizantes prontamente solúveis quando comparada ao uso de fertilizantes de liberação controlada. Na cana-de-açúcar, a principal vantagem proporcionada pela utilização de adubos de liberação lenta refere-se ao maior aproveitamento do fertilizante, redução das doses por aplicação e possibilidade de oferta dos nutrientes durante toda a permanência da planta no campo.
Biofertilizantes
Biofertilizantes são definidos como materiais resultantes da biodigestão de compostos orgânicos de origem animal e vegetal. Biofertilizantes líquidos têm sido produzidos através de materiais diversos, como farelos de arroz e de trigo, restos de peixes, entre outros. Na variada composição dos biofertilizantes podem ser encontrados aminoácidos, enzimas, vitaminas e fito-hormônios. Apresentam, portanto, características de biorreguladores e bioestimulantes. São encontrados na literatura relatos de efeitos benéficos da utilização de biofertilizantes na produtividade de várias culturas como algodão, tomate, hortaliças. Na cana-de-açúcar os resultados de pesquisa são escassos. Recentemente foram realizados estudos no Centro de Ciências Agrárias/ UFSCar utilizando-se biofertilizante originado da fermentação de restos de pescado na complementação da adubação mineral da cana-de-
Os biorreguladores ou reguladores vegetais são compostos orgânicos, naturais ou sintéticos, que aplicados em pequenas quantidades promovem ações semelhantes às dos hormônios vegetais (citoninas, giberilinas, auxinas, ácido abcísico e etileno). Através dessas substâncias pode-se interferir em processos fisiológicos como germinação, vigor das plantas, crescimento e desenvolvimento, desenvolvimento radicular e foliar e produção de compostos orgânicos. Para que essas substâncias possam atuar adequadamente é necessário que sejam absorvidas, apresentem-se em quantidades suficientes na célula e tenham seus efeitos ampliados, o que é realizado por alguns minerais, geralmente cálcio e fósforo. É, portanto, necessário o equilíbrio nutricional interagindo com o equilíbrio hormonal.
t pol/ha 18,23 20,19 t pol/ha 16,41 18,00
açúcar, nos ciclos de cana-planta e 1ª soca. As doses do biofertilizantes estudadas foram 6l/ha, 8l/ha e 10l/ha na cana-planta e 4l/ha, 5l/ha e 6l/ha na 1ª soca. As médias gerais dos resultados obtidos foram as seguintes: Pelos resultados obtidos nas condições estudadas, o biofertilizante em complementação à adubação mineral demonstrou eficiência na fertilização da cana-de-açúcar. Esses resultados evidenciam, em função do potencial que esses novos produtos ofertados no mercado apresentam, a necessidade de novas pesquisas com a cana-de-açúcar para C comprovação de eficiência. Luiz Carlos Ferreira da Silva, Miguel Ângelo Maniero, José Carlos Casagrande, Rubismar Stolf e Luiz Antonio Correa Margarido, UFSCar
Charles Echer
Biorreguladores
Cana-planta Tratamentos t cana/ha Adubação mineral 102,7 Adubação mineral+biofertilizantes 117,6 Cana-soca Tratamentos t cana/ha Adubação mineral 98,3 Adubação mineral+biofertilizantes 108,2
Aminoácidos
Os aminoácidos são as unidades estruturais constituintes das proteínas. Na formação das proteínas, aminoácidos individuais são acoplados por ligações bioquímicas. As plantas sintetizam e usam aproximadamente 300 aminoácidos diferentes, dos quais apenas 20 são empregados para a produção das suas proteínas. Os benefícios promovidos pela aplicação de aminoácidos nas plantas já são conhecidos há alguns anos. A evolução dos processos para sua síntese em escala industrial permitiu a utilização na agricultura. Os aminoácidos estão relacionados com os mecanismos de crescimento e desenvol-
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Na composição dos biofertilizantes podem ser encontrados aminoácidos, enzimas, vitaminas e fitohormônios que complementam a nutrição mineral e aumentam a produtividade das plantas
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Milho
Minúsculos e agressivos
Fotos Fábio Mattioni
Mudanças no sistema de produção têm favorecido a incidência de nematoides das lesões radiculares na cultura do milho. Diminuir a população desses microorganismos é tarefa árdua, que exige integração entre as medidas de controle
O
nematoide das lesões radiculares (Pratylenchus spp.) tem apresentado elevada importância nas últimas duas safras de milho em várias regiões do Brasil, responsável por severas perdas em produtividade. Segundo Dias et al (2007), esse gênero tem se beneficiado por mudanças no sistema de produção, como a adoção do plantio direto e a incorporação de áreas com pastagem degradada e/ou com textura arenosa (<15% de argila). Além disso, Pratylenchus spp. possui ampla capacidade de parasitar outras culturas como soja, aveia, milheto, girassol, cana-de-açúcar, algodão, amendoim, dentre outras, alguns adubos verdes e a maioria das ervas daninhas. No Brasil, o milho é utilizado como opção de rotação de cultura ou ainda em segunda safra em 14.190,4 milhões de hectares (Conab, 2009). Em ambas as situações à cultura precedente, na maioria das vezes, é a soja, o que pode favorecer o aumento da população de nematoides, dificultando o controle pela utilização contínua na sucessão de culturas. Segundo Machado e Oliveira (2007), o controle deste gênero é bastante difícil e a busca por novas alternativas de manejo é complicada, uma vez que a espécie parasita grande número de plantas e, além disso, parece não existir fontes de
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resistência nas principais espécies vegetais cultivadas atualmente no Brasil.
Diagnóstico
Os sintomas de Pratylenchus spp. nas raízes de milho são os mesmos já descritos por Kimati et al (1997) para a cultura da soja. As raízes tornam-se necrosadas devido ao ataque em células do parênquima cortical, onde o
patógeno injeta toxinas durante o processo de alimentação, sua movimentação na raiz também desorganiza e destrói as células, não há formação de galha, o sistema radicular fica reduzido e as plantas pouco desenvolvidas. De forma geral é bastante fácil a identificação em áreas onde o ataque é elevado, porém, para um diagnóstico mais preciso, pode-se fazer a coleta do solo e das raízes de milho e enviar a
No detalhe, planta sadia (à esquerda) e planta atacada por nematoide (à direita)
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um laboratório de fitopatologia para identificar a população e a raça predominante.
Métodos de controle
Ensaio a campo
Recentemente, a utilização de técnicas como o tratamento de sementes tem apresentado vantagens comparativas em relação à utilização de granuladeira. Além de fácil utilização é uma técnica de baixo custo e menor impacto ao ambiente. Durante a safra 2007/2008 foram conduzidos experimentos para avaliar a eficiência do carbofurano no tratamento de sementes de milho, visando o controle de Pratylenchus spp. O estudo foi realizado em uma área plantada com soja, cultivar CD 217, (cul-
Fotos Fábio Mattioni
O uso de métodos de controle para este gênero é bastante restrito, já que a maioria não se mostra tecnicamente eficaz ou economicamente viável. No momento não existem híbridos de milho altamente resistentes a essa espécie. O mesmo ocorre para soja e sorgo. Dentre os métodos mais utilizados para o controle de Pratylenchus spp podemos destacar o revolvimento do solo que expõe os nematoides à temperatura elevada na superfície e elimina possíveis plantas hospedeiras. A integração de plantas não hospedeiras em rotação de cultura com o milho também tem se mostrado eficiente como método de controle para quebrar o ciclo da doença. Entre as plantas mais utilizadas a Crotalaria spectabilis se destaca por apresentar benefícios em curto prazo. O controle químico, integrado a outros métodos, pode ser uma medida complementar para diminuir a população de
nematoides na sucessão soja/milho. Entre os produtos registrados no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), apenas o carbofurano apresenta ação nematicida para duas das espécies do gênero: Pratylenchus brachyurus e Pratylenchus zeae (Brasil, 2007). Mesmo assim, a recomendação de uso baseia-se em equipamento de granuladeira e aplicação no sulco de plantio juntamente com a semeadura, o que dificulta a operacionalização.
Andressa Cristina Z. Machado e Cláudio Marcelo G. Oliveira
Nematoide das lesões radiculares no interior da raiz
tivar sensível ao ataque de nematoides) escolhida em função da elevada população de Pratylenchus spp.. A população inicial de nematoides foi determinada no período vegetativo da soja, 40 dias após a emergência das plântulas. Foram avaliadas 20 plantas por repetição (seis repetições) totalizando 120 plantas. Após a coleta, plantas foram levadas ao laboratório onde foi retirada uma subamostra de 5g de raízes/planta, quando foi computado o número de nematoides/5g de raiz. As subamostras foram analisadas pelo método de Collen e D’Herde (1972). Após a colheita da soja foram semeadas duas parcelas com 15m de largura e 30m de comprimento com o híbrido de milho CD 304, sendo que em uma das parcelas as sementes foram tratadas com carbofurano na dose de 1,050kg de ingrediente ativo para 100kg de sementes e, na outra parcela, as sementes não receberam tratamento. Assim como para a soja, foram coletadas 20 plantas em seis repetições, aos 40 dias e 80 dias após a semeadura, em cada uma das duas parcelas de milho. Depois de coletadas, as raízes foram levadas ao laboratório onde foi determinado o número de nematoides em uma subamostra de 5g de raízes. As subamostras foram analisadas pelo método de Collen e D’Herde (1972). Para determinar a persistência do tratamento com carbofurano foram realizadas duas coletas em períodos distintos do ciclo do milho, uma aos 40 dias após a semeadura, durante o período vegetativo, e outra aos 80 dias depois da semeadura durante o período reprodutivo. Em todas as avaliações, as médias dos tratamentos foram comparadas pelo teste de Tukey a 5% de significância (P = 0,05).
Resultados
No Gráfico 1 encontram-se os resultados referentes à população inicial no cultivo de soja e também o número de indivíduos presentes nas raízes de milho, com e sem tratamento com carbofurano, 40 dias após a semeadura. É possível observar que, com o tratamento das sementes de milho com carbofurano, houve redução da população de Pratylenchus spp., porém, o controle não foi efetivo pois a população se manteve muito elevada, com mais de dez mil indivíduos por cinco gramas de raízes.
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Gráfico 1 - Número de nematoides Pratylenchus spp. nas raízes de soja e de milho sem tratamento Gráfico 2 - Número de nematoides Pratylenchus spp. nas raízes de milho sem tratamento (ST) e com (ST) e com tratamento (CT) com carbofurano, 40 dias após a semeadura. Valores seguidos de letras tratamento (CT) com carbofurano, 80 dias após a semeadura. Valores seguidos de letras diferentes diferentes diferem significativamente pelo teste de Tukey (P = 0,05) diferem significativamente pelo teste de Tukey (P = 0,05)
No Gráfico 2 encontram-se os resultados referentes à população inicial no cultivo de soja e também o número de indivíduos presentes nas raízes de milho com e sem tratamento com carbofurano, 80 dias após a semeadura. Verifica-se que do mesmo modo que aos 40 dias, o tratamento das sementes diminuiu a população de Pratylenchus spp., mas o controle não foi efetivo pois a população aumentou significativamente para 18 mil indivíduos por cinco gramas de raízes. Além disso, observa-se que o carbofurano perdeu eficiência com o tempo de exposição das raízes aos nematoides. Inicialmente, aos 40 dias após a semeadura (Gráfico 1), o controle com
carbofurano foi de 49,68% em relação às raízes que não receberam tratamento. Por outro lado, aos 80 dias após a semeadura (Gráfico 2) o controle foi de apenas 23,11%. Muito embora os danos causados por nematoides do gênero Pratylenchus spp. na cultura do milho sejam conhecidos de longa data, como demonstra o trabalho de Lordello (1961), o dimensionamento das perdas em produtividade em função do número de indivíduos presentes nas raízes ainda não é muito conhecido. Há indícios que populações acima de mil nematoides por grama de raízes, já acarretam danos econômicos.
Os resultados obtidos permitem concluir que o tratamento das sementes com carbofurano foi pouco eficiente para o controle de Pratylenchus spp. na cultura do milho em sucessão à soja, mesmo utilizando 1.050kg de ingrediente ativo para 100kg de sementes. O híbrido CD 304 apresentou grande C suscetibilidade ao Pratylenchus spp. Fábio Mattioni, Roseli M. Giachini, Maria C. F. Albuquerque, Elisabeth A. F. Mendonça e Leimi Kobayasti, Univ. Federal do Mato Grosso
Soja Fundação MS
Reação equilibrada
Principal desfolhadora nas lavouras de soja do cerrado brasileiro, a lagarta falsa-medideira tem o poder de provocar danos intensos, que começam pela folha e se estendem até as vagens da cultura. A racionalidade no emprego de inseticidas, com o menor impacto possível ao agrossistema, é a receita para manejar adequadamente a praga, cuja incidência possui forte relação com desequilíbrios biológicos decorrentes da redução de predadores
N
as últimas safras a lagarta falsamedideira (Pseudoplusia includens) se tornou a principal praga desfolhadora da cultura da soja no cerrado brasileiro. Sua importância é justificada tanto pela frequência com que tem aparecido nas lavouras, quanto pelo potencial de dano que possui e pela necessidade de controle que demanda. Na região Central do Brasil são encontradas, frequentemente, duas espécies de falsa-medideira (Pseudoplusia includens e Trichoplusia ni), cuja diferenciação é feita basicamente através da observação dos adultos. De forma geral as mariposas destas duas espécies são bastante parecidas, apresentando o primeiro par de asas disposto na forma de quilha quando em repouso, de cor marrom ou cinza, com brilho cúpreo, medindo em média 35mm de envergadura, com as asas posteriores também de coloração marrom (Degrande & Vivan, 2009). Estes adultos apresentam ainda duas manchas prateadas em cada uma das asas do primeiro par. Em Pseudoplusia includens, a segunda mancha (a maior) tem o aspecto como se estivesse sido borrada ou “escorrida” em direção à extremidade da asa. Já em Trichoplusi ni esta mancha prateada da
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asa anterior é bem delimitada, não havendo a impressão de ter sido borrada. As lagartas falsa-medideiras têm esse nome por apresentarem apenas três pares de falsas pernas na região abdominal, o que as obrigam a executar o movimento de mede-palmo em sua locomoção. São lagartas de coloração verde claro com linhas longitudinais esbranquiçadas no dorso. Um indício (mas que não tem caráter conclusivo na diferenciação das duas espécies de falsa-medideira) é a presença de pernas torácicas pretas para identificar P. Includens. Por outro lado, as lagartas com pernas torácicas claras seriam de T. ni. As pupas são de coloração verde claro no início e posteriormente marrom. Ficam aderidas às folhas de soja, em um abrigo produzido com fios de seda da própria lagarta.
Biologia
O ciclo de vida das lagartas falsa-medideiras em soja é semelhante e para fins de práticas de manejo no campo pode ser considerado em média de 46 dias, sendo subdividido da seguinte forma:
Danos
Os danos provocados pela lagarta falsa-
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medideira em soja são bastante característicos, pois apesar de consumirem grandes áreas das folhas, mantêm intactas as nervuras principais, dando-lhes aspecto rendilhado. Eventualmente pode atacar as vagens, aumentando assim seu potencial de dano. É uma praga muito favorecida por condições de seca ou períodos de estiagem que antecedem os surtos.
Controle
Atualmente, o controle da lagarta falsamedideira na soja é baseado em inseticidas químicos. Mas quando utilizados de maneira inadequada, podem potencializar os surtos da praga, haja vista sua forte relação com desequilíbrios biológicos decorrentes de redução das populações de predadores, parasitoides e de agentes entomopatogênicos. Sendo assim, a primeira ação com o objetivo de manutenção de lavouras equilibradas de soja e consequentemente menos infestadas por falsa-medideira é a não utilização de inseticidas não seletivos (geralmente piretroides) nos primeiros estádios fenológicos da cultura. Aplicações como estas, de modo geral, são realizadas para o controle das primeiras infestações da lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis) e cujas opções de inseticidas seletivos existem.
Canadian biodiversity information facility
cultura é crucial para a realização de uma aplicação com dosagem superior destes inseticidas. Esta aplicação visa a cobertura de 100% da área foliar da planta com a calda inseticida, espalhando o ingrediente ativo por todo o dossel, mas objetivando principalmente atingir as folhas do baixeiro das plantas, local em que ocorre a oviposição da lagarta falsa-medideira e por consequência onde eclodem as lagartas. Desta forma, o objetivo desta aplicação é o de cobrir todas as folhas da planta em um momento em que geralmente poucas folhas novas, dependendo do ciclo da variedade, serão emitidas após esta aplicação, resultando no máximo aproveitamento do residual do inseticida seletivo aplicado. Esta estratégia vem se tornado importante no manejo da falsa-medideira em soja, devido à dificuldade de controle em condições de lavouras já infestadas pelas lagartas, onde geralmente há a presença de muitas lagartas grandes que naturalmente são mais tolerantes às dosagens usuais dos inseticidas, especialmente aqueles empregados para o controle da lagarta-da-soja. Isto pode ser observado nos resultados de experimentos a campo realizados pela Fundação MS em Maracaju (MS), nas Tabelas 2, 3 e 4, onde em condições de alta infestação da lagarta falsa-medideira em lavouras na fase reprodutiva, ou seja, densamente enfolhadas, mesmo as aplicações de doses mais elevadas de metomil (considerado atualmente padrão de mercado), por exemplo, ou ainda misturas de metomil com piretroides ou organofosforados, que são usualmente realizadas em condições de campo, implicaram, nos melhores casos, em controle pouco superior a 60%, o que em condições de altas populações tem como consequência a sobra de muitas lagartas, geralmente grandes, em quantidades suficientes para continuar provocando danos à cultura. Nota-se ainda que alguns tratamentos como indoxacarbe e espinosade apresentaram eficácia superior a produtos tradicionalmente
Estas pulverizações de piretroides eliminam principalmente artrópodes predadores e parasitoides que se constituem na primeira linha de defesa contra a praga. Neste sentido, a utilização de inseticidas seletivos (até pelo menos o início do florescimento da cultura) é uma das principais metas para o sucesso do Manejo Integrado de Pragas na soja. E especificamente com relação às lagartas, atualmente os inibidores da síntese de quitina (benzoilureias), mais conhecidos como “fisiológicos”, têm desempenhado papel importante no manejo destes insetos tanto pela eficácia, em lagartas de primeiro instar, quanto pelo custo acessível ao mercado de soja e principalmente pelo efeito residual e seletividade. Os inseticidas à base de Bacillus thuringiensis, os simuladores de ecdisônio, as oxadiazinas e as spinosinas também são seletivos e eficazes para a praga. Os inibidores de síntese de quitina, também conhecidos como reguladores de crescimento ou IGRs, atuam na inibição da síntese de quitina dos lepidópteros, por isto, sua ação é mais acentuada em lagartas nos primeiros estádios de desenvolvimento. Agem por ingestão. Desta forma, uma boa cobertura da área foliar das plantas nas aplicações é fundamental para o bom funcionamento destes inseticidas. Por esta razão é importante que durante o desenvolvimento das plantas de soja estes produtos sejam eventualmente reapliacados, com base nas amostragens, para que sempre haja ingrediente ativo atuando sobre as lagartas. Isto faz com que as primeiras gerações de falsa-medideira sejam suprimidas pela ação destes inseticidas reguladores de crescimento, culminando na manutenção de suas populações a níveis reduzidos, e principalmente evitando os danos que estas lagartas podem causar à cultura. Isto também é importante, pois tem sido reduzida a ação de agentes naturais de controle sobre estas lagartas, o que faz com que suas populações sejam preservadas e/ou aumentem. Sendo assim, a partir do momento em que as plantas de soja (ainda na fase vegetativa) atingem boa área foliar suficiente para viabilizar o uso dos inseticidas fisiológicos, pode-se iniciar as aplicações com estes produtos. No entanto, o momento imediatamente anterior ao completo fechamento das entrelinhas da
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Estádio de desenvolvimento Ovo Lagarta Pupa Adulto
Duração média em dias 5 20 7 14
Fonte: Degrande & Vivan, 2009.
utilizados para o controle da lagarta falsamedideira. No entanto, estes produtos nas dosagens em que foram aplicados, tornam seus custos muitas vezes proibitivos para utilização na soja. Atualmente, novos ingredientes ativos como flubendiamida e rynaxypyr (clorantraniliprole), com mecanismo de ação novo, se encontram em fase de registro ou estão sendo lançados no mercado para o controle de falsa-medideira em soja, com desempenho no mínimo igual aos inseticidas padrões hoje de mercado e em dosagens por hectare bastante reduzidas em comparação aos produtos mais antigos, com a vantagem ainda de serem seletivos aos agentes de controle natural. Estes são inseticidas que possuem ação tanto em lagartas grandes quanto em pequenas e, assim como os inibidores da síntese de quitina, atuam por ingestão e apresentam bom efeito residual. Sendo assim, se tornarão em breve boas ferramentas na rotação de grupos químicos para o manejo da resistência destes lepidópteros, podendo ainda ser posicionados de forma semelhante à dos fisiológicos.
Escondidas no dossel
Um dos fatores que contribuem para as falhas de controle da lagarta falsa-medideira em soja é o seu hábito de se abrigar na parte inferior do dossel das plantas, o que em situações de lavouras mais fechadas dificulta a penetração da calda inseticida, exigindo maior competência na tecnologia de aplicação utilizada. Por este motivo, além das condições climáticas mais favoráveis, as pulverizações
Fundação MS
Detalhes das asas de Pseudoplusia includens (esquerda) e de Trichoplusia ni (direita)
Tabela 1 - Ciclo de vida médio de ovo a adulto da lagarta falsa-medideira em soja
A presença de grande quantidade de mariposas pode ser um indício do início de altas infestações. Na foto, detalhe do adulto da falsa-medideira
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noturnas têm apresentado resultados mais confiáveis no controle desta praga, haja vista o característico hábito noturno dos lepidópteros,
ocasião em que as lagartas se movimentam com maior intensidade, aumentando as chances de entrarem em contato com as áreas das
plantas tratadas com inseticidas. Após o término do residual das aplicações com os inseticidas “fisiológicos” (benzoilureia - inibidores da síntese de quitina) ou mesmo de outros ativos como flubendiamida (diamida do ácido ftálico – moduladores do receptor de rianodina) ou metoxifenozide (diacilhidrazina - acelerador de ecdise), alguns parâmetros de campo podem ser utilizados para se evitar a pulverização em condições de altas infestações, principalmente com a presença de lagartas grandes. Um deles é o monitoramento periódico das lavouras principalmente na fase reprodutiva, objetivando detectar o início da infestação da área. Isto pode ser feito através da observação de novas posturas na face abaxial das folhas e consequentemente da constatação de lagartas recém-eclodidas através das amostragens com o pano de batida. Outro indício do início de infestações altas é a presença de grandes quantidades de mariposas de P. includens e/ou T. ni nas sedes das fazendas, atraídas pela luz, ou ainda nos faróis de máquinas agrícolas quando da realização de operações noturnas. Estas observações evidenciam que em um período muito curto a lavoura apresentará a incidência de lagartas falsa-medideira, que devem ser controladas em suas fases iniciais de desenvolvimento. Geralmente, nesta etapa da cultura, o controle é realizado com produtos com ação de choque (comumente carbamatos) que podem, em determinadas situações, ser associados com inseticidas que apresentem efeito residual (belzoilureias, diacilhidrazinas, diamidas do ácido ftálico).
Tabela 2 - Número de lagartas (soma de cinco repetições) de falsa-medideira em batidas de pano e porcentagem de eficiência segundo Abbott aos dois (2 DAA), cinco (5 DAA) e sete (7 DAA) dias após a aplicação dos tratamentos. Fundação MS. Maracaju (MS). 2009 (Ensaio realizado em soja no estádio R5.5) Tratamentos Espinosade Abamectina + óleo mineral Metomil + Metoxifenozida Metomil Rynaxypyr (Clorantraniliprole)1 Metoxifenozida Flubendiamida Tiodicarbe Flubendiamida Testemunha C.V.(%)/F para tratamentos
Dosagem (g i. a.ha-1) 48 96 + 0,5% v/v 215 + 36 430 10 48 24 160 33,6 -
2 DAA T 35 b 47 ab 31 b 36 ab 43 ab 61 ab 46 ab 47 ab 39 ab 96 a 24,7/2,4*
%Efic. 63,5 51,0 67,7 62,5 55,2 36,5 52,1 51,0 59,4 -
5 DAA T 13 b 17 b 18 b 23 b 27 b 27 b 28 b 30 b 32 ab 69 a 24,0/4,6**
%Efic 81,2 75,4 73,9 66,7 60,9 60,9 59,4 56,5 53,6 -
7 DAA T 13 bc 9 bc 12 bc 13 bc 11 bc 12 bc 11 bc 18 ab 4c 44 a 26,7/5,2**
%Efic 70,5 79,5 72,7 70,5 75,0 72,7 75,0 59,1 90,9 -
Médias seguidas da mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste Tukey (p < 0,05). **Teste F significativo a 1%. 1Produto em fase de registro.
Tabela 3 - Número de lagartas (soma de cinco repetições) de falsa-medideira em batidas de pano e porcentagem de eficiência segundo Abbott aos um (1 DAA), dois (2 DAA) e seis (6 DAA) dias após a aplicação dos tratamentos. Fundação MS. Maracaju (MS). 2009. (Ensaio realizado em soja no estádio R3) Tratamentos
Dosagem (g i. a.ha-1) Indoxacarbe 60 Clorpirifós 720 Metamidofós + Metomil 480 + 215 Metomil + Beta-ciflutrina 215 + 3,1 Metomil + Permetrina 215 + 62,5 Metomil 215 Abamectina + óleo mineral 72 + 0,5% v/v Teflubenzurom + Alfa-cipermetrina 15 + 15 Diafentiuron 150 Acefato + Teflubenzurom 750 + 15 Profenofós 300 Testemunha C.V.(%)/F para tratamentos
1 DAA T 10 c 39 ab 22 bc 30 abc 26 abc 26 abc 27 abc 47 ab 38 ab 57 a 43 ab 50 ab 21,6/4,9**
%Efic 80,0 56,0 22,0 40,0 48,0 46,0 48,0 6,0 24,0 14,0 -
2 DAA T 12 c 44 ab 37 abc 38 abc 29 bc 35 abc 23 bc 56 ab 69 a 43 ab 51 ab 73 a 20,1/5,8**
%Efic 83,6 49,3 39,7 47,9 60,3 68,5 52,1 23,3 41,1 5,5 30,1 -
6 DAA T 9b 17 ab 17 ab 20 ab 22 ab 23 ab 23 ab 24 ab 25 ab 25 ab 34 a 34 a 20,8/2,6*
%Efic 73,5 50,0 50,0 41,2 35,3 32,4 32,4 29,4 26,5 26,5 0,0 -
Controle biológico
Infelizmente, a ação de agentes de controle natural sobre a lagarta falsamedideira tem sido reduzida nas últimas safras, principalmente com relação ao fungo entomopatogênico Nomurea riley (doença
Médias seguidas da mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste Tukey (p < 0,05).** e*Teste F significativo a 1% e 5% respectivamente.
Tratamentos
Dosagem (g i. a.ha-1) Indoxacarbe 60 Metomil + Permetrina 215 + 62,5 Metamidofós + Metomil 480 + 215 Acefato + Teflubenzurom 750 + 15 Abamectina + óleo mineral 72 + 0,5% v/v Metomil 258 Metomil + Beta-ciflutrina 215 + 3,1 Teflubenzurom + Alfa-cipermetrina 15 + 15 Clorpirifós 720 Profenofós 300 Diafentiuron 150 Testemunha C.V.(%)/F para tratamentos
1 DAA T 17 b 49 ab 29 ab 48 ab 36 ab 36 ab 32 ab 59 a 52 ab 61 a 51 ab 58 a 20,9/3,1**
%Efic 70,7 15,5 50,0 17,2 37,9 37,9 44,8 10,3 12,1 -
2 DAA T 19 c 34 abc 22 bc 49 abc 25 bc 24 bc 35 abc 43 abc 50 abc 56 ab 52 abc 66 a 21,0/4,2**
%Efic 71,2 48,5 66,7 25,8 62,1 63,6 47,0 34,8 24,2 15,2 21,2 -
6 DAA T 15 c 17 c 20 bc 20 bc 21bc 24 abc 24 abc 25 abc 33 abc 46 ab 48 a 52 a 19,7/5,5**
Médias seguidas da mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste Tukey (p < 0,05).** Teste F significativo a 1%.nsTeste F não significativo.
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%Efic 71,2 67,3 61,5 61,5 59,6 53,8 53,8 51,9 36,5 11,5 7,7 -
Divulgação
Tabela 4 - Número de lagartas (soma de cinco repetições) de falsa-medideira em batidas de pano e porcentagem de eficiência segundo Abbott aos um (1 DAA), dois (2 DAA) e seis (6 DAA) dias após a aplicação dos tratamentos. Fundação MS. Maracaju (MS). 2009. (Ensaio realizado em soja no estádio R5.5)
O monitoramento é fundamental para detectar o início da infestação, alerta Barros
branca), onde se suspeita que a utilização dos fungicidas para o controle das doenças da soja, principalmente após o advento da ferrugem asiática, tenha afetado a ação destes fungos entomopatogênicos com a consequência de surtos mais intensos da lagarta falsa-medideira. Sendo assim, em virtude da pouca possibilidade de aparecimento de fungicidas mais seletivos a estes fungos benéficos em médio prazo, outros agentes entomopatogênicos menos afetados por este problema poderiam ser empregados, como por exemplo o vírus da poliedrose nuclear (Baculoviridae, gênero Nucleopolyhedrovirus). Por outro lado, cabe reiterar o bom controle da praga feito pelo B. thuringiensis, isoladamente ou em mistura com produtos seletivos, nos inícios das infestações. Parasitoides de ovos também desempenham papel importante na manutenção de populações mais baixas de falsa-medideira a campo. Destacam-se insetos do gênero Trichogramma, altamente eficientes em parasitar ovos de lepidópteros. No entanto, são organismos muito sensíveis a inseticidas pouco seletivos. Em todo este contexto é notória a conclusão de que o sucesso do manejo da lagarta falsa-medideira em soja passa
Dirceu Gassen
O hábito da lagarta falsa-medideira se abrigar na parte inferior do dossel das plantas, em situações de lavouras mais fechadas, é um dos fatores que contribuem para as falhas no controle
primeiramente pela readoção dos conceitos dos programas de Manejo Integrado de Pragas para a cultura, dentre elas a realização de monitoramento periódico das lavouras, utilizando-se os métodos de levantamento mais adequados para cada
grupo de pragas e adotando-se as medidas de controle que resultem no menor impacto possível neste agroecossistema. C Ricardo Barros, Fundação MS
Soja Dirceu Gassen
Limites da resistência
Com o advento de novas cultivares resistentes à ferrugem asiática cresce a lista de aspectos a serem considerados no estabelecimento de um programa de controle da doença. Primeiro é preciso alertar que a tecnologia não exclui o uso de fungicidas. Além disso, a escolha baseada apenas na definição de produto e na época de aplicação específica, sem considerar as diferenças varietais, tende a levar a resultados catastróficos
O
principal objetivo do melhoramento genético, ao longo do tempo, foi maximizar produção de grãos, fazendo com que os genótipos da soja perdessem sua variabilidade genética, deixando para trás características relacionadas à rusticidade da cultura. Dessa forma, as cultivares tradicionais utilizadas pelos produtores possuem expressão reduzida no genoma de características importantes como a resistência/ tolerância a patógenos em geral. Nos últimos anos, no entanto, o desenvolvimento de cultivares resistentes a doenças foi intensificado, principalmente contra a ferrugem da soja. A ferrugem é uma das doenças mais importantes da cultura no Brasil, tendo resultado em prejuízos superiores a US$ 13 bilhões desde a sua ressurgência, em 2001, até
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a safra atual. As plantas infectadas pelo fungo apresentam desfolha precoce, prejudicando o enchimento de grãos, com consequente redução na produtividade. O controle da doença se baseia na utilização de fungicidas do grupo dos triazóis e estrobilurinas aplicados na parte aérea. Novas tecnologias têm surgido para auxiliar no controle da doença, destacandose o lançamento de cultivares com resistência vertical a P. pachyrhizi, a exemplo da TMG 801, TMG 803 e BRS GO 7560. A resistência presente nessas cultivares é expressa pela diminuição no número de urédias e na esporulação do fungo, ocasionando a formação de lesões do tipo RB (Reddish Brown), que corresponde à reação de resistência. Porém, estão sujeitas à quebra dessa resistência devido à grande variabilidade genética do pa-
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tógeno, comprovada pela existência de diversas raças fisiológicas. Por isso, essa tecnologia não exclui a necessidade do uso de fungicidas. Embora a eficiência dos fungicidas no controle da ferrugem asiática seja conhecida, o momento da aplicação inadequado, sem observar as características da cultivar semeada, ainda resulta em perdas significativas devido à incidência dessa doença. Anualmente, experimentos conduzidos no Instituto Phytus, Divisão de Pesquisa, em Itaara, no Rio Grande do Sul, avaliam a eficiência de diferentes programas de controle químico da ferrugem asiática e rendimento de grãos em diversas cultivares de soja. Em todos os ensaios, tem-se observado interação entre cultivares e programas de controle, demonstrando que, para se obter sucesso no manejo da doença, é necessário considerar
essa interação. Na safra 2007/2008 foram avaliadas dez cultivares de soja: BRS 243 RR, A 6001 RG, Fundacep 55 RR, Nova Andrea 66 RR e Coodetec 214 RR (de ciclo precoce), A 7636 RG, A 8000 RG e BRS 256 (de ciclo médio), Coodetec 219 RR e BRS Pampa RR (semitardias). Essas cultivares estiveram sujeitas a seis programas de controle, constituídos por diferentes fungicidas (mistura de dois grupos químicos) associados a épocas de aplicação (Tabela 1). As cultivares apresentaram diferença na severidade da ferrugem no tratamento testemunha sem a aplicação de fungicida (PC7) (Figura 1). Entre as cultivares precoces, a BRS 243 RR obteve o menor valor (10,5%). Para as cultivares de ciclo médio, a severidade foi menor na cultivar BRS 256 RR (11,5%). Porém, considerando todas as cultivares, a menor severidade (8,25%) foi observada na cultivar BRS Pampa RR, seguida pela cultivar Coodetec 219 RR (10%). A variação entre cultivares de mesmo ciclo está relacionada à resistência parcial inerente de cada cultivar, expressa por um maior período de latência, redução no número de urédias, número e tamanho de lesões e esporulação. Epidemiologicamente falando, a redução nesses parâmetros limita a população do patógeno, diminuindo a taxa
Rafael M. Soares
A resistência de certas cultivares à ferrugem não exclui a necessidade do uso de fungicidas, já que pode ocorrer quebra de resistência devido à grande variabilidade genética do patógeno
de progresso da doença. Nas parcelas tratadas com fungicida, houve cultivares que mostraram diferenças consideráveis entre os programas de controle, enquanto em outras praticamente não foi observada diferença. Em geral, as maiores alterações ocorreram para as cultivares de ciclo
precoce devido à avaliação ter sido realizada precocemente (21 dias após a segunda aplicação). Nas cultivares BRS 243 RR e A 6001 RG a diferença entre programas de controle foi maior. Nesse caso, os programas 1 e 5, respectivamente, foram os mais eficientes (Figura 2). Para as cultivares de ciclo médio/
Rafael M. Soares
Divulgação
Tabela 1 - Programas de controle utilizados no experimento visando o controle da ferrugem asiática em dez cultivares de soja. Itaara/RS, 2009 Programas de controle Época de aplicação1 Fungicida2 1 F >> 21 DAA T+E >> T+E 2 F >> 21 DAA T+E >> T+B 3 F >> 21 DAA T+B >> T+B 4 R1 >> 21 DAA T+E >> T+E 5 R1 >> 21 DAA T+E >> T+B 6 R1 >> 21 DAA T+B >> T+B Testemunha sem aplicação de fungicida 7 *F e DAA se referem ao fechamento das entrelinhas e dias após a aplicação, respectivamente; **B, T e E representam fungicidas do grupo químico dos benzimidazóis, triazóis e estrobilurinas, respectivamente.
semitardio, a avaliação efetuada nessa data não possibilitou clara visualização de diferenças claras entre os programas de controle da ferrugem (Figura 3). Os programas de controle resultaram em acréscimos significativos no rendimento de grãos, de maneira genotipicamente dependente. Nas cultivares A 6001 RG e Coodetec 214 RR, o programa PC2 destacou-se em relação aos demais, promovendo incremento de 1.307kg.ha-1 e 1.027kg.ha-1 no rendimento de grãos em relação à testemunha (Figura 4). Para a cultivar BRS 243 RR, os programas em que foi obtido maior rendimento de grãos foram o PC1, PC4 e PC5, fato também verificado na cultivar Fundacep 55 RR, com exceção do PC4. Os programas PC1 e PC2 foram superiores na cultivar Nova Andrea 66 RR. O rendimento de grãos das cultivares do grupo de maturação médio/semitardio é apresentado na Figura 5. O programa de controle PC4 resultou no maior rendimento de grãos nas cultivares A 7636 RG, BRS 256 RR e BRS Pampa RR, porém, foi similar aos demais programas para a segunda cultivar, exceto o PC2, e ao PC5 para a última cultivar. Na cultivar A 8000 RG, os maiores rendimentos de grãos foram obtidos nos programas PC4 e PC5. Na cultivar Coodetec 219 RR, a diferença entre os programas de controle foi pequena. Esses resultados sugerem que, para duas aplicações de fungicida, a fim maximizar o potencial
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A resistência é expressa pela diminuição no número de urédias e na esporulação do fungo
Jerônimo Dias Menegon (esq.) e Ricardo Silveiro Balardin (dir.) da UFSM (RS)
produtivo dessas cultivares, o programa de controle deve ser iniciado em R1. As cultivares A 8000 RG e A 6001 RG foram mais responsivas ao uso de fungicidas, com incrementos variando entre 726kg.ha-1 e 1.426kg.ha-1 e 418kg.ha-1 e 1.307kg.ha-1, respectivamente (Figura 6). É possível observar, ainda, que a diferença entre os programas de controle extremos (menor e maior acréscimo) é considerável, demonstrando que mesmo efetuando-se o controle químico da doença, pode-se perder mais de dez sacos de soja.ha-1 devido ao estabelecimento de um programa de controle inadequado. Nas cultivares BRS 256 RR e Coodetec 219 RR não houve grande diferença entre os programas de controle extremos. O incremento mínimo foi de 425kg.ha-1 e 673kg. ha-1 e o máximo de 760kg.ha-1 e 954kg. ha-1, respectivamente (Figura 6). Dessa forma, pode-se inferir que nessas cultivares se estaria menos sujeito a possíveis erros de manejo. Essa característica possivelmente se deva à maior resistência parcial dessas cultivares, assim como a BRS 243 RR e BRS Pampa RR. Nessas cultivares o dano pela ferrugem é menor. Contudo, o rendimento de grãos delas nunca ultrapassou os 2.800kg.ha-1, ao passo que o da cultivar A 8000 RG, a mais suscetível, atingiu 3.352kg. ha-1 no melhor programa de controle. Com base nisso, podemos inferir que cultivares mais suscetíveis à ferrugem necessitam, invariavelmente, de posicionamento mais
preciso do fungicida para expressar todo seu potencial produtivo. Os resultados gerados a partir desse ensaio remetem para uma análise mais acurada no estabelecimento de um programa de controle da ferrugem asiática da soja. A opção por programas de controle específicos embasados apenas na definição de fungicida e na época de aplicação (aplicação calendarizada) sem considerar as diferenças varietais pode comprometer a expressão do potencial produtivo dos materiais. Tal equívoco tende a acarretar resultados catastróficos, repercutindo de maneira negativa na rentabilidade do produtor, mesmo que se execute o controle químico da doença. O ciclo IAF e a arquitetura da cultivar, o estado nutricional da planta, o nível de resistência parcial e sua inter-relação com os programas de controle químico necessitam ser melhor avaliados, visando fornecer informações mais precisas para o seu adequado estabelecimento. Com base nesses resultados, o produtor poderá selecionar cultivares de acordo com o input de tecnologia que está C disposto a utilizar. Jerônimo Dias Menegon, Ricardo Silveiro Balardin, Daniel Debona, Marcelo Gripa Madalosso, Diego Dalla Favera e Gerson Dalla Corte, UFSM Clarice Rubim Balardin, Instituto Phytus
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Figura 1 - Severidade da ferrugem asiática no tratamento testemunha (PC7) de dez cultivares Figura 2 - Eficiência de diferentes programas de controle da ferrugem asiática (%) aplicados sobre cultivares de ciclo precoce, aos 21 dias após a segunda aplicação de fungicida. Itaara/RS, 2009 de soja, aos 21 dias após a segunda aplicação de fungicida. Itaara/RS, 2009
Figura 3 - Eficiência de diferentes programas de controle da ferrugem asiática (%) Figura 4 - Efeito de diferentes programas de controle da ferrugem asiática aplicados sobre cultivares de ciclo médio/semitardio, aos 21 dias após a segunda no rendimento de grãos (kg.ha-1) de cultivares de soja de ciclo precoce. aplicação de fungicida. Itaara/RS, 2009 Itaara/RS, 2009
Figura 5 - Efeito de diferentes programas de controle da ferrugem asiática no Figura 6 - Incremento mínimo e máximo de diferentes programas de controle da rendimento de grãos (kg.ha-1) de cultivares de soja de ciclo médio/semitardio. ferrugem asiática no rendimento de grãos (kg.ha-1) em dez cultivares de soja em Itaara/RS, 2009 relação ao tratamento testemunha (PC7). Itaara/RS, 2009
Algodão Fotos Andréia Quixabeira Machado
Dupla proteção
Na luta pela manutenção de altos índices de produtividade, cotonicultores brasileiros precisam enfrentar desafios como a ramulose e a ramularia, causadoras de severos prejuízos, principalmente nas regiões Nordeste e Centro-Oeste. Programas de aplicação de fungicidas e nutrientes foliares apresentam bom desempenho no combate às duas doenças
A
s principais doenças da parte aérea do algodão, causadas por fungos associados às sementes e presentes no solo e em restos de cultura, são fatores limitantes na obtenção de índices satisfatórios de produtividade, principalmente nas condições edafoclimáticas do Centro-Oeste brasileiro. Os maiores danos provocados pelas doenças do algodão no Brasil têm sido observados nessa região e em alguns estados do Nordeste. O fungo Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides agente causal da ramulose, pode sobreviver em sementes e restos culturais, com disseminação dos esporos por meio de respingos de chuva ou irrigação. As condições climáticas favoráveis à ocorrência da ramulose são umidade relativa do ar elevada, geralmente acima de 80%, alta pluviosidade, temperatura entre 25°C e 30°C e dias nublados. Quando variedades suscetíveis são cultivadas em condições climáticas favoráveis, como as observadas na maioria das regiões do estado do Mato Grosso, os sintomas da ramulose são marcantes no início da fase vegetativa da cultura, resultando em alta severidade e elevada perda na produção. Dessa forma, recomenda-se o manejo da ramulose para a proteção da lavoura desde a emergência até
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o início da fase reprodutiva, com redução do inóculo inicial (uso de sementes sadias e/ ou tratadas, rotação de culturas, destruição de soqueiras – vazio sanitário, emprego de variedades menos suscetíveis) e controle do inóculo aéreo (destruição de focos iniciais e adoção de programas de fungicidas). A ramularia, causada por Ramularia areola, tradicional como doença de ocorrência no final de ciclo da cultura, tem sido verificada nas fases iniciais do desenvolvimento das plantas, sendo considerada hoje uma das
doenças de maior importância da cultura no cerrado brasileiro. Os sintomas iniciais caracterizam-se por manchas irregulares de coloração brancoazulada na face inferior das folhas mais velhas. Nas lesões mais velhas de formato angular, ocorre intensa esporulação do patógeno, de coloração branca e aspecto pulverulento. As lesões multiplicam-se e coalescem, tomam quase todo o limbo foliar e causam desfolha precoce. A dispersão do patógeno é bastante rápida e perdas tendem a ocorrer se inter-
Lesões estreladas – sintoma típico da ramulose nas folhas do terço superior da planta, em condições favoráveis à ocorrência de epidemia da doença
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Figura 1 - Área abaixo da curva de progresso da ramulose (Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides) em algodão FMT-701 submetido a programas de adubação foliar e controle químico. Jaciara, MT, 2008/2009
venções de controle não forem adotadas em tempo hábil. Na safra 2008/2009 muitas lavouras na região centro-sul do Mato Grosso contabilizaram aproximadamente oito aplicações de fungicidas para o controle da ramularia, enquanto as lavouras das regiões norte e médio-norte registraram cerca de 12 aplicações. Em experimentos conduzidos nesta safra no estado, os
Figura 2 - Área abaixo da curva de progresso da ramulose (Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides) em algodão FMT-701 submetido a programas de adubação foliar e controle químico. Jaciara, MT, 2008/2009
melhores programas apresentaram-se como eficientes com quatro aplicações a cinco aplicações, quando associados a variedades com grau moderado de resistência. Estes números refletem distorções nos programas de manejo adotados, seja quanto à seleção dos fungicidas a serem usados ou no que diz respeito aos critérios de aplicação do controle químico (época da 1ª aplicação, dose,
intervalo de aplicações) ou quanto à avaliação quantitativa/qualitativa da ramularia durante o monitoramento. É consenso técnico que o manejo destas doenças se mostra eficiente quando realizado de forma integrada, como o uso de cultivares menos suscetíveis e aplicação de fungicidas. Todavia, a principal estratégia de manejo adotada atualmente é o controle químico. Esta
Figura 3 - Área abaixo da curva de progresso da ramularia (Ramularia areola) em algodão FMT-701 submetido a programas de adubação foliar e controle químico. Jaciara, MT, 2008/2009
Figura 4 - Área abaixo da curva de progresso da mancha de ramularia (Ramularia areola) em algodão FMT-701 submetido a programas de adubação foliar e controle químico. Jaciara, MT, 2008/2009
ferramenta é apresentada como alternativa para garantir o desenvolvimento da cultura na região dos cerrados, já que as cultivares utilizados não possuem níveis satisfatórios de resistência. O controle químico tem sido eficiente, ainda que pese o aumento substancial no custo de produção da cultura. Entre os fungicidas de maior eficiência, têm se destacado, entre os sistêmicos e mesostêmicos, os triazóis e as estrobilurinas em mistura com benzimidazóis. O princípio ativo hidróxido de fentina (organoestânico), entre os fungicidas de contato, tem apresentado controle satisfatório de ramularia no final do ciclo do algodão. O uso de nutrientes foliares, associado a programas de fungicidas, tem se apresentado como alternativa eficiente e economicamente viável no manejo de doenças foliares nas condições do cerrado, nas culturas da soja e algodão. Os nutrientes mais expressivos nos processos de redução da severidade de doenças fúngicas são, segundo relato frequente da literatura, os silicatados e os potássicos. O silício (SiO2) é transportado através do xilema, sendo sua distribuição dependente da transpiração dos órgãos envolvidos. A camada de sílica limita a perda de água pelas folhas e dificulta a penetração e o desenvolvimento de hifas de fungos. Este mecanismo é amplamente conhecido em monocotiledôneas, com elevado potencial para ser aplicado em
dicotiledôneas. O efeito do silício sobre a redução de doenças é explicado pela silificação das células epidérmicas, o que reduziria a penetração dos conídios nas células da epiderme. Estudos recentes têm sugerido que além do efeito mecânico sobre a penetração dos esporos do patógeno no hospedeiro, o silício está envolvido com o acúmulo de compostos antifúngicos, ativação de enzimas relacionadas com a defesa e fitoalexinas. O potássio (K2O) reduz a suscetibilidade das plantas tanto a parasitas obrigatórios quanto a facultativos, de maneira semelhante ao SiO2, além de possuir importante papel nos processos de regulação hídrica, acúmulo de celulose e translocação de fotoassimilados. Entretanto, na maioria dos casos, o efeito do potássio está restrito à faixa de deficiência do elemento, ou seja, plantas deficientes em potássio são mais suscetíveis do que aquelas com níveis suficientes de potássio. A disponibilidade de níveis baixos de potássio pode reduzir a resistência de várias espécies de planta ao ataque de fungos. Experimento conduzido na fazenda Santo Expedito, em Jaciara, MT, a partir de janeiro de 2009, com a cultivar de algodão FMT 701, teve como objetivos oferecer ao produtor de algodão um programa de manejo integrado com o uso associado de adubação foliar e tratamento químico para a redução
Considerada uma doença de final de ciclo, a ramularia tem ocorrido no início do desenvolvimento das plantas
Daniel Cassetari Neto e Andréia Quixabeira Machado
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dos danos provocados por C. gossypii var. cephalosporioides e R. aréola, além de permitir o emprego de programas de manejo da ramulose e de ramularia para a redução dos riscos do desenvolvimento de populações de patógenos resistentes aos fungicidas recomendados e a redução dos custos de controle destas doenças. Os programas avaliados, as doses e as épocas de aplicação encontram-se na Tabela 1. As avaliações de severidade da ramulose e da ramularia foram realizadas de acordo com escalas específicas. Os tratamentos, aplicados através de pulverizações com CO2 costal de pressão constante, com barra de 2m e quatro bicos tipo cone vazio e um volume de aplicação de 200l/ha. A adubação, a calagem, o tratamento de sementes e o controle de pragas e plantas daninhas foram feitos de acordo com as recomendações técnicas para a cultura. O experimento constou de seis tratamentos dispostos em blocos ao acaso com quatro reC petições. As parcelas foram compostas por dez linhas de 5,0m de comprimento, espaçadas de 0,90m. Área útil composta pelas seis linhas centrais com 5,0m de comprimento. A manutenção da severidade da ramulose em algodão nas condições do cerrado do Mato Grosso, deve ser feita observando-se o grau de resistência do genótipo, as condições climáticas e a fenologia da planta. Em condições favoráveis à ocorrência de epidemias de ramulose, a severidade da doença deve ser restrita a lesões estreladas nas folhas do terço superior da planta, sem a ocorrência de paralisação do crescimento apical ou de superbrotamento. Esta condição deve ser mantida pelo menos até a abertura das primeiras cápsulas, quando a ramulose já não pode acarretar prejuízos marcantes à produtividade. Na Tabela 2 observa-se que a manutenção da severidade da ramulose no nível desejado foi alcançada até os 80 dias após a emergência, por todos os tratamentos avaliados. Aos 95 dias depois da emergência, o uso exclusiva-
Figura 5 - Área abaixo da curva de progresso da ramulose e da ramularia e produtividade em algodão FMT-701 submetido a programas de adubação foliar e controle químico. Jaciara, MT, 2008/2009
mente de adubação foliar aplicada até os 90 dias não proporcionou controle satisfatório da ramulose. O melhor controle da doença aos 65 dias após a emergência foi obtido com a aplicação de trifloxistrobin + tebuconazole associada ao silício e ao potássio. Todos os tratamentos foram igualmente eficientes na manutenção de baixos índices de ramulose aos 80 dias após a emergência. A área abaixo da curva de progresso da ramulose (Figuras 1 e 2) mostra, durante todo o período de avaliação, o melhor controle proporcionado pelos programas de fungicidas associados à adubação foliar com SiO2 e K2O. No controle da ramularia, as condições climáticas e de cultivo do algodão devem ser profundamente observadas, em função da oscilação nos padrões epidemiológicos encontrados em diferentes regiões de cultivo. O período considerado crítico para a ocorrência da ramularia em algodão vai dos 45 dias aos 105 dias após a emergência. Porém, nas regiões médio-norte e norte do estado de Mato Grosso, a doença pode ser observada a partir dos 15 dias depois da emergência, provocando aumento do inóculo de R. areola, levando, em consequência, a um maior número de pulverizações. Na Tabela 3 observa-se a ocorrência tardia de R. areola. Nestas condições, todos os tratamentos proporcionaram controle satisfatório da doença até os 95 dias após a emergência. A cultivar usada neste trabalho, FMT-701, considerada de ciclo tardio e com baixa resistência à ramularia, deve ser mantida com baixa porcentagem de infecção por R. areola até
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120 dias a 130 dias após a emergência. Neste período, a mistura dos fungicidas azoxistrobin, difenoconazole e ciproconazole associados a SiO2 e a K2O, proporcionaram o melhor controle da doença no terço inferior das plantas.
Este resultado foi superior ao uso exclusivo de controle químico ou de adubação foliar na redução da severidade da ramularia. A menor resposta do algodoeiro a aplicações isoladas de SiO2 e K2O, com aumento da severidade da ramularia a partir dos 95 dias após a emergência, pode ser creditada a um aumento substancial do inóculo de R. areola (Figuras 3 e 4). Nestas condições, os programas contendo aplicações de trifloxistrobin, tebuconazole, tetraconazole e carbendazim, e azoxistrobin, difenoconazole e ciproconazole, associados a SiO2 e a K2O, proporcionaram o melhor controle da ramularia, considerandose todo o período de avaliação. Considerando que todos os programas apresentaram desempenho satisfatório frente à ramulose, o controle de R. areola foi fator determinante na manifestação da produtividade da cultura. Assim, os maiores índices de rendimento de algodão em caroço neste trabalho foram obtidos nas parcelas que receberam os dois programas de melhor desempenho na redução da severidade da ramularia (Figura 5). C Daniel Cassetari Neto, UFMT Andréia Quixabeira Machado, UNIVAG Edson Ricardo de A. Júnior, IMA - MT
Tabela 1 - Tratamentos avaliados no controle da ramulose e ramularia em algodão, cultivar FMT 701. Jaciara (MT), 2009 Época de aplicação (dae) Programas (dose i.a. em ml/ha) 1) Testemunha 4560 e 7590 2) azoxistrobin + difenoconazole (50 + 75)* azoxistrobin + ciproconazole (60 + 24)* hidróxido de fentina + difenoconazole (200 + 75) 45 e 607590 3) trifloxistrobin + tebuconazole + carbendazim (60 + 120 + 400)** trifloxistrobin + tebuconazole (60 + 120)**tetraconazole (62,5) 45, 60, 75 e 90 4) SiO2 + K2O (22,55 + 188,58) 4560 e 7590 5) azoxistrobin + difenoconazole + si + k2o (50 + 75 + 22,55 + 162,92)*azoxistrobin + ciproconazole + si + k2o (60 + 24 + 22,55 + 162,92)*difenoconazole + si + k2o (75 + 22,55 + 162,92) 45, 60 e 7590 6) trifloxistrobin + tebuconazole + si + k2o (60 + 120 + 22,55 + 162,92)**tetraconazole + si + k2o (62,5 + 22,55 + 162,92) *adição de Nimbus = 0,5%v/v.; **adição de Áureo = 0,25%v/v
Tabela 2 - Severidade da ramulose (Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides) em algodão FMT 701 submetido a programas de adubação foliar e controle químico. Jaciara (MT), 2008/2009 Programas* 1 2 3 4 5 6 CV (%)
452 1,20ns 1,15 1,20 1,15 1,05 1,18 4,51
Severidade1 652 802 1,88 c 2,95 b 0,98 b 0,75 a 0,55 ab 0,93 a 0,60 ab 0,53 a 0,65 ab 0,80 a 0,43 a 0,73 a 9,06 6,15
952 3,93 c 0,75 a 0,53 a 1,50 b 0,75 a 0,68 a 5,84
Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si (Tukey 5%); ns = não significativo; 1 escala de notas proposta por Costa e Fraga Junior (1937); 2 dados transformados para raiz(x + 0,5)
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Tabela 3 - Severidade, em porcentagem de tecido infectado pela ramularia (Ramularia areola) em algodão FMT 701 submetido a programas de adubação foliar e controle químico. Jaciara (MT), 2008/2009 Programas* 1 2 3 4 5 6 DMS CV (%)
651 1,00ns 0,50 0,25 0,00 0,50 0,25 24,72
Severidade (% tecido infectado) 125* Inferior Médio Superior 80 95 15,75 b 21,00 b 41,50 d 24,25 b 8,25 b 4,00 a 5,13 a 25,25 bc 8,75 a 2,00 a 1,75 a 4,50 a 23,50 bc 13,75 a 2,25 a 3,50 a 6,75 a 21,00 ab 13,25 a 2,00 a 2,75 a 3,75 a 16,00 a 9,75 a 3,00 a 2,50 a 5,25 a 27,50 c 8,50 a 2,75 a 5,52 6,15 3,06 5,16 2,26 26,34 28,99 10,35 18,36 20,09
Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si (Tukey 5%); ns = não significativo; * leitura realizada nos terços inferior, médio e superior das plantas; 1 dados transformados para raiz(x + 0,5)
Trigo Fotos Amarilis Labes Barcellos
Dinâmica das epidemias
A ferrugem da folha desenvolveu-se até o final do ciclo do trigo em 2008. A formação antecipada dos teliosporos é uma das hipóteses para a situação atípica. Manejar corretamente as ferrugens exige atenção a aspectos como resistência genética e determinação do Limiar de Dano Econômico (LDE) para a adoção de controle químico
“E
m um acre (0,4ha) de trigo moderadamente infectado há cerca de mil bilhões de uredosporos, cada um capaz de sobreviver a um longo transporte aéreo e começar infecção de ferrugem muitas milhas de distância de onde foi produzido.” (Stakman, E.C. 1957). O desenvolvimento da ferrugem da folha nas lavouras de trigo, na última safra, no Rio Grande do Sul, foi atípico. Anualmente, as condições climáticas da região são favoráveis ao desenvolvimento do fungo Puccinia triticina. As cultivares suscetíveis necessitam controle químico de até três ou quatro pulverizações. Em 2008, excepcionalmente em alguns trigos altamente suscetíveis, a ferrugem da folha desenvolveu-se progressivamente até o final do ciclo das plantas. Generalizadamente, os ciclos da ferrugem nesse ano não se completavam. Os esporos germinavam, começava
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o desenvolvimento, que se interrompia, em detrimento da liberação de esporos das lesões (pústulas) que produziriam infecções subsequentes. A ferrugem desenvolve-se rapidamente quando há umidade livre e temperatura de aproximadamente 20oC. As gerações sucessivas de uredosporos (esporos que propagam a doença) podem ser produzidas a cada período mínimo de dez dias, se as condições forem favoráveis. Quanto mais elevada for a temperatura, mais curto será o período e maior o número de ciclos durante o período de desenvolvimento do trigo. Quando as plantas amadurecem ou as circunstâncias ambientais não são favoráveis, as massas de teliosporos (esporos que não infectam trigo) pretos podem tornar-se evidentes. Os teliosporos são resistentes a condições extremas de clima e germinam somente após períodos alter-
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nados de congelamento/descongelamento ou molhamento/seca. De acordo com o professor Erlei Melo Reis (informação pessoal), a inusitada situação da ferrugem da folha nos cultivos de trigo em 2008 explica-se pela formação antecipada dos teliosporos, que normalmente ocorre no final do ciclo do trigo.
Raças do fungo Evolução da virulência Comparando-se as raças de Puccinia triticina atuais (Tabela 1) com as que ocorriam na década de 1980 (dados não apresentados), há uma tendência de aumento da virulência quanto ao número de genes não efetivos para resistência. População patogênica em 2008 Na safra 2008, destacou-se em impor-
TFP-HT, no Rio Grande do Sul, na linhagem CEP 05-154.
Formação dos teliosporos
Ferrugem da folha em cultivar com resistência parcial (esquerda) e suscetível (direita)
tância de ocorrência a raça B55 4002 S, correspondente a MDR-MR, MDK-MR, MDT-MR, MFK-MT e MFT-MT, de acordo com o sistema norte-americano (Tabela 1). Oito raças B (nomenclatura do Brasil) foram detectadas, correspondendo a 17 raças pelo sistema norte-americano (Gráfico 1). O maior número de raças se dá devido
à diferenciação, considerando alteração na expressão de alguns genes, dependendo das condições ambientais, especialmente variações de temperatura. Identificaram-se pela primeira vez duas novas combinações de virulência, em amostras de trigo cultivado em 2008: 1) TDP-MR, em São Paulo, nas cultivares Quartzo, BRS 208 e IAC 364, e no Paraná em Avante e CD 104; 2)
Resistência genética Cultivares atuais da OR/Biotrigo com melhor nível de resistência à ferrugem da folha: Alcover, Asteca, Marfim, Valente, Vaqueano e Pampeano. Marfim, em alguns poucos locais, não expressou resistência. Alcover e Valente têm um gene que confere resistência do tipo planta adulta (progresso lento da ferrugem). Esta resistência está associada a uma necrose na ponta da folha. A ferrugem nas cultivares Campeiro e Quartzo tem sido moderada quanto à suscetibilidade. Quartzo é desuniforme (plantas menos infectadas desenvolvem-se entre as mais suscetíveis). Abalone, Safira, Supera, Mirante e Ônix são suscetíveis, expressando níveis de severidade inferiores aos de OR 1, em condições favoráveis à epidemia. Controle químico Proteção química eficiente requer monitoramento frequente da lavoura. Para que os fungicidas sejam aplicados no momento adequado, é preciso identificar o início da infecção e, se necessário, da(s) reinfecção(ões).
Gráfico 1 - Raças de Puccinia triticina (ferrugem da folha do trigo) no Brasil em 2008 – predomiância e novas combinações de virulência. Levantamento realizado na OR Melhoramento de Sementes, Passo Fundo
A reação das cultivares, observada durante vários anos em parcelas e lavouras, disponíveis nas instituições de pesquisa, auxilia na orientação do manejo, específico a cada cultivar, e depende das condições climáticas. Existe, ainda, o parâmetro do Limiar do Dano Econômico (LDE) para definir o momento mais apropriado para a aplicação de fungicidas. O LDE em diferentes estádios fenológicos serve de critério indicativo para o controle químico econômico. O LDE deve ser calculado em função do potencial de rendimento da lavoura, do custo de controle, do valor do preço do trigo, do coeficiente de dano causado individualmente por doença e da eficiência do fungicida utilizado. Este cálculo deve ser feito anualmente e para cada situação de lavoura. Para detalhes do cálculo do LDE, consultar Reis et al (2001) e Reis et al (1999).
onde 1 mil está para 5,57 quilos e 2,7 mil estará para X, se obtém X = 15 quilos/ha ou o correspondente Cd = 0,015 tonelada. Substituindo-se os valores na fórmula, tem-se o ID, valor que em porcentagem corresponde à incidência de ferrugem. A reaplicação do fungicida poderá ser feita quando o limiar for novamente alcançado. Por outro lado, se o limiar não for atingido, não se deve efetuar o controle químico (Reis et al, Universidade de Passo Fundo). Mistura de fungicidas Resultados obtidos na Universidade de Passo Fundo e na OR Melhoramento de Sementes indicam a eficácia do controle à ferrugem da folha do trigo devido à fungitoxidade de estrobilurinas, que resultou em melhor controle e maior rendimento de grãos. É sugerido que em cultivares suscetíveis a raças do fungo com sensibilidade reduzida a fungicidas triazóis, seja dada preferência a misturas com estrobilurinas (Arduim et al, 2009). Conforme Singer (Frac, 2008), não existe até o momento, no mundo, nenhum caso de resistência de ferrugens a triazóis e nem a estrobilurinas. Há populações ou raças com exigências diferentes quanto ao mesmo fungicida (maior ou menor sensibilidade). É normal, na dinâmica populacional, uma coexistência de raças mais ou menos exigentes. Quanto a raças
Cálculo do Cd A função de dano causado por ferrugem da folha, considerando-se o estádio de afilhamento, para o cálculo do Cd é: R (rendimento) = 1.000 – 5,57 I (incidência). Nesse caso, cada 1% de incidência foliar corresponde ao dano de 5,57 quilos, em uma produção de mil grãos. Se o rendimento potencial de uma lavoura for, por exemplo, 2,7 mil quilos/ha, através de uma regra de três,
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Ferrugem do colmo
A vulnerabilidade do trigo no mundo a uma raça emergente virulenta. Ferrugem do colmo (Puccinia graminis f.sp. tritici) ocorre em todo o mundo, onde o trigo é cultivado. É mais importante onde há orvalho frequente, durante e após o espigamento, em temperaturas de 18°C a 30°C. Perdas no rendimento As perdas são severas (50% a 70%). Áreas extensas e campos individuais podem ser totalmente destruídos. Os prejuízos são maiores quando a doença infecta severamente antes dos grãos estarem completamente formados. Em áreas favoráveis ao desenvolvimento da ferrugem, cultivares suscetíveis não podem ser cultivadas. Há chances de quebra dos colmos. Sintomas As pústulas (uredinia) são geralmente ovais, nas folhas, colmo e espigas. As lesões são de coloração vermelho-tijolo e rompem a epiderme. Nas folhas há esporulação em
Amarilis Labes Barcellos
Como calcular o LDE ? ID = (Cc/Pp x Cd) x Ec sendo, ID = intensidade da doença Cc = custo do controle Pp = preço da tonelada do trigo Cd = coeficiente de dano (calculado a partir de função de dano fornecida em: Informações Técnicas para a Safra 2009) Ec = eficiência de controle do fungicida utilizado.
atuais do fungo que causa a ferrugem da folha – B55, B56 e B58 – há extrema sensibilidade a estrobilurinas e controle superior com os fungicidas mistura de triazol e estrobilurina, em nível de campo. É recomendado que triazóis não sejam mais utilizados isoladamente, evitando aplicações curativas, devido à exigência e virulência de raças atuais. Lidia de Viedma (MAG/DIA/Cria) em “Reunión Proyecto Regional Sud America Trigo”, Uruguay, 2009, relata: Baixa eficiência dos fungicidas triazóis para o controle da ferrugem da folha do trigo no Paraguai • Embora a falta de informações conclusivas, em nível do Cone Sul, do que está ocorrendo com a eficiência dos triazóis para o controle da ferrugem da folha, durante os últimos três anos, vários agricultores têm relatado menor grau de controle da doença em cultivares suscetíveis; • Conforme experimentos realizados no Cria (Ministério da Agricultura e Pecuária do Paraguai), os triazóis isolados são parcialmente efetivos, em comparação à combinação com estrobilurinas, para um melhor controle.
Detalhe de necrose na ponta da folha: gene de resistência do tipo planta adulta (progresso lento da ferrugem)
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Cultivar
Tabela 1 - Raças de Puccinia triticina constituintes da população patogênica de ferrugem da folha do trigo, no Brasil em 2008, conforme levantamento realizado na OR Melhoramento de Sementes, Passo Fundo (RS) Brasil B54 B55 4002 S B57 B58 Raça Fundacep Raça nova (1) Raça nova (2)
Amarilis Labes Barcellos mostra as peculiaridades do fungo causador da ferrugem do trigo
ambas as superfícies. Condições ambientais A ferrugem do colmo é favorecida por dias quentes 25°C-30°C, noites em que a temperatura é de 15°C-20°C, com umidade adequada à formação de sereno. Os esporos podem, efetivamente ser dispersados a grandes distâncias e depositados com as chuvas. Vulnerabilidade mundial do trigo (O fator Sr31) O gene de resistência à ferrugem do colmo Sr31 é amplamente utilizado em trigos
Código norte-americano† TFR-CT TFT-CT SNJ-RR MDR-MR, MDK-MR, MDT-MR, MFK-MT, MFT-MT TDK-MR, TDR-MR, TDT-MR MDM-MR, MDP-MR MFK-HT, MFP-HT TDP-MR TFP-HT
Virulência/Número de genes* 14 ou 15 13 11 a 14 + 1 gene ainda não descrito, na linhagem ORL 04002 13 ou 14 10 ou 11 13 13 15
Ano 1a detecção 2003 2003 2007 2007 2005 2007 2008/07 em confirmação 2008
8 raças B, 17 raças conforme o sistema norte-americano † Phytopathogy 79: 525-529, 1989 *Variação de acordo com condições climáticas
em todo o mundo, particularmente na Índia subcontinente, China, Europa e na América do Sul. Conforme o relatório do Centro Internacional de Melhoramento de Milho e Trigo (CIMMYT): Impacto da Pesquisa Internacional de Melhoramento de Trigo em Países em Desenvolvimento, 1966-97, foram cultivados 69 milhões de hectares de trigo de primavera em 1997, dos quais 80% com cultivares relacionadas ao CIMMYT. Suscetibilidade deste material constituirá falta de barreiras à propagação da raça virulenta (TTKS). Essa raça, conhecida como UG99, é viru-
lenta à maioria das cultivares de trigo cultivada através do mundo. Já houve dispersão do leste da África ao Yemen, Sudão e, mais recentemente, Irã. O Programa Global Ferrugem do Trigo (WRDGP) abrange 29 países afetados ou em risco à UG99, entre outros. Uma verba total de aproximadamente USD 74 milhões será destinada ao programa para um período de quatro anos (UN FAO Wheat rust Disease C Global Program, 2009). Amarilis Labes Barcellos, OR Melhoramento de Sementes
Arroz
Tempo de escolha Com a chegada do plantio das lavouras de arroz irrigado é fundamental que o orizicultor conheça as características morfológicas, agronômicas e industriais das cultivares disponíveis no mercado para poder optar pelos materiais que mais se adaptam às suas condições de produção
P
Cultivar
ara contribuir com a sustentabilidade da produção de arroz irrigado no Rio Grande do Sul (RS), a Embrapa, pela ação conjunta de seus Centros, Embrapa Clima Temperado e, mais recentemente, Embrapa Arroz e Feijão, foram responsáveis, integralmente ou parcialmente, pelo desenvolvimento e lançamento de 17 cultivares (Tabela 1). Destacam-se a BR-Irga 409 e a BR-Irga 410, lançadas em parceria com o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) em 1978 e 1980, respectivamente, responsáveis pela chamada “Revolução” na orizicultura brasileira, quando a produtividade média da lavoura passou de 3,3 toneladas/hectare para mais de 5,5 toneladas/hectare. Mais tarde, já na década de 90, foram colocadas à disposição dos orizicultores gaúchos as cultivares BRS-7 Taim, BRS Atalanta, BRS Pelota. Em 2005, a Embrapa liberou as cultivares, BRS Querência e BRS Fronteira, beneficiando a cadeia produtiva do arroz gaúcho, que pode contar com duas novas cultivares produtivas e de excelente qualidade de grãos. Também se beneficiou o meio ambiente pela diversificação genética, com consequente redução de riscos
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de incidência de praga e pela possibilidade de redução do uso de água para a irrigação. O perfeito conhecimento das características morfológicas, agronômicas e industriais das cultivares permite ao orizicultor optar pelas que mais se adaptam às suas condições de produção, atendam as demandas do mercado, fortemente balizado pela preferência dos consumidores e, ao mesmo tempo, possam definir o manejo racional das cultivares escolhidas. Desta forma, o produtor estará capacitado a competir em um setor que exige uma colheita de grãos sustentável, de alta qualidade e produtividade, baixo custo de produção e ambientalmente correta. Na Tabela 2 estão caracterizadas sete cultivares de arroz irrigado da Embrapa em uso no Rio Grande do Sul. BR-IRGA 409: apresenta ciclo em torno de 130 dias da emergência à maturação. As folhas são curtas, eretas e pilosas. Eventualmente, as folhas inferiores apresentam coloração amarelo-alaranjada atribuída à toxicidade por ferro, predominantemente, no estádio de desenvolvimento vegetativo. A BR-IRGA 409 apresenta média susce-
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tibilidade à brusone (Pyricularia grysea) na folha e na panícula. Esta cultivar é, entre as demais recomendadas para o cultivo no Rio Grande do Sul, uma das duas que apresentam melhor qualidade industrial, com grãos tipo agulhinha, com rendimento superior a 60% de grãos inteiros (polidos), baixa temperatura de gelatinização e elevado conteúdo de amilose. Devido ao ciclo de 130 dias e à sua origem tropical, não deve ser semeada fora do período ideal, recomendado pela pesquisa para o Rio Grande do Sul. A BR-IRGA 409 mostra-se particularmente adaptada à região orizícola da Fronteira Oeste. BR-IRGA 410: apresenta elevado potencial produtivo, ciclo ligeiramente mais curto que a BR-IRGA 409, ao redor de 126 dias, folhas curtas, eretas e pilosas. Sintomas de toxicidade por ferro nas folhas inferiores podem aparecer, embora com menor intensidade do que na BR-IRGA 409. Os grãos são do tipo longo-fino, com rendimento superior a 60% de grãos inteiros (polidos), baixa temperatura de gelatinização e elevado conteúdo de amilose. Embora de origem tropical, a BR-IRGA 410
Alcides Severo
tem mostrado mediana tolerância ao frio no estádio reprodutivo, o que lhe tem conferido boa adaptação às diversas regiões de cultivo do Rio Grande do Sul, notadamente no Litoral Sul. Sua reação à brusone é semelhante à BR-IRGA 409, ou seja, média suscetibilidade à doença. BRS-7 Taim: é uma opção para elevada produtividade; tem ciclo biológico semelhante ao da BR-IRGA 409, ou seja, em torno de 130 dias da emergência à maturação. Ainda como característica, possui folhas curtas, eretas e lisas. Os grãos são do tipo longo fino, com casca lisa e rendimento industrial superior a 64%. Possui alto conteúdo de amilose e temperatura de gelatinização intermediária. É medianamente resistente à brusone. Essa cultivar apresenta boa tolerância à toxicidade por ferro e bom vigor inicial. A época de semeadura deve ser respeitada devido à sensibilidade da cultivar ao frio na fase reprodutiva. A cultivar BRS-7 Taim tem mostrado ótima adaptação às regiões Fronteira Oeste e Campanha do estado gaúcho, onde se tem obtido produtividade superior a 11 toneladas por hectare. BRS Pelota: selecionada a partir de uma população heterogênea da cultivar BR-IRGA 410, apresenta ciclo compatível com a BR-IRGA 410, em torno de 125 dias. Possui elevado potencial produtivo com grãos do tipo longofino, de casca pilosa-clara. Seu rendimento industrial é superior a 65% de grãos inteiros e polidos, em algumas situações. Já o teor de amilose da cultivar é médio e a temperatura de gelatinização varia de baixa a intermediária. A cultivar BRS Pelota é moderadamente suscetível à brusone e moderadamente tolerante à bicheira-da-raiz. Em algumas situações de cultivo pode mostrar moderada sensibilidade à toxicidade por ferro na fase vegetativa e ao frio na fase reprodutiva. Apresenta estabilidade de produção nas diferentes regiões de cultivo no Rio Grande do Sul. Contudo, tem-se observado melhor adaptação às regiões Litoral Sul e Planície Costeira Interna, embora tenham sido obtidas produtividades superiores a 11 toneladas por hectare nas regiões da Fronteira Oeste e da Campanha do estado gaúcho. BRS Atalanta: essa cultivar apresenta
BRS Querência: se destaca pela tolerância ao frio na fase vegetativa e pela velocidade de germinação e emergência em solos com temperatura inferior a 20ºC
ciclo superprecoce, ao redor de 100 dias da emergência das plântulas à maturação completa dos grãos. As folhas e os grãos são lisos e o rendimento industrial superior a 62% de grãos inteiros polidos, com grãos classificados como longo-fino. Apresenta alto conteúdo de amilose e temperatura de gelatinização intermediária. Quanto à reação aos estresses bióticos, a BRS Atalanta apresentou reação que varia de intermediária à medianamente suscetível à brusone (Pyricularia grisea) na folha e na panícula. Por outro lado, a cultivar é a que apresenta melhor reação quanto à resistência à bicheira-da-raiz (Oryzophagus oryzae) entre todas as cultivares indicadas para o cultivo no Rio Grande do Sul. Em algumas situações pode apresentar reações de suscetibilidade à toxicidade por ferro na fase vegetativa e ao frio na fase reprodutiva. Devido ao ciclo superprecoce, esta cultivar permite reduzir de dez dias a 20 dias de irrigação em relação às cultivares de ciclo precoce e, de 20 dias a 30 dias em relação às cultivares de ciclo médio, sendo uma ótima opção para áreas sujeitas à deficiência na disponibilidade de água ou quando há elevada probabilidade de ocorrência de seca. Ademais, as produtividades de lavoura da BRS Atalanta obtidas em diferentes regiões do estado superam as nove toneladas de grãos por hectare, quebrando, assim, o paradigma de que cultivares de ciclo
muito curto possuem potencial produtivo muito inferior às de ciclo mais longo. BRS Fronteira: essa cultivar é de ciclo médio (aproximadamente 135 dias da emergência à maturação) e destaca-se na lavoura por apresentar, além de elevado potencial produtivo, bom vigor de plântula e alta capacidade de perfilhamento. Apresenta plantas com folhas eretas e lisas e grãos tipo longo-fino, de casca clara e lisa. O rendimento é superior a 60% de grãos inteiros (polidos), ótima qualidade culinária, com baixa incidência de centro branco e textura solta e macia após a cocção devido ao alto conteúdo de amilose e baixa temperatura de gelatinização. Devido à sua origem e à seleção ter sido realizada nas condições agroecológicas da região Centro-Oeste, sob intensa pressão de seleção, a BRS Fronteira tem demonstrado também uma reação que varia de média à resistente à brusone. A BRS Fronteira tem boa adaptação no estado do Rio Grande do Sul, principalmente na região Fronteira Oeste, porém, devido ao ciclo de desenvolvimento, apresenta limitação para o cultivo nas regiões Litoral Sul e Campanha. BRS Querência: de ciclo precoce, cerca de 110 dias da emergência das plântulas à maturação completa dos grãos. Como características apresenta plantas de folhas e grãos lisos e destaca-se pela panícula longa com grande número de espiguetas férteis. Seus grãos são
Tabela 1 - Relação de cultivares de arroz irrigado desenvolvidas pela Embrapa no período 1979 a 2005 CULTIVAR BR-IRGA 409 BR-IRGA 410 BR-IRGA 411 BR-IRGA 412 BR-IRGA 413 BR-IRGA 414 BR-IRGA 415 BRS-6 Chuí BRS-7 Taim BRS Ligeirinho BRS Agrisul BRS Bojuru BRS Atalanta BRS Firmeza BRS Pelota BRS Fronteira BRS Querência
ANO 1978 1980 1985 1986 1986 1987 1991 1991 1991 1995 1995 1997 1999 1999 2000 2005 2005
CICLO BIOLÓGICO Médio Médio Médio Semitardio Médio Precoce Precoce Precoce Médio Muito precoce Médio Médio Muito precoce Precoce Precoce Médio Precoce
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS Produtividade/adaptação Produtividade/adaptação Alto vigor inicial Qualidade de grãos Alto vigor inicial/resistência à bicheira da raiz Qualidade de grãos Tolerância à toxidade por ferro Melhor reação a danos por frio Produtividade/resistência à brusone Precocidade Tolerância à toxicidade por ferro Grão tipo japônico Precocidade/resistência a bicheira da raiz Vigor inicial/colmos fortes Produtividade/estabilidade de produção Produtividade/qualidade de grão/resistência à brusone Produtividade/tolerância ao frio no estádio vegetativo
Tabela 2 - Características das cultivares da Embrapa registradas no Serviço Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC) para o cultivo no Rio Grande do Sul Características BR-IRGA 409 BR-IRGA 410 BRS-7 Taim BRS Atalanta BRS Pelota M Ciclo (1) M M SP M 90 Floração Plena (dias) 92 89 70 95 125 Maturação (dias) 130 126 100 130 R Acamamento (2) R R R R S Toxicidade Fe indireta (2) S S MS MT MT Bicheira-da-raiz (2) SI SI MR MR MR Brusone na Folha (2) MS MS MS MR MR Brusone na panícula (2) MS MS MR MR MR Escaldadura da folha (2) MS MS MS MS MS Mancha do grão (2) MS MS MS MS MR Mancha parda (2) MS MS SI MR MR Queima da bainha (2) MS MS MS MS LF Classe de grão (2) LF LF LF LF 70 Renda do benefício (%) 69 68 71 72 65 Rendimento de inteiros (%) 62 63 62 65
BRS Fronteira M 92 135 R SI SI MR MR MR MR MR MR LF 70 60
BRS Querência P 85 110 R SI SI MS MS MR SI SI SI LF 72 65
(1) SP – superprecoce; p – precoce; M – médio (2) R – resistente; MR – moderadamente resistente; MS – moderadamente suscetível; S – suscetível; MT – moderadamente tolerante; SI – sem informação
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Manejo das cultivares
O manejo das cultivares de arroz irrigado da Embrapa deve ser realizado de forma criteriosa, observando-se suas características peculiares e seguindo o conjunto de tecnologias recomendadas pelo projeto “Manejo Racional da Cultura do Arroz Irrigado (Marca)”. Dirceu Gassen
longo-finos, de elevado rendimento industrial e de ótima qualidade culinária, com alto teor de amilose e temperatura de gelatinização baixa. No campo, essa cultivar é facilmente distinguível por apresentar a folha bandeira com inclinação intermediária (ângulo entre 31° e 60°). A BRS Querência demonstra também elevado potencial de produtividade, superando, em alguns casos, as 12 toneladas por hectare de grãos secos e limpos. Quanto à reação à brusone (Pyricularia grisea), a cultivar varia de intermediária à medianamente suscetível na folha e na panícula. A BRS Querência merece destaque quanto à tolerância ao frio na fase vegetativa, sendo (entre as cultivares de arroz irrigado recomendadas para o Rio Grande do Sul) a que apresenta a maior velocidade de germinação e emergência em solos com temperatura inferior a 20ºC.
200 plantas m-2 a 300 plantas m-2 é o estande ideal para a lavoura
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Algumas destas tecnologias são consideradas “Tecnologias-Chave” e devem ser utilizadas no intuito de garantir a rentabilidade da atividade orizícola. Assim, recomenda-se para o manejo das distintas cultivares os seguintes passos: 1) utilizar semente de procedência conhecida, livre de plantas daninhas ou de misturas com outras cultivares, preferencialmente Certificada ou Comercial I e II, adquirida junto a produtores registrados na Delegacia Federal de Agricultura (DFARA/MA/RS); 2) fazer a semeadura com base no zoneamento agroecológico para as diferentes regiões orizícolas do RS. Conforme a realidade de cada lavoura a semeadura poderá ser antecipada ou retardada, de modo que, sempre que possível, a diferenciação da panícula ocorra em torno do dia 1º de janeiro; 3) a densidade de semeadura deve possibilitar o estabelecimento de um estande de 200 plantas m-2 a 300 plantas m-2 e, para que isto ocorra, considerando-se o espaçamento entrelinhas de 17,5cm e o peso médio de mil sementes das cultivares da Embrapa, são necessários de 100kg a 120kg de sementes aptas por hectare; 4) deve-se ter cuidado especial com o início da irrigação e a altura da lâmina de água, pois são fatores que influenciam diretamente no desenvolvimento das plantas. Observações de lavouras têm demonstrado que o retardamento na entrada de água, em condições de controle eficiente de invasoras, tem proporcionado melhor perfilhamento. Portanto, recomenda-se, quando possível, começar a irrigação permanente da lavoura até 25 dias após a emergência das plântulas (quatro folhas a cinco folhas), mantendo-se a lâmina de água de, no máximo, 10cm. O atraso no início da irrigação proporcionará, adicionalmente, menor período de uso da água, com consequente redução no uso de energia e mitigação de possíveis impactos ambientais negativos; 5) proceder a primeira adubação nitrogenada em solo seco, com a entrada de água ocorrendo imediatamente após sua aplicação; 6) para realizar a segunda adubação nitrogenada, observar a diferenciação da panícula (R1); 7) suspender a irrigação da lavoura a partir do 10° dia, após 80% da floração, e não antes de 30 dias depois da aplicação de agroquímicos; e, 8) colher tão cedo quanto possível após a maturação fisiológica, com umidade do grão variando entre 18% e 23%. C Paulo Fagundes e Ariano Magalhães Júnior, Embrapa Clima Temperado
Herbicidas Divulgação
Alternativas à resistência
Pesquisas realizadas na Embrapa Trigo e Embrapa Uva e Vinho buscam oferecer opções para o manejo de azevém resistente à aplicação de glifosato
A
resistência de plantas daninhas a herbicidas é um fenômeno em evolução no Brasil, que afeta, além dos produtores, os demais profissionais ligados de alguma forma à agricultura, devido às dificuldades que ela proporciona no manejo dessas espécies e também pelo aumento do custo de produção. Em alguns casos, essa resistência pode inviabilizar o controle de plantas daninhas pelo uso de determinados herbicidas. Desse modo, há necessidade de implantação de outros métodos de controle que na maioria das vezes são menos eficientes, tornando o controle excessivamente oneroso. A falta de um produto substituto equivalente, tanto em eficiência quanto em custo e facilidade de aplicação, faz com que a resistência a herbicidas assuma ainda maior importância. O azevém (Lolium multiflorum L.) caracteriza-se como a planta daninha comum no Sul do Brasil e tradicionalmente sensível ao glifosato, herbicida de amplo espectro, utilizado há mais de 20 anos para manejo da vegetação (dessecação) em pré-semeadura de culturas como a soja e o milho e, também, em pomares, nas linhas de
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culturas como a maçã. No entanto, no ano de 2003, a ocorrência de plantas de azevém (Lolium multiflorum) que, após receberem o tratamento com glifosato não manifestaram sintomas significativos de toxicidade, aumentou e plantas resistentes foram identificadas, principalmente no Rio Grande do Sul. Alguns estudos identificaram biótipos de azevém resistentes em pomares de maçã e em áreas manejadas com glifosato para o plantio de soja e milho. Na busca por alternativas para controle do azevém, pesquisas realizadas na Embrapa Uva e Vinho e na Embrapa Trigo comprovam que clethodim é uma excelente opção para manejo de azevém resistente e também de outras espécies de gramíneas (não controla folhas largas). Trata-se de um herbicida graminicida que age inibindo a enzima ACCase, com alta eficiência e controle acima de 95% sobre azevém, nos estágios de crescimento vegetativo, pósinicial e pós-tardio. Entre outros benefícios de clethodim, destaca-se a não apresentação de residual no solo. Dessa forma, pode ser utilizado para controle de azevém antes da semeadura de
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culturas gramíneas como o trigo e o milho. Além disso, não possui ação sobre culturas e plantas daninhas dicotiledôneas. A degradação do clethodim no solo é rápida e ocorre por ação dos microrganismos, minimizando a lixiviação e a contaminação ambiental, principalmente da água. As formulações atualmente disponíveis têm o objetivo de acelerar a absorção pelas plantas, reduzindo, dessa forma, a fotodegradação. O uso de adjuvantes e a boa cobertura foliar são muito importantes para a absorção do clethodim. Para o satisfatório desenvolvimento das lavouras é imprescindível que as plantas daninhas sejam efetivamente eliminadas. Sendo assim, o investimento em novas tecnologias e o aperfeiçoamento de produtos já existentes contribuem com o produtor rural, à medida que estimulam o aumento da produtividade e, consequentemente, dos lucros. Neste caso, clethodim age com eficiência sobre a maioria das gramíneas, controlando o azevém em todos os estágios e apresentando excelente C relação custo x benefício. Leandro Vargas, Embrapa Trigo
Coluna ANPII
Prioridade necessária Para garantir o poder de competitividade no mercado internacional o Brasil precisa manter ritmo e investimentos em pesquisa importantes, como as que dizem respeito à Fixação Biológica de Nitrogênio
O
Brasil desfruta hoje de posição privilegiada no cenário mundial, no que tange ao agronegócio. A evolução da produtividade nos últimos anos foi algo inédito no mundo. No que se refere ao uso da Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN), o país também assumiu lugar de destaque, fato reconhecido mundialmente. A estrutura de pesquisa, de produção de inoculantes e de uso deste insumo pelos agricultores é destaque em todo o mundo, o que representa um dos fatores importantes na competitividade de nossos produtos no exterior, em especial
fenômeno bem conhecido: a pesquisa em agricultura, geralmente, mostra seus frutos ao longo do tempo e não de forma imediata. Deste modo, as pesquisas feitas hoje apresentarão seus frutos no decorrer das próximas décadas. Ao contrário, as pesquisas não realizadas hoje trarão um vácuo tecnológico para os próximos anos. Neste contexto, verifica-se um ponto que requer muita atenção dos responsáveis pelo gerenciamento da pesquisa agrícola no país: o imperativo de se manter viva a pesquisa em FBN no Brasil, para que nos próximos anos não venhamos a
Portanto, se um pesquisador se aposentar hoje e não tiver ninguém trabalhando junto dele, provavelmente seus projetos ficarão parados por cerca de cinco anos, criando um vazio tecnológico para um período não muito distante. No setor de FBN, as empresas mantêm estreita parceria com os órgãos de pesquisa e este trabalho cooperado é o fator mais importante para o sucesso da tecnologia no Brasil. Desta forma, observamos com certa preocupação a possibilidade de um possível esvaziamento das entidades de pesquisa do ramo, pois há vários pesquisadores em final de carreira
É de fundamental importância que a pesquisa em agricultura seja a prioridade número um em Ciência e Tecnologia a soja. Em recente simpósio internacional realizado em Curitiba, diversos pesquisadores estrangeiros manifestaram surpresa e admiração pelo trabalho realizado no país, seja na pesquisa, na produção ou no uso de insumos biológicos na agricultura. Se o Brasil alcançou esta liderança, foi graças ao trabalho de pesquisa realizado nos últimos 40 anos por diversas instituições espalhadas por todo o país. Iniciada no Rio Grande do Sul e depois estendida para outros estados, a seleção de estirpes de Rhizobium e Bradyrhizobium é um passo decisivo no sucesso hoje alcançado. Porém, a pesquisa não se restringe somente a este processo de seleção, mas a todos os fatores envolvidos na FBN. Começando-se pela seleção, existe todo um desdobramento, que passa pela tecnologia de produção de inoculantes e chega até a forma de utilizar o produto no campo, com todas suas interações com cultivares, tipos de solo, fertilização etc. Assim, a pesquisa iniciada há mais de 40 anos tem apresentado seus frutos no decorrer dos anos mais recentes. Este é um
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perder nosso poder de competitividade. Como a pesquisa é feita por pessoas, por profissionais que têm, como em toda atividade, um número limitado de anos de trabalho, chega uma hora na qual a atual geração de pesquisadores chegará à aposentadoria, afastando-se da atividade. Devido ao nosso viés imediatista, com pouca visão estratégica, geralmente estes competentes pesquisadores se aposentam e deixam um vácuo, pois não temos a tradição de formar escola, ou seja, de colocar um pesquisador novato junto a um mais experiente por um período de pelo menos cinco anos, para a continuidade de ações. O que, infelizmente, se observa, é que somente após o afastamento de um profissional vai se pensar em sua substituição. Como as entidades públicas necessitam abrir concurso para o preenchimento de vagas, entre abrir o concurso, selecionar os aprovados e admiti-los, passam-se alguns anos. E depois de assumir, o novo pesquisador ainda leva um tempo até se adaptar à nova função e começar a render todo o necessário.
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e não se observa a preocupação antecipada com a preparação de substitutos. Tendo o país, no agronegócio, um dos esteios de sua economia e como uma das armas para alimentar de forma barata sua população, é de fundamental importância que a pesquisa em agricultura seja a prioridade número um em Ciência e Tecnologia. E dentre as pesquisas agrícolas, os trabalhos em Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) assumem papel preponderante, pois esta tecnologia traz aplicação imediata no campo, com enorme economia para o agricultor e para o país, bem como para o ambiente, com menor uso de energia e sem a poluição dos lençóis freáticos. O Brasil não pode se dar ao luxo de diminuir o ritmo de pesquisas em FBN por nenhum momento, sob o risco de perder competitividade no disputadísC simo mercado internacional. Solon de Araujo, Diretor da ANPII
Coluna Agronegócios
E
Rompendo os limites da produtividade
videncia-se, de forma cada vez mais cristalina, a importância de alta produtividade agrícola, obtida de forma sustentável, para garantir a oferta de produtos agrícolas, ao longo do presente século. Embora ainda exista área agricultável para incorporar - ao menos até meados deste século -, as restrições ambientais e o crescimento exponencial da demanda de produtos agrícolas impõem que as taxas de incremento da produtividade sejam cada vez mais altas. A produtividade é determinada geneticamente, estabelecendo um teto potencial máximo para cada indivíduo. As restrições ambientais (bióticas ou abióticas) são limitantes para esta expressão. Para se aproximar do potencial teórico, é necessário maximizar as condições do ambiente e do sistema produtivo. Entretanto, conforme se aproxima o máximo teórico, é necessário romper as barreiras genéticas, para aumentar o potencial. O advento da biotecnologia permitiu ampliar os horizontes e diminuir o tempo necessário para expandir o teto de produção. Para aumentar o ferramental disponível, cientistas investem na compreensão das complexas rotas bioquímicas associadas à fotossíntese, como forma de romper estes tetos. O foco é aumentar a eficiência das plantas, tanto na produção de fotossintatos com menor custo energético e nutricional, como na estocagem de reservas, que se constituem na porção alimentar ou energética das plantas.
Desafio
Por exemplo, as estimativas da FAO apontam para uma demanda de 771 milhões de toneladas de arroz em 2030, necessárias para alimentar 8,3 bilhões de pessoas (população estimada para aquele ano). A produção de arroz, em 2007, atingiu 659 milhões de toneladas, com o cultivo de 155 milhões de hectares. Por hipótese, se fosse mantida a mesma produtividade, seriam necessários 27 milhões de hectares adicionais, algo como o estoque de terra disponível para expansão da agricultura na América do Sul, não considerando o Brasil.
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Do meu ponto de vista, elevar a eficiência fotossintética das plantas pode ser o caminho mais curto para atender a crescente demanda mundial por produtos agrícolas, já no médio prazo. O entrosamento de três disciplinas é fundamental para gerar este avanço: genética, bioquímica e fisiologia. Nos centros de pesquisas, o desafio é fazer com que as plantas geneticamente modificadas consigam, com a mesma intensidade de luz, produzir mais energia química para serem transformadas em proteínas, carboidratos ou lipídios.
Conversão
Ao longo da História, a natureza, em seu processo evolutivo, elevou a produtividade das plantas. A partir do século XIX, com a descoberta das leis básicas da genética, os cientistas aceleraram este processo natural. Entretanto, os ganhos de produtividade foram devidos à incorporação ou à otimização da combinação de genes de produtividade, deixando intocada a sua base fisiológica. Ou seja, a eficiência fotossintética das plantas é, praticamente, a mesma ao longo dos últimos séculos. Dependendo da sua rota metabólica, as plantas conseguem hoje transformar em alimento apenas 1% a 1,5% da radiação solar que interceptam. Plantas com a rota C4, mais eficientes, apresentam os valores mais elevados. Um pequeno ganho, passando os limites para 1,5% a 2%, significariam algo como elevar em um terço a produtividade agrícola, poupando mais de 100 milhões de hectares, que seriam demandados nos próximos anos. Explicando o conceito, as plantas C3 são menos eficientes em fixação de carbono, e o que as caracteriza é que a primeira substância química formada, durante a fotossíntese, possui três átomos de carbono. As plantas C4 são mais eficientes, como resultado da evolução natural e, neste grupo, a primeira substância química formada, durante a fotossíntese, possui quatro átomos de carbono. O problema é que a maior parte das plantas
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cultivadas pertence ao grupo C3 (arroz, feijão, soja, trigo, batata, leguminosas, hortaliças). Já as plantas C4 são poucas (milho, sorgo e cana-de-açúcar). O maior desafio é incorporar características de alta produtividade às plantas, através da compreensão em detalhe dos processos metabólicos ligados à fotossíntese. Isto significa utilizar engenharia de precisão, em que várias enzimas que trabalham nestas rotas metabólicas são modificadas geneticamente para que sua eficiência reativa seja ampliada. Uma destas enzimas é a rubisco, principal enzima do chamado ciclo de Calvin, que se compõe de reações bioquímicas destinadas a fixar o carbono atmosférico. Descobrir quais modificações genéticas deve ser feita e qual a melhor combinação entre diferentes possibilidades de enzimas GM é a chave para o avanço. Apesar da complexidade dos processos biológicos, percebe-se crescimento constante dos grupos de pesquisa envolvidos com o tema. O Instituto Internacional de Pesquisa de Arroz (Irri), nas Filipinas, esforça-se para produzir um arroz C4. Nos próximos três anos investirá US$ 1,5 milhão para demonstrar a viabilidade de aumentar a produtividade em 50% e reduzir a demanda de água na mesma proporção. E não é apenas a academia que investe: a Monsanto e a Basf firmaram, em 2006, acordo de € 1,2 bilhão para o desenvolvimento, até 2011, de plantas geneticamente modificadas tolerantes a estresses abióticos. Os resultados desta parceria já são evidentes. Plantas de arroz GM, com produtividades 30% a 50% superiores, estão sendo testadas no Brasil com autorização da CTNBio. Outras empresas que investem em melhoramento genético já estão despertando para esta nova realidade, que beneficiará não apenas o produtor, mas a sociedade como um todo, em especial os mais pobres, que mais necessitam de C alimentos a baixo custo. Décio Luiz Gazzoni Engenheiro agrônomo, membro do Painel Científico Internacional de Energia Renovável do Conselho Internacional de Ciências
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Coluna Mercado Agrícola
Vlamir Brandalizze brandalizze@uol.com.br
Brasil caminha para maior safra da história da soja e menor do milho Os produtores brasileiros vivem um dilema interessante. Há duas grandes opções de plantio para a safra 2009/10: soja ou milho. Além disso, entre as opções (porém em áreas menores) se sobressaem o arroz, o feijão e o algodão. Mas a grande disputa se situa entre o milho e a soja, pois o primeiro está perdendo grandes áreas para a oleaginosa (que caminha para um plantio efetivo entre os 23,5 milhões de hectares e os 25 milhões de hectares, frente aos 21,7 milhões de hectares da última safra). São níveis de 1,2 milhão de hectares a dois milhões de hectares deixados pelo milho e o restante do espaço abandonado pelo algodão, arroz e renovação de cana (além de renovação de pastagens e poucas áreas novas). Desta forma, caminha-se para uma produção de soja entre a faixa de 62 milhões de toneladas a 66 milhões de toneladas. Como estamos em ano de El Niño, em que as chuvas são mais constantes, o Sul do país tende a não ser castigado pela seca. Já o milho passa de uma área de verão de 9,2 milhões de hectares na última safra para níveis entre 7,2 milhões de hectares a oito milhões de hectares atualmente. Caminhamos para uma colheita de 30 milhões de toneladas a 33 milhões de toneladas, o que deixará os grandes consumidores de ração totalmente dependentes da nova safrinha para cobrir uma demanda interna superior a 45 milhões de toneladas (que, aliada às exportações, pode superar a marca de 52 milhões de toneladas). Dessa forma, o quadro permanece totalmente apertado neste novo ano. A cultura de arroz tende a deixar área para a soja no sequeiro e o algodão perderá espaço devido aos baixos preços recebidos pelos produtores em 2009. O quadro da soja seguirá atrelado à exportação e a China deverá continuar comprando de forma agressiva, levando embora os excedentes brasileiros.
MILHO Safrinha ainda na dependência do governo
A safrinha chegou ao final da colheita com númA safrinha chegou ao final da colheita com números maiores que as expectativas. Houve ganho na produtividade no Centro-Oeste, o que compensou as perdas pela seca e as geadas no Paraná, Mato Grosso do Sul e parte de São Paulo. A dependência dos pregões do governo continua. Em setembro foram vários pregões promovidos para dar liquidez ao grão, principalmente do Centro-Oeste. A retomada do crescimento das cotações foi retardada devido ao baixo movimento dos grandes consumidores. O período, de agora em diante, será de tentativa para uma leve correção nos valores do grão.
SOJA Safra quase fechada
A comercialização da soja desta safra 08/09 está quase toda fechada. Houve grandes volumes de exportação no primeiro semestre. Os produtores aproveitaram as boas cotações e venderam antes da
entressafra. Dessa forma, como os melhores preços ocorreram logo após a colheita, até o meio do ano, pouco restou para ser negociado neste final de 2009. De agora em diante a tendência é de vermos os vendedores fazendo as cotações e as indústrias pagarem níveis muito acima do que resultaria da exportação via Chicago. Com um quadro firme, a soja continuará com pressão de alta, mesmo com queda de câmbio em Chicago. Enquanto isso, a nova safra permanecerá em ritmo lento neste novo mês, já que os números possíveis estão distantes dos interesses dos produtores, que já negociaram a maior parte do que pretendiam.
FEIJÃO Final de colheita
A safra 2009/10 está fechada e nas últimas semanas os números do Nordeste ficaram acima das expectativas. Junto com a grande oferta do feijão de corda do Mato Grosso, serviu para limitar os ganhos que poderiam ocorrer com o grão irrigado da terceira safra (que vem sendo negociado na faixa dos R$ 70,00 a saca e com pouco fôlego para níveis
maiores). A nova safra começa a mostrar as primeiras colheitas em algumas semanas e, neste ano de El Niño, será um período de emoção para os produtores de feijão, já que a cultura é pouco tolerante à chuva na colheita (o que pelas previsões climáticas deverá ser corriqueiro nos próximos meses). Desse modo, o feijão segue com potencial de crescimento.
arroz Reação aos poucos
O mercado do arroz chega ao final do ano com as primeiras reações, porque parou em meados de junho e só voltou a se movimentar em setembro. Há espaço para avanços em outubro e novembro, quando deveremos ter pressão maior, porque os produtores não estão endividados e, dessa forma, existe espaço para correções. Esta alta está atrelada ao avanço no varejo, que tende a colocar o preço do pacote entre os R$ 8,50 e os R$ 13,00, frente a níveis abaixo dos R$ 6,00 registrados no meio do ano. Já o arroz em casca tende a voltar à faixa dos R$ 30,00 a saca ou acima disso no Rio Grande do Sul.
CURTAS E BOAS TRIGO - O mercado se manteve fraco, mesmo com forte perda na safra devido à brusone. As indústrias seguiram importando e na busca por benefícios em países que subsidiam a exportação, o que não deixou o mercado interno crescer. As cotações estiveram entre os R$ 400,00 e os R$ 500,00 a tonelada, praticados neste último mês (e níveis menores pagos pelo produto “chuvado” e de baixa qualidade, negociado para ração). Deve ocorrer aperto no mercado mundial em 2010, com menor oferta e pressão de alta atrelada ao crescimento econômico. Se o governo taxar o trigo de fora do Mercosul (de 10% para 35%), irá favorecer os produtores internos, que poderão obter até R$ 100,00 por tonelada do produto. O preço do trigo caiu para o produtor, mas não baixou na gôndola para o consumidor. Por isso a importância da taxação, porque o setor produtivo ficou com as margens perdidas na lavoura. ALGODÃO - Os negócios continuarão “das mãos para boca”, com grande dependência do apoio do governo. Além disso, prosseguem os indicativos de queda no novo plantio. Somente os produtores que estão capitalizados e estruturados para todo o ciclo da lavoura, até a pluma pronta, devem se manter com estabilidade de área. Mas tudo indica um quadro melhor para 2010. EUA - A safra 09/10 está na colheita e os números chegam dentro das expectativas. Mesmo com boatos de frio em parte das plantações, não há indicativos de grandes perdas. A boa notícia para os brasileiros é que os norte-americanos continuam apostando forte nos biocombustíveis. Somente para o etanol a demanda deverá permanecer ao redor das 106,7
50
milhões de toneladas. No biodiesel a tendência é de que ultrapasse a marca de um milhão de toneladas, o que significa mais de seis milhões de toneladas de soja usadas para o processo. CHINA - O grande país do setor de alimentos do momento e dos próximos anos. Teve grandes perdas na safra deste ano por problemas climáticos. Já se estimam mais de três milhões de toneladas as perdas em soja, 17 milhões de toneladas em milho e alguns milhões de toneladas em arroz. Isso sem quantificar os problemas que já tinha enfrentado com o trigo. Esse quadro fará com que o país compre agressivamente nos próximos meses. A economia local já está voltando a crescer na faixa dos 9% ao ano. E isso é sinônimo de grande volume de demanda por alimentos. ÍNDIA - O clima seco e, posteriormente, o frio, fizeram grandes estragos nas lavouras indianas. Houve perdas em todos os setores, desde a cana-de-açúcar até o arroz e o trigo, produtos nobres e mais consumidos no país. Há indicativos de que somente no arroz os prejuízos já ultrapassem 45 milhões de toneladas na base do casca. Desta forma haverá queda nos estoques do país, limitando exportações e forçando o consumo de outros alimentos. Esse fato deverá trazer apoio ao mercado mundial de grãos em 2010. ARGENTINA - Com grande perda na última safra, o milho argentino (que já teve área acima de 2,6 milhões de hectares), agora em plantio, pode ficar limitado à faixa de 1,8 milhão de hectares. Desta forma, a soja ganhará mais espaço e pode bater o recorde de área com 20 milhões de hectares plantados, frente aos 17,5 milhões de hectares cultivados neste ano.
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