Cultivar Grandes Culturas • Ano IX • Nº 101 • Outubro 2007 • ISSN - 1516-358X Destaques
Nossas Capas
Fotos Capa - Luis H enrique Carr egal e Henrique Carregal Hér cules Diniz Campos Hércules Cad ern o Soja - M aur o Rizzar di Cadern erno Maur auro Rizzardi Caderno Milho - Charles Echer
Pr oteção ddesd esd eço............ ........26 Proteção esdee o com começo............ eço....................26 Os ben efíci os ddo o tr atam en to ddee sem en tes con tr gos benefíci efícios tratam atamen ento semen entes contr traa fun fung acn ose em soja e rram am ulose em alg odão causad or es ddaa an tr causador ores antr tracn acnose amulose algodão
Pr ejuízos n o milhar al...............08 Quem é o vilão.....................18 Prejuízos no milharal...............08
Em er gen tes e agr essivas ........30 Emer erg entes agressivas essivas........30
Com o barr ar a ferrug em polisor a, causad or Como barrar ferrugem polisora, causador oraa ddee per das ddee até 45% em híbri dos ddee milh o su perd híbrid milho susscetíveis
O cr escim en to ddaa in ci dên ci a-d acrescim escimen ento inci cidên dênci ciaa ddee queim queima-d a-dabainha e carvão-ver de em arr oz irri gad carvão-verd arroz irrigad gado o
Conh eça o prin cipal rrespon espon sável pela per da ddee Conheça principal esponsável perd qualidade em sementes de soja
Índice Dir etas Diretas
Expediente 06
RED AÇÃO REDAÇÃO
CIRCULAÇÃO
• Editor
• Ger en te Geren ente
Gilvan Dutr o Dutraa Queved Quevedo
Ferrug em polisor o Ferrugem polisoraa em milh milho Adubação em milh milho o
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• Coor den ad or ddee Red ação Coord enad ador Redação
Janice Ebel • Desi gn Gráfi co e Di agr am ação Design Gráfico Diagr agram amação
Cristiano Ceia • Revisão
Con tr ole ddee plan tas ddaninhas aninhas em can Contr trole plantas canaa
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Deteri or ação ddaa sem en te em soja Deterior oração semen ente
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Alin artzsch ddee Alm ei da Alinee PPartzsch Almei eid
COMERCIAL Ped edrro Batistin
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Nutrição em soja
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Ferrug em em café Ferrugem
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Coluna Andav
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Colun gr on egóci os egócios Colunaa A Agr gron onegóci
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Mer cad o A grícola ercad cado Agrícola
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Grupo Cultivar ddee Publi cações Ltd a. Publicações Ltda. Rua: Nilo Peçanha, 212 Pelotas – RS 96055 – 410 www .r evistacultivar .com.br www.r .revistacultivar evistacultivar.com.br cultivar@cultivar.inf.br Assin atur ual (11 edições*): R$ 119,00 ssinatur aturaa an anu (*10 edições mensais + 1 edição conjunta em Dez/Jan) Núm er os atr asad os: R$ 15,00 Númer eros atrasad asados: Assin atur tern aci on al: ssinatur aturaa In Intern ternaci acion onal: US$ 80,00 Euros 70,00
Cibele Oliveir Oliveiraa ddaa Costa • A ssin atur as Assin ssinatur aturas
Simone Lopes • Ger en te ddee A ssin atur as Extern as Geren ente Assin ssinatur aturas Externas
Raquel M ar cos Mar arcos • Expedição
Di anferson Alves Dianferson
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Por falta de espaço não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@cultivar.inf.br Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.
Diretas Bayer
Ajinomoto
A Bayer CropScience está classificada entre os três melhores trabalhos na categoria Comunicação e Relacionamento com a Imprensa, Região São Paulo e Sul, do Prêmio Aberje 2007. A empresa implantou sua área de comunicação em 2005, movida pela necessidade de ter uma postura mais estratégica e pró-ativa com a mídia, que foi efetivada no ano de 2006. ”Por meio deste vínculo mais estreito com a imprensa podemos posicionar a nossa marca no mercado, difundir os valores organizacionais e assim projetar uma imagem positiva da empresa”, ressalta a head de comunicação da Bayer CropScience para o Brasil e Claudia David América Latina, Claudia David.
A Ajinomoto apresenta dois lançamentos na linha Ajifo: o Ajifol Fosfito Plus e o Ajifol P250. Os dois produtos são destinados às culturas de cana-de-açúcar, algodão, frutas, soja e café, entre outras. “Os fertilizantes seguem o mesmo padrão de qualidade dos já consagrados Ajipower e Amino Plus, com formulação balanceada, enriquecida com aminoácidos de origem vegetal, produzidos pela própria empresa”, explica a engenheira agrônoma Fabiana Nicoleti Franco, responsável pelo Marketing e Pesquisa da AjiFabiana Nicoleti nomoto.
FMC
Milho Safrinha
A FMC Química do Brasil acaba de ser eleita uma das melhores empresas para se trabalhar. A pesquisa, realizada pelo Guia Exame, avalia o clima organizacional e oferece diagnóstico da performance das corporações em gestão de pessoas.
A Embrapa Agropecuária Oeste realiza de 26 a 28 de novembro de 2007, em Dourados (MS), o IX Seminário Nacional de Milho Safrinha. O Seminário pretende divulgar informações e novas tecnologias sobre manejo da cultura nas diferentes regiões produtoras. A programação inclui discussões sobre logística de transporte e armazenamento de grãos, sistemas estáveis de produção e parâmetros de sanidade e qualidade de grãos. Outras informações: (67) 3425-5122, ramal 153, milhosafrinha2007@cpao. embrapa.br e www.cpao.embrapa.br/ milhosafrinha.
Fada A Fada Plásticos, empresa que há 43 anos fornece embalagens para as linhas AgroPec e QuimVet, lança a tecnologia da resina de extrusão/sopro composto PEAD/nano/ UHMW – ultra- alto peso molecular - que confere aos frascos agro maior resistência à colapsibilidade e maior barreira a solventes, própria para as classes de produtos químicos II, III e IV. Para os próximos meses o lançamento será o frasco Coex: Peuhmw/PA, apropriado para as classes I, II, III e IV com garantia de uso em concentrações de solventes agressivos a 50% benzenos/xilenos.
Agroplanta No ano em que completa 30 anos a Agroplanta contabiliza mais de 250 formulações na linha agropecuária e industrial, com o fornecimento de fertilizantes multinutrientes e produtos químicos. A empresa possui sede em Batatais (SP) e outras duas unidades. Seu complexo industrial conta com alta capacidade de produção e sua missão é de desenvolver tecnologias para maximizar a produtividade. O moderno parque industrial dá à empresa agilidade e estrutura para oferecer ao mercado insumos da mais alta qualidade.
Encontro A Syngenta participou do 4º Encontro Tecnológico do Café, na cidade de São Sebastião do Paraíso (MG). No evento foram apresentados os produtos da linha de proteção de cultivo da empresa, como o inseticida e fungicida para o solo Verdadero®, o Actara®, outro inseticida para o solo e, o PrioriXtra®, Vagner Cianci fungicida para folhas.
Fenasoja De 26 de abril a 4 de maio de 2008 ocorre a 17ª edição da Feira Nacional da Soja (Fenasoja). O evento será realizado no Parque Municipal de Exposições Alfredo Leandro Carlson, em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul. 06
Ciclo de debates O Centro Acadêmico José Lutzemberger (Cajol) do curso de Agronomia da Universidade Estadual de Maringá (PR) (UEM) realiza, entre os dias 22 e 26 de outubro, o 25º ciclo de Debates Agronômicos de Maringá juntamente com o Departamento de Agronomia. Como parte desse evento ocorre a IV Mostra de Trabalhos Científicos em Agronomia e o III Encontro Paranaense de Estudos Agronômicos. A programação está disponível no site http:// www.cajol.uem.br/ciclo/ programacao/ promocao.htm
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Syngenta A Syngenta foi uma das empresas homenageadas durante o Simpósio sobre o Plantio Direto na Palha - Gestão Sustentável do Agronegócio, realizado na cidade de Ponta Grossa (PR). O reconhecimento é fruto da contribuição da companhia para o crescimento da agricultura no Brasil, Fernando Gallina, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento, representou a Fernando Gallina empresa na cerimônia.
Arysta A Arysta LifeScience acaba de lançar o projeto Criar, um clube de relacionamento e inovações criado para desenvolver soluções que atendam às necessidades do mercado canavieiro. Junto com o projeto foi apresentado o 1º Prêmio Criar de Tecnologia, destinado a estudos que apresentem vantagens de praticidade e custo-benefício para a cana-de-açúcar com o uso do herbicida Dinamic. Os trabalhos serão analisados pelos pesquisadores Edvaldo Vellini (Unesp de Botucatu); Weber Valeiro (Consult Agro); Marcelo Boschiaro (AgroAnalitica), Djalma Eusébio Simões Neto (Universidade Federal de Pernambuco), além de profissionais da Arysta LifeScience.
Produquímica O Grupo Produquímica oferece o Agroblen®, fertilizante NPK (Nitrogênio, Fósforo e Potássio) para as culturas de café e citros. “A liberação controlada, especialmente de nitrogênio e potássio, nutrientes relacionados ao desenvolvimento das culturas e, conseqüentemente, à produtividade, é possível graças ao exclusivo revestimento dos grânulos de Agroblen® por um polímero especial e uma camada de enxofre”, salienta Valter Casarin, geValter Casarin rente técnico da empresa.
Milho Bt A Syngenta conseguiu junto à CNTBio a liberação de um novo produto na sua linha de sementes. Trata-se de uma variedade de milho geneticamente modificado, o BT11, resistente a insetos, que deve chegar ao mercado até o segundo semestre de 2008.
Pústulas de prejuízo Respon sável por per das próxim as a 45% em Responsável perd próximas em polisor híbri dos suscetíveis híbrid suscetíveis,, a ferrug ferrugem polisoraa é con si der ad as ddoenças oenças m ais consi sid erad adaa um umaa ddas mais destrutivas n o milh o. O fun go é ffavor avor eci do no milho. fung avoreci ecid por altas temper atur as e também elevad temperatur aturas elevadaa o ar ed ad es umi dad elativa ddo adee rrelativa ar.. O uso ddee vari varied edad ades umid as prin cipais resisten tes é um esistentes umaa ddas principais o ar a ddoença. oença. N altern ativas par barrar No alternativas paraa barr con tr ole quími co, tri azóis e estr obilurin as contr trole químico, triazóis estrobilurin obilurinas despontam como mais eficientes
Marcelo G. Canteri
Milho
A
ferrugem polisora, causada pelo fungo Puccinia polysora Underw. é considerada a mais destrutiva das ferrugens que afetam o milho. Tem sido relatada em muitas áreas tropicais e subtropicais do mundo onde se cultiva o milho (Melching, 1975; Shurtleff, 1992). No Brasil, esta ferrugem é uma das mais comuns na cultura tendo, desde o início dos anos 80, despontado como um problema sério. Tem sido importante doença nas regiões sudoeste de Goiás, Triângulo Mineiro e, mais recentemente, no Noroeste de São Paulo, no leste e no norte do Paraná e no Centro-Oeste. No Brasil, as perdas causadas por essa doença podem atingir até 44,6% da produção em híbridos suscetíveis (Pinho et al., 1999) sob condições favoráveis. A sua importância tem aumentado com a expansão da cultura do milho para áreas não tradicionalmente usadas para este tipo de cultivo. O cultivo sucessivo de milho tem resultado no aumento do inóculo para os cultivos mais tardios, tornando-se problemática principalmente em áreas de safrinha.
SINTOMATOLOGIA Os sintomas da ferrugem polisora sobre cultivares suscetíveis, podem ser observadas no florescimento das plantas de milho, inicialmente nas folhas baixeiras, na forma de pequenas pústulas, que podem medir de 0,2 a 2,0 mm de diâmetro, circulares, de cor marrom-clara em plantas jovens, e tornam-se marrom-escuras na medida em que a planta se aproxima da fase de maturação. Essas pústulas encontram-se densamente distribuídas em ambas as faces das folhas, mais facilmente na face superior do limbo e da bainha foliar, nas brácteas das espigas e em condições de alta severidade no pendão. Em cultivares suscetíveis é comum a ocorrência de morte prematura.
ETIOLOGIA E TAXONOMIA DO FUNGO A ferrugem polisora tem como agente causal o fungo basidiomiceto, Puccinia polysora Underw, um parasita biotrófico. Os uredosporos de P. polysora são caracteristicamente ovais a irregulares, binucleados, de cor amarelada. Os teliosporos apresentam extremidades arredondadas, são bicelulares, com septo constricto e de cor marrom-clara. Estão ligados a pedicelos persistentes, cujo comprimento é aproximadamente igual a 1/4 do comprimento do teliosporo. Várias raças desse patógeno já foram identificadas.
CICLO PATÓGENO-HOSPEDEIRO No Brasil, os inóculos primário e secundário são constituídos possivelmente por uredosporos produzidos em plantas voluntárias de milho, que podem ser encontradas todos
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CONTROLE A adequada utilização das medidas de controle das doenças do milho visa a prevenção da ocorrência das doenças mais importantes da cultura, levando a uma maior produtividade com melhor qualidade dos grãos. Cultivares resistentes A resistência genética é a forma mais eficiente de controle de doenças na cultura do milho (Balmer & Pereira, 1987; Futrell, 1975). Conhecer a importância das principais doenças nos diferentes locais e épocas de plantio, possibilitando a utilização de cultivares mais resistentes às doenças potencialmente mais importantes para cada região e época de plantio.
A
produção de milho no Brasil cresce significativamente a cada ano. Esse aumento é devido à introdução de cultivares mais produtivas e à adoção de um manejo cultural adequado. Acompanhando o crescimento da produção, ocorreu grande aumento na incidência e severidade de doenças na cultura do milho. Aparentemente, esse aumento na incidência e severidade das doenças pode ser explicado por vários fatores como o aumento da área cultivada, o aumento do número de cultivares comerciais com diferentes níveis de resistência às doenças; o manejo inadequado de água em plantios sob pivô ou na aspersão convencional, os plantios diretos de milho sobre restos culturais de milho e os plantios consecutivos de milho durante o ano todo, os quais podem contribuir para aumentos significativos de patógenos (Pinto et al., 1997). Controle químico É eficiente para a doença desde quando justifica-se sua utilização com materiais que apresentem um alto valor econômico ou estratégico. Esta medida tem apresentado melhor relação custo - benefício se utilizada em conjunto com as demais, em lavouras com bom potencial produtivo e em áreas de risco de epidemias. A utilização de fungicidas é uma estratégia eficaz para manter o potencial produtivo da lavoura. Produtos sistêmicos como triazóis, estrobilurinas e triazol+estrobilurinas têm apresentado resultados positivos no controle. Com base no estabelecimento do LDE (Limiar de Dano Econômico) é possível quantificar os danos, servindo de subsídio para a
Entretanto, apesar de as doenças na cultura do milho constituirem atualmente um fator de grande preocupação nos vários segmentos da cadeia produtiva, existem várias alternativas que podem ser utilizadas para seu controle, permitindo evitar perdas consideráveis na produção. No Brasil existem mais de 20 patógenos identificados. Estas doenças podem comprometer seriamente a produtividade, reduzindo os lucros do produtor. As doenças foliares podem ter limitações importantes em sistemas que visam altas produções em milho. Avaliar estas perdas requer bom conhecimento da história da doença no campo e da suscetibilidade dos híbridos às doenças. Estimar o impacto da doença requer conhecimento do potencial dos danos de uma doença e de uma compreensão do crescimento de planta e do desenvolvimento da epidimiologia da doença. tomada de decisão para o controle químico, visando retorno para o produtor, ou seja, retorno sobre o investimento. C Rosana C. Meneghetti, UFSM Laércio L. Hoffmann, Syngenta
Ricardo Casa
Controle cultural Eliminação de plantas guaxas.
PRODUÇÃO X DOENÇA
Fotos Rosana C. Meneghetti
os meses do ano nas regiões onde não ocorrem geadas. Os ciclos secundários da doença ocorrem devido à disseminação dos uredosporos pelo vento a longas distâncias. Nesse caso os uredosporos são produzidos nas plantas voluntárias ou na planta de milho durante a estação de cultivo. A ferrugem polisora é favorecida por ambiente com temperatura elevada (27oC) e alta umidade relativa do ar. Em geral, P. polysora é mais freqüente em regiões com baixa altitude (<700 m), enquanto que P. sorghi é mais comum em localidades com maior altitude. Esta distribuição pode ser devida às temperaturas mais quentes que favorecem o desenvolvimento de P. polysora. Os uredosporos germinam melhor na faixa de temperatura de 23 a 28 oC. A ferrugem polisora apresenta as fases uredial e telial. A fase de teliosporos é rara na natureza, tendo pouca importância na continuidade do ciclo de vida do patógeno.
Os sintomas da ferrugem polisora são observados, a partir da floração, primeiramente nas folhas baixeiras da planta na forma de pústulas
Testemunha (acima) e tratamento com aplicação de fungicida (triazol + estrobilurina: 0,3 l/ha + adjuvante) em pré-pendoamento no controle de ferrugem em safrinha. Lucas do Rio Verde (MT), 2006
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Milho
Essência de lucro A ad ubação ddas as cultur as ddeve eve ser embasad ecim en tos sobr utrição ddee cad adubação culturas embasadaa em conh conhecim ecimen entos sobree n nutrição cadaa espéci dad os solos e ffator ator es econômi cos eja os prin cipais aspectos que são fertilid adee ddos atores econômicos cos.. VVeja principais espéciee, fertili levad os em con si der ação n o estabelecim en to ddas as ddoses oses ddos os n utri en tes o as levados consi sid eração no estabelecimen ento nutri utrien entes tes,, bem com como in ovações que permitem patam ar es m ais elevad os ddee pr od utivi dad inovações patamar ares mais elevados prod odutivi utivid adee Charles Echer
A
exigência de cada cultura por nutrientes pode ser inferida a partir da extração total e da marcha de absorção dos nutrientes, principalmente pela existência de picos de máxima absorção pela planta. No caso do milho, o nitrogênio (N) e o potássio (K) são extraídos e, juntamente com o fósforo (P), são exportados nos grãos em grandes quantidades. O acúmulo de matéria seca do milho se processa de forma contínua até a maturidade dos grãos, ocorrendo período de acumulação mais intensa imediatamente antes do florescimento, o acúmulo entre a emergência e o florescimento fica em torno de 40 a 50% do total. Para a maioria das cultivares a taxa de absorção do N é mais acentuada em período anterior ao florescimento (60 a 70%), e para alguns genótipos modernos, podem ocorrer dois picos de absorção, um antes do florescimento, no estádio de 12 a 18 folhas, e outro durante o enchimento dos grãos. Os híbridos modernos acumulam mais N durante o enchimento dos grãos do que os antigos, com menor remobilização do colmo para as espigas. Já o enxofre (S) é acumulado na planta durante todo o ciclo da cultura e o K é mais cedo em comparação ao N e P (mais de 80% do acúmulo total de K ocorre antes do flores-
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cimento). Mais da metade da quantidade total de N, P e zinco (Zn), acumulados na matéria seca da parte aérea das plantas de milho, encontra-se nos grãos. Mesmo com a manutenção da palhada na área de produção, faz-se necessária a reposição desses nutrientes em cultivos seguintes em decorrência das grandes quantidades que são exportadas pelos grãos.
RECOMENDAÇÃO DE ADUBAÇÃO As doses recomendadas de nutrientes nas tabelas oficiais de adubação para a cultura do milho, oferecidas por estado ou região do país (Tabela 1), variam de acordo com a produtividade esperada, a qual pode ser bastante elástica para o milho devido às diferenças de solo, manejo, material genético e época de semeadura. As lavouras de milho com maior potencial produtivo extraem e exportam maiores quantidades de nutrientes e, portanto, necessitam de doses mais elevadas de adubos. Embora as tabelas norteiem a quantidade a ser aplicada, é importante adequar estas doses de acordo com o conhecimento das glebas da propriedade e com o nível de investimento na cultura. É necessário, ainda, verificar se a relação entre o custo do fertilizante e o valor
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dos grãos está dentro dos patamares históricos. Tem sido utilizada a relação 6 kg de grãos para comprar 1 kg de nitrogênio. Recentemente, houve grande aumento dos preços dos fertilizantes, requerendo maior quantidade de grãos para comprá-los e reduzindo um pouco os ganhos econômicos das adubações.
FÓSFORO, POTÁSSIO E ENXOFRE Altas produtividades de milho dependem de um bom suprimento de P no solo. Assim, em solos com baixa disponibilidade deste nutriente, a adubação deve visar, além da necessidade da planta, enriquecer o solo para garantir patamares de rendimento adequado. Embora a extração de P pelo milho seja relativamente baixa, especialmente se comparada com as de N e K, a porcentagem do P da planta exportada pelos grãos é da ordem de 80%. Assim, culturas com rendimentos de 8 t/ha de grãos, exportam cerca de 70 a 80 kg/ha de P2O5, os quais devem ser, no mínimo, repostos em solos com teores médios ou pobres do nutriente. A expansão da cultura do milho para regiões de solos mais pobres, como os do Cerrado, bem como a exploração por longos períodos de solos de boa fertilidade, aliada aos novos patamares de produção possíveis, têm levado
Dirceu Gassen
a um aumento das doses de K recomendadas. O tradicional método de aplicação da adubação no sulco de semeadura pode resultar em queda da população de plantas devido ao efeito salino dos adubos potássicos. Assim, deve-se limitar a quantidade de K aplicada na semeadura. Para espaçamentos de 80 a 90 cm entre linhas, a quantidade máxima de N + K2O não deve ultrapassar cerca de 80 kg/ha. Em espaçamentos reduzidos (ex: 50 cm), é possível aumentar essa quantidade porque é maior o número de linhas por área, reduzindo a quantidade distribuída por metro linear de sulco. A opção, para altas doses, é aplicar o total ou parte do potássio a lanço, antes da semeadura, ou aplicar uma parte do K em cobertura. A adubação potássica em cobertura deve ser feita até os 20-25 dias após a germinação, pois a absorção desse elemento pela planta de milho ocorre principalmente nas fases iniciais do ciclo de crescimento. Por ocasião do florescimento, quase todo o K que a planta do milho utilizará para seu desenvolvimento já terá sido absorvido. As chances de sucesso da aplicação de K em cobertura são maiores se esta for feita em plantas com, no máximo, seis folhas totalmente desenvolvidas. A extração e a exportação de enxofre (S) pelas plantas do milho são relativamente pequenas. Mesmo assim, são necessários pelo menos 40 kg/ha de S para produzir 8 t/ha de grãos, dos quais cerca de 12 kg/ha são exportados com a colheita (Figura 1). Um número crescente de laboratórios analisa S em solos, considerando-se baixos teores iguais ou abaixo de 5 mmolc/dm3 (extraído em solução de CaH2PO4 0,01 mol/l). É sabido que o S não se acumula nas camadas superficiais de solos que recebem calcário e adubo fosfatado, por causa da predominância de cargas negativas devido aos maiores valores de pH e do deslocamento do sulfato dos sítios de adsorção, provocado pelo P. Portanto, os resultados das análises de amostras da camada de 0 a 20 cm podem subestimar os valores de S no perfil do
DENSIDADE
V
Lavouras com maior potencial produtivo extraem e exportam maiores quantidades de nutrientes
solo, sendo aconselhável amostrar também a camada 20-40 cm. O S é recomendado em doses até 40 kg/ha. Pode-se aplicá-lo na semeadura em fórmulas NPK + S e/ou com o N em cobertura, na forma de sulfato de amônio, tomando o cuidado de realizar esta operação o mais cedo possível. Outra opção é o uso do gesso em área total, sem incorporar, como fonte de S (cerca de 13% de S) em doses de 500 a 1.000 kg/ha, dependendo da textura do solo (doses menores em solos arenosos).
NITROGÊNIO O N, além de ser o nutriente fornecido em maior quantidade nas adubações, tem o manejo e recomendação de adubação mais complexos, pela dificuldade de avaliar sua disponibilidade no solo (uso da análise de solo para a recomendação) devido às múltiplas reações a que está sujeito, mediadas por microorganismos e afetadas por fatores climáticos de difícil previsão. Os dois principais critérios empregados são a produtividade esperada e o histórico de uso da gleba. Este último geralmente não é defi-
isando ao aumento da produtividade, existe uma tendência de reduzir o espaçamento e aumentar a população de plantas por área para a maioria dos novos híbridos. De maneira geral, os benefícios da redução de espaçamento na produtividade de grãos são observados quando ocorre também o aumento da população de plantas. Porém, é necessário aumentar a adubação nitrogenada para viabilizar os efeitos positivos da população de plantas. Ressalte-se que tem sido possível aumentar o potencial produtivo das lavouras de milho porque os novos híbridos são capazes de produzir sob altas densidades de plantas. nido com precisão mas, leva em conta que características do solo tais como textura, além da cultura anterior, podem interferir na eficiência de uso do N aplicado ou contribuir mais ou menos com o fornecimento de N para o milho. Mais de 95% do N do solo está na forma orgânica. O N mineral, mais especificamente o amônio e o nitrato, são as formas predominantemente absorvidas pelas plantas. Dependendo da atividade dos microorganismos, umidade do solo e disponibilidade de carbono oxidável, pode ocorrer maior ou menor disponibilidade de N inorgânico por meio da mineralização da matéria orgânica ou, inversamente, uma redução drástica no teor de N inorgânico por sua imobilização na fração orgânica. Ademais, algumas das frações do N no solo estão sujeitas a perdas por volatilização (NH3, N2, N2O) ou lixiviação (NO3-) que, além dos prejuízos ao sistema produtivo, podem ter conseqüências negativas para o ambiente. O uso do teor de matéria orgânica ou, indiretamente, o teor de N total do solo para a
Figura 1 - Acúmulo na planta inteira e exportação nos grãos de macronutrientes na cultura do milho
Figura 2 - Resposta do milho ao N em cobertura de acordo com a faixa de produtividade em dez experimentos desenvolvidos no Sistema Plantio Direto no estado de São Paulo
Fonte: Duarte et al. (2003) e compilação de Cantarella e Duarte (2004)
Fonte: Duarte, 2003 e Cantarella et al., 2005)
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Tabela 1 - Recomendação de adubação para o milho no estado de São Paulo Produtividade esperada t/ha 4-6 6-8 8-10 10-12
N na semeadura kg/ha N 20 30 30 30
m. baixo 80 90 (2) (2)
Teor de P no solo baixo médio kg/ha P2O5 60 40 70 50 90 60 100 70
alto
m. baixo
30 30 40 50
70 110 140 160
Teor de P no solo baixo médio kg/ha K2O (1) 50 40 70 50 110 70 130 90
alto 20 30 40 50
(*)Para evitar excesso de sais, aplicar até 50 kg/;ha de K2O no sulco de plantio e o restante com o primeiro parcelamento de N. Em solos com teores de K muito baixos ou para doses de cobertura > 80 kg/ha de K2O, é aconselhável transferir a adubação potássica de cobertura para a fase de pré-plantio, a lanço. (**) É improvável a obtenção de altos rendimentos de milho com solos que tenham teores muito baixos de P. Adubação com S: 20 kg/ha de S para rendimentos até 6 t/ha e 40 kg/ha de S para rendimentos maiores; Zn: 4 kg/ha de Zn para solos com Zn (DTPA) < 0,6 mg/dm3 e 2 kg/ha de Zn para solos com 0,6 a 1,2 mg/dm3. Fonte: Raij & Cantarella (1997).
recomendação de adubação nitrogenada pressupõe a liberação de uma porcentagem mais ou menos constante do N do solo para as culturas, razão porque esse índice é pouco usado. No Brasil, apenas nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a análise do solo, através da determinação da matéria orgânica, é usada para ajustar a recomendação de N para o milho (Tabela 2), e mais recentemente, nos cerrados, onde o N da matéria orgânica é computado na base de 30 kg/ha de N liberado para cada 10 g/kg de matéria orgânica do solo. Mesmo assim, a contribuição do resultado da análise de solo para a definição da dose de N é relativamente pequena. O histórico da área auxilia a previsão da resposta do milho ao N no Sistema Plantio Direto (SPD), mas quando ocorrem excessos hídricos a resposta ao N pode ser acentuada independente da(s) espécie(s) já cultivada(s) na área. De maneira geral, em áreas no Sistema Plantio Direto no estado de São Paulo,
ÉPOCAS E MODOS DE APLICAÇÃO DO N A aplicação de nitrogênio (N) em milho tem sido tradicionalmente feita no Brasil de forma parcelada, com uma pequena dose na semeadura, geralmente cerca de 30% ou menos do total, e o restante em cobertura. As razões para o parcelamento incluem evitar o excesso de sais no sulco de semeadura, mas, principalmente, perdas de N por lixiviação de nitrato. A decisão de parcelar a adubação nitrogenada de cobertura, além daquela recomendada para a aplicação no estádio de quatro a oito folhas, depende do tipo de solo, dose a ser aplicada, cultivar e manejo da cultura. Embora possa ocorrer grande absorção de N após o florescimento, normalmente não é necessário o parcelamento da adubação nitrogenada nesse período devido ao sistema radicular estar bem desenvolvido, permitindo a absorção de N em grande volume de solo, que
MICRONUTRIENTES Os estudos em solos brasileiros têm mostrado, dentre os micronutrientes, maior freqüência de resposta do milho ao zinco. Os maiores e mais consistentes incrementos de produção com a aplicação de zinco têm sido encontrados nos solos de cerrados do Brasil Central. A magnitude das respostas observadas à aplicação de zinco (Zn) depende do seu teor
Charles Echer
Figura 3. Figura 5. Resposta do híbrido DKB 333B ao N aplicado cerca de um mês antes da semeadura do milho (pré-semeadura) e em cobertura, na presença de 30 kg/ha de N na semeadura, no Sistema Plantio Direto em Palmital (SP) (solo argiloso) e Votuporanga (SP) (solo arenoso) em 2001/02. (Fonte: Cantarella et al., 2005)
verificou-se que se deve aplicar cerca de 30 kg/ha de N na semeadura mais 90 a 120 kg/ ha de N em cobertura para obter produtividades entre 4 a 8 kg/ha (Figura 2). Ressalte-se que durante os primeiros anos de implantação do SPD há uma relativa maior imobilização de N que tende a ser reduzida com o tempo de adoção do sistema, concomitantemente, ao aumento da mineralização no N orgânico.
pode ser oriundo do fertilizante ou não. O adubo nitrogenado sólido mais utilizado no Brasil é a uréia, a qual, aplicada sobre a superfície de solos está sujeita a perdas de N por volatilização de amônia, que podem atingir valores superiores a 30% do N aplicado. Em áreas de plantio direto, com o acúmulo de palha na superfície, as perdas de N da uréia por volatilização de amônia tendem a ser mais intensas e rápidas devido à maior atividade da urease nos resíduos vegetais. A incorporação da uréia ao solo, no entanto, reduz significativamente ou evita tais perdas. Pode-se ainda, utilizar a uréia recoberta com inibidor da urease ou substituir a uréia pelo nitrato de amônio, mas o custo do N dessas fontes é maior do que o da uréia. A antecipação da adubação nitrogenada de cobertura do milho no SPD, para o momento do manejo da espécie cultivada para a produção de palha no outono-inverno tem sido praticada em algumas regiões pela facilidade operacional. A antecipação da aplicação do N pode ser uma prática pouco segura pelo risco de chuvas freqüentes e/ou intensas até os estádios críticos de absorção de N pelas plantas, especialmente em solos arenosos, mais sujeitos a perdas por lixiviação (Figura 3). Os solos onde a antecipação da adubação nitrogenada tem apresentado bons resultados geralmente estão sob plantio direto há vários anos e têm acúmulo de matéria orgânica.
O parcelamento da aplicação de N é justificado para evitar o excesso de sais no sulco de semeadura e, principalmente, perdas do nutriente por lixiviação ou volatilização
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Divulgação
Tabela 2 - Recomendação de adubação nitrogenada para o Sistema Plantio Direto, conforme cultura de cobertura, teor de MO do solo e produtividade esperada, para produtividades de milho entre 6 a 9 t/ha1 Produção de MS da cultura de cobertura antecedente t/ha
É importante adequar doses para adubação de acordo com o nível de investimento na cultura, diz Aildson
no solo e do patamar de produtividade da cultura. A análise do solo tem se mostrado bastante eficiente para diagnosticar a probabilidade de resposta à aplicação de Zn no Brasil. A maioria dos solos com resposta a zinco tinham teores de Zn abaixo de 1,0 mg/dm3 extraído com solução de Mehlich, 0,6 mg/dm3 extraído com DTPA-TEA; ou 1,0 mg/dm3 extraído com HCl 1mol/L. A maioria dos estudos comprova respostas a doses no sulco de semeadura de 5 kg/ha de Zn, ou até 3 kg/ha, com longo efeito residual. Uma das possibilidades é a aplicação de Zn a lanço seguido de incorporação. Mas, com a predominância do Sistema Plantio Direto, a incorporação de fertilizantes é dificultada.
<2 2a3 >3 <2 2a4 >4 Pousio de inverno
N recomendado para teor de MO no solo, g/kg < 25 25 a 50 > 50 kg/ha de N Leguminosas 120 90 70 100 60 40 90 50 30 Gramínea 160 100 70 160 110 80 170 130 90 160 120 80
1 Milho em rotação anual com soja no verão: reduzir 20% da recomendação de N. Fonte: Comissão de Fertilidade do Solo – RS/SC, 2004.
Assim, outros modos de aplicação de Zn tendem a ser favorecidos, preferencialmente em sulcos assim como via semente ou foliar. A aplicação de Zn com a semente tem a limitação da pequena quantidade do nutriente que é possível carrear. C Aildson Pereira Duarte e Heitor Cantarella, IAC
INTERAÇÃO
C
erca de ¼ das cultivares de milho presente no mercado brasileiro apresenta magnitude de resposta à adubação nitrogenada diferente dos demais, independente da origem do germoplasma. Logo, a resposta à adubação nitrogenada é mais acentuada em alguns híbridos, compensando maiores investimentos em adubação. Uma característica de alguns híbridos que tem despertado interesse é a capacidade de manter as folhas verdes até próximo da maturidade dos grãos “stay green”. Isso aumenta a produção de fotoassimilados durante o enchimento dos grãos e a capacidade de absorver N do solo tardiamente, que são qualidades ligadas à alta eficiência de absorção de N. A maior capacidade de absorver N em estádios tardios pode ser levada em conta no manejo da adubação para a obtenção de altos rendimentos, especialmente em culturas irrigadas.
Cana-de-açúcar
Mistura eficiente A qu ali dad cação ddee ddefen efen sivos n as lavour as é, m uitas vezes quali alid adee n naa apli aplicação efensivos nas lavouras muitas vezes,, afetad afetadaa pela o pr epar o ddaa solução. N o caso ddo oh erbi ci da glif osato, o pH e a pr esença águ águaa usad usadaa n no prepar eparo No herbi erbici cid glifosato, presença de sais n terferên ci eta sobr cáci o naa cald caldaa ddee pulverização causam in interferên terferênci ciaa dir direta sobree a efi eficáci cáciaa ddo pr od uto. PPar ar alhas n o con tr ole eg o ddee sulf ato ddee amôni o pod prod oduto. araa evitar ffalhas no contr trole ole,, o empr empreg ego sulfato amônio podee ser a co ddos os sais saíd ar o efeito an tagôni paraa san sanar antagôni tagônico saídaa par
M
água) e a interferência destas impurezas na água sobre a eficácia do herbicida no controle de plantas daninhas. Com relação à acidez da água, trabalhos recentes mostram que alguns herbicidas com caráter de ácido fraco (ionizávies) têm sua eficácia incrementada no controle de plantas
Fotos Charles Echer
uito se tem discutido sobre a qualidade da água utilizada nas pulverizações com herbicidas principalmente com o glifosato, com relação à redução do pH, qualidade física (sedimentos como argila e matéria orgânica) e química da água (presença de sais dissolvidos à
Manter ou aumentar a eficácia de certos herbicidas através da redução do pH e adição de adubos nitrogenados à calda de pulverização tem mostrado resultados
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daninhas com a redução do pH da água a valores próximos a 4,0. Uma das explicações para este fato é que em pH mais baixo, a taxa de hidrólise é retardada, mantendo a folha úmida por um tempo maior, pois a superfície das folhas tem um pH neutro, havendo uma interação com o pH da calda; assim, herbicidas dissolvidos em condições de baixo pH são absorvidos com maior facilidade pelas plantas devido às moléculas encontrarem-se na forma não-dissociada. Tentativas em manter ou aumentar a eficácia de certos herbicidas pela redução do pH, queda do volume da calda e adição de adubos nitrogenados à calda de pulverização têm-se mostrado práticas eficientes. Os sais de cloreto de cálcio, cloreto de magnésio, bicarbonato de sódio, sulfato ferroso e sulfato de zinco reduziram significativamente a eficácia do glifosato. O sulfato de amônio e fosfato monoamônico superaram o efeito antagônico dos sais, com exceção do sulfato ferroso. A Tabela 1,
retirada de uma dissertação de mestrado (Pino, 1997), ilustra quanto a presença de sais na água influi na eficácia do glifosato aplicado na dose de 1,0 l/ha da formulação contendo 360 g/l no controle de plantas de sorgo. A adição de sulfato de amônio na calda é recomendada na maioria das regiões com água dura, pois reduz o antagonismo de íons (Fe3+, Mg2+, Mn3+, Ca2+, Na+ e K+), prevenindo a formação de sais de cálcio e magnésio de glifosato, os quais são pouco absorvidos pelas plantas. Sendo assim, adubos nitrogenados são referidos como substâncias adjuvantes capazes de aumentar a eficácia dos herbicidas nesta situação. A adição de determinados adubos nitrogenados como, por exemplo, o sulfato de amônio, à solução contendo glifosato supera a perda de eficiência desse herbicida causada pelo aumento de sais dissolvidos à água. Com relação à qualidade química da água que pode ser medida através da “dureza”, sendo a dureza total da água relacionada aos teores de carbonatos, de sulfatos, de cloretos e de nitratos de vários cátions sendo expressa em Ppm de CaCO3 (Tabela 2). Em solução, certo percentual de moléculas solúveis é dissociado em íons. Esses íons livres (Al+3, Zn+2, Ca+2, Mg+2, HCO3-, NO3- etc.) podem combinar-se com moléculas orgânicas, como é o caso do glifosato com Ca+2 e Mg+2. Isso diminui a quantidade de ingrediente ativo disponível, que diminui a eficiência do herbicida, além do entupimento dos bicos de aspersão, em função da aglutinação e precipitação das partículas. A qualidade química da água deve também ser analisada em função da quantidade de outros íons que a compõe e que não são constituintes da dureza. Íons como Fe+3 e Zn+2, por exemplo, podem reagir com os herbicidas reduzindo sua eficácia (Tabela 3).
Tabela 1 - Efeitos de adjuvantes e diferentes fontes e concentrações de sais, na eficácia do herbicida glifosato (360 g/l) a 1,0 l/ha, no controle de plantas de sorgo Adjuvantes
Concentração de sais (mM) Água CaCl2 NaHCO3 FeSO4 ZnSO4 destilada (25) (50) (10) (10) % de controle Testemunha 75 26 39 7 0 Espalhante 74 12 73 1 11 Sulfato de amônio 86 78 84 6 77 Fosfato de amônio 84 74 81 35 71 Uréia 83 54 80 17 29
Outro fator importante quando se discute em qualidade da água é a qualidade física da mesma, ou seja, a quantidade de sedimentos em suspensão. Se a água apresentar partículas de argila e matéria orgânica em suspensão, pode reduzir a meia-vida de herbicidas, como do glifosato, pois são adsorvidos aos colóides orgânicos e inorgânicos devido à presença do ácido fosfônico na molécula. Sedimentos como argila e matéria orgânica, além de diminuírem a eficácia dos herbicidas, entopem filtros e bicos de aspersão devido à precipitação de partículas, reduzindo a capacidade operacional dos pulverizadores.
RECOMENDAÇÕES Para uma maior eficácia do glifosato no controle das plantas daninhas sem a interação do mesmo com sais presentes na água dura recomenda-se: • Aplicação da calda de pulverização o mais rápido possível após o seu preparo • Reduzir o volume de calda/ha dentro dos limites que a tecnologia de aplicação permite Em algumas situações que a água utilizada é de baixa qualidade, ou seja, altos teores de sais na água, e não seja possível utilizar outro
Tabela 2 - Formas de classificação da dureza da água Classe Muito branda Branda Semidura Dura Muito dura
Ppm de CaCO3 < 71,2 71,2 – 142,4 142,4 – 320,4 320,4 – 534,0 > 534,0
Graus de dureza (°d) <4 4–8 8 – 18 18 – 30 > 30
Tabela 3 - Efeito de cátions na eficácia de herbicidas Cátions problema Fe+++ e Al+++ Ca++ e Zn++ Mg++ + K e Na++
Efeito na eficácia Ação muito forte Ação forte Ação moderada Ação desprezível
tipo de água, é recomendável adicionar sulfato de amônio na dose de 2 a 3 kg/ha/100 l de calda e reduzir o pH. Porém, o recomendável é utilizar água de boa qualidade que dispensa C estas intervenções. Ana Carolina Ribeiro Dias, Marcelo Nicolai e Pedro Jacob Christoffoleti, Esalq/USP
O GLIFOSATO
A
tualmente estão disponíveis no mercado diversas formulações de glifosato, porém todas apresentam o mesmo mecanismo de ação, independentemente dos sais utilizados (Hartzler, 2001), como sal potássico; sal de isopropilamina e sal de amônio. Pertence ao grupo químico da glicina substituída,o mecanismo de ação é a inibição da enzima EPSPs na rota de síntese dos aminoácidos aromáticos fenilalanina, tirosina e triptofano, precursores de produtos como lignina, flavonóides e ácidos benzóicos. Uma das características físico-químicas do glifosato é o seu caráter ácido fraco que permite sua ionização (presença de cargas negativas na molécula), em função do pH da calda. Esta característica tem relevância prática muito importante para o preparo da calda no campo, bem como a qualidade da água utilizada na pulverização afeta diretamente a eficácia do herbicida. Assim é importante que o agricultor que utiliza este defensivo conheça algumas informações sobre a interação entre a qualidade da água e o modo de ação do glifosato nas plantas, e algumas alternativas para amenizar os problemas de situações de campo quando a água utilizada não é de boa qualidade química.
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Soja
Vigor x deterioração Estu do ddem em on str ali dad Estud emon onstr straa que a qu quali alid adee ddaa semente de soja é mais afetada pelo efeito fisiológico, causado por fator es climáti cos com o temper atur atores climáticos como temperatur aturaa o que patológi co, e umi dad adee, ddo patológico, umid este pr ovocad o por fun gos fung os.. N Neste provocad ovocado dam-se o con te xto, rrecom ecom en ecomen end conte texto, das ddee fform orm tr atam en to com fun gi ci fungi gici cid ormaa tratam atamen ento difer en ci ad a, ddee acor do com os diferen enci ciad ada, acord valor es ddos os ín di ces en to n valores índi dices ces,, e o aum aumen ento naa den si dad ead ensi sid adee ddaa sem semead eadur uraa eadur
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A
semente é o produto final de uma série de processos que incluem melhoramento genético, produção, colheita, beneficiamento, secagem, armazenamento, análises, controle e semeadura. Durante todos esses passos, a semente está sujeita à deterioração. As principais causas de deterioração pertencem a duas amplas categorias. Primeira, os tecidos e as organelas presentes na semente podem deteriorar, devido ao envelhecimento (tempo). Os fisiologistas de semente têm dedicado atenção a esse problema. Segunda, a deterioração da semente pode ser causada por microorganismos, insetos e roedores. Esses problemas têm sido enfocados pelos patologistas e entomologistas. Poucos estudos integrando os efeitos fisiológicos e patológicos, para conhecer os mecanismos de deterioração da semente e no desenvolvimento de métodos para avaliar a qualidade da semente, têm sido investigados. Portanto, é importante criar índices que levem em consideração os efeitos fisiológicos e patológicos para comparar e avaliar lotes de sementes de soja. Nesse contexto, o presente trabalho teve como objetivo desenvolver metodologia para avaliar a qualidade da semente de soja, integrando os efeitos fisiológicos (temperatura e umidade) e patológicos (infecção por fungos). O experimento foi executado no Laboratório de Semente e de Patologia da Embrapa Soja, em Londrina (PR). Em 2003, um ensaio preliminar foi realizado com três lotes de sementes das cultivares (cv) Monsoy 6101, Monsoy 8411 e Monsoy 8329 oriundas do PADF, Brasília (DF). Em 2004, quatro lotes de sementes das cv. BRS 184, BRS 212, CD 202 e CD 216 produzidas pela Semente Mauá foram avaliados pelos testes de germinação e de vigor (EA a 41ºC por 48h) com semente tratada e não-tratada, prescritos pela Regras de Análise de Sementes (Brasil, 1992). As sementes foram tratadas com carboxim + thiram a 250 g i.a./ 100 kg de sementes. O índice fisiológico foi obtido pela fórmula: IF = Germinação de semente tratada – Vigor de semente tratada e o índice patológico, IP = Germinação de semente tratada – germinação de semente não-tratada. O índice de patologia (Ipat) é a soma da porcentagem de semente infectada dividida por 50. Os patógenos avaliados pelo método de papel de filtro embebido em água foram: As-
Sementes São Francisco
Dirceu Gassen
Experimento integra estudo com efeitos fisiológicos e patológicos em lotes de sementes de soja para conhecer os mecanismos de deterioração
pergillus flavus, Cercospora kikuchii, Colletotrichum truncatum, Fusarium sp. e Phomopsis sp. O delineamento experimental foram blocos casualizados com quatro repetições. Os dados foram analisados pela análise de variância e pela análise de correlação (r).
RESULTADOS Os efeitos fisiológicos e patológicos na semente de soja, em 2003 e 2004, se encontram nas Tabelas 1 e 3. Houve grande variação nos índices fisiológico e patológico entre os lotes de sementes. Para os dois anos, o índice fisiológico foi muito superior, ou seja, os efeitos da temperatura e da umidade foram marcantes na qualidade da semente. Por exemplo, o índice fisiológico para o lote 936/03 foi 30,5 e o IP foi de 4,5, enquanto que o lote 935/03 apresentou IF de 1,0 e IP de 1,5. Interessante notar também que lote com baixa porcentagem de germinação, nem sempre significa lote descartável (comparar os valores dos lotes 935/03 e 936/03, na Tabela 1)
Em 2004, os lotes eram de melhor qualidade e apresentaram índices mais baixos. A cv. BRS 184 teve um IP de apenas 0,30 e a BRS 212 um IF de 0,10. As cv. BRS 184 e CD 216 apresentaram IF de 4,20 e 4,80, respectivamente. As cv. CD 202 e CD 216, apesar de apresentarem o mesmo vigor (EP), tiveram índices fisiológicos diferenciados, o que demonstra a melhor qualidade de semente do lote da cv. CD 202 (Tabela 3), visto pelo valor do índice total. O lote 935/03 apresentou baixos índices fisiológico e patológico e, conseqüentemente baixo índice de patologia (Ipat = 0,01), o que pode ser explicado pela baixa incidência de patógenos na semente (Tabela 2). Os lotes 936/03 e 937/03 apresentaram Ipat maiores e isso, provavelmente, resultou em maiores índices fisiológico e patológico (Tabela 1). Houve alta correlação (r = 0,80**) entre o índice fisiológico, o índice patológico e o vigor da semente (Tabela 5). Em 2004, novamente a qualidade da semente foi mais afetada pelos fatores fisioló-
Em sementes com índice de deficiência fisiológica é recomendado o aumento da densidade de semeadura
gicos, o que demonstram os valores de IF, na Tabela 3. O IF foi, em média, 2,57, enquanto que o IP foi de apenas 0,80 (três vezes inferior). Isso indica que a qualidade final da semente, medida pela emergência de campo, é mais afetada pelos efeitos fisiológicos. Isto implica que o tratamento de semente pode controlar ou mesmo erradicar os fungos associados à semente, minimizando os efeitos patológicos, mas não pode suplantar os efeitos fisiológicos. A grande diferença entre os efeitos fisiológico e patológico indica que o mecanismo de deterioração é diferente. Parece que os fatores fisiológicos atuam molecular e bioquimicamente na célula em todos os tecidos e os microorganismos atuam de forma localizada nos tecidos. Por exemplo: em Cercospora kikuchii e Phomposis (Diaporthe sojae), o micélio é abundante na parede celular da testa, menos predominante nos tecidos do pa-
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Tabela 1 - Contribuição dos efeitos fisiológico e patológico na qualidade de três lotes de semente de soja, produzidas no Planalto Central. Londrina (PR) – 2003 Lote 935/03 936/03 937/03 Média
Germinação controle 77,0c* 80,0b 86,0a 81,0
Germinação tratada 78,5c 84,5b 90,5a 84,5
Vigor controle 76,0a 45,5c 62,0b 61,2
Vigor tratada 77,5a 54,0c 65,5b 65,7
Índice $ patológico Índice # fisiológico 1,5b 1,0b 4,5a 30,5a 4,5a 25,0a 3,5 18,7
$ O efeito patológico foi calculado subtraindo a porcentagem de germinação da semente tratada menos a germinação de semente não-tratada. # O efeito fisiológico foi calculado subtraindo a porcentagem de germinação de semente tratada menos a germinação obtida pelo teste de envelhecimento acelerado de semente tratada. * Médias seguidas da mesma letra, na coluna, não diferem entre si pelo teste de Duncam, a 5% de probabilidade.
Tabela 2 - Índice de patologia para três lotes de semente de soja produzidos no Planalto Central, Distrito Federal, na safra de 2003 Lote 935/03 936/03 937/03
Aspergillus flavus 0,0 0,0 0,0
Cercospora kikuchii 0,0 0,0 0,0
Patologia Colletotrichum truncatum 0,0 0,0 0,0
Fusarium sp. 0,0 3,5 8,0
Phompsis sp. 0,5 10,5 6,0
IPAT§ 0,01 0,28 0,28
§ Índice de patologia (Ipat) é o somatório da porcentagem de sementes infectadas dividido por 50. O índice de patologia pode variar de 0 a 10, o que indica que, semente limpa (Ipat = 0) e semente altamente infectada (Ipat = 10).
Tabela 3 - Contribuição dos efeitos fisiológico e patológico na qualidade da semente em quatro cultivares de soja. Londrina (PR) – 2004. Os dados se referem à média de quatro lotes e quatro repetições Lote BRS 184 BRS 214 CD 202 CD 216 Média
Germinação controle 91,5b 93,0ab 93,0ab 95,1a 93,1
Vigor tratada 87,1c 94,7a 91,1b 91,1b 91,0
Índice $ fisiológico 4,20a 0,10c 1,20b 4,80a 2,57
Índice # patológico 0,30b 1,80a 0,70b 0,40b 0,80
Índice $ total 4,50a 1,90b 1,90b 5,20a 3,37
$ O efeito patológico foi calculado subtraindo a porcentagem de germinação da semente tratada menos a germinação de semente não-tratada. # O efeito fisiológico foi calculado subtraindo a porcentagem de germinação de semente tratada menos a porcentagem de germinação obtida pelo teste de envelhecimento acelerado de semente tratada. § O índice total é a soma do índice fisiológico + o índice patológico. * Médias seguidas da mesma letra, na coluna, não diferem entre si pelo teste de Duncam, a 5% de probabilidade.
Tabela 4 - Índices fisiológico e patológico comparativos para dois lotes de semente da cv. BRS 184, produzidos em Mauá da Serra (PR), na safra de 2004 Lote A B Média
Germinação 94,0 94,0 94,0
Vigor tratada 88,0 88,0 88,0
Índice patológico 5,2 0,8 3,0
Índice fisiológico 0,8 5,2 3,0
Tabela 5 - Correlação entre germinação, vigor, efeito fisiológico e efeito patológico na qualidade de semente de soja. Média de quatro lotes de soja e quatro repetições. Londrina (PR) – 2004 Germinação controle Vigor tratada Índice patológico Índice fisiológico Índice total
Germinação controle 0,54 0,33 - 0,07 0,07
Vigor tratada - 0,13 - 0,80* - 0,80*
* significativo a 5% de probabilidade ** significativo a 1% de probabilidade
rênquima (especialmente concentrado na região do hilo do primeiro) e menos ainda nas camadas do palisádio na testa. O micélio raramente ocorre no cotilédone e embrião (Ilyas, et. al. 1975).
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Índice patológico - 0,05 0,39
Índice fisiológico 0,90**
Vale ressaltar que valores de IP negativos indicam toxicidade do produto testado, demonstrando também a utilidade dessa metodologia para teste de produtos. Os resultados deste trabalho permitiram constatar que esta nova tecnologia é valiosa para o produtor de semente e uma ferramenta para garantir a qualidade da semente aos
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Testes patológicos e fisiológicos garantem m e ao agricultor, pelo uso de
agricultores. Comparando os lotes A e B pelos testes de germinação e de vigor, observa-se que eles são idênticos, entretanto os índices IP e IF indicam que eles necessitam, na prática, de tratamento diferenciado (Tabela 4). O lote A, com IP = 5,2, mostra alta incidência de patógenos e, assim, recomenda-se o tratamento de semente; por outro lado, para o lote B (IF = 5,2), com deficiência fisiológica, recomenda-se aumento na densidade de semeadura. Por isso, sugere-se que o conceito de vigor, proposto pela Ista, no Congresso de 1977 (Perry, 1978) e pela Aosa, seja revisto e propomos a seguinte definição para vigor: “é a soma dos atributos fisiológicos e patológicos e suas interações, influenciadas pelas condições ambientais, que determina as atividades bioquímicas e fisiológicas da semente e sua performance, e conseqüentemente, a energia potencial para germinação e emergência, num dado período de tempo”. Os dados deste trabalho, além dos índices de vigor, garantem com maior confiabilidade ao produtor de semente e ao agricultor, o uso de semente de alta qualidade diferenciada.
CONCLUSÃO A qualidade da semente de soja é mais afetada pelo efeito fisiológico do que patológico. O tratamento de semente deve ser diferenciado dependendo dos valores dos índices. Testes com outras espécies devem ser realizados para melhor entendimento do conceito de vigor definido pelas Aosa e Ista. C
Valdomiro Bullmann
CONCEITOS
E
maior confiabilidade ao produtor de semente material de alta qualidade
Claudinei Andreoli, Embrapa Soja Maria Celeste Marcondes, Universidade Estadual de Londrina
m 1977, o Comitê de Vigor da Ista propôs uma definição de vigor de semente que foi adotada pelo Congresso da Ista (Perry, 1978): “Vigor é a soma de todas aquelas propriedades que determinam o nível potencial de atividade e desempenho da semente ou do lote da semente durante a germinação e emergência da plântula”. Sementes que desempenham bem são chamadas de “semente de alto vigor” e aquelas que desempenham mal, são chamadas de “semente de baixo vigor”. Os aspectos de performance atribuídos aos diferentes níveis de vigor da semente, são: 1) reações e processos bioquímicos, 2) taxa de germinação e emergência, 3) taxa e uniformidade das plântulas no campo, 4) habilidade de emergência das plân-
tulas sob condições ambientais adversas. Não obstante, essa definição não contempla e não conecta os efeitos patológicos e que efeitos são mais importantes para a deterioração da semente. Na definição da Ista, a conotação positiva de vigor foi eliminada. Tornou-se um índice de uma escala de alto e baixo. Entretanto, esses índices nunca foram definidos e utilizados. A definição de vigor adotada pela Aosa em 1980 (McDonald, 1980) é mais curta e mais direta que a da Ista, mas muito semelhante. “Vigor de semente compreende aquelas propriedades da semente que determinam seu potencial para rápida e uniforme emergência, e desenvolvimento de plântulas normais sob amplas condições de campo.”
Charles Echer
Soja
Hora de planejar Com a ch egad ova safr ecessári o avali ar a chegad egadaa ddaa n nova safraa ddee soja é n necessári ecessário avaliar fertili dad o solo que irá rreceber eceber as sem en tes or se fertilid adee ddo semen entes tes.. PPor tr atar ddee um osa eexi xi gen te em difer en tes n utri en tes tratar umaa oleagin oleaginosa xig ente diferen entes nutri utrien entes é pr eciso oofer fer ecer qu an ti dad es equilibr ad as ddee m acr o e preciso ferecer quan anti tid ades equilibrad adas macr acro tir que as plan tas eexpr xpr essem en tes an mi cr on utri plantas xpressem paraa gar garan antir micr cron onutri utrien entes tes,, par al pr od utivo tod o o seu poten ci prod odutivo todo potenci cial
N
o planejamento do plantio de culturas de verão, a primeira atitude recomendada ao produtor é fazer a análise do solo, para saber como se encontra em relação aos nutrientes essenciais às plantas. Com a análise em mãos e com a ajuda de um engenheiro agrônomo, é possível estabelecer qual o tipo e as quantidades de fertilizantes e corretivos a se usar. A soja é uma cultura muito exigente em todos os nutrientes essenciais. Para que os nutrientes possam ser eficientemente aproveitados pela cultura, devem estar presentes no solo em quantidades suficientes e em equilíbrio entre eles. A insuficiência ou o desequilíbrio entre os nutrientes pode resultar em absorção deficiente de alguns e excessiva de outros. Para que esse equilíbrio seja alcançado e mantido, é necessário que certas práticas, como calagem e adubação, sejam empregadas de maneira racional. Em várias regiões do País, essas práticas têm sido satisfatórias, quando embasadas em análise do solo e das folhas, e todas as operações que as complementam sejam seguidas à risca e bem executadas. Os investimentos em adubação são os custos que mais pesam no bolso do produtor de soja, mas com planejamento e monitoramento anual do solo é possível reduzir ou mesmo suprimir a aplicação de fertilizantes na cultura da soja. Em certos casos, o agricultor pode se programar para realizar a adubação para a cultura de inverno e aproveitar o efeito residual
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na soja. É uma economia e tanto em tempos de alta dos fertilizantes. Em 2006, os fertilizantes representavam cerca de 23,5% do custo total dos insumos para produção de soja e, em 2007, já chegam 31,4%.O custo por tonelada da fórmula 0-30-10 NPK, por exemplo, aumentou 48,7% e foi de R$ 550,00 para R$ 818,00. Com isso, o agricultor vai ter que produzir pelo menos 7 sacas de soja por hectare para cobrir esses custos. Em 2006, isso representava 4,7 sacas. Conforme os resultados obtidos, há casos que o produtor pode reduzir ou, até mesmo, deixar de adubar a soja. A avaliação periódica da fertilidade do solo indica a disponibilidade de macro e de micronutrientes, mostrando a real situação do solo, naquele momento. O histórico da área, quanto às adubações, produtividades e espécies cultivadas em anos anteriores, ajuda na determinação sobre a necessidade de aplicação de calcário e de adubação. Alguns produtores vêm fazendo a aplicação de adubos sem respeitar as quantidades indicadas pelas análises do solo e das folhas, o que também pode gerar desper-
dício. Além disso, o uso racional da correção e da adubação em soja, aliado às outras tecnologias propostas pela pesquisa, pode proporcionar altas produtividades, independentemente do tipo de solo.
EXIGÊNCIAS MINERAIS A exigência nutricional da soja e o potencial de exportação da cultura são características determinadas por fatores genéticos, porém influenciados por fatores climáticos, pela fertilidade do solo e pelo manejo cultural (Tabela 1). Estas informações são fundamentais para a indicação de adubação da cultura, pois quantificam as necessidades nutricionais que devem ser complementadas ao solo previamente a cada cultivo para a manutenção da fertilidade e garantia do potencial produtivo da cultura.
ADUBAÇÃO Em função da elevada variabilidade na oferta de nutrientes nos solos, a necessidade de correção ou manutenção da fertilidade de uma área deve ser determinada com base nas infor-
Tabela 1 - Quantidade absorvida e exportação de nutrientes pela cultura da soja Parte da planta Grãos Restos culturais Total % Exportada
N 51 32 83 61
P2O5 K2O Ca Mg kg (1000/kg)-1 ou g/kg-1 10,0 20 3,0 2,0 18 9,2 4,7 5,4 15,4 38 12,2 6,7 65 53 25 30
S
B
Cl
5,4 10,0 15,4 35
20 57 77 26
237 278 515 46
Mo Fe Mn g (1000/kg)-1 ou mg/kg-1 5 70 30 2 390 100 7 460 130 71 15 23
Zn
Cu
40 21 61 66
10 16 26 38
Obs.: à medida que aumenta a matéria seca produzida por hectare, a quantidade de nutrientes nos restos culturais da soja não segue modelo linear. Fonte: Correção... (2006).
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mações das análises químicas do solo e das folhas e no histórico de uso da terra, considerando o sistema de cultivo e rotação de culturas, o manejo da fertilidade, os possíveis registros de ocorrência de sintomas de desequilíbrio nutricional e as produtividades nos cultivos anteriores. Os problemas nutricionais são reflexos do manejo da fertilidade dos solos, mas influenciados diretamente pelas condições de desenvolvimento das plantas, que envolvem os fatores climáticos, as práticas culturais e a ocorrência de plantas daninhas, pragas ou doenças. A recomendação de adubação para a cultura da soja baseia-se na fertilidade atual do solo, que identifica o potencial de resposta aos nutrientes para cada ecossistema, por um sistema de classes de interpretação da disponibilidade. Assim, os nutrientes são aplicados de maneira variável, de acordo com o grau de limitação de sua oferta no solo. Nos solos com teores baixos e muito baixos, é necessária a adubação de correção para elevar a disponibilidade, enquanto que nos solos com teores médios a altos, devem ser aplicadas apenas as quantidades suficientes para repor as perdas com a exportação dos grãos.
NITROGÊNIO O nitrogênio (N) é o nutriente requerido
Tabela 2 - Indicação de adubação de correção e de manutenção em maior quantidade pela cultura da com enxofre (S) para a soja, no Brasil, de acordo com a classe de soja. Estima-se que para produzir um disponibilidade de S, em função da profundidade no perfil e dos mil quilos de grãos são necessários 83 quilos de N. Basicamente, as fontes teores de argila do solo. 2ª aproximação de N disponíveis para a cultura da soja Teor de S no solo(1) Quantidade são os fertilizantes nitrogenados e a Classes de Solo argiloso Solo arenoso de S fixação biológica do nitrogênio (FBN) disponibilidade ? 400 g/kg-1 de argila ? 400 g/kg-1 de argila a aplicar (Hungria et al., 2001). Contudo, a Profundidade (cm) (kg/ha-1) fixação biológica do nitrogênio (FBN) 0 a 20 20 a 40 0 a 20 20 a 40 0 a 20 20 a 40 é a principal fonte de N para a cultumg dm-3 ra da soja, não havendo necessidade Baixo Baixo < 5 < 20 <2 <6 80+M(2) de se utilizar este nutriente na adu- Baixo Médio < 5 20 a 35 <2 6a9 60+M bação. Bactérias do gênero Bradyrhi- Baixo Alto <5 > 35 <2 >9 40+M zobium, quando em contato com as raízes da soja, infectam as raízes, via Médio Baixo 5 a 10 < 20 2a3 <6 60+M pêlos radiculares, formando os nódu- Médio Médio 5 a 10 20 a 35 2 a 3 6a9 40+M los. A eficiência deste processo depen- Médio Alto 5 a 10 > 35 2a3 >9 M de da utilização correta de inoculantes contendo bactérias específicas para Alto Baixo > 10 < 20 >3 <6 40+M a FBN com a soja. Alto Médio > 10 20 a 35 >3 6a9 M É indispensável o fornecimen- Alto Alto > 10 > 35 >3 >9 M to de 2 a 3 g/ha-1 de cobalto (Co) e Métodos: Extração-Ca(H2PO4)2 0,01 M L ; Determinação-Turbidimetria. de 12 a 30 g/ha-1 de molibdênio M=Manutenção: 10 kg para cada 1000 kg de produção de grãos esperada. Fonte: Sfredo et al. (2003). (Mo) que são nutrientes essenciais FÓSFORO E POTÁSSIO para a FBN e, também, o Mo é essencial A recomendação de adubação com fósfopara a redução de nitrato a amônio na planta (Sfredo et al., 1997). A aplicação destes ro e potássio é função da exigência da cultura, micronutrientes pode ser realizada via se- da textura do solo e da disponibilidade dos mente, ou via foliar nos estádios de desen- nutrientes nos solos. Para atender as particularidades regionais, a recomendação de aduvolvimento V3 a V5. (1) (2)
-1
Tabela 3 - Limites para a interpretação dos teores de micronutrientes no solo, extraídos por dois métodos de análise, para culturas anuais, nos solos dos Cerrados
ENXOFRE E MICRONUTRIENTES
Métodos Classe
Água quente(1) B
Cu
< 0,3 0,3 a 0,5 > 0,5
< 0,5 0,5 a 0,8 > 10,0
Baixo Médio Alto (1)
Mehlich I(1) Mn
DTPA(2) Zn
Cu
mg dm-3 < 1,1 < 0,3 1,1 a 1,6 0,3 a 0,8 > 1,6 > 0,8
< 2,0 2,0 a 5,0 > 5,0
Fe
Mn
Zn
<5 5 a 12 > 12
< 1,3 1,3 a 5,0 > 5,0
< 0,6 0,6 a 1,2 > 1,2
Galrão (2002); (2) Raij et al. (1997).
Tabela 4 - Limites para a interpretação dos teores de micronutrientes no solo, extraídos por dois métodos de análise, para culturas anuais, nos solos do Paraná Métodos Classe
Água quente(1) B(1)
Mehlich I(1) Mn(3)
Cu(2)
DTPA(2) Zn(4)
Cu(2)
mg dm < 0,8 < 0,5 0,8 a 1,5 0,5 a 1,1 1,5 a 10,0 1,1 a 7,0 > 10,0 > 7,0
Fe(5)
Mn(3)
Zn(4)
<5 5 a 12 > 12
< 1,2 1,2 a 5,0 5,0 a 20,0 > 20,0
< 0,5 0,5 a 1,1 1,1 a 10,0 > 10,0
-3
Baixo Médio Alto Muito Alto (1)
< 0,3 0,3 a 0,5 > 0,5 -
< 0,8 0,8 a 1,7 1,7 a 10,0 > 10,0
< 15 15 a 30 30 a 100 > 100
Galrão (2002); (2) Borkert et al, 2006a; (3) Sfredo et al, 2006; (4) Borkert et al, 2006b; (5) Raij et al, 1997
Tabela 5 - Indicação da aplicação de doses de micronutrientes no solo, para a cultura da soja Classe
B
Cu
Mn
Zn
6,0 4,0 2,0 0,0
6,0 5,0 4,0 0,0
60 kg/ha-1 de P2O5 e de K2O. Os resultados de pesquisa com fontes de fósforo indicam que a recomendação deve ser calculada com base nos teores de P2O5 solúveis em água + citrato neutro de amônio (fosfatos acidulados) ou ácido cítrico a 2% (termofosfatos e fosfatos naturais reativos), respectivamente. A adubação com potássio pode ser realizada totalmente a lanço antes da semeadura. Quando a aplicação de KCl for realizada no sulco de semeadura, deve-se considerar a necessidade de parcelamento e cobertura, nos casos de recomendação de doses superiores a 50 kg/ha-1 de K2O, para reduzir os riscos de efeito salino sobre a germinação das sementes, em condições de estresse hídrico. Esta alternativa também deve ser sempre utilizada em solos com textura média a arenosa (< 20% de argila) para evitar as perdas do nutriente por lixiviação no perfil do solo. Nesses casos, deve-se aplicar 1/3 da quantidade total indicada na semeadura e 2/3 em cobertura, 30 dias após a semeadura. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, as quantidades de fertilizantes contendo P e K a aplicar variam em função dos teores desses nutrientes no solo e da classe textural
kg/ha-1 Baixo Médio Alto Muito Alto
1,5 1,0 0,5 0,0
2,5 1,5 0,5 0,0
bação PK é apresentada por estado/região, com base em estudos de calibração e de resposta à adubação. Assim, tabelas específicas são indicadas para os solos do estado de Minas Gerais (Ribeiro et al., 1999), solos com teores de argila maiores que 400 g/kg-1 do estado do Paraná(Embrapa Soja, 1999) e, para solos do estado de São Paulo (Mascarenhas & Tanaka, 1997). Para os solos da região dos Cerrados e também para os solos com teores de argila menores que 400 g/kg-1 do estado do Paraná, o manejo da adubação PK diferencia-se de acordo com a disponibilidade dos nutrientes no solo. Em casos de disponibilidade muito baixa ou baixa, há a necessidade de correção da fertilidade, realizada de maneira total ou, especificamente para o fósforo, de forma gradual por intermédio de aplicações anuais no sulco de semeadura (Sousa & Lobato, 1996). Quando os níveis de P e de K no solo forem classificados como médio ou bom, recomenda-se somente a utilização da adubação de manutenção, baseada na exportação de P e de K pela soja e na eficiência de utilização do fertilizante pela cultura. A adubação de manutenção corresponde a 20 kg de P2O5 e 20 kg de K2O, para cada tonelada de grãos. Assim, considerando-se uma produtividade média de 3000 kg/ha-1, devem ser aplicados
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O enxofre (S), geralmente fornecido na forma do íon sulfato (SO4-2), é um nutriente que devido à sua mobilidade, tende a se acumular na subsuperfície do solo. Assim, a avaliação da disponibilidade correta de enxofre no solo, deve considerar a análise de solo em duas profundidades, 0 a 20 cm e 20 a 40 cm, classificando-se a sua disponibilidade de acordo com a textura do solo. Os níveis críticos de S são 10 mg dm-3 e 35 mg dm-3 para solos com teor de argila maior que 400 g/kg-1 e 3 mg dm-3 e 9 mg dm-3 para solos com teor de argila menor ou igual a 400 g/kg-1, respectivamente nas profundidades 0 a 20 cm e 20 a 40 cm (Sfredo et al., 2003). Considerando a absorção e a exportação do nutriente, a adubação de manutenção corresponde a 10 kg de S para cada 1.000 kg de produção de grãos esperada (Tabela 2). A adubação adicional com enxofre deve estar fundamentada na carência desse elemento, comprovada por resultados de análises de solo e foliar A soja apresenta reduzida resposta à adubação com micronutrientes. A disponibilidade dos micronutrientes para as plantas é mais precisamente identificada pela análise de solo (Tabelas 3 e 4) em conjunto com a diagnose foliar. Nessas situações, o nutriente limitante deve ser aplicado de acordo com a disponibilidade no solo (Tabela 5), a lanço em pré-semeadura, obtendo-se efeito residual de até cinco anos. A correção também pode ser realizada através de formulações contendo micronutrientes, aplicadas no sulco de semeadura, utilizando-se por três safras consecutivas, 1/3 da dose recomendada para aplicação a lanço. A deficiência de manganês, constatada através da diagnose visual nos estádios iniciais de desenvolvimento, pode ser corrigida pela aplicação foliar de 350 g ha-1 de Mn (1,5 kg de MnSO4) diluído em 200 litros de água com 0,5% de uréia. Contudo, essa prática não é indicada a outros macronutrientes ou micronutrientes para a cultura da soja. C Gedi Jorge Sfredo, Embrapa Soja
Flávio D. Haas
Fonte: Sfredo (2007)1, modificado de Embrapa Soja (1999).
do solo (SBCS-NRS, 2004 e RPSRSul, 2006).
Na soja o nutriente requerido em maior quantidade é o nitrogênio (N), estima-se que para produzir 1.000 kg de grãos são necessários 83 kg de N
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Soja e Algodão
Proteção na origem O tr atam en to ddee sem en tes com fun gi ci das é um ddos os m ais efi cazes e econômi cos tratam atamen ento semen entes fungi gici cid mais eficazes econômicos or ddaa gos Colletotri métod os rrecom ecom en dad os par tr ole ddo os fun Colletotrich chum causador métodos ecomen end ados paraa o con contr trole fung ch um ggossypii, ossypii, causad odão ram ulose em alg sável pela an tr acon ose n amulose algodão odão,, e Colletotri Colletotrich chum truncatum, esponsável antr tracon aconose naa soja ch um trun catum, respon Dirceu Gassen
DESCRIÇÃO DOS FUNGOS Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides (C.g.c.) – Causador da ramulose do
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algodoeiro. Sinonímia: Glomerella gossypii Edgenton [Teleomorfo] O patógeno é transmitido, tanto externa, quanto internamente, pelas sementes de algodão, que são o mais eficiente veículo de disseminação do mesmo. O papel das sementes na transmissão do patógeno fica evidente ao constatar-se a doença em áreas novas. As taxas de transmissão de C.g.c planta-semente e semente-planta são bastante elevadas e por esta razão, a utilização de sementes portadoras do patógeno torna-se um sério risco de sua introdução em áreas novas (taxa de transmissão do patógeno das sementes para a parte aérea do algodoeiro é de aproximadamente 3:1, o que significa que três sementes com C.g.c. representa uma Hércules Diniz Campos
A
semente constitui a base de cultivo, sendo considerada uma das vias mais eficientes de transporte de fitopatógenos e transmissão de doenças. Do ponto de vista sanitário, a semente ideal seria aquela livre de qualquer microorganismo indesejável. Porém, isso nem sempre é possível, uma vez que a qualidade das sementes é altamente influenciada pelas condições climáticas sob as quais são produzidas e armazenadas. A maioria das doenças de importância econômica que ocorrem nas culturas da soja e do algodoeiro é causada por patógenos que são transmitidos pelas sementes, merecendo destaque os fungos Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides (causador da ramulose do algodoeiro) e Colletotrichum truncatum (causador da antracnose da soja). Dentre as medidas de controle desses patógenos, o tratamento de sementes com fungicidas é um dos mais eficazes e econômicos, sendo ainda utilizado para garantir boa emergência, quando a semeadura coincide com períodos adversos, evitando, na maioria das vezes, a necessidade do replantio.
Detalhe do ataque de Colletotrichum truncatum, devido à necrose dos cotilédones
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planta no campo com ramulose). Em condições de clima favorável (temperatura de 25 a 30ºC e umidade elevada), a doença avança na lavoura 1 m a cada cinco dias. Este microorganismo pode ainda sobreviver de um ano para outro em solo contaminado e em restos culturais. Este fungo pode provocar também o tombamento de pré e pós-emergência, reduzindo o estande. Lesões deprimidas, pardo-escuras, atingindo grande extensão do colo e da raiz das plântulas são os sintomas característicos provocados por este patógeno. É identificado pela presença de colônias acinzentadas, pouco densas, acérvulos com setas altas e da presença quase constante de micélio aéreo. Os conídios, uma vez produzidos, permanecem aderidos uns aos outros nas extremidades das setas, tornando-se brilhantes sob a luz. Os acérvulos apresentam-se com setas escuras, às vezes com conídios no ápice. Em meio de cultura células conidiogênicas podem ser formadas diretamente em micélio vegetativo. Conídios hialinos, unicelulares, retos com extremidades arredondadas e medindo 12-17 x 3-4,5 micra. Até algum tempo, apenas se relatava a presença de C. gossypii nas sementes analisadas, não se fazendo menção a C. gossypii var. cephalosporioides, embora ambos pudessem estar ocorren-
Charles Echer
do. Ocorria então que, em função da grande semelhança das estruturas desses patógenos nas sementes, a distinção entre eles tornava-se muito difícil pelos métodos rotineiros. Atualmente, com o desenvolvimento de novas técnicas de análise baseadas no hábito de crescimento dos fungos nas sementes, criadas por Tanaka et al. (Summa Phytopathologica, v. 22, n°2, p. 116-122, 1996 e Bragantia, v. 15, n° 1, p. 95-104, 1996), a identificação precisa desses dois patógenos já é possível em testes de sanidade de sementes. Conforme estes autores, a reprodutibilidade do método (fácil execução e baixo custo) foi demonstrada, o que permite a preconização do mesmo para ser utilizado como rotina em testes de sanidade de sementes de algodoeiro. Entretanto, torna-se imprescindível que sejam feitos testes de aferição com diversos laboratórios e treinamento dos analistas para não haver erro no diagnóstico. A distinção entre C. gossypii e C. gossypii var. cephalosporioides exige do analista um treinamento específico. Colônias de C. gossypii são mais compactas, com setas mais curtas, com abundante esporulação e estruturas do fungo desenvolvidas rente ao tegumento das sementes com ausência de micélio aéreo. Freqüentemente as cadeias de conídios cobrem completamente as setas, dificultando sua visualização. Colônias de C. gossyppi var. cephalosporioides apresentam-se com abundante micélio aéreo e aspecto menos compacto. Colletotrichum truncatum – Causador da antracnose da soja. Sinonímia: Colletrotrichum dematium f. truncatum (Schwein.) Arx Vermicularia truncata Schwein. Capaz de atacar todas as partes da planta, durante a fase vegetativa, floração, frutificação e sementes, sendo considerada a principal doença na fase inicial de formação das vagens. Em condições de elevada precipitação e altas temperaturas, comuns na região dos cerrados, pode causar perda total. É comum causar redução acentuada no número de vagens e retenção foliar e haste verde. Esse fungo pode causar deterioração da semente, morte de
Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides, é transmitido pelas sementes de algodão, sendo estas, o mais eficiente veículo de disseminação do patógeno para áreas ainda livres do fungo
plântulas e infecção sistêmica em plantas adultas; tem nas sementes o mais eficiente veículo de disseminação. Sementes infectadas apresentam manchas deprimidas de coloração castanho-escura. É comum o aparecimento de sintomas nos cotilédones, caracterizado pela necrose dos mesmos logo após a emergência da plântula. De maneira geral, a incidência desse patógeno nas sementes é baixa, sendo que dificilmente obtém-se um lote de sementes com níveis elevados de C. truncatum. Entretanto, com a expansão da cultura da soja para outras regiões do Brasil, tem-se observado, em algumas safras, aumento considerável da presença desse fungo nas sementes de soja. O patógeno, uma vez introduzido por sementes infectadas, sobrevive na entressafra em restos de cultura. Com relação à perda de viabilidade desse patógeno nas sementes durante o armazenamento, trabalhos recentes demonstraram que esse fungo é mais persistente que Phomopsis spp. e Fusarium semitectum, apesar de sua incidência diminuir quando as sementes são armazenadas em condições ambientes por um período de seis meses. A principal característica utilizada para a identificação do
patógeno nas sementes, após o período de incubação, é a presença de acérvulos típicos da espécie (freqüentemente com abundante exsudação), onde são observadas inúmeras setas escuras, medindo 60-300 x 3-8 micra. Os conídios do fungo são hialinos, unicelulares, curvos, medindo 17-31 x 3-4,5 micra. Os conídios geralmente produzem tubos germinativos curtos.
DETECÇÃO EM SEMENTES Existem vários testes de laboratório que podem ser utilizados para caracterizar o estado sanitário das sementes de algodão e de soja, sendo que a seleção de um método em particular dependerá do patógeno a ser detectado, da espécie de semente e do próprio objetivo do teste. No caso específico dos fungos Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides (causador da ramulose do algodoeiro) e Colletotrichum truncatum (causador da antracnose da soja), o principal método utilizado para sua detecção nas sementes é o papel de filtro “blotter”. A experiência tem comprovado que este método é perfeitamente viável e o mais eficaz para estas culturas.
Divulgação
CONTROLE QUÍMICO O controle químico destes patógenos nas sementes deverá ser realizado através do tratamento das mesmas com fungicidas. A ação combinada de fungicidas sistêmicos com protetores tem sido uma estratégia das mais eficazes no controle desses fungos presentes nas sementes, uma vez que o espectro de ação da mistura é ampliado pela ação de dois ou mais produtos. O tratamento químico de sementes de soja e algodão com fungicidas é um dos métodos mais simples, de custo relativamente baixo e resulta em reflexos altamente positivos para a sustentabilidade da cultura. Quando se analisa a questão ambiental, apresenta a vantagem ainda de não alterar a biologia do solo, pois a quantidade por hectare é mínima, sendo rapidamente diluída e degradada no solo. Além disso, dentre os demais defensivos, os fungicidas são os que apresentam o menor impacto negativo no ambiente. A cada ano, um grande número de fungicidas é testado com o objetivo de verificar sua eficiência no controle dos principais patógenos presentes nas sementes. Os fungicidas registrados para tratamento de sementes nestas culturas e atualmente disponíveis no mercado pertencem a dois grandes grupos – os sistêmicos e os protetores. Para o controle de Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides (causador da ramu-
Cultivar
Colletotrichum truncatum, causador da antracnose em soja, age nos diferentes estágios de desenvolvimento
lose do algodoeiro) os fungicidas mais utilizados são carboxin + thiram, carboxin + thiram + carbendazin, difenoconazole e tolylfluanid + pencycuron + triadimenol. Encontra-se em fase de registro no Mapa a mistura fludioxonil + mefenoxan + azoxystrobin, com excelente potencial de controle do referido patógeno. No caso de Colletotrichum truncatum (causador da antracnose da soja), os fungicidas mais utilizados são carbendazin + thiram, carboxin + thiram, fludioxonil + mefenoxan, thiram, captan e tolylfluanid. Dados de pesquisa têm demonstrado que a eficiência de um determinado fungicida está relacionada diretamente com o nível dos fungos nas sementes, sendo maior em lotes de baixa infecção. Nesse contexto, o ideal e recomendável do ponto de
Goulart aponta a importância do tratamento de sementes no controle de Colletotrichum
vista epidemiológico, seria fazer o tratamento com fungicidas em sementes com baixos níveis de infecção/contaminação, pois neC las o controle é mais efetivo. Augusto C. P. Goulart, Embrapa Agropecuária Oeste
MÉTODOS DE DETECÇÃO DOS FUNGOS • Método do papel de filtro “blotter test” Segundo Neergaard (1979), este método consiste na utilização de sementes, sem assepsia superficial, semeadas em placas de Petri ou caixas Gerbox (20 sementes por recipiente), contendo três folhas de papel de filtro previamente esterilizadas, embebidas numa solução de 2,4D (2,4 – dicloro - fenoxiacetato de sódio), a 0,02% do produto comercial (1.000 ml de água destilada esterilizada + 2 ml do herbicida 2,4-D) para a cultura do algodoeiro. No caso da soja, adiciona-se a esta solução de 2,4-D, ágar diluído (10 g de ágar/1.000 ml de água) para facilitar a fixação das sementes no substrato, conforme Goulart (1984). Em seguida, os recipientes contendo as sementes são incubados em ambiente controlado, com temperatura entre 22 e 26°C, sob regime de 12h de luz (negra “NUV” e/ou branca fluorescente tipo “luz do dia”)/12h de
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escuro. O objetivo da utilização da luz é o de estimular a esporulação da maioria dos fungos. Após um período de incubação de sete dias, as sementes são examinadas, uma a uma, sob microscópio esterescópico e os microorganismos são identificados e anotados. A identificação é feita com base na esporulação dos fungos. Para cada amostra recomenda-se a utilização de 200 a 400 sementes, que devem ser tomadas ao acaso. O resultado do teste é expresso em percentagem de cada fungo detectado. A utilização do 2,4-D tem por finalidade inibir a germinação das sementes, a fim de facilitar a leitura do teste. Este tratamento leva à morte do embrião, sem causar efeito negativo na flora fitopatogênica. • Método do papel de filtro com congelamento “deep freezing method ” Este método consiste em pequena variação do anterior, no qual elimina-se a germinação, não pelo uso do 2,4-D, mas pela ex-
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posição das sementes à temperatura de 20°C (Neergaard, 1979). As sementes são semeadas em placas de Petri ou caixas Gerbox contendo três folhas de papel de filtro previamente esterilizadas e embebidas em água destilada esterilizada (algodão) ou em ágar diluído (10 g de ágar/1.000 ml de água) no caso da soja. Em seguida, são incubadas, sob as mesmas condições já descritas no teste anterior, nas primeiras 24 horas. Após esse período, os recipientes são retirados e colocados em um freezer a -20°C, por 24 horas. Posteriormente, voltam ao ambiente normal de incubação por cinco dias, perfazendo assim os sete dias, quando então é realizada a avaliação. O choque de frio, após as sementes absorverem água nas primeiras 24 horas de incubação, prejudica a germinação normal. Os microorganismos desenvolvem-se normalmente durante a incubação e a avaliação fica facilitada, uma vez que não ocorre a germinação das sementes.
Arroz
Doenças emergentes A in ci dên ci a-d a-bainha e carvão-ver de tem aum en tad on as lavour as ddee arr oz inci cidên dênci ciaa ddee queim queima-d a-da-bainha arvão-verd aumen entad tado nas lavouras arroz o Ri o Gr an de ddo o Sul em an os ddee elevad dad oblemáti cas n o períod o irri gad o ddo irrigad gado Rio Gran and anos elevadaa umi umid adee. Ambas pr problemáti oblemáticas no período da flor ação ddaa cultur a. O uso ddee cultivar es que apr esen tem rresistên esistên ci en os e a floração cultura. cultivares apresen esentem esistênci ciaa aos patóg patógen enos ad ubação nitr og en ad ad dam en tais n om an ejo ddessas essas ddoenças oenças adubação nitrog ogen enad adaa equilibr equilibrad adaa são fun fund amen entais no man anejo
O
estado do Rio Grande do Sul tem experimentado nos últimos anos um aumento na produtividade em suas lavouras de arroz irrigado, embora as condições de comercialização das safras nem sempre acompanhem este incremento de produção. A área semeada com arroz tem variado de ano para ano, ficando sempre próxima de um milhão de hectares, sendo que a produtividade média tem se mantido acima dos 6,3 mil quilos/ha-1 nas duas últimas safras. A produtividade do arroz irrigado no estado poderia ser maior, porém fatores de clima, fertilidade dos solos, logística, comercialização e aspectos fitossanitários podem influir nos resultados finais da lavoura. Além daquelas doenças de ocorrência mais freqüente nas lavouras gaúchas, como a brusone, a mancha-parda, a mancha-estreita e a escaldadura-da-folha, outras têm aumentado a sua presença, como a cárie do grão. Em anos de elevada umidade, duas doenças, a queima-da-bainha e o carvão-verde têm se apresentado com maior incidência em lavouras localizadas na Depressão Central, nos municípios de Cachoeira do Sul, Agudo, São João do Polêsine, Candelária, Faxinal do Soturno e Dona Francisca. Na safra de arroz 2006/2007, foi observado um aumento subs-
tancial na incidência destas doenças nas lavouras de arroz, se não causando danos à cultura, pelo menos alertando os produtores, técnicos e pesquisadores quanto a seu potencial destrutivo. Queima-da-bainha (Rhizoctonia solani Khun.) A queima das bainhas tem incidência favorecida pela presença de altos teores de matéria orgânica no solo, restos de culturas anteriores presentes, altas densidades populacionais e também pela adubação nitrogenada em excesso, que pode favorecer o aumento de massa verde das plantas. Condições ambientais com temperaturas altas (25-35 °C) e umidade relativa do ar acima dos 96% favorecem o estabelecimento da doença na cultura do arroz. Observações realizadas em campo mostram que a fase crítica da doença ocorre entre o perfilhamento e o período de floração, e a sintomatologia é caracterizada pelo aparecimento de manchas bem definidas nas bainhas, de forma oval, com centro claro e bordos mais escuros. Sobre estas lesões são produzidas as estruturas de sobrevivência do patógeno, os esclerócios. Na ausência do hospedeiro, este patógeno pode sobreviver no solo por muitos anos, produzindo esclerócios, ou ainda como um saprófita na matéria orgânica do solo. Por
Charles Echer
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ser um fungo “polífago”, isto é, que pode atacar diferentes hospedeiros, é de fundamental importância conhecer a sua biologia, principalmente para aqueles ambientes onde o manejo da lavoura de arroz irrigado contempla a rotação com soja, ou outra cultura suscetível ao patógeno. A fonte de inóculo inicial pode ser o solo ou sementes infestadas, sendo que a infecção inicial se dá nas bainhas das folhas. Ao final do ciclo, o fungo retorna ao solo através da deposição dos restos culturais infectados. Em casos de ataque muito intenso, há a possibilidade de o patógeno atingir a panícula, infectando a semente, onde sobrevive até a próxima safra. Pelas suas características de desenvolvimento, o patógeno ataca as plantas formando reboleiras na lavoura, e também se desenvolve sobre a planta, localizando-se nas bainhas, principalmente nas folhas-bandeira de cultivares suscetíveis, mostrando aí os seus sintomas característicos. O controle desta doença é muito problemático, principalmente devido ao fato de que os produtos registrados para controle químico na cultura do arroz não apresentam alta eficácia. Desta forma é necessário lançar mão do manejo integrado, através da utilização de outros métodos de controle, como a utiliza-
Dirceu Gassen
ção de cultivares com resistência ou tolerância ao patógeno, eliminação de restos culturais, rotação de culturas com espécies nãohospedeiras, controle de plantas invasoras que possam servir como fonte de inóculo, uso de adubação nitrogenada dentro de limites racionais, visando limitar o crescimento vegetativo das plantas, realização de boa drenagem das áreas de lavoura, mantendo o solo livre de umidade excessiva na entressafra, a fim de possibilitar a diminuição do potencial de inóculo para as próximas safras. Carvão-verde (Ustilaginoidea virens) Em anos normais, a ocorrência desta doença em campo é esporádica, sendo os danos insignificantes, com incidência sobre poucas panículas e, dentro da panícula, em pequeno número de grãos. Esta doença, que possui ampla distribuição geográfica, está presente em países produtores de arroz da Ásia, Austrália, Américas do Sul e do Norte. Atualmente, pelo fato de causar danos de menor monta sobre as plantas, tem sido considerada de menor importância, apesar de apresentar-se como epidêmica na Índia, Filipinas e Peru. A presença no campo está relacionada a solos férteis, adubação desequilibrada, alta pluviosidade (umidade relativa superior a 98%) e altas temperaturas durante os períodos de florescimento e enchimento de grãos. U. virens sobrevive em restos de culturas, e sua disseminação se dá pelo vento e pela água. Sementes infestadas servem como foco de disseminação das estruturas fúngicas, facilitando a perpetuação do patógeno no ambiente. Na safra 2006/2007, a incidência de U. virens em lavouras de arroz irrigado na região da Depressão Central, nos municípios de Dona Francisca, Faxinal do Soturno, Restinga Seca, Agudo, São João do Polêsine, São
O carvão-verde, na safra 2006/2007, mostrou seu potencial de agressividade em algumas regiões do Rio Grande do Sul
Pedro do Sul, Santa Maria, São Sepé, Mata, Cachoeira do Sul e Candelária, foi maior que em outros anos, mostrando o potencial de agressividade deste fungo quando ocorrem condições de ambiente favorável e cultivares suscetíveis. Os sintomas desta doença são observados nos grãos, já na fase de maturação, porém, a infecção se dá durante a abertura de flores, pois semelhantemente à cárie do grão, a penetração das estruturas fúngicas ocorre através dos órgãos florais. Estes sintomas apresentam-se nas panículas, sobre os grãos, de forma globosa, com coloração inicial amarelo-esverdeada e, posteriormente de cor verde-olivácea, recoberta por uma pulverulência de mesma cor, devido à formação de esporos. Nas regiões de clima temperado, este fungo sobrevive na forma de clamidósporos ou esclerócios. As infecções primárias são iniciadas por ascósporos, e aparentemente este patógeno ataca apenas o arroz irrigado, porém há relatos de um fungo semelhante morfologicamente, que ocorre no milho, porém sem afetar o arroz. O principal dano
da doença é relacionado à qualidade dos grãos e à produção de sementes, pois as estruturas do patógeno ficam aderidas à mesma. Como medidas de controle, são citados os plantios antecipados da cultura (pois maturações tardias favorecem o desenvolvimento do patógeno), o uso de fungicidas para o tratamento de sementes, evitando assim a dispersão da doença pela presença de esporos junto aos grãos da panícula, e a utilização da quantidade recomendada de adubação nitrogenada, pois altas doses de nitrogênio favorecem a ocorrência de maiores danos. O uso de fungicidas para o controle de outras doenças, como a cárie do grão e a mancha- parda controlam U. virens, principalmente se forem utilizadas misturas de triazóis + estrubilurinas na parte aérea, sendo a prevenção o melhor manejo para evitar a disseminação e danos econômicos à C cultura. Ivan Francisco D. da Costa, Tânia Maria Bayer da Silva e Giuvan Lenz, UFSM
Café
Alerta no cafezal Con dições com o temper atur tr uvas fr eqüen tes ad os Condições como temperatur aturaa en entr tree os 20 a 24ºC e ch chuvas freqüen eqüentes tes,, associ associad adaas a outr outros fator es com o ambi en tes sombri os e espaçam en tos fechad os deais par atores como ambien entes sombrios espaçamen entos fechados os,, são iid paraa Hemil emileeia go causad or ddaa ferrug em ddo o cafeeir o. A ddoença oença causa ddesf esf olha acen tu ad vastatrix, fun fung causador ferrugem cafeeiro. esfolha acentu tuad adaa devi do ao apar ecim en to ddas as pústulas eir am en te visu alizad as n or evid aparecim ecimen ento pústulas,, prim primeir eiram amen ente visualizad alizadas naa parte inferi inferior or,, alastr an do-se posteri orm en te até o terço superi or o con tr ole gi ci das sistêmi cos alastran and posteriorm ormen ente superior or.. N No contr trole ole,, os fun fungi gici cid sistêmicos destacam-se pela alta efi ciên ci a, m as rrecom ecom en dam-se também apli cações ddee cúpri cos eficiên ciênci cia, mas ecomen end aplicações cúpricos efi ciên ci tas par evenir ddefi plantas paraa pr prevenir eficiên ciênci ciaa ddee cobr cobree (Cu) nas plan
A
ferrugem do cafeeiro (Hemileia vastatrix), principal doença fúngica desta cultura, foi identificada pela 1ª vez em continente sul-americano no município de Itabuna - Bahia, no início de 1970. Sua rápida disseminação por todo território brasileiro e a intensa desfolha resultante da infecção, assustaram produtores de café e pesquisadores da área fitopatológica. Alguns mais céticos previram o fim da cafeicultura paulista e mineira. Nesta época, desconhecendo o potencial de disseminação dos uredosporos da ferru-
gem por correntes aéreas, pensou-se até na eliminação de cafezais com sintomas da ferrugem visando impedir o avanço da doença para as demais regiões produtoras de café. Para sorte dos cafeicultores, prevaleceu o bom senso dos pesquisadores e esta idéia da erradicação foi por terra antes de ser colocada em prática. Como qualquer outra ferrugem, os propágulos de disseminação (uredosporos) pode percorrer distâncias intercontinentais, viajando centenas de quilômetros pelo ar sem perder sua viabilidade até atingir uma planta de café. Além disso, como agravante, existem ainda várias plantas hospedeiras alternativas para Hemileia vastatrix. Desde então, o controle químico se tornou imprescindível nas lavouras de
café para garantir produtividade e qualidade a cafeicultura no Brasil. Das aplicações de cobre (Cu) nos anos 70 até os dias de hoje, muita coisa evoluiu no controle desta ferrugem. Ainda hoje se utiliza muito cobre nas lavouras de café, pelos benefícios protetivos preventivos ou sobre baixa incidência da doença, pelo baixo custo em relação aos sistêmicos e pelo efeito nutricional do cobre como micronutriente; mas sob condições de clima favorável e incidência severa, a ação de fungicidas sistêmicos aplicados na parte aérea ou via solo, tem sido mais promissora no controle da ferrugem que a dos tradicionais cúpricos, garantindo maior produtividade e melhor qualidade no café colhido.
SINTOMAS A ferrugem do cafeeiro é um fator Charles Echer
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Fotos Marco Galli
A face inferior das folhas (foto à esq.) apresenta manchas com intensa esporulação formada por estruturas reprodutivas do fungo
Estas condições são propícias ao aparecimento das pústulas de ferrugem nas folhas, primeiramente na parte inferior da planta, atingindo posteriormente o terço superior da planta. As folhas do ápice da planta são menos atingidas. Estas pústulas alaranjadas medem entre 0,5 a 1 centímetro de diâmetro na face inferior das folhas, e permitem facilmente identificar a doença no campo. O início dos sintomas geralmente é em dezembro ou janeiro, atingindo o pico de severidade entre abril e maio, comprometendo a produção colhida entre julho e agosto. Em ataques severos, ocorre intensa desfolha e isto se reflete na quantidade e na qualidade dos frutos obtidos. Embora existam algumas cultivares que apresentem certa resistência a Hemileia vastatrix, a cultivar Mundo Novo, a mais plantada no Brasil é altamente suscetível a este fungo, fato este que torna o controle químico um fator-chave no sucesso da lavoura cafeeira.
Charles Echer
limitante na cultura do café, por causar desfolha acentuada na planta, comprometendo a produção futura. Na parte superior das folhas os sintomas revelam manchas amareladas circulares. Ao se observar a face inferior, estas manchas se apresentam com uma intensa esporulação formada por estruturas reprodutivas do fungo de cor alaranjada e aspecto ferruginoso que recebem o nome de uredosporos. Condições de clima ameno, com temperatura na faixa de 20 a 24ºC e presença de chuvas freqüentes a partir de janeiro, em altitudes entre 800 a 1.300 metros, associadas a ambientes sombrios, espaçamentos mais fechados, adubação e tratos culturais inadequados. A carga pendente é de suma importância no controle da ferrugem. A maior incidência desta enfermidade está ligada às lavouras que estão com carga pendente elevada. Por isto, as lavouras devem maior atenção nos anos em que haja uma estimativa de alta produção.
CONTROLE
Os sintomas geralmente surgem em dezembro ou janeiro, atingindo o pico de severidade entre os meses de abril e maio
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Várias medidas de controle podem ser utilizadas no domínio da ferrugem, visando sempre a aliar o sucesso no controle da doença aos aspectos de segurança ambiental e do trabalhador. Entre as opções no controle, o emprego de fungicidas cúpricos vem sendo utilizado desde a identificação da ferrugem na Índia, Indonésia, África e no Brasil (1970). O efeito tônico às plantas pelos cúpricos pode ser observado na cor verde-escura olivácea das folhas e retardamento da desfolha. Na ausência de pulverização cúprica, observa-se intensa queda de folhas na estação seca. Por outro lado, sob um intenso regime de chuvas, em determinados anos, tornase difícil a execução de um programa preventivo de controle da doença com
Charles Echer
Tabela 1. Principais fungicidas cúpricos para aplicação foliar e triazóis utilizados via solo e/ou via foliar para controle de Hemileia vastatrix no cafeeiro
A cultivar Mundo Novo, a mais plantada no Brasil, é altamente suscetível a Hemileia vastatrix
pulverizações mensais de cobre, o que permite uma rápida e intensa elevação no índice de ferrugem após um período de chuvas, quando ela atinge o pico de infecção Com o surgimento dos fungicidas sistêmicos, parte dos cafeicultores os tem utilizado em substituição aos cúpricos. A superioridade dos sistêmicos ocorre devido às suas propriedades de absorção, translocação e modo de ação antiesporulante no controle da ferrugem, culminando com a diminuição de número de aplicações e diminuição da interferência de fatores climáticos nos programas de pulverizações. Outro fator importante nos sistêmicos, quando aplicados via solo, é a redução na mãode-obra e o longo efeito residual destes, sendo aplicados uma única vez ao longo do ano.
Nome Técnico oxicloreto de cobre sulfato de cobre hidróxido de cobre óxido cuproso Cyproconazole dissulfoton+cyproconazole Hexaconazole Triadimenol Ttriadimenol+dissulfoton Tebuconazole Epoxiconazole difenoconazole Propiconazole
Tratamentos com fungicidas sistêmicos do grupo dos triazóis têm sido os mais eficientes no controle. Mesmo com alta eficiência dos triazóis para ferrugem, recomenda-se ainda pelo menos duas a três aplicações de cobre entre fevereiro a abril, para prevenir deficiência deste micronutriente e garantir também uma proteção contra Cercospora cofeicola (mancha de olho pardo). Após a aplicação de fungicidas triazóis, as pústulas param de esporular e apresentam uma coloração seca e necrosada, evidenciando o efeito anti-esporulante deste grupo de fungicidas. Os principais fungicidas cúpricos para aplicação foliar e triazóis utilizados via solo e/ou via foliar com sucesso no controle de Hemileia vastatrix, são apresentados na Tabela. C Marco Antonio Galli, Unipinhal
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Coluna Andav
Mais saúde An dav fecha par ceri fer ecer tr atam en to And parceri ceriaa par paraa oofer ferecer tratam atamen ento od on tológi co a fun ci onári os ddee rreven even das associ ad as odon ontológi tológico funci cionári onários evend associad adas
A
pós uma importante parceria para oferecer um plano de seguro empresarial através da seguradora Porto Seguro, descrita na edição passada da Cultivar, agora é a vez da Andav - Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários ampliar os benefícios para as revendas agropecuárias associadas pensando na saúde de todos os seus associados. Nos últimos meses, a Andav observou que os funcionários das empresas, quando necessitam de um tratamento odontológico particular, acabam comprometendo seu orçamento familiar a ponto de algumas vezes buscarem alternativas como vales e financiamentos. Portanto, a conseqüência direta de uma simples dor de dente ocasionava um elevado índice
renciada e com abrangência nacional. A forte negociação realizada pela Andav beneficia de maneira significativa as revendas, oferecendo aos proprietários e funcionários um plano odontológico completo, sendo extensivo aos familiares e agregados, por um custo de R$ 13,98 por pessoa, sem taxa de inscrição e ainda, com carência promocional para todos os procedimentos. E mais: por se tratar de um contrato coletivo por adesão, o custo pode ser repassado até a sua totalidade aos funcionários que optarem pelo plano. Hoje, a Uniodonto do Brasil conta com 170 unidades, cerca de 20 mil cirurgiões-dentistas e mais de um milhão de usuários. A grande característica do Sistema é garantir uma cobertura efetivamente nacional. O usuá-
gico, atendimentos de urgência e emergência como curativos e suturas em caso de hemorragia bucal e labial, exame de radiologia. Há também atividades de prevenção em saúde bucal, dentística e tratamentos de periodontia e endodontia. Também está prevista a cobertura para cirurgias como alveoloplastia, apicectomia, biópsia, remoção de dentes retidos (inclusos ou impactados), sulcoplastia, dentre outros que podem ser esclarecidos junto à Uniodonto a qualquer momento. Na internet, as revendas podem acessar informações sobre o plano odontológico através do endereço eletrônico www.andav.com.br e pelo portal da Uniodonto do Brasil www.uniodonto.com.br/andav que tem um espaço exclusivo destinado aos associa-
“Hoje, a Uniodonto do Brasil conta com 170 unidades, cerca de 20 mil ” cirurgiões cirurgiões--dentistas e mais de um milhão de usuários usuários” de insatisfação no trabalho e até ocorrência de absenteísmo pela dificuldade ou frustração do não-tratamento. A Andav, disposta a oferecer o melhor em termos de prestação de serviços na área da saúde bucal, através de parceria com a Fukimoto & Associados, empresa especializada em gestão de benefícios para grandes grupos, acaba de negociar junto à Uniodonto do Brasil, que é a maior cooperativa de profissionais de odontologia do país, o que há de melhor em prestação de serviços na assistência odontológica, a contratação de Plano de Assistência Odontológica dife-
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rio do plano que estiver viajando ou trabalhando fora é atendido em qualquer cidade do país que possua um profissional, sem nenhum tipo burocracia e demora na consulta. A Uniodonto é a maior rede de atendimento odontológico do país que se tem notícias no mundo e lidera este segmento de mercado, seja pelo número de usuários ou pela diversidade dos planos que sempre oferece aos seus clientes. De acordo com a resolução normativa Nº 154 da ANS- Agência Nacional de Saúde Suplementar, a cobertura compreende diagnósticos como consulta inicial e exame histopatoló-
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dos da Andav onde é possível gerenciar informações de todos os funcionários cadastrados. No mesmo site está disponível endereços de dentistas em todo o país, detalhes da cobertura, dicas de saúde bucal e o modelo de contrato firmado com a associação. Para mais informações, dúvidas para a revenda se associar e adquirir o plano odontológico, os contatos devem ser feitos através da Andav pelo e-mail andav@andav.com.br ou pelo telefoC ne (19) 3213.6001. Henrique Mazotini Presidente executivo da Andav
Coluna Agronegócios
Cana-de-açúcar - Uma dádiva
H
á cinco anos, durante uma palestra em Piracicaba (SP), aventurei-me a prever que, até meados desta década, a produção brasileira de álcool ultrapassaria 15 bilhões de litros, dobrando este volume até 2015, com parcela ponderável destinada à exportação. Naquela oportunidade também asseverei que, em 2005, estaríamos exportando mais de US$ 500 milhões em álcool, quase o quádruplo do que exportávamos na época. Arrisquei fazer esta afirmativa perante uma platéia de especialistas na cadeia da canade-açúcar, baseado no que observava em visitas a países do primeiro mundo, ansiosos por reverterem a roda do tempo que os levou ao monopólio de uso da energia fóssil.
A segunda diferença diz respeito ao balanço energético do etanol. Produzido a partir de cana-de-açúcar, a relação entre a energia necessária para produzi-lo e aquela obtida pela sua combustão, varia entre 8 e 10:1. Quando produzido a partir do milho, as indicações variam entre um pequeno ganho ou a perda de 30%. A terceira diferença é que, integrada a uma usina de etanol de cana-de-açúcar, até o milho se viabiliza, utilizando a estrutura ociosa (dezembro – abril) da usina e a energia remanescente do bagaço de cana. Milho e cana integrados a um cluster que envolva também soja e girassol e as cadeias de carnes (bovina, suína e de avícola), destinados a produzir etanol / biodiesel para energia e proteína animal,
de cana-de-açúcar era de 1.485 MW e o excedente era de 619 MW. Encontravam-se em construção instalações para mais 75 MW e em processo de outorga outros 350 MW. Para atender à meta de crescimento econômico (4% a 5% ao ano) até 2008, a base instalada no país deveria crescer para 106,6 GW, desnudando um déficit a ser solvido no curto prazo. Nas condições atuais, o setor sucroalcooleiro pode contribuir com 11% da energia adicional, pela co-geração de energia através da queima do bagaço de cana, e mais ainda se for considerada a queima da palhada. Porém existem outras possibilidades. O bagaço e a palhada podem ser hidrolizados ao invés de queimados, desdobrando os carboidratos de alto peso molecu-
“Pequenas adaptações nos motores tornarão o etanol muito mais competitivo e sustentável que usar os outros combustíveis para serviços pesados” Pois bem, este ano, auferiremos US$ 2,5 bilhões com a exportação de 4,5 bilhões de litros de álcool. E, na presente safra, produziremos mais de 17 bilhões de litros! Cinco anos passados, ouso mais: até 2020, a cana-de-açúcar representará, para a agricultura brasileira, o que a soja é hoje: empregos, renda, interiorização de desenvolvimento e divisas de exportação. Os EUA estão rivalizando com o Brasil pela liderança mundial na produção de etanol, incrementando a produção de milho, reduzindo sua destinação para alimentação animal e competindo por área com outros grãos, como a soja. Entretanto, as vantagens comparativas para liderar o mercado internacional estão ao nosso lado.
BRASIL X EUA Existem três diferenças fundamentais entre produzir álcool de cana ou de milho, produzir nos EUA ou no Brasil. A primeira delas é financeira: produzir álcool de cana é economicamente competitivo, não há qualquer necessidade de suporte, incentivo ou subsídio governamental. Ao contrário, o governo pode se dar ao luxo de tributar fortemente o álcool de cana e, mesmo assim, ele é competitivo.
são absolutamente imbatíveis nos próximos anos. Mas só no Brasil. Porém a cana não é só açúcar e álcool. O mundo se volta para as biorefinarias e biofábricas. Se, no cluster acima, envolvermos ferramentas de biotecnologia e indústrias de química fina, criamos a química da biomassa, o sucedâneo da petroquímica.
ENERGIA DA CANA Tudo isto será factível porque uma tonelada de cana contém 1,7 Gcal, equivalendo a 1,2 barris de petróleo. Cada hectare de cana, além de produzir 7.300 litros de álcool (490 Mcal) gera 512 Mcal a partir da palhada, 598 Mcal extraídas do bagaço e 62 Mcal do biogás obtido do vinhoto. O poder calorífico da palha, com 30% de umidade, é de 2,2 Mcal/t, enquanto o bagaço, com 50% de umidade, gera 1,8 Mcal/t. Entre outros usos, o bagaço e a palhada podem ser queimados, para produzir eletricidade. Em menos de cinco anos estaremos produzindo mais energia de cana que de petróleo, nas plagas brasileiras. Um levantamento efetuado em 2003 indicou que a produção de energia elétrica, para consumo próprio, nas usinas
lar para carboidratos fermentáveis para etanol. Pela relação de massas entre o caldo e o bagaço, seria possível quase dobrar a quantidade de álcool produzido por hectare. Além do ganho energético, é possível antever o ganho ambiental, sendo factível aumentar em 100% a quantidade de álcool produzida, sem expandir a área plantada. Finalmente, uma previsão para o leitor anotar no caderninho e me cobrar mais tarde. É muito mais fácil e barato (financeira e energeticamente) produzir carboidratos do que óleos. Baseado neste fato biológico e econômico, minha previsão é que, em 20 anos, estaremos usando mais etanol que petrodiesel ou biodiesel, em motores de ciclo diesel. Pequenas adaptações nos motores tornarão o etanol muito mais competitivo e sustentável que usar os outros combustíveis para serviços pesados. Pense na revolução advinda deste câmbio tecnológico na hora de programar seus invesC timentos. Décio Luiz Gazzoni Engenheiro agrônomo, membro do Painel Científico Internacional de Energia Renovável do Conselho Internacional de Ciências
www.gazzoni.pop.com.br
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Coluna Mercado Agrícola
Vlamir Brandalizze brandalizze@uol.com.br
Plantando a safra que poderá ser a melhor da história do Brasil O quadro mundial está sinalizando com bons números para os produtores brasileiros. A safra mundial de grãos de 2007/08 prevista pelo USDA é de 2.086 milhões de t, ainda otimista, embora muitas perdas tenham ocorrido pela seca na Ásia, Europa e Austrália, e ainda não foram absorvidas nestes dados. Assim, poderemos ver a colheita total de grãos menor do que está sendo pintada. Enquanto isso, no lado da demanda o quadro é o inverso, com mais de 2.104 milhões de t, sendo que normalmente as previsões estão sempre sendo superadas. A economia mundial está crescendo acima dos 5% ao ano, mas os principais países, os que têm as maiores populações, estão crescendo próximo dos 10% ou acima, como é o caso da China e, com isso, o volume de alimentos consumidos nestes locais está avançando entre 10 e 20%. Desta forma, deixa o quadro local bastante apertado e aumenta as necessidades de importações pelos principais compradores. As cotações do trigo dispararam neste ano e estão nos melhores níveis históricos, enquanto isso, a soja voltou a superar a marca dos US$ 10 por bushel em Chicago, fato este poucas vezes verificado na história da oleaginosa. Sem contar a forte demanda de milho no mercado internacional, em função da quebra da produção do trigo e da menor disponibilidade deste produto para ração que está sendo compensado com a importação de maiores volumes de milho. Como o fator biocombustível é um forte aliado dos produtores, este tem servido para dar suporte à demanda e às cotações. Desta forma, tudo indica que os produtores brasileiros estão começando a plantar uma das melhores safras da história do país, porque para nós, no conjunto, todos os produtos estão com cotações em níveis bastante acima das médias históricas. Portanto, é hora de investir e correr atrás para ter uma boa colheita. MILHO Exportação mantendo mercado forte O Brasil que esperava exportar seis a sete milhões de t, agora indica que pode chegar à marca dos dez milhões de t, deixando o mercado interno bastante enxuto de ofertas. Este processo fez com que a Conab começasse a vender seus estoques antes das expectativas. As cotações nacionais foram novamente para cima, com patamares variando dos R$ 22 aos R$ 26 para os estados do Sul e Sudeste, e níveis de R$ 15 aos R$ 20 nos estados do Centro-Oeste e mantendo assim, mais compradores que vendedores. Tivemos pela primeira vez uma corrida em busca de fechamentos da safra nova, onde já temos pelo menos oito milhões de t negociadas antecipadamente, para entrega entre os meses de fevereiro e maio. Indicativos mostram que até o final do plantio, as negociações da safra nova cheguem à marca dos dez milhões de t, e todas sendo realizadas com cotações que dão boa lucratividade aos produtores. A safra, de agora em diante, entra no período de pico de entressafra e necessidade de formação de estoques das indústrias, além de seguir com grandes volumes de embarques na exportação, que vêm sendo realizados entre os US$ 200/210 por t nos portos brasileiros.
SOJA Bom volume negociado antecipado O plantio está andando e pelo que se observa veremos um crescimento de 1 a 1,5 milhão de hectares sobre a safra passada. Desta forma, voltaremos a ter mais de 22,5 milhões de hectares plantados e uma estimativa de colheita de 60 milhões de t, mas podendo ir acima. Enquanto isso, os produtores têm aproveitado para fechar boa parte da safra, inicialmente, para cobrir os custos de produção onde muitos fechamentos se deram entre os US$ 13,5 aos US$ 19 por saca, sendo que os níveis menores ficam nas regiões mais distantes do país e os maiores patamares nas áreas mais próximas dos portos, que já apresentaram níveis de US$ 20 por saca via Paranaguá, indicando momentos mais atrativos em setembro. As cotações da soja neste último mês atingiram os melhores níveis desde agosto de 2004 e seguem firmes porque as ofertas estão escasseando e deverão manter as cotações forçadas para cima. FEIJÃO Mercado em alta por falta de oferta O feijão, de agora em diante, terá poucas ofertas de produto novo e, como houve grandes perdas na safra do Nordeste, os consumidores da região
devem vir para a região Central do país para se abastecer de outubro em diante, e, dar forças para as cotações avançarem ainda mais. Os indicativos que nas últimas semanas andaram dos R$ 85 aos R$ 95, agora poderão superar a marca dos R$ 100 e se manter acima até a chegada da safra nova do centro-sul de São Paulo, que deverá ter feijão somente no começo de dezembro em diante. Mesmo assim, os volumes serão pequenos porque a seca está causando perdas na região. Bom sinal para as cotações do feijão, que serão firmes. ARROZ Mantendo indicativos firmes O mercado do arroz em casca está na fase de entressafra e, de agora em diante, tende a se manter firme. Como os produtores nos últimos três meses deram preferência à venda ao governo via Opção, as ofertas de produto livre tendem a ficar escassas e dar fôlego para manter as cotações em alta. Isso ocorreu também entre a segunda quinzena de agosto e a primeira de setembro, quando saltou dos R$ 20 aos R$ 25 por saca do comercial no Sul e até R$ 30 pelo produto nobre. Com espaço de mais ajustes em outubro em diante, quando o governo poderá vender os estoques a partir dos R$ 26 por saca.
CURTAS E BOAS TRIGO - O quadro mundial está cada dia mais apertado e com isso o cereal está com as cotações em patamares históricos. Desta forma deu fôlego para as cotações internas avançarem e, agora, estamos vendo a tonelada do produto acima dos R$ 640 e os produtores recebendo dos R$ 35 acima por saca, fato este que nunca havia ocorrido. Assim, os produtores seguem ditando as regras porque não tem trigo no mercado internacional para atender às necessidades das indústrias. ALGODÃO - A queda no plantio da safra dos EUA já está causando uma nova situação ao setor do algodão, que mostra boas expectativas para o próximo ano. Mas, como a soja está em níveis históricos, os produtores do MT, poderão diminuir a área local em função da oleaginosa, enquanto isso, deveremos ver crescer o plantio na Bahia, que tem tido bons resultados com a pluma. O algodão continua com liquidez localizada das mãos para a boca da indústria e os produtores sendo obrigados a amarrar contratos de exportação para ter liquidez na safra nova, que poderá superar a marca dos dois milhões de t. EUA - A colheita está andando, e pelos números atuais a da soja não vai muito além dos 71 milhões de t contra 86,7 colhidas no ano passado. O milho avançou forte e o USDA aponta para os 338 milhões de t, mes-
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Outubro 2007 • www.cultivar.inf.br
mo assim segue com cotações fortes porque as exportações seguem acima das expectativas. A colheita americana estará andando a todo vapor neste mês de outubro. CHINA - As perdas da safra que, segundo comentários locais, podem chegar à marca de 20% deverão aumentar as necessidades de importações do país. A Soja, que previa produzir mais de 17 milhões de t, agora se comenta em menos de 13, com o consumo crescendo para cima dos 50 milhões de t e assim importações próximas dos 37 milhões de t contra expectativas que sinalizavam números abaixo dos 33 milhões de t e como os EUA reduziram a produção, as compras devem ser na América do Sul. CARNES - Continua batendo recorde de embarques, como mostrou o frango, que de janeiro a agosto já havia embarcado 2,08 milhões de t e faturado US$ 2,9 bilhões, indicando que superara as expectativas de fechar com 3,2 milhões de t embarcadas e faturar cerca de US$ 4,5 bilhões, sendo recorde de volume e faturamento e junto recorde de alojamento e consumo de ração internamente. Com toda a capacidade instalada sendo usada e favorecendo para manter os grãos firmes neste restante de ano e também para o começo do próximo.