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Cultivar 247

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Destaques

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@RevistaCultivar

Índice Diretas

04

Cultivares de café tolerantes à seca

06

Alternativas de controle de percevejos

10

Nutrição no manejo de doenças em soja

13

Qualidade de grãos e sementes de soja

16

Manejo de percevejos em soja

20

Lançamento de molécula inseticida dinotefuran

23

Capa - Controle de lagartas em ambiente Bt

24

Informe PhosAgro

28

Mancha da ramulária em algodão

30

Reguladores de crescimento em algodão

34

Efeito carryover

37

Importância de novas cultivares de

Basf anuncia investimentos no Brasil

40

café com melhor desempenho em

Dessecação na pré-colheita de soja e feijão

42

Plataforma Intacta 2 Xtend

47

Coluna Agronegócios

48

Coluna Mercado Agrícola

49

Coluna ANPII

50

24

Mudança constante

Como combater lagartas do complexo Spodoptera e Helicoverpa em um ambiente de cultivo dinâmico e marcado por desafios

06

Tolerantes à seca

situações de déficit hídrico

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Crescimento gerenciado

A necessidade de gerenciar

Expediente

e intervir no crescimento

Fundadores: Milton Sousa Guerra, Newton Peter e Schubert Peter

das plantas de algodão Cultivar Grandes Culturas • Ano XX • Nº 247 Dezembro 19/Janeiro 20 • ISSN - 1516-358X Crédito de Capa: André Shimohiro Grupo Cultivar de Publicações Ltda. CNPJ : 02783227/0001-86 Insc. Est. 093/0309480 Rua Sete de Novembro, 160, sala 702 Pelotas – RS • 96015-300 Diretor Newton Peter www.grupocultivar.com contato@grupocultivar.com Assinatura anual (11 edições*): R$ 269,90 (*10 edições mensais + 1 edição conjunta em Dez/Jan)

Números atrasados: R$ 22,00 Assinatura Internacional: US$ 150,00 Euros 130,00 Nossos Telefones: (53) • Geral 3028.2000 • Comercial: • Assinaturas: 3028.2065 3028.2070 3028.2066 • Redação: 3028.2067 3028.2060

Por falta de espaço não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: contato@grupocultivar.com Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.

REDAÇÃO • Editor Gilvan Dutra Quevedo

COMERCIAL • Coordenação Charles Ricardo Echer

• Redação Rocheli Wachholz Karine Gobbi Cassiane Fonseca

• Vendas Sedeli Feijó Miriam Portugal

• Design Gráfico e Diagramação Cristiano Ceia

CIRCULAÇÃO • Coordenação Simone Lopes

• Revisão Aline Partzsch de Almeida

• Assinaturas Natália Rodrigues

GRÁFICA: Kunde Indústrias Gráficas Ltda.

• Expedição Edson Krause


Diretas Selo

A Ihara foi uma das nove empresas selecionadas para a renovação do selo Agro+ Integridade, concedido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A companhia já havia sido premiada na edição do ano passado. “A cultura japonesa também preza pela ética e a integridade e isso se reproduz como valor dentro da Ihara, refletindo nossa maneira de fazer negócios no País”, comentou a gerente de Desenvolvimento Humano e Compliance, Luciana Gazeta. “Nossos colaboradores, clientes e parceiros também participam deste processo, compartilhando da nossa cultura e reforçando a credibilidade do nosso trabalho, sendo assim, a celebração é de todos”, comemorou.

Luciana Gazeta

Certificação

A Satis, empresa mineira especializada em produtos de nutrição vegetal, acaba de receber a recomendação para certificação ISO 9001 para sistemas de gestão da qualidade. A recomendação é resultado da auditoria realizada pela Fundação Vanzolini, única entidade brasileira integrada à The International Certification Network (IQNet) – rede composta pelas 38 mais importantes certificadoras presentes em mais de 150 países. O coordenador de Qualidade da Satis, Fabrício Porto, prevê que a empresa será uma das únicas do País no setor de nutrição vegetal a conquistar o ISO 9001 – versão 2015.

Biofertilizantes

O Vorax Biofertilizante foi apresentado durante a quarta edição do Congresso Mundial de Bioestimulantes, em novembro, em Barcelona, com organização da New Ag International. O diretor técnico da Microquimica Tradecorp, Roberto Berwanger Batista, informou que o Vorax Biofertilizante é o único no Brasil com garantia e certificação para ser recomendado com o selo de biofertilizante e reforça que o registro é um marco para todo o setor agrícola nacional. “A partir desta primeira iniciativa internacional vamos iniciar os processos para exportação e as expectativas são muito boas. Por se adaptar às mais diferentes condições climáticas, o nosso produto tem um potencial internacional promissor”, avaliou.

Mozart Fogaça

Novos rumos

Roberto Berwanger Batista 04

O executivo Mozart Fogaça Júnior é o novo vice-presidente de Negócios e de Marketing da Superbac. Formado em Engenharia Agronômica pelo Centro Regional Universitário de Espírito Santo do Pinhal (SP) e com MBAs pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Ohio State University e University of Pittsburgh, o profissional tem mais de 25 anos de experiência no mercado. Fogaça tem forte atuação no segmento agro, principalmente nas áreas de biotecnologia, sementes e agroquímicos, e experiência consolidada em gestão, marketing, planejamento, P&D e vendas. “Ter a oportunidade de fazer parte de um time como o da Superbac é uma grande honra e espero poder ajudar a companhia a se consolidar, ainda mais, em seu mercado de atuação”, avaliou.

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Campeonato

Em novembro ocorreu o V Campeonato Brasileiro da Ciência das Plantas Daninhas, promovido pela Sociedade Brasileira de Ciência das Plantas Daninhas (SBCPD) na Estação Experimental de Pesquisa da Corteva Agriscience, em Mogi Mirim, São Paulo. O evento contou com a participação de nove equipes, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Universidade Federal do Paraná (UFPR), Centro Universitário da Fundação de Ensino Octávio Bastos (Unifeob), Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Universidade Estadual de Maringá (UEM), Universidade de São Paulo (USP/ Esalq), Universidade de Araraquara (Uniara), Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita (FCA/Unesp, Botucatu). A Comissão Organizadora foi formada pelos professores Carlos Eduardo Schaedler (IFSul/ Campus Bagé), Naiara Guerra (UFSC), Camila Ferreira de Pinho (UFRRJ), Anderson Luis Nunes (IFRS/Campus Sertão), Arthur Arrobas Martins Barroso (UFPR), juntamente com os pesquisadores Augusto Kalsing e Lucas Perim, da Corteva Agriscience.

Clayton Emanuel da Veiga

Pedro Parente

Conselho

A Syngenta anunciou que o ex-CEO da Petrobras, Pedro Parente, ingressou no Conselho de Administração da companhia, como diretor não executivo, com vigência imediata. “Estamos muito satisfeitos. Pedro Parente traz uma ampla variedade de experiências nos mais altos níveis de instituições públicas e privadas, em muitos setores da indústria. Sua experiência na cadeia de valor de alimentos trará informações valiosas ao Conselho e será muito apreciada”, avaliou o presidente do Conselho de Administração da Syngenta, Frank Ning.

Parceria

A Mosaic Fertilizantes anunciou novidades para o Nutrisafras, canal de informações agro da empresa. Usuários da plataforma vão ter acesso em primeira mão às informações sobre impactos do clima nas lavouras, com a chancela da Climatempo, empresa de meteorologia com mais de 30 anos de expertise no campo. O produtor poderá acessar a previsão do tempo para até 15 dias em mais de 700 cidades agrícolas, além de vídeos e boletins sobre o clima, que possibilitam acompanhar a safra das principais regiões do Brasil. As informações enviadas pela Climatempo combinam dados coletados com tecnologia de ponta e interpretados por uma equipe de especialistas no segmento. www.revistacultivar.com.br • Dezembro 2019 / Janeiro 2020

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Café Epamig

Tolerantes à seca Novas cultivares de café com melhor desempenho diante de situações de estresse hídrico podem revolucionar a produção em ambientes com dificuldades para o cultivo, além de impactar positivamente padrões de produtividade, resistência a doenças e qualidade de bebida

D

iante das mudanças climáticas, a ocorrência de períodos de seca e altas temperaturas em fases fenológicas importantes, como o florescimento e a frutificação, tem sido frequente e prejudica a produtividade e a qualidade do café. Além disso, há a intensificação do ataque de pragas e doenças. Contudo, a intensidade dos impactos negativos da seca sobre o cafeeiro é variável entre cultivares, linhagens e acessos. Portanto, o Programa de Melhoramento conduzido pela 06

Epamig em parceria com outras instituições como a Embrapa Café, a Unesp, a Ufla e a UFV busca desenvolver cafeeiros com capacidade de tolerância ou adaptação à seca. O caminho percorrido é bem longo. As pesquisas nessa linha foram iniciadas na década de 1990 utilizando genótipos oriundos de diversos estudos realizados nas regiões Sul, Triângulo e Alto Paranaíba. Atualmente os trabalhos de campo

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estão concentrados nas regiões Noroeste, Norte, Vale do Jequitinhonha e Vale do Rio Doce no estado de Minas, regiões com clima definido pela escassez de chuva e temperaturas mais elevadas, em fazendas experimentais da Epamig e em propriedades particulares. Nesses locais ocorre a seleção inicial de genótipos com potencial tolerância à seca, com base em maiores produtividades em anos em que ocorre maior deficiência hídrica. Após a seleção inicial das progênies produtivas com potencial tolerância à seca, são implantados experimentos submetendo-as ao déficit hídrico em condições de campo e em casa de vegetação. Em campo, os experimentos são implantados em sistema irrigado por gotejamento e em sistema sequeiro, para comparativamente estabelecer as respostas dos genótipos frente à ocorrência de períodos de seca. Em casa de vegetação, os experimentos são conduzidos em vasos e o déficit hídrico controlado é imposto pela suspensão da irrigação até que as plantas fiquem com baixos potenciais hídricos, ou seja, desidratadas. As plantas estressadas são comparadas às plantas mantidas sob irrigação. A tolerância à seca tem sido verificada em progênies derivadas do cruzamento


Silva, V.A 2014

Epamig

Experimento em campo onde plantas são submetidas a sistema irrigado por gotejamento e déficit hídrico por suspensão da irrigação

Pegamento de florada: genótipo tolerante à seca Coelho, L.S. 2017

entre Híbrido de Timor (provável híbrido interespecífico natural entre Coffea arabica L. e Coffea canephora Pierre ex A. Froehner) com cultivares comerciais do grupo Catuai. Essas progênies são de grande interesse, pois têm se mostrado promissoras, aliando altas produtividades, qualidade de bebida e resistência à ferrugem (Hemileia vastratrix), o que poderá atender à demanda do mercado por café de qualidade, pela redução do uso de recursos hídricos e de defensivos agrícolas, reduzindo custos, agregando valor ao produto e incrementando a renda do cafeicultor. Adicionalmente, populações resultantes do cruzamento entre cultivares do Grupo Icatu e Catimor têm sido estudadas nesse sentido. A cultivar Icatu foi obtida a partir de hibridação interespecífica realizada pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), entre um cafeeiro tetraploide de C. canephora e uma planta da cultivar Bourbon de C. arábica, e o grupo Catimor refere-se ao germoplasma resultante dos cruzamentos de Caturra Vermelho CIFC 19/1 com os cafeeiros de Híbrido de Timor CIFC 832/1 e CIFC 832/2. Os recursos genéticos disponíveis no Banco Ativo de Germoplasma da Epamig também têm sido intensamente estudados. Avaliações morfo-agronômicas preliminares entre os 152 acessos de Híbrido de Timor mostraram que há grande variabilidade genética entre acessos, indicando a necessidade de ampliar a caracterização desse acervo genético. Considerando que a população de Híbrido de Timor apresenta fontes de resistência à ferrugem alaranjada, à antracnose dos frutos do cafeeiro e à mancha-aureolada, a identificação de acessos resistentes a tais doenças, que combinem também a tolerância à seca, tem sido realizada em trabalhos recentes, visto que essa variedade apresenta uma porcentagem do genoma de C. canephora. No melhoramento genético convencional de café, as progênies são desenvolvidas e testadas em condições de campo, ao longo de vários anos e locais, o que requer grande investimento de tempo e dinheiro. As progênies e linhagens, plantadas em condições ecológicas diferentes, permitem avaliar a capacidade produtiva e o comportamento para diversas características agronômicas. Contudo, as respostas ao déficit hídrico envolvem muitos genes que determinam uma complexa rede de respostas moleculares, fisiológicas e morfológicas. Além disso, a grande imprevisibilidade da intensidade e a duração do déficit hídrico também contribuem para aumentar a multiplicidade dos componentes genéticos envolvidos e que dificultam o melhoramento genético para a tolerância à seca. Por isso, nossas pesquisas para desenvolvimento de cultivares tolerantes à seca utilizam tecnologias mais avançadas, integradas ao melhoramento genético convencional do cafeeiro. O progresso recente das tecnologias morfológicas, anatômicas, ecofisiológicas, bioquímicas e moleculares, trouxe um impacto marcante no desenvolvimento das novas cultivares de café. As características morfológicas, anatômicas e fisiológicas determinam o fluxo hídrico nos tecidos, controlando a perda de vapor de água para a superfície e mantendo a absorção de água pelas raízes. Em nível morfológico, a arquitetura da planta influencia o balanço hídrico da planta, pois altera a absorção e emissão de energia, as quais, por sua vez, afetam a temperatura da folha, a pressão de vapor, a taxa transpiratória e a absorção de água. A área foliar, a arquitetura de raiz e o ângulo dos ramos plagiotrópicos (que determina a abertura ou o fechamento da copa do cafeeiro) apre-

Experimento realizado em casa de vegetação, onde plantas são submetidas ao déficit hídrico controlado por suspensão da irrigação

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Amaral, M.A 2019

Unidade demonstrativa: progênies selecionadas no Vale do Jequitinhonha, cultivadas em sistema irrigado por gotejamento e sistema sequeiro em São Sebastião do Paraíso

sentam variabilidade entre os genótipos e estão explorados dentro do programa de melhoramento com objetivo de tolerância à seca. Com relação às características anatômicas, tem se destacado na seleção dos genótipos tolerantes a espessura da cutícula, a presença de pelos radiculares e as características do lenho que determinam menor vulnerabilidade ao bloqueio do fluxo de água e proporcionam maior eficiência de condução hidráulica nas plantas em condição de déficit hídrico. Em relação às características fisiológicas são considerados para seleção dos genótipos o menor estresse oxidativo (escaldadura) e a maior eficiência fotossintética em condições de déficit hídrico severo. Em condições de déficit hídrico moderado considera-se também a eficiência de uso da água e a manutenção do potencial hídrico, ou seja, da capacidade da planta em se manter hidratada. Os genótipos identificados como tolerantes à seca são analisados ainda quanto à expressão de genes marcadores para tolerância à seca, o que contribui para garantir a caracterização e a confirmação da tolerância à seca dos genótipos identificados em campo e casa de vegetação. É importante destacar também a resiliência do cafeeiro, ou seja, a maior capacidade de se recuperar após ciclos de déficit hídrico. Os impactos do déficit hídrico são analisados ainda em função da fase fenológica em que ocorre, ou seja, se é na fase de desenvolvimento vegetativo; na de indução e diferenciação; no abotoamento e abertura floral e na frutificação (principalmente fase chumbinho e fase de granação). Os projetos apresentam apoio financeiro do Consórcio Pesquisa Café, INCT do Café, Fapemig, CNPq e Capes e contam com o envolvimento de mais de 30 pesquisadores. Os resultados das pesquisas devem ser divulgados nos próximos anos, sendo que a

primeira cultivar já está em fase de registro. A equipe de pesquisadores está otimista, pois as progênies estudadas têm produtividade superior em até 50% em relação a cultivares comerciais mais sensíveis. Além disso, acredita-se que as lavouras devem requerer uma menor quantidade de água, reduzindo o impacto ambiental. Isso é importante, tendo em vista que a atividade agrícola é responsável por 70% do consumo de água doce no planeta. As novas cultivares irão agregar produtividade, resistência a doenças e qualidade de bebida, além de se adaptar aos ambientes quentes do estado, podendo suportar inclusive altas temperaturas e insolação. Esse será mais um grande passo para que o estado de Minas Gerais continue sendo referência mundial em pesquisa na cafeicultura. Como forma de divulgar não apenas esta, mas outras tecnologias desenvolvidas nos seus campos experimentais, a Epamig tem implantado unidades de demonstração para os produtores e promove dias de campo e treinamentos direcionados ao público-alvo para o qual a tecnologia é de interesse, a exemplo de líderes comunitários, estudantes das áreas agrícolas e técnicos de assisC tência técnica e extensão rural.

Vânia, Juliana, Carvalho, Botelho, Margarete, Baião e Pereira abordam importância de cultivares tolerantes a estresse hídrico

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Vânia Aparecida Silva, Juliana Costa de Rezende Abrahao, Gladyston Rodrigues Carvalho, César Elias Botelho e Margarete Marin Lordelo Volpato, Epamig Sul Antonio Carlos Baião de Oliveira Embrapa/Epamig Sudeste Antonio Alves Pereira Epamig Sudeste


Soja

Associação positiva Como o uso de cultivares tolerantes associado ao controle biológico, através da liberação do parasitoide de ovos Telenomus podisi, pode ajudar a diminuir os custos de produção e favorecer o manejo integrado do percevejo-marrom na cultura da soja

O

s custos de produção na cultura da soja vêm aumentando nas últimas safras, ultrapassando a cifra de R$ 3.300,00 por hectare, o que pode comprometer a viabilidade da atividade. A quantidade de insumos utilizados, principalmente aqueles relacionados à fitossanidade da lavoura, apresenta considerável aumento, seja pela maior ocorrência das pragas/doenças ou mesmo pela menor eficiência do manejo e/ ou produtos empregados. Entre os fatores que podem afetar a produtividade da soja é possível citar os insetos, especialmente os do grupo de percevejos, que atacam diretamente a vagem e os grãos, causando perdas como aborto de vagens e grãos, atrofia de grãos, redução de massa, tamanho e teor de óleo dos grãos e germinação e vigor das sementes, além da ocorrência de distúrbios fisiológicos na planta como o retardamento da maturação, o que acarreta menor produtividade da lavoura. Vale ressaltar que na soja Intacta, praticamente toda a utilização de inseticidas é voltada para o combate de percevejos, pois a tecnologia proporciona o controle das principais lagartas. Isso pode contribuir para a preservação de inimigos naturais na área, pois a utilização de inseticidas no controle de percevejos é realizada em estágios mais avançados de desenvolvimento das plantas. Entre os percevejos que causam danos na soja destaca-se o percevejo-marrom, Euschistus heros (Fabricius) (Hemiptera: Pentatomidae), que é a espécie mais abundante e tem grande destaque no Norte do Paraná, no Brasil Central e na região do Matopiba, destacando-se tanto pelas grandes populações e pelos danos causados, quanto pela dificuldade de controle. O Manejo Integrado de Pragas (MIP) busca manter o equilíbrio no ecossistema da soja, colaborando com a sustentabilidade da lavoura e a preservação do ambiente, evitando o uso excessivo de

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Fotos Suelen Moreira

produtos químicos. Para tanto, no MIP realiza-se o controle de pragas através da associação de diferentes táticas, tais como o uso de cultivares tolerantes, o controle biológico e a utilização de agroquímicos, priorizando inseticidas seletivos e mais seguros ao homem e ao ambiente. As cultivares de soja tolerantes ao ataque de percevejos apresentam menor perda de rendimento, maior qualidade de grãos, menor retenção foliar e produção de grãos chochos, em comparação com as cultivares suscetíveis, quando ambas são submetidas a uma mesma população da praga. Com o lançamento da tecnologia Block (www.embrapa.br/ soja/block), a Embrapa vem desenvolvendo cultivares que auxiliam no manejo de percevejos, conferindo maior proteção à lavoura em situações de surtos populacionais desta praga. A BRS 1003IPRO e a BRS 391 já são exemplos de cultivares comerciais que apresentam essas características diferenciais, e novas linhagens de soja estão sendo desenvolvidas no programa de melhoramento genético, em que os níveis de tolerância ao percevejo são maiores. Essa tecnologia também se encontra na cultivar BRS 543 RR e que estará disponível no mercado nas próximas safras. Outra opção para controle de percevejos fitófagos, que vem sendo mais utilizada a cada ano, é a liberação do parasitoide de ovos Telenomus podisi. Esse inimigo natural é criado e comercializado por empresas/laboratórios especializados na produção de agentes de controle biológico. Com o objetivo de minimizar a necessidade de utilização de inseticidas quími-

Parasitóide Telenomus podisi pode auxiliar no manejo de percevejos em soja

O custo de produção da soja vem aumentando ao longo das últimas safras no Brasil

cos para controle do percevejo-marrom na soja, foi desenvolvido um trabalho na Embrapa Agropecuária Oeste, em parceria com a Embrapa Soja. Para tanto, uma área total de aproximadamente três hectares foi dividida em três talhões. Todas essas áreas foram semeadas na segunda quinzena do mês de outubro e semanalmente monitoradas com a utilização do pano de batida (1m de comprimento x 0,5m de largura), sendo amostrados oito pontos em cada uma das áreas para avaliação dos níveis populacionais de percevejos. Registrou-se o número de percevejos por pano de batida, tanto de ninfas grandes (maiores do que 5mm) quanto o de adultos. Nenhuma aplicação de inseticida foi realizada para o controle de lagartas nessas áreas, considerando-se que a incidência de lagartas desfolhadoras não atingiu o nível de controle. O manejo de doenças e de plantas daninhas foi realizado de acordo com as recomendações técnicas para a soja (Reunião de Pesquisa de Soja, 2017). Por ocasião da colheita, amostras de grãos foram separadas e os índices de danos avaliados pelo teste de tetrazólio. O talhão 1 foi semeado com uma das cultivares de soja predominantes na região, sem tolerância a percevejos, e quando, nas amostragens semanais, observou-se o nível de infestação com dois percevejos por pano de batida, foi realizada a pulverização com inseticida para controle do percevejo. No talhão

2 também foi semeada a mesma cultivar de soja predominante na região, sem tolerância a percevejos. Nessa área, para controle do percevejo, foram realizadas três liberações do parasitoide de ovos T. podisi, com a população de dez mil parasitoides/hectare em cada uma das liberações. A primeira liberação foi realizada no momento em que os primeiros percevejos adultos foram observados no pano de batida na área, sendo as demais liberações realizadas aos 20 dias e 27 dias após a primeira liberação (Figura 1). Em uma terceira área (talhão 3) foi realizada a semeadura da cultivar BRS 543 RR, tolerante ao percevejo. Nesse talhão, também foram realizadas três liberações do parasitoide T. podisi, sendo que a segunda e a terceira liberação dos parasitoides ocorreram em intervalos de sete dias e 15 dias após a primeira liberação (Figura 1). Essas diferenças de épocas de liberações ocorreram em função das diferenças de ciclo das cultivares, pois a tolerante é mais precoce. Na área com soja sem tolerância (talhão 1) foram realizadas duas aplicações de inseticidas em R5.4 e R7, quando a população de percevejos atingiu dois percevejos/m. Até o momento dessa primeira aplicação verificou-se que a população média de percevejos foi 1,4 vez maior em relação à área com soja sem tolerância e com a liberação do parasitoide e 1,8 vez maior em relação à área com soja tolerante e liberação do parasitoide T. podisi. Avaliando a área com soja sem tolerância, onde somente foi utilizada a liberação de parasitoides para controle do percevejo-marrom, observa-se que as liberações realizadas nas

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Figura 1 - Número médio do percevejo-marrom Euschistus heros (ninfas maiores que 5mm e adultos) amostrado nas diferentes fases fenológicas da soja suscetível e da cultivar BRS 543 RR tolerante à praga. As setas indicam os períodos em que foram realizadas as liberações do parasitoide Telenomus podisi ou aplicação de inseticida. Embrapa Agropecuária Oeste, Dourados, MS. Safra 2018/2019

Tabela 1 - Picos populacionais de percevejos na soja sem tolerância + controle químico, soja sem tolerância + controle biológico (CB) e na cultivar tolerante BRS 543 RR + controle biológico, seus danos nos grãos, potencial germinativo e vigor de sementes de soja na safra 2018/2019. Embrapa Agropecuária Oeste, Dourados, MS. Safra 2018/2019 Cultivar Sem tolerância Sem tolerância + CB Tolerante + CB Pico – No de percevejo m-1/Estágio Soja 2,00 – R5.4 5,25 – R8 2,12 – R8 Dano por percevejo (1-8)*1 28,0 38,5 18,0 Dano por percevejo (6-8)*2 10,7 35,5 7,5 Vigor (%) 40 16 64 Potencial germinativo (%) 78 43 85 * Classe de vigor do teste de tetrazólio: 1(1-8) = % de grãos picados. 2(6-8) = % de grãos inviáveis devido ao dano de percevejos.

fases R4 e R5.2 conseguiram manter os níveis populacionais do percevejo abaixo daqueles que se recomenda uma intervenção com inseticidas (Figura 1). No entanto, a última liberação realizada em R5.3 não conseguiu manter a população do percevejo abaixo do nível de controle até o final do ciclo da soja, atingindo 5,25 percevejos por pano de batida na fase R8 (Figura 1, Tabela 1). Em uma situação de lavoura comercial, ao se verificar esse aumento, deveria ter sido realizada outra liberação de parasitoide, na tentativa de manter a população em níveis abaixo de dois percevejos por pano de batida ou realizada a aplicação de um inseticida químico, no sentido de baixar o nível populacional do percevejo e os consequentes danos nas sementes. Vale ressaltar que a pronta oferta de parasitoides ainda é uma dificuldade a ser vencida no processo de produção e disponibilização desse agente de controle biológico, o que facilitaria ao produtor a tomada de decisão quanto ao método de controle. Quando se avalia a área cujo controle do percevejo foi realizado através do uso da cultivar BRS 543 RR, tolerante ao ataque desse inseto, associado a liberações do parasitoide T. podisi, somente se verificou o alcance do índice populacional preconizado para controle (dois percevejos/m) na última amostragem, realizada na fase fenológica R8 (Figura 1, Tabela 1). Nessa associação de táticas de controle foi onde se verificou os melhores resultados do potencial germinativo, sendo observados 85%, valor que ultrapassa o mínimo exigido para a produção de sementes (80%) e percentual de vigor (64%), bem como os menores índices de grãos picados e de grãos inviáveis (Tabela 1). Nos ensaios preliminares conduzidos com a cultivar BRS 543RR no Sul do Mato Grosso do Sul, os maiores potenciais produtivos (acima de 70 sacas por hectare) para essa cultivar foram obtidos em semeaduras mais tardias, a partir de meados de outubro. Isso é um ponto positivo, pois a época de semeadura em que essa cultivar apresenta maior potencial produtivo coincide com as épocas de semeadura que favorecem as maiores pressões de percevejo. Pelos resultados obtidos verifica-se que com a associação dessas duas táticas aqui empregadas (cultivar tolerante e controle biológico), existe a possibilidade de se produzir soja sem a necessidade 12

de aplicação de inseticidas para controle do percevejo-marrom. Importante destacar que essa característica de tolerância ao percevejo foi obtida por meio de melhoramento genético tradicional, que é o método mais econômico para o manejo de pragas e doenças. De fato, ainda está em estudo a ocorrência de metabólitos secundários que atuam na defesa da soja ao ataque de percevejos sugadores de sementes. Entretanto, em experimentos realizados no campo, é conhecida a aptidão da cultivar BRS 543 RR em tolerar pressões populacionais elevadas sem reflexos negativos no rendimento, na produção de grãos comercializáveis e na qualidade de grãos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados demonstram que é possível produzir soja sem aplicação de inseticida químico para o controle do percevejo-marrom, quando que se utiliza a cultivar tolerante BRS 543RR e se realizam pelo menos três liberações do parasitoide T. podisi. Novos estudos podem ser realizados no sentido de aprimorar o sistema de liberação do parasitoide, buscando verificar outras épocas e métodos de liberação que possam atingir índices ainda melhores no controle do percevejo-marrom. Apesar de se verificar essa potencialidade de se produzir soja sem aplicação de inseticidas, é sempre importante destacar que o monitoramento na condução da lavoura é fator decisivo para uma tomada de decisão que evite uma eventual perda de produtividade e qualidade da produção. Também vale ressaltar que a eficiência da tecnologia depende do ano, da qualidade dos parasitoides, da época de semeadura e de outros fatores biológicos não controláveis. Em adição, parceiros deverão ser identificados para a implantação de áreas para validação dessa associação de tecnologias, o que poderá ter forte impacto na redução do uso de inseticidas C químicos no cultivo da soja.

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Harley Nonato de Oliveira, Embrapa Agropecuária Oeste Suélen Cristina da Silva Moreira, UFGD Carlos Alberto Arrabal Arias e Clara Beatriz Hoffmann Campo, Embrapa Soja Rodrigo Arroyo Garcia, Embrapa Agropecuária Oeste


Soja

Proteção nutricional

Nédio Tormen/Elevagro

A nutrição pode causar efeitos secundários nas plantas que resultam em aumento ou decréscimo da resistência ou tolerância das plantas a doenças, além de afetar a virulência dos patógenos. Por isso, equilibrar a oferta de nutrientes, associado a outras estratégias de manejo, pode ajudar na redução de danos e no aumento da rentabilidade do produtor

O

Brasil é atualmente o maior exportador mundial de soja e deverá se tornar também o maior produtor na safra 2019/20, com produção estimada em 120 milhões de toneladas em uma área cultivada de 36,5 milhões de hectares. A produtividade média nas últimas safras tem ficado pró-

xima a 3.200kg/ha, porém em concursos de produtividade já foi possível colher 8.944kg/ha, evidenciando o grande potencial genético que a cultura possui e que pode ser explorado nas condições brasileiras. A determinação do potencial produtivo da soja depende de diversos fatores,

relacionados principalmente com a genética da cultivar, o manejo da lavoura e as condições ambientais durante o período de cultivo. Dentre os fatores limitantes da produtividade da soja no Brasil, a ocorrência de doenças tem desempenhado papel de destaque, especialmente após o surgimento da ferrugem-asiática nos

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Fotos Nédio Tormen/Elevagro

A determinação do potencial produtivo da soja depende de diversos fatores

anos 2000 e, mais recentemente, com o aumento em importância de doenças como a mancha-alvo (Corynespora cassiicola), a antracnose (Colletotrichum sp.) e as DFCs (Septoria glycines e Cercospora kikuchii). Podem ainda ser citadas as diversas doenças causadas por fungos que atacam as raízes e hastes, além, é claro, dos nematoides. Dentro do contexto atual de controle de doenças em soja, algumas práticas são determinantes sobre sua ocorrência e severidade. No caso da ferrugem-asiática, o vazio sanitário da soja, a calendarização de plantio, o uso de cultivares de ciclo mais curto e a concentração da janela de plantio são práticas largamente utilizadas e que, juntamente com o emprego de fungicidas, possuem efeito marcante sobre as epidemias dessa doença. No caso de manchas foliares, podridões de raízes e de hastes e nematoides, a severidade do ataque depende muito mais da sequência de

Altas produtividades somente serão possíveis com controle eficiente de doenças da soja

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Soja sadia x soja sem proteção

cultivos da área e da resistência da cultivar utilizada. Entretanto, apesar dos grandes avanços conseguidos com o melhoramento genético, não existem cultivares com resistência para todas as doenças e o sistema de cultivo atual baseia-se no plantio da soja todos os anos, o que resulta em aumento na densidade de inóculo de fungos necrotróficos. Adicionalmente, vários fungos têm evoluído e sofrido mutações que resultam em perda de sensibilidade parcial ou completa aos principais grupos de fungicidas utilizados. Todos esses fatores resultam em aumento das perdas em função do ataque por doenças e também no crescimento dos custos de produção, uma vez que o produtor se vê obrigado a buscar alternativas de melhor eficiência. Os efeitos dos nutrientes sobre crescimento, desenvolvimento e produtividade das plantas são bastante conhecidos e normalmente explicados pelas funções desses elementos no seu metabolismo. Entretanto, a nutrição pode causar efeitos secundários nas plantas por alterar o padrão de crescimento, anatomia, morfologia ou composição química, resultando em aumento ou decréscimo da resistência ou tolerância das plantas aos patógenos causadores de doenças. Além disso, os nutrientes podem afetar a virulência dos patógenos, ou seja, sua capacidade de causar doença na planta. Embora a resistência e a tolerância das plantas aos patógenos sejam controladas geneticamente, são bastante influenciadas por fatores ambientais. Dentro deste contexto, a nutrição de plantas pode ser considerada como um fator do manejo relativamente fácil de ser controlado através da aplicação de nutrientes para a supressão de estresses bióticos. A amplitude do efeito da nutrição mineral sobre as doenças varia em função da genética da cultivar e normalmente apresenta pouca interferência em cultivares altamente suscetíveis ou altamente resistentes, mas costuma ser importante em genótipos com níveis intermediários de resistência. Vários dos mecanismos pelos quais a nutrição pode aumentar a resistência de plantas às doenças fúngicas já foram descobertos. De modo geral, a proteção através da nutrição mineral balanceada pode ser resultado de uma eficiente barreira física (através do espessamento de cutícula, lignificação e acumulação de silício nas células da epiderme), melhor controle da perme-

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Figura 1 - Efeito da aplicação de diferentes níveis de P e K em duas cultivares de soja sobre a severidade da ferrugem-asiática, nos estádios fenológicos V2 e R5. Extraído de Balardin et al, 2006

abilidade da membrana citoplasmática (reduzindo a saída de açúcares e aminoácidos, que nutrem os patógenos) e formação de compostos fenólicos (com ação fungistática sobre os patógenos). O efeito da nutrição mineral no controle de doenças pode ser obtido tanto por sua aplicação direta na cultura da soja ou através de práticas que possibilitem melhor absorção e assimilação dos nutrientes. Por outro lado, o desequilíbrio nutricional, seja por excesso ou deficiência de algum elemento mineral, pode influenciar significativamente a reação das plantas à infecção, aumentando sua suscetibilidade ou favorecendo a ocorrência da doença. Desse modo, é essencial considerar o conceito de equilíbrio nutricional quando se busca melhor controle de doenças pela aplicação de nutrientes. Não é incomum a realização de operações como calagem, gessagem e principalmente escolha de fertilizantes minerais granulados, tanto em relação à sua composição quanto à dose a ser aplicada, sem se conhecer os níveis de nutrientes na área. Nesse tipo de situação o desequilíbrio desencadeado pode exercer efeito contrário ao desejado e favorecer a alta severidade das doenças. O efeito de macro e micronutrientes reduzindo a severidade de doenças em soja vem sendo demonstrado ao longo dos anos. Conforme demonstrado na Figura 1, o fornecimento de níveis crescentes de fósforo (P) e potássio (K) para a cultura da soja resultou na redução da severidade da ferrugem-asiática em duas cultivares de soja.

Os efeitos do nitrogênio (N) sobre as doenças têm sido variáveis, entretanto de modo geral o seu fornecimento em excesso na cultura da soja favorece o maior crescimento das plantas, criando um microclima mais favorável às doenças. Adicionalmente, quando acompanhado da deficiência de cálcio, há um enfraquecimento das paredes celulares, facilitando a penetração dos fungos, e ainda maior disponibilidade de aminoácidos e compostos nitrogenados na célula da planta que servem como alimento para os patógenos. Como regra geral, o nitrogênio favorece fungos parasitas obrigatórios, como a ferrugem-asiática, e desfavorece os facultativos, que preferem tecidos senescentes, como as manchas. Dentro dos macronutrientes secundários, atenção especial deve ser dada ao cálcio (Ca) e ao enxofre (S). O cálcio é componente da lamela média e essencial para a estabilidade das biomembranas, conferindo estabilidade à parede celular e dificultando a penetração de patógenos. O enxofre é usado diretamente como fungicida em função de seu efeito sobre patógenos. Além disso, é componente essencial de enzimas e está presente em muitos metabólitos secundários que participam de processos de defesa contra patógenos. No caso dos micronutrientes, vários possuem participação importante no progresso das doenças. O manganês é cofator importante em reações envolvidas na biossíntese de metabólitos secundários associados com a via do ácido chiquímico, podendo ser um importante

nutriente para o desenvolvimento da resistência das plantas a doenças fúngicas das raízes e das folhas. O cobre, além do seu papel fungistático, participa da síntese de lignina que dificulta a entrada de patógenos na célula. O níquel possui papel na produção de etileno, na resistência de plantas às doenças e na germinação de sementes. No caso do silício, estudos têm mostrado que esse nutriente pode favorecer o fortalecimento da estrutura da planta aumentando a resistência ao acamamento e ao ataque de pragas e doenças. A obtenção de níveis de produtividade elevados, ultrapassando a barreira dos 100 sacos de soja por hectare, somente será conseguida com um controle eficiente das doenças da soja. Nesse sentido, a utilização da nutrição de plantas, baseada no princípio do equilíbrio entre os nutrientes, aparece como uma ferramenta de grande potencial de utilização, pois pode resultar em plantas mais fortes, resistentes e com capacidade superior de tolerar estresses de toda ordem, incluindo o ataque de patógenos. Assim como todas as práticas de manejo, sua utilização de forma isolada não trará resultados satisfatórios, porém, quando associada a práticas como resistência genética, plantio de cultivares precoces, rotação de culturas e aplicação de fungicidas, entre outras, pode contribuir enormemente para a redução nos danos causados pelas doenças e aumento da rentabilidade do C produtor rural. Nédio Rodrigo Tormen e Larissa Gomes Araújo Tormen, Instituto Phytus

Nédio e Larissa abordam efeito da nutrição no manejo de doenças em soja

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Soja

Qualidade dos grãos Avaliação conduzida pela Embrapa demonstra a evolução de grãos e sementes de soja ao longo das últimas safras em 293 municípios de dez estados brasileiros

A

Embrapa Soja conduz o projeto “Caracterização da Qualidade de Sementes e Grãos de Soja no Brasil”, no qual já foram avaliadas as safras 2014/15, 2015/16 e 2016/17. Nesse período foram coletadas e analisadas 2.581 amostras de

grãos provenientes de 293 municípios de dez estados brasileiros, agrupados em microrregiões definidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As amostras foram provenientes de mais de 60 instituições, compostas por cooperativas, universidades, em-

presas e associações de produtores de sementes e empresas estaduais de pesquisa. Os resultados mostraram que a qualidade física dos grãos de soja da safra 2016/17 foi melhor comparativamente às duas safras anteriores (2014/15 e 2015/16). Embora em algumas microrregiões tenham ocorrido problemas sérios com elevado número de defeitos nos grãos colhidos, a maioria das microrregiões do Brasil teve diminuição na porcentagem de defeitos, destaque para o Centro-Oeste que reduziu a porcentagem de grãos com defeitos, diminuindo assim os descontos aos sojicultores. Esta melhora na qualidade dos grãos se deve à melhoria no manejo pelos agricultores e armazenadores, e pelas melhores condições climáticas durante a safra. A média de grãos fermentados da safra 2016/17 foi de 1,30%, com variação de zero a 12,45% de grãos fermentados, sendo a maior porcentagem no Paraná, com 1,77%, e a menor na Bahia, com 0,17%. Os grãos danificados por perce-

Tony Oliveira - CNA

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vejos (picados) tiveram média de 2,09%, com variação de zero a 11,69%, sendo a maior porcentagem no Mato Grosso do Sul, com 3,57%, e a menor na Bahia, com 0,64%. A média de grãos avariados na safra foi de 3,68%, com variação de zero a 21,22%, sendo a maior porcentagem média no Paraná, com 5,62%, e a menor na Bahia, com 0,87%. Para grãos quebrados e amassados a média da safra 2016/17 foi de 3,46%, variando de zero a 19,78%. Como a porcentagem de grãos avariados tem tolerância de 8%, houve uma menor quantidade de descontos aplicados no recebimento dos grãos nas unidades armazenadoras do País, devido a essa melhora na qualidade. Considerando a média dos descontos por grãos avariados devido aos defeitos, principalmente de grãos fermentados e picados por percevejos, o país perde um pouco mais de R$ 1 bilhão por ano com esse problema. O dano mecânico não aparente para as amostras de grãos de soja colhidas na safra 2016/17 foi de 14,46%, sendo os maiores índices de ocorrência nos estados do Mato Grosso, com 17,32%; Paraná, com 17,17%; Goiás, com 15,97%, e Santa Catarina, com 15,17%. O índice médio nacional de grãos partidos na safra foi de 10,3%, considerado um valor baixo em relação ao tolerado pela Instrução Normativa número 11, de 15 de maio de 2007, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Os maiores índices foram nos estados de Goiás, com 13,05%, Rio Grande do Sul, com 12,60%, Santa Catarina, com 11,63%, Paraná, com 11,77%, São Paulo, com 9,87%, Mato Grosso do Sul, com 8,92%, e Mato Grosso, com 8,84%. A Bahia, com índice médio de 2,07%, foi o estado com menor porcentagem de grãos partidos. O dano mecânico no nível (1-8) determinado pelo teste de tetrazólio para as amostras de grãos de soja colhidas na safra 2016/17 foi de 28,27%, valor inferior aos 33,5% constatados na safra 2015/16 e a 32,9% na safra 2014/15. Os maiores índices de ocorrência desse dano foram registrados nos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Mato Grosso. Os estados do Tocantins, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio Gran-

R.R. Rufino

Qualidade das sementes de soja também foi avaliada

de do Sul, Bahia e Goiás se destacaram pela ocorrência dos menores índices de danos mecânicos determinados pelo teste de tetrazólio. Diversas amostras com baixíssimos índices de danos mecânicos foram encontradas em diversas regiões brasileiras, o que comprova a existência de tecnologia para colheita, que pode resultar na produção de grãos de soja com menores índices de danos mecânicos, que é alcançado com um melhor manejo da colheita. A deterioração por umidade constatada no Brasil na safra 2016/17 apresentou índice médio de 23,3%, valor muito superior ao da safra 2014/15, que foi de 11,9%, porém ligeiramente inferior aos 28,1% da safra 2015/16. Esse valor elevado de deterioração por umidade deveu-se à ocorrência de chuvas frequentes na pré-colheita na safra 2016/17 em diversas regiões brasileiras. Os menores índices de deterioração por umidade foram encontrados em Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. Os maiores valores foram para os grãos provenientes de Tocantins, Goiás e Mato Grosso. São Paulo apresentou valores próximos à média nacional. Deve-se destacar que em todos os estados, diversas amostras de grãos apresentaram níveis muito baixos desse tipo de dano, com várias amostras com nível mínimo igual

a zero, demonstrando que a qualidade dos grãos, em relação a esse problema, tem ainda muito a ser melhorada. Em relação à ocorrência de grãos de soja esverdeados, o índice médio nacional foi de 2,1%, valor idêntico ao constatado na safra 2015/16 e inferior aos 4,1% da safra 2014/15. Os maiores índices na ocorrência de grãos esverdeados foram encontrados no Mato Grosso do Sul, em São Paulo, no Paraná e em Minas Gerais. Aspergillus flavus, principal fungo de armazenamento e potencial produtor de aflatoxinas, apresentou média nacional de ocorrência de 3,35% na safra 2016/17, com aumento de intensidade nos estados do Mato Grosso do Sul (média de 8,85%), Rio Grande do Sul (média de 5,54%), São Paulo (média de 3,81%) e Paraná (média de 5,58%), nos demais estados sua ocorrência foi inferior à média nacional. Para Fusarium graminearum, fungo potencial produtor da micotoxina zearalenona, a média nacional de ocorrência foi bastante baixa, apenas 0,06%, com as maiores médias nas microrregiões de Chapecó, SC (2,5%); Goioerê, PR (2%); Iguatemi, MS (2,5%) e Dourados, MS (3%). A ocorrência de bactérias saprofíticas foi bastante elevada e generalizada em todas as regiões, com ocorrência máxima de 91,5% em Jaguarão (RS). A média nacional foi de

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Figura 1 - Média de grãos danificados por percevejos (%) nas amostras de soja das diferentes microrregiões dos estados do Brasil, na safra 2016/17. As cores representam a intensidade da característica nas diferentes microrregiões brasileiras

Figura 2 - Média de grãos avariados (%) nas amostras de soja das diferentes microrregiões dos estados do Brasil, na safra 2016/17. As cores representam a intensidade da característica nas diferentes microrregiões brasileiras

Figura 3 - Dano mecânico não aparente (%) nas amostras de grãos de soja das diferentes microrregiões nos estados do Brasil, na safra 2016/17. As cores representam a intensidade da característica nas diferentes microrregiões brasileiras

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23,83%. Todavia, vale ressaltar que tais micro-organismos não são fitopatogênicos e a presença de bactérias está normalmente associada a grãos danificados, causando sua deterioração. Houve a presença de insetos-praga contaminantes nas amostras de soja coletadas no País na safra 2016/17, em todos os estados, evidenciando ser esse um problema generalizado em todas as regiões produtoras dos grãos. As espécies de maior ocorrência foram Ephestia spp., Sitophilus spp., Cryptolestes ferrugineus, Liposcelis bostrychophila e Lasioderma serricorne. Lophocateres pusillus também foi encontrado em algumas amostras e, embora com poucos exemplares (14 insetos), é considerada uma ameaça ao grão de soja armazenado, pois até o ano de 2011 não era encontrado no Brasil. Destaca-se também a presença da praga Lasioderma serricorne com 290 exemplares, sendo a maioria (245 exemplares) no estado do Mato Grosso. A infestação de insetos-praga em grãos de soja aumentou consideravelmente ao longo das três safras estudadas, sendo encontrados 11.677 insetos e partes destes nas 903 amostras da safra 2016/17, número muito superior ao encontrado nas safras 2015/16 (8.401) e 2014/15 (6.315). A presença de insetos-praga na soja é uma importante barreira para a comercialização e/ou exportação dos grãos, o que poderá causar transtornos técnicos e econômicos, com reflexo direto no preço do produto pago aos produtores de soja. O teor médio de proteína nos grãos de soja na safra 2016/17 foi de 37%, e esse teor variou de 32,03% a 41,35% nas 903 amostras analisadas. O estado que apresentou a maior média no teor de proteína foi a Bahia, com 38,16%, e o Paraná foi o estado com a menor média, 36,74%. O teor médio nacional de proteínas da safra 2016/17 foi superior aos teores médios nacionais das safras anteriores avaliadas, safra 2014/15 com 36,10% e safra 2015/16 com 36,88%. Este teor porcentual médio de proteínas nos grãos representa um bom padrão para a indústria de produção de farelo desengordurado, destinado à fabricação de rações, uma vez que a maioria dos valores, de modo geral, ficou em um intervalo entre 36% e 38%. Com relação ao teor médio de óleo não houve grande variação nos valores encontrados para as microrregiões de cada um dos estados onde as amostras foram coletadas nem entre os estados. O teor médio de óleo determinado para o Brasil, para a safra 2016/17, foi de 22,42%, sendo 19,15% o teor mínimo encontrado e 25,73% o teor máximo. Esse teor médio de 22,42% é superior ao teor considerado como ideal pelas indústrias esmagadoras de grãos e produtoras dos diferentes tipos de óleo de soja comercializados no País. Comparativamente com as safras de 2014/15 e 2015/16, o teor médio de óleo para o Brasil se manteve praticamente inalterado, com média nacional de 22,45% e 22,16%, respectivamente. O teor médio de índice de acidez no Brasil na safra 2016/17 foi de 0,47%, bem mais baixo que da safra 2015/16 (0,94%), e muito mais baixo que da safra 2014/15 (2,24%). A indústria preconiza que o índice ótimo de acidez no óleo do grão de soja seja de aproximadamente 0,7%, e certamente para a indústria de óleo a safra 2016/17 foi a melhor das três avaliadas. O teor médio de clorofila total determinado nos grãos de soja da safra 2016/17 foi baixo em todos os estados brasileiros, com média nacional de 0,90mg/kg. As maiores médias ocorreram

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Figura 4 - Espécies de insetos-praga presentes nas 903 amostras de grãos de soja das diferentes microrregiões dos estados do Brasil, na safra 2016/17

nos estados do Mato Grosso do Sul, com 1,69mg/kg, e Paraná, com 1,59mg/kg, e a menor média no estado do Rio Grande do Sul, com 0,53mg/kg. O mercado consumidor é extremamente exigente e busca cada vez mais maximizar o “valor de entrega” do produto que está adquirindo, que corresponde à diferença entre o valor total esperado e os custos do produto. Assim, a qualidade do produto (valor) e a eficiência dos processos logísticos (custos) serão imprescindíveis para aumentar a competitividade e a sustentabilidade da cadeia produtiva de grãos. Os gargalos da logística agrícola nacional e os requisitos de qualidade fazem com que seja necessário tratar os aspectos associados à qualidade dos grãos, assim como as fontes geradoras de danos, nos frágeis elos logísticos, de modo que sejam criadas inovações tecnológicas e conhecimentos para disparar ações estratégicas relacionadas à manutenção da sustentabilidade da cadeia produtiva. As análises da qualidade dos grãos produzidos na safra 2017/18 estão sendo realizadas e, em breve, esses resultados serão relatados. Informações mais detalhadas sobre esse levantamento da qualidade dos grãos de soja produzidos nas regiões produtoras do Brasil são encontradas nas publicações “Qualidade de sementes e grãos comerciais de soja no Brasil”, safras 2014/15, 2015/16 e 2016/17, que podem ser acessadas diretamente do site da Embrapa Soja (www.embrapa.br/ soja), acessando nos links “Publicações” e em “Armazenagem C e Pós-colheita”.

Figura 5 - Teor de proteínas (%) em grãos de soja das diferentes microrregiões dos estados do Brasil, na safra 2016/17. As cores representam a intensidade da característica nas diferentes microrregiões brasileiras

Figura 6 - Índices de acidez do óleo (%) nas amostras de grãos de soja das diferentes microrregiões dos estados do Brasil, na safra 2016/17. As cores representam a intensidade da característica nas diferentes microrregiões brasileiras

Figura 7 - Teores de clorofila (mg.kg-1) nas amostras de grãos de soja das diferentes microrregiões dos estados do Brasil, na safra 2016/17. As cores representam a intensidade da característica nas diferentes microrregiões brasileiras

Irineu Lorini, José Marcos Gontijo Mandarino, Marcelo Alvares de Oliveira, José de Barros França-Neto, Francisco Carlos Krzyzanowski, Ademir Assis Henning, Fernando Augusto Henning, Marcelo Hiroshi Hirakuri e Vera de Toledo Benassi, Embrapa Soja Gilda Pizzolante de Pádua Embrapa/Epamig-Oeste www.revistacultivar.com.br • Dezembro 2019 / Janeiro 2020

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Soja

Uso racional

O sojicultor precisa estar preparado para manejar pragas em sua lavoura de forma eficiente e econômica. A aplicação de inseticidas deve ocorrer quando a população da praga estiver em níveis que reconhecidamente ameacem a produtividade e a lucratividade da lavoura

M

anejar pragas com um uso racional de inseticidas é possível e traz economias para o bolso do sojicultor, além de grandes vantagens ecológicas a médio e longo prazo ao meio ambiente, deixando a produção de soja muito mais sustentável. Essa realidade vai além das pesquisas e já pode ser observada em campo, em áreas comerciais de produtores de soja do estado do Paraná, graças ao trabalho conjunto realizado pela Emater e pela Embrapa Soja. Nos resultados das primeiras cinco safras do projeto é possível observar uma economia no uso de inseticidas entre 43,2% (safra 2016/2017) e 55,9% (safra 2017/2018) quando comparadas as áreas de produtores

participantes do programa MIP Soja assistidos pelas Emater em relação a agricultores não assistidos (Tabela 1). Na safra 2018/19, os resultados foram separados em áreas cultivadas com soja Bt e áreas cultivadas com soja não Bt. Assim, é possível observar redução de 48,8% do uso de inseticidas em áreas de soja não Bt e 53,6% de diminuição do emprego de inseticidas em áreas de soja Bt graças à adoção do manejo integrado de pragas (Tabela 2). Essa redução no gasto com inseticidas propiciou uma economia de duas sacas/ha nessa safra. A grande vantagem, é que esse menor uso de inseticida é possível sem qualquer perda de produtividade. Sendo assim, os Fotos Adeney Bueno

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Tabela 1 - Resultados do projeto MIP-Soja conduzidos por Emater-PR, Embrapa Soja e parceiros Variáveis/Comparação

produtores que adotaram essa tecnologia de manejo já economizaram entre 1,8 saca (safra 2016/2017) e três sacas (safra 2014/2015) por hectare/ano nos gastos com controle de pragas nesses seis anos de projeto. Isso é bom para o meio ambiente e principalmente para o bolso do produtor, que passa a ter maior lucratividade.

MIP

Número de aplicações de inseticidas

Paraná

Dias até a primeira aplicação Custo do controle de pragas (sacas/ha) Produtividade (sacas/ha)

MIP Paraná MIP Paraná MIP Paraná

2013/14 2,3 (46 áreas) 5,0 (333 áreas) 60 dias 33 dias 2,41 5,03 49,23 48,67

2014/15 2,1 (106 áreas) 4,7 (330 áreas) 66 dias 34 dias 2,00 5,00 60,20 58,60

Safra 2015/16 2,1 (123 áreas) 3,8 (314 áreas) 66,8 dias 36 dias 2,00 4,00 57,10 54,70

2016/17 2,0 (141 áreas) 3,7 (390 áreas) 70,8 dias 40,5 dias 2,30 4,10 64,50 64,20

2017/18 1,5 (196 áreas) 3,4 (615 áreas) 78,7 dias 43,6 dias 1,41 3,27 61,7 60,4

Fonte: Conte et al. (2014 a 2018).

MAS COMO ISSO É POSSÍVEL?

Isso somente é possível porque a planta de soja tem tolerância natural ao ataque de pragas antes de ter sua produtividade reduzida. Apesar de todas as mudanças que a planta de soja sofreu ao longo dos anos (ciclo precoce, hábito indeterminado, plantas geneticamente modificadas como RR e Bt), o que é muitas vezes utilizado como argumento para tentar convencer o agricultor de que ele precisa controlar as pragas mais cedo do que fazia no passado, todos os resultados de pesquisa publicados comprovam o contrário. Assim, é cientificamente comprovado que existe a hora certa de controlar pragas. Portanto, a aplicação de inseticidas é apenas justificável quando a população de pragas for igual ou superior aos níveis de ação (NA).

SEGURANÇA DO NÍVEL DE AÇÃO DE PERCEVEJOS

Apesar de nos últimos anos alguns especialistas afirmarem que esses níveis de ação estariam desatualizados, os resultados obtidos na pesquisa e observados em campo mostram outra realidade. Para percevejos, por exemplo,

as afirmações de que por muito tempo o seu controle teria supostamente sido realizado tardiamente (como sendo erros de recomendação da pesquisa científica) são negadas por observações de campo onde claramente se percebe que não há benefício da aplicação mais antecipada dos inseticidas (antes dos níveis de ação recomendados). Quando se compara a produtividade obtida em áreas onde o nível de ação de dois percevejos ≥ 0,5cm/metro foi adotado com áreas que tiveram aplicações antecipadas, é possível observar que mesmo em situações em que a produtividade total foi maior no tratamento com aplicação antecipada (66,5 sacas na safra 2010/11), quando o maior gasto com inseticida é descontado dessa produtividade, a lucratividade é sempre maior no tratamento que seguiu o nível de ação de dois percevejos estabelecido pela pesquisa (uma saca a mais no exemplo da safra 2010/11) (Tabela 3). Fica claro que o argumento de que a menor aplicação de inseticidas para lagartas na soja Bt está aumentando a

infestação de percevejos no campo também não parece estar ocorrendo na realidade. Quando o monitoramento é realizado e o nível de ação adotado, nas áreas de soja Bt a média de aplicação para percevejos (128 áreas) no Paraná foi de 1,1 aplicação/safra, enquanto a média de aplicações (113 áreas) de percevejos na soja não Bt foi de 1,2 aplicação/safra na safra 2018/19. Controlar percevejo no início da infestação mesmo antes da formação das vagens? É de certa forma comum ouvir no campo que se os percevejos não forem controlados no início da infestação, o controle fica muito difícil quando a população se estabelece na lavoura. Em experimento realizado no município de Iguaraçu, Paraná, é possível observar que a aplicação do inseticida no florescimento da soja até propiciou um atraso na infestação do percevejo, mas quando estava no período mais crítico para sua produtividade (R5), a população de pragas cresceu em ambos os tratamentos, precisando de controle com inseticida (Figura 1). Mesmo com o maior gasto com inseticidas no tratamento com controle no início da infestação dos percevejos, não houve diferença estatística na produtividade

Tabela 2 - Resultados do projeto MIP-Soja conduzidos pela Emater-PR em parceria com a Embrapa Soja em área Bt e não Bt Variáveis/Comparação Número de aplicações de inseticidas

Paraná

Não Bt 2,1 (113 áreas) 4,1

Dias até a primeira aplicação Custo do controle de pragas (sacas/ha) Produtividade (sacas/ha)

MIP Paraná MIP Paraná MIP Paraná

66,2 38,7 2,6 5,0 50,90 48,30

Fonte: Conte et al. (2014 a 2018).

MIP

Safra 2018/2019 Bt 1,3 (128 áreas) 2,8 80,8 48,7 1,6 3,4 49,50 51,10

Média 1,7 (241 áreas) 3,4 (773 áreas) 74,0 40,3 2,1 4,1 50,1 48,6

Controle de percevejos deve ocorrer no momento adequado

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Tabela 3 - Resultados de experimentos e áreas comerciais de produtores comparando-se o controle de percevejos seguindo o nível de ação de 2 percevejos ≥ 0,5 cm/metro em comparação com o controle de percevejos realizado antecipadamente Variáveis

Número de aplicações de inseticidas para percevejos

Custo do controle de percevejos (sacas/ha) Produtividade total (sacas/ha) Produtividade líquida (descontando-se os gastos com inseticidas (sacas/ha)

Níveis de ação

Safra

2 percevejos/metro

2010/11a 2,0 (BMX Potência RR)

Aplicação antecipada

6,0 (BMX Potência RR)

2 percevejos/metro Aplicação antecipada 2 percevejos/metro Aplicação antecipada 2 percevejos/metro Aplicação antecipada

2,0 6,0 63,5 66,5 61,5 60,5

2011/12a 2,0 (BMX Potência RR) (BRS 294RR) 4,0 (BMX Potência RR) (BRS 294RR) 2,0 4,0 41,4 42,1 39,4 38,1

Fontes: Adaptado de aBueno et al.(2015) e bConte et al. (2019). Valor do custo de inseticida+serviços estimado em 1 saca/ha/aplicação.

Tabela 4 - Capacidade da planta de soja em tolerar injúrias nas flores e vagens. Tese de doutorado em andamento na Embrapa Soja Safra 2016/17 2018/19

Injúria 15% das vagens furadas no R4 Testemunha sem injúria 100% das flores removidas do R2 Testemunha sem injúria

Cultivar BRS 388 RR BRS 1001 IPRO

Kg/ha 7588,0 7572,0 2940,3 2856,3

Figura 1 - População de percevejos comparativa no tratamento seguindo o nível de ação (MIP) e o tratamento com aplicação no início da infestação antes da formação de vagens (Crivelaro 2019, dissertação de mestrado)

Bueno defende observância ao nível de ação preconizado

meiras vagens), quando a população estiver igual ou maior que o nível de ação.

TOLERÂNCIA DA PLANTA DE SOJA ÀS INJÚRIAS DE PRAGAS

Os níveis de ação de pragas são bem seguros e devem ser respeitados porque a planta de soja é, em geral, bastante tolerante a diferentes tipos de injúrias. Em uma tese de doutorado em andamento na Embrapa Soja, a oleaginosa mesmo com 15% de suas vagens perfuradas completamente no estádio R4 (com a perda de um dos grãos em cada vagem furada) ou ainda com 100% das flores removidas no florescimento pleno (R2) foi capaz de produzir igual à testemunha sem qualquer injúria (Tabela 4). Essa tolerância da soja ao ataque de pragas pode variar entre cultivares, mas o nível de ação considera essa variabilidade e por isso deve ser adotado para todas as cultivares existentes, como o momento ideal para iniciar o controle. Se o sojicultor ainda quiser ter maior segurança em seu manejo, ele pode optar por usar cultivares mais tolerantes ao ataque das pragas. Para percevejos, a Embrapa recentemente lançou a tecnologia Block. Essa tecnologia identifica as cultivares de soja que apresentam características que permitem à planta sob ataque de altas infestações de percevejos terem menor perda de produção quando comparadas às cultivares sem a tecnologia. As cultivares com tecnologia Block proporcionam maior estabilidade de produção em situações de altas populações de percevejos e deve ser usada no contexto de um conjunto de tecnologias recomendadas pela pesquisa para o manejo integrado de pragas (MIP-Soja). Por isso, faça o certo. Garanta sua produtividade gastando menos com a adoção do MIP-Soja e dos níveis de ação recomendados pela pesquisa e cultivares tolerantes/resistentes quando C disponível. O ambiente e o seu bolso agradecem!

de ambos os tratamentos. Além da produtividade semelhante, é importante considerar que aplicações no florescimento (R1 e R2) podem causar maior impacto às abelhas e a outros insetos benéficos como predadores e parasitoides que auxiliam no controle biológico natural das pragas. Por isso, os percevejos devem somente ser controlados a partir de R3 (formação das pri-

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2018/2019b Bt Não-Bt 1,1 1,2 (128 áreas) (113 áreas) 2,2 1,9 (773 áreas) 1,1 1,2 2,2 1,9 49,5 50,9 48,6 48,4 49,7 46,4 46,7

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Adeney de Freitas Bueno Embrapa Soja Emerson Crivelaro Gomes Iapar


Empresas

Reforço no manejo Fotos Divulgação

Ihara apresenta nova linha de produtos a partir do lançamento de molécula inseticida contra pragas como percevejo e mosca branca MOVIDOS A DINO

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Ihara lançou em novembro, em São Paulo, uma nova molécula para o combate de pragas como percevejo e mosca branca. Trata-se do dinotefuran, a partir do qual a marca prepara uma linha de produtos batizada de "Movidos a Dino". Durante apresentação da nova molécula, o pesquisador Geraldo Papa, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), explicou os prejuízos causados pelos percevejos, praga considerada uma grande ameaça para a cultura da soja, podendo reduzir em até 30% a produtividade da lavoura. “O produtor perde em produtividade e na qualidade dos grãos”, lembrou. Papa lembra a importância de evitar que defensivos com o mesmo modo de ação sejam utilizados ao mesmo tempo para a mesma praga-alvo. “O ideal é rotacionar os modos de ação. Dessa maneira, evitamos a seleção de indivíduos resistentes que podem prejudicar a eficácia do produto. Os agricultores passam a contar agora com a nova molécula de dinotefuran. Entre as características, apresenta efeito residual prolongado, baixa toxicidade para mamíferos e permite formas alternativas de aplicação”, detalhou Papa. O diretor de Marketing, Pesquisa e Desenvolvimento da Ihara, Clayton Emanuel da Veiga, enfatizou que o foco da companhia é atuar para oferecer soluções aos agricultores. “Por isso investimos constantemente em pesquisa e desenvolvimento. Com estes lançamentos não será diferente. O agricultor brasileiro terá à disposição novas tecnologias que proporcionam um controle altamente eficiente para diversas e importantes pragas, em várias culturas. Tratam-se de três produtos à base de dinotefuram, com formulações exclusivas e inéditas aqui no Brasil que vão oferecer ao produtor um novo patamar de controle de pragas importantes”, opinou.

O inseticida Zeus é um produto direcionado para as culturas da soja e do milho focado no manejo de percevejos. Já Maxsan é indicado para o controle de cigarrinha na cultura da cana e manejo de mosca branca em soja, feijão e batata. Spirit, que ainda está em fase de registro para a cultura de café, controla bicho-mineiro, cigarra e tem em sua formulação fungicida para controle da ferrugem. “São três inovações que estamos trazendo. Acredito que com essas novas ferramentas o produtor brasileiro possa elevar o patamar de produtividade de suas lavouras”, avaliou Veiga. Como diferencial dos produtos formulados à base de dinotefuram o fabricante destacou três pontos: efeito de choque (age muito rápido na praga para a qual se destina), período de controle em torno de 14 dias e manejo de resistência. “As combinações que estamos lançando no mercado permitem que o produtor quebre o ciclo de uso da mesma molécula e tenha resultados superiores”. Os produtos Zeus e Maxsan já podem ser encontrados nos distribuidores Ihara em todo Brasil. Em dezembro também chega ao mercado o Spirit. Para o gerente de Comunicação da Ihara, Gabriel Saul, o lançamento dessa nova molécula vai mudar a história do manejo de pragas. “O manejo está cada vez mais complexo, pois essas pragas estão dando mais trabalho e prejuízo para o agricultor. A Ihara está muito feliz em levar ao mercado esta nova solução, nosso objetivo é oferecer essa nova ferramenta aos agricultores para que tenham uma maior produtividade C e rentabilidade em suas lavouras.

Saul e Veiga comemoram chegada da molécula inseticida ao mercado

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Capa

Mudança constante A dinâmica de alterações no ambiente de cultivo brasileiro após o lançamento de tecnologias Bts e os novos desafios para o manejo integrado de lagartas como Helicoverpa armigera e o complexo Spodoptera Fotos Germison Tomquelski

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liberação de plantas geneticamente modificadas com resistência a pragas tem levado a grandes mudanças no sistema de produção com as culturas de soja, milho e algodoeiro. As principais se deram no comportamento das pragas, adaptação no sistema de produção, hospedeiros alternativos, mudanças quanto ao “status” de pragas (principais-secundárias) de cada cultura, entre outras. Cada vez mais é importante analisar o agroecossistema no Cerrado brasileiro. Se observa muitas vezes um ambiente favorável à multiplica-


ção de pragas, pois prevalece um sistema de produção em que a soja é a principal cultura a se estabelecer na grande maioria das áreas, podendo ser rotacionada com algodoeiro, milho ou não. Em ambientes em que não ocorre esta sucessão após a colheita, ainda pode ser estabelecida uma cultura de cobertura ou mesmo as áreas permanecem em “pousio”. Neste sistema de cultivo as pragas têm se adaptado há vários anos, mesmo antes da entrada dos Bts no mercado. Fatores como condições climáticas favoráveis, de altas temperaturas e de inverno ameno tornam-se ideais para a multiplicação dos insetos. Tanto a soja, como as demais culturas estão sujeitas ao ataque de vários insetos desde a germinação até a colheita. No Manejo Integrado de Pragas (MIP) é fundamental o reconhecimento das pragas e de seus inimigos naturais. O monitoramento é a operação que reúne informações para a tomada de decisão de controle, como danos e intensidade da ocorrência. Entretanto, nos programas de MIP a tomada de decisão de controle é um fator que se modifica em função de diversos aspectos como eficientes estratégias de manejo, pátio de máquinas, custos de controle, entre outras variáveis ao longo dos anos. O MIP caracteriza-se por alterar o agroecossistema o mínimo possível. A partir desse pressuposto, o controle de pragas na cultura da soja deixou de ser realizado através da dependência exclusiva de inseticidas químicos, para adotar sistemas que enfatizam o manejo da população de artrópodes no sistema de produção. Entre as pragas, as lagartas podem gerar grandes prejuízos na cultura da soja, sendo que até a safra 2014/2015 eram consideradas por muitos pesquisadores como as de maior importância. Uma das lagartas, a Helicoverpa armigera, na região dos Chapadões, teve seu custo de controle na ordem de 50 dólares por hectare, nas safras de 2013/2014 e 2014/2015. Entre as demais lagartas no sistema de produção também se destacam as do complexo Spodoptera (Spodoptera frugiperda e S. eridania), que nas condições de Cerrado apresentam alta frequência, destruindo folhas, vagens e grãos, comprometendo a produção. O Brasil, por apresentar condições de vários ciclos, tem registrado sobreposição de gerações destas pragas e um aumento principalmente no número de indivíduos. Estas várias gerações da praga têm encontrado nos diversos hospedeiros alternativos, como as tigueras de culturas, como o milho e mesmo o algodoeiro, condições para que ocorram altos surtos populacionais nos últimos anos. Helicoverpa armigera é uma praga altamente polífaga, que pode se alimentar tanto dos órgãos vegetativos como reprodutivos de várias espécies de plantas de importância econômica no País. Seus prejuízos na região dos Chapadões já alcançaram a ordem de 40% na cultura da soja e até 75% na cultura do algodoeiro. A espécie apresenta metamorfose completa, passando pelas fases de ovo, lagarta, pupa e adulto. O ovo, em

Tanto a soja como as demais culturas estão sujeitas ao ataque de vários insetos desde a germinação à colheita

sua porção apical, é liso, sendo o restante da sua superfície esculpido em forma de nervuras longitudinais. Possui coloração branco-amarelada com aspecto brilhante quando depositado, se tornando marrom-escuro próximo ao momento da eclosão. Após a eclosão, as lagartas se alimentam das partes mais tenras das plantas, onde podem produzir um tipo de teia ou até mesmo formar um pequeno casulo, no caso da soja. O período larval da H. armigera é composto de seis períodos distintos. Nos primeiros instares as lagartas apresentam coloração que varia do branco-amarelado a marrom-avermelhado. À medida que vão crescendo, se tornam de amarelo-palha ao verde, apresentando listras de coloração marrom lateralmente no tórax, abdômen e na cabeça. A coloração pode ser variável, pois é influenciada por sua alimentação e o ambiente. Do quarto instar em diante as lagartas apresentam tubérculos abdominais escuros, que são bem visíveis na região dorsal, sendo esta a característica determinante para a identificação da espécie, também chamada por alguns especialistas de “sela”. Outra característica que a difere das demais é a textura coriácea do tegumento, que oferece certa resistência a inseticidas. A pupa apresenta coloração amarronzada e superfície arredondada, desenvolvendo-se no solo. Os adultos machos são cinza-esverdeados, com uma banda ligeiramente mais escura no terço distal e uma pequena mancha escurecida no centro da asa, podendo ser melhor vista ao se verificar a face inferior do inseto. Já as fêmeas apresentam asas dianteiras amareladas e as a posteriores claras. Apresentam uma borda marrom em sua extremidade apical. As

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Fotos Germison Tomquelski

Características de cultivo presentes no Brasil permitem gerações destas pragas e aumento principalmente no número de indivíduos

fêmeas têm longevidade média de 11,7 dias e os machos de 9,2 dias e podem colocar de aproximadamente mil até três mil ovos sobre as plantas hospedeiras. Normalmente a oviposição é realizada à noite, sendo colocados os ovos de forma isolada ou em pequenos agrupamentos, preferencialmente na face adaxial das folhas ou sobre os talos, flores, frutos e brotações terminais com superfícies pubescentes. O ciclo total gira em torno de 30 dias. O alicerce do Manejo Integrado de Pragas (MIP) está na boa amostragem de campo, onde o monitor deve realizá-lo observando a frequência de amostragem, em intervalos de cinco - sete dias, com bom número de pontos, que proporcionem representatividade da lavoura, além de uma boa acurácia com relação às pragas. O número de pontos em um talhão é variável em função da operacionalidade, mas não se pode deixar de lado a questão da boa representação destas amostras. O mínimo sugerido é de um ponto a cada dez hectares em talhões superiores a 100ha.

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Na questão da amostragem é importante salientar a distribuição desuniforme (ou seja, apresenta ocorrência em manchas nos talhões) das diversas pragas incidentes no atual ambiente “pós Bts”, fazendo-se necessário um cuidado maior na amostragem. Para H. armigera o monitoramento necessita de maiores cuidados na fase inicial, devendo o técnico desenrolar as folhas novas que porventura possam abrigar esta praga. No reprodutivo é Distribuição de lagartas de Helicoverpa armigera em talhão de soja. Fundação Chapadão, safra 18/19. (Pontos vermelhos acima de duas lagartas por metro)

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preciso estar atento à sua ocorrência nas vagens, estimando a praga em porcentagem ou mesmo em lagartas por metro. Dentre as estratégias de manejo adotadas pelos produtores é possível salientar o aumento na utilização de soja com a tecnologia de proteção às lagartas (soja com a expressão da proteína Bt). A utilização de cultivares Bts faz com que as lagartas ao se alimentarem, os cristais de B. thuringiensis, ao serem ingeridos pelas larvas, sofram ação do pH intestinal e de proteases, que solubilizam o cristal e ativam as toxinas. Estas, por sua vez, se ligam a receptores localizados no tecido epitelial do intestino da larva, ocasionando a quebra do equilíbrio osmótico da célula, que se intumesce e rompe, propiciando o extravasamento do conteúdo intestinal para a hemocele do inseto. Em consequência, a larva para de se alimentar, entra em paralisia geral e morre por inanição ou septicemia. Esta estratégia da utilização das plantas resistentes é muito oportuna por preservar grande parte dos inimigos naturais na cultura. No entanto, a sua utilização sem os cuidados com refúgio e outros aspectos tem levado ao processo de resistência, em determinadas pragas -culturas. O Brasil, na safra 2018/2019, alcançou mais de 65% da área com adoção da tecnologia Bt em soja. Aliado a outras culturas com até maior taxa de adoção, observa-se uma certa pressão de seleção em determinados indivíduos, sendo importante o produtor se atentar cada vez mais às mudanças das pragas. Um fato interessante observado, quando a adoção alcançou mais de 50% em alguns eventos Bts ocorreu a quebra da resistência, apresentando os primeiros casos no Brasil (Farias 2014). Na safra (2017/2018) ocorreram os primeiros relatos de escapes no controle de H. armigera na soja Bt com o desenvolvimento das lagar-


tas na cultura a campo, sem a presença de misturas, em talhão cultivado (Fundação Chapadão 2018). Após, foi constatada a presença de híbridos, de H. armigera e H. zea, mesmo em outras áreas de produção do Brasil (Anderson et al, 2018). Na atual safra 19/20 algumas lagartas têm sido encontradas em determinadas regiões, porém com misturas de sementes. Apesar deste fato, a cultura da soja apresenta um grande fator favorável, pois expressa mais a proteína quando comparada a outras. Mas em função do que já ocorreu em determinadas culturas como algodoeiro e milho, a pesquisa espera novos eventos. Uma extensa série de genes de B. thuringiensis pode ser utilizada na transgenia, incluindo alguns produtos comercialmente disponíveis e pipelines, principalmente os que expressam as toxinas Cry2Ab, Cry2Ae e Vip3a. Um dos aspectos importantes ao analisar o sistema de produção, reside no fato de que o ambiente para as pragas é fundamental para o desenvolvimento, e devido à disponibilidade de hospedeiros alternativos o ano todo, tem se tornado viável o desenvolvimento inicial das lagartas e permitido que se desloquem para plantas Bt, em instares de desenvolvimento mais avançados. Esta situação leva a danos nas diversas culturas, além de contribuir para o processo de resistência no campo. O caso das tigueras de milho no sistema de produção é um grande exemplo para o aumento de S. frugiperda, Dichelops melacanthus, além da temida H. armigera. Outro fator a se analisar na utilização da tecnologia Bt é a taxa de mistura entre soja transgênica e não transgênica, e mesmo outras culturas, onde é comum a prática do produtor salvar parte de sua semente para utilizar na safra seguinte, ocorrendo também a migração entre estas plantas. A estratégia do manejo cultural é uma das principais práticas que podem ajudar o sistema de produção em ambiente Bt, suportando outras táticas de controle. Esta estratégia busca diminuir o alimento para a praga, retirando-se hospedeiros alternativos como as tigueras. A prática do vazio sanitário já é utilizada em doenças, e em alguns casos de determinadas pragas auxilia, e muito, por retirar em certo momento, o melhor hospedeiro. No entanto, é necessário também entender os outros hospedeiros alternativos, e buscar retirá-los do ambiente, para uma melhor eficiência deste método. Outra estratégia que pode ajudar a biotecnologia neste primeiro momento é o controle químico. Estratégia que o produtor tem realizado há vários anos para uma ampla gama de pragas. No entanto, vale salientar que grande parte das moléculas apresenta problemas de resistência, e isto é variável em função das diversas populações que apresentam suscetibilidades diferentes dentro do Brasil. Para algumas ferramentas já se observa a diminuição de eficiência, em determinadas regiões. Estes problemas em um primeiro momento são contornados com associações a outros grupos químicos, para tentar uma sobrevi-

Lagartas podem gerar grandes prejuízos na cultura da soja, sendo que até a safra 2014/2015 eram consideradas pragas de maior importância

da. Vale ainda salientar que os inseticidas “premium”, como benzoato de emamectina, indoxacarb, clorfenapyr e espinetoram, têm alcançado eficiências superiores a 80%, na grande maioria das regiões. No entanto, um trabalho de rotação com outros modos de ação se faz necessário, que englobe diamidas, reguladores de crescimento de insetos, carbamatos, fosforados, entre outros, para que não ocorra o “desgaste” das ferramentas. Vale salientar que para o Brasil é necessário avançar em lançamentos de novas moléculas. O problema é que o ritmo está aquém dos desafios dos últimos anos, principalmente após a entrada dos Bts. Táticas como o controle biológico registram aumento na adoção, com grande expectativa pela pesquisa e sociedade. Porém ainda é necessário levar aos produtores e técnicos de campo um maior entendimento da sincronia dos diversos agentes com os Bts. Isso acaba sendo muito importante para as tomadas de decisões em âmbitos social e ambiental e para a rentabilidade da agricultura. A integração das tecnologias é o caminho para o manejo destas importantes pragas. São fundamentais o bom conhecimento da praga, o sistema de produção e a realização de boas amostragens, que proporcionarão ao produtor adequar as ferramentas para alcançar aumento da produtividade-rentabilidade nas culturas, além de continuar a levar alimento barato à mesa do consumiC dor brasileiro.

Germison Tomquelski e Yasmin Milken, Fundação Chapadão

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Informe

Resposta do fertilizante PhosAgro NPK(S) 15-15-15+10S na cultura do milho segunda safra

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PhosAgro é um dos principais produtores mundiais de fertilizantes à base de fosfato. Seu principal negócio é a produção de fertilizantes à base de fosfato, rocha fosfática de alto grau (P2O5> 39%) e também fosfatos para alimentação animal, fertilizantes nitrogenados e amônia. Sendo uma das poucas empresas da indústria global de fertilizantes cuja rocha fosfática de alto grau não contém cádmio e outras impurezas tóxicas. O ciclo de produção de fertilizantes fosfatados começa na divisão de mineração localizada na Península de Kola, o território mais setentrional da Rússia européia (Kirovsk, região de Murmansk). O único minério de apatita é extraído do depósito de Khibiny. Após a moagem, a rocha fosfática de alto grau, isto é, concentrado de apatita é processado na planta de beneficiamento. O beneficiamento de minério é feito por flotação. Os fertilizantes produzidos pela PhosAgro atendem aos limites mais exigentes da iniciativa de rotulagem Verde. Os produtos fertilizantes são distribuídos aos produtores agrícolas em mais de 100 países. A PhosAgro produz uma ampla gama de fertilizantes complexos à base de fosfato, como MAP, DAP e outras formulações NP e NP (S), NPK, NPK (S), NPK (S) + B + Zn, NPK (S) + B, NPK ( S) + Ca, NPK (S) + Ca + B, NP (S) + Zn, PK (S) + Ca. Todos os nutrientes desses fertilizantes complexos são distribuídos uniformemente por cada grânulo. Cada grânulo de fertilizante que se dissolve no solo fornece uma mistura de nutrientes, podendo ser alcançada uma distribuição uniforme 28

dos nutrientes aplicados no solo através do Sistema radicular. No Brasil, o modelo de negócios implica que os distribuidores locais de fertilizantes realizem todas as atividades de marketing do portfólio de fertilizantes PhosAgro para atender às necessidades dos agricultores, ou seja, consumidores finais de fertilizantes. Hoje o Brasil possui uma grande rede de centros de pesquisa onde todos os produtos de fertilizantes modernos são avaliados nas principais culturas cultivadas no país. Em maio de 2019, a PhosAgro organizou um importante workshop para seus distribuidores no Brasil para melhor posicionamento de suas formulações de fertilizantes no mercado regional. Houve uma excelente oportunidade para disseminar informações técnicas importantes sobre o comportamento do fósforo e do enxofre nos solos brasileiros e a resposta das culturas aos fertilizantes complexos contendo P e S produzidos pela PhosAgro. A PhosAgro coopera estreitamente com pesquisadores no Brasil para acumular informações, ajudando os agricultores a obter alta produtividade e qualidade das culturas. Por exemplo, o experimento de campo foi realizado em 2019 na Fazenda Experimental Cachoeira- Fundação MT, Mato Grosso. Demonstrou claramente que a melhor produtividade do milho safrinha (8,17 t / ha) foi alcançada com o NPK (S) 15:15:15 (10) produzido pela PhosAgro (Fig. 1). O rendimento de grãos foi 0,3 t / ha maior em comparação

ao tratamento que recebeu um fertilizante NPK complexo com Zero-S. A aplicação no sulco de fertilizantes complexos e cobertura de uréia no estágio V4 nos tratamentos proporcionou taxas uniformes de nitrogênio, fósforo e potássio neste experimento. O enxofre é usado pelas plantas em grandes quantidades. É considerado um dos nutrientes essenciais depois do nitrogênio, fósforo e potássio. A deficiência de enxofre pode prejudicar seriamente o crescimento e desenvolvimento das plantas. Os sintomas de deficiência de enxofre aparecem pela primeira vez como uma coloração verde-amarelada nas folhas superiores, ou seja, nas folhas mais jovens, porque o enxofre tem uma baixa mobilidade na planta. Os fertilizantes PhosAgro contêm enxofre na forma de sulfato que é a principal fonte de nutrição de enxofre em todas as culturas. Algumas formulações de fertilizantes complexos granular da PhosAgro enriquecidos com enxofre contêm até 14% de S. A PhosAgro possui um modelo de negócio viável, que fornece formulações de fertilizantes de qualidade e informações confiáveis sobre seu uso para atender as questões de fertilidade do solo e demanda de nutrientes das culturas no Brasil. A PhosAgro, juntamente com seus distribuidores, busca credibilidade e relacionamento comercial de longo prazo com os produtores, buscando continuamente novas tecnologias de produção de fertilizantes, ajudando assim C a obter maiores ganhos por hectare.

Figura 1 - Efeito fertilizante NPK(S) 15:15:15(10) enriquecido com enxofre produzido pela PhosAgro no rendimento do milho safrinha na Fazenda Experimental Cachoeira - Fundação MT, Mato Grosso, Brasil (2019)

Tratamentos (esquerda para direita): 1) zero fertilizante; 2) N50P52; 3) N50P50K50; 4) N50P50K50S33 Os fertilizantes complexos enriquecidos com enxofre produzidos pela PhosAgro aumentam o rendimento e a qualidade das culturas e geram retornos econômicos mais elevados do que as formulações de fertilizantes sem enxofre.

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Algodão

Manejo consciente

Fotos Monica Debortoli/Elevagro

As estratégias para enfrentar de modo racional doenças como a mancha de ramulária na cultura do algodoeiro, de modo a alcançar melhores níveis de controle e manter altos patamares de produtividade, além de proteger as escassas ferramentas de manejo e garantir a continuidade e sustentabilidade do negócio

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a safra de 2018/2019, a safra de algodão no Brasil, de acordo com estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), teve produção 35,9% superior à safra anterior, atingindo aproximadamente quatro milhões de toneladas em caroço e 2,7 milhões de toneladas de pluma, principalmente estimulados pela taxa de câmbio favorável e a evolução dos preços no mercado internacional que levaram ao aumento de área plantada. Considerando o estado do Mato Grosso- maior produtor de algodão do Brasil – foram semeados 1,072 milhão de hectares, sendo 159 mil hectares cultivados na primeira safra e 913 mil hectares cultivados na segunda safra, o que representa um acréscimo de 35% em relação à safra 2017/2018 (Conab, 2019). Esse aumento pode ser atribuído, principalmente, ao preço atrativo da commodity, às altas tecnologias utilizadas na cultura e ao investimento em qualidade de fibra. A produtividade média de algodão em caroço nas principais regiões produtoras de Mato Grosso, na safra 2018/2019, foi de 283 @/ha. Com a expansão da área cultivada com o algodoeiro, tem-se observado um aumento acentuado das doenças que atacam a cultura, que estão ocorrendo com alta incidência e severidade, aumentando a fonte de inóculo no campo (FMT, 2015). Dentro desse contexto, as doenças do algodoeiro estão ocorrendo de acordo com o sistema de manejo utilizado na cultura e as cultivares que os produtores estão adotando em suas lavouras. Algumas doenças que antes eram consideradas secundárias, que ocorriam de forma esporádica, aumentaram significativamente sua importância e tornaram-se epidêmicas. É o caso da mancha de ramulária (Ramulariopsis pseudoglycines / Ramulariopsis gossypii), que no passado ocorria apenas no final do ciclo da cultura e atualmente surge mais cedo no ciclo, sendo considerada a principal doença foliar do algodoeiro, necessitando, portanto, de um maior número de pulverizações com fungicidas (Embrapa, 2006), caso a cultivar não seja


Atualmente a mancha de ramulária é a principal doença foliar do algodoeiro

O uso de fungicidas com diferentes modos de ação é fundamental no correto manejo de doenças em algodão

tolerante à doença. Adicionalmente a isso, as condições climáticas do Cerrado, de forma geral, são favoráveis para o desenvolvimento de doenças, apresentando altos índices pluviométricos, temperaturas diurnas elevadas e noturnas mais amenas (FMT, 2015), o que remete à necessidade de um manejo cada vez mais consciente de doenças.

ciona gerenciar a resistência dos principais patógenos aos fungicidas. Atualmente, na cultura do algodoeiro, os principais e mais efetivos grupos químicos disponíveis para controle do complexo de doenças e da mancha de ramulária estão descritos na Tabela 1.

A RESISTÊNCIA DOS PATÓGENOS AOS FUNGICIDAS E SUAS IMPLICAÇÕES

A resistência é uma alteração herdável e estável em um fungo em resposta à aplicação de fungicidas, geralmente sítio-específicos, que resulta na diminuição da sensibilidade do fungo ao fungicida utilizado. O uso indiscriminado e incorreto de fungicidas registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para o controle da mancha de ramulária contribui para a seleção de indivíduos menos sensíveis, resultando em falhas de controle eficaz no campo. Os fungicidas sítio-específicos como os DMIs, QoIs e SDHIs, por atuarem apenas em sítios bioquímicos muito específicos, representam um ponto de atenção, pois geralmente apenas uma mutação neste sítio-específico, que é o alvo do fungicida, pode resultar em um indivíduo resistente. O Fungicide Resistance Action Committee (Frac) classifica os DMIs, QoIs e SDHIs como fungicidas de médio a alto risco para o desenvolvimento de resistência e, portanto, segundo a recomendação, é para evitar o uso desses produtos isoladamente. Atualmente as recomendações realizadas por empresas, pesquisadores e órgãos competentes baseiam-se na utilização de várias táticas para controle da mancha de ramulária em cultivares suscetíveis, sendo uma delas a rotação de grupos químicos e modos de ação como parte do manejo de resistência.

O BOM MANEJO DE DOENÇAS PASSA PELO MANEJO DA RESISTÊNCIA

O uso de fungicidas com diferentes modos de ação é o princípio básico e fundamental para o manejo correto das doenças na cultura do algodão e, ao mesmo tempo, propor-

O MANEJO DEVE SER CONSCIENTE!

A adaptação dos fungos aos fungicidas, suas habilidades de superar genes de resistência da planta de algodoeiro e sua capacidade de sobreviver durante o ano todo na presença de hospedeiros alternativos ou em restos culturais demonstram que apenas o uso de fungicidas para o controle das doenças do algodoeiro não é suficiente. É preciso mudar o manejo de doenças no cultivo do algodoeiro. Um exemplo de inciativa que pode ser citado, neste sentido, é o da Syngenta, em parceria com diversas instituições de pesquisa, que apresentou na safra 2019 o programa Manejo Consciente na Cultura do Algodão (Figura 1), focado em garantir um manejo adequado e sustentável para as doenças na cultura. Entre os pilares do Manejo Consciente, se destacam cinco relacionados a características dos produtos e cinco focados nas práticas agronômicas. Quando utilizados em associação pelos cotonicultores podem proporcionar controle mais eficaz das doenças.

OS RESULTADOS DOS ENSAIOS DA REDE EMBRAPA/RAMULÁRIA (2018/2019)

Embora os ensaios cooperativos de rede para algodão/ramulária conduzidos pela Embrapa explorem os produtos em usos sequenciais e isolados, os resultados da safra 2018/2019 indicam que o uso de produtos como Mertin, Adepidyn + difenoconazole (A20259E) e difenoconazole + clorotalonil (A16976A) é fundamental para a composição de um programa de controle que endereça manejo de resistência associado ao controle de doenças. Os resultados da Figura 2 indicam que a diversidade de ativos e modos de ação em um programa de manejo são fatores críticos de sucesso. Mertin (organoestânico), Adepidyn + difenoconazole (combinação de carboxamida (SDHI) com triazol) e difenoconazole

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Tabela 1 - Principais grupos químicos, exemplos de ingredientes ativos relacionados e seus modos de ação no controle de doenças do algodoeiro Modo de ação/processo afetado De maneira geral atuam interferindo na produção de energia, pois agem na mitocôndria da célula fúngica, no complexo III da cadeia respiratória, interferindo na produção de ATP através da inibição da transferência de elétrons. Exemplo: Azoxystrobina Inibidores da desmetilação (DMI), são fungicidas que agem na seletividade da membrana plasmática das células fúngicas, inibindo a biossíntese de ergosterol, importante Triazóis (DMIs) componente da membrana celular dos fungos. Exemplo: Difenoconazole Carboxamidas (SDHIs) Inibidores de succinato-desidrogenase (SDHI), agem no complexo II da cadeia respiratória dos fungos, inibindo a enzima succinato ubiquinona redutase. Pela interferência no complexo II, os fungicidas deste grupo químico inibem o crescimento do fungo, tanto pela falta de energia como pela inibição da síntese de componentes essenciais para a célula fúngica. Exemplo: ADEPIDYNTM Atuam inibindo a germinação de esporos e o metabolismo de fungos, principalmente a respiração, afetando a fosforilação oxidativa nas mitocôndrias e induz a peroxidação lipídica levando a Organoestânicos Exemplo: Hidróxido de Fentina morte as células do fungo de forma generalizada. Esse tipo de mecanismo auxilia muito na dificuldade de se ter o desenvolvimento da resistência para o grupo químicos dos organicoestâmicos. São fungicidas que agem em diversos pontos do metabolismo do fungo simultaneamente, efetivos se aplicados antes da ocorrência da penetração do patógeno no hospedeiro, Multissítios impedindo ou reduzindo as chances de ocorrência da doença. Quando são aplicados à superfície dos órgãos vegetais, agem como uma barreira tóxica, prevenindo a penetraExemplo: Clorotalonil ção de fungos pela inibição da germinação dos esporos e do tubo germinativo. Grupos químicos Estrobilurinas (QoIs)

+ clorotalonil (triazol em combinação com multissítio) são fungicidas fundamentais para o controle e manejo de resistência de ramulária no cultivo do algodoeiro.

AS OPÇÕES DE MANEJO QUÍMICO AO ALCANCE DOS PRODUTORES DE ALGODÃO

Mas afinal, qual seria a melhor forma de se manejar a resistência e as doenças na cultura do algodoeiro? A incorporação dos pilares do Manejo Consciente (Figura 1) nas propriedades por parte dos produtores e a utilização adequada das tecnologias disponíveis para o cultivo do algodoeiro são fundamentais para o sucesso do manejo das doenças e da resistência. Atualmente, apesar da mancha de ramulária ser a principal doença que ataca a cultura do algodoeiro, as primeiras pulverizações, logo nos primeiros dias do ciclo da cultura, têm sido realizadas com foco principalmente em ramulose (Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides). Nesse contexto, fungicidas registrados no Mapa à base de estrobilurinas são altamente eficazes e contribuem, dentro do sistema de manejo, como uma alternativa excelente para o controle da doença. A utilização de fungicidas à base de estrobilurina é recomendado para o controle da ramulose e o Priori Top (azoxystrobina + difenoconazole), além de controlar eficazmente a doença, é uma alternativa considerando o princípio da alternância dos modos de ação dos fungicidas. Em relação ao controle químico eficaz da mancha de ra-

Figura 1 - Manejo consciente da cultura do algodão. Syngenta 2019

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mulária, foram ofertados ao produtor fungicidas à base de carboxamidas, como A20259E (AdepidynTM + difenoconazole), produto de alta performance para o controle da doença. Recomenda-se no máximo três pulverizações durante o ciclo da cultura, realizadas até os 100 Dias Após a Emergência (DAE). Sugere-se que essas pulverizações sejam intercaladas com Mertin (hidróxido de fentina, que é um organoestânico) em intervalos de 14 dias para o controle do patógeno. Adicionalmente, Score (difenoconazole, um triazol) associado a Bravonil 720 (clorotalonil, um multissítio) é excelente opção para compor as últimas aplicações do ciclo do algodoeiro, onde a pressão e a ocorrência de ramulária são elevadas. Essa combinação é evidenciada nos dados de controle apresentados por A16976A (difenoconazole + clorotalonil) nos ensaios de Rede Algodão/Ramulária 2018/2019. Seguindo os princípios do Manejo Consciente, os cotonicultores não apenas atingirão os melhores níveis de controle e manterão altos patamares de produtividade, mas também protegerão as poucas e tão necessárias ferramentas para o manejo das doenças do algodoeiro, garantindo a continuidaC de e sustentabilidade do seu negócio. Flavia Elis de Mello, Daniel Dias Rosa e Ricardo Desjardins Antunes, Syngenta Proteção de Cultivos

Figura 2 - Resultados da Rede Ramularia, safra 208/2019

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Algodão

Crescimento gerenciado O equilíbrio entre as partes vegetativas e reprodutivas é fundamental para que o algodoeiro possa produzir fibra com quantidade e qualidade adequadas às exigências do mercado. Por isso a importância de gerenciar corretamente e levar em consideração todos os aspectos do crescimento das plantas

O

algodoeiro é uma planta perene de hábito de crescimento indeterminado, ou seja, sempre na parte terminal da haste principal tem-se uma estrutura reprodutiva. O crescimento da planta é função da cultivar, da população de plantas, do espaçamento entre fileiras, da fertilidade do solo (aspectos físicos, químicos e biológicos), das condições climáticas: luz, temperatura (noturna e diurna) e umidade. Já para assegurar uma boa produtividade e que as fibras tenham qualidade que atendam às exigências das indústrias têxteis, faz-se necessário gerenciar o crescimento

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das plantas. A meta é que no momento da colheita, as plantas meçam entre 1m, 20m e 1,30m, tendo na haste principal de 20 nós a 23 nós a partir do nó cotiledonar, com 12-15 ramos reprodutivos. Quando por consequência de algum fator biótico (exemplo pragas) ou abiótico (exemplo falta de luz) a retenção de estruturas reprodutivas nas primeiras posições é baixa, ou seja, ocorre abscisão destas estruturas, as plantas tendem a crescer e, por conseguinte, apresentar um maior número de nós e de ramos reprodutivos. Plantas mais compactas, com comprimento de internódios entre 4cm e

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4,5cm, ramos oblíquos em relação à haste principal e com formato piramidal, são mais eficientes do ponto de vista fotossintético. Nessas condições há uma maior penetração de luz ao longo do dossel vegetal, permitindo assim que as folhas do terço inferior realizem fotossíntese suficiente para prover com fotoassimilados os frutos dos terços médio e inferior da planta. Após a emergência, a plântula tem um crescimento inicial muito lento. Na fase inicial, o crescimento do sistema radicular é muito intenso. Somente após a fase VO é que a taxa de crescimento da matéria seca da parte vegetativa (parte aérea) é incrementada


(Figura 1). Entre o primeiro botão floral (B1) e a primeira flor (F1) o algodoeiro apresenta um grande acúmulo de matéria seca da parte aérea em consequência do crescimento vegetativo. Assim, o gerenciamento do crescimento deve ter início imediatamente antes da fase B1, desde que as plantas não estejam sob o efeito de qualquer tipo de estresse. Normalmente, o primeiro ramo reprodutivo surge a partir do quarto ao sexto nó. Os ramos vegetativos são observados em nós localizados abaixo dos primeiros ramos reprodutivos.

REGULADORES DE CRESCIMENTO

Os reguladores de crescimento na cultura do algodoeiro são utilizados para proporcionarem o equilíbrio entre as partes vegetativas e reprodutivas. Este equilíbrio é fundamental para que o algodoeiro possa produzir fibra em quantidade e qualidade. Os reguladores de crescimento são substâncias sintéticas que alteram o balanço hormonal da planta de algodão, interferindo em seu crescimento (Ferreira, 2014). Diversos são os fatores que interferem na ação dos reguladores de crescimento com destaque para a cultivar, a temperatura, a umidade do solo, a população de plantas, a dose do pro-

duto e o momento da primeira aplicação. (Zhao et al, 2017). O momento da primeira aplicação é um dos fatores mais relevantes para que se obtenha uma planta com a altura/arquitetura desejada (Lamas e Ferreira, 2015). Assim, o momento em que se faz a primeira aplicação de regulador de crescimento vai depender das condições ambientais, do vigor das plantas, da cultivar e da altura das plantas. Quando há cultivares de porte mais alto, normalmente de ciclo mais longo, a primeira aplicação de regulador de crescimento deve ser realizada quando as plantas atingirem entre 30cm e 35cm de altura. Para as de porte mais baixo, a primeira aplicação deve ocorrer quando as plantas estiverem com 35cm de altura a 40cm de altura. Recomenda-se também contar o número de nós da haste principal. Quando a razão entre a altura das plantas e o número de nós da haste principal for superior a 3,5cm, recomenda-se aplicar o regulador de crescimento. Também é necessário monitorar o crescimento das plantas de maneira a se determinar a taxa de crescimento, que não deve ultrapassar 1,5cm/dia. Exemplo: altura média das plantas no dia A = 26 cm; no dia B = 35cm, intervalo de tempo entre os dias A e B = 5 dias – ((35-26)/5= 1,8 cm/dia. Nestas condições, aplicar o regulador de

crescimento. Outro critério consiste em medir o comprimento médio dos cinco últimos internódios, que deve ser de 3,5cm a 4cm. A tomada de decisão sobre o momento de aplicar o regulador de crescimento é função da altura das plantas. Da razão entre altura das plantas e número de nós da haste principal e da taxa de crescimento. Os produtos atualmente existentes no mercado brasileiro são cloreto de mepiquat e cloreto de clormequat. Ambos possuem mecanismos e modos de ação muito semelhantes, interferem na síntese e velocidade de translocação do hormônio giberelina, que é atual no alongamento e multiplicação celular, ou seja, no crescimento das plantas. Sendo observados esses critérios, recomenda-se entre 15g e 20g de cloreto de mepiquat ou de cloreto de clormequat. As demais aplicações serão realizadas quando da retomada do crescimento das plantas, avaliadas com o uso dos mesmos critérios mencionados. Considerando que a taxa de crescimento aumenta até F1, as doses subsequentes também devem ser crescentes. Importante destacar que o crescimento vegetativo do algodoeiro é inversamente proporcional à retenção de estruturas reprodutivas. Assim, quando nos primeiros ramos reprodutivos há uma boa retenção,

Figura 1 - Crescimento inicial do algodoeiro. Fonte: Echer et al. (2013)

Flores abertas no ponteiro (quarto nó de cima para baixo), indicando que a taxa de crescimento do algodoeiro está muito reduzida

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Valdinei Sofiatti

Tabela 1 - Produtos registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária como reguladores de crescimento para a cultura do algodoeiro Dose do produto Ingredientes comercial (total) ativos Cloreto de Mepiquat (50 g/L) 1,5 a 2,0 L/ha Cloreto de Mepiquat (250 g/L) 0,3 a 0, 4 L/ha Cloreto de Clormequat (100 g/L) 0,75 a 1,0 L/ha

Produto Comercial Pix, Stage 50, Mepiquat 50 PIX HC; Stage, Sponsor, Legend 250 SL, Flaxton, Mepiquat Chloride 25% SL Tuval

Fonte: Brasil, 2019

especialmente nas duas primeiras posições dos ramos, as plantas terão um menor crescimento vegetativo. O contrário se verifica quando por algum motivo a retenção de estruturas reprodutivas é pequena. Nesta situação, as plantas tendem a crescer, e o manejo com regulador de crescimento deve ser reconsiderado. É provável que haja necessidade de aumento da dose as ser aplicada. O correto gerenciamento do crescimento do algodoeiro é algo que exige monitoramento constante, especialmente a partir do aparecimento dos primeiros botões florais. Uma ferramenta muito importante para isso reside no mapeamento de plantas. Rafael et al, 2019, apresentam de forma clara e objetiva as formas para se realizar o mapeamento de plantas. Vale destacar que se trata de uma ferramenta importante não só para o gerenciamento do crescimento do algodoeiro, mas também para outras práticas de manejo. Ainda é um desafio definir a dose de regulador de crescimento para evitar crescimento excessivo em cultivares de algodoeiro, tanto para cultivares precoces como tardias, preservando-se a produtividade e a qualidade da fibra (Echer; Rosolem, 2017). Cultivares de porte médio como BRS 430 B2RF, TMG 44 B2RF, TMG 61 RF e TMG62 RF são menos exigentes em regulador de crescimento. O contrário se verifica com as cultivares TMG 42 B2RF, FM 985 GLTP, FM 975 WS; BRS 432 B2RF e 433 FL B2RF, e IMA 5801 B2RF, que são de porte médio/alto Doses elevadas de regulador de crescimento podem interferir negativamente no índice Micronaire, aumentando-o, o que é indesejável, pois a indústria demanda fibra com índice Micronaire entre 3,9 e 4,2. Independentemente do produto comercial, a dose total deve ser aplicada de forma parcelada, sendo a primeira aplicação realizada conforme indicado anteriormente. Em cada uma das aplicações, utilizar doses crescentes, levando-se em consideração o aumento da biomassa da parte érea do algodoeiro. Quando acima da flor mais alta, na haste principal, a planta apresentar de três a quatro nós, significa que a taxa de crescimento está reduzida, devido à boa retenção de frutos nos terços inferior e médio. Nestas condições a maior parte dos fotoassimilados produzidos é utilizada para o crescimento dos frutos. Assim, nestas condições, não há mais necessidade de se aplicar regulador de crescimento. Se as aplicações foram realizadas de forma adequada, as plantas estarão com altura

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A bicheira-da-raiz é a denominação empregada às larvas, que chegam a até 9mm de comprimento

Detalhe dos últimos cinco internódios da haste principal

dentro da meta estabelecida entre 1,20m e 1,30m. Preferencialmente os reguladores de crescimento devem ser aplicados de forma isolada. Em caso de ocorrência de chuvas até quatro horas após a aplicação recomenda-se uma nova pulverização, utilizando-se a mesma dose do produto comercial. As aplicações subsequentes devem ser realizadas quando da retomada do crescimento, o que é determinado através do monitoramento das plantas. Levar em consideração as características da cultivar no estabelecimento da dose C a ser aplicada.

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Fernando Mendes Lamas Embrapa Agropecuária Oeste


Sucessão

Dano colateral

A previsão de carryover, que consiste no potencial de dano à cultura em sucessão causado pelo efeito residual do herbicida aplicado no primeiro cultivo do ano agrícola, é importante para que o potencial produtivo da cultura não seja afetado. A recomendação de herbicida deve estar pautada não somente na eficácia de uso no cultivo em que é recomendada, mas também no potencial de risco para culturas que virão na sequência

A

de das culturas em risco de redução da produtividade devido à fitotoxicidade do carryover. No caso específico da sucessão de cultivos de soja e milho/algodão/feijão, extensivamente adotada no Brasil, o uso massivo do cultivo de variedades de soja e/ou milho e/ou algodão resistentes ao glifosato resultou em uma grande transformação no sistema de manejo de plantas daninhas, principalmente nos aspectos de maior seletividade para a cultura, e ausência de carryover. No entanto, a seleção de populações de plantas daninhas resistentes ao glifosato e a recomendação de prevenção e manejo desta resistência, pautada na diversidade de recomendação de mecanismos de ação de herbicidas, têm requerido defensivos

residuais, ou mesmo pós-emergentes, com potencial de carryover para a cultura em sucessão. Neste sistema, como em qualquer outro discutido aqui neste artigo, o destino final do herbicida é o solo. Assim, a degradação deste herbicida é, principalmente, dependente da oferta de água neste solo, que serve de meio de sobrevivência e multiplicação dos micro-organismos decompositores do herbicida. Além da água no solo, podem interferir no efeito carryover de um herbicida a textura do solo, o teor de matéria orgânica, o pH do solo, a temperatura do solo após a aplicação do produto e a dose do herbicida. Assim, apesar de nesta publicação serem atribuídos tempos cronológicos para que possa ser se-

Cultivar

diversidade dos sistemas de produção na agricultura brasileira permite que mais de um cultivo possa ser praticado em um ano agrícola. No entanto, esta diversidade gera complexidade nas recomendações de herbicidas, pois há situações em que o efeito residual do produto aplicado no primeiro cultivo do ano agrícola pode proporcionar injúrias na cultura em sucessão, fenômeno na prática chamado de carryover. Da mesma forma, o herbicida aplicado no segundo cultivo pode resultar em carryover sobre o primeiro cultivo do próximo ano agrícola. Assim, é importante que no planejamento de recomendação seja considerado este fenômeno para a escolha segura do herbicida, sem colocar a produtivida-

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Fotos Pedro Jacob Christoffoleti

Carryover de sulfentrazone em planta de milho

meado um cultivo sem efeito carryover, é importante destacar que pode haver variações deste tempo, em função dos fatores já mencionados. Dentre os herbicidas inibidores da ALS utilizados na cultura da soja, que apresentam potencial de carryover em culturas em sucessão, está o imazethapyr, que em doses recomendadas de bula, necessita de pelo menos 90 dias de intervalo para a semeadura do milho; 120 dias para o trigo, e 90 dias para a cultura de feijão. Já para o diclosulan há necessidade de 90 dias de intervalo entre a dose recomendada e a semeadura das culturas de milho, trigo e feijão. O metsulfuron, que tem sido usado no período invernal, antes da semeadura de soja, principalmente para o controle da buva, também necessita de um período mínimo 60-70 dias para a semeadura da soja, ressaltando que deve ser considerado que neste período deve haver pelo menos 100mm de chuva, bem distribuída, para degradação do herbicida. Apesar do uso pouco comum do herbicida imazaquin na cultura de soja, na atualidade é importante considerar que este herbicida, na dose de bula, exige pelo menos 300 dias para o cultivo de milho na área, 120 dias para trigo e 90 dias para feijão. Já para o chlorimuron, 60 dias são suficientes para o cultivo de milho, trigo e feijão. Porém, é importante considerar que em solos com pH mais elevado o período de carryover pode aumentar. Também é importante considerar o uso do iodosulfuron na cultura de trigo, que necessita de um período mínimo de 90 dias para a semeadura de milho, trigo e feijão. Na cultura de algodão, apesar de que nos últimos anos seu uso tem reduzido bastante, os herbicidas inibidores da ALS trifloxisulfuron e pirithiobac podem resultar em carryover na cultura do milho. Para estes herbicidas é necessário um período de pelo menos 120 dias de intervalo entre a sua aplicação e o plantio da cultura de milho, principalmente nos sistemas de produção irrigados, em que a cultura de milho é plantada no inverno na região do Cerrado. 38

O herbicida sulfentrazone, nas doses de bula para a cultura da soja, destaca-se entre os herbicidas inibidores da Protox que necessitam de, no mínimo, 90 dias entre a aplicação e a semeadura das culturas de milho, trigo e feijão e 300 dias para o algodão. Da mesma forma o fomesafen, eventualmente utilizado como residual na cultura de algodão, e pós-emergente na cultura de soja, que em dose de bula exige no mínimo 150 dias entre sua aplicação e a semeadura do milho. Na cultura do milho é comum a aplicação de herbicidas inibidores da biossíntese de carotenos, como mesotrione e tembotrione, para controle de plantas daninhas em pós-emergência, geralmente associados com atrazina. No entanto, é importante observar que estes herbicidas, em dose de bula, exigem um período mínimo de 90 dias para o mesotrione e 65 dias para o tembotrione e semeadura de trigo e feijão em sucessão, principalmente para produtores que fazem o cultivo irrigado destas culturas no inverno. Ainda dentro deste mecanismo de ação existe o herbicida clomazone, recomendado para a cultura de soja, que exige, no mínimo, 150 dias de intervalo para a semeadura das culturas de milho, trigo e feijão. O uso de herbicidas inibidores do fotossistema II, principalmente as triazinas, a atrazina, e as ureias substituídas, diuron, pode gerar, em algumas situações, efeito de carryover em culturas em sucessão. Nas doses de bula, para a atrazina aplicada na cultura de milho, o período é de 90 dias, entre a aplicação e a semeadura de milho, trigo e feijão. No entanto, tem sido uma prática habitual, entre os produtos com problemas de buva resistente ao glifosato, aumentar a dose de atrazina ou mesmo fazer aplicações sequenciais, o que pode aumentar o risco de carryover. No caso específico do diuron, destaca-se seu uso na cultura de algodão como residual, em pré-emergência ou em jato dirigido, pois exige no mínimo 120 dias para o cultivo de milho, trigo e feijão. Um sistema de produção que tem aumentado bastante, principalmente no estado de São Paulo, é a rotação da soja na reforma da cultura da cana-de-açúcar, quer no sistema normal de rotação ou no sistema chamado de meiosi (método intercalar de cultivo ocorrendo simultaneamente). Neste caso, alguns herbicidas aplicados na última soqueira de cana podem exercer efeito de carryover sobre a cultura da soja. Destacam-se os herbicidas tebuthiuron, picloran e indaziflan, recomendados para a cultura da cana, mas que exigem um período mínimo de 24 meses para a semeadura da soja. Também existe o herbicida amicarbazone, que em doses abaixo de 1kg/ha exige 12 meses de intervalo, porém em doses maiores demanda também 24 meses de intervalo para a semeadura da soja. Outros herbicidas que exigem 12 meses de intervalo e que são usados na cultura da cana são hexazinona, imazapic e imazapyr, quando aplicados nas doses de bula. É comum também a expansão da cultura de soja e milho em áreas de pastagens, principalmente no Norte do Brasil. Assim, é importante conhecer o histórico das áreas, pois existem herbicidas de pastagens que exigem dois anos de

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Christoffoleti alerta para potenciais riscos de determinados herbicidas para culturas subsequentes

intervalo entre a aplicação e a semeadura da soja. É o caso do herbicida picloran, presente em muitas formulações de herbicidas utilizados em pastagens. Eventualmente em pastagens pode ser empregado o tebuthiuron, que exige pelo menos dois anos de intervalo também. Em situações onde não se conhece o histórico da área em relação aos herbicidas utilizados em anos anteriores, e suspeita-se de carryover na área, sendo intenção de plantio de uma cultura de grão, recomenda-se fazer um bioensaio. Para isso, basta simular no campo

Carryover de amicarbazone em soja

o que pode ocorrer com a lavoura em sucessão, utilizando a variedade que vai ser plantada e/ou culturas indicadoras. Assim, é semeada na área com suspeita de problema, uma quantidade definida e conhecida de sementes do próximo cultivo, que se pretende plantar, juntamente com uma cultura indicadora, alguns dias antes da colheita da cultura anterior. Na falta de umidade para germinar, recomenda-se irrigar a parcela e, também, plantar em um talhão vizinho, que não recebeu a aplicação do herbicida, servindo de testemunha. É importante que esse solo vizinho tenha carac-

terísticas físicas e químicas semelhantes. Planejamento é fundamental para o sucesso na agricultura. Assim, previsão de carryover é muito importante para que o potencial produtivo da cultura não seja afetado. A recomendação de herbicida deve estar pautada não somente na eficácia de uso no cultivo em que é recomendado, mas também no potencial de risco para C culturas em sucessão. Pedro Jacob Christoffoleti, Esalq/USP Agrocon Assessoria Agronômica


Empresas

Década de investimentos Basf anuncia recursos em pesquisa e desenvolvimento, além do lançamento de 30 soluções para o mercado agrícola brasileiro nos próximos dez anos

A

América Latina responde por grande parte das vendas da Divisão de Soluções para Agricultura da Basf. O Brasil, principal região e um dos maiores mercados agrícolas do mundo, tem recebido investimentos da empresa, que em pesquisa e desenvolvimento já alcançam 900 milhões de euros. O número foi informado pelo presidente global da Basf, Vincent Gros, em novembro, em Trindade, Goiás, durante a apresentação da nova estratégia de negócios da companhia e anúncio do lançamento de 30 soluções para o mercado brasileiro até 2030. “Temos como objetivo a oferta de soluções focadas em ajudar os produtores a lidar com a resistência a herbicidas e inseticidas, através de soluções integradas, desde sementes à tecnologia.

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Queremos ajudar os produtores a aumentar a produtividade e os lucros, ao mesmo tempo em que contribuem com a sustentabilidade. Os investimentos no Brasil representam um novo capítulo para a Basf”, destacou Gros. A Basf também tem investido na infraestrutura dos centros de pesquisas. Durante três anos aplicou aproximadamente R$ 60 milhões no Centro Global de Pesquisa, localizado em Trindade, Goiás, focado na cultura de algodão e soja. É nesse local onde são desenvolvidas e testadas cultivares, potencial produtivo e resistência a doenças. “Investimos no centro de Trindade para torná-lo capaz de desenvolver soluções. É um centro focado no melhoramento de

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Fotos Divulgação

agricultura moderna, robusta e sustentável ao longo dos anos. “Temos uma equipe preparada e disponível em todo o Brasil para entender as dificuldades e diferenças regionais, para poder trabalhar com soluções que vão ao encontro dessas necessidades”, explicou.

TRINTA LANÇAMENTOS EM DEZ ANOS

Novidades foram apresentadas durante evento em Trindade, Goiás

variedades e desenvolvimento de traits para os principais cultivos que temos no Brasil, como o algodão e a soja. Nele há um laboratório de fitopatologia que nos ajuda na identificação de variedades mais tolerantes aos diversos problemas existentes na agricultura brasileira”, explicou o vice-presidente da Divisão de Soluções para Agricultura da Basf no Brasil, José Munhoz. Além do Centro de Pesquisa em Goiás, a Basf destinou R$ 40 milhões para ampliação e modernização dos laboratórios e instalações do Centro de Pesquisa em Santo Antônio de Posse, em São Paulo. As duas estruturas fazem parte de uma rede global de pesquisa e desenvolvimento da empresa. A Basf também possui outros 16 locais de pesquisa espalhados em regiões estratégicas do Brasil, que desenvolvem soluções de acordo com a realidade de cada região. A empresa reforçou sua atuação no País, juntamente com a aquisição de ativos e portfólio de sementes e serviços da Bayer, em agosto de 2018. “Dessa forma conseguimos suprir as necessidades dos cultivos e oferecer soluções integradas com maior qualidade, produtividade e rentabilidade para os agricultores”, ressaltou Munhoz. Também participaram do evento o vice-presidente sênior de Marketing Estratégico Global, Rolf Reinecke, o vice-presidente sênior da Divisão de Soluções para Agricultura para América Latina, Eduardo Leduc, e o diretor de Sementes no Brasil, Hugo Borsari.

NOVA ESTRATÉGIA DE NEGÓCIO

A nova estratégia de negócio da Basf no Brasil tem como objetivo estar próxi-

ma aos agricultores, entender suas reais demandas do presente e do futuro, além de aliar produtividade, lucratividade e sustentabilidade. “Através dessa nova estratégia, a Basf inicia um novo capítulo, colocando os agricultores no centro do que fazemos. Queremos entender o processo de produção no presente e no futuro”, explicou Vincent Gros. Para colocar em prática a nova estratégia, a Basf identificou quatro pilares: Inovação, Soluções digitais, Sustentabilidade e Experiência do cliente. “Tendo estes pilares como base, queremos adotar medidas de ações sustentáveis, modos de aplicação específicos, mapear talhões, focar na experiência do cliente, entre outras medidas. Focamos em encontrar o equilíbrio de todo processo para desenvolver novas moléculas e ferramentas, buscando lucratividade, sustentabilidade e aceitação social”, destacou Gros. Segundo José Munhoz, a nova estratégia da Basf no Brasil consiste em entender os produtores brasileiros para compreender suas necessidades, e assim desenvolver soluções que atinjam uma

Até 2030 a Basf pretende lançar 30 soluções no Brasil. Proteção de cultivos, variedades de algodão e soja, sementes e traits, além de novos ingredientes ativos, como dois fungicidas e dois inseticidas, estão entre as novidades. A Basf é a terceira empresa no ranking de proteção de cultivos e a quarta na área de sementes. Soluções para agricultura, principalmente em culturas como soja, milho e algodão, já correspondem a 30% dos negócios da companhia. Em dez anos, a Basf pretende lançar no mercado brasileiro seis herbicidas, 11 fungicidas, sete inseticidas, cinco soluções em tratamento de sementes, quatro novos ingredientes ativos e reforçar a atuação no segmento da agricultura digital. Através dos lançamentos, globalmente a Divisão de Soluções para Agricultura da Basf planeja aumentar sua participação de mercado e crescer um ponto percentual acima do mercado de agricultura. O objetivo é ampliar as vendas em 50%, reforçando a nova estratégia da empresa, com soluções que contribuam com a sustentabilidade da cadeia de valor. C

Munhoz destacou a oferta de alternativas aos produtores

Cassiane Fonseca viajou a convite da Basf

Gros projeta 30 lançamentos de soluções nos próximos dez anos

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Feijão e soja

Quando realizar Utilizada de modo correto, a dessecação pré-colheita é uma ferramenta que apresenta ótimo potencial para trazer benefícios aos produtores de soja e de feijão. Mas é preciso muito critério e atenção para que as aplicações ocorram no momento adequado

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A

Figura 1 - Subdivisão do estádio de desenvolvimento correspondente à maturação dos grãos (adaptado de Fehr & Caviness, 1977 e Ritchie et al., 1977)

intensificação dos sistemas de cultivos na busca por conduzir duas culturas de verão na mesma safra tem levado à necessidade de liberar a área o mais cedo possível para a semeadura da cultura subsequente. A ocorrência de infestações de plantas daninhas próximas da colheita da cultura, a retenção foliar, a diferença de maturação das vagens, entre outros, tornam viável a utilização de herbicidas dessecantes na

pré-colheita da soja e do feijão. Quando realizada de maneira adequada, a dessecação pré-colheita pode resultar em maior uniformidade da maturidade fisiológica da lavoura, aumentar o rendimento de máquina na colheita, antecipar o plantio da cultura seguinte e obter grãos de melhor qualidade fisiológica. Para isso, é necessário aprender a identificar o estádio de desenvolvimento das culturas. Na soja é importante conhecer a diferença entre os hábitos de crescimento determinado e indeterminado. Nas cultivares com hábito de crescimento determinado, o início do florescimento ocorre na região central da haste (entre o 6° e o 8° nó da haste principal) e segue tanto para a base como para o topo da planta, com pouca diferença na maturação das sementes. Para as cultivares

com hábito de crescimento indeterminado, o início da floração ocorre muito cedo, quando a planta ainda se encontra no estádio vegetativo; o florescimento se inicia no 4° ou 5° nó da haste principal e segue até o topo, sendo mais intenso nos nós medianos; nessas cultivares os estádios de desenvolvimento não são bem definidos e a emissão constante de vagens resulta na maturação desuniforme, implicando problemas na colheita e grãos com diferentes níveis de umidade. A época de dessecação pré-colheita é mais flexível nas cultivares com hábito indeterminado, pois a maioria das sementes imaturas está presente somente no topo da planta, enquanto nas de hábito determinado ocorrem tanto no topo como na base das plantas. Atualmente, a maioria das cultivares de soja semeadas é de hábito de crescimento indeterminado. No campo, as características

Figura 2 - Plantas de soja com hábito de crescimento indeterminado no estádio de desenvolvimento R 7.1, com hastes verdes e início do amarelecimento de folhas, vagens e grãos. Fundação ABC, Ponta Grossa - PR, 2009/2010

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Tabela 1 - Herbicidas registrados para dessecação pré-colheita da dose, com respectiva dose recomendada e intervalo de segurança Ingrediente ativo Diquate Glufosinato Paraquate*

Dose recomendada 200 a 400 g i.a. ha + 0,1% espalhante adesivo 400 g i.a.ha + 0,2% óleo vegetal ou mineral 300 a 600 g i.a.ha + espalhante adesivo

Intervalo de segurança 7 dias 10 dias 7 dias

* Verificar resolução RDC nº 177, de 21 de setembro de 2017, que estabelece a proibição do ingrediente ativo Paraquate em produtos agroquímicos no País e as correspondentes medidas transitórias de mitigação de riscos.

aplicação pode ser considerada segura. A Figura 1 apresenta uma escala adaptada de Fehr & Caviness (1977) e Ritchie et al (1977), compreendendo as divisões nas fases de maturação e desfolha. É importante lembrar que aplicações realizadas muito cedo, ainda com os grãos em fase de enchimento, podem resultar em acúmulo do herbicida no grão e, consequentemente, inviabilizar a germinação. Além disso, aplicações precoces tendem a reduzir a produtividade da soja e do feijão e não apresentar o benefício de antecipar a colheita devido à grande quantidade de matéria verde ainda presente nas plantas. Por outro lado, se realizada mais tarde a dessecação pré-colheita pode atrasar a colheita, pois deve ser respeitado o intervalo de segurança entre a aplicação e a colheita.

COMO IDENTIFICAR NO CAMPO ESSES ESTÁDIOS DE DESENVOLVIMENTO?

Figura 3 - Plantas de soja com hábito de crescimento indeterminado no estádio de desenvolvimento R 7.2, com hastes verdes e início do amarelecimento de folhas, vagens e grãos. Fundação ABC, Ponta Grossa - PR, 2009/2010

mais observadas na pré-colheita da soja para essas cultivares são a retenção de folhas e plantas com haste verde, além da diferença de maturação das sementes. Então, qual o momento ideal para realizar a dessecação pré-colheita? Deve ser efetuada após o máximo acúmulo de matéria seca nos grãos, evitando a translocação de metabólitos dos herbicidas para os grãos e para que não ocorra prejuízo na produtividade. Esse estádio pode ser definido como a maturação fisiológica da cultura, a partir da qual não ocorre acúmulo de fotoassimilados e se inicia o processo de perda da umidade do grão. Na cultura da soja, assim como em outras culturas, esse período corresponde ao início do amarelecimento das vagens e folhas e posteriormente desfolha. Pesquisas têm mostrado que a dessecação é viável a partir do estádio R 6.5, porém no estádio R 7 a

A desfolha não pode ser utilizada para determinar a época de aplicação, pois a retenção de folhas pode variar de cultivar e das condições de desenvolvimento da cultura. A coloração da vagem pode não ser a melhor ferramenta para definir a época de aplicação e o melhor parâmetro está no desenvolvimento das sementes nas vagens. O período que corresponde ao final de enchimento dos grãos pode ser observado quando ocorre a descoloração das folhas. As folhas perdem sua tonalidade verde-escura e passam para uma cor mais clara, que posteriormente se tornarão amarelas. Para a soja, no estádio R 6.0 a semente atinge o máximo de acúmulo de matéria seca, preenche toda a cavidade da vagem e começa o processo de “desmama” do grão. No final desse estádio não é mais observada uma membrana branca que reveste a semente, estando o grão solto na vagem. No estádio R 7.1, 50% das vagens e das folhas estão amarelas (Figura 2). No estádio R 7.2, o amarelecimento da planta está mais avançado, os grãos dentro da vagem também perdem a cor verde e se tornam amarelados. Os grãos de soja ainda apresentam formato de “feijão” (Figura 3). No estádio R 8.1, a desfolha é intensa e as vagens começam a adquirir coloração marrom. Para a cultivar com hábito indeterminado pode ser observada a diferença na maturação dos grãos. No terço superior, a quantidade de grãos verdes é maior que no terço inferior. A campo, o monitoramento do estádio das plantas deve ser

Figura 4 - Produtividade da soja de acordo com a época de aplicação de herbicidas dessecantes (média de 9 cultivares instaladas em 2 locais). Fundação ABC, 2012/2013

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mais frequente a partir do início do amarelecimento das folhas. Tanto para cultivares com hábito determinado ou indeterminado deve se observar as vagens localizadas no terço médio das plantas. Sugere-se coletar as vagens acima do 4° nó de forma ao acaso, abrir as vagens e observar se os grãos estão separados (“desmamados”) da vagem ou se estão aderidos através de uma membrana branca; a partir dessa fase os grãos perdem a cor verde e se tornam amarelados, porém ainda possuem formato de “feijão”; essa fase é identificada como estádio de desenvolvimento R 7.2 (Figuras 1 e 3) e a aplicação de dessecantes, de maneira geral, pode ser realizada sem efeitos negativos na produtividade.

E QUAIS SÃO OS BENEFÍCIOS EM DESSECAR AS PLANTAS DE SOJA PRÓXIMA À COLHEITA?

Em ensaio conduzido pela Fundação ABC na safra 2012/2013 em nove cultivares de soja e em dois locais (Ponta Grossa, no Paraná; e Itaberá, em São Paulo), a dessecação pré-colheita da soja quando realizada no estádio R 7.2 permitiu antecipar a colheita em seis dias, na média. Essa antecipação pode ser benéfica quando existe a necessidade de realizar o escalonamento da colheita devido à oferta de maquinário, assim como antecipar a semeadura da safrinha. Quando a dessecação foi realizada em R 6.0 a antecipação da colheita foi de nove dias, porém ocorreram perdas na produtividade e, principalmente, na qualidade do grão, resultando em sementes com menor germinação, vigor e maior dano por umidade (Figura 4).

Figura 5 - Germinação da soja de acordo com o dessecante utilizado na dessecação pré-colheita (média de 9 cultivares e em 2 locais). Fundação ABC, 2012/2013

A dessecação pré-colheita também auxilia para uniformizar a maturação dos grãos, principalmente nas cultivares com hábito indeterminado, onde as vagens na parte inferior atingem a maturidade antes e estão mais secas, enquanto as vagens na parte superior da planta ainda estão verdes. A retenção de folhas e a presença de hastes verdes também são comuns para essas cultivares, e se não realizada a dessecação pré-colheita a quantidade de massa verde e de grãos verdes na colheita também resulta em perdas na produção. O ataque de percevejo é outro fator que pode justificar a dessecação pré-colheita da soja, pois pode ocasionar um desequilíbrio fisiológico na maturação, resultando em plantas com haste verde/retenção foliar. A infestação de plantas daninhas na colheita da cultura também pode justificar o uso da dessecação pré-colheita. A

presença de plantas daninhas nessa etapa pode resultar em maior dificuldade na colheita devido ao entupimento das máquinas, à exigência de maior velocidade no cilindro batedor, ao maior tempo gasto para colocar a colhedora em condições de recomeçar a operação, aos maiores danos mecânicos às sementes e ao aumento na porcentagem de impurezas no produto colhido. Outro fator a ser considerado é que altas infestações de plantas daninhas levam a um aumento no teor de umidade do grão, sendo necessária a redução da velocidade da máquina, tornando o grão mais sujeito à deterioração. Portanto, a utilização de herbicidas na pré-colheita da soja otimiza o uso das colhedoras e reduz a porcentagem de impureza nos grãos. É importante ressaltar que após a aplicação do herbicida dessecante o intervalo até a colheita deve ser de no mínimo sete dias, respeitando o intervalo de segurança sugerido na bula do produto.

Figura 6 - Vagens de feijão com grãos ainda verdes (foto da esquerda) e vagens maduras com grãos rajados (foto da direita). Fundação ABC, 2010

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Com relação à escolha do herbicida, os de contato atuam de forma mais rápida (exemplo: glufosinato e diquat) e podem auxiliar quando o objetivo é a antecipação da colheita. Os herbicidas registrados para dessecação pré-colheita da soja (Seab, 2019) estão na Tabela 1. A velocidade de dessecação na pré-colheita de cultivares de soja varia conforme os dessecantes, sendo diquate e paraquate, os mais rápidos e eficientes quando comparados ao herbicida glufosinato. O estádio de aplicação também interfere na velocidade da dessecação, sendo mais rápida a desfolha/dessecação quando aplicada em plantas com estádios mais avançados de desenvolvimento, ou seja, no estádio R 8.1 a dessecação ocorre mais rápido que a realizada no estádio R 7.2. Tanto diquate como paraquate são eficazes na desfolha da soja e apresentam velocidade de dessecação similar. Esses herbicidas pertencem ao grupo químico bipiridílio e atuam como inibidores do fotossistema I. De forma resumida, diquat e paraquat interferem no processo de captação de energia solar, pelo qual as plantas reduzem o CO2 a CH2O, liberando O2; esse processo somente ocorre na presença de luz. Dentre os dessecantes, glufosinato além de apresentar dessecação mais lenta é o herbicida que mais impacta na qualidade fisiológica das sementes tanto em germinação (Figura 5), vigor, porcentagem de sementes não germinadas e dano das sementes. A escolha do herbicida dessecante também pode variar de acordo com a planta daninha predominante na pré-colheita da soja. Em lavouras com maior presença de plantas daninhas com folha estreita o melhor controle é obtido com paraquate e quando predominam folhas largas a melhor opção é o herbicida di-

Plantas com 60% de vagens secas

Plantas com 80% de vagens secas

Figura 7 - Plantas de feijão em diferentes estádios de desenvolvimento. Fundação ABC, 2015

quate. Portanto, para as cultivares com hábito de crescimento determinado, assim como para as cultivares com hábito indeterminado, a dessecação pré-colheita da soja deve ser realizada de forma segura a partir do estádio R 7.2. Com isso, podem ser observados os benefícios de antecipação da colheita e manutenção da qualidade do grão sem prejuízos na produtividade.

DESSECAÇÃO PRÉ-COLHEITA NA CULTURA DO FEIJÃO

Na cultura do feijão, os benefícios da dessecação pré-colheita são similares aos da soja, porém a identificação do momento de aplicação ocorre em função do números de vagens secas/maduras nas plantas. São consideradas como vagens secas aquelas que apresentam grãos rajados mesmo quando a vagem ainda possui coloração verde (Figura 6). A recomendação da aplicação de dessecantes na pré-colheita do feijão também deve levar em conta o destino do grão, se é para consumo ou produ-

ção de semente. Quando realizada mais cedo, com 60% das vagens secas (Figura 7), não ocorrem perdas na produtividade. Porém, é observada menor qualidade da semente devido à redução na germinação ou vigor, sendo recomendado o uso do grão somente para consumo (Figura 8). Então, quando o campo de feijão é destinado à produção de sementes a dessecação deve ser realizada com mais de 80% das vagens secas. Quanto à performance dos dessecantes, o comportamento é similar ao que ocorre na cultura da soja. Recomenda-se consultar a dose recomendada e o intervalo de segurança para cada produto. Outro fator importante na cultura do feijão se refere à colheita mecanizada das áreas, que somente é possível quando as plantas são dessecadas. Portanto, essa ferramenta, quando bem utilizada, traz benefícios aos produtores de soja C e feijão. Eliana Fernandes Borsato Luis Henrique Penckowski Evandro Maschietto Fundação ABC

Figura 8 - Efeito da dessecação sobre a produtividade e a qualidade da semente de feijão em função do estádio de desenvolvimento da cultura. Fundação ABC, 2010

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Empresas

Aplicação correta

Bayer realiza encontro no Rio Grande do Sul para apresentar plataforma Intacta 2 Xtend e mostrar o modo adequado de aplicar o herbicida dicamba a aplicação do dicamba, onde são realizados dias de campo e treinamentos em cada região do Brasil. A Bayer já realizou dias de campo em Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul. Neste ano, ainda ocorrerão eventos em Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Bahia, reunindo público de dez mil produtores para mostrar, na prática, como utilizar de forma correta e tirar o máximo proveito da plataforma. As operações são realizadas com equipamentos da Case IH, marca da CNH Industrial, parceira da Bayer desde agosto deste ano para o fornecimento de máquinas para plantio, tratos culturais e colheitas das áreas de ensaio.

PLATAFORMA INTACTA 2 XTEND

A

Bayer promoveu, em novembro, a segunda edição do Encontro i2X em Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul. O evento serviu para apresentar o manejo inteligente da soja com a plataforma Intacta 2 Xtend, cujo lançamento está previsto para 2021. O Dia de Campo faz parte de encontros que a multinacional realiza nos principais polos produtores do Brasil, para mostrar na prática como utilizar a nova biotecnologia. O objetivo é apresentar in loco a performance da tecnologia, através do manejo inteligente. Um dos focos do encontro realizado no Rio Grande do Sul foi apresentar em detalhes a pulverização correta de dicamba, através dos preceitos da tecnologia de aplicação. “Nós temos o manejo inteligente como forma de o produtor fazer a utilização dessa biotecnologia (Intacta 2 Xtend), como forma de extrair todo seu potencial. Os encontros fazem parte de um programa robusto de capacitação para os produtores. Entendemos que não só promover soluções é importante, mas explicar de forma didática como fazer o uso de ferramentas. Esse é o grande conceito da Plataforma. Reunimos os principais especialistas do Brasil para definir da melhor forma a utilização desses produtos, além da validação a campo, e assim repassar o conhecimento aos produtores”, explicou o gerente de Portfólio de Dicamba da Bayer, André Menezes. As áreas de teste são cultivadas em 254 propriedades de sojicultores selecionados para o programa Eleitos i2X. Destes, foram escolhidos aproximadamente 50 produtores para

Da terceira geração de biotecnologia em soja desenvolvida pela Bayer, a Plataforma Intacta 2 Xtend é tolerante ao dicamba e ao glifosato, o que facilita o controle de plantas daninhas, como buva, caruru, corda-de-viola e picão-preto, além de atuar contra lagartas, como Helicoverpa e Spodoptera. A tolerância ao dicamba é um dos principais diferenciais da nova biotecnologia, desenvolvida de acordo com características locais. A nova formulação permite reduzir a volatilidade da aplicação. “O conceito da Plataforma Intacta 2 Xtend vai trazer um novo patamar de produtividade na soja do Brasil para o agricultor brasileiro. A nossa intenção é que essa plataforma traga uma nova biotecnologia de última geração, que traz tanto a tolerância ao herbicida dicamba, além do glifosato, para ampliar a proteção contra lagartas e o aumento do controle de C plantas daninhas”, explicou André Menezes.

Menezes enfatizou importância de transferir informações aos produtores

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Coluna Agronegócios

Alimentos orgânicos são tudo o que deles dizem?

P

reliminarmente quero deixar muito claro: nada tenho contra produzir ou consumir alimentos orgânicos. Sua produção é uma das formas de agricultura, e todas têm o mesmo objetivo que é oferecer produtos – alimentos, fibras, fitoterápicos, madeira, energia – aos consumidores. Portanto, bem-vindas sejam todas as formas de contribuição, especialmente as que se destinam a saciar a fome no mundo. O que não me agrada são inverdades ou meias verdades, alegações que se propagam em parte da mídia, ou nas redes sociais, feito fogo morro acima (ou água morro abaixo), mas que não resistem ao crivo da demonstração científica. Neste particular, recomendo a leitura dos artigos da professora Nathalia Pasternak e do professor Claud Ivan Goellner (QR Code), que expandem o tema deste artigo e abordam outros. As alegações que são efetuadas a respeito de orgânicos objetivam, claramente, diferenciá-los de outros alimentos. Ora, isto se aprende em uma das primeiras aulas de qualquer curso de marketing. O que me lembra o famoso dito de Dan Glickman, ex-secretário da Agricultura dos EUA, quando do lançamento da legislação sobre orgânicos: “Let me be clear about one thing: the organic label is a marketing tool. It is not a statement about food safety, nor is ‘organic’ a value judgment about nutrition or quality” (Deixe-me ser claro sobre uma coisa: a certificação orgânica é uma ferramenta de marketing. Não se trata de uma afirmativa sobre segurança de alimentos, nem “orgânico” é um julgamento de valor sobre nutrição ou qualidade). Uma alegação é que a produção orgânica não usa agroquímicos. Meia verdade: usa, sim, caso contrário não haveria colheita, que seria devorada por pragas como lagartas ou dizimada por fungos. Só não podem ser utilizadas moléculas sintéticas. Mas, os produtos naturais utilizados para controle de pragas em cultivos orgânicos são absolutamente seguros? São inócuos para os seres humanos e para outros animais? Há controvérsias. Por exemplo, a afirmação de que os defensivos ditos naturais, como a piretrina, a nicotina ou o óleo de nim, utilizados na agricultura orgânica, são inofensivos para o homem e outros animais, varia entre mito, inverdade ou meia verdade.

NIM

A principal base de dados em escala global, que congrega informações sobre pesticidas (pesticideinfo.org), aponta que há falta de informações a respeito da azadiractina em relação a sua a toxicidade aguda, carcinogênese, contaminante de águas subterrâneas, toxicidade para o sistema reprodutivo e desenvolvimento fetal. O efeito alergogênico por contato dermal é comprovado, sendo o óleo de nim suspeito de causar disrupção endócrina. Robert Krieger (ver detalhes em http://faculty.ucr.edu/~krieger/ KriegerCV.pdf) refere casos de mortalidade humana por uso de óleo de nim na Índia e na Malásia. Cinco a dez mililitros do óleo, administrado oralmente a crianças como remédio anti-helmíntico, causaram vômitos, sonolência, taquipneia com respiração acidótica, leucocitose polimor-

fonuclear e encefalopatia, desenvolvidos em poucas horas após a ingestão. Convulsões associadas ao coma desenvolveram-se em alguns casos. A autópsia demonstrou infiltração pronunciada de ácido graxo no fígado e nos túbulos renais proximais, com dano mitocondrial e edema cerebral, alterações compatíveis com a síndrome de Reye (doença rara e grave que causa confusão mental, inchaço no cérebro e danos ao fígado). Também existem inúmeras referências do impacto negativo da azadiractina sobre insetos úteis (https://pubchem.ncbi.nlm.nih.gov/compound/ Azadirachtin_A#section=Safety-and-Hazards) e sobre peixes, abelhas e animais aquáticos (https://link.springer.com/article/10.1007/s13592016-0473-3).

PIRETRO

De acordo com o Departamento de Saúde de New Jersey (EUA), a exposição de humanos ao piretro pode causar desde pequenas irritações e alergias, até dificuldade de respiração, asma, dores de cabeça, vômito, fadiga e opressão no peito. Pode danificar os pulmões e causar catarro crônico. Foi constatado que o piretro pode causar danos ao aparelho reprodutivo, porém seu potencial carcinogênico não foi estudado até o momento. Assim como os piretroides, o piretro também possui efeito adverso sobre diversos animais de sangue quente e insetos úteis, como abelhas e inimigos naturais.

NICOTINA

A nicotina era muito usada como inseticida, até meados do século passado, tendo sido praticamente eliminada do campo pela sua alta toxicidade, restando apenas os usos na agricultura orgânica, normalmente com preparados a partir do fumo ou de folhas de tabaco (Nicotiana tabacum). A nicotina é muito tóxica, sendo sua dose letal média (DL50) de 0,8mg/ kg de peso vivo, ou seja, seriam necessários apenas 56mg para levar a óbito 50% das pessoas que a ingerissem. Essa dose é muito semelhante ao cianeto, de 0,7mg/kg. Considerando que uma folha de fumo pesa, em média, 10g e que a concentração de nicotina nas folhas gira em torno de 3,26%, temos que uma folha contém 326mg de nicotina. Logo, o conteúdo de nicotina de uma única folha de tabaco é sete vezes superior à dose que levaria à morte 50% das pessoas que ingerissem essa quantidade. Detalhe irônico: por conta de sua alta toxicidade para animais de sangue quente, os químicos modificaram a molécula da nicotina, criando um grupo de inseticidas sintéticos denominado neonicotinoides, de muito baixa toxicidade para humanos e outros vertebrados, mantendo a sua eficiência no controle de pragas. Porém, neonicotinoides sintéticos não podem ser usados na agricultura orgânica. Finalizando, reitero a mensagem inicial, com o registro de que alimentos orgânicos sempre são mais caros que convencionais. Portanto, destinam-se a um nicho de mercado de alto poder aquisitivo. Esse fato, aliado com a menor produtividade de cultivos orgânicos por área cultivada, não permite deles esperar a redenção da fome no mundo. Mas, sem dúvida, contribuirão para tanto. Poderiam também contribuir para um mundo em que todas as alegações que diferenciem um produto de C seus concorrentes sejam efetivamente demonstráveis.

Decio Luiz Gazzoni O autor é Engenheiro Agrônomo, membro do Conselho Científico Agrosustentável.

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Coluna Mercado Agrícola

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Brasil se prepara para mais um recorde de safra e de exportações em 2020

s produtores brasileiros continuam plantando a safra em ritmo forte, com expectativa de novo recorde. A área deve ultrapassar 65 milhões de hectares, com a soja na liderança, próxima de 37,4 milhões de hectares, ou seja, 900 mil hectares acima da safra passada e expectativa inicial de colheita de 120 milhões de toneladas a 125 milhões de toneladas. O milho tem área estimada ao redor de 17 milhões de hectares. A safra de verão registra pouco mais de quatro milhões de hectares e 13 milhões de hectares da safrinha, com chances de alcançar 100 milhões de toneladas. A soja, com seus derivados, tende a alcançar 100 milhões de toneladas exportadas, enquanto o milho começa com expectativa próxima das 40 milhões de toneladas. Neste ano o grão deve ultrapassar esta marca, porque se aproximou de 40 milhões de toneladas antes de fechar novembro, com espaço para crescer ainda mais em dezembro. O arroz mostra potencial de safra de 10,5 milhões de toneladas, mas com o plantio em atraso no Rio Grande do Sul e baixa tecnologia empregada em parte das lavouras devido ao fraco desempenho financeiro do grão nestes últimos anos, dá sinais de que pode colher abaixo de dez milhões de toneladas para um consumo estimado em 10,5 milhões de toneladas. Houve quebra superior a um milhão de toneladas na produção do trigo, que deve fechar a safra com pouco mais de cinco milhões de toneladas para um consumo que irá superar dez milhões de toneladas, aumentando as necessidades de importação. Como o dólar segue com cotação elevada, o trigo deve registrar alta no mercado brasileiro, abrindo espaço para crescimento do consumo de arroz e feijão. O feijão vai fechando o ano com safra muito pequena e demanda aquecida, com cotações novamente fortes para este restante de ano. O quadro geral é de expectativa de que o produtor brasileiro colha mais de 250 milhões de toneladas de grãos em 2020 frente a 235 milhões de toneladas colhidas neste ano.

MILHO

nos portos para o grão deste ano e novos negócios sendo realizados com as exportações fluindo forte. Os indicativos são de que deve fechar o ano com algo próximo da faixa de 77 a 78 milhões de toneladas exportadas, superando as expectativas mais otimistas do começo da temporada, que apontavam para 75 milhões de toneladas. A China continua a levar os maiores volumes e deve superar a marca de 55 milhões de toneladas compradas no mercado brasileiro neste ano. As negociações com a safra nova também estão bem avançadas e já superam 35% ou mais de 40 milhões de toneladas negociadas para os embarques futuros. Os produtores realizam fechamentos com boa margem de SOJA lucratividade, sinalizando que 2020 tende a O mercado da soja seguia comprador em se mostrar um bom ano para o setor da soja, novembro, com níveis de R$ 91,00 a saca que seguirá como maior produto do Brasil A safra de verão foi plantada com área pouco acima de quaro milhões de hectares. Como houve atraso no plantio, a entrada do produto será retardada, o que tem gerado grande procura dos compradores pelo grão disponível. Com indicativos em forte alta, o milho registrou níveis de R$ 43,00 a R$ 45,00 a saca do grão CIF nas indústrias do Sul e Sudeste, com poucos vendedores. As lavouras da safra de verão estão em boas condições de desenvolvimento, mas uma grande fatia já está comprometida com exportação. Há sinais de mais um bom ano para o produtor brasileiro.

na pauta de exportações.

ARROZ

Os produtores gaúchos carregam alto grau de endividamento e rolaram as dívidas para pagamento nestes últimos três meses do ano, o que enfraqueceu o mercado do arroz até mesmo no período de pico de entressafra. Mas há sinais de que em 2020 o quadro será diferente, porque a safra deve ser menor que a demanda e o quadro tende a mostrar indicativos em alta, mesmo que ainda existam grandes dívidas dos C produtores para serem resolvidas. Vlamir Brandalizze Twitter @brandalizzecons www.brandalizzeconsulting.com.br

Curtas e boas TRIGO - A colheita registrou perdas de qualidade e de produtividade. A safra final, estimada em mais de seis milhões de toneladas, deve ficar perto de cinco milhões de toneladas e com a presença de produto de baixa qualidade. Uma parte do grão está indo para o setor de ração. A expectativa é de que as importações devam crescer no começo de 2020 e então as cotações do grão interno comecem a evoluir. EUA - Os produtores norte-americanos estão fechando a safra com grandes perdas, com a soja ao redor de 95 milhões de toneladas (mesmo que o USDA tenha apontado um pouco mais) frente a 120,5 milhões de toneladas do ano passado. O milho tende a fechar com pouco mais de 345 milhões de toneladas frente a mais de 366 milhões de toneladas da safra anterior, dando espaço para que em 2020 as cotações dos grãos sejam crescentes, por que

o quadro de oferta e demanda mundial mostrará consumo maior que a produção. CHINA - A China segue comprando forte no Brasil e agora carrega também grandes volumes de carnes. No encontro dos Brics foram assinados acordos comerciais para compras ainda maiores do setor agrícola brasileiro. A demanda do país para os alimentos cresce a passos galopantes e a área plantada local está em queda livre há vários anos, o que aponta para novos aumentos das importações. ARGENTINA - A safra dos argentinos está em plantio, que deve se alongar até janeiro. Com indicativos iniciais de área muito parecidos com os da safra passada e se o clima for favorável, o resultado deve alcançar 55 milhões de toneladas de soja e 50 milhões de toneladas de milho. Com queda no arroz, para 1,2 milhão de toneladas.

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Coluna ANPII

Efeitos da concentração Elevadas concentrações de bradyrhizobium nos inoculantes podem contribuir para mais segurança na nodulação e em aumento da produtividade

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inoculante, uma vez colocado sobre as sementes, pas- ou áreas de renovação de cana-de-açúcar, os pesquisadores e os sa a apresentar uma elevada mortalidade de bactérias, produtores de inoculantes se depararam com adversidades que pela dessecação e pela ação nociva dos defensivos levaram à busca de soluções diferentes das que se encontram em químicos utilizados no tratamento. Estima-se que em quatro ho- outros países. Da necessidade inicial de 80 mil células de Bradyrhiras tenham morrido, em média, de 80% a 90% das bactérias do zobium por semente, como era utilizado na região Sul nos anos inoculante. 1980, a pesquisa demonstrou a necessidade de aumentar para 300 Isto levou os produtores de inoculante a duas medidas, para mil, posteriormente para 600 mil e atualmente para 1,2 milhão que, após toda esta mortalidade, ainda restasse um número su- de bactérias viáveis por semente. Assim, um inoculante que apreficiente de bactérias para se implantarem no solo e estabelecer sente uma concentração de cinco bilhões de células por grama (a a nodulação, levando a uma elevada fixação maioria no mercado brasileiro), aportará 1,4 de nitrogênio para propiciar as produtividamilhão de bactérias por semente. des que a soja necessita para a rentabilidade Claro que há casos em que concentrações Seja nos cerrados, da lavoura. menores poderão apresentar bons resultaem áreas de Uma das técnicas utilizadas para preserdos. Biologia não é matemática. São tantos var o maior número de bactérias vivas até o os fatores que afetam as plantas, que é impastagem momento da semeadura é a adição de propossível traçar uma receita única para todas degradada ou áreas tetores celulares, seja no meio de cultura das as situações. Mas os dados da pesquisa e de renovação de bactérias ainda na fábrica, ou como aditivo na da prática agrícola têm demonstrado que hora da inoculação. Isto tem proporcionado elevadas concentrações de Bradyrhizobium cana-de-açúcar, tempos maiores de sobrevivência, permitinnos inoculantes levam a mais segurança na os pesquisadores do até mesmo vários dias de intervalo entre nodulação e, geralmente, na produtividade. a inoculação e a semeadura. Estes conhecimentos levaram as empree os produtores Mas a concentração de bactérias no inosas de inoculantes a produzirem seus meios de inoculantes se culante, expressa na faixa de bilhões de célude cultura, seus substratos, seus parâmetros las viáveis por mililitro ou grama, foi o grande de cultivo, para atingirem elevados patamadepararam com avanço na produção de inoculantes que prores de concentrações que são um dos mais adversidades porcionou as excelentes nodulações obtidas importantes fatores de sucesso do inoculanque levaram à de modo geral nas lavouras em todo o Brate no Brasil. sil. Passando dos 100 milhões de bactérias/ A Associação Nacional dos Produtores e busca de soluções grama dos anos 1980 para os atuais cinco a Importadores de Inoculantes (ANPII) sempre diferentes das que sete bilhões de células viáveis por grama ou assumiu a liderança pela qualidade dos inomililitro, os produtores de inoculantes resculantes no Brasil. Já na década de 1990 a se encontram em ponderam rapidamente às necessidades do associação apresentou em uma Reunião da outros países agricultor por um maior aporte de nitrogênio Rede de Laboratórios para a Recomendação, em suas lavouras. Este foi um dos fatores que Padronização e Difusão de Tecnologia de Inolevaram ao sucesso da inoculação no Brasil, culantes Microbianos de Interesse Agrícola prática hoje adotada por mais de 80% dos plantadores de soja. (Relare) a moção para elevar o padrão dos inoculantes no País. Uma correta formulação de meios de cultivo, com uma adeE, posteriormente, foram as empresas associadas à ANPII que, quada administração dos parâmetros de fermentação, permite voluntariamente, elevaram o padrão dos produtos, conduzindo que se chegue a elevadas concentrações de bactérias em seu eso mercado para uma disputa por qualidade, apresentando anutado mais saudável, em um estado fisiológico de plena atividade, almente produtos cada vez mais concentrados. que leva a bactéria a uma maior resistência aos fatores adversos. E esta mentalidade de busca da qualidade contínua, com os A combinação de elevadas concentrações de bactérias com um departamentos de P&D das empresas se envolvendo na busca de excelente estado nutricional é que leva à qualidade dos inoculannovas soluções para a agricultura, já se internalizou na cultura das tes. Isto, claro, desde que se esteja trabalhando com as estirpes empresas de forma irreversível, o que descortina um horizonte C selecionadas e recomendadas para a produção dos inoculantes. cada vez mais promissor para a inoculação no Brasil. O Brasil apresenta algumas peculiaridades em relação a outros países. O cultivo da soja migrou de solos férteis para solos mais adSolon Araujo, versos às bactérias do inoculante, pelo menos nos primeiros anos Consultor da ANPII de cultivo. Seja nos cerrados, em áreas de pastagem degradada 50

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