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Xaxim

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Keli Magri

Frias e vive no Rio de Janeiro. É autora

Xaxim é o nome que se dá ao tronco fibroso usado como vaso para certas samambaias. É também uma cidade no

Ieda Magri

IEDA MAGRI é catarinense de Águas

Em Xaxim, a narradora de Ieda Magri revisita a infância para mapear as marcas que o tempo e os lugares deixam em uma vida. Passado e presente se infiltram um no outro, assim como o eu da infância e o eu atual; o lugar de nascimento e aquele escolhido como ponto seguro – para olhar para o alto, mas também para trás. A partir desses dois pontos, o seguro e o movediço, os mapas se embaralham, inclusive o do futuro. E, entre lembrança e invenção, emerge uma geografia íntima, feita de imagens e silêncios, na qual escrever se torna uma forma de investigar o que permanece.

mapa, no interior do Brasil. É nesse duplo território, matéria e lugar, que Ieda Magri constrói uma narrativa em que o passado se infiltra no presente e a memória se organiza menos como linha do que como sobreposição. Na casa das freiras, onde passa a infância e a adolescência, a narradora aprende a olhar o mundo ao mesmo

dos romances Um crime bárbaro (Aunense de Literatura de 2023 na categoria Melhor Romance), Uma exposição (Relicário, segundo lugar no Prêmio Machado de Assis da Biblioteca Nacional de 2022), Ninguém (7Letras), Olhos de bicho (Rocco, contemplado com a bolsa Funarte de Criação Literária de 2010 e finalista do Prêmio São Paulo de Literatura 2014) e Tinha uma coisa aqui (7Letras), além dos ensaios O nervo exposto: João Antônio, experiência e literatura (Lume) e Três histórias com Piglia (Compouco Edições). É doutora em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do

“Ando pela cidade com minha irmã. Paramos na praça, entramos na igreja, fotografo as palmeiras. Acho que uma delas é um autêntico xaxim. Toco seu caule fibroso, admiro sua beleza e pergunto a mim, mas em voz alta: por onde começar a escrever? Ouço a voz da minha irmã: escreva sobre a solidão. Eu continuo: a solidão das cidades pequenas. Das praças vazias. Não tem nenhuma pessoa nas ruas, ainda não são duas da tarde. Todos dormem? [...] Minha irmã e eu, nossas vozes e a paisagem. Nem sequer um pássaro passa cortando o ar, nem um canto tímido, nada. Nada. Tudo parado. O único barulho que conseguimos ouvir é o do vento nas árvores e o dos carros passando ao longe.”

Rio de Janeiro (UFRJ), professora de Teoria da Literatura da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pes-

Xaxim

têntica Contemporânea, Prêmio Catari-

Ieda Magri

Xaxim

tempo que toma distância dele. Entre a disciplina dos dias e as pequenas epifanias que marcam a formação de uma jovem leitora, emerge uma geografia íntima, um museu imaginário feito de imagens, dúvidas e tentativas de entender o próprio lugar no mundo. Ao revisitar essa história, já adulta, ela não busca respostas, mas as formas que a memória encontra para permanecer. Como uma infiltração que se espalha lentamente, o passado desenha mapas imprecisos, nos quais vida, linguagem e experiência se confundem. Em Xaxim, Ieda Magri confirma a força de uma escrita que transforma o íntimo em paisagem e faz da lembrança

ISBN 978-65-5928-718-5

quisadora do CNPq.

não um abrigo, mas um campo de investigação: como pode um mapa de caminhos palmilhados no passado se

9 786559 287185

impor à geografia do presente?


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Xaxim by Grupo Autentica - Issuu