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Vocabulário de Foucault (Edição revista e ampliada)

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PAUL-MICHEL FOUCAULT nasceu em Poi-

Esta nova edição do Vocabulário de Foucault, quarenta anos após sua morte, incorpora, portanto, todos os escritos que apareceram até 2018 (a edição anterior remonta ao estado de suas publicações em 2004). Os verbetes que compõem este vocabulário explicam o uso dos principais conceitos foucaultianos, destacando seus significados mais relevantes e descrevendo as continuidades e descontinuidades dentro da obra.

FOUCAULT

Sintético e exaustivo ao mesmo tempo, ao multiplicar os pontos de acesso aos escritos de Michel Foucault e suas possíveis rotas, este livro imagina um leitor que é, acima de tudo, um usuário. A obra se apresenta tanto como um arquivo aberto e sistemático quanto como uma formidável caixa de ferramentas para abordar um autor central de nossa contemporaneidade. ISBN 978-85-8217-870-6

9 788582 178706

Edgardo Castro

Vocabulário de

FOU CAULT ÃO IÇ E D TA A a E IS IAD 3 V L RE P M A

pela Universidade de Friburgo, na Suíça, pesquisador do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet) e professor na Universidade de Buenos Aires (UBA) e na Universidade Nacional de San Martín (UNSAM). Suas publicações se ocupam da filosofia contemporânea, particularmente a francesa e a italiana. É um dos principais tradutores da obra de Giorgio Agamben para o espanhol e é responsável pela edição dos textos de Michel Foucault incluídos na série Fragmentos Foucaultianos, da Siglo XXI Editores. Pela Autêntica, publicou Introdução a Giorgio Agamben: uma arqueologia da potência (2012) e Uma nova introdução a Foucault (2024).

A influência do pensamento de Michel Foucault continua a crescer nos últimos anos. E não apenas porque todos os seus cursos no Collège de France, o tão esperado quarto volume da História da sexualidade: as confissões da carne e uma edição de suas obras na famosa Bibliothèque de la Pléiade foram publicados. Cresce, também, porque esse material ampliou o horizonte interpretativo de suas ideias.

Vocabulário de

EDGARDO CASTRO é doutor em Filosofia

Edgardo Castro

tiers, no dia 15 de outubro de 1926. Após os estudos elementares em sua cidade natal, se muda para Paris, em 1946, ingressando na Escola Normal Superior. Licencia-se em Filosofia e em Psicologia, pela Sorbonne, onde, em 1961, obtém o doutorado. Publica História da loucura (1961), As palavras e as coisas (1966) e Arqueo­logia do saber (1969). Ingressa no Collège de France em 1970, onde anualmente ministra, até 1984, importantes cursos. Em 1975, publica Vigiar e punir e, em 1976, o primeiro volume de História da sexualidade. Associando-se com importantes intelectuais e artistas, Foucault promove, na década de 1970, uma série de manifestações políticas contra o racismo, o sistema prisional e psiquiátrico francês, a repressão na União Soviética, o fundamentalismo islâmico e o franquismo ou a favor, por exemplo, do aborto, dos refugiados chineses, dos militantes bascos, dos negros e dos homosse­xuais. Em 1984, são lançados os volumes 2 e 3 de História da sexualidade, tendo ficado inacabado o volume 4. No dia 25 de junho de 1984, Michel Foucault morre de complicações da aids, em Paris.

“O pensamento existe além ou aquém dos sistemas ou edifícios de discurso. É algo que se esconde frequentemente, mas anima sempre os comportamentos cotidianos. Há sempre um pouco de pensamento mesmo nas instituições mais tolas, há sempre pensamento mesmo nos hábitos mudos. A crítica consiste em caçar esse pensamento e ensaiar a mudança: mostrar que as coisas não são tão evidentes quanto se crê, fazer de forma que isso que se aceita como vigente em si não o seja mais em si. Fazer a crítica é tornar difíceis os gestos fáceis demais.” “Há um otimismo que consiste em dizer: de todo modo, isso não pode ser melhor. Meu otimismo consiste mais em dizer: tantas coisas podem ser mudadas, frágeis como são, ligadas a mais contingências do que a necessidades, a mais arbitrariedades do que a evidências, mais a contingências históricas complexas mas passageiras do que a constantes antropológicas inevitáveis... você sabe dizer: somos muito mais recentes do que cremos, isto não é uma maneira de abater sobre nossas costas todo o peso de nossa história, é mais colocar à disposição do trabalho que podemos fazer sobre nós a maior parte possível do que nos é apresentado como inacessível.” M. Foucault, “Então, é importante pensar?” “Sonho com uma nova idade da curiosidade. Os meios técnicos existem; o desejo existe; as coisas a conhecer são infinitas; as pessoas que podem empenhar-se nessa tarefa existem. De que então sofremos? De escassez: canais estreitos, exíguos, quase monopolistas, insuficientes. Não se trata de adotar atitude protecionista para impedir que uma ‘má’ informação invada e sufoque a ‘boa’. Importa, pelo contrário, multiplicar os trajetos e as possibilidades de ir e vir. Nenhum colbertismo neste campo. O que não significa, como frequentemente se teme, uniformização e nivelamento por baixo. Significa, sim, diferenciação e simultaneidade de redes diferentes.” M. Foucault, “O filósofo mascarado”


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