VASTO MUNDO
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Carlos Drummond de Andrade | Adriano Fagundes
ISBN 978-65-5928-113-8
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
VASTO MUNDO Fotografia
ADRIANO FAGUNDES
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Texto CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
VASTO MUNDO
Fotografia ADRIANO FAGUNDES
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“...Fotografia: arma de amor, de justiça e conhecimento, pelas sete partes do mundo a viajar, a surpreender a tormentosa vida do homem e a esperança a brotar das cinzas...”
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VASTO MUNDO, 2021
Carlos Drummond de Andrade © Graña Drummond www.carlosdrummond.com.br © Adriano Fagundes www.adrianofagundes.com Autêntica Editora www.grupoautentica.com.br Idealização Pedro Augusto Graña Drummond Direção criativa e coordenação editorial Adriano Fagundes Organização e pesquisa Adriano Fagundes Pedro Augusto Graña Drummond Joziane Perdigão Vieira Apresentação Edmílson Caminha Consultoria Lauro Moreira Revisão Júlia Sousa Lauro Moreira Edição de fotografia e projeto gráfico Adriano Fagundes Design Paulo Barata Tratamento de imagem BVMCross | Equipe Paulo Belleza Pré-impressão e impressão Ipsis Gráfica e Editora Foto capa e contracapa Pescador em Trancoso, Bahia, Brasil, 2014 Ritual Pataxó, Bahia, Brasil, 2017
Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei n.9.610, de 12.02.1998. É proibida a reprodução total ou parcial sem a licença expressa dos autores. Todos os esforços foram feitos para localizar as pessoas retratadas nesta obra.
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O VASTO E BELO MUNDO DE CARLOS E ADRIANO
Edmílson Caminha
São grandes e profundas as ligações de Carlos Drummond de Andrade com a fotografia. Pode-se dizer que a partir dos dois anos de idade, quando o retratou o fotógrafo Brás Martins da Costa, a quem se devem imagens de pessoas, lugares e eventos que enriquecem o patrimônio histórico de Itabira do Mato Dentro, onde nasceu o poeta em 1902. Não por acaso, é a memória imagética que fecha o poema “Confidência do itabirano”, com os dois famosos e polêmicos versos: “Itabira é apenas uma fotografia na parede. / Mas como dói!” Muito mais tarde, Drummond escreveria os 91 versos do poema “Imagem, terra, memória”, em que se lê na epígrafe: “Sobre uma coleção de velhas fotografias de Brás Martins da Costa” –, reproduzidos, poema e fotos, no livro No tempo do Mato Dentro, organizado por Altamir José de Barros e Robinson Damasceno dos Reis, que deram à segunda edição o título Retratos na parede. O poeta não apenas gostava de fotografias: ao longo da vida, guardou cuidadosamente um grande número de retratos, devidamente identificados e datados, coleção valiosa de que ele próprio doou parte ao Arquivo-Museu de Literatura Brasileira da Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro – as de antepassados e as de cunho mais pessoal permanecem com a família. São de Drummond as legendas escritas especialmente para as fotos de Hugo Rodrigo Octavio no livro O prazer das imagens. Da substanciosa iconografia drummondiana, Salvador Monteiro e Leonel Kaz esco lheram o que consta na fotobiografia Drummond, frente e verso, publicada em 1989. Treze poemas do itabirano se juntam às fotografias de Michael Sonnenberg no volume Rio de Janeiro, lançado originalmente em Liechtenstein no ano de 1994. Lembre-se, ainda, da icônica foto de Rogério Reis em que se baseou Leo Santana para a escultura em bronze do poeta, sentado Fotografia – é o codinome à beira-mar no cal çadão de da mais aguda percepção Copacabana. que a nós mesmos nos vai mostrando Um dos poemas do livro Amar se aprende amando como que e da evanescência de tudo empresta ao leitor os olhos edifica uma permanência, com que Drummond sente cristal do tempo no papel. as fotos de Evandro Teixeira:
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Versos que se aplicam com perfeição à obra de Adriano Fagundes, nome que se inclui entre os grandes da fotografia brasileira. Observe-se, nas páginas deste Vasto mundo, o rico e belo diálogo atemporal que flui entre o olhar de Adriano e a escrita de Drummond: aqui, poesia e fotografia se completam em perfeita harmonia. Veja-se, por exemplo, o primor dos trabalhos que ladeiam os versos de “Futebol”, “A dança e a alma”, “A metafísica do corpo”: ainda que não tomadas em função dos poemas, as fotos como que os recriam, dão-lhes plasticidade, ao traduzir em formas e contrastes o sentimento do poeta. Para Drummond, o homem é a medida das coisas. Para Adriano também, como se percebe na imagem da catedral de Brasília: sem a presença hu mana, o monumento perderia o simbolismo e a força que o engrandecem, não passaria de um cartão-postal como os que se vendem em livra rias de aeroporto. Prova de que, na aguda observação de Millôr Fernandes, “a fotografia não é o que se tira da imagem, mas o que se dá a ela”. A inspiração deste Vasto mundo veio do poema “O homem; as viagens”, do itabirano que gostava de viajar, sim, mas à roda do seu quarto, como o escritor francês Xavier de Maistre... A correr o mundo, preferia Drummond fazer “a dificílima dangerosíssima viagem / de si a si mesmo”. Dife rentemente de Adriano Fagundes: com a paixão pela fotografia documental, empreende viagens que poucos fizeram, a exemplo da que realizou ao longo do rio Amazonas e resultou no seu primeiro livro, Dos Andes ao Atlântico: uma viagem pelo Rio Amazonas, de 2014. Adriano retrata a individualidade humana e a essência dos povos no Brasil, no Peru, em Cuba, na Irlanda, na Jamaica, em Portugal, na Índia, no Marrocos e em outras terras por onde anda. São, assim, 30 anos de uma rica e bela carreira, em que Adriano, como diz o poeta, descobre “em suas próprias inexploradas entranhas / a perene, insuspeitada alegria / de con-viver”. Esse, o sentimento que nos despertam as imagens escolhidas pelo fotógrafo para este volume. A publicação deste Vasto mundo de Carlos Drummond de Andrade e Adriano Fagundes é duplamente significativa, por marcar o 50° aniversário do fotógrafo, em 2021, e os 120 anos de nascimento do poeta, em 2022. De parabéns estamos todos nós, presenteados com um livro que enriquece a literatura e faz maior a fotografia brasileira, pelo refinamento estético que nos dá encanto e deleite. O espírito e os olhos agradecem.
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O HOMEM; AS VIAGENS
O homem, bicho da Terra tão pequeno chateia-se na Terra lugar de muita miséria e pouca diversão, faz um foguete, uma cápsula, um módulo toca para a Lua desce cauteloso na Lua pisa na Lua planta bandeirola na Lua experimenta a Lua coloniza a Lua civiliza a Lua humaniza a Lua.
Lua humanizada: tão igual à Terra. O homem chateia-se na Lua. Vamos para Marte — ordena a suas máquinas. Elas obedecem, o homem desce em Marte pisa em Marte experimenta coloniza civiliza humaniza Marte com engenho e arte.
Marte humanizado, que lugar quadrado. Vamos a outra parte? Claro — diz o engenho sofisticado e dócil. Vamos a Vênus. O homem põe o pé em Vênus, vê o visto — é isto? idem idem idem.
O homem funde a cuca se não for a Júpiter proclamar justiça junto com injustiça repetir a fossa repetir o inquieto repetitório.
Outros planetas restam para outras colônias. O espaço todo vira Terra-a-terra. O homem chega ao Sol ou dá uma volta só para tever? Não-vê que ele inventa roupa insiderável de viver no Sol. Põe o pé e: mas que chato é o Sol, falso touro espanhol domado.
Restam outros sistemas fora do solar a colonizar. Ao acabarem todos só resta ao homem (estará equipado?) a dificílima dangerosíssima viagem de si a si mesmo: pôr o pé no chão do seu coração experimentar colonizar civilizar humanizar o homem descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas a perene, insuspeitada alegria de con-viver.
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Para Patrícia de Oliveira.
Agradecimentos
Agradecemos a todos que colaboraram na realização deste VASTO MUNDO, especialmente às pessoas retratadas no livro. Adriana Tavares, Adriana Tegagni, Afonso Borges, Anaïs Baptiste, Ana Maria Caminha, André Fagundes, António Quintão, Arthur Elgort, Azélia Capiberibe Franco, Bernardo Ouro Preto, Bruno Rodrigues de Mello, Cacique Raoni Metuktire, Carlos Manuel Graña Drummond (in memoriam), Chief Big Horse, Daniel Nunes Gonçalves, Deborah Ribeiro, Diana Valente Perfeito, Edmílson Caminha, Flávio Peron, George Kyriakos, Giulia Gam, Jenny Baptiste, Jorge Teodósio da Silva, Joziane Perdigão Vieira, Juliana Mesquita, Juliano Marques, Lauro Moreira, Liana Lys Siqueira, Liana Vasconcelos, Luis Mauricio Graña Drummond, Mãe Beata de Iemanjá (in memoriam), Marc Baptiste, Márcio Lacerda, Márcio Silva, Marco Oliveira, Miguel Vieira Graña Drummond, Mônica Moreira, Patrícia Biffi, Patrícia de Oliveira, Paulo Barata, Paulo Belleza, Pedro Seixas Barbosa, Peter O’Neill, Rebeca Ouro Preto, Rejane Dias dos Santos, Rita Múrias, Roberta Machado, Rodrigo Capiberibe Lima, Rodrigo Lacerda, Rogério Reis, Rui Valente Perfeito, Sebastião Augusto de Freitas - Tião Paineira (in memoriam), Sérgio Renato Franco Fagundes, Skye Baptiste, Sofia Quintão, Sônia Machado, Thiago Lacerda, Tiago Prandi, Vivian Madeira da Costa. Arquivo Museu de Literatura Brasileira (AMLB), Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Direcional Engenharia, Instituto Cultural Vale, Instituto Moreira Salles e Letreiro Galeria.
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Carlos Drummond de Andrade
Adriano Fagundes
Este livro segue as normas do Acordo Ortográfico da Lín gua Portuguesa de 1990 e foi composto com as fontes Swift e Stag por Paulo Barata em Lisboa, Portugal. Impresso pela Ipsis Gráfica Editora sobre papel Munken Lynx Rough 120 gr. em São Paulo, setembro 2021.
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