C a r o l
C h r i s t o
Uma aventura não oficial de Pokémon GO 1a reimpressão
Copyright © 2016 Carol Christo Copyright © 2016 Editora Nemo Todos os direitos reservados à Editora Nemo. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida, seja por meios mecânicos, eletrônicos, seja via cópia xerográfica, sem a autorização prévia da Editora. O Último Mestre Pokémon é uma obra original de fanfiction de Pokémon GO que não está filiada a The Pokémon Company International, Nintendo of America, Inc., Nintendo/ Creatures Inc., Niantic. Este livro não foi autorizado ou endossado por qualquer criador, fabricante, distribuidor ou licenciador de jogos ou brinquedos Pokémon, ou por qualquer criador ou desenvolvedor do aplicativo Pokémon GO.
gerente editorial
revisão
Arnaud Vin
Renata Silveira
editor assistente
capa
Eduardo Soares
Guilherme Fagundes (Sobre imagem de Ale Starling)
assistente editorial
Jim Anotsu
diagramação
Guilherme Fagundes Larissa Carvalho Mazzoni
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Christo, Carol O Último Mestre Pokémon : uma aventura não oficial de Pokémon GO / Carol Christo. -- 1. ed.; 1 reimp. -- São Paulo : Nemo, 2016. ISBN 978-85-8286-326-8 1. Jogos eletrônicos 2. Literatura infantojuvenil 3. Pokémon (Jogo) I. Título. 16-06465
CDD-028.5
Índices para catálogo sistemático: 1. Literatura infantil 028.5 2. Literatura infantojuvenil 028.5
A NEMO É UMA EDITORA DO GRUPO AUTÊNTICA
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Para meu afilhado Lucas, que um dia também quis ser um mestre Pokémon.
Capítu lo 1
Uma péssima decisão
QUAN DO aconteceu pela primeira vez, achei que estava ficando louco. Não fiquei admirado, nem me senti especial. A única coisa que consegui pensar é que estava, definitivamente, perdendo a cabeça. Se você, assim como eu, também sonhou em ser um mestre pokémon, sugiro que me escute com atenção: escolha outra coisa para a sua vida. E não digo isso porque ser um mestre pokémon é algo impossível, fora da realidade – muito pelo contrário. Falo porque as coisas que a gente deseja com muito afinco sempre acontecem, de um jeito ou de outro. Por isso, repito: tenha um sonho mais seguro. Sonhe em ser médico, professor, astronauta, qualquer coisa que não envolva monstrinhos poderosos. O resultado pode ser desastroso. Meu nome é Lucas e, assim como você, eu também tinha começado a jogar o novo game. Afinal, sou a pessoa mais viciada em Pokémon que conheço. Sou um garoto normal de 10 anos, que passa o tempo jogando na web e nos consoles. Tenho uma vasta coleção de video games de várias épocas diferentes. Não posso dizer que isso deixa meus pais muito felizes, mas como minhas notas na escola são quase tão boas quanto as do Samuel, meu melhor amigo, então fica tudo bem. Acho que apesar de tudo eles têm orgulho de mim. Você deve ter percebido: quando o jogo novo apareceu, ele virou a coisa mais importante no mundo. Pelo menos foi assim que as coisas aconteceram no 5o ano. 7
Eu, Cora e Samuel ficamos a postos. A gente sabia que ia ser maior dessa vez, porque estávamos falando de Pokémon, e até o momento não havia nada oficial sendo lançado, nada que valesse a pena de verdade, que fosse diferente. Já era noite quando o app ficou disponível no Brasil, e o Samuel, que não tem smartphone apesar de ser um gênio da programação (e de várias outras coisas), precisou implorar para usar o da mãe. O que não foi nenhum sacrifício, porque ela sempre se esquecia de recarregar a bateria do celular, e ninguém conseguia ligar para ela. Passamos semanas caçando pokémon durante cada minuto livre. De madrugada, antes da aula, no intervalo, depois da aula... Encontramos vários pelo bairro e pelo colégio. Samuel, que é alto e magro, acostumado a correr por aí, agora corria para capturar pokémon. Já Cora, cujos pais nunca a deixavam sair de casa sozinha, só jogava quando estava com a gente. Eu, com meu péssimo preparo físico, sempre ficava atrás deles. Nossa coleção de monstrinhos estava cada vez maior, no entanto, encontrar espécimes diferentes dos que já tínhamos se tornava cada vez mais difícil. Foi aí que tomamos uma decisão drástica. E preciso te dizer, eu sempre fui um péssimo tomador de decisões. Lá estávamos nós, tentando escapar pelo portão dos fundos da escola, ansiosos para capturar o maior número possível de criaturas durante as cinco horas e meia em que devíamos estar estudando Matemática, Português, Ciências e sei lá mais o que tínhamos no horário de quarta-feira. Havia um boato rolando de que um gyarados tinha aparecido no Parque da Cidade, então muita coisa estava em jogo ali. Um gyarados era algo especial, e apesar de ser um jogador assíduo, eu ainda não tinha conseguido 8
encontrar um. O objetivo estava traçado, e o plano, definido. Era hora de nossa aventura Pokémon finalmente começar. *** É uma bela época para se ter 10 anos, sério. Meu pai dizia que costumava cabular aula para jogar bola. Bem, eu estava fazendo isso pela primeira vez na vida para pegar pokémon. De verdade, acho que, comparando, estou na vantagem. Futebol é uma coisa insuportável para mim. Eu estava empolgado com o jogo naquele dia, meu nível estava alto, e eu mandava muito bem nas batalhas em ginásios. Além de saber os nomes de todos os pokémon de cor, incluindo os raros. O problema é que sou corajoso no mundo virtual. A realidade, no entanto, é bem mais complicada. – Aqui, Lucas! – gritou Cora, enquanto dava cobertura para que Samuel fosse de um lado para outro do pátio. O cabelo enorme dela estava preso em um rabo de cavalo bem alto. – Aja naturalmente, cara – murmurou Samuel. – Você está com cara de quem acabou de cometer um assassinato. Se continuar assim a gente não vai passar pelo inspetor Virgílio nem por decreto. – Está tudo bem! – falei enquanto nos agachávamos atrás de uma das pilastras ao lado do pátio. Não era minha culpa se eu nunca tinha matado aula antes. – Só quero saber quanto dinheiro vocês têm, porque a passagem de ônibus está R$ 3,70. Espero que se lembrem disso. – Nossa! – gritei. – Olha, tenho R$ 10 que ganhei do meu padrinho ontem, estou tranquilo – disse Samuel. 9
– Que roubo! Só tenho o dinheiro do lanche... – reclamei para Cora. – Você podia ter me lembrado, né? – Lucas, odeio ter que dizer isso pra você, mas não é porque sou menina que preciso fazer papel de mãe, beleza? – Ok, quando você me pedir pra te ajudar a evoluir seu bulbassauro vou te lembrar dessa conversa, mamãe. Se liga, Cora, não custava nada! – Não preciso da sua ajuda pra evoluir coisa nenhuma, tá legal? – A garota virou o rosto, fazendo cara de quem ouviu o que não queria. Bem, todo mundo sabe que o expert em Pokémon sou eu. – Ei, galera, sem querer causar pânico nem nada... mas o inspetor Virgílio viu a gente e está vindo pra cá! – Samuel cutucou Cora, que se virou para ver a aproximação do inspetor. Eu não conseguia me decidir entre correr, chorar e ficar escondido atrás de Samuel, porque, definitivamente, sou péssimo em inventar desculpas. – Ei, tem um meowth atrás dele! – disse Cora, olhando para o inspetor através do celular. – Espera só um pouco que vou... – Mas ela não terminou a frase, já que fomos puxados por Samuel. Eu nem sabia que era capaz de correr tanto. Fomos como loucos em direção à quadra de basquete. – Ei, você me fez perder aquele meowth! – Cora gritou enquanto avançávamos pela quadra rumo ao portão. – Olha, eu poderia ter te deixado lá pra passar o dia na Coordenação, mas isso acabaria com nossos planos – revidou Samuel. – Você acha que o Virgílio ficou desconfiado? – perguntei. 10
– Naah, aquele ali não faz nada o dia inteiro – respondeu Cora, apontando o celular para todos os lados. – Olha lá, ele já está conversando com o pessoal do 7o ano, a gente tá de boa. Eu podia ter pegado aquele meowth. – Ela franziu a testa e olhou na direção de Samuca, que deu de ombros. Quando chegamos em frente ao portão, eu já estava sem fôlego. Não me leve a mal, mas atividades físicas não são o meu forte. Porém as coisas estavam melhorando, já que eu, Cora e Samuel tínhamos andado pelo bairro inteiro nos últimos dias. – Arrá! – disse Cora com ar triunfante, como se fosse a menina mais inteligente do planeta. – Sabia que estaria destrancado, é por aqui que eles levam o lixo e deixam as vans escolares entrarem. Então ela empurrou o portão e saímos, cuidadosamente, tentando andar como pessoas normais que não estavam fazendo nada de errado. Olhei o Twitter e confirmei os boatos sobre o gyarados no Parque da Cidade, então seguimos em direção ao ponto de ônibus, procurando pelo pokémon que deixaria nosso mundo de cabeça para baixo. Ah, se eu soubesse o que aconteceria em seguida, tenho certeza de que voltaria feliz para a aula de Matemática.
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