Louise Callaghan
O tratador do zoológico de Mossul A história real do homem que enfrentou o Estado Islâmico para salvar animais em uma cidade arrasada pela guerra
tradução de
Luis Reyes Gil
Copyright © 2019 Louise Callaghan
Título original: Father of Lions: How One Man Defied Isis and Saved Mosul Zoo Todos os direitos reservados pela Editora Vestígio. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida, seja por meios mecânicos, eletrônicos, seja via cópia xerográfica, sem a autorização prévia da Editora.
editor responsável
revisão
Arnaud Vin
Júlia Sousa
editor assistente
capa
Eduardo Soares
Diogo Droschi (sobre imagem de Shutterstock)
preparação de texto
diagramação
Eduardo Soares
Larissa Carvalho Mazzoni
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil
Callaghan, Louise O tratador do zoológico de Mossul : a história real do homem que enfrentou o Estado Islâmico para salvar animais em uma cidade arrasada pela guerra / Louise Callaghan ; tradução Luis Reyes Gil. -- 1. ed. -- São Paulo : Vestígio, 2020. Título original: Father of lions : how one man defied Isis and Saved Mosul zoo ISBN 978-65-86551-02-0 1. Tratadores de zoológicos - Iraque - Mossul - Biografia 2. Estado Islâmico - História 3. Iraque - História 4. Salvamento de animais Iraque - Mossul 5. Zoológico - Iraque - Mossul I. Título. 20-35822
CDD-590.73567 Índices para catálogo sistemático:
1. Biografia : Iraque : Mossul : Tratadores de zoológicos : 590.73567 Maria Alice Ferreira - Bibliotecária - CRB-8/7964
A VESTÍGIO É UMA EDITORA DO GRUPO AUTÊNTICA São Paulo Av. Paulista, 2.073, Conjunto Nacional, Horsa I 23º andar . Conj. 2310-2312 . Cerqueira César . 01311-940 São Paulo . SP Tel.: (55 11) 3034 4468 www.editoravestigio.com.br
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Para MRM.
Nota da autora
A história contada neste livro é verdadeira. Os eventos narrados foram descritos a mim pelas pessoas que os vivenciaram, embora alguns nomes tenham sido alterados. Tive o cuidado de cruzar seus relatos e checar os fatos com a maior precisão possível, num lugar que deixara de ser uma zona ativa de guerra havia bem pouco tempo. Passei centenas de horas entrevistando os principais personagens, em Mossul e em outras partes, tentando obter o máximo de detalhes para dar vida a esta história. Uma parte da renda deste livro vai para a instituição beneficente Four Paws e para Abu Laith.
Lista de personagens
Abu Laith – espécie de tratador do zoológico e “Pai dos Leões” Lumia – esposa de Abu Laith Marwan – espião de Abu Laith dentro do zoológico Os filhos e enteados de Abu Laith e Lumia (alguns deles): Dalal – mora em Bagdá, trabalha com inteligência militar Lubna, Oula, Mohammed – foram enviados a Bagdá com Dalal Luay – estudante de Geografia Abdulrahman – espécie de aprendiz de tratador de zoológico Nour, Ashraf (Geggo), Mo’men, Shuja Hakam – químico e guitarrista Hasna – irmã de Hakam, estudante de literatura inglesa Arwa – mãe de Hakam Said – pai de Hakam Abu Hareth – membro do Exército Islâmico que despreza Abu Laith Ahmed – gerente do parque onde fica o zoológico Ibrahim – antigo dono dos animais Muna – primeira esposa de Abu Laith Sara – antiga paixão de Abu Laith Dr. Amir – veterinário de resgates internacionais Dr. Suleyman – veterinário curdo Marlies – assistente do dr. Amir O comandante – líder do exército iraquiano na província de Nínive Heba – noiva de Marwan
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ABU LAITH
abu laith não era do tipo que deixa outro homem insultar
seu leão. Ainda mais um sujeito com aquela aparência. Ele usava uma camisa de manga curta, bem passada, e tinha jeito de funcionário público. Carregava um bebê no braço esquerdo. Na mão direita, segurava uma vara de bambu, arrancada das margens do Rio Tigre, com a qual cutucava o filhote de leão de Abu Laith, recémadquirido, que dormia na jaula. A esposa do homem e seus outros filhos também estavam presentes e observavam com uma expressão de insatisfação. Apesar dos esforços dele, cutucar o leão com a vara não estava produzindo nenhum efeito mensurável no animal, que sequer se mexia. Tudo isso foi registrado na mente de Abu Laith enquanto ele corria pelo zoológico em direção ao homem, que não percebera sua aproximação. Eram 7h30 da noite naquele zoológico junto ao Rio Tigre, e anoitecia com tons róseos no Centro Antigo de Mossul. Algumas famílias estavam sentadas no café ao ar livre do zoológico, tomando Pepsi gelada e xícaras de chá. Os ursos estavam deitados em suas jaulas quando Abu Laith passou a toda por eles. – O que você está fazendo? – gritou o autonomeado tratador do zoológico, que raramente falava sem ser aos berros. – Saia já daqui! O homem, que não percebera o perigo que corria, mal olhou para ele. – Por que os bichos não estão fazendo nada? – perguntou o sujeito, irritado. – Nós pagamos para vê-los. 11
Abu Laith parou abruptamente diante da família. – Porque estão de barriga cheia! – gritou. – Acabaram de comer. Os bichos, quando estão de barriga cheia, dormem. O homem, que sequer ouvia, continuou cutucando o filhote de leão. Perto dele, a mãe e o pai do leão – que os empregados do zoológico chamavam simplesmente de Mãe e Pai – também dormiam. – Pagamos para vê-los fazer alguma coisa – disse o homem, cutucando o filhote de leão novamente. – O que você faria se eu ficasse cutucando seus filhos com uma vara? – Abu Laith disparou, avançando sobre a família. O homem, que finalmente captara a mensagem, recuou, e a família também, assustada. – Eu não volto mais aqui! – exclamou o homem, curto e grosso. – Ótimo – disse Abu Laith, enquanto os visitantes viravam as costas e saíam às pressas. – E é melhor que não voltem mesmo, senão vou dar vocês de comer para o meu leão. Resmungando baixinho, Abu Laith voltou sua atenção para o filhote. Ele dormia pesado e parecia mais um cachorro de porte médio e pelo ruivo do que um leão. Nenhum dos funcionários do zoológico que perambulavam à toa pelo parque reagiu ao acesso de Abu Laith. Estavam acostumados. Todos viviam dizendo que o próprio Abu Laith parecia um leão, e era verdade. Tinha menos de um metro e setenta, uma barriga firme feito um barril e o cabelo alaranjado, formando um halo opaco. O nariz parecia escavado de uma rocha e salpicado de sardas. Falava meio rugindo. Por isso ganhara o apelido de Abu Laith, que, em tradução livre, significa “Pai dos Leões”. Desde que conseguia lembrar, Abu Laith sempre amara os animais, e se dedicara muito mais a eles do que aos humanos. Havia criado cachorros, pombos, coelhos, gatos e besouros, e os segurado nas mãos quando morreram. No aniversário de sua terceira filha mais velha, enfiara um rebanho de carneiros na casa da família. Uma vez dera banho num bebê macaco no seu jardim. 12
Tinha uma última e permanente ambição: viver numa fazenda com grandes predadores vagando livres em volta dele. Em Mossul, isso era considerado uma ambição suspeita. Possivelmente tinha algo a ver com as restrições aos animais no Corão e no Hádice. Nos textos sagrados, cachorros eram considerados haram – proibidos –, ao lado dos porcos, burros, lobos, vaga-lumes (e todos os animais sem sangue), cobras e camaleões (animais que têm sangue, mas que não flui). A maioria das pessoas, mesmo as não religiosas, achava os cachorros impuros e, de algum modo, repulsivos, do jeito que as pessoas na Europa veem os ratos: transmissores da peste e animais sujos que poluem seu entorno. Embora algumas famílias tivessem bichos de estimação, era malvisto possuir vários animais. Entre as pessoas daquela grande cidade junto ao Tigre, as que gostavam de animais tinham uma reputação negativa, como vigaristas, brigões e pedintes. Os criadores de pombos, especialmente, que eram uma fraternidade à qual Abu Laith também pertencia, costumavam ser vistos como espertalhões. Pelas leis iraquianas, donos de pombos não eram confiáveis o suficiente para testemunhar em tribunais. Tinham fama de briguentos e de beber muito uísque. Abu Laith encaixava-se nesse estereótipo. Era um shaqawa – uma espécie de malandro de bom coração do bairro. O tipo de homem que você provavelmente vai chamar se precisar de um par de punhos extra numa briga, ou se alguém andou assediando sua filha e você precisa de um valentão para dar-lhe um bom susto. Ele nunca deixava outra pessoa pagar o almoço, e sempre emprestava dinheiro aos parentes, mesmo sabendo o quanto eram avarentos. Desde jovem, Abu Laith ganhava a vida como mecânico, consertando os carros da vizinhança. No início, fazia uns poucos dinares aqui e ali, mas agora tinha uma grande oficina com vários empregados, e cobrava centenas de dólares para consertar aqueles carrões norte-americanos que faziam o gosto da elite de Mossul. Mas isso era apenas uma distração do seu verdadeiro amor: animais grandes e perigosos. Em 2013, ele decidira dar um grande passo, na esperança de mudar sua vida. Construiria seu próprio zoológico: um grande espaço aberto com um parque para os animais vagarem e com blocos de escritórios e apartamentos em volta. Não se importava com o fato de a cidade estar 13
sendo atormentada por ataques suicidas e sequestros. Na mente de Abu Laith, a construção seria nos moldes de Dubai – elegantes arranha-céus e terrenos amplos às margens de um imenso curso d’água, embora nesse caso fosse o Tigre, e não o Golfo Pérsico. Enquanto recolhia fundos, pegando dinheiro de volta de parentes avaros e de agiotas linha-dura, ia procurando um terreno. Descobriu uma grande extensão gramada à venda, na margem leste do Tigre. Já havia um zoológico ao lado. Para Abu Laith, o plano parecia fadado ao sucesso, desde que os dois negócios pudessem se fundir num grande zoológico. Assim que terminasse a nova construção, poderia comprar os animais do zoológico existente e acrescentar outros se fosse preciso. Numa manhã de sol, foi conversar com o dono do zoológico, um homem rico de Mossul, conhecido como Ibrahim, que morava em Erbil, cidade curda oitenta quilômetros a leste. Como a maioria das pessoas ricas de Mossul, Ibrahim escondia o fato de que tinha dinheiro, para não atrair sequestradores e parasitas. Quando circulava por Mossul, pegava táxi. Usava roupas de baixa qualidade, em vez de ternos finos. Abu Laith percebeu isso e compreendeu de que maneira poderia ser-lhe útil. – Sei que você não pode ficar aqui de olho no seu negócio – disse a Ibrahim, quando foi vê-lo. – Mas eu entendo de animais e conheço Mossul. Se trabalharmos juntos, garanto que seus animais serão bem cuidados. E então poderemos expandir o negócio juntos e ganhar dinheiro com isso. Na realidade, porém, e Abu sabia muito bem disso, os animais no zoológico de Ibrahim estavam num estado deplorável. Ele tinha ido até lá algumas vezes para dar uma olhada e ficara chocado. Os ursos – uma fêmea de urso-pardo sírio chamada Lula e o companheiro dela, que não tinha nome – viviam irritados e angustiados com os rojões que o pessoal soltava para entreter os visitantes quase toda sexta-feira à noite, perto do zoológico. Os pôneis eram pele e osso, e os leões, em suas jaulas de metal, do tamanho de um carro mais ou menos, viviam entediados e largados para assar no sol. Abu Laith decidiu intervir e transformar aquele parque meio caído num zoológico de verdade. Com a anuência de Ibrahim, passou a visitar os animais ao sair da sua oficina de reparos. Abu Laith, apesar de nunca 14
ter sido tratador de zoológico, passara a vida preparando-se para esse papel. Por passar horas assistindo ao canal da National Geographic, uma obsessão de anos – o canal ficava ligado o tempo todo em sua casa –, e por ser dono de dezenas de bichos, acumulara um conhecimento sobre os animais que ele julgava inigualável. Ao ser liberado para cuidar do zoológico de Ibrahim, foi como se uma bomba tivesse caído do céu. Os empregados do zoológico logo passaram a fugir de mansinho ao verem aquele homem robusto de cabelo avermelhado indo atrás deles. Era inevitável que saísse gritando com eles por não terem limpado as jaulas, ou por terem dado cevada aos leões. – Leão precisa comer carne – ele disparava. – Carne fresca, de bicho que acabou de morrer. Abu Laith estava feliz da vida. Logo iria conseguir juntar fundos suficientes, pelo menos assim esperava, para começar a construir o próprio parque no terreno, por enquanto vazio, que havia comprado ao lado do zoológico. Quando estivesse pronto, os animais poderiam vagar livres, em vez de ficarem presos naquelas jaulas pequenas e quentes. Isso começou com o leão. No início de 2014, fazia seis meses que Abu Laith era o orgulhoso dono de um filhote de leão, de pelo alaranjado e com uma fenda no lábio superior, que o bichinho prendera numa cerca de galinheiro que Abu Laith colocara imprudentemente para proteger a jaula de cutucadores e outros perturbadores da paz alheia. O filhote de leão foi sua primeira aquisição para o novo zoológico – o primeiro animal que era dele de fato, e não de Ibrahim. Encontrara o filhote na casa de Ahmed, meia hora a leste do Centro Antigo. Ahmed trabalhava no zoológico e tirava Abu Laith do sério, por andar sempre de moletom e não levar em conta os hábitos alimentares corretos dos animais. Fazia já um tempo que Abu Laith desconfiava que Ahmed escondia algo dele, relacionado à gravidez de uma leoa, trazida ao zoológico dois anos antes junto com seu companheiro macho. Abu Laith suspeitava que quando a leoa desse cria, Ahmed tentaria roubar a ninhada e vender os filhotes sem o conhecimento do dono do zoológico. Embora Abu Laith fizesse, muitas vezes, vista grossa para alguns furtos, não iria permitir que nenhum leãozinho fosse surrupiado. Como autoproclamado gerente do zoológico de Ibrahim, já decidira de 15
antemão que tinha direitos sobre os filhotes de leão e que iria comprar o maior número possível deles assim que a leoa desse cria. Embora nunca tivesse visto leões em seu habitat selvagem, Abu Laith sabia muito a respeito deles graças à National Geographic. Sabia, por exemplo, que os leões afiam suas garras nas pedras e gostam de dormir depois de comer. Para Abu Laith, Ahmed só queria saber de dinheiro. Assim, no dia em que a leoa grávida começou a parecer de novo um pouco mais magra, sem sinal dos filhotes por ali, Abu Laith suspeitou na mesma hora que alguma coisa estava acontecendo. Mantendo a serenidade, ficou em frente à casa de Ahmed, esperando que seu filho mais velho passasse ali pela rua. – Filho – Abu Laith chamou, como quem não quer nada. – Você por acaso sabe onde seu pai guardou os filhotes de leão? – Estão lá em casa – disse o garoto. Não demorou e Abu Laith já estava estacionando seu carrão americano em frente à casa de Ahmed, um predinho com garagem. Na garagem, o funcionário do zoológico, sentado, espiava dentro de uma modesta estrutura de tijolos contendo dois leõezinhos bem pequenos, não maiores do que um filão de pão. Abu Laith ficou furioso. – Por que você separou os dois da mãe deles? – gritou, entrando de repente na garagem. – Agora, se ela vir os filhotes, vai sentir cheiro de humanos no pelo deles e vai comer os dois. Ahmed, tranquilo, de moletom, não parecia ligar muito. – Qual dos dois você quer, então? – perguntou, visivelmente contrariado por ter sido descoberto. Abu Laith agachou-se e observou os leões com olhar profissional. Movendo-se bem devagar, para não assustá-los, abriu a porta do cercadinho. Na mesma hora, um dos filhotes saiu e saltou sobre uma cadeira de plástico que ficava no meio da garagem. – Este é meu – ele declarou, sorrindo para o jovem leão, que olhou para ele de volta, tranquilo. Em questão de dias, Abu Laith havia instalado o filhote numa jaula vizinha à dos pais dele no zoológico de Ibrahim. Depois de refletir por um tempo, Abu Laith decidiu dar ao filhote o mesmo nome do pequeno leão de um desenho animado sobre animais 16
da savana africana ao qual assistira com os filhos, com legendas mal traduzidas em árabe. Iria chamá-lo de Zombie. Imediatamente passou a treinar o leão. Ensinou Zombie a sentar quieto fora da jaula enquanto ele a limpava. Quando o mandava voltar para a jaula, Zombie obedecia. O filhote sabia que não devia incomodar os outros animais do zoológico. Diante da jaula de Zombie viviam os dois ursos-pardos – Lula e o companheiro dela. Abu Laith percebia que o urso macho era fortíssimo e protegia Lula muito bem. Uma vez os tratadores do zoológico tentaram transferi-lo para outra jaula e separá-lo de sua companheira, mais ele urrara e lutara de tal modo que acabaram desistindo. Lula era uma criatura tranquila, que adorava mel. Quando Abu Laith terminava o serviço na sua oficina mecânica, ia até o zoológico levando meio quilo de mel para ela, que comia tudo e lambia as patas. Lula gostava de maçãs, mas só se elas não tivessem tocado o chão. Era uma ursa muito limpa. O treinamento continuou acelerado, e, em poucos meses, Abu Laith já tinha certeza, com a confiança de um homem que conhecera apenas quatro leões em sua vida, de que saberia identificar Zombie no meio de outros mil de sua espécie. Quando anoitecia, e as famílias e todas aquelas crianças pequenas e chatas iam embora, Abu Laith levava uma garrafa de uísque para o zoológico e se sentava com Zombie para confabular. – Se os animais são de fato impuros – ele às vezes se perguntava, com o olhar perdido na direção do Tigre, onde bambus farfalhavam –, por que Deus decidiu criá-los? O leão não era capaz de responder, mas Abu Laith achava que o bicho sabia do que ele estava falando. Alguns meses depois da chegada de Zombie ao zoológico, porém, os sonhos de Abu Laith de construir seu próprio parque selvagem no Tigre foram frustrados por um ataque suicida que matou um de seus sócios no empreendimento, bem no instante em que ele saía pelo portão da casa do amigo. Os dois haviam ficado bebendo no pátio da casa de Abu Laith, que sobrevivera, mas acabou sendo acusado pela polícia de ter ordenado a morte do sócio. 17
Como o homem morrera em frente à sua casa, Abu Laith sentiu-se obrigado a pagar uma indenização à família dele, num valor que praticamente consumiu toda a sua considerável fortuna, amealhada durante anos, poupando cada dólar que ganhava consertando carros americanos. Ao fim de quatro meses na prisão, libertado depois que a polícia concluiu que ele não era o assassino, Abu Laith foi até o zoológico ver Zombie, já desencantado com seus sonhos de recriar Dubai junto ao Tigre. Ele pôde perceber que o leão havia sentido falta dele.
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