Foto: Fabio Audi
“A vontade de Carlos, e também a nossa, claro, é ver onde o futuro vai dar, onde é que o mundo começa e termina, é ver como é a paisagem noturna da montanha aonde pretendem chegar, para estarem com Ernesto e Sérgio, para salvarem um homem, um pai, para se salvarem também. É ver como está o interior da cabana deles, se lá há uma pequena mesa no quarto onde Diana pode escrever novos poemas.”
Tarde no planeta é um romance sobre a dimensão que damos à ideia de finitude, sobre a nossa relação instável com o que entendemos por não humano e sobre a elasticidade dos laços familiares: quem – ou o que – podemos chamar de família?
“Um relato delicado e profundo do crescimento do filho apesar da mãe, e do crescimento da mãe apesar do filho. Uma história sobre a manutenção dos sonhos e da poesia no fim de cada um dos nossos mundos.” LEONARDO PIANA nasceu em Andra-
das, Minas Gerais, em 1992. É escritor e servidor público. Seu romance de estreia, Sismógrafo Sismógrafo,, venceu o Prêmio Cidade de Belo Horizonte, foi finalista dos prêmios Jabuti, São Paulo de Literatura e Mix Literário e teve os direitos vendidos para o cinema. Tarde no planeta, planeta, seu segundo romance, também venceu o Prêmio Cidade de Belo Horizonte.
MARIANA SALOMÃO CARRARA
ISBN 978-65-5928-621-8
9 786559 286218
Leonardo Piana
Carlos tem dezesseis anos e um segredo. De uma pequena cidade incrustada na Serra da Mantiqueira, ele sabe que o mundo está prestes a acabar numa catástrofe ambiental. Os sinais estão por todos os lados, ecoam na migração repentina das aves. Também na fome descomunal das vacas nos pastos, que comem, comem o tempo inteiro, porque todo fim dá mesmo um buraco gigante no estômago. Logo ali do lado, os peixes nadam contra a correnteza, e os gatos fogem dos seus donos em disparada. Mas o que fazer enquanto o relógio não dispara o momento final? Um poema de Drummond, que os personagens tanto repetem, parece trazer a resposta: Carlos, sossegue, o amor/ é isso que você está vendo. vendo. Com as desventuras de Carlos e de seu núcleo familiar, que dribla as regras da normatividade, Leonardo Piana escreveu uma fábula retratando nosso estranho começo de século, em que, se o apocalipse parece irrevogável, para nossas formas de estar no mundo ainda há alguma solução. Como dito por Adília Lopes, e retomado numa das páginas deste livro, Não é tarde/ é só/ de tarde. tarde.