Foto: Ferrante Ferranti
“A imaginação é assim tão ousada e caprichosa, a ponto de inventar uma lembrança e depois transformá-la em algo que percebemos como real?” De origem judaica, libanesa e polonesa, EDUARDO HALFON nasceu na Guatemala em 1971. Em 2007, foi nomeado um dos trinta e nove melhores jovens escritores latino-americanos pelo Hay Festival de Bogotá, sendo reconhecido como um dos grandes autores da atualidade. Com mais de vinte livros já publicados, traduzidos para cerca de quinze idiomas, sua obra transita entre a memória pessoal, a ficção e a reflexão histórica. Seu projeto literário, um dos mais relevantes da cena contemporânea, pode ser pensado como um palimpsesto. Muitas das histórias, dos personagens e dos elementos que integram seus livros reaparecem transformados em outros títulos, como ecos que se reconfiguram ao longo do tempo. Cada livro, embora possa ser lido isoladamente, se encaixa como peça de uma construção maior, coesa e sofisticada, ainda que em constante movimento.
Tarântula é um suspense que não se resolve num ato final de revelação, mas avança como uma espécie de dança, tão delicada quanto impactante, conduzindo o leitor no mesmo compasso em que a memória do narrador se recompõe. “Nunca se sabe se estamos diante de um relato ou de uma ficção. Essa ambiguidade é a marca do talento de Halfon, cuja prosa tem uma clareza quase ofuscante.” – Le Figaro “Uma pequena joia narrativa.” – El País
ISBN 978-65-5928-623-2
9 786559 286232
TRADUÇÃO
Silvia Massimini Felix
Eduardo Halfon | Tarântula
PRÊMIO MÉDICIS ÉTRANGER PRÊMIO DA CRÍTICA ESPANHOLA
Eduardo Halfon Tarântula
1984. Dois irmãos guatemaltecos, exilados há anos nos Estados Unidos, retornam à Guatemala para participar de um acampamento para crianças judias em uma floresta perdida nas montanhas do altiplano. Pouco sabem sobre seu país natal e já quase não falam espanhol. Seus pais insistiram: era preciso passar alguns dias no acampamento para aprender não apenas formas de sobrevivência na natureza, mas também formas de sobrevivência na natureza para crianças judias. “Não é a mesma coisa”, disseram. Mas os dias prometidos de aprendizado logo se transformam em uma experiência sinistra e desconfortável, em que cada um terá de encontrar a própria maneira de sobreviver. Neste livro, Halfon retorna a um acontecimento de sua infância, na Guatemala complexa e violenta dos anos 1980, e a partir dele junta as peças do quebra-cabeça que permitirá entender os eventos traumáticos que se desenrolaram naqueles dias – bem como a estranha lembrança de uma tarântula rastejante que o assombra. Tarântula é um romance sobre herança individual e coletiva e, ao dar merecido protagonismo às incertezas e às ambiguidades da memória, este pequeno grande livro ecoa como um grito ouvido na madrugada.